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Classificação e Avaliação do Recém-Nascido e Exame Físico Imediato Durante o parto, deve-se fazer o ator de enxugar/limpar e aliviar o recém-nascido (RN), objetivando identificar a necessidade de cuidados especiais ou ser entregue imediatamente para a mãe. Nesse sentido, o exame físico imediato (sala de parto) do RN deve ser empregado, de forma a identificar malformações congênitas, danos, mielomeningocele, fenda palatina ou possíveis problemas. A primeira classificação do RN é de acordo com a idade gestacional: em caso de ter nascido antes de 37 semanas, ele é classificado como pré-termo; caso tenha nascido entre 37 e 41 semanas será a termo; e, por último, caso tenha nascido em 41 ou mais semanas é chamado de pós termo. Classificação de Acordo com o Peso Extremo Baixo Peso ≤ 1000g Muito Baixo Peso > 1000g e < 1500g Baixo Peso > 1500g e < 2500g Normal > 2500g e < 4000g Macrossômico ≥ 4000g Além dessa classificação, é possível classificar o RN de acordo com o seu crescimento intrauterino: Exame Físico Imediato A primeira avaliação a ser feita no RN é a escala de Apgar, o qual deve ser feito no primeiro e no quinto minuto de vida. Além disso, a escala de Apgar deve ser realizar caso tenha sido efetuada alguma manobra de ressuscitação, de forma a verificar a eficácia de tais manobras. Essa escala usa como avaliação a cor da pele, frequência cardíaca, irritabilidade reflexa, tônus muscular e respiração. Além disso, a pontuação para cada item varia de zero a dois pontos, sendo a pontuação mínima zero e a máxima dez. Nota 0 1 2 Frequência Cardíaca Ausente < 100 bpm > 100 bpm Esforço Respiratório Ausente Fraco e Irregular Bom, regular, choro Tônus Muscular Flácido Alguma Flexão Boa Flexão Irritabilidade Reflexa Sem Resposta Careta/Alguma Reação Tosse/Espirro/Choro Cor Azul (cianose) ou Pálido Extremidades Cianóticas Rosado Pequeno para a Idade Gestacional (PIG): menor que o percentil 10 (P10); Adequado para a Idade Gestacional (AIG): entre o percentil 10 e percentil 90 (P90); Grande para a Idade Gestacional (GIG): maior que o percentil 90; Prematuridade A maior causa de prematuridade é infecção urinária. A condição de pré-termo é subdividida em limítrofe se nascido entre 35 e 36 semanas; moderado se nascido entre 31 e 34 semanas; e extremo se menor que 30 semanas. Na puericultura, deve-se atentar a idade gestacional que deve ser convertida para a termo (conside- rando 40 semanas), recebendo o nome de idade gestacional corrigida, a qual é calculada pela subtração da idade a termo (40) e a idade gestacional. Por exemplo: um feto nascido de 35 semanas e com atuais 8 semanas, deve-se, então, subtrair 35 de 40 que resulta 5 semanas. Sendo assim, deve-se excluir as cinco semanas nos quadros e gráficos das variáveis (peso para idade, altura para idade, etc.), da forma que se a criança já viveu 8 semanas, deve-se diminuir os 5 para achar o valor correto, ao passo desse exemplo resultaria em 3 semanas de idade cronológica corrigida. Esse cálculo só pode ser feito após a criança completar 40 semanas somando o período gestacional com a idade cronológica. Além disso, o perímetro cefálico deve ser corrigido até os 18 meses (1 ano e meio); o peso até os 24 meses (2 anos); e a altura até os 42 meses (3 anos e meio). Porém, para crescimento, antes das 40 semanas, também pode-se utilizar as curvas de crescimento de Fenton (imagem abaixo) ou as do estudo Intergrowth. Para desenvolvimento, pode-se utilizar a de Denver e Bayley. Exame Físico: Cabeça, Pescoço e Pele A pele do RN deve ser lisa, rosada e fina, sendo que, quanto maior a prematuridade, mais fina é a pele. Já na coloração, a cianose indica problema de oxigenação, sendo um dos fatores observados na escala de Apgar. Também é possível que ocorra pletora, evento que ocorre caso aja clampeamento tardio do cordão umbilical, indicando que muito sangue passou para a criança, sendo a coloração avermelhada a indicação de tal acome- timento. A acrocianose também é um evento que pode ocorrer e consiste no aparecimento de cianose nas extremidades, sendo muito comum no frio. O vérnix caseoso é muito comum nos RN e consiste em uma camada à prova d’água formada de lipoproteínas que recobrem o corpo do RN com função lubrificante, que facilita o parto, além de permitir