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1PORTUGUÊS
Módulos
1 – Origem da Língua Portuguesa
2 – O poder da palavra
3 – Prática de Redação (1) 
4 – Substantivo
5 – Tipologias textuais:
Descrever, narrar, dissertar
6 – Prática de Redação (2) 
7 – Artigo
8 – Denotação e conotação
9 – Prática de Redação (3)
10 – Numeral
11 – Os recursos expressivos
na descrição
12 – Prática de Redação (4)
13 – Adjetivo
14 – Descrição (objetiva e subjetiva)
15 – Prática de Redação (5) 
16 – Locução adjetiva
17 – Descrição (dinâmica e estática)
18 – Prática de Redação (6)
19 – Adjetivo composto
20 – Descrição de pessoa
21 – Prática de Redação (7)
22 – Pronomes pessoais, possessivos
e de tratamento 
23 – Coesão textual
24 – Exercícios sobre título
A “última flor do Lácio”, assim chamada a língua
portuguesa por Olavo Bilac, é umas das línguas neolatinas
— como a espanhola, a francesa, a italiana, entre outras
— originadas da expansão do Império Romano. Conforme
esse império se expandia e conquistava novos territórios,
seus soldados conviviam com a cultura e o idioma locais,
influenciando-os e sendo influenciados por eles. Desse
encontro, surgiram novos idiomas que, embora partissem
de uma base em comum, foram dotados de suas próprias
especificidades.
Com a difusão da cultura romana, o latim chegou à
Península Ibérica durante os séculos III e II a.C. e
permaneceu após a queda do império de Roma, no século
V d.C. A região que hoje compreende Portugal e Espanha
manteve-se latinizada, recebendo novas influências após
as invasões de povos como os visigodos e árabes, o que
originou a língua hoje chamada de galego-português.
Apesar das discordâncias entre especialistas sobre
quando exatamente houve a distinção oficial entre os dois
idiomas, pode-se assinalar a criação do reino de Portugal,
por D. Afonso Henriques no século XII, como ponto
decisivo para que galego e português se estabelecessem
como línguas distintas.
Após a expansão ultramarina de Portugal, o idioma
espalhou-se pelo mundo. Atualmente, a maior parte de
seus falantes encontra-se fora da Europa, visto que o
processo de colonização lusitana resultou em 10 países
com a língua portuguesa como a oficial, entre eles o
Brasil, que, embora conserve muitas características do
português europeu, apresenta diferenças notáveis em
diversos aspectos, semânticos, sintáticos e morfológicos.
Em terras brasileiras, usou-se, a princípio, a língua
geral, nheengatu, como língua franca, oriunda do tupi
antigo e utilizada entre colonos e indígenas. No entanto,
PORTUGUÊS: CLASSES 
GRAMATICAIS E DESCRIÇÃO
1
Palavras-chave:
Origem da 
Língua Portuguesa
• Latim • Tupi 
• Nheengatu
“Educar é acreditar na vida e 
ter esperança no futuro.”
Albert Einstein
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:29 Página 1
2 PORTUGUÊS
com a intensificação do processo de colonização, ela
perdeu cada vez mais espaço para o português, até ser
proibida por Marquês de Pombal, em 1758. Hoje, a língua
geral é considerada extinta, mas o nheengatu, falado em
regiões de Brasil, Colômbia e Venezuela, seria uma
evolução natural dessa língua.
Ainda que o português tenha se estabelecido como
língua oficial em território nacional, ele recebeu diversas
contribuições dos idiomas nativos, como sufixos (-guaçu,
um aumentativo; -mirim, um diminutivo) e vocábulos
(abacaxi, caboclo, jacaré etc.).
Ao longo do Período Colonial e por boa parte do
Imperial, o Tráfico Negreiro trouxe africanos ao Brasil,
como os bantus e os sudaneses. Ainda que
marginalizados pela escravização, suas línguas, como
quimbundo, o quicongo e o umbundo, legaram uma série
de influências ao português brasileiro, como, por
exemplo, as palavras moleque, cachaça e fubá.
Após a abertura dos portos nacionais, em 1808, e
posterior chegada de imigrantes, por volta de 1880, a
influência de outros idiomas, como o italiano, foi sensível
e acontece ainda hoje. Muitas modificações pelas quais o
português brasileiro passou fazem parte de um processo
natural de transformação linguística, uma vez que, como
língua viva, é natural que receba contribuições e as
absorva de acordo com a necessidade e identificação de
seus falantes.
Assim, sofrendo influências históricas, o sétimo
idioma mais falado do mundo, a língua portuguesa, é a
língua oficial de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique,
Guiné-Bissau, Macau, Goa, São Tomé e Príncipe, 
Timor Leste, Guiné Equatorial e Cabo Verde.
Uma Babel colonial
Desde o momento em que os portugueses
puseram o pé (e a boca) na Terra Brasilis, eles
depararam com mais de 300 línguas indígenas. O
idioma português travou uma luta de resistência e
assimilação por três séculos, enfrentando culturas,
dialetos africanos e muitas línguas: francês, holandês,
espanhol, latim, inglês, italiano, tupinambá, nheengatu...
A evangelização de índios e negros, a política de
imposição da língua portuguesa
adotada pela Coroa e o marquês de
Pombal em 1758 e a integração ao
mercado exportador são fatores
decisivos para se entender essa
grande mistura que formou, e forma,
a nossa língua, um dos elementos da
unidade nacional que só conseguiu se
impor às vésperas da Independência,
no século XIX.
De início, os portugueses
encontraram aqui uma verdadeira
Babel indígena. Na costa brasileira e
na bacia dos rios Paraná e Paraguai,
os índios pertenciam ao tronco
linguístico Tupi, que reúne os Guarani
ao sul e os Tupi na costa, que falavam
o Tupinambá ou língua afins, mas não
idênticas. Na região central do Brasil,
encontravam-se as línguas Macro-jê.
Eram tantas as línguas na bacia amazônica, que o
célebre padre Antônio Vieira, em 1683, escrevia que
“houve quem chamou o rio das Amazonas rio Babel”, o
que lhe pareceu pouco “porque na Torre de Babel, como
diz São Jerônimo, houve somente setenta e duas
línguas, e as que se falam no rio das Amazonas são
tantas e tão diversas, que se lhes não sabe o nome,
nem o número”. Do contato entre missionários, índios
Tupi missionados e aculturados, e não índios, surgiram
as línguas gerais, ou seja, comuns a diferentes grupos,
tendo como base a língua do tronco Tupi – a língua geral
A litografia de Rugendas mostra a convivência, no início do século XIX, entre pessoas de origem
indígena, africana e europeia no Brasil, sugerindo um cenário de disputas entre diversas línguas
durante o processo de colonização. Crédito: Alamy/Fotoarena.
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 2
3PORTUGUÊS
paulista (ou do Sul) e a língua geral amazônica. Ao final
do século XVII, os jesuítas e missionários de outras
ordens difundiram, na Amazônia, o Tupinambá, falado
pelos índios da região que vai do litoral do Maranhão até
a foz do Tocantins. O Tupinambá, sob a influência de
outras línguas da área, e da ação dos caboclos, deu
origem ao nheengatu, a língua geral amazônica.
E preservar aqui as línguas africanas não foi nada
fácil: o colonizador português não deu trégua,
combatendo as línguas e evitando até a concentração
de escravos de uma mesma etnia nos navios negreiros
e nas propriedades coloniais – uma tática para diminuir
as resistências dos africanos e descendentes à
escravização. Essa política, a variedade de línguas e as
hostilidades que os negros trouxeram dificultaram a
formação de núcleos solidários que garantissem a
retenção do patrimônio cultural africano, incluindo-se aí
suas línguas. Só no campo da evangelização houve
maior flexibilidade do colonizador em relação às línguas
africanas. O mesmo padre Antônio Vieira, em 1691,
referindo-se à Bahia, Pernambuco e Rio de Janeiro,
afirmava que era preciso que os negros fossem
catequizados em suas línguas: “Sendo muito maior,
sem comparação, o número dos negros que o dos
índios, assim como os índios são catequizados e
doutrinados nas suas próprias línguas, assim os negros
o são na sua.” E acrescentava que nos colégios dessas
localidades havia “operários muito práticos” nas línguas
africanas e “várias escolas das mesmas línguas” no
Brasil, tantas “quanto a variedade delas, e que os
religiosos não passavam a outros estudos [...] sem
primeiro serem examinados e aprovados” na línguaem
questão. Tanto que em 1697 foi impressa pela
Companhia de Jesus uma Arte da Língua de Angola,
feita pelo padre Pedro Dias, do Colégio da Bahia.
Mas nem sempre os negros foram prisioneiros da
diversidade linguística que os dividia e ao longo do
período colonial houve várias tentativas de construção
de uma identidade comum entre os escravos: a
formação de quilombos, a realização de revoltas e a
organização de batuques e calundus (rituais
semelhantes ao candomblé) são evidências disso. Em
Minas Gerais, em algumas casas chefiadas por
mulheres, danças e batuques – proibidos então –
tiveram guarida e as línguas africanas puderam emergir.
Algumas línguas europeias tiveram um domínio
regional e de tempo restrito. O espanhol, em São Paulo,
durante a união das Coroas de Espanha e Portugal (1580
e 1640), e no Sul, acompanhando os confrontos entre
portugueses e espanhóis em torno da expansão
territorial. Mais secundariamente o francês, no Rio de
Janeiro e no Maranhão, quando se tentou estabelecer
as colônias da França Antártica (1555) e da França
Equinocial (1612), respectivamente. E o holandês, no
Nordeste, em Pernambuco e Paraíba, também no
século XVII.
O português enfrentou outras línguas concorrentes
nos campos do conhecimento, da religião e da
educação. O latim era a língua dos rituais e livros
católicos: a missa, o breviário e os cantos eram em
latim, tendo os sacerdotes que pronunciá-lo com
maestria. Os livros eram escritos em latim, a língua culta
por excelência, e o seu ensino ganhou destaque na
educação. O latim enraizou-se no universo dos letrados,
servindo como modelo, ao lado do espanhol e do
italiano, para a produção poética. O espanhol era outra
língua erudita. Poetas, como Gregório de Matos,
escreviam em espanhol, muito valorizado nos círculos
da elite portuguesa de 1600. O padre Vieira, em 1692,
em carta a Francisco Barreto, cônego e tradutor de seus
escritos, confessava o grande receio que tinha de que,
na língua portuguesa, perdessem a graça e energia da
castelhana.
O inglês iniciou sua influência como língua culta em
fins do século XVIII.
Mas como a língua portuguesa conseguiu se impor
às outras? Os seus avanços variaram no tempo e no
espaço, a partir de alguns fatores. O primeiro deles foi
a vinculação das economias regionais com o mercado
internacional e a consequente participação de
portugueses e africanos: nas áreas em que houve
integração com o mercado externo e maior presença de
portugueses e africanos, a difusão da língua portuguesa
se deu mais rapidamente. Como no Nordeste,
exportador de açúcar desde meados do século XVI,
onde o português predominava no início de 1600. Já em
São Paulo colonial, que permaneceu relativamente à
margem da economia de exportação, com uma menor
quantidade de africanos e usando continuamente o
braço escravo indígena, a língua geral difundiu-se por
todas as camadas sociais, mantendo-se dominante até
metade de 1700. Em Minas Gerais, a eliminação dos
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 3
4 PORTUGUÊS
povos e das línguas indígenas foi intensa, em função do
desenvolvimento urbano acentuado e da força da
mineração no conjunto da economia, assentada no uso
do escravo africano. Só nas fronteiras das áreas de
colonização houve espaço para as línguas indígenas.
Mas os paulistas que foram para Minas encarregaram-
se de disseminar, pelo menos no princípio, a língua geral
do Sul, daí a origem indígena de uma série de nomes
geográficos em Minas Gerais, em Goiás e Mato Grosso.
A presença de missionários foi
um segundo fator importante para a
difusão da língua portuguesa, ou
melhor, para a sobrevivência das
línguas indígenas. No litoral, os
missionários contribuíram para a
preservação, divulgação e transfor ma -
ção do Tupinambá. Como imposição
da própria evangelização, os jesuítas
estudaram o Tupinambá, traduziram
cantigas sacras, produziram
gramáticas – a de José de Anchieta, em 1595, e a do
padre Luis Figueira, em 1621. E em 1575, publicaram
traduções do pai-nosso, da ave-maria, do credo, e
trabalharam coletivamente na elaboração de um
catecismo, editado em 1618, com o nome Catecismo
na língua brasílica. José de Anchieta elaborou
composições na língua Tupinambá e em seus autos,
encenados em várias partes do país, a língua brasílica
era pronunciada ao lado do português e do espanhol. Ao
mesmo tempo, os jesuítas tornaram obrigatório o
aprendizado da língua para todos os irmãos da
companhia. O padre Antônio Vieira, em 1672, registrava,
por exemplo, saber “a língua do Maranhão e a
portuguesa”, língua com as quais dizia servir à sua
“pátria” e ao seu “príncipe”. Na primeira metade do
século XVII, no território controlado pela Espanha, área
sob a influência do Paraguai, os missionários elaboraram
duas gramáticas do Guarani, a de Alonso de Aragona, e
a de Antônio Ruiz de Montoya, que também publicou
um catecismo e dois dicionários, Espanhol-Guarani e
Guarani-Espanhol.
Em franco contraste com a visão dos missionários
de valorizar as línguas brasílicas, no reinado de d. José
I, de quem foi ministro poderoso Sebastião José de
Carvalho e Mello, conhecido pelo título de marquês de
Pombal (1750 a 1777), implantou-se uma política de
imposição da língua portuguesa, surgindo assim o
terceiro fator de difusão do idioma português. Em 1770,
Pombal ordenou aos mestres de língua latina que, ao
receberem seus alunos, os
instruíssem previamente, por seis
meses, na língua portuguesa, usando
a Gramatica portuguesa, composta
por Antônio José dos Reis Lobato. E
no Grão-Pará e Maranhão, área em
que a nova política de língua foi mais
incisiva, procurou difundir o português
para legitimar a posse da terra e coibir
o uso do nheengatu, temido como
forma de os missionários controlarem
os índios. Esta política de imposição da língua
portuguesa tinha um sentido claro de promover a
dominação dos povos e a obediência ao monarca.
Segundo um documento oficial da época, “foi máxima
inalteraval mente praticada em todas as Nações, que
conquistaram novos domínios, introduzir logo nos Povos
conquistados o seu próprio idioma, por ser indisputável,
que este é um dos meios mais eficazes para desterrar
dos Povos rústicos a barbaridade dos seus antigos
costumes”.
LUIZ CARLOS VILLALTA, paulista radicado em Minas Gerais,
nasceu em 1962. É graduado, mestre e doutor em história
pela USP e leciona na Universidade Federal de Ouro Preto.
Para o volume Cotidiano e vida privada na América Portuguesa
(Coleção História da Vida Privada no Brasil), escreveu o ensaio
“O que se fala e o que se lê: língua, instrução e leitura”.
Publicou, no Brasil e no exterior, estudos sobre livros didáticos
e paradidáticos de história, bem como sobre censura,
bibliotecas e leitura no período colonial.
Ao contrário dos
missionários, que
prestigiavam os idiomas
nativos, o marquês de
Pombal obrigava o uso 
da língua portuguesa 
para garantir a 
obediência ao monarca
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5PORTUGUÊS
(FUND. EDUC. MACHADO SOBRINHO) – Leia atentamente o
texto a seguir, extraído do livro Alfabetização e Linguística, de Luiz Carlos
Cagliari.
COMO A FALA FUNCIONA
Quando se diz que a escola precisa levar em conta a fala, muitos
pensam que isso significa que se deve ensinar os alunos a falarem
bonito, no estilo em que se escreve. Esse treinamento pode até ser
feito, mas não é isso que os linguistas querem dizer.
Se a escola tem por objetivo ensinar como a língua funciona, deve
incentivar a fala e mostrar como ela funciona. Na verda de, uma
língua vive na fala das pessoas e só aí se realiza plena men te. A escrita
preserva uma língua como um objeto inanimado, fossilizado. A vida de
uma língua está na fala.
Muito pouco se conhece da fala portuguesa. E, não rara men te,
têm-se noções erradas a esse respeito. A escola, como dis semos
antes, gira em torno da escrita e consequente mente a gramática
normativa está voltada para a escrita, mesmo quando tenta abordar
questões que só existem na fala. É preciso ter sempre em mente o
que pertence à fala e o que pertence à escrita. Isso parece óbvio, mas
a prática tem mostrado que há muita confusão e má compreensão
dessas duas realidades da língua.
� Todas as afirmativas abaixo são inade quadas em relação ao tex -
to, exceto:
a) A escola deve ensinar o que se fala, e não o que diz a gramática
normativa.
b) Os alunos devem escrever como falam.
c) Os professores de português ensinam coisas inúteis na es cola.
d) A linguagem captada na boca do povo é a verdadeira realiza ção
linguística.
e) A escola deve ensinar os alunos como falar bem.
Resposta: D
� De acordo com A escola, como dissemos antes, gira em torno da
escrita e conse quentemente a gramática normativa está voltada para
a escrita, mesmo quando tenta abordar questões que só existem na
fala, pode-se concluir que
a) a língua ensinada na escola é, muitas vezes, distante da reali da de.
b) a gramática normativa é inútil no dia-a-dia.
c) a gramática normativa não trata de fatos linguísticos que apa re cem
na linguagem coloquial.
d) os professores desconhecem os fatos linguísticos da lingua gem
oral, por isso prendem-se à escrita.
e) a língua ensinada na escola é uma língua morta. 
Resposta: A
Exercícios Resolvidos
Texto para o teste �.
� De acordo com o texto, a língua geral formou-
se e consolidou-se no contexto histórico do
Brasil-Colônia. Portanto, a formação desse
idioma e suas variedades foi condicionada
a) pelo interesse dos indígenas em aprender a religião dos
portugueses.
b) pelo interesse dos portugueses em aprimorar o saber
linguístico dos índios.
c) pela percepção dos indígenas de que as suas línguas
precisavam aperfeiçoar-se.
d) pelo interesse unilateral dos indígenas em aprender uma
nova língua com os portugueses.
e) pela distribuição espacial das línguas indígenas, que era
anterior à chegada dos portugueses.
RESOLUÇÃO:
As duas variedades (nheengatu e abanheenga) da língua geral,
adotada pelos índios depois da chegada dos portugueses,
resultaram da distribuição das comunidades pelo norte e pelo sul
do território brasileiro, respectivamente.
Resposta: E
No Brasil colonial, os portugueses procuravam ocupar e
explorar os territórios descobertos, nos quais viviam índios,
que eles queriam cristianizar e usar como força de trabalho.
Os missionários aprendiam os idiomas dos nativos para
catequizá-los nas suas próprias línguas. Ao longo do tempo,
as línguas se influenciaram. O resultado desse processo foi
a formação de uma língua geral, desdobrada em duas
variedades: o abanheenga, ao sul, e o nheengatu, ao norte.
Quase todos se comunicavam na língua geral, sendo poucos
aqueles que falavam apenas o português.
Exercícios Propostos
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 5
6 PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
� Do ponto de vista histórico, as mudanças
linguísticas que afetaram o português do
Brasil têm sua origem no contato dos
colonizadores com inúmeras línguas indígenas e africanas.
Considerando as reflexões apresentadas no texto, verifica-se
que esse processo, iniciado no começo da colonização, teve
como resultado
a) a aceitação da escravidão, em que seres humanos foram
reduzidos à condição de objeto por seus senhores.
b) a constituição do patrimônio linguístico, uma vez que
representa a identidade nacional do povo brasileiro.
c) o isolamento de um número enorme de índios durante todo
o período da colonização.
d) a separação entre pessoas que desfrutavam bens e outras
que não tinham acesso aos bens de consumo.
e) a supremacia dos colonizadores portugueses, que muito se
empenharam para conquistar os indígenas.
RESOLUÇÃO:
Trata-se de uma questão de interpretação de texto e somente uma
leitura atenciosa bastaria para a resposta correta. O texto se refere
ao papel das línguas africanas e indígenas na formação do
português brasileiro. Assim, podemos depreender que a mistura
de línguas no Brasil contribuiu para a formação da língua nacional
e, assim, tem um papel na constituição de uma identidade
nacional.
Resposta: B
Textos para o teste �.
� Relacionando-se as ideias dos textos a
respeito da história e memória das línguas,
quanto à formação da língua portuguesa,
constata-se que
a) a presença de elementos de outras línguas no português foi
historicamente avaliada como um índice de riqueza.
b) o estudioso da língua pode identificar com precisão os
elementos deixados por outras línguas na transfor ma ção da
língua portuguesa.
c) o português é o resultado da influência de outras línguas no
passado e carrega marcas delas em suas múltiplas camadas.
d) o árabe e o latim estão na formação escolar e na memória
dos falantes brasileiros.
e) a influência de outras línguas no português ocorreu de
maneira uniforme ao longo da história.
RESOLUÇÃO:
O texto I afirma que as palavras carregam em si “mais memórias
que os seus falantes”, apontando para a construção histórica dos
sentidos dos vocábulos. O texto II exemplifica esse processo ao
citar o caráter ofensivo dado à influência do árabe, nos séculos XVI
e XVII, pois “parecer com o árabe, assim, é uma acusação de
dessemelhança com o latim.”
Resposta: C
TEXTO I
ESTRATOS
Na passagem de uma língua para outra, algo sempre
permanece, mesmo que não haja ninguém para se lembrar
desse algo. Pois um idioma retém em si mais memórias que
os seus falantes e, como uma chapa mineral marcada por
camadas de uma história mais antiga do que aquela dos
seres viventes, inevitavelmente carrega em si a impressão
das eras pelas quais passou. Se as “línguas são arquivos da
história”, elas carecem de livros de registro e catálagos.
Aquilo que contêm pode apenas ser consultado em parte,
fornecendo ao pesquisador menos os elementos de uma
biografia do que um estudo geológico de uma sedimentação
realizada em um período sem começo ou sem fim definido.
(HELLER-ROAZEN, D. Ecolalias: sobre o esquecimento 
das línguas. Campinas: Unicamp, 2010.)
TEXTO II
Na reflexão gramatical dos séculos XVI e XVII, a influência
árabe aparece pontualmente, e se reveste sobretudo de item
bélico fundamental na atribuição de rudeza aos idiomas
português e castelhano por seus respectivos detratores.
Parecer com o árabe, assim, é uma acusação de
dessemelhança com o latim.
(SOUZA, M. P. Linguística histórica.
Campinas: Unicamp, 2006.)
HISTÓRIA DO CONTATO ENTRE LÍNGUAS NO BRASIL
No Brasil, o contato dos colonizadores portugueses com
milhões de falantes de mais de mil línguas autóctones1 e de
cerca de duzentas línguas que vieram na boca de cerca de
quatro milhões de africanos trazidos para o país como
escravos é, sem sombra de dúvida, o principal parâmetro
histórico para a contextualização das mudanças linguísticas
que afetaram o português brasileiro. E processos como
esses não devem ser levados em conta apenas para a
compreensão das diferenças entre as variedades linguísticas
nacionais. O próprio mapeamento das variedades linguísticas
contemporâneas do português europeu e, sobretudo, do
português brasileiro, tanto no plano diatópico2 quanto no
plano diastrático3, depende crucialmente de uma apurada
compreensão do processo histórico de sua formação.
(LUCCCHESI, D.; BAXTER, A.; RIBEIRO, I. (orgs.). O português 
afro-brasileiro. Salvador: EdUFBA, 2009 – adaptado.)
Glossário:
Autóctone: nativo de uma região.
Diatópico: referente à variação de uma mesma língua no plano
regional (país, estado, cidade etc.).
Diastrático: referente à variação de uma mesma língua em função
das diversas classes sociais.
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 6
7PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
� O fato relatado evidencia que fenômenos
presentes na fala podem aparecer em textos
escritos. Além disso, sugere que
a) os diferentes falares do português provêm de textos
escritos.
b) o tipo de escrita usado pelo soldado era desprestigiado no
século XIX.
c) os fenômenos de mudança da língua portuguesa são
historicamente previsíveis.
d) as formas variantes do português brasileiro atual já figuravam
no português antigo escrito.
e) as origens da norma-padrão do português brasileiro podem
ser observadas em textos antigos.RESOLUÇÃO:
Na carta de 1807, citada no texto, escrita por um soldado, há um
trecho em que ele diz “nem por bem, nem mar”. Nele, percebe-se
a troca de “l” por “r” (mar por mal), fenômeno bastante comum
ainda hoje em variantes do português usado no Brasil. 
Resposta: D
Compare os textos I e II a seguir, que tratam de aspectos ligados
a variedades da língua portuguesa no mundo e no Brasil.
� Os textos abordam o contato da língua
portuguesa com outras línguas e processos
de variação e de mudança decorridos desse
contato. Da comparação entre os textos, conclui-se que a
posição de João de Barros (Texto II), em relação aos usos sociais
da linguagem, revela 
a) atitude crítica do autor quanto à gramática que as nações a
serviço de Portugal possuíam e, ao mesmo tempo, de
benevolência quanto ao conhecimento que os povos tinham
de suas línguas.
b) atitude preconceituosa relativa a vícios culturais das nações
sob domínio português, dado o interesse dos falantes dessa
línguas em copiar a língua do império, o que implicou a
falência do idioma falado em Portugal.
c) o desejo de conservar, em Portugal, as estruturas da variante
padrão da língua grega – em oposição às consideradas
bárbaras –, em vista da necessidade de preservação do
padrão de correção dessa língua à época.
A expansão do português no Brasil, as variações
regionais com suas possíveis explicações e as raízes das
inovações da linguagem estão emergindo por meio do
trabalho de linguistas que estão desenterrando as raízes do
português brasileiro ao examinar cartas pessoais e
administrativas, testamentos, relatos de viagens, processos
judiciais, cartas de leitores e anúncios de jornais desde o
século XVI, coletados em instituições como a Biblioteca
Nacional e o Arquivo Público do Estado de São Paulo. No
acervo de documentos que servem para estudos sobre o
português paulista está uma carta de 1807, escrita pelo
soldado Manoel Coelho, que teria seduzido a filha de um
fazendeiro. Quando soube, o pai da moça, enfurecido, forçou
o rapaz a se casar com ela. O soldado, porém, bateu o pé:
“Nem por bem, nem por mar!”, não se casaria. Um linguista
pesquisador estranhou a citação, já que o fato se passava na
Vila de São Paulo, mas depois percebeu: “Ele quis dizer ‘nem
por bem, nem por mal!’. O soldado escrevia como falava.
Não se sabe se casou com a filha do fazendeiro, mas deixou
uma prova valiosa de como se falava no início do século XIX.”
(FIORAVANTI, C. Ora pois, uma língua bem brasileira.
Pesquisa Fapesp, n. 230, abr. 2015 – adaptado.)
Texto I
Acompanhando os navegadores, colonizadores e
comerciantes portugueses em todas as suas incríveis
viagens, a partir do século XV, o português se transformou na
língua de um império. Nesse processo, entrou em contato –
forçado, o mais das vezes; amigável, em alguns casos – com
as mais diversas línguas, passando por processos de
variação e de mudança linguística. Assim, contar a história
do português do Brasil é mergulhar na sua história colonial e
de país independente, já que as línguas não são mecanismos
desgarrados dos povos que as utilizam. Nesse cenário, são
muitos os aspectos da estrutura linguística que não só
expressam a diferença entre Portugal e Brasil como também
definem, no Brasil, diferenças regionais e sociais.
(PAGOTTO, E. P. Línguas do Brasil. 
Disponível em: http://cienciaecultura.bvs.br
Acesso em 5 jul. 2009 – adaptado.)
Texto II
Barbarismo é vício que se comete na escritura de cada uma
das partes da construção ou na pronunciação. E em nenhuma
parte da Terra se comete mais essa figura da pronunciação
que nestes reinos, por causa das muitas nações que
trouxemos ao jugo do nosso serviço. Porque bem como os
Gregos e Romanos haviam por bárbaras todas as outras
nações estranhas a eles, por não poderem formar sua
linguagem, assim nós podemos dizer que as nações de África,
Guiné, Asia, Brasil barbarizam quando querem imitar a nossa. 
(BARROS, J. Gramática da língua portuguesa. 
Porto: Porto Editora, 1957 – adaptado.)
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d) adesão à concepção de língua como entidade homogênea e
invariável, e negação da ideia de que a língua portuguesa
pertence a outros povos.
e) atitude crítica, que se estende à própria língua portuguesa,
por se tratar de sistema que não disporia de elementos
necessários para a plena inserção sociocultural de falantes
não nativos do português.
RESOLUÇÃO:
A visão preconceituosa de João de Barros, compre ensível e talvez
inevitável na época, considera a língua portuguesa como
propriedade dos portugueses e como entidade homogênea, pois
rejeita suas variantes. Resposta: D
Texto para o teste 	.
	 Nesse trecho, Olavo Bilac manifesta seu
engajamento na constituição da identidade
nacional e linguística, ressaltando a
a) transformação da cultura brasileira.
b) religiosidade do povo brasileiro.
c) abertura do Brasil para a democracia.
d) importância comercial do Brasil.
e) autorreferência do povo como brasileiro.
RESOLUÇÃO:
O autor manifesta seu engajamento na constituição da identidade
nacional e linguística do povo brasileiro. Resposta: E
Abrimos o Brasil a todo o mundo: mas queremos que o
Brasil seja Brasil! Queremos conservar a nossa raça, a nossa
história, e, principalmente, a nossa língua, que é toda a nossa
vida, o nosso sangue, a nossa alma, a nossa religião.
(BILAC, O. Últimas conferências e discursos.
Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1927.)
8 PORTUGUÊS
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9PORTUGUÊS
O texto de Rodolfo Konder deve ser lido pelo profes sor e comentado, enfatizando o poder da palavra.
“Ai, palavras, ai, palavras, que estranha potência a Vossa.” (Cecília Meireles)
O que existe numa palavra? Letras, sons, significados — e magia. As palavras são mágicas e possuem poder
quase ilimitado. Fazem rir, alimentam os sonhos, ameaçam as mais ferozes ditaduras, inquietam carcereiros, acuam
torturadores. No mundo inteiro, pensadores, críticos, jornalistas, professores, radialistas, sociólogos, escritores põem
em marcha um desarmado exército de palavras que invade castelos, fortalezas, masmorras, corporações e bunkers1,
como imbatíveis cavalos alados. Elas sobem aos palcos, emergem das telas, povoam livros, jornais e revistas,
anunciam, confortam, afagam. Sussurradas junto ao ouvido, acariciam a alma. São cinzentas ou coloridas, ásperas ou
suaves. Podem destruir ou ressuscitar. Adormecer ou despertar. Prometer ou desiludir. Matar. Salvar.
Precisamos tratar as palavras com carinho, fruir sua magia.
(Rodolfo Konder, jornalista e escritor)
1 – Bunkers: abrigo subterrâneo abobadado e blindado; prisão subterrânea.
1. Palavra
As palavras são unidades de linguagem – e nós
vivemos cercados de linguagem tanto quanto de ar. O
pensamento e a linguagem são dificilmente separáveis e
não é possível saber qual veio antes. Falamos, pen samos
e sonhamos usando a linguagem, de forma que é
impossível separar da linguagem a nossa personalidade,
a nossa vida social e a nossa vida interior. 
Portanto, ser capaz de distinguir os diversos tipos ou
classes de palavras é tão importante quanto ser capaz de
distinguir os elementos do mundo físico, como água, ar,
terra ou pedra.
As classes de palavras são dez: 
• substantivo: homem, ideia...
• adjetivo: bonito, inovadora...
• artigo: o, a...
• numeral: primeiro, dois...
• pronome: aquele, nós...
• verbo: ser, correr...
• advérbio: nunca, aqui...
• conjunção: se, mas...
• preposição: de, em...
• interjeição: Oh!, Viva!...
2. Frase
Segundo Rocha Lima, “frase é a expressão verbal de
um pensamento. Pode ser brevíssima, constituída às
vezes por uma só palavra, ou longa e acidentada,
englobando vários e complexos elementos”.
São cinco os tipos de frase: declarativa (O trabalho
exigiu esforço.); interrogativa (Por que mudar?);
imperativa (Venha cá! / Não vá embora.); exclamativa
(Que horror! / Como eu te amo!); indicativa ou de
situação (Bom dia! / Fogo!).
Com o Modernismo, que valorizou as frases con cisas e
diretas, rompeu-se uma tradiçãodo século XIX que privi le -
 gia va as frases prolixas e o rebuscamento da linguagem.
3. Parágrafo
Parágrafo é uma unidade de texto constituída de
uma frase ou de um grupo de frases ordenadas. Na nar -
 ração, o parágrafo apresenta uma sequência de fatos; na
des crição, uma sequência de aspectos; na dis serta ção, uma
se quência de juízos. A mudança de parágrafo no texto varia
conforme o estilo do autor e a modalidade redacional.
4. Texto
O texto é um todo construído artesanalmente, a
partir da seleção e da combinação das palavras, fra ses
e parágrafos concatenados com logicidade. Normal -
mente, apresenta introdução, desenvolvimento e con clu -
são. As características do texto são determinadas pelas
modali dades de redação (ou tipos de composição).
5. Concluindo
As palavras combinam-se para formar a frase; as
frases agrupam-se e ordenam-se em parágrafos; os
parágrafos, por sua v ez, sucedem-se numa sequência
lógica para formar o texto.
2
Palavras-chave:
O poder da palavra • Palavras • Frases • Discurso
• Comunicação
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10 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a 
.
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Ai, palavras, ai, palavras,
sois de vento, ides no vento,
5 no vento que não retorna,
e, em tão rápida existência,
tudo se forma e transforma!
Sois de vento, ides no vento,
e quedais, com sorte nova!
10 Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
Todo o sentido da vida
principia à vossa porta;
o mel do amor cristaliza
15 seu perfume em vossa rosa;
sois o sonho e sois a audácia,
calúnia, fúria, derrota...
A liberdade das almas,
ai! com letras se elabora...
20 E dos venenos humanos
sois a mais fina retorta1:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
Reis, impérios, povos, tempos,
25 pelo vosso impulso rodam...
(Cecília Meireles, Romance LIII ou 
Das Palavras Aéreas)
1 – Retorta: vaso de gargalo estreito e curvo, geral -
mente de vidro, próprio para operações químicas
Ai, palavras, ai, palavras,
que estranha potência a vossa!
� (FUVEST) – A “es tra nha potência”
atribuída às pala vras con siste em sua
a) imobilidade misteriosa.
b) capacidade transformadora.
c) irrealidade perene.
d) fuga definitiva
e) ação ameaçadora.
Resolução
Segundo o texto, a palavra é poderosa arma de
transformação social, política, artística, afetiva,
educacional etc.
Resposta: B
� (FUVEST) – “Sois de vento, ides no vento,
/ e quedais, com sorte nova!”
Se os verbos forem flexionados no singular, os
versos acima serão assim expressos:
a) É de vento, vai no vento, / e queda, com
sorte nova!
b) Seja de vento, vai no vento, / e queda, com
sorte nova!
c) Sê de vento, vai no vento, / e quedas, com
sorte nova!
d) Era de vento, ia no vento, / e quedou, com
sorte nova!
e) És de vento, vais no vento, / e quedas, com
sorte nova!
Resolução
O verso do enunciado está na segunda pessoa
do plural (vós), no presente do indicativo. No
singular, pressupõe-se o sujeito tu que no
tempo indicado assume as formas és, vais e
quedas.
Resposta: E
 (FUVEST) – Considere os seguintes
versos do poema (linhas 21 a 23):
sois a mais fina retorta:
frágil, frágil como o vidro
e mais que o aço poderosa!
É correto afirmar que a repetição do adjetivo
“frágil” ocorre para
a) intensificar a ideia de que, como a retorta,
as palavras são muito frágeis, mas superam
a força do aço.
b) reforçar a definição das palavras como
frágeis objetos de vidro, semelhantes à
retorta, e fortes como o aço.
c) evidenciar a fragilidade das palavras,
comparando-as a uma retorta que é tão
forte quanto o aço.
d) ironizar a fragilidade das palavras e da
retorta, que, apesar de serem de vidro,
valem como o aço.
e) reiterar a hipótese de que a resistência tanto
da retorta quanto das palavras equivale ao
poder do aço.
Resolução
Apesar da aparência frágil, a palavra tem um
poder extraor dinário.
Resposta: A
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
Palavra (ou vocábulo) é um signo linguístico que expressa ideias,
sensações, desejos, emoções etc. Pode representar um objeto,
uma imagem, uma sensação, uma percepção, uma ação, um
ser, uma quali dade etc. As palavras são a matéria-prima da
expressão oral e escrita. É organizando as palavras em frases
que se produz o discurso, manifestação oral ou escrita da língua
na comunicação humana.
Os fragmentos de � a � a seguir enfocam ideias diferentes
sobre o uso da palavra. Identifique resumidamente a mensagem
que os trechos encerram.
As respostas a seguir são apenas uma orientação. O professor
pode formar grupos para que os alunos tra ba lhem em conjunto,
ou ler cada exercício, incentivar a par tici pação dos alunos e dar a
resposta aproveitando os comen tários que eles fizerem. Só então
deverá escrever a resposta na lousa ou ditá-la.
� A língua é a mais viva expressão de naciona lida de. Saber
escrever a própria língua faz parte dos deveres cívicos.
(Napoleão M. de Almeida)
Notai bem isto: entre todas as coisas que sabemos, a nossa
língua é a que devemos saber melhor, porque ela é a melhor
parte de nós mesmos, é a nossa tradição, o veículo do nosso
pensamento, a nossa pátria e o melhor elemento da nossa raça
e da nossa nacionalidade. (Júlia Lopes de Almeida)
RESOLUÇÃO:
O domínio da palavra (escrita ou falada) instaura a cidadania.
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11PORTUGUÊS
� Apenas escrevendo bem poderemos nos sair satisfato ria -
mente como estudantes, candidatos a empregos ou empre -
gadores (escrevendo cartas, instru ções, relatórios de ati vi da des,
artigos e resenhas, e contribuições científicas pa ra publicação).
(Robert Barras, Os Cientistas Precisam Escrever)
RESOLUÇÃO:
A produção intelectual e a atuação profissional impõem como
exigência o domínio da língua.
 A nossa civilização é marcada pela linguagem gráfica. A
escrita domina nossa vida; é uma instituição social tão forte
quanto a nação e o Estado. Nossa cultura é basicamente uma
cultura de livros. Pela escrita acumulamos conhecimen tos, trans -
mitimos ideias, fixamos nossa cultura. Nossas religiões derivam
de livros: o islamismo vem do Corão, escrito por Maomé; os Dez
Mandamentos de Moisés foi um livro escrito em pedra. Nosso
cristianismo está contido num livro, a Bíblia. É a cartilha, é o livro
escolar, é a literatura expressa grafica mente, é o jornal. (...) Sem
a linguagem escrita é praticamente impossível a existência no
seio da civilização. O analfabeto é um pária que não se comu ni -
ca com o mundo, não influi e pouco é influenciado. (R. A. Amaral
Vieira, O Futuro da Comunicação)
RESOLUÇÃO: 
O conhecimento científico e cultural da humanidade está
registrado nos livros. Portanto, aquele que não domina a palavra
(escrita ou falada) é um pária, um excluído do processo político-
social.
� Quando as pessoas não sabem falar ou escrever ade -
quadamente sua língua, surgem homens decididos a falar e
escrever por elas e não para elas. (Wendell Johnson)
Somente o indivíduo capaz de instalar-se dentro da socie dade
em que vive, com um discurso próprio, é que poderá considerar-
se parte dessa mesma sociedade, e, portanto, reivindicar seus
direitos e lutar para que ela seja realmente democrática. (Maria
Thereza Fraga Rocco)
RESOLUÇÃO: 
As leis, os contratos, os docu men tos são escritos na norma culta.
Sem o domínio da palavra, os indivíduos são facil men te mani pu -
lados. Portanto, o domínio da linguagem confere poder.

 Se a vida tal como está não vale a pena; se não pode ser
mudada e já não esconde a sua necessidade de ser outra — que
o teu canto, poeta, lançado ao mundo, sirva de fermento a
preparar-lhe a transformação e nunca de cimento a consolidar-
lhe os erros. (Aníbal Machado)
Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-me
animado até hoje a ideia de que o menos que um escritor pode
fazer, numa época de atrocidades e injustiças, como a nossa, é
acender a sua lâmpada, fazer luz sobre a realidade de seu
mundo, evitando que sobre ele caia a escuridão, propícia aos
ladrões, aos assassinose aos tiranos. Sim, segurar a lâmpada,
a despeito da náusea e do horror. Se não tivermos uma lâmpada
elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em último caso,
risquemos fósforos repetidamente, como um sinal de que não
desertamos nosso posto. (Érico Veríssimo)
RESOLUÇÃO:
A palavra é a matéria-prima dos artistas – escritores, tea trólogos,
cineastas. A função da arte é denunciar, alertar, provocar,
transformar, esclarecer (“fazer luz sobre a realidade do mundo”).
� Enyci me ensinou a escrever. Quando eu era menino, le -
 vava um quadro-negro, que era verde, mas isso não im por ta e
o armava na cozinha de minha mãe. Com um giz que se
esfumaçava, me iniciou na arte de ligar as palavras e de do minar
os pensamentos. Aprendi com ela que viver é pensar.
Muitos anos depois, na dedicatória de um livro que lhe dei de
presente, eu escrevi: “À mulher que me ensinou a escrever e
me permitiu, assim, ser o que sou.” Mais tarde, em uma carta,
ela me respondeu: “Isso é bobagem, eu só te ensinei a copiar
palavras; escrever é outra coisa — é fazer das palavras,
sonhos.” (José Castello)
RESOLUÇÃO:
O texto trata da escolha das palavras certas ou daquelas que
possam traduzir os nossos sentimentos, as nossas emoções e da
complicação para verbalizar ou escrever de forma clara, coerente,
para informar, deslumbrar ou persuadir.
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12 PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
� Nesse texto, a autora apresenta reflexões
sobre o processo de produção de sentidos,
valendo-se da metalinguagem. Essa função da linguagem torna-
se evidente pelo fato de o texto
a) ressaltar a importância da intertextualidade.
b) propor leituras diferentes das previsíveis.
c) apresentar o ponto de vista da autora.
d) discorrer sobre o ato de leitura.
e) focar a participação do leitor.
RESOLUÇÃO:
O excerto de Marisa Lajolo versa sobre o processo de produção de
sentidos que a leitura propicia aos leitores. Resposta: D
Texto para o teste �.
� Na parte superior do anúncio, há um
comentário escrito à mão que aborda a
questão das atividades linguísticas e sua relação com as
modalidades oral e escrita da língua. Esse comentário deixa
evidente uma posição crítica quanto a usos que se fazem da
linguagem, enfatizando ser necessário
a) implementar a fala, tendo em vista maior desenvoltura,
naturalidade e segurança no uso da língua.
b) conhecer gêneros mais formais da modalidade oral para a
obtenção de clareza na comunicação oral e escrita.
c) dominar as diferentes variedades do registro oral da língua
portuguesa para escrever com adequação, eficiência e correção.
d) empregar vocabulário adequado e usar regras da norma
padrão da língua em se tratando da modalidade escrita.
e) utilizar recursos mais expressivos e menos desgastados da
variedade padrão da língua para se expressar com alguma
segurança e sucesso.
RESOLUÇÃO:
O comentário manuscrito desaconselha a prática de os jovens
escreverem como falam. Resposta: D
Texto para o teste �.
(Veja, 18.05.2011.)
� (UNIFESP) – Acompanhando a ideia de que “um livro puxa
outro”, quem leu As Cidades Invisíveis deve ter lido
a) A Ilha do Tesouro. b) Odisseia.
c) Os Maias. d) O Homem da Areia.
e) O Decameron.
RESOLUÇÃO:
A cadeia de leituras que, conforme o esquema proposto, levaria ao
livro de Calvino inclui o livro de Stevenson, assim como os de
Conan Doyle (a série das aventuras de Sherlock Holmes) e Jorge
Luis Borges (O Aleph). Resposta: A
Ler não é decifrar, como num jogo de adivinhações, o
sentido de um texto. E, a partir do texto, ser capaz de atribuir-
lhe significado, conseguir relacioná-lo a todos os outros
textos significativos para cada um, reconhecer nele o tipo de
leitura que o seu autor pretendia e, dono da própria vontade,
entregar-se a essa leitura, ou rebelar-se contra ela, propondo
uma outra não prevista.
(LAJOLO, M. Do mundo da leitura 
para a leitura do mundo. São Paulo: Ática, 1993.)
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13PORTUGUÊS
� Na tirinha acima, os substantivos fé, amor e ignorância são abstratos. Explique por que eles recebem essa classificação.
Resolução
São substantivos abstratos porque designam realidade existente somente no âmbito da subjetividade humana, como medo, estudo, coragem,
planejamento etc.
Exercícios Resolvidos
Classificação das palavras
Palavras variáveis e invariáveis
Substantivo
É o nome com que designamos seres em geral –
pessoas, animais, coisas, vegetais, lugares etc.
Divide-se em:
Concreto: mar, sol, Deus, alma, fada.
Abstrato: beleza, amor, frio, viagem, saída.
Próprio: Roma, Guimarães Rosa, Deus.
Comum: gato, homem, casa.
Simples: cachorro, chuva, menino.
Composto: guarda-roupa, passatempo, pão-de-ló.
Primitivo: pedra, ferro, dente.
Derivado: pedreira, ferreiro, dentista.
Coletivo: constelação, cáfila, alcateia.
� Locução substantiva
É a expressão que equivale a um substantivo.
Exemplos
Variáveis
1. Substantivo
2. Adjetivo
3. Artigo
4. Numeral
5. Pronome
6. Verbo
Invariáveis
7. Advérbio
8. Preposição
9. Conjunção
10. Interjeição
– Palavras denotativas
(de inclusão, de
exclusão etc.)
Fomos ver o pôr-do-sol (= crepúsculo).
Deram-me um vidro de água-de-cheiro
(= per fu me).
4
Palavras-chave:
Substantivo • Abstrato – concreto 
• Primitivo – derivado
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14 PORTUGUÊS
Texto para responder às questões de � a 
.
CIRCUITO FECHADO
Chinelos, vaso, descarga. Pia, sabonete. Água. Escova, creme dental, água, espuma, creme de barbear, pincel, espuma, gilete,
água, cortina, sabonete, água fria, água quente, toalha. Creme para cabelo, pente. Cueca, camisa, abotoaduras, calça, meias,
sapatos, gravata, paletó. Carteira, níqueis, jornais, docu mentos, caneta, chaves, relógio, maço de cigarros, caixa de fósforos. Jornal.
Mesa, cadeiras, xícara e pires, prato, bule, talheres, guardanapo. Quadros. Pasta, carro. Cigarro, fósforo. Mesa e poltrona, cadeira,
cinzeiro, papéis, telefone, agenda, copo com lápis, canetas, bloco de notas, espátula, pastas, caixas de entrada, de saída, vaso com
plantas, quadros, papéis, cigarro, fósforo. Bandeja, xícara pequena. Cigarro e fósforo. Papéis, telefone, rela tórios, cartas, notas,
vales, cheques, memorandos, bilhetes, telefone, papéis. Relógio. Mesa, cavalete, cinzeiros, cadei ras, esboço de anúncios, fotos,
cigarro, fósforo, quadro-negro, giz, papel. Mictório, pia, água. Táxi. Mesa, toalha, cadeiras, copos, pratos, talheres, garrafa, guarda -
napo, xícara. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Escova de dentes, pasta, água. Mesa e poltrona, papéis, telefone, revista, copo
de papel, cigarro, fósforo, telefone interno, externo, papéis, prova de anúncio, caneta e papel, telefone, papéis, folheto, xícara, jornal,
cigarro, fósforo, papel e caneta. Carro. Maço de cigarros, caixa de fósforos. Paletó, gravata. Poltrona, copo, revista. Quadros.
Mesa, cadeira, pratos, talheres, copos, guardanapos. Xícaras. Cigarro e fósforo. Abotoa du ras, camisa, sapato, meias, calça, cueca,
pijama, chinelos. Vaso, descarga, pia, água, escova, creme dental, espuma, água. Chinelos. Coberta, cama, travesseiro.
(Ricardo Ramos)
Exercícios Propostos
As questões de números � e 
 baseiam-se
no texto a seguir.
Para o público leitor contemporâneo,
Machado de Assis é basicamente um ironista
ameno, um hábil criador de senten ças
elegantes, cuja filosofia cortante, expressa em
tom médio, refinado, faz da leitura de seus
romances, contos, crônicas e peças de teatro
uma agradável experiência. Um autor que
merece figurar em bons dicionários de
citações, constan temente reproduzidas em
revistas de grande circulação para satisfação
imediata dos bem pensantes.
Entretanto, tudo leva a crer que poucos
leitores sejam capazes de identificar a
sofisticada técnica machadiana da “literatura
de sala de estar”, onde costuma ocorrer,
inclusive, a maior parte de suas tramas. Por
meio dela, o autor é capaz, de acordo com a
precisa definição de Antonio Candido, de
“sugerir as coisas mais tremendas da maneira
mais cândida”(...), ou investigar o que está por
trás da aparência de normalidade, ou insinuar
que o ato excepcional é normal, e anormal seria
o ato corriqueiro, ainda segundo o crítico.
(Revista Cult, edição 128)
� (UFTM) – Observe as palavras desta cadas
no texto: hábil, crer, precisa.
Assinale a alternativa que contém os substan -
tivos, derivados dessas palavras, na forma
negativa.
a) inabilidade – descrença – imprecisão.
b) inábil – descrente – imprecisa.
c) habilidade – crença – precisão.
d) habilidoso – crente – precioso.
e) inabilmente – descrente – precisamente.
Resolução
Os prefixos -in, -des e -im são negativos e os
sufixos -dade, -ença e -são formam substan tivos.
Resposta: A
 (UFTM) – O segundo parágrafo inicia-se
com a conjunção Entretanto, que desenvolve
a ideia de que
a) a maioria dos leitores veem a sofisticada
técnica machadiana como forma de chocar
o leitor, com a presença de temas cruéis pa -
ra a análise do comportamento humano.
b) poucos leitores se dão conta de que
Machado de Assis, por meio de sua
filosofia cortante, expressa com ar de
bastante natu ralidade aquilo que é normal
e corriqueiro.
c) Machado de Assis merece figurar em bons
dicionários de citações, porque sua litera -
tura traduz as inúmeras amenidades do dia
a dia com a sua intrínseca normali dade.
d) grande parte dos leitores de Machado de
Assis é incapaz de assimilar com profun -
didade sua sofisticada técnica literária, que
implica mos trar, de forma singela, as coisas
excep cionais.
e) a subversão da realidade impede que se en -
tenda o que está por trás dela, e isso é uma
estratégia presente na sofisticada lite ratura
machadiana para insi nuar a normalida de.
Resolução 
A alternativa d corresponde às ideias desen -
volvidas no segundo parágrafo.
Resposta: D
� Os substantivos podem ser classificados, entre outras
formas, como concretos ou abstratos.
a) Qual o tipo escolhido pelo narrador?
RESOLUÇÃO: 
O narrador usou apenas substantivos concretos.
b) Justifique a escolha feita pelo narrador.
RESOLUÇÃO:
O uso exclusivo de substantivos concretos evidencia a concretude
de uma realidade marcada pelo contato com objetos do cotidiano
que ilustram a vida tediosa e aborrecida da personagem, limitada
à rotina da polaridade casa-trabalho.
Obs.: Há três adjetivos: fria, quente e pequena.
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15PORTUGUÊS
� (CÁSPER LÍBERO)
I. O texto é essencialmente construído com frases enu -
 merativas e nominais, numa sucessão verti ginosa.
II. Inova o processo narrativo, tornando ainda mais arrojada uma
das formas da prosa contempo rânea, o conto-narrativa.
III. O percurso do cenário doméstico para o pro fis sio nal (e vice-
versa) revela hábitos e atividades que se sucedem e se
repetem, justificando o título do texto.
Sobre “Circuito Fechado”, podemos afirmar:
a) Somente a I está correta.
b) Somente a II está correta.
c) Somente a III está correta. 
d) I e III estão corretas.
e) Todas as afirmativas estão corretas.
RESOLUÇÃO: Obs.: O professor deve chamar a atenção para o fato
de que a sequência de substantivos relacionados a uma determi -
nada atividade como escovar os dentes, tomar banho, vestir-se,
configura metonímia (ou, mais precisa mente, sinédoque), em que
as partes (objetos) compõem um todo (atividades). 
Resposta: E
 O substantivo lápis, que aparece no texto, é primitivo, ou
seja, ele pode dar origem a outro substantivo, que é chamado
derivado.
lápis – lapiseira
Transcreva do texto substantivos derivados e indique o
substantivo primitivo que os originou.
RESOLUÇÃO:
sabonete: derivado de sabão.
poltrona: derivado de poltro (poltrão), que significa “pregui çoso”
e ainda “filhote ou cria de animal”. 
cavalete: derivado de cavalo.
cinzeiro: derivado de cinza.
abotoaduras: derivado de botão.
travesseiro: travesso+eiro (travesso, que está atravessado na cama;
-eiro, sufixo que designa objeto ou instrumento).
Obs.: As palavras abaixo não são derivadas:
guardanapo: origina-se do francês guarda + toalha de mesa; trata-
se de um galicismo. 
televisão: tele (do grego, significa “de longe”) + visão (do latim vid,
significa “ver, olhar”); trata-se de hibridismo.
� (FUMEC-MG) – Em todos os exemplos abaixo, o diminu -
tivo traduz ideia de afetividade, exceto:
a) Deixe-me olhar o seu bracinho, minha filha.
b) Para mim você será sempre a queridinha.
c) Amorzinho, você vem comigo?
d) Ele é um empregadinho de nossa firma.
e) Não sei, paizinho, como irei embora.
RESOLUÇÃO:
O sufixo diminutivo -inho, em empregadinho, é depreciativo. Nas
demais alternativas, exprime afetividade.
Resposta: D

