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Atualização em Primeiros Socorros 2 www.eduhot.com.br SUMÁRIO ASPECTOS LEGAIS DO ATENDIMENTO DE URGÊNCIA ................................... 5 ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR ................................................................... 11 EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL ................................................ 14 CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS .................................................................. 16 AVALIAÇÃO DA CENA ....................................................................................... 17 CINEMÁTICA DO TRAUMA ................................................................................ 20 AVALIAÇÃO PRIMÁRIA ...................................................................................... 27 HEMORRAGIA .................................................................................................... 30 AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA................................................................................ 43 SUPORTE BÁSICO DE VIDA .............................................................................. 52 RESSUSCITAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA E CEREBRAL .......................... 55 SINAIS VITAIS ..................................................................................................... 68 TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO ............................................................. 72 DESMAIO............................................................................................................. 75 ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO .............................................................. 77 Vítima em pé: ...................................................................................................... 85 ASFIXIA ............................................................................................................... 88 INTOXICAÇÕES .................................................................................................. 91 TRAUMA DE TÓRAX .......................................................................................... 95 TRAUMA ABDÔMINAL ....................................................................................... 99 FERIMENTOS POR ANIMAIS PEÇONHENTOS ............................................... 101 TRAUMA OCULAR ............................................................................................ 108 Atualização em Primeiros Socorros 3 www.eduhot.com.br AFOGAMENTOS ............................................................................................... 110 CONVULSÕES .................................................................................................. 113 EMERGÊNCIAS CAUSADAS PELO CALOR EXCESSIVO .............................. 120 QUEIMADURAS ................................................................................................ 122 FRATURAS ........................................................................................................ 126 CORPOS ESTRANHOS ..................................................................................... 131 REFERÊNCIAS .................................................................................................. 136 CONCEITOS BÁSICOS EM PRIMEIROS SOCORROS Podemos definir primeiros socorros como sendo os cuidados imediatos que devem ser prestados rapidamente a uma pessoa, vítima de acidentes ou de mal súbito, cujo estado físico põe em perigo a sua vida, com o fim de manter as funções Atualização em Primeiros Socorros 4 www.eduhot.com.br vitais e evitar o agravamento de suas condições, aplicando medidas e procedimentos até a chegada de assistência qualificada. Como o próprio nome se refere, são os procedimentos de emergência que devem ser aplicados a uma pessoa em risco de vida, com o objetivo de manter os sinais vitais e evitar o agravamento, até que ela receba assistência definitiva. Podemos ainda considerar como uma série de procedimentos simples com o intuito de salvar e manter vidas em situações de urgência e emergência, realizadas por pessoas comuns com esses conhecimentos, até a chegada de atendimento médico especializado. Diversas situações podem necessitar de primeiros socorros. As situações mais comuns que observamos no dia a dia são: ➢ Acidentes automobilísticos; ➢ Atropelamentos; ➢ Incêndios; ➢ Aglomeração de pessoas; ➢ Afogamentos; ➢ Catástrofes naturais; ➢ Acidentes em indústrias; ➢ Emergências clínicas, como infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral; ➢ Ataques epilépticos; ➢ Convulsões. O profissional de saúde deve estar atento a todos os sinais e sintomas apresentados pela vítima e estar preparado para prestar atendimento de qualidade. Se a vítima estiver consciente o socorrista deve: ➢ Apresentar-se, dizendo seu nome e que está lá para ajudar a socorrer; ➢ Indagar se pode ajudá-la (obtenha o consentimento). ➢ Questionar sobre o ocorrido; ➢ Questionar a sua queixa principal; ➢ Informar que vai examiná-la e a importância de fazê-lo. Caso a vítima esteja inconsciente: ➢ Fazer abertura das vias aéreas, por uma das manobras: · Manobra de elevação da mandíbula e tração do queixo (Jaw-Thrust); Atualização em Primeiros Socorros 5 www.eduhot.com.br · Manobra de extensão da cabeça, nos casos em que não há suspeita de trauma de coluna cervical (Chin-Lift); ➢ Fazer aspiração, caso haja vômito ou sangue nas vias aéreas; Identificando que a vítima necessita de cuidados especializados deve-se entrar em contato com o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) - 192, o Corpo de Bombeiros - 193 ou a Polícia - 190. Não se esquecer de informar o local correto da ocorrência, o número de vítimas e as condições destas vítimas. ASPECTOS LEGAIS DO ATENDIMENTO DE URGÊNCIA Quando falamos em aspectos legais do atendimento de urgência não podemos deixar de citar o artigo 135 do Código Penal Brasileiro - Decreto -Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, que trata da omissão de socorro: Art.135: Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, em desamparo ou em grave e iminente perigo; não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública. Manobra Chin-Lift (extensão da cabeça) Fonte: Kathy Mak, 2004 Manobra Jaw-Thrust (elevação de mandíbula e queixo) Fonte: Janet Fong, 2011 Atualização em Primeiros Socorros 6 www.eduhot.com.br Pena - detenção de 1 (um) a 6 (seis) meses, ou multa. Parágrafo único: A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta em morte. Só o fato de chamar o socorro especializado, nos casos em que a pessoa não possui um treinamento específico ou não se sente confiante para atuar, já descaracteriza a ocorrência de omissão de socorro. A omissão de socorro é caracterizada quando o agente: “Deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública.” Dessa forma a lei obriga a todo o indivíduo que vive em sociedade o dever de, em certos casos, desde que não ponha o indivíduo sob risco pessoal, prestar assistência a pessoas que dela necessitam através do dever de solidariedade imposto a todos. É importante saber também que a vítima pode se recusar a receber o atendimento, portanto nestes casos o socorrista deve respeitar a vontade da vítima. Quando o paciente é adulto, esse direito existe quando ele estiver consciente e com clareza de pensamento. Essa situação pode ocorrer por vários motivos, tais como crenças religiosas ou até mesmo falta de confiança no socorrista que for realizar o atendimento.Nestes casos, a vítima não pode ser forçada a receber os primeiros socorros, devendo assim certificar-se de que o socorro especializado foi solicitado e continuar monitorando a vítima, enquanto tenta ganhar a sua confiança por meio do diálogo. Caso a vítima não possa falar em decorrência do acidente, como um trauma na boca, por exemplo, mas consegue demonstrar por meio de sinais que não aceita o atendimento, fazendo uma negativa com a cabeça ou empurrando a mão do socorrista, é importante proceder da seguinte forma: ➢ Nunca discuta com a vítima; ➢ Nunca questione suas razões, principalmente se elas forem baseadas em crenças religiosas; ➢ Não toque na vítima, isto poderá ser considerado como violação dos seus direitos; Atualização em Primeiros Socorros 7 www.eduhot.com.br ➢ Tente conversar com a vítima, informando a ela que você sabe realizar o atendimento em primeiros socorros, que irá respeitar o direito dela de recusar o atendimento, mas que você é treinado e pode prestar uma assistência de qualidade, enquanto o atendimento médico especializado não chega; ➢ É importante que testemunhas provem que o atendimento foi recusado por parte da vítima, portanto você pode reunir os dados destas testemunhas. Quando a vítima for uma criança, a recusa do atendimento pode ser feita pelo pai, pela mãe ou pelo responsável legal. Se a criança é retirada do local do acidente antes da chegada do socorro especializado, o prestador de socorro deverá, se possível, arrolar testemunhas que comprovem o fato. O consentimento da vítima para que se possa realizar o atendimento de primeiros socorros pode ser formal, quando esta fala ou sinaliza que concorda com o atendimento e após o socorrista ter se identificado e informado à vítima de que possui treinamento específico em primeiros socorros. Pode ser também implícito quando esta vítima estiver inconsciente, confusa ou ferida gravemente, a ponto de não poder falar ou sinalizar consentindo com o atendimento. A legislação nesses casos conclui que a vítima daria o consentimento, caso tivesse condições de expressar o seu desejo de receber o atendimento de primeiros socorros. O consentimento implícito pode ser adotado também nos casos de acidentes envolvendo menores desacompanhados dos pais ou responsáveis legais. Do mesmo modo, a legislação conclui que o consentimento seria dado pelos pais ou responsáveis, caso estivessem presentes no local. NORMATIZAÇÃO E REGULAMENTAÇÃO DO SAMU O Atendimento Pré-Hospitalar no Brasil surgiu sem muito sucesso, mas hoje é considerado um serviço primordial e tem demonstrado importantes resultados para a sociedade. A Portaria nº 2048/MS, em 5 de novembro de 2002, normatiza a implantação do SAMU e considera que a área de Urgência e Emergência constitui-se em um importante componente da assistência à saúde. E, de acordo com o § 2º, este regulamento é de caráter nacional, devendo ser Atualização em Primeiros Socorros 8 www.eduhot.com.br utilizado pelas Secretarias de Saúde dos Estados, do Distrito Federal e dos municípios na implantação dos Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência, com ou sem vínculo com a prestação de serviços aos usuários do Sistema Único de Saúde. http://www.esmeraldanoticias.com.br/wp-content/uploads/2011/06/samu.jpg Como descreve a Portaria citada acima, a área de urgência e emergência constitui-se em um importante componente da assistência à saúde. A expansão de serviços nesta área nos últimos anos tem contribuído decisivamente para a sobrecarga dos serviços de urgência e emergência disponibilizados para o atendimento da população, conforme ressalta o Ministério da Saúde. O Ministério da Saúde, ciente dos problemas existentes e em parcerias com as Secretarias de Saúde dos estados e municípios, tem contribuído para reversão deste quadro amplamente desfavorável à assistência da população. O sistema estadual de urgência e emergência deve se estruturar a partir da leitura ordenada das necessidades sociais em saúde e sob o imperativo das necessidades humanas nas urgências. O diagnóstico dessas necessidades deve ser feito a partir da observação e da avaliação dos territórios sociais com seus diferentes grupos humanos, da utilização de dados de morbidade e mortalidade disponíveis e da observação das doenças emergentes. Para sanar a necessidade do atendimento emergencial foi implantado pelo governo federal o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU-192), um serviço de socorro pré-hospitalar móvel que chega rapidamente às pessoas, em qualquer http://www.esmeraldanoticias.com.br/wp-content/uploads/2011/06/samu.jpg Atualização em Primeiros Socorros 9 www.eduhot.com.br lugar para atender qualquer problema de saúde urgente que possa levar ao sofrimento ou até mesmo à morte. São feitos atendimentos por equipes de profissionais de saúde, que recebem as chamadas gratuitas, feitas pelo telefone, e como resposta envia uma ambulância, com técnico de enfermagem ou com enfermeiro e médico, ou mesmo uma simples orientação. O Ministério da Saúde considera como nível pré-hospitalar, na área de urgência e emergência, aquele atendimento que procura chegar à vítima nos primeiros minutos. Após ter ocorrido o agravo à saúde, agravo este que possa levar à deficiência física ou mesmo à morte, sendo necessário, portanto, prestar-lhe atendimento adequado e transporte a um hospital devidamente hierarquizado e integrado ao Sistema Único de Saúde. A equipe de atendimento pré-hospitalar realiza os seguintes procedimentos: ➢ Reanimação cardiorrespiratória; ➢ Oxigenoterapia; ➢ Contenção de hemorragias; ➢ Imobilizações; ➢ Intubação orotraqueal; ➢ Punção venosa com reposição de volume e medicação; ➢ Transporte de pacientes. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) deve ser composto por uma equipe multiprofissional oriundos da área de saúde, sendo o coordenador do serviço, responsável médico, o responsável de enfermagem um enfermeiro, médicos reguladores, médicos intervencionistas, enfermeiros assistenciais, auxiliares e técnicos de enfermagem. Além dessa equipe de saúde, em situações de atendimento às urgências relacionadas com as causas externas ou de pacientes em locais de difícil acesso, deverá haver uma ação integrada com outros profissionais, como bombeiros militares, policiais militares e rodoviários, entre outros. Essa equipe deve trabalhar em conjunto, em busca de um só objetivo, ou seja, o atendimento sistematizado, dinâmico e com qualidade ao cliente e a sua família. A portaria 824/99, adaptada pelo Ministério da Saúde, define que o sistema de Atualização em Primeiros Socorros 10 www.eduhot.com.br atendimento pré-hospitalar é um serviço médico, sua coordenação, regulação e supervisão direta é a distância e deve ser efetuada unicamente por médico, tem na Central de Regulação Médica o elemento ordenado e orientador da atenção pré- hospitalar, sendo o médico regulador o responsável pela decisão técnica em torno dos pedidos de socorro e decisão gestora dos meios disponíveis. Diversos pontos de interesse no atendimento pré-hospitalar são discutidos por organizações médicas, como por exemplo, a Sociedade Brasileira de Cardiologia, que desde julho de 1999 define as “Diretrizes sobre o Tratamento de Infarto Agudo do Miocárdio”. E, ainda, aborda em parte o atendimento pré-hospitalar no infarto agudo do miocárdio, demonstrando que um melhor preparo das equipes de atendimento pré- hospitalar, a eficiência dos treinamentos, o uso de algumas drogas, a assistência via telefonia, colocação rápida da ambulância junto à vítima e a conscientização da população possivelmente reduzirão os números de óbito por mal súbito. ASPECTOS HISTÓRICOS DO ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR Em 1792, houve a primeira tentativa de organização de auxílio médico de urgência, realizada pelo médico cirurgiãoDominique Larrey. Esses cuidados eram realizados com vítimas de guerras no período de Napoleão, ainda no campo de batalha, com o objetivo de prevenir complicações. Com base nessas informações podemos considerar que as guerras contribuíram de forma benéfica para o desenvolvimento do atendimento pré- hospitalar. Na prática civil, os médicos demoraram a se mobilizar, mesmo com o aumento crescente e progressivo das perdas de vidas humanas por traumas originados de acidentes automobilísticos. Essa demora fez com que as autoridades sanitárias delegassem essas atividades aos profissionais responsáveis pelos resgates, principalmente os soldados do Corpo de Bombeiros. Em 1955, na França, foram criadas as primeiras equipes móveis de reanimação, com a obrigação inicial de prestar assistência médica a vítimas de acidentes de trânsito e a manutenção da vida das vítimas submetidas a transferências entre as unidades hospitalares. O SAMU francês iniciou-se por volta da década de 60, quando os médicos Atualização em Primeiros Socorros 11 www.eduhot.com.br começaram a detectar que havia uma desproporção considerável entre os meios disponíveis para tratar vítimas nos hospitais e os meios ultrapassados que eram utilizados no atendimento pré- hospitalar. Dessa forma, constatou-se a necessidade da realização de um treinamento específico para as equipes de resgate e a importância da presença e atuação do médico no local da ocorrência, com o objetivo de aumentar as chances de sobrevivência das vítimas, iniciando imediatamente os cuidados básico e avançado, restaurando a ventilação, respiração e circulação das vítimas. No ano de 1965, foram criados oficialmente os Serviços Móveis de Urgência e Emergência (SMUR) e, em 1968, foi criado o SAMU com o objetivo de controlar as atividades do SMUR. No Brasil, o SAMU teve início por meio de um acordo assinado entre os governos brasileiro e francês, por meio de uma solicitação do Ministério da Saúde, quando se optou pelo modelo de atendimento francês, em que as viaturas de suporte avançado possuem obrigatoriamente a participação do médico, diferente do modelo americano em que as atividades de resgate são exercidas primariamente por paramédicos. ATENDIMENTO PRÉ-HOSPITALAR O atendimento pré-hospitalar (APH) é aquele atendimento emergencial prestado a vítimas no ambiente externo ao hospital. Pertence a um dos elos da cadeia de atendimento a vítimas sendo também conhecida como segundo socorro ou resgate. https://dezemergencias.com.br/cadeia-de-sobrevivencia-os-elos-do-suporte-da-vida/ O atendimento pré-hospitalar é destinado às vítimas de trauma, violência urbana, mal súbito e distúrbios psiquiátricos visando a sua estabilização clínica e remoção para uma unidade hospitalar adequada. Este atendimento é realizado por profissionais de saúde treinados, como socorristas, técnicos de enfermagem, https://dezemergencias.com.br/cadeia-de-sobrevivencia-os-elos-do-suporte-da-vida/ Atualização em Primeiros Socorros 12 www.eduhot.com.br enfermeiros e médicos. No Brasil, os serviços de atendimento pré-hospitalar são realizados por: Corpo de Bombeiros dos estados, Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ou por profissionais treinados de empresas particulares. Compreende a prestação do suporte básico ou avançado à vida, realizado fora do ambiente hospitalar, para vítimas de traumas ou emergências médicas. Esse atendimento deverá ser realizado por pessoal capacitado e habilitado para tal. O objetivo do APH é iniciar a avaliação e o tratamento das vítimas o mais precocemente possível, garantindo a elas sua estabilização e seu transporte seguro e rápido até um local onde possam receber tratamento definitivo. Os objetivos das manobras de salvamento são retirar a vítima de uma situação hostil, como por exemplo, um incêndio, um ambiente confinado realizando a remoção da mesma para uma área adequada possibilitando o atendimento de suporte básico de vida (SBV) ou do suporte avançado de vida (SAV). Há diversos protocolos e modelos de atendimento pré-hospitalar, onde podemos destacar o Protocolo Norte-Americano e o Protocolo Francês. No Protocolo Norte-Americano aplica-se o conceito de chegar à vítima no menor tempo possível, realizar manobras essenciais para estabilizá-la e removê-la o mais rápido possível a um hospital adequado. No protocolo Francês adota-se o princípio de ofertar o atendimento médico no local até a estabilização da vítima. Atualmente no Brasil, o sistema adotado é o misto, em que se estabeleceram unidades de suporte básico, que são tripuladas por socorristas treinados em atendimento pré-hospitalar e por unidades de suporte avançado, com a presença do médico. A emergência ocorre quando há uma situação crítica ou algo iminente com a ocorrência de perigo, ou seja, um incidente ou imprevisto. Considerando a área médica, é uma situação que exige uma intervenção médica imediatamente. A urgência é quando existe uma situação que não pode ser adiada, mas que deve ser resolvida rapidamente, pois se houver uma demora, haverá para a vítima um risco de morte. Na medicina, estas situações necessitam de um tratamento médico com um caráter menor que a emergência, ou seja, menos imediatista. O SOCORRISTA Atualização em Primeiros Socorros 13 www.eduhot.com.br Socorrista é a pessoa tecnicamente capacitada e habilitada para, com segurança, avaliar e identificar problemas que comprometam a vida. Cabe ao socorrista prestar o adequado socorro pré-hospitalar e o transporte do paciente sem agravar as lesões já existentes. É geralmente a primeira pessoa treinada a entrar em contato com o paciente. Nos Estados Unidos foi criado um programa de treinamento de socorristas, onde centenas de pessoas completaram os cursos formais e auxiliam na assistência às emergências e à manutenção da vida. Em quase todas as regiões dos EUA, os socorristas tornaram-se parte importante do sistema de saúde e os cuidados, por eles prestados, reduziram o sofrimento, diminuíram sequelas adicionais e salvaram muitas vidas. No Brasil, existem diversos cursos de primeiros socorros para treinamento de socorristas, realizados tanto por instituições privadas quanto públicas. Atribuições e Responsabilidades dos Socorristas A principal atribuição do socorrista no local da emergência, é com relação à própria segurança, pois o desejo de ajudar as pessoas que têm necessidade de atendimento pode favorecer o esquecimento dos riscos no local. O socorrista deve ter e permanecer em segurança enquanto presta o atendimento a vítima. Parte das preocupações do socorrista com a sua segurança, está relacionada com a própria proteção. Ao avaliar ou prestar atendimento a vítimas, deve evitar contato direto com o sangue do paciente, fluidos corpóreos, mucosas, ferimentos e http://www.fiocruz.br/ccs/media/cpqam_samu2.jpg http://www.fiocruz.br/ccs/media/cpqam_samu2.jpg Atualização em Primeiros Socorros 14 www.eduhot.com.br queimaduras. O socorrista tem quatro deveres relacionados aos pacientes, que devem ser cumpridos no local da emergência. Estes deveres são: ➢ Ter acesso ao paciente, com segurança e utilizando instrumentos manuais, quando necessário; ➢ Identificar o que está errado com o paciente e providenciar a assistência de emergência necessária; ➢ Elevar ou mobilizar o paciente apenas quando for preciso e realizar tal procedimento sem ocasionar lesões adicionais; ➢ Transferir o paciente e as informações pertinentes para os profissionais do serviço de emergência. As responsabilidades do socorrista no local da emergência incluem o cumprimento das seguintes atividades: ➢ Garantir a sua própria segurança, a segurança do paciente e a segurança dos demais envolvidos (testemunhas, familiares, curiosos, etc.); ➢ Usar equipamento de proteção individual;➢ Controlar a cena e lograr acesso seguro até o paciente; ➢ Proporcionar atendimento pré-hospitalar imediato; ➢ Solicitar, caso seja necessário, ajuda especializada, por exemplo: Polícia Militar, Guarda Municipal, Polícia Rodoviária Federal, Companhia de Água, Celesc, Samu, Defesa Civil; ➢ Não causar dano adicional ao paciente; ➢ Conduzir adequadamente o paciente até um hospital; ➢ Transferir o paciente para a equipe médica e registrar a ocorrência. EQUIPAMENTOS DE PROTEÇÃO INDIVIDUAL EPIs (Equipamentos de Proteção Individuais) são equipamentos destinados à proteção da integridade física do socorrista, durante a realização de atividades onde possam existir riscos potenciais à sua pessoa. O crescente número de vítimas que apresentam infecção pelo vírus da imunodeficiência humana aumenta o risco do socorrista ao se expor a sangue e outras secreções orgânicas procedentes de acidentados infectados. Os socorristas devem considerar potencialmente infectadas todas as vítimas Atualização em Primeiros Socorros 15 www.eduhot.com.br que ele atender. Por isso, deve empregar durante todo o socorro as regras de segurança individual, ou seja, as precauções universais para minimizarem os riscos de exposição. No atendimento pré-hospitalar, equipamento de proteção individual é definido como um dispositivo destinado à proteção da integridade física do socorrista, durante a realização de atividades que possam oferecer riscos potenciais a sua pessoa. Os principais equipamentos de proteção individual são: ➢ Luvas decartáveis; ➢ Máscaras ou protetores faciais; ➢ Óculos de proteção; ➢ Máscaras de RCP de bolso; ➢ Colete reflexivo; ➢ Avental (opcional). Além dos equipamentos de proteção individual, o socorrista deve preparar também materiais básicos de atendimento, que devem ser limpos e higienizados a cada atendimento, pois podem transmitir doenças entre os pacientes. São eles: ➢ Tesoura ponta romba; ➢ Esfigmomanômetro; ➢ Estetoscópio; ➢ Lanterna pupilar; ➢ Colar cervical; ➢ Prancha rígida; ➢ Talas de imobiização; ➢ Cilindro de O2; ➢ DEA; ➢ Relógio; ➢ Caneta; ➢ Bloco de anotações, entre outros. Recomenda-se no atendimento inicial, que o socorrista execute rotinas de segurança, dentre as quais podemos destacar: ➢ Use sempre os equipamentos de proteção individual; ➢ Cheque constantemente as condições de funcionamento de seus Atualização em Primeiros Socorros 16 www.eduhot.com.br materiais de trabalho; ➢ Higienize todos os equipamentos de proteção individual e materiais básicos após seu uso, para evitar a contaminação; ➢ Antes e após cada atendimento, lave bem as mãos com água e sabão. CAIXA DE PRIMEIROS SOCORROS A caixa de primeiros socorros deve estar sempre completa e acessível para o socorrista ou para a pessoa que prestará a assistência. Precisa conter materiais que sejam para curativos de emergência, portanto, após os cuidados imediatos, procure orientação médica. A caixa de primeiros socorros pode ser necessária em casa, durante as férias, durante uma excursão ou acampamento. Portanto, o conteúdo deve ser mantido em uma caixa pequena, que seja portátil. Geralmente não se incluem medicamentos. A caixa deve conter o seguinte: ➢ Fitas adesivas; ➢ Almofadinhas de gaze estéril comum e do tipo sem adesivo; ➢ Faixas especiais para estancar ferimentos leves; ➢ Sabão, uma barra pequena, para limpar as feridas; ➢ Toalhinhas ou compressas com álcool; ➢ Faixa elástica; ➢ Faixa triangular; ➢ Agulha e pinça; ➢ Tesouras pequenas. Outros objetos úteis nas excursões ou acampamentos: ➢ Bússola; ➢ Apito; ➢ Lanterna; ➢ Fósforos. Em situações especiais, caso o socorrista tenha conhecimentos, alguns medicamentos podem ser guardados na caixa de primeiros socorros, são eles: ➢ Analgésicos; Atualização em Primeiros Socorros 17 www.eduhot.com.br ➢ Anti-inflamatórios; ➢ Antitérmicos; ➢ Antialérgicos; ➢ Colírio; ➢ Remédios para náuseas e vômitos. http://www.carajas.com/wiki/images/a/a2/Embox.jpg> AVALIAÇÃO DA CENA Nesta fase tem uma série de atribuições que a equipe tem antes de ter o contato direto com o paciente, portanto, antecede o início da abordagem e das intervenções às vítimas envolvidas no evento. O marco principal da avaliação da cena é a segurança, a equipe de socorro deve garantir sua própria condição de segurança, a das vítimas e a dos demais presentes. De nenhuma forma qualquer membro da equipe deve se expor a um risco com chance de se transformar em vítima, o que levaria a deslocar ou dividir recursos de salvamento disponíveis para aquela ocorrência. Devemos sempre avaliar a cena de um acidente, pois assim a abordagem da vítima poderá ser mais eficiente e segura para quem está prestando o socorro, e com isso a vítima terá um atendimento satisfatório. Esse procedimento pode muitas vezes salvar vidas. No primeiro momento,o socorrista deverá ter ideia do contexto geral da situação, pois apenas com uma pré-avaliação do local é que ele pode conhecer o tipo de vítima com que está lidando. O socorrista na sua pré-avaliação deverá classificar a cena de forma simples em: http://www.carajas.com/wiki/images/a/a2/Embox.jpg Atualização em Primeiros Socorros 18 www.eduhot.com.br ➢ Emergência clínica: Infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, mal súbito ou outras afecções clínicas. ➢ Trauma: Acidentes automobilísticos, fraturas, quedas, queimaduras, etc. http://rmtonline.globo.com/banco_imagens_novo/noticias/%7B0485B56F-CCBB-4212- 8698- 25859A854E69%7D_acidente_Chapada_carro_600.jpg A avaliação da cena também é importante para que o socorrista possa dimensionar os riscos potenciais existentes na cena, prevenindo assim a pessoa que for realizar o primeiro atendimento não se torne mais uma vítima da ocorrência. Cinco etapas na fase de avaliação da cena devem ser verificadas, com o objetivo de diminuir os riscos e promover um socorro eficiente até a chegada do socorro especializado.São elas: ➢ Segurança: É necessário avaliar se a cena é segura para que as vítimas possam ser abordadas, e assim procurar tornar o ambiente adequado para o atendimento. Por exemplo, no caso de acidentes automobilísticos, deve-se sinalizar o local evitando assim que ocorra um atropelamento da equipe de resgate. ➢ Cinemática: Verificar como o acidente ocorreu ou no caso de uma emergência clínica verificar o que aconteceu com a vítima, perguntando a ela, se estiver plenamente consciente, ou a pessoas próximas que testemunharam o mal súbito. Caso não consiga colher essas informações iniciais deve-se adotar procedimentos de primeiros socorros. ➢ Bioproteção: Devemos evitar possíveis infecções por meio do contato direto com os fluidos corporais das vítimas, usando equipamentos de proteção individual, como por exemplo, luvas de procedimentos e máscaras. Se não existem equipamentos de proteção individual, devemos abortar os primeiros socorros, http://rmtonline.globo.com/banco_imagens_novo/noticias/%7B0485B56F-CCBB-4212- Atualização em Primeiros Socorros 19 www.eduhot.com.br realizando apenas procedimentos seguros. ➢ Apoio: Devemos procurar auxílio de pessoas próximas da cena, para que estas possamajudarna organização do espaço necessário para o atendimento a vítimas, chamando o socorro médico especializado, orientando o trânsito de veículos, mantendo a ordem e a calma entre as outras pessoas. Se não houver pessoas por perto, o atendimento deve serrealizadocom o máximo de agilidade e tranquilidade. ➢ Triagem: Realizada com o objetivo de calcular a quantidade de vítimas envolvidas na ocorrência e o estado clínico de cada uma. O dimensionamento da cena poderá ser iniciado mesmo antes da chegada da equipe de resgate no local da ocorrência. Os socorristas poderão antecipar as prováveis condições da vítimapor meio das informações repassadas pelocentro de comunicações. É importante que seja repassada à equipe de resgate informações como: ➢ A localização exata da emergência; ➢ A natureza da emergência; ➢ O número de pessoas envolvidas; ➢ A existência de perigos no local da ocorrência. Após identificar os perigos potenciais do local, o socorrista deverá iniciar o gerenciamento dos riscos presentes e o controle destes riscos. Esta tarefa inclui medidas já comentadas anteriormente, mas que são muito importantes, tais como:sinalização do local, isolamento, estabilização de veículos, controle de tráfego, desligamento de cabos elétricos energizados, desligamento de motores automotivos, desativação de sistemas de air bags, remoção de vítimas em situação de risco iminente, entre outros. É importante que o socorrista seja capaz de estabelecer uma associação entre o cenário do acidente e o padrão de lesões produzidas por ele. A capacidade de avaliar o cenário de um acidente, identificando os mecanismos físicos ou as forças que atuaram na produção de lesões, constitui uma habilidade importante para qualquer socorrista, pois propiciará que ele identifique lesões potenciais, associadas ao padrão de transferência de energia em determinadas situações, mesmo que a vítima não apresente sinais externos evidentes de trauma. Atualização em Primeiros Socorros 20 www.eduhot.com.br Para isso, o socorrista deverá conhecer os conceitos básicos da mecânica aplicada ao trauma, ou seja, do processo de avaliação da cena de um acidente para determinar as lesões que provavelmente estão presentes, com base na força e no movimento envolvido no trauma. <http://www.servesisma.com.br/resg.JPG CINEMÁTICA DO TRAUMA A equipe de resgate que atende uma vítima politraumatizada deve ter dois tipos de lesões em mente quando se deparar com a ocorrência. O primeiro tipo de lesão é aquele identificado facilmente no exame físico, permitindo tratamento precoce, como por exemplo, uma hemorragia externa ou uma fratura exposta. O segundo tipo de lesão é aquele identificado como potencial, ou seja, não identificado facilmente no exame físico, mas pode estar presente pelo mecanismo de trauma sofrido pelo paciente. Dependendo do grau de suspeita destas lesões pela equipe de resgate, danos menos aparentes podem passar despercebidos, sendo tratados tardiamente, e trazendo problemas graves e por muitas vezes irreversíveis à vítima. Deste modo, ressalta-se a importância de se conhecer a história do acidente. Quando bem acurada e interpretada pela equipe, tem-se a suspeita de mais de 90% das lesões antes de ter contato direto com o paciente. Podemos dizer que a história no trauma divide-se em três fases: ➢ Pré-impacto: São aqueles eventos que precedem o acidente, tais como ingestão de álcool e/ou drogas, doenças preexistentes da vítima ou idade. Estes http://www.servesisma.com.br/resg.JPG Atualização em Primeiros Socorros 21 www.eduhot.com.br dados terão influência significativa no resultado final da ocorrência. ➢ Impacto: Avalia-se o tipo de evento traumático, como por exemplo, um acidente automobilístico, atropelamento, queda ou perfuração por arma de fogo ou arma branca. Deve-se estimar a quantidade de energia trocada, ou seja, a velocidade do veículo, a altura da queda ou o calibre da arma. ➢ Pós-impacto: Essa fase inicia-se após a vítima ter absorvido a energia do impacto. As informações levantadas nas fases de pré-impacto e impacto são utilizadas para conduzir as ações pré-hospitalares na fase de pós-impacto. A ameaça à vida pode ser rápida ou lenta, dependendo em parte das ações tomadas nesta fase pela equipe de resgate. Por exemplo, as informações coletadas pela equipe de resgate a respeito dos danos externos e internos de um veículo constituem-se em pistas para as lesões sofridas pelos seus ocupantes. Com esta análise, a identificação das lesões de difícil diagnóstico ou aquelas ocultas são facilitadas, permitindo tratamento mais precoce reduzindo-se a morbimortalidade das vítimas. Algumas observações são muito comuns, são fáceis de ser identificadas, tais como: ➢ Deformidades do volante de direção: Sugere um trauma torácico. http://www.tecnocaronline.com.br/img/dicas_feriado-02.jpg http://www.tecnocaronline.com.br/img/dicas_feriado-02.jpg Atualização em Primeiros Socorros 22 www.eduhot.com.br ➢ Quebra com abaulamento circular do para-brisa: Indica o impacto da cabeça, o que sugere lesão cervical e craniana. http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos- aksnc1/6215_106329806877_53662206877_2056170_1867475_n.jpg. ➢ Deformidades baixas do painel do carro: Sugere luxação do joelho, quadril ou fratura de fêmur. http://4.bp.blogspot.com/_FO02u2K5S5Q/SjAK- 8C2fVI/AAAAAAAAAHE/ei7_Vf6jENE/s1600/painel+II.001.jpg ENERGIA E LEIS FÍSICAS Para que possamos entender e interpretar as informações obtidas na cena do acidente faz-se necessário considerar algumas leis da física, como por exemplo, a primeira Lei de Newton, que diz que um corpo em movimento ou em repouso tende a ficar neste estado até que uma energia externa atue sobre ele. Um corpo em movimento, sendo este movimento retilíneo e uniforme, irá continuar no seu movimento, com a mesma velocidade, até que haja uma força que o faça alterar o seu movimento. http://a5.sphotos.ak.fbcdn.net/hphotos- http://4.bp.blogspot.com/_FO02u2K5S5Q/SjAK- Atualização em Primeiros Socorros 23 www.eduhot.com.br Ainda com relação a esta lei podemos acrescentar que a tendência que um objeto tem para resistir a alterações no seu movimento chama-se inércia e que a massa é a propriedade do corpo que nos vai permitir especificar qual é a resistência que este oferece à alteração de seu movimento. É nesta lei que se baseia o princípio dos cintos de segurança, para evitar que num acidente os passageiros sejam projetados para fora do veículo devido à inércia. http://fikolars.pbworks.com/f/colisao_cinto.jpg A Lei da conservação da energia afirma que a energia não é criada ou destruída, mas sim, pode mudar de forma. As formas mais comuns são: ➢ Mecânica; ➢ Térmica; ➢ Elétrica; ➢ Química. A energia cinética é igual à massa multiplicada pelo quadrado da velocidade, dividido por dois. Portanto, a velocidade é o fator gerador de energia cinética mais importanteque a massa, ou seja,a energia trocada em um acidente em alta velocidade é muito maior do que uma em baixa velocidade. Já a diferença da massa dos ocupantes do veículo pouco interfere na energia de colisão. Uma força é igual ao produto da massa pela sua aceleração ou desaceleração. Outro fator que devemos considerar em um acidente é a distância de parada, http://fikolars.pbworks.com/f/colisao_cinto.jpg Atualização em Primeiros Socorros 24 www.eduhot.com.br pois antes da colisão, e o passageiro viajam numa mesma velocidade. Durante o impacto, os dois sofrem uma brusca desaceleração e chegam até a parar. Portanto, quanto maior a distância de parada, menor será a força de desaceleração sobre o veículo e seus passageiros. A compressibilidade do material também exerce influência na distância de parada e consequentemente na força de desaceleração sofrida pelo veículo. Assim que ocorre a compressão do material, há um aumento na distância de parada, absorvendo parte da energia, impedindo que o corpo absorva toda a energia, diminuindo as lesões no mesmo. http://pitstopbrasil.files.wordpress.com/2009/09/bel-air_malibu_7_640x408.jpg CAVITAÇÃO É o deslocamento violento dos tecidos do corpo humano para longe do local do região do impacto leva a uma lesão por compressão tecidual e também a distância, pela expansão da cavidade e estiramento dos tecidos. Este fenômeno gera dois tipos de cavidades ou deformações, são elas: ➢ Cavidade temporária: São formadas no momento do impacto, sendo que os tecidosretornam a sua posição prévia após o impacto. A cavidade temporária pode ser encontrada em traumas fechados e em traumas penetrantes, como por exemplo, ferimento por arma de fogo. Por ser uma cavidade temporária, essa não está visível quando o socorrista examina a vítima, portanto, avaliar as energias envolvidas no evento e correlacionar com possíveis lesões são passos fundamentais na avaliação da biomecânica. http://pitstopbrasil.files.wordpress.com/2009/09/bel-air_malibu_7_640x408.jpg Atualização em Primeiros Socorros 25 www.eduhot.com.br http://0.tqn.com/f/p/440/graphics/images/en/15818.jpg ➢ Cavidade permanente: São causadas pelo impacto e compressão dos tecidos e podem ser vistas após o trauma. A diferença básica entre os dois tipos de cavidades é a elasticidade dos tecidos envolvidos. Quando um motoqueiro bate sua cabeça contra um obstáculogeram-se múltiplas fraturas de crânio, não permitindo o retorno dos ossos às suas posições originais, causando um afundamento de crânio. Isto forma uma cavidade permanente que é facilmente identificável no exame. http://www.chuckhawks.com/energy_transfer_12ga.jpg TRANSFERÊNCIA DE ENERGIA http://0.tqn.com/f/p/440/graphics/images/en/15818.jpg http://www.chuckhawks.com/energy_transfer_12ga.jpg Atualização em Primeiros Socorros 26 www.eduhot.com.br Transferência de energia é a modificação do tipo de energia, como por exemplo, a fricção (energia mecânica) contra algum objeto gera calor (energia térmica), ou também apenas a transferência de energia para um corpo diferente, por meio da primeira lei de Newton. Para avaliarmos melhor a transferência de energia, temos que estudar dois fatores que influenciam em sua transferência, a densidade e a área de superfície. Densidade Quanto mais denso o tecido, maior o número de partículas atingidas, portanto, poderemos encontrar lesões mais extensas. Quanto menor a densidade do tecido, menor o número de partículas atingidas, mas isso não representa diretamente lesões menos extensas, mas menos aparentes. Podemos encontrar tecidos pouco densos, mas com lesões graves, entretanto, com apresentações diferentes. Área de superfície Quando há transferência de energia, tanto para um tecido muito denso quanto para um tecido pouco denso, a área de superfície de impacto é determinante para o tamanho da lesão, contudo, não existirá influência direta na gravidade da lesão. Por exemplo, um ferimento proveniente de uma lâmina em que sua área de contato com a pele não é muito grande. No entanto, a trajetória da lâmina pode lesionar grandes vasos, ocasionando ferimentos com risco de morte. O conhecimento da ocorrência da transferência de energia e de suas variáveis pela equipe de resgate tem grande importância prática. Isto pode ser confirmado quando se compara duas equipes que atendem um motorista que se chocou violentamente contra o volante. A que conhece cinemática do trauma, mesmo não reconhecendo lesões externas, saberá que ocorreu uma cavitação temporária e uma grande desaceleração suspeitando de lesões de órgãos intratorácicos. Com isso, a conduta será mais agressiva, minimizando a morbimortalidade dos pacientes. Já a equipe que não possui estes conhecimentos, não suspeitará de lesões de órgãos intratorácicos, retardando o diagnóstico e conduta das mesmas, influenciando Atualização em Primeiros Socorros 27 www.eduhot.com.br diretamente na sobrevida dos pacientes. AVALIAÇÃO PRIMÁRIA A avaliação primária do paciente é o próximo passo do socorrista após a avaliação do local da emergência. Podemos conceituá-la como sendo um processo ordenado para identificar e corrigir, de imediato, problemas que ameacem a vida a curto prazo. Estes problemas são extremamente graves e não forem imediatamente solucionados podem provocar a morte. O exame primário tem por objetivo identificar e manejar situações que ameaçam a vida desta vítima. Ele é realizado sem movimentar a vítima da sua posição inicial, com exceção dos casos em que haja necessidade de intervir em alguns passos, como por exemplo, na desobstrução das vias aéreas. Para avaliar o nível de consciência devemos chamar a vítima ou dando-lhe um comando vigoroso, em voz alta, tocando-a pelos ombros com cuidado, dizer: "ei, você está bem?", "o que aconteceu?" ou "abra seus olhos!". Se a vítima responder, emitindo som, gemido, pronunciando palavras ou obedecendo ao comando, significa que as vias aéreas estão livres, a respiração e circulação estão presentes. http://2.bp.blogspot.com/_OFTzR8CWOqI/S_wWr4vQ- _I/AAAAAAAAAEE/kQDHbwA66kc/s1600/10.jpg Caso não responda, evidenciando a inconsciência, é necessário solicitar AJUDA de um serviço de atendimento móvel de urgência (SAMU) e um Desfibrilador http://2.bp.blogspot.com/_OFTzR8CWOqI/S_wWr4vQ- Atualização em Primeiros Socorros 28 www.eduhot.com.br Externo Automático (DEA). Desfibrilador Externo Automático <http://2.bp.blogspot.com/_Ug0eQeQQUS0/Sp2YTQW1TaI/AAAAAAAAAGo/QvhKlAahETQ/s320/500 T.jpg>. O momento do pedido de ajuda dependerá do tipo de ocorrência, quando o socorrista estiver sozinho. Em caso desubmersão ou afogamento, trauma, overdose de drogas e parada respiratória, o socorrista deve iniciar os procedimentos de ressuscitação durante dois minutos antes de solicitar ajuda. Excetuando-se os casos citados acima, o socorrista deve chamar ajuda imediatamente. Os números de telefone utilizados são: ➢ 193: Serviço de Resgatedo Corpo de Bombeiros; ➢ 192: Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU). Após a avaliação do nível de consciência, é sempre realizado um processo que segue uma sequência fixa e padronizada, sendo que o socorrista só pode passar para o passo seguinte após a completa resolução do passo anterior. Na prática, alguns passos podem ser avaliados simultaneamente. A sequência padronizada no exame primário é a seguinte: ✓ X - Exsanguinação ✓ A - Vias aéreas com controle da coluna cervical; ✓ B - Respiração; ✓ C – Circulação; http://2.bp.blogspot.com/_Ug0eQeQQUS0/Sp2YTQW1TaI/AAAAAAAAAGo/QvhKlAahETQ/s320/500T.jpg http://2.bp.blogspot.com/_Ug0eQeQQUS0/Sp2YTQW1TaI/AAAAAAAAAGo/QvhKlAahETQ/s320/500T.jpg http://2.bp.blogspot.com/_Ug0eQeQQUS0/Sp2YTQW1TaI/AAAAAAAAAGo/QvhKlAahETQ/s320/500T.jpg Atualização em Primeiros Socorros 29 www.eduhot.com.br ✓ D - Avaliação neurológica; ✓ E - Exposição da vítima. A HISTÓRIA DO XABCDE Em 1976, ao sofrer um acidente com sua família, o cirurgião ortopédico Jim Styner pôde perceber as fragilidades dos cuidados em primeiros socorros de vítimas de traumas. Depois dessa experiência, o médico desenvolveu o protocolo ABCDE do trauma, que passou a ser empregado em diversas regiões do mundo a partir de 1978, sendo ministrado neste ano o primeiro curso sobre o tema. A importância do método desenvolvido por Jim Styner não demorou a ser reconhecida pelas autoridades médicas, uma vez que só com esses cuidados é possível realmente estabilizar o paciente, deixando-o mais seguro para o transporte e para quaisquer outras intervenções que se façam necessárias. Mudança (a entrada do X): O famoso mnemônico do trauma "ABCDE" ganhou na 9ª edição do PHTLS 2018, no capítulo 6, mais uma letra. O "X' de hemorragia exsanguinante, ou seja, hemorragia externa grave. Ainda não publicado oficialmente e não traduzido, mas já nos atualizamos. O APH sofreu um substancial alteração, dando mais ênfase às grandes hemorragias externas, antes mesmo do controle cervical ou da abertura das vias aéreas. Significado das Letras X-A-B-C-D-E ( X ) – EXSANGUINAÇÃO Contenção de hemorragia externa grave, a abordagem a esta, deve ser antes mesmo do manejo das vias aérea uma vez que, epidemiologicamente, apesar da obstrução de vias aéreas ser responsável pelos óbitos em um curto período de tempo, o que mais matano trauma são as hemorragias graves. https://www.dicio.com.br/mnemonico/ Atualização em Primeiros Socorros 30 www.eduhot.com.br HEMORRAGIA O sangue é responsável pelo transporte de oxigênio e nutrientes para as células do corpo humano e pela retirada de gás carbônico e outras excretas para os órgãos de eliminação. O corpo humano possui um volume sanguíneo de aproximadamente 70 ml/Kg de peso corporal para adultos e 80ml/Kg para crianças, ou seja, um indivíduo com 70ml/Kg possui aproximadamente 4.900ml de sangue. Hemorragia é definida como a perda de sangue devido ao rompimento de um vaso sanguíneo. Quanto maior a quantidade perdida de sangue, mais grave será a hemorragia. Geralmente a perda de sangue não pode ser medida, mas pode ser estimada por meio da avaliação do paciente e dos sinais de choque. Quanto mais rápida a hemorragia, menos eficientes são os mecanismos compensatórios do organismo. Um indivíduo pode suportar a perda de um litro de sangue, que ocorre em um período de horas, mas não tolera esta mesma perda se ela ocorrer em minutos. Os mecanismos normais que o corpo possui para limitar as hemorragias são as contrações da parede dos vasos sanguíneos, diminuindo o tamanho da abertura por onde o sangue está drenando e a coagulação do sangue, que é uma sequência complexa de reações químicas que resultam na formação de um coágulo de fibrina, impedindo assim a drenagem do sangue pelo orifício de vaso lesado. Estes mecanismos têm como objetivo a hemostasia, ou seja, o controle do sangramento pelo organismo isoladamente, defendendo-o, ou em associações com técnicas básicas e avançadas de tratamento médico. Os pacientes com distúrbios no mecanismo de coagulação, por exemplo, os hemofílicos, podem apresentar hemorragias graves por traumas banais. CLASSIFICAÇÃODAS HEMORRAGIAS Hemorragias Externas Sangramento de estruturas superficiais com exteriorização do sangue. Podem ser controladas utilizando técnicas básicas de primeiros-socorros. As hemorragias Atualização em Primeiros Socorros 31 www.eduhot.com.br podem ser: arterial, venosa e capilar. HEMORRAGIAS EXTERNAS http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/hemo.gif Hemorragias Internas É o extravasamento de sangue para o interior do corpo. O sangramento de estruturas profundas pode ser oculto ou se exteriorizar como, por exemplo, hemorragia do estômago com hematêmese. As medidas básicas de socorro não funcionam, pois é necessário um atendimento especializado realizado em uma unidade hospitalar. CONSEQUÊNCIAS DAS HEMORRAGIAS As hemorragias graves não tratadas ocasionam o desenvolvimento do estado de choque. As hemorragias lentas e crônicas causadas por uma úlcera, por exemplo, causam anemia, ou seja, a diminuição dos níveis de hemoglobina no sangue circulante. O quadro clínico varia de acordo com a quantidade perdida de sangue, velocidade do sangramento, estado prévio de saúde e idade da vítima. Perdas de até 15% do volume sanguíneo (750 ml em adultos) geralmente não causam alterações. São totalmente compensadas pelo corpo com, por exemplo, doação de sangue. Perdas maiores que 15% e menores que 30% (entre 750 a 1.500 ml) geralmente causam estado de choque sem hipotensão arterial. Os sinais e sintomas são: ➢ Ansiedade; http://www.ufrrj.br/institutos/it/de/acidentes/hemo.gif Atualização em Primeiros Socorros 32 www.eduhot.com.br ➢ Sede; ➢ Taquicardia; ➢ Pulso radial fraco; ➢ Pele fria; ➢ Palidez cutânea; ➢ Suor frio; ➢ Taquipneia; ➢ Enchimento capilar lento. Perdas acima de 30% (maiores que 1.500) levam ao choque descompensado com hipotensão. Os sinais e sintomas são: ➢ Alterações das funções mentais; ➢ Agitação; ➢ Confusão ou inconsciência; ➢ Sede intensa; ➢ Pele fria; ➢ Palidez cutânea; ➢ Suor frio; ➢ Taquicardia; ➢ Pulso radial ausente; ➢ Taquipneia importante; ➢ Enchimento capilar lento. A perda de mais de 50% do volume sanguíneo leva o indivíduo a óbito. RECONHECIMENTO DAS HEMORRAGIAS As hemorragias externas podem muitas vezes ser reconhecidas durante a inspeção. O sangue pode ser absorvido pelas vestes da vítima, pelo solo ou tapetes, dificultando a avaliação pelo profissional de emergência. Os pacientes politraumatizados com sinais de choque e lesões externas pouco importantes provavelmente apresentam lesão interna. Os locais mais frequentes de hemorragia interna são o tórax e o abdômen. Observar presença de lesões perfurantes, equimoses ou contusões na pele sobre estruturas vitais. Os órgãos abdominais que frequentemente produzem sangramentos graves Atualização em Primeiros Socorros 33 www.eduhot.com.br são o fígado e o baço. Algumas fraturas, especialmente de quadril e fêmur, podem produzir hemorragias internas graves. Observar extremidades com deformidade, dor e instabilidade pélvica. A distensão abdominal com dor após traumatismo sugere hemorragia interna. Algumas hemorragias internas podem se exteriorizar, por vezes, no tórax produzindo