a maturação da pele e de proteger ela contra a maceração pelo líquido amniótico, e também faz a defesa contra bactérias. O vérnix não deve ser removido nas primeiras horas de vida, exceto em caso de risco de transmissão de doenças maternas (Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria). Além do vérnix, é possível encontrar a lanugem (lanugo) que são pelos finos encontrados em todo o corpo do RN, os quais auxiliam a fixação do vérnix. Essa pelagem costuma cair nos primeiros meses de vida. Um achado muito comum é a mancha mongólica, a qual consiste de agregados de melanócitos na derme que se manifestam como máculas ou manchas azuis (com tonalidade cinza), localizadas geralmente nas nádegas e na região sacral. São mais comuns em negros e é uma alteração benigna, embora deve ser investigado exclu- indo possíveis casos de hiperpigmentação por hiperplasia adrenal congênita. Outra alteração na pele é o Milium sebáceo ou Milia e consiste do acúmulo de queratina ou material sebáceo no folículo pilosebáceo. É uma alteração benigna e não necessita de nenhum cuidado especial, possuindo a tendência de subir nas primeiras semanas de vida. Porém, deve-se diferenciar essa alteração da miliária, que, é o acúmulo de suor sob os ductos écrinos os quais ficam obstruídos. Não é comum que o RN apresente no nascimento, mas sim nas primeiras semanas de vida, principalmente pelo calor. Também possui outras sub- classificações como a miliária cristalina, rubra ou pustulosa. Por fim, a pele do RN também pode ser acometida por acne, a qual é chamada de acne neonatal. Geralmente são lesões acneiformes causadas por estafilococos. Na cabeça, duas lesões são comuns de aparecer no RN. A primeira se chama bossa sanguinolenta e é uma massa mole, mal limitada, edemaciada e equimótica (sangue). Além disso, a lesão fica entre a pele e a apone- urose, sem respeitar a sutura craniana. Já o céfalo-hematoma é um derrame sanguíneo subperióstico que aparece como uma consistência cística, com volume variável, mas que respeita a sutura. Geralmente ocorre por rompimento vascular do periósteo. É mais grave que a bossa, de forma que pode levar à agravamentos, bem como a icterícia e até calcificar. Além disso, deve-se observar as fontanelas, sendo a fontanela posterior a primeira se cicatrizar, evento que acontece no primeiro mês de vida, enquanto a anterior em até 15 meses. Na boca, as pérolas de Epstein são nódulos brancos que aparecem no céu da boca que são apenas cistos de retenção, podendo também aparecer na gengiva. No pescoço, é necessário verificar a clavícula pela palpação, sendo a fratura muito comum em partos normais, sua cicatrização é rápida, com aproximadamente duas semanas e seu calo ósseo tende a desaparecer. Outro fator a se observar no exame físico é a linha de implantação auricular, sendo a baixa implantação da orelha um sinal sugestivo de doença genética, como a síndrome de Down. Outro item a se observar é a pre- sença de apêndices pré-auriculares, os quais são formações benignas produto de erros embriológicos. Nos exames, o teste da orelhinha o qual é responsável por detectar alterações na audição e deve ser realizado nas primeiras 48 horas de vida do RN, sendo que muitas vezes pode apresentar detectar, erroneamente, dificulda- des auditivas pela presença de líquido o qual some posteriormente. Exame Físico: Tórax e Abdome No tórax, deve-se perceber se há simetrias, retração subcostal, intercostal (esforço da musculatura acessória para a respiração), frequência respiratória, ingurgitamento mamário e a realização da ausculta cardíaca e pul- monar. Na auscultacardíaca, deve-se verificar a presença de Ictus Cordis, bem como a presença de sopro https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/flipping-book/consenso-cuidados-pele/cuidados-com-a-pele/assets/downloads/publication.pdf fisiológico, resultado da inversão de circulação, mas que desaparece em até 72 horas após o nascimento. Na pulmonar deve-se perceber a presença de ruídos hidroaéreos, onde também pode ter a ocorrência de estertor úmido e bolhoso ou a presença de ronco devido ao acúmulo de líquido amniótico. Enquanto no abdome, deve- se fazer a inspeção procurando por distensões abdominais, procurar por alterações como onfalocele e gastros- quise, além de hérnias umbilicais e diástase