 Grife as palavras substantivadas:
a) O grande assombra, o glorioso ilumina, o intré pido arrebata;
o bom não produz nenhum desses efeitos. Contudo, há uma
grandeza, há uma glória, há uma intrepidez em ser simples -
mente bom, sem aparato, nem interesse, nem cálculo; e
sobre tudo sem arrependimento.
(Machado de Assis)
RESOLUÇÃO: 
grande, glorioso, intré pido, bom.
b) O muito torna-se pouco ao se desejar mais.
(Quevedo)
RESOLUÇÃO: 
muito (pouco funciona como adjetivo).
c) E um vagalume lanterneiro, que riscou um psiu de luz.
(Guimarães Rosa)
RESOLUÇÃO: 
psiu (interjeição).
� Substitua as palavras destacadas por substantivos que
indiquem ações equivalentes.
a) Sucederam-se ações sociais que elevaram o moral dos
menos favorecidos.
RESOLUÇÃO:
A sucessão de ações sociais elevou o moral dos menos favorecidos.
b) Rescindir o contrato impli caria multa vultosa.
RESOLUÇÃO:
A rescisão do contrato implicaria multa vultosa.
c) Sobreviver ao cataclismo levou à união da população.
RESOLUÇÃO:
A sobrevivência ao cataclismo levou à união da população.
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16 PORTUGUÊS
� (UNICAMP) – O cartaz a seguir foi usado em uma campa -
nha pública para doação de sangue.
(Disponível em www.facebook.com/pages/hemorio/144978045579742?fref=ts.
Acessado em 08/09/2014.)
Glossário
Rolezinho: diminutivo de rolê ou rolé; em linguagem informal, significa
“pequeno passeio”. Recentemente, tem designado en contros simultâ -
neos de centenas de pessoas em locais como praças, parques públicos
e shopping centers, organizados via internet.
Considerando como os sentidos são produzidos no cartaz e o
seu caráter persuasivo, pode-se afirmar que:
a) As figuras humanas estilizadas, semelhantes umas às outras,
remetem ao grupo homogêneo das pessoas que podem
ajudar a ser ajudadas.
b) A expressão “rolezinho” remete à meta de se reunir muitas
pessoas, em um só dia, para doar sangue.
c) O termo “até” indica o limite mínimo de pessoas a serem
beneficiadas a partir da ação de um só indivíduo.
d) O destaque visual dado à expressão “ROLEZINHO NO
HEMÓRIO” tem a função de enfatizar a participação
individual na campanha.
RESOLUÇÃO:
A campanha pública visa à persuasão utilizando-se de uma ex -
pressão informal – rolezinho –, originalmente usada para reunir um
grande número de jovens, mas que no cartaz foi empregada com
o intuito de convocar doadores de sangue.
Resposta: B
Texto para o teste �.
(Disponível em: <http://www.saopaulosp.gov.br/spnoticias/campanha-quer-
reduzir-numer de acidentes-de-transito-por-distracao/>.
Acesso em: 04 jun. 2018.)
� A campanha #FocaNoTransito é uma das ações do
movimento mundial Maio Amarelo, que visa alertar a sociedade
para o alto índice de mortes e feridos no trânsito. A fim de
cativar a atenção da população, a linguagem verbal e não verbal
possibilitam a interpretação do termo “foca”como
a) substantivo e advérbio. b) verbo e substantivo.
c) adjetivo e advérbio. d) verbo e adjetivo.
e) verbo e advérbio.
RESOLUÇÃO:
Ao chamar atenção do motorista para o cuidado no trânsito, a
campanha faz uso do imperativo do verbo “focar” (Iinguagem
verbal); no entanto, a imagem do animal marinho ”foca”
(linguagem não verbal) possibilita a leitura do termo “foca”
também como substantivo. Resposta: B
� (FESM) – Aponte a alternativa em que o substantivo em
destaque foi empregado de forma genérica:
a) Aquelehomem não poderia ter tomado essa atitude.
b) Um homem de coragem é esse professor.
c) Ele foi considerado um homem inconveniente por todos os
presentes.
d) Todo homem necessita de trabalho e assistência.
e) As obras realizadas devem-se a um grande administrador,
homem de origem humilde, considerado hoje um
empresário bem-sucedido.
Resposta: D
� Consultando a gramática, complete o quadro de re sumo.
SUBSTANTIVO
Definição
Palavra que nomeia o existente, seja ele real ou imaginário, verdadeiro ou falso, 
animado ou inanimado, concreto ou abstrato.
Flexão
Masculino e feminino ⎯→ gênero
Singular e plural ⎯→ número
Normal, aumentativo e diminutivo ⎯→ grau
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17PORTUGUÊS
Tudo o que se escreve é redação. Elaboramos bilhe -
tes, cartas, telegramas, respostas de questões
discursivas, contos, crônicas, romances, empregando as
modalidades redacionais ou tipos de composição:
descrição, narra ção ou dissertação. Geralmente as
tipologias textuais aparecem combinadas entre si. Seja
qual for o tipo de composição, a criação de um texto
envolve conteúdo (nível de ideias, mensagem, assunto),
estrutura (organi za ção das ideias, distribuição adequada
em introdução, desenvolvimento e conclusão),
linguagem (expressivi dade, seleção de vocabulário) e
gramática (norma da língua).
1. Tipologias textuais
O narrador conta fatos que ocorrem no tempo,
recordando, imaginando ou vendo. O descrevedor
caracteriza entes localizados no espaço. Para isso, basta
sentir, perceber e, principalmente, ver. O dissertador
expõe juízos estruturados racionalmente.
A trama narrativa apreende a ocorrência na sua
dinâmica temporal. O processo descritivo suspende o
tempo e capta o ente na sua espacialidade atemporal. A
estrutura dissertativa articula ideias, relaciona juízos,
monta raciocínios e engendra teses. 
O texto narrativo é caracterizado pelos verbos
nocionais (ações, fenômenos e movimentos); o descritivo,
pelos verbos relacionais (estados, qualidades e
condições) ou pela ausência de verbos; o dissertativo,
indiferentemente, pelos verbos nocionais e/ou relacionais.
Narra-se o que tem história, o que é factual, o que
acontece no tempo, afinal o narrador só conta o que viu
acontecer, o que lhe contaram como tendo acontecido
ou aquilo que ele próprio criou para acontecer.
Descreve-se o que tem sensorialidade, o que se
vê ou imagina-se ver, o que se ouve ou imagina-se ouvir,
o que se pega ou imagina-se pegar, o que se prova
gustativamente ou imagina-se provar, o que se cheira ou
imagina-se cheirar. Em outras palavras, descreve-se o
que tem linhas, forma, volume, cor, tamanho, espessura,
consistência, cheiro, gosto etc. Sentimentos e sensações
também podem ser caracterizados pela descrição
(exemplos: paixão abrasadora, raiva surda).
Disserta-se sobre o que pode ser exposto ou
discutido; o redator trabalha com ideias, para montar
juízos e raciocínios e analisá-las com criticidade.
Texto injuntivo é aquele em que há intenção de
instruir o interlocutor acerca de um determinado
procedimento. Esse aspecto voltado para a orientação
não possui essência coercitiva, apenas sugere como
algo pode ser feito ou produzido, é um método para a
concretização de uma ação..
Texto prescritivo é aquele que exige que o leitor
proceda de uma determinada forma, não dá liberdade
de atuação, tem caráter coercitivo, utiliza linguagem
objetiva, verbos predominantemente no infinitivo,
imperativo ou presente do indicativo com indeterminação
do sujeito.
2. Gêneros textuais
Gêneros que utilizam 
NARRAÇÃO e DESCRIÇÃO
Romance, conto, novela, crônica, fábula, biografia,
relato, piada, história em quadrinhos, charge, cartum,
diário, carta, currículo, letra de música, poesia, apólogo,
resenha, blog pessoal, chat, site de relacionamento etc.
Gêneros que utilizam DISSERTAÇÃO
Dissertação argumentativa, dissertação expositiva,
carta argumentativa, editorial, resenha crítica, artigo
de opinião, crônica reflexiva, cartum, charge,
manifesto, blog jornalístico, e-mail, chat, site de
relacionamento, post, podcasts etc.
Gêneros que utilizam INJUNÇÃO
Receitas de comida, bula de remédio, manual de
instruções, edital, campanha publicitária, texto
publicitário etc.
Gêneros que utilizam PRESCRIÇÃO
Cláusulas contratuais, leis, códigos, constituição,
edital de concursos públicos, regras de trânsito etc.
5
Palavras-chave:
Tipologias textuais:
Descrever, narrar, dissertar
• Espaço • Tempo
• Juízo de valor
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19PORTUGUÊS
Texto I
UM TIPO DE BRASILEIRO
Raimundo tinha vinte e seis anos e seria
um tipo acabado de brasileiro, se não foram os
grandes olhos azuis, que puxara do pai. Cabelos
muito pretos, lustrosos e crespos; tez1 morena e
amulatada, mas fina; dentes claros que
reluziam sob a negrura do bigode; estatura alta
e elegante; pescoço largo, nariz direito e
fronte2 espaçosa. A parte mais característica
da sua fisio nomia eram os olhos — grandes,
ramalhudos3, cheios de som bras azuis; pestanas
eriçadas4 e negras, pálpebras de um roxo vapo -
roso e úmido; as sobrancelhas, muito dese nha -
das no rosto, como a nanquim, faziam sobres sair
a frescura da epider me, que, no lugar da barba
raspada, lembrava os tons suaves e transpa -
rentes de uma aquarela sobre papel de arroz.
Tinha os gestos bem educados, sóbrios,
despidos de pre ten são5, falava em voz baixa,
distintamente, sem armar ao efeito6; vestia-se
com seriedade e bom gosto; amava as artes, as ciên -
cias, a literatura e, um pouco menos, a política.
(Aluísio Azevedo)
1 – Tez: pele, cútis. 2 – Fronte: testa. 3 – Ramalhudos:
grandes pestanas. 4 – Eriçadas: encrespadas. 5 –
Despidos de pretensão: espontâneos. 6 – Sem armar
ao efeito: sem tentar impressionar.
Texto II
AUTORRETRATO
Simpático, romântico, solteiro,
autodidata, poeta, socialista.
Da classe 38, reservista,
de outubro, 22, Rio de Janeiro.
Com a bossa de qualquer bom brasileiro,
possuo o sangue quente de um artista.
Sou milionário em senso de humorista,
mas juro que estou duro e sem dinheiro.
Há quem me julgue um poeta irreverente,
mentira, é reação da burguesia,
que não vive, vegeta falsamente, 
num mundo de doente hipocrisia.
Mas o meu mundo é belo e diferente:
vivo do amor ou vivo de poesia...
E assim eu viverei eternamente,
se não morrer por outra Ana Maria.
(1962, disco RGE)
(CHAVES, Juca. In: História da Música 
Popular Brasileira, fascículo n.° 41, 
São Paulo: Abril Cultural, 1971.)
� O texto I apresenta a forma de prosa, o
texto II a forma de verso, porém, ambos
exemplificam uma mesma modalidade reda -
cional ou tipo de composição.
a) O que permite classificar os textos I e II
como descritivos?
Resolução
Os dois textos são descritivos porque carac -
terizam física e psicologicamente as persona -
gens. O texto descritivo pode carac terizar seres
animados ou inanimados, paisagens, ambien -
tes, além das sensações físicas ou psicológicas
desses seres.
O texto I privilegia o aspecto físico da per -
sonagem:
olhos – grandes e azuis, ramalhudos, cheios de
sombras azuis 
cabelos – muito pretos, lustrosos, crespos
tez – morena e amulatada, fina
dentes – claros, que reluziam (= reluzentes)
estatura – alta, elegante
pescoço – largo
nariz – direito
fronte – espaçosa
pestanas – eriçadas, negras
pálpebras – de roxo vaporoso e úmido
sobrancelhas – desenhadas, como a nanquim
barba – raspada
tons – suaves, transparentes
epiderme – frescura, lembrava os tons suaves
e transparentes de uma aquarela sobre papel
de arroz (no lugar da barba raspada)
gestos – bem educados, sóbrios, despidos de
pretensão
voz – baixa, distintamente, sem armar ao efeito
Observe que a caracterização se efetiva por
meio de adjetivos ou equivalentes.
Sobre a personalidade (aspecto psicológico) da
personagem, temos: “gestos... despidos de
pretensão”, “voz ...sem armar ao efeito”,
“vestia-se com seriedade e bom gosto”,
“amava as artes, as ciências, a litera tura e, um
pouco menos, a política”.
O texto II privilegia as características psico -
lógicas e emocionais da personagem: simpá -
tico, romântico, poeta, (induz a pensar numa
pessoa sensível), socialista (pensa-se num
revolucionário), “com a bossa de qualquer
bom brasileiro, / possuo o sangue quente de
um artista. / Sou milionário em senso de
humorista, meu mundo é belo e diferente /
vivo do amor ou vivo de poesia”. Observe que
o conceito dado pelo poeta à burguesia (“que
não vive / vegeta falsamente / num mundo de
doente hipocrisia”) é um trecho dissertativo.
b) Raramente os textos descritivos aparecem
isolados (como no texto II), geralmente vêm
inseridos em romances, contos, novelas e
crônicas. Com que finali dade se usa a
descrição no meio de textos narrativos?
Resolução
Com a finalidade de dar a conhecer as carac te -
rísticas físicas e/ou psicológicas das perso na -
gens e os detalhes que com põem a paisagem,
o cenário, o ambiente em que se passa a ação.
� Considere a tipologia dos trechos abaixo: 
I. (...) a verdade é que Marcela não possuía a
inocência rústica. Era boa moça, lépida,
sem escrúpulos, um pouco tolhida pela
austeridade que lhe não permitia arrastar
pelas ruas os seus estouvamentos e
berlindas; luxuosa, impa ciente, amiga de
dinheiro e de rapazes.
(Machado de Assis, 
Memórias Póstumas de Brás Cubas)
II. Aprovado pela Assembleia para vigorar na
região metropolitana de São Paulo, o
rodízio de automóveis ainda não pode ser
considerado um consenso entre os
paulistanos (...).
(Folha de S. Paulo)
III. O canivete voou
E o negro comprado na cadeia
Estatelou de costas
E bateu com a cabeça na pedra
(Oswald de Andrade)
IV. Pálida à luz da lâmpada sombria.
Sobre o leito de flores reclinada,
Como a lua por noite embalsamada,
Entre as nuvens do amor ela dormia!
(Alberto de Oliveira)
V. Porque a Beleza, gêmea da verdade,
Arte pura, inimiga do artifício,
É a força e a graça na simplicidade.
(Olavo Bilac)
Há predominância da descrição em 
a) I e III. b) II e V. c) IV e V.
d) I e IV. e) II e IV.
Resolução
Os trechos I e IV são descritivos, porque carac -
terizam uma personagem e detalham um
cenário, por meio do emprego de adjetivos, de
figuras de linguagem, de verbos de estado ou
condição e de frases nominais.
Resposta: D
Exercícios Resolvidos
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 19
20 PORTUGUÊS
Textos para o teste �.
� Considerando as características básicas de cada tipologia
discursiva, assinale a alternativa que apresenta a sequência
correta.
a) I – narração; II – dissertação; III – narração.
b) I – descrição; II – descrição; III – narração.
c) I – narração; II – descrição; III – dissertação.
d) I – descrição; II – dissertação; III – narração.
e) I – narração; II – dissertação; III – descrição.
RESOLUÇÃO: 
O texto I é descritivo, porque pormenoriza os traços fisio nômicos de
uma personagem. O texto II é dissertativo, porque o autor manifesta
uma opinião sobre o comportamento do brasi leiro. O texto III
apresenta personagens, verbos de ação, diálogo, estrutura que
define a narração.
Resposta: D
Os testes de números � e 
 baseiam-se na canção de
Alvarenga e Ranchinho. 
� (VUNESP-CEFET) – Na canção, predo minam aspectos
___________________, pois se faz uma ____________________,
tendo como refe rência a cidade de São Paulo.
Os espaços da frase devem ser preenchidos, correta e
respectivamente, com
a) “dissertativos” – “história”.
b) “descritivos” – “caracterização”.
c) “dissertativos” – “síntese”.
d) “descritivos” – “reflexão”.
e) “narrativos” – “análise”.
RESOLUÇÃO:
A canção explora a percepção visual na composição imagética da
cidade de São Paulo. Os elementos da natureza compõem o quadro
que caracteriza a cidade.
Resposta: B
 (VUNESP-CEFET) – A relação de senti do que se define pela
oposição de informações está devi damente exemplificada em:
a) “da garoa“ / ”terra boa”.
b) “noite fria“ / ”cobertas pela geada”.
c) “noite“ / ”madrugada”.
d) “céu anil“ / ”manhã de sol”.
e) “noite enluarada” / ”manhã de sol”.
RESOLUÇÃO: A oposição ocorre entre as palavras noite / manhã e
enluarada / sol, que configuram antíteses.
Resposta: E
Texto I
Sem ser verdadeiramente bonita de rosto, era muitosimpática e graciosa. Tez macia, de uma palidez fresca de
camélia; olhos escuros, um pouco preguiçosos, bem
guarnecidos e penetrantes; nariz curto, um nadinha arrebi -
tado, beiços polpudos e viçosos, à maneira de uma fruta que
provoca o apetite e dá vontade de morder.
(Aluísio Azevedo)
Texto II
O brasileiro gosta de se imaginar cordial, camarada,
emotivo. Quando está no exterior, reclama da "frieza" do
americano e do eu ro peu. A verdade é que somos falsos bon -
zi nhos: em meio à indiferença gene ralizada, direitos indivi -
duais são pisoteados todos os dias em grande escala. E tudo
termina sempre em impunidade.
(Gilberto Dimenstein)
Texto III
“Levante-me”, o velho insistiu. Mãe e filho, porém,
continuaram imóveis. “Vão ficar aí parados?”, ele perguntou.
“O que estão esperando?” A mulher pediu: “Odete, venha
nos ajudar!” A empregada limpou as mãos no avental e,
contro lando o medo, aproximou-se.
(José Castello)
Êh, São Paulo
Êh, São Paulo
Êh, São Paulo
São Paulo da garoa
São Paulo que terra boa
São Paulo da noite fria
Ao cair da madrugada
As campinas verdejantes
Cobertas pela geada
São Paulo do céu anil
Da noite enluarada
Da linda manhã de sol 
No raiar da madrugada
Exercícios Propostos
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21PORTUGUÊS
Textos para a questão �.
� O que caracteriza os textos I e II como narrativos?
RESOLUÇÃO:
Em ambos os textos, conta-se um episódio que envolve perso -
nagens numa sucessão de ações que evoluem no tempo.
Os verbos de ação que compõem o enredo do texto I são: “caiu”
(“velha”), “ia a entrar”, “correu”, “levantou-a”, “levou-a”, “deixou-
a curada”, “agradeceu”, “subiu”, “abraçou”, “estendeu”. O índice
temporal é “um dia” e o lugar é “em frente da casa”. As
personagens são: preta velha, Adolfo, Miloca e D. Pulquéria.
No texto II, a personagem é Jerônimo e os verbos no plural indi cam
que “algumas pessoas” “entraram”, “grudaram” e “montaram
nele”. O índice de espaço é “numa outra fazenda”; não há índices
tempo rais, mas deduz-se pela leitura tratar-se da época da
escravidão. Os verbos de ação que compõem o enredo são:
“socando”, “entra ram”, “grudaram”, “tombou”, “tropeçou e
caiu”, “montaram”.
Resumindo
Narrar é relatar fatos e acontecimentos, envolvendo
perso na gens e ação. Portanto, narrar é contar uma
história.
Texto I
MILOCA
Um dia, em frente da casa, caiu uma preta velha ao
chão, abalroada1 por um tílburi2. Adolfo, que ia a entrar,
correu à infeliz, levantou-a nos braços e levou-a à botica3 da
esquina, onde a deixou curada.
Agradeceu ao céu o ter-lhe proporcionado o ensejo4 de
uma bela ação diante de Miloca, que estava à janela com a
família, e subiu alegremente as escadas. D. Pulquéria abra -
çou o herói; Miloca mal lhe estendeu a ponta dos dedos.
(Machado de Assis)
1 – Abalroada: atropelada. 
2 – Tílburi: carruagem. 
3 – Botica: farmácia.
4 – Ensejo: oportunidade.
Texto II
NEGRO FUGIDO
O Jerônimo estava numa outra fazenda
Socando pilão na cozinha
Entraram
Grudaram nele
O pilão tombou
Ele tropeçou e caiu
Montaram nele.
(Oswald de Andrade)
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22 PORTUGUÊS
Textos para a questão �.

 Indique as características que permitem classificar os textos
como dissertativos.
RESOLUÇÃO: 
Os dois textos expõem conceitos sobre o significado do relógio
(cronometragem do tempo) na vida do homem: o primeiro analisa
a ditadura do relógio, máquina opressora usada para controlar e
explorar os trabalhadores, principalmente no sistema capitalista; o
segundo considera o tempo cronometrado pelo relógio como um
tempo que é subtraído da vida; quanto mais o tempo passa, menos
tempo temos de vida. Ambos apresentam, portanto, uma opinião
crítica pessimista sobre o relógio (o tempo) e argumentos
convincentes para justificar seu ponto de vista.
Resumindo
Dissertar é expor e discutir ideias.
Texto para o teste 	.
� Os gêneros podem ser híbridos, mesclando
características de diferentes composições
textuais que circulam socialmente. Nesse
poema, o autor preservou, do gênero publicitário, a seguinte
característica:
a) Extensão do texto.
b) Emprego da injunção.
c) Apresentação do título.
d) Disposição das palavras.
e) Pontuação dos períodos.
RESOLUÇÃO: 
Uma das características do gênero publicitário é a presença da
função apelativa ou conativa da linguagem, que se caracteriza por
tentar influenciar o comportamento do receptor por meio de
vocativos, de verbos no imperativo. Essa função de linguagem
também aparece em textos injuntivos, que têm como finalidade
instruir e orientar o leitor. No poema, que remete a um anúncio
(“Reclame”), a presença de verbos no imperativo (“use”,
“transforme”) identifica a injunção.
Resposta: B
Texto I
O homem ocidental civilizado vive num mundo que gira
de acordo com os símbolos mecânicos e matemáti cos das
horas marcadas pelo relógio. É ele que vai determi nar seus
movi mentos e dificultar suas ações. O relógio transformou o
tem po, transformando-o de um processo natural em uma
merca do ria que pode ser comprada, vendi da e medida como
um sabo nete ou um punhado de passas de uvas. E, pelo
simples fato de que, se não houvesse um meio para marcar
as horas com exati dão, o capitalismo industrial nunca poderia
ter se desen vol vido, nem teria continuado a explorar os
trabalhadores. O relógio representa um elemento de ditadura
mecânica na vida do homem moderno, mais poderoso do
que qualquer outro explorador isolado, que qualquer outra
máquina.
(George Woodcock, A Ditadura do Relógio)
Texto II
RELÓGIO
Diante de coisa tão doída
Conservemo-nos serenos.
Cada minuto de vida
Nunca é mais, é sempre menos.
Ser é apenas uma face
Do não ser, e não do ser.
Desde o instante em que nasce
Já se começa a morrer.
(Cassiano Ricardo)
RECLAME
Se o mundo não vai bem
a seus olhos, use lentes
... ou transforme o mundo
ótica olho vivo
agradece a preferência
(CHACAL et al. Poesia Marginal. 
São Paulo: Ática, 2006.)
DISSERTAR é
criticar expor debater
opinarquestionar
convencer discutir justificar
argumentar
explicarexemplificar
posicionar-se
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23PORTUGUÊS
� Faça a associação, levando em conta o
sentido dos artigos destacados.
1. Ela aparenta uns 20 anos.
2. O projeto me deu um trabalho!
3. O Fernando Pessoa é meu poeta favorito.
4. Esse rapaz é só mais um na minha vida.
5. Namorou uns e outros na escola.
a) ( ) familiaridade
b) ( ) depreciação
c) ( ) intensificação
d) ( ) cálculo aproximado
e) ( ) indefinição (pronome indefinido)
Resolução 
a (3), b (4), c (2), d (1), e (5)
� Assinale a alternativa em que o artigo
indefinido funciona como intensificador do
substantivo.
a) “Ela sentia o cheiro do impermeável dela:
um cheiro doce de fruta madura.” (E.
Veríssimo)
b) “A chuva continuava, uma chuva mansa e
igual, quase lenta, sem interesse em
tombar.” (M. J. de Carvalho)
c) “Ela é de uma candura!...” (Celso Cunha)
d) “A fortuna, toda nossa, é que não temos
um Kant.” (J. Ribeiro)
e) “Havia na botica um relógio de parede...”
(Camilo Castelo Branco)
Resolução O artigo indefinido uma intensifica o
subs tan tivo candura, que traduz docilidade,
meiguice.
Resposta: C
 Assinale a alternativa na qual o a desta -
cado não é artigo.
a) “Apesar das várias roupagens inovadoras
que a mídia vem experimentando, a palavra
escrita não foi destronada da posição central
que ocupa em nossas vidas.”
b) “Na verdade, a palavra escrita não apenas
permanece – ela floresce como trepadeira
nas fronteiras da revolução digital.”
c) Ela marca a maior mudança ocorrida nos
meios de comunicação: as palavras foram
desacopladas do papel.
d) Tal revolução não se limita apenas a agradar
aos ecologistas ou a diminuir o tamanho dos
lixões nas grandes metrópoles.
e) O texto eletrônico transformou-se num
novo meio de comunicação, que combina a
fixidez da prensa com a capacidade de
alteração do manuscrito.
Resolução
Antes do verbo agradar, o a é preposição, nas
demais alterna tivas é artigo, porque antecedesubstantivo.
Resposta: D
� Assinale as frases em que o artigo foi
empregado para indicar aproximação numérica.
a) “Ela é de uma candura!...” (Celso Cunha)
b) “Fui beijá-la... roubei do seio dela / Um
bilhete que estava ali metido...” (Álvares de
Azevedo)
c) “Teria, quando muito, uns doze anos.” (U.
Tavares Rodrigues)
d) “Trazia uns sapatos rasos, uns olhos
verdes.” (A. Abelaira)
e) “Mas cantou nesse instante uma coruja.”
(Álvares de Azevedo)
Resolução
O artigo indefinido na expressão “uns doze
anos” indica cálculo aproximado: “Teria,
quando muito, aproximadamente, doze anos”.
Resposta: C
Exercícios Resolvidos
É a palavra que se antepõe aos substantivos,
desig nan do seres de terminados (o, a, os, as) ou
inde ter minados (um, uma, uns, umas).
Divide-se em:
a) Definido: o, a, os, as.
b) Indefinido: um, uma, uns, umas.
Exemplos
Tanto os artigos definidos como os indefinidos
podem combinar-se com as preposições, subdividindo-
se, então, em dois grupos:
• Sem alteração → combinação.
Ex.: ao, aos.
• Com alteração → contração.
Ex.: do, pelo, coa.
Exemplos
a) “As mãos tecem o rude trabalho.”
(CDA)
b) “Estou vendendo um realejo.”
(CBH)
“Ao fim e ao cabo, só há verdades velhas
caiadas de novo.” 
(Machado de Assis)
Existe luz no fim do túnel...
7
Palavras-chave:
Artigo • Definido 
• Indefinido
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24 PORTUGUÊS
Texto para as questões � e �. � No segundo período do primeiro parágrafo, o autor utiliza a
expressão “um amigo” e no início do segundo parágrafo “o
meu amigo”.
a) As duas expressões indicam o mesmo referente?
RESOLUÇÃO: 
Sim, indicam o mesmo referente.
b) Sendo assim, por que o narrador utiliza primeiro “um amigo”
para depois empregar “o meu amigo”?
RESOLUÇÃO:
O narrador emprega primeiro o artigo indefinido porque “o ami -
go” é desconhecido do leitor. Após apresentá-lo, já é possível usar
o artigo definido, que pressupõe familiari dade compar tilhada.
� Em que parágrafo do texto os artigos indefinidos foram
usados para intensificar o substantivo? Trans creva os termos ou
expressões.
RESOLUÇÃO: 
A intensificação ocorre no último parágrafo, nas expressões “um
boa noite” e “um muito obrigado”.
Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite
de vento sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para
casa de táxi, encontrei um amigo e o trouxe até Copacabana,
e contei a ele que lá em cima, além das nu vens, estava um
luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam a
cidade eram vistas de cima, enlua radas, colchões de sonho,
alvas, uma paisagem irreal. 
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer
aproveitou um sinal fechado para voltar-se para mim:
– O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua
conversa. Mas, tem mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima de nossa noite preta, enlama çada e
torpe havia uma outra – pura, perfeita e linda.
– Mas que coisa...
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu
fechado de chuva. Depois continuou guiando mais
lentamente. Não sei se sonhava em ser aviador ou pen sava
em outra coisa.
– Ora, sim senhor...
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um “boa-
noite” e um “muito obrigado ao senhor”, tão sin ceros, tão
veementes, como se eu lhe tivesse feito um presente de rei.
(Rubem Braga, Ai de ti, Copacabana)
Exercícios Propostos
 No terceiro quadrinho, o artigo o (definido) e o artigo um (indefinido) determinam as relações de amizade pensadas por Miguelito.
a) Quais são elas?
b) Explique por que esses recursos causam tal efeito.
RESOLUÇÃO:
a) As relações de “melhor amigo” e de “parte de um grupo de amigos, conhecido”.
b) A oposição definido/indefinido (o/um) reforça a distinção valo rativa: o amigo é apresentado como único, o melhor, enquanto um amigo
significa um qualquer.
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25PORTUGUÊS
� (INSPER) – Compare estes períodos:
I. É consensual que as poucas leis brasileiras sobre crimes
ambientais não funcionam.
II. É consensual que poucas leis brasileiras sobre crimes
ambientais não funcionam.
A alternativa que as analisa corretamente é:
a) A presença do artigo definido, na frase I, permite inferir que
a afirmação contém uma crítica à eficiência das leis
ambientais.
b) Na frase II, a ausência de artigo representa um erro gra ma ti cal,
pois pronomes indefinidos exigem palavras que os determinem.
c) A comparação das frases é um indício de que, apesar de
atuarem como elementos coesivos, os artigos servem
apenas para ligar palavras.
d) O emprego do artigo na frase I representa um elogio à legislação
brasileira que atua no combate aos crimes ambientais.
e) Com ou sem artigo, as frases revelam que o governo
brasileiro não é capaz de atuar na defesa do meio ambiente.
Resposta: A
Texto para a questão �.

 “Um amor” é um epíteto (qualificação elogiosa ou inju riosa
dada a alguém) muito utilizado popular mente.
a) Na expressão “um amor”, o artigo indefinido inde termina o
substantivo?
RESOLUÇÃO: 
Sim, pois na expressão “um amor”, além de indeter minar o
substantivo, o artigo o torna concreto, pois não se trata do
sentimento amoroso em geral (o amor, substantivo abstrato), mas
de uma ocorrência amorosa, uma expressão particular de amor. A
expressão “um amor” é muito empregada metafori ca mente para
indicar “pessoa ou coisa muito linda, bem apresentada, preciosa”.
b) Com que sentido o eu lírico utiliza a expressão “um amor”?
RESOLUÇÃO: 
O eu lírico utiliza-a em sentido irônico, sarcástico, como indica a
oposição entre “um amor” e “burra como uma porta”.
Texto para a questão �.
� (UNESP) – Considerando o contexto e o relacionamento
sintático entre os elementos deste período do texto, verifica-se
que humano é empregado como
a) adjetivo. b) pronome indefinido. c) advérbio.
d) substantivo. e) verbo.
RESOLUÇÃO: 
A articulação do adjetivo (o humano) transforma-o em substantivo.
Resposta: D
Texto para a questão �.
� Em todas as alternativas, extraídas do texto, há um termo
em destaque. Qual deles não é artigo?
a) “queimando o assento no chão”.
b) “segurando os joelhos ossudos”.
c) “Despertara-a um grito áspero”.
d) “vira de perto a realidade”.
e) “com os pés apalhetados”.
RESOLUÇÃO: 
Em “despertara-a”, “a” é pronome pessoal oblíquo, refere-se a
Sinhá Vitória.
Resposta: C
� Consultando a gramática, complete o quadro de re sumo.
MOÇA LINDA BEM TRATADA
Moça linda bem tratada,
Três séculos de família,
Burra como uma porta:
Um amor.
Grã-fino do despudor,
Esporte, ignorância e sexo, 
Burro como uma porta:
Um coió.
Mulher gordaça, filó, 
De ouro por todos os poros
Burra como uma porta:
Paciência...
Plutocrata sem consciência, 
Nada porta, terremoto
Que a porta de pobre arromba:
Uma bomba.
(Mário de Andrade)
ARTIGO
Definição
Palavra que antecede os subs tantivos, de -
si g nando-os de forma de ter minada (o, a,
os, as) ou in de ter minada (um, uma, uns,
umas).
A humanidade criou a palavra, que é constitutiva do
humano, seu traço distintivo.
Sinha Vitória, queimando o assento no chão, as mãos
cruzadas segurando os joelhos ossudos, pensava em
acontecimentos antigos que não se relacionavam: festas de
casamento, vaquejadas, novenas, tudo numa confusão.
Despertara-a um grito áspero, vira de perto a realidade e o
papagaio, que andava furioso, com os pés apalhetados,
numa atitude ridícula.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas)
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26 PORTUGUÊS
Signo: significante e significado
Chama-se signo tudo que tem significado. Exemplos:
palavras, desenhos, gráficos, mapas, fotografias... O
signo tem dois lados: um, presente, que vemos ou
ouvimos, chamado significante; outro, ausente, que
entendemos, chamado significado. O significante e o
significado são como os dois lados de uma folha de papel:
um não existe sem o outro. 
Assim, na palavra casa ouvimos os sons káza ou
vemos as letras c-a-s-a (significante) e entendemos o
conceito “construção em que se mora” (significado). O
mesmoacontece com uma fotografia, um desenho ou
um gráfico: vemos formas e cores num papel
(significante) e entendemos, no caso da foto, que se trata
de uma pessoa ou, no caso do mapa, de uma cidade ou,
no caso do gráfico, do desempenho da classe na prova
de Português (significados). Os significados não são as
coisas (ou as pessoas) a que os signos se referem, mas
os conceitos, as ideias dessas coisas.
Palavras – polissemia
As palavras são signos complexos, que podem assumir
uma multiplicidade de significados, dependendo do
contexto. Esse fenômeno é chamado polissemia e pode
ser exemplificado com a palavra corrente em seus
diversos sentidos: “grilhão, cadeia de metal” (corrente
de aço), “que flui, passa” (água corrente, mês corrente),
“fácil, espontâneo” (estilo corrente), “usual, cor riqueiro”
(opiniões correntes), “movimento de águas, correnteza”
(correntes marinhas), “fluxo de ar” (corrente fria da noite),
“fluxo de eletricidade” (corrente elétrica), grupo de indi -
víduos associados por ideias, gostos ou ten dên cias
(corrente literária) etc.
Denotação e conotação
Entre os sentidos das palavras, podemos distinguir o
sentido próprio ou literal (A lua estava minguando – lua:
satélite da Terra) e o sentido figurado (Depois de esperar
uma lua inteira, deixou a floresta – lua: “período de um
mês”, contado conforme as fases da lua).
O sentido figurado forma-se a partir do sentido próprio
das palavras, por meio de comparações implícitas ou
explícitas, baseadas em relações de semelhança (os sóis
do seu rosto – sóis: “olhos”), assim como por meio de
extensões do sentido original, envolvendo relações de
proximidade (beber um Porto – Porto: vinho dessa
cidade), inclusão (comprou um bronze – bronze: estatueta
de bronze) etc. Essas formas indiretas de significação se
dizem figuradas porque correspondem às chamadas
figuras de linguagem.
O emprego das palavras em seus sentidos próprios
corresponde ao que se chama denotação ou linguagem
denotativa; o emprego das palavras em seus sentidos
figurados corresponde à conotação ou linguagem
conotativa.
No uso normal da linguagem, falada ou escrita, tanto
denotação quanto conotação estão presentes. Em usos
específicos, pode predominar uma ou outra forma de
significação: na linguagem informativa ou científica, pre -
do mina a denotação; na linguagem emocional, assim
como na literatura e, especialmente, na poesia, é fun -
damental a conotação, que enriquece o sentido do texto.
Resumindo
A linguagem pode ser denotativa ou conotativa.
A denotação corresponde ao uso das palavras em
seus sentidos básicos, chamados próprios ou literais –
são os sentidos que os dicionários apresentam em pri -
meiro lugar. 
A conotação corresponde ao uso das palavras em
seus sentidos figurados, que nascem de associações
ou extensões dos sentidos próprios. 
A denotação possibilita maior precisão e clareza,
pois permite evitar as ambiguidades (diversidade de
sentidos numa mesma palavra) e desfazer as obscu -
ridades e as variações de interpretação. A denotação
deve predo mi nar quando se emprega a função refe -
rencial da linguagem.
A conotação possibilita a intensificação e a multipli -
cação dos sentidos, com o uso criativo da polissemia e
das variações de interpretação. A conotação em geral
predomina quando se empregam as funções emotiva e
poética da linguagem.
Apesar de seus usos mais específicos, denotação e
cono tação estão sempre presentes, com maior ou
menor incidência, nos usos normais da linguagem, tanto
da lin guagem falada quanto da escrita, em todas as suas
moda lidades.
8
Palavras-chave:
Denotação e conotação • Linguagemdenotativa – referencial 
• Linguagem
conotativa – figurada
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27PORTUGUÊS
Exercícios Resolvidos
Charge para o teste �.
� (UNAERP) – Na se gunda fala, a da direita, da tirinha de Miguel Paiva, as palavras empre gadas Maminha, Fral dinha, Camisinha permitem lembrar
a) a existência de séries sinonímicas. b) o caráter polissêmico das palavras.
c) a possibilidade de paronímia. d) a antonímia entre vocábulos.
e) o grau aumentativo dos substantivos.
Resolução
As palavras do enunciado são polissêmicas, porque apresentam mais de um signi ficado: maminha e fraldinha são “peças de carne”, ou,
respectivamente, “seio” e “parte inferior do ves tuário feminino ou masculino”. Camisinha é “uma camisa peque na” ou “preservativo mas culino”.
Resposta: B
� (UNESP) – Assinale a alternativa em que
os subs tantivos da frase só têm valor
denotativo, isto é, sentido próprio, não figurado.
a) A leitura da filosofia permite-nos acumular
tesouros que as traças não corroem.
b) Nem tudo são rosas nos caminhos da vida.
c) Por andar descalço, acabei com espinhos
fincados nos pés.
d) Tenho que resolver alguns abacaxis antes
da viagem.
e) Muitos indivíduos vivem hoje no Brasil à
margem da sociedade.
Resolução
Na alternativa apontada, o sentido é denotativo,
referencial, literal: “espinhos fincados nos
pés”. Nas demais, há trechos em linguagem
co notativa: “tesouros que as traças não cor -
roem”, “rosas nos caminhos da vida”, “resol -
ver alguns abacaxis”, “à margem da
sociedade”.
Resposta: C
 O termo (ou expressão) des -
ta cado, que está empre -
gado em seu sentido
próprio, denotativo, ocorre em:
a) (...) 
É de laço e de nó
De gibeira o jiló
Dessa vida, cumprida a sol (...)
(TEIXEIRA, Renato. Romaria. Kuarup Discos,
setembro de 1992.)
b) Protegendo os inocentes
é que Deus, sábio demais,
põe cenários diferentes
nas impressões digitais.
(Maria N. S. Carvalho, 
Evangelho da Trova. /s.n.b.)
c) O dicionário-padrão da língua e os
dicionários unilíngues são os tipos mais
comuns de dicionários. Em nossos dias,
eles se tornaram um objeto de consumo
obrigatório para as nações civilizadas e
desenvolvidas.
(BIDERMAN, Maria T. Camargo. O dicionário-padrão
da língua. Alta (28), 2743, 1974. Supl.)
d)
e) Humorismo é a arte de fazer cócegas no
raciocínio dos outros. Há duas espécies de
humorismo: o trágico e o cômico. O trágico
é o que não con segue fazer rir; o cômico é o
que é verdadeiramente trágico para se fazer.
(ELIACHAR, Leon. www.mercadolivre.com.br, 
acessado em julho de 2005.)
Resolução
A linguagem denotativa, referencial ou literal apa -
rece na expressão “dicionário-padrão”. Nas
demais alterna tivas, a linguagem é cono tativa,
pois as expressões destacadas não são em -
pregadas em sentido literal, mas sim metafórico:
“cumprida a sol” = vivida com mui to sacrifício,
“cenários” = confi gurações, “bateria” = energia,
“fazer cócegas no raciocínio” = estimular o
pensamento de forma divertida.
Resposta: C
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28 PORTUGUÊS
� De acordo com o contexto, dê o sentido das palavras des -
tacadas:
I. Deram duas horas no relógio da sala.
II. “Do alpendre sobre o canavial a vida se dá tão vazia.” (João
Cabral de Melo Neto)
III. Não queria se encontrar com a namorada e, no entanto,
deu com ela na porta do cinema.
IV. Aqui, em se plantando, dá.
V. Deu no garoto, deixando-o prostrado.
RESOLUÇÃO: 
No texto, dar significa: I. bateram; II. apresenta; III. encontrou-a
repentinamente; IV. produz; V. bateu (= surrou).
� (UNESP) – Examine a tira Níquel Náusea, do cartunista
brasileiro Fernando Gonsales (1961- ).
(Níquel Náusea: cadê o ratinho do titio?, 2011. Adaptado.)
No primeiro quadrinho, o termo “sujeirinha” foi empregado em
sentido figurado ou em sentido literal? Justifique sua resposta.
No último quadrinho, as formas verbais “cai” e “caio” foram
empregadas em acepções diferentes. Explicite o sentido de
cada uma delas.
RESOLUÇÃO:
No primeiro quadrinho, o termo “sujeirinha” foi empregado em
sentido literal, o personagem finge apontar uma nódoa na camisa
de seu interlocutor. No último quadrinho, o verbo cair é utilizado
por seu caráter polissêmico, em sentido figurado na primeira
ocorrência “ele sempre cai nessa!” com a intenção de afirmar que
o rapaz sempre é enganado por aquele tipo de brincadeira. Na
segundaocorrência, o verbo cair em “caio a vinte metros!” é
empregado em sentido denotativo, pois o personagem de fato vai
ao chão com o golpe recebido.
Texto para o teste �.
� O termo noite nesse poema está empregado predo mi -
 nantemente no sentido
a) denotativo, significando o contrário de dia.
b) conotativo, associado à ideia de imobilismo e morte.
c) pejorativo, associado à ideia de boemia.
d) denotativo, ligado à ideia de desânimo e tristeza.
e) polissêmico, associado à ideia de noite como bem e como
mal.
Resposta: B
Charge para o teste �.
(CJ, Politicopatas, 29 mar. 2019)
� (CUCO) – O efeito de humor da imagem decorre,
principalmente, da
a) literalidade da pergunta do aluno.
b) metáfora presente na fala da professora.
c) interpretação metafórica de uma afirmação literal.
d) ironia presente na fala da professora.
e) expressão facial da aluna.
RESOLUÇÃO:
A professora utiliza o verbo “dobrar” com o sentido literal de
“passar além de, circundando” (Dicionário Aurélio), referindo-se a
Bartolomeu Dias, que dobrou o Cabo da Boa Esperança. Já o
menino usa esse mesmo verbo metafori camente, referindo-se à
professora que está “dobrando o Cabo da Boa Esperança”, que é
uma expressão que significa “ficar velho”. 
Resposta: C
É noite. Sinto que é noite
Não porque a noite descesse
(bem me importa a face negra)
mas porque dentro de mim,
no fundo de mim, o grito
se calou, fez-se desânimo.
Sinto que nós somos noite,
que palpitamos no escuro
e em noite nos dissolvemos.
Sinto que é noite no vento,
noite nas águas, na pedra.
(Carlos Drummond de Andrade)
TEM UMA
SUJEIRINHA
BEM AQUI!
ONDE?
ELE
SEMPRE CAI
NESSA!
CAIO
A VINTE
METROS!
Exercícios Propostos
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29PORTUGUÊS
Para responder às questões de 5 a 8, leia a crônica 
“A obra-prima”, de Lima Barreto, publicada na revista Careta
em 25.09.1915.

