Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

2
3
Sumário
INTRODUÇÃO À CLÍNICA PSICANALÍTICA ____________________ 5
Introdução ____________________________________________________ 6
MÓDULO I ___________________________________________________ 7
O INÍCIO DA PSICANÁLISE E A SUA TÉCNICA _________________ 7
Aula 1 História da Psicanálise ____________________________________ 8
Aula 2 O Poder Mágico _________________________________________ 15
Aula 3 Os Afetos e Seus Adoecimentos ____________________________ 19
Aula 4 Escuta Psicanalítica ______________________________________ 22
Aula 6 A Resistência ____________________________________________ 29
Aula 7 Transferência ___________________________________________ 31
Aula 8 Transferência - O Manejo ________________________________ 33
MÓDULO II __________________________________________________ 38
Aula 9 Três Ensaios Sobre a Sexualidade _________________________ 39
Aula 10 Complexo de Édipo ____________________________________ 44
Aula 11 Édipo e Neurose _______________________________________ 48
Aula 12 O Ics _________________________________________________ 51
Aula 13 Primeira Tópica Freudiana ______________________________ 54
Aula 14 Segunda Tópica Freudiana ______________________________ 56
Aula 15 - Além do Princípio do Prazer – Introdução _______________ 59
Aula 16 Além do Princípio do Prazer _____________________________ 60
Aula 17 Eros e Thanatos ________________________________________ 63
Aula 18 Pulsões e Seus Destinos _________________________________ 65
4
Aula 19 Estruturas Clínicas _____________________________________ 66
Aula 20 Recordar Repetir e Elaborar _____________________________ 68
MÓDULO III _________________________________________________ 72
FREUD É ATUAL _____________________________________________ 72
Aula 21 Recomendações de Freud _______________________________ 73
Aula 22 A Clínica Hoje _________________________________________ 74
Aula 23 Fim de Análise _________________________________________ 79
Aula 24 Escolas Psicanalíticas ____________________________________ 81
Aula 25 Como se Tornar Um Analista ____________________________ 89
Sugestão de Filmes ____________________________________________ 92
Sobre a Autora ________________________________________________ 93
5
INTRODUÇÃO À CLÍNICA PSICANALÍTICA
Psi. Tamara Levy
O CURSO
Este curso tem como objetivo ser uma porta de entrada aos que 
desejam trabalhar com a clínica psicanalítica e como aperfeiçoamento aos 
que já caminham por ela. Lembro aqui que a perfeição é inalcançável e 
que as falhas, se é que assim podemos chamá-las, tem um espaço impor-
tante nesse percurso. Este é o caminho.
O ponto de partida se dará pela teoria Freudiana, base de toda 
a construção teórica da Psicanálise que veio a seguir. A compreensão da 
teoria e a técnica psicanalítica são essenciais para sua prática. Teoria e a 
prática caminham lado a lado.
FORMAÇÃO DO PSICANALISTA 
A formação de quem deseja fazer uso da técnica psicanalítica acon-
tece de forma contínua. Não possui um fim, nem há uma formatura, pois 
ela acontece durante todo o tempo. O analista se faz no seu fazer analítico.
Na prática, as escolas que formam psicanalistas usam um determi-
nado momento da formação para denominar alguém como psicanalista. 
Este tempo varia entre uma escola e outra, mas geralmente é de 3 a 5 
anos. A formação é contínua, mas segue alguns critérios.
TRIPÉ DA FORMAÇÃO
O psicanalista em formação tem como base um tripé, comum em 
todas as formações: o estudo da teoria; a supervisão, o estudo de casos e 
da teoria; e a análise pessoal, o analista se faz na sua análise.
Este curso não lhe transformará em um psicanalista, mas pode ser 
uma porta de entrada para sua prática na clínica, um caminho para quem 
inicia ou um auxílio para quem já o conhece.
A psicanálise acontece dentro da relação psicólogo/analista e pa-
ciente, em uma clínica que tem como base a teoria psicanalítica, ainda 
que este não seja um psicanalista. Ao ser posta em prática, a psicanálise 
ultrapassa as paredes da academia e os dogmas das escolas, se instalando 
a partir da fala e do compromisso entre analista e analisando.
6
Introdução
Olá, aqui iniciamos nossa caminhada nos textos freudianos e esse 
será seu material de apoio que foi pensado como um suporte para ser 
consultado durante o curso e que possa ser consultado quando surgir al-
guma demanda, não se trata de um material que reescreve integralmente 
os textos freudianos, mas um suporte que lhe dará orientação sobre os 
temas abordados nas aulas e informações complementares, juntamente 
com esse material estaremos disponibilizando alguns dos textos que cons-
tam nas referências bibliográficas do curso, a citadas e comentadas e al-
guns matérias extras.
Iniciaremos com a história da psicanálise, pois compreender seu 
início nos ajuda a compreender as motivações de Freud para a formula-
ção da teoria psicanalítica, diante dos seus relatos sobre as dificuldades 
e necessidades enfrentadas pelos profissionais de saúde do período nos 
mostra o objeto de estudo da psicanálise, sendo um caminho introdutório 
para a clínica psicanalítica. 
A técnica foi desenvolvida por Freud para atender as demandas 
emergentes no período. O desenvolvimento acontece em meio a sua prá-
tica e vai sendo criada e recriada. São formulações mais ou menos defini-
das, que pode frustrar quem busca encontra-la de forma unitária, integra-
da e coerente, Freud se questiona e se contradiz, se constrói, desconstrói e 
se refaz ao longo de sua obra. A leitura, compreensão e interpretação dá 
espaço para o desenvolvimento da técnica que convidou outros teóricos 
a desenvolver a teoria para além Freud, mas a partir dele, são múltiplas 
e diversas e em alguns momentos opostas, chamas escolas psicanalíticas.
A amplitude da psicanálise que ecoa em quem a ler, possibilitando 
a abertura de antigas e novas formas de ouvir e sentir e olhar e interpre-
tar o mundo interno e externo. Frustrações, inquietações provavelmente 
e questionamentos farão parte deste percurso, que apesar de parecer so-
litário, talvez as vezes seja mesmo, afinal alguns lugares você vai visitar só, 
que esse material possa ser sua companhia, são caminhos já percorridos e 
essa é uma forma de compartilhar e apresentar. 
7
MÓDULO I
O INÍCIO DA PSICANÁLISE E A SUA TÉCNICA
Ementa:
Apresentação do início da psicanálise, da origem e história de vida 
de Freud. Contextualização do cenário social e cultural do surgimento da 
psicanálise: sua aplicabilidade nesse período, função e as mudanças que 
acontecem ao longo de sua construção a partir do ambiente e da relação 
de Freud com esses cenários.
Objetivo: 
- Conhecimento do início da psicanálise 
- Contextualização da teoria e sua função nesse período
- Breve biografia de Freud
- Processo de construção da psicanálise 
- A sexualidade infantil como plano de fundo da psicanálise
- Compreender o Complexo de Édipo e seu papel.
- A função da Castração
8
Aula 1 História da Psicanálise
Apresentação do início da psicanálise, da origem e história de vida 
de Freud. Contextualização do cenário social e cultural do surgimento da 
psicanálise. Esta complexa investigação através da psique humana, a qual 
Freud empregava esforços a desvendar, tinha como objetivo compreen-
der o adoecimento psíquico.
História da Psicanálise:
A Transformação da Psicanálise como a conhecemos
Ao olharmos o percurso da psicanálise, podemos vê-la em seu iní-
cio como a junção de uma teoria e prática que rompem com a psiquiatria, 
a neurologia e a psicologia do século XIX. É exatamente neste cenário, 
onde a ciência médica predominava, é que a psicanálise se inicia, a partir 
das rígidas concepções médicas patológicas do adoecimento da psique 
que deram início a caminhada em busca da compreensão da mente hu-
mana (Garcia Roza, 1984).
Seu surgimento ocorre, portanto com a criação de um lugar para 
si, diante das dificuldades encontradas na medicina e psiquiatria para sua 
aceitação e reconhecimento como ciência. A psicanáliseera vista como 
uma ameaça, pois a ciência até então reconhecida, se regia pela possibili-
dade de predizer toda a realidade do mundo, à medida que fossem esta-
belecidas leis gerais do funcionamento da natureza.
Freud, baseado em novos paradigmas que viriam a se tornar a base 
da Física Moderna, estruturou suas construções teóricas no relativo, com-
plexo e instável, levando questionamentos ao determinismo científico. As-
sim foram conduzidas as formulações no campo da psicanálise. Antes do 
seu advento, o único lugar institucional onde o discurso individual tinha 
acolhida eram os confessionários religiosos. A psicanálise vem ocupar, no 
século XX, este lugar de escuta. (Garcia Roza, 1984).
Pré-História da Psicanálise 
Um Lembrete que Zimmermann deixa para nós e deve nos acompanhar.
Todo texto psicanalítico, quer seja ele de natureza teórica ou téc-
nica, necessita ser lido dentro de um contexto histórico-evolutivo, social, 
cultural e científico no qual está inserido. Dito isso, a aplicabilidade da 
técnica e a construção teórica registrada nos escritos freudianos remon-
tam um momento histórico, um recorte, e devemos constantemente nos 
atentar ao momento que estamos para pensar a nossa prática. (ZIMER-
MAN,2009)
9
O Sofrimento e o Adoecimento Mental
Para falar de sofrimento vamos colocá-lo nesse primeiro momento 
como algo inerente a vivência humana que temos em registros históricos, 
literários e na história da humanidade da qual temos registro e que lida-
mos durante toda a vida, que está presente nas relações humanas e nos 
acontecimentos da vida dentre as diversas intemperes possíveis, doenças, 
desastres, morte, luto, que serão enfrentadas em algum momento da vida 
e por outro lado temos o sofrimento que passa a caracterizar um processo 
de adoecimento mental. 
Para se referir a esses dois pontos, colocaremos aqui que o sofri-
mento humano como algo “normal” ou algo inerente a vivência humana, 
Freud já nos adverte em O mal-Estar na civilização e destaca três fontes 
de sofrimento que ameaçam o ser humano: destaca três: o poder devas-
tador e implacável das forças da natureza, a ameaça de deterioração e 
decadência que vem de nosso próprio corpo, e o sofrimento advindo das 
relações entre os humanos a partir do entendimento de que o conceito 
de normalidade é um processo de construção, que vai sendo reconhecido 
como características do processo de saúde e doença. (DE LIMA, 2010)
As pesquisas sobre o adoecimento humano têm registros na história.
O adoecimento mental acompanha a história da humanidade 
desde que temos registro: No Egito antigo com o exame de crânios em 
busca de adoecimentos vestígios em escavações; na bíblia temos trans-
tornos psiquiátricos, alcoolismo, psicose maníaco-depressiva, são algumas 
que aparecem. No período da idade média (idade das trevas V ao XV) o 
adoecimento mental era visto como algo a ser banido, castigado, a exclu-
são e expulsão era uma prática. A institucionalização e prisão, hospícios e 
masmorras era o lugar para pessoas que apresentavam algum desvio de 
comportamento, criminosos, loucos, culminava na exclusão social. Essa 
prática não se aplicava somente a adoecimentos mentais, pessoas os lepra 
(hanseníase), alguma deficiência também eram candidatos a exclusão, ex-
postos a todo tipo de violência, torturas, exorcismo, havia a demonização 
do doente. 
O começo de um tratamento para a loucura, os primeiros regis-
tros de tratamentos para doentes mentais ocorrem através de instituições 
ligadas a igreja, lembrando o período em que estado e igreja (idade das 
trevas). Foucault retrata esse período em a história da loucura, e fala da 
Grande internação, quando a loucura passa a ser entendida como um 
problema para as cidades. O trabalho de Foucault em seu livro a história 
da loucura apresenta a construção da loucura como doença e como a lei-
10
tura sobre ela muda no decorrer da história humana, deixo aqui como 
recomendação a leitura da obra de Michael Foucault. 
Philippe Pinel (1745-1826), um dos primeiros médicos que come-
ça a identificar e registrar adoecimentos mentais e a, promoverem uma 
inovadora reforma hospitalar que ficou sendo conhecida como tratamen-
to moral, consistindo num conjunto de medidas que não as de contenção 
física vigentes na época, mas, sim, daquelas que mantivessem o respeito 
pela dignidade do enfermo mental e aumentassem a sua moral e autoes-
tima.
História ocidental – registros europeus – Contextualização
11
Uma breve retrospectiva histórica para orientação temporal para 
contextualizar o momento histórico e o cenário científico e filosófico do 
período.
Idade Média V ao XV – A igreja - neste momento a igreja cen-
tralizava a organização social, política, econômica e científica. Conhecida 
como idade das trevas. 
Séculos XIV-XVI - Renascimento cultural e científico– Reforma 
protestante – Estado absolutista (Maquiavel, René Descartes, Frances Ba-
con, Thomas Hobbes).
XVII e XVIII - Iluminismo últimas décadas dos séculos - movi-
mento cultural e filosófico ética, política, religião, costumes, direito ou 
economia. (Voltaire, Montesquieu, David Hume, Jean-Jacques Rousseau, 
John Locke, Immanuel Kant). 
Contemporâneo séculos XIX e XX- revolução político-social, a 
Revolução Francesa, a Revolução Industrial Inglesa, o capitalismo. (Karl 
Marx, Friedrich Nietzsche, Arthour Schopenhauer, Jean-Paull Sartre, Si-
mone de Beauvoir, Michael Foucault, Zygmount Bauman, Jurgen Haber-
mas).
Seguindo a cronologia e o início de Freud nos estudos vindo de 
um momento de apogeu científico, de descobertas e construções nas ci-
ências e encontra um ambiente pulsante para seus estudos e descobertas.
Encontrando Freud uma breve biografia.
Sigmund Freud inicia sua formação em medicina aos 17 anos em 
Viena,1873. Em 1856, em Freiberg, Morávia (Tchecoslováquia), cresceu 
em Viena, filho mais velho de uma família de Judeus com a tradição de 
Rabinos na família, se forma em medicina aos 25 anos, feito um longo 
aprendizado em neurologia.
Descrito como brilhante, um gênio, se dedicou a fisiologia primei-
ro em animais, depois do sistema nervoso, dedicou-se aos estudos sobre 
adoecimento mental, nesse momento visto através da medicina/biologia, 
e buscava em suas pesquisas científicas explicação e cura para esses adoe-
cimentos. Como pesquisador e neurologista publicou Sobre afasias 1891, 
e o projeto 1895
Obs. A medicina desta época era quase que inteiramente assenta-
da em bases biológicas, muito pouco interessada na psicologia (Zimmer-
mann,2009).
12
Indicação de leitura sobre a biografia de Freud: A vida e obra de 
Freud de Ernest Jones
ROUDINESCO, Elisabeth. Sigmund Freud na sua época e em 
nosso tempo. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2016.
Freud tem um extenso trabalho que antecede a psicanálise em ou-
tras áreas da medicina, uma de suas primeiras publicações que anuncia-
vam o que estava a caminho é “O projeto para uma psicologia científica 
1895”. 
A leitura desse trabalho nos mostra um início com base médica, bio-
lógica, um trabalho repleto de siglas e termos que costuram a seu modo 
algo que buscou tonar palpável, mensurável seu objeto de pesquisa, ainda 
que não seja uma leitura essencial ou indispensável, ela pode ser interes-
sante diante da condição caleidoscópica do texto. Fica aqui a sugestão de 
leitura, ele está sendo colocado neste momento para demonstrar os cami-
nhos que Freud trilhou para chegar à psicanálise, nele temos registrados 
conceitos que seriam difundidos posteriormente. Vamos destacar alguns 
pontos que não descartam a leitura integral do texto original.
O QUE ENCONTRAMOS NO PROJETO – A busca por uma base 
orgânica para adoecimentos psíquicos (Bezerra, 2013).
 • Objetivo geral: Descrever o funcionamento mental em termos 
mecânicos- fisiológicos, e superar o hiato conceitual entre o funcionamen-
to mental normal e o patológico.
 • Objetivo fundamental: Encontrar uma solução neurofisiológi-
ca para o enigma da defesa patológica.
 • Mudança da abordagem fisiológica-mecânicapara organísmica 
ou evolucionista (organismo -> ambiente)
Indicação de leitura: Introdução à metapsicologia freudiana 1 
Luiz Alfredo GARCIA-ROZA; O Projeto 1895 Freud
Alguns pontos que encontramos e aqui destacamos por nos pare-
cerem conhecidos: o neurônio e a quantidade, quantidade e intensidade, 
o princípio da inércia neurônica, o investimento, as barreiras de contato, 
o sistema e a consciência, os signos de qualidade, prazer e desprazer, no-
ção de período, memoria, dor e vivencia de dor, afeto e desejo, introdu-
ção ao eu, processos secundários, A coisa (das ding precursor do objeto a 
de Lacan), os sonhos, O pensar e a realidade, o pensar prático, o pensar 
discernidor, se assemelham uns mais e outros menos ao que vemos ao 
longo do trabalho desenvolvido posteriormente,
13
O projeto está preso na neurologia, sendo uma tentativa de repre-
sentar o cérebro, a tentativa de uma igualdade entre o neural e o psíquico 
(isomórfico). Com o avanço de sua construção Freud sai do aparelho iso-
mórfico para o abstrato do aparelho psíquico. 
Temos algumas especulações sobre o “abandono do projeto”:
Mark Solms
O projeto não foi abandonado mas sofreu restrições.
Limitação conceitual e tecnológica
União do conhecimento neurológico com a prática clínica
Integração da psicanálise com as neurociências ou a impossibilidade des-
sa integração.
Karl Pribam
Intensão de Docência na Universidade de Viena;
Rumo mais seguro (clínica) X Laboratório
Restringir o trabalho para uma construção própria;
A leitura do Projeto deixa claro que muitas das ideias psicológicas 
ali contidas permaneceram no espírito de Freud e continuaram a ser ela-
boradas ao longo de sua vasta obra.
Ao olharmos o percurso da psicanálise, podemos vê-la em seu iní-
cio como a junção de uma teoria e prática que rompem com a psiquiatria, 
a neurologia e a psicologia do século XIX. É exatamente neste cenário, 
onde a ciência médica predominava, é que a psicanálise se inicia, a partir 
das rígidas concepções médicas patológicas do adoecimento da psique 
que deram início a caminhada em busca da compreensão da mente hu-
mana (Garcia Roza, 1984).
Seu surgimento ocorre, portanto, com a criação de um lugar para 
si, diante das dificuldades encontradas na medicina e psiquiatria para sua 
aceitação e reconhecimento como ciência. A psicanálise era vista como 
uma ameaça, pois a ciência até então reconhecida, se regia pela possibili-
dade de predizer toda a realidade do mundo, à medida que fossem esta-
belecidas leis gerais do funcionamento da natureza.
Freud, baseado em novos paradigmas que viriam a se tornar a base 
da Física Moderna, estruturou suas construções teóricas no relativo, com-
plexo e instável, levando questionamentos ao determinismo científico. As-
sim foram conduzidas as formulações no campo da psicanálise. Antes do 
seu advento, o único lugar institucional onde o discurso individual tinha 
acolhida eram os confessionários religiosos. A psicanálise vem ocupar, no 
século XX, este lugar de escuta. (Garcia Roza, 1984).
14
Pontos importantes:
- Período Histórico e contexto social
- O período de surgimento da psicanálise 
- Crescimento da filosofia – Racionalidade
- Tem origem na medicina e na biologia
- O Projeto é um ponto importante para o início da psicanálise, ele 
prevê seu desenvolvimento, não pela biologia.
Textos base:
BEZERRA JR, Benilton. Projeto para uma psicologia científica: Freud e 
as neurociências. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2013.
FREUD, Sigmund. O Eu e o Id, Autobiografia e outros textos: 1923-
1925. In: O Eu e o Id, Autobiografia e outros textos: 1923-1925. 2011.
______________. Introdução ao narcisismo: ensaios de metapsicologia e 
outros textos (PC de Souza, trad. e notas, pp. 13-50). São Paulo: Compa-
nhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1914), 2010.
______________. Projeto para uma psicologia científica. Edição standard 
brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 1, p. 29-
397, 1895.
______________. Três ensaios sobre A teoria da sexualidade, análise frag-
mentária de uma histeria (“O caso Dora”) e outros textos: 1901-1905. São 
Paulo Companhia das Letras, 2016.
______________. Fundamentos da clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
FREUD, Sigmund; BREUER, Josef. (1893-1895) Estudos sobre a histeria. 
Obras completas, v. 2, São Paulo; Companhia das Letras; 1996.
BREUER, J.; FREUD, S. 1893-1895. Estudos sobre a histeria. Obras com-
pletas, ESB, v. 2. 1977.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. Zahar, 1987.
______________________. Introdução à Metapsicologia Freudiana 1. 
Zahar, 2010.
______________________. Introdução à Metapsicologia Freudiana 3. 
Zahar, 2010.
DE LIMA, Brunno Marcondes. O mal-estar na civilização: um diálogo 
entre Freud e Marcuse. Revista Subjetividades, v. 10, n. 1, p. 61-86, 2010.
FOUCAULT, Michel. História da loucura na idade clássica.(1961) 5º edi-
ção. 1997.
ZIMERMAN, David E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, Técnica, Clí-
nica–Uma Abordagem Didática: Teoria, Técnica, Clínica–Uma Aborda-
gem Didática. Artmed Editora, 2009.
