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19/08/2026 Mecanismos e Lesões Celulares ⤷ Homeostasia É o equilíbrio dinâmico da célula, com: • Estrutura mantida; • Energia distribuída; • Resíduos reciclados. A célula permanece funcionando normalmente enquanto consegue manter esse equilíbrio. ⤷ Processo patológico Agente lesivo → resposta do organismo → doença/colapso. Agentes lesivos ⤷ Agentes exógenos São fatores externos: • Físicos: temperaturas extremas, radiação. • Químicos: toxinas, poluentes, drogas. • Nutricionais: carências nutricionais. ⤷ Agentes endógenos Originam-se de alterações internas: • Patrimônio genético: mutações, falhas cromossômicas e doenças hereditárias que desviam o metabolismo celular. • Resposta imune: reações autoimunes e hipersensibilidade. • Fatores emocionais: estresse sistêmico prolongado, alterando a homeostase hormonal. Linha do tempo do estresse celular Agressão → estresse celular → adaptação → sobrevivência Se a agressão for intensa ou persistente: Agressão → lesão celular → morte celular As formas de morte celular apresentadas são: • Necrose • Apoptose Estruturas e mecanismos envolvidos Membrana citoplasmática Funciona como fronteira seletiva, controlando o que entra e sai da célula. Possui: • Bicamada lipídica; • Glicolipídios; • Glicoproteínas; • Proteínas de canal; • Proteínas integrais. É uma das primeiras estruturas a sofrer os efeitos de estímulos lesivos. Lesão da membrana → alteração do volume celular (tumefação) + perda da homeostasia iônica. Estresse oxidativo e ROS ROS — Espécies Reativas de Oxigênio Exemplos apresentados: • O₂⁻ • H₂O₂ • OH⁻ Podem ser geradas por: • Radiação • Isquemia • Toxinas As ROS possuem elétrons desemparelhados, podendo: • Agredir o DNA; • Oxidar proteínas; • Causar peroxidação lipídica das membranas. Também podem ativar mediadores inflamatórios, contribuindo para inflamação e dano tecidual. Defesas antioxidantes • Endógenas: enzimas reparadoras. • Exógenas: vitaminas da dieta. mTOR Quando funciona normalmente: • Ativa a síntese de proteínas; • Favorece crescimento e fortalecimento celular; • Inibe a autofagia. Quando a célula é agredida: • Interrompe a síntese; • Reduz o ciclo celular; • Inicia a utilização dos próprios recursos. PROTEASSOMA Proteínas danificadas recebem uma marcação de ubiquitina. Ubiquitina → proteassoma → quebra da proteína defeituosa → oligopeptídeos → reutilização na síntese de novas estruturas. LISOSSOMOS ⤷ Fagocitose A célula engloba elementos externos, como: • Bactérias; • Detritos. Depois, ocorre destruição por enzimas ácidas. ⤷ Autofagia A própria célula envolve organelas velhas ou danificadas em autofagossomos, que se fundem ao lisossomo para reciclagem. Diferença importante: • Fagocitose → material externo. • Autofagia → componentes da própria célula. Estresse do retículo endoplasmático ⤷ Problema Acúmulo de proteínas mal dobradas, causado por: • Falta de energia; • Mutações. ⤷ Resposta celular A célula ativa mecanismos de: • Dobramento correto; • Degradação (ERAD). ⤷ UPR — Resposta • Paralisa a tradução normal; • Ativa genes para tentar corrigir o problema. Se o problema não for resolvido Estresse persistente → colapso → apoptose. Mitocôndria Funções destacadas ⤷ Geração de ATP • Fornece energia para o funcionamento das bombas da membrana; • Participa da síntese proteica. ⤷ Regulação do cálcio • Ajuda a regular os níveis de cálcio intracelular. Paradoxo A mitocôndria gera energia, mas também é uma importante fonte de radicais livres, exigindo defesa antioxidante. FALHA MITOCONDRIAL E MORTE CELULAR O evento crítico é a transição da permeabilidade mitocondrial e a perda do potencial de membrana. Caminhos: Queda severa de ATP → incapacidade das funções celulares → colapso acidental → NECROSE Ou Vazamento de citocromo C → sinalização da demolição controlada → APOPTOSE Agressões ao DNA O DNA pode ser lesionado por: • ROS • Substâncias químicas alquilantes • Radiações ionizantes: raios-X • Radiações