 (UNESP-2021) – O cronista traça um retrato do gramático
Marco Aurélio, evidenciando, sobretudo, a sua
a) ambiguidade. b) informalidade. c) concisão.
d) afetação. e) meticulosidade.
RESOLUÇÃO:
Afetação significa “ausência de naturalidade, modo artificial de ser,
pedantismo, presunção” (Houaiss). O gramático Marco Aurélio, ao
preferir escrever “lívida homenagem do autor” à expressão
corrente “pálida homenagem”, foi artificial, pois empregou
linguagem inusual para ostentar originalidade de mau gosto.
Resposta: D
�� (UNESP-2021) – As modificações feitas pelo gramático nas
expressões empregadas no prefácio e na dedicatória de sua
obra manifestam seu desconforto
a) com o sentido figurado da expressão inicialmente pensada
para o prefácio e com o caráter trivial da expressão
inicialmente pensada para a dedicatória.
b) com o sentido figurado da expressão inicialmente pensada
para o prefácio e com o sentido literal da expressão
inicialmente pensada para a dedicatória.
c) com o sentido literal da expressão inicialmente pensada para
o prefácio e com o sentido figurado da expressão
inicialmente pensada para a dedicatória.
d) com o caráter trivial das expressões inicialmente pensadas
para o prefácio e para a dedicatória.
e) com o sentido literal da expressão inicialmente pensada para
o prefácio e com o caráter trivial da expressão inicialmente
pensada para a dedicatória.
RESOLUÇÃO:
O filólogo ficou preocupado com o sentido figurado do que
pretendia escrever no prefácio, já que o texto excederia muito o
que tencionava escrever: a expressão “duas palavras”. Além disso,
considerou banal a expressão “lívida homenagem” por ser muito
corriqueira nas dedicatórias dos livros. Resposta: A
�� (UNESP-2021) – Em “Professor, autor de um livro de
filologia, cair na vulgaridade da expressão comum: ‘pálida
homenagem’?” (8.o parágrafo), o termo sublinhado está
empregado na acepção de
a) “lançar-se rapidamente; atirar-se, jogar-se”, como em “ela
caiu no colo da mãe”.
b) “incorrer em erro, falta; incidir”, como em “durante o
depoimento, caiu em contradição”.
c) “deixar-se enganar, ser vítima de logro”, como em “ele caiu
no conto do vigário”.
d) “criticar severamente; acusar”, como em “a imprensa caiu
em cima dos corruptos”.
e) “entrar em determinado estado ou situação”, como em
“durante o filme, caiu no sono”.
RESOLUÇÃO:
A acepção de “cair” na frase do texto de Lima Barreto (“Professor,
autor de um livro de filologia, cair na vulgaridade da expressão
comum: ‘pálida homena gem’?“) é “incidir”, “incorrer”. Resposta: B
Marco Aurélio de Jesus, dono de um grande talento e
senhor de um sólido saber, resolveu certa vez escrever
uma obra sobre filologia.
Seria, certo, a obra-prima ansiosamente esperada e que
daria ao espírito inculto dos brasileiros as noções exatas da
língua portuguesa. Trabalhou durante três anos, com
esforço e sabiamente. Tinha preparado o seu livro que viria
trazer à confusão, à dificuldade de hoje, o saber de
amanhã. Era uma obra-prima pelas generalizações e pelos
exemplos.
A quem dedicá-la? Como dedicá-la? E o prefácio?
E Marco Aurélio resolve meditar. Ao fim de igual tempo
havia resolvido o difícil problema.
A obra seria, segundo o velho hábito, precedida de
“duas palavras ao leitor” e levaria, como demonstração de
sua submissão intelectual, uma dedicatória.
Mas “duas palavras”, quando seriam centenas as que
escreveria? Não. E Marco Aurélio contou as “duas
palavras” uma a uma. Eram duzentas e uma e, em um
lance único, genial, destacou em relevo, ao alto da página
“duzentas e uma palavras ao leitor”.
E a dedicatória? A dedicatória, como todas as
dedicatórias, seria a “pálida homenagem” de seu talento
ao espírito amigo que lhe ensinara a pensar…
Mas “pálida homenagem”… Professor, autor de um
livro de filologia, cair na vulgaridade da expressão comum:
“pálida homenagem”? Não. E pensou. E de sua grave
meditação, de seu profundo pensamento, saiu a frase
límpida, a grande frase que definia a sua ideia da
expressão e, num gesto, sulcou o alto da página de oferta
com a frase sublime: “lívida homenagem do autor”…
Está aí como um grande gramático faz uma obra-prima.
Leiam-na e verão como a coisa é bela.
(Sátiras e outras subversões, 2016.)
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30 PORTUGUÊS
�� (UNESP-2021) – O cronista narra uma série de fatos
ocorridos no passado. Um fato anterior a esse tempo passado
está indicado pela forma verbal sublinhada em
a) “Eram duzentas e uma e, em um lance único, genial,
destacou em relevo, ao alto da página ‘duzentas e uma
palavras ao leitor’.” (6.o parágrafo)
b) “A obra seria, segundo o velho hábito, precedida de ‘duas
palavras ao leitor’ e levaria, como demonstração de sua
submissão intelectual, uma dedicatória.” (5.o parágrafo)
c) “A dedicatória, como todas as dedicatórias, seria a ‘pálida
homenagem’ de seu talento ao espírito amigo que lhe
ensinara a pensar...” (7.o parágrafo)
d) “E Marco Aurélio resolve meditar.” (4.o parágrafo)
e) “Leiam-na e verão como a coisa é bela.” (9.o parágrafo)
RESOLUÇÃO:
A forma verbal “ensinara” está no pretérito mais-que-perfeito do
modo indicativo, indicando ação no passado anterior a outra ação
no passado. Resposta: C
� (UFPE-UFRPE) – Com base nos conceitos de denotação e
conotação, analise e comente a interpretação da colega de
Mafalda acerca da questão da prova de História.
RESOLUÇÃO: 
A colega de Mafalda entendeu de forma literal a pergunta da prova,
para ela, ocupar a ca deira é expressão denotativa, significando ficar
sentado na cadeira, por isso ela pergunta se os outros presidentes
ha viam governado de pé, porém, conotativamente, a expressão
refere-se ao primeiro indivíduo a assumir o governo no regime
presidencialista.
Texto para o teste �.
� A peça Liberdade, liberdade, encenada em
1964, apresenta o impasse vivido pela
sociedade brasileira em face do regime vigente. Esse impasse
é representado no fragmento pelo(a)
a) barulho excessivo produzido pelo ranger das cadeiras do
teatro. 
b) indicação da neutralidade como a melhor opção ideológica
naquele momento.
c) constatação da censura em função do engajamentosocial do
texto dramático.
d) conotação entre o alinhamento político e a posição corporal
dos espectadores.
e) interrupção do espetáculo em virtude do compor tamento
indequado do público.
RESOLUÇÃO: 
Há comparação sutil entre a posição dos espectadores no teatro e
a posição ideológica dos brasileiros diante da instituição do regime
militar. As palavras esquerda e direita fazem a correlação entre o
ambiente vigente no teatro e o na sociedade brasileira.
Resposta: D
E aqui, antes de continuar este espetáculo, é necessário
que façamos uma advertência a todos e a cada um. Neste
momento, achamos fundamental que cada um tome uma
posição definida. Sem que cada um tome uma posição
definida, não é possível continuarmos. É fundamental que
cada um tome uma posição, seja para a esquerda, seja para
a direita. Admitimos mesmo que alguns tomem uma posição
neutra, fiquem de braços cruzados. Mas é preciso que cada
um, uma vez tomada sua posição, fique nela! Porque senão,
companheiros, as cadeiras do teatro rangem muito e
ninguém ouve nada.
(FERNANDES. M.; RANGEL. F. Liberdade. liberdade.
Porto Alegre: L&PM. 2009.)
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31PORTUGUÊS
� Há numerais que designam um conjunto
determi nado de pessoas ou coisas. Preencha
os espaços com o numeral correspondente ao
significado entre parênteses:
a) Os tripulantes do navio ficaram de ________
___________________________, por causa
de um surto de sarampo. (período de
quarenta dias)
b) Faltam cerca de trinta anos para se come -
mo rar o _______________________________
da Abolição da Escrava tura em nosso País.
(período de cento e cinquenta anos)
c) As beatas fizeram uma _________________
____________________ pela paz. (período de
nove dias)
d) Amor e ódio são sentimentos opostos,
porém _______________________________
fazem parte da natureza humana. (numeral
dual)
Resolução
a) quarentena;
b) sesquicentenário; 
c) novena;
d) ambos.
� (ESPM) – Em todas as frases há ideia
hiperbólica (de exagero), exceto em uma.
Assinale a que possua sentido referencial (ou
denotativo).
a) Você sempre arranja mil e uma desculpas
para não arrumar o quarto!
b) Teu pai falou milhões de vezes para você
escovar os dentes depois das refeições! 
c) Você quer que eu veja este filme pela
milésima vez?
d) Durante a partida, o técnico fez três
substituições no time.
e) Para mostrar cartão vermelho, o juiz é oito
ou oitenta!
Resolução
O numeral empregado na alternativa d está em
linguagem denotativa. As demais alternativas
apresentam expressões hiperbólicas: “mil e
uma desculpas”, “milhões de vezes”,
“milésima vez”, “oito ou oitenta”.
Resposta: D
É a palavra que exprime quantidade, ordem, fração e
multiplicação, em relação ao substantivo.
Classificação
• Numeral cardinal: indica quantidade.
Exemplos
• Numeral ordinal: indica ordem.
Exemplos
• Numeral fracionário: indica fração.
Exemplos
• Numeral multiplicativo: indica multiplicação.
Exemplos
duas rosas
cem alunos
segunda rosa
centésimo aluno
Nota
Os numerais podem exercer, na oração, papel
típico de substantivo ou de adjetivo:
Tínhamos seis cães antes da epidemia; agora, três.
Tínhamos seis (modifica o substantivo que segue,
exercendo papel de adjetivo; cães antes da
epidemia; agora, três (tem força substantiva: não
modifica nenhum substantivo, mas é ele próprio
uma espécie de substantivo, exercendo a função
sintática de sujeito, própria de substantivos).
o dobro do preço
o triplo de possibilidades
um quinto da rosa
dois terços dos alunos
Exercícios Resolvidos
10
Palavras-chave:
Numeral • Cardinal
• Ordinal
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32 PORTUGUÊS
RESTRIÇÕES AO ÁLCOOL 
Merece apoio o movimento “Beba Cidadania”, que pretende impor fortes restrições à propaganda de álcool. Lançada por
cerca de 300 entidades — entre elas o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo e a Universidade Federal de São
Paulo) — , a iniciativa já recolheu mais de 500 mil assinaturas. A ideia é obter 1 milhão e sensibilizar o governo federal e o Congresso
para limitar a publicidade.
Os danos provocados pelo abuso de álcool superam os ocasionados pela soma de todas as drogas ilícitas. Segundo o “Beba
cidadania”, o álcool responde por mais de 10% dos casos de adoecimento e morte no país. Provoca 60% dos acidentes de trânsito.
Traços de etanol são detectados em 70% dos laudos cadavéricos de mortes violentas. O número de brasileiros dependentes do
álcool é estimado em 18 milhões.
As pessoas têm evidentemente o direito de beber, mas não precisam ser estimuladas a fazê-lo, princi palmente os jovens.
Estudos mostram que quem começa a beber cedo tem maiores chances de tornar-se alcoólatra.
Restrições à publicidade de determinados produtos como cigarros e álcool estão previstas na Constituição (art. 220, pár. 4.°).
Em teoria, a lei n.° 9.294/96 regula a matéria, impondo algu mas limitações à publicidade etílica. No entanto, este diplo ma, por força
de poderosos lobbies, criou uma injus tificável exclu são: bebidas com teor alcoólico inferior a 13 graus Gay Lussac (leia-se, as
cervejas) não estão submetidas às restri ções. 
A diferença de tratamento não encontra nenhuma justificativa científica ou epidemiológica. O grau de intoxica ção de um
indivíduo é função do volume de álcool por ele ingerido, não da gradação do produto consumido. Espera-se que o “Beba Cidadania”
consiga vencer os lobbies e reparar os equívocos da lei n.° 9.294. O espírito da restrição à propa ganda de álcool deve ser o mesmo
que praticamente baniu, há alguns anos, a publicidade do tabaco no Brasil. 
(Editorial, Folha de S.Paulo)
Texto para as questões de � a �.
� O texto anterior contém palavras que indicam quantidade.
a) Do primeiro parágrafo, transcreva dois exemplos de
numerais cardinais. 
RESOLUÇÃO:
300, 500 mil e 1 milhão.
b) Transcreva o único numeral ordinal do texto. 
RESOLUÇÃO: 
(parágrafo) 4.°
c) Com base no texto, explique a expressão “13 graus Gay
Lussac”.
RESOLUÇÃO:
Trata-se da porcentagem de álcool etílico em uma solução. A
cerveja, por exemplo, tem 5% de teor alcoólico (5 graus Gay
Lussac), o vinho possui em torno de 13%, já o absinto tem 43%. 
� Consultando um dicionário, você vai descobrir que a palavra
grau, como muitas outras, é polissêmica, ou seja, apresenta
multiplicidade de sentidos. Com certeza você conhece alguns
deles. Escreva três frases usando a palavra grau com diferentes
acepções.
RESOLUÇÃO:
A resposta é pessoal. O professor deve incentivar os alunos a
darem exemplos orais e ir deduzindo com eles o significado da
palavra em cada contexto.
 No segundo parágrafo, os dados porcentuais só não
indicam que a ingestão etílica
a) é a grande responsável pelos acidentes de trânsito.
b) ocasiona a dependência de aproximadamente 10% dos
brasileiros.
c) provoca danos que superam os das drogas ilícitas.
d) faz parte das estatísticas criminais.
e) provoca adoecimento e morte prematuros.
Resposta: E
Exercícios Propostos
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33PORTUGUÊS
�
a) Qual o tipo de composição (ou tipologia) do texto? Justifique.
b) Resuma o conteúdo do texto.
RESOLUÇÃO:
a) Trata-se de um texto dissertativo, em que o editor defende seu
ponto de vista acerca da propaganda de álcool.
b) Com base em dados estatísticos, o editor comprova os male -
fícios do álcool e defende a iniciativa do movimento “Beba Cida -
dania”, que pretende sensibilizar o governo para que a legislação
imponha restrições à publicidade de bebidas alcoólicas.

 Assinale a incorreta quanto à concor dância:
a) Foi vaiado pelos milhares de pessoas presentes.
b) Eram textos cujos milhões de palavras nada diziam.
c) Um quilate de diamante pesa duzentos gramas.
d) É provável que 1,2 milhões de eleitores abstenham-se de
votar.
e) 3,1 milhões de árvores deveriam ser plantadas na cidade de
São Paulo.
RESOLUÇÃO:
Resposta: D (1,2 milhão)
Obs.: As palavras grama, milhar e milhão são do gênero masculino.
� Complete os espaços com os verbosindicados nos
parênteses.
a) Cerca de 10% _______________________________________
__________________ de votar nas últimas eleições. (abster-
se)
b) Apenas 1% não ______________________________________
_____________________________ à convocação. (comparecer)
c) Somente 40% das pessoas ___________________________
_______________________ na internet de madrugada. (surfar)
d) 60% dos usuários __________________________________
_______________________ idade superior a 35 anos. (possuir)
e) 30% da população brasileira ___________________________
___________________ vítima do analfabetismo funcional. (ser)
f) 52% da mão de obra feminina ________________________
__________________________ no mercado de trabalho. (estar)
RESOLUÇÃO: 
a) abstiveram-se; b) compareceu; c) surfam;
d) possuem; e) é; f) está.
� (FGV-ECONOMIA) – 1,7% dos municípios brasileiros, e
apenas isso, ________ monitorado a qualidade do ar. _________
no país 252 estações que efetuam esse acompanhamento
ambiental – nos EUA são cinco mil estações. Os dados
__________ estudo exclusivo do Instituto Saúde e Susten -
tabilidade.
(IstoÉ, 16.07.2014. Adaptado)
Em conformidade com a norma-padrão da língua portu gue sa, as
lacunas do texto devem ser preenchidas, respec ti vamente,
com:
a) têm ... Têm ... compõe
b) tem ... Funcionam ... compõe
c) tem ... Existe ... compõe
d) têm ... Há ... compõem
e) têm ... Instalou-se ... compõem
RESOLUÇÃO:
O verbo ter concorda com a expressão “dos municípios brasileiros”
que faz parte do sujeito cujo núcleo é “1,7%”.
Resposta: D
� “Sua vizinha, apesar de rica, só almoça em restau rantes de
segunda classe.”
O numeral perde, no contexto da frase, o sentido de ordinal.
Explique o sentido da referida palavra.
RESOLUÇÃO:
A palavra “segunda” exerce função de adjetivo para caracterizar o
restaurante como de classe inferior, de baixa qualidade.
� Muitas vezes, o numeral é empregado em expressões de
sentido intencionalmente exagerado. Tais exageros cons tituem
uma figura de linguagem denominada hipérbole.
Assinale a alternativa em que o numeral não tem valor hiperbólico.
a) “Queria querer gritar setecentas mil vezes / Como são lindos,
como são lindos os burgueses.” (Caetano Veloso)
b) “— A senhora já disse isso mais de cem vezes.” (Álvaro C.
Gomes)
c) “Oitenta e seis anos e um sorriso enorme, mil dentes, os
olhos brilhantes e aquela sabedoria que os anos vão
conferindo às pessoas.” (Ziraldo)
d) “Chorei bilhões de vezes com a canseira de inexora bilís simos
trabalhos!” (Augusto dos Anjos)
e) “Unicamp recebe 60 mil visitantes.” (Folha de S.Paulo,
7/9/2006) 
RESOLUÇÃO:
As expressões hiperbólicas enunciadas por meio de numerais são:
“setecentas mil vezes”, “cem vezes”, “mil dentes”, “bilhões de
vezes”.
Resposta: E
Concluindo: a) O verbo concorda com o número da
porcen tagem. b) Se o número da porcentagem vier
seguido de ex pres são preposicionada, o verbo concorda
com a expressão.
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34 PORTUGUÊS
b) Você se tornou um profissional bem-sucedido e até trocou de carro. Agora resolveu comprar um apartamento de alto padrão, que
custa R$ 1.466.317,00. Preen cha o cheque e pague à construtora.
RESOLUÇÃO: 
Um milhão, quatrocentos e sessenta e seis mil, trezentos e dezessete reais. Obs.: O professor deve observar que, no caso de preenchimento
de cheques, pode-se grafar hum, para evitar falsificação.
� Consultando a gramática, complete o quadro de re sumo.
� a) Imagine que você já se formou e ingressou no mercado de trabalho. Ao final de algum tempo, consegue economizar o
suficiente para comprar um carro usado, cujo valor é de R$ 14.653,16. Você está na concessionária e vai preencher o cheque
abaixo para pagar o bem que você adquiriu.
RESOLUÇÃO: 
Catorze (ou quatorze) mil, seiscentos e cinquenta e três reais e dezesseis centavos. Obs.: A forma cincoenta não consta dos dicionários.
NUMERAL
Definição Palavra que exprime quantidade, ordem, fração ou multiplicação
Classificação • Cardinal • Ordinal • Fracionário • Multiplicativo
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35PORTUGUÊS
O uso de figuras de linguagem é um dos recursos
empregados para valorizar o texto, tornando a linguagem
mais expressiva. É um recurso linguístico para expressar
de formas diferentes experiências comuns, conferindo
originalidade, emotividade ou poeticidade ao discurso.
A utilização de figuras revela muito da sensibilidade
de quem as produz, traduzindo particularidades estilís ticas
do autor.
Quando a palavra é empregada em sentido figurado,
conotativo, ela passa a pertencer a outro campo de signi -
ficação, mais amplo e criativo.
É por isso que, na literatura, são constantes as hipér -
boles, as comparações, as metáforas, as antíteses, bem
como outras figuras e recursos próprios para a manifes -
tação das emoções do autor.
Há figuras que são indiferentemente usadas na des -
cri ção, na dissertação e na narração. Mas há figuras parti -
cu larmente importantes para a descrição, como, por
exem plo, a metáfora, a comparação, a catacrese, a
sines te sia, a prosopopeia e a onomatopeia.
O processo comparativo é fundamental nos textos
descritivos.
Nexos mais usados: tal qual, como, é como, é seme -
lhante a, é similar a, é parecido com, tem forma de.
Exemplos
Amou daquela vez como se fosse a última.
(Chico Buarque)
A felicidade é como a pluma.
(Vinicius de Moraes)
1. COMPARAÇÃO é a figura que consiste em
esta belecer uma similaridade entre duas
palavras por meio de um nexo ou um conectivo.
Exemplos
Foi um rio que passou em minha vida. 
(Paulinho da Viola)
Eu sou uma ilha longe de você.
(Fernando Brandt)
Eu não acho a chave de mim.
(Abel Silva)
Mariângela gostou dos sofás da Mobiliária Moderna e
Benvenuto Cascadura gostou dos sofás de Mariângela. E
de sofá em sofá, casaram-se.
(José Cândido de Carvalho)
2. METÁFORA é o emprego de um termo que se
associa a um outro, por haver alguma
semelhança entre ambos, funcionando como
uma comparação abrevia da de ordem pessoal e
subjetiva.
11
Palavras-chave:
Os recursos 
expressivos na descrição
• Sinestesia 
• Comparação
• Catacrese 
• Prosopopeia
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36 PORTUGUÊS
Exemplos
Amolar a paciência Barriga da perna
Braço do rio, da cadeira Cabeça de alho
Céu da boca Cortina de fumaça
Costas do Brasil Dente de alho
Embarcar no trem Folhas de livro
Leito do rio Língua de fogo
Mão de direção Perna da mesa, da cadeira
Sacar dinheiro do banco Ventre da terra
Exemplos
Sinto o canto da noite na boca do vento.
(Ivone Lara)
Uma ilusão gemia a cada canto.
(Lygia Fagundes Telles)
Exemplos
Som que tem cor, fulgor, sabor, perfume.
↑ ↑ ↑ ↑
impressão impressão impressão impressão
visual visual gustativa olfativa
(Hermes Fontes)
Os olhos, magnetizados, escutam. 
↑ ↑
impressão impressão
visual auditiva
(Carlos Drummond de Andrade)
O JARDIM
Essa é a glória do jardim, 
com roxos queixumes de rolas,
pios súbitos, gorjeios melancólicos,
voos de silêncio,
música de chuva e de vento,
débil queda de folhas secas
murmúrio de gota de água
na umidade verde dos tanques.
(Cecília Meireles)
Exemplos
Sino de Belém, bate bem-bem-bem.
(Manuel Bandeira)
Au, au, au
Ió, ió, ó
Miau, miau, miau. 
(Chico Buarque)
Os verbos que imitam sons de objetos e animais
também são onomatopeias: cacarejar, tiquetaquear, piar,
farfalhar, roncar, sussurrar e ou tros.
3. CATACRESE é a figura que consiste na utili -
zação de um vocábulo com sentido inadequado
em virtude da inexistência de palavras que, com
precisão, desig nem os seres referidos. É uma
figura de linguagem que se“fossilizou”
4. PROSOPOPEIA ou PERSONIFICAÇÃO é a me -
táfora que consiste na atri buição de carac -
terísticas humanas a seres ina nimados,
irra cionais ou abs tratos. 
5. SINESTESIA é a metáfora que consiste na
fusão de duas ou mais impressõessensoriais.
6. ONOMATOPEIA é a figura que consiste na
sequên cia de sons que dão uma ideia exata ou
apro ximada do objeto ou ação representados.
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37PORTUGUÊS
� Ferreira Gullar, um dos gran des poetas brasileiros
da atualidade, é autor de “Bicho urbano”, poema
sobre a sua relação com as pequenas e grandes
cidades.
BICHO URBANO
Se disser que prefiro morar em Pirapemas
ou em outra qualquer pequena cidade do país
estou mentindo
ainda que lá se possa de manhã
lavar o rosto no orvalho
e o pão preserve aquele branco
sabor de alvorada.
.....................................................................
A natureza me assusta.
Com seus matos sombrios suas águas
suas aves que são como aparições
me assusta quase tanto quanto
esse abismo
de gases e de estrelas
aberto sob minha cabeça.
(GULLAR, Ferreira. Toda poesia. Rio de Janeiro: 
José Olympio Editora, 1991.)
Embora não opte por viver numa pequena cidade, o poeta reconhece
elementos de valor no cotidiano das pequenas comunidades. Para
expressar a relação do homem com alguns desses elementos, ele
recorre à sinestesia, construção de linguagem em que se mesclam
impressões sensoriais diversas. 
Assinale a opção em que se observa esse recurso.
a) “e o pão preserve aquele branco / sabor de alvorada.”
b) “ainda que lá se possa de manhã / lavar o rosto no orvalho”
c) “A natureza me assusta. / Com seus matos sombrios suas águas”
d) “suas aves que são como aparições / me assusta quase tanto
quanto”
e) “me assusta quase tanto quanto / esse abismo / de gases e de
estrelas”
Resolução
Na expressão “sabor de alvo rada”, mes clam-se refe rências a duas
impres sões sen soriais diversas. A pala vra “sabor” implica sensação
gustativa; “alvorada” (pa lavra deri vada de “alvo”) implica sensação
visual. 
Resposta: A
� (FUVEST) – A cata crese, figura que se observa na frase: "Montou
a cavalo no burro bravo", ocorre em:
a) “Os tempos mudaram, no devagar depres sa do tempo.”
b) “Última flor do Lácio, inculta e bela, és a um tempo esplendor e
sepultura.”
c) “Apressadamente, todos embarcaram no trem.”
d) “Ó mar salgado, quanto do teu sal.”
e) “Amanheceu, a luz tem cheiro.”
Resolução
Catacrese é a figura que consiste na utilização de um vocábulo com
sentido inadequado em virtude da inexistência de palavras que desig -
nem os seres referidos. No enunciado da questão, "Montou... no burro
bravo" é cata crese, porque o verbo montar refere-se a “colocar-se
sobre cavalo”. O uso, porém, estendeu-se para outras situações
referentes à montaria: “montar um camelo, montar um elefante” etc.
O mesmo ocorre com o verbo embarcar, que a princípio se referia a
“entrar ou colocar-se em embarcação”. Hoje, além de barco,
“embarca-se em avião, trem ou ônibus”.
Resposta: C
 (FGV-adm.) – “Com muita cautela, abriu a porta e se viu no meio
duma escuridão perfumada, duma escuridão fresca que chei rava a
doces, bolinhos e pão.”
Observe as palavras escuridão perfumada. Iden ti fique e explique o
recurso estilístico utilizado nesse caso.
Resolução
Em “escuridão perfumada” ocorre sinestesia, figura de palavra que
consiste na mistura de sensações. No caso, houve o cruzamento da
sensação visual (“escuridão”) com a olfativa (“perfumada”). 
Texto para o teste �.
Tarde de olhos azuis e de seios morenos.
Ó tarde linda, ó tarde doce que se admira,
Como uma torre de pérolas e safira.
Ó tarde como quem tocasse violino.
(Emiliano Perneta)
� (FUVEST) – Nesses versos, o flagrante apelo aos sentidos
humanos, que se misturam e se confundem no efeito emocional que
provocam no leitor, caracteriza figura altamente expressiva: 
a) metonímia.
b) anacoluto.
c) hipérbato.
d) sinestesia.
e) aliteração.
Resolução
Além da sinestesia “tarde doce”, definida no enunciado como “apelo
aos sentidos humanos, que se misturam e se confun dem”, os versos
de Emiliano Perneta têm apóstrofes (“Ó tarde lin da, ó tarde doce”, “ó
tarde”), comparações (“Como uma torre de pérolas e safira.” e “como
quem tocasse violino.”) e prosopopeia ou personifi ca ção (“Tarde de
olhos azuis e de seios morenos.”).
Resposta: D
Exercícios Resolvidos
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38 PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
� Ao abordar uma etapa do desenvolvimento
humano, o poema mobiliza diferentes estratégias
de composi ção. O principal recurso expressivo
empregado para a construção de uma imagem da adolescência é a 
a) hipérbole do medo. 
b) metáfora da estátua. 
c) personificação da vida. 
d) antítese entre juventude e velhice. 
e) comparação entre desejo e nudez.
RESOLUÇÃO:
A adolescência é representada pela “vida” que “anda nua”,
havendo, portanto, um processo de personificação também
denominado prosopopeia.
Resposta: C
Texto para a questão �.
(Folha de S.Paulo, 08 ago. 2018)
� (FGV)
a) No contexto da tira, a expressão “Que gata!” assume uma
conotação positiva, irônica ou pejorativa? Justifique a sua
resposta.
RESOLUÇÃO:
A expressão exclamativa “Que gata!” é uma metáfora informal,
tem conotação positiva no contexto, sugere um ser atraen te,
sensual, bonito.
b) Tendo como referência as classes de palavras, explique o
efeito de humor na tira, analisando as falas das
personagens.
RESOLUÇÃO:
As personagens do primeiro quadrinho são uma mulher, uma gata
e uma barata, que são chamadas pelos seus respectivos pares
masculinos – um homem, um gato e uma barata macho – de
“gata”, usado como substantivo: “Uma gata”.
O ADOLESCENTE 
A vida é tão bela que chega a dar medo. 
Não o medo que paralisa e gela, 
estátua súbita, 
mas 
esse medo fascinante e fremente de curiosidade que faz 
o jovem felino seguir para a frente farejando o vento 
ao sair, a primeira vez, da gruta 
Medo que ofusca: luz! 
Cumplicentemente, 
as folhas contam-te um segredo 
velho como o mundo: 
Adolescente, olha! A vida é nova… 
a vida é nova e anda nua 
— vestida apenas com o teu desejo! 
(QUINTANA, M. Nariz de vidro. 
São Paulo: Moderna, 1998.)
Exercícios Propostos
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39PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� Na tirinha acima, que nome recebe o acúmulo de metáforas
que se referem à vida?
RESOLUÇÃO: 
Chama-se alegoria (metáfora continuada, desen volvida em outras).
Texto para a questão �.
� (UFRJ) – O Samba é personificado (prosopopeia) em todo
o texto. As características a ele atribuídas indicam uma trans -
for mação ao longo do tempo.
Com base no trecho que vai do verso 5 ao verso 12, compare
duas características que revelem essa trans for mação. Justifi -
que sua resposta.
RESOLUÇÃO:
A personificação (ou prosopopeia) ocorre porque, no primeiro
momento, o samba é caracterizado como "Negro forte, deste mido"
(verso 6) e "perseguido" (verso 7). Em outro momento, como
"inocente" (verso 10), de "pé no chão" (verso 10), envolvido pela
"fidalguia do salão" (verso 11). O texto mostra, assim, que o samba,
ao longo do tempo, foi absorvido pela cultura dominante e que isso
comprometeu sua origem popular.
AGONIZA MAS NÃO MORRE
Samba,
Agoniza mas não morre
Alguém sempre te socorre
Antes do suspiro derradeiro
Samba,
Negro forte, destemido,
Foi duramente perseguido
Na esquina, no botequim, no terreiro.
Samba,
Inocente pé no chão
A fidalguia do salão
Te abraçou, te envolveu
Mudaram toda tua estrutura,
Te impuseram outra cultura
E você nem percebeu.
(SARGENTO, Nelson. 
Sonho de um sambista. Eldorado, 1972.)
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Texto para a questão �.
a) De que figura de linguagem se vale o autor para construir o
poema?
RESOLUÇÃO:
Vale-se da catacrese.
b) Grife no poema os exemplos da figura de linguagem apon -
tada no exercício anterior:
RESOLUÇÃO:
“Costas da cadeira”, “manga da camisa”, “piano ... cauda”, “asa...
xícara”, “pé da mesa”, “boca da calça”, “botão... casa”, “dente de
alho”, “cavalos do motor”, “macaco do carro”, “menina dos
olhos”, “bolo esportivo”, “bala de revólver”.
c) Relacione o título dopoema a seu conteúdo.
RESOLUÇÃO:
O autor se vale, com humor, do emprego de expressões cono ta -
tivas (catacreses), que, se interpretadas literalmente, correspon de -
riam a ações irrealizáveis, consistindo, portanto, em ações inúteis.
Texto para o teste 	.
FRANK & ERNEST/Bob Thaves
	 Nessa tirinha, a personagem faz referência a
uma das mais conhecidas figuras de
linguagem para
a) condenar a prática de exercícios físicos.
b) valorizar aspectos da vida moderna.
c) desestimular o uso das bicicletas.
d) caracterizar o diálogo entre gerações.
e) criticar a falta de perspectiva do pai.
RESOLUÇÃO:
O garoto da tirinha estabelece uma relação de semelhança (base da
metáfora) entre os exercícios que o pai pratica numa bicicleta
ergométrica (que não conduzem a lugar nenhum) e a “falta de
perspectiva” da vida do pai.
Resposta: E
Texto para o teste �.
� (FATEC) – O texto faz referência à sinestesia, um recurso
semântico capaz de tornar o texto mais expressivo.
Assinale a alternativa que apresenta um exemplo da figura de
linguagem conhecida como sinestesia.
a) O toque de suas mãos era frio como a neve.
b) Suas palavras eram amargas e frias.
c) Caía lá fora a neve fria.
d) O inverno sem você é glacial.
e) O frio contava as histórias de tempos passados.
RESOLUÇÃO:
Em "amargas e frias", há a fusão da sensação gusta tiva ("amargas")
com a tátil ("frias"), carac teri zan do-se, assim, a figura de palavra
denominada sinestesia.
Resposta: B
INUTILIDADES
Ninguém coça as costas da cadeira.
Ninguém chupa a manga da camisa.
O piano jamais abana a cauda.
Tem asa, porém não voa, a xícara. 
De que serve o pé da mesa se não anda?
E a boca da calça se não fala nunca?
Nem sempre o botão está na sua casa.
O dente de alho não morde coisa alguma.
Ah! se trotassem os cavalos do motor...
Ah! se fosse de circo o macaco do carro...
Então a menina dos olhos comeria
até bolo esportivo e bala de revólver.
(José Paulo Paes)
(...) Tu do is so se torna significativo, literariamente falando,
para a narrativa e, mais do que um traço morfossintático, é um
traço estilístico marcante na escala de valores a que aqui nos
referimos e que pode, ainda, ter uma natureza sines tésica,
estando ligada a determinados sentidos hu manos. Por exemplo,
é muito comum associarmos deter minadas palavras a
determinados sentidos, criando assim – no âm bito da percepção
estilística – imagens visuais, auditivas, táteis, olfativas ou
gustativas.
<https://tinyurl.com/y7wzrn8k> Acesso em: 07.11.2017. Adaptado.
40 PORTUGUÊS
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41PORTUGUÊS
Leia o seguinte texto:
Mas a girafa era uma virgem de tranças
recém-cortadas. Com a tola inocência do que é
grande e leve e sem culpa. A mu lher do casaco
marrom desviou os olhos, doente, doente. Sem
con seguir — diante da aérea girafa pousada,
diante daquele silen cio so pássaro sem asas —
sem conseguir encontrar dentro de si ponto pior
de sua doença, o ponto mais doente, o ponto
de ódio, ela que fora ao Jardim Zoológico para
adoecer. Mas não diante da girafa, que era mais
paisagem do que ente. Não diante daquela
carne que se distraíra em altura e distância, a
girafa quase verde. Procurou outros animais,
tentava aprender com eles a odiar. O hipo -
pótamo, o hipopó tamo úmido. O rolo roliço de
carne, carne redonda e muda esperando outra
carne roliça e muda. Não. Pois havia tal amor
humilde em se manter apenas carne, tal doce
martírio em não saber pensar.
(Clarice Lispector)
� (FUVEST) – Destaque do texto dois
adjetivos diferentes que, referindo-se respec -
tivamente à girafa e ao hipopótamo, expressem
a mesma ideia. Qual é essa ideia?
Resolução
Os adjetivos são silencioso em “silencioso
pássaro” e muda em “carne redonda e muda”.
Esses adjetivos sugerem ideia de recolhimento
e, ao mesmo tem po, de paz interior.
� (FGV-SP) – Assinale a alternativa em que
a palavra destacada não tem valor de adjetivo.
a) A malha azul estava molhada. 
b) O sol desbotou o verde da bandeira.
c) Tinha os cabelos branco-amarelados.
d) As nuvens tornavam-se cinzentas. 
e) O mendigo carregava um fardo amarelado. 
Resolução
Verde, na alternativa b, deixa de ser adjetivo,
pois está substan tivado pelo artigo o, ou seja, é
um caso de derivação imprópria ou conversão.
Resposta: B
Leia o texto abaixo e responda às questões 
e �.
Modesto, pintado de um controverso verde
e com a fachada em forma de ondas, o edifício
Ypiranga seria mais uma brava remi niscência
da década de 50 em Copacabana, na Zona Sul
carioca, caso não abrigasse o famoso escritó -
rio de Oscar Niemeyer. Para se chegar à toca
do Arquiteto do Século é preciso sair do eleva -
dor no nono andar e subir uma escadinha meio
rocam bolesca, improvável em projetos arqui te -
tônicos de hoje. Despojado de qualquer sofis ti -
cação ou modismo, o escritório é uma lufada
de bom gosto, todo branco, com janelões de
vidro que emolduram o mar azul. Nas pare des,
a mar ca do dono: retas e curvas em total
liberdade a formar desenhos e pilares
filosóficos (...).
(LOBATO, Eliane. IstoÉ, 16/10/2002. p. 7.)
Exercícios Resolvidos
É a palavra que modifica o substantivo, exprimindo
aparência, modo de ser, qualidade, estado ou condição.
Exemplos
Locução adjetiva
É a expressão formada de preposição mais substan -
tivo com valor e emprego de adjetivo. Observe que a
preposição faz com que um substantivo se una a outro
para qualificá-lo, caracterizá-lo.
homem (substantivo) sorte (substantivo)
Homem de sorte
= sortudo (qualifica o substantivo,
como faz todo adjetivo)
Exemplos
Adjetivos pátrios ou gentílicos
É a procedência, a origem mostrada no adjetivo.
Exemplos
Imensas noites de inverno,
com frias montanhas mudas,
e o mar negro, mais eterno,
mais terrível, mais profundo.
(Cecília Meireles)
amor de pai (paterno)
presente de rei (real)
azul do céu (celeste)
Quem nasce em Salvador da Bahia é sote -
ropolitano, no Rio Grande do Norte é poti guar,
em Santa Catarina é catarinense, em Fortaleza
é fortalezense, em Florianó polis é florianopo -
litano, na Guatemala é guate mal teco, em
Tânger é tangerino, na Nova Zelândia é
neozelandês.
13
Palavras-chave:
Adjetivo • Caracterização
• Qualificação
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42 PORTUGUÊS
 (UEL) – Sobre o escri tório descrito no
texto, é correto afirmar:
a) Apesar de luxuoso e aconchegante, tem
uma decoração bastante comum.
b) O acesso a ele se dá por uma escada anti -
qua da para os modernos padrões arqui tetô -
nicos.
c) Sua decoração é muito sofisticada e segue
as tendências da moda atual.
d) Seu estilo segue o padrão convencional da
fachada do edifício.
e) Segue as tendências da moda atual, mas não
reflete a personalidade de seu pro prie tário.
Resolução
O trecho que confirma como se chega ao
escritório de Oscar Niemeyer é: “...subir uma
escadinha meio rocambolesca, impro vável em
projetos arquitetônicos de hoje”.
Resposta: B
� (UEL) – Os adjetivos “controverso”,
“brava” e “rocambolesca” utilizados no texto
para caracterizar “verde”, “reminiscência” e
“escadinha” podem ser entendidos, respecti -
va mente, como
a) escuro, constante e estreita.
b) agressivo, desfeita e de metal. 
c) discutível, resistente e espiralada.
d) espalhafatoso, agradável e íngreme. 
e) sombrio, agressiva e fora de moda.
Resolução
Além dos sinônimos apresentados na resposta,
controverso significa “polêmico, duvidoso”;
brava está em sentido figurado, significa
“forte” e é termo empregado para intensificar
a expressão “reminiscência da década de 50”;
rocambolesca tem sentido figurado e significa
“em forma de espiral”.
Resposta: C
� Da tirinha acima,
a) transcreva as palavras que caracterizam as mulheres
inglesas;
RESOLUÇÃO: 
“Bonitas, sensuais, bem vestidas e espirituosas.”
b) identifique a classe de palavras que serve para caracterizar ou
qualificar os substantivos;
RESOLUÇÃO: 
A classe gramatical ou de palavras é o adjetivo.
c) transforme o adjetivo inglesas em uma locução formada de
preposição e substantivo.
RESOLUÇÃO: 
da Inglaterra (mulheresda Inglaterra).
� Considerando que a locução da Inglaterra substitui o
adjetivo inglesas, que nome recebe essa locução?
RESOLUÇÃO: 
Recebe o nome de locução adjetiva, pois tem valor de adjetivo.
 Em que consiste o humor da tirinha?
RESOLUÇÃO:
Consiste no fato de Hagar ter descrito com precisão as mulheres
inglesas e em seguida ter afirmado que nem as notou.
Exercícios Propostos
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43PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
�
a) No texto, grife com um traço os adje ti vos e com dois as
locuções adjetivas (expressão cons tituída de preposição e
substantivo que caracteriza o subs tan tivo).
RESOLUÇÃO: 
São adjetivos: calmo, triste, magro, vazios, amar go, paradas, frias,
mortas, simples, certa, fácil, perdida.
São locuções adjetivas: de hoje (adjetivo = hodierno, atual), sem
força (não há adjetivo correspondente, poderia ser trocado por
fracas). 
b) O que o emprego dos adjetivos e das locuções adje tivas
sugere no texto?
RESOLUÇÃO: 
Sugere a amargura, a perda de vitalidade provocada pelo
envelhecimento.

 (UNIV. FED. DE JUIZ DE FORA-MG) – A res peito da frase:
“... eu não sou propriamente um autor defunto, mas um defunto
autor...” (Machado de Assis) são feitas as seguintes afirmações: 
I. No primeiro caso, autor é substantivo; defunto é adjetivo.
II. No segundo caso, defunto é substantivo; autor é adjetivo.
III. Em ambos os casos tem-se um substantivo composto.
Assinale:
a) Se I e II forem verdadeiras.
b) Se I e III forem verdadeiras. 
c) Se II e III forem verdadeiras.
d) Se todas forem verdadeiras.
e) Se todas forem falsas.
Resposta: A
Texto para a questão 	.
� (FUVEST) – No texto, as palavras destacadas rico e pobre
perten cem a diferentes classes de palavras, conforme o grupo
sintático em que estão inseridas.
a) Obedecendo à ordem em que aparecem no texto, identi fique
a classe a que pertencem, em cada ocorrência destacada, as
palavras rico e pobre.
RESOLUÇÃO:
Ricos é substantivo em "... ricos prejudicam"; pobres é adjetivo em
"países pobres"; pobres é substantivo em "os pobres"; ricos é
adjetivo em "mercados ricos".
b) Escreva duas frases com a palavra brasileiro, empregando-
a cada vez em uma dessas classes.
RESOLUÇÃO:
Há inúmeras possibilidades de construção de frases. O importante
é que a palavra seja usada ora como substantivo, ora como
adjetivo.
Exemplos:
O brasileiro admira muito futebol. (substantivo)
O futebol brasileiro revela, constantemente, grandes joga dores.
(adjetivo)
RETRATO
Eu não tinha este rosto de hoje,
assim calmo, assim triste, assim magro
nem estes olhos vazios,
nem o lábio amargo.
Eu não tinha estas mãos sem força,
tão paradas e frias e mortas;
eu não tinha este coração
que nem se mostra.
Eu não dei por esta mudança,
tão simples, tão certa, tão fácil:
– Em que espelho ficou perdida
a minha face?
(Cecília Meireles)
Segundo a ONU, os subsídios dos ricos preju dicam o
Terceiro Mundo de várias formas: 1. man têm baixos os
preços internacionais, desvalorizando as exportações dos
países pobres; 2. excluem os pobres de vender para os
mercados ricos; 3. expõem os produtores pobres à
concorrência de produtos mais baratos em seus próprios
países.
(Folha de S.Paulo, 02/11/1997, E-12)
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� (UFP) – A expressão em que a mudança de colo cação de
seus termos altera por completo o sentido do adjetivo é:
a) velho fidalgo – fidalgo velho.
b) índio tímido – tímido índio.
c) coração nobre – nobre coração.
d) pobre índio – índio pobre.
e) admiração ardente – ardente admiração.
Resposta: D
Leia o trecho do poema de Ruth do Carmo, extraído do livro
Sobre Vida. e responda a questão �.
� (UNIFESP) – É correto afirmar que o eu lírico
a) apresenta o tio como um peso à rotina familiar, o que se pode
comprovar com os versos Meu tio está velho / e não entende
o que se fala / (ouve menos).
b) se reporta à fragilidade do tio e demonstra afeição por ele, o
que se comprova com os versos mas está aqui, / ali,
sentadinho.
c) se distanciou deliberadamente do tio, o que se comprova
com os versos às vezes trocamos ideias / (tentamos).
d) tem o tio como uma pessoa atenciosa e cautelosa, o que
pode ser comprovado com o verso O meu velho tio olha ao
redor.
e) sente que o tio tem pouco interesse pelas pessoas, o que
se comprova com os versos e não entende / o que se fala.
RESOLUÇÃO:
O adjetivo usado no diminutivo, “sentadinho”, é claramente
afetivo.
Resposta: B
Texto para o teste �.
� Os gêneros são definidos, entre outros
fatores, por sua função social. Nesse texto,
um verbete foi criado pelo autor para
a) atribuir novo sentido a uma palavra.
b) apresentar as características de um produto.
c) mostrar um posicionamento crítico.
d) registrar o surgimento de um novo termo.
e) contar um fato do cotidiano.
RESOLUÇÃO:
Por meio da reflexão sobre a acepção da palavra “diferenciado”, o
autor explicita o sentido que o adjetivo tem no anúncio citado
“mais caro”. Assim, mostra um posicionamento crítico ao
desvendar a significação subentendida do termo.
Resposta: C
TIO
Meu tio está velho
e não entende
o que se fala
(ouve menos)
mas está aqui,
ali, sentadinho,
sem camisa,
magro,
os pelos do peito
esbranquiçados.
O meu velho tio olha ao redor,
às vezes trocamos ideias
(tentamos).
GLOSSÁRIO DIFERENCIADO
Outro dia vi um anúncio de alguma coisa que não lembro
o que era (como vocês podem deduzir, o anúncio era
péssimo). Lembro apenas que o produto era diferenciado,
funcional e sustentável. Pensando nisso, fiz um glossário de
termos diferenciados e suas respectivas funcionalidades.
Diferenciado: um adjetivo que define um substantivo mas
também o sujeito que o está usando. Quem fala
“diferenciado” poderia falar “diferente”. Mas escolheu uma
palavra diferenciada. Porque ele quer mostrar que ele próprio
é “diferenciado”. Essa é a função da palavra “diferenciado”:
diferenciar-se. Por diferençado, entenda: “mais caro”.
Estudos indicam que a palavra “diferenciado” representa um
aumento de 50% no valor do produto. É uma palavra que faz
a diferença.
(DUVIVIER, G. Disponível em: www1.folha.uol.com.br.
Acesso em: 17 nov. 2014 – adaptado.)
44 PORTUGUÊS
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45PORTUGUÊS
Elementos predominantes na descrição
• Frases nominais (sem verbo) ou orações em que
predominam verbos de estado ou condição (ser, estar,
ficar, permanecer etc.). 
Sol já meio de esguelha, sol das três horas. A areia, um
borralho de quente. A caatinga, um mundo perdido. Tudo,
tudo parado: parado e morto.
(Mário Palmério)
Efetivamente a rua era aquela; e o velho palácio estava na
minha frente. Era um palácio de trezentos anos, cor de barro,
que me parecia muito familiar quanto ao desenho de sua alta
porta, aos ornatos das colunas e ao lançamento da escada
do vestíbulo.
(Cecília Meireles)
• Frases enumerativas: sequência de nomes, geralmente
sem verbo:
A cama de ferro; a colcha branca, o travesseiro, com
fronha de morim. O lavatório esmaltado, a bacia e o jarro.
Uma mesa de pau, uma cadeira de pau, o tinteiro, papéis,
uma caneta. Quadro na parede.
(Érico Veríssimo)
• Figuras de linguagem: recursos expressivos, geralmente
em linguagem conotativa. As mais usadas na descrição são
a metáfora, a comparação, a prosopopeia, a onomatopeia e a
sinestesia.
O rio era aquele cantador de viola, em cuja alma se refletia
o batuque das estrelas nuas, perdidas no vácuo
milenarmente frio do espaço... Depois ele ia cantando isso
de perau em perau, de cachoeira em cachoeira...
(Bernardo Élis)
A descrição é um texto, literário ou não, em que se
caracterizam seres, coisas e paisagens. A pormenorização que
individualiza o ser descrito é obtida pelo uso de adjetivos,
figuras de linguagem e verbos de estado ou condição. A
caracterização obedece a uma delimitação espacial. Quase
sempre a descrição vem mesclada a outras modalidades,
caracterizando uma personagem, detalhando um cenário, um
ambiente ou paisagem, dentro de um romance, conto, crônica
ou novela. A descriçãopura aparece geralmente como parte
de um relatório técnico, como no caso da descrição de peças
de máquinas, órgãos do corpo humano, funcionamento de
determinados aparelhos (descrição de processos ou funcional).
• Sensações: uso dos cinco sentidos, ou seja, das
percepções visuais, auditivas, gustativas, olfativa e táteis.
Os sons se sacodem, berram... Dentro dos sons movem-
se cores, vivas, ardentes... Dentro dos sons e das cores,
movem-se cheiros, cheiro de negro. Dentro dos cheiros, o
movimento dos tatos violentos, brutais... Tatos, sons, cores,
cheiros se fundem em gostos de gengibre...
(Graça Aranha)
DESCRIÇÃO OBJETIVA E SUBJETIVA
A descrição objetiva é a reprodução fiel do objeto. É
a visão das características do objeto (tamanho, cor, forma,
espessura, consistência, volume, dimensões etc), segundo
uma percepção comum a todos, de acordo com a realidade.
Na descrição objetiva, há grande preocupação com a exatidão
dos detalhes e a precisão vocabular. O observador descreve
o objeto tal qual ele se apresenta na realidade.
Amanhecera um domingo alegre no cortiço, um bom dia
de abril. Muita luz e pouco calor.
As tinas estavam abandonadas; os coradouros despidos.
Tabuleiros e tabuleiros de roupa engomada saiam das
casinhas, carregados na maior parte pelos filhos das próprias
lavadeiras que se mostravam agora quase todas de fato
limpo; os casaquinhos brancos avultavam por cima das saias
de chita de cor. (...)
(Aluísio Azevedo)
A descrição subjetiva é a apreensão da realidade
interior , isto é, o modo particular e pessoal de o escritor ou
redator sentir e interpretar o que descreve, traduzindo as
impressões que tem da realidade exterior.
Na descrição subjetiva, não deve haver preocupação quanto
à exatidão do objeto descrito. O que importa é transmitir a
impressão que o objeto causa ao observador:
Há um pinheiro estático e extático, há grandes salso-
chorões derramados para o chão, e a graça menina de uma
cerejeira cor de vinho, que o sol oblíquo acende e faz fulgurar;
mas o álamo junto do portão tem um vigor e uma pureza que
me fazem bem pela manhã, como se toda manhã, ao abrir a
janela, eu visse uma jovem imersa, muito clara, de olhos
verdes, de pé, sorrindo para mim.
(Rubem Braga)
14
Palavras-chave:
Descrição 
(objetiva e subjetiva)
• Figuras de
Linguagem
• Sensações-
percepções
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46 PORTUGUÊS
Texto para as questões � e �.
Mas, afinal, as chuvas cessaram, e deu
uma manhã em que Nhô Augusto saiu para o
terreiro e desconheceu o mundo: um sol,
talqualzinho a bola de enxofre do fundo do
pote, marinhava céu acima, num azul de água
sem praias, com luz jogada de um para outro
lado, e um desperdício de verdes cá embaixo –
a manhã mais bonita que ele já pudera ver.
(...)
De repente, na altura, a manhã gargalhou:
um bando de maitacas passava, tinindo guizos,
partindo vidros, estrale jando de rir.
(Guimarães Rosa)
� O trecho acima caracteriza uma paisagem,
pormenorizada por meio de linguagem figurada
e impressões sensoriais. Pode-se clas sificar a
descrição como
a) objetiva, porque traduz a realidade em
linguagem denotativa.
b) dinâmica, porque predominam trechos em
que os seres aparecem em movimento.
c) estática, pois os elementos que compõem
a paisagem estão imóveis.
d) subjetiva, pois predomina linguagem cono -
tativa, rica em figuras de linguagem e
impres sões sen so riais.
e) estática e objetiva, além da imobilidade dos
seres, a linguagem é referencial.
Resolução
A descrição é subjetiva porque a paisagem foi
transfigurada pela sensibilidade do narrador.
Resposta: D
� Nos trechos abaixo, extraídos do texto,
foram identificadas figuras de linguagem e
impressões senso riais.
Assinale a alternativa cuja identificação está
incorreta:
a) “De repente, na altura, a manhã garga -
lhou...” – prosopopeia, impressão auditiva.
b) “...um sol, talqualzinho a bola de enxofre do
fundo do pote,...” – comparação, impressão
visual.
c) “...um bando de maitacas passava, tinindo
guizos, partindo vidros, estralejando de rir”
– onomatopeia, impressão auditiva.
d) “...um sol, (...) marinhava céu acima, num
azul de água sem praias,...” – metáfora,
impressão visual.
e) “...e um desperdício de verdes cá em -
baixo...” – sinestesia, impressão visual.
Resolução
Em desperdício de verdes cá embaixo há me -
tonímia, porque o narrador se refere ao pre -
domínio do verde na natureza, vista, portanto,
como um todo, sem que se visualizem as
partes (árvores, arbustos etc.) que a compõem.
A impressão que predomina no trecho é
realmente a visual.
Resposta: E
Texto para as questões de � a 
.
1 – Encatarroado: enrouquecido. 
2 – Gorgolejo: ruído que lembra gargarejo. 
3 – Arengar: comandar. 
4 – Desconchavar: desencaixar. 
5 – Decrépita: muito velha, muito usada.
� Após a leitura do texto, você depreende que o narrador está
contando uma história (narração), mas nela predominam
aspectos descritivos. Você classificaria essa descrição como
objetiva ou subjetiva?
RESOLUÇÃO: 
O texto apresenta descrição subjetiva, com predomínio de ima -
gens senso riais e auditivas ("sono, cheio de ruídos, um canto de
bêbado, pancadas fanhosas do relógio, som arrastado"); visuais
("A luz da lâmpada, noite"), sinestésicas ("fria gem doce", "ordens
ásperas"), misturadas a certas impressões de natureza psí quica do
autor ("pancadas fanhosas do relógio, sono cheio de ruídos").
� Destaque do texto algumas frases nominais (sem verbo ou
com verbos que indicam estado).
RESOLUÇÃO: 
“Som arrastado, encatarroado e descontente, gorgolejo de sufo -
cação.”
 Aponte elementos que caracterizam o sentimento de
inquietação da personagem.
RESOLUÇÃO: 
Sono agitado – “pancadas fanhosas do re ló gio”.
INSÔNIA
Noite. A treva chega de repente, entra pelas janelas, vence
a luz da lâmpada. Uma friagem doce. A chuva a çoi ta as
vidraças. Durmo uns minutos, acordo, adormeço novamente.
Neste sono cheio de ruídos espaçados – rolar de automóveis,
um canto de bêbado, lamentações de ou tros doentes
avultam as pancadas fanhosas do relógio. Som arrastado,
encatar roado1 e descontente, gorgolejo2 de sufocação.
Nunca houve relógio que tocasse de seme lhante maneira.
Deve ser um mecanismo estragado, velho, friorento, com
rodas gastas e desdentadas. Meu avô repreendia numa fala
assim lenta e aborrecida quando me ensinava na cartilha a
soletração. Voz autoritária e nasal costumada a arengar3 os
pretos da Fazenda, em ordens ásperas que um pigarro
interrompia. O relógio tem aquele pigarro de tabagista velho,
parece que a corda se descon chavou4 e a máquina
decrépita5 vai descansar.
(Graciliano Ramos)
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 46
47PORTUGUÊS
� Há no texto uma predominância de sensações auditivas.
Identifique algumas.
RESOLUÇÃO: 
São exemplos de percepções auditivas: "sono cheio de ruídos";
"voz autoritária"; "rolar de auto móveis"; "um canto de bêbado";
"voz autoritária e nasal" etc.

