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TRANSFORMAÇÃO DIGITAL NOS NEGÓCIOS UNIASSELVI-PÓS Autoria: Daniela Baggio Indaial - 2021 1ª Edição CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Copyright © UNIASSELVI 2021 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. xxxxx xxxx, xxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xx. – Indaial: UNIASSELVI, 2021. xxx p.; il. ISBN xxxxxxxxxxxxxxxxxxx ISBN Digital xxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx. – Brasil. Centro Universitário Leonardo Da Vinci. CDD xxxxxx Impresso por: Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci Jairo Martins Marcio Kisner Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL ..............7 CAPÍTULO 2 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL ...............................................................51 CAPÍTULO 3 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO ................................................................97 APRESENTAÇÃO Caro aluno, você com certeza já comprou algo pela internet – ou, ao menos, já ouviu falar de alguém que já comprou. Este evento é exemplo da transformação digital dos negócios, mas claro que isso nem sempre foi assim, pois há anos atrás as empresas tinham suas operações de vendas executadas somente em lojas físicas, portanto, podemos afirmar que cada vez mais as empresas estão buscando tornar os seus negócios digitais para acompanhar as mudanças do comportamento do consumidor, bem como obter vantagem competitiva no mercado que atua. Sendo assim, neste livro, primeiro estudaremos os principais conceitos e evolução da inovação e da transformação digital, bem como a transformação digital aplicada aos negócios. No capítulo 1, estudaremos algumas definições e desenvolvimento do conceito de inovação na perspectiva histórica, que vai antes do século IXX até o século XXI em diante. Outro tema que estudaremos será a transformação digital, abordando os conceitos, definições e seus imperativos estratégicos, como: recursos digitais, estrutura organizacional, estratégias de crescimento digital e métricas e metas. Por fim, no capítulo 1, estudaremos a transformação digital voltada aos negócios, demostrando o motivo de as tecnologias digitais promoverem a transformação. No capítulo 2, abordaremos alguns aspectos relacionados ao gerenciamento das mudanças organizacionais na transformação digital, sendo que o sucesso depende de como a gestão coordena as iniciativas à medida que são executadas ao mesmo tempo. Também será apresentada a importância dos recursos humanos para a transformação digital. Os gestores de programas de transformação digital precisam compreender as implicações digitais em suas organizações e as pessoas que trabalham nelas. Já no capítulo 3, abordaremos como as empresas formulam e implementam suas estratégias de transformação de negócios digitais, buscando entender os processos de estratégia na transformação digital, configurações de estratégia e as estruturas de estratégia. Por fim, estudaremos inovação e tecnologias disruptivas no contexto da transformação digital, relacionando o seu impacto em alguns setores produtivos. CAPÍTULO 1 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • Conceituar inovação. • Conceituar transformação digital. • Analisar a importância da inovação para os negócios. • Identifi car o processo da digitalização dos negócios. 8 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 9 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Nos últimos trinta anos, a inovação evoluiu como sinônimo de desenvolvimento das nações, progresso tecnológico e impulsionador do sucesso empresarial. A inovação hoje em dia não é simplesmente a "criação de algo novo", mas também a solução para um gama de problemas. O termo "inovação" é cada vez mais usado por formuladores de políticas, especialistas em marketing, especialistas em publicidade e consultores de gestão não como um conceito científi co estrito, mas como metáfora, “promessa” política, slogan ou palavra da moda. Entretanto, ao longo da história, as inovações e os inovadores, bem como as invenções e os inventores, nem sempre foram apreciados e, eventualmente, eram rejeitados pela sociedade. Até o fi m do século XVIII os inovadores eram aventureiros indignos de confi ança e trapaceiros da sociedade, assim como hereges para a Igreja. A inovação tem sido percebida como qualquer desvio de normas políticas, sociais ou religiosas. Isso foi especialmente evidente até o século IXX, quando a inovação não era um assunto de pesquisa científi ca. Foi somente a partir de meados do século IXX que a inovação entrou implicitamente no campo da pesquisa científi ca. No início dos anos 1900, tivemos realmente o nascimento das primeiras teorias de inovações. Desde a segunda metade do século XX o conceito de inovação começou a se espalhar pelos diversos campos da ciência. O intervalo de tempo entre 1960 e 1990 pode ser corretamente chamado de “era de ouro” no estudo da inovação. No entanto, nos últimos dez anos, o conceito de inovação começou a mudar gradualmente de forte defi nições científi cas para a prática de gestão. Assim, dentro do campo da inovação, o avanço digital está forçando as empresas a repensarem seus modelos organizacionais. Algumas empresas estão mostrando uma capacidade superior de explorar as tecnologias digitais para obter uma vantagem competitiva sobre o mercado em muitos setores. As empresas tradicionais, com suas estruturas organizacionais hierárquicas, centralizadas, fechadas, de cima para baixo, são incapazes de mudar e evoluir na velocidade exigida pela interrupção digital. Para sobreviver, as empresas tradicionais têm que questionar seus modelos organizacionais, aprender com disruptores digitais, mudar a sua mentalidade e mudar os seus modelos organizacionais. 2 INOVAÇÃO Caro aluno, certamente, você já ouviu falar em inovação. No entanto, você 10 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS já parou para pensar o que é realmente a inovação? Fique tranquilo se você não souber a resposta, pois, neste primeiro tópico, entenderemos realmente o que é a inovação, os seus principais conceitos e toda a sua evolução. 2.1 O CONCEITO DE INOVAÇÃO Na interpretação clássica schumpeteriana a mudança técnica é defi nida como uma mudança irreversível no método de produção das coisas – a destruição criativa. Esta gera inovação, que gera riqueza e desenvolvimento econômico (SCHUMPETER, 1934). De acordo com esta defi nição, para Kotsemir, Abroskin e Meissner (2013), a mudança técnica na prática pode ser implementada em: • A implementação de bens (produtos), que são novos para os consumidores – ou de qualidade superior. • A implementação de métodos de produção, que são novos para a indústria específi ca e atividades econômicas em que são utilizados. • A abertura de novos mercados. • O uso de novas fontes de matérias-primas. • A implementação de novas formas de competição, que conduzam a mudanças estruturais nas indústrias. Em linha com o conceito schumpeteriano, a inovação está relacionada a mudanças – em grande (radical) ou pequena (incremental) escala– que têm um impacto signifi cativo nas alterações estruturais, podendo ser em indústrias individuais e segmentos de mercado. Nesta abordagem, novos métodos de produção não são necessariamente baseados em novas descobertas científi cas. O primeiro uso de tecnologias já usado em outras indústrias também pode ser atribuído a novos métodos. Uma vez que a inovação é associada aos processos de fabricação do produto e sua utilização, o conteúdo deste conceito na literatura internacional é baseado em princípios diferentes e cada conjunto de defi nições tem suas características específi cas (LINTON, 2002). As defi nições básicas e os tipos de inovação (às vezes chamados de "formas" ou “tipologia” de inovação) são dadas pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em uma série de manuais. Um desses manuais é o Manual de Oslo, que defi ne inovação como “todas aquelas técnicas científi cas, etapas comerciais e fi nanceiras necessárias para o desenvolvimento bem-sucedidos de produtos manufaturados novos ou aprimorados, o uso comercial de processos novos ou aprimorados ou equipamento ou a introdução de uma nova abordagem ao serviço social" (OCDE, 1981). 11 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 Uma defi nição mais atual da OCDE descreve a inovação como: a implementação de um novo ou signifi cativamente melhorado produto (bem ou serviço), ou processo, um novo método de marketing ou um novo método organizacional nas práticas de negócios, nos ambientes de trabalho ou nas relações externas” (OCDE, 2005, p. 46). Nestes dois exemplos, uma evolução da noção do conceito “inovação” torna- se aparente. Enquanto na década de 1980 o foco estava nas etapas de inovação, atualmente, o foco principal mudou para a tipologia e implementação de inovação. Geralmente, dois aspectos principais (conceituais) da inovação podem ser distinguidos (COOPER, 1998): • Inovação como um processo que incentiva a mudança (o resultado da ênfase em inovação); • Inovação como evento, objeto ou produto discreto, caracterizado pela novidade. No entanto, como essa classifi cação é muito ampla, visto que ela pode ser dividida ainda mais. A inovação como evento, objeto ou produto discreto pode ser separada em vários aspectos: inovação como evento, inovação como objeto físico e inovação como algo novo (novo processo ou método para organização de algo). Com o tempo, uma classifi cação mais detalhada dos aspectos da inovação foi desenvolvida. Por exemplo, Godin (2008) defi ne o conceito de inovação da seguinte forma: I. Inovação como processo de fazer algo novo: • Inovação como imitação. • Inovação como invenção. • Inovação como descoberta. II. Inovação como habilidades humanas para a atividade criativa: • Inovação como imaginação. • Inovação como engenhosidade. • Inovação como criatividade. III. Inovação como mudança em todas as esferas da vida: • Inovação como mudança cultural. • Inovação como mudança social. • Inovação como mudança organizacional. • Inovação como mudança política. • Inovação como mudança tecnológica. 12 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS IV. Inovação como comercialização de novo produto. Outra classifi cação detalhada dos aspectos e dimensões da inovação é dada por Ram, Cui e Wu (2010). Os autores distinguem os seguintes aspectos da inovação: • Inovação como algo novo. • Inovação como um canal de mudança. • Inovação como processo. • Inovação como impulsionador de valor. A variedade de características de inovação é expressa por muitas defi nições diferentes. Para Barnett (1953, p. 7), a inovação é como algo novo: “qualquer pensamento, comportamento ou coisa que seja nova porque é qualitativamente diferente das formas existentes”. Drucker (1988) e O'Sullivan e Dooley (2009) descrevem a inovação como um canal de mudança, sendo elas: I) A inovação é a ferramenta específi ca dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. É capaz de ser apresentada como uma disciplina, capaz de ser aprendida, capaz de ser praticada (DRUCKER, 1988). II) A aplicação de ferramentas práticas e técnicas que fazem mudanças, grandes e pequenas, para produtos, processos e serviços que resultam na introdução de algo novo para a organização, agregando valor aos clientes e contribuindo para o armazenamento de conhecimento da organização (O'SULLIVAN; DOOLEY, 2009). A inovação, como um processo, é totalmente defi nida por Aiken e Hage (1971) e Rasul (2003) como a geração, aceitação e implementação de novas ideias, processos, produtos ou serviços dentro de uma confi guração da organização pela primeira vez”. Por sua vez, Rasul (2003) defi ne inovação como “o processo de ideias para novos (ou melhorados) produtos, processos ou serviços desenvolvidos e comercializados no mercado. Além da dimensão do processo, Zaltman, Duncan e Holbek (1973) enxergam a inovação como invenção, um processo criativo pelo qual dois ou mais conceitos ou entidades existentes são combinados de alguma maneira nova para produzir uma confi guração que não é previamente conhecida. No entanto, os estudiosos distinguem cada vez mais inovações e invenções (Tabela 1). Inovação e invenção têm signifi cados razoavelmente diferentes nos dicionários. Por exemplo, de acordo com o Dicionário Webster (c2021) inovação é: • a introdução de algo novo; • uma nova ideia, método ou dispositivo. 13 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 De acordo com o dicionário mencionado, invenção é: • descoberta; • imaginação produtiva: inventividade; • o ato ou processo de inventar, como: o um produto da imaginação; especialmente uma falsa concepção; o um dispositivo ou processo originado após estudo e experimento; Outros exemplos de diferenciação de inovação e invenção na literatura científi ca que temos é o de Stamp (1929), dentro do campo da economia, em que, posteriormente, foi desenvolvido por Schumpeter. Para ele, a invenção pode ser vista como o “ato intelectual e de criatividade e invenção não têm importância para a análise econômica” (SCHUMPETER, 1939, p. 105). A inovação é o ato de aplicar ou adotar a invenção. Alguns estudiosos, como Freeman (1982) e Rouse (1992), mostram as diferenças entre invenções e inovações, que são principalmente determinados pela aplicação prática da inovação. Heunks (1998) defi ne inovação como a implementação técnica e econômica bem-sucedida da ideia, enquanto O'Sullivan e Dooley (2009) consideram a inovação em contraste com a presente invenção mais do que a criação de algo novo, mas incluindo também o uso de um novo produto com benefícios que agregam valor ao consumidor. Outro conceito amplamente utilizado defi ne a inovação como uma ferramenta para a criação de novos conhecimentos (STRAMBACH, 2002). Nesse contexto, um novo conceito é baseado na posição de que o uso de novos produtos, serviços, processos e paradigmas que estão embutidos na inovação existente leva a novas formas de pensar e a novos conhecimentos. Este ciclo iterativo de conhecimento e criação de novos conhecimentos, por sua vez, leva a uma intensifi cação da inovação. Ahmed e Shepherd (2010) defi nem seis aspectos da inovação, conforme mostra a Quadro 1. QUADRO 1 – SEIS ASPECTOS DA INOVAÇÃO DE AHMED E SHEPHERD Criação (invenção) Uso de recursos (pessoas, tempo e dinheiro) para inventar ou desenvolver um novo produto, serviço, nova maneira de fazer as coisa e nova maneira de pensar sobre as coisas. Difusão e aprendizagem Na aquisição, apoio ou utilização de um produto, serviço ou ideias. Evento Evento discreto, como o desenvolvimento de um único produto, serviço, ideia ou decisão. 14 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Mudança (incremen- tal ou radical) Promulgação de mudança. Algumas inovações são pequenos ajustes, enquanto outras inovações são radicais ou de natureza descontínua. Processo (nível da empresa) Inovaçãonão é um ato único, mas uma série de atividades que são reali- zadas por uma empresa para levar a produção de um resultado. Contexto (região, natureza etc.) pro- cessos de nível Aja além dos limites de um indivíduo ou empresa. Foco em estruturas institucionais, sociopolíticas e adoção de fatores próximos como fatores importantes no ato de inovação. FONTE: Adaptado de Ahmed e Shepherd (2010) Uma análise geral sobre os aspectos da inovação mostra que tivemos um avanço substancial desde as primeiras defi nições de inovação. A inovação é vista não apenas como processo de mudança ou objeto físico, mas também como instrumento de mudança e a condição para essa mudança. Assim, para Kotsemir, Abroskin e Meissner (2013), os aspectos da inovação podem ser resumidos da seguinte forma: • Inovação como algo novo (algum objeto real: produto, serviço ou software); • Inovação como processo de fazer (criar algo novo); • Inovação como instrumento de fazer (criar algo novo); • Inovação como condição – ambiente (para fazer algo novo); • Inovação como ideia – conceito (de algo novo); • Inovação como habilidade humana (para fazer algo novo); • Inovação como processo de mudança. Seguindo essa análise dos aspectos básicos da inovação em seu desenvolvimento histórico, analisaremos mais de perto as defi nições de inovações em diferentes estudos para ver como essas defi nições refl etem os aspectos da inovação. A partir das defi nições apresentadas, podemos ver que a principal característica da inovação é a presença do elemento de novidade, que também permite diferentes interpretações (KNIGHT 1967; O'SULLIVAN; DOOLEY, 2009). Segundo Robertson (1967), Mohr (1969) e Walker (2011), o critério "novidade" não pode ser o único critério de inovação, mas invenções ou ideias tornam-se uma inovação no curso de sua transformação quando usadas na prática. Muitas defi nições conceituais de inovação foram desenvolvidas no fi nal dos anos 1960. Por exemplo, Robertson (1967, p. 14) defi ne inovação como “um processo pelo qual uma nova ideia ou comportamento é qualitativamente diferente das formas existentes, é implementada e aplicada em prática”. Outros estudos de inovação do fi nal dos anos 1960 também se concentram no conceito 15 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 inovação como algo novo (ou fonte de novidade). De acordo com Mohr (1969), a inovação pode ser uma fonte para a criação de algo novo, que pode ser um produto ou processo e, que, consequentemente, é novo para os seus seguidores. Apresentando o conceito de inovação, o autor descreve em seu trabalho que uma inovação é uma "introdução bem-sucedida, em uma situação real, de meios ou fi ns que sejam novos para aquela situação” (MOHR, 1969, p. 112). Isso mostra que na década de 1960, a inovação foi interpretada principalmente com referência a "aspectos conceituais”, sem levar em conta a complexidade e diversidade das defi nições e, em geral, considerada relação das empresas, mas não de mercado ou países (ROBERTSON, 1967; MOHR, 1969). Nas décadas de 1980 e 1990, uma série de princípios metodológicos importantes foram propostos, refl etindo, em particular, as características da classifi cação da inovação como novo para a empresa, novo para o mercado e novo para a economia mundial (BACON et al., 1998). A defi nição de inovação de Rogers (2003) também é importante para compreender as ligações entre inovação e novidade. Em sua compreensão, a inovação é “uma ideia, prática ou objeto, que é percebido como novo por um indivíduo ou outra unidade de adoção” (ROGERS, 2003, p. 12). De acordo com esta defi nição, o critério de novidade é determinado pela escolha e pela percepção da inovação de seus adotantes (seguidores). Isso signifi ca que a ideia, objeto ou prática é considerada inovadora durante o período em que foi percebida como nova pelos adotantes, porém, isso é classifi cado como inovação independentemente do fato de outros seguidores no sistema não poderem atribuir essa ideia, objeto ou prática de inovação por causa de sua aceitação ou conhecimento sobre a inovação. Neste contexto, entende-se também que a disponibilidade de informação e conhecimento sobre inovação não distorce os critérios de “novidade”; e a inovação é percebida como “algo novo” pelo seguidor representativo até o momento de seu uso na prática. Walker (2011, p. 313) em sua pesquisa sintetizou a defi nição de inovação como “um processo através do qual novas ideias, objetos e práticas são criadas, desenvolvidas ou reinventadas, e que são novas e inéditas para a unidade de adoção”. Contudo, não apenas o “novo” foi o principal aspecto conceitual nas defi nições de inovação (ROGERS, 2003; WALKER, 2011). Em particular, Dakhli e De Clercq ( 2004) propõem que as mudanças associadas à inovação devem ser consideradas em um contexto social em termos de seus usuários. Assim, no nível institucional, a inovação deve ser vista como um processo social, não 16 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS uma descoberta científi ca. Isso permite estimar seu impacto na estrutura e procedimentos das organizações, ou seja, usuários. Em desenvolvimentos subsequentes, O'Sullivan e Dooley (2009) fi zeram a suposição que a inovação é o processo de implementação de mudanças direcionadas ao aumento do valor do produto para o usuário, bem como uma contribuição para o desenvolvimento do conhecimento por parte do adotante da inovação. A inovação como um conceito gerador de valor é muito importante para avaliar a efi ciência de inovação. Neste conceito, a inovação é defi nida como uma fonte de vantagem competitiva, além de ser vista como um fator decisivo para o crescimento econômico e condição básica de desenvolvimento das empresas em um ambiente competitivo. Do ponto de vista organizacional, a adoção de inovações pode levar a uma maior efi ciência operacional; criar melhor práticas de trabalho, vantagem competitiva e fl exibilidade que garantem o desenvolvimento sustentável de empresas em um ambiente de negócios dinâmico. Outro conceito amplamente utilizado defi ne a inovação como uma ferramenta para a criação de novos conhecimentos (STRAMBACH, 2002). Neste contexto, esse conceito é baseado na posição de que o uso de novos produtos, serviços, processos e paradigmas são incorporados na inovação existente, que leva a novas maneiras de pensar e novos conhecimentos. Este ciclo interativo de conhecimento e criação de novos conhecimentos, por sua vez, leva a uma intensifi cação dos processos de inovação. Em continuidade, estudos sobre inovações radicais e incrementais também são relevantes para a conceituação de inovação (BRETTEL et al., 2011). A inovação radical é disruptiva. Ela introduz algo completamente novo, traz descontinuidade na sociedade, nos mercados e tecnologias – é o caso do celular. A inovação incremental se refere a melhorias em produtos ou serviços já existentes. Em diferentes estudos, a terminologia utilizada e a defi nição de inovação radical variam muito, dependendo das especifi cidades da pesquisa (VERGANTI, 2008), como realmente novo, descoberta e inovação discreta (PRIEST; HILL, 1980). Outro problema está associado à medição da inovação radical. Por exemplo, na teoria Schumpeteriana, não há nenhuma distinção entre inovações radicais e outros tipos de inovações. De acordo com Schumpeter, a destruição criativa substitui a velha tecnologia e expande novas oportunidades de negócios, que podem estar sujeitas à medição quantitativa. Autores como Dahlin e Behrens (2005) associam a radicalidade das invenções à natureza das ideias, nas quais se baseiam a atividade de inovação e os conteúdos de novos conhecimentos ou dados sistemáticos em inovação. 17 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 A natureza complexa do conceito de inovação, no fi nal dos anos 1970 e 1980, bem como nos anos 2000, é espelhada nas defi nições de inovação em diferentes estudos. Essas definições começam a destacar a natureza complexa dos processos de inovação. Os modelos lineares de inovação são úteis para descrever as etapas principais no processo de P&D e na documentação de projetos, mas não são particularmente úteis para entender o processo em tempo real. Modelos lineares descrevem o que aconteceu, mas não como aconteceu, e tendem a reforçar a crença em uma espécie de ordem que não existe. Modelos que retratam a inovação como um processo linear suave não especifi cam a natureza e direção dos fatores causais no trabalho. A inovação é complexa, incerta, de certa forma, desordenada e sujeita a mudanças de muitos tipos. A inovação também é difícil de medir e exige estreita coordenação de conhecimento técnico adequado e excelente julgamento de mercado a fi m de satisfazer as restrições econômicas, tecnológicas e outros tipos de restrições – todas elas simultaneamente. O processo de inovação deve ser visto como uma série de mudanças em um complexo sistema não só de hardware (tecnologia da informação e comunicação), mas também do ambiente de mercado, instalações, produção, conhecimento e os contextos sociais da organização (KLINE; ROSENBERG, 1986). A inovação não é apenas sobre o desenvolvimento de tecnologia, mas inclui a forma de fi nanciamento, a forma de marketing e as relações de marketing, a forma de criar estratégias, parcerias e a forma de lidar com os governos. A natureza inovadora de fazer negócios precisa ser abrangente na empresa e precisa olhar para mais do que apenas o desenvolvimento de tecnologia (RASUL, 2003). Ainda assim, essas defi nições implicam principalmente que inovação é um sinônimo de novos produtos. Elas negligenciam – ou pelo menos não enfatizam totalmente – a inovação estratégica, como entrar em novos mercados com produtos existentes. Além disso, as inovações da cadeia de suprimentos e a inovação em serviços que agregam valor mal são consideradas no contexto da inovação. Essas inovações baseadas em estratégia são uma nova fronteira que muitas empresas nunca perseguiram (TUCKER, 2004). Caro aluno, em resumo, a seguinte conclusão pode ser feita a partir destas análises com relação às defi nições da inovação: I) As defi nições de inovação estão conectadas não apenas com novidades, mas também com mudanças e efi ciência na conquista de mercado e rápida promoção de novos produtos. II) A inovação não pode ser conceituada de forma precisa. 18 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS III) A inovação é um conceito complexo – e para diferentes campos da ciência. Por exemplo, para a teoria econômica, a inovação está perto do "novo", enquanto para a gestão "criação de valor (vantagem competitiva)". No estudo intitulado “Inovação aberta: uma vantagem competitiva para pequenas e médias empresas” você pode se aprofundar no tema inovação. Confi ra em https://periodicos.unifor.br/ rca/article/view/7507. 1 Caro aluno, vamos exercitar o conhecimento adquirido até aqui. Em uma análise geral, notamos os aspectos da inovação, que apresentaram um avanço substancial desde as primeiras defi nições de inovação. A inovação é vista não apenas como processo de mudança ou objeto físico, mas também como instrumento de mudança e a condição para essa mudança. Com relação aos aspectos da inovação, classifi que V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas. ( ) Difusão e aprendizagem: na aquisição, apoio ou utilização de um produto, serviço ou ideias. ( ) Processo (nível da empresa): foco em estruturas institucionais, sociopolíticas e adoção de fatores próximos como fatores importantes no ato de inovação. ( ) Criação (invenção): inovação não é um ato único, mas uma série de atividades que são realizadas por uma empresa para levar a produção de um resultado. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – V – F. 19 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 2.2 DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO DE INOVAÇÃO NA PERSPECTIVA HISTÓRICA Caro aluno, em seguida, apresentaremos uma análise abrangente do desenvolvimento histórico do conceito e modelos de inovação desde a década de 1890 até os anos 2000, ordenados por décadas, com base na análise de Godin (2008). a) Antes do século IXX Segundo Godin (2008) inovação não teve relação com criatividade e originalidade. Inovar signifi cava impor mudança à ordem estabelecida, enfrentando a resistência explícita – especialmente da igreja e da sociedade. A oposição à inovação existia em todas as esferas da vida: economia, política, direito, ciência, educação e religião (GODIN, 2008). Nessa época, a inovação e inventores tinham uma percepção negativa. Por causa do fraco desenvolvimento, os inovadores da ciência eram vistos como hereges e pessoas suspeitas, pois, em muitos casos, apenas os próprios inovadores poderiam explicar o que fi zeram e que suas invenções eram algo bom e útil para a sociedade. b) Da segunda metade do século IXX à primeira metade do século XX Godin (2008) pontua que nessa época houve uma mudança gradual em direção a uma visão mais positiva com relação à percepção da inovação. Teorias de inovação começaram a se desenvolver em muitos campos do conhecimento, acompanhada por uma tendência para explicar as mudanças revolucionárias em todas as esferas da vida por meio das inovações (GODIN, 2008). As primeiras teorias da inovação foram desenvolvidas no campo da sociologia, onde a inovação foi vista como a mudança nas construções sociais, como gramática, linguagem, lei, religião e assim por diante. No entanto, o primeiro uso do termo "inovação" em literatura sociológica é encontrado em Hart (1931) e, então, começou a se espalhar. As primeiras teorias de invenções tecnológicas surgiram no campo da psicologia e os primeiros protótipos de modelos de difusão de inovação também vieram da sociologia. Alguns modelos semelhantes foram usados na antropologia cultural, mudança como resultado do contato entre culturas (KOTSEMIR; ABROSKIN; MEISSNER, 2013). 20 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Os antropólogos também estiveram entre os primeiros a fazer esforços para quantifi car a inovação tecnológica como aceleração e crescimento da cultura. A primeira análise dos efeitos (sociais) das invenções tecnológicas foram feitas por Stern (1927). A primeira conceituação de inovação foi também feita na sociologia, onde Chapin (1917) identifi cou a inovação como experimentos sociais. As primeiras abordagens prototípicas (protótipo) para a análise de tecnologias (paradigmas tecnoeconômicos) foram desenvolvidas por Dosi (1982), Freeman e Perez (1988), baseado no trabalho sociológico original de Odum (1937). Sociólogos e antropólogos consideraram a inovação como um conceito de amplo paradigma. Para esses especialistas a inovação (ou invenção tecnológica) era um fenômeno (processo de paradigma em mudança de contexto social ou cultural) em construção ampla. Portanto, antropólogos e sociólogos adotaram a visão de "nível macro" ou, mais precisamente, a visão de "nível de sociedade" sobre inovação. Para eles, a inovação era o pano de fundo das mudanças sociais ou culturais. Os economistas tinham outra visão sobre a inovação, pois eles visavam mais o lado técnico da inovação. Para os economistas, a inovação foi, em primeiro lugar, um meio (ou ferramenta) para aumentar a produtividade, processos ou serviços e, só depois de “o próprio conceito”, a inovação teve algum proveito. Schumpeter (1978), com o seu conceito de destruição criativa e classifi cação da mudança técnica, foi um dos pioneiros na inovação vs. discussão da dicotomia da invenção. Entre as primeiras discussões documentadas em literatura econômica na forma de artigo – em revista científi ca –, uma delas foi feita por Stamp, em 1929 (GODIN, 2008). Na década de 1940, especialmente no segundo semestre após a Segunda Guerra Mundial, a tendência crescente em estudos deinovação foi interrompida. Na década de 1950, os seguintes marcos no desenvolvimento do conceito de inovação podem ser resumidos (GODIN, 2008): • O surgimento do conceito de inovação organizacional (COLE, 1959). • O surgimento do conceito de inovação como invenção (novo produto) (JEWKES, 1958). • A emergência da inovação como conceito de atividade e processo na sociologia (NIMKOFF, 1957). • Os primeiros estudos sobre a análise da lógica interna do processo de inovação (CARTER; WILLIAMS, 1957). • Estudos sobre a difusão da inovação (BROZEN; 1951). • O primeiro trabalho seminal na linha de “inovação e crescimento econômico” (SOLOW, 1957). 21 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 • Primeiros trabalhos sobre avaliação de pesquisas (QUINN, 1959). A análise do desenvolvimento dos estudos de inovação na primeira metade do século XX mostra que a base conceitual dos estudos de inovação foi estabelecida. c) Da década de 1960 à 1990 Nesse período, a inovação foi considerada o principal instrumento de luta competitiva nos negócios e entre as nações. Também é nessa época que os principais “think tanks” (laboratório de ideias, gabinete estratégico, centro de pensamento ou centro de refl exão é uma instituição ou grupo de especialistas de natureza investigativa e refl exiva, cuja função é a refl exão) sobre inovação foram fundados, sendo eles, conforme a Tabela 1 (KOTSEMIR; ABROSKIN; MEISSNER, 2013, p. 15): TABELA 1 – GRUPOS DE INOVAÇÃO • Unidade de Pesquisa em Política de Ciência e Tecnologia (SPRU, UK, em 1966). • Instituto de Pesquisa de Sistemas e Inovação Fraunhofer (Fraunhofer ISI, Alemanha, em 1972). • Centro de Estudos de Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden (CWTS, Holanda, em 1982). • Instituto de Política Científi ca e Tecnológica (STEPI, Coréia do Sul, em 1987). • Instituto Nacional de Política Científi ca e Tecnológica (NISTEP, Japão, em 1988). • Centro de Pesquisa Econômica Europeia (ZEW, Alemanha, em 1990). • Centro de Pesquisa Científi ca e Estatística (CSRS, Rússia, em 1991). • Centro Internacional de Ciência e Tecnologia (ISTC, Rússia, em 1992). • Centro de Tecnologia da Academia de Ciências da República Tcheca (em 1994). • Instituto de Estudos de Prospectiva Tecnológica (IPTS, Espanha, em 1994). • Instituto de Estudos Estatísticos e Economia do Conhecimento (ISSEK, Rússia, em 2002). FONTE: Kotsemir, Abroskin e Meissner (2013, p. 15) A OCDE também lançou a primeira edição, que se transformou posteriormente em uma série de manuais de estudos sobre inovação, sendo eles: • O manual Frascati sobre “A medição das atividades científi cas e técnicas”. • O Manual de Oslo para “medição da inovação” (OCDE, 1992). • O Manual de Patentes com dados sobre patentes e sua utilização como ciência e tecnologia (OCDE, 1994). • O Manual TBP como uma Proposta de Método Padrão para Compilação e Interpretação de (OCDE, 1995). • O Manual de Canberra “Medição de Recursos Humanos na Ciência e Tecnologia” (OCDE, 1996). 