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IMPACTOS DA GLOBALIZAÇÃO 
NO CONTEXTO DA SEGURANÇA 
ALIMENTAR
PROFESSOR
Dr. André Álvares Monge Neto
ACESSE AQUI 
O SEU LIVRO 
NA VERSÃO 
DIGITAL!
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2688
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/2688
EXPEDIENTE
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. 
Núcleo de Educação a Distância. NETO, André Álvares Monge.
Impactos da Globalização no Contexto da Segurança 
Alimentar. 
André Álvares Monge Neto.
Maringá - PR.: UniCesumar, 2020. 
144 p.
“Graduação - EaD”. 
1. Globalização 2. Segurança 3. Alimentar. EaD. I. Título. 
FICHA CATALOGRÁFICA
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360 
Coordenador(a) de Conteúdo 
Maria Fernanda Francelin Carvalho
Projeto Gráfico e Capa
Arthur Cantareli, Jhonny Coelho
e Thayla Guimarães
Editoração
Lucas Pinna Silveira Lima
Design Educacional
Jociane Karise Benedett
Revisão Textual
Ana Carolina Ribeiro
Ilustração
Bruno Cesar Pardinho
Fotos
Shutterstock CDD - 22 ed. 613.2 
CIP - NBR 12899 - AACR/2
ISBN 978-65-5615-081-9
Impresso por: 
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
DIREÇÃO UNICESUMAR
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Design Educacio-
nal Débora Leite Diretoria de Graduação Kátia Coelho Diretoria de Pós-Graduação Bruno do Val 
Jorge Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane 
Yoshie Fukushima Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira Gerência de 
Curadoria Carolina Abdalla Normann de Freitas Gerência de Contratos e Operações Jislaine Cristina 
da Silva Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Projetos Especiais 
Daniel Fuverki Hey Supervisora de Projetos Especiais Yasminn Talyta Tavares Zagonel
Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração 
Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva 
Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi
BOAS-VINDAS
Neste mundo globalizado e dinâmico, nós tra-
balhamos com princípios éticos e profissiona-
lismo, não somente para oferecer educação de 
qualidade, como, acima de tudo, gerar a con-
versão integral das pessoas ao conhecimento. 
Baseamo-nos em 4 pilares: intelectual, profis-
sional, emocional e espiritual.
Assim, iniciamos a Unicesumar em 1990, com 
dois cursos de graduação e 180 alunos. Hoje, 
temos mais de 100 mil estudantes espalhados 
em todo o Brasil, nos quatro campi presenciais 
(Maringá, Londrina, Curitiba e Ponta Grossa) e 
em mais de 500 polos de educação a distância 
espalhados por todos os estados do Brasil e, 
também, no exterior, com dezenas de cursos 
de graduação e pós-graduação. Por ano, pro-
duzimos e revisamos 500 livros e distribuímos 
mais de 500 mil exemplares. Somos reconhe-
cidos pelo MEC como uma instituição de exce-
lência, com IGC 4 por sete anos consecutivos 
e estamos entre os 10 maiores grupos educa-
cionais do Brasil.
A rapidez do mundo moderno exige dos edu-
cadores soluções inteligentes para as neces-
sidades de todos. Para continuar relevante, a 
instituição de educação precisa ter, pelo menos, 
três virtudes: inovação, coragem e compromis-
so com a qualidade. Por isso, desenvolvemos, 
para os cursos de Engenharia, metodologias ati-
vas, as quais visam reunir o melhor do ensino 
presencial e a distância.
Reitor 
Wilson de Matos Silva
Tudo isso para honrarmos a nossa mis-
são, que é promover a educação de qua-
lidade nas diferentes áreas do conheci-
mento, formando profissionais cidadãos 
que contribuam para o desenvolvimento 
de uma sociedade justa e solidária.
P R O F I S S I O N A LT R A J E T Ó R I A
Professor Dr. André Álvares Monge Neto
Doutor em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Maringá (2017). 
Mestre em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Maringá (2013) e 
graduação pela Universidade Estadual de Maringá (2010). Tem experiência na área 
de Ciência e Tecnologia de Alimentos, com ênfase em Engenharia de Alimentos. 
http://lattes.cnpq.br/4399676957675920
A P R E S E N TA Ç Ã O D A D I S C I P L I N A
IMPACTOS DA GLOBALIZAÇÃO NO CONTEXTO 
DA SEGURANÇA ALIMENTAR
Saudações, caro(a) leitor(a)!
Este livro revelará diversos aspectos sobre os “Impactos da Globalização no Contexto da Se-
gurança Alimentar”. A segurança alimentar, por si só, trata-se de um assunto multidisciplinar. 
No entanto, quando se trata da intersecção dos temas de segurança alimentar e da globa-
lização, o assunto fica ainda mais envolvido por conteúdos de diversas áreas. Dessa forma, 
cada unidade abordará diversos temas que impactam, de alguma forma, o tema alimentação 
e, por consequência, a segurança alimentar.
Na primeira unidade, o foco principal será “Globalização e alteração nos hábitos alimentares”, 
em que falaremos a respeito das alterações nos hábitos e na alimentação decorrentes da glo-
balização, que é algo antigo, difundido em diversos períodos da história. Na atualidade, com 
o advento da internet e a rapidez nas informações, os hábitos alimentares, provenientes de 
diversas regiões globais, são comuns fora dos seus países de origem. Além disso, esta grande 
difusão, faz com que voltemos nosso olhar para alguns hábitos da nossa região, valorizando-os.
Nas Unidades 2 e 3, serão abordados diversos temas a respeito da influência na comercializa-
ção de alimentos em diversos países: organização de países em blocos econômicos, logística 
para exportação e técnicas para garantir a qualidade de alimentos exportados em longas 
distâncias e normas para certificação da qualidade em segurança alimentar.
Na Unidade 4, o tema geral é “Tipos de certificação existentes para exportação de alimentos”. 
Dessa forma, serão abordadas outras certificações pertinentes, as quais focam em assuntos 
atuais: produção de alimentos orgânicos, produção de alimentos por técnicas agroecológicas, 
selos que identificam práticas de pagamento justo aos produtores, alimentos com identificação 
geográfica e alimentos com selos, os quais respeitam religiões/culturas específicas: Halal e Kosher.
Na Unidade 5, falaremos de tendências mundiais na área de alimentos: inovações em pro-
cessos não térmicos, inovações de embalagens e produtos substitutos da carne. Você verá 
que elas inovações ocorrem, simultaneamente, ao redor do mundo!
Só por esta breve apresentação, já dá para perceber que trataremos de assuntos muito 
diferentes. Vamos começar? Boa leitura!
ÍCONES
Sabe aquela palavra ou aquele termo que você não conhece? Este ele-
mento ajudará você a conceituá-la(o) melhor da maneira mais simples.
conceituando
No fim da unidade, o tema em estudo aparecerá de forma resumida 
para ajudar você a fixar e a memorizar melhor os conceitos aprendidos. 
quadro-resumo
Neste elemento, você fará uma pausa para conhecer um pouco 
mais sobre o assunto em estudo e aprenderá novos conceitos. 
explorando ideias
Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e 
transformar. Aproveite este momento! 
pensando juntos
Enquanto estuda, você encontrará conteúdos relevantes 
online e aprenderá de maneira interativa usando a tecno-
logia a seu favor. 
conecte-se
Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar 
Experience para ter acesso aos conteúdos online. O download do aplicativo 
está disponível nas plataformas: Google Play App Store
CONTEÚDO
PROGRAMÁTICO
UNIDADE 01 UNIDADE 02
UNIDADE 03
UNIDADE 05
UNIDADE 04
FECHAMENTO
GLOBALIZAÇÃO E
ALTERAÇÃO
NOS HÁBITOS 
ALIMENTARES
8
EXPORTAÇÃO DE
PRODUTOS
ALIMENTÍCIOS
30
55
GARANTIA DA 
QUALIDADE
DE PRODUTOS
PARA EXPORTAÇÃO
77
TIPOS DE 
CERTIFICAÇÃO
EXISTENTES PARA
EXPORTAÇÃO DE 
ALIMENTOS
105
TENDÊNCIAS E 
INOVAÇÕES
GLOBAIS NA
ÁREA DE ALIMENTOS
127
CONCLUSÃO GERAL
1
GLOBALIZAÇÃOE
ALTERAÇÃO
nos hábitos alimentares
PLANO DE ESTUDO 
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Histórico da comercialização de 
produtos alimentares • Alimentação global na atualidade • Do local para o global.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
• Apresentar a importância histórica da comercialização de alimentos em eventos históricos: comércio 
de especiarias do Oriente, grandes navegações e difusão de espécies exóticas na fauna e na flora de 
países colonizados • Relacionar a facilidade da comunicação e o advento da internet com alterações nos 
hábitos de consumo de alimentos ao redor do mundo • Apresentar a padronização da alimentação de-
vido a grandes redes produtoras de alimentos e industrialização • Ressaltar a importância de voltarmos 
a olhar para os alimentos regionais, o desenvolvimento local, a identidade cultural e o aproveitamento 
integral das matérias-primas.
PROFESSOR
Dr. André Álvares Monge Neto
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), para dar início à primeira unidade do conteúdo da dis-
ciplina de Impactos da Globalização no Contexto da Segurança Alimentar, 
devemos contextualizar os efeitos que o comércio global de alimentos no 
passado e no presente ainda causam nos nossos hábitos.
Na primeira aula, estudaremos uma classe de matérias-primas que tive-
ram muita importância em determinado momento da história mundial: as 
especiarias! Estas, antigamente, possuíam elevado valor de mercado e eram 
produzidas em locais distantes dos grandes centros europeus da época. 
Dessa forma, diversas rotas comerciais para o Oriente se estabeleceram e 
impactaram, diretamente, a sociedade da época.
Além disso, neste mesmo período, iniciaram-se as grandes navegações 
e a colonização de novos continentes. Assim, novos produtos alimentícios 
foram explorados e cultivos exóticos foram introduzidos. A introdução 
de culturas na América do Sul, incluindo o Brasil, ajudaram a formar os 
hábitos alimentares brasileiros, presentes até os dias de hoje.
Com o passar do tempo, novos povos chegaram em solo brasileiro e 
influenciaram a nossa alimentação. Italianos, árabes, japoneses, alemães 
e outros deixaram, em nossa cultura culinária, marcas importantes, 
vistas no dia a dia das nossas mesas. Todas estas culturas gastronômicas 
foram importantes para a criação de uma identidade cultural alimentar 
em cada região do nosso país.
Além da imigração, o aumento da velocidade das informações, aliada 
ao estabelecimento da industrialização dos alimentos, provocou uma onda 
global na alimentação. Assim, o mesmo alimento consumido aqui, no nosso 
país, pode ser consumido do outro lado do mundo!
Esta padronização dos alimentos, atualmente, também nos faz olhar 
com mais cuidado para os produtos locais, ou seja, à alimentação como 
patrimônio cultural de determinada região. Assim, os hábitos alimentares 
se tornaram importantes para atrair o turismo e incentivar algumas regiões. 
É a curiosidade de uma população global pelo regional! 
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HISTÓRICO DA
COMERCIALIZAÇÃO
de produtos alimentares
A comercialização de alimentos é uma prática que vem se tornando mais comum 
e mais rápida nos tempos atuais, devido ao grande avanço nos meios de trans-
porte e de comunicação. No entanto essa prática ocorre há muitos anos e já foi 
essencial para a economia de diversos países.
A comercialização de especiarias para melhorar o sabor dos alimentos e 
conservá-los por mais tempo, a descoberta de novas rotas para a comerciali-
zação destes temperos, a exploração de novas terras e o transporte de plantas 
e animais ao redor do globo terrestre são grandes exemplos da importância 
histórica desta prática comercial.
Desta forma, caro(a) aluno(a), a compreensão destes eventos históricos e sua 
correlação com os hábitos alimentares da época são essenciais para a compreen-
são dos costumes à mesa, os quais serão apresentados nesta atualidade.
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Figura 1 - Especiarias orientais
A importância das especiarias
Nos dias atuais, sabe-se que as especiarias apresentam alta estabilidade frente 
à ação microbiana, ou seja, os microrganismos presentes neste tipo de produto 
apresentam crescimento lento, ou ainda, uma total supressão de sua carga. Isto 
acontece por possuírem, naturalmente, diversas substâncias antimicrobianas em 
sua composição, podendo substituir conservantes artificiais em alimentos. Além 
deste motivo, o uso de especiarias, em formulações alimentícias, tende a propiciar 
a redução de sal e açúcar em determinados produtos, possuindo, também, um 
apelo nutricional que estimula a sua utilização (TRAJANO, et al., 2009). 
As especiarias têm apresentado muito destaque, desde tempos antigos. Gran-
des rotas comerciais já foram desenvolvidas para garantir o abastecimento deste 
tipo de produto, em diversas regiões mundiais. Flandrin e Montanari (2018) em 
seu livro História da Alimentação, apresentam um panorama bem completo da 
importância das especiarias nos séculos XIV, XV e XVI. Desta forma, os próximos 
parágrafos explorarão trechos desta obra para elucidar melhor a você, caro(a) 
aluno(a), a importância destes ingredientes.
Por tradição, especiaria era o termo utilizado para se referir a produtos exó-
ticos, vindos de longe. Este tipo de produto era utilizado pelos cozinheiros para 
aromatização e para conservação dos alimentos e, também, como medicamento, 
ao atribuir propriedades medicinais a alguns produtos:
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 ■ Pimenta-do-reino: relatava-se a sua utilização às diversas propriedades 
terapêuticas para manutenção da saúde. Confortar o estômago, dissipar 
os gases, fazer urinar, curar calafrios, curar picadas de cobras e provocar 
aborto de fetos mortos eram algumas das propriedades medicamentosas 
relatadas sobre esta especiaria.
 ■ Cravo-da-índia: a sua utilização já foi descrita para a melhoria da saúde 
de olhos, fígado, coração e estômago. Seu óleo era, também, relacionado 
à melhoria de diarreia e de problemas do estômago.
 ■ Canela: considerada importante por reforçar a virtude do fígado e 
do estômago.
Além de apresentar muita importância em aliviar sintomas de doenças nos sé-
culos XIV, XV e XVI, as especiarias eram extremamente importantes nos hábitos 
alimentares de algumas pessoas que viviam naquela época, principalmente os 
nobres. Os autores Flandrin e Montanari (2018) destacam, ainda, que justificati-
vas como conservar carnes e mascarar o gosto ruim das carnes malconservadas 
são, por si só, insuficientes para justificar o amplo comércio de especiarias que 
se desenvolveu na época. Aliadas a este fato, encontram-se outras explicações:
 ■ A utilização culinária de especiarias era uma forma de distinção social, 
ou seja, quanto maior o número de especiarias diferentes nas refeições, 
maior a fortuna e melhor a posição social da família que oferecia o jantar.
 ■ Devido às Cruzadas no Oriente, os ocidentais europeus aprenderam a ad-
mirar a culinária árabe. Assim, diferentes povos europeus criaram rota para 
diferentes regiões orientais, como Egito e Síria, para comércio de especiarias.
Considerando todas as informações já citadas, pode-se entender que, na Europa 
antiga, as especiarias eram consideradas essenciais por compor os conservan-
tes de alimentos e por serem utilizadas como remédios, afrodisíacos, temperos, 
perfumes e incensos. Isto justifica o alto investimento em criar rotas comerciais 
para este tipo de produto, naquela época, o que causaria importante impacto no 
comércio exterior de alimentos.
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Grandes navegações e outras rotas comerciais
“Foi a busca das especiarias – assim como a do ouro e da prata – que lançou os 
europeus à conquista dos oceanos e dos outros continentes, revolucionando, com 
isso, a história do mundo” (FLANDRIN; MONTANARI, 2018, p. 478). Conside-
rando o trecho extraído do livro A História da Alimentação, notamos que não 
houve exagero ao falar que o comércio de especiarias revolucionou o mundo. 
Como já exposto, as especiarias possuíamgrande importância na sociedade da 
época do século XIV, XV e XVI e, consequentemente, alto valor agregado, o que 
justificava o investimento de muitos países ao criarem rotas para a sua comercia-
lização. Isso faz com que o comércio de especiarias seja um dos primeiros grandes 
eventos que coloca a compra e venda de alimentos em escala global.
As especiarias eram produzidas em regiões com clima muito diferentes do 
europeu: Ásia tropical e florestas quentes e úmidas. Assim, o comércio a lon-
gas distâncias era uma atividade importante e muito rentável (RODRIGUES; 
SILVA, 2010). Em busca de novas rotas, os navegadores das grandes potências 
marítimas saíram em direção ao sul do globo, contornando o continente afri-
Flandrin e Montanari (2018), em seu livro, apontam muitas incoerências na justificativa 
das especiarias serem importantes para conservação de carnes, ao mascarar gosto ruim 
em alimentos estragados. Os autores falam que os principais conservantes utilizados nos 
séculos XIV, XV e XVI eram o sal, o vinagre e o óleo. As especiarias, apesar de serem utili-
zadas, em maior quantidade, quando destinadas a preparos de carnes destinadas para o 
consumo em lugares distantes, não apresentavam poder de conservação tão alto como o 
sal. Além disso, os autores alegam que existiam regulamentos municipais na época que 
proibiam a venda de carne há mais de um dia, no verão, e há mais de três dias, no inver-
no. Assim, os autores concluem que a maioria das carnes comercializadas eram frescas. 
Ainda, por fim, os autores afirmam que, caso existisse o consumo de carnes estragadas, 
este seria realizado por uma parcela mais pobre da população, que não tinha condições 
econômicas de pagar o alto preço cobrado pelas especiarias.
Fonte: adaptado de Flandrin; Montanari (2018).
explorando Ideias
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cano e, a oeste, resultando na ocupação 
das Américas pelos europeus.
A ocupação de novas regiões do 
globo pelos europeus, como as Amé-
ricas, trouxe muitos desafios relacio-
nados a hábitos alimentares: como 
cultivar em regiões tão quentes? Quais 
materiais presentes neste ambiente po-
dem ser explorados comercialmente? 
Quais plantas se adaptariam neste novo 
clima? Como obter carne, se não tenho 
experiência em caçar os animais pre-
sentes neste ambiente desconhecido? 
A resposta para todas estas perguntas 
causou grande impacto nos ambientes 
colonizados e proporcionou muitas ri-
quezas para alguns países europeus.
A exploração e a inserção 
de espécies exóticas nas 
colônias
Santos, Conceição e Bracht (2013) 
destacam, em seu artigo, as muitas 
dificuldades de adaptação dos hábitos 
alimentares, em terras brasileiras, no 
início da colonização. Segundo estes 
autores, os portugueses, ao tentarem 
introduzir espécies vegetais, caracte-
rísticas da Europa, em solo brasileiro, 
tiveram dificuldades, como a adapta-
ção das plantas ao clima, principal-
mente devido à troca de estações, ao 
migrar para outro hemisfério do glo-
bo, incidência de chuvas diferentes do 
Figura 2 - 
Ilustração 
de caravela 
portuguesa
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clima europeu e, ainda, esterilidade 
de alguns vegetais. Esta esterilidade 
ocorria devido à falta de agentes po-
linizadores com características espe-
cíficas para plantas europeias.
Os europeus também trouxeram espécies 
de diferentes animais de corte: galinhas, 
porcos, ovelhas, cabras e gado bovino, os 
bovinos começaram a desembarcar no 
Brasil em 1533. No entanto a adaptação 
destas espécies também demandou tem-
po, devido às diferentes condições climá-
ticas presentes no Brasil, como pragas e 
predadores, diferentes dos presentes na 
Europa: morcegos hematófagos, gran-
des felinos e ectoparasitos hematófagos, 
como percevejos, pulgas, carrapatos e 
bichos de pé (SILVA; BOAVENTURA; 
FIORAVANTI, 2012; SANTOS; CON-
CEIÇÃO; BRACHT, 2013).
Apesar da necessidade de um tem-
po de adaptação, a inserção de espécies 
As abelhas europeias (Apis melífera) evoluíram 
em conjunto com as espécies inicialmente tra-
zidas pelos portugueses, nativas da região me-
diterrânica central e costa ocidental europeia 
como a salsa (Petroselinum crispum) e a couve 
(Brassica oleracea). Assim, a ausência do agen-
te polinizador explica a esterilidade destas pri-
meiras plantas europeias cultivadas no Brasil. 
As abelhas europeias foram introduzidas ao 
nosso país apenas no século XIX.
Fonte: Santos, Conceição e Bracht (2013).
explorando Ideias
Figura 3 - Cana-de-
açúcar, primeiro 
produto de muita 
importância 
cultivado no Brasil
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exóticas, nesta época, foi bem-sucedida e impactou a produção agroindustrial 
do Brasil e os hábitos alimentares até os dias de hoje. Muita gente nem imagina 
os pratos da culinária brasileira sem alguns dos temperos inseridos nessa época, 
além de um bife bovino!
Algumas especiarias americanas foram exploradas logo no início da colonização 
brasileira, como é o caso dos “pimentos”. Bracht, Conceição e Santos (2011) afir-
mam que os pimentos do gênero Capsicum (dedo-de-moça, piri-piri, tabasco, 
jalapeño, pimentão e pimenta doce) eram transportados pelos navegadores, a 
partir do século XVI, para a Europa, juntamente com o pau-brasil. Eles ainda afir-
mam que estas espécies tornaram-se importantes como ingredientes culinários e 
como recursos vitamínicos, no cotidiano dos navegantes da época.
Algumas espécies introduzidas no território brasileiro acabaram se tornando 
grandes cultivos, muito importantes para a história brasileira, e que permanecem 
assim, de alguma forma. Como exemplo, podemos mencionar a cana-de-açúcar, 
originalmente nativa do sul do Pacífico, foi trazida pelos portugueses para o Bra-
sil. Nesta época, o açúcar já possuía importância na gastronomia de alguns países 
e, consequentemente, importância econômica. Devido às condições climáticas, o 
açúcar não era produzido na Europa Ocidental, devendo ser importado e, conse-
quentemente, possuindo alto valor de mercado (Lima et al., 2007). 
Nesta época, na qual a cana-de-açúcar chegou ao Brasil, os portugueses já 
eram os principais produtores de açúcar no mundo e possuíam conhecimento 
deste cultivo, adquiridos na produção do reino e da Ilha da Madeira. Após a 
instalação da cultura no Brasil, Pernambuco logo se destacou como o maior 
produtor de açúcar da colônia (LIMA et al., 2007). Ainda segundo Lima et al. 
(2007), o açúcar foi um dos produtos que mais movimentou e expandiu hori-
zontes da história da humanidade, revolucionando fatores relacionados ao uso 
deste ingrediente não só no paladar, na medicina e conservação de alimentos, 
A invasão de espécies exóticas pode causar problemas sociais e ambientais. Por estarem 
fora de seu habitat natural, sem os predadores tradicionais, estas espécies ameaçam ou-
tros ecossistemas ou outras espécies nativas, passando a exercer dominância em am-
bientes naturais.
Fonte: Caderno Ciência do Portal Terra (2019, on-line) ¹.
explorando Ideias
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como também em mudanças sociológicas. Como exemplo, os autores citam 
que o ciclo do açúcar trouxe pobreza, escravidão e opressão que, até hoje, pre-
valecem, de alguma forma, na sociedade atual.
Outro cultivo de planta exótica trazido ao Brasil, extremamente impor-
tante para a nossa história, foi o de café. Este foi trazido para o Brasil em 1727 
e, por várias décadas, foi a principal riqueza brasileira, chegando a ser 70 % 
das exportações do país, no período de 1925 até 1929 (FASSIO; SILVA, 2015). 
Segundo Patarra (2003), o período durante o ciclo de café no Brasil foi mar-
cado pelo intenso fluxo migratório, entre 1890 e 1920. Esta nova configuração 
social, ocorrida durante o ciclo do café, também pode ser observada hoje, na 
configuração social de algumas regiões.
Apenas com este breve panorama histórico, podemos observar que a produção 
e a comercialização de alimentos em torno do globo terrestre, têm alto poder de 
impacto, inserindo novos ingredientes nos hábitos alimentares de uma população 
e novas possibilidadesde cultivos em outras regiões. Além disso, a globalização, 
estudada no âmbito da produção de alimentos, causa grande impacto social, eco-
nômico e cultural. É um assunto que deve estudado com atenção por todos os 
profissionais que atuam na área de alimentos.
