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CONHECENDO OS PRINCIPAIS SOLOS DE MATINHOS-PR Abordagem construída com os educadores da educação básica Reitor Zaki Akel Sobrinho Diretor do Setor Litoral Valdo José Cavallet Coordenador do Projeto de Extensão Universitária Areia na Escola Valentim da Silva Vice Coordenadora do Projeto de Extensão Universitária Areia na Escola Ângela Massumi Katuta Universidade Federal do Paraná Setor Litoral Projeto de Extensão Universitária Areia na Escola CONHECENDO OS PRINCIPAIS SOLOS DE MATINHOS-PR Abordagem construída com os educadores da educação básica Mediadores Valentim da Silva Maurício Cesar Vitória Fagundes Matinhos – PR 2014 Copyright© 2014 - Universidade Federal do Paraná - Setor Litoral Os conceitos e opiniões emitidos pelos autores dos capítulos são de responsabilidade dos mesmos. É permitida a reprodução parcial ou citação, desde que citada a fonte. É proibida a reprodução total desta obra sem a autorização prévia, e por escrito, dos respectivos autores. ISBN: 978-85-63839-19-0 2014 – 1ª edição Tiragem: 2.000 exemplares Publicação impressa com recursos do PROEXT-MEC/SESU Editoração realizada com o apoio do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural - EMATER Foto capa: Rangel Angelotti Capa: Marlene Suely Ribeiro Chaves Editoração: José R. R. de Carvalho iv FICHA CATALOGRÁFICA U 58 Universidade Federal do Paraná. Setor Litoral Conhecendo os principais solos de Matinhos : abordagem construída com os educadores da educação básica / Valentim da Silva, [et.al.].– Matinhos (PR) : UFPR, 2014. 38 p. ; il. (Projeto Areia na Escola) ISBN 978-85-53839-19-0 1. Solos – Estudo e ensino. 2. Solos – Paraná. I. Silva, Valentim. II. Fagundes, Mauricio César Vitória. III. Título IV. Série. CDU 631.4 CDD 631.4 AUTORES Mediadores Professor Dr. Valentim da Silva Professor Dr. Maurício Cesar Vitória Fagundes Colaboradores Departamento de Solos e Engenharia Agrícola - Projeto Solo na Escola/UFPR Professor Dr. Marcelo Ricardo de Lima Professor Dr. Valmiqui Costa Lima Setor Litoral/UFPR Professora M.Sc. Andressa Kerecz Tavares Colégio Estadual Gabriel de Lara Professora Anisther Fabretti Bossoni Saikaly Professora Vânia Barros de Th omazi Colégio Estadual Mustafá Salomão Professor Marcelo dos Santos Souza Taka Colégio Estadual Sertãozinho Professora Daniele Atab Escola Estadual Abigail Santos Corrêa Professor Rui Renostro Colégio Estadual Professora Tereza da Silva Ramos Professora Clarice Jenuária Garcia Estudantes do Curso de Licenciatura em Ciências da UFPR- turma de 2010 Aline Oswald Marcilene de Fátima Viana Alzino José Maria Neto Maria Cristina Pagliarini Andrei da Costa Pacheco Marilene Motta Barbosa Dulcemirian da Luz Pereira Nashalle Luana Motta Andre Eliane Sarraff Nathalie Helena Coelho Damasceno Franciele Nascimento Lopes Priscila Kaule Francielle Cristina Torres Chaves Rennata de Souza Orrico de Azevedo Glaucio Willian Fernandes Gonsalves Tiago dos Santos Dias Izabel Cristiane Jorge Umberto Sebastião Giacomoni Leonan Sanches Santos Wagner Sebastião De Camargo Madriani Venson de Souza Wilian Krinke v APRESENTAÇÃO Este trabalho tem como intuito fomentar e ampliar o plu- ralismo de ideias e de concepções pedagógicas na atuação da UFPR Litoral junto às Escolas Estaduais do município de Matinhos, em consonância com o Projeto Político Pedagógico (PPC) do Curso de Licenciatura em Ciências da UFPR Litoral, por meio dos fundamen- tos teóricos práticos (FTP) nos módulos: Vivências de docência, relação Ciências e Sociedade e Prática de Ensino (LICIEN009) e Estágio Supervisionado IV (LICIEN010), os quais buscam a indis- sociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão orientada para o desenvolvimento integral do ser humano. Dentro desta proposição, resultado de um conjunto de ações realizadas entre educadores e educandos das diferentes es- feras educacionais, priorizamos o que entendemos como nosso pa- pel social, ou seja, a construção coletiva de saberes sobre o ensino de ciências e, ao mesmo tempo, ampliar a difusão desses saberes junto aos estudantes e professores da educação básica do litoral do Paraná. Freireanamente queremos construir “com” e não construir “para” os sujeitos, portanto faz-se fundamental o estabelecimento de ações conjuntas entre as Escolas Municipais e Estaduais da edu- cação básica, a Universidade e as comunidades onde as referidas instituições estão localizadas. Entendemos que tais ações auxiliam no processo de desenvolvimento social e, portanto, não só podem como devem ser socializados os conhecimentos, ações e projetos voltados à sustentabilidade em âmbito local e regional. Tendo como premissa uma concepção epistemológica fundada numa perspectiva emancipatória, que busca empoderar a todos participantes do processo, buscamos contemplar encami- nhamentos metodológicos que promovam o estimulo à produção, registro, sistematização, divulgação e debate dos saberes (acadê- vi micos e populares) e, recursos didático-pedagógicos voltados à compreensão das múltiplas determinações que afetam o local e o regional. Dentro dessa perspectiva, construímos alguns caminhos para o entendimento do uso e ocupação do solo do município de Matinhos por meio da proposição de um eixo temático “Análise e produção de materiais didáticos para o ensino de ciências do solo”, resultando neste caderno temático: Conhecendo os Principais So- los de Matinhos-PR. Este caderno como material didático-pedagógico