de reto. Na palpação, deve-se verificar a presença de vísceras e massas, sendo o tumor sólido mais comum na infância é o tumor de Wilms (nefroblastoma – produtor de catecolaminas) o qual se aloja em região renal, tem a prevalência de benignidade e autolimitação. Duas alterações comuns são a onfalocele e a gastrosquise. A onfalocele é um defeito da parede abdominal na inserção do cordão umbilical, com herniação de órgãos abdominais, há a presença de saco herniário com conteúdo visceral no qual se insere o cordão umbilical. Além disso, a condição é caracterizada pela ausência de músculos abdominais, fáscia e pele, sendo recoberto por uma membrana avascular. Ela também está mais associada com anomalias cromossômicas e outras malformações. Por outro lado, a gastrosquise é uma fenda que ocorre na parede abdominal sem envolver o cordão umbilical, da forma que as alças intestinais e outros órgãos abdominais podem protuir através da abertura, mas sem uma membrana que os recobre. Exame Físico: Região Genital, Coluna, Membros e Quadril A genitália masculina mede cerca de 2,5cm ao nascimento, sendo que se deve fazer a inspeção do meato urogenital, analisando se há epispádia (meato urogenital para cima), hipospádia (meato urogenital para baixo) ou se é mediano (normal). Também é importância a verificação da presença de Hidrocele (acúmulo de fluido na membrana que reveste o testículo), o qual pode ser fisiológico, devendo sumir até o primeiro ano de vida. Ainda nos testículos, deve-se verificar pela sua presença no saco escrotal, podendo eles estarem no es- paço intra-abdominal ou no canal inguinal, sendo que sua descida pode ocorrer até os 12 meses. A inspeção deve continuar com a procura de hérnias inguinais. Na genitália feminina, há a presença de secreção da cor de ovo claro, que é fisiológico, além da presença de sangue resultado da descarga hormonal proveniente da mãe. Outro evento é o ingurgitamento dos grandes lábios. Na coluna, é importante verificar a presença de desvios, deformidades, tumorações e alterações cutâneas. Uma alteração importante é a mielomeningocele, também conhecida como espinha bífida, a qual é muito relacio- nada com a deficiência de ácido fólico. Nos membros, há o padrão de membros estarem flexionados, que pode ser fisiológico ou alterado, sendo este muito relacionado com problemas no quadril como a displasia do desenvolvimento do quadril, o qual será abordado adiante. O geno varo é um processo muito presente nos RN, sendo considerado normal até os três anos de idade, porém, caso persista, deve ser investigado, uma vez que pode ser causado por raquitismo. Displasia do Desenvolvimento do Quadril A Displasia do Desenvolvimento do Quadril (DDQ) ou Luxação Congênita do Quadril é uma condição onde há uma anomalia entre a cabeça do fêmur e a cavidade acetabular, apresentando uma instabilidade da articu- lação coxofemoral, entre outros sintomas associados. A posição da flexão do quadril é algo fisiológico nos recém-nascidos e lactentes, sendo normal a angulação de flexão em 28º no nascimento e que diminui progres- sivamente até os seis meses de idade. Uma suspeita de luxação de quadril é quando o membro se situa em extensão, além como a assimetria das pregas glúteas (sinal de Peter Bade), apesar de 30% dos RN possuírem tal sinal e serem normais. Na palpação, deve-se verificar a altura do trocânter maior, o qual deve ter sua extremidade proximal na mesma linha do tubérculo púbico e estar orientado lateralmente, caso se encontre ascendido, pode-se suspeitar de DDQ ou coxa vara. Sinal de Peter Bade Duas manobras são feitas para verificar a instabilidade coxofemoral, a primeira é a manobra de Ortolani que consiste em segurar os membros inferiores com as palmas das mãos, posicionando o polegar na face medial das coxas, enquanto o indicador e o dedo médio no trocânter maior. A coxa examinada é abduzida enquanto os dedos empurram o trocânter maior, reduzindo a cabeça femoral no acetábulo, produzindo um “clique”. Logo em seguida, a coxa é então aduzida e uma força na direção lateral é realizada com o polegar, a cabeça é novamente luxada e percebe-se o clique. Já na manobra de Barlow, deve-se aplicar uma força em direção posterior e lateral com o polegar, sendo possível deslocar ou não a cabeça do fêmur. Teste de Ortolani Teste de Barlow