hemoptise, que é a expectoração sanguínea ou sanguinolenta por meio da tosse, proveniente de hemorragia na árvore respiratória. O sangramento do esôfago, estômago e duodeno podem se exteriorizar por meio da hematêmese, que é a saída de sangue pela boca com origem no sistema gastrointestinal. O sangue eliminado pode ser vermelho vivo ou com aparência de borra de café, caracterizando a digestão deste sangue. Neste caso, o socorrista pouco pode fazer no atendimento pré-hospitalar para controlar a hemorragia. As condutas visam ao suporte da vida, principalmente à manutenção da permeabilidade das vias aéreas e respiração, até a chegada ao hospital. ABORDAGEM DA VÍTIMA E CONDUTAS NAS HEMORRAGIAS EXTERNAS ➢ Realizar a avaliação primária; ➢ Desobstruir vias aéreas e efetuar assistência ventilatória, se necessário. Suplementar oxigênio em alta concentração, utilizando máscara com reservatório e fluxo de 12L/min.; ➢ Elevar extremidades com sangramento acima do nível do coração; ➢ Colocar compressa sobre o ferimento, efetuando a compressão direta da lesão, com a mão enluvada. Caso a compressa fique encharcada de sangue, coloque novas compressas secas sem retirar a primeira. O objetivo é não retirar o coágulo; ➢ Fixar a compressa sobre o ferimento com bandagem ou, caso não disponha de bandagem, manter a compressão manual; ➢ Se houver persistência da hemorragia, ocluir a artéria próxima ao ferimento, para diminuir a circulação no local. A compressão direta e a elevação do membro são os principais métodos para deter uma hemorragia, pois não diminuem a irrigação sanguínea em outros locais. Atualização em Primeiros Socorros 34 www.eduhot.com.br ABORDAGEM E CONDUTA http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/jpgs/12_1.jpg CONTROLE DAS HEMORRAGIAS INTERNAS O controle pré-hospitalar de hemorragias internas é impossível, o tratamento é cirúrgico. Pacientes com hemorragias internas devem ser removidos rapidamente para o hospital, mantendo os cuidados de suporte básico de vida. Em focos de fratura é possível reduzir a perda sanguínea por meio de manipulação adequada e imobilização. ( A ) - VIAS AÉREAS COM CONTROLE DA COLUNA CERVICAL No A, deve-se realizar a avaliação das vias aéreas. No atendimento pré- hospitalar, 66-85% das mortes evitáveis ocorrem por obstrução de vias aéreas. Para manutenção das vias aéreas utiliza-se das técnicas: “chin lift”: elevação do queixo, uso de aspirador de ponta rígida, “jaw thrust”: anteriorização da mandíbula, cânula orofaríngea (Guedel). A causa mais comum de obstrução de vias aéreas em pacientes inconscientes é o relaxamento da musculatura da língua, que se projeta para o fundo da garganta ou orofaringe impedindo a passagem de ar nas vias aéreas superiores e inferiores. Para restabelecer a permeabilidade das viasaéreas superiores, devemos simplesmente remover corpos estranhos ou realizar a elevação da mandíbula. A possibilidade de lesão na coluna cervical deve ser sempre considerada, portanto, movimentos bruscos, excessivos ou aplicados com uma força desproporcional poderá causar lesões neurológicas irreversíveis na coluna cervical, como por exemplo, uma http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/jpgs/12_1.jpg Atualização em Primeiros Socorros 35 www.eduhot.com.br tetraplegia. A cabeça e o pescoço da vítima nunca devem ser hiperestendidos ou mesmo fletidos para manter ou estabelecer uma via aérea permeável. Para que possamos verificar se esta via aérea não está obstruída devemos solicitar à vítima que ela fale. Caso a vítima não consiga falar, observamos que esta vítima possui uma alteração do nível de consciência. Caso a vítima atenda a solicitação, podemos considerar que esta via aérea está livre, com a ventilação e perfusão cerebral mantidas, devido à passagem de ar por esta via aérea. Se a vítima apresentar rouquidão ou falta de voz significa que deve haver um comprometimento das vias aéreas superiores, ou seja, uma obstrução.Avaliar e controlar as vias aéreas são condutas rápidas e simples, não necessitando inicialmente de nenhum equipamento, portanto estas técnicas manuais de desobstrução e controle ou estabilização da coluna cervical não devem ser retardadas a espera do socorro especializado. A obstrução das vias aéreas pode ser causada por: ✓ Objetos sólidos; ✓ Queda da língua; ✓ Líquidos. Os principais sintomas apresentados pela vítima com obstrução das vias aéreas são: ✓ Tosse; ✓ Respiração ruidosa; ✓ Movimentos respiratórios alterados; ✓ Cianose (extremidades roxas). Para realizarmos o controle das vias aéreas podemos realizar as seguintes técnicas: ✓ Manobra tríplice ou elevação da mandíbula. ELEVAÇÃO DA MANDÍBULA Atualização em Primeiros Socorros 36 www.eduhot.com.br http://www.sbp.com.br/img/cursos/curso_suporte/fig02-05.gif ✓ Manobra de tração da mandíbula. TRAÇÃO DA MANDÍBULA http://www.concursoefisioterapia.com/2010/02/manobra-de-tracao-de- mandibula-jaw.html ✓ Inserção de uma cânula orofaríngea. http://www.sbp.com.br/img/cursos/curso_suporte/fig02-05.gif http://www.concursoefisioterapia.com/2010/02/manobra-de-tracao-de-mandibula-jaw.html http://www.concursoefisioterapia.com/2010/02/manobra-de-tracao-de-mandibula-jaw.html Atualização em Primeiros Socorros 37 www.eduhot.com.br INSERÇÃO DA CÂNULA DE GUEDEL http://1.bp.blogspot.com/_P- MzoBY5JIc/S1djluYhWBI/AAAAAAAAAsk/lI3bPhqETck/s400/canula+guedel.JPG Uma vez realizado o controle ou a estabilização da coluna cervical, não podemos em hipótese alguma liberá-la, até que esta seja imobilizada definitivamente com o colar cervical ou com outro dispositivo que evite o movimento tanto lateral, como de flexão da cabeça. ( B ) – RESPIRAÇÃO (VENTILAÇÃO E OXIGENAÇÃO) Anteriormente havia uma recomendação para que os movimentos respiratórios fossem avaliados pelo procedimento ver, ouvir e sentir, porém não há mais esta necessidade. O socorrista deve priorizar a qualidade da massagem cardíaca, ou seja, realizar o ciclo com trinta compressões e abrir a via aérea e aplicar duas ventilações. A respiração boca a boca não é mais recomendado, pois o risco de contaminação é maior. Novos estudos demonstraram que as compressões ritmadas no tórax são tão eficazes quanto a respiração boca-a-boca que era intercalada com a massagem cardíaca. A recomendação é que, só se faça as compressões torácicas ritmadas, de forma ininterrupta, por até oito minutos. Existem estudos comprovando que a massagem cardíaca realizada corretamente e ritmada é suficiente para manter a vítima viva até a chegada de socorro profissional sem a utilização da respiração boca a boca. No caso de crianças e bebês, afogamento ou traumatismos, a massagem http://1.bp.blogspot.com/_P- http://1.bp.blogspot.com/_P-MzoBY5JIc/S1djluYhWBI/AAAAAAAAAsk/lI3bPhqETck/s400/canula%2Bguedel.JPG Atualização em Primeiros Socorros 38 www.eduhot.com.br cardíaca se faz em sintonia com a respiração boca a boca, porém em situações de parada cardíaca em adultos apenas a massagem cardíaca deve ser feita, até que os socorristas cheguem para levar a vítima ao hospital. ( C ) – CIRCULAÇÃO (PERFUSÃO E HEMORRAGIAS) No C, a circulação e a pesquisa por hemorragia são os principais parâmetros de análise. A maioria das hemorragias é estancada pela compressão direta do foco. A Hemorragia é a principal causa de morte no trauma. A diferença entre o “X” e o “C” é que o X se refere a hemorragias externas, grandes hemorragias. Já o “C” refere-se a hemorragias internas, onde deve-se investigar perdas de volume sanguíneo não visível, analisando os principais pontos de hemorragia interna no trauma (pelve, abdomem e membros inferiores), avaliando sinais clínicos de hemorragia como tempo de enchimento capilar lentificado, pele fria e pegajosa e comprometimento do nível e qualidade de consciência. Definimos por circulação artificial a compressão torácica externa, ou seja, a massagem cardíaca. A reanimação cardiopulmonar deverá ser realizada logo que o socorrista identificar que a vítima não apresenta pulso, caracterizando assim a parada cardíaca. Quando realizada a avaliação primária, a abordagem busca sinais, entre estes, a frequência cardíaca denota a parada cardíaca. Em um adulto, é feita pela constatação da ausência de pulso na artéria carótida ou, na artéria femoral associada à perda de consciência e a outros sinais periféricos, como palidez, cianose e pele pegajosa. ( D ) - AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA Na avaliação neurológica, o socorrista deve avaliar o estado de consciência da vítima. Pode-se usar a sequência AVDS, como descrito a seguir: ➢ A: Alerta; ➢ V: Responde a estímulos verbais; ➢ D: Responde a estímulos dolorosos; Atualização em Primeiros Socorros 39 www.eduhot.com.br ➢ S: Sem resposta. Se a vítima estiver consciente, pergunte nome, telefone para contato e endereço. Faça por exemplo: Que dia é hoje? É dia ou é noite? Converse com ela, procure acalmá-la e pergunte onde sente dores e em caso de suspeita de fratura da coluna, pergunte se está sentindo os braços e as pernas. Se ela não se comunicar, veja se reage ao estímulo verbal e se não houver resposta, veja se a vítima reage ao um estímulo tátil oudoloroso.Caso esteja inconsciente, abra os olhos dela e verifique aspupilas.O estado das pupilas pode significar: ➢ Normais: normalmente não há lesões neurológicas aparentes e oxigenação está presente. ➢ Pupilas diferentes: uma normal e a outra dilatada significa presença de lesão neurológica. O socorrista deve intensificar a avaliação, pois pode haver parada cardiorrespiratória. ➢ Se as duas pupilas estiverem dilatadas: significa parada cardiorrespiratória há mais de um minuto. Também pode haver lesão neurológica. Nesse caso, o socorrista deve iniciar imediatamente as manobras de ressuscitação. Sempre que a vítima estiver inconsciente, deve-se desconfiarde fratura da coluna vertebral ou de parada cardiorrespiratória. Nesse caso, movimente a vítima o mínimo possível, protegendosempre a coluna A escala de coma de Glasgow deve ser usada. Lembrando que esta é uma escala neurológica que constitui um método confiável e objetivo de registrar o nível de consciência de uma pessoa para avaliação inicial e contínua após um traumatismo craniano. Atualização em Primeiros Socorros 40 www.eduhot.com.br Seu valor também é utilizado no prognóstico do paciente e é de grande utilidade na previsão de eventuais sequelas. Segue abaixo a escala completa TABELA – ESCALA DE COMA DE GLASGOW : https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0080- 62341997000200010 O escore máximo permitido pela escala é quinze pontos e o mínimo detrês pontos. Se o paciente apresentar uma pontuação de oito pontos ou menos, a intubação orotraqueal está indicada. Pontuação total: de 3 a 15 3 = Coma profundo (85% de probabilidade de morte; estado vegetativo); 4 = Coma profundo 7 = Coma intermediário; 11 = Coma superficial; 15 = Normalidade. Atualização em Primeiros Socorros 41 www.eduhot.com.br Classificação do trauma cranioencefálico: 3-8 = Grave (necessidade de intubação imediata); 9-12 = Moderado; 13-15 = Leve. EXPOSIÇÃO DA VÍTIMA Sendo assim, para que um diagnóstico diferencial mais preciso seja realizado, é preconizado que dentre o X-A-B-C-D dos primeiros socorros, o “E” refere-se à exposição da vítima. Quando estabilizadas respiração e circulação, iniciamos a exposição da vítima para verificar se existem outros ferimentos, complicações e situações a serem resolvidas. Lembre-se que tal procedimento deverá ser realizado com cautela e precaução a fim de evitar maiores dolos na vítima já fragilizada. Todo movimento realizado, principalmente se em pós-trauma, deverá atender normas de manipulação assegurando a assistência prestada. A busca por outras e/ou maiores lesões pode no momento da primeira assistência salvar a vida da vítima. Em primeiros socorros, chamamos de “a hora de ouro” a primeira hora de atendimento, portanto, se o socorrista fizer o seu melhor, a probabilidade desta vítima ter sua vida prolongada é grande. AVALIAÇÃO PRIMÁRIA EM SITUAÇÕES ESPECIAIS Vítima com capacete A retirada do capacete deve ser realizada por dois socorristas treinados. O primeiro passo é posicionar a vítima em decúbito dorsal, ou seja, posição supina, por meio do rolamento em bloco. Um socorrista posiciona-se atrás da cabeça da vítima, abre a viseira e segura cada lado do capacete com os dedos estabilizando a mandíbula. O outro socorrista Atualização em Primeiros Socorros 42 www.eduhot.com.br mantém a estabilização da coluna cervical, colocando os dedos polegar no ângulo da mandíbula de um dos lados e o indicador e médio no outro lado. A outra mão mantém a imobilização do pescoço, apoiando a região cervical. A seguir, o socorrista que segura o capacete pelas laterais, força a sua abertura liberando as orelhas e traciona-o delicadamente, enquanto o outro socorrista mantém a estabilização do pescoço para evitar a inclinação da cabeça. Após a retirada do capacete, os socorristas devem manter a imobilização da coluna cervical manualmente até obter dispositivo que o faça. RETIRANDO O CAPACETE DE FORMA CORRETA http://4.bp.blogspot.com/- u1Xw93nGPj8/TdfrQRgx9oI/AAAAAAAAAJU/CMpOSNXQQxk/s400/capacete5.gif. Vítima presa em ferragem Em caso de acidente automobilístico com vítima presa entre as ferragens, não movimente o acidentado, pois isso poderá agravar seu estado. Sinalize o local para evitar novos acidentes e solicite ajuda imediatamente a um serviço móvel de urgência. VÍTIMA PRESA NAS FERRAGENS http://4.bp.blogspot.com/- Atualização em Primeiros Socorros 43 www.eduhot.com.br http://2.bp.blogspot.com/_XNH- UIyc1zU/TEFVDmH8q0I/AAAAAAAACoU/oaQspTh_7ng/s1600/moto_ferragens.jpg. AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA É o exame realizado após o exame primário, ou seja, após o X-A-B-C-D-E e tem por finalidade examinar todo o corpo por meio da palpação e inspeção. Esta avaliação é composta pela avaliação objetiva, ou seja, o exame físico da cabeça aos pés, controle dos sinais vitais e avaliação subjetiva caracterizada pela entrevista. É realizada somente após o término da avaliação primária ou das manobras de ressuscitação cardiopulmonar, quando instituídas e obtido sucesso. Tem por objetivo a detecção de lesões que embora graves não impliquem risco iminente de morte. Ao iniciá-la em vítimas com história de trauma, é necessária a manutenção da estabilização da coluna cervical por meio manual ou com dispositivos durante todo o procedimento. Para iniciar essa avaliação, o socorrista deverá expor a vítima somente o necessário, respeitando sua intimidade e protegendo-a contra os efeitos da hipotermia. As informações levantadas no exame da cabeça aos pés, associadas ao mecanismo do trauma auxiliam o socorrista na detecção ou suspeita de situações graves como, por exemplo, uma hemorragia interna. Deve-se olhar para a vítima, buscando sinais ou lesões aparentes. A vítima poderá assumir uma posição que demonstre que ela está com dor, http://2.bp.blogspot.com/_XNH- Atualização em Primeiros Socorros 44 www.eduhot.com.br segurando ou apontando para determinado membro ou região do corpo ou ainda permanecendo sentada com o objetivo de melhorar a respiração. A entrevista é feita simultaneamente, levantando informações obtidas junto ao próprio paciente ou às testemunhas que se encontram no local. Com essas informações podem-se obter detalhes da história ou do mecanismo de trauma, queixas e sintomas que o paciente relata. Em vítimas conscientes, o socorrista deve identificar-se explicando os procedimentos que irá realizar com a vítima. Após esse primeiro contato, o socorrista deve perguntar o nome da vítima, tratando-a sempre pelo seu nome. Segue a avaliação perguntando idade, endereço, data e com isso avaliando se as respostas estão corretas, demonstrando que a vítima apresenta um nível de consciência e oxigenação cerebral adequada. Entretanto, a vítima poderá estar confusa sendo necessária uma abordagem mais detalhada indicando ao socorrista possíveis lesões e situações graves. A entrevista com a vítima deve ser rápida e direcionada, devendo-se questionar a vítima quanto à: ➢ Presença de dor; ➢ Sensação de formigamento; ➢ Calor ou perda da sensibilidade em alguma parte do corpo; ➢ Doença; ➢ Uso de medicamentos; ➢ Alergias a remédios ou a algum tipo de alimento; ➢ Quando foi a última refeição; ➢ Uso de substâncias como álcool ou drogas ilícitas. Todas estas informações são importantes para a agilidade no tratamento da vítima e para que o socorrista possa priorizar suas atitudes. Na vítima de acidente, além dos questionamentos anteriores é de grande importância a determinação do mecanismo de trauma, tentando estabelecer a intensidade de impacto sofrido. Algumas situações devem ser avaliadas rapidamente, determinando as possíveis lesões, são elas: ➢ Capotamento; ➢ Ejeção da vítima do veículo; ➢ Uso de cinto de segurança; Atualização em Primeiros Socorros 45 www.eduhot.com.br ➢ Uso de capacete; ➢ Posição no veículo; ➢ Deformidade do veículo. Estas informações a respeito do evento são importantes na condução do atendimento, partindo sempre da queixa principal, direcionando a entrevista e a assistência que deverão ser feitas simultaneamente, durante a avaliação da vítima. Na inspeção devem ser pesquisados: ✓ A cor da pele; ✓ Simetria; ✓ Alinhamento; ✓ Deformidade; ✓ Sangramento; ✓ Fraturas. Na palpação deverá ser pesquisado: ✓ Deformidade; ✓ Rigidez; ✓ Flacidez. O exame secundário deve ser realizado obedecendo à seguinte sequência: ✓ Cabeça; ✓ Olhos; ✓ Orelhas e nariz; ✓ Boca; ✓ Pescoço; Atualização em Primeiros Socorros 46 www.eduhot.com.br ✓ Tórax; ✓ Abdômen; ✓ Cintura pélvica; ✓ Membros inferiores; ✓ Membros superiores; ✓ Dorso. CABEÇA Palpe o crânio com os polegares fixos na região frontal, examine os olhos procurando por objetos estranhos. Verifique se as pupilas estão normais, dilatadas, contraídas ou desiguais. Normalmente apresentam o mesmo diâmetro, ou seja, devem estar do mesmo tamanho. EXAME DO CRÂNIO http://1.bp.blogspot.com/_YQ- http://2.bp.blogspot.com/_XNH- UIyc1zU/TEFVDmH8q0I/AAAAAAAACoU/oaQspTh_7ng/s1600/moto_ferragens.jpg. op14RPUo/TTQz1T0XW2I/AAAAAAAAB_c/sYtxHs2Tg9s/s1600/9-A.JPG>. OLHOS Verifica-se a presença de cortes, queimadura de pálpebras e cílios ou objetoencravado. Atentará coloração ao redor dos olhos, como presença de hematoma, pois indica possível trauma craniano. http://1.bp.blogspot.com/_YQ- http://2.bp.blogspot.com/_XNH- Atualização em Primeiros Socorros 47 www.eduhot.com.br Nesse momento, as pupilas são avaliadas quanto ao tamanho, simetria e reação à luz. Normalmente, são do mesmo tamanho e reagem com contração na presença de luz. Quando se apresentam do mesmo tamanho, são denominadas isocóricas. Quando são desiguais são chamadas de anisocóricas, situação que pode ocorrer no traumatismo craniano encefálico ou no acidente vascular cerebral. As pupilas poderão estar contraídas ou dilatadas por ação de drogas, iluminação ou ausência de oxigenação cerebral. São denominadas mióticas quando estão contraídas e midriáticas quando estão dilatadas. ORELHA E NARIZ estruturas. Se positivo, indica possível fratura de ossos do crânio. Verifica-se ainda a simetria, presença de lesões e edema. O líquido cefalorraquidiano é um líquido transparente que circula entre as meninges aracnoide e pia-máter, e sua principal função é proteger o cérebro, agindo como amortecedor de choques mecânicos aplicados principalmente na cabeça. BOCA Promove-se a abertura da boca, a fim de identificar e remover corpos estranhos que poderão obstruir as vias aéreas como sangue, secreções, próteses dentárias, dentes soltos ou restos alimentares. Os lábios, gengivas e língua devem ser observados quanto à coloração e presença de edema e ferimentos. PESCOÇO A coluna cervical deve ser mantida imobilizada manualmente ou por utilização de colar cervical durante todo o exame. Realizar a palpação na coluna cervical verificando o seu alinhamento. Verificar na região anterior se há desvio de traqueia, lesões ou sangramentos. TÓRAX Atualização em Primeiros Socorros 48 www.eduhot.com.br Com a mão espalmada e com os dedos entrelaçados, realizar a palpação a procura de lesões nos arcos costais, procurar ferimentos e reação à dor. Deve-se inspecioná-lo em busca de edema, assimetria, ferimentos, deformidades, retrações, objetos encravados ou fraturas. Observar, também, se a expansão do tórax durante a respiração ocorre da mesma forma em ambos os lados, palpar as clavículas e costelas buscando deformidades, crepitações ósseas, áreas dolorosas ou mesmo ferimentos com fraturas expostas e enfisema subcutâneo ABDÔMEN Realizar a palpação com a espalmada e com os dedos entrelaçados, buscando áreas de sensibilidade, flacidez e rigidez. Devem ser examinados os quatro quadrantes do abdômen em busca de hematomas, equimoses, abrasões, ferimentos abertos ou objetos encravados. Procura-se distensão, rigidez ou dor à palpação superficial, delimitando qual o quadrante abdominal acometido. Este dado é importante, pois auxilia o socorrista a suspeitar de hemorragia interna, caso a vítima esteja apresentando sinais de choque hemorrágico, associando os achados do exame físico aos sinais vitais apresentados com o mecanismo do trauma. Os quadrantes nos quais pode ser dividido o abdômen são: ➢ QSD: Quadrante superior direito; ➢ QSE: Quadrante superior esquerdo; ➢ QID: Quadrante inferior direito; ➢ QIE: Quadrante inferior esquerdo. O quadrante superior direito contém órgãos como o fígado, a vesícula biliar, parte do intestino grosso e o rim direito. No quadrante superior esquerdo há o estômago, o baço, o pâncreas, parte do intestino grosso e o rim esquerdo. O ovário direito e parte do útero em mulheres, o apêndice vermiforme, parte do intestino grosso, o ureter direito e a bexiga urinária estão contidos no quadrante inferior direito. No quadrante inferiror esquerdo estão localizados parte do intestino grosso, o Atualização em Primeiros Socorros 49 www.eduhot.com.br ovário esquerdo e parte do útero e da bexiga urinária. Deve-se observar se a vítima assume posição que demonstre que ela esteja com dor, sendo assim, o socorrista poderá aliviar a dor abdominal, orientando a vítima a flexionar os joelhos e quadril, mantendo-a aquecida. Vítimas com história de trauma deverão permanecer em posição supina sem flexionar as pernas, mantendo o alinhamento de toda coluna vertebral e a imobilidade da coluna cervical. DORSO Realizar manobras de rolamento para examinar as costas. Observar o alinhamento da coluna cervical se há deformidades ou ferimentos. Palpar a coluna em busca de edema, hematoma ou crepitação. Após realizar o exame secundário, realize todos os curativos, imobilizações e outros procedimentos, antes de remover a vítima. Durante todo o exame mantenha- se atento aos passos do exame primário. O socorrista deve palpar com delicadeza a coluna vertebral por intermédio da curvatura natural da cintura até onde a mão alcançar sem movimentar a vítima. Pesquisar regiões dolorosas, com edema, afundamentos ou deformidades ósseas, hematomas e ferimentos. É difícil determinar fraturas da coluna vertebral, pois muitas vezes os sintomas se confundem, e a queixa de dor da vítima é em outra região. PELVE Busca-se por alterações que, com frequência, estão relacionadas com fraturas da pelve como hematomas, deformidade articular no quadril, sangramento pelo ânus, vagina ou uretra. O exame é feito palpando-se levemente as cristas ilíacas, enquanto se investiga a ocorrência de crepitação óssea, dor ao procedimento ou instabilidade da cintura pélvica. A crista ilíaca faz parte do osso do quadril denominado ílio e é a extremidade superior expandida e pode ser palpada em toda sua extensão, bilateralmente. A ocorrência de incontinência urinária ou fecal e priapismo, em homens, são sinais Atualização em Primeiros Socorros 50 www.eduhot.com.br sugestivosde lesão na medula espinhal, decorrente de fratura ou deslocamento da coluna vertebral. O priapismo é caracterizado por ereção peniana prolongada, sem estimulação sexual, frequentemente, causada por lesão medular. MEMBROS INFERIORES Inspecionar e palpar a coxa até os pés, observando o alinhamento, deformidade e rigidez, buscando lesões e ferimentos. Devem ser pesquisados também: ➢ Hematomas; ➢ Sangramentos; ➢ Deformidades; ➢ Espículas ósseas. Palpar toda a extensão do membro, buscando deformidades como: ➢ Angulações; ➢ Encurtamentos; ➢ Edema; ➢ Espasmo muscular; ➢ Crepitação óssea; ➢ Aumento de volume, ➢ Abrasões; ➢ Palidez; ➢ Cianose nas extremidades. A cianose é caracterizada por um tom azulado da pele ou mucosas, manifestada por tecido com baixa oxigenação, em razão da diminuição de irrigação sanguínea ou da oxigenação. O socorrista deve avaliar a circulação distal à lesão, verificando a temperatura, cor da pele, enchimento capilar, e pulso da extremidade lesada. Para verificar o enchimento capilar deve-se comprimir e soltar rapidamente o leito das unhas e polpas digitais. Quando há circulação normal, o retorno sanguíneo é de um e meio a dois segundos, se estiver retardado, ou seja, maior que dois segundos, indicando que a circulação está lenta. Se a circulação estiver ausente, esses locais permanecem descorados após a Atualização em Primeiros Socorros 51 www.eduhot.com.br compressão. A avaliação da artéria tibial posterior é importante nos casos em que pode haver fratura nos membros inferiores. Esta artéria é o maior ramo terminal da artéria poplítea e sua porção inferior pode ser palpada posteriormente ao maléolo medial, exercendo leve pressão contra a proeminência óssea da extremidade inferomedial da tíbia. Testar movimentos e sensibilidade solicitando à vítima que faça