15
Aula 2 O Poder Mágico
Nesta aula vamos falar sobre pontos norteadores da teoria e como 
eles foram sendo articulados de forma que se tornaram imprescindíveis 
para a psicanálise. O primeiro que vamos abordar é o conceito sobre a 
psique humana:
“Psique é uma palavra grega que em alemão significa alma. Portan-
to, tratamento psíquico seria tratamento anímico – Tratamento que parte 
da alma, tratamento de distúrbios anímicos ou físicos - com meios que 
terão efeitos sobre o anímico da pessoa. Um desses meios é, em primeira 
linha ferramenta essencial do tratamento a palavra.” (FREUD 1890)
Nesse trecho Freud coloca a palavra como uma via de acesso para 
o tratamento anímico com efeitos no físico, então é através da palavra que 
o tratamento acontece, afirmação que para a época não teve fácil aceita-
ção no meio médico científico.
Ao fazer referencia a palavra Freud diz que:
“As palavras do cotidiano possuem magia empalidecida e será necessário 
trilhar um mais um desvio para tornar compreensível como a ciência consegue 
devolver à palavra pelo menos uma parte de seu antigo poder mágico.” (FREUD 
1890)
O entendimento sobre a existência da psiquê a partir da divisão do 
corpo e a mente/alma de René Descartes (séc. XVII) ampliou os entendi-
mentos e as pesquisas sobre os processos de saúde e doença nas ciências 
naturais sendo um divisor, nos anos/séculos que se seguiram temos um 
salto nas descobertas de tratamentos de doenças do corpo e o desenvolvi-
mento da medicina, houve o avanço das ciências naturais.
Freud coloca que médicos cientificamente treinados aprenderam 
a reconhecer o valor do tratamento anímico só em tempos recentes, ele 
estava falando isso em 1890, ainda que já houvesse a compreensão sobre 
a existência sobre o anímico, os adoecimentos e a interação entre ele e o 
físico não tiveram o mesmo espaço de desenvolvimento nas ciências, não 
ocupando o lugar de ciência.
O anímico e o físico nunca deixaram de se relacionar (mente e cor-
po), a medicina tem uma direção unilateral voltada ao corpo, esta direção 
começa a mudar com o surgimento de pacientes e menor e maior gravi-
dade que com seus distúrbios e queixas colocam muitos desafios para a 
16
arte dos médicos, pois não há sinais visíveis e palpáveis do processo de 
doença nem em vida e nem em morte, um grupo desses doentes chama 
atenção pela riqueza e variedade do quadro clínico. (FREUD 1890) pag. 
22
Chega-se à conclusão de que esses doentes devem ser tratados 
como de afecções do sistema nervoso, não haviam sinais visíveis no cé-
rebro desses pacientes, coube aos médicos a investigação destes processos 
de adoecimentos nervosos.
A medicina chega a um consenso que esses sinais do sofrimento se 
originavam de uma influência modificada de sua vida anímica sobre seu 
corpo (FREUD 1890) pag. 23. E que a busca de um tratamento deveria 
partir do anímico, sendo encontrada a conexão, ainda faltava voltar as 
atenções,a relação desprezada entre mente e corpo. Algumas pesquisas 
começam a se voltar para essa área paulatinamente e entremeada pela 
medicina, nesse momento Freud inicia suas pesquisas sobre os adoeci-
mentos da alma.
Freud produz seus trabalhos sobre os adoecimentos anímicos atra-
vés da sua prática, sua prática dá base para sua teoria.
Alguns dos diversos adoecimentos físicos dos quais Freud faz re-
ferência: afecções do sistema nervoso, ideias obsessivas, ideias deliran-
tes, loucura, dores, fraqueza, paralisias, dormência, problemas digestivos, 
arrotos, câimbras estomacais, distúrbios de sono, evacuação. Que são a 
Ações de processos anímicos sobre o corpo ou das Oscilações de Ânimo, 
estados anímicos chamados de “afetos”, deles citados como o depressivo 
como a tristeza, preocupação, luto, que ocasionam doenças em outros 
órgãos. Ex: maior ocorrência de adoecimento de membros do exército 
derrotado do que entre aos vencedores
Outros processos que podem ter influência sobre o corpo, sendo 
que essas podem ser produzidas ou intensificadas ou esquecidas: vonta-
de, atenção
Ex: Não sentir um ferimento durante uma luta/briga, melhoras 
milagrosas em estados de adoecimento – aqui é pontuado sobre a influ-
ência sobre a vontade de viver e a vontade de morrer em processos de 
adoecimento. Ex: Expectativa, expectativa temerosa, expectativa crédu-
la (curas milagrosas)
17
Sobre a personalidade do médico:
O que conhecemos hoje como ciência é uma construção, não ter-
minada, está em constante movimento, e desse modo as áreas que per-
meia como as ciências humanas e naturais. Aqui não vamos apontar um 
início ou data específica, mas a existência de tratamentos de saúde que 
antecederam a medicina, pois os adoecimentos sempre estiveram presen-
tes, assim como a morte.
Tomaremos aqui de referência a maneira que os povos antigos tra-
tavam os processos de adoecimento que era principalmente o tratamento 
anímico, na ausência de meios médicos científicos/biológicos havia o tra-
tamento intensivo da alma através de autoridades de cuidado como pajé, 
sacerdotes, benzedeiras, através de chás, bebidas rezas e outros meios de 
cura - nesse contexto havia uma junção, há uma referência sobre a per-
sonalidade do médico a ter uma herança, fama derivada diretamente do 
poder divino, tanto naquela época como hoje ( Freud falava de 1890), 
sendo essa uma das principais circunstâncias para a cura.
Esse trecho é do século 19, e convido para uma reflexão como po-
demos pensar essa relação em 2021? A forma que essa relação se estabe-
lece e o seu papel no processo do tratamento.
Temos aqui a afirmação de que o médico possui uma autoridade 
de cura herdada e que teria controle sobre a magia das palavras que exer-
ce influência sobre o doente, palavras que podem afastar manifestações 
de doença, ainda mais aquelas que se originam em estados anímicos. A 
psicanálise se origina no meio médico que já possui essa herança que é 
trazida e se faz presente na figura do analista. Tal afirmação ou informa-
ção pode ser recebida com desconfiança, como algo tão anterior pode se 
fazer presente na relação médico/analista paciente? Quando o sujeito bus-
ca um atendimento psicanalítico, acredita que irá encontrar uma pessoa 
com conhecimento para “curá-lo” livrá-lo de sua angustia, do sofrimento 
que o move em busca do profissional.
A partir dessas conclusões se introduz o tratamento anímico moderno.
Freud passa ase dedicar aos estudos sobre a histeria e o tratamento 
feito com base na hipnose que tem como percursor o Jean-Martin Char-
cot em Paris. Freud parte em busca dos trabalhos desenvolvidos, como 
aluno começa seus trabalhos práticos e de pesquisa com o método de 
Charcot. A publicação do trabalho Estudos sobre a Histeria (1895) que 
traz os relatos de casos de Freud e Breuer. Tamos os casos publicados 
como referência e material de análise e estudo que continuam a serem 
18
utilizados na transmissão da psicanálise, neles temos descrições das per-
cepções de Freud e suas conclusões que são utilizadas paras construções 
sobre o funcionamento psíquico, deixo aqui a indicação da leitura do tra-
balho e os casos, destaco aqui o caso Dora, certa da contribuição que trará 
aos seus estudos.
Coloco aqui alguns pontos importantes sobre esse momento inicial 
da psicanálise (que não substituem a leitura do texto original:
- A relação entre hipnotizado e hipnotizador e a credulidade, que 
depois dá lugar a transferência
- Reconhece os efeitos, benefícios e limitações da hipnose - não 
são todas as pessoas possíveis de serem hipnotizada.
- A hipnose como resultado da sugestão pela palavra,
- Freud responde sobre os questionamentos de o tratamento da 
palavra tem efeito sobre o corpo e nos diz que é através da eficácia da 
palavra
- Aqui faz referência a causalidade e a magia das palavras, não ha-
via se dado conta do fenômeno da transferência, mas podemos perceber 
sua atenção a relação médico paciente.
Texto base:
FREUD, Sigmund. Fundamentos da clínica psicanalítica; Tratamento aní-
mico (1890). Autêntica, 2017
BREUER, Josef; FREUD, Sigmund. Obras completas, volume 2: estudos 
sobre a histeria (1893-1895) tradução Laura. Barreto; revisão da tradu-
ção Paulo César de Souza—. 2016.
Pontos importantes:
- Conceito de Psiquê
- A importância da palavra
- O papel do médico no tratamento
- A relação Médico Paciente
- A ligação de mente e corpo
19
Aula 3 Os Afetos e Seus Adoecimentos
Os afetos e seus adoecimentos
Os médicos encontravam dificuldades em comprovar patologias 
corporais de ordem anímica (psíquica/alma), ocorrendo a desvalorização 
e injustiças com os adoecimentos psíquicos. Ainda que seja um trabalho 
antigo, ainda se faz presente no cenário da saúde mental.
Como contextualização, sobre os estudos da histeria acontece atra-
vés da pesquisa do adoecimento de mulheres, é necessário identificar o 
papel da mulher nessa sociedade como plano de fundo e como parte do 
processo de adoecimento mental.
Estudos sobre a Histeria
A Psicanálise tem como origem nos trabalhos Estudos sobre a His-
teria (1985). Freud e Breuer em seu prefácio, os estudos são apresentados 
como um novo método de examinar e tratar os fenômenos histéricos, 
onde a partir do desenvolvimento do método catártico aplicado em pa-
cientes histéricos, através do uso da hipnose havia a intensa manifestação 
dos afetos, lembranças e impulsos que estavam fora da consciência e a 
partir dessas manifestações tinha como principal função o afastamento de 
sintomas da doença. Ex: Regressão a primeira vez que o sintoma acontece 
(momento do trauma).
Esses Sintomas seriam processos psíquicos reprimidos e que não 
chegam à consciência e que o escoamento desses afetos que se encontra-
vam comprimidos tinha uma eficácia terapêutica (lembrando que ainda 
não havia se construído o conceito de inconsciente, mas havia um esbo-
ço. )
Os autores começam a encontrar algumas falhas em seus métodos:
- As dificuldades ao identificar que não era só um trauma que cau-
sava o adoecimento e sim vários acontecimentos.
- As sugestões durante a hipnose não fazem mais parte da técnica, 
e a partir do que surge na cartasse se espera mudança no percurso psíqui-
co diferente do que levou a formação de sintoma
- Nem todos são hipnotizáveis
- Não é uma cura duradoura, ocorre o retorno de sintomas.
20
Freud desiste da hipnose e adota sessões que ocorrem como uma 
conversa entre duas pessoas igualmente despertas, o paciente é colocado 
de forma confortável de e com o médico fora do seu campo de visão, ele 
convida os pacientes a falarem à vontade suas comunicações “tudo o que 
vem à cabeça, mesmo que não achem importante, ou que não vem ao caso 
ou o que não faz sentido ainda que lhe pareça vergonhoso ou embara-
çoso” (FREUD, 1904). Ao solicitar que o paciente discorra o histórico de 
sua doença sobre seu adoecimento e sintomas, Freud identifica lacunas 
nas lembranças, confusões temporais resultando em efeitos incompreen-
síveis, quando questionado e busca preenchercom certo esforço, surgem 
críticas refreadas e o mal-estar quando a lembrança aparece, a conclusão 
de Freud sobre as amnésias em pacientes sem histórico são ocasionadas 
por um processo que nomeia de recalque e descreve que sente forças 
psíquicas contrárias ao para esse recalque vir à tona , uma resistência se 
ergue contra esse conteúdo. (FREUD, 1904)
Aos poucos acontece a passagem da hipnose para a associação li-
vre, ocorrendo de forma gradativa de acordo as experiências com as pa-
cientes. No decorrer do trabalho nos são apresentados os métodos desen-
volvidos e utilizados nos casos apresentados.
Com as mudanças adotadas a psicanálise passa a ser um tratamen-
to adequado a mais pessoas e adoecimentos, havendo uma ampliação do 
saber terapêutico através das descobertas nos casos de histeria se mos-
trando um tratamento eficaz, ressaltando sobre a aplicação feita em casos 
graves o que demanda um extenso trabalho e tempo, mas sugere que em 
casos mais leves isso deve se abreviar.
Pontos importantes:
- Apresentação de técnicas utilizadas e de conceitos que serão di-
fundidos como pilares da psicanálise.
- Formações Psíquicas recalcadas 
- A Interpretação
- Resistência
- Inconsciente 
- Associação Livre 
Obs. Nestes pontos propostos e nos textos citados é possível ras-
trear os primeiros passos do desenvolvimento da psicanálise enquanto 
instrumento para o exame científico da mente humana, não é um sim-
ples relato de história da superação de uma série de obstáculos; é o da 
descoberta de uma série de obstáculos a serem superados, e os caminhos 
encontrados para desenvolver a psicanálise.
21
Textos base: 
FREUD, Sigmund. Fundamentos da clínica psicanalítica; O método Psi-
canalítico Freudiano 1904/05. Autêntica, 2017.
FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas com-
pletas de Sigmund Freud; Estudos sobre a Histeria (1895). Imago edito-
ra, 2016.
22
Aula 4 Escuta Psicanalítica
O desenvolvimento da técnica psicanalítica através da associação 
livre e a atenção flutuante como principais ferramentas de trabalho.
Percurso Psicanalítico: da hipnose à associação livre
Em Princípios Básicos da Psicanálise, de 1913, Freud descreve a 
psicanálise como uma disciplina singular, um novo tipo de pesquisa das 
neuroses e um método de tratamento, diferente das práticas médicas vi-
gentes até então. As primeiras pesquisas psicanalíticas e tentativas de tra-
tamento ocorreram com o método hipnótico. 
Entretanto, para Freud a psicanálise teve seu inicio apenas quando 
deixou de usar a técnica hipnótica e introduziu as associações livres. Após 
essa mudança, ele mesmo desenvolveu uma técnica de interpretação para 
extrair conclusões do material revelado na associação livre (Freud, 1913).
A associação livre consiste em exprimir indiscriminadamente todos 
os pensamentos que acodem ao espírito, quer a partir de um elemento 
dado, quer de forma espontânea (Laplanche & Pontalis, 1970). 
A fala do analisando durante o uso da associação livre põe o analis-
ta no lugar de escuta, voltando sua atenção ao que está sendo enunciado. 
Uma das recomendações técnicas de Freud foi quanto à forma da escuta, 
que deveria ser feita através da atenção flutuante, na qual o analista deve 
escutar o analisando, não privilegiando a princípio nenhum elemento do 
seu discurso, o que implica que deixe funcionar o mais livremente possí-
vel a sua própria atividade inconsciente e suspenda as motivações em que 
dirigem habitualmente a atenção (Laplanche & Pontalis, 1970). 
Durante toda a obra freudiana é constantemente encontrada a for-
mulação e retomada de teorias sobre formas de expressões do inconscien-
te. Ao se deparar com conteúdos que estavam fora da consciência, e assim 
fora do acesso do analisando, estas teorias buscavam formas de identifi-
cá-los para além do método hipnótico. Para Freud era possível identificar 
na fala dos pacientes estes conteúdos na forma de atos falhos, equívocos 
de memória e linguagem, e esquecimentos, ligando-os á atuação de fortes 
pensamentos inconsciente.
O sonho, também como um processo psíquico, foi estudado mais 
a fundo se tornando uma das principais colunas da obra freudiana, che-
gando à fórmula geral: “O sonho é a realização disfarçada de um desejo 
reprimido” (Freud, 1913). O estudo da interpretação dos sonhos presta 
23
uma valiosa ajuda na técnica psicanalítica, construindo um método para 
penetrar na vida psíquica inconsciente.
A investigação iniciada por Freud através da subjetividade huma-
na e a busca em compreender seu adoecimento nos leva a deparar com 
a complexidade que empregou esforços a desvendar. Ao encontrar obs-
táculos e mecanismos de defesa, descobre a capacidade dos conteúdos se 
deslocarem, converteram e se transformarem. Ao tempo em que vai dan-
do espaço para a fala, vai abrindo um caminho rumo ao desconhecido.
Um acesso ao desconhecido
O método psicanalítico de investigação buscava formas de acesso 
aos indícios de conteúdo que estariam presentes na psique, mas não de 
forma consciente. A tese da existência destes conteúdos tornou-se mais 
forte durante os diversos estudos de pacientes em estado hipnótico, para 
Freud, “uma idéia inconsciente é uma idéia que não notamos, cuja exis-
tência estamos dispostos a aceitar, com base em indícios e provas” (Freud, 
1912).
Em busca da causa dos sintomas que acometiam os pacientes Freud 
se depara com o desconhecido, uma nova possibilidade a ser explorada: 
a existência de conteúdos inconscientes que estariam ativos agindo no 
surgimento destes sintomas. As evidências encontradas deram um novo e 
amplo sentido ao sofrimento humano. 
Ao introduzir a noção de inconsciente, Freud coloca o que é dito 
pelo paciente em um espectro mais amplo, para além da palavra enuncia-
da conscientemente. O inconsciente busca ser escutado, ter seus desejos 
satisfeitos, comunicando-se por meio de complexas formações: sonhos, 
sintomas, lapsos, chistes, atos-falhos; fenômenos que apontam para esse 
“desconhecido” que habita o sujeito (Macedo & Falcão, 2005).
Na busca de tratá-las, com diversas tentativas desde o uso da hip-
nose até chegar a associação livre, o acesso ao inconsciente e a possibilida-
de de escutá-lo.
O que está em foco não é mais um sujeito sob hipnose, mas a fala 
consciente com suas lacunas a serem escutadas, dando lugar à narrati-
va do sujeito e da sua história, contextualizando e inserindo um cenário 
para sua dor, solicitando que a sua história seja levada em conta.
O trabalho do analista é reconstruir a história a partir de fragmen-
tos encontrados no discurso. Reconstruir e dar sentido. Freud compara 
24
o trabalho do analista ao arqueólogo que utiliza de fragmentos para cui-
dadosamente remontar e a apresentar a história ao analisando e juntos a 
construção em análise é feita.
Segundo Garcia-Roza (1984), a psicanálise não coloca em cheque o 
sujeito da verdade, mas verdade do sujeito. Pergunta o porquê da recusa 
dos desejos rejeitados pela sua consciência através dos fenômenos de de-
fesa, as formas que o ego encontra de se proteger de uma representação 
desagradável.
Ainda este autor afirma que, ao se fazer uso da psicanálise sem a 
hipnose o analista encontra resistência ao trabalho de análise que ante-
riormente estava oculta. Ao tentar entrar em contato com conteúdos que 
teriam causado os sintomas, os pacientes esbarravam com uma resistên-
cia, idéias de natureza aflitiva, capazes de despertar emoções de vergo-
nha, autocensura e de dor psíquica.
Compreender que o que cabe ao analista é ouvir o sujeito, sua 
história e o que nela é dor; e ainda, que quando livres de classificações 
ou rótulos, os lapsos, sonhos, repetições e sintomas, revelam-se enfim, 
formas de subjetividade que abrem espaços de singularidade. Conside-
rar a psique como um sistema que possui uma organização determinada, 
mas que pode transformar-se e adquirir novas propriedades, como o faz 
produzindo e reproduzindo continuamente a história do sujeito, implica 
colocar a escuta em um campointersubjetivo, ou seja, no campo da trans-
ferência.
“Desde a primeira sessão a história oficial é confrontada com aque-
la que o analista ajuda a construir, analisando as formações de compro-
misso. os testemunhos do passado são os sintomas, as transferências, as 
repetições, as formações de caráter, os sonhos e também as recordações” 
(HORNSTEIN, 2003 apud MACEDO & FALCÃO, 2005). 
Cabe ao analista escutar o sujeito em sua totalidade e, a partir do 
que é apreendido, aplicar as técnicas que cabem no momento, pois a teo-
ria psicanalítica não pode ocupar o lugar da história de vida do paciente. 
Ainda assim, justifica-se a importância dos suportes teóricos que susten-
tam a práxis do analista. (Macedo & Falcão, 2005).
Embora analista e analisando compartilhem deste processo, não 
existe uma relação de igualdade entre eles. Essa assimetria necessária ad-
vém da capacidade de escuta do analista: A escuta que mantém a transfe-
rência, mas não se confunde com ela, e não cede à solicitação do paciente, 
impedindo uma satisfação substituta do desejo, o que abre possibilidade 
para sua ressignificação.
25
O analista deve ouvir e ao se colocar é como uma retirada específi-
ca, cirúrgica no material apresentado do analisando, a ideia da escultura 
de Da Vince, onde se retira para criar a imagem da escultura 
Importante: Formas de atendimento presencial ou remoto, am-
bras possibilitam a aplicação da técnica, a maneira de desenvolver o tra-
balho acontece de com a disponibilidade de ambos, do paciente em levar 
conteúdo para a análise e o espaço interno do analista.
Pontos Importantes:
- A associação Livre como regra primordial a ser seguida pelo analisando
-A atenção Flutuante como forma de apreender o material a ser analisado
- O analista deve despir-se de rótulos durante a escuta 
- O analista só sabe o que é dito pelo analisando
- A associação livre acontece independente do uso de espaço físico ou vir-
tual ou o uso de divã
Textos base:
FREUD, Sigmund. Princípios básicos da psicanálise. Observações psica-
nalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (“ O Caso 
Schreber”), Artigos sobre técnica e outros textos (1911-1913). São Paulo: 
Companhia das Letras, 2010.
FREUD, Sigmund. Algumas observações sobre o conceito de inconscien-
te na psicanálise. Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia 
relatado em autobiografia (“ O Caso Schreber”), Artigos sobre técnica e 
outros textos (1911-1913). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. Jorge Zahar Editor 
Ltda, 1984.
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psica-
nálise. Martins Fontes Editora Ltda, 1970.
MEDEIROS KOTHER MACEDO, Mônica; NEUMANN DE BARROS 
FALCÃO, Carolina. A escuta na psicanálise e a psicanálise da escuta. Psy-
chê, v. 9, n. 15, 2005.
