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UNIVERSIDADE FEDERAL DE UBERLÂNDIA FACULDADE DE ENGENHARIA QUÍMICA FÍSICA EXPERIMENTAL 1 INFIS39002-A EXPERIMENTO 3 Movimento Uniformemente Variável Queda Livre Brendon Araújo dos Santos 12211EQU005 Uberlândia 2023 RESUMO Este experimento tem como foco o movimento retilíneo uniformemente variado, mais particularmente, o de queda livre. O estudo foi realizado em laboratório com as devidas medições e cuidados com o objetivo de obter o valor aproximado da aceleração da gravidade no local do experimento. Realizando os devidos cálculos, obteve-se uma aceleração da gravidade g = 14,1 ± 0.2 m/s2 que não é uma boa aproximação do valor esperado. A justificativa desse valor distante é explicada mais adiante. 3 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO E OBJETIVOS ...................................................................................................................................... 4 2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL ............................................................................................................................. 5 2.1 MATERIAIS: .................................................................................................................................................................. 5 2.2 PROCEDIMENTO: ........................................................................................................................................................... 7 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES ..................................................................................................................................... 8 4 CONCLUSÕES ..........................................................................................................................................................12 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................................................................13 4 1 INTRODUÇÃO E OBJETIVOS O movimento retilíneo uniformemente acelerado tem como característica a aceleração constante que implica na variação de velocidade com o passar do tempo. O movimento que mais se aproxima de possuir realmente uma aceleração constante é o de queda livre de um dado corpo que sofre ação da força gravitacional. A queda livre é um assunto estudado desde o século IV a.C., quando Aristóteles voltou suas atenções para a Física. Ele afirmou que a queda dos corpos dependia de sua massa, mas Galileu Galilei, na época da Revolução Científica do século XVII, afirmou que um corpo deveria cair com aceleração constante independentemente de seu peso (SEARS et al, 2008-2009). De fato, experiências mostram que Galileu não estava errado. Desprezando a resistência do ar e considerando uma distância pequena em relação ao raio da terra, os corpos tendem a cair com aceleração constante (SEARS et al, 2008-2009). A equação (1) a seguir é a equação horária da posição de um corpo em queda livre que será usada neste experimento: 𝑋(𝑡) = 1 2 𝑔𝑡2 (1) Sendo Y o deslocamento, g a aceleração da gravidade e t o tempo da trajetória. Sabe-se que a aceleração da gravidade possui um valor aproximado de g = 9,8 m/s2 para casos gerais. Neste experimento, como o tempo será medido, bem como o deslocamento, o objetivo é verificar se a aceleração da gravidade se aproxima do valor esperado no determinado local de realização do experimento. 