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Profa. Ma. Valdice Pólvora UNIDADE II Estudos Disciplinares: Compliance na Área de Saúde Vamos abordar nesta Unidade os seguintes tópicos: Compliance na Área de Saúde Compliance e Gestão de Riscos Gerenciamento de Dados (LGPD) e Gestão de Riscos Corrupção na saúde Código de Conduta/ética na saúde O setor da saúde tem complexidades que fazem com que o domínio dos fundamentos de compliance e de gestão de riscos seja um diferencial positivo para todos os envolvidos. A função de compliance vai além do combate à corrupção; compliance evita o desperdício de recursos e aumenta a eficiência, por meio de uma mudança comportamental em prol da cultura da ética, da integridade e da transparência. Compliance e Gestão de Riscos O mapeamento de riscos se dá pelo conhecimento dos riscos inerentes ao setor e à organização, para que se possa então exercer um gerenciamento efetivo. A gestão de riscos é fundamental para o desenvolvimento de um programa de compliance, por alinhar os objetivos de curto e longo prazos (IBGC, 2017). O compliance e a gestão de riscos na saúde asseguram o monitoramento dos riscos e a sustentabilidade organizacional de maneira mais transparente (ACRJ, 2020 in FGV, 2021, p. 5). Compliance e Gestão de Riscos O conceito de risco pode ser definido, de uma forma geral, como a possibilidade de um evento ocorrer e afetar adversamente o cumprimento dos objetivos organizacionais (COSO, 2019). Independente da atenção dada ao risco, quanto maior for a consciência do risco no meio em questão, maiores serão as habilidades para identificar fragilidades, ameaças e oportunidades que possam afetar as metas pretendidas (TCU, 2018). Conceito de riscos O processo de identificação de riscos é um processo de busca, reconhecimento e descrição dos riscos, tendo por base de referência o ambiente no qual a organização está inserida, compreendendo um conjunto de processos, projetos, decisões, produtos e serviços (TCU, 2018). Identificação de riscos Os principais riscos do setor da saúde são: Principais riscos do setor de saúde RISCOS DO SETOR DE SAÚDE AMBIENTAIS OCUPA- CIONAIS BIOSSEGU- RANÇA INFECÇÕES SANITÁRIOS RESPONSA- BILIZAÇÃO CIVIL São efeitos adversos ao meio ambiente, decorrentes de agentes físicos, químicos ou biológicos que gerem condições ambientais perigosas. Riscos ambientais Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/08/18/19/02/pollution-1603644__480.jpg São relacionados aos riscos à saúde humana decorrentes da atividade laboral, sejam eles de origem biológica, química, física ou mesmo econômica. Riscos ocupacionais Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2020/04/12/17/17/mask-5035071__340.jpg São os riscos à saúde humana oriundos de atividades de biotecnologia. Riscos de biossegurança Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2017/04/12/02/43/animal-containment-facility-2223462__480.jpg São os riscos à saúde humana resultantes de infecção pela exposição a agentes biológicos. Riscos de infecções Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2021/01/08/00/54/doctor- 5898771__340.jpg Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2021/01/25/04/32/doctor- 5947297__340.jpg São perigos que ameacem a saúde em relação à atividade, ao serviço ou à substância capaz de produzir efeitos prejudiciais à saúde. Riscos sanitários Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2020/03/17/12/16/washing-hands-4940148__340.jpg São obrigações de reparação indenizatória pelo dano causado. Riscos de responsabilização civil Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2020/03/12/19/36/the-legal-4926021__340.jpg Uma das discussões mais emblemáticas e atuais na pandemia é a flexibilização do uso das máscaras. Algumas cidades já começam a falar em uma liberação gradual da medida de segurança e o Ministério da Saúde diz avaliar a desobrigação do item (Fonte: adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/medicina/covid-19-calcule-risco-de-infeccao-em-5-lugares- publicos-sem-obrigacao-do-uso-da-mascara-25234877. Acesso em: 21 out. 2021). No cenário da pandemia de 2020, o uso da máscara tem como objetivo prevenir os: a) Riscos de biossegurança. b) Riscos de infecções. c) Riscos sanitários. d) Riscos ambientais. e) Riscos de responsabilização civil. Interatividade Uma das discussões mais emblemáticas e atuais na pandemia é a