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COLÉGIO MONTEIRO LOBATO
A HISTÓRIA DA DANÇA OCIDENTAL
PAULO AFONSO/BA
30/05/2023
URIEL GUILHERME DE OLIVEIRA CALADO
A HISTÓRIA DA DANÇA OCIDENTAL
Trabalho apresentado na disciplina de Artes do Colégio Monteiro Lobato, sob orientação do professor Armando Júnior.
Paulo Afonso - BA
30/05/2023
A HISTÓRIA DA DANÇA OCIDENTAL
Pré-história
Pintura rupestre em caverna representando grupos de pessoas dançando
Existe grande dificuldade em estudar a orquéstica desse período, pois ela se estende por um tempo consideravelmente grande: o primeiro documento, discutivelmente, relacionado à dança tem 1400 anos de idade. Além disso, esses períodos históricos cobrem culturas bem diferentes: a madaleniana, que vai de 120000 a 8000 a. e.; a neolítica, cuja áreas são muito dispersas, se estende de 8000 a 5000 a. e., conforme regiões; sucedida pela idade do bronze, por um milênio ou um milênio e meio, antecedente a idade do ferro, que alcança a época a partir da qual começamos a dispor de documentos escritos. E aos poucos documentos existentes impõem-se grande prudência quanto a sua interpretação. Sendo cometido o erro de estudá-los com a mentalidade moderna. 
Na época paleolítica, o homem é um predador; vive da caça, da pesca e colheita, sujeito ao acaso. Assim como, o animal é um inimigo difícil de ser vencido, então, o homem tem sua vida condicionada a ele, fornecendo-lhe o indispensável: alimentação, vestimenta, ossos e chifres para diversos instrumentos. O ecossistema baseado nos animais tem suas danças inspiradas neles. 
A partir do período neolítico, a condição humana se transforma: de predador o homem se torna produtor descobre a agricultura e criação de animais; dispõe de reserva de alimento e, em dada medida, torna-se senhor do seu destino. A população aumenta e, por possuírem bens e obrigados a protegê-los, os homens vão organizar-se em grupos mais poderosos que a família. Nascem as cidades, cada uma com sua cultura, os ritos religiosos personalizam-se em cada grupo à medida que descobre sua identidade. Cada grupo terá sua dança. Por outro lado, a superpopulação acarreta em movimentos migratórios a partir do quinto milênio antes da nossa era. O seu efeito foi impor culturas alógenas aos países invadidos ou sobrepor as culturas autócnes práticas culturais estrangeiras. 
No Oriente médio, muito pouco se tem em matéria de orquéstica do Império Sumer, que abre a série dos grandes impérios mesopotâmicos. É arriscado reconhecer em relevos danças que devem ser de grande probabilidade apenas desfiles ritmados. No Egito dos faraós, ao decorrer de sua longa história, se praticou amplamente a dança, de forma sagrada, depois de dança litúrgica e, enfim, dança de recreação.
Mas, desde o período pré-faraônico, o Egito marca a sua originalidade através de representações coreográficas em armas rituais. 
Pintura egípcia representando mulher em posição acrobática sugerindo uma dança
Nos túmulos, desde a época antiga, qualquer que fosse a condição de seus proprietários, vê-se dançando dançarinos, aparentemente especializados, acompanhando cortejos funerários e guiando os mortos até o limiar de sua vida pós-terrestre. É notável o gosto pela dança acrobática, principalmente na dança em que se joga a nuca ou o topo do corpo para trás a ponto de fazer uma ponte, alcançando os tornozelos com as mãos. Para os hebreus, a religião proíbe a representação de seres vivos. A dança hebraica surpreende pelo seu caráter litúrgico: não inscrita no ritual das celebrações, parece ser abandonada a espontaneidade da multidão; no entanto, seu conteúdo é vago, mas seus esquemas se inscrevem em limites rígidos: rodas, danças em fileiras, giros. O povo hebreu é o único a não ter transformado sua dança em arte.
Antiguidade
De seu nascimento a sua morte, a civilização grega é completamente impregnada pela dança. Ritos religiosos, pan-helênicos ou locais, cerimonias cívicas, festas, educação das crianças, treinamento militar, vida cotidiana, a dança está presente por toda parte. Todas as narrativas lendárias gregas se situam em Creta. 
A origem de suas danças e arte lírica, segundo Homero, onde os deuses ensinaram a dança aos mortais para que os honrasse e alegrarem-se. Apesar de Creta por muitas vezes ter sido devastada por terremotos e invasões, herda tradições do início da história; aprimoras e transmite aos gregos um material que transformarão completamente. 
