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CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 1MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 2MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 3MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL BLOCO I LOGÍSTICA, ARMAZENAGEM E MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS Logística É o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos semiacabados e acabados, bem como o fluxo de informações envolvido. É uma palavra que entre os gregos significava a arte de calcular. Já para as estratégias do exército era a parte militar relativa ao transporte e suprimentos das tropas em operações. Atualmente a logística é entendida como o processo de planejar, implementar e controlar de forma eficiente, a custo correto, o fluxo e a armazenagem de matérias primas e estoque durante a produção e produtos acabados, e as informações relativas a essas atividades, desde o ponto de origem até o ponto de consumo com eficácia. Pode ser entendida também como o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenamento de materiais, peças e produtos semiacabados, bem como o fluxo de informações correlatas através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presente e futura através do atendimento dos pedidos a um justo. É o processo de elaboração, implementação e controle de um plano que serve para maximizar da produção ao consumo, enfrentando custos. Envolve a eficácia do fluxo e da gestão de pessoas, matérias primas e informações, sempre em conformidade com as exigências dos clientes. A logística proporciona a integração dos diversos processos e organizações, desde o usuário final até os fornecedores originais, que proporcionam os produtos, serviços e informações e agregam valor para o cliente. A logística empresarial: Estuda como a administração pode prover melhor nível de rentabilidade nos serviços de distribuição aos clientes e consumidores, através de planejamento, organização e controle efetivo para as atividades de movimentação e armazenagem que visam facilitar o fluxo de produtos. Trata de todas as atividades de movimentação de passageiros e cargas, que facilitam o fluxo desde o ponto de origem até o destino final, assim como o dos fluxos de informação correspondentes com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável. A logística empresarial tem o objetivo de providenciar a entrada, a saída, a estocagem dos materiais, partes e produtos, na hora e nas quantidades certas, em condições adequadas, levando-se em consideração à parte de marketing e principalmente o custo, contribuindo para a obtenção de vantagem competitiva. Ou seja, busca a redução do ciclo operacional da empresa para aumentar a produtividade e melhorar o nível de serviço ao cliente, com a diminuição do custo total. ARMAZENAGEM A armazenagem é uma das atividades da cadeia logística das empresas e tem um papel fundamental no atendimento de demandas e na gestão dos estoques. As empresas podem optar basicamente por dois modelos de armazenagem, a própria ou terceirizada. Planejamento do armazém O planejamento do armazém deve ser uma atividade dinâmica, pois o armazém existe dentro de um ambiente muito dinâmico. Nada permanece igual por muito tempo num armazém. Vários fatores contribuem para este ambiente dinâmico: – A proliferação de produtos veio para ficar. Em muitos negócios, o número de itens exclusivos que devem ser armazenados está aumentando uniformemente. O cliente está exigindo mais variedade; – Os ciclos de vida dos produtos estão se tornando mais curtos. Consequentemente, o giro de códigos no armazém está aumentando; – Os clientes estão exigindo um nível mais elevado de serviço. As filosofias just-in-time e fabricação em fluxo contínuo estão estabelecendo que os produtos certos sejam entregues nos locais apenas nos momentos certos; – Os tradicionais limites da área de serviço estão desaparecendo. Agora estamos lidando com um mercado global; – A tecnologia de armazenagem está avançando rapidamente. O computador chegou ao armazém para ficar. Clientes dentro desta economia global possuem exigências significativamente diferentes que devem ser acomodadas pela rede de distribuição. Como o ambiente dentro do qual o armazém deve funcionar muda, é lógico concluir que os recursos e procedimentos de operação do armazém devem periodicamente mudar. O planejamento do armazém deve ser um processo contínuo no qual o plano existente está constantemente sendo analisado e moldado para atender a necessidades futuras antecipadas. Dois tipos distintos de planejamento contínuo do armazém deverão ser adotados: 1. Planejamento de contingência 2. Planejamento mestre estratégico Planejamento de contingência O planejamento de contingência é uma ferramenta defensiva utilizada para proteger contra uma previsível futura mudança nas exigências do armazém, onde o momento é extremamente difícil, se não impossível, de antecipar. Em outras palavras, um plano de contingência responde à pergunta “O que eu faço se algum evento ou condição imprevista aparecer?” Os planos de contingência são necessárias para proteger contra o curto prazo: – Parada do equipamento; – Problemas de mão-de-obra; – Oscilação de atividade; – Interrupções no suprimento de materiais; – Outras emergências. O planejamento de contingência não é a administração da crise ou “apagar incêndios”, pois envolve o desenvolvimento de soluções para os problemas após estes ocorrerem. O adequado planejamento de contingência desenvolve o plano de ação para a mais completa extensão possível. Antes que o problema ocorra. Consequentemente, um planejamento de contingência adequado pode reduzir significativamente o lead time necessário para corrigir ou acomodar o evento imprevisto. Você não espera até começar um incêndio para depois instalar no armazém um sistema de sprinkler. Todavia, o sistema de sprinkler é instalado muito antes como contingência contra um incêndio cujo momento é imprevisível. Da mesma forma, planos de contingência formais podem proteger o armazém de outras circunstâncias concebíveis com o momento imprevisível. Para desenvolver planos de contingência para seu armazém, use o seguinte procedimento: – Faça uma lista das “coisas ruins” concebíveis que podem acontecer para ou dentro de sua operação; – Classifique as “coisas ruins” com os eventos de maior probabilidade de ocorrência e/ou maiores consequências adversas se ocorrerem no topo da lista; – Começando pela “coisa ruim” de classificação mais alta, determine cuidadosamente, com o máximo possível de detalhes, os passos e ações adequadas que deveriam acontecer para resolver, eliminar, tratar, etc. As consequências para as operações do armazém da “coisaruim” se e quando, ocorrer. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 4MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL – Revisar estes passos e ações com seu pessoal-chave e aprimorá-las baseado nas informações recebidas; – Divulgue os planos de contingência resultantes de forma impressa e explore aquelas pessoas responsáveis pela execução dos planos no momento da necessidade nos detalhes dos planos para que todos saibam exatamente quando, como e por quem o plano será executado; – Revisar e atualizar periodicamente os planos de contingência para mantê-los atualizados com as condições existentes na operação. Planejamento estratégico Planejamento estratégico é uma ferramenta ofensiva projetada para proteger contra uma previsível futura mudança nas exigências do armazém cujo momento pode ser antecipado. Planejamento mestre estratégico é direcionado à previsão de futuras necessidades de armazenagem com antecedência suficiente à condição atual para permitir suficiente lead-time para eficiente e efetivamente atender a essas necessidades. Planos estratégicos do armazém são necessários para acomodar: – Crescimento ou queda prevista no processamento; – Deficiências de espaço, mão-de-obra e equipamento; – Alterações no mix de produtos; – Aumentos ou reduções do estoque; – Problemas de controle do armazém. Muitos destes “problemas” não se desenvolvem da noite para o dia. Futuros níveis de estoques e mixes de produtos normalmente podem ser previstos baseado em planos de negócio, históricos e futuros, com anos de antecedência. As previsões frequentemente não são exatas. Não obstante, a previsão é a melhor informação disponível que temos com relação ao futuro. Com os custos de hoje do espaço, mão-de-obra e equipamento do armazém, mais e mais tomadores de decisão estão exigindo que as futuras necessidades do armazém sejam expressas em termos quantitativos em vez de avaliações subjetivas e qualitativas das necessidades. É disto que trata o planejamento estratégico. O planejamento de contingência e o planejamento estratégico são complementares. O planejamento estratégico sem planos de contingências efetivos sujeitarão o armazém a problemas não previstos que não aparecem numa previsão de futuras necessidades. Da mesma forma, a falta de um bom planejamento mestre estratégico sujeitará o armazém a uma contínua barragem de “incêndios” a serem tratados como planos de contingência, muitos que poderiam ser evitados por meio de um critério apropriado e planejamento estratégico. Em qualquer situação, uma abordagem de planejamento limita severamente a eficácia da outra. Armazenagem própria x terceirizada A armazenagem própria é aquela que é operada pela própria empresa em estrutura de armazém próprio ou locado. Já a armazenagem terceirizada, é operada por uma empresa contratada conhecida no mercado como Operador Logístico. Os Operadores Logísticos prestam serviço de armazenagem para uma ou mais empresas e a complexidade das operações na sua grande maioria é alta, isso porque eles armazenam mercadorias de vários clientes ao mesmo tempo e cada cliente possui regras de atendimento diferenciadas. A opção por um ou outro modelo de operação depende do negócio da empresa e o quanto a logística é estratégica para a empresa. Independente do modelo de operação, a movimentação de produtos acabados, semiacabados e matéria prima para atendimento de vendas, produção ou demais áreas, requer estratégias de movimentação, estruturas de armazenagem e layout diferenciados para redução do tempo de movimentação e custos. A seguir, vamos abordar de forma macro os 4 principais processos de armazenagem. São eles: recebimento, armazenagem, separação e expedição. Processo de Recebimento Em nível de importância nos processos de armazenagem, o recebimento não é a etapa que tem a maior atenção, mas é nessa etapa que serão definidas informações importantes que gerarão mais velocidade na separação e maior produtividade das equipes operacionais. No recebimento, são feitas as operações de conferência por quantidade, inspeção e identificação das mercadorias. Conferência por quantidade Nessa etapa, após a organização dos materiais, normalmente é realizado um processo de conferência cega (onde o usuário não tem conhecimento do que deveria conferir para redução de incidência de erro humano). Após isso, é possível identificar divergências entre os dados da nota fiscal com os produtos físicos. Durante a processo de conferência, podem ser coletados dados adicionais do produto, como estado do material, lote, validade, fabricação e número de série. Padrões e tecnologias mais recentes já são utilizados para melhorias em eficiência e eficácia dos processos, como barras Code- 128 e Portais de Leitura RFID. Inspeção É a etapa que avalia se os produtos possuem alguma avaria ou não conformidade. Também, pode-se coletar alguma amostra do produto para avaliação antes de seguir com o processo de armazenagem. Identificação das mercadorias Nessa etapa as mercadorias são identificadas com um código de barras e este será a referência para qualquer movimentação ou contagem dos produtos desde a entrada até a expedição. Esse processo pode ser realizado manualmente, porém, é muito ineficiente e ultrapassado para movimentação de mercadorias. Atualmente, os controles de movimentação de mercadorias em armazéns são feitos por softwares com algoritmos inteligentes e com altos níveis de automação com hardwares. Processo de Armazenagem Após a mercadoria ser conferida e identificada, inicia-se o processo de alocação nos endereços para armazenar as mercadorias. Endereço é o local onde uma ou mais mercadorias serão armazenadas, já a alocação, é o processo que busca definir qual o melhor endereço para armazenar as mercadorias considerando a proximidade com o Picking, setorização e demais regras que possam dar produtividade na separação das mercadorias. Após a alocação da mercadoria no endereço de destino, a mesma fica disponível para ser movimentada e passa a ser considerada no saldo de estoque. Para maior controle na movimentação das mercadorias no armazém, sempre que uma mercadoria é retirada de um endereço e levada a outro endereço do armazém, é feita a leitura do código de barras da mercadoria com uso do coletor de dados. Esse processo permite controlar e manter o registro do endereço de onde as mercadorias foram retiradas e para onde foram direcionadas. Com o volume de movimentações de mercadorias, a acuracidade dos estoques e a segurança passa a ser uma preocupação constante dos gestores do armazém, e é nesse momento que o Inventário entra em cena. O inventário é o processo que ajuda a manter maior acuracidade dos estoques e evitar rupturas. Ele pode ser do tipo cíclico ou geral, o primeiro é realizado com uma periodicidade curta e para apenas algumas mercadorias em estoque (geralmente pela curva ABC de giro dos produtos), ou seja, é gerado o inventário para um grupo de produtos ou endereços. Já o inventário geral tem como propósito contar 100% dos itens em estoque e geralmente é feito uma vez por ano, o qual tem sido cada vez menos adotado devido a alto custo, período de execução e bloqueio de expedições. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 5MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Processo de Separação O processo de separação de mercadorias envolve basicamente o planejamento e a execução da separação. Parece algo relativamente simples, mas é no planejamento que serão definidas quais mercadorias serão separadas, considerando diversas regras de separação, como FEFO,FIFO, diminuição de número de visitações, shelf life, data crítica, estado da mercadoria, separações específicas, bloqueios de estoque e muito mais. Uma definição errada pode causar interrupções em linha de produção da indústria e atrasos nas entregas para consumidores finais, tornando essa etapa uma das mais críticas e complexas. Para evitar esse tipo de problema é preciso avaliar detalhadamente cada tipo de operação, suas exigências e características antes de definir a estratégia para separação – tema para outro artigo. A separação de mercadorias pode ser manual, apenas com uso de coletores de dados, voz (Picking by voice) ou pode usar níveis de automação avançados que reduzem o contato do operador com a mercadoria. Na separação com uso de coletores ou voz, o operador vai até o endereço da mercadoria, apanha a quantidade de produtos e os leva até uma área de conferência (check out) e depois a mercadorias vai para área de expedição. Um exemplo de separação com automação, é o Picking by light que pode ser aplicado para separação de mercadorias com alto nível de fracionamento e embalagens lineares, onde normalmente se utilizam estruturas de flow rack, especializadas para esse tipo de operação. Outro ponto importante a ser considerado são as sazonalidades de vendas, períodos onde as vendas são muito maiores que períodos normais. Se a operação não estiver preparada para suportar volumes de separação sazonais sem aumentar o tempo de separação das mercadorias é dor de cabeça na certa, porque não será possível expedir as mercadorias no mesmo tempo de expedição de períodos não sazonais. Processo de Expedição Esta é a última etapa operacional da armazenagem e responsável por conferir e despachar as mercadorias para a empresa responsável pelo transporte. Quando a empresa que opera a armazenagem não é responsável pelo transporte, a sua responsabilidade sobre a mercadorias encerra-se no momento que a mesma é entregue à transportadora. Agora, se a empresa que opera a armazenagem também é responsável pela distribuição das mercadorias até o destino, ela precisa planejar, executar e controlar as etapas de transporte. Entretanto, independente se a etapa de transportes é operada por ela ou não, a conferência de embarque acontece da mesma forma e depois de finalizada a mercadoria passa a ser de responsabilidade da transportadora. O processo de conferência pode ser manual ou com automação. O manual geralmente é feito com uso de coletor de dados conferindo todos os volumes uma a um e é lento. Já o processo automatizado é muito mais rápido e menos suscetível a erros devido à menor intervenção de pessoas. Movimentação de cargas Movimentação de cargas é o processo de transporte de mercadorias ou matérias-primas de um local para outro, seja por meio terrestre, aquático ou aéreo. A movimentação de cargas é uma atividade essencial para diversas indústrias e empresas que precisam transportar seus produtos para clientes ou fornecedores. Na movimentação de cargas, é importante considerar as características das mercadorias, como peso, dimensões, fragilidade, periculosidade, entre outras, para escolher o melhor meio de transporte e as medidas de segurança necessárias para o transporte. Além disso, é fundamental garantir a integridade das cargas e cumprir as regulamentações e normas de segurança previstas para cada modalidade de transporte. A movimentação de cargas pode ser realizada por meio de equipamentos como empilhadeiras, guindastes, rebocadores, carretas, caminhões, navios e aviões, que são operados por profissionais capacitados para garantir a segurança das mercadorias e dos envolvidos no processo de transporte. Existem vários tipos de equipamento de movimentação de materiais: - Veículos Industriais; - Equipamentos de elevação e transferência; - Transportadores contínuos; - Embalagens; - Recipientes unitizadores; - Estruturas para armazenagem. Veículos industriais são equipamentos, motorizados ou não, usados para movimentar cargas intermitentes, em percursos variáveis com superfícies e espaços apropriados, cuja função primária é transportar e ou manobrar. Os tipos mais comuns são: carrinhos industriais, empilhadeiras, rebocadores, autocarrinhos e guindastes. São utilizados tanto com o processo de produção como no de armazenagem para não só transportar cargas, mas também colocá-las em posição conveniente. Sua principal característica é a flexibilidade de percurso e de carga e descarga. Os equipamentos de elevação e transferência são destinados a mover cargas variadas para qualquer ponto dentro de uma área fixa, cuja função principal é transferir. Os tipos mais comuns são: talhas, guindastes fixos, pontes rolantes, pórticos e semipórticos. São aplicados onde se deseje transferir materiais pesados, volumosos e desajeitados em curtas distâncias dentro de uma fábrica. Carro Palete Dollie Uma inovação para o segmento de logística, o transporte de produtos agora pode ser efetuado facilmente com esse produto que tem praticidade e capacidade, o qual pode suportar um peso de até 2.500kg. O Palete Dollie possui oito rodas e um sistema entre elas que permite girar 360° sobre o próprio eixo, facilitando assim o transporte e manuseio de mercadorias. Transportadores Contínuos São mecanismos destinados ao transporte de granéis e volumes em percursos horizontais, verticais ou inclinados, fazendo curvas ou não e com posição de operação fixa. São formados por um leito, em que o material desliza em um sistema de correias ou correntes sem acionadas por tambores ou polias. Principais tipos: correias planas ou côncavas; elementos rolantes como rodízio, rolos ou esfera; correntes aéreas ou sob piso; taliscas e elevador de caçamba contínuo. São utilizados onde existe grande fluxo de material a ser transportado em percursos fixos. Embalagem Embalar um produto significa dar-lhe forma para sua apresentação, proteção, movimentação e utilização, a fim de que possa ser comercializado e manipulado durante o seu ciclo de vida. A embalagem precisa ser idealizada, levando- se em conta que uma mercadoria deve passar por três fases de manuseio, quando comercializada, quais sejam: - No local da produção, quando será embalada e armazenada. - No transporte, quando sofre os efeitos do seu deslocamento de um ponto a outro, incluindo os transbordos. - No destino final, quando terá outras manipulações. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 6MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Unitização Corresponde à alocação de um conjunto de mercadorias em uma única unidade com dimensões padronizadas, o que facilita as operações de armazenamento e movimentação da carga sob forma mecanizada. Não constitui propriamente uma embalagem, é um acessório para deslocamento ou transporte de carga, não integrando o produto ou o conjunto de produtos armazenados. Paletização Utilização de plataforma de madeira ou estrado destinado a suportar carga, fixadas por cintas, permitindo sua movimentação mecânica com o uso de garfos de empilhadeira ou guindastes mecânicos específicos para esse fim, obedecendo a padrões, que permitem que o guindaste movimente o pallet por dois lados ou por quatro lados com seus garfos, permitindo ainda que a carga seja paletizada, envolvida em filme PVC. Conteinerização Colocação da carga em contêiner (cofre de carga), que é um recipiente construído de material resistente o suficiente para suportar o uso repetitivo, destinado a propiciar o transporte de mercadorias com segurança inviolabilidade e rapidez, possibilitando fácil carregamento e descarregamento e adequado à movimentação mecânica e ao transporte por diferentes equipamentos. As opções de utilização no transportemarítimo são os contêineres de 20” e 40” (pés), com sua classificação para cada tipo de carga. LOGÍSTICA REVERSA Logística reversa é o processo de planejamento, implementação e controle do fluxo de materiais, informações e recursos, do ponto de consumo até o ponto de origem, visando à recuperação de produtos, materiais e insumos para reinserção em ciclos produtivos ou em outros ciclos econômicos. É um conjunto de ações voltadas para a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial para serem reaproveitados ou descartados adequadamente, reduzindo o impacto ambiental e promovendo a sustentabilidade. A logística reversa é regulamentada pela Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), lei que estabelece as diretrizes e os instrumentos necessários à gestão integrada e ao gerenciamento de resíduos sólidos. Origem da logística reversa Como citado, foi a Política Nacional de Resíduos (PNRS) de 2010 que colocou a logística reversa entre as grandes prioridades dos empreendedores. Mas é importante ressaltar que esse conceito já existe há mais de 30 anos, principalmente na Europa. Além disso, por mais que a PNRS seja recente, a preocupação com o retorno de produtos descartados e com o uso de recursos naturais já motiva ações no Brasil há tanto tempo quanto em outros países. Isso já era feito especialmente pelas empresas que trabalham com pneus, pilhas, lubrificantes, baterias, embalagens de agrotóxicos e outros itens parecidos. A grande diferença é que a Lei nº 12.305 tornou a logística reversa uma exigência. Agora, ela engloba um conjunto bastante abrangente de tipos de produtos. Nesse sentido, o grande destaque é para o seu Artigo 33, que define que os fabricantes, distribuidores, comerciantes e importadores desses itens: “São obrigados a estruturar e implementar sistemas de logística reversa, mediante retorno dos produtos após o uso pelo consumidor, de forma independente do serviço público de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos”. Funcionamento A logística reversa funciona por meio do estabelecimento de processos que possam mover as mercadorias em, pelo menos, uma etapa da cadeia de suprimentos (do cliente à distribuidora, por exemplo). É um processo complexo, que pode envolver vários planejamentos e controles diferentes. Existem empresas que até mesmo terceirizam essa função. Geralmente, o consumidor retorna os produtos ou resíduos para as empresas sem custo algum (é comum que as empresas cubram os custos de coleta ou envio) ou leva os materiais até algum ponto intermediário mais próximo. A partir daí, são as empresas que dão continuidade ao processo. Elas podem fazê-lo de incontáveis formas, mas o processo mais comum é de envio dos itens para reaproveitamento. Existem empresas que enviam a parceiros de negócio que são responsáveis pela reciclagem ou reutilização — a parceria com cooperativas é muito comum nestes casos. Pós-venda A logística reversa pós-venda tem relação direta com as expectativas do cliente. Ou seja, produtos com defeitos, ou que foram enviados de maneira incorreta, ou mesmo em casos de arrependimento da compra. É comum em lojas de roupas, por exemplo, quando uma peça comprada não serve ao consumidor. A mercadoria é recolhida pela empresa e pode ser colocada à venda novamente. Pós-consumo Na logística reversa pós-consumo, o cliente consome o produto ou mercadoria e retorna sua embalagem para o fabricante. Também pode ser aplicado para produtos perecíveis vencidos. É algo que acontece muito com cápsulas de café utilizadas em máquinas cafeteiras, por exemplo. Reuso Já a logística reversa de reuso é um pouco diferente, mas serve como fonte de receita para as empresas. Funciona através da coleta de materiais e seus resíduos, que são então leiloados para outras empresas. Acontece muito com móveis, equipamentos e dispositivos eletrônicos e mesmo veículos. Etapas da logística reversa Por tudo isso, é válido entender quais são as 5 etapas básicas da logística reversa: 1. Os cidadãos são conscientizados sobre a importância do seu papel na logística reversa; 2. O consumidor devolve o produto ou embalagem ao comerciante/distribuidor; 3. O comerciante/distribuidor a remete ao fabricante/importador; 4. O fabricante/importador encaminha para reuso, reciclagem ou descarte adequado; 5. Os órgãos públicos fiscalizam a cadeia e garantem que tudo é feito adequadamente. Essas etapas se aplicam aos dois formatos de logística reversa: tanto no pós-venda quanto no pós-consumo (que explicamos melhor no próximo item). Vantagens da logística reversa Agora que você já sabe o que é logística reversa e como funciona, vamos nos aprofundar um pouco mais em seus benefícios. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente, esse tipo de atividade é indispensável por conta das seguintes vantagens: - logística reversa é benéfica para a economia, pois gera recursos sustentáveis e mais renda; - Ela contribui para a manutenção do meio ambiente, já que diminui a necessidade de novas matérias-primas e previna o descarte inadequado de resíduos; - Melhora a qualidade de vida dos cidadãos, que passam a viver em um ambiente mais saudável, limpo e responsável; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 7MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL - Serve como um importante incentivo à reciclagem, ao reuso e à destinação ambientalmente adequada de resíduos; - Compartilha a responsabilidade pela gestão de resíduos entre a sociedade, o que envolve o setor público, privado e sociedade civil; - Aumenta significativamente a eficiência na utilização de recursos naturais pelas indústrias; - Contribui para o aumento da vida útil dos aterros sanitários, pois insere boa parte dos resíduos novamente na cadeia produtiva, quando possível; - Aumenta a oferta de produtos ambientalmente corretos, com maior incentivo à geração de novos negócios, ao emprego e renda. FUNDAMENTOS DE LOGÍSTICA “A Logística é o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados (e os fluxos de informações correlatas) através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar as lucratividades presente e futura através do atendimento dos pedidos a baixo custo”. (CHRISTOPHER, 1997) A evolução do conceito Em sua evolução histórica, a Logística espalhou sua atuação nas várias atividades de movimentação de materiais e informações nas empresas. No entanto, todas essas atividades procuravam contribuir com a melhoria dos fluxos ao longo de toda a organização, assim como melhorar os principais vínculos com fornecedores e clientes. Com foco nesta relação com públicos diferenciados, verificou-se a tendência da Logística abordar elementos voltados não apenas ao fluxo de materiais, como também àquele relacionado à movimentação de informações, no que se refere à forma como conteúdos são gerados, transmitidos e repassados aos grupos de interesse da empresa. A evolução da logística empresarial tem início a partir de 1980, com as demandas decorrentes da globalização, alteração estrutural da economia mundial e desenvolvimento tecnológico, tendo como consequência a segmentação da logística empresarial em três grandes áreas: 1. Administração de materiais: que é o conjunto de operações associadas ao fluxo de materiais e informações, desde a fonte de matéria-prima até a entrada na fábrica; em resumo é “disponibilizar para produção”; sendo que participam desta área os setores de: Suprimentos, Transportes, Armazenagem e Planejamento e Controle de Estoques. 2. Movimentação de materiais: transporte eficiente de produtos acabados do final de linha de produção até o consumidor; sendoque fazem parte o PCP (Planejamento e Controle da Produção), Estocagem em processo e Embalagem. 3. Distribuição física: que é o conjunto de operações associadas à transferência dos bens objeto de uma transação desde o local de sua produção até o local designado no destino e no fluxo de informação associado, devendo garantir que os bens cheguem ao destino em boas condições comerciais, oportunamente e a preços competitivos; em resumo é “tirar da produção e fazer chegar ao cliente”. Participam os setores de Planejamento dos Recursos da Distribuição, Armazenagem, Transportes e Processamento de Pedido. EVOLUÇÃO NUMA PERSPECTIVA HISTÓRICA Ao longo do tempo, acompanhando a evolução das organizações, das tecnologias disponíveis e das necessidades do mercado, a logística mudou de ênfase, Desconsiderou-se, propositadamente, o período anterior ao século XX, uma vez que até então a logística era desenvolvida de forma totalmente pratica, sem outra preocupação que não fossem as questões relativas ao transporte e a logística de suprimentos nos exércitos. Ao longo da história a logística recebeu denominações diversas: distribuição, engenharia de distribuição, logística empresarial, logística de marketing, logística de distribuição, administração logística de materiais, administração de materiais, logística, sistema de resposta rápida, administração da cadeia de abastecimento, logística industrial. Embora denominações diferentes, as mesmas referiam-se sempre à mesma coisa: a gestão do fluxo de bens de um ponto de origem a um ponto de consumo. Já no início do século XXI, com as profundas mudanças e a disputa por mercados que começam a se tornar uma necessidade das Nações, se pode perceber mais claramente a preocupação com as questões do espaço (onde alocar produtos) e temporais (quando disponibilizá-los) que são dois dos objetivos centrais da logística. a) Período até os anos 40 – teve seu início situado na virada para o século XX, sendo a economia agrária sua principal influência teórica. A principal preocupação era com as questões de transporte para o escoamento da produção agrícola, uma vez que a demanda existente, na maioria dos casos, superava a capacidade produtiva das empresas. b) Período dos anos 40 até os anos 60 – em função das duas grandes guerras, surge o termo “logístico” que teve suas raízes na movimentação e no suprimento das tropas durante as guerras. Aqui a ênfase era no fluxo de materiais, e em especial nas questões de armazenamento e transporte, tratadas separadamente no contexto da distribuição de bens. c) Período dos anos 60 até os anos 70 – começa uma visão integrada nas questões logísticas, explorando-se aspectos como custo total e uma visão sistêmica do processo produtivo. O foco deixa de recair na distribuição física para abranger um leque mais amplo de funções, sob a influência da economia industrial. d) Período dos anos 70 até anos 80 – corresponde ao “foco no cliente”, com ênfase na produtividade e nos custos de estoques. Surgem modelos matemáticos sofisticados para tratar a questão estocástica, novas abordagens para a questão dos custos não só dos processos logísticos, mas ainda, da questão contábil. e) Período dos anos 80 até anos 90 – retoma-se, com maior ênfase, a visão da logística integrada e inicia-se a visão da administração da cadeia de suprimentos – SCM, cujo pano de fundo é a globalização e o avanço da tecnologia da informação. f) Período dos anos 90 até os dias atuais – apresenta um enfoque mais estratégico, em que a logística passa a ser vista como um elemento diferenciador para as organizações. Surge o conceito de Supply Chain Management, com a utilização das ferramentas disponibilizadas pela tecnologia da informação. Fica claro que este período atual exige muito mais agilidade e flexibilidade por parte das empresas para que possam suprir adequadamente seus mercados, pois neste início do século XXI, as empresas são cada vez mais pressionadas pela necessidade da redução de custos aliada às mudanças nos desejos, necessidades e/ou expectativas dos clientes. Esta exigência de rapidez e flexibilidade leva as empresas a buscarem a integração de seus canais de suprimentos de forma que possam atender adequadamente aos mercados em que atuam. Porém, para integrar canais de suprimentos, externamente, é necessária uma integração interna das diversas funções administrativas envolvidas pela logística. Fundamentos Os fundamentos da logística incluem: Gestão de estoques: O controle de estoque é fundamental para garantir a disponibilidade de produtos ou materiais para atender à demanda dos clientes. A gestão de estoques envolve a definição de políticas de estoque, como o nível mínimo e máximo de estoque, a frequência de reposição e o sistema de armazenagem. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 8MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Transporte: O transporte é um elemento fundamental da logística, responsável pelo deslocamento de materiais e produtos entre fornecedores, armazéns, fábricas, clientes e outros pontos da cadeia de suprimentos. A escolha do meio de transporte mais adequado deve levar em conta diversos fatores, como a distância, o tempo de trânsito, o custo, a segurança e a capacidade de carga. Armazenagem: A armazenagem é o processo de recebimento, movimentação e guarda de materiais e produtos em um local apropriado, visando à preservação da qualidade e ao controle de estoque. A escolha do sistema de armazenagem mais adequado depende do tipo de produto, do volume de movimentação, das condições ambientais e das exigências legais e regulatórias. Processamento de pedidos: O processamento de pedidos é o conjunto de atividades que envolve o recebimento, análise e atendimento de pedidos dos clientes. Essas atividades incluem a coleta de informações, a verificação de estoque, a separação de produtos, o embalamento e o envio. Gestão de fornecedores: A gestão de fornecedores envolve o relacionamento com os fornecedores, a escolha de fornecedores adequados e a avaliação da qualidade dos produtos e serviços fornecidos. Tecnologia da informação: A tecnologia da informação é fundamental para a gestão da logística, pois permite a integração de sistemas e processos, a automação de atividades e a coleta de informações precisas e em tempo real. A aplicação dos fundamentos da logística permite uma gestão eficiente da cadeia de suprimentos, reduzindo custos, aumentando a qualidade dos produtos e serviços e garantindo a satisfação dos clientes. CONTROLE DE INVENTÁRIOS DECISÕES DE POLÍTICAS DE ESTOQUES. PRINCÍPIOS DE GESTÃO INTEGRADA DE OPERAÇÕES E DE LOGÍSTICA DE SUPRIMENTO A Administração de Materiais é definida como sendo um conjunto de atividades desenvolvidas dentro de uma empresa, de forma centralizada ou não, destinadas a suprir as diversas unidades, com os materiais necessários ao desempenho normal das respectivas atribuições. Tais atividades abrangem desde o circuito de reaprovisionamento, inclusive compras, o recebimento, a armazenagem dos materiais, o fornecimento dos mesmos aos órgãos requisitantes, até as operações gerais de controle de estoques etc. Em outras palavras: “A Administração de Materiais visa à garantia de existência contínua de um estoque, organizado de modo a nunca faltar nenhum dos itens que o compõem, sem tornar excessivo o investimento total”. A Administração de Materiais moderna é conceituada e estudada como um Sistema Integrado em que diversos subsistemas próprios interagem para constituir um todo organizado. Destina-se a dotar a administração dos meios necessários ao suprimento de materiais imprescindíveis ao funcionamento da organização, no tempo oportuno, na quantidade necessária, na qualidade requeridae pelo menor custo. A oportunidade, no momento certo para o suprimento de materiais, influi no tamanho dos estoques. Assim, suprir antes do momento oportuno acarretará, em regra, estoques altos, acima das necessidades imediatas da organização. Por outro lado, a providência do suprimento após esse momento poderá levar a falta do material necessário ao atendimento de determinada necessidade da administração. Do mesmo modo, o tamanho do Lote de Compra acarreta as mesmas consequências: quantidades além do necessário representam inversões em estoques ociosos, assim como, quantidades aquém do necessário podem levar à insuficiência de estoque, o que é prejudicial à eficiência operacional da organização. Estes dois eventos, tempo oportuno e quantidade necessária, acarretam, se mal planejados, além de custos financeiros indesejáveis, lucros cessantes, fatores esses decorrentes de quaisquer das situações assinaladas. Da mesma forma, a obtenção de material sem os atributos da qualidade requerida para o uso a que se destina acarreta custos financeiros maiores, retenções ociosas de capital e oportunidades de lucro não realizadas. Isto porque materiais, nestas condições podem implicar em paradas de máquinas, defeitos na fabricação ou no serviço, inutilização de material, compras adicionais, etc. Os subsistemas da Administração de Materiais, integrados de forma sistêmica, fornecem, portanto, os meios necessários à consecução das quatro condições básicas alinhadas acima, para uma boa Administração de material. Decompondo esta atividade através da separação e identificação dos seus elementos componentes, encontramos as seguintes subfunções típicas da Administração de Materiais, além de outras mais específicas de organizações mais complexas: Subsistemas Típicos: Controle de Estoque - subsistema responsável pela gestão econômica dos estoques, através do planejamento e da programação de material, compreendendo a análise, a previsão, o controle e o ressuprimento de material. O estoque é necessário para que o processo de produção-venda da empresa opere com um número mínimo de preocupações e desníveis. Os estoques podem ser de: matéria-prima, produtos em fabricação e produtos acabados. O setor de controle de estoque acompanha e controla o nível de estoque e o investimento financeiro envolvido. Classificação de Material - subsistema responsável pela identificação (especificação), classificação, codificação, cadastramento e catalogação de material. Aquisição / Compra de Material - subsistema responsável pela gestão, negociação e contratação de compras de material através do processo de licitação. O setor de Compras preocupa-se sobremaneira com o estoque de matéria-prima. É da responsabilidade de Compras assegurar que as matérias-primas exigida pela Produção estejam à disposição nas quantidades certas, nos períodos desejados. Compras não é somente responsável pela quantidade e pelo prazo, mas precisa também realizar a compra em preço mais favorável possível, já que o custo da matéria-prima é um componente fundamental no custo do produto. Armazenagem / Almoxarifado - subsistema responsável pela gestão física dos estoques, compreendendo as atividades de guarda, preservação, embalagem, recepção e expedição de material, segundo determinadas normas e métodos de armazenamento. O Almoxarifado é o responsável pela guarda física dos materiais em estoque, com exceção dos produtos em processo. É o local onde ficam armazenados os produtos, para atender a produção e os materiais entregues pelos fornecedores Movimentação de Material - subsistema encarregado do controle e normalização das transações de recebimento, fornecimento, devoluções, transferências de materiais e quaisquer outros tipos de movimentações de entrada e de saída de material. Inspeção de Recebimento - subsistema responsável pela verificação física e documental do recebimento de material, podendo ainda encarregar-se da verificação dos atributos qualitativos pelas normas de controle de qualidade. Cadastro - subsistema encarregado do cadastramento de fornecedores, pesquisa de mercado e compras. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 9MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Subsistemas Específicos: Inspeção de Suprimentos - subsistema de apoio responsável pela verificação da aplicação das normas e dos procedimentos estabelecidos para o funcionamento da Administração de Materiais em toda a organização, analisando os desvios da política de suprimento traçada pela administração e proporcionando soluções. Padronização e Normalização - subsistema de apoio ao qual cabe a obtenção de menor número de variedades existentes de determinado tipo de material, por meio de unificação e especificação dos mesmos, propondo medidas de redução de estoques. Transporte de Material - subsistema de apoio que se responsabiliza pela política e pela execução do transporte, movimentação e distribuição de material. A colocação do produto acabado nos clientes e as entregas das matérias-primas na fábrica são de responsabilidade do setor de Transportes e Distribuição. É nesse setor que se executa a Administração da frota de veículos da empresa, e/ou onde também são contratadas as transportadoras que prestam serviços de entrega e coleta. A integração destas subfunções funciona como um sistema de engrenagens que aciona a Administração de Material e permite a interface com outros sistemas da organização. Assim, quando um item de material é recebido do fornecedor, houve, antes, todo um conjunto de ações inter- relacionadas para esse fim: o subsistema de Controle de Estoque aciona o subsistema de Compras que recorre ao subsistema de Cadastro. Quando do recebimento, do material pelo almoxarifado, o subsistema de Inspeção é acionado, de modo que os itens aceitos pela inspeção física e documental são encaminhados ao subsistema de Armazenagem para guarda nas unidades de estocagem próprias e demais providências, ao mesmo tempo que o subsistema de Controle de Estoque é informado para proceder aos registros físicos e contábeis da movimentação de entrada. O subsistema de Cadastro também é informado, para encerrar o dossiê de compras e processar as anotações cadastrais pertinentes ao fornecimento. Os materiais recusados pelo subsistema de Inspeção são devolvidos ao fornecedor. A devolução é providenciada pelo subsistema de Aquisição que aciona o fornecedor para essa providência após ser informado, pela Inspeção, que o material não foi aceito. Igualmente, o subsistema de Cadastro é informado do evento para providenciar o encerramento do processo de compra e processar, no cadastro de fornecedores, os registros pertinentes. Quando o material é requisitado dos estoques, este evento é comunicado ao subsistema de Controle de Estoque pelo subsistema de Armazenagem. Este procede à baixa física e contábil, podendo, gerar com isso, uma ação de ressuprimento. Neste caso, é emitida pelo subsistema de Controle de Estoques uma ordem ao subsistema de Compras, para que o material seja comprado de um dos fornecedores cadastrados e habilitados junto à organização pelo subsistema de Cadastro. Após a concretização da compra, o subsistema de Cadastro também fica responsável para providenciar, junto aos fornecedores, o cumprimento do prazo de entrega contratual, iniciando o ciclo, novamente, por ocasião do recebimento de material. Todos esses subsistemas não aparecem configurados na Administração de Materiais de qualquer organização. As partes componentes desta função dependem do tamanho, do tipo e da complexidade da organização, da natureza e de sua atividade-fim, e do número de itens do inventário. RESPONSABILIDADE E ATRIBUIÇÕES DA ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAISa) suprir, através de Compras, a empresa, de todos os materiais necessários ao seu funcionamento; b) avaliar outras empresas como possíveis fornecedores; c) supervisionar os almoxarifados da empresa; d) controlar os estoques; e) aplicar um sistema de reaprovisionamento adequado, fixando Estoques Mínimos, Lotes Econômicos e outros índices necessários ao gerenciamento dos estoques, segundo critérios aprovados pela direção da empresa; f) manter contato com as Gerências de Produção, Controle de Qualidade, Engenharia de Produto, Financeira etc. g) estabelecer sistema de estocagem adequado; h) coordenar os inventários rotativos. OBJETIVOS PRINCIPAIS DA ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS E REC. PATRIMONIAIS A Administração de Materiais tem por finalidade principal assegurar o contínuo abastecimento de artigos necessários para comercialização direta ou capaz de atender aos serviços executados pela empresa. As empresas objetivam diminuir os custos operacionais para que elas e seus produtos possam ser competitivos no mercado. Mais especificamente, os materiais precisam ser de qualidade produtiva para assegurar a aceitação do produto final. Precisam estar na empresa pronta para o consumo na data desejada e com um preço de aquisição acessível, a fim de que o produto possa ser competitivo e assim, dar à empresa um retorno satisfatório do capital investido. Segue os principais objetivos da área de Administração de Recursos Materiais e Patrimoniais: a) Preço Baixo - este é o objetivo mais óbvio e, certamente um dos mais importantes. Reduzir o preço de compra implica em aumentar os lucros, se mantida a mesma qualidade; b) Alto Giro de Estoques - implica em melhor utilização do capital, aumentando o retorno sobre os investimentos e reduzindo o valor do capital de giro; c) Baixo Custo de Aquisição e Posse - dependem fundamentalmente da eficácia das áreas de Controle de Estoques, Armazenamento e Compras; d) Continuidade de Fornecimento - é resultado de uma análise criteriosa quando da escolha dos fornecedores. Os custos de produção, expedição e transportes são afetados diretamente por este item; e) Consistência de Qualidade - a área de materiais é responsável apenas pela qualidade de materiais e serviços provenientes de fornecedores externos. Em algumas empresas a qualidade dos produtos e/ou serviços constituem-se no único objetivo da Gerência de Materiais; f) Despesas com Pessoal - obtenção de melhores resultados com a mesma despesa ou, mesmo resultado com menor despesa - em ambos os casos o objetivo é obter maior lucro final. “ As vezes compensa investir mais em pessoal porque pode-se alcançar com isto outros objetivos, propiciando maior benefício com relação aos custos “; g) Relações Favoráveis com Fornecedores - a posição de uma empresa no mundo dos negócios é em alto grau determinada pela maneira como negocia com seus fornecedores; h) Aperfeiçoamento de Pessoal - toda unidade deve estar interessada em aumentar a aptidão de seu pessoal; i) Bons Registros - são considerados como o objetivo primário, pois contribuem para o papel da Administração de Material, na sobrevivência e nos lucros da empresa, de forma indireta. TERMINOLOGIAS UTILIZADAS NA ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS a) Artigo ou Item - designa qualquer material, matéria- prima ou produto acabado que faça parte do estoque; b) Unidade - identifica a medida, tipo de acondicionamento, características de apresentação física (caixa, bloco, rolo, folha, litro, galão, resma, vidro, peça, quilograma, metro... ); CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 10MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL c) Pontos de Estocagem - locais aonde os itens em estoque são armazenados e sujeitos ao controle da administração; d) Estoque - conjunto de mercadorias, materiais ou artigos existentes fisicamente no almoxarifado à espera de utilização futura e que permite suprir regularmente os usuários, sem causar interrupções às unidades funcionais da organização; e) Estoque Ativo ou Normal - é o estoque que sofre flutuações quanto a quantidade, volume, peso e custo em consequência de entradas e saídas; f) Estoque Morto ou Inativo - não sofre flutuações, é estático; g) Estoque Empenhado ou Reservado - quantidade de determinado item, com utilização certa, comprometida previamente e que por alguma razão permanece temporariamente em almoxarifado. Está disponível somente para uma aplicação ou unidade funcional específica; h) Estoque de Recuperação - quantidades de itens constituídas por sobras de retiradas de estoque, salvados ( retirados de uso através de desmontagens) etc., sem condições de uso, mas passíveis de aproveitamento após recuperação, podendo vir a integrar o Estoque Normal ou Estoque de Materiais Recuperados, após a obtenção de sua condições normais; i) Estoque de Excedentes, Obsoletos ou Inservíveis - constitui as quantidades de itens em estoque, novos ou recuperados, obsoletos ou inúteis que devem ser eliminados. Constitui um Estoque Morto; j) Estoque Disponível - é a quantidade de um determinado item existente em estoque, livre para uso; k) Estoque Teórico - é o resultado da soma do disponível com a quantidade pedida, aguardando o fornecimento; l) Estoque Mínimo: é a menor quantidade de um artigo ou item que deverá existir em estoque para prevenir qualquer eventualidade ou emergência (falta) provocada por consumo anormal ou atraso de entrega; m) Estoque Médio, Operacional: é considerado como sendo a metade da quantidade necessária para um determinado período mais o Estoque de Segurança; n) Estoque Máximo: é a quantidade necessária de um item para suprir a organização em um período estabelecido mais o Estoque de Segurança; o) Ponto de Pedido, Limite de Chamada ou Ponto de Ressuprimento: é a quantidade de item de estoque que ao ser atingida requer a análise para ressuprimento do item; p) Ponto de Chamada de Emergência: é a quantidade que quando atingida requer medidas especiais para que não ocorra ruptura no estoque. Normalmente é igual a metade do Estoque Mínimo; q) Ruptura de Estoque: ocorre quando o estoque de determinado item zera (E = 0). A continuação das solicitações e o não atendimento a caracteriza; r) Frequência - é o número de vezes que um item é solicitado ou comprado em um determinado período; s) Quantidade a Pedir - é a quantidade de um item que deverá ser fornecida ou comprada; t) Tempo de Tramitação Interna: é o tempo que um documento leva, desde o momento em que é emitido até o momento em que a compra é formalizada; u) Prazo de Entrega: tempo decorrido da data de formalização do contrato bilateral de compra até a data de recebimento da mercadoria; v) Tempo de Reposição, Ressuprimento: tempo decorrido desde a emissão do documento de compra (requisição) até o recebimento da mercadoria; w) Requisição ou Pedido de Compra - documento interno que desencadeia o processo de compra; x) Coleta ou Cotação de Preços: documento emitido pela unidade de Compras, solicitando ao fornecedor Proposta de Fornecimento. Esta Coleta deverá conter todas as especificações que identifiquem individualmente cada item; y) Proposta de Fornecimento - documento no qual o fornecedor explicita as condições nas quais se propõe a atender (preço, prazo de entrega, condições de pagamento etc); z) Mapa Comparativo de Preços - documento que serve para confrontar condições de fornecimento e decidir sobre a mais viável; aa) Contato, Ordem ou Autorização de Fornecimento: documento formal, firmado entre comprador e fornecedor, que juridicamente deve garantir a ambos (fornecimento x pagamento); bb) Custo Fixo:- é o custo que independe das quantidades estocadas ou compradas ( mão-de-obra, despesas administrativas, de manutençãoetc. ); cc) Custo Variável - existe em função das variações de quantidade e de despesas operacionais; dd) Custo de Manutenção de Estoque, Posse ou Armazenagem: são os custos decorrentes da existência do item ou artigo no estoque. Varia em função do número de vezes ou da quantidade comprada; ee) Custo de Obtenção de Estoque, do Pedido ou Aquisição: é constituído pela somatória de todas as despesas efetivamente realizadas no processamento de uma compra. Varia em função do número de pedidos emitidos ou das quantidades compradas. ff) Custo Total: é o resultado da soma do Custo Fixo com o Custo de Posse e o Custo de Aquisição; gg) Custo Ideal: é aquele obtido no ponto de encontro ou interseção das curvas dos Custos de Posse e de Aquisição. Representa o menor valor do Custo Total. Almoxarifado Almoxarifado é o local destinado à guarda e conservação de materiais, em recinto coberto ou não, adequado à sua natureza, tendo a função de destinar espaços onde permanecerá cada item aguardando a necessidade do seu uso, ficando sua localização, equipamentos e disposição interna acondicionada à política geral de estoque da empresa. O almoxarifado deverá: 1. Assegurar que o material adequado esteja, na quantidade devida, no local certo, quando necessário; 2. Impedir que exista divergência de inventário e perda de qualquer natureza; 3. Preservar a qualidade e as quantidades exatas; 4. Possuir instalações adequadas e recursos de movimentação e distribuição suficientes a um atendimento rápido e eficiente. O recebimento e o controle envolvem o descarregamento de caminhões e a contagem de produtos que o pessoal do almoxarifado irá armazenar. Eles ainda devem preencher os documentos necessários (como faturas) e atualizar o sistema com a quantidade de estoque obtida na contagem. O recebimento compreende quatro fases: 1ª fase: Entrada de materiais; 2ª fase: Conferência quantitativa; 3ª fase: Conferência qualitativa; 4ª fase: Regularização. Localização de Materiais O objetivo de um sistema de localização de materiais é estabelecer os meios necessários à perfeita identificação da localização dos materiais. Normalmente é utilizada uma simbologia (codificação) alfanumérica que deve indicar precisamente o posicionamento de cada material estocado, facilitando as operações de movimentação e estocagem. O almoxarife é o responsável pelo sistema de localização de materiais e deverá possuir um esquema do depósito com o arranjo físico dos espaços disponíveis por área de estocagem. Sistemas de endereçamento ou localização dos estoques; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 11MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Existem dois métodos básicos: o sistema de endereços fixos e o sistema de endereços variáveis. Sistema de endereçamento fixo: Nesse sistema existe uma localização específica para cada produto. Caso não haja muitos produtos armazenados, nenhum tipo de codificação formal será necessária. Caso a linha de produtos seja grande, deverá ser utilizado um código alfanumérico, que visa a minimização do tempo de localização dos materiais. Sistema de endereçamento variável: Nesse sistema não existem locais fixos de armazenagem, a não ser para itens de estocagem especial. Os materiais vão ocupar os locais disponíveis dentro do depósito. O inconveniente desse sistema é o perfeito controle que se deve ter da situação, para que não se corra o risco de possuir material perdido em estoque, que somente será descoberto ao acaso ou durante o inventário. Esse controle deverá ser feito por duas fichas, uma ficha para controle do saldo por item e a outra para controle do saldo por local de estoque. Apesar de o sistema de endereços variáveis possibilitar melhor utilização do espaço, este pode resultar em maiores percursos para montar um pedido, pois um único item pode estar localizado em diversos pontos Esse método é mais popular em sistemas de manuseio e armazenagem automatizados, que exigem um mínimo de mão-de-obra. Classificação e Codificação dos materiais Um sistema de classificação e codificação de materiais é fundamental para que existam procedimentos de armazenagem adequados, um controle eficiente dos estoques e uma operacionalização correta do almoxarifado. Classificar um material significa agrupá-lo segundo sua forma, dimensão, peso, tipo e uso. Em outras palavras, classificar um material significa ordená-lo segundo critérios adotados, agrupando-os de acordo com as suas semelhanças. Classificar os bens dentro de suas peculiaridades e funções tem como finalidade facilitar o processo de posteriormente dar-lhes um código que os identifique quanto aos seus tipos, usos, finalidades, datas de aquisição, propriedades e sequência de aquisição. Por exemplo, com a codificação do bem passamos a ter, além das informações acima mencionadas, um registro que nos informará todo o seu histórico, tais como preço inicial, localização, vida útil esperada, valor depreciado, valor residual, manutenção realizada e previsão de sua substituição. Critérios para Classificação dos Materiais. - Abrangência. Deve tratar de uma gama de características em vez de reunir apenas materiais para serem classificados. - Flexibilidade. Deve permitir diversos tipos de classificação. - Praticidade. A classificação deve ser direta e simples. Tipos de Classificação. Por demanda. Materiais de estoque - São materiais que devem existir em estoque e para os quais deve existir alguns parâmetros de ressuprimento. Materiais de não estoque. - São materiais de demanda imprevisível para os quais não são definidos parâmetros de ressuprimento. Os materiais de estoque são classificados em: - Quanto à aplicação: - Materiais produtivos. - Matérias-primas. - Produtos em fabricação - Produtos acabados. - Materiais de manutenção - Materiais improdutivos Quanto ao valor econômico Quanto à importância operacional Materiais Críticos. São materiais de reposição específica de um equipamento ou de um grupo de equipamentos iguais, cuja demanda não é previsível e cuja decisão de estocar é tomada com base na análise do risco de não ter disponível estes materiais quando necessário. Perecibilidade. A adoção da classificação por perecimento permite: - Determinar lotes de compra mais racionais. - Programar as revisões periódicas para detectar falhas de estocagem, visando corrigi-las e baixar materiais sem condição de uso. - Selecionar adequadamente os locais de estocagem, utilizando técnicas adequadas de manuseio e transporte bem como orientar os funcionários quanto aos cuidados necessários. Periculosidade. A adoção desta classificação visa identificar materiais que oferecem risco a segurança. Exemplo: - Gases - Produtos Químicos A adoção desta classificação será de muita utilidade em relação ao manuseio, transporte e armazenagem. Codificar um material significa representar todas as informações necessárias, suficientes e desejadas por meio de números e/ou letras, com base na classificação obtida do material. A tecnologia de computadores está revolucionando a identificação de materiais e acelerando o seu manuseio. A chave para a rápida identificação do produto, das quantidades e fornecedor é o código de barras lineares ou código de distribuição. Esse código pode ser lido com leitores óticos (scanners). Os fabricantes codificam esse símbolo em seus produtos e o computador no depósito decodifica a marca, convertendo-a em informação utilizável para a operação dos sistemas de movimentação interna, principalmente os automatizados. Inventário Físico É a contabilização do estoque de um empreendimento. Sua função é a verificação da equivalência entre o estoque e o controle do mesmo.Bastante relevante também na relação de Gestão de Qualidade, para acompanhar as peças que não entram nas especificações e devem ser rejeitadas, dando apoio na caracterização dos desvios de controle. Como é relevante para a Gestão de Qualidade, percebe- se sua relevância também na Gestão de Eficiência e Gestão Contábil, pois havendo desequilíbrio nos processos de qualidade, tais faltas se não forem registradas pode acarretar em problemas futuros de prazos e entregas para os clientes, depreciando o nome do empreendimento, e consequentes abastecimentos dos produtos necessários no mercado. É comum atualmente, a verificação de utilização de inventário contínuo em empreendimentos que atuam com volume de estoque reduzido. Este tipo de inventário é caracterizado por contagens semanais, tomando um lote reduzido de peças do universo amostral disponível para a verificação e Controle de Qualidade. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 12MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Tal prática conhecida também como verificação de acuracidades do estoque, e toma como aceitação um desvio percentual de aceitação de diferenças no estoque. É muito comum as empresas adotarem o Controle da Qualidade Total (TQC), para otimizar todos seus processos, garantindo uma melhor estruturação interna e benefícios para seus clientes. A GESTÃO DE ESTOQUE A gestão de estoque é, basicamente, o ato de gerir recursos ociosos possuidores de valor econômico e destinado ao suprimento das necessidades futuras de material, numa organização. Os investimentos não são dirigidos por uma organização somente para aplicações diretas que produzam lucros, tais como os investimentos em máquinas e em equipamentos destinados ao aumento da produção e, consequentemente, das vendas. Outros tipos de investimentos, aparentemente, não produzem lucros. Entre estes estão às inversões de capital destinadas a cobrir fatores de risco em circunstâncias imprevisíveis e de solução imediata. É o caso dos investimentos em estoque, que evitam que se perca dinheiro em situação potencial de risco presente. Por exemplo, na falta de materiais ou de produtos que levam a não realização de vendas, a paralisação de fabricação, a descontinuidade das operações ou serviços etc., além dos custos adicionais e excessivos que, a partir destes fatores, igualam, em importância estratégica e econômica, os investimentos em estoque aos investimentos ditos diretos. Porém, toda a aplicação de capital em inventário priva de investimentos mais rentáveis uma organização industrial ou comercial. Numa organização pública, a privação é em relação a investimentos sociais ou em serviços de utilidade pública. A gestão dos estoques visa, portanto, numa primeira abordagem, manter os recursos ociosos expressos pelo inventário, em constante equilíbrio em relação ao nível econômico ótimo dos investimentos. E isto é obtido mantendo estoques mínimos, sem correr o risco de não tê-los em quantidades suficientes e necessárias para manter o fluxo da produção da encomenda em equilíbrio com o fluxo de consumo. NATUREZA DOS ESTOQUES Estoque é a composição de materiais - materiais em processamento, materiais semiacabados, materiais acabados - que não é utilizada em determinado momento na empresa, mas que precisa existir em função de futuras necessidades. Assim, o estoque constitui todo o sortimento de materiais que a empresa possui e utiliza no processo de produção de seus produtos/serviços. Os estoques podem ser entendidos ainda, de forma generalizada, como certa quantidade de itens mantidos em disponibilidade constante e renovados, permanentemente, para produzir lucros e serviços. São lucros provenientes das vendas e serviços, por permitirem a continuidade do processo produtivo das organizações. Representam uma necessidade real em qualquer tipo de organização e, ao mesmo tempo, fonte permanente de problemas, cuja magnitude é função do porte, da complexidade e da natureza das operações da produção, das vendas ou dos serviços. A manutenção dos estoques requer investimentos e gastos muitas vezes elevados. Evitar sua formação ou, quando muito, tê-los em número reduzido de itens e em quantidades mínimas, sem que, em contrapartida, aumente o risco de não ser satisfeita a demanda dos usuários ou dos consumidores em geral, representa um ideal conflitante com a realidade do dia-a-dia e que aumenta a importância da sua gestão. A acumulação de estoques em níveis adequados é uma necessidade para o normal funcionamento do sistema produtivo. Em contrapartida, os estoques representam um enorme investimento financeiro. Deste ponto de vista, os estoques constituem um ativo circulante necessário para que a empresa possa produzir e vender com um mínimo risco de paralisação ou de preocupação. Os estoques representam um meio de investimento de recursos e podem alcançar uma respeitável parcela dos ativos totais da empresa. A administração dos estoques apresenta alguns aspectos financeiros que exigem um estreito relacionamento com a área de finanças, pois enquanto a Administração de Materiais está voltada para a facilitação do fluxo físico dos materiais e o abastecimento adequado à produção e a vendas, a área financeira está preocupada com o lucro, a liquidez da empresa e a boa aplicação dos recursos empresariais. A incerteza de demanda futura ou de sua variação ao longo do período de planejamento; da disponibilidade imediata de material nos fornecedores e do cumprimento dos prazos de entrega; da necessidade de continuidade operacional e da remuneração do capital investido, são as principais causas que exigem estoques permanentemente à mão para o pronto atendimento do consumo interno e/ou das vendas. Isto mantém a paridade entre esta necessidade e as exigências de capital de giro. É essencial, entretanto, para a compreensão mais nítida dos estoques, o conhecimento das principais funções que os mesmos desempenham nos mais variados tipos de organização, e que conheçamos as suas diferentes espécies. Ter noção clara das diversas naturezas de inventário, dentro do estudo da Administração de Material, evita distorções no planejamento e indica à gestão a forma de tratamento que deve ser dispensado a cada um deles, além de evitar que medidas corretas, aplicadas ao estoque errado, levem a resultados desastrosos, sobretudo, se considerarmos que, à vezes, consideráveis montantes de recursos estão vinculados a determinadas modalidades de estoque. Cada espécie de inventário segue comportamentos próprios e sofre influências distintas, embora se sujeitando, em regra, aos mesmos princípios e às mesmas estruturas de controle. Assim, por exemplo, os estoques destinados à venda são sensíveis às solicitações impostas pelo mercado e decorrentes das alterações da oferta e procura e da capacidade de produção, enquanto os destinados ao consumo interno da empresa são influenciados pelas necessidades contínuas da produção, manutenção, das oficinas e dos demais serviços existentes. Já outras naturezas de estoque podem apresentar características bem próprias que, não estão sujeitas a influência alguma. É o caso dos estoques de sucata, não destinada ao reprocessamento ou beneficiamento e formados de refugos de fabricação ou de materiais obsoletos e inservíveis destinados à alienação e outros fins. Em uma indústria, estes estoques podem vir a formar-se aleatoriamente, ao longo do tempo, caracterizando-se como contingências de armazenagem. Acabam representando, mesmo, para algumas organizações, verdadeiras fontes de receitas (extra operacional), enquanto os estoques destinados ao consumo interno constituem-se, tão somente, em despesas. Entretanto, esta divisão por si só, pode trazer dúvidas a partir da definiçãoda natureza de cada um destes estoques. Se entendermos por produto acabado todo material resultante de um processo qualquer de fabricação, e por matérias-primas todo elemento bruto necessário ao fabrico de alguma coisa, perdendo as suas características físicas originais, mediante o processo de transformação a que foi submetido, podemos dizer, por exemplo, que a terra adubada, o cimento, a areia de fundição preparada com a bentonita, o melaço e outros produtos que são misturados a ela para dar maior consistência aos moldes que receberão o aço derretido para a confecção de peças constitui-se em produtos acabados para seus fabricantes, e em matérias- primas para seus consumidores que os utilizarão na fabricação de outros produtos. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 13MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Do mesmo modo, a terra, a argila, o melaço e a areia, em seu estado natural, podem constituir-se em insumos básicos de produção ou em produtos acabados, dependendo da finalidade ou do uso destes itens para a empresa. As porcas, as arruelas, os parafusos etc., empregados na montagem de um equipamento, por exemplo, são produtos semiacabados para o montador, mas, para o fabricante que os vendeu, trata-se de produtos-finais. Diante dos exemplos apresentados, surge, naturalmente, outra classificação: estoques de venda e de consumo interno. Para uma indústria, os produtos de sua fabricação integrarão os estoques de venda e, para outra, que os utilizará na produção de outro bem, integrarão os estoques de material de consumo. Por sua vez, o estoque de venda pode desdobrar-se em estoque de varejo e de atacado. O estoque de consumo pode subdividir-se em estoque de material específico e geral. Este último pode desdobrar- se, ainda, em estoque de artigos de escritório, de limpeza e conservação etc. Temos assim, diferentes maneiras de se distinguir os estoques, considerando a natureza, finalidade, uso ou aplicação etc. dos materiais que os compõem. O importante, todavia, nestas classificações, que procuram mostrar os diferentes tipos de estoque e o que eles representam para cada empresa, é que elas servem de subsídios valiosos para a (o): configuração de um sistema de material; estruturação dos almoxarifados; estabelecimento do fluxo de informação do sistema; estabelecimento de uma classificação de material; política de centralização e descentralização dos almoxarifados; dimensionamento das áreas de armazenagem; planejamento na forma de controle físico e contábil. FUNÇÕES DO ESTOQUE As principais funções do estoque são: a) Garantir o abastecimento de materiais à empresa, neutralizando os efeitos de: - demora ou atraso no fornecimento de materiais; - sazonalidade no suprimento; - riscos de dificuldade no fornecimento. b) Proporcionar economias de escala: - através da compra ou produção em lotes econômicos; - pela flexibilidade do processo produtivo; - pela rapidez e eficiência no atendimento às necessidades. Os estoques constituem um vínculo entre as etapas do processo de compra e venda - no processo de comercialização em empresas comerciais - e entre as etapas de compra, transformação e venda - no processo de produção em empresas indústrias. Em qualquer ponto do processo formado por essas etapas, os estoques desempenham um papel importante na flexibilidade operacional da empresa. Funcionam como amortecedores das entradas e saídas entre as duas etapas dos processos de comercialização e de produção, pois minimizam os efeitos de erros de planejamento e as oscilações inesperadas de oferta e procura, ao mesmo tempo em que isolam ou diminuem as interdependências das diversas partes da organização empresarial. CLASSIFICAÇÃO DE ESTOQUES Estoques de Matérias-Primas (MPs) Os estoques de MPs constituem os insumos e materiais básicos que ingressam no processo produtivo da empresa. São os itens iniciais para a produção dos produtos/serviços da empresa. Estoques de Materiais em Processamento ou em Vias Os estoques de materiais em processamento - também denominados materiais em vias - são constituídos de materiais que estão sendo processados ao longo das diversas seções que compõem o processo produtivo da empresa. Não estão nem no almoxarifado - por não serem mais MPs iniciais - nem no depósito - por ainda não serem Pas. Mais adiante serão transformadas em Pas. Estoques de Materiais Semiacabados Os estoques de materiais semiacabados referem-se aos materiais parcialmente acabados, cujo processamento está em algum estágio intermediário de acabamento e que se encontram também ao longo das diversas seções que compõem o processo produtivo. Diferem dos materiais em processamento pelo seu estágio mais avançado, pois se encontram quase acabados, faltando apenas mais algumas etapas do processo produtivo para se transformarem em materiais acabados ou em PAs. Estoques de Materiais Acabados ou Componentes Os estoques de materiais acabados - também denominados componentes - referem-se a peças isoladas ou componentes já acabados e prontos para serem anexados ao produto. São, na realidade, partes prontas ou montadas que, quando juntadas, constituirão o PA. Estoques de Produtos Acabados (Pas) Os Estoques de Pas se referem aos produtos já prontos e acabados, cujo processamento foi completado inteiramente. Constituem o estágio final do processo produtivo e já passaram por todas as fases, como MP, materiais em processamento, materiais semiacabados, materiais acabados e Pás. CONTROLE DE ESTOQUES O objetivo básico do controle de estoques é evitar a falta de material sem que esta diligência resulte em estoque excessivo às reais necessidades da empresa. O controle procura manter os níveis estabelecidos em equilíbrio com as necessidades de consumo ou das vendas e os custos daí decorrentes. Para mantermos este nível de água, no tanque, é preciso que a abertura ou o diâmetro do ralo permita vazão proporcional ao volume de água que sai pela torneira. Se fecharmos com o ralo destampado, interrompendo, assim, o fornecimento de água, o nível, em unidades volumétricas, chegará, após algum tempo, a zero. Por outro lado, se a mantivermos aberta e fecharmos o ralo, impedindo a vazão, o nível subirá até o ponto de transbordar. Ou, se o diâmetro do raio permite a saída da água, em volume maior que a entrada no tanque, precisaremos abrir mais a torneira, permitindo o fluxo maior para compensar o excesso de escapamento e evitar o esvaziamento do tanque. De forma semelhante, os níveis dos estoques estão sujeitos à velocidade da demanda. Se a constância da procura sobre o material for maior que o tempo de ressuprimento, ou estas providências não forem tomadas em tempo oportuno, a fim de evitar a interrupção do fluxo de reabastecimento, teremos a situação de ruptura ou de esvaziamento do seu estoque, com prejuízos visíveis para a produção, manutenção, vendas etc. Se, em outro caso, não dimensionarmos bem as necessidades do estoque, poderemos chegar ao ponto de excesso de material ou ao transbordamento dos seus níveis em relação à demanda real, com prejuízos para a circulação de capital. O equilíbrio entre a demanda e a obtenção de material, onde atua, sobretudo, o controle de estoque, é um dos objetivos da gestão. FUNÇÕES DO CONTROLE DE ESTOQUE Para organizar um setor de controle de estoques, inicialmente devemos descrever suas funções principais que são: a) determinar "o que" deve permanecer em estoque. Número de itens; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 14MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL b) determinar"quando" se devem reabastecer os estoques. Periodicidade; c) determinar "quanto" de estoque será necessário para um período predeterminado; quantidade de compra; d) acionar o Depto de Compras para executar aquisição de estoque; e) receber, armazenar e atender os materiais estocados de acordo com as necessidades; f) controlar os estoques em termos de quantidade e valor, e fornecer informações sobre a posição do estoque; g) manter inventários periódicos para avaliação das quantidades e estados dos materiais estocados; h) identificar e retirar do estoque os itens obsoletos e danificados. CLASSIFICAÇÃO ABC A curva ABC é um importante instrumento para o administrador; ela permite identificar aqueles itens que justificam atenção e tratamento adequados quanto à sua administração. Obtém-se a curva ABC através da ordenação dos itens conforme a sua importância relativa. Verifica-se, portanto, que, uma vez obtida a sequência dos itens e sua classificação ABC, disso resulta imediatamente a aplicação preferencial das técnicas de gestão administrativas, conforme a importância dos itens. A curva ABC tem sido usada para a administração de estoques, para definição de políticas de vendas, estabelecimento de prioridades para a programação da produção e uma série de outros problemas usuais na empresa. Após os itens terem sido ordenados pela importância relativa, as classes da curva ABC podem ser definidas das seguintes maneiras: Classe A: Grupo de itens mais importante que devem ser trabalhados com uma atenção especial pela administração. Classe B: Grupo intermediário. Classe C: Grupo de itens menos importantes em termos de movimentação, no entanto, requerem atenção pelo fato de gerarem custo de manter estoque. MONTAGEM DA CURVA ABC - Relacionar os itens analisados no período que estiver sendo analisado; - Número ou referencia do produto; - Nome do produto; - Preços unitário atualizado; - Valor total do consumo; - Arrume os itens em ordem decrescente de valor; - Some o total do faturamento; - Defina os itens da classe "A" = 80% do faturamento; - Fat. Classe "A" = Fat. Total x 80;100 - Defina os itens da classe "B" = 15% do faturamento; - Defina os itens da classe "C" = 5% do faturamento; - Após conhecidos esses valores define-se os itens de cada classe. SISTEMAS DE CONTROLE DE ESTOQUES Existem vários modelos de sistemas de controle de estoques, mas trataremos de apenas três: - Duas gavetas (ou estoque mínimo); - Renovação periódica; - Para fim específico. 