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CONHECENDO OS PRINCIPAIS
SOLOS DE MATINHOS-PR
Abordagem construída com os
educadores da educação básica
Reitor
Zaki Akel Sobrinho
Diretor do Setor Litoral
Valdo José Cavallet
Coordenador do Projeto de Extensão Universitária Areia na Escola
Valentim da Silva
Vice Coordenadora do Projeto de Extensão Universitária Areia na Escola
Ângela Massumi Katuta
Universidade Federal do Paraná
Setor Litoral
Projeto de Extensão Universitária Areia na Escola
CONHECENDO OS PRINCIPAIS
SOLOS DE MATINHOS-PR
Abordagem construída com os
educadores da educação básica
Mediadores
Valentim da Silva
Maurício Cesar Vitória Fagundes
Matinhos – PR
2014
Copyright© 2014 - Universidade Federal do Paraná - Setor Litoral
Os conceitos e opiniões emitidos pelos autores dos capítulos são de 
responsabilidade dos mesmos. É permitida a reprodução parcial ou 
citação, desde que citada a fonte. É proibida a reprodução total desta obra 
sem a autorização prévia, e por escrito, dos respectivos autores.
ISBN: 978-85-63839-19-0
2014 – 1ª edição
Tiragem: 2.000 exemplares
Publicação impressa com recursos do PROEXT-MEC/SESU
Editoração realizada com o apoio do Instituto Paranaense de Assistência 
Técnica e Extensão Rural - EMATER
Foto capa: Rangel Angelotti
Capa: Marlene Suely Ribeiro Chaves
Editoração: José R. R. de Carvalho
iv
FICHA CATALOGRÁFICA
U 58 Universidade Federal do Paraná. Setor Litoral
 Conhecendo os principais solos de Matinhos :
 abordagem construída com os educadores da educação básica /
 Valentim da Silva, [et.al.].– Matinhos (PR) : UFPR, 2014.
 38 p. ; il. (Projeto Areia na Escola)
 ISBN 978-85-53839-19-0
 1. Solos – Estudo e ensino. 2. Solos – Paraná. I. Silva,
 Valentim. II. Fagundes, Mauricio César Vitória. III. Título 
 IV. Série.
 CDU 631.4
 CDD 631.4
AUTORES
Mediadores
Professor Dr. Valentim da Silva
Professor Dr. Maurício Cesar Vitória Fagundes
Colaboradores
Departamento de Solos e Engenharia Agrícola - Projeto Solo na Escola/UFPR
Professor Dr. Marcelo Ricardo de Lima
Professor Dr. Valmiqui Costa Lima
Setor Litoral/UFPR
Professora M.Sc. Andressa Kerecz Tavares
Colégio Estadual Gabriel de Lara
Professora Anisther Fabretti Bossoni Saikaly
Professora Vânia Barros de Th omazi
Colégio Estadual Mustafá Salomão
Professor Marcelo dos Santos Souza Taka
Colégio Estadual Sertãozinho
Professora Daniele Atab
Escola Estadual Abigail Santos Corrêa
Professor Rui Renostro
Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos
Professora Clarice Jenuária Garcia
Estudantes do Curso de Licenciatura em Ciências da UFPR- turma de 2010
 Aline Oswald Marcilene de Fátima Viana 
 Alzino José Maria Neto Maria Cristina Pagliarini
 Andrei da Costa Pacheco Marilene Motta Barbosa
 Dulcemirian da Luz Pereira Nashalle Luana Motta Andre
 Eliane Sarraff Nathalie Helena Coelho Damasceno
 Franciele Nascimento Lopes Priscila Kaule
 Francielle Cristina Torres Chaves Rennata de Souza Orrico de Azevedo 
 Glaucio Willian Fernandes Gonsalves Tiago dos Santos Dias
 Izabel Cristiane Jorge Umberto Sebastião Giacomoni
 Leonan Sanches Santos Wagner Sebastião De Camargo
 Madriani Venson de Souza Wilian Krinke
v
APRESENTAÇÃO
Este trabalho tem como intuito fomentar e ampliar o plu-
ralismo de ideias e de concepções pedagógicas na atuação da UFPR 
Litoral junto às Escolas Estaduais do município de Matinhos, em 
consonância com o Projeto Político Pedagógico (PPC) do Curso de 
Licenciatura em Ciências da UFPR Litoral, por meio dos fundamen-
tos teóricos práticos (FTP) nos módulos: Vivências de docência, 
relação Ciências e Sociedade e Prática de Ensino (LICIEN009) e 
Estágio Supervisionado IV (LICIEN010), os quais buscam a indis-
sociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão orientada para o 
desenvolvimento integral do ser humano.
Dentro desta proposição, resultado de um conjunto de 
ações realizadas entre educadores e educandos das diferentes es-
feras educacionais, priorizamos o que entendemos como nosso pa-
pel social, ou seja, a construção coletiva de saberes sobre o ensino 
de ciências e, ao mesmo tempo, ampliar a difusão desses saberes 
junto aos estudantes e professores da educação básica do litoral do 
Paraná. Freireanamente queremos construir “com” e não construir 
“para” os sujeitos, portanto faz-se fundamental o estabelecimento 
de ações conjuntas entre as Escolas Municipais e Estaduais da edu-
cação básica, a Universidade e as comunidades onde as referidas 
instituições estão localizadas. Entendemos que tais ações auxiliam 
no processo de desenvolvimento social e, portanto, não só podem 
como devem ser socializados os conhecimentos, ações e projetos 
voltados à sustentabilidade em âmbito local e regional.
Tendo como premissa uma concepção epistemológica 
fundada numa perspectiva emancipatória, que busca empoderar 
a todos participantes do processo, buscamos contemplar encami-
nhamentos metodológicos que promovam o estimulo à produção, 
registro, sistematização, divulgação e debate dos saberes (acadê-
vi
micos e populares) e, recursos didático-pedagógicos voltados à 
compreensão das múltiplas determinações que afetam o local e o 
regional. Dentro dessa perspectiva, construímos alguns caminhos 
para o entendimento do uso e ocupação do solo do município de 
Matinhos por meio da proposição de um eixo temático “Análise e 
produção de materiais didáticos para o ensino de ciências do solo”, 
resultando neste caderno temático: Conhecendo os Principais So-
los de Matinhos-PR.
