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O ciclo de vida de um projeto SST Não localizado O ciclo de vida de um projeto / - 2019 Copyright © 2019. Delinea Tecnologia Educacional. Todos os direitos reservados. O ciclo de vida de um projeto 3 Apresentação Conforme já aprendemos, a gestão de projeto é uma atividade complexa, mas extremamente importante para as organizações, sem a qual torna-se praticamente inviável realizar um projeto de maneira eficaz, alcançando os objetivos esperados. Aqui, você estudará cada etapa do ciclo de vida de um projeto, começando pela fase de iniciação, também conhecida como preparação, passando pelas fases de planejamento, execução, controle, até chegar à fase de encerramento ou conclusão. Cada fase supracitada é de extrema importância, e conhecê-las é basilar para um gestor de projetos. Pronto(a) para essa jornada? Desejamos a você ótimos estudos! A vida de um projeto em ciclos A ideia de ciclo, de algo que começa, evolui e termina, não parece um tanto sugestiva para você? Pois bem, essa mesma visão aplica-se no contexto do gerenciamento de projetos. Um conceito bastante utilizado em gestão de projetos é o ciclo de vida do projeto (CVP). De acordo com Cavalcanti (2016), o ciclo de vida de um projeto nada mais é que uma divisão em fases (ou etapas) aplicadas em projetos para facilitar o entendimento e o acompanhamento acerca de sua evolução, além de melhor organizar as entregas parciais e finais, criando, assim, pontos focais de controle para checagem temporal. A ideia de ciclo de vida de um projeto é bastante intuitiva, o que nos remete à ideia de evolução ao longo de um determinado espaço de tempo. Conforme o projeto evolui em sua preparação, avança para a fase de planejamento, desta para a de execução e controle e, por último, para a de encerramento. A ideia de ciclo de vida o ajudará no desenvolvimento das entregas, na visualização das conclusões de forma sequenciada. Ao final de cada etapa, geralmente, temos o que chamamos de “marcos” do projeto, ou seja, os momentos-chave das entregas parciais. 4 Por exemplo, em uma obra de engenharia, é relativamente fácil identificar as grandes etapas que se sucedem, tais como fundações, estrutura, alvenaria e acabamentos. Pode haver sobreposição entre essas etapas no tempo, mas as entregas de cada uma são bem claras, assim como seus objetivos. Exemplo Outra abordagem referente ao ciclo de vida enfatiza mais as fases gerenciais e menos os aspectos técnicos ou entregas de cada etapa. A imagem abaixo ilustra esse processo em forma de fases, denominado de “Ciclo de Vida da Gestão do Projeto” (CVGP). Ciclo de vida de um projeto Fase de iniciação (Preparação) Fase de encerramento (Conclusão) Fase de controle Fase de execusão Fase de planejmaento Fonte: Adaptado de Cavalcanti (2016, p. 21). 5 Note que há cinco fases: iniciação, planejamento, execução, controle e encerramento. Cada uma delas é composta por processos, os quais possuem um fluxo, conforme representado a seguir. Visão de distribuição do esforço ao longo do tempo do ciclo de vida do projeto Ciclo de vida do projeto N ív el d e es fo rç o In ic ia çã o P la n ej m an et o E xe cu çã o C on tr ol e E n ce rr am en to Fonte: Adaptado de Cavalcanti (2016, p. 39). Ciclo de Vida do Projeto: No eixo x, nota-se uma possível distribuição temporal da duração e esforço envolvido nos processos de cada fase. Observa-se que há sobreposições entre as fases do CVGP durante o projeto, o que é comum, pois, ao mesmo tempo em que há atividades planejadas, outras estão sendo executadas, outras controladas, e assim por diante. Nível de esforço: No eixo y, é perceptível que cada fase demanda determinado volume de esforço do GP e sua equipe. Geralmente, as fases que mais demandam esforço são as fases de execução e planejamento. Ainda analisando o ciclo de vida do projeto, agora sob a ótica das relações cíclicas entre os grupos de processos, na qual a dimensão do tempo é algo irrelevante. 6 Note que, normalmente, há uma única fase para os processos de iniciação e de encerramento, o que não acontece nas demais; o ponto central do ciclo é um processo que demanda a interação das fases, como as fases de planejamento, execução e controle. Visão de distribuição do esforço ao longo do tempo do ciclo de vida do projeto Processos de inciação Processos de planejamento Processos de encerramento Processos de execução Processos de controle Fonte: Adaptado de Cavalcanti (2016, p. 40) Aprender sobre todas as áreas de conhecimentos e processos contidos em cada uma delas é fundamental, e uma das ferramentas indicadas para o gerenciamento de projetos é o Guia PMBOK®, que já está em sua sexta edição. Mas tome cuidado ao utilizar todas as ferramentas que o guia propõe e tenha cautela para não burocratizar demais o andamento do seu projeto. O início: a formalização do projeto (projeto charter) 7 Todo começo de projeto demanda um brainstorming, uma tempestade de ideias. E, para colocá-las no papel, é preciso que o gerente de projeto (GP) e sua equipe filtrem as principais informações que darão início ao