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História Medieval Oriental O Mediterrâneo Oriental: política, administração e religião no império de Constantino – Século IV Texto 4A: O salvador da humanidade: Constantino – Paul Vayne Texto 4B: Uma obra prima: o Cristianosmo – Paul Vayne Introdução • Constantino (um dos 4 co-imperadores) converte em 312 o Império Romano ao cristianismo. • É preciso nunca esquecer que a revolução religiosa feita por Constantino em 312 foi talvez o ato mais audacioso alguma vez levado a cabo por um autocrata desafiando e desprezando o que pensa a grande maioria dos seus súditos • O autor, diferente do que costumeiramente se pensa entende que Constantino converte o Império ao cristianismo por fé própria e não por motivações políticas • Nesta época entende-se que apenas 5 ou 10% da população do Império (talvez 70 milhões de habitantes) eram cristãos • Constantino alcançou pois os seus propósitos: o trono Romano tornou-se cristão e a igreja transformou-se numa potência • Sem Constantino o cristianismo teria permanecido uma seita de vanguarda Breve resumo dos fatos • No início do século IV o Império Romano era dividido entre 4 co-imperadores que supostamente reinariam de modo fraternal; dois deles partilhavam o rico Oriente Romano enquanto o vasto ocidente estava repartido entre um certo Licínio e o nosso Constantino, que por seu lado governava Gália, a Inglaterra e a Espanha • Maxêncio usurpara a Itália e Roma de Constantino • Foi para arrebatar a Itália a Maxêncio Que Constantino entrou em guerra contra ele e foi no decorrer dessa campanha que se converteu, pondo a sua confiança no Deus cristão para ter a Vitória • Essa conversão confluiu num sonho que ele teve na noite anterior à batalha e no qual o Deus cristão lhe prometeu a Vitória se ele proclamasse publicamente a sua nova religião • Em 28/10/312 Constantino tem a Vitória na célebre batalha da ponte de Milvius • “O crisma” formado, pelas 2 primeiras letras do nome Cristo (as letras gregas “X” e “P”) sobrepostas e cruzadas foram um símbolo que Constantino usava no capacete e os soldados que lutavam por ele também ostentavam nos escudos Breve resumo dos fatos • Na data de 29/10/312 que se pode situar o Marco fronteira entre a antiguidade pagã e antiguidade cristã • Entrada solene do vitorioso Constantino em Roma Resumo de sua Ação • O Deus cristão teria então antecipado a Vitória, e presenteado Constantino com ela. • isso quer dizer que, entre este Deus e suas criaturas existia uma permanente, apaixonada, íntima e mútua ligação • Ao passo em que entre a raça humana e a raça dos deuses pagãos, que viviam sobretudo para si mesmos, as relações eram por assim dizer, internacionais contratuais e ocasionais • Um pagão estava contente com os seus deuses se obtivesse socorro pelas suas preces e pelos seus votos, enquanto um Cristão agia antes de modo a que seu Deus estivesse contente com ele • Exemplo: no curso dos 25 anos seguintes do reinado de Constantino, ele não deixará de repetir que é servo de Cristo, que o tomou seu serviço ele concede sempre a Vitória Resumo de sua Ação • Em 324 Constantino unifica as duas partes do Império • O cristianismo tinha agora o imenso Império que era o centro do mundo e que se considerava como co-extensivo a civilização • Acabava de nascer o que, durante longos séculos, se chamava de Império Cristão, a Cristandade. • A mudança religiosa do Império Romano muda o eixo de tolerância • Em 312 a religião “tolerada” era o cristianismo, e, em 324, a religião “tolerada” torna-se o paganismo • Constantino não perseguirá o paganismo, Limitar-se a repetir nos seus documentos oficiais que o paganismo é uma supertição desprezível • Constantino só não tolerará o paganismo em um ponto • Por ser pessoalmente cristão, não tolerará paganismo nos domínios que tocam a sua pessoa, como culto dos imperadores • Igualmente, por solidariedade com os seus correligionários, dispensará estes do dever de executar rituais pagãos a título de suas funções públicas • Em 315 na celebração do seu décimo ano de reinado proíbe o sacrifício de animais em festividades Resumo de sua Ação • Logo Constantino tornará o cristianismo uma política de estado • Mas não irá perseguir aqueles que não praticam à fé cristã. No entanto, agirá contra maus cristãos, os separatistas e heréticos • A maioria do Império segue pagão, no entanto Constantino prepara esse Império para um futuro que é inevitavelmente Cristão em sua visão Uma tolerância insinuante • O “pragmatismo de Constantino” teve uma grande vantagem • Não obrigando os pagãos a conversão, Constantino evitou reviravoltas contra si e contra o cristianismo • cujo futuro estava bem menos assegurado do que se crê • Frente à elite partidarista cristã que era aceita, as massas pagãs puderam viver na indiferença ao capricho do seu imperador Uma tolerância insinuante • O papel do imperador Romano era uma de ambiguidade de enlouquecer • Um César devia ter 4 linguagens 1. a de um chefe cujo poder civil é de tipo militar e que dá ordens 2. a de um ser superior em relação ao qual aumenta o culto da personalidade 3. a de um membro de um grande conselho do Império o Senado, onde ele