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26/08/2026 Controle do Crescimento e Adaptações Celulares Homeostase Em condições normais, as células funcionam em equilíbrio com: • Nutrição adequada • Oxigênio • Ausência de ameaças • Funcionamento organizado dos componentes celulares. Esse estado de equilíbrio é a HOMEOSTASE. Ideia central: A célula possui uma rotina normal, mas precisa responder quando o ambiente muda. Agente Estressor Um agente estressor altera as condições normais da célula. Pode ocorrer: • Hipóxia / falta de oxigênio • Falta de nutrientes • Aumento da carga de trabalho • Presença de agente químico/agressor • Presença de um agente agressor crônico Resposta celular Mudança do ambiente → estresse celular → célula busca novo equilíbrio → ADAPTAÇÃO A adaptação permite que a célula responda ao estresse sem morrer imediatamente. Controle da Proliferação Celular A proliferação celular é rigidamente controlada. Fatores de crescimento + contatos intercelulares → determinam quando a célula deve avançar ou parar no ciclo celular. Esse controle evita que o tecido cresça de maneira desordenada durante a homeostase. As 5 Vias de Adaptação Adaptação O que muda? Hipertrofia ↑ TAMANHO celular Hiperplasia ↑ NÚMERO de células Atrofia ↓ TAMANHO e NÚMERO de células Metaplasia Mudança do TIPO CELULAR Displasia Alteração da ORGANIZAÇÃO / CAOS celular Fronteira da Reversibilidade A célula pode passar por: Estresse → adaptação → lesão celular → morte celular Quando o estímulo agressor é removido, a célula pode retroceder e retornar ao estado original. Porém: Estresse intenso ou prolongado → quebra da capacidade adaptativa → lesão celular e morte. Adaptação Fisiológica × Patológica ⤷ Adaptação fisiológica É uma resposta normal do organismo a estímulos naturais. • É programada. • Produz aumento funcional saudável. • Exemplo: crescimento do útero na gravidez devido á demanda hormonal. ⤷ Adaptação patológica É uma resposta de sobrevivência diante de: • Doença • Agressão • Sobrecarga severa Pode inicialmente proteger contra a lesão, mas apresenta custo estrutural a longo prazo. Hipertrofia Aumento do TAMANHO das células. Consequentemente: → aumenta o tamanho e peso do órgão. Atenção! Na hipertrofia -❌ não há formação de novas células. O aumento acontece porque a célula aumenta sua estrutura. Mecanismo A célula hipertrofiada passa a sintetizar mais: • Proteínas estruturais • Proteínas contráteis • Organelas Isso permite que a célula consiga lidar com a maior demanda imposta. GATILHO MOLECULAR DA HIPERTROFIA Existem sinais capazes de detectar a necessidade de expansão celular. ⤷ Sensores mecânicos Detectam o estiramento físico da parede celular. Exemplo apresentado: → aumento da pressão sanguínea. ⤷ Agonistas e hormônios Fatores de crescimento e mediadores químicos sinalizam a necessidade de expansão. Resultado Sinal de estresse → alarme interno → núcleo celular → reprogramação da produção celular VIAS DE SINALIZAÇÃO A hipertrofia envolve gatilhos de membrana e fatores de transcrição. São citados: • GATA4 • NFAT Esses fatores participam da ativação da produção de: • Proteínas contráteis actina miosina • Genes fetais, como ANP. HIPERTROFIA FISIOLÓGICA ⤷ Fisiculturista — músculo esquelético Agente: Estresse mecânico repetitivo, como levantamento de peso. Mecanismo: Microlesões → ativação de células satélites + via anabólica PI3K/Akt Alteração: → aumento maciço da síntese de: • Actina • Miosina Resultado: → aumento substancial do diâmetro