Este caderno como material didático-pedagógico resul-
tou do trabalho desenvolvido ao longo do semestre, que teve como 
principais objetivos:
- Fundamentar epistemologicamente o ensino de ciências 
do solo, relacionando aos conceitos históricos, sociológicos e aos 
conteúdos científi cos escolares à construção do conhecimento e ao 
ensino aprendizagem de forma contextualizada;
- Investigar os fundamentos das teorias e de prática pe-
dagógica para o ensino de ciências do solo (abordagem problema-
tizadora, metodologia investigativa, pesquisa, leitura científi ca, 
atividades em grupo, observação, recursos de materiais didáticos, 
experimentos, entre outros);
- Propor fundamentos teóricos e práticos integrados com 
a análise e desenvolvimento de recursos didáticos para o ensino de 
ciências do solo;
- Estudar e analisar as tendências do ensino de ciências 
do solo (avaliação crítica, proposições de mudanças conceituais, 
aprendizagem signifi cativa, construção de mapas conceituais e ex-
perimentação para o ensino de ciências dos solos;
- Elaborar materiais didáticos adequados à realidade re-
gional litorânea para uso no ensino de ciências do solo.
- Relacionar conceitos interdisciplinares e contextuais 
com os conteúdos científi cos escolares e suas abordagens.
vii
Do diálogo destes objetivos, oriundos dos Parâmetros 
Curriculares Nacionais (PCNs), Diretrizes Curriculares Estaduais 
(DCE), Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do PPC do 
Curso de Licenciatura em Ciências com a realidade concreta das 
Escolas e com seus professores, chegamos às proposições concei-
tuais e experimentais que descrevemos ao longo deste texto. Tais 
proposições têm como fi nalidade subsidiar o trabalho pedagógico 
dos professores da rede, complementando e/ou sendo alternativa 
pedagógica às possíveis lacunas relacionadas ao tema, ao nível de 
contextualização local, apresentadas pelos atuais livros didáticos. 
viii
SUMÁRIO
1. POR QUE CLASSIFICAR OS SOLOS? _________________ 1
2. OS PRINCIPAIS SOLOS QUE OCORREM
 EM MATINHOS ___________________________________ 2
 2.1. NEOSSOLOS ___________________________________ 4
 2.2. ARGISSOLOS __________________________________ 6
 2.3. CAMBISSOLOS_________________________________ 8
 2.4. ESPODOSSOLOS ______________________________ 10
 2.5. GLEISSOLOS _________________________________ 12
 2.6. SEDIMENTOS ARENOSOS COSTEIROS ___________ 14
 2.7. AFLORAMENTOS ROCHOSOS ___________________ 14
3. SUGESTÕES PARA O PROFESSOR ABORDAR
 ESTE TEMA _____________________________________15
4. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA _____________________ 19
5. ANEXOS: SUGESTÕES DE PLANOS DE AULA E
 ROTEIROS DE ATIVIDADES EXPERIMENTAIS _______ 19
 5.1. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA:
 ASTRONOMIA: AS FASES DA LUA E A RELAÇÃO
 COM OS SOLOS ______________________________ 19
 5.1.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL ___ 21
 5.2. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: HORTA NA
 ESCOLA - ESPAÇOS EDUCACIONAIS
 SUSTENTÁVEIS ______________________________ 23
ix
 5.2.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL ___ 25
 5.3. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: A ORIGEM
 DO UNIVERSO E A RELAÇÃO COM A FORMAÇÃO
 DO SOLO ____________________________________ 29
 5.3.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL ___ 31
 5.4. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: ENSINO DE
 CIÊNCIAS DO SOLO E ASTRONOMIA –
 ABORDAGEM POLÍTICA E REFLEXIVA ___________ 35
x
CONHECENDO OS
PRINCIPAIS SOLOS
DE MATINHOS-PR
Abordagem construída com os
 educadores da educação básica
almiqui Costa Lima
Marcelo Ricardo de Lima
1. POR QUE CLASSIFICAR OS SOLOS?
Classifi car signifi ca agrupar segundo determinados cri-
térios, organizando e sistematizando o conhecimento existente a 
respeito do tema proposto. A importância de que os solos sejam 
classifi cados, são: a) conhecer quais são as limitações quanto ao uso 
e apropriação dos solos de uma região, município, estado ou país; 
b) possibilitar a troca de informações técnicas entre as pessoas que 
usam ou estudam os solos; e c) permitir predizer o comportamento 
dos solos.
Nos livros didáticos destinados à educação básica encon-
tram-se, com frequência, expressões simplistas e genéricas que não 
contemplam a região, e de forma não contextualizadas são apre-
sentados os conceitos, o que difi culta o trabalho do professor em 
dinamizar e interagir com esses saberes. 
Atualmente o Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos 
(SiBCS) (SANTOS et al., 2013) agrupa os solos em categorias se-
gundo propriedades em comum, com base nos processos de forma-
ção do solo, recebendo denominações próprias e condizentes com 
o estágio atual do conhecimento científi co. Em um primeiro nível 
1
categórico o SiBCS divide os solos brasileiros em 13 ordens.
Também é muito comum os solos do litoral do Paraná se-
rem conhecidos por denominações locais, sendo as mais utilizadas 
na linguagem coloquial: “terra de desmonte”, “terra de morro”, “sa-
bão de caboclo” , “terra argilosa” e “areião”, mas que não são abor-
dadas nos livros didáticos e no SiBCS.
Este conhecimento local provém de práticas exercidas 
pelas famílias e são transmitidas entre gerações, passando por 
alterações e adaptações, que determinam suas potencialidades e 
fragilidades, e é especifi co para cada local/município. Esse saber é 
denominado de conhecimento etnopedológico.
2. OS PRINCIPAIS SOLOS QUE OCORREM 
EM MATINHOS 
Muitas das ordens do SiBCS não são comuns no litoral do 
Paraná e consequentemente nem no município de Matinhos (Figu-
ra 1). No Quadro 1 são relacionadas as ordens, de forma resumida, 
de maior ocorrência no município, e é apresentada a classifi cação 
no SiBCS e a classifi cação etnopedológica correspondente, sendo 
destacados alguns conceitos básicos, além de algumas informações 
sobre a qualidade as e limitações quanto ao uso e apropriação do 
solos.
