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TUT 6: Injúria renal aguda 1 TUT 6: Injúria renal aguda Medcel Infecção prévia Evolução com elevação de creatinina e diminuição do débito urinário Marcadores de IRA Creatinina Débito urinário: em geral ocorre antes da elevação da creatinina Biomarcadores precoces: cistatina C (plasma), KIM-1, IL-18, calprotectina, N- GAL Classificação de KDIGO (Cr OU DU) Estágio 1: Cr maior que 1,5-1,9 do que a basal. Ou aumento de 0,3 mg/dL. // DU < 0,5 mL/kg/h por 6-12h Estágio 2: Cr maior que 2-2,9 vezes em relação a basal // DU < 0,5 por mais de 12h Estágio 3: Aumento > 3 em relação a basal ou Cr > 4,0 com elevação aguda de 0,5 ou instalação de terapia renal substitutiva (TRS) // DU < 0,3 por mais de 24h ou anúria por mais de 12h Sempre classifica com o pior parâmetro. Ou seja, se a Cr x2 mas o pcte está anúrico, ele é kdigo 3. IRA pré-renal → hemodinâmica Pós-renal → obstrutivas Renal, intrínseca → vasos, glomérulos, túbulos ou intersticial TUT 6: Injúria renal aguda 2 Pré renais Hemodinâmicas → Hipoperfusão Parênquima preservado, sistema tubular funcionante Até 60% dos casos Bom prognóstico Concentra a urina Redução do volume intracelular: hemorragias, perdas GI, perdas renais e insensíveis Redução do débito cardíaco: IC descompensada, IAM com baixo débito/choque cardiogênico, tamponamento cardíaco Redução do volume plasmático efetivo: sd. hipoalbuminêmicas, perdas para o 3o espaço Diagnóstico clínico (e laboratorial) Tratamento: hidratação e correção e manejo da causa base; correção das alterações metabólicas TUT 6: Injúria renal aguda 3 Pode evoluir para renal se persistir o fator causal Pós renais Obstrutivas Intratubulares ou extratubulares Bom prognóstico Necrose tubular aguda Lesão no sistema tubular Perda de capacidade de concentração urinária Pode ter apoptose e descamação das células tubulares Não concentra a urina Sódio urinário alto IRA séptica ATB precoce TUT 6: Injúria renal aguda 4 Ressuscitação volêmica nas primeiras 3h Tratar acidose com bicarbonato Definição Classicamente definida como uma redução abrupta da filtração glomerular, levando ao aumento de escórias nitrogenadas (ureia, creatinina), distúrbios ácido-básico e alterações hidroeletrolíticas Critérios Diagnósticos Aumento abrupto (em 48h) e absoluto da Cr ≥ 0,3 mg/dL ou um aumento percentual acima de 50% ou oligúria (débito urinário <0,5/mL/kg/H) por mais de 6h TUT 6: Injúria renal aguda 5 Em geral, a diminuição do DU ocorre antes da elevação da Cr Classificação Obs.: Sempre classifica com o pior parâmetro. Ou seja, se a Cr x2 mas o pcte está anúrico, ele é kdigo 3. Classificação de KDIGO (Cr OU DU) Estágio 1: Cr maior que 1,5-1,9 do que a basal. Ou aumento de 0,3 mg/dL. // DU < 0,5 mL/kg/h por 6-12h Estágio 2: Cr maior que 2-2,9 vezes em relação a basal // DU < 0,5 por mais de 12h Estágio 3: Aumento > 3 em relação a basal ou Cr > 4,0 com elevação aguda de 0,5 ou instalação de terapia renal substitutiva (TRS) // DU < 0,3 por mais de 24h ou anúria por mais de 12h Na classificação de KDIGO ficaram os 3 estágios e os 2 últimos foram removidos e redefinidos como evolução TUT 6: Injúria renal aguda 6 Etiologia Pré Renal Hemodinâmica. Alteração funcional, reversível, sem representação histológica. Ocorre na diminuição da pressão de perfusão renal e/ou aumento da resistência vascular renal, levando diminuição do ritmo de filtração glomerular, com acúmulo de escórias nitrogenadas Por hipovolemia: hemorragia, perda GI, perda para o 3o espaço, excesso de diuréticos Por insuficiência cardíaca (sd. cardiorrenal): ICC, IAM, tamponamento, embolia Por vasodilatação periférica: sepse*, anti-hipertensivos Por resistência vascular renal aumentada: anestesia, cirurgias Por obstrução renal bilateral: embolia, trombose *principal causa de IRA, levando a NTA em muitos casos. Tem a maior mortalidade Renal Existe dano estrutural por fatores extrínsecos Alterações isquêmicas Nefrotoxicidade Doença de pequenos vasos e glomérulos Doenças de grandes vasos Nefrite intersticial aguda (NIA) ✏ Quando a IRA não resulta primariamente de alterações