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EAD - UNAR GESTÃO DE RECURSO MATERIAIS E PATRIMONIAIS Valderli Aparecida Guerra http://unar.info/ead2 APRESENTAÇÃO “Numa economia em que a única certeza é a incerteza, apenas o conhecimento é fonte segura de vantagem competitiva. Nonaka Takeuchi.” Prezado Acadêmico: Com o avanço das tecnologias, meios de comunicação e a nova estruturação mundial, todo e qualquer esforço para aquisição de conhecimento reflete diretamente em um contexto amplo que engloba a economia, sociedade e política. Na medida em que você evolui, aprende e coloca em prática o que aprendeu e esse contexto impulsiona o desenvolvimento da sociedade. Este material tem como principal objetivo auxiliá-lo na conquista do conhecimento necessário para desenvolver-se profissionalmente e assim contribuir para formação de valores e a valorização do ser humano como um todo. “Esse conjunto de novos valores vai caracterizando esse novo mundo ainda em formação. Um mundo em que a relação homem-máquina passa a adquirir um novo estatuto, outra dimensão... Nesse sentido, as máquinas deixam de ser como vinham sendo até então, um elemento de mediação entre o homem e a natureza e passam a expressar uma nova razão cognitiva”. (Preto: 1996 p.43). Aproveitando dos recursos tecnológicos e suas vantagens para organizar, apropriar e adquirir os conhecimentos oferecidos, a disciplina que você estudará é a Gestão dos Recursos Materiais e Patrimoniais, que tem como objetivo determinar quando e quanto se deve adquirir ou realizar a reposição do estoque de uma empresa. Serão aprendidos os conceitos básicos sobre Administração de Materiais e Patrimônios, noções sobre abastecimentos e controle de estoque. Profª Vanderli Aparecida Guerra PROGRAMA DA DISCIPLINA EMENTA: Administração dos Recursos Materiais e Patrimoniais e seu objetivo; Abastecimento; Aquisição; Administração e Controle de Estoques. OBJETIVOS: Possibilitar ao aluno o estudo da Administração de Recursos de Patrimoniais, propiciando ferramentas para a sua atuação em organizações das mais diversas áreas, ajudando a Contextualização da administração de recursos materiais e patrimoniais. O perfil e os objetivos da administração de recursos materiais e patrimoniais. Administração Patrimonial: conceitos, definições, denominações e classificação de Bens e Patrimônio. Classificação de Materiais (de consumo e permanentes). Aquisição de materiais. Controle de estoques. CONTEÚDOS: Introdução à Administração de Materiais e Patrimoniais; Classificação de materiais e empresas; Introdução a Compras; Introdução ao Estoque; Administração, armazenagem e controle do estoque de materiais. METODOLOGIA: Adotamos para a disciplina Gestão de Recursos Materiais e Patrimoniais uma metodologia que alia a teoria à prática, propiciada por meio de atividades que permitam, a partir de exemplos, a reflexão sobre a disciplina e sua aplicação prática. AVALIAÇÃO: No sistema EAD, a legislação determina que haja avaliação presencial, sem, entretanto, se caracterizar como a única forma possível e recomendada. Na avaliação presencial, todos os alunos estão na mesma condição, em horário e espaço predeterminados, diferentemente, a avaliação a distância permite que o aluno realize as atividades avaliativas no seu tempo, respeitando- se, obviamente, a necessidade de estabelecimento de prazos. A avaliação terá caráter processual e, portanto, contínuo, sendo os seguintes instrumentos utilizados para a verificação da aprendizagem: 1) Trabalhos individuais ou a partir da interatividade com seus pares; 2) Provas semestrais realizadas presencialmente; 3) Trabalhos de pesquisa. As estratégias de recuperação incluirão: 1) Retomada eventual dos conteúdos abordados nas unidades, quando não satisfatoriamente dominados pelo aluno; BIBLIOGRAFIA BÁSICA DIAS, M. A. P. Administração de Materiais: Princípios, Conceitos e Gestão. 5ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2005. FRANCISCHINI, P.G. e GURGEL, F.A.; Administração de Materiais e do Patrimônio. São Paulo: Editora Pioneira - Thomson, 2002. MARTINS, P.G. e ALT, P.R.C.; Administração de Materiais e Recursos Patrimoniais. São Paulo: Editora Saraiva 2004. BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ARNOLD J.R T. Administração de Materiais: uma Introdução - São Paulo – Atlas, 1999. CHOPRA, S. e MEINDL, P.; Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos – Estratégia, Planejamento e Operação. São Paulo: Editora Pearson – Prentice Hall, 2004. DIAS, M. A. P. Administração de Materiais: Uma Abordagem Logística. 4ª. Ed. São Paulo: Atlas, 2005. POZO, H. Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais: Uma abordagem Logística. 2 ed. São Paulo: Editora Atlas, 2002. VIANNA, J. J. Administração de Materiais. São Paulo, Atlas, 2002. SUMÁRIO UNIDADE 01- INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS E PATRIMONIAIS ........... 5 UNIDADE 02- CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS E EMPRESAS ................................................ 15 UNIDADE 03- INTRODUÇÃO A COMPRAS ............................................................................. 28 UNIDADE 04 – ESTOQUE .......................................................................................................... 38 UNIDADE 05 – ADMINISTRAÇÃO, ARMAZENAGEM E CONTROLE DO ESTOQUE DE MATERIAIS .............................................................................................. ...............59 GLOSSÁRIO...........................................................................................................................71 5 UNIDADE 01- INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivos: Conhecer os Fundamentos da Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais, sua evolução perante a história mundial; Conhecer sobre a Administração de recursos Materiais e Patrimoniais; Os principais objetivos dessa área; Conhecer o Sistema de Produção e Planejamento em uma empresa. ESTUDANDO E REFLETINDO FUNDAMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS Lembrando que a Administração de Materiais é uma das especializações do Administrador de Empresas, este deve sempre ter informações atualizadas sobre fornecedores, clientes e concorrentes. Saber identificar as necessidades do consumidor. Estar ciente das necessidades de compra e estoque da empresa, assim como os custos e a formação de preços, obtendo sempre informativos sobre o fluxo de caixa, cálculo do ponto de equilíbrio, impostos e tributos. Aliando a tudo isso estratégias de vendas, política de recursos humanos e informatização, exigida pelo mercado empresarial e mundial, por sua agilidade e dinamismo. O profissional de administração gerencia, controla e direciona as várias áreas de uma empresa, promovendo a busca de melhores resultados quanto à lucratividade, a produtividade e o controle de resultados. Segundo Vianna (2002), o administrador também busca planejar a utilização eficaz de mão de obra, equipamentos, materiais e serviços em geral, orientando e controlando todas as atividades conforme os planos estabelecidos e a política adotada, bem como conforme as normas previstas nos regulamentos da empresa. 6 Conclui-se que administrar, com eficiência e eficácia, toda a movimentação da compra e venda de materiais necessários a uma empresa, não é simples tarefa, requer comprometimento e dedicação. Um pouco de história sobre a Administração de Materiais O manuseio de materiais não é uma atividade recente, remonta à pré-história, onde havia trocas: com a caça e a pesca, utensílios de toda a natureza. Houve um grande salto com a Revolução Industrial, em meados dos séc. XVIII e XIX: para a produção e manufatura dos vários produtos há a necessidade de certa quantidade de matéria-prima, assim sofisticou-se a comercialização destes produtos, fazendo com que o setorde compras e estocagem ganhasse certo destaque. A Revolução Industrial substituiu o trabalho, que era totalmente artesanal, em parte mecanizado, evoluindo a estágios cada vez mais sofisticados, tecnologicamente acelerando a produtividade. Isso fez com que os estoques fossem vistos administrativamente. Surge a necessidade de controle de entrada e saída de matéria-prima e do produto acabado. Um dos fatos que desencadearam e comprovaram a necessidade do surgimento da administração de materiais foram as duas grandes guerras mundiais. Foram necessárias grandes estratégias de armazenamento, transporte e distribuição, dos mais variados itens, entre eles podemos citar: armas, munições, alimentos, roupas, remédios. A história mostra que, depois da segunda guerra mundial, houve um significativo crescimento econômico, para, em seguida, passar por um período de recessão. Isso obrigou os administradores a procurarem novas alternativas para Foto 1 - A segunda guerra mundial, situação catastrófica. Fonte: Internet 7 melhorarem a produtividade; foi dentro da área de administração de materiais que se encontrou a oportunidade para a redução de custos nas empresas. Depois dos anos 80 e, atualmente, com a globalização e o rompimento de barreiras, a Administração de Materiais está ligada ao conceito moderno de Logística Empresarial e se responsabiliza por tornar realizável um novo intercâmbio mundial em todos os setores econômicos. Percebe-se que a Administração de Materiais vem se aperfeiçoando, chegando bem próxima da Logística Empresarial; esta, por sua vez, de Supply Chain Management. Esses são conceitos de gestão empresarial, que visam ao suprimento das unidades de produção e distribuição dos produtos, responsáveis pela movimentação dos materiais, tanto no ambiente externo como interno da empresa, principiando da matéria-prima até o produto final. Segundo Ching (1999), a logística pode ser compreendida como a junção da administração de materiais com a distribuição física. Empresa, recursos materiais e recursos patrimoniais Conforme Chiavenato (1991), a produção depende de quatro fatores para existir: natureza, capital, trabalho, interligados a Empresa. Esses quatro fatores de produção possuem funções específicas, tais como: • A Natureza fornece os insumos necessários à produção (matérias primas, materiais, energia); • O Capital fornece o dinheiro, para aquisição de insumos e pagamento de mão de obra; • O Trabalho está diretamente ligado à mão de obra, especializada ou não. • A Empresa consiste no sistema que integra a natureza, o capital e o trabalho, todos trabalhando em conjunto. Todos esses fatores de produção são designados como recursos empresariais, sendo que é através deles que a empresa realiza suas operações, produzindo bens ou serviços mercadológicos e administrativos, com a finalidade de minimizar desperdícios. 8 Gráfico 1: Recursos que estão à disposição das Empresas. Fonte: Martins, 2000 Dentre estes cincos tipos de recursos, estudaremos os recursos materiais e os patrimoniais, sendo que os outros são destinados a outras disciplinas. Os Recursos Materiais são aqueles que agregam todos os aspectos físicos que a empresa utiliza para produzir: construções, fábricas, instalações, equipamentos, ferramentas. A administração dos recursos materiais agrega as operações, desde a identificação do fornecedor, compra do bem e seu recebimento, transporte interno, transporte durante o processo produtivo, acondicionamento, armazenamento e distribuição. Gráfico 2: Operações da Administração de Materiais. Fonte: Martins, 2000. RECURSOS Materiais Patrimoniais Capital Humanos Tecnológicos Identificar fornecedor Armazenagem do produto acabado Expedição Sinal de demanda Comprar materiais Movimentação interna Transportar Recebimento e armazenagem Clientes Transporte Foto 2: Sistema de armazenagem. Fonte: Internet 9 Podemos constatar que os recursos materiais são uma parte importante no processo de gestão, pois movimenta todas as etapas de funcionamento dentro da organização/empresa, influenciando nas decisões do setor de vendas ou de produção. Um sistema de materiais deve estabelecer uma integração desde a previsão de vendas, passando pelo planejamento de programa-mestre de produção, até a produção e a entrega do produto final. Deve estar envolvido na alocação e no controle da maior parte dos principais recursos de uma empresa: fabricação, equipamento, mão de obra e materiais. (DIAS, 1995, P. 13). Tabela 1: Tipo de empresas Tipos de Empresas Características 1. Industriais a. Compram matérias-primas; b. Processam matérias-primas em produtos; c. Vendem os produtos acabados a empresas comerciais. 