2
3
Quadro 1. Principais classes de solos encontradas no município de
Matinhos-PR.
 Classifi cação
 Etnopedológica1 SiBCS2
Solos jovens em início de formação. Apre-
sentam menores teores de argila nos ho-
rizontes, destacando-se a maior quanti-
dade de matéria orgânica no horizonte A. 
Possuem boa drenagem e são cobertos, 
esporadicamente, pelas cheias dos rios da 
região.
O termo “terra argilosa” refere-se ao maior 
teor de argila, embora sejam solos jovens, 
em estágio inicial de formação nas áreas 
aplainadas do litoral próximo à Serra do 
Mar. As cores variam entre marrom-aver-
melhada-amarelada. Apresentam a carac-
terística de reterem água em períodos de 
estiagem. 
Solos com acumulação de argila no hori-
zonte B. Em geral, são solos “fracos” com 
baixa quantidade de nutrientes para plan-
tas. Sua coloração pode variar entre “preta” 
a “avermelhada”. A textura é descrita por 
agricultores como “meio argilosa, meio 
arenosa”. Geralmente está localizado em 
uma encosta íngreme.
Glei é um termo russo, signifi ca “massa 
pastosa”. Solos com cores acinzentada
e/ou “esbranquiçada”. Encontram-se per-
manentemente ou periodicamente com ex-
cesso de água e ocorrem em áreas planas. 
Solos muito arenosos com acúmulo de ma-
téria orgânica e compostos de ferro e alu-
mínio no horizonte B. São solos predomi-
nantes na área costeira litorânea, em áreas 
aplainadas, mais próximas do mar.
1 Tavares, ( 2012). 2SiBCS: Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos (SANTOS et al., 2013)
Terra de desmonte
Terra argilosa
Terra de morro
Sabão de caboclo
Areião
Principais atributos
Neossolos
Flúvicos
Cambissolos
Flúvicos
Argissolos
Cambissolos
Gleissolos
Espodossolos
Figura 1. Solos do município de Matinhos (adaptado de Bhering & Santos, 2008)
2.1. NEOSSOLOS
São solos em estado inicial de formação, apresentando, 
mais comumente, apenas horizonte A sobre o horizonte C ou sobre 
a rocha de origem (horizonte R) (Figura 2).
Os Neossolos Litólicos são rasos (até 50 cm de espessu-
ra) e os Neossolos Regolíticos são, em geral, pouco profundos (50 
a 100 cm de espessura), e ocorrem predominantemente nas áreas 
mais declivosas das serras e morros que circundam o município de 
Matinhos.
ESPODOSSOLOS
CAMBISSOLOS E
CAMBISSOLOS
FLÚVICOS
ARGISSOLOS
AFLORAMENTO
DE ROCHA E
NEOSSOLOS
LITÓLICOS
4
Figura 2. Perfi l de Neossolo Litólico no Morro do Boi no município de Matinhos (PR).
Foto: Valentim da Silva
Os Neossolos Litólicos e Regolíticos são encontrados em 
todo o território paranaense, porém com pouca incidência em Mati-
nhos. Possuem um relevo declivoso, pouca espessura e presença de pe-
dras. Estes solos estão localizados principalmente nas regiões mon-
tanhosas do Morro do Boi e do Parque Nacional Saint Hilaire-Lange,
no município de Matinhos. Recomenda-se que esses solos sejam re-
servados para preservação da fl ora e fauna, quando apresentarem 
relevos inclinados, pois apresentam áreas extremamente frágeis.
Outro tipo são os Neossolos Flúvicos (Figura 3), que ocor-
rem nas margens dos rios, e que os agricultores conhecem como 
“terra de desmonte”. Possuem menos argila e são mais soltos e fá-
ceis de preparar, sendo muito utilizados para plantio de espécies 
tuberosas e de raiz. Porém, como estão próximos dos rios, o seu 
uso deve ocorrer com muito cuidado para não prejudicar os cursos 
d’água e evitar erosão e assoreamento dos rios. Além disso, os Ne-
ossolos Flúvicos também estão sujeitos a inundações dos rios nos 
períodos de chuvas muito fortes.
5
Figura 3. Paisagem de ocorrência de Neossolo Flúvico próximo a um rio no litoral para-
naense. Foto: Andressa Kerecz Tavares.
2.2. ARGISSOLOS
Os Argissolos apresentam acúmulo de argila no horizonte 
B, ou seja, o horizonte mais superfi cial do solo (horizonte A) possui 
mais areia que o horizonte subsuperfi cial (horizonte B) (Figura 4). 
São utilizados para uso agrícola, principalmente por agricultores 
familiares que residem na Colônia Pereira e Maria Luiza.
Além disso, apresentam reduzida capacidade de reter 
nutrientes para as plantas no horizonte A. Normalmente ocupam 
relevos moderadamente declivosos (Figura 5). São solos bastante 
susceptíveis à erosão, principalmente em relevos mais declivosos. 
6
Figura 4. Perfi l de Argissolo na Serra da Prata de Matinhos. Foto: Valentim da Silva e 
Francisco Amaro.
Figura 5. Paisagem de ocorrência de Argissolo na Serra da Prata de Matinhos. Foto: 
Valentim da Silva e Francisco Amaro.
7
2.3. CAMBISSOLOS
São solos geralmente pouco profundos (50 a 100 cm) e 
que apresentam horizonte B ainda em estágio inicial de formação 
(Figura 6). O potencial de cultivo agrícola é bastante variável, po-
dendo ser alto ou baixo, dependendo da rocha de origem e do clima. 
Ocorrem principalmentenas regiões montanhosas, relevos mais 
acidentados do município de Matinhos. São um pouco mais pro-
fundos que os Neossolos Litólicos e Neossolos Regolíticos, compa-
rativamente, porém em relevos inclinados são muito susceptíveis à 
erosão, o que facilita o assoreamento dos rios. Essa situação é agra-
vada quando, juntamente com o solo, são levados resíduos urbanos 
(lixo) e outros produtos, principalmente os químicos, que irão con-
taminar rios e lagos. Recomenda-se que essas áreas declivosas, e 
com solos menos profundos devam ser destinadas à preservação da 
fauna e fl ora. Ressalta-se que ocupações urbanas neste tipo de solo 
representam problemas sanitários e de deslizamento, em decorrên-
cia do relevo e/ou reduzida profundidade do solo.