22 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS d) Anos 2000 em diante A inovação tornou-se cada vez mais uma palavra da moda e um slogan nos anos 2000. Qualquer mudança em qualquer esfera da vida, agora, é considerada uma inovação, contudo, em muitos casos, sem qualquer fundamentação científi ca. A inovação não é mais um conceito puramente científi co, mas sim uma palavra- chave para atrair investidores, uma palavra útil para a alta administração entender o sucesso do negócio e falhas, um belo slogan de palavras bonitas usadas em campanhas publicitárias de bens de consumo, mas também para programas políticos. As principais esferas de descredenciamento do conceito científi co de inovação é o marketing (por meio de propaganda) e políticas públicas (por meio de promessas eleitorais e ambiciosos “Programas de Desenvolvimento da Inovação”). No entanto, as teorias de inovação, como o sistema nacional de inovação, continuaram e ainda continuam a se desenvolver. Além disso, os conceitos de inovação evoluíram, por exemplo: o conceito de inovação fi nanceira, o conceito de ecoinovação, o conceito de inovação social, bem como o conceito de inovação colaborativa. Essa tendência de simplifi cação do conceito de inovação não é um desastre ou algo ruim, em vez disso, permite a identifi cação das forças motrizes por trás dessa tendência. De acordo com Kotsemir, Abroskin e Meissner (2013): a) A mudança da essência da sociedade científi ca, por exemplo, a mudança do “modelo de ciência fechada” ao “modelo de ciência aberta”. Atualmente, a plataforma para discutir os problemas de inovação não são apenas periódicos revisados por pares e conferências científi cas nacionais e internacionais, mas também diferentes sites temáticos. Como esses sites são projetados para públicos com diferentes níveis de educação e conhecimento. Seu principal objetivo é explicar os conceitos e modelos complexos de forma simples e objetiva, com fi guras ilustrativas e gráfi cos. Caro aluno, entenda, no texto a seguir, a importância de investir em P&D. INVESTIR EM P&D É CAMINHO RUMO À COMPETITIVIDADE A alta competitividade imposta pela globalização torna a atividade de pesquisa e desenvolvimento (P&D) essencial para as empresas que desejam sobreviver nos dias atuais. Com isso, 23 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 cada vez mais o êxito empresarial depende da capacidade de inovar tecnologicamente, colocando novos produtos no mercado, com menor custo, melhor qualidade, benefi ciando o cliente e, principalmente, com mais rapidez que os concorrentes. Por se tratar de um diferencial competitivo, as companhias com efetivo interesse em inovar passaram a investir em centros próprios de P&D e também a procurar parcerias com outros atores, como startups, em busca de apoio na área de inovação e tecnologia. A atividade de P&D é uma das principais fontes de mudança organizacional de uma empresa e requer o desenvolvimento de projetos que, muitas vezes, não fazem parte da rotina dos profi ssionais. Além disso, essas iniciativas podem trazer níveis de incertezas consideráveis, mas, em contrapartida, são capazes de transformar ciência em tecnologia e trazer novas oportunidades de negócios, bem como levar riqueza para toda a cadeia produtiva e garantir o acesso ao mercado. Para contar com um centro próprio de P&D, torna-se imprescindível que o planejamento global da empresa esteja engajado com: a atividade de pesquisa, a visão de médio e longo prazo, o bom alinhamento no processo decisório no âmbito estratégico e em decisões técnicas, a rápida identifi cação de oportunidades e de potenciais ameaças tecnológicas e com as fontes de recursos fi nanceiros e incentivos fi scais para redução dos custos com essas atividades. Recorrer a startups também se tornou vantajoso para as empresas. Isso porque, muitas vezes, é possível encontrar um serviço na medida para a demanda, bem como pode ser um caminho para resolver problemas e repensar parte dos negócios. Vale ressaltar que, ao se aproximar dessa nova geração de empreendedores, as organizações passam a aproveitar as ideias que eles têm a oferecer com efi ciência, rapidez e baixo custo. Estruturação Para estruturar um centro de P&D no ambiente organizacional é necessário analisar sua viabilidade. É preciso considerar, dentre outros pontos: 1: Desenvolvimento de um plano de negócios; 2: Defi nição do modelo jurídico e fi scal ideal para estruturação 24 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS do centro de P&D, conforme estratégia da empresa, possibilidade de captação de recursos e relacionamento com possíveis parceiros; 3: Adaptação e estruturação das atividades de P&D para atendimento dos requisitos de um centro de P&D, de acordo com as normas locais e internacionais; 4: Seleção, contratação e capacitação das equipes (pesquisadores e profi ssionais de apoio técnico); 5: Defi nição da infraestrutura de laboratório necessária eda rede de parceiros para apoio técnico; Avaliação do desempenho da equipe na condução dos primeiros estudos. Recursos fi nanceiros para inovação Outro fator importante na estruturação de um centro de P&D é a alocação de recursos fi nanceiros para custear as atividades. Atualmente, os investimentos das empresas em P&D podem variar de 0,5% a 15% do faturamento. As companhias multinacionais investem, em média, mais nessa área do que as nacionais. A falta ou a baixa intensidade de P&D nas organizações, frequentemente, está associada à estagnação ou ao declínio da empresa frente ao quadro econômico da concorrência acirrada em que está inserida. O Brasil tem avançado no número e na efi ciência dos mecanismos para promoção de um ambiente propício à instalação de centros de P&D. Atualmente, já é possível contar com a Lei de Inovação, com instrumentos de subvenção econômica e incentivos fi scais à inovação tecnológica (Lei do Bem). Um estudo do modelo jurídico e fi scal mais adequado à estratégia da empresa e as oportunidades de recursos fi nanceiros à inovação (incentivos fi scais, recursos não reembolsáveis, reembolsáveis, etc.) permite a otimização das oportunidades, e consequentemente uma redução direta ou indiretamente dos custos com o centro de P&D. Para exemplifi car, dependendo do modelo jurídico e fi scal defi nido para estruturação do centro de P&D, esse pode não ter acesso aos incentivos fi scais da Lei do Bem e ao mesmo tempo maior disponibilidade de programas de recursos não reembolsáveis. É sem dúvida, uma questão que merece atenção especial das empresas. 25 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 Relacionamento com startups Ao buscar empresas inovadoras, as organizações têm o intuito de acessar tecnologias, descobrir novos produtos e experimentar novos modelos de negócios. A sinergia de startups com as grandes empresas ocorre a partir do momento em que o empreendedor é o mais adequado a um determinado projeto da companhia. Também há organizações que optam em montar um escritório para hospedar a startup escolhida. O caminho sempre dependerá da estratégia a ser adotada pela empresa e da forma de como se pretende viabilizar fi nanceiramente essa parceria, como por meio de uma política de corporate venture, termos de parceria, contratos de prestação de serviços etc. É importante notar que, para algumas empresas e startups, o relacionamento tem sido um grande desafi o, visto que ainda existe uma larga diferença de cultura entre as organizações. De um lado, grandes companhias com políticas burocráticas tendo em vista legislações nacionais e internacionais, e de outro, startups, com processos mais enxutos e céleres. Resultados Muitos são os resultados que as organizações devem visar ao investir em P&D. Em termos de relevância, é possível elencar: • desenvolvimento de novos produtos; • aprimoramento de produtos (bens/serviços); • desenvolvimento de novos processos de produção; • aperfeiçoamento de processos de produção; • identifi cação de novas oportunidades de negócios além do core business da empresa; • capacitação de recursos humanos; • apoio técnico a outras áreas (como produção e marketing). FONTE: <https://brasil.abgi-group.com/radar-inovacao/noticias/ investir-em-pd-e-caminho-rumo-a-competitividade/>. Acesso em: 26 mar. 2021. 26 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS b) O êxito das organizações está diretamente relacionado ao engajamento das pessoas, em nível estratégico, no desenvolvimento das atividades relacionadas à P&D. Vale ressaltar que o investimento das companhias nessa área também benefi cia diretamente o crescimento da economia do país. Indiretamente, promove benefícios ainda maiores na economia local, com o fortalecimento do sistema nacional de inovação, estímulo à cultura de inovação e retenção de profi ssionais qualifi cados. c) Mudanças na política de inovação. A política nacional de inovação muda gradualmente de “defi nição de prioridades de cima para baixo” para “defi nição de prioridades de baixo para cima”. Por exemplo, os países da União Europeia, bem como outros países desenvolvidos, começaram a coordenar suas políticas nacionais de inovação com relação às respostas aos grandes desafi os. Essas respostas estão vinculadas a respostas específi cas, às vezes de forma única em segmentos localizados, por exemplo setores. O entendimento deles e a modelagem requer novos termos e conceitos, portanto, os antigos conceitos estabelecidos de inovação podem não ser aplicável nessa resposta Esses conceitos são específi cos por defi nição e não podem ser conceitos de inovação abrangentes e comumente aplicáveis. Por exemplo, em respostas às mudanças climáticas a lógica da inovação de produto/ processo difi cilmente pode ser usada. Em vez disso novos conceitos de inovação, como ecoinovação, inovação sustentável ou inovação ambiental (e assim por diante) devem ser usados. Nesse sentido, para os autores Kotsemir, Abroskin e Meissner (2013, p. 18) as principais tarefas para os estudos de inovação e estudos sobre os conceitos básico de inovação serão os seguintes: TABELA 2 – PRINCIPAIS TAREFAS PARA OS ESTUDOS DE INOVAÇÃO • Sistematização da terminologia muito ampla e às vezes vaga, sendo assim, é necessário um maior aprofundamento. • Desenvolvimento de critérios estritos e facilmente aplicáveis para o que pode ser tratado como inovação. • Desenvolvimento de uma classifi cação mais estruturada dos tipos de inovação. • Desenvolvimento de uma terminologia nova e bem estruturada para " inovação" em design, processo, organização, produtos, serviços, instituições entre outros. FONTE: Kotsemir, Abroskin e Meissner (2013, p. 18) 27 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 3 CONCEITOS DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL A transformação digital e a inovação dos modelos de negócios alteraram fundamentalmente as expectativas e o comportamento dos consumidores. As empresas competem e podem obter uma vantagem competitiva por meio de seus modelos de negócios, que são defi nidos para representar como a empresa cria e entrega valor aos clientes e, em seguida, converte o pagamento recebido em lucros. Os consumidores têm acesso a dezenas de canais de mídia, comunicam- se ativamente e sem esforços com as empresas – e passam por um número cada vez maior de pontos de contato na jornada do cliente, muitos dos quais são digitais (L EMON; VERHOEF, 2016). Muitas empresas tradicionais foram superadas por concorrentes digitais inovadores de rápido crescimento. Por exemplo, o rápido crescimento dos varejistas on-line, como Alibaba e Amazon, afetou fortemente os varejistas tradicionais. No entanto, esses novos varejistas on-line não limitam seu alcance ao setor de varejo tradicional; eles usam seus recursos digitais para entrar em mercados que antes eram considerados completamente alheios ao varejo, em busca de novas oportunidades de crescimento. No entanto, o que é transformação digital? Não se preocupe, em seguida vamos abordar esse assunto de forma mais aprofundada. Verhoef et al., (2021) após uma ampla pesquisa identifi caram três fases da transformação digital: digitalização, digitização e transformação digital. A maior parte da literatura subscreve que as duas primeiras fases são necessárias para atingir a fase mais abrangente da transformação digital. A digitalização é a codifi cação de informações analógicas em um formato digital (ou seja, passagem dos dados físicos para o meio digital), de modo que os computadores possam armazenar, processar e transmitir essas informações (DOUGHERTY; DUNNE, 2012). Também pode ser vista como uma mudança de tarefas analógicas para digitais, como a integração de TI (tecnologia da informação) com as tarefas existentes e, mais amplamente, como o desenvolvimento ou capacitador de confi gurações de recursos de baixo custo usando TI. Sendo assim, Verhoef et al., (2021) defi ne digitalização como a ação para converterinformações analógicas em informações digitais. Por exemplo, o uso 28 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS de formulários digitais em processos de pedidos, o uso de pesquisas digitais ou o uso de aplicativos digitais para declarações fi nanceiras. A digitização descreve como a TI ou as tecnologias digitais podem ser usadas para alterar os processos de negócios existentes. Por exemplo, a criação de novos canais de comunicação on-line ou móvel que permitem que todos os clientes se conectem facilmente com as empresas e que mudam as interações tradicionais entre empresa e cliente. Essas mudanças muitas vezes envolvem a organização de novas estruturas sociotecnicas (trata-se de um ou mais sistemas técnicos, inclui pessoas e conhecimento acerca do sistema, são regidos pelas organizações e podem ser afetados por leis e políticas regulamentadoras) com artefatos digitais, que não eram possíveis sem as tecnologias digitais. Na digitização, a TI atua como um capacitador fundamental para aproveitar novas possibilidades de negócios, alterando os processos de negócios existentes, como a comunicação. Distribuição ou gestão de relacionamento (B ARALDI; NADIN, 2006). Por meio da digitização, as empresas aplicam tecnologias digitais para otimizar os processos de negócios existentes, permitindo uma coordenação mais efi ciente entre os processos e/ou criando valor adicional para o cliente por meio do aprimoramento das experiências do usuário. Portanto, a digitização não se concentra apenas na economia de custos, mas também inclui melhorias de processo que podem aprimorar a experiência do cliente. A transformação digital é a fase mais abrangente e descreve uma mudança em toda a organização que leva ao desenvolvimento de novos modelos de negócios, que podem ser novos para a empresa ou o mercado em que atua. A transformação digital apresenta um novo modelo de negócios, implementando uma nova lógica de negócios para criar e capturar valor. A transformação digital afeta toda a empresa e suas formas de fazer negócios e vai além da digitalização. Ela reorganiza os processos para mudar a lógica de negócios de uma empresa, ou seu processo de criação de valor (G ÖLZER; FRITZSCHE, 2017). Por exemplo, a transformação digital no setor de saúde se manifesta pelo uso amplo e profundo de TI que muda fundamentalmente a oferta de serviços de saúde. 29 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 Caro aluno, no texto a seguir você vai entender a necessidade da transformação digital no setor da saúde. ABIMED: INOVAÇÃO E TELEMEDICINA PAUTARÃO O SETOR NO PÓS-PANDEMIA Inovação é a palavra da vez no setor de Saúde, desde que a pandemia do novo coronavírus se instalou no mundo e colocou à prova os sistemas médicos de todos os países. No Brasil, isso não foi diferente, com as tecnologias 4.0 ganhando destaque – principalmente por conta do sucesso da telemedicina, que foi implantada em razão da necessidade – e, segundo especialistas, que vieram para fi car. A falta de estímulos à indústria nacional, os baixos investimentos em inovação, a dependência da importação de suprimentos e um ambiente regulatório desfavorável, porém, são fatores que inibem o desenvolvimento da indústria de dispositivos médicos. “A Saúde entrou na agenda da sociedade por urgência e necessidade e mostrou a importância do assunto para todos nós. É um grande momento de incorporarmos as novas tecnologias que se apresentam e evoluirmos como um player importante no mercado internacional”, afi rma Fernando Silveira Filho, presidente da ABIMED (Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde). Autorizada em caráter de emergência, por conta do isolamento, a Telemedicina se mostrou efi caz e fez com que médicos tivessem de se preparar para o uso de novas plataformas e tecnologias. “O fato é que a telemedicina ganhou uma enorme relevância entre a população. A aceitação tem sido muito boa, os profi ssionais de saúde se adaptaram rapidamente e a solução se mostrou uma excelente forma de reduzir o gap de atenção primária”, explica Silveira. Estudos do setor de saúde já mostram que é possível reduzir internações de pacientes crônicos pela metade e diminuir urgências em 40% a partir do uso da telemedicina. Ao mesmo tempo, pesquisas da Market Research Future apontavam (em um levantamento pré- pandemia) que este era um mercado capaz de crescer 29,8% até 2023 e, segundo a Global Market Insights, o mercado está avaliado em US $ 175,5 bilhões até 2026. 30 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Especialistas no país e exterior destacam que a telemedicina poderá, num futuro não muito distante, levar a saúde a todos os lugares, sendo uma nova realidade para pacientes que não terão mais de ir a hospitais físicos. Além disso, o sistema de atendimento veio para fi car e de forma colaborativa, benefi ciando pacientes e profi ssionais de saúde. Inteligência artifi cial, robótica, IoT, Big Data e 5G são outros exemplos de tecnologias 4.0 que tiveram a sua disseminação acelerada no mercado brasileiro por conta do isolamento. Nesse contexto, as startups chegam com fôlego e criatividade para inovar e desenvolver soluções, acelerando processos que muitas vezes podem ser morosos dentro de grandes corporações. “Temos que fi car atentos a esses movimentos e aproveitar as oportunidades que estão se criando. Os benefícios das tecnologias 4.0 são muitos e quem não acompanhar essa evolução não conseguirá se posicionar no mercado pós-pandemia”, fi naliza o presidente da ABIMED. FONTE: <https://medicinasa.com.br/inovacao-e-telemedicina/>. Acesso em 18 mar. 2021. O uso de TI é transformador e leva a mudanças fundamentais nos processos de negócios, rotinas e recursos existentes, e permite que os provedores de saúde entrem em novos ou saiam dos mercados atuais. Além disso, a transformação digital utiliza tecnologias digitais para permitir interações além das fronteiras com fornecedores, clientes e concorrentes ( SINGH; HESS, 2017). Consequentemente, as tecnologias digitais podem ajudar a obter uma vantagem competitiva ao transformar a organização para alavancar as competências essenciais existentes ou desenvolver novas. Portanto, a transformação digital está intrinsecamente ligada a mudanças estratégicas no modelo de negócios como resultado da implementação de tecnologias digitais. Em suma, a transformação digital é um fenômeno em toda a empresa com amplas implicações organizacionais em que, principalmente, o modelo de negócio principal da empresa está sujeito a mudanças por meio do uso de tecnologia digital. Em busca da transformação digital, as empresas buscam e implementam a inovação do modelo de negócios. 31 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 A transformação digital é particularmente relevante para empresas já estabelecidas. Todavia, elas enfrentarão desafi os e barreiras ao pesquisar e implementar a inovação no modelo de negócios. Além disso, elas são frequentemente forçadas a lidar com confl itos entre as formas existentes e as novas formas de fazer negócios. A mudança para o digital pode muitas vezes exigir um afastamento acentuado do status quo e pode levar à obsolescência dos modelos de negócios existentes (TEECE, 2010). Os titulares podem começar com pequenas alterações para transformar gradualmente seu negócio tradicional em um modelo digital. Por exemplo, empresas automotivas que aprimoram as experiências de seus clientes fornecendo acesso à mídia digital e recursos de segurança aprimorados por meio de sensores que detectam atividade em pontos cegos para evitar acidentes. Em última análise, eles podem transformar os seus negócios. Por exemplo, a Volvo Cars contratou executivos digitais para a diretoria e dedica grande parte de seu investimento em P&D e iniciativas digitais para acelerar projetos digitais, como direção autônoma e serviços de concierge. 3.1 IMPERATIVOS ESTRATÉGICOSDA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL As diferentes fases das mudanças digitais em direção à transformação digital têm imperativos estratégicos importantes para as empresas. Com base em Verhoef et al. (2021) os principais imperativos estratégicos são: os recursos digitais necessários, estrutura organizacional, estratégias de crescimento digital e métricas. Em seguida, abordaremos cada um deles. • 1 – Recursos digitais Os recursos representam a propriedade e o controle de ativos e capacidades de uma empresa (B ARNEY, 1991). Os ativos representam as dotações de recursos da empresa em ativos físicos e intelectuais, enquanto as capacidades geralmente residem no capital humano, de informações ou organizacional da empresa e unem os ativos para permitir sua implantação bem-sucedida. Em busca da transformação digital, a redefi nição da empresa de como criar e entrega valor aos clientes muitas vezes exige que ela acesse, adquira ou desenvolva novos ativos e capacidades digitais. Em seguida, será destacado os recursos e ativos digitais mais essenciais e necessários para a mudança digital: ativos digitais, agilidade digital, capacidade de rede digital e capacidade de análise de big data (VERHOEF et al., 2021). 32 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS I) Ativos digitais: as empresas exigem ativos digitais, como armazenamento de dados, infraestrutura de informação e comunicação e tecnologias que os acompanham, para competir efetivamente na era digital. As empresas de hoje investem pesadamente no desenvolvimento e aquisição de tecnologias digitais (hardware e software). As adoções feitas em tecnologias fornecem os ingredientes básicos para alavancar o conhecimento existente da empresa e outros recursos para criar mais valor para os clientes. Por exemplo, big data (ou seja, dados da jornada de compra do cliente) como um ativo digital pode ser aproveitado usando os recursos analíticos de dados de uma empresa para personalizar serviços e ofertas (VERHOEF et al., 2021). II) Agilidade digital: a agilidade digital diz respeito à capacidade de sentir e aproveitar as oportunidades de mercado fornecidas pelas tecnologias digitais ( EGGERS; PARK, 2018). Nos mercados dinâmicos e imprevisíveis de hoje, as empresas devem ser fl exíveis: (1) para permitir a alternância repetida de funções organizacionais; (2) para responder às necessidades dos clientes em constante mudança e introdução de novas tecnologias digitais; e (3) para responder à competição intensifi cada devido à indefi nição dos limites do mercado e à remoção das barreiras de entrada. Para responder a esses desafi os, as empresas devem ser digitalmente ágeis para modifi car e reconfi gurar continuamente os recursos digitais existentes (E GGERS; PARK, 2018). Para alcançar a transformação digital, a agilidade digital é necessária para recombinar ativos digitais com outros recursos organizacionais, a fi m de mudar a forma de fazer negócios. Ao sentir e aproveitar continuamente as oportunidades de mercado, a agilidade digital promove a recombinação e o desenvolvimento de novos produtos, serviços e modelos de negócios que aumentam o valor criado para o cliente (VERHOEF et al., 2021). III) Capacidade de rede digital: a capacidade de rede digital, se refere à capacidade da empresa de reunir e combinar usuários distintos para atender as suas necessidades mútuas por meio digital, torna-se mais importante em confi gurações digitais. Em ambientes cada vez mais permeados por tecnologias digitais, as empresas percebem que precisam ter uma visão centrada na rede e cocriar valor com um conjunto de empresas conectadas digitalmente (K OCH; WINDSPERGER, 2017). De acordo com um estudo elaborado por A ccenture (2017), é possível evidenciar que 75% dos executivos indicaram que sua vantagem competitiva não é determinada internamente, mas pela força dos parceiros e ecossistemas que escolhem para trabalhar. Além disso, as empresas podem permitir que os clientes em suas plataformas digitais cocriem valor gerando conteúdo próprio, personalizem seus produtos e se tornem embaixadores da marca por meio do uso de tecnologias de mídia social, tornando os clientes um ativo valioso para gerar vantagem competitiva (VERHOEF et al., 2021). A capacidade das empresas de selecionar, atrair, vincular e envolver um conjunto 33 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 heterogêneo de partes interessadas da rede, como clientes, fornecedores e terceiros, estimula fortemente a criação de valor e o crescimento das plataformas, e é importante para realizar a digitalização e a transformação digital (M CINTYRE; SRINIVASAN, 2017). IV) Capacidade de análise de big data: Big Data é o termo em Tecnologia da Informação (TI) que trata sobre grandes conjuntos de dados que precisam ser processados e armazenados. Na fase de transformação digital, a capacidade de adquirir e analisar big data para a tomada de decisão é crucial, visto que a funcionalidade das tecnologias digitais depende de dados digitais. Apesar da ampla disponibilidade e facilidade de coleta de big data, as empresas lutam para desenvolver essa capacidade de analisar e utilizar big data. 79% dos executivos entrevistados admitem que seus sistemas e estratégias mais críticos dependem de dados, mas muitos deles não investiram em verifi car a confi abilidade desses dados (ACCENTURE, 2017). Além disso, os funcionários com fortes habilidades digitais e analíticas são obrigados a criar valor a partir de big data para empresas e clientes. Empresas puramente digitais como Amazon e Booking.com usam constantemente análises para adaptar novas ofertas aos clientes, bem como para otimizar receitas com preços dinâmicos e gerenciamento de receitas. Uma vez que a capacidade de análise de big data é construída, programas de treinamento contínuo precisam ser implementados para atualizar as habilidades, conforme as técnicas se tornam mais avançadas (K ÜBLER; WIERINGA; PAUWELS, 2017). • 2 – Estrutura organizacional Além dos recursos digitais necessários para alcançar a transformação digital, uma questão chave a considerar são as mudanças organizacionais necessárias para se adaptar à mudança digital, especialmente com relação à estrutura organizacional, que é fl exível para a mudança digital. Pesquisas argumentam que a transformação digital tem implicações para na estrutura organizacional, favorecendo uma estrutura fl exível, composta por unidades de negócios separados, formas organizacionais ágeis e áreas funcionais digitais (V ENKATRAMAN, 2017). Em seguida, conheceremos cada um deles: i) Unidades de negócios separadas. Como as empresas tradicionais tendem a ser lentas quando se trata de detectar tecnologias valiosas, reconhecer a necessidade de reagir rapidamente e/ou superar a natureza frequentemente confl itiva e destruidora de competências das tecnologias digitais é fundamental. Para lidar com isso, a pesquisa de inovação de modelo de negócios, recomenda desenvolver tais modelos de negócios novos e muitas vezes disruptivos em unidades de negócios autônomas que são separadas da 34 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS sede, permitindo a experimentação e o aprendizado rápido, bem como evitando perigos e confl itos de canibalização. ii) Formas organizacionais ágeis. O uso de esquemas de organização padrão, mais hierárquicos, com múltiplas camadas de gerenciamento e uma forte abordagem de cima para baixo (dos gestores para os colaboradores), pode não ser mais efi caz em ambientes digitais em rápida mudança, pois a burocracia envolvida reduz a velocidade de resposta e a inovação. Para estimular sua agilidade digital, as empresas exigem formas de organização fl exíveis que permitam respostas rápidas às constantes mudanças digitais. Por exemplo, em sua jornada de transformação digital, o ING (uma instituição fi nanceira) adotou o chamado modelo Spotify com equipes autodirigidas, que têm sua própria responsabilidade de agir. Estaabordagem enfatiza uma maneira ágil de trabalhar, implicando em ciclos curtos para testar e atualizar rapidamente as suposições do mercado por tentativa e erro (M CGRATH, 2010). iii) Áreas funcionais digitais. Uma característica importante da transformação digital é a maior dependência da TI e funções analíticas. Notavelmente, a própria função da TI precisa se transformar de uma função de linha focada em permitir a comunicação ou fl uxos de dados em uma função mais proativa e orquestradora de apoio à criação de valor digital por meio de respostas rápidas e exploratórias. As empresas muitas vezes não percebem que além de mudar a função funcional do departamento de TI as habilidades digitais dos funcionários em marketing e operações de serviço também precisam ser atualizadas para aumentar a criação de valor (LEMON; VERHOEF, 2016). Do ponto de vista da gestão de recursos humanos, a transformação digital implica na atração de funcionários com habilidades digitais e analíticas que podem substituir a força de trabalho existente. Por exemplo, em marketing, os profi ssionais tradicionais de marcas e produtos são substituídos por especialistas em marketing on-line, enquanto os analistas de dados podem assumir o papel de pesquisadores de marketing. Um desafi o importante para as empresas é competir por talentos com essas habilidades. Jovens talentos digitais e analíticos tendem a preferir gigantes da tecnologia, como Google e Apple. 1 Caro leitor, vamos exercitar o conhecimento adquirido nessa parte do livro. Além dos recursos digitais necessários para alcançar a transformação digital, uma questão chave a considerar são as mudanças organizacionais necessárias para se adaptar à mudança digital, especialmente com relação à estrutura 35 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 organizacional, que é fl exível para a mudança digital. Com relação à estrutura organizacional, classifi que V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas. ( ) Unidades de negócios separadas. Desenvolver modelos de negócios novos e muitas vezes disruptivos em unidades de negócios autônomas que são separadas da sede. ( ) Formas organizacionais ágeis: a TI precisa se transformar em uma função mais proativa e orquestradora de apoio à criação de valor digital. ( ) Áreas funcionais digitais: formas de organização fl exíveis que permitam respostas rápidas às constantes mudanças digitais. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – V – F. 3 ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO DIGITAL Uma variedade de estratégias de crescimento digital existe para empresas digitais, mas a estratégia de crescimento mais proeminente envolve o uso de plataformas digitais. Uma característica quase onipresente das empresas digitais, e das plataformas digitais em particular, são seus números impressionantes de crescimento. O Google, por exemplo, cresceu de um bilhão de pesquisas por ano em 1999 para dois trilhões em 2016, implicando em uma taxa de crescimento de 50% ao ano em um período de 17 anos. Da mesma forma, o número de usuários ativos do Facebook cresceu cerca de 25% ao ano, entre 2009 e 2017 ( STATISTA, 2018). Embora muitos fatores possam ter contribuído para esses números impressionantes, dois impulsionadores principais por trás desse crescimento são a alta escalabilidade da plataforma e os efeitos de rede de reforço. As plataformas podem crescer rapidamente e lidar com um número crescente de usuários, incluindo clientes, fornecedores, prestadores de serviços, porque os custos de atendimento a usuários adicionais são baixos e, no caso das plataformas digitais, às vezes insignifi cantes. 