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TUBETES BIODEGRADÁVEIS A BASE DE CERA DE ABELHA E RESÍDUOS DA CASTANHA-DE-CAJU YARA LEMOS DE PAULA Macaíba/RN Fevereiro de 2022 Nº 000 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE PRÓ-REITORIA DE PÓS-GRADUAÇÃO UNIDADE ACADÊMICA ESPECIALIZADA EM CIÊNCIAS AGRÁRIAS - UAECIA ESCOLA AGRÍCOLA DE JUNDIAÍ - EAJ PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS FLORESTAIS YARA LEMOS DE PAULA TUBETES BIODEGRADÁVEIS A BASE DE CERA DE ABELHA E RESÍDUOS DA CASTANHA-DE-CAJU Dissertação de Mestrado apresentado ao Programa de Pós- Graduação em Ciências Florestais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, como parte das exigências para obtenção do título de Mestre em Ciências Florestais (Área de Concentração em Ciências Florestais - Linha de Pesquisa: Tecnologia e utilização de produtos florestais) Orientador: Prof. Dr. Rafael Rodolfo de Melo Coorientador: Prof. Dr. Ricardo Henrique de Lima Leite Macaíba/RN Fevereiro de 2022 Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial Prof. Rodolfo Helinski - Escola Agrícola de Jundiaí - EAJ - Macaiba Paula, Yara Lemos de. Tubetes biodegradáveis a base de cera de abelha e resíduos da castanha-de-caju / Yara Lemos de Paula. - 2022. 56f.: il. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Unidade Acadêmica Especializada em Ciências Agrárias, Programa de Pós-Graduação em Ciências Florestais. Macaíba, RN, 2022. Orientador: Prof. Dr. Rafael Rodolfo de Melo. Coorientador: Prof. Dr. Ricardo Henrique de Lima Leite. 1. Produção de mudas - Dissertação. 2. Resíduos agroindustriais - Dissertação. 3. Desenvolvimento sustentável - Dissertação. I. Melo, Rafael Rodolfo de. II. Leite, Ricardo Henrique de Lima. III. Título. RN/UF/BSPRH CDU 631.53.03 Elaborado por Elaine Paiva de Assunção - CRB-15/492 TUBETES BIODEGRADÁVEIS A BASE DE CERA DE ABELHA E RESÍDUOS DA CASTANHA-DE-CAJU Yara Lemos de Paula Dissertação julgada para obtenção do título de Mestre em Ciências Florestais (Área de Concentração em Ciências Florestais - Linha de Pesquisa: Tecnologia da Madeira) e aprovada pela banca examinadora em 18 de fevereiro de 2022. Banca Examinadora Macaíba/RN Fevereiro de 2022 Ao Deus que habita em mim. À minha família. Àqueles que vieram antes e construíram o suporte necessário para realizar este trabalho. DEDICO vi AGRADECIMENTOS __________________________________________________________________________ Agradeço Aos meus pais, Zilvani e Saraiva, meu irmão, Yuri e família (avós, tios, tias, primos), pelos ensinamentos e referências. Ao meu companheiro, Rayron e sua família, pelo suporte e apoio no dia-a-dia. À prof. Dra. Kátia Peres Gramacho, coordenadora do Núcleo de Capacitação Tecnológica em Apicultura – NCTA, por abrir portas fora da universidade que foram primordiais para o surgimento desta ideia. Aos professores e professoras, em especial, meu orientador prof. Dr. Rafael Rodolfo de Melo, que não mediu esforços para obter os melhores resultados. Ao Viveiro Florestal da UFERSA, em especial, ao engenheiro agrônomo Giorgio Ribeiro, coordenador do Setor, pela disponibilização das mudas de sabiá. À equipe, Edgley, Alice, Ramona e Laíse, por somarem no desenvolvimento do trabalho. À técnica Lidiane, pelos testes realizados, equipamentos e orientações no laboratório. vii RESUMO __________________________________________________________________________ TUBETES BIODEGRADÁVEIS A BASE DE CERA DE ABELHA E RESÍDUOS DA CASTANHA-DE-CAJU A produção de mudas é comumente realizada em tubetes de polipropileno, matéria-prima proveniente do petróleo. Além de serem derivados de recurso natural não-renovável, possuem um ciclo de vida longo e causam um relevante impacto ambiental. Os resíduos florestais e agroindustriais, que também se aplicam a este uso, são materiais renováveis, de fácil obtenção e biodegradáveis. Sabendo disso, este estudo teve como objetivo avaliar a viabilidade da utilização de resíduos da cajucultura associados à cera de abelha para a manufatura de tubetes biodegradáveis. Os recipientes foram manufaturados com diferentes proporções de cera de abelha e do resíduo proveniente do beneficiamento da castanha-de-caju (casca da castanha após a torra). As matérias-primas e os tubetes foram avaliadas de acordo com as normas ABNT, ASTM e TAPPI. Foram avaliadas as propriedades físico-mecânicas dos compósitos utilizados para produção dos tubetes. Os tubetes biodegradáveis foram utilizados para o plantio de mudas de Sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.), e avaliados quanto ao desenvolvimento e qualidade de mudas produzidas. As matérias-primas escolhidas mostraram-se adequadas para a manufatura dos tubetes. A cera de abelha apresentou uma temperatura de fusão a 60°C. Já para a casca da castanha-de-caju foi observada composição química rica em NPK, o que pode ser favorável ao desenvolvimento inicial das mudas. Os tubetes biodegradáveis apresentaram indicadores de qualidade de mudas semelhantes aos convencionais, porém, com baixa resistência mecânica. Conclui-se que é possível desenvolver tubetes biodegradáveis por meio das matérias-primas sugeridas. O material, em viveiro, foi resistente às exposições ao sol, condições de temperatura ambiente e rega diária, sem a deformação da sua estrutura, oferecendo condições adequadas à produção de mudas, semelhantes ao tubetes de polipropileno. Palavras-chave: produção de mudas, resíduos agroindustriais, desenvolvimento sustentável, economia circular. viii ABSTRACT __________________________________________________________________________ BIODEGRADABLE TREEPOTS MADE WITH BEE WAX AND WASTES OF CASHEW NUT Seedling production is commonly carried out in polypropylene tubes, raw material from petroleum. In addition to being derived from non-renewable natural resources, they have a long life cycle and cause a relevant environmental impact. Forest and agro-industrial waste, which also applies to this use, is renewable, easy-to-obtain and biodegradable materials. Knowing this, this study aimed to evaluate the feasibility of using cashew residues associated with beeswax for the manufacture of biodegradable tubes. The containers were manufactured with different proportions of beeswax and residue from the processing of cashew nuts (chestnut peel after roasting). The raw materials and tubes were evaluated according to ABNT, ASTM and TAPPI standards. The physical and mechanical properties of the composites used for tube production were evaluated. The biodegradable tubes were used for planting Sabiá seedlings (Mimosa caesalpiniifolia Benth.), and evaluated for the development and quality of seedlings produced. The raw materials chosen proved to be suitable for the manufacture of the tubes. Beeswax presented a melting temperature at 60°C. For the bark of cashew nuts, a chemical composition rich in NPK was observed, which may be favorable to the initial development of seedlings. The biodegradable tubes presented quality indicators of seedlings similar to conventional ones, however, with low mechanical resistance. It is concluded that it is possible to develop biodegradable tubes through the suggested raw materials. The material, in a nursery, was resistant to sun exposure, ambient temperature conditionsand daily watering, without the deformation of its structure, offering adequate conditions for the production of seedlings, similar to polypropylene tubes. Keywords: seedling production, agro-industrial waste, sustainable development. circular economy. ix SUMÁRIO __________________________________________________________________________ AGRADECIMENTOS ......................................................................................................................................... vi RESUMO ............................................................................................................................................................. vii ABSTRACT ........................................................................................................................................................ viii SUMÁRIO ............................................................................................................................................................. ix 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................................... 10 2. OBJETIVOS ............................................................................................................................................... 12 2.1. Objetivo Geral ..................................................................................................................................... 12 2.2. Objetivos Específicos ........................................................................................................................... 12 3. REVISÃO DE LITERATURA .................................................................................................................. 13 3.1. Tubetes biodegradáveis ........................................................................................................................ 13 3.2. Tecnologias utilizadas na produção de mudas ..................................................................................... 14 3.3. Cera de abelha ..................................................................................................................................... 15 3.4. Resíduos provenientes da produção e do beneficiamento da castanha-de-caju .................................. 16 4. MATERIAL E MÉTODOS ........................................................................................................................ 18 4.1. Área de estudo ...................................................................................................................................... 18 4.2. Obtenção e caracterização da matéria-prima ..................................................................................... 