2. Comerciais Compram e vendem produtos acabados. 3. Prestadores de Serviços Não compram e nem vendem materiais. Fonte: Vianna, 2002. Da mesma forma, tabela 2- mostra a movimentação feita pela entrada e saída em uma empresa: Entrada Saída Controle Reposição a. Por compra a. Por venda a. Efetivação a. Por compra b. Por fabricação interna b. Por utilização interna - manutenção b. Cálculo de níveis b.Por fabricação interna c. Por transferência – entre filiais. c. Processamento Fonte: Vianna, 2002. Os Recursos Patrimoniais estão relacionados com a riqueza da empresa, são os imóveis, instalações, equipamentos, veículos. Também são conhecidos como bens patrimoniais ou empreendimentos; pode-se citar, como exemplo, um prédio novo, uma fábrica nova em outro município ou outra área, aquisição de equipamentos novos para uma nova linha de produção. Conforme a fabricação ou construção, os bens patrimoniais são qualificados em equipamentos ou então em prédios, terrenos, e jazidas. Exemplos de equipamentos são: máquinas operacionais, veículos, computadores e móveis. (MARTINS, CAMPOS. 2000, p.117). 10 Há duas classificações para os bens de uma empresa: • Bens Tangíveis: os que podem ser tocados – edifícios, máquinas, veículos, entre outros. • Bens Intangíveis: os que não podem ser tocados, como a marca ou um o logotipo. Lembrando que administrar um patrimônio, também pode significar gerenciar os direitos e obrigações, ou seja, cuidar dos ativos e passivos da empresa, que são estudados em administração financeira e econômica. Os principais objetivos da área de Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais I) Preço Baixo – tem como objetivo a redução de preço de compra, pois isso implica aumentar os lucros, não se esquecendo de manter a qualidade; II) Alto Giro de Estoques – esta ligado diretamente à melhor utilização do capital, aumentando o retorno sobre os investimentos e reduzindo o valor do capital de giro; III) Baixo Custo de Aquisição e Posse – depende da eficácia das áreas de Controle de Estoques, Armazenamento e Compras; IV) Continuidade de Fornecimento - analisar criteriosamente os fornecedores, os custos de produção, expedição e transportes são afetados diretamente por um fornecedor irresponsável; V) Consistência de Qualidade – o setor de materiais é responsável apenas pela qualidade de materiais e serviços provenientes de fornecedores externos; VI) Despesas com Pessoal - obtenção de melhores resultados com a mesma quantia de dinheiro ou do mesmo resultado com menor despesa - em ambos os casos o objetivo é obter maior lucro final. VII) Relações Favoráveis com Fornecedores – o ranking no qual uma empresa está no mundo dos negócios é, em alto grau, determinado pela maneira como negocia com seus fornecedores; 11 VIII) Aperfeiçoamento de Pessoal – a empresa deve estar interessada em aumentar a qualificação de seus colaboradores. O Administrador de Materiais possui os seguintes deveres: I) Abastecer, a empresa, de todos os materiaisnecessários ao seu funcionamento; II) Estar sempre avaliando empresas como possíveis fornecedores; III) Supervisionar os almoxarifados da empresa; IV) Controlar os estoques; V) Reavaliar e Estoques Mínimos, Lotes Econômicos e outros índices necessários ao gerenciamento dos estoques, segundo critérios aprovados pela direção da empresa; VI) Estar sempre em contato com as Gerências de Produção, Controle de Qualidade, Engenharia de Produto, Financeira, enfim todos os setores que fazem parte da empresa; g) Estabelecer sistema de estocagem adequado; h) Coordenar os inventários rotativos. Requerendo habilidades que serão aprimoradas com a atuação nos seguintes procedimentos, descritos abaixo, na tabela 3: Procedimento Ação a ser executada. O que comprar Especificar a compra, de acordo com as necessidades da empresa. Como comprar Qual o mais recomendável. Quando comprar Referência a melhor época para a compra. Onde comprar Conhecimentos dos melhores segmentos de mercado. De quem comprar Conhecimento dos melhores fornecedores. Qual o preço a ser comprado Conhecimento dos preços oferecidos pelo mercado. Qual a quantidade a ser comprada Quantidade ideal para sanar as necessidades da empresa, com economia. Fonte: Vianna, 2002. 12 Sistema de Produção e planejamento Uma empresa adota o sistema de produção que melhor lhe convier para produzir seus produtos ou serviços, eficiente e eficazmente. Organiza e realiza todas as operações de produção, interligando logicamente todas as etapas do processo produtivo, desde a saída do material do almoxarifado até o produto acabado. Observe o esquema abaixo: Tabela 4: Sistema e suas relações de entrada e saída. Fonte: Chiavenato, 1991. O almoxarifado, a produção e o depósito de produtos acabados devem estar em perfeita sincronia, para que não haja atrasos na produção ou na entrega de um produto acabado e, assim, evitar o prejuízo. Existem três tipos de sistema de produção e cada um deles apresenta características próprias, adequadas a cada arranjo físico e às necessidades apresentadas. Os sistemas de produção podem ser: - Produção sob Encomenda: é um sistema que está relacionado com a encomenda ou pedido de um determinado produto ou serviço, a empresa por sua vez somente produz o que lhe foi pedido. - Produção em Lotes: é um sistema onde se produz quantidades limitadas de produtos ou serviços. Os lotes produzidos estão dimensionados para atender apenas a uma previsão de vendas. Quando o lote está terminando ou terminou, a produção se organiza para começar outro lote. Entradas Saídas Fornecedores Clientes Empresa Almoxarifado Depósito De Matérias- Produção de Primas Produtos acabados 13 - Produção Contínua: é um sistema onde se produz determinado produto para longo prazo e sem modificações, por isso o sistema pode passar por aperfeiçoamento, melhorando assim o ritmo de produção. O planejamento é responsável pelo controle do fluxo de materiais, através do processo de produção. As atividades desempenhadas são: - Planejamento da produção: a produção deverá atender à demanda do mercado, ter a capacidade produtiva para atender as prioridades. Então, isso envolve: a) Previsão; b) Plano-mestre; c) Planejamento de necessidades de material; d) Planejamento de capacidade. - Implementação e controle: Colocam em ação os planos realizados pelo planejamento da produção. - Administração do estoque: São materiais e suprimentos disponíveis para a produção e reserva intermediária, caso seja preciso aumentar a produção. A produção necessita de matéria-prima, que é material base de um produto, por exemplo uma camisa de algodão - essa é sua matéria prima, seu material básico. O Insumo é o conjunto de todas as “fases”, necessário para a fabricação de um produto. Existem cinco tipos de insumos que fazem parte do planejamento e controle de produção; são eles: 1º. Descrição do produto: mostra como ele deverá se apresentar em cada fase da produção, como: desenhos, especificações e lista de material. 2º. Especificações do processo: descreve todas as etapas para se fabricar o produto final. 3º. Tempo de realização das operações: período de tempo utilizado para realizar uma tarefa. 14 4º. Equipamentos disponíveis: equipes e equipamentos necessários para a fabricação dos produtos. 5º. Quantidades: encomenda dos clientes, previsão para repor estoques. Finalizando: Somos administradores de materiais e patrimoniais, pois estamos ligados a várias atividades do cotidiano que nos remetem a isso, como exemplo: nossa própria casa, pois temos que abastecê-la, pagar impostos, controlar consumo de luz, água e telefone, evitando assim desperdício; pesquisar fornecedores com melhor custo/benefício. Sem esquecer que somos proprietários de automóveis, ferramentas, equipamentos eletroeletrônicos e devemos mantê-los em perfeitas condições de uso. O Administrador de materiais, que possui uma função coordenadora e orientadora, é responsável pelo planejamento e controle do fluxo de materiais. Seus objetivos são o de maximizar a utilização dos recursos da empresa e fornecer o nível requerido de serviços ao consumidor, com eficiência e eficácia. Esse é um conjunto de atividades desenvolvidas em uma empresa, onde tende a suprir as diversas unidades, com os materiais necessários utilizados nas diversas atribuições, abrangendo um circuito composto por compras, recebimentos, armazenagem, fornecimento, incluindo as operações gerais de controle de estoque. 15 UNIDADE 02- CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS E EMPRESAS CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivos: Conhecer a classificação de Materiais e Empresas; Adquirir conhecimentos sobre produtos e serviços; Conhecer sobre Fluxos de materiais e sua classificação; Conhecer o Sistema de Planejamento de Produção em uma empresa; Conhecer Grupos de Produtos, demandas; ESTUDANDO E REFLETINDO Empresas Diz-se que empresa é um conjunto organizado com o propósito de realizar algum tipo de atividade particular, pública, de economia mista, que produz e oferece bens ou serviços, com o objetivo de atender a alguma necessidade humana. Há três tipos de empresas produtoras: a) As empresas primárias: conhecidas também como extrativas, pois obtêm o produto através da ação direta sobre a natureza. Exemplos: indústria da pesca, agricultura, mineração, entre outras. Extração de Petróleo Criação de animais para abate 16 b) As empresas secundárias: são chamadas de indústria de transformação, pois transforma matéria-prima em produtos acabado. Citamos como exemplo: indústria de eletrodomésticos, carros, autopeças, móveis, entre outras. Produção de Automóveis Material para Construção Civil c) As empresas terciárias: são empresas especializadas em prestação de serviços a terceiros, exemplificando: educação, saúde, telecomunicações, serviços bancários, administrativos, transporte, entre outros. Setor de Transporte 17 Produtos e Serviços Os produtos ou serviços representam o que uma empresa faz ou produz, é o resultado final de todas as operações realizadas. Observe o gráfico 3, abaixo: Fonte: Chiavenato, 1991. Produtos São bens ou mercadorias, algo tangível, composto de materiais físicos. Como exemplo, citamos: máquinas em geral, automotivos, móveis, produtos de higiene e limpeza, vestuários,entre outros. Os produtos podem ser destinados ao mercado de consumo, sendo chamados de bens de consumo, pois são comprados pelo consumidor ou usuário final. Ou destinados ao mercado industrial, que são chamados de bens de produção, pois os clientes são as indústrias. Serviços Nem sempre é tangível ou visível. São atividades especializadas que as empresas oferecem ao mercado. Como exemplo, damos a da propaganda, ntrada ou Insumos Empresa Recursos Empresariais Saídas ou Resultados Produtos ou Serviços 18 advocacia, hospitais, escolas e universidades, entre outros. São consideradas como empresas terciárias, pois estão na ultima etapa do processo produtivo. FLUXOS DE MATERIAIS E SUA CLASSIFICAÇÃO A produção que ocorre nas empresas constitui a transformação de matérias-primas em produtos acabados. Dificilmente um material ou produto acabado fica estático ou parado dentro de uma empresa. Eles fluem e transitam através dela e saem pelo depósito com destino ao consumidor. Essa movimentação é incessante e a ela se dá o nome de fluxo de materiais. Pode acontecer de esse fluxo envolver-se em algumas paradas ou passar por gargalos de produção. Quando isso acontece, pode ocorrer de o material ficar mais tempo do que o previsto na linha de produção. Esclarecendo que gargalo de produção é o ponto onde a produção é mais demorada, retendo o produto por mais tempo. Naturalmente, cada empresa possui seu fluxo de materiais, assim como seu próprio processo produtivo, pois depende do que está sendo produzido. Alguns exemplos de Processo Produtivo: 19 Gráfico 4: o processo de fabricação do Incinerador. Fonte: Internet 20 Gráfico 5: o processo de remanufaturação de cartuchos: Fonte: Internet Gráfico 6: o processo de fabricação do papel: Fonte: Internet 21 Todos esses processos demonstram as várias fases pelos quais os materiais passam ao longo do processo produtivo. Durante o fluxo de materiais, a matéria- prima se modifica, sofrendo assim classificações diferentes; as mais comuns são: a) Matérias-primas; b) Materiais em processamento ou em vias; c) Materiais semiacabados. d) Materiais acabados ou componentes; e) Produtos acabados. a) (c) e) Figura 2: Representa algumas das classes de um relógio: a) Matérias-primas, c) Materiais semiacabados, e) Produtos acabados. (Fonte: Internet) Lembrando que os materiais são classificados conforme seu estágio no processo produtivo da empresa em questão. No transcorrer das diversas etapas, vão sofrendo acréscimos e alterações e assim gradativamente vão se transformando em peças prontas ou acabadas. 