Contudo há os Cambissolos Flúvicos, que ocorrem em 
relevos mais aplainados, sem excesso de água, principalmente ao 
longo da rodovia Alexandra-Matinhos (Figura 1), e que são solos 
argilosos mais favoráveis às atividades agrícolas e ocupação urbana 
(Figuras 6 e 7).
8
Figura 6. Perfi l de Cambissolo em relevo plano no litoral paranaense. Foto: Andressa 
Kerecz Tavares.
Figura 7. Paisagem de ocorrência de Cambissolo em relevo plano no litoral paranaense. 
Foto: Andressa Kerecz Tavares.
9
2.4. ESPODOSSOLOS
Os Espodossolos são solos muito arenosos, com acúmulo 
de matéria orgânica e/ou óxidos de ferro no horizonte B (Figura 8). 
Normalmente entre o horizonte A e o horizonte B há um horizonte 
muito claro, chamado horizonte E. 
Em alguns casos, o horizonte B pode ser duro e pouco 
permeável à água, popularmente conhecido como “piçarra”. 
Estes solos ocorrem predominantemente em relevo plano 
ou praticamente plano, representando apenas 0,5% do território 
paranaense. São encontrados somente na planície litorânea do es-
tado, e é o tipo predominantemente de solo do município de Mati-
nhos. Devido a grande quantidade de areia e alta permeabilidade, 
esses solos tem grande restrição para o uso agrícola. 
Principalmente nos casos que ocorre a “piçarra” esses so-
los apresentam lençol freático muito próximo a superfície, o que 
favorece a contaminação com poluentes provindos de resíduos 
urbanos (lixo) e outro poluentes urbanos e/ou industriais. Essas 
condições específi cas tornam esses solos extremamente frágeis 
e devem ser considerados apenas para a preservação da fauna e 
fl ora. No litoral do Paraná muitas das áreas de Espodossolos são 
ocupadas por unidades de conservação (parques, estações ecológi-
cas, etc.), embora outras sejam muito utilizadas para loteamentos. 
Grande parte do Parque Estadual do Rio da Onça, em Matinhos, é 
caracterizada pela existência de Espodossolos.
10
Figura 8. Perfi l de Espodossolo no litoral paranaense. Nota-se a existência de um 
horizonte E que perdeu matéria orgânica, e um horizonte B que acumulou matéria 
orgânica fi cando escuro. Foto: Valentim da Silva e Francisco Amaro.
Figura 9. Paisagem de ocorrência de Espodossolos no litoral paranaense. Foto: Valen-
tim da Silva e Francisco Amaro. 
11
2.5. GLEISSOLOS
Esses solos apresentam horizonte de subsuperfície (B ou 
C) de cor acinzentada (“esbranquiçada”), denominado horizonte 
glei (termo russo que signifi ca massa pastosa) ( ANJOS et al., 2012) 
(Figura 10). São predominantes em apenas 1% do território para-
naense, sendo que em Matinhos encontram-se principalmente nas 
regiões planas ou abaciadas (várzeas e banhados dos rios) (Figura 
11), nas quais há excesso de água. Ainda, dentro deste quadro se 
enquadram as áreas de manguezais do litoral. Por estarem localiza-
dos próximos aos rios e lagos, geralmente apresentam-se saturados 
por água, o que acaba facilitando a contaminação da água subterrâ-
nea com compostos provenientes de resíduos urbanos e/ou indus-
triais. A utilização urbana desses solos é desaconselhada, por apre-
sentarem excesso de água e serem sujeitos à inundação. Quando 
ocupados necessitam serem drenados (retirada do excesso de água) 
por meio de valetas ou canais. Essas características demonstram 
alta fragilidade ambiental, sendo que as leis ambientais vigentes 
passaram a proteger grande parte desses solos, transformando-os 
em áreas de preservação ambiental. 
12
Figura 10. Perfi l de Gleissolo no litoral paranaense, no qual se destaca o horizonte C de 
cor acinzentada na base do perfi l. Foto: Andressa Kerecz Tavares.
Figura 11. Paisagem de ocorrência de Gleissolo em relevo aplainado no litoral parana-
ense. Foto: Andressa Kerecz Tavares.
13
2.6. SEDIMENTOS ARENOSOS COSTEIROS
As areias que o mar deposita na beira da praia, e dunas 
carregadas pelos ventos não são consideradas solos, mas são sedi-
mentos que podem formar solos.
A vegetação de restinga, que ocorre no litoral de Mati-
nhos, pode contribuir para que estes sedimentos formem solos, 
pois acrescentam matéria orgânica, que vai ajudar a juntar as par-
tículas de areia, e começar a formar um horizonte A (Figura 12).
Figura 12. Sedimentos arenosos da praia de Caiobá em Matinhos, sobre os quais come-
ça a se estabelecer vegetação de restinga que contribuirá para a futura formação do solo. 
Foto: Valentim da Silva.
2.7. AFLORAMENTOS ROCHOSOS
Ao redor do município de Matinhos há muitas áreas nas 
quais se observam afl oramentos rochosos (Figura 13). Em geral são 
áreas muito declivosas, nas quais o material que é formado pela 
transformação da rocha logo é perdido, não permitindo a formação 
do solo. No entanto, muito próximo a estas áreas de afl oramento 
rochoso há solos rasos (Neossolos Litólicos) ou pouco profundos 
14
(Neossolos Regolíticos ou Cambissolos), que são muito frágeis e 
podem facilmente se degradar, principalmente em função da per-
da da vegetação pelos desmatamentos ou pela abertura de trilhas 
nestas matas.
Figura 13. Afl oramento rochoso no Morro do Boi no município de Matinhos (PR). Foto: 
Valentim da Silva.