não ionizantes: UV • Erros espontâneos de replicação Formas de lesão: • Quebra de fita simples; • Quebra de fita dupla; • Mudança de nucleotídeos; • Formação de dímeros. Checkpoint e reparo do DNA Dano no DNA → detecção do dano → proteínas fiscais, como p53, paralisam o ciclo celular. A partir daí: Dano reparável → reparo do DNA → sobrevivência celular Dano irreparável → apoptose A finalidade é evitar a propagação de mutações. Consequências da falha no reparo • Câncer: instabilidade cromossômica e proliferação descontrolada. • Envelhecimento celular: acúmulo progressivo de danos subletais no DNA → senescência. • Doenças genéticas: transmissão hereditária de códigos corrompidos → patologias congênitas. Lesões reversíveis — Degenerações Lesão subletal e reversível, causada por alterações bioquímicas que levam ao acúmulo de substâncias no interior da célula. A alteração morfológica aparece quando os transtornos metabólicos são suficientes para deformar a estrutura celular. ⤷ Regra principal Retirada do estímulo agressor → retorno da célula à homeostasia. Degeneração Acúmulo de substâncias no interior da célula. É apresentada como o tipo mais comum de lesão. ⤷ Alterações macroscópicas • Aumento de peso e volume do órgão; • Cápsula tensa; • Consistência pastosa; • Palidez acentuada, causada pela compressão dos capilares sanguíneos pelas células inchadas. DEGENERAÇÃO HIDRÓPICA É o acúmulo de água no interior das células. ⤷ Macroscopia Órgão normal: • Volume celular preservado; • Cápsula relaxada; • Coloração viva. Degeneração hidrópica: • Aumento de volume e peso; • Cápsula tensa e esticada; • Palidez por compressão dos vasos sanguíneos. Exemplo clínico: fígado nas fases iniciais de hepatite viral aguda. ⤷ Mecanismo passo a passo Falta de ATP → falha da bomba de Na⁺/K⁺ → Na⁺ acumula-se dentro da célula → água acompanha o Na⁺ por osmose → célula incha (tumefação). Se a causa cessar: Água é expulsa → célula retorna ao normal. DEGENERAÇÃO HIALINA Acúmulo intracelular de material proteico amorfo. Pode ocorrer por: • Falha na excreção; • Proteínas mal dobradas; • Produção excessiva. Forma uma massa amorfa que coalesce no citoplasma. ⤷ Aspecto microscópico Material: • Vítreo; • Homogêneo; • Intensamente rosado (eosinofílico). ⚠️ Importante: hialina não é uma substância específica; é um aspecto morfológico comum a diferentes lesões. ⤷ CORPÚSCULOS DE MALLORY Relacionados ao estresse oxidativo pelo álcool. ⤷ Mecanismo Estresse oxidativo prolongado → desorganização dos filamentos do citoesqueleto (queratina) → colapso → massas densas, irregulares e emaranhadas próximas ao núcleo. ⤷ Cenário clínico Achado clássico em biópsias de pacientes com toxicidade crônica pelo etanol, na hepatite alcoólica crônica. ⤷ CORPÚSCULOS DE RUSSELL Ocorrem exclusivamente em plasmócitos. ⤷ Mecanismo Produção massiva e contínua de anticorpos → retículo endoplasmático muito engurgitado → condensação em grandes inclusões globulares. ⤷ Cenário clínico Encontrados em: • Inflamações crônicas severas; • Pacientes com mieloma múltiplo. DEGENERAÇÃO MUCOIDE ⤷ Mecanismo • Hiperprodução e acúmulo severo de mucina. • Predomina em células mucíparas do trato digestivo e respiratório. • As glicoproteínas absorvem água → formam um gel espesso que extravasa e mata células vizinhas. ⤷ Exemplos clínicos • Enterite catarral crônica; • Adenocarcinomas gástricos/intestinais. ⤷ Aspecto Gelatinoso e brilhante. Esteatose — degeneração gordurosa Acúmulo anormal de gorduras neutras (triglicerídeos) em células que normalmente não armazenam gordura, principalmente: • Fígado; • Coração; • Rins. É reversível se a causa for cessada. ⤷ MecanismoAgressão externa • Toxinas; • Hipóxia; • Distúrbios genéticos. Falha metabólica • Dificuldade na oxidação de ácidos graxos; • Bloqueio na exportação de lipoproteínas. ↓ Acúmulo de triglicerídeos ↓ Grandes vesículas no citoplasma → compressão da arquitetura celular. ESTEATOSE HEPÁTICA E ÁLCOOL Causa principal → Ingestão abusiva crônica de etanol. O metabolismo do álcool: consome muito NAD⁺ → gera excesso de NADH. Tríade do colapso hepático 1. Diminuição severa da oxidação dos ácidos graxos. 