18 4.2.1. Cera de abelha ................................................................................................................................ 18 4.2.2. Casca de castanha-de-caju .............................................................................................................. 20 4.3. Qualidade dos compósitos produzidos com cera de abelha e casca da castanha de caju ................... 24 4.4. Manufatura e avaliação da qualidade dos tubetes biodegradáveis ..................................................... 26 4.4.1. Produção de mudas ......................................................................................................................... 28 4.5. Análise estatística ................................................................................................................................ 29 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ................................................................................................................ 30 5.1. Cera de abelha ..................................................................................................................................... 30 5.2. Casca de castanha-de-caju .................................................................................................................. 32 5.3. Caracterização dos tubetes – propriedades físicas .............................................................................. 34 5.4. Caracterização dos tubetes – propriedades mecânicas ....................................................................... 39 5.5. Avaliação da qualidade dos tubetes biodegradáveis ........................................................................... 40 6. CONCLUSÕES ........................................................................................................................................... 48 7. LITERATURA CITADA ............................................................................................................................ 49 10 1. INTRODUÇÃO __________________________________________________________________________ Os problemas ambientais também são tratados como problemas sociais e de saúde pública, pois estão intimamente conectados (KAGOHARA et al., 2010). Diante disso, leis já preveem a proibição do uso de plásticos (PORTUGAL, 2019; SÃO PAULO, 2019; FORTALEZA, 2020). No Brasil, o projeto de Lei n. 2.928/2019 – que permite a manufatura, importação e comercialização apenas de produtos feitos em plástico biodegradável – já tramita na Câmara Legislativa (BRASIL, 2019). Com a necessidade de atingir os objetivos de desenvolvimento sustentável (ONU, 2021) e os indicadores ambientais, sociais e de governança (ESG – Environmental, Social and Governance), a tendência é que as empresas também adquiram uma responsabilidade socioambiental, optando por atos, atitudes e produtos que afetem positivamente o bem-estar socioambiental (KAGOHARA et al., 2010; LAENDER, 2020). A produção das mudas de árvores exóticas e nativas geralmente é feita em tubetes, bandejas ou sacos. A escolha do produto depende dos critérios da empresa e do serviço demandado, quesitos que podem levar em consideração o custo-benefício destes materiais a médio e longo prazo. O uso dos tubetes costuma ser dominante em viveiros florestais, principalmente para produção em larga escala, visando o atendimento de grandes plantios e reflorestamentos (HAASE et al., 2021). Tubetes utilizados para mudas geralmente são fabricados de polietileno (PE) e polipropileno (PP), polímeros derivados do petróleo. Estes plásticos podem ser encontrados em diversos produtos comercializados. Possuem baixo custo e resistência à biodegradação (COSTA et al., 2016). Contudo, tal característica não pode ser considerada uma vantagem do ponto de vista ambiental. Segundo a WWF (2019), um terço de todos os resíduos plásticos produzidos mundialmente poluem os solos e os recursos hídricos. Segundo Santagata et al. (2017), a proposta do uso de recipientes biodegradáveis entrou em discussão após a crise ambiental ocasionada pelo uso de produtos à base de combustíveis fósseis. A compreensão sobre a origem da matéria-prima dos polímeros convencionais estarem relacionados ao uso de recursos naturais não-renováveis, com ciclo de vida longo e alto impacto ambiental gerou a necessidade da busca por matérias-primas que atendam os valores e os pré- requisitos necessários para atingir o desenvolvimento sustentável. Neste contexto, o aproveitamento de resíduos florestais e agroindustriais por meio da obtenção de produtos de maior valor agregado (PMVA) pode ser uma alternativa ambientalmente viável aos polímeros sintéticos. Os resíduos agroindustriais e florestais são oriundos das atividades de produção agrícola e florestal e do processamento e beneficiamento de seus 11 produtos, como frutos, cascas, madeira e folhas (WIECHETECK, 2009; CORRÊA; GALLO, 2020). Apesar do seu largo uso para a produção de energia e de adubo, a reutilização de resíduos florestais e agroindustriais adicionaria mais um produto na cadeia produtiva, estimulando o aumentodo rendimento industrial, agregando valor ao produto e reduzindo os impactos ambientais (WIECHETECK, 2009; TSANG et al., 2019). Neste sentido, o emprego de parte destes resíduos para o desenvolvimento de tubetes poderia atuar em duas frentes de forma simultânea: a substituição do tubete plástico por um recipiente biodegradável; e o suporte para nutrição das mudas em sua fase inicial de campo. Além disso, a produção de mudas em tubetes biodegradáveis pode ter custos mais baixos, quando comparados aos tubetes convencionais, principalmente pelo valor de aquisição do produto e redução de mão-de-obra na implantação em campo (WENDLING; DUTRA, 2017). Estudos mostraram a utilização de resíduos de madeira e materiais reciclados na manufatura de compósitos proporciona uma maior capacidade de degradação e um menor custo de produção (TALGATTI et al., 2017; DIAS et al., 2019). Outras pesquisas apontaram a viabilidade do uso desses compósitos na manufatura de diversos produtos como painéis, placas fotovoltaicas, recipientes e outros (SANTAGATA et al., 2017; KHAN et al., 2018; LIMA et al., 2019; HASSAN et al., 2020). Pereira et al. (2007) produziram tubetes biodegradáveis e avaliaram testes práticos em viveiros e casas de vegetação para produção de espécies agrícolas de importância econômica, como é o caso do café (Coffea sp.). Já Iatauro (2004) avaliou a substituição de tubetes plásticos por tubetes biodegradáveis para a produção de mudas de aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi). Ambos os estudos apresentaram resultados promissores. A partir disso, fica a reflexão: é possível criar tubetes biodegradáveis a partir matérias-primas regionais da região Semiárida, com propriedades satisfatórias para o plantio de mudas de espécies florestais? 12 2. OBJETIVOS __________________________________________________________________________ 2.1. Objetivo Geral O presente trabalho teve como objetivo avaliar a viabilidade do resíduo gerado a partir do beneficiamento da castanha-de-caju associado com a cera de abelha como materiais alternativos para a manufatura de tubetes biodegradáveis. 2.2. Objetivos Específicos i. Caracterização das matérias-primas utilizada na confecção dos tubetes biodegradáveis; ii. Obter um produto de maior valor agregado (PMVA) a partir da casca da castanha-de-caju associado com a cera de abelha para produção de mudas. 13 3. REVISÃO DE LITERATURA __________________________________________________________________________ 3.1. Tubetes biodegradáveis Diante da nova realidade mundial de busca pelo desenvolvimento sustentável e (KAGOHARA et al., 2010; LAENDER, 2020; ONU, 2021), pesquisadores realizam estudos com o intuito de criar alternativas ao uso dos tubetes convencionais. Nestes, tem ganhado bastante destaque a manufatura dos recipientes biodegradáveis. Segundo Santagata et al. (2017), os tubetes biodegradáveis devem ter estruturas que permitam a penetração de água, ar e raízes e estabeleçam uma interação entre paredes orgânicas, raízes e microorganismos, com o intuito de promover a degradação do material e, consequentemente, a disponibilidade de nutrientes. Segundo Iatauro (2004), o uso de tubetes biodegradáveis pode reduzir o tempo de viveiro, pois o seu material orgânico confere proteção e manutenção em campo. Diversos materiais foram testados para a confecção de tubetes biodegradáveis, são eles: cascas de Pinus, Eucalyptus e a vermiculita (IATAURO, 2004), cera de abelha (PEREIRA et al., 2007), resíduos de erva mate (ROSA, 2020), resíduo de tomate e fibra de cânhamo (SCHETTINI et al., 2013), goma de tapioca e casca de banana (MOHD RAFEE et al., 2019), fécula de mandioca e raspas de madeira de MDF (FERRAZ et al., 2015), borra de café (MEI; OLIVEIRA, 2017), dentre outros. Geralmente, estes tubetes são confeccionados com o auxílio de moldes, prensas e estufas, e com dimensões similares aos convencionais (PEREIRA et al., 2007; RESENDE; CHAER, 2010). De acordo com Zhang, Wang e Chen (2019), os tubetes biodegradáveis comerciais fabricados a partir de materiais alternativos como turfa (empresa Jiffy Group International, Kristiansand, Noruega), fibra de madeira (Fertil International, Boulogne Billancourt, França), estrume de vaca (CowPots Co., Brodheadsville, PA, EUA) podem apresentar dimensões variadas como altura entre 50,00 e 95,00 mm, espessura da parede entre 2,17 e 2,22 mm, e volume entre 65,00 e 73,00 cm³. Os ensaios mais utilizados para comparar a qualidade dos tubetes são a caracterização química, física, mecânica e de superfície dos compósitos; e o acompanhamento da germinação, sobrevivência (viveiro e campo) e taxa de crescimento das mudas. Ensaios de solubilidade, espectrometria e biodegradação também foram realizados e considerados de grande relevância para o desenvolvimento de novas pesquisas (IATAURO, 2004; PEREIRA et al., 2007; MOHD RAFEE et al., 2019). Os estudos avaliaram plantas ornamentais (petúnia), frutíferas (pimenta e cafeeiro) e arbóreas (aroeira-vermelha - Schinus terebinthifolius Raddi) (IATAURO, 2004; PEREIRA et al., 2007; FERRAZ et al., 2015; ABERA et al., 2018). Os resultados dos testes variaram de acordo com a composição dos compósitos quanto às propriedades estudadas e ao desenvolvimento de plantas. 