36 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Embora o crescimento das plataformas inicialmente dependa fortemente da introdução de um produto de sucesso, com o tempo o foco muda cada vez mais de uma mentalidade baseada em produto para uma mentalidade baseada em plataforma ( ZHU; FURR, 2016). Essa mudança implica em deixar de focar na criação de novos produtos para a gestão de parceiros de plataforma, como fornecedores e clientes, mesmo que isso resulte em vendas menores por produto (VERHOEF et al., 2021). Para entender melhor como as empresas digitais podem crescer usando um modelo de plataforma de negócios, Verhoef et al. (2021) usaram a matriz de Ansoff, que identifi ca quatro estratégias de crescimento: penetração no mercado, desenvolvimento do produto, desenvolvimento do mercado e diversifi cação. A matriz Ansoff mostra as oportunidades de crescimento da receita por meio do desenvolvimento de novos produtos, novos mercados ou ambos. Na Figura 1, Verhoef et al. (2021) relacionaram as estratégias de crescimento da matriz Ansoff às empresas de plataforma para avaliar as oportunidades de crescimento que podem surgir. Usando as lentes de uma plataforma digital, os autores encontraram novos temas e estratégias de crescimento que ampliam a conceituação da matriz de crescimento da Ansoff. Olhando horizontalmente na Figura 1, os autores identifi caram três estratégias. Os dois primeiros são: (1) penetração de mercado e (2) desenvolvimento de mercado (baseado em produto), representando duas dimensões tradicionais do trabalho original de Ansoff. As plataformas podem alavancar suas tecnologias digitais e disruptivas para alcançar um crescimento signifi cativo, atraindo não usuários, que nunca consumiram o produto ou um substituto tradicional. Cerca de 30% dos usuários do Netfl ix não assistem TV, mas fazem streaming de conteúdo usando tablets, laptops ou telefones celulares ( RECODE, 2018) Em alguns casos, isso pode levar à criação de mercados inteiramente novos. A introdução do Apple Watch impulsionou o crescimento do mercado de smartwatch (BUSINESS INSIDER, 2017), enquanto o Google e a Amazon criaram o mercado de alto-falantes inteligentes ao apresentar seus produtos controlados por voz. É importante ressaltar que não apenas as empresas na fase de transformação digital, mas também as empresas na fase de digitalização podem adotar essas estratégias de desenvolvimento de mercado. Por exemplo, os varejistas tradicionais podem adicionar um canal on-line para atrair clientes de outras lojas de varejo para aumentar sua participação no mercado, mas também direcionar e atender a novos mercados de negócios. 37 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 Além dessas estratégias mais tradicionais, as empresas digitais também podem executar (3) penetração de mercado baseada em plataforma, introduzindo uma plataforma composta por vários produtos existentes em um novo mercado que são oferecidos por terceiros. A Apple desenvolveu um ecossistema global para seus telefones, tablets e TV. Olhando para a dimensão vertical, observamos duas estratégias distintas. A primeira estratégia, (4) desenvolvimento de produto, introduzida por Ansoff e pode ser seguida por empresas digitais. Muitas vezes, as empresas digitais podem desenvolver e lançar novos produtos com mais efi ciência em um ambiente de plataforma, pois as plataformas permitem sinergias mais fortes entre os produtos. Empresas de jogos virtuais, como a Ketchapp, por exemplo, usam plataformas de jogos para introduzir um fl uxo constante de jogos on-line no mercado, com desenvolvimento e custos promocionais relativamente limitados (VERHOEF et al., 2021). A segunda estratégia consiste em desenvolver uma (5) plataforma de cocriação, que permite aos usuários externos cocriação ativa de valor, dando- lhes a autoridade para realizar certas atividades nas próprias plataformas. Existem formas relativamente simples de cocriação nas quais as plataformas digitais permitem que os clientes conversem ou escrevam avaliações de produtos (TripAdvisor e Booking) ou compartilhem ideias inovadoras em plataformas de crowdsourcing (mil cabeças pensam melhor que uma) (Exemplo: Dell IdeaStorm). Ao mesmo tempo, asplataformas também podem permitir que os clientes realizem atividades mais substantivas ao mudar de funções, de modo que os clientes se tornem fornecedores, como em mercados on-line (Airbnb e eBay), ou se tornem coprodutores enquanto projetam, modifi cam ou montam produtos (PCs Dell, NikeID) (VERHOEF et al., 2021). Caro aluno, veja no texto a seguir como a Dell trabalha a cocriação em seu negócio. COCRIAÇÃO: DELL IDEASTORM Hoje em dia, a estratégia de cocriação tem tomado o mundo dos negócios como uma tempestade e muitas empresas tentam embarcar nela. Uma das empresas que participam da cocriação é a Dell. A Dell é uma das maiores empresas de tecnologia que, inclusive, criou uma 38 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS plataforma de crowdsourcing on-line em 2007, chamada IdeaStorm, na qual os clientes podem compartilhar suas ideias e sugestões. O IdeaStorm é mais do que apenas uma caixa de sugestões on-line, como era em 2007, pois agora serve como uma plataforma na qual os clientes e a Dell podem interagir. A ideia por trás do IdeaStorm é que os clientes recebam uma voz direta e, por meio dessa plataforma, possam ser criadas sessões de “brainstorm” on-line, daí o nome “IdeaStorm”. Desde o seu lançamento, mais de 16.000 ideias foram enviadas e cerca de 500 ideias foram implementadas. A plataforma funciona da seguinte forma: os clientes postam suas ideias ou sugestões adicionando artigos. Outros usuários podem promover, rebaixar ou comentar sobre eles. Outra forma de criar interação é por meio das “sessões de tempestade”, que são criadas pela Dell. Nessas sessões de tempestade, a Dell publica um tópico específi co e os usuários podem enviar ideias por um período limitado. Isso é para garantir que a discussão permaneça no tópico e relevante. Um resumo simplifi cado do procedimento geral pode ser visto a seguir na Figura. FONTE: <https://consumervaluecreation.fi les.wordpress. com/2016/02/picture-blog-2_2.png>. Acesso em: 31 mar. 2021. IdeaStorm é uma forma clássica de inovação, a empresa e os clientes andam de mãos dadas para criar algo novo. Os benefícios são claros, pois é uma situação ganha-ganha para ambas as partes envolvidas. A questão, entretanto, é se isso é efi ciente, já que o problema com essa plataforma é que a Dell tem que gerenciar uma tonelada de ideias. O problema com isso é que muitas das ideias não são de alta qualidade, pois os clientes só podem pensar de uma perspectiva com a qual estão familiarizados. Isso difi culta a inovação do produto. 39 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 Com a implementação de 500 ideias, podemos concluir que o IdeaStorm contribuiu para a Dell e criou valor para eles, portanto, nenhuma codestruição de valor aconteceu até agora. No entanto, não se deve esquecer que as ideias apresentadas e analisadas pela Dell devem conduzir a um elevado grau de inovação. Se acabar que muito tempo e dinheiro foram gastos em uma pequena inovação incremental, isso tudo pode não ter valido a pena. FONTE: <https://consumervaluecreation.com/2016/02/22/dells- ideastorm-still-co-creation/>. Acesso em: 31 mar. 2021. Finalmente, algumas empresas são capazes de combinar todas as abordagens em uma única estratégia, que foram mencionadas anteriormente como (6) diversifi cação de plataforma. Essa estratégia de crescimento é frequentemente implementada por plataformas grandes e bem-sucedidas com o objetivo de criar crescimento adicional em mercados inexplorados com novos produtos. Essa abordagem consiste em expandir a plataforma para atender a novos mercados, atualizar a variedade de produtos e serviços e abrir a empresa para cocriação de valor em parceria com patrocinadores (Google e Android) ou com outras plataformas interoperáveis, fornecedores, consumidores e serviços complementares (moeda Libra do Facebook) (VERHOEF et al., 2021). 40 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS QUADRO 2 – ESTRATÉGIAS DE CRESCIMENTO DIGITAL Mercado 1 Industria 1 Existir Novos Adotantes Adotantes Mercado 1 Industria 1 Existir Novos Adotantes Adotantes ... Existir Novos Adotantes Adotantes Empresa Produto 1 Produto 2 Produto 3 Consumidor 4: D e s e n v o l v i m e n t o 5: C o c r i a ç ã o 2: Desenvolvimento de mercado (Produto)1: Penetração 3: Desenvolvimento de mercado (Plataforma) 6: Diversifi cação de plataforma Nota: as estratégias representadas por setas azuis refl etem as propostas por Ansoff, enquanto as estratégias representadas por setas pretas são exclusivas para empresas baseadas em plataforma digital. FONTE: Verhoef et al. (2021, p. 895) • Métricas e metas Para realizar todo o potencial da transformação digital, as empresas digitais precisam medir as melhorias de desempenho (KPIs: Key Performance Indicator, ou Indicador-Chave de Desempenho) para facilitar o aprendizado e ajustar o modelo de negócios. A relevância e o uso de KPIs podem ser diferentes nas fases da transformação digital. 41 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 Enquanto certos ajustes e atualizações de métricas geralmente acontecem quando uma empresa passa pelas fases de digitalização e digitização (por exemplo, medição de cliques em sites, visualizações de vídeo e downloads após a introdução de canais on-line e móveis), métricas gerais relacionadas ao resultado como ROI (Retorno Sobre o Investimento), lucratividade e o crescimento da receita, normalmente permanecem relevantes para empresas que se dedicam à digitalização e digitização. Embora o objetivo fi nal dos novos modelos de negócios, gerados pela transformação digital, também seja gerar receitas e lucros (TEECE, 2010), aqui também é particularmente útil acompanhar os resultados intermediários por meio de métricas relacionadas ao processo, para avaliar quão bem o novo modelo de negócio digital está criando valor. Especialmente na fase de transformação digital, as métricas “digitais” intermediárias são valiosas, pois fornecem insights mais refi nados. Para muitas plataformas digitais, isso pode incluir a obtenção de medidas de sentimento e engajamento on-line, bem como cocriação de rede e compartilhamento de valor. Por exemplo, ao julgar o sucesso de sua rede de desenvolvedores de aplicativos, a Apple e o Google podem se benefi ciar medindo o número de desenvolvedores que criam aplicativos para sua loja de aplicativos, as receitas geradas por esses aplicativos e a satisfação do cliente com esses aplicativos. A avaliação coletiva das múltiplas métricas intermediárias mostra quão bem o complexo sistema de atividades de negócios opera e executa, e onde as mudanças são necessárias (VERHOEF et al., 2021). Além das diferenças nas métricas entre as fases, também discutimos algumas diferenças gerais entre os operadores tradicionais e os novos participantes digitais. Especifi camente, observamos que muitos operadores tradicionais se prendem à lucratividade como uma métrica fi nanceira, enquanto muitas empresas digitais se concentram em números de crescimento (por exemplo, crescimento no número de usuários, clientes e vendas) em vez de lucratividade. O objetivo principal de muitas empresas digitais é atingir o crescimento do número absoluto de usuários do ecossistema digital (por exemplo, fornecedores, clientes, terceiros) para criar efeitos de rede de reforço que permitem um maior crescimento da plataforma. Uma base de clientes em rápido crescimento permite que eles acumulem dados valiosos em escala, que podem ser aproveitados tanto internamente (dentro da empresa) quanto externamente (vendendo serviços para parceiros externos, obtendo legitimidade entre os investidores). Para empresas que estão se transformando digitalmente, alcançar alto crescimento também é importante, mas não à custa da lucratividade. Consequentemente, esses operadores tradicionais enfrentam uma forte desvantagem quando competem contra concorrentes digitais. Portanto,42 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS os operadores tradicionais, que desejam se transformar digitalmente, precisam atingir simultaneamente dois objetivos principais: reduzir custos por meio da automação e aumentar as receitas por meio de uma experiência aprimorada do cliente (LEMON; VERHOEF, 2016). 4 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL APLICADA A NEGÓCIOS A transformação digital é um dos principais desafi os que as empresas enfrentam hoje. Na verdade, um dos aspectos salientes da transformação digital é que o acesso à tecnologia em si raramente é um problema. Em vez disso, é a capacidade de desenvolver e implementar rapidamente modelos de negócios digitais viáveis que está no cerne da questão. Se gundo Kane et al., (2015) é a estratégia, e não a tecnologia que impulsiona a transformação digital. Isso indica que as empresas precisam desenvolver competências para alavancar a tecnologia digital para fi ns comerciais. A taxa na qual a tecnologia digital é capaz de gerar novos produtos e serviços “inteligentes” é comparada apenas por sua capacidade de estender o alcance e a gama de interações sociais por meio de infraestrutura onipresente e plataformas maleáveis (NAMB ISAN; WRIGHT; FELDMAN, 2019). As empresas estão sentindo a pressão não apenas para alterar seus modelos de negócios existentes, mas também para operar um portfólio de modelos de negócios diferentes, a fi m de lidar com clientes cada vez mais inconstantes que exigem fl exibilidade e personalização de produtos e serviços. No entanto, alterar radicalmente o modelo de negócios não é simples nem direto, envolve sair da zona de conforto e, possivelmente, eliminar práticas que os funcionários e clientes esperam ou consideram como certas. Pesquisas anteriores mostraram que a transformação digital faz com que as empresas repensem a própria base de quem e o que são. Reavaliar as habilidades e capacidades existentes e como elas são combinadas é uma maneira de fazer a transição de silos funcionais (a organização em formato de silos funcionais é aquela que é dividida em departamentos e diretorias) para equipes multifuncionais que podem acomodar a natureza interdisciplinar de produtos e serviços inovadores. Contudo, as empresas também devem considerar como a nova tecnologia pode criar propostas de valor e modelos de negócios totalmente novos, e como pode transformar não apenas a forma como os negócios são feitos, mas também o que são os negócios (SAARIKKO; WESTERGREN; BLOMQUIST, 2020). A capacidade de permanecer relevante e competitivo no contexto do desenvolvimento tecnológico massivo e rápido, requer estratégias de negócios digitalmente conscientes. 43 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 A Internet das Coisas, com sua capacidade de conectar produtos, pessoas e lugares, tem um impacto profundo nas organizações. Com a evolução da Internet das Coisas, por meio do desenvolvimento da computação em nuvem, sensores inteligentes e tecnologia móvel, os objetos podem não apenas ser identifi cados e localizados, mas podem coletar, processar e transmitir dados contextuais ao longo do tempo e do espaço. Isso, por sua vez, cria novas oportunidades para as empresas. Uma compreensão mais profunda de um produto em uso pode evitar paradas não planejadas e falha do produto, e pode permitir que a organização de prestação de serviços adapte seu modelo de negócios para o benefício do fornecedor e do cliente. Com um produto conectado, um fornecedor pode manter contato regular com o cliente sem depender de trabalho manual que consome tempo extra, e as informações aprimoradas podem levar a empresa a vender seu produto como um serviço ou função, em vez de uma peça de hardware. A Internet das Coisas oferece uma grande variedade de novas oportunidades para o desenvolvimento de produtos e serviços com base em uma maior percepção das necessidades e preferências individuais dos clientes e pode ser usada para melhorar a efi ciência do processo e a produtividade humana. Embora as barreiras técnicas tenham desaparecido e o cenário digital se expandiu com novas possibilidades, a tecnologia não traz automaticamente conveniência ou valor agregado, a menos que as empresas considerem cuidadosamente o contexto em que é introduzida e como obter quaisquer benefícios práticos ou monetários. De fato, alguns autores se referem a produtos e serviços digitalizados como ofertas “sociociberfísicas”, destacando que o valor só é extraído por meio de um entrelaçamento criterioso de sistemas físicos, técnicos e sociais (SAARIKKO; WESTERGREN; BLOMQUIST, 2020). Muitas organizações ainda são lentas para abraçar novas possibilidades, e aquelas que o fazem enfrentam um novo conjunto de desafi os para lidar com esse cenário complexo, defi nido tanto pelo rápido desenvolvimento tecnológico quanto pelos processos organizacionais mais lentos (MATT ; HESS; BENLIAN, 2015). No entanto, os riscos associados à inação podem ser ainda maiores, pois a história mostra que as tecnologias digitais, em particular, podem derrubar gigantes da indústria que não mudam com o tempo. Pesquisas anteriores sugerem que os gestores muitas vezes não estão cientes das diferentes opções e elementos que devem levar em consideração antes de mergulhar de cabeça na transformação digital (HESS et al., 2016). Tornando-se digitalmente consciente – isto é, desenvolvendo uma compreensão das oportunidades, implicações e limitações na mudança de um paradigma tecnológico –, as empresas podem se tornar mais bem equipadas para assumir tecnologias novas e transformadoras (SAARIKKO; WESTERGREN; BLOMQUIST, 2020). 44 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 4.1 TECNOLOGIAS DIGITAIS PROMOVENDO A TRANSFORMAÇÃO É amplamente reconhecido que à medida que as informações são cada vez mais digitalizadas um amplo campo é aberto para a inovação, na qual os componentes físicos e digitais são combinados. Uma recente pesquisa de Henfri dsson et al. (2018) destacou como as propriedades exclusivas da tecnologia digital permitem novos tipos de inovação e empreendedorismo, que são diferentes dos processos analógicos da era industrial. Duas distinções merecem destaque. Primeiro, as tecnologias digitais permitem acoplamentos frouxos entre os componentes, o que signifi ca que a inovação é menos restrita pelas hierarquias e dependências arquitetônicas existentes. Consequentemente, qualquer linha da base tecnológica (por exemplo, um produto digitalizado ou sistema digital) pode gerar rapidamente várias ramifi cações distintas de diferentes tipos e propósitos. Em segundo lugar, as tecnologias digitais possuem baixas barreiras de entrada, o que signifi ca que mesmo os pequenos empresários têm poucas restrições para transformar ideias inovadoras em ofertas de mercado viáveis, sendo que esses empreendedores digitais menores podem, em alguns casos, ser perturbadores de empresas tradicionais da área. O ritmo acelerado da inovação digital é particularmente desafi ador à medida que as empresas desenvolvem produtos híbridos ou inteligentes que incorporam componentes digitais. Produtos equipados com sensores inteligentes formam sistemas interconectados, que coletam, armazenam e transmitem dados sobre os produtos e seu ambiente para servidores em nuvem ou sistemas de BackOffi ce. Embora algumas das tecnologias subjacentes estejam em uso há muito tempo, como as etiquetas de identifi cação por radiofrequência (RFID) – sendo anexadas a tudo, desde roupas, carros, animais até produtos farmacêuticos –, seu principal objetivo até o momento tem sido identifi car e rastrear objetos específi cos. Hoje, a infraestrutura digital se estende desde servidores de BackOffi ce até atividades de linha de frente, graças ao desenvolvimento da computação em nuvem, tecnologia móvel, middleware e sensores inteligentes (SAARIKKO; WESTERGREN; BLOMQUIST, 2020). Com a expansão da Internet das Coisas, os objetos podem não apenas ser identifi cados e localizados,mas também coletar, processar e transmitir dados contextuais ao longo do tempo e do espaço, permitindo novas possibilidades para o desenvolvimento de produtos e serviços. Praticamente qualquer ocorrência pode ser digitalizada, analisada e monetizada. Os dados coletados dos produtos em uso permitem que os fornecedores monitorem os produtos de forma efi ciente e ofereçam serviços pós-venda. Os fornecedores podem, assim, obter uma 45 REPENSANDO O SEU NEGÓCIO PARA A ERA DIGITAL Capítulo 1 visão sobre onde os produtos estão localizados, como são usados e se estão funcionando de maneira ideal – ou se precisam de manutenção. Se os dados de vários produtos conectados forem combinados, os fl uxos e processos podem ser analisados para encontrar padrões e comportamentos. Com algoritmos desenvolvidos, decisões podem ser tomadas sobre como os serviços devem ser executados ou como os processos devem ser otimizados. A internet das coisas, portanto, permite a criação de bens e serviços situacionais, inteligentes, atraentes e efi cientes (SAARIKKO; WESTERGREN; BLOMQUIST, 2020). A tecnologia digital pode ser transformadora ou disruptiva, dependendo da capacidade de aproveitar seu potencial. Pode fazer uma empresa sair de uma posição competitiva no mercado ou servir para melhorar a efi ciência operacional, capacitar funcionários de linha de frente, inspirar novas ofertas de mercado ou, de fato, criar nichos de mercado inteiramente novos. No entanto, esse potencial não acontecerá sem um conhecimento completo da tecnologia digital em si e de como ela é relevante para as circunstâncias específi cas de uma empresa. Qualquer empresa que pretenda aproveitar a tecnologia digital deve estar disposta a adaptar suas estratégias e capacidades para acomodar novas formas de perceber e criar valor. Como passo inicial, as empresas devem entender melhor a transformação digital e reconhecer que é um conceito em transformação na medida em que a tecnologia avança (ou que se conhece mais sua capacidade). 1 Explique como as tecnologias digitais estão promovendo a transformação. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O objetivo deste capítulo foi conceituar inovação e transformação digital, bem como compreender o processo da digitalização dos negócios. Sendo assim, foi possível compreender que a inovação é um termo utilizado a décadas, mas somente a partir de 1900 que esse termo se torna relevante e começa a ser pesquisado no meio científi co. O intervalo de tempo entre 1960 e 1990 pode ser corretamente chamado de “era de ouro” no estudo da inovação. No entanto, nos últimos dez anos, o conceito de inovação começou a mudar gradualmente de forte defi nições científi cas para a prática de gestão. 46 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Vimos também o quanto a inovação se mostra como um componente indispensável para a competitividade e para a sobrevivência das empresas, pois, devido à competitividade, faz com que as empresas busquem a adoção de estratégias que vão desde inovações em produtos, serviços e processos até a formação de parcerias com clientes, concorrentes e fornecedores. Por fi m, foi possível identifi car que a transformação digital apresenta um novo modelo de negócios, implementando uma nova lógica de negócios para criar e capturar valor. A transformação digital afeta toda a organização e suas formas de fazer negócios. Além disso, ela vai além da digitalização. REFERÊNCIAS ACCENTURE, P. I. Cost of Cyber Crime Study-Insights on the Security Investiments that make a Diference. Technical report. [S.l.] Accenture, 2017. 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Harvard business review, v. 94, n. 4, p. 72-78, 2016 CAPÍTULO 2 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • Contextualizar o gerenciando das mudanças organizacionais na transformação Digital. • Apresentar a importância dos recursos humanos na transformação digital. • Correlacionar a transformação digital com a alta performance dos negócios. • Desenvolver competências gerenciais para a transformação digital. 54 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 55 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO No ambiente dinâmico e complexo de hoje, a mudançaé descontínua, imprevisível e muito rápida. Diante desse ambiente hipercompetitivo, posições estratégicas defensíveis ou mesmo recursos valiosos, raros, inimitáveis e insubstituíveis não fornecem mais vantagem competitiva sustentável. Neste ambiente, estratégia é desenvolver uma série de vantagens temporárias por meio de processos estratégicos semiestruturados que permitem um reposicionamento estratégico dinâmico. A competição global e a cooperação exigem ecossistemas de negócios em rede que reúnam capacidades coespecializadas de uma forma não linear, eliminando barreiras de tempo e distância. Por outro lado, a tecnologia da informação teve consequências fundamentais nas organizações e na sociedade em geral: o poder da computação sem precedentes, a infi nidade de espaço virtual e a conectividade onipresente apresentam um enorme potencial para criar efi cácia empresarial, aumentar a fl exibilidade e permitir modelos de negócios totalmente novos. Nesse contexto, as organizações vêm se adaptando para esses novos modelos de negócios digitais, porém, a transformação digital de uma organização é um processo que requer uma abordagem gerenciada. Em sua essência, a transformação digital é mudança e, como acontece com toda iniciativa de mudança organizacional, deve ser gerenciada com extremo cuidado. O sucesso depende de como a gestão coordena as iniciativas à medida que são executadas ao mesmo tempo. Sendo assim, as metodologias e práticas de gestão de mudança podem ajudar a superar alguns dos principais obstáculos para se benefi ciar da digitalização, obstáculos como a falta de uma visão digital, defi ciências em habilidades digitais, envolvimento limitado de liderança e funcionários ou sistemas de incentivos desalinhados. No entanto, uma vez que a digitalização afeta quase tudo nas organizações de hoje, qualquer iniciativa digital requer uma coordenação sem precedentes das pessoas que participam desse processo. Novas habilidades e capacidades organizacionais são necessárias para aumentar a adoção da digitalização em toda a organização. Gerenciar a transição de um modelo de negócios orientado digitalmente não é apenas decisivo para superar os concorrentes, é crucial para a sobrevivência. Os gestores de programas de transformação digital precisam compreender as implicações da digitalização em suas organizações e as pessoas que trabalham nelas. 56 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 2 GERENCIANDO AS ADAPTAÇÕES E MUDANÇAS ORGANIZACIONAIS NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL Caro aluno, você já passou por alguma mudança ao longo de sua vida pessoal ou profi ssional? Caso já tenha passado, sabe que não é tão fácil absorver essas mudanças, porém, se seguirmos persistentes e entendermos que as mudanças são necessárias para a evolução é possível que tudo aconteça como o planejado. No mundo dos negócios também passamos por mudanças e adaptações. Além disso, atualmente, com o contexto da digitalização, isso está em constante desenvolvimento. A seguir, conheceremos mais o gerenciamento das mudanças organizacionais na transformação digital. A gestão da mudança organizacional é um fator crucial de sucesso para qualquer programa de transformação digital. O gerenciamento de mudanças organizacionais é defi nido como a aplicação de intervenções específi cas para apoiar a transição de um indivíduo ou grupo de um estado atual para um desejado estado futuro, além de também lidar com as pessoas que precisam mudar sua maneira de trabalhar e pensar por causa da digitalização. As metodologias e práticas de gestão de mudança podem ajudar a superar alguns dos principais obstáculos para se benefi ciar da digitalização, como a falta de uma visão digital, defi ciências em habilidades digitais, envolvimento limitado de liderança e funcionários ou sistemas de incentivos desalinhados. A transformação digital de uma organização é um processo que requer uma abordagem gerenciada que abrange todos os funcionários. No entanto, conforme apontado por McAfee e Welch (2013, p. 37), “criar novas formas digitais de trabalho é uma questão de conquistar os corações e as mentes das pessoas em todos os níveis da organização”. Um gerenciamento de mudança organizacional embutido em um programa de transformação digital pode ajudar a obter os níveis necessários de adesão e engajamento para a iniciativa de transformação digital. Em geral, o suporte a programas de transformação de negócios em larga escala com metodologias e ferramentas comprovadas de gerenciamento de mudanças não é nada novo. A questão é se essas metodologias devem ser adaptadas para atender aos requisitos específi cos de digitalização. De acordo com McAfee e Welch (2013), muitos dos conceitos e ferramentas 57 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 tradicionais de gerenciamento de mudanças ainda se aplicam à transformação digital. As ferramentas digitais oferecem novas oportunidades para entrega de gerenciamento de mudanças. Eles ajudam a se conectar com os funcionários em grande escala e de novas maneiras. Por exemplo, os blogs fornecem um fórum para compartilhar perspectivas e coletar feedback, os vídeos ajudam a criar uma comunicação executiva mais rica e pessoal, as plataformas sociais oferecem aos funcionários a oportunidade de compartilhar suas ideias, colaborar com colegas e tornar suas contribuições transparentes (MCAFEE; WELCH, 2013). No entanto, o aproveitamento de ferramentas digitais para apoiar a mudança organizacional é apenas uma das muitas oportunidades que a digitalização tem a oferecer. Como a digitalização está acelerando o ritmo da mudança e a forma de trabalhar, pode-se presumir que a forma de fornecer gerenciamento de mudança deve ser adaptada para atender às necessidades da digitalização. Por exemplo, uma abordagem bem conhecida de gerenciamento de mudança é o processo de oito etapas de liderança de mudança introduzido por John Kotter, em 1996. Kotter (2014) reconheceu que o mundo está mudando em um ritmo muito mais rápido do que no início dos anos 1990 e que essa taxa de mudança agora está à frente da capacidade de gerenciá-lo. Sua conclusão foi uma atualização de certos aspectos de sua abordagem de gerenciamento de mudança para ser efi caz no ambiente de hoje. Caro aluno, a seguir, estudaremos a abordagem de gerenciamento de mudança organizacional proposta por Kotter (1996) considerando os requisitos alterados no contexto da digitalização, que abrange quatro áreas principais. I- Alinhar liderança Alinhar a liderança na digitalização é a etapa mais importante em um programa de transformação digital, além de ser a base necessária para a mudança organizacional. a) Criar urgência para digitalização Uma primeira etapa no gerenciamento da mudança digital é a criação e manutenção de um senso de urgência em torno da digitalização. Urgência denota “um número signifi cativo de pessoas que acordam todas as manhãs e têm, em algum lugar de suas mentes, em suas corações, um desejo irresistível de fazer algo para mover a organização em direção a uma grande oportunidade estratégica” (KOTTER, 2014, p. 112). A digitalização é uma grande oportunidade. No entanto, a complacência, sendo a orientação oposta, afeta muitas organizações e é vista como um grande 58 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS impedimento para a transformação digital. Pessoas complacentes não veem razão para mudar alguma coisa. Além disso, elas têm a tendência de fi ltrar qualquer informação que não seja consistente com sua própria visão sobre como as coisas devem ser feitas. Eles estão basicamente voltados para dentro e não percebem as oportunidades ou as ameaças que a digitalização traz para seus negócios. Um bom exemplo de como a complacência pode colocar em risco a existência de uma empresa inteira foi descrito por Lucas e Goh (2009) com a resposta da Kodak à fotografi a digital. Para conhecer mais sobre o caso Kodakacesse o link a seguir. A Kodak resistiu à fotografi a digital e passou por uma grande crise por isso. No entanto, atualmente, a Kodak criou um negócio que traz soluções aos fotógrafos e suas fotografi as digitais. Vale a pena conhecer: https://www.terra.com.br/noticias/tecnologia/negocios-e-ti/ kodak-como-a-era-digital-se-voltou-contra-um-de-seus-criadores,193 82feb711ea310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html Uma estratégia para superar a complacência e construir um verdadeiro senso de urgência é trazendo o externo para dentro (KOTTER, 2014). Isso pode ser feito reconectando a realidade interna com riscos e ameaças externas, mas também com novas oportunidades relacionadas à digitalização, por exemplo, casos de uso digital. Também é útil comunicar informações sobre o que alguns gerentes e funcionários já fi zeram para avançar para a digitalização. Outra estratégia poderosa para aumentar a mente aberta em pessoas complacentes é o modelo de papel da liderança. b) Desenvolva uma visão digital atraente O alinhamento da liderança implica a questão do que deve ser apurada. Uma transformação digital precisa de uma visão. Essa visão é vista como um pré-requisito crítico para alinhar a liderança em torno do futuro digital de uma organização e para conduzir a mudança digital em toda a organização. Uma visão digital geralmente é formulada pela alta administração e deve ser compartilhada pela equipe de liderança sênior. Sem uma visão comum para a mudança, a liderança e os funcionários tendem a continuar como sempre, mesmo que isso não seja mais útil no mundo digital (WESTERMAN et al., 2012). 