22 SISTEMA DE PLANEJAMENTO DE PRODUÇÃO Quando pensamos em convidar alguns amigos para um churrasco, nem sempre temos a ideia de como é complexo organizar todas as etapas até a chegada dos convidados. Temos que fazer uma lista de alimentos para comprar (carne, bebidas, carvão, verduras,...); preparar os alimentos e colocar a bebida para gelar... Providenciar talheres, pratos e copos... Produzir algo também exige um planejamento cuidadoso, pois muitas empresas possuem produções altamente complexas, por fabricarem vários tipos de produtos que sempre exigem um alto nível de qualidade. Uma empresa, para obter lucro, deve organizar e planejar todas as etapas que fazem parte da fabricação de produtos. Um bom sistema de planejamento, segundo Arnold (1999), deve responder a algumas questões: 1. O que se quer fabricar? 2. O que é necessário para fabricar o que se quer? 3. O que a empresa possui? 4. De que a empresa precisa? Essas são questões relacionadas com: a) Prioridade de produtos: quais, quantos e quando são necessários. O mercado norteia as prioridades e a produção é responsável por elaborar planos que vem de encontro com o que a demanda de mercado necessita. b) Capacidade: está relacionada com a competência para produzir bens e serviços. Lembrando que capacidade é a quantidade de trabalho que a força do mesmo e os equipamentos podem realizar em um determinado período. Tanto a longo prazo, quanto a curto, os responsáveis pela produção devem elaborar planos para balancear as demandas de mercado conforme a capacidade e recursos que possui. 23 Segundo Arnold (1999), existem cinco níveis principais no sistema de planejamento e controle de produção (PCP): a) Plano estratégico de negócios: É de responsabilidade da alta administração, utiliza informações de marketing, de engenharia, de finanças e de produção. O Plano Estratégico de negócios deve declarar os principais objetivos e metas que uma empresa espera atingir nos próximos dois a dez anos, ou mais, em como ela atingirá seus objetivos, direcionando que tipo de negócio a empresa pode atuar no futuro. b) Plano de produção: vendas e operações: O planejamento da produção deve elaborar um plano que satisfaça a demanda de mercado, tendo em vista os limites da empresa, quanto aos recursos disponíveis, equilibrando as necessidades com as disponibilidades. Este é geralmente planejado para seis a dezoitos meses, sendo necessário realizar uma revisão mensal ou trimestralmente. c) Master Production Schedule: Possui um nível de detalhamento maior que o plano de produção, pois mostra a cada período a quantidade de cada item que será fabricada. Detalha a quantidade de produção final, por isso é revisada semanal ou mensalmente. d) Material requirements plan: Está relacionado com um plano para a fabricação e compra de componentes utilizados no processo de produção do produto. Demonstra as quantidades necessárias e quando a produção pretende utilizá-la, com um nível de detalhamento muito alto. Detalha cada componente utilizado, cada tipo de peça e a quantidade dos mesmos, sendo revisado de três a dezoito meses. e) Controle da atividade de compras e de produção: Esta etapa representa a implementação e controle do sistema de planejamento e controle de produção. O setor de compras é responsável pelo estabelecimento e controle do fluxo de matéria-prima. O planejamento é feito em 24 um curto espaço de tempo, variando de um dia a um mês. O nível de detalhamento é muito alto, pois envolve componentes individuais, estação de trabalho e encomenda. Geralmente, o plano é revisado e inspecionado diariamente. Bom ressaltar que cada etapa varia no propósito, tempo e detalhamento. Com o passar do tempo, e como controle da atividade produtiva, os objetivos podem se modificar, então é necessário realizar redirecionamentos gerais para o planejamento, especificando todas as possíveis modificações. Isso pode ocorrer em diversos períodos ou níveis de tempo, um diferente do outro. Além do detalhamento, cada Plano de Produção deve ser direcionado para o tipo de produção a ser feito, como: produção sob encomenda; produção em lotes e produção contínua. Realização da comparação entre a capacidade necessária e a capacidade disponível, fazer os ajustes (modificar os planos, caso precise), procedimento que deve ocorrer em todos os níveis do sistema de planejamento e controle de produção. O planejamento de operações e de vendas é um processo de revisão e atualização do plano estratégico de negócio e dos planos de coordenação das várias áreas, auxiliando quando houver necessidade de mudanças. Não podemos deixar de mencionar a qualidade, ou seja, a adequação aos padrões previamente definidos. O controle de qualidade permite localizar desvios, defeitos, erros ou falhas nas especificações do produto e dos materiais que o compõem. Segundo Arnold (1999), o plano de produção tem como principal objetivo estabelecer padrões de produção que atinjam os vários níveis de estoque, registros de encomendas, demanda de mercado, serviço ao consumidor, forçatrabalhista, equipamentos, enfim tudo o que é necessário para realizar a produção. 25 Grupos de Produtos, Demandas, produção make to stock e make to order Há muitas empresas que fabricam um produto, ou produtos similares, fica fácil medir a quantidade produzida em unidades. Existem empresas que produzem diversos produtos, um diferente do outro, ficando difícil fazer uma mensuração exata do total produzido. Os grupos de produtos ajudam a estabelecer similaridades ente eles, criando assim, processos produtivos selecionados conforme a base comum dos produtos a serem fabricados. Cabe à produção prover e prever a capacidade de fabricação dos bens necessários, envolvendo a demanda dos produtos entre si. Durante a produção, não há como ocorrerem grandes mudanças na capacidade de fabricação, porém algumas coisas podem ser alteradas, geralmente recaem sobre a contratação ou demissão de mão de obra, estoques podem ser construídos em períodos de poucas demandas, contratar ou fazer leasing de equipamentos. Essas alternativas possuem os seus benefícios, porém há custos associados, cabe à administração de produção encontrar uma alternativa viável, com baixo custo, atendendo aos objetivos e às metas do negócio. O plano de produção pode ser auxiliado pelas seguintes estratégias: a) Estratégia de acompanhamento da demanda: Produz as quantidades necessárias a qualquer tempo considerado. Não há alterações nos níveis de estoque, enquanto a produção varia para atender à demanda, ou seja, produz o que realmente foi vendido. A vantagem neste tipo de acompanhamento da demanda é que os estoques podem ser mantidos em níveis mínimos, mantendo os custos de armazenamento baixos. b) Nivelamento de produção: A produção é contínua para igualar a média da demanda, sendo que muitas vezes alterna a quantidade produzida em maior ou menor quantidade. A vantagem é que ela resulta em um nível de operação suave, evitando altos custos quando há alterações na quantidade produzida. Isso é muito útil quando o 26 produto fabricado possui uma demanda sazonal, como ovos de Páscoa, enfeites de natal, entre outros. c) Subcontratação: Produzir o mínimo exigido pela demanda e quando ocorrer aumento de pedido, realizar uma subcontratação, que pode significar a compra das quantidades extras demandadas ou evita-se a demanda adicional. A maior vantagem está na estratégia de custo, porém a decisão sobre quais itens comprar e quais itens fabricar depende muito do custo. A maior desvantagem está no custo de compras, transporte e inspeção, que podem ser maiores do que se fossem fabricados na própria empresa. Produção make to stock Quando se fala nesse tipo de produção, a empresa trabalha com estoque, assim há o produto antes de uma encomenda ser feita. As entregas dos produtos são feitas a partir desse estoque, como exemplo podemos citar roupas sem mostruário e alguns tipos de comidas congeladas. Empresas, que utilizam este tipo de produção, são aquelas cuja demanda é contínua e previsível; há poucas opções dos produtos, a entrega é rápida e a fabricação do produto é demorada, o produto tem vida longa na prateleira. A produção make to stock tem por objetivo minimizar os custos de transportar estoques, de modificar os níveis de produção e fornecer ao cliente o que é desejado na hora desejada. Produção make to order Este tipo de produção não possui estoque e só começa a fabricação quando há demanda. Como exemplo, citamos: roupas feitas sob medida, maquinários feitos sob especificação do cliente, itens caros e feitos sob encomenda; por ser caro, não é viável produzir para estocar e sobretudo produtos com muitas opções de escolha. 27 Finalizando Leia o texto sugerido: http://cleitonlog.blogspot.com.br/2011/05/e-o-tempo-entre-o-pedido-e-entrega-real.html http://cleitonlog.blogspot.com.br/2011/05/e-o-tempo-entre-o-pedido-e-entrega-real.html 28 UNIDADE 03- INTRODUÇÃO A COMPRAS CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivos: Noções sobre o Setor de Compras; Conhecimento sobre a organização e responsabilidade do setor de compras; Conhecer e classificar novos fornecedores; Conhecer o Sistema de Planejamento de Produção em uma empresa; Conhecer as formas, os trâmites e avaliações de material adquirido pelo setor de compras. ESTUDANDO E REFLETINDO Noções sobre Setor de Compras Como muitas empresas não são autossuficientes, dependendo de terceiros para se abastecer. Segundo Chiavenato (1991), para a primeira operação ocorrer e ter início, faz-se necessário que os materiais e insumos estejam disponíveis e que seu abastecimento seja garantindo por um tempo. O setor de compras constitui um elo entre o sistema empresarial e o ambiente externo. Em uma empresa, comprar significa: procurar e providenciar a entrega dos materiais nos prazos especificados, garantir a qualidade a um preço justo, para a manutenção, o funcionamento ou a ampliação da empresa. Para realizar uma compra, tem-se que atentar para o que se segue: • O que comprar (tipo de material), quanto e quando; • Conhecer os fornecedores e verificar se possui capacidade técnica; • Promover concorrência, para seleção do melhor fornecedor; • Fechar pedido, após autorização de fornecimento ou contrato; • Acompanhar o período que entre pedido e entrega do pedido; • Encerrar o processo, após o recebimento do material e o devido controle qualitativo e quantitativo. 