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Arquitetura e Sociedade

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PROFESSORA
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
Arquitetura 
e Sociedade
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/8991
FICHA CATALOGRÁFICA
C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. 
Núcleo de Educação a Distância. YAMAZAKI, Gabrielle Prado Jorge.
Arquitetura e Sociedade. 
Gabrielle Prado Jorge Yamazaki.
Maringá - PR.: Unicesumar, 2021. 
232 p.
“Graduação - EaD”. 
1. Arquitetura 2. Sociedade 3. Projeto. EaD. I. Título. 
CDD - 22 ed. 720 
CIP - NBR 12899 - AACR/2
ISBN 978-65-5615-484-8
Impresso por: 
Bibliotecário: João Vivaldo de Souza CRB- 9-1679
Pró Reitoria de Ensino EAD Unicesumar
Diretoria de Design Educacional
NEAD - Núcleo de Educação a Distância
Av. Guedner, 1610, Bloco 4 - Jd. Aclimação - Cep 87050-900 | Maringá - Paraná
www.unicesumar.edu.br | 0800 600 6360
 
 
PRODUÇÃO DE MATERIAIS
DIREÇÃO UNICESUMAR
NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
Reitor Wilson de Matos Silva Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho Pró-Reitor de Administração Wilson de Matos Silva Filho 
Pró-Reitor Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin 
Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi
Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff, James Prestes, Tiago Stachon Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho Diretoria 
de Cursos Híbridos Fabricio Ricardo Lazilha Diretoria de Permanência Leonardo Spaine Head de Graduação Marcia de Souza Head 
de Metodologias Ativas Thuinie Medeiros Vilela Daros Head de Tecnologia e Planejamento Educacional Tania C. Yoshie Fukushima 
Head de Recursos Digitais e Multimídias Franklin Portela Correia Gerência de Planejamento e Design Educacional Jislaine Cristina 
da Silva Gerência de Produção Digital Diogo Ribeiro Garcia Gerência de Recursos Educacionais Digitais Daniel Fuverki Hey 
Supervisora de Design Educacional e Curadoria Yasminn T. Tavares Zagonel Supervisora de Produção Digital Daniele Correia
Coordenador de Conteúdo Flávio Augusto Carraro Designer Educacional Jociane Karise Benedett Revisão Textual 
Nagela Neves da Costa; Carla C. Farinha; Cindy M. Okamoto Luca Editoração Arthur Cantareli Silva; Lucas Pinna Silveira 
Lima Ilustração Bruno Cesar Pardinho Fotos Shutterstock. 
Tudo isso para honrarmos a 
nossa missão, que é promover 
a educação de qualidade nas 
diferentes áreas do conhecimento, 
formando profissionais 
cidadãos que contribuam para o 
desenvolvimento de uma sociedade 
justa e solidária.
Reitor 
Wilson de Matos Silva
A UniCesumar celebra os seus 30 anos de 
história avançando a cada dia. Agora, enquanto 
Universidade, ampliamos a nossa autonomia 
e trabalhamos diariamente para que nossa 
educação à distância continue como uma das 
melhores do Brasil. Atuamos sobre quatro 
pilares que consolidam a visão abrangente do 
que é o conhecimento para nós: o intelectual, o 
profissional, o emocional e o espiritual.
A nossa missão é a de “Promover a educação de 
qualidade nas diferentes áreas do conhecimento, 
formando profissionais cidadãos que contribuam 
para o desenvolvimento de uma sociedade 
justa e solidária”. Neste sentido, a UniCesumar 
tem um gênio importante para o cumprimento 
integral desta missão: o coletivo. São os nossos 
professores e equipe que produzem a cada dia 
uma inovação, uma transformação na forma 
de pensar e de aprender. É assim que fazemos 
juntos um novo conhecimento diariamente.
São mais de 800 títulos de livros didáticos 
como este produzidos anualmente, com a 
distribuição de mais de 2 milhões de exemplares 
gratuitamente para nossos acadêmicos. Estamos 
presentes em mais de 700 polos EAD e cinco 
campi: Maringá, Curitiba, Londrina, Ponta Grossa 
e Corumbá), o que nos posiciona entre os 10 
maiores grupos educacionais do país.
Aprendemos e escrevemos juntos esta belíssima 
história da jornada do conhecimento. Mário 
Quintana diz que “Livros não mudam o mundo, 
quem muda o mundo são as pessoas. Os 
livros só mudam as pessoas”. Seja bem-vindo à 
oportunidade de fazer a sua mudança! 
Aqui você pode 
conhecer um 
pouco mais sobre 
mim, além das 
informações do 
meu currículo.
Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
Oi, meu nome é Gabrielle, mas todos me chamam de Gabi, 
isso porque grande parte das pessoas me confundem com 
Gabriela, mas meu nome tem dois “L” e “E”, então, prefiro 
que seja Gabi! Sou arquiteta e urbanista, apaixonada pela 
minha profissão e, quando criança, falava para os meus pais 
que eu teria uma profissão que me proporcionasse melho-
rar a qualidade das cidades, pois era inconformada em ver 
o “descaso” com elas. Então, foi aí que tudo começou! Eu me 
formei em Arquitetura e Urbanismo, mas, ainda, que atuasse 
na área (com escritório de arquitetura e interiores), parecia 
que faltava algo. Em toda minha vida, tive a referência da 
minha avó paterna, que era professora; por isso, busquei 
conhecer essa profissão, e me apaixonei. Hoje, sou docente, 
empresária, esposa e mãe de um menino lindo, que me ensina 
diariamente o quão importante é pensar nas pessoas e nos 
espaços que elas vivenciam, em busca de promover bem-es-
tar e qualidade de vida a elas. Ah! Sem deixar de pensar no 
meio ambiente e na natureza, os quais nos fazem vivenciar 
momentos importantes em nossa vida!
�https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9874
Quando identificar o ícone de QR-CODE, utilize o aplicativo Unicesumar 
Experience para ter acesso aos conteúdos on-line. O download do aplicativo 
está disponível nas plataformas: Google Play App Store
Ao longo do livro, você será convidado(a) a refletir, questionar e transformar. Aproveite 
este momento.
PENSANDO JUNTOS
EU INDICO
Enquanto estuda, você pode acessar conteúdos online que ampliaram a discussão sobre 
os assuntos de maneira interativa usando a tecnologia a seu favor.
Sempre que encontrar esse ícone, esteja conectado à internet e inicie o aplicativo 
Unicesumar Experience. Aproxime seu dispositivo móvel da página indicada e veja os 
recursos em Realidade Aumentada. Explore as ferramentas do App para saber das 
possibilidades de interação de cada objeto.
REALIDADE AUMENTADA
Uma dose extra de conhecimento é sempre bem-vinda. Posicionando seu leitor de QRCode 
sobre o código, você terá acesso aos vídeos que complementam o assunto discutido
PÍLULA DE APRENDIZAGEM
Professores especialistas e convidados, ampliando as discussões sobre os temas.
RODA DE CONVERSA
EXPLORANDO IDEIAS
Com este elemento, você terá a oportunidade de explorar termos e palavras-chave do 
assunto discutido, de forma mais objetiva.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/3881
ARQUITETURA E SOCIEDADE
Suponhamos que você, enquanto arquiteto(a) e urbanista, foi convidado(a) para pa-
lestrar em um congresso importante na área; o tema é Arquitetura e Urbanismo e sua 
importância para a sociedade. Durante a preparação do seu roteiro, você reflete sobre 
correlações da disciplina ao ambiente construído e o quanto a sociedade tem de res-
ponsabilidade sobre o espaço físico, além de compreender os elementos que interferem 
na qualidade de vida da sociedade, diariamente. Como você poderia explicar a nossa 
responsabilidade, enquanto catalisadores e formadores do espaço?
Sabemos que o arquiteto e urbanista tem como responsabilidade a formação dos 
espaços construídos; por isso, é importante que as edificações dos espaços urbanos 
sejam pensadas, uma vez que temos a responsabilidade de formatar as paisagens que 
compõem as cidades e, consequentemente, a responsabilidade sobre a qualidade de 
vida da sociedade. Isso porque o ambiente vivenciado propõe condições efetivas sobre 
o bem-estar e conforto dos usuários.
Deste modo, convido você a olhar para a sua cidade, em espacial, o seu bairro; de-
pois, analisar a qualidade das construções, as soluções arquitetônicas das edificações 
e, também, verificar os elementos urbanos, como os passeios públicos, ciclovias, sanea-
mento, áreas de lazer. Não deixe de observar as edificações, as soluções adotadas para 
os ambientes construídos etc. Estes elementos atendem às demandasda sociedade? 
É perceptível a intervenção dos profissionais arquitetos e urbanistas nestes espaços?
Neste panorama, qual deve ser a nossa conduta, enquanto profissionais formado-
res de espaço? Existem orientações e técnicas que devem ser cumpridas a fim de criar 
estes espaços com qualidade? Quais são os requisitos da sociedade, de modo geral, 
que devemos atender?
Para isso, é importante que reconheçamos alguns parâmetros essenciais que possi-
bilitam o estudo da Arquitetura e Sociedade. Na Unidade 1, faremos uma breve intro-
dução à disciplina de Arquitetura e Urbanismo, buscando compreender os conceitos 
iniciais que nos respaldam, durante todo o nosso estudo. Desse modo, pensamos em: 
o que é Arquitetura e Urbanismo? O que é Projeto? Quais são os elementos essenciais 
para a nossa produção profissional?
Na Unidade 2, estudaremos o Ambiente Construído. Nas primeiras discussões, con-
ceituaremos o termo; compreenderemos as escalas de atuação e, depois, destacaremos 
a importância da associação entre a Arquitetura e a Psicologia, trazendo a Psicologia 
Ambiental e seus parâmetros como elemento de reflexão espacial.
Na Unidade 3, daremos sequência à discussão do Ambiente Construído, mas, agora, 
sob a ótica do usuário, pensando na relação estabelecida entre pessoa e ambiente, o 
quanto os ambientes são reflexos desta interação dinâmica e como ele interfere no 
comportamento do usuário. 
Nas Unidades 4 e 5, discutiremos o Espaço Urbano e as Edificações sob o olhar da 
qualidade, buscando compreender o que é a “qualidade” e formas de reconhecê-la den-
tro dos ambientes construídos, em suas diferentes escalas. Buscamos, assim, observar 
a promoção de espaços que garantam as qualidades estética e técnica.
Ao chegar na Unidade 6, compreenderemos o conceito e a abordagem da Sociedade. 
Até o momento, a nossa conversa direcionou-se à Arquitetura e suas particularidades, 
ainda que sempre relacionada ao usuário e à sociedade, mas é preciso que tenhamos 
a ciência do que é este conceito e como formata-se esse fenômeno. Para tanto, nos 
dedicaremos ao estudo conceitual da sociedade.
Nas Unidades 7 e 8, estudaremos as questões sociais e ambientais no Brasil e re-
fletiremos sobre o panorama brasileiro. Desse modo, discutiremos a relação do am-
biente sob estas duas abordagens, sociais e ambientais, compreendendo as maiores 
problematizações que encontramos e as políticas sociais que atuam nestas questões.
E, por fim, na nossa última unidade, falaremos sobre a formação e a profissão do 
arquiteto e urbanista, buscando apresentar as particularidades da nossa profissão e 
detalhes práticos que possam auxiliar o reconhecimento da nossa responsabilidade 
diante da sociedade. 
Em suma, a intenção é que conheçamos o ambiente construído e o espaço urbano, 
além de compreender o contexto social e ambiental do Brasil, buscando a correlação 
da sociedade e do ambiente construído bem como a importância da arquitetura e do 
urbanismo no atendimento da qualidade. Dessa forma, você terá um panorama prático 
profissional e poderá utilizá-lo, durante a sua carreira.
Convido, então, você, enquanto arquiteto e urbanista, para esta tarefa de palestrar 
a respeito da nossa responsabilidade profissional; refletir sobre as questões discutidas 
e, por fim, trazer para nossa realidade as condições, buscando sempre cumprir o papel 
de profissional responsável pela formação de ambientes construídos com qualidade, 
fortalecendo a relação com os usuários, ou seja, a sociedade. Vamos nessa!
APRENDIZAGEM
CAMINHOS DE
1 2
43
5
11
53
31
71
ARQUITETURA E 
URBANISMO: UMA 
BREVE INTRODUÇÃO
6 113
SOCIEDADE: 
DISCUSSÕES 
IMPORTANTES
O AMBIENTE 
CONSTRUÍDO SOB A 
ÓTICA DO USUÁRIO
AMBIENTE 
CONSTRUÍDO: 
DISCUSSÕES 
INICIAIS
A QUALIDADE DO 
ESPAÇO URBANO
A QUALIDADE 
DAS EDIFICAÇÕES
95
7 135 8 165
AS POLÍTICAS 
AMBIENTAIS NO 
BRASIL
AS QUESTÕES 
SOCIAIS NO BRASIL
9 183
A FORMAÇÃO E 
A PROFISSÃO DO 
ARQUITETO E 
URBANISTA
1
Olá aluno(a), seja bem-vindo(a) à disciplina de Arquitetura e Sociedade! 
O nosso objetivo é auxiliar na sua compreensão teórica e crítica sobre 
as analogias contemporâneas da arquitetura, do espaço e da sociedade, 
além de debater as teorias sobre o espaço social e urbano, sem deixar, 
de lado, a apreciação da realidade brasileira e a sua arquitetura. Ou seja, 
o nosso objetivo é inserir o profissional arquiteto e urbanista e a sua 
produção na sociedade e, consequentemente, a nossa responsabilidade 
enquanto profissionais formadores do espaço. A intenção é apresentar 
a essência e os princípios que envolvem a nossa atividade profissional e 
compreender a complexidade e a importância de tais atividades. Nesta 
primeira unidade, Unidade 1, trataremos da Arquitetura e Urbanismo: 
uma breve introdução, na qual você aprofundará seus conhecimentos 
sobre as disciplinas de arquitetura e urbanismo bem como os conceitos 
correlacionados com esta temática. Ademais, buscaremos relacionar os 
principais aspectos que envolvem o projeto e a metodologia projetual.
Arquitetura e 
Urbanismo: Uma 
Breve Introdução
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
12
UNICESUMAR
Vamos lá! Para que possamos compreender o contexto em que estamos inserindo a nossa discussão, 
é preciso destacar dois pontos principais: o primeiro é que a arquitetura reflete valores e expressa gos-
tos e aspirações da sociedade como um todo, e o segundo é que o urbanismo vê e se ocupa em como 
organizar e planejar o espaço urbano de modo racional e humano. Ainda que estas ciências atuem 
com duas dimensões principais: a sociedade, o lugar e o tempo, há divergências entre os estudiosos 
quanto ao surgimento destas disciplinas; desta forma, você arriscaria dizer qual é o marco de início 
da arquitetura e do urbanismo como disciplinas essenciais à sociedade?
Arquitetura é habitualmente considerada como um ofício, arte ou técnica de organizar os espaços e 
criar ambientes em busca de hospedar as diferentes atividades, necessidades e expectativas dos usuários, 
objetivando a qualidade estética destes espaços. De tal modo, é perceptível que esta disciplina atua e 
acompanha o desenvolvimento da sociedade seja por meio dos espaços internos ou pelo espaço urbano. 
A arquitetura, que, por vezes, está associada à pintura, à escultura, à música e à literatura, sempre esteve, 
em sua essência, na organização dos espaços, levando em consideração a relação com o homem e suas 
atividades, além de ser definida pelo ambiente socionatural em que acontece.
Para a sociedade contemporânea, a principal tarefa dos profissionais arquitetos e urbanistas é o 
ordenamento espacial, se, lá no início das discussões sobre a arquitetura, falava-se sobre a preocupação 
com as construção dos espaços, apenas, para suprir a necessidade da habitação e da sobrevivência, 
atualmente, conseguimos perceber que envolve critérios e preocupações ainda maiores, ou seja, falamos 
de uma arquitetura acessível que traduz a preocupação com o espaço urbano e que envolve condições 
mais amplas e abrangentes devido à preocupação com a qualidade do que produzimos e o reflexo que 
resultará no espaço urbano.
Falar do início da arquitetura e do urbanismo é, essencialmente, tratar das variáveis essenciais: o 
espaço e o tempo, que são base de partida da história. Desta forma, compreende-se que a arquitetura 
tem sido discutida há muito tempo e se trata de um agente de desenvolvimento e transformações do 
espaço; é uma disciplina que decorre de muitos “saberes” relacionados à teoria e à prática da arquitetura 
é uma das ciências mais antigas dentro da sociedade.
Quer saber como é simples reconhecer a arquitetura no nosso dia a dia? Neste momento, você está 
realizando a leitura do material didático da nossa disciplina em um ambiente, independentemente 
de qual seja ele, olhe a sua volta, observe os elementos que o compõe, liste-os mentalmente, avalie as 
suas particularidades, a sua forma, as suas cores e as texturas bem como atente-se às questões técnicas 
as quais inseriramestes elementos neste ambiente. Agora, feche os olhos, perceba e sinta este espaço, 
permita-se experimentá-lo... agora, pense: quais sentimentos surtiram em você neste espaço? 
Podemos listar inúmeras decisões inerentes à produção do espaço, e, além do reconhecimento des-
tes elementos, é essencial que você faça uma breve reflexão acerca do quanto este ambiente impacta a 
vida das pessoas que o utilizam. Este ambiente atende às necessidades dos usuários? Possui soluções 
adequadas e integradas? Há modos de promover melhorias para este ambiente? Faça as suas anotações 
no #Diário de Bordo#. 
13
UNIDADE 1
Figura 1 - Ambiente corporativo
Descrição da Imagem: a Figura 1 apresenta um ambiente corporativo com estilo industrial, aparentemente, desti-
nado às atividades de escritórios. O espaço é composto por materiais de acabamentos, como tijolos aparentes nas 
paredes ao fundo, forro com pequenos arcos revestidos em madeira clara e piso vinílico em tons escuros. Quanto 
aos mobiliários, utilizou-se estações móveis de trabalho com bases metálicas e tampos em madeira, cadeiras mó-
veis e mobiliário de apoio ao fundo na cor preta para armazenagem de materiais; por fim, observa-se a presença 
da vegetação natural no ambiente. Destaca-se, ainda, grandes janelas promovendo iluminação natural em todo 
o ambiente, além de pendentes estrategicamente posicionados demarcando as áreas de trabalho. Observa-se a 
dominância das cores preta, laranja e branca. 
Vamos tentar juntos? Imagine que 
seja este o seu escritório de arqui-
tetura (veja a Figura 1, a seguir) e 
que você, diariamente, passa seis 
horas por dia neste espaço. Qual 
é a sensação que este ambiente 
proporciona a você? O que você 
percebe neste espaço? O que 
qualifica e desqualifica esse es-
paço para você?
14
UNICESUMAR
Nesta discussão é importante pensar sobre alguns pontos-chave, vejamos:
• A primeira questão a ser avaliada refere-se ao propósito do projeto e/ou do ambiente, em que 
visamos entender a essência do espaço, ou seja, qual é a identidade do espaço? O que se inten-
ciona comunicar ao usuário?
• A segunda questão refere-se à relação do espaço e o homem, ou seja, a área destinada às ativi-
dades a serem desenvolvidas em tal ambiente atende aos requisitos mínimos de funcionalidade 
e ergonomia? O leiaute é adequado? Ele atende aos critérios de acessibilidade? Por exemplo, o 
dimensionamento das bancadas de trabalho é coerente com as atividades desenvolvidas? A área 
de afastamento das cadeiras é coerente? Há circulações adequadas à quantidade de usuários 
que ocupam o ambiente?
• Por fim, os materiais aplicados acompanham a função do espaço quanto à diversidade dos 
usuários? Eles atendem ao tráfego? A limpeza, as texturas e as cores auxiliam a comunicação e 
a compreensão do espaço? Há conforto no ambiente? 
Ou seja, sob a ótica profissional, é preciso que tenhamos um olhar pautado nas soluções técnicas e 
estéticas, as quais buscam pelo entendimento do comportamento e dos anseios dos usuários, objeti-
vando a criação de espaços funcionais e estéticamente agradáveis.
É possível reconhecer que a Figura 1 se trata de um ambiente corporativo e que, possivelmente, 
atende às demandas de um escritório de arquitetura, e isto pode ser assegurado, devido à identidade 
estabelecida no lugar. Além disso, é possível definir o espaço como criativo e inovador, consideran-
do, inicialmente, a definição do leiaute, a sua organização centralizada na integração das estações de 
trabalho e a ausência de separação e/ou segmentação das áreas de trabalho por meio de divisórias.
Ainda em relação à Figura 1, destacam-se os materiais especificados, que valorizam o sensorial, 
por meio das texturas, como os tijolos aparentes, a paginação do piso vinílico e o uso dos metais nos 
mobiliários, isto é, as características primordiais do estilo industrial, que são reforçadas pela definição 
de iluminação natural e o design de mobiliários adequados. Direcionando a discussão aos critérios que 
envolvem a relação do espaço e do homem, é perceptível que o ambiente considerou o dimensionamento 
adequado das áreas de trabalho, de modo a orientar as circulações e priorizar a funcionalidade do espaço. 
A experiência que realizamos teve como objetivo apresentar a você um conceito recentemente 
discutido, no entanto essencial à arquitetura e ao urbanismo, que se refere às experiências dos usuários 
nos espaços, que possuem compreensões diferentes em relação ao ambiente construído. Para isso, é 
importante que conheçamos a respeito da experiência do usuário, em inglês, user experience (UX), que 
concentra a sua discussão na relação no comportamento do usuário em relação ao ambiente construído. 
Os estudiosos defendem a vertente de que o comportamento humano, em relação ao ambiente, 
depende de valores subjetivos, como as experiências já vividas e os valores culturais aos quais estão 
inseridos, e, com isso, o atribui significados particulares, buscando a interpretação da realidade. Sendo 
assim, pode-se afirmar que a realidade de cada um é única (BESTETTI, 2004).
Bestetti (2004) coloca que é comumente adotado pelos estudiosos que o comportamento humano 
frente ao ambiente físico, depende de valores subjetivos como por exemplo, as experiências vividas, 
15
UNIDADE 1
Para compreender a arquitetura enquanto ciência, destaca-se o arquiteto Marcus Vitruvius 
Pollio, conhecido como Vitrúvio, que viveu no século I a.C. e ficou conhecido pelo Tratado da 
Arquitetura, única obra teórica de arquitetura publicada (HINTZEN-BOHLEN; SORGES, 2006). 
Este tratado é organizado em dez livros, divididos em capítulos dedicados a matérias especí-
ficas que permeiam entre as considerações sobre os requisitos necessários ao arquiteto e à 
arquitetura, como os materiais utilizados, as proporções e as comparações com a do corpo 
humano, as ordens da arquitetura, entre outros.
Fonte: adaptado de Hintzen-Bohlen e Sorges (2006).
os valores culturais, entre outros, e com isso, cada usuário atribui significados particulares ao espaço, 
buscando a sua interpretação particular da realidade. 
Para a arquitetura, discute-se a respeito da experiência do usuário a experiência do usuário é dis-
cutida a partir da percepção, ação, motivação e cognição associada ao lugar, ao tempo, às pessoas e 
aos objetos (HASSENZAHL; TRACTINSKY, 2006). Assim, compreende-se que a experiência surge 
da influência mútua de diferentes sistemas, tratando-se, portanto, de um fenômeno pessoal e indivi-
dual de percepções e respostas que emergem quando se interage com um produto (OLSSON, 2013). 
Okamoto (2002), em concordância, defende que esta subjetividade é inerente aos sentidos internos, às 
motivações pessoais e à interpretação de fatos que dão origem às ações externas; e, por saber que cada 
ação é precedida de um pensamento consciente ou inconsciente, o desafio do profissional arquiteto é 
compreender a origem dessas atitudes, a qual modela o comportamento dos usuários.
Neste trajeto, atuar no design centrado no ser humano, como o campo de user experience (UX), é 
trazer o usuário para dentro do processo, isto é, inserir, justamente as pessoas dentro disso, é justamente 
inserir as pessoas que fazem uso de um produto ou serviço. Um profissional que prioriza UX será, assim, 
precisamente, aquele que irá alinhar, refinar e reconciliar objetivos de negócios de acordo com o que o 
usuário precisa. Após esta reflexão, é possível compreender que a arquitetura é uma disciplina complexa 
e multifacetada, que exige conhecimentos técnicos e estéticos a serem aplicados em suas produções, 
além de considerar as questões subjetivas que envolvem os espaços e quem se relaciona com eles. 
A arquitetura é uma ciência baseada no conhecimento e ela está relacionada à construção física e 
ao emprego dos conhecimentos sobre o comportamento, a percepção e a cultura para criar espaços 
que dêem suporte aos usuários e, desta forma, ela se associa às ciências sociais. Assim, a arquitetura é 
a mais conservadora das arteshumanas, e as suas mudanças têm sido motivadas pelos usuários. 
De acordo com Colin (2002), a palavra arquitetura tem origem grega, em que tecton significa 
construtor ou carpinteiro e arkhi tem seu significado associado à superioridade. O autor destaca ainda 
que Vitrúvio, nomeado o primeiro arquiteto, define arquitetura como “significado e significante”, em 
que o significado é o tema (do que se fala), trata-se da forma, e o significante é uma demonstração 
desenvolvida com argumentos científicos, trata-se do conceito, ou seja, é a interação entre a forma e o 
conteúdo, considerando o lado experimental versus o lado conceitual. 
16
UNICESUMAR
Descrição da Imagem: a Figura 2 mostra um triângulo equilátero representando o Triângulo de Vitrúvio. Nas três 
vértices desse triângulo, há círculos que representam os três pontos que compõem a arquitetura, ou seja, cada uma 
dessas vértices aponta os três princípios básicos, que, quando integrados, produzem uma arquitetura eficiente. O 
primeiro princípio (vértice superior) é definido pelas utilitas, que se refere ao componente funcional (uso); o segundo 
(vértice inferior à esquerda) é definido pelas firmitas, que se refere ao componente técnico (matéria); e, por fim, o 
terceiro princípio (vértice inferior à direita) é definido pelas venustas, que se refere ao componente estético (beleza).
Figura 2 - Triângulo de Vitrúvio / Fonte: a autora.
Vitrúvio, ainda, deixou seu legado: apresentou um modo de compreender a arquitetura a partir 
de três princípios básicos: as firmitas, referente à solidez, a utilitas, referente à funcionalidade, e as 
venustas, referente à beleza. 
Neste contexto, Marques (2012, p. 5-6) aponta as principais características apresentadas pelo arquiteto:
• Utilitas: a palavra função deriva do latim functio/functionis. Todo o espaço arquitetônico destina-se a determinado 
fim, sem o qual não tem necessidade de existir. 
• Firmitas: a sua origem encontra-se no termo grego teknné, que significa “arte ou maneira de agir”. A técnica defi-
ne-se como o conjunto de regras ou procedimentos para se fazer algo com determinada finalidade. 
• Venustas: a estética provém da palavra grega aisthesis, que significa percepção sensorial, mas cuja definição pode 
ser ampliada como a da ciência das aparências perceptíveis, da sua percepção pelos homens e da sua importância 
para estes como parte do sistema sociocultural.
17
UNIDADE 1
Descrição da Imagem:a Figura 3 apresenta um círculo com um quadrado e a figuração de um homem com os braços 
e pernas abertas, representando o Homem Vitruviano, definido por Leonardo da Vinci, que ao relacionar o corpo 
humano à proporcionalidade e ao nível de perfeição das formas, apontou as proporções ideais, segundo o modelo 
clássico. Na imagem, há a sobreposição de imagens de um homem nu, em quatro posições diferentes, em que se 
observa os braços em duas posições: na primeira, eles estão dispostos em ângulos de 90 graus e, na segunda, estão 
mais deslocados mais acima da cabeça. Quanto às pernas, observa-se que elas estão abertas e fechadas, com um pé 
apresentado frontalmente e outro lateralizado. 
Figura 3 - O homem de Vitrúvio
A arquitetura, ainda que permeie por caminhos artísticos, é uma ciência que engloba con-
dições técnicas. Neste panorama, é importante que saibamos reconhecer o processo que é 
estabelecido nesta disciplina, ou seja, é importante que reconheçamos o que é o projeto, a 
sua metodologia e as demais particularidades inerentes a nossa produção. 
Além disso, também, fala-se sobre a experiência de vida adquirida na própria natureza: o bom co-
nhecimento da natureza é a base do conhecimento e da orientação para a elaboração de espaços mais 
saudáveis e, para isso, é necessário compreender os comportamentos dos animais e dos vegetais locais. 
E, por fim, é importante reconhecer que a medida de todas as coisas estará associada ao corpo humano 
— quando falamos, então, da escala e do número da harmonia (KONG, 2009).
18
UNICESUMAR
Ao falarmos da representação e da comunicação de ideias, entraremos no campo 
do projeto e o ato de projetar; inicialmente, conheceremos a definição de “projeto”. 
Segundo a NBR 13.531, o termo refere-se à “determinação e representação prévia do 
objeto (urbanização, edificação, elemento da edificação, instalação predial, compo-
nente construtivo, material para construção) mediante o concurso dos princípios e 
das técnicas próprias da arquitetura e engenharia” (ABNT, 1995, p. 2).
Melhado (1994) apresenta algumas definições para a palavra projeto, referindo-se 
ao termo, basicamente, como procedimento ou prática de projetar. O autor descreve, 
ainda, que o projeto de edificações deve incorporar a visão de produto, ou seja, a 
forma, as funções e o processo de produção dele.
 “
[...] propôs-se o conceito de projeto como uma atividade ou serviço 
integrante do processo de construção, responsável pelo desenvolvi-
mento, organização, registro e transmissão das características físicas 
e tecnológicas especificadas para uma obra, a serem consideradas na 
fase de execução. Dentro da mesma orientação, definiu-se projeto 
para produção: conjunto de elementos de projeto elaborados de 
forma simultânea ao detalhamento do projeto executivo, para uti-
lização no âmbito das atividades de produção em obra, contendo as 
definições de: disposição e sequência das atividades de obra e frentes 
de serviço; uso de equipamentos; arranjo e evolução do canteiro; 
dentre outros itens vinculados às características e recursos próprios 
da empresa construtora (MELHADO, 1994, p. 8).
Falar sobre o projeto e seu processo, Kowaltowski et al. (2006) destacam que os mé-
todos de projetos arquitetônicos possuem grande complexidade por se tratarem de 
uma área intermediária entre a ciência e a arte, além de abrangerem um panorama 
técnico de sistema de avaliação de desempenho das edificações e dos indicadores de 
qualidade de projetos, entre outros. Portanto, ressalta-se a inexistência de métodos 
rígidos e universais entre os profissionais, mesmo que existam procedimentos que 
são, comumente, adotados por eles.
As relevâncias das discussões das metodologias de concepção de projetos de 
arquitetura, na indústria da construção civil, são derivadas de parte substantiva dos 
problemas de edificações, devido a falhas na etapa de elaboração de projeto. Desta 
forma, é possível compreender que os projetos têm papel fundamental no atendimento 
dos requisitos de qualidade dos produtos construídos e na edificação dos sistemas 
de produção (FABRÍCIO, 2002). 
19
UNIDADE 1
Ainda que se fale da arquitetura como uma ciência antiga, que podemos datá-la 
como tão antiga quanto a humanidade, desde que o homem se preocupava em “ha-
bitar”, muitas das discussões referem-se ao “ato de projetar”, ou seja, reflete-se sobre 
o processo de projeto. A arquitetura é, amplamente, discutida entre os pesquisadores 
e, ainda que seja baseada em um raciocínio de investigação, especulação e interpre-
tação, que, de modo bastante assertivo, é defendida por Silva (2011) como a arte de 
responder a algum problema, ela não possui um único caminho correto, ou uma 
única teoria sobre como projetar.
Para Lawson (2004), uma comparação bastante simples refere-se ao ato de 
projetar e ao jogo de xadrez, o qual não possui divisões em casas, ou seja, existem 
as peças que podem ser inventadas e movimentadas conforme o jogo avança, e 
as regras podem ser alteradas à medida que os movimentos são realizados, as-
sim, a atuação e o objetivo do jogo não estão definidos no início e podem sofrer 
alterações enquanto o jogo acontece. 
O desafio profissional dos arquitetos é tornar a arquitetura centralizada no 
atendimento às expectativas dos usuários, desde os aspectos básicos de habitabi-
lidade até as condições estéticas, associando, em seus projetos, os valores estéti-
cos/formais e o desempenho do ambiente construído, sem deixar, de lado, a sua 
qualidade funcional (VOORDT; WEGEN, 2013). Neste quesito, considera-se os 
seguintescritérios de desempenho: funcionalidade, conforto ambiental, acessi-
bilidade, segurança pública, privacidade, flexibilidade, entre outros, em busca de 
medir a satisfação dos usuários. 
Ao falarmos de projeto, precisamos entender que uma das suas maiores dificul-
dades se refere à má elaboração do programa de necessidades, estruturado por meio 
do briefing, em que falta planejamento e entendimento das premissas e expectativas 
do cliente por parte do arquiteto (KOSKELA, 2000). Para isso, é importante que com-
preendamos o que é o programa de necessidades e/ou programa arquitetônico.
 Peña e Parshall (2001) definem a programação (do inglês, programming) como 
um processo que conduz ao encontro do problema arquitetônico e às exigências a 
serem cumpridas, em busca de oferecer as soluções adequadas ao problema. Este 
instrumento tem natureza reflexiva, informativa, crítica, orçamentária e contratual 
e é dividido em três seções: a primeira refere-se às condições limitantes, as quais 
envolvem os pré-requisitos, como as leis, as normas e as questões financeiras; a se-
gunda, às características do grupo-alvo, as quais descrevem as metas da organização 
dos usuários e suas atividades; e, por fim, a terceira define as necessidades relativas 
ao objeto, à configuração espacial e aos componentes da edificação (Figura 4).
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UNICESUMAR
Descrição da Imagem:a Figura 4 mostra o ciclo do processo de projeto e execução a partir da representação de três 
círculos maiores que contemplam os agentes: projetistas, construtora e usuário/cliente. Mais ao centro, há mais três 
círculos que representam a construção, o projeto e o programa de necessidades, todos eles conectados por meio de 
setas. Esta figura dá destaque ao programa de necessidades, que está representado pelo círculo em vermelho, e a sua 
importância neste processo, tratando-se do instrumento inserido nas etapas de projeto, programação e execução. 
Figura 4 - O programa de necessidades no processo de projeto e execução
Fonte: adaptada de Vrielink (1991 apud VOORDT; WEGEN, 2013).
A estruturação das informações do projeto que um programa de necessidades deve abranger e serve como 
checklist para a atividade de programação; dessa forma, compreendemos que a programação arquitetônica 
é uma fase relacionada à definição do projeto, ou seja, ao momento em que se descobre a natureza do 
problema projetual, na qual os valores do cliente, do usuário e do arquiteto são identificados, os objetivos, 
articulados e o processo de gerenciamento das necessidades é iniciado (HERSHBERGER, 1999). 
O programa de necessidades é um registro das premissas, dos desejos e das condições limitan-
tes como parte do processo de construção, que é elaborado a partir de uma análise meticulosa da 
organização das atividades a serem abrigadas nas edificações e das condições especiais necessárias e 
desejadas para o projeto (VOORDT; WEGEN, 2013). Desta forma, o programa arquitetônico é um 
procedimento de análise, e seu objetivo é listar as condições do contexto em que um edifício operará 
em termos de requisitos funcionais.
21
UNIDADE 1
Vamos pensar um pouquinho mais a respeito do projeto e seu 
processo de elaboração? Já percebemos que a construção das edi-
ficações é composta por diferentes especialidades de projeto e, com 
isso, demanda soluções que imprimam qualidade de detalhamento, 
em busca de atender às diferentes especificidades de cada etapa de 
projeto e execução. Vale a pena conversarmos um pouquinho mais 
referente a estas questões que envolvem o projeto e a sua metodo-
logia! Dê um play no nosso podcast! 
Para fechar a nossa discussão a respeito de projeto, relembre-se 
de que Oliveira e Melhado (2006) descrevem o projeto como ati-
vidade integrante de um processo de execução, que envolve desde a etapa de organização, desenvolvi-
mento e registro das informações até a transmissão de características físicas e tecnológicas específicas 
de uma obra, pois, assim, o projeto é capaz de compreender desde a identificação das oportunidades 
até as especificações dos requisitos e das características a serem entregues aos clientes. 
Compreendendo a abrangência do projeto e olhando para “onde” ele se insere, sairemos de uma 
visão centralizada na arquitetura e adentramos ao mundo do Urbanismo, e você perceberá que eles são 
indissociáveis e que a nossa produção faz mais sentido quando estas disciplinas caminham de forma 
integrada e complementar. Neste contexto, é válido destacar que muitos pesquisadores defendem 
que não há concepção arquitetônica sem a inserção em um meio, ou seja, em um contexto, sem que 
saibamos reconhecer o local ao qual temos a responsabilidade de produzir. Para isso, é importante 
conceituarmos Urbanismo, palavra originada de urbis, que significa cidade. 
O Urbanismo é considerado uma disciplina com foco na definição, organização e planeja-
mento de uma cidade. Para uma reflexão mais técnica, ainda que não haja um consenso quanto 
a esta definição, há uma divisão entre o determinismo ambiental e o reflexismo sociológico. Para 
nossa disciplina, permearam as práticas do determinismo ambiental, o qual defende os critérios 
que adotamos enquanto profissionais e centraliza a ideia de que o meio ambiente pode definir e 
influenciar as funções e o psicológico dos usuários em função das relações de causa e efeito na 
conformidade entre a natureza e o homem. 
Antes de iniciarmos a nossa conversa sobre o termo cidade, é importante que compreendamos o 
conceito de lugar, visto que esse elemento é essencial à arquitetura. Mahfuz (2004) coloca que o pro-
jeto de arquitetura de qualidade defende o seu entorno, e a arquitetura, neste quesito, funde-se com o 
urbanismo e, por meio do ato de projetar, deve estabelecer relações das partes, individualmente, com 
o todo, sejam elas internas ou o que cada edifício estabelece com a sua paisagem urbana. 
O conceito de lugar abrange as identidades particulares e a existência de um espaço específico, 
além de considerar que o lugar possui contextos (sociais, históricos, políticos, econômicos, culturais 
e físicos) e compõe aspectos sensíveis, empíricos e simbólicos. Para a arquitetura, o lugar é a essência 
dos acontecimentos, e é ela que modifica a paisagem e cria o “lugar” (DANTAS, 2007). 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6766
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UNICESUMAR
Mahfuz (2013) coloca, como criativo, o arquiteto que traz respostas ao lugar, 
soluções para as necessidades humanas. Atualmente, são inúmeras as necessidades 
humanas, que vão desde as necessidades básicas de alimentação até o uso sus-
tentável dos recursos naturais. Desse modo, Colin (2002) relata que a arquitetura 
exprime um produto cultural de uma sociedade, isto significa que, sob a visão 
antropológica, a arquitetura apresenta um produto da cultura quanto à forma 
que nos organizamos em sociedade. 
Vale ressaltar que, ainda que a palavra sociedade possa ter diversos significados, 
neste contexto, ela se trata do agrupamento humano que vive sob regras e costumes 
em comum, o qual requer trocas cognitivas e morais no intercâmbio com os iguais. 
Desta forma, estas relações sociais eminentes à sociedade produzem e organizam 
o espaço e o tempo; assim, a arquitetura e o urbanismo promovem a construção 
de novos significados para a cidade, que traz a representação e a comunicação de 
ideias referentes ao espaço construído, baseado na história e na teoria da arquite-
tura e do urbanismo. Ou seja, estamos, a todo momento, construindo a sociedade 
e seus significados e, consequentemente, o ambiente construído.
Faremos uma pausa em nossa leitura para 
conversarmos um pouquinho mais sobre o 
conceito de sociedade, tanto para a Sociologia 
quanto para a Arquitetura. Ainda que seja uma 
discussão complexa, é essencial que saibamos 
trazer o conceito à frente do debate da arquite-
tura e do urbanismo! Tenha a sua dose extra de 
conhecimento assistindo ao vídeo! 
Ao falar do elemento base do Urbanismo, a 
cidade, Farrelly (2014) define que ela abriga as 
construções,e a arquitetura é o reflexo de cul-
tura e sociedade, abrigando pessoas e modos de vidas diferentes. Entende-se que a 
cidade é o cenário de trabalho do profissional arquiteto, que indiferente da escala 
de produção, insere-se no contexto urbano.
Ching e Eckler (2014) afirmam que a cidade é composta de um conjunto de es-
truturas diferentes, como os bairros, o sistema viário e as edificações, e ele atende às 
necessidades específicas daquele usuário, naquele lugar, ou seja, a cidade passa a ser 
a composição de diversidades e, inevitavelmente, resulta em diversidade de soluções 
de projeto. Definir o termo cidade é complexo, conforme defende Rolnik (1988), 
pois exige certo grau de abstração; ela é entendida como esfera política e descrever 
o processo de morar em cidade implica viver em uma dimensão pública de forma 
coletiva. Assim, ser habitante de cidade significa participar, de alguma forma, da vida 
pública, ainda que, apenas, pela submissão a regras e regulamentos. 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/6765
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UNIDADE 1
Falar de “cidade” e suas particularidades, como vimos, é algo bastante 
complexo, envolve abordagens físicas e subjetivas, e, neste contexto, é 
importante que saibamos reconhecê-la, sob a ótica da percepção. Em 
busca de compreender estes principais conceitos, pesquisadores do 
Urbanismo buscaram organizar e agrupar os elementos formadores do 
espaço em grupos e descrevê-los. Desta forma, Kevin Lynch, pesquisa-
dor que influenciou o Planejamento Urbano por meio de seu trabalho, 
que se baseia na teoria da forma urbana e da percepção do ambiente das cidades, escreveu 
uma das obras mais importantes nomeadas: A Imagem da Cidade. O autor identificou que 
as informações que os usuários se apropriam para estruturar sua imagem da cidade podem 
ser agrupadas em cinco grandes tipos: caminhos, limites, bairros, pontos nodais e marcos. 
Segundo o autor, essa percepção é feita aos poucos, durante a vivência e a experimentação 
relacionadas com o entorno em que está inserido. Vale a pena dedicar-se à leitura do livro, que 
apresenta, de forma bastante compreensível, as condições que envolvem a nossa percepção 
sobre a cidade, elemento que falaremos bastante durante a nossa disciplina. 
Descrição da Imagem:a Figura 
5 mostra vários barracos em si-
tuações precárias, além de um 
ambiente sujo, com a ausência 
de manutenção adequada. Re-
fere-se a um exemplo de favela, 
por meio de barracos deprecia-
dos, que apresentam tais habi-
tações em condições precárias, 
sendo a ocupação da área de 
modo desorganizado, sem a 
preocupação com a infraestru-
tura básica e o estabelecimento 
de critérios de habitabilidade. 
Figura 5 - Ocupação habitacional
Agora sim é possível entendermos algumas questões que viemos discutindo nesta unidade e, em busca 
de compreendermos, principalmente, a importância da arquitetura frente à sociedade, avaliamos 
algumas questões. Imagine que você, arquiteto(a) e urbanista, depara-se com a seguinte paisagem:
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UNICESUMAR
Sabendo a necessidade de reconhecer os critérios que definem a 
organização e a disposição dos agentes da construção civil, este Guia, 
Desempenho das Edificações Habitacionais – Guia orientativo para 
atendimento à norma ABNT NBR 15575/2013, que objetiva colocar à 
disposição de consumidores e fornecedores uma leitura complemen-
tar à norma, mas que contribui ao entendimento das informações 
técnicas sobre produtos e projetos pela melhoria da qualidade da 
habitação, é gratuito e pode ser baixado por meio do QR-code. 
Qual é a sensação que esta imagem causa a você? Qual é a sua percepção sobre habitar este espaço? 
Qual é o seu entendimento sobre habitabilidade? Antes de iniciarmos a nossa reflexão acerca da Figura 
5, é importante ressaltarmos a conceituação de habitabilidade. A NBR 15.575, que trata da Norma de 
Desempenho das Edificações Habitacionais, define habitabilidade por “manter a satisfação do usuário 
durante a utilização do imóvel” (ABNT, 2013, p. 8.) e, nesse âmbito, há exigências a serem cumpridas, 
como: estanqueidade da água, desempenho térmico, desempenho acústico, desempenho lumínico, 
saúde, higiene e qualidade do ar, funcionalidade e acessibilidade, conforto tátil e antropodinâmico. 
Outra vertente que revela condições de habitabilidade é defendida por Oliveira (2013) como a relação 
e adequação do homem ao seu entorno, que estão associadas às questões de conforto ambiental, es-
pacial e psicossocial. Ainda, destaca-se as questões construtivas, como a segurança e a manutenção da 
moradia. Esta é uma concepção ampla do termo habitabilidade, talvez, a mais apropriada para alcançar 
níveis desejáveis para uma habitação adequada. 
Sabemos que as áreas ocupadas sem organização e/ou as favelas são o conjunto de habitações que, 
de modo desorganizado e bastante denso, ocupa determinada área, seja ela pública ou privada e, na 
maioria das vezes, sem infraestrutura básica, em que os usuários se organizam de acordo com as suas 
possibilidades. Estas são respostas ao processo de urbanização indissociável do período da industria-
lização, nas décadas de 50 a 70, anterior ao fenômeno da concentração urbana no Brasil (CAMPOS, 
1999). Falaremos destas questões durante a nossa disciplina, o importante, neste momento, é que 
saibamos que a ausência do planejamento urbano, frente ao processo de organização da cidade e das 
habitações, coloca a qualidade de vida dos cidadãos em jogo.
Agora, observe a figura a seguir:
https://site.abece.com.br/download/pdf/130626CBICGuiaNBR2EdicaoVersaoWeb.pdf
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UNIDADE 1
Descrição da Imagem: a Figura 6 refere-se a um conjunto habitacional na cidade de Mendoza, 
na Argentina. Ele apresenta a organização das habitações sociais, sendo possíveis de serem 
observadas pela repetição das residências e pelas decisões arquitetônicas, visto a organização 
e a definição pelas premissas de atendimento às infraestruturas básicas. O conjunto apresenta 
seis habitações na cor verde e seus acessos.
Figura 6 - Conjunto Habitacional Las Heras, Argentina.
É perceptível que a Figura 6 se trata de um conjunto habitacional, o qual se refere 
a uma habitação pública, visando aos beneficiários acesso à moradia popular e a 
possíveis transformações de favelas. Ainda que não haja comparação entre as habi-
tações nas duas situações apresentadas, o meu convite é para que você, profissional 
de arquitetura e urbanismo, volte seu olhar para os espaços que são edificados na sua 
cidade, no seu estado e no seu país. Observe quais são as decisões arquitetônicas que 
impactam o espaço construído e verifique as resoluções arquitetônicas, em busca de 
auxiliar as questões públicas quanto ao direito dos cidadãos à moradia.
Aqui está a primeira questão que envolve a importância da arquitetura e sua função 
social frente à sociedade. Nós, arquitetos(as) e urbanistas, somos responsáveis pelo 
desenvolvimento social e econômico, bem como dinamizadores nas transformações 
e nas expectativas de uma sociedade. Somos, sim, capazes de atuar na linha de frente 
das políticas habitacionais, auxiliando na promoção de melhor qualidade de vida aos 
usuários. Olhando para a história da arquitetura, ainda, aprofundar-nos-emos neste 
estudo durante a nossa disciplina. 
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UNICESUMAR
Descrição da Imagem: o mapa mental representa, de modo sucinto, os temas abordados nesta unidade, sendo eles: 
Arquitetura e Urbanismo: uma breve introdução, os conceitos de arquitetura e urbanismo, sociedade e projeto e, 
para cada um deles, há um desdobramento dos itens que envolvem a nossa percepção espacial e sua relação com o 
usuário. Em relação à arquitetura, os termos “cidade” e “lugar” foram abordados, que, em consonância com o grupo 
“sociedade”, trouxemos o critério das relações sociais e, em conjunto com a arquitetura e o urbanismo, a relação 
entre o homem e o espaço, ou seja, os aspectos que envolvem a “experiência do usuário”. Por fim, no que tange ao 
projeto, buscou-se objetivar o ato de “planejar”, além de referenciar dois pontoscruciais nesse aspecto, o programa 
de necessidades e a Tríade Vitruviana.
Figura 7 - Mapa mental / Fonte: a autora.
Muitos autores dizem que a arquitetura nasce junto à sociedade, mesmo que ela não seja nomeada 
como tal e que a sua história venha acompanhando o desenvolvimento da sociedade em diferentes 
formas de aparições. Entende-se que a arquitetura, efetivamente, nasceu a partir do momento que 
houve a preocupação com a relação do homem e o espaço, mesmo que seu objetivo maior era/é tornar 
belos e funcionais os espaços
Nós, profissionais da arquitetura e urbanismo, somos atuantes na disciplina que objetiva produzir 
e organizar os ambientes construídos e trazê-los à utilização do ser humano, ou seja, produzir e orga-
nizar espaços para os usuários e suas funções, em busca de atender às diversas demandas de ordem 
funcional, técnica e estética. 