5 2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL 2.1 Materiais: O experimento foi realizado no Laboratório de Física do INFIS/UFU, em que foi utilizado um sistema que se aproxima para atingir os objetivos de observar as principais características da queda livre por meio das condições que mais se aproximam do conceito. Foi usado nesse experimento: ● Tripé de ferro com sapatas niveladoras; ● Cronometro digital; ● Disparador da esfera metálica (eletroímã); ● Plataforma que paralisava o tempo; ● Uma haste de alumínio com escala milimetrada; ● Esfera de aço. Figura 1: Tripé de Ferro com sapatilhas niveladoras, disparador da esfera metálica. 6 Figura 2: Cronômetro Digital. Figura 3: Haste de alumínio com escala milimetrada, esfera de aço e plataforma que paralisava o tempo. 7 2.2 Procedimento: Para realizar o experimento, foi usada uma esfera de aço, em que ela era colocada em contato com o eletroímã para segurá-la. O tripé de ferro possui uma régua e sensores entre espaços diferentes, o qual foi utilizado para medir a queda em diferentes distâncias. Inicialmente, foi posicionado o disparador na distância de 50mm da plataforma paralisadora de tempo. A esfera é solta e em seguida percorre o tripé até o fim, passando pelos sensores e batendo na plataforma que para o cronômetro digital, cuja incerteza é de 0,0001s. Foram feitas três medidas para cada distância, com o intuito de reduzir os erros aleatórios, ele iniciava em 50 mm ia até 500 mm, foi feita a medição com a variação de 50 em 50 mm. 8 3 RESULTADOS E DISCUSSÕES Para cada altura variando de 50 em 50mm no intervalo de 50 a 500mm (erro instrumental 5mm) mediu-se o tempo de queda da bolinha metálica 3 vezes e calculou-se a média dos tempos para cada altura através da equação 2, o desvio padrão das medidas através da equação 3 e do desvio padrão calculou-se o erro estatístico pela equação 4. Com o erro estatístico e o erro instrumental do cronometro (0,0001s), calculou-se o erro total associado ao tempo pela equação 5. Todos os dados mencionados se encontram na tabela 1. �̅� = ∑ 𝑥𝑖 𝑛 𝑛 𝑖=1 (2) 𝜎 = √ 1 𝑛−1 ∑ (�̅� − 𝑥𝑖)2 𝑛 𝑖=1 (3) Δ𝑥𝑒𝑠𝑡 = 𝜎 √𝑛 (4) Δ𝑥𝑡 = √(Δ𝑥𝑒𝑠𝑡)2 + (Δ𝑥𝑖𝑛𝑠𝑡)2 (5) Tabela 1: Dados coletados experimentalmente do tempo de queda da bolinha em certas alturas assim como a média dos tempos, o desvio padrão das medidas e o erro total de cada tempo. Altura (mm) Tempo 1 (s) Tempo 2 (s) Tempo 3 (s) Tempo Médio (s) Desvio Padrão Erro total 50 0,1224 0,1241 0,1246 0,1237 0,001 0,0007 100 0,1601 0,1602 0,1597 0,1600 0,0003 0,0002 150 0,1887 0,1891 0,1900 0,1893 0,0007 0,0004 200 0,2143 0,2141 0,2145 0,2143 0,0002 0,0002 250 0,2367 0,2371 0,237 0,2369 0,0002 0,0002 300 0,2571 0,2572 0,2578 0,2573 0,0004 0,0002 350 0,2768 0,2768 0,2768 0,2768 0,0000 0,0001 400 0,2949 0,2947 0,2951 0,2949 0,0002 0,0002 450 0,3108 0,3112 0,3116 0,3112 0,0004 0,0003 500 0,3274 0,3269 0,3271 0,3271 0,0003 0,0002 Fonte: Autores. A partir dos dados experimentais obtidos na tabela 1, com o auxílio do software SciDavis plotou-se um gráfico da altura x tempo médio, observado na figura 4. 9 Figura 4: Medidas da posição, tempo e o ajuste linear Fonte: Autores. Como o este experimento trata-se da queda livre da bolinha, é esperado que os dados experimentais obedeçam a equação 1. Pode-se encontrar a gravidade experimental para cada altura isolando-a, de acordo com a equação 6. Como a gravidade padrão é dada pela unidade de metros para a altura converteu-se as alturas para a unidade adequada (erro instrumental em metros 0,01m), os dados obtidos estão disponíveis na tabela 2. 