14 Foi possível avaliar que os tubetes biodegradáveis à base de casca de árvores (estrutura lignificada), apesar de apresentarem valores de resistência ao impacto abaixo dos aceitáveis, apresentaram características esponjosas e de permeabilidade positivas, comprovando a sua eficácia na manutenção hídrica e nutritiva de mudas de aroeira-vermelha em viveiro e em campo (IATAURO, 2004). A escolha do material orgânico e a estrutura do tubete (ausência de estrias internas e furos para escoamento) afetam o desenvolvimento das mudas. Estudos observaram ainda menores taxas de produção de massa seca nas mudas, o excesso de salinidade, pH inferior ao requerido pela planta, falta de nutrientes, desidratação, raízes em contato com a luz seguida de poda fisiológica (IATAURO, 2004; PEREIRA et al., 2007; FERRAZ et al., 2015). De acordo com os estudos, para otimizar a melhoria da composição dos tubetes biodegradáveis é necessário desenvolver um suporte adequado; avaliar o crescimento de outras espécies; melhorar a drenagem e a espessura dos tubetes; avaliar a permeabilidade do material; aumentar a capacidade volumétrica; controlar a salinidade; avaliar a capacidade do material de armazenar e perder água; agregar sais minerais à composição; adição de polímeros hidroretentores ou a simples mudança no manejo de irrigação (IATAURO, 2004; PEREIRA et al., 2007; FERRAZ et al., 2015). 3.2. Tecnologias utilizadas na produção de mudas O reflorestamento bem-sucedido requer um rápido estabelecimento de mudas após o plantio em campo. Apesar de inúmeros estudos comprovarem a necessidade de crescimento de mudas, ainda é necessário desenvolver práticas e tecnologias para uso em viveiros e em locais de plantio com o intuito de promover a manutenção das plantas e o sucesso do reflorestamento (RIIKONEN; LUORANEN, 2018). A produção de mudas arbóreas é feita principalmente em tubetes de plástico (HAASE et al., 2021), podendo ser empregados recipientes de outros materiais. Segundo Tian et al. (2017), outros materiais são analisados em busca de produtos degradáveis e que possam reduzir os impactos provenientes dos materiais não renováveis. Os recipientes podem afetar as características morfológicas de crescimento, biomassa e raiz das mudas, como tamanho das raízes e quantidade de biomassa produzida. Em estudos realizados por TIAN et al. (2017), as sacolas de tecido do tipo tecido não tecido (TNT) foram recomendadas para a produção de mudas Cyclocarya paliurus. Resende e Chaer (2010) indicam o uso de recipientes com maiores dimensões para produzirmudas destinadas ao reflorestamento em climas semiáridos. Segundo Haase et al. (2021), os tubetes biodegradáveis podem gerar mudas precoces e reduzir o tempo de viveiro. Apesar dos estudos relatarem a baixa vida útil deste tipo de recipiente, Costa et al. (2020) confirmaram que tubetes a base de oxibiodegradante orgânico (aditivo usado 15 para estimular a degradação do material plástico) e micropartículas de casca de arroz não influenciaram negativamente nos parâmetros de crescimento até a idade de ida a campo. Outra alternativa para garantir a qualidade de mudas é a utilização de fertilizantes com uma combinação de nutrientes como nitrogênio (N), fósforo (P), potássio (K) e calagem. O nitrogênio é o principal elemento para fornecer os aminoácidos e as proteínas necessários, e o principal nutriente que limita o crescimento das plantas (MOREAU et al., 2019). O fósforo, junto com o nitrogênio, é um macronutriente essencial e pode melhorar o metabolismo, o crescimento das plantas e das raízes (YADAV et al., 2017). O potássio contribui para a maioria dos processos bioquímicos e fisiológicos relacionados ao crescimento das plantas (condições osmóticas, fotossíntese e metabolismo de carboidratos) e resistência à seca e doenças. A absorção de grandes quantidades de K está relacionado às respostas adaptativas das plantas ao meio ambiente (WAHBA; LABIB; ZAGHLOUL, 2019). Além disso, é necessário focar em inovação e experimentação para garantir o estabelecimento e sucesso do plantio (HAASE; DAVIS, 2017). Procedimentos e metodologias são utilizados para avaliar a qualidade e uniformidade das mudas (altura, diâmetro do colo, massa seca da parte aérea, massa seca da raiz, índice de qualidade de Dickson e índice de Robustez) visando garantir a homogeneização em viveiros florestais e o sucesso dos plantios para reflorestamento (COSTA; ALMEIDA; CASTRO, 2020). 3.3. Cera de abelha A cera de abelha é produzida pelas glândulas cerígenas, localizada no abdômen das abelhas-operárias. A cera é composta por ácido cerótico e palmítico, serve como isolante elétrico, funde entre 62 ºC e 66 ºC. Em condições normais, não causa impactos ambientais, ecotoxidade aos organismos aquáticos, do solo ou do ar e é um material reciclável (QUIMIDROL, 2014; GM CERAS, 2017). Esse material é proveniente dos favos quebrados ou velhos das colmeias destinadas à produção de produtos apícolas (mel, pólen, resina, entre outros) ou para a polinização. Os favos são extraídos das colmeias, aquecidos em banho maria, coados e transformados em blocos para facilitar a estocagem, evitar a perda de umidade e o ataque de traças (BARROS et al., 2009; NUNES et al., 2012). A composição da cera de abelha é bastante complexa, proveniente da mistura de substâncias de caráter lipídico e, portanto, bastante hidrofóbico (BARROS et al., 2009). Esse material possui em sua composição hidrocarbonetos, ácidos e álcoois. Tem caráter não tóxico, podendo ser utilizada inclusive na indústria alimentar ou na medicina (BAPTISTA, 2017). As características e qualidade da cera de abelha dependem do tipo de abelha (africanizada ou de espécies distintas) responsável pela produção, da idade da cera (ceras mais velhas tendem a ser mais quebradiças), manejo e das condições climáticas da sua produção. Altas temperaturas 16 por tempo prolongado podem conferir coloração avermelhada ou acastanhada, porém, a deixa mais quebradiça (BARROS et al., 2009). Para fins de caracterização do produto, Silva et al. (2003) e Santos (2015) recomendam a determinação do índice de acidez, índice de saponificação, temperatura de fusão total e tempo de solidificação. 3.4. Resíduos provenientes da produção e do beneficiamento da castanha-de-caju O cajueiro (Anacardium occidentale L.) é uma planta nativa do bioma Caatinga e está bastante associada à cultura e à geração de renda nordestina. Os produtos derivados do cajueiro são uma importante fonte de renda para os pequenos agricultores e matéria-prima para as grandes indústrias beneficiadoras de castanha-de-caju (BRAINER; VIDAL, 2018). Conforme a International Nut & Dried Fruit (2020), a castanha-de-caju é a terceira amêndoa mais consumida no mundo e a perspectiva futura aponta para o aumento da sua demanda mundial. O cajueiro é uma planta de usos múltiplos, largamente empregada para diversos fins. Além do fruto in natura, outros produtos são derivados da castanha-de-caju (fruto verdadeiro) e do pedúnculo como o líquido da castanha-de-caju (LCC), sucos, sorvetes, doces, salgados, mel, geleias, bebidas alcoólicas, entre outros (BRAINER; VIDAL, 2018). Romero Dominguez et al. (2012) comprovaram a sua eficácia medicinal no combate à diabetes, Cai et al. (2020) indicam a biomassa da casca da castanha como uma boa fonte energética, enquanto Mubofu (2015) indica o uso do líquido da castanha-de-caju (LCC) para fins energéticos. Os resíduos gerados durante o seu plantio são produtos da poda e pós-colheita (cascas de árvore, ramos, galhos, folhas, frutos avariados) geralmente destinados para energia e para adubo. Segundo LIMA et al. (2015), a indústria de beneficiamento da castanha-de-caju gera como resíduos a casca da castanha-de-caju, a borra do líquido da casca da castanha-de-caju e a borra de cozinhadores da castanha-de-caju. Já a indústria de beneficiamento do pedúnculo gera um bagaço lignocelulósico, que segundo Alves et al. (2020) também pode ser utilizado para a geração de energia. A castanha-de-caju e seus componentes (óleo e líquido da casca da castanha) possuem um grande potencial econômico para múltiplos usos como fonte de aminoácidos e nutrientes, fabricação de vernizes, tintas, resina epóxi e outras. Dentre macro e micronutrientes presentes na sua composição mineral incluiu 58,01 g.kg-1 de nitrogênio (N), 2,75 g.kg-1 de fósforo (P) e até 2,70 g.kg-1 de potássio (K). Estes valores tendem a variar de acordo com a parte da planta analisada (AKINHANMI, ATASIE; AKINTOKUN, 2008; OGUNDIRAN; BABAYEMI; NZERIBE, 2011). Segundo o Censo Agropecuário do IBGE (2017), o Ceará possui cerca de 27.781 produtores de caju (castanha e fruto in natura), o Piauí 19.476, e o Rio Grande do Norte 7.681. Em 2021, os maiores produtores brasileiros (CE, RN e PI) produziram, em média, 256 kg.ha-1 de 17 castanha-de-caju (CONAB, 2021), em que a casca representa 70% da castanha. Logo, a produção de casca é de aproximadamente 219,8 kg.ha-1. O Brasil produziu 138.763 toneladas (t) de castanha-de-caju em 2020 e 110.700 t em 2021 (IBGE, 2020; 2021). Neste caso, a estimativa da geração de casca de castanha-de-caju para safra 2020/2021 seria 87.312,05 t. Apesar dos resíduos do beneficiamento da castanha-de-caju terem grande potencial energético, a reciclagem e a transformação em produtos de maior valor agregado (PMVA) também são alternativas tecnológicas viáveis para a geração de renda e a redução de impactos ambientais (WIECHETECK, 2009; BAJWA et al., 2019; TSANG et al., 2019). 