29 Gráfico 7 - Segundo Viana (2002), o gráfico abaixo mostra em maior profundidade, a amplitude de uma compra: Fonte: Vianna (2002, p. 173) Dessa forma, com que é mostrado o setor de compras, fica claro, que ele deixou de ser considerado uma atividade burocrática e repetitiva, que estava sempre fadado a ser um centro de despesa e passou a ser um centro de lucros. Atualmente, o setor de compras de uma empresa é visto como parte do processo de logística, ou seja, como parte integrante (supply chain). A área de compra é responsável pelo nível de estoque, pois embora altos níveis possam significar poucos problemas com a produção, gera despesas com o espaço ocupado, custo do capital, pessoal de almoxarifado e controles. Em contrapartida, se os níveis de estoque estiverem baixos, põem a empresa em risco, quando surgir uma demanda maior. O Setor de Compras pode assumir outra atribuição, como a negociação de preços com fornecedores. Os objetivos devem estar alinhados aos objetivos da empresa, visando sempre ao melhor atendimento ao cliente, tanto o externo quanto o interno. Pedido de Compra Processamento Da compra Cadastro de Fornecedores Negociação Recebimento Diligenciamento (Follow up) Adjudicação do Pedido Concorrência Julgamento 30 Organização e responsabilidade do Setor de Compras Existem alguns princípios fundamentais que norteiam a organização do Setor de Compras e entre eles estão: o registro e poder de compra, preço e fornecedores. Fazendo parte de seus objetivos primordiais, as outras atividades correlatas são: • Pesquisa: estudo, investigação, vistoria e análise de mercado, preços, materiais, fontes de fornecimento e fornecedores. • Aquisição: análise, entrevistas, promoção, negociação e efetivação de cotações, vendedores, contratos, negociação e encomendas. Fornecedores Cabe ao setor de compras: qualificar, avaliar e acompanhar o desempenho de fornecedores de materiais e serviços, assim como efetuar as manutenções cadastrais. Processamento É o responsável pelo recebimento dos documentos referentes aos pedidos de compra e acompanhamento dos respectivos processos. Compras Podemos falar de compras locais, no próprio estado, país, onde as atividades podem ser exercidas na iniciativaprivada e no serviço público. Compras realizadas por importação, onde o comprador deve saber o inglês fluentemente e, além disso, também ser profundo conhecedor das legislações pertinentes a cada país. Esta operação envolve pessoas com especialização em comércio exterior. 31 Diligenciamento (Follow-up) Devido à constante mudança no mercado fornecedor brasileiro, o setor deve se prevenir de eventuais mudanças por implantação do diligenciamento, ou seja, atividade que garante os cumprimentos de todas as cláusulas contratuais: prazos de entregas, por exemplo, documentando e acompanhando cada etapa desse processo. Trâmites de Compra Existem duas maneiras de realizar uma compra: • A primeira, a que chamamos de compra normal, quando o prazo é compatível com as melhores condições comerciais e técnicas na aquisição de materiais. • A segunda é a compra em emergência, acontece com a falha da empresa na elaboração do planejamento ou por problemas operacionais. É desvantajoso, pois se compra a preços mais altos comparados aos da compra normal. Formas de comprar O setor pode comprar por meio de concorrências repetitivas, classificadas em inconstantes ou constantes. As inconstantes se enquadram em compras isoladas e que não se repetem, ou seja, aquelas que não permitem os estabelecimentos de datas ou quantidades. As constantes são da categoria onde os materiais destinam-se a ressuprimento definido, portanto, apresentando um consumo regular. Esse procedimento é mais vantajoso, pois os contratos são de longo prazo, as entregas parceladas e por meio de autorização. O preço unitário do material encomendado sai mais baixo, implicando assim mais economia em uma produção de grande escala, gerando vantagens tanto para a empresa contratante, como para a empresa contratada. 32 Propostas e avaliações de material adquiridos pela concorrência Os fornecedores deverão apresentar as propostas no mesmo formulário que promove a concorrência, ou seja, a coleta de preços: • Esses são redigidos em português e digitados, com as condições comerciais claras, especificadas e de praxe, além do prazo de validade das propostas. As propostas serão avaliadas e desclassificadas, quando não estiverem de acordo com os critérios, regulamentos específicos e apresentando preços abusivos. Reajustes e Penalidades Os reajustes dos preços e as penalidades podem ocorrer quando forem predefinidos no instrumento de contratação. O contrato deve conter esse tema estipulado e expresso, prevendo a aplicação de sanções por ambas as partes contratantes. Pesquisa e seleção de Fornecedores Toda empresa deve cadastrar os fornecedores que já a abastecem, como também, ir à busca de novos. Realiza-se uma pesquisa que consiste em qualificar, avaliar e estudar possíveis fornecedores de materiais, serviços e insumos. Muitos dos possíveis fornecedores procuram as empresas e realizam um cadastro no setor de compras, qualificando-se para posteriores consultas, enviando seus dados cadastrais, tipos de produtos ou serviços oferecidos, capacidade de produção, entre outros. Podemos dizer que existem dois tipos de fornecedores os potenciais e os reais. O potencial é aquele que poderá vir a fornecer materiais e o real é aquele que já fornece seus produtos ou insumos, ou, ainda, serviços. 33 A pesquisa estabelece as premissas dos cadastros dos fornecedores, que são: qualidade - preço – prazo, determinando importantes atuações do setor de compras, tais como: • Registrar os fornecedores que realmente podem atender às especificações dos produtos da empresa; • Manter a qualidade de todos os fornecedores, mesmo que seja um pouco acima do mínimo necessário; • Incentivar o fornecedor a estar sempre atualizado com as metas e necessidades da empresa; • Prever as necessidades de aquisição da empresa; • A quantidade de empresas cadastradas depende do número e da diversidade de produtos que a empresa possui; • Determinar os critérios de cadastramento das empresas: políticos, técnicos ou legais. Gráfico 8 – Premissas do cadastro de fornecedores. Fonte: Viana (2002) Cadastro de fornecedores Qualidade Prazo Preço 34 Classificação de fornecedores As empresas que se cadastraram são classificadas de acordo com o tipo de materiais que fabricam ou com o serviço que prestam, estando em conformidade com as especificações da empresa contratante. Cria-se uma lista classificatória, onde não há limites para a quantidade de fornecedores. A avaliação realizada constantemente garante que os fornecedores mantenham o seu desempenho em seus fornecimentos e para isso existem alguns critérios: • O desempenho comercia: preço, condição de pagamento, reajustes, ética comercial. • O cumprimento dos prazos de entrega: prazo de entrega e presteza no atendimento em caso de emergência. • A qualidade do produto: quantidade de devolução de produtos. • Desempenho do produto em serviço: ocorrências negativas com o desempenho dos produtos. Obtenção de recursos materiais Foto 8 – Produção de Vestuário Fonte: Internet 35 Lembrando que recursos materiais são itens, componentes ou peças que se utilizam diariamente nas operações de uma empresa, na fabricação de seus produtos. São adquiridos regularmente e podem ou não ser estocados, e classificados como matéria-prima, produtos em processo ou produtos acabados. As formas mais comuns de solicitação de compras de materiais são MRP (Material Requirement Planning), Just in time, reposição periódica, contratos de fornecimentos, etc. A solicitação é enviada ao setor de compras, que providenciará a compra do material, perante os fornecedores classificados. Vale destacar que quase todas as empresas atualmente possuem à sua disposição softwares de planejamento e controle de compras, em que são emitidos automaticamente os pedidos de reposição de materiais. Muitos desses já se comunicam diretamente com o fornecedor. Obtenção de recursos patrimoniais Foto 9 – Novas instalações de uma empresa Fonte: Internet Os Recursos Patrimoniais são instalações, como prédios, terrenos, equipamentos e veículos, uma nova instalação industrial que possam ou não ser utilizados nas operações diariamente, são adquiridos esporadicamente ou apenas uma única vez. Segundo Martins (2000), os bens patrimoniais ou empreendimentos, podem ser aquisições, tais como: barragem, um novo prédio a ser construído. Faz 36 parte de um campo específico da administração denominada Administração de Empreendimentos ou Administração de Projetos. Todas as aquisições de um bem que possa ser classificado como um empreendimento segue procedimentos e normas definidos pela empresa. Estão incluídas nos suprimentos (procurement) todas as atividades necessárias para a fabricação de um bem ou prestação de um serviço, tais como: identificar, inspecionar, transportar, comprar, entre outros. Na aquisição de equipamentos, deve-se ter uma atenção especial da gerência, muitos são complexos e exigem estudos detalhados e deve ser escolhido o que oferecer a melhor relação de custo/beneficio. Ética no setor de Compras Quando falamos em comportamento ético, geralmente comparamos com a moral, pois elas estabelecem uma ligação. Lima (apud Batista e Maldonado, 2008) diz que a moral cria uma ligação do código de ética e a empresa, em que define que, na atualidade, as empresas atuam em diversos cenários e estes estão cada vez mais complexos. Em uma empresa, o código de ética tem como missão padronizar e formalizar o atendimento da empresa e seus inúmeros relacionamentos e operações, evitando, assim, que julgamentos subjetivos que modifiquem, impeçam ou restrinjam a finalização dos compromissos do setor de compras.Define-se ética como a teoria ou a ciência do comportamento moral dos homens em sociedade, e esse comportamento é essencial tanto no setor de compras como em toda empresa. Quando os vendedores negociam, cabe ao comprador apresentar uma conduta ética e, sobretudo transparente em suas relações com os fornecedores. Isso significa não aceitar subornos, ou qualquer outro tipo de corrupção, atitude totalmente antiprofissional e desonesta. 37 https://docs.google.com/a/aedu.com/file/d/1Z53N89u2ex5mCM0kz1Ppha_grqD E7bbicViN_e4hLU5sn-qUdlsAJlPO-c8M/edit?hl=pt_BR&pli=1 Segundo Stukart (2003), a empresa pode e deve procurar métodos que garantam a integridade dos seus compradores, adotando algumas formas de prevenir-se contra o suborno no setor de compras. Cita-se o exemplo ético da diretoria/cúpula da empresa; rotatividade de compradores; promover auditoria interna e externa e levar ao conhecimento de todos um Código de Ética claro e coeso. Uma empresa que possui um código de ética que é seguido por todos os colaboradores, tem uma conduta homogênea quanto ao tratamento dado tanto aos clientes quanto aos seus fornecedores. Finalizando: https://docs.google.com/a/aedu.com/file/d/1Z53N89u2ex5mCM0kz1Ppha_grqDE7bbicViN_e4hLU5sn-qUdlsAJlPO-c8M/edit?hl=pt_BR&pli=1 https://docs.google.com/a/aedu.com/file/d/1Z53N89u2ex5mCM0kz1Ppha_grqDE7bbicViN_e4hLU5sn-qUdlsAJlPO-c8M/edit?hl=pt_BR&pli=1 38 UNIDADE 04 – ESTOQUE CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivos: Conhecer as atividades que envolvem o estoque de uma empresa e sua classificação; Conhecer a dimensão do estoque e sua organização; Aprendendo a prever o estoque; Conhecendo a combinação entre alguns modelos de evolução de consumo. ESTUDANDO E REFLETINDO Introdução O estoque pode ser composto de várias matérias-primas, várias etapas da produção de materiais e também de produtos que não estão sendo usados pela empresa atualmente, mas o serão em algum momento. Tendo como função garantir o abastecimento de materiais à empresa e proporcionando economias de escala, constitui um vínculo entre as etapas do processo de compra, transformação e venda, pois ajudam a minimizar erros de planejamento e a variação que pode ocorrer quanto à oferta e procura. Em uma empresa, a minimização dos estoques geralmente é uma das metas prioritárias, tendo como objetivo melhorar os investimentos em estoques, assim poder melhorar as necessidades de capital investido. Classificando os Estoques O estoque é considerado uma parcela significativa dos ativos das empresas, recebendo um acompanhamento minucioso do departamento contábil. São classificados em cinco categorias, segundo Dias, 1995: a) Estoques de matérias primas: os materiais que a empresa compra e são utilizados no processo produtivo e que se incorporam no produto final. Incluindo os materiais auxiliares, tais como materiais de limpeza e de escritório. 