flexibilização do uso das máscaras. Algumas cidades já começam a falar em uma liberação gradual da medida de segurança e o Ministério da Saúde diz avaliar a desobrigação do item (Fonte: adaptado de: https://oglobo.globo.com/saude/medicina/covid-19-calcule-risco-de-infeccao-em-5-lugares- publicos-sem-obrigacao-do-uso-da-mascara-25234877. Acesso em: 21 out. 2021). No cenário da pandemia de 2020, o uso da máscara tem como objetivo prevenir os: a) Riscos de biossegurança. b) Riscos de infecções. c) Riscos sanitários. d) Riscos ambientais. e) Riscos de responsabilização civil. Resposta A gestão de riscos pode ser representada por um ciclo de cinco etapas, como segue: A Gestão de Riscos GESTÃO DE RISCOS Mapear os riscos Avaliar os riscos Classificar os riscos Responder aos riscos Monitorar os riscos Mapear os riscos: identificar os riscos é o primeiro passo para poder gerenciá-los; Avaliar os riscos: mensurar os riscos; Classificar os riscos: classificar e examinar as probabilidades de ocorrência, bem como as consequências. A Gestão de Riscos Responder aos riscos: após a avaliação, as respostas ao risco podem ser: Evitar: não realizar a atividade que envolve o risco; Eliminar: remover a fonte que causa o risco; Mitigar: diminuir antecipadamente eventuais mudanças de planos de contingências; Compartilhar: dividir o risco com outras instituições, como as companhias seguradoras pelas apólices de seguro; Aceitar: tolerar os riscos, pois a mitigação ou o compartilhamento não são viáveis financeiramente. A Gestão de Riscos Monitorar os riscos: controlar e garantir que a gestão dos riscos esteja sendo realizada de forma adequada, por programas e políticas nas empresas, como os códigos de conduta de responsabilidade social, por exemplo, num sistema de melhoria contínua. A revisão periódica dos riscos se realiza também nessa etapa. A Gestão de Riscos Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2018/07/31/22/07/risk-3576044__340.png A Lei n. 13.709/2018 – Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) traz impactos diretos na área da saúde. A seguir, estão enumerados alguns desses impactos: Autorização dos usuários: os dados pessoais dos pacientes só poderão ser coletados, exibidos, utilizados e armazenados mediante autorização prévia e expressa. Caso os dados já estejam armazenados no sistema da organização, será necessário o consentimento de seu titular para que tais informações continuem mantidas. Gerenciamento de Dados (LGPD) na Gestão de Riscos na Saúde Ampliação do conceito de dados: a noção de dados referidos pela Lei n. 13.709/2018 engloba tanto os dados registrados em papel como os dados em formato digital. Proteção dos dados: o encarregado de proteção de dados pode ser indicado pelo controlador dos dados ou pode também ser exercido por um terceirizado, especialista em gestão de segurança da informação. Gerenciamento de Dados (LGPD) na Gestão de Riscos na Saúde Usuários podem acessar os dados: os usuários podem ter acesso sobre quais os tipos de dados armazenados no sistema, bem como aos fins a que essas informações se destinam. Usuários podem corrigir, atualizar ou modificar os dados: os usuários do sistema podem corrigir, atualizar ou modificar suas próprias informações. Gerenciamento de Dados (LGPD) na Gestão de Riscos na Saúde A Lei n. 13.709/2018 determina que os dados são propriedade da pessoa e que não devem ser utilizados por terceiro sem o seu consentimento ou sem a sua devida autorização legal. Vale dizer que os dados anonimizados, aqueles que nãopodem ser identificados ou rastreados em nenhuma hipótese, não são considerados como dados pessoais, logo estão fora do âmbito de aplicação da referida Lei. A privacidade e a proteção dos dados pessoais são fundamentais para atrair investidores, clientes e reduzir os riscos de possíveis ações judiciais (FGV, 2021, p. 15). Gerenciamento de Dados (LGPD) na Gestão de Riscos na Saúde Os impactos da Lei n. 13.709/2018 no setor da saúde são grandes, pois os dados médicos são, por sua própria natureza, classificados como sensíveis e devem gozar de maior proteção, para garantir maior segurança à privacidade dos pacientes e, portanto, gerar novos riscos que devem ser gerenciados pelas organizações da saúde. Gerenciamento de Dados (LGPD) na Gestão de Riscos na Saúde Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2020/12/09/16/41/medical-record-5817913__340.png