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Agora é com você! Desenvolva um mapa mental que organize os conteúdos estudados, seguindo 
o exemplo da Figura 7. É importante que este mapa traga à tona os elementos-chave, para que 
você compreenda os itens que debatemos e para que, deste modo, possamos firmar o conteúdo 
e darmos sequência a nossa conversa! Bom trabalho! 
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1. Leia o texto a seguir: 
Na arquitetura, ao se falar da concepção e execução de um projeto, seja um mobiliário 
ou um edifício, deve-se levar em conta a sua escala e, consequentemente, a dimensão 
de quem o utilizará, ou seja, o usuário, pois inúmeras teorias ocorrem acerca destas 
questões e objetivavam criar parâmetros e ordens acerca da dimensão humana. O 
primeiro arquiteto a evidenciar estas questões do Homem Vitruviano e os três princí-
pios básicos formadores da arquitetura foi Marcus Vitruvius Pollio (HINTZEN-BOHLEN; 
SORGES, 2006). 
HINTZEN-BOHLEN, B.; SORGES, B. von J. Roma: arte e arquitetura. Königswinter: Ko-
nemann, 2006.
Com base neste contexto, assinale a alternativa correta:
a) Ao se falar da Tríade Vitruviana, entende-se que os elementos formadores da arqui-
tetura envolvem a função e a técnica, apenas. Critérios, como beleza e estética, são 
elementos irrelevantes na definição dos produtos arquitetônicos.
b) Ao falar do Homem Vitruviano, o arquiteto Marcus Vitruvius Pollio, defende que a 
medida de todas as coisas está associada ao corpo humano, relacionando as despro-
porções e a imperfeição das formas.
c) Ao se falar da Tríade Vitruviana, entende-se que os elementos formadores da arqui-
tetura envolvem as utilitas, as firmitas e as venustas, ou seja, a função, a técnica e a 
estética, respectivamente.
d) Vitrúvio foi o único arquiteto a discutir sobre as questões da escala e sua relação com 
o homem, que, mais tarde, definiu o Homem Modulor, desenhado para atender às 
demandas sem desperdiçar o espaço.
e) Vitrúvio dedicou-se a definir dimensionamentos adequados às atividades e concluiu 
que não há qualquer relação entre o dimensionamento espacial e a sua funcionalidade. 
2. Em relação ao projeto de arquitetura, Leupen (2004, p. 14) diz que ele “não é um pro-
cesso linear, em que uma tarefa específica conduz a uma única solução. É um processo 
em que todos os aspectos relevantes são submetidos a um rigoroso juízo crítico”
LEUPEN, B. et al. Proyecto y análisis: evolución de los principios en arquitectura. Bar-
celona: Gustavo Gilli, 2004.
Com base neste contexto, analise as afirmativas a seguir:
I) A palavra projeto pode ser enquadrada como a concepção e o desenvolvimento do 
produto, trazendo, exclusivamente, as especificidades do que se está produzindo.
II) Uma das etapas necessárias do projeto refere-se à identificação das necessidades 
dos clientes, que, além de considerar a qualidade da solução adotada no projeto, 
gera a qualidade do produto.
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III) Pode-se definir projeto pela determinação e representação prévia do objeto, mediante 
a organização dos princípios e das técnicas próprias da arquitetura e da engenharia.
É correto o que se afirma em:
a) Apenas, I. 
b) Apenas, II. 
c) Apenas, III. 
d) Apenas, I e II. 
e) Apenas, II e III. 
3. Lynch (1960) defende que o modo de alcançar a qualidade na cidade é dado por meio 
do acúmulo dos elementos que constituem a paisagem, e estes elementos são agru-
pados em cinco grandes tipos: vias, limites, bairros, cruzamentos e pontos marcantes. 
LYNCH, K. The image of the city. Cambridge: The MIT Press, 1960.
Com base neste contexto, analise as afirmativas a seguir:
I) Os limites para o urbanismo referem-se aos elementos lineares não entendidos 
como vias pelo usuário, são fronteiras entre duas faces, quebras de continuidades 
lineares, como: praias, construções, muros, entre outros. Ou seja, são referências 
laterais coordenadas.
II) Os bairros são regiões médias ou grandes de uma cidade, concebidos como dotados 
de extensão bidimensional, devendo incluir uma variedade de componentes, como: 
textura, espaços, formas, detalhes, símbolos, construções, atividades, entre outros.
III) Os pontos marcantes referem-se aos lugares denominados como estratégicos de uma 
cidade, sendo pontos essenciais ao acesso, circulação e movimentação dos usuários. 
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É correto o que se afirma em:
a) Apenas, I. 
b) Apenas, II. 
c) Apenas, III. 
d) Apenas, I e II. 
e) Apenas, I e III. 
4. O arquiteto é criativo quando traz respostas ao lugar, soluções para as necessidades 
humanas. Atualmente são inúmeras as necessidades humanas, que vão desde as ne-
cessidades básicas de alimentação até o uso sustentável dos recursos naturais. Consi-
derando esse contexto, avalie as seguintes afirmativas e a relação proposta entre elas:
I) A arquitetura exprime um produto cultural de uma sociedade
PORQUE
II) Sob a visão antropológica, a arquitetura apresenta um produto da cultura quanto à 
forma que nos organizamos em sociedade.
É correto o que se afirma em:
a) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As afirmativas I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c) A afirmativa I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A afirmativa I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As afirmativas I e II são proposições falsas.
2
Olá, aluno(a), em nossa primeira unidade, tratamos, de modo in-
trodutório e exploratório, a Arquitetura e o Urbanismo, trazendo à 
discussão os conceitos essenciais para a compreensão da complexi-
dade destas disciplinas. Neste segundo momento, centralizaremos 
nossa conversa na conceituação do termo “ambiente construído”, 
além de discutirmos sobre a sua escala (seja a edificação ou o espaço 
urbano), pois é aqui que direcionamos o entendimento aos parâ-
metros que compõe o espaço, sejam eles objetivos ou subjetivos, 
estabelecendo as diretrizes que nos auxiliam na sua construção. Por 
fim, abordaremos a Psicologia associada à Arquitetura e ao Urba-
nismo, a qual é denominada Psicologia Ambiental, uma ferramenta 
técnica de apoio à compreensão do comportamento dos usuários 
nos ambientes, assim como a cinestesia.
Ambiente Construído: 
Discussões Iniciais
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
Para discutirmos sobre o ambiente construído, seja na escala das edificações e/ou das 
cidades, devemos nos questionar a respeito da importância dele na vida do usuário, 
ou seja, falar sobre o “espaço de vida”, o qual é capaz de ser ocupado, vivenciado e 
modificado pela sociedade que o ocupa. Deste modo, podemos compreender, ini-
cialmente, que a nossa responsabilidade profissional vai além de “construir” espaços, 
é preciso olhar para o comportamento humano, refletir acerca de sua interação com 
o ambiente construído e buscar promover ambientes que atendam às necessidades 
e aos anseios destes usuários com qualidade. Pensando que o ambiente construído é 
resultado do modo como o usuário se comporta nele: você, enquanto arquiteto(a) e 
urbanista, saberia descrever o modo como osusuários podem perceber e vivenciar 
os espaços? Você conseguiria evidenciar quais são os aspectos objetivos e subjetivos 
que interferem na percepção de um espaço?
Pensando na composição do ambiente construído, sabemos que ele vai além dos 
elementos físicos e, por isso, é preciso que seja mais “humanizado”. A humanização 
diz respeito ao ato de tornar humano e sociável, isto é, promover espaços que possam 
ser vivenciados e que proporcionem percepções qualitativas aos usuários, sejam elas 
individuais ou coletivas. 
O ambiente físico evoca o reconhecimento das especificidades morfológicas, 
configuracionais e subjetivas que o organizam e o formam, e isto reflete, diretamente, 
em como estes espaços são percebidos, a partir das sensações e emoções (positivas 
ou negativas) atribuídas a eles, as quais modificam o significado das experiências da 
sociedade como um todo. Nesse sentido, os elementos estruturadores das edifica-
ções e da cidade desempenham papel essencial no modo como o espaço é utilizado 
e, consequentemente, no comportamento de seus usuários. Portanto, estudar estes 
elementos define o ambiente construído, sob a ótica de quem utiliza os espaços, e 
isto é essencial para que você, estudante, enquanto futuro(a) profissional, influencie, 
de modo positivo, a sociedade em que vivemos. 
Talvez, poucas vezes, tenhamos nos questionado a respeito do modo como utiliza-
mos o ambiente físico, não nos damos conta de sua complexidade, e, ainda, o quanto 
ele é adaptável à realidade vivenciada pela sociedade que o ocupa. Mas é chegada a 
hora de estudarmos estas questões!
Como exemplo, temos a pandemia da Covid-19, que teve início no ano de 2020 e 
trouxe consequências no âmbito social, principalmente, no que tange à relação com o 
meio urbano: não se pode realizar aglomerações em um mesmo espaço, o que reflete 
no “distanciamento social”; aprofundou-se a importância das casas e a sua sanita-
riedade; surgiu (para muitas empresas) um novo modo de trabalhar, o home office; 
32
UNICESUMAR
limitou-se o uso dos transportes públicos e trocou-se, quando possível, o modal (ônibus 
para bicicletas, por exemplo); etc. Desta forma, inevitavelmente, será preciso pensar no 
ambiente físico “pós-pandemia” e, também, nas políticas públicas e ambientais, em busca 
de nova ordem urbana. Faça esta análise, pare, por alguns instantes, e olhe para a sua casa 
e para a sua cidade: estes espaços sofreram alterações durante o período da pandemia? 
Se sim, quais foram elas? Utilizando o seu #Diário de Bordo#, faça as suas anotações! 
Pensando no período pandêmico, podemos listar algumas decisões inerentes à produção 
do espaço (e a sua adequação) em busca de promover melhorias para os ambientes e, 
principalmente, para os usuários. Vamos lá! Direcionamos nossa reflexão às edificações, 
mais especificamente, aos espaços de interiores dos imóveis. Imagine o hall de um apar-
tamento. O que você listaria como elementos essenciais para a elaboração de um projeto 
para um hall? Faça as suas anotações no #Diário de Bordo#. 
Certamente, o requisito para o projeto de um hall é pensar nele como um cartão de 
visita do imóvel, para cumprir o papel de recepcionar os usuários e criar uma atmosfera 
que gere conforto, aconchego e uma ruptura do meio externo ao interno. 
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UNIDADE 2
Trazendo à realidade deste período de pandemia, que exigiu maior cuidado com os espaços internos, 
pode-se dizer que não se perdeu a essência projetual do ambiente, isto é, manteve-se (e fomentou-se) 
a ideia de promover a ruptura da área externa para a interna, garantindo a desconexão total com o 
que está sendo vivido lá fora. Desta forma, o ambiente ganhou maiores cuidados, que não se resumem, 
apenas, às sensações que serão promovidas, mas também às condições sanitárias (higiene). 
Ações, como deixar os sapatos antes de acessar os imóveis, higienizar as mãos e criar um local para 
colocação das máscaras sujas, têm sido, cada vez mais, evidenciadas. Com isso, móveis, no hall de entra-
da, por exemplo, como aparadores, que, antes, eram inseridos para que pudessem ser “porta” elementos 
de decoração, têm dado espaço a sapateiras e organizadores, nos quais os sapatos que vieram da rua 
são levados à lavanderia e higienizados antes de serem armazenados. Além disso, bancos de apoios, 
também, foram inseridos para que os usuários tenham conforto para retirar os sapatos; objetos para 
pendurar roupas e bolsas, entre outros elementos. 
Descrição da Imagem: a Figura 1 apresenta o hall de entrada contemporâneo, ou seja, o acesso de um imóvel, que 
possui uma porta em vidro e alumínio preto, à direita. À esquerda, há um espelho redondo fixado numa parede branca 
e, abaixo dele, um aparador para jardim metálico preto. Ao fundo, é perceptível o layout de uma sala, conectada a 
este hall por uma circulação marcada pelo piso polido. 
Figura 1 - Hall de entrada
34
UNICESUMAR
Dando sequência à nossa re-
flexão, podemos falar, também, 
sobre outra atividade comum 
durante o período pandêmico: 
o home office. O trabalho remo-
to já era presente na socieda-
de brasileira, mas a prática foi 
acelerada, devido à necessida-
de de adaptação neste período. 
Desta forma, muitos trabalha-
dores precisaram improvisar 
seus ambientes de trabalho 
domiciliares, visando atender 
às demandas ergonômicas de 
privacidade e conforto para a 
execução de suas tarefas. 
Por fim, uma outra reflexão 
importante a ser feita refere-
-se à preocupação dos usuários 
quanto à assepsia dos ambien-
tes, o que torna imprescindí-
vel, por parte dos arquitetos, 
a especificação de produtos 
que tenham durabilidade e 
facilidade de manutenção e 
higienização, devido à maior 
frequência de limpeza. 
A nossa reflexão reforça a 
ideia e a compreensão de que o 
ambiente físico é a resposta às 
necessidades e às preocupações 
dos usuários, ou seja, está, dire-
tamente, ligada ao modo como 
as pessoas pensam e se com-
portam nos espaços. Dentro da 
Arquitetura e do Urbanismo, 
falamos a respeito da concep-
ção e da construção do espaço, 
ou seja, sobre os aspectos físicos 
Descrição da Imagem: a Figura 2 apresenta um hall de entrada, no qual 
há um aparador pequeno e banco, uma sapateira e um cabideiro para 
bolsas e casacos. A figura destaca o piso vinílico, que é de fácil manutenção 
e higienização. 
Descrição da Imagem: a Figura 3 apresenta, em primeiro plano, o espaço 
destinado a um escritório em uma residência, devido à locação de uma 
mesa de trabalho, cadeira e equipamentos para a execução das ativida-
des. Este espaço é separado de outras atividades e se preocupa com a 
qualidade de acabamento e organização. 
Figura 2 - Hall de entrada
Figura 3 - Home Office
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UNIDADE 2
que envolvem os conhecimentos técnicos dos profissionais arquitetos e urbanistas bem como seus 
desdobramentos subjetivos, que esbarram nas relações dos usuários com o espaço físico e social. Nesta 
unidade, então, falaremos a respeito destes conceitos e seus enquadramentos nas diferentes escalas de 
produção do ambiente construído.
O ambiente construído é o espaço arquitetônico vivenciado, a partir do sentir, do pensar e do 
movimentar. Ou seja, refere-se a qualquer espaço físico no qual haja a interação do homem e do 
ambiente e que podemos considerar a imposição de um sujeito no meio social e ambiental. Para 
Fischer (1994, p. 16):
 “
O ambiente construído é espaço de vida, sujeito à ocupação, leitura, reinterpretação 
e/ou modificação pelos usuários que interagem com o ambiente social, cultural e 
psicológico. Fruto do comportamento humano é resultado de uma série de padrões e 
normas sociais que influenciarão as atividades ali realizadas. Esta relação específica dos 
indivíduos com outrem num meio determinado faz de todo o lugar organizado aquilo 
a que se chama de um espaço ‘habitado’ [ou ambiente construído, para esta pesquisa].
Podemos compreender o ambiente construído como um modelo social de organização das ativida-
des humanas que tem a sua estabilidade apoiada na sociedade, emrelação ao modo como o espaço 
é moldado pelo ser humano, ou seja, só existe ambiente construído, se ele for ocupado. Cabe a nossa 
discussão o reconhecimento das condicionantes que “formam” o ambiente construído, e essas definições 
nos ajudam a ter maior clareza sobre a aplicação do conceito.
As realidades empíricas dos ambientes físicos e as práticas, a partir do desenho desses ambientes, 
trazem-nos alguns pontos importantes para discutirmos enquanto futuros(as) arquitetos(as) e ur-
banistas: o primeiro refere-se à compreensão do “lugar” a partir da percepção humana e individual; 
o segundo remete-se à possibilidade de os espaços serem eventos temporais, e não, apenas, limites 
físicos; e, por fim, o terceiro diz respeito às pessoas, as quais são os agentes que tornam o ambiente 
funcional e o contextualizam (PINK, 2012).
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UNICESUMAR
O termo “ambiente construído” se refere tanto a edificações como a espaços urbanos, ou seja, 
atende às diferentes escalas de produção. Segundo Okamoto (2002, p.149-150), “A criação do 
espaço arquitetônico [ambiente construído] é a criação do espaço vivencial, tanto para o indiví-
duo quanto para o meio social, onde está em permanente deslocamento de uma atividade para 
outra. […] É sentir o espaço, é pensar o espaço, é mover-se no espaço e vivenciar o espaço”.
Fonte: adaptado de Okamoto (2002).
Para entendermos, de forma mais clara, as escalas dos ambientes físicos, delimitaremos as classifi-
cações delas; sendo assim, falaremos sobre as edificações e a cidade. Para Blakstad, Hansen e Knudsen 
(2008), a edificação se refere ao espaço onde usuários executam determinadas atividades, como as 
de trabalho, lazer e descanso, e estabelecem diferentes relações sociais. Já para Colin (2000, p. 52), a 
edificação, enquanto objeto arquitetônico, pode ser definida da seguinte maneira:
 “
O objeto arquitetônico, edifício, pode ser visto de diferentes ângulos, inclusive de fora, 
observando sempre as relações estabelecidas com o meio ambiente, considera-se a sua 
composição, na sua forma volumétrica, e em seguida, estando em seu interior, desapa-
recem as relações exteriores e considera-se apenas o edifício e seus elementos entre si, 
e relacionados com a própria pessoa, voltando a forma espacial.
As edificações referem-se, de modo geral, às “construções” individuais, sejam elas residenciais, cor-
porativas, comerciais, industriais, entre outras. Nesse momento, enquanto arquitetos(as), vemos além 
do raciocínio construtivo, começamos a falar sobre a organização estética, funcional, social e cultural. 
As edificações passam a ser vistas como sistema orgânico, responsáveis pela articulação do tecido da 
paisagem urbana e do espaço urbano. 
Agora, trazendo a uma escala urbana, o território da cidade, em sua parte física, é associado aos ele-
mentos naturais e antrópicos, os quais sustentam a morfologia urbana, que nada mais é que a forma da 
cidade. Ao ocuparmo-nos da forma, falamos, concretamente, de experiências (ROSSI, 2001).
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UNIDADE 2
Em outros termos, podemos unificar toda a discussão acerca do espaço urbano e/ou da cidade no 
atendimento às demandas de todos os habitantes e, com isso, ao controle das diversas atividades e 
transformações que nela ocorrem, respeitando os limites do meio natural. Neste sentido, podemos 
destacar o conceito de urbanidade, que é associado à transformação do espaço urbano a partir da 
relação da verticalização, da densidade e da percepção, ou seja, o espaço da cidade é entendido como 
uma arquitetura visível e um meio de construção no tempo que remetem à condição da coletividade, 
portanto, o espaço é associado à utilização.
Segundo Netto (2013), a definição de urbanidade é associada à condição de experienciar o meio 
urbano, em condições diferentes de outros arranjos espaciais da vida coletiva, ou seja, atreladas à 
estrutura da cidade. A experiência da urbanidade é, sobretudo, uma experiência do mundo social: 
representa nossa imersão em suas condições de continuidade e integração e seu oposto (como no 
exemplo do distanciamento social).
Faremos uma pausa em nossa leitura para conversarmos um 
pouquinho mais sobre o espaço. Para isso, no nosso estudo, adota-
remos duas abordagens diferentes, a da geografia e a da arquitetura. 
Tenha a sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo! 
É importante trazermos à discussão aspectos referentes à com-
posição física do ambiente construído. Aqui, referimo-nos à 
forma, ou seja, à volumetria do espaço, que é definida por linhas, 
comprimentos, larguras, alturas, profundidades, entre outros, isto é, 
por limites arquitetônicos (SANTOS, 2006). A forma é a condição 
essencial para a composição do ambiente construído, seja ela regular, 
irregular, geométrica, orgânica, entre outras, em relação à volumetria da arquitetura, que depende dos 
limites compositivos do espaço em diferentes escalas, dos materiais que estão sendo utilizados e suas 
características, da composição de cheios e vazios, do espaço livre não habitado e da massa construída 
(TEDESCHI, 1976). 
A forma tem papel essencial na organização do espaço e na determinação de sua função, uma vez 
que ela pode criar conexões visuais, barreiras físicas e elementos que conformam os espaços. 
 “
A forma arquitetônica é um ponto de contato entre a massa e o espaço [...] formas ar-
quitetônicas, texturas, materiais, modulação de luz e sombra, cor, tudo se combina para 
injetar uma qualidade ou espírito que articula o espaço. A qualidade da arquitetura será 
determinada pela habilidade do arquiteto e urbanista em utilizar e relacionar os ele-
mentos, tanto nos espaços internos, quanto nos espaços da cidade (BACON, 1974, p. 3).
Não dá para falar do espaço arquitetônico, sem prever, necessariamente, o que o limita, e nesta ação 
de limitar é que se constitui o espaço da arquitetura. Desse modo, a partir das formas, são criados os 
espaços, que só têm significado se usufruídos pelos usuários. Outro ponto essencial é a função do es-
paço. Para Leitão e Lacerda (2016), a atividade a ser desempenhada pelo objeto está diretamente ligada 
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UNICESUMAR
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à forma, ou seja, “a função sugere uma tarefa ou atividade esperada de uma forma, pessoa, instituição 
ou coisa” (SANTOS, 2006, p. 69). 
A estrutura, para Trindade Junior (1998), é a relação entre as partes da totalidade da edificação ou 
do espaço urbano para que a função possa ser proposta, no que tange às relações estabelecidas entre os 
aspectos revelados pela forma. Portanto, a estrutura é a ação contínua que traz o dinamismo à forma, 
à função e à estrutura do espaço geográfico.
Trazendo um exemplo simples e histórico à nossa discussão, falaremos sobre a produção arquite-
tônica humana do Período Neolítico, que materializa as condições objetivas e subjetivas do espaço. 
Observe a figura a seguir:
Sabe-se que este período, durante a Pré-História, registrou momentos de grande transformação no 
modo de viver do homem, que passou a ser sedentário, criou edificações, organizou-se em aldeias, entre 
outros. A Figura 4 traz o exemplo da aldeia de Skara Brae, na Escócia, e, ainda que alguns estudiosos 
não a coloquem em um nível de produção arquitetônica, estas construções, marcadas pela organização 
do espaço, pelo desenvolvimento do mobiliário de pedra e pela apropriação de cores e texturas (aces-
síveis ao momento), carregam, em seu conceito, a apropriação do elemento objetivo, quanto à forma. 
Descrição da Imagem: a Figura 4 apresenta uma habitação da Era Neolítica composta por pedras. De modo figurativo, 
mostra o layout do ambiente com as divisões das atividades estabelecidas por meio dos “mobiliários” em pedras.
Figura 4 - Skara Brae, na Escócia
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UNIDADE 2
Além disso, as referidas construções reforçam que esta produção é reflexo da necessidade da socieda-
de local, que deixou de ser nômade e formatou espaços para atender a seus anseios e necessidades. Estes 
espaços, ainda, tiveram reflexos significativos no comportamentoda sociedade, ou seja, observa-se a 
edificação como resposta às necessidades daquele momento, ou seja, de acordo com o comportamento 
humano Esta ideia do ambiente construído é, diretamente, associada à ação de arquitetar, que, para 
Leitão e Lacerda (2016), estabelece a relação com a ação humana, a qual é a criadora do espaço, ainda 
que a arquitetura não se limite ao espaço, ou seja, a interpretação espacial do edifício não é suficiente 
para definir uma opinião crítica ou um julgamento sobre uma obra arquitetônica. Cada edifício e 
cada espaço urbano são caracterizados por inúmeros valores econômicos, sociais, técnicos, funcionais, 
artísticos e decorativos que conformam uma história. Mas é importante que tenhamos claro que a 
concepção do espaço, ou seja, o modo como ele se conforma, refere-se à produção da arquitetura, da 
qual se fala desde o processo inicial de concepção (ZEVI, 1996). 
Agora que compreendemos a forma — que se refere à configuração dada à matéria com a fina-
lidade de obter um objeto individualizado, ou seja, o modo como se apresenta aos nossos sentidos 
antes de qualquer reflexão que possamos ter sobre um objeto (COLIN, 2000) — e a função — que, 
para a arquitetura e o urbanismo, refere-se ao atendimento a um conjunto de necessidades explícitas 
e demais elementos responsáveis pelos estímulos conscientes e inconscientes na relação do usuário a 
nível psíquico-espacial —, entenderemos um pouco sobre os aspectos subjetivos do espaço sensorial, 
que são responsáveis pela formação do contexto ambiente-indivíduo.
Os elementos subjetivos definem o modo como o usuário se comporta no ambiente, ou seja, são os 
parâmetros subjetivos avaliados por um usuário quando no ambiente construído. Para compreendê-los, 
conheceremos a Psicologia Ambiental (PA), que trata do tema. Para Teles (2017), a psicologia trata 
da investigação sobre o interior do homem e como esse se relaciona consigo próprio e com o ambiente 
no qual está presente. Ela busca compreender o comportamento dele, não só como reação à realidade 
externa, mas como atividade consciente e observável, para facilitar a convivência do homem consigo 
próprio e com o outro e dar subsídios para que ele lide com as experiências da vida. 
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UNICESUMAR
A Psicologia, também, debate as condições e os procedimentos da mente e do comportamento do ser 
humano e de seus intercâmbios com o ambiente social e físico. Por isso, em geral, não se entende a 
necessidade de uma psicologia que se autodenomina ambiental, já que toda psicologia compreende 
o aspecto ambiental. Contudo Tassara e Rabinovich (2003) argumentam que a psicologia, em geral, 
esgotou o ambiente de seus conteúdos e, por esse motivo, houve a necessidade de uma área específica 
dela que se atentasse ao referido aspecto. 
A Psicologia Ambiental (PA) é, portanto, o estudo direcionado, essencialmente, ao modo 
como o ser humano se comporta nos espaços físicos e aos critérios subjetivos da percepção. Mo-
ser (2011) define a PA como o estudo da transação entre os indivíduos e o cenário físico, considerando 
as relações entre eles, tendo essa inter-relação caráter dinâmico, visto a ocorrência de modificações e 
influências de cada usuário em cada espaço físico.
Para Gunther (2005), a PA deve ser associada à ergonomia, à ar-
quitetura e ao planejamento da paisagem e urbano, pois esses 
elemEntos estudam as relações entre os fenômenos psicológicos e 
as variáveis ambientais físicas em várias escalas.
Ao falarmos da Arquitetura e do Urbanismo, compreendemos a 
sua interdisciplinaridade bem como suas demandas sociais e inter-
venções espaciais, e, para o cumprimento das suas atividades, um de 
seus apoios principais é a Psicologia Ambiental, como vimos. Esta 
disciplina tem, como foco de discussão, a inter-relação do homem 
com o meio ambiente, ou seja, avalia o usuário e o modo como ele 
percebe o espaço. Dê o play no nosso podcast e venha conhecer esse mundo encantador! 
Cada espaço é caracterizado por uma ambiência singular, que tem, como base, fatores que atuam, 
de modo consciente e inconsciente, sobre as pessoas que se encontram no local. E, ao realizar a refle-
xão, considerando a relação bidirecional pessoa-ambiente, deparamo-nos com o comportamento do 
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UNIDADE 2
Para tornar o entendimento mais claro, sugiro que você faça a leitura 
do artigo: “Psicologia e Arquitetura: em busca do locus interdiscipli-
nar”, acessando o Qr-Code. Vale a pena dedicar-se à leitura deste 
artigo, pois, nele, discute-se a Psicologia Ambiental na interseção 
entre Psicologia e Arquitetura, com ênfase para a inter-relação do 
ambiente construído e do comportamento humano.
Para acessar, use seu leitor de QR Code.
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https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9370
homem. Define-se como comportamento a relação de qualquer conduta do indivíduo perante o meio 
em que está inserido, considerando a resposta a um estímulo específico (BOCK et al., 2002).
Instaura-se, então, o conceito de Comportamento Socioespacial Humano (CSEH), que, para 
Pinheiro e Elali (2011), diz respeito ao modo como as pessoas se apropriam do espaço e o utilizam 
como elemento ativo na comunicação não verbal, estabelecendo distâncias entre si, as quais apresen-
tam possibilidades menores ou maiores de aproximações, como toque, tom de voz, conteúdo verbal, 
consciência de sensações, entre outros. Para Dolle (1993), observar comportamentos isolados não 
permite o entendimento do real, já que os comportamentos respondem à necessidade do momento, 
socialmente, regulado, portanto, o comportamento individual reproduz um comportamento social. 
Em complemento a esta ideia, Gifford (1987) destaca que os indivíduos modificam o ambiente 
que estão inseridos, e seu comportamento e suas experiências são, também, modificados por ele. Para 
tanto, consideram-se três elementos básicos: o comportamento humano, o espaço físico e a ligação 
entre ambos. Verdugo (2005) defende que a maior referência da PA é a influência mútua, que significa 
que, a todo momento, o ambiente afeta o modo como percebemos, agimos e sentimos, por meio de 
fatores contextuais físicos e/ou normativos, os quais afetam os componentes sócio físicos do ambiente.
Cada ambiente oferece a seus usuários variáveis que influenciam o comportamento humano e 
a percepção dos usuários, desde condicionantes objetivas (como iluminação, temperatura, ruídos e 
arborização) até aspectos subjetivos (como a sensação de aglomeração e acolhimento, as condições 
de apropriação e o clima social). Estas variáveis podem variar conforme as características de quem 
percebe o espaço, como gênero, idade, condições físicas, entre outros, que experienciam e interpretam 
o ambiente continuamente (ELALI, 2009).
Inevitavelmente, o usuário estabelece uma compatibilidade com o espaço, nomeada place-i-
dentity, que é definida pela identidade que o indivíduo constrói em sua habitação e influência 
na percepção e na avaliação dessa edificação. Massey (2000) define que o senso do lugar se 
trata da identidade de um lugar, a partir do sentimento de pertencimento bem como das 
sensações de conforto, segurança e refúgio.
É importante conhecermos o conceito de percepção (termo derivado do latim: perception), que é 
definido pelos dicionários como ato ou efeito de perceber; combinação dos sentidos no reconhecimen-
to de um objeto; recepção de um estímulo; faculdade de conhecer independentemente dos sentidos; 
intuição; ideia; imagem; e representação intelectual. No entanto, aprofundando-se nesta terminologia 
e sobre a ótica da Psicologia, o psicólogo Hochberg (1973 apud MARIN, 2008, p. 206) define que “a 
percepção é um dos mais antigos temas de especulação e pesquisa no estudo do homem [...] Estudamos 
a percepção numa tentativa de explicar nossas observações do mundo que nos rodeia”. 
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UNICESUMAR
Já o conceito de sensação refere-se àqueles contentos da consciência, os quais são “produzidos imedia-
tamente na alma por excitações exteriores, sem intermediáriosespecíficos, em especial sem experiên-
cias; puramente à mercê da estrutura inata dos órgãos materiais de uma parte e, por outra, a maneira 
original da alma reagir frente os impactos nervosos” (ORTEGA; GASSET, 2011, p. 2017).
A percepção está associada à informação que será captada do ambiente e à forma como serão entendi-
das as informações, ou seja, se ela está conexa à consciência e ao modo como os estímulos dos ambientes 
se apresentam e como cada usuário os compreende. Enquanto a sensação está associada à experiência 
propriamente dita, ou seja, aos meios internos e externos que proporcionam diferentes sensações que 
são promovidas pelos sentidos, isto é, a partir do tato, do olfato, da visão, do paladar e da audição.
Ainda, podemos considerar, então, as sensações do ambiente, que são definidas pelos estímulos do 
meio, sem se ter consciência disso. Resumindo: são selecionados os estímulos e as sensações por meio dos 
interesses e, a partir daí, formata-se a percepção, por meio de imagem, e a consciência, pelo pensamento 
e sentimento, resultando em uma resposta que conduz a um comportamento (OKAMOTO, 2002).
A percepção ambiental é definida como uma tomada de consciência do ambiente pelo 
homem, ou seja, o ato de perceber o ambiente, a partir da compreensão das inter-relações 
entre o homem e este. Cada indivíduo reage às ações sobre o ambiente devido aos proces-
sos cognitivos, aos julgamentos e às expectativas das percepções individuais ou em grupo 
(PINHEIRO; ELALI, 2011; FERNANDES et al., 2004).
Historicamente, as discussões sobre a importância do meio físico e o relacionamento com o usuário são 
decorrentes da Revolução Industrial, época na qual houve muitas mudanças nas relações de trabalho 
e em diversos setores. A cidade precisou se adequar frente às necessidades industriais, resultando em 
diferentes modelos de organização territorial e urbana, além disso, trouxe discussões quanto às con-
dições de higiene e infraestrutura sanitária, visando padrões de saúde e qualidade ambiental.
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UNIDADE 2
A Teoria da Gestalt se baseia na ideia da compreensão da totalidade, para que haja percep-
ção das partes, a partir da observação do comportamento no processo de percepção. Estes 
fenômenos da percepção ocorrem a partir dos estímulos, ou seja, da causa e do efeito entre 
o incentivo e a resposta, os quais garantem o entendimento de comportamento. 
Para Souza (2015), a ciência do ambiente construído, inicialmente, apoiou-se nas áreas industriais 
e, com isso, incorporou e delimitou a questão da saúde dos usuários. Posteriormente, novas adaptações 
foram buscadas visando ao melhor desempenho humano (ergonomia) e lucros na produtividade. Esse 
histórico nos faz perceber que, desde o nascimento dessas discussões, há a centralidade no usuário 
e em seu comportamento, seja dentro ou fora da edificação. Com a preocupação com os espaços de 
trabalho, os critérios foram sendo incorporados nas residências também, adequando as necessidades 
dos moradores, e, com isso, os planejamentos das construções começaram a ficar mais elaborados, 
ainda que não se falasse sobre os critérios de qualidade espacial (GANN; WHYTE, 2003).
No Período Pós-Moderno, novas discussões foram inseridas na concepção do espaço e, com isso, 
a inserção efetiva do corpo e do usuário na arquitetura. Propôs-se, então, a inclusão dos sentidos, 
sentimentos e movimentos na percepção, recepção e experiência do espaço arquitetônico desde a 
sua concepção. Com isso, passou-se a pensar na experiência corporal e na interação, que ativariam os 
sentidos (as sensações) e, até mesmo, os princípios cenestésicos, que, segundo Okamoto (2002), tra-
tam-se da sensibilidade dos movimentos dos membros dos seres humanos no espaço, a qual se refere 
à percepção e à manutenção do equilíbrio do corpo como um todo e auxilia na compreensão prática 
do ambiente construído e suas variantes, como a cor, a luz, a textura, entre outras.
Falamos, até agora, sobre a percepção, as sensações e o comportamento humano em relação ao am-
biente; agora, precisamos pensar em como podemos organizar estas questões. De acordo com Bestetti 
(2014), ao se tratar do espaço arquitetônico, a interligação do programa de um edifício, por exemplo, 
define o sentido cinestésico, por este estar associado ao movimento, no sentido que a arquitetura não 
pode ser experiência se o homem não a percorrer, compreendendo, então, que a percepção cenesté-
sica só é configurada se o indivíduo percorrer o espaço. Este movimento contribui, também, para a 
percepção da escala de um ambiente, sua altura e amplitude, o que provoca reações diversas entre o 
indivíduo e o espaço arquitetônico em que está inserido.
A cinestesia é, portanto, um meio de organizar elementos de estímulo relativos à organização dos 
fluxos e da permanência nos ambientes, visto que é a sensação que o indivíduo experimenta, conscien-
temente (BESTETTI, 2014). Em conjunto, os elementos subjetivos, como sentido perceptivo (os cinco 
sentidos); espacial (movimento cinestésico-vestibular, correspondendo ao equilíbrio e à gravidade); 
proxêmico (pessoal, territorial, privado); sentido pensamento (mito, metáfora, arte, estética, religião); 
sentido da linguagem (não verbal ou corporal); e sentido do prazer, permitem-nos tomar consciência 
(a qual é construída e atinge a memória) das posições e dos movimentos do corpo (OKAMOTO, 2002).
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UNICESUMAR
O uso de instrumentos, como a maquete, permite potencializar o uso das habilidades sensoriais. 
Para ilustrarmos os critérios que envolvem o entendimento de um ambiente construído, por meio da 
percepção e das sensações, é importante que listemos as condições voluntárias e involuntárias que nos 
permitem reconhecer o espaço. Veja a Figura 6:
Descrição da Imagem: a Figura 5 mostra um diagrama do campo dos sentidos, isto é, um círculo com cinco partes, 
numeradas de um a cinco, contendo os elementos que compõem a orientação básica para a compreensão do espaço, 
sendo eles: visão, audição, tato, paladar/olfato e cinestesia
Figura 5 - Diagrama do campo dos sentidos / Fonte: adaptada de Malnar e Vodvarka (2004).
O uso dos sentidos e, consequentemente, a percepção resultante deles devem ser integrados, e não 
desassociados, pois o corpo humano vivencia a experiência sensorial de forma simultânea e total, e, 
assim, a arquitetura consegue ser vivida na sua essência, de forma multissensorial (PALLASMA, 2011). 
É interessante ressaltar o quão complementar são os elementos que nos propõem o entendimento 
sobre o ambiente construído, pois muitos deles passam despercebidos por nós no nosso dia a dia e 
formatam a forma como enxergamos o mundo, a forma como utilizamos o espaço e, acima de tudo, o 
modo como nos posicionamos na sociedade. 
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UNIDADE 2
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UNICESUMAR
A B
Em nossa unidade, reconhecemos os princípios que compõem o ambiente físico, destacando as 
condições que envolvem os usuários e o modo como se apropriam do espaço; agora, retomando nossa 
prática de reflexão do início da unidade, quando o(a) questionei sobre as alterações do mundo pós-
-pandemia, você consegue perceber quais alterações serão necessárias e quais já foram implementadas 
na percepção usuário e ambientes, sejam estes urbanos ou privados?
Resgatando essa reflexão de forma prática e associando-a aos conceitos estudados, vejamos os 
exemplos da Figura 6, que apresentam soluções a serem trazidas pelas diferentes cidades no país:
Vimos, nesta unidade, que há a necessidade de revisar as definições adotadas no planejamento urba-
no, em busca de otimização da mobilização urbana, do trabalho e do lazer, e, com isso, proporcionar 
melhores condições às habitações, aos modelos de utilização dos modais ativos e sustentáveis e à es-
truturação de uma infraestrutura urbana sanitária. Isso faz com que as discussões acerca das cidades 
sustentáveis sejam, cada vez mais, evidenciadas, de forma a buscar a redução dos trajetos, a reorgani-
zação dos zoneamentos (de modo com que se crie pequenos centros autoportantesem uma mesma 
cidade), o aumento dos cuidados com o meio ambiente, entre outros.
Estamos chegando ao final da nossa unidade e faz-se importante relembrarmos os pontos-chave 
discutidos, para que possamos incorporá-los à nossa discussão e à abordagem da nossa disciplina. As 
nossas conversas giraram em torno das premissas que envolvem os conceitos de ambiente construído 
e espaço urbano e, nesse caminho, deparamo-nos com uma disciplina essencial quando falamos da 
Arquitetura e da Sociedade, que é a Psicologia Ambiental, ciência que nos orienta sobre as condições 
do perceber e do sentir o espaço, incluindo a relação cenestésica com esse.
Descrição da Imagem: a Figura 6 (a) apresenta um recorte da cidade, na orla, com um trecho de uma ciclovia, com 
dois usuários: um homem de bicicleta e uma criança de skate, e a Figura 7 (b) apresenta um recorte da cidade com 
um trecho de uma pista de caminhada com dois usuários caminhando e, ao redor, áreas arborizadas.
Figura 6 - (a) - Ciclovia; (b) - Caminhabilidade
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UNIDADE 2
Nesse contexto, o que não podemos deixar de lado é a nossa discussão centrada no usuário, e, por 
isso, ela permeará toda a nossa disciplina, pois sua composição densa considera numerosos elementos 
que são interligados e precisam funcionar em conjunto. Entender o usuário é uma tarefa complexa e 
bastante subjetiva, e cabe a nós, profissionais da arquitetura e do urbanismo, percorrermos os melho-
res caminhos para garantir a qualidade e a satisfação dos ambientes construídos e do espaço urbano. 
Descrição da Imagem: A Figura 7 representa o resumo dos termos referentes ao ambiente construído, ao espaço 
urbano e à Psicologia Ambiental. Quanto ao ambiente construído, os termos considerados são: espaço de vivência 
e ambiente social. No que diz respeito ao ambiente urbano, os termos evidenciados são: real e imaginário. Por fim, 
em relação à Psicologia Ambiental, os termos destacados são: sensação, percepção e cinestesia. Todos esses termos 
resultam na compreensão da cidade. Na figura, é possível perceber a interação das três vertentes discutidas com o 
usuário e a presença dele na composição das questões discutidas.
Figura 7 - Mapa Mental / Fonte: a autora.
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Agora é com você! Desenvolva um mapa mental que organize os pontos-chave da nossa disciplina 
sobre o seu processo reflexivo e destaque o que foi relevante para a sua compreensão, para que 
possamos, desta forma, firmar o conteúdo e darmos sequência a nossa conversa. Mãos na massa!
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1. Leia o trecho a seguir:
“Atuar como um ímã significa o poder de convidar, reunir e agrupar pessoas, e com 
isso, busca elucidar como o ajuntamento urbano é também uma forma de escrita, 
capaz de contar a história de seu povo por meio de sua própria arquitetura e espaço” 
(ROLNIK, 1988, p. 3). 
ROLNIK, R. O que é a cidade. São Paulo: Brasiliense, 1988. (Coleção Primeiros Passos).
Com base neste contexto, assinale a alternativa que contempla o termo a que se refere 
a citação anterior.
a) Esfera política.
b) Cidade.
c) Urbanidade.
d) História.
e) Espaciais.
2. É tarefa dos profissionais arquitetos e urbanistas buscar projetar espaços que qualificam 
os espaços já existentes, pois, no panorama dos espaços urbanos, a sua materialização 
reflete a sociedade, que é estabelecida a partir dos valores sociais, culturais, econô-
micos, políticos e ideológicos e, por se tratar de organismos vivos, está em constante 
modificação. Neste panorama, descrevemos os parâmetros que envolvem a morfologia 
urbana; então, assinale a alternativa que define este conceito.
a) Trata-se de uma ciência que estuda as formas e os fenômenos que deram origem a 
ela, ou seja, fala-se sobre o estudo da forma em si e as características físicas de um 
objeto, que pode ser desde o mobiliário a um edifício da cidade. 
b) Trata-se da formação de novas áreas urbanas ao redor da área central, formando o 
subúrbio (bairros de baixa densidade que são construídos com habitações unifami-
liares, em meio a jardins, abrangendo a ideologia de morar fora da intensidade da 
cidade) e a periferia.
c) Está associada ao processo de produção capitalista do espaço e resulta do preço da 
terra, isto é, do quanto cada pessoa pode pagar por uma moradia.
d) Ultrapassa a métrica e a representação gráfica bem como valoriza as condições re-
lacionais entre os níveis escalares de análise espacial. Ou seja, uma estratégia de 
reprodução de uma realidade.
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3. A Psicologia Ambiental (PA) é definida como o estudo da transação entre os indivíduos 
e o cenário físico, considerando as relações entre a pessoa e o ambiente físico e social 
(MOSER, 2011). Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação 
proposta entre elas:
I) O surgimento do campo da Psicologia Ambiental (PA) se deu com o processo de 
reconstrução das cidades, após a Segunda Guerra Mundial.
PORQUE
II) Com a implementação de programas habitacionais, os arquitetos e planejadores 
urbanos, junto aos cientistas do comportamento, conscientizaram-se de que o am-
biente construído deveria refletir fatores, como as necessidades psicológicas e com-
portamentais dos futuros ocupantes, e não, apenas, condições técnicas e estéticas.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
4. Leia o trecho a seguir:
_________________ associa-se à transformação do espaço urbano a partir da relação da 
verticalização, da densidade e da percepção, ou seja, o espaço da cidade é entendido 
como uma arquitetura visível e um meio de construção no tempo que remetem à 
condição da coletividade, portanto, o espaço é associado a uma experiência concreta 
de utilização (NETTO, 2013). 
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
a) Urbanização.
b) Cidadania.
c) Plano Diretor.
d) Percepção.
e) Urbanidade.
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5. Leia o trecho, a seguir, sobre os elementos objetivos na composição do ambiente 
construído:
“A _______________________ é um ponto de contato entre a massa e o espaço [...] formas 
arquitetônicas, texturas, materiais, modulação de luz e sombra, cor, tudo se combina 
para injetar uma qualidade ou espírito que articula o espaço. A qualidade da arquitetura 
será determinada pela habilidade do arquiteto e urbanista em utilizar e relacionar os ele-
mentos, tanto nos espaços internos, quanto nos espaços da cidade” (BACON, 1974, p. 3).
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
a) Forma arquitetônica.
b) Função arquitetônica.
c) Estrutura arquitetônica. 
d) Metodologia arquitetônica.
e) Percepção ambiental. 
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3
Chegamos à terceira unidade da nossa disciplina, agora, é o momen-
to de nos aproximarmos do modo como o usuário compreende o 
espaço. Nesta unidade, você terá a oportunidade de conhecer as 
teorias relacionadas ao espaço físico e à percepção dos indivíduos, 
como a cognição ambiental, a ambiência, a relação pessoa/am-
biente e o Environmental Role, sem deixar de lado, as questões que 
envolvem o processo de projeto participativo, que podem moldar o 
comportamento dos usuários nos ambientes. Verificaremos, ainda, 
a importância das atividades dos profissionais de arquitetura e as 
áreas relacionadas à produção do espaço construído, levando em 
consideração os aspectos físicos, funcionais, cognitivos e culturais 
das demandas dos usuários, os quais contribuem para a concepção 
de ambientes mais experienciais e humanizados.
O Ambiente 
Construído Sob a 
Ótica do Usuário
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
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UNICESUMAR
Você jáparou para pensar que passamos a maior parte do nosso tempo em ambientes construídos e, 
com isso, as características do ambiente físico impactam, significativamente, no nosso comportamento 
psíquico? Você acredita que as características destes espaços são capazes de induzir sensações, fazer 
com que as pessoas se sintam bem e, até mesmo, aumentar sua concentração e produtividade? Você 
saberia elencar os pontos principais a serem analisados em um ambiente, para que esse atenda aos 
requisitos de qualidade do ambiente construído e possa promover melhoria de vida a seus usuários?
O ambiente construído é definido por ser um espaço intrinsecamente social, ou seja, um espaço 
no qual a vida acontece, destinado à ocupação, à leitura e à interação social, cultural e psicológica dos 
usuários. Sabemos que o ambiente molda as ações dos seres humanos, e a arquitetura se propõe a 
incentivar bons relacionamentos, melhorar a vida das pessoas e explorar seu potencial transformador.
É importante destacar que os seres humanos percebem, reagem e respondem, de formas diferentes, 
a um mesmo ambiente, e estas manifestações podem ser conscientes ou inconscientes. Vale lembrar, 
ainda, que a maneira como vemos as coisas é afetada pelo que sabemos e acreditamos, por isso, or-
ganizamos e atribuímos significados às informações que são vivenciadas. Nesse sentido, a percepção 
ambiental é a forma como os usuários “percebem” e “sentem” os espaços físicos, trata-se do modo como 
o usuário toma consciência do ambiente.
Sabendo disso, é essencial que você, enquanto profissional arquiteto(a) e urbanista, tenha o conhe-
cimento relacional entre a percepção e o ambiente, para que possa promover ambientes centralizados 
no usuário e experiências agradáveis a eles, além de reconhecer a nossa responsabilidade enquanto 
formadores de espaços qualitativos. 
Experimente! Pare por alguns instantes e observe a Figura 1, a seguir: 
Figura 1 - Casa de Vidro, em Connecticut
Descrição da Imagem: a Figura 1 apresenta a Casa de Vidro, em Connecticut. Esta casa possui uma estrutura metálica 
que dá suporte às paredes de vidro e expõe os mobiliários internos e a paisagem circundante. 
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UNIDADE 3
Imagine que você está diante desta construção. Qual é a sensação que ela causa? Como você percebe este 
espaço? Você se sente convidado(a) a entrar? Utilizando o seu #Diário de Bordo#, faça as suas anotações! 