resul- tou do trabalho desenvolvido ao longo do semestre, que teve como principais objetivos: - Fundamentar epistemologicamente o ensino de ciências do solo, relacionando aos conceitos históricos, sociológicos e aos conteúdos científi cos escolares à construção do conhecimento e ao ensino aprendizagem de forma contextualizada; - Investigar os fundamentos das teorias e de prática pe- dagógica para o ensino de ciências do solo (abordagem problema- tizadora, metodologia investigativa, pesquisa, leitura científi ca, atividades em grupo, observação, recursos de materiais didáticos, experimentos, entre outros); - Propor fundamentos teóricos e práticos integrados com a análise e desenvolvimento de recursos didáticos para o ensino de ciências do solo; - Estudar e analisar as tendências do ensino de ciências do solo (avaliação crítica, proposições de mudanças conceituais, aprendizagem signifi cativa, construção de mapas conceituais e ex- perimentação para o ensino de ciências dos solos; - Elaborar materiais didáticos adequados à realidade re- gional litorânea para uso no ensino de ciências do solo. - Relacionar conceitos interdisciplinares e contextuais com os conteúdos científi cos escolares e suas abordagens. vii Do diálogo destes objetivos, oriundos dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs), Diretrizes Curriculares Estaduais (DCE), Programa Nacional do Livro Didático (PNLD) e do PPC do Curso de Licenciatura em Ciências com a realidade concreta das Escolas e com seus professores, chegamos às proposições concei- tuais e experimentais que descrevemos ao longo deste texto. Tais proposições têm como fi nalidade subsidiar o trabalho pedagógico dos professores da rede, complementando e/ou sendo alternativa pedagógica às possíveis lacunas relacionadas ao tema, ao nível de contextualização local, apresentadas pelos atuais livros didáticos. viii SUMÁRIO 1. POR QUE CLASSIFICAR OS SOLOS? _________________ 1 2. OS PRINCIPAIS SOLOS QUE OCORREM EM MATINHOS ___________________________________ 2 2.1. NEOSSOLOS ___________________________________ 4 2.2. ARGISSOLOS __________________________________ 6 2.3. CAMBISSOLOS_________________________________ 8 2.4. ESPODOSSOLOS ______________________________ 10 2.5. GLEISSOLOS _________________________________ 12 2.6. SEDIMENTOS ARENOSOS COSTEIROS ___________ 14 2.7. AFLORAMENTOS ROCHOSOS ___________________ 14 3. SUGESTÕES PARA O PROFESSOR ABORDAR ESTE TEMA _____________________________________15 4. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA _____________________ 19 5. ANEXOS: SUGESTÕES DE PLANOS DE AULA E ROTEIROS DE ATIVIDADES EXPERIMENTAIS _______ 19 5.1. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: ASTRONOMIA: AS FASES DA LUA E A RELAÇÃO COM OS SOLOS ______________________________ 19 5.1.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL ___ 21 5.2. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: HORTA NA ESCOLA - ESPAÇOS EDUCACIONAIS SUSTENTÁVEIS ______________________________ 23 ix 5.2.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL ___ 25 5.3. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: A ORIGEM DO UNIVERSO E A RELAÇÃO COM A FORMAÇÃO DO SOLO ____________________________________ 29 5.3.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL ___ 31 5.4. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: ENSINO DE CIÊNCIAS DO SOLO E ASTRONOMIA – ABORDAGEM POLÍTICA E REFLEXIVA ___________ 35 x CONHECENDO OS PRINCIPAIS SOLOS DE MATINHOS-PR Abordagem construída com os educadores da educação básica almiqui Costa Lima Marcelo Ricardo de Lima 1. POR QUE CLASSIFICAR OS SOLOS? Classifi car signifi ca agrupar segundo determinados cri- térios, organizando e sistematizando o conhecimento existente a respeito do tema proposto. A importância de que os solos sejam classifi cados, são: a) conhecer quais são as limitações quanto ao uso e apropriação dos solos de uma região, município, estado ou país; b) possibilitar a troca de informações técnicas entre as pessoas que usam ou estudam os solos; e c) permitir predizer o comportamento dos solos. Nos livros didáticos destinados à educação básica encon- tram-se, com frequência, expressões simplistas e genéricas que não contemplam a região, e de forma não contextualizadas são apre- sentados os conceitos, o que difi culta o trabalho do professor em dinamizar e interagir com esses saberes. Atualmente o Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos (SiBCS) (SANTOS et al., 2013) agrupa os solos em categorias se- gundo propriedades em comum, com base nos processos de forma- ção do solo, recebendo denominações próprias e condizentes com o estágio atual do conhecimento científi co. Em um primeiro nível 1 categórico o SiBCS divide os solos brasileiros em 13 ordens. Também é muito comum os solos do litoral do Paraná se- rem conhecidos por denominações locais, sendo as mais utilizadas na linguagem coloquial: “terra de desmonte”, “terra de morro”, “sa- bão de caboclo” , “terra argilosa” e “areião”, mas que não são abor- dadas nos livros didáticos e no SiBCS. Este conhecimento local provém de práticas exercidas pelas famílias e são transmitidas entre gerações, passando por alterações e adaptações, que determinam suas potencialidades e fragilidades, e é especifi co para cada local/município. Esse saber é denominado de conhecimento etnopedológico. 