é apenas o primeiro entre seus pares 4. a do primeiro magistrado do Império que comunica com os seus concidadãos e diante deles explica • Constantino escolhe uma quinta linguagem a de um príncipe cristão convicto, propagandista da sua fé e que vê o paganismo como super tição desvantajosa, enquanto cristianismo é a Santíssima lei divina • Mas novamente, Constantino não persegue o culto pagão • Deixe o Senado de Roma continuar a atribuir crédito aos sacerdotes oficiais e aos cultos públicos do estado Romano que permanecem como antes e perduraram até acerca do final do século • Graças a Constantino, a lenta, mas completa cristianização do Império pode começar • A igreja, de seita proibida Que Fora, era agora mais do que uma seita lícita: estava instalada no estado e acabará, um dia, por suplantar o paganismo como religião costumeira Uma obra prima: o Cristianismo Paixão mútua, alto destino • Para quem recebia a fé, a sua vida tornava-se mais intensa, organizada e posta sobre uma maior pressão • O indivíduo deve ajustar-se a uma regra que utilizava, a este preço, a sua existência recebia de repente um significado eterno no interior de um plano cósmico, o que não lhe conferiu nem as filosofias nem o paganismo • O paganismo deixava a vida humana tal como era, efêmera e feita de pormenores • Graças ao Deus cristão, a sua vida recebia a unidade de um campo magnético onde cada ação, cada movimento interior ganhava um sentido, bom ou mau • Alma cristã procura solidificar-se no ser para se livrar da angústia do devir. Essa segurança interior era acessível a todos, cultos e incultos • O cristianismo tem como fundamento uma paixão mútua da divindade pela humanidade ou mais exatamente, para cada um de nós • Esse abismo pode ser visto no exemplo do autor: • Uma mulher do povo pode ir contar os seus problemas familiares ou conjugais a Madonna, se ela tivesse contado a Hera ou Afrodite, a deusa ter-se-ia perguntar do que loucura passar pelo cérebro desta tolinha, que tinha vindo falar-lhe de coisas das quais não tinha nada a ver Uma palavra enganadora: o monoteísmo • A originalidade do cristianismo não é o seu pretenso monoteísmo • mas o gigantismo do seu Deus, criador do céu e da Terra, gigantismo estranho aos deuses pagãos e herdado do Deus bíblico • Com 2 ou 3 objetos de amor sobrenatural (Deus Cristo e mais tarde, a virgem), a religião cristã é a letra politeísta • Mas que importa? essas figuras divinas nada tem de comum com os deuses antigos • Figuras plurais do cristianismo, reúnem-se numa ordem cósmica que é una. O cristianismo é um politeísmo monista Amor, carisma do senhor, moralismo (os êxitos do cristianismo) • Não se deixava de ser escolhido e amado pelo deus Cristão, ao passo em que os deusespagãos viviam acima de tudo para si mesmos • Pelo contrário o homem Deus, Cristo, tinha se sacrificado pelos homens • Autoridade também é um exemplo do êxito da seita cristã • Não nos enganemos a tal respeito, o Cristo dos primeiros séculos também não é a figura humanitária Amor, carisma do senhor, moralismo (os êxitos do cristianismo) • A Cruz não era símbolo de suplício, mais de Vitória • Não se tinha continuamente diante dos olhos a morte de Cristo, mas o triunfo do ressuscitado sobre a morte • Cristo não era um ser mitológico vivendo numa temporalidade distinta. Diferentemente dos deuses pagãos, era real e até humano • Não se adorava o Deus cristão com oferendas, sacrificando vítimas, mas obedecendo à sua lei • A função Nuclear que a moral desempenha no cristianismo era largamente estranha ao paganismo • Era mais uma originalidade cristã A religião é uma qualidade irredutível • Explicar-se-á também o êxito do cristianismo pela promessa de uma imortalidade da alma e/ou de uma ressurreição da alma e do corpo? • Muitas conversões são feitas diante da própria morte, que não tinham sido mais cedo • Medo de morrer nas raízes psicológicas inconscientes da religião? A religião é uma qualidade irredutível • Paraíso ou inferno, o cristianismo respondia à questão: “donde vimos? Para onde vamos?” • O Deus de amor e de justiça é também o Deus que preparou para uma infinidade de seres humanos, no fim de uma prova ou de uma lotaria de que ele é um interventor, a reclusão num campo de estadia eterna para terríveis suplícios sem fim • O dogma do inferno realça mais a doutrina cristã do que lhe presta um mau serviço. É uma atração a mais, para um “best-seller” juntar o terror ao amor • Um pai misericordioso, mas implacável, uma lotaria meritória de tudo ou nada, os terrores infernais que reforçam o êxito do best-seller avivando as imaginações, e que tudo isso seja Santo: não pedimos mais Um best-seller inovador • As conversões não se davam a uma Esperança do além, mas algo muito mais amplo • Descoberta de um vasto projeto de vida, de um homem que era o destinatário • O mundo já não é povoado por 2 espécies vivas, a dos deuses e a dos homens, que se defrontam • Deus abarca todo este mundo no seu imenso amor e preparar lhe um destino excelso • O crente sente no seu coração este mesmo amor, ou o próprio amor, encontra Deus presente nele • O cristianismo deve então se eu êxito a sua diferença ao paganismo, a sua originalidade