Reflita sobre a Casa de Vidro, ou Glass House. Ao observar a imagem apresentada, é possível compreender 
que o edifício e os materiais utilizados para a sua construção podem atrair um observador e o estimular 
a entrar na edificação, além de promover a “curiosidade”. Será que estes elementos foram pensados pelos 
profissionais que idealizaram o projeto com este objetivo? E para os moradores, usuários do dia a dia, 
qual será a sensação de habitar essa casa? Ela gera sensação de conforto? Você moraria nesta casa?
Estabelecer estratégias projetuais e definir elementos arquitetônicos auxilia na promoção de sensa-
ções nos diferentes usuários, porém o que não se pode é generalizar o modo como cada um percebe o 
espaço. Ou seja, ainda que os profissionais de projeto o idealizassem com intenções a serem atendidas, 
os “leitores dos espaços” podem compreendê-lo de diferentes formas. No caso da Casa de Vidro, o 
arquiteto Philip Johnson, responsável pelo projeto, definiu a edificação como um pavilhão, a partir do 
qual se pudesse visualizar a paisagem circundante, por isso, a casa possui uma porta de vidro, locada 
no centro da edificação, “abrindo-se” para a paisagem, além de toda a vedação em vidro.
Pensando que a edificação foi construída em 1949, trata-se de uma obra arquitetônica icônica, 
devido ao uso de materiais inovadores, ao método construtivo não tradicional e à integração com o 
meio externo. O uso de um plano vertical único define a estrutura do edifício e promove a ligação com 
o espaço público. A organização do espaço interno é semelhante a um “loft”, ou seja, não há paredes, e a 
definição dos ambientes ficou por conta do layout e dos mobiliários desenhados por Mies Van Der Rohe. 
É inevitável pensar que, se estivéssemos à frente desta edificação, teríamos curiosidade de aden-
trar o edifício para conhecer o espaço e verificar a sua funcionalidade, visto que, a princípio, não há 
56
UNICESUMAR
privacidade e, mesmo assim, foi idealizado como uma residência. A sua formação “fora dos padrões 
convencionais” faz com que as pessoas sejam estimuladas a reconhecer o espaço e apropriar-se dele. 
O ato de “ver” é associado aos princípios da percepção, nos quais o nosso cérebro usa as próprias 
memórias e reconhece os estímulos do ambiente, e isto é possível pelos atributos do objeto. A mente 
organiza o modo como percebemos os elementos e, entre os atributos, pode-se destacar: a forma, a cor, a 
textura, o odor, o som, o contexto, entre outros. É inegável a influência do ambiente físico para o usuário! 
É importante retomarmos o conceito de ambiente construído, que falamos na unidade anterior, 
mas, agora, sob uma “nova” ótica. O ambiente arquitetônico, de modo simples, é o espaço real viven-
ciado, é o resultado da materialização do espaço, que possibilita o reconhecimento e a apropriação do 
mesmo, transformando-o em “lugar”.
O lugar é um conceito fundamental. Para Santos (2005), um(uns) lugar(ares) é a base da vida 
em comum, ou seja, constitui a dimensão da existência, que se manifesta por meio de um cotidiano 
compartilhado entre as diversas pessoas, instituições e conflitos, o que remete o usuário à reflexão da 
relação do usuário com o mundo. Trata-se do espaço que promove a identificação com algo e que faz 
com que os usuários possam vivenciar uma história. Para a arquitetura, é o espaço em que os usuários 
se sentem confortáveis ou que proporcionam vivências (BERGAMIM, 2013). 
O lugar, também, pode ser entendido como representação espacial, que possui identidade, ou seja, 
características intrínsecas e exclusivas. Estas lhe proporcionam a aproximação e a identificação de um 
conjunto de elementos (território, paisagens, edificações, lembranças, emoções, cenas urbanas etc.) 
com a população que o vivencia ou o vivenciou (SANTOS, 2005). Na arquitetura e no urbanismo, 
ainda, compreende-se que o espaço é estabelecido a partir do conjunto de componentes físico-quí-
micos de ecossistemas naturais e de pormenores sociais em que se insere o ser humano, de modo 
individual e/ou coletivo, e, por meio da ocupação do espaço, são promovidos o desenvolvimento 
de atividades e a preservação de recursos.
Fortalecendo essa definição, Okamoto (2002, p. 149-150) diz que “A criação do lugar construído é a 
criação do espaço vivencial, tanto para o indivíduo quanto para o meio social, onde está em permanente 
deslocamento de uma atividade para outra. […] É sentir o espaço, é pensar o espaço, é mover-se no espaço 
e vivenciar o espaço”. Ou seja, o ambiente construído manifesta-se como modelo social de organização 
da atividade humana e, ao mesmo tempo, como instrumento funcional e cultural (FISCHER, 1994). 
Neste sentido, a interação entre o homem e o ambiente existe, e esta abordagem define o homem 
como sujeito fisiológico, afetivo, cognitivo e social. O afetivo aborda os sentimentos e as emoções com 
pessoas e locais de permanência; o cognitivo atua no conhecimento, na linguagem e na razão; e o 
social, nos valores da convivência em sociedade (DOLLE, 1993). 
Como sabemos, as cidades e os edifícios têm diversas implicações na qualidade de vida e de trabalho 
dos usuários, porém a questão maior é que as pessoas se “sentem” saudáveis mediante o atendimento 
de aspectos das necessidades físicas e psicológicas do corpo, espírito e mente (GUZOWSKI, 1999). 
57
UNIDADE 3
Amérigo (1995, p. 55) coloca que “[...] um resultado afetivo, uma resposta emocional ou uma con-
sequência de caráter positivo que provém da comparação entre o ambiente e a situação do usuário, e 
tudo é estabelecido dentro de um processo cíclico e dinâmico,em que a pessoa se adapta a cada situa-
ção”. Trazendo à prática arquitetônica o ambiente construído, destacamos prioritariamente a função 
de uma edificação e/ou de um espaço, que é definida pelo “tipo especial de atividade” ou “modo de 
ação” deste (VOORDT; WEGEN, 2013). Sob uma análise funcional, Zeeman (1980 apud VOORDT; 
WEGEN, 2013) apresenta as quatro funções essenciais do espaço construído:
• Função protetora: proteção dos usuários e das propriedades contra perigos e influências 
ambientais.
• Função territorial ou de domínio: os ambientes físicos tornam possíveis de trabalhar em 
lugar próprio, garantindo a privacidade e a segurança pessoal e patrimonial.
• Função social: as edificações criam espaços e lugares que os usuários podem cumprir as suas 
atividades.
• Função cultural: os ambientes físicos devem atender às exigências ligadas à forma e ao caráter 
do ambiente espacial, considerando fatores estéticos, arquitetônicos, ambientais, e de planeja-
mento bem como desenho urbano. 
Não falamos do ambiente construído, exclusivamente, relacionado às questões de formação técnica, 
então, é essencial refletirmos sobre o modo como o usuário percebe estes espaços e se comportam 
neles. Para isso, é importante definirmos o termo cognição ambiental. Para Gifford (2002), a cognição 
ambiental atua nas formas pelas quais são adquiridas, armazenadas, organizadas e relembradas as 
informações sobre localização, distâncias e disposições de espaços físicos pelos usuários. 
Esta cognição, portanto, associa-se aos estímulos do espaço e/ou do entorno, os quais estão relacionados 
às lembranças que possuímos e elaboramos e, em alguns casos, às referências e às similaridades com os 
espaços. Para Cunha (2010), a cognição ambiental é a forma pela qual o ser humano adquire, armazena, 
organiza e acessa as informações sobre os espaços, que, associados à cognição espacial, auxiliam na men-
suração de distâncias, no estabelecimento de caminhos alternativos, na leitura de mapas, entre outros. 
Logo, a cognição ambiental é entendida como a inteligência humana que é capaz de conhecer, arrebatar 
e acumular informações a respeito do espaço físico, ou seja, vivencia o espaço, de modo proveitoso, sob a 
ótica da Psicologia Ambiental (HIGUCHI; KUHNEN; BOMFIM, 2011). Com isso, compreendemos que as 
cognições ambientais se tratam de processos relacionais e se organizam a partir dos mecanismos perceptivos/
sensitivos e dos elementos do ambiente físico, e, nesta relação intrínseca pessoa/ambiente, define-se que o 
processo cognitivo interfere, diretamente, na tomada de decisão e nas ações dos usuários (GARLING, 1996).
É importante compreendermos o comportamento do usuário, ou seja, a relação de qualquer conduta 
do indivíduo frente ao meio que está inserido, que se dá por meio de imagem e consciência, pensamento 
e sentimento, resultando em uma resposta que conduz a um comportamento (OKAMOTO, 2002).
58
UNICESUMAR
Falar sobre a relação da pessoa/ambiente é nos deparamos com as 
argumentações que envolvem as diferentes percepções e sensações 
dos indivíduos. Neste contexto, retrataremos as diferentes sensações 
que podem ser promovidas nos ambientes para os usuários. Tenha 
a sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo! 
Papanek (1998) destaca que a arquitetura tem que ser captada 
por todos os sentidos, e não, apenas, ser vista. Em apoio a esta dis-
cussão, Zevi (2002) defende que a produção do espaço arquitetônico 
depende de quatro categorias:
• Conteudistas: categoria relacionada à arquitetura com o contexto, sendo a sua representação 
a partir dos seus “conteúdos” (políticos, sociais, econômicos, entre outros).
• Formalistas: categoria relacionada aos aspectos formais (unidade, contraste, simetria, propor-
ção, escala, entre outros).
• Fisiopsicológicas: categoria relacionada às questões simbólicas, em busca de relacionar as 
reações físicas e emocionais às arquitetônicas.
• Espaciais: categoria relacionada à vivência, a partir da avaliação do movimento real.
Com isso, vale destacar que o ambiente que utilizamos abrange valores objetivos, como forma, função, 
cor, textura, aeração, temperatura, iluminação, sonoridade, significante e simbologia, que resultam 
no espaço arquitetônico sensível; e é por meio deles que o ambiente é sentido e os fatos e os eventos, 
selecionados por interesse. Além disso, os referidos valores definem a percepção da realidade de 
forma consciente, os demais estímulos são levados ao inconsciente e formatam o contexto ambiental 
(OKAMOTO, 2002). 
Falando sobre o comportamento humano, podemos encarar a arquitetura como modo de otimizar 
o espaço para determinadas funções e atividades, em que os elementos dos espaços são percebidos e 
utilizados pelos usuários, e estes reagem por meio dos estímulos sensoriais que estimulam o cérebro, 
de modo a atendar aos objetivos. Neste contexto, destaca-se a teoria do Environmental Role, que 
descreve os padrões de interação desenvolvidos pelos indivíduos em determinado ambiente, a partir 
das diferentes vivências culturais, aspectos demográficos, entre outros. 
A teoria do Environmental Role é definida pelos pesquisadores como a incidência de um indivíduo 
em determinado ambiente e o desenvolvimento padrão de interatividade, que varia de acordo com 
seu papel social no contexto, o que leva a uma percepção avaliativa, que, para Canter (1972), limita 
a interação do homem com o seu ambiente, ou seja, ele construirá conceituações diferentes em um 
determinado ambiente. Nesta conjuntura, a relação pessoa/ambiente define que:
 “
O homem e suas extensões constituem um sistema inter-relacionado. É um erro agir 
como se os homens fossem uma coisa e sua casa, suas cidades, sua tecnologia, ou sua 
língua, fossem algo diferente. Devido à inter-relação entre o homem e suas extensões é 
�https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9452
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UNIDADE 3
conveniente prestarmos uma atenção bem maior ao tipo de extensões que criamos [...]. 
Como as extensões são inanimadas, é preciso alimentá-las com feedback (pesquisa), para 
sabermos o que está acontecendo, em particular no caso das extensões modeladoras 
ou substitutivas do meio ambiente natural (HALL, 1977, p.166-167).
Nas unidades anteriores, abordamos as definições de Psicologia Ambiental e percepção 
ambiental, termos estes que possuem total relação com a condição e o estabelecimento do 
ambiente construído para a arquitetura. Desta forma, retome estes conceitos para darmos 
sequência a nossa conversa!
Estudos sugerem que os conteúdos das paisagens têm efeitos positivos no âmbito da saúde mental e 
física dos usuários, por exemplo, as paisagens naturais são capazes de reduzir o estresse, e esta ideia 
fortalece a discussão de que a produção dos ambientes deve centralizar-se na concepção de espaços 
que tenham conexão direta com os as necessidades e expectativas essenciais ao usuário (nas suas par-
ticularidades), em busca de reduzir os efeitos psicológicos e físicos adversos pela ausência de produção 
de espaços adequados (JOYE, 2007; PINKER, 2010).
O comportamento humano pode ser influenciado por meio do arranjo do espaço físico, podendo 
alterar o humor ou percepção dos indivíduos e, consequentemente, o comportamento do usuário. 
Levando em conta estes aspectos, de forma interdisciplinar, a ambiência poderá colaborar para que o 
projeto do ambiente proporcione bem-estar aos seus futuros ocupantes. 
60
UNICESUMAR
Partindo do reconhecimento destes termos, o conceito de “ambiência” nos auxilia na produção 
de ambientes construídos que não considerem, somente, o espaço como meio físico, mas também 
estético, psicológico e estruturado, com valor individual para cada usuário, que, vinculado a ele, 
permanece e exerce as diferentes atividades. 
A “ambiência” engloba o ambiente construído junto aos efeitos 
subjetivos, os quais induzem o comportamento dos indivíduos e 
a inter-relação com a experiência dos usuários à realização de de-
terminadas atividades, ao sentimento de diversassensações, entre 
outros, de acordo com as condições físicas, psicológicas, ambientais, 
temporais, culturais ou qualquer outra que possa influenciar o uso 
e a percepção do ambiente construído. Vale a pena conversarmos 
a respeito deste termo e a sua importância! Dê o play no nosso 
podcast e investigue esta grandeza essencial à compreensão da 
arquitetura e do urbanismo!
Compreendendo a ambiência como condições e/ou parâmetros associados às condições formais, 
estéticas e normativas, percebemos a interação do usuário com os espaços projetados, por meio dos 
sentidos e influenciada pelos aspectos subjetivos e suas sensações, ou seja, tratar da ambiência é res-
ponsabilizá-la para que as pessoas compreendam o espaço por meio de suas próprias experiências e 
das relações que estabelecem com os lugares. 
Após conhecermos estes conceitos: percepção, ambiência, Environmental Role, Comportamento 
Socioespacial Humano (CSEH) e cognição ambiental, podemos dar continuidade à nossa discussão 
acerca do conceito do ambiente construído. Este, como ciência, começou a incorporar e a delimitar 
a questão da saúde dentro dos espaços, buscando maior desempenho e edificações mais adequadas.
Gann e Whyte (2003) completam esta discussão destacando que o desenvolvimento da sociedade 
se apoia no comportamento e nas preferências dentro e fora da edificação e, no Período Moderno, as 
questões sobre corpo e lugar não eram consideradas devido ao foco no coletivo, e não no individual. 
Portanto, a expertise do processo de produção do ambiente construído está associada ao modo como 
os projetistas tratam seus clientes, isto é, de forma mais empática e de modo a apreciar as necessidades e 
as percepções deles, tornando-se profissionais que se colocam em posição de instrumentos bem como 
escutam e colaboram com os usuários, de forma a lidar com os aspectos técnicos e legais de um projeto 
e reconhecer a importância de projetar as edificações para o uso humano, sem, necessariamente, sa-
crificar as considerações tecnológicas ou estéticas, estabelecendo-se, assim, como planejadores sociais.
Ao falar da produção do ambiente construído, Gifford (2002) enumera sete metas a serem atingidas: 
1) criação de espaços físicos que atendam à necessidade dos ocupantes e possibilitem as condições de 
habitabilidade, congruência e boa adequação; 2) busca pela satisfação dos usuários quanto à constru-
ção; 3) mudança de comportamento, visando melhorias funcionais, como a produtividade, o convívio 
social, entre outros; 4) melhora do controle pessoal, combinando as suas necessidades com as dos 
demais usuários; 5) compreensão do ambiente construído como apoiador social, visando cooperação, 
assistência, entre outros; 6) imaginabilidade, ou seja, comunicação facilitada sobre o uso do espaço; e, 
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UNIDADE 3
por fim, 7) ativação do usuário, em que há a otimização do uso do espaço, garantindo a vitalidade da 
edificação e do espaço urbano, que torna, assim, o “espaço da vida”. 
Um destaque importante a ser feito nesta reflexão é estabelecer que o termo ambiente construído, 
também, é usual para o âmbito da cidade, a qual precisa lidar com diferentes relacionamentos e aproxi-
mações, ou seja, a configuração do território urbano é dada pelas relações sociais e definida pelo conjunto 
indissociável de sistemas de objetos e sistemas de ação (SANTOS, 2005). Desta forma, é essencial termos 
um olhar crítico e reflexivo sobre o ambiente construído, em suas diversas manifestações e escalas.
A forma como o ambiente construído influencia o comportamento das pessoas permite considerar 
o estudo da percepção e do comportamento ambiental como fundamental, possibilitando a análise do 
comportamento com ênfase na experiência humana, que destaca a influência das dimensões espon-
tâneas e reflexivas desta experiência no ambiente natural construído (RHEINGANTZ et al, 2009).
Como vimos até agora, falar do ambiente construído é trazer as questões que envolvem a qualidade 
do espaço. Neste panorama, é importante pensar sobre como promover “qualidade” ao ambiente 
construído, visto a necessidade de atender (e agradar) aos diferentes usuários. E como avaliar a qua-
lidade dos espaços? Quais são os métodos que possibilitam a avaliação da qualidade dos ambientes?
Entraremos, agora, em uma discussão bastante complexa, em que qualificar o ambiente construído 
é uma atividade que demanda abordagens perceptivas e cognitivas, ressaltando as condições que de-
finem o ambiente/comportamento e buscando respostas a partir das relações entre as características 
físico-espaciais e do comportamento dos usuários. Tais relacionamentos são definidos a partir das 
experiências espaciais.
Reis e Lay (1995) colocam que a qualidade do ambiente construído está, entre outras condicionantes, 
associada ao desempenho deste espaço físico, considerando os aspectos de estética, uso e estrutura-
ção, além da sua inserção e relacionamento com a paisagem urbana. Tais autores definem três pontos 
principais a serem elencados na análise da qualidade do ambiente construído:
• Estética: neste item, caracterizam-se os elementos que estimulam os sentidos e as sensações, 
ou seja, aqueles associados à experiência estética sensorial visual, à estética formal e ao processo 
de percepção (simbolismo). 
• Uso: nesta categoria, caracterizam-se os elementos que afetam o uso das edificações e dos 
espaços urbanos, ou seja, é necessário considerar a satisfação do espaço de acordo com as suas 
funções pré-estabelecidas. 
• Estrutura: determinada pela permeabilidade ou acessibilidade funcional, que é dependente da 
legibilidade física, dos padrões de atividades e da imaginabilidade (capacidade de uma imagem 
promover a percepção da memória do observador). 
O modo de executar o projeto é afetado por diversas questões levantadas pela necessidade de garantir 
funcionalidade à edificação, entre elas, a adequação dos espaços ao uso e às atividades realizadas (CAR-
VALHO; SPOSTO, 2012). A qualidade da produção de projetos refere-se à participação efetiva dos 
futuros usuários nas definições das características das edificações e, com isso, ao desenvolvimento de 
projetos participativos, em maior ou menor escala, envolvendo os moradores nas tomadas de decisões.
62
UNICESUMAR
Falar sobre o processo participativo, tanto no âmbito do espaço arquitetônico (edificações) quanto 
no espaço urbano, é essencial, e estas discussões permeiam desde as décadas de 60 e 70 e sugerem três 
parâmetros, de acordo com Braga (2016): 
• O usuário possui, pelo menos, parte do controle decisório e é livre para contribuir no projeto, 
na construção ou no gerenciamento, e o processo e o ambiente são resultantes dos estímulos 
do bem-estar individual e coletivo.
• A satisfação dos usuários não possui correlação direta com a imposição de padronagens da 
arquitetura.
• As deficiências e as imperfeições nas edificações, decorrentes do processo, são mais “toleráveis” 
se forem de responsabilidade do usuário.
Desta forma, podemos ressaltar que a participação do usuário, no contexto da produção de sua habitação 
ou cidade, não é, apenas, para alcançar o produto edificado, mas para estimular o comprometimento, 
a compreensão, a aplicação e o uso correto dos sistemas que envolvem as edificações, tornando, assim, 
o processo produtivo, no entanto complexo. 
Segundo Matos (2010), no processo tradicional de projeto e, posteriormente, na aprovação das 
propostas apresentadas pelo profissional, o usuário final participa fornecendo informações; enquan-
to, no processo participativo, as decisões são tomadas, ao longo do processo de desenvolvimento de 
projeto, conforme as demandas, e o usuário tem papel ativo na elaboração do projeto, isto é, ele 
não é visto, apenas, como fornecedor de informações, mas também como percursor, para a conquista 
de uma arquitetura mais comprometida com as demandas (reais) humanas, já que a realização de 
projetos centrados nos usuários garantem maior vínculode usabilidade e manutentabilidade por 
parte dos usuários. 
Tratando-se do conceito de participação do usuário no projeto arquitetônico, percebe-se a 
contribuição e a preocupação social na tentativa de satisfazer os usuários, e não, apenas, preocupar-se 
com o produto final. Dentre as vantagens deste processo, destaca-se o ganho de qualidade no espaço, 
pois ele cria laços afetivos derivados de uma sensação de apropriação decorrente da participação na 
definição de seus espaços (IMAI, 2010). 
Embora, em algumas situações, a participação dos clientes no processo não seja pelos próprios 
usuários finais da edificação, é fundamental essa interação para o esclarecimento de como os pro-
blemas de projeto devem ser abordados por parte dos projetistas (LAWSON, 2011). Desta maneira, é 
relevante considerar que o espaço arquitetônico, como vimos, é constituído e organizado a partir da 
integração das pessoas, da relação dessas com o espaço e das possíveis regras vigentes, entendendo a 
função do usuário no espaço. 
Observe as imagens:
63
UNIDADE 3
O objetivo desta unidade foi abor-
darmos a importância e a essen-
cialidade do usuário no espaço, 
seja ele de qualquer uso, ou qual-
quer escala. Trouxemos à discus-
são as questões que envolveram as 
particularidades e as necessidades 
dos usuários, seja no comporta-
mento e utilização do espaço, ou 
na sua presença no processo de 
projeto. Falar sobre o usuário e o 
ambiente construído é entender 
o quanto a sua presença cria o 
espaço e o seu comportamento 
descreve os padrões de intera-
ção, que são desenvolvidos pelos 
indivíduos em um determinado 
ambiente, a partir das diferentes 
vivências culturais, aspectos de-
mográficos, entre outros. 
Na Figura 2, sentimos o “va-
zio” em não contar com as pes-
soas transitando pela cidade e 
os automóveis transitando pelo 
espaço, ou seja, a vivência do am-
biente construído. Já, na figura 3, 
o registro mostra as pessoas uti-
lizando o espaço, diferentes tipos 
de modais, entre outros. A ques-
tão que deve ser ressaltada, neste 
momento, é a importância da re-
lação estabelecida entre o usuário 
e o ambiente construído, sempre 
trazendo a importância de que 
o ambiente é construído para 
ser utilizado. Desta forma, pre-
cisamos nos questionar, durante 
a produção dos nossos projetos, 
Figura 2 - Rua de Nova Iorque sem usuários e modais
Figura 3 - Rua de Nova Iorque com usuários e modais
Descrição da Imagem: a Figura 2 apresenta uma imagem da Times Squa-
re, em Nova Iorque, no período diurno, sem usuários e sem modais, a via 
está vazia, sem vida.
Descrição da Imagem: a Figura 3 apresenta uma imagem de uma rua em 
Nova Iorque com pessoas, bicicletas e carros se apropriando/utilizando 
do espaço.
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UNICESUMAR
quem utilizará este espaço e quais são as suas necessidades e particularidades, pensando nas questões que 
evidenciam melhores condições espaciais e vitalidade nas edificações e nos espaços urbanos.
Trazendo a escala do edifício, observe as Figura 4 e 5:
Figura 4 - Espaço físico de uma padaria
Descrição da Imagem:a Figu-
ra 4 apresenta uma imagem 
de um espaço físico referente 
a uma padaria, sem a interação 
de usuários. 
Figura 5 - Clientes na padaria
Descrição da Imagem:a Figu-
ra 5 apresenta uma imagem da 
mesma padaria da figura ante-
rior (Figura 4), no entanto com 
a presença de usuários senta-
dos à mesa.
Na Figura 4, podemos observar 
um estabelecimento comercial 
referente a uma padaria, que, 
visualmente, evidencia a sua 
função por meio da defini-
ção do layout, relacionado aos 
mobiliários, às circulações e à 
caracterização estética do am-
biente construído. No entanto, 
apenas, com esta análise, não há 
como garantir que o ambiente 
“funcione”, pois não está sendo 
utilizado, ou seja, não sofre a 
apropriação pelos usuários. 
65
UNIDADE 3
Já, na Figura 5, podemos ver o mesmo estabelecimento comercial, no entanto, agora, com a inserção 
de usuários utilizando o espaço (duas senhoras sentadas à mesa). Ainda que simplificado, é perceptivo 
o modo como há a apropriação do espaço, atendendo às necessidades dos usuários, que são específicas 
para estas funções. Sob essa ótica, obtém-se uma arquitetura preocupada com o seu usuário, buscando 
a adequação do ambiente à função que desempenha, considerando quem utilizará o espaço como 
elemento fundamental e primordial do processo de projeção. 
É hora de recapitularmos, de modo bastante intuitivo, o que tratamos até agora, para o(a) auxiliar nos 
seus estudos! O nosso eixo de discussão foi o conceito de ambiente construído e, com isso, o modo como 
ele se estabelece bem como a sua abordagem e particularidades. Ainda que seja um termo muito comum 
na arquitetura e no urbanismo, as discussões são distantes à produção do espaço propriamente dita, 
Figura 6 - Mapa Mental / Fonte: a autora.
Descrição da Imagem:a Figura 6 representa o resumo dos termos abor-
dados na unidade, sendo eles: Cognição Ambiental, Environmental Role, 
pessoa/ambiente e processo participativo. A Cognição Ambiental está ba-
seada na teoria do Environmental Role, que se associa ao comportamento 
dos usuários, considerando os parâmetros da ambiência e centralizando 
a produção do espaço na relação pessoa/ambiente. Na figura, é possível 
visualizar que a relação do usuário depende da interação dos quatro re-
feridos eixos centrais.
ou seja, trazendo toda a relação 
para a prática projetual; desta 
forma, na maioria das vezes, fa-
lamos sobre a importância do 
ambiente construído, mas pou-
co se traz sobre a sua influência 
no comportamento humano nas 
diferentes escalas de produção 
da arquitetura e do urbanismo. 
Esta discussão tem sido, cada 
vez mais, presente e significativa 
na Era Contemporânea, visto que 
a centralização da produção dos 
profissionais catalisadores do es-
paço se apoia na experiência que 
o usuário conquista ao utilizar 
um determinado espaço. Tenha 
sempre em mente estas condições: 
quando produzimos e elaboramos 
um ambiente construído, deve-
mos olhar para o comportamento 
humano e estabelecer condições 
de qualidade espacial. 
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Agora é com você! Desenvolva um mapa mental que organize os pontos-chave da nossa disciplina 
sobre o seu processo reflexivo e destaque o que foi relevante para a sua compreensão, para que 
possamos, desta forma, firmar o conteúdo e darmos sequência a nossa conversa. Mãos na massa!
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1. Leia o trecho a seguir:
“A criação do lugar construído é a criação do espaço vivencial, tanto para o indivíduo quanto 
para o meio social, onde está em permanente deslocamento de uma atividade para ou-
tra. […] É sentir o espaço, é pensar o espaço, é mover-se no espaço e vivenciar o espaço” 
(OKAMOTO, 2002, p. 149-150). Com base neste contexto, analise as asserções a seguir:
I) Ambiente construído, exclusivamente urbano, manifesta-se como modelo social de 
organização da atividade humana, cumprindo-se, ao mesmo tempo, como instru-
mento funcional e cultura.
II) A interação entre o homem e o ambiente é irrelevante, ainda que a abordagem defina 
o homem como sujeito fisiológico, afetivo, cognitivo e social.
III) Ambiente construído refere-se ao conjunto de componentes físico-químicos de 
ecossistemas naturais e de pormenores sociais em que se insere o ser humano, de 
modo individual e/ou coletivo, e, por meio da ocupação do espaço, são promovidos 
o desenvolvimento de atividades e a preservação de recursos
Assinale a alternativa correta:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) II e III, apenas
2. Falar sobre o usuário e o ambiente construído e definir este como um espaço intrinse-
camente social, ou seja, destinado à ocupação, à leitura e à interação social, cultural e 
psicológica dos usuários, é estabelecer os critérios e a compreensão da “percepção”. 
Com base neste contexto, assinale a alternativa correta:
a) A percepção ambiental é a forma como os usuários “percebem” e “sentem” os espaços 
físicos aos quais estãovivenciando, ou seja, trata-se do modo como o usuário, por meio 
da sua cognição, tem consciência do ambiente construído.
b) Com base nos estudos, define-se que os humanos percebem, reagem e respondem, 
do mesmo modo, em um mesmo ambiente, e estas manifestações podem ser cons-
cientes ou inconscientes.
c) O estudo da percepção é um dos mais antigos temas de especulação, mas a percepção 
é direcionada, apenas, à Psicologia, como modo de explicar o que sentimos. 
d) A percepção ambiental não está associada à forma como serão entendidas as informa-
ções nem está conexa à consciência, ou seja, ao modo que os estímulos dos ambientes 
se apresentam e à forma que cada usuário os compreende.
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3. De acordo com Gifford (2002), a relação pessoa/ambiente parte do pressuposto de que, 
ao alterar o ambiente, o ser humano tem seu comportamento e experiência modificados 
pelo ambiente, com isso, a recursividade e o comportamento humano são responsáveis 
por grande parte dos problemas ambientais. Neste contexto, falamos do conceito de 
“ambiência”. Sendo assim, a respeito deste tema, assinale a alternativa correta: 
a) A ambiência é um processo de postura, valores, objetivos e identidade dos locais, 
considerando as cores, as formas e a iluminação.
b) A ambiência refere-se ao espaço desorganizado e animado que constitui um meio 
subjetivo e, ao mesmo tempo, estético ou psicológico, especialmente, preparado para 
o exercício de atividades humanas.
c) Em relação à ambiência como condições e/ou parâmetros associados às condições 
formais, estéticos e normativos, percebemos a interação do usuário com os espa-
ços projetados, por meio dos sentidos e influenciada pelos aspectos subjetivos e 
suas sensações, ou seja, tratar da ambiência é responsabilizá-la para que as pessoas 
compreendam o espaço por meio de suas próprias experiências e das relações que 
estabelecem com os lugares. 
d) O desenvolvimento da sociedade não se apoia no comportamento e nas preferências, 
dentro e fora da edificação, e, no Período Moderno, as questões sobre corpo e lugar 
sempre foram consideradas devido ao foco no coletivo, e não no individual. 
e) O processo de produção do ambiente construído é contrário ao modo de apreciar as 
necessidades e as percepções dos usuários.
4. Leia o trecho a seguir: 
__________________ é um conceito fundamental, pois é a base da vida em comum, ou seja, 
constitui a dimensão da existência, que se manifesta por meio de um cotidiano comparti-
lhado entre as diversas pessoas, instituições e conflitos, o que remete o usuário à reflexão 
da relação do usuário com o mundo. Para a arquitetura, é entendido como um espaço 
que nos identifica com algo, ou que é criado para nos fazer vivenciar determinada história, 
enfim, é o lugar onde sentimos aconchego, ou que nos desperta um referencial concreto. 
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
a) Ambiência.
b) Pessoa-ambiente.
c) Espaço urbano.
d) Lugar.
e) Percepção.
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5. Leia o trecho a seguir: Para Gifford (2002), atua nas formas pelas quais são adquiridas, 
armazenadas, organizadas e relembradas as informações sobre localização, distâncias 
e disposições de espaços físicos pelos usuários. Associa-se aos estímulos do espaço 
e/ou do entorno, às lembranças que possuímos e elaboramos e, em alguns casos, às 
referências e às similaridades com os espaços. É a forma pela qual o ser humano ad-
quire, armazena, organiza e acessa as informações sobre os espaços, que, associados 
à cognição espacial, auxiliam na mensuração de distâncias, no estabelecimento de 
caminhos alternativos, na leitura de mapas, entre outros. A descrição refere-se a que 
conceito? Assinale a alternativa correta. 
a) User experience. 
b) Pessoa/ambiente.
c) Cognição ambiental.
d) Ambiência. 
e) Percepção ambiental. 
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Iniciaremos, agora, então, a nossa quarta unidade: a qualidade do 
espaço urbano. Após reconhecermos as contribuições dos estudos 
que caracterizam o ambiente construído nas suas diferentes escalas 
e abordarmos os critérios que relacionam o usuário a elas, é che-
gada a hora de entendermos as particularidades que qualificam 
o ambiente construído. Nesta unidade, falaremos sobre o espaço 
urbano. É preciso compreendermos a conceituação, a abordagem, 
a estrutura e a qualificação dos espaços, centradas na sociedade, 
pensando no modo como a cidade se estabelece e se desenvolve. 
Falar sobre “qualidade” é muito complexo, pois existem elementos 
subjetivos para a sua avaliação e, por isso, a proposta, neste momen-
to, é conhecermos esses parâmetros e critérios e compreendermos 
a questão da paisagem urbana, além de reiterarmos (mais uma vez) 
o papel da sociedade na formação do espaço. Vamos lá?
A Qualidade do 
Espaço Urbano
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
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UNICESUMAR
É evidente que o mundo tem ficado, cada vez mais, urbanizado; segundo a Divisão de População da 
ONU, em 2020, a população urbana chegou a 4,4 bilhões de pessoas, 56,2% da população total, e a 
previsão é de 6,7 bilhões, 68,4% do total populacional, no ano de 2050 (VOLLSET et al., 2020). Com 
este crescimento, há impactos significativos na morfologia dos espaços urbanos e, consequentemente, 
nas relações econômicas e sociais das cidades. E agora? Pensando na estrutura física das cidades e nas 
consequências que a urbanização pode causar, qual é a melhor maneira de dar suporte ao crescimento 
e à ocupação do espaço urbano? Como garantir a qualidade das cidades?
Falar sobre o espaço urbano, intuitivamente, é tratar das relações que se estabelecem na cidade. 
Compreendemos que as cidades são como organismos vivos em constante modificação, e isto se dá 
pelo modo como a sociedade se relaciona com este espaço. E mais, é preciso considerar que, ainda que, 
implicitamente, os espaços públicos tenham como objetivo promover conexões entre a comunidade, 
nós, enquanto profissionais arquitetos e urbanistas, podemos gerar estratégias que convidem as pessoas 
a utilizarem e se apropriarem destes espaços, conseguindo, deste modo, definir a identidade particular 
de cada uma das cidades.
Em um primeiro momento, parece-nos um contexto bastante complexo, mas buscaremos simpli-
ficá-lo para que consigamos identificar as relações intra-urbanas nas diferentes paisagens, sem deixar 
de lado os critérios que verificam a qualidade destas. Aqui, chegamos a um ponto essencial da nossa 
conversa, falar da qualidade de vida da sociedade, que, de maneira genérica, está, diretamente, asso-
ciada às condições básicas do ser e ao desenvolvimento do bem-estar físico e psicológico bem como 
dos relacionamentos sociais. Falaremos, também, dos indicadores que afetam a vida humana, como 
saúde, educação, segurança, entre outros, e, com isso, da nossa responsabilidade em formatar os espaços 
urbanos, em busca de promover qualidade de vida aos usuários.
Você já parou para se perguntar o que torna uma cidade um bom lugar para se viver? Imagine que 
você tenha que escolher uma nova cidade para morar, como você tomaria esta decisão? Que critérios 
você avaliaria? Faça as suas anotações em seu #Diário de Bordo#. 
DIÁRIO DE BORDO
73
UNIDADE 4
Certamente, o primeiro passo seria realizar uma pesquisa completa sobre o lugar, isto é, buscar por 
informações que apresentassem: população, infraestrutura, prestação de serviço e comércio, seguran-
ça, custo de vida, clima, entre outros, em busca de se familiarizar com a cidade e realizar uma escolha 
responsável. Pois bem, nesta nossa breve conversa, você listou, ainda que indiretamente, critérios, 
diretamente, alinhados com as premissas da qualidade de vida, que envolvem o nível de condições 
básicas e suplementares do ser humano bem como o bem-estar físico e psicológico.
Pensarmos nas questões que envolvem a qualidade do espaço urbano, faz-nos refletir nas diferentes 
cidades que conhecemos e, mais ainda, mentalmente, listar todas as potencialidades e asfragilidades 
desse espaço. É inevitável que, ao avaliar a paisagem urbana, façamos a seguinte reflexão: o que essa 
cidade tem a oferecer? Ela oferece qualidade de vida?
Como falamos inicialmente, esta nossa reflexão é direcionada ao espaço urbano e/ou à cidade, em 
busca de nos aprofundarmos em conceitos essenciais à compreensão da cidade e ao entendimento de 
estratégias que possam auxiliar-nos a produzir espaços com melhor qualidade e condições de vida. Para 
isso, trataremos das especificidades do espaço urbano e, por vezes, adotaremos o termo de cidade para a 
sua referência. Então, vamos lá! Se a ideia é falar do espaço urbano e/ou cidade, o que é a cidade? Como 
ponto de partida, adotamos a definição de que a cidade é um organismo vivo, que organiza territórios, 
associando elementos naturais e artificiais que sustentarão a morfologia urbana, ou seja, a sua forma.
Ao descrevermos a cidade, falamos sobre o seu estabelecimento físico e descrevemos a sua expe-
riência em diferentes contextos, colocando a cidade voltada para o atendimento das demandas dos 
habitantes e controles das atividades e transformações que ocorrem para a população e por ela (ROSSI, 
2001). Falamos, ainda, sobre o conceito de “lugar”, que atua como elemento organizador no contexto 
urbano, realizando a distinção das atividades, das aptidões e das tendências de ocupação espacial, sem 
deixar de lado o direcionamento vocacional dos espaços.
Rolnik (1988) diz que a cidade é uma esfera política e descreve o processo de morar associado ao 
ato vivenciar uma dimensão pública de forma coletiva, ou seja, o autor fala sobre o “ser habitante” de 
uma cidade, que significa participar, de alguma forma, da vida pública, mesmo que, em muitos casos, 
esta participação seja, apenas, à submissão a regras e aos regulamentos. A cidade atua como elemento 
magnético, que denota o poder de atrair, reunir e concentrar pessoas, em busca de contar uma história 
da sua civilização por meio de uma arquitetura particular e da composição do seu espaço.
É importante evidenciar, também, a delimitação do espaço público urbano e, com isso, estabelecer o 
relacionamento da sociedade com a sua vivência espacial no cotidiano das cidades, em que “no território 
urbano, o corpo dos sujeitos e o corpo da cidade formam um, estando o corpo do sujeito atado ao corpo 
da cidade, de tal modo que o destino de um não se separa do destino do outro” (ORLANDI, 2004, p. 
11). Assim, podemos compreender que o espaço não é desassociado dos usuários que os preenchem 
como um espaço real, em que são afetados pelo simbólico e pela historicidade local.
 “
O espaço significa, tem materialidade e não é indiferente em seus distintos modos de 
significar, de enquadrar o acontecimento. É pela aproximação do espaço com as con-
dições de produção, que podemos ter uma noção de espaço não mais só tecnológica 
74
UNICESUMAR
(cf. os cálculos dos urbanistas), mas significativa. Deixa de ser uma noção de espaço 
instrumental e idealista, sai-se do domínio dos projetos enquanto abstrações, e do 
construído, para a noção de processo de produção de um espaço em que entram as 
práticas públicas enquanto afetadas pelo simbólico, pela historicidade. Afetadas pelo 
real e pelo imaginário (ORLANDI, 2010, p. 6).
É importante, também, retomarmos a definição de lugar, que, para Tuan (1983), é relacionado à 
existência do usuário, em muitas escalas e modos de ser diferentes, ou seja, indica duas caracterís-
ticas válidas: o valor atribuído e o tempo, que é responsável pelas experiências vividas, ou seja, o 
lugar refere-se ao espaço ocupado, habitado. Desta forma, elencaremos três pontos essenciais que, 
quando inter-relacionados, resultam na estruturação do lugar: os atributos espaciais, os atributos 
bioclimáticos e os atributos humanos. 
Os atributos espaciais referem-se ao espaço tridimensional, ou seja, à forma, às áreas e aos planos que 
constituem a morfologia do espaço. Já os atributos bioclimáticos referem-se às características climáticas 
do espaço e suas variações conforme localização e região. E, por fim, os atributos humanos, que garan-
tem a interação do homem no espaço, modificando e caracterizando o espaço (REIS-ALVES, 2007). 
Figura 1 - Esquema gráfico resumido para o conceito de lugar / Fonte: adaptada de Reis-Alves (2007)
Descrição da Imagem: a Figura 1 apresenta três hexágonos que se inter-relacionam; o primeiro, à direita, na cor 
vermelha, refere-se aos atributos humanos (em maior proporção), o segundo hexágono superior, na cor verde, aos 
atributos espaciais e, por fim, o terceiro, na cor laranja, refere-se aos atributos bioclimáticos.
Quando se direciona a discussão para as questões do espaço urbano, tendencialmente, esbarramo-
-nos nas considerações do urbanismo e, com isso, da importância de centralizar a nossa conversa na 
técnica e/ou ciência, que visa organizar e racionalizar os agrupamentos da sociedade. Para Gonçalves 
et al (2008), o Urbanismo refere-se ao estudo das relações entre determinada sociedade e espaço que 
75
UNIDADE 4
a abriga bem como às formas de sua organização e intervenção. Calabi (2012) coloca o Urbanismo 
como regulamento das esferas públicas e privadas, em busca de promover o caráter dos instrumentos 
de projeto e organização do espaço físico urbano, o que se traduz em uma ciência política, apoiando-se 
na materialização, organização e manutenção das cidades bem como operando e conduzindo a ideia 
de integração entre as formas urbanas e as formas arquitetônicas. 
No final do século XIX, as definições de arquitetura assumiram um novo olhar, e o espaço surgiu como 
protagonista e, com isso, as primeiras manifestações de profissionais de diferentes atuações, preocupados 
com o rumo das cidades. Falava-se sobre as condições precárias de vida nas cidades e via-se, em um 
primeiro momento, que as intervenções aconteciam isoladamente para dar solução, principalmente, aos 
problemas dos fluxos migratórios e aglomerações nos grandes centros (MARQUES; CATRINCK, 2015). 
Esses profissionais foram chamados pré-urbanistas, que se dividem em duas correntes distintas: 
progressistas e culturalistas. Os progressistas, inspirados no racionalismo, numa concepção abstrata do 
homem, defendiam que a ciência deveria definir um modelo urbano perfeito, e os culturalistas diziam que a 
cidade era reflexo da cultura e que ela, junto aos habitantes, constitui uma unidade orgânica (CHOAY, 1992). 
Reitera-se que a disciplina da Arquitetura e do Urbanismo são disciplinas indissociáveis, pois 
o desenho urbano faz sentido quando as disciplinas atuam de forma integrada e complemen-
tar, pois, para planejar uma cidade, é necessário, entre outros parâmetros, que se atue em 
processos de caráter social, econômico, ideológico, político e físico, e, para isso, o arquiteto e 
urbanista deve ter como objetivo estudar (e se aprofundar) nas fragilidades e potencialidades 
da formação e do desenvolvimento dos espaços urbanos, com a responsabilidade social de 
planejar, projetar e construir espaços que possam ser ferramentas atenuadoras dos proble-
mas decorrentes da ausência de reflexão e planejamento urbano.
Fonte: a autora. 
Destarte, estas questões não envolvem uma ciência exata, e, sim, ciências sociais aplicadas, pois com-
preendo que os problemas urbanos e sociais não conseguem ser “facilmente” resolvidos, é importante 
conhecê-los, diagnosticá-los e executar ações de prevenção, manutenção e correção espacial.
Uma cidade é feita pela somatória dos espaços privados (edificações) e dos espaços públicos (ruas, 
praças e parques). O que costumamos entender como cidades são, na verdade, seus espaços públicos 
de uso comum do povo. São nesses espaços onde acontecem os encontros, onde se é possível observar 
o panorama geral da situação social dos habitantes e transeuntes (DEL RIO, 1999).
A cidade, portanto, é um objeto urbano, ou seja, é um fenômeno que se situa no âmbito da reflexão 
sobre o espaço e a sociedade, pois é o produto desta relação, mais precisamente,das relações sociais 
determinadas historicamente (LENCIONI, 2008). E não importa a sua dimensão ou característica, é 
um produto social estabelecido entre a “relação do homem e o meio que está inserido”, não importando 
as variações (espaciais ou temporais) entre as cidades.
76
UNICESUMAR
Vamos relembrar os cinco elementos estruturadores da cidade, segundo Lynch (2011):
Fonte: adaptado de Lynch (2011). 
No Brasil, nos últimos 50 anos, a urbanização sofreu transformações na distribuição da população no 
espaço nacional. Se, em 1945, a população urbana representava 25% da população total, cerca de 45 
milhões, em 2000, a proporção de urbanização atingiu 82%, um total de 169 milhões. Na última década, 
enquanto a população total aumentou 20%, o número de habitantes, nas cidades, cresceu 40% (SILVA; 
ROMERO, 2011). Em conjunto, as projeções estatísticas do IBGE apontam que a população brasileira 
atingirá o ápice, com o patamar de 260 milhões de habitantes por volta de 2060, quando, a partir de 
77
UNIDADE 4
então, a população deverá regredir lentamente (RATTNER, 2009). Reconhecendo os parâmetros que 
estabelecem o conceito de “cidade” e compreendendo o panorama da urbanização, é chegada a hora 
de conversarmos a respeito do conceito de qualidade de vida urbana. 
Para iniciar o nosso estudo sobre qualidade, é importante que saibamos reconhecer o que é este 
conceito, ainda que subjetivo e associado à percepção dos usuários. Entre algumas definições, pode-se, 
de modo simplificado, adotar a qualidade como um grau de utilidade e viabilidade, de modo que atenda 
às exigências fundamentais. Como ponto inicial da discussão da qualidade para o espaço urbano, de-
paramo-nos, de modo simbólico e mensurável, com a apresentação de alguns indicadores de avaliação. 
Por exemplo, o PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), definido pelo Ipea e 
pela Fundação João Pinheiro, apresenta parâmetros de avaliação que formam o índice IDHM (Índice 
de Desenvolvimento Humano Municipal).
 “
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) é uma medida composta 
de indicadores de três dimensões do desenvolvimento humano: longevidade, educação 
e renda. O índice varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento 
humano. O IDHM brasileiro segue as mesmas três dimensões do IDH Global - lon-
gevidade, educação e renda, mas vai além: adequa a metodologia global ao contexto 
brasileiro e à disponibilidade de indicadores nacionais. Embora meçam os mesmos 
fenômenos, os indicadores levados em conta no IDHM são mais adequados para ava-
liar o desenvolvimento dos municípios brasileiros. Assim, o IDHM - incluindo seus 
três componentes, IDHM Longevidade, IDHM Educação e IDHM Renda - conta um 
pouco da história dos municípios em três importantes dimensões do desenvolvimento 
humano durante duas décadas da história brasileira (PNUD BRASIL, [2021], on-line).
Ou seja, neste contexto, os dois parâmetros mais importantes para a avaliação dos municípios 
tratam-se da oportunidade de viver uma vida longa e saudável e ter acesso ao conhecimento e 
ao padrão de vida que garantam as necessidades básicas quanto à saúde, à educação e à renda.
É importante direcionar os parâmetros da qualidade urbana e 
reconhecer os critérios e os modos de avaliar a qualidade no espaço 
urbano, vale a pena conversarmos sobre isso. Dê o play no nosso 
podcast, e vamos estudar a respeito da qualidade urbana! 
Ao olhar para os critérios de IDGM (Índice de Desafios da Ges-
tão Municipal), o qual possibilita aos gestores públicos municipais 
identificar as áreas que precisam de maior intervenção estratégica, 
entende-se que ele é uma estratégia associada ao planejamento mu-
nicipal, a partir da análise de quatro eixos de gestão pública, sendo 
eles: educação, saúde, segurança, saneamento e sustentabilidade.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9454
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UNICESUMAR
A cidade de Maringá, no estado do Paraná, por exemplo, tem sido um município muito bem visto, 
devido ao seu crescimento econômico, com investimentos nas condições básicas da sociedade e, ainda, 
na preservação ambiental. O desenho da cidade imprimiu soluções, com grande sensibilidade, aos 
princípios formais e promoveu condições para a sociabilização e um lugar para a natureza. 