 Quais as sensações usadas para criar a imagem sinestésica
que aparece em "uma friagem doce"?
RESOLUÇÃO: 
Há o cruzamento de sensações por meio da imagem tátil (fria gem)
e gustativa (doce).
Para responder às questões de � a �, leia o seguinte texto,
em que a autora, colunista de gastronomia, recorda cenas de
sua infância:
� (FGV) – Dentre as reminiscências da autora, há algumas que têm
um caráter negativo ou desagradável, e outras, um caráter positivo ou
agradável. Essa oposição distingue o que está descrito nos dois trechos
citados em:
a) “fantasma em cinzento”; “geometria esturricada”.
b) “vale de lágrimas”; “buxinhos com formato rígido e duras palmas”.
c) “passado embrulhado em papel de seda amarfanhado”; “uvas de
chocolate”.
d) “urubus rodando alto”; “segredos enterrados”.
e) “jardins suspensos da Babilônia”; “cacho enorme de uvas enroladas
em papel brilhante azul”.
RESOLUÇÃO:
A metáfora “passado embrulhado em papel de seda amarfa nha -
do” tem sentido negativo, pois conota algo gasto e antiquado.
“Uvas de chocolate” temsentido positivo para a narradora, porque
lhe pareceram apetitosas.
Resposta: C
� (FGV) – Considerando-se os elementos descritivos presentes no
texto, é correto apontar, nele, o emprego de
a) estruturas sintáticas que reforçam a objetividade das observações
da autora.
b) substantivos e adjetivos que expressam afetividade na apresen ta -
ção do que está sendo descrito.
c) neutralidade mais acentuada na caracterização das pessoas do que
na das coisas.
d) palavras (substantivos, adjetivos e verbos) que desta cam traços exte -
rio res das pessoas, em detrimento da análise de sua interioridade.
e) referências genéricas aos objetos recordados, o que evita atribuir-
lhes particularidades concretas.
RESOLUÇÃO:
Os adjetivos e substantivos são empregados várias ve zes de modo
subjetivo, registrando as impressões e a afetividade da narradora.
Resposta: B
� (FGV) – Embora tenha sido publicado em jornal, o texto contém
recursos mais comuns na linguagem literária do que na jornalística.
Exemplificam tais recursos a hipérbole e a metáfora, que ocorrem,
respectivamente, nos seguintes trechos:
a) “corredores de portas muito altas”; “fantasma em cinzentos”.
b) “vale de lágrimas”; “passado embrulhado em papel de seda”.
c) “doida de desejo”; “um barulho de copos tinindo”.
d) “mulheres desesperadas”; “sob o céu de anil de Minas”.
e) “roça brilhante de sol”; “chocolates sedutores e proibidos”.
RESOLUÇÃO:
A hipérbole é uma figura de pensamento em que há o exagero de
uma ideia, como a expressão “vale de lágrimas”. Ocorre metáfora
em “passado embrulhado em papel de seda”, que conota a
persistência idealizada do passado. 
Resposta: B
Enfim, Belo Horizonte para mim era uma terra triste, de
mulhe res desesperadas e mudas enterradas no tempo,
chocolates se dutores e proibidos. Só valia como passagem
para a roça brilhante de sol que me esperava.
(Nina Horta, Folha de S. Paulo, 17/07/2013. Adaptado.)
UMA TIA-AVÓ
Fico abismada de ver de quanta coisa não me lembro. Aliás,
não me lembro de nada.
Por exemplo, as férias em que eu ia para uma cidade do
interior de Minas, acho que nem cidade era, era uma rua, e
passava por Belo Horizonte, onde tinha uma tia-avó.
Não poderia repetir o rosto dela, sei que muito magra, vestido
até o chão, fantasma em cinzentos, levemente muda,
deslizando por corredores de portas muito altas.
O clima da casa era de passado embrulhado em papel de
seda amarfanhado, e posto no canto para que não se atrevesse
a voltar à tona. Nem um riso, um barulho de copos tinindo.
Quem estava ali sabia que quanto menos se mexesse menor o
perigo de sofrer. Afinal o mundo era um vale de lágrimas.
A casa dava para a rua, não tinha jardim, a não ser que você
se aventurasse a subir uma escada de cimento, lateral, que te
levava aos jardins suspensos da Babilônia.
Nem precisava ser sensível para sentir a secura, a geometria
esturricada dos canteiros sob o céu de anil de Minas. Nada, nem
uma flor, só coisas que espetavam e buxinhos com formatos
rígidos e duras palmas e os urubus rodando alto, em cima,
esperando… O quê? Segredos enterrados, medo, sentia eu
destrambelhando escada abaixo.
Na sala, uma cristaleira antiga com um cacho enorme de
uvas enroladas em papel brilhante azul.
Para mim, pareciam uvas de chocolate, recheadas de
bebida, mas não tinha coragem de pedir, estavam lá ano após
ano, intocadas. A avó, baixinho, permitia, “Quer, pode pegar”,
com voz neutra, mas eu declinava, doida de desejo.
Das comidas comuns da casa, não me lembro de uma
couvinha que fosse, não me lembro de empregadas,
cozinheiras, sala de jantar, nada.
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48 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (2021 – 2.a aplicação) – Em relação ao
propósito comunicativo anunciado no título do
texto, esse gênero promove uma quebra de
expectativa ao
a) abordar aspectos físicos e políticos do país de maneira
impessoal.
b) apresentar argumentos plausíveis sobre a estrutura
geopolítica do Brasil.
c) tratar aspectos físicos e políticos do país por meio de
abordagem cômica.
d) trazer informações relevantes sobre os aspectos físicos e
políticos do Brasil.
e) propor uma descrição sucinta sobre a organização física e
política do Brasil.
RESOLUÇÃO:
O texto, como um todo, apresenta uma descrição física e política
do Brasil feita com afirmações tautológicas, por exemplo, “ É um
país grande, porque, medida sua extensão, verifica-se que não é
pequeno”. Desse modo, há uma quebra de expectativa do leitor,
que, em vez de encontrar elementos caracterizadores do relevo,
fauna e flora do País, bem como de sua organização política,
encontra uma série de expressões redundan tes, que nada
informam.
Resposta: C
Texto para o teste �.
� Sobre o texto acima, não se pode afirmar que
a) predomina a descrição subjetiva pelo uso de com para ções
na caracterização das mãos da persona gem.
b) “carregar em sua seiva” e “mapas de segredos e desco bri -
mentos” configuram metáforas.
c) o título “A beleza das ruínas” confirma-se na com pa ra ção
entre as mãos da velha e as construções anti gas.
d) enquanto nas ruínas é a pedra que conta histórias, na velha,
é a pele das mãos.
e) “São como troncos, como garras de pássaros” são exemplos
de sinestesia.
RESOLUÇÃO:
Os trechos são exemplos de comparação.
Resposta: E
A BELEZA DAS RUÍNAS
A velha está sentada à mesa. As mãos trêmulas
cruzadas à frente, na altura do rosto, como se rezas se.
Dessas mãos escorrem veias grossas que pa re cem carregar
em sua seiva a história de muitas dé cadas. São como
troncos, como garras de pás saros, de pele áspera e
desenhada por sulcos, veios, nós. Traz manchas de vários
matizes, mapas de segredos e descobrimentos. Há beleza
nessas mãos, nesses braços desfeitos. É a mesma beleza
que vemos nas construções antigas, nas ruínas. Só que ali é
a pedra — e não a pele — que nos conta histórias.
(Heloísa Seixas)
O BRASIL (DESCRIÇÃO FÍSICA E POLÍTICA)
O Brasil é um país maior do que os menores e menor do
que os maiores. É um país grande, porque, medida sua
extensão, verifica-se que não é pequeno. Divide-se em três
zonas climatéricas absolutamente distintas: a primeira, a
segunda e a terceira. Sendo que a segunda fica entre a
primeira e a terceira. Há muitas diferenças entre as várias
regiões geográficas do país, mas a mais importante é a
principal. Na agricultura faz-se exclusivamente o cultivo de
produtos vegetais, enquanto a pecuária especializa-se na
criação de gado. A população é toda baseada no elemento
humano, sendo que as pessoas não nascidas no país são,
sem exceção, estrangeiras. Tão privilegiada é hoje, enfim, a
situação do país que os cientistas procuram apenas descobrir
o que não está descoberto, deixando para a indústria tudo o
que já foi aprovado como industrializável e para o comércio
tudo o que é vendável. É, enfim, o país do futuro, e este se
aproxima a cada dia que passa.
(FERNANDES, M. In: ANTUNES, I. Língua, texto e ensino: outra
escola possível. São Paulo: Parábola, 2009 – Adaptado.)
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49PORTUGUÊS
Texto para os testes de � a 
.
Houve um tempo em que a minha janela se
abria para um chalé. Na ponta do chalé brilhava
um grande ovo de louça azul. Nesse ovo
costumava pousar um pombo branco. Ora, nos
dias límpidos, quando o céu ficava da mesma
cor do ovo de louça, o pombo parecia pousado
no ar. Eu era criança, achava essa ilusão
maravilhosa, e sentia-me completamente feliz.
Houve um tempo em que minha janela dava
para um canal. No canal oscilava um barco. Um
barco carregado de flores. Para onde iam
aquelas flores? quem as comprava? em que
jarra, em que sala, diante de quem brilhariam,
na sua breve existência? e que mãos as tinham
criado? e que pessoas iam sorrir de alegria ao
recebê-las? Eu não era mais criança, porém
minha alma ficava completamente feliz. [...]
Mas, quando falo dessas pequenas felicida -
des certas, que estão diante de cada janela, uns
dizem que essas coisas não existem diante das
minhas janelas, e outros, finalmente, que épre -
ciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
(Cecília Meireles, “A arte de ser feliz”,
Em: Escolha seu sonho, p. 24.)
� (UFSCar) – A alter nativa que sintetiza mais
adequa damente o conteúdo do texto de Cecília
Meireles é:
a) Quase sempre, água mole em pedra dura
tanto bate até que fura.
b) Os olhos somente veem aquilo para que
nossa mente está preparada.
c) Ceda à tentação; pode ser que ela não se
apresente novamente.
d) Aquilo que os nossos olhos não veem o
nosso coração não sente.
e) Quem é inteligente não se aborrece em
nenhuma circuns tância.
Resolução
A frase final do texto refere-se a “aprender a
olhar” para ver aquilo que a autora via, mas
outros não. Portanto, a percepção visual
depende de estarmos preparados — mental -
mente prepa rados — para vermos as coisas; ou
seja, não basta que as coisas este jam diante de
nós, se não estivermos preparados para vê-las.
Resposta: B
� (UFSCar) – Assinale a alternativa em que
o emprego do verbo dar se aproxima mais da
maneira como é empregado no trecho: “Houve
um tempo em que minha janela dava para um
canal.”
a) Às vezes, minha imaginação dava com ela a
sorrir ao meu lado.
b) Faz um ano que seu amigo não dá sinal de
vida.
c) Deu na televisão que vai chover amanhã à
tarde.
d) No final da corrida, Felipe Massa deu tudo o
que pôde.
e) É preciso dar andamento àquele seu projeto.
Resolução
Em “...minha janela dava para um canal.”, o
sentido de dar para é “abrir-se para (uma vista);
ter vista para ou sobre” (Dicionário Houaiss).
Na alternativa a, em “...minha imaginação dava
com ela a sorrir...”, o sentido de dar com é
“deparar-se com, topar, encontrar” (ib.). Não é
o mesmo sentido, mas é o que mais se
aproxima, pois nas demais alternativas o verbo
dar tem sentidos bem diferentes: “apresentar”
(b), “ser noticiado” (c), “esforçar-se” (d) e “con -
duzir (algo a seu prosseguimento)” (e).
Resposta: A
 (UFSCar) – Na expres são “...um grande
ovo de louça azul.”, o adje tivo azul tanto pode
estar modificando louça quanto ovo de louça.
Nesse caso, não há prejuízo para o
entendimento do texto. Nem sempre, contudo,
isso acontece. Assinale a alternativa em que o
sentido se modifica con forme o adjetivo afete
palavras diferentes.
a) Procuram-se vendedores de motos recon -
dicionadas.
b) Vendem-se meias para crianças brancas.
c) Apoiamos as medidas da comissão nova.
d) Vivemos uma época de mudanças bruscas.
e) Fundou-se uma ONG de intenções nobres.
Resolução 
O adjetivo brancas, caracterizando tanto meias
quanto crianças, provoca um sentido dúbio,
porque não se sabe a que substantivo ele se
refere: meias brancas ou crianças brancas.
Resposta: B
� Dê a locução adjetiva correspondente ao
adjetivo destacado:
a) “A chuva, em gotas glaciais,
Chora monotonamente.”
(Manuel Bandeira)
Resolução
de gelo.
b) As percepções sensoriais, levadas à me -
mória, transfor mam-se em arquivos
cognitivos.
Resolução
dos sentidos, do conhecimento.
c) As águas pluviais correm para juntar-se às
fluviais.
Resolução
da chuva, dos rios.
d) Sua tez nívea dava-lhe uma aparência
espectral.
Resolução
de neve, de fantasma (espectro).
e) Nas águas lacustres, havia uma grande
variedade píscea.
Resolução
do lago, de peixes.
f) Não aguentava mais a comida insossa e
insípida do hospital.
Resolução
sem sal, sem gosto.
Exercícios Resolvidos
Locução adjetiva é uma expressão formada de preposição e substantivo que, geralmente, qualifica o substantivo
que o antecede.
16
Palavras-chave:
Locução adjetiva • Ampliação 
do léxico
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 49
50 PORTUGUÊS
Texto para as questões � e �.
� (FUVEST) – Os dois elementos do título repre sentam, no
contexto da canção,
a) a expectativa de uma parceria solidária, intensa e amorosa.
b) os termos de uma contradição que deve ser superada.
c) o confronto amoroso de dois destinos incom patíveis.
d) uma harmonização ideal, que o cotidiano não permite.
e) a falta de contraste entre dois temperamentos.
RESOLUÇÃO:
“A linha e o linho” representam, metaforicamente, o par afetivo e
consolidam a ideia de completude através da relação amorosa.
Resposta: A
Para interpretar o poema, você entendeu que o compositor
comparou a relação homem/mulher ao linho e à linha. Utilizando
substantivos e verbos do campo semântico de cos tura (agulha,
ponto a ponto, zigue-zague, bordado, bor dando), ele criou uma
letra que traduz o que ele espera da relação amorosa.
Observe que há apenas dois adjetivos e muitas locuções
adjetivas.
� a) Quais são os adjetivos e que substantivos eles
qualificam?
RESOLUÇÃO:
O adjetivo "loucos" qualifica "sentimentos" e "gene rosa" qualifica
"curva".
b) Grife no próprio texto as locuções adjetivas e responda se
elas podem ser trocadas por um adjetivo equivalente.
Obs.: Não se esqueça de que locução adjetiva é uma expres -
são formada de preposição e substantivo que qualifica o
subs tantivo que a antecede.
RESOLUÇÃO:
Locuções adjetivas: “do real”, “da fantasia”, “do tormento”, “da
alegria”, “da rosa”, “da paixão”, “de cama”, “de mesa”, “da
beleza”.
Nem todas as locuções adjetivas podem ser substituídas por um
adjetivo porque não existe um adjetivo equi va lente, ou porque o
sentido se alteraria.
c) Cite dois exemplos que comprovam a resposta à pergunta
anterior.
RESOLUÇÃO:
Trocar do real por realista altera o sentido de “agulha do real”. “De
cama” e “de mesa” não têm adjetivos equivalentes.
d) As locuções adjetivas “da alegria” e “da beleza” poderiam
ser substituídas por adjetivos, sem prejuízo do sentido
original? Justifique.
RESOLUÇÃO:
"Da alegria" poderia ser trocada pelo adjetivo alegres (cores
alegres), mas o paralelismo com a expressão anterior (“zigue-
zague do tormento”) seria quebrado. Em "ninho da beleza" poderia
ser empregado ninho belo. Note, porém, que também nesse caso
o sentido original seria alterado.
Agora que você consegue reconhecer a locução adjetiva, faça os
exercícios seguintes que servirão para ampliar seu vocabulário.
Procure incorporar essas palavras ao seu repertório linguístico e
empregá-las nos textos que você vai produzir.
 Grife as locuções adjetivas nas frases a seguir e, quando
possível, substitua-as por um adjetivo equivalente, observando
a concordância.*Professor, incentive o aluno a responder e crie
outras frases, oralmente, utilizando os adjetivos encontrados.
a) O planeta Vênus, também conhecido como Vésper, aparece à
tarde, por isso é conhecido como estrela da tarde.
RESOLUÇÃO: 
da tarde = vespertina
A LINHA E O LINHO
É a sua vida que eu quero bordar na minha
Como se eu fosse o pano e você fosse a linha
E a agulha do real nas mãos da fantasia
Fosse bordando, ponto a ponto, nosso dia a dia
E fosse aparecendo aos poucos nosso amor
Os nossos sentimentos loucos, nosso amor
O zigue-zague do tormento, as cores da alegria
A curva generosa da compreensão
Formando a pétala da rosa da paixão
A sua vida, o meu caminho, nosso amor
Você a linha, e eu o linho, nosso amor
Nossa colcha de cama, nossa toalha de mesa
Reproduzidos no bordado a casa, a estrada, a correnteza
O Sol, a ave, a árvore, o ninho da beleza.
(Gilberto Gil, Todas as letras)
Exercícios Propostos
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 50
51PORTUGUÊS
b) Estou lendo uma obra de Guimarães Rosa e outra de
Machado de Assis. 
RESOLUÇÃO:
de Guimarães Rosa = rosiana; de Machado de Assis = machadiana 
c) Relatou, durante a terapia, trechos de sonhos em regiões
com gelo.
RESOLUÇÃO:
de sonhos = oníricos; com gelo = glaciais (geladas)
d) O veneno da víbora já comprometera seu frágil organismo
de velho.
RESOLUÇÃO:
da víbora = viperino (de serpente é ofídico); de velho = senil
e) As doenças do corpo muitas vezes refletem os males da
alma.
RESOLUÇÃO:
do corpo = somáticas; da alma = anímicos
f) Os matizes de cores naquele ser de asas eram indes critíveis.
RESOLUÇÃO:
de cores = cromáticos; de asas = alado
g) Não há argumentos de peso que convençam uma teimosia
de pedra.
RESOLUÇÃO:
de peso= ponderáveis; de pedra = pétrea
h) Labaredas de fogo atingiam a região de fábricas da cidade.
RESOLUÇÃO:
de fogo = ígneas; de fábricas = fabril; da cidade = citadina
i) Veículos da mídia têm divulgado os altos inves timentos em
armamentos de guerra.
RESOLUÇÃO: 
da mídia = midiáticos; de guerra = bélicos
j) A análise dos dedos, da pele e do cabelo podia provar se
entrara em contato com o produto tóxico.
RESOLUÇÃO: 
dos dedos = digital; de pele = cutânea ou epidérmica; de cabelo =
capilar
� Substitua a expressão destacada por um adjetivo cor respon -
dente, fazendo as adaptações necessárias.
a) A guerra causa sempre males sem medida.
RESOLUÇÃO: 
males incomensuráveis ou imensuráveis
b) Há emoções que provocam sentimentos que não se
exprimem.
RESOLUÇÃO: 
sentimentos inexprimíveis
c) Recordações felizes da infância não se olvidam jamais.
RESOLUÇÃO: 
são inolvidáveis ou inesquecíveis
d) O menor demonstrou comportamento que não se podia
repreender.
RESOLUÇÃO: comportamento irrepreensível
e) O advogado utilizou argumentos que não se podiam refutar.
RESOLUÇÃO: 
irrefutáveis

 (FECE-Apucarana) – O adjetivo marí timos equi vale à
locução adjetiva dos mares.
Assinale a alternativa em que não há correspon dência entre o
adjetivo e a locução.
a) exangue – sem sangue b) inodoro – sem sabor
c) hepático – do fígado d) bélico – da guerra
e) pluvial – da chuva
RESOLUÇÃO:
O adjetivo inodoro corresponde à locução adjetiva sem cheiro, e
insípido, à locução sem sabor. 
Resposta: B
� (UM-SP) – Aponte a alternativa incorreta quanto à cor -
respondência entre a locução e o adjetivo.
a) Glacial (de gelo); ósseo (de osso).
b) Fraternal (de irmão); argênteo (de prata).
c) Farináceo (de farinha); pétreo (de pedra).
d) Viperino (de vespa); ocular (de olho).
e) Ebúrneo (de marfim); insípida (sem sabor).
RESOLUÇÃO:
O adjetivo viperino corresponde à locução adjetiva de víbo ra; a
locução adjetiva de vespa relaciona-se ao adje tivo ves pídeo. Obs.:
a locução adjetiva de abelha cor respon de ao adjetivo apícola.
Resposta: D
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52 PORTUGUÊS
A captação de uma realidade espacial pode ocorrer de
duas maneiras: estática, como numa fotografia; ou
dinâmica, como num filme. Lendo ou elaborando um texto
descritivo, precisamos formar ou dar a conhecer uma
dessas duas realidades.
Imaginemos um pôr do sol captado por uma máquina
fotográfica e esse mesmo estímulo registrado por uma
filmadora. A concepção fixa da realidade seria dada pela
fotografia; já o movimento do Sol só o filme poderia mostrar.
Observe como o autor, de forma singela, caracteriza um
pôr do sol numa descrição dinâmica.
O Sol, manhoso, vinha botando a cabeça de fora, no horizonte.
Malandro, sem-vergonha!
Olhava o tempo com o pedacinho do olho, indeciso. A cara, ainda
não vermelha, bem dizia que acordava chateado, não queria espantar
o mundo.
Começou somente mostrando a careca da cabeça, que a linha do
horizonte deixava ver. Depois, a fatia foi aumentando, aumentando um
pouco mais até que já se via praticamente a metade da cara dele.
Vinha subindo devagar. Mas um devagar ligeiro, que se percebia
claramente, fácil, fácil.
Afinal, lá apareceu todinho no horizonte, aquele disco alaranjado,
maior do que um prato, calado, imponente, mandando luz para toda parte.
Era o dia.
(Everaldo Moreira Veras)
Dinamicamente, o amanhecer é descrito como um
despertar humano (“O Sol, manhoso, vinha botando a
cabeça de fora, no horizonte. Malandro, sem-vergonha!”).
Todos os movimentos do alvorecer são caracterizados
através da personificação (“Começou somente mostrando
a careca”; “Depois, a fatia foi aumentando”; “Vinha subindo
devagar”; “lá apareceu todinho”; “mandando luz para toda
parte”).
Note que a cena de um incêndio, como a do exemplo a
seguir, só poderia ganhar a intensidade e o movimento que
lhe são próprios através dos recursos da descrição dinâmica:
A um só tempo viram-se fartas mangas de água chicoteando o
fogo por todos os lados; enquanto, sem se saber como, homens, mais
ágeis que macacos, escalavam os telhados abrasados por escadas que
mal se distinguiam; e outros invadiam o coração vermelho do incêndio,
a dardejar duchas em torno de si, rodando, saltando, piruetando, até
estrangularem as chamas que se atiravam ferozes para cima deles,
como dentro de um inferno (...)
(Aluísio Azevedo)
Quando temos o registro de um objeto ou ser em
movimento numa sequência temporal, distinguimos uma
passagem narrativa. Ao se registrar o movimento do ser ou
objeto numa disposição espacial, o resultado é uma
descrição dinâmica.
Texto para a questão �.
CORDÕES
Era em plena rua do Ouvidor. Não se podia
andar. A multidão apertava-se, sufocada. Havia
sujeitos conges tionados, forçando a passagem
com os cotovelos, mulheres afogueadas, crian -
ças a gritar, tipos que berravam pilhérias. A
pletora da alegria punha desvarios em todas as
faces. Era provável que do largo de São
Francisco à rua Direita dançassem vinte cor dões
e quarenta grupos, rufassem duzentos
tambores, zabumbas sem cem bombos, gritas -
sem cinquenta mil pessoas. A rua convulsio nava-
se como se fosse fender, rebentar de luxúria e
de barulho. A atmosfera pesava como chumbo.
[...] Serpentinas riscavam o ar; homens passavam
empapados d'água, cheios de con fete; mulheres
de chapéu de papel curvavam as nucas à etila
dos lança-perfumes, frases rugiam cabeludas,
entre gargalhadas, berros, uivos, guinchos.
(João do Rio, “A Alma Encantadora das Ruas”)
� O fragmento transcrito pode ser classifi -
cado, quanto ao tipo de composição, como
________________ e o emprego de verbos no
pretérito imperfeito indica _______________ .
Assinale a alternativa que completa correta -
mente as lacunas da frase acima. 
a) narração – ações concluídas no passado. 
b) descrição dinâmica – ações em decurso no
passado. 
c) dissertação – simultaneidade de ações no
passado. 
d) descrição estática – ações hipotéticas no
passado.
e) narrativo-descritivo – ações pontuais, con -
cluí das no passado. 
Resolução
Os verbos empregados na caracterização do
cordão carna valesco são de ação, o que impõe
dinamismo à descrição. Os verbos no pretérito
imperfeito indicam ações em processo no
passado. Resposta: B
Texto para as ques tões de � a �.
Imediatamente pôs-se a dançar, tinha a
dança dentro de si, os pés criando passos, o
corpo solto, as mãos batendo o ritmo. Gabriela
olhava; com ela era igual, não se conteve.
Abandonou tabuleiros e panelas, salgados e
doces, a mão a suspender a saia. Gabriela
volteava, a saia voando, os braços indo e
vindo, o corpo a dividir-se e a ajuntar-se, as
ancas a rebolar, a boca a sorrir. 
(Jorge Amado)
� Há repouso ou movimento no trecho
transcrito?
Resolução 
Movimento.
 Qual é a palavra, no texto, que dá movi -
mento, caráter dinâmico à descrição?
Resolução 
O verbo.
� Grife os verbos do texto.
Resolução 
“Pôs-se a dançar”, “as mãos batendo”, “a mão
a suspender a saia”, “volteava”, “voando”,
“indo e vindo”, “dividir-se”, “ajuntar-se”,
“rebolar”.
Exercícios Resolvidos
17
Palavras-chave:
Descrição 
(dinâmica e estática)
• Movimento
• Repouso
• Frases nominais
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53PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
� (FEI) – Divida o texto em 3 partes, indicando início e fim.
Dê um título a cada parte.
RESOLUÇÃO:
1.a parte: A tormenta (linhas 1 a 10).
2.a parte: A bonança, a calmaria (linhas 11 a 15).
3.a parte: A conscientização (linhas 16 a 20).
� (FEI) – Aponte no texto expressões que indicam:
a) emudecimento do eu lírico diante da tormenta;
b) declaração de trégua;
c) ideia de morte.
RESOLUÇÃO:
a) “Impossível descrever a tormenta” ou “síncope das palavras”.
b) “O arco da aliança, o sinal do armistício / assinado entre Deus e
as suas criaturas.”
c) “... fotografia do transeunte que a enxurrada engoliu...”
� (FEI) – Que relação há entre “rosa d’água” (7) e “pétalas
de fogo” (8)?
RESOLUÇÃO: 
“Rosa d’água” refere-se a aguaceiro, enquanto “pétalas de fogo”
denota raios,relâmpagos. Ambas são metáforas que representam
a tempestade violenta. 
� (FEI) – Explique a expressão: “Arco-íris que fugiu da fábula
e da Bíblia” (13).
RESOLUÇÃO:
Trata-se da aliança feita por Deus com os homens após o dilúvio.
Esta fábula é encontrada no livro de Gênesis, na Bíblia Sagrada.
Tirinhas para a questão �.
(Adão Iturrusgarai. Folha de S.Paulo. 12.17.2013)
� (UNIVAG) – Os quadrinhos que compõem a tirinha são
a) dissertativos, pois o leitor recebe informações precisas sobre
a velocidade dos seres apresentados.
b) descritivos, visto que há uma sequência de ações que leva as
personagens a uma interação mútua.
c) descritivos, pois aos elementos comparados são atribuídas
características que os especificam.
d) narrativos, visto que a linguagem verbal complementa a
linguagem não verbal, dando sentido ao texto.
e) narrativos, porque o intuito da tirinha é provocar o riso,
conduzindo o leitor ao anticlímax.
RESOLUÇÃO:
Trata-se de elementos descritivos pois cada um dos quadros
apresenta a ilustração de cada dado apresentado. Resposta: C
1 Impossível descrever a tormenta
2 Sobre a cidade, sobre o arranha-céu de vidro.
3 A hora do pânico.
4 Uma cintilação crua e os fios da iluminação pública e do
[tráfego.
5 Síncope das palavras.
6 As ruas são rios, as casas dos pobres
7 Nadam como peixes nos alagadiços, rosa d’água
8 Que tombou do ar em pétalas de fogo.
9 (Os jornais naturalmente publicarão amanhã a fotografia 
[do transeunte
10 Que a enxurrada engoliu pela boca de um cano de esgoto)
11 Mas surge o arco-íris, grande flor celeste,
12 Girassol fantástico sobre o arranha-céu de vidro.
13 Arco-íris que fugiu da fábula e da Bíblia.
14 O arco da aliança, o sinal do armistício
15 Assinado entre Deus e as suas criaturas.
16 Arco no céu, e íris em nossos olhos
17 Pra nos lembrar que ainda somos náufragos.
18 No céu o arco do triunfo, em nossa íris
19 A água do Dilúvio
20 Que nos escorre pelos olhos, até hoje.
(Cassiano Ricardo)
Exercícios Propostos
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54 PORTUGUÊS
	 Os trechos abaixo apresentam descrição dinâmica e
subjetiva com exemplos de prosopopeia. Assinale o excerto em
que, além da prosopopeia, também há metáfora.
a) “O mar ficava além da restinga, mas a lagoa mansa estava
ali a dois passos. Da Casa Azul, ouvia-se o bater das ondas
na praia, o gemer fundo do mar, que nas noites escuras era
soturno. A lagoa falava baixinho, cantava mais que gemia.” 
(José Lins do Rego)
b) “Cha-mi-né
Torre nova de igreja sem fé,
Canhão monstruoso de tijolos,
vomita, ameaça,
pragueja dia e noite a praga escura da fumaça...” 
(Augusto Mayer) 
c) “Começara a queima. O fogo erguera-se e lambia num
anseio satânico os troncos das árvores. Estas estremeciam
num delicioso espasmo de dor.”
(Graça Aranha)
d) “Por estes dias de março a natureza acorda tarde. Passa as
manhãs embrulhada num roupão de neblina e é com
espreguiçamentos de mulher vadia que despe os céus da
cerração para o banho de sol.”
(Monteiro Lobato)
e) FAVELA
“Meio-dia.
O morro coxo cochila.
O sol resvala devagarinho pela rua
torcida como uma costela.
Aquela casa de janelas com dor de dente
amarrou um coqueiro do lado.
Um pé de meia faz exercício no arame.
Vizinha da frente grita no quintal:
— João! Ó João!”
(Raul Bopp)
RESOLUÇÃO:
Os trechos “Torre nova de igreja sem fé, / Canhão monstruoso de
tijolos” configuram metáfora de “chaminé”.
Resposta: B
Texto para a questão �.
� A autora descreve a importância da manta para
aquela família, ao verbalizar que “novas e
antigas histórias foram sendo incorporadas à
manta mais valiosa do mundo”. 
Essa valorização evidencia-se pela 
a) oposição entre os objetos de valor, como joias, palácios e
quadros, e a velha manta. 
b) descrição detalhada dos aspectos físicos da manta, como cor
e tamanho dos retalhos. 
c) valorização da manta como objeto de herança familiar
disputado por todos. 
d) comparação entre a manta que protege do frio e a manta que
aquecia os pés das crianças. 
e) correlação entre os retalhos da manta e as muitas histórias
de tradição oral que os formavam. 
RESOLUÇÃO:
A manta metaforiza, por meio dos retalhos de que é feita, a história
de vida, preservada pela tradição oral, dos diversos membros de
uma mesma família.
Resposta: E
Manta que costura causos e histórias no seio de uma
familia serve de metáfora da memória em obra escrita
por autora portuguesa 
O que poderia valer mais do que a manta para aquela
família? Quadros de pintores famosos? Joias de rainha?
Palácios? Uma manta feita de centenas de retalhos de
roupas velhas aquecia os pés das crianças e a memória da
avó, que a cada quadrado apontado por seus netos resgatava
de suas lembranças uma história. Histórias fantasiosas como
a do vestido com um bolso que abrigava um gnomo
comedor de biscoitos; histórias de traquina gem como a do
calção transformado em farrapos no dia em que o menino,
que gostava de andar de bicicleta de olhos fechados,
quebrou o braço; histórias de saudades, como o avental que
carregou uma carta por mais de um mês ... Muitas histórias
formavam aquela manta. Os protagonistas eram pessoas da
família, um tio, uma tia, o avô, a bisavó, ela mesma, os
antigos donos das roupas. Um dia, a avó morreu, e as tias
passaram a disputar a manta, todas a queriam, mais do que
aos quadros, joias e palácios deixados por ela. Felizmente, as
tias conseguiram chegar a um acordo, e a manta passou a
ficar cada mês na casa de uma delas. E os retalhos, à medida
que iam se acabando, eram substituídos por outros retalhos,
e novas e antigas histórias foram sendo incorporadas à
manta mais valiosa do mundo.
(LASEVICIUS, A. Língua Portuguesa,
São Paulo, n. 76, 2012 – adaptado.)
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55PORTUGUÊS
Flexão do adjetivo
Os adjetivos simples fazem o plural seguindo as
mesmas regras dos substantivos simples.
Exemplos
Os adjetivos compostos, apenas o último elemento
flexiona-se no feminino, concordando com o substantivo que
o antecede. 
Exemplos
Exceção
Observações
Havendo a ideia de cor no adjetivo composto, far-se-á o
plural mediante a análise morfológica dos elementos do
composto:
1) se o último elemento do adjetivo composto for
adjetivo, haverá apenas a flexão desse último ele mento.
Exemplos
2) se o último ele men to do adjetivo com posto for subs -
tantivo, não haverá flexão, ou seja, o adje tivo fica inva riá vel.
Exemplos
Exceções
cartão igual – cartões iguais
livro útil – livros úteis
rapaz gentil – rapazes gentis
festa luso-hispano-americana
saia verde-escura
criança surda-muda
cabelo castanho-escuro – 
cabelos castanho-escuros
tecido verde-claro –
tecidos verde-claros
tapete verde-esmeralda – 
tapetes verde-esmeralda
terno amarelo-canário –
ternos amarelo-canário
– surdo-mudo (ambos os elementos variam):
rapaz surdo-mudo – rapazes surdos-mudos
crianças surdas-mudas
– azul-marinho (é invariável):
vestido azul-marinho – vestidos azul-marinho
Exercícios Resolvidos
� (FGV) – Aponte a alternativa em que
corretamente se faz a con cordância dos termos
destacados.
a) Disputas sino-soviética, informações
econômico-financeiras, ca misas azul-
piscinas, camisas pastéis.
b) Disputas sino-soviéticas, informações
econômicas-finan cei ras, camisas azuis-
piscina, camisas pastel.
c) Disputas sinas-soviéticas, informações
econômicas-finan cei ras, camisas azul-
piscina, camisas pastéis.
d) Disputas sino-soviéticas, informações
econômicas-financei ras, camisas azul-
piscinas, camisas pastéis.
e) Disputas sino-soviéticas, informações
econômico-financei ras, camisas azul-
piscina, camisas pastel.
Resolução
Nos adjetivos compostos, apenas o último
elemento é flexionado em gênero e número:
disputas sino-sovié ticas e informações eco -
nômico-financeiras. Os adjetivos referentes a
cores são invariáveis quando o segundo
elemento da composição é um substantivo:
camisas azul-piscina. Se o elemento que indica
cor for um subs tan tivo em pregado com valor
de adjetivo, este fica invariável: camisas pastel.Resposta: E
� Indique a alternativa que preenche
corretamente as lacunas.
Trajava à moda antiga uma saia _____________,
uma blusinha _____________ e sorria
timidamente para os rapazes que a cortejavam,
abrindo muito os olhos ____________ onde se
via um brilho de malícia.
a) azul-marinho – verde-clara – castanho.
b) azul-marinha – verde-claro – castanhos.
c) azul-marinha – verde-clara – castanhos.
d) azul-marinha – verde-claro – castanho.
e) azul-marinho – verde-clara – castanhos.
Resolução
Azul-marinho é invariável; verde-clara concorda
com o substantivo blusinha. Resposta: E
19
Palavras-chave:
Adjetivo composto • Efeitos cromáticos
• Sensação visual
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56 PORTUGUÊS
A letra de música acima explora os aspectos cromáticos dos
seres e da paisagem captados pelo observador durante uma
viagem de trem.
�
a) Algumas cores estão em forma de locução adjetiva.
Transcreva três exemplos.
RESOLUÇÃO: “cor de laranja”, “anel de turquesa”, “cor de romã”,
“tom de azul”, “cor de Açaí”.
b) Há uma mesma cor substantivada em dois trechos.
Transcreva os trechos.
RESOLUÇÃO: 
"inexistente azul" e "um azul celeste".
c) Passe para o plural as expressões abaixo extraídas do texto: 
seda azul: sedas azuis
cabelo preto: cabelos pretos
d) Alguns substantivos foram adjetivados para indicar cor.
Transcreva-os acompanhados dos substantivos que quali -
ficam.
RESOLUÇÃO: 
"capim rosa-chá", "olhos luz", "nuvem chumbo", "casas... rosa".
e) Passando para o plural as expressões que estão no singular,
têm-se: capins rosa-chá, nuvens chumbo, casas rosa. O
que se observa ao flexionar em número as expres sões?
RESOLUÇÃO: 
Observa-se que os substantivos usados como adjetivos para
indicar cor ficam invariáveis.
� Observe agora os exemplos abaixo e defina uma regra.
a) As camisetas amarelo-canário coloriam o estádio.
Os ternos cinza-claro estão na moda.
RESOLUÇÃO:
Se o adjetivo composto indicando cor contiver um substan tivo, a
expressão fica invariável.
b) A blusa verde-clara combina com seu olhos.
Os olhos castanho-escuros contrastavam com sua pele clara.
RESOLUÇÃO:
Se o adjetivo composto indicando cor for formado por dois
adjetivos, apenas o último elemento varia.
TREM DAS CORES 
A franja da encosta 
Cor de laranja
Capim rosa-chá
O mel desses olhos luz
Mel de cor ímpar
O ouro ainda não bem verde da serra
A prata do trem
A lua e a estrela
Anel de turquesa
Os átomos todos dançam
Madruga
Reluz neblina
Crianças cor de romã 
Entram no vagão
O oliva da nuvem chumbo 
Ficando 
Pra trás da manhã
E a seda azul do papel
Que envolve a maçã
As casas tão verde e rosa
que vão passando ao nos ver passar
Os dois lados da janela
E aquela num tom de azul 
quase inexistente, azul que não há
Azul que é pura memória de algum lugar
Teu cabelo preto
Explícito objeto
Castanhos lábios
Ou, pra ser exato
Lábios cor de Açaí
E aqui trem das cores
Sabe os projetos
Tocar na Central
E o céu de um azul 
celeste celestial
(Caetano Veloso)
São invariáveis os seguintes adjetivos compostos:
ultravioleta, azul-marinho e azul-celeste.
Exercícios Propostos
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57PORTUGUÊS
� Preencha as lacunas dos exercícios abaixo, empre gando os
adjetivos entre parênteses como compostos. Observe a con -
cordância com o substantivo.
a) O Estatuto da Igualdade Racial é um projeto de lei que
estabelece políticas para favorecer a população ___________
afro-brasileira
________________________________ (africano e brasileiro)
luso-brasileirab) Durante a Copa, a torcida foi ___________________________ 
______________________________ (português e brasi leiro)
c) Os hospitais da rede pública têm escassez de salas 
médico-cirúrgicas______________________________________________________
(médico e cirúr gico)
surdos-mudosd) Indivíduos ___________________________________________
têm dificuldade em encontrar trabalho. (surdo e mudo)
e) Os candidatos sempre prometem resolver os proble mas 
socioeconômicos______________________________________________________
(social e econô mico)
sino-japonêsf) O comércio __________________________________________
tem sido intenso. (China e Japão) 
nipo-brasileirosg) Os acordos de exportação ____________________________ 
_____________________________________________ têm sido
promissores. (Japão e Brasil)
� Com base na regras estu dadas nesta aula, assinale a
alternativa incorreta.
a) atitudes antissociais.
b) esforços sobre-humanos.
c) cursos técnico-profissionalizantes.
d) atitudes cômica-irônicas.
e) bolsas roxo-escuras.
RESOLUÇÃO:
O último elemento do adjetivo composto concorda em gênero e
número com o substantivo que o antecede.
Resposta: D (cômico-irônicas)
�
a) saudades doce-amargas. b) povos semisselvagens.
c) ciências políticas-sociais. d) vestidos cor-de-rosa.
e) folhas verde-negras. 
Resposta: C (político-sociais)
�
a) blusas amarelo-laranja. b) lenços verde-claros. 
c) ternos verde-olivas. d) suéteres cor de café.
e) camisas azul-petróleo. 
Resposta: C (verde-oliva)
�
a) cabelos cor de palha. b) esforços sobre-humanos.
c) meninos surdos-mudos. d) sapatos marrom-escuros.
e) poemas líricos-satíricos. 
Resposta: E (lírico-satíricos)
�
a) cabelos castanho-escuro. b) vestidos azul-turquesa.
c) ternos azul-marinho. d) ternos cinza.
e) sapatos beges. 
Resposta: A (castanho-escuros)
�
a) fitas violetas. b) sapatos gelo.
c) luvas creme. d) botões rosa.
e) tiaras prata. 
Resposta: A (violeta)
	
a) livros anglo-saxões.
b) comércio sino-inglês.
c) acordos franco-japoneses.
d) exportação nipo-espanhola.
e) comunidades germanas-polonesas.
Resposta: E (germano-polonesas)
 (FGV-SP) – Assinale a alternativa grama ticalmente correta.
a) Na Aliança Lusa-brasileira, os porteiros usavam ternos azuis-
marinhos e as recepcionistas, saias azuis-pavões.
b) Na Aliança Luso-brasileira, os porteiros usavam ternos cinzas-
chumbos e as recepcionistas, saias verdes-olivas.
c) Na Aliança Luso-brasileira, os porteiros usavam ternos cinza-
chumbo e as recepcionistas, saias verde-oliva.
d) Na Aliança Lusa-brasileira, os porteiros usavam ternos cinzas-
chumbo e as recepcionistas, saias verdes-oliva.
e) Na Aliança Luso-brasileira, os porteiros usavam ternos cinza-
chumbos e as recepcionistas, saias verde-olivas.
RESOLUÇÃO:
A frase apresentada na alternativa c está correta, pois:
I. em “Aliança Luso-brasileira”, ocorre apenas a flexão do último
elemento do adjetivo composto luso-brasileiro. 
II. Em “ternos cinza-chumbo” e “saias verde-oliva”, os segun dos
ele mentos (chumbo e oliva) não variam por tratar-se de subs -
tantivos. 
Resposta: C
Conclusão: nos adjetivos compostos, apenas o
último_______________________________ elemento varia em
gênero número____________________ e ________________________,
concordando com o substantivo a que se refere. A 
surdos-mudos, surdas-mudasúnica exceção é ________________________________ 
_________________________________.
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 07/07/2022 14:15 Página 57
58 PORTUGUÊS
Num texto narrativo, os trechos descritivos enri -
quecem a história, detalhando ambien tes, paisagens,
objetos e personagens. Não se deve abusar da descrição,
principal mente na narração escolar, em que o texto deve
ter por volta de 30 linhas. Bastam algumas pinceladas
sugestivas para, com originalidade, caracte rizar uma
personagem. Pode-se, por exemplo, salientar o que ela
tem de mais expressivo: “moça morena, de cabe los lisos
e boca carnuda e sensual”; “um rapaz alto,
desengonçado dentro de um terno listrado que parecia
menor que ele”; “uns olhos castanhos e meigos”; “um
ros to redondo e corado, parecia uma crian ça”; “usava
roupas amplas que lembravam a dos hippies”; “um negro
alto e magro que ao sorrir mostrava apenas os dois
dentes que tinha na frente”.
O texto abaixo apresenta pormenores físicos de uma
personagem. Note que é uma descrição objetiva em lin -
guagem denotativa.
Texto 1
Observe, no texto abaixo,os pormenores psicoló -
gicos destacados. A descrição é subjetiva, vazada em
linguagem conotativa.
Texto 2
Leia atentamente os trechos descritivos a seguir e
observe os aspectos selecionados pelos autores para
caracterizarem, de forma singular, suas per sonagens.
Autorretrato
Passo então à inspeção. O vidro me manda a cara
espessa dum velho onde já não descubro o longo
pescoço do adolescente e do moço que fui, nem seus
cabelos tão densos que pareciam dois fios nascidos de
cada brilho. Castanho, meu velho moreno corado. A
beiçalhada sadia... Hoje o pescoço encurtou, como se a
massa dos ombros tivesse subido por ele, como cheia
em torno de pilastra de ponte. Cabelos brancos tão
rarefeitos que o crânio aparece dentro da transparência
que eles fazem. Olhos avermelhados, escleróticas sujas.
Sua expressão, dentro do empapuçamento e sob o cenho
fechado, é de tristeza e tem um quê da máscara de choro
do teatro. (…) Par de sulcos fundos saem dos lados das
ventas arreganhadas e seguem com as bochechas caídas
até o contorno da cara. A boca também despencou e tem
mais ou menos a forma de um ‘V’ muito aberto. Dolorosa -
mente encaro o velho que tomou conta de mim e vejo
que ele foi configurado à custa de uma espécie de
desbarrancamento, avalanche, desmonte — queda dos
traços e das partes moles deslizando sobre o esqueleto
permanente. Erosão.
(Pedro Nava)
Compondo seu autorretrato, Pedro Nava empreende
um percurso patético sobre os reflexos do próprio rosto,
des vendando-lhe as marcas do tempo. A juventude é lem -
brada para pôr em relevo a velhice: “já não descubro o lon -
go pescoço do adolescente e do moço que fui”. As
com parações produzem uma imagem exacerbada da
senilidade: “Hoje o pescoço encurtou, como se a massa
dos ombros tivesse subido por ele, como cheia em torno
de pi lastra de ponte”. Do inventário lexical — adjetivos,
ver bos e substantivos — usado para se autodefinir, re -
sultam im pressões de desencanto, desalento e tristeza:
“Sua ex pres são, dentro do empapuçamento e sob o cenho
fe chado, é de tristeza e tem um quê da máscara de choro
de teatro.”
Uma imagem caricatural surge da dimensão hiper bó -
lica dos traços: “ventas arreganhadas”; “A boca também
despencou (…)”; “tem mais ou menos a forma de um ‘V’
muito aberto”.
CHICO-JUCA
O Chico-Juca era pardo, alto, corpulento, de
olhos avermelhados, longa barba, cabelo cortado
rente; tra java sempre jaqueta branca, calça muito
larga nas pernas, chinelas pretas e um chapelinho
branco muito à banda. 
(Manuel Antônio de Almeida)
Nesse tempo meu pai e minha mãe estavam
carac terizados: um homem sério, de testa larga, uma
das mais belas testas que já vi, dentes fortes,
queixo rijo, fala tre menda; uma senhora en fe zada,
agressiva, ranzinza, sempre a mexer-se, bossas na
cabeça mal protegida por um cabelinho ralo, boca
má, olhos maus que em mo mentos de cólera se
infla mavam com um brilho de loucura. Esses dois
entes difíceis ajustavam-se. 
(Graciliano Ramos)
20
Palavras-chave:
Descrição de pessoa • Descrição física
• Descrição
psicológica
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59PORTUGUÊS
Metáforas de grande expressividade traduzem a visão
amarga e angustiante da senectude: “Dolorosa mente
encaro o velho que tomou conta de mim e vejo que ele foi
configurado à custa de uma espécie de desbarranca -
mento, avalanche, desmonte — queda dos traços e das
partes moles deslizando sobre o esqueleto permanente.
Erosão”. (Thaís Montenegro Chinellato)
Caricatura
CABELOS COMPRIDOS
— Coitada da Das Dores, tão boazinha…
Das Dores é isso, só isso — boazinha. Não possui
outra qualidade. É feia, é desengraçada, é inelegante, é
magérrima, não tem seios, nem cadeiras, nem nenhuma
rotundidade posterior; é pobre de bens e de espírito; e é
filha daquele Joaquim da Venda, ilhéu de burrice ebúrnea
— isto é, dura como o marfim. Moça que não tem por
onde se lhe pegue fica sendo apenas isso — boazinha.
— Coitada da Das Dores, tão boazinha…
Só tem uma coisa a mais que as outras — cabelo. A
fita da sua trança toca-lhe a barra da saia. Em
compensação, suas ideias medem-se por frações de
milímetro, tão curtinhas são. Cabelos compridos, ideias
curtas — já o dizia Schopenhauer.
A natureza pôs-lhe na cabeça um tabloide homeo pá -
tico de inteligência, um grânulo de memória, uma pitada
de raciocínio — e plantou a cabeleira por cima. Essa
mesquinhez por dentro. Por fora ornou-lhe a asa do nariz
com um grão de ervilha, que ela modestamente deno -
mina verruga, arrebitou-lhe as ventas, rasgou-lhe boca de
dimensões comprome te doras e deu-lhe uns pés… Nossa
Senhora, que pés! E tantas outras pirraças lhe fez que ao
vê-la todos dizem comiserados:
— Coitada da Das Dores, tão boazinha…
(Monteiro Lobato)
O humor debochado despontou da esdrúxula
caracterização da personagem. O discurso direto reiterado
(“— Coitada da Das Dores”) reproduz uma impressão
generalizada (“ao vê-la todos dizem comiserados”) que se
confirma nas caracterizações particulares do obser va dor:
“É feia, é desengraçada, é inelegante, é magérrima (…)”.
A combinatória vocabular é típica da capacidade inventiva
de Monteiro Lobato: “ilhéu de burrice ebúrnea”, “um
tabloide homeopático de inteligência”, “um grânulo de
memória”, “ornou-lhe a asa do nariz com um grão de er -
vilha”. A linguagem envolve o leitor, pois instaura a co -
micidade que torna inventiva e original a visão carica tural
de uma figura feminina. 
(Thaís Montenegro Chinellato)
Tipo
Lá vem ele. E ganjento, pilantra: roupinha de brim
amarelo, vincada a ferro; chapéu tombado de banda,
lenço e caneta no bolsinho do jaquetão abotoado; relógio
de pulso, pegador de monograma na gravata chum -
badinha de vermelho. (Mário Palmério)
Se a caricatura é a exorbitância nos traços defini dores
de uma personagem, o tipo é a representação ou o
modelo que se firmou culturalmente, sobretudo nas artes
e na literatura.
O despojamento e a irreverência da malandragem
têm nos gestos e nas roupas a sua expressividade maior:
vinco, chapéu de banda, lenço e caneta à mostra,
jaquetão abotoado, relógio de pulso e pegador de gravata.
O observador explora visualmente esses ade reços que
tipificam o malandro.
A roupa é um recurso de aparência que a literatura
brasileira consagrou no tipo que vive de expedientes e
abusa da confiança alheia. 
Algumas das características do tipo são bem
exageradas pelo escritor para que o leitor perceba com
clareza a pluraridade de pessoas que estão sendo
representa das naquele momento.
As novelas televisivas exploram intensa men te o tipo.
Observe a novela a que você está assistindo e atente para
os tipos presentes. É comum haver uma solteirona com
chi liques; ou um político corrupto que, com uma retórica
vazia e cheia de clichês, ilude o povo; ou um beberrão que
é mais lúcido do que as outras persona gens; ou ainda
uma fofoqueira que no leva e traz acaba movimentando a
história e provocando várias cenas de suspense.
São, enfim, os tipos que dão vida, colorido e humor a
muitas histórias.
Tipo e personagem não são sinônimos.
Personagem tem sentido específico: é o indivíduo
com características próprias, inconfundíveis.
Tipo tem sentido geral: é modelo, é o indivíduo que
possui em elevado grau os caracteres essenciais ou
distintivos de todos os indivíduos da mesma
espécie.
Dê-se conta dos tipos populares existen tes em
todos os grupos humanos, como: político, men -
digo, malan dro, pescador, beata, curandeira, par -
teira, fofoqueira etc.
Tipo e caricatura são personagens simplifi ca das,
isto é, caracterizadas com poucos traços e que geral -
mente se prestam ao humor ou à crítica social.
A caricatura enfatiza aspectos ridículos do ser huma -
no, o que evidentemente provoca o riso.
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60 PORTUGUÊS
Texto para os testes de � a 
.
E viu a Rita Baiana, que fora trocar o
vestido por uma saia, surgir de ombros e braços
nus, para dançar. A lua destoldara-se nesse mo -
men to, envolvendo-a na sua cama de prata, a
cujo refulgir os meneios da mestiça melhorse
acen tuavam, cheios de uma graça irresistível,
sim ples, primitiva, feita toda de pecado, toda
de paraíso, com muito de serpente e muito de
mulher.
(Aluísio Azevedo)
� (FMTM) – Trata-se de um segmento
a) descritivo pelo uso de adjetivos que privile -
giam as impres sões visuais.
b) narrativo por apresentar sequência de ações.
c) dissertativo pelo desenvolvimento de ideias.
d) dissertativo com inserções descritivas.
e) descritivo, de início, com predomínio da
narração.
Resolução
Rita Baiana é observada e descrita fisicamente
enquanto dança, por isso a percepção mais
explorada é a visual.
Resposta: A
� (FMTM) – Quanto ao sentido, as palavras –
pecado, paraíso, serpente e mulher – na
configuração da personagem
a) opõem-se.
b) excluem-se.
c) complementam-se. 
d) distanciam-se. 
e) divergem entre si.
Resolução
As antíteses usadas para descrever a perso -
nagem se comple mentam na caracterização do
que há nela de divino e terreno.
Resposta: C
 (FMTM) – O melhor sinônimo, no contexto,
para a forma verbal destoldara, em “A lua
destoldara-se nesse momento...”, é
a) escondera-se.
b) desocultara-se.
c) brilhara. 
d) desaparecera.
e) acenara.
Resolução
Destoldar significa “descobrir-se, destapar-se,
tornar-se claro, límpido”.
Resposta: B
� (FATEC) – “Afinal levan taram-se uma gorda
e baixa matrona, mulher de um convidado; uma
companheira desta, cuja figura era a mais
completa antítese da sua [...].”
(Manuel Antônio de Almeida, 
Memórias de um Sargento de Milícias)
Considerando-se a informação em destaque
nessa pas sagem, é correto dizer que a compa -
nheira era uma mulher
a) magra, de estatura mediana e simpática.
b) esguia, encorpada e jovem.
c) rechonchuda, de meia estatura e de meia
idade.
d) magra, alta e solteira.
e) delgada, esguia e casada.
Resolução
Como se trata de mulher “cuja figura era a mais
completa antí tese” da outra, que era “gorda e
baixa”, não se entende por que a alternativa de
resposta (não há outra possível), além de “ma gra”
e “alta”, inclua a qualificação “solteira” (a outra
era “mulher de um convi dado”), pois esse predi -
cado não diz respeito a figura, mas sim a estado
civil. Teste defeituoso, mas de res pos ta facílima. 
Resposta: D
Texto para o teste �.
� Na organização do
texto, a sequência
que atende à função sociocomunicativa
de apresentar objetivamente o cientista
António Damásio é a
a) descritiva, pois delineia um perfil do
professor.
b) injuntiva, pois faz um convite à leitura
de sua obra.
c) argumentativa, pois defende o seu
comportamento incomum.
d) narrativa, pois são contados fatos
relevantes ocorridos em sua vida.
e) expositiva, pois traz as impressões da
autora a respeito de seu trabalho.
RESOLUÇÃO: 
A descrição objetiva está presente no
segundo parágrafo em que se constroi a
imagem de Damásio por meio de
características físicas e comportamentais. 
Resposta: A
DOUTOR DOS SENTIMENTOS
Veja quem é e o que pensa o português António Damásio, um dos maiores nomes
da neurociência atual, sempre em busca de desvendar os mistérios do cérebro, das
emoções e da consciência.
Ele é baixo, usa óculos, tem cabelos brancos penteados para trás e costuma vestir
terno e gravata. A surpresa vem quando começa a falar. António Damásio não confirma
em nada o clichê que se tem de cientista. Preocupado em ser o mais didático possível,
tenta, pacientemente, com certa graça e até ironia, sempre que cabível, traduzir para
os leigos estudos complexos sobre o cérebro. Português, Damásio é um dos principais
expoentes da neurociência atual.
Diferentemente de outros neurocientistas, que acham que apenas a ciência tem
respostas à compreensão da mente, Damásio considera que muitas ideias não provêm
necessariamente daí. Para ele, um substrato imprescindível para entender a mente, a
consciência, os sentimentos e as emoções advém da vida intuitiva, artística e intelectual. Fora
dos meios científicos, o nome de Damásio começou a ser celebrado na década de 1990,
quando lançou seu primeiro livro, uma obra que fala de emoção, razão e do cérebro humano.
(Trefaut, M. P Disponível em: http://revistaplaneta.terra.com.br. 
Acesso em: 2 set. 2014.Adaptado).
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
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61PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a 	.
� Na descrição acima, o narrador fez uso de dois vocábulos
“solaridade” e “cabelaça” que não estão dicionarizados, ou seja,
foram criados pelo autor.
a) Que nome recebe essa criação ou inovação linguís tica?
RESOLUÇÃO: 
neologismo (neo = novo + logos = palavra)
b) Tente inferir o provável significado de:
— solaridade: sol + claridade;
— cabelaça: grande quantidade de cabelo (aça: sufixo que
indica aumentativo).
 Há no trecho uma expressão adverbial pouco utili za da nos
dias de hoje, equivalente a “essencial mente”, “fundamental -
mente”. Identifique-a.
RESOLUÇÃO: 
“em principal”
� “…uma ausência rija de segundas intenções” denota que
a personagem à qual o texto se refere
a) apresentava, vez ou outra, um comportamento instá vel, que
o aspecto físico denunciava.
b) era uma pessoa cujo aspecto físico revelava a per sonalidade:
retidão de caráter, honestidade, probidade.
c) era um adolescente rígido no julgamento de seus seme lhantes.
d) desviava-se com frequência de suas intenções iniciais; e o
aspecto físico denunciava esse caráter volúvel.
e) era uma pessoa absolutamente calma, não se pertur bava
com nada.
Resposta: B