FREUD, Sigmund. O método Psicanalítico Freudiano 1904/05. Funda-
mentos da clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
FREUD, Sigmund. Estudos sobre a Histeria (1985). Edição standard bra-
sileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Imago edito-
ra, 2016.
26
Aula 5 Repressão - O protótipo do inconsciente
Agora vamos falar sobre o conceito de repressão para nos encami-
nhar a construção do conceito de Inconsciente que falaremos mais a fren-
te, ela faz parte do percurso de compreensão da construção do conceito 
de inconsciente e sobre o funcionamento da dinâmica pulsional.
A repressão é um conceito que trata de encontrar um destino pos-
sível para conteúdos de caráter desagradável que teriam a capacidade de 
causar incômodo na consciência, desprazer, esses conteúdos seriam convi-
dados ou escolhidos a se retirarem da consciência através do mecanismo 
da repressão.
Dentre as considerações de Laplanche sobre a repressão vamos 
destacar a Repressão como Operação psíquica tende a fazer desaparecer 
da consciência um conteúdo desagradável ou inoportuno: ideia, afeto, 
etc. (LAPLANCHE, 1988)
Lembrando que as traduções sobre o termo pulsão que é central 
na obra de Freud têm algumas especificidades sobre a sua tradução, que 
em alguns momentos aparece como instinto, mas o termo pulsão segue 
sendo o mais próximo da proposta freudiana e em nota de rodapé na tra-
dução da Companhia das Letras de Paulo César de Souza temos:
Triebregung: Nas versões estrangeiras consultadas: instinto, moci-
ón pulsionale, moto pulsionale, motion pulsionelle. (Freud, 1915)
Obs: Dentre os textos disponibilizados para essa aula incluímos um 
e-book sobre os livros disponíveis no mercado e suas traduções.
Aqui faremos algumas pontuações a partir do texto de Repressão 
de 1915, nossa intenção aqui é trazer a compreensão sobre o conceito e 
não esgotar as discussões sobre ele. 
Destacamos alguns pontos do trabalho sobre a repressão.
Repressão Primordial: uma primeira fase da repressão que consis-
te uma negação, à representação psíquica da pulsão na consciência. Com 
isso se produz uma fixação; a partir daí a representante em questão per-
siste inalterável, e a pulsão permanece ligada a ela.
Repressão propriamente dita: um segundo estágio da repressão, 
afeta os derivados psíquicos da representante reprimida ou as cadeias de 
pensamentos que, originando-se de outra parte, entraram em vínculo 
associativo com ela. Graças a essa relação, tais repressões sofrem o mesmo 
27
destino que o que já foi reprimido primordialmente. A repressão pro-
priamente dita é uma pós-repressão.
Freud coloca que a tendência a repressão só acontece porque algo 
foi reprimido anteriormente e está disposto a acolher, atraindo o que é 
repelido pelo consciente e a atuação dessas duas forças em conjunto per-
mitem que o propósito seja alcançado
O que a consciente repulsa, o inconsciente atrai.
O que foi reprimido assim permanece quando feito com êxito este 
não retorna, mas dependendo de mudanças possíveis e no êxito ou não 
dessa repressão, podem surgir representantes pulsionais do reprimido, 
ideias, afetos que chegam a consciência, mas não permanecem.
O reprimido não está morto, existe uma constante força dele em 
direção ao consciente exigindo um constante gasto de energia, na qual é 
compensada com uma contrapressão. 
O que foi reprimido assim permanece quando feito com êxito este 
não retorna, mas dependendo de mudanças possíveis e no êxito ou não 
dessa repressão, podem surgir representantes pulsionais do reprimido, 
ideias, afetos que que chegam à consciência através de cadeias de pensa-
mentos, mas não permanecem.
Quando o representante pulsional tem acesso ao consciente como 
uma ideia, logo este é convidado a se retirar, como um hóspede indeseja-
do e tem seu acesso negado, essa ideia some do consciente e não retorna.
A pulsão é reprimida de modo que dela nada se encontra. O afeto 
surge de maneira qualitativamente nuançado, com aparência sutil e me-
nor ao seu antigo formato ou se transforma em angústia, as duas condi-
ções nos permitem observar novas vicissitudes da pulsão, a conversão 
das energias psíquicas das pulsões em afetos, muito especialmente em 
angústia.
Lembrete: O propósito da repressão é evitar o desprazer. E o seu 
fracasso e o seu sucesso diz se consegue ou não evitar o desprazer, o que 
é o foco do nosso estudo.
Freud usa como exemplo um hospede indesejado que é retirado 
da sala e impedido de retornar, no caso da repressão, permanece um vi-
gia na porta que impede o acesso a sala.
28
Podemos entender o papel da repressão na formação dos sintomas 
através de indícios do retorno do reprimido, os mecanismos de repressão 
têm uma coisa em comum, a retração do investimento de energia.
É observado nos casos de repressão o surgimento de psiconeuroses 
como, fobias, histeria de angústia, histeria de conversão, todos envolvidos 
nas formações de sintomas, com mais diferentes manifestações compa-
radas por Freud, que mostra também na neurose obsessivas através da 
formação reativa.
formação reativa: mecanismo de defesa que substitui sentimentos 
e comportamentos opostos a forma ao desejo real, pormedo de punição 
social. 
A repressão como posta aqui se apresenta com um papel no objeto 
de estudo proposto, nas angustias e no processo de adoecimento, os des-
dobramentos sobre ela nos adoecimentos identificados por Freud e a sua 
relação com o inconsciente. 
Pontos Importantes: 
- A função da repressão na formação de sintomas 
- A principal função da repressão é evitar o desprazer, quando essa falha 
surgem os sintomas.
- As vicissitudes das pulsões e formas de escape a cs 
- As variações e interações nas manifestações como mecanismos de defesa
Textos base:
CAROPRESO, Fátima; SIMANKE, Richard Theisen. Repressão e incons-
ciente no desenvolvimento da metapsicologia freudiana. Ágora: Estudos 
em Teoria Psicanalítica, v. 16, p. 201-216, 2013.
FREUD, Sigmund. A repressão: 1915. Freud (1914-1916) introdução ao 
narcisismo, ensaios de metapsicologia e outros textos; Companhia das 
Letras, 2010.
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psica-
nálise. In: Vocabulário da psicanálise. 1988.
29
Aula 6 A Resistência
A resistência é identificada nos estudos sobre a histeria é descrita 
como forças contrárias que se opõem ao tratamento, é um entrave, uma 
barreira na elucidação dos sintomas e o avanço do tratamento. Podemos 
observar além da identificação, a superação dessas barreiras
A resistência em Laplanche (1988): No decorrer do tratamento 
psicanalítico, dá-se o nome de resistência a tudo o que, nos atos e palavras 
do analisando, se opõe ao acesso deste ao seu inconsciente. Por exten-
são, Freud falou de resistência à psicanálise para designar uma atitude de 
oposição às suas descobertas na medida em que elas revelaram os desejos 
inconscientes e infligiam ao homem um “vexame psicológico”
Freud propõe uma apreciação mais correta da resistência e consi-
derou a interpretação da resistência, juntamente com a da transferência, 
como características específicas da sua técnica. Mais, a transferência deve 
ser considerada parcialmente uma resistência na medida que substitui 
pela repetição, a resistência utiliza, mas não a substitui. Transferência é 
uma das maiores resistências
A rememoração que faz parte do tratamento, faz com que a resis-
tência tenha sua manifestação própria diante de Representações penosas, 
uma resistência que tem sua origem no recalcado. É uma forma de defesa 
ao desprazer, onde mantem conteúdos de prazerosos fora da consciência.
Com o desenvolvimento da segunda tópica com as instâncias psí-
quicas ocorre um acentuamento no aspecto defensivo da resistência que 
passam a serem identificadas como mecanismos de defesa do ego (falare-
mos mais a frente) e esse entendimento é preservado por Freud até seus 
últimos escritos. Ao longo de sua Obra Freud descreve várias fontes de 
resistência
Os mecanismos de defesa contra perigos antigos retornam no 
tratamento sob forma de resistências à cura, isso porque a cura é consi-
derada pelo ego um novo perigo.
Em inibições, sintoma e angústia Freud distingue cinco formas de 
resistências, três estão ligadas ao ego: O recalcamento, a resistência de 
transferência e o benefício secundário da doença onde o sintoma é in-
tegrado no ego, as outra tem como origem resistência do ics ou do id e 
com a do ego, (a força da compulsão à repetição) e por último a resistên-
cia do superego, culpa ics e o castigo.
30
Pontos importantes:
- Resistência como um mecanismo de defesa
- Relação entre Resistência e transferência 
- O recalcamento
- A resistência de transferência 
- O benefício secundário da doença
- Resistências do Ics
- Resistência do Superego
Textos base:
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psica-
nálise. In: Vocabulário da psicanálise. 1988. 
FREUD, Sigmund. Edição standard brasileira das obras psicológicas com-
pletas de Sigmund Freud; Estudos sobre a Histeria (1895)
31
Aula 7 Transferência
Freud nos diz que a transferência na análise é a mais forte resistên-
cia contra o tratamento, enquanto fora da análise temos de reconhecê-la 
como portadora do efeito de cura e condições para o sucesso do trata-
mento.
Podemos acompanhar no processo de construção de Freud desde 
as técnicas hipnóticas sua atenção ao papel do médico no tratamento e a 
relação que se estabelece com o paciente e a função desta nos resultados 
do tratamento, podemos ver similaridades ao que ele viria construir como 
a Transferência como técnica central do tratamento através do seu mane-
jo. (Freud, 1912)
Não é sobre a pessoa do analista e sim da relação estabelecida entre 
analista e o analisando e os fenômenos que fazem parte dela, a observação 
desses fenômenos é um ponto primordial do tratamento a partir do ma-
nejo dos conteúdos que emergem, o manejo de transferência.
A Transferência
Laplanche: Designa em psicanálise o processo pelo qual os desejos 
inconscientes se atualizam sobre determinados objetos no quadro de um 
certo tipo de relação estabelecida com eles e, eminentemente, no quadro 
da relação analítica.
Freud coloca que acontece uma junção de predisposições inatas e 
influências durante os anos de infância, que todas as pessoas adquirem 
idiossincrasias ao conduzirem sua vida amorosa, ou seja daí vem as con-
dições que a pessoa estipula para o amor, as pulsões a satisfazer e as suas 
metas almejadas. Isso resulta em um clichê, que ao longo da vida é repe-
tido e reeditado de acordo com as condições internas e externas. Diante 
dessa informação, ao nos atermos ao tratamento e os conteúdos que nele 
emergem na relação entre paciente e analista, essas repetições e reedições 
dessas vivencias infantis se fazem presentes, como insatisfações e frustra-
ções com demandas antigas, Freud coloca que é compreensível que uma 
pessoa parcialmente insatisfeita, carregado de muita expectativa volte seu 
investimento libidinal para a figura do médico, seguindo um modelo pré 
definido e herdado das vivências infantis, mas não há um interesse ge-
nuíno da figura do médico.
A transferência surge como um obstáculo que precisa ser analisado 
atentamente.
32
Neurose > Introversão da Libido (está no ics) > Libido Movida 
para a regressão > reanima complexos infantis > surgimento das resis-
tências (a serviço da conservação do estado recolhido de baixa energia) > 
superar o recalque (suspender essa atração com conteúdo ics no processo 
analítico) > Transferência.
Sempre que nos aproximamos de um complexo patogênico, a por-
ção do complexo capaz de transferência é empurrada para a consciência 
e defendida com a maior insistência.
“À transferência na análise é a mais forte resistência contra o tra-
tamento, enquanto fora da análise temos de reconhece-la como portado-
ra do efeito de cura e condições para o sucesso do tratamento”. (Freud, 
1912)
A intensidade e a duração da transferência são um efeito e uma e 
uma expressão da resistência.
A ideia aqui é resgatá-la e coloca-la a serviço da consciência.
Temos tipos de transferência que se apresentam como herança 
edípica, ambivalência que se apresenta em vários momentos do traba-
lho freudiano.
Transferência Positiva: sentimentos ternos, dividindo- se em sen-
timentos simpáticos e carinhosos que chegam à consciência, e pela via do 
Ics que remontam fontes eróticas.
Transferência Negativa: sentimentos hostis.
As formas de uso da transferência, quando desassociada da pessoa 
do analista tem a capacidade do conteúdo chegar à consciência e não re-
pulsivo, como forma de chegar ao êxito, assim admite-se o uso da suges-
tão como base do método, entendendo que o sugestionamento é feito por 
meio dos fenômenos da transferência. Nós cuidamos da autonomia final 
do paciente, na medida que utilizamos a sugestão para fazê-lo desempe-
nhar um trabalho psíquico.
Textos base:
FREUD, Sigmund. a dinâmica das transferências (1912) Fundamentos da 
clínica psicanalítica; autêntica, 2017.
33
Aula 8 Transferência - O Manejo
Para Freud muitos acreditam que a maior dificuldade da Psicanáli-
se é a interpretação do recalcado, mas logo ele nos esclarece que as únicas 
dificuldadessérias são encontradas no manejo da transferência.
Podemos acompanhar no processo de construção de Freud desde 
as técnicas hipnóticas sua atenção ao papel do médico no tratamento e a 
relação que se estabelece com o paciente e a função desta nos resultados 
do tratamento, podemos ver similaridades ao que ele viria construir como 
a Transferência como técnica central do tratamento através do seu mane-
jo.
Não é sobre a pessoa do analista e sim da relação estabelecida entre 
analista e o analisando e os fenômenos que fazem parte dela, a observação 
desses fenômenos é um ponto primordial do tratamento a partir do ma-
nejo dos conteúdos que emergem, o manejo de transferência.
Laplanche nos diz que se trata de uma repetição de protótipos 
infantis vivida com uma sensação de atualidade acentuada, diante do ex-
posto seguimos para compreender sobre o que Freud nos falava.
O manejo da transferência
Freud coloca que por muitos acreditam que a maior dificuldade da 
Psicanálise é a interpretação do recalcado, mas logo ele nos esclarece que 
as únicas dificuldades sérias são encontradas no manejo da transferência.
Em seu trabalho Observações sobre o amor transferencial (1915), 
o autor descreve as dificuldades encontradas no manejo de transferências 
positivas de cunho erótico, especificamente com pacientes mulheres que 
se apaixonam pelo analista. Relata aspectos desconcertantes e divertidos 
da situação, e coloca desfechos possíveis e qual o procedimento necessário 
para o uso dessa transferência como ferramenta de análise.
Paciente apaixonada pelo analista: o que eu fazer? 
Esta possibilidade é apresentada por Freud em seu trabalho Ob-
servações sobre o amor transferencial (1915), nesse trabalho o trabalho 
do analista é apresentado diante de cenários diversos na relação com o 
analisando e dos possíveis desdobramentos o apaixonamento do analisan-
do pelo analista tem destaque para falar sobre o amor na relação transfe-
rencial, 
34
São postas algumas saídas possíveis como, ficarem juntos, finalizar 
os atendimentos ou a continuidade do processo, algumas com um tom 
irônico dada a ideia uma relação entre a dupla, o autor fala das observa-
ções necessárias diante destes casos e a relação transferencial.
A interrupção dos atendimentos deveria ser dada como inviável, 
Freud coloca que isso se repetiria em outros processos iniciados pela pa-
ciente, como uma pontuação minha coloco que se por condições do ana-
lista a continuidade se mostrar inviável no manejo, finalizar o processo 
talvez seja um caminho necessário.
É preciso que o analista reconheça que o enamoramento é forçado 
pela situação analítica e não deve ser atribuído às vantagens da sua pes-
soa, portanto, então não há motivos para se orgulhar da sua “conquista” 
(contexto de masculinidade). É importante ter esse alerta sempre em 
mente. (Feud,1915)
Os investimentos da paciente desviam dos objetivos do processo 
para uma quebra da autoridade do médico, colocando o analista severo 
à prova.
A técnica analítica estabelece uma lei para o médico que lhe im-
põe a recusa diante da satisfação exigida pela paciente carente de amor. 
O tratamento precisa ser executado em abstinência; fazendo referência 
ao físico ou sentimental ou a tudo que se deseja, talvez nenhum paciente 
suportasse (um analista frio/rígido). A necessidade e o anseio devem ser 
mantidos no paciente como força motivadora do trabalho e da mudança 
e devemos evitar o abrandamento desses sentimentos por substitutos.
Se a paciente atinge o objetivo, estaria colocando algo em movi-
mento, repetir, reproduzir como material psíquico e manteria no âmbito 
psíquico, ela atingiria seu objetivo, a análise não. Aqui a transferência está 
a serviço da resistência se opondo ao trabalho analítico. 
Mantemos a transferência amorosa, a tratamos como algo irreal, 
como algo que deva ser enfrentado no tratamento e reconduzida a suas 
origens ics e que deve ajudar a levar a consciência da paciente os senti-
mentos ocultos de sua vida amorosa e, com isso, a dominá-los. Quanto 
mais dermos a impressão de estarmos nós mesmos (analistas) imunes a 
toda tentação. (FREUD, 1915) pág. 174
35
Ao analista se exige abstinência.
O que Freud convida o analista a abstinência, mantendo uma não 
satisfação do paciente fora dele, impondo assim uma abstinência de reali-
zação ao paciente que só encontra a satisfação libidinal através da expres-
são verbal.
A abstinência ao lado da transferência e da atenção flutuante se 
torna uma condição necessária para a associação livre, imprescindíveis 
para o trabalho. A abstinência mantém o analista numa estranha forma 
de impessoalidade na presença pessoal (CELES, 2008). A estranheza da 
forma se dá pela relação estabelecida entre a dupla que a diferencia de 
qualquer outra na sua forma e proposta, é na escuta que o analista se dife-
rencia de uma conversa, é longe de suas expectativas e desejos seus sobre 
si e sobre o outro, abster-se, nela que se apoia a atenção flutuante, ouvir 
atentamente sem expectativas de achar algo, julgar ou ter algo para falar.
A sugestão em parecer imune aos conteúdos hostis do paciente 
não o torna imune, dentre os textos dedicados aos que trabalham com o 
método psicanalítico podemos destacar “recomendações ao médico para 
o tratamento psicanalítico” que é uma prescrição sobre a técnica. Nela 
Freud fala sobre condições para a transferência acontecer e dentre elas 
fala que o analista deve ser opaco ao analisando, e, tal como um espelho, 
não mostra senão o que lhe é mostrado, e coloca que qualquer coisa fora 
disso não é psicanálise (exemplifica com a sugestão hipnótica), aqui res-
salto que o uso de técnicas (híbridas) de diferentes áreas da psicologia 
com a psicanálise, não é psicanálise verdadeira, essa é uma afirmação de 
Freud que ainda podemos usar. 
Sobre a contratransferência:
 É um conjunto das reações inconscientes do analista à pessoa do 
analisando mais particularmente à transferência deste. Uma reação a 
transferência (Laplanche, 1988 pag 146/7)
São raras as passagens dedicadas por Freud à contratransferên-
cia, mas veio chamando. Existem variações sobre a contratransferência e 
Laplanche destaca: 
Do ponto de vista técnico, podemos esquematicamente distinguir 
três orientações:
36
a. Reduzir o máximo possível as manifestações contratransferên-
cias pela análise pessoal, de modo a que a situação analítica seja estrutu-
rada, por assim dizer, como uma superfície projetiva do paciente;
b. Utilizar, controlando-as, as manifestações de contratransferên-
cia no trabalho analítico, na sequência da indicação de Freud segundo a 
qual “... todos possuem no seu próprio inconsciente um instrumento com 
o que podem interpretar as expressões do inconsciente dos outros”
c. Guiar-se, mesmo para a interpretação, pelas suas próprias rea-
ções contratransferências, muitas vezes assimiladas, nesta perspectiva, às 
emoções sentidas. Essa atitude postula que a ressonância “de inconsciente 
a inconsciente” constitui a única comunicação autêntica psicanalítica.
O processo terapêutico reaviva afetos diversos, aqui o enamora-
mento foi colocado como plano de fundo para pensarmos sobre a relação 
entre analista e analisando, aqui foi sobre amor romântico, mas indepen-
dentemente de quais sejam os afetos despertos e presentes eles precisam 
da atenção do analista e a forma que os afetos mobilizam a dupla e a sua 
dinâmica, o analista está em contato com esses afetos e o que lhe for des-
pertado precisa de atenção também, dada alguma dificuldade no manejo 
da transferência, sua análise pessoal e a supervisão são as ferramentas do 
analista. 
Pontos importantes: 
- Transferência positiva
- Transferência a serviço da resistência
- Manejo da transferência
- Abstinência 
- Contratransferência
Leitura recomendada:
CELES, L. A. M. Crise terapêutica da psicanálise e presença do analis-
ta. Revista Percurso, v. 21, n. 41, p. 47-54, 2008
Textos base:
CELES, L. A. M. Crise terapêutica da psicanálise e presença do analis-
ta. RevistaPercurso, v. 21, n. 41, p. 47-54, 2008.
FREUD, Sigmund. Observações sobre o amor transferencial (1915) Fun-
damentos da clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
37
FREUD, Sigmund. Escritos Sobre a Psicologia do Inconsciente, vol. 3. 
Imago Editora, 2017.
FREUD, Sigmund. O Eu e o Id, Autobiografia e outros textos: 1923-
1925. In: O Eu e o Id, Autobiografia e outros textos: 1923-1925. 2011.
______________. Introdução ao narcisismo: ensaios de metapsicologia e 
outros textos (PC de Souza, trad. e notas, pp. 13-50). São Paulo: Compa-
nhia das Letras. (Trabalho original publicado em 1914), 2010.
______________. Projeto para uma psicologia científica. Edição standard 
brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, v. 1, p. 29-
397, 1895.