18 4. MATERIAL E MÉTODOS __________________________________________________________________________ 4.1. Área de estudo O estudo foi desenvolvido no município de Mossoró, no Rio Grande do Norte, Nordeste do Brasil. A região apresenta clima semiárido, com período chuvoso entre janeiro e junho, precipitação média de aproximadamente 674 mm, período seco entre julho e dezembro, temperatura média anual é de cerca de 28ºC e média de umidade relativa do ar de 69% (THORNTHWAITE, 1948). O bioma predominante é a Caatinga, com vegetação degradada e com baixa diversidade de indivíduos arbóreos (DIAS; DIODATO; GRIGIO, 2014). Em raio de 100 km de distância da área onde foram realizados os estudos, podem ser encontrados municípios que possuem produção relevante de caju na Região – Serra do Mel-RN (4.332 t), Apodi-RN (1.902 t) e Aracati-CE (3.154 t) (IBGE, 2017). 4.2. Obtenção e caracterização damatéria-prima A matéria-prima utilizada como fase aglutinante para a manufatura dos tubetes foi a cera de abelha bruta, em bloco, filtrada de impurezas. A cera foi adquirida da produção de um apicultor da Região. A casca da castanha-de-caju pós-processada na indústria, para retirada da castanha e do LCC, foi adotada como a matéria-prima da fase dispersa ou enchimento do composto. Os resíduos foram provenientes de uma indústria beneficiadora do fruto localizada na cidade de Mossoró-RN. 4.2.1. Cera de abelha O comportamento físico da cera foi avaliado segundo o ponto de fusão e de solidificação, realizado com base na adaptação da norma NBR 15564 (ABNT, 2008). O bloco de cera foi quebrado em unidades menores com o auxílio de uma marreta e um formão, e foram destinados ao derretimento em manta aquecedora elétrica. Para isso, béqueres (100 ml) com amostras de 30 g foram aquecidos a 220 °C por manta aquecedora, até iniciar a mudança para o estado líquido (ponto de fusão) (Figura 1). Após, as amostras ficaram à temperatura ambiente (± 30 °C) até iniciar a mudança para estado sólido (ponto de solidificação) e não mais ser possível penetrar a massa com uma espátula. Para determinar a densidade volumétrica, foram manufaturados “tabletes” de cera com tamanho médio de 5 x 5 x 3 cm, conforme metodologia sugerida por Silva et al. (2003), e destes foram determinados a massa e o volume aparente (Figura 2). Em temperatura ambiente, obteve- se a massa do tablete, utilizando uma balança digital. Em seguida, obteve-se o volume (cm³) do tablete utilizando suas dimensões, determinadas por meio de paquímetro digital. Dessa forma, a densidade volumétrica foi determinada por meio da Equação 1. 19 Figura 1. Avaliação do ponto de fusão e solidificação, em °C, para a cera de abelha. Figura 2. Tabletes de cera de abelha com tamanho médio de 5 x 5 x 3 cm, utilizado para avaliação da densidade. 𝐷 = 𝑀 𝑉 (Equação 1) Em que, D é a densidade volumétrica, em g.cm-³; M é a massa do tablete, em gramas; V é o volume, em cm³. O teor de sólidos da cera foi avaliado com base na adaptação da norma NBR 8877 (ABNT, 2020), com amostras entre 2 e 3 g, em estufa a 105 ± 2 °C, por 3 h (Figura 3). Feito isso, o teor de sólidos foi calculado por meio da relação entre a massa da cera após secagem em estufa e a massa em temperatura ambiente (Equação 2). 20 Figura 3. Preparo das amostras para determinação do teor de sólidos da cera de abelha. TS= (A-B) C x 100 (Equação 2) Em que, TS é o teor de sólidos, em porcentagem; A é a massa do recipiente com a amostra seca, expressa em gramas (g); B é a massa do recipiente, em gramas (g); C é a massa da amostra em temperatura ambiente, em gramas (g). 4.2.2. Casca de castanha-de-caju O lote do resíduo disponibilizado pela indústria foi subdividido para adquirir amostras aleatórias. Para obtenção da densidade a granel da casca pós-processada foram realizadas seis repetições. A casca de castanha-de-caju pós-processada foi despejada em um caixote com dimensões 28,0 x 24,9 x 28,0 cm, até o seu preenchimento total, e pesada com o auxílio de uma balança digital (Figura 6). Desta forma, utilizou-se o volume definido do caixote e seis repetições para definir a densidade a granel por meio da Equação 1, apresentada anteriormente. Figura 6. Procedimento para aferição da densidade a granel. 21 A casca da castanha pós-processada foi triturada em moinho do tipo Willey, peneirado e selecionado (Figura 4), seguindo as recordações NBR 14660 (ABNT, 2004). O material selecionado para produção dos tubetes foi composto pelas partículas que passaram na peneira de 8 mesh (2,40 mm) e ficaram retidas na malha de 16 mesh (1,00 mm). Figura 4. Castanha-de-caju. (a) In natura, (b) casca torrada, após beneficiamento e (c) moída em moinho tipo Willey e peneirada na malha 8 mesh e retida na malha 16 mesh. A densidade básica da partícula, moída e peneirada, da casca de castanha-de-caju foi definida utilizando 100 g (malha 8/16) do resíduo, em duplicata, seguindo o método recomendado pela NBR 11941 (ABNT, 2003). O resíduo proveniente do beneficiamento da castanha-de-caju foi submetido a vácuo saturação para obtenção da massa saturada (Figura 5). Após a saturação, os resíduos foram retirados do recipiente, coados com um funil com papel filtro e pesados. Posteriormente, as partículas foram secadas em estufa, a 105 ± 2°C, por 48 h. A densidade básica, em g.cm-³, foi obtida utilizando a Equação 3. Figura 5. Processo a vácuo para saturação das partículas para obtenção de massa verde, em gramas. 𝐷𝑏 = 1 𝑚1 𝑚2 ×0,346 (Equação 3) Em que, Db é a densidade básica da madeira, em g.cm-³; m1 é a massa saturada da amostra, em grama; e m2 é a massa seca em estufa a (105 ± 2 °C), em gramas. 22 A relação entre a massa em temperatura ambiente, e a massa seca da casca de castanha-de-caju, foram utilizadas para obter a determinação do teor de umidade (Equação 4), segundo a norma 14929 (ABNT, 2017). 𝑇𝑈 = 𝑚1−𝑚2 𝑚2 (Equação 4) Em que, TU é o teor de umidade, porcentagem (%); m1 é a massa das partículas, a temperatura ambiente, em gramas (g); m2 é a massa seca, em gramas (g). Para determinação dos macronutrientes e solubilidade, as amostras de casca foram transformadas em pó, utilizando-se um moinho de laboratório tipo Wiley, em seguida utilizada a fração pó de casca peneirado em malha 40 (0,40 mm). As amostras foram secas em estufa a (65 ± 5 °C), até a massa constante. A composição química do material foi determinada conforme descrita pelo Manual de métodos de análise de solos (EMBRAPA, 1997), a fim de identificar as quantidades de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K) presentes no material. A digestão sulfúrica, em que o material foi preparado com 2 ml de ácido sulfúrico (98% p.a.), 1 ml de peróxido de hidrogênio (30%) e uma mistura de 100 g de sulfato de sódio, 10 g de sulfato de cobre e 1 g de selênio. O material foi levado para o bloco digestor, misturado a 0,5 g de amostra e mantido a temperatura de 350 °C, por 2 h (Figura 7). Para determinação de nitrogênio total, a amostra já digerida (10 ml) foi transferida para um tubo de kjedhal com uma solução de ácido bórico a 4% misturada com um indicador misto. O tubo foi acomplado ao destilador a ao erlemeyer com uma solução de hidróxido de sódio. A destilação foi iniciada até a completa destilação da amônia. Após isso, a solução foi titulada até a viragem do indicador do verde para rósea (EMBRAPA, 1997). Figura 7. Digestão sulfúrica da amostra de casca de castanha-de-caju para determinação de nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K). 23 Seguindo o Manual de métodos de análise de solos (EMBRAPA, 1997), a determinação de potássio foi realizada com uma amostra do extrato da digestão, livre de impurezas, por meio de um fotômetro de chama, calibrado com a curva 0, 2, 4, 6, 8 e 10 ppm de K (Figura 8). Figura 8. Análise de potássio (K) em fotômetro de chama da casca de castanha-de-caju. Para a determinação do fósforo, o Manual de métodos de análise de solos (EMBRAPA, 1997) recomendou a utilização de 1 ml do extrato da digestão do tecido vegetal misturado ao reagente de trabalho, composto de uma dissolução de 0,4 g de ácido ascórbico em 100 ml de água destilada, em balão volumétrico de 250 ml, com 50 ml de solução 725 (A: 1 g de carbonato básico, 200 ml de água destilada e 139 ml de ácido sulfúrico; B: 20 g de molibdato de amônio em 500 ml água), e aproximadamente 300 ml de água destilada. Após 30 min, o material foi submetido a leitura em espectrofotômetro no comprimento de onda de 725 nm. A determinação do peso absolutamente seco foi realizada conforme a norma TAPPI 264 om-88 (TAPPI, 2001). E, a solubilidade das amostras foram determinadas em duplicatas, conforme anorma TAPPI 204 om-88 (TAPPI, 2001). Para isso, amostras de 2 g de foram submetidas a solubilidade em água quente em banho maria, em água fria (TAPPI, 1999) e em hidróxido de sódio (NaOH) a 1% (TAPPI, 2018) por 24 h, 48 h e 72 h, respectivamente. O material foi filtrado a vácuo, levado a estufa a (105 ± 2 °C) por 24h, e pesado em balança digital de precisão (Figura 9a, b e c). 24 Figura 9. Amostra de casca de castanha-de-caju submetida a filtração a vácuo, estufa a (105 ± 2 °C) por 24h, e pesagem em balança digital de precisão para avaliação da solubilidade. 4.3. Qualidade dos compósitos produzidos com cera de abelha e casca da castanha de caju A caracterização e qualidade dos recipientes foram avaliadas por meio de adaptações das normas técnicas ASTM D 638, D 570 e D 2395-17 (Tabela 1). A avaliação das propriedades físico-mecânicas foi realizada com base no estudo de Lima et al. (2019). Tabela 1. Propriedades e normas técnicas sugeridas para a caracterização e avaliação da qualidade dos tubetes biodegradáveis produzidos. Propriedade Norma sugerida Dimensões (cm) Repetições Tração ASTM D 638 0,50 x 1,70 x 16,0 6 Teor de umidade ASTM D 570 0,50 x 2,60 x 7,60 6 Densidade ASTM D2395-17 0,50 x 2,60 x 7,60 6 Absorção de água ASTM D 570 0,50 x 2,60 x 7,60 6 Inchamento de espessura ASTM D 570 0,50 x 2,60 x 7,60 6 Dimensões apresentadas considerando espessura x largura x comprimento. Amostras foram obtidas de painéis manufaturados com as diferentes proporções de cera de abelha e partículas de casca de castanha-de-caju carbonizada, com dimensões de 45,0 x 27,0 x 0,50 cm (Figura 10). Adicionalmente, foram avaliadas amostras de polipropileno retiradas dos recipientes tradicionalmente adotados para produção de mudas. 