projeto, sintetizando-as em algum tipo de relatório. Brainstorming Fonte: Deduca (2019). O início de um projeto pode se dar de diferentes formas, a depender de cada tipo de organização e, além disso, ser percebido pelas partes interessadas (stakeholders) de formas distintas também. Não são muitas as empresas que possuem processos que definem o início de um projeto – daí a importância de as pessoas ligadas ao gerenciamento estabelecerem seu início de maneira mais formal. Para formalizar o início de um projeto, o GP e sua equipe podem recorrer a um relatório denominado project charter. Há organizações que se utilizam de outras denominações, tais como: proposta de projeto, termo de referência de projeto, contrato de projeto, solicitação de projeto autorizada, termo de abertura do projeto – TAP. O project charter contém elementos que dão subsídios para que você reconheça formalmente as necessidades de utilização dos recursos, além 8 das premissas e restrições que podem envolver a execução de um projeto. Veja algumas das informações que são essenciais nesse documento: título, objetivo, premissas, restrições, resultados almejados, escopo macro, organização dos stakeholders, riscos, entre outros pontos. Você, futuro GP, e sua equipe devem reunir elementos suficientes (charter e escopo preliminar) para, então, partirem para a primeira fase do projeto: a iniciação. Ao começar essa fase, você deve tomar alguns cuidados: procure sempre formalizar a comunicação da existência de um projeto dentro da organização; para isso, proponha uma reunião para distribuir e armazenar as documentações necessárias ao gerenciamento do projeto. A organização da reunião de partida de projeto (ou reunião de kick-off, como é conhecida no meio) deve mostrar a preocupação em se administrar um empreendimento. Reuniões como essa devem considerar uma agenda, uma lista das partes interessadas presentes, uma preparação de material e, fundamentalmente, uma preocupação em buscar comprometimento dos participantes. Competirá a você, enquanto gerente de projetos, conduzir a reunião de partida (ou reunião de kick-off), o que não te impede de buscar ajuda de outras pessoas envolvidas diretamente para facilitar a reunião, caso precise, mas lembre-se de que a responsabilidade em conduzi-la deve ser sua. Procure sempre registrar cada momento da reunião e, para isso, uma boa ferramenta de registro são as atas, as quais devem ser elaboradas ao longo da reunião e distribuídas logo em seguida. Caso o GP tenha um perfil mais analítico e introspectivo, sugere-se a nomeação de um facilitador, no sentido de conduzir a equipe integrando todos os participantes. Finalizada essa primeira reunião, que demarcará o início do projeto, é preciso ter claros os próximos passos, para que o comprometimento das partes seja positivo. 9 Nessesentido, a informação passa a ser sua principal aliada, e você deverá fazer uso dela para se comunicar com as partes interessadas no projeto. Conhecidas as ações iniciais de um projeto, é hora de seguirmos viagem para a etapa “meio” e, em seguida, a etapa “fim”. Na próxima seção, você conhecerá algumas dicas para monitoramento do plano do projeto. Boa leitura! O meio e o fim de um projeto O meio: a composição e o monitoramento do plano de projeto O Plano de Gerenciamento de um Projeto (PGP) é o documento resultante de um processo de planejamento, representado em um único documento, de forma integrada, cujo papel principal é agregar informações de outros planos (planos auxiliares), de forma coerente e consistente. Uma vez iniciado o projeto, o GP deve encorajar sua equipe a criar os planos subsequentes (por exemplo: Plano de Gerenciamento das Comunicações; Plano de Gerenciamento das Partes Interessadas; Registro das Partes Interessadas), a partir do charter e de um escopo preliminar. Nesse momento, passa-se a se preocupar com o detalhamento do trabalho do projeto, dos prazos, custos, qualidade, risco, recursos etc. Essas preocupações devem estar expressas nesses planos que, por sua vez, deverão ser integrados ao PGP. Geralmente, um bom PGP é aquele que agrega os planos das áreas de conhecimento descritos no PMI (2017) com as demais preocupações envolvidas no âmbito de um projeto. Sua composição deve levar em conta, em um primeiro momento, os elementos organizacionais de onde o projeto estará inserido. Assim, na introdução do PGP, será preciso conhecer a missão da organização, bem como seus objetivos, metas e estratégias e como o projeto estará nivelado a tudo isso. Nesse contexto, as partes interessadas deverão saber (RABECHINI, 2015): • quais metas deverão ser alcançadas com o projeto; • quais objetivos deverão ser alcançados; • quais estratégias devem ser adotadas para o alcance dos objetivos. 