39 b) Estoque de produtos em processos: materiais que estão sendo processados ao longo das diversas seções que fazem parte do processo de produção, porém ainda não estão finalizados. c) Estoques de produtos acabados: todos os itens que foram finalizados e estão prontos para comercialização. d) Estoque em trânsito: aos produtos acabados e que está indo de uma empresa a outra, e que não chegaram ao seu destino final. e) Estoques em consignação: são materiais que continuam sendo propriedade do fornecedor até que sejam vendidos, se não o forem são devolvidos sem prejuízos as partes. Um dos objetivos da maioria das empresas está em atender seus clientes na hora certa, com a quantidade certa a um preço justo. A rapidez com que se distribuem as mercadorias é utilizada como grande vantagem competitiva e pode vir a garantir a fidelidade do comprador. Gestão de Estoques Há algumas ações que se classificam como Gestão de Estoque, permitindo ao Administrador estar acompanhando todo o processo de estocagem, sua utilização está sendo bem aproveitada, sua localização, seu manuseio e controle de entrada e saída. Utilizando as diferenças entre inventário físico e contábil, controles, nível de serviço ou atendimento, giro de estoques e cobertura dos estoques como indicadores de produtividade e análise dos estoques. Dimensionando o Estoque O estoque deve ser dimensionado para se estabelecer as quantidades adequadas ao abastecimento da produção, mantendo um equilíbrio entre dois extremos de estocagem: o excessivo ou o insuficiente. 40 O setor administrativo da empresa deve repassar aos responsáveis pelo departamento de controle de estoques um programa contendo os objetivos a serem atingidos pela empresa, ou seja, um guia aos programadores e controladores deste setor dimensionando o estoque para garantir a produção e atendimento ao cliente. O problema é saber: quais, quantos e em que período, de cada material que serão utilizados na produção, a isso se chama de previsão de consumo ou de demanda de materiais. Na administração de estoque o mais interessante é aumentar o giro do capital e assim diminuir o ativo, isso se as vendas forem constantes. O capital investido no estoque, sendo menor, também será menor o ativo e aumentará o capital de giro. Lembrando que o ativo é composto pelo ativo circulante e o ativo permanente e o estoque faz parte deste ativo circulante. Exemplificando: Uma empresa vende em torno de R$ 1.800,00, o capital de R$ 1.000,00 e sua rentabilidade é de 10%. Uma redução de 20% no capital resulta em? Seu capital de giro será = R$ 1.800,00 = 1,8 R$ 1.000,00 Se fizer uma redução de 20% em seu capital, isso resulta em: R$ 1.000,00 – R$ 200,00 = R$ 800,00 Portanto o novo capital de giro = R$ 1.000,00 = 1,25 R$ 800,00 Isso implica que para cada R$ 1,00 aplicado deve retornar R$ 1,25 de venda, representando um aumento nas vendas. Organização do setor de Estoque Ao se pensar na organização de um setor de estoque devem-se ter claros os objetivos e descrever suas principais funções: 41 a) Determinar “o que”, “quando” e “quanto” de matéria-prima em estoque será necessário, e qual o período de permanência até a venda. b) O Departamento de Compras deve executar a aquisição de matéria prima, mediante solicitação do setor de estoque. c) Controle do estoque em termos de recebimento, armazenamento e atendimento da produção de acordo com as necessidades, informação sobre a posição do estoque através de inventários periódicos. d) Identificar e retirar os itens que não estão mais em uso ou danificados. e) Mantendo um controle especificando quantitativamente os principais itens de estocagem: matérias-primas, produtos em processamento, produtos acabados e peças em manutenção. Prevendo Estoque Quando falamos em prever estoque, devemos estabelecer estimativas futuras mais próximas da realidade possível. Sua importância está relacionada com o ponto inicial do planejamento empresarial, não é considerada uma meta de vendas, mas sua precisão deve “ser e estar” compatível com o custo em obtê- la. Segundo Dias (1995), as informações que permitem decidir as quantidades e o tempo da demanda dos produtos acabados são classificadas em duas categorias que são as quantitativas e as qualitativas. A categoria quantitativa leva em conta o histórico de vendas no passado e as suas variáveis, a influência da mídia (propaganda). Enquanto as qualitativas levam em consideração as opiniões da gerência, do setor de vendas (vendedores), compradores e pesquisa de mercado. Podemos citar três técnicas para a previsão do consumo: a) Técnica da projeção: tem como base as vendas do passado e assim projetam o futuro. Esta técnica é de naturezaquantitativa. 42 b) Técnica da Explicação: explicam as vendas do passado relacionando com modelos, no qual as variáveis são conhecidas e previsíveis. São técnicas de regressão e correlação. c) Técnica da Predileção: conta com a participação de funcionários experientes, que conhecem os fatores que influenciam as vendas e o mercado, estabelecendo a evolução das vendas no futuro. Foto 10 – Estoque Fonte: Internet As técnicas para o cálculo de previsão de consumo, segundo Dias, 2011, são: a) Evolução horizontal do consumo: sua tendência é invariável ou constante. Gráfico 9: Modelo de evolução horizontal do consumo. Consumo Consumo efetivo Consumo médio Tempo Fonte: Dias, 18 b) Evolução de consumo sujeito à tendência: consumo médio aumenta ou diminui conforme o decorrer do tempo. 43 Gráfico 10: Modelo de evolução de consumo sujeito à tendência. Consumo Consumo efetivo Consumo médio Tempo Fonte: Dias, p.19 c) Evolução sazonal de consumo: sofre oscilações regulares, tanto positivas como negativas; é sazonal, quando o desvio é no mínimo de 25 % do consume médio. Gráfico 11: Modelo de evolução sazonal de consumo Consumo Consumo efetivo 25% 50% Consumo médio Tempo Fonte: Dias, p.19 Na realidade, o que ocorre é que são vários modelos de evolução combinando entre si. Isso se verifica acompanhando a evolução do consumo do passado, que pode demonstrar uma previsão evolução futura. Combinação entre alguns modelos de evolução de consumo São as seguintes as técnicas quantitativas, segundo Dias (2011), mais usuais para calcular a previsão de consumo: a) Método do último período: é um método bem simples, sem base matemática, utilizando o valor do período anterior para projetar no atual, ou seja, os dois valores são iguais (passado e futuro). 44 b) Método da média móvel: é obtido calculando-se a média dos valores de consumo nos n períodos anteriores. A escolha de n é arbitrária e em forma de experiência. Utiliza-se a seguinte fórmula: Onde: CM = Consumo Médio C = Consumo nos períodos anteriores n = número de períodos Esse método traz algumas vantagens, pois é de simples aplicação e implantação, facilitando o processamento manual. Há as desvantagens, que são as médias móveis poderem vir a gerar movimentos cíclicos, ou de outra natureza não existente nos dados originais, além das observações antigas valerem o mesmo que as atuais. Exige o acompanhamento e a manutenção de um número muito grande de dados. Exemplo de Aplicação: Em uma empresa, os volumes consumidos entre os meses de janeiro e julho foram os seguintes: 40, 80, 60, 50, 40, 50 e 30. Utilizando-se o método da média móvel com n = 3, temos: Resolvendo: a) Previsão para o mês de abril: 603 608040 = ++ b) Previsão para o mês de maio: 633 506080 = ++ n CCCCCM n++++= ...321 45 c) Previsão para o mês de junho: 503 405060 = ++ d) Previsão para o mês de julho: 463 504050 = ++ e) Previsão para o mês de agosto: 403 305040 = ++ Resultado: A média móvel é: 60, 63, 50, 46 e 40 c) Método da média móvel ponderada: É uma variação dos modelos anteriores, porém os valores dos períodos mais próximos valem mais que os mais antigos. A previsão de consumo é dada pela fórmula: it n i it PCC − = − − ∑= . 1 Onde: itC − = consumo efetivo no período t – i itP− = peso atribuído ao consumo no período t – i ∑ = n i 1 = 100 % ou 1 Os pesos p são valores decrescentes, ou seja, quanto mais antiga a venda, menor o valor atribuído. Essa determinação deve ser feita de tal maneira que a soma obtida seja de 100 %. Exemplo de Aplicação: Aproveitando a mesma situação do problema anterior, determine o consumo previsto para o ano de 2012, utilizando o método da media móvel ponderada com os seguintes pesos: Resolvendo: 46 Ano Quantidade Porcentagem 2008 2.272 5 % 2009 2.600 20% 2010 2.863 25% 2011 3.265 50% 85,2981 6,11352075,7155,1632 2272.05,02600.20,02863.25,03265.05,0 __ __ __ _ = +++= +++= C C C A previsão para 2012 é de aproximadamente 2.982 unidades. d) Método da média com ponderação exponencial: Utiliza apenas três valores para gerar a previsão para o próximo período, assim elimina algumas desvantagens dos métodos anteriores, dando maior importância aos dados mais recentes. 10), __ .( 111 ____ ≤≤−+= −−− αα comCCCC tttt Onde: tC __ = previsão de consumo pra o próximo período 1 __ −tC = previsão de consumo pra o período passado 1−tC = consumo efetivo no período passado α = coeficiente de ajustamento Exemplo de aplicação: Em uma companhia, sabe-se que o nível de consumo de um dos itens fabricados mantém uma oscilação média e realiza o cálculo da média ponderada exponencial. Houve uma previsão de consumo para 2011 de 5.300 unidades, porém o consumo efetivo foi de 5.200 unidades. Sendo o coeficiente de ajustamento de 0,10, como se pode prever o consumo para 2012? Resolvendo: 47 10,0 5200C 5300 2011 2011 __ = = = α C 5290 4770520 5300.90,05200.10,0 ).1(. 2012 __ 2012 __ 2012 __ 2011 __ 20112012 __ = += += −+= C C C CCC αα Modelo de Estoque Independente do tamanho de uma empresa, é importante que ela defina a forma como irá administrar seus estoques, pois há muitas vantagens quanto à organização e implementação de sistemas informatizados. Não podemos esquecer as dimensões e a localização do armazém, seu tamanho e disposições internas, Ballou afirma que quando a tendência nas necessidades de espaço não for constante ao tempo, devemos estar preparados para dividir as mudanças fundamentais das necessidades de espaço em nossa análise. De que forma? Estocando uma série de insumos, matérias-primas, produtos inacabados e acabados, ou seja, todos os materiais que compõem o processo produtivo de uma empresa. Os estoques, segundo Ballou (2006), podem ser classificados de cinco formas distintas, tais como: 1. Estoques podem estar no canal, ou seja, os estoques estão circulando entre pontos de produção ou estocagem; 2. Estoques podem ser mantidos para especulação, ou seja, ainda podem compor a base total de estoque gerenciável. Metais preciosos e semipreciosos são exemplos de matérias-primas que podem ser compradas tanto para especulação de preço quanto para atender exigências operacionais; 3. Estoques de natureza regular ou cíclica, isto é, atendem à demanda média no decorrer do tempo de reabastecimentos seguidos; 4. Estoques que surgem de acordo com a demanda e o tempo necessário para o reabastecimento; 48 5. Estoque obsoleto, morto ou reduzido: este, não tem mais utilidade: já está vencido ou foi deteriorado. Podemos citar alguns modelos de gestão de estoques, tais como: Reposição Periódica, Reposição Contínua e alguns modelos hídricos. Modelo de Reposição Contínua ou Lote Padrão O gráfico abaixo nos permite deduzir algumas relações: a) EMáx = Estoque Máximo ES = Estoque de Segurança Q = Lotes de Compra EMáx = ES + Q b) Em= estoque Médio ES = Estoque de Segurança Q = Lote de Compra Em = ES + Q/2 c) PP = Ponto de Partida TA = Tempo de Atendimento ou lead time D = Demanda ES = Estoque de Segurança PP = (TA x D)+ ES d) IP = Intervalo de Pedido N = Número de Pedidos no Intervalo de Tempo IP = 1/N e) N= Número de Pedidos no Intervalo de TempoD= Demanda Q = Lote de Compra N = D/Q f) LEC = Lote Econômico de Compras D = quantidade do período em unidades 49 P = custo de pedir, por pedido = custo unitário do pedido de compra M= custo de manter estoque no período, por unidade, sendo que: M = CMA (custo de manter armazenado) X PU (preço unit. do material) ( ) )2 M xDxLEM = Gráfico 12: Modelo de reposição continua ou Lote Padrão Fonte: Martins, 2000, p.247 Exemplo de aplicação: Uma empresa produz Diodos que são utilizados na fabricação dos faróis de automóveis e comprados pela empresa Shinelux. Como a demanda é de 3.000 unidades/mês, a empresa mantém estoque de segurança de 480 unidades. Cada entrega é efetuada em seis dias úteis, supondo que as compras sejam feitas em lotes de 6.000 unidades, e que um mês possua 25 dias úteis. Determinar todos os parâmetros possíveis de estoque correspondentes. ESTOQUE TEMPO EMÁX EM PP ES Q Q IP TA TA 50 Resolvendo: ES = 480 unidades D = 3.000 unidades/mês Q = 6.000 unidades TA = 6 dias X 1/25 mês/dia = 0,24 mês a) EMáx = ES + Q EMáx = 480 unid. + 6.000 unid/lote X 1 lote EMáx = 6.480 unidades b) PP = (TA x D) + ES PP = (0,24 mês X 3.000 unidades/mês) + 480 PP = 720 + 480 PP = 1200 unidades c) N = D/Q N = 3.000 unid. mês/6.000 unid. por pedido N = 0,5 pedidos/mês d) IP = 1/N IP= 1/ 0,5 pedidos/mês IP = 2 meses entre os pedidos e) EM = ES + Q/2 EM = 480 + 6000/2 EM = 3240 unidades O modelo de reposição contínua permite emitir pedido de compras, com quantidade igual ao lote econômico, assim que o nível de estoque chegar ao ponto de pedido. Lembrando que Lote econômico é a quantidade ideal de material a ser comprada nas operações de reposição de estoque, sendo que o custo total de aquisição, bem como os respectivos custos de estocagem, constituem o patamar mais baixo para o período em que ficará estocado. Este conceito aplica-se tanto 51 na relação de abastecimento pela manufatura para a área de estoque, recebendo a denominação de lote econômico de produção, quanto à relação de reposição de estoque por compras no mercado, passando a ser designado como lote econômico de compras. Modelo de Reposição Periódica ou Intervalo Padrão Este modelo também pode ser chamado de modelo do intervalo padrão ou modelo do estoque Máximo, permitindo emitir os pedidos de compras em lotes em intervalos de tempo fixos. O gráfico abaixo os Intervalos de Tempo que serão iguais ao Intervalo do Pedido, assim os Lotes serão iguais a diferença entre o Estoque Máximo e o Estoque Disponível. Este modelo propõe que o Estoque Máximo seja igual ao Lote Econômico mais o Estoque de Segurança e o intervalo entre pedidos. Gráfico 13: Modelo de Reposição Periódica. Fonte: Martins, 2000, p.251 52 Custos do Estoque ou armazenagem Quando se faz necessário manter estoques, independente do material ou matéria-prima, isso sempre gera custos para a empresa. Segundo Chiavenato (1991), os custos de estoques dependem da quantidade e do tempo em que ficará em estoque, além de que, quanto maior a quantidade, maior o tempo de permanência e maiores os custos de estocagem. Martins (2000) classifica os custos em três grandes categorias: custos diretamente proporcionais à quantidade estocada, custos inversamente proporcionais à quantidade estocada e independentes da quantidade estocada. Podemos dizer que os custos diretamente proporcionais são aqueles que aumentam conforme aumenta a quantidade média estocada. Fórmula do Custo de Armazenagem: PiCC AC ++= , onde: =CC Custo de Carregamento =AC Custo de Armazenamento =+ Pi Custo de Capital i = taxa de juros P = Preço unitário Exemplo de aplicação: Uma empresa armazena garrafas plásticas por um total anual de R$ 0,60 por unidade e preço de compra unitário de R$ 1,20. Considerando uma taxa de juros de 15 % ao ano, calcular o custo de carregamento do estoque desse item. Resolvendo: unidadeRP aaaai anounidadeRCA /20,1$ ..15,0..%15 ./60,0$ = == = 53 PiCC AC ++= 20,115,060,0 xCC += 18,060,0 +=CC 78,0=CC , Por unidade/ano Os custos chamados de inversamente proporcionais são aqueles que diminuem com o aumento do estoque médio, ou seja, quanto mais elevados os estoques médios, menores serão os custos de armazenagem. Chamamos de consumo (D) anual constante, o Lote (Q) que deverá ser de D unidades e o estoque médio correspondente será Q/2; assim deduzimos que: • Em um ano se faz um única compra, portanto o tamanho do lote será Q = D e o estoque médio será: 22 DQ = ; • Em dois anos são feitas duas compras por ano, portanto o tamanho do lote será Q=D/2 e o estoque médio será: 42 DQ = ; • Em três anos, são três as compras, portanto o tamanho do lote será Q=D/3 e o estoque médio será: 62 DQ = . Exemplo de aplicação: Depois que todas as despesas do ano passado foram computadas, uma empresa chegou a um valor médio de R$ 25,00 por emissão de pedido de compras. Determinar os custos que serão incorridos na obtenção de um item de estoque cujo consumo anual é de 35.000 unidades, para comprar: a) Uma vez ao ano; b) Duas vezes ao ano; c) Quatro vezes ao ano. 54 Resolvendo: Custo do pedido = R$25,00 Custo de obtenção= número de pedidos por período X custos do pedido no período. a) Uma única compra no ano: Lote = 35.000 unidades Custo de obtenção = 1 X R$ 25,00 Custo de obtenção = R$ 25,00 b) Duas compras no ano: Lote = 17.500 unidades Custo de obtenção = 2 X R$ 25,00 Custo de obtenção = R$ 50,00 c) Quatro compras no ano: Lote = 8.750 unidades Custo de obtenção = 2 X R$ 25,00 Custo de obtenção = R$ 50,00 Os estoques médios serão em cada caso de 35.000 unidades, 17.500 unidades e 8.750 unidades. Os custos independentes, assim como o próprio nome diz, independem do estoque médio da empresa, geralmente têm um valor fixo, como exemplo podemos citar o próprio galpão onde poderá ser guardada a produção, que será representada por CI. Os custos totais são as somas desses três fatores, além de considerarmos que Q é o tamanho invariável do lote e o estoque médio como Q/2. Assim, temos: ( ) ( ) PXDC Q DXCQXPXiCCT IPA ++ + += 2 Exemplo de aplicação: Uma quantidade de 60.000 unidades de um produto que é comercializado por uma empresa nacional é comprado por R$ 3,20 a unidade, por uma empresa 55 italiana. A taxa de juros corrente no mercado é de 20 % ao ano e os custos anuais de armazenamento são de R$ 0,70 por unidade. Os custos invariáveis anuais para esse produto estocado atingem R$ 250,00 e os custos de obtenção do pedido somam R$ 35,00 por pedido. Qual o custo total de estocagem para lotes de compra de 10.000 e 12.000 unidades? Levantamento de dados: unidadepRP aaaai anounidadepRCA /20,3$ ..20,0..%20 ./70,0$ = == = pedidopRCP /00,35$= ..00,250$ aaRCI = Resolvendo: a) Q=10.000 ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) anopCT CT XXCT XXXXCT PXDC Q DXCQXPXiCCT IPA /160.199 1922502106700 19200000,250600,35500034,1 20,36000000,250 10000 6000000,35 2 1000020,320,070,0 2 = ++= +++= ++ + += ++ + += b) Q=12.000 ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) ( ) anopCT CT XXCT XXXXCT PXDC Q DXCQXPXiCCT IPA /465.200 1922501758040 19200000,250500,35600034,1 20,36000000,250 12000 6000000,35 2 1200020,320,070,0 2 = ++= +++= ++ + += ++ + += 56 http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:x 6hgNlxFTvIJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DhpPBU Vs9t1s+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Podemos observar a variação do custo total de um lote para o outro. Baixos níveis de Estoque Percebe-se que os estoques, se não bem administrados, podem se tornar uma forma deprejuízo e desperdício para qualquer empresa, por isso estudam- se meios eficientes para reduzi-lo ao mínimo possível. É o que chamamos de just- in-time: redução dos estoques até a uma única peça (one piece flow). Lembrando que são necessárias as mesmas quantidades de preparação para produzir tanto uma única peça quanto 10.000 peças, por exemplo. Isso ocasiona gastos, então o mais prático é adotar o sistema de pequenos lotes, utilizando o sistema Kanban. Assim, há um equilíbrio nos custos totais, reduzindo os custos de preparação ou setup. Kanban: Primeira parte da apresentação sobre Kanban e Sistema Puxado. A apresentação trata da definição de Kanban, a diferença entre Kanban e Just in Time e mostra as quatro formas mais conhecidas de gestão visual da produção. http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:x6hgNlxFTvIJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DhpPBUVs9t1s+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:x6hgNlxFTvIJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DhpPBUVs9t1s+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:x6hgNlxFTvIJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DhpPBUVs9t1s+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br 57 http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:9YX s_mB3hBUJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DQ3x6DblDNbk +&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br Este vídeo mostra a dinâmica de funcionamento do Kanban de Produção através de uma animação do fluxo dos cartões do sistema: Há algumas medidas que devem ser tomadas para reduzir os custos ou atenuá-los; são elas: - Melhorar a precisão entre quantidades/prazos e as previsões de vendas; - Reduzir o ciclo de produção e conseguir parcerias com fornecedores; - Reduzir dos prazos de reaprovisionamento por parte dos fornecedores; - Aumentar a produtividade de todos os setores; - Eliminar de todos os setores as funções ou atividades que não agreguem valor ao produto final; - Ter sempre atualizado o controle de estoque e corrigir distorção caso ocorra; - Poder contar com a implantação dos 5 S’s, que mantém o trabalho organizado e limpo. A grande maioria das empresas, atualmente, busca excelência de seus produtos e da forma como eles são fabricados, armazenados e transportados. Ter um estoque reserva ou de segurança pode evitar atrasos no fornecimento, caso haja um aumento da demanda ou algum problema com a produção. Manutenção de Altos Níveis de Estoque A vantagem em ter Altos Níveis de Estoque é o pronto atendimento aos clientes, esse é o “sonho” do departamento de vendas: tendo um estoque alto, http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:9YXs_mB3hBUJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DQ3x6DblDNbk+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:9YXs_mB3hBUJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DQ3x6DblDNbk+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br http://webcache.googleusercontent.com/search?q=cache:9YXs_mB3hBUJ:www.youtube.com/watch%3Fv%3DQ3x6DblDNbk+&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br 58 com grande variedade de produtos, poderia efetuar as vendas com prazos curtos ou pronta entrega. Geralmente os principais itens que contribuem para um estoque com grandes quantidades são as matérias-primas e o material que está sendo processado. Alguns setores contribuem para um aumento de estoque de materiais, por diversos motivos, tais como planos de vendas otimistas (departamento de marketing) ou modificações de produtos que levem ao aumento de refugos ou materiais obsoletos (departamento de engelharia). Finalizando Conclui-se que os estoques funcionam como reguladores do fluxo de materiais em uma empresa, assim como a velocidade com que chegam a ela é diferente daquela como saem ou como são consumidas, tendo a necessidade de uma quantidade de materiais, que pode ser maior ou menor conforme as variações dos pedidos de compra/venda. Quando existe um controle e manutenção de estoques em uma empresa, esse acompanhamento traz muitas vantagens e desvantagens. Vantagens, quando se trata do pronto atendimento aos clientes e desvantagens, quando se trata do custo que gera essa manutenção. Segundo Martins (2000), o administrador deve encontrar um ponto de equilíbrio que seja adequado à empresa, sabendo das dificuldades encontradas nas avaliações decorrentes do pronto atendimento e dos custos delas decorrentes. 