3. SUGESTÕES DIDÁTICAS PARA
ABORDAR ESTE TEMA
As sugestões de abordagens temáticas a seguir estão pau-
tadas em eixos de saberes que dialogam com as DCE, PCN (inclui 
os temas transversais), PNLD e o PPC do curso de Licenciatura em 
Ciências da UFPR Litoral.
Astronomia e a relação com o solo local: De acordo 
com as proposições para o ensino de Ciências, a Astronomia tem 
um papel importante no Ensino Fundamental, pois é uma das ciên-
cias de referência para os conhecimentos sobre a dinâmica dos cor-
15
pos celestes. Além disso, os fenômenos celestes podem despertar 
grande interesse dos estudantes por meio de relações com o movi-
mento aparente do Sol, as fases da Lua, as estações do ano, e nesse 
sentido relacionar com as dinâmicas de movimentos das marés, e 
a formação dos solos de manguezais e de restinga, e os demais so-
los encontrados na região do litoral do Paraná. Este eixo temático 
possibilita estudos e discussões sobre a origem e a evolução do Uni-
verso e a sua relação como ambiente local. Ainda, sugere-se que a 
abordagem seja via problematização das políticas públicas existen-
tes ou proposições de novas, sobre o uso e ocupação dos solos e as 
suas dinâmicas, visando à construção da melhor qualidade de vida 
que afeta a população.
Horta na escola: espaços educacionais sustentáveis. 
Essa atividade busca integrar áreas do conhecimento de forma 
contextualizada (saberes escolares e populares) com os diferentes 
espaços da escola e do seu entorno, numa dimensão educacional 
para além da sala de aula e da própria escola. Essa dinâmica pres-
supõe a superação dos currículos disciplinares fragmentados por 
meio da construção dos saberes nas situações de ensino, possibi-
litando uma visão dialética entre o global e o local. Deste modo o 
desenvolvimento via projeto potencializam a discussão, decisão e 
encaminhamentos conjuntos com outras disciplinas (ciências, ma-
temática, geografi a, história, língua portuguesa, língua inglesa, 
etc.), com atribuição de responsabilidades, possibilitando superar 
o fracionamento do saber, por terem que se articular na efetivação 
para a construção do espaço coletivo.Dessa forma, os envolvidos 
no processo educacional trabalham em e no conjunto, despertan-
do, estimulando e possibilitando a construção de conhecimentos 
sobre as questões de convivência humana e do ambiente local (uso 
e ocupação do solo). Nesse processo ainda, os estudantes deixam de 
serem sujeitos passivos, receptivos de informações pré-elaboradas 
16
e passam a ser protagonistas, atores na construção do conhecimen-
to de forma comprometida, refl exiva e crítica para com os saberes e 
as suas interações com o ambiente. 
Pluralidade cultural e o ensino da ciência solo: Abor-
dar a pluralidade cultural no ambiente escolar e relacioná-la com 
temas próximos a realidade contribui para uma aprendizagem sig-
nifi cativa e contextualizada. No ambiente escolar é possível abor-
dar o tema solo sob diferentes óticas, desde como alicerce para a so-
brevivência dos seres vivos no planeta até para as diferentes formas 
de ser e estar nas suas inúmeras representatividades culturais. No 
surgimento da civilização teve papel fundamental, pois o homem 
deixou de ser nômade e instalou-se sobre solos férteis, consequen-
temente possibilitando os diferentes arranjos de vilarejos que fo-
ram os embriões para futuras sociedades mais complexas. A cultura 
brasileira foi se constituindo sob diversas infl uências de povos e et-
nias (indígenas, africana, asiática, europeia). O estudo dessa temá-
tica possibilita verifi car as diferentes representações culturais, nas 
formas de agricultura, artesanato, alimentação, pinturas corporais, 
artes, etc. Por uma ótica local podemos destacar o saber sobre solos 
dos agricultores do litoral do Paraná citado nesta cartilha, e outros 
conhecimentos que o povo do litoral paranaense tem sobre este re-
curso, sugerindo-se averiguar entre os alunos o conhecimento que 
eles têm sobre o tema e as diferentes possibilidades de uso e ocupa-
ção do solo no litoral do Paraná.
17
4. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
ANJOS, L.H.C.; JACOMINE, P.K.; SANTOS, H.G.; OLIVEIRA, V.A.; 
OLIVEIRA, J.B. Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos. In: 
KER, J.C. CURI, N.; SHAEFER, C.E.G.R.; VIDAL-TORRADO, P. 
(Eds.). Pedologia: fundamentos. Viçosa, Sociedade Brasileira de 
Ciências do Solo, 2012. p. 303-304.
BHERING, S.B.; SANTOS, H.G. (Eds.). Mapa de solos do estado do 
Paraná: legenda atualizada. Rio de Janeiro: Embrapa Florestas, 
Embrapa Solos, Instituto Agronômico do Paraná, 2008. 74 p.
LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. O solo no meio ambiente: 
abordagem para professores do ensino fundamental e médio 
e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do 
Paraná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007. 
130 p. 
SANTOS, H.G. et al. Sistema brasileiro de classifi cação de solos. 3. 
ed. Brasília, Embrapa, 2013. 353 p.
TAVARES, A.K. Caracterização etnopedológica de terras agrícolas 
com agricultores familiares dos municípios de Antonina e 
Morretes–PR. Curitiba, 2012. 61 f. Dissertação (Mestrado em 
Ciência do Solo) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 
2012.
18
5. ANEXOS: SUGESTÕES DE PLANOS DE 
AULA E ROTEIROS DE ATIVIDADES
EXPERIMENTAIS
5.1. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA:
ASTRONOMIA: AS FASES DA LUA E A
RELAÇÃO COM OS SOLOS
I. Dados de Identifi cação:
Professor (a): 
Disciplina:
Turma:
Período:
II. Tema: Astronomia: as fases da lua e a relação com o 
solo
III. Objetivos: 
Objetivo geral:
Desenvolver conceitos sobre as fases da lua e a sua re-
lação com os solos de Matinhos, com os estudantes de ciências 
do 7° ano.
Objetivos específi cos: 
  Relacionar conceitos sobre as fases da lua e a infl uência
 sobre as marés;
  Verifi car a infl uência das marés e a relação com os man-
 guezais;
  Apresentar os principais tipos de solo local;
19
 Identifi car alguns fatores de formação de solo por 
meio de experimento prático.