______________. Três ensaios sobre A teoria da sexualidade, análise frag-
mentária de uma histeria (“O caso Dora”) e outros textos: 1901-1905. São 
Paulo Companhia das Letras, 2016.
______________. Fundamentos da clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
PONTALIS, Jean-Baptiste; LAPLANCHE, Jean. Vocabulário da psicaná-
lise. São Paulo: Martins Fontes, 2001.
ZIMERMAN, David E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, Técnica, Clí-
nica–Uma Abordagem Didática: Teoria, Técnica, Clínica–Uma Aborda-
gem Didática. Artmed Editora, 2009.
38
MÓDULO II
Ementa:
Conhecer a construção e funcionamento do aparelho psíquico. Os 
conceitos de topografia e economia, primordiais para o funcionamento 
do aparelho psíquico, que auxiliam na compreensão da aplicabilidade 
das técnicas fundamentais da clínica psicanalítica. Entendimento e do-
mínio do conceito de Repressão, pedra angular da clínica psicanalítica, 
que inaugura o Inconsciente e norteia o fazer do psicanalista a partir da 
teoria. 
Objetivo: 
- Conhecimento do funcionamento do aparelho psíquico 
- Compreender a fundação, funcionamento e função do Inconsciente
- Conhecimento sobre o funcionamento das resistências na clínica, teoria 
e prática
- As estruturas na clínica
O aluno terá domínio sobre o surgimento e funcionamento do apa-
relho psíquico e como esse conhecimento auxilia na clínica psicanalítica 
e no manejo das demandas, identificando e exercendo sua função como 
analista de forma efetiva.
39
Aula 9 Três Ensaios Sobre a Sexualidade
Freud (1905/2016) em Três ensaios sobre a teoria da Sexualidade apre-
senta à comunidade científica da época que o desenvolvimento psicos-
sexual durante a infância seria a base para a compreensão do processo 
de construção da psique e o caminho para os estudos do adoecimento 
psíquico. 
Os Três ensaios sobre a sexualidade (1905) juntamente com a in-
terpretação dos sonhos é um dos trabalhos mais significativos e um dos 
que mais sofreu alterações, durante foram diversas alterações acrescenta-
das por Freud sendo a última em 1920. Durante as observações clínicas, 
Freud destacava conteúdos sexuais nos sintomas histérico e que eles re-
montavam a infância.
Os temas trazidos por Freud em seus ensaios eram desafiadores 
para a sociedade tradicional da época, falar da sexualidade na infância e 
como algo estruturante psiquicamente não foi facilmente aceito. 
Aqui traremos um breve resumo destacando pontos importantes 
para nossa jornada na clínica psicanalítica, este texto é estruturante da 
teoria e sua leitura integral é essencial.
Três ensaios sobre a sexualidade
O trabalho inicia com o tema As aberrações sexuais, mas já ante-
cipo que suas conclusões sobre as aberrações são normalizadas enquanto 
expressões da sexualidade, e destaca a bissexualidade humana como algo 
intrínseco. Houve uma perversão sobre o saber existente sobre sexualida-
de, principalmente sobre as chamadas aberrações sexuais, e que não há 
aberrações e que a perversão da sexualidade humana é que ela toma uma 
dimensão deferente da sexualidade animal que é regida pela reprodução. 
A sexualidade humana é regida pelo princípio do prazer
Sempre importante relembrarmos a necessidade de contextuali-
zar historicamente o momento em que o texto foi escrito e as influencias 
socioculturais e religiosas do período. Ainda que as construções de Freud 
estivessem destoando dos valores da época, ainda sim é atravessado por 
elas.
Os três ensaios sobre a sexualidade é um trabalho extenso repleto 
de conceitos importantes que são desenvolvidos ao longo da teoria, den-
tre eles destacaremos:
40
Teoria da libido
Freud é levado a conceber um aparato psíquico, de contenção, de 
transformação de algo que lhe chega a partir da exterioridade (exteriori-
dade do aparato, bem entendido). Esse aparato pode ser pensado, em seu 
funcionamento analogamente a uma usina hidrelétrica, isto é, a um gran-
de aparato que captura armazena e transforma água de um rio gerando 
eletricidade. (um esboço de um funcionamento econômico)
A libido é concebida por ele como energia psíquica, como expres-
são anímica da pulsão sexual, ou ainda como uma força suscetível de va-
riações quantitativas que poderia servir de medida para os processos e as 
transformações no domínio da excitação sexual.
Pulsão: Por “pulsão” podemos entender, a princípio, apenas o re-
presentante psíquico de uma fonte endossomática de estimulação que flui 
continuamente, para diferenciá-la do “estímulo”, que é produzido por 
excitações isoladas vindas de fora. Pulsão, portanto, é um dos conceitos 
da delimitação entre o anímico e o físico (FREUD, 1905. pág. 104).
A pulsão é uma exigência de trabalho feita à vida anímica. O que 
distingue as pulsões entre si e as dota de propriedades específicas é sua 
relação com suas fontes somáticas e seus alvos. A fonte da pulsão é um 
processo excitatório num órgão, e seu alvo imediato consiste na supressão 
desse estímulo orgânico.
Pulsão sexual e libido
As duas formas são tidas como sinônimos e encontradas de forma 
alternada, em latim libido tem aproximação com “vontade” e “desejo”. 
Freud atribui a libido como quantitativa e qualitativa, referindo-se a um 
quantum de libido, algo concebido como uma força ou uma energia capaz 
de aumento ou diminuição e cuja distribuição ou deslocamento tornam 
possível a explicação da sexualidade humana. Mas também ocupa um li-
gar qualitativo responsável pela distinção entre libido e outra energia que 
possa servir de suporte aos processos psíquicos em geral. O que está mar-
cando é o lugar não sexual, que primeiro vai ser ocupado pelas chamadas 
pulsões de autoconservação e mais tarde pulsão de morte.
O movimento da libido é repetir a experiência de satisfação, a bus-
ca de um encontro da primeira satisfação é na verdade um reencontro 
(com o seio materno). Um reencontro impossível.
41
Objeto sexual
Objeto ao qual se destina libido, esse objeto difere do objeto deseja-
do o da primeira satisfação que é impossível, um objeto perdido Melanie 
Klein desenvolve a teoria entorno do objeto seio -mãe e Lacan desenvolve 
o conceito de objeto a um objeto vazio central na trama das representa-
ções, tem similaridades aos conceitos de ding que encontramos no projeto 
1895.
Bissexualidade: a constituição humana estruturalmente como bis-
sexual desde o seu início.
A Sexualidade infantil
É um conceito explicativo designando a natureza da sexualidade 
humana, sempre parcial, não plena e marcada pela incompletude.
O funcionamento infantil não acontece de forma estruturada, o 
bebê é toda pulsão (desejo, satisfação, sexual). Não é organizado sexual-
mente como um adulto, onde tem no ato sexual sua meta de satisfação 
(que é incompleta), as necessidades infantis de satisfação acontecem de 
outra forma, não estruturada enquanto funcionamento. São atos e partes 
do corpo que através de seu desenvolvimento vão se atribuindo satisfa-
ções.
Não há uma diferenciação entre o bebê e a mãe, e sua compreen-
são enquanto dentro e fora, eu e o outro e as suas necessidades biológicas 
e libidinais acontecem de forma associada.
Freud aponta o sugar (chuchar na imago) como uma das primeiras 
exteriorizações da sexualidade infantil. A sucção com a boca, repetindo 
ritmicamente, que não tem porfinalidade a nutrição. Nele o que está pre-
sente é o prazer do sugar e não a satisfação de uma necessidade, embora 
ocasionalmente possam estar associadas.
Na sexualidade infantil temos como características o Apoio, zona 
erógena e autoerotismo, na emergência da pulsão, surge quase como per-
versão do instinto, perverter o instinto é ter como finalidade a satisfa-
ção e não a necessidade orgânica (fome, reprodução, sede). Esta prática 
acontece associada a uma parte do próprio corpo (dedo), que a tornaria 
independente de um objeto externo (seio materno) – esses dois conceitos 
levam Freud a postular aquele que por ser o conceito considerado mais 
importante dos três ensaios o Autoerotismo.
42
O Autoerotismo é um conceito essencial para a estruturação do 
aparelho psíquico que segue a partir do autoerotismo, que é uma etapa 
na constituição psíquica, nela ainda não existe uma organização do Eu 
enquanto instância, mas a partir dela começa a organização para o surgi-
mento do Eu a partir do Narcisismo, no autoerotismo não há organização 
de unidade, mas sim um amontoado de si. A partir do narcisismo começa 
a acontecer uma organização da unidade que mais a frente será denomi-
nada de eu.
Introdução ao Narcisismo 
O narcisismo é o Surgimento do eu e a organização do funciona-
mento psíquico sendo dividido em dois momentos
Narcisismo primário coincide com o autoerotismo, no autoero-
tismo não há uma unidade organizada, o narcisismo primário acontece 
através do olhar do outro-mãe, uma imagem unificada sobre o próprio 
corpo através do olhar do outro, esse é o narcisismo dos pais que atri-
buem ao filho todas as perfeições o que incide no próprio corpo, a criança 
tem seus investimentos voltados para fora, seus cuidadores, pai, mãe.
Narcisismo secundário é o retorno dos investimentos sobre o pró-
prio corpo, a libido investida nos objetos externos volta como investimen-
to no próprio eu, tendo o eu como objeto de investimento
Pode haver uma concomitância das formas de investimentos com a 
predominância de uma delas.
Modos de funcionamento de investimento do eu
Neurose: Há uma retração da libido em favor do eu, mas sem que 
o indivíduo elimine totalmente o vínculo erótico com pessoas e coisas, esse 
vínculo é conservado fantasia, substituindo objetos reais por imaginários.
Psicose: A retração de libido não se faz por substituição de objetos 
reais por objetos imaginários, a retirada acontece das pessoas e coisas sem 
o recurso da fantasia, ocorre um corte da relação com o objeto e uma 
acumulação da libido no eu. O vínculo erótico com os objetos do mundo 
é eliminado sem que no seu lugar surjam objetos imaginários. Freud de-
signa esse narcisismo, característico da psicose, como narcisismo secundá-
rio, um narcisismo que se edifica sobre as bases do narcisismo primário 
infantil.
43
Hipocondria: Retira a libido dos objetos do mundo externo e in-
veste em uma parte do próprio corpo. A parte afetada passa a funcionar 
como zona erógena, podendo ser estendida por todo o corpo, assim qual-
quer parte ou órgão pode funcionar como zona erógena, no caso da hipo-
condria, uma zona erógena particularmente sensível e isso independente 
da doença ser real ou imaginária.
Pontos importantes: 
- A Sexualidade infantil
- Autoerotismo
- Conceito de pulsão, Pulsão sexual e libido
- Teoria da libido 
- Narcisismo 
Sugestão de leitura:
SALLES, Ana Cristina Teixeira da Costa; CECCARELLI, Paulo Roberto. 
A invenção da sexualidade. Reverso, v. 32, n. 60, p. 15-24, 2010.
Textos base:
FREUD, Sigmund. Três ensaios sobre a sexualidade (1905). Edição Stan-
dart Brasileira de Obras Completas de Sigmund Freud, v. 7, 1996.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Introdução à metapsicologia freudiana 
(Vol. 3. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed, 1991.
44
Aula 10 Complexo de Édipo
Da mitologia grega para o divã, Freud empresta de Sófocles a tra-
gédia Édipo Rei para contar sobre a realização de nossos próprios desejos 
infantis.
Inspirado na lenda do rei Édipo, Freud encontra uma confirmação 
“cujo poder profundo e universal de comover só pode ser compreendido 
se a hipótese que propus com respeito à psicologia infantil tiver validade 
igualmente universal” (FREUD, 1900 p. 178). Freud tomou como refe-
rência a narrativa do dramaturgo Sófocles, que por volta de 427 A.C, se 
baseou no mito grego para escrever a famosa tragédia Édipo Rei.
Édipo, filho de Laio, Rei de Tebas, e de Jocasta, foi enjeitado quan-
do criança porque um oráculo advertira Laio de que a criança ainda por 
nascer seria o assassino de seu pai.
A criança foi salva e cresceu como príncipe numa corte estrangeira, até 
que, em dúvida quanto a sua origem, também ele interrogou o oráculo e 
foi alertado para evitar sua cidade, já que estava predestinado a assas-
sinar seu pai e receber sua mãe em casamento. Na estrada que o levava 
para longe do local que ele acreditara ser seu lar, encontrou-se com o 
Rei Laio e o matou numa súbita rixa. Em seguida dirigiu-se a Tebas e 
decifrou o enigma apresentado pela Esfinge que lhe barrava o caminho. 
Por gratidão, os tebanos fizeram-no rei e lhe deram a mão de Jocasta em 
casamento. Ele reinou por muito tempo com paz e honra, e aquela que, 
sem que ele o soubesse, era sua mãe, deu-lhe dois filhos e duas filhas. Por 
fim, então, irrompeu uma peste e os tebanos mais uma vez consultaram o 
oráculo. É nesse ponto que se inicia a tragédia de Sófocles. Os mensagei-
ros trazem de volta a resposta de que a peste cessará quando o assassino 
de Laio tiver sido expulso do país.(FREUD,1900 p. 178)
O decorrer da tragédia é o processo de revelação. Freud compara 
os criativos adiamentos da peça ao processo psicanalítico, onde Édipo é 
o assassino de Laio, mas também é filho deste homem assassinado e de 
Jocasta. Diante da profecia cumprida, Édipo cega a si próprio e abandona 
o lar.
Através da história do Rei Édipo, Freud (1900) nos mostra a rea-
lização de nossos próprios desejos infantis e que o destino daquele per-
sonagem nos comove porque poderia ter sido o nosso, teríamos nascido 
sob a mesma maldição que caiu sobre ele. Seria este nosso destino: dirigir 
nossos primeiros impulsos sexuais a nossa mãe e o nosso primeiro ódio 
assassino ao nosso pai.
45
A análise de conteúdos de sonhos levou Freud a esta compreensão 
sobre os desejos primevos da infância, que se manifestam através do que é 
chamada de nossa alma secreta, a qual podemos compreender como uma 
referência ao inconsciente através de manifestações oníricas pois, embora 
esses desejos estejam reprimidos, ainda podem ser encontrados.
Da relação proposta entre a psicanálise e o mito descrito por Sófo-
cles, emerge o Complexo de Édipo, que nos possibilita observar suas fases 
e suas repercussões na construção da subjetividade contemporânea.
Édipo e psicanálise 
Ao tentar trazer a tona características do mito edipiano descrito 
pelos poetas, como a escolha de objeto, em comparação com a vivência 
sexual infantil, Freud apresenta indícios do que posteriormente viria a 
ser descrito como o Complexo de Édipo.
O centro desta alegoria se apoia no desejo da criança pela mãe e o 
ódio ao pai como um rival que põe obstáculos ao seu desejo. Considera 
uma infidelidade o fato da mãe conceder ao pai e não a ele.
Freud (1910) relata que a escolha de objeto de amor no homem 
está sempre relacionada a um terceiro que será prejudicado, seja quan-
do a mulher já possui um marido, ou tem má fama, ou uma integridade 
sexual duvidosa, tal como ocorre com a mãe. Desta forma, busca salvar o 
objeto amado. No caso da vivência da triangulação, o salvar a mãe apare-
ce como lhe dar um filho que é igual a ele, ou seja, vem através de tornar-
-se o pai, ou ser seu próprio pai.
O Édipo incide em uma crise sexual de desenvolvimento obser-
vável no comportamento das crianças e uma fantasia inscrita no incons-
ciente-ID. É o pilar do arcabouço teórico que a Psicanálise construiu 
para refletirmos quem somos, o adulto que nos tornamos hoje. É o mito 
contemporâneo que nos desponta queo proibido universal do incesto 
nos aflige com sofrimentos, angústias, desejos que vieram da infância até 
as vivências de hoje, na fase adulta.
Para NASIO (2007), são essas aflições da neurose que o analisando 
traz como queixa, ou seja, o Édipo é tudo isso ao mesmo tempo: uma re-
alidade, uma fantasia, um conceito e um mito. 
46
“É a fantasia infantil agindo no inconsciente do paciente, duplicada 
pela mesma fantasia, reconstruída, dessa vez, pelo profissional. Assim, 
só consigo compreender o sofrimento que escuto em meus pacientes adul-
tos ao supor-lhes desejos, ficções e angústias vividas na idade edipiana” 
(NASIO, 2007, p. 14).
Édipo masculino 
A princípio Freud compreende que a vivência do Édipo ocorre-
ria de maneira similar para ambos os sexos, não haveria diferenciação. 
O amor ao genitor do sexo oposto e a rivalidade com o do mesmo sexo 
representaria um paralelismo na vivência edípica masculina e feminina.
Na relação entre o menino e a sua mãe, que seria seu primeiro 
objeto de amor, Freud descreve que haveria uma intensificação dos im-
pulsos amorosos do filho em relação a ela. Ele, ao compreender a relação 
que existe entre os pais, torna o pai seu rival, uma vez que este estaria 
ameaçando sua relação com a mãe. Neste triângulo o pai representa uma 
ameaça ao desejo incestuoso pela mãe, o risco da castração vem como 
um castigo a este desejo, e a ameaça se torna possível ao descobrir que as 
mulheres que não possuem pênis. A resolução do Édipo no menino ocor-
re com o abandono do objeto de amor por medo da castração, havendo 
dessexualização da mãe e identificação do pai como modelo de masculi-
nidade. Esse processo origina a internalizarão da lei como a proibição aos 
desejos incestuosos, dando início a construção do Super-Eu.
Édipo Feminino
Antes do complexo de Édipo se iniciar na menina, a mesma vi-
vencia um período em que nutre um desejo incestuoso de possuir a mãe, 
ao qual Freud denomina de pré-édipo. Nesta etapa a menina tem a mãe 
como objeto amoroso. Quando se vê desprovida do pênis, e descobre que 
sua mãe se encontra na mesma posição, a menina se decepciona, atribuin-
do à mãe ódio por sua incompletude e desprovimento de poder, voltan-
do-se para o pai, detentor do falo e que poderá restituí-la, tornando-a 
completa (FREUD, 1931).
É neste momento que o Édipo propriamente dito se inicia, dividin-
do-se em três fases. A primeira fase é a fantasia da dor da privação, pois o 
apêndice visível do menino mostra para ela que sua onipotência vaginal e 
clitoridiana se torna nula frente ao órgão visível do menino. Agora o falo 
está no outro. Na segunda fase a menina se volta para o pai, o grande 
detentor do falo e solicita a ele que lhe dê o falo, mas ele se recusa a dar 
e a menina constata que nunca o terá. Neste momento a inveja transfor-
47
ma-se em desejo, pois não busca mais possuir o falo e sim ocupar o seu 
lugar para o pai. A partir deste momento a menina se identifica com a 
mãe enquanto mulher desejada e modelo de feminilidade. A última fase 
é caracterizada pela resolução do Édipo. Após a recusa do pai, a menina 
o dessexualiza. Esta passa a ter na figura do pai seu exemplo e torna-se 
mulher, parte em busca do seu parceiro. Ela deixa a idealização do falo, e 
descobre a vagina e o útero e passa a desejar um filho do amado (NASIO, 
2007).
Textos base: 
CECCARELLI, P. R. A patologização da normalidade. Estudos de Psica-
nálise, n.33, p.125-136, 2010.
FREUD, S. Um tipo especial de escolha de objeto feita pelo homem (1910). 
In: Obras completas, vol. 9.: Observações sobre um caso de neurose ob-
sessiva [“O homem dos ratos”], uma recordação da infância de Leonardo 
da Vinci e outros textos (1909-1910)/ Freud, S. Tradução de Paulo César 
de Souza. 1° ed. São Paulo. Companhia das Letras. 2013, p. 334-346.
FREUD, S. Sobre o início do tratamento (Novas recomendações sobre a 
técnica da psicanálise I). Obras completas, v. XII. Imago. 1913, p. 139-
158, .
FREUD, S. Luto e Melancolia (1917[1915]). In: Introdução ao narcisis-
mo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916) – Obras com-
pletas, vol.12. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo. Companhia 
das Letras. 2010, p. 170-194.
FREUD, S. A identificação (1921). In: Psicologia das massas e análise do 
Eu e outros textos (1920-1923). Obras completas, vol. 15. Tradução de 
Paulo César de Souza. São Paulo. Companhia das Letras. 2011, p. 60-68.
FREUD, S. O Eu e o Id (1923). In: O Eu e o Id, “autobiografia” e outros 
textos (1923-1925)– Obras completas, vol. 16. Tradução de Paulo César 
de Souza. São Paulo. Companhia das Letras. 2011, p. 13-74.
FREUD, S. A interpretação dos sonhos; Edição Standard Brasileira das 
Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. 4, 5;. Rio de Janei-
ro, RJ: Imago, 1996.
FREUD, S. Sexualidade feminina. Obras completas, vol.12. Tradução de 
Paulo César de Souza. São Paulo. Companhia das Letras. 2010
48
Aula 11 Édipo e Neurose
O sofrimento gerado pela tragédia que denominamos complexo 
de Édipo anuncia os caminhos que levam à neurose, a primeira neurose 
saudável na vida de um sujeito.
Édipo na contemporaneidade e sua relação com a Neurose
Ceccarelli (2010) afirma que só é possível avaliar o Complexo de 
Édipo dentro do momento sócio-histórico e da organização simbólica dos 
afetos que é vivenciada pelo sujeito, ainda que se trate de uma vivência 
universal e atemporal para o ser humano, delimitado pela singularida-
de das normas e sanções sociais advindas deste conjunto. Desta forma, o 
padecimento psíquico apresenta marcas da sociedade e de seu momento 
sócio-histórico.