Ainda que Maringá seja um exemplo de cidade planejada, definida pelo desenho urbano da ideia de 
uma cidade-jardim, o qual está, diretamente, associado a grandes empreendimentos agrícolas e imobiliá-
Figura 2 - Maringá-PR
Descrição da Imagem: a Figura 2 apresenta um recorte da cidade de Maringá, no estado do Paraná, dando ênfase 
ao marco urbano do município, a Catedral Metropolitana Basílica Menor Nossa Senhora da Glória, que aparece no 
canto direito, e o seu entorno imediato. 
É importante ressaltar que não há uma cidade “modelo” que seja a melhor em todas as áreas 
que compõem os diferentes indicadores, no entanto há cidades que se destacam pelo aten-
dimento a parâmetros que evidenciam as suas qualidades.
rios que avançaram em direção 
ao norte do Paraná e à região 
noroeste de São Paulo, tendo, 
como eixo, as linhas ferroviárias, 
é importante que reconheçamos 
as fragilidades do seu espaço ur-
bano (REGO, 2001). Para Santos 
et al (2017), o grande desafio do 
município tem sido fazer com 
que o planejamento acompanhe 
seu crescimento populacional, e, 
desta forma, é perceptível a pre-
sença da hierarquia na ocupação 
do espaço urbano, sendo adotada 
uma configuração centro-perife-
ria, que evidencia as ocupações 
desiguais e, consequentemente, 
as desigualdades sociais. 
79
UNIDADE 4
Outro bom exemplo é a cidade de Jundiaí, no estado de São Paulo, que é um município consolidado 
por meio da conurbação com cidades vizinhas, sendo um município serrano com área de Mata Atlân-
tica nativa. É conhecida como cidade saudável por ter uma das melhores qualidades de vida do estado 
de São Paulo e um importante polo industrial com enfoque na área de tecnologia. É uma cidade que 
oferece tanto tranquilidade como praticidade, quanto aos critérios de mobilidade urbana (você pode 
morar em Jundiaí e trabalhar em Campinas), e é comum a presença de áreas abertas e espaços verdes 
ao ar livre, o que convida os cidadãos a usarem os equipamentos urbanos. 
Figura 3 - Jundiaí-SP 
Descrição da Imagem: a Figura 3 apresenta um parque ao ar livre na cidade de Jundiaí, no estado de São Paulo. 
Nele, há pista de caminhada e paisagismo, a qual visa demonstrar a característica marcante do município, que é se 
preocupar com áreas que promovam a interação dos cidadãos com a cidade.
Trazendo para uma ótica mais conceitual, Mendonça (2006) aponta três pontos que caracterizam 
a qualidade da cidade:
• Dimensionamento da equidade na distribuição espacial e no acesso social a serviços e recursos 
urbanos, ou seja, promover justiça quanto à oferta e acesso aos recursos urbanos e à medição 
do efetivo acesso à população às dimensões de cidadania. 
• Considerar a questão regional na avaliação da qualidade de vida urbana, no que diz respeito ao 
acesso espacial e a recursos e serviços urbanos. 
• Centralidade na habitação que promova acessibilidade e que signifique moradia servida de 
saneamento básico, equipamentos urbanos e controle ambiental. 
80
UNICESUMAR
Falando sobre qualidade da cidade, esbarramos no conceito de cidade compacta e, 
necessariamente, estabelecemos um vínculo com os parâmetros da sustentabilidade. 
Na visão de Rogers e Gumuchdjian (2001), o caminho da qualidade do espaço ur-
bano está, diretamente, associado à cidade compacta, que nos mostra que os núcleos 
compactos reduzem as distâncias e permitem os deslocamentos a pé ou de bicicleta, 
ou seja, tornam as cidades organizadas por micro centros, que se auto portam e auto 
sustentam a comunidade local. 
A moradia, o trabalho e o lazer tratam-se das principais funções sociais dos cida-
dãos e são proporcionados pelo centro, o qual traz de volta a vivência perdida após a 
implementação do uso de carros. A composiçãodas atividades sobrepostas permite 
maior convivência e reduz as necessidades de deslocamentos por meio automóveis, 
reduzindo o congestionamento e melhorando a qualidade do ar, já que o cidadão é 
estimulado a andar de bicicleta ao invés de carro, e promove políticas que incentivam 
a caminhabilidade (MESTRINER, 2008). 
Figura 4 - Diagrama referente aos núcleos compactos / Fonte: adaptada de Rogers e Gumuchdjian (2001).
Descrição da Imagem: a Figura 4 mostra três círculos que representam os três eixos principais 
de uma cidade compacta. O primeiro, em vermelho, refere-se ao eixo “moradia”, o segundo, 
em amarelo, ao eixo “trabalho” e o terceiro círculo, em verde, refere-se ao eixo “lazer”. A inter-
seção dos três círculos nos mostra a efetividade deste modelo, que é a promoção de menores 
distâncias ao cumprimento das atividades básicas da sociedade.
81
UNIDADE 4
Neste panorama, destacam-se dois conceitos essenciais: a mobilidade urbana e a 
forma urbana. A mobilidade urbana refere-se às condições que os cidadãos se deslocam 
no espaço, considerando a estrutura, o suporte e a organização, e a forma urbana refere-se 
às estruturas físicas das cidades, considerando os espaços livres e os espaços construídos.
Como vimos, as cidades compactas são vistas como estratégia para qualidade do 
espaço urbano. É defendido que o modelo traz benefícios não só à forma urbana, mas 
também à saúde da população. Esta afirmação é justificada pela redução de doenças 
crônicas cardiovasculares e respiratórias (devido à redução de emissão de poluentes 
na atmosfera por meio da diminuição do uso de automóveis individuais e ao apoio 
na mobilidade urbana por meio de locomoção ativas, como a pé e de bicicleta, sendo 
possível, apenas, devido à redução das distâncias entre as atividades básicas a serem 
realizadas pelas pessoas, como moradia, trabalho e lazer), benefícios à saúde física e 
mental (devido à conexão com a natureza, que traz a vitalidade, melhora o humor e 
alivia o estresse), entre outras possibilidades de melhorias pontuais e globais à sociedade.
Outra abordagem refere-se à cidade sustentável, que, para Ribeiro (2007), é definida 
pela organização da sociedade que tem a consciência de seu papel de agente transforma-
dor dos espaços cuja relação não se dá, apenas, pela razão da natureza, mas pela sinergia 
associada ao cuidado ecológico, à eficiência energética e à equidade socioespacial. 
É evidente, que não há outro caminho senão falar da sustentabilidade, que é defi-
nida pela preocupação com a qualidade de um sistema que diz respeito à integração 
indissociável (ambiental e humano), e avalia suas propriedades e características, 
abrangendo os aspectos ambientais, sociais e econômicos (FEIL; SCHREIBER, 2017).
Segundo Ruis e Bruna (2016), a palavra sustentabilidade é derivada do latim sustinere 
(suportar), dessa forma, é sustentável tudo o que tem condições de se manter ao longo 
do tempo ou de continuar. As cidades sustentáveis são aquelas que, a partir do equilíbrio 
dos fatores econômico, social e ambiental, suprem as necessidades da população atual e 
possibilitam a continuidade do suprimento das necessidades para a população futura.
 “
[...] os seres humanos estão no centro do desenvolvimento sustentável; 
as responsabilidades comuns, porém diferenciadas, dos Estados; a 
manutenção de padrões sustentáveis de produção e consumo visando 
proteger o meio ambiente com o princípio da precaução; o incentivo 
para que as autoridades nacionais promovam a internalização dos 
custos ambientais no processo de formação dos preços dos produtos 
e o uso dos instrumentos econômicos de política ambiental, por meio 
da implementação do princípio do poluidor/pagador; e previsão do 
uso da avaliação do impacto ambiental (MOTTA et al., 2009, p. 8).
82
UNICESUMAR
Desta forma, o conceito de cidade sustentável faz parte do conceito da sustentabilidade. Retomando 
a discussão do urbanismo, a sustentabilidade urbana se reduz a um artifício discursivo — para dar às 
cidades um atributo a mais, ecologicamente correto, e à atração de investimento, por meio da dinâmica 
predatória da competição interurbana — definido por cinco pontos principais:
1. A cidade é vista como um elo entre a economia local e os fluxos globais, em que as condições 
são menos coordenadas pelo Estado central e os poderes locais assumem o papel. 
2. Estabelece-se uma competição interna pela oferta de produtos e serviços, estimulando o consumo 
de lugares, ou seja, dando ênfase à atração de turistas bem como aos projetos e aos eventos culturais. 
3. Relação interurbana no controle das funções de comando financeiro e comunitário. 
4. Estimula-se o empreendedorismo urbano, cujo sucesso depende de emprego e renda, em que 
a marginalização social fica a cargo das próprias organizações da sociedade. 
5. As condições de governo incluem os atores não governamentais, privados e semipúblicos. 
Trazendo o estudo da percepção do espaço urbano, as imagens da cidade são ambientais e resultam 
de um processo bilateral entre o observador e seu ambiente. Assim, de acordo com as especificidades 
entre ambos e com as informações perceptivas filtradas, essas imagens podem variar, significantemente, 
entre distintos observadores. A imagem ambiental pode ser composta por três componentes: identi-
dade (diferenças, personalidade e individualidade), estrutura (todas as imagens compostas devem ter 
relações internas definidas, para a coerência do todo) e significado (o observador deve ser capaz de 
captar o significado tanto prático quanto emocional) (LYNCH, 2011). 
Falar sobre sustentabilidade urbana é apoiar-se em duas esferas, a primeira refere-se ao social, 
considerando que os problemas urbanos se iniciam nas relações humanas, e a segunda, à expansão 
urbana, que aborda os limites naturais (associado ao conflito econômico); desta forma, conseguimos 
compreender que o urbanismo “sem cuidados” gera problemas ambientais. 
Falar sobre qualidade sustentável é definir novas estratégias de produção das cidades, que propõem 
o atendimento aos parâmetros de compacidade, a partir das necessidades atuais da sociedade. Neste 
cenário, outro autor que defende os indicadores para projetos de cidades sustentáveis é Ribeiro (2007), 
que estabelece quatro elementos principais em relação a esses indicadores, sendo eles:
• Enlace: refere-se às integrações das esferas econômicas, sociais e culturais, que viabilizam a 
habitação, a segurança, a preservação do meio ambiente e a mobilidade, de modo integrado.
• Inclusão: considera-se a variedade de requisitos e o modo de identificar e alcançar valores.
• Previsão: otimização dos investimentos a longo prazo.
• Qualidade: associada à diversidade urbana, em que se busca não, apenas, a quantidade dos 
espaços, mas também parâmetros que possam proporcionar a qualidade global da vida urbana. 
Maricato (2011) defende que cidades sustentáveis são centralizadas na administração por meio de três 
pilares: responsabilidade ambiental, economia sustentável e vitalidade cultural. Ainda, sobre cidades sus-
tentáveis, há autores que as defendem como sinônimo de cidades compactas, isto é, a partir da intensidade 
da experiência urbana, que favorece a diversidade cultural, a criação de redes de sociabilidade nos bairros, 
83
UNIDADE 4
as atitudes de defesa do meio ambiente e a procura de materiais e formas construtivas. Ou seja, a cidade 
compacta contém, em si, um conjunto integrado de preocupações ecológicas, econômicas, sociais e culturais. 
Sobre o âmbito espacial, entre os autores que apresentam a preocupação com a equidade territorial, encon-
tra-se Silva (2008), que identifica as dimensões de intervenção nesta tipologia de cidade, em que se observa:
• Critérios de contenção: em que se limita a área de expansão.
• Critérios de renovação/revitalização: em que se busca preencher os espaços vazios, com 
maior atratividade das zonas construídas, da valorização e da dinamização do patrimônio. 
• Critérios de transformação e mobilidade:em que se mantêm os modelos de mobilidade 
alternativos ao automóvel particular, o controle de velocidade, o volume de tráfego e o esta-
cionamento bem como a congruência entre estrutura urbana e rede de transportes públicos. 
Esta discussão sobre as cidades compactas e as novas conversas 
acerca de urbanização, são tratadas no livro Cidades para um pequeno 
planeta, de Richard Rogers, que busca o entendimento sobre a susten-
tabilidade no espaço urbano, apresentando os assuntos relativos às 
cidades e às suas proeminências de degradação. E mais, no decorrer 
do livro, o autor apresenta exemplos de cidades, como São Paulo, Los 
Angeles, Cidade do México, entre outras, onde expõe seus pensamen-
tos e experiências com o foco no impacto que elas desempenham 
sobre o meio ambiente e a vida cotidiana. 
Neste panorama, é importante contextualizar o início dessas discussões e falar sobre a qualidade do 
espaço urbano, que é resultado da discussão do Urbanismo Modernista, o qual surgiu com o intuito 
de organizar as cidades, solucionando parte do caos em que se estabelecia, pois um dos principais 
preceitos defendidos pelos modernistas era a separação das funções da cidade em zonas, de acordo 
com as atividades de morar, trabalhar, cultivar e circular. Neste contexto, cada função ocuparia o seu 
local determinado, e a circulação ocorreria por meio dos modais motorizados, que seriam capazes de 
unir uma as outras. Senra (2011) contextualiza a discussão referenciando os pontos essenciais para a 
caracterização da cidade moderna: 
• Descongestionamento do centro das cidades, de modo a esvaziá-lo ao findar do expediente de 
trabalho e retirar as moradias.
• Aumento da densidade, por meio da elevação da altura das edificações, abrigando um maior 
número de pessoas e serviços.
• Aumento dos meios de circulação, como os trens e os automóveis.
• Aumento das superfícies verdes, deslocando as edificações do solo com o auxílio dos pilotis.
84
UNICESUMAR
Segundo Del Rio (1999), o Urbanismo Modernista tratava as funções da cidade de forma simplista, des-
considerando a complexidade da vida urbana, do patrimônio histórico, da integração e da inter-relação das 
funções e das atividades humanas, a importância da formação de redes sociais e os valores afetivos que tanto 
interferem na vida dos citadinos. Para Jacobs (2011), os espaços cotidianos defendem o contato social coti-
diano gerado entre as lojas, as habitações, os bares e os restaurantes dessas ruas, pois eles produzem grandes 
efeitos na noção de segurança e bem-estar dos habitantes, formando um organismo social e econômico.
Lynch (2011), por fim, traz diversas análises dos espaços, mesclando a Psicologia e a Antropologia 
para entender a forma como as pessoas se comportam nos espaços e, assim, quais elementos se fazem 
necessários aos espaços públicos, para que estes possam ser lidos, com símbolos facilmente identifi-
cáveis, como os marcos visuais (edificações altas, montanhas, monumentos, entre outros) e os pontos 
nodais (pontos de encontro naturais).
Pensando na evolução do Urbanismo, seguimos a nossa discussão falando sobre o Urbanismo 
Contemporâneo, que, de modo sucinto, Debrassi (2006) o organiza em quatro vertentes essenciais:
• Planejamento, morfologia e modelagem urbana.
• Cidade e contemporaneidade, a partir de questões empíricas e ações projetuais para uma estética 
urbana atualizada.
• Projeto, produção e apropriação do espaço urbano ocupado/habitado. 
• Investigações em clima urbano, em relação aos microclimas e a suas implicações nos ambientes 
construídos. 
Como abordagem metodológica, apresentam-se para o Urbanismo Contemporâneo as principais 
ferramentas associadas ao projeto e ao desenho urbano e, sob uma vertente teórica, as noções de 
morfologia urbana e de paisagem urbana. 
Figura 5 - Relação conceitual do Urbanismo Contemporâneo / Fonte: adaptada de Barbosa (2013). 
Descrição da Imagem: a Figura 5 apresenta um retângulo, ao centro, preto, no qual está escrito, em branco, “Urbanismo 
Contemporâneo”. Ao lado direito deste retângulo, sai uma linha pontilhada que resulta em um outro retângulo preto, no 
qual está escrito, em branco, “paisagem urbana”. Ao lado esquerdo, sai outra linha pontilhada que resulta em um outro 
retângulo semelhante ao do lado direito, no qual está escrito, em branco também, “forma urbana”. Abaixo de “Urbanismo 
Contemporâneo”, isto é, entre os dois outros retângulos, está escrito “processos e métodos + materialização”. Portanto, a 
Figura tenta ilustrar que o Urbanismo Contemporâneo, associado aos processos e aos métodos que visam a materializa-
ção do espaço, resultam em dois produtos: a forma urbana e a paisagem urbana, que estão no mesmo nível hierárquico.
85
UNIDADE 4
Com esta discussão, a “nova” forma de entender o Urbanismo, você saberia dizer a que cidade se refere 
a Figura 6, a seguir?
Figura 6 - São Paulo-SP
Descrição da Imagem: a Figura 6 apresenta a vista aérea de um recorte da cidade de São Paulo, no estado de São Pau-
lo, que mostra uma fotografia noturna com as vias iluminadas, o Terminal Rodoviário de Bandeira e o Shopping Light.
A imagem apresenta um recorte da cidade de São Paulo, no estado de São Paulo, uma vista aérea que 
mostra o Terminal Rodoviário de Bandeira e o Shopping Light. A intenção em trazer esta fotografia 
é apresentar a você uma das cidades em que foi aplicado o modelo de cidade compacta, assim como 
Boston, nos Estados Unidos, Melbourne, na Austrália, Londres, no Reino Unido, entre outras, mas 
traremos à discussão um exemplo nacional neste momento.
Falar sobre São Paulo é reconhecer algumas particularidades impressas em seu espaço. Para Grostein 
(2001), a metrópole consolidou-se, historicamente, sob uma ótica difusa e ilimitada de expansão urbana, 
apoiada no espraiamento das periferias da cidade, por isso, há presença de loteamentos clandestinos, 
assentamentos informais, entre outros, que caracterizam a cidade.
Neste contexto ainda, destaca-se a crise ecológica, que Silva (2011) avaliou as perdas das áreas 
vegetadas, observou uma queda bruta da vegetação e evidenciou a expansão urbana difusa como 
responsável por pouco mais de 80% desta realidade. Outro fator importante é sobre a mobilidade 
urbana, que, devido à concentração de empregos que ocorre nos distritos centrais em detrimento ao 
adensamento das periferias, há um grande apoio na utilização dos diferentes modais motorizados, o 
que majora a emissão de poluentes na atmosfera, aumentando o fenômeno do efeito estufa.
86
UNICESUMAR
No caso de São Paulo, não se fala em mudanças extremas; é necessário buscar o equilíbrio entre as 
novas soluções e a realidade local. Desta forma, a estratégia foi empoderar as subprefeituras que estabele-
ciam a necessidade de descentralizar o emprego e a educação, com a disponibilidade de creches, escolas e 
universidades locais; além disso, as propostas iam na direção das intervenções da gestão do solo urbano, 
com políticas habitacionais inclusivas que possibilitam as pessoas a morarem mais perto do seu trabalho.
Os instrumentos utilizados para tais adequações referem-se ao Plano de Mobilidade Urbana 
(PMU), o qual é um instrumento de planejamento de ações de curto, médio e longo prazos, que visa 
orientar ações e investimentos na qualificação da mobilidade urbana, e ao Plano Diretor (PD), que é 
um instrumento que visa orientar a organização e a ocupação do solo urbano, tomando, como base, 
os interesses da sociedade que tange aos aspectos físico-territoriais
Para Henrick de Sá (2016), possíveis soluções, ainda, estão voltadas à definição e à melhoria da malha 
de ciclovias e da política de calçadas, além da cobrança progressiva do IPTU, que incentiva a ocupação 
dos imóveis desocupados. Em São Paulo, o modelo levou a uma redução de 7,5% da carga de doenças 
cardiovasculares e de 5% da carga de diabetes tipo 2 (COELHO FILHO; SACCARO JÚNIOR, 2017). Após 
esse case, evidencia-se, ainda mais, o quanto os profissionais arquitetos e urbanistas são agentesativos na 
produção do espaço urbano e, desta forma, podem orientar e potencializar a organização e a qualidade 
destes espaços, centralizando-as nas demandas de ordem funcional, técnica, estética, e, também, subjetiva. 
Falar sobre a qualidade do espaço urbano é compreender as discussões mais novas a respeito do 
Urbanismo; assim, neste contexto, retrataremos o “Novo Urbanismo”, sua conceituação e sua aborda-
gem, em busca de relacionar os princípios de planejamento para as 
cidades, centralizados no usuário e na qualidade espacial. Tenha a 
sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo! 
O conceito de paisagem urbana é amplamente discutido por 
urbanistas. Argan (2005) entende a paisagem como o espaço visual, 
a evolução da variedade de formas no horizonte, além do espaço 
em primeiro plano. Peixoto (1996) defende que a paisagem urbana 
é a representação do relacionamento entre o homem e a natureza, 
que pode ser vista como tentativa de organizar o entorno com base 
em uma paisagem natural. Além disso, o modo como essa paisagem 
urbana é projetada e construída reflete uma cultura que é o resultado da observação que se tem do 
ambiente e, também, da experiência individual ou coletiva com relação a ele. Solá-Morales (2003), por 
sua vez, entende a paisagem urbana como o conjunto de lugares em que se vive, existe e sucede a vida 
urbana, que é baseada nas experiências urbanas diretas.
Já o conceito de morfologia urbana refere-se a tratar a forma como a cidade é entendida, ou seja, 
em sua acepção formal, que, para Barbosa (2013), dá-se por meio do estudo sistematizado das formas 
urbanas, visto que a materialização das cidades se dá por meio da estrutura fundiária, do parcelamento 
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UNIDADE 4
do solo, do loteamento, da criação de infraestrutura, da ocupação das edificações, entre outros, ou seja, 
por meio do desenho urbano.
Retornamos, então, a nossa questão principal, como garantir qualidade às cidades? A questão é 
que a qualidade da cidade está, diretamente, ligada à qualidade de vida da sua sociedade e, para isso, 
depende das condições de existência e do acesso a bens e serviço, sejam eles econômicos e sociais, 
como emprego, renda, educação, alimentação, saneamento básico, habitação, mobilidade urbana, entre 
outros. E, com isso, o conceito de bem-estar e qualidade de vida varia de sociedade para sociedade, por 
isso, as cidades são tão particulares, sendo resposta dos cidadãos que nela habitam.
As condições que revelam parâmetros para uma cidade saudável, no entanto, são definidas pela 
OMS (1995, p.12): 
 “
Um ambiente físico limpo e seguro; 
Um ecossistema estável e sustentável; 
Alto suporte social, sem exploração; 
Alto grau de participação sócia; 
Necessidades básicas satisfeitas;
Acesso a experiências, recursos, contatos, interações e comunicações;
Economia local diversificada e inovativa;
Orgulho e respeito pela herança biológica e cultural;
Serviços de saúde acessíveis a todos e
Alto nível de saúde. 
Sabendo os pontos essenciais que visam uma cidade saudável, é importante a tomada de consciência 
que eles são um compromisso das autoridades locais com a qualidade de vida, pensando na integra-
ção e na comunicação entre os setores que envolvem esta qualificação. Mas falar sobre a construção 
de uma cidade qualitativa é colocar a corresponsabilidade da sociedade em questão, pois é preciso 
que tenhamos uma postura ativa de envolvimento e reconhecimento dos saberes e setores técnicos, 
para construir, desta forma, um projeto mais amplo e real para a cidade e promover a legitimidade da 
política social deste processo.
Esta participação auxilia a consciência das pessoas, como um todo, acerca dos problemas reais 
das cidades, e reconhece o que pode ser feito para promover melhorias, em um exercício contínuo de 
cidadania, para que, desta forma, todos os setores e segmentos sociais assumam um compromisso em 
torno de problemas e soluções, estabelecendo-se um acordo em prol da melhoria da qualidade da vida.
É momento de discutirmos um estudo de caso! Conheceremos um exemplo clássico de uma cidade 
que foi idealizada e planejada no Brasil, em busca de garantir um crescimento, de forma ordenada, 
associado à sociedade que se idealizava a ocupar aquele espaço. Falaremos, então, de Brasília-DF, Brasil.
88
UNICESUMAR
A cidade de Brasília nasceu da necessidade de criação de uma capital federal, que pudesse ser conside-
rada um símbolo emblemático de uma cidade planejada. Inúmeras foram as discussões políticas para o 
cumprimento dos objetivos, mas centralizava-se a sua execução em três pontos principais: construir uma 
cidade afastada do litoral brasileiro, buscando ser menos vulnerável a invasões; objetivava-se a execução 
de estradas que permitissem ligações rápidas, em busca de aceleração do desenvolvimento e da promo-
ção da interiorização; e o fomento à industrialização, promovida pelo crescimento do mercado interno.
No planejamento desta cidade, em que o projeto de construção foi de responsabilidade dos arquitetos 
Lúcio Costa e Oscar Niemeyer, foram construídas superquadras que buscavam promover um espaço de 
convívio social e de lazer, como parques e áreas verdes, e, desta forma, foram implementados edifícios 
suspensos, construídos sobre pilares, para que os cidadãos pudessem circular nas áreas de forma livre.
De modo bastante simplificado, essa breve análise vem para nos amparar que, ao planejar uma cidade, 
há fundamentos que se visam ser cumpridos, como, por exemplo: estabelecer planos de crescimento a 
longo prazo; formatar a cidade de maneira que seja melhor preparada e sucedida, devido à elaboração de 
projetos prioritários, com identificação mais clara de recursos disponíveis; atuar com políticas adequadas 
de densidade; e usar o solo, o espaço público e a infraestrutura, de forma a garantir melhor qualidade 
de vida aos cidadãos e trazer questões na economia urbana, em que se busca por investimentos com 
objetivo de gerar atividades econômicas. Além disso, a partir dos planos de continuidade, estabelecer 
uma relação de credibilidade para a política e a economia, devido ao comprometimento social, e uma 
forma urbana que apresente condições de acessibilidade e segurança. Todos esses critérios são essen-
ciais à população, para buscar o progresso urbano, que é baseado na visão coletiva e no plano de ação. 
Figura 7 - Recorte de Brasília-DF, Brasil
Descrição da Imagem: a Figura 7 apresenta um recorte da cidade de Brasília-DF, em que é possível identificar a Catedral 
de Brasília e as tomadas de decisões na elaboração do desenho urbano, como, por exemplo, as superquadras. 
89
UNIDADE 4
Para finalizar o nosso debate, trazer Brasília como exemplo de planejamento é estabelecer parâmetros 
e compreender que, para todo o planejamento, é essencial analisar a estrutura do lugar, do espaço e 
do caráter, em que os elementos poderiam definir o espaço. Para Rossi (2001), o caráter é a atmosfera 
do lugar, um fenômeno totalmente qualitativo que não pode ser reduzido à soma de seus elementos 
constitutivos, sendo determinado por fatores, como proporções, materiais, cores e estratégias de com-
posição, e pela forma como os edifícios se encontram com o céu, a terra e outros edifícios. Outro case 
muito relevante, agora, em uma abordagem internacional, é Zurique, na Suíça, veja a imagem a seguir:
Figura 8 - Imagem aérea de Zurique, na Suíça
Descrição da Imagem: a Figura 8 apresenta a vista aérea de Zurique, na Suíça, em que é possível visualizar a organização 
da cidade em torno do rio que atravessa a cidade, o modo que foi promovido tais ligações entre os diferentes bairros e 
a presença da vegetação pela área. a Figura 8 apresenta a vista aérea de Zurique, na Suíça, em que é possível visualizar 
a organização da cidade em torno do Rio que atravessa a cidade e o modo que foi promovido tais ligações entre os 
diferentes bairros, além da presença da vegetação pela área.
A estrutura da cidade se refere a um organismopensado, ou seja, planejado, e, consequentemente, apresenta 
características qualitativas ao espaço urbano. Em Zurique, pode-se observar o cuidado com o planejamento 
e as tomadas de decisões que qualificam o espaço urbano, e isso se dá por fatores, como infraestrutura, 
comunicação, recursos naturais e investimentos locais. Neste contexto, a cidade se centraliza em oferecer 
boas condições de vida aos seus cidadãos e minimizar os impactos da natureza, preservando os ativos 
ambientais e físicos para as gerações futuras (SILVA; KALIL, 2016). Destaca-se que essa cidade foi eleita, 
em 2016, a cidade mais sustentável do mundo, em relação aos aspectos ambientais, sociais e econômicos.
Desta forma, são perceptíveis a preocupação por ações que qualificam a vida da população e a busca 
por minimizar a degradação ambiental, baseada na preservação, no uso responsável do recurso, entre 
90
UNICESUMAR
outros elementos. Ou seja, os estudos de caso apresentam que um bom relacionamento com o lugar é 
uma questão de sobrevivência, e, por isso, os espaços urbanos devem ser tratados como uma unidade, 
composta por diferentes elementos ambientais, climáticos, históricos, culturais e tecnológicos, capazes 
de conjugar as dimensões de harmonia, beleza e funcionalidade.
Para finalizar, convido você a pesquisar a respeito das cidades planejadas em busca de aperfeiçoar 
o seu repertório projetual e urbano e buscar pelos paradigmas que relacionam o impacto do meio 
construído e o comportamento dos cidadãos que lá habitam. 
Figura 9 - Mapa Mental / Fonte: a autora.
Descrição da Imagem: a Figura 9 representa, de modo sucinto, os temas abordados nesta unidade. Ao centro, vemos 
os termos: qualidade do espaço urbano, sustentabilidade, cidade compacta e os três eixos que servem de parâmetro 
para organizar o espaço, que são: moradia, trabalho e lazer. À direita, vemos os cinco elementos estruturadores da ci-
dade, segundo Lynch (2011), sendo eles: vias, limites, bairros, pontos nodais e marcos, e os quatro elementos principais 
estabelecidos por Romero (2007), em relação aos indicadores para projetos de cidades sustentáveis, sendo eles: enlace, 
inclusão, previsão e qualidade. No canto superior esquerdo, vemos: crescimento da população urbana e, no canto inferior 
esquerdo, Urbanismo Moderno e Contemporâneo.
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P
A
 M
EN
TA
L
Agora é com você! Desenvolva um mapa mental que organize os conteúdos estudados, seguindo 
o exemplo da Figura 8. É importante que este mapa traga à tona os elementos-chave, para o seu 
entendimento dos itens que debatemos e para que, deste modo, possamos firmar o conteúdo e 
darmos sequência a nossa conversa! Bom trabalho! 
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1. Para o urbanismo, a sustentabilidade urbana se reduz a um artifício discursivo para 
dar às cidades um atributo a mais, ecologicamente correto, por meio da dinâmica 
predatória da competição interurbana (ACSELRAD, 2009). Com base neste contexto, 
avalie as asserções a seguir:
I) A cidade é vista como um desencontro entre a economia local e os fluxos globais, 
em que as condições são menos coordenadas pelo Estado central e os poderes 
locais assumem o papel.
II) Estabelece-se uma competição externa pela oferta de produtos e serviços, estimu-
lando o consumo de lugares, ou seja, dando ênfase à atração de turistas bem como 
aos projetos e aos eventos culturais.
III) Estimula-se o empreendedorismo urbano, cujo sucesso depende de emprego e 
renda, em que a marginalização social fica a cargo das próprias organizações da 
sociedade.
IV) As condições de governo ignoram os atores não governamentais, privados e semi-
públicos.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) IV, apenas.
e) II e III, apenas. 
2. O caminho da qualidade do espaço urbano está diretamente associado à cidade com-
pacta, que nos mostra que os núcleos compactos reduzem as distâncias e permitem os 
deslocamentos a pé ou de bicicleta, ou seja, tornar as cidades organizadas por micro 
centros, que se auto portam e auto sustentam a comunidade local. Considerando esse 
contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas:
I) A moradia, o trabalho e o lazer tratam-se das principais funções sociais dos cidadãos 
e são proporcionados pelo centro, na abordagem das cidades compactas. 
POIS
II) Cidades compactas trazem de volta a vivência perdida após a implementação do uso 
de carros, e a composição das atividades sobrepostas permite maior convivência e 
reduz as necessidades de deslocamentos por meio de automóveis, reduzindo o con-
gestionamento e melhorando a qualidade do ar, já que o cidadão é estimulado a andar 
de bicicleta ao invés de carro, e promove políticas que incentivam a caminhabilidade.
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Ê
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
3. Leia o trecho a seguir:
“[...] os seres humanos estão no centro do desenvolvimento e as responsabilidades comuns, 
porém diferenciadas, dos Estados; a manutenção de padrões de produção e consumo 
visando proteger o meio ambiente com o princípio da precaução; o incentivo para que 
as autoridades nacionais promovam a internalização dos custos ambientais no processo 
de formação dos preços dos produtos e o uso dos instrumentos econômicos de política 
ambiental, por meio da implementação do princípio do poluidor/pagador; e previsão do 
uso da avaliação do impacto ambiental” (MOTTA et al., 2009, p. 8). 
Com base neste contexto, assinale a alternativa correta que contempla o conceito a que 
se refere:
a) Cidade compacta. 
b) Cidade urbanizada.
c) Cidade nova.
d) Cidade sustentável. 
e) Cidade eficiente.
 
94
M
EU
 E
SP
A
Ç
O
5
Olá, aluno(a), chegamos à quinta unidade da nossa disciplina. Na 
unidade anterior, colocamos em discussão as condições que quali-
ficam o espaço urbano, agora, é hora de direcionarmos a discussão 
às edificações. Neste momento, pensaremos sobre os métodos e 
as técnicas consistentes que podem viabilizar a qualidade das edi-
ficações e fazer com que tenhamos parâmetro para realizar esta 
análise e promover esta verificação. Você terá a oportunidade de 
entender quais são as propriedades que permitem ao usuário julgar 
se a edificação corresponde ou não as suas expectativas, além do 
atendimento ou não das exigências técnicas. Vamos lá! 
A Qualidade 
das Edificações
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
96
UNICESUMAR
Falar sobre a qualidade no ambiente construído, na escala das edificações, é trazer 
uma discussão relativa à visão de um macro negócio imobiliário. As edificações 
têm sido constituídas como “máquinas de morar”, que não são projetadas para 
as necessidades dos seres humanos, e, sim, sob modelos globais de habitação. 
A moradia deixou de ser associada à necessidade e ao direito fundamental das 
pessoas de obter proteção e desenvolver suas atividades em um ambiente que 
tenha qualidade, promovendo o bem-estar, agora, fala-se na moradia como ob-
jeto econômico com forte impacto ambiental. Mas esta discussão é, ainda mais, 
complexa, porque é essencial (e urgente) que as edificações, independente do 
seu uso, sejam pensadas com cuidados e critérios. Pensando neste cenário, como 
podemos “mensurar” a qualidade nas edificações? Como conseguimos defi-
nir o “grau” de satisfação do usuário em relação a elas e verificar se atendem, 
em sua completude, o propósito para o qual foram idealizadas?
Falar sobre a qualificação dos requisitos das edificações é essencial, pois é 
nossa responsabilidade, enquanto profissionais da arquitetura e do urbanismo, 
produzir espaços que promovam o bem-estare a segurança de quem os ocupa. 
A qualidade nas edificações tem sido discutida, há bastante tempo, nos países 
desenvolvidos, vinculada à ideia de que o ambiente construído deve ser asso-
ciado à composição artística e técnica. Vale ainda ressaltar que a produção das 
edificações, individualmente, tem impacto direto na qualidade e na morfologia 
das cidades. No Brasil, estes estudos têm ganhado espaço significativo, pois obje-
tivam reforçar os conceitos e as diretrizes que devem ser estabelecidos, quanto ao 
desempenho do espaço, bem como os conhecimentos sobre os aspectos sociais, 
culturais e econômicos daquela determinada sociedade, que, inevitavelmente, 
estará impressa nesses espaços.
Reiteramos a importância da discussão sobre a relação pessoa/ambiente, 
trazendo as questões subjetivas, quanto aos aspectos afetivos relacionados à 
apropriação e ao uso do espaço, sem deixar de lado a observância das questões 
inerentes às tecnologias, aos processos construtivos, a materiais de constru-
ções, a mobiliários, entre outros. Pense nisso! Lembre-se da complexidade na 
composição do ambiente construído e da nossa responsabilidade em promover 
qualidade de vida aos usuários! 
Pare, por alguns instantes, e pense, como profissional arquiteto(a) e urbanista: 
quais metodologias podem ser adotadas para avaliar a qualidade nas edifica-
ções? Ao entrar em um ambiente, o que devemos observar? Quais os elementos 
devem ser considerados para a verificar se a edificação atende aos requisitos 
de desempenho efetivo? Essas edificações atendem às expectativas e às neces-
sidades de quem utiliza o espaço? Qual é a percepção do usuário neste espaço? 
Experimente, observando as imagens a seguir:
97
UNIDADE 5
A
B
Descrição da Imagem: a 
Figura 1 (a) apresenta um 
banheiro com uma ba-
nheira, um vaso sanitário 
e um lavatório. Há revesti-
mento verde quadriculado 
na parede e revestimento 
marrom no piso, que, tam-
bém, é quadriculado, e o 
forro apresenta manchas 
de bolor. A Figura 1 (b) 
apresenta um banheiro 
com uma banheira, um 
vaso sanitário e um la-
vatório. Há revestimento 
branco nas paredes e re-
vestimento amadeirado 
no piso, e o forro apresen-
ta cor branca.
Figura 1 (a) - Banheiro antigo; 
(b) - Banheiro contemporâneo
DIÁRIO DE BORDO
98
UNICESUMAR
Agora é o momento de refletirmos em conjunto! A sua percepção foi semelhante nos dois ambientes? 
Acredito que não! Ainda que cada um de nós tenha uma percepção a respeito destes espaços e sensações 
diferentes ao observar estas imagens, é possível definir que os ambientes são diferentes em termos de 
qualidade; por isso, cabe a esta discussão pensar sobre alguns pontos-chave, vamos lá:
• Os ambientes possuem a mesma função? Eles cumprem a funcionalidade a qual foi idealizada?
• A escolha e a especificação dos materiais qualificam ou desqualificam os ambientes?
• O estado de conservação e o cuidado com o ambiente podem promover sensações diferentes 
aos seus usuários?
• A qualidade estética dos ambientes é semelhante?
Com olhar de arquiteto e urbanista, é importante que saibamos reconhecer o que “qualifica ou des-
qualifica” as edificações. É possível identificar que, com ênfase na qualidade funcional, ou, seja, na 
usabilidade do espaço, ambos atendem às demandas propostas, já que o banheiro, por convenção, 
trata-se de um ambiente em que se encontram instalados banheiras, chuveiros, vasos sanitários, pias 
e/ou lavatórios e, às vezes, bidês, em busca de atender às atividades de cuidados de higiene pessoal e 
lembrar sempre do cuidado com as questões de higienização. 
Quanto à questão da forma, em que se enfatiza a questão de qualidade estética e/ou beleza, é preciso 
tenhamos uma postura “imparcial”, visto que gosto é particular, e isso fomenta, ainda, a questão de que o 
que é belo para um usuário pode não ser para outro, por se tratar de um conceito abstrato. Cabe, então, 
neste momento, observar as questões perceptivas, culturais e simbólicas, como critério de avaliação 
da qualidade estética. Contextualizando esta discussão, de modo simples, é importante conhecermos 
os parâmetros que qualificam o espaço, e serão estas as questões que trataremos na nossa unidade!
A nossa reflexão reforça (ainda mais) a complexidade da produção dos ambientes construídos, neste 
caso, as edificações. É preciso, então, pensarmos na sua completude (aspectos objetivos e subjetivos) 
para responder à questão: a edificação atende aos critérios da qualidade?
A nossa intenção, nesta unidade, é debater as especificidades relacionadas à qualidade das edifica-
ções e as metodologias possíveis que possam nos auxiliar a compreender estas questões. Além disso, 
retomaremos os conceitos e as orientações das unidades anteriores, que, de certa forma, esbarram na 
compreensão desta nossa discussão, como o ambiente construído, a importância do usuário, o com-
portamento humano no espaço, a percepção, entre outros.
Para dar início a nossa conversa, retomaremos a definição de ambiente construído. As discussões 
mais contemporâneas dizem que o ambiente construído é a resposta do espaço arquitetônico que é 
vivenciado, organizado e vivenciado, a partir do ato de sentir e pensar e do momento atual. Em com-
plemento, Fischer (1994) define que o espaço só é construído, se é ocupado, reinterpretado, modificado 
e interage com o ambiente social, cultural e psicológico, a partir do comportamento humano. 
Sabendo disso, é importante que pensemos nas formas de percorrer e atuar sobre o espaço físico, 
regulando e aperfeiçoando-o, para que ele seja vivenciado na quantidade e na qualidade idealizada e, 
em relação a isso, é necessário abordarmos o conceito de satisfação. 
99
UNIDADE 5
Satisfação, para Amérigo (1995, p. 55), é “um resultado afetivo, uma resposta emocional ou uma 
consequência de caráter positivo que provém da comparação entre o ambiente e a própria situação 
do jeito. Todo ele é considerado um processo cíclico e dinâmico, em que a pessoa se adapta a cada 
situação”. Ou seja, a satisfação final dos clientes se dá pela confirmação ou desconfirmação de suas 
expectativas durante as diferentes etapas do projeto e da execução, e ela é avaliada pelas dimensões 
da confiabilidade, da responsividade, da segurança, da empatia, da estética do projeto, da qualidade 
técnica e da fidelidade às premissas de projeto (PARASURAMAN; ZEITHAML; BERRY, 1988).
Sob a ótica da qualidade, faz necessário, também, falar sobre o comportamento socioespacial hu-
mano, que, para Pinheiro e Elali (2011), diz respeito ao modo que as pessoas se apropriam do espaço e 
o utilizam como elemento ativo na comunicação não verbal, estabelecendo distâncias entre si, as quais 
apresentam possibilidades menores ou maiores de aproximações, toque, tom de voz, conteúdo verbal, 
consciência de sensações, entre outros. Além disso, o referido comportamento remete-se, também, à 
forma que os indivíduos modificam o ambiente devido a ao comportamento e às experiências deles.
A percepção ambiental pode 
ser entendida como tomada de 
ciência do espaço pelo ser huma-
no, assim, o indivíduo percebe o 
ambiente no qual está inserido 
e aprende a explorar e interagir 
com o mesmo. Com isso, o estudo 
desta disciplina é de fundamental 
importância para que possamos 
compreender melhor as relações 
pessoa/ambiente, num contexto 
mais amplo, compreendendo suas 
expectativas, anseios, satisfações e 
insatisfações, julgamentos e con-
dutas (FERNANDES et al., 2005).
O que podemos ver com esta 
breve contextualização é que os 
ambientes têm as suas funções pré-
-estabelecidas e convencionadas, 
mas a complexidade da produção 
do ambiente construído é entender 
que as pessoas pensam, apropriam-
-se e se relacionam do seu modo 
(particular e individual), sendo 
resultado de suas vontades e cons-
trução histórica, cultural e social. 
100
UNICESUMAR
Pensando nisso, é importante estabelecermos (e promovermos) a conexão afetiva, também no-
meada apego ao lugar, entre o usuário e o ambiente sócio físico, seja de formapositiva ou negativa, 
que varia de acordo com a intensidade que se vivencia o espaço, e se esta vivência é individual ou 
em grupo (BRANDÃO, 2002). 
Pensando nos elementos da edificação sob uma ordem objetiva, destacam-se os componentes 
construtivos, que são utilizados para integrar o edifício, de forma a atender as funções estabelecidas, 
como vimos. Entre os componentes, podemos falar sobre as fundações, as estruturas, as coberturas, 
os forros, os vedos verticais (paredes, esquadrias, proteções), os revestimentos e os acabamentos, os 
equipamentos, os jardins e as instalações prediais, conforme coloca a NBR 13.532 (ABNT, 1995). 
É neste momento, então, ao retomarmos os elementos subjetivos e objetivos, que discutiremos sobre 
a qualidade para a arquitetura de edificações e resgataremos o conceito de qualidade, que varia 
com o tempo, a sociedade e o modo que é empregado pelos usuários. Desta forma, definiremos que o 
conceito de qualidade é uma aptidão essencial às coisas e às pessoas, pois confere a elas qualidades 
físicas do próprio objeto em questão, quando falamos da dimensão objetiva e da capacidade que as 
pessoas têm de perceber e mensurar as características, em uma dimensão subjetiva (MELHADO, 2001). 
Assim, a qualidade pode ser entendida como propriedade inerente a um objeto ou a um ser, condição 
natural das pessoas ou coisas pela qual se distinguem de outras, essência e natureza, além de ter diferentes 
conotações, como valor, propriedade física, qualidade perceptiva, entre outras (RHEINGANTZ, 2016).
Ao abordarmos as questões de qualidade, deparamo-nos com dois termos essenciais: Avaliar 
e Valor. O primeiro, de acordo com o Dicionário Aulete ([2021], on-line), refere-se a formar 
juízo ou ideia, estimar, calcular ou atribuir valor. O segundo, conforme Japiassu e Marcondes 
(1996), tem relação com ser bom ou útil, associando-se à ética, e implica juízo ou qualidade.
Fonte: adaptado de Dicionário Aulete ([2021], on-line) e Japiassu e Marcondes (1996).
Como, então, “mensura-se” a qualidade na arquitetura? O caminho é pensar, inicialmente, sob uma 
vertente da qualidade funcional. Compreende-se que a edificação funcional é aquela que se adequa 
às atividades para as quais foi idealizada, em que o usuário é capaz de agir, com eficiência, conforto, 
salubridade e segurança, no espaço. Além disso, esta edificação mantém harmonia com a percepção 
humana, para esta seja vista, ouvida, cheirada e sentida (VOORDT; WEGEN, 2013). 
Voordt e Wegen (2013) dizem que a qualidade funcional se apropria de nove aspectos essenciais 
à referida mensuração, sendo eles: 1) facilidade de acesso viário e estacionamento; 2) acessibilidade; 
3) eficiência; 4) flexibilidade; 5) segurança; 6) orientação espacial; 7) privacidade, territorialidade e 
contato social; 8) saúde e bem-estar físico; e 9) sustentabilidade.
101
UNIDADE 5
• Facilidade de acesso viário e estacionamento: a facilidade de acesso viário diz respeito a como 
chegar na edificação, ou seja, a facilidade dos acessos internos e externos; e o estacionamento 
refere-se à facilidade de estacionar.
• Acessibilidade: refere-se ao(s) momento(s) em que os usuários regulares ou esporádicos não 
têm dificuldade para chegar a seu destino e conseguem executar as atividades. A acessibili-
dade pode ser dividida em física, a qual se relaciona, essencialmente, à usabilidade, quanto 
a deslocar-se pela edificação, e em psicológica, que se refere à capacidade de “convidar” o 
usuário ao uso da edificação.
• Eficiência: refere-se à eficiência da edificação, quanto ao seu propósito previsto. 
• Flexibilidade: diz respeito ao dinamismo da sociedade e às possíveis e constantes mudanças 
causadas por expansões, contrações ou mudanças de uso, por exemplo.
• Segurança: remete-se à segurança ergonômica, à sensação de segurança e à segurança funcional 
(construtiva, tráfego, química, entre outros).
• Orientação espacial: aborda a disposição da edificação compreensível e a condição de legi-
bilidade dos espaços. 
• Privacidade, territorialidade e contato social: assumem o papel de manter ou evitar o contato 
social. A privacidade atua como forma de controle pessoal e gerenciamento seletivo de acesso 
ao grupo próprio, podendo ser visual, auditiva, social ou territorial.
• Saúde e bem-estar físico: diz respeito à ausência de doença e enfermidade e ao bem-estar 
psicológico, que está associado ao conforto lumínico e acústico, à qualidade do ar, às cores e 
aos materiais, por exemplo. 
• Sustentabilidade: diz respeito ao valor futuro, ou à usabilidade para futuras gerações, pensando 
no meio ambiente. 
É preciso, no entanto, olharmos para a qualidade arquitetônica, então, Voordt e Wegen (2013) falam 
sobre as características visuais e de composição em relação ao significado simbólico ou cultural. Eles 
consideram que os fatores funcionais, ambientais e sociais devem proporcionar elevado nível de qua-
lidade (arquitetônica) aos ambientes do habitat humano, sejam estes internos ou externos.
Reis (2002) coloca que o próprio conceito de composição arquitetônica estabelece a ideia de equi-
líbrio, de organização e de ordem, independentemente do estímulo visual; desta forma, a composição 
é percebida pelo nível de contraste entre os elementos arquitetônicos e a complexidade do projeto. É 
importante, ainda, destacar as condições de legibilidade e as avaliações estéticas. 
Reis, Biavatti e Pereira (2011) destacam a importância da qualidade estética ou da composição 
arquitetônica em uma edificação e verificam a possibilidade de garantir a avaliação estética, de forma 
positiva ou negativa, a partir das características das composições. Os autores, portanto, explanam que é 
necessário estabelecer a percepção e a cognição por meio dos usuários, isto é, a forma como o usuário 
percebe e pressupõe a “beleza”.