 Problematizar com os estudantes os diferentes olha-
res a respeito da temática proposta.
IV. Conteúdo
 fases da lua;
  marés;
  solo, principalmente os de manguezais e de restinga;
  características principais sobre a formação do solo;
 solo local e saberes locais.
V. Desenvolvimento do tema:
Aula expositiva e dialogada.
VI. Recursos didáticos:
Data-show, Quadro negro, notebook; Mapa.
VII. Avaliação: 
Proposta de atividade baseada nos objetivos gerais e especí-
fi cos 
VIII. Referências:
LIMA, V. C. O solo no ambiente urbano. In: LIMA, V.C.; LIMA,
 M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambiente: aborda-
 gem para professores do ensino fundamental e médio e alu-
 nos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Pa-
 raná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007.
 130 p.
LIMA, M.R. Experimentoteca de solos: coleção de cores de so-
 los (Colorteca). Curitiba, Universidade Federal do Paraná,
 Projeto Solo na Escola, 2005. Acesso em: 08 de março de
 2013. Disponível em:
 http://www.escola.agrarias.ufpr.brarquivospdf/experimen
 totecasolos9.pdf 
20
5.1.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE
EXPERIMENTAL
Tema: Astronomia e a relação com o solo local
Título/Assunto do experimento: Verifi car a diferença de perme-
abilidade entre dois tipos de solos
Público alvo: Estudantes do ensino fundamental
Objetivo: Identifi car a diferença da permeabilidade entre dois ti-
pos de solos.
Material: No Quadro 2 segue a descrição dos materiais utilizados 
e as devidas quantidades para o desenvolvimento do experimento.
Quadro 2. Relação de materiais a serem utilizados no experimento.
Nº Descrição Quantidade
1 Amostras de dois tipos diferentes de solos 500 g
2 Funis (recorte de bocas de garrafas pet 2 L) 2
3 Filtros de papel 2
4 Recipientes graduados de 300 ml (copo graduado) 3 de 100 mL
5 Relógio 1
6 Copos de 300 mL 2
Água –
Descrição do Procedimento Experimental: 
 Coletar e identifi car duas amostras de solo (de locais
 distintos);
 Montar o aparato experimental (Figura 14); 
 Acomode os fi ltros de papel no funil;
 Coloque os solos no funil com o copo de 300 mL, 
21
 Coloque os solos no funil com o copo de 300 mL,
 bem cheio, após adicione 100 mL de água na proveta e 
 vagarosamente derrame sobre os solos do funil;
 Observe e anote os tempos no Quadro 3. 
 Repita o mesmo procedimento com a outra amostra.
Figura 14. Aparato do experimento. Foto dos autores.
Quadro 3. Preenchimento de dados do experimento
Horizonte
Quantidade de água na proveta (mL)
Tempo inicial 5 min 10 min 15 min 20 min Tempo fi nal
Solo 1
Solo 2
Referências:
SANTANA, O. A.; FIGUEIREDO NETO, A. F. Ciências naturais 6º
 ano. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. 
TRIVELLATO, J.; TRIVELLATO, S.; MOTOKANE, M.; FOSCHI-
 NI, J. L.; KANTOR, C. Ciências Naturais 6º ano. São Paulo: Sa-
 raiva, 2006.
22
5.2. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA:
HORTA NA ESCOLA - ESPAÇOS
EDUCACIONAIS SUSTENTÁVEIS 
I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:
1. Instituição: 
2. Endereço: 
3. Curso: 
4. Módulo(s)/Disciplina: CH total: h/a
5. Professores responsáveis: 
6. Turma: 
7. Semestre/Ano: 
II - CONTEÚDO:
  Tipos de solo;
  Constituição de solo;
  Compostagem orgânica;
  Horta na escola como espaço educacional
 sustentável.
III - OBJETIVOS DO FTP
Objetivo geral:
Problematizar a temática solo, suas caracterizações e 
possibilidades como espaço educacional sustentável aos estu-
dantes do 6º ano, por meio da realidade local, na qual a esco-
la está inserida e os conhecimentos necessários sobre o solo e 
suas relações
Objetivos específi cos:
  Propor atividades que auxiliem a conhecer os diferen-
 tes tipos de solos;
23
  Construir com os estudantes conhecimentos ou reco-
 nhecimentos sobre compostagens e seus manuseios;
  Pesquisar conhecimentos sobre o solo local, os compos-
 tos e a construção do canteiro;
  Observar e manusear o solo para perceber sua textu-
 ra.
 DATA DESCRIÇÃO DA(S) ATIVIDADE(S) PREVISTA(S) RESPONSÁVEIS
 Construção do canteiro da Horta na Escola;
 Problematização da Horta na Escola como
 espaço educacional sustentável e pesquisa
 sobre o tema solo e compostagem.IV - METODOLOGIA:
A aula será desenvolvida de forma expositiva, dialo-
gada e por meio de um experimento prático que consistirá na 
construção de uma horta na escola, conforme descrito no ane-
xo item 6.1.1. 
 TÉCNICAS RECURSOS
 Garrafas de PET com areia
 Compostagem vegetal e
 Construção da Horta vermicomposto
 na escola Húmus
 Ferramentas (pá e enxada)
 Compostagem
 (esterco de cavalo curtido)
V – AVALIAÇÃO
Dialogar com os estudantes buscando perceber suas 
aprendizagens adquiridas por meio do desenvolvimento da 
horta, especifi camente sobre solo, compostagens e a constru-
ção do canteiro.
24
VI – REFERÊNCIAS
LIMA, V. C. O solo no ambiente urbano. In: LIMA, V.C.; LIMA,
 M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambiente: aborda-
 gem para professores do ensino fundamental e médio e alu-
 nos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Pa-
 raná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007.
 130 p.
AMARO, F. Conheça a Eisenia: Deixe as Eisenias transforma-
 rem os resíduos vegetais da sua casa em adubo. Matinhos: F.
 Amaro Composto e Vermicomposto, 2010.