Plantas nativas das Américas também se tornaram muito importantes em diversas re-
giões do mundo. O milho (Zea sp.) é uma planta de origem americana que se disseminou 
ao redor do mundo. Isso ocorreu por sua capacidade de se adaptar a diversos climas, 
solos, quantidades de chuva e períodos de insolação. Assim, transformou-se em uma das 
mais importantes fontes de carboidratos das dietas de todos os continentes. A batata (So-
lanum tuberosum) também é um vegetal de origem americana, região dos Andes, bem di-
fundida ao redor do mundo. Essa difusão se iniciou, com mais força, na Europa, no século 
XIX, mas desde o século XVI, há tentativas de se implantar o seu cultivo em solo europeu. 
Outros exemplos de produtos tipicamente brasileiros difundidos por outras regiões do 
globo são: mandioca, mamão, pitanga e caju.
Fonte: Bracht, Conceição e Santos (2011).
explorando Ideias
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ALIMENTAÇÃO
GLOBAL NA
atualidade
É fato que a inserção de produtos originários de outras regiões na mesa da popu-
lação não é novidade (as especiarias citadas na aula anterior são exemplos disso). 
No entanto, com a era digital, a facilidade ao acesso à internet e, ainda, mais fa-
cilidades para viagens a regiões com outras culturas e hábitos alimentares. Além 
disso, a presença de imigrantes e refugiados espalhados por diversos países, faz 
com que a alimentação seja muito mais globalizada nos dias de hoje.
Os textos apresentados a seguir têm, como objetivo, explorar alguns pontos 
referentes ao consumo de alimentos de diferentes regiões fora do local original e 
apresentar o efeito da padronização da alimentação, devido à grande industria-
lização e franquias de fast food ao redor do globo.
Alimentação fora da sua região original: o caso da 
comida japonesa em São Paulo (SP)
Segundo Ribeiro e Paolucci (2006), a cidade de São Paulo apresenta um mix 
de culturas, no qual a diversidade é intensa, em cada bairro, identificam-se 
influências migratórias de diversas regiões do globo: Coréia, Oriente Médio, 
Itália e Japão, por exemplo.
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A influência japonesa na região é tão grande que São Paulo tem mais res-
taurantes japoneses que churrascarias (Associação Brasileira de Franchising 
- ABF, 2013, on-line)². Ainda segundo a associação, outros números sobre 
comida japonesa impressionam:
 ■ Apenas na cidade de São Paulo são feitos, por dia, aproximadamente, 400 
mil sushis.
 ■ O valor médio gasto em restaurantes japoneses é de R$ 37,37, enquanto que 
nas redes de sanduíches e pizzas, este valor fica entre R$ 12,85 e R$ 22,15.
Ribeiro e Paolucci (2006) destacam que não apenas japoneses e descendentes 
são adeptos dos hábitos culturais e culinários das regiões de comércio japonês 
da cidade de São Paulo:
 “ Um dos fatores mais importantes desse comércio é a observação de que não são apenas os japoneses ou seus herdeiros, nisseis e sanseis, que circulam pelos mercados e lojas orientais, na busca de 
raiz-forte ou de pastéis. Atualmente são muitos os brasileiros que 
se misturam aos rostos orientais nas lojas e mercados, já inicia-
dos nos segredos destes sutis sabores trazidos do extremo oriente 
(RIBEIRO; PAOLUCCI, 2006, p. 8).
Este trecho do artigo de Ribeiro e Paolucci (2006) mostra o quão impactante é a 
inserção de uma cultura diferente na população regional. A imigração japonesa 
no Brasil não é um evento muito antigo (se iniciou há pouco mais de 100 anos), 
e seus hábitos alimentares já estão absorvidos por grande parte da população.
Figura 4 - Comida típica japonesa, muito apreciada fora da sua região original
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Estudando este exemplo da influência japonesa, podemos estender estas 
conclusões para outras culturas e seus pratos típicos: a cultura árabe, a italiana, 
a chinesa, a alemã, a nordestina, entre outras. Ainda, devemos estar preparados 
para mais mudanças: a grande quantidade de imigrantes e refugiados que chegam 
ao Brasil atualmente, deixarão suas marcas na nossa cultura!
Além de absorver novos hábitos alimentares, a interação de duas culturas, 
uma nativa da região e uma introduzida por imigrantes, ocorre a interação en-
tre hábitos alimentares. Por exemplo, existem pizzas em suas versões originais, 
tradicionais da Itália, pizzas em versão brasileira, pizzas em versão norte-ame-
ricana. Isto nos mostra que os hábitos alimentares são absorvidos, adaptados e 
transformados para a nossa realidade (PROENÇA, 2010).
Produtos comercializados em todo o globo
Além da introdução de hábitos 
alimentares por povos migrados 
de outras regiões, as mudanças 
sociais da sociedade atual, junta-
mente com a industrialização de 
alimentos e a facilidade de comér-
“O Brasil contabilizava, em dezembro de 2018, 11.231 refugiados já reconhecidos. Desse 
total, 72% são homens e 28% mulheres. Naquele mesmo mês, havia 161.057 solicitações 
de reconhecimento da condição de refugiado. Dos refugiados já reconhecidos, 36% são 
sírios; 15% congoleses; 9% angolanos; 7% colombianos e 3% venezuelanos”.
Fonte: Agência Brasil (2019, on-line)³.
explorando Ideias
Figura 5 - Garrafa de 
Coca Cola – Produto 
alimentício que vi-
rou referência de 
consumo em todo o 
planeta
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cio ao redor do globo, fazem com que novos alimentos estejam inseridos 
nos nossos hábitos alimentares.
Redes de fast food, como Mc Donald’s, Burger King e Subway, grandes em-
presas e marcas internacionais, como Unilever, Nestlé e Coca-Cola são encontra-
das ao redor do globo terrestre e tornam os hábitos alimentares mais globalizados.
Este sentimento de inserção, em um comportamento cosmopolita, de per-
tencimento à comunidade mundial, foi bem descrito em um trecho de entrevista 
apresentada por Mintz (2000):
 “ O Big Mac não tem um gosto muito bom; mas a experiência de comer neste lugar me faz sentir bem. Às vezes chego a imaginar que estou sentado num restaurante em Nova York ou em Paris (YAN, 
1997 apud MINTZ, 2000, p. 49).
Neste trecho apresentado por Mintz (2000), percebemos uma sensação impor-
tante do consumidor, proporcionada por um alimento: a sensação de pertenci-
mento em uma comunidade mundial.
Mesmo pertencendo a grandes redes globais, conseguindo padronizar 
muitos pratos ao redor do mundo, as empresas precisam estar atentas a alguns 
hábitos regionais. A Coca-Cola, por exemplo, por mais que tenha alto grau 
de padronização ao redor do globo, é um produto consumido de diferentes 
maneiras no mundo: é um refrigerante consumido, usualmente, nos Estados 
Unidos, sem distinção de idade e gênero; já na França, é um produto consi-
derado de nicho, ou seja, uma bebida consumida, amplamente, apenas por 
consumidores de determinada faixa etária, sendo raro seu consumo durante 
as refeições (FLANDRIN; MONTANARI, 2018).
Mudanças similares acontecem com o Mc Donald’s: é um produto popular 
nos Estados Unidos e considerado restaurantes de luxo em outras localidades, 
como Moscou e Pequim (FLANDRIN; MONTANARI, 2018).
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DO LOCAL PARA
O GLOBAL
Flandrin e Montanari (2018) comentam em seu livro que, apesar da crescente 
industrialização da alimentação, com desenvolvimento de tecnologias para 
transporte e distribuição de alimentos, isto não exclui as particularidades re-
gionais. Os autores afirmam que estes hábitos modernos, inclusive, reforçam a 
formação de especialidades locais.
Por ser considerada parte da cultura de um local, o turismo gastronômico é 
inserido dentro do turismo cultural, pois traduz a história, os ritos, as tradições e 
os costumes de determinada região. Considerando a miscigenação entre indíge-
nas, negros e europeus no Brasil, a gastronomia se desenvolveu com riqueza de 
sabores, cores e particularidades regionais que atraem turistas de diversaspartes 
do mundo (SANTOS; ALBUQUERQUE, 2010). Dessa forma, a seguir, apresen-
tamos como a alimentação de duas regiões, Bahia e Pará, associadas ao turismo 
gastronômico, quer atrair turistas de diversas partes do mundo.
Barroco (2008), ao informar a importância da gastronomia no turismo baia-
no, destaca o acarajé e o ofício das baianas de acarajé que o vendem, que foram 
instituídos como Bens Culturais pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artís-
tico Nacional (IPHAN), em agosto de 2000. 
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Além do contexto cultural, a alimentação regional tem resultados econômi-
cos. O artigo, publicado no site Bahia Já (2018, on-line)4 cita: “A gastronomia é 
um dos cinco motivos que atraem turistas a Salvador” e destaca a importância 
de pratos como a moqueca, o acarajé, o caruru, o vatapá e o bobó, para atrair 
turistas para Salvador, capital da Bahia. A reportagem ainda destaca que existia 
a expectativa de crescimento de 10% do faturamento de bares e restaurantes da 
região no verão de 2018 (comparado ao mesmo período de 2017).
Outra região brasileira considerada destaque internacional no turismo gas-
tronômico é Belém (PA). A cidade recebeu, em 2015, o título de Cidade Criativa 
da Gastronomia, concedido pela Unesco (G1, 2015, on-line)5. Segundo o Mi-
nistério do Turismo (BRASIL, 2017, on-line)6, pratos como o pato no tucupi, o 
tacacá, a maniçoba, as moquecas, o caruru e o chibé fizeram com que Belém fosse 
a capital com a gastronomia mais bem avaliada no país, obtendo aprovação de 
99,2% de turistas internacionais.
Figura 6 - Garrafas contendo tacacá – Caldo fermentado da mandioca brava, utilizado na 
culinária paraense
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Após muito ler sobre mudanças no comportamento alimentar e como eles 
causaram, e ainda causam, impactos na nossa sociedade, podemos chegar 
a algumas conclusões.
Desde épocas muito antigas, o comércio de alimentos existe. No entanto, no 
período dos séculos XIV, XV e XVI, ele se tornou mais globalizado (provavelmen-
te, pela primeira vez). Intercâmbio de culturas, alto valor agregado de produtos e 
estabelecimento de novas rotas comerciais provocaram mudanças na forma com 
que a sociedade passou a se comportar e, principalmente, a se alimentar.
A mudança, inclusive, ocorreu na configuração do globo terrestre: os nave-
gadores europeus chegaram em outras terras, até então não colonizadas. Aqui, 
iniciaram a exploração, inclusive de algumas especiarias, e introduziram cultivos 
vegetais e animais de criação não nativos. Assim, a história do Brasil se conduziu 
com culturas trazidas de outras regiões do globo.
O ciclo da cana-de-açúcar e o ciclo do café são exemplos de culturas que se 
estabeleceram aqui e, com elas, muitos outros povos chegaram para o trabalho: os 
africanos, trazidos de maneira cruel, como escravos, para o trabalho nos engenhos 
de cana, e imigrantes europeus, principalmente italianos, para trabalho no cultivo 
de café. Estes povos estabeleceram novos hábitos de alimentação. Cada cultura 
imigrante que chega ao país amplia um pouco mais os nossos hábitos alimentares.
Com o aumento da velocidade das informações em um mundo atual mais 
cosmopolita, duas mudanças bem contraditórias podem ser percebidas: 1) a pa-
dronização de alguns tipos de produtos em franquias de fast food e nas prateleiras 
dos supermercados; 2) a volta do olhar para o produto local e o estímulo do hábito 
alimentar, como cultura regional.
Tendo em vista este contexto histórico e do momento atual, os próximos 
conteúdos iniciarão a abordagem da produção de um alimento seguro neste 
contexto globalizado!
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na prática
1. O comércio de especiarias, durante o período das grandes navegações, alterou, de 
forma drástica, a sociedade da época. Sobre a necessidade do comércio de espe-
ciarias nos séculos XIV, XV e XVI, são dadas as seguintes afirmações:
I - As especiarias eram importantes apenas para conservação dos alimentos e ca-
muflagem do gosto ruim de carnes degradadas.
II - As especiarias, além de serem utilizadas como temperos, auxiliavam no trata-
mento de algumas enfermidades.
III - As especiarias eram importantes nas relações sociais e possuíam alto valor de 
comércio. Ou seja, pessoas ricas tinham mais acesso a este tipo de produto que 
pessoas pobres.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II está correta.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
2. A globalização impacta diretamente nos hábitos culturais e, consequentemente, 
alimentares da população. Sobre este tema, são dadas quatro afirmações, classifi-
que-as em Verdadeiro (V) ou Falso (F):
( ) O surgimento de meios de comunicação mais rápidos, como televisão e internet, 
iniciaram o comércio globalizado de alimentos.
( ) A alimentação, de forma global, faz com que empresas internacionais não este-
jam atentas a hábitos e matérias-primas regionais.
( ) A gastronomia regional desperta a curiosidade de povos de diferentes regiões 
do globo, estimulando o turismo e a economia.
( ) Os hábitos alimentares dos imigrantes são incorporados, transformados e adap-
tados quando inseridos em uma nova cultura.
Assinale a alternativa que apresenta a ordem correta:
a) F, V, F, V.
b) F, F, V, F.
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na prática
c) V, F, V, V.
d) F, F, V, V.
e) V, F, V, F.
3. Após a chegada dos colonizadores em território brasileiro, muitas espécies de plan-
tas e animais exóticos foram introduzidas no nosso ambiente. Sobre estes assuntos, 
são dadas as seguintes afirmações:
I - Todas as espécies trazidas pelos colonizadores se adaptaram e puderam ser 
cultivadas em boa quantidade, de maneira rápida, devido ao solo fértil.
II - Como os portugueses não conheciam os produtos locais, nenhum alimento 
nativo de solo brasileiro foi encaminhado para a Europa nos primeiros séculos 
de colonização.
III - Devido à rápida adaptação de espécies exóticas em solo brasileiro, a prática de 
inserção de animais e vegetais não nativos do nosso território pôde ser feita de 
forma prática e pouco planejada.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) I, II e III estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
4. Hábitos alimentares regionais estimulam o crescimento do turismo de determinada 
localidade e podem ser explorados como atrativos. Faça uma pesquisa e apresente 
hábitos locais característicos do seu estado que poderiam ser explorados comer-
cialmente e atrair ainda mais turistas.
5. Nestes novos movimentos de refugiados, o Brasil está recebendo muitas culturas 
diferentes. Aponte três nacionalidades que vêm buscar refúgio no Brasil e seus 
respectivos pratos tradicionais ou matérias-primas alimentares que podem ser uti-
lizadas na nossa alimentação.
27
aprimore-se
Os autores Del Ré e Jorge (2014) publicaram um artigo de revisão muito interessante 
sobre a utilização de especiarias como antioxidantes. Neste artigo, eles abordam 
a importância deste tipo de ingrediente na produção de alimentos e na saúde hu-
mana. O trecho a seguir, retirado e adaptado deste artigo, mostra alguns pontos 
importantes abordados pelos autores. Boa leitura!
O termo especiaria é definido como material seco da planta que normalmente é 
acrescentado ao alimento para melhorar o flavor, ou seja, melhorar características 
de sabor e aroma. Estas especiarias podem ser acrescentadas nos alimentos em 
suas formas inteiras, frescas, secas ou, ainda, como extratos isolados e/ou óleos 
essenciais. Os componentes químicos que conferem estas características sensoriais 
nas especiarias podem ser alcoóis, ésteres, aldeídos, terpenos, fenóis, ácidos orgâ-
nicos e muitos outros elementos. 
A atividade antioxidante das especiarias está relacionada, principalmente, com a 
presença de compostos fenólicos, sendo estes compostos os mais comuns em pro-
dutos vegetais. No entanto, outros compostos, comoos flavonóides e terpenóides 
(como timol, carvacrol e eugenol), também apresentam atividade antioxidante.
Além de reduzir a velocidade de oxidação dos alimentos, os compostos fenólicos 
exibem grande quantidade de propriedades fisiológicas como:
 ■ Antialérgica;
 ■ Antiarteriogênica, ou seja, reduz a formação de placas de ateroma no sistema 
circulatório, evitando doenças;
 ■ Anti-inflamatória;
 ■ Antimicrobiana e;
 ■ Propriedades cardioprotetoras e vasodilatadoras.
Dentre as especiarias citadas pelos autores do artigo, estão:
 ■ Alecrim: Devido a seu alto potencial antioxidante, esta especiaria tem sido 
adicionada a produtos que são muito susceptíveis à oxidação de gorduras, 
como maioneses, salsichas e diferentes tipos de carnes;
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aprimore-se
 ■ Manjericão: Compostos presentes nos extratos de manjericão são capazes 
de inibir a oxidação de forma similar a outros antioxidantes. Aïnda, a inges-
tão desses compostos pode ajudar a prevenir danos na saúde que ocorrem 
devido à peroxidação lipídica, reação associada ao câncer, envelhecimento 
precoce, aterosclerose e diabetes;
 ■ Orégano: A espécie se destaca por sua ação antioxidante. As suas folhas de-
sidratadas e o seu óleo essencial têm sido usados na medicina por vários 
séculos, sendo sempre relacionados à efeitos positivos na saúde humana.
 ■ Sálvia: extrato de sálvia apresenta atividade antioxidante e ação anti-infla-
matória. Além disso, pesquisas que já demonstraram que o óleo essencial 
de sálvia pode melhorar a memória e tem se mostrado promissor no trata-
mento da doença de Alzheimer;
 ■ Tomilho: Os extratos de tomilho apresentam potente atividade antioxidante, 
propriedades antimicrobianas, e é conhecido como antisséptico e expectorante.
Fonte: adaptado de Del Ré e Jorge (2014).
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eu recomendo!
Muito Além do Peso
Ano: 2012
Sinopse: com histórias reais e alarmantes, o filme promove uma 
discussão sobre a obesidade infantil no Brasil e no mundo.
filme
Que sanduíches do McDonald’s só existem em outros países? Esta reportagem do site 
da revista Super Interessante ilustra muito bem como uma grande rede como o McDon-
ald’s consegue se adaptar e ter sanduíches exclusivos em alguns países.
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/que-sanduiches-do-mcdonalds-so-exis-
tem-em-outros-paises/ 
“Mamma mia! 10 comidas ‘italianas’ que na verdade só existem no Brasil”. Esta repor-
tagem do Caderno Bom Gourmet, da Gazeta do Povo, ilustra muito bem a incorpora-
ção da culinária de um país e a adaptação dos brasileiros. Boa leitura!
https://www.gazetadopovo.com.br/bomgourmet/10-comidas-italianas-que-so-exis-
tem-no-brasil/
conecte-se
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EXPORTAÇÃO DE
PRODUTOS
alimentícios
PROFESSOR 
Dr. André Álvares Monge Neto
PLANO DE ESTUDO 
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Órgãos que regulamentam o 
comércio internacional de produtos • Blocos econômicos e exportação de alimentos • Logística neces-
sária para comércio internacional de alimentos.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
• Apresentar órgãos globais (e de países específicos) que regulamentam a produção e o comércio de 
alimentos • Explicar como a formação de blocos econômicos pode facilitar o comércio internacional 
de produtos alimentícios • Expor cuidados necessários para a comercialização de produtos alimentícios 
para garantir a segurança do produto exportado a longas distâncias.
INTRODUÇÃO
Para entender o comércio global de alimentos, você, caro(a) aluno(a) deve 
possuir conhecimentos em várias áreas. Assim, esta segunda unidade do nos-
so conteúdo sobre os Impactos da Globalização no Contexto da Segurança 
Alimentar apresentará assuntos essenciais para a compreensão deste tema.
Na primeira aula, serão apresentados alguns órgãos que regulamentam 
a produção e comercialização de alimentos em cada país. Ali, será dada 
uma breve visão de dois órgãos nacionais (Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), a agência 
reguladora americana e europeia (Food and Drug Administration e Euro-
pean Commission, respectivamente) e alguns órgãos internacionais ligados 
à Organização das Nações Unidas (ONU).
A segunda aula tem um foco semelhante, ele apresentará um pou-
co mais sobre algumas formas de organização dos países em blocos 
econômicos, que podem facilitar muito o comércio em determinadas 
regiões. Serão apresentados alguns blocos econômicos importantes: os 
da América do Norte (NAFTA e USMCA), Mercosul, do qual o Brasil 
faz parte, e a União Europeia.
A última aula abordada nesta unidade muda um pouco o foco dos assun-
tos anteriores, mas por um bom motivo. É suficiente conhecer as normas e 
especificações exigidas por cada país se nós não temos tecnologia suficiente 
para garantir que nosso alimento chegue seguro até lá? A última aula, então, 
vem responder este questionamento, por apresentar algumas tecnologias que 
podem ser utilizadas para garantir a qualidade e segurança dos alimentos 
durante o tempo de transporte e comercialização nestas regiões distantes. 
Assim, tecnologias como refrigeração, congelamento, irradiação, embala-
gens com atmosfera modificada e ambientes com atmosfera controlada serão 
abordadas para ampliar o seu conhecimento. Uma ótima leitura!
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ÓRGÃOS QUE REGULAMENTAM
O COMÉRCIO
internacional de produtos
Figura 7 - Sede da Organização Mundial do Comércio (World Trade Organization)
A produção de alimentos em cada região do globo terrestre deve ser regulamentada 
e fiscalizada para que os produtos tenham as especificações desejadas pelo público 
consumidor e sejam seguros para consumo. Assim, cada país possui órgãos que 
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cumprem a função de garantir a sanidade dos alimentos produzidos e comerciali-
zados, sejam eles produtos internos, sejam importados de outras nações.
Assim, conhecer os órgãos regionais que regulamentam a produção e o 
comércio de alimentos em cada país é essencial para empresas que desejam 
exportar produtos para diferentes mercados consumidores. Desta forma, a se-
guir, estão listadas algumas agências reguladoras da produção de alimentos de 
algumas regiões do mundo.
Brasil
No Brasil, os dois grandes órgãos regulamentadores da produção de alimentos 
são o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e a Agência 
Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). As Vigilâncias Sanitárias de estados 
e municípios estão ligadas à Anvisa e têm autonomia administrativa e, os esta-
dos têm laboratórios públicos de análises. De forma geral, estes órgãos regionais 
atuam na fiscalização de indústrias (vigilâncias dos estados) e estabelecimentos 
comerciais (vigilâncias comerciais) (O GLOBO, 2013, on-line)7.
A Anvisa é um órgão vinculado ao ministério da saúde, o qual atua em di-
versos assuntos: alimentos, medicamentos, agrotóxicos, tabaco, cosméticos, entre 
outros. Apenas considerando a atuação da Anvisa na área de alimentos, observa-
-se sua ampla atividade, regulamentando e fiscalizando fatores como:
 ■ Condições higiênico-sanitárias e de boas práticas de fabricação para es-
tabelecimentos produtores/industrializadores de alimentos.
 ■ Diversos tipos de águas.
 ■ Parâmetros microbiológicos dos alimentos.
 ■ Substâncias bioativas e probióticos, isolados com alegação de proprieda-
des funcionais e/ou de saúde.
 ■ Suplementos alimentares.
 ■ Vitaminas.
 ■ Alimentos prontos para consumo, entre outros.
Estes tópicos citados representam uma pequena parte do campo de regulamen-
tação e fiscalização da Anvisa. 
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Ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) recai a res-
ponsabilidade de criar normas para alguns alimentos de origem vegetal, como 
bebidas em geral e produtos de origem animal. Por exemplo, muitas normas que 
regulamentam a produção e comercialização de bebidas (sucos, vinhos, chás, 
cervejas e néctares) são de responsabilidade do MAPA. Além disso, o MAPA é 
o grande responsável por legislar e fiscalizar produtosde origem animal, como 
ovos, carnes, mel e lácteos. 
Outra atividade do MAPA é a fiscalização oficial em alguns ramos industriais. 
Dentre os órgãos fiscalizadores, pode-se destacar o Departamento de Inspeção 
de Produtos de Origem Animal (DIPOA): órgão da esfera federal, responsável 
pela inspeção de produtos de origem animal.
Para auxiliar a compreensão do complexo sistema de inspeção de produtos 
de origem animal, o MAPA disponibilizou uma figura que ilustra os diversos 
órgãos envolvidos neste processo (Figura 1).