2. Aumento da síntese de novos triglicerídeos. 3. Bloqueio da exportação das lipoproteínas do interior do fígado. Resultado O fígado torna-se um depósito de gordura. Achado clínico: hepatomegalia (aumento do fígado). Macroscopia da esteatose Comparada ao fígado normal: • Aumento de volume e peso; • Bordas menos finas; • Consistência amolecida; • Coloração amarelada. Microscopia • Grandes vesículas transparentes; • A gordura é dissolvida durante o preparo histológico, deixando grandes espaços claros; • O núcleo é comprimido contra a periferia. Glicogenoses São doenças genéticas que causam acúmulo intracelular maciço de glicogênio. ⤷ Mecanismo → Deficiência de enzimas específicas de degradação → glicogênio fica acumulado em vacúolos → célula não consegue convertê-lo em glicose (energia). Principais órgãos atingidos • Fígado; • Rins; • Músculos esqueléticos; • Coração. Evidência microscópica O glicogênio aparece como massas irregulares roxas escuras entre as fibras musculares pela técnica PAS. DOENÇA DE MCARDLE — GLICOGENOSE TIPO V ⤷ Foco → Fibras musculares esqueléticas. ⤷ Defeito → Ausência da enzima miofosforilase. ⤷ Consequência → Músculo não consegue quebrar seu estoque de glicogênio → não obtém energia suficiente durante o esforço → ATP se esgota rapidamente → ciclo de contração para. ⤷ Clínica • Intolerância severa e rápida ao esforço; • Dores incapacitantes; • Fadiga; • Cãibras rígidas; • Produção de urina escura (mioglobinúria) quando o paciente ultrapassa o limite de dor. Bifurcação da morte celular Quando a célula chega ao ponto de não retorno, a morte dependerá da intensidade da agressão e da quantidade de ATP disponível. ⤷ Apoptose • Ativa; • Programada; • Organizada; • Consome ATP; • Não afeta a vizinhança. ⤷ Necrose • Passiva; • Acidental; • Ocorre sem energia; • Provoca ruptura celular; • Causa intensa reação inflamatória. (APOPTOSE = morte limpa e programada NECROSE = morte passiva, ruptura e inflamação) Apoptose É o suicídio celular programado. ⤷ Mecanismo → É mediada por enzimas efetoras chamadas caspases. Estímulos Fisiológicos: • Renovação do endométrio na menstruação; • Embriogênese. Dano irreparável: • DNA mutado sem conserto; • Infecção viral silenciosa. Características principais • Membrana plasmática permanece intacta até o último momento; • Conteúdo interno da célula não vaza para o meio externo; • Não provoca resposta inflamatória. Necrose É o colapso celular passivo em tecido vivo. Mecanismo • Processo puramente patológico; • Falência das bombas por depleção de ATP; • Ca²⁺ entra na célula; • Enzimas são ativadas de forma indiscriminada; • Ocorre autólise; • O conteúdo celular vaza; • Provoca inflamação intensa no tecido vizinho. Exemplo: úlcera por pressão avançada em pacientes acamados. APOPTOSE × NECROSE Apoptose Necrose Programada Acidental/passiva Consome ATP Ocorre com depleção de ATP Célula diminui Célula aumenta/incha Membrana permanece intacta Membrana rompe Conteúdo é empacotado Conteúdo celular vaza Não causa inflamação Causa inflamação intensa Alterações nucleares da necrose A destruição definitiva do núcleo ocorre em três etapas: ⤷ Picnose • Retração máxima; • Cromatina condensa drasticamente; • Núcleo vira um bloco compacto. ⤷ Cariorrexe • Ruptura da membrana nuclear; • Núcleo picnótico fragmenta-se. ⤷ Cariólise • Ação final das DNases; • Dissolução completa da cromatina; • Perda da basofilia celular. Necrose de coagulação É o tipo mais comum e prevalente de necrose no corpo humano. Causa principal → Isquemia severa → obstrução do fluxo sanguíneo e oxigênio. Mecanismo → A queda do pH intracelular desnatura e inativa as enzimas líticas. Resultado A célula morre, mas a arquitetura geral do tecido permanece preservada por vários dias. As células ficam como “células fantasma” anucleadas. Localização