2. OS PRINCIPAIS SOLOS QUE OCORREM EM MATINHOS Muitas das ordens do SiBCS não são comuns no litoral do Paraná e consequentemente nem no município de Matinhos (Figu- ra 1). No Quadro 1 são relacionadas as ordens, de forma resumida, de maior ocorrência no município, e é apresentada a classifi cação no SiBCS e a classifi cação etnopedológica correspondente, sendo destacados alguns conceitos básicos, além de algumas informações sobre a qualidade as e limitações quanto ao uso e apropriação do solos. 2 3 Quadro 1. Principais classes de solos encontradas no município de Matinhos-PR. Classifi cação Etnopedológica1 SiBCS2 Solos jovens em início de formação. Apre- sentam menores teores de argila nos ho- rizontes, destacando-se a maior quanti- dade de matéria orgânica no horizonte A. Possuem boa drenagem e são cobertos, esporadicamente, pelas cheias dos rios da região. O termo “terra argilosa” refere-se ao maior teor de argila, embora sejam solos jovens, em estágio inicial de formação nas áreas aplainadas do litoral próximo à Serra do Mar. As cores variam entre marrom-aver- melhada-amarelada. Apresentam a carac- terística de reterem água em períodos de estiagem. Solos com acumulação de argila no hori- zonte B. Em geral, são solos “fracos” com baixa quantidade de nutrientes para plan- tas. Sua coloração pode variar entre “preta” a “avermelhada”. A textura é descrita por agricultores como “meio argilosa, meio arenosa”. Geralmente está localizado em uma encosta íngreme. Glei é um termo russo, signifi ca “massa pastosa”. Solos com cores acinzentada e/ou “esbranquiçada”. Encontram-se per- manentemente ou periodicamente com ex- cesso de água e ocorrem em áreas planas. Solos muito arenosos com acúmulo de ma- téria orgânica e compostos de ferro e alu- mínio no horizonte B. São solos predomi- nantes na área costeira litorânea, em áreas aplainadas, mais próximas do mar. 1 Tavares, ( 2012). 2SiBCS: Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos (SANTOS et al., 2013) Terra de desmonte Terra argilosa Terra de morro Sabão de caboclo Areião Principais atributos Neossolos Flúvicos Cambissolos Flúvicos Argissolos Cambissolos Gleissolos Espodossolos Figura 1. Solos do município de Matinhos (adaptado de Bhering & Santos, 2008) 2.1. NEOSSOLOS São solos em estado inicial de formação, apresentando, mais comumente, apenas horizonte A sobre o horizonte C ou sobre a rocha de origem (horizonte R) (Figura 2). Os Neossolos Litólicos são rasos (até 50 cm de espessu- ra) e os Neossolos Regolíticos são, em geral, pouco profundos (50 a 100 cm de espessura), e ocorrem predominantemente nas áreas mais declivosas das serras e morros que circundam o município de Matinhos. ESPODOSSOLOS CAMBISSOLOS E CAMBISSOLOS FLÚVICOS ARGISSOLOS AFLORAMENTO DE ROCHA E NEOSSOLOS LITÓLICOS 4 Figura 2. Perfi l de Neossolo Litólico no Morro do Boi no município de Matinhos (PR). Foto: Valentim da Silva Os Neossolos Litólicos e Regolíticos são encontrados em todo o território paranaense, porém com pouca incidência em Mati- nhos. Possuem um relevo declivoso, pouca espessura e presença de pe- dras. Estes solos estão localizados principalmente nas regiões mon- tanhosas do Morro do Boi e do Parque Nacional Saint Hilaire-Lange, no município de Matinhos. Recomenda-se que esses solos sejam re- servados para preservação da fl ora e fauna, quando apresentarem relevos inclinados, pois apresentam áreas extremamente frágeis. Outro tipo são os Neossolos Flúvicos (Figura 3), que ocor- rem nas margens dos rios, e que os agricultores conhecem como “terra de desmonte”. Possuem menos argila e são mais soltos e fá- ceis de preparar, sendo muito utilizados para plantio de espécies tuberosas e de raiz. Porém, como estão próximos dos rios, o seu uso deve ocorrer com muito cuidado para não prejudicar os cursos d’água e evitar erosão e assoreamento dos rios. Além disso, os Ne- ossolos Flúvicos também estão sujeitos a inundações dos rios nos períodos de chuvas muito fortes. 5 Figura 3. Paisagem de ocorrência de Neossolo Flúvico próximo a um rio no litoral para- naense. Foto: Andressa Kerecz Tavares. 2.2. ARGISSOLOS Os Argissolos apresentam acúmulo de argila no horizonte B, ou seja, o horizonte mais superfi cial do solo (horizonte A) possui mais areia que o horizonte subsuperfi cial (horizonte B) (Figura 4). São utilizados para uso agrícola, principalmente por agricultores familiares que residem na Colônia Pereira e Maria Luiza. Além disso, apresentam reduzida capacidade de reter nutrientes para as plantas no horizonte A. Normalmente ocupam relevos moderadamente declivosos (Figura 5). São solos bastante susceptíveis à erosão, principalmente em relevos mais declivosos. 6 Figura 4. Perfi l de Argissolo na Serra da Prata de Matinhos. Foto: Valentim da Silva e Francisco Amaro. Figura 5. Paisagem de ocorrência de Argissolo na Serra da Prata de Matinhos. Foto: Valentim da Silva e Francisco Amaro. 