vasculares, intersticiais ou glomerulares, costuma ser referida como necrose tubular aguda (NTA). Pós renal TUT 6: Injúria renal aguda 7 Eventos subsequentes à formação da urina, com obstrução do seu fluxo. Podem ser funcionais e/ou estruturais, congênitas ou adquiridas. Obstrução uretral Obstrução vesical: HPB, carcinoma de bexiga, neuropatia, agentes bloqueadores ganglionares Obstrução bilateral de ureteres: cristais de ácido úrico ou sulfonamida, coágulos, debris piogênicos, cálculos, edema, papilite necrotizante Extrauretral: tumores (colo de útero, próstata, endometriose), fibrose periureteral, ligadura acidental de ureteres, abscesso pélvico, hematoma pélvico, ascite, gestação ✏ A hidronefrose (dilatação) ocorre proximal à obstrução. Pode se manifestar clinicamente com queda abrupta ou gradual da função renal, reversível com a correção da obstrução. 🚨 Medicamentos que aumentam risco: IECA, BRA, ATB (gentamicina) TUT 6: Injúria renal aguda 8 PRÉ RENAL X NTA Fisiopatologia A deprivação de oxigênio e a nefrotoxicidade causa a perda da integridade do citoesqueleto e da polaridade celular. Ocorre perda da borda em escova, da polaridade com deslocamento das moléculas de adesão e de outras proteínas (Na+K+ATPase, betaintegrinas). Além disso, ocorre apoptose e necrose. A descamação de células viáveis e inviáveis origina regiões onde a membrana basal é a única barreira entre o filtrado e o interstício peritubular, o que causa ‘’vazamento’’ do filtrado (principalmente quando a pressão intratubular está aumentada pelos debris celulares obstruindo a luz tubular). Todo esse processo resulta em inflamação e vasoconstrição. Inflamação Na isquemia, há uma regulação anormal do fluxo sanguíneo local. A inflamação reduz o fluxo para o córtex e medula externa, prejudicando a função e viabilidade tubular. A vasoconstrição pré-glomerular persistente pode contribuir. Resposta imunológica TUT 6: Injúria renal aguda 9 As células epiteliais tubulares expressam toll like receptors capazes de reconhecer mediadores inflamatórios que podem ser filtrados em quantidades significativas na sepse, por exemplo Interação leucócito-endotélio A interação entre os leucócitos e o endotélio podem resultar em adesões célula-célula que obstruem fisicamente o fluxo sanguíneo. Além disso, ativam leucócitos e células endoteliais, contribuindo para gerar fatores de vasoconstrição e espécies reativas de oxigênio. Contribuição das células tubulares As células epiteliais tubulares produzem citocinas pró-inflamatórias (TNF alta, IL-6, IL1- beta, TGF beta) e quimiocinas. O epitélio tubular também pode modular a atividade de linfócitos T. Quadro clínico Geralmente assintomatico. Alterações hidroeletrolíticas Hiponatremia pelo aumento relativo ou absoluto de água livre A hipernatremia é menos comum mas pode ser encontrada em quadros de perdas de fluidos hipotônicos (sucção nasogástrica, diarreia, diabetes insípido), aumento de perdas insensíveis ou adm. de fluidos hipertônicos A hipercalemia é o distúrbio mais grave Sua cardiotoxicidade pode ser agravada pela acidose, hipocalcemia e interações medicamentosas Equilíbrio ácido-básico Acidose metabólica pelo acúmulo de fosfatos, sulfatos e ácidos orgânicos, além da incapacidade em regenerar bicarbonato e excretaar ácidos Rebaixamento do nível de consciência, depressão miocárdica TUT 6: Injúria renal aguda 10 Uremia (Geralmente com Cr >4, Ureia >120, TFG <35) Síndrome com distúrbios neurológicos + cardiovasculares + pulmonares + digestivos + hematológicos Irritabilidade, sonolência, confusão mental, convulsões, coma, encefalopatia uremica* pericardite, tamponamento pericárdico, arritmias, pericardite hemorragica (urêmica)* congestão pulmonar, pleurite inapetência, náuseas, vômitos, gastrite, úlceras pépticas e enterocolites anemia, alteraçõesda função de neutrófilos e linfócitos e defeitos plaquetários, predispondo a infecções e hemorragias *tipico de casos mais graves de uremia Diagnóstico Clínica: doenças preexistentes, infecções, desidratação, descompensação hemodinâmica, uso de medicações, investigar uropatia obstrutiva Laboratório Para