 Retire do trecho as frases nominais.
RESOLUÇÃO: 
“E aquela cabelaça pesada, quase azul, numa desordem crespa.
Filho de português e de carioca.”
� O uso de reticências no 1.° parágrafo indica
a) dúvida quanto à veracidade das informações que estão sendo
passadas.
b) ausência de objetividade no relato dos fatos.
c) hesitação e intenção de não prosseguir a história.
d) rememoração de um fato passado que será contado utili zan -
do a técnica de flashback.
e) hesitação ao contar fatos que estão ocorrendo entre o nar -
rador e Frederico Paciência. 
Resposta: D
Texto para o teste �.
� De acordo com esse infográfico, as redes
sociais estimulam diferentes comporta men -
tos dos usuários que revelam 
a) exposição exagerada dos indivíduos. 
b) comicidade ingênua dos usuários. 
c) engajamento social das pessoas. 
d) disfarce do sujeito por meio de avatares. 
e) autocrítica dos internautas. 
RESOLUÇÃO:
As ações expostas pelo infográfico revelam tipos sociais que
apresentam comportamentos exagerados e incoerentes na
internet. Essas atitudes, devido à exposição pretensiosa e sem
visão crítica, podem ser tachadas de ridículas.
Resposta: A
FREDERICO PACIÊNCIA
Frederico Paciência… Foi no ginásio… Éramos de idade
parecida, ele pouco mais velho que eu, quatorze anos.
Frederico Paciência era aquela solaridade escan dalosa.
Trazia nos olhos grandes bem pretos, na boca larga, na
musculatura quadrada da peitaria, em principal nas mãos
enormes, uma franqueza, uma saúde, uma ausência rija de
segundas intenções. E aquela cabelaça pesada, quase azul,
numa desordem crespa. Filho de português e de carioca. Não
era beleza, era vitória. Ficava impossível a gente não querer
bem ele, não concordar com o que ele falava. 
(Mário de Andrade)
(Disponível em: http://epoca.globo.com. 
Acesso em: 20 mar. 2014.)
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62 PORTUGUÊS
Texto para os testes de � a �.
� (UNESP) – No primeiro parágrafo, com a frase “então era
parelho mesmo, por igual”, o narrador faz referência ao fato de
o coronel
a) vestir em certos eventos sociais a calça também de casimira.
b) ser par para qualquer desafio que lhe fizessem.
c) usar também em certas ocasiões o jaquetão de brim.
d) usar roupas iguais às de todos na cidade.
e) demonstrar sua humildade por meio das roupas.
RESOLUÇÃO: 
“Então era parelho mesmo, por igual” refere-se ao fato de que, em
ocasiões especiais, o coronel en vergas se calça do mesmo tecido
do seu “jaquetão de casimira inglesa”. Informa o dicionário
Houaiss que parelho é um substantivo regional (São Paulo) quesignifica “conjunto de calça e paletó masculinos”.
Resposta: A
� (UNESP) – No terceiro parágrafo, a comparação do coronel
com uma ave pernalta representa
a) um recurso expressivo para ilustrar sua aparência e sua
presença física.
b) uma figura de retórica sem grande significado des cri tivo.
c) uma imagem visual de seu temperamento amável, mas
perigoso.
d) uma imagem que busca representar sua impressionante
beleza.
e) um modo de chamar atenção para o ambiente rústico em
que vivia.
RESOLUÇÃO:
Trata-se de uma comparação em que se ressaltam a magreza e o
porte da personagem. Resposta: A
� (UNESP) – Em seu conjunto, a descrição do coronel sugere
uma figura que
a) exibe um temperamento tímido e fechado.
b) manifesta desprezo por tudo à sua volta.
c) demonstra humildade em tudo o que fazia.
d) revela nos gestos e comportamento segurança e poder.
e) inspira certo receio aos habitantes da cidade.
RESOLUÇÃO:
É sobretudo no quarto parágrafo transcrito que a atitude altiva e
segura do coronel é focalizada na descrição. Resposta: D
� (UNESP) – Analisando o último período do terceiro
parágrafo, verifica-se que a palavra “feito” é empregada
como
a) advérbio. b) verbo. c) substantivo.
d) adjetivo. e) conjunção.
RESOLUÇÃO:
Empregado como conjunção comparativa, feito é um brasileirismo.
Equivale a como, tal qual.
Resposta: E
Texto para o teste �.
� O texto faz referência ao Conselheiro Acácio, personagem
do romance “O Primo Basílio”, de Eça de Queirós. Suas
atitudes e seu nome deram origem as palavras dele derivadas,
como “acaciano”, “acacianismo” e “acacianamente”.
Com base no trecho da obra e na explicação acima, assinale a
alternativa que apresenta o significado do adjetivo acaciano:
a) indivíduo que faz declarações inesperadas que mudam o
rumo da conversa.
b) pessoa que faz afirmações irrefutáveis ou solidamente
argumentadas.
c) aquele, cujas ironias profundas ou agressões verbais, são
imprevisíveis.
d) um tipo que se mostra afetado, ridículo, pela maneira
pomposa de se portar.
e) indivíduo capaz de fazer argumentação cerrada e raciocínios
elaborados.
Resposta: D
(...) Fora, outrora, diretor-geral do Ministério do Reino, e
sempre que dizia “El-rei!” erguia-se um pouco na cadeira. Os
seus gestos eram medidos, mesmo a tomar rapé. Nunca usava
palavras triviais; não dizia vomitar, fazia um gesto indicativo e
empregava restituir. Dizia sempre “o nosso Garrett, o nosso
Herculano”. Citava muito. Era autor. E sem família, num terceiro
andar da Rua do Ferregial, amancebado com a criada (...)
A GENTE HONÓRIO COTA
Quando o coronel João Capistrano Honório Cota mandou
erguer o sobrado, tinha pouco mais de trinta anos. Mas já
era homem sério de velho, reservado, cumpridor. Cuidava
muito dos trajes, da sua aparência medida. O jaquetão de
casimira inglesa, o colete de linho atravessado pela grossa
corrente de ouro do relógio; a calça é que era como a de
todos na cidade — de brim, a não ser em certas ocasiões
(batizado, morte, casamento — então era parelho mesmo,
por igual), mas sempre muito bem passada, o vinco perfeito.
Dava gosto ver:
O passo vagaroso de quem não tem pressa — o mundo
podia esperar por ele, o peito magro estufado, os gestos
lentos, a voz pausada e grave, descia a rua da Igreja
cumprimentando cerimoniosamente, nobremente, os que
por ele passavam ou os que chegavam na janela muitas
vezes só para vê-lo passar.
Desde longe a gente adivinhava ele vindo: alto, magro,
descarnado, como uma ave pernalta de grande porte. Sendo
assim tão descomunal, podia ser desajeitado: não era, dava
sempre a impressão de uma grande e ponderada figura. Não
jogava as pernas para os lados nem as trazia abertas, esticava-
as feito medisse os passos, quebrando os joelhos em reto.
Quando montado, indo para a sua Fazenda da Pedra
Menina, no cavalo branco ajaezado de couro trabalhado e
prata, aí então sim era a grande, imponente figura, que
enchia as vistas. Parecia um daqueles cavaleiros antigos,
fugidos do Amadis de Gaula ou do Palmeirim, quando iam
para a guerra armados cavaleiros.
(Ópera dos mortos, 1970.)
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63PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
Manuel Bandeira
Filho de engenheiro, Manuel Bandeira foi
obrigado a abandonar os estudos de arquitetura
por causa da tuber culose. Mas a iminência da
morte não marcou de forma lú gubre sua obra,
embora em seu humor lírico haja sem pre um
toque de funda melancolia, e na sua poesia haja
sempre um certo toque de morbidez, até no
erotismo. Tradutor de autores como Marcel
Proust e William Shakespeare, esse nosso
Manuel traduziu mesmo foi a nostalgia do
paraíso cotidiano mal idealizado por nós,
brasileiros, órfãos de um país imaginário, nossa
Cocanha perdida, Pasárgada. Descrever seu
retrato em palavras é uma tarefa impossível,
depois que ele mesmo já o fez tão bem em
versos.
(Revista Língua Portuguesa, 
n.° 40, fev. 2009.)
� A coesão do texto é cons -
truída principalmente a
partir do (a)
a) repetição de palavras e expressões que
entrelaçam as informações apresentadas
no texto.
b) substituição de palavras por sinônimos
como "lúgubre" e "morbi dez", "melancolia" e
"nostalgia".
c) emprego de pronomes pessoais, posses -
sivos e demons trativos: "sua", "seu", "esse",
"nosso", "ele".
d) emprego de diversas conjunções subor di -
nativas que articulam as orações e períodos
que compõem o texto.
e) emprego de expressões que indicam se -
quência, pro gressividade, como "iminência",
"sempre", "depois".
Resolução
A função coesiva dos pronomes mencionados
na alter nativa c está em que eles retomam
elementos anteriores do texto: “sua obra” (=
de Manuel Ban deira), “seu humor” (idem),
“sua poesia” (idem) etc. 
Resposta: C
� (ESPM) – Assinale o item em que o
pronome grifado tenha valor semântico de
possessivo:
a) “A borboleta, depois de esvoaçar muito em
torno de mim, pousou-me na testa.”
(Machado de Assis)
b) “Começo a arrepender-me deste livro. Não
que ele me canse; eu não tenho que fazer.”
(Machado de Assis)
c) “Perdi-me dentro de mim / Porque eu era
labirinto.” (Mário de Sá-Carneiro)
c) “Vou-me embora pra Pasárgada / Lá sou
amigo do rei!” (Manuel Bandeira)
e) “Perdi alguma coisa que me era essencial,
e que já não me é mais.” (Clarice Lispector)
Resolução
O pronome me equivale a minha em “pousou-
me na testa”.
Resposta: A
QUADRO DE PRONOMES
quem fala
com quem se fala
de quem se fala
quem fala
com quem se fala
de quem se fala
PESSOA 
1.a pessoa do singular
2.a pessoa do singular
3.a pessoa do singular
1.a pessoa do plural
2.a pessoa do plural
3.a pessoa do plural
PESSOAL RETO
EU
TU
ELE / ELA
NÓS
VÓS
ELES / ELAS
PESSOAL OBLÍQUO 
me, mim, comigo
te, ti, contigo
se, si, consigo, lhe, o, a
nos, conosco
vos, convosco
se, si, consigo, lhes, os, as
POSSESSIVO 
meu(s), minha(s)
teu(s), tua(s)
seu(s), sua(s)
nosso(s), nossa(s)
vosso(s), vossa(s)
seu(s), sua(s)
PRONOMES DE TRATAMENTO
Você – tratamento familiar
O Senhor, a Senhora – tratamento cerimonioso
Vossa Alteza (V. A.) – príncipes, duques
Vossa Eminência (V. Ema.) – cardeais
Vossa Excelência (V. Exa.) – altas autoridades
Vossa Magnificência – reitores de universidades
Vossa Majestade (V. M.) – reis
Vossa Majestade Imperial (V. M. I.) – imperadores
Vossa Santidade (V. S.) – papas
Vossa Senhoria (V. Sa.) – tratamento geral cerimonioso
Vossa Reverendíssima (V. Revma.) – sacerdotes`
Observação: Os pronomes de tratamento, apesar de se referirem à segunda pessoa, ou seja, à pessoa com quem
se fala, só admitem verbos e pronomes na terceira pessoa.
Exercícios Resolvidos
Pronome é a palavra que designa os seres sem lhes dar nomes nem qualidades, apenas as situa como pessoas
do discurso.
22
Palavras-chave:
Pronomes pessoais, 
possessivos e de tratamento
• Uniformidade de
tratamento
• Pessoas
gramaticais
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64 PORTUGUÊS
� Observe a tira acima e responda as perguntas: 
a) A quem se referiu a cobra, no segundo quadrinho da tira?
RESOLUÇÃO: 
A cobra referiu-se de formageneralizada a todos, porque nós pode
ser entendido como “a humanidade”.
b) Que opinião a cobra, que fala no último quadrinho, tem de si
própria? 
RESOLUÇÃO: 
Ela não faz parte da insignificância a que se refere a primeira cobra.
c) Que expressão, explícita na tira, permite essa conclusão?
RESOLUÇÃO: 
A cobra excluiu-se do discurso, pois usou o pronome de tratamento
vocês, que é de terceira pessoa do plural.
A palavra gente, dependendo do texto em que é empre ga da,
assume diferentes classificações. Obser ve a tira abaixo:
No contexto, a gente equivale ao pronome pessoal reto nós, o
que inclui o personagem da tira e os leitores.
� Nos trechos seguintes, classifique gramaticalmente o termo
gente e identifique a palavra que ele substitui.
a) Não tenho nada que dizer... já lhe disse... isto põe a cabeça
da gente como cebola, não tem lugar nenhum.
(Manuel Antônio de Almeida)
RESOLUÇÃO:
“Gente” é pronome possessivo e equivale a nossa (põe a nossa
cabeça como...).
b) – Para com essa matinada, cambada de gente herege!... E
depois enterrem bem direitinho o corpo, com muito respeito
e em chão sagrado, que esse aí é o meu parente seu
Joãozinho Bem-Bem! 
(Guimarães Rosa)
RESOLUÇÃO:
“De gente” é locução adjetiva, equivale a “pessoas”, pois
“cambada” é substantivo e significa “bando” (bando de pessoas). 
c) Mas Fulana será gente?
Estará somente em ópera?
Será figura de livro?
Será bicho? Saberei?
(Carlos Drummond de Andrade)
RESOLUÇÃO:
“Gente” é adjetivo e equivale a “humana”.
Exercícios Propostos
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65PORTUGUÊS
d) Por que motivo o governo aproveitava gente assim? Só se
ele tinha receio de empregar tipos direitos. Aquela cambada
só servia para morder as pessoas inofensivas. Ele, Fabiano,
seria tão ruim se andasse fardado? Iria pisar os pés dos traba -
lhadores e dar pancada neles? Não iria.
(Graciliano Ramos)
RESOLUÇÃO:
“Gente” é substantivo e equivale a “indivíduos” (ou pessoas).
 (UEG-adaptado) – A leitura da tira acima permite as
seguintes afirmações:
I. O cartunista ironiza o preconceito do adulto em relação à
capacidade intelectual infantil.
II. Os pronomes de tratamento "senhora" e "senhoras" têm força
de apelo: visam a um efeito de chama da na propaganda da TV. 
III. A palavra até, no segundo quadrinho, reforça o apelo da
propaganda, indicando os limites máxi mos da simplicidade
da máquina: até uma crian ça consegue manejar!
IV. A frase da personagem no último quadrinho, apesar de
interrogativa, tem intenção de acusação. 
Marque a alternativa correta.
a) I, II e III são verdadeiras.
b) II, III e IV são verdadeiras.
c) I, III e IV são verdadeiras.
d) II e III são verdadeiras.
e) I e IV são verdadeiras.
RESOLUÇÃO: 
Em II, o pronome de tratamento senhora só tem força de apelo no
primeiro quadrinho, em que é empregado com a função de voca -
tivo. Na fala de Mafalda, no último quadrinho, senhoras é sujeito do
verbo conseguir.
Resposta: C
� (IMES) – Indique a alternativa em que o pro nome lhe
apresenta o mesmo valor significativo que possui em:
Uma angústia terrível tirava-lhe o sono.
a) Aconteceu-lhe uma desgraça.
b) Eles pretendem roubar-lhe as invenções.
c) Não lhe contei o susto por que passei.
d) Tudo lhe era indiferente.
e) Dou-lhe a minha palavra.
RESOLUÇÃO: 
O professor pode dar outros exemplos em lousa: Morreu-lhe o pai;
Beijou-me as mãos; Quebro-te a cara.
Resposta: B (pronome possessivo)

 (FGV-Econ.) – O trabalho tem mais isso de excelente:
distrai nossa vaidade, engana nossa falta de poder.
Também há ocorrência de pronome empregado com sentido de
posse em:
a) O trabalho afasta de nós três grandes males: o tédio, o vício
e a necessidade.
b) [O trabalho] impede-o de olhar um outro que é ele e que lhe
torna a solidão horrível.
c) [O trabalho] desvia-o da visão assustadora de si mesmo.
d) Vagabundo é quem não tem o que fazer, nós temos, só não
o fazemos.
e) [O trabalho] faz-nos sentir a esperança de um bom
acontecimento.
RESOLUÇÃO: 
No trecho “...que lhe torna a solidão horrível”, o pronome lhe é
empregado com sentido de posse e equivale a sua: que torna a sua
solidão horrível.
Resposta: B
Texto para a questão �.
� (ESPM) – As ocorrências do vocábulo o, em negrito,
referem-se, respectivamente, a:
a) você (leitor); deitar fora este livro; livro.
b) deitar fora este livro; gesto; livro.
c) você (leitor); gesto; livro.
d) deitar fora este livro; gesto; você (leitor).
e) você (leitor); deitar fora este livro; você (leitor).
Resposta: A
Abane a cabeça, leitor; faça todos os gestos de
incredulidade. Chegue a deitar fora este livro, se o tédio já
não o obrigou a isso antes; tudo é possível. Mas, se o não
fez antes e só agora, fio que torne a pegar o livro e que o abra
na mesma página, sem crer por isso na veracidade do autor.
Todavia não há nada mais exato. Foi assim mesmo que Capitu
falou, com tais palavras e maneiras.
(Machado de Assis, D. Casmuro)
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66 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� (2021 – 2.a aplicação) – Pronomes funcionam
nos textos como elementos de coesão
referencial, auxiliando a manutenção do tema
abordado. No trecho da reportagem, o vocábulo “nome” é
retomado pelo pronome destacado em
a) “Seu nome define seu destino”.
b) “É você quem constrói a sua identidade”.
c) “Existe um processo de elaboração, em que você toma
posse do nome [...]”.
d) “[...] você toma posse do nome que lhe foi dado”.
e) “[...] não ficar brigando com ele”.
RESOLUÇÃO:
O texto traz reflexões acerca da importância do nome próprio como
marca significativa na construção da identidade individual. Na
seguinte frase do texto: “O importante é a pessoa tomar posse do
nome, e não ficar brigando com ele”, o enunciador usa o pronome
“ele”, recurso cuja função é a de retomar o termo “nome”, sem
repetir o referido substantivo.
Resposta: E
� (PUC) – “A repressão a um sentimento, por mais odioso
que seja, não o desarma. Pode-se desencorajar, pela lei, certos
comportamentos que o manifestem de forma explícita. Seu
fundo de ressentimento e destrutividade permanece e pode até
fermentar, depois de recalcado.”
Os pronomes em destaque nesse trecho referem-se a
a) repressão. b) fundo.
c) sentimento. d) comportamento.
e) ressentimento.
RESOLUÇÃO:
Substituindo-se os pronomes pelo termo que eles re tomam,
temos: A repressão... não desarma o sentimento – ...certos
comportamentos que manifestem o senti mento... – O fundo de
ressentimento e destrutividade do sentimento...
Resposta: C

 Assinale a alternativa em que o pronome (ou pronomes) foi
(ou foram) empregado(s) corretamente:
a) Ele não tem mais nenhum compromisso com nós.
b) Minha querida, gostaria de falar consigo.
c) Fiquei tão nervosa que cheguei a ficar fora de si.
d) Ele resolveu o problema com nós próprios.
e) Não te ofendas se te perguntarem sobre o seu nível mental.
Resposta: D 
	 Preencha os espaços das frases abaixo com os pronomes
eu ou tu, mim ou ti:
mim (ou ti)a) Minha irmã trouxe o livro para _________________________ .
mim (ou ti)b) Ninguém irá à praia sem ____________________________ .
euc) Meus pais fizeram tudo para ___________________ entrar na 
faculdade.
tud) Para ___________________________ passares nas provas, só 
com muito estudo e disciplina.
mim (ou ti)e) Pra _____________________________________ resolver esses 
proble mas é uma questão de tempo.
mimf) A partir de hoje, não há mais nada entre __________________ 
tie _________________________ .
mimg) Entre você e _________________________________ há grande 
dife rença de idade. 
SEU NOME DEFINE SEU DESTINO. SERÁ?
“O nome próprio da pessoa marca a sua identidade e a sua
experiência social e, por isso, é um dado essencial na sua vida”,
diz Francisco Martins, professor do Instituto de Psicologia da
Universidade de Brasília e autor do livro Nome próprio (Editora
UnB). “Mas não dá para dizer que ele conduz a um destino
específico. É você quem constrói a sua identidade. Existe um
processo de elaboração, em que você tomaposse do nome
que lhe foi dado. Então, ele pesa, mas não é decisivo”. De
acordo com Martins, essa apropriação do nome se dá em
várias fases: na infância, quando se desenvolve a identidade
sexual; na adolescência, quando a pessoa começa a assinar o
nome; no casamento, quando ela adiciona (ou não) o
sobrenome do marido ao seu. “O importante é a pessoa tomar
posse do nome, e não ficar brigando com ele”.
(CHAMARY, J. V.; GIL, M. A. Knowledge, jul. 2010.)
Conclusão: após preposição empregamos os pro no -
 mim times oblíquos __________________ e ____________ . 
Se depois dos pronomes vier verbo no infinitivo, 
eu empre gam-se os pronomes retos _______________ 
tue ________________ .
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67PORTUGUÊS
Um texto bem redigido apresenta, necessariamente, perfeita articulação de ideias. Para obtê-la, é necessário promover o
encadeamento semântico (significado, ideias) e o encadeamento sintático (mecanismos que ligam uma oração à outra). A coesão
(elemento da frase A retomado na frase B) é obtida, principalmente, por meio dos elementos de ligação que proporcionam as relações
necessárias à integração harmoniosa de orações e parágrafos em torno de um mesmo assunto (eixo temático).
Com base em um levantamento elaborado por Othon Moacyr Garcia (Comunicação em Prosa Moderna ), rela cionamos os
elementos de coesão mais usuais, agrupados pelo sentido.
Segundo Celso Cunha, certas palavras têm classificação à parte, por isso convém “dizer apenas palavra ou locução denotativa” de
a) inclusão: até, inclusive, mesmo, também etc. b) exclusão: apenas, exceto, salvo, senão, só, somente etc.
c) designação: eis d) realce: cá, lá, é que, só etc.
e) retificação: aliás, ou antes, isto é, ou melhor etc. f) situação: afinal, agora, então, mas etc.
Causa e consequência,
explicação { por consequência, por conseguinte, como resultado, por isso, por causa de, em virtude de,assim, de fato, com efeito, tão… que, tanto… que, tal… que, tamanho… que, porque,porquanto, pois, que, já que, uma vez que, visto que, como (= porque), portanto, logo, pois
(posposto ao verbo), que (= porque).
em suma, em síntese, em conclusão, enfim, em resumo, portanto, assim, dessa forma, dessa
maneira, logo, pois.
Resumo, recapitulação,
conclusão {
Lugar, proximidade,
distância { perto de, próximo a ou de, junto a ou de, dentro, fora, mais adiante, aqui, além, acolá, lá, ali,algumas preposições e os pronomes demonstrativos.
com o fim de, a fim de, com o propósito de, para que, a fim de que.
Surpresa, imprevisto { inesperadamente, inopinadamente, de súbito, imprevistamente, surpreenden te mente,subitamente, de repente.
Certeza, ênfase { decerto, por certo, certamente, indubitavelmente, inquestionavelmente, sem dúvi da,inegavelmente, com toda a certeza.
Dúvida { talvez, provavelmente, possivelmente, quiçá, quem sabe, é provável, não é certo, se é que.
Adição, continuação { além disso, (a)demais, outrossim, ainda mais, ainda por cima, por outro lado, também e asconjunções aditivas (e, nem, não só ... mas também etc.).
Condição, hipótese { se, caso, salvo se, contanto que, desde que, a menos que etc.
Semelhança, 
compa ra ção, 
conformidade {
igualmente, da mesma forma, assim também, do mesmo modo, similarmente,
semelhantemente, analogamente, por analogia, de maneira idêntica, de conformidade com,
de acordo com, segundo, conforme, consoante sob o mesmo ponto de vista, tal qual, tanto
quanto, como, assim como, bem como, como se.
Propósito, intenção, finalidade {
Ilustração, esclareci men to { por exemplo, isto é, quer dizer, em outras palavras, ou por outra, a saber.
Tempo (frequência, 
du ração, ordem, 
su ces são, 
anterioridade, 
pos te rio ri dade)
{
então, enfim, logo, logo depois, imediatamente, logo após, a princípio, pouco antes, pouco
depois, anteriormente, posteriormente, em seguida, afinal, por fim, finalmente, agora,
atualmente, hoje, frequentemente, constantemente, às vezes, eventualmente, por vezes,
ocasionalmente, sempre, raramente, não raro, ao mesmo tempo, simultaneamente, nesse
ínterim, nesse meio tempo, enquanto, quando, antes que, depois que, logo que, sempre que,
assim que, desde que, todas as vezes que, cada vez que, apenas, já, mal.
em primeiro lugar, antes de mais nada, primeiramente, acima de tudo, preci puamente,
principalmente, primordialmente, sobretudo.{Prioridade, relevância
Proporcionalidade { à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais, quanto menos.
Alternativas { ou ... ou, ora ... ora, quer ... quer, seja ... seja, já ... já, nem ... nem.
Contraste, oposição,
restrição, ressalva { pelo contrário, em contraste com, salvo, exceto, menos, mas, contudo, todavia, entretanto,embora, apesar de, ainda que, mesmo que, posto que, conquanto, se bem que, por maisque, por menos que, no entanto, não obstante.
23
Palavras-chave:
Coesão textual • Síntese do assunto
• Moldura do texto
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68 PORTUGUÊS
Ouvindo e lendo é que você aprenderá a falar e a escrever bem. Procure ler mui to, ler bons autores, para redigir bem!
Queremos que você produza bons textos, e alguns exercícios podem ajudá-lo a melhorar sua redação. O objetivo
é ensiná-lo a identificar e usar corre ta mente alguns elementos de ligação entre frases.
Leia os textos abaixo e observe o sentido das relações entre as frases.
Texto 1
Por não ter dinheiro para pagar uma dívida, João da Silva, jovem de temperamento violento, agrediu e assaltou
Dona Diva Pereira, quando fazia compras na feira. A pobre mulher ficou sem um tostão para voltar para sua casa. Dona
Diva não deu parte à polícia.
Texto 2
André,
Fiquei gripada e perdi a prova e as explicações de hoje.
Caso eu melhore da gripe, irei à aula amanhã. É verdade que a prova de História foi mais difícil que a de Matemática?
Se você puder, dê uma passada em casa hoje à tarde ou mande um recado. Preciso copiar as tarefas. Obrigada.
Ribeirão Preto, 10/10/2010
Juliana
1.“Por não ter dinheiro…”, “… assaltou…” – causa
2.“Agrediu e assaltou…” – adição
3.“Assaltou…”, “quando fazia compras…” – tempo
4.“Assaltou…” “Ela ficou sem um tostão” – causa
5.“João… assaltou Dona Diva…”, “Dona Diva não deu parte à polícia.” – oposição
1.“Caso eu melhore da gripe, irei à aula amanhã.” – condição
2.“É verdade que a prova de História foi mais difícil que a de Matemática?” – comparação
3.“Se você puder, dê uma passada em casa…” – condição
4.“… dê uma passada em casa, hoje à tarde, ou mande um recado.” – alternância
Exercícios Resolvidos
Texto para a questão �.
� (FUVEST) – Reestru tu rando-se o terceiro
período do texto, man tém-se o sentido original
apenas em:
a) A viagem progredira bem três léguas, uma
vez que haviam repousado bastante na areia
do rio seco, dado que ordinariamente
andavam pouco.
b) Haviam repousado bastante na areia do rio
seco; a viagem progredira bem três léguas
porque ordinariamente andavam pouco.
c) Porque haviam repousado bastante na areia
do rio seco, ordi nariamente andavam pouco,
e a viagem progredira bem três léguas.
d) Ainda que ordinariamente andassem pouco,
a via gem progredira bem três léguas, pois
haviam re pousado bastante na areia do rio
seco.
e) Em virtude de andarem ordinariamente
pouco e de haverem repou sado bastante na
areia do rio seco, a viagem progredira bem
três léguas.
Resolução
No texto, o terceiro período apresenta relações
de oposição e causa, expressas pelas con jun -
ções mas (adversativa) e como (causal). Essas
mesmas rela ções ocorrem, no período da
alternativa d, empre gando-se a locução conjun -
tiva ainda que (conces siva) e a conjunção pois
(explicativa ou causal), em razão da mudança na
ordem das orações.
Resposta: D
� (FUVEST) – “Tão barato que não
consegui mos nem contratar uma holandesa de
olhos azuis para este anúncio”.
No texto, a orientação semântica introduzida
pelo terno nem estabelece uma relação de
a) exclusão.
b) adição.
c) negação.
d) intensidade.
e) alternância. 
Resolução
Nem,na frase apresentada, intensifica a nega -
ção não só do que está expresso (“contratar
uma holandesa”), mas também de outras
possibilidades. É como se se dissesse “não
conseguimos nada, nem isto.”
Resposta: D
Na planície avermelhada, os juazeiros alar -
ga vam duas manchas verdes. Os infelizes ti -
nham caminhado o dia inteiro, estavam
can sados e famintos. Ordi na riamente anda -
vam pouco, mas como haviam re pousado
bastante na areia do rio seco, a viagem
progredira bem três léguas. Fazia horas que
pro curavam uma sombra. A folhagem dos
juazeiros apareceu longe, através dos galhos
pelados da caa tinga rala.
(Graciliano Ramos, Vidas Secas)
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69PORTUGUÊS
� (UMC-SP-adaptado) – Observe as orações: 
As reservas petrolíferas do mundo são limitadas. 
A exploração descontrolada de petróleo acarretará a exaustão
de suas reservas.
Reúna os dois períodos acima, em um único, utilizando conec -
tivos que mantenham as mesmas relações semânticas do texto
original e eliminando repetições desnecessárias.
RESOLUÇÃO:
As reservas petrolíferas do mundo são limitadas, portanto (por
isso, por esse motivo, por causa disso) a exploração descontrolada
de petró leo acarretará a sua exaustão. (causa e consequência)
Ou
Como as reservas petrolíferas do mundo são limitadas, a
exploração descontrolada de petróleo acarretará a sua exaustão.
(causa e consequência)
� (PUC-MG) – Reúna os dois fatos citados em um período,
estabelecendo entre eles a relação que se acha expressa nos
parênteses:
a) A humanidade consegue gerar energia. / A humanidade suja
perigosamente a camada de atmosfera. (relação de
concessão)
RESOLUÇÃO:
Embora (ainda que) suje perigosamente a camada de atmosfera, a
humanidade consegue gerar energia. 
b) Não haverá flores, nem petróleo, nem minérios. / O homem
continua entupindo com monóxido de carbono a camada
atmosférica. (relação de causa)
RESOLUÇÃO:
Não haverá flores, nem petróleo, nem minérios, porque (já que) o
homem continua entupindo com monóxido de carbono a camada
atmosférica.
 (PUCCAMP) – Observe as declarações em programas de
rádio e televisão abaixo transcritas.
I. Vou agir como presidente do modo que agi quando ministro.
II. Com tanta violência, evitar que a população não tenha medo
é inevitável.
III. Estou certo de que mantive coerência com essas ideias
fundamentais.
Considerando-se a lógica e a norma culta da língua, é correto
afirmar:
a) I, II e III estão totalmente adequadas.
b) Só necessitam da reformulação indicada: I. Vou agir como
presidente do modo como agi quando ministro; II. Com tanta
violência, que a população tenha medo é inevitável.
c) Só I necessita da reformulação indicada: Vou agir como
presidente do modo o qual agi quando ministro.
d) Só II necessita da reformulação indicada: Com tanta vio lên -
cia, evitar que a população não tenha medo é impossível.
e) Só III necessita da reformulação indicada: Estou certo de que
mantive coerência dessas ideias fundamentais.
Resposta: B
� (UFV) – O texto abaixo apresenta um pro blema associado
à coesão textual afetando também a coerência textual:
a) Identifique o problema de coesão textual.
RESOLUÇÃO:
O problema de coesão textual está no emprego inade quado da
locução concessiva “apesar de”, porque a ideia não é de ressalva
ou oposição, mas de adição. 
b) Reescreva o texto acima, de modo a torná-lo coe rente e
coeso.
RESOLUÇÃO:
O computador vem assumindo um papel cada vez mais importante
na educação. Além de incluir enciclopédias em CD-rom, possui
jogos que educam e divertem.
O computador vem assumindo um papel cada vez mais
im por tante na educação. Apesar de incluir enciclopédias em
CD-rom, possui jogos que educam e divertem.
Exercícios Propostos
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 69
70 PORTUGUÊS