Há, ainda, uma vasta lista de alimentos que são regulamentados por este órgão. Esta lista 
completa pode ser acessada no link http://portal.anvisa.gov.br/legislacao-por-categoria-
-de-produto 
conecte-se
Alguns produtos prontos, como pururucas de porco fritas e embaladas, mesmo sendo de 
origem animal, são de responsabilidade das Vigilâncias Sanitárias, por serem considera-
dos “produtos prontos para o consumo”.
Fonte: o autor.
explorando Ideias
http://portal.anvisa.gov.br/legislacao-por-categoria-de-produto
http://portal.anvisa.gov.br/legislacao-por-categoria-de-produto
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Figura 8 - Esquematização dos órgãos responsáveis pela inspeção dos produtos de origem 
animal / Fonte: MAPA (2019, on-line)8.
Estados Unidos da América
A organização que regulamenta a produção e comercialização de alimentos 
nos Estados Unidos é a Food and Drug Administration (FDA). Ela é respon-
sável por garantir a segurança pública em áreas como: medicamentos para 
humanos e animais, fiscalização da cadeia de produção alimentícia, cosmé-
ticos, tabaco e produtos que emitem radiação (equipamentos de Raio-X, por 
exemplo) (FDA, 2019, on-line)9.
União Europeia
A European Commission é a organização responsável pela fiscalização da pro-
dução de alimentos na União Europeia. Este órgão tem, como objetivo, garantir 
a segurança alimentar e a sanidade animal e vegetal neste bloco econômico, por 
medidas coerentes em todas as etapas de produção de alimentos. A European 
Commission tem legislação em diversas áreas da cadeia de produção alimentícia, 
como fraude na produção de alimentos, alimentação animal, resíduos alimentí-
cios, entre outros (EUROPEAN COMMISSION, 2019, on-line)10.
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Órgãos internacionais da Organização das Nações 
Unidas
A Organização das Nações Unidas (ONU) é uma organização internacional, 
formada por países que se reuniram, voluntariamente, para trabalhar pela paz 
e pelo desenvolvimento mundial. Para atingir estes objetivos, existem, ligados a 
ela, vários órgãos que cuidam de áreas específicas e que regulamentam normas 
que os países devem seguir. Dentre elas, para a área de alimentos, destacam-se:
 ■ Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO, 
sigla do inglês que significa Food and Agriculture Organization): esta or-
ganização tem, como objetivo principal, alcançar a segurança alimentar e 
garantir acesso de alimentos de qualidade para todos (FAO, 2019, on-line)11.
 ■ Organização Mundial do Comércio: esta organização tem, como objetivo, 
a abertura do comércio, na qual os governos de diversos países negociam 
acordos comerciais e resolvem disputas comerciais, em escala global para 
estímulo e proteção das indústrias de cada país (WTO, 2019, on-line)12. 
 ■ Organização Mundial da Saúde: é uma organização de ampla atuação. 
Na área de alimentos, possui foco em segurança alimentar, aditivos 
alimentares, alimentos geneticamente modificados e doenças trans-
mitidas por alimentos.
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BLOCOS ECONÔMICOS E
EXPORTAÇÃO
de alimentos
A comercialização de qualquer tipo de produto ao redor do globo terrestre requer 
grandes negociações, acordos e organização entre os países envolvidos. Assim, 
a comercialização de alimentos não é exceção. A união prévia de uma série de 
países em torno de regras gerais, que sejam de comum acordo, pode facilitar. 
Neste sentido, o conhecimento dos blocos econômicos se faz necessário para a 
compreensão de algumas normas de comercialização internacional.
Blocos econômicos
Segundo Machado e Matsushita (2019, p. 118), os blocos econômicos são consi-
derados um “tipo de acordo intergovernamental, no qual as barreiras do comércio 
são reduzidas ou eliminadas”. Assim, os países se associam para estabelecer entre 
si relações econômicas que visam ao crescimento das relações mútuas econômi-
cas, com a integração das relações de comércio.
Machado e Matsushita (2019), ainda, classificam os tipos de blocos econômicos:
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 ■ Áreas de livre comércio: esta organização promove a isenção de taxas e 
impostos na comercialização de produtos e serviços entre os países per-
tencentes ao bloco econômico.
 ■ União aduaneira: neste caso, há condutas de comércio que objetivam al-
cançar países fora do bloco.
 ■ Mercado comum: é um tipo de bloco econômico com a economia inte-
grada, possibilitando a passagem de mercadorias e pessoas entre os países. 
 ■ União econômica e monetária: neste tipo de bloco econômico, há integra-
ção da economia e criação de moeda única para os países pertencentes.
A seguir, serão apresentados alguns blocos econômicos importantes.
NAFTA
No dia 1° de janeiro de 1994, entra em vigor o bloco econômico que visava in-
tegrar, de forma mais eficiente, os três países da América do Norte: Estados Uni-
dos da América, Canadá e México. Denominado NAFTA, sigla do inglês North 
American Free Trade Agreement (em tradução livre, Tratado Norte-Americano 
de Livre Comércio), o bloco tinha, como principais objetivos, aumentar opor-
tunidades de investimento, eliminar tarifas e barreiras não tarifárias, proteger a 
propriedade intelectual e estabelecer estrutura de cooperação (MORAIS, 2005).
USMCA
Em 2018, um novo acordo entre os três países da América do Norte, Estados 
Unidos da América, México e Canadá, foi firmado para substituir o NAFTA. 
Denominado USMCA, sigla em inglês para Acordo Estados Unidos-México-
-Canadá, este bloco econômico surgiu em 2017, por exigência do presidente 
americano, Donald Trump, que considerava os antigos termos ruins para o seu 
país. Este novo acordo obrigou o Canadá e o México a aceitarem um comércio 
mais restritivo com seu principal parceiro de exportação (G1, 2018, on-line)13.
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MERCOSUL
O Mercosul é um bloco econômico de alguns países da América do Sul: Argen-
tina, Brasil, Uruguai e Paraguai, originado em 1991, com o Tratado de Assunção 
(FONTES; STELLA, 2019). Segundo Malagolli (2003, p. 2), “A indústria brasileira 
de alimentos apresentou resultados favoráveis na balança comercial, logo nos 
primeiros anos do Mercosul”. 
União Europeia (EU)
A União Europeia é o principal bloco comercial do mundo, atualmente com 
28 países, sendo que 19 estão na zona do Euro, ou seja, possuem o Euro como 
moeda oficial. Para se ter noção de sua importância econômica, a UE é o maior 
exportador mundial de bens e serviços e o maior mercado de importação para 
mais de 100 países (UNIÃO EUROPEIA, 2019, on-line)14.
Outros blocos econômicos
Além dos já apresentados, existem outros blocos econômicos ao redor do mundo. 
Pode-se citar:
Os países que atualmente pertencem à União Europeia são: Alemanha, Áustria, Bélgica, 
Bulgária, Chipre, Croácia, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, 
França, Grécia, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Bai-
xos, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia. O Reino Unido 
ainda é considerado membro pleno da UE, com todos os direitos e deveres do bloco. No 
entanto, em 23 de junho de 2016, num plebiscito, a maioria dos cidadãos do Reino Unido 
que votaram optaram pela saída do país da EU. Os acordos do chamado Brexit ainda não 
foram aprovados pelo parlamento britânico até o fechamento desta unidade.
Fonte: o autor.
explorando Ideias
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 ■ CEI – Comunidade dos Estados Independentes: bloco econômico cons-
tituído por alguns países da antiga União Soviética(URSS).
 ■ CAN – Comunidade Andina: formado, atualmente, por Bolívia, Colôm-
bia, Equador e Peru.
 ■ APEC – Cooperação Econômica Ásia-Pacífico: fórum que visa à coope-
ração econômica entre todos os países localizados no Círculo do Pacífico: 
Austrália, Brunei, Canadá, Chile, China, Hong Kong, Indonésia, Japão, Co-
reia do Sul, Malásia, México, Nova Zelândia, Papua-Nova Guiné, Peru, Fili-
pinas, Rússia, Singapura, Taipé Chinesa, Tailândia, Estados Unidos, Vietnã.
 ■ ASEAN – Zona de Livre Comércio do Sudeste Asiático: organização for-
mada por Tailândia, Filipinas, Malásia, Singapura, Indonésia, Brunei, Viet-
nã, Mianmar, Laos e Camboja. São considerados membros observadores: 
Papua-Nova Guiné e Timor-Leste.
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LOGÍSTICA NECESSÁRIA
PARA COMÉRCIO
internacional de alimentos
Com a possibilidade de comercialização de alimentos por distâncias muito lon-
gas, deve-se garantir que os mesmos cheguem seguros e com boa qualidade aos 
seus mercados consumidores. Dessa forma, processos que garantam a estabilida-
de do produto durante toda a cadeia logística podem ser realizados em diferentes 
etapas do processamento, armazenamento e transporte. 
Assim, a presente aula tem, como objetivo, apresentar alguns cuidados que 
devem ser realizados para garantir que os alimentos comercializados ao redor 
do globo cheguem, de forma segura, ao seu destino final, e com os parâmetros 
de qualidade adequados necessários para comercialização no país de destino.
Técnicas utilizadas para garantir a segurança de 
alimentos exportados
As empresas produtoras de alimentos possuem diversas estratégias para garantir 
a segurança do produto e manter, por mais tempo, as suas características físicas, 
químicas e sensoriais. Assim, alimentos processados podem sofrer processamen-
to térmico, como pasteurização e esterilização e adição de conservantes para 
garantir a segurança de produtos exportados. Há, ainda, outras técnicas mais 
modernas, as quais podem ser aplicadas na industrialização dos alimentos: pro-
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cessamento com alta pressão e permeação em membranas são exemplos de novas 
operações, que têm potencial aplicação em alimentos processados.
Grande parte dos alimentos exportados pelo Brasil, no entanto, são produtos 
pouco processados, como carnes, grãos e frutas in natura. Dessa forma, outras 
tecnologias devem ser empregadas para garantir a segurança do produto pelas 
grandes distâncias a serem percorridas até o consumidor final. A seguir, serão 
apresentadas algumas tecnologias utilizadas para estender a vida de prateleira 
de alguns produtos: secagem, refrigeração, radiação ionizante e embalagem em 
atmosfera modificada ou atmosfera controlada.
Secagem de grãos
Figura 9 - Planta de limpeza, secagem e armazenamento de grãos
Segundo dados disponibilizados pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agrope-
cuária (EMBRAPA, 2019, on-line)15 sobre a safra de soja de 2018/2019, o Brasil 
é o segundo maior produtor deste grão, com produção de 114,843 milhões de 
toneladas e área plantada de 35,822 milhões de hectares.
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Durante a colheita, o grão deve ser colhido com teor de umidade entre 13 e 15%. 
Segundo a Emprapa (2019, on-line)16, sementes de soja “colhidas com teor de 
umidade superior a 15% estão sujeitas a maior incidência de danos mecânicos 
latentes (não aparentes) e, quando colhidas com teor abaixo de 13% estão susce-
tíveis ao dano mecânico imediato, ou seja, à quebra”.
Segundo a Instrução Normativa 29/2011 do Ministério da Agricultura, Pe-
cuária e Abastecimento (BRASIL, 2011), o teor máximo de umidade permitido na 
soja durante o armazenamento é de 13%. Assim, para reduzir o teor de umidade 
pós-colheita para níveis aceitáveis, processos de secagem deste tipo de grão são 
essenciais para fazer com que o nosso país consiga ser grande exportador de soja.
Produto Umidade (%)
Milho 13%
Trigo 13%
Arroz 13%
Amendoim 8 %
Milheto 13%
Café 12%
Cevada 13%
Na safra de 2018/2019, a produção de soja no Brasil ficou atrás, apenas, dos Estados Uni-
dos. Este país teve uma safra de 123,664 milhões de toneladas e área plantada de 35,657 
milhões de hectares.
Fonte: Embrapa (2019, on-line)16.
explorando Ideias
A Instrução Normativa 29/2011 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento 
estabelece, ainda, o teor máximo de umidade de outros grãos permitido para armazena-
mento durante longos períodos. Estes teores estão dispostos na Tabela 1.
explorando Ideias
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Centeio 13%
Aveia 13%
Feijão 13%
Sorgo 13%
Canola 9%
Girassol 9%
Tabela 1 - Teores máximos de umidade recomendados para armazenagem
Fonte: Brasil (2011).
Radiação ionizante
Segundo Fellows (2006), a radiação ionizante, geralmente, obtida por raios gama 
(γ), auxilia na conservação dos alimentos, por destruir microrganismos e inibir al-
terações bioquímicas. Na área de alimentos, ela é utilizada para várias finalidades:
 ■ Controle microbiano: a quantidade de radiação aplicada no alimento 
pode provocar desde uma redução da contagem geral de microrganismos 
presentes até a esterilização, caso sejam aplicadas doses maiores;.
 ■ Controle do amadurecimento: alguns tipos de frutas e hortaliças podem 
ser irradiados para prolongar sua vida de prateleira e, assim, garantir a 
chegada segura destes produtos mesmo depois de percorrer longas dis-
tâncias. A Figura 10 apresenta a diferença no processo de maturação entre 
mamão irradiado e não irradiado.
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Irradiado Normal
Figura 10 - Mamão papaia irradiado / Fonte: Souza (2019, on-line)17.
 ■ Desinfestação: grãos e frutas tropicais podem ser infestados por insetos 
e larvas, diminuindo, assim, o potencial de exportação. Baixas doses de 
radiação ionizante podem auxiliar no combate a essas larvas.
 ■ Inibição do brotamento: vegetais como cebola, batata e alho podem brotar 
durante o período de armazenamento e transporte para outros países. A 
radiação gama tem efeito positivo neste atributo, diminuindo o brotamen-
to neste tipo de vegetal a ser exportado (ver Figura 11).
Figura 11 - Comparação de alimentos irradiados e não irradiados: batatas, mangas, cebolas e 
tangerinas / Fonte: Junior e Vital (2019, on-line)18.
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Baixas temperaturas durante armazenamento
Figura 12 - Detalhe de sistemas de refrigeração de contêineres usados na exportação de alimentos
A cadeia do frio é muito utilizada para conservação de diversos alimentos duran-
te o transporte e o armazenamento em longas distâncias. Sem o uso das baixas 
temperaturas, não seria possível o Brasil exportar produtos como carnes e frutas. 
Carnes, geralmente, são exportadas sob congelamento a, no mínimo, -18 °C. 
Para carnes congeladas, comercializadas em longas distâncias no território nacio-
nal, é necessária a temperatura mínima de -12 °C. Assim, a cadeia do frio colabora 
para o Brasil se consolidar como grande exportador de carne!
Na exportação de frutas e hortaliças in natura, a cadeia do frio é utilizada na 
forma de refrigeração, sendo que cada fruta e hortaliça apresenta uma faixa de tem-
peratura adequada para armazenamento refrigerado. Ainda, a refrigeração aumenta 
muito a vida pós-colheita de frutas devido à redução do metabolismo, ou seja, 
ocorre redução na respiração e da produção de etileno (ANESE; FRONZA, 2015).
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Além da baixa temperatura, a Umidade Relativa (UR) deve ser controlada 
para que o fruto não perca umidade, nem desenvolva contaminação microbiana. 
Assim como a temperatura, cada produto vegetal apresenta uma Umidade Rela-
tiva ideal para armazenamento (ANESE; FRONZA, 2015).
Embalagens com atmosfera modificada
Figura 13 - Saladas em atmosfera modificada
Este método de armazenamento é bem simples. Consiste na embalagem de frutos 
ou outros vegetais em embalagens plásticas bem vedadas. O processo respiratório 
dos vegetais alterará a composição gasosa do ambiente, reduzindo a quantidade 
de oxigênio e aumentando a quantidade de gáscarbônico. Estas alterações redu-
zem o amadurecimento do fruto e prolongam a vida pós-colheita. 
Embalagens a vácuo (Figura 14) também podem ser consideradas embala-
gens de atmosfera modificada (ANESE; FRONZA, 2015). Este método de emba-
lagem pode ser utilizado em vegetais e produtos cárneos.
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Figura 14 - Aspargos embalados a vácuo, um tipo de embalagem com atmosfera modificada
Ambientes com atmosfera controlada
Os ambientes com atmosfera controlada são aqueles que apresentam composição 
de gases interior padronizada e constante. Muito utilizados para prolongar a vida 
útil de vegetais, estes ambientes apresentam, geralmente, além do controle da 
temperatura e umidade, controle dos níveis de oxigênio, gás carbônicos e etileno. 
Esta composição de gases diferente é responsável pela redução da velocidade do 
metabolismo do fruto, ao gerar aumento de sua vida pós-colheita. Por este motivo, 
é muito utilizada em vegetais que serão exportados. Como exemplo, pode-se citar 
que o armazenamento de maçãs, em atmosfera controlada, permite o aumento 
de quatro meses na vida útil do fruto (ANESE; FRONZA, 2015).
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
O conhecimento do mundo e de sua organização facilita a compreensão dos 
mercados consumidores e, consequentemente, amplia a possibilidade de co-
mercialização dos nossos produtos, em outras regiões do globo terrestre. Dessa 
forma, os tópicos abordados colaboram com esta compreensão necessária para 
profissionais que podem atuar na produção de alimentos, os quais serão vendidos 
em outras regiões do globo. Além disso, considerando o potencial de produção 
alimentícia do Brasil, estas informações se tornam ainda mais relevantes.
O conhecimento das organizações que regulamentam a produção de ali-
mento é essencial para seguir regras e normas, tanto dos países onde os alimen-
tos são produzidos como dos países onde os produtos serão comercializados. 
Assim, apresentou-se agências como MAPA, Anvisa, FDA e European Commis-
sion. Deve-se destacar, caro(a) aluno(a), que é dever do profissional se informar 
sobre a agência que regulamenta a produção de alimento de cada país - foco 
para onde se deseja comercializar.
Ainda, outro assunto de grande relevância foi a organização em países em 
blocos econômicos. Devemos ter o conhecimento de organizações que regula-
mentam e facilitam o comércio entre diferentes países para que possamos apro-
veitar as possibilidades de expansão dos mercados consumidores das empresas 
para as quais prestamos serviços.
Por último, não basta ter conhecimento das oportunidades de expansão e das 
legislações de cada país! Precisamos conhecer, também, técnicas para garantir a 
qualidade e segurança dos alimentos que serão exportados. Desta forma, o terceiro 
foco apresentou técnicas importantes, como irradiação, ambientes com atmosfera 
controlada, embalagens com atmosfera modificada e utilização da cadeia do frio.
Com o conhecimento expandido nestas áreas estudadas na Unidade 2, esta-
mos aptos a avançar nosso conteúdo para abranger outras áreas que impactam 
o comércio seguro de alimentos ao redor do globo terrestre!
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na prática
1. Tratamentos prévios são essenciais para garantir a segurança e qualidade dos ali-
mentos transportados por longas distâncias para comercialização. Sobre os diferen-
tes tratamentos que podem ser utilizados para garantir a segurança de alimentos, 
são dadas as seguintes afirmações:
I - A utilização da cadeia do frio, como refrigeração e congelamento de alimentos, 
é importante, exclusivamente, para produtos cárneos.
II - Diminuição do brotamento, morte de microrganismos e diminuição da veloci-
dade de amadurecimento são efeitos benéficos da irradiação.
III - A embalagem a vácuo é uma tecnologia utilizada para modificar a atmosfera 
interna da embalagem e já é utilizada em vários produtos alimentícios.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) I, II e III estão corretas.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
2. Os blocos econômicos são importantes organizações para a comercialização entre 
países de dada região. Analise as afirmações apresentadas a seguir sobre este as-
sunto e classifique-as em Verdadeiro (V) ou Falso (F).
( ) O tipo de bloco econômico com economia integrada, possibilitando a passa-
gem de mercadoria e pessoas entre países é denominado União Econômica e 
Monetária;
( ) Quando um bloco econômico se caracteriza por promover isenção de taxas e 
impostos na comercialização de produtos e serviços entre países, ele é deno-
minado área de livre comércio.
( ) Se um bloco econômico se caracteriza pela integração da economia e por cir-
culação de uma única moeda em todos os países, ele é denominado União 
Econômica e Monetária.
Assinale a alternativa que representa a ordem correta de V e F.
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na prática
a) F, V, V.
b) F, F, V.
c) F, V, F.
d) V, V, F.
e) V, F, F.
3. O conhecimento de diferentes agências que regulamentam a produção e comer-
cialização de alimentos em diferentes países é importante para os profissionais 
que desejam atuar em empresas produtoras de alimentos para exportação. Assim, 
assinale a alternativa que não apresenta uma agência reguladora importante para 
a regulamentação da comercialização de alimentos.
a) MAPA.
b) FDA.
c) Nafta.
d) Anvisa.
e) European Commission.
4. O padrão de qualidade de alimentos exportados é muito elevado. Desta forma, para 
atingi-los, podem ser utilizados diversos tipos de tratamentos para assegurar a qua-
lidade do alimento durante todo o período de comercialização. Assinale a alternativa 
que apresenta a afirmação correta sobre os tratamentos utilizados para permitir a 
comercialização de alimentos em escala global.
a) A secagem é muito utilizada em produtos de frutas, como uvas passas, sendo 
pouco aplicada em cereais, cárneos e soja.
b) A irradiação não é permitida no Brasil por não ser considerada uma tecnologia 
segura e por manter resquícios de radiação nos alimentos.
c) A Umidade Relativa (UR) do ambiente de refrigeração de frutas não deve ser 
controlada, visto que possui pouco impacto em sua conservação.
d) Atmosfera modificada é uma tecnologia avançada, em que se controla a compo-
sição de gases em um ambiente.
e) A manutenção dos níveis de gases como etileno, oxigênio e gás carbônico é 
importante em ambientes de atmosfera controlada.
52
na prática
5. Conhecer a legislação vigente na área de alimentos é um desafio para o profissional: 
diversas agências reguladoras, mudanças constantes e novos produtos surgindo em 
um mercado cada vez mais competitivo são apenas alguns dos desafios. Assim, para 
você se adaptar às atividades constantes de um profissional que atua na produção 
de alimentos, faça uma breve pesquisa e apresente, no mínimo, cinco diferentes 
tipos de alimentos regulamentados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. 
53
aprimore-se
Caro(a) aluno(a), o texto a seguir foi adaptado da Comex do Brasil (2019) e mostra a im-
portância de discutir áreas como agricultura familiar e mercado externo, no Mercosul. 
Neste trecho, você perceberá que a discussão entre vários países pode ampliar muito a 
participação dos produtos brasileiros em outros mercados consumidores. Boa leitura!
Países do Mercosul debatem aumento de acesso dos produtos da agricul-
tura familiar ao mercado externo
Com objetivo de aumentar às oportunidades da agricultura familiar em acordos en-
tre o Mercosul e com a União Europeia, delegações dos países do Mercosul partici-
param da 31ª Reunião Especializada em Agricultura Familiar (Reaf), para apresentar 
propostas para agregar valor aos produtos dos agricultores familiares, assim como 
mais acesso a mercados regionais e internacionais.
Dentre as propostas apresentadas e discutidas, destaca-se a possibilidade de ado-
tar a certificação participativa como regra global dos países do Mercosul, inclusive para 
produtos orgânicos, de formaa agregar valor aos produtos da agricultura familiar.
O Brasil certifica produtos orgânicos, produzidos em grande parte pela agricultura fa-
miliar, pelo sistema participativo de garantia. Este sistema de garantia responsabiliza os 
próprios produtores pela certificação por meio de um Organismo Participativo de Avalia-
ção da Qualidade Orgânica. O Chile já entendeu e aceitou este sistema de participação.
Virgínia Lira, autora da proposta e Coordenadora de Produção Orgânica no 
MAPA, explica que: “Isso traz benefícios porque antes do acordo os produtores chi-
lenos deveriam contratar certificação do Brasil para verificar o sistema de produção 
chileno e vice-versa. Agora não há necessidade que eles façam uma contratação no 
país que vai recepcionar o produto. Isso reduz bastante os custos”.
Neste encontro, os produtores almejam que este sistema possa ser reconhecido em ou-
tros países do Mercosul e, no futuro, ser aceita pelos países da União Europeia. Participantes 
da Argentina, Paraguai e Uruguai se comprometeram a expandir a discussâo para os mem-
bros dos departamentos responsável do assunto em cada país. Além disso, os representan-
tes do Mercosul deverão discutir este tema novamente, e de forma mais objetivo, no próximo 
encontro, no Uruguai e na próxima Comissão Interamericana da Agricultura Orgânica (CIAO).