A implementação da LGPD é um desafio para o setor da saúde, já que os dados coletados, armazenados e processados são dados pessoais sensíveis, o que requer cuidados especiais. Além disso, a disseminação da cultura de proteção dos dados, em todos os níveis hierárquicos, é um outro desafio relevante que não deve ser minimizado. Melhorias no treinamento e na comunicação serão necessários pelas organizações afim de incorporar essa cultura (FGV, 2021). Desafios da LGPD no Setor de Saúde Nos dias de hoje, a gestão de riscos tem se destacado no setor da saúde, pois um estabelecimento da saúde pode ser uma fonte geradora de riscos, por suas características estruturais, diante da presença de múltiplos intervenientes. No setor da saúde, a Lei n. 13.709/2018 é aplicada tanto nas clínicas, quanto nos consultórios e hospitais, públicos ou privados. Gerenciamento de Dados (LGPD) na Gestão de Riscos na Saúde Analise as afirmações a seguir: I. A Lei n. 13.709/2018 determina que os dados são propriedade da pessoa e que não devem ser utilizados por terceiro sem o seu consentimento ou sem a sua devida autorização legal. II. A noção de dados referidos pela Lei n. 13.709/2018 engloba tanto os dados registrados em papel como os dados em formato digital. III. A privacidade e a proteção dos dados pessoais não são fundamentais para atrair investidores, clientes e reduzir os riscos de possíveis ações judiciais Está correto o que se afirma em: a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Interatividade Analise as afirmações a seguir: I. A Lei n. 13.709/2018 determina que os dados são propriedade da pessoa e que não devem ser utilizados por terceiro sem o seu consentimento ou sem a sua devida autorização legal. II. A noção de dados referidos pela Lei n. 13.709/2018 engloba tanto os dados registrados em papel como os dados em formato digital. III. A privacidade e a proteção dos dados pessoais não são fundamentais para atrair investidores, clientes e reduzir os riscos de possíveis ações judiciais Está correto o que se afirma em: c) I e II, apenas. Comentário: o item III está incorreto, pois a privacidade e a proteção dos dados são fundamentais... Resposta A corrupção na saúde gera perdas anuais superiores a US$ 500 bilhões de dólares norte- americanos, segundo a TI (TI, 2020). De acordo com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC, 2013, p. 1), cerca de 10-25 por cento dos recursos mundiais despendidos em compras governamentais é perdido em razão de esquemas de corrupção, sendo que desse percentual, a sua maior parte corresponde às compras governamentais de suprimentos médicos e medicamentos. Globalmente, o setor da saúde é considerado como um dos setores mais expostos à corrupção (FGV, 2021). Corrupção na saúde Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/12/05/19/49/syringe-1884784__340.jpg A Constituição Federal brasileira de 1988 (Constituição) diz em seu art. 196 que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Corrupção na saúde O setor da saúde se caracteriza pela diversidade e pela multiplicidade de atores. A complexidade da cadeia da saúde dificulta o combate à corrupção. A corrupção pode, assim, acontecer nos diferentes elos do setor da saúde: Corrupção na saúde Planos de saúde Fornece- dores de suprimentos Hospitais Pacientes Profissio- nais de saúde Governo Graaf (2007, p. 43, in FGV, 2021) argumenta que são seis os tipos de causas da corrupção, a saber: Teoria da escolha pública: baseada no cálculo racional do indivíduo. Teoria da maçã podre: baseada no contexto em que se localiza o indivíduo. Como o indivíduo adquiriu os vícios morais? Decorreram de uma infância problemática? O problema é genético? (GRAAF, 2007, p. 49, in FGV, 2021). Corrupção na saúde Teoria da cultura organizacional: baseada tanto na estrutura organizacional e cultural quanto no contexto, sendo que o comportamento corrupto decorre de uma falha da “máquina governamental” e não do caráter “defeituoso” dos funcionários públicos (GRAAF, 2007, p. 51 in FGV, 2021). Corrupção na saúde Teoria dos valores morais conflitantes: baseada nos conflitos morais individuais e sociais, que decorrem da sentença popular “aos amigos tudo, aos inimigos nada e aos estranhos a lei” (GRAAF, 2007, p. 54, in FGV, 2021). Teoria do ethos da administração pública: baseada na pressão por efetividade se sobrepondo à noção de integridade. Teoria de