7 2.3. CAMBISSOLOS São solos geralmente pouco profundos (50 a 100 cm) e que apresentam horizonte B ainda em estágio inicial de formação (Figura 6). O potencial de cultivo agrícola é bastante variável, po- dendo ser alto ou baixo, dependendo da rocha de origem e do clima. Ocorrem principalmentenas regiões montanhosas, relevos mais acidentados do município de Matinhos. São um pouco mais pro- fundos que os Neossolos Litólicos e Neossolos Regolíticos, compa- rativamente, porém em relevos inclinados são muito susceptíveis à erosão, o que facilita o assoreamento dos rios. Essa situação é agra- vada quando, juntamente com o solo, são levados resíduos urbanos (lixo) e outros produtos, principalmente os químicos, que irão con- taminar rios e lagos. Recomenda-se que essas áreas declivosas, e com solos menos profundos devam ser destinadas à preservação da fauna e fl ora. Ressalta-se que ocupações urbanas neste tipo de solo representam problemas sanitários e de deslizamento, em decorrên- cia do relevo e/ou reduzida profundidade do solo. Contudo há os Cambissolos Flúvicos, que ocorrem em relevos mais aplainados, sem excesso de água, principalmente ao longo da rodovia Alexandra-Matinhos (Figura 1), e que são solos argilosos mais favoráveis às atividades agrícolas e ocupação urbana (Figuras 6 e 7). 8 Figura 6. Perfi l de Cambissolo em relevo plano no litoral paranaense. Foto: Andressa Kerecz Tavares. Figura 7. Paisagem de ocorrência de Cambissolo em relevo plano no litoral paranaense. Foto: Andressa Kerecz Tavares. 9 2.4. ESPODOSSOLOS Os Espodossolos são solos muito arenosos, com acúmulo de matéria orgânica e/ou óxidos de ferro no horizonte B (Figura 8). Normalmente entre o horizonte A e o horizonte B há um horizonte muito claro, chamado horizonte E. Em alguns casos, o horizonte B pode ser duro e pouco permeável à água, popularmente conhecido como “piçarra”. Estes solos ocorrem predominantemente em relevo plano ou praticamente plano, representando apenas 0,5% do território paranaense. São encontrados somente na planície litorânea do es- tado, e é o tipo predominantemente de solo do município de Mati- nhos. Devido a grande quantidade de areia e alta permeabilidade, esses solos tem grande restrição para o uso agrícola. Principalmente nos casos que ocorre a “piçarra” esses so- los apresentam lençol freático muito próximo a superfície, o que favorece a contaminação com poluentes provindos de resíduos urbanos (lixo) e outro poluentes urbanos e/ou industriais. Essas condições específi cas tornam esses solos extremamente frágeis e devem ser considerados apenas para a preservação da fauna e fl ora. No litoral do Paraná muitas das áreas de Espodossolos são ocupadas por unidades de conservação (parques, estações ecológi- cas, etc.), embora outras sejam muito utilizadas para loteamentos. Grande parte do Parque Estadual do Rio da Onça, em Matinhos, é caracterizada pela existência de Espodossolos. 10 Figura 8. Perfi l de Espodossolo no litoral paranaense. Nota-se a existência de um horizonte E que perdeu matéria orgânica, e um horizonte B que acumulou matéria orgânica fi cando escuro. Foto: Valentim da Silva e Francisco Amaro. Figura 9. Paisagem de ocorrência de Espodossolos no litoral paranaense. Foto: Valen- tim da Silva e Francisco Amaro. 11 2.5. GLEISSOLOS Esses solos apresentam horizonte de subsuperfície (B ou C) de cor acinzentada (“esbranquiçada”), denominado horizonte glei (termo russo que signifi ca massa pastosa) ( ANJOS et al., 2012) (Figura 10). São predominantes em apenas 1% do território para- naense, sendo que em Matinhos encontram-se principalmente nas regiões planas ou abaciadas (várzeas e banhados dos rios) (Figura 11), nas quais há excesso de água. Ainda, dentro deste quadro se enquadram as áreas de manguezais do litoral. Por estarem localiza- dos próximos aos rios e lagos, geralmente apresentam-se saturados por água, o que acaba facilitando a contaminação da água subterrâ- nea com compostos provenientes de resíduos urbanos e/ou indus- triais. A utilização urbana desses solos é desaconselhada, por apre- sentarem excesso de água e serem sujeitos à inundação. Quando ocupados necessitam serem drenados (retirada do excesso de água) por meio de valetas ou canais. Essas características demonstram alta fragilidade ambiental, sendo que as leis ambientais vigentes passaram a proteger grande parte desses solos, transformando-os em áreas de preservação ambiental. 12 Figura 10. Perfi l de Gleissolo no litoral paranaense, no qual se destaca o horizonte C de cor acinzentada na base do perfi l. Foto: Andressa Kerecz Tavares. Figura 11. Paisagem de ocorrência de Gleissolo em relevo aplainado no litoral parana- ense. Foto: Andressa Kerecz Tavares. 13 2.6. SEDIMENTOS ARENOSOS COSTEIROS As areias que o mar deposita na beira da praia, e dunas carregadas pelos ventos não são consideradas solos, mas são sedi- mentos que podem formar solos. A vegetação de restinga, que ocorre no litoral de Mati- nhos, pode contribuir para que estes sedimentos formem solos, pois acrescentam matéria orgânica, que vai ajudar a juntar as par- tículas de areia, e começar a formar um horizonte A (Figura 12). Figura 12. Sedimentos arenosos da praia de Caiobá em Matinhos, sobre os quais come- ça a se estabelecer vegetação de restinga que contribuirá para a futura formação do solo. Foto: Valentim da Silva. 2.7. AFLORAMENTOS ROCHOSOS Ao redor do município de Matinhos há muitas áreas nas quais se observam afl oramentos rochosos (Figura 13). Em geral são áreas muito declivosas, nas quais o material que é formado pela transformação da rocha logo é perdido, não permitindo a formação do solo. No entanto, muito próximo a estas áreas de afl oramento rochoso há solos rasos (Neossolos Litólicos) ou pouco profundos 14 (Neossolos Regolíticos ou Cambissolos), que são muito frágeis e podem facilmente se degradar, principalmente em função da per- da da vegetação pelos desmatamentos ou pela abertura de trilhas nestas matas. Figura 13. Afl oramento rochoso no Morro do Boi no município de Matinhos (PR). Foto: Valentim da Silva. 