Fonte: adaptado de Comex do Brasil (2019, on-line)19. 
54
eu recomendo!
O vídeo que se apresenta no link a seguir é uma reportagem que foca na apresenta-
ção da tecnologia de irradiação de alimentos de maneira simples, a fim de esclarecer 
o espectador da segurança deste processo na exportação de alimentos. 
https://www.youtube.com/watch?v=auqtGgkSnBs
O link a seguir apresenta um áudio com entrevista realizada antes do 1º Simpósio 
Brasileiro de Tecnologia para Preservação de Alimentos por Irradiação, evento reali-
zado pela Unicesumar. É a sua universidade colocando em pauta a discussão sobre 
tecnologias de ponta!
https://www.cbnmaringa.com.br/noticia/irradiacao-garante-seguranca-alimentar-e-
-reduz-desperdicios
O link apresentado a seguir tem, como destino, uma revista online. Nesta revista, 
você poderá encontrar uma reportagem muito interessante sobre tendências de 
embalagens para produtos cárneos e, dentre elas, embalagens com atmosfera mo-
dificada. Boa leitura!
https://www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/embalagens-seguem-tendencias-
-de-consumo/20191106-151022-R845 
conecte-se
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GARANTIA DA QUALIDADE
DE PRODUTOS
para exportação
PROFESSOR 
Dr. André Álvares Monge Neto
PLANO DE ESTUDO 
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Rotulagem de alimentos im-
portados e de alimentos encaminhados para exportação • Rotulagem frontal de alimentos • Codex 
Alimentarius • Certificação de produtos visando à exportação.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
• Expor pontos da legislação brasileira que ressaltam as regras que os rótulos de produtos comerciali-
zados internacionalmente devem seguir • Apresentar algumas especificidades da rotulagem de alguns 
países e discutir como estas normas poderiam auxiliar a rotulagem nutricional no Brasil • Apresentar 
aos alunos a principal norma internacional para qualidade de produtos alimentícios, na qual os órgãos 
de cada país se baseiam para construir a própria legislação • Apresentar certificações aceitas interna-
cionalmente sobre a qualidade do produto: ISO e outras certificações.
INTRODUÇÃO
Caro(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à Unidade 3 da disciplina Impactos 
da Globalização no Contexto da Segurança Alimentar.
Nesta unidade, daremos foco na qualidade necessária para a produ-
ção de alimentos que serão destinados ao mercado internacional. Como 
apresentar as informações necessárias nos rótulos de produtos destinados 
para outros países? Existe uma legislação básica internacional que garanta 
a segurança e qualidade dos alimentos? Como garantir que a sua produção 
segue padrões de segurança e qualidade internacionais? Estas são algumas 
questões que devem ser respondidas ao longo da presente unidade.
Já é de nosso conhecimento a importância da rotulagem nas embalagens 
de alimentos. Ao definir as informações contidas no rótulo das embalagens 
alimentícias comercializadas no nosso país, devemos nos basear nas legisla-
ções específicas, geralmente, regulamentadas pela Agência Nacional de Vi-
gilância Sanitária (Anvisa). No entanto, ao se tratar de alimentos destinados 
à comercialização em outros países, a rotulagem deve obedecer às normas 
dos países de comercialização, diferindo do que estamos habituados.
Depois de falar sobre rotulagem, focaremos no Controle de Qualida-
de. Falaremos de uma legislação internacional base para todos os países: 
o Codex Alimentarius e, ainda, de sistemas internacionais de fiscalização 
da produção de alimentos para garantir a segurança dos produtos. Den-
tre todos os sistemas internacionais, focaremos muito na ISO 22000 e, 
também, apresentaremos outras normas internacionais para certificação 
de segurança alimentar.
Desta forma, apresentados os conteúdos da Unidade 3, desejo a você 
um bom estudo! Muito foco na leitura destes tópicos que são de extrema 
importância para empresas que exportam produtos alimentícios (e para 
as que não exportam, também)!
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ROTULAGEM DE ALIMENTOS
IMPORTADOS E DE
alimentos encaminhados 
para exportação
O rótulo de um alimento é um dos principais chamarizes para a atenção do 
consumidor. No entanto, além da sua função de marketing, auxiliando a venda 
do produto, ele tem a importante função de informar. No Brasil, é necessário que 
algumas informações estejam presentes nos alimentos comercializados:
 ■ Lista de ingredientes: esta lista deve ser apresentada a partir do ingre-
diente em maior quantidade para o ingrediente em menor quantidade.
 ■ Lote: é considerado uma identificação dos produtos de um mesmo tipo 
produzidos em condições essencialmente iguais, mesmo fabricante e em 
espaço de tempo determinado.
 ■ Prazo de validade: data limite para o consumo seguro do alimento.
 ■ Denominação de venda: é o nome que caracteriza o produto;
 ■ Presença ou ausência de glúten.
 ■ Origem: local no qual o alimento foi produzido e o contato com a indús-
tria produtora.
 ■ Alergênicos: alerta de ingredientes que podem causar alergia.
 ■ Rotulagem nutricional: informação da composição nutricional de uma 
porção de alimentos.
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A produção de um rótulo alimentício nunca é uma tarefa fácil, no entanto isso 
se torna ainda mais difícil quando o produto produzido será comercializado em 
um país diferente. Esta dificuldade afeta tanto as empresas quanto as exportado-
ras que desejam comercializar seus produtos em países estrangeiros e, também, 
as empresas importadoras que comercializam produtos importados no Brasil.
Rotulagem de produtos importados
A comercialização de produtos industrializados em outros países traz a ne-
cessidade de algumas adaptações nos rótulos dos alimentos. Os alimentos 
comercializados no Brasil devem possuir rotulagem com informações em 
português. No entanto, muitas vezes, os alimentos são importados e comer-
cializados com a mesma embalagem do país de origem, ou seja, a embalagem 
original do produto. Quando isto acontece, cabe à empresa produtora (ou à 
empresa importadora) adicionar uma etiqueta à embalagem com as informa-
ções exigidas pelas autoridades brasileiras em português (Figura 1). Ainda, 
produtos com embalagens em outros idiomas e sem etiquetas em português 
não podem ser comercializados no Brasil.
Figura 15 - Exemplo de etiqueta em português colada em produto importado
Fonte: o autor.
Algumas informações não são obrigatórias para todos os alimentos. Por exemplo, não 
há necessidade de prazo de validade em vinagres. Assim, ao elaborar um rótulo, deve-se 
consultar a legislação para cada tipo de produto.
Fonte: Anvisa (2002).
explorando Ideias
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Produtos comercializados em diferentes países que possuem diferentesidiomas de-
vem ter informações de rótulos, nos dois idiomas. Ainda, caso as unidades de medidas, 
nestes países, sejam diferentes das habitualmente usadas no Brasil (como gramas (g), 
quilogramas (kg), litro (L) e mililitro (mL)), as embalagens devem conter os dois tipos 
de unidade, como observado na Figura 16. Este tipo de situação é muito comum em 
produtos de higiene pessoal, como desodorantes, cremes hidratantes e cremes dentais.
Figura 16 - Exemplo de embalagem com dizeres em duas línguas
Fonte: Urbanbuzz
Em free shops, mercados em zonas alfandegárias em navios, aeroportos e regiões entre 
países, é permitida a comercialização de alimentos com embalagens em idiomas diferen-
tes do português, mesmo sem a etiqueta.
pensando juntos
Produtos importados devem seguir normas de qualidade e rotulagem do Brasil. Você já deve ter 
percebido na lista de ingredientes de alguns produtos o dizer “farinha de trigo enriquecida com ferro 
e ácido fólico”. Esta medida foi tomada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (2017) para pre-
venção contra a má formação de bebês durante a gestação e a prevenção da anemia. Comparando 
dados entre 2001 e 2004 (antes do enriquecimento de farinha com estes componentes), com dados 
obtidos entre 2005 e 2014 (após o enriquecimento de farinhas), percebeu-se uma redução signifi-
cativa de aproximadamente 30% na prevalência de doenças do tubo neural em bebês nas regiões 
Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Dada a importância comprovada deste enriquecimento, as farinhas 
de trigo importadas também devem seguir a legislação brasileira para venda de seus produtos no 
nosso país. No entanto, não há restrição brasileira para importação de produtos preparados, produ-
zidos com farinha de trigo não enriquecidas, como massas e biscoitos. Para conhecer mais produtos 
dispensados do abastecimento, consulte a RDC 150 de 2017 da ANVISA.
Fonte: Anvisa (2017).
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ROTULAGEM FRONTAL
DE ALIMENTOS
O modelo de rotulagem frontal tem, como objetivo, tornar a leitura e a interpretação 
das informações nutricionais mais compreensíveis. Isto auxilia os consumidores 
a fazerem escolhas mais conscientes ao comprar um alimento embalado. Mais de 
40 países já adotaram o modelo de rotulagem frontal para complementar a tabela 
nutricional, por meio de símbolos ou de sistemas de classificação (SILVA, 2019). 
Este tipo de informação busca melhor interação com o consumidor, a res-
peito dos componentes presentes nos alimentos. Ainda, a rotulagem frontal tem 
a função de alertar o indivíduo no momento da compra sobre a presença de 
componentes não saudáveis no alimento, como sódio, açúcares e gorduras. Dessa 
forma, a rotulagem frontal possui potencial relação com a redução de doenças 
cardiovasculares e obesidade, por exemplo.
Dessa forma, quando uma empresa brasileira estuda iniciar a exportação 
de produtos alimentícios para países que possuem este tipo de informação, ela 
deve seguir as normas para enquadrar o alimento produzido nos padrões da 
legislação de cada país. A seguir, estão listados exemplos de rotulagem frontal 
adotados em alguns países.
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Modelo chileno
O modelo chileno de rotulagem frontal traz símbolos similares aos de placas 
de “pare” em preto e branco. Apesar de algumas críticas com relação às cores 
pouco chamativas do alerta chileno (preto e branco chamam pouca atenção 
de crianças), o modelo deste país destaca apenas ingredientes negativos e que 
devem ser evitados (Figura 17).
Figura 17 - Modelo de selos de alerta para alimentos comercializados no Chile
Fonte: Ministerio de Salud ([2019], on-line)20. 
Modelo Equador
O modelo de rotulagem frontal, utilizado no Equador, evidencia a presença de 
gordura, açúcar e sal, utilizando palavras junto com cores do sinaleiro: vermelho, 
significando alto conteúdo de um dos componentes; amarelo, indicando conteú-
do médio de um dos componentes; e verde, indicando baixo conteúdo. Quando 
o produto não contém sal, açúcar e/ou gordura, não há cor, apenas um dizer de 
rotulagem (Figura 18).
Figura 18 - Modelo de rotulagem frontal utilizado no Equador / Fonte: Díaz et al. (2017, p. 3).
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Modelo francês
O modelo francês traz uma escala colorida (chamada de Nutri-Score) que 
identifica o alimento entre as letras A e E. Os alimentos classificados mais 
próximos do A recebem coloração esverdeada e possuem mais qualidade nu-
tricional; os alimentos mais próximos do E recebem coloração avermelhada 
e possuem menos qualidade nutricional; a letra C é o meio da escala e recebe 
a coloração amarela (Figura 19).
Figura 19 - Modelo de rotulagem frontal utilizado pela França / Fonte: Julia e Hercberg (2017, p. 183). 
Modelo Reino Unido
O modelo do Reino Unido também apresenta as cores do sinal de trânsito (ver-
melho, amarelo e verde) para representar os conteúdos de gorduras, gorduras 
saturadas, açúcar e sal dos alimentos, separando-os, como apresenta a Figura 20.
Figura 20 - Modelo de rotulagem frontal do Reino Unido / Fonte: Department of Health (2013, p. 28).
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Este modelo é eficiente, no entanto alguns profissionais da área o consideram 
confuso, pois apresenta cores diferentes em cada atributo, podendo gerar dúvidas 
ao consumidor: seria melhor um alimento com todos os atributos amarelos ou 
um alimento com metade dos atributos verdes e metade vermelhos?
O Brasil ainda não regulamenta a rotulagem frontal dos alimentos. No en-
tanto considerando a importância deste tipo de informação ao consumidor 
e, ainda, o seu potencial para auxiliar na prevenção e no combate a doenças 
como obesidade, diabetes e desnutrição, a Anvisa realizou (até 9 de dezem-
bro de 2019) uma consulta pública para entender a opinião popular sobre o 
assunto (ANVISA, 2019, on-line)21. 
Como a edição do presente material se encerrou antes de qualquer conclusão 
desta consulta pública, mantenha-se informado(a), nos sites oficiais da Anvisa, 
sobre as novas normas de rotulagem frontal.
Na unidade anterior, vimos que os blocos econômicos podem facilitar o comércio entre 
países. No entanto, aqui, veremos um exemplo de um acordo que não beneficia muito os 
consumidores de alimentos dos países Estados Unidos, Canadá e México. Segundo Belluz 
(2018), era interesse do Canadá deixar as informações nutricionais de alimentos mais claras 
para a população. No entanto o novo acordo do bloco USMCA, por pressão dos Estados 
Unidos, dificulta a exposição deste tipo de informação em rótulos de produtos alimentícios.
Fonte: o autor.
explorando Ideias
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CODEX
ALIMENTARIUS
O Codex Alimentarius é uma comissão responsável por definir padrões interna-
cionais para produção, controle, verificação e comercialização de alimentos. Des-
sa forma, essa comissão é importante para garantir a segurança dos consumidores 
de alimentos ao redor do mundo e garantir práticas justas de comercialização de 
alimentos no âmbito global.
O Codex Alimentarius foi criado em 1963, por dois órgãos da Organização 
das Nações Unidas (ONU): pela Organização das Nações Unidas para a Ali-
mentação e Agricultura (FAO) e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 
Atualmente, conta com 189 membros e é presidida por um brasileiro, Guilherme 
Costa (MAPA, 2019, on-line)22. 
Segundo Ortega e Borges (2012), os países participantes do Codex Alimenta-
rius comprometem-se a criar comissões nacionais para atuarem de acordo com as 
deliberações realizadas em âmbito internacional. Desta forma, a legislação desta 
comissão é base para a legislação de cada país, inclusive do Brasil.
Ainda segundo Ortega e Borges (2012), o Codex Alimentarius conta com 
inúmeras normas, em diversas classes de produtos:
 ■ Mais de 200 normas relacionadas a alimentos consumidos crus, alimentos 
preparados e alimentos semipreparados.
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 ■ Recomenda mais de 40 códigos de atividades relacionadas à higiene no 
processamento de alimentos.
 ■ Mais de 1000 aditivos alimentaresavaliados.
 ■ Mais de 54 medicamentos veterinários avaliados.
 ■ Especifica mais de 30 diretrizes na área de contaminantes de alimentos.
 ■ Tem estabelecido mais de 3000 níveis máximos para resíduos de pesticidas.
Dessa forma, considerando a ampla abrangência das normas do Codex Alimenta-
rius e a sua importância para a elaboração das normas de cada país, é essencial, para 
o profissional que atua com segurança alimentar, conhecer as atualizações dessas 
normas. A empresa em que este profissional atua estará adiantada quanto às ne-
cessidades de adaptação, quando a legislação local for modificada e implementada.
4 
CERTIFICAÇÃO DE 
PRODUTOS
visando à exportação
A produção de produtos alimentícios deve ser realizada de forma adequada e 
deve seguir padrões de qualidade, para garantir a segurança do consumidor. Para 
isso, diversos programas de qualidade existem e devem ser seguidos, como:
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 ■ 5S: programa que visa aprimorar a organização, limpeza e padronização em em-
presas. Seu nome deriva de cinco palavras japonesas que representam os cinco 
sensos trabalhados neste programa: Seiri (Senso de utilização); Seiton (Senso 
de organização); Seiso (Senso de limpeza); Seiketsu (Senso de padronização) e 
Shitsuke (Senso de disciplina). Este programa já foi ampliado e muitas empresas 
já trabalham com mais sensos, como redução, reutilização e reciclagem.
 ■ Boas Práticas de Fabricação (BPF): são procedimentos que devem ser 
adotados por serviços de alimentação (indústrias, restaurantes, centro 
de distribuição etc.) a fim de garantir a qualidade higiênico-sanitária e a 
conformidade dos alimentos com a legislação sanitária.
 ■ Procedimento Operacional Padronizado (POP): um procedimento opera-
cional padronizado deve descrever, de forma simples e objetiva, instruções, 
em sequência, para realizar atividades rotineiras e específicas da produção, 
armazenamento e transporte de alimentos. Em algumas empresas, estes pro-
cedimentos podem ter outros nomes, como a Instrução de Trabalho (IT).
 ■ Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC): o APPCC é um 
programa de caráter preventivo, que se baseia na identificação dos perigos 
de um processo produtivo e o controle sistemático de pontos em que ocorre 
este perigo, o qual pode ser eliminado ou pode ser reduzido a níveis seguros.
Estes programas são básicos para empresas produtoras de alimentos que visam 
garantir a segurança dos produtos. No entanto como garantir que o seu cliente 
os siga, devidamente? Esta é uma pergunta que se agrava muito quando o seu 
cliente fica em outro país, produzindo segundo outras normas sanitárias. Dessa 
forma, sistemas de certificação internacionais podem ampliar muito a facilidade 
da sua empresa em alcançar novos mercados consumidores.
Normalização e a ISO 22000
Segundo Azeredo (2017), a normalização da produção é norteada, dentre outros 
aspectos, pela eliminação de barreiras técnicas e comerciais. Assim, a ISO (Inter-
national Standard Organization, Organização Internacional de Padronização, 
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em tradução livre) publicou, em 2005, a norma ISO 22000. Desde então, estas 
normas foram complementadas e atualizadas. A Tabela 2 apresenta a evolução 
nas normas da família ISO 22000.
Norma Título
ISO 22000:2005
Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos – Re-
quisitos para qualquer organização na cadeia produ-
tiva de alimentos.
ISO/TS 22004:2005
Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos – Guia 
de aplicação da ISO 22000:2005.
ISO/TS 22003:2007
Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos – Re-
quisitos para organismos de auditoria e certificação 
de Sistemas de Gestão da Segurança de Alimentos.
ISO 22005:2008
Rastreabilidade na cadeia alimentar – Princípios ge-
rais e requisitos básicos para a concepção e imple-
mentação do sistema.
ISO 22006:2009
Sistemas de Gestão da Qualidade – Guia para aplica-
ção da ISSO 9001:2008 na produção agrícola.
ISO/TS 22002-
1:2009
Programa de pré-requisitos para segurança de ali-
mentos – Parte 1: Produção de alimentos.
Tabela 2 - Normas da família ISO 22000 / Fonte: Azeredo (2017, p. 270).
Azeredo (2017) ainda apresenta alguns benefícios para uma empresa implemen-
tar a norma ISO 22000:
 ■ Garantia da inocuidade do alimento.
 ■ Otimização do uso de recursos.
 ■ Conquista e manutenção de mercados.
 ■ Mais competitividade em mercados internacionais.
 ■ Mais aceitação dos produtos, em termos internacionais.
 ■ Normas auditáveis, certificadas por entidades terceirizadas.
 ■ Redução de queixas por não conformidades.
 ■ Aumento da produtividade do trabalho.
 ■ Consciência dos colaboradores sobre a higiene e a segurança de alimentos.
Comunicação simplificada e mais colaboração entre parceiros da cadeia alimentar.
 ■ Valorização da marca.
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A norma ISO 22000 se constitui em um sistema de gestão muito efetivo para a produ-
ção de alimentos seguros. Para garantir este objetivo, ela está dividida em oito seções:
 ■ Seção 1: é uma parte introdutória, a qual conta com seu objetivo e âmbito 
de aplicação;
 ■ Seção 2: nesta seção, a ISO 9001:2000 é estabelecida como referência in-
dispensável para a ISO 22000;
 ■ Seção 3: apresentam-se alguns termos e definições;
 ■ Seção 4: apresentam-se alguns requisitos gerais e documentação;
 ■ Seção 5: neste tópico, são explicitados os compromissos assumidos pela 
direção da organização a qual deseja certificação, da política de segurança 
e da indicação de um coordenador da equipe de segurança de alimentos;
 ■ Seção 6: tem enfoque na gestão de recursos para estabelecer, implementar, 
manter e atualizar o sistema de gestão da segurança de alimentos;
 ■ Seção 7: nesta seção, estão contidos os princípios do APPCC (Análise de 
Perigos e Pontos Críticos de Controle) (vide Tabela 2). Além disso, este 
tópico também destaca a implantação do sistema de rastreabilidade e do 
tratamento de produtos potencialmente inseguros;
 ■ Seção 8: trata da validação, verificação e melhoria do sistema de gestão 
de segurança de alimentos.
Pode-se fazer um paralelo entre os princípios básicos do APPCC e de alguns itens 
constantes na ISO 22000. Veja na Tabela 3.
APPCC ISO 22000
Estruturação da Equipe APPCC
7.3.2 Equipe de segurança de alimen-
tos
Descrição do produto
7.3.3 Características dos produtos
7.3.5.2 Descrição das etapas do pro-
cesso e medidas de controle
Identificar intenção de uso
Construir fluxograma
Conferir fluxograma in loco
7.3.4 Intenção de uso
7.3.5.1 Fluxogramas
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Princípio 1 – Conduzir uma análise 
de perigos
7.4 Análise de perigos
7.4.2 Identificação de perigos e deter-
minação de níveis aceitáveis
7.4.3 Avaliação do perigo
7.4.4 Seleção e avaliação das medidas 
de controle
Princípio 2 – Determinar os pontos 
críticos de controle (PCC)
7.6.2 Identificação dos Pontos Críticos 
de Controle (PCC)
Princípio 3 – Estabelecer limites 
críticos
7.6.3 Determinação dos limites dos 
PCC
Princípio 4 – Estabelecer um siste-
ma de monitoramento
7.6.4 Sistema de monitoramento dos 
PCC
Princípio 5 – Estabelecer ações 
corretivas
7.6.5 Ações quando os resultados do 
monitoramento excedem os limites 
críticos
Princípio 6 – Estabelecer procedi-
mentos de verificação
7.8 Plano de verificação
Princípio 7 – Estabelecer procedi-
mentos de registro
4.2 Requisitos de documentação
7.7 Atualização de informações preli-
minares e documentos, especificando 
os Programas de Pré-Requisitos (PPR) 
e o plano APPCC
Tabela 3 - Paralelo entre APPCC e ISO 22000 / Fonte: Azeredo (2017, p. 276).
Dessa forma, uma empresa que tem implementado, adequadamente, um plano de 
APPCC, pode pensar, sem esforços exageradamente grandes, uma certificação ISO 
22000 e usufruir dos benefícios de uma certificação internacionalmente reconhecida.
Global Food Safety Initiative (GFSI) e outras certi-
ficações internacionais
O Global Food Safety Initiative (GFSI), Iniciativa Global em Segurança de 
Alimentos (em tradução livre), é uma entidade sem fins lucrativos, aqual tem, 
como missão, a melhoria contínua dos sistemas de gestão de segurança alimen-
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70
tar para a garantia da confiança no fornecimento de alimentos seguros para 
os consumidores em todo o globo. Algumas outras certificações são apoiadas 
e reconhecidas pelo GFSI:
 ■ British Retail Consortium Global Standards: é uma norma desenvolvida 
pelo setor de serviços alimentícios inglês para adoção pelos diferentes 
organismos de certificação.
 ■ Safe Quality Food 1000 Code (SQF 1000): norma norte-americana que 
tem como objetivo atender o produtor primário nos requisitos para a se-
gurança de alimentos, a gestão da qualidade e o programa de certificação.
 ■ Food Safety System Certification 22000 (FSSC 22000): esta norma tem, 
como base, a ISO 22000 e em outros documentos, ampliando as especi-
ficações técnicas de Programas de Pré-Requisitos.
Estas normas (e outras não apresentadas) são muito complexas e sua implantação, 
demanda tempo e altos investimentos. Dessa forma, se a empresa que você traba-
lha deseja implementar uma delas, você deve consultar a norma mais atualizada 
disponível e se aprofundar em cada tópico apresentado.