correlação: baseada em variáveis individuais, organizacionais e sociais com correlações específicas. Corrupção na saúde A compreensão das diferentes formas de corrupção – com base na natureza do ato ilícito, na localização institucional dos atores corruptos ou em outros fatores subjacentes – é de grande utilidade para a luta contra a corrupção. Formas de corrupção Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2013/07/13/13/52/lobbying-161689__340.png Dentre as formas mais usuais de corrupção citam-se: Formas de corrupção Corrupção política Grande corrupção Pequena corrupção Corrupção administrativa Corrupção privada ou corporativa De acordo com a FGV (2021): A corrupção política contrasta com a corrupção administrativa, embora ambas se baseiem na função institucional do funcionário público. A grande corrupção e a pequena corrupção levam em conta quantidades e valores envolvidos nos atos ilícitos. A pequena corrupção, em oposição à grande corrupção, implica no descumprimento das regras, para obtenção ou manutenção de vantagens indevidas. Formas de corrupção A grande corrupção e a corrupção política são as formas encontradas nos grandes escândalos de corrupção. Em oposição, a pequena corrupção e a corrupção administrativa são caracterizadas por baixos montantes, mesmo que frequentes (COSTA et al., 2020, in FGV 2021). Formas de corrupção A grande corrupção e a corrupção política acontecem nas esferas mais altas do governo ou da administração pública, quando políticos e funcionários públicos exercendo cargos nos mais altos escalões da administração pública – Presidente, Primeiro-Ministro, Ministros de Estado – são corruptos. Em vez de formular e fazer cumprir leis e políticas em benefício da sociedade, eles deixam o Estado desamparado. A corrupção política e a grande corrupção destroem a capacidade do Estado de implementar políticas sustentáveis e de distribuir recursos econômicos. Formas de corrupção A corrupção privada ou corporativa se caracteriza pelo ato de um funcionário da empresa agir de modo desleal no desempenho de seu dever, implícito ou explícito, perante a empresa, tirando proveito do seu cargo ou responsabilidade para obter um benefício para si ou para terceiro (um parente ou um amigo, por exemplo), em detrimento dos acionistas edemais stakeholders. Formas de corrupção A livre concorrência é quase sempre a maior vítima dos atos de corrupção privada, pois esses distorcem as condições de mercado, impactando a competitividade, aumentando preços etc. A corrupção privada não é crime no Brasil, mas nada impede que os indivíduos que praticaram esses atos sejam investigados e condenados por estelionato, apropriação indébita, concorrência desleal ou violação do segredo profissional, entre outros. Formas de corrupção A corrupção no setor público se manifesta de modo diverso na área da saúde, em comparação com outros setores de atividades. Formas de corrupção Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/06/17/17/57/stethoscope-4280497__340.jpg A complexidade e a multiplicidade do setor da saúde dificultam o combate à corrupção. Na verdade, não é possível uma abordagem única ao combate da corrupção para o setor da saúde. Alguns tipos de condutas corruptas são mais comuns do que outros no setor da saúde (TI, 2006; UNDP, 2011). São eles: Absentismo: não comparecer ao hospital, posto de saúde ou consultório durante o horário de trabalho. Corrupção nas compras governamentais: as licitações podem englobar vários tipos de comportamentos corruptos, da propina e do suborno, à fraude e ao conluio de fornecedores, entre outros. Tipos de condutas corruptas Desfalque: desvio de dinheiro, bens ou valores públicos que o funcionário administra ou guarda em decorrência do cargo público. Favoritismo: privilegiar grupo social, religioso etc. Fraude: alterar documentos, informações propositadamente para assegurar ganhos privados ilegais, tais como: notas fiscais falsas, pacientes “fantasmas” ou serviços “fantasmas”, desvio de contas a receber etc. Manipulação de dados: dados coletados de modo inadequado ou não coletados ou ainda dados manipulados para que as informações verdadeiras não apareçam. Tipos de condutas corruptas Pagamentos informais: pagamentos aos provedores de saúde por serviços que deveriam ser gratuitos. Peculato e roubo: roubar ou usar propriedade de terceiro, como equipamentos, veículos, medicamentos, para