3. SUGESTÕES DIDÁTICAS PARA ABORDAR ESTE TEMA As sugestões de abordagens temáticas a seguir estão pau- tadas em eixos de saberes que dialogam com as DCE, PCN (inclui os temas transversais), PNLD e o PPC do curso de Licenciatura em Ciências da UFPR Litoral. Astronomia e a relação com o solo local: De acordo com as proposições para o ensino de Ciências, a Astronomia tem um papel importante no Ensino Fundamental, pois é uma das ciên- cias de referência para os conhecimentos sobre a dinâmica dos cor- 15 pos celestes. Além disso, os fenômenos celestes podem despertar grande interesse dos estudantes por meio de relações com o movi- mento aparente do Sol, as fases da Lua, as estações do ano, e nesse sentido relacionar com as dinâmicas de movimentos das marés, e a formação dos solos de manguezais e de restinga, e os demais so- los encontrados na região do litoral do Paraná. Este eixo temático possibilita estudos e discussões sobre a origem e a evolução do Uni- verso e a sua relação como ambiente local. Ainda, sugere-se que a abordagem seja via problematização das políticas públicas existen- tes ou proposições de novas, sobre o uso e ocupação dos solos e as suas dinâmicas, visando à construção da melhor qualidade de vida que afeta a população. Horta na escola: espaços educacionais sustentáveis. Essa atividade busca integrar áreas do conhecimento de forma contextualizada (saberes escolares e populares) com os diferentes espaços da escola e do seu entorno, numa dimensão educacional para além da sala de aula e da própria escola. Essa dinâmica pres- supõe a superação dos currículos disciplinares fragmentados por meio da construção dos saberes nas situações de ensino, possibi- litando uma visão dialética entre o global e o local. Deste modo o desenvolvimento via projeto potencializam a discussão, decisão e encaminhamentos conjuntos com outras disciplinas (ciências, ma- temática, geografi a, história, língua portuguesa, língua inglesa, etc.), com atribuição de responsabilidades, possibilitando superar o fracionamento do saber, por terem que se articular na efetivação para a construção do espaço coletivo.Dessa forma, os envolvidos no processo educacional trabalham em e no conjunto, despertan- do, estimulando e possibilitando a construção de conhecimentos sobre as questões de convivência humana e do ambiente local (uso e ocupação do solo). Nesse processo ainda, os estudantes deixam de serem sujeitos passivos, receptivos de informações pré-elaboradas 16 e passam a ser protagonistas, atores na construção do conhecimen- to de forma comprometida, refl exiva e crítica para com os saberes e as suas interações com o ambiente. Pluralidade cultural e o ensino da ciência solo: Abor- dar a pluralidade cultural no ambiente escolar e relacioná-la com temas próximos a realidade contribui para uma aprendizagem sig- nifi cativa e contextualizada. No ambiente escolar é possível abor- dar o tema solo sob diferentes óticas, desde como alicerce para a so- brevivência dos seres vivos no planeta até para as diferentes formas de ser e estar nas suas inúmeras representatividades culturais. No surgimento da civilização teve papel fundamental, pois o homem deixou de ser nômade e instalou-se sobre solos férteis, consequen- temente possibilitando os diferentes arranjos de vilarejos que fo- ram os embriões para futuras sociedades mais complexas. A cultura brasileira foi se constituindo sob diversas infl uências de povos e et- nias (indígenas, africana, asiática, europeia). O estudo dessa temá- tica possibilita verifi car as diferentes representações culturais, nas formas de agricultura, artesanato, alimentação, pinturas corporais, artes, etc. Por uma ótica local podemos destacar o saber sobre solos dos agricultores do litoral do Paraná citado nesta cartilha, e outros conhecimentos que o povo do litoral paranaense tem sobre este re- curso, sugerindo-se averiguar entre os alunos o conhecimento que eles têm sobre o tema e as diferentes possibilidades de uso e ocupa- ção do solo no litoral do Paraná. 17 4. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA ANJOS, L.H.C.; JACOMINE, P.K.; SANTOS, H.G.; OLIVEIRA, V.A.; OLIVEIRA, J.B. Sistema Brasileiro de Classifi cação de Solos. In: KER, J.C. CURI, N.; SHAEFER, C.E.G.R.; VIDAL-TORRADO, P. (Eds.). Pedologia: fundamentos. Viçosa, Sociedade Brasileira de Ciências do Solo, 2012. p. 303-304. BHERING, S.B.; SANTOS, H.G. (Eds.). Mapa de solos do estado do Paraná: legenda atualizada. Rio de Janeiro: Embrapa Florestas, Embrapa Solos, Instituto Agronômico do Paraná, 2008. 74 p. LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. O solo no meio ambiente: abordagem para professores do ensino fundamental e médio e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007. 130 p. SANTOS, H.G. et al. Sistema brasileiro de classifi cação de solos. 3. ed. Brasília, Embrapa, 2013. 353 p. TAVARES, A.K. Caracterização etnopedológica de terras agrícolas com agricultores familiares dos municípios de Antonina e Morretes–PR. Curitiba, 2012. 61 f. Dissertação (Mestrado em Ciência do Solo) – Universidade Federal do Paraná, Curitiba, 2012. 18 5. ANEXOS: SUGESTÕES DE PLANOS DE AULA E ROTEIROS DE ATIVIDADES EXPERIMENTAIS 5.1. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: ASTRONOMIA: AS FASES DA LUA E A RELAÇÃO COM OS SOLOS I. Dados de Identifi cação: Professor (a): Disciplina: Turma: Período: II. Tema: Astronomia: as fases da lua e a relação com o solo III. Objetivos: Objetivo geral: Desenvolver conceitos sobre as fases da lua e a sua re- lação com os solos de Matinhos, com os estudantes de ciências do 7° ano. Objetivos específi cos: Relacionar conceitos sobre as fases da lua e a infl uência sobre as marés; Verifi car a infl uência das marés e a relação com os man- guezais; Apresentar os principais tipos de solo local; 19 Identifi car alguns fatores de formação de solo por meio de experimento prático. Problematizar com os estudantes os diferentes olha- res a respeito da temática proposta. IV. Conteúdo fases da lua; marés; solo, principalmente os de manguezais e de restinga; características principais sobre a formação do solo; solo local e saberes locais. V. Desenvolvimento do tema: Aula expositiva e dialogada. VI. Recursos didáticos: Data-show, Quadro negro, notebook; Mapa. VII. Avaliação: Proposta de atividade baseada nos objetivos gerais e especí- fi cos VIII. Referências: LIMA, V. C. O solo no ambiente urbano. In: LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambiente: aborda- gem para professores do ensino fundamental e médio e alu- nos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Pa- raná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007. 130 p. LIMA, M.R. Experimentoteca de solos: coleção de cores de so- los (Colorteca). Curitiba, Universidade Federal do Paraná, Projeto Solo na Escola, 2005. Acesso em: 08 de março de 2013. Disponível em: http://www.escola.agrarias.ufpr.brarquivospdf/experimen totecasolos9.pdf 20 5.1.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL Tema: Astronomia e a relação com o solo local Título/Assunto do experimento: Verifi car a diferença de perme- abilidade entre dois tipos de solos Público alvo: Estudantes do ensino fundamental Objetivo: Identifi car a diferença da permeabilidade entre dois ti- pos de solos. Material: No Quadro 2 segue a descrição dos materiais utilizados e as devidas quantidades para o desenvolvimento do experimento. Quadro 2. Relação de materiais a serem utilizados no experimento. Nº Descrição Quantidade 1 Amostras de dois tipos diferentes de solos 500 g 2 Funis (recorte de bocas de garrafas pet 2 L) 2 3 Filtros de papel 2 4 Recipientes graduados de 300 ml (copo graduado) 3 de 100 mL 5 Relógio 1 6 Copos de 300 mL 2 Água – Descrição do Procedimento Experimental: Coletar e identifi car duas amostras de solo (de locais distintos); Montar o aparato experimental (Figura 14); Acomode os fi ltros de papel no funil; Coloque os solos no funil com o copo de 300 mL, 21 Coloque os solos no funil com o copo de 300 mL, bem cheio, após adicione 100 mL de água na proveta e vagarosamente derrame sobre os solos do funil; Observe e anote os tempos no Quadro 3. Repita o mesmo procedimento com a outra amostra. Figura 14. Aparato do experimento. Foto dos autores. Quadro 3. Preenchimento de dados do experimento Horizonte Quantidade de água na proveta (mL) Tempo inicial 5 min 10 min 15 min 20 min Tempo fi nal Solo 1 Solo 2 Referências: SANTANA, O. A.; FIGUEIREDO NETO, A. F. Ciências naturais 6º ano. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. TRIVELLATO, J.; TRIVELLATO, S.; MOTOKANE, M.; FOSCHI- NI, J. L.; KANTOR, C. Ciências Naturais 6º ano. São Paulo: Sa- raiva, 2006. 22 5.2. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: HORTA NA ESCOLA - ESPAÇOS EDUCACIONAIS SUSTENTÁVEIS I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: 1. Instituição: 2. Endereço: 3. Curso: 4. Módulo(s)/Disciplina: CH total: h/a 5. Professores responsáveis: 6. Turma: 7. Semestre/Ano: II - CONTEÚDO: Tipos de solo; Constituição de solo; Compostagem orgânica; Horta na escola como espaço educacional sustentável. III - OBJETIVOS DO FTP Objetivo geral: Problematizar a temática solo, suas caracterizações e possibilidades como espaço educacional sustentável aos estu- dantes do 6º ano, por meio da realidade local, na qual a esco- la está inserida e os conhecimentos necessários sobre o solo e suas relações Objetivos específi cos: Propor atividades que auxiliem a conhecer os diferen- tes tipos de solos; 23 Construir com os estudantes conhecimentos ou reco- nhecimentos sobre compostagens e seus manuseios; Pesquisar conhecimentos sobre o solo local, os compos- tos e a construção do canteiro; Observar e manusear o solo para perceber sua textu- ra. DATA DESCRIÇÃO DA(S) ATIVIDADE(S) PREVISTA(S) RESPONSÁVEIS Construção do canteiro da Horta na Escola; Problematização da Horta na Escola como espaço educacional sustentável e pesquisa sobre o tema solo e compostagem.IV - METODOLOGIA: A aula será desenvolvida de forma expositiva, dialo- gada e por meio de um experimento prático que consistirá na construção de uma horta na escola, conforme descrito no ane- xo item 6.1.1. TÉCNICAS RECURSOS Garrafas de PET com areia Compostagem vegetal e Construção da Horta vermicomposto na escola Húmus Ferramentas (pá e enxada) Compostagem (esterco de cavalo curtido) V – AVALIAÇÃO Dialogar com os estudantes buscando perceber suas aprendizagens adquiridas por meio do desenvolvimento da horta, especifi camente sobre solo, compostagens e a constru- ção do canteiro. 24 VI – REFERÊNCIAS LIMA, V. C. O solo no ambiente urbano. In: LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambiente: aborda- gem para professores do ensino fundamental e médio e alu- nos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Pa- raná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007. 