59 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 Uma visão digital holística deve esclarecer por que a mudança é necessária, como proceder e como o futuro será melhor do que a situação atual (WESTERMAN et al., 2012). Os funcionários devem sentir que fazem parte dessa visão e que ela atende as suas necessidades. A visão deve ajudá-los a compreender de que maneira eles devem mudar seu comportamento e o que podem mudar por conta própria. O processo de tradução dessa visão digital para objetivos operacionais e tangíveis deve ser feito pelos executivos seniores. No entanto, formular uma visão digital atraente é um desafi o. Para os líderes, a alta velocidade dos desenvolvimentos tecnológicos torna a antecipação do estado futuro de uma organização digitalizada difícil. c) Garantir a modelagem de papéis da alta administração O comprometimento da alta administração é visto como um fator crítico de sucesso em programas de transformação digital. O Gestor deve assumir o comando e se tornar o principal defensor do programa de transformação (BONNET; NANDAN, 2011). Uma forma poderosa de demonstrar esse compromisso é a modelagem de papéis (KOTTER, 2014). Por exemplo, os executivos seniores devem ser vistos usando tecnologias digitais e devem compartilhar sua experiência com a organização. Eles devem iniciar e participar de conversas com frequência. Isso pode ajudar a reduzir a lacuna entre os executivos seniores e a equipe da linha de frente e resultar em liderança e autenticidade com relação ao modelo de papel de negócio. Eles devem comemorar qualquer oportunidade digital aproveitada, demonstrando movimento em direção à digitalização. Em organizações digitalizadas, muitos executivos são blogueiros ativos, podcasters e usuários do Twitter ou estão usando plataformas sociais para se comunicar com suas organizações sobre tópicos digitais. Ao fazer isso, eles estão liderando pelo exemplo e defi nindo expectativas para o resto da organização. Portanto, uma estratégia de gerenciamento de mudanças efi caz deve tentar alavancar a modelagem de papéis com o máximo de mecanismos possíveis, com a maior frequência possível e envolvendo o maior número de pessoas possível. Um modelo de papel bem-sucedido signifi ca que, com o tempo, outras pessoas começam a pensar e agir como o modelo de papel (KOTTER, 2014). II- Mobilizar a Organização Aumentar a conscientização para a digitalização e defi nir a direção é necessário, mas não sufi ciente para transformações digitais bem-sucedidas. Também é necessário colocar toda a organização em movimento em direção à digitalização. 60 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS a) Avalie as implicações organizacionais da digitalização As organizações precisam entender melhor como a digitalização está mudando seu ambiente de negócios e onde está tendo o maior impacto em sua organização atual (WESTERMAN et al., 2014). Eles precisam saber até que ponto seus modelos de negócios, processos e interações com os clientes precisam mudar e quais deles continuarão a ser efi cazes no mundo digital. Uma ferramenta tradicional de gerenciamento de mudanças é a análise do impacto das mudanças. Ela ajuda a identifi car as implicações organizacionais de uma transformação de negócios para diferentes grupos de partes interessadas. Outra ferramenta útil para obter um melhor entendimento sobre os impactos das mudanças nas tecnologias digitais é o mapa da jornada do cliente. Ele descreve “as expectativas, experiências e refl exões do cliente à medida que se desenvolve ao longo do tempo em vários estágios e pontos de contato durante o uso de um produto ou consumo de um serviço” (KNOWLEDGE; WHARTON, 2015, p. 4). Um mapa da jornada do cliente descreve a situação atual e ajuda a convertê-lo em uma situação futura desejada que melhora a experiência do cliente. O foco na jornada do cliente ajuda a fundamentar a transformação digital nas realidades práticas de mudança, mantendo uma forte orientação para o cliente. É importante observar que um cliente também pode ser um usuário fi nal, uma parte interessada ou um parceiro. Depois de mapear a jornada do cliente – que consiste em um conjunto de etapas que envolvem o cliente em um processo de compra, e tem seu início desde o momento da identifi cação da necessidade de sanar um problema, passando pela pesquisa, interesse e fechamento – do início ao fi m, as organizações podem se concentrar em como as tecnologias digitais em rápida evolução, soluções analíticas, móveis, sociais e em nuvem, podem tornar os pontos de contato melhores, mais rápidos e mais efi cientes. Com os mapas da jornada do cliente, as organizações podem visualizar melhor quais aspectos de seus negócios devem continuar, quais das novas tecnologias devem ser adotadas e quais novos modelos de negócios podem criar. Além disso, o mapa da jornada do cliente pode ser usado para medidas de comunicação, visando tornar as mudanças necessárias mais compreensíveis e tangíveis para os funcionários afetados. Portanto, além de uma análise de impacto de mudança tradicional, o mapa da jornada do cliente é uma boa fonte de conteúdo de comunicação. b) Promova a digitalização por meio da comunicação Uma transformação digital só terá sucesso se toda a organização compreender as necessidades e oportunidades da digitalização. Como em outros 61 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 programas de transformação de negócios, desenvolver um plano de comunicação e fornecer comunicação direcionada são etapas importantes para promover a digitalização em toda a organização. A comunicação efi caz sempre se conecta com os sentimentos das pessoas e com o que elas consideram signifi cativo (KOTTER, 2014). A visão digital e os impactos identifi cados da mudança são fontes importantes para aumentar a conscientização e aumentar a aceitação dos esforços de digitalização. Além das formas tradicionais de comunicação (por exemplo, eventos de informação, boletins informativos por e-mail ou mídia impressa), as atividades de comunicação devem aproveitar as ferramentas digitais com a maior frequência possível. A gestão pode usar uma ampla gama de canais digitais, como transmissão, web, vídeo e redes sociais para gerar comunicação bidirecional contínua em grande escala (WESTERMANet al., 2012). O uso de ferramentas digitais pode ajudar a mobilizar e alinhar os funcionários com relação aos objetivos digitais, criando consciência, criando transparência e estabelecendo canais de comunicação abertos (BONNET; NANDAN, 2011). As ferramentas digitais também fornecem uma excelente plataforma para envolver as partes interessadas nas atividades de gerenciamento de mudanças, como tomada de decisão e solução de problemas. Por exemplo, os funcionários devem ser encorajados a identifi car novas práticas de trabalho e oportunidades digitais que irão promover a visão digital, por exemplo, lançando campanhas de inovação específi cas ou competições de inovação (WESTERMAN et al., 2012). c) Construa uma rede de campeões digitais Para dimensionar os esforços de mobilização e promover ainda mais a digitalização em toda a organização, é importante identifi car aquelas pessoas que estão entusiasmadas e abertas à digitalização e dispostas a ajudar, os chamados “campeões digitais” (WESTERMAN et al., 2014). Essas pessoas são importantes para conectar a transformação digital de cima para baixo com as várias funções de negócios, regiões e departamentos. Essa rede de campeões digitais faz parte da estratégia de gerenciamento de mudanças para mobilizar a organização. Os campeões digitais identifi cados também podem facilitar a transferência de conhecimento para outros funcionários (MCAFEE; WELCH, 2013). A rede atua como um canal de comunicação entre o negócio e o projeto de transformação digital, facilitando a comunicação bidirecional com atualizações de mensagens e feedback sobre impactos e percepções do projeto. A rede apoiará a gestão nas questões de mudança, fornecendo feedback para a liderança do projeto relevante e equipe de gestão de mudança. III- Construir Capacidades 62 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Além de conscientizar e mobilizar a organização para a digitalização, também é importante capacitar os funcionários a utilizar tecnologias e aplicativos digitais e potencializá-los para o desenvolvimento de novos modelos de negócios digitais. a) Desenvolva habilidades e competências digitais A transformação digital bem-sucedida é construída em uma base de habilidades e capacidades essenciais (WESTERMAN et al., 2012). Somente se os funcionários forem capazes de usar tecnologias e aplicativos digitais, os benefícios da digitalização podem ser alcançados. No entanto, as habilidades e competências digitais certas não estão amplamente disponíveis nas organizações de hoje (BONNET; NANDAN, 2011). Portanto, é necessário avaliar as necessidades de treinamento específi cas do grupo-alvo. As questões-chave são: quais habilidades digitais estão disponíveis atualmente, quais habilidades requerem programas específi cos de transformação digital e quais lacunas de habilidades devem ser preenchidas (WESTERMAN et al., 2014). Com base nas lacunas de habilidades identifi cadas, uma estratégia de treinamento deve ser desenvolvida para garantir que as habilidades e competências certas sejam desenvolvidas na organização. Os programas de treinamento devem se concentrar especialmente nos funcionários que não são afi ns com a tecnologia, por exemplo, gerações mais velhas (divisão de gerações). Além disso, eles devem oferecer uma ampla gama de currículos para cobrir todas as tecnologias e aplicações relacionadas à digitalização. O conteúdo do treinamento também deve abranger métodos para desenvolver modelos de negócios digitais ou focar na experiência do cliente e na conveniência de novos produtos e serviços (por exemplo, Design Thinking). Esse programa de treinamento deve basear-se em uma combinação de diferentes métodos de treinamento, como o treinamento tradicional em sala de aula, E-Learning e grupos de aprendizagem em grupo. A certifi cação formal pode ajudar a aumentar a atratividade e o valor de tais programas de treinamento. b) Ofereça oportunidades de teste e aprendizagem Outra maneira poderosa de desenvolver as habilidades necessárias e impulsionar a mudança comportamental é oferecer oportunidades de teste e aprendizagem para os funcionários. Um programa de treinamento efi caz deve aproveitar as possibilidades que as ferramentas digitais oferecem para novas formas de entrega de treinamento, como fornecer ambientes virtuais de aprendizagem inovadores, onde os funcionários são capazes de experimentar novas maneiras de se comportar. 63 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 Ao usar novas tecnologias digitais em um ambiente livre de riscos, os funcionários perceberão melhor a mudança e compreenderão o que ela signifi ca para eles. A experiência emocional é essencial para o sucesso do aprendizado. Além disso, os funcionários devem, sempre que possível, estar ativamente envolvidos no processo de transformação digital. Por exemplo, eles devem ter a oportunidade de trabalhar em novos conceitos digitais, testar suas ideias com os clientes e repeti-los até que acertem. O Design Thinking é uma abordagem efi caz para promover essa nova forma de trabalhar e pensar na organização (BROWN, 2009). Com essa abordagem, as organizações evitam especifi cações excessivamente determinísticas, pesquisas de mercado que erram o alvo e longos ciclos de planejamento que acabam produzindo algo que os clientes não querem (DORNER; MEFFERT. 2015). Os gerentes seniores podem ser designados para projetos junto com funcionários com experiência digital para trabalhar mutuamente nas possibilidades de tecnologias e aplicativos digitais a serem oferecidos. c) Aproveite as práticas de Recursos humanos (RH) Além de desenvolver novos programas de treinamento para aprimorar a força de trabalho em uma escala maior em relação à digitalização, também pode ser importante fazer a ligação com o RH para alavancar os processos de RH existentes, como os processos de recrutamento e gestão de talentos. Por exemplo, as lacunas de habilidade também podem ser preenchidas pela contratação de pessoas experientes para treinar funcionários em tecnologias digitais ou por parceria com fornecedores de software ou outros fornecedores (se possível) para obter as habilidades adequadas (WESTERMAN et al., 2014). Outra possibilidade é juntar jovens novos funcionários que sejam digitalmente adeptos com gerentes e executivos seniores para transmitir conhecimento digital no sentido de um programa de mentoria reversa digital (WESTERMAN et al., 2014). O RH poderia confi gurar um “inventário de habilidades digitais”, com níveis de profi ciência associados para funções e planos de carreira específi cos (MCAFEE; WELCH, 2013). Esse inventário facilita o processo geral de gerenciamento de habilidades para toda a organização e apoia um planejamento estratégico da força de trabalho de RH com relação ao talento digital. IV- Garantir a sustentabilidade Tal como acontece com outras transformações de negócios em grande escala, há o risco de as iniciativas de transformação digital não conseguirem atingir seus objetivos devido à perda de ímpeto. É necessário fazer a mudança “durar”, estabelecendo mecanismos efi cazes para sustentar e monitorar o processo de digitalização. 64 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS a) Adapte à organização formal A digitalização requer novas capacidades organizacionais. Especialmente necessária é a capacidade de lidar com o ritmo crescente de mudança. As organizações começaram a experimentar diferentes formatos para adaptar suas organizações aos desafi os digitais, como no caso de laboratórios virtuais onde aplicativos e métodos podem ser rapidamente colocados em pilotos de “prova de conceito”, forças-tarefa multifuncionais ou painéis de inovação (BONNET; NANDAN, 2011). Algumas organizações estabeleceram funções formais e dedicadas, por exemplo, diretor digital (CDO) para regiões e em nível de conselho para conduzir a digitalização. As pessoas nessas funções se relacionam com asunidades digitais centrais para alinhar as estratégias digitais de cima para baixo com os requisitos regionais (MCAFEE; WELCH, 2013). Essas melhorias organizacionais podem promover a digitalização e aumentar a velocidade na tomada de decisões e agilidade, mas apenas até certo ponto, de acordo com Kotter (2014). O autor propõe um sistema operacional duplo que consiste em uma hierarquia tradicional e uma estrutura de rede adicional. A rede copia as organizações em seus estágios iniciais, como as suas fases iniciais, antes de desenvolver qualquer organograma, níveis de gestão, funções formais de trabalho ou linhas hierárquicas. Essa rede é fl exível, dinâmica e o mais importante: libera informações de hierarquias e permite que elas fl uam com muito mais velocidade. b) Alinhar KPI e sistemas de incentivos Depois de adaptar a organização formal para apoiar a mudança digital rápida, também é necessário alinhar o KPI (indicador-chave de desempenho) e os sistemas de incentivos para sustentar esse processo (WESTERMAN et al., 2014). É difícil mudar a cultura organizacional e o comportamento individual sem incentivar novas formas de trabalhar com base na digitalização. Portanto, as organizações devem desenvolver uma cultura de alto desempenho em torno de iniciativas digitais que incitem e promovam o trabalho digital que desafi a as formas tradicionais de fazer negócios (BUGHIN et al., 2015). No entanto, as organizações estão lutando com relação aos sistemas de gestão de desempenho adaptados à digitalização. A alta administração deve traduzir a visão digital em um conjunto de medidas e metas para monitorar o progresso em direção à digitalização e conduzir os resultados desejados. Por exemplo, em níveis seniores, os KPIs de desempenho pessoal devem estar vinculados aos objetivos e marcos da transformação digital para chamar a atenção dos executivos (MCAFEE; WELCH, 2013). Além disso, esses KPIs devem ser 65 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 disseminados por todos os níveis hierárquicos para garantir um amplo suporte para a digitalização. Isso pode ser facilitado por sistemas de defi nição de metas. Além disso, os conselhos podem fornecer fi nanciamento sufi ciente para recompensar o comportamento que apoia a digitalização ou decisões ousadas em campos de natureza digital. Por exemplo, a Siemens criou recentemente um fundo de inovação de 100 milhões de euros para apoiar iniciativas digitais (MCAFEE; WELCH, 2013). Concursos de inovação ou outros programas de premiação também podem ser usados para reconhecer contribuições individuais aos esforços de transformação digital. Além disso, recompensas não fi nanceiras, como reconhecimento, experiência ou reputação, também podem ser motivadores efi cazes para a motivação dos funcionários para apoiar o processo de digitalização. Por exemplo, as organizações podem tentar abordagens inovadoras, como ‘gamifi car’ – é o uso de técnicas de design de jogos que utilizam mecânicas de jogos e pensamentos orientados a jogos para enriquecer contextos diversos, normalmente não relacionados a jogos – novas ferramentas digitais, integrando mecanismos de jogo em sistemas de recompensa. As conquistas e o reconhecimento podem criar uma experiência do usuário mais envolvente (MCAFEE; WELCH, 2013). c) Monitore o processo de adoção digital A falta de adoção é uma preocupação séria no contexto da transformação digital. As medidas de monitoramento devem se concentrar no comportamento (ou seja, usando as ferramentas digitais) e não apenas em ter essas ferramentas. Portanto, os KPIs devem ser aplicados para medir o comportamento real do usuário e não em termos de quão amplamente disponíveis ou ricas em recursos são as ferramentas digitais (MCAFEE; WELCH, 2013). Os KPIs relacionados ao sistema podem ser monitorados para analisar a frequência e a intensidade do uso de ferramentas ou aplicativos digitais. Outro aspecto está relacionado à medição da difusão geral da digitalização dentro de uma organização. Por exemplo, indicadores podem ser defi nidos para medir a digitalização dos modelos e processos de negócios atuais. No entanto, o comportamento de uso também é orientado por intenções e atitudes individuais em relação ao trabalho com tecnologias e aplicativos digitais. Outros métodos são necessários para capturar esses aspectos. As metodologias de gerenciamento de mudanças organizacionais geralmente abrangem uma ampla gama de métodos de monitoramento de mudanças, como pesquisas de prontidão para mudanças, ou entrevistas para avaliar as opiniões e crenças dos funcionários. As pesquisas também podem ser demoradas e caras, 66 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS especialmente quando grandes grupos de funcionários precisam estar envolvidos. Às vezes, as organizações enfrentam a tendência de "avaliar em excesso" sua equipe. A aplicação de tecnologias digitais como análise de big data pode reduzir o número de pesquisas aplicadas no gerenciamento de mudanças. Por exemplo, a análise de consentimento para obter feedback após uma campanha de comunicação ou qualquer tipo de iniciativa de mudança pode substituir as pesquisas tradicionais. Um pré-requisito é o uso generalizado de tecnologias digitais como as mídias sociais na empresa. Os fl uxos de dados dentro da empresa podiam ser monitorados e analisados constantemente. No entanto, aluno, é importante ressaltar as questões de proteção de dados e anonimato que devem ser consideradas. 1 A gestão da mudança organizacional é um fator crítico de sucesso para qualquer programa de transformação digital. O gerenciamento de mudança organizacional, embutido em um programa de transformação digital, pode ajudar a obter os níveis necessários de adesão e engajamento para a iniciativa de transformação digital por toda a organização. Sendo assim, o que é gerenciamento de mudanças organizacionais? 2.1 PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL Caro aluno a seguir vamos abordar as principais mudanças que uma organização deve realizar em seu processo de digitalização. Para realizar a transformação digital é importante realizar a avaliação dos modelos de negócios organizacionais contra sua necessidade de abraçar os novos paradigmas. Não fazer isso pode resultar na incapacidade de competir ou mesmo sobreviver (KOTARBA, 2018). A transformação digital é uma abordagem gerenciada que se refere à “crescente adoção de ferramentas e tecnologias digitais por uma organização para alterar fundamentalmente seus processos e funções internos e externos” (BONNET; NANDAN, 2011, p. 2). 67 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 a) É necessário que a gestão solicite a transformação digital baseada em dados, para que seja determinado quem será responsável por cada tarefa. A transformação deve ser liderada pelos gestores. A situação atual das empresas precisa ser analisada para identifi car desafi os, riscos ou mudanças nas expectativas dos clientes. Com a análise de requisitos e necessidades, o que lhes permite defi nir claramente objetivos mensuráveis. A administração pode revisar tópicos de digitalização e quais novas tecnologias podem contribuir e explorar novos modelos de negócios. b) A adoção da cultura de aprendizagem é essencial para a transformação digital das operações. O mundo e a sociedade estão mudando em um ritmo sem precedentes. É necessário ter funcionários qualifi cados, para educar os funcionários atuais, para criar um inventário de habilidades e competências exigidas e para detectar lacunas. É vital saber lidar com grandes negócios digitais. A contratação de pessoas com habilidades digitais deve ser levada em consideração (especialistas em TI e profi ssionais de suporte socioeconômico) (KOTARBA, 2018). c) Defi nir um roteiro simples de metas de negócio. A partir da transformação digital, são defi nidos os objetivos em relação à transformação digital.Esses objetivos estão relacionados a tempo, fi nanças, espaço e qualidade (design de nova estratégia digital, análise do modelo de negócios existente, requisitos de clientes, avaliação digital e expectativas, objetivos defi nidos, desenvolvimento de competências, adoção de melhores práticas para transformação digital, design digital opções de modelos de negócios, uso e compreensão da tecnologia da informação, avaliação, projeto de rede de valor digital, feedback dos clientes) (JENSEN, 2013). d) Criação de uma consciência digital e de um ambiente de suporte. "Usar a tecnologia da informação (TI) para desenvolver minha empresa"; “Para medir o impacto das ferramentas de TI (por exemplo, retorno sobre o investimento, vendas, desempenho)’; “Para vincular minhas expectativas com a realidade de aparentes plataformas turnkey de TI amigáveis (soluções para um projeto em todas as etapas)”; “Estar mais bem informado sobre a formação em TI disponível’; e "Para estabelecer comunicações transparentes entre empresários e especialistas em TI sobre as expectativas e resultados para evitar um engano" (SEPPÄNEN, 2009). e) Colaboração com parceiros em laboratórios de inovação, instituições de pesquisa. Para realizar a transformação digital, pode ser útil consultar empresas com experiência neste campo e obter serviços de consultoria. Orientar as empresas pelas tendências atuais e demonstrar sua importância com base em exemplos práticos (melhores práticas, exemplos da vida real). 68 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS f) Apoiar as empresas com a análise de requisitos e necessidades, implementar objetivos viáveis. É essencial que as empresas que aderem a transformação digital sejam apoiadas pelos governos. Com a ajuda de agências governamentais e outras partes interessadas, como a Associação Comercial e Câmaras, as empresas podem ter mais acesso a mais assistência em seu processo de transformação digital. Apoiadores externos, como centros de competência ou instituições de pesquisa, podem ajudar as empresas a entender e implementar iniciativas de transformação digital (JENSEN, 2013). As necessidades das empresas no processo de transformação digital podem variar. É necessário privatizar o conteúdo por meio do tamanho do setor da empresa. A operação eletrônica é uma operação que adota outros processos de negócios, como fornecimento, fabricação, marketing, venda, fi nanças, contabilidade, recursos humanos para novas tecnologias. A digitalização requer mudanças radicais, e não apenas em termos de estratégia, mas também em termos de cultura dentro da empresa. De acordo com Jensen (2013) o modelo de transformação digital inclui alguns níveis de digitalização, conforme apresentaremos e a seguir. O primeiro nível, “inconsciente”, descreve as empresas para as quais não existe estratégia de transformação digital, nem existem competências digitais disponíveis. Essas empresas ainda não oferecem nenhum produto ou serviço digital e não têm uma consciência organizacional geral para a necessidade de transformação digital. Empresas classifi cadas no nível “conceitual” são aquelas que oferecem poucos produtos digitais, mas ainda estão sem uma estratégia digital. Aquelas com um nível de digitalização “defi nido” são as empresas que conseguem consolidar as experiências adquiridas nas implementações piloto em estratégias parciais. Nesta fase, uma cultura de pensamento digital está se enraizando na empresa. A lucratividade dessas estratégias parciais e os efeitos das implementações piloto são avaliados e usados para desenvolver uma estratégia digital geral. Nesse ponto, onde uma estratégia digital clara é desenvolvida, a empresa cai no nível de maturidade “integrado”. Somente depois que essa estratégia for implementada em todos os produtos e processos de negócios, a empresa pode ser classifi cada como “transformada”. A estratégia digital agora defi nida terá transformado os modelos de negócios e operações da empresa. 69 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 Embora o modelo de maturidade forneça uma boa maneira para as empresas se classifi carem em uma categoria de maturidade digital, ele não fornece nenhuma orientação para aumentar o nível de maturidade (KOTARBA, 2018). Por exemplo, o e-commerce precisa de algumas mudanças específi cas. São processos de negócios e marketing, estrutura tecnológica, produtos e serviços (ofertas), mercado (compradores e fornecedores), relações (fornecedores e distribuidores, clientes, funcionários, parceiros de negócios). O modelo de negócios altera substancialmente os campos, como coleta de pedidos, atendimento de pedidos, armazenamento, relações com os clientes após a venda da gestão tradicional; trazer inovações em relação à velocidade, qualidade, vantagens de custo e satisfação do cliente. A comunicação direta pode ser feita com o mercado consumidor e industrial, aplicações como manufatura pessoal, marketing direto, gestão de relacionamento com o cliente eletrônico são trabalhadas. Estudos anteriores examinaram tecnologias em geral e encontraram uma série de fatores que impactam a decisão de adoção de tecnologias de informação e comunicação (TICs) nas organizações (KOTARBA, 2018). Esses fatores podem ser classifi cados: características da empresa (incluindo tamanho, tipo de negócio), experiências anteriores, privacidade e segurança (preocupações com a segurança da Internet, questões legais, resistência à mudança, falta de fi nanciamento, alto custo de computadores e rede, falta de pessoal qualifi cado, conhecimento limitado da tecnologia necessária, infraestrutura, falta de marketing, concorrência, encontrar consultores de gestão tecnológica confi áveis e fornecedores de tecnologia, fornecer orientações para hardware e software apropriados, adoção de TIC e comércio eletrônico (programas de apoio à transformação digital), falta de um amparo tecnológico e de um ecossistema de transformação digital (stakeholders como fornecedores de tecnologia, investidores, público, usuários, instituições de ensino), falta de programas de compartilhamento de informações, necessidades legislativas decorrentes da transformação digital, garantindo um ambiente confi ável (KOTARBA, 2018). As empresas têm acesso a aplicativos de TI que suportam uma série de funções de negócios (por exemplo: Google Analytics para marketing; Amazon, PayPal para e-commerce ou outras soluções de mídia social, incluindo Facebook, oferecem uma variedade de recursos para as organizações; Skype, Messenger para colaboração etc.). Caro aluno, exercitaremos, agora, o conhecimento adquirido até aqui. 70 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 1 Vimos, até agora, que a digitalização gera muitas mudanças nas organizações. Com relação a essas mudanças, classifi que V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas. ( ) A adoção da cultura de aprendizagem é essencial para a transformação digital das operações. O mundo e a sociedade estão mudando em um ritmo sem precedentes. ( ) Defi nir um roteiro simples de metas de negócios, a partir da transformação digital, são defi nidos objetivos em relação à transformação digital. ( ) Defi nir um roteiro simples de metas de negócios. Para realizar a transformação digital, pode ser útil consultar empresas com experiência neste campo e obter serviços de consultoria. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. É preciso defi nir um roteiro simples de metas de negócios a partir da transformação digital. Assim, são defi nidos objetivos com relação à transformação digital. Esses objetivos estão relacionados a tempo, fi nanças, espaço e qualidade (design de nova estratégia digital, análise do modelo de negócios existente, requisitos de clientes, avaliação digital e expectativas, objetivos defi nidos, desenvolvimento de competências, adoçãode melhores práticas para transformação digital, design digital opções de modelos de negócios, uso e compreensão da tecnologia da informação, avaliação, projeto de rede de valor digital, feedback dos clientes). Em um estudo realizado por Kotarba (2018), através de um levantamento teórico, criaram um modelo apresentando as principais perspectivas a serem consideradas pelas organizações em sua digitalização. A seguir vamos abordá- los. 71 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 i) Cliente/ Segmentos de Cliente O domínio do cliente pode ser considerado um aspecto importante, em consonância com o paradigma centrado no cliente amplamente adotado pelas organizações contemporâneas. Principalmente, sobre os aspectos de segmentação e também as relações entre os segmentos, formando várias confi gurações de interações mútuas, tanto na produção padrão e nos serviços quanto nas transações (MILAN et al., 2017). Dentro do domínio do cliente, segundo Kotarba (2018), os principais insights podem ser: a) Mergulhe ainda mais nos segmentos de clientes: segmentação microcomportamental e dinâmica, com base na acessibilidade mais ampla e no uso de dados em objetos e seus relacionamentos, incluindo uma ampla gama de fontes como Big Data, bancos de dados de vários setores, dados públicos ou arquivos digitais. b) O surgimento de novos segmentos: os clientes nativos digitais, por exemplo, não experimentaram a maioria das mudanças tecnologicamente recentes. Eles tratam a realidade atual como o único paradigma adequado ou a ordem natural das coisas. Do outro lado, observamos o segmento de pessoas “excluídas digitalmente”, que não possuem conhecimento ou habilidades digitais, ou até mesmo acesso à tecnologia. c) Crescimento de soluções peer-to-peer (P2P): e uma arquitetura de redes de computadores onde cada um dos pontos ou nós da rede funciona tanto como cliente quanto como servidor, permitindo compartilhamentos de serviços e dados sem a necessidade de um servidor central. d) O surgimento de novos perfi s sociais: surge os gamers, bloggers, youtubers, freelancers e sua capacidade associada de infl uenciar as decisões e comportamentos de outras pessoas. Esses perfi s rompem os paradigmas de popularidade com base na aparência da mídia tradicional (como a televisão clássica ou a indústria do cinema de “cinema”) ao capturar a atenção dos consumidores apenas na mídia digital. e) Grupos dinâmicos: por exemplo, clientes de uma loja em um determinado momento ou participantes de uma conferência ou evento público, com seus interesses ou emoções comuns, mas voláteis, que podem ou precisam ser explorados/atendidos momentaneamente. 