Ainda, segundo Azeredo (2017, p. 335), “Os países criadores da maioria dessas 
iniciativas (se referindo a normas específicas de certificação) são sempre euro-
peus ou norte-americanos, ou seja, países desenvolvidos procurando atender aos 
seus próprios interesses. Na maioria das vezes, o objetivo real de tais iniciativas 
(normas específicas de certificação) é o da proteção de mercado ou a restrição do 
acesso a determinados mercados”. Desta forma, deve-se fazer uma análise crítica 
sobre os investimentos para conseguir estas normas e o lucro potencial que a 
implementação dela gerará, para decidir se escolhe implementar alguma destas 
certificações na empresa trabalhada.
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
A abordagem dos conteúdos, feita nesta Unidade 3, faz com que a gente amplie, 
ainda mais, nossas informações sobre os impactos da globalização no contexto 
da segurança alimentar.
Esta unidade iniciou ao tratar da rotulagem de produtos em diversos países. 
Aqui, vale ressaltar a necessidade de etiquetas em embalagens de produtos ali-
mentícios importados e comercializados no Brasil, caso os rótulos não possuam 
informações em português. Ainda, destacou-se a necessidade de rotulagem fron-
tal para comercialização de alimentos, em alguns países. O modelo desta rotula-
gem varia em diferentes países, e a consulta da legislação local é necessária, em 
caso de produzir para exportação. Vale ressaltar que, no período de elaboração 
deste material, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária estava fazendo uma 
consulta pública sobre a rotulagem frontal no nosso país e você deve consultar 
a legislação atualizada sobre este assunto.
A segunda aula desta unidade focou no Codex Alimentarius. Esta comissão 
é responsável pela elaboração de normas que norteiam a legislação de segurança 
alimentar em todo o globo. Assim, estar atualizado a respeito das mudanças destas 
normas significa estar adiantado às mudanças que estão por vir no mercado!
Por último, a unidade trata de certificações na área de alimentos que são 
aceitas mundialmente, que impactam positivamente a produção de alimentos e 
a aceitação dos produtos da empresa certificada em mercados internacionais. A 
ISO 22000 é uma das certificações mais importantes quando se trata de segurança 
alimentar e, além disso, apresenta muitas similaridades com um plano APPCC. 
No entanto várias outras certificações existem em diversos países e podem ser 
exigidas para atingir novos mercados consumidores.
Com todas estas informações apresentadas, você está mais por dentro do di-
nâmico comércio internacional de alimentos e mais preparado(a) para entender 
às exigências internacionais.
 Até a próxima unidade!
72
na prática
1. Diversos países já aderiram à rotulagem frontal de alimentos: Chile, França e Reino 
Unido são exemplos. Sobre este tipo de rotulagem, são feitas as seguintes afirmações:
I - A rotulagem frontal substitui a rotulagem nutricional na forma de tabela, como 
conhecemos atualmente.
II - Excesso de componentes prejudiciais à saúde são facilmente identificados na 
rotulagem frontal
III - A rotulagem frontal tem potencial para reduzir a incidência de doenças, por 
exemplo, a obesidade.
Sobre as afirmações anteriores, assinale a alternativa correta. 
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas II está correta.
e) Apenas III está correta.
2. O Codex Alimentarius foi criado por dois órgãos: Organização das Nações Unidas para 
a Alimentação e Agricultura (FAO) e Organização Mundial da Saúde (OMS). Sobre o 
Codex Alimentarius, assinale a alternativa correta.
a) O Codex Alimentarius trata apenas da industrialização de alimentos, não fazendo 
menção a matérias-primas alimentícias e medicamentos.
b) Todos os países do globo são obrigados a seguir as normas estipuladas pelo 
Codex Alimentarius.
c) O Brasil não possui participação ativa no Codex Alimentarius, portanto, não se 
constitui um membro importante.
d) As normas de segurança alimentar do Codex Alimentarius são bases para as le-
gislações da área de cada país participante.
e) O Codex Alimentarius surgiu juntamente com a ISO 22000 para facilitar as normas 
de exportação de alimentos.
3. A ISO 22000 é uma importante norma de certificação de indústrias alimentícias. 
As empresas que têm esta ISO implementada possuem uma série de benefícios. 
Assinale a alternativa que apresenta, de forma, errada estes benefícios.
73
na prática
a) Otimização do uso de recursos e redução de queixas por não conformidade.
b) Liberdade de trânsito em fronteira para mercados internacionais e liberdade 
para adaptações do processo.
c) Mais competitividade e mais aceitação dos produtos no mercado internacional.
d) Consciência dos colaboradores sobre a higiene e segurança de alimentos e va-
lorização da marca.
e) Conquista e manutenção de mercados e garantia da inocuidade do alimento.
4. A ISO 22000 estabelece requisitos para a implementação brasileira de um Sistema 
de Gestão da Segurança de Alimentos. Sobre esta norma, seguem as afirmações:
I - Parte importante da ISO 22000 se trata de identificar, determinar limites e mo-
nitorar os Pontos Críticos de Controle.
II - A ISO 22000 pode ser implementada de forma simples, pois não se baseia em 
pré-requisitos de qualidade. 
III - Uma equipe de segurança de alimentos deve ser formada para implementação 
da ISO 22000.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I e III estão corretas.
d) Apenas I está correta.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
5. O Sistema de Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC) é um sistema 
de base para as indústrias de alimentos. Já a ISO 22000 é uma certificação internacio-
nal para a segurança de alimentos. Ambos possuem muitas similaridades e pontos 
cruzados. Liste os princípios para o APPCC e faça um paralelo com as exigências da 
ISO 22000, de forma a apresentar semelhanças deste processo.
74
aprimore-se
A Unicef é uma agência da Organização das Nações Unidas (ONU) que se dedica, es-
pecificamente, às crianças. No texto publicado em 11 de outubro de 2019, ela apoia 
a rotulagem frontal dos alimentos. Leia o texto na íntegra:
“O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC), juntamente com outras 
organizações, tem liderado a discussão para a inclusão de alertas na parte frontal 
dos produtos alimentícios ultraprocessados, para quando há excesso de nutrientes 
como açúcar, sódio e gorduras saturadas. Hoje, Dia Mundial da Prevenção da Obesi-
dade, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), instituição que também 
defende tal proposta, anunciou o apoio às ações do IDEC para informar a sociedade 
sobre os benefícios da rotulagem frontal.
A aliança inédita acontece no momentoem que a Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária (ANVISA) está recebendo contribuições e opiniões dos consumidores, por 
meio de uma consulta pública, sobre qual o modelo de rotulagem nutricional deve 
ser adotado no País. O processo de participação popular termina em 6 de novembro 
(este prazo foi estendido após a publicação da matéria - nota do autor).
“O Brasil vive um grande crescimento da obesidade e do sobrepeso entre crianças 
e adolescentes, o que traz uma série de consequências negativas para o desenvolvi-
mento e a saúde em todo o ciclo de vida. Desenvolver hábitos alimentares saudáveis, 
nos primeiros anos de vida, traz benefícios para toda a vida. A informação é funda-
mental para isso e a rotulagem frontal é uma importante ferramenta para que as 
famílias tomem decisões sobre a alimentação de suas crianças”, afirma Cristina Albu-
querque, chefe de Saúde, Desenvolvimento Infantil e HIV/aids do UNICEF no Brasil.
Atualmente, uma a cada três crianças está acima do peso e, segundo estimativas 
do Ministério da Saúde, até 2025, a população infantil com obesidade chegará a 11,5 
75
aprimore-se
milhões. De acordo com Ana Paula Bortoletto, nutricionista do IDEC, uma rotulagem 
adequada e eficiente ajuda na prevenção dessa e de outras doenças crônicas não 
transmissíveis, como o diabetes e alguns tipos de câncer.
“As informações presentes, hoje, nas embalagens de alimentos, são ineficien-
tes para informar as reais características de um produto. Lutamos muito pela 
abertura dessa consulta, pois os brasileiros têm o direito de saber o que co-
mem”, afirma Bortoletto.
Modelo de triângulos
Pesquisas feitas no Brasil e no exterior e, a experiência bem-sucedida de outros 
países, não deixam dúvidas de que os triângulos, defendidos pelo UNICEF, Idec e 
outras organizações, são a melhor opção quando o assunto são as novas regras 
para os rótulos dos alimentos.
O modelo apresentado pelo Instituto simboliza a noção de alerta de forma mais 
fácil para os consumidores, já que permite interpretações rápidas de crianças pe-
quenas ou adultos não alfabetizados.
Segundo a proposta, os alimentos embalados poderão ter até três ícones para 
identificar o excesso de açúcar, sódio e gorduras saturadas. Ou seja, cada triângulo 
representará um nutriente prejudicial à saúde”.
Fonte: Unicef (2020, on-line)23.
76
eu recomendo!
Sistema de Gestão: Qualidade e Segurança dos Alimentos
Autores: Pedro Manuel Leal Germano, Maria Izabel Simões Germano
Editora: Manole
Sinopse: constitui uma obra de consulta para todos aqueles que 
atuam na área de alimentos, seja no agronegócio, seja na indús-
tria ou no comércio. Dirige-se aos profissionais formados que 
atuam nestes segmentos, assim como aos estudantes e aos pro-
prietários e gestores de estabelecimentos.
livro
O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) apresenta uma reportagem 
com exemplos de como uma possível rotulagem frontal dos alimentos pode im-
pactar a nossa vida. Boa leitura! 
https://idec.org.br/embalagem-ideal 
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária possui um documento informativo mui-
to interessante que explica o Codex Alimentarius, incluindo, nesta explicação, his-
tórico, estrutura e participação brasileira. Veja no link:
http://portal.anvisa.gov.br/documents/33916/388701/Codex+Alimentarius/10d-
276cf-99d0-47c1-80a5-14de564aa6d3 
conecte-se
4
TIPOS DE CERTIFICAÇÃO
EXISTENTES PARA
exportação de alimentos
PROFESSOR
Dr. André Álvares Monge Neto
PLANO DE ESTUDO 
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Certificação de alimentos orgâni-
cos • Selos agroecológicos • Certificação de pagamentos justos aos fornecedores • Nomenclaturas de 
produtos regionais • Selos Halal e Kosher.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
• Apresentar aos alunos a importância de certificação de alimentos orgânicos no cenário atual global 
• Apresentar aos alunos a importância de certificação de alimentos produzidos sem prejuízo ao meio 
ambiente no cenário atual global • Entender a importância de certificação de alimentos produzidos 
sem exploração no cenário atual global • Expor ao aluno a importância do Terroir na produção de alguns 
produtos e a sua identificação por características e nomenclaturas específicas • Apresentar as exigências 
para obtenção de selos Halal e Kosher para exportação a algumas regiões.
INTRODUÇÃO
Seja muito bem-vindo(a) à Unidade 4. Na unidade anterior, abordamos 
o assunto de certificação para segurança alimentar, falando, principal-
mente, da ISO 22000. No entanto este não é o único tipo de certificação 
existente. Nesta unidade, abordaremos outras certificações que interes-
sam ao mercado consumidor, como aquelas relacionadas a temas como 
meio ambiente e respeito humano.
Dessa forma, o primeiro tópico a ser abordado é sobre a certificação de 
alimentos orgânicos. Este termo já se encontra bem difundido e significa 
que o seu produto é proveniente de um tipo de cultivo que não utiliza 
agrotóxicos. No entanto como produzir um alimento orgânico? Como 
garantir que o produto adquirido no supermercado é realmente livre de 
agrotóxicos? Estas questões são algumas das que serão respondidas nesta 
unidade. O cultivo de alimentos por práticas agroecológicas também será 
um tema abordado nesta unidade.
Além da procura por produtos que tenham impacto positivo na saúde 
e no meio ambiente, alguns mercados estão preocupados em consumir 
produtos de empresas que têm práticas de remuneração justa de seus for-
necedores. Ou seja, não basta o produto ser produzido com qualidade, a 
remuneração dos produtores das matérias-primas deve ser justa e con-
dizente com os valores de mercado e a realidade social do país produtor.
Outro fator importante para a comercialização de alguns produtos ao 
redor do globo é a denominação segundo a certificação de uma região de 
origem. Assim, produtos com características diferenciadas, produzidos em 
determinada região, podem apresentar denominação exclusiva, facilitando 
o reconhecimento deste alimento.
Por fim, falaremos de duas certificações relacionadas a culturas de al-
guns povos: os selos Halal e Kosher. Para serem certificados nestes selos, a 
produção de alimentos deve seguir regras específicas para cada um. 
Boa leitura!
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1 
CERTIFICAÇÃO DE 
ALIMENTOS
orgânicos
Agricultura orgânica é aquela onde não se permite o uso de agentes químicos que, 
de alguma forma, coloquem em risco o meio ambiente e a saúde dos consumido-
res dos alimentos produzidos. Dessa forma, não são permitidos fertilizantes sinté-
ticos, agrotóxicos e sementes transgênicas nas práticas de produção orgânicas. O 
Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) oferece o passo a 
passo do credenciamento junto a um Organismo de Avaliação da Conformidade 
Orgânica (OAC) (EMBRAPA, 2014, on-line)24.
Os procedimentos para certificação de alimentos orgânicos podem ser um 
pouco burocráticos, como discutiremos a seguir. No entanto a observação de dados 
do mercado de alimentos orgânicos mostra que a certificação pode valer a pena. 
Envolvendo grandes cifras, o mercado de orgânicos chega a movimentar 
por volta de R$ 3,5 bilhões a cada ano (GLOBO RURAL, 2019, on-line)25. Neste 
contexto, o Brasil se destaca como líder no mercado de alimentos orgânicos na 
América Latina. Nos últimos 10 anos, a extensão de terras destinadas à produ-
ção de orgânicos no país cresceu, atingindo 1,1 milhão de hectares em 2017. No 
entanto ainda há muito a se desenvolver na expansão desta área, pois, quando 
se considera a extensão territorial destinada à produção de alimentos orgânicos, 
o país fica atrás da Argentina e do Uruguai (CANAL RURAL, 2019, on-line)26.
O MAPA (2019, on-line)27 apresenta diversos órgãos certificadores cadastra-
dos em suas plataformas, seguem alguns deles:
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 ■ Instituto de Tecnologia do Paraná (TECPAR).
 ■ Ecocert Brasil Certificadora Ltda.
 ■ IBD Certificações Ltda.
 ■ IMO Control do Brasil Ltda.
 ■ AgricontrolOIA Ltda.
 ■ Instituto Nacional de Tecnologia.
 ■ Instituto Chão Vivo de Avaliação da Conformidade.
 ■ Instituto Mineiro de Agropecuária.
 ■ Cugnier Certificadora.
 ■ Kiwa Bcs Öko-garantie do Brasil Ltda.
 ■ Savassi Certificação de Serviços Administrativos Ltda.
 ■ IGCERT Serviços Administrativos Ltda/Genesis Certificações.
 ■ WQS do Brasil Ltda.
Além destes órgãos, há a possibilidade de reunir produtores e outras pessoas 
interessadas, de maneira organizada, para conseguir atuar como Organismos 
Participativos de Avaliação da Conformidade Orgânica. Dentre estes tipos de 
organismos, seguem alguns exemplos já cadastrados no MAPA (2017, on-line)28:
 ■ Associação de Agricultura Natural de Campinas e Região;
 ■ Associação Ecovida de Certificação Participativa;
 ■ Associação dos Agricultores Biológicos do Estado do Rio de Janeiro (ABIO);
 ■ Associação Brasileira de Agricultura Biodinâmica (ABD);
 ■ OPAC – Cerrado / Sindicato dos Produtores Orgânicos do DF Sindior-
gânicos/DF;
 ■ Associação de Produtores Orgânicos do Mato Grosso do Sul (APOMS);
 ■ Associação dos Produtores Agroecológicos do Semiárido Piauiense 
(APASPI);
 ■ Associação de Certificação Participativa Agroecológica (ACEPA);
 ■ Associação Agroecológica de Certificação Participativa dos Inhamuns/
Crateús (ACEPI);
 ■ Associação dos Agricultores e Agricultoras Agroecológicos do Araripe 
(Ecoararipe);
 ■ Central de Associações de Produtores Orgânicos Sul de Minas – (Orgâ-
nicos Sul de Minas);
 ■ Associação OPAC Litoral Norte.
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Mesmo sem a certificação, muitos agricultores familiares podem se cadastrar no 
MAPA e vender seus produtos em feiras, diretamente ao consumidor, ou para 
serviços do governo, como merenda escolar e Companhia Nacional de Abasteci-
mento (CONAB). Para comprovar a produção orgânica, ainda, estes produtores 
cadastrados devem, sempre, estar em posse de uma declaração de cadastro junto 
ao MAPA que afirma que o produtor faz parte de um grupo que se responsabiliza 
pela produção (MAPA, 2019, on-line)27.
A certificação de produtos orgânicos, no entanto, amplia muito mais a gama 
de venda dos itens. Eles podem ser comercializados em lojas, supermercados, 
restaurantes e internet, por exemplo. Ainda, com certificação, pode-se continuar 
comercializando em feiras e para serviços do governo. Para fácil identificação, ali-
mentos orgânicos certificados ganham um selo do Selo do Sistema Brasileiro de 
Avaliação da Conformidade Orgânica (SisOrg), conforme apresenta a Figura 21.
 
Figura 21 - Selo da SisOrg para produtos orgânicos / Fonte: USP (2019, on-line)29.
Até agora, já conseguimos identificar produtos orgânicos em duas situações:
 ■ Produtos vendidos em feiras: os produtores devem possuir a declaração do 
MAPA a todo o momento, para mostrar para clientes e fiscais, quando solicitados.
Antes de entrar em contato com a empresa de certificação, avalie, em seu cadastro, no 
MAPA, se ela atua na área do processo que você deseja atuar. Por exemplo: “Produção 
Primária Animal” ou “Processamento de Produto de Origem Vegetal”.
Fonte: o autor.
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 ■ Produtos industrializados embalados: devem possuir o selo da SisOrg 
em suas embalagens.
Em outras situações, no entanto, os estabelecimentos devem possuir formas de 
certificar os produtos orgânicos que estão vendendo:
 ■ Produtos a granel: estes produtos devem ser identificados por meio de 
cartazes, etiquetas nos recipientes de armazenamento ou outro meio de 
fácil identificação.
 ■ Produtos preparados orgânicos: restaurantes, lanchonetes e qualquer ou-
tro estabelecimento que sirva alimentos orgânicos, ou ainda, alimentos 
que possuam ingredientes orgânicos em sua composição, devem possuir 
uma lista dos ingredientes orgânicos com respectivos fornecedores, aapre-
sentando aos clientes ou à fiscalização, quando solicitado.
Dessa forma, ao comprar produtos orgânicos, os estabelecimentos devem exigir 
garantias de seus fornecedores: selo do SisOrg na embalagem, cópias de certificados 
de orgânicos dos produtos não embalados e, até mesmo, um documento denomi-
nado Declaração de Transação Comercial, que o produtor e a certificadora podem 
emitir. Vale lembrar, ainda, que existe, no site do MAPA, uma lista com um Cadastro 
Nacional de Produtores Orgânicos. Você sempre pode fazer uma consulta lá!
Para finalizar a aula, devemos salientar que o consumo de alimentos orgâni-
cos pode ser considerado uma tendência mundial. Consumidores de diversos 
países estão buscando alimentos que sejam mais saudáveis e agridam menos o 
Dizer que um produto é orgânico, sem comprovar com a devida documentação (selo e/ou 
declaração) pode causar problemas para um estabelecimento. A primeira ação tomada é 
a apreensão dos produtos e uma comunicação, por escrito, sobre os cuidados que devem 
ser tomados na venda de produtos orgânicos. Sobre as responsabilidades, caso o produto 
sem selo esteja em sua embalagem original, ou seja, embalagem de fábrica, o responsá-
vel será o produtor deste item, sendo ele autuado e podendo ser multado. Se o produto 
estiver fora da embalagem original (em uma embalagem da própria loja ou a granel), pro-
dutor e o responsável pelo ponto de venda serão responsabilidades pelas irregularidades.
Fonte: MAPA (2019, on-line)28.
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SELOS 
AGROECOLÓGICOS
meio ambiente. Assim, no contexto global, produtos orgânicos têm bom espaço 
nas vendas e preferência dos consumidores. No entanto deve-se salientar que, 
caso você deseje exportar produtos orgânicos, você deve seguir normas dos 
países em que este produto será comercializado. Da mesma forma, produtos 
orgânicos importados que são comercializados no Brasil, devem ser certificados 
pelo MAPA, com o selo do SisOrg. 
A agroecologia pode ser definida como prática da agricultura dedicada ao 
estudo amplo das relações produtivas entre homem e natureza, a qual visa a 
sustentabilidade em âmbitos ecológico, econômico, sociocultural, político e 
ético. A agroecologia, ainda, pode ser considerada um contraponto ao agro-
negócio: ela se baseia na mão-de-obra familiar, em pequenas propriedades, 
e adapta os sistemas produtivos às condições regionais de produção de ali-
mentos (MACHADO et al., 2018).
O governo federal mantém um site denominado Brasil Agroecológico, para 
dar visibilidade a dois conteúdos principais: a Política Nacional de Agroeco-
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logia, a Produção Orgânica (PNAPO) e o Plano Nacional de Agroecologia e 
Produção Orgânica (PLANAPO). Apesar dos nomes muito similares, ambos 
têm objetivos muito diferentes.
A Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (PNAPO) tem, 
como principal objetivo, “integrar, articular e adequar políticas, programas e ações 
indutores da transição agroecológica, da produção orgânica e de base agroeco-
lógica, como contribuição para o desenvolvimento sustentável, possibilitando 
melhoria de qualidade de vida à população por meio da oferta e consumo de ali-
mentos saudáveis e do uso sustentável dos recursos naturais” (BRASIL AGROE-
COLÓGICO, 2019, on-line)30.
Dentro do PNAPO, existe o Plano Nacional de Agroecologia e Produção Or-
gânica (PLANAPO), sendo este o principal instrumento para a execução desta 
política. O PLANAPO é desenvolvido em ciclos: o primeiro ocorrido entre 2013 e 
2015, envolvendo dez ministérios do governo federal e investindo R$ 2,9 bilhões 
na área. Como resultado, obteve-se avanços na criação, na articulação e nas ade-
quações de programas e ações na área da agroecologia. O segundo plano ocorreu 
entre 2016 e 2019 e envolveu dez ministérios, pretendendo atingir metas nas áreas:
 ■ Produção;
 ■ Uso e conservação de recursos naturais;
 ■ Conhecimento;
 ■ Comercialização e consumo;
 ■ Terra e território;
 ■ Sociobiodiversidade (BRASIL AGROECOLÓGICO, 2019, on-line)31.
Quando pensamos em agroecologia, podemos ser remetidos a práticas utópicas e 
de difícil realização. No entanto algumas delas são muito simples e comuns nodia 
a dia da agricultura, como a rotação de culturas. O site do Brasil Agroecológico 
(2019, on-line)32 apresenta algumas delas. Por exemplo:
 ■ Plantas companheiras: esta prática agroecológica visa cultivar plantas 
juntas ou próximas, para que elas se beneficiem mutuamente. Assim, apro-
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veita-se melhor a área de cultivo, ocorre ação inibidora de insetos e, até 
mesmo, a melhoria do solo. Como exemplo, pode-se citar o cultivo, na 
mesma área, de alface, rúcula, almeirão, cenoura, rabanete e cebolinha e 
a proteção da couve das pragas, quando plantada próxima ao salsão.
 ■ Consórcio de plantas: este termo é utilizado quando se cultiva, ao mesmo 
tempo, duas ou mais culturas em uma mesma área. Neste caso, há benefí-
cios ambientais e econômicos. Como exemplo, pode-se citar o consórcio 
de milho, feijão e mandioca e o consórcio de café com bananeira, para 
diminuir os efeitos das altas temperaturas nos cafezais.
 ■ Controle da tiririca e de outras plantas daninhas por solarização: controle 
destas ervas daninhas por cobertura do solo com plástico escuro.
 ■ Compostagem de resíduos: utilização de resíduos orgânicos (restos de 
comidas, folhagens, cascas de frutas, papéis e aparas de grama, por exem-
plo), para a produção de adubo.
 ■ Quebra-vento: é uma barreira vegetal utilizada para proteger animais e 
lavouras de ventos fortes.
 ■ Rotação de culturas: troca de culturas cultivadas em um mesmo terreno 
para garantir a qualidade do solo e, consequentemente, a produtividade.
Diversas organizações prestam consultoria a produtores agroecológicos e, mui-
tas vezes, certificam estes produtores com selos que podem ser adicionados nas 
embalagens. Dentre estas organizações, citaremos a Ecovida e a Imaflora.