Ocorre em órgãos sólidos, como: • Coração; • Rins; • Baço. Exceção: cérebro. Necrose de liquefação Característica principal Dissolução total da arquitetura tecidual. As enzimas lisossômicas não são inativadas. Enzimas → digestão do tecido → tecido sólido transforma-se em massa líquida e viscosa. Principais situações Infecção bacteriana ou fúngica • Bactérias → recrutamento de leucócitos; • Enzimas dos leucócitos digerem bactérias e tecido morto; • Resultado → pus. Isquemia no sistema nervoso central • Ocorre liquefação do tecido cerebral; • Resulta em amolecimento cerebral (encefalomalácia). Exemplos • Abscesso pulmonar com cavidade purulenta; • Área amolecida/flácida no encéfalo após AVC isquêmico avançado. Necrose caseosa Aspecto macroscópico • Massa central branca/amarelada; • Friável; • Esfarelada; • Semelhante a queijo. Histologia • Arquitetura tecidual obliterada; • Restos de células fragmentadas; • Circundada por granuloma, com células gigantes multinucleadas. Característica clínica Clássica da tuberculose pulmonar, podendo formar cavernas esbranquiçadas. Necrose gomosa Aspecto • Firme; • Opaco; • Textura elástica; • Semelhante a borracha/goma. Histologia Zona necrótica central, elástica, composta por tecido desvitalizado e cercada por reação imunológica periférica. Característica clínica Associada quase exclusivamente às fases tardias (terciárias) da sífilis. Esteatonecrose É a necrose do tecido adiposo, com destruição focal da gordura. Mecanismo Lipases → quebram triglicerídeos → ácidos graxos livres → ligação ao cálcio → precipitado branco calcário. Esse processo é chamado de saponificação. Principal exemplo Pancreatite aguda hemorrágica. Gangrena GANGRENA SECA É uma forma extensa de necrose de coagulação nas extremidades. Mecanismo Fluxo arterial cessa → tecidos desidratam → ressecam → escurecem → aspecto negro/mumificado. É uma espécie de mumificação celular. GANGRENA ÚMIDA É a evolução do quadro seco com infecção bacteriana. Mecanismo Tecido gangrenado → colonização por bactérias → liquefação purulenta. Características: • Pus; • Inchaço; • Odor pútrido forte. Exemplo Pé diabético mal compensado, podendo culminar em amputação. Calcificações patológicas É o acúmulo/precipitação de cálcio em tecidos moles após lesão ou devido ao excesso de cálcio no sangue. Diferente da deposição normal de cálcio na construção de: • Ossos; • Dentes. Calcificação distrófica × metastática CALCIFICAÇÃO DISTRÓFICA • Ocorre em tecidos lesionados, necróticos ou inflamados; • Problema local; • Cálcio no sangue normal; • Exemplo: placas de gordura da aterosclerose endurecidas nas artérias. CALCIFICAÇÃO METASTÁTICA • Ocorre em tecidos previamente normais; • Problema sistêmico; • Cálcio no sangue elevado — hipercalcemia; • Exemplos: nefrocalcinose e depósitos nos pulmões. Litíase É a formação de massas sólidas em cavidades do corpo por precipitação. Mecanismo básico Excesso de substância + baixo nível de líquido → precipitação → cálculo sólido. Regra de nomenclatura Localização + litíase • Trato urinário → urolitíase = cálculos renais. • Vesícula biliar → colelitíase = cálculos biliares. • Glândula salivar → sialolitíase. Mapa dos tipos de necrose ⤷ Coagulação • Desnaturação de proteínas; • Mantémo formato original; • Exemplo: infarto/isquemia. ⤷ Liquefação • Digestão rápida das células; • Tecido vira líquido viscoso; • Exemplos: cérebro e abscessos (pus). ⤷ Caseosa • Aspecto macio, semelhante a queijo esfarelado; • Exemplo: tuberculose. ⤷ Gomosa • Tecido com aspecto elástico, semelhante a borracha; • Exemplo: sífilis. ⤷ Gordurosa / Esteatonecrose • Destruição da gordura por enzimas pancreáticas; • Exemplo: pancreatite aguda. ⤷ Gangrenosa Pode ser: • Seca: desidratada; • Úmida: bactérias/podridão; • Gasosa: associada a Clostridium. • Pulmões: fornecem O₂ ao LEC para repor o que é consumido pelas células. ⤷ Feedback negativo ⤷ Relação com a doença A falha na manutenção da homeostasia leva à doença. ⤷ Citoplasma