59 UNIDADE 05 – ADMINISTRAÇÃO, ARMAZENAGEM E CONTROLE DO ESTOQUE DE MATERIAIS CONHECENDO A PROPOSTA DA UNIDADE Objetivos: Conhecer a importância do layout em uma empresa; Adquirir conhecimentos sobre o layout das operações de fabricação; Conhecer os tipos e objetivos das embalagens; Conhecer os princípios de estocagem de materiais e sua conservação; Adquirir conhecimento quanto localização de materiais; Conhecer o inventário físico; ESTUDANDO E REFLETINDO Introdução Quando falamos em armazenamento, dentro da área produtiva, estamos nos referindo aonde guardar, em como fazer este acondicionamento, a sua localização e a preservação de algum tipo de matéria-prima. Suprindo assim as necessidades funcionais e operacionais da empresa. Há empresas que utilizam o termo armazenagem quando se referem a produtos acabados e estocagem para matérias-primas, porém independente da denominação utilizada a organização do espaço físico dos estoques inclui a localização, a dimensão e organização da área que será utilizada, os equipamentos para movimentação, estruturas de armazenagem e sistemas informatizados. Atualmente o processo de armazenagem de materiais assume um papel relevante na perspectiva de obtenção de lucros, pois quando é feita a correta armazenagem, visando aproveitar melhor o espaço físico do local de forma organizada, permite uma movimentação rápida e melhor, tendo cuidado para evitar danos e deteriorização, reduzindo assim possíveis perdas. Os objetivos para uma armazenagem com eficiência, é a de garantir o atendimento dos pedidos efetivados no cotidiano de uma empresa, de um cliente, por exemplo. 60 Bom lembrar que todo o processo de acondicionamento e localização dos materiais possui uma relação direta, com a disponibilidade e disposições das estruturas de armazenagem. Assim, dependendo das estruturas existentes no almoxarifado e do tipo de material a ser armazenado, é possível organizá-lo e disponibilizá-lo adequadamente no espaço operacional do almoxarifado. Um bom planejamento de armazenagem integra o setor de suprimento com a produção e a distribuição de materiais, seguindo alguns fatores indicativos: • Estratégico feito através de estudos sobre a localização; • Técnico feito com os estudos realizados de gerenciamento; • Operacional feito através dos estudos de equipamentos de movimentação, armazenagem e layout. Segundo Amaral (2009), os fatores básicos que determinam a necessidade de armazenagem são: 1. Necessidade de compensação de diferentes capacidades das fases de produção; 2. Equilíbrio sazonal; 3. Garantia da continuidade da produção; 4. Custos e especulação; 5. Redução dos custos de mão de obra; 6. Redução das perdas de materiais por avarias; 7. Melhoria na organização e controle da armazenagem; 8. Melhoria nas condições de segurança de operação do depósito; 9. Aumento da velocidade na movimentação; 10. Descongestionamento das áreas de movimentação. Características de Layout A relação física existente entre várias atividades que chamamos de configuração de instalação, na qual em inglês denominamos de layout. 61 Segundo Dias (2010), a necessidade de se ter um layout ocorre quando da implantação de um depósito e está presente em todas as etapas da operacionalização. Faz parte do layout operações como reorganizar maquinários, eventuais ampliações ou modificações para adaptação a novos produtos. Essas reorganizações devem ser bem planejadas,pois os custos envolvidos são bem maiores quando um projeto possui um layout ruim. O espaço físico industrial deve ser incluído junto com todos os estudos de layout, tais como, sua geometria, localização, finalidade (tipo de matéria-prima que será produzida). Dias (2010), diz que não existe um critério para avaliar se um layout é adequado ou não, tudo depende da meta e dos fatores que influem no fluxograma determinado para cada atividade a ser considerada. Há vários modelos de layouts e eles podem se adequar as diversas características, sendo necessário considerar alguns fatores que influenciam na hora de um planejamento: materiais, maquinário, movimentação, espera da matéria-prima ou produto acabado, disposição física ou construção e mudança. Com a globalização e a concorrência cada vez mais acirrada, as empresas estão sempre atentas a possíveis mudanças no layout, as seguintes situações que podem ocasionar uma mudança de layout: a) Modificação do produto; b) Lançamentos de novos produtos; c) Variação na demanda, aumento ou diminuição da produção; d) Obsolescência das instalações; e) Ambiente de trabalho inadequado; f) Índice elevado de acidentes; g) Mudança na localização do mercado consumidor; h) Redução dos custos. 62 Processo produtivo Quando nos referimos à operação de fabricação ou produção temos que classificá-las em contínuas, repetitivas e intermitentes. As operações classificadas em contínuas são aquelas que funcionam continuamente, sem paradas, como exemplo: indústrias petroquímicas, que são especialistas em suas funções e produção, sendo assim os layouts são comuns à grande maioria das atividades do setor. As operações classificadas em repetitivas são aquelas que processam em lotes, com números elevados de fabricação. Os lotes sempre passam pelo mesmo processo de produção. Como exemplo: indústria automotiva. As operações intermitentes são aquelas feitas em lotes por encomenda, como exemplo: estampagem realizada para apenas um cliente. Análise e estudos de Layout Todo estudo que é feito para melhorar a disposição do maquinário, transporte ou a área de armazenagem, gera um custo e esse deve ser comparado com o custo gerado pela produção atual, se ele for menor do que o existente, então a mudança deve ser realizada racionalmente. Tendo isso em mente, devem-se avaliar alguns princípios da disposição física, do transporte interno e as particularidades de cada empresa. Podemos enunciar o princípio fundamental de rearranjo de uma instalação em funcionamento: “O custo do método proposto, por unidade produzida, deve ser menor do que o existente, de modo a proporcionar uma economia satisfatória para a empresa, no período mais curto possível e os produtos devem transitar o menos possível entre duas máquinas e de um ponto de estocagem a outro”. (DIAS, 2010, p.142). Há alguns critérios que servem para fazer um levantamento de dados que incluem medidas diretas e processos estatísticos, a escolha de um ou de outro irá depender muito da situação que apresenta a empresa. 63 Um método popular é o de Diagramas, que são representações simples e precisas de uma determinada tarefa. Utiliza-se de ordem cronológica as atividades do homem, a utilização das maquinas ou a combinação de ambos. São utilizadas para analisar o processo, estudando a distribuição da planta (layout), a cronologia dos eventos, a fabricação e a quantidade de operários necessários. Os diagramas mais utilizados para o levantamento de dados são: a) Diagrama de Processo: indica utilizando gráficos, os pontos nos quais se introduzem materiais, ordem das operações e inspeções executadas. Tendo como finalidade representar total ou parcial o objeto de estudo. Exemplo de Diagrama de Processo: Fonte: Internet 64 b) Diagrama de Fluxo: representam graficamente, as operações, os transportes, atrasos e armazenagem durante o processo. Exemplo de Diagrama de Fluxo de dados: Fonte: Internet c) Diagrama de Atividades Múltiplas: as atividades do homem ou das maquinas, demonstram essas atividades, humanas/ máquinas, juntas. Exemplo de Diagrama de Atividades Múltiplas: Fonte: internet 65 Embalagens: conceitos, importância e tipos Definindo embalagem: é um invólucro onde acondicionamos e apresentamos um produto. Os principais objetivos das embalagens são: proteger o produto, conter, exibir, ter mais de uma utilidade e identificar o produto. Muitas vezes o sucesso de um produto está relacionado com a apresentação de sua embalagem e todas as informações que o consumidor encontra nela. Lembrando que por trás das embalagens existe uma cadeia produtiva complexa que envolve matérias-primas, maquinários e uma grande variedade tecnológica de impressão, decoração, rotulagem, acondicionamento e design. Isso exige um grande investimento das empresas para manter seus produtos competitivos no mercado. Todo o processo de fabricação e aprovação de uma embalagem tem como objetivos a proteção do produto, resistência ao empilhamento e ao transporte e obtenção do menor custo possível em sua fabricação. Tipos de Embalagens Existe atualmente uma gama muito grande de materiais que são utilizados na fabricação de embalagens, desde o tradicional papelão até os plásticos. Entre os tradicionais (papelão e plásticos) existem algumas desvantagens, pois são materiais facilmente descartáveis, possuem pouca proteção contra avarias além de sua impossibilidade para uso com uma grande quantidade de produtos e sua baixa resistência a água. Isso impulsiona a pesquisa de novos tratamentos para o papel e papelão, tais como, papéis encerados usados para embalar alimentos, caixas com camadas de polietileno, tendo a vantagem de ser reutilizáveis e biodegradáveis. O grupo dos papéis e papelões pode ser utilizado como sacos, caixas, cartuchos lisos, caixas de papelão ondulados, utilizados também em muitos setores e segmentos da indústria de transformação, podendo ser moldadas em 66 vários formatos e tamanhos, lembrando que muitas são leves e proporcionam um fácil armazenamento. Outro material muito utilizado é o plástico, de largo uso no pós-guerra, apresentando-se em várias formas, texturas, cores, das quais podemos citar: filmes, sacos, sacolas, engradados, fracos, entre outros. As inovações tecnológicas proporcionaram o surgimento de novos tipos de materiais e novos tipos de embalagens, menos caras e mais úteis. Citamos como exemplos: embalagens do tipo sleeves, que são aplicadas sobre vidros (garrafas, frascos ou potes); outros exemplos são as embalagens acolchoadas que servem para proteger móveis ou para embalar produto irregular; não podemos esquecer as embalagens retornáveis, que podem ser feitas de aço ou plástico. Temos ainda os Paletes, os shrink-wrap e strech-wrap (embalagens a vácuo). Segundo DIAS (2010), a paletização vem sendo cada vez mais utilizada em indústrias que necessitam de uma manipulação rápida e estocagem racional para grandes quantidades de materiais. Dentre as vantagens, podemos citar: economia de tempo, de mão de obra, economia no espaço de armazenagem; se bem organizado, permite a formação de pilhas, melhor proteção para as embalagens, pois são manipuladas em conjunto e facilidade nas operações de carga e descarga de caminhões. Foto: Paletes Foto: Embalagem de papelão Foto: Embalagem de plástico 67 Estocagem e conservação de materiais Atualmente, a estocagem e a armazenagem não dizem apenas respeito a um espaço onde guardar materiais, mas esse processo passa a ser integrado com a política empresarial, onde vários departamentos estão interligados, tais como o setor de marketing, finanças e produção. A grande maioria dos materiais deve e pode ser armazenada ou estocada de maneira a não prejudicar a passageme a movimentação no setor. Os materiais empilhados, a granel ou embalados, devem ser dispostos (tanto na largura como na altura) de maneira a garantirem a estabilidade e a facilidade de manuseio. Dependendo do tipo de materiais e produtos, suas dimensões ou características podem exigir uma simples prateleira ou um sistema mais complexo de armações, caixas ou gavetas. Segundo DIAS (2010), as formas mais comuns de estocagem de materiais podem ser generalizadas da seguinte