movimentos com os dedos dos pés, e que empurre a mão do socorrista com o pé, aplicando um estímulo na região plantar de um dos pés e solicitando que a vítima identifique qual pé foi estimulado, alternando- os. PALPAÇÃO DOS MEMBROS INFERIORES <http://4.bp.blogspot.com/_7H9r_7bo6nc/SyBogqF3OoI/AAAAAAAABRU/6WCBl455zZY/s400/palpa%C3%A7%C3% A3o+tibial.JPG> MEMBROS SUPERIORES Inspecionar e palpar dos ombros até as mãos, observando o alinhamento, deformidade e rigidez. Buscar lesões e ferimentos. Inicia-se inspecionando e palpando a partir dos ombros até os dedos das mãos, pesquisando: ➢ Presença de abrasões; ➢ Hematomas; ➢ Ferimentos; ➢ Espículas ósseas; ➢ Aumento de volume; http://4.bp.blogspot.com/_7H9r_7bo6nc/SyBogqF3OoI/AAAAAAAABRU/6WCBl455zZY/s400/palpa%C3%A7%C3%25 http://4.bp.blogspot.com/_7H9r_7bo6nc/SyBogqF3OoI/AAAAAAAABRU/6WCBl455zZY/s400/palpa%C3%A7%C3%25 Atualização em Primeiros Socorros 52 www.eduhot.com.br ➢ Deformidades; ➢ Palidez; ➢ Cianose de extremidades. O socorrista deve avaliar a circulação, investigando os seguintes eventos: ➢ Temperatura; ➢ Cor da pele; ➢ Enchimento capilar; ➢ Presença de pulso radial bilateralmente, atentando-se à simetria e amplitude do pulso. Devemos avaliar também os movimentos e sensibilidade, solicitando à vítima que faça movimentos com as mãos e os dedos ou que lhe aperte a mão. A sensibilidade é testada solicitando que a vítima identifique a região que está sendo estimulada. Relembrando que na avaliação primária o socorrista deve avaliar e corrigir as situações que coloquem em risco imediato a vida da vítima, ou seja, situações que afetam diretamente as funções vitais das vítimas. Já na avaliação secundária o socorrista deve avaliar e corrigir situações que não colocam a vítima em perigo imediato de vida, mas que podem agravar o estado da vítima se não forem corrigidas. SUPORTE BÁSICO DE VIDA O suporte básico de vida (SBV) é o conjunto de medidas e procedimentos técnicos que objetivam o suporte de vida à vítima, até a chegada do serviço médico especializado, que realizará o transporte dessa vítima até o hospital, traçando um padrão para atendimento com a finalidade de prevenir agravamentos e evitar o surgimento de outras lesões. Podemos ainda defini-lo como manobras de socorro às vítimas em situação de risco eminente de morte, com o objetivo de manter a via aérea livre e suporte ventilatório e circulatório sem equipamentos ou com o mínimo de de dispositivos invasivos. Envolve também o acesso precoce ao serviço de emergência médico de urgência especializado, ao atendimento avançado e à desfibrilação elétrica. Todas essas manobras podem ser desenvolvidas por profissionais da saúde Atualização em Primeiros Socorros 53 www.eduhot.com.br ou leigos, treinados ou não, no ambiente pré-hospitalar e estão estreitamente relacionadas com a sobrevida dessa vítima. Para um único socorrista o suporte básico de vida obedece a uma sequência, mais para uma equipe completa, as manobras são concomitantes. Devido à importância destas medidas, a cada cinco anos, são publicadas diretrizes mundiais de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) baseadas em estudos científicos e de reconhecida evidência e relevância para as boas práticas do SBV. No ano de 2010, no mês de outubro, foram publicadas as novas resoluções para atendimento da parada cardiorrespiratória (PCR), que é uma condição súbita e inesperada de deficiência da oxigenação corporal. A principal ênfase das novas diretrizes está no diagnóstico rápido e adequado da situação, ou seja, o reconhecimento da inconsciência e da qualidade da respiração. É importante ressaltar que a respiração agônica ou gasping pode ser observada com grande frequência nos minutos iniciais da parada cardiorrespiratória e nesses casos a vítima apresenta um ritmo e a expansão respiratória inadequados. O serviço médico especializado deve ser comunicado urgentemente, enquanto se avalia a vítima buscando a identificação da parada cardiorrespiratória. Relembrando que em adultos as principais causas de parada cardiorrespiratória são cardíacas. Nas paradas cardíacas primárias, o fluxo arterial fica estagnado e a saturação de oxigênio começa a se reduzir, portanto a ressuscitação cardiopulmonar e cerebral iniciada precocemente mantém o fluxo de oxigênio adequado para os órgãos vitais. Portanto, o diagnóstico deve ser rápido e, em caso de dúvida no reconhecimento da respiração, devem-se iniciar rapidamente as manobras de reanimação. Com a finalidade de tornar o início das manobras de reanimação mais veloz, a pulsação em grandes artérias deve ser procurada apenas por profissionais da saúde e não deve demorar mais que dez segundos. As compressões torácicas externas devem ser iniciadas imediatamente, ou seja, nas novas diretrizes da American Heart Association (AHA), a sequência do suporte básico de vida foi invertida do A – B - C para C – A– B. A compressão torácica de alta qualidade deve ser realizada no meio do tórax da vítima em decúbito dorsal horizontal sobre superfície rígida e plana. Deve-se Atualização em Primeiros Socorros 54 www.eduhot.com.br comprimir o tórax cerca de cinco centímetros, com a região hipotenar da mão dominante, permitindo o retorno do mesmo entre as compressões e evitar as interrupções. A outra mão do socorrista deve estar posicionada sobre a primeira com os dedos entrelaçados ou estendidos, de maneira a evitar a aplicação de força sobre as costelas. A frequência das compressões deve ser de cem vezes por minuto, no mínimo, mas não deve ultrapassar 120 compressões por minuto. Se o socorrista não for treinado ou houver situação que impossibilite a realização da ventilação artificial, deve ser realizada a compressão torácica sem interrupções até a chegada do socorro especializado, fadiga do socorrista ou retorno da consciência da vítima. Caso seja realizada a ventilação artificial, esta deve ser feita na proporção de trinta compressões para duas ventilações, de forma assincrônica à compressão e gerando elevação visível do tórax. É importante lembrar que antes de iniciar o atendimento, deve-se verificar se o ambiente não oferece risco ao socorrista e/ou à vítima. O uso de equipamento de proteção individual (EPI) também é importante, pois a emergência não justifica a sua não utilização. Na possibilidade de ocorrência de desfibrilação elétrica, esta deve ser feita precocemente, até o terceiro minuto de fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular sem pulso (TVSP). Após o choque, a CTE deve ser reiniciada o mais breve possível. Assistolia e atividade elétrica sem pulso (AESP) não são ritmos chocáveis, mas devem receber RCP. Após a desfibrilação e a retomada do ritmo cardíaco normal, deve-se manter a compressão torácica até que a contração mecânica do coração seja útil e eficiente. As manobras do suporte básico de vida são fundamentais para sistematizar a ação durante um atendimento de emergência, facilitando o raciocínio e a tomada de decisão. SUPORTE AVANÇADO DE VIDA O suporte avançado de vida são manobras médicas invasivas, como por exemplo, procedimentos cirúrgicos, administração de medicamentos, punção venosa, Atualização em Primeiros Socorros 55 www.eduhot.com.br dentre outros realizados na vítima com o objetivo de estabilizar clinicamente este paciente. Pode ser realizada tanto no atendimento pré-hospitalar quanto no atendimento hospitalar. O suporte avançado de vida consiste na ressuscitação com uso de equipamentos adicionais ao usado no suporte básico de vida. Para aplicação dessas técnicas, é necessária a presença de médicos, enfermeiros ou profissionais treinados, pois são procedimentos específicos. São procedimentos realizados no suporte avançado de vida: ➢ Obtenção das vias aéreas; ➢ Ventilação; ➢ Obtenção de um acesso venoso periférico ou central; ➢ Administração de medicamentos; ➢ Cuidados pós-ressuscitação; ➢ Intubação orotraqueal; ➢ Cricotireoidotomia; ➢ Alinhamento de fraturas; ➢ Redução de luxações; ➢ Drenagem torácica. No suporte avançado de vida os profissionais possuem mais recursos técnicos e materiais para atender uma vítima,portanto é um atendimento que deve ser treinado exaustivamente por toda a equipe que trabalha na emergência. RESSUSCITAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA E CEREBRAL O termo Reanimação Cardiorrespiratória e Cerebral (RCRC) vem sendo inserido na prática profissional, em substituição ao termo Reanimação Cardiopulmonar (RCP). A ressuscitação cardiorrespiratória e cerebral é um conjunto de medidas utilizadas no atendimento a vítima de parada cardiorrespiratória. O atendimento correto exige, na maioria dos casos, o emprego de técnicas adequadas para o suporte das funções respiratórias e circulatórias. Atualização em Primeiros Socorros 56 www.eduhot.com.br É uma técnica desenvolvida em casos de urgência e emergência e qualquer interrupção ou suspensão da respiração espontânea constitui uma ameaça à vida da vítima. A aplicação imediata das medidas de ressuscitação cardiorrespiratória e cerebral é uma das atividades que exige conhecimento, treinamento e sua execução deve ser feita com técnica, seriedade e disposição. A probabilidade de execução da ressuscitação cardiorrespiratória e cerebral é bem pequena, exceto quando trabalhamos em hospitais, serviços de resgate e clínicas, porém o socorrista ou qualquer profissional de saúde deve estar pronto e treinado para atender uma vítima, pois isso fará a diferença entre a vida e a morte do paciente. A parada cardíaca é definida como a interrupção repentina da função de bombeamento cardíaco, que pode ser constatada pela falta de batimentos cardíacos da vítima e quando houver dilatação das pupilas, e que, se não revertida, poderá levar a vítima à morte. Já a parada respiratória é a interrupção total da respiração, devido à falta de oxigênio e excesso de gás carbônico no sangue. Independente da forma que ocorreu e de onde a parada cardíaca ocorreu, os objetivos da equipe de ressuscitação consistem em restaurar espontaneamente a circulação e respiração, preservando as funções vitais durante todo o processo de ressuscitação. A doença cardíaca ainda é a causa mais frequente de morte nos países industrializados seguido das emergências traumáticas caracterizada em muitas cidades pelos acidentes automobilísticos. Por estes motivos, os conceitos de reanimação cardiorrespiratória e cerebral tendem a concentrar-se na isquemia miocárdica como causa primária de parada cardiorrespiratória. A reanimação cardiorrespiratória e cerebral é uma terapia sintomática, que auxilia a manutenção da função do nosso organismo até o restabelecimento da função cardíaca normal. A causa básica da parada cardiorrespiratória deve ser identificada e tratada rapidamente, sem que isso interrompa ou retarde ainda mais o início das manobras de reanimação. As principais causas de parada cardiorrespiratória são: Atualização em Primeiros Socorros 57 www.eduhot.com.br ➢ Infarto agudo do miocárdio; ➢ Traumas; ➢ Arritmias cardíacas; ➢ Drogas; ➢ Hipotermia; ➢ Hipóxia; ➢ Afogamento; ➢ Distúrbios metabólicos. Nas causas primárias, a parada cardíaca ocorre devido a uma disfunção do próprio coração, que pode causar uma arritmia cardíaca, sendo a mais comum a fibrilação ventricular, resultando em uma isquemia miocárdica. As arritmias cardíacas e a isquemia miocárdica são as principais causas primárias relacionadas com a parada cardíaca em adultos que não sofreram traumatismos. Já nas causas secundárias, o problema do coração é causado por uma disfunção respiratória ou por uma causa externa. São as principais causas de parada cardiorrespiratória em vítimas de traumatismos. Podemos considerar a oxigenação deficiente devido à obstrução de vias aéreas ou doenças pulmonares como câncer de pulmão, transporte inadequado de oxigênio consequente de hemorragia grave, estado de choque, intoxicação por monóxido de carbono ou ainda devido à ação de fatores externos sobre o coração, como por exemplo, drogas e descargas elétricas. O atendimento de uma parada cardiorrespiratória deve ser realizado por manobras de ressuscitação com o objetivo de recuperar e manter, artificialmente, as funções circulatórias e respiratórias. Para que a equipe de socorristas tenha êxito em seu atendimento, fatores como condição clínica do paciente antes da parada cardiorrespiratória, as causas, a qualidade nas manobras aplicadas, o tempo decorrido entre a parada cardiorrespiratória e a realização das manobras de reanimação, são determinantes para que esta condição seja revertida. A probabilidade de sobrevida de uma vítima de parada cardiorrespiratória Atualização em Primeiros Socorros 58 www.eduhot.com.br diminui drasticamente a cada minuto perdido durante a ressuscitação cardiorrespiratória e cerebral. A parada cardiorrespiratória constitui emergência médica extrema, pois interrompe o aporte de oxigênio ao organismo, causando uma anóxia tecidual, exigindo que as manobras de ressuscitação sejam realizadas. As repercussões da anóxia são diferentes nos vários tecidos e exercem seu efeito nocivo mais rapidamente no músculo cardíaco e tecido cerebral. Qualquer que seja a causa originária da parada cardiorrespiratória, o paciente perde a consciência em dez segundos. Nos próximos dois a quatro minutos, ocorre a depleção da adenosina trifosfato no cérebro. Este tempo representa, portanto, o limite entre a vida e a morte do paciente ou a instalação de graves sequelas neurológicas se o paciente se recuperar. http://www.resgatetatico.com.br/imagens/imagens%20geral1/First_Responder.jpg RECONHECENDO A PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA A identificação da parada cardiorrespiratória e o atendimento inicial devem ser iniciados dentro de no máximo quatro minutos a partir da intercorrência, pois as funções vitais do sistema nervoso ainda estão preservadas, mas a partir deste período as possibilidades de recuperação tornam-se inviáveis. A eficácia da reanimação em caso de parada cardíaca depende do tempo em que o atendimento for iniciado, pois ainda grande parte do organismo permanece biologicamente vivo, durante algum tempo. Se a parada cardiorrespiratória for precedida de déficit de oxigenação, este tempo é ainda menor. A ausência de circulação do sangue interrompe a oxigenação dos órgãos e com isso em alguns minutos as células mais sensíveis começam a morrer. Os órgãos mais sensíveis à falta de oxigênio são o cérebro e o coração. A lesão http://www.resgatetatico.com.br/imagens/imagens%20geral1/First_Responder.jpg Atualização em Primeiros Socorros 59 www.eduhot.com.br cerebral irreversível ocorre geralmente entre quatro e seis minutos, ou seja, o paciente estará em morte cerebral. As vítimas submetidas à hipotermia podem suportar períodos mais longos sem oxigênio, pois o consumo de oxigênio pelo cérebro é menor. No atendimento de primeiros socorros, o socorrista deve observar sinais como imobilidade e palidez. Esses sinais identificarão efetivamente uma parada cardiorrespiratória, para que as manobras de reanimação possam ser iniciadas. Ao iniciar o atendimento, o socorrista deve verificar o nível de consciência, tentando observar as respostas do acidentado aos estímulos verbais. Contudo, se o acidentado não responder, o socorrista deve comunicar imediatamente ao atendimento especializado e iniciar as manobras de reanimação. É importante que o socorrista observe os seguintes eventos na determinação da parada cardiorrespiratória: ➢ Ausência de pulso numa grande artéria (carótida); ➢ Apneia ou dificuldade respiratória; ➢ Espasmo laríngeo; ➢ Cianose de extremidades e das mucosas; ➢ Inconsciência; ➢ Dilatação pupilar. A partir desse momento, o suporte básico de vida deve ser iniciado com o objetivo de restabelecer as funções vitais da vítima até a chegada do suporte avançado de vida. VERIFICANDO PULSO NA REGIÃO DO PESCOÇO <http://www.coracaosaudavel.com/images/abcressu05.jpg>http://www.coracaosaudavel.com/images/abcressu05.jpg Atualização em Primeiros Socorros 60 www.eduhot.com.br A verificação do pulso não deve ultrapassar mais do que cinco ou dez segundos pela possibilidade dele ser lento, pela sua irregularidade ou por sua amplitude reduzida. Se existe pulso, porém a respiração é ausente, após as duas ventilações iniciais, elas devem ser continuadas na frequência de uma ventilação a cada cinco segundos. Se caracterizada a parada cardíaca, deve-se imediatamente chamar por auxílio de "socorro especializado" sem abandono da vítima e prontamente iniciar a compressão torácica externa. O paciente deve estar em decúbito dorsal horizontal, apoiado numa superfície rígida como o solo, uma tábua ou uma bandeja de servir de tamanho apropriado, interposta entre o doente e o leito. LOCAL CORRETO PARA REALIZAÇÃO DA MASSAGEM CARDÍACA http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/prisocorros.htm ✓ O socorrista posiciona a vítima em decúbito dorsal (deitada de costas); ✓ Encontre a posição na metade inferior do esterno, entre os mamilos; ✓ Coloque a palma de uma mão (com os dedos estendidos) sobre esse local; ✓ Coloque a palma da outra mão (com os dedos estendidos) em cima da primeira. http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/prisocorros.htm Atualização em Primeiros Socorros 61 www.eduhot.com.br POSIÇÃO DAS MÃOS PARA REALIZAÇÃO DA MASSAGEM CARDÍACA http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/prisocorros.htm ✓ Posicione seu corpo diretamente sobre suas mãos. Os ombros devem ficar “olhando” para as mãos; ✓ Inicie as compressões; ✓ Pelo menos trinta compressões para cada duas ventilações; ✓ Realize o ciclo de compressões e ventilações por pelo menos cinco ciclos ininterruptos ou até que o resgate especializado chegue ao local do atendimento. MASSAGEM CARDÍACA http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/prisocorros.htm Os braços do socorrista devem permanecer em extensão com as articulações dos cotovelos fixas, transmitindo ao esterno da vítima a pressão exercida pelo peso dos seus ombros e tronco, reduzindo a fadiga. A pressão aplicada deve ser suficiente para deprimir o esterno em de cinco centímetros no adulto. Ao realizar as compressões elas deverão ser rítmicas e regulares, seguindo-se imediatamente o relaxamento de igual duração, aliviando totalmente a pressão, http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/prisocorros.htm http://portal.ua.pt/projectos/mermaid/prisocorros.htm Atualização em Primeiros Socorros 62 www.eduhot.com.br permitindo ao tórax retornar a sua posição normal, sem, entretanto, retirar as mãos. Tal movimento permite o enchimento das câmaras cardíacas para redistribuição do sangue pelo organismo, atingindo enfim as perspectivas das manobras de RCP. A sequência destas manobras não deve ser interrompida. A respiração artificial e a massagem cardíaca externa devem ser associadas, para uma reanimação efetiva. Caso atenda sozinho à vítima, serão trinta compressões para cada duas ventilações. Em dois socorristas a ideia é a mesma, mas não há a necessidade de parar a massagem para realizar as ventilações. Após quatro ou cinco ciclos de compressão e ventilação, que deve durar aproximadamente um minuto, aconselha-se a reavaliação de presença de pulso e de respiração espontânea, repetindo-se as reavaliações a cada três minutos. Durante a parada cardíaca, a massagem cardíaca realizada de modo apropriado pode produzir uma onda de pressão sistólica próximo a 100 mmHg, entretanto, a pressão diastólica é ao redor de zero, resultando, assim, uma pressão média de 40mmHg que irá representar a pressão de perfusão em grandes vasos, ou seja, 1/3 a 1/4 do normal. Essa situação de fluxo em nível crítico impõe ao socorrista uma eficiência e exige uma constância nas compressões O QUE FAZER E O QUE NÃO FAZER PARA OBTER UMA RCP DE ALTA QUALIDADE PARA ADULTOS OS SOCORRISTAS DEVEM OS SOCORRISTAS NÃO DEVEM Realizar compressões torácicas a uma frequência de 100 a 120/min Comprimir a uma frequência inferior a 100/min ou superior a 120/min Comprimir a uma profundidade de pelo menos 2 polegadas (5 cm) Comprimir a uma profundidade inferior a 2 polegadas (5 cm) ou superior a 2,4 polegadas (6 cm) Permitir o retorno total do tórax após cada compressão Apoiar-se sobre o tórax entre compressões Minimizar as interrupções nas compressões Interromper as compressões por mais de 10 segundos Atualização em Primeiros Socorros 63 www.eduhot.com.br Ventilar adequadamente: Sozinho - 2 ventilações após 30 compressões, cada respiração administrada em 1 segundo, provocando a elevação do tórax. Em Dupla - 1 ventilação a cada 6 segundos (10 por minuto) de forma assincrônica em relação as compressões. Aplicar ventilação excessiva (ou seja, uma quantidade excessiva de respirações ou respirações com força excessiva) REFERÊNCIAS PARA AS COMPRESSÕES TORÁCICAS ➢ Adulto: Comprima o esterno no mínimo 5 cm (não mais que 6cm); ➢ Crianças: Comprima o esterno cerca de 5 cm; ➢ Lactentes: Comprima o esterno cerca de 4 cm (aprox. 1/3 da circunferência do tórax). MANOBRAS INADEQUADAS DE RCP ➢ O paciente não está posicionado sobre uma superfície rígida; ➢ O paciente não está em posição dorsal horizontal; ➢ Não se executa adequadamente a manobra de extensão da cabeça; ➢ A boca ou máscara não está perfeitamente selada e o ar escapa; ➢ As narinas do paciente não estão fechadas (no caso de boca-a-boca); ➢ As mãos estão posicionadas incorretamente ou em local inadequado; ➢ As compressões estão sendo realizadas muito profundas ou demasiadamente rápidas; ➢ A razão entre as ventilações e compressões está incorreta (quando em dupla); ➢ A RCP deixa de ser executada por mais de 10 segundos. A RCP DEVERÁ CONTINUAR, ATÉ QUE: ➢ Ocorra o retorno espontâneo da circulação (retorno do pulso). Não esquecer de continuar ventilando; ➢ Ocorra o retorno da respiração e circulação; ➢ Pessoal mais capacitado chega ao local da ocorrência a assume o socorro; Atualização em Primeiros Socorros 64 www.eduhot.com.br DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO A desfibrilação é a aplicação de uma corrente elétrica em um paciente, utilizando um desfibrilador, um equipamento eletrônico cuja função é reverter um quadro de fibrilação atrial ou ventricular. A reversão ou cardioversão se dá mediante a aplicação de descargas elétricas no paciente, graduadas de acordo com a necessidade. Os choques elétricos em geral são aplicados diretamente ou por meio de eletrodos colocados na parede torácica do paciente. Além dos desfibriladores tradicionais, em que um médico verifica a situação presente e ajusta o aparelho conforme a necessidade há também o desfibrilador automático externo, com a capacidade de fazer uma avaliação das condições cardíacas do paciente e informar o utilizador se um choque deve ser dado ou não. O Desfibrilador Automático Externo ou simplesmente DEA é um aparelho eletrônico portátil que diagnostica automaticamente as arritmias cardíacas, tais como, a fibrilação ventricular e taquicardia ventricular em um paciente. O DEA pode diagnosticar e tratar as arritmias, por meio da desfibrilação, ou seja, uma aplicação de corrente elétrica que é aplicada na vítima para que o coração retome o ciclo cardíaco normal. É utilizado em paradas cardiorrespiratórias e tem como objetivo identificar o ritmo cardíaco chamado de fibrilação ventricular, pois esse ritmo está presente em aproximadamente 90% das paradas cardíacas. Ele efetua a leitura automática do ritmo cardíaco por meio de pás adesivas no tórax. Tem o propósito de ser utilizado por pessoas leigas, com recomendação que o socorrista tenha realizado o curso e treinamento específico de suporte básico em parada cardíaca. Suas descargas devem ser divididas conforme a idade da vítima são elas: ➢ Adultos: 200 J (bifásico)e 360 J (monofásico) em adultos; ➢ Crianças, acima de oito anos: 100 J(redutor). Não há consenso na utilização de crianças com menos de 30 kg. Hoje, são utilizados equipamentos em unidades de emergências e em unidades de terapia intensiva, com cargas monofásicas que variam de 0 a 360 Joules ou Bifásicas de 0 a 200J. Atualização em Primeiros Socorros 65 www.eduhot.com.br Ele pode também efetuar a desfibrilação com leitura automática do ritmo cardíaco, permitindo que uma pessoa que não tenha conhecimento prévio seja o operador do aparelho. A utilização do DEA vem sendo difundida em vários países, pois ele pode salvar muitas vidas. São razões importantes que devem ser consideradas e que facilitam na utilização: ➢ É um equipamento autoinstrutivo; ➢ Quando instalado na vítima, age inteligentemente; ➢ Aplica a descarga elétrica apenas quando o ritmo cardíaco for chocável. DESFIBRILADOR EXTERNO AUTOMÁTICO http://www.solostocks.pt/img/desfibrilhador-externo-automatico-331821z0.jpg INDICAÇÕES DE DESFIBRILAÇÃO ➢ PCR com ritmo chocável (FV – Fibrilação Ventricular e TVSP – Taquicardia Ventricular Sem Pulso). ➢ Adulto, Criança, Lactente, exceto RN, com as devidas pás específicas para cada paciente e atenuadores de corrente se possível. Taquicardia Ventricular Sem Pulso. Fonte: http://www.medicinaintensiva.com.br/ecgpatologico.htm http://www.solostocks.pt/img/desfibrilhador-externo-automatico-331821z0.jpg Atualização em Primeiros Socorros 66 www.eduhot.com.br Fibrilação Ventricular. Fonte: http://www.medicinaintensiva.com.br/ecgpatologico.htm UTILIZAÇÃO DO DEA ➢ Inicie RCP até que o DEA esteja disponível; ➢ Posicionando o DEA: (a) Posicione o DEA no lado esquerdo do paciente, na altura da cabeça; (b) Ligue o aparelho; (c) Posicionar os eletrodos (pás adesivas) sobre o tórax exposto, na posição indicada, conectando o cabo ao DEA ou conforme instruções do modelo em uso. As pás devem ser posicionadas de