Prévia do material em texto
Toxicologia dos alimentos Por que animais podem se intoxicar por alimentos que são seguros para humanos? · Fisiologia diferente; Cão x Gato Alimentos mais tóxicos para cães: · Chocolate; · Café; · Macadâmia; · Alimentos que contenham xilitol; · Cebola; · Alho; · Uva; · Passas; Alimentos mais tóxicos para o gato: · Chocolate; · Cebola; · Alho; · Uva; · Passas; Alho e Cebola · Família Alliaceae; · Allium cepa (cebola); · Allium porrum (alho-poró); · Allium sativum (alho); · Allium schoenoprasum (cebolinha); Causam danos aos eritrócitos – anemia hemolítica, acompanhada pela formação de corpúsculo de Heinz em eritrócitos em cães e gatos, mas também em bovinos, búfalos, ovelhas e equinos. Fonte de intoxicação: · Alimentos com estes produtos (fresco, cozido, seco) – cães e gatos; · Invasão de lavoura – bovinos e equinos; Toxicidade: · Gatos – consumo de 5g/kg de cebola; · Cães – consumo de 15 a 30 g/kg de cebola; · Ingestão de quantidade superior a 0,5% do peso corpóreo; · Ingestão de 600 a 800g em uma única refeição ou fracionada em alguns dias (anemia hemolítica e formação de corpúsculo de Heinz); · Agente tóxico – alilpropil dissulfeto (cebola) alil dissulfeto (alho); Toxicodinâmica: · Formação de metahemoglobina e corpúsculo de Heinz; · Hemólise intravascular e extravascular; · Anemia hemolítica; Sinais clínicos: · Agudo: metahemoglobina grave → cianose e óbito; · Crônico: metahemoglobinemia e formação dos corpúsculos de Heinz → apatia, mucosas hipocoradas, hemoglobinúria, taquicardia, taquipneia, dificuldade para respirar e letargia; Tratamento: · Sintomático e de suporte; · Diminuir absorção; · Anemia hemolítica – transfusão de sangue, fluidoterapia (controle da lesão renal em decorrência da hemoglobinúria), oxigenoterapia e de antioxidantes (N-acetilcisteína, vitamina E, ácido ascórbico); Chocolate, café e chá Metilxantinas: · Cafeína, teobromina, teofilina; · Sementes do cacau (Theobroma cacao) – 1 a 2% de teobromina e 0,05 a 0,3% de cafeína; · Café (sementes da Coffea arábica) – 1 a 2,5% de cafeína e 0,1 a 0,2% de teobromina; · Erva-mate (Ilex paraguaiensis) – 1 a 2,2% de cafeína e traços de teobromina e teofilina; · Nos-de-cola (Cola nítida) – 1,5 a 2,5% de cafeína e traços de teobromina; Toxicocinética: · Absorção ocorre no TGI; · Metabolização ocorre por conjugação no fígado; · Cães apresentam lenta eliminação em comparação às outras espécies animais (meia-vida plasmática de cerca de 17h); · A dose letal 50% (DL50) oral de cafeína para cães é de 140mg/kg e de teobromina é de 250 a 500mg/kg; · A DL50 oral de cafeína para gatos é de 80 a 150mg/kg, porém a intoxicação é menos frequente, a DL50 oral de teobromina para gatos é de 200 mg/kg; Ação das metilxantinas: · Estimulação do sistema nervoso central; · Promoção da diurese; · Contração da musculatura lisa; · Aumento de contratilidade de musculatura esquelética e cardíaca; Sinais clínicos: · Vômito, hematêmese; · Poliúria; · Hiperatividade, vocalização, ataxia; · Taquicardia; · Casos graves – rigidez muscular, taquipneia, hipertermia, convulsões, arritmias cardíacas e morte; · Pancreatite em animais suscetíveis (elevado teor de gordura do chocolate); Tratamento: · Sintomático e suporte; · Diminuir absorção – carvão ativado; · Induzir êmese – uso de antiemético; · Arritmias cardíacas – metoprolol nas taquiarritmias, atropina nas bradiarritmias e lidocaína nas taquiarritmias ventriculares refratárias; · Controle de tremores e/ou convulsões (metocarbamol ou diazepam); · Controle da temperatura e correção do desequilíbrio ácido-base; Uvas e uvas passas · Vitis sp; · Uvas frescas; · Uvas passas; · Uvas cozidas em alimento (bolo, pão, panetone); · Resíduo de usa após prensagem; *Variação individual – animais sem alteração clínica até animais que vem a óbito. *Consumo entre 10 a 57 g/kg de peso corpóreo – insuficiência renal. Toxicodinâmica: · Não identificada; Sinais clínicos: · Entre 6 a 24h após a ingestão; · Êmese, diarreia; · Anorexia, fraqueza; · Dor abdominal; · Desidratação; · Tremores musculares, letargia; · Polidipsia; · Insuficiência renal (oligúria ou anúria) entre 24 a 72h depois da exposição; · Após anúria → óbito; *A urinálise pode revelar proteinúria, glicosúria, hematúria microscópica e raramente cristalúria Tratamento: · Sintomático e suporte; · Mortalidade em torno de 50 a 70%; · Cuidados intensivos – importante! · Diminuição da absorção – carvão ativado; · Indução de êmese; · Fluidoterapia intensa nas primeiras 48h; · Monitoramento da função renal e do balanço eletrolítico nas primeiras 72h após ingestão da fruta; *Alimentos cítricos no geral é melhor evitar Xilitol · Adoçante; · Dose tóxica cães é entre 0,15 a 16g/kg; · Ingestão de produtos contendo xilitol – rápida hipoglicemia desencadeada pela liberação de insulina (cães), podendo levar à morte; · Mecanismo desconhecido; Sinais clínicos: · Êmese; · Depressão, ataxia; · Tremores, convulsões; · Coma em 30 min após a ingestão do xilitol – hipoglicemia; · Petéquias generalizadas; · Equimoses; · Hemorragias do TGI; · Danos hepáticos e morte; Tratamento: · Indução de êmese – quando os sinais clínicos ainda não se manifestaram; · Dieta contendo açúcar ou um suplemento oral de açúcar em cães que ainda não apresentaram sinais clínicos; · Após o aparecimento – glicose intravenosa;