72 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS II) Relacionamento com o cliente O domínio de relacionamento com o cliente descreve a natureza das interações que as organizações podem ter com seus clientes. Os relacionamentos são descritos por vários parâmetros, por exemplo, intimidade (anônimo para pessoal), duração (uma única vez), abrangência ou alcance (redes, grupos), verdadeira natureza (fi nanceira, emoção ou com base na confi ança) ou o nível dos regulamentos (conformidade). O relacionamento com os clientes está sendo impactado principalmente pelo rápido crescimento e agilidade da conectividade dentro das redes humanas e corporativas. Segundo Osterwalder e Pigneur (2010) os principais insights incluem o seguinte: a) O surgimento do gerenciamento de identidade digital como um campo separado, visto como uma chave para permitir modelos de negócios digitais avançados. b) A mídia social se torna uma consideração obrigatória para as organizações, ou seja, uma abordagem estratégica de entrada ou de evasão. c) Introdução do diálogo com o cliente como uma nova disciplina para uma gestão multiangular de relacionamento com o cliente. d) A confi ança dos pares está se tornando uma alternativa visível às instituições tradicionalmente confi áveis (por exemplo, bancos ou marcas de consumo altamente conceituadas). O capital social de confi ança está se movendo em direção a centros de opinião baseados em multidões. III) Proposta de valor/ vantagem A proposta de valor e vantagem competitiva visa descrever os elementos centrais que determinam o objetivo principal dos os clientes e as relações com estes, além de distinguir uma determinada organização da concorrência. Um dos principais desenvolvimentos na proposta de valor está relacionado às plataformas multisserviços criadas para atrair não apenas clientes diretos, mas também outros provedores de serviços. Para atingir esse efeito, a plataforma precisa fornecer um ambiente de desenvolvimento ou um conjunto de interfaces de programação de aplicativos (API) abertas, permitindo transações remotas. Esses provedores terceirizados podem aprimorar o ecossistema, desenvolvendo soluções especializadas e inovadoras que não seriam originadas pelo fundador da plataforma, devido a várias considerações internas e externas. A criação da plataforma ocorre em paralelo ao surgimento de microsserviços, que fornecem um escopo estreito de funções especializadas e podem ser oferecidos como blocos de construção de fl uxos de trabalho maiores, independentemente do número ou tipo de seus operadores fi nais. No processo de desenvolvimento de plataforma e microsserviço, assim como em outras modifi cações de proposições 73 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 de valor, é importante aumentar a destreza da organização, principalmente por meio da aplicação de ferramentas e métodos ágeis. IV) Recursos O domínio de recursos descreve as principais fontes e suprimentos usados pelo modelo de negócios. A riqueza de novos recursos digitais sugere que as organizações precisam estar cada vez mais conscientes das mudanças que estão trazendo para as cadeias de valor existentes. Produtos e serviços tradicionais (por exemplo, livro físico ou aconselhamento fi nanceiro humano) continuarão a migração para seus equivalentes digitais, frequentemente superiores em muitas dimensões (por exemplo, experiência do usuário, disponibilidade, resiliência, fl exibilidade ou custo unitário). Além disso, novos recursos digitais continuarão a surgir, criando fontes de valor. Isso será alimentado principalmente pelo rápido desenvolvimento de novas fontes de dados coletados em tempo real e pela disponibilidade de inteligência não humana para usar os dados nos processos de tomada de decisão. V) Canais e experiência do cliente Os canais do modelo de negócio refl etem meios de comunicação e troca de valor (produtos e serviços) com os clientes. O domínio do canal é caracterizado por mudanças disruptivas, que abrem muitas novas oportunidades para a construção de interações e relacionamentos com o cliente. O paradigma dos canais está mudando do foco anterior em logística de distribuição e comunicações simples para uma arquitetura de diálogo com o cliente, onde o processo de vendas é gerenciado já nos estágios iniciais do interesse do cliente em um determinado produto ou serviço e continua a render uma vida ininterrupta experiência do cliente, como uma semente para um maior crescimento das vendas. Isso está se tornando especialmente relevante para organizações tradicionais orientadas para as teorias clássicas de oferta e demanda. VI) Parcerias, ecossistemas, compartilhamento O domínio de parceria descreve acordos de cooperação entre vários participantes do mercado. Embora existam várias formas de parcerias nos primórdios do empreendedorismo, a transformação digital permite criar novos tipos de parcerias viabilizadas pela utilização de tecnologias avançadas. A conectividade instantânea e o acesso às fontes cada vez maiores de dados dão suporte a novas oportunidades de vendas cruzadas ou serviços cruzados. Por outro lado, as formas de cooperação e mecanismo de liquidação estão se tornando mais complexos e mais desafiadores do ponto de vista legal e regulatório (por exemplo, devido à atribuição de responsabilidades e indenizações). 74 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Uma das principais tendências a serem reconhecidas neste domínio é a criação de ecossistemas originais onde novos produtos ou serviços habilitados digitalmente estimulam a demanda por meio de métodos não tradicionais (por exemplo, com uma parcela dominante da rede P2P, peer-to-peer). Um bom exemplo de ecossistemas totalmente novos é fornecido por criptomoedas (por exemplo, Bitcoin ou Ethereum), o que atraiu a atenção global maciça de investidores, apesar de essas criptomoedas ainda não serem amplamente compreendidas. Outra tendência importante está relacionada ao fortalecimento de diferentes formas de compartilhamento (por exemplo, compartilhamento de viagem, entrega de pacotes por viajantes) e atomização do uso de produto/ serviço (por exemplo, aluguel de carros "por minuto"). Em ambos os casos, o objetivo é minimizar o custo para cada consumidor individual (retirando custos fi xos, obtendo receitas de um recurso que já tem custo fi xo). VII) Atividades/ uso de energia No domínio das atividades, observamos duas tendências principais. Primeiro, a evolução de atividades bem estabelecidas em direção a formas mais digitais e novos níveis de avanço (por exemplo, automação de marketing ou computação em nuvem). Aqui devemos apontar que algumas atividades da Onda 1 serviram de base para infl uenciar outras áreas do modelo de negócios na Onda 2. Por exemplo, o conceito de controle de supervisão e aquisição de dados que foi desenvolvido no ambiente industrial pode ser considerada uma antecessora da Internet das Coisas habilitada no mundo pessoal, principalmente graças ao avanço em sensores e tecnologia de comunicação e custos. A segunda tendência abrange soluções inovadoras que desafi am os paradigmas atuais (por exemplo, a segurança das transações é garantida por um livro-razão público distribuído em vez dos sistemas centrais de grandes instituições confi áveis). VIII) Finanças/ economia O domínio fi nanceiro e econômico cobre os aspectos de desempenho do modelo de negócios, expressos principalmente em termos fi nanceiros e também na forma de indicadores de desempenho e sistemas de medidas. O domínio fi nanceiro e econômico mostra um forte movimento disruptivo na área de geração de receita. Na Onda 1, a indústria foi exposta pela primeira vez a modelos de negócios que construíram seus fl uxos de caixa em fontes não relacionadas a sua proposta de valor primária. Na Onda 2, essa tendência é ampliada ainda mais pela exploração de economias de escala (cobrança de pequenas taxas de um grande pool de 75 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 usuários ou identifi cação de uma comunidade interessada no serviço a ponto de fornecer o seu fi nanciamento). Outro fenômeno muito importante é o crescimento de conceitos que abandonam a propriedade clássica e incentivam o uso de um serviço/ produto apenas pelo tempo ou aplicação que o cliente necessita. Por sua vez, Hanelt et al. (2020) forneceram uma estrutura para demostrar algumas perceptivas na digitalização, contemplando dois padrões temáticos importantes: a transformação digital está movendo as empresas para projetos organizacionais maleáveis que permitem uma adaptação contínua, e esse movimento é incorporado e conduzido pelo ecossistema de negócios digital. IX) Designs organizacionais maleáveis Um projeto organizacional maleável pode ser entendido como aquele que é facilmente infl uenciado e pode ser facilmente alterado. Os designs organizacionais maleáveis que são produzidos pela transformação digital e se baseiam em tecnologias digitais e estruturas ágeis para se adaptar rapidamente às oportunidades e ameaças ambientais. As principais organizações hoje em constante mudança foram identifi cadas nas indústrias de software. Em particular, Huang et al. (2017) dizem, em resumo, que as empresas digitais se adaptam rapidamente por meio dos mecanismos de operação orientada a dados (por exemplo, monitoramento refi nado e perfi l de usuário com base em tecnologias digitais), transformação rápida (por exemplo, redefi nição rápida de mercados centrais, identidades e atividades) e lançamento instantâneo (por exemplo, inovação dinâmica de ofertas digitais com base no feedback do cliente). As empresas contemporâneas empreendem um movimento geral para confi gurar suas organizações de modo a permitir e apoiar tais mecanismos. Por exemplo, as operações e tomadas de decisão orientadas por dados são sustentadas por processos de negócios automatizados, orientados por dados, bem como por gerenciamento com foco e suporte em tecnologia. Além disso, estruturas organizacionais permeáveis e ágeis suportam uma transformação rápida. Por fi m, os resultados dos modelos de negócios digitais focados na experiência do cliente e digital e de produtos inteligentes conectados e personalizados podem ser relacionados ao mecanismo de liberação instantânea, visto que são ofertas de mercado dinamicamente adaptáveis e escaláveis. As empresas apoiam a mudança em direção a um design organizacional maleável de várias maneiras, sendo eles: a) Em primeiro lugar, ao se engajar na inovação digital, novos modelos de negócios digitais são estabelecidos e permitem o lançamento instantâneo. Com 76 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS base em novos recursos digitais e interação homem-máquina, as operações orientadas por dados podem ser alcançadas. O desenvolvimento de uma estratégia de negócios digital, a aceleração digital e a mobilização digital ajudam a descongelar a organização para uma transformação rápida. b) Em segundo lugar, as empresas digitais e as não digitais divergem, pois as últimas têm que lidar com um projeto organizacional pré-existente, exigindo uma estratégia de transformação digital e harmonização físico-digital, enquanto as empresas digitais são regularmente construídas do zero (TUMBAS; BERENTE; VOM BROCKE, 2017). No entanto, como indicam os mecanismos de desbloqueio das organizações e aumento da fl exibilidade tecnológica, é evidente um movimento geral em direção a uma maior adaptabilidade. Caro aluno, aqui vale ressaltar uma observação importante, é que o objetivo dessa adaptabilidade está fortemente relacionado a estar em sintonia com o ambiente da empresa. Isso pode ser visto no resultado de organizações orientadas e integradas ao ecossistema. Sendo assim, há uma mudança em direção a projetos organizacionais maleáveis, que permite uma contínua mudança com relação à adaptação das empresas em seus ambientes. A ideia de organizações continuamente adaptáveis não é nova. No entanto, na situação atual de transformação digital, aparenta ser muito mais fácil para as empresas – em todos os contextos, e não apenas nas indústrias de software – a acessibilidade de grandes volumes de dados e as tecnologias para analisá-los – e então detectar mudanças ambientais –, bem como a capacidade de adaptar atividades que são baseadas em tecnologias digitais fl exíveis, possivelmente automáticas, que permitem mudanças contínuas com base no feedback ambiental ou oportunidades emergentes. Ao mesmo tempo, no entanto, também se torna cada vez mais difícil diferenciar de onde a mudança está vindo e se ela está se desdobrando dentro ou além dos limites da empresa. Em particular, as tecnologias digitais permitem uma liberação instantânea. Tais tecnologias, por serem geradoras por natureza, permitem a inovação contínua, que muitas vezes é trazida por partes externas, como clientes ou desenvolvedores (PARKER; VAN ALSTYNE; JIANG, 2017). Além disso, uma grande parte da confi guração tecnológica pode estar fora do controle de uma empresa específi ca e pode evoluir de forma imprevisível, por vontade de atores externos, como gigantes da tecnologia ou startups digitais. As operaçõese decisões baseadas em dados ajustam a empresa ao feedback ambiental, por exemplo, dos clientes, utilizando o potencial da inteligência artifi cial para detectar e reagir automaticamente às mudanças. 77 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 A transformação rápida exige que as empresas alterem seu posicionamento e capacidades de acordo com novas oportunidades dinamicamente emergentes e em dissolução. Assim, no curso da transformação digital, a adaptação contínua possibilitada por projetos organizacionais maleáveis contribui para uma confl uência holística de turbulência ambiental, sistemas de TI e capacidades organizacionais. Isso é denominado "ecodinâmica digital", um fenômeno que "não tem separações entre seus três elementos principais, mas é a totalidade das interações fundidas entre os três elementos" (turbulência ambiental, sistemas de TI e capacidades organizacionais) (PAVLOU; El SAWY, 2010, p. 837). Consequentemente, essa confl uência holística difere das visões tradicionais que diferenciavam a mudança organizacional como desencadeada pela tecnologia, agência organizacional ou interação social (TILSON; LYYTINEN; SØRENSEN, 2010). Embora esses aspectos continuem a ser relevantes por si próprios, eles também se tornam inseparavelmente interligados no contexto da transformação digital. Além disso, à medida que as principais tecnologias difundidas se tornam cada vez mais infraestruturais e amplamente acessíveis para as empresas, e como os atores externos se tornam cada vez mais centrais para fornecer recursos importantes, as interações das organizações e sua inserção em seus ambientes torna-se cada vez mais complexa e intensa. X) Ecossistemas de negócios digitais Ecossistemas de negócios são frequentemente vistos como sustentando a criação e captura de valor das empresas, representando "a estrutura de alinhamento do conjunto multilateral de parceiros que precisam interagir para que uma proposta de valor focal se materialize" (ADNER, 2017, p. 42). À medida que moldam as decisões sobre onde e como competir, os ecossistemas de negócios são um tópico essencial para a estratégia. Nas últimas décadas, vimos inúmeras empresas se afastando de cadeias hierárquicas de suprimentos integradas; e em direção a essas redes mais fragmentadas de parcerias estratégicas com entidades externas. No entanto, no decorrer da transformação digital, podemos observar que, por meio da confl uência holística, que compreende as dimensões materiais, organizacionais e ambientais, os chamados ecossistemas de negócios digitais, que no passado eram apenas um tópico de interesse para as indústrias de TI e software, estão se tornando cada vez mais inseparáveis dos ecossistemas de negócios tradicionais. Além disso, eles estão cada vez mais relevantes em todos os setores, conforme as tecnologias digitais se difundem nas indústrias e na sociedade. Ecossistemas de negócios digitais defi nem ambientes de negócios moldados por uma rede de interdependências, geradas especifi camente por meio de tecnologias digitais, sendo que um fator diferencial importante que distingue os ecossistemas de negócios digitais é a sua natureza turbulenta. 78 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Geralmente, a turbulência pode ser entendida como "as condições de imprevisibilidade no ambiente por causa de mudanças rápidas nas necessidades do cliente, tecnologias emergentes e ações competitivas" (PAVLOU; EL SAWY, 2010, p. 444). No contexto dos ecossistemas de negócios, essa turbulência se torna visível especialmente por meio do vasto número e heterogeneidade de parceiros interdependentes que moldam a competição, a ampla difusão e adoção de tecnologias gerativas interconectadas, e as preferências dos clientes em constante mudança. A transformação digital é acionada e moldada por uma infi nidade de diversas tecnologias e aplicativos digitais, como tecnologias de blockchain (que é um tipo de base de dados distribuída que guarda um registro de transações permanente e à prova de violação), IA e Internet das Coisas. Além disso, os consumidores estão cada vez mais incorporando a tecnologia em suas rotinas diárias e interações pessoais, o que tem profundas implicações em suas demandas e expectativas em relação às ofertas e comunicações com as empresas. Ambos os desenvolvimentos contribuem para o aumento da dinâmica dentro das indústrias, nas quais as empresas devem agora competir com um número crescente de concorrentes, de várias indústrias e, em alguns casos, com modelos de negócios completamente diferentes, bem como com um número crescente de startups. Também podemos ver, entre outras coisas, uma mudança em direção a mercados conectados, nos quais os participantes estão envolvidos em inúmeras redes de troca, que, inclusive, são facilmente formadas e dissolvidas novamente. Isso pode ser atribuído principalmente à onipresença da Internet e de outras tecnologias relacionadas nas quais essas redes dependem fortemente, levando em geral a mercados permeados digitalmente. Além disso, é possível observar a convergência de setores anteriormente separados, uma vez que atores heterogêneos de diferentes setores operam e competem cada vez mais nos mesmos mercados devido às possibilidades das tecnologias digitais, que reúnem experiências de usuários anteriormente desconectadas (por exemplo, Internet de banda larga, telefone e serviços de TV) (YOO et al., 2012). Devido à crescente turbulência, os ecossistemas de negócios digitais estão "mudando as regras do jogo em muitos setores por meio de interrupções nos modelos de negócios" (PAGANI, 2013, p. 617). Eles se baseiam fundamentalmente em tecnologia digital amplamente compartilhada, que é generativa e adaptável e está em um estado de mudança constante. Isso os torna sistemas adaptativos complexos, onde a mudança é constante, iniciada e conduzida de múltiplas direções e pode se desdobrar de forma imprevisível. 79 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 Os ecossistemas de negócios digitais também divergem dos ecossistemas de negócios normais, no que diz respeito aos seus constituintes. Seguindo a defi nição de Adner (2017, p. 42), ecossistemas de negócios regulares são caracterizados por, entre outras coisas, um conjunto de parceiros com "posições defi nidas e fl uxos de atividade entre eles", com base em uma proposta de valor buscada coletivamente. Dentro dos ecossistemas de negócios digitais, no entanto, as propostas de valor buscadas podem mudar radicalmente em um curto período de tempo (YOO et al., 2012). Assim, nos ecossistemas de negócios digitais as posições e funções dos participantes, estão sujeitos a mudanças constantes. Além disso, as empresas cocriam e cocapturam valor com uma grande variedade de atores heterogêneos, estendendo-se além dos fornecedores e clientes tradicionais e variando de indivíduos a comunidades iniciantes, gigantes da tecnologia e atores sociais. Um novo nível de interconexão e interdependência emerge e aumenta constantemente por causa das barreiras de entrada baixas para praticamente todos. Assim, está se tornando cada vez mais complexo manter uma visão geral das propostas de valor e dos participantes dentro dos ecossistemas de negócios digitais, e determinar suas posições e os fl uxos de atividades entre eles. A mudança se transfere e se irradia através de níveis que podem e, no passado, costumavam ser vistos separadamente, pois os indivíduos, organizações e sociedades são afetados simultaneamente e estão conectados por meio de uma hierarquia como estrutura. No estudo intitulado “Aplicação de metodologia para desenvolvimento de startups: estudo de caso de uma startup especializada em prestação de serviços para eventos” você conhecerá metodologias para o desenvolvimento de startups. FONTE: <http://repositorio.roca.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/12217>. Acesso em: 14 jul. 2021.A partir desses dois padrões apresentados anteriormente, derivaram três perspectivas sobre o fenômeno da transformação digital: condições textuais, mecanismos e resultados. A seguir vamos compreender cada uma delas. 80 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS XI) Condições Contextuais As condições contextuais defi nem o início da transformação digital (HENFRIDSSON; YOO, 2013). Em sua pesquisa, Wessel et al. (2021) encontraram antecedentes materiais, organizacionais e ambientais, que desencadeiam e moldam a transformação digital. Claramente, o surgimento e a difusão de uma variedade de tecnologias e aplicações digitais desencadearam e moldaram a transformação digital como antecedentes materiais. As chamadas tecnologias SMACIT (social, móvel, analítica, nuvem e Internet das coisas) moldam especialmente a transformação digital, devido as suas características específi cas, chamadas de propriedades digitais, principalmente suas reprogramações, homogeneização de dados e natureza autorreferencial. Quando as tecnologias digitais entram nas organizações, elas interagem com os antecedentes organizacionais, particularmente as características organizacionais e gerenciais. As características organizacionais abrangem estratégia organizacional e legado, como o percurso histórico de uma organização, bem como os recursos, processos, valores e cultura de uma organização. As características gerenciais, por outro lado, contam com a consciência da transformação digital para iniciar a transformação digital. Isso pode, por exemplo, ser expresso por uma atitude positiva em relação à mudança e tecnologia. Obviamente, os antecedentes materiais e organizacionais estão incorporados e interagem com os antecedentes ambientais – particularmente as características do país, as características da indústria e as características do consumidor. Isso inclui as condições legais e de infraestrutura de um país, como estruturas regulatórias e intervenções, mas também a dinâmica da indústria impulsionada pela tecnologia, incluindo, entre outras coisas, a mudança no cenário tecnológico de uma indústria. Além disso, as características do consumidor, particularmente a demanda do consumidor digital, moldam a transformação digita. Os consumidores contam cada vez mais com tecnologias digitais em suas rotinas diárias e interações pessoais e esperam acesso onipresente a recursos virtuais (BENLIAN et al., 2018). XII) Mecanismos Em sua pesquisa Henfridsson e Yoo (2014) identifi caram dois mecanismos principais usados pelas organizações para conceber e realizar a transformação digital: inovação e integração. Os mecanismos de inovação envolvem a aplicação de recursos, processos e capacidades que são novos para a organização, enquanto a integração 81 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 inclui o alinhamento destes com recursos, processos e capacidades existentes (RANGANATHAN; GOODE; RAMAPRASAD, 2003). Para os mecanismos de inovação, descobrimos que a transformação digital envolve novidade tanto em aspectos estratégicos quanto operacionais. Por exemplo, desenvolver uma estratégia de negócios digital é uma atividade-chave ligada à estratégia. Inclui aspectos de negócios e tecnológicos, transcende as fronteiras organizacionais e é baseado em insights de dados. A mobilização e aceleração da transformação digital por conscientização da transformação digital é outra atividade crítica no nível estratégico e é usada, entre outras coisas, para atrair uma nova geração de trabalhadores e para estabelecer mentalidades digitais (HANSEN; KRAEMMERGAARD; MATHIASSEN, 2011). Com um foco mais operacional, entretanto, embutido na orientação estratégica, a exploração e o aproveitamento das capacidades digitais são importantes para as organizações, principalmente em relação às capacidades informacionais on-line, capacidades analíticas de big data e recursos da plataforma digital. Construir sobre essas tecnologias não apenas internamente, mas com o objetivo de criar inovação digital, incluindo o desenvolvimento de novos produtos, processos ou modelos de negócios é vital. Isso também inclui a fusão da interação homem-máquina como uma atividade central para estabelecer sinergias sustentáveis e agregadoras de valor entre a tecnologia e os humanos. Os mecanismos de integração são cruciais para alinhar esses novos elementos aos existentes em uma organização. Em primeiro lugar, o desenvolvimento de uma estratégia de trans formação digital que "serve como um conceito central para integrar toda a coordenação, priorização e implementação de transformações digitais dentro de uma empresa" é a chave para organizar essa integração em o curso da transformação digital. As execuções de tais planos envolvem atividades para desbloquear as organizações, por exemplo, desenvolvendo capacidades dinâmicas e habilidades de aprendizagem organizacional aprimoradas. Do lado mais técnico, as organizações precisam de uma fl exibilidade tecnológica crescente. Isso pode, por exemplo, ser alcançado por uma arquitetura corporativa ágil e colaborativa. Por último, a integração envolve a harmonização físico-digital por conscientização da transformação digital, incluindo, por exemplo, a promoção da cooperação multifuncional e o uso de mecanismos de coordenação para assimilar tecnologias digitais dentro da organização (LARKIN, 2017). 82 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS XII) Resultados A transformação digital está associada a uma variedade de resultados da própria organização, ao entorno ambiental no qual a organização está inserida e às consequências econômicas resultantes. Assim, temos as confi gurações organizacionais e economia. Os resultados relacionados às confi gurações organizacionais referem-se à confi guração dos constituintes da empresa e como as organizações mudam no curso da transformação digital. A transformação digital tem consequências para as organizações desde a maneira como elas se envolvem com as partes interessadas externas até seus processos internos (cada produto individual). O foco em inovação aberta leva as organizações mais orientadas para o ecossistema e integradas (BERMAN; MARSHALL, 2014). Esta mudança continua na estruturação intraorganizacional: as organizações desenvolvem estruturas organizacionais permeáveis e ágeis e, ao fazê-lo, tornam-se ágeis, adaptáveis e sem limites. Além disso, os estilos de gerenciamento mudam em direção ao gerenciamento, focado em tecnologia e suporte. Isso é evidenciado pelo aumento do uso de suporte de inteligência artifi cial e sistemas de suporte à decisão. Da mesma forma, os modelos de negócios digitais e focados na experiência do cliente ganham importância. Isso envolve a criação de modelos de negócios completamente novos e a modifi cação dos modelos de negócios existentes. Finalmente, a transformação digital nas organizações culmina no resultado de processos de negócios automatizados, orientados por dados virtuais, por meio de um uso aprimorado de tecnologias digitais e software para a execução de tarefas, bem como o desenvolvimento de smart, produtos conectados e customizados. No que diz respeito à confi guração de economia, a transformação digital pode resultar em melhor desempenho da empresa e novas formas de valor, causadas por uma melhor qualidade de serviço ou reduções de custos. Além disso, descobriu-se que a transformação digital leva a um desempenho dinâmico e em constante mudança no nível da indústria devido à mudança nos preços dos produtos ou reações e turbulências do mercado. 83 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 Neste livro, você compreenderá mais sobre o processo de digitalização dos negócios. ROGERS, D. L. Transformação digital: repensando o seu negócio para a era digital. Autêntica Business, 2017. 4 A IMPORTÂNCIA DOS RECURSOS HUMANOS NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL A digitalizaçãonão se trata apenas de implementar tecnologias para aumentar a efi ciência ou reduzir custos. As organizações estão usando ferramentas e aplicativos digitais para impulsionar a inovação, por exemplo, desenvolvendo novos modelos de negócios ou jornadas de clientes. Os experimentos digitais nos estágios iniciais da transformação digital, como laboratórios de inovação, incubadoras e novos produtos digitais, ajudaram a cultivar as capacidades digitais e produziram resultados notáveis. No entanto, uma vez que a digitalização afeta quase tudo nas organizações de hoje, qualquer iniciativa digital requer uma coordenação sem precedentes de pessoas, processos e tecnologias. A digitalização está colocando uma enorme pressão sobre as organizações para que evoluam. Portanto, tornar-se uma organização digital requer mudanças fundamentais com relação à forma como as organizações operam e fazem negócios. Uma das principais questões é como dimensionar esses recursos em uma direção ascendente enquanto os integra ao negócio principal. Caro aluno, nenhuma das mudanças possibilitadas por essas tecnologias vem sem acompanhar as mudanças organizacionais, mentalidades de gerenciamento, comportamento organizacional e cultura operacional. As tecnologias digitais só podem levar a um melhor desempenho por meio de mudanças organizacionais. Em sua essência, a transformação digital é mudança e, como acontece com toda iniciativa de mudança organizacional, deve ser gerenciada com extremo cuidado (WADE; MARCHANT, 2014). Além disso, uma transformação digital não é um esforço único, mas sim um portfólio de iniciativas que trabalham juntas para dimensionar a mudança. 84 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS O sucesso depende de como a gestão coordena as iniciativas à medida que são executadas ao mesmo tempo. Novas habilidades e capacidades organizacionais são necessárias para aumentar a adoção da digitalização em toda a organização. Gerenciar a transição para um modelo de negócios orientado digitalmente não é apenas crítico para superar os concorrentes, é crucial para a sobrevivência. Os gestores de programas de transformação digital precisam compreender as implicações da digitalização em suas organizações e as pessoas que trabalham nelas. A ampla implantação e adoção de tecnologias digitais terão dois impactos organizacionais principais: (i) digitalização não muda apenas as formas de trabalhar; e (ii) também acelera a velocidade das mudanças que as organizações estão enfrentando. Ambas as implicações levam a três requisitos principais que devem ser enfrentados pelas organizações para que tenham sucesso em seus esforços de transformação digital. A digitalização requer novas habilidades e competências, exige novas formas de liderança e força as empresas a construir novas capacidades organizacionais. Na medida em que as organizações atendem a esses requisitos e se movem rapidamente em direção à digitalização, elas também desenvolverão sua cultura. Prezado aluno, a seguir conheceremos algumas implicações organizacionais causadas pela digitalização do negócio, ligadas diretamente aos recursos humanos. I: A digitalização muda a maneira de trabalhar As tecnologias e aplicativos digitais permitem novas maneiras de trabalhar dentro das organizações, bem como com clientes e parceiros. Por exemplo, a adoção de tecnologias de mídia social (por exemplo, plataformas de colaboração, redes sociais, videoconferência on-line, blogs, wikis) tornou-se bastante difundida nas empresas (BUGHIN et al., 2014). Seu uso mudou a forma como os funcionários compartilham informações e conhecimento, bem como colaboram e se comunicam. Essas ferramentas oferecem muitas oportunidades para alavancar informações de novas maneiras valiosas, por exemplo, acumulando e distribuindo conhecimento, conectando funcionários para trocar informações e estimulando a inovação. Em combinação com tecnologias móveis (por exemplo, smartphones e tablets), essas ferramentas de mídia social oferecem aos funcionários um nível sem precedentes de fl exibilidade para se conectar ao trabalho e uns aos outros, ou seja, “a qualquer hora” e “em qualquer lugar”. Além disso, a interconectividade das pessoas por meio de tecnologias móveis e sociais facilita o trabalho virtual, reunindo especialistas internos e externos para apoiar projetos. Além disso, as 85 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 tecnologias móveis e sociais oferecem aos funcionários novos canais para interagir com clientes, fornecedores e parceiros. Por exemplo, as redes sociais podem ser usadas para ouvir e entender melhor as opiniões dos clientes sobre produtos, serviços e a organização como um todo. Essas tecnologias também podem ser usadas para se comunicar com os clientes ou para fornecer melhores serviços ao cliente. Caro leitor, no texto a seguir são apresentados cases de empresas que interagem com os clientes pelas mídias sociais. 