25 Figura 10. Painéis manufaturados com diferentes proporções de cera de abelha e partículas de casca de castanha-de-caju carbonizada, com dimensões de 45,0 x 27,0 x 0,50 cm; a. 100% cera de abelha; b. 90% cera de abelha e 10% casca de castanha-de-caju carbonizad (90/10); c. 80/ 20; d. 70/30; e. 60/40; f. 50/50. Para os ensaios mecânicos, os corpos-de-prova de prolipropileno foram submetidos aos testes de tração. Os ensaios foram realizados em uma máquina de ensaios universal computadorizada de modelo DL-10000 (EMIC), com célula de carga de 100 KN, com fixação mordentes planos acomplados a um par de garras auto travantes (GR012) por efeito cunha para ensaios de tração até 100 KN. As amostras compostas de cera e partículas foram ensaiadas em máquina de mesmo modelo, com célula de carga 5 KN, com fixação de mordentes com recartilhado plano fino para corpos-de-prova planos acoplados a um par de garras auto travantes por efeito alavanca (GR001) para ensaios de tração até 5 KN (Figura 11). O ensaio foi realizado a uma velocidade de 2 mm.min-1 até a fratura total das amostras. Figura 11. Testes de tração dos corpos de prova em máquina universal. Os ensaios físicos (densidade, teor de umidade e inchaço de espessura) foram realizados com a pesagem dos CPs em balança digital antes e após a permanência em estufa a (45 ± 2 26 °C) por 24h. O inchaço da espessura foi determinado após 2, 24 e 72h após a imersão de água destilada (Figura 12a e b). Figura 12. Ensaios físicos de densidade, teor de umidade e inchaço de espessura dos corpos de prova estudados. 4.4. Manufatura e avaliação da qualidade dos tubetes biodegradáveis Após análise prévia das granulometrias obtidas, optou-se pelo material que apresentou dimensões mais adequadas aos fins desejados e melhor resultado de rendimento de peneira. Portanto, as partículas peneiradas em malha 8 mesh foram levadas à estufa a (60 ± 2 °C) por 6 h até os resíduos atingirem um teor de umidade entre 6 e 8% (LIMA et al., 2019). O resíduo foi adicionado a cera de abelha em fase líquida, derretida em malha aquecedora a 100 °C, misturados com o auxílio de um bastão de vidro até atingir uma temperatura de aproximadamente 58 °C (fase de solidificação). A mistura foi distribuída em moldes previamente fabricados com lixa de madeira P80 (Figura 13). O tubete foi desenformado após 50 minutos a temperatura ambiente (29 °C). Figura 13. Construção do tubete com molde previamente fabricado. 27 Os tubetes confeccionados com os resíduos da castanha-de-caju foram padronizados, buscando uma volumetria interna semelhante aos comercialmente utilizados na propagação de mudas arbóreas, seguindo as dimensões mínimas dos tubetes comerciais. Os tubetes adotados como padrão no presente estudo possuem diâmetro externo de 35 mm, diâmetro interno de 25 mm e altura de 125 mm, com capacidade volumétrica de 55 cm³ (CM Plasticos, 2021) (Figura 14). A escolha deste modelo foi influenciada pela sua larga utilização para produção de mudas comerciais de espécies florestais (PICA PAU MUDAS, 2021). Figura 14. Tubete de polipropileno utilizado para avaliação da qualidade na produção de mudas. Foto: CM Plasticos, 2021). Os tubetes biodegradáveis foram produzidos à base de casca de castanha-de-caju e cera de abelha (aglutinante e impermeabilizante). Avaliaram-se seis composições diferentes, considerando a proporção da casca de castanha-de-caju adicionada no composto. Adicionalmente, os tubetes de polipropileno (T0) foram utilizados como tratamento controle (Tabela 2). Os exemplares nas composições propostas podem ser observados na Figura 15. Tabela 2. Porcentagem dos compósitos à base de casca de castanha-de-caju utilizados para a manufatura dos tubetes biodegradáveis. Tratamento % Casca % Cera de abelha Repetições T0 0 0 6 T1 0 100 6 T2 10 90 6 T3 20 80 6 T4 30 70 6 T5 40 60 6 T6 50 50 6 28 Figura 15. Tubetes biodegradáveis a base de cera de abelha e casca de castanha-de-caju. 4.4.1. Produção de mudas A qualidade dos tubetes biodegradáveis foi avaliada e comparada com os tubetes comerciais por meio da produção de mudas em um canteiro com sombrite (50%). Para análise dos tubetes, foram adotadas mudas de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.), produzidas em bandejas com 45 dias de plantio. Estas foram transferidas para os tubetes e levadas a campo (Figura 16). O substrato utilizado foi terra adicionada de material orgânico, enquanto a irrigação foi feita uma vez ao dia. Figura 16. Plantio de mudas de Sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.), em campo, em tubetes de polipropileno e em biodegradáveis instalados em miniestufa e suporte pré-fabricado. O efeito dos recipientes sobre as mudas foi avaliado por meio da medição da altura, do diâmetro do coleto e do número de folhas, os quais foram mensurados a cada 15 dias após o transplante, até atingir os 60 dias. Aos 60 dias, as mudas foram destinadas à avaliação da qualidade seguindo as recomendações de Benincasa (2003) e Gomes e Paiva (2013), com medição massa seca da parte aérea, massa seca da raiz, massa seca total e cálculo do Índice de Qualidade de Dickson (Equação 5). 29 𝐼𝑄𝐷 = 𝑃𝑀𝑆𝑇 𝐻 𝐷𝐶 + 𝑃𝑀𝑆𝐴 𝑃𝑀𝑆𝑅 (Equação 5) Em que, PMSA = peso, em gramas, da matéria seca da parte aérea; PMSR = peso, em gramas, da matéria seca da raíz; PMST = peso, em gramas, da matéria seca total; e IQD = Índice de Qualidade de Dickson. 4.5. Análise estatística Os resultados do presente estudo foram analisados através de estatística descritiva (média aritmética, desvio padrão, valores máxima e mínimo), análise de variância (ANOVA) com posterior comparação pelo teste de média (Scott-Knott) e análise de regressão com a geração de modelos para estimar o efeito da adição da casca de caju nos compósitos utilizados para produção dos tubetes. Os softwares utilizados para as análises foram o SISVAR (FERREIRA, 2019) e o BioEstat 5.3 (INSTITUTO MAMIRAUA, 2022). 30 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO __________________________________________________________________________5.1. Cera de abelha A temperatura de fusão da cera de abelha foi, em média, 61,0 °C, com tempo variando entre 6 e 19 min (média de aproximadamente 12 min). Já o ponto de solidificação e o resfriamento a temperatura ambiente foi de 60,2 °C, com o início desta etapa acontecendo entre 5 e 11 min (média de 7,7 min) (Tabela 3). Tabela 3. Pontos e tempos de fusão e de solidificação da cera de abelha. Descrição Tempo (min) Temperatura (°C) Fusão Solidificação Fusão Solidificação Média 12,00 7,70 61,00 60,20 Desvio Padrão 5,33 2,66 1,64 1,92 Máximo 19,00 11,00 61,80 62,50 Mínimo 6,00 5,00 58,30 58,20 Os valores das médias de tempo possuíram uma alta variabilidade (vide desvio padrão), sendo que a fusão acontece em um período mais longo quando comparada a solidificação. De acordo com os dados obtidos, é possível notar que as temperaturas de fusão e solidificação foram próximas. Segunda Young e Freedman (2015), isto ocorre pois em uma dada pressão, a transição de fase ocorre em uma temperatura definida, sendo geralmente acompanhada por uma emissão ou absorção de calor e por uma variação de volume e de densidade (Figura 17). Em relação a temperatura do ponto de fusão (61,0 °C) estão próximos aos relatados por Silva et al. (2003) e Santos (2015), de aproximadamente 62,5 °C e 65,0 °C, respectivamente. Os valores especificados nas fichas de informações de segurança de produto químico, variam entre 62,0 °C a 70,0 °C (QUIMIDROL, 2014; GM CERAS, 2017). O uso de manta aquecedora a 100 °C foi eficiente para atingir um menor tempo de fusão, em média 12 minutos. O estudo sobre estes parâmetros viabilizou o conhecimento do momento adequado para a distribuição da mistura no molde de papel, minimizando os riscos de vazamento ou rompimento do molde, além de reduzir o tempo de desenforme do tubete biodegradável. Estes resultados podem ser indicativos da adequabilidade destes para emprego em tubetes, tendo em vista que durante o seu uso, estes materiais são expostos a condições de intempéries que envolvem altas temperaturas, principalmente em se tratando da região Semiárida. Deste modo, a temperaturas de resistência da cera foram superiores aquelas que os tubetes encontraram em campo, onde encontraram temperaturas média de aproximadamente 35 oC, em período de estiagem, podendo atingir frequentemente temperatura superiores a 40°C (WEATHER SPARK, 2021). 