A neurose é um sofrimento psíquico acirrado pela convivência de 
emoções conflitantes de amor, ódio, medo e desejos incestuosos para a 
pessoa que se ama e que também depende. Ou seja, o Édipo é a própria 
neurose, sendo a primeira neurose saudável na vida de um sujeito, a 
segunda vivida como crise na adolescência como uma atualização do Édi-
po. Tudo habita na discrepância entre um eu infantil em constituição e 
um efeito, afluência do desejo transbordante. O empenho do Eu para 
dominar e assimilar o arrebatamento do desejo traduz-se na criança por 
sentimentos, palavras e comportamentos conflitante em relação aos seus 
pais (NASIO, 2007).
A relação estabelecida com os pais, ainda que ambivalente ser-
virá como base para a personalidade do sujeito na fase adulta, atuando 
como um protótipo das relações amorosas a serem estabelecidas ao lon-
go da vida.
Assim descrevemos que os conflitos mais habituais e inevitáveis com 
quem nos cerca são aproximadamente reflexos de nossa neurose infantil 
conhecida como complexo de Édipo. Conflito esse que vêm daqueles que 
amamos e desejamos de forma incestuosa. A nossa neurose atual é instiga-
da pela incoerência de alcançar ou impedir nossos impulsos incestuosos 
durante o período edipiano perpetuando como traumas.
Nasio (2007) destaca que esses traumas infantis serão a causa de 
uma neurose mórbida que se abriga na adolescência e prossegue na ida-
de adulta. Em resumo, se apresentam em duas grandes possibilidades 
do retorno neurótico do Édipo na idade adulta: a neurose ordinária e a 
neurose mórbida.
49
A neurose ordinária incide no conflito que vêm daquelas que ama-
mos, e continuamos desejando-os. Essa neurose cotidiana é ajustada com 
uma vida socialmente aberta e criativa, resulta na dessexualização dos 
pais edipianos.
Outro tipo de distúrbio neurótico é a neurose mórbida e patológi-
ca, marcadas por manifestações de sintomas cíclicos que restringe o sujei-
to em uma solidão narcísica e doentia. Esse sofrimento seja fóbico, obses-
sivo ou histérico, advém de traumas na fase edipiana ou fantasias, como 
um abandono real ou imaginário, que aborrece e angústia a criança.
O Édipo que falamos é uma lenda-mito que esclarece a raiz de nos-
sa identidade sexual de homem e mulher e, além disso, a raiz de nossos 
sofrimentos neuróticos. Essa lenda-mito abarca todas as crianças, convi-
vam em uma família clássica, monoparental, refeitaou, ainda, desenvol-
vem no seio de um casal homossexual, ou ainda, sejam crianças aban-
donadas, órfãos e adotadas pela sociedade. Nenhuma criança escapa ao 
Édipo! Por quê? Porque nenhuma criança de quatro anos, menina ou 
menino, escapa à corrente das pulsões eróticas que lhe ocorrem e porque 
nenhum adulto de seu meio adjacente pode impedir ser o escopo de suas 
pulsões ou tentar dificultá-las. (Nasio, 2007).
A simbolização para o trabalho em psicoterapia não é racional e 
nem intelectual e sim de uma grande entrega dos sentimentos, dos con-
flitos internos do paciente, de simplesmente falar, de dizer, de deixar-se 
dizer, de colocar para fora suas vivências. Esta demonstração é individual 
e promove vários significados e abrir caminhos para o sentido. Podemos 
pensar sobre os conflitos vivenciados na fase edipiana e a sua simbolização 
que emergem durante a relação psicoterápica e nela o discurso do pacien-
te se desenvolve.
Contudo, em alguns momentos, devido a diferentes demandas 
do analisando, o paciente pode resistir, não desenvolvendo seu discurso. 
Ainda assim, no contexto Setting se apresentam diversas situações que re-
querem que o analista deixe o paciente falar independentemente de onde 
iniciará, como: história de vida, história de sua doença ou lembranças de 
infâncias (FREUD, 1913).
50
Textos bases:
CECCARELLI, P. R. A patologização da normalidade. Estudos de Psica-
nálise, n.33, p.125-136, 2010.
FREUD, S. Um tipo especial de escolha de objeto feita pelo homem (1910). 
In: Obras completas, vol. 9.: Observações sobre um caso de neurose ob-
sessiva [“O homem dos ratos”], uma recordação da infância de Leonardo 
da Vinci e outros textos (1909-1910)/ Freud, S. Tradução de Paulo César 
de Souza. 1° ed. São Paulo. Companhia das Letras. 2013, p. 334-346.
FREUD, S. Sobre o início do tratamento (Novas recomendações sobre a 
técnica da psicanálise I). Obras completas, v. XII. Imago. 1913, p. 139-
158, .
FREUD, S. Luto e Melancolia (1917[1915]). In: Introdução ao narcisis-
mo, ensaios de metapsicologia e outros textos (1914-1916) – Obras com-
pletas, vol.12. Tradução de Paulo César de Souza. São Paulo. Companhia 
das Letras. 2010, p. 170-194.
FREUD, S. A identificação (1921). In: Psicologia das massas e análise do 
Eu e outros textos (1920-1923). Obras completas, vol. 15. Tradução de 
Paulo César de Souza. São Paulo. Companhia das Letras. 2011, p. 60-68.
FREUD, S. O Eu e o Id (1923). In: O Eu e o Id, “autobiografia” e outros 
textos (1923-1925)– Obras completas, vol. 16. Tradução de Paulo César 
de Souza. São Paulo. Companhia das Letras. 2011, p. 13-74.
FREUD, S. A interpretação dos sonhos; Edição Standard Brasileira das 
Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud, Vol. 4, 5;. Rio de Janei-
ro, RJ: Imago, 1996.
FREUD, S. Sexualidade feminina. Obras completas, vol.12. Tradução de 
Paulo César de Souza. São Paulo. Companhia das Letras. 2010
51
Aula 12 O Ics
O inconsciente é o que está ausente no campo da consciência e que 
pode ser sentido pela sua falta, falta que Freud identificou durante suas 
experiências na clínica nos esquecimentos de seus pacientes.
O Inconsciente - A Ferida Narcísica da Humanidade
Durante toda a obra freudiana é constantemente encontrada a 
formulação e retomada de teorias acerca das formas de expressões do 
inconsciente. Ao se deparar com conteúdos que estavam fora da consci-
ência, e assim fora do acesso do analisando, estas teorias buscavam formas 
de identificá-los para além do método hipnótico. Para Freud era possível 
identificar na fala dos pacientes estes conteúdos na forma de atos falhos, 
equívocos de memória e linguagem, e esquecimentos, ligando-os a atua-
ção de fortes pensamentos inconsciente.
O sonho, também como um processo psíquico, foi estudado mais 
a fundo se tornando uma das principais colunas da obra freudiana, che-
gando à fórmula geral: “O sonho é a realização disfarçada de um desejo 
reprimido” (Freud, 1913). O estudo da interpretação dos sonhos presta 
uma valiosa ajuda na técnica psicanalítica, construindo um método para 
penetrar na vida psíquica inconsciente.
A investigação iniciada por Freud através da subjetividade huma-
na e a busca em compreender seu adoecimento nos leva a deparar com 
a complexidade que empregou esforços a desvendar. Ao encontrar obs-
táculos e mecanismos de defesa, descobre a capacidade dos conteúdos se 
deslocarem, converteram e se transformarem. Ao tempo em que vai dan-
do espaço para a fala, vai abrindo um caminho rumo ao desconhecido.
Um acesso ao desconhecido
O método psicanalítico de investigação buscava formas de acesso 
aos indícios de conteúdo que estariam presentes na psique, mas não de 
forma consciente. A tese da existência destes conteúdos tornou-se mais 
forte durante os diversos estudos de pacientes em estado hipnótico, para 
Freud, “uma ideia inconsciente é uma ideia que não notamos, cuja exis-
tência estamos dispostos a aceitar, com base em indícios e provas” (Freud, 
1912).
Em busca da causa dos sintomas que acometem os pacientes Freud 
se depara com o desconhecido, uma nova possibilidade a ser explorada: 
a existência de conteúdos inconscientes que estariam ativos agindo no 
52
surgimento destes sintomas. As evidências encontradas deram um novo e 
amplo sentido ao sofrimento humano. 
Ao introduzir a noção de inconsciente, Freud coloca o que é dito 
pelo paciente em um espectro mais amplo, para além da palavra enuncia-
da conscientemente. O inconsciente busca ser escutado, ter seus desejos 
satisfeitos, comunicando-se por meio de complexas formações: sonhos, 
sintomas, lapsos, chistes, atos-falhos; fenômenos que apontam para esse 
“desconhecido” que habita o sujeito (Macedo & Falcão, 2005).
Na busca de tratá-las, com diversas tentativas desde o uso da hip-
nose até chegar à associação livre, o acesso ao inconsciente e a possibilida-
de de escutá-lo.
O que está em foco não é mais um sujeito sob hipnose, mas a fala 
consciente com suas lacunas a serem escutadas, dando lugar à narrati-
va do sujeito e da sua história, contextualizando e inserindo um cenário 
para sua dor, solicitando que a sua história seja levada em conta.
O trabalho do analista (arqueólogo) é reconstruir a história a partir 
de fragmentos encontrados no discurso. Reconstruir e dar sentido. Freud 
compara o trabalho do analista ao arqueólogo que utiliza de fragmentos 
para cuidadosamente remontar e a apresentar a história ao analisando e 
juntos a construção em análise é feita.
Segundo Garcia-Roza (1984), a psicanálise não coloca em cheque o 
sujeito da verdade, mas verdade do sujeito. Pergunta o porquê da recusa 
dos desejos rejeitados pela sua consciência através dos fenômenos de de-
fesa, as formas que o ego encontra de se proteger de uma representação 
desagradável.
Ainda este autor afirma que, ao se fazer uso da psicanálise sem a 
hipnose o analista encontra resistência ao trabalho de análise que ante-
riormente estava oculta. Ao tentar entrar em contato com conteúdo que 
teriam causado os sintomas, os pacientes esbarravam com uma resistên-
cia, ideias de natureza aflitiva, capazes de despertar emoções de vergo-
nha, autocensura e de dor psíquica.
Compreender que o que cabe ao analista é ouvir o sujeito, sua 
história e o que nela é dor; e ainda, que quando livres de classificações 
ou rótulos, os lapsos, sonhos, repetições e sintomas, revelam-se enfim, 
formas de subjetividade que abrem espaços de singularidade. Conside-
rar a psique como um sistema que possui uma organização determinada, 
mas que pode transformar-se e adquirir novas propriedades, como o faz 
53
produzindo e reproduzindo continuamente a história do sujeito, implica 
colocar a escuta em um campo intersubjetivo, ou seja, no campo da trans-
ferência.
“Desde a primeira sessão a história oficial é confrontada com aquela que 
o analista ajuda a construir, analisando as formações de compromisso. os 
testemunhos do passado são os sintomas, as transferências, as repetições, 
as formações de caráter, os sonhos e também as recordações”(HORNS-
TEIN, 2003 apud MACEDO & FALCÃO, 2005).
Cabe ao analista escutar o sujeito em sua totalidade e, a partir do 
que é apreendido, aplicar as técnicas que cabem no momento, pois a teo-
ria psicanalítica não pode ocupar o lugar da história de vida do paciente. 
Ainda assim, justifica-se a importância dos suportes teóricos que susten-
tam a práxis do analista. (Macedo & Falcão, 2005).
Embora analista e analisando compartilhem deste processo, não 
existe uma relação de igualdade entre eles. Essa assimetria necessária ad-
vém da capacidade de escuta do analista: A escuta que mantém a transfe-
rência, mas não se confunde com ela, e não cede à solicitação do paciente, 
impedindo uma satisfação substituta do desejo, o que abre possibilidade 
para sua ressignificação.
Textos base:
FREUD, Sigmund. Princípios básicos da psicanálise. Observações psica-
nalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (“ O Caso 
Schreber”), Artigos sobre técnica e outros textos (1911-1913). São Paulo: 
Companhia das Letras, 2010.
FREUD, Sigmund. Algumas observações sobre o conceito de inconscien-
te na psicanálise. Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia 
relatado em autobiografia (“ O Caso Schreber”), Artigos sobre técnica e 
outros textos (1911-1913). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. Jorge Zahar Editor 
Ltda, 1984.
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psica-
nálise. Martins Fontes Editora Ltda, 1970.
MEDEIROS KOTHER MACEDO, Mônica; NEUMANN DE BARROS 
FALCÃO, Carolina. A escuta na psicanálise e a psicanálise da escuta. Psy-
chê, v. 9, n. 15, 2005.
54
Aula 13 Primeira Tópica Freudiana
A primeira estrutura do aparelho psíquico elaborada por Freud 
para explicar seu funcionamento. 
Primeira tópica
A primeira tópica é a topologia do aparelho psíquico, para uma 
demonstração do funcionamento da psiquê. O autor identificou três ins-
tâncias do aparelho psíquico para explicar seu funcionamento: o Pré-
-Consciente, Consciente e Inconsciente.
A primeira tópica é apresentada no capítulo VII da Interpretação 
dos sonhos, aqui usaremos os comentários de Garcia-Roza além do traba-
lho de Freud.
Essa declaração de fé numa explicação “psicológica” dos fenôme-
nos psíquicos exclui qualquer possibilidade de vermos os “lugares” a que 
se refere Freud, como sendo lugares anatômicos, físicos ou neurológicos.
 Podemos concordar com a suposição de que essa teoria dos luga-
res psíquicos foi sugerida pelo contexto científico da época, que tentava, 
a todo custo, encontrar lugares anatômicos para os distúrbios mentais e 
para os fenômenos psíquicos normais. A doutrina das localizações cere-
brais, assim como os estudos sobre a afasia, são exemplos proeminentes 
desse tipo de postura teórica. No entanto, a tópica freudiana escapa a esse 
tipo de empreendimento, já que os lugares de que ela trata não são lu-
gares físicos, não podem ser localizados anatomicamente e não possuem 
nenhuma realidade ontológica. Podemos mesmo dizer que a tópica freu-
diana importa menos pelos lugares que ela estabelece do que pela direção 
do funcionamento do aparelho (GARCIA-ROZA, 1987).
A importância maior do caráter orientado do funcionamento do 
aparelho psíquico pode ser avaliada pela afirmação de Freud de que
“não há necessidade de hipótese de que os sistemas psíquicos se-
jam realmente dispostos numa ordem espacial. Seria suficiente que fosse 
estabelecida uma ordem fixa pelo fato de, num determinado processo 
psíquico, a excitação passar através dos sistemas numa sequência tempo-
ral especial. (op. cit., p. 573)”
Metapsicologia - descreve um processo psíquico em suas relações - 
topológica, dinâmica, econômica e a gênese (histórico do desejo).
55
Texto base:
FREUD, Sigmund. A interpretação dos sonhos. 2. ed. Rio de Janeiro: 
Imago; 1987.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. Zahar, 1987.
56
Aula 14 Segunda Tópica Freudiana
A segunda estrutura do aparelho psíquico elaborada por Freud 
como uma complementação da primeira, que abrangeria suas novas des-
cobertas sobre o funcionamento psíquico
Segunda Tópica
Escrito por Freud em 1923, o texto retoma os pensamentos que o 
autor iniciou anteriormente em seu trabalho Além do Princípio do Pra-
zer, de 1920. Retoma concepções acerca da definição de Consciente e In-
consciente como premissa básica da psicanálise. A partir da elaboração do 
conceito de Inconsciente, originado da teoria da repressão, Freud busca 
compreender a dinâmica psíquica, pois para ele, o reprimido seria o pro-
tótipo do Inconsciente.
 O autor identificou três instancias do aparelho psíquico para ex-
plicar seu funcionamento: o Pré-Consciente, Consciente e Inconsciente. 
No decorrer do trabalho Freud verifica que essas diferenciações são insu-
ficientes na prática e passa a formar a idéia de uma organização coerente 
dos processos psíquicos na pessoa e a denomina de Eu, que estaria ligado 
à consciência, dominando o acesso ao mundo externo e agindo sobre as 
percepções e repressões. As repressões partiriam desse Eu, que escolhe o 
que permanece e o que é excluído da consciência e de outras atividades 
psíquicas.
A consequência destas descobertas para a prática psicanalítica foi 
a redução de inúmeras dificuldades e obscuridades, facilitando a com-
preensão das relações estruturais da vida psíquica e outras ainda mais 
significativas. Freud afirma que todo reprimido é inconsciente, mas nem 
todo inconsciente é reprimido, e que haveria uma parte do Eu que seria 
inconsciente, havendo uma ambiguidade no Eu. 
O texto prossegue com o capítulo denominado O Eu e o Id, onde 
o autor enfatiza o Eu e sua ambiguidade, iniciando sua discussão pelo que 
seria a superfície da psique, a consciência, e como se dá seu funcionamen-
to no processo interno de deslocamento dessas energias.
Freud faz referência ao trabalho de Georg Groddeck que trouxe a 
idéia de que o Eu se conduz de modo essencialmente passivo e que somos 
“vividos” por poderes desconhecidos e incontroláveis e que isso aconte-
ceria de forma inconsciente. Freud propõe nomear essa entidade de Id. 
Podemos observar que Freud aos poucos nos apresenta a elaboração do 
aparelho psíquico. Até aqui temos o Eu, que representado pela razão; e o 
Id, que em oposição representa as paixões. 
57
O autor dá continuidade a esta apresentação no capítulo nomeado 
O Eu e o Super-Eu, supondo a existência de uma diferenciação que es-
taria no interior do Eu, já havia citado em outros trabalhos (com o nome 
de Instância Crítica no texto Luto e Melancolia de 1915), à qual é dado 
o nome de Super-Eu ou Ideal do Eu, que teria sua origem na primeira 
e mais significativa identificação do indivíduo com o pai da pré-história 
pessoal, construído a partir da dissolução do Complexo de Édipo. Para o 
autor o Super-Eu seria herdeiro do Complexo de Édipo.
Mais adiante, no capitulo Duas Espécies de Instinto (na tradução 
utilizada nesta resenha encontramos instinto no que seria pulsão), o autor 
nos apresenta dois tipos de força que atuam na dinâmica psíquica: as pul-
sões sexuais (Eros), que tem como objetivo de conservar a vida e trazendo 
complexidade; e o instinto de autoconservação do Eu, pulsão de morte, 
que tem a tarefa de conduzir o organismo ao estado inanimado, a vida 
seria a luta entre essas duas forças.
Freud finaliza o texto com o capítulo As relações de dependências 
do Eu, retomando assuntos já tratados sob novos aspectos, mostrando o 
Eu em diferentes relações, trazendo maior nitidez aos conceitos. Entre as 
relações de dependência do Eu, a mais interessante é talvez aquela com 
o Super-Eu, destacando a força que este pode desempenhar sobre o Eu, 
este seria sede da angústia tendo em vista que o Eu estaria ameaçado de 
perigo por três direções externas e internas (Id e Super-Eu). E o autor 
expõe problemas difíceis para a psicanálise, que até este ponto não possui 
um conceito abstrato de teor negativo, como o perigo sentido pelo Eu 
(angustia), medo de morteou aniquilação. 
E Freud convida o leitor a imaginar como se daria o processo de 
dominação das pulsões de vida e morte, onde a pulsão de morte busca 
calar Eros, mas Eros este estraga o sossego trazendo a incomoda pulsão 
de vida. Neste texto tivemos o esclarecimento topológico e dinâmico do 
aparelho psíquico, mas que ainda gerem algumas dúvidas quanto ao seu 
funcionamento econômico.
58
Ego/Eu (FREUD, 1923-1925. pág. 31) - O eu é aquela instância 
que supervisiona todos os processos parciais que ocorrem na pessoa. É a 
instância que a noite vai dormir, mesmo dormindo, ainda detenha o con-
trole da censura onírica. É também desse Eu que procedem os recalques, 
fazendo com que determinadas tendências psíquicas sejam excluídas, não 
só da consciência, mas também impedindo-as de agir por outro meio.
Obs. É exatamente com aquilo que o recalque pôs de lado que o 
Eu terá que se confrontar durante a análise, durante a análise o doente 
tem dificuldades de seguir na cadeia associativa, encontrando-se sobre o 
domínio da resistência, pois ele nada sabe a respeito, ainda que com seus 
sentimentos de mal estar, com a resistência em curso não saberia nomear, 
apontar. Assim nos deparamos com uma parte do Eu que é Ics, algo que 
se comporta como recalcado, sem se tornar Cs pode trazer consequências 
a psique.
Agora o Ics não mais coincide com o recalcado - Todo recalcado é 
Ics mas nem todo Ics é recalcado.
Texto base:
FREUD, Sigmund. O Eu e o Id; Autobiografia e outros textos (1923-
1925). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
59
Aula 15 - Além do Princípio do Prazer – Introdução
Um marco na psicanálise que explica o início do desenvolvimento 
da vida psíquica a partir da infância e suas primeiras vivências. 
O primeiro modo de funcionamento psíquico na infância tem 
como base o princípio do prazer.
Um bebê recém-nascido em seus primeiros meses de vida depende 
integralmente da mãe/cuidador, suas demandas para serem sanadas de-
pendem dessa pessoa e da relação mãe/bebe. Demandas orgânicas Fome, 
sede, frio. E os impulsos internos, nesse momento o bebê já teve sua pri-
meira experiência de satisfação, e segue em busca de revivê-la (chuchar).
Não existe uma tolerância ao desprazer, as perturbações internas 
e externas são sentidas como ameaças a vida da criança, a criança não 
sabe comunicar o que está sentindo, não sabe falar, dores estranhas e sem 
nome, ainda não possui o domínio da linguagem (Lacan), o choro é sua 
forma de comunicação na esperança de ter suas demandas sanadas. 
Aos poucos a criança caminha rumo para o princípio de realidade, 
quando a criança consegue esperar, com o adiamento da satisfação e acei-
tação temporária do desprazer.