10 EMPRESAS QUE QUE USAM AS MÍDIAS SOCIAIS PARA INTERAGIR COM SEUS CLIENTES 1 RELEVÂNCIA Para manter sua marca, você deve manter sua mídia social consistente. Dessa forma, os clientes podem visitar qualquer plataforma de mídia social e reconhecer facilmente o seu negócio. Como seus clientes usam esse canal para se engajar, é crucial postar conteúdo que seja relevante para eles. Em seu canal de mídia social, você pode fornecer informações relevantes aos clientes, direcionando-os a determinados departamentos, funcionários ou páginas da web. • Shutterstock A Shutterstock uma empresa de provedor de banco de imagens, vídeos, música e editoria, que faz um ótimo trabalho em compartilhar postagens envolventes e relevantes no Twitter – especialmente fotografi a – mas a presença da empresa de imagem nas mídias sociais é mais do que apenas um feed de conteúdo clicável. A equipe de mídia social da Shutterstock faz questão de interagir com outras pessoas que compartilham conteúdo relevante e lida com feedback negativo e positivo rapidamente e com graça (e até mesmo com senso de humor quando apropriado). A Shutterstock também permite que os usuários saibam a qual departamento a empresa está enviando seus comentários, para que saibam que estão contribuindo para a mudança. Por exemplo, nos casos em que os usuários encontram erros nas fotos, a equipe 86 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS de mídia social da Shutterstock responde e depois passa as informações aos artistas para que as imagens possam ser corrigidas e reenviadas. A empresa também é conhecida por responder aos usuários com imagens engraçadas, da mesma forma que outros usuários do Twitter compartilham GIFs ou memes. 2 MONITORAMENTO DE MÍDIA SOCIAL Monitorando hashtags (#businessnewsdaily) e menções (@ BNDarticles), você pode rastrear a frequência com que os clientes falam sobre sua empresa e se engajam on-line. Você também pode pesquisar palavras-chave relevantes, o que permite rastrear as respostas dos clientes que não estão marcadas. • JetBlue A JetBlue entende como é importante não apenas se envolver com clientes satisfeitos, mas também resolver problemas rapidamente e responder aos clientes que estão insatisfeitos com seu serviço. Claro, é fácil compartilhar um bom feedback em sua página, mas alguns movimentos errados podem causar sérios danos. A JetBlue faz questão de responder não apenas aos clientes que os mencionam, mas aos clientes que falam sobre a marca em geral, mas não a etiquetam no post. Isso signifi ca que a equipe de mídia social da empresa provavelmente também está rastreando e monitorando palavras-chave e hashtags relevantes, para que possam encontrar e responder a mais clientes – uma estratégia-chave que toda empresa deve usar. 3 RESPONDENDO AO FEEDBACK DO CLIENTE Os clientes têm a oportunidade de twittar suas experiências pessoais com uma empresa, deixar um comentário no Facebook ou Instagram e até mesmo enviar mensagens diretas emqualquer uma das plataformas. É importante reconhecer o feedback de cada cliente, seja ele positivo ou negativo. Você deseja criar uma comunidade on- line onde os clientes se sintam valorizados e cuidados. Isso é feito respondendo ao cliente com informações que respondem as suas perguntas e preocupações ou direcionam-no para a pessoa ou local que pode atendê-lo melhor. Jay Baer, fundador da Convince and Convert, relatou que 42% dos consumidores esperam uma resposta em 60 minutos e 87 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 32% esperam uma resposta em 30 minutos. Responder o mais rápido possível aumentará as chances de uma experiência positiva para o cliente. Se um cliente tiver uma experiência negativa com uma empresa, a notícia se espalhará rapidamente. Um cliente pode postar uma crítica negativa, recomendar produtos e serviços de uma empresa concorrente e reclamar da empresa em todas as plataformas de mídia social. Portanto, é fundamental que você responda de maneira respeitosa e oportuna. Outro desafi o que surge com o feedback do cliente é saber se uma preocupação deve ser tratada publicamente ou em particular. Algumas empresas tweetam ou comentam para os clientes, enquanto outras usam mensagens diretas (DMs) para entrar em contato. De acordo com a agência de marcas FreshSparks, você deve determinar quais postagens devem ser consideradas um assunto público e quais requerem uma resposta privada. A resposta privada pode assumir a forma de um DM, uma chamada telefônica ou um e-mail. Ao lidar com mensagens diretas, você deve responder a cada uma, mesmo que isso exija que você faça alguma pesquisa ou seja sobre como um cliente agora entende como navegar em seu site. Mesmo que sua resposta seja tão simples como “Obrigado!” ou “Que bom que pudemos ajudar”, é importante manter sua taxa de resposta alta. • T móvel A T-Mobile é conhecida por envolver os clientes em suas plataformas de mídia social e por ter uma presença social agradável e pessoal. Um estudo de 2012 da Socialbakers, empresa de insights de mídia social, mostrou que a T-Mobile respondeu a 86% das perguntas que recebeu nas redes sociais (mais de 2.500) em um período de três meses. Isso signifi ca que a T-Mobile faz questão de responder à maioria das solicitações de clientes que recebe. A operadora de telefonia móvel também é conhecida por tirar vantagem de sua base de fãs de mídia social quando se trata de procurar novos funcionários, levando a presença social da T-Mobile muito além do simples atendimento ao cliente. Além disso, os membros da equipe de mídia social da T-Mobile assinam suas respostas no Twitter com seus nomes, permitindo que os clientes saibam que estão falando com uma pessoa real. 88 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS • Nike Com mais de quatro milhões de seguidores no Twitter, dizer que a Nike tem um grande número de seguidores sociais é um eufemismo. A empresa reconhece a importância do atendimento ao cliente, especialmente nas mídias sociais, e é por isso que criou uma conta separada no Twitter apenas para responder às dúvidas e questões dos clientes: @NikeSupport. O Suporte da Nike se dedica a tudo que diz respeito ao atendimento ao cliente, tornando mais fácil para os clientes entrarem em contato quando tiverem um problema ou dúvida. O Suporte da Nike é muito ativo e, como outras empresas com excelente atendimento ao cliente em mídias sociais, responde rápido. Se você olhar o feed do Twitter da conta, verá respostas a cada poucos minutos. Isso mostra aos clientes que eles podem confi ar na Nike para fornecer a ajuda de que precisam, quando precisam. • Spotify Como um dos principais serviços de streaming de música, o Spotify tem a tarefa de fornecer atendimento ao cliente de primeira linha. De acordo com Dan Gingiss, diretor de experiência da Winning Customer Experience, o Spotify “protege muito o tom de voz”, algo que ele monitora com frequência. Qualquer pessoa interessada em trabalhar no atendimento ao cliente de mídia social para Spotify “deve se submeter a vários testes de redação e ter pontuações de alta qualidade de seu trabalho de e-mail antes de ser considerado.” Sua conta de suporte no Twitter, @SpotifyCares, tem uma taxa de resposta oportuna e atualiza seus seguidores com informações sobre problemas comuns. Ele ainda tem outra conta, @SpotifyStatus, que atualiza os seguidores sobre o status atual do Spotify. Com essas contas, os seguidores têm vários lugares para pedir ajuda. Também faz parte do atendimento ao cliente do Spotify o que ele chama de Random Acts of Kindness, que é quando surpreende os clientes ao compartilhar uma música ou lista de reprodução com base em seus interesses musicais individuais. O Spotify tem como objetivo manter seus clientes felizes, e que maneira melhor de fazer isso do que compartilhar a música de que gostam? 89 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 • Xbox O Xbox pode ser totalmente voltado para jogos, mas a empresa não brinca quando se trata de sua estratégia de mídia social. Na verdade, o Xbox (que também tem uma conta separada no Twitter para fi ns de atendimento ao cliente, @XboxSupport) detém o Recorde Mundial do Guinness para a marca mais responsiva na mídia social – sim, isso é algo agora. A equipe do Xbox no Twitter realmente sabe o que está fazendo. Na seção “sobre” da conta, o Xbox lista claramente as horas durante as quais a equipe está disponível para responder, para que os usuários saibam quando é mais provável que recebam uma resposta. Com quase dois milhões de tweets enviados até o momento, não há dúvida de que esta marca se orgulha de seus tempos de resposta rápidos e efi cientes. Entretanto, só porque o Suporte do Xbox é efi ciente não signifi ca que também não seja divertido. 4 ENVOLVIMENTO DO CLIENTE Quer mais pessoas falando sobre sua empresa? Quer receber mais comentários? Uma ótima maneira de envolver os clientes nas redes sociais é fazer chamadas para ações, convidá-los a fornecer feedback por meio de pesquisas on-line e até enviar descontos e promoções no Twitter. • AirAsia As companhias aéreas não desconhecem as reclamações dos clientes, por isso pode ser uma surpresa que a AirAsia (e a JetBlue) tenham feito esta lista. No entanto, a presença da AirAsia no Facebook é excelente, e a empresa vai além para responder ao máximo de comentários possível – e, com quase três milhões de curtidas, é muito para acompanhar. AirAsia responde às perguntas dos clientes com links e conselhos úteis, e é sempre amigável e pessoal em suas respostas, seja no meio do dia de trabalho ou no meio da noite. A empresa também oferece muitas promoções divertidas, como o Desafi o de Assentos Gratuitos, que oferece a 12 clientes vencedores assentos gratuitos por ano em voos. • Desatado Se você ainda não segue Seamless no Twitter, deve mudar isso imediatamente. A popular empresa de food service on-line tem 90 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS uma das melhores estratégias de mídia social que existe. A conta Seamless do Twitter é divertida, divertida e boa para quem gosta de comida, compartilhando de tudo, desde fotos de comida de dar água na boca até trocadilhos e memes hilários de comida. A empresa também compartilha frequentemente códigos de desconto em seu feed. Além disso, a Seamless tem uma excelente estratégia de atendimento ao cliente e é muito rápida para responder a reclamações ou erros do site. Seu pedido de almoço está uma hora atrasado? Não se preocupe – twittar na Seamless quase sempre gerará uma resposta, e a empresa o ajudará a descobrir onde está sua comida o mais rápido possível. Site fora do ar? A equipe de mídia social da empresa permite que todo o Twitter saiba quando estará de volta, ou pelo menos que eles estão trabalhando nisso o mais rápido possível. Se você tiver feedback positivo para compartilhar, Seamlesstambém responderá com um grande senso de humor – provavelmente até irá segui-lo de volta. • Starbucks A Starbucks sabe como agitar tanto o Facebook quanto o Twitter para atendimento ao cliente. A gigante do café é ativa e rápida para responder às dúvidas e reclamações dos clientes em sua página do Facebook, além de ser envolvente e divertida com seus clientes no Twitter. A Starbucks sabe quando trazer personalidade as suas respostas e quando conter e ser profi ssional, mostrando aos clientes que a marca é pessoal e dinâmica. Como a Nike, a Starbucks iniciou uma conta separada no Twitter chamada @MyStarbucksIdea como uma forma adicional de interagir com os clientes. Essa conta, embora menos ativa do que a conta principal da Starbucks no Twitter, é um lugar onde os clientes podem enviar e discutir ideias para tornar a Starbucks melhor. • Toda a comida A presença da Whole Foods no Twitter é verdadeiramente digna de admiração. A empresa compartilha de tudo, desde receitas saudáveis até notícias relevantes, e também hospeda chats no Twitter. Mesmo com quase quatro milhões de seguidores, a empresa consegue responder aos usuários do Twitter de forma ágil, divertida e amigável. A Whole Foods também sabe como fazer seus seguidores falarem sobre a marca nas redes sociais – ela frequentemente 91 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 envia apelos à ação, fazendo aos usuários do Twitter perguntas interessantes ou encorajando-os a compartilhar receitas ou fotos. FONTE: <https://www.businessnewsdaily.com/7578-social-media- customer-service.html>. Acesso em: 25 abr. 2021. II: A digitalização aumenta a dinâmica da mudança É uma observação compartilhada de que as organizações em todos os lugares estão lutando para acompanhar o ritmo acelerado de mudança (KOTTER, 2014). Também é uma suposição comum que a digitalização é uma das principais razões pelas quais a velocidade da mudança está aumentando. O uso de novas tecnologias nas organizações não é um fenômeno novo, o que mudou é o nível de conexão – o fornecimento acelerado de novos recursos digitais –, bem como o ritmo em que essas tecnologias estão sendo adotadas por clientes, funcionários e organizações. Entre outros, o processo de digitalização desencadeou um novo comportamento do cliente, por exemplo, usando dispositivos móveis para obter acesso em tempo real a etiquetas de preços competitivas ou avaliações de pares em produtos. Este processo, por sua vez, está tendo um impacto profundo em todos os setores e organizações. Por exemplo, as tecnologias e plataformas em nuvem fornecem recursos digitais compartilháveis que permitem às organizações aumentar e diminuir os negócios com muito mais rapidez em resposta às demandas do que com soluções locais. Usando tecnologias de nuvem, as organizações serão mais ágeis e fl exíveis para atender às mudanças nas expectativas dos clientes (IYER; HENDERSON, 2010). Além disso, as tecnologias de nuvem ajudam as organizações a criar novos modelos de negócios e serviços, bem como a adaptar processos de negócios a novos requisitos em um ritmo mais rápido do que em ambientes de TI tradicionais. Outro exemplo para aumentar a velocidade da mudança nas organizações é a disponibilidade de novas tecnologias analíticas (como mecanismos analíticos executados em big data). Hoje, as organizações têm a capacidade de integrar, processar e analisar grandes quantidades de dados estruturados e não estruturados em tempo real. Isso lhes dá a oportunidade de gerar análises em tempo real, preditivas e prescritivas que ajudam os negócios a acelerar os processos de tomada de decisão e inovação. Tanto as novas formas de trabalhar quanto o ritmo cada vez maior de mudança induzem novos requisitos e capacidades organizacionais para lidar com a pressão constante para se adaptar. 92 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS III: A digitalização requer novas habilidades e competências É uma crença comum que a digitalização promove a inovação e leva a ganhos de produtividade para as organizações. No entanto, sem o "fator humano" não é possível perceber esses benefícios. Somente se os funcionários estiverem familiarizados e capazes de usar as tecnologias e soluções digitais, eles poderão aplicá-las corretamente e, assim, agregar valor à organização. A digitalização requer uma força de trabalho com um conjunto de habilidades digitais. Exige funcionários com experiência digital e forte visão de negócios (MCAFEE; WELCH, 2013). Devem pensar de forma interdisciplinar e estar continuamente em contato e também buscar os mais recentes desenvolvimentos e tecnologias digitais (GIMPEL; ROGLINGER, 2015). À medida que a digitalização aumenta a velocidade e a intensidade da mudança, os funcionários também devem possuir competências mais fundamentais, como lidar com complexidade e ritmo acelerado; e também devem ser resilientes. Todavia, encontrar essas pessoas (internamente e mesmo externamente) é difícil. “Sem o talento digital [...] as visões ambiciosas da transformação digital podem carecer de credibilidade, ou pior, dominar as capacidades da organização” (MCAFEE; WELCH, 2013, p. 38). Um exemplo: as organizações reconhecem a importância do Big Data para seus negócios, mas os benefícios do Big Data só podem ser obtidos se um número sufi ciente de funcionários dispuser de habilidades especializadas em análise preditiva avançada. Os analistas e cientistas de dados têm a capacidade de entender a modelagem estatística e os aplicativos de negócios de big data, mas são difíceis de encontrar (GOTTLIEB; WILLMOTT, 2014). A falta de funcionários devidamente qualifi cados acaba sendo uma das maiores barreiras para o Big Data (KOTTER, 2014). McAfee e Welch (2013) apontaram outro desafi o para as organizações no que diz respeito à disponibilidade de conjuntos de habilidades digitais. A maioria das organizações empregou pessoas de diferentes gerações com diferentes níveis de familiaridade com ferramentas digitais (a chamada divisão de gerações). Os funcionários mais jovens podem estar mais familiarizados com as ferramentas digitais e formas de trabalho do que seus colegas mais efetivos. Em contraste com isso, os funcionários mais velhos podem ter algumas reservas sobre se familiarizar com as ferramentas digitais ou, se estiverem na gerência, relutar em decidir implementá-las. Por outro lado, os funcionários mais jovens muitas vezes fi cam frustrados com o ritmo lento de implantação de ferramentas digitais e sua disponibilidade limitada na organização. Isso também 93 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 pode ter um impacto negativo na atratividade da organização como empregadora de talentos digitalmente qualifi cados. Superar as defi ciências de habilidade com as novas tecnologias digitais e com novas formas de trabalho deve estar no topo da agenda executiva. As organizações precisam entender quais habilidades e competências possuem hoje e quais qualifi cações serão necessárias nos próximos anos. Uma implementação inefi caz de programas de treinamento para treinar funcionários em novas tecnologias digitais e nas formas de trabalho é considerada uma das principais barreiras para a digitalização (BONNET; NANDAN, 2011). Portanto, os investimentos em educação e treinamento em tecnologias digitais são um fator chave de sucesso para qualquer programa de transformação digital. IV: A digitalização requer novas formas de liderança A digitalização permite e ao mesmo tempo força os líderes a fazer adaptações contínuas na estratégia, modelos de negócios, produtos ou serviços, processos, tecnologia e estrutura da organização, e isso sob condições voláteis, incertas, complexas e ambíguas. Este ambiente de negócios em rápida mudança que se tornou o “novo normal”, que também é chamado de mundo VUCA (JOHANSEN, 2012). Por exemplo, está claro que a computação em nuvem permitiráque as organizações terceirizem seus recursos de TI para provedores terceirizados, que muito mais pessoas terão acesso a recursos compartilhados na nuvem por meio de dispositivos móveis e que a funcionalidade de TI pode ser implantada mais rapidamente. Entretanto, não está claro que tipo de novas formas de conexões, colaboração e negócios surgirão em um futuro com base em soluções em nuvem (JOHANSEN, 2012). A digitalização exerce pressão sobre os líderes em um mundo VUCA exigindo mais fl exibilidade de liderança, tomada de risco e velocidade na tomada de decisão. No entanto, um desafi o signifi cativo para a maioria das organizações hoje é que elas têm processos tradicionais de tomada de decisão baseados em hierarquias bem projetadas. Os líderes foram socializados em sistemas de gestão tradicionais não bem adaptados ao mundo VUCA e à velocidade acelerada de mudança causada pela digitalização. A estrutura hierárquica das organizações e de “pensamento silo” muitas vezes levam a processos de tomada de decisão muito lentos para lidar com a natureza multifuncional, tecnológica e rápida da transformação digital (BONNET; NANDAN, 2011). Além disso, a implementação de ferramentas digitais, a automação dos processos de negócios e o papel desempenhado pelo Big Data na tomada de decisões aumentam o nível de transparência de uma organização. Por exemplo, a ampla disponibilidade e uso de plataformas sociais para discussões internas e troca de conhecimento tornam as informações facilmente disponíveis para muitos funcionários. A digitalização resulta no fl uxo livre e democratização da informação, contornando qualquer nível de gestão (BONNET; NANDAN 2011). Os gerentes – 94 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS especialmente os gerentes de nível médio – podem ver essa perda de controle como uma ameaça ao seu papel de liderança e, portanto, podem reagir resistindo à digitalização. Ao mesmo tempo, esses gerentes precisam apoiar o processo de mudança habilitado pela tecnologia, eles precisam traduzir a visão digital em operações do dia a dia e mobilizar seus funcionários (MCAFEE; WELCH, 2013). Como a digitalização afeta todos os níveis e áreas de uma organização, o papel da liderança é de suma importância para o processo de transição. Capturando todos os benefícios das tecnologias digitais, os gerentes precisam desafi ar a forma como sua organização opera. Eles têm que envolver seus funcionários em um processo de redefi nição de como eles trabalham e o que a organização faz (WESTERMAN et al., 2014). Uma atitude de liderança aberta para lidar com os desafi os da digitalização e aceitar seus efeitos nas funções de liderança, incluindo a própria, será crucial para o sucesso de qualquer iniciativa de transformação digital. A seguir, vamos conhecer mais sobre o que é o mundo VUCA. MUNDO VUCA Vivemos em um mundo que muda constantemente, tornando- se mais instável a cada dia, onde mudanças grandes e pequenas estão se tornando mais imprevisíveis – e estão fi cando cada vez mais dramáticas e acontecendo cada vez mais rápido. À medida que os eventos se desenrolam de maneiras totalmente inesperadas, fi ca impossível determinar causa e efeito. Está se tornando mais difícil antecipar eventos ou prever como eles se desenrolarão; previsões históricas e experiências passadas estão perdendo sua relevância e raramente são aplicáveis como base para prever o que está por vir. Está se tornando quase impossível planejar investimentos, desenvolvimento e crescimento à medida que se torna cada vez mais incerto para onde o caminho está tomando. Nosso mundo moderno está mais complexo do que nunca. Quais são as razões? Quais são os efeitos? – Os problemas e suas repercussões são mais multifacetados, mais difíceis de entender. As diferentes camadas se misturam, tornando impossível obter uma visão geral de como as coisas estão relacionadas. As decisões são reduzidas a uma malha emaranhada de reação e contrarreação – e escolher o único caminho correto é quase impossível. 95 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 “Um tamanho serve para todos” e “melhores práticas” foram relegados ao passado – no mundo de hoje é raro que as coisas sejam completamente claras ou precisamente determináveis. Nem tudo é preto e branco – cinza também é uma opção. As demandas sobre as organizações e a administração modernas são mais contraditórias e paradoxais do que nunca, desafi ando nossos sistemas de valores pessoais até o cerne. Em um mundo onde o “o quê” fi ca em segundo plano em relação ao “por quê?” e o “como?”, tomar decisões exige coragem, consciência e disposição para cometer erros. De onde vem o termo VUCA? VUCA é um acrônimo (palavra artifi cial), usado pela primeira vez em 1987 e baseado nas teorias de liderança de Warren Bennis e Burt Nanus, e signifi ca Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade. Foi a resposta do US Army War College ao colapso da URSS no início dos anos 1990. De repente, não era mais o único inimigo, resultando em novas formas de ver e reagir. O mundo de hoje Nem a liderança de uma organização nem suas estratégias são poupadas no mundo VUCA de hoje. Experiências, dogmas e paradigmas devem ser todos examinados; não se trata mais de encontrar o caminho único ou a ferramenta de gestão: os padrões dão lugar à individualidade. Você como líder Como gerente, você é responsável pela maior parte das decisões sobre os parâmetros que defi nem como sua organização pode operar. O aumento da volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade signifi ca que você e sua empresa devem buscar novas orientações e uma nova abordagem de gestão. Só então você pode garantir resultados positivos em circunstâncias alteradas. O mundo VUCA desafi a você a encontrar seu próprio caminho. Você precisará entender a psicologia e desenvolver um comportamento empático – em suma, estar mais preocupado com os humanos e suas necessidades. Signifi cado e propósito assumem um papel central nas atividades de negócios. 96 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS V: As pessoas determinam o sucesso de cada empresa Isso requer as condições estruturais adequadas sob as quais cada indivíduo pode contribuir com suas habilidades e serviços no sentido de resultados acordados – mais qualitativos e quantitativos. Isso sempre foi válido e se torna ainda mais importante na época da VUCA. Considerando e como determinam o diálogo e o discurso dos gestores e empresas com seus funcionários. A vontade de se envolver em uma cooperação genuína e assumir responsabilidades claras é um pré-requisito básico para a inovação. Isso requer liberdade, criatividade, rapidez, fl exibilidade e uma cultura corporativa que conecte as pessoas à organização. Essa conexão se torna mais signifi cativa e pode ser trazida para o foco da liderança de forma ainda mais decisiva. Em um mundo VUCA, o mais importante é antecipar o futuro e fortalecer a cooperação nas empresas com soluções modernas. Decisões e conexões são fatores de sucesso para moldar a causa comum. O objetivo é canalizar a energia usada em qualquer caso em canais signifi cativos para que possa levar a abordagens e medidas que agregam valor. VI: A digitalização requer novas capacidades organizacionais Intimamente associadas às novas formas de liderança estão as capacidades organizacionais necessárias para aumentar e sustentar os esforços de digitalização de toda a organização. Muitas organizações começaram a estabelecer novas estruturas de governança e funções digitais, como comitês de inovação, ou a introdução de um Diretor Digital (CDO) para liderar as transformações digitais (TANNOU; WESTERMAN, 2012). Por exemplo, o CEO da Allianz recentemente nomeou um gerente de alto escalão como CDO para liderar uma equipe de transformação digital recém-formada e o processo de digitalização da empresa. No entanto, a digitalização não pode ser bem-sucedida simplesmenteadicionando elementos como esses à estrutura existente, aumentando assim a pressão geral para fazer mudanças dentro da organização. O desafi o é estabelecer uma estrutura organizacional ágil, fl exível e colaborativa em um grau sufi ciente, enquanto mantém o resto do negócio funcionando sem problemas (DESMET et al., 2015). A agilidade organizacional é vista como um requisito essencial para ter sucesso no mundo digital em rápida evolução. No entanto, como Kotter (2014, p. 1) afi rma claramente “qualquer empresa que ultrapassou o estágio de startup é otimizada muito mais para efi ciência do que para agilidade estratégica”. Assim, especialmente as organizações grandes e maduras são aquelas que lutam para se tornar mais ágeis no enfrentamento dos desafi os da digitalização. 97 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 As organizações precisam de capacidade para ser simultaneamente estáveis (resilientes, confi áveis e efi cientes) e dinâmicas (rápidas, ágeis e adaptáveis). Isso é mais bem organizado por meio da combinação de uma hierarquia orientada por gerenciamento com uma rede fl exível para formar um sistema operacional duplo (KOTTER, 2014). A coincidência de "excelência operacional" (ou seja, estabilidade) e interrupção (ou seja, agilidade) também leva a novas formas de trabalho, colaboração e pensamento nas organizações. Por exemplo, se os modelos e/ ou processos de negócios precisam ser adaptados rapidamente de acordo com as novas demandas dos clientes, pequenas equipes que estão integrando várias funções de negócios devem ser confi guradas para aplicar métodos de desenvolvimento ágil para construir novos produtos ou serviços como protótipos, e para então testá-los e adaptá-los com base no feedback, geralmente dentro de dias ou semanas (DESMET et al., 2015). Equipes multifuncionais precisam de suporte visível da alta administração, um mandato claro para fazer as coisas (consulte também os processos de tomada de decisão acima) e recursos sufi cientes para desenvolver um programa, bem como responsabilidade e prestação de contas por lucros e perdas. Os principais indicadores de desempenho devem ser adaptados para monitorar todas as interações do cliente com a marca em todos os canais (ou seja, toda a jornada do cliente) em vez de apenas canais ou produtos únicos. Finalmente, os incentivos de desempenho devem recompensar a entrega bem-sucedida de tais jornadas holísticas do cliente. VII: A digitalização muda a cultura organizacional As organizações com um forte desempenho digital também possuem uma cultura organizacional que incentiva a assunção de riscos. A digitalização requer uma mentalidade diferente da necessária para as ondas anteriores de tecnologia transformadora. Isso permitirá um fl uxo de informações muito mais transparente em toda a organização; novos fl uxos de informação levando a um melhor compartilhamento de conhecimento, colaboração e tomada de decisão (WESTERMAN et al., 2014). Além disso, Gimpel e Röglinger (2015) apontaram que a gestão deve estar aberta às necessidades e oportunidades da digitalização e estabelecer essa mentalidade digital em toda a organização e em todos os níveis hierárquicos. Por exemplo, com relação a big data, organizações de sucesso são aquelas que adotam uma cultura de big data correspondente. Esse tipo de cultura é descrito por Davenport (2014) com vários atributos: impaciência com o status quo e senso de urgência, forte foco na inovação e exploração, forte crença na tecnologia como fonte de ruptura, cultura de comprometimento, e uma organização não hierárquica e meritocrática. 98 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS No entanto, alinhar a cultura corporativa existente com as novas realidades digitais será difícil e é considerado um dos principais desafi os na transição digital das organizações. Segundo Schein (2010) a cultura organizacional é um conceito complexo que abrange três níveis diferentes: • O primeiro nível refere-se a artefatos que são visíveis e sensíveis, como edifícios de escritórios ou espaços, comportamento observado, bem como os processos ou estruturas organizacionais. • O segundo nível descreve valores adotados que são menos visíveis, como crenças compartilhadas sobre padrões, normas ou regras de conduta. • O terceiro nível e mais profundo tem a ver com as suposições básicas compartilhadas subjacentes de uma organização. São crenças inconscientes, tidas como certas, percepções, pensamentos e sentimentos que são a fonte última de valores e ações (SCHEIN, 2010). A cultura organizacional só pode ser compreendida analisando todas as três camadas. Mudar a cultura organizacional será difícil porque é essa cultura que dá sentido aos colaboradores e torna a vida mais previsível para cada um deles. Qualquer tentativa de mudar a cultura da empresa, portanto, leva à ansiedade e resistência à mudança (SCHEIN, 2010). Por exemplo, uma organização pode ter o pressuposto básico de que tempo é dinheiro e que isso é necessário para melhorar a qualidade, a precisão e a efi ciência. Essa crença compartilhada orienta as normas, os valores e o comportamento da administração e dos funcionários. É muito provável que as iniciativas digitais que exigem riscos e resultados imprevisíveis enfrentem resistência. A digitalização terá muito mais sucesso se a cultura de uma organização for impulsionada pela suposição compartilhada de que o tempo cria espaço para autonomia organizacional e experimentação. Os sinais visíveis de tal suposição sobre o nível de artefatos podem ser espaços de escritório fl exíveis que podem ser rapidamente atribuídos a equipes de projeto ou a ampla disponibilidade de ambientes de Design Thinking (é o conjunto de ideias e insights para abordar problemas). É importante notar que a liderança é crucial para começar a criar uma cultura e também deve gerenciá- la e, às vezes, mudá-la (SCHEIN, 2010). A digitalização requer novas formas de liderança, habilidades e capacidades organizacionais que têm o potencial de desenvolver a cultura de uma organização em direção a uma cultura mais aberta para a inovação impulsionada pela tecnologia. 