 Reúna os períodos abaixo, em um único período, utilizando
conectivos que mantenham as mesmas relações semânticas
do texto original.
a) Informou imediatamente o economista. Observava o pregão
da bolsa de valores.
RESOLUÇÃO:
Informou imediatamente o economista enquanto observava o
pregão da bolsa de valores
b) Os problemas educacionais não se resolvem. Não há
vontade política.
Comece com: Como...
RESOLUÇÃO:
Como não há vontade política, os problemas educacio nais não se
resolvem
c) A mulher enfrenta sérios problemas no mercado de traba lho.
A mulher negra é duas vezes discriminada.
RESOLUÇÃO: 
A mulher já enfrenta sérios problemas no mercado de trabalho,
porém (contudo, entretanto, todavia, mas) a mulher negra é duas
vezes discriminada.
d) O frio era bastante intenso naquela região do Brasil. Alguns
moradores de rua acabaram morrendo. Havia muitos
albergues noturnos.
RESOLUÇÃO:
O frio era tão intenso naquela região do Brasil que alguns mora -
dores de rua acabaram morrendo, embora houvesse muitos
albergues noturnos.
e) Os jogadores não conseguiram a vitória. Empenharam-se
bastante durante a partida.
Comece com: Apesar de...
RESOLUÇÃO:
Apesar de se empenharem bastante, os jogadores não conse -
guiram a vitória.
f) A Terra adoeceu. Envenenamos o ar, destruímos florestas,
poluímos rios e mares. Há como reverter esse processo.
Mudemos nossos hábitos!
RESOLUÇÃO:
A Terra adoeceu, porque envenenamos o ar, destruímos florestas,
poluímos rios e mares, porém, há como reverter esse processo,
desde que mudemos nossos hábitos.
Leia a tirinha para responder a questão 6.
� No 2o quadrinho, a fala de uma das personagens – Porque
você extrapolou nas compras de Natal, extrapolou nas férias, no
carnaval e está com o cartão estourado até hoje! – iniciada por
Porque, estabelece, com a pergunta do 1o quadrinho, uma
relação de
a) causalidade
b) consequência
c) tempo
d) condição
e) comparação
RESOLUÇÃO: 
A conjunção subordinativa causal porque introduz oração que
enumera as causas de a personagem trabalhar excessivamente.
Resposta: A
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71PORTUGUÊS
1. Preencher corretamente todos os itens do cabeçalho com letra legível.
2. Centralizar o título na primeira linha, sem aspas e sem grifo.
3. Pode-se pular uma linha entre o título e o texto, para então iniciar a redação.
4. Fazer parágrafos distando mais ou menos três centímetros da margem e mantê-los alinhados.
5. Não ultrapassar as margens (direita e esquerda) e também não deixar de atingi-las.
6. Evitar rasuras e borrões. Caso erre, anule o erro com um traço apenas. Ex.: O maior poblema problema…
7. Apresentar letra legível, de forma ou cursiva.
8. Distinguir bem as maiúsculas das minúsculas. 
9. Evitar exceder o número de linhas pautadas ou pedidas como limites máximos e mínimos. Aproximadamente 25 linhas para
textos narrativos e dissertativos.
10. Escrever apenas com caneta preta ou azul. O rascunho ou esboço das ideias podem ser feitos a lápis e rasurados. O texto
definitivo não será corrigido em caso de utilização de lápis ou caneta vermelha, verde etc.
Observações
Números
a) Idade – deve-se escrever por extenso até o n.° 10. Do n.° 11 em diante, devem-se usar algarismos.
b) Datas, horas e distâncias sempre em algarismos: 10h30, 12h, 10m, 16m30, 10km (m, h, km, l, g, kg).
Palavras estrangeiras
As que já estiverem incorporadas aos hábitos linguísticos devem vir sem aspas: marketing, merchandising, software, dark, punk,
status, office-boy, show etc.
Apresentação visual da redação
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72 PORTUGUÊS
LEITURA OBRIGATÓRIA
“Ler é aventurar-se pelo universo inteiro”
ENTRE SILÊNCIOS E DIÁLOGOS
Havia uma desconfiança: o mundo não terminava onde os céus e
a terra se encontravam. A extensão do meu olhar não podia deter minar
a exata dimensão das coisas. Havia o depois. Havia o lugar do sol se
aninhar enquanto a noite se fazia. Havia um abrigo para a lua enquanto
era dia. E o meu coração de menino se afoga va em desesperança. Eu
que não era marinheiro nem pássaro – sem barco e asa.
Um dia aprendi com Lili a decifrar as letras e suas somas. E a
palavrase mostrou como caminho poderoso para encurtar distância,
para alcançar onde só a fantasia suspeitava, para per mitir silêncio e
diálogo.
Com as palavras eu ultrapassava a linha do horizonte. E o meu
coração de menino se afagava em esperança.
Ao virar uma página do livro, eu dobrava uma esquina, escala va
uma montanha, transpunha uma maré.
Ao passar uma folha, eu frequentava o fundo dos oceanos,
transpirava em desertos para, em seguida, me fazer hóspede de
outros corações.
Pela leitura temperei a minha pátria, chorei sua miséria, provei de minha família, bebi de minha cidade, enquanto,
pacientemente, degustei dos meus desejos e limites.
Assim, o livro passou a ser o meu porto, a minha porta, o meu cais, a minha rota. Pelo livro soube da história e criei os
avessos, soube do homem e seus disfarces, soube das várias faces e dos tantos lugares de se olhar. (...) Ler é aventurar-se pelo
universo inteiro.
(Bartolomeu Campos de Queirós, Sobre ler, escrever e outros diálogos. Belo Horizonte: Autêntica, 2012, p. 63.)
Pawel Kuczynski
Mariusz Stawarski Pawel Kuczynski
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 72
73PORTUGUÊS
Estamos na chamada Era do Conhecimento, caracterizada não só pela valorização do conhecimento, mas
também pela criatividade, criticidade, ética, colaboração, autonomia, experiência e talento. Para obter essas
competências e habilidades, seja na área filosófica, científica, política, teológica, cultural ou artística,
precisamos incorporar o cabedal de conhecimento que os grandes mestres nos legaram. E só há um meio
para isso: livros, físicos ou virtuais.
Escreva um texto reflexivo ou narrativo-reflexivo em prosa sobre as reflexões a que você chegou com base
na interpretação do texto e das imagens da página anterior. Sua redação deve ter entre 20 e 30 linhas, no
máximo. Dê um título ao seu texto.
COLÉGIO
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
3
Prática de Redação 1
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 73
74 PORTUGUÊS
Observações do(a) corretor(a): Nome: ________________________
Com base no texto e nas ilustrações, o aluno vai escrever um texto reflexivo ou narrativo-reflexivo sobre a importância da leitura
para aquisição de conhecimento. Deve-se evidenciar que o texto a ser produzido deve ter uma estrutura completa (início, meio e
fim), ser coerente e concisa. Não se trata de um exercício de descrição, mas de reflexão. Portanto, o professor deve incentivar o
aluno a desenvolver uma reflexão aprofundada das imagens. Pode orientá-Io, acrescentando que, por meio da leitura, o indivíduo
vai conhecer-se a si mesmo e aos outros, além de se tornar sabedor das diferentes realidades, crenças, culturas, ideias que existem
no mundo. O professor pode ainda pedir ao aluno que expresse oralmente como interpreta a primeira ilustração. Sugestão de
análise: à posição das crianças que absorvem apenas a visão de mundo do leitor, opõe-se a do garoto, virado de costas, lendo um
livro por conta própria, como pensador autônomo, emancipado intelectualmente, capaz de adquirir pensamento crítico e, assim,
formular seus próprios julgamentos. Para a segunda ilustração, em que o livro sai voando depois de libertado de uma gaiola, é uma
metáfora que sugere a liberdade adquirida por meio da leitura, o aluno deve chegar à conclusão de que o saber, o conhecimento,
”liberta" o leitor da servidão a que se submete o indivíduo ignorante. Quanto à ilustração da criança diante de um mar de leitura,
também uma metáfora, remete à enorme quantidade de saber acumulado pela humanidade e que está à espera do leitor.
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 74
75PORTUGUÊS
Descreva a moça do quadro acima e imagine como deve ser a rotina dela, seus sonhos, seu grau de independência
e outros aspectos de sua vida. Seja coerente em relação à época em que o quadro foi produzido. À medida que a descreve,
vá pensando em como é sua vida hoje, em pleno século XXI, e compare-a com a dessa personagem do século XVIII.
Dê um título a seu texto.
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
(Jean-Honoré Fragonard, “A jovem lendo”, 1776)
COLÉGIO
6
Prática de Redação 2
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 75
76 PORTUGUÊS
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O professor deve instruir o aluno quanto à descrição da personagem: o perfil delicado, as maçãs do rosto rosadas, o cabelo em
coque preso por uma fita lilás, os trajes reveladores de que a moça deve pertencer à aristocracia, provavelmente francesa, do
século XVIII e outros detalhes que os alunos possam observar e ir acrescentando à caracterização da moça. Devem imaginar de
que coisas se ocupa uma garota do século XVIII que aparente ter por volta de 15 anos. O aluno deve comparar a sua vida com a
dela, em relação à instrução formal, casamento (na época, as uniões eram acertadas pelos pais), liberdade de locomoção e
expressão etc. Ele pode fazer uma pesquisa na internet sobre a vida das mulheres no século XVIII para embasar seu texto.
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 76
77PORTUGUÊS
Na escola, aprendemos sobre as tais figuras de linguagem, em especial,
a metáfora e a metonímia. Algumas pessoas podem ter mais dificuldades
tanto com a metáfora quanto com a metonímia, que, muito mais do que
apenas figuras de linguagem, são processos cognitivos.
O nosso dia-a-dia é repleto de expressões em linguagem conotativa, vide
nossas expressões idiomáticas e nossa comunicação como um todo. Quando
alguém diz “não adianta chorar o leite derramado”, automaticamente, a maioria
das pessoas entende que se trata de não lamentar o problema do passado,
mas, no caso de autistas, eles podem interpretar a frase literalmente e achar
que se trata de alguém chorando por um copo de leite que caiu no chão. Isso
se dá devido a uma cognição diferente, que tende à interpretação literal.
Sabemos que são diversas as expressões que se utilizam de linguagem
figurada, principalmente de metáforas e metonímias que aparecem em
expressões idiomáticas, máximas populares e são empregadas
informalmente: “doces recordações”, “ideias brilhantes”, “quem não tem
cão caça com gato”, “bater as botas”, “chutar o balde”, “arregaçar as
mangas” etc. Imagine como a comunicação se torna difícil para uma pessoa
que tem o pensamento literal! Olha como nossa comunicação é complexa!
Envolve muitos conhecimentos, além da interação social.
(https://ameninaneurodiversa.wordpress.com/2019/04/21/autismo-e-pensamento-
literal-metaforas-e-metonimias/ – adaptado.)
Leitura obrigatória
Denotação/Conotação
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78 PORTUGUÊS
CRIANÇA DIZ CADA UMA
[...]
Aninha já estava com dois anos. Loira, linda. Nunca tinha cortado o
cabelo. Era amarelo-ouro e cacheado. “Parecia um anjinho barroco”, diz a
mãe coruja.
Lá um dia, a mãe pega uma enorme tesoura e resolve dar um trato
na cabeça da criança, pois as melenas já estavam nos ombros. Chama a
menina, que chega ressabiada, olhando a cintilante tesoura.
— Mamãe vai cortar o cabelinho da Aninha.
Aninha olha para a tesoura, se apavora.
— Não quero, não quero, não quero!!!
— Não dói nada…
— Não quero! Já disse.
E sai correndo. A mãe sai correndo atrás. Com a tesoura na mão.
A muito custo, consegue tirar a filha que estava debaixo da cama,
chorando, temendo o pior. Consola a filha. Sentam-se na cama. Dá um
tempo. A menina para de chorar. Mas, não tira o olho da tesoura.
— Olha, meu amor, a mamãe promete cortar só dois dedinhos.
Aninha abre as duas mãos, já submissa, desata o choro,perguntando, olhando para a enorme tesoura e para a própria mãozinha:
— Quais deles, mãe?
[...]
(Mário Prata é um escritor, dramaturgo, jornalista e cronista brasileiro.
Disponível em: https://marioprata.net/cronicas/crianca-diz-cada-uma.
Adaptado.)
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79PORTUGUÊS
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
9
Prática de Redação 3
A comunicação envolve vários processos importantes para construção de sentido da mensagem, entre esses
fatores, o conhecimento compartilhado do sentido das expressões figuradas que permeiam nosso cotidiano é um
deles.
Muitas vezes, por vários motivos, como o desconhecimento do idioma, a falta de convivência com uma cultura
específica, ou fatores neurológicos, podem levar a situações em que a não compreensão da conotação gera uma
situação inusitada, como a abordada na crônica de Mário Prata.
Crie uma narrativa na qual o desconhecimento do sentido de uma expressão leve a uma situação inusitada,
acarretando um final cômico ou trágico. Lembre-se de que é imprescindível evidenciar os sentidos envolvidos na
expressão que irá gerar o conflito e respeitar os direitos humanos em todo o desenvolvimento textual.
Dê um título criativo ao seu texto.
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80 PORTUGUÊS
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O professor pode citar o caso de pessoas diagnosticadas com Transtorno de Espectro Autista (TEA) – desde que isso não cause
constrangimento a alunos que, por ventura, tenham o transtorno –, que têm dificuldade em entender expressões em linguagem
figurada. Para construir a história, o aluno pode consultar este site na internet: https://www.normaculta.com.br/expressoes-
idiomaticas/. Nele, o aluno pode escolher a expressão idiomática que vai empregar em sua narrativa. Deve-se avaliar o léxico bem
empregado, a história original e a adequação ao tema. Pode ser escrita em 1.a ou 3.a pessoa.
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81PORTUGUÊS
O texto acima registra as impressões e as reflexões despertadas pela foto de uma criança africana. A autora fixa
seu ponto de observação nos olhos, criando metáforas e comparações para caracterizar a força vital neles concentrada.
Procure reconstituir mentalmente uma cena ou uma foto que tenha sido significativa para você ou que o(a) tenha
impressionado. Lembre-se dos pormenores: expressão facial, impressões cromáticas (cores), táteis, olfativas e sonoras,
e outros detalhes que compõem a imagem. Descreva a foto ou a cena e incorpore a essa caracterização os sentimentos
que foram suscitados em você durante a observação e no momento em que você redige o texto.
Explore os recursos expressivos, como as figuras de linguagem que você estudou (metáfora, sinestesia,
comparação, prosopopeia, catacrese e onomatopeia).
Dê um título a seu texto e não ultrapasse 25 linhas.
RÉSTIA DE VIDA
Folheando o jornal, lá estava. A foto da criança africana, faminta, como tantas
que vemos. Tantas que nós, embrutecidos, já as olhamos sem estremecer. Mas
nessa criança havia algo mais. Os olhos. Aqueles olhos – úmidos, negros,
imensos – tinham a força de uma lagoa ou de um oceano inteiro. Brilhavam
espetaculares e transmitiam uma sensação não de horror ou tristeza, o que era
espantoso, mas de luta feroz, quase de poder. Porque eram réstia de vida. Como
se a alma daquela criança, aprisionada no corpo decrépito, ali tivesse cavado
sua última trincheira.
(Heloísa Seixas)
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
12
Prática de Redação 4
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82 PORTUGUÊS
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O professor deve incentivar o aluno a empregar as figuras de linguagem estudadas na aula teórica: metáfora, comparação,
prosopopeia, sinestesia, catacrese e onomatopeia. Para utilizar a linguagem figurada, o aluno pode mesclar a denotação e a
conotação: sorriso doce, passo tímido, nariz altivo, olhar viperino, nuvens galopantes, vento atrevido, lua pacífica, paisagem nua,
aves desesperadas, mar bravo, sol caindo na tarde etc.
O aluno deve iniciar a descrição pelos aspectos gerais para depois particularizá-los, do dedutivo para o indutivo; deve selecionar
as características mais marcantes do ser ou da cena. 
A descrição deve explorar os cinco sentidos, ser subjetiva, apresentar alguma figura de linguagem e conter a impressão que o
elemento descrito causa no observador (aluno). Favor anotar se um desses quesitos não for explorado.
Valorizar o texto em que aluno criou figuras de linguagem e transmitiu seu estado emocional (saudade, alegria, tristeza, amor,
ira etc.) ao caracterizar o ambiente ou o ser.
O documentário “Êxodos”, de Sebastião Salgado, tem fotos de várias regiões do planeta em que grupos estão em fuga de países
em convulsão social. O aluno pode assistir ao documentário, escolher uma foto e descrevê-la.
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83PORTUGUÊS
Com base na ilustração, escolha um ou mais sentimentos que esses aplicativos despertam em você. Descreva as
sensações que esse “pecado” ou “pecados” provocam e quais os meios necessários para que seja possível livrar-se
deles. Dê um título a seu texto e não ultrapasse 25 linhas.
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
15
Prática de Redação 5
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 83
84 PORTUGUÊS
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O aluno deve escolher um ou mais dos “sete pecados capitais” e produzir um texto que descreva os sentimentos e sensações
físicas e emocionais que o aplicativo provoca, coordenando essa descrição a reflexões sobre a possibilidade de minimizar esse
desconforto. O trecho descritivo e o reflexivo devem estar articulados, coesos, apresentando as impressões do sentimento
negativo, suas consequências no comportamento do usuário e as possíveis soluções para diminuir o incômodo. O texto deve ser
escrito em 1ª pessoa. Não se deve avaliar a redação, tentando enquadrá-la em um determinado gênero ou tipologia textual, pois
nesse caso o texto definitivo é híbrido, fica entre a crônica e o diário, a descrição e a narração.
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85PORTUGUÊS
Leitura obrigatória
Descrição
São Paulo
São Paulo é sobretudo feia. Esbanja mau gosto no neoclassicismo brega dos edifícios com
nomes franceses, nas vitrines, no desleixo generalizado com as fachadas, nas grades que
aprisionam famílias, na pichação grosseira, na cafonice das decorações natalinas, na iluminação
mortiça das noites, na americanice grandiloquente dos shoppings, no emaranhado de fios
elétricos, nas casas sem reboque das favelas e da periferia inchada, no lixo das calçadas, na
tragédia da cracolândia e na miséria andrajosa dos moradores de rua.
O que me encanta e desafia em São Paulo é justamente o estar por fazer, a imprevisibilidade,
a confusão urbana que me obriga a reinventar o jeito de viver a cada ano que passa.
É a paisagem humana, o caldeirão de negros, brancos e orientais, senhoras de roupas
recatadas, meninos com o boné virado para trás, homens de gravata, casais que se beijam na
boca no meio dos transeuntes, mulheres sedutoras, homossexuais de mãos dadas, camelôs,
bêbados, travestis, putas, entregadoresde pizza e a legião de motoqueiros que zumbe entre
nossos carros atolados no asfalto.
Pernambucanos, paraenses, gaúchos, bolivianos, europeus, asiáticos, africanos, a cidade
acolhe a todos. Não que os receba de braços abertos, longe disso, mas se chegam dispostos
a trabalhar, ninguém lhes pergunta de onde vieram.
Hoje, há mais verde nas ruas. Alheios à poluição florescem ipês amarelos, roxos e brancos,
flamboyants vermelhos e alaranjados, tipuanas de flores miúdas que atapetam as calçadas,
jacarandás mimosos e as sibipirunas com flores amarelas que imitam canários pousados nas
copas.
Os pássaros estão por toda parte: bem-te-vis, sanhaços, tico-ticos, chupins, maritacas em
algazarra, sabiás-laranjeira que cantam de madrugada. Se até eles, que podem voar para
qualquer sítio, escolhem viver neste inferno, por que não eu?
Quero passar o resto dos dias nesta cidade atormentada, desigual, agressiva, gigantesca,
absurda, com museus, livrarias, cadeias, botequins, restaurantes, orquestras sinfônicas e mais
de cem espetáculos teatrais no fim de semana, ainda que as obrigações e os
congestionamentos não me permitam ir a esses lugares.
E, acima de tudo, trabalhar e conviver com a massa crítica de seres inquietos,
diversificados, com histórias de vida e visões do mundo estranhas às minhas, que construirá
a São Paulo dos meus bisnetos.
O texto acima foi escrito no dia 25 de janeiro, aniversário de São Paulo, e é parte de uma crônica
escrita pelo médico Drauzio Varella.
Texto I
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86 PORTUGUÊS
POEMA DE CIRCUNSTÂNCIA
Onde estão os meus verdes?
Os meus azuis?
O arranha-céu comeu!
E ainda falam nos mastodontes, nos 
[brontossauros, nos tiranossauros,
Que mais sei eu...
Os verdadeiros monstros, os Papões, são 
[eles, os arranha céus!
Daqui
Do fundo
Das suas goelas
Só vemos o céu, estreitamente, através de 
[suas
Empinadas gargantas ressecas.
Para que lhes serviu beberem tanta luz?!
Defronte
À janela onde trabalho
Há uma grande árvore...
Mas já estão gestando um monstro de 
[permeio!
Sim, uma grande árvore...
Enquanto há verde,
Pastai, pastai, olhos meus...
Uma grande árvore muito verde...Ah,
Todos os meus olhares são de adeus
Como o último olhar de um condenado!
(Mário Quintana)
Texto II Texto III
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87PORTUGUÊS
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
COLÉGIO
18
Prática de Redação 6
O texto I da proposta descreve a cidade de São Paulo segundo a perspectiva do médico Drauzio Varella. Os textos
II e III tratam das mudanças provocadas pela urbanização, com a destruição de áreas verdes para ocupação humana. Com
base nisso, analise a situação da cidade em que você nasceu ou mora e descreva-a, expondo seus sentimentos, vivências
e experiências nesse lugar.
Dê um título a seu texto e entre 20 e 30 linhas.
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88 PORTUGUÊS
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O texto de Drauzio Varella, médico oncologista, cientista e escritor brasileiro, descreve a cidade de São Paulo sem poupar críticas,
mas, apesar disso, declara seu encantamento por viver em uma cidade tão singular. Drauzio Varella vê, atualmente, mais ruas
arborizadas, mas a ilustração e o poema de Mário Quintana tratam do desaparecimento das áreas verdes para dar lugar a edifícios.
O poema trata não só da mudança física dos ambientes urbanos, mas também dos estados emocionais que essas transformações
provocam. Se o aluno morar em uma localidade que permanece por anos sem se alterar, ele pode descrever como se sente em
relação a essa cenário: entediante ou tranquilo? Ele prefere que continue assim ou espera por mudanças? Há também a possiblidade
de o aluno ter-se mudado de cidade ou estado e ele pode descrever as diferenças entre o antigo e o novo local de moradia.
O texto deve apresentar descrição física, mas explorar também os sentimentos e impressões do descrevedor, os quais são
resultantes das vivências e experiências na localidade descrita. 
O texto bem avaliado deve ter essas características, por isso os corretores devem aguçar a sensibilidade para avaliar positivamente
figuras de linguagem e sensações mais sutis que o aluno venha a expressar em seu texto. Por favor, leiam os textos da proposta
antes da correção.
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89PORTUGUÊS
Nome legível __________________________________________________________________
Unidade ______________________________________________________________________
Ano/Classe _____________________________________ Data _________________________
N.o de Computador – 
Geração Z
Esta geração agrupa os indivíduos nascidos a partir de 1995 e são os “nativos digitais”, estando muito mais
familiarizados com internet, compartilhamento de arquivos, telefones celulares e música. São extremamente conectados.
Fonseca, Eduardo. Dossiê geração X,Y,Z. Disponível em: <http://www.neteducacao.com.br/experiencias-educativas/dossie>. Acesso em: 15
maio 2015. Adaptado para fins de vestibular.
A Geração Z não diferencia a vida online da off-line, trabalha com o conceito de all-line e quer tudo para agora.
É crítica, dinâmica, exigente, sabe o que quer, é autodidata, não gosta das hierarquias e muda de opinião toda hora.
Instantaneidade, ansiedade e superficialidade são marcantes. Eles também não se prendem as fronteiras
geográficas, possuem amigos e relacionamentos em todo lugar. São consumistas, mas preferem experiências,
como conhecer um lugar novo, a gastar com roupas e itens supérfluos. A Geração Z busca um mundo melhor, se
preocupa com sustentabilidade, alimentação orgânica e veganismo. São jovens mais responsáveis e, mesmo
com toda informação que a internet traz, preocupam-se com o uso excessivo da mídia. Diferente da Geração Y,
pensam com cuidado antes de publicar algo nas redes sociais. Sem preconceitos e mais inclusivos, eles são
sexualmente liberais, de acordo com uma pesquisa realizada nos EUA pela JWT. Para a Geração Z o gênero é
relativo: 56% dos jovens afirmam que, eventualmente, compram roupas feitas para outros gêneros que não o deles.
Além disso, 70% desses adolescentes e jovens acham que espaços públicos deveriam oferecer banheiros mistos.
(http://aldeia.biz/blog/comportamento/geracao-z-uma-nova-relacao-com-o-consumo/)
Você faz parte da geração Z e seu perfil está descrito no quadro e no texto acima. Você concorda com essa
descrição? O que você acrescentaria como comportamento comum à sua geração? Há conflito de gerações entre
a geração Z, a X e a Y?
Escreva um texto mesclando descrição psicológica e reflexões que respondam às questões do parágrafo anterior.
Geração X Geração Y Geração Z
Data de 
nascimento
Entre 1961 e 1978 Entre 1979 e 1994 A partir de 1995
Características
São práticos, empreendedores
e independentes. Respeitam
autoridades e hierarquias.
Preferem ler livros.
São questionadores, multitarefas
(fazem várias coisas ao mesmo
tempo), imediatistas. Buscam
prazer no trabalho. Preferem
meios eletrônicos.
Ligados em socialização também 
por meios eletrônicos, preocupados
com beleza. Aprendem muito 
rápido, porém têm dificuldade de
concentração.
Palavras-chave
Coletividade, cultura,
popularização.
Tecnologia, velocidade,
individualismo, urgência.
Vaidade, dispersão,
flexibilidade.
COLÉGIO
21
Prática de Redação 7
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90 PORTUGUÊS
Observações do(a) corretor(a): Nome: _______________________
O aluno pode escrever o texto em 1.a pessoa ou 3.a pessoa. Deve fazer a descrição psicológica dos adolescentes da geração Z, assim
como relatar experiências pessoais ou coletivas que confirmem as características dessa geração. Além dessa análise do
comportamento,o texto deve revelar como é a convivência com as gerações X e Y.
O professor pode sugerir ao aluno que aponte as características relevantes da geração Z para este século. Não se deve cobrar estrutura
dissertativa, o texto é reflexivo como uma crônica, mas deve ser escrito em norma padrão.
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91PORTUGUÊS
Ao contrário de praticamente todos os jornalistas e escritores que conheço, começo a escrever pelo título. Os outros escrevem
o texto, avaliam o que saiu e aí arranjam um título adequado. Suponho que esta é a maneira mais sensata de agir, mas — que vou
fazer? — não sou dado à sensatez. Assim, o título desta crônica já estava pronto quando ainda me encontrava hospitalizado outra
vez, agora em consequência de uma pancada na cabeça, quando, na cozinha, ao tentar bancar o Nijinski, me saí bem mais para o
Carequinha, sem, naturalmente, a habilidade deste para trambolhar incólume.
(João Ubaldo Ribeiro, O Estado de S. Paulo)
� Relacione a tira e o texto abaixo, para responder às questões que se seguem.
a) O que há em comum entre o procedimento de reda ção de
Calvin e o pensamento de João Ubaldo Ribeiro sobre títulos
de texto?
RESOLUÇÃO:
A ideia de se começar qualquer texto sempre pelo título.
b) Você considera adequado iniciar o texto pelo título? Justi fi -
que sua resposta.
RESOLUÇÃO: 
Resposta pessoal do aluno.
Texto para o teste �.
� O título “Brasil” justifica-se porque
a) o poema menciona as três raças (português, índio e negro)
que formam a nação brasileira.
b) revê os costumes dos primeiros habitantes do Brasil: os índios.
c) refere-se a uma festa marcante para o brasileiro: o carnaval.
d) retrata a natureza brasileira representada pela on ça.
e) menciona a catequese feita pelos jesuítas.
Resposta: A
BRASIL
O Zé Pereira chegou de caravela
E preguntou pro guarani da mata virgem
— Sois cristão?
— Não. Sou bravo, sou forte, sou filho da Morte
Tererê tetê Quizá Quizá Quecê!
Lá longe a onça resmungava Uu! Ua! Uu!
O negro zonzo saído da fornalha
Tomou a palavra e respondeu
— Sim, pela graça de Deus
Canhem Babá Canhem Babá Cum Cum!
E fizeram o Carnaval.
(Oswald de Andrade)
24 Exercícios sobre título
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:30 Página 91
92 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
 Justifique a relação do título com o texto.
RESOLUÇÃO:
O título “Metamorfose” enumera as etapas do processo de
colonização e as constantes mudanças nas fronteiras do País.
Poeticamente, sugere a forma atual do espaço geográfico brasi -
leiro: uma harpa.
Texto para o teste �.
� (MACKENZIE-SP – corrigida e adaptada) – É incorreto
afirmar que colabora para a construção do significado do poema 
a) a enumeração aleatória de objetos e ocorrências da infância
dos quatro primeiros versos. 
b) a transgressão do padrão culto da língua no último verso. 
c) o emprego de um tempo verbal que se relaciona com o título,
firmando-se o significado de lembrança. 
d) o aproveitamento lúdico das reminiscências, por meio dos
recursos apontados nas alternativas a e b. 
e) a transformação do tempo, apresentando-se ocorrências
anteriores e posteriores ao fato narrado.
RESOLUÇÃO: 
A alternativa e está completamente errada, pois o poema não trata
de qualquer “transformação do tempo”. Ao contrário, o texto
concentra-se apenas na evocação da infância por meio da
“enumeração aleatória de objetos e ocorrências”. As demais
alternativas são corretas.
Resposta: E
INFÂNCIA 
O camisolão 
O jarro 
O passarinho 
O oceano 
A visita na casa que a gente sentava no sofá. 
(Oswald de Andrade) 
METAMORFOSE
Meu avô foi buscar prata 
mas a prata virou índio.
Meu avô foi buscar ouro
mas o ouro virou terra.
Meu avô foi buscar terra
e a terra virou fronteira.
Meu avô ainda intrigado
foi modelar a fronteira:
E o Brasil tomou forma de harpa.
(Cassiano Ricardo)
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93PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� Explique o título “NHAC”, considerando que é um livro de
memórias.
RESOLUÇÃO:
“Nhac” é uma figura sonora chamada onoma topeia, que, no caso,
reproduz o som da ação de abocanhar ou engolir. Deduz-se,
portanto, que o livro de memórias da jiboia relata uma série de
ataques desferidos por ela para se alimentar.
Texto para a questão 	.
	 (UFGO) – O poema acima tem uma lingua gem de denúncia.
O uso de certos verbos relacionados a certos subs tantivos
atesta essa intenção do autor. Explique os vários significados
do título do poema.
RESOLUÇÃO: 
Forja pode significar “oficina, fundição” (sentido literal). No sentido
figurado, forjar significa “moldar, manipular, maquinar, fingir,
mentir”.
FORJA
E viva o Governo: deu
dinheiro para montar
a forja.
Que faz a forja? Espingardas
e vende para o governo.
Os soldados de espingarda
foram prender criminoso
foram fazer eleição
foram caçar passarinho
foram dar tiros a esmo
e viva o Governo e viva
nossa indústria matadeira.
(ANDRADE, Carlos Drummond de. Boitempo II.
Rio de Janeiro: Record. p. 42.)
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Texto para a questão �.
�
a) O título estabelece relação mais estreita e específica com
uma das frases do texto. Transcreva essa frase.
RESOLUÇÃO:
“Quando antes se olhava o mapa-múndi e via-se cada país de um
colorido diferente, podia-se tomar isso ao pé da letra.”
b) Pelo título, o texto apresenta ao leitor uma ava liação do
progresso. Essa avaliação é negativa ou positiva? Justifique
sua resposta.
RESOLUÇÃO:
A avaliação é negativa, pois Mário Quintana chama a atenção para
o fato de que povos e nações estão-se tornando muito pareci dos,
padronizados. Esse processo é negativo, pois dilui as diferenças
culturais.
Texto para os testes de � a �.
� (PASUSP) – Assinale a alternativa que serviria para ser título
da notícia:
a) Ventos causam baixas temperaturas?
b) Por que o Brasil tem poucos desastres naturais?
c) O Brasil está livre de catástrofes naturais.
d) Baixas temperaturas provocam desastres.
e) Magma provoca furacões.
RESOLUÇÃO:
O texto apresenta um apanhado das catás trofes naturais para
justificar as razões que tornam o Brasil menos vulnerável a tais
ocorrências. Resposta: B
� (PASUSP) – Na frase: “A gente nem percebe, mas sua
superfície anda...”, o termo mas expressa a ideia de
a) explicação. b) consequência.
c) oposição. d) condição.
e) adição.
RESOLUÇÃO:
A conjunção adversativa “mas” introduz uma oração que
estabelece relação de oposição com a oração anterior.
Resposta: C
� (PASUSP) – De acordo com o texto, os desastres naturais
ocorrem devido a
a) fatores geológicos e climáticos.
b) baixas temperaturas do mar.
c) pouca ocorrência de ventos.
d) imobilidade das placas.
e) rochas derretidas pelo calor.
RESOLUÇÃO:
A alternativa a apresenta as justificativas das ocorrências de
“grandes terremotos, vulcões e furacões”, ou seja, dos desastres
naturais. Resposta: A
Estamos livres de uma série de desgraças como grandes
terremotos, vulcões e furacões por causa de fatores geoló -
gicos e climáticos. Catástrofes como sismos, vulca nismos e
ondas gigantes estão ligadas aos movimentos na crosta da
Terra. A gente nem percebe, mas sua superfície anda: ela está
dividida em placas, que deslizam sobre o magma entre 1 e
20 cen tímetros por ano. No encontro dessas placas é que
ocorre a maior parte dos ter remotos e vulcões. (...)
A pouca ocorrência de ventos devasta dores como
furacões, tufões e ciclones é devi da, em grande parte, à baixa
temperatura do mar – nossos mares dificilmente atingem os
26,5 graus necessários para a formação das piores
tempestades. Furacões e tufões são a mesma coisa, com
nomes diferentes. Ciclones são diferentes nas condições de
formação e geralmente são mais brandos.
“Um furacão deve ter ventos superiores a 118 quilô -
metros por hora, mas há ciclones com ventos muito
intensos”, diz a meteorologista Rosmeri da Rocha, da USP.
O Catarina, por exemplo, que passou em março pelo sul do
Brasil, tinha características tanto de ciclone quanto de furacão,
segundo o INPE.(Adaptado da Revista Superinteressante, maio/2004)
MAPA-MÚNDI
A facilidade de comunicações acabou com esses tanques
em que floresciam as diferentes culturas. Quando antes se
olhava o mapa-múndi e via-se cada país de um colorido
diferente, podia-se tomar isso ao pé da letra. É verdade que
o mundo continuou a ser uma colcha de retalhos; mas são
todos da mesma cor. Bombaim, Roma, Tóquio, que se
escondiam, cada um com seu peculiar mistério, nos
compartimentos estan ques de sua própria civilização, agora,
a julgar pelos filmes estão perfeitamente padronizados,
univer salizados.
E, no mundo de hoje, para desconsolo dos descen dentes
de Sindbad e de Marco Polo, a única cor local das cidades
famosas são os turistas.
(Mário Quintana, Prosa e Verso)
94 PORTUGUÊS
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:31 Página 94
95PORTUGUÊS
Módulos
1 – Contos de Machado de Assis:
“A Cartomante”
2 – Contos de Machado de Assis:
“Uns Braços”
3 – Contos de Machado de Assis:
“Conto de Escola”
4 – Canção popular e eu lírico
5 – Cantiga folclórica
6 – Canção popular e tradição culta
7 – Trovadorismo e a invenção
do amor
8 – Ariano Suassuna:
Auto da Compadecida
PORTUGUÊS: 
INTRODUÇÃO À LITERATURA: 
POESIA LÍRICA – HUMANISMO
Texto para os testes � e �.
Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita, como uma
serpente, foi-se acercan do dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos
num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e
subjugado. Vexa mes, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura;
mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou
que o sapato se acomodasse ao pé e aí foram ambos, estrada fora,
braços dados, pisando folgada men te por cima de ervas e pedregulhos,
sem padecer nada mais que saudades, quando estavam ausentes um
do outro. A confiança e a estima de Vilela continuavam a ser as mes mas.
(Machado de Assis, “A Cartomante”)
� (MODELO ENEM) – Machado de Assis destaca-se na literatura
brasileira por abordar costumes sociais em linguagem expressiva. Um
exemplo desse fenômeno é o fragmento “Não tardou que o sapato se
acomodasse ao pé e aí foram ambos, estrada fora, braços dados,
pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos”, que evidencia
a) a disposição dos amantes para lutar contra as adversidades. 
b) o amor inocente adaptando-se rapidamente à nova situação.
c) a hipocrisia de Rita e Camilo perante a questão do adultério.
d) o temor de serem descobertos, daí tornarem-se tão unidos.
e) a falta de discrição por parte dos jovens amantes. 
Resolução
A frase “Adeus, escrúpulos!” sugere que a ação do casal fere algum
código ético ou de mo ra li da de. Trata-se, no caso, de adultério: Rita, es -
posa de Vilela, passa a ter um caso com Camilo.
Resposta: C
� (MODELO ENEM) – No trecho transcrito, Machado de Assis utiliza
figuras de linguagem ao se referir à maneira pela qual Rita seduziu
Camilo. As figuras empregadas são
a) personificação e comparação.
b) metáfora e antítese.
c) metonímia e antítese.
d) comparação e metáfora.
e) comparação e antítese.
Resolução
Comparação: “Rita, como uma serpente, foi-se acercando dele...”;
metáforas: “fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o
veneno na boca”; “mas a bata lha foi curta e a vitória delirante”; “Não
tardou que o sapato se acomodasse ao pé e aí foram ambos, estrada
fora, braços dados, pisan do folgadamente por cima de ervas e pedre -
gulhos...” (no último caso, o trecho inteiro é metafórico).
Resposta: D
Exercícios Resolvidos
1
Palavras-chave:
Contos de Machado de Assis:
“A Cartomante”
• Realismo • Conto
• Machado de Assis
• A Cartomante
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96 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
1 – Hamlet é o príncipe da Dinamarca na tragédia homônima de Shakespeare.
Horácio é outra personagem da mesma obra. William Shakespeare é tido como um
dos maiores dramaturgos do mundo.
� Hamlet é considerada a maior de todas as “tragédias da
vingança”. Nela figuram personagens ilustres, a ação é elevada,
nobre — própria para suscitar o terror e a piedade —, e termina,
como geralmente ocorre nas tragédias, com um acontecimento
funesto, intransponível. Tendo esse conjunto de valores em
mente, não é correto apontar, entre as palavras abaixo, como
sinônimo de tragédia:
a) catástrofe.
b) infortúnio.
c) profecia.
d) fatalidade.
e) desdita.
RESOLUÇÃO:
[De acordo com o dicionário Caldas Aulete, profecia é: “1. [p]revisão
do que acontecerá no futuro, feita por um profeta; vaticínio. 2.
[p]revisão feita por pessoa que diz antever ou conhecer
previamente acontecimentos futuros. 3. [p]revisão baseada em
presunções, probabilidades, conjecturas etc.”]
Resposta: C
� (MODELO ENEM) – O conto “A Cartomante” é um dos
mais conhecidos daquele que é apontado como o maior escritor
da literatura brasileira. Por pertencer ao gênero conto, essa
narrativa destaca-se por seu caráter
a) emotivo, idealizando as complicações dos relacionamentos
afetivos. 
b) cotidiano, mostrando como o dia a dia pode inspirar a
literatura. 
c) breve, contendo síntese de ação, tempo, espaço e
personagem. 
d) fantasioso, exibindo fatos mirabolantes para conquistar o
público. 
e) sobrenatural, abordando elementos do realismo fantástico. 
RESOLUÇÃO:
O conto, por ser uma narrativa que ocupa poucas páginas,
caracteriza-se pela brevidade. Por isso, apresenta um único
conflito, uma única ação, com espaço geralmente limitado a um
ambiente, unidade de tempo e número restrito de personagens.
[Competência 5, Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
Hamlet1 observa a Horácio que há mais cousas no céu e
na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma
explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-
feira de novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido
na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o
fazia por outras palavras.
— Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada.
Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta,
antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Ape nas
começou a botar as cartas, disse-me: “A senhora gosta de
uma pessoa...” Confessei que sim, e então ela continuou a
botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu
tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era
verdade...
— Errou! Interrompeu Camilo, rindo.
(Machado de Assis, “A Cartomante”)
Hamlet e Horácio no Cemitério (1835), de Eugène Delacroix (1798-1863).
Óleo sobre tela, 99 x 80,5 cm, Städel Museum, Frankfurt am Main. –
Fotografia: Peter Horree / Alamy / Fotoarena.
Exercícios Propostos
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97PORTUGUÊS
 (MODELO ENEM) – Quando o narrador de “A Cartomante”
inicia o conto fazendo referência a uma frase da tragédia Hamlet
(“Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa
filosofia”), ocorre uma relação entre os dois textos denominada
intertextualidade. A frase de Hamlet citada sugere que 
a) a filosofia antiga se entregava a fantasias místicas. 
b) o mundo racional é garantia para a ordem do mundo. 
c) a realidade presente ultrapassa nosso entendimento. 
d) o universo divino é diferente do universo humano. 
e) a filosofia ocidental costuma contrariar o bom senso. 
RESOLUÇÃO:
A frase de Hamlet citada sugere que o mundo comporta muito
mais coisas do que somos capazes de conhecer e compreender.
[Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
� No texto, além do narrador, quem mais cita Shakespeare?
Como e para que o faz?
RESOLUÇÃO:
Rita também cita Hamlet, fazendo-o não com as mesmas palavras
do narrador, tampouco com as de Shakespeare ou as do próprio
Hamlet, mas mencionando a ideia básica: existem coisas que não
podem ser explicadas pelo universo racional. A intenção de Rita é
justificar sua ida a uma cartomante, tentando provar, portanto, que
seria correto confiar nas previsões tiradas por um conjunto de
cartas tidas como premonitórias.

 Ao dizer: “Os homens são assim; não acreditam em nada“,
Rita revelaser uma moça ingênua? Por quê?
RESOLUÇÃO:
Sim, pois a frase dita por ela contém uma enorme generalização,
podendo-se até inferir que seu argumento sobre a existência de
coisas transcendentais também seja ingênuo.
� Há outro momento, no trecho transcrito, em que essa
impressão sobre a personalidade de Rita se confirma? Comente
sua resposta.
RESOLUÇÃO:
Sim. O maior sinal de simplicidade de espírito é sua crença de que
a cartomante adivinhara o motivo da consulta, quando suspeitou
que ela, Rita, tinha uma ansiedade amorosa.
Visão de Hamlet (1893), de Pedro Américo (1843-1905). Óleo sobre tela,
164,5 x 97 cm, Pinacoteca do Estado de São Paulo, São Paulo. – Fotografia:
Isabella Matheus.
Assim como o escritor Machado de Assis, o pintor Pedro Américo, seu
contemporâneo, era também um artista que não se dobrava facilmente às
exigências passageiras dos costumes da época. É por isso que ambos,
em pleno Realismo brasileiro, que exigia uma arte voltada para o tempo
presente, produziram obras que abordaram temas universais, como as
angústias existenciais de Hamlet — e do ser humano.
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98 PORTUGUÊS
� Machado de Assis tornou-se famoso pela maneira pouco
convencional com que costumava organizar a estrutura
narrativa. Explique como esse procedimento pode ser visto em
“A Cartomante”.
RESOLUÇÃO:
O conto “A Cartomante” foge do convencional, visto não
apresentar uma narrativa linear. Basta lembrar que a história
começa a ser contada pela apresentação de um encontro entre Rita
e Camilo. A partir de então, o narrador faz um flashback para
explicar como os dois se conheceram e estabeleceram um
relacionamento amoroso adúltero, por parte de Rita. Feito isso,
passa-se então para a terceira parte do conto, que vai do momento
pouco depois do encontro dos amantes (que iniciara o texto) até o
desfecho trágico. 
� A citação que se faz de Hamlet e que abre “A Cartomante”
cria uma expectativa que vai sendo repetida e reforçada no
decorrer do conto. De que expectativa se trata? Cite outro
evento que a reforça no resto da narrativa. 
RESOLUÇÃO:
A referência à frase da tragédia Hamlet provoca no leitor a
expectativa de que existem fatos cuja explicação escapa à lógica,
o que, portanto, autorizaria a crença no sobrenatural. O primeiro
elemento que pode ser citado como reforço desse aspecto sombrio
e ilógico é o fato de a narrativa iniciar-se numa sexta-feira, dia
considerado funesto na época em que se passa o conto. Outro
elemento é a estranha coincidência quando o tílburi em que estava
Camilo fica preso, interditado por causa de um acidente,
justamente em frente à casa da cartomante. O bloqueio da via
acabou providencialmente após a consulta que Camilo fizera com
a cartomante. Pode se acrescentar também que todas as janelas
do edifício em que residia a cartomante estavam abertas — menos
a da adivinha. Além disso, o ambiente por dentro era escuro,
sombrio. Pode também ser citado, por fim, que no momento de
desespero viera à memória de Camilo um conjunto de histórias
sobrenaturais que sua mãe lhe contara havia muito tempo. 
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:31 Página 98
99PORTUGUÊS
� “A Cartomante” tem um desfecho em anticlímax, ou seja,
com uma frustração da expectativa que fora alimentada no
decorrer do conto. Explique como se dá esse processo. 
RESOLUÇÃO:
Já a partir da frase de Shakespeare citada na abertura do conto,
cria-se uma expectativa, reforçada por vários outros elementos na
narrativa, de que o sobrenatural pode comandar nossas vidas, o
que faz com que se queira vincular a essa expectação o destino de
Camilo, tenso com o bilhete de Vilela. Assim, fica-se esperando que
o desfecho do conto seja positivo, como havia previsto a
cartomante: Rita e Camilo felizes no relacionamento adulterino
ignorado pelo esposo de Rita, Vilela. O final, entretanto, frustra o
esperado, pois é trágico e pessimista: Vilela descobre o adultério,
mata Rita e Camilo.
� Analise as seguintes afirmações a respeito de “A Carto -
mante” e assinale as verdadeiras com V e as falsas com F. 
I. ( ) Camilo e Rita vivem um caso de adultério sem
demonstrarem crise ética ou moral. A preocupação
que têm é que Vilela não tome conhecimento desse
relacionamento. 
II. ( ) A entrega a crenças esotéricas surge como
necessidade para pessoas que se encontram em
situação de desespero. 
III. ( ) O desfecho é abrupto, contrastando com o ritmo
mais lento do resto da narrativa. 
IV. ( ) O final do conto não deixa de ser previsível, para o
leitor que tem familiaridade com o universo
machadiano. Apenas não poderia ter sido captado
por quem se deixasse levar pelas referências
místicas. 
V. ( ) As interpretações que Camilo dera ao bilhete
lacônico de Vilela mostram como a realidade pode
ser analisada de formas diferentes, dependendo do
estado de espírito de quem a vivencia. 
RESOLUÇÃO:
Todas as afirmações são verdadeiras.
Joaquim Maria MACHADO DE ASSIS (1839-1908): Foi jor na lista, contista, cronista,
ro mancista, poeta e tea tró lo go. Sua obra abrange pra ti camente todos os gêneros literários,
sendo suas rea li zações máxi mas os seus ro mances realistas, especial mente Memórias Pós -
tu mas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Cas mur ro, e os seus contos, como “A
Cartomante”, “Uns Braços”, “O Alienista”, “A Causa Secreta” e inúme ros outros. Machado
de Assis é considerado o maior escritor das letras brasileiras, um dos maiores auto res de
toda a literatura de língua portuguesa e um dos grandes romancistas do mundo em sua época.
William SHAKESPEARE (1564-1616): Poeta, drama turgo e ator inglês, conside rado por muitos
o maior dra ma turgo de todos os tem pos. Algu mas de suas peças, como Hamlet e Romeu e
Julieta, estão entre os trabalhos literá rios mais famosos do mundo. 
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100 PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
— Vou-me embora, repetia ele [Inácio] na
rua como nos primeiros dias.
Chegava a casa e não se ia embora. Os
braços de D. Severina fechavam-lhe um parên -
tesis no meio do longo e fastidioso período da
vida que levava, e essa oração intercalada trazia
uma ideia original e profunda, inventada pelo
céu unicamente para ele. Deixava-se estar e ia
andando. Afinal, porém, teve de sair, e para
nunca mais (...)
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
� (MODELO ENEM) – Machado de Assis
destaca-se, entre outros aspectos, pela
maneira como organiza a narrativa. No trecho
“Os braços de D. Severina fechavam-lhe um
parêntesis no meio do longo e fastidioso
período da vida que levava, e essa oração
intercalada trazia uma ideia original e
profunda”, há
a) discurso indireto livre. 
b) linguagem metafórica. 
c) metalinguagem. 
d) inclusão do leitor. 
e) ruptura com a linearidade.
Resolução
Há linguagem metafórica no trecho dado, pois
o narrador emprega termos de sentido lin guís -
tico (“parêntesis”, “período”, “oração inter ca -
lada”), ao se referir aos braços de D. Se ve rina,
bem como ao consolo que eles representam.
Resposta: B
Texto para o teste �.
Naquele dia, enquanto a noite ia caindo e
Inácio estirava-se na rede (não tinha ali outra
cama), D. Severina, na sala da frente, recapitu -
lava o episódio do jantar e, pela primeira vez,
desconfiou alguma cousa. Rejeitou a ideia logo,
uma criança! Mas há ideias que são da família
das moscas teimosas: por mais que a gente as
sacuda, elas tornam e pousam. Criança? Tinha
quinze anos; e ela advertiu que entre o nariz e
a boca do rapaz havia um princípio de rascunho
de buço. Que admira que começasse a amar? E
não era ela bonita? Esta outra ideia não foi
rejeitada, antes afagada e beijada.
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
� (MODELO ENEM) – A prosa machadiana
costuma apresentar humor sutil. Há, por exemplo,
graciosa comicidade em
a) “Rejeitou a ideia logo, uma criança!” 
b) “Inácio estirava-se na rede (não tinha ali
outra cama)...”
c) “Criança? Tinha quinze anos...”
d) “(...) entre o nariz e a boca (...) havia um
princípio de rascunho de buço.” 
e) “Que admiraque começasse a amar? E não
era ela bonita?” 
Resolução
Na descrição do adolescente, Machado de
Assis emprega uma comicidade graciosa, um
pouco zombeteira, em “(…) e ela advertiu que
entre o nariz e a boca do rapaz havia um
princípio de rascunho de buço”. Como se não
bastasse o aspecto cômico da expressão
“rascunho de buço”, o autor diz que se trata de
um “princípio de rascunho...”
Resposta: D
Texto para os testes � e �.
Que não possamos ver os sonhos uns dos
outros! D. Severina ter-se-ia visto a si mesma
na imaginação do rapaz; ter-se-ia visto diante da
rede, risonha e parada; depois inclinar-se, pegar-
lhe nas mãos, levá-las ao peito, cruzando ali os
braços, os famosos braços. Inácio, namorado
deles, ainda assim ouvia as palavras dela, que
eram lindas, cálidas, principalmente novas, —
ou, pelo menos, pertenciam a algum idioma
que ele não conhecia, posto que o entendesse.
Duas; três e quatro vezes a figura esvaía-se,
para tornar logo, vindo do mar ou de outra parte,
entre gaivotas, ou atravessando o corredor, com
toda a graça robusta de que era capaz. E,
tornando, inclinava-se, pegava-lhe outra vez das
mãos e cruzava ao peito os braços, até que,
inclinando-se, ainda mais, muito mais, abrochou
os lábios e deixou-lhe um beijo na boca.
Aqui o sonho coincidiu com a realidade, e as
mesmas bocas uniram-se na imaginação e fora
dela. A diferença é que a visão não recuou, e a
pessoa real tão depressa cumprira o gesto,
como fugiu até à porta, vexada e medrosa. Dali
passou à sala da frente, aturdida do que fizera,
sem olhar fixamente para nada.
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
� (MODELO ENEM) – No texto acima, o
narrador, onisciente, mergulha na mente da
personagem, expondo seus sonhos mais
íntimos. Assim, acaba revelando
a) a consumação da relação amorosa entre
D. Severina e Inácio. 
b) o amor descontrolado que D. Severina nutre
por Inácio. 
c) a paixão frustrada do menino Inácio por
D. Severina. 
d) a imaginação fértil de Inácio, desconectada
da realidade. 
e) o desejo de Inácio por D. Severina, esposa
do patrão.
Resolução
O trecho transcrito corresponde a um sonho de
Inácio, no qual seu desejo por D. Severina
encontra expressão.
Resposta: E
� (MODELO ENEM) – No conto “Uns
Braços”, há uma relação amorosa latente,
aspecto que o leitor percebe pelo fato de 
a) o envolvimento ficar apenas sugerido, sem
concretizar-se. 
b) a reciprocidade manifestar-se no desfecho
entre os dois amantes. 
c) o casal assumir publicamente o amor que
nutre entre si. 
d) a relação ser imoral para os padrões
recatados da época. 
e) o amor evidenciar-se cada vez mais aos dois
apaixonados. 
Resolução
A relação amorosa entre Inácio e D. Severina
não chega a realizar-se concretamente. Embora
haja um sentimento amoroso recíproco (ou
talvez um desejo recíproco), esse senti mento é
reprimido, vivido por cada qual em segredo.
Resposta: A
Exercícios Resolvidos
2
Palavras-chave:
Contos de Machado de
Assis: “Uns Braços”
• Realismo 
• Machado de Assis 
• Conto • Uns Braços
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101PORTUGUÊS
No conto “Uns Braços”, Machado de Assis expõe uma
atração, inaceitável para os padrões sociais e morais da época,
entre o jovem Inácio (15 anos, morador de favor na casa do
patrão) e D. Severina (27 anos, companheira conjugal do dono
da casa).
Texto para a questão �.
� Tendo em vista o excerto acima e o conjunto do conto do
qual foi retirado, explique por que Borges havia descomposto
Inácio. Explique também o que levara o jovem a praticar a falha
que irritara o patrão.
RESOLUÇÃO:
Inácio havia levado uma violenta repreensão porque estava tão
distraído durante o jantar, que não ouvira Borges oferecer-lhe um
prato de comida. O motivo do alheamento foi o garoto ter ficado
absorto, atraído pela primeira vez pelos braços de D. Severina.
Texto para o teste �.
� (MODELO ENEM) – Após o jantar, em que o solicitador
reclamara bastante de Inácio — dizendo que este estava sempre
dormindo, distraído, não fazia nada direito —, o patrão ainda
gritou com o menino por sua demora com o café. O motivo da
delonga de Inácio foi, na verdade, o fato de o adolescente
a) preocupar-se em ver diferenças nas personalidades dos
santos.
b) distrair-se com as figuras sagradas representadas nos
quadros.
c) escolher qual santo deveria seguir como inspiração de
caráter.
d) desejar ficar mais tempo para poder olhar os braços de
D. Severina.
e) ter dificuldade em tomar uma bebida desagradável a ele.
RESOLUÇÃO:
Inácio demorou demais para tomar seu café, a ponto de terminar
por bebê-lo já frio, porque queria ficar o maior tempo possível para,
sorrateiramente, olhar os braços de D. Severina, como o último
período do texto confirma: “Via só os braços de D. Severina, — ou
porque sorrateiramente olhasse para eles, ou porque andasse com
eles impressos na memória.” [Competência 5, Habilidade 15 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
Inácio ia comendo devagarinho, não ousando levantar os
olhos do prato, nem para colocá-los onde eles estavam no
momento em que o terrível Borges o descompôs. Nunca ele
pôs os olhos nos braços de D. Severina que se não
esquecesse de si e de tudo.
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
Inácio demorou o café o mais que pôde. Entre um e outro
gole alisava a toalha, arrancava dos dedos pedacinhos de pele
imaginários ou passava os olhos pelos quadros da sala de
jantar, que eram dois, um S. Pedro e um S. João (...). Vá que
disfarçasse com S. João, cuja cabeça moça alegra as
imaginações católicas, mas com o austero S. Pedro era
demais. A única defesa do moço Inácio é que ele não via nem
um nem outro; passava os olhos por ali como por nada. Via
só os braços de D. Severina, — ou porque sorrateiramente
olhasse para eles, ou porque andasse com eles impressos
na memória.
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
Exercícios Propostos
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102 PORTUGUÊS
Texto para as questões de 
 a 
. 
 (UNIFESP) – Analise as duas ocorrências: 
... uma criança! 
Criança? 
Essas duas passagens mostram que 
a) tanto os sentimentos de D. Severina como a sua razão
mostravam-lhe que Inácio era ainda muito jovem para se dar
às questões do amor. 
b) havia duas vozes na consciência de D. Severina: uma lhe
proibia o desejo; outra o mostrava como possibilidade. 
c) D. Severina via Inácio como uma criança apenas, o que a
perturbava muito, por sentir-se atraída por ele. 
d) D. Severina rejeitava qualquer possibilidade de uma relação
com Inácio, já que não nutria nenhum sentimento pelo rapaz. 
e) havia um embate entre a consciência e a educação de
D. Severina, o qual a impedia de aceitar o amor do rapaz. 
RESOLUÇÃO:
Na primeira ocorrência, “criança” exprime a observação
tranquilizadora de D. Severina, tentando negar o caráter sexual do
interesse de Inácio, diante da voz da consciência que lhe censurava
o desejo. Na segunda ocorrência, ouve-se a outra voz, desejosa,
que admite a possibilidade de o interesse do rapaz ser despertado
por seus atrativos femininos.
Resposta: B
� (UNIFESP) – Quando se diz, ao final do primeiro parágrafo,
que D. Severina “concluiu que sim”, isso significa que ela
reconheceu que 
a) deveria contar tudo a Borges. 
b) Inácio era um desastrado, de fato. 
c) estava enganada sobre o amor de Inácio. 
d) Inácio deveria ser advertido. 
e) Inácio começava a amá-la. 
RESOLUÇÃO:
D. Severina rejeita momentaneamente a ideia de que Inácio se
sentisse atraído por ela, por sua beleza, mas logo “conclui que
sim”, ou seja, que o rapaz de fato a desejava.
Resposta: E