130 p. AMARO, F. Conheça a Eisenia: Deixe as Eisenias transforma- rem os resíduos vegetais da sua casa em adubo. Matinhos: F. Amaro Composto e Vermicomposto, 2010. 5.2.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL Título/Assunto do experimento: Horta na escola Temas relacionados: ensino de ciências do solo Resumo: Esta atividade experimental tem como proposta envol- ver os alunos num contato direto com o solo em que vivem para poderem observar, analisar, despertar olhares ao ambiente local, para que possam compreender como é a formação desse solo, sua fertilidade e a necessidade de sua preservação. Avaliar também a necessidade de conhecer o manuseio para a elaboração de um can- teiro com material decomposto na formação da horta. Palavras-chave: solo, compostagem orgânica, horta. Público alvo: Estudantes do ensino fundamental Prática Experimental: 25 Objetivo: proporcionar aos alunos o contato com o solo para fo- mentar aprendizados posteriores através da horta. Material: No Quadro 4 segue a descrição dos materiais utilizados e as devidas quantidades para o desenvolvimento do experimento. Quadro 4. Relação de materiais a serem utilizados no experimento. Nº Descrição Quantidade 1 Garrafas PET de 2 L 40 2 Compostagem vegetal e vermicomposto 40 kg 3 Matéria orgânica decomposta 30 kg 4 Compostagem (esterco de cavalo curtido) 25 kg 5 Ferramentas (pá e/ou enxada) 1 Descrição do Procedimento Experimental: Canteiro com 1,20 x 0,80 m Preparar o espaço da horta no solo para montar o can- teiro; Abrir uma vala de 15 cm de profundidade ao redor da área do canteiro; Encher as garrafas (pet de 2 L) com a areia e colocar de boca para baixo, fi rmando-as na vala (Figura 15); No espaço do canteiro, retire os vestígios de raízes e fo- lhas, que poderão ser usados para fazer composto; Espalhe aproximadamente 25 kg de compostagem vegetal e vermicomposto, fazendo uma camada unifor- me cobrindo o solo (1ª camada); repita o procedimento com 25 kg de esterco de cavalo curtido (2ª camada) (Fi- gura 17); 30 kg de matéria orgânica decomposta (3ª ca- mada) (Figura 17) e fi nalize com 25 kg de composta- gem vegetal e vermicomposto (4ª camada). 26 Figura 15: Determinando a área do canteiro com as garrafas de PET 2 L cheias de areia e com a boca para baixo. Foto dos autores. Figura 16: Camada de compostagem (esterco de cavalo curtido). Foto dos autores. 27 Figura 17: Camada de matéria orgânica decomposta. Foto dos autores. Referências: LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambien- te: abordagem para professores do ensino fundamental e mé- dio e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, Departamento de solos e Engenharia Agrícola, 2007, 130 p. AMARO, F. Conheça a Eisenia: Deixe as Eisenias transformarem os resíduos vegetais da sua casa em adubo. Matinhos: F. Amaro Composto e Vermicomposto, 2010. 28 5.3. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: A ORIGEM DO UNIVERSO E A RELAÇÃO COM A FORMAÇÃO DO SOLO I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: 1. Instituição: 2. Endereço: 3. Curso: 4. Módulo(s)/Disciplina: CH total: h/a 5. Professores responsáveis: 6. Turma: 7. Semestre/Ano: II - CONTEÚDO: Origem do universo; Partículas elementares (prótons e elétrons); Átomos e formação de elementos químicos; Formação das galáxias e o sistema solar; Formação dos planetas e das rochas; Solos e os tipos de solos de Matinhos. III - OBJETIVOS DO FTP Objetivo geral: Discutir conceitos que possibilitem a refl exão sobre a origem do universo e a sua relação com a formação dos solos, com os estudantes de ciências do 8° ano. Objetivos específi cos: Abordar conceitos sobre a origem do universo, das galáxias, formação dos planetas, elementos químicos; 29 Relacionar o surgimento do planeta terra com a for- mação de rochas e dos solos; Desenvolver conceitos de solos com os estudantes abordando as principais características quanto a com- posição dos solos; Identifi car e localizar os principais tipos de solo exis- tentes no município de Matinhos; Ressaltar a importância do uso e ocupação do solo para o ser humano e a necessidade de cuidar desse recurso natural. IV - METODOLOGIA: Por meio da pesquisa e diálogos, será construída uma linha do tempo que abordará a estrutura do planeta Terra, par- tindo de sua constituição interna até a formação do solo. Du- rante a execução dessa temática será desenvolvido junto com os estudantes um experimento prático, para entender o processo de permeabilização do solo e seus impactos com o meio am- biente e as relações com os diferentes tipos solos. TÉCNICAS RECURSOS Quadro, giz, retroprojetor, mapa, Pesquisa, aula expositiva garrafa pet, fi ltro de papel, água, dialogada e experimentos folhas de papel sulfi te, caneta, copo graduado, espátula, tesoura, solo, rochas e vídeos. DATA DESCRIÇÃO DA(S) ATIVIDADE(S) PREVISTA(S) RESPONSÁVEIS Pesquisar para construir uma abordagem geral sobre o tema Universo (linha do tempo) Formação das rochas, do solo e tipos de solo Experimento (permeabilização) 30 V – AVALIAÇÃO Critérios: Refl exão com os estudantes sobre o tema abordado a fi m de perceber as apreensões e relações construídas. VI – REFERÊNCIAS LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio am- biente: abordagem para professores do ensino fundamental e médio e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007, 130 p. ROCHA, J.C.; ROSA, A.H.; CARDOSO, A.A. Introdução à quí- mica ambiental. Porto Alegre: Bookman, 2004. LUCHESE, E.B.; FAVERO, L.O.B.; LENZI, E. Fundamentos da química do solo. Rio de Janeiro: Editora Freitas Bastos, 2002. 