forma anterolateral, para que a onda elétrica atravesse o coração. Posições alternativas, porém, podem ser consideradas, com base nas características individuais do paciente, aceitando-se: anteroposterior, infra escapular antero-esquerda e infra escapular antero-direita. (d) A RCP somente será interrompida quando o DEA emitir o comando sonoro “Afastese, analisando”. (e) Durante a análise do DEA ninguém poderá tocar a vítima ➢ Se choque indicado: (a) Afaste todas as pessoas de perto do paciente; (b) Pressione o botão de choque ao vê-lo piscar; (c) Reinicie imediatamente a RCP pelas compressões por 2 minutos; (d) Após 2 minutos de compressões e insuflações, checar novamente o ritmo com o DEA. Se choque for indicado, siga as orientações do equipamento. Se choque não for indicado, checar pulso carotídeo e, se pulso ausente, reiniciar imediatamente a RCP. (e) As manobras de RCP deverão seguir o protocolo de comando sonoro do DEA, trocando o socorrista que realiza as compressões torácicas durante as pausas para análise, ou seja, a cada 2 minutos. ➢ Se o Suporte Avançado de Vida não está disponível/a caminho, Atualização em Primeiros Socorros 67 www.eduhot.com.br transporte para o Hospital de Referência nos seguintes casos: (a) A vítima apresenta sinais de retorno espontâneo da circulação; (b) Após 5 análises consecutivas de “choque indicado” ou “não indicado”, a vítima deverá ser embarcada e transportada sem interrupção da RCP, mantendo os eletrodos na vítima, desconectando-as do DEA (devido à movimentação provocada durante o deslocamento da viatura). PRECAUÇÕES DURANTE O USO DO DEA ➢ Afaste o paciente de água e de superfície molhada; ➢ Antes de conectar as pás, sempre seque e limpe o local permitindo que o adesivo da pá cole perfeitamente; ➢ Afaste as pás cerca de 2 a 3 cm de distância do marca-passo ou cardio desfibrilador implantado (CDI). Se durante a análise, o DEA detectar interferência destes dispositivos implantados através do comando “movimento detectado”, trocar a posição dos eletrodos para a posição antero-posterior (considere o uso de um novo eletrodo); ➢ Afaste as pás de local lesionado da pele; ➢ Retire adesivo de medicação transcutânea se houver, limpe e seque a superfície onde a pá será instalada; ➢ Não movimente o paciente durante a utilização do DEA, devido aos artefatos de ruídos e à simulação de FV decorrentes do próprio movimento; ➢ Não toque nem deixe ninguém tocar o paciente durante a análise do ritmo e a administração do choque; ➢ Raspe os pelos do tórax do paciente, se necessário, nos locais onde serão colocadas as pás; ➢ Evite operar o DEA próximo a celulares e rádios de comunicação (HT) ligados, linhas de trem e metrô, e linhas de alta voltagem; ➢ Retire, quando possível, correntes, adornos e assessórios metálicos do pescoço e mamilo do paciente antes de colocar as pás; ➢ Não use o DEA concomitante com oximetria de pulso, aparelhos de pressão e equipamentos médicos em contato com o paciente sob monitoramento; ➢ Remova fontes de oxigênio e gases anestésicos inflamáveis antes de executar a desfibrilação. Há risco de incêndio e de explosão; Atualização em Primeiros Socorros 68 www.eduhot.com.br ➢ O DEA poderá ser utilizado em vítimas que se encontrem sobre superfícies condutoras (aeronave, maca, escadas, plataformas, embarcações e etc.), tendo em vista que a corrente de fuga resultante do choque é de apenas 10 miliampéres; ➢ A utilização do DEA em gestante não difere das demais vítimas; ➢ Se durante a aplicação do DEA a bateria descarregar, continue a RCP e inicie deslocamento SINAIS VITAIS Os sinais vitais são indicadores das funções vitais do nosso organismo e podem orientar o diagnóstico inicial e acompanhar a evolução do quadro clínico de uma vítima. São considerados também como os sinais emitidos pelo nosso corpo de que suas funções vitais estão normais e que qualquer alteração indica uma anormalidade. Os sinais vitais são: ➢ Pulso; ➢ Respiração; ➢ Pressão arterial; ➢ Temperatura. PULSO É a ondulação exercida pela expansão das artérias seguida por uma contração do coração. Nada mais é que a pressão exercida pelo sangue contra a parede arterial em cada batimento cardíaco. O pulso pode ser percebido sempre que uma artéria é comprimida contra um osso. Os locais mais comuns para obtenção do pulso são nas artérias carótida, radial, femoral e braquial. Pode ainda ser verificado por meio da ausculta cardíaca com o auxílio de um estetoscópio e denominamos pulso apical. Na verificação do pulso deve-se observar a sua frequência, ritmo e volume. Atualização em Primeiros Socorros 69 www.eduhot.com.br TABELA – ÍNDICES NORMAIS DE PULSO RESPIRAÇÃO A respiração refere-se à entrada de oxigênio na inspiração e a eliminação de dióxido de carbono pela expiração. É a sucessão rítmica de movimentos de expansão e de retração pulmonar com a finalidade de efetuar trocas gasosas entre a corrente sanguínea e o ar nos pulmões. Para avaliar a respiração devemos verificar seu caráter, se ela é superficial ou profunda, seu ritmo que pode ser regular e irregular e por último sua frequência, ou seja, a quantidade de movimentos respiratórios por minuto. TABELA – ÍNDICES NORMAIS DE RESPIRAÇÃO Outros fatores podem alterar os valores normais da respiração como exercícios físicos, medicamentos, fatores emocionais, portanto, é importante que o socorrista saiba reconhecer estas alterações. São empregados termos específicos para definir as alterações dos padrões respiratórios, tais como: ➢ Eupneia: respiração normal, com movimentos regulares, sem dificuldades; ➢ Apneia: é a ausência dos movimentos respiratórios; ➢ Dispneia: dificuldade na execução dos movimentos respiratórios; ➢ Bradipneia: diminuição da frequência respiratória; ➢ Taquipneia:aumento da frequência respiratória. PRESSÃO ARTERIAL ADULTOS 60 – 100 bpm CRIANÇAS 80 – 140 bpm LACTENTES 85 – 190 bpm ADULTOS 12 – 20 ipm CRIANÇAS 20 – 40 ipm LACTENTES 40 – 60 ipm Atualização em Primeiros Socorros 70 www.eduhot.com.br É a força exercida pelo sangue contra a parede interna das artérias quando este é impulsionado pela contração cardíaca. Pode variar de acordo com a idade do paciente, devido ao aumento da atividade física, situações que levam ao estresse e ao medo e por alterações cardíacas. A pressão arterial é influenciada pela força dos batimentos cardíacos e pelo volume circulante. A contração cardíaca é denominada sístole e o relaxamento do coração é denominado diástole. A pressão sistólica é a pressão máxima do coração, enquanto a pressão diastólica é a pressão mínima do coração. <http://nickmartins.com.br/atualidades/wp-content/uploads/2011/01/perigo-pressao- baixa.jpg São empregados termos específicos para definir alterações nos valores anormais da pressão arterial, são eles: ➢ Hipertensão: aumento dos níveis da pressão arterial; ➢ Hipotensão: redução dos níveis da pressão arterial; ➢ Normotenso: são os parâmetros normais da pressão arterial. TABELA DE VALORES NORMAIS DE PRESSÃO ARTERIAL VALORES NORMAIS DE PRESSÃO ARTERIAL SISTÓLICA DIASTÓLICA ADULTO 100 a 130 60 a 90 CRIANÇAS E ADOLESCENTES 80 + 2 por idade (aprox.) Aproximadamente 2/3 da PAS http://nickmartins.com.br/atualidades/wp-content/uploads/2011/01/perigo-pressao- Atualização em Primeiros Socorros 71 www.eduhot.com.br De 3 a 5 anos De 6 a 10 anos De 11 a 14 anos Média de 99 (78 a 116) Média de 105 (80 a 122) Média de 114 (88 a 140) Média de 55 Média de 57 Média de 59 TEMPERATURA É o nível de calor que chega a um determinado corpo, ou seja, é a diferença entre o calor perdido e o calor produzido pelo organismo. É influenciada por meios físicos e químicos e seu controle é realizado por meio da estimulação do sistema nervoso central. A temperatura corporal reflete o balanceamento entre o calor produzido e o calor perdido pelo corpo e pode ser verificada nas regiões axilar, oral e retal. É medida por meio do termômetro clínico e possui uma graduação que varia de 34ºC a 42ºC, sendo que raramente o ser humano sobrevive com sua temperatura acima ou abaixo destes parâmetros. http://www.atmosferafeminina.com.br/content/user/images/febre_materia.jpg Veja na tabela abaixo, os parâmetros normais da temperatura corporal em adultos e crianças: TABELA – PARÂMETROS NORMAIS DA TEMPERATURA Pontos de aferição Adulto Criança http://www.atmosferafeminina.com.br/content/user/images/febre_materia.jpg Atualização em Primeiros Socorros 72 www.eduhot.com.br Oral 37ºC 37,4ºC Retal 37,5ºC 37,8ºC Axilar 36,7ºC 37,2ºC Variações de 0,3ºC a 0,6ºC da temperatura são consideradas normais e pode se elevar em situações como: ✓ Infecção. ✓ Medo. ✓ Ansiedade. São causas da diminuição da temperatura corporal: ✓ Exposição ao frio. ✓ Estado de choque. ✓ Hemorragias. São empregados termos específicos para definir alterações nos valores anormais da temperatura, são eles: ✓ Afebril: temperatura corporal normal. ✓ Hipotermia: temperatura corporal abaixo do normal. ✓ Hipertermia: temperatura corporal acima do normal TRAUMATISMO CRANIOENCEFÁLICO O trauma de crânio é responsável por 50% das mortes em pacientes traumatizados. São as principais causas de óbito nas vítimas de acidentes automobilísticos. A maioria das vítimas está na faixa etária entre quinze e 24 anos. E mesmo quando não causa a morte, pode ocasionar sequelas graves, incompatíveis com uma vida produtiva. O tratamento adequado é eficaz para diminuir essas complicações. Os traumatismos da cabeça podem envolver, isoladamente ou em qualquer combinação, o couro cabeludo, crânio e encéfalo. LESÕES NO COURO CABELUDO Atualização em Primeiros Socorros 73 www.eduhot.com.br Podem causar hemorragias importantes devido à sua intensa vascularização. Nos adultos, os hematomas subgaliais (galos) são úteis para determinar a força do traumatismo. Os sangramentos devem ser controlados com compressão. Na presença de fratura com depressão, efetuar a compressão na margem da lesão para evitar agravamento. LESÕES NO COURO CABELUDO http://www.malthus.com.br/mg_02045/02051_b.jpg FRATURAS DE CRÂNIO As fraturas de crânio não implicam, necessariamente, presença de lesão encefálica, mas indicam a severidade do trauma e maior probabilidade de ocorrer lesão intracraniana. Podem ser classificadas em: ➢ Fraturas, linear ou simples: representam 80% das fraturas de crânio, são lineares e sem desvio. ➢ Fraturas abertas: localizam-se sob lesões do couro cabeludo e têm maior potencial para infecção. ➢ Fraturas deprimidas: ocorrem geralmente após lesão de baixa velocidade com impactos de pequenos objetos. Têm maior potencial para causar lesão cerebral, pois fragmentos ósseos penetram na massa encefálica. ➢ Fraturas de base de crânio: a presença de sangramento pelo nariz (rinorragia) ou pelo ouvido (otorragia) indica a possibilidade desta lesão. A equimose periorbitária (olhos de guaxinim) surge algumas horas após o trauma. A equimose de mastoide é um sinal tardio (mais de 24 horas após a lesão). ➢ http://www.malthus.com.br/mg_02045/02051_b.jpg Atualização em Primeiros Socorros 74 www.eduhot.com.br FRATURAS DE CRÂNIO http://3.bp.blogspot.com/_jttoLB3SPIM/SU6iAm-otkI/AAAAAAAAABo/6s3FUvXe- s0/s400/Imag007.jpg LESÕES CEREBRAIS ➢ Concussão: episódio de alteração do nível de consciência após um violento choque, com retorno rápido ao normal. Não há lesão cerebral definida. O quadro clínico é a perda da consciência por alguns segundos ou minutos, confusão, amnésia e vômitos. ➢ Contusão cerebral: ocorre geralmente nas áreas em que o cérebro entra em contato com protuberâncias ósseas, caracteriza-se por áreas de hemorragia no cérebro. Pode causar déficits permanentes ou se resolver totalmente. As lacerações cerebrais podem ocorrer nas mesmas situações das contusões cerebrais. ➢ Hematomas intracranianos: existem três tipos de hematomas (epidurais, subdurais e intracerebrais). ➢ Hematomas epidurais: ocorrem em quase todos os casos de fratura de crânio, não ocasionando sequelas graves. Criam um aumento da pressão intracraniana em poucas horas. São responsáveis por 5 a 10% dos óbitos por TCE. ➢ Hematomas subdurais: ocorre quando o sangramento está presente entre a dura- máter e a aracnoide. Geralmente de natureza venosa, tendo uma velocidade de expansão menor. Podem ser classificados de acordo com a apresentação clínica em agudos, subagudos e crônicos. ➢ Hematomas intracerebrais: são causados por dano vascular no momento do impacto. O quadro clínico depende da região do cérebro que foi afetada. http://3.bp.blogspot.com/_jttoLB3SPIM/SU6iAm-otkI/AAAAAAAAABo/6s3FUvXe-s0/s400/Imag007.jpg http://3.bp.blogspot.com/_jttoLB3SPIM/SU6iAm-otkI/AAAAAAAAABo/6s3FUvXe-s0/s400/Imag007.jpg Atualização em Primeiros Socorros 75 www.eduhot.com.br LESÕES CEREBRAIS http://hon.nucleusinc.com/imagescooked/28392W.jpg AVALIAÇÃO E ABORDAGEM DA VÍTIMA ➢ Avaliar a cena; ➢ Realizar a sequência CAB; ➢ Realizar miniexame neurológico (escala de coma de Glasgow); ➢ Avaliar pupilas (tamanho, simetria, responsividade à luz); ➢ Movimentos das extremidades (comparar a simetria entre o lado direito e esquerdo do corpo); ➢ Transportar rapidamente para o serviço apropriado para reduzir a gravidade das lesõese diminuir a mortalidade das vítimas. DESMAIO Síncope ou desmaio é a perda temporária, súbita e breve da consciência e consequentemente da postura, devido à isquemia cerebral transitória generalizada, caracterizada por redução na irrigação de sangue para o cérebro. Síncopessimulam crises de ausência simples ou crises parciais complexas com perda da consciência desde o início. A abordagem inicial de pacientes com síncope envolve diversos passos, como por exemplo, o suporte básico de vida antes da suspeita de uma crise epiléptica. Verificação da condição hemodinâmica, pesquisa http://hon.nucleusinc.com/imagescooked/28392W.jpg Atualização em Primeiros Socorros 76 www.eduhot.com.br de distúrbios metabólicos ou hipóxia fazem parte desta rotina. A síncope é um problema frequente, sendo responsável por 1 a 6% de todas as admissões hospitalares. Cerca de 30% das pessoas têm pelo menos uma síncope nas suas vidas, em 40% existe recidiva, sobretudo após os primeiros doze meses após o primeiro episódio. As causas principais são as alterações vasovagais, ou seja, uma hipersensibilidade do reflexo vasovagal, ocasionando dor intensa, estresse, emoção. Ou secundária a fatores cardíacos, como por exemplo, arritmia cardíaca e/ou cardiopatia obstrutiva ou mais frequentemente devido à alteração da resposta neuromediada do sistema nervoso autônomo que controla a pressão arterial e a frequência cardíaca. As outras causas são devido à hipotensão postural, após mudança rápida para posição de pé e medicamentos como anti-hipertensivos, antiarrítmicos e antidepressivos, que são os fármacos normalmente associados à perda de consciência. Na síncope, nem sempre existe uma diferenciação tão clara e os achados de exames diagnósticos podem ser inespecíficos. O diagnóstico é baseado na história clínica, no exame clínico e neurológico; estes itens são necessários para equacionar corretamente o episódio deinconsciência. São necessários, quando pertinente, diversos exames que vão desde um simples hemograma e dosagens de glicose até, nos casos mais graves, uma ressonância magnética. Casos mais graves, especialmente doenças de origem cardíaca, requerem uma atenção maior. Enquanto o paciente estiver desmaiado deve ser acomodado deitado, a cabeça sem angulações e as pernas elevadas. Há algumas medidas que podem ser realizadas com o objetivo de evitar que uma pessoa possa desmaiar, são elas: ➢ Se você acha que vai desmaiar, procure deitar-se com as pernas mais elevadas que a cabeça. ➢ Se não for possível deitar-se, sente-se e abaixe a cabeça até o nível dos joelhos, pois com este procedimento você consegue aumentar o fluxo de sangue para seu cérebro. Atualização em Primeiros Socorros 77 www.eduhot.com.br ➢ Procure não se levantar bruscamente, faça-o lentamente, para que sua frequência cardíaca e pressão sanguínea tenham mais tempo para se ajustar à posição vertical. ➢ Se você começou a tomar alguma medicação nova e acha que seu desmaio foi ocasionado pela medicação, procure seu médico, pois pode ser necessário ajustar a dosagem. ➢ Em épocas de altas temperaturas, como verão, passar por muito calor e umidade, ter sensação de abafamento, ingerir pouco líquido, ficar em pé por um longo tempo, fazer exercícios e desidratar-se são condições propícias para ocorrer um desmaio. Os primeiros socorros para casos de desmaio devem ser tomados até que seja possível o atendimento especializado. Podemos destacar: ➢ Afastar a vítima de local que proporcione perigo, como por exemplo, escadas, janelas; ➢ Deitá-la de barriga para cima e elevar as pernas acima do tórax, para que a cabeça fique mais baixa em relação ao restante do corpo; ➢ Manter a cabeça de lado para facilitar a respiração e evitar aspiração de secreções; ➢ Afrouxar as roupas; ➢ Manter o local arejado; ➢ Após recobrar a consciência, deve permanecer pelo menos dez minutos sentada, antes de ficar em pé, pois isso pode favorecer o aparecimento de um novo desmaio; ➢ Transportar a vítima para atendimento médico. São atitudes importantes que o socorrista não deve fazer: ➢ Não jogar água fria no rosto, para despertar; ➢ Não oferecer álcool ou amoníaco para cheirar; ➢ Não sacudir a vítima. ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO O acidente vascular encefálico (AVE) é uma condição frequente, que representa uma das causas mais comuns de óbito. Há também o potencial de produzir Atualização em Primeiros Socorros 78 www.eduhot.com.br sequelas graves nos sobreviventes. O acidente vascular encefálico ocorre quando a circulação cerebral é interrompida por coágulos sanguíneos ou hemorragias, causando em algum tempo a necrose da área do cérebro suprida pelos vasos obstruídos. CAUSAS DO ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO O acidente vascular encefálico é produzido pela oclusão ou ruptura de um vaso sanguíneo que irriga o cérebro. Existem dois tipos básicos de acidente vascular encefálico: ➢ Acidente vascular encefálico isquêmico: é o tipo mais comum, deriva da oclusão de um vaso sanguíneo por coágulo, que pode se originar do próprio vaso obstruído (trombo) ou do coração ou de outro vaso (êmbolo), condição esta menos comum que a primeira. ➢ Acidente vascular encefálico hemorrágico: secundário à ruptura de um vaso sanguíneo cerebral. O sangramento pode ocorrer em um vaso adjacente ao cérebro (hemorragia subaracnoide) ou dentro da substância cerebral (hemorragia intracerebral); FATORES DE RISCO O melhor tratamento para acidente vascular encefálico é o preventivo, assim, as pessoas com fatores de riscos devem ser identificadas e educadas para reconhecer os sinais de acidente vascular encefálico. Estes pacientes têm que ser acompanhados permanentemente por um médico. Os pacientes com doenças cardíacas, diabéticos e hipertensos têm mais chances de sofrer um acidente vascular encefálico. Geralmente as vítimas de acidente vascular encefálico são idosas – mais de 70% das vítimas têm mais de 65 anos –, porém jovens tambémpodem apresentar esta condição. Os fatores de risco que podem ser controlados são: ➢ Hipertensão; ➢ Colesterol elevado; ➢ Diabetes; Atualização em Primeiros Socorros 79 www.eduhot.com.br ➢ Tabagismo; ➢ Doença cardíaca. SINAIS E SINTOMAS DO ACIDENTE VASCULAR ENCEFÁLICO O acidente vascular encefálico deve ser suspeitado em qualquer paciente com perda súbita de função neurológica ou alteração no nível de consciência. Os sinais e sintomas mais comuns, que podem ocorrer isolados ou em combinação,são: ➢ Alteração do nível de consciência (sonolência, torpor ou coma); ➢ Cefaleia (dor de cabeça) intensa de início súbito. Qualquer cefaleia associada à alteração do nível de consciência e dor cervical; ➢ Fala incoerente ou dificuldade de entender a fala; ➢ Paralisia ou fraqueza facial. Pedir ao paciente que sorria para tornar este sinal mais evidente; ➢ Incoordenação, fraqueza, paralisia ou perda sensorial em um membro ou diminuída (metade) do corpo; ➢ Perda do equilíbrio; ➢ Perda da visão; ➢ Convulsões. Os sinais e sintomas podem atingir o máximo de severidade desde o início, piorar gradativamente ou flutuar. Por vezes, é impossível distinguir o acidente vascular encefálico isquêmico do hemorrágico, mas a cefaleia acompanhada de náuseas e vômitos são mais proeminentes com as hemorragias. A perda da consciência é mais frequente no acidente vascular encefálico hemorrágico. Muitos pacientes apresentam sintomas de um acidente vascular encefálico com duração menor que 24 horas, são os chamados ataques isquêmicos transitórios. Estes ataques muitas vezes precedem o acidente vascular encefálico, devendo servir como um alerta para o risco. Os profissionais de emergência não devem tentar diferenciar um acidente vascular encefálico de um ataque transitório e o paciente deve ser levado para o hospital de referência mais próximo. Atualização em Primeiros Socorros 80 www.eduhot.com.br Até pouco tempo não havia tratamento hospitalar específico para o acidente vascular encefálico, os pacientes eram colocados em um protocolo geral de “Alteração do Nível de Consciência”. Porém, com o desenvolvimentode novos tratamentos à base de drogas, que dissolvem coágulos, tornou-se importante que estes pacientes sejam removidos rapidamente para o hospital, mesmo que aparentemente sua situação não seja crítica, pois três horas após o início do quadro este tratamento não é mais eficaz. O profissional de emergência deve ter a seguinte conduta: ➢ Avaliar a cena; ➢ Realizar exame primário; ➢ Observar cuidados com a coluna cervical em situações nas quais se suspeita que o paciente possa ter sofrido algum traumatismo (em caso de queda); ➢ Abrir as vias aéreas é prioridade caso o paciente esteja inconsciente ou sonolento; ➢ Iniciar a ventilação pulmonar, caso necessário. A respiração inadequada piora ainda mais as condições cerebrais e pode aumentar a área de necrose; ➢ Administrar oxigênio sob máscara em todos os casos e manter a oximetria monitorizada acima de 92%; ➢ Prevenir a broncoaspiração, colocando o paciente em decúbito lateral, caso ocorram vômitos; ➢ Caso o paciente apresente sinais de choque, iniciar o tratamento; ➢ As alterações dos sinais vitais são comuns após o acidente vascular encefálico, particularmente a pressão arterial; ➢ Exame secundário com avaliação neurológica: escala de coma de Glasgow e escala de Cincinatti; ➢ Transportar para um centro de saúde de referência. Na alteração súbita no nível de consciência e paralisia podem preceder a obstrução de vias aéreas ou a aspiração de vômito. Muitos pacientes com acidente vascular encefálico não podem falar, mas podem entender o que é falado. As complicações do acidente vascular encefálico podem ser: ➢ Coma; ➢ Obstrução de vias aéreas por queda de língua; ➢ Broncoaspiração; Atualização em Primeiros Socorros 81 www.eduhot.com.br ➢ Distúrbio respiratório; ➢ Hipertensão arterial; ➢ Convulsões. ANGINA DE PEITO Angina é a dor ou desconforto que surge no tórax, causado pela chegada de quantidade insuficiente de sangue oxigenado ao miocárdio. É descrita como uma sensação de peso intenso ou aperto, mas pode ser do tipo queimação. Um fato importante é que a dor pode estender-se e irradiar para o braço esquerdo, com caráter de dor ou formigamento, ou para o lado esquerdo do pescoço ou até para a mandíbula. A angina é causada pela obstrução parcial das coronárias por uma placa de gordura, que limita a capacidade do coração de aumentar a chegada de sangue oxigenado em resposta a um aumento de consumo de oxigênio. Pode ser desencadeada por um aumento das necessidades de oxigênio do coração, ou que não pode ser atendida pelas coronárias obstruídas devido a exercícios físicos, febre, emoções fortes e traumatismos. Nos casos em que a dor dura até cinco minutos e pode ser aliviada pelo repouso ou por medicamentos específicos, ela pode ser considerada menos grave. Se a dor não desaparecer em menos de cinco minutos ou se não for aliviada completamente por medicação, o paciente deverá ser levado o mais precocemente possível para avaliação médica. Deve ser evitado qualquer tipo de esforço físico por parte da vítima, inclusive andar até em carro. Quando a dor for prolongada, podemos ter duas situações: ou o paciente tem uma angina grave, chamada de angina instável, ou um infarto agudo do miocárdio. Ambas são consideradas emergências; e o paciente deve ser transportado imediatamente para o hospital. INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO O infarto agudo do miocárdio (IAM) refere-se ao processo pelo qual áreas de células miocárdicas no coração são destruídas de maneira permanente. Como a angina instável, o infarto agudo do miocárdio é usualmente causado Atualização em Primeiros Socorros 82 www.eduhot.com.br por fluxo sanguíneo reduzido em uma artéria coronária devido à aterosclerose e oclusão de uma artéria por um êmbolo ou trombo. As outras etiologias do infarto agudo do miocárdio incluem: ➢ Vasoespasmo (constrição ou estreitamento súbito) de uma artéria coronária; ➢ Suprimento de oxigênio diminuído (em razão da perda sanguínea aguda); ➢ Demanda aumentada de oxigênio (em razão de uma frequência cardíaca rápida ou ingestão de cocaína). Oclusão coronariana, ataque cardíaco e infarto agudo do miocárdio são termos usados como sinônimos. A área de infarto leva tempo para se desenvolver. À medida que as células são privadas de oxigênio, a isquemia se desenvolve, ocorre a lesão celular e, com o passar do tempo, a falta de oxigênio resulta em infarto ou morte das células, que não pode mais ser revertida. A expressão “tempo é músculo” reflete a urgência do