A Rede de Agroecologia Ecovida (2019, on-line)33 é uma organização cons-
tituída de forma participativa com associações ou cooperativas de produtores 
familiares, Organizações Não-Governamentais (ONG) e outras instituições para 
formar núcleos presentes nos estados do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do 
Sul. A soma dos núcleos destes três estados, juntamente com representantes dos 
governos de cada um deles, forma a Rede de Agroecologia Ecovida. Caso produ-
tores destas regiões desejem certificação, há uma série de critérios abordados pela 
Rede para a concessão de um selo (Figura 2). Segundo esta rede, o selo é uma ex-
pressão ao consumidor do compromisso e dos valores de todos os participantes. 
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Figura 22 - Selo ecovida de produção / Fonte: Rede de Agroecologia Ecovida (2019, on-line)33.
O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) certifica os 
produtores brasileiros com o selo Rainforest Alliance (Figura 3), um selo que inova 
nas áreas de sustentabilidade da agropecuária mundial. Como vantagem da pre-
sença deste selo, o instituto aponta a melhoria contínua nas práticas de gestão da 
propriedade, no cumprimento da legislação ambiental e trabalhista, na conservação 
dos recursos naturais, na qualidade de vida dos trabalhadores rurais e no aumento 
da produtividade e da eficiência da propriedade (IMAFLORA, 2019, on-line)34.
Figura 23 - Bananas produzidas no Equador com o selo da Rainforest Alliance
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Diversos mercados consumidores não estão preocupados apenas com o meio 
ambiente e com a sua saúde, no momento da compra de gêneros alimentícios, 
mas também desejam comprar de marcas que garantam o bem-estar humano e 
o pagamento justo dos fornecedores de alimentos.
Desta forma, para evitar a utilização de alimentos provenientes de ambien-
tes exploratórios de trabalho e, com isso, ampliar o mercado consumidor de 
seus produtos, existem vários programas e selos de certificação que atestam 
este tipo de prática.
A FAO, Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, 
(2019, on-line)37, cita que os principais produtos certificados, com o selo de pa-
A mão-de-obra infantil, por ser muito mais barata, é explorada na produção de cacau. A 
eliminação completa de menores da produção de cacau faria o preço do produto aumen-
tar em 47%. Assim, diversos projetos, como o Cocoa Life, surgem para diminuir a explora-
ção na produção deste tipo de produto.
Fontes: Mondeléz (2019, on-line)35 e El País (2019, on-line)36.
explorando Ideias
Figura 22 - Selo ecovida de produção / Fonte: Rede de Agroecologia Ecovida (2019, on-line)33.
O Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora) certifica os 
produtores brasileiros com o selo Rainforest Alliance (Figura 3), um selo que inova 
nas áreas de sustentabilidade da agropecuária mundial. Como vantagem da pre-
sença deste selo, o instituto aponta a melhoria contínua nas práticas de gestão da 
propriedade, no cumprimento da legislação ambiental e trabalhista, na conservação 
dos recursos naturais, na qualidade de vida dos trabalhadores rurais e no aumento 
da produtividade e da eficiência da propriedade (IMAFLORA, 2019, on-line)34.
Figura 23 - Bananas produzidas no Equador com o selo da Rainforest Alliance
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CERTIFICAÇÃO DE
PAGAMENTOS
justos aos fornecedores
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gamento justo, são as mercadorias produzidas para o mercado internacional de 
exportação, como banana, cacau, café, algodão, chá ou açúcar.
Ainda, segundo FAO (2019, on-line)37, os principais princípios que regem o 
pagamento justo (fair trade, em inglês) são:
 ■ Dar oportunidades para os fazendeiros marginalizados e com menos recursos;
 ■ Transparência nas relações e nas prestações de conta.
 ■ Pagamentos de valores justos pelos produtos.
 ■ Respeito pelos direitos das crianças.
 ■ Igualdade de gênero e luta contra a discriminação.
 ■ Condições de trabalho seguras.
 ■ Capacitação de pessoas.
 ■ Respeito ao meio ambiente.
Diversos órgãos regulamentam o fair trade, ou seja, a precificação justa. Geral-
mente, quando regulamentados, os produtos apresentam selos de identificação, 
como os observados na Figura 24.
Figura 24 - Exemplos de selos para certificação de pagamento justo: (a) selo Fair Trade 
Certified e (b) selo Fair Food Program / Fontes: Fair Trade Certified (2019, on-line)38, Fair Food 
Program(2019, on-line)39.
Alguns selos, como o Fair Trade Certified (Certificação de pagamento justo, em por-
tuguês livre) não certificam apenas alimentos, como, também roupas, produtos de 
cama, mesa e banho e cosméticos. O Fair Food Program (Programa de Alimentos Jus-
tos, em tradução livre) é um selo com menos produtos, atuando, apenas, em alimentos.
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Figura 25 - Mapa da França com destaque para a região de Champaigne, muito famosa pelos 
seus espumantes de características específicas
A produção de alimentos é influenciada por diversos fatores, como clima, 
solo e métodos de manipulação. Dessa forma, considerando que algumas 
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NOMENCLATURAS DE
PRODUTOS 
regionais
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regiões produzem alimentos com características diferentes das demais, pode-
mos definir o conceito de terroir. Um produto característico de determinado 
terroir deve apresentar características específicas do lugar original de pro-
dução, como as manejo, processo e somas das qualidades ambientais. Assim, 
o terroir afeta, diretamente, as características dos produtos (MALAFAIA; 
AZEVEDO; BARCELLOS, 2011).
Em sua tese, Silva (2012) compila diversas informações sobre o terroir:
 ■ Diversos efeitos se combinam para caracterizar um terroir, pode-se citar: 
características do solo, altitude, orientação do declive em relação ao sol, 
características do clima (quantidade de chuva, temperaturas mínima, mé-
dia e máxima, velocidade dos ventos), características de cultivo e manejo.
 ■ O terroir apresenta influência na qualidade da matéria-prima e em toda 
a cadeia de industrialização.
 ■ Pelo fato de o terroir dar características singulares aos produtos, a sua defini-
ção representa a melhoria da aceitação dos mesmos pelo público consumidor.
Assim, considerando a influência do terroir nas características dos produtosde 
determinada região, o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI, 2019, 
on-line)41 apresenta duas classificações possíveis:
 “ Indicação de procedência: é o nome geográfico de um país, cidade, região ou uma localidade de seu território que se tornou conhecido como centro de produção, fabricação ou extração de determinado 
produto ou prestação de determinado serviço. É importante lem-
brar que, no caso da indicação de procedência, é necessária apre-
sentação de documentos que comprovem que o nome geográfico 
seja conhecido como centro de extração, produção ou fabricação 
do produto ou prestação do serviço.
Denominação de origem: é o nome geográfico de país, cidade, re-
gião ou localidade de seu território, que designe produto ou serviço 
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cujas qualidades ou características se devam exclusiva ou essencial-
mente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e humanos. 
Na solicitação da IG (identificação geográfica) de denominação de 
origem, deverá ser apresentada também a descrição das qualidades 
e as características do produto ou serviço que se destacam, exclusiva 
ou essencialmente, por causa do meio geográfico, ou aos fatores 
naturais e humanos (INPI, 2019, on-line)40.
Os pedidos de Identificação Geográfica devem ser feitos ao INPI. A quantidade 
de documentos e procedimentos a serem realizados para este tipo de certificação 
é extensa, no entanto, é algo que pode valer muito a pena, pois os produtos se 
tornam protegidos contra a falsificação, ocorre a fácil identificação pelos consu-
midores e esse tipo de certificação não possui validade. 
A Figura 6 apresenta um dos mais famosos produtos brasileiros com Identifica-
ção Geográfica, o queijo da Serra da Canastra (MG).
Em 2019, o Brasil possuía 62 produtos com identificação geográfica certificadas, dentre 
eles, pode-se citar:
• Os camarões da Costa Negra (CE);
• Vinhos tintos, brancos e espumantes do Vale dos Vinhedos (RS);
• Cajuína do Piauí (PI);
• Mel de Ortigueira (PR);
• Café verde, torrado e moído da região de Pinhal (SP) e;
• Queijo da Serra da Canastra (MG);
Não apenas produtos alimentícios podem ser certificados de acordo com sua identifica-
ção geográfica. Como exemplos, no Brasil, podem ser citados:
• Artesanatos de capim dourado da Região do Jalapão (TO);
• Calçados de Franca (SP);
• Serviços de tecnologia da informação de Porto Digital (PE) e;
• Panelas de barro de Goiabeiras (ES).
Fonte: IBGE (2019, on-line)41.
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Vale destacar que a certificação da identifica-
ção de origem pode reforçar a exportações de 
produtos brasileiros. Nós consumimos muitos 
produtos importados com identificação de ori-
gem: vinho do Porto (Portugal), champanhes 
(da região de Champaigne, na França), queijo 
da Serra da Estrela (Portugal). Por que não for-
talecer o nome dos nossos produtos tradicio-
nais para o resto do mundo?
Figura 26 - Queijo da Serra 
da Canastra (MG) / Fonte: Ri-
beiro (2017, on-line)42.
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Para finalizar esta Unidade 4 abordaremos dois tipos de certificação que levam 
em consideração características culturais: alimentos Kosher, destinados à cultura 
judaica, e alimentos Halal, destinados à cultura islâmica.
Alimentos Kosher
Izidoro et al. (2012, p. 275) definem o alimento Kosher de maneira simples: alimen-
to “que é apropriado a um judeu, garantindo sua saúde física e espiritual”. Ainda, 
Izidoro et al. (2012) apresentam algumas leis judaicas para a alimentação Kosher:
 ■ Carne de porco: a ingestão da carne de porco é proibida na cultura judai-
ca. A justificativa dada a este fato é que este tipo de carne pode transmitir 
a triquinelose (uma parasitose causada pelo verme Trichinella spiralis). 
 ■ Ingestão de sangue animal: para os judaicos, o sangue é a essência do ser 
vivo, sendo impuro e impróprio para alimentação.
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SELOS HALAL
E KOSHER
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 ■ Insetos: são uma importante fonte de proteínas para alguns países asiá-
ticos. No entanto a cultura judaica considera a presença de insetos no 
alimento como condições higiênicas inadequadas.
 ■ Misturar alimentos cárneos com laticínios: esta norma é derivada de um 
trecho da Torá, livro sagrado judaico, que diz não poder cozinhar o filho 
no leite de sua mãe.
Somadas a estas normas, Cretella et al. (2007) citam:
 ■ Carne: a carne Kosher deve ser obtida de animais que não sofreram ao 
morrer. Todo o sangue deve ser drenado no momento da sangria e no 
processo de Kosherização (modificação do fluxograma do processo). 
Vale lembrar que o abate de cada tipo de animal deve ser estudado, pois 
existem técnicas específicas. Por exemplo: frangos não sofrem insensibi-
lização por eletronarcose e não passam pelo processo de escaldagem para 
remoção das penas em processo Kosher.
 ■ Leite e seus derivados: toda a cadeia de produção do leite deve ser super-
visionada por rabinos, da ordenha até a embalagem. O leite de animais 
Kosher não podem ser misturados com o leite de animais não-Kosher. 
Todos os utensílios são verificados para que não haja contaminação dos 
produtos. Além disso, na produção de queijos, há cuidado extra com o 
tipo de coalho usado, não deve ser de origem animal.
 ■ Parve: são produtos que crescem na terra e todos os seus derivados são 
denominados Parve na cultura judaica. Assim: frutas, vegetais e cereais 
podem ser consumidos sem restrição.
Ainda na cultura judaica, peixes são permitidos por possuírem pouco sangue. O 
uso de ovo também é permitido, no entanto, ele não pode possuir nenhuma gota 
de sangue. Frutos do mar não são permitidos.
A certificação para a produção de alimentos Kosher, principalmente para 
produtos de origem animal, é bem complexa e pode haver a necessidade de mui-
tas alterações no fluxograma de produção e, até mesmo, no layout de indústrias. 
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Assim, existem diversas empresas especializadas em consultoria e certificação de 
alimentos para exportação a países com grande concentração de judeus.
Economicamente, o Brasil ainda tem muito a expandir na produção de pro-
dutos Kosher, principalmente se considerarmos a grande capacidade na produção 
e exportação de carnes.
Alimentos Halal
O islamismo é uma religião que segue o livro sagrado denominado Alcorão. Este 
livro denomina os alimentos permitidos Halal, e os alimentos proibidos são de-
nominados Haram.
Segundo o Food Safety Brasil (2019, on-line)43, importante site da área de tec-
nologia de alimentos e segurança alimentar, são considerados alimentos Haram:
 ■ Carne, gordura, couro, ossos e outros produtos (ou matérias-primas) de-
rivados de suínos.
 ■ Carne, gordura, couro, ossos e outros produtos (ou matérias-primas) de-
rivados de animais abatidos fora do sistema Halal. O Alcorão permite 
o consumo de carne de bovinos, caprinos, ovinos e galináceos abatidos 
sob condições específicas, segundo normas Halal que veremos a seguir. 
 ■ Bebidas alcoólicas de qualquer tipo.
 ■ Produtos que contenham derivados de seres humanos (apesar de serem 
raros nos dias de hoje, existem técnicas de hidrólise de amido, por exem-
plo, que se utilizam de alfa-amilase salivar humana. Fique tranquilo(a)! 
As alfa-amilases microbianas são mais baratas e efetivas).
 ■ Não é permitido o consumo de sangue de animais (incluindo animais 
abatidos pelo método Halal).
 ■ Não é permitido o consumo de animais que vivem tanto na terra quanto 
em água, como jacarés e crocodilos.
 ■ Não é permitido o consumo de insetos (exceto gafanhoto e cochonilha, 
sendo este último comum no processo de extração do corante carmim).
Apresentados os elementos considerados Haram, devemos ressaltar os elementos 
Halal da cultura islâmica. Segundo o Instituto da Cultura Árabe (ICARABE, 
2010, on-line)44, são considerados Halal:
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 ■ Peixes e outros animais aquáticos.
 ■ Todo o tipo de vegetal é Halal (frutas frescas ou secas, legumes, sementes 
como amendoim e nozes, cereais como trigo, arroz e centeio, entre outros).
 ■Todo produto mineral ou químico permitido e que não causa risco à saúde.
 ■ Toda água potável.
 ■ Produtos de biotecnologia (extratos de vegetais e produtos obtidos por 
fermentação microbiana).
 ■ Leite (de vacas, ovelhas, camelos e cabras) e queijos obtidos por coalho 
de origem microbiana.
 ■ Carnes de animais permitidos e derivados de origem animal, utilizado 
nas indústrias de alimentação, são permitidos se o animal for sacrificado 
conforme normas islâmicas e comprovados por certificação.
Já falamos, algumas vezes, sobre o abate sob normas Halal. No entanto quais 
características regem este tipo de abate? Weise e Dall’Azen (2014) apresentam 
as normas, a seguir:
 ■ Os animais de abate devem estar saudáveis e devem ser aprovados pelas 
autoridades sanitárias.
 ■ O abate deve ser executado por muçulmano sadio e que entenda as nor-
mas e regras relacionadas ao abate Halal. O profissional que realizará a 
sangria estará ciente da sua função.
 ■ O profissional deve invocar uma oração específica imediatamente antes 
do abate.
 ■ A faca deve estar afiada para garantir que a sangria será feita apenas uma 
única vez.
 ■ O ato do abate cortará a traqueia, o esôfago e a jugular para o sangramento 
do animal ser rápido.
 ■ O sangue do animal deve ser esgotado de forma completa e espontânea.
 ■ Inspetor muçulmano deve confirmar a morte antes da escaldagem. 
 ■ O animal deve ser abatido com a face virada para a Meca, cidade impor-
tante para o islamismo.
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Para conseguir a certificação Halal, é importante que uma empresa produtora de 
produtos de origem animal adeque todo o seu processo e suas práticas. Muitas 
vezes, é necessária uma empresa consultora para garantir que as normas estão 
sendo estabelecidas. Além disso, diversas auditorias dos mercados consumidores 
de produtos Halal podem acontecer para garantir que as normas estão sendo 
cumpridas. A Figura 27 apresenta modelos de selos Halal.
Figura 27 - Exemplos de selos Halal
Vale ressaltar que, apesar do investimento necessário para certificação Halal, é 
algo que pode valer muito a pena! 
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Mais uma unidade do conteúdo de Impactos da Globalização no Contexto da 
Segurança Alimentar está sendo finalizada. Neste conteúdo, tratamos de diver-
sos tipos de certificação, as quais podem expandir o consumo de seus produtos 
para diversos mercados consumidores. Esta expansão ocorre por atingir valores 
específicos, como apelo pela saudabilidade, preservação ambiental, estímulo ao 
desenvolvimento humano e questões culturais.
Nas primeiras aulas, apresentamos alguns selos que levam em consideração 
os aspectos ambientais e de saudabilidade: selos de produtos orgânicos e selos 
agroecológicos. Os produtos orgânicos são aqueles produzidos sem fertilizantes 
sintéticos, agrotóxicos e sementes transgênicas. Os produtos com selos agroeco-
lógicos expandem a produção de orgânicos para outros campos: visa à sustenta-
bilidade em âmbitos ecológico, econômico, sociocultural, político e ético.
Falando em desenvolvimento sociocultural, existem selos que visam certificar 
produtos que fazem um pagamento justo para produtores, estimulando, também, 
o desenvolvimento local de comunidades, a igualdade de gênero, a segurança 
infantil, entre outros.
Outro tipo importante de certificação foca em produtos regionais com carac-
terísticas específicas: os produtos com indicação de procedência e os produtos 
com denominação de origem. Estes protegem os produtores de determinada 
região de falsificações e, ainda, faz com que esses produtos regionais tenham seus 
mercados expandidos, incluindo a níveis internacionais.
Por último, falamos de duas certificações que obedecem a práticas culturais de 
religiões: os alimentos Kosher, alimentos destinados a judeus, e alimentos Halal, 
destinados a muçulmanos.
Assim, devemos nos preparar para a nossa última unidade, onde trataremos 
de grandes inovações na área de alimentos que acontecem de maneira mundial. 
Até lá!
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na prática
1. Alimentos orgânicos apresentam alto potencial para produzir mais alimentos orgâ-
nicos. Seguem cinco alternativas sobre os alimentos orgânicos, assinale a alternativa 
que apresenta a informação verdadeira.
a) O Brasil é um grande produtor de alimentos. No entanto ele se destaca apenas 
no agronegócio, tendo pouco destaque na América Latina na produção de or-
gânicos.
b) Alimentos orgânicos devem ser produzidos sem agrotóxicos. Portanto, uma soja 
transgênica produzida sem agrotóxico pode ser considerada orgânica.
c) A responsabilidade pela identificação do selo de alimentos orgânicos sempre é 
do produtor. O ponto de venda nunca será responsabilizado em caso de fraude.
d) Produtores de alimentos orgânicos cadastrados no MAPA, mas sem certificação, 
podem vender seus produtos para merenda escolar, restaurantes e hotéis.
e) Produtos orgânicos vendidos embalados em supermercados devem possuir o 
selo da SisOrg na embalagem para fácil identificação no momento da compra.
2. Consumimos diversos produtos internacionais com denominação de origem: pre-
sunto de Parma (Itália), vinho de Jerez (Espanha), queijo da Serra da Estrela (Portu-
gal). No entanto, no Brasil, ainda não são muitos os produtos com denominação de 
origem. Sobre este tema, são dadas as seguintes afirmações:
I - Apenas os estados das regiões Sul e Sudeste apresentam produtos com certi-
ficação de origem geográfica.
II - O Instituto Nacional da Propriedade Industrial apresenta duas classificações pos-
síveis de produtos regionais: indicação de procedência e denominação de origem.
III - Queijo da Serra da Canastra e espumante Champanhe são exemplo de dois 
produtos brasileiros com denominação de origem.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II está correta.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
100
na prática
3. A agroecologia é um processo de produção que foca no desenvolvimento ecológi-
co, econômico, sociocultural, político e ético. Muitas práticas podem ser conside-
radas agroecológicas. Assinale a alternativa que apresenta uma prática que não 
está ligada à agroecologia:
a) Monocultura.
b) Rotação de culturas.
c) Compostagem de resíduos.
d) Consórcio de plantas.
e) Plantas companheiras.
4. A certificação quanto ao pagamento justo de matérias-primas às comunidades pro-
dutoras pode abrir muito o mercado consumidor de gêneros alimentícios. A Organi-
zação das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação apresenta alguns princípios 
que regem as normas de pagamento justo. Assinale a alternativa que apresenta, 
apenas, princípios verdadeiros.
a) Oportunizar grandes proprietários e condições de trabalho seguras.
b) Respeitar direitos das crianças e realizar prática de monocultura.
c) Igualdade de gênero e condições de trabalho seguras.
d) Respeito ao meio ambiente e oportunizar grandes proprietários.
e) Oportunizar grandes proprietários e igualdade de gênero.
5. O texto apresentou a certificação de alimentos Kosher e alimentos Halal. Escolha um 
dos tipos de certificação e cite o que é permitido e o que é proibido nestas práticas.
101
aprimore-se
O texto a seguir é uma reportagem da Agência de Notícias do Paraná (2019, on-li-
ne)46, e apresenta um aprofundamento interessante sobre a Identificação Geográfi-
ca de Origem e cita um exemplo de produto certificado: A erva mate da região de 
São Mateus do Sul. Boa leitura!
O Paraná está entre os estados com o maior número de produtos certificados 
ou em processo de certificação de Indicação Geográfica, ocupando o terceiro lu-
gar, atrás apenas de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul. Os chamados produ-
tos de origem são aqueles com característica diferenciada por serem produzidos 
em uma região ou território específicos. Sete já foram certificados e outros cinco 
aguardam a chancela do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), que 
atesta a autenticidade da produção.O café do Norte Pioneiro, a erva-mate de São Mateus do Sul, o mel de Ortigueira e 
do Oeste do Paraná, a goiaba de Carlópolis, a uva fina de mesa de Marialva e os queijos 
da Colônia Witmarsum, em Palmeira, já receberam a Indicação Geográfica. Já a bala de 
banana de Antonina, o melado de Capanema, a cachaça, o barreado e a farinha de man-
dioca do Litoral paranaense estão em processo final de certificação pelo INPI.
Além de dar visibilidade e abrir mercado para a comercialização, o reconhecimento 
também agrega valor à produção. De acordo com o Fórum das Indicações Geográficas 
Origem Paraná, os produtos certificados custam em média 30% a mais que os comuns.
“A certificação mostra ao consumidor que aquele produto foi feito com todos 
os requisitos técnicos necessários, com padrões de produção rígidos e que o pro-
dutor se dedicou a seguir protocolos técnicos definidos. Isso garante a qualidade e 
a segurança alimentar do produto”, explica o diretor-presidente do Instituto Ema-
ter, Natalino Avance de Souza.
CARACTERÍSTICAS – A Indicação Geográfica é dividida em dois tipos. A Indicação 
de Procedência ocorre quando uma região é reconhecida como centro de produção, 
fabricação ou extração de determinado produto, levando em conta o fazer tradicio-
nal. As balas de banana de Antonina pleiteiamm junto ao INPI, um reconhecimento 
nesta categoria, já que, além de ser feito com um ingrediente abundante no Litoral 
do Estado, a receita do doce é a mesma, há 40 anos.
102
aprimore-se
Já a Denominação de Origem está relacionada a um produto proveniente de um 
meio geográfico específico, que influencia na característica da produção. Um exem-
plo são as uvas finas de mesa de Marialva, no Noroeste. As condições climáticas da 
região aliadas a inovações na cultura garantem as qualidades específicas da fruta, 
que recebeu o reconhecimento em 2018.
APOIO – No Paraná, o processo de certificação iniciou com o Sebrae-PR, que fez 
um diagnóstico, em 2013, para identificar potenciais produtos que pudessem ser re-
conhecidos por sua origem, e passou a orientar as indicações. Órgãos da Secretaria 
de Estado da Agricultura e do Abastecimento, como a Emater e a Agência de Defesa 
Agropecuária (Adapar), dão apoio e assistência técnica para que os produtores se 
organizem para conseguir o reconhecimento.
“Diversos órgãos trabalham em conjunto para conseguir esse reconhecimento, e 
a Emater é um deles. A capilaridade do instituto no Estado e sua liderança na orga-
nização dos agricultores facilitam esse trabalho”, afirma Souza. “Além da orientação 
técnica, a principal contribuição da Emater no processo é na articulação dos produ-
tores e de outras organizações para consolidar o modelo de produção exigido para 
o reconhecimento de Indicação Geográfica”, explica.