 Machado de Assis é um excelente observador do compor -
tamento humano. Assim como Inácio, D. Severina foi dissimu -
lada na cena transcrita. Qual a reação da esposa ao ser acusada
pelo marido de sonolência, distração?
RESOLUÇÃO:
A esposa do solicitador oculta o fato de estar pensando no menino:
nega a acusação de sonolência e inventa uma lembrança que teve
da comadre Fortunata. 
D. Severina, na sala da frente, recapitulava o episódio do
jantar e, pela primeira vez, desconfioualguma cousa. Rejeitou
a ideia logo, uma criança! Mas há ideias que são da família
das moscas teimosas: por mais que a gente as sacuda, elas
tornam e pousam. Criança? Tinha quinze anos; e ela advertiu
que entre o nariz e a boca do rapaz havia um princípio de
rascunho de buço. Que admira que começasse a amar? E
não era ela bonita? Esta outra ideia não foi rejeitada, antes
afagada e beijada. E recordou então os modos dele, os
esquecimentos, as distrações, e mais um incidente, e mais
outro, tudo eram sintomas, e concluiu que sim.
— Que é que você tem? disse-lhe o solicitador, estirado
no canapé, ao cabo de alguns minutos de pausa. 
— Não tenho nada. 
— Nada? Parece que cá em casa anda tudo dormindo! 
(...)
E foi por ali, no mesmo tom zangado, fuzilando ameaças,
mas realmente incapaz de as cumprir, pois era antes
grosseiro que mau. D. Severina interrompia-o que não, que
era engano, não estava dormindo, estava pensando na
comadre Fortunata.
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:31 Página 102
103PORTUGUÊS
Textos para o teste �.
� (MODELO ENEM) – O texto 1, de Machado de Assis, foi
publicado no século XIX, enquanto o texto 2, de Camões, foi
publicado no século XVI. Apesar das diferenças de época, estilo
e gênero literário, os dois textos têm em comum o fato de
apresentarem como tema a
a) angústia pela qual o amante precisa passar para conseguir
provar a sinceridade de seu sentimento.
b) humilhação a que está submetido quem sente atração por
uma mulher que se encontra em nível superior.
c) visão que se tem do ser amado transtornando o sujeito, a
ponto de provocar-lhe atitudes contraditórias.
d) crise ética do indivíduo que percebe estar praticando um ato
que fere os preceitos morais de sua sociedade.
e) mentira que os apaixonados estão acostumados a sustentar
para disfarçarem seus sentimentos, em nome do orgulho.
RESOLUÇÃO:
Nos dois textos, a visão do objeto de desejo transtorna o sujeito.
Ambos apresentam atitudes contraditórias, como se revela em
“fujo daqui e não volto mais. Não foi” (texto 1) e em, entre tantos
exemplos, “sem causa, juntamente choro e rio” (texto 2).
[Competência 5, Habilidade 17 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
Texto para as questões � e �.
� Como passaram a ser as atitudes de D. Severina a partir do
instante em que voltou o olhar para Inácio, a fim de observá-lo?
RESOLUÇÃO:
D. Severina também se perturbou, o que fez que suas atitudes se
tornassem contraditórias: propôs-se a tratar Inácio áspera e
secamente, a fugir dele com os olhos, no entanto às vezes se
tornava meiga e olhava para ele.
� (MODELO ENEM) – O enredo de “Uns Braços”, de fato,
não trata do desenrolar de uma paixão, mas sim de seu
ocultamento, tanto por parte de Inácio, quanto por parte de
D. Severina. Estando tudo tão oculto entre as personagens,
conseguimos saber o que se passa atrás das aparências graças
a) à interpretação das metáforas.
b) ao repertório cultural do leitor. 
c) à utilização de lugares-comuns.
d) à onisciência do narrador.
e) à intertextualidade com Shakespeare.
RESOLUÇÃO:
O narrador é onisciente e revela-nos as sutilezas dos sentimentos
escondidos pelas palavras e pelos gestos. [Competência 5,
Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
Texto 1
Deixe estar, — pensou ele — um dia fujo daqui e não
volto mais.
Não foi; sentiu-se agarrado e acorrentado pelos braços de
D. Severina. (...)
A agitação de Inácio ia cres cendo, sem que ele pudesse
acalmar-se nem entender-se. Não estava bem em parte
nenhuma. Acordava de noite, pen sando em D. Severina. Na
rua, trocava de esquinas, errava as portas, muito mais que
dantes, e não via mulher, ao longe ou ao perto, que lha não
trouxesse à memória.
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
Texto 2
Tanto de meu estado me acho incerto, 
que, em vivo ardor, tremendo estou de frio; 
sem causa, juntamente choro e rio, 
o mundo todo abarco, e nada aperto. 
É tudo quanto sinto um desconcerto; 
da alma um fogo me sai, da vista um rio; 
agora espero, agora desconfio; 
agora desvario, agora acerto. 
Estando em terra, chego ao Céu voando; 
num’hora acho mil anos, e é de jeito 
que em mil anos não posso achar um’hora. 
Se me pergunta alguém por que assi ando, 
respondo que não sei; porém suspeito 
que só porque vos vi, minha Senhora. 
(Camões)
Tudo parecia dizer à dama que era verdade; (...) Não
podia entender-se nem equilibrar-se, chegou a pensar em
dizer tudo ao solicitador, e ele que mandasse embora o
fedelho. Mas que era tudo? Aqui estacou: realmente, não
havia mais que suposição, coincidência e possivelmente
ilusão. Não, não, ilusão não era. E logo recolhia os indícios
vagos, as atitudes do mocinho, o acanhamento, as distra -
ções, para rejeitar a ideia de estar enganada. Daí a pouco
(capciosa natureza!), refletindo que seria mau acusá-lo sem
funda mento, admitiu que se iludisse, para o único fim de
observá-lo melhor e averiguar bem a realidade das cousas.
Já nessa noite, D. Severina mirava por baixo dos olhos os
gestos de Inácio; (...) compreendeu que não havia recear
nenhum desacato, e concluiu que o melhor era não dizer nada
ao solicitador; poupava-lhe um desgosto, e outro à pobre
criança. Já se persuadia bem que ele era criança, e assentou
de o tratar tão secamente como até ali, ou ainda mais. E assim
fez; Inácio começou a sentir que ela fugia com os olhos, ou
falava áspero, quase tanto como o próprio Borges. De outras
vezes, é verdade que o tom da voz saía brando e até meigo,
muito meigo; assim como o olhar, geralmente esquivo, tanto
errava por outras partes, que, para descansar, vinha pousar
na cabeça dele; mas tudo isso era curto.
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
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104 PORTUGUÊS
Texto para as questões � e �.
� (MODELO ENEM) – Machado de Assis utiliza a linguagem
de forma tão especial, que torna saborosa a leitura de “Uns
Braços” — assim como de tantos outros textos seus. Exemplo
desse aspecto é o trecho: “Inácio, namorado deles, ainda assim
ouvia as palavras dela, que eram lindas, cálidas, principalmente
novas, — ou, pelo menos, pertenciam a algum idioma que ele
não conhecia, posto que o entendesse”, em que idioma é
metáfora
a) da tensão que tumultuava o pensamento de Inácio. 
b) do sonho que as personagens compartilhavam. 
c) da intriga que D. Severina usava contra o jovem. 
d) do amor que Inácio estava então descobrindo.
e) do decoro que reprimia as ações dos amantes.
RESOLUÇÃO:
O trecho em destaque enfoca o ponto máximo da ação do conto,
pois é o instante em que há o maior envolvimento afetivo entre
D. Severina e Inácio. O idioma a que se refere o narrador é,
portanto, metáfora de amor, sentimento que o adolescente de 15
anos está descobrindo. [Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes
do ENEM.]
Resposta: D
� A paixão extravasou a vida secreta dos amantes?
RESOLUÇÃO:
Não, a paixão permaneceu em segredo, pois a cena do beijo, que
revelaria a ambos o sentimento recíproco, ocorre simultanea mente
no sonho de Inácio (ele sonha que a beija) e na realidade (ela o beija
no momento do sonho). Entretanto, D. Severina foge
imediatamente após o ocorrido, e Inácio continua entregue ao
sono, sem que nenhum deles fique sabendo que foi beijado pelo
outro. 
� Analise as seguintes afirmações sobre “Uns Braços” e
assinale as verdadeiras com V e as falsas com F.
I. ( ) O conto inicia-se de forma abrupta, jogando o leitor de
imediato no meio da ação.
II. ( ) “Uns Braços” apresenta um narrador que vasculha a
mente humana, captando o intenso jogo de
contradições e dissimulações. 
III. ( ) Machado de Assis constrói uma história levemente
bem-humorada e tocante sobre o desabrochar do amor,
sem recorrer a sentimentalismos. 
IV. ( ) A narrativa valoriza a mulher, ao mostrá-la, em meio às
limitações de uma sociedade patriarcal, capaz de captar
coisas que o homem não percebe. 
V. ( ) D. Severina encarna o tema da felicidade de se sentir
amada e concretizar o amor. 
RESOLUÇÃO:
Apenas a afirmação V é falsa. D. Severina repeleo sentimento que
tem por Inácio e prefere manter a condição em que vive, frustrada,
a cair numa paixão perigosa.
Saiu da sala, atravessou rasgadamente o corredor e foi
até o quarto do mocinho, cuja porta achou escancarada.
D. Severina parou, espiou, deu com ele na rede, dormindo
(...).
D. Severina sentiu bater-lhe o coração com veemência e
recuou. Sonhara de noite com ele; pode ser que ele estives -
se sonhando com ela. (...) Recuou ainda, depois voltou, olhou
dous, três, cinco minutos, ou mais. (...) “Uma criança!” (...)
(...) 
E mirou-o lentamente, fartou-se de vê-lo (...). De repente
estremeceu e recuou assustada: ouvira um ruído ao pé, na
saleta do engomado; foi ver, era um gato que deitara uma
tigela ao chão. Voltando devagarinho a espiá-lo, viu que
dormia profundamente. Tinha o sono duro a criança! O rumor
que a abalara tanto, não o fez sequer mudar de po si ção. E
ela continuou a vê-lo dormir, — dormir e talvez sonhar. 
Que não possamos ver os sonhos uns dos outros!
D. Severina ter-se-ia visto a si mesma na imaginação do
rapaz; ter-se-ia visto diante da rede, risonha e parada; depois
inclinar-se, pegar-lhe nas mãos, levá-las ao peito, cruzando ali
os braços, os famosos braços. Inácio, namorado deles, ainda
assim ouvia as palavras dela, que eram lindas, cálidas,
principalmente novas, — ou, pelo menos, pertenciam a
algum idioma que ele não conhecia, posto que o entendesse.
(...) inclinava-se, pegava-lhe outra vez das mãos e cruzava ao
peito os braços, até que, inclinando-se, ainda mais, muito
mais, abrochou os lábios e deixou-lhe um beijo na boca. 
Aqui o sonho coincidiu com a realidade, e as mesmas
bocas uniram-se na imaginação e fora dela. A diferença é que
a visão não recuou, e a pessoa real tão depressa cumprira o
gesto, como fugiu até à porta, vexada e medrosa. Dali passou
à sala da frente, aturdida do que fizera (...).
(Machado de Assis, “Uns Braços”)
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105PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
Tive uma sensação esquisita. Não é que eu possuísse da virtude
uma ideia antes própria de homem; não é também que não fosse fácil
pregar uma ou outra mentira de criança. Sabía mos ambos enganar o
mestre. A novidade estava nos termos da proposta, na troca de lição e
dinheiro, compra franca, positiva, toma lá, dá cá; tal foi a causa da
sensação.
� (MODELO ENEM) – O trecho acima foi extraído de “Conto de
Escola”, de Machado de Assis, e apresenta um comentário
interessante sobre uma questão de natureza ética. O nar rador emprega
a expressão “sensação es quisita”, cuja causa seria
a) o conhecimento da importância da virtude.
b) a constatação da habilidade em mentir.
c) o reconhecimento da capacidade de enga nar o mestre.
d) a percepção de uma relação mercantil.
e) a obrigação de efetuar a transação.
Resolução
O trecho fala de um certo mal-estar decorrido do fato de o narrador ter
recebido uma moeda de prata de seu colega Raimundo, em troca de
auxílio na lição de sintaxe. O que gerou a “sensação esquisita” foi,
portanto, a relação mercantil que se estabeleceu. 
Resposta: D
Texto para o teste �.
Garcia tinha-se chegado ao cadáver (...). (...) inclinou-se e beijou-a na
testa. (...) Fortunato chegou à porta. Estacou assombrado; não podia
ser o beijo da amizade (...).
Entretanto, Garcia inclinou-se ainda para beijar outra vez o cadáver;
mas então não pôde mais. O beijo rebentou em soluços, e os olhos
não puderam conter as lágrimas, que vieram em borbotões, lágrimas de
amor calado (...). Fortunato, à porta, onde ficara, saboreou tranquilo essa
explosão de dor moral que foi longa, muito longa, deliciosamente longa.
(Machado de Assis, “A Causa Secreta”)
� No fragmento, o narrador adota um ponto de vista
que acompanha a pers pectiva de Fortunato. O
que singulariza esse procedimento narrativo é o
registro da(o)
a) indignação face à suspeita do adultério da esposa.
b) tristeza compartilhada pela perda da mulher amada.
c) espanto diante da demonstração de afeto de Garcia.
d) prazer da personagem em relação ao sofrimento alheio.
e) superação do ciúme pela comoção decorrente da morte.
Resolução
Neste conto de Machado de Assis, intitulado “A Causa Secreta”, a
personagem Fortunato é movida por “prazer em relação ao sofrimento
alheio”, isto é, por sadismo.
Resposta: D
Texto para as questões de � a 
.
1 – Fazer sueto: cabular aula.
� Caracterize a personagem que aparece no texto.
RESOLUÇÃO: 
A personagem é um assíduo cabulador de aulas, preferindo brincar
a ir à escola.
� O narrador apresenta a razão pela qual naquele dia ele foi à
escola?
RESOLUÇÃO: 
O motivo foi a lembrança da surra que o pai lhe dera por ter
cabulado aula, por duas vezes, na semana anterior.
A escola era na Rua do Costa (...). Naquele dia (...) deixei-
me estar alguns instantes na Rua da Princesa a ver onde iria
brincar a manhã. Hesitava entre o morro de S. Diogo e o
campo de Sant’Ana (...). Morro ou campo? Tal era o problema.
De repente disse comigo que o melhor era a escola. E guiei-
me para a escola. Aqui vai a razão.
Na semana anterior tinha feito dous suetos1, e, desco -
berto o caso, recebi o pagamento das mãos de meu pai, que
me deu uma sova de vara de marmeleiro.
(Machado de Assis, “Conto de Escola”)
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
3
Palavras-chave:
Contos de Machado de Assis:
“Conto de Escola”
• Realismo 
• Machado de Assis
• Conto 
• Conto de Escola 
C1_1A_SP_PORT_JR_2023.qxp 06/07/2022 14:31 Página 105
106 PORTUGUÊS
 Em “(...) recebi o pagamento das mãos de meu pai”, a
palavra sublinhada foi empregada em sentido próprio ou
figurado? Explique.
RESOLUÇÃO:
Pagamento, no texto, tem sentido figurado, pois indica a surra que
o menino recebeu do pai. Trata-se, portanto, de uma metáfora (pois
a surra é implicitamente comparada a um pagamento), e uma
metáfora carregada de ironia (pois o que o garoto recebe não é um
pagamento ou prêmio, mas o contrário: um castigo). Ironia é a
figura de linguagem pela qual se diz algo para fazer entender o
oposto.
Texto para os testes � e 
.
� (MODELO ENEM) – No trecho transcrito, o narrador, ao
contar suas memórias, informa que não usava expressões como
“dubitativa” ou “cogitativa”, entretanto elas aparecem em seu
texto. A explicação para essa aparente contradição é o fato de
haver uma diferença entre 
a) o narrador que conta a história, onisciente, e o indivíduo que
a vive, protagonista. 
b) Pilar narrador, já amadurecido, e Pilar personagem, ainda
estudante.
c) o acontecimento do passado, mais vivo, e a noção presente
sobre ele, mais imprecisa. 
d) o ambiente escolar, marcado pela censura, e o literário,
marcado pela liberdade. 
e) o padrão oral, de vocabulário limitado, e o padrão escrito,
mais enriquecido.
RESOLUÇÃO:
Quem faz as caricaturas do professor é a personagem Pilar, ainda
uma criança em idade escolar. Quem conta a história é Pilar,
enquanto narrador, muito tempo depois, já amadurecido. Essa
diferença de idade desfaz a aparente contradição, pois é plausível
que um menino tenha um vocabulário menor que um adulto.
Também é necessário distinguir entre narrador e personagem,
mesmo em textos memorialistas e autobiográficos. [Competência 5,
Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B

 (MODELO ENEM) – O narrador confessa ter-se arrependido
de ter ido à escola. Analisando a maneira como a aula fora dada,
percebe-se que o motivo do arrependimento é
a) a consciência que a personagem teve de que não conseguia
desenvolver a matéria de forma a ser aprovado. 
b) o ódio que o narrador sentiu ao notar que seus colegas não
assumiam a mesma postura de rebeldia que ele. 
c) a percepção que o aluno desenvolveu da apatia dos demais
estudantes diante do autoritarismo do professor. 
d) o tédio em que se encontrou o protagonista por não ter o
seu potencial intelectual satisfeito devido às lições fáceis. 
e) a sensação que o garoto teve de que seria castigado
fisicamente por causa da demora na entrega do trabalho. 
RESOLUÇÃO:
O narrador conta que terminava a tarefa antes dos demaisalunos
e ficava entediado — daí dedicar-se a fazer caricaturas do professor.
É por esse motivo que se arrependeu de ter ido à escola, pois
achava que poderia aproveitar melhor o seu tempo brincando fora
dela. [Competência 5, Habilidade 15 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
(...) Na lição de escrita, por exemplo, acabava sempre
antes de todos, mas deixava-me estar a recortar narizes no
papel ou na tábua, ocupação sem nobreza nem
espiritualidade, mas em todo caso ingênua. Naquele dia foi a
mesma cousa; tão depressa acabei, como entrei a reproduzir
o nariz do mestre, dando-lhe cinco ou seis atitudes
diferentes, das quais recordo a interrogativa, a admirativa, a
dubitativa e a cogitativa. Não lhes punha esses nomes, pobre
estudante de primeiras letras que era; mas, instintivamente,
dava-lhes essas expressões. Os outros foram acabando; não
tive remédio senão acabar também, entregar a escrita, e
voltar para o meu lugar.
Com franqueza, estava arrependido de ter vindo.
(Machado de Assis, “Conto de Escola”)
Machado de Assis aos 25 anos (1864). Fotografia de
Insley Pacheco (1830-1912).
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107PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
� (UNICAMP) – Como o narrador-personagem conseguiu a
pratinha que estava em seu bolso? 
RESOLUÇÃO:
A pratinha fora obtida em troca de uma explicação que Pilar — o
narrador-personagem — ia dar, às escondidas, a Raimundo, filho
do professor.
� (UNICAMP) – Qual o destino final da pratinha? 
RESOLUÇÃO:
A pratinha foi atirada pelo professor, num acesso de fúria, para fora
da sala, logo após que o mestre tomou conhecimento do que tinha
sido combinado entre Pilar e Raimundo.
� (UNICAMP) – Na passagem, há uma oposição entre o
espaço da rua (“Lá fora, no céu azul”) e o espaço em que
acontece a ação, oposição que também se observa no início e
no final do conto. Em que medida tal oposição contribui para
caracterizar a personagem que narra?
RESOLUÇÃO:
O narrador descreve a rua como sedutora, plena de liberdade,
opondo-se ao espaço em que ocorre a ação do conto (uma sala de
aula), no qual o tédio e a opressão predominam. A atração do
narrador pelo primeiro ambiente justifica o seu caráter gazeteiro,
inclinado a cabular aulas.
(...) E lá fora, no céu azul, por cima do morro, o mesmo
eterno papagaio, guinando a um lado e outro, como se me
chamasse a ir ter com ele. Imaginei-me ali, com os livros e a
pedra embaixo da mangueira, e a pratinha no bolso das
calças, que eu não daria a ninguém, nem que me serrassem;
guardá-la-ia em casa, dizendo a mamãe que a tinha achado na
rua. Para que me não fugisse, ia-a apalpando, roçando-lhe os
dedos pelo cunho, quase lendo pelo tato a inscrição, com
uma grande vontade de espiá-la.
(MACHADO DE ASSIS.
Várias Histórias. Obra Completa. v. II.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1979. p. 552-553.)
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108 PORTUGUÊS
Texto para a questão �.
� Machado de Assis é famoso pela maneira irônica e
pessimista com que aborda a sociedade e suas instituições. O
excerto transcrito é prova dessa característica, pois mostra uma
visão do autor a respeito do papel da escola, tradicionalmente
creditada como preparação para a vida. Comente como se
manifesta, nesse aspecto, a ironia machadiana. 
RESOLUÇÃO:
A escola é vista tradicionalmente como uma instituição que
prepara para a vida, ensinando e desenvolvendo nos alunos o que
de melhor há em conhecimento e caráter. No entanto, no caso de
“Conto de Escola”, ela serviu para ensinar duas das piores
experiências sociais: a corrupção e a delação. No fim, não deixou de
dar uma lição de vida. 
� Analise as afirmações sobre “Conto de Escola” e assinale
as verdadeiras com V e as falsas com F. 
I. ( ) Pilar apanhou por não ter ido à aula, mas apanhou
também na escola. 
II. ( ) Em “Conto de Escola”, não se vê muito em ação o
processo de ensino, mas mais o de aprendizagem. 
III. ( ) O conto é prova de que o professor estimulava os
alunos, dando aulas em que havia muito dinamismo,
com trabalhos em grupo. 
IV. ( ) As quatro personagens de “Conto de Escola” (Pilar,
Raimundo, Prof. Policarpo e Curvelo) não são exemplos
engrandecedores de caráter. 
RESOLUÇÃO:
A afirmação III é falsa, porque as aulas não são dinâmicas, nem há
trabalhos em grupo.
(...) Não fui à escola, acompanhei os fuzileiros, depois
enfiei pela Saúde, e acabei a manhã na praia da Gamboa.
Voltei para casa com as calças enxovalhadas, sem pratinha
no bolso nem ressentimento na alma. E contudo a pratinha
era bonita e foram eles, Raimundo e Curvelo, que me deram
o primeiro conhecimento, um da corrupção, outro da delação;
mas o diabo do tambor...
(Machado de Assis, “Conto de Escola”)
A Governanta (1739), de Jean-Baptiste-Siméon Chardin (1699-1779).
Óleo sobre tela, 46,5 x 37,5 cm, Galeria Nacional do Canadá, Ottawa.
– Fotografia: Album / akg-images / Fotoarena.
A educação foi muito bem retratada neste quadro de Chardin. O
mundo de prazer e brincadeira da infância, representado nos objetos
espalhados no chão (canto inferior esquerdo), será substituído pela
vida adulta, simbolizada pela porta aberta ao fundo. Machado de
Assis, em outra época e em outra modalidade artística, retomará
esse universo, não mais sob uma óptica engrandecedora, mas
pessimista e irônica.
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109PORTUGUÊS
Texto para os testes � e �.
Um pouco cansada, com as compras
deformando o novo saco de tricô, Ana subiu no
bonde. Depositou o volume no colo e o bonde
começou a andar. Recostou-se então no banco
procurando conforto, num suspiro de meia
satisfação.
Os filhos de Ana eram bons, uma coisa
verdadeira e sumarenta. Cresciam, tomavam
banho, exigiam para si, malcriados, instantes
cada vez mais completos. A cozinha era enfim
espaçosa, o fogão enguiçado dava estouros. O
calor era forte no apartamento que estavam aos
poucos pagando. Mas o vento batendo nas
cortinas que ela mesma cortara lembrava-lhe
que se quisesse podia parar e enxugar a testa,
olhando o calmo horizonte. Como um lavrador.
Ela plantara as sementes que tinha na mão, não
outras, mas essas apenas. E cresciam árvores.
Crescia sua rápida conversa com o cobrador de
luz, crescia a água enchendo o tanque, cresciam
seus filhos, crescia a mesa com comidas, o
marido chegando com os jornais e sorrindo de
fome (...).
Certa hora da tarde era mais perigosa. Certa
hora da tarde as árvores que plantara riam dela.
Quando nada mais precisava de sua força,
inquietava-se. (…)
No fundo, Ana sempre tivera necessidade
de sentir a raiz firme das coisas. E isso um lar
perplexamente lhe dera. Por caminhos tortos
viera a cair num destino de mulher (...). 
(Clarice Lispector, “Amor”)
� (UNIFESP – MODELO ENEM) – De
acordo com o texto, pode-se afirmar que a
personagem Ana
a) sintetiza as qualidades da mulher burguesa e
rica, que se responsabiliza pelo lar e em
momento algum questiona suas atribuições.
b) é símbolo da mãe e da esposa de classe
baixa, que vê nas tarefas do lar a verdadeira
forma de ser feliz, mas almeja ser indepen -
dente.
c) representa a mulher de classe média que
cuida de suas tarefas, mas não sente prazer
nisso, pois é incomodada por sua família.
d) é produto de uma sociedade feminista, o
que se pode confirmar pela autonomia que
tem para realizar suas tarefas.
e) constitui a referência do lar de classe média,
no qual tem como missão a tarefa de
organizá-lo e de cuidar dos familiares.
Resolução
A personagem Ana destaca-se no texto por sua
vida cotidiana e repetitiva em relação às ativi da -
des domésticas (tricô, o cui dado com os filhos,
o cozinhar, o lavar, o zelo com o marido etc.). 
Resposta: E
� (UNIFESP – MODELO ENEM) – O
narrador afirma que Ana caiu “num destino de
mulher”. No texto, esse destino é descrito com
o objetivo de propor uma reflexão sobre
a) a juventude e a velhice.
b) a importância de ser mãe.
c) as diferenças sociais.
d) o papel da mulher na sociedade.
e) a família como verdadeira instituição social.
Resolução
A descriçãodas atividades ditas femininas da
personagem tem por finalidade promover uma
reflexão sobre o papel representado pela
mulher, dona de casa da classe média, na
sociedade da época.
Resposta: D
Texto para as questões de � a �. � A letra da canção transcrita apresenta as palavras de uma
mulher. Porém, lendo o texto pela primeira vez, sem se deixar
influenciar pela voz de uma cantora, você só teria certeza de
que se trata das palavras de uma mulher num certo momento
da letra. Qual seria esse momento?
RESOLUÇÃO:
Apenas no último verso; até ele, não há certeza a respeito, embora
já houvesse uma expectativa nessa direção.
ESSE CARA
Ah! Que esse cara tem me consumido
A mim e a tudo que eu quis
Com seus olhinhos infantis
Como os olhos de um bandido
Ele está na minha vida porque quer
Eu estou pra o que der e vier
Ele chega ao anoitecer
Quando vem a madrugada, ele some
Ele é quem quer
Ele é o homem
Eu sou apenas uma mulher.
(Caetano Veloso, “Esse Cara”–
Disponível em: http://www.letras.mus.br/caetano-veloso/144566/
Acesso em: 27 maio 2019.)
Exercícios Resolvidos
Exercícios Propostos
4
Palavras-chave:
Canção popular e eu lírico • Cancioneiropopular brasileiro 
• Eu lírico
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110 PORTUGUÊS
� Pelo que diz a letra, que visão a respeito da condição
feminina tem a mulher que fala de sua relação com um certo
homem? Trata-se de uma postura conformista ou rebelde, isto
é, de aceitação da situação ou de luta contra ela? 
RESOLUÇÃO:
A mulher seria, supostamente, um ser em posição inferior, o que se
vê sobretudo pelo “apenas” do verso “Eu sou apenas uma
mulher”. Trata-se de uma visão conformista.
 Os trechos “Ah! Que esse cara tem me consumido / A mim
e a tudo que eu quis” e “Ele é quem quer” revelam que a
mulher da canção se comporta de que maneira com relação ao
homem amado?
RESOLUÇÃO:
A mulher comporta-se de forma totalmente passiva; não tem
vontade própria, apagando-se diante da vontade do outro.
� Há uma comparação no texto que mostra bem a ambigui -
dade do que sente a mulher com relação ao amado, carac -
terizado como alguém que tem uma espécie de dupla face: um
lado positivo e um lado negativo; um lado aparen temente
inocente e um lado ameaçador. Transcreva essa comparação.
RESOLUÇÃO:
“Com seus olhinhos infantis / Como os olhos de um bandido.” [O
professor pode explorar essa ideia do amado comparado com um
“bandido”, isto é, com alguém que, de alguma forma, rouba algo
e depois vai embora, um delinquente.]

 Encontre na letra um objeto direto preposicionado (isto é, o
complemento de um verbo que poderia aparecer sem
preposição, como “amo a Deus”, que prescinde muito bem da
preposição: “amo Deus”) e diga por que ele é pleonástico.
RESOLUÇÃO:
Em “me consumido a mim”, “me” já é o complemento verbal do
verbo consumir (que aparece na forma “tem consumido”). O “a
mim” que segue, do ponto de vista sintático, é totalmente
pleonástico (“tem consumido... me/a mim”), conferindo, porém,
ênfase ao que se diz.
� Ao nos expressarmos oralmente ou por escrito, obe de ce -
mos a diferentes níveis de linguagem (formal, informal, gíria
etc.). Nas letras de canções, é muito comum haver expressões
do dia a dia, coloquiais, que normalmente seriam evitadas num
discurso mais formal, como uma dissertação, um texto científico
etc. Encontre, na letra de Caetano Veloso, pelo menos dois
exemplos de linguagem coloquial. Explique que impressão dá
ao texto o emprego desse tipo de linguagem.
RESOLUÇÃO:
Na letra, há o substantivo “cara”, a forma “pra” e o diminutivo
afetivo “olhinhos”. O emprego de linguagem coloquial dá ao texto
a impressão da fala espontânea de uma mulher, que contaria de
maneira direta e sincera o que estaria sentindo.
� (MODELO ENEM) – Essa canção, grande sucesso na
década de 1970, foi composta por Caetano Veloso logo após
voltar do exílio, durante a ditadura militar no Brasil. Nessa
composição, o autor, ao dar voz às palavras de um tipo de
mulher, permitiu que fosse veiculado também um discurso
irônico em que se nota, no contexto da sociedade daquela
época, 
a) a denúncia do comportamento de submissão.
b) a revelação da importância do amor sincero.
c) a apologia da superioridade do perdão feminino.
d) o conformismo em relação aos papéis da mulher.
e) a defesa da supremacia masculina.
RESOLUÇÃO:
Caetano Veloso mostrou, em “Esse Cara”, estar sintonizado com o
contexto social de opressão provocado pela ditadura militar. Para
tanto, veiculou em sua composição um discurso de uma mulher
que se apresenta confessadamente submissa a uma situação
afetiva na qual ela é tratada de maneira (auto)depreciativa,
aceitando os desmandos de seu amante, que se comporta — e é
aceito — como superior. Dessa forma, não é descabido associar
essa situação à condição em que se encontrava o povo brasileiro
durante a década de 1970. [Competência 5, Habilidade 15 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: A
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111PORTUGUÊS
� (MODELO ENEM) – Arrufos foi motivo de escândalo na sua
época, pois afastava-se radicalmente dos padrões da pintura de
então, preocupada em representar temas grandiosos da
realidade nacional. Tendo em mente que arrufo significa “zanga”
ou “desentendimento passageiro”, nota-se que o caráter
polêmico da obra está em retratar
a) um quadro humorístico do conflito eterno entre gerações
humanas.
b) uma representação crítica do poder do dinheiro nos
relacionamentos.
c) um painel religioso da supremacia das forças do mal contra
as do bem.
d) uma cena erótica com referência discreta a manifestações
violentas.
e) um episódio doméstico do relacionamento entre homem e
mulher.
RESOLUÇÃO:
Arrufos foge radicalmente da preocupação em retratar temas
grandiosos da realidade nacional, visto que mostra um episódio
doméstico: uma briga de casal, mais precisamente o contexto
imediatamente após esse evento intempestivo [Competência 4,
Habilidade 13 das Matrizes do ENEM.].
Resposta: E
� Arrufos apresenta uma cena em que se observa uma
oposição entre os papéis feminino e masculino. Explique como
esse contraste se manifesta.
RESOLUÇÃO:
A mulher é apresentada em Arrufos como submissa, ou frágil,
tanto que está encolhida e debruçada, e abalada emocionalmente,
visto encontrar-se de rosto escondido entre os braços, o que sugere
estar chorando. Seu descontrole está representado em objetos que
a circundam: as flores jogadas ao chão e a cortina em desarranjo.
O homem, ao contrário, é apresentado como superior, pois está
sentado, firme. Sua expressão alheia, concentrada no charuto,
revela também indiferença e autocontrole, o que reforça sua
superioridade em relação ao seu par na cena. 
Ainda refletindo sobre a situação da mulher na sociedade brasileira, analise a imagem a seguir e responda às questões � e �.
Arrufos (1888), de Belmiro de Almeida (1858-1935). Óleo sobre tela, 89,1 x 116,1 cm, Museu Nacional de Belas Artes /
Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Rio de Janeiro. – Fotografia: Jaime Acioli.
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112 PORTUGUÊS
Eu lírico, eu poético
Você já notou que há várias letras de canções em que se ouvem as palavras de uma mulher, mas essas letras
sabidamente foram compostas por homens? Assim também ocorre quando alguém diz “eu” num poema ou
mesmo num romance. Na literatura, dizer “eu” não significa que o autor ou autora esteja expressando diretamente
o que pensa ou sente. Veja o caso da letra de Caetano Veloso: nela fala uma mulher submissa e conformada e, se
notamos que o compositor está criticando um certo comporta mento, essa nossa conclusão foi tirada de forma
muito indireta, interpretando o que diz a letra. Na primeira aula de literatura, você estudou um poema de Fernando
Pessoa, poeta que levou esse pro cesso ao extremo, criando heterônimos: nomes fictícios de poetas (Alberto Caeiro,
Álvaro de Campos, Ricardo Reis etc.), que até têm uma bio grafia inventada como se eles fossem pessoas que de
fato tivessem exis tido. Podemos dizerque Fernando Pessoa criou dife rentes eus líricos ou eus poéticos, cada um
com suas características. E, mes mo quando Fernando Pessoa com punha um poe ma assinando-o com seu próprio
nome, também devemos falar em eu lírico ou eu poético quando falarmos do eu que aparece no poema.
Mesmo quando o autor de carne e osso tenta ex pres sar suas emoções e sentimentos, quando ele diz eu na
literatura, esse eu será já uma outra coisa, indepen dentemente do que ele tenha sentido. Por isso, é melhor falar
em eu lírico ou eu poético quando se vai comentar as palavras de um certo eu que aparece, por exemplo, numa
canção ou num poema. 
CAETANO Emanuel Viana Teles VELOSO (1942): Cantor e compositor dos mais im -
por tantes da músi ca popular brasi leira, tem posi ção cen tral no pano rama cultu ral do
País há cerca de 50 anos. Lide rou, jun tamen te com Gilber to Gil, o Movi men to
Tropicalista sur gido no final da década de 1960 e voltado para a renovação da canção
popular. Possui extensa e rica discografia, além de trilhas feitas para cinema, teatro e
dança.
BELMIRO Barbosa DE ALMEIDA (1858-1935): Foi pintor, desenhista, caricaturista,
escultor e professor. Mineiro, teve aula com grandes mestres da pintura no Rio de
Janeiro. Entrando para a carreira artística, viveu entre o Rio e Paris. Da primeira
cidade, sofreu resistência por apresentar um padrão estético inovador, de cunho
realista, que aprendera na segunda cidade. Ainda assim, não perdeu em nenhum
momento seu espírito eclético e inconformista.
Autorretrato aos 25 Anos de Idade (1883), de Belmiro de Almeida (1858-1935). Óleo sobre
tela, 59,5 x 47 cm, Museu Nacional de Belas Artes / Instituto Brasileiro de Museus (Ibram),
Rio de Janeiro. – Fotografia: Acervo Museu Nacional de Belas Artes / Ibram.
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113PORTUGUÊS
Texto para o teste �.
BRINQUEDOS CANTADOS
Os brinquedos cantados são atividades
diretamente relacionadas com o ato de
cantar e ao conjunto dessas canções, a que
chamamos de cancioneiro folclórico infantil.
É difícil determinar sua origem. Parece que
essas canções sempre existiram, sempre
encantaram o povo e embalaram as
criancinhas. A maioria parece ter chegado
com os colonizadores portugueses, sofrendo
influência ameríndia e africana, devido à
colonização e posteriormente ao tráfico de
escravos para o Brasil.
Analisando as letras de alguns
brinquedos cantados, podemos observar
que elas desenvolvem várias habilidades
motoras, como: motricidade ampla, ritmo,
equilíbrio, direcionalidade, Iateralidade,
percepção espaço-temporal, tônus muscular,
entre outras. E, no cognitivo, as letras e
coreografias ajudam a criança a desenvolver
a atenção, a imaginação e a criatividade.
(ZOBOLI, F.; FURTUOSO, M. S.; TELLES, C. 
O Brinquedo Cantado na Escola: uma ferramenta 
no processo de aprendizagem.
Disponível em: www.efdeportes.com 
Acesso em: 14 dez. 2012 – adaptado.)
� O brinquedo cantado é um
importante componente
da cultura corporal brasi -
leira, sendo vivenciado com frequência por
muitas crianças. Identifica-se o seu valor para
a tradição cultural na(o)
a) ampliação dada à força motora das
crianças devido ao uso da música e das
danças.
b) condição educativa fundamentada no uso
de jogos sem regras previamente
estabelecidas.
c) histórico indeterminado dessa forma de
brincadeira representativa do cancioneiro
folclórico.
d) uso de técnicas, facilmente adotadas por
qualquer criança, que intensificam a
motricidade esportiva.
e) possibilidade de contribuição para o
desenvolvimento integral do indivíduo.
Resolução
A atividade infantil denominada “brinquedo
cantado” adquire seu valor para a tradição
cultural por pertencer a um repertório de
canções cujo tempo original de produção não
é possível precisar, podendo remontar,
conforme o texto, aos primórdios do período
colonial, com os portugueses, tendo sofrido,
ao longo do tempo, influência das culturas
ameríndia e africana.
Resposta: C
Texto para o teste �. 
SE ESTA RUA FOSSE MINHA
Se esta rua, se esta rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava ladrilhar 
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhante
Para o meu, para o meu amor passar.
Nesta rua, nesta rua tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão,
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração.
Se roubei, se roubei teu coração,
Tu roubaste, tu roubaste o meu também,
Se roubei, se roubei teu coração,
É porque, é porque te quero bem.
� (MODELO ENEM) – “Se esta rua fosse
minha” é uma cantiga da tradição popular
brasileira muito cantada sobretudo nas
brincadeiras de roda infantis. Na sua terceira
estrofe, comparada com as duas anteriores,
os pronomes e as formas verbais sugerem
a) uma confissão de desvio ético.
b) um diálogo entre indivíduos enamorados.
c) uma disposição para confronto amoroso.
d) um choque entre gêneros e gerações.
e) uma necessidade de espírito vingativo.
Resolução
Na terceira estrofe, fica evidente que a
cantiga supõe um diálogo entre os
enamorados, ou, pelo menos, a resposta de
um ao outro, como mostram os pronomes e
verbos na segunda pessoa do singular.
Resposta: B
Texto para o teste 
.
Eu nunca dórmio nada,
cuidand’em meu amigo;
el que tam muito tarda
se outr’amor há sigo
ergo lo meu, querria
morrer hoj’este dia.
E cuid’ em esto sempre,
nom sei que de mi seja;
el que tam muito tarda
se outro bem deseja
ergo lo meu, querria.
morrer hoj’este dia.
Se o faz, faz-mi torto
e, par Deos, mal me mata;
el que tam muito tarda;
se outro rostro cata,
ergo lo meu, querria
morrer hoj’este dia.
Ca meu dano seria
de viveer mais un dia.
(João Lopes D’Ulhoa,
século XIII)
 (MODELO ENEM) – A cantiga acima,
de João Lopes D’Ulhoa, foi produzida
durante a Idade Média, por isso apresenta
arcaísmos, ou seja, palavras ou expressões
que deixaram de ser usadas na norma atual
da língua portuguesa. Curiosamente, nesse
texto esses arcaísmos convivem com outras
formas ainda em uso atualmente, como se
observa, respectivamente, em 
a) ergo lo meu / nunca dórmio.
b) meu dano seria / muito tarda.
c) viveer mais un dia / se o faz.
d) se o faz / muito tarda.
e) se outr’amor há sigo / faz-mi torto.
Resolução
Na norma atual portuguesa, não existem
mais as formas viveer e un. No seu lugar
estão viver e um. Por sua vez, a expressão
“se o faz” é ainda corrente no registro
escrito formal.
Resposta: C
Exercícios Resolvidos
5
Palavras-chave:
Cantiga folclórica • Cancioneiro
folclórico brasileiro 
• Cantiga de roda
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114 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
� “Teresinha de Jesus”, como “Se esta rua fosse minha”, é uma
cantiga do folclore brasileiro. Sendo da tradição popular, apre -
sen ta versos curtos, propícios à memo rização. Conside rando o
que se acaba de afirmar, indique o número de sílabas métricas
de cada verso.
RESOLUÇÃO:
Cada verso tem sete sílabas métricas (verso heptassílabo ou redon -
dilho maior).
� A situação que envolveu Teresa provocou mudanças tanto
no mundo objetivo, como no mundo subjetivo. Quais os ele -
mentos da terceira estrofe que se relacionam ao mundo obje tivo
e quais se relacionam ao mundo subjetivo?
RESOLUÇÃO:
Relacionam-se com o mundo objetivo: “quanta laranja espalhada,
/ quanto limão pelo chão”; com o mundo subjetivo: “quanto
sangue derramado / dentro do seu coração”.
 (MODELO ENEM) – Entende-se por licença poética a
permissão que se dá à poesia para formular transgressões
linguísticas. Esse fenômeno artístico ocorre, no que se refere à
concordância verbal, em: 
a) “Teresinha de Jesus / de uma queda foi ao chão”.
b) “Acudiu três cavalheiros, / todos três chapéu na mão”.
c) “O primeiro foi seu pai; / o segundo, seu irmão”.
d) “O terceiro foi aquele / que a Teresa deu a mão”.
e) “Quanto sangue derramado / dentro do seu coração”.
RESOLUÇÃO: 
O verso em que há um problema de concordância verbal é “Acudiu
três cavalheiros”. Feita a concordância correta, temos: Acudiram três
cavalheiros. Notar que, na alternativa d, há um problema de re -
gência, e não de concordânciaverbal, como se verá na questão 5.
[Competência 8, Habilidade 25 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
� Se fosse feita a concordância correta, haveria alguma
alteração na métrica do verso? Justifique.
RESOLUÇÃO:
Sim, pois o verso passaria a ter oito sílabas métricas, fugindo ao
padrão dos demais. 

 Os três homens representam os possíveis vínculos afetivos
de uma mulher: “seu pai”, “seu irmão” e “o terceiro”, a quem
ela dá a mão. Nesse ponto, a linguagem popular do texto é
imprecisa, pois o pronome que não tem referência clara, sem a
preposição que deveria acompanhá-lo. Reescreva o quarto verso
da segunda estrofe, tornando precisa a sua referência. (Você
pode substituir o pronome que por quem.)
RESOLUÇÃO:
A quem a Teresa deu a mão. [O pronome quem é preferível, por se
tratar de referência pessoal, mas que também pode ser empre -
gado. A preposição a é regime do verbo dar.]
TERESINHA DE JESUS
Teresinha de Jesus
de uma queda foi ao chão;
acudiu três cavalheiros,
todos três chapéu na mão.
O primeiro foi seu pai;
o segundo, seu irmão;
o terceiro foi aquele
que a Teresa deu a mão.
(…)
Quanta laranja espalhada,
quanto limão pelo chão,
quanto sangue derramado
dentro do seu coração.
(Cantiga de roda, domínio público)
Exercícios Propostos
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115PORTUGUÊS
� No início do texto, o nome Teresinha de Jesus liga-se à
imaturidade e à inocência. O que simboliza o nome Teresa, e
não mais Teresinha de Jesus, quando ela opta pelo terceiro
cavalheiro?
RESOLUÇÃO:
No momento de sua escolha, Teresinha torna-se Teresa, mulher. A
opção pelo terceiro cavalheiro evidencia o amadurecimento da per -
sonagem para o encontro com o masculino fora do reduto familiar.
� Qual o recurso linguístico empregado na terceira estrofe
para realçar a intensidade da desordem causada pela queda da
menina?
RESOLUÇÃO:
O recurso linguístico é a repetição de “quanto” / “quanta”.
Jogos Infantis (1560), de Pieter Bruegel, o Velho (1525-1569). Tinta a óleo sobre madeira, 118 x 161 cm, Museu de História da
Arte de Viena. – Fotografia: PAINTING / Alamy / Fotoarena.
Assim como na cantiga folclórica “Teresinha de Jesus”, neste quadro de Bruegel o universo infantil mistura-se ao adulto. Na
pintura, o autor apresentou adultos como que miniaturizados e entregando-se a brincadeiras e jogos de criança.
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116 PORTUGUÊS
� (MODELO ENEM) – O texto literário, seja erudito, seja
popular, muitas vezes se refere de maneira simbólica a questões
do universo psicológico. Nesse sentido, os versos de “Teresinha
de Jesus” que sugerem a transformação da menina em mulher
e seu amadurecimento físico e emocional são:
a) “acudiu três cavalheiros / todos três chapéu na mão”.
b) “todos três chapéu na mão // O primeiro foi seu pai”.
c) “O primeiro foi seu pai / o segundo, seu irmão”.
d) “o segundo, seu irmão / o terceiro foi aquele”.
e) “quanto sangue derramado / dentro do seu coração”.
RESOLUÇÃO:
Os dois últimos versos da cantiga associam um derramamento de
sangue ao que aconteceu dentro do coração de Teresinha,
simbolizando assim a consciência crítica que é fruto de uma
mudança de estado psicológico: a transformação de menina em
mulher. [Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
Textos para o teste �.
� O comentário do texto II sobre o texto I evoca a
mobilização da língua oral que, em determi -
nados contextos,
a) assegura a existência de pensamentos contrários à ordem
vigente.
b) mantém a heterogeneidade das formas de relações sociais.
c) conserva a influência libertária sobre certas culturas.
d) preserva a diversidade cultural e comportamental.
e) reforça comportamentos e padrões culturais.
RESOLUÇÃO:
A letra da cantiga, comentada no texto II, “reforça comporta men -
tos e padrões culturais”, e, no caso, o casamento como “destino
não apenas inexorável, mas desejável” da mulher, estabelecendo-
se, ainda, uma “hierarquia de obediência (pai, irmão mais velho,
marido)”.
Resposta: E
Texto I
Teresinha de Jesus
de uma queda foi ao chão;
acudiu três cavalheiros,
todos três chapéu na mão.
O primeiro foi seu pai;
o segundo, seu irmão;
o terceiro foi aquele
que a Teresa deu a mão.
(BATISTA, M. F. B.;
SANTOS, I. M. F. Org. Cancioneiro da Paraíba.
João Pessoa: Grafset, 1993 – adaptado.)
Texto II
Outra interpretação é feita a partir das condições sociais
daquele tempo. Para a ama e para a criança para quem
cantava a cantiga, a música falava do casamento como um
destino natural na vida da mulher, na sociedade brasileira
do século XIX, marcada pelo patriarcalismo. A música
prepara a moça para o seu destino não apenas inexorável,
mas desejável; o casamento, estabelecendo uma hierarquia
de obediência (pai, irmão mais velho, marido), de acordo
com a época e circunstâncias de sua vida.
(Disponível em: http://provsjose.blogspot.com.br
Acesso em: 5 dez. 2012.)
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117PORTUGUÊS
Texto para os testes � e �.
Tu és divina e graciosa, estátua majestosa
Do amor, por Deus esculturada
E formada com ardor
Da alma da mais linda flor, de mais ativo olor
E que na vida é preferida pelo beija-flor
Se Deus me fora tão clemente aqui neste ambiente
De luz, formada numa tela deslumbrante e bela
Teu coração, junto ao meu lanceado
Pregado e crucificado sobre a rósea cruz 
Do arfante peito teu
Tu és a forma ideal, estátua magistral
Oh alma perenal do meu primeiro amor, sublime amor
Tu és de Deus a soberana flor
Tu és de Deus a criação
Que em todo coração sepultas um amor
O riso, a fé, a dor em sândalos olentes cheios de sabor
Em vozes tão dolentes como um sonho em flor 
És láctea estrela, és mãe da realeza
És tudo enfim que tem de belo
Em todo resplendor da santa natureza
Perdão, se ouso confessar-te, eu hei de sempre amar-te
Oh flor, meu peito não resiste
Oh meu Deus, o quanto é triste
A incerteza de um amor que mais me faz penar em esperar
Em conduzir-te um dia ao pé do altar
Jurar aos pés do Onipotente em preces comoventes
De dor, e receber a unção da tua gratidão
Depois de remir meus desejos em nuvens de beijos
Hei de envolver-te até meu padecer de todo fenecer. 
(Pixinguinha / Otávio de Sousa)
� (MODELO ENEM) – A composição acima vincula-se a uma
tradição literária muito antiga, já presente na Idade Média. Essa filiação
é percebida na maneira como a mulher é tratada, vista como 
a) superior, porque é comparada a uma obra de arte concebida por
Deus. 
b) erotizada, porque é alvo dos desejos sexuais explícitos do eu
poemático. 
c) alienada, porque é apresentada como uma entidade do plano
celestial. 
d) santa, porque é capaz de purificar o apaixonado pela força sexual do
amor. 
e) rebelde, porque é alheia às vontades e caprichos do homem
enamorado.
Resolução
Já a partir da abertura da composição, o eu lírico descreve a amada
como uma estátua esculpida por Deus, perfil que vai se manter pelo
resto do texto. Dessa forma, a mulher é concebida como superior em
relação ao homem apaixonado. 
Resposta: A
� (MODELO ENEM) – O enunciador da composição sofre por causa
de uma mulher que inicialmente se mostra inacessível a ele. Por causa
disso, o eu lírico usa como expediente para conquistar sua amada 
a) a comparação com elementos da natureza, para reforçar a
carnalidade do amor. 
b) o domínio da linguagem de caráter elevado, para nivelar-se
linguisticamente ao ser de sua afeição. 
c) a súplica a Deus para permitir a união por meio dos laços sagrados
do matrimônio. 
d) o tom de ironia, para rebaixar a mulher e torná-la mais próxima do
apaixonado. 
e) a promessa de realização erótica explícita, capaz de dignificar os
desejos do casal. 
Resolução
O eu poemático dirige-se a Deus, invocando sua clemência para
permitir a união com a amada, objeto sublime de sua afeição,
desejando que os seus corações fiquem unidos na cruz, diante da
bênção divina, no altar. 
Resposta: C
Exercícios Resolvidos
6
Palavras-chave:
Canção populare 
tradição culta
• Cancioneiro popular
brasileiro
• Elogio amoroso
• Eu lírico masculino
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118 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
� Na letra transcrita, quais as palavras que permitem afirmar
que o eu lírico é masculino?
RESOLUÇÃO:
São os adjetivos masculinos único e culpado, com os quais o eu
lírico se refere a si. 
� O título é uma parte especialmente importante da men -
sagem, pois orienta a compreensão do texto. Relacione o título
com o trecho da canção de Caetano Veloso.
RESOLUÇÃO:
O trecho especifica o tipo de “queixa”: a de um homem que sofre
por estar sendo desprezado pela mulher que ama, conforme os
versos: “Um amor assim delicado / Você pega e despreza”.
 Existem elementos anafóricos no texto, cuja função é reto -
mar algo que já foi mencionado, possibilitando a coesão textual.
No trecho transcrito, podem ser analisadas duas ocorrências:
(1) “Dessa coisa que mete medo” e (2) “Disso eu tenho a
certeza”. Explique:
a) A que se refere “dessa coisa”?
RESOLUÇÃO:
Refere-se ao fato de o eu lírico não ter sido o único responsável por
sua paixão, o que ele já havia indicado em “[você] não o devia ter
despertado”.
b) A que se refere “disso”?
RESOLUÇÃO:
Refere-se ao amor do eu lírico, que amedronta pela intensidade
(“pela sua grandeza”). É possível que tal amor se tenha ampliado
justamente por causa do desprezo da mulher amada.
QUEIXA
Um amor assim delicado
Você pega e despreza
Não o devia ter despertado
Ajoelha e não reza
Dessa coisa que mete medo
Pela sua grandeza
Não sou o único culpado
Disso eu tenho a certeza
Princesa
Surpresa
Você me arrasou
Serpente
Nem sente 
Que me envenenou
Senhora, e agora
Me diga onde eu vou
Senhora 
Serpente
Princesa 
(...)
Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria
Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer
Que eu fique mudo
E eu te grito essa queixa
(Caetano Veloso)
Exercícios Propostos
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119PORTUGUÊS
Judit I (1901), de Gustav Klimt
(1862-1918). Óleo sobre tela,
84 x 42 cm, Österreichische
Galerie Belvedere, Viena. –
Fotografia: Fine Art Images /
Album / Fotoarena.
Nesta reinterpretação do episódio
bíblico de Judite, que, para salvar
o povo hebreu, seduziu e
decapitou o general Holofernes
(cuja cabeça se vê no canto
inferior direito da pintura), Klimt
aplicou o eterno e poderoso
princípio feminino que povoa o
imaginário de nossa cultura. A
expressão facial da personagem
traduz o tema da mulher fatal que
se delicia ao acabar de abater o
seu amante.
� No texto, quais as palavras que o eu lírico emprega para
designar a amada? O que elas sugerem?
RESOLUÇÃO:
Ele se dirige à amada com os vocativos “princesa” (2 vezes),
“serpente” (2 vezes) e “senhora” (2 vezes). Com os tratamentos
“princesa” e “senhora”, o eu lírico dirige-se à amada com respeito;
contudo, com a designação “serpente”, ele a caracteriza como uma
pessoa pérfida, desencadeadora de males (“Você me arrasou”,
“Nem sente / Que me envenenou”). 