31 Figura 17. Temperatura de fusão (a) e de solidificação (b) da cera de abelha, em °C. De acordo com os testes de ponto de fusão, solidificação e teor de sólidos realizados anteriormente, nota-se que, em condições de temperatura a 105 °C, as perdas de cera de abelha são mínimas, enquanto a diferença de temperatura para a mudança de estado (sólido para o líquido) são bem próximas. Portanto, se evidencia que o material adotado manterá sua forma e solidez em sua fase de viveiro, ou até mesmo quando manuseado ou transportado para campo. A densidade volumétrica média obtida para a cera de abelha foi de 0,86 g.cm-³ (Tabela 4). Silva et al. (2003), ao caracterizar este material, relatou que a cera proporciona um revestimento uniforme, pouco espesso e impermeável à água, parâmetro buscado nos tubetes biodegradáveis estudados neste estudo. A avaliação do teor de sólidos apontou que a cera de abelha possui um alto teor, aproximadamente 99,66%, com apenas 0,34% de voláteis. Considerando que esta matéria- prima será empregada para manufatura de um produto permanente (o tubete), este resultado é um bom indicativo de uso da cera. Além disso, o teor de sólidos e de voláteis são comumente y = 1.5183x + 31.262 R² = 0.6775 0 15 30 45 60 75 0 2 4 6 8 10 12 14 16 18 20 T e m p e ra tu ra ( C °) Tempo (min) (a) y = 0.4705x2 - 7.624x + 92.168 R² = 0.5087 0 25 50 75 100 125 0 2 4 6 8 10 12 T e m p e ra tu ra ( C °) Tempo (min) (b) 32 utilizados para fins de caracterização da matriz de um novo composto, principalmente quantos destes irão participar como componente ligante/adesivo. Tabela 4. Teor de sólidos e densidade volumétrica da cera de abelha. Descrição Teor de Sólidos (%) Teor de Voláteis (%) Densidade (g.cm-³) Média 99,66 0,34 0,86 Desvio Padrão 0,16 0,16 0,02 Máximo 99,87 0,60 0,87 Mínimo 99,40 0,13 0,81 5.2. Casca de castanha-de-caju Os resultados parciais levantados demonstram que a densidade básica média da casca de castanha-de-caju carbonizada foi de 0,42 g.cm-³. O teor de umidade foi de 9,22%. A densidade a granel média foi de 254,85 kg.m-3, consideram uma umidade de aproximadamente 7,62% (Tabela 5). A informação sobre a densidade das partículas é um parâmetro comumente utilizado para a caracterização da matéria-prima utilizada em compósitos. Enquanto a densidade a granel está relacionada com as questões de logística referentes à comercialização, armazenamento e transporte do produto. Tabela 5. Propriedades físicas da casca de castanha-de-caju carbonizada. Descrição Densidade da partícula (g.cm-³) TU (%) Densidade a granel (kg.m-3) TU (%) Média 0,420 9,22 254,85 7,62 Desvio Padrão 0,156 0,23 13,14 0,07 Máximo 0,590 9,57 276,62 7,70 Mínimo 0,370 9,09 235,64 7,54 A média de densidade a granel encontrada neste estudo (254,85 kg.m-³) corrobora com os resultados observados por outros autores, que encontraram valores variando entre 207 a 555 kg.m-3 ao avaliarem a densidade a granel da biomassa da castanha-de-caju e da casca in natura, com óleo e sem óleo para a produção energética e outros fins (SENGAR et al., 2012; KILANKO et al., 2020; SHIRANE et al., 2021). Em comparação a outros materiais, a casca de castanha- de-caju apresentou valores de densidade superiores a materiais como casca de coco, casca de nozes e cavacos de madeira (RAJVANSHI, 1986). A composição química da casca apontou a presença de 6,83 g.kg-1 de nitrogênio (N), 0,60 g.kg-1 de fósforo (P) e 1,93 g.kg-1 de potássio (K) (Tabela 6). Outros estudos apontaram que a 33 composição mineral da castanha-de-caju incluiu 58,01 g.kg-1 de nitrogênio e 2,75 g.kg-1 de fósforo (AKINHANMI et al., 2008), enquanto o potássio variou entre 1,40 a 2,70 g.kg-1 (AKINHANMI et al., 2008; OGUNDIRAN et al., 2011). Tabela 6. Quantidade de macronutrientes – Nitrogênio, Fósforo e Potássio (NPK), presente no resíduo da casca-de-caju. Descrição N (g.kg-1) P (g.kg-1) K (g.kg-1) Média 6,83 0,60 1,93 Desvio Padrão 0,41 0,06 0,07 Máximo 7,23 0,65 2,01 Mínimo 6,42 0,54 1,87 Segundo Santagata et al. (2017), os tubetes biodegradáveis devem ter estruturas e elementos que promovam e favoreçam a disponibilidade de nutrientes. Partindo desse pressuposto, a casca de castanha-de-caju carbonizada possui teores de NPK elevados, que poderiam suprir as exigências nutricionais iniciais para a produção de mudas. O nitrogênio é o principal elemento para fornecer os aminoácidos e as proteínas necessários, e o principal nutriente que limita o crescimento da planta (MOREAU et al., 2019). O fósforo, junto com o nitrogênio, é um macronutriente essencial e pode melhorar o metabolismo, o crescimento das plantas e das raízes (YADAV et al., 2017). O potássio contribui para a maioria dos processos bioquímicos e fisiológicos relacionados ao crescimento das plantas (condições osmóticas, fotossíntese e metabolismo de carboidratos) e resistência à seca e doenças. A absorção de grandes quantidades de K está relacionado às respostas adaptativas das plantas ao meio ambiente (WAHBA; LABIB; ZAGHLOUL, 2019). De acordo com Rosa et al. (2021), as demandas morfológicas e fisiológicas de uma planta como o Eucalyptus benthanmii precisou de uma dose de 0,15-0,20-0,15 g.kg-1, sem uso de calagem, para garantir um crescimento inicial adequado. Já para Araticum (Annona crassiflora Mart.), uma planta nativa do bioma Cerrado, as doses necessárias seriam entre 0,10 e 0,20 g.kg- 1 de nitrogênio e 0,15 g.kg-1de potássio (COSTA et al., 2019). Quanto a solubilidade do material em NaOH a 1% (84,00%) foi superior às demais, seguida da solubilidade em água fria (70,84%) e quente (52,92%) (Figura 18). Os elevados valores de solubilidade observados para resíduo da casca-de-caju após a queima, podem representar um importante indicativo relacionado a disponibilização dos nutrientes as plantas. Desta forma, tais resultados representam que o uso desta matéria-prima pode se mostrar vantajoso ao ser empregado para manufatura dos tubetes. O método em água quente e fria determinam a solubilidade da substância de acordo com a temperatura, quando reduzida a serragem ou partículas menores. Na água fria é possível 34 extrair substâncias como gomas, taninos, açúcares e corantes, enquanto na água quente, além de extrair as substâncias anteriores, extrai os amidos (OLIVEIRA et al., 2005). Figura 18. Solubilidade da casca de castanha-de-caju carbonizada em água quente, água fria e NaOH. Médias acompanhadas pela mesma letra, não diferem significativamente de acordo com o teste de Tukey (p < 0,05). A solubilidade em NaOH a 1% é usualmente utilizada para simular, em laboratório, o ataque por fungos ou por outros agentes deterioradores em materiais orgânicos como a madeira e a quitosana (FRÁGAS et al., 2015; TOMAZELI et al., 2016). Além disso, o NaOH mede os teores de graxas, resinas e óleos presente nos materiais (OLIVEIRA et al., 2005). 5.3. Caracterização dos tubetes – propriedades físicas Não foi observada tendência de alteração da densidade dos tubetes com a adição da casca de caju. Os valores médios de densidade observado para os tubetes biodegradáveis variam entre 0,83 e 1,00 g.cm-3 para os diferentes tratamentos avaliados (Figura 19). Estes valores também se mostraram próximos a densidade do tubete convencional de polipropileno (Tratamento controle – T0), que foi de 0,88 g.cm-3. A densidade de tubetes biodegradáveis a base de amido de mandioca e resíduos de farelo de soja, fibra de coco e bagaço de cana variaram entre 0,21 e 0,34 g.cm-3 (MARENGO; VERCELHEZE; MALI, 2013). Portanto, os compósitos a base de cera de abelha e casca de castanha-de-caju apresentaram valores superiores de densidade quando comparados a estes. 52.92 c 84.00 a 70.84 b 0 20 40 60 80 100 Quente NaOH Frio S o lu b ili d a d e ( % ) 35 Figura 19. Valores de densidade observados para os tubetes biodegradáveis e densidade do tubete convencional de polipropileno – tratamento controle (T0). Na Figura 20 estão expressos os resultados de absorção de água após 2, 24 e 48h após a imersão dos compósitos em água. Para os resultados após 2 horas de imersão, não foi verificada uma tendência clara e significativa para influência da adição da casca-de-caju nos materiais utilizados para manufatura dos tubetes (Figura 20a). Contudo, a partir das 24 horas, verificou que o aumento do percentual de casca proporcionou também um aumento da absorção de água. Comportamento que se manteve para análise após 48 horas de imersão em água (Figuras 20b e c). Para estes casos, foi possível estimar por meio de equações a taxa de absorção de água dos compósitos a partir do percentual de adição da casca-de-caju. A absorção de água tendeu a ser maior nos compósitos com casca de castanha-de-caju. Este resultado foi ocasionado pelo aumento dos espaços vazios presentes entre as partículas. Como explicado por Marengo, Vercelheze e Mali (2013), o comportamento de sorção pode ser atribuído ao mecanismo de capilaridade que envolve o fluxo da água para os espaços internos (células de ar) formados durante o processamento do material. Verificou-se ainda que os compósitos de cera de abelha tiveram um comportamento semelhante ao tratamento controle (tubetes polipropileno) ao logo de toda a análise. Segundo Luchesi (2019), a adição de cera de abelha aumenta o caráter hidrofóbico do material, reduzindo a absorção de água e consequentemente seu inchamento. O Polipropileno (PP) é um tipo de polímero termoplástico com notável impermeabilidade com alta resistência à decomposição (WEBB et al., 2013; YIN et al., 2013) e, apesar de ser reciclável, apenas 1% passa por esse processo e a maior parte é acumulado no solo e em corpos hídricos (THOMAS, 2019). Levando em consideração os resultados similares quanto a impermeabilidade, a cera de abelha apresentam-se como uma alternativa viável para manufatura de tubetes biodegradáveis. 