5.2.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE
EXPERIMENTAL
Título/Assunto do experimento: Horta na escola
Temas relacionados: ensino de ciências do solo
Resumo: Esta atividade experimental tem como proposta envol-
ver os alunos num contato direto com o solo em que vivem para 
poderem observar, analisar, despertar olhares ao ambiente local, 
para que possam compreender como é a formação desse solo, sua 
fertilidade e a necessidade de sua preservação. Avaliar também a 
necessidade de conhecer o manuseio para a elaboração de um can-
teiro com material decomposto na formação da horta.
Palavras-chave: solo, compostagem orgânica, horta.
Público alvo: Estudantes do ensino fundamental
Prática Experimental: 
25
Objetivo: proporcionar aos alunos o contato com o solo para fo-
mentar aprendizados posteriores através da horta.
Material: No Quadro 4 segue a descrição dos materiais utilizados 
e as devidas quantidades para o desenvolvimento do experimento.
Quadro 4. Relação de materiais a serem utilizados no experimento.
Nº Descrição Quantidade
1 Garrafas PET de 2 L 40
2 Compostagem vegetal e vermicomposto 40 kg
3 Matéria orgânica decomposta 30 kg
4 Compostagem (esterco de cavalo curtido) 25 kg
5 Ferramentas (pá e/ou enxada) 1
Descrição do Procedimento Experimental: Canteiro com 1,20 
x 0,80 m
  Preparar o espaço da horta no solo para montar o can-
 teiro;
  Abrir uma vala de 15 cm de profundidade ao redor da
 área do canteiro;
  Encher as garrafas (pet de 2 L) com a areia e colocar de
 boca para baixo, fi rmando-as na vala (Figura 15);
  No espaço do canteiro, retire os vestígios de raízes e fo-
 lhas, que poderão ser usados para fazer composto;
  Espalhe aproximadamente 25 kg de compostagem
 vegetal e vermicomposto, fazendo uma camada unifor-
 me cobrindo o solo (1ª camada); repita o procedimento
 com 25 kg de esterco de cavalo curtido (2ª camada) (Fi-
 gura 17); 30 kg de matéria orgânica decomposta (3ª ca-
 mada) (Figura 17) e fi nalize com 25 kg de composta-
 gem vegetal e vermicomposto (4ª camada).
26
Figura 15: Determinando a área do canteiro com as garrafas de PET 2 L cheias de areia 
e com a boca para baixo. Foto dos autores.
Figura 16: Camada de compostagem (esterco de cavalo curtido). Foto dos autores.
27
Figura 17: Camada de matéria orgânica decomposta. Foto dos autores.
Referências:
LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambien-
 te: abordagem para professores do ensino fundamental e mé-
 dio e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal
 do Paraná, Departamento de solos e Engenharia Agrícola,
 2007, 130 p. 
AMARO, F. Conheça a Eisenia: Deixe as Eisenias transformarem os
 resíduos vegetais da sua casa em adubo. Matinhos: F. Amaro
 Composto e Vermicomposto, 2010.
28
5.3. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: A 
ORIGEM DO UNIVERSO E A RELAÇÃO 
COM A FORMAÇÃO DO SOLO 
I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:
1. Instituição: 
2. Endereço: 
3. Curso: 
4. Módulo(s)/Disciplina: CH total: h/a
5. Professores responsáveis: 
6. Turma: 
7. Semestre/Ano: 
II - CONTEÚDO:
  Origem do universo;
  Partículas elementares (prótons e elétrons);
  Átomos e formação de elementos químicos;
  Formação das galáxias e o sistema solar;
  Formação dos planetas e das rochas;
  Solos e os tipos de solos de Matinhos.
III - OBJETIVOS DO FTP
Objetivo geral:
Discutir conceitos que possibilitem a refl exão sobre a 
origem do universo e a sua relação com a formação dos solos, 
com os estudantes de ciências do 8° ano.
Objetivos específi cos:
  Abordar conceitos sobre a origem do universo, das
 galáxias, formação dos planetas, elementos químicos;
29
  Relacionar o surgimento do planeta terra com a for-
 mação de rochas e dos solos;
  Desenvolver conceitos de solos com os estudantes
 abordando as principais características quanto a com-
 posição dos solos;
  Identifi car e localizar os principais tipos de solo exis-
 tentes no município de Matinhos;
  Ressaltar a importância do uso e ocupação do solo
 para o ser humano e a necessidade de cuidar desse
 recurso natural.
IV - METODOLOGIA:
Por meio da pesquisa e diálogos, será construída uma 
linha do tempo que abordará a estrutura do planeta Terra, par-
tindo de sua constituição interna até a formação do solo. Du-
rante a execução dessa temática será desenvolvido junto com os 
estudantes um experimento prático, para entender o processo 
de permeabilização do solo e seus impactos com o meio am-
biente e as relações com os diferentes tipos solos.
 TÉCNICAS RECURSOS
 Quadro, giz, retroprojetor, mapa, 
Pesquisa, aula expositiva garrafa pet, fi ltro de papel, água,
dialogada e experimentos folhas de papel sulfi te, caneta,
 copo graduado, espátula, tesoura,
 solo, rochas e vídeos.
 DATA DESCRIÇÃO DA(S) ATIVIDADE(S) PREVISTA(S) RESPONSÁVEIS
 Pesquisar para construir uma
 abordagem geral sobre o tema
 Universo (linha do tempo)
 Formação das rochas,
 do solo e tipos de solo
 Experimento (permeabilização)
30
V – AVALIAÇÃO
Critérios: Refl exão com os estudantes sobre o tema abordado 
a fi m de perceber as apreensões e relações construídas.
VI – REFERÊNCIAS
LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio am-
 biente: abordagem para professores do ensino fundamental
 e médio e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade
 Federal do Paraná, Departamento de Solos e Engenharia
 Agrícola, 2007, 130 p.
ROCHA, J.C.; ROSA, A.H.; CARDOSO, A.A. Introdução à quí-
 mica ambiental. Porto Alegre: Bookman, 2004.
LUCHESE, E.B.; FAVERO, L.O.B.; LENZI, E. Fundamentos da
 química do solo. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos,
 2002.
5.3.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE
EXPERIMENTAL
Ficha para identifi cação do experimento
Título/Assunto do experimento: Deslizamento de terra
Disciplina/área: Ciências do solo
Temas relacionados: Deslizamento em área de risco
Resumo: Este experimento, em escala reduzida, auxilia no enten-
dimento dos fenômenos de deslizamentos que ocorreram em mar-
ço de 2011 no litoral do Paraná.