tratamento apropriado para melhorar os resultados do paciente. MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS A dor torácica que ocorre de forma repentina e contínua, apesar do repouso e medicamento, é o sintoma apresentado na maioria dos pacientes com um infarto agudo do miocárdio. Esta dor pode irradiar para os braços (principalmente o esquerdo), ou pescoço. Alguns pacientes podem apresentar dor epigástrica, dorsal, no membro superior direito e nos ombros. A dor pode associar-se a vômitos, sudorese, ansiedade, inquietação e falta de ar. Geralmente os sintomas se iniciam em repouso, pioram gradualmente e duram horas caso não haja tratamento. Os sinais vitais são inespecíficos, pois podem estar dentro dos parâmetros normais. As complicações do infarto agudo do miocárdio são classificadas como elétricas, como por exemplo, as arritmias; e mecânicas, como a falência cardíaca. A fibrilação ventricular é a principal causa de óbito por arritmias em pacientes infartados. A maioria das mortes ocorre nas primeiras 24 horas, especialmente na primeira hora (50% dos óbitos). O profissional de saúde pode atuar com eficácia Atualização em Primeiros Socorros 83 www.eduhot.com.br utilizando o desfibrilador semiautomático e transportando a vítima rapidamente ao hospital. ABORDAGEM E CONDUTA ➢ Realizar a avaliação primária e colher informações; ➢ Perguntar sobre outros episódios de dor, diagnósticos prévios e uso de medicações; ➢ Todo paciente adulto com dor torácica aguda e de forte intensidade deve ser considerado como vítima de infarto agudo do miocárdio, até que se prove o contrário; ➢ Manter a vítima em repouso absoluto; ➢ Tranquilizar pacientes lúcidos; ➢ Caso o paciente se torne inconsciente, abrir as vias aéreas e assistir a respiração; ➢ Administrar oxigênio suplementar sob máscara em todos os casos; ➢ Caso o paciente já tenha o diagnóstico de angina de peito, faça o uso de medicação prescrita por médico e tenha o medicamento em seu poder; ➢ O transporte rápido é fundamental, pois quanto mais rápido o paciente chegar a um centro de saúde de referência, maiores são as possibilidades de reduzir a área de infarto; ➢ Obter acesso venoso periférico em membro superior, mantendo-o com solução glicosada 5%, desde que prescrito pelo médico; ➢ Reavaliar frequentemente o paciente; ➢ Preparar para complicações súbitas como parada cardíaca, choque ou edema pulmonar agudo. DESOBSTRUÇÃO DAS VIAS AÉREAS O reconhecimento rápido da obstrução das vias aéreas determinará se esta vítima será socorrida rapidamente ou se ela evoluirá para o óbito. A obstrução poderá ser parcial, quando não há a completa interrupção do fluxo de ar, ou total, quando há Atualização em Primeiros Socorros 84 www.eduhot.com.br uma completa interrupção do fluxo de ar das vias aéreas superiores para as vias aéreas inferiores, estabelecendo assim, as trocas gasosas. A troca ineficiente de ar é indicada pela presença de: ✓ Tosse ineficaz e fraca; ✓ Ruídos respiratórios gementes ou estridentes; ✓ Dificuldade respiratória; ✓ Cianose. Os métodos de desobstrução das vias aéreas variam de acordo com o tipo de objeto que está causando a obstrução. Caso a vítima apresente uma obstrução das vias aéreas por sólidos, devemos realizar: ➢ Remoção manual do objeto; ➢ Compressões torácicas. Caso ocorraa obstrução por líquidos, devemos realizar: ✓ Aspiração das vias aéreas; ✓ Rolamento 90º para que o líquido seja retirado pela boca evitando assim sua aspiração para os pulmões. MANOBRA DE HEIMLICH A manobra de Heimlich é o melhor método pré-hospitalar de desobstrução das vias aéreas superiores por um corpo estranho. Esta manobra foi descrita pela primeira vez pelo médico Henry Heimlich, em 1974, que induz uma tosse artificial, que vai expelir o objeto da traqueia da vítima. Uma pessoa sozinha consegue realizar a técnica correta e desobstruir a via aérea, posicionando suas mãos na região abdominal e exercendo uma pressão sobre o final do diafragma, comprimindo indiretamente a base dos pulmões e expelindo o objeto causador da obstrução. As compressões abdominais devem ser realizadas da seguinte forma: Atualização em Primeiros Socorros 85 www.eduhot.com.br Vítima em pé: MANOBRA DE HEIMLICH http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 ✓ Ficar atrás da vítima; ✓ Posicionar uma de suas pernas entre as pernas da vítima, servindo de base caso ela desmaie; ✓ Colocar o braço em volta da cintura da mesma; ✓ Fechar uma mão e colocar o lado do polegar contra o abdômen da vítima POSIÇÃO DAS MÃOS http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 ✓ Fechar uma mão e colocar o lado do polegar contra o abdômen da vítima entre a cicatriz umbilical e o apêndice xifoide; http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 Atualização em Primeiros Socorros 86 www.eduhot.com.br POSIÇÃO DAS MÃOS http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 ✓ Com a outra mão envolver a mão fechada e pressionar o abdômen da vítima; POSIÇÃO DAS MÃOS http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 ✓ Puxar ambas as mãos em sua direção, com um rápido empurrão para cima e para dentro, comprimindo a parte superior do abdômen com a base do pulmão, expulsando o ar e movimentando o objeto causador da obstrução; ✓ Realizar cinco vezes a manobra com uma compressão firme e vigorosa, suficiente para movimentar o objeto e desobstruir as vias aéreas; ✓ Caso a vítima fique inconsciente, a manobra deverá ser interrompida e http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 http://www.lxjovem.pt/index.php?id_tema=473 Atualização em Primeiros Socorros 87 www.eduhot.com.br deve-se iniciar a reanimação cardiorrespiratória. Se a vítima estiver deitada ou inconsciente: ✓ A vítima deve ser colocada em decúbito dorsal, ou seja, com as costas no chão; ✓ Ajoelhar-se por cima da coxa da vítima ou posicionar-se lateralmente a ela; ✓ Colocar a segunda mão diretamente sobre a primeira e realizar a compressão abdominal; COMPRESSÃO ABDOMINAL http://csaudeesp.blogspot.com/ • Observar se o objeto foi expulso. Em vítimas obesas ou grávidas devemos realizar os seguintes procedimentos: ✓ Posicionar-se atrás do paciente; ✓ Posicionar uma de suas pernas entre as pernas da vítima; ✓ Posicionar as mãos acima do apêndice xifoide; ✓ Realizar as compressões abdominais; ✓ Verificar se o objeto foi expulso. A desobstrução de vias aéreas em crianças menores que um ano deve ser realizada da seguinte forma: ✓ Deitar a criança de bruços sobre o braço; ✓ Apoiá-la na palma da mão, de cabeça para baixo; http://csaudeesp.blogspot.com/ Atualização em Primeiros Socorros 88 www.eduhot.com.br ✓ Bater nas costas com as mãos em concha; ✓ Verificar se o objeto foi expulso. ASFIXIA A asfixia, também chamada de sufocação ou engasgo é o espasmo da tosse e expectoração que se apresentam em consequência da penetração de líquidos ou sólidos nas vias aéreas. As causas da asfixia são: ✓ Afogamento; ✓ Grande traumatismo do tórax; ✓ Envenenamento por drogas ou gases; ✓ Enforcamento; ✓ Choque elétrico; ✓ Qualquer bloqueio das vias respiratórias. O reflexo da tosse da vítima expulsará o líquido aspirado da traqueia em dez a trinta segundos. A obstrução completa se apresenta quando algum alimento sólido ou algum objeto estranho se aloja na laringe. Dependendo da gravidade da asfixia, os sintomas podem incluir: ✓ Agitação; ✓ Palidez; ✓ Dilatação das pupilas; ✓ Respiração ruidosa; ✓ Tosse; ✓ Inconsciência com parada respiratória; ✓ Cianose da face e extremidades. Geralmente, as pessoas que se engasgam estão conversando enquanto mastigam algum tipo de alimento. As dentaduras podem provocar asfixia, pois interferem na sensibilidade da boca em relação aos alimentos que estão sendo mastigados. O alimento não consegue ser tão bem mastigado com uma dentadura quanto com dentes naturais, porque a dentadura exerce uma menor pressão. Se algum alimento seguir o canal errado, o reflexo de tossir resolve o problema. Na verdade, a pessoa não está engasgando se conseguir tossir livremente, tiver Atualização em Primeiros Socorros 89 www.eduhot.com.br coloração normal e conseguir falar. Se a tosse for mais como uma respiração entrecortada e a pessoa estiver ficando azul, é bem provável que esteja engasgando. Se houver dúvida, verifique se ela consegue falar. Em caso afirmativo, a traqueia não está completamente obstruída e o oxigênio está chegando aos pulmões. Uma pessoa engasgada não consegue se comunicar, a não ser por gestos. O sinal universal de engasgo é uma das mãos segurando a garganta, com os dedos estendidos. Uma pessoa que exiba este sinal requer tratamento imediato e não pode ser deixada sem atendimento SINAL UNIVERSAL DO ENGASGO http://www.saudeeforca.com/wp-content/uploads/2010/09/asfixia_thumb.gif Se o objeto está preso no nariz, o socorrista deve ✓ Peça para que a pessoa respire pela boca; ✓ Observe a localização do objeto e se ele não tiver sido introduzido até o fundo, tente pressionar a base do nariz e empurrar o objeto para baixo; ✓ Se isso não funcionar ou o objeto estiver alojado no fundo, procure atendimento médico. Não tente forçar, pois você pode machucar a pessoa ou, pior, pressionar o objeto ainda mais para dentro. Se a pessoa engasgou e respira sem dificuldades, o socorrista deve: ✓ Esperar a pessoa tossir, pois a própria pressão do ar pode expulsar a comida para fora. http://www.saudeeforca.com/wp-content/uploads/2010/09/asfixia_thumb.gif Atualização em Primeiros Socorros 90 www.eduhot.com.br ✓ o Você pode ajudar a vítima a expelir o objeto realizando a tapotagem nas costas. Coloque-se atrás dela e faça a pessoa se curvar para frente e inicie as manobras. É importante medir a força aplicada. ✓ Uma manobra de compressão também pode ajudar. Coloque-se por trás e junte suas mãos entre a cintura e fim das costelas do engasgado. Aplique pressão rápida e seguidamente. ✓ Não tente virar a pessoa de cabeça para baixo para forçar a saída do objeto (uma bala engolida por uma criança, por exemplo). Isso pode piorar o engasgo, especialmente se ocorrer vômito. Se a pessoa engasgou e não consegue respirar, o socorrista deve: ✓ Observar se a vítima apresenta falta de ar. Ela ficará desesperada e começará a ficar cianótica. Se isso acontecer, o caso é grave, pois o objeto está obstruindo a passagem de ar. ✓ o Se o objeto for pontiagudo, não se deve fazer nada, apenas chamar o socorro médico imediatamente. ✓ Em outro caso, a solução é provocar o vômito, forçando com isso a saída do objeto. Isto é conseguido colocando seu dedo na garganta da vítima, mas se mesmo assim não funcionar, procure socorro médico imediatamente. Em caso de asfixia em bebês, o socorrista deve proceder da seguinte forma: ✓ Coloque a criança no colo ou deitada de costas, e posicione os dedos indicador e médio de ambas as mãos no final do osso esterno, próximo ao abdômen; ✓ Empurre o abdômen contra o diafragma, comprimindo-o de maneira súbita e vigorosa; ✓ Posicione a vítima "a cavaleiro", estendida, com a cabeça maisbaixa que o tronco; ✓ A cabeça deve ser sustentada com a mão, em torno do queixo e tórax. O ideal é que o socorrista descanse o braço sobre sua própria coxa; ✓ Golpeie quatro vezes, rapidamente, com a outra mão, entre os ombros; Atualização em Primeiros Socorros 91 www.eduhot.com.br ✓ Em seguida, ponha a mão livre nas costas da criança, de modo que fique entre as duas mãos, uma sustentando o tórax, pescoço e queixo, e a outra apoiando o dorso; ✓ Então vire a criança de uma vez e coloque-a sobre a coxa com a cabeça mais baixa que o tronco; ✓ Faça quatro compressões seguidas no esterno. ENGASGO EM LACTENTES http://www.hospitalgeral.com.br/1_com/pri_socorros/img/asfix2.jpg INTOXICAÇÕES Um tóxico é qualquer substância que, quando ingerida, inalada, absorvida, aplicada à pele ou produzida dentro do organismo em quantidades relativamente pequenas, lesiona o corpo por sua ação química. A intoxicação por inalação e ingestão de materiais tóxicos, tanto intencional quanto inadvertida, constitui um perigo importante para a saúde e é uma situação de emergência. Os tóxicos apresentam variado grau de morbimortalidade para o homem, daí a importância da abordagem bibliográfica entre os temas de emergências clínicas. A constituição química do toxicante, quantidade utilizada, início da intervenção terapêutica, uso de substâncias simultâneas, presença de comorbidades, suscetibilidade individual, entre outros fatores, influenciam a evolução clínica dos casos de intoxicação por esses “agentes externos”. O estímulo às medidas de prevenção e a suspeita clínica imediata são a chave para o sucesso do prognóstico nesse tipo de patologia. Medidas simples como o http://www.hospitalgeral.com.br/1_com/pri_socorros/img/asfix2.jpg Atualização em Primeiros Socorros 92 www.eduhot.com.br armazenamento de produtos químicos para uso doméstico em embalagens resistentes, associado ao hábito de armazená-lo em local seguro, fora do alcance de crianças e/ou idosos demenciados reduzem de modo comprovado os altos índices de intoxicações acidentais registrados nos centros de toxicologia. A orientação da população sobre os riscos das intoxicações por medicamentos de uso comum, assim como dos familiares de crianças e indivíduos com antecedentes de tentativa de suicídio, são alternativas para reduzir a frequência de intoxicações nos prontos-socorros. As informações obtidas dos acompanhantes do paciente, em uma anamnese detalhada e um exame físico minucioso (logo que a estabilidade hemodinâmica do intoxicado assim o permita), na maioria das vezes, serão suficientes para dar origem a um diagnóstico sindrômico até que um diagnóstico definitivo seja estabelecido. Durante a história clínica sobre a etiologia do quadro do paciente é importante tentar obter receituários antigos, embalagens, os produtos encontrados próximos à vítima, determinar o tempo entre a ingestão ou inalação do produto e a chegada ao serviço médico, os antecedentes patológicos pregressos (história de tratamento psiquiátrico, uso de lítio, antidepressivo cíclico, neurolépticos, analgésicos, opioides, digitálicos, anticonvulsivantes, dependência de drogas, etc.). Aos dados de exame físico como o grau de orientação são associados: suas condições de fornecer ou não informações adequadas, hálito, presença de picadas ou manchas na pele, reflexo pupilar, alterações motoras e/ou hemodinâmicas. Fatores que permitirão ao médico socorrista elaborar um diagnóstico e, ao mesmo tempo, muitas vezes, inferir a etiologia. Intoxicação por droga(s) adentra no diagnóstico diferencial de qualquer paciente com alteração do estado mental. Entra no diagnóstico de quaisquer sinais ou sintomas inexplicados em crianças menores de cinco anos ou adultos jovens. As intoxicações geralmente não requerem análises toxicológicas, embora o suporte de departamento de bioquímica e hematologia seja necessário. As maiores finalidades que justificam esse procedimento são a necessidade de um tratamento específico e do uso de antídoto para a droga suspeitada. Compostos como lítio, acetaminofen e metanol são exemplos de poucas substâncias que devem ser avaliadas qualitativa e quantitativamente, para melhor Atualização em Primeiros Socorros 93 www.eduhot.com.br eficácia da assistência ao paciente vítima de intoxicação por elas. De acordo com a epidemiologia das intoxicações no Brasil, por tipo de agente, os medicamentos lideram as estatísticas (ácido acetilsalicílico, barbitúricos, antidepressivos cíclicos, neurolépticos, benzodiazepínicos, digoxina, lítio, codeína), seguidos pelos produtos de limpeza de uso doméstico (saneantes); desengordurantes (destilados do petróleo: querosene, gasolina, tíner) e cáusticos (soda cáustica). Os produtos químicos industriais, como por exemplo, sulfeto de hidrogênio, CO, tolueno, xileno são citados mais frequentemente em medicina ocupacional. Em quarto lugar encontramos os praguicidas (raticidas, principalmente), seguidos pelos agrotóxicos de uso doméstico (inseticidas do grupo dos clorados, fosforados, carbamatos e, com menor toxidade, os piretos) e em sexto lugar aparecem as drogas como cocaína, maconha, opioides, isto é, drogasde abuso. Os envenenamentos ou intoxicações predominam em crianças (menores de doze anos), principalmente entre um e quatro anos. Geralmente, por supervisão inadequada dos pais, ou pela acessibilidade de produtos caseiros com potencial tóxico. Os adultos entre quinze e quarenta anos são os mais afetados, a maioria do sexo feminino e de modo intencional. INTOXICAÇÃO POR INGESTÃO No caso provável de intoxicação por ingestão, devem-se obter informações rapidamente. Se possível, levantar a história enquanto faz o exame físico; ver se há vômitos; conferir se há qualquer substância nas roupas da vítima. A cena pode estar associada a algum tipo específico de envenenamento. Os sinais e sintomas de intoxicação por ingestão podem ser identificados durante a avaliação da vítima. Eles podem incluir: ➢ Queimadura ou mancha ao redor da boca da vítima; ➢ Odores incomuns da respiração, no corpo, nas roupas do paciente ou no ambiente; ➢ Respiração anormal; ➢ Pulsação com frequência e características anormais; ➢ Sudorese; ➢ Pupilas dilatadas ou contraídas; Atualização em Primeiros Socorros 94 www.eduhot.com.br ➢ Produção excessiva de saliva ou presença de espuma na boca; ➢ Dores na garganta ou na boca ou deglutição dolorosa; ➢ Dor no estômago ou abdominal; ➢ Estado alterado de consciência. Na maioria dos casos o cuidado de emergência consistirá em: ➢ Realizar a avaliação primária; ➢ Diluir a substância no estômago da vítima; ➢ Administrar o carvão ativado para absorvê-la; ➢ Nunca tente provocar vômito se a vítima estiver inconsciente. INTOXICAÇÃO POR INALAÇÃO Obtenha o máximo de informações e o mais depressa possível da vítima e das pessoas presentes no local. Procure identificar a substância inalada. As possíveis fontes podem ser os escapamentos dos automóveis, fogões a gás, solventes industriais e latas de spray. Os sinais e sintomas de intoxicação por substâncias inaladas variam e dependem do tipo de substância. A reação do organismo para casos de intoxicação por gases tóxicos frequentemente pode demorar. Respiração rápida e tosse são indicadores característicos. A frequência do pulso é normalmente muito rápida e/ou muito lenta. Provavelmente poderá perceber a irritação dos olhos e danos das vias aéreas. Irritações de pele e olhos podem ser tratadas com água corrente. A prioridade do profissional de emergência deve ser cuidar dos danos às vias aéreas da vítima. Em caso de inalação de fumaça deve-se ter as seguintes condutas: ➢ Remover a vítima com segurança para áreas livres de fumaça; ➢ Executar avaliação inicial e medidas de suporte básico de vida, e de acordo com a necessidade (CAB);➢ Se a vítima estiver consciente e sem sinais de lesão no pescoço ou coluna, coloque-a em posição sentada ou semissentada. Esta posição facilita a respiração; ➢ Monitorar a vítima e preparar para uma perda de consciência; Atualização em Primeiros Socorros 95 www.eduhot.com.br ➢ Proporcione cuidados para o choque; ➢ Transporte para um centro de saúde de referência. INTOXICAÇÃO POR ABSORÇÃO As intoxicações por absorção normalmente irritam a pele e os olhos. Porém, há casos raros em que a substância é absorvida com mínimo ou nenhum dano à pele. Os sinais e sintomas de intoxicação por absorção incluem uma ou todas as seguintes reações: ➢ Reação cutânea: irritações moderadas de queimaduras por substâncias químicas; ➢ Prurido; ➢ Irritação nos olhos; ➢ Cefaleia; ➢ Temperatura da pele aumentada; ➢ Choque por alergia (choque anafilático). Os cuidados de emergência para intoxicações por absorção incluem remover a vítima da fonte da substância e lavar imediatamente com água corrente todas as áreas expostas. Depois desta conduta inicial, removaas vestes contaminadas e lave as áreas afetadas da pele da vítima com água e sabão, continue banhando abundantemente com água corrente. TRAUMA DE TÓRAX Os ferimentos no tórax causam aproximadamente 25% das mortes nos pacientes que sofreram politraumatismos. Cerca de 60% das vítimas politraumatizadas que evoluem para o óbito apresentam lesões torácicas. Os ferimentos podem ser fechados ou penetrantes, dependendo da integridade da parede torácica. Os fechados podem ser por compressão dos órgãos torácicos ou por aceleração-desaceleração e são mais frequentes que os penetrantes. Os ferimentos penetrantes podem ser causados por arma branca ou arma de Atualização em Primeiros Socorros 96 www.eduhot.com.br fogo. São mais evidentes e a trajetória do projétil ou lâmina pode ser imaginada, determinando o local de lesões em órgãos. As lesões específicas no traumatismo de tórax serão abordadas a seguir. FRATURA DE COSTELA As fraturas mais comuns são as laterais entre a terceira e oitava costelas. Elas são longas, finas e pouco protegidas. Fraturas simples isoladas quase nunca trazem risco de morte. Podem ser detectadas por dor ao movimento ou palpação e, às vezes, crepitação local. As fraturas de costelas mais baixas podem ser associadas a lesões do fígado (à direita) e baço (à esquerda). FRATURA DE COSTELA http://www.clinicadeckers.com.br/imagens/orientacoes/14_costela_lesionada.j pg TÓRAX INSTÁVEL O tórax instável é causado geralmente por um impacto no esterno ou na parede lateral com fraturas de duas ou mais costelas adjacentes em dois ou mais pontos, http://www.clinicadeckers.com.br/imagens/orientacoes/14_costela_lesionada.jpg http://www.clinicadeckers.com.br/imagens/orientacoes/14_costela_lesionada.jpg Atualização em Primeiros Socorros 97 www.eduhot.com.br deixando uma parte da parede “solta”. Esta porção perde o suporte ósseo e passa a fazer movimento contrário ao resto do tórax em cada respiração. É uma lesão grave e pode levar à hipóxia e à morte, se associada à contusão pulmonar e não tratada adequadamente. O tratamento consiste em medicação para dor e, em alguns casos, suporte ventilatório por aparelhos. CONTUSÃO PULMONAR A compressão do pulmão pode produzir hemorragia dentro dos alvéolos, reduzindo a capacidade do pulmão de transferir oxigênio para o sangue. Deve-se suspeitar se houver sinais de trauma importante do tórax, como fraturas de várias costelas, tórax instável e equimoses. Crianças podem apresentar contusões graves sem qualquer sinal de lesão externa ou fratura de costela. O tratamento específico somente será realizado em ambiente hospitalar ou por unidade de suporte avançado. CONTUSÃO PULMONAR http://2.bp.blogspot.com/_VMFYTb5Xd00/S- bQtliz4ZI/AAAAAAAAAC0/mV0TKoBIUFg/s1600/trauma+perfurocortante+t%C3%B3r ax+3.jpg PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO http://2.bp.blogspot.com/_VMFYTb5Xd00/S- Atualização em Primeiros Socorros 98 www.eduhot.com.br Pneumotórax significa a presença de ar no espaço entre pleuras. Pode ser resultante de lesão aberta no tórax, como por exemplo, uma facada, ou lesão do próprio pulmão após ser atingido por um fragmento de costela quebrada, por exemplo, ou ambos. À medida que o ar entra para o espaço pleural ele impede o pulmão de expandir-se e de realizar as trocas gasosas. Se o ar estiver entrando em um mecanismo de válvula, haverá compressão total do pulmão do mesmo lado com desvio do mediastino para o lado oposto, levando à redução do retorno de sangue para o coração e ao choque. Normalmente, há grande dificuldade respiratória, taquicardia, hipotensão arterial e distensão do lado do tórax afetado. Nessa situação, o ar pode escapar para debaixo da pele, podendo ser detectado pela palpação e sendo chamado enfisema subcutâneo. O pneumotórax hipertensivo poderá matar a vítima em poucos minutos, se não for detectado. Tratamento específico só em ambiente hospitalar, ou por equipe de suporte avançado de vida. Consiste na drenagem do ar, permitindo expansão pulmonar. PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO http://2.bp.blogspot.com/_3TLnErjyzOc/Sh84GwPdZpI/AAAAAAAAAKI/4BduH -cM3U/s400/pneumotorax.jpg PNEUMOTÓRAX ABERTO É produzido quando um ferimento penetrante conecta o espaço pleural com a http://2.bp.blogspot.com/_3TLnErjyzOc/Sh84GwPdZpI/AAAAAAAAAKI/4BduH- http://2.bp.blogspot.com/_3TLnErjyzOc/Sh84GwPdZpI/AAAAAAAAAKI/4BduH- Atualização em Primeiros Socorros 99 www.eduhot.com.br atmosfera. Quando maior que 2/3 do diâmetro da traqueia torna o paciente incapaz de encher os pulmões durante a inspiração, pois o ar tende a entrar pela ferida e não pelas vias aéreas. CONTUSÃO CARDÍACA A contusão cardíaca pode produzir lesão miocárdica. Devem-se suspeitar quando a vítima apresenta contusão ou fratura esternal. Devido a sua posição anterior e subesternal o ventrículo direito é mais afetado que o esquerdo. Tem como complicações as arritmias, hipotensão e rupturas de miocárdio ou válvulas. CONTUSÃO CARDÍACA http://www.medicinageriatrica.com.br/wp- content/uploads/2007/05/traumacard.JPG TRATAMENTO E CONDUTA ➢ Avaliação da cena; ➢ Realizar a sequência CAB; ➢ Conter hemorragias; ➢ Contato com o serviço de resgate; ➢ Transporte imediato para centro de saúde de referência. TRAUMA ABDÔMINAL http://www.medicinageriatrica.com.br/wp-content/uploads/2007/05/traumacard.JPG http://www.medicinageriatrica.com.br/wp-content/uploads/2007/05/traumacard.JPG Atualização em Primeiros Socorros 100 www.eduhot.com.br Os ferimentos de abdômen ocorrem em 20 a 40% dos pacientes que sofreram politraumatismos, causando 50% das mortes evitáveis por trauma. A mortalidade elevada é explicada pelo fato de que, frequentemente, o paciente não é diagnosticado na avaliação inicial, na emergência. O óbito pode ocorrer devido à hemorragia extensa proveniente de lesão aberta, como por exemplo, um trauma abdominal penetrante ou lesão