102
UNICESUMAR
Falar sobre qualidade na edificação, segundo Vrielink (1991), é estabelecer quatro eixos de discussão: 
qualidade funcional, qualidade estética, qualidade técnica e qualidade econômica. 
• Qualidade funcional: pode ser nomeada como valor de utilidade, ou seja, associa-se à usabi-
lidade da edificação e a sua adequação. 
• Qualidade estética: pode ser nomeada pela beleza e o modo como é vivenciada, lembrando 
que esta questão é vista de diferentes formas, pelas diferentes sociedades. 
• Qualidade técnica: pode ser nomeada pelo sistema construtivo e técnicas relativas à estabili-
dade e à sustentabilidade, por exemplo. 
• Qualidade econômica: pode ser nomeada pelo investimento financeiro e associar-se ao custo 
versus benefício, se o investimento tiver um retorno efetivo. 
[Falar sobre beleza na arquitetura é reconhecer que] “belo é aquilo que agrada de maneira 
desinteressada, sem ser originado por ou remissível a um conceito: o gosto é, por isso, a 
faculdade de julgar desinteressadamente um objeto (ou uma representação) mediante um 
prazer ou um desprazer; o objeto deste prazer é aquilo que definimos como belo”.
(Umberto Eco)
Descrição da Imagem: a Figura 2 apresenta quatro círculos que representam os quatro elementos compositivos da qua-
lidade arquitetônica (forma, construção, custo e função). O primeiro, na parte superior, refere-se à forma; o segundo, à 
direita, refere-se à construção; o terceiro, na parte inferior, refere-se ao custo; e o quarto, à esquerda, refere-se à função. 
A intersecção dos quatro círculos mostra a qualidade arquitetônica em seu sentido mais amplo, por meio da integração.
Figura 2 - A qualidade arquitetônica como integração de questões funcionais, formais, técnicas e econômicas
Fonte: adaptada de Voordt e Wegen (2013).
Para falar sobre estas questões, 
observe a Figura 2, a seguir:
103
UNIDADE 5
Na figura em questão, podemos verificar que a qualidade arquitetônica, utilizada como sinônimo para 
a qualidade da edificação, é estabelecida por meio da intersecção dos quatro elementos essenciais à 
composição e à execução de projetos, sendo eles: forma, construção, custo e função. 
Observa-se quea forma absorve os parâmetros de beleza, características perceptivas, valores culturais 
e significados simbólicos, podendo, então, relacionar-se aos parâmetros subjetivos da produção. Em 
relação à função, também chamada funcionalidade e usabilidade, fala-se sobre o valor do planejamento 
do espaço físico e a subdivisão do espaço, além das relações espaciais.
O custo, refere-se ao investimento e às despesas correntes do processo como um todo, e, por fim, a 
construção remete-se à técnica adotada, vinculando-a às questões de serviços e construções, para que, 
desta forma, seja formatado o que a edificação pode oferecer aos seus usuários. 
Outra condição essencial à nossa discussão é pensar no processo de projeto. Este é um conjunto de 
ações e atividades relacionadas e dependentes que são executadas para alcançar um produto, resultado 
ou serviço pré-definido, e é caracterizado por suas entradas, ferramentas e técnicas que devem ser 
aplicadas (PMI, 2017). Voordt e Wegen (2013) definem cinco fases essenciais a este processo:
• Fase exploratória: como o próprio nome orienta, refere-se à fase de levantamento de informa-
ções, ou seja, as informações são exploradas e organizadas, trazendo as principais necessidades e 
viabilidade de projeto. Ousa-se dizer que é a etapa principal do processo de projeto e construção, 
pois o reconhecimento das premissas e expectativas remete-se, diretamente, à funcionalidade 
e à qualidade do projeto. 
• Programa de necessidades: refere-se à organização sistematizada das informações levantadas 
na fase exploratória, que estabelece, com maior detalhamento, as exigências de desempenho do 
local, dos componentes da edificação, das instalações, entre outros. Este documento precisa de 
uma análise organizada das atividades a serem abrigadas e das condições desejáveis.
• Projeto: esta etapa aborda a análise funcional a ser realizada, os estudos de referência e a ma-
terialização, por meio das peças gráficas, que buscam cumprir os critérios estabelecidos no 
programa de necessidades.
• Especificação e escolha dos fornecedores: com o detalhamento, é chegada a hora de definir 
os materiais e os acabamentos bem como os critérios que serão atendidos (após a definição do 
projeto), em relação aos materiais de modo geral, principalmente os de acabamento, e escolher 
os fornecedores que atuarão na obra. 
• Uso e gerenciamento: esta é uma etapa essencial à análise da qualidade, pois, depois de realizado 
o projeto, verifica-se se a edificação atende às expectativas (funcionalidade) e enquadra-se aos 
critérios de APO (Avaliação Pós-Ocupação), em busca de informações que validem a usabili-
dade e a estética do projeto. 
104
UNICESUMAR
Para Melhado (1994), a qualidade do projeto é vista nas fases de maturação dele, quanto aos levanta-
mentos de informações, como o briefing e o escopo, o programa de necessidades, a qualidade técnica, a 
qualidade de apresentação, a gestão do processo e o produto propriamente dito. Em suma, a qualidade 
do projeto é determinada pela clareza e qualidade de informações do início do processo, ou seja, pelo 
programa de necessidade e pelos levantamentos técnicos.
É preciso reconhecer que o projeto é um processo interativo e coletivo que exige uma coordena-
ção das atividades, compreendendo momentos de análise crítica e de validação das soluções, sem 
inviabilizar, com isso, o trabalho dos especialistas envolvidos. Salienta-se, ainda, que a excelência 
do projeto de um empreendimento passa pela excelência do processo de cooperação entre seus 
agentes, que, na qualidade de parceiros, submetem seus interesses individuais a uma confrontação 
organizada (MELHADO, 1994). Portanto, o projeto deve assumir a responsabilidade de agregar efi-
ciência e qualidade ao produto e ao processo de execução, para obter o sucesso do empreendimento 
(MELHADO; BARROS; SOUZA, 1998). 
Descrição da Imagem:a Figura 3 apresenta o ciclo do processo de construção, com a indicação de quatro setas 
sequenciais, em que a primeira apresenta o Início do Processo de Construção (IPO) e a segunda, o Programa de 
Necessidades, que se refere ao ato de programar, e, nesta etapa, estabelece-se o resumo informativo como docu-
mento/registro. A terceira seta, por sua vez, apresenta o Projeto, que se refere ao ato de projetar, o qual especifica 
e define a empreiteira, para iniciar a construção; e a quarta e última seta apresenta a Construção, que transita entre 
especificação, escolha de empreiteira e construção bem como uso e gerenciamento, os quais estão associados à 
Avaliação Pós-Ocupação (APO).
Figura 3 - Fases do processo de construção / Fonte: adaptada de Voordt e Wegen (2013).
105
UNIDADE 5
Na arquitetura e no urbanismo, a qualidade é um conceito complexo e envolve diferentes dimensões 
econômicas, sociais e culturais, em relação à compreensão e ao interesse dos agentes envolvidos no 
processo (projetistas, construtores e usuários), sendo possível entender que há um ciclo de produção 
do edifício, de forma a considerar, até mesmo, a sua inserção na cidade, a qual sofre transformações.
Lembre-se de que o processo de construção do edifício é composto por três fases distintas: o pro-
grama, o projeto e a execução, e a qualidade do produto procede do rigor e da exigência de suas 
diferentes fases, pois o subproduto de um processo está, diretamente, relacionado ao produto anterior 
e afetará a qualidade do resultado da fase seguinte. Com base na premissa de melhor qualidade das 
edificações, é preciso estabelecer metodologias que auxiliem no controle de qualidade, que, sob uma 
abordagem analítica no processo de projeto, busca por dados e informações que possibilitem tomadas 
de decisões mais adequadas; chegamos, então, à discussão sobre Avaliação Pós-Ocupação.
O ato de avaliar é dito pela determinação do valor de alguma coisa, mediante um procedimento que 
compara aquilo a ser avaliado, com critérios determinados (ONO et al., 2015), e um dos maiores desafios 
é a exigência de uma avaliação de desempenho dos ambientes em uso, isto é, do ambiente construído, real, 
inserido no espaço urbano real, sujeito às necessidades e a níveis de satisfação dos usuários.
A Avaliação Pós-Ocupação (APO) é definida como uma metodologia de avaliação de desempenho 
do ambiente construído, realizada na fase de uso, operação e manutenção do edifício, que possibilita avaliar 
as consequências das tomadas de decisões de projeto, no desempenho da edificação, com foco no usuário 
e suas necessidades (PREISER; RABINOWITZ; WHITE, 1999). A APO é o tipo mais comum de avaliação 
em que são consideradas as respostas dos usuários no espaço avaliado (PEÑA; PHARSHALL, 2001). 
Ornstein e Roméro (1992) relatam que as Avaliações Pós-Ocupação (APO) chegaram ao Brasil na 
década de 80, no sentido de repensar o projeto após a sua ocupação, diagnosticando problemas e recomen-
dando modificações, e que, desde então, muito do conhecimento obtido nestas avaliações, isto é, por meio 
da opinião dos principais interessados, os usuários, tem refletido no modo que projetamos os edifícios.
A aferição da qualidade no processo de projeto é oriunda das avaliações de um programa de ne-
cessidades “ex ante” (antes do uso) e, quando a edificação já está pronta, “ex post” (após o uso), e pode 
contribuir para a melhoria da qualidade do ambiente, pois é possível verificar se o objeto de estudo 
corresponde aos desejos e às exigências dos futuros ou atuais usuários (VOORDT; WEGEN, 2013).
A respeito da mensuração da qualidade no processo de proje-
to, como vimos, há discussões acerca das avaliações que podem 
configurar procedimentos para a gestão da qualidade no processo 
de projeto, execução e manutenção de ambientes construídos. E 
uma destas discussões refere-se à APP, ou Avaliação Pré-Projeto, 
que tem por objetivo gerar informações por meio de simulações, 
na tentativa de antever falhas de desempenho. Vale a pena con-
versarmos um pouquinho mais a respeito! Dê o play no nosso 
podcast e venha conhecer esse mundo encantador!https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9857
106
UNICESUMAR
Quanto à relevância da aplicação das APOs, estas estão associadas a objetivos que viabilizam três 
pontos essenciais:
• Avaliar as edificações quanto aos problemas e às soluções adotados relativos à normatização e 
à melhoria do desempenho. 
• Sistematizar as informações apontando direcionamentos futuros (aos próximos projetos).
• Relacionar a APO com o mercado imobiliário a partir da montagem de banco de dados para 
retroalimentação de projetos que ampliam, significativamente, a eficiência (aprender com os 
erros e acertos cometidos). 
É visível que as APOs possibilitam a realização do levantamento de dados inerentes à ocupação das 
edificações bem como o diagnóstico e as proposições descendentes de conhecimentos interdisciplinares, 
incluindo, por exemplo, a Psicologia Ambiental (como já vimos anteriormente), ou seja, formatando 
um estudo completo, ainda que complexo. 
Como vimos, no processo de projeto, as avaliações estão presentes em 
todas as fases, portanto, é importante que façamos a reflexão acerca das 
normas, leis e práticas profissionais, orientando o modo de olhar para 
o usuário e para as suas contribuições na produção dos espaços. Vale 
a pena dedicar-se à leitura do livro, que apresenta, de forma bastante 
didática, discussões e orientações sobre a Avaliação Pós-Ocupação, 
metodologia essencial à discussão da Arquitetura e do Urbanismo!
Ornstein (2004) apresenta uma relação dos principais métodos e técnicas utilizadas na Arquitetura e 
no Urbanismo:
• Vistorias técnicas e o ato de caminhar no ambiente com listagem de checklist construtivos e 
funcionais.
• Medições das condições de conforto ambiental, funcional e ergonométrico.
• Fotografias e registros visuais.
• Observações de atividades e comportamentos dos usuários.
• Entrevistas semiestruturadas com pessoas-chave sobre o processo.
• Entrevistas estruturadas com usuários-chave.
• Questionários com aferição de satisfação dos usuários.
• Discussão com grupos focais.
• Desenhos representativos da percepção ambiental.
107
UNIDADE 5
Estas atividades são desenvolvidas por profissionais (especialistas), ou seja, as avaliações de desempe-
nho, algumas vezes chamadas de avaliações técnicas, ocorrem em função das necessidades detectadas 
na fase exploratória da pesquisa. De acordo com as condições encontradas nessa fase exploratória, 
para a medição das condições de habitabilidade, segurança e sustentabilidade do ambiente construído.
Faremos uma pausa em nossa leitura para conversar um pou-
quinho mais sobre a Avaliação Pós Ocupação (APO). E para isso, 
no nosso estudo pensaremos como desenvolver projetos melhores 
avaliando as edificações existentes.Tenha a sua dose extra de co-
nhecimento assistindo ao vídeo! 
Pensando em modos de resguardar a qualidade nas edificações, 
um caminho importante é estabelecer processos que viabilizem a 
gestão da qualidade, que, para Oliveira (2004), é associada ao con-
junto de elementos que operam sobre processamentos que visam 
sempre ao objetivo de assegurar que os produtos e os processos 
satisfaçam as necessidades dos usuários e as expectativas dos clientes. 
Segundo Tzortzopoulos (1999), projeto é um conjunto de ações gerenciais de características comuns 
que definem uma mesma estrutura para gerir o processo de projeto na empresa, a qual é necessária 
e suficiente a seu adequado desenvolvimento. O projeto é uma alternativa concreta para atender à 
demanda, devido à concorrência do mercado por eficiência, e satisfazer as necessidades de projetos 
mais alinhados às necessidades dos clientes, com custo e prazos menores (AMORIM, 1993). 
Portanto, para que os projetos sejam formalizados, foram criadas normas internacionais de qualida-
de, por meio das quais as empresas conseguem padronizar os produtos e os serviços, como, por exemplo, 
a ISO 9001, que, de acordo com Fraga (2011), é constituída por três normas destinadas ao Gerencia-
mento da Qualidade e à Qualidade Assegurada. O objetivo das normas, em geral, é complementar os 
requisitos de produtos e serviços prestados por uma organização que pretende implementar os seus 
padrões de qualidade e tornar-se mais competitiva nos mercados interno e externo. 
Outra condição avaliativa refere-se ao O PBQP-H, que trata do Programa Brasileiro de Qualida-
de e Produtividade no Habitat, um programa nacional reconhecido em todo território brasileiro e 
aplicável somente às empresas do ramo de construção civil, que, de acordo com Brasil (2021, on-line), é 
uma ferramenta que busca garantir dois pontos fundamentais quando se fala de habitação de interesse 
social: a qualidade, com obras marcadas pela segurança e durabilidade, e a produtividade do setor da 
construção, a partir da sua modernização.
Já, a Norma de Desempenho — NBR 15.575 — (ABNT, 2013), amplamente discutida no meio da 
arquitetura e do urbanismo, além dos demais agentes da indústria da construção civil, aborda os requi-
sitos de qualidade, durabilidade, segurança e desempenho para as construções habitacionais brasileiras. 
A normatização desses padrões é de extrema importância, pois viabiliza a qualidade nas construções 
e traz segurança aos usuários. Vale ressaltar que a abrangência desta norma é substancial, visto que 
aborda desde os fornecedores de materiais até o incorporador, passando pelos projetistas, consultores 
e construtoras, ou seja, todos os agentes que têm responsabilidade no processo de projeto e construção. 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9858
108
UNICESUMAR
Para este processo de avaliação da qualidade, é preciso estabelecer metodologias que auxiliem na verifi-
cação, no diagnóstico e, consequentemente, nas tomadas de decisões, pensando que o ambiente construído 
deve ser, continuamente, visto sob a ótica dos elementos integrantes do espaço, e mais, é preciso considerar 
todas as etapas de seu ciclo de vida, a saber: planejamento, projeto, produção, uso e desconstrução.
Em nossa unidade, reconhecemos as discussões mais recentes sobre a qualidade nas edificações e, assim 
como vimos na experimentação, falar sobre a qualidade nas edificações é trazer, essencialmente, a análise 
dos requisitos e do desempenho efetivo do ambiente, além da verificação ao atendimento das expectativas 
e das necessidades de quem utiliza o espaço. Pensando nisso, neste momento da nossa conversa, falaremos 
a respeito de um objeto de ampla discussão na arquitetura e no urbanismo, que é um bom exemplo para 
tratarmos dos critérios de qualidade nas edificações, que se refere à Habitação de Interesse Social (HIS). 
Falamos das HIS, com o objetivo de viabilizar à população de baixa renda o acesso à moradia adequada 
e regular, buscando reduzir a desigualdade social e promover a ocupação urbana planejada (CAIXA..., 
[2021]). Desta forma, entendemos que a Habitação de Interesse Social visa a atender a habitação acessível 
e adequada à qualidade e à localização, de forma a garantir um dos direitos humanos básicos. Mas, na 
prática, não é isso que acontece na grande maioria das produções, isto é, por entrar em jogo diferentes 
agentes e interesses, temos nos deparado com problemas reais em relação à HIS. Por exemplo, esse tipo 
de empreendimento, ainda, é visto como otimização de áreas, com o objetivo de construir maior número 
de unidades, economizando materiais, sem a preocupação com a qualidade de vida de seus usuários.
Há muitos estudos relacionados à qualidade das HIS e, no Brasil, podemos enumerar diversas cons-
truções que foram idealizadas e executadas sob estas condições, com produtos que não têm cumprido 
os requisitos mínimos de qualidade, o que tem gerado problemas significativos para a usabilidade do 
espaço e, também, para as condições de manutenção dele, assegurando a insatisfação dos usuários e o 
não atendimento aos requisitos mínimos de desempenho.
Em relação a estes aspectos, é preciso que pensemos na nossa responsabilidade, enquanto pro-
fissionais formadores de espaço, e na nossa contribuiçãoprofissional na produção dos edifícios e 
da paisagem urbana. O que po-
demos fazer, então, enquanto 
projetistas, para promover es-
paços que garantam os requi-
sitos de qualidade, sem deixar 
de lado o atendimento às de-
mandas dos contratantes? Pen-
sando nisso, abordaremos um 
exemplo efetivo que ilustrará 
o quanto a produção dos ar-
quitetos influencia nesta pro-
dução e tem total associação à 
qualidade da edificação, mes-
mo quando falamos de HIS.
109
UNIDADE 5
Um bom exemplo é a intervenção realizada em Heliópolis, em São Paulo, a qual faz parte de um 
Programa de Reurbanização de Favelas, por meio da Secretaria de Habitação. O Conjunto Habitacional 
Heliópolis refere-se à edificação que contém 420 unidades de 50 m². O escritório responsável pelo 
projeto, Biselli e Katchborian Arquitetos, conceitualizou o projeto estabelecendo uma relação espaço/
cidade baseada na implantação de quadras sem recuos e com pátios internos, trazendo a referência das 
quadras europeias e privilegiando, assim, os espaços públicos de interesse do morador, que é protegido, 
portanto, da rua, e a dotação de programa comercial e de serviços no nível térreo. 
Na planta do projeto, é possível verificar o cuidado com os layouts dos ambientes, garantindo a fle-
xibilidade de organização e a disposição de espaços para pequenos trabalhos, além de propor espaços 
para pequenos trabalhos, ou seja, pensando nas possíveis atividades que serão desenvolvidas neste 
espaço. As unidades possuem dois dormitórios, espaço integrado de cozinha, sala de estar e sacada. 
Com a demanda de uma construção econômica, a proposta foi adotar a solução construtiva em blocos 
de concreto e, em alguns pontos, como os pórticos, o uso de estrutura mista, em concreto armado. O des-
taque da volumetria é dado pelas passarelas-pontes que conectam os blocos e permitem o aproveitamento 
máximo dos coeficientes de construção e, também, pelo emprego de cores nas fachadas e em sua paginação. 
Será que, realmente, não é possível pensar na qualidade das edificações e dos usuários que ocuparão 
Figura 4 - Mapa Mental / Fonte: a autora.
o espaço? Pesquise a 
respeito desse case, 
pois vale a pena apro-
fundar-se e ver a im-
portância dos(as) ar-
quitetos(as) e de suas 
soluções, frente a pro-
dução deste empreen-
dimento! Pense nisso! 
Descrição da Imagem: a Figura 4 representa, de modo sucinto, os temas abordados nesta unidade. Ao centro, vemos 
o termo: qualidade das edificações, que se segmenta em dois pontos essenciais: 1) funcional, que está relacionado 
à beleza; e 2) estática, que está relacionado à usabilidade. À direita, vemos os termos: espaço físico, usuário e per-
cepção; à esquerda, vemos o termo APO (Avaliação Pós-Ocupação) bem como o ato de avaliar e o valor atribuído às 
edificações; e na parte inferior, vemos o termo arquitetura.
110
M
A
P
A
 M
EN
TA
L
Agora é com você! Desenvolva um mapa mental que organize os conteúdos estudados, seguindo 
o exemplo da Figura 4. É importante que este mapa traga à tona os elementos-chave, para o seu 
entendimento dos itens que debatemos e para que, deste modo, possamos firmar o conteúdo e 
darmos sequência a nossa conversa! Bom trabalho! 
111
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O
R
A
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 C
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M
 V
O
C
Ê
1. Para Voordt e Wegen (2013), o processo de projeto é organizado em cinco fases essen-
ciais, entre elas: fase exploratória; programa de necessidades; projeto, especificação 
e escolha dos fornecedores; uso e gerenciamento. Com base neste contexto, analise 
as asserções a seguir:
I) Fase exploratória, como o próprio nome orienta, refere-se à fase de levantamento 
de informações, ou seja, as informações são exploradas e organizadas, trazendo as 
principais necessidades e viabilidade de projeto. Ousa-se dizer que é a etapa prin-
cipal do processo de projeto e construção, pois o reconhecimento das premissas e 
expectativas remetem-se, diretamente, à funcionalidade e à qualidade do projeto. 
II) O programa de necessidades é uma etapa essencial à análise da qualidade, pois, 
depois de realizado o projeto, verifica-se se a edificação atende às expectativas 
(funcionalidade) e enquadra-se aos critérios de APO (Avaliação Pós Ocupação), em 
busca de informações que validem a usabilidade e a estética do projeto.
III) Esta etapa aborda a análise funcional a ser realizada, os estudos de referência e a 
materialização, por meio das peças gráficas, que buscam cumprir os critérios esta-
belecidos no programa de necessidades. 
Assinale a alternativa correta:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) I e III, apenas.
2. A qualidade do projeto é vista nas fases de maturação dele, quanto aos levantamentos 
de informações, como o briefing e o escopo, o programa de necessidades, a qualidade 
técnica, a qualidade de apresentação, a gestão do processo e o produto propriamente 
dito. Considerando esse contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta 
entre elas:
I) É preciso reconhecer que o projeto é um processo interativo e coletivo que exige 
uma coordenação das atividades, compreendendo momentos de análise crítica e 
de validação das soluções, sem inviabilizar, com isso, o trabalho dos especialistas 
envolvidos.
PORQUE
II) A excelência do projeto de um empreendimento passa pela excelência do processo 
de cooperação entre seus agentes, que, na qualidade de parceiros, submetem seus 
interesses individuais a uma confrontação organizada.
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A respeito destas asserções, assinale a opção correta:
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
3. Leia o trecho a seguir:
A ________________________ é definida como uma metodologia de avaliação de desempenho 
do ambiente construído, realizada na fase do uso, operação e manutenção do edifício, 
que possibilita avaliar as consequências das tomadas de decisões de projeto, no desem-
penho da edificação, com foco no usuário e suas necessidades.
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
a) Avaliação Pré-Projeto.
b) Avaliação Durante-Projeto.
c) Avaliação Pós-Ocupação. 
d) Metodologia de Projeto. 
e) Avaliação funcional. 
4. Leia o trecho a seguir:
A ______________, em inglês, nomeada Pre Design Research, trata-se de um conjunto de téc-
nicas que busca oferecer subsídios qualitativos para a definição de parâmetros contem-
plados no PP, semelhante às Avaliações Pós-Ocupação (APO), e se enquadrar na etapa de 
planejamento e concepção (BECHTEL, 1997). 
BECHTEL, R. Ambiente e comportamento: uma introdução. Londres: Sage, 1997.
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
a) Avaliação Pré-Projeto.
b) Avaliação Durante-Projeto.
c) Avaliação Pós-Ocupação. 
d) Metodologia de Projeto. 
e) Avaliação Funcional. 
6
Olá, aluno(a), após explorar as condições que envolvem a arquitetura; 
falar sobre o ambiente construído nas diferentes escalas, as condições 
e os critérios da qualidade bem como trazer a centralidade da nossa 
produção ao usuário, é importantíssimo que falemos a respeito da so-
ciedade. Nesta unidade, Sociedade: discussões importantes, compreen-
dendo esta abordagem, é chegada a hora de falar sobre a sociedade, 
as discussões clássicas sobre o conceito e o modo como ela é inserida 
em um contexto coletivo e social. Se produzimos a arquitetura para a 
sociedade, então, é preciso que reconheçamos as suas características 
e o modo de promover transformações e qualificações para os am-
bientes construídos. Mais uma vez, objetiva-se abordar a sociedade; 
reiterar o papel da sociedade na formação do espaço e estabelecer a 
nossa responsabilidade diante da composição do espaço e o quanto 
ele reflete na vivência social! Vem comigo!Sociedade: Discussões 
Importantes
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
114
UNICESUMAR
Para discutirmos a importância da sociedade, é preciso que tenhamos a ciência de que essa estrutura 
é de grande importância para a formação dos indivíduos, já que todo homem tem a necessidade de se 
estabelecer em grupos. Por isso, a carência de participar de uma sociedade, responsável por impor os 
direitos e deveres, e explanar sobre o espaço que habita. Podemos, desse modo, falar que a sociedade 
molda o indivíduo, e, por ele, é, também, moldada. Para trazer essa discussão alinhada à Arquitetura 
e ao Urbanismo, cabe, antes, ressaltar que os espaços urbanos têm passado, nas últimas décadas, por 
alterações demográficas, como os riscos climáticos, o desmatamento, o aumento da população urbana, 
a poluição, entre outros. E você saberia dizer qual é a responsabilidade da sociedade neste cenário? 
Você saberia definir o que é a sociedade e quais parâmetros a constitui?
Sabemos que as atividades humanas desempenhadas no espaço têm total relação com a formatação 
do espaço físico; e as constantes intervenções dos usuários causam modificações espaciais e, conse-
quentemente, diferentes fenômenos no espaço, por exemplo, a degradação ambiental. Isso merece a 
conscientização da sociedade! 
Assim, falar sobre a sociedade versus o espaço, é considerar as particularidades das relações so-
cioespaciais, econômicas e culturais, bem como compreender que as ações humanas, em suas práticas 
essenciais, tornam as “sociedades” diferentes e, consequentemente, formam espaços urbanos diversifi-
cados. Ou seja, para compreender o ambiente construído, objeto de estudo da nossa profissão, é essen-
cialmente necessário (re)conhecer o grupo que se apropria daquele determinado espaço, possibilitando 
uma análise e compreensão da produção das cidades e das edificações. Cria-se, assim, o espaço, que, 
por si só, é intrinsecamente social!
115
UNIDADE 6
Pense nas cidades brasileiras, nas diferentes regiões do país! Sabemos que cada uma das regiões 
agrupa diferentes cidades, estas são organizadas de acordo com as demandas de orientação e aplica-
ção das políticas públicas. Mas, além disto, podemos claramente discutir a respeito, por exemplo, das 
diferentes culturas impressas em cada uma das regiões. Nós brasileiros, somos uma síntese de dife-
rentes etnias e imprimimos, no espaço, nossa herança cultural. Enquanto, no Nordeste, há impressões 
bastante africanizadas, com caráter português e indígena; a região Sul se apoia na história e na cultura 
dos imigrantes italianos e alemães, por exemplo. Realize uma oficina, selecione uma cidade, diferente 
da que você mora, e realize um tour virtual, busque reconhecer pelo menos três características 
que diferenciam estas cidades. Olhe para a morfologia urbana, para a forma como os cidadãos se 
apropriam do espaço, para o desenho das edificações, para os eventos culturais, entre outros. Faça 
as suas anotações em seu Diário de Bordo.
DIÁRIO DE BORDO
116
UNICESUMAR
Vamos tentar juntos? A cidade escolhida é Salvador, na Bahia, na região nordeste brasileira. Observe 
as imagens:
Figura 1 - Salvador, Bahia
Descrição da Imagem: nas imagens, podemos observar a cidade de Salvador, na Bahia. À esquerda, temos a visão de 
uma via, ainda, de paralelepípedos, com fachadas com valor histórico, restauradas e coloridas. À direita, apresenta-se 
uma aproximação destas fachadas, e a via, decorada com elementos característicos da cultura local, fortalece esta 
identidade aos usuários que caminham pelas ruas. 
117
UNIDADE 6
Aceita-se, comumente, falar do nordeste brasileiro e reconhecer, nele, a história im-
pressa em nosso país. Na Figura 1, temos recortes da cidade de Salvador, na Bahia, 
cidade esta que foi a primeira capital do Brasil; exerceu influência decisiva nas de-
mais regiões do país; tem as mais típicas manifestações populares e é berço do maior 
evento brasileiro, o Carnaval. Ou seja, podemos falar sobre uma sociedade festiva, em 
que os aspectos étnicos e culturais se misturam e, assim, apresentam esta identidade, 
registrada por meio de desenhos de edificações que retratam o estilo arquitetônico 
histórico, restauro de edificações, uso de cores vibrantes, entre outros. As vias são 
comumente encontradas em paralelepípedos, de modo a resgatar a historicidade local.
Os cidadãos se apropriam dos espaços públicos. Eles têm o hábito de usar os 
modais ativos, por isso, utilizam a cidade de modo mais democrático. Isto se dá, 
também, por ser uma cidade turística, em que a economia da região se apoia, signifi-
cativamente, neste tipo trabalho. O que isso significa? Isso reafirma a nossa discussão 
de que as condutas e hábitos da sociedade local caracterizam o espaço e criam uma 
identidade local!
De modo geral, pode-se dizer que há uma produção do espaço geográfico resul-
tante das ações sociais nas esferas econômica, cultural, educacional, entre outras. 
Nesse sentido, é necessário compreender o próprio ser humano, de acordo com a 
estrutura das sociedades. Nesta discussão, é relevante pensar sobre alguns pontos-
-chave, vamos lá:
• Os seres humanos são agentes sociais, constituídos na relação com o espaço social. 
• A sociedade é parte integrante e essencial da formatação do espaço físico. 
• O espaço físico é resultado das necessidades da sociedade e da sua realidade 
cultural, econômica e social. Pense nisso! 
Neste momento, a nossa intenção é falar sobre a “sociedade”, ou seja, a centralidade 
da nossa discussão é trazer a conceituação deste termo e defender a sua relação com 
os parâmetros da coletividade, principalmente, quando relacionado às condições da 
Arquitetura e do Urbanismo bem como à formação do espaço físico. É, universalmen-
te, definido — e de conhecimento — que o termo “sociedade” é pressuposto para a 
compreensão das atividades do ser humano em conjunto, ou seja, os seres humanos 
convivem de forma organizada. 
Para Martins (2006), o termo sociedade diz respeito a uma organização consciente, 
que tem como base de estudo as Ciências Sociais. Em sua abordagem, a sociedade é 
contrária à comunidade, visto que esta estabelece as relações sociais como vínculos de 
interesses e promovem articulações de formação natural.
118
UNICESUMAR
Podemos compreender que a conceituação de sociedade é bastante complexa, ainda que se trate de um 
conjunto de indivíduos que vivem juntos, em um determinado período e espaço, atuantes em normas 
comuns, estabelecendo um corpo social. Para este estudo, adotaremos a definição de que a sociedade 
se trata da ideia do coletivo de cidadãos, organizados socialmente, sujeitos a um mesmo regimento, 
normas e condutas, em busca de qualidade de vida e bem-estar. 
Sabe-se que essa organização se estabeleceu há muito tempo, e que os indivíduos, nela, organizam-se 
em busca de uma vida em comum. Nesse sentido, frequentemente, os autores compreendem que a 
sociedade nasceu com o surgimento das cidades. Jesus e Denaldi (2018), de modo breve, estabelecem 
que, historicamente, as cidades surgiram a partir do processo de urbanização, pois, até então, o homem 
era nômade. Assim, a relação é estabelecida, claramente, após a sua permanência em um determinado 
espaço. Adota-se, então, os primeiros registros a partir do período paleolítico:
 “
[...] a relação do homem paleolítico com a caverna, embora não se construísse uma 
moradia fixa para ele, era um abrigo e tinha um significado muito grande. Era o lugar 
de segurança, para onde ia quando estava com fome, para o acasalamento, ou para a 
guarda de seus instrumentos. Mais do que isso, a caverna foi o primeiro lugar onde 
praticavam seus rituais e suas artes, impulsos estes que depois também foram motivos 
de fixação nas cidades (SPOSITO, 2001, p. 12).
Ainda que não haja datas que definem o surgimento das cidades, Carlos (2007) defende que o fator 
estruturante da cidade (e da sociedade) é o estabelecimento comercial, sendo determinante para 
a produção e organização do espaço. Sobre as cidadese a sociedade, Lefebvre (2002) aponta que o 
surgimento e o desenvolvimento da sociedade urbana se associam à globalização e à industrialização. 
Estes fenômenos promoveram a transformação do espaço geográfico, considerando, ainda, o processo 
de urbanização, em paralelo. 
Não se tem, ainda, uma definição única e universal do termo “globalização”, mas, para nosso 
estudo, adotaremos a definição de Held e Mcgrew (2001), que se refere a uma rápida expansão da in-
terdependência política e econômica, sendo um acontecimento histórico significativo. Nesse sentido, 
Ciências Sociais é uma área de estudo que busca entender o desenvolvimento, o funcionamento 
e a organização das sociedades, considerando aspectos relacionados às suas origens, história, 
conflitos, características culturais e hábitos sociais. 
Fonte: adaptado de Triviños (1987).
119
UNIDADE 6
denota-se mais do que a ampliação das relações e atividades sociais, atravessando fronteiras; em outras 
palavras, representa uma mudança significativa de ação e de organização social.
De modo bastante simplificado, a industrialização refere-se ao processo de crescimento da atividade 
industrial na sociedade, a partir de políticas favoráveis à instalação de indústrias, com o fornecimento 
de incentivos fiscais (SUZIGAN, 2000). Vale ressaltar, ainda, que neste processo se estabelece, claramen-
te, três eixos essenciais: o uso da máquina, modelo de trabalho assalariado, a força de trabalho como 
moeda de troca. Isso fortaleceu o processo de industrialização, que, por sua vez, fomentou o processo 
de urbanização, ou seja, formatou o espaço urbano e/ou cidade. 
Para a urbanização, adotaremos a condição de transformação de um ambiente predominantemente 
rural em urbano, propondo novas formas de apropriação de consumo do espaço e mercantilização 
das cidades, da cultura e das paisagens (ROLIM, 2006). 
120
UNICESUMAR
Pela abordagem da Sociologia, o que caracteriza uma sociedade é a comunhão de interesses entre 
os membros que a compõem, direcionadas a um objetivo em comum. Define-se Sociologia como 
o estudo da relação entre os indivíduos e a sociedade, Simmel (2006) a coloca como “a ciência da 
sociedade”, que somente acontece por meio das relações dos indivíduos. Vê-se que a Sociologia cons-
titui um projeto intelectual complexo, sendo o resultado de uma tentativa de compreender situações 
sociais radicalmente novas, na trajetória da ciência como tentativa de dialogar com a civilização em 
suas diferentes fases (MARTINS, 2006). 
As reflexões sobre a sociedade colocam em processo de constituição, reprodução e transformação, 
nos estudos que envolvem os indivíduos, e ressaltam que os membros da sociedade podem ser de di-
ferentes grupos étnicos, pertencer a diferentes classes e níveis sociais, ainda que tenham em comum a 
comunhão de interesses entre os membros e o direcionamento em um objetivo comumente definidos. 
A sociedade configura e explica o indivíduo, associando-se ao seu comportamento individual, e re-
sulta em uma expressão cultural, ou seja, uma estrutura social, em que os indivíduos agem, incorporam e 
reproduzem percepções, valores e esquemas provenientes de uma realidade maior. É preciso pensar nos 
indivíduos e suas individualidades para compreender a característica de uma determinada sociedade. 
A vida em sociedade é uma das tarefas mais importantes, referimo-nos às características intrínsecas 
de vida social, pois configura um modelo de sociabilidade, estabelecendo características do homem 
como ser social e as formas de poder que se colocam na cidade (ROBLE, 2008). Deste modo, é impor-
tante compreender a interligação entre os indivíduos, pois eles dependem uns dos outros na execução 
de suas funções. Vale, nesta discussão, ainda, ressaltar as relações estabelecidas entre eles, como a 
convivência e a maneira que demonstram suas ideias, necessidades, sentimentos, sonhos e interesses.
Com isso, compreende-se que é um conceito em constante alteração. A noção de sociedade é 
construída historicamente, tornando-se uma realidade vivenciada, estabelecendo seus contornos 
territoriais, seus campos sociológicos e operam em fronteiras territoriais demarcadas. Em uma visão 
contemporânea, diante do contexto da globalização, estabelece-se as relações sociais e não se confor-
mam quanto aos “limites” da sociedade. 
A sociedade é uma parte da totalidade da vida social do ser humano, na qual fatores de heredi-
tariedade influem tanto quanto os elementos culturais (conhecimentos, técnicas científicas, crenças, 
sistemas éticos e metafísicos) e as formas de expressão estética, proporcionados pelo meio em que está 
inserido. É, assim, que se participa da sociedade, permitindo a inter-relação entre as partes (funções) 
para constituir e manter o funcionamento (transformação) do todo (sistema).
 Trazendo a realidade da Arquitetura e do Urbanismo, a sociedade pode ser vista como estrutura 
complexa e dinâmica, da qual somos parte integrante, inclui-se o olhar para as relações estabelecidas 
no espaço. De certo modo, implica em considerar o pensamento urbano e arquitetônico, na espera de 
que haja uma consciência coletiva (e individual), considerando a diversidade da sociedade.
Para Thomas Hobbes, filósofo inglês do século XVII, a sociedade é uma necessidade humana, posto 
que o indivíduo não vive sozinho, e na vida coletiva haverá a necessidade de se ter leis, contratos sociais 
e normalização dos costumes. O conhecimento da sociedade, da cultura e da psicologia consiste, ao 
mesmo tempo, em conhecimento de si mesmo, o que é, evidentemente, impossível de se empreender 
121
UNIDADE 6
com a lógica do método científico natural. Outra consideração essencial é dita por Durkheim, sociólogo 
francês, o indivíduo está subordinado a uma série de regras e costumes sociais que são preestabeleci-
dos e exigem que seja seguido, desde o seu nascimento, e, com isso, há a prevalência da sociedade e da 
coletividade sobre o indivíduo (LUCKMANN; BERGER, 2006)
Ainda que importante tratar o homem pela sua individualidade, compreende-se que ele vive em 
sociedade. Enquanto a individualidade é definida como o conjunto de características que distin-
gue as pessoas, falando sobre suas particularidades e originalidades; o processo de socialização 
é um fato social e assegura um conjunto homogêneo, atuando em uma comunidade integrada. 
Fonte: adaptado de Tomazi (2010).
A partir da nossa discussão, que estabelece o conceito de socieda-
de e a responsabilidade desta com os indivíduos e o espaço físico, 
pensemos, agora: como viver em sociedade influencia os compor-
tamentos individuais? Tenha a sua dose extra de conhecimento as-
sistindo ao vídeo! 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9860
122
UNICESUMAR
Outro conceito necessário a esta discussão é o de coletividade. Para o 
iDicionário Aulete ([2021]), coletividade refere-se à qualidade de coletivo, 
ou grupo de indivíduos que partilham dos mesmos interesses, costumes e 
hábitos. Para Dallari (2007), a sociedade pode sim ser definida por coleti-
vidade, já que o bem comum consiste no conjunto de todas as condições 
de vida social que favoreçam o desenvolvimento integral humano. 
Lembre-se que você é integrante de uma estrutura complexa, e esta 
sociedade é a interligação entre os indivíduos, os quais dependem uns dos 
outros na execução de suas funções, e, com isso, se estabelece a convivência 
que demonstra suas ideias, necessidades, sentimentos, sonhos e interesses. 
Reconhecendo as características da sociedade contemporânea, Fuhr 
(2018) caracteriza a sociedade com cinco aspectos que são interligados: 
a sociedade é escolarizada, cientificista, mercadológica, medicalizada 
e judicializada. 
• A sociedade escolarizada: define-se como um dos pilares para 
a organização social, e assume um papel de responsabilidade na 
condição do alcance de um futuro promissor (ILLICH, 1973). 
• A sociedade cientificista: a sociedade se caracteriza pela crença 
na ciência, esclarecendo a realidade e ordenaçãodo mundo e 
institui a razão médica (FUHR, 2018). 
• A sociedade mercadológica: visa aos interesses econômicos, 
como eixo organizador da sociedade a defesa de um mercado 
(POLANYI, 2000). 
• A sociedade medicalizada: em que os problemas sociais são 
compreendidos à luz da ciência médica como patológicos 
(FUHR, 2018). 
Na sociedade contemporânea, é preciso pensar o seu planejamento, esta-
belecendo as necessidades da coletividade, como vimos, pois, a exemplo 
de uma das preocupações recorrentes dos estudiosos, é a sensibilização e 
conscientização da população sobre o meio ambiente, pensando que há 
uma apropriação errônea, que tem ocasionado problemas significativos 
ao homem. É visível que temos hoje uma sociedade que busca “dominar” 
a natureza, ao invés de interagir com ela, ou seja o ser humano atua com 
atividades ameaçadoras, sem pensar nas consequências destas decisões. 
123
UNIDADE 6
Jacobi (1999) pontua que o quadro socioambiental, que caracteriza a sociedade contemporânea, 
destaca os impactos desta sociedade ao meio ambiente, tornando-se cada vez mais complexo. Desse 
modo, a importância de se trazer à discussão a sociedade e a sustentabilidade, que surge como um 
caminho para o enfrentamento da crise ecológica. É preciso, portanto, que tenhamos ciência de que 
o desenvolvimento sustentável não se refere apenas às condições ecológicas de um processo social, 
mas fala sobre uma estratégia múltipla para a sociedade, que deve levar em conta tanto a viabilidade 
econômica como a ecológica.
Em uma condição global, a noção de desenvolvimento sustentável considera a importância da 
redefinição das relações da sociedade com a natureza, e a proposta é estabelecer uma mudança signi-
ficativa no processo civilizatório (SACHS, 2002).
 
124
UNICESUMAR
Este cenário nos coloca um desafio: romper com um modelo estabelecido de sociedade e buscar novos 
paradigmas, criando correntes de conscientização sociais, em que a Agenda 21 apresenta princípios 
associados à valorização da dignidade humana, justiça social e equilíbrio ecológico.
Um conceito importante para a nossa discussão, refere-se ao “eco-
desenvolvimento”. Pensando em estratégias de política de desen-
volvimento para a sociedade contemporânea, ele propõe ações que 
explicitam a necessidade de tornar compatíveis a melhoria nos ní-
veis de qualidade de vida e a preservação ambiental. Dê o play no 
nosso Podcast, e vamos estudar o ecodesenvolvimento!
A Agenda 21 é um plano de atuação, em que seu principal objetivo é criar soluções para os 
problemas socioambientais mundiais, ou seja, refere-se a um documento assinado por 179 
países, resultado da “Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento” 
– Rio 92, podendo ser definida como um instrumento de planejamento participativo, visando 
ao desenvolvimento sustentável. Fonte: adaptado de Jacobi, Günther e Giatti (2012).
Desta forma, elenca-se alguns dos princípios essenciais:
• Atuação local pelo bem geral: pensa nas ações em diferentes escalas, do pontual ao global, bem 
como na relação com o meio ambiente (estabelecendo atividades pessoais, próximas e locais). 
• Processo contínuo e permanente: pensar que o processo educativo deve estar contigo em todas 
as fases de formação (educação). 
• Processo coletivo e participativo: estabelecer que a comunidade precisa ser envolvida como 
agente ativo, oportunizando as decisões e avaliações das consequências. 
• Integração: otimizando a visão integrada de todos os aspectos naturais e sociais nas dimensões 
política, econômica e cultural.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9859
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UNIDADE 6
 É preciso, então, pensar que o desenvolvimento sustentável é diretamente associado à mobilização da 
sociedade, pensando em uma atuação mais participativa, que beneficia a sociedade contemporânea, a 
partir da conscientização dos valores associados aos princípios da integração, participação, permanên-
cia, transformação, interdisciplinaridade e contextualização. Ele traz, ainda, a correlação com o modo 
de agir localmente, prevendo o bem geral, de forma ambiental, social e economicamente coerentes, e 
atribui qualidade de vida a esta sociedade bem como maior cuidado com as gerações futuras. 
Pensar na sociedade e compreender o seu impacto na morfologia urbana, ou seja, no estudo das 
formas das cidades, pensando em suas estruturas, formas e transformações locais, é pensar no espaço 
geográfico em si. Com isso, falar sobre o espaço geográfico é reconhecer que a sociedade tem respon-
sabilidade significativa na formatação desse espaço (ou seja, na morfologia urbana). Podemos, então, 
concluir que é um processo simbiótico, pensando nesta relação benéfica para ambos os envolvidos, 
em que estabelecemos um ciclo contínuo e dinâmico entre a sociedade e o espaço. 
Uma condição comum às diferentes cidades (e sociedade), é buscar o viés morfológico a partir da 
análise da estruturação urbana. É comumente aceito que o processo de transformação das cidades faz 
com que a forma urbana precise ser estruturada, consolidando locais, reconfigurando outros, criando 
áreas de expansão, entre outras situações.
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UNICESUMAR
Este cenário é decorrente da diversidade das produções sociais do espaço, à medida que a sociedade 
demanda “novas” configurações, compreende-se que esta é consumidora deste espaço, e consequen-
temente agente de construção do mesmo, e por isso a importância desta nossa discussão. 
Figura 2 - Maringá, Brasil, em 2014.
Esta é a cidade de Maringá, no estado do Paraná. É um município associado à preocupação com a 
paisagem urbana, e uma das suas marcas é a arborização urbana, que acompanha o sistema viário, 
apropriação de calçadas largas e núcleos geométricos dos bairros residenciais, colocando o comércio 
local no entorno de praças. Isso marca a identidade e a legibilidade da cidade. Os loteamentos mais 
novos, no entanto, “perderam” essa identidade, com a incorporação de um urbanismo de traçados 
mecânicos e esquemáticos, pensado para a apropriação do espaço, de acordo com o seu uso e as ne-
cessidades sociais (REGO; MENEGUETTI; BETOLO, 2020). 
Descrição da Imagem: na imagem, é possível observar uma vista aérea (foto tirada de um avião) da cidade de Maringá, 
no estado do Paraná. A foto nos permite ver as divisões dos bairros e a organização/definição da morfologia urbana.
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UNIDADE 6
Figura 3 - Maringá, Brasil, em 2014 
Isso nos dá amparo para defender que o espaço físico (ainda que planejado inicialmente) é modifi-
cado pelo ser humano, considerando não só o “abrigo” para as atividades da sociedade, mas também 
as condições naturais, ou seja, o meio ambiente inserido. Pensamos, então, no conjunto de atividades 
desempenhadas pelas (diferentes) sociedades. Elas promovem a modificação do espaço geográfico, 
resultante das constantes intervenções humanas, que causam, entre outros fenômenos, a degradação 
ambiental, como vimos, que além de causar impactos significativos na qualidade de vida dos cidadãos, 
altera a morfologia urbana. 
Tornar esta discussão mais próxima é possibilitar a abordagem do espaço geográfico como elemento 
definidor da sociedade (e vice-versa). Essa discussão nos mostra que a formatação do espaço físico é 
resultado das ações estabelecidas pelos seres humanos que ocupam aquele espaço, e que este é “abrigo” 
para as diferentes atividades dos usuários. Além disso, é de extrema relevância que se considere as 
condições naturais que compõem o espaço geográfico, ou seja, o meio ambiente que o ocupa.
Descrição da Imagem: na imagem, observamos uma via na cidade de Maringá, PR, com a presença de arborização 
urbana, garantindo a qualidade da paisagem, e reiterando a identidade local.
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UNICESUMAR
A aproximação da morfologia urbana como método de leitura e compreensão dos processos de 
desenvolvimento da cidade, integrada a preceitos da ecologia da paisagem, foi extremamente bem-
-vista pelos participantes da oficina como forma de planejamento e projeto ambiental e socialmentesustentável (REGO; MENEGUETTI; BETOLO, 2020). 