O processo de desenvolvimento psíquico e orgânico caminham 
juntamente, a dependência integral, sua inserção na linguagem, domínio 
do corpo e a percepção de si, diferente da mãe.
Freud nos esclarece: 
O princípio do prazer é um modo de funcionamento primário do 
aparelho psíquico. Posteriormente, frente às dificuldades do mundo ex-
terno e devido aos instintos de autoconservação do Eu, ocorre a substitui-
ção pelo princípio da realidade, possibilitando a aceitação do desprazer 
temporário, uma espécie de rodeio para chegar ao prazer. Essa substitui-
ção, porém, não anula o objetivo do aparelho psíquico na busca do prazer 
ou na evitação do desprazer. Pode-se dizer que permanece na psique uma 
forte tendência ao princípio do prazer que se opõe a determinadas forças, 
de modo que o resultado final nem sempre corresponde à tendência ao 
prazer (FREUD, 1920).
Texto base:
FREUD, Sigmund. História de uma neurose infantil: (“O homem dos lo-
bos”): além do princípio do prazer e outros textos (1917-1929). São Pau-
lo: Companhia das Letras, 2010.
60
Aula 16 Além do Princípio do Prazer
A descrição do fator topológico e ao dinâmico do aparelho psíqui-
co, levando em conta o fator econômico do princípio do prazer.
Neste texto o autor faz uma descrição do fator topológico e ao di-
nâmico, levando em conta o fator econômico do princípio do prazer. O 
princípio do prazer é um modo de funcionamento primário do aparelho 
psíquico, e por influência dos instintos de autoconservação do Eu, o prin-
cípio do prazer é substituído pelo princípio da realidade. 
Na primeira parte do texto o autor faz especulações na tentativa 
de descrever e dar conta do que vinha observando em suas pesquisas. Até 
então a compreensão do funcionamento do aparelho psíquico através da 
relação entre o prazer e o desprazer relacionando com a quantidade de 
excitação, onde o desprazer corresponde a um aumento de excitação, e 
o prazer seria a diminuição dessa quantidade de estímulo, sendo que o 
aparelho psíquico se empenha em conservar a quantidade de excitação 
nele existente o mais baixa possível, ou ao menos constante, e tudo que 
tem a capacidade de aumenta-la é percebido como disfuncional, ou seja, 
desprazeroso.
Após a substituição pelo princípio da realidade é possível aconte-
cer o adiamento da satisfação e a aceitação temporária do desprazer, a 
própria substituição é uma experiência dolorosa.
 O autor afirma que a maior parte do desprazer que sentimos é 
desprazer de percepção, seja por instintos insatisfeitos ou percepção ex-
terna, que é dolorosa em si ou que provoca desprazer no aparelho psí-
quico.
Segundo o autor, as formas de desprazer descritas não dão conta 
de todas as nossas vivências desprazerozas, e segue admitindo uma maior 
limitação do princípio do prazer e que as reações psíquicas estímulos ex-
ternos podem fornecer um novo material e novas colocações sobre o pro-
blema.
61
Freud propõe a lançar luz sob o fenômeno das “neuroses traumáti-
cas”, pois nesse período ainda não se obtivera uma compreensão nem das 
neuroses de guerra e nem das neuroses traumáticas, o que o leva a per-
correr esse caminho é a ocorrência de sonhos numa neurose traumática 
têm a característica de que o doente sempre retorna à situação do aciden-
te, da qual desperta com renovado terror. Sendo que sua a compreensão 
sobre o sonho seria a realização do desejo, restando acreditar que nesse 
estado o sonho estaria desviado da sua função, e sonhos que rememoram 
constantemente situações traumáticas em que mostra uma repetição do 
trauma, tendo em vista que o sonho seria o caminho mais seguro para 
uma investigação dos processos psíquicos profundos.
Neste ponto o autor nos convida a olhar para a repetição de situ-
ações traumáticas a partir da descrição de uma brincadeira infantil, pois 
ao observar a brincadeira de uma criança de 18 meses, em que a criança 
lança fora (fort) um brinquedo e depois o trás de volta (da). Freud iden-
tifica uma encenação do momento em que a mãe se afasta da criança e 
seu retorno, e ao constante repetição da brincadeira e principalmente o 
da saída da mãe, dentre as possibilidades de teorias a respeito desta brin-
cadeira infantil, o que a repetição demostra é a tentativa de uma elabora-
ção da vivência dolorosa, onde a criança busca estar ativo e ter controle 
daquilo que lhe cauda dor e que a há caminhos para tornar o objeto de 
recordação e elaboração psíquica o que é em si desprazeroso.
Como o texto propõe é pensar o que além do princípio do prazer, 
o que estaria fora do campo de compreensão do que causa o desprazer 
que o conhecemos, que comprovaria algo que foge do campo do princí-
pio do prazer, o que parece mais primitivo e seria independente.
O autor nos leva a outra perspectiva acerca de suas investigações e 
de sua experiência na prática, onde a partir da clínica psicanalítica onde 
o paciente é levado a repetir o reprimido (trauma) na relação com o mé-
dico. Aqui Freud expõe a fim de compreender a “compulsão a repetição” 
manifesta durante o tratamento analítico pelos neuróticos, e que o incons-
ciente ou o reprimido não promove resistências aos esforços terapêuticos, 
mas que procura abrir caminho rumo a consciência para uma descarga na 
ação real. A busca em justificar a hipótese da compulsão a repetição, qual 
sua função eao que corresponde e qual a sua relação com o princípio do 
prazer.
62
Freud usa do funcionamento econômico para explicar o funcio-
namento e topológico e como ocorre o prazer-desprazer, e como estímu-
los externos e internos agem no aparelho psíquico, e que nesta instância 
de processos Inconsciente são atemporais, portanto, não são ordenados 
temporalmente, que o tempo não modifica a ideia, então conteúdos trau-
máticos podem ser vivenciados na mesma intensidade em que foram sem 
interferência temporal. Pois haveria um sistema de proteção contra esses 
estímulos potencialmente traumáticos, e que a neurose traumática seria 
uma ruptura da proteção contra estímulos. E sua investigação segue acer-
ca dos eventos traumáticos que se repetem através de sonhos que não 
seriam a realização de um desejo, mas sim obedecendo compulsão a re-
petição, nesse ponto o autor admite pela primeira vez que existe exceções 
em que o sonho não é a realização do desejo e esses seriam os sonhos dos 
neuróticos traumáticos.
Texto base:
FREUD, Sigmund. História de uma neurose infantil: (“O homem 
dos lobos”): além do princípio do prazer e outros textos (1917-1929). São 
Paulo: Companhia das Letras, 2010.
63
Aula 17 Eros e Thanatos
As forças que movimentam a vida psíquica, principal de propulsão 
e manutenção de vida.
Contextualização: 
Primeira Guerra mundial - Freud vivencia a primeira guerra (1914-
1918) com sua força mortífera se volta para a ideia de morte, estudos so-
bre as neuroses de guerra, havendo uma reorientação para contemplar 
uma categoria de pensamentos e sentimentos humanos que escapavam 
ao alcance do entendimento.
Temos o Freud Cientista, biologista, darwinista, evolucionista, que 
passa a faz considerações atuais sobre a guerra, diante da desilusão causa-
da pela guerra , da atitude perante a morte temos um outro momento da 
obra que deixa de lado as ideias evolucionistas e temos um Freud antro-
pologista, sociólogo que se ocupa da sociedade, cultura, religião e política 
que vemos nos trabalhos posteriores como em, Psicologia das Massas e 
Análise do Eu (1921/2001), O Futuro de uma Ilusão (1927/2004d), O Mal 
- Estar na Cultura (1929/2004c) e Porque a Guerra? (1933/2004b).
A ideia de uma evolução humana vai se afastando e dando lugar a 
uma dualidade que vem se apresentando e ocupando espaço nos traba-
lhos, amor e ódio, vida e morte. 
Com conceitos sobre:
Pulsão: Fronteira entre o mental e o somático, representante psí-
quico dos estímulos que se originam dentro do organismo e alcançam a 
mente (pulsões e suas vicissitudes); força motriz que impulsiona.
Em além do princípio do prazer o autor nos diz que é uma força 
impelente/impulsiona internamente o organismo vivo que visa restabele-
cer um estado anterior que o ser vivo precisou abandonar devido a influ-
ência de forças externas.
A partir dessas construções ocorre um embate: a ânsia conservado-
ra e o desejo por crescimento em direção aos elementos inéditos apresen-
tados pela exterioridade.
Freud apresenta duas ideias sobre as pulsões. Duas espécies de 
pulsões a serem diferenciadas, a mais visível e mais acessível:
64
Pulsão sexual ou Eros: Por pulsão sexual devemos entender não 
apenas pulsões sexuais propriamente ditas, as quais atuam sem inibição 
na busca por meta sexual, mas também as pulsões delas derivadas. Fa-
zendo referência às moções pulsionais sexuais sublimadas, ou, como de-
nominamos, pulsões sexuais inibidas em sua busca pela meta. Além disso 
devem ser incluídas as pulsões de autoconservação; também elas perten-
cem ao Eu.
E continua sua construção nos apresentando a pulsão de morte: 
tem como missão conduzir a vida orgânica de volta ao estado inanima-
do, visa a estabilidade da economia psíquica através de uma manutenção 
conservadora de estado inanimado contrapondo-se à pulsão de morte, a 
pulsão de vida, Eros, teria como meta amalgamar cada vez mais partículas 
fragmentadas da substância viva, dando à vida uma forma mais complexa 
e, assim, preservando-a.
Desse modo, podemos dizer que as pulsões se conduzem, no sen-
tido de mais estrito do termo, de forma conservadora, pois ambas visam 
o restabelecimento de um estado que foi perturbado pelo surgimento da 
vida. Assim, tanto o empenho em prosseguir lutando pela vida, como a 
nostalgia pela morte, devem-se ao próprio brotar da vida (pág. 49/50).
Textos base:
DE CARVALHO, Maura Cristina; LAZZARINI, Eliana Rigotto. Pulsão de 
morte e (re) criação: entre o mal-estar na civilização e a “dádiva do ou-
tro”. Revista Crítica Cultural, v. 14, n. 1, p. 71-80, 2019.
FREUD, Sigmund. O Eu e o Id; Autobiografia e outros textos (1923-
1925). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
65
Aula 18 Pulsões e Seus Destinos
Os possíveis destinos das pulsões de vida e morte que movimen-
tam o aparelho psíquico.
A Pulsão - tem sempre como objetivo/meta a satisfação e objeto 
pode ser o próprio corpo ou fora/outro – eliminar o desprazer
Para uma caracterização geral dos instintos sexuais podemos dizer 
o seguinte: eles são numerosos, originam-se de múltiplas fontes orgâni-
cas, atuam de início independentemente uns dos outros, e apenas bem 
depois são reunidos numa síntese mais ou menos completa (pág. 33).
A meta que cada um deles procura atingir é o prazer do órgão; 
somente após efetuada a síntese eles entram a serviço da função reprodu-
tiva, tornando-se geralmente reconhecidos como instintos sexuais. 
Ao aparecer, apoiam-se inicialmente nos instintos de conservação, 
dos quais se desligam apenas aos poucos, e seguem também na busca de 
objeto os caminhos que lhes mostram os instintos do Eu. Uma parte deles 
a vida inteira associada aos instintos do Eu, dotando-os de componentes 
libidinais, que na função normal são facilmente ignorados, e apenas quan-
do há doença surgem claramente. Caracterizam-se pelo fato de poderem, 
em larga medida, agir vicariamente uns pelos outros, e trocar facilmente 
seus objetos. Devido a esses atributos, são capazes de realizações que se 
acham bem afastadas de suas originais ações dotadas de objetivo.
Nossa investigação referente às vicissitudes que os instintos podem 
experimentar no curso da evolução e da vida terá que se limitar os instin-
tos sexuais, que conhecemos melhor. Eis o que a observação nos ensina a 
reconhecer como destinos dos instintos:
 • A reversão no contrário
 • Conversão de conteúdo
 • Atividade-passividade
 • Sadismo-masoquismo/ voyeur- exibicionista - amor e ódio.
 • O voltar-se contra a própria pessoa
 • Masoquismo como um sadismo que se voltou contra o próprio Eu
 • A repressão (Aula 5)
 • A sublimação: processo civilizatório , reconhecimento social cultura- 
arte
Texto base:
FREUD, Sigmund. As pulsões e seus destinos–Edição bilíngue. Autêntica, 
2016.
66
Aula 19 Estruturas Clínicas
Neurose, Psicose e Perversão são formas de funcionamento psíquico.
A identificação das estruturas são Modos de estar na linguagem 
- modos de funcionamento e de interpretação do mundo. Não são diag-
nósticos, na maioria das vezes não se apresentam de forma “pura”, inte-
gral nas suas características.
Neurose - dúvida - faz sintoma
A neurose seria o resultado de um conflito entre o Eu e o Id 
Na recusa do Eu em acolher demandas pulsionais vindas do Id e 
transformá-las em ação motora, a resistência do conteúdo recalcado, toma 
como um representante para lhe servir como substituto, providencia um 
sintoma, esse sintoma se impõe como uma formação de compromisso. Ao 
se sentir ameaçado e tendo danos por conta do conteúdo intruso o Eu 
passa a lutar contra o sintoma, esse processo resultará em um quadro de 
neurose
Neurose Histérica- corpo
Neurose Obsessiva- pensamento - homem dos ratos 
impossibilidade de satisfação de desejo
necessidade de controle, formação reativa, regras internas
racionalização excessiva como tentativa de controle em análise
Neurose Fóbica - direcionada a um objeto
Psicose - certeza - delírio 
A psicose seria o resultado de uma perturbação entre o Eu e o 
mundo externo.Situadas sob a égide da foraclusão do Nome-do-Pai, elas apresen-
tam diferenças clínicas que demandam a verificação de sua diferença na 
estrutura.
Essa distinção está presente desde sua descrição na psiquiatria clás-
sica: enquanto na esquizofrenia preponderam os distúrbios da associação 
de idéias (Bleuler), na paranóia predominam as interpretações (Sérieux 
et Capgras).
No registro do Imaginário – âmbito do narcisismo, isto é, da ima-
gem, do eu e do sentido – há “regressão”, segundo Freud, ao auto-erotis-
mo no caso dos esquizofrênicos e ao narcisismo na paranóia.
67
No registro do Real, no que concerne ao gozo,verifica-se na esqui-
zofrenia a fragmentação do gozo do corpo, da fala e do pensamento – o 
gozo está disperso e tende a invadir todas as instâncias sem enquadra-
mento algum, de forma anárquica. Na paranóia, em contraposição, há 
uma concentração do gozo no Outro, na figura do perseguidor, da pessoa 
amada ou odiada, do traidor etc.
Esquizofrenia - corpo fragmentado - auto erotismo - dispersão no 
sentido
Paranoia - fixação na imagem do outro - paranóia prepondera a 
fixação à imagem do outro (a-a’), o congelamento do sentido e a enfatua-
ção do eu que vai até a megalomania.
Mania-Melancolia - bipolar 
Perversão fetiche - negação da castração - substituto
Sadismo - satisfação em infligir dor no outro
Masoquismo - satisfação em ter dor infligida por outro
68
Aula 20 Recordar Repetir e Elaborar
Percursos possíveis do tratamento e seus caminhos junto à transfe-
rência e a relação com o analista.
Repetir, recordar e elaborar
Repetição é um conceito psicanalítico que deve ser levado em con-
sideração na experiência da clínica. Ocorre no início do processo analítico 
e permite sua continuidade através dos desdobramentos na clínica. 
Tendo como base os trabalhos de Freud Recordar, repetir e elabo-
rar (1915) e Além do princípio do Prazer (1920), abordaremos desde o 
modo como se constitui a sua forma de surgimento no processo analítico 
até os possíveis usos terapêuticos como a transferência.
O processo de transferência funda a relação analítica, e se ela é 
um caso particular da repetição, o tratamento psicanalítico só tem início 
quando o paciente produz uma repetição desse tipo com o analista.
Neste artigo, pretendemos mostrar como a repetição pode se ma-
nifestar como processo elaborativo na clínica psicanalítica, tomando como 
exemplos fragmentos de casos que possibilitam uma visualização da re-
petição.
Clínica e repetição
A repetição faz parte do cotidiano. Durante toda a vida sempre 
estamos às voltas com posições semelhantes as que já foram ocupadas em 
algum outro momento. Na psicanálise a repetição é um conceito funda-
mental e surge frequentemente na relação analítica.
A partir de estudos de caso e da observação da vida cotidiana, Freud 
inicia a formulação de sua teoria sobre a repetição. Em 1914, no traba-
lho Novas Recomendações sobre a Técnica da Psicanálise II - Recordar, 
Repetir e Elaborar, Freud lembra o leitor a respeito das alterações que a 
técnica psicanalítica sofreu ao longo dos anos desde seu início e de outras 
que viriam ao longo dos anos. Neste texto, Freud afirma que os objetivos 
da análise permanecem inalterados, descritos como o preenchimento de 
lacunas da recordação e superação das resistências da repressão.
Para Freud (1914) o objeto da repetição foi perdido, logo o sujeito 
estaria repetindo de forma inconsciente aquilo que não é possível ser lem-
brado, ou seja, aquilo que se repete estaria recalcado. 
69
Assim, de forma recorrente, as representações retornam à consci-
ência e por resistência do ego, permanecem sob forma de ação (NETO E 
ROCHA, 2014).
O autor afirma ainda que a análise é iniciada com certo tipo de re-
petição, como quando o analisando diz não se lembrar de ter sido teimo-
so e rebelde ante a autoridade dos pais, mas se comporta de tal maneira 
diante do analista, podemos compreender que esta seria sua forma de re-
cordar. A transferência na relação analítica seria uma parcela da repetição 
do passado, que seria transferida não somente para o analista, mas para 
todos os âmbitos da situação presente e quanto maior a sua resistência, 
mais o ato de recordar seria substituído pela repetição.
As armas usadas pelo analisando para se defender da terapia têm 
origem no seu passado, sua fonte seria o reprimido de onde emergem as 
resistências. Desta maneira, sua doença não deve ser tratada de maneira 
histórica, mas como um poder atual, e enquanto o doente vivencia de for-
ma atual e real, parte do trabalho terapêutico exercido seria sob ela seria 
uma recondução ao passado.
Um dos principais meios de domar a compulsão a repetição é quan-
do esta se transforma em um modo de recordação e através do manejo 
da transferência, desta maneira ela se torna inofensiva e até mesmo útil 
para o processo terapêutico. A transferência cria uma zona intermediária 
entre a vida e a doença.
No texto Além do Princípio do Prazer, Freud (1920) volta a elabo-
rar questões a respeito da repetição, como a repetição de situações trau-
máticas e foi a partir da descrição de uma brincadeira infantil, que ao ob-
servar a brincadeira de uma criança de 18 meses, em que a criança lança 
fora (fort) um brinquedo e depois o trás de volta (da). Freud identifica 
uma encenação do momento em que a mãe se afasta da criança e seu re-
torno, e ao constante repetição da brincadeira e principalmente o da saí-
da da mãe, dentre as possibilidades de teorias a respeito desta brincadeira 
infantil, o que a repetição demonstra é a tentativa de uma elaboração da 
vivência dolorosa, onde a criança busca estar ativo e ter controle daquilo 
que lhe causa dor e que a há caminhos para tornar o objeto de recordação 
e elaboração psíquica o que é em si desprazeroso.
O autor nos leva a outra perspectiva acerca de suas investigações e 
de sua experiência na prática, onde a partir da clínica psicanalítica onde 
o paciente é levado a repetir o reprimido (trauma) na relação com o mé-
dico. Freud, a fim de compreender a “compulsão a repetição” manifesta 
durante o tratamento analítico pelos neuróticos, e que o inconsciente ou 
70
o reprimido não promove resistências aos esforços terapêuticos, mas que 
procura abrir caminho rumo a consciência para uma descarga na ação 
real. A busca em justificar a hipótese da compulsão a repetição, qual sua 
função e ao que corresponde e qual a sua relação com o princípio do pra-
zer.
Freud reforça a ideia de que os processos Inconscientes são atem-
porais, portanto, não são ordenados cronologicamente. O tempo não 
modifica a ideia, assim conteúdos traumáticos podem ser vivenciados na 
mesma intensidade de quando aconteceram, sem interferência temporal.
Podemos presenciar na clínica psicanalítica a repetição ocorrer de 
forma clara e em diversas intensidades, possibilitando ao analisando re-
viver lugares ou papeis que representou durante grande parte de sua 
história. Através de fragmentos de um caso clinico, ilustra-se uma destas 
histórias que se repetem.
“Vejo uma estrada longa e muito bonita e não tem nada perto, só 
uma casinha e por mais que eu ande quando paro e olho para o lado é 
a mesma casa, sempre volto pra lá, paro na frente. Porque eu sempre 
paro lá?”
Rosa, 30 anos. Buscou atendimento a fim de encontrar coragem 
para tomar uma decisão. Está casada há 11 anos, e há 2 meses descobriu 
que o marido abusou de sua filha mais velha, fruto de uma relação an-
terior. Diz que está se organizando para deixá-lo, pois o abuso da filha 
e o não arrependimento do marido seriam motivos suficientes para tal 
decisão. Rosa afirma que o casamento nunca foi bom. Traições, agressões 
físicas e verbais sempre fizeram parte da convivência. Ela diz ser doença 
suportar este tipo de relação e que após o acontecimento com a filha se 
sente responsável e conivente com o crime. Quando criança, Rosa foi abu-
sada. Hoje, mãe de duas meninas, diz sempre ter tido cuidado para que 
isso nunca ocorresse com elas, mas que em um único descuidoo marido 
abusou da sua filha. O abuso sofrido por Rosa ocorreu quando ela tinha 
8 anos. Estava dormindo em uma rede quando foi surpreendida por uma 
pessoa conhecida que a violentou. Após as agressões, Rosa vai até a mãe 
para pedir ajuda e contar o ocorrido. A reação da mãe é mandá-la lavar 
a rede suja de sangue, pois a culpa teria sido dela. Para fugir dos gritos e 
agressões da mãe, a menina foge e se esconde em um poço seco nos fun-
dos da casa e fica lá até amanhecer.