de cada fibra muscular esquelética. → Hipertrofia visível do órgão. HIPERTROFIA FISIOLÓGICA — ÚTERO GRÁVIDO Agente: Pico potente de estrogênio atuando em receptores nucleares. Mecanismo: O miométrio, que é músculo liso: → ativa síntese acelerada de proteínas estruturais. Alteração: → hipertrofia maciça das células musculares lisas preexistentes. Resultado: → útero aumenta dezenas de vezes seu tamanho e peso originais para acomodar o feto. ⚠️ Importante: ocorre junto com hiperplasia. HIPERTROFIA COMPENSATÓRIA — BEXIGA Agente: Obstrução parcial da uretra, por exemplo, aumento da próstata. → aumenta a resistência à passagem da urina. Mecanismo: Obstrução → maior resistência → aumento do estiramento e pressão → células do músculo detrusor respondem Alteração: → hipertrofia do músculo liso vesical. Resultado: → parede da bexiga fica mais espessa e forte. Objetivo: → gerar força suficiente para esvaziar a urina contra a resistência. HIPERTROFIA PATOLÓGICA — HIPERTENSÃO Na hipertensão arterial sistêmica (HAS): Pressão arterial cronicamente elevada → aumento da resistência → coração precisa fazer mais força → hipertrofia do músculo cardíaco. O coração funciona como uma bomba contra uma resistência elevada. ⤷ Custo da adaptação Diferente do músculo do atleta, o coração hipertenso: • cresce espesso • fica rígido • apresenta consumo energético considerado insustentável. HVE — Hipertrofia Ventricular Esquerda A hipertensão causa aumento da pós-carga. ⤷ Sequência principal HAS → ↑ pós-carga → maior força exigida do VE → hipertrofia → espessamento da parede do VE Na HVE ocorre espessamento concêntrico. Isso significa que: → as paredes crescem para dentro → o espaço da cavidade diminui. FISIOPATOLOGIA DA HVE CONSEQUÊNCIAS ESTRUTURAIS DA HVE ⤷ Paradoxo da isquemia O miocárdio aumenta muito sua massa. Porém: • → a rede de capilares coronarianos não cresce na mesma proporção. Resultado: ↑ massa muscular + suprimento sanguíneo proporcionalmente insuficiente → maior risco de isquemia. ⤷ Disfunção diastólica A parede do ventrículo hipertrofiado fica rígida. Durante a diástole, quando o coração deveria relaxar e receber sangue: • → o ventrículo não consegue se expandir adequadamente • → dificuldade de enchimento • → represamento de líquido para os pulmões. SINAIS E SINTOMAS DA HVE ⤷ Dispneia O ventrículo esquerdo rígido aumenta a pressão. Essa pressão é transmitida retrogradamente para: • → veias pulmonares • → líquido passa para os alvéolos • → congestão pulmonar Resultado: • → falta de ar, principalmente aos esforços. ⤷ Ortopneia É a dificuldade extrema para respirar quando está deitado. O sangue retorna ao tórax e aumenta o represamento pulmonar. ⤷ Angina Isquemia relativa: • → muito músculo • → pouco oxigênio disponível. ⤷ Palpitações A tensão na parede muscular pode desorganizar os feixes elétricos: • → arritmias. ⤷ Ictus cordis O pulso apical pode ser: • mais forte • deslocado Isso evidencia o aumento da massa muscular. DIAGNÓSTICO DA HVE ⤷ ECG Mais massa muscular: • → mais voltagem elétrica necessária para despolarizar o ventrículo. O ECG pode detectar sobrecarga ventricular. Índice de Sokolow-Lyon É citado como indicador de sobrecarga ventricular. O ECG é: • rápido • acessível • capaz de fornecer um primeiro alerta. ⤷ Ecocardiograma É apresentado como padrão-ouro. Permite medir diretamente: • espessura das paredes ventriculares • septo • massa miocárdica Também avalia: • função sistólica • função diastólica REGRESSÃO DA HVE A lógica