 Faça uma paráfrase do verso “Ajoelha e não reza”. Você
pode optar por usar a norma culta ou a linguagem coloquial.
RESOLUÇÃO:
Resposta pessoal (algo como “promete, mas não cumpre”). 
[Sugestão: Após terem sido ouvidas algumas respostas dos alunos,
pode-se comentar a função persuasiva da frase. No trecho
analisado, ela é um elemento importante para a tentativa de
convencer a mulher a atender os apelos amorosos do eu lírico,
recompensando-o pelo sofrimento intenso de que, ele deixa claro,
ela também tem culpa.]
� (MODELO ENEM) – Em diversas situações do cotidiano,
utilizamos procedimentos no discurso que servem para
comprovar ou sustentar nossos pontos de vista ou para justificar
nossas necessidades. Em “Queixa”, esse expediente, conhecido
como argumentação, é usado para que o eu lírico justifique a
expressão de seu lamento, como se percebe em
a) “Dessa coisa que mete medo / Pela sua grandeza.”
b) “Você me arrasou / Serpente / Nem sente / Que me
envenenou.”
c) “Mas Deus não quer / Que eu fique mudo / E eu te grito essa
queixa.” 
d) “Me diga onde eu vou / Senhora / Serpente / Princesa.”
e) “Um amor assim delicado / Nenhum homem daria.”
RESOLUÇÃO:
O argumento está nas linhas finais: “Mas Deus não quer / Que eu
fique mudo / E eu te grito essa queixa”. Apesar de seu total
desconsolo (“vazio me deixa”), o eu lírico protesta com veemência,
argumentando que nem mesmo Deus se conforma com a
indiferença dessa mulher. [Competência 7, Habilidade 24 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
Releia o trecho seguinte e responda à questão �.
� Há neste trecho uma palavra que costuma ser usada em
competições que implicam sorte ou azar. Faça uma paráfrase
da frase em que essa palavra aparece.
RESOLUÇÃO:
A palavra é apostar, que aparece na frase “Talvez tenha sido
pecado / Apostar na alegria”. [Algumas respostas podem ser
ouvidas e escolhidas as que a sala considerar mais adequadas (algo
como “o erro foi confiar na possibilidade da correspondência
amorosa” ou “quem sabe o grande erro tenha sido esperar que a
nossa relação fosse feliz”).]
Um amor assim delicado
Nenhum homem daria
Talvez tenha sido pecado
Apostar na alegria
Você pensa que eu tenho tudo
E vazio me deixa
Mas Deus não quer
Que eu fique mudo
E eu te grito essa queixa
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120 PORTUGUÊS
Textos para os testes de � a �.
Texto I
Ondas do mar de Vigo,
se vistes meu amigo!
E ai Deus, se verrá cedo! virá
Ondas do mar levado, agitado
se vistes meu amado!
E ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amigo,
o por que eu sospiro!
e ai Deus, se verrá cedo!
Se vistes meu amado
por que hei gran cuidado!
e ai Deus, se verrá cedo!
(Martim Codax)
Texto II
� (MACKENZIE) – Assinale a afirmativa
correta sobre o texto I.
a) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico
masculino manifesta a Deus seu sofrimento
amoroso.
b) Nessa cantiga de amor, o eu lírico feminino
dirige-se a Deus para lamentar a morte do
ser amado.
c) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico masculino
manifesta às ondas do mar sua angústia pela
perda do amigo em trágico naufrágio.
d) Nessa cantiga de amor, o eu lírico masculino
dirige-se às ondas do mar para expressar
sua solidão.
e) Nessa cantiga de amigo, o eu lírico feminino
dirige-se às ondas do mar para expressar
sua ansiedade com relação à volta do amado.
Resolução
“Ondas do mar de Vigo” é um vocativo — a
elas se dirige o eu lírico, ou seja, a emissora
fictícia do poema. “Se vistes meu amigo /
amado” é a primeira parte da pergunta dirigida
às ondas, ficando implícito um verbo declarativo
(pergunto, dizei-me). “E ai Deus, se verrá (virá)
cedo” é a segunda parte da pergunta. 
Resposta: E
� (MACKENZIE – modificado) – Assinale a
afirmativa correta sobre o texto I.
a) A estrutura paralelística é, neste poema,
particularmente expressiva, pois reflete, no
plano formal, o movimento de vaivém das
ondas.
b) Nesse texto, os versos livres e brancos são
indispensáveis para assegurar o efeito
musical da canção.
c) As repetições que marcam o desenvolvi -
mento do texto opõem-se ao tom emotivo
do poema.
d) No refrão, a voz das ondas do mar faz-se
presente como contraponto irônico ao
desejo do eu lírico.
e) É um típico poema de tradição popular, com
versos redondilhos maiores e estrofação
irregular.
Resolução
A equivalência entre elementos formais (a
estrutura paralelística) e elementos semânticos
(o movimento das ondas) é observável no
texto. As demais alternativas são inaceitáveis,
pois todas apresentam erros flagrantes.
Resposta: A
 (MACKENZIE – modificado) – No texto II,
o autor
a) manifesta sua resistência à obrigatoriedade
de ler textos medievais durante o período
de formação acadêmica.
b) utiliza a expressão “cabeça cheia” (linha 8)
para depreciar as formas linguísticas do
galego-português, como “mha senhor” e
“nula ren” (linha 9).
c) relata circunstâncias que o levaram a compor
um poema que retoma a tradição medieval.
d) empregaa palavra “cancioneiros” (linha 6)
em substituição a “poetas”, uma vez que
os textos medievais eram cantados.
e) usa a expressão “deliciosas cantigas”
(linha 7) em sentido irônico, já que considera
medíocres os estilos do passado.
Resolução
Manuel Bandeira foi um grande apreciador da
poesia lírica trovadoresca, tendo tentado imitar
uma “cantiga de amor” arcaica no poema que
menciona nesse excerto.
Resposta: C
� (MACKENZIE) – Assinale a afirmativa
correta com relação ao Trovadorismo.
a) Um dos temas mais explorados por esse
estilo de época é a exaltação do amor
sensual entre nobres e mulheres
camponesas.
b) Desenvolveu-se especialmente no século
XV e refletiu a transição da cultura
teocêntrica para a cultura antropocêntrica.
c) Devido ao grande prestígio que teve durante
toda a Idade Média, foi parodiado pelos
poetas da Renascença, época em que
alcançou níveis estéticos insuperáveis.
d) Valorizou recursos formais que tiveram não
apenas a função de produzir efeito musical,
como também a função de facilitar a
memorização, já que as composições eram
transmitidas oralmente.
e) Tanto no plano temático como no plano
expressivo, esse estilo de época absorveu a
influência dos padrões estéticos greco-
romanos.
Resolução
A poesia trovadoresca é indissociável da
música e sua transmissão era sobretudo oral,
embora houvesse também registro escrito das
cantigas, como se comprova nos cancioneiros.
Resposta: D
Me sinto com a cara no chão, mas a
verdade precisa ser dita ao menos uma
vez: aos 52 anos eu ignorava a admirável
forma lírica da canção paralelística (...).
O “Cantar de amor” foi fruto de meses
de leitura dos cancioneiros. Li tanto e tão
seguidamente aquelas deliciosas cantigas,
que fiquei com a cabeça cheia de
“velidas” e “mha senhor” e “nula ren”;
sonhava com as ondas do mar de Vigo e
com romarias a San Servando. O único
jeito de me livrar da obsessão era fazer
uma cantiga.
(Manuel Bandeira)
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
Exercícios Resolvidos
7
Palavras-chave:
Trovadorismo e a
invenção do amor
• Amor no
Trovadorismo
• Cantiga de amor
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121PORTUGUÊS
Texto para o teste �. � (MODELO ENEM) – Na entrevista, Joseph Campbell fala
sobre as origens e a natureza do amor tal como nossa cultura o
concebe. Segundo Campbell, a grande novidade trazida pelo
Trovadorismo foi a ideia de que o amor(,)
a) porque classificado como biológico, rejeita a manifestação
de misticismo. 
b) é rotulado como ágape, pois é a abertura para o poder
supremo de amar a Deus.
c) já que se manifesta sexualmente, é disfarce da espiritualidade
pessoal.
d) conceito nascido na Idade Média, é a realização de uma
experiência pessoal.
e) embora seja idealizado na poesia, eliminou outras formas
desse sentimento na sociedade.
RESOLUÇÃO:
Joseph Campbell declara que o Trovadorismo foi o primeiro
momento em que o amor foi pensado como uma relação, uma
experiência entre duas pessoas. Assim, a novidade trazida foi a
desse sentimento como uma experiência pessoal, individualizada.
[Competência 5, Habilidade 15 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: D
MOYERS: (...) Bem, se eu chegasse a você e dissesse:
“Vamos falar sobre o amor”, por onde você começaria?
CAMPBELL: Começaria com os trovadores do século
XII. (...) Os trovadores (...) foram os primeiros, no Ocidente,
a pensar no amor do modo como ainda o fazemos hoje —
como uma relação entre duas pessoas. 
MOYERS: Como era antes disso?
CAMPBELL: Antes disso, o amor era simplesmente
Eros, o deus que excita o apetite sexual. (...) Eros é um
impulso biológico. (...) O fator pessoal não conta.
MOYERS: E Ágape?
CAMPBELL: Ágape é “ama o teu próximo como a ti
mesmo”, o amor espiritual. Não importa quem seja o
próximo. (...) Mas, com o Amor, o que temos é um ideal
puramente pessoal. Aquela espécie de arrebatamento que
deriva do encontro dos olhares, como se diz na tradição
trovadoresca, é uma experiência entre duas pessoas. (...) O
Amor é o ponto de combustão da vida; como a vida é
dolorosa, assim é o amor. Quanto maior o amor, maior o
sofrimento. (...) O amor em si é dor, você poderia dizer, a dor
de estar verdadeiramente vivo.
(CAMPBELL, Joseph. 
Histórias de Amor e Matrimônio. 
O Poder do Mito. Trad. de Carlos Felipe Moisés. 
São Paulo: Palas Athena, 1990. p. 195-215.)
Exercícios Propostos
Joseph Campbell (1904-1987) foi um professor de
literatura, mitologista e escritor norte-americano. –
Fotografia: Matthew Naythons / The LIFE Images
Collection / Getty Images.
Bill Moyers (1934), jornalista e comentarista político norte- 
-americano. – Fotografia: Deborah Feingold / Getty Images.
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122 PORTUGUÊS
� (MODELO ENEM) – As imagens acima são iluminuras do
Códice Manesse, manuscrito trovadoresco alemão produzido
entre 1305 e 1340, e retratam cenas do cotidiano da corte. Com
base nas ideias de Joseph Campbell, entende-se que o
elemento gestual que permite compreender o amor como uma
experiência pessoal é o
a) conflito de corpos. 
b) disfarce de sorrisos. 
c) abaixamento de cabeças. 
d) afastamento de mãos. 
e) cruzamento de olhares.
RESOLUÇÃO:
O cruzamento de olhares é o elemento indicador de que houve uma
escolha pessoal/individual e uma identificação entre duas pessoas,
a ponto de, nessa posição, elas desconectarem-se do ambiente em
que estão inseridas e entregarem-se à contemplação amorosa.
[Competência 4, Habilidade 12 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
Texto para as questões de 
 a �. 
 Costuma-se dizer que os olhos são a janela da alma, ou seja,
que eles refletem a sinceridade dos sentimentos. Como essa
ideia se manifesta na cantiga de João Garcia de Guilhade?
RESOLUÇÃO:
Quando o trovador afirma que seus olhos estão sofrendo, além de
permitir entender que ele está chorando, possibilita também inferir
que seu padecimento provém da alma ferida pela impossibilidade
amorosa. 
Estes meus olhos nunca perderán,
senhor, gran coita, mentr’eu vivo for; enquanto eu
e direi-vos, fremosa mia senhor,
destes meus olhos a coita que an: hão, possuem
choran e cegan, quand’alguen non veen,
e ora cegan por alguen que veen.
(João Garcia de Guilhade, século XIII) 
Konrad de Altstetten, o menestrel. Iluminura em pergaminho.
Tinta pigmentada sobre papel, 35 x 25 cm, Códice Manesse
(249v), Biblioteca da Universidade de Heidelberg, Alemanha.
Senhor Hug de Werbenwag. Iluminura em pergaminho. Tinta
pigmentada sobre papel, 35 x 25 cm, Códice Manesse (252r),
Biblioteca da Universidade de Heidelberg, Alemanha.
Analise as imagens para responder ao teste �.
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123PORTUGUÊS
� Entende-se por metonímia a troca de uma palavra por outra,
havendo entre elas uma relação de contiguidade. É o que ocorre,
por exemplo, quando se afirma “li Machado de Assis”, frase
em que se trocou a obra pelo autor. (O autor no lugar da obra é
um dos vários casos de metonímia). Extraia um exemplo de
metonímia na cantiga transcrita e explique como ela ocorre.
RESOLUÇÃO:
Há metonímia quando o eu lírico diz que seus “olhos nunca
perderán (…) gran coita”, pois ele emprega a parte (os olhos) pelo
todo (o indivíduo). Em outras palavras: quando diz que seus olhos
sofrem, na verdade quer dizer que ele é quem está padecendo. O
emprego da parte pelo todo é um subconjunto da metonímia
denominado sinédoque. 

 Por que o texto transcrito é uma cantiga de amor?
RESOLUÇÃO:
O texto de João Garcia de Guilhade é uma cantiga de amor porque
apresenta um eu lírico masculino que se dirige a uma mulher
superior (“senhor”) que lhe provoca sofrimento (“gran coita”).
Além disso, há o amor cortês ideal ou platônico, característica
desse cantar.
� Na cantiga em análise, há um paradoxo, ou seja, uma
contradição aparente, no caso. Identifique-o e explique-o, de
maneira a desfazer o contrassenso que apresenta.
RESOLUÇÃO:
Há paradoxo na declaração do eu lírico de que ele fica cego tanto
quando não vê a amada, como também no momento em que a vê.
Na verdade,ele quer dizer, de maneira exagerada, que chora tanto
de saudade de sua senhora, que seus olhos ficam cegos e que,
quando a vislumbra, também perde a visão diante da beleza
extrema dela. 
Senhor Brunwart de Augheim. Iluminura em pergaminho.
Tinta pigmentada sobre papel, 35 x 25 cm, Códice
Manesse (258v), Biblioteca da Universidade de
Heidelberg, Alemanha.
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124 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
� (MODELO ENEM) – O texto acima é a letra de uma das
composições mais famosas da música popular brasileira. Nela,
há um inusitado processo poético em que um órgão do corpo
humano faz a ação que cabe a outro órgão, como se vê em
“meu coração (...) bate feliz quando te vê”. Esse mesmo
processo linguístico ocorre em
a) “E os meus olhos ficam sorrindo”.
b) “Mas mesmo assim foges de mim”. 
c) “Vem sentir o calor dos lábios meus”. 
d) “Vem matar esta paixão”. 
e) “E só assim então serei feliz”.
RESOLUÇÃO:
No exemplo apresentado no enunciado, o coração é que realiza a
ação de ver, própria dos olhos. Esse mesmo processo pode ser
visto em “olhos (...) sorrindo”, em que o ato de sorrir, dos lábios,
é realizado pelos olhos. [Competência 6, Habilidade 18 das Matrizes
do ENEM.]
Resposta: A
� O desespero em que se encontra o enunciador de
“Carinhoso” o faz confessar seu sentimento por meio de uma
hipérbole, ou seja, de uma expressão intencionalmente
exagerada. Identifique-a. 
RESOLUÇÃO:
Há hipérbole em “matar esta paixão / que me devora o coração”.
Há exagero também em “o muito, muito que te quero”.
� Na última estrofe, a utilização da palavra paixão provoca um
aparente absurdo, quando se toma esse vocábulo com o
significado que popularmente se atribui a ele. Explique como se
dá essa suposta falta de sentido.
RESOLUÇÃO:
Costumeiramente se atribui à palavra paixão o significado de
“amor intenso”. Dessa forma, não faz, aparentemente, sentido o
pedido do eu lírico de que a amada lhe mate a paixão, pois isso irá
justamente eliminar o sentimento amoroso.
CARINHOSO
Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo
Mas, mesmo assim, foges de mim
Ah, se tu soubesses
Como sou tão carinhoso
E o muito, muito que te quero
E como é sincero o meu amor
Eu sei que tu não fugirias mais de mim
Vem, vem, vem, vem
Vem sentir o calor dos lábios meus
À procura dos teus
Vem matar esta paixão
Que me devora o coração
E só assim então serei feliz
Bem feliz 
(Pixinguinha / João de Barro. “Carinhoso”. Disponível em: 
http://www.letras.mus.br/pixinguinha/358582/
Acesso em: 28 abr. 2018.)
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125PORTUGUÊS
� A aparente contradição a respeito do emprego da palavra
paixão desfaz-se quando se tem mente um outro significado
possível para esse termo. Tal pode ser visto, por exemplo, em
“Paixão de Cristo”, que é a narração de tudo o que Jesus
passou antes e durante a crucificação. Com base nessa
informação, explique como se desfaz o contrassenso referido
na questão anterior.
RESOLUÇÃO:
O outro sentido para paixão é “sofrimento”. Assim, quando o eu
poemático pede para que sua amada mate a paixão pela qual ele
passa, não quer dizer que deseja o fim do amor intenso, mas o do
sofrimento em que se vê mergulhado, o martírio.
� O vocábulo paixão, no sentido explicado na resposta da
questão anterior, é sinônimo de qual palavra muito importante
nas cantigas líricas do Trovadorismo? 
RESOLUÇÃO:
A ideia de sofrimento contida na palavra paixão, na acepção que se
viu na questão anterior, é a mesma da palavra coita presente na
poesia lírica trovadoresca. Do verbo arcaico coytar (sofrer), proveio
a palavra coitado.
� A composição de João de Barro e Pixinguinha (Alfredo da
Rocha Vianna Filho) possui elementos semelhantes aos de qual
cantiga do Trovadorismo? Justifique sua resposta.
RESOLUÇÃO:
“Carinhoso” assemelha-se a uma cantiga de amor, pois apresenta
eu lírico masculino que sofre de amor não correspondido por uma
mulher tratada como superior e inacessível, a ponto de ser
responsável pela desgraça ou felicidade dele. Frise-se que o
sofrimento amoroso é recorrente na lírica.
Alfredo da Rocha Vianna Filho (1897-1973), conhecido com PIXINGUINHA:
Considerado um dos maiores compositores da música popular brasileira, foi maestro,
flautista, saxofonista, compositor e arranjador. Filho do músico Alfredo da Rocha Vianna,
flautista e colecionador de partituras de choros antigos, aprendeu música em casa, fazendo
parte de uma família com vários irmãos músicos, entre eles o China (Otávio Vianna).
Pixinguinha atuou, primeiramente, em cabarés no boêmio bairro da Lapa (Rio de Janeiro)
e depois como flautista titular no Cine Rio Branco. Suas atuações ampliaram-se para
diversas salas de cinema, casas noturnas e para o teatro de revista. Contribuiu diretamente
para que o choro encontrasse uma forma musical definitiva, e as composições
“Carinhoso” e “Lamentos” estão entre seus choros mais famosos. Outras de suas
conhecidíssimas composições são “Rosa”, “Vou Vivendo”, “Naquele Tempo”, “1 x 0” e
“Sofres Porque Queres”, entre muitas mais.
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126 PORTUGUÊS
Texto para os testes � e �.
JOÃO GRILO — Ah isso é comigo. Vou fazer um
chamado especial, em verso. Garanto que ela
vem, querem ver? (Recitando.)
Valha-me Nossa Senhora, 
Mãe de Deus de Nazaré! 
A vaca mansa dá leite, 
a braba dá quando quer. 
A mansa dá sossegada, 
a braba levanta o pé. 
Já fui barco, fui navio, 
mas hoje sou escaler. 
Já fui menino, fui homem, 
só me falta ser mulher.
ENCOURADO — Vá vendo a falta de respeito, viu?
JOÃO GRILO — Falta de respeito nada, rapaz!
Isso é o versinho de Canário Pardo que minha
mãe cantava para eu dormir. Isso tem nada de
falta de respeito!
Já fui barco, fui navio, 
mas hoje sou escaler. 
Já fui menino, fui homem, 
só me falta ser mulher. 
Valha-me Nossa Senhora, 
Mãe de Deus de Nazaré.
Cena igual à da aparição de Nosso Senhor,
e Nossa Senhora, A COMPADECIDA, entra.
ENCOURADO, com raiva surda — Lá vem a
compadecida! Mulher em tudo se mete!
JOÃO GRILO — Falta de respeito foi isso agora, viu?
A senhora se zangou com o verso que eu recitei?
A COMPADECIDA — Não, João, porque eu iria me
zangar? Aquele é o versinho que Canário Pardo
escreveu para mim e que eu agradeço. Não
deixa de ser uma oração, uma invocação. Tem
umas graças, mas isso até a torna alegre e foi
coisa de que eu sempre gostei. Quem gosta de
tristeza é o diabo.
JOÃO GRILO — É porque esse camarada aí, tudo
o que se diz ele enrasca a gente, dizendo que
é falta de respeito.
A COMPADECIDA — É máscara dele, João. Como
todo fariseu, o diabo é muito apegado às
formas exteriores. É um fariseu consumado.
ENCOURADO — Protesto.
MANUEL — Eu já sei que você protesta, mas não
tenho o que fazer, meu velho. Discordar de
minha mãe é que eu não vou.
(SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida. 
15. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1979.)
� (UEL – modificado – MODELO ENEM) – O
Auto da Compadecida foi escrito para o teatro por
Ariano Suassuna. O excerto transcrito permite
perceber que uma de suas características
marcantes é a abordagem de temas
a) recorrentes da política brasileira do
coronelismo.
b) ligados à seca que marca a sociedade do
Nordeste.
c) questionadores da prática sertaneja de
clientelismo.
d) baseados em romances e histórias
populares nordestinos.
e) heroicos fantasiosos divulgados pela
literatura de cordel.
Resolução
João Grilo chama Nossa Senhora por meio de
versos compostos, de acordo com o texto, pelo
cantador baiano Canário Pardo. Isso mostra que
o Auto da Compadecida incorpora “romances e
histórias populares nordestinos”, adaptando o
auto de origem medieval ao contexto nordestino.
Resposta: D
� (UEL – adaptado – MODELO ENEM) –
Ao humanizar personagens como Manuel e a
Compadecida, o autor pretende
a) denunciar o lado negativo do clero, apegado
a formalismos místicos artificiais.
b) exaltar o sentimento de justiça divina, ao
contemplar os simples decoração.
c) mostrar um sentimento religioso simples e
humanizado, mais próximo do povo.
d) retratar o sentimento religioso do povo
nordestino, numa visão iconoclasta.
e) fazer caricaturas com as figuras de Cristo e
de Nossa Senhora.
Resolução
Maria aparece como uma entidade que gosta
de versos populares e até dialoga de maneira
simpática com João Grilo. Jesus (Manuel) age
como alguém submisso à mãe, confessando
sua consciência — comum a tantos filhos — de
não ter condições de desobedecer-lhe. Tais
características humanizam essas figuras do
catolicismo, tirando-lhes a distância formal
sacralizadora.
Resposta: C
Texto para o teste 
. 
JOÃO GRILO — Pois vou vender a ela, para tomar
o lugar do cachorro, um gato maravilhoso, que
descome dinheiro.
CHICÓ — Descome, João?
João Grilo — Sim, descome, Chicó. Come, ao
contrário.
CHICÓ — Está doido, João! Não existe essa
qualidade de gato.
JOÃO GRILO — Muito mais difícil de existir é
pirarucu que pesca gente e você mesmo já foi
pescado por um.
CHICÓ — É mesmo, João, do jeito que as coisas
vão eu não me admiro mais de nada!
(Ariano Suassuna, Auto da Compadecida)
 (MODELO ENEM) – A comicidade do
trecho transcrito decorre sobretudo da(o)
a) equiparação entre espécies animais
diferentes.
b) comparação entre ideias igualmente
absurdas.
c) tom professoral do ignorante João Grilo.
d) ingenuidade de Chicó, que nunca questiona
João Grilo.
e) inocência de João Grilo, que acredita em
poderes mágicos.
Resolução
Ao afirmar que venderia um gato que
“descome dinheiro”, João Grilo é questionado
por Chicó, que vê a ideia do companheiro como
absurda (“Não existe essa qualidade de gato”,
diz Chicó). João Grilo, então, para defender a
sua ideia, cita o fato de que mais difícil (ou mais
absurdo) do que um gato que “descome”
dinheiro é um pirarucu que pesca gente,
argumento que Chicó aceita e reconhece como
possível, visto que ele mesmo já teria passado
por essa experiência.
Resposta: B
Exercícios Resolvidos
8
Palavras-chave:
Ariano Suassuna:
Auto da Compadecida
• Auto 
• Sátira social
• Teatro popular
brasileiro
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127PORTUGUÊS
Exercícios Propostos
Texto para os testes de � a �. � (MODELO ENEM) – O excerto transcrito apresenta
rubricas, destacadas em itálico. Comuns em um texto teatral,
sua função constitui uma/um 
a) necessidade, para que as encenações sejam inflexíveis às
diretrizes do autor.
b) orientação, para que o diretor e os atores tenham ideia de
como deve ser a interpretação.
c) preciosismo, para que a linguagem teatral se destaque
rebuscadamente no campo da literatura. 
d) exigência, para que diretor e atores respeitem as
características da dramaturgia.
e) imposição, para impedir distorções subjetivas das ideias e
intenções do autor.
RESOLUÇÃO:
As rubricas são indicações do autor relativas ao modo (gestos e
movimentos, por exemplo) por ele imaginados para a
representação da peça. São próprias do texto dramático (teatral),
embora nem sempre sejam respeitadas pelos encenadores
contemporâneos, menos preocupados em ser fiéis às diretrizes do
autor. [Competência 5, Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
� (MODELO ENEM) – A cena refere-se ao pedido para que o
Padre benza um cachorro, que está para morrer. Esse religioso
inicialmente se opõe à solicitação que lhe é feita, usando
argumentos baseados 
a) nos regulamentos da Igreja Católica.
b) nos usos e costumes de seu meio social.
c) nas preocupações com a saúde pública.
d) nas questões ligadas a leis governamentais.
e) nas pretensões desrespeitosas dos requerentes.
RESOLUÇÃO:
Inicialmente, o padre recusa-se a benzer o cachorro. Justifica-se
dizendo: “[benzer motor] é uma coisa que todo mundo benze.
Cachorro é que eu nunca ouvi falar” e “quem vai ficar engraçado
sou eu, benzendo cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz
isso, mas benzer cachorro?”. O religioso baseia-se, portanto, “nos
usos e costumes de seu meio social”, argumento segundo o qual
o que é comum é correto, o que é incomum é errado. Frise-se que
os “usos e costumes”, no caso, são a subserviência do clero ao
coronelismo ou aos poderosos locais, pois, quando se diz,
fraudulentamente, que o cachorro é do Major Antônio Moraes, o
padre muda de opinião. [Competência 7, Habilidade 24 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
[A peça se passa em uma típica cidadezinha do interior
nordestino.]
JOÃO GRILO — Padre João! Padre João!
PADRE, aparecendo na igreja. — Que há? Que gritaria é essa?
(...)
CHICÓ — Mandaram avisar para o senhor não sair, porque vem
uma pessoa aqui trazer um cachorro que está ultimando para
o senhor benzer.
PADRE — Para eu benzer?
CHICÓ — Sim.
PADRE, com desprezo — Um cachorro?
CHICÓ — Sim.
PADRE — Que maluquice! Que besteira!
JOÃO GRILO — Cansei de dizer a ele que o senhor não benzia.
Benze porque benze, vim com ele.
PADRE — Não benzo de jeito nenhum.
CHICÓ — Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o
bicho.
JOÃO GRILO — No dia em que chegou o motor novo do Major
Antônio Moraes o senhor não o benzeu?
PADRE — Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo
benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar.
CHICÓ — Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que
motor.
PADRE — É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo
o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas
benzer cachorro?
JOÃO GRILO — É, Chicó, o padre tem razão. Quem vai ficar
engraçado é ele e uma coisa é benzer o motor do Major
Antônio Moraes e outra benzer o cachorro do Major Antônio
Moraes.
PADRE, mão em concha no ouvido — Como?
JOÃO GRILO — Eu disse que uma coisa era o motor e outra o
cachorro do Major Antônio Moraes.
PADRE — E o dono do cachorro de quem vocês estão falando
é Antônio Moraes?
JOÃO GRILO — É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor
se zangasse, mas o major é rico e poderoso e eu trabalho na
mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a
obedecer, mas disse a Chicó: o padre vai se zangar.
PADRE, desfazendo-se em sorrisos — Zangar nada, João!
Quem é um ministro de Deus para ter direito de se zangar?
Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem
era o cachorro!
JOÃO GRILO, cortante — Quer dizer que benze, não é?
PADRE, a Chicó — Você o que é que acha?
CHICÓ — Eu não acho nada de mais.
PADRE — Nem eu. Não vejo mal nenhum em se abençoar as
criaturas de Deus.
(SUASSUNA, Ariano. Auto da Compadecida.
32. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1997. p. 31-34.)
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128 PORTUGUÊS
 (MODELO ENEM) – João Grilo não se mostra satisfeito
diante da negação do padre de benzer o cachorro. Por causa
disso, apresenta sutilmente ao religioso um contra-argumento
que coloca em foco questões ligadas à
a) piedade do sacerdote.
b) estrutura de poder.
c) dinâmica do catolicismo.
d) solidariedade do padre.
e) lógica do cristianismo.
RESOLUÇÃO:
João Grilo lembra que o padre já havia benzido um motor. Depois
avisa — mentindo — que o cachorro pertencia ao Major Antônio
Moraes. Assim, ele evoca valores ligados à “estrutura de poder”
do seu meio. O primeiro elemento nesse sentido é a referência a
um motor, que, pelo menos na sociedade em questão, é símbolo de
poderio econômico. O segundo elemento está na citação do nome
do major, título ou patente que indica poder político. João Grilo faz
referência clara à estrutura de poder ao dizer ao padre, numa
síntese, que “o major é rico e poderoso”. [Competência 7,
Habilidade 24 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
� (MODELO ENEM) – No Auto da Compadecida, Ariano
Suassuna veicula, mesmo que de maneira implícita, uma análise
social. Assim, ele utiliza a figura do padre para representar o que
entende como
a) valores de existência transformados com a implantação do
capitalismo pós-moderno. 
b) grupos de religiosos acomodados com a rotina das cidades
do interior. 
c) ideais de comportamento rígido em respeito às regras
religiosas. 
d) posturas da ética cristã vistas como ideais para a salvação da
alma. 
e) setores da Igreja Católica preocupadosem atender aos
poderosos.
RESOLUÇÃO:
A cena apresenta um padre que benze motor, objeto que
representa, na sociedade enfocada, a gente de poder. Além disso,
essa personagem só se dispõe a dar a bênção a um cachorro
quando é induzido a acreditar que o animal pertence a um
poderoso, o Major Antônio Moraes. Assim, esse religioso acaba
representando setores da Igreja Católica que Ariano Suassuna
enxerga como mais preocupados em atender aos interesses dos
poderosos. [Competência 5, Habilidade 15 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E

 (MODELO ENEM) – A peça teatral de Ariano Suassuna
incorpora elementos populares em sua criação. Um deles é o
humor que se baseia na exploração da ambiguidade, como se
nota em
a) “Cansei de dizer a ele que o senhor não benzia”.
b) “benzer o cachorro do Major Antônio Moraes”.
c) “eu trabalho na mina dele”. 
d) “Quem é um ministro de Deus para ter direito de se
zangar?”
e) “Não vejo mal nenhum em se abençoar as criaturas de
Deus”.
RESOLUÇÃO:
A expressão “cachorro do Major Antônio Moraes” é ambígua, pois
tanto pode indicar que o animal pertence ao major, como também
indicar que o major está sendo xingado de cachorro. [Competência
6, Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: B
A Morte do Avarento (1485/90), de
Hieronymus Bosch (c. 1450-1516).
Óleo sobre madeira, 93 x 31 cm,
National Gallery of Art,
Washington D.C. – Fotografia:
Quint & Lox / Alamy / Fotoarena.
Desde há muito tempo a arte
criticou o apego excessivo aos
valores materiais. No quadro ao
lado, Bosch já condenava, no final
do século XV, esse defeito. Basta
notar o avarento que, à beira da
morte (que já está à porta), em
vez de se concentrar na salvação
da alma, representada pela luz
que vem do crucifixo no alto da
janela, apontada pelo anjo,
mostra-se vulnerável à tentação
do saco de dinheiro próximo do
diabo. Esse interesse e
submissão ao poderio
socioeconômico são igualmente
vistos na figura do Padre do Auto
da Compadecida, o que também
coloca sua personalidade em
perdição.
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129PORTUGUÊS
� (MODELO ENEM) – João Grilo é uma das personagens
mais famosas da nossa literatura. Um dos motivos dessa
popularidade é a sua capacidade de representar um presumido
caráter brasileiro marcado pela mistura de malandro e anti-herói.
Essa habilidade é percebida na cena apresentada pelo fato de a
personagem
a) assumir um comportamento escrachado. 
b) desmoralizar os representantes dos poderosos. 
c) vencer as adversidades por meio da esperteza. 
d) levar vantagem sobre o seu companheiro. 
e) mostrar caridade diante de um ser indefeso.
RESOLUÇÃO:
João Grilo, ao perceber que o padre não quer benzer o cachorro,
utiliza a artimanha sutil de associar o animal ao Major Antônio
Moraes, o que faz o sacerdote mudar de disposição. Dessa forma,
a personagem acaba encarnando o presumido caráter brasileiro de
saber vencer com esperteza as adversidades. [Competência 6,
Habilidade 20 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
� (MODELO ENEM) – O teatro de Ariano Suassuna é
influenciado pelo de Gil Vicente, o que se vê marcadamente no
Auto da Compadecida. Essa vinculação é percebida na cena
apresentada por haver nela a
a) condenação da hipocrisia política. 
b) valorização da forma métrica. 
c) crítica social por meio do humor. 
d) rejeição da moral medieval. 
e) ênfase no ambiente da encenação.
RESOLUÇÃO:
O teatro de Gil Vicente segue o lema do ridendo castigat mores, ou
seja, por meio do riso castigam-se, condenam-se os (maus)
costumes. É o que se percebe também na cena em análise do Auto
da Compadecida, em que a ambiguidade moral, como evidencia a
mudança interesseira de opinião por parte do padre, serve para
Ariano Suassuna condenar os defeitos daquela sociedade.
[Competência 5, Habilidade 17 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
Provérbios Holandeses (1559), de Pieter Bruegel, o Velho (c. 1525-1569). Óleo sobre madeira, 1,17 x 1,63 m,
Gemäldegalerie, Berlim. – Fotografia: PAINTING / Alamy / Fotoarena.
A arte sempre buscou formas simbólicas para representar a realidade. É uma característica própria dos grandes artistas.
No quadro acima, cada cena representa um defeito da sociedade, que Bruegel aborda de maneira crítica e um tanto
jocosa. Por exemplo, o casal no centro, com uma mulher cobrindo um homem com um manto azul, é uma referência
a uma metáfora holandesa que diz respeito ao adultério. Próximo ao casal, um homem joga pérolas aos porcos, o que
representa a inutilidade de oferecermos o que temos de precioso a quem não tem capacidade de o aproveitar. No Auto
da Compadecida, por sua vez, as personagens acabam evidenciando, em cena, diante do leitor ou espectador, os
vícios que se notam nos mecanismos sociais.
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130 PORTUGUÊS
� (MODELO ENEM) – A cena em análise coloca em
confronto o Padre e João Grilo. Essas duas personagens
chegam a funcionar, na dinâmica da peça, como alegorias
porque
a) encarnam conflitos psicológicos. 
b) representam valores sociais. 
c) simbolizam a luta de classes. 
d) metaforizam a revolta do autor. 
e) revelam o ritmo da narrativa.
RESOLUÇÃO:
O Padre e João Grilo são personagens com psicologia genérica,
grupal na cena em estudo, pois representam valores sociais (vícios
e virtudes): o primeiro encarna o mundanismo de alguns membros
do clero e o segundo, a esperteza da gente simples que forma o
povo brasileiro. [Competência 5, Habilidade 16 das Matrizes do
ENEM.]
Resposta: B
� (MODELO ENEM) – O Auto da Compadecida conseguiu
um lugar consagrado tanto na literatura quanto no teatro e
cinema brasileiros. Quanto ao aspecto teatral, essa obra se
mostra vinculada ao gênero dramático por
a) apresentar acontecimentos ligados às tragédias modernas. 
b) contar eventos que metaforizam problemas universais.
c) narrar feitos por meio da ação e das falas das personagens.
d) representar a sociedade graças a situações extraordinárias.
e) relatar as crises que atrapalham o desenvolvimento social.
RESOLUÇÃO:
O gênero dramático, por não apresentar um narrador, faz relatar
uma história por meio das falas e das ações das personagens.
[Competência 5, Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
ARIANO Vilar SUASSUNA (1927-2014): dramaturgo, romancista, ensaísta, poeta e professor
brasileiro nascido em João Pessoa (Paraíba), foi o idealizador do Movimento Armorial e autor das
obras Auto da Compadecida (teatro), O Casamento Suspeitoso (teatro), O Santo e a Porca (teatro),
A História de Amor de Fernando e Isaura (romance), O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe
do Sangue do Vai-e-Volta (romance), O Pasto Incendiado (poesia), entre outras. Foi um destacado
defensor e divulgador da cultura nordestina de raiz.
O dramaturgo e escritor Ariano Suassuna em sua casa em Recife.
Folha de S.Paulo, Ilustrada, 13.05.96. – Fotografia: Bel Pedrosa / Folhapress.
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131PORTUGUÊS
� Eu começaria dizendo que
poesia é uma questão de lin -
guagem. A importância do
poeta é que ele torna mais viva a linguagem.
Carlos Drummond de Andrade escreveu um
dos mais belos versos da língua portuguesa
com duas palavras comuns: cão e cheirando:
“Um cão cheirando o futuro”.
(Entrevista com Mário Carvalho. 
Folha de S.Paulo, 24/5/1988. Adaptação.)
O que deu ao verso de Drummond o caráter de
inovador da língua foi
a) o modo raro como foi tratado o futuro.
b) a referência ao cão como animal de esti ma ção.
c) a flexão pouco comum do verbo cheirar
(gerúndio).
d) a aproximação não usual do agente citado e a
ação de cheirar.
e) o emprego do artigo indefinido “um” e do
artigo definido “o” na mesma frase.
Resolução
O verso de Drummond surpreende pela apro xi ma -
ção entre o sujeito (“cão”) e o objeto da ação de
cheirar (“o futuro”), “modo raro” de tratar o futuro.
Resposta: A
Texto para o teste �.
Dizem que finjo ou minto
Tudo que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo
O que me falha ou finda,É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê!
(PESSOA, Fernando. Poemas Escolhidos.
São Paulo: Globo, 1997.)
� Fernando Pessoa é um dos
poetas mais extraordinários
do século XX. Sua obsessão
pelo fazer poético não encontrou limites. Pes -
soa viveu mais no plano criativo do que no
plano concreto, e criar foi a grande finalidade
de sua vida. Poeta da “Geração Orfeu”,
assumiu uma atitude irreverente.
Com base no texto e na temática do poema
“Isto”, conclui-se que o autor
a) revela seu conflito emotivo em relação ao
processo de escritura do texto.
b) considera fundamental para a poesia a
influência dos fatos sociais.
c) associa o modo de composição do poema
ao estado de alma do poeta.
d) apresenta a concepção do Romantismo
quanto à expressão da voz do poeta.
e) separa os sentimentos do poeta da voz que
fala no texto, ou seja, do eu lírico.
Resolução
Em sua obra dita “ortônima” (isto é, atribuída ao
seu nome, não aos seus heterônimos), como é o
caso do poema transcrito, Pessoa separa ana li ti -
ca mente a emoção expressa no poema (isto é, a
emoção do eu lírico) da experiência real do poeta,
como fica explícito neste poema e no célebre
“Autopsicografia” (“O poeta é um fingidor...”).
Resposta: E
Módulos
1 – Poesia e ficção 
2 – Texto: trama de palavras
3 – Linguagem poética: poesia lírica 
4 – Linguagem comum e poética 
5 – Trovadorismo: cantiga de amigo
6 – Canção popular e tradição
folclórica
7 – Trovadorismo: cantiga de amor
8 – Gil Vicente: Auto da Barca
do Inferno
Exercícios Resolvidos
1
Palavras-chave:
Poesia e ficção • Criação poética 
• Eu lírico
• Ficção poética 
PORTUGUÊS: 
INTRODUÇÃO À LITERATURA: 
POESIA LÍRICA – HUMANISMO
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132 PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
� (MODELO ENEM) – Poesia é ficção porque nela o poeta
finge. Mas não é só a emoção expressa pelo poeta que é fictícia:
a do leitor também não é a emoção vivida. Pode-se dizer, então,
que, nesse esquema, o leitor deve atuar de maneira a
a) tornar-se estranho ao fingimento encenado no poema.
b) ter o seu coração enganado pelo discurso do poeta.
c) integrar-se à “brincadeira” estabelecida no poema.
d) impedir que sua razão seja iludida pela emoção.
e) emocionar-se graças à perda do controle da razão.
RESOLUÇÃO:
O leitor é parte integrante do jogo funcional criado pelo poeta, pois
a emoção que ele, leitor, sente, ao ler o poema, não é emoção de
fato vivida, mas sim emoção “lida”, ou seja, emoção que ele
apreende dos versos que lê. [Competência 5, Habilidade 16 das
Matrizes do ENEM.]
Resposta: C
Nos testes de � a �, indique os sentidos das seguintes
palavras ou expressões presentes no poema de Fernando
Pessoa:
� Deveras:
a) com intensidade.
b) verdadeiramente.
c) da forma devida.
d) convenientemente.
e) profundamente. 
RESOLUÇÃO:
Resposta: B
 Calhas de roda:
a) canos redondos.
b) tubos que dão vazão às águas da chuva.
c) trilhos circulares.
d) sulcos para irrigar plantações.
e) abertura estreita. 
RESOLUÇÃO:
Resposta: C
� Comboio de corda:
a) trenzinho de brinquedo.
b) escolta de veículos.
c) grupo de carregadores.
d) conjunto de navios mercantes.
e) tropa de animais de carga. 
RESOLUÇÃO:
Resposta: A
AUTOPSICOGRAFIA
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente. 
E os que leem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm. 
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama o coração.
(Fernando Pessoa)
Fernando Pessoa viveu discretamente, mas estreitou relações
com os artistas de sua geração. Era admirado por eles, mas
desconhecido do grande público.
Exercícios Propostos
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133PORTUGUÊS

 Quais são as duas dores do poeta, conforme o poema?
RESOLUÇÃO:
São “a dor que [o poeta] deveras sente” e a dor que ele finge no
poema.
� Qual a dor que os leitores “sentem bem”?
RESOLUÇÃO:
Aquela que “eles não têm”.
� O que há em comum entre a dor fingida pelo poeta e a dor
que os leitores “sentem bem” quando leem o poema?
RESOLUÇÃO:
O ponto comum é que nenhuma é a dor que se experimenta na
vida, pois a do poeta é “fingida” e a dos leitores é “só a que eles
não têm”.
� A partir da resposta anterior, indique o que se pode concluir
a respeito das emoções representadas na poesia (o que vale,
em geral, para a literatura e a arte).
RESOLUÇÃO:
Na poesia, como na literatura e na arte em geral, temos emoções
representadas, quer dizer, fictícias, fingidas. Elas são, portanto,
diferentes das emoções que sentimos na vida.
� Baseando-se no que você pode concluir da leitura do poema
“Autopsicografia”, assim como na sua experiência com literatura
e arte, tente explicar por que as pessoas podem ter prazer ao ler
obras literárias ou assistir a filmes, novelas e peças de teatro
que narram histórias tristes, com sofrimento e finais infelizes
ou catastróficos.
RESOLUÇÃO:
O motivo é que as emoções representadas na obra e sentidas pelo
leitor ou espectador não são da mesma natureza que as emoções
da vida. Por isso, tais emoções, mesmo que negativas na vida,
podem dar prazer quando representadas numa bela obra de arte,
que nos agrada e esclarece sobre a vida.
Retrato de Fernando Pessoa, réplica (1964), de Almada Negreiros
(1893-1970). Óleo sobre tela, 225 x 226 cm, Coleção CAM (Centro de
Arte Moderna), Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.
Fernando Pessoa tornou-se famoso pela criação de diversas
personalidades poéticas — os heterônimos.
FERNANDO Antônio Nogueira PESSOA (1888-1935): Escri tor portu guês, um dos res ponsá veis
pela intro du ção do Modernis mo em Portu gal, em 1915, com a publica ção da revis ta Orpheu. É
consi derado pela crítica interna cional como um dos maio res poetas do sé culo XX. Seus poe mas
tanto eram as sina dos por Fernando Pessoa — poesia ortônima —, como por diver sos de seus
heterô nimos (outros autores inven tados por ele), entre os quais se tornaram mais conhe ci dos
Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis.
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134 PORTUGUÊS
Texto para os testes � e �.
Eu considerei a glória de um pavão osten -
tando o es plendor de suas cores; é um luxo
imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que
aquelas cores todas não existem na pena do
pavão. Não há pigmentos. O que há são minús -
culas bolhas d'água em que a luz se fragmenta,
como em um prisma. O pavão é um arco-íris
de plumas.
Eu considerei que este é o luxo do grande
artista, atingir o máximo de matizes com o
mínimo de elementos. De água e luz ele faz
seu esplendor; seu grande mistério é a
simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh
minha amada; de tudo que ele suscita e esplen -
de e estremece e delira em mim exis tem ape -
nas meus olhos recebendo a luz de teu olhar.
Ele me cobre de glórias e me faz mag nífico.
(Rubem Braga, 
Ai de ti, Copacabana)
� O poeta Carlos Drummond de
Andrade escreveu assim
sobre a obra de Rubem Braga:
“O que ele nos conta é o seu dia, o seu ex pe -
diente de homem, apanhado no essencial, nar -
rativa direta e eco nômica. (...) É o poeta do real,
do palpável, que se vai diluindo em cisma. Dá
o sentimento da realidade e o remédio para
ela.”
Em seu texto, Rubem Braga afirma que “este
é o luxo do grande artista, atingir o máximo de
matizes com o mínimo de ele mentos”.
Afirmação semelhante pode ser en contrada no
texto de Carlos Drummond de Andrade,
quando, ao analisar a obra de Braga, diz que
ela é
a) narrativa direta e econômica.
b) real, palpável.
c) sentimento da realidade.
d) seu expediente de homem.
e) seu remédio.
Resolução
Rubem Braga celebra, no pavão visto, assim
como no grande ar tista, a “capacidade de
atingir o má xi mo de matizes com o mínimo
de ele mentos”. Drummond expressa ideia
semelhante ao afirmarque Braga é o poeta do
essencial, da ”narrativa direta e eco nômica”. 
Resposta: A
� (MODELO ENEM) – Este excerto da
crônica de Rubem Braga é exemplo de que é
possível fazer literatura sem empregar
vocabulário complicado, rebuscado. Além
disso, nota-se a preferência pelo tema simples.
Esses elementos estilísticos demonstram que
a essência do caráter literário é obtida pela
preocupação em
a) defender a moral em nome de uma
sociedade melhor.
b) destacar a maneira como a linguagem é
trabalhada.
c) conectar o mundo da materialidade ao da
religião.
d) provar a inexistência da oposição entre
animal e humano.
e) estimular a compaixão diante de criaturas
indefesas.
Resolução
A crônica de Rubem Braga possui caráter
literário, visto utilizar a linguagem de maneira a
chamar a atenção sobre a sua organização. Para
tanto, o autor lança mão de diversos recursos
linguísticos, como a metáfora (“O pavão é um
arco-íris de plumas”), a antítese e o paralelismo
sintático (“atingir o máximo de matizes com o
mínimo de elementos”), a apóstrofe (“oh minha
amada”), o polissíndeto (“e esplende e
estremece e delira”) etc.
Resposta: B
Texto para o teste 
.
Os que fiam e tecem unem e ordenam
materiais dispersos que, de outro modo, seriam
vãos ou quase. Pertencem à mesma linhagem
dos FIANDEIRA CARNEIRO FUSO LÃ
geômetras, estabelecem leis e pontos de união
para o desuno. Antes do fuso, da roca, do tear,
das invenções destinadas a estender os fios e
LÃ LINHO CASULO ALGODÃO LÃ cruzá-los, o
algodão, a seda, era como se ainda estivessem
imersos no limbo, TECEDEIRA URDIDURA
TEAR LÃ nas trevas do informe. É o apelo à
ordem que os traz à claridade, transforma-os em
obras, portanto em objetos humanos, iluminados
pelo espírito do homem. Não é por ser-nos úteis
LÃ TRAMA CROCHÊ DESENHO LÃ que o burel
ou o linho representam uma vitória do nosso
engenho; sim por serem tecidos, por
TAPECElRA BASTIDOR ROCA LÃ cantar
neles uma ordem, o sereno, o firme e rigoroso
enlace da urdidura, das linhas enredadas.
Assim é que suas expressões mais nobres são
LÃ COSER AGULHA CAPUCHO LÃ aquelas
em que, com ainda maior disciplina, floresce o
ornamento: no cro- FIANDEIRA CARNEIRO
FUSO LÃ chê, no tapete, no brocado. Então, é
como se por uma espécie de alquimia, de
álgebra, de mágica, algodoais e carneiros,
casulos, campos de linho, LÃ TRAMA
CASULO CAPUCHO LÃ novamente
surgissem, com uma vida menos rebelde,
porém mais perdurável.
(LINS, O. Nove, Novena: narrativas.
São Paulo: Companhia das Letras, 1998.)
 No trecho, retirado do conto
“Retábulo de Santa Joana
Carolina”, de Osman Lins, a
fim de expressar uma ideia relativa à literatura,
o autor emprega um procedimento singular de
escrita, que consiste em
a) entremear o texto com termos destacados
que se referem ao universo do tecer e
remetem visualmente à estrutura de uma
trama, tecida com fios que retornam
periodicamente, para aludir ao trabalho do
escritor.
b) entrecortar a progressão do texto com
termos destacados, sem relação com o
contexto, que tornam evidente a desordem
como princípio maior da sua proposta literária.
c) insinuar, pela disposição de termos
destacados, dos quais um forma uma
coluna central no corpo do texto, que a
atividade de escrever remete à arte
ornamental do escultor.
d) dissertar à maneira de um cientista sobre
os fenômenos da natureza, recriminando-a
por estar perpetuamente em desordem e
não criar concatenação entre eles.
e) confrontar, por meio dos termos
destacados, o ato de escrever à atividade
dos cientistas modernos e dos alquimistas
antigos, mostrando que esta é muito
superior à do escritor.
Resolução
A imagem do texto escrito como uma “trama”
de palavras é tradicional, revisitada no fragmento
de Osman Lins através dos substantivos em
maiúsculas interpolados ao texto, todos do
campo semântico da tecelagem.
Resposta: A
Exercícios Resolvidos
2
Palavras-chave:
Texto: trama de palavras • Criação literária • Linguagem
poética 
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135PORTUGUÊS
Texto para as questões de � a �.
Observação inicial:
Vamos considerar o conjunto de palavras acima um texto. 
Se ele é um texto, é porque suas palavras formam um tecido,
isto é, relacionam-se entre si, como os fios num tecido. (Notar
que a palavra texto, pronunciada tecstum em latim, tem a
mesma raiz de tecido: tec, de tecer, que significa “entrelaçar,
tramar”.)
� Por que se pode considerar que o conjunto de palavras
transcritas acima constitui um texto?
RESOLUÇÃO:
Porque são palavras que se inter-relacionam, formando algo como
um tecido.
� O conjunto de palavras em questão forma frase(s)?
RESOLUÇÃO:
Não, são palavras que não formam orações (pois não há verbos)
nem mesmo frases não oracionais [pois não se pode supor que
elas constituam alguma afirmação, como em “Fogo!” ou “Que
beleza!”, que não contêm verbos, mas são frases não oracionais
ou nominais].
 Quantas e quais palavras diferentes entre si formam o
texto?
RESOLUÇÃO:
Formam o texto 6 palavras diferentes: azul, mar, marco, barco, arco
e ar.
� Quantas palavras aparecem, ao todo, no texto (contadas as
repetições)?
RESOLUÇÃO:
Aparecem 30 palavras.

 Quantas vezes aparece no texto cada uma das diferentes
palavras?
RESOLUÇÃO:
A palavra azul aparece 15 vezes; mar, 5; marco, 4; barco, 3; arco, 2;
ar: 1.
� Se considerarmos não as palavras, mas os sons, a palavra
que não se repete corresponde a um grupo de sons muito
repetido no texto. De que grupo sonoro se trata e quantas vezes
ele é repetido?
RESOLUÇÃO:
Trata-se de ar, que se repete 15 vezes. 
� Que significa a expressão “arco azul”? 
RESOLUÇÃO:
A expressão “arco azul” é uma metáfora para “céu”. Trata-se de
linguagem figurada. 
mar azul
mar azul marco azul
mar azul marco azul barco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul
mar azul marco azul barco azul arco azul ar azul
O Mar de Saintes-Maries-de-la-Mer (1888), de Van Gogh (1853-1890).
Óleo sobre tela, 50,5 x 64,3 cm, Museu Van Gogh, Amsterdã. –
Fotografia: Fine Art Images / Album / Fotoarena.
Exercícios Propostos
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136 PORTUGUÊS
� (MODELO ENEM) – O texto apresentado é um poema de
Ferreira Gullar. Trata-se de uma prova de que um texto é
composto pela ligação que as palavras mantêm entre si. Assim,
no presente caso, elas estabelecem uma relação de
a) métrica e tonicidade, dando-se ritmo à leitura do poema.
b) vocabulário e morfologia, estabelecendo-se igualdade nos
versos.
c) lógica e sintaxe, fortalecendo-se a argumentação do autor.
d) ritmo e musicalidade, reforçando-se a emotividade do poeta.
e) som e sentido, criando-se coerência entre forma e conteúdo.
RESOLUÇÃO:
As palavras relacionam-se pelo sentido, pois todas podem ser
associadas a mar e o seu conjunto compõe uma paisagem marinha.
Além disso, elas relacionam-se também pelo som, pois todas
correspondem a ampliações e variações em torno da palavra mar,
com acréscimo, alteração ou supressão de sons. [Competência 6,
Habilidade 18 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: E
� (MODELO ENEM) – O poema de Ferreira Gullar pode ser
classificado como um exemplo de marinha, pois tem como
tema uma paisagem marítima. Dessa forma, apesar de se
repetir no texto a sílaba bar, a palavra bar não foi empregada
porque
a) destoaria do tom, do tema e do gênero do poema.
b) apresentaria uma questão que vai de encontro ao moralismo
do texto.
c) introduziria um termo de origem estrangeira, um anglicismo.
d) repetiria o efeito humorístico já presente no resto do texto.
e) permitiria a entrada de ambiente inexistente na época da
escrita do poema. 
RESOLUÇÃO:
A introdução da palavra bar destoa tanto do contexto da paisagem
marinha, quanto do tom e do gênero do texto. Além disso, “bar
azul” soaria um pouco ridículo, sugerindo algum enredo gaiato,
num texto que não é narrativo e cujo tom não é humorístico.
[Competência 5, Habilidade 16 das Matrizes do ENEM.]
Resposta: A
� Embora os dois poemas se refiram ao mar, o segundo não
desenvolve o mesmo tema que o primeiro. Explique, comen

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