PRODUTO HISTÓRICO – A importância da erva-mate para a história do Paraná – 
um ramo da planta é inclusive um dos símbolos do brasão do Estado – foi um dos 
fatores que levou à certificação do produto no ano passado. A cultura da erva-mate 
em todo o Estado, em especial na região Sul, está ligada à emancipação política do 
Paraná da então província de São Paulo, em 19 de dezembro de 1853.
103
aprimore-se
O reconhecimento foi dado para a região que compreende São Mateus do Sul e 
outros cinco municípios limítrofes: Antônio Olinto, Mallet, Rebouças, Rio Azul e São 
João do Triunfo. “Nosso diferencial foi comprovado com uma documentação históri-
ca da época da emancipação política do Paraná, que relaciona o papel da erva-mate 
nesse processo”, explica Helinton Lugarini, presidente da Associação dos Amigos da 
Erva-mate de São Mateus do Sul e coordenador do Fórum Origem Paraná. “A noto-
riedade histórica do produto, que se restringe à região de São Mateus do Sul, define 
o terroir desta erva-mate”, afirma.
A implantação da navegação a vapor no Rio Iguaçu, em 1882, para o escoamento 
de erva e de madeira, e a chegada de imigrantes poloneses, que também passaram 
a cultivar o produto que já era consumido pelos indígenas da região, são outros 
fatores históricos ligados à produção local da erva-mate.
A forma de plantio foi outro ponto observado. Somente em São Mateus do Sul, 
3 mil propriedades cultivam o produto e precisam respeitar alguns requisitos. As 
mudas devem ser provenientes das cidades indicadas e plantadas em uma região 
sombreada com a mata nativa, como o pinheiro, imbuia e o cedro. “Nossa erva-ma-
te tem um sabor diferenciado, mais suave e persistente. Esses e outros requisitos 
foram reunidos em um processo de 1.700 páginas, que foram levantados para o 
pedido de Indicação Geográfica”, conta Lugarini.
Fonte: Agência de Notícias (2019, on-line)45.
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eu recomendo!
Alimentos Orgânicos – Ampliando Conceitos de Saúde Hu-
mana, Ambiental e Social
Autora: Elaine de Azevedo
Editora: Senac
Sinopse: este livro é indicado para o consumidor e para todos os 
profissionais da área da saúde e ecologia: nutricionais, médicos, 
dentistas, enfermeiros, naturólogos, ecólogos e educadores am-
bientais, além dos produtores rurais e técnicos da área de produção de alimentos: 
veterinários, agrônomos, zootecnistas, tecnólogos e engenheiros de alimentos. Tem 
informações sobre os alimentos orgânicos dentro do contexto de saúde humana, 
social e ambiental, abordando questões diversas relativas ao modo de produção 
orgânico, ao custo do alimento orgânico, ao papel do consumidor e do marketing 
educacional, à análise da produção orgânica no Brasil e ao perfil do consumidor.
livro
Conectados pelo café (Connected by coffee)
Ano: 2014
Sinopse: é um documentário que conta a história de cafeiculto-
res latino-americanos e como nossa bebida diária está profun-
damente conectada a um passado conturbado e a um futuro 
promissor. Após uma viagem de 1.600 quilômetros do México à 
Nicarágua, o filme mostrará como as relações comerciais equita-
tivas estão fortalecendo as comunidades produtoras e trazendo 
justiça social.
filme
O link a seguir encaminha a um vídeo que mostra a forma de cadastramento de certifi-
cadores de orgânicos e de produtores de orgânicos no sistema do MAPA. Ele pode ser 
muito útil, caso você monte um pequeno grupo de produtores que se autofiscalizarão!
https://www.youtube.com/watch?time_continue=672&v=tNJ9Nh7qtG0&featu-
re=emb_logo
conecte-se
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TENDÊNCIAS E INOVAÇÕES
GLOBAIS NA
área de alimentos
PLANO DE ESTUDO 
A seguir, apresentam-se as aulas que você estudará nesta unidade: • Produtos obtidos por tratamento 
não térmico • Inovações em embalagens • “Carnes vegetais” e “Carnes de laboratório”.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM 
• Apresentar novas tecnologias utilizadas em produtos nacionais e internacionais, que substituem o 
tratamento térmico em produtos alimentícios • Expor tendências mundiais para embalagens de ali-
mentos, visto a preocupação com o meio ambiente e o desperdício de alimentos • Apresentar ao aluno 
novas empresas que utilizam de tecnologias inovadoras para a obtenção de produtos vegetais muito 
parecidos com carnes. Além disso, apresentar o desenvolvimento de carnes in vitro.
PROFESSOR 
Dr. André Álvares Monge Neto
INTRODUÇÃO
No passado, imaginávamos os objetos e hábitos do futuro, cheios de curio-
sidade: os carros voarão! moraremos na lua! conquistaremos o espaço! 
todas as doenças terão cura! Grandes avanços nos eletrodomésticos, no sé-
culo XX, também nos permitiram imaginar o futuro da alimentação. Neste 
século, popularizaram-se geladeiras, micro-ondas, freezers entre outros, 
com isso, se popularizaram, também, os alimentos congelados, resfriados e 
de preparo mais simples. Isto tudo alimentava a imaginação da população 
ao redor do mundo quanto ao futuro da alimentação.
Assim, a imaginação popular comum às pessoas de todo o globo, o 
avanço da tecnologia e a velocidade da informação estão trazendo mui-
tas inovações na área de alimentos em todo o globo, ao transformar a 
maneira como processamos, armazenamos, escolhemos e consumimos 
os produtos do gênero alimentício.Nesta última unidade, falaremos sobre algumas dessas inovações e ten-
dências globais que estão acontecendo no momento. Alguns destes tópicos 
podem já ter sido vistos em outros conteúdos, no entanto, nesta unidade, 
focaremos menos em definições e mais na resolução de problemas que 
essas tecnologias podem prover. Primeiramente, falaremos de novas tecno-
logias de processamento não térmico de alimentos. Elucidaremos algumas 
bases destas técnicas e citaremos exemplos de produtos ao redor do mundo.
A preocupação com o meio ambiente também está trazendo inova-
ções na área de embalagens de alimentos para que elas protejam o ali-
mento, informem condições do produto embalado e não se tornem um 
problema ambiental após o descarte. Além disso, a evolução das formas 
de comunicação e interatividade também vêm trazendo inovações para 
a área de embalagens de alimentos. 
Ao final, falaremos de grandes empresas que estão revolucionando o 
mercado de produtos cárneos, produzindo alimentos à base de vegetais 
com as mesmas características de carne! Boa leitura!
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PRODUTOS OBTIDOS 
POR TRATAMENTO
não térmico
O processamento térmico de alimentos é extremamente importante para 
inativar enzimas, matar microrganismos, modificar a textura e o sabor dos 
produtos. No entanto algumas modificações, ocasionadas pelo calor, são in-
desejadas, como modificação do sabor de sucos, perda de vitaminas e surgi-
mento de coloração escurecida, devido a processos não enzimáticos (reação 
de caramelização e reação de Maillard).
Apesar de a tecnologia de tratamento térmico ter avançado a ponto de dimi-
nuir as alterações indesejáveis, muitas empresas têm apostado em novas tecnolo-
gias para garantir produtos mais próximos aos naturais e, ainda, trazer produtos 
diferenciados com novos atributos sensoriais.
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Tecnologia de processamento por alta pressão
Figura 28 - Sucos obtidos por alta pressão
O processamento térmico de sucos pode trazer alterações nutricionais no produ-
to, como perda de vitamina C. No entanto a perda que mais impacta o consumo 
deste tipo de produto refere-se a alterações sensoriais, ocasionando, muitas vezes, 
gosto de fruta cozida ou gosto de fruta passada.
Assim, diversas alternativas de processamento vêm sendo estudadas na área 
de bebidas, incluindo o “Processamento por Alta Pressão Hidrostática”.
Este processo se baseia na utilização de altas pressões, de 400 a 700 MPa, em 
equipamentos comerciais, por tempo determinado. O equipamento, de maneira 
simples, atua na transferência da pressão gerada por uma fonte externa até o 
produto. O meio que atua e o agente de transferência desta pressão é a água 
(Figura 1). Neste tipo de tecnologia, os alimentos são processados, embalados 
e, como a alta pressão atua em todos os sentidos da embalagem por igual, os 
sólidos mantêm a sua estrutura.
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Figura 29 - Esquema simplificado de equipamento de alta pressão hidrostática
Fonte: UFRGS (2019, on-line)46.
Ao redor do mundo, diversas empresas estão apostando na tecnologia para pro-
cessamento de sucos a alta pressão. A Figura 30 apresenta uma imagem de sucos 
processados por alta pressão comercializados na Tailândia.
Figura 30 - Sucos processados a frio e tratados por alta pressão vendidos na Tailândia
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Ao redor do mundo, diversas outras empresas têm apostado nestas tecnolo-
gias para comercialização de sucos, como a BluePrint, nos Estados Unidos, a 
Greenpeople, no Brasil e a Be&Be, na Espanha.
Processamento por membranas
Os processos de separação por membranas vêm sendo utilizados em diversas 
aplicações na produção de alimentos, como tratamento de água, recuperação 
das proteínas do soro de queijo e remoção de álcool em bebidas como cerveja.
Para relembrar, Habert (2006, p. 9) define membrana como: “barreira que 
separa duas fases e que restringe total ou parcialmente o transporte de uma ou 
várias espécies químicas presentes nas fases”. Assim, dependendo do tamanho 
do poro da membrana, podemos substituir diversos tratamentos térmicos por 
este tipo de tecnologia:
 ■ Pode-se substituir a pasteurização e a esterilização térmica de leite por 
tratamento com membranas para remoção dos microrganismos.
 ■ Pode-se concentrar materiais por membranas de ultrafiltração, sem a neces-
sidade de elevar a temperatura, como ocorre em processos de evaporação.
 ■ Pode-se remover álcool de bebidas sem a necessidade do fracionamento 
pela elevação da temperatura, como ocorre na destilação.
Apesar de haver, ainda, muitas áreas para exploração do processamento de mem-
branas na produção de alimentos, muitas empresas ao redor do mundo já for-
necem, comercialmente, produtos que se utilizam desta tecnologia durante o 
processamento (Figura 31).
Muitos países, incluindo o Brasil, ainda não permitem a comercialização do leite que passa 
apenas por processo de membranas. Eles exigem que o leite, mesmo tendo seus micror-
ganismos separados por ultrafiltração, seja pasteurizado.
Fonte: Jornalismo UFV (2011, on-line)47.
explorando Ideias
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Figura 31 - Produtos obtidos por processamento em membrana: (a) Queijo ultrafiltrado ven-
dido no Brasil e (b) leite ultrafiltrado vendido no Canadá e nos Estados Unidos / Fonte: Quatá 
Alimentos (2019, on-line)48 e Fairlife (2019, on-line)49.
No Brasil, produtos similares ao queijo apresentado na Figura 31 (a) podem ser 
encontrados facilmente nas gôndolas dos supermercados. Este tipo de queijo ul-
trafiltrado tem o soro removido antes da coagulação do leite e, assim, o leite con-
centrado pode ser coagulado na própria embalagem em que será comercializado.
Outras tecnologias
Darros-Barbosa e Vicente (2011) apresentam outras diversas tecnologias inova-
doras para preservação de bebidas não alcoólicas, como sucos, que estão sendo 
pesquisadas, em laboratórios, ao redor do mundo, e que ainda não estão comer-
cialmente disponíveis. Estas são algumas das tecnologias que podem ser utiliza-
das para tratar alimentos no futuro:
 ■ Campo elétrico pulsado (CEP): este tipo de tecnologia trata alimentos 
ao aplicar pulsos de elevada voltagem (na ordem de dezenas de kV 
por centímetro) em alimentos que escoam através de eletrodos. Como 
esses pulsos pouco afetam a temperatura do alimento, pode-se manter 
microrganismos e manter características sensoriais e nutricionais dos 
alimentos. Já foi estudada a sua aplicação em leite, sopa de ervilha, 
sucos de frutas e ovo líquido.
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 ■ Aquecimento Ôhmico: este tipo 
de aquecimento gera menos pre-
juízo que o convencional, por-
que o calor é gerado no próprio 
alimento e não transmitido por 
contato em superfície. Correntes 
elétricas passam por um alimento 
e, devido à resistência do mesmo, 
ele é aquecido. Assim, a qualida-
de do alimento obtido é melhor e 
as temperaturas de processo são 
atingidas mais rapidamente.
 ■ Ultrassom de alta intensidade: 
esta tecnologia pode matar mi-
crorganismos por três mecanis-
mos (cavitação – formação de 
bolhas de vapor ou de gás num 
líquido por efeito de uma redução 
da pressão total – , aquecimento 
localizado e formação de radicais 
livres). Tem potencial aplicação 
no processamento de frutas por 
diversos motivos, por exemplo, 
auxilia na extração de pigmentos, 
reduz sedimentação e auxilia na 
emulsificação de fases.
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INOVAÇÕES EM
EMBALAGENS
As embalagens têm o importante papel básico de fornecer proteção contra conta-
minação microbiana e proteger o alimento de fatores ambientais. No entanto, com 
o avançar da tecnologia, a função da embalagem tem se ampliado e se tornado 
mais nobre: auxiliar na conservação dos alimentos (como o caso das embala-
gens ativas e com atmosfera modificada), participar do consumo do alimento 
(embalagens comestíveis), informar e interagir com o consumidor. Além disso, 
a elevada disposição de resíduos no meio ambiente tem exigido mais atenção 
dos produtores para diminuiro descarte destes materiais. Assim, inovações em 
embalagens de alimentos tornam-se muito importantes para que os produtos 
chamem cada vez mais atenção no mercado mundial.
Inovações em embalagens visando à 
sustentabilidade
A preocupação com o meio ambiente transpassa diversos ramos da sociedade: 
governos, empresas, Organizações Não Governamentais (ONGs) são os órgãos 
que encabeçam uma mudança na mentalidade coletiva.
Segundo o Ministério do Meio Ambiente (2019, on-line)50, “hoje, um terço do 
lixo doméstico é composto por embalagens. Cerca de 80% das embalagens são 
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descartadas após usadas apenas uma vez”! Dessa forma, vemos, cada vez mais, 
diferentes tipos de ação das empresas para reduzir o consumo de embalagens.
As ações tomadas se baseiam em diversas estratégias: das mais simples, como 
diminuir o peso das embalagens, substituir materiais não recicláveis por mate-
riais recicláveis e estimular o consumo de produtos em embalagens retornáveis 
até as mais complexas, como a pesquisa de novos materiais e desenvolvimento 
de embalagens interativas e inteligentes.
A utilização de embalagens retornáveis vem sendo muito explorada pelas grandes 
empresas como estratégia de economia e, também, de respeito ao meio ambiente. 
Umas das maiores empresas de refrigerante do mundo coloca, em seu site inter-
nacional, algumas metas de embalagens para os próximos anos (COCA-COLA 
COMPANY, 2019, on-line)52:
 ■ Tornar 100 % das embalagens recicláveis até 2025.
Durante as compras podemos perceber o aumento de ações para diminuir o consumo de 
embalagens: venda de produtos de cosméticos e produtos de limpeza em refis, o estímulo 
para consumo de refrigerantes em embalagens retornáveis, entre outros.
pensando juntos
Muitas pessoas não perceberam, mas diversas empresas produtoras de água mineral re-
duziram a gramatura das garrafas PET:
• Garrafas PET de 1,5 L de água mineral: Redução do peso de 30 gramas para 22 gramas;
• Garrafas PET de 500 mL água mineral: Atualmente possuem apenas 8 gramas;
• Tampas: reduziram de 5 gramas para 2,4 gramas;
Adaptações tecnológicas foram necessárias para que houvesse redução na gramatura 
dessas garrafas. Agora, com garrafas mais finas, para que elas não deformem, há necessi-
dade de inserir nitrogênio líquido antes do fechamento das mesmas. Assim, a garrafa não 
deforma e a quantidade de plástico gerada é muito menor!
Fonte: ABIR (2018, on-line)51.
explorando Ideias
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 ■ Coletar e reciclar todas as garrafas e latas até 2030.
 ■ Criar uma rede de coleta participativa.
Estas ações, priorizadas pelo planejamento global da marca, já começam a 
despertar reações ao redor do mundo. No Brasil, por exemplo, já são obser-
vadas algumas ações de reutilização que estão de acordo com esta meta: esta 
mesma empresa unificou as embalagens plásticas retornáveis para todos os 
refrigerantes, removeu as tintas adicionadas neste tipo de embalagem (que 
prejudicavam a reciclagem) e, ainda, por meio de logística reversa, garantirá 
que as retornáveis que não tiverem mais condições de uso, sejam 100% reci-
cladas (COCA-COLA, 2018, on-line)53.
Além de utilizar embalagens recicláveis, outra estratégia que vem sendo es-
tudada e tem ocupado o mercado é a substituição de embalagens (ou partes 
de embalagens) plásticas por embalagens biodegradáveis, como o papel. Como 
exemplo, pode-se citar:
 ■ No Japão, a KitKat substituiu as embalagens plásticas tradicionais de um de seus 
chocolates por embalagens de papel (BOL NEWS, 2019, on-line)54.
 ■ Na Europa, a Coca-Cola substitui o plástico no pack de embalagens por papel 
(EMBALAGEM MARCA, 2019, on-line)55.
 ■ Em alguns países da Europa, a Nestlé lança uma nova barra de cereais que subs-
titui as tradicionais embalagens plásticas por embalagens de papel reciclável 
(NESTLÉ, 2019, on-line)56.
 ■ A Carlsberg, marca de cerveja Dinamarquesa, lança um protótipo de garrafa de 
cerveja feita de papel (FORBES, 2019, on-line)57.
 ■ No Brasil, um caso muito interessante, a Fersol Lubrificantes lançou uma marca 
de óleos lubrificantes automotivos vendidos em embalagens com redução de 90 
% de plástico e utilização de papelão (TERRA, 2019, on-line)58.
Outra alternativa que está sendo pesquisada para substituição de embalagens 
plásticas na área de alimentos é o desenvolvimento de embalagens comestíveis. 
Diversas pesquisas vêm sendo realizadas para desenvolvimento de embalagens 
comestíveis, utilizando diversas fontes naturais: resíduos de cana-de-açúcar, ami-
do de mandioca, quitina proveniente de crustáceos, entre outros. Segundo pes-
quisadores da Embrapa (2015, on-line)59, são diversas possibilidades existentes 
para as embalagens comestíveis:
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 ■ Utilização de plásticos com sabor de fruta para embalar frutas. Ex.: goia-
badas vendidas em plásticos feitos da fruta.
 ■ Substituição de algas de sushis por filmes comestíveis saborizados.
 ■ Embalagens de produtos cárneos que vão direto ao forno e farão parte 
do molho. Ex.: sacos comestíveis com sabor de laranja que irão direto ao 
forno para embalar perus; entre outros.
Além de toda esta movimentação para substituição do plástico por outros ma-
teriais recicláveis ou comestíveis, existem ações mais drásticas, como a venda de 
produtos sem embalagens. Apesar de ser uma medida difícil de imaginar, na Ale-
manha, já há um supermercado onde os produtos são vendidos apenas a granel. 
O consumidor leva as próprias embalagens (cestos, sacolas e potes) e compra os 
produtos disponibilizados (EXAME, 2016, on-line)60.
Embalagens interativas
Em um mundo cada vez mais conectado e cheio de novas formas de interação, 
espera-se, também, que as embalagens dos alimentos se comuniquem de forma 
efetiva e criativa com os consumidores. Assim, diversas pesquisas vêm sendo 
realizadas para que o alimento “comunique” ao consumidor quando ele está fora 
das condições de consumo e ações de marketing vêm sendo tomadas para que 
os personagens das embalagens interajam com os consumidores.
As embalagens inteligentes são aquelas que “monitora(m) as condições do 
alimento em tempo real, dando informações sobre sua qualidade durante o 
transporte e armazenagem” (BRAGA; PERES, 2010, p. 70). Estas embalagens 
podem indicar a presença de microrganismos patogênicos, o oxigênio, o frescor 
e a temperatura. Este tipo de embalagem já é muito comum em latas de cerveja 
que indicam se o produto está gelado.
Além desta interação, indicando características dos produtos aos consumi-
dores, algumas empresas apostam em ações interativas de marketing em suas 
embalagens. A empresa italiana Francesco Rinaldi lançou um aplicativo que pode 
ser baixado pelos consumidores para a interação digital com a personagem de 
sua marca, a Mrs. Rinaldi (PACKAGING DIGEST, 2019, on-line)61.
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“CARNES VEGETAIS” E “CARNES
DE LABORATÓRIO”
O consumo de carne passa por diversos assuntos considerados éticos e, ao mesmo 
tempo, polêmicos. Muitos dizem que a dieta carnívora é cruel, muitos dizem que 
é desnecessária, mas todos devemos concordar que a carne tem elevado custo e 
a sua produção tem elevado impacto ambiental, como a necessidade de grandes 
áreas, de água, de energia e a emissão de gases de efeito estufa (RÖÖS et al., 2013; 
TUOMISTO; MATTOS, 2011; MACDIARMID; DOUGLAS; CAMPBELL, 2016; 
RÖÖS; EKELUND; TJÄRNEMO, 2014). 
Dessa forma, destacaremos duas estratégias para a substituição da produção 
de carne: produtos de origem vegetal similares à carne e produção in vitro de 
tecidos musculares de animais.
Produtos vegetais similares à carne
Algumas empresas vêm revolucionando o mercado de produtos cárneos, sem 
matar nenhum animal. Estas empresas se perguntaram: o que deixa a carne tão 
gostosa? Vamos descobrir e fazer um produto com vegetais que possua as mesmas 
características. Assim, já podem sem encontrados, no mercado, diversos produ-
tos análogos à carne, com sensorial muito parecido e produzido sem sacrifício 
animal: “carnemoída”, hambúrgueres e almôndegas. 
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Uma das empresas pioneiras da produção de produtos vegetais muito similares 
a carnes, a Impossible Foods, tem grandes pretensões quanto ao mercado de pro-
dutos cárneos: eles pretendem acabar com toda a agricultura animal e as práticas 
de pesca em alto mar, desenvolvendo produtos análogos à carne bovina, de frango, 
porco, cordeiro, peixes e laticínios. Toda esta revolução, segundo os empresários da 
mesma empresa, acontecerá até 2035. Toda a atual produção da Impossible Foods 
exige 87% menos água, 96% menos área de produção e emitindo 89% menos gases 
causadores do efeito estufa (THE NEW YORKER, 2019, on-line)62.
A Impossible Foods lançou um novo produto: um alimento de origem vegetal 
que promete ser muito similar à carne de porco. Produzido com proteína de soja, 
a empresa alega que este alimento tem cheiro, cor, sabor e cozimento como a 
carne de porco. Com este produto, a Impossible Foods pretende atingir mercados 
consumidores maiores, incluindo o público asiático, que tem consumo de carne 
suína mais frequente (CNN BUSINESS, 2020, on-line)63. 
Não existem apenas uma empresa produtora deste tipo de produto. Concorrência e 
mercado estão cada vez maiores. A empresa Beyond Meat possui, em seu portfólio, 
carne, hambúrguer e salsicha (BEYOND MEAT, 2019, on-line)64. A Fazenda Futuro 
é uma empresa brasileira que apresenta, em seu portfólio, hambúrguer e produto 
similar à carne moída (PEQUENAS EMPRESAS GRANDES, NEGÓCIOS, 2019, 
on-line)65. A Lightlife oferece, entre outros produtos, hambúrguer vegetal similar ao 
de carne (LIGHTLIFE, 2019, on-line)66. Até mesmo gigantes do mercado de produ-
tos cárneos, como a Tyson Foods e a Marfrig, já estão se inserindo neste mercado 
de proteínas vegetais (FOLHA DE SÃO PAULO, 2019, on-line)67.
Vou abrir espaço para uma experiência pessoal – Comi um hambúrguer vegetariano pro-
duzido pela Impossible Foods: é igual carne! A garçonete, inclusive, avisa aos vegetarianos: 
“pode ser que você não goste do hambúrguer, é igual carne”!
pensando juntos
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Produção de carne in vitro
Muitas pesquisas têm apontado que uma das possibilidades para reduzir os danos 
ambientais da produção de carne é a produção de carne em laboratório, aqui, no 
texto, denominada produção in vitro.