10 Torna-se fundamental considerar, na elaboração do PGP, o desenvolvimento integrado das áreas de conhecimento, cujo ponto focal é, sem dúvida, a Work Breakdown Structure (WBS – é o mesmo que Estrutura Analítica do Projeto - EAP). Por meio da EAP, o gerente de projeto poderá consolidar a integração do gerenciamento de um projeto, e é dela que se originam os insumos para programação do cronograma, além de permitir associar responsabilidades a quem for de direito. É por meio dela que a gestão dos riscos encontra os indícios de fontes geradoras e a gestão do projeto se consolida. Com a EAP em mãos, você terá meios para integrar as informações com base em seus pacotes de trabalho, além de munir-se de informações que irão ajudá-lo a responder a uma série de questões. Você deverá comunicar à equipe seu conteúdo, levantando as possíveis necessidades de ajustes. Feito isso, basta aprová-lo com o(s) patrocinador(es) do projeto. Os planos de projeto mais conhecidos, normalmente, contêm apenas os cronogramas físicos que revelam como será controlada a agenda do projeto. No entanto, uma abordagem gerencial mais profissional requer controle e acompanhamento de vários outros elementos, além do monitoramento da qualidade, da troca prevista de informações, da recepção de tecnologia etc. (RABECHINI 2015, s.p.) Assim, faz-se necessário produzir um documento (plano) contendo todos os produtos que irão possibilitar o acompanhamento do projeto. A reunião para aprovação do plano do projeto deve ser planejada cuidadosamente, evitando problemas que possam interferir no sucesso do projeto. Como na reunião de partida, os cuidados devem ser tomados visando ao comprometimento dos stakeholders, agora em maior número. É necessário registrar que muitos projetos chegam a esse estágio um pouco desgastados, sendo que muitos não têm fôlego para continuar. Sabe-se que, no momento dessa reunião, existe um marco implícito do ciclo de vida de um projeto que poderá revelar sua continuidade. Sabe-se, também, que os custos, daqui para frente, serão cada vez maiores, necessitando de controles rígidos. A dinâmica do projeto toma outra frequência; o ambiente passa a ser de execução, e não mais de planejamento. Isso faz uma grande diferença, à qual o gestor deve 11 estar atento, pois os impactos nos resultados são, agora, evidentes e reais. Em uma linguagem mais popular, pode-se dizer que o projeto, a partir da aprovação do seu plano, passa a ficar mais “nervoso” (RABECHINI 2015). A execução de um projeto deverá ser acompanhada do plano e, sendo assim, a equipe deve estar atenta aos primeiros movimentos. Há uma diferença tênue entre acompanhamento e controle de projetos que, se bem elucidada, pode ajudá- lo a encarar sua gestão de forma bastante profissional. Por meio da análise das informações geradas pelo sistema do projeto, você e sua equipe devem tomar decisões que mantenham o projeto nos trilhos. O fim: não se esqueça de formalizar o encerramento do projeto Para viabilizar o encerramento de um projeto, é preciso muita organização. Para Rabechini Junior (2015), embora possa ser considerada a fase de um projeto que menos é levada a sério, muitas organizações conquistam fatias significativas de mercado por realizá-la adequadamente e dispenderem a atenção que essa fase merece. Tais organizações mostram-se mais competitivas, uma vez que dispõem de mais informações estratégicas antes de seus concorrentes. O encerramento do projeto deve ser marcado por um evento que formalize o fechamento de todas as suas ações. Essa etapa tem de ser planejada, sobretudo no que diz respeito às informações a serem armazenadas. O PMI (2013 apud RABECHINI, 2015) considera que o encerramento de um projeto deve ser feito sob dois grupos de procedimentos: Fechamento de cada fase do projeto: Cabe, aqui, armazenar os dados referentes às análises de sucesso/fracasso de cada fase do projeto, arquivar as informações sobre as diversas gerências do projeto, registrar as lições aprendidas e divulgar os procedimentos para acesso ao banco de dados do projeto. 12 Fechamento dos contratos realizados durante o desenvolvimento do projeto: Cabe, aqui, o encerramento formal dos contratos, a verificação dos itens de notas pendentes e a programação de pagamentos posteriores ao projeto. Fechamento esperamos que você tenha conseguido compreender os ciclos de vida de um projeto. Aplique esses conhecimentos em sua vida profissional e mostre que você é um ótimo gestor de projetos. Aqui, você estudou as premissas do ciclo de vida de um projeto, bem como suas fases sintetizadas em início, meio e fim, iniciando pela fase de iniciação, também conhecida como preparação, passando pelas fases de planejamento, execução, controle, até chegar à fase de encerramento ou conclusão. Esperamos que você tenha compreendido a importância de cada fase para que possa realizar um excelente trabalho como gestor de projetos. Até a próxima! 13 Referências CAVALCANTI, F. R. P. Fundamentos de gestão de projetos. São Paulo: Atlas, 2016. PMI. Project Management Institute. Um Guia do Conhecimento em Gerenciamento de Projetos (Guia PMBOK®). 6. ed. Pensilvânia, EUA: Project Management Institute, 2017. Disponível em: <https://brasil.pmi.org/brazil/GuiaPMBOK6edicao.aspx>. Acesso em: 21 dez. 2019. RABECHINI, R. Fundamentos em gestão de projetos: construindo competências para gerenciar projetos. São Paulo https://brasil.pmi.org/brazil/GuiaPMBOK6edicao.aspx