fechada, que consideramos como trauma abdominal contuso. Complicações tardias também podem surgir se lesões pequenas passarem despercebidas, principalmente quando confia no aspecto externo da vítima e não valoriza o potencial de dano causado pelo acidente, sobretudo no trauma contuso. A completa ausência de sintomas e sinais locais não descarta a possibilidade de trauma abdominal. Os traumatismos podem ser fechados ou penetrantes, dependendo da integridade da parede abdominal. TRAUMATISMOS FECHADOS Os traumatismos fechados podem ocorrer por compressão dos órgãos abdominais ou por aceleração-desaceleração e são cinco vezes mais frequentes que os penetrantes. As vítimas podem não ter dor ou evidências de trauma ao exame. TRAUMATISMOS FECHADOS http://www.famema.br/gallery2/main.php?g2_view=core.DownloadItem&g2_itemId=102&g2_serialNumber=2 TRAUMATISMOS PENETRANTES Os traumatismos penetrantes podem ser causados por arma branca ou arma http://www.famema.br/gallery2/main.php?g2_view=core.DownloadItem&g2_itemId=102&g2_serialNumber=2 http://www.famema.br/gallery2/main.php?g2_view=core.DownloadItem&g2_itemId=102&g2_serialNumber=2 Atualização em Primeiros Socorros 101 www.eduhot.com.br de fogo. São mais evidentes e a trajetória do projétil ou lâmina pode ser imaginada, determinando o local de lesões em órgãos. A mortalidade é bem mais elevada em ferimentos por arma de fogo, pois as lesões aos órgãos abdominais são bem mais frequentes. TRAUMATISMOS PENETRANTES http://2.bp.blogspot.com/_wj8si01CvYk/Sogkkir9hhI/AAAAAAAAAOE/- v9h91icly4/s400/DSC00665.JPG PRIMEIROS SOCORROS ➢ Avaliar a cena; ➢ Realizar a sequência CAB; ➢ Administração de oxigênio; ➢ Imobilização rápida; ➢ Acesso venoso e infuso de soro (somente com supervisão e/ou orientação médica); ➢ Transporte imediato para o centro de saúde de referência. A avaliação e o tratamento cirúrgico são os elementos básicos para a redução da mortalidade dessas vítimas. Por isso, qualquer medida que retarde a chegada da vítima até esse recurso deve ser bem justificada. O tempo de chegada ao centro de saúde de referência é crucial. FERIMENTOS POR ANIMAIS PEÇONHENTOS São acidentes causados por ofídios, escorpiões, aranhas, vespas, abelhas e algumas formas marinhas de vida animal que se constitui em um tipo de envenenamento, cujo veículo de introdução, no corpo humano, se faz por meio de http://2.bp.blogspot.com/_wj8si01CvYk/Sogkkir9hhI/AAAAAAAAAOE/- Atualização em Primeiros Socorros 102 www.eduhot.com.br presas, ferrões, etc. A toxidade do veneno varia em função do tamanho e estado de nutrição do animal agressor, a quantidade de veneno inoculada, o peso e estado de saúde da vítima. Como profissional de emergência, não é necessário ser capaz de classificar insetos, aranhas, artrópodes e ofídios, porém, deve saber o mínimo indispensável sobre estes animais, para que seja possível utilizar a técnica adequada a cada situação. ENVENENAMENTO OFÍDICO O acidente por picada de cobra venenosa é denominado ofidismo. O Brasil é o país que possui a mais rica variedade de ofídios do mundo. As cobras não venenosas são maioria. Podemos classificar as serpentes venenosas, no Brasil, em quatro grandes gêneros, que descreveremos a seguir. Micrurus (Corais) Conhecidas vulgarmente como Corais. São encontradas nas regiões Centro- Oeste, Sul e Nordeste. A ação do veneno das Corais no organismo é muito rápida, de grande potência e mortal, se não for cuidado a tempo. Por isso, os sintomas e sinais aparecem em questão de minutos. São eles: ➢ Dificuldade em abrir os olhos; ➢ “Cara de bêbado”; ➢ Falta de ar; ➢ Dificuldade em engolir; ➢ “Formigamento” e “adormecimento”; ➢ Insuficiência respiratória aguda. Atualização em Primeiros Socorros 103 www.eduhot.com.br CORAL http://www.zoopets.com.br/serpentes/Advertencia_Micrurus%20decoratus_1_ Otavio%20Marques.jpg Crotalus (Cascavéis) São as famosas cascavéis, facilmente reconhecidas pelo “guizo” existente na ponta da cauda. Ocorrem nas regiões Sul e Centro. A ação do veneno limita-se a um pequeno e discreto inchaço, ao redor do ferimento, que pode passar despercebido. Entretanto, o veneno das cascavéis é de muita potência, sendo os acidentes provocados por essas cobras muito graves, levando à morte, caso não sejam tomadas providências. São alguns sinais e sintomas de envenenamento: ➢ Dificuldade de abrir os olhos; ➢ “Cara de bêbado”; ➢ Visão dupla; ➢ Visão turva; ➢ Dor muscular; ➢ Sensação de formigamento no membro afetado; ➢ Dificuldade para falar. Após seis a doze horas: ➢ Escurecimento da urina. http://www.zoopets.com.br/serpentes/Adve http://www.zoopets.com.br/serpentes/Advertencia_Micrurus%20decoratus_1_Otavio%20Marques.jpg http://www.zoopets.com.br/serpentes/Advertencia_Micrurus%20decoratus_1_Otavio%20Marques.jpg Atualização em Primeiros Socorros 104 www.eduhot.com.br CASCAVEL http://s190.photobucket.com/albums/z257/americanwildlife/Reptile/Crotalus_e nyo.jpg>. Bothops (Jararacas) São as mais comuns e as mais numerosas, vulgarmente chamadas de Jararacas. Estas serpentes são responsáveis por cerca de 90% dos acidentes ofídicos do Brasil e são encontradas em todo território nacional. O seu veneno provoca hemorragia. A ação do veneno no organismo apresenta as seguintes manifestações locais: ➢ Dor imediata; ➢ Inchaço (edema); ➢ Calor e rubor no local da picada; ➢ Hemorragia no local da picada ou distante dele. As complicações que podem surgir: ➢ Bolhas; ➢ Gangrenas; ➢ Abscesso; ➢ Insuficiência renal aguda. http://s190.photobucket.com/albums/z257/americanwildlife/Reptile/Crotalus_enyo.jpg http://s190.photobucket.com/albums/z257/americanwildlife/Reptile/Crotalus_enyo.jpg Atualização em Primeiros Socorros 105 www.eduhot.com.br JARARACA http://3.bp.blogspot.com/_r8CAcPTrVU8/Sd_0deOoM4I/AAAAAAAABk4/pURn F- e6sgY/s1600/c_jararaca1.jpg Lachesis (Surucucus) São serpentes pouco conhecidas, chamadas de Surucucu ou Surucutinga, sendo encontradas na região Amazônica e Zona da Mata Nordestina. Os acidentes com Surucucus são muito raros no Brasil. O seu veneno no organismo do acidentado provoca reações semelhantes ao veneno das Jararacas. São eles: ➢ Inchaço no local da picada; ➢ Diarreia; ➢ Hemorragia. SURUCUCU http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/gif_animal/cobras.gif/surucucu1.j pg Conduta ➢ Realize o exame primário; http://3.bp.blogspot.com/_r8CAcPTrVU8/Sd_0deOoM4I/AAAAAAAABk4/pURnF- http://3.bp.blogspot.com/_r8CAcPTrVU8/Sd_0deOoM4I/AAAAAAAABk4/pURnF- http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/gif_animal/cobras.gif/surucucu1.jpg http://www.achetudoeregiao.com.br/animais/gif_animal/cobras.gif/surucucu1.jpg Atualização em Primeiros Socorros 106 www.eduhot.com.br ➢ Procure identificar o animal agressor, porém não perca tempo em fazer isto, se o capturar, leve-o morto para o hospital; ➢ Avalie os sinais vitais; ➢ Limpe o local da picada com água; ➢ Administre oxigênio; ➢ Mantenha o paciente deitado; ➢ Em caso de acidente com Botrópico (Jararaca), e se a vítima estiver com edemas no membro, eleve o membro para aliviar o edema; ➢ É importante que se faça um círculo em volta do local da picada com uma caneta, a fim de marcar o local da inoculação do veneno; ➢ Trate o choque, caso necessário; ➢ Transporte para um centro de saúde de referência. ACIDENTES COM ARANHAS Acidentes leves e benignos causados por Armadeiras e Viúvas-Negras causam apenas dor discreta no local da picada, enquanto os provocados pela Tarântula e Aranha-Marron provocam equimose local ou pequena necrose. Nos casos graves originados pelas aranhas Armadeira e Viúva-Negra, a dor é bem mais interna, e a vítima apresenta sudorese, náuseas, vômitos, hipertermia e hipertensão, evoluindo para coma e choque. Nos casos graves originados por picadas de Aranha-Marrom há dor forte no local da picada, náuseas, vômitos, hipertermia e grandes equimoses no membro afetado, geralmente acompanhados por flictenas hemorrágicas. As condutas a serem realizadas em casos de acidentes com aranhas são as mesmas realizadas com acidentes ofídicos. ARANHAS Atualização em Primeiros Socorros 107 www.eduhot.com.br http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/aranha_loxosceles_gaucho1.jp g ACIDENTES COM ESCORPIÃO A incidência real do acidente com escorpiões é ainda pouco conhecida, pois à semelhança dos acidentes aracnídeos, a maioria dos dados restringe-se àqueles casos em que houve envenenamento e utilização de soro específico. A maioria dos acidentes ocorre nos meses quentes e chuvosos, mais frequentes de setembro anovembro, atingindo predominantemente os membros superiores, principalmente as mãos e os antebraços. A letalidade situa-se em 0,5 como médias nacional (aproximadamente 35 óbitos/ano no período de 1990-1993) sendo que a maior proporção é registrada em indivíduos menores de 14 anos. Reconhecimento ➢ Procure identificar e capturar o animal agressor, porém não perca tempo neste trabalho; ➢ Dor local muito intensa; ➢ Náuseas e vômitos; ➢ Dores abdominais; ➢ Convulsões; ➢ Entorpecimento e formigamento no membro afetado; ➢ Espasmo do músculo do maxilar causando dificuldade para abrir a boca; ➢ Choque; http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/aranha_loxosceles_gaucho1.jpg http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/aranha_loxosceles_gaucho1.jpg Atualização em Primeiros Socorros 108 www.eduhot.com.br ➢ Edema. O tratamento é o mesmo utilizado para ofídicos. ESCORPIÃO http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/imagens/escorp.jpg>. TRAUMA OCULAR Ferimentos oculares são mais comuns do que podemos imaginar. Muitos podem até ser de pouca importância, mas se não forem tratados de forma rápida e adequada podem levar a complicações que ameaçam a visão. Pode haver lesões sérias, e até mesmo com o cuidado de médicos oftalmologistas, a visão pode ser perdida. http://4.bp.blogspot.com/_1xcCviN1G4Q/S5w-LR- http://www.hospvirt.org.br/enfermagem/imagens/escorp.jpg http://4.bp.blogspot.com/_1xcCviN1G4Q/S5w-LR- Atualização em Primeiros Socorros 109 www.eduhot.com.br E2bI/AAAAAAAAADw/JeUwwK0KIUo/s320/faca+no+olho.jpg>. A prevenção da cegueira ocasionada por ferimentos oculares requer ➢ Prevenção de acidentes; ➢ Avaliação precoce do paciente; ➢ Avaliação correta por parte do socorrista que presta o atendimento; ➢ Encaminhamento imediato de ferimentos sérios que requerem cuidados do oftalmologista. Os primeiros socorros em caso de substâncias químicas nos olhos são: ➢ Realizar a lavagem do olho com água em abundância; ➢ O paciente deve permanecer deitado por quinze minutos durante a administração abundante de água nos olhos. A proteção dos olhos é uma necessidade urgente, e imperativa, não apenas pelo desejo de bem-estar dos indivíduos, mas também por razões de ordens socioeconômicas, como o aumento da produtividade. Com o aumento da industrialização e a diminuição das medidas profiláticas, os acidentes oculares de trabalho têm ocorrido com uma frequência cada vez maior, sendo necessárias medidas eficazes para preveni-los e evitá-los. Tais acidentes são responsáveis, muitas vezes, por gerar incapacidade e limitações nos indivíduos, por provocarem cegueira. Nos Estados Unidos, ocorrem cerca de mil acidentes oculares de trabalho por dia, apesar de todo um esforço na sua prevenção. Por ser a visão o sentido mais importante, os olhos são extremamente essenciais para o operário e lesões mínimas podem impossibilitá-lo para o trabalho.É importante ressaltar que aproximadamente 98% dos acidentes são evitáveis, ou seja, a cada cem acidentes, apenas dois deveriam acontecer. Dentre eles, podemos citar: ➢ Produtos de limpeza, como desinfetantes, detergentes e alvejantes; ➢ Inseticidas; ➢ Objetos pontiagudos como tesouras, facas, garfos e agulhas; ➢ Líquidos inflamáveis; Atualização em Primeiros Socorros 110 www.eduhot.com.br ➢ Produtos com temperaturas elevadas, tais como, fósforo, óleo para fritura; ➢ Plantas domésticas que liberem substâncias (coroa-de-cristo, etc.), entre outros. Estes produtos provocam desde queimaduras até lesões perfurantes graves do globo ocular, devendo, portanto, ser evitado o seu manuseio sem os devidos cuidados preventivos. Um cuidado especial é o de se estocar tais produtos longe do alcance de crianças. Por fim, cabe ainda lembrar a importância do uso do cinto de segurança nos veículos, pois pesquisas mundiais demonstram a eficácia deste objeto de segurança na medida em que diminui em uma percentagem alta o número de acidentes oculares graves, como as perfurações, que podem gerar perda da função visual. A primeira e mais importante medida de socorro após um acidente ocular é a lavagem dos olhos com água limpa em abundância. A única exceção se faz às perfurações oculares, que devem ser encaminhadas imediatamente ao oftalmologista para os devidos reparos. É importante evitar-se a compressão do globo ocular até a avaliação da extensão da lesão provocada pelo acidente. É fundamental a avaliação do médico oftalmologista que possui os equipamentos necessários para um adequado exame do olho. O uso de colírio anestesiante para alívio dos sintomas é um procedimento apenas aceito durante o exame do olho acometido e somente pelo médico oftalmologista. Nunca deve ser usado como rotina pelo socorrista, uma vez que o seu abuso pode gerar problemas oculares graves como úlceras e cegueira, sendo inclusive necessária a proibição de sua comercialização sem prescrição médica oftalmológica. AFOGAMENTOS Afogamento é todo acidente por submersão em que a vítima morre dentro das primeiras 24 horas. Quase afogamento é todo acidente por submersão em que a vítima sobrevive no mínimo por 24 horas, independentemente do resultado final. Atualização em Primeiros Socorros 111 www.eduhot.com.br O afogamento é uma causa comum de morte acidental em crianças e adultos jovens. A prevenção é o principal instrumento para redução nos casos de afogamento, por intermédio da educação da população e do aumento do número de guarda-vidas nas praias. Os tipos de afogamentos são: ➢ Afogado molhado: associado à aspiração de líquido, tem pior prognóstico e representa 85% dos afogamentos fatais. ➢ Afogado seco: não apresenta aspiração pulmonar de líquido devido ao espasmo da musculatura da laringe. Cerca de 10% dos óbitos por afogamento ocorrem por asfixia verdadeira. As vítimas que não aspiram líquidos geralmente respondem melhor ao tratamento, quando resgatadas a tempo. Do ponto de vista prático o quadro dos pacientes que se afogam em água doce ou salgada é idêntico, devido à pequena quantidade de fluido que normalmente é aspirada. É necessário que o profissional de emergência informe ao médico se o atendimento ocorreu em água poluída ou contaminada por produtos químicos e qual era a temperatura da água, pela possibilidade de a hipotermia coexistir com o afogamento. A maioria dos afogamentos segue um padrão comum, após um período de pânico, a vítima tenta se manter em apneia enquanto luta para emergir. É frequente a deglutição de água que causa distensão do estômago e vômitos. Com a queda da oxigenação, ocorrem respirações involuntárias durante a submersão e aspirações de quantidade variáveis de água.A passagem de líquido pela laringe causa, nas fases iniciais, um intenso laringoespasmo (oclusão da glote devido à contração dos músculos laríngeos) que previne a aspiração de maiores quantidades de água. CLASSIFICAÇÕES DO AFOGADO ➢ Resgate: Paciente tem tosse e falta de ar. ➢ Grau I: Paciente lúcido, apresentando tosse seca. Inicialmente o paciente está taquicárdico e taquipneico, mas melhora rapidamente à medida que se Atualização em Primeiros Socorros 112 www.eduhot.com.br acalma. Não há aspiração pulmonar significativa.Tratamento na cena: repouso, aquecimento e oxigênio. ➢ Grau II: Lucidez ou agitação: elevação moderada das frequências respiratória e cardíaca, taquipneia, sem grande dificuldade respiratória. Há presença de tosse seca e vômitos. Existe pequena quantidade de espuma na boca e no nariz. Óbito em 0,6% dos casos. ➢ Grau III: Paciente agitado e pouco colaborativo devido à falta de oxigênio. As frequências cardíaca e respiratória estão elevadas e o paciente apresenta grave dificuldade respiratória, muitas vezes, com cianose. Ocorre tosse com espuma esbranquiçada ou rósea em quantidade. A mortalidadeé elevada neste grupo. Óbito em 5,2% dos casos. ➢ Grau IV: Semelhante ao grau III, porém o pulso radial está fraco ou ausente, indicando sinais de choque. Óbito em 19,4% dos casos. ➢ Grau V: Presença de parada respiratória. Óbito em 44% dos casos. ➢ Grau VI: Presença de PCR. Óbito em 93% dos casos. Obs.: É importante lembrar que esta classificação não tem caráter evolutivo. ABORDAGEM E CONDUTA ➢ Remover a vítima da água o mais rápido possível (resgate geralmente realizado por bombeiros e não profissionais de saúde). ➢ Avaliar a segurança do local. ➢ Manter o paciente na horizontal em paralelo à água e executar a avaliação primária (CAB). ➢ Iniciar RCP na ausência de pulso carotídeo mesmo em indivíduos que ficaram submersos por longos períodos, pois a água fria protege o indivíduo da morte cerebral. Caso a ambulância esteja equipada com desfibrilador semiautomático, deve ser realizada a rotina de análise do ritmo. As compressões torácicas só devem ser iniciadas após a retirada da vítima da água. ➢ Abrir as vias aéreas é a prioridade por meio de técnicas usuais. Observar cuidados com a coluna cervical se houver evidência de trauma. ➢ Iniciar ventilação pulmonar se houver indicação, utilizando oxigênio Atualização em Primeiros Socorros 113 www.eduhot.com.br suplementar. ➢ Administrar oxigênio sob máscara em pacientes, ventilando espontaneamente com fluxo de 12L/min. ➢ Não tentar retirar a água dos pulmões ou do estômago. A utilização da manobra de Heimlich para esvaziar o estômago distendido só aumenta o risco de aspiração pulmonar. A manobra só deve se utilizada se houver suspeita de obstrução de vias aéreas por corpos estranhos. ➢ Caso o paciente inconsciente apresente vômitos, coloque-o em posição lateral esquerd. ➢ Não colocar a vítima com a cabeça mais baixa que o corpo. ➢ Aquecer os pacientes, secando-os e cobrindo-os com cobertores. ➢ Prevenir a aspiração pulmonar em vítimas com respiração espontânea, colocando o paciente em decúbito lateral esquerdo (posição lateral de segurança). ➢ Todas as vítimas de submersão, mesmo as que só necessitaram de mínima reanimação, devem ser submetidas à avaliação médica, pois, às vezes, a lesão pulmonar ocorre horas após o episódio de submersão. CONVULSÕES Convulsão ou crise convulsiva é a atividade elétrica desorganizada e descontrolada que envia impulsos intermitentes para o organismo. Pode-se manifestar por movimentos repetidos, hipertonia, taquicardia e inconsciência. Em algumas, a pessoa mantém-se consciente. Aquelas em que a pessoa, mesmo com os olhos abertos não responde a estímulos dolorosos e fica se debatendo são as mais graves. A crise pode durar minutos e ceder espontaneamente. Caso se prolongue por mais de trinta minutos, ou se repita neste período sem que a pessoa recupere a consciência entre uma crise e outra, recebe o nome de status epilépticus. O status epilépticus é uma emergência médica. O prolongamento das crises leva a uma atividade cerebral intensa, sem que o fluxo sanguíneo atenda às suas necessidades. Assim, sem a chegada de oxigênio e glicose suficientes, ocorre sofrimento cerebral, podendo resultar em graves sequelas neurológicas ou em morte. A principal causa de convulsão é a epilepsia, porém existem tipos de epilepsia Atualização em Primeiros Socorros 114 www.eduhot.com.br que não estão associados a convulsões e existem convulsões por outras condições diferentes da epilepsia. A crise convulsiva tipo grande pode ser precedida dos casos que duram alguns segundos e envolvem sensações como alucinações visuais ou gustativas. Geralmente as convulsões são de curta duração, cessando espontaneamente sem necessidades de medicação. Divide-se em duas fases distintas: ➢ Fase Tônica: dura de quinze a vinte segundos e se caracteriza por perda da consciência e contração muscular contínua, inclusive do diafragma. No início desta fase a contração da musculatura abdominal força o ar pela laringe fechada, produzindo um grito. ➢ Fase Clônica: tem geralmente entre trinta e sessenta segundos de duração. Ocorre alternância entre contrações musculares intensas e relaxamento em rápida sucessão. Pode haver parada respiratória e perda do controle esfincteriano. Caracteristicamente, ocorre salivação excessiva (sialorreia). Após a cessação das convulsões segue-se o estado pós-comicial, quando ocorre o embotamento, ou seja, o estado de sonolência e desorientação, após um episódio convulsivo que dura de cinco minutos a algumas horas. As epilepsias constituem um conjunto de síndromes caracterizadas por crises epilépticas periodicamente recorrentes e com manifestação eletroencefálica característica. Há certa polêmica quanto à sua classificação como doença. Independente disto, o termo “epilepsia” refere-se a um grupo maior compreendendo tanto os quadros idiopáticos, sintomáticos, criptogênicos, primários ou secundários. O quadro clínico, aliado ao eletroencefalograma, determina a melhor terapêutica a ser empregada. Daí a importância da caracterização e classificação das crises epilépticas. Considera-se como epiléptico o indivíduo que passa por dois episódios de crises não provocadas com intervalo de tempo de pelo menos 24 horas. Esta definição determina que mesmo um surto de várias crises consecutivas dentro de 24 horas ou um estado de mal epiléptico não caracterizam uma epilepsia, pois podem ser decorrentes de fatores causais externos e não de epilepsia propriamente dita. É importante conseguir uma descrição pormenorizada do evento, com testemunhas. Deve pesquisar ativamente sinais podrômicos, o momento do início da perda Atualização em Primeiros Socorros 115 www.eduhot.com.br de contato, presença de movimentos automáticos, abalos, torções da face ou dos olhos, tempo de duração do fenômeno, liberação esfincteriana e eventuais traumatismos e ferimentos decorrentes. As crises podem ser parciais ou generalizadas. As crises parciais caracterizam- se por descargas epilépticas que acometem um lobo ou um hemisfério. Se o paciente preserva a plenitude cognitiva são chamadas de crises parciais simples. Se a crise parcial atinge o complexo amígdalo-hipocampal, o paciente apresenta perda da plenitude cognitiva. Nesta situação teremos uma crise parcial complexa, que pode ser acompanhada de movimentos automáticos ou não. As crises generalizadas caracterizam-se por alterações eletroencefalográficas de início simétrico e síncrono em ambos os hemisférios cerebrais. Quando estas crises apresentam manifestação motora, elas acometem os dois lados do corpo. ABORDAGEM E CONDUTA ➢ Avaliar a cena; ➢ Procurar sinais de consumo de drogas ou envenenamentos; ➢ Uso de equipamentos de proteção individual; ➢ Realizar a avaliação primária; ➢ Verificar o nível de consciência da vítima e se a mesma ainda apresenta convulsões; ➢ Solicitar auxílio; ➢ Tranquilizar pacientes lúcidos; ➢ Não tentar introduzir objetos na boca do paciente durante a convulsão; ➢ Não tentar conter a vítima; ➢ Proteger a cabeça do paciente colocando um apoio; ➢ Afastar do paciente de objetos perigosos; ➢ Aguarde a crise seguir sua evolução natural; ➢ Em caso de convulsão em criança febril, resfriá-la com toalhas molhadas com água em temperatura ambiente; ➢ Abrir a via aérea com manobras manuais após a cessação das convulsões; ➢ Assistir a ventilação, caso esta não retorne após a convulsão; ➢ Preparar para a ocorrência de novo episódio convulsivo, se a vítima não Atualização em Primeiros Socorros 116 www.eduhot.com.br recupera a consciência nos primeiros dez minutos; ➢ Caso a vítima apresente vários episódios de crises convulsivas sem recuperar a consciência, o profissional de emergência estará diante de um estado de grande mal epiléptico, devendo providenciar transporte imediato para um centro de saúde de referência. Esta é umaemergência médica. CHOQUE Choque é uma síndrome caracterizada pela incapacidade de o sistema circulatório fornecer oxigênio e nutrientes aos tecidos de forma a atender as suas necessidades metabólicas. A insuficiência circulatória causa dano celular e lesão em vários órgãos, que podem tornar-se irreversíveis se o choque não for rapidamente corrigido. Não se deve definir choque com base apenas na pressão arterial, já que existem condições em que pode haver hipotensão sem choque com oferta e consumo adequados de oxigênio. O conceito atual de choque e toda sua fisiopatologia envolvem um desequilíbrio entre a oferta e a demanda celular de oxigênio. Para que as necessidades metabólicas celulares sejam atendidas, deve haver uma adequada oferta de oxigênio. Esta oferta é a quantidade total de oxigênio transportada aos tecidos, e é dependente de três fatores: a concentração de hemoglobina, o débito cardíaco e o conteúdo de oxigênio no sangue arterial. Após o estabelecimento do quadro de choque, vários mecanismos compensatórios ocorrem para preservar o suprimento de oxigênio a órgãos vitais como o coração e o cérebro, atuando para restaurar pelo menos parcialmente o volume intravascular efetivo e aumentar o débito cardíaco. A moderna classificação do choque foi proposta por Weil, em 1972, utilizando quatro categorias, baseadas na causa primária da anormalidade perfusional. Estas categorias, contudo, não são isoladas entre si, havendo considerável superposição entre os diversos tipos. CHOQUE HIPOVOLÊMICO No choque hipovolêmico o desarranjo inicial é a perda de volume circulante, com redução do retorno venoso e diminuição do