99 MUDANÇAS E ADAPTAÇÃO DOS NEGÓCIOS NO CONTEXTO DIGITAL Capítulo 2 1 A digitalização requer novas habilidades e competências, por parte das pessoas na organização, o fator recursos humanos pode fazer a diferença na digitalização. Com relação à importância dos recursos humanos para a digitalização, classifi que V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A digitalização requer novas habilidades e competências: somente se os funcionários estiverem familiarizados e capazes de usar as tecnologias e soluções digitais, eles poderão aplicá-las corretamente e, assim, agregar valor à organização. ( ) A digitalização muda a cultura organizacional: A digitalização requer uma mentalidade diferente da necessária para as ondas anteriores de tecnologia transformadora. ( ) As pessoas determinam o sucesso de cada empresa: muitas organizações começaram a estabelecer novas estruturas de governança e funções digitais, como comitês de inovação, ou a introdução de um Diretor Digital (CDO) para liderar as transformações digitais. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – V – F. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O objetivo deste capítulo foi contextualizar o gerenciando das mudanças organizacionais na transformação digital, bem como apresentar a importância dos recursos humanos na transformação digital. Sendo assim, foi possível compreender que a transformação digital também tem efeitos que vão além do controle direto das organizações e afetam os ambientes nos quais as organizações estão inseridas e aos quais precisam se adaptar. A transformação digital leva a paradigmas de centralização no cliente e mercados conectados, refl etidos em mudançasem direção a um foco de comércio de ponta a ponta, personalização em massa ou centralização no usuário. 100 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Da mesma forma, a transformação digital impulsiona mercados, economias e sociedades permeados pelo digital, à medida que as tecnologias de informação e comunicação medeiam cada vez mais as interações entre os consumidores, dentro das empresas e entre as empresas e seus clientes. A transformação digital, portanto, causa uma indefi nição das fronteiras entre as estruturas físicas e on-line da indústria, incluindo a convergência de produtos físicos e serviços digitais, mesclando o mundo físico com conteúdo on-line e criando um ambiente Omnichannel para o cliente. Esses efeitos também levam a uma maior exposição a ameaças cibernéticas, incluindo ameaças de guerra cibernética e vulnerabilidade de segurança de dados, bem como a necessidade resultante de garantir a segurança da rede e dos dados. As empresas precisam contabilizar a digitalização do indivíduo. Como resultado, indivíduos como clientes ou trabalhadores têm e esperam, entre outras coisas, uma maior fl exibilidade espacial e temporal (por exemplo, e acesso aprimorado a escolhas e informações. Por fi m, a digitalização requer novas habilidades e competências, exige novas formas de liderança e força as empresas a construir novas capacidades organizacionais. Na medida em que as organizações atendem a esses requisitos e se movem rapidamente em direção à digitalização, elas também desenvolverão sua cultura. REFERÊNCIAS ADNER, R. Ecosystem as structure: an actionable construct for strategy. Journal of management, v. 43, n. 1, p. 39-58, 2017. BENLIAN, A. et al. The transformative value of cloud computing: a decoupling, platformization, and recombination theoretical framework. Journal of management information systems, v. 35, n. 3, p. 719-739, 2018. BERMAN, S.; MARSHALL, A. The next digital transformation: from an individual- centered to an everyone-to-everyone economy. Strategy & Leadership, v. 42, n. 5, p. 9-17, 2014. BONNET, D.; NANDAN, P. Transform to the power of digital: digital transformation as a driver of corporate performance. Capgemini Consulting, 2011. Disponível em: https://www.capgemini.com/wp-content/uploads/2017/07/ Transform_to_the_Power_of_Digital.pdf. 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CAPÍTULO 3 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • Contextualizar a transformação digital relacionada às estratégias empresariais. • Analisar o impacto da transformação digital nas estratégias empresariais. • Apresentar modelos de tecnologias disruptivas. 106 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 107 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Caro aluno, você provavelmente já ouviu a frase “as empresas precisam se adequar ou estarão fora do mercado”. Sem dúvida, isso está cada vez mais real na atualidade, justamente pelo fato de a tecnologia estar cada dia mais avançada. Sendo assim, a transformação digital está se tornando um tópico importante para empresas em todo o mundo. Prevê-se que as empresas incapazes de se adaptar ao mundo digital, sem dúvida, podem desaparecer. Apenas as empresas mais adaptáveis, responsivas às tendências tecnológicas, tendem a “sobreviver” para permanecer no cenário competitivo. No entanto, a história dos avanços tecnológicos das empresas tem sido atormentada por tentativas fracassadas que se concentram exclusivamente em tecnologias, sem levar em conta áreas de decisão estratégica mais amplas. Atualmente, existem muitos exemplos de organizações incapazes de acompanhar a nova era digital e os gerentes ainda não têm clareza sobre as considerações estratégicas em seus esforços de transformação digital. A Indústria está sendo alimentada por tecnologias disruptivas em crescimento exponencial, que inauguram mudanças de forma muito rápida – em um ritmo não linear, no entanto. Além disso, essas tecnologias têm o potencial de causar uma transformação social mais ampla, mudando os setores econômicos existentes, princípios de trabalho, produção e consumo. No geral, dois tipos de tecnologias podem ser destacadas: as tecnologias sustentáveis e as disruptivas; a primeira tem uma taxa constante ou incremental de melhoria dos clientes existentes, enquanto a última cria uma ruptura no status quo, pois produz um conjunto único de valores. A principal implicação da tecnologia disruptiva é a demanda por novos conteúdos de curso, empregos, conhecimentos e habilidades. Essas tecnologias inovadoras melhoram o desempenho organizacional, a lucratividade e a versatilidade ao fornecer produtos de qualidade e com boa relação custo-benefício. A Internet das Coisas é uma infraestrutura digital, em que os computadores autodirecionados, a previsão analítica e a associação homem- máquina são combinados para obter vantagem competitiva. A análise de big data ajuda as organizações a coletar dados em tempo real de várias fontes, incluindo interpretação de dados inclusivos, tomada de decisão imediata, melhorar o sistema de produção e aumentar o valor do produto e a vantagem competitiva. As tecnologias de nuvem permitem a troca de informações entre fábricas inteligentes e melhoram o desempenho do sistema, aumentando a agilidade e a fl exibilidade, enquanto reduzem as despesas de produção. A simulação ajuda as organizações a rastrear e maximizar as confi gurações do sistema para o próximo 108 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS produto antes da transição real do mundo simulado, reduzindo assim os tempos e custos de inicialização do sistema e aumentando a efi ciência do produto. As organizações podem utilizar a Realidade Aumentada para o treinamento de seus funcionários, operações de manutenção, gerenciamento de qualidade e design de produto para construir vantagem competitiva. Ao empregar robôs no sistema de produção, as organizações podem receber deles uma variedade brilhante de recursos – e os robôs podem realizar a maior parte da manufatura inteligente. A seguir, conheceremos mais sobre como as empresas vêm trabalhando as estratégias na transformação digital, bem como funciona o uso das tecnologias disruptivas por elas. 2 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL E O IMPACTO NAS ESTRATÉGIAS CORPORATIVAS Caro aluno, a seguir, compreenderemos como as empresas vêm trabalhando suas estratégias no contexto de negócios digitais. 2.1 PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: COMO AS EMPRESAS FORMULAM E IMPLEMENTAM SUAS ESTRATÉGIAS DE TRANSFORMAÇÃO DE NEGÓCIOS DIGITAIS Diante de vários desafi os de transformação digital, as empresas reconheceram a necessidade de governar esse tipo de negócio complexo, formulando e executando estratégias claras para acompanhar a nova realidade digital (MATT; HESS; BENLIAN, 2014). Isso é apoiado por várias partes interessadas dentro das organizações: os executivos veem o potencial das tecnologias digitais emergentes e, ainda assim, não têm certeza de como atingir seus objetivos de transformação. Os especialistas no mundo dos negócios mencionam que a capacidade de reinventar digitalmente o negócio não é apenas sobre as tecnologias que estão sendo adotadas, mas sim sobre uma mudança estratégica e cultural radical 109 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 dentro da organização (VON LEIPZIG et al., 2017). Funcionários corporativos igualmente acreditam no papel central que a estratégia desempenha para adotar com sucesso novas tecnologias (FITZGERALD et al., 2013). Ambos os níveis, individual e organizacional, são, portanto, aconselhados a compreender esse imperativo estratégico por trás de qualquer tentativa de integração e transformação digital (KAUFMAN; HORTON, 2015). Apesar da importância primordial de formular uma estratégia dedicada que integre todas as priorizações, mecanismos de coordenação e etapas de implementação da transformação digital, a academia ainda não consegue fornecer uma diretriz coerente que aborde uma estratégia de transformação de toda a empresa (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). Caro aluno, antes de abordamos a estratégia de transformação digital e posicioná-la dentro da hierarquia das estratégias das empresas, abordaremos brevemente os níveis de estratégia relevantes reconhecidos na literatura. Esses níveis são os mais comumente atendidos no mundo dos negócios. É útil identifi car a hierarquia da estratégia para cada situação, uma vez que as escolhas estratégicas podem ser moderadas ou restritas dependendo dos membros envolvidosem cada nível (MILLS et al., 1995). • Estratégia Corporativa – em que tipo de negócio devemos estar? • Estratégia de negócios – como devemos competir neste negócio? • Estratégia Funcional – como essa função pode contribuir para a vantagem competitiva do negócio? Estratégias de transformação digital são consideradas abrangentes, que orientam uma organização em toda a sua jornada de transformação digital. Portanto, supera o pensamento funcional e aborda de forma holística as oportunidades e riscos associados às tecnologias digitais facilitadoras. Sua natureza distinta de incluir todos os segmentos de negócios e características abrangentes da empresa exige vários mecanismos de alinhamento: primeiro, alinhamento com a estratégia de negócios; e, segundo, o alinhamento com outras estratégias operacionais ou funcionais para atuar como um elo unifi cador entre os diferentes níveis de estratégia dentro das empresas (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). As dimensões da transformação digital também incluem atividades digitais e mudanças em produtos, serviços e modelos de negócios, indo além dos limites operacionais das empresas. Consequentemente, o escopo de uma estratégia de transformação digital deve ser projetado de forma mais ampla e, devido às águas desconhecidas de muitas iniciativas de transformação, a estratégia deve ser submetida a uma reavaliação contínua em relação aos seus pressupostos subjacentes, bem como ao seu progresso (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). 110 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS A literatura acentua a diferença entre estratégia de transformação digital, estratégia de TI e estratégia de negócio digital. Venkatraman, Henderson e Oldach (1993) articulam três dimensões inerentes a uma estratégia de TI, a saber, o escopo de TI, as competências sistêmicas e a governança de TI, o que signifi ca que normalmente se concentra no gerenciamento efi ciente da infraestrutura de TI e dos sistemas de aplicação, com impacto limitado no direcionamento de inovações. O foco centrado no sistema resultante em relação ao uso futuro de tecnologias é considerado um obstáculo às oportunidades de transformação centradas no produto e no cliente que cruzam as fronteiras das empresas em uma economia digital (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). A estratégia de transformação digital, por outro lado, impacta as empresas de forma mais ampla e permite oportunidades de transformação em modelos de negócios, produtos, processos e clientes. Argumenta-se ainda que a estratégia de TI, que vimos anteriormente, não pode ser simplesmente transferida para um contexto de transformação digital (HESS et al. 2016). Com o surgimento de produtos, processos e serviços digitais, Bharadwaj et al. (2013) defi nem a estratégia de negócios digitais como uma “estratégia organizacional formulada e executada pela alavancagem de recursos digitais para criar valor diferencial”, que reformula o papel da estratégia de TI de uma estratégia funcional para uma que se funde com a estratégia de negócios. Embora essa estratégia determine as oportunidades futuras de negócios com base na integração e no uso de novas tecnologias digitais, ela não fornece diretrizes sobre as etapas de transformação necessárias para atingir o futuro estado desejado (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). Sendo assim, Ismail, Khater e Zaki (2017) defi nem estratégia de transformação digital como uma estratégia de expansão da empresa, que é formulada para permitir que uma empresa incorpore as oportunidades da economia digital, aproveitando recursos e capacidades digitais, transformando-se digitalmente ao longo de várias dimensões de negócios: modelos operacionais de negócios e focados nos clientes. Além disso, os autores mencionam que: a) Existe a fusão entre a estratégia do negócio e a estratégia de TI. b) A camada digital de uma estratégia de negócios é “traduzida” para as várias estratégias funcionais, atuando como um elo. c) Há orientações específi cas de transformação para atingir o estado futuro. d) Existem requisitos de reestruturação organizacional mais amplos. Assim, as características discutidas, bem como os mecanismos de alinhamento necessários de uma estratégia de transformação digital, são posicionadas ao nível de uma estratégia de negócio na hierarquia estratégica de 111 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 uma empresa. Isso permite incorporar as vastas oportunidades que o ambiente digital e as tecnologias digitais facilmente acessíveis apresentam. 2.2 CONTEÚDO DA ESTRATÉGIA DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: ÁREAS DE DECISÃO SÃO RELEVANTES O desenho de uma estratégia de transformação digital requer que as empresas tomem decisões estratégicas adequadas em várias áreas-chave. Sendo assim, em seguida, abordaremos algumas áreas (conforme resumido na Figura 1). O conteúdo a seguir está classifi cado de acordo com o nível de estratégia que está sendo abordado. Além disso, é importante destacar que as áreas de decisão estratégica devem ser incorporadas ao processo de formulação da estratégia, fazendo um conjunto de escolhas deliberadas para atender às metas de longo prazo do esforço de transformação (ISMAIL; KHATER; ZAKI, 2017). FIGURA 1 – ESTRATÉGIA DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL FONTE: Ismail, Khater e Zaki (2017, p. 16) a) Negócio: do ponto de vista do negócio, é importante que os objetivos sejam de longo prazo – eles devem ser claros e sobrepujar a mera busca de ganhos rápidos. Intimamente relacionado a isso estão as decisões sobre a necessidade potencial de uma avaliação geral de capacidade de mudança, a fi m de compreender o estado atual do desempenho de uma empresa e identifi car potenciais problemas, vulnerabilidades, oportunidades e os riscos associados. Além disso, a transformação digital implica mudanças na criação de valor, derivadas da forma como as tecnologias digitais adotadas alteram o modelo de negócio atual. As empresas são obrigadas a repensar o escopo de seus negócios e também identifi car novos fl uxos de receita potenciais de produtos, serviços e interações com clientes aprimorados digitalmente (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). 112 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Eles também devem considerar a integração de tecnologias digitais com seus valores centrais e objetivos de negócios para garantir um resultado sustentável. É importante estabelecer uma visão comum e clara em toda a organização, para informar todas as partes interessadas onde estão indo, visando garantir o sucesso futuro da transformação. As decisões também envolverão como a visão será defi nida e quem a comunicará ao resto da organização. b) Tecnológicas: as decisões tecnológicas são cruciais ao introduzir novas tecnologias emergentes nas empresas. Entre as áreas que estão sendo exploradas, aqui está o papel que as tecnologias desempenham na empresa para atingir os objetivos estratégicos. Isso pode ser dividido em uma função de habilitação para novas oportunidades de negócios ou meramente de suporte para atender aos requisitos de negócios atuais. Intimamente relacionado a isso está a atitude da empresa em relação às novas tecnologias e sua capacidade de explorá-las para objetivos de negócios futuros. As empresas geralmente se enquadram em duas categorias amplas: elas adotam soluções de tecnologia estabelecidas e amplamente utilizadas e agem como seguidoras de mercado ou se tornam líderes de mercado inovando e introduzindo novas soluções de tecnologia nos mercados (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). Isso decorre de investimentos em suas capacidades para conceituar como as tecnologias digitais podem impactar seus negócios e também requer programas de mudança dedicados para garantir que a organização esteja evoluindo simultaneamente com as tecnologias (WEBB, 2013). c) Clientes: inúmeras decisões estratégicas devem ser tomadas em relação às mudanças na interação com os clientes. As empresas são incentivadas a investigar novos benefícios potenciaiscriados em sua experiência do cliente por meio de mudanças aprimoradas digitalmente na jornada do cliente. Isso pode ser alcançado explorando todos os pontos de contato do cliente e integrando as interações das empresas em várias plataformas digitais, bem como físicas (WEBB, 2013). A transformação da experiência do cliente também pode ser realizada por meio da introdução de produtos e serviços aprimorados digitalmente (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). Além disso, os investimentos em desenvolvimento de produtos podem ajudar ainda mais as organizações a desenvolver soluções digitalizadas para antecipar as necessidades dos clientes, em vez de simplesmente responder às existentes. 113 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 d) Gerencial: as áreas de decisão gerencial têm um elemento fi nanceiro, que evolui em torno da escolha de como fi nanciar o empreendimento de transformação digital, após avaliar a pressão fi nanceira sobre o negócio atual (HESS et al., 2016). O foco na promoção da inovação também é um elemento crítico a ser discutido, no qual os gerentes são incentivados a ver a inovação digital como parte integrante de sua estratégia. O trabalho ágil e fl exível, juntamente com a consideração de processos de inovação de baixo para cima, deve conduzir a uma transformação digital contínua. Os gerentes precisam estar mais cientes da importância primordial que vários recursos desempenham, ou seja, recursos organizacionais, baseados em tecnologia, relacionados ao produto e digitais. Examinar os ativos e capacidades estratégicas das empresas pode ajudar os gerentes a identifi car quais ativos existentes podem ser aproveitados, quais recursos podem ser usados de novas maneiras e se novas competências são ou não necessárias para serem trazidas para a empresa (ROSS et al., 2017). Em seu trabalho empírico com grandes empresas, Sebastian et al. (2017) revelam a importância de dois ativos habilitados para tecnologia que são necessários para uma transformação digital bem-sucedida: um backbone operacional (esquema de ligações centrais de um sistema de redes mais amplo, é responsável pelo envio e recebimento dos dados entre diferentes localidades) para garantir a efi ciência e a confi abilidade das operações centrais; e uma plataforma de serviço digital para suportar a agilidade dos negócios e inovações rápidas. e) Organizacionais: algumas decisões organizacionais identifi cadas na literatura, mostram que empresas são orientadas a um olhar mais próximo aos funcionários, a cultura, o talento e o conjunto de habilidades e a liderança. As empresas devem revisar a necessidade de desenvolver um ambiente de trabalho colaborativo e garantir que o projeto de transformação tenha uma equipe correta que tenha propriedade em desenvolver as tarefas (MATT; HESS; BENLIAN, 2015). Os funcionários são frequentemente avaliados do ponto de vista da maturidade, em que suas funções, experiência e capacidades são examinadas, isso permite que as empresas se classifi quem em uma categoria de maturidade digital e também as ajuda a navegar em sua transformação de maneira estruturada. Outras considerações são relevantes em relação às mudanças necessárias na cultura da empresa, que visam adaptá-la para trabalhar com novas tecnologias, em vez de impor essas tecnologias aos funcionários. Decisões adicionais são tomadas em torno de técnicas para incentivar o risco, criando a mentalidade digital certa e ajudando os funcionários a se adaptarem rapidamente às mudanças. 114 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Essa mudança cultural é considerada o maior desafi o encontrado nos programas de mudança relacionados à transformação e também é vista como um fator crítico de sucesso nas transformações de negócios induzidas pela tecnologia. Uma formulação de estratégia de transformação digital precisa incluir ainda mais decisões sobre a proteção de pessoas com as habilidades e talentos necessários para serem capazes de capitalizar sobre as tendências digitais (SEBASTIAN et al., 2017). Planos de ação são realizados ao avaliar quais habilidades organizacionais são afetadas, quais mudanças de habilidades são necessárias e se o treinamento interno ou a aquisição de novos talentos é necessária. Kane et al. (2017) recomendam ainda o reconhecimento dos mercados de talentos sob demanda como recursos estratégicos, equilibrando talentos em tempo integral e parcial – e criando um ambiente onde as melhores pessoas desejam trabalhar. A criticidade está dentro das áreas de decisão organizacional de adesão dos líderes seniores e do conselho, que devem articular sua visão à equipe e preparar o roteiro para compromissos futuros. Essa abordagem de cima para baixo é preferível, ainda não haja uma resposta clara sobre qual posição deve ser responsável pela estratégia de transformação digital. f) Estruturais: internamente, as empresas enfrentam várias opções estruturais para apoiar a execução de sua estratégia de transformação digital e para tomar decisões sobre se as novas operações serão incorporadas as suas estruturas existentes ou por meio de novas unidades separadas (HESS et al., 2016). Estabelecer um forte mecanismo de coordenação em toda a empresa por meio de regras de comunicação e colaboração, juntamente com os KPIs (indicador-chave de desempenho) desejados, também são de suma importância para garantir que a empresa esteja no caminho certo para a transformação. Segundo Ismail, Khater e Zaki (2017), dependendo do estado atual da empresa, é possível adotar algum tipo de modelo de estratégia de digitalização, conforme mostrado a seguir: • Os modelos táticos não têm coordenação empresarial estratégias, equipes operacionais e orçamentos para iniciativas digitais residem em cada capítulo de negócios. Aqui, as tecnologias digitais são usadas de forma efi ciente e efi caz para atingir as metas das unidades de negócios. • Os modelos de centralização apresentam mais coordenação, uma vez que as estratégias digitais e os fundos são administrados em nível empresarial/corporativo. Essa estrutura permite que as organizações explorem o mercado em busca de oportunidades e forneça uma equipe central para trabalhar com as unidades de negócios para implementação. 115 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 • As unidades de negócios do modelo líder têm suas próprias estratégias, equipes operacionais e orçamentos, mas devem usar os recursos e soluções oferecidos pelas unidades de negócios digitais dedicadas. Aqui, a ênfase é colocada na educação, compartilhamento de conhecimento e capacitação de outras pessoas no negócio. A adoção dos modelos corretos permite que as empresas busquem ajuda de fontes externas. As empresas acumulam o know-how necessário durante as aquisições na forma de atividades de fusão e aquisição. As empresas também podem desenvolver sua força de trabalho em tecnologias digitais por meio de parcerias fomentadas. Outra alternativa é obter os recursos necessários de fora por meio de terceirização externa. g) Operacional: a dimensão operacional das decisões estratégicas não pode ser negligenciada em projetos de transformação digital e, principalmente, incorpora escolhas em relação às mudanças operacionais necessárias e adaptações aos processos de negócios atuais (HESS et al. 2016). Aqui, as empresas precisam tomar decisões com base em exercícios de mapeamento para determinar os processos que serão afetados pela integração da nova tecnologia. As organizações também devem ser preparadas para infundir fi rmemente o uso de novos dados em seus processos e tomadas de decisão. Eles devem ser equipados com a capacidade preditiva para obter insights de análises e aproveitar os dados para otimizar sua cadeia de suprimentos habilitada digitalmente e a interação com os clientes (BERMAN, 2012). Maneiras de impulsionar a agilidade e efi ciência operacional podemser alcançadas determinando pontos de vulnerabilidades e abordando-os. Modelos de maturidade também existem para ajudar as empresas a avaliar o estado e a agilidade de seus processos atuais e para aumentar sua operação digitalizada. 1 Diante de vários desafi os de transformação digital, as empresas reconheceram a necessidade de gerenciar esse tipo de negócio complexo, formulando e executando estratégias claras para acompanhar a nova realidade digital. Isso é apoiado por várias partes interessadas dentro das organizações: os executivos veem o potencial das tecnologias digitais emergentes e, ainda assim, não têm certeza de como atingir seus objetivos de transformação. Sendo assim, o que se entende por estratégia de transformação digital? 116 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 2.3 PROCESSOS DE ESTRATÉGIA NA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL A seguir, compreenderemos diferentes perspectivas de estratégia para ajudar a encontrar uma resposta sobre como as empresas se transformam digitalmente. Para isso, abordaremos os diferentes tipos de estratégia, caminhos de estratégia, confi gurações de estratégia e estruturas de estratégia. 2.3.1 TiPoS DE ESTrATÉGiA Sebastian et al. (2017) articulam dois tipos de estratégia de transformação digital: uma estratégia de engajamento do cliente; e estratégia de soluções digitais. Enquanto a estratégia de engajamento do cliente se concentra em oferecer uma experiência do cliente superior, inovadora, personalizada e integrada, a estratégia de soluções digitais visa reformular a proposta de valor de uma empresa por meio da integração de produtos, serviços e dados (ROSS et al. 2017). Kaltenecker, Hess e Huesig (2015) também realizaram um trabalho empírico com empresas bem estabelecidas na indústria de software, mudando seu foco de um mercado local para um mercado sob demanda como resultado do surgimento da tecnologia de computação em nuvem. Os aplicativos resultantes em uma infraestrutura em nuvem os ajudam a estender suas estratégias genéricas de gerenciamento ao transformar e lidar com inovações disruptivas. Isso é baseado na teoria de inovações disruptivas, na qual ele descreve o dilema do inovador: os incumbentes operam em uma trajetória sustentável, concentrando-se na melhoria de seus produtos e serviços atuais para seus clientes mais lucrativos e exigentes e ignoram conscientemente as necessidades de outros segmentos. Os novos entrantes, por outro lado, escolhem a trajetória disruptiva, visando os segmentos negligenciados e fornecendo funcionalidade mais adequada a um preço mais baixo antes de lentamente encontrarem seus caminhos para os clientes tradicionais dos incumbentes, onde então expandem sua oferta em volume. Espera-se que empresas bem estabelecidas enfrentem esse dilema à medida que mantêm suas tecnologias, embora vejam o surgimento de novas tecnologias potencialmente disruptivas. O Quadro 1 mostra um conjunto de diferentes estratégias de gerenciamento adotadas pelas empresas da indústria de software, pesquisada no estudo dos autores Kaltenecker et al. (2015) para gerenciar inovações potencialmente disruptivas, usando a computação em nuvem como exemplo. 117 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 QUADRO 1 – DIFERENTES TIPOS DE ESTRATÉGIAS TIPO DE ESTRATÉGIA EXPLICAÇÃO Spin-off Uma capítulo organizacional separada para garantir uma equipe adequada e ajudar a acompanhar as inovações potencialmente disruptivas. Líder Preparação antecipada e entrada no mercado para obter uma vantagem de pio- neiro. Opinião de um expert Coleta de informações de uma ampla gama de fontes: equipe tecnológica, par- ceiros de cooperação, clientes e especialistas externos para apoiar o processo de transformação, apesar da resistência interna das partes interessadas. Tentativa e erro Testar produtos e mercados para obter software totalmente desenvolvido, espe- cialmente para produtos de alta qualidade. Recrutamento Recrutar pessoal inovador e experiente para ajudar no processo de transforma- ção ou cooperar com universidades e clientes principais. Vendas diretas Distribuir software sob demanda diretamente ou incentivando fi nanceiramente os revendedores a promover vendas sob demanda. Parceria e Ecossistema Obter acesso à experiência em tecnologia por meio de um forte parceiro tecno- lógico para se adaptar mais rapidamente a uma tecnologia inovadora. FONTE: Kaltenecker et al. (2015, p. 15) 2.3.2 CAmiNHoS ESTrATÉGiCoS Berman (2012) propõe três caminhos estratégicos como diferentes pontos de partida na escolha da dimensão de transformação digital da empresa. As atividades subjacentes envolvem a reformulação do modelo operacional, criando, alavancando ou integrando operações digitais, ou remodelando a proposta de valor do cliente, aprimorando, ampliando ou redefi nindo-a com envolvimento digital. Em seguida, vamos abordá-los: a) O ponto de partida do primeiro caminho envolve a reformulação do modelo operacional, aproveitando as informações e os recursos digitais dentro da organização antes de reformular a proposta de valor do cliente e a experiência por meio de produtos e serviços aprimorados digitalmente. b) O segundo caminho começa com a transformação da proposição de valor antes de remodelar o modelo operacional. c) O terceiro caminho transforma os dois simultaneamente desde o início. 118 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS As empresas com produtos principalmente físicos e menos requisitos de informações do cliente podem começar seu empreendimento digital transformando as operações, ao passo que as empresas de baixo valor agregado, como serviços fi nanceiros, têm maior probabilidade de ter um foco inicial na transformação das propostas de valor do cliente. 