O medo de repetir a história da mãe, que culpa a filha pelos abu-
sos sofridos, motivou Rosa a tomar todos os cuidados e providencias que 
julgou necessário. No entanto, ela se encontra no lugar semelhante ao 
ocupado pela sua mãe.
71
Durante toda a sua vida, Rosa ocupou o lugar de vítima. Após o 
primeiro abuso, outros ocorreram, em sua maioria por homens da família 
e conhecidos. Durante a vida adulta se envolve em relacionamentos abu-
sivos em que sofre diversas formas de violência, a repetição da violência 
durante sua história. 
No decorrer do processo terapêutico Rosa atuou de diversas for-
mas, como a mãe que culpa a filha, a criança abusada e culpada, como nos 
mostra a teoria, uma parcela da repetição do passado acontece na trans-
ferência, e que por diversas vezes a fala se repete no espaço da análise, 
sendo este um recurso para superar a experiência dolorosa. O intenso 
trabalho psíquico para na tentativa de se reconstruir do trauma.
Enquanto o sujeito associa livremente, ele vai tecendo algum tipo 
de representação para os conteúdos inconscientes, aquilo que até então, 
para ele, não era possível ser dito (NETO E ROCHA, 2014).
Conclusão 
Nos fragmentos do caso clínico descrito encontramos referências 
explícitas à repetição. O percurso da análise evidenciou que os constantes 
retornos de Rosa à suas vivências dolorosas podem indicar uma tentativa 
de elaboração.
Este trabalho possibilitou outra visão ao caso citado, mostrando 
que de fato a repetição se manifesta na clínica no sentido de restituir al-
guma coisa ao plano psiquico. E que de forma singular possibilitando ao 
sujeito um que repete em busca de algo, dando sentido a destinos e ações 
até então sem sentido.
Textos base:
FREUD, Sigmund. Observações Psicanalíticas sobre um caso de paranoia 
relatado em autobiografia (“O caso Schreber”): Artigo sobre técnica e ou-
tros textos; Recordar, Repetir e Elaborar e outros textos (1917-1929). São 
Paulo: Companhia das Letras, 2010.
FREUD, Sigmund. História de uma neurose infantil: (“O homem dos lo-
bos”): além do princípio do prazer e outros textos (1917-1929). São Pau-
lo: Companhia das Letras, 2010.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Acaso e repetição em psicanálise. Zahar, 
1999.
NETO, Esperidião Barbosa; ROCHA, Zeferino. Repetir, repetir, repetir... 
por quê? Psicologia & Saberes, v. 3, n. 4, 2014.
72
MÓDULO III
FREUD É ATUAL
Ementa:
A clínica psicanalítica em sua prática. Como técnica e teoria psica-
nalíticas atuam na clínica e na escuta a partir de textos fundamentais e a 
expansão da teoria na clínica psicanalítica contemporânea.
Objetivo: 
- A teoria e a técnica psicanalítica na prática clínica 
- O papel do analista na demanda 
- A aplicabilidade da teoria
- Compreender o Complexo de Édipo e seu papel.
- A função da Castração
A partir da base teórica apresentas no eixo I e II, será apresentada 
a técnica e sua prática clínica e como elas norteiam o processo analítico.
73
Aula 21 Recomendações de Freud
Um recado de Freud para nós, analistas ou futuros analistas.
Nessa aula usaremos como texto de referência o trabalho de 1912, 
é um texto curto e acessível que está disponível no material e por isso 
não irei transcrevê-lo aqui e farei poucas pontuações. O texto que usei 
durante a aula foi da editora autêntica que tem algumas diferenças de 
tradução do texto disponibilizado, que foi o da editora companhia das 
letras, apesar das diferenças o conteúdo permanece o mesmo, para mais 
esclarecimentos sobre traduções temos o E-book disponível, agora segui-
mos as pontuações.
Temos regras fundamentais ao analista e ao analisando:
 - A regra fundamental para o analista: a descrição feita no texto é, 
ouvir tudo que lhe dizem, sem se preocupar em fazer anotações ou sem 
se preocupar se vai lembrar ou não, mantendo longe todas as influências 
(preocupações, julgamentos ou qualquer outra coisa que possa interfe-
rir), isso é a atenção flutuante.
- A regra fundamental para o analisando: Falar tudo que lhe vier à 
mente, associar livremente.
Nosso foco nessa aula é o analista, e assim o texto segue de reco-
mendações e outra que chama atenção é a noção neutralidade compa-
rando ao trabalho do cirurgião, a abstinência que falamos na aula sobre 
transferência e volto a recomendar a leitura do artigo sugerido na aula. 
Seguindo outro ponto importante é a análise do analista, desejo uma boa 
leitura e se tiver alguma dúvida estamos à disposição para auxiliar.
Recomendação de leitura:
CELES, L. A. M. Crise terapêutica da psicanálise e presença do analis-
ta. Revista Percurso, v. 21, n. 41, p. 47-54, 2008.
Textos base:
FREUD, Sigmund. Recomendações ao médico para o tratamento psica-
nalítico (1912) Fundamentos da clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
74
Aula 22 A Clínica Hoje
Os adoecimentos recorrentes que encontramos na clínica hoje e os 
registros Freudianos que nos guiam diariamente.
Nos estudos que buscam a compreensão da subjetividade humana, 
encontramos condições que fazem parte da constituição do ser humano 
como o desamparo, uma particularidade da vida que todos nós experien-
ciamos. 
A partir dos estudos freudianos encontramos o desamparo como 
inevitável. Nestes trabalhos, apesar das constantes mudanças e revisões, o 
núcleo da ideia do desamparo não sofreu mudanças, ou seja, permaneceu 
significando a falta de amparo. A primeira citação de Freud a respeito do 
desamparo é feita no texto Projeto para uma Psicologia Científica (1895), 
ao explicar a experiência de satisfação; e em Inibições, Sintomas e Ansie-
dade (1926), o desamparo é apresentado como uma parte importante da 
constituição psíquica a partir da constituição da realidade psíquica.
Laplanche e Pontalis (1970) explicam o desamparo na teoria freu-
diana como o estado em que a criança recém-nascida, que depende intei-
ramente do outro para satisfazer suas necessidades, se descobre impoten-
te para por fim à tensão interna causada por estas demandas, e do ponto 
de vista econômico, o aparelho psíquico ainda não domina a necessidade. 
Para o indivíduo adulto, o estado de desamparo é o protótipo da situação 
traumática geradora de angústia e que do ponto de vista econômico o 
desprazer gerado pela angustia que leva ao aumento da tensão.
Na visão destes autores a condição física e psíquica do ser humano 
em seu nascimento o coloca em situação de dependência fisiológica e psí-
quica, e a ausência do aparelho psíquico o impede de dar conta das ten-
sões vividas. Diante desta questão, partiremos em busca da compreensão 
e relação do desamparo no processo de desenvolvimento psíquico.
O desamparo
Ceccarelli (2009) também nos propõe a compreensão do desampa-
ro psíquico não somente do ponto de vista fisiológico, mas da perspectiva 
psíquica. Assim como a imaturidade física de suprir suas necessidades, ha-
veria uma imaturidade psíquica, pois a impossibilidade do recém-nascido 
em lidar com as exigências pulsionais uma vez que não haveria existência 
do aparelho psíquico.
75
Em Além do Princípio do Prazer (1920) Freud propõe que o apa-
relho psíquico é regulado automaticamente pelo Princípio do Prazer que, 
sempre que incitado por uma pulsão desprazerosa, busca uma direção 
em que seu resultado seja o rebaixamento da tensão, pela evitação do des-
prazer ou pela geração de prazer. Sendo assim o desprazer corresponde a 
um aumento, e o prazer, a uma diminuição dessa quantidade de pulsão.
O princípio do prazer é um modo de funcionamento primário do 
aparelho psíquico. Posteriormente, frente às dificuldades do mundoex-
terno e devido aos instintos de autoconservação do Eu, ocorre a substitui-
ção pelo princípio da realidade, possibilitando a aceitação do desprazer 
temporário, uma espécie de rodeio para chegar ao prazer. Essa substitui-
ção, porém, não anula o objetivo do aparelho psíquico na busca do prazer 
ou na evitação do desprazer. Pode-se dizer que permanece na psique uma 
forte tendência ao princípio do prazer que se opõe a determinadas forças, 
de modo que o resultado final nem sempre corresponde à tendência ao 
prazer (FREUD, 1920).
Ainda neste texto Freud empresta noções da biologia e reconhece 
duas classes de pulsões na vida mental: uma tem origem nos Instintos do 
Eu, possui caráter conservador e busca a reprodução de um estado primi-
tivo da matéria inanimada que levam a morte; a outra seriam os Instintos 
Sexuais, que visam o prolongamento da vida (Eros).
Freud (1923) dá continuidade na elaboração da teoria e nos apre-
senta a estruturação topográfica do aparelho psíquico em instâncias no-
meadas de Id, Eu e Super-Eu. Neste trabalho ele identifica e apresenta 
de forma definitiva que há dois tipos de forças que atuam na dinâmica 
psíquica: as pulsões sexuais (Eros), que tem como objetivo de conservar 
a vida e trazendo complexidade; e o instinto de autoconservação do Eu, 
a pulsão de morte, que tem a tarefa de conduzir o organismo ao estado 
inanimado. A vida seria a luta entre essas duas forças:
“... podemos dizer que as pulsões se conduzem, no sentido mais estrito 
do termo, de forma conservadora, pois ambas visam ao restabelecimento 
de um estado que foi perturbado pelo surgimento da vida. Assim tanto o 
empenho em prosseguir lutando pela vida, como a nostalgia pela morte, 
vem-se ao próprio brotar da vida. Diremos, então, que a vida consiste ao 
mesmo tempo em uma luta e um acordo de compromisso entre essas duas 
pulsões opostas” (FREUD, 1923 p.49).
Então para lidar com as tensões no aparelho psíquico as pulsões 
agem de forma que buscam manter um equilíbrio dentro do aparelho, 
trabalhando de forma simultânea, pois estas estariam misturadas umas 
com as outras ou amalgamadas (FREUD, 1923).
76
Através da compreensão do que ocorre no campo subjetivo na di-
nâmica do aparelho psíquico, podemos dizer que o desamparo leva o in-
divíduo à experiência de estar submetido a uma intensidade pulsional ex-
cessiva. Haveria então uma duplicidade no desamparo, pois assim como 
o desamparo é uma ausência de sustentação, o indivíduo estaria à mercê 
do outro que pode ou não o auxiliar a lidar com esse estado emocional 
(GARCIA E COUTINHO,2004).
Possíveis destinos da dependência vivenciada no desamparo e as 
formas que encontramos para lidar com ele.
Ainda que na vida ocorram inevitáveis vivências de desamparo, 
não apenas aquela primeira da infância, as reações a elas seguem o mode-
lo de enfrentamento desta inicial: diante da angustia partimos em busca 
de alento no mundo interno, ou nas construções sociais simbólicas, ha-
vendo uma variação nos laços sociais que estabelecemos para lidar com 
o desamparo psíquico. A universalidade do desamparo se singulariza na 
história pessoal de cada com a dependência que estabelece com quem lhe 
deu a vida (CECCARELLI, 2009).
Ceccarelli (2009) propõe que o Eros, por ser responsável pelas li-
gações pulsionais, age de forma a produzir investimentos libidinais que 
confortam, imaginariamente, o Eu em constituição. Como a primeira re-
lação de dependência que estabelecemos é com os pais, acreditando que 
eles possuem poderes sem limites, esperando sempre ser protegidos e 
amados por esses seres superiores.
Mais tarde os pais são substituídos pelos deuses ou por aqueles que 
julgamos possuir capacidades mágicas, e sendo capazes de tudo para não 
perder essa ilusão. Ao reagir a situações de desamparo, a tendência é en-
frentar de acordo com o protótipo construído na infância, pois a angustia 
que faz partir em busca de alento no mundo interno, ou nas construções 
sociais simbólicas, havendo uma variação nos laços sociais que estabelece-
mos para lidar com o desamparo que variam de acordo com a cultura e 
com o momento histórico.
Para Freud (1895, p. 241), “o desamparo inicial dos seres humanos é a 
fonte primordial de todos os motivos morais” e desta maneira podemos com-
preender a discussão do autor acerca de possíveis destinos do desamparo 
como as religiões, as ligações inquestionáveis aos mestres, às teorias toma-
das como verdades, que teriam como destino laços sociais que são estabe-
lecidos para lidar com o desamparo. Outra possibilidade seriam as rela-
ções com o outro nas quais “a fronteira entre ego e objeto ameaça desaparecer”.
77
Este destino do desamparo também é discutido por Garcia e Cou-
tinho (2004), que encontram expressões aflitivas do desamparo que atra-
vés de novas formas de mal-estar subjetivo, que seriam a experiências 
recorrentes do desamparo que caracterizam a experiência cotidiana con-
temporânea, tendo como faces do desampara na atualidade o pânico e a 
depressão.
As discussões utilizadas como base para a elaboração deste traba-
lho remontam a outra época, quando Freud escrevia acerca do desampa-
ro observado em seus pacientes. Embora identificados a várias décadas o 
estudo destes conceitos trazem para o presente profundas e importantes 
contribuições sobre a experiência cotidiana encontrada na clínica.
Como exemplo podemos citar que Freud se ocuparia dos destinos 
do desamparo em Inibições, Sintomas e Ansiedade (1926) e suas formu-
lações acerca da ansiedade frente à ameaça de uma situação traumáti-
ca, que seria uma ameaça de desamparo psíquico, são claramente válidas 
e rotineiramente observadas até hoje na clínica psicanalítica. Os textos 
freudianos permanecem fundamentais para subsidiar o psicanalista dian-
te do sofrimento humano, que por mais atuais que possam aparentar, são 
apenas novas formas de sofrer.
O perigo do desamparo psíquico permanece sendo um perigo de 
vida e a psicanálise possui conteúdos que nos ajudam a construir uma 
clínica contemporânea apta para lidar com esta condição humana, sendo 
sensível à atualização das formas de sofrer do homem moderno ao tempo 
em que recorre aos já estabelecidos conceitos da ciência psicológica, apri-
morados ao longo dos séculos de pesquisa.
78
Textos Base:
CECCARELLI, Paulo Roberto. Laço social: uma ilusão frente ao desam-
paro. Reverso, v. 31, n. 58, p. 33-41, 2009.
FREUD, Sigmund. Obras completas, volume 14: História de uma neuro-
se infantil (“O homem dos lobos”), Além do princípio do prazer e outros 
textos (1917-1920). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
______________ Obras Completas,volume 16: O eu e o id, “autobiografia” 
e outros textos (1923-1925). Companhia das Letras, 2011.
______________Projeto para uma psicologia científica (Edição standard 
brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud, Vol. 1). 
1996.
______________ Inibições, sintomas e ansiedade (1926). Obras Psicológi-
cas Completas de Sigmund Freud. Edição Standard Brasileira, v. 20, p. 
81-171, 1996.
GARCIA, Claudia Amorim; COUTINHO, Luciana Gageiro.Os novos ru-
mos do individualismo e o desamparo do sujeito contemporâneo. Psychê, 
v. 8, n. 13, p. 125-140, 2004.
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psica-
nálise. Martins Fontes Editora Ltda, 1970
79
Aula 23 Fim de Análise
O analista não dá alta, mas toda análise tem fim. 
O que o paciente busca na análise?
Geralmente há um pedido por resgatar uma felicidade e autono-
mia no gerenciamento de sua vida, em algum ponto da história perdida
• Demanda: A capacidade de extrair prazer nas atividades mais 
simples do seu cotidiano agora está cercada pelas limitações que seu sin-
toma lhe impõe. Mal-estar, sintoma que se impõe, escapa, se repete como 
ato involuntário, mas que impulsiona a buscar a análise 
• Função da análise: possibilidade de remanejamento pulsional 
que o nó do sintoma parece absorver , de forma que a pulsão encontre 
outras possibilidades de escoamento mais livres.
• Associaçãolivre: Fala como tentativa da explicação do impossí-
vel, nela encontra um endereço - A transferência, o analista.
Obs. O efeito terapêutico de uma análise está atrelado à transfe-
rência, que utiliza a linguagem como instrumento.
Infinita: pulsão, que se identifica com o fim de análise
Finita: castração, relacionamento infinito em Freud - ver o trecho
A análise traz questionamentos, que o sintoma/sofrimento inicia 
colocando em questão, num mundo fragmentado e marcado por certezas 
(regras sociais e roteiros que levam a felicidade), a psicanálise procura 
reinstalar a capacidade de questionamento. Mesmo que de início se faça 
acreditando que o um outro saiba todas as respostas, cabe ao analista en-
dereçá-las de volta a ele, para que se abra sua capacidade de se pôr em 
questão aquela que se pôs em análise.
O Destino da cura depende do destino da pulsão que se articula 
em análise, o eu que tenta dominar, mas sempre fica um resto de sofri-
mento que insiste (uma dor que resta), desilusão da cura.
Em Pulsão e suas vicissitudes temos como destino, a possibilidade 
de fazer algo novo, o analisando faz sua criação em seu nome próprio, 
assume a construção de seu destino. Aceita a condição do seu desamparo 
fundamental e encontra formas de lidar com sua condição (Capacidade 
de criação- sublimação).
80
Ao final descobre que ao analista também falta o ser e toma a seu 
cargo o enigma do desejo.
“O amanhã não pertence a ninguém, mas se você quiser, ele pode 
ser seu.”
Texto base:
FREUD, Sigmund. Análise Finita e infinita (1937). Fundamentos 
da clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
PIMENTEL, Déborah; ARAÚJO, Maria das Graças; VIEIRA, Ma-
ria Jésia. Final de análise: uma revisão sistemática da literatura. Estudos 
de Psicanálise, n. 32, p. 51-70, 2009.
81
Aula 24 Escolas Psicanalíticas
As sete escolas psicanalíticas 
1. Escola Freudiana (S. Freud); 
2. Escola dos Teóricos das Relações Objetais (M. Klein); 
3. Psicologia do Ego (Hartman – M. Mahler); 
4. Psicologia do Self (Kohut); 
5. Escola Francesa de Psicanálise (Lacan);
6. Winnicott; e 
7. Bion.
ESCOLA FREUDIANA
É quase uma redundância falar em “escola freudiana” porquanto 
toda a psicanálise, e todos os psicanalistas, de um forma ou de outra, estão 
ligados aos postulados metapsicológicos, teóricos e técnicos legados por 
Freud e seus seguidores diretos, tanto os seus contemporâneos como os 
pósteros a ele. No entanto, o paradigma psicanalítico freudiano, nos seus 
mais de 100 anos de existência, embora conserve a invariância dos seus 
princípios básicos, vem sofrendo profundas transformações, quer com 
acréscimos, reformulações ou refutações. (zimerman)
Sigmund Freud
Karl Abraham
Sandor Ferenczi
Wilheml Reich
Anna Freud
ESCOLA DOS TEÓRICOS DAS RELAÇÕES OBJETAIS
Melanie Klein
Melanie Klein Incorpora e amplia os pensamentos freudianos.
M. Klein conservou as concepções relativas ao “complexo de Édi-
po”, e ao “superego”, porém os situou em etapas bastante mais primitivas 
do desenvolvimento da criança.
Pioneira em psicanálise com crianças 
• ego rudimentar, pulsão de morte inata (seio bom e seio mau, obj 
idealizado e persecutório, posições depressiva e esquizoparanóide, ante-
cipação do tempo edipiano)
82
1) Criou uma técnica própria de psicanálise com crianças e introduziu o 
entendimento simbólico contido nos brinquedos e jogos. 
2) Postulou a existência de um inato ego rudimentar, já no recém-nascido.
3) A pulsão de morte também é inata e presente desde o início da vida, 
sob a forma de ataques invejosos e sádico-destrutivos contra o seio da 
mãe.
4) Essas pulsões, agindo desde dentro da mente, promovem uma terrível 
“angústia de aniquilamento”.
 5) Para contra-arrestar tais angústias terríveis, o incipiente ego do bebê 
lança mão de mecanismos primitivos de defesa, como são: “negação oni-
potente”, “dissociação”, “identificação projetiva”, “introjeção” e “idealiza-
ção”. 
6) Ela concebeu a mente como um universo de objetos internos que estão 
relacionados entre si através das fantasias inconscientes, constituindo a 
realidade psíquica.
 7) Além dos objetos totais, ela concebeu os objetos parciais (figuras pa-
rentais representadas unicamente por um mamilo, seio, pênis, etc.). 
8) Postulou uma constante dissociação entre os objetos (seio bom x mau, 
idealizados x persecutórios, etc.) e entre as pulsões (construtivas x destru-
tivas, etc.). 
9) M. Klein concebeu a noção de posição – que é conceitualmente dife-
rente de “fase evolutiva” – e descreveu as, agora clássicas, posições esqui-
zoparanóide e a depressiva, que representam uma enorme importância 
para a teoria e prática psicanalítica. 
10) Suas concepções sobre os mecanismos arcaicos do desenvolvimento 
emocional primitivo permitiram uma possibilidade de análise com crian-
ças, com psicóticos e com pacientes muito regressivos em geral. 