débito cardíaco e da oferta de Atualização em Primeiros Socorros 117 www.eduhot.com.br oxigênio. A pressão arterial isoladamente não é um bom indicador da severidade do choque hipovolêmico, pois pode ser mantida em níveis próximos da normalidade devido à vasoconstrição intensa, especialmente em pacientes jovens e sem patologia prévia, devendo ser analisada em conjunto com outros parâmetros na avaliação da gravidade do choque. Nas fases iniciais o choque hipovolêmico é rapidamente reversível pela restauração apropriada do volume intravascular. Contudo, se a perfusão tissular e a oferta de oxigênio permanecem severamente diminuídas, dano celular irreversível pode ocorrer. O choque hipovolêmico pode ser classificado em hemorrágico e não hemorrágico. O choque hipovolêmico hemorrágico caracteriza-se por baixas pressões de enchimento ventricular e pressão capilar pulmonar associada a níveis reduzidos de hemoglobina e hematócrito. Pode ocorrer por perdas sanguíneas externas ou por sangramentos ocultos, não exteriorizados. O choque hipovolêmico não hemorrágico é resultante de perda apenas do componente líquido do compartimento intravascular. Geralmente estes casos são devido à perda excessiva de líquidos pelos tratos gastrointestinal ou urinário. Também pode ser resultado de transudação para o meio extravascular, como ocorre nas queimaduras, traumatismos extensos em partes moles, peritonites, pancreatites e obstrução intestinal. Achados que suportam o diagnóstico de choque hipovolêmico não hemorrágico incluem baixas pressões de enchimento e hematócrito normal ou elevado. CHOQUE CARDIOGÊNICO Choque cardiogênico pode ser definido como uma incapacidade primária do coração de fornecer um débito cardíaco suficiente para as necessidades metabólicas, na presença de um volume circulante adequado. Pode ser encontrado em diversas situações clínicas, porém, sua principal causa é a perda súbita de massa muscular por infarto agudo do miocárdio (IAM). O choque cardiogênico ocorre em cerca de 7 a 10% dos casos de IAM, com mortalidade de 70 a 90%, sendo geralmente associado à perda superior a 40% da Atualização em Primeiros Socorros 118 www.eduhot.com.br massa muscular do ventrículo esquerdo. Esta perda pode ocorrer em consequência de um grande infarto ou com infartos menores sucessivos. O resultado do tratamento clínico no choque cardiogênico é extremamente desfavorável. A mortalidade é alta e os sobreviventes apresentam baixa expectativa de vida devido ao avançado grau de insuficiência cardíaca que se estabelece. A infusão de drogas inotrópicas deve ser iniciada imediatamente. Vasodilatadores como a nitroglicerina ou nitroprussiato de sódio podem ser benéficos, pois diminuem a pré e pós- carga, reduzindo a congestão pulmonar e facilitando o esvaziamento ventricular. O uso de dispositivos de assistência circulatória mecânica, o balão intra-aórtico, pode ser uma alternativa terapêutica nos casos de grande perda de massa ventricular. CHOQUE ANAFILÁTICO As reações alérgicas do tipo I, ou anafiláticas, são mediadas por anticorpos da classe IgE. Como parte da reação ao antígeno, os anticorpos são gerados e ligados a receptores de superfície nos mastócitos e basófilos com alta afinidade por sua porção Fc. Se a porção Fab dos anticorpos se ligarem a um antígeno, ocorre a ativação de múltiplos sistemas enzimáticos intracelulares, levando à produção e liberação de vários mediadores químicos vasoativos como a histamina, prostaglandinas e leucotrienos, causando vasodilatação, aumento da permeabilidade vascular e inflamação. A reação que ocorre pouco tempo após a exposição ao antígeno é caracterizada por sensação de sufocamento, broncoespasmo, edema laríngeo, angiodema, respiração ruidosa, transudação pulmonar e alterações cutâneas agudas urticariformes. As seguintes alterações hemodinâmicas são encontradas: ➢ Baixas pressões de enchimento ventricular; ➢ Débito cardíaco baixo; ➢ Resistência vascular sistêmica reduzida; Atualização em Primeiros Socorros 119 www.eduhot.com.br ➢ Hematócrito elevado. CHOQUE NEUROGÊNICO A insuficiência circulatória periférica aguda de causa neurogênica acontece nos casos de sofrimento intenso do tronco cerebral, precedendo a morte encefálica, com falência hemodinâmica e vasodilatação generalizada por perda do tônus vasomotor simpático ou em lesões da medula espinhal alta, caracterizando o “choque medular”. Este último inclui hipotensão arterial secundária a vasodilatação periférica pela deficiente atividade autonômica simpática e pela hipotonia e paralisia musculares. A diminuição da inervação simpática resulta em redução do débito cardíaco, pois provoca redução da contratilidade miocárdica e do retorno venoso pelo aumento do volume sanguíneo no sistema capacitância venosa secundária e venodilatação. Finalmente, reflexos cardíacos em nível espinal também estão abolidos, pois as lesões de T1 a T4 levam à perda de inervação simpática cardíaca, facilitando a bradicardia uma vez que a inervação vagal parassimpática permanece preservada. CHOQUE SÉPTICO Este termo refere-se ao estágio avançado de uma síndrome progressiva, denominada sepse. Termos como sepse, septicemia, bacteriemia, síndrome séptica, choque endotóxico, choque séptico são usados como sinônimos, dando margem a confusões e um conhecimento impreciso da fisiopatologia. Choque séptico pode ser causado por uma variedade de microrganismos. Os mais frequentemente envolvidos são as bactérias gram-negativas (50% dos casos) e gram-positivas (30 a 35% dos casos). O restante abrange bactérias menos comuns, fungos, vírus e até protozoários. Apesar de a sepse poder afetar qualquer faixa etária, o risco maior é para pessoas acima dos 65 anos, pois a defesa contra infecções requer uma complexa interdependência de diversos sistemas que podem ser comprometidos pela idade avançada e pela presença de condições comórbidas que aumentam a suscetibilidade às infecções. Fatores que predispõem à sepse por qualquer agente incluem desnutrição, Atualização em Primeiros Socorros 120 www.eduhot.com.br alcoolismo, diabetes mellitus, neoplasias, AIDS, doençasleucoproliferativas, cirrose hepática, queimaduras, tratamento com imunossupressores e procedimentos invasivos. O processo, na sepse, começa com a proliferação do microrganismo no foco da infecção. O organismo pode invadir a corrente sanguínea diretamente, levando as hemoculturas positivas, ou pode proliferar apenas localmente e liberar várias substâncias na circulação. O choque séptico é caracterizado inicialmente por débito cardíaco reduzido, devido à hipovolemia e ao baixo retorno venoso que existe na maior parte dos casos. Diversos fatores contribuem para a diminuição do volume intravascular: ➢ Desidratação produzida por febre, taquipneia, redução da ingestão de líquidos e eventualmente vômitos, diarreia, poliúria, sangramentos e sequestração em cavidades; ➢ Aumento da permeabilidade vascular e transudação para o espaço extravascular; ➢ Aumento da capacitância venosa por venodilatação; ➢ Síntese proteica redirecionada para a produção de diversas proteínas da fase inflamatória aguda em detrimento da síntese de albumina, com redução da pressão coloidosmótica intravascular. Após a adequada reposição volêmica, os achados típicos do choque séptico são: débito cardíaco elevado e resistência vascular reduzida, com tendência ao aumento progressivo da resistência vascular pulmonar. TRATAMENTO DO CHOQUE A maior parte dos casos de choque requer administração de volume intravascular. O maior desafio neste ponto é restaurar rapidamente as pressões de enchimento ventricular a um nível ótimo sem comprometer secundariamente a função respiratória por sobrecarga hídrica. EMERGÊNCIAS CAUSADAS PELO CALOR EXCESSIVO Atualização em Primeiros Socorros 121 www.eduhot.com.br Emergências podem resultar de exposição excessiva ao calor. O corpo é incapaz de livrar-se sozinho do calor excessivo por meio dos mecanismos naturais de radiação, transpiração e expiração. INSOLAÇÃO A maior parte dos relatos dessas emergências diz respeito a uma produção prolongada de calor corporal interno. O calor externo, que o paciente está exposto, não precisa ser maior que a temperatura ambiental normal. Com a transpiração contínua, água e sais minerais são perdidos pelo corpo, ocasionando cãibras musculares dolorosas ou cãibras produzidas pelo calor. Os sinais e sintomas são: severas cãibras musculares, esgotamento, vertigem, fraqueza e perda da consciência, pulso fraco e respiração rápida e superficial, sudorese intensa. INSOLAÇÃO http://www.grupoescolar.com/a/b/4B6FA.jpg São condutas importantes em primeiros socorros: ➢ Realizar a avaliação primária; ➢ Conduzir o paciente para um local fresco e colocá-lo em posição confortável; ➢ Afrouxar ou remover as roupas em excesso; ➢ Providenciar oxigênio; ➢ Fornecer água se o paciente estiver consciente; ➢ Aplicar compressas úmidas sobre a pele para resfriá-la; ➢ Se necessário, transporte para um hospital, para realizar reposição volêmica. http://www.grupoescolar.com/a/b/4B6FA.jpg Atualização em Primeiros Socorros 122 www.eduhot.com.br INTERMAÇÃO Quando uma pessoa é exposta ao calor excessivo, os mecanismos termorreguladores do organismo falham. A emergência, com risco de vida, é conhecida por choque pelo calor, pode estar se desenvolvendo. A pele apresenta-se quente e usualmente a pessoa para de transpirar. Muitos casos de intermação são relatados em dias quentes e úmidos. Entretanto, decorrem da exposição ao calor seco, por exemplo, uma pessoa que trabalha em caldeiras com altas temperaturas. Essa é uma real emergência, requerendo resfriamento do paciente e seu transporte para um hospital. Os sinais e sintomas incluem: respiração profunda, seguida de superficial, pulso rápido e forte, seguido de pulso fraco, fraqueza, escassez ou ausência de transpiração, pupilas dilatadas, inconsciência, convulsões ou contrações musculares podem ser observadas. Condutas: ➢ Realizar a avaliação primária; ➢ Conduzir o paciente para um local fresco e colocá-lo em posição confortável; ➢ Resfrie o paciente de qualquer maneira, retire suas roupas em excesso, molhe-o. A temperatura do corpo deve ser abaixada rapidamente ou o paciente corre risco de morrer; ➢ Bolsas de gelo, se possível, devem ser colocadas nas axilas, punhos, tornozelos, virilhas e pescoço do paciente ou imergir o paciente em água fria; ➢ Monitorar os sinais vitais; ➢ Providenciar oxigênio; ➢ Transporte para um hospital. QUEIMADURAS A pele humana é um bom isolante e apresenta, quando seca, uma resistência à passagem da corrente elétrica de 100.000 Ohms. Quando molhada, porém, essa Atualização em Primeiros Socorros 123 www.eduhot.com.br resistência cai para apenas 1.000 Ohms. A energia elétrica de alta voltagem, rapidamente rompe a pele, reduzindo a resistência do corpo para apenas 500 Ohms. Além da intensidade da corrente elétrica, o caminho percorrido pela eletricidade ao longo do corpo, ou seja, do ponto onde entra até o ponto onde ela sai e a duração do choque são os responsáveis pela extensão e gravidade das lesões. Como maior órgão do corpo humano, a pele é composta por três camadas; são elas: • Epiderme; • Derme; • Tecido subcutâneo. Exerce a importante função de formar uma barreira protetora contra o ambiente externo. Previne infecções, a perda de fluidos corporais, auxilia na regulação corpórea, é repleta de terminações nervosas. Assim, quando uma lesão térmica acontece, uma ou muitas dessas estruturas e/ou funções citadas são lesadas e têm sua atividade comprometida. As queimaduras podem acontecer por contato com: • Chama, brasa ou fogo; • Vapores quentes; • Líquidos ferventes; • Sólidos superaquecidos ou incandescentes; • Substâncias químicas; • Emanações radioativas; • Radiações infravermelhas e ultravioletas; • Eletricidade; • Frio; • Outros. As prioridades no cuidado às vitimas de queimaduras seguem os mesmos princípios e prioridades que para qualquer vítima de trauma: ✓ Pare o processo de queimadura (térmica ou química); ✓ Realize o exame primário para avaliação e tratamento; ✓ Providencie os cuidados específicos para lesões isoladas. Atualização em Primeiros Socorros 124 www.eduhot.com.br Ainda entre as vítimas de queimaduras, existem os que sofrem lesões pulmonares por inalarem subprodutos tóxicos da combustão. Deve-se considerar que houve a inalação se reclusa em local fechado com presença de fumaça, atentando para cuidados respiratórios além dos visíveis. A probabilidade da presença de monóxido de carbono em níveis alarmantes para desencadear problemas sistêmicos e pulmonares requer atenção especial. Quanto à avaliação das queimaduras, sete fatores devem ser observados para que entre os pacientes queimados se determine quais são os mais críticos: 1) Profundidade da queimadura; 2) Área da superfície corpórea envolvida; 3) Idade do paciente; 4) Lesões pulmonares: a) Inalação de fumaça; b) Inalação de subprodutos tóxicos. 5) Lesões associadas: a) Queimaduras de vias aéreas. 6) Situações especiais: a) Queimaduras químicas; b) Queimaduras elétricas; c) Intoxicação por monóxido de carbono. 7) Doença preexistente. Quanto à profundidade, a primeira avaliação será visual. Esta será apenas uma estimativa, já que a extensão e a profundidade real da lesão podem não ser aparentes por vários dias. Queimaduras de primeiro grau, superficiais: • Lesão apenas da epiderme; • Vermelhidão, inflamação e dor na pele. QUEIMADURA DE PRIMEIRO GRAU Atualização em Primeiros Socorros 125 www.eduhot.com.br http://primeirossocorros12b.blogs.sapo.pt/1681.html Queimaduras de segundo grau, espessura superficial: ✓ Lesão tanto da epiderme quanto da derme; ✓ Pele com áreas avermelhadas, bolhas íntegras ou rotas mostrando uma ferida secretante; ✓ Queixas de muita dor; ✓ Perdassignificativas de líquidos, que podem ocorrer levando ao choque. QUEIMADURA DE SEGUNDO GRAU http://primeirossocorros12b.blogs.sapo.pt/1681.html Queimaduras de terceiro grau, espessura total: • Trauma da epiderme, derme e tecido celular subcutâneo (possivelmente lesões mais profundas); • Pele com aparência chamuscada ou de couro, e que pode estar sangrando; • Nenhuma dor (entretanto, queimaduras de segundo grau associadas provocam dor); • Reenchimento capilar ausente. http://primeirossocorros12b.blogs.sapo.pt/1681.html http://primeirossocorros12b.blogs.sapo.pt/1681.html Atualização em Primeiros Socorros 126 www.eduhot.com.br QUEIMADURA DE TERCEIRO GRAU http://www.gmvarginha.com.br/primeiros_sorrro/queimadura/queimaduras.htm São necessários cuidados especiais no ferimento a fim de evitar maiores danos e proliferações infecciosas. As roupas ao redor das lesões devem ser removidas com muita cautela, principalmente para não retirar as que estiverem aderidas à pele queimada. No atendimento pré-hospitalar, o paciente deverá ser envolvido em lençol limpo e seco, ou até mesmo estéril. Tecidos que soltem fragmentos ou partículas no ferimento e quaisquer pomadas ou soluções não devem ser utilizadas. Toda a extensão queimada deve ser coberta com compressas secas. O socorrista não deve romper bolhas, pois elas são um mecanismo de proteção. O desbridamento não deve ser realizado na cena do incidente. Anéis, joias, relógios devem ser retirados uma vez que os metais retêm calor e os membros acometidos com a movimentação dos fluidos corpóreos irão edemaciar. FRATURAS http://www.gmvarginha.com.br/primeiros_sorrro/queimadura/queimaduras.htm Atualização em Primeiros Socorros 127 www.eduhot.com.br A fratura é definida como uma lesão ou quebra de um osso, causada por uma pancada, queda ou pela aplicação de força. Pode ainda ser definida como a quebra da continuidade do osso e ocorre quando o osso é submetido a estresse maior do que ele pode suportar. As fraturas podem ser causadas por: ➢ Uma pancada direta; ➢ Um impacto violento; ➢ Um movimento de rotação repentina; ➢ Contração muscular extrema. Apesar de o osso ser afetado, outras estruturas adjacentes também são atingidas, resultando em um edema de tecidos moles, hemorragia no músculo e articulações, luxações articulares, ruptura de tendões, nervos rompidos e vasos sanguíneos danificados. Os órgãos corporais podem ser lesados pela força que causa a fratura ou pelos fragmentos da fratura, e por esse motivo, imediatamente após um trauma, a pessoa pode ficar em estado de confusão, não ter consciência da fratura e tentar caminhar com perna fraturada. Por esse motivo quando se suspeita de fratura, é importante imobilizar a parte do corpo afetada imediatamente antes do paciente ser movimentado. O movimento de fragmentos de fratura causara dor adicional, danos de tecidos moles e sangramentos. As fraturas são mais comuns nos membros, podendo ser únicas ou múltiplas. As fraturas são divididas em dois tipos: ➢ Fechadas: que apesar do choque, deixam a pele intacta. ➢ Expostas ou abertas: quando o osso fere a pele, ficando exposto. Atualização em Primeiros Socorros 128 www.eduhot.com.br FRATURA EXPOSTA http://www.tvcanal13.com.br/fotos/idosa%20atropelada.jpg São sinais indicadores: ➢ Dor ou grande sensibilidade em um osso ou articulação; ➢ Incapacidade de movimentar a parte afetada, além do adormecimento ou formigamento da região; ➢ Inchaço e pele arroxeada, acompanhado de uma deformação aparente do membro machucado. Os primeiros socorros em fraturas são: ➢ Atentar para perfusão do membro atingido; ➢ Manter a vítima aquecida; ➢ Imobilizar o osso, ou articulação, atingido com uma tala; ➢ Manter o local afetado em nível mais elevado que o resto do corpo e aplique compressas de gelo ou resfriadas para diminuir o inchaço, a dor e a progressão do hematoma; ➢ As fraturas expostas exigem cuidados especiais, como a cobertura do local com um pano limpo ou gaze e encaminhamento para serviço hospitalar especializado. FRATURA FECHADA http://www.tvcanal13.com.br/fotos/idosa%20atropelada.jpg Atualização em Primeiros Socorros 129 www.eduhot.com.br http://2.bp.blogspot.com/_ePcEtAaRqy8/Sj1nZ7KPhUI/AAAAAAAAAm0/- KxPdCl40TE/s400/maior_0903085744fracture-types-2%5B1%5D.JPG ENTORSE É a torção de uma articulação, com lesão dos ligamentos, ou seja, estrutura que sustenta as articulações. Os cuidados são semelhantes aos abordados nas fraturas. http://www.clinicadeckers.com.br/imagens/orientacoes/34_ent_tornozelo.jpg LUXAÇÃO É o deslocamento de um ou mais ossos para fora da sua posição normal na articulação. Os primeiros socorros são também semelhantes aos da fratura fechada. Lembre-se de que não se deve fazer massagens na região, nem tentar recolocar o osso no lugar. São lesões em que a extremidade de um dos ossos que compõem uma articulação é deslocada de seu lugar. O dano a tecido mole pode ser muito grave, afetando vasos sanguíneos, nervos e a cápsula articular. http://2.bp.blogspot.com/_ePcEtAaRqy8/Sj1nZ7KPhUI/AAAAAAAAAm0/- http://www.clinicadeckers.com.br/imagens/orientacoes/34_ent_tornozelo.jpg Atualização em Primeiros Socorros 130 www.eduhot.com.br http://www.clifisio.com/editor/userfiles/image/4012591424_b2d5ca0d32.jpg CONTUSÃO É uma área afetada por uma pancada ou queda sem ferimento externo. Pode apresentar sinais semelhantes aos da fratura fechada. Se o local estiver arroxeado, é sinal de que houve hemorragia sob a pele, ou seja, um hematoma. AMPUTAÇÕES O trauma está entre as causas mais comuns de amputação dos membros inferiores e superiores. A preocupação inicial do socorrista deverá ser sempre com a vida da vítima, e depois com as suas necessidades cirúrgicas. LESÃO PROVOCADA POR ACIDENTE DE TRABALHO COM SERRA CIRCULAR http://www.clifisio.com/editor/userfiles/image/4012591424_b2d5ca0d32.jpg Atualização em Primeiros Socorros 131 www.eduhot.com.br http://www.eutrabalhoseguro.com Neste contexto, o mais importante é a pessoa e não o membro amputado, e nessa linha torna-se imprescindível uma abordagem global do paciente, de forma a assegurar o máximo de suas potencialidades físicas e psicológicas. De qualquer forma, deve ficar claro que os procedimentos para amputação de membros inferiores ou superiores buscam a restauração de um órgão enfermo e não uma mutilação. Nessa conjuntura, é fundamental um trabalho integrado dos diversos tipos de profissionais envolvidos na reabilitação do paciente para estimular e valorizar a capacidade residual da pessoa atingida e assim buscar uma recuperação total. No diagnóstico médico a amputação é considerada como um diagnóstico secundário, pois a enfermidade ou trauma recebe o rótulo de diagnóstico primário. E, posteriormente, se surgirem complicações, quanto mais cedo forem identificadas as causas, mais rápido poderá ser o controle e cura, o que possibilitará um melhor desempenho do paciente na fase da reabilitação. Já as causas traumáticas atingem também um número expressivo da população por acidentes de trânsito, de trabalho ou, em número menor, em razão de outra etiologia. Dentre os citados, os acidentes de trabalho tendem a culminar em amputações dos membros superiores (dedos, mão e braço). CORPOS ESTRANHOS http://www.eutrabalhoseguro.com/ Atualização em Primeiros Socorros 132 www.eduhot.com.br Corpos estranhos são pequenas partículas de vidro, madeira, poeira, carvão, areia ou limalha, grãos diversos, sementes, insetos que podem penetrar nos olhos, nariz e ouvidos de uma pessoa. Crianças pequenas podem, acidentalmente, introduzir objetos nas cavidades do corpo, em especial no nariz, boca e ouvidos. Estes objetos são, na maioria das vezes, peças de brinquedos, sementes,moedas, bolinhas de papel e grampos. Se houver asfixia, a vítima apresentará pele azulada e respiração difícil ou ausente. CORPO ESTRANHO NOS OLHOS http://www.saudenoclique.com.br/wp-content/uploads/2010/02/loesoes-olhos2.jpg http://www.saudenoclique.com.br/wp-content/uploads/2010/02/loesoes-olhos2.jpg Atualização em Primeiros Socorros 133 www.eduhot.com.br Quando um corpo estranho atinge os olhos, as seguintes providências devem ser tomadas: ➢ Piscar os olhos para permitir que as lágrimas lavem e removam pequenas partículas; ➢ Não tente retirá-lo; ➢ Não esfregue os olhos com os dedos; ➢ Coloque pálpebra sobre pálpebra e irrigue o olho com soro fisiológico, água limpa com conta gotas, ou embaixo de uma torneira (abrir pouco) deixando a água escorrer sobre o olho atingido; ➢ Quando o corpo estranho estiver na esclera do olho e for terra ou areia, tentar retirar delicadamente com um cotonete; ➢ Se o corpo estranho estiver fixo ao globo ocular não tente retirá-lo, coloque uma compressa ou pano limpo cobrindo os dois olhos para evitar movimentos conjugados e leve a vítima ao hospital imediatamente; ➢ Se o objeto estiver cravado no olho, não tente retirá-lo, cubra-os e procure ajuda médica; ➢ Se não for possível fechar os olhos, cubra-os com um cone de papel grosso e procure ajuda médica imediata. CORPO ESTRANHO NA ESCLERA http://www.saudenoclique.com.br/wp-content/uploads/2010/02/loesoes-olhos2.jpg http://www.saudenoclique.com.br/wp-content/uploads/2010/02/loesoes-olhos2.jpg Atualização em Primeiros Socorros 134 www.eduhot.com.br Quando um corpo estranho estiver no nariz, as seguintes providências devem ser tomadas: ➢ Tente expelir o ar pela narina com corpo estranho fazendo certa pressão com a boca fechada e o outro lado comprimido com o dedo; ➢ Instrua a vítima para que ela respire pela boca; ➢ Não introduza instrumentos como arames, palitos, grampos ou pinças nas narinas. CORPO ESTRANHO NO NARIZ http://static.hsw.com.br/gif/human-blockhead-2.jpg Quando um corpo estranho estiver nos ouvidos, as seguintes providências devem ser tomadas: ➢ Manter o paciente deitado de lado com o ouvido afetado para cima; ➢ Não introduza nenhum instrumento pequeno; ➢ Quando o corpo estranho for inseto coloque algumas gotas de óleo caseiro dentro do ouvido atingido e posicione a cabeça. Quando um corpo estranho estiver na garganta, as seguintes providências devem ser tomadas: ➢ Mantenha-se ao lado da vítima e de forma calma peça para que ela tussa várias vezes, com a intenção de expelir o corpo estranho; ➢ Aplique alguns golpes com a mão em concha no meio das costas com o http://static.hsw.com.br/gif/human-blockhead-2.jpg Atualização em Primeiros Socorros 135 www.eduhot.com.br tronco levemente revertido para frente; ➢ Tentar Manobra de Heimlich em pé ou se a vítima desmaiar; ➢ Não obtendo sucesso, realize respiração boca a boca com a vítima deitada em decúbito dorsal até chegada de socorro médico. ➢ Cuidados: nunca tente puxar os objetos da garganta ou abrir a boca para examinar o seu interior. Deixe a pessoa tossir com força, este é o recurso mais eficiente quando não há asfixia. Se o objeto tem arestas ou pontas e a pessoa reclamar de dor, procure um médico. Se a pessoa não consegue tossir com força, falar ou chorar, é sinal de que o objeto está obstruindo as vias respiratórias, o que significa que há asfixia. CORPO ESTRANHO NO OUVIDO <http://3.bp.blogspot.com/_3X_vmcDQ1Rc/S7dZoFkJ3oI/AAAAAAAABVQ/JY4rvv9MiJM/s160 0/IMG_0092.JPG>. http://3.bp.blogspot.com/_3X_vmcDQ1Rc/S7dZoFkJ3oI/AAAAAAAABVQ/JY4rvv9MiJM/s1600/IMG_0092.JPG http://3.bp.blogspot.com/_3X_vmcDQ1Rc/S7dZoFkJ3oI/AAAAAAAABVQ/JY4rvv9MiJM/s1600/IMG_0092.JPG http://3.bp.blogspot.com/_3X_vmcDQ1Rc/S7dZoFkJ3oI/AAAAAAAABVQ/JY4rvv9MiJM/s1600/IMG_0092.JPG Atualização em Primeiros Socorros 136 www.eduhot.com.br REFERÊNCIAS AMERICAN HEART ASSOCIATION. Destaques das diretrizes da American Heart Association 2019 para RCP e ACE. AHA, 2019. ARAUJO, S.;ARAUJO, I.E.M.;CARIELI, M.C.M. Ressuscitação cardiorrespiratória. Revista Brasileira de Clínica Terapia, 2001, vol. 27, nº. 2, p. 80-88. Atendimento Pré-hospitalar CFSd. Corpo de Bombeiros Militar – Santa Catarina, 2018. 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