A dança era de essência religiosa, dom dos imortais e meio de comunicação com eles. A orquéstica é a criação direta da musa com seu aspecto trinário: poesia, musica, movimento. Assim, a educação concederá muito espaço à dança. Em suas várias formas, a pírrica é a base da formação física e militar, é também um treino para reflexão estética e filosófica. 
Esse povo não separou o corpo do espirito, para quem o corpo também era um meio de conquistar o equilíbrio mental, o conhecimento, a sabedoria. Sob sua forma especifica, a dança dionisíaca é a dança mais antiga conhecida na Grécia. Provem do velho fundo neolítico. Sua evolução ilustra de forma exemplar a evolução de toda a dança, de toda cultura grega. 
A princípio dança sagrada, dança de loucura mística, a dança dionisíaca torna-se cerimonia litúrgica de forma fixa inscrita no calendário, depois cerimônia civil, antes de se tornar ato teatral e dissolver na dança de diversão. Dionísio não tinha o monopólio das danças orgásticas que caracterizam os cultos originários do Oriente. Assim, os coribantes celebram Cibele, a grande mãe, com gritos, movimentos vivos, os Gales, dançarinos especializados no culto de Adônis, festejavam sua ressurreição com passos precipitados, saltos, o flexionar os joelhos e todo o corpo, chegando às vezes a se cortar para regar o altar com sangue. 
O culto de Dionísio era celebrado principalmente por mulheres possuídas pela mania, a loucura sagrada. Elas abandonam suas casas, fogem para as florestas, para as montanhas. Entregam-se a danças, caçam pequenos animais com as mãos e comem carne crua. 
A partir do século VII a. e, o culto de Dionísio torna-se uma liturgia. O deus é representado por uma arvore ou um tronco de madeira onde se penduram vestes, mascaras; as pessoas vão a procissão levando sacrifícios. São as dionisíacas dos campos, que acontecem no início do outono. O diritambo, hino cantado e dançado em hora de Dionísio, chegou a sua forma final por volta do século VI a. e. muitos helenistas consideram-no o germe da tragédia grega. 
A dança nacional por excelência de Esparta era a pírrica, elemento essencial da educação geral e como preparação militar, além de função religiosa, cujo sentido obliterou-se gradualmente. Ensinada a partir dos cinco anos de idade, compreendia exercícios preparatórios de flexibilidade chegando o aprendiz a ter de jogar o corpo para trás e alcançar os tornozelos com as mãos em seguida, ensinava-se a quironomia, simulacro dos gestos do combate.
 Tratava-se de uma verdadeira dança, pois todos os movimentos eram encadeados por um ritmo dado pelo tocador de flauta. Nas festas cívico-religiosas, a pírrica era dançada para o culto de Dioscuros e durante as Gimnopedias, celebração solene executada por dançarinos nus. 
Em Atenas, a pírrica era considerada treinamento físico e preparação militar. Essa dança degenerará como a dança dionisíaca: de rito litúrgico, rito cívico, passara a ser dança de representação. A dança intervinha em todos os momentos da vida dos gregos, do nascimento a morte. Encontra-se danças de nascimento e pós-parto, danças que comemoravam a passagem dos efebos a categorias de cidadãos, danças nupciais, danças de banquetes.
Em Roma, a dança viverá três momentos distintos que acompanham as mudanças da sociedade. Sob os reis, século VIII a. e. ao VII a. e., como a cidade estava dominada pelos etruscos, foram introduzidas danças de origem agraria, mas cujo sentido original já havia se perdido. 
Desde o início da Republica, a influência helenística, na orquéstica, foi preponderante. As origens religiosas das danças haviam sido esquecidas;passaram apenas a uma arte de recreação. Durante o império, a dança voltou à moda; era praticada até pelas mulheres das classes altas. Mas triunfou realmente nos jogos de circo.
Idade media
A dança do casamento (1566), de Pieter Bruegel, o Velho
A dança religiosa da idade média era uma herança popular que nunca deixou de ser suspeita para as autoridades eclesiásticas. Por manifestar a espontaneidade individualista, a dança não se enquadra de forma nenhuma nos cânones. As proibições impostas provam a persistência dos costumes. Por outro lado, o habito de dançar é permitido fora dos ofícios e em algumas datas. Dançava-se a chorea, roda fechada ou aberta, muito praticada, sob o nome de carola, dando as mãos ou segurando pelo antebraço. Havia também o tripudium, uma dança de três tempos em que não se tocavam. 