0.00 0.30 0.60 0.90 1.20 1.50 0 10 20 30 40 50 D e n s id a d e ( g .c m -3 ) Casa-de-caju (%) Valores observados Controle (T0) 36 Figura 20. Variação percentual de absorção de água após 2, 24 e 48 horas de imersão em água, considerando as diferentes proporções de casca-de-caju adicionadas nos compósitos. Os valores de inchamento em espessura para todos os tratamentos avaliados podem ser observados na Figura 21. Os resultados foram similares aos padrões observados para a absorção de água. Não se observou tendência para o inchamento em espessura após 2 horas de imersão em água (Figura 21a). Já após 24 e 48 horas de imersão a adição da casca-de-caju proporcionou um aumento do inchamento nos compósitos (Figura 21b e c). Os compósitos produzidos sem adição de casca, ou seja, confeccionados integralmente com cera de abelha, 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 0 10 20 30 40 50 A b s o rç ã o d e á g u a ( % ) Casca de caju (%) (a)Valores observados Controle (T0) y = -0.003x2 + 0.1842x + 1.6875 R² = 0.3433 0.0 1.0 2.0 3.0 4.0 5.0 6.0 7.0 0 10 20 30 40 50 A b s o rç ã o d e á g u a ( % ) Casca de caju (%) (b)Valores observados Controle (T0) y = -0.005x2 + 0.3156x + 4.6884 R² = 0.5324 0.0 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 12.0 14.0 0 10 20 30 40 50 A b s o rç ã o d e á g u a ( % ) Casca de caju (%) (c)Valores observados Controle (T0) 37 apresentaram comportamento semelhante ao polipropileno em relação ao inchamento em espessura. Esse aspecto reforça ainda mais a hidrofobicidade deste material e sua adequabilidade para manufatura de tubetes. Figura 21. Variação percentual de inchamento em espessura após 2, 24 e 48 horas de imersão em água, considerando as diferentes proporções de casca-de-caju adicionadas nos compósitos. A variação nos percentuais de absorção de água e inchamento em espessura para os diferentes tempos de exposição podem ser observados na Figura 22. Para o período de 2 horas, 0.0 0.5 1.0 1.5 2.0 2.5 3.0 0 10 20 30 40 50 In c h a m e n to e m e s p e s s u ra ( % ) Casca de caju (%) (a)Valores observados Controle (T0) y = -0.0042x2 + 0.2272x + 1.244 R² = 0.3319 0.0 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 0 10 20 30 40 50 In c h a m e n to e m e s p e s s u ra ( % ) Casca de caju (%) (b)Valores observados Controle (T0) y = -0.0048x2 + 0.2959x + 1.7658 R² = 0.4631 0.0 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 0 10 20 30 40 50 In c h a m e n to e m e s p e s s u ra ( % ) Casca de caju (%) (c)Valores observados Controle (T0) 38 não foi observada variação significativa, tanto para absorção ou quanto para o inchamento. Nas 24 horas de imersão os maiores valores de absorção foram observados para os tratamentos que adotaram 10, 30 e 40% de casca de caju em sua composição. Comportamento que se manteve para as 48 horas de imersão. Quanto ao inchamento em espessura, os padrões observados para absorção se mantiveram. De modo geral, em ambos os casos, os compósitos com melhor desempenho foram o que utilizaram exclusivamente cera de abelha, os quais obtiveram desempenho superior inclusive quando comparado ao material adotado para os tubetes convencionais – polipropileno. Figura 22. Variação percentual da absorção de água (a) e do inchamento em espessura (b) após 2, 24 e 48 horas de imersão em água, considerando as diferentes proporções de casca-de-cajuadicionadas nos compósitos. Médias acompanhadas pela mesma letra, em casa seção (2, 24 e 48h), não diferem significativamente (NS) de acordo com o teste de Scott-Knott (p < 0,05). c c c d a a NS b b a a a a b b 0.0 2.0 4.0 6.0 8.0 10.0 12.0 2 24 48 A b s o rç ã o d e á g u a ( % ) Tempo (horas) (a) Controle 0% 10% 20% 30% 40% 50% b b c c a a NS b b a a b a b b 0.0 1.5 3.0 4.5 6.0 7.5 2 24 48 In c h a m e n to e m e s p e s s u ra ( % ) Tempo (horas) (b) Controle 0% 10% 20% 30% 40% 50% 39 5.4. Caracterização dos tubetes – propriedades mecânicas Os compósitos de polipropileno e a base de cera de abelha e casca de castanha-de-caju foram submetidos a ensaios de tração e tiveram seus resultados descritos na Figura 23. Para deformação máxima, observa-se que o desempenho dos tubetes confeccionados exclusivamente com cera de abelha, apresentaram desempenho similar aos de polipropileno. No entanto, a adição da casca de caju na mistura proporcionou uma redução na deformação (Figura 23a). Quanto a análise de resistência (Figura 23b) e rigidez (Figura 23c), o material utilizado para manufatura dos tubetes biodegradáveis, se mostraram inferiores ao polipropileno (PP) adotado na produção dos tubetes convencionais. Este composto demonstrou uma alta resistência a tração corroborando com o estudo de Sartor et al. (2017), que identificou uma resistência com cerca de 20,0 MPa. No presente estudo, a tensão máxima observada para o PP foi em média de 14,88 MPa. Já os resultados dos compósitos biodegradáveis variaram entre 0,24 e 0,74 MPa. No geral, a adição da casca de caju reduziu a resistência do tubetes. O módulo de elasticidade do PP foi de aproximadamente 334 MPa, diferindo significativamente dos compósitos biodegradáveis a base de cera de abelha e casca de castanha-de-caju que, variaram entre 8,32 e 19,03 MPa. Assim como para a tensão máxima, o módulo de elasticidade observados para os tubetes biodegradáveis reduziu com o aumento do percentual da casca de castanha de caju na composição dos compósitos. Os compósitos com matérias orgânicas tendem a possuir menor resistência a tração. Nos estudos de Zhang, Wang e Chen (2019) com a produção de compósitos a base de turfa, fibra de madeira e esterco apresentaram tensões menores que 2,0 MPa. Porém, os valores encontrados pelos autores foram superiores aos observados para os compósitos a base de cera de abelha e casca de castanha-de-caju. Para o módulo de elasticidade, os valores encontrados foram próximos a 100 MPa, tendo grande distinção aos valores encontrados para os produzidos neste estudo. A resistência de tração neste estudo foi utilizada para simular a força expressa para retirar as mudas dos tubetes durante o plantio. Ao observar baixos valores de resistência a tração e módulo de elasticidades para os tubetes biodegradáveis manufaturados, é possível que, durante esta ação, os tubetes poderiam ter sua integridade comprometida. Contudo, uma das vantagens destes, é justamente a possibilidade de irem para o campo (e para o solo) diretamente com as mudas, podendo servir ainda de suporte biológico e nutricional nesta fase inicial das plântulas. Além disso, a baixa resistência pode indicar que as raízes da muda não terão dificuldade de romper as paredes dos tubetes durante o seu desenvolvimento. 40 Figura 23. Desempenho dos tubetes ao ensaio de tração – deformação máxima (a); tensão máxima (b); e módulo de elasticidade (c) – considerando as diferentes proporções de casca-de- caju adicionadas nos compósitos. 5.5. Avaliação da qualidade dos tubetes biodegradáveis Durante o plantio, os tubetes biodegradáveis resistiram às intempéries do meio ambiente sem alterações perceptíveis, suportando o período de estiagem, o mais quente do ano na Região, chegando a atingir temperaturas médias de 35°C (WEATHER SPARK, 2021) (Figura 24). As mudas de sabiá tiveram crescimento semelhante para os diferentes tratamentos, em que y = -0.0002x + 0.035 R² = 0.2573 0 0.01 0.02 0.03 0.04 0.05 0.06 0 10 20 30 40 50 D e fo rm a ç ã o ( m m /m m ) Casca de caju (%) (a)Valores observados Controle (T0) y = -0.0045x + 0.5654 R² = 0.5743 0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 0 10 20 30 40 50 T e n s ã o m á x im a ( M P a ) Casca de caju (%) (b)Valores observados Controle (T0) = 14,88 MPa y = -0.0678x + 16.219 R² = 0.2348 0.0 5.0 10.0 15.0 20.0 25.0 0 10 20 30 40 50 M ó d u lo d e E la s ti c id a d e ( M P a ) Casca de caju (%) (c)Valores observados Controle (T0) = 334 MPa 41 apresentaram altura variando entre 13 e 16 cm, e diâmetro do coleto com variação entre 33 e 66 mm. Nota-se que os tubetes biodegradáveis manufaturados a base de casca de castanha-de- caju não prejudicaram o desenvolvimento da espécie florestal estudada, proporcionando condições adequadas para o crescimento das mudas. Figura 24. Mudas de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.) em tubete comercial de polipropileno (T0) e tubetes biodegradáveis manufaturados em diferentes proporções de cera de abelha e partículas de casca de castanha-de-caju carbonizada (T1 a T6) após 60 dias em campo. A variação do crescimento das mudas em diâmetro e altura, ao longo dos 60 dias de análise e para os diferentes tipos de tubetes, podem ser observados na Figura 25. Não foram constatadas diferenças significativas entre os tratamentos avaliados durante o período que as mudas permaneceram em campo. O período de avaliação (60 dias após o transplante) foi determinado em função do tempo médio utilizados para mudas de sabiá serem levadas a campo para o plantio. Os valores médios de altura, diâmetro do coleto e número de folhas das mudas de sabiá, após os 60 dias após o transplante podem ser observados na Figura 26. Não foi verificada diferença significativa para estes parâmetros pelo teste de Scott-Knott (p > 0,05). Estes resultados indicam que os tubetes biodegradáveis, mesmo sendo produzidos de forma artesanal, não prejudicou o desenvolvimento da mundas, podendo ser comparado o desempenho em tubetes convencionas fabricados por indústrias e com décadas de aprimoramento. 42 Figura 25. Desempenho em altura e diâmetro do coleto para mudas de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.) para os diferentes tratamentos avaliados. T0 = tubetes de polipropileno, controle; T1, T2, T3, T4, T5 e T¨6 = tubetes biodegradáveis confeccionados com cera de abelha e adição da casca da castanha-de-caju nas proporções de 0, 10, 20, 30, 40 e 50% respectivamente. Os valores de altura ficaram entre 13,13 e 15,77 cm nos tubetes biodegradáveis e de 13,80 cm para os tubetes convencionais de polipropileno (Figura 26a). O crescimento e altura da parte aérea pode estar relacionado diretamente com a maior quantidade de matéria orgânica, por promover maior retenção e disponibilidade de água para manter a turgescência e metabolismo da parte aérea (BONAMIGO; SCALON; PEREIRA, 2016). T0 T1 T2 T3 T4 T5 T6 0.0 5.0 10.0 15.0 20.0 25.0 0 15 30 45 60 T ra ta m e n to s A lt u ra ( c m ) Tempo (dias) (a) T0 T1 T2 T3 T4 T5 T6 0.0 10.0 20.0 30.0 40.0 50.0 0 15 30 45 60 T ra ta m e n to s D iâ m e tr o d o c o le to ( m m ) Tempo (dias) (b) 43 Parâmetros (a, b, c) não variaram significativamente pelo teste de Scott-Knott (p > 0,05) Figura 26. Crescimento em altura (a), diâmetro do coleto (b) e número de folhas (c) das mudas de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.) aos 60 dias após o transplante, nos diferentes tubetes produzidos com cera de abelha e adição da casca da castanha-de-caju. Quanto ao diâmetro do coleto, foram observados valores entre 27,40 e 31,67 mm para os tubetes biodegradáveis, enquanto que o tubete convencional 