11) Para não ficar descompassada com os princípios de Freud, M. Klein 
conservou as concepções relativas ao “complexo de Édipo”, e ao “supere-
go”, porém os situou em etapas bastante mais primitivas do desenvolvi-
mento da criança. 
12) Juntamente com os ataques sádico-destrutivos da criança, com as res-
pectivas culpas e conseqüentes medos de ataques persecutórios, ela pos-
tulou a importância de a criança, ou o paciente na situação analítica, de-
senvolver uma imprescindível “capacidade para fazer reparações”. 
83
13) Deu ênfase extraordinária à importância da inveja primária, como 
expressão direta da pulsão de morte. 
14) Como decorrência dessas concepções, M. Klein promoveu uma signi-
ficativa mudança na prática analítica no sentido de que as interpretações 
fossem sistematicamente transferenciais, mais dirigidas aos objetos par-
ciais, aos sentimentos e defesas arcaicas do paciente, e com uma ênfase na 
prioridade de o analista trabalhar na transferência negativa.
ESCOLA DA PSICOLOGIA DO EGO
Como muitos outros psicanalistas europeus perseguidos pelo na-
zismo na época da Segunda Guerra Mundial, também o austríaco Heinz 
Hartman migrou para os Estados Unidos, onde, juntamente com Kris, 
Loewenstein, Rappaport e Erikson, fundou a corrente psicanalítica deno-
minada “Psicologia do Ego”. Esses autores fundamentaram-se nos últimos 
trabalhos de Freud, particularmente a partir da formulação da estrutura 
tripartida da mente – id, ego e superego – e também se alicerçaram nos 
trabalhos de A. Freud referentes às funções do ego
Margateth Mahler -Assim, ela descreveu as seguintes fases, com as 
respectivas subfases: autismo normal, seguida da simbiose normal, pas-
sando pela progressiva saída da indiferenciação com a mãe através da 
etapa de individuação e separação (com as subetapas de “diferenciação”, 
“treinamento” relativo à exploração do mundo externo e a de “afasta-
mento e reaproximação”) até chegar à quarta etapa, que consiste na ob-
tenção de uma constância objetal emocional com uma consolidação do 
self e da individuação.
ESCOLA DA PSICOLOGIA DO SELF 
Heinz Kohut
Nasceu em Viena, em 1913, onde se formou em medicina, exer-
cendo a especialidade de neurologia. Também ele foi pressionado pelo 
nazismo imperante no período da Segunda Grande Guerra e, por isso, 
resolveu migrar para os Estados Unidos, onde se incorporou ao Instituto 
Psicanalítico de Chicago, tendo ali trabalhado e vivido até a sua morte, em 
1981, com 68 anos. Desde menino foi de uma inteligência precoce e, mais 
tarde, revelou sólidos conhecimentos de grego, latim, teatro e música.
1) Ele situa como o principal instrumento da psicanálise não o lugar da 
livre associação de idéias do analisando, mas, sim, o da Introspecção e o 
da recíproca, Empatia.
84
2) Da mesma forma, Kohut retira o lugar hegemônico do “complexo edí-
pico”, de Freud, e coloca no seu lugar as falhas dos selfobjetos primiti-
vos (em outras palavras, ele substitui o “homem culpado” de Freud e M. 
Klein pelo que ele considera ser o “homem trágico”).
ESCOLA FRANCESA DE PSICANÁLISE
Jacques Lacan
Retorno a Freud com um distanciamento e partir de sucessivas 
dissidênciasideológicas – e querelas narcisísticas – entre os seus membros. O 
conjunto dessas sociedades caracteriza o que se denomina como a, pujan-
te, Escola Francesa de Psicanalise
Esse genial, polêmico e altamente controvertido autor psicanalíti-
co, revoltado com o crescimento da norte-americana escola da “psicologia 
do ego” e alegando que essa escola estaria deturpando o verdadeiro es-
pírito da psicanálise, decidiu dirigir os seus estudos psicanalíticos a partir 
de um “retorno a Freud”.
1) A inveja e a agressão em geral não seriam inatas e primárias, mas sim 
elas surgem quando é desafiado e frustrado o registro imaginário do su-
jeito (na sua crença onipotente de que ele tem uma fusão e posse da mãe).
2) Para Lacan, a análise “não deve ficar reduzida à mesquinharia exclusi-
va do mundo interno”.
3) Pelo contrário, o analista deve dar uma importância muito especial à 
palavra do paciente
(que pode ser “cheia” ou “vazia”, de significados), assim mesmo ele tam-
bém deve rastrear a “cadeia de significantes” que está contida no conteú-
do, forma e estrutura da “linguagem”.
4) A forclusão (forma extrema de negação) impede a ruptura de fusão 
narcisista com o outro e, portanto, não se produz a capacidade para for-
mar símbolos nem o ingresso no registro simbólico, o que pode ser um 
dos determinantes da psicose.
7) Em relação à técnica, Lacan modificou muitos dos critérios técnicos 
clássicos da psicanálise freudiana, sendo que os seguintes merecem ser 
destacados:
85
a) Modificações no setting: Lacan propôs e aplicou uma modificação revo-
lucionária e, no mínimo, altamente discutível até os dias atuais; é a que se 
refere ao tempo de duração da sessão. Ao invés de durar os habituais 50 
ou 45 minutos, para os lacanianos esse tempo “cronológico” foi substituí-
do pelo “tempo lógico”, que alude ao fato de que o importante é a sessão 
terminar quando se processa na mente do analisando o “corte simbólico”, 
isto é, a passagem do plano “imaginário” – onde a palavra do paciente é 
“vazia” e está a serviço de obstaculizar o acesso à verdade – para o plano 
do registro simbólico, onde a palavra deve ser “plena” e realmente a favor 
da comunicação e das verdades.
b) Em relação à transferência, muitas vezes Lacan considera que não se 
instalará a transferência caso o analista interprete adequadamente. Ele 
chega a afirmar (1951) que a transferência do paciente resulta de uma 
resposta deste a uma atitude pré-conceituosa do psicanalista, sendo que 
Lacan retoma esse aspecto em um trabalho posterior (1970-73) com o 
nome de “Sujeito Suposto Saber” (SSS) e que, como o nome indica, parte 
de um pressuposto que o analista sabe tudo aquilo que o paciente ignora. 
c) Quanto à contratransferência, Lacan não aceita a possibilidade de que 
a mesma possa constituir-se como um importante instrumento técnico. 
d) Em relação à interpretação, Lacan adverte que o uso sistemático da in-
terpretação reducionista ao “aqui-agora” pode contribuir para uma fixa-
ção do paciente no registro imaginário, narcisista, com o risco de que ele 
se identifique com os desejos do analista. Na verdade, ele valoriza muito 
mais as interrupções que representem a castração, o corte simbólico, do 
que propriamente as interpretações clássicas.
ESCOLA DE WINNICOTT 
Donald Woods Winnicott
É tão extensa e original a sua obra (são apenas quatro livros, po-
rém na totalidade de seus escritos constam mais de 200 títulos) que, aqui, 
não resta outro recurso a não ser aquele de dar apenas algumas pince-
ladas nas suas concepções mais significativas, seguindo uma certa ordem 
cronológica. Em 1945, ainda fortemente influenciado por M. Klein, Win-
nicott publica o seu clássico Desenvolvimento emocional primitivo, no 
qual propõe que a maturação e o desenvolvimento emocional da criança 
processam-se em três etapas: 1) Integração e personalização: o bebê nasce 
num estado de não integração (não é a mesma coisa que “desintegração” 
e nem “dissociação”), na qual ele está numa condição de “dependência 
absoluta”, apesar da sua crença mágica em possuir uma “absoluta inde-
86
pendência”. Segundo Winnicott, o desenvolvimento normal desse perío-
do levaria à obtenção de um esquema corporal integrado da criança, que 
ele chama de uma “unidade psique-soma”, sendo que Winnicott define a 
personalização como “o sentimento de que a pessoa habita o seu próprio 
corpo”.
2) Adaptação à realidade: a mãe tem o papel fundamental de aju-
dar a criança a sair da subjetividade total e provê-la com os elementos da 
realidade objetiva (tal como é a passagem da “gratificação alucinatória do 
seio” para a gratificação provinda de um real seio nutridor), de modo que 
a criança comece a evocar “aquilo que realmente está à sua disposição”. 
Mãe suficientemente boa
O ano de 1960 representa um marco bastante significativo na obra 
de Winnicott, que então publicou dois de seus mais importantes traba-
lhos: um é A teoria da relação paterno-filial, em que mais claramente 
define o papel da mãe no desenvolvimento emocional do filho, descre-
ve o estado psicológico de preocupação (ou devoção) materna primária, 
desenvolve as noções das funções da mãe como ego auxiliar, até que a 
criança consiga desenvolver as suas capacidades inatas de pensamento, 
síntese, integração, etc., ou seja, como uma função holding que sustente 
a criança tanto física como emocionalmente, de modo a garantir-lhe uma 
continuidade existencial.
• A decisiva influência do ambiente facilitador e da mãe suficien-
temente boa.
• Um estado de identificação primária com a mãe, no qual ainda 
não há o reconhecimento de que existe uma mãe externa a ele, ao mesmo 
tempo em que “não existe um bebê
sem a mãe”.
• Assim, diz Winnicott, o bebê sente-se num estado de “absoluta 
independência”, ao mesmo tempo em que, de fato, está em “dependência 
absoluta”.
• Nos primeiros tempos, a corporalidade do bebê consiste num es-
tado de não-integração (é diferente de angústia de “desintegração”) entre 
as diferentes partes de seu corpo, e entre o seu corpo e a sua mente.
• Assim, Winnicott introduz os conceitos de integração (dessas 
partes dispersas) e o de personalização, que refere à aquisição da capaci-
dade de a criança poder “habitar o seu próprio corpo”, o que implica em 
87
renunciar à ilusão de que seu corpo está fundido com o da mãe.
• A angústia que, em situações futuras, acompanha os estados de 
uma “não-integração”, foi definida por Winnicott como breakdown, ou 
seja, uma angústia catastrófica, que às vezes denomina de “agonias im-
pensáveis”.
• Postula a concepção dos fenômenos transicionais – com os obje-
tos transicionais e o espaço transicional – que aludem ao fato de que nesse 
período o bebê está com um pé no mundo do imaginário e com o outro 
ingressando na realidade exterior, assim criando condições para uma se-
paração da mãe.
• Ele estabelece uma diferença entre mãe-ambiente (ainda não há 
no bebê a diferença entre “eu-outro”) e mãe-objeto (onde já há essa dife-
rença).
• Dentre as condições da “mãe suficientemente boa”, ele incluiu: a 
preocupação materna primária (um estado inicial de “devoção” ao filho); 
capacidade de holding (sustentação) e de handling (manejo); a progressi-
va desilusão das ilusões de onipotência e a capacidade para sobreviver aos 
ataques agressivos do filho.
• Vale fazer um registro especial para a função especular da mãe: 
para Winnicott (1967), o primeiro espelho da criatura humana é o rosto 
da mãe, sobretudo o seu olhar. Ao olhar-se no espelho do rosto materno, 
o bebê vê-se a si mesmo: “Quando olho sou visto, logo existo... posso ago-
ra me permitir olhar e ver”.
• A capacidade de estar só”, cujo conceito alude ao fato de que 
nesse período em que a criança está constituindo a sua confiança básica 
ela consegue ficar sozinha, embora
ESCOLA DE BION
 Wilfred Ruprecht Bion
Nasceu em 1897, na Índia (pela circunstância de que seu pai lá 
executava, então, um serviço de engenharia de irrigação a mando do Go-
verno Inglês), onde viveu até os 7 anos e foi sozinhopara Londres, a fim 
de iniciar a sua formação escolar.
Em Londres, ele completou a sua titulação acamica, tendo-se for-
mado em medicina e posteriormente fez a sua formação psiquiátrica e 
psicanalítica.
88
1. Elementos de psicanálise. Bion preconizava a necessidade de 
substituir o excesso de teorias que impregnam a psicanálise e substituí- las 
por “modelos” e, da mesma maneira, ele propôs uma simplificação por 
“elementos da psicanálise”, que, segundo ele, comportam-se de forma 
análoga às sete notas musicais simples, ou aos algarismos de 0 a 9, ou 
ainda às letras do alfabeto, que em diversas combinações permitem as 
mais complexas configurações. Os seis elementos psicanalíticos por ele 
propostos são: 1) uma permanente interação entre a “posição esquizo-
paranóide”(PS) e “depressiva” (D); 2) a identificação projetiva na relação 
“continente”-“ conteúdo”; 3) os “vínculos” de amor (L), ódio (H) e “co-
nhecimento” (K); 4) as “transformações”; 5) a relação entre idéia (I) e ra-
zão (R); 6) a “dor psíquica”. Ele enfatizou que toda análise é um processo 
de natureza vincular entre duas pessoas que vão enfrentar muitas angús-
tias diante dessas verdades, e isso impõe que o analista possua o que Bion 
denomina como condições necessárias mínimas, como a referida condi-
ção de ele ser “verdadeiro”, e mais as seguintes: • Um permanente esta-
do de “descobrimento”. • Uma capacidade de ser “continente”, aliado a 
uma “função-alfa”. • Uma “capacidade negativa”(ou seja, uma condição 
de suportar, dentro de si, sentimentos negativos, como é, por exemplo, o 
de um “não saber”. • Uma “capacidade de “intuição”. • Um “estado de 
“paciência” e de “empatia”. • A necessidade de que, na situação analítica, 
a mente do analista não esteja saturada por memória, desejo e ânsia de 
compreensão imediata. • O reconhecimento de que o analista também é 
importante como “pessoa real” e que ele serve como um novo modelo de 
identificação para o analisando.
Teóricos percursores de Freud que deram continuidade na obra 
freudiana e expandiram seus horizontes ampliando sua aplicabilidade de 
tratamento de adoecimentos mentais nos mais diversos públicos.
Texto base:
ZIMERMAN, David E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, Téc-
nica, Clínica–Uma Abordagem Didática: Teoria, Técnica, Clínica–Uma 
Abordagem Didática. Artmed Editora, 2009.
89
Aula 25 Como se Tornar Um Analista
A formação em psicanálise como uma constante
Formação do Psicanalista 
A formação de quem deseja fazer uso da técnica psicanalítica acon-
tece de forma contínua. Não possui um fim, nem há uma formatura, pois 
ela acontece durante todo o tempo. O analista se faz no seu fazer analítico.
Na prática, as escolas que formam psicanalistas usam um determi-
nado momento da formação para denominar alguém como psicanalista. 
Este tempo varia entre uma escola e outra, mas geralmente é de 3 a 5 
anos. A formação é contínua, mas segue alguns critérios.
Tripé da formação
O psicanalista em formação tem como base um tripé, comum em 
todas as formações: Estudo da Teoria; a supervisão; e a análise pessoal, o 
analista se faz na sua análise.
Este curso não lhe transformará em um psicanalista, mas pode ser 
uma porta de entrada para sua prática na clínica, um caminho para quem 
inicia ou um auxílio para quem já o conhece.
A psicanálise acontece dentro da relação psicólogo/analista e pa-
ciente, em uma clínica que tem como base a teoria psicanalítica, ainda 
que este não seja um psicanalista. Ao ser posta em prática, a psicanálise 
ultrapassa as paredes da academia e os dogmas das escolas, se instalando 
a partir da fala e do compromisso entre analista e analisando.
Instituições de formação
Os institutos de formação nasceram com o objetivo inicial de ga-
rantir um ensino fiel à descoberta psicanalítica e, ao mesmo tempo, disci-
plinar uma prática que corria o risco de se tornar selvagem em mãos de 
charlatões sem uma formação adequada. 
Análise pessoal
Será o processo de análise o lugar de encontro com os efeitos do 
próprio inconsciente, com o reconhecimento dos seus desejos e paixões, 
angústias e temores. Nesta condição, a força de um núcleo traumático 
pulsional de natureza infantil terá lugar na cena transferencial.
90
Desta experiência transformadora, geradora de uma familiarida-
de do analista com o seu próprio funcionamento psíquico, poderão surgir 
as condições de escuta analítica. O desejo e a disponibilidade de ocupar o 
lugar de analista poderão despontar no analisando.
A supervisão
Desta experiência transformadora, geradora de uma familiarida-
de do analista com o seu próprio funcionamento psíquico, poderão surgir 
as condições de escuta analítica. O desejo e a disponibilidade de ocupar o 
lugar de analista poderão despontar no analisando.
Estudo da Teoria
O estudo das teorias é o terceiro elemento deste tripé. Conhecer o 
desenvolvimento dos principais modelos teóricos instrumentaliza o ana-
lista e favorece o diálogo com seus pares. No entanto, o estudo teórico, a 
meu ver, não deveria reduzir-se à exegese do texto nem à erudição psi-
canalítica.
https://www.campolacaniano.com.br/
https://febrapsi.org/
https://www.bion.org.br/
Textos base:
FREUD, Sigmund. O caso Schreber. LeBooks Editora, 2020.
FREUD, Sigmund. O chiste e sua relação com o inconsciente. LeBooks 
Editora, 2019.
FREUD, Sigmund. A questão da análise leiga (1926). Fundamentos da 
clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
FREUD, S. Recordar, repetir, elaborar (1974) In: _ Edição Standard Bra-
sileira das Obras Completas de Sigmund Freud. 1914.
ZIMERMAN, David E. Fundamentos Psicanalíticos: Teoria, Técnica, Clí-
nica–Uma Abordagem Didática: Teoria, Técnica, Clínica–Uma Aborda-
gem Didática. Artmed Editora, 2009.
FREUD, Sigmund. Fundamentos da clínica psicanalítica. Autêntica, 2017.
FREUD, Sigmund. Princípios básicos da psicanálise. Observações psica-
nalíticas sobre um caso de paranoia relatado em autobiografia (“ O Caso 
91
Schreber”), Artigos sobre técnica e outros textos (1911-1913). São Paulo: 
Companhia das Letras, 2010.
FREUD, Sigmund. Algumas observações sobre o conceito de inconscien-
te na psicanálise. Observações psicanalíticas sobre um caso de paranoia 
relatado em autobiografia (“ O Caso Schreber”), Artigos sobre técnica e 
outros textos (1911-1913). São Paulo: Companhia das Letras, 2010.
GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Freud e o inconsciente. Jorge Zahar Editor 
Ltda, 1984.
LAPLANCHE, Jean; PONTALIS, Jean-Bertrand. Vocabulário da psica-
nálise. Martins Fontes Editora Ltda, 1970.
TANIS, Bernardo. Considerações sobre a formação psicanalítica: Desa-
fios atuais. Percurso, XVIII, v. 35, p. 29-36, 2005.
92
Sugestão de Filmes
Aqui fiz algumas sugestões de filmes que tem um conteúdo que 
conversam com a teoria e a concepção de funcionamento psíquico, re-
lação mãe e bebê, alguns sobre a história da psicanálise e outros sobre 
contexto social e o que nele vem atrelado aos sofrimentos que conhece-
mos e que interferem diretamente nos sujeitos e encontramos na clínica, 
as séries são um ponto fora da curva em seus episódios específicos que 
me chamaram atenção em momentos de lazer e que achei interessante 
compartilhar aqui. A maioria deles estão em plataformas como Netflix e 
Amazon Prime.
Obrigada por acompanhar até aqui e nos vemos em breve :)
Cisne negro 
Mãe
Melancolia 
Helena 
Lady BIRD 
O mínimo para viver 
O estranho em mim ( fora de circuito e não está em plataforma)
Precisamos falar sobre Kevin 
Olmo e a Gaivota 
Nise : o coração da loucura 
Freud além da alma
Parasita
Roma
Que horas ela volta
Histórias cruzadas 
Green Book
O som ao redor
Casa Grande
Bacurau
Cidade de Deus 
Séries
Modern Love - episódio Take me as i am, 2019 (Amazon prime) 
The crown T 1 ep 09 (NetFlix)
93
Sobre a Autora
Tamara Levy Valente graduada em Psicologia e pós-graduada em 
Teoria Psicanalítica e em Gestão e Docência no Ensino Superior. Possui 
ampla experiência em atendimento clínico de crianças, jovens e adultos e 
supervisão de atendimento clínico com base psicanalítica.Atuou na Coor-
denação do Setor de Psicologia do Instituto de Prevenção ao Câncer ‘Joel 
Magalhães’ – IJOMA
93
	INTRODUÇÃO À CLÍNICA PSICANALÍTICA
	Introdução
	MÓDULO I
	O INÍCIO DA PSICANÁLISE E A SUA TÉCNICA
	Aula 1 História da Psicanálise
	Aula 2 O Poder Mágico
	Aula 3 Os Afetos e Seus Adoecimentos
	Aula 4 Escuta Psicanalítica
	Aula 6 A Resistência
	Aula 7 Transferência
	Aula 8 Transferência - O Manejo
	MÓDULO II
	Aula 9 Três Ensaios Sobre a Sexualidade
	Aula 10 Complexo de Édipo
	Aula 11 Édipo e Neurose
	Aula 12 O Ics
	Aula 13 Primeira Tópica Freudiana
	Aula 14 Segunda Tópica Freudiana
	Aula 15 - Além do Princípio do Prazer – Introdução
	Aula 16 Além do Princípio do Prazer
	Aula 17 Eros e Thanatos
	Aula 18 Pulsões e Seus Destinos
	Aula 19 Estruturas Clínicas
	Aula 20 Recordar Repetir e Elaborar
	MÓDULO III
	FREUD É ATUAL
	Aula 21 Recomendações de Freud
	Aula 22 A Clínica Hoje
	Aula 23 Fim de Análise
	Aula 24 Escolas Psicanalíticas
	Aula 25 Como se Tornar Um Analista
	Sugestão de Filmes
	Sobre a Autora

Mais conteúdos dessa disciplina