Palavras-chave: Deslizamento; chuvas; fenômeno natural.
31
Público alvo: Alunos do ensino fundamental e professores.
Prática Experimental: Deslizamento de terra.
Objetivo: Perceber a ação do acúmulo das chuvas em solo propício 
ao deslizamento.
Material: No Quadro 5 segue a descrição dos materiais utilizados 
e as devidas quantidades para o desenvolvimento do experimento.
Quadro 5. Relação de materiais a serem utilizados no experimento.
Nº Descrição Quantidade
1 Caixa (plástica ou aquário) 1
2 Mangueira de chuveiro 1
3 Garrafa de PET 1
4 Solo 3 kg
5 Material que simule casas (por exemplo caixas de 
fósforos)
Descrição do Procedimento Experimental: Canteiro com 1,20 
x 0,80 m
  Insira a terra na caixa, forme um barranco (Figura 18);
  Encha a garrafa de PET com água e adapte a mangueira
 de chuveiro (Figura 19);
  Para simulara a chuva,abra o pino da ponta da manguei-
 ra;
  Jogue a água por trás do barranco feito na caixa transpa-
 rente para simular o deslizamento (Figura 20).
  Anote suas conclusões e desenvolva a refl exão om o gru-
 po.
32
Figura 18: Solo na caixa simulando uma paisagem declivosa. Foto dos autores.
Figura 19: Adaptação da mangueira de chuveiro na garrafa PET. Foto dos autores
33
Figura 20: Simulação do efeito da chuva na encosta. Foto dos autores.
Referências:
LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambi-
 ente: abordagem para professores do ensino fundamental
 e médio e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade
 Federal do Paraná, Departamento de Solos e Engenharia
 Agrícola, 2007, 130 p.
ROCHA, J.C.; ROSA, A.H.; CARDOSO, A.A. Introdução à química
 ambiental. Porto Alegre: Bookman, 2004.
LUCHESE, E.B.; FAVERO, L.O.B.; LENZI, E. Fundamentos da
 química do solo. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2002..
34
5.4. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA:
ENSINO DE CIÊNCIAS DO SOLO E
ASTRONOMIA – ABORDAGEM POLÍTICA
E REFLEXIVA 
I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO:
1. Instituição: 
2. Endereço: 
3. Curso: 
4. Módulo(s)/Disciplina: Ensino de ciências do solo CH total:
 h/a
5. Professores responsáveis: 
6. Turma: 
7. Semestre/Ano: 
II - CONTEÚDO:
  Astronomia;
  Sol;
  Fotossíntese;
  Principal solo de Matinhos;
  Políticas de preservação do solo;
  Políticas públicas;
  Enchentes periódicas em Matinhos;
  Deslizamentos de terra no litoral paranaense;
  Preservação do solo local;
  Experimento de deslizamento do solo
IV - OBJETIVO DO FTP
Objetivo geral:
35
Problematizar o ensino de ciências do solo relacionan-
do astronomia de uma forma contextualizada com a realidade 
do aluno e que possibilite refl exões críticas sobre as políticas 
públicas envolvidas com as enchentes periódicas em Matinhos, 
com os fenômenos de deslizamentos no litoral do Paraná e a 
preservação do solo local.
Objetivos Específi cos:
  Relacionar o tema do bimestre nas escolas, Astrono- 
 mia, com a fotossíntese das plantas passando pelo
 objeto de estudo: sol.
  Contextualizar estudo da fotossíntese, os nutrientes
 de plantas e os elementos químicos presentes nos
 solos locais.
  Relacionar o solo local com o desenvolvimento das
 ciências do solo.
  Relacionar as ciências do solo com as políticas públi-
 cas envolvidas com as enchentes periódicas em Mati-
 nhos e os deslizamentos de terra no litoral do Paraná.
  Provocar a criticidade à refl exão sobre as políticas
 públicas, relacionando-as com a ciência do solo.
  Estimular a discussão sobre as políticas de preservação
 com o solo local.
V - METODOLOGIA:
A partir da Teoria da Aprendizagem Signifi cativa 
de David Paul Ausubel, e da Teoria de Equilíbrio de Piaget, 
será realizada a construção do conhecimento sobre ciên-
cias do solo e sua contextualização local de maneira que os 
alunos exponham suas opiniões e pressupostos para uma 
metodologia dialética em sala de aula, juntamente com o 
experimento prático de deslizamento do solo.
36
 
 TÉCNICAS RECURSOS
 Metodologia dialética Quadro negro
 Aprendizagem Slides em TV
 signifi cativa Anotações em caderno
 Trama conceitual Experimento de deslizamento
DATA DESCRIÇÃO DA(S) ATIVIDADE(S) PREVISTA(S) RESPONSÁVEIS
 Aula sobre ciências do solo
VI - AVALIAÇÃO:
A avaliação será feita a partir de anotações dos próprios 
alunos em seus cadernos, e de uma cruzadinha elaborada a par-
tir das palavras apresentadas na metodologia dialética produzida 
em sala de aula e com relação com o ambiente local em que o alu-
no está inserido.
VII – REFERÊNCIAS
TACCA, M.C.V.R; BRANCO, A.U. Processo de signifi cação na
 relação professor-aluno: uma perspectiva sociocultural cons- 
 trutivista. Estudos de Psicologia, v. 13, n.1, p. 39-48, 2008.
MORTIMER, E.F. Linguagem e formação de conceitos no ensino
 de ciências. Belo Horizonte: UFMG, 2000.
PIAGET, J. O desenvolvimento do pensamento de equilibração
 das estruturas cognitivas. Lisboa: Dom Quixote, 1975.
SILVA, E.N. Recreação na sala de aula de 5ª a 8ª série. 4. ed. Rio
 de Janeiro, Sprint, 2001.
FARIAS, M.; SALES, S; J.O.C.B; BRAGA, M.M.S.; FRANÇA,
 M.S.L.M. Didática e docência: aprendendo a profi ssão. Brasília:
 Liber Livro, 2009. 180 p.
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