Apesar de algumas exceções, as condenações eclesiásticas atingiram seu objetivo; a dança não foi integrada a liturgia católica. Em muitos casos, os trajes e os lugares de culto pagãos foram assimilados sem dificuldades. Sem dúvida, o recurso obrigatório ao corpo e a seus poderes pouco controláveis é o motivo do ostracismo especial que se abateu sobre a dança. 
Desta forma, a idade média, realizou uma ruptura brutal na evolução da coreografia normal em todas as culturas precedentes. A carola e o tripudium podiam ser dançados por qualquer pessoa: bastava marcar um ritmo simples e obstinado. 
A elite inventou uma forma de dançar em que o corpo seguia as indicações de uma métrica musical que mudava. Ao mesmo tempo, uma diversidade, uma procura pela beleza formal começavam a organizar o movimento.
No século XIII, a música torna-se rapidamente leiga. Nascerão duas correntes: a canção popular e a arte dos trovadores. Como o conhecimento das regras simples que regem o movimento do corpo, assim como a educação do ouvido, torna-se necessário ao dançarino, eis que nasce a dança erudita. Ao mesmo tempo, se separa da dança popular. 
Cabe à dança popular manifestar sentimentos confusos, fortes e manter ritos, cujo sentido original foi perdido, através de movimentos não sujeitos a regras. É o domínio do rondel, da carola e seus derivados, das danças de fileira de qualquer natureza, cujo tempo e passos, escorregados, corridos ou saltados, são livres. São danças de grupo em que os participantes confirmam sua comunhão segurando-se pelas aos ou antebraços. 
Ao contrário, no contexto fixo da música e da poesia, as danças metrificadas serão exercícios em que se exige a beleza das formas; serão as danças das classes desenvolvidas culturalmente, das classes dominantes. No século XIV, vemos surgir uma série de crises na sociedade. 
Em primeiro lugar, temos a crise da Igreja. Ao reforçar o poder real, o rei Felipe esforçou-se em destruir o domínio eclesiástico sobre o Estado, como os seus predecessores fizeram com o feudalismo. Mas as crises econômicas e militares serão as mais graves. 
Uma sequência de más colheitas vem mostrar que o país ainda é muito frágil economicamente. Seguida pela guerra dos Cem Anos e, depois, a epidemia de peste negra que matará um terço da população. Acrescentando as violências da guerra. Neste contexto, os intelectuais e artistas atingem o extremo: pesquisa de uma beleza puramente formal; gosto pelo paradoxismo do trágico. 
A música completa sua revolução técnica decisiva; torna-se uma arte inteiramente independente. A dança não é exceção nas grandes tendências: extremo refinamento na forma. Ao mesmo tempo, a carola muda de sentido, não é a mais uma representação da alegria e torna-se uma dança macabra. A morte como uma motivação para viver dentro dos preceitos cristãos. Nesse mesmo período histórico, surge um novo gênero que determinará a forma futura do balé-teatro: o momo. É uma espécie de carola burlesca, na qual os participantes estão mascarados e disfarçados. 
Tornou-se espetáculo quando passou a ser utilizado como atração entre os pratos de um banquete. Bem estabelecido nas cortes dos príncipes do século XV, o momo já adianta elementos do balé de corte que irá se desenvolver cem anos mais tarde: dançarinos, cantores, músicos, carros, efeitos de maquinaria. Apenas faltando a ação dramática coordenada.
Bale de corte
Durante os séculos XIV e XV, a França encontra-se em desventuras públicas que impunham uma estagnação a evolução cultural, enquanto isso, a Itália passava por sua Renascença com o Quattrocento. Nunca os franceses foram tão atraídos pela Itália em que terminada a Guerra dos Cem Anos, o poder central e as finanças restauradas por Luís XI, a unidade territorial completada, o poder e o impulso reencontrados, a França se mostrava impaciente em evoluir. 
No Quattrocento, a dança de corte se tornará uma dança erudita, onde será preciso não somente saber a métrica, mas também os passos. Pela primeira vez, surge o profissionalismo, dançarinos profissionais e mestres de dança. Até então, a dança era uma expressão corporal de forma relativamente livre, neste momento, toma a consciência das possibilidades de expressão estética do corpo e da utilidade das regras para explorá-lo. Além disso, o profissionalismo caminha para elevação do nível técnico.
Após a morte de Henrique II, há uma sucessão de mulheres estrangeiras no poder, tendo como efeito o enfraquecimento do poder real, subversões e as últimas tentativas da classe nobre de se apossar do poder político: guerras de religião no governo de Catarina, guerra de príncipes no reinado de Maria, frondas no de Ana.