forma: a) Caixas – adequadas para pequenas peças, adquiridas ou fabricadas, inclusive utilizadas na linha de produção. b) Prateleiras – podem ser de madeira ou traçarem perfis metálicos; destinam- se a peças maiores ou para o apoio de gavetas ou caixas padronizadas. c) Racks – são construídos para acomodar peças longas e estreitas; eles podem ser feitos de madeira ou aço estrutural. d) Empilhamento – constitui uma variante na armazenagem de caixas e produtos, que não exigem divisões nas prateleiras ou formarem uma espécie de prateleira por si só, permitindo o aproveitamento máximo do espaço vertical. Os materiais, quanto à armazenagem e conservação, devem ser analisados e dispostos de acordo com um arranjo físico mais conveniente e que atenda ao fluxo dos materiais: 1. Armazenagem por tamanho – aproveita-se melhor o espaço; 68 2. Armazenagem por frequência – armazenagem próxima à saída do almoxarifado dos materiais com mais rotatividade; 3. Armazenagem especial: ambientes climatizados, produtos inflamáveis, produtos perecíveis; 4. Armazenagem em área externa: de acordo com a natureza dos materiais, eles devem ser armazenados em áreas ao ar livre, isso possibilita a diminuição de custos e amplia o espaço interno para a necessidade de outros materiais, podem ser colocados em “containers”, por exemplo; 5. Armazenagem com cobertura alternativa: galpões plásticos, que dispensam fundações, esse tipo de armazenagem tem um menor custo. Foto: Estocagem com galpões plásticos: Fonte: internet Lembrando que o armazenamento é um conjunto de várias funções que vão desde a recepção, a conservação e a distribuição. O ambiente de um almoxarifado deve ser adequado à conservação dos materiais, até serem disponibilizados ao consumidor final. Uma má conservação, consequentemente, irá acarretar prejuízos, por isso é de grande importância que o ambiente, onde será feita a armazenagem, tem que ser estudado quanto às características físicas e a disponibilidade de armazenagem. Cada tipo de material produz seus próprios riscos e sua exposição irá depender das boas instalações e controle da armazenagem. 69 Dentre das principais funções de um almoxarifado, podemos citar: receber os materiais; identificação; guardar na localização adotada; verificação periódica das condições de proteção e armazenamento; entregar os materiais mediante requisições autorizadas; manter sempre atualizados os registros necessários. Codificação e classificação de materiais Para existirem procedimentos de armazenagem adequados, é necessário que haja um sistema de classificação e codificação eficiente dos estoques. Classificar um material significa: • Agrupá-lo segundo a sua forma, dimensão, peso, tipo de material e seu uso; • Ordená-lo de acordo com as suas semelhanças, dentro de suas finalidades e funções; • Codificá-los de acordo com seu tipo, uso, aquisição, propriedades e utilidade. Essa classificação é feita em etapas, tais como: catalogação, simplificação, especificação, normalização e padronização. Atualmente os processos mais utilizados e rápidos para a identificação de materiais ou produtos ocorrem através dos códigos de barras lineares. Cada fabricante faz sua própria codificação em seus produtos que, decodificados pelo computador, transformam-nos em informações utilizáveis paras a operação dos sistemas de movimentação automatizados. Localização de materiais Um bom sistema de localização de materiais estabelece meios para identificação da localização dos mesmos; normalmente utiliza-se simbologia, ou seja, codificação alfanumérica, que indica precisamente a posição de cada material estocado, facilitando as operações de movimentação. 70 Existem dois métodos básicos de sistemas de localização dos estoques: • Sistema de endereçamento fixo: existe uma localização específica para cada material ou produto. • Sistema de endereçamento variável: não existem locais fixos de armazenagem, a não ser para itens de estocagem especial. Inventário Físico de materiais e patrimoniais Definindo inventário: é um levantamento físico e financeiro de todos os bens móveis e imóveis, sendo um procedimento administrativo, cuja finalidade é a sincronia entre o que foi registrado e o que já havia em estoque. Inventário Físico de bens materiais Determina a quantidade de estoque, através da contagem em determinada época, geralmente no final do ano; pode ser feito em qualquer época. Esse tipo de inventário é um controle básico para a gestão da produção e financeira. Pode ser: - Rotativo: quando determina, em uma ordem prioritária, os itens a serem inventariados. - Permanente: quando é realizada intermitentemente. Inventário físico de bens patrimoniais Tem como finalidade identificar a situação patrimonial e o estado de conservação dos bens inventariados, discriminando em relatório os possíveis imóveis que devem ser substituídos ou sucateados. Existem alguns tipos de inventários patrimoniais, tais como: - Verificação: pode ser realizado em qualquer tempo, quando haja necessidade de atualização; - Transferência: deve ser realizado quando ocorrer a mudança de comando administrativo; 71 - Extinção: quando da extinção ou transformação de uma função administrativa; - Anual: realiza-se para comprovar a exatidão dos registros de controles e comparação com os do ano anterior e as possíveis variações ocorridas no ano de exercício. Finalizando Um bom layout tem como finalidade reduzir custos, reduzir desperdícios de materiais, aumentar a capacidade produtiva, melhorar as condições de trabalho e promover um melhor aproveitamento da área de trabalho. O processo de armazenamento dos materiais envolve todos os controles dos itens movimentados e a quantidade de estoque. Um acompanhamento mais minucioso permite um melhor controle do almoxarifado, evitando que haja diferença entre os dados de estoque real com o do sistema informatizado. A equipe que trabalha no almoxarifado deve estar atenta à movimentação dos itens, verificando se há materiais obsoletos ou avariados. A armazenagem tem como objetivo implementar uma boa organização do estoque, manter registro atualizado de matérias-primas, agregar valor aos produtos, atender ao mercado de varejo, enfim, fazer estoque eficiente oferece oportunidades de diminuição de custos. GLOSSÁRIO Termos utilizados na administração de materiais: 1) Artigo ou Item - designa qualquer material, matéria-prima ou produto acabado que faça parte do estoque; 2) Unidade - características de apresentação física (caixa, bloco, rolo, folha, litro, galão, resma, vidro, peça); 3) Pontos de Estocagem - locais aonde os itens em estoque são armazenados e sujeitos ao controle da administração; 72 4) Estoque - conjunto de mercadorias, materiais ou artigos existentes fisicamente no almoxarifado à espera de utilização futura e que permite suprir regularmente os usuários, sem causar interrupções às unidades funcionais da organização; 5) Estoque Ativo ou Normal - é o estoque que sofre flutuações quanto à quantidade, volume, peso e custo em consequência de entradas e saídas; 6) Estoque Morto ou Inativo - não sofre flutuações, é estático; 7) Estoque Empenhado ou Reservado - quantidade de determinado item, com utilização certa, comprometida previamente e que por alguma razãopermanece temporariamente em almoxarifado. 8) Estoque de Recuperação - quantidades de itens constituídas por sobras de retiradas de estoque, sem condições de uso, mas passíveis de aproveitamento após recuperação, podendo vir a integrar o Estoque Normal ou Estoque de Materiais Recuperados, após a obtenção de sua condições normais; 9) Estoque de Excedentes, Obsoletos ou Inservíveis - constitui as quantidades de itens em estoque, novos ou recuperados, obsoletos ou inúteis que devem ser eliminados. 10) Estoque Disponível - é a quantidade de um determinado item existente em estoque, livre para uso; 11) Estoque Teórico - é o resultado da soma do disponível com a quantidade pedida, aguardando o fornecimento; 12) Estoque Mínimo: é a menor quantidade de um artigo ou item que deverá existir em estoque para prevenir qualquer eventualidade ou emergência, provocada por consumo anormal ou atraso de entrega; 13) Estoque Médio, Operacional: é considerado como sendo a metade da quantidade necessária para um determinado período mais o Estoque de Segurança; 14) Estoque Máximo: é a quantidade necessária de um item para suprir a organização em um período estabelecido mais o Estoque de Segurança; 73 15) Ponto de Pedido, Limite de Chamada ou Ponto de Ressuprimento: é a quantidade de item de estoque que ao ser atingida requer a análise para ressuprimento do item; 16) Ponto de Chamada de Emergência: é a quantidade que, quando atingida, requer medidas especiais para que não ocorra ruptura no estoque. Normalmente é igual à metade do Estoque Mínimo; 17) Ruptura de Estoque: ocorre quando o estoque de determinado item zera. A continuação das solicitações e o não atendimento a caracteriza; 18) Frequência - é o número de vezes que um item é solicitado ou comprado em um determinado período; 19) Quantidade a Pedir - é a quantidade de um item que deverá ser fornecida ou comprada; 20) Tempo de Tramitação Interna: é o tempo que um documento leva, desde o momento em que é emitido até o momento em que a compra é formalizada; 21) Prazo de Entrega: tempo decorrido da data de formalização do contrato bilateral de compra até a data de recebimento da mercadoria; 22) Tempo de Reposição, Ressuprimento: tempo decorrido desde a emissão do documento de compra até o recebimento da mercadoria; 23) Requisição ou Pedido de Compra - documento interno que desencadeia o processo de compra; 24) Coleta ou Cotação de Preços: documento emitido pela unidade de Compras, solicitando ao fornecedor Proposta de Fornecimento. Esta coleta deverá conter todas as especificações que identifiquem individualmente cada item; 25) Proposta de Fornecimento - documento no qual o fornecedor explicita as condições nas quais se propõe a atender (preço, prazo de entrega, condições de pagamento); 26) Mapa Comparativo de Preços - documento que serve para confrontar condições de fornecimento e decidir sobre a mais viável; 74 27) Contato, Ordem ou Autorização de Fornecimento: documento formal, firmado entre comprador e fornecedor, que juridicamente deve garantir a ambos (fornecimento x pagamento); 28) Custo Fixo:- é o custo que independe das quantidades estocadas ou compradas (mão de obra, despesas administrativas, de manutenção...); 29) Custo Variável - existe em função das variações de quantidade e de despesas operacionais; 30) Custo de Manutenção de Estoque, Posse ou Armazenagem: são os custos decorrentes da existência do item ou artigo no estoque. Varia em função do número de vezes ou da quantidade comprada; 31) Custo de Obtenção de Estoque, do Pedido ou Aquisição: é constituído pela somatória de todas as despesas efetivamente realizadas no processamento de uma compra. Varia em função do número de pedidos emitidos ou das quantidades compradas. 32) Custo Total: é o resultado da soma do Custo Fixo com o Custo de Posse e o Custo de Aquisição; 33) Custo Ideal: é aquele obtido no ponto de encontro ou interseção das curvas dos Custos de Posse e de Aquisição. Representa o menor valor do Custo Total. Av. Ernani Lacerda de Oliveira, 100 Bairro: Pq. Santa Cândida CEP: 13603-112 Araras / SP (19) 3321-8000 ead@unar.edu.br Rua Américo Gomes da Costa, 52 / 60 Bairro: São Miguel Paulista CEP: 08010-112 São Paulo / SP (11) 2031-6901 eadsp@unar.edu.br www.unar.edu.br 0800-772-8030 POLOS EAD http://www.unar.edu.br http://unar.info/ead2 http://www.unar.edu.br http://www.unar.edu.br Page 1 Page 2 ADP5409.tmp UNIDADE 01- INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO DE RECURSOS MATERIAIS E PATRIMONIAIS UNIDADE 02- CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS E EMPRESAS UNIDADE 03- INTRODUÇÃO A COMPRAS UNIDADE 04 – ESTOQUE UNIDADE 05 – ADMINISTRAÇÃO, ARMAZENAGEM E CONTROLE DO ESTOQUE DE MATERIAIS GLOSSÁRIO