1 - Duas gavetas - Usa-se o material da primeira gaveta, quando acabar usa-se o material da segunda gaveta gerando pedido de renovação de estoque. - O estoque mínimo é a segunda gaveta. 2 - Renovação periódica - A renovação acontece em tempo pré- determinado; - A quantidade a ser comprada deve ser suficiente para até o próximo pedido. 3 - Estoque para fim específico (ou controle de materiais) Visa atender ao plano de produção ou a uma OP ou RM. Fichas de estoque Trata-se de um documento para controlar e analisar o estoque de cada item visto acima. RENOVAÇÃO DE ESTOQUE O acompanhamento dos níveis de estoque e as decisões de quando e quanto comprar deverão ocorrer em função da aplicação das fórmulas constantes no item a seguir. As fórmulas aplicáveis à gerência de Estoques são: a) Consumo Médio Mensal c = Consumo Anual b) Estoque Mínimo Em = c x f c) Estoque Máximo EM = Em + c x I d) Ponto de Pedido Pp = Em + c x T e) Quantidade a Ressuprir Q = C x I Os fatores de Ressuprimento são definidos: a) Consumo Médio Mensal (c) - média aritmética do consumo nos últimos 12 meses; b) Tempo de Aquisição (T)- período decorrido entre a emissão do pedido de compra e o recebimento do material no Almoxarifado (relativo, sempre, à unidade mês); c) Intervalo de Aquisição (I)- período compreendido entre duas aquisições normais e sucessivas; d) Estoque Mínimo ou de Segurança (Em)- é a menor quantidade de material a ser mantida em estoque capaz de atender a um consumo superior ao estimado para um certo período ou para atender a demanda normal em caso de entrega da nova aquisição. É aplicável tão somente aos itens indispensáveis aos serviços do órgão ou entidade. Obtém-se multiplicando o consumo médio mensal por uma fração (f) do tempo de aquisição que deve, em princípio, variar de 0,25 de T a 0,50 de T; e) Estoque Máximo (EM) - a maior quantidade de material admissível em estoque, suficiente para o consumo em certo período, devendo-se considerar a área de armazenagem, disponibilidade financeira, imobilização de recursos, intervalo e tempo de aquisição, perecimento, obsoletismo etc... Obtém-se somando ao Estoque Mínimo o produto do Consumo Médio Mensal pelo intervalo de Aquisição; f) Ponto de Pedido (Pp) - Nível de Estoque que, ao ser atingido, determina imediata emissão de um pedido de compra, visando a recompletar o Estoque Máximo. Obtém-se somando ao Estoque Mínimo o produto do Consumo Médio Mensal pelo Tempo de Aquisição; g) Quantidade a Ressuprir (Q) - número de unidades adquirir para recompor o Estoque Máximo. Obtém-se multiplicando o Consumo Médio Mensal pelo Intervalo de Aquisição. Os parâmetros de revisão poderão ser redimensionados à vista dos resultados do controle e corrigidas as distorções porventura existentes nos estoques. Tempo de reposição O tempo de reposição é o intervalo da emissão do pedido de compras relativo a algum produto até seu recebimento pela empresa. Ele é utilizado na administração de estoques e é calculado de forma bastante simples e serve para o cálculo do estoque mínimo; é de suma importância, já que a não observância desse fator pode acarretar em falhas na administração dos estoques. Portanto, o TR é igual à somatória de três elementos: Em que: 1 - Emissão de Pedido: tempo para elaborar e confirmar o pedido junto ao fornecedor. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 15MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL 2 - Preparação do Pedido: tempo que o fornecedor leva para processar e entregar-nos o pedido. 3 - Transporte: tempo para processar a liberação do pedido em nossa fábrica. Como pode-se perceber, duas das variáveis são dependentes de ações da empresa e, por isso, podem ser reduzidas ao máximo possível, tendendo-o a zero. A única variável dependente de terceiros é a de preparação do pedido, já que depende de uma boa negociação com o fornecedor para poder, também, reduzi-la ao menor tempo possível. Estoque de segurança O estoque de segurança é caracterizado pelo ato de manter níveis de estoque suficientes para evitar faltas de estoque diante da variabilidade da demanda e a incerteza do ressuprimento (repor item faltante) do produto quando necessário. Quando se trabalha sem essa segurança, o atraso na entrega de uma mercadoria pelo fornecedor normalmente causa o esgotamento do estoque do período previsto da entrega até a efetiva chegada do produto. Já no caso das vendas ou consumo da mercadoria estocada ser maior que o previsto enquanto o produto fornecido estiver em trânsito para o local de estocagem, também é possível que esse produto não se encontre disponível quando necessário. Por estes motivos as empresas mantém o estoque de segurança em seus armazéns, evitando assim problemas de corte no fornecimento. É como a caixa d'agua de nossas casas, caso não existissem, na menor interrupção do fornecimento a água não estaria mais disponível em nossas torneiras. Mas assim como o estoque de segurança possui seus benefícios, também traz alguns problemas às empresas, que precisam de locais maiores para armazenagem e disponibilizar capital para o investimento em estoque, o mesmo capital que poderia estar sendo empregado na comprade bens para a empresa. Fazer uma boa gestão do seu estoque de segurança garante que a organização: - Cumpra prazos de entrega mantendo a qualidade do serviço e promovendo a satisfação do seu cliente. - Mantenha o seu fluxo de produção - Evite gastos extras com contratação de funcionários temporários ou taxa mais alta para entregas de última hora. - Reduza custos de armazenagem. Se você sabe o volume exato de estoque que precisa, não vai cometer erros. - Evite o acúmulo de produtos muito sazonais, ou perecíveis. Acumular esse tipo de produto pode te dar futuros prejuízos. - Libere recursos para investir em áreas estratégicas para a empresa. Embalagem A embalagem é essencial para a proteção dos produtos durante a sua etapa de distribuição, armazenamento, comercialização, manuseio e consumo. A embalagem vem evoluindo em consonância com o desenvolvimento da infraestrutura de nosso País e de sua economia, das empresas e de seus produtos e principalmente frente aos mecanismos de distribuição e necessidades dos consumidores. Dentre as funções da embalagem está garantir segurança e qualidade de vida à população, possibilitando o acesso a diferentes produtos desde alimentos ou medicamentos até eletroeletrônicos e utensílios em geral, em todas as regiões do País. Cabe à embalagem proporcionar segurança no manuseio do produto, manutenção de suas propriedades e informações legais sobre sua composição e validade, e mesmo rastreabilidade do lote de produção. Em certos casos cabe ainda à embalagem estender o prazo de vida dos produtos, evitando o seu desperdício. Cuidados gerais de armazenagem A guarda dos materiais no Almoxarifado obedece a cuidados especiais, que devem ser definidos no sistema de instalação e no layout adotado, proporcionando condições físicas que preservem a qualidade dos materiais, objetivando a ocupação plena do edifício e a ordenação da arrumação. FASES DESCRIÇÃO 1° FASE - Verificação das condições de recebimento do material; 2° FASE - Identificação do material; 3° FASE - Guarda na localização adotada; 4° FASE - Informação da localização física de guarda ao controle; 5° FASE - Verificação periódica das condições de proteção e armazenamento; 6° FASE - Separação para distribuição. Inventário Inventário é o procedimento administrativo que se constitui no levantamento físico e financeiro de todos os bens móveis, nos locais determinados, tendo como finalidade a perfeita compatibilização entre o registrado e o existente, bem como sua utilização e o seu estado de conservação. Verifica-se nesse evento a integridade, a correta afixação da plaqueta de identificação e se o bem está ocioso ou se apresenta qualquer avaria que o inutilize, o que enseja seu recolhimento ao Depósito do Patrimônio; Os diversos tipos de inventários são realizados pela Gerência Setorial de Patrimônio, por iniciativa própria ou a pedido da Gerência do Patrimônio Público - SGA ou de qualquer detentor de Carga, responsável ou autoridade, periodicamente ou a qualquer tempo e em quaisquer unidades do Estado. O Inventário deve ser realizado nos seguintes locais: 1 - Em um ou mais endereços individuais do Estado; 2 - No estoque do Almoxarifado; 3 - No depósito de Patrimônio; Os tipos de inventário são: 1 - De verificação: realizado a qualquer tempo, com o objetivo de verificar qualquer bem ou conjunto de bens, por iniciativa da Gerência Setorial de Patrimônio ou a pedido de qualquer Detentor de Carga ou Responsável; 2 - De transferência: realizado quando da mudança de um titular de função de confiança detentor de carga patrimonial; 3 - De criação: realizado quando da criação de uma função de confiança, de uma Unidade Administrativa, Gerência ou de novo endereço individual do Estado; 4 - De extinção: realizado quando da extinção ou transformação de uma função de confiança detentora de carga patrimonial, de uma Unidade Administrativa ou Gerência ou de endereço individual do Estado; 5 - Anual: realizado para comprovar a exatidão dos registros de controle patrimonial de todo o patrimônio do Estado, demonstrando o acervo de cada Detentor de Carga, de cada Unidade Administrativa, o valor total do ano anterior e as variações patrimoniais ocorridas no exercício, elaborado de acordo com o Plano de Contas da Administração Pública Estadual. Durante a realização de qualquer tipo de inventário fica vedada toda e qualquer movimentação física de bens localizados nos endereços individuais abrangidos pelos trabalhos, exceto mediante autorização específica do respectivo Secretário. Práticas de inventário Definição do melhor momento para a realização do inventário de estoque Antes de mais nada, é preciso investir em um planejamento. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 16MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Portanto, o ideal é escolher dias e horários nos quais o recebimento e a retirada dos itens sejam mais próximo de zero. Se possível, tente realizar essa operação fora do horário comercial — ou, pelo menos, dos horários de maior pico. Listagem dos tipos de produtos disponíveis em estoque Feita a definição da agenda do inventário de estoque, é o momento de criar uma lista separando todos os produtos do estoque por tipo. Nessa fase, vale a pena fazer uma organização do layout e definir as caixas, prateleiras ou armários certos para cada categoria. O registro desse trabalho pode ser feito em uma folha de papel (mais simples), ou em uma planilha (um pouco mais automatizado). O importante é ter um documento para monitorar o processo posteriormente, visto que ele será utilizado para registrar as contagens e realizar as devidas conferências. Criação de um código para cada produto Agora, é preciso estabelecer um código para cada tipo de produto (se você ainda não tem esse registro). É por meio dele, que se realiza a identificação dos itens — tanto no recebimento quanto na expedição —, que contribui para evitar falhas na hora de dar entrada ou saída das mercadorias do estoque. Vale ressaltar que ele deve ser único para cada item (como um RG). Se a empresa já investe um pouco mais em tecnologia e tem os recursos necessários para fazer a leitura do código de barras no estoque, ele mesmo pode ser utilizado como forma de identificação dos seus produtos — o que facilita ainda mais o trabalho. Isso também é essencial para o inventário de estoque, visto que a contagem e o registro das quantidades devem ser feito com base nesse cadastro, evitando duplicidades ou outros tipos de falhas. Realização da contagem dos itens Essa é a fase em que o inventário de estoque realmente acontece. Os itens devem ser contados por tipo e por categoria, ou por “prateleiras” e locações na loja — o que for melhor para tornar o processo mais otimizado na empresa. O ideal é que eles sejam contados duas vezes, pelo menos. Se na segunda vez houver divergência entre o resultado dela e da primeira, deve-se realizar a terceira (e última) avaliação, para fins de conferência. Todas as rotinas precisam ser registradas, pois esses dados precisarão ser utilizados posteriormente, na próxima fase. Atualização das informações contidas nos controles Com a contagem e conferência das quantidades de itens disponíveis no estoque, é o momento de fazer a atualização desses dados nos controles (que pode ser uma planilha ou um sistema de gestão, por exemplo). O foco é corrigir os dados, caso estejam errados, e garantir que o estoque físico (quantidades disponíveis) seja coerente com o estoque contábil (a informação que se tem nos controles). Essa é uma das fases mais importantes do inventário de estoque, visto que a exatidão das informações influencia diretamente nos resultados de outros processos.Assim: - o setor de compras utiliza as informações para identificar se é o momento certo de acionar o fornecedor e fazer as reposições necessárias; - a equipe de estoque consegue monitorar a possibilidade de haver rupturas no estoque; - os gestores criam planos de ação para evitar problemas como faltas e excessos de itens. Como se vê, a partir dos dados (e a coerência entre eles e o que acontece na prática) leva a decisões assertivas que, consequentemente, proporcionam resultados mais satisfatórios. Realização de inventários cíclicos Apesar de o inventário geral ser essencial para a empresa de tempos em tempos, é possível realizar a manutenção desse trabalho de manter o estoque correto. Isso pode ser feito por meio do inventário cíclico, que nada mais é do que a execução de pequenas contagens em determinados períodos. Nesse caso, apenas grupos ou setores do estoque são contados a cada vez, atualizando o sistema com uma frequência maior. Assim, assegura-se que a incidência de falhas — e suas consequências — seja menor. A frequência varia de acordo com as necessidades da empresa e do tamanho do estoque. No entanto, ela pode ocorrer uma vez por mês, escolhendo um setor específico para passar pelo processo. Uso da tecnologia no controle de estoque Não é nenhum segredo que a tecnologia é uma grande aliada das empresas, contribuindo para a automação de tarefas e tornando os processos mais eficientes. O mesmo raciocínio serve para o controle de estoque. Contar com um sistema de gestão integrada permite aprimorar a execução de diversas tarefas, incluindo a de outras áreas — unificando a administração da empresa em apenas uma ferramenta. Como você pôde ver, o inventário de estoque é uma atividade essencial para o alcance de bons resultados no que diz respeito à eficiência da empresa e dos custos operacionais para geri-lo (além dos de vendas e faturamento). Porém, para que a atividade proporcione mesmo esse valor para a empresa, precisa ser bem executada, o que envolve as técnicas que explicamos. Logística integrada O conceito de cadeia logística integrada é, na verdade, a definição de diretrizes sobre algo que já se sabe há muito tempo: comunicação e compreensão são as chaves do sucesso na cadeia de suprimentos. Desde o processo de qualificação de fornecedores, até a homologação e realização de pedidos pelo departamento de compras, tudo deve contar com uma comunicação fluida e facilitada. O objetivo principal disso é diminuir o tempo perdido para que as demandas do consumidor final sejam atendidas com maior agilidade. Com isso, podemos definir a gestão logística integrada como a operação de um fluxo independente, inteligente e integrado, que não demanda intervenção direta da gestão para se manter eficiente e em movimento. Isso acontece através da modernização e integração das diferentes áreas da logística, válido para todas as áreas, nos processos internos, no abastecimento da cadeia de produção e nos processos que são externos da empresa. Ao passo que todas essas áreas disponibilizam as suas informações e indicadores em uma plataforma unificada, atualizada em tempo real e de fácil leitura, fica mais fácil, ágil e menos burocrático que os setores de uma empresa possam executar suas funções com maior eficiência. Em resumo, a gestão integrada de operações e de logística de suprimento busca otimizar os processos da cadeia de suprimentos, desde a produção até a entrega ao cliente final. Para isso, é importante considerar alguns princípios básicos: Visão sistêmica: A gestão integrada deve ter uma visão sistêmica dos processos, considerando todos os elementos da cadeia de suprimentos e como eles se relacionam entre si. Foco no cliente: A empresa deve ter o cliente como o centro das suas atividades, buscando atender às suas necessidades e expectativas. Planejamento estratégico: A gestão integrada deve ter um planejamento estratégico que contemple as metas e objetivos da empresa, alinhando as atividades da cadeia de suprimentos a essa estratégia. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 17MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Gestão de estoques: A gestão de estoques deve ser realizada de forma integrada, considerando as necessidades de cada área da empresa, como produção, vendas, compras e financeiro. Integração de sistemas: É importante que os sistemas de gestão da empresa estejam integrados, permitindo o compartilhamento de informações entre as áreas e agilizando os processos. Melhoria contínua: A gestão integrada deve estar sempre em busca da melhoria contínua dos processos, buscando aperfeiçoar a eficiência e eficácia da cadeia de suprimentos. Parcerias estratégicas: A empresa deve estabelecer parcerias estratégicas com fornecedores e clientes, buscando aperfeiçoar a cadeia de suprimentos como um todo. Análise de desempenho: A gestão integrada deve realizar análises de desempenho da cadeia de suprimentos, monitorando os indicadores e identificando oportunidades de melhoria. Ao adotar esses princípios, a empresa pode alcançar uma gestão mais eficiente e integrada de suas operações e logística de suprimento, reduzindo custos, melhorando a qualidade dos produtos e serviços e aumentando a satisfação do cliente. OPERAÇÕES LOGÍSTICAS: MODAIS DE MULTIMODAIS (MARÍTIMO, AÉREO, TERRESTRE E DUTOVIÁRIO). CLASSIFICAÇÃO, CARACTERÍSTICAS E ESCOLHAS DOS MODAIS DE TRANSPORTE Basicamente, quando se fala de transporte visualizamos a movimentação de cargas/produtos entre dois pontos diferentes. Logo, transporte nos passa a ideia de movimento (movimentar cargas), que podem ser mercadorias, produtos, insumos, etc. Bem como pessoas e animais, de um ponto para outro, não importando a distância. Dessa forma, para cada tipo de movimentação haverá um tipo específico de transporte, que por sua vez poderá utilizar vários modelos de meios de transporte para alcançar objetivos específicos. No Brasil, com sua extensão continental, um transporte eficiente pode ajudar muito as empresas e a economia como um todo. Modais de transporte Os modais de transporte correspondem às formas utilizadas para que os produtos sejam deslocados de um ponto de origem até um ponto de destino. Esse processo deve ter total atenção pelo setor de logística das empresa. Isso porque, a escolha inadequada do modal de transporte tem como resultado a perda da qualidade dos produtos, aumento dos custos logísticos e insatisfação dos clientes. Atualmente, existem cinco diferentes classificações para os modais de transporte, sendo elas: modal rodoviário, modal ferroviário, modal hidroviário, modal dutoviário e modal aéreo. Todos as classificações apresentam vantagens e desvantagens. Nesse sentido, a escolha do modal de transporte adequado é feita através do tipo de produto, recursos disponíveis e infraestrutura do ambiente. Modal rodoviário O modal rodoviário é caracterizado pelo transporte através de ruas, estradas e rodovias, podendo ser pavimentadas ou não, onde se utiliza os automóveis, os ônibus e os caminhões para a locomoção de produtos e pessoas. A consolidação do transporte rodoviário ocorreu com a intensificação da indústria automobilística em todo o mundo, fato ocorrido nas primeiras décadas do século XX. Ao passo que, a economia capitalista se desenvolvia, aliado a inciativa privada, os governos investiram forte na infraestrutura de estradas. Em síntese, o modal rodoviário pode transporte todo o tipo de produto desde matérias primas, produtos semiacabados e acabados. Quando comparado aos modais hidroviário e ferroviário, o modal rodoviário possui baixa capacidade de carga. O transporte rodoviário tem vantagens como flexibilidade de tráfego e agilidade de transporte. Dessa maneira,o transporte elimina o manuseio entre origem e destino do produto, não requer embalagens exigentes, se adapta aos outros modais de transporte, de fácil contratação e gerenciamento. Ele também pode ser responsável por completar a rota de destino de algum produto que utiliza outros modais. No modal rodoviário o espaço no veículo pode ser fretado em sua totalidade (carga completa) ou apenas frações de sua totalidade (carga fracionada). Nesse sentido, o fracionamento do espaço de carga do veículo possibilita a diversificação de embarcadores em um mesmo transporte. Modal aéreo O modal aéreo consiste no transporte de pessoas ou mercadorias através de aeronaves (tráfego aéreo) utilizando o ar como o meio de locomoção. O transporte aéreo é classificado como full pax quando só há transporte de passageiros, full cargo quando o transporte é somente de cargas e combi quando há transporte de cargas e de passageiros. O modal aéreo utiliza de aviões, helicópteros e até mesmo drones. Em geral, o modal aéreo é utilizado para o transporte de cargas de alto valor agregado, urgentes ou que sejam extremamente perecíveis. Um transporte logístico eficiente não leva em conta apenas os custos com a operação, mas sim uma entrega com agilidade e segurança, dentro do prazo estabelecido. Agilidade, aliás, é a palavra que melhor define o modal aéreo. Portanto, as empresas que precisam de urgência em suas entregas tem no modal aéreo a opção ideal. Tão importante quanto a agilidade é a segurança da carga durante o percurso. Nesse quesito, o modal aéreo é imbatível, por apresentar o menor número de perdas e de avarias. Devido a segurança no transporte, não é necessário a utilização de embalagens com muito reforço. Dessa forma, o custo do insumo é menor, além de facilitar as operações de carga e descarga dos produtos. Modal aquaviário O modal aquaviário, ou modal hidroviário, consiste nos transportes realizado sobre a água. O transporte aquático tem três diferentes classificações, sendo elas: Marítimo é o transporte que acontece sobre mares e oceanos, onde se utilizam navios para o transporte de cargas; Fluvial é o transporte que se utiliza os rios para o transporte de cargas, geralmente feitos através de barcos; Lacustre é quando o transporte é feito através de lagos e lagoas. O modal aquaviário é muito utilizado para o transporte de produtos de baixo valor agregado. Dessa maneira, podemos citar como exemplo: petróleo e derivados, carvão, minério de ferro, cereais, bauxita, alumínio e fosfatos, etc. Entretanto, quando falamos em transporte internacional, temos a movimentação de produtos altamente valorizados, devidamente protegidos nos containers. Através do desenvolvimento das embarcações o modal aquaviário ganhou papel de protagonista na logística internacional. Isso porque, 99% de todo o peso transportado na logística internacional é feito através do modal aquaviário. Nesse sentido, outro número impressionante é que se considerarmos o número total de transportes de carga internacionais o modal aquaviário corresponde por mais da metade. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 18MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Modal ferroviário O modal ferroviário é o transporte realizado sobre as linhas férreas. Trata-se de um transporte muito utilizado para movimentação de cargas de baixo valor agregado, assim como no transporte de pessoas. Os exemplos mais comuns desta modalidade de transporte são os trens, metrô e trens urbanos. Em resumo, os veículos do modal ferroviário são essencialmente as locomotivas e vagões. As locomotivas e os vagões quando estão juntos formam o que conhecemos como trens, ou um termo mais técnico as composições. Nesse sentido, as locomotivas são os veículos utilizados para a tração dos vagões. Por outro lado, os vagões são os veículos utilizados para o transporte de pessoas e cargas através das linhas férreas. Vale lembrar que, os vagões não possuem propulsão própria, sendo necessário sempre estar acoplado a uma locomotiva para se movimentar. Modal dutoviário O modal dutoviário é aquele em que o transporte de produtos é feito por meio de tubulações (dutos). Através da força da gravidade, ou da pressão exercida por um conjunto de motores e bombas hidráulicas, é feito a movimentação dos produtos pelos dutos. O arranjo de dutos conectados é também conhecido como dutovias. Dessa maneira, as dutovias consistem basicamente por três elementos, sendo eles: Depósitos – local onde é feito deposito e retirada dos produtos; Dutos – por onde o produto é escoado; Juntas – acessórios mecânicos que fazem a ligação entre os dutos. O transporte dutoviário é utilizado principalmente para a movimentação de fluidos derivados do petróleo e partículas minerais solidas. Nesse sentido, além de sua aplicação para transporte de produtos em longa distâncias, o modal dutoviário também utilizado para transferência de materiais em pequenas e médias distâncias, como pro exemplo em uma planta industrial. Capacidade de carga A capacidade de carga é a quantidade máxima permitida de peso e/ou volume em um veículo de transporte. A capacidade de carga é uma das mais importantes características dos veículos de transporte. Isso porque, é através dessa característica que os embarcadores sabem exatamente a quantidade em peso e o volume de produtos transportados. Quanto maior a capacidade de carga de um veículo maior também será o consumo de combustível. Desse modo, é importante avaliar o tamanho e peso da carga a ser transportada para escolher o veículo e modal de transporte mais adequado. Quando falamos em capacidade de carga três dos cinco modais merecem destaque, sendo eles: aquaviário, ferroviário e dutoviário. Contudo, apesar da elevada capacidade de carga, os três modais apresentam rotas limitadas de trafego. Custo Os custos logísticos representam a alocação de recursos financeiros em todas atividades relacionadas a logística da empresa. Os custos relacionados a logística é a segunda maior classe de custos de uma empresa, ficando atrás somente do custo do produto. Segundo dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) os custos logísticos no Brasil consomem cerca de 12,7% do PIB (Produto Interno Bruto), que corresponde ao total das riquezas produzidas pelo país. Nesse sentido, a maior parte do custo é formada pelo transporte, que equivale a 6,8% do PIB (R$ 401 bilhões). Depois vêm estoque (4,5% do PIB, ou R$ 268 bilhões); armazenagem (0,9% do PIB ou R$ 53 bilhões); e administrativo (0,5% do PIB, ou R$ 27 bilhões). Em se tratando de custo, os modais aquaviário e ferroviário tem larga vantagem em relação aos demais. O menor custo é relativo a grande capacidade de carga dos transportes. Dessa forma, em um único veículo é possível levar uma grande quantidade de produtos, reduzindo o custo do transporte. Segurança A segurança de um modal de transporte reflete os danos que a carga poderá sofrer no percurso até o destino final. Além disso, outro aspecto relevante é o perigo (risco de acidente, furtos, desvios e ações criminosas) envolvendo o transporte. O modal rodoviário é o único que se destaca em relação a segurança do transporte. Entretanto, no aspecto negativo. O transporte rodoviário é o mais perigoso modal de transporte, tanto para as cargas quanto para os motoristas e passageiros. As estradas e rodovias brasileiras, em sua grande maioria, apresentam péssimas condições de conservação, o que por consequência trás danos diretos aos equipamentos, cargas, pessoas e prejudica a operação. A violência é um outro ponto que prejudica bastante o transporte de cargas pelas rodovias. O Brasil se destaca pelo número de roubos de cargas e abordagens violentas. AgilidadeA agilidade de um modal de transporte tem como referência o transit time. O transit time, que traduzido significa “tempo de trânsito”, é o período de tempo necessário para que um produto, ou uma remessa, seja entregue ao cliente. Basicamente, trata-se do intervalo gasto ao mover uma mercadoria entre o ponto de retirada e seu destino. Primordialmente, quando o assunto é agilidade três modais merecem destaque: rodoviário, aéreo e dutoviário. O modal rodoviário é sinônimo de agilidade devido ao nosso país ser totalmente conectado por estradas e rodovias. Desse modo, é possível fazer entregas em todos os cantos com um único transporte sem necessidade de integrações ou intermodalidades. Com o modal aéreo é possível percorrer longas distâncias em um curto espaço de tempo. Dessa forma, é o transporte ideal para cargas urgentes em grandes distâncias. Já o modal dutoviário ganha destaque devido ao transito exclusivo. Isso porque, de um ponto a outro da instalação de dutos não haverá transito, podendo o produto escoar livremente até o seu destino. Disponibilidade A disponibilidade de um modal de transporte reflete a quantidade de veículos disponíveis, infraestrutura necessária e o meio de locomoção para realizar o transporte. No Brasil, somente o modal rodoviário apresenta grande disponibilidade de transporte. De acordo com os dados da ANTT, o total de caminhões registrados(Agência Nacional de Transportes Terrestres), é 2.209.440. Destes, um total de 1.343.498 caminhões são de empresas de transporte. Além disso, a facilidade de contratação é outro ponto a favor do modal rodoviário. Os prestadores de serviços rodoviários geralmente trabalham com o preço fixo do frete e apresentando um serviço cada vez mais otimizado. Canais de distribuição Canais de distribuição são meios que as empresas utilizam para realizar a entrega de um produto ou serviço para os seus clientes. Dessa forma, é por meio de um canal de distribuição que a empresa garante que um produto irá chegar na hora certa e na quantidade correta para o consumidor. Existem diversos tipos de canais de distribuição, no entanto eles se enquadram em basicamente três categorias: - Direto; - Indireto; - Híbrido. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 19MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Canal Direto Canal direto é aquele onde uma empresa é responsável pela entrega dos produtos aos consumidores, sem a necessidade de intermediário. Estratégias como entrega ponta-a-ponta, venda por catálogo, muito utilizado por empresas de cosméticos são um exemplo clássico de canal direto de distribuição. Nesses modelos, a empresa costuma contar com consultores de vendas autônomos que fazem a venda e entrega do próprio produto. Um outro tipo de canal direto de vendas é o próprio e- commerce, onde o consumidor faz a compra e recebe diretamente da empresa o produto em sua casa. A vantagem desse tipo de canal de distribuição é que a empresa passa a ter um contato mais direto com seus clientes. No entanto, a operação precisa ser mais estruturada, e para isso é necessário aumentar os investimentos em estrutura de distribuição. Canal Indireto O canal indireto é aquele que possui um intermediário que é responsável pela distribuição, e irá garantir a entrega do produto. O intermediário pode ser um lojista, atacadista, distribuidor, franqueado ou até mesmo um representante comercial que faça a ponte entre a empresa e o cliente. Dependendo da estratégia de distribuição de uma empresa, ela pode utilizar vários intermediários, levando em consideração diversos aspectos. Dentre os aspectos, estão a proximidade do centro de distribuição com o cliente, as condições ambientais do ponto de venda, a qualidade logística, o custo-benefício, dentre outros. Canal Híbrido Por fim, além do canal direto e indireto, as organizações também podem optar por um canal híbrido que é uma mistura entre os dois. Nesse caso a empresa usa intermediários para fazer a entrega do produto ao cliente, mas assume parte do processo de contato com os consumidores. Para exemplificar, imagine que uma empresa faça toda a divulgação do seu produto pela internet, mas na hora de concretizar a venda, ela indica os distribuidores autorizados. Dentre os canais de distribuição que possuem intermediários, há três formatos que podem ser aplicados: Distribuição Intensiva A distribuição intensiva, em geral, é aplicada a produtos mais populares, que possuem um alto volume de vendas. Sendo assim, quanto maior o número de pontos de venda comercializando o produto, melhor. Distribuição Seletiva Neste formato o fabricante seleciona um grupo específico de intermediários que ficarão responsáveis pelas vendas ao cliente final. Os critérios para a seleção desses intermediários consideram fatores como: localização, número de clientes, reputação, etc. Distribuição Exclusiva Já na distribuição exclusiva, o intermediário atua como um representante, levando a mercadoria até os pontos de vendas que terão exclusividade para comercializar os produtos e que são selecionados pelo fabricante. Como o próprio nome sugere, este formato é voltado para produtos mais exclusivos, com baixo volume de vendas. BLOCO II EQUIPAMENTOS E ACESSÓRIOS DE MOVIMENTAÇÃO DE CARGAS: CARRETAS, CAMINHÕES, GUINDASTES, GUINDAUTOS, EMPILHADEIRAS, TRATORES, ESCAVADEIRAS, PÓRTICOS ROLANTES, PONTES ROLANTES, GUINCHOS, TALHAS. Os equipamentos e acessórios de movimentação de cargas são utilizados para facilitar o transporte, manuseio e armazenamento de cargas em diversos segmentos, como logística, indústria, construção civil, entre outros. Empilhadeiras Este é um equipamento que já faz parte da rotina de toda e qualquer empresa especializada em logística. As empilhadeiras servem, basicamente, para fazer a carga e descarga de mercadorias e produtos em geral. Uma empilhadeira, dependendo de sua tipologia, é capaz de movimentar cargas que variam entre 1.000 e 16.000 kg, sem que para isso seja aplicado um esforço humano descomunal. Em linhas gerais, as empilhadeiras podem funcionar tanto pela combustão de gás liquefeito de petróleo (GLP) ou por meio de bateria tracionaria. Dentre as empilhadeiras mais famosas, podemos classificá-las em três tipos: Empilhadeiras retráteis Esse é um tipo de modelo compacto, feito idealmente para os trabalhos em ambientes internos pequenos ou de difícil locomoção. Por ser alimentada por bateria elétrica, as empilhadeiras retráteis não emitem poluidores na atmosfera e também são mais seguras para ambientes fechados. Outras duas vantagens desse tipo de equipamento é que ela é composta por uma torre que se movimenta através de comandos do operador – ou seja, os esforços necessários para que se movimente ele são mínimos, além de que podem ser facilmente substituídas em caso de quebra. Empilhadeiras patoladas Esse gênero de empilhadeiras particularmente não apresenta robustez na sua estrutura, o que faz com que sua manutenção não traga grandes custos na gestão empresarial. Os operadores das empilhadeiras patoladas devem trabalhar de pé, e essa é uma das maiores vantagens do manuseio desse equipamento. Dessa maneira é possível adequar o equipamento de maneira confortável para as necessidades da movimentação de carga. Os movimentos de tração e elevação são acionados eletronicamente, garantindo assim que o operador não necessite fazer esforços físicos. Empilhadeiras contrabalançadas No caso desse tipo de empilhadeiras, o operador geralmente permanece sentado. O nome tem origem no peso localizado na parte traseira do equipamento, utilizado geralmente para equilibrar as solicitações da carga sem que o sistema perca o equilíbrio. Ao contrário dos dois últimostipos de empilhadeiras, nesse caso elas são boas opções para ambientes largos e externos, onde se precisa movimentar carga a uma larga distância. Geralmente, as empilhadeiras contrabalançadas podem funcionar através de motor elétrico ou por combustão. Esteira transportadora Em galpões muito grandes, a esteira transportadora ajuda a automatizar a movimentação de mercadorias. Basta colocar os itens sobre ela que serão levados a outro ponto, poupando tempo, esforço humano e evitando acidentes. Guindaste Quando se trata de cargas muito pesadas, o guindaste se faz necessário. Existem modelos diferentes para realizar a movimentação de vários tipos de carga: CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 20MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Grua: controlada eletronicamente, pode movimentar cargas tanto na vertical quanto na horizontal; Grua florestal: semelhante à grua tradicional, a versão florestal é usada especificamente para movimentação e transporte de madeira; Munck: tipo de guindaste montado sobre um caminhão chassi. É comumente utilizado na área da construção civil; Pinça ou multiangular: modelo de guindaste formado por uma pinça que movimenta os materiais e um contrapeso. Também usado na área da construção civil, sua vantagem é que pode ser desmontado; Pórtico: trata-se de uma grande estrutura que se assemelha a um portal e costuma ser usado para embarcar ou desembarcar cargas em portos e aeroportos. Tem capacidade para carregar cerca de 12 contêineres de uma só vez. Ponte rolante A ponte rolante realiza o içamento e movimentação de diversos tipos de materiais de grande peso e volume através de um sistema de trilhos. Transpaletes A existência dos transpaletes é bastante antiga. Uma das principais funções desse equipamento é o deslocamento de materiais com pouco custo, o que facilita – e muito! – a vida de quem trabalha com estoques. Mas qual é a diferença entre os transpaletes e as empilhadeiras, então? Ao contrário das empilhadeiras, os transpaletes são destinados apenas para a movimentação horizontal de cargas, e não para os trabalhos em altura. Uma das características desses equipamentos é a presença de rodas, que em contato com o chão, podem causar algum tipo de desgaste. No caso de pisos lisos e abrasivo, as rodas ideais são aquelas feitas de nylon. Já para o caso de pisos pintados e usinados, o poliuretano pode ser a solução ideal. Abaixo, listamos os tipos de transpaletes mais comuns: Transpaletes manuais São ferramentas de trabalho ideais para quem trabalha com o transporte de cargas em armazéns e docas. Tem capacidade de carga de até 2.500 kg. Transpaletes elétricos Como o próprio nome já menciona, os transpaletes elétricos são equipamentos de tração e elevação que funcionam por acionamento elétrico. É indicado para movimentações de cargas a médias distâncias, em especial em indústrias e docas de todo o país. Talhas São equipamentos utilizados para elevação de cargas pesadas em locais com pouco espaço. Podem ser manuais ou elétricas e são utilizadas em indústrias, oficinas mecânicas, entre outros. Guinchos Os guinchos são equipamentos de elevação e tração de cargas que podem ser utilizados em diversas atividades, como na construção civil, em serviços de reboque de veículos e em operações de salvamento. Eles são compostos por uma estrutura metálica que suporta um motor elétrico ou a combustão e um tambor, onde é enrolado um cabo de aço ou corrente. Os guinchos podem ser classificados de acordo com a sua capacidade de carga, velocidade de elevação e tração, tipo de motor, tamanho do cabo de aço ou corrente, entre outros fatores. Alguns dos principais tipos de guinchos são: Guincho de cabo de aço: É o tipo mais comum de guincho, utilizado em operações de elevação e tração de cargas em geral. O cabo de aço é enrolado em um tambor acionado por um motor elétrico ou a combustão. Guincho de corrente: É um tipo de guincho mais resistente e adequado para cargas muito pesadas. A corrente é enrolada em um tambor acionado por um motor elétrico ou a combustão. Guincho de coluna: É um guincho fixo que é instalado em colunas ou paredes para elevação de cargas. Possui um sistema de roldanas que auxilia na elevação da carga. Guincho de plataforma: É utilizado em serviços de reboque de veículos ou em operações de salvamento. Possui uma plataforma que é acionada por um motor elétrico ou a combustão. Guincho de ancoragem: É utilizado em operações de ancoragem de embarcações. Possui uma estrutura fixa que é instalada no cais e um cabo que é lançado ao mar para prender a embarcação. Guindautos Guindautos, também conhecidos como caminhões guindaste, são equipamentos que combinam um caminhão com um guindaste, permitindo a movimentação de cargas pesadas de forma eficiente e ágil. Eles são utilizados em diversas atividades, como na construção civil, na montagem de estruturas metálicas, no transporte de equipamentos pesados, entre outros. Os guindautos são compostos por uma estrutura metálica que suporta um guindaste, geralmente montado na parte traseira do caminhão. O guindaste é acionado por um motor elétrico ou a combustão e possui uma lança telescópica que permite a elevação da carga a grandes alturas. Os guindautos podem ser classificados de acordo com a sua capacidade de carga e alcance da lança, sendo os mais comuns os de capacidade entre 10 e 100 toneladas e alcance de até 60 metros. Além disso, eles podem ser equipados com acessórios como ganchos, cestas aéreas, plataformas elevatórias, entre outros, que permitem a realização de diferentes tipos de operações. Os guindautos são equipamentos de grande porte e alta capacidade de carga, sendo fundamentais em diversas atividades que exigem a movimentação de cargas pesadas. É importante utilizar o equipamento correto para cada aplicação, garantindo a segurança dos operadores e das cargas transportadas. Além disso, é fundamental seguir as normas de segurança estabelecidas para a operação dos guindautos, evitando acidentes e danos materiais. Carretas As carretas são equipamentos utilizados para o transporte de cargas pesadas e volumosas, como maquinários, equipamentos industriais, estruturas metálicas, entre outros. Elas são compostas por um conjunto de eixos, rodas, chassi e plataforma de carga, que podem ser adaptadas para diferentes tipos de cargas. As carretas podem ser classificadas de acordo com a sua capacidade de carga, comprimento e tipo de engate. Existem carretas com capacidade de carga de até 100 toneladas, comprimento de até 30 metros e diferentes tipos de engate, como o engate de quinta roda, utilizado em conjunto com caminhões tratores. Além disso, as carretas podem ser equipadas com acessórios, como rampas de acesso, suspensão pneumática, freios ABS, entre outros, que garantem a segurança e a eficiência no transporte de cargas pesadas. É importante ressaltar que o transporte de cargas por carretas exige o cumprimento de diversas normas de segurança, tanto para o equipamento quanto para a condução do veículo. É necessário seguir as regulamentações estabelecidas pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e utilizar os equipamentos de segurança adequados para evitar acidentes e garantir a integridade das cargas transportadas. Caminhões Caminhões são veículos automotores utilizados para o transporte de cargas, sendo amplamente utilizados na indústria, comércio e logística. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 21MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Eles são compostos por um chassi, cabine domotorista, motor, transmissão, eixo traseiro e sistema de suspensão, além de uma caçamba ou plataforma de carga para o transporte dos materiais. Os caminhões podem ser classificados de acordo com a sua capacidade de carga, que varia desde veículos pequenos com capacidade de até 1 tonelada até caminhões pesados com capacidade de mais de 50 toneladas. Além disso, eles podem ser equipados com acessórios como guinchos, plataformas elevatórias, cestas aéreas, entre outros, que permitem a realização de diferentes tipos de operações. Os caminhões podem ser utilizados para o transporte de diferentes tipos de carga, como produtos químicos, alimentos, materiais de construção, equipamentos industriais, entre outros. É importante ressaltar que o transporte de cargas exige o cumprimento de diversas normas de segurança, tanto para o veículo quanto para a condução do motorista. É necessário seguir as regulamentações estabelecidas pelo Contran (Conselho Nacional de Trânsito) e utilizar os equipamentos de segurança adequados para evitar acidentes e garantir a integridade das cargas transportadas. Tratores Tratores são equipamentos utilizados na agricultura, construção civil e em outras atividades que requerem força e tração. Eles são compostos por um motor, transmissão, eixo dianteiro, eixo traseiro, rodas, pneus e outras peças que permitem a sua movimentação e tração. Os tratores podem ser classificados de acordo com a sua finalidade e capacidade de tração, que varia desde pequenos tratores para atividades de jardinagem até grandes tratores utilizados na agricultura e construção civil, com capacidade de tração de até 500 toneladas. Além disso, existem tratores equipados com acessórios como lâminas, arados, grades, roçadeiras, entre outros, que permitem a realização de diferentes tipos de trabalhos. Os tratores são fundamentais na agricultura, pois permitem a realização de diferentes atividades, como preparo do solo, plantio, colheita e transporte de cargas. Na construção civil, eles são utilizados para a movimentação de terra e materiais, nivelamento do terreno, entre outras atividades. Assim como outros equipamentos de movimentação de carga, é importante que os tratores sejam operados por profissionais capacitados e que sejam realizadas manutenções preventivas para garantir a segurança e eficiência do equipamento. Escavadeiras Escavadeiras são equipamentos utilizados para escavar e mover grandes quantidades de terra, areia, cascalho e outros materiais em obras de construção civil, mineração e outras atividades relacionadas. Elas são compostas por uma cabine do operador, um motor, um braço articulado com um balde de escavação e um sistema hidráulico que permite o movimento e a operação do equipamento. As escavadeiras podem ser classificadas de acordo com o seu tamanho, potência e capacidade de escavação. Existem escavadeiras pequenas, com menos de 3 toneladas, utilizadas para trabalhos leves e escavações em espaços reduzidos, até escavadeiras gigantes, com mais de 100 toneladas, utilizadas em grandes obras de construção civil e mineração. As escavadeiras são muito importantes em obras de construção civil, pois permitem a realização de diferentes atividades como a escavação de valas, preparação do terreno, demolição de estruturas, entre outras. Para operar uma escavadeira é necessário ter treinamento específico e conhecimentos técnicos para garantir a segurança e eficiência do equipamento. Além disso, é importante realizar manutenções preventivas regulares para manter o equipamento em bom estado de funcionamento e prolongar sua vida útil. LOGÍSTICA INTERNACIONAL E ADUANEIRA A logística internacional e aduaneira é uma área da logística que se dedica a gerenciar a movimentação de mercadorias entre países, desde a origem até o destino final, garantindo que as operações sejam realizadas de forma eficiente e em conformidade com as leis e regulamentos aduaneiros. O processo de logística internacional e aduaneira envolve diferentes etapas, como a seleção dos modais de transporte mais adequados, a escolha dos fornecedores e parceiros logísticos, a documentação e trâmites aduaneiros, a gestão de estoques, o gerenciamento de riscos e a coordenação de toda a cadeia de suprimentos. Nesse contexto, a aduana assume um papel fundamental na fiscalização e controle do trânsito de mercadorias entre países, garantindo a segurança e a proteção da economia nacional. Para isso, é necessário cumprir uma série de normas e regulamentações relacionadas à classificação fiscal das mercadorias, tributação, licenças, certificações e outros aspectos legais e regulatórios. A logística internacional e aduaneira exige conhecimentos técnicos específicos e uma grande capacidade de planejamento e gestão, considerando que as operações envolvem diferentes culturas, idiomas, moedas e regulamentações. Algumas das principais vantagens da gestão eficiente da logística internacional e aduaneira incluem a redução de custos, o aumento da eficiência, a redução de prazos de entrega, a melhoria da qualidade do serviço e a ampliação das oportunidades de negócios internacionais. Atividades da logística internacional A logística internacional conta com um amplo ecossistema, que inclui companhias de transporte internacional, despachantes aduaneiros, armazéns e autoridades alfandegárias. Enfim, são muitos os atores que desempenham atividades importantíssimas para que a mercadoria cruze o oceano, seja a bordo de um navio ou de um avião. Confira a seguir algumas dessas atividades que você, como analista de comércio exterior, precisa obrigatoriamente conhecer. Agenciamento Internacional de Cargas O agente de cargas é uma espécie de intermediador, que é usualmente contratado pelo dono da mercadoria. A atuação do agente de cargas na logística internacional consiste em contratar o transporte e se certificar de que o produto seja entregue no local combinado e no prazo estipulado entre vendedor e comprador. A expertise do agente de cargas está na organização dos processos logísticos para o sucesso da operação. Ou seja, executar um bom gerenciamento dos processos “door to door”, ou seja, basicamente de uma porta a outra. Elaboração de documentos Atividades como elaborar Fatura Comercial, Romaneio de Carga e certificados necessários, bem como conferir o Conhecimento de Embarque, são de responsabilidade do exportador. Caso o exportador não tenha profissionais especializados para esse fim, deve contratar um despachante aduaneiro para tal. Terceirizar esse serviço com um parceiro de confiança é essencial, pois os documentos são oficiais e não podem apresentar nenhum tipo de inconsistência em relação à mercadoria comercializada. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 22MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Despacho aduaneiro O termo despacho aduaneiro é utilizado somente no Brasil, mas em outros lugares do mundo ele também acontece, porém com o nome de “customs clearance”. De modo geral, essa atividade é marcada pela liberação da mercadoria para seguir o seu curso e, por isso, acontece na exportação e na importação. Usualmente o registro dessa fase acontece por meio de documentos, que contemplam todas as informações pertinentes à mercadoria em questão. Projetos Logísticos Especiais Carga projeto, embarque de amostras, admissão e exportação temporária são atividades peculiares que exigem conhecimento profundo do meio de transporte a ser utilizado e da legislação para evitar multas e garantir a agilidade da operação. Funcionamento da logística internacional no Brasil O território brasileiro é conhecido por sua grande extensão e somente por esse fato nossa logística interna já se torna complexa.Além da ampla área territorial, existem os processos burocráticos e a pesada carga tributária que tornam a logística internacional ainda mais desafiadora no nosso país. Em geral, as atividades de comércio exterior devem seguir normas e regulamentos específicos que estão dispostos no Regulamento Aduaneiro (RA). A Receita Federal do Brasil (RFB) é a autoridade máxima nesse contexto, mas existem outras autoridades aduaneiras que se envolvem no processo de acordo com a fase em que ele se encontra. Um bom exemplo a ser citado é o tratamento administrativo, que acontece tanto na importação quanto na exportação. Ele é definido como a análise dos procedimentos que a mercadoria importada ou exportada deve cumprir conforme a sua classificação fiscal. Em alguns casos, órgãos anuentes farão uma minuciosa análise da mercadoria em questão, podendo exigir documentos adicionais ou não. Os principais órgãos são: ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) MAPA (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia). É necessário atender a todas essas solicitações e dar andamento no processo com maestria e muita responsabilidade. Nesse sentido, reforçamos que a logística internacional é repleta de detalhes e, por isso, deve ser gerida por profissionais especialistas para evitar multas e dores de cabeça desnecessárias. Acrescentamos ainda que, por mais que existam muitas atividades operacionais a serem desempenhadas, essa é a parte estratégica dos bastidores de uma negociação internacional que, se não for bem gerenciada, poderá comprometer a prosperidade da operação prejudicando a sua margem de lucro. A Importância da Logística Internacional para o Comércio Exterior As operações de comércio exterior se dividem em dois aspectos: 1 – Aduaneiro – Que consiste os tributos, Despacho Aduaneiro, Regimes Especiais` e; 2 – Logístico – Que como vimos e quem trabalha, sabe, consiste quase por completo na Logística Internacional. Há quem diga que a parte Aduaneira pertence a Logística, contudo, se abrirmos o conceito de Logística, é possível considerar muito mais dentro dele. Mas prefiro essa divisão com o efeito de analisar o planejamento e custo das operações, mesmo separando ambos numa planilha de custos, independente se for para exportar ou importar, não é possível encontrar o custo de um deles, sem analisar ambos! - Como saber quanto pagarei de imposto na importação, sem saber os custos logísticos conforme os INCOTERMS ou qual o tipo de container ideal para a operação? - Consigo determinar meu Valor Aduaneiro, sem saber quanto custará a embalagem e o modo de embarque que o cliente prefere? - É possível descobrir meu custo de AFRMM, enquanto eu não descobrir se é melhor embarcar marítimo LCL ou aéreo? Tampouco podemos dizer que um deles costuma ser mais caro, brinquedos têm altíssima tributação, mas baixo custo logístico, em contrapartida, um embarque marítimo com produtos utilizando o benefício de Drawback ou Repetro, possuem um custo aduaneiro quase inexistente (nas devidas proporções, por favor). Essa é a importância da logística internacional, além de ser necessária para movimentar bens entre fronteiras, é preciso planejá-la para estimar todos os custos de uma operação de Comércio Exterior. PROCESSO LICITATÓRIO. LEI Nº 13.303/2016: DISPENSA E INEXIGIBILIDADE DA LICITAÇÃO. MODALIDADES, TIPOS E LIMITES DE LICITAÇÃO. ESPECIFICAÇÕES E ALTERAÇÕES DE CONTRATO. FISCALIZAÇÃO. TÍTULO II DISPOSIÇÕES APLICÁVEIS ÀS EMPRESAS PÚBLICAS, ÀS SOCIEDADES DE ECONOMIA MISTA E ÀS SUAS SUBSIDIÁRIAS QUE EXPLOREM ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO OU COMERCIALIZAÇÃO DE BENS OU DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS, AINDA QUE A ATIVIDADE ECONÔMICA ESTEJA SUJEITA AO REGIME DE MONOPÓLIO DA UNIÃO OU SEJA DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. CAPÍTULO I DAS LICITAÇÕES Seção I Da Exigência de Licitação e dos Casos de Dispensa e de Inexigibilidade Art. 28. Os contratos com terceiros destinados à prestação de serviços às empresas públicas e às sociedades de economia mista, inclusive de engenharia e de publicidade, à aquisição e à locação de bens, à alienação de bens e ativos integrantes do respectivo patrimônio ou à execução de obras a serem integradas a esse patrimônio, bem como à implementação de ônus real sobre tais bens, serão precedidos de licitação nos termos desta Lei, ressalvadas as hipóteses previstas nos arts. 29 e 30. § 1º Aplicam-se às licitações das empresas públicas e das sociedades de economia mista as disposições constantes dos arts. 42 a 49 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 . § 2º O convênio ou contrato de patrocínio celebrado com pessoas físicas ou jurídicas de que trata o § 3º do art. 27 observará, no que couber, as normas de licitação e contratos desta Lei. § 3º São as empresas públicas e as sociedades de economia mista dispensadas da observância dos dispositivos deste Capítulo nas seguintes situações: I - comercialização, prestação ou execução, de forma direta, pelas empresas mencionadas no caput , de produtos, serviços ou obras especificamente relacionados com seus respectivos objetos sociais; II - nos casos em que a escolha do parceiro esteja associada a suas características particulares, vinculada a oportunidades de negócio definidas e específicas, justificada a inviabilidade de procedimento competitivo. § 4º Consideram-se oportunidades de negócio a que se refere o inciso II do § 3º a formação e a extinção de parcerias e outras formas associativas, societárias ou contratuais, a aquisição e a alienação de participação em sociedades e outras formas associativas, societárias ou contratuais e as operações realizadas no âmbito do mercado de capitais, respeitada a regulação pelo respectivo órgão competente. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 23MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Art. 29. É dispensável a realização de licitação por empresas públicas e sociedades de economia mista: I - para obras e serviços de engenharia de valor até R$ 100.000,00 (cem mil reais), desde que não se refiram a parcelas de uma mesma obra ou serviço ou ainda a obras e serviços de mesma natureza e no mesmo local que possam ser realizadas conjunta e concomitantemente; II - para outros serviços e compras de valor até R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) e para alienações, nos casos previstos nesta Lei, desde que não se refiram a parcelas de um mesmo serviço, compra ou alienação de maior vulto que possa ser realizado de uma só vez; III - quando não acudirem interessados à licitação anterior e essa, justificadamente, não puder ser repetida sem prejuízo para a empresa pública ou a sociedade de economia mista, bem como para suas respectivas subsidiárias, desde que mantidas as condições preestabelecidas; IV - quando as propostas apresentadas consignarem preços manifestamente superiores aos praticados no mercado nacional ou incompatíveis com os fixados pelos órgãos oficiais competentes; V - para a compra ou locação de imóvel destinado ao atendimento de suas finalidades precípuas, quando as necessidades de instalação e localização condicionarem a escolha do imóvel, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado, segundo avaliação prévia; VI - na contratação de remanescente de obra, de serviço ou de fornecimento, em consequência de rescisão contratual, desde que atendida a ordem de classificação da licitação anterior e aceitas as mesmas condições do contrato encerrado por rescisão ou distrato, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido; VII - na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucionalou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins lucrativos; VIII - para a aquisição de componentes ou peças de origem nacional ou estrangeira necessários à manutenção de equipamentos durante o período de garantia técnica, junto ao fornecedor original desses equipamentos, quando tal condição de exclusividade for indispensável para a vigência da garantia; IX - na contratação de associação de pessoas com deficiência física, sem fins lucrativos e de comprovada idoneidade, para a prestação de serviços ou fornecimento de mão de obra, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado; X - na contratação de concessionário, permissionário ou autorizado para fornecimento ou suprimento de energia elétrica ou gás natural e de outras prestadoras de serviço público, segundo as normas da legislação específica, desde que o objeto do contrato tenha pertinência com o serviço público. XI - nas contratações entre empresas públicas ou sociedades de economia mista e suas respectivas subsidiárias, para aquisição ou alienação de bens e prestação ou obtenção de serviços, desde que os preços sejam compatíveis com os praticados no mercado e que o objeto do contrato tenha relação com a atividade da contratada prevista em seu estatuto social; XII - na contratação de coleta, processamento e comercialização de resíduos sólidos urbanos recicláveis ou reutilizáveis, em áreas com sistema de coleta seletiva de lixo, efetuados por associações ou cooperativas formadas exclusivamente por pessoas físicas de baixa renda que tenham como ocupação econômica a coleta de materiais recicláveis, com o uso de equipamentos compatíveis com as normas técnicas, ambientais e de saúde pública; XIII - para o fornecimento de bens e serviços, produzidos ou prestados no País, que envolvam, cumulativamente, alta complexidade tecnológica e defesa nacional, mediante parecer de comissão especialmente designada pelo dirigente máximo da empresa pública ou da sociedade de economia mista; XIV - nas contratações visando ao cumprimento do disposto nos arts. 3º, 4º, 5º e 20 da Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004 , observados os princípios gerais de contratação dela constantes; XV - em situações de emergência, quando caracterizada urgência de atendimento de situação que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de 180 (cento e oitenta) dias consecutivos e ininterruptos, contado da ocorrência da emergência, vedada a prorrogação dos respectivos contratos, observado o disposto no § 2º ; XVI - na transferência de bens a órgãos e entidades da administração pública, inclusive quando efetivada mediante permuta; XVII - na doação de bens móveis para fins e usos de interesse social, após avaliação de sua oportunidade e conveniência socioeconômica relativamente à escolha de outra forma de alienação; XVIII - na compra e venda de ações, de títulos de crédito e de dívida e de bens que produzam ou comercializem. § 1º Na hipótese de nenhum dos licitantes aceitar a contratação nos termos do inciso VI do caput , a empresa pública e a sociedade de economia mista poderão convocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificação, para a celebração do contrato nas condições ofertadas por estes, desde que o respectivo valor seja igual ou inferior ao orçamento estimado para a contratação, inclusive quanto aos preços atualizados nos termos do instrumento convocatório. § 2º A contratação direta com base no inciso XV do caput não dispensará a responsabilização de quem, por ação ou omissão, tenha dado causa ao motivo ali descrito, inclusive no tocante ao disposto na Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992 . § 3º Os valores estabelecidos nos incisos I e II do caput podem ser alterados, para refletir a variação de custos, por deliberação do Conselho de Administração da empresa pública ou sociedade de economia mista, admitindo-se valores diferenciados para cada sociedade. Art. 30. A contratação direta será feita quando houver inviabilidade de competição, em especial na hipótese de: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - aquisição de materiais, equipamentos ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo; II - contratação dos seguintes serviços técnicos especializados, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação: a) estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos; b) pareceres, perícias e avaliações em geral; c) assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias; d) fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços; e) patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas; f) treinamento e aperfeiçoamento de pessoal; g) restauração de obras de arte e bens de valor histórico. § 1º Considera-se de notória especialização o profissional ou a empresa cujo conceito no campo de sua especialidade, decorrente de desempenho anterior, estudos, experiência, publicações, organização, aparelhamento, equipe técnica ou outros requisitos relacionados com suas atividades, permita inferir que o seu trabalho é essencial e indiscutivelmente o mais adequado à plena satisfação do objeto do contrato. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 24MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL § 2º Na hipótese do caput e em qualquer dos casos de dispensa, se comprovado, pelo órgão de controle externo, sobrepreço ou superfaturamento, respondem solidariamente pelo dano causado quem houver decidido pela contratação direta e o fornecedor ou o prestador de serviços. § 3º O processo de contratação direta será instruído, no que couber, com os seguintes elementos: I - caracterização da situação emergencial ou calamitosa que justifique a dispensa, quando for o caso; II - razão da escolha do fornecedor ou do executante; III - justificativa do preço. Seção II Disposições de Caráter Geral sobre Licitações e Contratos Art. 31. As licitações realizadas e os contratos celebrados por empresas públicas e sociedades de economia mista destinam-se a assegurar a seleção da proposta mais vantajosa, inclusive no que se refere ao ciclo de vida do objeto, e a evitar operações em que se caracterize sobrepreço ou superfaturamento, devendo observar os princípios da impessoalidade, da moralidade, da igualdade, da publicidade, da eficiência, da probidade administrativa, da economicidade, do desenvolvimento nacional sustentável, da vinculação ao instrumento convocatório, da obtenção de competitividade e do julgamento objetivo. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º Para os fins do disposto no caput , considera-se que há: I - sobrepreço quando os preços orçados para a licitação ou os preços contratados são expressivamente superiores aos preços referenciais de mercado, podendo referir-se ao valor unitário de um item, se a licitação ou a contratação for por preços unitários de serviço, ou ao valor global do objeto, se a licitação ou a contratação for por preço global ou por empreitada; II - superfaturamento quando houver dano ao patrimônio da empresa pública ou da sociedade de economia mista caracterizado, por exemplo: a) pela medição de quantidades superiores às efetivamente executadas ou fornecidas; b) pela deficiência na execução de obras e serviços de engenharia que resulte em diminuição da qualidade, da vida útil ou da segurança; c) poralterações no orçamento de obras e de serviços de engenharia que causem o desequilíbrio econômico- financeiro do contrato em favor do contratado; d) por outras alterações de cláusulas financeiras que gerem recebimentos contratuais antecipados, distorção do cronograma físico-financeiro, prorrogação injustificada do prazo contratual com custos adicionais para a empresa pública ou a sociedade de economia mista ou reajuste irregular de preços. § 2º O orçamento de referência do custo global de obras e serviços de engenharia deverá ser obtido a partir de custos unitários de insumos ou serviços menores ou iguais à mediana de seus correspondentes no Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), no caso de construção civil em geral, ou no Sistema de Custos Referenciais de Obras (Sicro), no caso de obras e serviços rodoviários, devendo ser observadas as peculiaridades geográficas. § 3º No caso de inviabilidade da definição dos custos consoante o disposto no § 2º, a estimativa de custo global poderá ser apurada por meio da utilização de dados contidos em tabela de referência formalmente aprovada por órgãos ou entidades da administração pública federal, em publicações técnicas especializadas, em banco de dados e sistema específico instituído para o setor ou em pesquisa de mercado. § 4º A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão adotar procedimento de manifestação de interesse privado para o recebimento de propostas e projetos de empreendimentos com vistas a atender necessidades previamente identificadas, cabendo a regulamento a definição de suas regras específicas. § 5º Na hipótese a que se refere o § 4º, o autor ou financiador do projeto poderá participar da licitação para a execução do empreendimento, podendo ser ressarcido pelos custos aprovados pela empresa pública ou sociedade de economia mista caso não vença o certame, desde que seja promovida a cessão de direitos de que trata o art. 80. Art. 32. Nas licitações e contratos de que trata esta Lei serão observadas as seguintes diretrizes: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - padronização do objeto da contratação, dos instrumentos convocatórios e das minutas de contratos, de acordo com normas internas específicas; II - busca da maior vantagem competitiva para a empresa pública ou sociedade de economia mista, considerando custos e benefícios, diretos e indiretos, de natureza econômica, social ou ambiental, inclusive os relativos à manutenção, ao desfazimento de bens e resíduos, ao índice de depreciação econômica e a outros fatores de igual relevância; III - parcelamento do objeto, visando a ampliar a participação de licitantes, sem perda de economia de escala, e desde que não atinja valores inferiores aos limites estabelecidos no art. 29, incisos I e II; IV - adoção preferencial da modalidade de licitação denominada pregão, instituída pela Lei nº 10.520, de 17 de julho de 2002 , para a aquisição de bens e serviços comuns, assim considerados aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade possam ser objetivamente definidos pelo edital, por meio de especificações usuais no mercado; V - observação da política de integridade nas transações com partes interessadas. § 1º As licitações e os contratos disciplinados por esta Lei devem respeitar, especialmente, as normas relativas à: I - disposição final ambientalmente adequada dos resíduos sólidos gerados pelas obras contratadas; II - mitigação dos danos ambientais por meio de medidas condicionantes e de compensação ambiental, que serão definidas no procedimento de licenciamento ambiental; III - utilização de produtos, equipamentos e serviços que, comprovadamente, reduzam o consumo de energia e de recursos naturais; IV - avaliação de impactos de vizinhança, na forma da legislação urbanística; V - proteção do patrimônio cultural, histórico, arqueológico e imaterial, inclusive por meio da avaliação do impacto direto ou indireto causado por investimentos realizados por empresas públicas e sociedades de economia mista; VI - acessibilidade para pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida. § 2º A contratação a ser celebrada por empresa pública ou sociedade de economia mista da qual decorra impacto negativo sobre bens do patrimônio cultural, histórico, arqueológico e imaterial tombados dependerá de autorização da esfera de governo encarregada da proteção do respectivo patrimônio, devendo o impacto ser compensado por meio de medidas determinadas pelo dirigente máximo da empresa pública ou sociedade de economia mista, na forma da legislação aplicável. § 3º As licitações na modalidade de pregão, na forma eletrônica, deverão ser realizadas exclusivamente em portais de compras de acesso público na internet. § 4º Nas licitações com etapa de lances, a empresa pública ou sociedade de economia mista disponibilizará ferramentas eletrônicas para envio de lances pelos licitantes. Art. 33. O objeto da licitação e do contrato dela decorrente será definido de forma sucinta e clara no instrumento convocatório. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 25MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Art. 34. O valor estimado do contrato a ser celebrado pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista será sigiloso, facultando-se à contratante, mediante justificação na fase de preparação prevista no inciso I do art. 51 desta Lei, conferir publicidade ao valor estimado do objeto da licitação, sem prejuízo da divulgação do detalhamento dos quantitativos e das demais informações necessárias para a elaboração das propostas. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º Na hipótese em que for adotado o critério de julgamento por maior desconto, a informação de que trata o caput deste artigo constará do instrumento convocatório. § 2º No caso de julgamento por melhor técnica, o valor do prêmio ou da remuneração será incluído no instrumento convocatório. § 3º A informação relativa ao valor estimado do objeto da licitação, ainda que tenha caráter sigiloso, será disponibilizada a órgãos de controle externo e interno, devendo a empresa pública ou a sociedade de economia mista registrar em documento formal sua disponibilização aos órgãos de controle, sempre que solicitado. § 4º (VETADO). Art. 35. Observado o disposto no art. 34, o conteúdo da proposta, quando adotado o modo de disputa fechado e até sua abertura, os atos e os procedimentos praticados em decorrência desta Lei submetem-se à legislação que regula o acesso dos cidadãos às informações detidas pela administração pública, particularmente aos termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 . (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 36. A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão promover a pré-qualificação de seus fornecedores ou produtos, nos termos do art. 64. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 37. A empresa pública e a sociedade de economia mista deverão informar os dados relativos às sanções por elas aplicadas aos contratados, nos termos definidos no art. 83, de forma a manter atualizado o cadastro de empresas inidôneas de que trata o art. 23 da Lei nº 12.846, de 1º de agosto de 2013 . (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º O fornecedor incluído no cadastro referido no caput não poderá disputar licitação ou participar, direta ou indiretamente, da execução de contrato. § 2º Serão excluídos do cadastro referido no caput , a qualquer tempo, fornecedores que demonstrarem a superação dos motivos que deram causa à restrição contra eles promovida. Art. 38. Estará impedida de participar de licitações e de ser contratada pela empresa pública ou sociedade de economia mista a empresa: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - cujo administradorou sócio detentor de mais de 5% (cinco por cento) do capital social seja diretor ou empregado da empresa pública ou sociedade de economia mista contratante; II - suspensa pela empresa pública ou sociedade de economia mista; III - declarada inidônea pela União, por Estado, pelo Distrito Federal ou pela unidade federativa a que está vinculada a empresa pública ou sociedade de economia mista, enquanto perdurarem os efeitos da sanção; IV - constituída por sócio de empresa que estiver suspensa, impedida ou declarada inidônea; V - cujo administrador seja sócio de empresa suspensa, impedida ou declarada inidônea; VI - constituída por sócio que tenha sido sócio ou administrador de empresa suspensa, impedida ou declarada inidônea, no período dos fatos que deram ensejo à sanção; VII - cujo administrador tenha sido sócio ou administrador de empresa suspensa, impedida ou declarada inidônea, no período dos fatos que deram ensejo à sanção; VIII - que tiver, nos seus quadros de diretoria, pessoa que participou, em razão de vínculo de mesma natureza, de empresa declarada inidônea. Parágrafo único. Aplica-se a vedação prevista no caput : I - à contratação do próprio empregado ou dirigente, como pessoa física, bem como à participação dele em procedimentos licitatórios, na condição de licitante; II - a quem tenha relação de parentesco, até o terceiro grau civil, com: a) dirigente de empresa pública ou sociedade de economia mista; b) empregado de empresa pública ou sociedade de economia mista cujas atribuições envolvam a atuação na área responsável pela licitação ou contratação; c) autoridade do ente público a que a empresa pública ou sociedade de economia mista esteja vinculada. III - cujo proprietário, mesmo na condição de sócio, tenha terminado seu prazo de gestão ou rompido seu vínculo com a respectiva empresa pública ou sociedade de economia mista promotora da licitação ou contratante há menos de 6 (seis) meses. Art. 39. Os procedimentos licitatórios, a pré-qualificação e os contratos disciplinados por esta Lei serão divulgados em portal específico mantido pela empresa pública ou sociedade de economia mista na internet, devendo ser adotados os seguintes prazos mínimos para apresentação de propostas ou lances, contados a partir da divulgação do instrumento convocatório: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - para aquisição de bens: a) 5 (cinco) dias úteis, quando adotado como critério de julgamento o menor preço ou o maior desconto; b) 10 (dez) dias úteis, nas demais hipóteses; II - para contratação de obras e serviços: a) 15 (quinze) dias úteis, quando adotado como critério de julgamento o menor preço ou o maior desconto; b) 30 (trinta) dias úteis, nas demais hipóteses; III - no mínimo 45 (quarenta e cinco) dias úteis para licitação em que se adote como critério de julgamento a melhor técnica ou a melhor combinação de técnica e preço, bem como para licitação em que haja contratação semi- integrada ou integrada. Parágrafo único. As modificações promovidas no instrumento convocatório serão objeto de divulgação nos mesmos termos e prazos dos atos e procedimentos originais, exceto quando a alteração não afetar a preparação das propostas. Art. 40. As empresas públicas e as sociedades de economia mista deverão publicar e manter atualizado regulamento interno de licitações e contratos, compatível com o disposto nesta Lei, especialmente quanto a: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - glossário de expressões técnicas; II - cadastro de fornecedores; III - minutas-padrão de editais e contratos; IV - procedimentos de licitação e contratação direta; V - tramitação de recursos; VI - formalização de contratos; VII - gestão e fiscalização de contratos; VIII - aplicação de penalidades; IX - recebimento do objeto do contrato. Art. 41. Aplicam-se às licitações e contratos regidos por esta Lei as normas de direito penal contidas nos arts. 89 a 99 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Seção III Das Normas Específicas para Obras e Serviços Art. 42. Na licitação e na contratação de obras e serviços por empresas públicas e sociedades de economia mista, serão observadas as seguintes definições: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - empreitada por preço unitário: contratação por preço certo de unidades determinadas; II - empreitada por preço global: contratação por preço certo e total; III - tarefa: contratação de mão de obra para pequenos trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimento de material; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 26MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL IV - empreitada integral: contratação de empreendimento em sua integralidade, com todas as etapas de obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até a sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional e com as características adequadas às finalidades para as quais foi contratada; V - contratação semi-integrada: contratação que envolve a elaboração e o desenvolvimento do projeto executivo, a execução de obras e serviços de engenharia, a montagem, a realização de testes, a pré-operação e as demais operações necessárias e suficientes para a entrega final do objeto, de acordo com o estabelecido nos §§ 1º e 3º deste artigo; VI - contratação integrada: contratação que envolve a elaboração e o desenvolvimento dos projetos básico e executivo, a execução de obras e serviços de engenharia, a montagem, a realização de testes, a pré-operação e as demais operações necessárias e suficientes para a entrega final do objeto, de acordo com o estabelecido nos §§ 1º, 2º e 3º deste artigo; VII - anteprojeto de engenharia: peça técnica com todos os elementos de contornos necessários e fundamentais à elaboração do projeto básico, devendo conter minimamente os seguintes elementos: a) demonstração e justificativa do programa de necessidades, visão global dos investimentos e definições relacionadas ao nível de serviço desejado; b) condições de solidez, segurança e durabilidade e prazo de entrega; c) estética do projeto arquitetônico; d) parâmetros de adequação ao interesse público, à economia na utilização, à facilidade na execução, aos impactos ambientais e à acessibilidade; e) concepção da obra ou do serviço de engenharia; f) projetos anteriores ou estudos preliminares que embasaram a concepção adotada; g) levantamento topográfico e cadastral; h) pareceres de sondagem; i) memorial descritivo dos elementos da edificação, dos componentes construtivos e dos materiais de construção, de forma a estabelecer padrões mínimos para a contratação; VIII - projeto básico: conjunto de elementos necessários e suficientes, com nível de precisão adequado, para, observado o disposto no § 3º, caracterizar a obra ou o serviço, ou o complexo de obras ou de serviços objeto da licitação, elaborado com base nas indicações dos estudos técnicos preliminares, que assegure a viabilidade técnica e o adequado tratamento do impacto ambiental do empreendimento e que possibilite a avaliação do custo da obra e a definição dos métodos e do prazo de execução, devendo conter os seguintes elementos: a) desenvolvimento da solução escolhida, de forma a fornecer visão global da obra e a identificar todos os seus elementos constitutivos com clareza; b) soluções técnicas globais e localizadas, suficientemente detalhadas, de forma a minimizar a necessidade de reformulação ou de variantes durante as fases de elaboração do projeto executivo e de realização das obras e montagem; c) identificação dos tipos de serviços a executar e de materiais e equipamentos a incorporar à obra,bem como suas especificações, de modo a assegurar os melhores resultados para o empreendimento, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução; d) informações que possibilitem o estudo e a dedução de métodos construtivos, instalações provisórias e condições organizacionais para a obra, sem frustrar o caráter competitivo para a sua execução; e) subsídios para montagem do plano de licitação e gestão da obra, compreendendo a sua programação, a estratégia de suprimentos, as normas de fiscalização e outros dados necessários em cada caso; f) (VETADO); IX - projeto executivo: conjunto dos elementos necessários e suficientes à execução completa da obra, de acordo com as normas técnicas pertinentes; X - matriz de riscos: cláusula contratual definidora de riscos e responsabilidades entre as partes e caracterizadora do equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, em termos de ônus financeiro decorrente de eventos supervenientes à contratação, contendo, no mínimo, as seguintes informações: a) listagem de possíveis eventos supervenientes à assinatura do contrato, impactantes no equilíbrio econômico- financeiro da avença, e previsão de eventual necessidade de prolação de termo aditivo quando de sua ocorrência; b) estabelecimento preciso das frações do objeto em que haverá liberdade das contratadas para inovar em soluções metodológicas ou tecnológicas, em obrigações de resultado, em termos de modificação das soluções previamente delineadas no anteprojeto ou no projeto básico da licitação; c) estabelecimento preciso das frações do objeto em que não haverá liberdade das contratadas para inovar em soluções metodológicas ou tecnológicas, em obrigações de meio, devendo haver obrigação de identidade entre a execução e a solução pré-definida no anteprojeto ou no projeto básico da licitação. § 1º As contratações semi-integradas e integradas referidas, respectivamente, nos incisos V e VI do caput deste artigo restringir-se-ão a obras e serviços de engenharia e observarão os seguintes requisitos: I - o instrumento convocatório deverá conter: a) anteprojeto de engenharia, no caso de contratação integrada, com elementos técnicos que permitam a caracterização da obra ou do serviço e a elaboração e comparação, de forma isonômica, das propostas a serem ofertadas pelos particulares; b) projeto básico, nos casos de empreitada por preço unitário, de empreitada por preço global, de empreitada integral e de contratação semi-integrada, nos termos definidos neste artigo; c) documento técnico, com definição precisa das frações do empreendimento em que haverá liberdade de as contratadas inovarem em soluções metodológicas ou tecnológicas, seja em termos de modificação das soluções previamente delineadas no anteprojeto ou no projeto básico da licitação, seja em termos de detalhamento dos sistemas e procedimentos construtivos previstos nessas peças técnicas; d) matriz de riscos; II - o valor estimado do objeto a ser licitado será calculado com base em valores de mercado, em valores pagos pela administração pública em serviços e obras similares ou em avaliação do custo global da obra, aferido mediante orçamento sintético ou metodologia expedita ou paramétrica; III - o critério de julgamento a ser adotado será o de menor preço ou de melhor combinação de técnica e preço, pontuando-se na avaliação técnica as vantagens e os benefícios que eventualmente forem oferecidos para cada produto ou solução; IV - na contratação semi-integrada, o projeto básico poderá ser alterado, desde que demonstrada a superioridade das inovações em termos de redução de custos, de aumento da qualidade, de redução do prazo de execução e de facilidade de manutenção ou operação. § 2º No caso dos orçamentos das contratações integradas: I - sempre que o anteprojeto da licitação, por seus elementos mínimos, assim o permitir, as estimativas de preço devem se basear em orçamento tão detalhado quanto possível, devendo a utilização de estimativas paramétricas e a avaliação aproximada baseada em outras obras similares ser realizadas somente nas frações do empreendimento não suficientemente detalhadas no anteprojeto da licitação, exigindo-se das contratadas, no mínimo, o mesmo nível de detalhamento em seus demonstrativos de formação de preços; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 27MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL II - quando utilizada metodologia expedita ou paramétrica para abalizar o valor do empreendimento ou de fração dele, consideradas as disposições do inciso I, entre 2 (duas) ou mais técnicas estimativas possíveis, deve ser utilizada nas estimativas de preço-base a que viabilize a maior precisão orçamentária, exigindo-se das licitantes, no mínimo, o mesmo nível de detalhamento na motivação dos respectivos preços ofertados. § 3º Nas contratações integradas ou semi-integradas, os riscos decorrentes de fatos supervenientes à contratação associados à escolha da solução de projeto básico pela contratante deverão ser alocados como de sua responsabilidade na matriz de riscos. § 4º No caso de licitação de obras e serviços de engenharia, as empresas públicas e as sociedades de economia mista abrangidas por esta Lei deverão utilizar a contratação semi-integrada, prevista no inciso V do caput , cabendo a elas a elaboração ou a contratação do projeto básico antes da licitação de que trata este parágrafo, podendo ser utilizadas outras modalidades previstas nos incisos do caput deste artigo, desde que essa opção seja devidamente justificada. § 5º Para fins do previsto na parte final do § 4º, não será admitida, por parte da empresa pública ou da sociedade de economia mista, como justificativa para a adoção da modalidade de contratação integrada, a ausência de projeto básico. Art. 43. Os contratos destinados à execução de obras e serviços de engenharia admitirão os seguintes regimes: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - empreitada por preço unitário, nos casos em que os objetos, por sua natureza, possuam imprecisão inerente de quantitativos em seus itens orçamentários; II - empreitada por preço global, quando for possível definir previamente no projeto básico, com boa margem de precisão, as quantidades dos serviços a serem posteriormente executados na fase contratual; III - contratação por tarefa, em contratações de profissionais autônomos ou de pequenas empresas para realização de serviços técnicos comuns e de curta duração; IV - empreitada integral, nos casos em que o contratante necessite receber o empreendimento, normalmente de alta complexidade, em condição de operação imediata; V - contratação semi-integrada, quando for possível definir previamente no projeto básico as quantidades dos serviços a serem posteriormente executados na fase contratual, em obra ou serviço de engenharia que possa ser executado com diferentes metodologias ou tecnologias; VI - contratação integrada, quando a obra ou o serviço de engenharia for de natureza predominantemente intelectual e de inovação tecnológica do objeto licitado ou puder ser executado com diferentes metodologias ou tecnologias de domínio restrito no mercado. § 1º Serão obrigatoriamente precedidas pela elaboração de projeto básico, disponível para exame de qualquer interessado, as licitações para a contratação de obras e serviços, com exceção daquelas em que for adotado o regime previsto no inciso VI do caput deste artigo. § 2º É vedada a execução, sem projeto executivo, de obras e serviços de engenharia. Art. 44. É vedada a participação direta ou indireta nas licitações para obras e serviços de engenharia de que trata esta Lei: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - de pessoa física ou jurídica que tenha elaborado o anteprojeto ou o projeto básico da licitação;II - de pessoa jurídica que participar de consórcio responsável pela elaboração do anteprojeto ou do projeto básico da licitação; III - de pessoa jurídica da qual o autor do anteprojeto ou do projeto básico da licitação seja administrador, controlador, gerente, responsável técnico, subcontratado ou sócio, neste último caso quando a participação superar 5% (cinco por cento) do capital votante. § 1º A elaboração do projeto executivo constituirá encargo do contratado, consoante preço previamente fixado pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista. § 2º É permitida a participação das pessoas jurídicas e da pessoa física de que tratam os incisos II e III do caput deste artigo em licitação ou em execução de contrato, como consultor ou técnico, nas funções de fiscalização, supervisão ou gerenciamento, exclusivamente a serviço da empresa pública e da sociedade de economia mista interessadas. § 3º Para fins do disposto no caput , considera-se participação indireta a existência de vínculos de natureza técnica, comercial, econômica, financeira ou trabalhista entre o autor do projeto básico, pessoa física ou jurídica, e o licitante ou responsável pelos serviços, fornecimentos e obras, incluindo-se os fornecimentos de bens e serviços a estes necessários. § 4º O disposto no § 3º deste artigo aplica-se a empregados incumbidos de levar a efeito atos e procedimentos realizados pela empresa pública e pela sociedade de economia mista no curso da licitação. Art. 45. Na contratação de obras e serviços, inclusive de engenharia, poderá ser estabelecida remuneração variável vinculada ao desempenho do contratado, com base em metas, padrões de qualidade, critérios de sustentabilidade ambiental e prazos de entrega definidos no instrumento convocatório e no contrato. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Parágrafo único. A utilização da remuneração variável respeitará o limite orçamentário fixado pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista para a respectiva contratação. Art. 46. Mediante justificativa expressa e desde que não implique perda de economia de escala, poderá ser celebrado mais de um contrato para executar serviço de mesma natureza quando o objeto da contratação puder ser executado de forma concorrente e simultânea por mais de um contratado. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º Na hipótese prevista no caput deste artigo, será mantido controle individualizado da execução do objeto contratual relativamente a cada um dos contratados. § 2º (VETADO). Seção IV Das Normas Específicas para Aquisição de Bens Art. 47. A empresa pública e a sociedade de economia mista, na licitação para aquisição de bens, poderão: I - indicar marca ou modelo, nas seguintes hipóteses: a) em decorrência da necessidade de padronização do objeto; b) quando determinada marca ou modelo comercializado por mais de um fornecedor constituir o único capaz de atender o objeto do contrato; c) quando for necessária, para compreensão do objeto, a identificação de determinada marca ou modelo apto a servir como referência, situação em que será obrigatório o acréscimo da expressão “ou similar ou de melhor qualidade”; II - exigir amostra do bem no procedimento de pré- qualificação e na fase de julgamento das propostas ou de lances, desde que justificada a necessidade de sua apresentação; III - solicitar a certificação da qualidade do produto ou do processo de fabricação, inclusive sob o aspecto ambiental, por instituição previamente credenciada. Parágrafo único. O edital poderá exigir, como condição de aceitabilidade da proposta, a adequação às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) ou a certificação da qualidade do produto por instituição credenciada pelo Sistema Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Sinmetro) . Art. 48. Será dada publicidade, com periodicidade mínima semestral, em sítio eletrônico oficial na internet de acesso irrestrito, à relação das aquisições de bens efetivadas pelas empresas públicas e pelas sociedades de economia mista, compreendidas as seguintes informações: I - identificação do bem comprado, de seu preço unitário e da quantidade adquirida; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 28MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL II - nome do fornecedor; III - valor total de cada aquisição. Seção V Das Normas Específicas para Alienação de Bens Art. 49. A alienação de bens por empresas públicas e por sociedades de economia mista será precedida de: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - avaliação formal do bem contemplado, ressalvadas as hipóteses previstas nos incisos XVI a XVIII do art. 29; II - licitação, ressalvado o previsto no § 3º do art. 28. Art. 50. Estendem-se à atribuição de ônus real a bens integrantes do acervo patrimonial de empresas públicas e de sociedades de economia mista as normas desta Lei aplicáveis à sua alienação, inclusive em relação às hipóteses de dispensa e de inexigibilidade de licitação. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Seção VI Do Procedimento de Licitação Art. 51. As licitações de que trata esta Lei observarão a seguinte sequência de fases: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - preparação; II - divulgação; III - apresentação de lances ou propostas, conforme o modo de disputa adotado; IV - julgamento; V - verificação de efetividade dos lances ou propostas; VI - negociação; VII - habilitação; VIII - interposição de recursos; IX - adjudicação do objeto; X - homologação do resultado ou revogação do procedimento. § 1º A fase de que trata o inciso VII do caput poderá, excepcionalmente, anteceder as referidas nos incisos III a VI do caput , desde que expressamente previsto no instrumento convocatório. § 2º Os atos e procedimentos decorrentes das fases enumeradas no caput praticados por empresas públicas, por sociedades de economia mista e por licitantes serão efetivados preferencialmente por meio eletrônico, nos termos definidos pelo instrumento convocatório, devendo os avisos contendo os resumos dos editais das licitações e contratos abrangidos por esta Lei ser previamente publicados no Diário Oficial da União, do Estado ou do Município e na internet. Art. 52. Poderão ser adotados os modos de disputa aberto ou fechado, ou, quando o objeto da licitação puder ser parcelado, a combinação de ambos, observado o disposto no inciso III do art. 32 desta Lei. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º No modo de disputa aberto, os licitantes apresentarão lances públicos e sucessivos, crescentes ou decrescentes, conforme o critério de julgamento adotado. § 2º No modo de disputa fechado, as propostas apresentadas pelos licitantes serão sigilosas até a data e a hora designadas para que sejam divulgadas. Art. 53. Quando for adotado o modo de disputa aberto, poderão ser admitidos: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - a apresentação de lances intermediários; II - o reinício da disputa aberta, após a definição do melhor lance, para definição das demais colocações, quando existir diferença de pelo menos 10% (dez por cento) entre o melhor lance e o subsequente. Parágrafo único. Consideram-se intermediários os lances: I - iguais ou inferiores ao maior já ofertado, quando adotado o julgamento pelo critério da maior oferta; II - iguais ou superiores ao menor já ofertado, quando adotados os demais critérios de julgamento. Art. 54. Poderão ser utilizados os seguintes critérios de julgamento: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - menor preço; II - maior desconto; III - melhor combinação de técnica e preço; IV - melhor técnica; V - melhor conteúdo artístico; VI - maior oferta de preço; VII - maior retorno econômico; VIII - melhor destinação de bens alienados. § 1º Os critérios de julgamentoserão expressamente identificados no instrumento convocatório e poderão ser combinados na hipótese de parcelamento do objeto, observado o disposto no inciso III do art. 32. § 2º Na hipótese de adoção dos critérios referidos nos incisos III, IV, V e VII do caput deste artigo, o julgamento das propostas será efetivado mediante o emprego de parâmetros específicos, definidos no instrumento convocatório, destinados a limitar a subjetividade do julgamento. § 3º Para efeito de julgamento, não serão consideradas vantagens não previstas no instrumento convocatório. § 4º O critério previsto no inciso II do caput: I - terá como referência o preço global fixado no instrumento convocatório, estendendo-se o desconto oferecido nas propostas ou lances vencedores a eventuais termos aditivos; II - no caso de obras e serviços de engenharia, o desconto incidirá de forma linear sobre a totalidade dos itens constantes do orçamento estimado, que deverá obrigatoriamente integrar o instrumento convocatório. § 5º Quando for utilizado o critério referido no inciso III do caput, a avaliação das propostas técnicas e de preço considerará o percentual de ponderação mais relevante, limitado a 70% (setenta por cento). § 6º Quando for utilizado o critério referido no inciso VII do caput, os lances ou propostas terão o objetivo de proporcionar economia à empresa pública ou à sociedade de economia mista, por meio da redução de suas despesas correntes, remunerando-se o licitante vencedor com base em percentual da economia de recursos gerada. § 7º Na implementação do critério previsto no inciso VIII do caput deste artigo, será obrigatoriamente considerada, nos termos do respectivo instrumento convocatório, a repercussão, no meio social, da finalidade para cujo atendimento o bem será utilizado pelo adquirente. § 8º O descumprimento da finalidade a que se refere o § 7º deste artigo resultará na imediata restituição do bem alcançado ao acervo patrimonial da empresa pública ou da sociedade de economia mista, vedado, nessa hipótese, o pagamento de indenização em favor do adquirente. Art. 55. Em caso de empate entre 2 (duas) propostas, serão utilizados, na ordem em que se encontram enumerados, os seguintes critérios de desempate: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - disputa final, em que os licitantes empatados poderão apresentar nova proposta fechada, em ato contínuo ao encerramento da etapa de julgamento; II - avaliação do desempenho contratual prévio dos licitantes, desde que exista sistema objetivo de avaliação instituído; III - os critérios estabelecidos no art. 3º da Lei nº 8.248, de 23 de outubro de 1991 , e no § 2º do art. 3º da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993 ; IV - sorteio. Art. 56. Efetuado o julgamento dos lances ou propostas, será promovida a verificação de sua efetividade, promovendo-se a desclassificação daqueles que: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - contenham vícios insanáveis; II - descumpram especificações técnicas constantes do instrumento convocatório; III - apresentem preços manifestamente inexequíveis; IV - se encontrem acima do orçamento estimado para a contratação de que trata o § 1º do art. 57, ressalvada a hipótese prevista no caput do art. 34 desta Lei; V - não tenham sua exequibilidade demonstrada, quando exigido pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 29MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL VI - apresentem desconformidade com outras exigências do instrumento convocatório, salvo se for possível a acomodação a seus termos antes da adjudicação do objeto e sem que se prejudique a atribuição de tratamento isonômico entre os licitantes. § 1º A verificação da efetividade dos lances ou propostas poderá ser feita exclusivamente em relação aos lances e propostas mais bem classificados. § 2º A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão realizar diligências para aferir a exequibilidade das propostas ou exigir dos licitantes que ela seja demonstrada, na forma do inciso V do caput . § 3º Nas licitações de obras e serviços de engenharia, consideram-se inexequíveis as propostas com valores globais inferiores a 70% (setenta por cento) do menor dos seguintes valores: I - média aritmética dos valores das propostas superiores a 50% (cinquenta por cento) do valor do orçamento estimado pela empresa pública ou sociedade de economia mista; ou II - valor do orçamento estimado pela empresa pública ou sociedade de economia mista. § 4º Para os demais objetos, para efeito de avaliação da exequibilidade ou de sobrepreço, deverão ser estabelecidos critérios de aceitabilidade de preços que considerem o preço global, os quantitativos e os preços unitários, assim definidos no instrumento convocatório. Art. 57. Confirmada a efetividade do lance ou proposta que obteve a primeira colocação na etapa de julgamento, ou que passe a ocupar essa posição em decorrência da desclassificação de outra que tenha obtido colocação superior, a empresa pública e a sociedade de economia mista deverão negociar condições mais vantajosas com quem o apresentou. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º A negociação deverá ser feita com os demais licitantes, segundo a ordem inicialmente estabelecida, quando o preço do primeiro colocado, mesmo após a negociação, permanecer acima do orçamento estimado. § 2º (VETADO). § 3º Se depois de adotada a providência referida no § 1º deste artigo não for obtido valor igual ou inferior ao orçamento estimado para a contratação, será revogada a licitação. Art. 58. A habilitação será apreciada exclusivamente a partir dos seguintes parâmetros: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - exigência da apresentação de documentos aptos a comprovar a possibilidade da aquisição de direitos e da contração de obrigações por parte do licitante; II - qualificação técnica, restrita a parcelas do objeto técnica ou economicamente relevantes, de acordo com parâmetros estabelecidos de forma expressa no instrumento convocatório; III - capacidade econômica e financeira; IV - recolhimento de quantia a título de adiantamento, tratando-se de licitações em que se utilize como critério de julgamento a maior oferta de preço. § 1º Quando o critério de julgamento utilizado for a maior oferta de preço, os requisitos de qualificação técnica e de capacidade econômica e financeira poderão ser dispensados. § 2º Na hipótese do § 1º, reverterá a favor da empresa pública ou da sociedade de economia mista o valor de quantia eventualmente exigida no instrumento convocatório a título de adiantamento, caso o licitante não efetue o restante do pagamento devido no prazo para tanto estipulado. Art. 59. Salvo no caso de inversão de fases, o procedimento licitatório terá fase recursal única. § 1º Os recursos serão apresentados no prazo de 5 (cinco) dias úteis após a habilitação e contemplarão, além dos atos praticados nessa fase, aqueles praticados em decorrência do disposto nos incisos IV e V do caput do art. 51 desta Lei. § 2º Na hipótese de inversão de fases, o prazo referido no § 1º será aberto após a habilitação e após o encerramento da fase prevista no inciso V do caput do art. 51, abrangendo o segundo prazo também atos decorrentes da fase referida no inciso IV do caput do art. 51 desta Lei. Art. 60. A homologação do resultado implica a constituição de direito relativo à celebração do contrato em favor do licitante vencedor. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 61. A empresa pública e a sociedade de economia mista não poderão celebrar contrato com preterição da ordem de classificação das propostas ou com terceiros estranhos à licitação. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 62. Além das hipóteses previstas no § 3º doart. 57 desta Lei e no inciso II do § 2º do art. 75 desta Lei, quem dispuser de competência para homologação do resultado poderá revogar a licitação por razões de interesse público decorrentes de fato superveniente que constitua óbice manifesto e incontornável, ou anulá-la por ilegalidade, de ofício ou por provocação de terceiros, salvo quando for viável a convalidação do ato ou do procedimento viciado. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º A anulação da licitação por motivo de ilegalidade não gera obrigação de indenizar, observado o disposto no § 2º deste artigo. § 2º A nulidade da licitação induz à do contrato. § 3º Depois de iniciada a fase de apresentação de lances ou propostas, referida no inciso III do caput do art. 51 desta Lei, a revogação ou a anulação da licitação somente será efetivada depois de se conceder aos licitantes que manifestem interesse em contestar o respectivo ato prazo apto a lhes assegurar o exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. § 4º O disposto no caput e nos §§ 1º e 2º deste artigo aplica-se, no que couber, aos atos por meio dos quais se determine a contratação direta. Seção VII Dos Procedimentos Auxiliares das Licitações Art. 63. São procedimentos auxiliares das licitações regidas por esta Lei: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - pré-qualificação permanente; II - cadastramento; III - sistema de registro de preços; IV - catálogo eletrônico de padronização. Parágrafo único. Os procedimentos de que trata o caput deste artigo obedecerão a critérios claros e objetivos definidos em regulamento. Art. 64. Considera-se pré-qualificação permanente o procedimento anterior à licitação destinado a identificar: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - fornecedores que reúnam condições de habilitação exigidas para o fornecimento de bem ou a execução de serviço ou obra nos prazos, locais e condições previamente estabelecidos; II - bens que atendam às exigências técnicas e de qualidade da administração pública. § 1º O procedimento de pré-qualificação será público e permanentemente aberto à inscrição de qualquer interessado. § 2º A empresa pública e a sociedade de economia mista poderão restringir a participação em suas licitações a fornecedores ou produtos pré-qualificados, nas condições estabelecidas em regulamento. § 3º A pré-qualificação poderá ser efetuada nos grupos ou segmentos, segundo as especialidades dos fornecedores. § 4º A pré-qualificação poderá ser parcial ou total, contendo alguns ou todos os requisitos de habilitação ou técnicos necessários à contratação, assegurada, em qualquer hipótese, a igualdade de condições entre os concorrentes. § 5º A pré-qualificação terá validade de 1 (um) ano, no máximo, podendo ser atualizada a qualquer tempo. § 6º Na pré-qualificação aberta de produtos, poderá ser exigida a comprovação de qualidade. § 7º É obrigatória a divulgação dos produtos e dos interessados que forem pré-qualificados. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 30MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Art. 65. Os registros cadastrais poderão ser mantidos para efeito de habilitação dos inscritos em procedimentos licitatórios e serão válidos por 1 (um) ano, no máximo, podendo ser atualizados a qualquer tempo. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º Os registros cadastrais serão amplamente divulgados e ficarão permanentemente abertos para a inscrição de interessados. § 2º Os inscritos serão admitidos segundo requisitos previstos em regulamento. § 3º A atuação do licitante no cumprimento de obrigações assumidas será anotada no respectivo registro cadastral. § 4º A qualquer tempo poderá ser alterado, suspenso ou cancelado o registro do inscrito que deixar de satisfazer as exigências estabelecidas para habilitação ou para admissão cadastral. Art. 66. O Sistema de Registro de Preços especificamente destinado às licitações de que trata esta Lei reger-se-á pelo disposto em decreto do Poder Executivo e pelas seguintes disposições: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º Poderá aderir ao sistema referido no caput qualquer órgão ou entidade responsável pela execução das atividades contempladas no art. 1º desta Lei. § 2º O registro de preços observará, entre outras, as seguintes condições: I - efetivação prévia de ampla pesquisa de mercado; II - seleção de acordo com os procedimentos previstos em regulamento; III - desenvolvimento obrigatório de rotina de controle e atualização periódicos dos preços registrados; IV - definição da validade do registro; V - inclusão, na respectiva ata, do registro dos licitantes que aceitarem cotar os bens ou serviços com preços iguais ao do licitante vencedor na sequência da classificação do certame, assim como dos licitantes que mantiverem suas propostas originais. § 3º A existência de preços registrados não obriga a administração pública a firmar os contratos que deles poderão advir, sendo facultada a realização de licitação específica, assegurada ao licitante registrado preferência em igualdade de condições. Art. 67. O catálogo eletrônico de padronização de compras, serviços e obras consiste em sistema informatizado, de gerenciamento centralizado, destinado a permitir a padronização dos itens a serem adquiridos pela empresa pública ou sociedade de economia mista que estarão disponíveis para a realização de licitação. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Parágrafo único. O catálogo referido no caput poderá ser utilizado em licitações cujo critério de julgamento seja o menor preço ou o maior desconto e conterá toda a documentação e todos os procedimentos da fase interna da licitação, assim como as especificações dos respectivos objetos, conforme disposto em regulamento. CAPÍTULO II DOS CONTRATOS Seção I Da Formalização dos Contratos Art. 68. Os contratos de que trata esta Lei regulam-se pelas suas cláusulas, pelo disposto nesta Lei e pelos preceitos de direito privado. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 69. São cláusulas necessárias nos contratos disciplinados por esta Lei: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - o objeto e seus elementos característicos; II - o regime de execução ou a forma de fornecimento; III - o preço e as condições de pagamento, os critérios, a data-base e a periodicidade do reajustamento de preços e os critérios de atualização monetária entre a data do adimplemento das obrigações e a do efetivo pagamento; IV - os prazos de início de cada etapa de execução, de conclusão, de entrega, de observação, quando for o caso, e de recebimento; V - as garantias oferecidas para assegurar a plena execução do objeto contratual, quando exigidas, observado o disposto no art. 68; VI - os direitos e as responsabilidades das partes, as tipificações das infrações e as respectivas penalidades e valores das multas; VII - os casos de rescisão do contrato e os mecanismos para alteração de seus termos; VIII - a vinculação ao instrumento convocatório da respectiva licitação ou ao termo que a dispensou ou a inexigiu, bem como ao lance ou proposta do licitante vencedor; IX - a obrigação do contratado de manter, durante a execução do contrato, em compatibilidade com as obrigações por ele assumidas, as condições de habilitação e qualificação exigidas no curso do procedimento licitatório; X - matriz de riscos. § 1º (VETADO). § 2º Nos contratos decorrentes de licitações de obras ou serviços de engenharia em que tenha sido adotado o modo de disputa aberto, o contratado deverá reelaborar e apresentar à empresa pública ou à sociedade de economia mista e às suas respectivas subsidiárias, por meio eletrônico, as planilhas com indicação dos quantitativos e dos custos unitários, bem como do detalhamento das Bonificações e Despesas Indiretas (BDI) e dos EncargosSociais (ES), com os respectivos valores adequados ao lance vencedor, para fins do disposto no inciso III do caput deste artigo. Art. 70. Poderá ser exigida prestação de garantia nas contratações de obras, serviços e compras. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º Caberá ao contratado optar por uma das seguintes modalidades de garantia: I - caução em dinheiro; II - seguro-garantia; III - fiança bancária. § 2º A garantia a que se refere o caput não excederá a 5% (cinco por cento) do valor do contrato e terá seu valor atualizado nas mesmas condições nele estabelecidas, ressalvado o previsto no § 3º deste artigo. § 3º Para obras, serviços e fornecimentos de grande vulto envolvendo complexidade técnica e riscos financeiros elevados, o limite de garantia previsto no § 2º poderá ser elevado para até 10% (dez por cento) do valor do contrato. § 4º A garantia prestada pelo contratado será liberada ou restituída após a execução do contrato, devendo ser atualizada monetariamente na hipótese do inciso I do § 1º deste artigo. Art. 71. A duração dos contratos regidos por esta Lei não excederá a 5 (cinco) anos, contados a partir de sua celebração, exceto: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - para projetos contemplados no plano de negócios e investimentos da empresa pública ou da sociedade de economia mista; II - nos casos em que a pactuação por prazo superior a 5 (cinco) anos seja prática rotineira de mercado e a imposição desse prazo inviabilize ou onere excessivamente a realização do negócio. Parágrafo único. É vedado o contrato por prazo indeterminado. Art. 72. Os contratos regidos por esta Lei somente poderão ser alterados por acordo entre as partes, vedando- se ajuste que resulte em violação da obrigação de licitar. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 73. A redução a termo do contrato poderá ser dispensada no caso de pequenas despesas de pronta entrega e pagamento das quais não resultem obrigações futuras por parte da empresa pública ou da sociedade de economia mista. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Parágrafo único. O disposto no caput não prejudicará o registro contábil exaustivo dos valores despendidos e a exigência de recibo por parte dos respectivos destinatários. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 31MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Art. 74. É permitido a qualquer interessado o conhecimento dos termos do contrato e a obtenção de cópia autenticada de seu inteiro teor ou de qualquer de suas partes, admitida a exigência de ressarcimento dos custos, nos termos previstos na Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011 . (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 75. A empresa pública e a sociedade de economia mista convocarão o licitante vencedor ou o destinatário de contratação com dispensa ou inexigibilidade de licitação para assinar o termo de contrato, observados o prazo e as condições estabelecidos, sob pena de decadência do direito à contratação. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º O prazo de convocação poderá ser prorrogado 1 (uma) vez, por igual período. § 2º É facultado à empresa pública ou à sociedade de economia mista, quando o convocado não assinar o termo de contrato no prazo e nas condições estabelecidos: I - convocar os licitantes remanescentes, na ordem de classificação, para fazê-lo em igual prazo e nas mesmas condições propostas pelo primeiro classificado, inclusive quanto aos preços atualizados em conformidade com o instrumento convocatório; II - revogar a licitação. Art. 76. O contratado é obrigado a reparar, corrigir, remover, reconstruir ou substituir, às suas expensas, no total ou em parte, o objeto do contrato em que se verificarem vícios, defeitos ou incorreções resultantes da execução ou de materiais empregados, e responderá por danos causados diretamente a terceiros ou à empresa pública ou sociedade de economia mista, independentemente da comprovação de sua culpa ou dolo na execução do contrato. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Art. 77. O contratado é responsável pelos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais resultantes da execução do contrato. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º A inadimplência do contratado quanto aos encargos trabalhistas, fiscais e comerciais não transfere à empresa pública ou à sociedade de economia mista a responsabilidade por seu pagamento, nem poderá onerar o objeto do contrato ou restringir a regularização e o uso das obras e edificações, inclusive perante o Registro de Imóveis. § 2º (VETADO). Art. 78. O contratado, na execução do contrato, sem prejuízo das responsabilidades contratuais e legais, poderá subcontratar partes da obra, serviço ou fornecimento, até o limite admitido, em cada caso, pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista, conforme previsto no edital do certame. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º A empresa subcontratada deverá atender, em relação ao objeto da subcontratação, as exigências de qualificação técnica impostas ao licitante vencedor. § 2º É vedada a subcontratação de empresa ou consórcio que tenha participado: I - do procedimento licitatório do qual se originou a contratação; II - direta ou indiretamente, da elaboração de projeto básico ou executivo. § 3º As empresas de prestação de serviços técnicos especializados deverão garantir que os integrantes de seu corpo técnico executem pessoal e diretamente as obrigações a eles imputadas, quando a respectiva relação for apresentada em procedimento licitatório ou em contratação direta. Art. 79. Na hipótese do § 6º do art. 54, quando não for gerada a economia prevista no lance ou proposta, a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida será descontada da remuneração do contratado. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Parágrafo único. Se a diferença entre a economia contratada e a efetivamente obtida for superior à remuneração do contratado, será aplicada a sanção prevista no contrato, nos termos do inciso VI do caput do art. 69 desta Lei. Art. 80. Os direitos patrimoniais e autorais de projetos ou serviços técnicos especializados desenvolvidos por profissionais autônomos ou por empresas contratadas passam a ser propriedade da empresa pública ou sociedade de economia mista que os tenha contratado, sem prejuízo da preservação da identificação dos respectivos autores e da responsabilidade técnica a eles atribuída. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) Seção II Da Alteração dos Contratos Art. 81. Os contratos celebrados nos regimes previstos nos incisos I a V do art. 43 contarão com cláusula que estabeleça a possibilidade de alteração, por acordo entre as partes, nos seguintes casos: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - quando houver modificação do projeto ou das especificações, para melhor adequação técnica aos seus objetivos; II - quando necessária a modificação do valor contratual em decorrência de acréscimo ou diminuição quantitativa de seu objeto, nos limites permitidos por esta Lei; III - quando conveniente a substituição da garantia de execução; IV - quando necessária a modificação do regime de execução da obra ou serviço, bem como do modo de fornecimento, em face de verificação técnica da inaplicabilidade dos termos contratuais originários; V - quando necessária a modificação da forma de pagamento, por imposição de circunstâncias supervenientes, mantido o valor inicial atualizado, vedada a antecipação do pagamento, com relação ao cronograma financeiro fixado, sem a correspondente contraprestação de fornecimento de bens ou execução de obra ou serviço; VI - para restabelecer a relação que as partes pactuaram inicialmente entre os encargos do contratado e a retribuição da administração para a justa remuneração da obra, serviço ou fornecimento, objetivando a manutençãodo equilíbrio econômico-financeiro inicial do contrato, na hipótese de sobrevirem fatos imprevisíveis, ou previsíveis porém de consequências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual. § 1º O contratado poderá aceitar, nas mesmas condições contratuais, os acréscimos ou supressões que se fizerem nas obras, serviços ou compras, até 25% (vinte e cinco por cento) do valor inicial atualizado do contrato, e, no caso particular de reforma de edifício ou de equipamento, até o limite de 50% (cinquenta por cento) para os seus acréscimos. § 2º Nenhum acréscimo ou supressão poderá exceder os limites estabelecidos no § 1º, salvo as supressões resultantes de acordo celebrado entre os contratantes. § 3º Se no contrato não houverem sido contemplados preços unitários para obras ou serviços, esses serão fixados mediante acordo entre as partes, respeitados os limites estabelecidos no § 1º. § 4º No caso de supressão de obras, bens ou serviços, se o contratado já houver adquirido os materiais e posto no local dos trabalhos, esses materiais deverão ser pagos pela empresa pública ou sociedade de economia mista pelos custos de aquisição regularmente comprovados e monetariamente corrigidos, podendo caber indenização por outros danos eventualmente decorrentes da supressão, desde que regularmente comprovados. § 5º A criação, a alteração ou a extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, bem como a superveniência de disposições legais, quando ocorridas após a data da apresentação da proposta, com comprovada repercussão nos preços contratados, implicarão a revisão destes para mais ou para menos, conforme o caso. § 6º Em havendo alteração do contrato que aumente os encargos do contratado, a empresa pública ou a sociedade de economia mista deverá restabelecer, por aditamento, o equilíbrio econômico-financeiro inicial. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 32MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL § 7º A variação do valor contratual para fazer face ao reajuste de preços previsto no próprio contrato e as atualizações, compensações ou penalizações financeiras decorrentes das condições de pagamento nele previstas, bem como o empenho de dotações orçamentárias suplementares até o limite do seu valor corrigido, não caracterizam alteração do contrato e podem ser registrados por simples apostila, dispensada a celebração de aditamento. § 8º É vedada a celebração de aditivos decorrentes de eventos supervenientes alocados, na matriz de riscos, como de responsabilidade da contratada. Seção III Das Sanções Administrativas Art. 82. Os contratos devem conter cláusulas com sanções administrativas a serem aplicadas em decorrência de atraso injustificado na execução do contrato, sujeitando o contratado a multa de mora, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato. (Vide Lei nº 14.002, de 2020) § 1º A multa a que alude este artigo não impede que a empresa pública ou a sociedade de economia mista rescinda o contrato e aplique as outras sanções previstas nesta Lei. § 2º A multa, aplicada após regular processo administrativo, será descontada da garantia do respectivo contratado. § 3º Se a multa for de valor superior ao valor da garantia prestada, além da perda desta, responderá o contratado pela sua diferença, a qual será descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista ou, ainda, quando for o caso, cobrada judicialmente. Art. 83. Pela inexecução total ou parcial do contrato a empresa pública ou a sociedade de economia mista poderá, garantida a prévia defesa, aplicar ao contratado as seguintes sanções: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - advertência; II - multa, na forma prevista no instrumento convocatório ou no contrato; III - suspensão temporária de participação em licitação e impedimento de contratar com a entidade sancionadora, por prazo não superior a 2 (dois) anos. § 1º Se a multa aplicada for superior ao valor da garantia prestada, além da perda desta, responderá o contratado pela sua diferença, que será descontada dos pagamentos eventualmente devidos pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista ou cobrada judicialmente. § 2º As sanções previstas nos incisos I e III do caput poderão ser aplicadas juntamente com a do inciso II, devendo a defesa prévia do interessado, no respectivo processo, ser apresentada no prazo de 10 (dez) dias úteis. Art. 84. As sanções previstas no inciso III do art. 83 poderão também ser aplicadas às empresas ou aos profissionais que, em razão dos contratos regidos por esta Lei: (Vide Lei nº 14.002, de 2020) I - tenham sofrido condenação definitiva por praticarem, por meios dolosos, fraude fiscal no recolhimento de quaisquer tributos; II - tenham praticado atos ilícitos visando a frustrar os objetivos da licitação; III - demonstrem não possuir idoneidade para contratar com a empresa pública ou a sociedade de economia mista em virtude de atos ilícitos praticados. CAPÍTULO III DA FISCALIZAÇÃO PELO ESTADO E PELA SOCIEDADE Art. 85. Os órgãos de controle externo e interno das 3 (três) esferas de governo fiscalizarão as empresas públicas e as sociedades de economia mista a elas relacionadas, inclusive aquelas domiciliadas no exterior, quanto à legitimidade, à economicidade e à eficácia da aplicação de seus recursos, sob o ponto de vista contábil, financeiro, operacional e patrimonial. § 1º Para a realização da atividade fiscalizatória de que trata o caput, os órgãos de controle deverão ter acesso irrestrito aos documentos e às informações necessários à realização dos trabalhos, inclusive aqueles classificados como sigilosos pela empresa pública ou pela sociedade de economia mista, nos termos da Lei nº 12.527, de 18 de novembro de 2011. § 2º O grau de confidencialidade será atribuído pelas empresas públicas e sociedades de economia mista no ato de entrega dos documentos e informações solicitados, tornando-se o órgão de controle com o qual foi compartilhada a informação sigilosa corresponsável pela manutenção do seu sigilo. § 3º Os atos de fiscalização e controle dispostos neste Capítulo aplicar-se-ão, também, às empresas públicas e às sociedades de economia mista de caráter e constituição transnacional no que se refere aos atos de gestão e aplicação do capital nacional, independentemente de estarem incluídos ou não em seus respectivos atos e acordos constitutivos. Art. 86. As informações das empresas públicas e das sociedades de economia mista relativas a licitações e contratos, inclusive aqueles referentes a bases de preços, constarão de bancos de dados eletrônicos atualizados e com acesso em tempo real aos órgãos de controle competentes. § 1º As demonstrações contábeis auditadas da empresa pública e da sociedade de economia mista serão disponibilizadas no sítio eletrônico da empresa ou da sociedade na internet, inclusive em formato eletrônico editável. § 2º As atas e demais expedientes oriundos de reuniões, ordinárias ou extraordinárias, dos conselhos de administração ou fiscal das empresas públicas e das sociedades de economia mista, inclusive gravações e filmagens, quando houver, deverão ser disponibilizados para os órgãos de controle sempre que solicitados, no âmbito dos trabalhos de auditoria. § 3º O acesso dos órgãos de controle às informações referidas no caput e no § 2º será restrito e individualizado. § 4º As informações que sejam revestidas de sigilo bancário, estratégico, comercial ou industrial serão assim identificadas, respondendo o servidor administrativa, civil e penalmente pelos danos causadosà empresa pública ou à sociedade de economia mista e a seus acionistas em razão de eventual divulgação indevida. § 5º Os critérios para a definição do que deve ser considerado sigilo estratégico, comercial ou industrial serão estabelecidos em regulamento. Art. 87. O controle das despesas decorrentes dos contratos e demais instrumentos regidos por esta Lei será feito pelos órgãos do sistema de controle interno e pelo tribunal de contas competente, na forma da legislação pertinente, ficando as empresas públicas e as sociedades de economia mista responsáveis pela demonstração da legalidade e da regularidade da despesa e da execução, nos termos da Constituição. § 1º Qualquer cidadão é parte legítima para impugnar edital de licitação por irregularidade na aplicação desta Lei, devendo protocolar o pedido até 5 (cinco) dias úteis antes da data fixada para a ocorrência do certame, devendo a entidade julgar e responder à impugnação em até 3 (três) dias úteis, sem prejuízo da faculdade prevista no § 2º. § 2º Qualquer licitante, contratado ou pessoa física ou jurídica poderá representar ao tribunal de contas ou aos órgãos integrantes do sistema de controle interno contra irregularidades na aplicação desta Lei, para os fins do disposto neste artigo. § 3º Os tribunais de contas e os órgãos integrantes do sistema de controle interno poderão solicitar para exame, a qualquer tempo, documentos de natureza contábil, financeira, orçamentária, patrimonial e operacional das empresas públicas, das sociedades de economia mista e de suas subsidiárias no Brasil e no exterior, obrigando-se, os jurisdicionados, à adoção das medidas corretivas pertinentes que, em função desse exame, lhes forem determinadas. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 33MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Art. 88. As empresas públicas e as sociedades de economia mista deverão disponibilizar para conhecimento público, por meio eletrônico, informação completa mensalmente atualizada sobre a execução de seus contratos e de seu orçamento, admitindo-se retardo de até 2 (dois) meses na divulgação das informações. § 1º A disponibilização de informações contratuais referentes a operações de perfil estratégico ou que tenham por objeto segredo industrial receberá proteção mínima necessária para lhes garantir confidencialidade. § 2º O disposto no § 1º não será oponível à fiscalização dos órgãos de controle interno e do tribunal de contas, sem prejuízo da responsabilização administrativa, civil e penal do servidor que der causa à eventual divulgação dessas informações. Art. 89. O exercício da supervisão por vinculação da empresa pública ou da sociedade de economia mista, pelo órgão a que se vincula, não pode ensejar a redução ou a supressão da autonomia conferida pela lei específica que autorizou a criação da entidade supervisionada ou da autonomia inerente a sua natureza, nem autoriza a ingerência do supervisor em sua administração e funcionamento, devendo a supervisão ser exercida nos limites da legislação aplicável. Art. 90. As ações e deliberações do órgão ou ente de controle não podem implicar interferência na gestão das empresas públicas e das sociedades de economia mista a ele submetidas nem ingerência no exercício de suas competências ou na definição de políticas públicas. ... TRÁFEGO URBANO: HIERARQUIZAÇÃO FUNCIONAL DAS VIAS, TEORIA DO FLUXO DE TRÁFEGO, CAPACIDADE E DESEMPENHO EM SISTEMAS EXPRESSOS, CAPACIDADE E DESEMPENHO EM INTERSEÇÕES SEMAFORIZADAS E NÃO SEMAFORIZADAS, SEGURANÇA NO TRÂNSITO E SEGURANÇA VIÁRIA Tráfego urbano é o fluxo de veículos, pedestres e outros meios de transporte em áreas urbanas, como ruas, avenidas, viadutos e pontes. É uma questão de grande importância para as cidades, pois pode afetar a qualidade de vida dos habitantes e a economia local. O tráfego urbano é influenciado por diferentes fatores, como a infraestrutura viária, o volume de veículos, a intensidade do comércio e serviços, a densidade populacional e a cultura de mobilidade da cidade. Quando o tráfego é excessivo, pode ocorrer congestionamento, o que pode levar a atrasos, perda de tempo e aumento de custos de transporte. Para melhorar o tráfego urbano, é possível adotar algumas medidas, como a criação de faixas exclusivas para ônibus e bicicletas, a construção de viadutos e túneis, o investimento em transporte público de qualidade e o incentivo ao uso de meios de transporte alternativos, como caminhada e bicicleta. Além disso, a gestão do tráfego urbano pode ser melhorada com a utilização de tecnologias, como sistemas de semáforos inteligentes, câmeras de monitoramento e aplicativos que indicam rotas alternativas para evitar congestionamentos. Uma boa gestão do tráfego urbano é importante para garantir a mobilidade da população, facilitar o acesso aos serviços e atividades econômicas da cidade e reduzir a poluição e os impactos ambientais do transporte. Hierarquia Funcional do Sistema Viário A hierarquia funcional do sistema viário é um modelo de planejamento urbano que organiza as vias de uma cidade de acordo com suas funções e importância para o tráfego. Esse modelo é baseado em diferentes categorias de vias, cada uma com características e objetivos específicos. A hierarquia funcional do sistema viário geralmente é dividida em quatro categorias principais: Vias expressas: são as vias mais importantes e com maior capacidade de fluxo, geralmente utilizadas para o tráfego de longa distância ou para a ligação entre diferentes regiões da cidade. Pode ter mais de uma faixa em cada sentido, separação física das pistas e acesso restrito. Arteriais: são vias de alta capacidade que conectam as vias expressas com as vias locais. São responsáveis por distribuir o tráfego em áreas mais densas da cidade e podem ter mais de uma faixa em cada sentido. Coletoras: são vias com menor capacidade que conectam as arteriais com as vias locais, permitindo o acesso aos bairros e estabelecimentos comerciais. Podem ter apenas uma faixa em cada sentido e permitir acesso a propriedades ao longo de seu percurso. Locais: são vias de menor capacidade que servem principalmente ao tráfego local e ao acesso a propriedades residenciais, comerciais e de serviços. Geralmente têm apenas uma faixa em cada sentido e permitem o estacionamento na via. Teoria do fluxo de tráfego A teoria do fluxo de tráfego consiste da aplicação de leis da matemática, da teoria da probabilidade e da física à descrição do comportamento do tráfego veicular rodoviário. Na realidade, não existe uma teoria de fluxo de tráfego. Existem, sim, pelo menos três abordagens teóricas para o tema, cuja validade é determinada pelo interesse do estudo que se deseja realizar. Conforme o enfoque da análise (macro-, micro- ou mesoscópico), são estudados desde as correntes de tráfego vistas como meios indivisíveis até os menores elementos que as compõem (os veículos) vistos individualmente. A teoria do fluxo de tráfego é uma área de estudo que busca entender o comportamento dos veículos em rodovias e vias urbanas. Seu principal objetivo é melhorar a eficiência e a segurança do tráfego, além de reduzir o congestionamento nas vias. A teoria do fluxo de tráfego se baseia em três principais elementos: volume, velocidade e densidade do tráfego. O volume de tráfego é a quantidade de veículos que passam por um determinado ponto em um intervalo de tempo. A velocidade é a medida da rapidez com que os veículos se movem, em geral, medida em km/h. Já a densidade do tráfego é a relação entre o número de veículos e a extensão da via. A partir desses elementos, a teoria do fluxo de tráfego busca explicar o comportamento dos veículos nas estradas, analisando a influência de fatores como ageometria da via, as condições meteorológicas e a presença de obstáculos ou interrupções no tráfego. Uma das principais contribuições da teoria do fluxo de tráfego é a compreensão do fenômeno do congestionamento, que ocorre quando a demanda de tráfego em uma via supera a capacidade de fluxo da mesma. A partir dessa compreensão, é possível desenvolver estratégias para reduzir os engarrafamentos, como a melhoria da infraestrutura de transporte público, o incentivo ao uso de bicicleta. ABORDAGENS BÁSICAS DA ANÁLISE DE TRÁFEGO São três as abordagens básicas da análise de tráfego: a macroscópica, que se preocupa em descrever o comportamento das correntes de tráfego, a microscópica, que se interessa pela interação ente dois veículos consecutivos numa corrente de tráfego, e a mesoscópica, cujas unidades analisadas são grupamentos de veículos que se formam nos sistemas viários. A análise macroscópica das correntes de tráfego ininterrupto permite ao engenheiro projetista uma melhor compreensão das limitações de capacidade dos sistemas viários e a avaliação de consequências de ocorrências que provoquem pontos de estrangulamento nos mesmos. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 34MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL A análise microscópica das relações entre pares de veículos de uma mesma corrente de tráfego permite o estudo de fluxos não necessariamente homogêneos ou ininterruptos. O tratamento individualizado dos veículos exige mais recursos computacionais do que a abordagem macroscópica. A análise mesoscópica dos grupos de veículos nas correntes de tráfego, chamados pelotões, é útil, por exemplo, no estabelecimento de políticas de coordenação semafórica. Para muitos, a análise mesoscópica não existe e seus objetos de estudo estariam enquadrados nas análises macroscópicas. Para outros autores, porém, as formulações teóricas acerca do comportamento dos pelotões de veículos são suficientes para que nesta apostila se faça a distinção aqui proposta. Capacidade e desempenho em sistemas expressos A capacidade e o desempenho de sistemas expressos estão diretamente relacionados com a sua eficiência e com a qualidade do serviço prestado aos usuários. A capacidade de um sistema expresso se refere à sua habilidade de transportar uma determinada quantidade de pessoas ou carga em um período de tempo específico, geralmente medida em número de passageiros por hora ou toneladas por hora. Essa capacidade depende da infraestrutura do sistema, como o número de vias, o tamanho dos trens ou ônibus, o tempo de ciclo, entre outros fatores. O desempenho, por sua vez, está relacionado com a velocidade, a regularidade e a segurança do serviço prestado. A velocidade pode ser medida em quilômetros por hora ou em tempo de viagem, enquanto a regularidade se refere à frequência dos veículos e à pontualidade do serviço. Já a segurança envolve a proteção dos usuários contra acidentes e roubos. Para garantir uma boa capacidade e desempenho em sistemas expressos, é necessário investir em infraestrutura, tecnologia e gestão. Isso inclui a construção de vias exclusivas para ônibus e trens, a compra de trens e ônibus modernos e eficientes, a implantação de sistemas de controle de tráfego e de informação aos usuários, a capacitação dos funcionários e a adoção de medidas de segurança. Além disso, é importante levar em conta as necessidades e expectativas dos usuários, buscando oferecer um serviço de qualidade que atenda às demandas de mobilidade urbana de forma rápida, segura e eficiente. Alguns exemplos de capacidade e desempenho em sistemas expressos podem incluir: Metrô de Tóquio - O metrô de Tóquio é considerado um dos sistemas de transporte público mais eficientes do mundo, com uma capacidade de transporte de mais de 8 milhões de passageiros por dia. O metrô é conhecido por sua pontualidade, conforto e segurança, com um tempo médio de espera de apenas 2 minutos entre os trens. BRT TransMilenio em Bogotá - O BRT TransMilenio em Bogotá é um sistema de ônibus expresso que oferece um alto nível de capacidade e desempenho. Ele possui vias exclusivas para ônibus, estações modernas e confortáveis, e é capaz de transportar mais de 2,4 milhões de passageiros por dia. TGV na França - O TGV (Train à Grande Vitesse) é um trem de alta velocidade que conecta diversas cidades na França e em outros países europeus. Ele é conhecido por sua capacidade de transporte de passageiros em alta velocidade, com uma velocidade máxima de 320 km/h, e por sua pontualidade, com um índice de atraso médio de apenas 1 minuto. Metrô de São Paulo - O metrô de São Paulo é um dos principais sistemas de transporte público da cidade, com uma capacidade de transporte de mais de 4,5 milhões de passageiros por dia. Ele é conhecido por sua rapidez e eficiência, com um tempo médio de espera de apenas 3 minutos entre os trens. Trem-bala Shinkansen no Japão - O trem-bala Shinkansen é um dos sistemas de transporte ferroviário mais rápidos do mundo, com uma capacidade de transporte de mais de 400 mil passageiros por dia. Ele é conhecido por sua pontualidade, com um índice de atraso médio de apenas 36 segundos, e por sua segurança, com um histórico de zero acidentes fatais em mais de 50 anos de operação. Capacidade e desempenho em interseções semaforizadas e não semaforizadas A capacidade e o desempenho em interseções semaforizadas e não semaforizadas estão relacionados com a fluidez e a segurança do tráfego em vias urbanas. Em interseções semaforizadas, a capacidade se refere à quantidade de veículos que podem atravessar a interseção em um determinado período de tempo, considerando o tempo de verde do sinal. A capacidade depende de diversos fatores, como o número de faixas de tráfego, o fluxo de veículos, a configuração da interseção e a duração do sinal verde. Já o desempenho está relacionado com a eficiência do tráfego em termos de tempo de espera, congestionamento e segurança. Em interseções não semaforizadas, a capacidade e o desempenho estão relacionados com a organização do tráfego em relação à preferência e prioridade de passagem. A capacidade é influenciada pelo número de vias de acesso, pela geometria da interseção e pela velocidade dos veículos. Já o desempenho está relacionado com a eficiência do fluxo de tráfego em termos de segurança e tempo de espera. Para melhorar a capacidade e o desempenho em interseções semaforizadas e não semaforizadas, são necessárias medidas de planejamento urbano, sinalização, engenharia de tráfego e educação do usuário. Alguns exemplos de medidas podem incluir: - Redução do tempo de sinal vermelho em interseções semaforizadas para aumentar a capacidade de tráfego; - Implantação de faixas exclusivas para ônibus e bicicletas para melhorar a fluidez do tráfego; - Criação de rotatórias e círculos para melhorar a capacidade e reduzir os pontos de conflito em interseções não semaforizadas; - Implementação de medidas de acalmamento de tráfego, como redução de velocidade e faixas compartilhadas, para melhorar a segurança de pedestres e ciclistas; - Realização de campanhas educativas para conscientizar os usuários sobre as regras de trânsito e a importância de respeitar a sinalização e os pedestres. Segurança no trânsito e segurança viária Segurança no trânsito e segurança viária são conceitos relacionados à prevenção de acidentes e à promoção da segurança nas vias públicas. A segurança no trânsito diz respeito à segurança dos usuários do trânsito, incluindo motoristas, passageiros, ciclistas e pedestres. Ela se concentra em ações para prevenir acidentes e minimizar os danos caso eles ocorram, como uso de equipamentos de segurança, como cintos de segurança, capacetes e dispositivos de retençãoinfantil, e campanhas educativas para conscientizar os usuários sobre as regras de trânsito e a importância de um comportamento seguro no trânsito. Já a segurança viária é um conceito mais amplo, que se concentra na segurança de todas as pessoas que interagem com o espaço viário, incluindo os usuários do trânsito, mas também os pedestres, ciclistas e moradores das áreas adjacentes. Ela busca criar um ambiente seguro e acessível para todas as pessoas que utilizam as vias públicas, com ações de planejamento urbano, engenharia de tráfego e educação do usuário. Como é realizado o processo de segurança viária? Ao falarmos de segurança viária estamos nos referindo a um conjunto de normas legais que dispõe sobre os direitos e deveres da população e do governo em relação aos cuidados no trânsito. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 35MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Por isso, os pedestres, os motoristas e o governo, são personagens principais para uma segurança viária eficaz. O processo de cuidados e estratégias viárias, na esfera de responsabilidade governamental, é realizado através da elaboração de políticas controladoras que devem ser seguidas e, em caso de desobediência, receberão as devidas sanções referentes ao grau de infração cometido. Aos motoristas e pedestres, estes realizam a segurança viária agindo com urbanidade e com educação, cumprindo deveres que vão além das leis. Aos motoristas que portam veículos de todos os portes também devem se atentar aos cuidados estipulados pelas normas de trânsito. Seja em ruas com veículos menores ou rodovias com veículos de carga, a atenção à velocidade, à sinalização e à segurança do condutor são essenciais para evitar acidentes. Para que os veículos sejam conduzidos com segurança, regras devem ser atendidas e respeitadas tanto na direção, quanto na estrutura. Os motoristas devem, por exemplo: - Não fazer o uso de aparelho telefônico durante a direção; - Respeitar os limites de carga e altura do veículo nas vias urbanas; - Não ultrapassar os limites de velocidade; - Estar com a documentação própria, do veículo e das cargas em dia; - Manter exames médicos e toxicológico atualizados e sem alterações; - Fazer uso de cinto de segurança e capacete, etc. Quanto aos pedestres: - Evitar o uso de celular enquanto caminham pelas vias; - Atravessar sempre na faixa de pedestre; - Não correr ao atravessar a rua; - Evitar sinalizar para transportes públicos no limite da calçada. 4 pilares dasegurança viária Para uma segurança viária eficaz, é necessário se atentar aos pilares abaixo. Cada pilar traz um ponto de segurança para o condutor de veículos, para as vias, e para os usuários das mesmas. Vejamos: 1- Primeiro pilar: Gestão de Segurança Viária Para que este pilar seja eficaz, ele deve atender a sete requisitos, sendo eles: - contexto da organização; - liderança e compromisso; - planejamento; - suporte; - operação; - avaliação de desempenho; - melhoria. 2 – Segundo pilar: Via - identificação de rotas críticas; - análise de risco de rotas; - rotogramas físicos; - rotogramas falados; - cercas eletrônicas. 3 – Terceiro pilar: Veículo - manutenção de itens críticos a segurança (pneus e freios); - telemetria / controle de velocidade; - rastreamento com redundância; - rotogramas falados e físicos; - sistema de avaliação de fadiga; - controle da jornada. 4 – Quarto pilar: - rigoroso processo de recrutamento e seleção para sua equipe de colaboradores; - processo estruturado de integração; - treinamentos teóricos e práticos iniciais; - reciclagens constantes; - monitoramento da direção em tempo real; - capacitação continuada; - reconhecimento dessa equipe. CONCEITOS DE TECNOLOGIAS, LOGÍSTICA 4.0, TRANSFORMAÇÃO DIGITAL, ERP. CONCEITOS DE CUSTOS LOGÍSTICOS Conceitos de tecnologias, logística 4.0 Tecnologia é um termo que se refere ao conjunto de conhecimentos técnicos, científicos e práticos que permitem a criação, o desenvolvimento e a utilização de ferramentas, máquinas, equipamentos, sistemas e processos para solucionar problemas e atender necessidades humanas. É um campo que envolve a aplicação sistemática do conhecimento para criar produtos e serviços que possam melhorar a vida das pessoas. Existem diversas áreas de tecnologia, tais como a tecnologia da informação, a tecnologia da comunicação, a tecnologia médica, a tecnologia ambiental, a tecnologia de materiais, entre outras. Cada área tem seus próprios conceitos, ferramentas e processos, mas todas compartilham o objetivo de criar soluções para problemas e necessidades humanas. As tecnologias podem ser classificadas de diversas formas, tais como tecnologias de produção, tecnologias de informação, tecnologias de comunicação, tecnologias limpas, entre outras. Além disso, as tecnologias estão em constante evolução, e novas tecnologias são criadas continuamente para atender às necessidades e demandas da sociedade. As tecnologias são importantes para o desenvolvimento econômico, social e ambiental de uma nação, e são utilizadas em diversas áreas, tais como saúde, educação, indústria, agricultura, meio ambiente, entre outras. Com a rápida evolução das tecnologias, é fundamental que as pessoas e as empresas estejam atualizadas e preparadas para utilizá-las de forma eficiente e sustentável. A logística 4.0 A Logística 4.0 é uma abordagem moderna da logística que busca aprimorar a eficiência e a eficácia dos processos logísticos por meio da aplicação de tecnologias avançadas e da integração de sistemas, pessoas e processos. A Logística 4.0 é baseada em quatro pilares principais: a Internet das Coisas (IoT), a Inteligência Artificial (IA), a Computação em Nuvem e a Big Data Analytics. Essas tecnologias permitem a coleta e análise de grande quantidade de dados em tempo real, possibilitando uma tomada de decisão mais rápida e precisa. A Logística 4.0 tem como objetivo principal a otimização de toda a cadeia logística, desde o planejamento até a entrega do produto final ao cliente. Isso é possível por meio da automação de processos, da otimização de rotas e do gerenciamento inteligente de estoques, entre outras ações. Além disso, a Logística 4.0 também possibilita a personalização de produtos e serviços, permitindo que as empresas atendam às necessidades específicas de cada cliente de forma mais rápida e eficiente. A evolução da logística A evolução da logística tem total relação com as revoluções da indústria nos últimos 200 anos. De fato, não existe Indústria 4.0 sem Logística 4.0. No início, a logística começou a ser concretizada ainda pela civilização egípcia antiga, com armazéns para grãos que serviam para manutenção de seu Império, como uma forma de contornar as cheias e secas do Rio Nilo. A partir daí, é possível descrever essa linha do tempo com diferentes eras: - Logística 0 (entre 1900 e 1940): do Campo ao Mercado e focado na economia agrária; - Logística 1.0 (entre 1940 e 1960): Especialização e necessidades de guerra, focado no desempenho funcional; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 36MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL - Logística 2.0 (entre 1960 e 1970): Integração interna de processos; - Logística 3.0 (entre 1970 e 1980): O cliente é quem importa, focado na busca por eficiência; - Logística 4.0 (iniciou em 1980 e está em evolução até hoje): A era do Supply Chain, da integração de processos e da tecnologia. Focado em tornar a logística como um diferencial de negócio. Principais tecnologias da logística 4.0 A logística 4.0 trabalhacom diversas tecnologias que são comuns ao ambiente corporativo inteligente. Além de reduzir as taxas de erros, melhora todos os processos operacionais, com muitas vantagens para todo o negócio. Confira, a seguir, as principais tecnologias utilizadas pela logística 4.0. Internet das Coisas Internet das Coisas refere-se à interconexão de diversos aparelhos que usam linguagem comum e se conectam em rede através da internet. Além dos computadores e celulares, novos dispositivos estão conectados, como veículos, máquinas industriais inteligentes, drones, entre outros. Em comum, todos eles têm o fato de enviar e receber dados digitais. A conexão IoT permite transmitir informações de um aparelho para outro, tornando todas as etapas de trabalho mais inteligentes, modernas e automatizadas. Inteligência Artificial A Inteligência Artificial é uma das tecnologias mais revolucionárias. Ela permite que as máquinas sejam mais independentes, façam cálculos, prevejam erros e possam, inclusive, tomar decisões com mais autonomia. Assim, é possível entregar resultados positivos de forma mais ágil, ao mesmo tempo em que se minimiza a possibilidade de problemas. Computação em Nuvem A computação em nuvem é um tipo de tecnologia que permite a virtualização de dados da empresa. É possível gerenciar, enviar e receber dados através dos computadores, sem a necessidade de ter todos os arquivos em formato físico. Além de ocupar menos espaço físico, o Cloud Computing garante também maior mobilidade, sendo possível acessar os mesmos arquivos do computador, celular ou qualquer outro aparelho de forma segura, onde e quando for necessário. Big Data O Big Data é outra tecnologia importante em diversos pontos da cadeia industrial, pois é responsável pela análise de um grande volume de dados não estruturados e estabelecer uma relação entre eles. Assim, o setor logístico pode ter uma visão mais ampla e estratégica de todo o fluxo produtivo da empresa. Digital twin O gêmeo digital é um tipo de tecnologia que permite criar, virtualmente, a cópia de uma máquina real. A cópia digital permite que seja feita uma simulação de funcionamento e estresse da máquina real, sem a necessidade de colocar em risco nenhum objeto verdadeiro. Machine learning Machine Learning é a capacidade de uma máquina automatizada de aprender e analisar criticamente as informações recebidas. Para a logística, o Machine Learning é importante para melhorar os dados relacionados à segurança e estoque, além de aumentar a agilidade e a precisão dos equipamentos. BPMS BPMS (Business Process Management Suite) é uma solução integrada de software que permite fazer a gestão de processos da empresa de forma automatizada. O uso do BPM é essencial para criar um ambiente inteiramente conectado e mais eficiente, com todas as áreas do negócio integradas e se comunicando na mesma língua. O impacto da logística 4.0 no mercado A busca da logística 4.0 para tornar os processos mais ágeis já está mostrando resultados. Ou seja, ela não é o futuro: é o presente! Assim como em qualquer outro segmento, a tecnologia tornou o setor de logística mais competitivo. Um exemplo é a preferência dos clientes por empresas de transporte que disponibilizem rastreamento da encomenda. O recurso vem se tornando tão comum, popularizado por empresas de grande porte como Amazon e Submarino, que hoje o consumidor chega ao ponto de estranhar o processo de fazer uma compra e não poder rastrear o objeto. Hoje, cada vez mais empresas de diferentes portes estão aderindo a essa e outras tecnologias. Outro exemplo comum é a migração crescente de negócios inteiros dos tradicionais data center para a nuvem, onde estão a salvo de falhas e acidentes, como incêndios, além de cortarem custos em manutenção e em espaço físico. Afinal, a nuvem não ocupa espaço nenhum. Além disso, outras empresas já estão indo mais longe com tecnologias mais complexas como IoT (Internet das Coisas), Machine Learning e BI. Tudo isso já apresenta grande impacto em diversas partes da logística, possibilitando mudanças como: - monitoramento à distância de carga/veículos; - acompanhamento da equipe externa; - gestão virtual de estoques; - coleta e compartilhamento de dados; - desburocratização; - tomada de decisões data driven; e - roteirização de entregas. Transformação digital A transformação digital é um processo que visa a incorporação de tecnologias digitais nas estratégias de negócios e operações de uma organização, com o objetivo de aumentar a eficiência e a eficácia das atividades desenvolvidas, bem como melhorar a experiência do cliente e gerar novas oportunidades de mercado. Esse processo pode envolver a adoção de diversas tecnologias, como inteligência artificial, internet das coisas, automação de processos, big data, analytics, cloud computing, entre outras. A transformação digital afeta todos os setores da economia e pode levar à criação de novos modelos de negócios, novas formas de interação com os clientes e até mesmo a criação de novos produtos e serviços. Entre os principais benefícios da transformação digital estão a otimização de processos, a redução de custos, o aumento da produtividade, a melhoria da experiência do cliente e a criação de novas oportunidades de negócios. No entanto, a transformação digital também pode trazer desafios, como a necessidade de capacitação de pessoal, a adaptação a novas tecnologias e a gestão de dados e informações de forma segura e eficiente. Em resumo, a transformação digital é um processo que busca incorporar tecnologias digitais nas estratégias de negócios e operações de uma organização, com o objetivo de melhorar a eficiência, a eficácia e a experiência do cliente, além de gerar novas oportunidades de mercado. Existem inúmeros exemplos de transformação digital em diferentes setores da economia. A seguir, apresento alguns exemplos: Varejo: A adoção do comércio eletrônico, a digitalização dos estoques, a utilização de inteligência artificial e análise de dados para recomendação de produtos e a automatização dos processos de logística são exemplos de transformação digital no setor do varejo. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 37MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Saúde: A telemedicina, a utilização de inteligência artificial para diagnósticos e tratamentos mais precisos, a digitalização de prontuários médicos e a adoção de tecnologias para gestão de estoques e suprimentos são exemplos de transformação digital no setor de saúde. Indústria: A utilização de sensores para monitoramento de processos produtivos, a adoção de robôs para tarefas repetitivas e perigosas, a utilização de impressoras 3D para produção de protótipos e a gestão de dados em nuvem são exemplos de transformação digital no setor industrial. Finanças: A adoção de bancos digitais, a utilização de inteligência artificial para análise de riscos e concessão de crédito, a utilização de chatbots para atendimento ao cliente e a adoção de criptomoedas e blockchain para transações financeiras são exemplos de transformação digital no setor financeiro. Educação: A adoção de plataformas de ensino à distância, a utilização de jogos educativos e realidade virtual para aprendizagem e a gestão de dados para acompanhamento do desempenho dos alunos são exemplos de transformação digital no setor educacional. ERP O ERP (Enterprise Resource Planning) é um software de Planejamento de Recursos Empresariais que melhora a gestão das empresas, automatizando os processos e integrando as atividades de vendas, finanças, contabilidade, fiscal, estoque, compras, recursos humanos, produção e logística. Com ele é possível criar uma base de dados operacional e gerencialconfiável, que facilita o trabalho sincronizado de diferentes departamentos, evitando perda de informação, eliminando retrabalhos e reduzindo custos. Os principais resultados depois da implementação do ERP são melhoria da produtividade geral da empresa, ganho de qualidade nos processos e a disponibilidade de informações gerenciais rápidas e seguras para a tomada de decisão, agregando benefícios estratégicos para toda organização. O ERP conta ainda com algumas soluções complementares como: CRM (Customer relationship management): Solução de gerenciamento do relacionamento com os clientes. Facilita o uso das informações já disponíveis no ERP sobre o cliente, melhorando os resultados das ações de pré-venda, venda e pós-venda com o efetivo uso e registro dos dados sobre o cliente. BI (Business Intelligence): Solução de inteligência empresarial ou sistema de informação gerencial, disponibiliza e organiza os dados para facilitar a análise, resultados, tendências e o monitoramento das informações da empresa. RH (Recursos Humanos): Software para desenvolvimento, controle e gerenciamento dos recursos humanos da empresa. Inclui pagadoria, acesso, segurança, saúde, capacitação, desenvolvimento, avaliação, plano de cargos e carreira, previdência e portal de informações entre outras. Mobile: Ferramenta que permite a análise, acompanhamento e tomada de decisão através de dispositivos móveis, facilitando a vida dos gestores que estão em constante deslocamento, evitando que processos na empresa parem à espera da disponibilidade destes profissionais. PDV (Ponto de Venda): Solução desktop instalado na loja que possui recursos para o controle das informações sobre a rotina da empresa, desde o módulo de venda, emissão de NFe, SPED até o inventário. Estas soluções complementares geram melhores resultados quando estão integradas ao ERP, assim é importante escolher um produto completo que possa suprir estas necessidades à medida que a empresa cresce. Funcionamento nas empresas Em um primeiro momento, o sistema ajuda o gestor a: administrar as contas a pagar e a receber, monitorar as vendas e acompanhar os pedidos de compras. A ferramenta também contribui para a gestão de pessoas, por meio da oferta de informações sobre a produtividade da equipe, por exemplo. Dessa maneira, o sistema ERP facilita o gerenciamento das informações de diversos setores da organização. Essa característica aumenta o controle e o acompanhamento dos processos. Afinal, se cada departamento utilizar um software diferente, podem ser gerados erros nas informações que comprometerão a capacidade produtiva. Por sua vez, a integração dos dados aumenta a eficiência da gestão e dá rapidez aos procedimentos. A comunicação entre as equipes também passa a ser mais efetiva e os problemas podem ser resolvidos com agilidade. A consequência são menos impasses com clientes ou fornecedores. Quer entender como esse processo funciona na prática? Por exemplo: o ERP identifica que uma matéria-prima foi encaminhada ao setor de produção. De maneira automática, esse item é retirado do estoque e as informações do setor de compras são atualizadas. Desse modo, há mais facilidade para controlar a necessidade de aquisição de materiais. Além disso, o sistema pode auxiliar os departamentos de RH e finanças. Por exemplo: o gestor de recursos humanos lança os dados dos colaboradores, enquanto o financeiro insere as informações de pagamentos. Nesse processo, a solução faz o controle de todo o ciclo para evitar erros nos valores repassados. Por fim, o setor de marketing também pode utilizar o software de gestão. Ao perceber que um produto apresenta queda nas vendas, você pode realizar uma campanha específica para mudar a situação e evitar um prejuízo. Ainda existem outras funcionalidades oferecidas pelo ERP, entre elas: - simplificação de processos operacionais; - união de inteligência e qualidade para as informações; - controle de estoque e de custos; - gestão integrada dos dados; - controle e cumprimento dos prazos; - aumento da produtividade. Desse modo, fica claro que todos os setores são beneficiados. No entanto, saber o que é o ERP é apenas o primeiro passo. Mais que as aplicabilidades já destacadas, essa solução também fornece mais transparência às ações executadas. Principais módulos do ERP Um sistema ERP completo apresenta diversos módulos que podem fazer parte do modelo padrão ou indexados conforme as necessidades da companhia. Conheça os principais: - faturamento; - financeiro; - compras; - estoque; - RH; - fiscal; - gerenciamento de projetos; - produção. Vale a pena destacar que existe, portanto, a possibilidade de personalização. Vantagens do sistema ERP Automação Um sistema de gestão reduz o tempo necessário aos colaboradores para desempenhar tarefas burocráticas e repetitivas. O ERP automatiza as atividades e facilita a padronização de processos, com a adoção de estruturas simplificadas. Assim, seu negócio pode desempenhar as demandas de forma ágil e com grande potencial de colaboração entre equipes de diferentes setores. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 38MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Redução de custos O software ERP tem o importante papel de integrar informações de diferentes departamentos do negócio, a fim de facilitar o acesso aos dados. Dessa forma, o gestor acompanha melhor o dinheiro disponível em caixa e identifica o valor necessário para dar continuidade às operações. Por consequência, ele pode fazer um diagnóstico mais aprofundado sobre as medidas necessárias para diminuir custos sem afetar a produtividade. A ferramenta também ajuda a identificar os níveis necessários de estoque. O propósito é evitar uma quantidade excessiva de materiais e trabalhar com o estoque mínimo, a fim de evitar despesas significativas e a perda de oportunidades. Acompanhamento das vendas Um sistema ERP também possibilita monitorar o desempenho da equipe de vendas e dos produtos com maior saída. Dessa forma, o gestor identifica se é necessário investir mais em determinado segmento, por exemplo, ou se a melhor estratégia é a descontinuação de um item que não gera resultados expressivos para o negócio. A ferramenta ainda faz o registro da venda de um produto, com a baixa automática do item no estoque. Esse processo contribui para evitar erros sobre identificação da quantidade disponível para comercialização, por exemplo, o que favorece a diminuição de falhas durante as negociações. Além do mais, muitos sistemas de gestão permitem a criação de alertas pelo responsável do setor de estoque, com o intuito de ser informado sobre o momento em que o nível de armazenamento chegou a um limite mínimo recomendado. Com esse dado, é possível solicitar ao setor de compras a realização de um novo pedido ao fornecedor. Transparência e segurança O sistema ERP cria uma base centralizada de dados corporativos — situação que gera mais transparência aos processos e às informações. As atividades de cada área aparecem em uma única tela para os usuários, no formato de um dashboard. Com isso, há mais facilidade no monitoramento das demandas de cada setor. Além disso, um software de gestão aumenta os níveis de segurança dos dados do negócio, como vimos. Afinal, muitas ferramentas já possibilitam o envio das informações para a nuvem, que, geralmente, conta com sistemas robustos de proteção. Integração Os gestores nem sempre utilizam recursos tecnológicos na gestão e administram as informações do negócio com o uso de planilhas de Excel. Apesar de ser uma alternativa bastante utilizada, torna-se inviável quando a companhia cresce ou deseja se consolidar no mercado. Nesse caso, o controle fica mais difícil,pois o número de dados aumenta e os setores têm mais dificuldade de promover uma comunicação eficiente. A integração de ferramentas ainda facilita esse monitoramento do gestor e dos colaboradores da companhia. Assim, o sistema ERP permite acompanhar diversos departamentos ao mesmo tempo. O setor financeiro, por exemplo, pode ter acesso às informações da área de compras e efetuar o pagamento dos fornecedores. O software também simplifica o monitoramento da previsão de vendas. Com a identificação dos pedidos feitos pelos clientes, a equipe de produção programa suas atividades com mais eficiência. Por sua vez, o setor de estoque verifica com mais agilidade se os níveis dos itens estão adequados para atender à demanda, por exemplo. Fica claro, portanto, que essa integração de informações ajuda o gestor a fazer análises mais precisas sobre o negócio. O resultado é a tomada de decisão mais eficaz, que favorece o crescimento da empresa. Diminuição de erros O uso de diferentes sistemas dentro da companhia pode gerar falhas na comunicação entre as plataformas e erros nas informações. A mesma situação ocorre quando os colaboradores preferem encaminhar dados por e-mails ou planilhas de Excel. Com o uso de um sistema ERP, há diminuição de falhas no gerenciamento e no registro das informações. A solução também evita que dois setores diferentes precisem cadastrar dados semelhantes, mas que terão usos diferenciados. Por exemplo: os vendedores lançam os dados sobre os pedidos no software. As informações já seguem para a equipe administrativa, que as utiliza para fazer a emissão de notas e boletos. Elas também são repassadas à equipe de expedição de pedidos, a fim de diminuir o tempo de espera do cliente e os erros cometidos nesses processos. Gestão de pessoas A falta de utilização de sistemas integrados, geralmente, gera a perda significativa de tempo com tarefas administrativas. Essa característica leva à diminuição da produtividade da equipe e da eficiência das operações. Ao utilizar um sistema ERP, os profissionais dedicam suas horas de trabalho ao desempenho de atividades que geram mais valor para a organização, como a definição de estratégias de vendas, marketing e contratação de pessoas. O setor de recursos humanos também ganha mais tempo para se dedicar ao desempenho de demandas que buscam valorizar o colaborador, como a criação de um plano de carreira e de cursos de capacitação. Assim, os colaboradores se sentem mais motivados para desempenhar suas atividades. Ao mesmo tempo, a empresa utiliza seu potencial humano para obter diferenciais competitivos e se destacar da concorrência. Auxílio às tomadas de decisão Uma gestão mais efetiva das informações auxilia na identificação de quais áreas precisam de mais investimentos, assim como das estratégias a serem adotadas para reduzir custos. O sistema ERP realiza essas atividades e ainda contribui para a detecção de falhas nos processos e a visualização dos principais fatores que geram despesas desnecessárias. Da mesma forma, ele conta com funcionalidades que permitem a visualização gráfica das informações mais importantes da companhia e facilita a identificação dos principais indicadores de desempenho do negócio, bem como sua configuração para um monitoramento automático. Em resumo, o gestor acompanha os KPIs (Key Performance Indicators), analisa e identifica as principais causas dos problemas, e adota medidas para solucioná-los com mais rapidez e eficiência. Conceitos de custos logísticos Chamamos de custos logísticos todos aqueles gastos relacionados a demandas e processos logísticos de uma empresa. Eles podem variar de uma organização para outra, de acordo com o nicho de cada uma. Mas, em geral, envolvem: - despesas com armazenamento; - despesas com transporte e frota; - despesas com mão-de-obra; - despesas com embalagem; - despesas com tarifas e impostos; - adoção de tecnologias para a melhoria do trabalho. Todos esses fatores são pontos que interferem e influenciam no cálculo final do custo logístico. Trata-se de uma despesa nem sempre compreendida pelo gestor, mas que consome uma fatia generosa do orçamento da empresa. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 39MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Principais custos O transporte Os custos logísticos para manter uma frota são muito altos, envolvendo gastos com aquisição, manutenção, depreciação e operação. Além do mais, esses custos de transporte envolvem outros gastos, decorrentes dos problemas de infraestrutura, roubos de cargas e riscos de acidentes. A armazenagem Os custos com armazenagem também podem representar uma boa porcentagem dos custos logísticos, envolvendo mão de obra, aluguel de galpões, equipamentos, instalações. São as operações de armazenagem que asseguram as condições essenciais para que a organização tenha meios de guardar sua matéria-prima e produtos de forma adequada. Assim, os custos com armazenagem são proporcionais à rotatividade dos insumos. Uma empresa que produz muito, mas vende pouco terá custos altos de armazenagem. Esses custos também aumentam quando há estoques superlotados, principalmente com baixa demanda. As embalagens As embalagens transformaram-se em itens essenciais para os processos logísticos, especialmente com o desenvolvimento do e-commerce, que favoreceu o transporte de um sem-número de mercadorias de diversas naturezas. A logística foi compelida a ajustar-se a essa nova realidade, e os custos aumentaram. Existem necessidades, como transporte de cargas frágeis em embalagens que garantam a segurança do produto durante o trajeto. Quanto mais frágil ou perigoso for o produto ou matéria- prima, maior será a necessidade de investir em embalagens adequadas — e os custos logísticos tendem aumentar. A tecnologia Para melhorar a eficiência de suas operações logísticas, as empresas vêm investindo em tecnologia de ponta. Dessa maneira, os custos logísticos também envolvem a aquisição, instalação e manutenção de determinados equipamentos e dispositivos. As empresas reservam parte de seu capital de giro para investir em tecnologia. Mas vale frisar que se trata mais de um investimento do que de um custo somente. Afinal de contas, de algum modo, a tecnologia vai contribuir para aumentar a produtividade, melhorar a eficiência dos processos e também reduzir custos. Por exemplo, a manutenção de sistemas de monitoramento e rastreamento de carga são custos. Contudo, é importante lembrar que, usando esses sistemas, os riscos nas estradas diminuem bastante, o que só traz benefícios ao caixa da empresa, gerando economia em médio e longo prazo. Os recursos humanos As operações logísticas requerem mão de obra. Dessa maneira, manter equipes de profissionais em diversas áreas (operacional, liderança, marketing e outras) envolve muitos gastos, considerando especialmente que, na logística, há pouca disponibilidade de trabalhadores qualificados, o que aumenta a média salarial deles. Geralmente, a empresa precisa aplicar recursos em treinamentos e capacitações para os profissionais de seu quadro de funcionários. Isso significa que existem custos logísticos para contratação e manutenção dos funcionários que atuam sobre os processos logísticos. BLOCO III MOVIMENTAÇÃO E TRANSPORTE DE CARGAS E PRODUTOS PERIGOSOS: PRODUTOS PERIGOSOS, EXPLOSIVOS, GASES, LÍQUIDOS INFLAMÁVEIS, SÓLIDOS OU SUBSTÂNCIAS INFLAMÁVEIS, SUBSTÂNCIAS OXIDANTES, SUBSTÂNCIAS TÓXICAS, INFECTANTES E IRRITANTES, SUBSTÂNCIAS RADIOATIVAS, CORROSIVOS E SUBSTÂNCIAS PERIGOSAS DIVERSAS Segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o transporte de cargas perigosas refere- se à movimentação de produtos de natureza química,biológica ou radiológica e que são nocivas ao meio ambiente e ao ser humano. A Resolução 5.232/16 e a Resolução 5.848/19 trazem informações acerca do regulamento do transporte rodoviário no país e lista quase 3 mil mercadorias que são enquadradas como cargas perigosas. Assim, por medida de segurança, os produtos são classificados de acordo com sua natureza. Dessa forma, em caso de vazamento ou perda, é possível tomar as medidas corretas a fim de não piorar a situação. Veja a divisão: - explosivos: substâncias que produzem gases e calor, como pólvora ou nitroglicerina; - gases: esses produtos dispersam-se facilmente e não apresentam odor ou cor, como gás de cozinha, cloro e amônia; - líquidos inflamáveis: esses produtos geram reação de combustão em alta temperatura. Isso ocorre com os combustíveis, como gasolina, álcool e óleo diesel; - sólidos inflamáveis: essas substâncias se tornam inflamáveis com o atrito ou contato com chamas, como o enxofre; - substâncias tóxicas: produtos químicos capazes de causar danos sérios à saúde do ser humano, como os pesticidas; - material corrosivo: seja no estado líquido seja no estado sólido, os materiais corrosivos causam queimaduras ao entrar em contato com a pele, como o ácido sulfúrico e hidróxido de sódio. - material radioativo: utilizados na área industrial e no setor hospitalar, esses elementos liberam radioatividade e precisam ser transportados em contêineres blindados de chumbo que garantam que a radioatividade não se espalhe. Para realizar o transporte de cargas perigosas, é necessário obter uma certificação específica, conhecida como MOPP, sigla para Movimentação Operacional de Produtos Perigosos. Administrada pelo CONTRAN, essa certificação busca garantir a capacitação do condutor para manter a segurança dele, da carga e dos outros motoristas, além de garantir o conhecimento teórico e prático a respeito do que deve ser feito em caso de acidentes ou problemas com cargas perigosas. Treinamento MOPP para motorista de caminhão O curso de MOPP para capacitação de caminhoneiros no transporte de cargas perigosas foi estabelecido pelo decreto 96.044/88 do Conselho Nacional de Trânsito, definindo a carga horária de até 60 horas para o treinamento completo. Essencial para otimizar a direção defensiva, proteger a carga em situações adversas e capacitar o motorista para agir adequadamente em caso de acidentes, podemos entender que o objetivo do curso MOPP é mostrar o que deve ser feito em um eventual vazamento de produtos tóxicos ou incêndio com risco de explosão. Resumidamente, os temas abordados são: - Meio ambiente; - Cidadania; - Direção defensiva; - Leis de trânsito; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 40MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL - Normas de segurança; - Primeiros socorros; - Prevenção de acidentes; - Movimentação de produtos perigosos. O treinamento, assim como sua eventual renovação, é obrigatório para quem deseja realizar o transporte de cargas perigosas. Cargas perigosas Carga perigosa é aquela que pode causar danos à população e ao meio ambiente, devido às suas características tóxicas, explosivas, inflamáveis, entre outras. Além disso, a movimentação de cargas perigosas deve seguir as regras determinadas pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), quanto ao tipo de embalagem do produto a ser transportado, meio de transporte utilizado (aéreo, terrestre, ferroviário ou marinho), rótulos ou sinalizações exigidos, volume, entre outras regras importantes para a segurança da equipe e da população em geral. É importante lembrar, também, que não há especificações quanto aos tipos de veículos autorizados a transportar esse tipo de carga. É permitida a utilização de carros, motos, caminhões, bicicletas, carroça, carros de mão, entre outros meios de transporte, desde que sejam atendidas as exigências para esse tipo de operação e que o veículo esteja inscrito no Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas — nos casos de transportes com fins comerciais, econômicos ou no sistema terceirizado, quando há remuneração envolvida. Explosivos Uma carga é considerada explosiva quando é capaz de produzir uma reação química com temperatura, velocidade e pressão suficientes para causar destruição em tudo o que há ao seu redor. Pode ter consistência sólida ou líquida, como as munições, substâncias pirotécnicas (pólvora, basicamente), nitroglicerina, nitrometano, nitrato de metila, entre outros materiais semelhantes. Muito utilizada em eventos pirotécnicos, a pólvora é uma das cargas mais perigosas que existem. Gases Gases dissolvidos, liquefeitos, refrigerados, aerossóis, propano, butano, monóxido de carbono são alguns exemplos de gases considerados perigosos pelo seu poder tóxico ou inflamável, principalmente, quando há uma alta concentração do produto, que é o que os torna ainda mais perigosos, tanto durante o transporte como durante a armazenagem. Uma concentração acima do normal de um gás liquefeito é o que pode torná-lo uma carga bastante perigosa. Líquidos inflamáveis A categoria de líquidos inflamáveis abrange as misturas de líquidos em cuja composição haja partículas dissolvidas ou em estado de suspensão. Para que sejam perigosos, esses líquidos devem ser capazes de produzir uma espécie de vapor que, a uma temperatura entre 60°C e 65,5°C, torne- se inflamável e perigoso durante o transporte. Por conterem sólidos em suspensão, as tintas produzem vapores altamente inflamáveis. Sólidos inflamáveis Outra categoria contemplada na Resolução nº 5.232/2016, sobre movimentação de cargas perigosas, são os “sólidos inflamáveis”, que nada mais são do que materiais combustíveis (pela sua natureza) ou capazes de produzir fogo ao sofrerem atrito. Nessa categoria, enquadram-se, também, as substâncias que produzem gases inflamáveis na presença de água, produzem combustão espontaneamente ou que aqueçam de forma perigosa quando expostas ao ar. Apesar de bastante utilizado como aditivo nos alimentos, o dióxido de titânio pode ser altamente inflamável em contato com o ar. Substâncias oxidantes e peróxidos orgânicos As chamadas “substâncias oxidantes” são aquelas capazes de liberar oxigênio e, com isso, permitir a combustão de outros materiais. São exemplos de substâncias oxidantes o clorato, o nitrato, o peróxido de hidrogênio (água oxigenada), entre outros. Já os peróxidos orgânicos são espécies de derivados das substâncias oxidantes, instáveis quanto à sua temperatura e capazes de emitir calor do seu interior para o ambiente externo. O peróxido de benzoíla é um bom exemplo desse tipo de substância, muito utilizado na indústria de plásticos. O peróxido de hidrogênio, popularmente conhecido como “água oxigenada”, é um líquido capaz de liberar oxigênio, permitindo a combustão de outros materiais. Substâncias tóxicas e substâncias infectantes O transporte de materiais perigosos, como as substâncias tóxicas e infectantes, também deve atender às determinações da resolução 3.655/2011, que, entre outras coisas, as define como substâncias capazes de causar danos graves ou morte de seres vivos por inalação ou ingestão. Isso por que geralmente contêm microrganismos causadores de doenças, como vírus, fungos, bactérias, protozoários, entre outros. As vacinas podem passar de uma substância que salva vidas para um material perigoso, devido à sua composição à base de microrganismos Material radioativo Um determinado material é considerado radioativo quando é composto por substâncias capazes de emitir radioatividade, como o Urânio (U), Rádio (Ra), Césio (Cs), Polônio (Po), entre outras substâncias semelhantes. O problema ocorre pelo fato de que esses elementos sãocapazes de emitir partículas eletromagnéticas (alfa, beta, gama, basicamente) do seu núcleo atômico para o ambiente externo, causando uma espécie de interação com a matéria à sua volta. Tragédias como a de Fukushima, no Japão, demonstram o potencial de periculosidade dos materiais radioativos. Substâncias corrosivas Quando uma substância é capaz de, por meio de uma reação química, causar a degradação dos tecidos de um ser vivo por um simples contato, ou também quando é capaz de destruir os próprios compartimentos onde são transportados, ela pode ser enquadrada na categoria de “substâncias corrosivas”, tendo que se submeter às exigências para movimentação de cargas perigosas. Chumbo, zinco, mercúrio, entre outros, são alguns dos metais corrosivos presentes nas pilhas comuns. Substâncias e artigos perigosos diversos, incluindo substâncias que apresentem risco para o meio ambiente Essa categoria é específica para as substâncias e os materiais que não foram contempladas nas categorias anteriores. Pode constar aqui qualquer substância na forma de pó, capaz de causar danos à saúde quando inalada ou que solte vapor combustível; líquidos transportados a temperaturas acima de 100°C; e demais substâncias que possam causar algum transtorno ao meio ambiente. Muito utilizado na fabricação de telhas e caixas d’água, o amianto, na forma de pó, pode ser altamente tóxico quando inalado. NR 11 - TRANSPORTE, MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE MATERIAIS. 11.1 Normas de segurança para operação de elevadores, guindastes, transportadores industriais e máquinas transportadoras. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 41MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL 11.1.1 Os poços de elevadores e monta-cargas deverão ser cercados, solidamente, em toda sua altura, exceto as portas ou cancelas necessárias nos pavimentos. 11.1.2 Quando a cabina do elevador não estiver ao nível do pavimento, a abertura deverá estar protegida por corrimão ou outros dispositivos convenientes. 11.1.3 Os equipamentos utilizados na movimentação de materiais, tais como ascensores, elevadores de carga, guindastes, monta-carga, pontes-rolantes, talhas, empilhadeiras, guinchos, esteiras-rolantes, transportadores de diferentes tipos, serão calculados e construídos de maneira que ofereçam as necessárias garantias de resistência e segurança e conservados em perfeitas condições de trabalho. 11.1.3.1 Especial atenção será dada aos cabos de aço, cordas, correntes, roldanas e ganchos que deverão ser inspecionados, permanentemente, substituindo-se as suas partes defeituosas. 11.1.3.2 Em todo o equipamento será indicado, em lugar visível, a carga máxima de trabalho permitida. 11.1.3.3 Para os equipamentos destinados à movimentação do pessoal serão exigidas condições especiais de segurança. 11.1.4 Os carros manuais para transporte devem possuir protetores das mãos. 11.1.5 Nos equipamentos de transporte, com força motriz própria, o operador deverá receber treinamento específico, dado pela empresa, que o habilitará nessa função. 11.1.6 Os operadores de equipamentos de transporte motorizado deverão ser habilitados e só poderão dirigir se durante o horário de trabalho portarem um cartão de identificação, com o nome e fotografia, em lugar visível. 11.1.6.1 O cartão terá a validade de 1 (um) ano, salvo imprevisto, e, para a revalidação, o empregado deverá passar por exame de saúde completo, por conta do empregador. 11.1.7 Os equipamentos de transporte motorizados deverão possuir sinal de advertência sonora (buzina). 11.1.8 Todos os transportadores industriais serão permanentemente inspecionados e as peças defeituosas, ou que apresentem deficiências, deverão ser imediatamente substituídas. 11.1.9 Nos locais fechados ou pouco ventilados, a emissão de gases tóxicos, por máquinas transportadoras, deverá ser controlada para evitar concentrações, no ambiente de trabalho, acima dos limites permissíveis. 11.1.10 Em locais fechados e sem ventilação, é proibida a utilização de máquinas transportadoras, movidas a motores de combustão interna, salvo se providas de dispositivos neutralizadores adequados. 11.2 Normas de segurança do trabalho em atividades de transporte de sacas. 11.2.1 Denomina-se, para fins de aplicação da presente regulamentação a expressão "Transporte manual de sacos" toda atividade realizada de maneira contínua ou descontínua, essencial ao transporte manual de sacos, na qual o peso da carga é suportado, integralmente, por um só trabalhador, compreendendo também o levantamento e sua deposição. 11.2.2 Fica estabelecida a distância máxima de 60,00m (sessenta metros) para o transporte manual de um saco. 11.2.2.1 Além do limite previsto nesta norma, o transporte descarga deverá ser realizado mediante impulsão de vagonetes, carros, carretas, carros de mão apropriados, ou qualquer tipo de tração mecanizada. 11.2.3 É vedado o transporte manual de sacos, através de pranchas, sobre vãos superiores a 1,00m (um metro) ou mais de extensão. 11.2.3.1 As pranchas de que trata o item 11.2.3 deverão ter a largura mínima de 0,50m (cinqüenta centímetros). 11.2.4 Na operação manual de carga e descarga de sacos, em caminhão ou vagão, o trabalhador terá o auxílio de ajudante. 11.2.5 As pilhas de sacos, nos armazéns, devem ter altura máxima limitada ao nível de resistência do piso, à forma e resistência dos materiais de embalagem e à estabilidade, baseada na geometria, tipo de amarração e inclinação das pilhas. (Alterado pela Portaria SIT n.º 82, de 01 de junho de 2004) 11.2.6 (Revogado pela Portaria SIT n.º 82, de 01 de junho de 2004) 11.2.7 No processo mecanizado de empilhamento, aconselha-se o uso de esteiras-rolantes, dadas ou empilhadeiras. 11.2.8 Quando não for possível o emprego de processo mecanizado, admite-se o processo manual, mediante a utilização de escada removível de madeira, com as seguintes características: a) lance único de degraus com acesso a um patamar final; b) a largura mínima de 1,00m (um metro), apresentando o patamar as dimensões mínimas de 1,00m x 1,00m (um metro x um metro) e a altura máxima, em relação ao solo, de 2,25m (dois metros e vinte e cinco centímetros); c) deverá ser guardada proporção conveniente entre o piso e o espelho dos degraus, não podendo o espelho ter altura superior a 0,15m (quinze centímetros), nem o piso largura inferior a 0,25m (vinte e cinco centímetros); d) deverá ser reforçada, lateral e verticalmente, por meio de estrutura metálica ou de madeira que assegure sua estabilidade; e) deverá possuir, lateralmente, um corrimão ou guarda- corpo na altura de 1,00m (um metro) em toda a extensão; f) perfeitas condições de estabilidade e segurança, sendo substituída imediatamente a que apresente qualquer defeito. 11.2.9 O piso do armazém deverá ser constituído de material não escorregadio, sem aspereza, utilizando-se, de preferência, o mastique asfáltico, e mantido em perfeito estado de conservação. 11.2.10 Deve ser evitado o transporte manual de sacos em pisos escorregadios ou molhados. 11.2.11 A empresa deverá providenciar cobertura apropriada dos locais de carga e descarga da sacaria. 11.3 Armazenamento de materiais. 11.3.1 O peso do material armazenado não poderá exceder a capacidade de carga calculada para o piso. 11.3.2 O material armazenado deverá ser disposto de forma a evitar a obstrução de portas, equipamentos contra incêndio, saídas de emergências, etc. 11.3.3. Material empilhado deverá ficar afastado das estruturas laterais do prédio a uma distância de pelo menos 0,50m (cinquenta centímetros). 11.3.4 A disposição da carga não deverá dificultar o trânsito, a iluminação, e o acesso às saídas de emergência. 11.3.5O armazenamento deverá obedecer aos requisitos de segurança especiais a cada tipo de material. 11.4 Movimentação, Armazenagem e Manuseio de Chapas de Mármore, Granito e outras rochas. (Acrescentado pela Portaria SIT n.º 56, de 17 de setembro de 2003) 11.4.1 A movimentação, armazenagem e manuseio de chapas de mármore, granito e outras rochas deve obedecer ao disposto no Regulamento Técnico de Procedimentos constante no Anexo I desta NR. (Acrescentado pela Portaria SIT n.º 56, de 17 de setembro de 2003) ANEXO I DA NR-11 REGULAMENTO TÉCNICO DE PROCEDIMENTOS PARA MOVIMENTAÇÃO, ARMAZENAGEM E MANUSEIO DE CHAPAS DE ROCHAS ORNAMENTAIS 1. Princípios gerais 1.1 Este Regulamento Técnico define princípios fundamentais e medidas de proteção para preservar a saúde e a integridade física dos trabalhadores e estabelece requisitos mínimos para a prevenção de acidentes e doenças do trabalho no comércio e na indústria de beneficiamento, transformação, movimentação, manuseio e armazenamento de chapas rochas ornamentais, sem prejuízo da observância do disposto nas demais Normas Regulamentadoras - NR aprovadas pela Portaria n.º 3.214, de 8 de junho de 1978, nas normas técnicas vigentes e, na ausência ou omissão destas, nas normas internacionais aplicáveis. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 42MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL 1.2 Os equipamentos devem ser calculados e construídos de maneira que ofereçam as necessárias garantias de resistência e segurança, conservados em perfeitas condições de trabalho. 1.2.1 Em todo equipamento deve ser indicado, em lugar visível, a sua identificação, carga máxima de trabalho permitida, nome e CNPJ do fabricante e responsável técnico. 1.2.1.1 As informações indicadas no subitem 1.2.1 e demais pertinentes devem constar em livro próprio. 1.2.1.2 Carros porta-blocos e fueiros podem ser identificados somente com número próprio e carga máxima de trabalho permitida. 1.2.2 O fabricante do equipamento deve fornecer manual de instrução, atendendo aos requisitos estabelecidos na NR- 12, objetivando a correta operação e manutenção, além de subsidiar a capacitação do operador. 1.3 A empresa deve manter registro, em meio físico ou eletrônico, de inspeção periódica e de manutenção dos equipamentos e elementos de sustentação utilizados na movimentação, armazenagem e manuseio de chapas de rochas ornamentais. 1.3.1 Após a inspeção do equipamento ou elemento de sustentação, deve ser emitido “Relatório de Inspeção”, com periodicidade anual, elaborado por profissional legalmente habilitado com ART – Anotação de Responsabilidade Técnica – recolhida, que passa a fazer parte da documentação do equipamento. 1.3.2 As inspeções rotineiras e manutenções devem ser realizadas por profissional capacitado ou qualificado. 1.3.3 A empresa deve manter no estabelecimento nota fiscal do equipamento adquirido ou, no caso de fabricação própria, os projetos, laudos, cálculos e as especificações técnicas. 1.4 As áreas de movimentação de chapas devem propiciar condições para a realização do trabalho com segurança. 