Lembre-se: a morfologia urbana liga-se, diretamente, aos costumes da sociedade, impondo de-
terminadas características. Estas, por sua vez, passam também a impor novas modificações em um 
verdadeiro ciclo, em que o determinismo do meio influi na chamada ecologia humana, e os novos 
paradigmas afetem a estrutura da cidade. 
Observe a Figura 4, a seguir:
Figura 4 - Sociedade
Descrição da Imagem: a figura apresenta vários desenhos que representam os usuários em suas particularidades de 
estatura, de peso, de idade, entre outros.
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UNIDADE 6
Nessa reflexão, é perceptivo que a sociedade permeia a diversidade, e que é composta por pessoas de 
diferentes histórias, crenças, orientações sexuais, gêneros, faixa etária, estatura, peso, mobilidade, entre 
outros. É, justamente, esta convivência na diversidade que se estabelece a construção social.
Pautada nessa discussão, visto que a diversidade humana é muito extensa, a arquitetura para a so-
ciedade precisa promover as melhores condições para este público tão heterogêneo. Compreende-se, 
portanto, a importância de trazer o reconhecimento das particularidades dos usuários, além de ser 
nossa a responsabilidade de pensar em quem usará o nosso espaço, e buscar por projetos arquitetônicos 
e urbanísticos que atendam as demandas do Desenho Universal e da Acessibilidade. 
Aqui, está a primeira questão, para quem produzimos arquitetura? A resposta é: para cada usuário 
em suas particularidades, independentemente de quais sejam. Os projetos são (e devem ser) desenvol-
vidos para que todos possam usar, sem que haja a necessidade de adaptação às diferentes necessidades. 
Uma questão essencial à produção da arquitetura versus o usuário é estabelecer os princípios básicos 
do desenho universal, em nossas produções:
• Igualitário: os objetos e espaços devem ser utilizados por qualquer pessoa, independentemente 
de suas capacidades.
• Adaptável: os espaços e objetos precisam ser adaptáveis a diferentes usos e atender a diferentes 
preferências.
• Óbvio: os usuários devem olhar e facilmente entender o que uma indicação quer dizer.
• Conhecido: permite que o receptor consiga receber a mensagem.
• Seguro: deve prevenir que acidentes aconteçam.
• Sem esforço: ser utilizado sem causar fadiga e de forma confortável.
• Abrangente: proporciona espaços e dimensões adequadas para que haja uso do objeto, inde-
pendentemente da mobilidade, postura ou tamanho do corpo. 
É preciso conhecer as diferentes necessidades e pensar nos usuários para a aplicação do desenho uni-
versal e, desta forma, tornar possível o uso dos espaços. Neste contexto, fortalece-se a ideia de que nós, 
profissionais arquitetos e urbanistas, temos a responsabilidade social de planejar e criar os ambientes; 
contribuir para o desenvolvimento social e econômico bem como dinamizar as transformações e 
expectativas de uma sociedade. Nós, profissionais da arquitetura e urbanismo, somos responsáveis 
pela produção e organização dos ambientes construídos e trazê-lo à utilização do ser humano, ou 
seja, produzir e organizar espaços para os usuários e suas funções, em busca de atender às diversas 
demandas de ordem funcional, técnico e estético. Pense nisso!
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É importante relembrar os conceitos e parâmetros estudados em nossa unidade para que, des-
sa forma, possamos entender a importância deles frente às nossas discussões acerca do tema 
Arquitetura e a Sociedade. 
Figura 5 - Mapa Mental / Fonte: a autora.
Mãos na massa! Elabore o seu mapa mental, buscando organizar os conceitos e estudos realizados 
nesta unidade, a intenção é que você destaque os aspectos principais que nos auxiliam a realizar 
a amarração entre os pontos-chave da nossa disciplina, servindo também para que possamos 
dar sequência a nossa conversa, em nossa próxima unidade. Agora é com você!
Descrição da Imagem: esta imagem representa, de modo sucinto, os temas abordados nesta unidade, destaca-se 
os dois elementos centralizadores. À esquerda (superior), elencam-se as políticas ambientais e breve conceituação 
de sua abordagem. À direita (inferior), elencam-se as políticas sociais e, também, breve conceituação e sua abor-
dagem. Destaca-se, ainda, o termo “qualidade de vida”, visto que ambas as políticas se centralizam na melhoria 
da qualidade de vida para a população. 
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1. Leia o trecho a seguir:
A ______________________ configura e explica o indivíduo, associando-se ao seu compor-
tamento individual, e resulta em uma expressão cultural, ou seja, uma estrutura social, 
em que os indivíduos agem, incorporam e reproduzem percepções, valores e esquemas 
provenientes de uma realidade maior. 
Assinale a alternativa que preenche completamente a lacuna:
a) Comunidade.
b) Sociedade.
c) Estratégia.
d) Definição espacial.
e) Geografia. 
2. O termo “sociedade” é pressuposto para a compreensão das atividades do ser humano 
em conjunto, ou seja, os seres humanos que convivem juntos de forma organizada. 
Sobre o conceito de “sociedade”, assinale a alternativa correta:
a) O indivíduo é um ser insubordinado a uma série de regras e costumes sociais que são 
preestabelecidos e exigem que seja seguido desde o seu nascimento, e, com isso, há 
a prevalência da sociedade e da coletividade sobre o indivíduo. 
b) Define-se a sociedade como estrutura simples e estática, da qual somos parte inte-
grante, inclui-se o olhar para as relações estabelecidas no espaço. 
c) O pensamento urbano e arquitetônico é pautado na consciência individual, desconsi-
derando a diversidade da sociedade.
d) A sociedade é a totalidade da vida social do ser humano, na qual fatores de heredi-
tariedade não influem tanto quanto os elementos culturais (conhecimentos, técnicas 
científicas, crenças, sistemas éticos e metafísicos) e as formas de expressão estética, 
proporcionados pelo meio em que está inserido. 
e) A sociedade é a comunhão de interesses entre os membros que a compõem, direcio-
nadas a um objetivo em comum.
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3. A Agenda 21, conforme Jacobi; Günther; Giatti, (2012), trata-se de um plano de atua-
ção, em que seu principal objetivo é criar soluções para os problemas socioambientais 
mundiais, ou seja, refere-se a um documento assinado por 179 países, resultado da 
“Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento” – Rio 92, 
podendo ser definida como um instrumento de planejamento participativo, visando 
ao desenvolvimento sustentável. Neste contexto, sabendo que a Agenda 21 apresenta 
princípios associados à valorização da dignidade humana, justiça social e equilíbrio 
ecológico, analise as asserções a seguir:
I) É princípio de atuação local pelo bem geral: pensar que o processo educativo deve 
estar consigo em todas as fases de formação (educação). 
II) É princípio de atuação local pelo bem geral: pensa-se nas ações em diferentes escalas, 
do pontual ao global, e na relação com o meio ambiente (estabelecendo atividades 
pessoais, próximas e locais). 
III) É princípio de integração: otimiza a visão integrada de todos os aspectos naturais e 
sociais nas dimensões política, econômica e cultural.
É correto o que se afirma em:
a) A asserção I, apenas.
b) A asserção II, apenas.
c) A asserção III, apenas.
d) A asserção I e II.
e) As asserções II e III. 
4. Leia o trecho seguinte: 
É a resposta para as estratégias de política de desenvolvimento para a sociedade 
contemporânea, propõe ações que explicitam a necessidade de tornar compatíveis a 
melhoria nos níveis de qualidade de vida e a preservação ambiental. 
Agora, assinale a alternativa correta a que se refere esse conceito:
a) Ecomorfologia.
b) Ecodesenvolvimento. 
c) Ecoespaço.
d) Ecossistema.
e) Ecologia.
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5. Segundo Martins (2006), a Sociologia constitui um projeto intelectual complexo, sendo 
o resultado de uma tentativa de compreensãode situações sociais radicalmente novas, 
na trajetória da ciência como tentativa de dialogar com a civilização em suas diferentes 
fases. Analise as asserções a seguir:
I) Os membros da sociedade podem ser de diferentes grupos étnicos, pertencer a 
diferentes classes e níveis sociais, ainda que tenham em comum a comunhão de in-
teresses entre os membros e o direcionamento em um objetivo comumente definido. 
II) A vida em sociedade é uma das tarefas mais importantes, referimo-nos às caracte-
rísticas intrínsecas de vida social, pois configura um modelo de sociabilidade, esta-
belecendo características do homem como ser social e as formas de poder que se 
colocam na cidade.
III) A sociedade refere-se à totalidade da vida social do ser humano, na qual fatores 
de hereditariedade influem tanto quanto os elementos culturais (conhecimentos, 
técnicas científicas, crenças, sistemas éticos e metafísicos) e as formas de expressão 
estética, que não são proporcionadas pelo meio em que está inserido.
É correto o que se afirma em:
a) A asserção I, apenas.
b) A asserção II, apenas.
c) A asserção III, apenas.
d) A asserção I e II.
e) As asserções II e III. 
7
Olá, aluno(a), seguindo a nossa conversa da disciplina de Arquitetura e Socieda-
de, chegamos em um momento de muita importância, falar sobre as questões 
sociais e ambientais no cenário brasileiro. Para isso, neste momento, abordare-
mos as questões sociais, inicialmente, e, na próxima unidade, fecharemos esta 
discussão, trazendo um olhar voltado às questões ambientais no Brasil. Vale 
ressaltar que essas questões caminham juntas e, por isso, às vezes, aparecem 
associadas. Nesta unidade, faremos uma breve contextualização, em busca de 
compreender o “início” das problematizações; reconhecer a sua historicidade 
e verificar conceitos importantes para estas discussões (como a urbanização, 
psicologia social, gestão pública, entre outros). Até aqui, o nosso diálogo esteve 
centralizado no reconhecimento da abordagem da arquitetura e do urbanismo 
e, principalmente, reconhecer os critérios e parâmetros do ambiente construído, 
seja ele a edificação, seja a cidade, e a caracterização da sociedade urbana, mas, 
agora, é chegado o momento de nos aprofundarmos na do Brasil e correlacio-
ná-la a nossa profissão. Iniciemos, então, os nossos estudos! 
As Questões Sociais no 
Brasil
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
DIÁRIO DE BORDO
136
UNICESUMAR
Antes de ser um espaço físico, o urbano é um espaço social, no qual vive uma sociedade, que tem necessi-
dades e anseios. Desse modo, este mesmo ambiente natural é modificado, alterado e construído, de acordo 
com quem o vivencia, isso fortalece a ideia de que o homem se transformou à medida que “edificou” o seu 
ambiente. Este homem é agente atuante neste processo, mas também possui direitos sobre esse espaço 
social. Você saberia dizer quais são esses direitos e deveres sociais? E no Brasil? Qual é essa realidade?
Para que se possa discutir a formatação do espaço físico e, consequentemente, da sociedade, é im-
portante tratar das condicionantes sociais e ambientais. Quando falamos das problematizações sociais, 
centramo-nos nas condições, nas características de formação social bem como na sua historicidade, 
que direta (ou indiretamente) traduz a uma avaliação moral e ideológica, apresentando o que não 
funciona dentro dos parâmetros mínimos de direito dos cidadãos. Para falar sobre “problemas” sociais, 
é necessário verificar se esses causaram alguma transformação no espaço; é preciso que sejam “vistos” 
e “percebidos” como problemas e, por fim, que tenham interpretações oficiais sobre cada questão, a 
exemplo, podemos trazer os problemas associados ao déficit habitacional. 
Falar destas questões é, essencialmente, refletir — enquanto cidadãos integrantes de uma socieda-
de, e, acima de tudo, enquanto profissionais, agentes atuantes em possibilidades de transformações e 
melhorias do espaço físico —, a partir dos “saberesAo caminhar pelas cidades brasileiras, certamente, 
você já se deparou com diferentes cenários que apresentam a precariedade das condições sociais e am-
bientais do país. Por vezes, não compreendemos a complexidade destas situações e, talvez, você tenha 
se questionado a respeito disso e das possíveis soluções a serem adotadas. Qual a forma de incorporar 
ações, como objeto de políticas públicas que visem às intervenções pontuais na sociedade? Como 
podemos compreender as políticas sociais na busca pelo desenvolvimento dos direitos civis, políticos 
e sociais e, consequentemente, a cidadania? Pensando nisso, liste algumas das políticas sociais da sua 
cidade, você conhece alguma estratégia? Faça as suas anotações em seu Diário de Bordo!
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UNIDADE 7
Podemos listar inúmeras características que evidenciam a “degradação”, seja ela social, seja ambiental. 
Falar sobre degradação social é se referir a uma barreira estabelecida ao cumprimento das condições de 
higiene, educação, saúde, trabalho, entre outros, ou seja, o não atendimento aos direitos do indivíduo. 
Isso pode ocasionar a fome, o aumento da criminalidade, da marginalidade e da violência na sociedade, 
além de grandes epidemias. Sobre a degradação ambiental, é necessário estabelecer o reconhecimento 
da deterioração do meio ambiente, por meio do esgotamento dos recursos e destruição do ecossistema, 
cabendo a alteração e perturbação do ambiente físico. Vamos tentar? Observe a imagem seguinte!
Figura 1 - Desigualdade Social: Construções
Nesta discussão, é importante pensar sobre alguns pontos-chave, vamos lá:
• Sobre a degradação ambiental, podemos destacar a ocupação das favelas, visto que uma par-
cela significativa dos assentamentos se localizam em áreas ambientalmente protegidas e/ou de 
alta complexidade de implantação. Dessa forma, essas habitações são inseridas em áreas sem 
infraestruturas e equipamentos urbanos, ou áreas de riscos, como as encostas, ou, até mesmo, 
áreas que não possam ser dotadas de condições mínimas de urbanização, entre outros.
Descrição da Imagem: na imagem, observa-se, em um primeiro plano, a ocupação por meio de unidades habitacionais 
que caracterizam uma favela e, ao fundo, em um segundo plano, a presença de edifícios verticais, que evidenciam a 
desigualdade e a disparidade habitacional.
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UNICESUMAR
• Sobre a degradação social, podemos destacar que as favelas resultam das desigualdades sociais, 
em que os cidadãos, que não têm acesso a habitações, estabelecem residência nas áreas inapro-
priadas e sem condições básicas. Na imagem anterior, ainda, apresenta-se a diferenciação das 
qualidades de edificações, favelas e habitações multifamiliares (ao fundo), representadas pelas 
torres de edifícios residenciais, representando o acesso ou a falta dele ao direito estabelecido na 
Constituição Brasileira quanto ao direito à moradia.
• Os problemas ambientais e sociais são indissociáveis e envolvem dimensões econômicas, polí-
ticas e culturais, nas diferentes escalas de produção e reprodução espacial. 
Esta prática de reflexão reitera a importância do profissional acerca das paisagens inseridas na nossa 
realidade cotidiana, que, por muitas vezes, passam despercebidas aos nossos olhares. É nossa responsa-
bilidade refinar o nosso olhar e fomentar as nossas discussões projetuais. A responsabilidade social do 
profissional arquiteto e urbanista é levar em consideração, em seu processo de criação, o planejamento 
e a reorganização dos espaços físicos e sociais. Dessa maneira, apresentamos um papel fundamental 
na concretização de ideias, valores sociais, equidades e qualidade de vida. Pense nisso! 
Sob uma visão global da dinâmica urbana e seus efeitos, define-se as cidades como organismos 
mutantes que se modificam pelas ações das atividades diárias dos indivíduos, que se apropriam do 
espaço e interagem com ele. Assim, começam a surgir os problemas no espaço. Como vimos ante-
riormente, estas questões são decorrentes de um processo complexo nomeado de urbanização, que 
podemosdefinir como a transformação e disseminação populacional na área urbana, falando sobre o 
crescimento da população das cidades e extensão territorial das mesmas, que associa este fenômeno, 
primordialmente, à industrialização e ao capitalismo. 
A “urbanização” é um fenômeno de transformação de um ambiente 
predominantemente rural em urbano. Este processo está intima-
mente associado ao desenvolvimento da sociedade. Vale a pena 
conversarmos a respeito deste conceito e a sua importância! Dê o 
play no nosso Podcast e vamos investigar esta grandeza essencial à 
compreensão da arquitetura e do urbanismo!
Historicamente, no Brasil, alguns momentos são essenciais à caracterização do processo de urbanização, 
no século XVI, nomeado do “Ciclo da Cana-de-Açúcar”. Foi um período importante para a história do 
Brasil Colônia, que se refere à exploração portuguesa da riqueza agrícola e industrial, o açúcar, além 
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UNIDADE 7
da atividade extrativista madeireira da espécie pau-brasil, no litoral nordestino. Com isso, deu-se a 
fixação nos territórios litorâneos, formando, assim, os primeiros centros urbanos e a sua ocupação em 
direção ao interior do sertão nordestino, devido às atividades pecuárias. Isso promoveu o povoamento 
destas regiões bem como os núcleos urbanos.
No século XVII, período denominado “Ciclo do Ouro”, ocorriam as expedições em busca de ouro e 
pedras preciosas, no interior do território norte e nordeste. Desta forma, os núcleos urbanos começa-
ram a se direcionar ao longo dos rios com as atividades extrativistas, ainda, sem interferência no meio 
natural. Nesse sentido, tratou-se de um momento importante para a ocupação do território mineiro. 
Neste momento, com a descoberta de diamantes em Minas Gerais e intensificação da ocupação do 
território e atividades de exportação, São Paulo torna-se o “centro de exportação” e, assim, inicia-se a 
implementação de políticas migratórias, que promoveram a ocupação do território sul por imigrantes, 
fomentando a formação de pequenos núcleos urbanos.
No século XIX, nomeado de “Ciclo do Café”, com o enfraquecimento da mineração, ocupação do Rio 
de Janeiro e São Paulo bem como o grande fluxo de movimentos migratórios, auxiliados pelo incentivo 
à mobilidade urbana, por meio de construções de estradas de ferro, iniciou-se o processo de urbanização 
na região sudeste, a urbanização efetiva dos grandes centros, associados ao progresso e à modernização 
destas áreas. Neste momento, São Paulo foi nomeado como centro articulador técnico, financeiro e mer-
cantil do café, e iniciou-se o processo de melhorias urbanas, por meio de aberturas e pavimentação de 
vias, demolição de prédios coloniais e cortiços e marcou o início das obras de saneamento.
Chegamos ao século XX, e a migração campo-cidade, ainda, é contínua. Com isso, o agravamento 
dos “problemas urbanos”, visto que os centros urbanos entram em colapso sanitário, no entanto, mais 
tarde, têm-se melhorias promovidas por meio de construções de cemitérios, obras de esgoto e drenagem 
urbana. Neste momento, fala-se sobre as cidades industriais. Ou seja, no Brasil, Faria (2018) coloca que 
o processo de urbanização, no território brasileiro, iniciou-se, de maneira mais concreta, a partir do final 
do século XIX, com o início gradativo da industrialização no país. Foi, porém, após os anos de 1930, 
que a presença das indústrias se tornou mais significativa, e a urbanização começou a intensificar-se. 
A segunda metade do século XX serviu de incremento, graças ao intenso êxodo rural, ocasionado pela 
mecanização das atividades produtivas no meio rural, o que gerou um maior desemprego no campo 
e a grande leva de migrantes em direção às principais cidades do Brasil.
Ao chegar no século XXI, deparamo-nos com desafios dos ambientes modificados decorrentes da 
urbanização. Isso gerou a necessidade de promover melhorias nestes espaços, visto que as questões 
ambientais e sociais têm sido cada vez mais discutidas, em busca de soluções que visem a qualidade dos 
espaços. Neste panorama, evidencia-se que a formação e o desenvolvimento das cidades configuram-se 
como desafios, à medida que a malha urbana cresce, a demanda por infraestrutura aumenta e, com 
isso, alguns problemas são comuns a todo o tipo de sociedade. A exemplo, Cassilha e Cassilha (2009) 
coloca que a ausência de planejamento e organização nas cidades resultam em, por exemplo, violência 
no trânsito, pobreza, contraste social, segregação, degradação ambiental, enchentes, desmoronamento 
de terras, poluição das águas, entre outros. 
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UNICESUMAR
De modo geral, a população tem grande responsabilidade por estas questões. A mais carente possui 
uma parcela maior de responsabilidade pela degradação do meio ambiente e, também, a que mais sofre 
diretamente com os efeitos negativos dessa degradação. Outra questão relaciona-se à disposição final 
do lixo, que despejado em local indevido, pode contaminar o solo, causar problemas nas nascentes 
dos rios, possibilitando enchentes e desmoronamentos. O aumento da poluição atmosférica, por sua 
vez, reduz a vida útil das pavimentações.
Assim dizendo, uma cidade, independentemente de sua dimensão e localização geográfica, precisa 
considerar as questões que envolvem as necessidades básicas da população, tais como: coleta de lixo, 
abastecimento de água, promoção de espaços de lazer, entre outros, ou seja, a cidade precisa ser viven-
ciada por sua sociedade de modo organizado. 
 “
A casa, a rua, a cidade, são pontos de aplicação do trabalho humano; devem estar em 
ordem, senão se opõem aos princípios fundamentais que temos como eixo; e, desordem, 
nos fazem frente, nos tratavam, como nos trava a natureza, ambiente que combatemos 
todos os dias (CORBUSIER, 2004, p. 19).
Desta forma, as questões ambientais e sociais estão diretamente associadas à gestão da cidade, para que 
busque o controle das diversas atividades e transformações que ocorrem no espaço urbano, respei-
tando os limites do meio de sustentação natural, ou seja, a ideia é que a gestão urbana estabeleça um 
conjunto de instrumentos, principalmente, quanto à legislação urbanística básica de uso e ocupação 
do solo, atividades, tarefas, entre outros. Essa gestão deve estar baseada nos princípios de eficiência, 
eficácia, economicidade e equidade, procurando assegurar que com o crescimento populacional seja 
acompanhado por acesso à infraestrutura, habitação e emprego (CASSILHA; CASSILHA, 2009).
De acordo com Pires (1988), a gestão da cidade e/ou gestão urbana é um processo de concep-
ção, decisão, intervenção, mediação que se desenvolve no espaço em função do conflito entre 
os diferentes atores sociais. A gestão urbana configura ou condensa, material e historicamente, 
as relações de forças dos grupos sociais representados politicamente no Estado e estabelecidos 
economicamente no espaço. 
Outro ponto essencial desta discussão referencia-se às funções sociais da cidade, de acordo com a 
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, artigo 182, do Capítulo II – Da Política Urbana: 
141
UNIDADE 7
 “
Art. 182. A política de desenvolvimento urba-
no, executada pelo poder público municipal, 
conforme diretrizes gerais fixadas em lei, tem 
por objetivo ordenar o pleno desenvolvimen-
to das funções sociais da cidade e garantir o 
bem-estar de seus habitantes.
Portento, as quatro funções sociais da cidade são: habitação, tra-
balho, circulação e recreação, e este é o modelo que influenciou a 
cidade moderna, planejada com funções delimitadas em seu espaço 
físico-territorial (MEIRELLES, 2002). 
Para Bernardi (2006), o trabalho e/ou ambiente de trabalho 
é uma atividade fundamental para a sustentação da econômica, 
para que se possa manter o organismo vivo, funcionando, e, des-
ta forma, estabelece-se o trabalho como modo de organização e 
distribuição no ambiente urbano e que se altera com o passar do 
tempo, tornando-se assim uma função e um direito social. Quanto 
à habitação,ela é caracterizada pelo acesso à moradia digna a to-
dos os habitantes. Para o lazer, os espaços de recreação, encontro 
e contato social são importantes para a realização integral do ser 
humano, devendo ser acessível a todos os segmentos sociais. E, 
por fim, a circulação, também nomeada de mobilidade urbana, 
representa o processo integrado dos fluxos de pessoas, bens e 
diferentes formas de deslocamento, dentro do ambiente urbano. 
Em complementação a esta discussão, Neiva e Torres (2011) 
relatam que o termo Psicologia Social foi definido, pela primeira 
vez, em 1908, quando se discutia o limite da sociologia e da psico-
logia bem como o indivíduo e a sociedade, adquirindo o status de 
uma disciplina independente e moderna, que alimentava os estu-
dos das uniformidades de pensamentos, crenças e ações decorrente 
da interação entre os usuários do espaço. Sobre uma vertente mais 
contemporânea, apresenta-se a Psicologia Social, quanto a colocar o 
indivíduo no centro das principais perspectivas, em busca de uma 
ciência empírica, que visa a explicar o comportamento e suas nuances. 
A Psicologia Social é caracterizada pela pluralidade e multipli-
cidade de abordagens teóricas adotadas como referenciais autên-
ticos à produção de ciências sociopsicológicas. Tal contexto tem 
dificultado sobremaneira a delimitação do objeto de estudo ou 
mesmo dos vários objetos de estudo dessa disciplina. Contudo o 
142
UNICESUMAR
binômio indivíduo-sociedade, isto é, o estudo das relações que os indivíduos mantêm entre si e com 
a sua sociedade ou cultura, sempre, esteve no centro das preocupações dos psicólogos sociais, com o 
pendente oscilando ora para um lado, ora para o outro (YAMAMOTO; OLIVEIRA, 2010). 
Por consequência, podemos dizer que a Psicologia Social estuda os indivíduos, seus comporta-
mentos nos diferentes contextos em que estão inseridos e nas diferentes fases de sua vida. A partir do 
momento que o sujeito se insere em um local, que contempla uma sociedade, esta disciplina, portanto, 
estabelecerá as relações e conexões entre sociedade e sujeito, atuando nestas influências e no modo de 
construir essa sociedade, a partir do indivíduo e suas relações. 
Nesta conjuntura, o processo de adquirir conhecimentos associa-se, segundo Carlston (2010), à 
cognição social, que, dentro da Psicologia Social, é vista atualmente como um campo da Psicologia. Ela 
é responsável por integrar uma série de pequenas teorias, estas, ao longo do tempo, desenvolveram-
-se no contexto da Psicologia Social para apresentar as condutas das pessoas; a forma como pensam 
sobre si mesmas e sobre as coisas; as impressões acerca das outras pessoas ou grupos sociais e, ainda, 
evidenciar comportamentos.
Ao considerar a atenção, a percepção, a memória e o julgamento como diferentes etapas 
do processamento cognitivo, define-se a cognição social como o estudo das representações 
mentais e dos mecanismos que se encontram tácitos ao processamento da informação social, 
a partir dos modos pelos quais as impressões, crenças e cognições sobre os estímulos sociais 
são formadas e afetam o comportamento.
Há, também, a discussão acerca da neurociência social, que surge pelo interesse de investigar relações 
entre a cognição social e as funções do cérebro, buscando compreender o desempenho das estruturas 
neurais no processamento das informações sociais (ADOLPHS; DAMÁSIO, 2001). Deste modo, a 
neurociência social pode ser vista como um campo de investigação na área da Psicologia Social, que 
pode contribuir para a compreensão do comportamento social, atuando como uma perspectiva com-
plementar a outras investigações da conduta social. 
É hora de falar sobre a importância de prever e organizar as condições de saneamento básico, 
pavimentação, energia elétrica. O conceito de planejamento urbano é bastante abstrato, mas a sua 
abrangência associa-se ao ato de planejar, organizar as tarefas e ações da sociedade, utilizando os mé-
todos práticos que visam a meios e aspectos reais, em busca do desenvolvimento de uma sociedade 
sustentável e qualitativa.
143
UNIDADE 7
Hall (1998) reitera a necessidade de planejar uma área e encoraja-nos a organizar os sítios e recur-
sos para que possam ser desenvolvidos corretamente, e a população, por sua vez, seja organizada e 
distribuída de modo que utilize os espaços e recursos de forma consciente e não destrua as vantagens 
naturais do lugar. Assim, o planejamento incorpora a população, a natureza e a sociedade como uma 
única unidade. Kerbauy (2002) complementa esta ideia e coloca que o planejamento urbano é o pro-
cesso de pensamento, de método de trabalho e meio para propiciar o melhor uso da inteligência e das 
capacidades do ser humano para benefício próprio e social. 
As decisões de planejamento são tomadas a todo o tempo, e, ainda que seja um processo não físico, 
trata-se dos problemas da cidade, de modo global, levando em conta o uso e a ocupação do solo urba-
no, em relação à qualidade de vida dos cidadãos. O poder público, neste contexto, busca disciplinar e 
acompanhar o processo, considerando os insumos físicos, recursos e infraestrutura. 
O planejamento urbano determina o ritmo e a dinâmica do funcionamento da cidade, visto que as 
percepções e muitas das decisões que tomamos, no dia a dia, são afeiçoadas por ferramentas e normas 
registradas em documentos. Estes documentos são estruturados de modo participativo e inclusivo, consi-
derando os utensílios que associam o transporte coletivo, distribuição de serviços, diferentes centralidades 
e densidade populacional. Então, teremos uma cidade direcionada ao desenvolvimento sustentável.
Saímos, agora, das condições que envolvem o planejamento urbano e direcionamos a nossa conversa 
às questões sociais. É importante, portanto, que contextualizemos o surgimento dessas questões. Para 
conceitualizar políticas sociais, Senne (2017) coloca que o capitalismo é o marco desta discussão, uma 
vez que as políticas sociais se iniciaram a partir das mobilizações da classe operária, advinda da Revo-
lução Industrial no século XIX. Desse modo, elas são compreendidas como estratégias de influência 
do governo nas relações sociais bem como estratégia entre instâncias conflitivas. E com o processo de 
globalização, têm-se diferentes seções da sociedade, movimentando-se para reorganização e reorde-
nação social, cultural e institucional, subordinadas, em linhas gerais, à economia. 
Em outras palavras, a política social possui formações econômico-sociais de ação e controle sobre 
as necessidades sociais básicas da sociedade, buscando a mediação entre as necessidades de valori-
zação e acumulação do capital e as necessidades de manutenção da força de trabalho disponível para 
o mesmo. As questões sociais, porém, não estão associadas, exclusivamente, à distribuição de renda, 
mas estão ligadas, também, à distribuição dos meios de produção, em busca de reconhecer os direitos, 
respondendo às demandas da classe trabalhadora com a implantação das políticas sociais. 
Visando a compreender o contexto em que o Brasil se encontra, quanto às suas questões sociais, 
podemos estabelecer uma relação prática de que a política social brasileira tem caráter fragmentário, 
setorial e emergencial, buscando atender às reivindicações, algumas vezes, da sociedade. Para Faleiros 
(2000), as questões sociais estarão sempre associadas aos níveis da economia e política do país, atuando 
como instrumento de garantia dos direitos do cidadão. 
144
UNICESUMAR
A fome no Brasil chegou a 10,3 milhões de pessoas. Destas, 7,7 milhões são moradoras da área urba-
na, e 2,6 milhões da área rural, dados estes atualizados em setembro de 2020 pelo POF (Pesquisa de 
Orçamentos Familiares) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O contexto do país 
se agravou devido à insegurança alimentar, isto é, quando há preocupações com acesso a alimentos, 
apresentando queda na qualidade da alimentação, ou quantidade restrita de alimentos, ou, ainda, pela 
privaçãosevera no acesso aos alimentos. 
O direito à alimentação adequada é incluído na Constituição do Brasil, que consiste no acesso físico 
e econômico de todas as pessoas aos alimentos e aos recursos, como emprego ou terra, para garantir 
esse acesso de modo contínuo. Esse direito inclui a água e as suas diversas formas de acesso, na sua 
compreensão e realização. Ao afirmar que a alimentação deve ser adequada, entende-se que ela seja 
adequada ao contexto e às condições culturais, sociais, econômicas, climáticas e ecológicas de cada 
pessoa, etnia, cultura ou grupo social (LEÃO; RECINE, 2011). 
Para chegar até aqui, há uma sucessão de causas que podem culminar na ausência de condições 
econômicas, como: ausência da família, desemprego, empobrecimento da população, sociedade pre-
coce, falta de moradia, falta de saúde e saneamento básico, falta de oportunidades e educação, entre 
outros. Melhor dizendo, é correto afirmar que, em cenários de crise econômica e política, há problemas 
estruturais que podem colocar em risco a vida dos cidadãos, ou seja, falar sobre as questões sociais é 
trazer à tona discussões que envolvem a política, no entanto não nos aprofundaremos nestas questões.
O importante, aqui, é ter a ciência do alcance das demandas sociais e compreender que, no Brasil, 
há um déficit substancial de atendimento ao direito dos cidadãos, ainda que seja associado às necessi-
dades básicas dos indivíduos. Claro, esses problemas têm origem na nossa história, em outros termos, 
145
UNIDADE 7
os impasses que enfrentamos se originam na ação humana, o que nos conforta é que essa mesma ação 
é capaz de reverter, ainda que não imediatamente, este cenário e, assim, nasce as políticas sociais.
Sob um olhar complexo, Yazbek (2000) coloca que as questões sociais são definidas e redefinidas, 
mas permanecem na mesma dimensão estrutural, ao lado de uma manutenção da política econômica, 
de acordo com a orientação dos organismos financeiros e o aprofundamento das condições de trabalho 
e vida da maioria da população, buscando estabelecer estratégias para garantir o atendimento às lutas 
e reivindicações das diferentes classes sociais, em uma tentativa de institucionalizar o conflito social. 
E, por fim, não menos importante, é essencial que consigamos distinguir que as questões sociais não 
são exclusivamente definidas pela distribuição de renda, mas sim pelo complexo cenário que envolve 
as produções e as relações entre as classes sociais. 
Nesse sentido, a política social tem como objetivo o bem-estar dos habitantes da cidade, buscando 
desempenhar o estilo das classes sociais, ou seja, uma política que responde às instâncias políticas e 
econômicas, que possui os próprios desenvolvimentos econômico-sociais capitalistas contemporâneos.
Entre os grandes problemas sociais brasileiros, destacam-se a violência e a criminalidade. Elas 
se tornaram uma “questão pública” e, nesta sociedade, estão relacionadas às frequentes imagens e 
representações nas mídias, como se houvesse uma espécie de aderência natural a estas questões. Em 
concordância, Chesnais (1999) já evidenciava que, no Brasil, a violência, sobretudo urbana, é ameaça-
dora, recorrente e geradora de um profundo sentimento de insegurança. Essa evolução é sintoma de 
uma desintegração social, de um mal-estar coletivo e de um desregramento das instituições públicas.
146
UNICESUMAR
Outra questão refere-se ao déficit habitacional. 
Segundo Noal e Janczura (2011), a falta de pla-
nejamento e a ausência completa de uma política 
habitacional fizeram com que as favelas e os cor-
tiços se alastrassem nos centros urbanos. No en-
tanto, embora a produção habitacional tenha sido 
significativa, ela não foi suficiente para atender as 
demandas inseridas na segunda metade do século 
XX. Além disso, é importante destacar a questão do 
déficit qualitativo, constituído por moradias que 
apresentam deficiências no acesso à infraestrutura 
ou adensamento excessivo. Fala-se desta forma dos 
cidadãos que não precisam de uma nova habitação, 
mas que precisam de intervenções que garantam 
condições dignas para sua habitação.
Para as questões de saneamento e saúde, Heller 
(1997) enfatiza que a ausência de instrumentos de 
planejamento de saúde pública estabelece uma 
estreita relação com as condições de saneamen-
to. Parte desta discussão é referida à contamina-
ção do ambiente e ao esgotamento dos recursos 
naturais, ou seja, a falta de condições básicas 
de saneamento. Tem-se, ainda, negligenciado a 
abordagem ambiental que visa a motivar não só 
a saúde humana, mas também a conservação do 
meio físico natural.
Na perspectiva das ciências sociais não é pos-
sível apartar a sociedade e o seu meio ambiente, 
em busca de refletir sobre um mundo material 
composto por diferentes significados e elemen-
tos. Desta forma, daremos sequência na nossa 
conversa, trazendo as questões ambientais na 
próxima unidade, As Questões Ambientais no 
Brasil. Há diferentes estudos que envolvem as 
políticas sociais no Brasil, mas traremos a discus-
são que interfere diretamente na nossa atuação 
profissional, pois é essencial que reconheçamos 
as ações governamentais que envolvem a política 
habitacional no Brasil.
147
UNIDADE 7
O panorama da habitação no contexto brasileiro, ainda, é um problema ativo, relacionado às questões 
sociais, econômicas e, até mesmo, ambientais. Estas têm tem um impacto significativo na morfologia 
do espaço urbano. Historicamente, pode-se associar a formação deste cenário a partir do processo de 
urbanização, que, sem planejamento, eclodiu na formação de diferentes classes sociais e, consequen-
temente, no desfavorecimento de parte da sociedade, denominada de população de baixa renda. 
Como vimos anteriormente, as favelas são elementos presentes nas diversas cidades brasileiras; 
este processo de favelização é decorrente das desigualdades sociais, haja vista o grande número de 
cidadãos que vivem em condições precárias. Este processo é resultado da falta de possibilidade das 
pessoas de baixa renda, em comprar ou alugar um imóvel; por isso, ocupam áreas inadequadas, muitas 
vezes, que acabam esbarrando na depreciação ambiental, por se tratar de locais de encostas, morros, 
entre outros. Veja estes exemplos! 
Figura 2 - Favela da Rocinha, Rio de Janeiro, RJ
A Figura 2 relata um recorte da Favela da Rocinha no Rio de Janeiro, localizada na zona sul do municí-
pio; é uma das maiores favelas do Brasil pela sua densidade populacional. É alvo de grandes discussões 
e estudos, por se tratar de uma comunidade em estado de vulnerabilidade, e a ausência das ações do 
poder público, que impactam não só na infraestrutura básica, associada à água, energia elétrica, esgoto 
e habitações, mas também nas questões relacionadas à degradação das áreas verdes e, principalmente, 
nas questões epidemiológicas. 
Descrição da Imagem: a imagem refere-se a um recorte da Favela da Rocinha, a sobreposição das casas e a ausência 
da morfologia urbana. 
148
UNICESUMAR
Figura 3 - Favela Bahia, em Salvador, na Bahia
A Figura 3 refere-se à Favela Bahia, em Salvador, que segundo dados do IBGE em 2019, quatro em cada 
dez residências no município estão localizadas em favelas ou em aglomerados subnormais, o que representa 
cerca de 40% da população sem acesso às condições qualitativas de moradias, falando das questões que 
envolvem a inadequação de abastecimento de água, fornecimento de energia, coleta de lixo, destinação 
de esgoto, restrição de ocupação do solo, existência de padrão irregular de ocupação urbana. 
Nesses exemplos, apresentam-se o panorama em que o Brasil se instala. Em grande parte das cidades, 
é visível a presença de moradias precárias, ainda, que, por vezes, haja a atuação das ações do governo 
em promover (ou buscar promover) melhorias e acesso a estas populações, mas ainda estamos longe 
de cumprir a nossa responsabilidade e, assim, sair deste panorama excludente, que marginaliza um 
grupo social desfavorecido. Não falamos, apenas, da ausênciade infraestrutura básica, mas também 
da falta de suporte dos equipamentos urbanos, como escolas, postos de saúde, segurança, além de falar 
das oportunidades de emprego. 
É válido destacar, em paralelo a esta discussão das políticas habitacionais, que os problemas 
sociais, originados pela desigualdade social, e que impedem o desenvolvimento da sociedade são: 
o desemprego (associado à incapacidade de absorver a mão de obra, além da falta de investimentos 
Descrição da Imagem: a imagem refere-se a um recorte da Favela de Bahia, quanto à ocupação da encosta e as 
sobreposições de casas irregulares próximo ao mar. 
149
UNIDADE 7
públicos que capacitem a população trabalhadora para empregá-la), a fome, a educação básica (re-
lacionada à falta de investimento do Estado, não permitindo à população acesso aos seus direitos 
educacionais), entre outros parâmetros. 
Retomando a questão das políticas habitacionais, destacam-se as ações atuantes diante das favelas. 
Entre alguns exemplos de atuação, organizam-se as atividades em propostas, visando à melhora da qua-
lidade de vida desta população. A primeira proposta traz a ideia da remoção da favela e da realocação 
destes usuários, no entanto estes núcleos eram direcionados às áreas periféricas e distantes da cidade, 
isso dificultou a mobilidade urbana desta população, onerou seus custos e inviabilizou esta ação, a qual 
promove o incentivo para que os usuários tomem posse novamente das favelas, ou seja, verificou-se 
que esta seria uma tomada de decisão exclusiva para situações emergenciais ou para áreas de risco. 
A segunda proposta olha para esta área da favela e ambiciona a urbanização dela, ou seja, que, em um 
primeiro momento, realiza-se o diagnóstico do espaço e, posteriormente, atue-se com a regularização 
fundiária, inserindo esta população em um contexto de cidade, transformando-as em bairros com as 
infraestruturas básicas, como: rede de água e esgoto, drenagem de águas pluviais, execução de obras 
para eliminação das áreas de risco, iluminação pública, áreas de lazer e paisagismo e, por fim, ações de 
educação ambiental e acompanhamento social junto à população, entre outros. 
Nesse contexto, assume-se a importância de refletir acerca dos aspectos que compõem o espaço ur-
bano, as inter-relações com os indicadores sociais e ambientais e, desta forma, falar sobre os fatores que 
incidem na qualidade destes espaços. Tais definições exigem o estabelecimento de tomadas de decisões 
políticas e programáticas dos governos, buscando estabelecer melhores condições de vida à sociedade. 
Neste panorama em que inserimos as realidades políticas e ambientais, é essencial que possamos parar 
e refletir acerca de um estudo de caso real, que envolve estas duas condicionantes. Nosso estudo de hoje é 
a Favela da Bacia de Guarapiranga, que constitui um dos principais mananciais da região metropolitana 
de São Paulo, além de falarmos sobre uma área de proteção ambiental, devido à presença de mananciais. 
A represa de Guarapiranga é responsável pelo abastecimento de água de um percentual elevado 
da população da região metropolitana de São Paulo, além de falar sobre as suas características de área 
de proteção vegetal e animal, que é agente atenuador das temperaturas e da qualidade do ar na região. 
No entanto a sua bacia sofreu por um processo de invasão habitacional e deu-se a formação de fave-
las. Desta forma, a qualidade da água é comprometida pelo lançamento de esgoto nos corpos d’água; 
além de destacar que a área ocupada por barracos e construções ilegais reduziu, significativamente, a 
permeabilidade do solo. Não se permite, por isso, que as chuvas façam o seu trajeto natural (penetração 
no solo e escoamento até as represas), ocasionando, assim, enchentes na região. 
Podemos elencar outros problemas recorrentes a esta ocupação irregular, como a questão dos lixos, 
que são depositados a céu aberto e, desta forma, contaminam o solo, chegando até os lençóis freáticos, 
bem como o desmatamento das áreas verdes, que ocasionam incêndios e deslizamentos de terra, entre 
outros. E desta forma, compreende-se que a falta de infraestrutura básica adequada e o adensamento 
da população, em áreas de risco, vêm transformando a paisagem do local. 
150
UNICESUMAR
Hoje, na Represa Guarapiranga, a qualidade e a quantidade de água estão comprometidas, devido ao 
adensamento populacional, além da poluição das águas pelo despejo de esgoto, aumento da erosão do 
solo pela perda de revestimento vegetal e assoreamento dos mananciais (CAPELA DO SOCORRO, 2008). 
É importante ressaltar que, antes mesmo das ocupações irregulares, a região já era protegida pela 
Legislação de Proteção aos Mananciais, que regulamenta o uso do solo na Bacia e auxilia a conter o 
processo de ocupação da região. Isso evidencia uma ação governamental, que vem como resposta ao 
estabelecimento dos parâmetros, com a finalidade de preservar ou tentar preservar os mananciais e 
garantir a produção de água necessária para o abastecimento e consumo da população. 
Estas áreas de preservação e recuperação dos mananciais (APRM) são classificadas em três 
tipos: (I) áreas de restrição à ocupação: além da definição apresentada, pela Constituição do Estado 
e por lei, como áreas de preservação permanente, elas se caracterizam pelo interesse de proteção aos 
mananciais, preservação, conservação e recuperação dos recursos naturais; (II) áreas de ocupação 
dirigida: destinam-se à consolidação ou implantação de usos rurais e urbanos, desde que atendi-
dos os requisitos que garantam a manutenção das condições ambientais necessárias à produção 
de água, em quantidade e qualidade para o abastecimento das populações atuais e futuras, e, por 
fim, (III) áreas de recuperação ambiental: aquelas cujos usos e ocupações comprometam a fluidez, 
potabilidade, quantidade e qualidade dos mananciais de abastecimento público e que necessitem de 
intervenção, com caráter corretivo.
A partir destas classificações, definem-se os instrumentos de planejamento e gestão a serem apli-
cados, buscando a interação e intervenção que possibilite a melhoria dos fatores sociais, ambientais, 
políticos e econômicos da região: 
• Áreas de intervenção, respectivas diretrizes e normas ambientais e urbanísticas de interesse regional. 
• Normas para implantação de infraestrutura sanitária.
• Mecanismos de compensação financeira aos Municípios. 
• Plano de Desenvolvimento e Proteção Ambiental.
• Controle das atividades potencialmente degradadoras do meio ambiente, capazes de afetar 
os mananciais. 
• Sistema Gerencial de Informações. 
• Imposição de penalidades por infrações às disposições desta lei e das leis específicas de cada APRM.
https://www.infoescola.com/ecologia/recuperacao-ambiental/
151
UNIDADE 7
Para Baltrusis e Ancona (2006), as atividades realizadas para a urbanização da área são:
• Melhoria da iluminação pública: esta infraestrutura não existia nas áreas da favela e, se existia, 
era precária, não atendendo a demanda da população.
• Melhoria no serviço de abastecimento de água: ainda que haja um reajuste de valores das con-
tas de água, relata-se o término do rodízio para utilização da água e o acesso e a melhoria da 
qualidade da água.
• Captação de esgoto: com a provisão da canalização do esgoto, isolou-se o esgoto a céu aberto 
em direção ao córrego, e uma das melhorias refere-se à redução de ratos.
• Coleta de lixo: realização da coleta de lixo três vezes durante a semana, reduziu o número de 
moradores que jogam lixo nas ruas e nos córregos, provocando alagamentos em alguns pontos.
• Asfaltamento: melhorou a qualidade das vias de acesso e a circulação no bairro.
• Construção de vielas, escadas, calçadas, canalização dos córregos. 
Falar das ações que têm como objeto de estudo a sociedade e o comportamento dos que a compõem, 
a partir do estudo das manifestações sociais, ainda que simbolicamente, é tratar da disciplina de 
Ciências Sociais. As ciências sociais são uma ampla área de estudos centralizadano entendimento do 
funcionamento, desenvolvimento e organização das sociedades, que trabalham com a investigação e 
a pesquisa dos diferentes critérios relacionados ao comportamento humano, considerando-os, ainda, 
como influenciadores da estrutura de uma sociedade e da história do lugar. 
Além disso, as Ciências Sociais se dedicam a estudar as origens históricas e as memórias da sociedade, 
em processos centralizados no comportamento humano e que influenciam e particularizam cada uma 
das sociedades, devido aos seus acontecimentos sociais, identidade e hábitos culturais e econômicos, 
entre outros. E, por essa razão, sabe-se que é necessário abordar três pilares essenciais, os quais buscam 
compreender os diferentes aspectos sociais dentro de um determinado contexto social: antropologia, 
sociologia e ciências políticas. 
Assim, observa-se a importância desta compreensão associada à orientação e melhor funcionamento 
de uma determinada sociedade, interpretando as realidades sociais que existem e buscando definir os 
valores sociais e morais que compõem um determinado contexto social. Inserido neste contexto, para nos 
aprofundarmos em nosso estudo, é essencial que compreendamos a conceituação do termo política social. 
Ao buscarmos a essência dessas questões, conceituaremos o termo política, que também deve ser 
trazido, em busca do nosso reconhecimento. Desta forma, defende-se que a política é utilizada por 
diferentes áreas que buscam a compreensão das suas perspectivas de atuação, por vezes, autores trarão o 
termo associado a “governamentalidade” que se desenvolvem com o objetivo de conhecer e estabelecer 
condições para a vida da população, ou seja, traz a discussão às diferentes práticas, que possibilitam 
melhor qualidade de vida para a sociedade. 
152
UNICESUMAR
Chegamos, então, ao conceito de políticas so-
ciais, tal abordagem fala sobre as ações que são 
desenvolvidas para a proteção da sociedade de 
determinado local, ou seja, são políticas públicas 
destinadas ao cuidado da população, visando a 
seu bem-estar, centralizada no objetivo de reduzir 
a desigualdade social, e a acessibilidade de todas 
as camadas sociais às ações de: habitação, empre-
go, saúde, saneamento básico, educação, estrutura 
fundiária e seguridade social, principalmente. 
Nesta breve introdução, é possível reconhecer 
que existe dificuldade em conceituar este termo, 
haja vista a sua amplitude e o seu alcance. Isto se dá 
pela sua ação plural de intervenções, nos diferentes 
campos, que compõem uma sociedade, e, ainda, 
com o passar do tempo, sofreram variações, sendo 
importante, portanto, reconhecer o termo “social”. 