uso pessoal ou em consultório médico particular e até mesmo para a revenda, com ou sem lucro. Propina: valor em dinheiro ou outra forma de incentivo, prometido, oferecido ou dado em troca de uma ação ou conduta por parte de agente governamental. “Venda” de cargos governamentais: quando um agente público da alta administração requer pagamento a agentes públicos hierarquicamente inferiores para a manutenção de seus cargos. Tipos de condutas corruptas O valor em dinheiro ou outra forma de incentivo prometido, oferecido ou dado em troca de uma ação ou conduta por parte de agente governamental é classificado como uma conduta corrupta denominada de: a) Peculato ou roubo. b) Fraude. c) Propina. d) Pagamentos informais. e) Desfalque. Interatividade O valor em dinheiro ou outra forma de incentivo prometido, oferecido ou dado em troca de uma ação ou conduta por parte de agente governamental é classificado como uma conduta corrupta denominada de: a) Peculato ou roubo. b) Fraude. c) Propina. d) Pagamentos informais. e) Desfalque. Resposta A Constituição Federal brasileira de 1988 (Constituição) diz em seu art. 196 que “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. Ela estrutura o sistema de saúde brasileiro com base nos seguintes pilares: O que diz a Constituição? Equidade Universali- zação Descentra- lização política e operacional Financiamento tripartite Além disso, a Constituição, no seu art. 199, determina que a saúde é uma atividade econômica livre à iniciativa privada, da seguinte forma: “A assistência à saúde é livre à iniciativa privada”. O que diz a Constituição? Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2021/10/11/17/37/doctor-6701410__340.jpg A Lei Complementar n. 8.080 estabelece atribuições, competências e responsabilidades do Sistema Único de Saúde (SUS); e a Lei Complementar n. 8.142 dispõe sobre a participação social e as transferências de recursos intergovernamentais no SUS. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) foi assim criada para regular as relações contratuais públicas com o setor privado de assistência médico-hospitalar (BARBOSA; MALIK, 2015, in FGV, 2021). Lei Complementar n. 8.080 e Lei Complementar n. 8.142 A Lei n. 8.429/1992 estabelece as sanções aplicáveis aos agentes públicos nos casos de enriquecimento ilícito no exercício de mandato, cargo, emprego ou função na administração pública direta, indireta ou fundacional. Nos termos do art. 2º, da Lei n. 8.429/1992, agente público é quem exerce, mesmo que transitoriamente ou sem remuneração, eleição, nomeação, designação, contratação ou qualquer outra forma de vínculo, mandato, cargo, emprego na administração direta, indireta ou fundacional da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios ou ainda de empresa incorporada ao patrimônio público ou custeada ou criada pelas entidades acima citadas e que tenham concorrido com mais de cinquenta por cento do patrimônio ou da receita anual (art. 1º, da Lei n. 8.429/1992). Lei n. 8.429/1992 O código de conduta é a expressão dos princípios éticos e valores da organização, devendo comunicar com clareza diretrizes e orientar a atuação de todos, principalmente em relação a processos críticos de negócios. Representa a formalização das expectativas a respeito do comportamento e da conduta de sócios, administradores, colaboradores, fornecedores e demais partes interessadas (IBGC, 2017, p. 18). Código de Conduta/ética na saúde Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2016/11/29/11/45/business-1869266__340.png A coerência de atitudes com as diretrizes estabelecidas pelo código de conduta contribui para a integridade da organização. A incoerência, sobretudo dos agentes da governança, enfraquece a identidade e a cultura organizacionais, fragilizando o sistema de governança. Código de Conduta/ética na saúde Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2019/01/01/13/08/insurance-3906680__340.jpg O código de conduta de responsabilidade social é um instrumento importante que surgiu, na sua concepção atual, no início dos anos noventa e pode ser entendido como um mecanismo de autorregulação das organizações, tendo por objetivo a implementação dos três pilares fundamentais de um programa de compliance (FGV, 2021): Código de Conduta/ética na saúde PREVENIR DETECTAR REMEDIAR A Associação Nacional de Hospitais Privados (Anahp) elaborou um modelo de código de