5.3.1. ROTEIRO DE ATIVIDADE EXPERIMENTAL Ficha para identifi cação do experimento Título/Assunto do experimento: Deslizamento de terra Disciplina/área: Ciências do solo Temas relacionados: Deslizamento em área de risco Resumo: Este experimento, em escala reduzida, auxilia no enten- dimento dos fenômenos de deslizamentos que ocorreram em mar- ço de 2011 no litoral do Paraná. Palavras-chave: Deslizamento; chuvas; fenômeno natural. 31 Público alvo: Alunos do ensino fundamental e professores. Prática Experimental: Deslizamento de terra. Objetivo: Perceber a ação do acúmulo das chuvas em solo propício ao deslizamento. Material: No Quadro 5 segue a descrição dos materiais utilizados e as devidas quantidades para o desenvolvimento do experimento. Quadro 5. Relação de materiais a serem utilizados no experimento. Nº Descrição Quantidade 1 Caixa (plástica ou aquário) 1 2 Mangueira de chuveiro 1 3 Garrafa de PET 1 4 Solo 3 kg 5 Material que simule casas (por exemplo caixas de fósforos) Descrição do Procedimento Experimental: Canteiro com 1,20 x 0,80 m Insira a terra na caixa, forme um barranco (Figura 18); Encha a garrafa de PET com água e adapte a mangueira de chuveiro (Figura 19); Para simulara a chuva,abra o pino da ponta da manguei- ra; Jogue a água por trás do barranco feito na caixa transpa- rente para simular o deslizamento (Figura 20). Anote suas conclusões e desenvolva a refl exão om o gru- po. 32 Figura 18: Solo na caixa simulando uma paisagem declivosa. Foto dos autores. Figura 19: Adaptação da mangueira de chuveiro na garrafa PET. Foto dos autores 33 Figura 20: Simulação do efeito da chuva na encosta. Foto dos autores. Referências: LIMA, V.C.; LIMA, M.R.; MELO, V.F. (Eds.). O solo no meio ambi- ente: abordagem para professores do ensino fundamental e médio e alunos do ensino médio. Curitiba: Universidade Federal do Paraná, Departamento de Solos e Engenharia Agrícola, 2007, 130 p. ROCHA, J.C.; ROSA, A.H.; CARDOSO, A.A. Introdução à química ambiental. Porto Alegre: Bookman, 2004. LUCHESE, E.B.; FAVERO, L.O.B.; LENZI, E. Fundamentos da química do solo. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 2002.. 34 5.4. SUGESTÃO DE PLANO DE AULA: ENSINO DE CIÊNCIAS DO SOLO E ASTRONOMIA – ABORDAGEM POLÍTICA E REFLEXIVA I - DADOS DE IDENTIFICAÇÃO: 1. Instituição: 2. Endereço: 3. Curso: 4. Módulo(s)/Disciplina: Ensino de ciências do solo CH total: h/a 5. Professores responsáveis: 6. Turma: 7. Semestre/Ano: II - CONTEÚDO: Astronomia; Sol; Fotossíntese; Principal solo de Matinhos; Políticas de preservação do solo; Políticas públicas; Enchentes periódicas em Matinhos; Deslizamentos de terra no litoral paranaense; Preservação do solo local; Experimento de deslizamento do solo IV - OBJETIVO DO FTP Objetivo geral: 35 Problematizar o ensino de ciências do solo relacionan- do astronomia de uma forma contextualizada com a realidade do aluno e que possibilite refl exões críticas sobre as políticas públicas envolvidas com as enchentes periódicas em Matinhos, com os fenômenos de deslizamentos no litoral do Paraná e a preservação do solo local. Objetivos Específi cos: Relacionar o tema do bimestre nas escolas, Astrono- mia, com a fotossíntese das plantas passando pelo objeto de estudo: sol. Contextualizar estudo da fotossíntese, os nutrientes de plantas e os elementos químicos presentes nos solos locais. Relacionar o solo local com o desenvolvimento das ciências do solo. Relacionar as ciências do solo com as políticas públi- cas envolvidas com as enchentes periódicas em Mati- nhos e os deslizamentos de terra no litoral do Paraná. Provocar a criticidade à refl exão sobre as políticas públicas, relacionando-as com a ciência do solo. Estimular a discussão sobre as políticas de preservação com o solo local. V - METODOLOGIA: A partir da Teoria da Aprendizagem Signifi cativa de David Paul Ausubel, e da Teoria de Equilíbrio de Piaget, será realizada a construção do conhecimento sobre ciên- cias do solo e sua contextualização local de maneira que os alunos exponham suas opiniões e pressupostos para uma metodologia dialética em sala de aula, juntamente com o experimento prático de deslizamento do solo. 36 TÉCNICAS RECURSOS Metodologia dialética Quadro negro Aprendizagem Slides em TV signifi cativa Anotações em caderno Trama conceitual Experimento de deslizamento DATA DESCRIÇÃO DA(S) ATIVIDADE(S) PREVISTA(S) RESPONSÁVEIS Aula sobre ciências do solo VI - AVALIAÇÃO: A avaliação será feita a partir de anotações dos próprios alunos em seus cadernos, e de uma cruzadinha elaborada a par- tir das palavras apresentadas na metodologia dialética produzida em sala de aula e com relação com o ambiente local em que o alu- no está inserido. VII – REFERÊNCIAS TACCA, M.C.V.R; BRANCO, A.U. Processo de signifi cação na relação professor-aluno: uma perspectiva sociocultural cons- trutivista. Estudos de Psicologia, v. 13, n.1, p. 39-48, 2008. MORTIMER, E.F. Linguagem e formação de conceitos no ensino de ciências. Belo Horizonte: UFMG, 2000. PIAGET, J. O desenvolvimento do pensamento de equilibração das estruturas cognitivas. Lisboa: Dom Quixote, 1975. SILVA, E.N. Recreação na sala de aula de 5ª a 8ª série. 4. ed. Rio de Janeiro, Sprint, 2001. FARIAS, M.; SALES, S; J.O.C.B; BRAGA, M.M.S.; FRANÇA, M.S.L.M. Didática e docência: aprendendo a profi ssão. Brasília: Liber Livro, 2009. 180 p. 37 38