𝑔 = 2𝑋(𝑡) 𝑡2 (6) 10 Tabela 2: Alturas em metros, tempo médio e gravidade experimental associada. Altura (m) Tempo Médio (s) Gravidade (ms-2) 0,05 0,1237 6,53 0,10 0,1600 7,81 0,15 0,1893 8,37 0,20 0,2143 8,71 0,25 0,2369 8,91 0,30 0,2573 9,06 0,35 0,2768 9,14 0,40 0,2949 9,20 0,45 0,3112 9,29 0,50 0,3271 9,34 Fonte: Autores. Com estes valores obtidos para a gravidade experimental em cada altura percebe-se uma variação grande entre os valores experimentais, variação esta que tende a diminuir conforme a altura aumenta. Entretanto, não é possível, a partir destes dados isolados,comparar se a gravidade obtida experimentalmente com a gravidade teórica de aproximadamente 9,8 ms-2, portanto, faz-se necessária a linearização dos dados, aplicando a função logarítmica na equação 5, obtendo assim a equação 7. Os dados da linearização da altura e tempo estão disponíveis na tabela 3 assim como seus erros associados. ln 𝑋 = ln 𝑔 2 + 2ln 𝑡 (7) Tabela 3: Dados da linearização da altura ln(X) e do tempo ln(T) e seus erros. Ln(X) (m) Erro do ln(X) Ln(T) (s) Erro do ln(T) -2,996 0,2 -2,090 0,005 -2,303 0,1 -1,833 0,001 -1,897 0,07 -1,665 0,002 -1,609 0,05 -1,5404 0,0007 -1,386 0,04 -1,4400 0,0007 -1,204 0,03 -1,3573 0,0009 -1,050 0,03 -1,2845 0,0004 -0,916 0,03 -1,2211 0,0005 -0,799 0,02 -1,1673 0,0008 -0,693 0,02 -1,1174 0,0005 Fonte: Autores. 11 A partir dos dados linearizados, plotou-se, com auxílio do software SciDavis, um gráfico de Ln(X) (altura) x Ln(t) (tempo médio) conforme a figura 5. Figura 2: Gráfico da linearização dos dados experimentais. Fonte: Autores. O valor obtido para o coeficiente R da reta foi de 0,99959, um valor próximo do valor ideal para uma reta (R=1), indicando uma boa linearização dos dados, o coeficiente angular (a) encontrado foi de 2,33 ± 0,04 e o coeficiente linear (b) foi de 1,95 ± 0,06. Associando a equação 7 com a equação geral da reta tem-se que ln(g/2) é equivalente ao coeficiente linear da reta linearizada, logo, para obter o valor da gravidade neste conjunto de dados igualou-se os dados equivalentes e aplicou-se a função exponencial na igualdade, conforme a equação 8. 𝑏 = ln 𝑔 2 → 𝑒𝑏 = 𝑔 2 → 𝑔 = 2𝑒𝑏 (8) Após a realização dos cálculos, obteve-se o valor para a gravidade de 14,1±0,2 ms-2. O valor obtido experimentalmente se distancia muito do valor teórico de 9,8ms-2, esta diferença pode ser 12 explicada pela propagação dos erros durante as medições, como a linearização é calculada a partir de todos as medidas, problemas na realização de uma medição podem interferir no valor final. 4 CONCLUSÕES Neste relatório, apresentamos o experimento de queda livre de uma bolinha de metal em alturas em um intervalo de 0,05 a 0,50m, com o objetivo de encontrar a gravidade experimental dos dados, com o auxílio de gráficos e ferramentas matemáticas para a linearização dos dados obtidos, e comparar com o valor teórico de ~9,8ms-2. Através da técnica de linearização por logaritmo, obtivemos o valor de 14,1±0,2 ms-2 para a gravidade, valor este acima do esperado, sendo tal discrepância explicada pelas condições não ideais das medições, possibilitando propagação de erro entre cada análise. Portanto, pode-se concluir que, em condições com minimização de erros, é possível extrair o valor da gravidade através da coleta e análise de dados de um objeto em queda livre. 13 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS IWAMOTO, W. A. et al. Guias e roteiros para Laboratório de Física Experimental 1. Uberlândia: UFU, 2014. Disponível em: http://www.infis.ufu.br/images/users/labdidaticos/Lab_Mecanica/Lab1.pdf. Acesso em: 23 mar. 2021. SciDAVis: http://scidavis.sourceforge.net/ SEARS, Francis Weston; ZEMANSKY, Mark Waldo; YOUNG, Hugh D.; FREEDMAN, Roger A. Física I. 12. ed. São Paulo, SP: Pearson Addison Wesley, c2008-2009 vol 4; http://www.infis.ufu.br/images/users/labdidaticos/Lab_Mecanica/Lab1.pdf http://scidavis.sourceforge.net/