Post (2012) explica que três tecnologias diferentes podem gerar músculos 
esqueléticos de animais (outros tecidos também, como ossos, cartilagens, tecido 
adiposo e fibroso): isolamento e identificação de células-tronco, cultura de células 
e engenharia de tecidos. No entanto todas estas técnicas não estão sendo utiliza-
das, de forma comercial, para produção de carne. Além disso, diversos estudos 
estão sendo realizados, nos últimos anos, para:
 ■ Entender o comportamento de compra dos futuros consumidores.
 ■ Avaliar características sensoriais dos produtos obtidos.
 ■ Entender como diferentes culturas podem reagir a estes novos produtos 
(poderiam ser considerados adequados para dietas Halal e Kosher, por 
exemplo?).
O fato é que este tipo de produto pode se tornar uma realidade, nos próximos 
anos, na mesa dos consumidores, para garantir um produto similar à carne e com 
produção ambientalmente mais eficiente.
Tuomisto e Mattos (2011) fizeram uma análise energética comparando a pro-
dução de carne convencional (segundo práticas europeias) e de carne in vitro e 
chegaram nos seguintes resultados:
A onda de produtos análogos de carne, com mesmas características sensoriais, está tão 
grande que gigantes redes de fast food estão incorporando estes produtos em seus car-
dápios. A Burguer King, por exemplo, lançou um de seus clássicos na versão com “carne de 
vegetais”. Nos Estados Unidos, a empresa lançou o Impossible Whopper em parceria com 
a Impossible Foods. No Brasil, também temos uma versão deste tipo, o Rebel Whopper, 
produzido em parceria com a Marfrig. A Suécia também comercializa o Rebel Whopper.
Fonte: Globo Rural (2019, on-line)69.
explorando Ideias
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 ■ A produção in vitro pode reduzir de 7 a 45% o consumo de energia.
 ■ Ela tem capacidade de emitir 78 a 96% menos gases do efeito estufa.
 ■ Essa produção necessita de 99% menos área de produção. 
 ■ Pode reduzir de 82 a 96% o uso de água.
O gráfico apresentado na Figura 32 ilustra a utilização de recursos de acordo com 
o tipo de carne produzida.
Figura 32 - Comparação da utilização de recursos para a produção dos diversos tipos de carne 
Fonte: Tuomisto e Mattos (2011, p. 6122).
Pela observação da Figura 32, pode-se constatar que a previsão de economia de 
recursos naturais, principalmente sobre a emissão dos gases de efeito estufa, e 
a necessidade de terra e água podem ser uma boa justificativa para o consumo 
de carnes obtidas em laboratório. Vamos esperar que estas alternativas in vitro 
apresentem um gosto agradável também!
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CONSIDERAÇÕES FINAIS
Caro(a) aluno(a) leitor(a), encerramos, aqui, mais uma unidade do nosso conteúdo 
de Impactos da Globalização no Contexto da Segurança Alimentar. Nesta unidade, 
focamos em novas tendências mundiais na área de produção e consumo de alimentos.
Na primeira aula, foram abordados temas relacionados ao tratamento não 
térmicos de alimentos. As elevadas temperaturas causam alterações nutricionais 
e sensoriais nos mesmos, dessa forma, diversos métodos têm sido estudados e 
aplicados para diminuir estes prejuízos e garantir, ainda, a segurança alimentar. 
Produtos como suco de uva, produtos lácteos e bebidas alcoólicas já se utilizam 
destas técnicas para a sua produção.
Na segunda aula, abordamos inovações em embalagens. O descarte exces-
sivo de embalagens plásticas se tornou um problema ambiental e, consequen-
temente, uma preocupação a ser evitada pelas empresas. Soluções já estão dis-
poníveis comercialmente: embalagens comestíveis, substituição de plásticos por 
produtos recicláveis e embalagens retornáveis foram abordados. Além disso, foi 
falado sobre embalagens que interagem com o alimento e com os consumido-
res para informar alguma característica do produto e, até mesmo, estimular a 
compra em estratégias de marketing.
Por último, falamos sobre os produtos análogos à carne, produzidos com ingre-
dientes vegetais. Diversas empresas estão ocupando este novo mercado, com metas 
ambiciosas e atingindo, até mesmo, redes de comidas populares, como os fast foods.
Nesta unidade, focamos nestas três inovações. No entanto, vale salientar, caro(a) 
aluno(a), que você deve estar atento(a) a quaisquer inovações que acontecem no 
mundo. Elas acontecem a todo momento e estão ao nosso redor! É a partir de inova-
ções, incluindo na área de alimentos, que o mundo muda e grandes oportunidades 
de vida podem surgir!
122
na prática
1. As inovações de embalagens vêm recebendo grandes incentivos por partes das em-
presas! Faça uma busca de, no mínimo, duas embalagens de produtos alimentícios 
que possuam novos tipos de materiais e novas formas de apresentação e interati-
vidade. Segue uma dica: procure em sites de notícias confiáveis e em informações 
recentes. Apresente seus resultados para a gente, com imagens e referência do site.
2. Os produtos análogos à carne, produzidos com vegetais, são alimentos que parti-
cipam de uma nova e importante tendência mundial. Não sei se vocês repararam, 
propositalmente, o texto não apresentou os ingredientes deste tipo de produto. 
Faça uma pesquisa no site de alguma empresa que produz este tipo de produto e 
apresente os ingredientes alegados na elaboração destas carnes vegetais.
3. O processamento térmico de alimentos pode causar alterações sensoriais e nutri-
cionais indesejadas nos produtos. Assinale a alternativa que apresenta um proces-
samento que não envolve o aquecimento de alimentos.
a) Pasteurização.
b) Esterilização comercial.
c) Tratamento ôhmico.
d) Alta pressão hidrostática.
e) Evaporação.
4. O consumo de carne vem sendo questionado por muitos cientistas e muitas empre-
sasjá oferecem alternativas de produtos análogos a cárneos, no entanto, de origem 
vegetal. Ainda, há muita atenção voltada para carnes produzidas em laboratório. A 
seguir, leia algumas informações sobre o assunto.
123
na prática
I - Já é possível encontrar produtos cárneos desenvolvidos in vitro em redes fa-
mosas de fast food.
II - A produção de carnes por cultura celular (in vitro) consome menos recursos, 
como água, e gera menor quantidade de gases de efeito estufa.
III - Diversas empresas conseguem produzir produtos de origem vegetal com carac-
terísticas muito similares a carnes. Ex.: hambúrgueres e salsichas.
Assinale a alternativa correta:
a) Apenas I e II estão corretas.
b) Apenas II e III estão corretas.
c) Apenas I está correta.
d) Apenas II está correta.
e) Nenhuma das alternativas está correta.
5. O profissional que atua na área de alimentos deve estar sempre atento a mudanças 
ao seu redor. Estas mudanças já estão acontecendo a todo momento. Vá até um 
supermercado e olhe, atentamente, as embalagens de alimentos presentes nas gôn-
dolas, e registre, com fotos, mudanças que você tenha percebido e que considerou 
inovadoras. Compartilhe o resultado conosco!
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aprimore-se
O texto a seguir, “Cientistas criam filmes comestíveis para embalagens”, é uma pu-
blicação da Embrapa (2015) que fala das pesquisas realizadas, por esta instituição, 
na área de embalagens comestíveis. O link para o texto na íntegra pode ser encon-
trado nas referências! Vale a pena conferir!
“Imagine colocar uma pizza no forno sem precisar retirar a embalagem plástica. 
A película que a envolve é composta por tomate e, ao ser aquecida, vai se incorpo-
rar à pizza e fazer parte da refeição. Esse material já existe e foi desenvolvido por 
pesquisadores da Embrapa Instrumentação (SP) que fizeram películas comestíveis 
de diferentes alimentos como espinafre, mamão, goiaba, tomate e pode utilizar 
muitos outros como matéria-prima. O trabalho de pesquisa foi desenvolvido no 
âmbito da Rede de Nanotecnologia Aplicada ao Agronegócio (AgroNano) e recebeu 
investimentos da ordem de R$200 mil.
‘Podemos utilizar rejeitos da indústria alimentícia para fabricar o material, isso 
garante duas características de sustentabilidade: o aproveitamento de rejeitos de 
alimentos e a substituição de uma embalagem sintética que seria descartada’, afir-
ma o chefe-geral da Embrapa Instrumentação, pesquisador Luiz Henrique Cappa-
relli Mattoso, que coordenou a pesquisa, ressaltando que o trabalho de desenvolver 
filmes a partir de frutas tropicais é pioneiro no mundo. 
O material tem características físicas semelhantes aos plásticos convencionais, 
como resistência e textura, e tem igual capacidade de proteger alimentos. Porém, o 
fato de poder ser ingerido abre um imenso campo a ser explorado pela indústria de 
embalagens. Aves envoltas em sacos que contêm o tempero em sua composição, 
sachês de sopas que podem se dissolver com seu conteúdo em água fervente e 
muitas outras possibilidades.
A diferença está na matéria-prima. O plástico comestível é feito basicamente de 
alimento desidratado misturado a um nanomaterial que tem a função de dar liga ao 
conjunto. ‘O maior desafio dessa pesquisa foi encontrar a formulação ideal, a receita 
de ingredientes e proporções para que o material tivesse as características de que 
125
aprimore-se
precisávamos’, conta o engenheiro de materiais José Manoel Marconcini, pesquisa-
dor da Embrapa que participou do trabalho.
Ele explica que os alimentos usados como matéria-prima passam pelo processo 
de liofilização. Trata-se um tipo de desidratação na qual, após o congelamento do 
alimento, toda a água contida nele se transforma do estado sólido diretamente ao 
gasoso, sem passar pela fase líquida. O resultado é um alimento completamente 
desidratado, com a vantagem de manter suas propriedades nutritivas. Ela pode ser 
aplicada aos mais diferentes alimentos como frutas, verduras, legumes e até alguns 
tipos de temperos, o que explica a grande diversidade de matérias-primas comestí-
veis, o que imprime o sabor e a cor da embalagem.
Mattoso acredita que o plástico comestível também poderá contribuir para re-
duzir outro problema: o desperdício de alimentos. Além de resíduos em condições 
de uso que a indústria alimentícia não utiliza, há muitos vegetais que deixam de 
ser comercializados por não apresentar bom aspecto visual mesmo estando em 
condições de consumo. ‘Esses vegetais que iriam estragar na prateleira podem ser 
matéria-prima para a embalagem comestível’, acredita o especialista que já vislum-
bra parceiros entre as empresas do ramo para que os resultados alcançados em 
laboratório sejam desenvolvidos como produto comercial. 
Para ele, a nova embalagem também pode receber matéria-prima de um merca-
do em franca expansão, o de alimentos prontos. Mattoso conta que esse é um ramo 
que produz muitos resíduos como cascas e pequenos pedaços. Ele dá como exem-
plo as chamadas cenouretes que são esculpidas em pequenos pedaços de cenoura. 
Para o especialista, as sobras desse processo poderiam virar matéria-prima para um 
plástico com a leguminosa”.
Fonte: Embrapa (2015, on-line)70.
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eu recomendo!
Cadeia industrial da carne
Autores: Diana Aguiar, Letícia Tura (organizadoras), Sérgio Schle-
singer (colaborador)
Editora: Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional (FASE)
Sinopse: durante os dias 10 e 11 de setembro de 2015, movimen-
tos do campo, organizações sociais e sindicais e representantes de 
universidades do Brasil, dos Estados Unidos (EUA), da Alemanha e 
do Paraguai participaram da oficina “Cadeia Industrial da Carne”, realizada na cidade 
do Rio de Janeiro. Considerando, portanto, a relevância do Brasil nessa cadeia, essas 
instituições convidaram a FASE para articular um debate sobre a indústria da carne 
no Brasil. Esta publicação tem o objetivo de compartilhar ideias e estratégias sobre o 
enfrentamento do complexo industrial global de alimentos e tem, como referência, o 
conteúdo dos debates realizados durante estes dois dias de trabalho. 
livro
Oceanos de Plástico
Ano: 2016
Sinopse: a Plastic Ocean Foundation é uma organização britânica 
cuja finalidade é a sugestão de soluções para o problema do lixo 
plástico no planeta. O documentário explora áreas atingidas por 
este tipo de poluição, evidenciando os danos à flora e à fauna.
Comentário: o documentário encontra-se disponível no serviço 
de streaming da Netflix. 
filme
Algumas tecnologias estão sendo exploradas para criar alternativas para o consumo 
mundial de carne. O link encaminha uma reportagem que mostra duas possibilidades. 
https://globoplay.globo.com/v/7407871/
conecte-se
127
conclusão geral
conclusão geral
Chegamos ao final do nosso conteúdo! Espera-se que, neste momento, você já 
consiga entender a complexidade que envolve a segurança dos alimentos e de 
um ambiente globalizado.
Além dos conhecimentos técnicos adquiridos ao longo do curso, como conceitos de 
microbiologia, química de alimentos, matérias-primas alimentícias e processamento de 
alimentos, devemos nos preocupar com as grandes distâncias percorridas para a co-
mercialização de alimentos em escala global, possíveis barreiras políticas e diplomáticas, 
diferentes legislações e diferentes hábitos culturais dos povos ao redor do mundo. 
Vimos, também, que as mudanças nos hábitos alimentares, decorrentes da 
globalização, não são apenas as atuais. As grandes navegações, do final do sécu-
lo XV e início do século XVI, iniciaram mudanças importantes nos hábitos alimen-
tares de diversos países, inclusive no Brasil. No entanto o que mais mudou na 
globalização desta época, para os momentos atuais, foi a velocidade. A rapidez 
do transporte, a comunicação por meio digital, o advento da internet e de tecno-
logias inovadoras fazem com que uma mudança ocorrida em um país impacte, 
rapidamente, outra região distante do planeta.
Apesar do complexo sistema para comercializaçãoglobal dos alimentos, diversas 
ações são tomadas para regulamentar e facilitar esta prática e, a tecnologia deve ser 
considerada aliada neste processo. Como exemplos, países organizados em blocos 
econômicos facilitam a comercialização de produtos, certificações de segurança ali-
mentar, como a ISO 22000, facilitam e normalizam as regras de segurança e quali-
dade dos alimentos, e a tecnologia de irradiação de alimentos está disponível para 
manter a qualidade dos produtos alimentícios, exportados durante o transporte e a 
comercialização em regiões longínquas.
Para finalizar, segue a recomendação para constante aperfeiçoamento, pois o 
mercado global está sempre mudando, e, também, para o aprendizado de outros 
idiomas, imprescindíveis neste contexto globalizado!
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Conformidade das Unidades Armazenadoras, constantes dos Anexos I e II, respectivamente, 
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burger-king-lanca-hamburguer-vegetal-fabricado-pela-marfrig.html. Acesso em: 31 jul. 
2020.
69 Em:https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2019/05/hamburguer-vegetal-vira-moda-
-apos-beyond-meat-abrir-capital.shtml. Acesso em: 31 jul. 2020.
70 Em:https://www.embrapa.br/busca-de-noticias/-/noticia/2411923/cientistas-criam-filmes-
-comestiveis-para-embalagens. Acesso em: 31 jul. 2020.
gabarito
136
UNIDADE 1
1. B.
2. D.
3. E.
4. Toda região apresenta algum prato típi-
co ou ingredientes locais. Espera-se que 
o aluno faça uma pesquisa e conheça 
melhor o seu estado, a sua região. Por 
exemplo, o estado onde se localiza a 
sede da Unicesumar, Paraná, apresenta 
alguns pratos típicos e matérias-primas 
com potencial de exploração comercial:
• O barreado típico da região de Morre-
tes, muito vendidos em restaurantes tí-
picos para turistas que visitam a região.
• O pinhão, base de muitas receitas e 
hábito cultural importante no inverno 
rigoroso de Curitiba.
• As uvas cultivadas em Marialva, conhe-
cida como a Capital da Uva Fina.
• O prato típico da cidade de Maringá é o 
cachorro-quente prensado.
5. Espera-se, aqui, que os alunos sintam 
curiosidade em explorar mais os hábitos 
alimentares de refugiados que chegam ao 
nosso país e descubram novos alimentos e 
ingredientes típicos de suas gastronomias.
UNIDADE 2
1. B.
2. A.
3. C.
4. E.
5. Conhecer a legislação vigente na área de 
alimentos é um desafio para o profissional: 
diversas agências reguladoras, mudanças 
constantes e novos produtos surgindo em 
um mercado cada vez mais competitivo 
são apenas alguns dos desafios. Assim, 
para você se adaptar às atividades cons-
tantes de um profissional que atua na 
produção de alimentos, faça uma breve 
pesquisa e apresente, no mínimo, cinco 
diferentes tipos de alimentos regulamen-
tados pela Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária.
UNIDADE 3
1. B.
2. D.
3. B.
4. C.
5. Esta é uma questão importante para 
os alunos relacionarem os tópicos do 
APPCC (mais comuns e rotineiros em 
empresas alimentícias) com as exigên-
cias da ISO 22000 (norma paga e difícil 
de se ler na íntegra). Segue orientação 
de resposta em forma de tabela.
gabarito
137
Princípios do 
APPCC
Pontos da ISO 
22000
Princípio 1 – Con-
duzir uma análise 
de perigos
7.4 Análise de 
perigos
7.4.2 Identificação 
de perigos e deter-
minação de níveis 
aceitáveis
7.4.3 Avaliação do 
perigo
7.4.4 Seleção e ava-
liação das medidas 
de controle
Princípio 2 - Deter-
minar os pontos 
críticos de controle 
(PCC)
7.6.2 Identificação 
dos pontos críticos 
de controle (PCC)
Princípio 3 – Es-
tabelecer limites 
críticos
7.6.3 Determinação 
dos limites dos PCC
Princípio 4 – Esta-
belecer um sistema 
de monitoramento
7.6.4 Sistema de 
monitoramento dos 
PCC
Princípio 5 – Es-
tabelecer ações 
corretivas
7.6.5 Ações quando 
os resultados do 
monitoramento 
excedem os limites 
críticos
Princípio 6 – Es-
tabelecer pro-
cedimentos de 
verificação
7.8 Plano de verifi-
cação
Princípio 7 – Esta-
belecer procedi-
mentos de registro
4.2 Requisitos de 
documentação
7.7 Atualização de 
informações preli-
minares e docu-
mentos especifican-
do os Programas de 
Pré-Requisitos (PPR) 
e o plano APPCC
UNIDADE 4
1. E.
2. D.
3. A.
4. C.
5. Sobre os alimentos Kosher, são proi-
bidos: carne de porco, ingestão de 
sangue animal, insetos, misturar ali-
mentos cárneos com laticínios, frutos 
do mar.
6. Sobre os alimentos Kosher, são per-
mitidos: carnes processadas segundo 
normas Kosher: a carne deve ser ob-
tida de animais que não sofreram ao 
morrer. Todo o sangue deve ser dre-
nado no momento da sangria e no 
processo de Kosherização (modifica-
ção do fluxograma do processo). Vale 
lembrar que o abate de cada tipo de 
animal deve ser estudado, pois exis-
tem técnicas específicas. Por exemplo: 
frangos não sofrem insensibilização 
por eletronarcose e não passam pelo 
processo de escaldagem para remo-
ção das penas em processo Kosher; 
leite e seus derivados certificados se-
gundo processo Kosher: toda a cadeia 
de produção do leite deve ser super-
visionada por rabinos, da ordenha até 
a embalagem. O leite de animais Ko-
sher não podem ser misturados com 
o leite de animais não-Kosher. Todos 
os utensílios são verificados para que 
não haja contaminação dos produtos 
com leites de animais não-Kosher. 
Além disso, na produção de queijos, 
gabarito
138
há cuidado extra com o tipo de coa-
lho usado, não devendo ser de origem 
animal; e alimentos denominados 
Parve: frutas, vegetais e cereais.
7. Sobre os alimentos Halal, são proi-
bidos: carne, gordura, couro, ossos e 
outros produtos (ou matérias-primas) 
derivados de suínos; carne, gordura, 
couro, ossos e outros produtos (ou 
matérias-primas) derivados de ani-
mais abatidos fora do sistema Halal. O 
Alcorão permite o consumo de carne 
de bovinos, caprinos, ovinos e galiná-
ceos abatidos sob condições específi-
cas, segundo normas que veremos a 
seguir; bebidas alcoólicas de qualquer 
tipo; produtos que contenham deri-
vados de seres humanos (apesar de 
serem raros nos dias de hoje, existem 
técnicas de hidrólise de amido, porexemplo, que se utilizam de alfa-ami-
lase salivar humana. Fique tranquilo! 
As alfa-amilases microbianas são mais 
baratas e efetivas); não é permitido o 
consumo de sangue de animais (in-
cluindo animais abatidos pelo méto-
do Halal); não é permitido o consumo 
de animais que vivem tanto na terra 
como em água, como jacarés e croco-
dilos; não é permitido o consumo de 
insetos (exceto gafanhoto e cochoni-
lha, sendo este último comum no pro-
cesso de extração do corante carmim).
8. Sobre os alimentos Halal são permiti-
dos: peixes e outros animais aquáticos; 
todo o tipo de vegetal (frutas frescas 
ou secas, legumes, sementes como 
amendoim e nozes, cereais como tri-
go, arroz e centeio, entre outros); todo 
produto mineral ou químico permiti-
do e que não causa risco à saúde; toda 
água potável; produtos de biotecnolo-
gia (extratos de vegetais e produtos 
obtidos por fermentação microbiana); 
leite (de vacas, ovelhas, camelas e ca-
bras) e queijos obtidos por coalho de 
origem microbiana; carnes de animais 
permitidos e derivados de origem 
animal, utilizado nas indústrias de ali-
mentação, são permitidos se o animal 
for sacrificado conforme normas islâ-
micas e comprovados por certificação.
UNIDADE 5
1. Espera-se que o aluno apresente exem-
plos atuais de embalagens, como os 
citados no texto: interação com um 
personagem por aplicativo; presença 
de QR Code em embalagem que desti-
na para informações complementares; 
novos materiais de embalagens (como 
materiais biodegradáveis, comestíveis); 
produtos substitutos do isopor; mate-
riais substitutos de plásticos.
2. Espera-se que o aluno visite o site de 
alguma empresa citada (ou alguma 
reportagem que apresente estas infor-
mações) e liste os ingredientes. A se-
guir, um exemplo: a Impossible Foods 
utiliza proteína da soja e da batata; o 
sabor característico da carne é dado 
por uma substância denominada heme 
(Esta molécula, abundante em carnes, 
foi, incialmente, isolada e extraída das 
raízes de soja. No entanto, atualmente, 
gabarito
139
trechos de DNA que produzem a mo-
lécula foram clonados em leveduras e, 
agora, a molécula heme é produzida 
por fermentação); as gorduras utilizadas 
são óleo de coco e óleo de girassol; me-
tilcelulose é adicionado para dar liga.
3. D.
4. B.
5. Espera-se que o aluno esteja atento a 
pequenas mudanças presentes nos 
produtos alimentícios: embalagens 
que podem ir ao micro-ondas; mudan-
ças nas embalagens de bombons (por 
exemplo: Sonho de Valsa vem em uma 
embalagem selada e não mais nos tra-
dicionais embrulhos com duas pontas); 
bebidas lácteas estão sendo comercia-
lizadas com canudos de papel; vegetais 
folhosos livres de embalagens plásticas, 
substituídas por papéis, entre outras.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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anotações
	_bfekn3sxgycs
	_30j0zll
	GLOBALIZAÇÃO E
	ALTERAÇÃO
	nos hábitos alimentares
	EXPORTAÇÃO DE
	PRODUTOS
	alimentícios
	GARANTIA DA QUALIDADE
	DE PRODUTOS
	para exportação
	TIPOS DE CERTIFICAÇÃO
	EXISTENTES PARA
	exportação de alimentos
	TENDÊNCIAS E INOVAÇÕES
	GLOBAIS NA
	área de alimentos
	conclusão geral
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	_1ohsx53g937q
	_jchxrjccnz2f
	_bc78xfobj7yi
	_eeia22sfnqq
	_pzuqluhr965a
	_6thc3twipwr0
	_g1tmhwpgrhm5
	_9no68eknv70i
	_8bay68t48aq0
	_rytjy9v5zkgi
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