A Governamentalidade refere-se ao conjunto constituído pelas instituições, os procedimentos, 
análises e reflexões, os cálculos e as táticas que permitem exercer essa forma bem específica, 
embora muito complexa, de poder que tem por alvo principal a população, por principal forma 
de saber a economia política e por instrumento técnico essencial os dispositivos de segurança. 
Em segundo lugar, é entendido como a tendência, a linha de força que, em todo o Ocidente, não 
parou de conduzir, e desde há muito, para a preeminência desse tipo de poder que podemos 
chamar de “governo” sobre todos os outros — soberania, disciplina — e que trouxe, por um 
lado, o desenvolvimento de toda uma série de aparelhos específicos de governo, e, por outro, 
o desenvolvimento de toda uma série de saberes.
Fonte: adaptado de Foucault (2008, p. 143-144).
153
UNIDADE 7
Falar sobre as políticas sociais é compreender que se trata de um termo vago, que não tem significa-
do único, pois, em princípio, todos os tipos de políticas públicas podem ser considerados, direta ou 
indiretamente, como políticas sociais (CARVALHO, 2007). Ou seja, trata-se das ações que organizam 
as decisões táticas que objetivam o princípio de justiça consistente e coerente. Sendo assim, a política 
social é, em realidade, uma ordem superior, metapolítica que justifica o ordenamento de quaisquer 
outras políticas. No entanto esta atividade refere-se a um conceito transversal, que tem como objetivo 
tratar as atividades do governo em uma ação setorial e conjuntural, ou seja, centralizado na melhoria 
de condições de vida da população. 
Para Alves (2018), as políticas sociais são associadas aos esforços para modificar o direito estabele-
cido em direitos sociais reconhecidos, efetivados e protegidos por meio da criação de uma engenharia 
institucional, capaz de financiar e desenvolver diferentes ações sociais, por meio das políticas públicas 
sociais, a partir de políticas setoriais. E, neste contexto, destacam-se no período algumas políticas 
transversais ou integradas, como as ações afirmativas voltadas para a igualdade racial e de gênero, e 
políticas voltadas para segmentos específicos, entre outros. 
Para Zambello (2016), analisar políticas sociais é associar o lugar que elas ocupam enquanto po-
tencial de resultados, ou seja, políticas de proteção social e políticas orientadas à promoção social. Em 
consonância com esta discussão, Oliveira (2016) apresenta uma discussão do ponto de vista teórico 
do papel das instituições, no desenvolvimento econômico, a partir do potencial de atuação nos com-
portamentos sociais que estimulariam o crescimento econômico e a modernização da sociedade, ou 
seja, propõe a importância de atuação em conjunto dos diversos campos que constituem as ciências 
sociais para uma melhor compreensão do fenômeno social, dentro de um determinado espaço. 
A política social é uma política, própria das formações econômico-sociais capitalistas contempo-
râneas, de ação e controle sobre as necessidades sociais básicas das pessoas não satisfeitas pelo modo 
No dicionário Michaelis, o termo social é definido por relativo ou pertencente à sociedade 
humana, considerada entidade dividida em classes, segundo a posição na escala convencional. 
Ou, relativo à organização e ao comportamento do homem na sociedade ou comunidade. Tra-
zendo para a discussão da Psicologia, o conceito de social, definido pela ocorrência de regulação 
entre os membros de uma espécie, é suficientemente amplo e preciso para servir de ponto 
de partida deste exercício. A sociabilidade fica entendida, a partir dela, como a propriedade 
que tem certos organismos de regulagem e são regulados pelos seus co-específicos. Como 
outras propriedades dos organismos, a sociabilidade tem características e funções específicas 
da espécie, e é parte da sua organização física e psicológica.
Fonte: adaptado de Carvalho (1994).
154
UNICESUMAR
capitalista de produção. É uma política de mediação entre as necessidades de valorização e acumulação 
do capital e as necessidades de manutenção da força de trabalho disponível para ele. Nesta perspectiva, 
a política social é uma gestão estatal da força de trabalho e do preço da força de trabalho. Ressaltamos 
que entendemos, por força de trabalho, todos os indivíduos que só têm a sua força de trabalho para 
vender e garantir sua subsistência, independentemente de estarem inseridos no mercado formal de 
trabalho (MACHADO; KYOSEN, 2000). 
É possível compreender a pluralidade de estudos focados nas políticas sociais e em suas diferentes 
metodologias e enfoques, demonstrando a multiplicidade de ações que são idealizadas e implementa-
das nesse campo. Conclui-se, portanto, que política social é um tema complexo e muito discutido no 
âmbito das ciências sociais, em especial da ciência política e da economia política. Reconhecendo a sua 
amplitude, inserem-se diferentes discussões, pois, de um lado, entendem-se as políticas sociais como 
ações que buscam garantir os parâmetros necessários para a sobrevivência substancial, por exemplo, 
a ação de transferência de renda e da previdência social em prol da proteção do trabalhador, mas, por 
outro, associam-se a uma série de ações de cultura, que traz a valorização de comunidades específicas 
em prol de outras com maior amplidão. 
Ao trazermos à realidade do Brasil, compreendemosa sua abrangência associada a questões, como 
assistência social, incentivo a moradias, assistência médica, benefícios de desemprego, lei de igualda-
de de oportunidades, iniciativas políticas a fim de beneficiar as pessoas carentes da sociedade, entre 
outros. Desta forma, falaremos dos elementos estruturantes que se referem ao Sistema Brasileiro de 
Proteção Social (SBPS). 
Neste momento, faremos uma breve pausa na nossa leitura, para 
compreendermos a que se refere o Sistema Brasileiro de Proteção 
Social (SBPS). É essencial que saibamos a definição deste termo e a 
sua abrangência diante das políticas sociais. Tenha a sua dose extra 
de conhecimento, assistindo ao vídeo! 
A trajetória destas ações é complexa, pois falamos de conjunto de políticas públicas de proteção so-
cial, como vimos, com a função de melhorar a condição de vida e social das pessoas. Historicamente, 
falar de políticas sociais é estabelecê-la a partir da era do capitalismo em que os operários realizavam 
mobilizações e buscavam, desta forma, a intervenção do governo, de modo a responsabilizá-los, nos 
conflitos, visando à promoção de mudanças na sociedade e reorganização social, cultural e institucional. 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9862
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UNIDADE 7
O primeiro exemplo que trazemos é o Programa “Verde e Ama-
relo”, este se refere ao estímulo à contratação de jovens entre 18 anos 
e 29 anos, que buscam pelo primeiro emprego — de acordo com a 
Portaria nº 950, de 13 de janeiro de 2020, que dispõe sobre normas 
complementares relativas ao contrato de trabalho que atende aos 
requisitos, conforme previsto no art. 18 da Medida Provisória nº 
905, de 11 de novembro de 2019.
Outra questão, essencial para a arquitetura e o urbanismo, refe-
re-se ao direito à moradia. Esta é resguardado pela Emenda Cons-
titucional nº 26/2000, que alterou a redação original do art. 6º da 
Constituição Federal de 1988, o direito à moradia foi incluído no 
texto constitucional, sendo atribuído a ele status de direito social, 
compromisso este assumido pelo Brasil por ser signatário da De-
claração Universal dos Direitos Humanos de 1948.
A ação do Programa de Habitação de Interesse Social tem como 
objetivo viabilizar à população de baixa renda o acesso à moradia 
adequada e regular bem como o acesso aos serviços públicos, 
reduzindo, desse modo, a desigualdade social e promovendo a 
ocupação urbana planejada. Isso se dá por meio de apoio aos mu-
nicípios, aos estados e ao Distrito Federal na elaboração de planos 
locais de habitação. A gestão dos programas é do Ministério das 
Cidades, que recomenda, por meio de suas diretrizes, a criação 
de conselho, com caráter deliberativo, nos estados, municípios e 
distritos, além de um fundo vinculado a ele. A iniciativa servirá 
para propiciar apoio institucional e financeiro ao exercício da 
política local de habitação e desenvolvimento urbano (CAIXA 
ECONÔMICA FEDERAL, [2021]). 
Um Programa amplamente conhecido no Brasil, refere-se ao 
Minha Casa Minha Vida, que é uma iniciativa do Governo Federal 
que oferece condições atrativas para o financiamento de moradias 
nas áreas urbanas para famílias com renda familiar bruta de até 
R$ 7.000,00 (sete mil reais) por mês. Em parceria com estados, 
municípios, empresas e entidades sem fins lucrativos, o programa 
vem mudando a vida de milhares de famílias brasileiras. É opor-
tunidade para quem precisa, promovendo, também, desenvolvi-
mento para o Brasil (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, [2021]). 
Observe a imagem abaixo:
156
UNICESUMAR
Figura 4 - Exemplo do empreendimento Minha Casa Minha Vida, em São Paulo, SP
Quando falamos das diferentes ações políticas no Brasil, deparamo-nos com diferentes atividades que têm 
impacto direto na qualidade do espaço urbano e do ambiente construído. Um bom exemplo é falar dos 
programas sociais, relacionados à construção dos empreendimentos de Habitações de Interesse Social (HIS).
As HIS voltam-se para à população de baixa renda, que não possui moradia formal e não tem 
condições de buscar esta opção. Desta forma, é, a partir das ações que se constroem habitações 
acessíveis adequadas à localização e à qualidade, que se possibilita aos moradores arcarem com os 
custos de vida e garante os direitos humanos básicos. No Brasil, tem-se, ainda, o Sistema Nacional 
de Habitação Interesse Social – SNHIS, com o objetivo de popularizar o acesso à terra urbanizada, 
habitação digna e sustentável, por meio de políticas e programas de investimentos e subsídios; além 
de articular, compatibilizar, acompanhar e apoiar a atuação das instituições e órgãos que desempe-
nham funções no setor da habitação.
Descrição da Imagem: vista aérea do canteiro de obras das casas padronizadas do Programa Minha Casa Minha Vida 
do Estado de São Paulo, Brasil. Na imagem, apresenta-se a repetição de padrões residenciais nos lotes e nas diferentes 
ruas do empreendimento.
157
UNIDADE 7
Ainda que já tenhamos conversado sobre estas questões, nas unidades anteriores, neste momento 
nos cabe a seguinte reflexão: nós, enquanto profissionais arquitetos e urbanistas, responsáveis pela 
elaboração dos projetos e orientação técnica, podemos estabelecer estratégias que qualifiquem estes 
imóveis? Essa reflexão nos coloca em um cenário delicado, fala-se sobre as ações que possibilitam o 
acesso a moradia à população de baixa renda, no entanto a sua estruturação segue alguns critérios, 
dos quais elencamos:
• Baixo custo: para que as edificações tenham poder de competitividade, é essencial que sejam 
construções que tenham baixos custos na construção e, com isso, a adoção de métodos estru-
turais mais baratos, materiais com melhores custos, entre outros. No entanto, em um primeiro 
momento, não se fala sobre redução de qualidade, ainda que tenhamos a Norma de Desempenho 
(NBR 15575) que dê as diretrizes básicas de Habitabilidade, mas, na prática, a grande maioria 
dos empreendimentos possuem problemas quanto à qualidade das edificações e, consequen-
temente, a exigência de manutenção constante.
• Unidades habitacionais compactas: para que as edificações se adequem aos menores custos, 
um dos pontos principais é projetar as residências com metragem menores do que as conven-
cionais. Os ambientes, no entanto, precisam funcionar e atender aos requisitos de modular, ser 
flexível e inteligente. Observa-se, ainda, uma repetição das unidades habitacionais, desde a sua 
composição inicial, sem levar em conta a sua funcionalidade e considerar os critérios de ava-
liação pós-ocupação (APO), que possibilitam o entendimento da vivência do usuário naquele 
espaço, ou seja, define-se por uma planta baixa padronizada, sem estabelecer melhorias nestas 
edificações, de modo a atendendo aos critérios de usabilidade. 
• Localização mais afastada dos centros: parte dos projetos de habitação social se encontra em 
bairros mais afastados. Ainda que dentro do perímetro urbano, uma das premissas é estarem 
implantados em bairros em crescimento. Apenas, exige-se que haja uma infraestrutura básica 
para atendimento do empreendimento. 
Desta forma, o meu convite é para que você, enquanto profissional, compreenda a responsabilidade da 
arquitetura e do urbanismo nos problemas reais do espaço e dos cidadãos, revendo o papel, enquanto 
agente político, à medida em que cresce a responsabilidade e a transformação do espaço físico e social. 
Desta forma, é significativo que busquemos por aprimorar as possíveis arquiteturas que surgem em 
meio a convencional; romper com a lógica projetiva; resolver os desafios apresentados e, ainda, discutir 
métodos, instrumentos e linguagens que possibilitam um maior interesse da população pela atuação 
do profissional, ampliando a interação do morador com o processo de projeto.
158
UNICESUMAR
Depois desta nossa conversa, observe as imagens a seguir:
Figura 5 - Vista panorâmica do Rio de 
Janeiro e do Pão de Açúcar, Brasil
Descrição da Imagem: na ima-
gem, podemos ver um dos car-
tões postais do Brasil, a cidade 
do Rio de Janeiro,apresentando 
a beleza da cidade, com a pre-
sença de edifícios, no primeiro 
plano, e, ao fundo, o mar e o 
Pão de Açúcar.
Descrição da Imagem: na ima-
gem, podemos ver a cidade do 
Rio de Janeiro, apresentando a 
área de favela com grande aglo-
meração de residências e barra-
cos, que formatam a ocupação 
irregular. 
Figura 6 - Vista aérea da favela da Ro-
cinha do Rio de Janeiro, Brasil
159
UNIDADE 7
Como visto, os ambientes construídos são ele-
mentos dinâmicos e se conformam de acordo com 
a ação humana, ou seja, o modo como a sociedade 
atua nos espaços físicos. As Figuras 5 e 6 reiteram 
esta discussão, falamos do “mesmo” território ur-
bano, a cidade do Rio de Janeiro. No entanto a 
Figura 5 apresenta uma região “privilegiada” no 
entorno de um dos pontos turísticos mais impor-
tantes do Brasil, o Pão de Açúcar, localizado em 
um bairro tradicional da zona sul, a Urca, apre-
sentado como um dos bairros do município com 
baixo índice de criminalidade e com alta valori-
zação imobiliária.
A figura 6, por sua vez, refere-se ao recorte da 
Favela da Rocinha, também na zona sul da cida-
de do Rio de Janeiro, e apresenta proximidade 
com bairros de alto padrão econômico, porém 
a sua formação é reflexo da urbanização, sem 
planejamento, e do “descaso” do governo com a 
comunidade, que, de modo geral, se viu na ne-
cessidade de construção de barracos de papelão, 
degradação de áreas verdes, o crescimento de-
sordenado, entre outros. 
Todos os dias, vivenciamos, nas cidades, proble-
mas ambientais e sociais contemporâneos, como 
as questões do abastecimento de água, a destina-
ção de lixo, a poluição ambiental, alto consumo 
de energia, desemprego, favelização, epidemias, 
fome, criminalidade, entre outros. Isso evidencia 
que estas questões têm interferência total, ou são 
reflexos da composição e das características dos 
espaços físicos, ou seja, os ambientes construídos 
têm total conexão com estas discussões. Destaca-
mos, ainda, que as possíveis soluções destes pro-
blemas dependem de políticas e práticas públicas, 
além da implementação do planejamento urbano, 
essencialmente, participativa pelos cidadãos que 
ocupam tais regiões. Pense nisso! 
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É significativo, neste momento, relembrar os conceitos e parâmetros estudados em nossa unidade, 
de forma a recordemos a importância deles em nossas discussões, as quais envolvem Arquitetura 
e a Sociedade. 
Figura 7 - Mapa Mental / Fonte: a autora.
Mãos na massa! Elabore o seu mapa mental, buscando organizar os conceitos e estudos realizados 
nesta unidade. A intenção é que você destaque os pontos principais que nos auxiliam a realizar a 
amarração entre os pontos-chave da nossa disciplina, servindo também para que possamos dar 
sequência a nossa conversa na próxima unidade. Agora, é com você!
Descrição da Imagem: esta imagem representa, de modo sucinto, os temas abordados nesta unidade; destaca 
os pontos principais quanto às questões que envolvem a relação “Social” no Brasil, como a Urbanização, o Plane-
jamento Urbano, as condições da Gestão associada à qualidade de vida, embasadas nas funções sociais (habitar, 
trabalho, circulação, recreação) associadas à Psicologia Social. 
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1. Leia o trecho a seguir:
O _________________ determina o ritmo e a dinâmica do funcionamento da cidade, visto 
que as percepções e muitas das decisões que tomamos, no dia a dia, são afeiçoadas 
por ferramentas e normas registradas em documentos. Estes documentos são estru-
turados de modo participativo e inclusivo, considerando os utensílios que associam 
o transporte coletivo, distribuição de serviços, diferentes centralidades e densidade 
populacional. Então, teremos uma cidade direcionada ao desenvolvimento sustentável.
Assinale a alternativa que completa corretamente a lacuna:
a) Urbanismo.
b) Espaço físico.
c) Espaço social.
d) Planejamento urbano.
e) Plano Diretor.
2. Sobre a Psicologia Social e a sua abordagem, analise as asserções seguintes: 
I) A Psicologia é a ciência que objetiva o estudo da superfície terrestre e a distribuição 
espacial de fenômenos significativos na paisagem e na sociedade.
II) A Psicologia Social estuda as relações essenciais entre os indivíduos e a sociedade, 
desde a organização em busca da sobrevivência, os costumes, valores, a fim de ga-
rantir a efetivação da sociedade.
III) A Psicologia Social está no limite entre a Psicologia e a Sociologia. Isso porque ela 
busca estudar o comportamento humano no contexto social em que as pessoas 
estão inseridas.
Assinale a alternativa correta:
a) A asserção I, apenas.
b) A asserção II, apenas.
c) A asserção III, apenas.
d) As asserções I e III.
e) As asserções II e III. 
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3. Leia o trecho a seguir:
Segundo Yazbek (2000), são definidas e redefinidas, mas permanecem na mesma 
dimensão estrutural, ao lado de uma manutenção da política econômica, de acordo 
com a orientação dos organismos financeiros e o aprofundamento das condições de 
trabalho e vida da maioria da população, buscando estabelecer estratégias para ga-
rantir o atendimento às lutas e reivindicações das diferentes classes sociais, em uma 
tentativa de institucionalizar o conflito social.
Agora, assinale a alternativa correta que contempla o termo sobre o qual se descreveu:
a) Questões ambientais.
b) Questões físicas.
c) Questões econômicas.
d) Questões sociais.
e) Questões culturais. 
4. Leia o trecho a seguir:
“Conjunto constituído pelas instituições, os procedimentos, análises e reflexões, os 
cálculos e as táticas que permitem exercer essa forma bem específica, embora muito 
complexa, de poder que tem por alvo principal a população, por principal forma de 
saber a economia política e por instrumento técnico essencial os dispositivos de se-
gurança. Em segundo lugar, é entendido como a tendência, a linha de força que, em 
todo o Ocidente, não parou de conduzir, e desde há muito, para a preeminência desse 
tipo de poder que podemos chamar de “governo’ sobre todos os outros — soberania, 
disciplina — e que trouxe, por um lado, o desenvolvimento de toda uma série de apa-
relhos específicos de governo [e por outro lado], o desenvolvimento de toda uma série 
de saberes” (FOUCAULT, 2008, p. 143-144).
A descrição anterior refere-se a que conceito? Assinale a alternativa correta.
a) Urbanidade.
b) Políticas sociais.
c) Governamentalidade.
d) Ciências sociais.
e) Políticas ambientais. 
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5. Sobre políticas sociais, é compreensível que se trata de um termo vago e não tem 
significado único, pois, em princípio, todos os tipos de políticas públicas podem ser 
considerados, direta ou indiretamente, como políticas sociais. Considerando esse 
contexto, avalie as seguintes asserções e a relação proposta entre elas.
I) Trata-se das ações que organizam as decisões táticas que objetivam o princípio de 
justiça consistente e coerente.
PORQUE
II) A atividade refere-se a um conceito transversal, que tem como objetivo tratar as 
atividades do governo em uma ação setorial e conjuntural, ou seja, centralizado na 
melhoria de condições de vida da população.
 A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
8
Olá, aluno(a), seja bem-vindo(a) a essa unidade, da disciplina de 
Arquitetura e Sociedade! O nosso objetivo, aqui, é continuar a con-
versa iniciada na unidade anterior, referente às questões sociais 
no Brasil, trazendo a você a abordagem ambiental. Como falamos, 
não há condições de dissociar as duas abordagens, no entanto 
olharemos parao panorama brasileiro em relação a estas ques-
tões e reconheceremos possibilidades de melhorias, estabelecendo 
sempre a sua relação com a Arquitetura! E, para isso, é preciso 
entender o cenário que vivenciamos atualmente! Nesta unidade, 
intenciona-se compreender os conceitos de questões e políticas 
ambientais, pensando no espaço que utilizamos e na sociedade a 
qual fazemos parte, sem deixar de lado a nossa responsabilidade 
e os nossos deveres, quanto ao panorama ambiental! Vamos lá!
As Políticas 
Ambientais no Brasil
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
166
UNICESUMAR
Antes de ser um espaço físico, o urbano é um espaço social, onde vive a sociedade, esta tem necessi-
dades e anseios, como acentuado anteriormente. Este mesmo ambiente físico tem a sua abordagem 
natural, é modificado, alterado, construído de acordo com quem o vivencia. Isso fortalece a ideia de 
que o homem se transforma, à medida em que edifica o seu ambiente. Agora, com o olhar voltado às 
condições ambientais, este homem é agente atuante neste processo. Você saberia, desse modo, dizer 
quais os direitos e deveres ambientais da sociedade? E, no Brasil, como é esta realidade?
Quando falamos das problematizações ambientais, focamos nas condições e nas características que 
envolvem o meio ambiente bem como a utilização e a conscientização (ou a falta dela), quanto ao uso 
dos recursos naturais. Para falar sobre “problemas” ambientais, é preciso compreendê-los. Esclarecemos, 
então, que eles são os efeitos nocivos da atividade do homem no ambiente biofísico. É necessário, ainda, 
que pensemos em uma abordagem em nível individual, organizacional ou governamental, refletindo sobre 
a qualidade do meio ambiente (e, consequentemente, no ambiente físico) e, também, nos seres humanos. 
Ao discutir questões ambientais, portanto, é válido que não seja exclusiva ao Brasil. Sendo assim, 
falaremos das “ameaças” ao meio ambiente, que prejudicam não apenas o espaço físico, mas o bioma 
natural e a saúde da sociedade. 
Os ambientes construídos estão em constantes movimentações e, neste contexto, não se discute a 
ação humana como uma das principais responsáveis por esse processo, seja positivamente, seja ne-
gativamente. Falar da sociedade e do ambiente é conformar o espaço geográfico, assentindo sobre a 
paisagem, de modo geral. Falar sobre a paisagem é, ainda, referenciar registros dos diferentes aspectos 
que compõem uma sociedade. Estes envolvem a história, a cultura, a economia, entre outros aspectos. 
167
UNIDADE 8
Para isso, meu convite é que você observe “uma paisagem urbana” próxima ao local que você está. 
Sinta este espaço, perceba-o. Registre as imagens, ainda que mentalmente, dos cenários que você encon-
trou pelo seu caminho. Responda às perguntas: você consegue identificar quais são as condicionantes 
ambientais neste trajeto? Há algum registro de degradação ambiental? Sob a ótica ambiental, o meio 
ambiente é respeitado neste trajeto? Faça suas anotações em seu Diário de Bordo. 
DIÁRIO DE BORDO
Diariamente, deparamo-nos com a degradação ambiental, e falar sobre degradação ambiental é pen-
sar na deterioração do meio ambiente, por meio do esgotamento de recursos, como ar, água e solo, 
a destruição de ecossistemas, destruição de habitat, a extinção da vida selvagem e poluição, ou seja, 
compreender que qualquer alteração ou modificação do ambiente natural pode atrapalhar ou ser in-
desejável. Sobre a degradação ambiental, é necessário estabelecer o reconhecimento da deterioração 
do meio ambiente. Vamos tentar? Observe estas imagens:
168
UNICESUMAR
Figura 1 -
Vista aérea da Amazônia, Brasil
Descrição da Imagem: na ima-
gem, podemos observar uma 
vista aérea da Amazônia com a 
presença de uma massa vege-
tativa expressiva e um curso de 
água existente.
Figura 2 - Área de desmatamento ilegal 
de vegetação nativa da floresta ama-
zônica brasileira
Descrição da Imagem: na ima-
gem, podemos observar um 
trecho da Amazônia com des-
matamento ilegal (queimada), 
e apresenta a vegetação “seca” 
sem vida.
169
UNIDADE 8
Ao observar a Figura 1, temos a visão do que se refere à Amazônia, floresta tropical que 
cobre parte da América do Sul, e tem como responsabilidade, em nível mundial, um bem 
natural inestimável. Isto se refere ao desenvolvimento sustentável, à complexidade dos 
ecossistemas presente no espaço e à acumulação de riquezas naturais, além de despertar 
estabilidades mecânicas, termodinâmicas e químicas dos processos atmosféricos em 
escala global (RIBEIRO, 2014). 
Na segunda imagem, podemos ver uma área de desmatamento ilegal de vegetação 
nativa da floresta amazônica brasileira, relacionada ao enfrentamento do crime e da 
corrupção, ambos enraizados nas práticas ilícitas de ocupação territorial e conversão de 
vegetação que se espalham pelo país (ASSUNÇÃO; GANDOUR, 2019).
O que podemos falar é: a Amazônia brasileira tem responsabilidade sobre o mundo, 
no entanto se registra a maior responsabilidade à humanidade sobre esse bem natural 
inestimável. Sabemos que a degradação florestal é resultado da ação do homem na 
floresta, e este desmatamento decorre da substituição por áreas de pasto ou agricultura, 
ou simplesmente pela exploração das espécies. Trata-se de um fenômeno recorrente e, 
portanto, precisa ser revisto. 
Para Zelarayán et al. (2015), a degradação ambiental é a deterioração do meio ambiente, 
por meio do esgotamento de recursos, como ar, água e solo; a destruição de ecossistemas; 
destruição de habitat; a extinção da vida selvagem e poluição. É definido como qualquer 
alteração ou perturbação do ambiente considerada prejudicial ou indesejável.
Um exemplo prático que temos, no Brasil, é o aumento dos índices de desmatamento 
na Amazônia, nos últimos dois anos, a análise das duas últimas décadas aponta uma 
tendência de queda. No entanto dados de satélite mostram que a degradação só fez au-
mentar neste período, e, em 2014, superou o desmatamento. A degradação florestal está 
ligada a surtos de doenças infecciosas, como resultado do maior contato entre humanos 
e a vida selvagem desabrigada. 
Sabe-se que o papel da floresta amazônica é, diretamente, associado à manutenção 
dos estoques e do fluxo global de carbono (MALHI et al., 2009); atualmente, o desma-
tamento dessa região é a principal fonte das emissões brasileiras de dióxido de carbono 
para a atmosfera (MCT 2013).
A degradação florestal — além de ser responsável pelas emissões de carbono e, conse-
quentemente, pela poluição ambiental, doenças respiratórias, entre outras — está associada 
às alterações nos ciclos da água e dos nutrientes. Isso, segundo especialistas, poderia resultar 
na virada ecológica que transformaria a Amazônia em uma área totalmente degradada. 
A degradação das florestas da Amazônia é, historicamente, negligenciada por políti-
cos, ativistas e, até mesmo, cientistas, em parte, porque é bem mais difícil detectá-la em 
comparação ao desmatamento. Neste contexto, precisamos pensar: qual a relação da 
Arquitetura e do Urbanismo com as questões ambientais, sejam elas problemas, sejam 
políticas ambientais? Pense nisso! 
170
UNICESUMAR
A nossa reflexão, neste momento, reforça a ideia e a compreensão de que a arquitetura responsável 
deve estar ligada às questões ambientais das cidades; pensar nas atuações pontuais que vivenciamos 
diariamente nas nossas atividades profissionais, ou seja, trazer as condições de sustentabilidade aos 
projetos, considerando a nossa responsabilidade de contribuir para um meio ambiente mais saudável. 
Também, compreender que os problemas ambientais têm impacto direto nas condições de vida da 
sociedade. Vamos, então, iniciar o nosso estudo, buscando compreender o que são as questões am-
bientais e a sua abordagem. 
As questões ambientais alcançaram o contexto de um problema global e, com isso, tem-se visto que 
a sociedade, de um modo geral, mobilizou-se, visando à proteção do meio ambiente. Muitos autores 
diferem nos modos de se apropriar do tema, mas comumente defendemque os problemas ambien-
tais devem ser tratados como danos causados ao meio ambiente e que muitos deles são provocados 
pela própria ação do homem, por exemplo, a poluição do ar por gases poluentes, a poluição dos rios 
por despejo de esgotos e lixos, vazamento de petróleo, poluição do solo por agrotóxicos, fertilizantes, 
descarte incorreto do lixo, queima das matas e florestas, desmatamento, esgotamento do solo, extinção 
de espécie de animais, falta de água para consumo, aquecimento global, entre outros. 
Trazendo a nossa realidade, evidencia-se que, no Brasil, o quadro de crise ambiental é, diretamente, 
relacionado à ausência de uma política de planejamento da utilização dos recursos naturais; por isso, 
gerou-se uma utilização irracional com perdas que, possivelmente, não serão reversíveis, e, consequen-
temente, há implicações econômicas e sociais significativas na sociedade. 
171
UNIDADE 8
No cenário brasileiro, a questão ambiental é tratada como um assunto de extrema emergência, 
pois é preciso apreender tanto por meio da análise do ponto de vista dos problemas decorrentes da 
fase desenvolvimentista quanto do ponto de vista das condições de vida nas cidades, reflexos da crise 
atual sócio-política e econômica. É preciso lembrar que o meio ambiente não se refere apenas às áreas 
de preservação ou a presença ou não da natureza, mas sim a tudo que nos cerca: água, ar, solo, flora, 
fauna, homem etc. Cada um desses itens sofre algum tipo de degradação. 
Reconhecemos, então, que as questões são bastante complexas e o interesse pelos problemas am-
bientais são recentes. Na segunda metade da década de 80, iniciaram-se as mobilizações sociais que 
serviram para canalizar o processo da redemocratização da sociedade brasileira (LITTLE, 2003). Neste 
panorama, os debates ambientais contemporâneos são, cada vez mais, discutidos, desde as últimas dé-
cadas do século XX, em que se alcançou a vertente de um problema global e, com isso, a preocupação 
ambiental visa a diminuir custos e proporcionar soluções projetuais ecologicamente corretas. Para 
Foladore (2005), no pensamento ambientalista, investiga-se a existência tanto de posturas egocentristas, 
que essencialmente valorizam o mundo natural e iniciativas individuais de transformação na relação 
homem/natureza, como também de atitudes tecnocentristas, as quais defendem uma arquitetura ba-
seada na máquina e, supostamente, capaz de decifrar os possíveis problemas ambientais.
Sobre a degradação ambiental, como o próprio nome diz, tratamos do meio ambiente, em que se 
centraliza a discussão na decadência dos recursos naturais, como a água e o ar, ocasionando a destruição 
do ecossistema e a poluição, por exemplo. Veja a imagem a seguir!
Figura 3 - Conceito de poluição
Descrição da Imagem: 
na foto, é possível ver 
uma cena de poluição, 
tanto pelas indústrias 
quanto os lixos jogados 
no chão, que afetam a 
qualidade das cidades 
e, consequentemente, 
a saúde dos cidadãos, 
além da depreciação e 
esgotamento do meio 
ambiente.
172
UNICESUMAR
A figura nos apresenta, com bastante similaridade, o que encontramos no Brasil, em que as atividades 
humanas, estimuladas pelo modo que produzimos e consumimos, deixam de lado a preocupação com 
o meio ambiente. Para Meneguzzo e Chaicouski (2010), o termo degradação ambiental, sinônimo de 
degradação da qualidade ambiental, intitula com um caráter de adversidade, ou seja, negatividade, 
qualquer produção negativa, que diz respeito ao meio ambiente. Para impacto ambiental, consta na 
Resolução Conama nº 001 de 1986, como:
 “
[...] qualquer alteração das propriedades físicas, químicas ou biológicas no meio ambiente, 
causada por qualquer forma de matéria ou energia resultante das atividades humanas, que 
possam afetar, a saúde, a segurança, as atividades econômicas e sociais, a qualidade dos recursos 
ambientais, entre outros (BRASIL, 1986, p. 2548). 
Assim, o que fica explícito, neste conceito, é que a degradação ambiental se caracteriza como um im-
pacto ambiental negativo, “ainda que não seja evidenciado que o causador da degradação seja o ser 
humano, ou uma consequência de suas atividades” (SÁNCHEZ, 2008, p. 27).
Diante deste cenário, há diferentes estudos que apresentam as diversas circunstâncias que culmina-
ram na degradação socioambiental, viu-se a necessidade de movimentos ecológicos e sociais com novos 
sistemas de valores sustentados no equilíbrio ecológico, na justiça social e na não agressão à evolução 
das gerações futuras, seja espacial, seja social. Ou seja, olhar para as condições sociais e ambientais 
bem como associar essas duas questões trazem qualidade ao planejamento urbano, de tal modo que 
podemos destacar que o desenvolvimento da nova arquitetura e urbanismo se deu, paralelamente, ao 
da tecnologia moderna, defendendo-se a padronização industrial e a produção em série, por meio de 
posturas que acabaram por afetar radicalmente o meio ambiente, tanto natural como o social. Desta 
forma, percebemos a primeira relação estabelecida entre as condicionantes socioambientais e a orga-
nização urbana. Vamos adiante! 
No cenário brasileiro, ainda que haja investimentos nas questões ambientais, o país está longe de 
resolver seus problemas neste ramo; por isso, há pouca consolidação de ações ambientais no Brasil. 
Em síntese, é necessário reconhecer as questões ambientais (e sociais); estabelecer, em seu conjunto, o 
quanto as relações entre a cidade, os usuários e o ambiente físico são essenciais para a vida da sociedade 
e implantar políticas públicas que atendam às exigências (e aos direitos) dos cidadãos. Sob a abordagem 
da arquitetura e do urbanismo, é, ainda, significativo estabelecer as relações urbano-sociais-ambientais, 
a partir da produção do espaço urbano, visando a atender a essas demandas — ainda que complexas, 
elas são essenciais.
Trazendo a discussão das políticas ambientais, Siqueira (2002) apresenta como necessidade res-
guardar o meio ambiente das agressões promovidas pela satisfação do ser humano em detrimento do 
direito da sociedade a bens coletivos, como o ar e a água. Este conceito é cada vez mais associado ao 
crescimento da deterioração ambiental e o esgotamento dos recursos ambientais.
Desta forma, podemos compreender que o conceito se refere às intenções e compromissos em 
relação às ações governamentais que se centralizam no propósito de preservação do meio ambiente, 
173
UNIDADE 8
em busca de desenvolvimentos sustentáveis. Nesta conjuntura, podemos entender que tais políticas 
buscam atenuar os impactos ambientais gerados pelo crescimento urbano, sendo assim instrumentos 
essenciais à preservação ambiental, com o objetivo de cuidar da qualidade de vida das pessoas. 
A percepção dos problemas ambientais e as suas consequências são, ainda, mais discutidas, diante 
do ideário de se estabelecer uma sociedade sustentável. Swedlow (2002) debate a respeito da análise da 
cultura associada aos problemas ambientais e, neste sentido, defende o comportamento integrado aos 
diferentes campos da ciência como ferramentas de atuação, que, além de trazer os processos mentais 
da sociedade, busca compreender os valores, crenças, relações de poder e confiança e analisá-los para 
melhor cuidado com o meio ambiente. 
Observamos que o conceito de política ambiental, quanto à organização de normas e leis, visa à 
preservação do meio ambiente em um determinado espaço. No Brasil, podemos definir que esta prá-
tica é relativamente recente; ela começou a ser implementada a partir da década de 30. A preservação 
ambiental, no país, orientou-se a partir da criação de áreas de preservação, onde ocorriam sérias ações 
de desmatamento, por exemplo, a criação da Serra dos Órgãos, no estado do Rio de Janeiro. 
Descrição da Imagem: a imagem refere-se a um recorte da Serra dos Órgãos no Rio de Janeiro, uma vista panorâmica 
que mostra a paisagem natural.
Figura 4 - Serra dos Órgãos, Rio de Janeiro
174
UNICESUMAR
Outra política de excelência estabelecida nosprimeiros anos de atuação foi a elaboração do Código 
Florestal Brasileiro, instituído pelo Decreto nº 23.793, de 23 de janeiro de 1934, revogado posterior-
mente pela Lei 4.771/65, que estabeleceu o Código Florestal vigente até a publicação da Lei Federal 
nº 12.651, de 25 de maio de 2012. Esta estabelece normas para proteção da vegetação nativa em áreas 
de preservação permanente, reserva legal, uso restrito, exploração florestal e assuntos relacionados.
Historicamente, houveram alguns anos de estagnação destas discussões, em que as políticas e as 
ações governamentais estavam direcionadas a outros ramos, como a indústria. Somente na década de 
60 foram retomados e estabelecidos novos parâmetros essenciais para a produção do espaço (até os 
dias de hoje), como a criação das Áreas de Proteção Permanente (APPs), e a exigência da criação de 
reservas florestais nas áreas rurais. 
De acordo com a Lei nº 12.651/2012, Área de Preservação Permanente é uma área protegida, 
coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preservar os recursos hídricos, 
a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, 
proteger o solo e assegurar o bem-estar das populações humanas.
Na década de 70, o país reassumiu as ações direcionadas a ampliar a política ambiental no país e, no 
ano de 1973, houve a criação da Secretaria Especial de Meio Ambiente (SEMA) cuja orientação asso-
cia-se à preservação do meio ambiente e da manutenção dos recursos naturais no país, que mais tarde, 
com a fusão de outros órgãos criados no decorrer da história, estabeleceu-se o Instituto Brasileiro do 
Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA). Este permitiu o cuidado com o meio 
ambiente de um modo mais integrado. 
Na atualidade, fala-se sobre as políticas ambientais e seus avanços, trazendo às discussões os deveres 
dos cidadãos e das empresas aos cuidados com o meio ambiente, e a responsabilidade social com a 
natureza; desta forma, incluindo todos os cidadãos nesta atuação. 
Ao falar sobre as leis ambientais, destacamos, inicialmente, a Constituição Brasileira de 1988 que de-
fine a importância do cuidado e do mantimento do ecossistema, estabilizado por meio da preservação 
e recuperação ambiental, tendo como principal objetivo a qualidade de vida que todo indivíduo deve 
possuir, de acordo com o Artigo 225. Agora, trataremos de algumas destas leis que ilustram estas políticas: 
• Política Nacional do Meio Ambiente: tem por objetivo a preservação, melhoria e recuperação 
da qualidade ambiental propícia à vida, visando a assegurar, no país, condições ao desenvolvi-
mento socioeconômico, aos interesses da segurança nacional e à proteção da dignidade da vida 
humana (Lei nº 6938, 1981).
https://pt.wikipedia.org/wiki/23_de_janeiro
https://pt.wikipedia.org/wiki/1934
175
UNIDADE 8
• Política Nacional de Recursos Hídricos: refere-se à política que define a água como recurso na-
tural limitado, provido de valor econômico, que pode ter diversos usos, como o consumo humano, 
produção de energia, transporte, lançamento de esgotos e outros. Desta forma, prevê a criação do 
Sistema Nacional para a coleta, tratamento, armazenamento e recuperação de informações sobre 
recursos hídricos e fatores que interferem em seu funcionamento (Lei nº 9.433, 1997).
• Lei de Crimes Ambientais: define as questões penais e administrativas no que diz respeito às 
ações prejudiciais ao meio ambiente, concedendo aos órgãos ambientais mecanismos para punição 
de infratores, como em caso de crimes ambientais praticados por organizações (Lei nº 9.605,1998). 
Com estes exemplos, pode-se concluir que estas legislações representam a importância de trazer a questão 
ambiental à tona e, ainda, propor a conscientização aos cidadãos. Para Ferreira (1998, p. 107), “a impor-
tância discursiva da questão ambiental traduziu-se numa legislação comparativamente avançada, porém 
os comportamentos individuais estão muito aquém da consciência ambiental presente no discurso”. 
Vale ressaltar que estas orientações legais são essenciais ao cuidado do meio ambiente, pois têm influên-
cia no restabelecimento dos eventos ambientais, além de buscar promover o resguardo do ambiente físico, 
além de falar sobre diretrizes para a ocupação do espaço e cuidados com o meio ambiente, que, em menor 
escala, esbarra nas atividades da arquitetura e do urbanismo. É importante que tenhamos a ciência de que 
pequenas ações diárias possibilitam um maior resguardo do meio ambiente e da qualidade de vida da 
sociedade; por isso, a importância desta discussão. Compreende-se, ainda, que estas políticas são tratadas 
pelas intervenções do governo (Estado), mas inclui a sociedade, que se estabelece por meio das comuni-
dades e das ONGs. Por falar nas ONGs, conheceremos, a seguir, algumas práticas ambientais brasileiras. 
• Greenpeace Brasil: trata-se de uma organização mundial ativista, empenhada apenas com a 
sociedade civil, usa confrontos pacíficos e criativos para expor problemas ambientais e desen-
volver soluções para um futuro verde e pacífico.
• Projeto Saúde & Alegria: é uma organização da sociedade que atua na Amazônia brasileira; 
promove e apoia processos participativos de desenvolvimento integrado e sustentável, a partir da 
mobilização das comunidades, em busca de implementar e encontrar benefícios locais, quanto 
às questões de sustentabilidade. 
• SOS Mata Atlântica: nasceu do objetivo em proteger e conservar a biodiversidade da Mata 
Atlântica; é a primeira ONG brasileira destinada especificamente a este bioma nacional; cons-
tituída por meio da mobilização permanente e da aposta no conhecimento, na educação, na 
tecnologia, nas políticas públicas e na articulação em rede para consolidação do movimento 
socioambiental brasileiro.
176
UNICESUMAR
Sirvinskas (2008) coloca que as políticas ambientais buscam a harmonização e a interação do meio 
ambiente associado ao desenvolvimento socioeconômico. Compreendem, ainda, o que se nomeia 
como desenvolvimento sustentável, em busca de assegurar as condições de segurança e proteção à 
vida e à qualidade humana. 
Para Salheb et al. (2009), as políticas públicas ambientais priorizam o crescimento econômico 
associado à qualidade de vida de seus usuários. No entanto visam à materialização das ações públicas, 
ou associadas, e, desse modo, à promoção de uma política que pode auxiliar a economia bem como 
gerar benefícios, além de conduzir a segmentos de mercado, especialmente, rentáveis.
Com o reconhecimento das políticas ambientais, vamos refletir acer-
ca destas questões associadas diretamente à arquitetura e urbanis-
mo? Sabemos da força dessas ações, qual é a sua interferência? Vale 
a pena conversarmos a respeito destes aspectos e trazer estas ques-
tões à nossa realidade profissional! Dê um play no nosso Podcast!
Direcionando o nosso estudo à Arquitetura e ao Urbanismo, podemos pensar que, diariamente, vi-
venciamos nas cidades problemas graves ambientais. Estes interferem diretamente na qualidade de 
vida dos cidadãos; por isso, estas questões dependem das práticas públicas e do planejamento urbano 
(nossa responsabilidade junto à administração pública); também, cabe a conscientização e colabo-
ração da sociedade. Desta forma, o nosso papel, enquanto profissionais, é conscientizar os usuários 
e desenvolver projetos que sejam sustentáveis, adaptados ao ambiente urbano e às condições locais. 
Não temos dúvidas de que a arquitetura responsável deve estar sintonizada às questões urbanas, de 
forma efetiva para a melhoria da qualidade de vida na cidade e a solução dos problemas ambientais, 
com ações simples — como garantir a vegetação urbana; promover as áreas de permeabilidade do solo; 
minimizar o consumo energético com sistemas e tecnologias adequadas; minimizar os desconfortos 
de soluções arquitetônicas adequadas às condições climáticas, redução de desperdícios e lançamentos 
de entulhos dos canteiros de obras em locais inadequados, entre outros.Neste contexto, assumimos a responsabilidade que planejar e projetar edifícios e espaços urbanos, 
é a nossa tarefa. Devemos, então, organizar informações do terreno, do ambiente natural, das legisla-
ções, entre outros. Desse modo, é essencial que seja realizado uma reflexão aprofundada dos edifícios 
no meio ambiente, pensando, em um primeiro momento, sobre as consequências da inadequação da 
edificação ao meio ambiente, em relação ao seu entorno imediato e, por fim, no impacto produzido 
pela aglomeração das edificações no contexto da cidade e as repercussões no clima urbano e regional.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9863
177
UNIDADE 8
Uma condição bastante específica refere-se ao modelo urbanístico brasileiro, que segundo alguns 
autores, divide-se em dois grupos. O primeiro trata da cidade legal (registrada pelos órgãos munici-
pais), e o segundo é nomeado como “cidade invisível”, devido à ocupação ilegal do solo. Este, ainda, 
sem investimentos, conhecimentos técnico e financiamento público, é onde nos deparamos com a 
problematização da ausência de preservação do meio ambiente e a urbanização sem controle. 
Vale ressaltar que toda a legislação que busca ordenar o solo é somente aplicada à cidade que é 
registrada! Meirelles (2000) apresenta os dados de que foram construídos, no Brasil, 4,4 milhões de 
moradias, entre 1995 e 1999, sendo apenas 700 mil dentro do mercado formal. Ou seja, mais de 3 
milhões de moradias foram construídas em terras invadidas ou em áreas inadequadas. Isso fortalece 
a nossa discussão, isto é, a área que mais cresce é associada às “cidades invisíveis”.
Portanto, podemos destacar que há uma relação direta entre as moradias de baixo poder socioeco-
nômico e as áreas ambientalmente frágeis (beira de córregos, rios e reservatórios, encostas íngremes, 
mangues, várzeas e áreas de proteção ambiental, APA). 
Neste momento, faremos uma breve pausa na nossa leitura para co-
nhecermos a respeito da “Arquitetura Inteligente”. É essencial que sai-
bamos a definição deste conceito e a sua relação com as questões am-
bientais. Tenha a sua dose extra de conhecimento assistindo ao vídeo!
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9864
178
UNICESUMAR
Os cidadãos passam a ser considerados res-
ponsáveis e inimigos da qualidade de vida e do 
meio ambiente. Reitera-se, nestas ocupações, a 
problemática, por exemplo, do lixo e do sanea-
mento básico. Pela legislação vigente, cabe às 
prefeituras gerenciar a coleta e destinação dos 
resíduos sólidos. De acordo com o IBGE, 76% 
do lixo é jogado a céu aberto, sendo visível ao 
longo de estradas, e são carregados para represas 
de abastecimento, durante o período de chuvas. 
Outro fator relevante para aumentar a poluição 
ambiental é a falta de saneamento básico. Atual-
mente, apenas 8% do esgoto doméstico é tratado 
no Brasil, e o restante é despejado diretamente nos 
cursos d’água (MEIRELLES, 2000). 
Assim, o profissional arquiteto e urbanista, 
sendo agente responsável pela construção e or-
ganização dos ambientes e do espaço urbano, 
deve sempre ter sua responsabilidade na piora dos 
problemas ambientais e, com isso, deve sempre 
desenvolver as suas atividades de modo cauteloso, 
visando à diminuição dos impactos negativos e 
a elaboração de soluções criativas para o espaço. 
Além de buscar formas alternativas de reduzir a 
exploração de recursos naturais, trazer a reflexão 
sobre a redução da emissão de gases e o correto 
descarte de resíduos bem como promover enga-
jamento com os estudos e pesquisas vinculados 
ao desenvolvimento sustentável. 
Desta forma, o meu convite é para que você, 
enquanto profissional, sempre, reflita sobre a 
responsabilidade da arquitetura e do urbanis-
mo diante dos problemas reais do espaço e dos 
cidadãos, revendo o seu papel, enquanto agente 
político na medida que tem a responsabilidade e a 
transformação do espaço físico e social, pensando 
sempre na ótica ambiental! A preocupação com 
179
UNIDADE 8
o desenvolvimento sustentável representa a possibilidade de garantir mudanças so-
ciopolíticas que não comprometam os sistemas ecológicos e sociais que sustentam 
as comunidades. Pense nisso! 
Após essa discussão importante sobre os problemas ambientais presentes no ce-
nário brasileiro e pensando na contribuição da arquitetura, realizaremos um recorte 
na nossa discussão e traremos uma condição, essencialmente, discutida por nós, 
profissionais de projeto: a área permeável nos lotes.