Daí nasce a necessidade de afirmação do poder real como único meio de paz e prosperidade e oportunidade de propaganda, não para o povo, cujo peso político continua nulo, mas para a elite. 
Depois da autoridade real solidamente reestabelecida, o balé se transformará de afirmação do princípio monárquico em cerimônia de adulação da pessoa do rei. O balé de corte foi, em primeiro lugar, um baile organizado em torno da ação dramática. Outro elemento importante foi a geometria do solo. 
O balé de corte se apaixonará pelas evoluções geométricas dos dançarinos: círculo, quadrado, losango, retângulo. Essas figuras nitidamente identificáveis, pois eram concebidos para serem vistos do alto. Como antítese, encontramos muitos balés burlescos, das peças fantásticas ao obsceno. 
Tradicionalmente o período de carnaval era festejado com muitos balés, o que explica a inserção de episódios cômicos. A partir de 1600, o bale de corte francês foi imitado na Itália. A moda se espalhou por todas as cortes da Europa. Dançava-se a francesa, com temas idênticos, em Bruxelas, Luxemburgo, nos Países Baixos, na Dinamarca, na Inglaterra, estão na moda músicos e professores franceses.
A moda do balé de corte logo saiu do contexto da corte. Alguns balés foram executados por particulares, magistrados ou grandes burgueses por ocasião de casamento ou festas. Até jesuítas dançavam, em seus colégios, balés calçados no esquema do balé de corte.
Representação do rei francês Luís XIV em dança no Ballet de La Nuit com traje representando o sol, que lhe rendeu a alcunha de “Rei Sol”
Dança clássica
A morte de Luís XIII marcou o fim de uma cultura. Após seu reinado, o balé de corte será mantido em estado de sobrevivência artificial: procurava-se ao mesmo tempo uma nova forma de espetáculo dançado e uma técnica mais especifica do que as danças de corte. 
Trinta anos foram necessários para que um mestre do gênero conseguisse definir o essencial da técnica. A regente Ana D´Áustria nomeou o italiano Mazarino como primeiro ministro, exercendo suas funções até a morte. 
Nesse período, não foram compostos balés de corte notáveis, por um lado, em razão das perturbações que agitavam a corte, por outro, suas tentativas de aclimatar nas festas o espetáculo italiano de quando começou sua carreira em Roma: a ópera. Para agradar o público francês, foram adicionados balés a obra original. 
Em 1954, Mazarino apresenta uma nova ópera, onde é acompanhada por um balé mal integrado a ação que detêm todo interesse do público. A partir de então, a ópera é assimilada pelo gostofrancês. 
A sociedade de corte é aprisionada num modo de vida rígido, submetido a regras minuciosas de horários e precedência. Sua única função é dar uma representação de si mesma. A etiqueta é o libreto de uma imensa peça de teatro, onde cada um tem, em seu grupo, um papel preciso, imutável, a não ser por promoção especial, solicitada por todos os meios ao grande empresário real.
Teatro onde tudo é calculado para a exaltação, o distanciamento, a divinização do Rei. O gosto pela mitologia invade toda a arte oficial. Esta mitologia é uma transcrição quase literal da sociedade do tempo, um espelho onde está sociedade se contempla, projetada na eternidade. 
Daí o gosto pela Antiguidade concebida como uma perenidade a cultura do tempo. Assim, surge uma arte artificial e rigorosa, em que o significante tem mais importância do que o significado, o gesto mais importância que a emoção que o produz. 
Há uma ruptura entre interioridade, o que explica o fato de a dança clássica ser um repertorio de gestos sem significado próprio. Outra consequência é que a expressão individual ser recusada em favor de uma ordem estabelecida com desejo de perenidade.
Dança no Romantismo (final do séc XVIII e séc XIX)
A época do romantismo, surgida no final do século XVIII, foi muito fértil para a dança clássica na Europa, mais precisamente para o balé. É quando esse tipo de dança se consolida e torna-se uma das expressões artísticas mais representativas do período, transmitindo todo o sentimentalismo, idealização e tendência a "fugir da realidade", próprio dos românticos.
Os figurinos nesses espetáculos também contribuem para criar a atmosfera “açucarada” dos balés românticos, com dançarinas trajando saias de tule até a panturrilha, sapatilhas de ponta e cabelos presos em coques.
Um dos espetáculos que mais se destacou na época foi Giselle (ou Les Willis), interpretado pela primeira vez em 1840 pela Ópera Nacional de Paris.