27,97 mm (Figura 26b). Melo et al. (2018) observaram a qualidadede mudas de sabiá em até 120 dias, em diferentes volumes de tubetes e com adição de fertilizantes ao substrato, e registrou alturas de até 22,0 cm e 14.28 13.98 15.77 14.43 13.32 13.13 0.0 5.0 10.0 15.0 20.0 25.0 0 10 20 30 40 50 A lt u ra ( c m ) Casca de caju (%) (a)Controle (T0) 29.22 29.15 27.40 29.62 31.67 29.17 0.0 10.0 20.0 30.0 40.0 50.0 0 10 20 30 40 50 D iâ m e tr o d o c o le to ( m m ) Casca de caju (%) (b) Controle (T0) 2.92 4.33 3.83 3.33 4.60 4.17 0.0 1.5 3.0 4.5 6.0 7.5 0 10 20 30 40 50 N o d e f o lh a s Casca de caju (%) (c) Controle (T0) 44 diâmetro de até 45 mm. Segundo Gomes e Freire (2019), mudas de cedro (Cedrela fissilis L.) semeadas em PET, em diferentes condições de sombreamento e substrato, e teores de macro e micronutrientes, por 180 dias, apresentaram entre 7,22 e 12,14 cm de altura. O número de folhas por muda também não se diferiu estatisticamente entre os tratamentos avaliados, com valores variando entre 2,92 e 4,60 folhas/planta nos tubetes produzidos e, com média de 3,33 folhas/planta no tubete industrializado. As variáveis altura, diâmetro e número de folhas das mudas podem variar de acordo com o comportamento da espécie na presença de luz, por isso não é o único fator avaliado para definir a qualidade da muda, por isso é comumente avaliada juntamente com outros fatores (MELO et al., 2018; GOMES; FREIRE, 2019; COSTA, 2020; COSTA; ALMEIDA; CASTRO, 2020). Em função disso, a qualidade das plantas que permaneceram em viveiro por 60 dias, também foi avaliada a partir do peso da matéria seca – aérea, raiz e total (Figura 27) e do índice de qualidade de Dickson – IQD (Figura 28). Para o peso de matéria seca total (PMST) foi observado um aumento na massa seca das mudas de sabiá com adição de até 40% da casca de castanha-de-caju nos tubetes biodegradáveis. Após esse percentual, houve uma tendência de redução deste parâmetro. Para todos os casos avaliados, as mudas produzidas em tubetes biodegradáveis apresentaram valores superiores do PMST quando comparado aquelas produzidas nos tubetes convencionais (Figura 27a). Para matéria seca da parte aérea (PMSPA), verifica-se uma tendência de redução da massa seca com a adição da casca da castanha-de-caju nos tubetes (Figura 27b). Tal resultado indica que a tendência observada para o PMSA foi uma contribuição exclusiva do sistema radicular das mudas (PMSR), conforme pode ser observado na Figura 27c. Para todos os tratamentos avaliados, as mudas produzidas em tubetes biodegradáveis apresentaram PMSR superior as produzidas nos tubetes de polipropileno. Em outras palavras, os tubetes biodegradáveis produziram mudas com um sistema radicular mais robusto, o que pode proporcionar um melhor desempenho destas mudas em campo (MELO et al., 2018; GOMES; FREIRE, 2019; COSTA, 2020). Em relação ao índice que avalia o equilíbrio entre a parte aérea e o sistema radicular das mudas (PMSPA/PMSR), observa-se que a adição das partículas da casca de castanha-de-caju nos tubetes biodegradáveis confeccionados a partir da cera de abelha, promoveu um desequilíbrio e uma redução deste parâmetro. No estudo, a adição da casca proporcionou um aumento na massa de raízes existentes nestes tubetes (Figura 28a). Esse desequilíbrio também pode ser observado na relação entre a altura das mudas e o diâmetro do coleto (h/Dc), onde a adição da casca da castanha-de-caju em até 30% da massa do compósito promoveu um aumento na relação. A partir dos 40%, o índice voltou a cair (Figura 28b). 45 Figura 27. Peso da matéria seca total – PMST (a), da parte aérea – PMSPA (b) e da raiz – PMSR (c) de mudas de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.) aos 60 dias após o transplante, nos diferentes tubetes produzidos com cera de abelha e adição da casca da castanha-de-caju. O Índice de Qualidade de Dickson (IQD) que reflete por meio de diversos parâmetros a qualidade das mudas produzidas foi superior para as mudas que cresceram nos tubetes biodegradáveis (Figura 28c). O máximo valor foi observado para os tubetes manufaturados com até 40% de adição da casca da castanha-de-caju em sua composição. Estes resultados refletem a qualidade e potencialidade do tubetes biodegradáveis confeccionados a partir de cera de y = -0.0002x2 + 0.0076x + 0.5658 R² = 0.7316 0.00 0.15 0.30 0.45 0.60 0.75 0 10 20 30 40 50 P M S T ( g ) Casca de caju (%) (a) Valores observados Controle (T0) y = -0.0011x + 0.2388 R² = 0.8677 0.00 0.05 0.10 0.15 0.20 0.25 0.30 0 10 20 30 40 50 P M S A ( g ) Casca de caju (%) (b) Valores observados Controle (T0) y = -0.0002x2 + 0.0085x + 0.3284 R² = 0.744 0.00 0.10 0.20 0.30 0.40 0.50 0 10 20 30 40 50 P M S R ( g ) Casca de caju (%) (c) Valores observados Controle (T0) 46 abelha e o resíduo da casca da castanha-de-caju para produção de mudas de espécies florestais. Figura 28. Índices utilizados para avaliar a qualidade das mudas de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.) aos 60 dias após o transplante: relação entre peso da matéria seca da parte aérea e da raiz – PMSPA/PMSR (a); altura e diâmetro do coleto – h/Dc (b) e Índice de Qualidade de Dickson – IQD (c), nos diferentes tubetes produzidos com cera de abelha e adição da casca da castanha-de-caju. y = 0.0003x2 - 0.016x + 0.7381 R² = 0.8803 0.00 0.20 0.40 0.60 0.80 1.00 0 10 20 30 40 50 P M S A /P M S R Casca de caju (%) (a) Valores observados Controle (T0) y = -0.0008x2 + 0.0304x + 4.8644 R² = 0.4072 0.00 1.50 3.00 4.50 6.00 0 10 20 30 40 50 h /D c Casca de caju (%) (b) Valores observados Controle (T0) y = -2E-05x2 + 0.0014x + 0.1004 R² = 0.2074 0.00 0.03 0.06 0.09 0.12 0.15 0 10 20 30 40 50 IQ D Casca de caju (%) (c) Valores observados Controle (T0) 47 Os valores dos parâmetros de qualidade de mudas obtidos neste estudo corroboraram com os valores encontrados por Melo et al. (2018). As mudas de sabiá produzidas em diferentes volumes de tubetes convencionais, com diferentes dosagens de fertilizante, durante 120 dias, apresentaram altura entre 12,50 cm e 22 cm, diâmetro do coleto entre 0,29 cm e 0,45 cm, e relação H/DC entre 3,73 e 5,40. Porém, foram diferentes para o PMSA, que de acordo com os autores variou entre 0,59 e 2,29 g, PMSR entre 0,36 e 2,00 g, PMST entre 0,95 e 4,29, e IQD entre 0,16 e 0,69. No que se refere a produção de mudas em tubetes biodegradáveis em comparação aos convencionais, as espécies florestais como aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi.), tamboril (Enterolobium contortisiliquum) e genipapo (Genipa americana) praticamente não apresentaram diferenças significativas para os parâmetros estudados, mantendo a sua integridade física durante a permanência em viveiro, mesmo submetido ao manuseio e às condições ambientais, sem influenciar negativamente nos parâmetros de crescimento e desenvolvimento de mudas (COSTA, 2020; COSTA; ALMEIDA; CASTRO, 2020). Em suma, é possível afirmar que os tubetes biodegradáveis manufaturados, sem a aplicação de fertilizantes junto ao substrato, em período de estiagem do semiárido, com rega diária, proporcionaram condições favoráveis para a produção de mudas florestais de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.), com ênfase para as mudas produzidas em tubetes de cera de abelha com até 30% de adição da casca da castanha-de-caju. 48 6. CONCLUSÕES __________________________________________________________________________ Os recipientes desenvolvidos por meio das matérias-primas sugeridas (resíduo da casca da castanha-de-caju carbonizada e cera de abelha) se mostraram viáveis para a produção de tubetes biodegradáveis. O material, em viveiro, foi resistente às intempéries (exposições ao sol, umidade e rega diária) sem a deformação da sua estrutura, oferecendo condições adequadas à produção de mudas. A cera de abelhamostrou-se um material com alta densidade (0,86 g.cm-3) e alto teor de sólidos (99,66%). Apresentou temperaturas de fusão e solidificação superiores a 60°C, o que viabilizou seu uso para produção de tubetes sem que estes sofressem deformações em função das altas temperaturas da região Semiárida. Já os resíduos das cascas de castanha-de-caju carbonizadas apresentaram-se como um material rico em nitrogênio, fósforo e potássio (NPK), com quantidades capazes de suprir as exigências nutricionais na fase inicial de crescimento das mudas em viveiro. Os tubetes biodegradáveis proporcionaram condições favoráveis para a produção de mudas florestais de sabiá (Mimosa caesalpiniifolia Benth.). Estes, apresentaram densidade equivalente ao controle (tubetes de polipropileno), maior absorção de água, maior inchamento em espessura e menor resistência. Apesar disso, os índices avaliados para caracterizar as mudas indicaram que os tubetes biodegradáveis produziram plântulas com qualidade superior aquelas desenvolvidas em condições semelhantes nos tubetes convencionais de polipropileno. Para fortalecer o estudo sobre os tubetes biodegradáveis a base de cera de abelha e casca de castanha-de-caju seria necessário realizar uma análise econômica em comparação aos custos de produção dos tubetes convencionais, buscando processos mais eficientes para a sua produção em larga escala. Além disso, faz-se necessário avaliar a sua vida útil, o tempo de degradação, a possibilidade de reutilização, possibilidade de plantio direto no solo sem a retirada do tubete e a influência desses sobre a manutenção de mudas em campo. 49 7. LITERATURA CITADA __________________________________________________________________________ ABERA, B.; DERERO, A.; WAKTOLEM, S.; YILMA, G. Effect of pot size and growing media on seedling vigour of four indigenous tree species under semi-arid climatic conditions Forests, trees and livelihoods, v. 27, n. 1, p. 61-67, 2018. DOI: https://doi.org/10.1080/14728028.2017.1411839 AKINHANMI, T. F.; ATASIE, V. N.; AKINTOKUN, P. O. 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