conduta, num esforço para promover um conjunto de medidas em favor do comportamento profissional e ético no setor privado hospitalar (FGV, 2021). Código de Conduta/ética na saúde Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2021/10/11/17/37/doctor-6701410__340.jpg O Código de Conduta Anahp nasceu do desejo da entidade de cooperar na busca por um ambiente mais saudável para o mercado de saúde suplementar brasileiro, promovendo a melhoria contínua da qualidade dos serviços médico- hospitalares e contribuindo para a sustentabilidade do setor saúde. Código de Conduta Anahp Fonte: https://ondemand.anahp.com.br/curso/codigo-de-conduta-para-os- hospitais-associados Os princípios que constam do código de conduta da Anahp são: Código de Conduta Anahp Integridade Fundamentos da ética médica Livre mercado Imparcialidade Transparência Privacidade e sigilo das informações de pacientes Valorização do capital humano Respeito pelo meio ambiente Segurança do paciente Liderança responsável O princípio transparência, segundo a Anahp, deve: Assegurar que as relações dos médicos e profissionais da saúde comos diversos membros do setor (indústria, distribuidores, operadoras de saúde etc.), que possam caracterizar um potencial conflito de interesses, sejam declaradas para que decisões quanto às ações de mitigação ou de monitoramento dos riscos associados possam ser definidas e recomendadas (ANAHP, 2015, p. 14). Transparência O princípio segurança do paciente, segundo a Anahp, deve: Zelar pela melhor assistência ao paciente, de acordo com o preconizado pelas entidades acreditadoras (ANAHP, 2015, p. 14). Segurança do paciente Fonte: https://cdn.pixabay.com/photo/2021/10/12/09/15/doctor-6702991__340.png Os efeitos da FALTA de ética na saúde Levantamento do Instituto de Ética em Saúde – Ações Covid-19. 17 riscos levantados Compras públicas Desvio de recursos Descumprimento contratual (entrega ou pagamento) Desperdício Abusos de preços ou em condições contratuais Corte ou negativa de fornecimento Imposição de condições abusivas Acordos entre concorrentes Descumprimento contratual privado Entrega Pagamento Produtos de baixa qualidade Fragilidade regulatória Falsificação Alocação inadequada de recursos Intervenção administrativa oportunista Distribuição não isonômica Mais Recursos, Menos Controles, Mais Riscos Fonte: adaptado de: https://eticasaude.org. br/files/Acoes_IES_C ovid-19_2020.pdf Levantamento do Instituto de Ética em Saúde – Ações Covid-19. Os efeitos da ética na saúde Fonte: adaptado de: https://eticasaude.org.br/files/Acoes_IES_Covid- 19_2020.pdf Mais segurança Menos risco Diminuição de superuso e do desperdício Adesão a protocolos mais eficientes Concorrência justa Decisões transparentes Meritocracia de profissionais, instituições e empresas Aumento da segurança do paciente Reputação de credibilidade dos entes envolvidos (geração de valor) Clareza no relacionamento entre os diferentes atores Visibilidade de custos e remunerações Empoderamento dos profissionais da saúde graças ao aumento da importância da medicina baseada em evidência Zelar pela melhor assistência ao paciente, de acordo com o preconizado pelas entidades acreditadoras, corresponde ao princípio: a) Transparência. b) Segurança do paciente. c) Imparcialidade. d) Integridade. e) Fundamentos da ética médica. Interatividade Zelar pela melhor assistência ao paciente, de acordo com o preconizado pelas entidades acreditadoras, corresponde ao princípio: a) Transparência. b) Segurança do paciente. c) Imparcialidade. d) Integridade. e) Fundamentos da ética médica. Resposta Associação Nacional de Hospitais Privados. Código de Conduta para os Hospitais Associados. Brasília: ANAHP, 2015. Disponível em: https://www.anahp.com.br. Acesso em: 18 out. 2021. Fundação Getúlio Vargas. Treinamento em Compliance4Healt. Material de treinamento realizado em fevereiro de 2021. Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. Compliance à luz da governança corporativa / Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. São Paulo: IBGC, 2017 (Série: IBGC Orienta). 56 p. Disponível em: https://www.legiscompliance.com.br/images/pdf/ibgc_orienta_compliance_a_luz_da_governa ca.pdf. Acesso em: 09 set. 2021. Instituto Ética e Saúde. Indicadores do Canal de Denúncias. Disponível em: https://eticasaude.org.br/files/Doc/ate_junho_2021.pdf. Acesso em: 21 out. 2021. Referências ATÉ A PRÓXIMA!