ocorrer aumento dos níveis de Cr sérica, a TFG deve estar reduzida em 70% (aumentos rápidos de Cr sérica podem ser rabdomiólise) Ureia aumentada (também aumenta em outros casos, como sangramento GI, corticoesteroides, hipercatabolismo, aumento de ingesta proteica) Eletrólitos: hiponatremia, hipercalemia, hiperfosfatemia, hipocalcemia, hipermagnesemia Sedimento urinário: pH maior em quadros pré-renais, densidade elevada, glicosúria (dano tubular), sangue, proteinúria, leucocitúria (pielonefrites), eosinofilúria (NIA) Relação creatinina urinária/creatinina plasmática: >40 na pré-renal e <20 na NTA Imagem TUT 6: Injúria renal aguda 11 USG: hidronefrose? parênquima renal (ve sinais de cronicidade) USG com doppler se suspeitar de doenças vasculares Biópsia Causa permanece desconhecida Suspeita de doenças sistêmicas Manifestações extrarrenais Proteinúria maciça ou persistente Hipertensão arterial grave na ausência de hipervolemia Oligúria >4 semanas Anúria na ausência de obstrução Suspeita de necrose cortical ou de nefrite intersticial Tratamento Trata a causa base e corrige os distúrbios hemodinâmicos etc. Diuréticos Em altas doses Tentar transformar IRA oligúrica em não oligúrica Não devem ser utilizados por tempo prolongado e em doses excessivas Diálise Hemodiálise intermitente (convencional), diálise peritoneal e métodos dialíticos contínuos TUT 6: Injúria renal aguda 12 Conferência Reduação rápida e potencialmente reversível da função renal Critérios RIFLE AKIN KDIGO (junta rifle com akin) Frquentemente assintomática Oligúria presente em 50% dos casos (diurese <400 ml/4h) IRA pré-renal (55-60%) Tem que ter hipovolemia! Choque séptico ou cardiogênico, aine, ieca/bra, hemorragia, desidratação dificilmente o pcte tem IRA por medicamentos se for hígido Acidose: ou bicarbonato <10 TUT 6: Injúria renal aguda 13 O rim tenta compensar aumentando a reabsorção → oligúria e: Osmolaridade urinária alta Na urinário baixo FE Na <1% Relação Cr/Ur >1:40 (reabsorve mais ureia) Sedimento urinário pobre, sem achados IRA renal (35-40%) Causas glomerulares Tubular (85% dos casos é NTA): isquemia (pode ser causada por pré-renal), toxinas (atb, contraste) Isquemia → perde a polaridade (joga Na fora e reabsorve K) → morte celular, apoptose → depois se regenera (geralmente se recupera 2-3 semanas com tto correto) NTA prolongada (>4 semanas com tto adequado): múltiplos insultos, NIA alérgicas, glomerulonefrites, vasculites, necrose cortical → pede biópsia. 5% dos pctes com NTA evoluem para cronificação Urina: Osmolaridade urinária baixa Na urinário alto FE Na >3% → melhor exame para diferenciar! Relação cr/ur normal ou baixa Sedimento urinário rico Interstício: NIA induzida por drogas (aine, atb - penicilina) ou pós-infeccioso (TB, pielonefrite) Vascular: oclusão TUT 6: Injúria renal aguda 14 Pós-renal (<5%) Obstrução baixa ou bilateral Aumento de pressão na bexiga O rim para de filtrar por causa da pressão aumentada Geralmente é mais insidioso Hiperplasia prostática Quadro clínico Assintomático/oligosintomático Sintomas da doença de base Oligúrica (maioria dos casos; <400ml) ou não-oligúrica ou anúrica Sinais de hipervolemia Sintomas de hipercalemia/acidose Uremia Diagnóstico Anamnese, exame físico, dosagem seriada de Cr, ureia e eletrólitos, sumário de urina, USG de vias urinárias (drc? hidronefrose?) Tratamento Identificar e tratar a causa Evitar drogas nefrotóxicas e suspender AINE, IECA, BRA Nutrição adequada Corrigir a volemia e evitar hipervolemia SF (não faz RL) TUT 6: Injúria renal aguda 15 Diurético (primeiro hidrata!) de alça. Se não funcionar, suspende. Corrigir distúrbios hidroeletrolítico e ácido-básicos Hipercalemia Acidose Indicações de diálise Hipervolemia, hipercalemia ou acidose refratárias Uremia sintomática (pericardite, sangramento tgi, encefalopatia, coma) Associada com intoxicação exógena (convulsão, taquiarritmia, metanol, lítio….medicamentos dializáveis) Prevenção da IRA Fator de risco: idoso, desidratação, hipotensão, DM, HAS, doença renal prévia Evitar agressão ao rim: AINE, atb nefrotóxicos, evitar contraste, diuréticos em excesso