Adota-se como taxa de permeabilidade a relação entre a parte permeável — que 
permite a infiltração de água no solo, livre de qualquer edificação — e a área total do 
lote (PL 688/13). Qual, porém, a sua (extrema) importância? Falar sobre a permeabili-
dade do lote é trazer o cuidado de mitigar os impactos da chuva em um determinado 
local; permitir que estas sejam absorvidas pelo solo e garantir o cuidado com as edi-
ficações e as cidades, evitando, por exemplo, situações precárias, como as enchentes. 
 Sabe-se que, com o processo de urbanização ascendente e, muitas vezes, sem con-
trole, há um crescimento populacional significativo e, com ele, o aumento do número 
de edifícios, que ocorrem inclusive em áreas às margens dos rios, por exemplo, fora 
a ocupação em áreas inadequadas. Referimo-nos, aqui, aos terrenos “impermeáveis”, 
estes são ocupados em sua totalidade, sem a preocupação de escoar as águas das 
chuvas e, consequentemente, causam alagamentos nas cidades.
Estas decisões são (e devem ser) orientadas por nós, profissionais de projeto, que, 
além de seguir as diretrizes legais, exige-se o atendimento a estes requisitos; devemos, 
ainda, promover a conscientização dos usuários em geral, quanto à necessidade e à 
contribuição com o meio ambiente e, por isso, a necessidade de prever tal percentual 
em nossos projetos. 
Lembre-se que a preocupação com o meio ambiente começa com ações pontuais, e 
nós, arquitetos e urbanistas, temos essa responsabilidade, ainda, maior, pois podemos 
ser fomentadores desta conscientização. Além disso, somos capazes de promover 
soluções técnicas e criativas, que atendam às necessidades dos clientes e usuários, 
sem deixar de atender os cumprimentos da legislação e os nossos deveres ambientais. 
Um projeto responsável deve pensar em soluções inteligentes a serem implantadas 
— por exemplo, os jardins de chuva (que captam, limpam e absorvem as águas da 
chuva), o uso de cisternas (que já existe em algumas cidades brasileiras) e o uso de 
jardins — e, assim, aproveitar dessas soluções técnicas para transformar as condições 
estéticas dos projetos, promover modos efetivos de garantir a qualidade e possibilitar 
a redução de problemas ambientais! Pense nisso! 
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Agora, é com você! Desenvolva um mapa mental que organize os conteúdos estudados da forma 
que você preferir. É importante que você elabore o seu mapa mental, apresentando os elementos-
-chave para o seu entendimento dos itens debatidos e, desta forma, possamos firmar o conteúdo 
para darmos sequência a nossa conversa! Bom trabalho! 
Figura 5 - Mapa Mental / Fonte: a autora.
Descrição da Imagem: a imagem representa, de modo sucinto, os temas abordados nesta unidade; destaca os 
pontos principais quanto à postura dos profissionais arquitetos e urbanistas, pensando na formação acadêmica e 
na legislação que rege a profissão, o traçado do perfil profissional e as atribuições criativas e técnicas
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1. É necessário reconhecer as questões ambientais (e sociais); estabelecer, em seu conjun-
to, o quanto as relações entre a cidade, os usuários e o ambiente físico são essenciais 
para a vida da sociedade e implantar políticas públicas que atendam às exigências (e 
aos direitos) dos cidadãos. Considerando este contexto, avalie as asserções e a relação 
proposta entre elas:
I) A arquitetura e o urbanismo buscam estabelecer as relações urbano-sociais-ambien-
tais, a partir da produção do espaço urbano.
PORQUE
II) Na perspectiva dasciências sociais, não é possível apartar a sociedade e o seu meio 
ambiente, em busca de refletir sobre um mundo material composto por diferentes 
significados e elementos.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
2. Leia o trecho a seguir:
Tratam-se dos danos causados ao meio ambiente, e muitos deles são provocados pela 
própria ação do homem, por exemplo, a poluição do ar por gases poluentes, a polui-
ção dos rios por despejo de esgotos e lixos, vazamento de petróleo, poluição do solo 
por agrotóxicos, fertilizantes, descarte incorreto do lixo, queima das matas e florestas, 
desmatamento, esgotamento do solo, extinção de espécie de animais, falta de água 
para consumo, aquecimento global, entre outros. 
Assinale a alternativa correta que contempla o termo descrito:
a) Problemas ambientais.
b) Problemas físicos.
c) Problemas econômicos.
d) Problemas sociais.
e) Problemas culturais. 
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3. A percepção dos problemas ambientais e as suas consequências são, ainda, mais 
discutidas, diante do ideário de se estabelecer uma sociedade sustentável. Com base 
neste contexto, analise as asserções a seguir:
I) O conceito de política ambiental, quanto à organização de normas e leis, visa à 
preservação do meio ambiente em um determinado espaço, e, no Brasil, podemos 
definir que esta prática é relativamente recente; ela começou a ser implementada 
a partir da década de 30.
II) De acordo com a Lei n° 12.651/2012, Área de Preservação Permanente é uma área 
protegida, coberta ou não por vegetação nativa, com a função ambiental de preser-
var os recursos hídricos, a paisagem, a estabilidade geológica e a biodiversidade, 
facilitar o fluxo gênico de fauna e flora, proteger o solo e assegurar o bem-estar das 
populações humanas.
III) As políticas ambientais buscam a segmentação do meio ambiente e do desenvol-
vimento socioeconômico. Compreendem, ainda, o que se nomeia como desenvol-
vimento sustentável, e buscam assegurar as condições de segurança e proteção à 
vida e à qualidade humana.
É correto o que se afirma em:
a) Apenas, a asserção I.
b) Apenas, a asserção II.
c) Apenas, a asserção III.
d) As asserções I e II.
e) As asserções I e III.
9
Olá, aluno(a), estamos chegando ao final de nossa disciplina. Agora, 
falaremos a respeito do arquiteto e urbanista em paralelo com a 
sua formação e atuação profissional. Convencionalmente, sabemos 
que nós somos os responsáveis pelo planejamento dos espaços, o 
que envolve a elaboração de projetos de diferentes ambientes com 
base na organização e no atendimento aos requisitos de conforto 
e funcionalidade. Assim, reconheceremos a figura do arquiteto e 
urbanista, posicionaremos historicamente a sua evolução profis-
sional, exporemos as suas responsabilidades e atribuições, além 
de trabalharmos breves noções do mercado de trabalho. Vamos lá!
A Formação e a 
Profissão do Arquiteto 
e Urbanista
Me. Gabrielle Prado Jorge Yamazaki
184
UNICESUMAR
Certamente, falar sobre os profissionais arquitetos e urbanistas é essencial. Além disso, reconhecer a 
nossa história e a nossa função é muito importante. Contudo, cabe-nos uma reflexão muito importante: 
qual é a real importância do(a) arquiteto(a) para a sociedade?
Considerando o arquiteto e urbanista em conjunto com a sua função e a sua história, precisamos 
pensar na atuação desses profissionais enquanto agentes de transformação do espaço que utilizamos 
diariamente, pois eles são os responsáveis pela formação de edificações e de cidades. Em outras palavras, 
esse profissional é um dos grandes responsáveis pelo ordenamento espacial, incluindo as habilidades 
de planejar e de desenvolver espaços que sejam adequados aos usuários e às várias atividades que 
realizam ao longo de suas vidas.
Portanto, estudar o arquiteto e urbanista em paralelo a sua formação e atuação é necessário para que 
você, estudante, enquanto futuro(a) profissional, tenha ciência dos seus deveres e direitos. Não só, mas 
para que conheça os parâmetros essenciais que podem auxiliar no desenvolvimento de suas atividades! 
Quer saber como é simples reconhecer a importância do arquiteto e do urbanista no nosso dia 
a dia? Experimente passear pela sua cidade. Observe as fachadas dos imóveis, o traçado das vias e a 
produção paisagística. O reconhecimento dessa arquitetura é trazer a cultura que é expressa por essa 
sociedade específica. Observe as técnicas de elaboração dos projetos pensando no processo como um 
todo, anterior à execução das edificações, à criação, aos desenhos técnicos e às decisões projetuais, por 
exemplo. Com base na sua realidade local, a arquitetura tem atuado visivelmente nas adequações da 
sociedade atual? 
Considerando o papel do arquiteto frente à sociedade, uma vez que realiza o desenho das edifi-
cações e das cidades, e a responsabilidade da sociedade na formação espacial, vamos nos apropriar 
da cidade de Joinville, localizada na região Norte do estado de Santa Catarina. Observe as imagens a 
seguir e reflita sobre as tipologias das construções e a identidade local. Depois, faça as suas anotações 
no diário de bordo. 
185
UNIDADE 9
DIÁRIO DE BORDO
Figura 1 - Estação de trem em 
Joinville, Brasil, início de 2008
Descrição da Imagem: 
a figura apresenta a 
construção da Estação 
de Trem de Joinville. 
Trata-se de uma edifi-
cação característica da 
arquitetura germânica, 
com desenhos simples, 
telhados inclinados e 
cores vibrantes.
186
UNICESUMAR
Assim como pode ser visto nas figuras 1 e 2, as construções evidenciam que se trata de um municí-
pio que busca a preservação de sua história, ainda que insira elementos da contemporaneidade. Sua 
história é marcada pela imigração germânica e, por isso, ela é evidenciada na construção na cidade a 
partir de um padrão de construções caracterizado pelo cuidado com o planejamento, a funcionalidade 
e o acolhimento. Há traços marcantes, principalmente em relação aos telhados, às cores vibrantes e às 
formas simples. Outro aspecto essencial são os costumes: por ser uma das colônias mais festivas do 
mundo, esse fato reflete nos costumes e nos eventos regionais. 
Nesse sentido, a produção dos arquitetos e urbanistas nas edificações e nas cidades insere uma 
memória coletiva e individual que é alimentada e estimulada por meio da arquitetura e do urbanismo. 
Isso proporciona vínculos nas edificações e nos espaços de convivência e de sociabilidade, os quais são 
produzidos pela cultura de um grupo social, o que permite o estímulo das sensações de pertencimento 
e de responsabilidade nas relações que constituem esses espaços. 
Essa simples reflexão objetiva explorar o produto profissional dos arquitetos e urbanistas, ao ex-
por, de modo sucinto, o simbolismo associado à arquitetura. Essa é uma dialética importante entre 
a sociedade que compõe o espaço e o espaço físico propriamente dito. Além disso, nessa discussão, é 
importante pensarmos em alguns aspectos centrais. Vamos lá:
Figura 2 - Rota gastronômica 
da cidade de Joinville e o Tan-
nenhof Hotel
Descrição da Imagem: 
a figura apresenta a a 
figura apresenta um re-
corte da cidade de Join-
ville. É fotografada uma 
esquina em que está 
localizado o Tannenhof 
Hotel e a rua gastronô-
mica da cidade. À direi-
ta, é possível ver o ho-
tel, que se trata de um 
edifício vertical o qual se 
destaca entre o entorno 
urbano. Ao lado, há edi-
ficações menores e uma 
via com a presença de 
veículos, representando 
as características urba-
nas da cidade.
187
UNIDADE 9
• A arquitetura como ferramenta de construção da sociedade por meio da materialização do 
espaço, o que estimulaa construção da cidadania com base nos sujeitos, que são entendidos 
como protagonistas do espaço.
• Os arquitetos e urbanistas carregam a capacidade de reunir os significados existenciais de uma 
determinada sociedade e descrevem esse espaço existencial vivido, simbólico e representativo. 
• O objetivo dos arquitetos e urbanistas é concretizar o genius loci, ou seja, o espírito do lugar, ao 
criarem um espaço no qual o homem seja capaz de projetar a sua identidade.
São explícitas a responsabilidade e a importância dos profissionais arquitetos e urbanistas na formação 
dos ambientes construídos, pois esses sujeitos carregam o papel de catalisar as transformações e os 
anseios da sociedade. Não só, mas atendem às premissas técnicas de planejamento, criação e verificação, 
sem deixar de lado as questões que impactam o meio ambiente.
Nós, profissionais da arquitetura e do urbanismo, devemos ter a consciência profissional vinculada ao 
modo como as nossas produções são alicerces da conservação e da valorização de uma sociedade, incluin-
do os desenvolvimentos econômico e social, ao concretizarmos as ideias e os valores culturais e sociais. 
Somos nós, arquitetos e urbanistas, os responsáveis por planejar e organizar os ambientes cons-
truídos, garantindo a qualidade espacial e o atendimento aos requisitos propostos pelo usuário, sem 
deixarmos de lado os requisitos técnicos e funcionais do espaço. Compreende-se que o papel desse 
profissional frente à sociedade se dá enquanto agente responsável e técnico pelo planejamento de uma 
edificação (e/ou cidade) desde o processo de concepção até a pós-ocupação, preocupando-se com os 
critérios relacionados ao impacto da obra no meio ambiente.
Há autores que defendem que a arquitetura é uma das profissões mais antigas do mundo e, ainda 
que não tenha sido estabelecida enquanto “profissão”, suas técnicas de planejamento e construção foram 
transmitidas ao longo do tempo, inclusive, oralmente (sem registros formais) para quem praticava esse 
ofício. De acordo com Soares (2002), o ensino superior tardou a ser implantado no Brasil e se limitava 
a conhecimentos básicos trazidos pelos padres jesuítas portugueses em aulas de filosofia, teologia e 
gramática. As primeiras escolas de ensino superior no Brasil datam do final do século XVII. 
Para Katakura e Segnini Junior (2017), no Brasil, a partir da criação e da ampliação das academias 
e das instituições de ensino superior, o processo de formação profissional dos arquitetos e urbanistas 
se tornou uma exigência para o exercício da profissão, além de ser imposta a necessidade de realizar o 
credenciamento junto ao Conselho de Arquitetura e Urbanismo. Nesse sentido, o Decreto Federal nº 
23.569, de 11 de dezembro de 1933, regulamentou o exercício das profissões do arquiteto, do engenheiro 
e do agrimensor, enquanto as resoluções nº 218/1973 e nº 1.010/2005 consolidaram o entendimento 
de unicidade da profissão arquiteto e urbanista.
O ensino superior para a formação profissional em Arquitetura e Urbanismo no Brasil tem por 
objetivo a capacitação de profissionais generalistas e com habilitação única. Em outras palavras, a 
formação do arquiteto urbanista se dá de maneira integrada e indissolúvel. Falar de arquitetura e 
urbanismo e do papel do arquiteto e urbanista frente à sociedade deve ser, primeiramente, associado 
ao estudo que envolve e define a formação do profissional. Vitrúvio, em sua essencialidade, no século 
188
UNICESUMAR
I a.C, já defendia a multidisciplinaridade da ciência da arquitetura e os benefícios associados à sua 
elaboração teórica e prática, levando em consideração os diferentes conhecimentos e a sua atribuição 
na arte e na produção cultural.
Sob a ótica da graduação, Colin (2000) sustenta que a composição do currículo inclui disciplinas 
referentes a várias áreas do conhecimento, devido à sua amplitude. Assim, há uma oscilação, o que 
abrange disciplinas técnicas, tais como resistência de materiais, sistemas estruturais e tecnologia, 
disciplinas humanas, tais como psicologia, história e teoria da arquitetura, e disciplinas relacionadas 
à representação e à composição projetual, tais como representação e forma, geometria descritiva e 
desenho arquitetônico. Em paralelo, a formação em urbanismo, de modo complexo e multidisciplinar, 
envolve conhecimentos voltados à sociologia, à antropologia e à economia, por exemplo.
No Art. 3º da Lei nº 12.378/10, é expresso que os campos de atuação são definidos a partir das 
Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs). Nelas, os núcleos de conhecimentos profissionais e de 
fundamentação caracterizam a unidade da profissão, diferentemente dos cursos superiores, que se 
fragmentaram, como as engenharias, tornando o arquiteto urbanista um profissional generalista.
 “
Art. 3o Os campos da atuação profissional para o exercício da arquitetura e urbanismo 
são definidos a partir das diretrizes curriculares nacionais que dispõem sobre a for-
mação do profissional arquiteto e urbanista nas quais os núcleos de conhecimentos de 
fundamentação e de conhecimentos profissionais caracterizam a unidade de atuação 
profissional (BRASIL, 2010, on-line).
A Lei nº 12.378, de 31 de dezembro de 2010, regulamenta o exercício da Arquitetura e Urba-
nismo e criou o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de 
Arquitetura e Urbanismo dos Estados e do Distrito Federal (CAUs), além de dar outras provi-
dências. Em outras palavras, o exercício da profissão do arquiteto e urbanista é regulado por 
uma Lei Federal. 
Fonte: a autora.
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) são normas obrigatórias para a educação básica que 
orientam o planejamento curricular das escolas e dos sistemas de ensino. Elas são discutidas, concebi-
das e fixadas pelo Conselho Nacional de Educação (CNE), que determina a formação educacional do 
189
UNIDADE 9
arquiteto e urbanista. Os núcleos de conhecimentos profissionais e de fundamentação caracterizam a 
unidade da profissão, diferentemente dos cursos superiores, que se fragmentaram, como as engenharias, 
tornando o arquiteto urbanista um profissional generalista.
Na década de 60, foi estabelecido o Currículo Mínimo de Arquitetura e Urbanismo, que já apontava 
para uma formação generalista. Foi somente em 1994 que se instituiu a base de ensino que temos até 
os dias de hoje. Atualmente, tratamos dos estudos relacionados à informática, às técnicas retrospec-
tivas, ao conforto ambiental e à sustentabilidade, por exemplo. Um grande diferencial está associado 
a obrigatoriedade da realização do estágio e a elaboração do Trabalho Final da Graduação (TFG). 
Diante disso, o projeto pedagógico dos cursos deve necessariamente atender às competências e às 
habilidades do perfil do profissional, que é dotado de conhecimento técnico, senso estético, trabalho 
multidisciplinar, planejamento e uso das tecnologias.
A publicação, em 1994, das Diretrizes Curriculares Nacionais para os cursos de Arquitetura e 
Urbanismo (Portaria MEC nº 1770/94) constituiu uma conquista coletiva pela melhoria do ensino 
de Arquitetura e Urbanismo, encerrando o longo período de vigência do Currículo Mínimo, que 
foi iniciado em 1945 no país. A edição desse novo instrumento normativo foi resultado de uma 
mobilização nacional de estudantes e professores em busca de qualidade para os cursos já im-
plantados. Trata-se de uma inflexão inovadora que abriu novos horizontes para enfrentar os sérios 
problemas detectados no ensino da área, que havia apresentado, nas duas décadas anteriores, 
uma rápida e inédita expansão no bojo da reforma universitária patrocinada pela ditadura militar.
Fonte: Monteiro (2013).
O arquiteto e urbanista tem como principal objetivo planejar, projetar e desenhar espaços, sejam edi-
ficações, sejam espaços urbanos. A sua centralidade está associada à busca pela qualidade de vida de 
seus usuários e, por isso, é necessário considerar os aspectos técnicos, históricos, culturais e estéticos. 
Além disso, é cada vez maisevidente a importância das considerações relacionadas ao meio ambiente. 
Neste momento, discutiremos as atribuições profissionais dos arquitetos e urbanistas. Falar de atri-
buições é estabelecer uma relação com o ofício, o trabalho, o encargo e a função. Não só, mas também 
abrange o estabelecimento da obrigação e dos encargos dessa profissão. Essa orientação é definida pela 
Lei Federal nº 12.378/2010, que define:
190
UNICESUMAR
 “
Art. 2o As atividades e atribuições do arquiteto e urbanista consistem em: 
I - supervisão, coordenação, gestão e orientação técnica; 
II - coleta de dados, estudo, planejamento, projeto e especificação; 
III - estudo de viabilidade técnica e ambiental; 
IV - assistência técnica, assessoria e consultoria; 
V - direção de obras e de serviço técnico; 
VI - vistoria, perícia, avaliação, monitoramento, laudo, parecer técnico, auditoria e 
arbitragem; 
VII - desempenho de cargo e função técnica; 
VIII - treinamento, ensino, pesquisa e extensão universitária; 
IX - desenvolvimento, análise, experimentação, ensaio, padronização, mensuração e 
controle de qualidade; 
X - elaboração de orçamento; 
XI - produção e divulgação técnica especializada; e 
XII - execução, fiscalização e condução de obra, instalação e serviço técnico. 
Parágrafo único. As atividades de que trata este artigo aplicam-se aos seguintes campos 
de atuação no setor:
I - da Arquitetura e Urbanismo, concepção e execução de projetos; 
II - da Arquitetura de Interiores, concepção e execução de projetos de ambientes; 
III - da Arquitetura Paisagística, concepção e execução de projetos para espaços externos, 
livres e abertos, privados ou públicos, como parques e praças, considerados isoladamente 
ou em sistemas, dentro de várias escalas, inclusive a territorial; 
IV - do Patrimônio Histórico Cultural e Artístico, arquitetônico, urbanístico, paisagístico, 
monumentos, restauro, práticas de projeto e soluções tecnológicas para reutilização, 
reabilitação, reconstrução, preservação, conservação, restauro e valorização de edifi-
cações, conjuntos e cidades; 
V - do Planejamento Urbano e Regional, planejamento físico-territorial, planos de 
intervenção no espaço urbano, metropolitano e regional fundamentados nos sistemas 
de infraestrutura, saneamento básico e ambiental, sistema viário, sinalização, tráfego e 
trânsito urbano e rural, acessibilidade, gestão territorial e ambiental, parcelamento do 
solo, loteamento, desmembramento, remembramento, arruamento, planejamento urba-
no, plano diretor, traçado de cidades, desenho urbano, sistema viário, tráfego e trânsito 
urbano e rural, inventário urbano e regional, assentamentos humanos e requalificação 
em áreas urbanas e rurais; 
VI - da Topografia, elaboração e interpretação de levantamentos topográficos cadas-
trais para a realização de projetos de arquitetura, de urbanismo e de paisagismo, foto 
191
UNIDADE 9
interpretação, leitura, interpretação e análise de dados e informações topográficas e 
sensoriamento remoto; 
VII - da Tecnologia e resistência dos materiais, dos elementos e produtos de construção, 
patologias e recuperações; 
VIII - dos sistemas construtivos e estruturais, estruturas, desenvolvimento de estruturas 
e aplicação tecnológica de estruturas; 
IX - de instalações e equipamentos referentes à arquitetura e urbanismo; 
X - do Conforto Ambiental, técnicas referentes ao estabelecimento de condições climá-
ticas, acústicas, lumínicas e ergonômicas, para a concepção, organização e construção 
dos espaços; 
XI - do Meio Ambiente, Estudo e Avaliação dos Impactos Ambientais, Licenciamento 
Ambiental, Utilização Racional dos Recursos Disponíveis e Desenvolvimento Susten-
tável (BRASIL, 2010, on-line).
Com base nessas atribuições, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo elaborou um Código de Ética e 
Disciplina que define os parâmetros que devem orientar a conduta dos profissionais registrados. Dentre 
outras regras, é exigido que o arquiteto e urbanista seja o responsável pelas suas tarefas e trabalhos, 
assegurando a sua atuação em conformidade com os melhores métodos e técnicas. Além disso, há a 
recomendação de que o profissional deve aprimorar os seus conhecimentos nas áreas relevantes para 
a prática profissional a partir de uma capacitação continuada, em busca da excelência de sua profissão. 
O Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) foi fundado em 15 de dezembro de 2011 e atua 
como órgão representativo da classe profissional. O CAU é uma autarquia federal dotada de 
personalidade jurídica de direito público e possui a função de “orientar, disciplinar e fiscalizar 
o exercício da profissão de arquitetura e urbanismo, zelar pela fiel observância dos princípios 
de ética e disciplina da classe em todo o território nacional, bem como pugnar pelo aperfeiçoa-
mento do exercício da arquitetura e urbanismo” (BRASIL, 2010, on-line). Em outras palavras, o 
CAU deve “orientar, disciplinar e fiscalizar” o exercício da profissão, busca o aperfeiçoamento 
constante dessas atividades e defende os direitos de seus integrantes (BRASIL, 2010, on-line).
Fonte: a autora.
192
UNICESUMAR
Outra importante questão se refere ao mercado de arquitetura e urbanismo, que está crescendo cada 
vez mais, ainda que seja um crescimento consciente e diante de um panorama como o do ano de 2020, 
que sofreu os impactos da pandemia ocasionada pela Covid-19. Isso significa que, culturalmente, os 
brasileiros têm se preocupado e reconhecido a importância da atividade voltada à arquitetura. Em 
2020, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) divulgou dados relevantes ao mercado, assim 
como mostra a Figura 3.
Figura 3 - Arquitetos e urbanistas ativos no Brasil / Fonte: Mercado... (2021, on-line).
A Figura 3 apresenta um gráfico que demonstra que o ano de 2020 fechou com 202.588 profissionais 
ativos no CAU. Não só, mas que o perfil dos profissionais ainda é, em grande parte, composto por 
mulheres, com cerca de 64%. O maior índice de atuação é vinculado aos profissionais liberais ou au-
tônomos, com cerca de 55%. Dentre as atividades de maior destaque, temos o projeto arquitetônico, a 
arquitetura de interiores e a execução de obras. Também podemos destacar outras três áreas que vêm 
adquirindo grande relevância: engenharia de segurança do trabalho, acessibilidade e meio ambiente.
Descrição da Imagem: a figura mostra um mapa do Brasil com as cores em verde degradê, as quais vão do mais es-
curo ao mais claro, a fim de indicar, em ordem decrescente, o número de profissionais formados em cada estado da 
federação. Acima do mapa, lê-se “Arquitetos e Urbanistas ativos no Brasil”. À esquerda, em dois quadrados, estão as 
seguintes inscrições: “202.588 arquitetos e urbanistas” e “13.687 novos profissionais”. À direita do mapa, há um gráfico 
de pizza que indica, em verde claro, que 64% dos profissionais são mulheres e, em verde escuro, que 36% são homens. 
Ao lado da imagem, lê-se: “2020 Arquitetos e urbanistas por gênero e faixa etária”. Abaixo da inscrição, é expresso que 
31% dos profissionais têm até 30 anos e apenas 10% têm mais de 61 anos.
193
UNIDADE 9
Dialogar sobre a profissão do arquiteto e urbanista é compreender a sua multidisciplinaridade, tendo 
em vista as possibilidades de atuação no mercado de trabalho. Essa discussão é muito importante 
e centralizada naquilo que os profissionais têm habilitação para atuar. Nesse panorama, é possível 
afirmarmos que se trata de uma profissão que pode ser definida não apenas pelas suas qualificações 
técnicas, mas também pela sua necessidade e recorrência popular, as quais se mostram relevantes e 
substanciais mesmo em um momento econômico tão delicado como o que foi vivenciado em 2020. 
Os campos de atuação desses profissionais também são definidos pela Lei nº 12.378/10 e incluem 
escritórios de projetos de arquitetura, escritórios de arquitetura de interiores, lojas de mobiliário e de-
coração, escritórios de paisagismo, prefeituras municipais, órgãos estaduais e federais, universidades, 
organizações não governamentais(ONGs), escritórios de luminotécnica, cenografia, institutos de 
pesquisas, dentre outros. 
Considerando o campo de atuação dos profissionais arquitetos e ur-
banistas, é importante conhecermos a estrutura dos escritórios de 
arquitetura e urbanismo, entendermos as atividades desenvolvidas 
e apresentarmos a gestão desses locais. Para saber mais sobre a te-
mática, ouça o nosso podcast, que diz respeito à qualidade urbana.
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9865
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UNICESUMAR
No mercado de trabalho, é estabelecido que o profissional graduado em Arquitetura e Urbanismo 
está apto a projetar e a coordenar construções e reformas de espaços internos e externos, determinando 
a especificação dos materiais utilizados na obra, além de elaborar os desenhos técnicos. Isso sempre 
deve levar em consideração a disposição dos objetos, a funcionalidade do imóvel e a sua iluminação.
Dentre as atividades com maior índice de atuação, estão: projeto, execução, atividades especiais (refe-
rem-se às vistorias, às perícias e às consultorias, por exemplo), gestão, meio ambiente, planejamento urbano 
e regional, engenharia e segurança do trabalho, e ensino e pesquisa, nessa ordem (MONTEIRO, 2013). 
Os profissionais da arquitetura e do urbanismo enfrentam uma série de desafios, desde o 
reconhecimento da importância do papel desses profissionais pela sociedade até o descaso 
com a importância de se contratar um projeto completo, incluindo dilemas éticos, como o da 
reserva técnica (comissão financeira paga por fornecedores de projetos e lojistas quando há 
a indicação de clientes).
Tendo em vista as condições de mercado e as realidades econômica e cultural da sociedade, é possível 
delinear o perfil profissional dos arquitetos e urbanistas. Podemos afirmar que se trata de um ator flexível, 
consciente, inovador e comprometido com as necessidades humanas e as dimensões históricas, artísticas 
e culturais, com o objetivo de propor soluções adequadas e comprometidas com o interesse coletivo. 
Além disso, podemos definir algumas características essenciais ao arquiteto e urbanista. Assim, 
referimo-nos a um profissional:
• Multidisciplinar, que é capaz de aplicar com responsabilidade técnica e social os conhecimentos 
históricos, teóricos, projetuais e tecnológicos. 
• Reflexivo, que é capaz de analisar, avaliar e questionar a sociedade na qual está inserido, atuando 
como agente transformador.
• Com capacidade de expressão analítica e sintética, que é capaz de manejar a lógica, o raciocínio 
e a argumentação, estando apto a comunicar as suas ideias. 
• Com respeito às especificidades sociais e culturais, que é capaz de reconhecer e respeitar as 
diferenças sociais e culturais dos diferentes integrantes de uma sociedade.
• Com capacidade de engajamento, que participa das atividades inerentes ao desenvolvimento 
da sociedade.
• Com postura ética, que é capaz de se posicionar frente à sociedade, demonstrando responsa-
bilidade profissional e social.
195
UNIDADE 9
• Criativo, que é capaz de atender às dimensões artística e atemporal que respondam às neces-
sidades da sociedade. 
Paiva e Oliveira (2018) sustentam que o arquiteto e urbanista precisa considerar novas ideias e opor-
tunidades. Para tanto, é necessário que ele inove, caso queira ter êxito financeiro com a profissão 
e ser valorizado enquanto um profissional competente. Além disso, os arquitetos e urbanistas são 
fundamentais para amenizar grandes problemas urbanos, como a falta de integração entre as cidades, 
a mobilidade urbana e o déficit habitacional. Desse modo, é evidente que se trata de uma profissão 
que têm, no conjunto de suas preocupações, todos os espaços que são habitados pelo ser humano, 
abrangendo a arquitetura do edifício e a arquitetura da cidade. Não só, mas devem ser considerados o 
desenho urbano e a arquitetura da paisagem. 
Se, por um lado, o arquiteto é um profissional que vive de seu trabalho em uma sociedade de mer-
cado, visto que precisa de demanda pelos seus serviços, por outro, revela-se um artista que pretende 
fazer do resultado desse trabalho uma representação de seu tempo. São muitos os processos pelos 
quais passa a concepção de um projeto e, ainda que a sua origem não seja clara, a arquitetura pretende 
se materializar de diferentes formas para alcançar o seu objetivo. Ser profissional significa, além da 
concretização do ato criativo, atender a um conjunto de exigências técnicas, como o cumprimento de 
prazos e orçamentos, a realização de soluções técnicas rápidas, a racionalização do trabalho, a coor-
denação de agentes/profissionais ativos no processo, dentre outros. 
Ainda que a arquitetura não esteja inserida no processo criativo que acolhe a subjetividade, assim 
como acontece nas artes plásticas, por exemplo, a etapa de concepção do projeto se relaciona com a 
idealização presente na arquitetura. Em outras palavras, é estabelecido, no processo criativo, a confi-
guração prévia de uma ideia ou um ponto de partida do processo de projeto. Para Brandão (2002), é 
considerado criativo aquele projetista que descobre novas possibilidades expressivas dentro de uma 
determinada concepção ou o que mais se aproxima da essência dessa concepção, concretizando-a e a 
elucidando. Não só, mas ele também precisa descobrir novas possibilidades expressivas ao se tornar 
atento às concepções que não são de sua época e às mudanças de concepções que podem estar em curso. 
Fala-se, portanto, que a criatividade é um estado da arte e um processo que resulta em um pro-
duto novo aceito como útil e/ou satisfatório por um número significativo de pessoas em um tempo 
determinado. A arte, associada à criatividade, é o processo de se tornar sensível aos problemas, às de-
ficiências, às lacunas presentes no conhecimento e à desarmonia. Diante disso, é necessário identificar 
a dificuldade, buscar soluções, formular hipóteses a respeito das deficiências, testar essas hipóteses e, 
finalmente, comunicar os resultados.
A criatividade, enquanto a tradução dos talentos humanos para uma realidade exterior inserida 
nos contextos individual, social e cultural, refere-se à habilidade de recombinar objetos existentes de 
maneiras distintas para novos propósitos. Em ambos os casos, considera-se a criatividade como a ha-
bilidade de gerar novidades, incluindo ideias e soluções úteis para resolver os problemas e os desafios 
do dia a dia (SOUZA, 2001). 
196
UNICESUMAR
Sobre as exigências técnicas, uma das considerações essenciais é o conhecimento das legislações 
que fundamentam as produções dos profissionais arquitetos e urbanistas. Dentre elas, estão:
• Código Florestal ou Lei nº 12.651/2012: estabelece normas gerais sobre: a proteção da vegetação, 
as áreas de preservação permanente, as áreas de reserva legal, a exploração florestal, o supri-
mento de matéria-prima florestal, o controle da origem dos produtos florestais e o controle e a 
prevenção dos incêndios florestais. Além do mais, prevê instrumentos econômicos e financeiros 
para o alcance de seus objetivos.
• Lei do Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social ou Lei nº 11.124/2005: dispõe sobre o 
Sistema Nacional de Habitação de Interesse Social (SNHIS), cria o Fundo Nacional de Habitação 
de Interesse Social (FNHIS) e institui o Conselho Gestor do FNHIS. Obriga os municípios a 
realizarem os seus Planos Locais de Habitação de Interesse Social (PLHIS).
• Política Nacional de Saneamento Básico ou Lei nº 11.445/2007: estabelece os princípios, a titu-
laridade, a prestação, o planejamento, a regulação e os aspectos sociais, econômicos e técnicos 
que integram a Política Nacional de Saneamento Básico. Obriga os municípios a realizarem os 
seus planos de saneamento.
• Lei de Assistência Técnica ou Lei nº 11.888/2008: assegura às famílias de baixa renda a assistência 
técnica pública e gratuita ao projeto e à construção das habitações de interesse social.
• Legislação pertinente aos patrimônios histórico, artístico e cultural: lei do Instituto do Patri-
mônioHistórico e Artístico Nacional (IPHAN), que é o órgão federal que determina as normas 
sobre tombamento e preservação do patrimônio histórico e cultural. Além do IPHAN, há outros 
órgãos e conselhos estaduais, distritais e municipais que regulam a legislação pertinente aos 
patrimônios histórico, artístico e cultural.
Ao discutirmos e estudarmos as legislações locais e regionais, podemos elencar alguns exemplos:
• Código de Obras e Edificações do Município: disciplina as regras gerais que orientam o projeto, 
o licenciamento, a execução, a manutenção e a utilização de obras, edificações e equipamentos 
dentro dos limites do imóvel. Não só, mas abrange todos os procedimentos administrativos de 
execução e de fiscalização, sempre respeitando as legislações estadual e federal.
• Plano Diretor: refere-se ao instrumento básico da política de desenvolvimento do município. 
Nele, são traçados os caminhos para o desenvolvimento local economicamente viável, social-
mente justo e ecologicamente equilibrado. Também são abordados o planejamento em habitação, 
o saneamento básico, o transporte, a saúde, a educação, a cultura, o esporte, o lazer e a proteção 
ao meio ambiente.
• Estatuto da Cidade: instrumento importante para as pessoas, porque, dentre outros assuntos, 
trata das necessidades da população. É regulamentado por meio da Lei nº 10.257/01 e define o 
cumprimento das funções sociais da cidade e da propriedade urbana. Além do mais, define a 
participação da comunidade, a gestão democrática, o Plano Diretor e a sustentabilidade.
197
UNIDADE 9
• Zoneamento: define o tipo da edificação a ser construída nas diversas áreas de um município 
com base na função (zonas residenciais, comerciais, industriais ou mistas), na taxa de ocupação, 
no coeficiente de aproveitamento, no gabarito de altura e no número de ocupantes daquela área.
Já em relação às responsabilidades dos profissionais arquitetos e urbanistas, é possível destacar:
• Responsabilidade técnica ou étnico-profissional: origina-se nos processos educativos e morais, 
no exercício da profissão e no respeito entre os profissionais e as empresas em relação às normas 
vigentes. As faltas éticas que podem ocorrer e denegrir a imagem moral da atividade profissional 
do arquiteto e urbanista estão previstas no Código de Ética e Disciplina, presente na Resolução 
CAU/BR n° 51, de 2013.
• Responsabilidade civil: associada às medidas que obrigam a realização da reparação de dano 
moral ou patrimonial causado a terceiros. A responsabilidade civil do arquiteto e urbanista é 
baseada no Código Civil Brasileiro (calcado nas leis n° 10.406/02 e n° 12.378/11), que originou 
o CAU/BR.
• Responsabilidade criminal: associada ao crime. São exemplos: o desabamento por culpa humana, 
o desmoronamento por culpa da natureza, o incêndio por sobrecarga elétrica, a contaminação 
por vazamentos de elementos radioativos, os esgotos e os combustíveis. Eles são chamados de 
crimes contra a incolumidade pública.
• Responsabilidade trabalhista: regulada pelas leis trabalhistas e ocorre em função das relações 
contratuais ou legais entre os empregados que executaram o serviço prestado. Abrange as obri-
gações acidentárias e previdenciárias, compreendendo o direito ao trabalho, a remuneração, as 
indenizações, dentre outros.
• Responsabilidade administrativa: resulta das restrições impostas pelos órgãos públicos por 
meio do Código de Obras, do Código de Água e Esgoto, das Normas Técnicas, do Regulamento 
Profissional e do Plano Diretor, por exemplo.
Também podemos elencar diversas contribuições dos profissionais arquitetos e urbanistas em relação 
à produção de espaços com qualidade. Esse reconhecimento é ainda mais evidenciado quando o es-
paço é utilizado por um usuário. Nesse contexto, a fruição das experiências dos projetos depende de 
um requisito essencial: o envolvimento dos participantes, elemento indispensável para que o projeto 
aconteça, pois, sem a adesão deles, não seria possível que o projeto se concretizasse.
Quando há o envolvimento dos participantes durante a execução do projeto arquitetônico, é evidente 
a preocupação social, que está relacionada à satisfação dos usuários, e não apenas a preocupação com 
o produto final. Dentre as vantagens desse processo, destaca-se o ganho de qualidade no espaço, pois 
são criados laços afetivos derivados da sensação de apropriação decorrente da definição do seu próprio 
espaço (IMAI, 2010). Embora, em algumas situações, a participação dos clientes no processo não seja 
feita pelos próprios usuários finais, é fundamental que essa interação aconteça, para que seja esclarecido 
o modo como os problemas de projeto devem ser abordados por parte dos projetistas (LAWSON, 2011). 
198
UNICESUMAR
Assim, o modo como o processo do projeto é conduzido pode gerar situações nas quais os usuários 
se sentirão envolvidos com a oportunidade de participar do processo, uma vez que facilita a proposta 
de reformulação e até mesmo a definição dos ambientes. Portanto, segundo Imai e Azuma (2009), a 
responsabilidade pelo desenvolvimento de processos avaliativos que transformam a experiência, o 
conhecimento e os valores dos usuários em ambientes com maior qualidade recai sobre os projetistas. 
Houaiss (2009) define comunicação enquanto a ideia de tornar comum, de partilhar. Diehl (2018) 
sustenta que, para o design, a comunicação é um processo de formação estratégica cuja necessidade 
é considerar o caráter interdisciplinar, a fim de que haja a compreensão dos atos comunicacionais, 
tornando-se, assim, uma prática capaz de gerir o fluxo de informações e proporcionar resultados 
positivos a uma organização.
Enquanto uma metodologia de projeto, é importante retratar o con-
ceito de co-design. Para saber mais, tome a sua dose extra de conhe-
cimento assistindo ao vídeo!
São muitos os processos que o profissional arquiteto e urbanista está inserido. Trata-se de um profis-
sional complexo, pois vai além da concretização do ato criativo (ao apresentar a arte), ao seguir um 
conjunto de exigências técnicas, como o cumprimento de prazos, a realização de soluções técnicas, 
a avaliação de custos, o cálculo da rentabilidade e a racionalização do trabalho. Se, por um lado, o 
arquiteto é um profissional que vive do seu trabalho em uma sociedade de mercado, visto que precisa 
de demanda pelos seus serviços, por outro, revela-se um artista que pretende fazer do resultado desse 
trabalho uma representação de seu tempo e da sua cultura. 
Temos nos deparado com inúmeras adequações no âmbito mundial e uma delas se refere à preocu-
pação com o meio ambiente, incluindo a degradação causada pelo homem. Todavia, de que maneira 
a arquitetura pode auxiliar nessa atividade?
Precisamos ter a consciência de que só atingiremos (com qualidade) os parâmetros ecológicos, eco-
nômicos, sociais, quando houver engajamento e preocupação por parte da sociedade contemporânea. 
Isso proporcionará uma conscientização acerca dos principais problemas do meio ambiente e exigirá 
um pensamento voltado às estratégias de preservação e de correção (quando possível) da natureza. 
https://apigame.unicesumar.edu.br/qrcode/9866
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UNIDADE 9
Em relação à nossa realidade profissional, muito se fala sobre arquitetura sustentável, que objetiva 
propor soluções que atendam e respeitem as necessidades e os orçamentos dos clientes. Não só, mas 
deve considerar os anseios dos usuários, as condições do local e as tecnologias, sem excluir a legislação 
vigente, a fim de que seja empregada uma arquitetura com menos impacto ambiental. Isso otimiza a 
qualidade do espaço (pensando nas gerações futuras) e promove aos usuários formas mais confortá-
veis e saudáveis de usufruir os espaços. Também é defendido o uso responsável dos recursos, o menor 
consumo de energia e água, o reconhecimento da importância do meio ambiente, dentre outros. 
Vale ressaltar que, à medida que a sociedade se eximiu da responsabilidade de cuidar do meio am-
biente, as problematizações se tornaram aindaevidentes. Devido à essa demanda, a arquitetura e os 
profissionais arquitetos e urbanistas precisaram “responder” a essa necessidade, ao fortalecerem a ideia 
de que a sua atividade profissional é complexa, visto que é necessário se adaptar às realidades da socie-
dade a todo momento. Para a arquitetura, há ações que podem auxiliar nesse processo. Nesse sentido, 
elencamos algumas diretrizes projetuais que são comumente aceitas no meio profissional. São elas:
• Pensar no desenvolvimento sustentável.
• Redefinir a relação homem-ambiente.
200
UNICESUMAR
• Valorizar os aspectos sociais e culturais locais.
• Privilegiar os espaços de convívio social.
• Considerar os efeitos de insolação, sombreamento e ventos nas edificações.
• Valorizar as vistas agradáveis.
• Valorizar edifícios com valor arquitetônico.
• Melhorar a qualidade de ar.
• Incentivar o plantio de vegetação (internas e externas).
• Prever as áreas de permeabilidade.
• Promover a educação ambiental.
• Privilegiar o fluxo de pedestres.
• Prever ciclovias.
• Definir calçadas com áreas para postes, árvores e cestos de lixos.
• Garantir a permanência e a circulação das espécies animais.
• Integrar os espaços construídos às áreas verdes existentes ou a serem criadas.
• Privilegiar a utilização de espécies vegetais nativas, conforme a disponibilidade local.
• Especificar os materiais que atendam às necessidades básicas dos espaços de uso público, ob-
servando a durabilidade, a resistência, a acessibilidade, a segurança, a fácil manutenção, a menor 
produção de resíduo, o menor impacto ambiental e a disponibilidade local.
• Reutilizar áreas subaproveitadas.
Dessa forma, é importante trabalhar em favor da realidade local e da força da natureza, ao potencializar 
as boas características do ambiente e ao elaborar melhores condições de vida. Em outras palavras, nós, 
arquitetos(as), temos o papel de proporcionar o bem-estar, a saúde e o conforto. Para tanto, precisamos 
compreender as necessidades dos clientes e educá-los quanto aos cuidados e à preservação ambiental.
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M
A
P
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Agora é com você! Desenvolva um mapa mental que organize os conteúdos estudados da forma 
que você preferir. É importante que você elabore um mapa mental que exponha os elementos-
-chave para o seu entendimento. Assim, poderemos assimilar os conteúdos trabalhados e dar 
sequência a nossa conversa! Bom trabalho! 
Figura 4 - Mapa mental / Fonte: a autora.
Descrição da Imagem: a imagem representa, de modo sucinto, os temas abordados nesta unidade. Assim, são 
destacados alguns aspectos principais em relação à postura dos profissionais arquitetos e urbanistas, incluindo 
a formação acadêmica, a legislação que rege a profissão, o perfil profissional e as atribuições criativas e técnicas.
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1. Leia o trecho a seguir:
Regulamenta o exercício da Arquitetura e Urbanismo e criou o Conselho de Arquitetura 
e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) e os Conselhos de Arquitetura e Urbanismo dos Estados 
e do Distrito Federal (CAUs), além de dar outras providências. Em outras palavras, o 
exercício da profissão do arquiteto e urbanista é regulado por uma Lei Federal.
A definição apresentada é associada a que Lei Federal? Assinale a alternativa correta:
a) NBR 9050/2020.
b) Lei nº 12.378/2010.
c) NBR 16.280/2015.
d) Lei nº 13.467/2017.
e) Lei nº 10.098/2000.
2. Sobre o perfil profissional do arquiteto, analise as asserções a seguir:
I) O arquiteto deve ser um profissional multidisciplinar. Assim, precisa aplicar com 
responsabilidade técnica e social os conhecimentos históricos, teóricos, projetuais 
e tecnológicos.
II) O arquiteto deve ser um profissional com capacidade de expressão analítica e sin-
tética. Portanto, deve ser capaz de manejar a lógica, o raciocínio e a argumentação, 
para que esteja apto a comunicar as suas ideias.
III) O arquiteto deve ser um profissional estritamente técnico. Não há a necessidade 
de atender às dimensões artística e atemporal que respondem às necessidades da 
sociedade.
É correto o que se afirma em:
a) I, apenas.
b) II, apenas.
c) III, apenas.
d) I e II, apenas.
e) II e III, apenas. 
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3. Leia o conteúdo exposto a seguir:
A ______________, enquanto a tradução dos talentos humanos para uma realidade exterior 
inserida nos contextos individual, social e cultural, refere-se à habilidade de recombinar 
objetos existentes de maneiras distintas para novos propósitos. 
Assinale a alternativa que apresenta a palavra que completa a lacuna corretamente:
a) Ambiência.
b) Conveniência.
c) Criatividade.
d) Técnica.
e) Percepção.
4. Se, por um lado, o arquiteto é um profissional que vive do seu trabalho em uma socieda-
de de mercado, visto que precisa de demanda pelos seus serviços, por outro, revela-se 
um artista que pretende fazer do resultado desse trabalho uma representação de seu 
tempo. São muitos os processos pelos quais a concepção de um projeto passa e, ainda 
que a sua origem não seja clara, a arquitetura pretende se materializar de diferentes 
formas para alcançar o seu objetivo.
Considerando o contexto apresentado, analise as asserções a seguir e a relação proposta 
entre elas:
I) O arquiteto e urbanista precisa considerar novas ideias e oportunidades. Para isso, é 
necessário que inove, caso queira ter êxito financeiro com a profissão e ser valorizado 
como profissional competente.
PORQUE
II) Os arquitetos e urbanistas são fundamentais para a amenização de grandes pro-
blemas urbanos, como a falta de integração entre as cidades, a mobilidade urbana 
e o déficit habitacional.
Em relação às asserções apresentadas, assinale a alternativa correta:
a) As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma justificativa da I.
b) As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma justificativa da I.
c) A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição falsa.
d) A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição verdadeira.
e) As asserções I e II são proposições falsas.
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5. Leia o conteúdo a seguir:
É o instrumento básico da política de desenvolvimento do município. Nele, são traçados 
os caminhos para o desenvolvimento local economicamente viável, socialmente justo e 
ecologicamente equilibrado. Também são abordados o planejamento em habitação, o 
saneamento básico, o transporte, a saúde, a educação, a cultura, o esporte, o lazer e a 
proteção ao meio ambiente.
Assinale a alternativa que contempla corretamente o conceito descrito:
a) Estatuto da Cidade.
b) Lei de Zoneamento.
c) Código de Obras e Edificações do Município.
d) Plano Diretor. 
e) Código Florestal. 
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R
EF
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C
IA
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Unidade 1
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