apresentada é: HAS → sobrecarga → hipertrofia Para atuar sobre a causa: IECA → Exemplo: Captopril BRA → Exemplo: Losartana Esses medicamentos reduzem a resistência/pós-carga. Resultado ↓ pós-carga → ↓ necessidade de força → desativação das vias de crescimento → regressão da hipertrofia ventricular. Diuréticos podem auxiliar no manejo dos sintomas relacionados à insuficiência cardíaca. MAPA DA HVE ⤷ Fisiológico Câmara/ventrículo → hipertrofia → síntese de proteínas contráteis → adaptação funcional. ⤷ Patológico HAS → alta pós-carga → ativação de vias → hipertrofia → espessamento concêntrico → rigidez → disfunção diastólica → dispneia. OutrasSituações de Hipertrofia ⤷ Cardiomiopatia hipertrófica Fisiológico Sarcômero: • → estruturado • → alinhado. Agente inicial → Mutação genética nas proteínas do sarcômero. Mecanismo • → função contrátil ineficiente • → desarranjo das fibras • → caos arquitetural Adaptação/lesão • → hipertrofia assimétrica e desproporcional, com foco no septo. Manifestação clínica • Obstrução da via de saída do VE • Arritmias fatais • Morte súbita, especialmente em atletas jovens. Conduta citada • Diagnóstico genético/ecocardiograma • Betabloqueadores • CDI para prevenção de morte súbita. Estenose Aórtica Normal: A válvula aórtica abre livremente. Estenose: → criação de uma obstrução fixa pela alteração das cúspides da válvula. Consequência: Obstrução → sobrecarga de pressão → VE precisa gerar pressões muito altas → hipertrofia ventricular. Tríade clássica • Síncope • Angina • Dispneia Pseudo-Hipertrofia — Distrofia de Duchenne Na pseudo-hipertrofia, há aparência de aumento muscular, mas não corresponde ao aumento verdadeiro das fibras musculares. O exemplo apresentado é a panturrilha na distrofia de Duchenne. Hipertrofia verdadeira → aumento do tamanho das células. Pseudo-hipertrofia → aparência de músculo aumentado, sem corresponder ao verdadeiro aumento das fibras musculares. Hiperplasia Aumento do NÚMERO de células. Mecanismo geral apresentado Fatores de crescimento → ligação aos receptores → ativação de vias de transcrição → célula entra e avança no ciclo celular → aumento do número de células. HIPERPLASIA FISIOLÓGICA × PATOLÓGICA ⤷ Fisiológica É uma resposta: • controlada • com propósito definido. Pode ocorrer em: • Reparo de tecido • Resposta hormonal programada Quando o dano é reparado: • → o estímulo é desligado. ⤷ Patológica Ocorre quando existe descontrole do sistema. Exemplos de causas apresentadas: • Excesso hormonal persistente • Vírus O estímulo permanece ligado. HIPERPLASIA FISIOLÓGICA ⤷ Regeneração hepática Após hepatectomia parcial: • → ocorre multiplicação celular • → fígado se regenera. ⤷ Proliferação endometrial Ocorre em resposta hormonal. • → proliferação • → aumento das glândulas • → preparação para a gravidez. HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA — HPB Estado fisiológico: Próstata com tamanho normal: • → uretra livre. Agente inicial: Acúmulo excessivo de DHT com a idade. Mecanismo • → estímulo ininterrupto dos receptores androgênicos. Adaptação/lesão → multiplicação descontrolada, porém benigna, de: • células glandulares • células estromais. Manifestação clínica A próstata aumentada: • → estrangula a uretra. Pode causar: • Retenção urinária • Jato fraco • Esforço miccional HPV E HIPERPLASIA EPITELIAL Agente inicial: Infecção pelo Papilomavírus Humano — HPV. Mecanismo Proteínas virais: • E6 • E7 inativam genes supressores de tumor: • p53 • Rb Esses mecanismos removem os “freios” apresentados no conteúdo. Resultado • → célula entra em divisão contínua • → hiperplasia epitelial localizada A lesão é descrita como: • queratótica • papular. Atrofia Redução drástica do TAMANHO e do NÚMERO de células. Objetivo apresentado: • → economizar energia e sobreviver em períodos de escassez. Mecanismo celular Envolve: • Proteassoma • Ubiquitina • Digestão de organelas e mitocôndrias • Vacúolo digestivo • Degradação de proteínas danificadas. “USE OU PERCA” — GATILHOS DA ATROFIA ⤷ Atrofia fisiológica 1 — útero pós-parto Após o parto: • → redução do útero • → tecido regride • → retorna ao tamanho pré-gestacional. ⤷ Atrofia fisiológica 2 — involução do timo O timo: • → diminui naturalmente após a puberdade. ⤷ Atrofia patológica 1 — desuso • Imobilização → redução da carga de trabalho → fibras musculares diminuem. ⤷ Atrofia patológica 2 — denervação • A perda da inervação está associada à atrofia muscular. ATROFIA CEREBRAL — ALZHEIMER Agente inicial Acúmulo tóxico de: • placas amiloides • emaranhados da proteína Tau Mecanismo • → falha sináptica generalizada • → morte neuronal progressiva. Adaptação/lesão • → atrofia cortical e hipocampal irreversível. Manifestações • Perda de memória • Desorientação • Demência Tratamento citado Apenas suporte. Exemplo: • → Donepezila, para melhorar a cognição residual. O conteúdo destaca que não há cura funcional porque: • → neurônios mortos não se regeneram. Metaplasia Substituição de um tecido adulto por OUTRO tecido adulto mais resistente. ⚠️ Muito importante: A metaplasia ocorre por reprogramação genética das células-tronco. NÃO ocorre por transformação direta de células adultas em outro tipo celular. METAPLASIA — PULMÃO DO FUMANTE ⤷ Estado fisiológico Epitélio: cilíndrico ciliado Função: • → limpeza eficiente do muco. Agente inicial: Fumaça de cigarro • → irritação química crônica. Mecanismo: Células-tronco respiratórias: • → alteram fatores de diferenciação • → mudam o projeto celular. Adaptação Substituição por: epitélio escamoso estratificado Vantagem: • → tecido mais resistente à fumaça. Desvantagem: • → não possui cílios. Manifestação Acúmulo de muco → tosse crônica + alto risco de infecções. Esôfago de Barrett ⤷ Estado fisiológico O esôfago possui: epitélio escamoso • → suporta o atrito da comida • → não é adequado para exposição ao ácido. Agente inicial → DRGE — Doença do Refluxo Gastroesofágico • → exposição repetida ao ácido clorídrico. Mecanismo: Citocinas inflamatórias → instruem células-tronco basais → mudança do projeto genético. Adaptação • → formação de epitélio colunar. No Barrett, aparece metaplasia intestinal. Objetivo: • → resistir ao suco gástrico. Preço da adaptação O tecido adaptado: • → ganha instabilidade genética • → torna-se cenário favorável para evolução maligna. Metaplasia × Displasia × Câncer Essa sequência é muito importante: ⤷ Tecido normal Arquitetura celular: • → organizada • → madura. ⤷ Metaplasia • → troca controlada do tipo celular. O tecido novo é mais resistente, mas sua arquitetura ainda está organizada. ⤷ Displasia • → começa a desorganização. Características apresentadas: • perda da uniformidade celular • desorganização da arquitetura • núcleos hipercromáticos. ⤷ Câncer Invasivo • → células rompem a membrana basal. É apresentado como: ponto de não retorno. • Pulmões: fornecem O₂ ao LEC para repor o que é consumido pelas células. ⤷ Feedback negativo ⤷ Relação com a doença A falha na manutenção da homeostasia leva à doença. ⤷ Citoplasma