1.4.1 A circulação de pessoas nas áreas de movimentação de chapas deve ser interrompida durante a realização desta atividade. 2. Requisitos técnicos para equipamentos utilizados para movimentação, armazenagem e manuseio de chapas de rochas ornamentais 2.1 Fueiros ou “L” 2.1.1 As proteções laterais (“L” ou Fueiros) devem possuir sistema de trava que impeça a sua saída acidental dos encaixes do carro porta-bloco. 2.1.1.1 O carro porta-bloco deve possuir no mínimo duas guias para evitar o deslocamento lateral do “L”. 2.1.2 Deve-se instalar a proteção lateral (“L” ou Fueiro) no carro porta-bloco previamente à retirada do sistema de sustentação do equipamento de elevação das frações de bloco (“enteras”). 2.1.2.1 A retirada das proteções laterais (“L” ou Fueiros) somente poderá ser realizada dentro do alojamento do tear. 2.1.3 Os blocos serrados, ainda sobre o carro porta- bloco e dentro do alojamento do tear, devem possuir ou receber, no mínimo, três proteções laterais (“L” ou Fueiros) de cada lado, para impedir a queda das chapas. 2.1.4 As proteções laterais (“L” ou Fueiros) devem ser mantidas até a retirada de todas as chapas. 2.2 Carro porta-blocos e carro transportador 2.2.1 O carro porta-blocos e o carro transportador devem dispor de proteção das partes que ofereçam risco, com atenção especial aos cabos de aço, ganchos, roldanas, rodas do carro, polias, correias, engrenagens, acoplamentos e partes elétricas. 2.2.2 Nenhum trabalho pode ser executado com pessoas entre as chapas. 2.2.3 É proibida a retirada de chapas de um único lado do carro porta-blocos, com objetivo de manter a sua estabilidade. 2.2.4 A operação do carro transportador e do carro porta- bloco deve ser realizada por, no mínimo, duas pessoas capacitadas, conforme o item 5 deste Anexo. 2.3 Pátio de estocagem 2.3.1 Nos locais do pátio onde for realizada a movimentação e armazenagem de chapas, devem ser observados os seguintes critérios: a) o piso deve ser pavimentado, não ser escorregadio, não ter saliências, ser nivelado e com resistência suficiente para suportar as cargas usuais; (vide prazo para aplicação no art. 2º da Portaria MTPS n.º 505, de 29 de abril de 2016) b) a área de armazenagem de chapas deve ser protegida contra intempéries. (vide prazo para aplicação no art. 2º da Portaria MTPS n.º 505, de 29 de abril de 2016) 2.4 Cavaletes 2.4.1 Os cavaletes devem estar instalados sobre bases construídas de material resistente e impermeável, de forma a garantir perfeitas condições de estabilidade e de posicionamento, observando-se os seguintes requisitos: a) os cavaletes devem garantir adequado apoio das chapas e possuir altura mínima de um metro e cinquenta centímetros (1,5m ); b) os cavaletes verticais devem ser compostos de seções com largura máxima de vinte e cinco centímetros (0,25m); c) os palitos dos cavaletes verticais devem ter espessura que possibilite resistência aos esforços das cargas usuais e ajustados ou soldados em sua base, garantindo a estabilidade; d) cada cavalete vertical deve ter no máximo seis metros de comprimento, sendo que as peças das extremidades devem possuir maior resistência; e) deve ser garantido um espaço, devidamente sinalizado, com no mínimo oitenta centímetros entre os extremos e as laterais dos cavaletes; f) a distância entre cavaletes e as paredes do local de armazenagem deve ser de no mínimo cinquenta centímetros (0,5m); g) a área principal de circulação de pessoas deve ser demarcada e possuir no mínimo um metro e vinte centímetros de largura (1,20m); h) os cavaletes devem ser mantidos em perfeitas condições de uso: pintados, sem corrosão e sem danos à sua estrutura; i) é proibido o uso de prolongadores a fim de ampliar a capacidade de armazenamento dos cavaletes em formato triangular; j) as atividades de retirada e colocação de chapas em cavaletes devem ser realizadas obrigatoriamente com pelo menos um trabalhador em cada extremidade da chapa; k) cada par de cavaletes deve possuir sistema de travamento ou amarração entre si a fim de garantir a estabilidade do equipamento. 2.5 Movimentação de chapas com uso de ventosas 2.5.1 Na movimentação de chapas com o uso de ventosas, devem ser observados os seguintes requisitos mínimos: a) a válvula direcional das ventosas deve ter acesso e localização facilitados ao operador, respeitando-se a postura e a segurança do operador; b) as ventosas devem ser dotadas de dispositivo auxiliar que garanta a contenção da mangueira, evitando seu ricocheteamento em caso de desprendimento acidental; c) as mangueiras devem estar protegidas, firmementepresas aos tubos de saída e de entrada e afastadas das vias de circulação; d) as borrachas das ventosas devem ter manutenção periódica e imediata substituição em caso de desgaste, defeitos ou descolamento; e) procedimentos de segurança a serem adotados para garantir a movimentação segura de chapas em caso de falta de energia elétrica. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 43MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL 2.5.2 As ventosas com vácuo gerado por equipamento elétrico devem possuir alarme sonoro e visual que indique pressão fora dos limites de segurança estabelecidos. 2.6 Movimentação de chapas com uso de cabos de aço, vigas de suspensão, cintas, correntes, garras, ovador de contêineres e outros equipamentos 2.6.1 Na movimentação de chapas com a utilização de vigas de suspensão, garras, ovador de contêineres e outros equipamentos de movimentação, devem ser observadas a capacidade de sustentação destes meios de içar e a capacidade de carga do equipamento de elevação, atendendo às especificações técnicas e recomendações do fabricante. 2.6.1.1 Os cabos de aço, cintas, correntes e outros acessórios devem estar devidamente dimensionados, de acordo com as características das cargas a serem movimentadas. 2.6.2 O empregador deve manter no estabelecimento à disposição da fiscalização as notas fiscais de aquisição dos cabos de aço, correntes, cintas e outros acessórios, com os respectivos certificados. 2.6.3 A movimentação de chapas com uso de garras só pode ser realizada pegando-se uma chapa por vez. 2.6.4 As chapas movimentadas com uso de carro de transferência devem possuir amarração com cintas ou material de resistência equivalente. 3. Condições ambientais e equipamentos para movimentação de chapas fracionadas de rochas ornamentais em marmorarias 3.1 Os pisos dos locais de trabalho onde houver movimentação de chapas de rochas ornamentais fracionadas devem ser projetados e construídos de acordo com parâmetros técnicos, com o objetivo de suportar as cargas usuais e oferecer segurança na movimentação. 3.1.1 Os pisos devem ter superfície regular, firme, estável e antiderrapante sob qualquer condição, de forma a não provocar trepidação nos equipamentos de movimentação de chapas fracionadas. 3.1.1.1 A inclinação longitudinal do piso deve ser de, no máximo, 5% (cinco por cento). 3.1.1.1.1 As inclinações superiores a 5% (cinco por cento) são consideradas rampas e devem ser calculadas de acordo com a seguinte equação: onde: i = inclinação, em porcentagem; h = altura do desnível; c = comprimento da projeção horizontal. 3.1.1.1.1.1 Independente do comprimento da rampa e sem prejuízo do teor do item 3.1.1.1.1, a inclinação máxima permitida é de 12,50% (doze inteiros e cinquenta centésimos por cento). 3.2 A largura das vias onde houver movimentação de chapas fracionadas de rochas ornamentais deve ser de, no mínimo, um metro e vinte centímetros (1,2m). 3.3 O equipamento para movimentação de chapas fracionadas de rochas ornamentais deve possuir no mínimo três rodas, resistência, estabilidade e facilidade de mobilidade, identificação de capacidade máxima de carga e ser compatível com as cargas. 3.3.1 As cargas de chapas fracionadas devem estar devidamente amarradas à estrutura do equipamento. 4. Carga e descarga de chapas de rochas ornamentais 4.1 A empresa deve destinar área específica de carga e descarga de chapas, com sinalização horizontal e vertical. 4.1.1 O espaço destinado à carga e descarga de materiais e o acesso ao veículo de carga devem oferecer condições para que a operação se realize com segurança. 4.1.1.1 As movimentações de cargas devem seguir instruções definidas em procedimentos específicos para cada tipo de carga, objetivando a segurança da operação para pessoas e materiais. 4.2 A área de operação onde houver utilização de pistola pneumática portátil deve ser delimitada e sinalizada, proibindo-se a presença de pessoas não envolvidas na atividade nesta área. 4.3 A atividade de empacotamento de chapas deve ser realizada com uso de cavaletes que propiciem boa postura e segurança aos trabalhadores. 4.4 O interior de contêineres deve possuir iluminação natural ou artificial, nos termos definidos nas Normas de Higiene Ocupacional da FUNDACENTRO. 4.5 Os trabalhos no interior de contêineres devem ser realizados com equipamentos e meios de acesso seguros e adequados à natureza das atividades. 4.6 É proibida a permanência de trabalhadores no interior de contêineres durante a entrada da carga. 4.7 A retirada da amarração da carga no contêiner só poderá ser realizada após a estabilização e fixação primária da carga. 5. Capacitação para movimentação, armazenagem e manuseio de chapas de rochas ornamentais 5.1 A movimentação, manuseio e armazenagem de chapas de rochas ornamentais somente podem ser realizadas por trabalhador capacitado e autorizado pelo empregador. 5.2 A capacitação deve ocorrer após a admissão do trabalhador, dentro dos horários normais de trabalho e ser custeada integralmente pelo empregador. 5.2.1 As instruções visando à informação e à capacitação do trabalhador devem ser elaboradas em linguagem compreensível e adotando-se metodologias, técnicas e materiais que facilitem o aprendizado. 5.3 Além de capacitação, informações e instruções, o trabalhador deve receber orientação em serviço, que consiste de período no qual deve desenvolver suas atividades sob orientação e supervisão direta de outro trabalhador capacitado e experiente, com duração mínima de trinta dias. 5.4 A capacitação para movimentação, manuseio e armazenagem de chapas de rochas ornamentais deve atender ao conteúdo programático e carga horária conforme item 5.7. 5.4.1 As aulas teóricas devem ser limitadas a quarenta participantes por turma. 5.4.2 As aulas práticas devem ser limitadas a oito participantes para cada instrutor. 5.4.2.1 O certificado somente será concedido ao participante que cumprir a carga horária total dos módulos e demonstrar habilidade na operação dos equipamentos. 5.4.3 O certificado deve conter o nome do trabalhador, conteúdo programático, carga horária diária e total, data, local, nome e formação profissional do(s) instrutor(es), nome e assinatura do responsável técnico ou do responsável pela organização técnica do curso. 5.4.3.1 O certificado deve ser fornecido ao trabalhador, mediante recibo, arquivando-se uma cópia na empresa. 5.4.4 Os participantes da capacitação devem receber material didático impresso. 5.5 Deve ser realizada nova capacitação a cada três anos, com carga horária mínima de dezesseis horas, sendo oito horas com conteúdo do Módulo I e oito horas do Módulo III, referidos no item 5.7 deste Anexo. 5.6 Deve ser realizada nova capacitação, com carga horária e conteúdo programático que atendam às necessidades que a motivou, nas situações previstas abaixo: a) troca de função; CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 44MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL b) troca de métodos e organização do trabalho; c) retorno de afastamento ao trabalho ou inatividade, por período superior a seis meses; d) modificações significativas nas instalações, operação de máquinas, equipamentos ou processos diferentes dos que o trabalhador está habituado a operar. 5.7 Programas de capacitação Módulo I - SAÚDE, SEGURANÇA E HIGIENE NO TRABALHO Carga horária: 16 horas Objetivo: Preservar a saúde e a integridade física do trabalhador, informar sobre os riscos ambientais e desenvolver cultura prevencionista. Conteúdoprogramático mínimo: 1. Conceito de acidentes de trabalho: prevencionista, legal; 2. Tipos de acidente; 3. Comunicação de Acidente de Trabalho – CAT; 4. Causas de acidentes de trabalho: homem, máquina, ambiente etc.; 5. Consequências dos acidentes de trabalho; 6. Acidentes com movimentação, manuseio e armazenagem de chapas de rochas ornamentais: análise de causas e medidas preventivas; 7. Riscos ambientais: físicos, químicos, biológicos e ergonômicos; 8. Riscos de acidentes; 9. Metodologias de Análise de Riscos: conceitos e exercícios práticos; 10. Equipamentos de proteção coletiva; 11. Medidas técnicas e administrativas; 12. Equipamentos de Proteção Individual; 13. Inspeção de Segurança. Módulo II - ESTUDO DO CONTEÚDO DO ANEXO I DA NR-11 Carga horária: 4 horas Objetivo: Fornecer conhecimentos básicos ao participante para assimilar o conteúdo da legislação de segurança do setor de rochas ornamentais. Conteúdo programático mínimo: 1. Carro Porta-Blocos; 2. Fueiros ou “L”; 3. Carro Transportador; 4. Cavalete Triangular; 5. Cavalete Vertical ou Palito; 6. Ventosa: operação e procedimentos de segurança; 7. Cinta; 8. Viga de suspensão; 9. Garra (Pinça); 10. Cabo de aço; 11. Correntes; 12. Ovador de Contêiner; 13. Equipamento de movimentação de chapas fracionadas; 14. Inspeção nos equipamentos e acessórios; 15. Registros de inspeção de segurança nos equipamentos e acessórios. Módulo III - SEGURANÇA NA OPERAÇÃO DE PONTE ROLANTE Carga horária: 16 horas Objetivo: Nas aulas teóricas e práticas, os participantes devem adquirir conhecimentos e desenvolver competências no controle da movimentação de carga de chapas de rochas ornamentais, objetivando que tal atividade se desenvolva com segurança. Aulas teóricas: 8 horas Conteúdo Programático mínimo: 1. Princípios de segurança na utilização dos equipamentos; 2. Descrição dos riscos relacionados aos equipamentos; 3. Centro de gravidade de cargas; 4. Amarração de cargas; 5. Escolha dos tipos de cabos de aço (estropos); 6. Capacidade de carga dos cabos de aço, cintas e correntes; 7. Critérios de descarte para cabos de aço, cintas e correntes; 8. Acessórios para garantir boa amarração; 9. Uso de quebra-canto; 10. Manilhas, cintas, peras, ganchos - bitolas e capacidades; 11. Inspeção nos equipamentos, acessórios e registros de inspeção e segurança; 12. Sinalização para içamento e movimentação; 13. Ovador de Contêiner; 14. Equipamento de movimentação de chapas fracionadas; 15. Dispositivos de segurança de acordo com a NR-12 e normas técnicas aplicáveis. Aulas práticas: 8 horas Conteúdo Programático mínimo: 1. Carga e descarga de chapas e blocos em veículos; 2. Carga e descarga do carro porta-bloco; 3. Carro transportador; 4. Ventosa; 5. Viga de suspensão; 6. Garra (Pinça); 7. Colocação e retirada de chapa em bancada; 8. Movimentação de bloco de rocha ornamental com uso de pórtico rolante. 9. Ovador de Contêiner; 10. Equipamento de movimentação de chapas fracionadas. 6. Disposições gerais 6.1 Durante as atividades de preparação e retirada de chapas serradas do tear, devem ser tomadas providências para impedir que o quadro inferior porta-lâminas do tear caia sobre os trabalhadores. 6.2 São proibidos o armazenamento e a disposição de chapas em paredes, colunas, estruturas metálicas ou outros locais que não sejam os cavaletes especificados neste Anexo. 6.3 A máquina de corte de fio diamantado, o monofio e o multifio devem ter as respectivas áreas de corte e percurso do fio diamantado isoladas e sinalizadas. 6.4 As bancadas de trabalho, sobre as quais são depositadas chapas, inteiras ou fracionadas, devem possuir resistência e estabilidade para suportar as cargas manuseadas. GLOSSÁRIO Armazenamento: Constitui-se em um conjunto de funções de recepção, descarga, carregamento, arrumação, conservação, etc., realizadas em espaço destinado para o fluxo e armazenagem de chapas de rochas ornamentais, com o objetivo de controle e proteção dos materiais. Beneficiamento: Constitui-se em processo de desdobramento do bloco até o produto final, podendo passar pelas seguintes etapas: serragem, desplacamento, levigamento (primeiro polimento), secagem, resinagem, polimento e recorte. Cabos de Suspensão: Cabo de aço destinado à elevação (içamento) de materiais e equipamentos. Carro porta-bloco: Equipamento utilizado para transportar e suportar os blocos e enteras nas operações de corte das rochas nos teares. Carro transportador: Equipamento utilizado para movimentar o carro porta-bloco. Cavalete triangular: Estrutura metálica em formato triangular com uma base de apoio, usada para armazenagem de chapas de rochas ornamentais. Cavalete vertical: Estrutura metálica com divisórias dispostas verticalmente (palitos), fixadas sobre bases metálicas, usada para armazenamento de chapas de rochas ornamentais. Chapas de rochas ornamentais: Produto da serragem ou desplacamento de rochas, com medidas variáveis. Chapas fracionadas: Chapas de rochas ornamentais com dimensões variadas e altura máxima de um metro. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 45MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Cinta: Acessório utilizado para amarração e movimentação de cargas, nos termos definidos na norma ABNT NBR 15637. Empacotamento de chapas: Atividade de embalar (emadeirando e/ou plastificando) um conjunto de chapas de rochas ornamentais. Entera: Fração de bloco de rocha ornamental, passível de ser serrado, normalmente acomodado em espaço existente no carro porta-blocos, junto ao bloco principal que será serrado. Equipamento de elevação de carga: Todo equipamento que faça o trabalho de levantar, movimentar e abaixar cargas, incluindo seus acessórios (destinados a fixar a carga a ser transportada, ligando-a ao equipamento). Equipamento ovador de contêiner: Equipamento sustentado por ponte rolante, utilizado para carga e descarga de pacotes de chapas de rochas ornamentais em contêineres. Possui a forma de um C, sendo a parte superior presa à ponte rolante, e a inferior, que entra no contêiner, sustenta o pacote a ser ovado. Equipamento para movimentação de chapas de rochas ornamentais fracionadas: Equipamento destinado à movimentação de cargas, constituído por uma estrutura, com no mínimo, três rodas. Fueiro: Peça metálica em formato de L ou I, fixada ou encaixada no carro porta-bloco, que tem por finalidade garantir a estabilidade das chapas. Indústria de beneficiamento e comércio de rochas ornamentais: Empresas cujas atividades econômicas se enquadram nos CNAE 2391-5/01, 2391-5/02, 2391-5/03, 4679-6/02. Máquina de corte de fio diamantado: Máquina de corte de rocha ornamental que utiliza um fio diamantado. O processo de corte ocorre pela ação abrasiva dos anéis ou pérolas com grãos de diamante dispostos ao longo do fio. Monofio: Máquina de corte de rocha ornamental que utiliza um fio diamantado. O processo de corte ocorre pela ação abrasiva dos anéis ou pérolas com grãos de diamante dispostos ao longo do fio. Multifio: Máquina de corte de rocha ornamental que utiliza vários fios diamantados proporcionando o desdobramento do bloco em chapas. O processo de corte ocorre pela ação abrasiva dos anéis ou pérolas com grãos de diamante dispostos ao longo dos fios. Palitos: Hastes metálicas usadas nos cavaletes verticais para apoio e sustentação das chapas de rochas ornamentais. Piso Resistente: Piso capaz de resistir sem deformação ou ruptura aos esforços submetidos. Procedimento: Sequência de operações a serem desenvolvidas para realização de um determinado trabalho, com a inclusão dos meios materiais e humanos, medidas de segurança e circunstânciasque possibilitem sua realização. Profissional capacitado: Trabalhador que recebeu capacitação sob orientação e responsabilidade de um profissional habilitado. Profissional habilitado: Profissional com atribuições legais para a atividade a ser desempenhada e que assume a responsabilidade técnica, tendo registro no conselho profissional de classe. Profissional qualificado: Aquele que comprovar conclusão de curso específico na área, reconhecido pelo sistema oficial de ensino. Sinalização: Procedimento padronizado destinado a orientar, alertar, avisar e advertir. Tear: Equipamento constituído por quatro colunas que suportam o quadro porta-lâminas. O processo de corte se dá pela ação da fricção do conjunto de lâminas com elementos abrasivos, fazendo um movimento de vai e vem, serrando a rocha de cima para baixo. Ventosa (transportador pneumático): Equipamento a vácuo usado na movimentação de chapas de rochas ornamentais. PREVENÇÃO DE INCÊNDIOS: CONCEITO DE FOGO, TRIÂNGULO DE FOGO, FORMAS DE IGNIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO DE INCÊNDIOS, TIPOS DE APARELHOS EXTINTORES, AGENTES EXTINTORES, ESCOLHA, MANUSEIO E APLICAÇÃO DOS AGENTES EXTINTORES O homem primitivo inicialmente observou o fogo surgido espontaneamente por meio da ação de relâmpagos sobre madeira de árvores e começou a utilizá-lo de maneira desorganizada, para iluminar, aquecer e cozinhar. A etapa seguinte consistiria em produzir voluntariamente o fogo; talvez a observação de que ele se propagava pelo aquecimento de galhos ou folhas secas indicou que a chama poderia ser iniciada com temperaturas elevadas. Desta forma, a descoberta de que o atrito entre dois pedaços de madeira seca elevava a temperatura até produzir uma chama, dando início à jornada tecnológica do homem, no seu controle da natureza. Posteriormente, outro método foi desenvolvido, que consistia no impacto entre duas pedras para a produção de faíscas. A observação de que fagulhas têm o poder de começar uma chama e que o choque de algumas rochas produz faíscas, conduziu a mais uma forma de iniciar o fogo. Muito tempo depois, foi descoberto que as fagulhas formadas eram mais fortes e persistentes, quando se batia o mineral sílex com ferro ou aço. Esse processo persistiu até o século XIX. O avanço seguinte, e bem mais recente, de um processo simples de produção de fogo, surgiria com a invenção, na Inglaterra, em 1827, do palito de fósforo. O elemento fósforo combina-se com o oxigênio tão facilmente que se acende apenas exposto ao ar. Os primeiros fósforos fabricados acendiam por atrito e exalavam um cheiro muito desagradável. Mais adiante, em 1845, começaram a ser fabricados os chamados fósforos de segurança, cuja cabeça combustível contém outros componentes não inflamáveis, garantindo a sua utilização de forma segura. COMBUSTÃO Combustão é uma reação química, onde uma substância combustível reage com o oxigênio, ativada pelo calor (elevação de temperatura), emitindo energia luminosa (fogo), mais calor e outros produtos. Formas de Combustão Combustão Completa: É aquela em que a queima produz calor e chamas e se processa em ambiente rico em comburente. Combustão Incompleta: É aquela em que a queima produz calor e pouca ou nenhuma chama e se processa em ambiente pobre em comburente. Combustão Espontânea: É aquela gerada de maneira natural, podendo ser pela ação de bactérias que fermentam materiais orgânicos, produzindo calor e liberando gases, alguns materiais entram em combustão sem fonte externa de calor, ocorre também na mistura de determinadas substancias químicas, quando a combinação gera calor e libera gases. Explosão: É a queima de gases ou partículas sólidas em altíssima velocidade, em locais confinados. FORMAS DE PROPAGAÇÃO O calor pode-se propagar de três diferentes maneiras: Condução, Convecção e Irradiação. Como tudo na natureza tende ao equilíbrio, o calor é transferido de objeto com temperatura mais alta para aqueles com temperatura mais baixa. O mais frio de dois objetos absorvera calor até que esteja com a mesma quantidade de energia do outro. Condução – É a transferência de calor através de um corpo sólido de molécula a molécula. Quando dois ou mais corpos estão em contato, o calor é conduzindo através deles como se fosse um só corpo. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 46MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL Convecção – É a transferência de calor pelo próprio movimento ascendente de massas de gases ou líquido. Irradiação – É a transmissão de calor por ondas de energia caloríficas que se deslocam através do espaço. TRIÂNGULO DO FOGO O Triângulo do Fogo é uma didática criada para melhor ilustrar a reação química do fogo, onde cada lado do triângulo representa um elemento participante desta reação. Para que exista fogo, três elementos são necessários. - Combustível; - Comburente (oxigênio); e - Calor (temperatura de ignição) Combustível É toda substância capaz de queimar, servindo de propagação do fogo. Os combustíveis podem se apresentar na natureza sob três estados físicos: sólido, líquido e gasoso. Estados Físicos dos Combustíveis SÓLIDO Ex.: Madeira, papel, borracha, etc. LÍQUIDO Ex.: Gasolina, álcool, acetona, etc. GASOSO Ex.: Gás de cozinha, hidrogênio, etc. Comburente (Oxigênio - 0 2 ) É o elemento, presente no ar atmosférico, participando da reação química do fogo. Calor É o elemento que fornece a energia necessária para iniciar a reação entre o combustível e o comburente, mantendo e propagando a combustão, como a chama de um palito de fósforos. PROCESSOS DE EXTINÇÃO DE INCÊNDIO Conhecido o triângulo do fogo, este só existirá quando estiverem presentes os três elementos constituintes. Portanto, para extinguir o fogo, basta desfazer o triângulo, isto é, retirar um de seus lados. Isolamento: Processo de extinção de incêndio que constitui na retirada do combustível. Abafamento: Processo de extinção de incêndio que consiste na redução ou retirada do oxigênio. Resfriamento: Processo de extinção de incêndio que consiste na retirada parcial do calor (diminuição da temperatura). CLASSES DE INCÊNDIO Para que as ações de combate a incêndio possam ter a máxima objetividade e rendimento, com emprego correto de um agente extintor, os materiais combustíveis foram divididos em Classes de Incêndios. Classe A – Incêndio em materiais sólidos combustíveis. Ex.: madeira, papel, tecido, borracha, etc. Esses materiais apresentam duas propriedades: - Deixam resíduos quando queimados (brasas, cinzas, carvão); - Queimam em superfície e em profundidade. Classe B – Incêndio em líquidos inflamáveis. Ex.: álcool, gasolina, querosene, graxa, diesel, etc. Esses materiais apresentam duas propriedades: - Não deixam resíduos quando queimados; - Queimam somente em superfície. Classe C – Incêndio em equipamentos eletroeletrônicos energizados. Ex.: televisor, geladeira, computador, etc. Ao serem desligados da tomada, o incêndio passa a ser de classe A. Classe D – Incêndio em metais pirofóricos. Ex.: sódio, magnésio, etc. Para extinção de fogo nesses materiais, existem agentes extintores especiais. Classe K Definição: são os incêndios em banha, gordura e óleos voltados ao cozimento de alimentos. Características: é uma classe de muita periculosidade, ao passo que o trato de banha, gordura e óleos é bastante comum nas cozinhas residenciais e industriais. Exemplos: incêndios em cozinhas quando a banha, a gordura e os óleos são aquecidos. Extinção: JAMAIS TENTAR COMBATER COM ÁGUA. Essa classe reage perigosamente com água, gerando explosões e ferindo quem estiver próximo. O método mais indicado de combater o incêndio nessa classe é atravésdo abafamento. Equipamentos contra incêndio Bombas Hidráulicas As bombas ajudam nas redes hidráulicas a partir do bombeamento de água para redes fixas de hidrantes, redes de sprinklers, sistema fixo de água nebulizada ou sistema fixo de espuma. Desse modo, com a aplicação das bombas é possível garantir que a água sairá das redes fixas com pressão e potência adequada para combater o incêndio. Extintores de incêndio Baseado em pressão interna, os extintores de incêndio tem a benefício de permitir que seu manuseio seja feito por qualquer pessoa, com um pouco de treinamento. De forma simples e rápida, os extintores de incêndio são capazes de eliminar focos de incêndio dos mais variados, impedindo que o fogo ganhe proporções maiores. Para sua eficácia no combate a incêndios, os extintores de incêndio são fabricados com especializações diferentes para o combate ao fogo em diferentes situações. Componentes hidráulicos São acessórios usados para conduzir água até os equipamentos usados no combate do incêndio. Geralmente estão relacionados a mangueiras e tubulações. Tubos e Conexões Fazem parte do sistema hidráulico constituído, esses acessórios ajudam na prevenção e combate ao incêndio. Com o objetivo de adaptar o sistema às necessidades estruturais do ambiente, os tubos e conexões auxiliam na condução de agentes do combate ao fogo para as redes de hidrantes, gás e ar comprimido. Mangueiras de Incêndio As mangueiras de incêndio são, itens indispensáveis em edificações de médio e grande porte. Utilizadas principalmente por componentes das brigadas de incêndio e por profissionais do corpo de bombeiros, as mangueiras são uma extremidade imprescindível de um complexo sistema. Sprinklers Comum em prédios comerciais os sprinklers tem seu funcionamento baseado em princípios muito simples, mas de grande eficácia. Em resumo os sprinklers são chuveiros automáticos, instalados no teto dos pavimentos que, ao serem acionados, emitem jatos de água em todas as direções. Seu funcionamento é baseado na detecção da temperatura ambiente, através de sensores instalados no próprio sprinkler, de forma individual. Por utilizar sensores individuais a liberação do funcionamento do equipamento ocorre apenas na área afetada, ou seja, onde foi detectada a variação de temperatura considerada de risco, evitando que haja liberação de água em excesso causando inundações. AGENTES EXTINTORES DE INCÊNDIO São substâncias que possuem a propriedade de extinguirem determinadas combustões. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 47MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL O sucesso do combate está relacionado com a sua correta utilização e o tipo de combustível. 1. ÁGUA É o agente extintor “universal”. A sua abundância na natureza e as suas características de emprego, sob diversas formas, possibilitam uma boa aplicação em incêndios, porém ocorre a desvantagem desse agente ser condutor de corrente elétrica. 2. GÁS CARBÔNICO (CO 2 – DIÓXIDO DE CARBONO) É um gás incombustível, inodoro, incolor, mais pesado que o ar. Não é tóxico, mas a sua ingestão em excesso provoca asfixia. Atua por abafamento e, secundariamente, por resfriamento. Dissipa-se rapidamente quando aplicado em locais abertos. Não conduz corrente elétrica, nem danifica materiais eletrônicos. 3. PÓ QUIMICO SECO (PQS) É um composto químico, que atua por abafamento. Não é tóxico, mas sua ingestão em excesso provoca asfixia. Por ser corrosivo, o uso deste agente pode danificar os eletroeletrônicos. Não conduz corrente elétrica. 4. ESPUMA Solução aquosa obtida através de reação química ou processo mecânico. Atua por abafamento e, em menor proporção, por resfriamento. Conduz corrente elétrica. Atualmente, este agente extintor dificilmente é encontrado em estabelecimentos comerciais e residenciais, embora ainda seja utilizado por indústrias e pelo Corpo de Bombeiros. APARELHOS EXTINTORES DE INCÊNDIO São equipamentos fundamentais para o estágio inicial das ações de combate a incêndio. São transportados em todas as viaturas operacionais do CBMERJ sendo encontrados, também, nas edificações e estabelecimentos comerciais. O êxito no emprego dos aparelhos extintores de incêndio depende dos seguintes fatores basicamente: - Aplicação correta do agente extintor para o tipo de combustível (sólido ou líquido) e sua composição química; - Manutenção periódica adequada; - O operador do aparelho extintor deverá possuir conhecimentos específicos de maneabilidade do equipamento e técnicas de combate a incêndio. 1. PARTES DO APARELHO EXTINTOR 2. TIPOS DE APARELHOS EXTINTORES Normalmente, os aparelhos extintores são chamados pelo nome do agente que contém e apresentam características para cada tipo. APARELHO EXTINTOR DE ÁGUA-GÁS (AG) Dados técnicos: - Mangueira - Esguicho - Alça para transporte - Recipiente - Tubo sifão - Cilindro de gás propelente (ampola externa) Capacidade: 10 litros Alcance médio do jato: 10 metros Técnicas de utilização: - Identifique o extintor através de sua aparência externa e etiqueta presa ao mesmo, observando no manômetro se está carregado; - Retire o extintor do suporte preso a parede ou outro lugar em que esteja acondicionado; - Transporte o extintor até próximo do local sinistrado (± 10 metros); - Retire o lacre do volante da ampola externa e o pino de segurança; - Empunhe a mangueira para baixo e gire o volante da ampola externa no sentido anti-horário para pressurizar a carga extintora e aperte o gatilho rapidamente; - Direcione o jato para a base do fogo e movimente-o em forma de “ziguezague” horizontal. APARELHO EXTINTOR DE ÁGUA-PRESSURIZADA (AP) O gás propelente está acondicionado junto à carga extintora, mantendo o aparelho pressurizado permanentemente. Dados técnicos: - Mangueira com esguicho - Gatilho - Alça de transporte - Pino de segurança - Tubo sifão - Recipiente - Manômetro Capacidade: 10 litros Alcance médio do jato: 10 metros Técnicas de Utilização: - Identifique o extintor através de sua aparência externa e etiqueta presa ao mesmo, observando no manômetro se está carregado; - Retire o lacre e o pino de segurança; - Transporte o extintor até próximo do local sinistrado (± 10 metros); - Aperte o gatilho e direcione o jato para a base do fogo e movimente-o em forma de “ziguezague” horizontal. CONHECIMENTOS ESPECÍFICOS 48MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL MANUAL DE ESTUDOS CURSO OFICIAL APARELHO EXTINTOR DE CO 2 (GÁS CARBÔNICO) Dados técnicos: - Mangueira - Gatilho - Alça de transporte - Pino de segurança - Tubo sifão - Recipiente - Punho - Difusor Capacidade: 6 Kg Alcance médio do jato: 3 metros Técnicas de utilização: - Identifique o extintor através de sua aparência externa e etiqueta presa ao mesmo; - Retire o extintor do suporte preso a parede ou outro lugar em que esteja acondicionado; - Retire o lacre e o pino de segurança; - Segure no punho e aponte o difusor para baixo; - Transporte o aparelho até próximo do local sinistrado (± 3 metros); - Aperte o gatilho e direcione o jato para a base do fogo e movimente-o em forma de “ziguezague” horizontal, de forma que crie uma nuvem sobre o fogo. APARELHO EXTINTOR DE PÓ QUÍMICO SECO (PQS) Dados técnicos: - Mangueira - Gatilho - Alça para transporte - Recipiente Capacidade 4, 6, 8 e 12 quilogramas Alcance médio do jato: 6 metros Técnicas de utilização: - Identifique o extintor através de sua aparência externa eetiqueta presa ao mesmo, observando no manômetro se está carregado; - Retire o extintor do suporte preso a parede ou outro lugar em que esteja acondicionado; - Retire o lacre e o pino de segurança; - Transporte o extintor até próximo do local sinistrado (± 6 metros); - Aperte o gatilho e direcione o jato para a base do fogo e movimente-o em forma de “ziguezague” horizontal. EXTINTOR DE HALOGENADO (HALON) Composto por elementos halogênios (flúor, cloro, bromo e iodo). Atua por abafamento, quebrando a reação em cadeia que alimenta o fogo. Ideal para o combate a princípios de incêndio em materiais da classe “C”. Procedimentos para uso: - retirar o pino de segurança; - empunhar o gatilho e o difusor; e - acionar o gatilho, dirigindo o jato para a base do fogo. EXTINTOR SOBRE RODAS (CARRETA) A diferença dos extintores em geral é a sua capacidade. Devido ao seu tamanho, sua operação requer duas pessoas. As carretas podem ser: - de água; - de espuma mecânica; - de espuma química; - de pó químico seco; e - de gás carbônico. SISTEMAS PREVENTIVOS 1. MANGUEIRAS Tubos enroláveis de “nylon” revestidos internamente de borracha, possuindo nas extremidades juntas do tipo storz. Utilizado como duto para fluxo de água entre a caixa de incêndio e o esguicho. 2. ESGUICHO Tubo metálico dotado de junta storz na extremidade de entrada e saída livre, podendo possuir um sistema para comando. Utilizado como terminal da linha de mangueira, tendo a função de regular o tipo de saída e direcionar o jato de água. Os esguichos mais encontrados são tronco-cônico e regulável. COMO UTILIZAR A CAIXA DE INCÊNDIO 1 – Abra a caixa de incêndio. Se a mesma estiver trancada, quebre o vidro. 2 – Conecte a junta da mangueira na saída do hidrante, desenrole-a e, em seguida, conecte o esguicho em sua outra extremidade. 3 – Abra então o registro, segurando firmemente, com uma das mãos, o esguicho e, na outra, a mangueira. 4 – Após esticar bem a mangueira, dirija o jato para a base do fogo. VIAS DE ESCAPE E CONTROLE DE PÂNICO Se um incêndio ocorrer em seu escritório ou apartamento, saia imediatamente. Muitas pessoas morrem por não acreditarem que um incêndio pode se alastrar com rapidez. Se você ficar preso em meio à fumaça, respire pelo nariz, em rápidas inalações. Se possível, molhe um lenço e utilize-o como máscara improvisada. Procure rastejar para a saída, pois o ar é sempre melhor junto ao chão. Use as escadas – NUNCA O ELEVADOR! Num incêndio pode ocorrer o corte de energia para os elevadores. Feche todas as portas que ficarem atrás de você, assim retardará a propagação do fogo. Se você ficar preso numa sala cheia de fumaça, fique junto ao piso, onde o ar é sempre melhor. Se possível, fique perto de uma janela, de onde poderá chamar por socorro. Toque a porta com o dorso (costas) da sua mão. Se estiver quente, não abra. Se estiver fria, faça este teste: abra vagarosamente e fique atrás da porta. Se sentir calor ou pressão vindo através da abertura, mantenha-a fechada. Se você não puder sair, mantenha-se atrás de uma porta fechada. Qualquer porta serve como escudo. Procure um lugar perto de janelas, e abra todas. Calor e fumaça devem sair por cima. Você poderá respirar pela abertura inferior. Procure conhecer o equipamento de combate a incêndio para utilizá-lo com eficiência em caso de emergência. Se necessário, “arme” uma linha de mangueira na saída do hidrante. Um prédio pode lhe dar várias opções de salvamento. Conheça-as previamente. NÃO salte do prédio. Muitas pessoas morrem sem imaginar que o socorro pode chegar em poucos minutos. Se houver pânico na saída principal, mantenha-se afastado da multidão. Procure outra saída. Uma vez que você tenha conseguido escapar, NÃO RETORNE. Chame o Corpo de Bombeiros imediatamente. As pessoas que estão fora do prédio devem afastar-se do local, deixando livres as vias públicas para que os carros dos bombeiros possam circular com a necessária rapidez. ESPAÇO RESERVADO PARA ANOTAÇÕES ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________ ________________________________________