A dança narra a história de Giselle, uma camponesa que se apaixona por um homem e desilude-se quando descobre que ele já era comprometido. Além disso, há uma forte presença de espíritos de jovens mulheres virgens que morreram sem se casarem.
Esse foi o primeiro balé a ser encenado com todas as bailarinas em sapatilhas de ponta, usadas para dar a sensação de levitação no palco. Veja a interpretação de Giselle pela bailarina russa Natalia Osipova no Royal Opera House.
É importante destacar ainda que em outras partes do mundo ocorriam diferentes manifestações de dança.
No Brasil, por exemplo, em meados do século XIX estava surgindo entre a população negra escravizada o samba, dança e música com forte influência africana.
Dança Moderna (primeira metade do século XX)
Na primeira metade do século XX, quando a arte moderna desponta, trazendo um novo olhar sobre a criação artística de maneira geral, surge também a dança moderna nos EUA e na Europa.
Assim, podemos chamar de dança moderna um conjunto de expressões que buscavam romper com a rigidez da dança clássica. Para isso, diversas técnicas foram elaboradas a fim de trazer mais fluidez e liberdade ao gesto, investigando a fundo as inquietações e emoções humanas.
Mesmo sendo amplo o leque de possibilidades na dança moderna, algumas características são recorrentes. Nela, temos a utilização do centro corporal como eixo, ou seja, movimentando o tronco em torções e desencaixes. Há ainda a exploração de movimentos de queda, agachados ou deitados, o que não era utilizado até então.
Foram muitas as pessoas responsáveis por essa nova maneira de criar e apreciar a dança, uma delas foi a norte-americana Isadora Duncan (1877-1927), considerada precursora da dança moderna.
Isadora Duncan em performance na década de 20
Isadora revolucionou a arte do movimento ao trazer gestos mais flexíveis e emocionais. Além disso, abandonou os trajes rígidos do balé clássico, investindo em vestimentas leves e esvoaçantes, e a liberdade dos pés descalços.
Atualmente é possível apreciar seu legado por meio de dançarinas que interpretam coreografias deixadas por Isadora, como a espanhola Tamara Rojo ao realizar o solo Cinco Valsas de Brahms à Maneira de Isadora Duncan.
Dança Contemporânea (meados do século XX até os dias de hoje)
A dança que é realizada atualmente é chamada de dança contemporânea. Assim como outras manifestações da arte contemporânea, a dança hoje traz diversas referências e inspirações, despontando por volta da década de 60.
A origem da dança contemporânea tende a ser relacionada a investigações gestuais de artistas norte-americanos do Judson Dance Theater. O coletivo contava com dançarinos, artistas visuais e músicos, e inovou a cena da dança em Nova York, influenciando a linguagem da dança que viria a seguir.
A dançarina Yvonne Rainer em foto de 1963 durante ensaios no Judson Dance Theater.
Apesar de não existir apenas um jeito de desenvolvê-la, no Brasil, é comum essa linguagem utilizar algumas técnicas como a floor work (trabalho no chão). Nesse método, são explorados movimentos em plano baixo, usando o chão como suporte.
Entretanto, o mais importante é que a dança contemporânea pode ser entendida como uma expressão que busca a consciência corporal, se importando com questões que vão além de aspectos técnicos e valorizando a criatividade e a improvisação.
Uma dançarina e coreógrafa brasileira muito aclamada, inclusive internacionalmente, é Deborah Colker. A artista fundou a Cia de Dança Deborah Colker, que em 1994 fez sua primeira apresentação. Os movimentos propostos por Deborah são instigantes, e em algumas coreografias desafiam a gravidade, trabalhando equilíbrio e a confiança em equipe.
Outra companhia de dança contemporânea brasileira de grande reconhecimento é o Grupo Corpo. Fundado em 1975, em Minas Gerais, o grupo realiza um trabalho cuidadoso de coreografia aliada à música, geralmente a música popular brasileira.
No espetáculo Gira, apresentado 2017 pela companhia, a trilha sonora foi composta pela banda Metá Metá e o tema abordado foi relacionado à Exu, entidade do candomblé. Daí o nome “gira”, que se refere tanto ao movimento corporal quando ao evento ritualístico de matriz africana.
REFERÊNCIA
https://www.culturagenial.com/historia-da-danca-ao-longo-do-tempo/
http://profleandrolopes.blogspot.com/2010/03/historia-da-danca-no-ocidente.html
https://www.culturagenial.com/historia-da-danca-ao-longo-do-tempo/
http://profleandrolopes.blogspot.com/2010/03/historia-da-danca-no-ocidente.html

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