2.3.3 CoNFiGurAÇÕES DE ESTrATÉGiA Primeiro vamos entender o que é confi gurações de estratégia, que segundo Sebastian et al. (2017) se refere à técnica de alinhar os recursos e capacidades internas de uma empresa com o ambiente externo. Andal-Ancion et al. (2003) exploram os investimentos em novas tecnologias da informação (NIT), que possibilitam diversas transformações de negócios, e apresentam três tipos de estratégia de mediação que mudam a cadeia de valor da indústria. Essas estratégias incluem técnicas que são caracterizadas pela desintermediação clássica, onde os distribuidores das empresas são cortados da cadeia de valor, remediação, onde os distribuidores das empresas são abraçados, e mediação baseada em rede, onde novas alianças e parcerias moldam relacionamentos complexos em uma indústria. Os procedimentos internos se concentram em várias confi gurações estratégicas, que devem ser seguidas quando as empresas se transformam. A noção de reconhecer a importância dos sistemas de informação e a necessidade de sua integração nas estratégias de negócios já foi um ponto de discussão desde a década de 1880, por exemplo, Ward (1987) mostrou como o objetivo de negócios dos sistemas de informação estendeu-se, permitindo operações efi cientes na década de 1960, para fornecer melhores informações de gestão na década de 1970 e aumentar a competitividade empresarial na década de 1980. Consequentemente, o termo alinhamento estratégico foi cunhado, sendo que se refere a como os diferentes níveis de estratégia devem ser confi gurados, com um foco especial no alinhamento entre a estratégia de negócios e as estratégias funcionais para realizar o valor estratégico dos investimentos (VENKATRAMAN; HENDERSON; OLDACH, 1993). O argumento central é que a capacidade de uma empresa de obter vantagem diferencial requer alinhamento contínuo entre quatro 119 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 domínios: estratégia de negócios, infraestrutura e processos organizacionais, estratégia de TI e infraestrutura de sistema de informação. 2.3.4 ESTruTurAS DE ESTrATÉGiA Para Ismail, Khater e Zaki (2017) temos seis estruturasde estratégia de transformação digital, sendo seis fases distintas que podem ser aplicadas a todas as estruturas e também equipar os gerentes com uma abordagem estruturada enquanto avançam de um estágio para o outro, conforme o Quadro 2. QUADRO 2 – ESTRUTURAS DE ESTRATÉGIA DE TRANSFORMAÇÃO DIGITAL ESTÁGIO DESCRIÇÃO Iniciação Compreender as oportunidades, ameaças e impactos da digitalização. Ideação Imaginando dimensões de transformação como opções para o negócio. Avaliação Avaliando os níveis de prontidão digital e identi- fi cando lacunas. Engajamento Comunicando a visão e integrando as pessoas necessárias. Implementação Prosseguindo com o plano de ação em vários domínios. Sustentabilidade Validando e otimizando o plano de ação conti- nuamente. FONTE: Adaptado de Ismail, Khater e Zaki (2017) Berman (2012) destaca a importância de uma capacidade digital e propõe que ela englobe a inovação do modelo de negócios, colaboração do cliente, integração entre canais, insights de análises, cadeias de suprimentos habilitadas digitalmente e uma força de trabalho em rede. Da mesma forma, Sebastian et al. (2017) destacam a necessidade de desenvolver a tecnologia e os recursos de negócios necessários para garantir efi ciência, escalabilidade, confi abilidade e implementação rápida de inovações digitais. Acima de tudo, as empresas são incentivadas a avaliar seus recursos e capacidades atuais e a identifi car as competências relevantes que serão necessárias no futuro (HESS et al., 2016). 120 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 3 INOVAÇÃO E TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS NO CONTEXTO DA TRANSFORMAÇÃO DIGITAL As tecnologias disruptivas são tecnologias que substituem as já estabelecidas para pressionar as indústrias existentes ou mesmo criar outras totalmente novas (CHRISTENSEN, 1997). As tecnologias que atualmente estão afetando as indústrias em todo o espectro também são frequentemente chamadas de tecnologias exponenciais, ou seja, qualquer tecnologia que acelere em uma curva de crescimento exponencial (ou seja, dobrando de potência regularmente, por exemplo, potência de computação). As notáveis são a Internet das Coisas (IoT); computação em nuvem; inteligência artifi cial e análises avançadas; robótica avançada; e manufatura aditiva. a) Internet das coisas (IoT) IoT não é apenas conectividade máquina a máquina, mas sua defi nição vai além, criando uma malha de rede invisível e inteligente que pode ser sentida, controlada e programada por meio da qual os objetos do mundo físico se tornam inteligentes e se comunicam de forma independente, on-line. Caracteristicamente, a IoT é conhecida como a internet de tudo. As “coisas” podem ser sensores eletrônicos, atuadores, outros dispositivos digitais ou quaisquer outros objetos (por exemplo, pessoas). A integração da internet a tudo foi feita para facilitar os sistemas de produção. Nas indústrias, a IoT tem sido explorada em automação para iluminação, aquecimento, aspiradores robóticos, monitoramento remoto e controle de máquinas. A IoT tem enormes aplicações inovadoras de suas tecnologias. Por exemplo, a tecnologia de identifi cação automática – como a identifi cação por radiofrequência (RFID) e Bluetooth – é atualmente usada para fazer qualquer objeto (como um produto) se tornar inteligente. Os outros domínios de aplicação da IoT incluem gerenciamento da cadeia de suprimentos, saúde etc. Os sistemas IoT também encontraram aplicação em sistemas de manutenção preditiva e monitoramento de microclima urbano em tempo real (LI; DA XU; ZHAO, 2018). A arquitetura IoT típica consiste em três camadas: (i) camadas de percepção, (ii) camadas de rede e (iii) camadas de aplicação (RAY, 2018). A primeira camada funciona como sensores para aquisição de dados. A segunda camada opera como uma plataforma de transmissão de dados e a última camada é a camada de aplicativo no qual o ambiente inteligente é criado. Exemplos de ambiente inteligente incluem cidade inteligente, casa inteligente, rede inteligente e governo inteligente. 121 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 As grandes barreiras para os aplicativos de IoT são os ataques cibernéticos (ou seja, os desafi os de segurança) e a baixa conectividade. Por essas razões salientes, o principal desenvolvimento da IoT durante a mudança para a indústria 4.0 se concentrará na exploração de soluções inovadoras, que abrirão caminho para garantir a implantação forense de redes IoT, bem como para aumentar a conectividade dos sistemas IoT (LI; DA XU; ZHAO, 2018). As principais empresas por trás das invenções e implantação da IoT incluem GE, IBM, CISCO, Google, Amazon, Microsoft e SAP. Caro aluno, visite o site para conhecer mais sobre a ferramenta Watson da IBM utilizando IoT. Confi ra em: https://www.ibm.com/br-pt/watson. b) Big Data Os Big Data são bastante distintos dos dados tradicionais devido ao seu grande e crescente conjunto de dados. Ultimamente, Big Data tem sido defi nido em termos de enormes conjuntos de dados que consistem em seis características principais, a saber, volume, variedade, velocidade, veracidade, valor e complexidade. A complexidade do Big Data trouxe seu próprio problema, pois exige novas habilidades e conhecimentos. Além disso, tem um impacto pronunciado no nível do conselho ou na tomada de decisões das partes interessadas (MERENDINO, 2018). Com a mudança para a indústria 4.0, as principais áreas de aplicação de Big Data incluem smart grid, medidor inteligente, Internet das coisas, serviços públicos (como abastecimento de água e sistema de esgoto), transporte e logística (por exemplo, o número de passageiros que usam ônibus e o número de acidentes ocorridos por ano), e sensoriamento remoto agrícola (dados obtidos a partir da umidade do solo e mudanças de temperatura). Outra área de aplicação do Big Data é o fi nanciamento digital, onde é utilizado como Big Data Credit Investment, que utiliza plenamente as modernas técnicas de informação digital (MERENDINO, 2018). As principais técnicas comumente usadas em Big Data são armazenamentos de dados relacionais e não relacionais, cálculos e MapReduce (modelo de programação), enquanto as estruturas de software em Big Data incluem Hadoop, 122 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Spark, Hive e BigQuery do Google (são plataforma de software). No entanto, com o avanço contínuo necessário para moldar os movimentos da indústria 4.0, espera-se que surjam estruturas de software de Big Data mais avançadas que podem lidar com grandes quantidades de dados (MERENDINO, 2018). c) Impressão 3D A impressão 3D (manufatura aditiva), ao contrário da manufatura subtrativa, é a tecnologia que cria objetos físicos com base no arquivo CAD 3D (projeto tridimensional auxiliado por computador) por adição consecutiva de líquido, folha ou materiais em pó. Os materiais amplamente empregados pelas impressoras 3D são plásticos (como ácido polilático, acrilonitrila butadieno estireno e compostos de hidrogel) e materiais metálicos, como aço, aço inoxidável, titânio, ouro e prata. Os materiais desenvolvidos recentemente usados por impressoras 3D são elastômeros de cristal líquido (KOTIKIAN, 2018). As tecnologias por trás do avanço da impressão 3D incluem jato de nanopartículas, forma líquida de engenharia a laser, manufatura aditiva de arame e arco, fusão por feixe de elétrons, sinterização (ou fusão a laser seletiva), manufatura aditiva de difusão atômica, jato de passagem única, modelagem de deposição fundida, impressão direta de tinta e método de extrusão de fi lamento. Universalmente, a impressão 3D foi aplicada para produzir quase tudo, desde edifícios a órgãos humanos (como o rim e o coração) e tecidos (ossos, músculos e dentes) (KOTIKIAN, 2018). d) Redes e sensores – a base da Internet das Coisas (IoT) Uma rede refere-se a qualquer interconexão de sinais e informações. Os exemplos incluem Internet, 4G,Wi-Fi e Bluetooth. Um sensor é um dispositivo que detecta informações, como temperatura, vibração, radiação etc. (DIAMANDIS; KOTLER, 2015). Quando conectado a uma rede, um sensor pode então transmitir essas informações. Sensores em rede estão cada vez mais sendo incorporados em todas as nossas "coisas". E é essa explosão de conectividade, que fez termos entre 21 e 50 bilhões de dispositivos interconectados até 2020, junto com a queda radical no custo, especialmente de sensores, que tem impulsionado a Internet das Coisas (IoT) (DIAMANDIS; KOTLER, 2015). Redes e sensores transportam enormes quantidades de dados muito úteis. Esses dados tornam-se valiosos além da obtenção de novos conhecimentos, uma vez que a automação é introduzida, pois permite a tradução direta dos dados coletados em uma série de ações consecutivas subsequentes a serem executadas sem intervenção humana. Redes e sensores geram enormes quantidades de dados muito úteis. Esses dados tornam-se valiosos além da obtenção de novos 123 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 conhecimentos, uma vez que a automação é introduzida, pois permite a tradução direta dos dados coletados em uma série de ações consecutivas subsequentes a serem executadas sem intervenção humana (DIAMANDIS; KOTLER, 2015). A automação é a base de novos tipos de oferta de serviço e é crucial para aumentar a efi cácia e efi ciência, bem como aumentar a produtividade, permitindo níveis sem precedentes de precisão e exatidão em todas as atividades (DIAMANDIS; KOTLER, 2015). e) Computação infi nita: a base da computação em nuvem A computação infi nita é uma tendência decisiva que alimenta a IoT. O termo se refere ao fato de que o custo da computação está constantemente diminuindo, ou seja, ela está cada vez mais poderosa e cada vez mais disponível (DIAMANDIS; KOTLER, 2015). Essa tendência também deu origem à computação em nuvem, que fornece acesso on-line sob demanda a uma rica funcionalidade de aplicativo e poder de computação compartilhado, que possibilita a criação de soluções exponencialmente escaláveis com base no pagamento por uso. Empresas como Google, Amazon e Rackspace possuem, cada uma, enormes instalações computacionais, cujo uso fornecem ao público como um serviço. Como tal, a nuvem está efetivamente “democratizando nossa capacidade de alavancar a computação em grande escala” (DIAMANDIS; KOTLER, 2015). f) Computação em Nuvem A computação em nuvem é um modelo de serviço de computação disponíveis remotamente, que permitem aos usuários acessem aplicativos e dados e recursos de computação física em uma rede, sob demanda ou pagamento por uso (SUBRAMANIAN; JEYARAJ, 2018). Os domínios de aplicação da tecnologia de computação em nuvem na educação incluem e-learning (como gerenciamento de conteúdo curricular, ambiente de laboratório virtual, gerenciamento de biblioteca e aprendizagem colaborativa), comunicação (e-mail e notifi cações) e administração (como gestão de matrículas de estudantes e gestão de recursos humanos). A computação em nuvem não foi usada apenas no setor de educação, mas também em outros setores, como saúde, manufatura, entretenimento, transporte e energia (SUBRAMANIAN; JEYARAJ, 2018). Ao longo dos anos, a computação em nuvem tem sido usada para alguns aplicativos corporativos e analíticos, mas na era da indústria 4.0, espera-se que o desempenho das tecnologias de nuvem melhore, particularmente seguindo a segurança em ambos os aplicativos de rede e níveis de hospedagem. As principais empresas por trás do desenvolvimento e implantação da computação em nuvem são Amazon, Microsoft, Google e IBM. 124 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS g) Robôs Autônomos Robôs autônomos, como o nome sugere, realizam produção autônoma com mais precisão e podem trabalhar ao lado de humanos – ou mesmo em locais restritos a humanos. Eles completam as tarefas atribuídas com precisão no tempo e perspicácia, com foco na segurança, fl exibilidade, versatilidade e colaboração (STAVROU, 2017), diferentemente do início do uso de robôs em que eram projetados principalmente para lidar com atribuições complexas nas indústrias de manufatura. Os robôs autônomos também são utilizados na logística, como em armazéns e terminais de contêineres. O desenvolvimento de robôs autônomos tem avançado continuamente para atender às necessidades da indústria 4.0 (STAVROU, 2017). As principais empresas por trás das inovações e desenvolvimentos dos robôs autônomos são Kuka, Rethink Robotics, Bionic Robotics, Roberta Gomtec, Honda, ABB e Fanuc. h) Realidade Virtual e Aumentada A realidade virtual (VR) e a realidade aumentada (AR) são tecnologias complementares da indústria 4.0. Com a RV, os usuários são transportados, geralmente por meio de um fone de ouvido, para um mundo virtual, enquanto com a AR, os aplicativos apresentam uma ilusão de camadas de informações gráfi cas sobrepostas em alguma parte do campo de visão do usuário. Na maioria dos casos, as duas tecnologias são combinadas (também conhecidas como realidade mista) para produzir aplicativos gigantescos, transcendendo a distância, o tempo e escala e aumentando a compreensão, o trabalho em equipe, a comunicação e a tomada de decisões. Embora a AR seja considerada uma tecnologia em desenvolvimento com alguns de seus manuais técnicos ausentes, ela permanece emblemática da indústria 4.0, pois reúne os mundos físico e digital e, de fato, as esferas públicas e privadas (RAU, 2018). O principal domínio de aplicação da RV e RA tem sido na educação desde a década de 1990 para ensinar disciplinas como matemática, geometria, física, química e anatomia. Nos últimos anos, a RV tem sido aplicada no treinamento virtual, bem como outras áreas de aplicação de RV e AR incluem turismo, varejo e moda, negócios, marketing, saúde, design e desenvolvimento. As principais empresas por trás do desenvolvimento de RV e AR são Google, Microsoft, Apple e Espon. Exemplos de óculos inteligentes AR usados atualmente incluem Google Glasses, Microsoft HoloLens e Apple Headset (RAU, 2018). 125 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 i) Sistema Ciberfísico (CPS) O CPS é conhecido como um sistema em rede no qual a parte cibernética ou computacional está totalmente integrada aos componentes físicos. O CPS usa vários sensores, como sensores de toque, luz e força para atingir fi nalidades distintas. Ultimamente, as estruturas CPS têm sido utilizadas congruentemente em vários campos, incluindo manufatura, laboratório e ensino. Com a mudança abrupta para a indústria 4.0, o desenvolvimento adicional do CPS se concentra na proteção de sistemas industriais críticos, linhas de fabricação e outras estruturas de aplicativos CPS contra ameaças à segurança cibernética (MOURTZIS, 2018). Consequentemente, a comunicação segura e confi ável é essencial, bem como um gerenciamento sofi sticado de identidade e acesso de máquinas e usuários. Portanto, o CPS será integrado a outras tecnologias, incluindo IoT, computação em nuvem e sensores inteligentes para formar o novo CPS inteligente, que conectará os mundos virtual, físico e digital. Isso permitirá que objetos inteligentes se comuniquem e interajam entre si de maneira rápida e adequada (MOURTZIS, 2018). j) Inteligência Artifi cial (IA) IA é o programa de pensamento baseado em conhecimento codifi cado e projetado em máquinas para imitar a habilidade de raciocínio humano ou animal. Nos últimos anos, a IA tem sido aplicada em operações complexas, como mineração subterrânea, bem como monitoramento de sistemas de manufatura sofi sticados (ZUCCOLOTTO, 2014). As aplicações emergentes de IA que estão atualmente moldando a jornada da indústria 4.0 incluem carros autônomos, fala humana, reconhecimento de rosto e a interpretação de dados e medicamentos complexos (por exemplo, medicina cardiovascular). À medida que avançamos para a indústria4.0, o avanço da IA se direciona para a integração da tecnologia de IA com outras tecnologias, como Big Data e computação em nuvem – para realizar tarefas complexas e ampliar sua aplicação em todos os campos. Por exemplo, uma descoberta recente indica que a IA pode ser adequadamente aplicada para lidar com análises de Big Data de doenças infecciosas nos setores de saúde (ZUCCOLOTTO, 2014). Empresas notáveis por trás do desenvolvimento de IA incluem Google, SpaceX, Apple, GE e Microsoft. 126 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Caro leitor, no texto a seguir é apresentado um case de uso da IA. Rolls-Royce e Google fazem parceria para criar navios mais inteligentes e autônomos com base em IA e aprendizado de máquina Uma nova parceria entre a Rolls-Royce e o Google fará com que os navios se tornem mais inteligentes e com autoaprendizagem, graças a algoritmos avançados de aprendizado de máquina. Ela também aproximará da realidade a visão de um navio totalmente autônomo até 2020. A Rolls-Royce anunciou que usará o Cloud Machine Learning Engine do Google em uma variedade de aplicativos, projetados para tornar os navios de hoje mais seguros e efi cientes – e, também, para lançar os navios de amanhã. Inicialmente, o mecanismo de aprendizado de máquina será usado para treinar ainda mais os algoritmos de IA existentes, que foram projetados para alimentar os sistemas de reconhecimento de imagem de embarcações. Eles identifi cam e rastreiam objetos que podem ser encontrados enquanto um navio está no mar e os classifi cam de acordo com os perigos que podem representar. Em comparação com os carros autônomos, as pessoas podem presumir que o transporte autônomo pode ser um desafi o relativamente simples. Afi nal, não são os navios que viajam principalmente em linha reta e têm muito menos tráfego para lidar? A IA de um carro típico visa substituir um humano – o motorista – enquanto um navio de carga típico tem mais de 20 membros da tripulação – e você precisa cobrir todos os trabalhos que fariam em um navio. Em muitos aspectos, a complexidade pode ser maior do que a que um automóvel tem que enfrentar. Tal como acontece com os carros, temos a navegação e a observação – visão computacional. Contudo, com os navios, você também precisa se concentrar no que está acontecendo dentro do navio e quais outras tarefas ou missões o navio está fazendo. Na sala de máquinas você tem gerenciamento e o gerenciamento de saúde. 127 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 FIGURA – INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL FONTE: <https://content.digitalwallonia.be/post/389917-20200103090337112/ digital-wallonia-ai-1024x683.jpeg.jpg>. Acesso em: 29 jul. 2021. E quando você vai para o convés, está tentando substituir o manuseio da carga e a segurança do que está sendo transportado. Então, você precisa de sistemas de controle, visão computacional e robótica completamente diferentes. Os algoritmos de aprendizado de máquina, que a Rolls-Royce colocará inicialmente para trabalhar em seus navios, serão o mesmo software baseado em rede neural, que atualmente abastece os aplicativos de busca de voz e imagem do Google. Isso signifi ca que os sistemas que procuram por perigos no mar já foram treinados por milhões de pessoas que os utilizam todos os dias para tarefas semelhantes, como encontrar fotos de objetos ou perigos que os navios podem encontrar no mar. Seu aprendizado agora será ampliado com enormes conjuntos de dados criados pela Rolls-Royce a partir de câmeras, sensores e scanners a bordo de embarcações. A abordagem baseada em nuvem signifi ca que os dados e o aprendizado podem ser carregados e compartilhados por navios em qualquer lugar do mundo, bem como por centros de controle em terra. Tecnologia como essa provavelmente será a solução para muitos dos desafi os que precisam ser superados antes que a visão do transporte não tripulado, que a Rolls-Royce tem defendido desde 128 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 2013, se torne uma realidade. Esses desafi os incluem a difi culdade de navegar em grandes navios de reação lenta por corredores de transporte estreitos e movimentados e ensinar os computadores a guiar navios porta-contêineres com mais de 100.000 toneladas até as docas. No entanto, uma vez que a tecnologia esteja implantada, ainda haverá o problema da legislação. Tal como acontece com os carros autônomos, governos e organizações internacionais fi caram para trás, enquanto os tecnólogos inovaram na última década. Conforme as leis estão, os navios autônomos poderiam teoricamente operar entre países vizinhos, onde acordos mútuos são feitos. No entanto, antes que possam entrar em águas internacionais – o que trará as maiores vantagens para o comércio –, uma legislação mais ampla precisará ser aprovada. A matéria está atualmente agendada para debate pela International Organização Marítima, o braço das Nações Unidas, que lida com os regulamentos de transporte. Parcerias entre especialistas de domínio em IA e as áreas que se benefi ciarão do aprendizado de máquina – que é a maioria deles – sem dúvida desempenharão um grande papel no desbloqueio do potencial da IA, Big Data e Internet das Coisas. É uma grande mudança não apenas na tecnologia, mas no gerenciamento de operações e no lado comercial do transporte marítimo – e é impulsionada pela digitalização da marinha. FONTE: <https://www.forbes.com/sites/bernardmarr/2017/10/23/ rolls-royce-and-google-partner-to-create-smarter-autonomous-ships- based-on-ai-and-machine-learning/?sh=1964e2fa6dfe>. Acesso em: 28 jul. 2021. Caro aluno, vamos exercitar o conhecimento adquirido até aqui. 1 Vimos até agora que a as tecnologias disruptivas são tecnologias que substituem as já estabelecidas para mudar as indústrias existentes ou mesmo criar outras totalmente novas. Com relação às tecnologias disruptivas, classifi que V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A internet das coisas é conhecida como a internet de tudo. As 129 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 “coisas” podem ser sensores eletrônicos, atuadores, outros dispositivos digitais ou quaisquer outros objetos. ( ) Big Data é considerado enormes conjuntos de dados que consistem em seis características principais, a saber: volume, variedade, velocidade, veracidade, valor e complexidade. ( ) Redes e sensores – a base da Internet das Coisas (IoT) é a tecnologia que cria objetos físicos com base no arquivo CAD 3D (projeto tridimensional auxiliado por computador) por adição consecutiva de líquido, folha ou materiais em pó. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – F – F. d) ( ) F – V – V. Redes e sensores transportam enormes quantidades de dados muito úteis. Esses dados tornam-se valiosos além da obtenção de novos conhecimentos, uma vez que a automação é introduzida, pois permite a tradução direta dos dados coletados em uma série de ações. k) Sensores Inteligentes Vários tipos de sensores inteligentes foram desenvolvidos anteriormente para atender às necessidades da indústria moderna. Esses sensores são projetados na fabricação de dispositivos ou objetos inteligentes, como câmeras inteligentes, smartphones e casas inteligentes. Sensores inteligentes têm sido amplamente usados para fi ns de monitoramento (SPIRJAKIN; BARANOV; AKBARI, 2018). Os sistemas de monitoramento de níveis de água e inundação, gás, meio ambiente, saúde estrutural e sistemas de diagnóstico de falha remota e de equipamentos, bem como aplicações médicas avançadas, empregam sensores inteligentes. Na era da indústria 4.0, esses sensores inteligentes tem como objetivo integrar aos sistema IoT. Casas inteligentes, cidades inteligentes e redes inteligentes estão agora disponíveis devido a vários sensores inteligentes instalados, como de temperatura, proximidade,ótica, pressão e ultrassônico (SPIRJAKIN; BARANOV; AKBARI, 2018). 130 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS FIGURA 2 – SENSORES INTELIGENTES FONTE: <https://blog.imobiliarianovolar.net/wp-content/uploads/2021/03/automatizar- casa-dispositivos-para-casas-inteligentes-1.png>. Acesso em: 29 jul. 2021. l) Simulação A simulação é um método rotineiro de análise do comportamento de sistemas complexos. A simulação é uma tecnologia clássica que remete à era dos computadores analógicos (VUCKOVIC, 2018). No entanto, sua aplicação proliferou em diferentes campos por causa de sua capacidade demonstrada de melhorar os componentes dos sistemas de manufatura (produtos, materiais e design ergonômico, consumo de energia, processos de produção e efi ciência), educação e outros setores industriais – por exemplo, na fabricação de automóveis complexos, produção de cerâmica e processos químicos e treinamento de operação médica em urologia pediátrica e cirurgia (VUCKOVIC, 2018). Além disso, foi aplicado para estudar sistemas complexos, como o sistema baseado em nuvem e segurança, especialmente para mineradores subterrâneos. A simulação deve avançar rapidamente devido à necessidade de entender o comportamento de sistemas complexos com as mais recentes inovações tecnológicas em áreas como transporte, comunicação, medicina e metrologia. Evidentemente, os desenvolvedores de software de simulação estão continuamente avançando (atualizando) para atender às necessidades da indústria 4.0, por exemplo, Siemens, Rockwell Automation e MathWorks, que são, respectivamente, desenvolvedores de alguns softwares como: Solid edge, Simulink e FluidSim (VUCKOVIC, 2018). 131 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 No link a seguir você vai ver na prática como funciona um simulador virtual da Solid edge. Link: https://www.youtube.com/watch?v=iJV0tVytItU. FIGURA 3 – SENSORES INTELIGENTES FONTE: Adaptada de <https://www.youtube.com/ watch?v=iJV0tVytItU>. Acesso em: 29 jul. 2021. Caro leitor, no texto a seguir você vai conhecer mais sobre o simulador elaborado pela empresa FluidSIM. FluidSIM 6 é um software abrangente para a criação, simulação, instrução e estudo de circuitos eletropneumáticos, eletro-hidráulicos, digitais e eletrônicos. Todas as funções do programa interagem sem problemas, combinando diferentes formas de mídia e fontes de conhecimento de uma forma facilmente acessível. O FluidSIM une um editor de diagrama de circuito intuitivo com descrições detalhadas de todos os componentes, fotos dos componentes, animações de visualização em corte e sequências de vídeo. Como resultado, o FluidSIM é perfeito não apenas para uso em aulas, mas também para a preparação das mesmas e como um programa de autoestudo. 132 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS O FluidSIM já ganhou vários prêmios, entre outros, o Prêmio de Inovação de Sistema Especialista no encontro de sistema especialista XPS, em Kaiserslautern, o Prêmio Internacional Worlddidac e o preço de software educacional alemão. Com mais de 200.000 instalações em todo o mundo – desde 1995 –, o FluidSIM é um dos pacotes de software de maior sucesso no treinamento mecatrônico. Simulação interativa O FluidSIM permite tanto a criação conveniente de circuitos quanto sua simulação interativa. Não são apenas as mudanças de estado e as trocas de componentes, resultantes do sistema, que são calculadas. Além disso, o usuário pode operar e ativar interativamente interruptores ou válvulas de comutação. Além disso, os sinais do hardware conectado ou através de uma interface de outros programas podem ser transferidos. O FluidSIM reage imediatamente a tais eventos e simula perfeitamente o sistema alterado. FONTE: <https://www.art-systems.de/www/site/en/fl uidsim/>. Acesso em 18 mar. 2021. m) Nanotecnologia A ideologia da nanotecnologia é “ciência pequena”, pois é a tecnologia aplicada para produzir nanomateriais. Nanomateriais são os menores materiais com uma capítulo singular dentro da nanoescala (1–100 nm) (GARNER; SUH; KELLER, 2017). Embora seja uma tecnologia antiga, suas novas e numerosas aplicações inovadoras abriram o caminho para a nanotecnologia e para os movimentos da indústria 4.0. Tem sido aplicado na fabricação de componentes vitais nos campos aeroespacial, automotivo, construção, manufatura, processamento de alimentos, embalagens, medicina e ciência forense. Uma aplicação emergente da nanotecnologia está na produção de biocombustíveis (GARNER; SUH; KELLER, 2017). Na era da indústria 4.0, as aplicações da nanotecnologia em armazenamento de energia, iluminação e energia fotovoltaica são amplamente necessárias para apoiar as áreas de aplicação em crescimento popular da indústria 4.0. Além disso, as aplicações médicas e de alta tecnologia da nanotecnologia também continuarão a avançar, especialmente em áreas como novos materiais para baterias, impressão 3D e nanotecnologia de DNA (GARNER; SUH; KELLER, 2017). 133 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 No link a seguir, você conhecerá como funciona a nanotecnologia de DNA. Confi ra em: https://www. inovacaotecnologica.com.br/noticias/noticia.php?artigo=nanotubos- dna-biossensores&id=010165111226#.YMTi86hKhPY. n) Drones Drones, frequentemente chamados de veículos aéreos não tripulados, aeronaves pilotadas remotamente e sistemas de aeronaves não tripuladas, são aeronaves sem pilotos a bordo (KARDASZ, 2016). Existem três tipos principais de drones: asa rotativa, asa fi xa e mais leve que o ar. A confi guração de drones mais comum é o multirotor com quatro, seis ou oito hélices e feito com componentes eletrônicos pequenos, potentes e acessíveis que também são usados em smartphones. Alguns dos fabricantes de drones incluem Kuleuven, Delair, Vives, Vito, AltiGator, Flying-Cam e Drone Matrix. Inicialmente, os drones eram considerados brinquedos para crianças, antes de serem adotados como dispositivos de lazer que são enviados aos céus para fazer fotos impressionantes e vídeos em alta defi nição. Em geral, os drones têm sido usados principalmente para entretenimento e mídia. No entanto, com a mudança para a indústria 4.0, os drones estão sendo equipados com dispositivos inteligentes (sensores e câmeras) combinados com outras tecnologias, como análise de Big Data e aprendizado de máquina. Signifi cativamente, isso ampliou seu campo de aplicações para a agricultura, energia e serviços públicos, entretenimento e mídia, infraestrutura, seguros, segurança, telecomunicações, transporte, logística, exploração espacial, monitoramento da vida selvagem e entregas de mercadorias (KARDASZ, 2016). Caro leitor, no texto a seguir é apresentado o sistema de entrega da Amazon por Drone. Case Prime Air Um futuro sistema de entrega da Amazon projetado para levar pacotes aos clientes com segurança em 30 minutos ou menos, 134 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS usando veículos aéreos não tripulados, também chamados de drones. A Prime Air tem um grande potencial para aprimorar os serviços que já oferecemos a milhões de clientes, fornecendo entrega rápida de pacotes que também aumentará a segurança geral e a efi ciência do sistema de transporte. FIGURA – DRONE AMAZON FONTE: <https://www.solotablet.it/lifestyle/droni-pacchi-postali-e-servizi- di-consegne-a-domicilio/2000.jpg>. Acesso em: 29 jul. 2021. Como vai funcionar? Amazon Prime Air é um serviço que entrega pacotes de até cinco libras em 30 minutos ou menos usando pequenos drones. Como você vai garantir a segurança? A segurança é a nossa prioridade. Nossos veículos serão construídos com redundâncias múltiplas, bem como com tecnologia sofi sticada de “sentir e evitar”. Além disso, por meio de nossos testes, reuniremos dados para continuar melhorando a segurança e a confi abilidade de nossos sistemas e operações. Quando poderei escolher o Prime Air como opção deentrega? Implementaremos quando e onde tivermos o suporte regulamentar necessário para realizar nossa visão com segurança. Estamos entusiasmados com esta tecnologia e pretendemos usá-la para entregar pacotes a clientes em todo o mundo em 30 minutos ou menos. Como serão os veículos de entrega Prime Air? Estamos testando muitos designs de veículos e mecanismos de entrega diferentes para descobrir a melhor forma de entregar 135 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 pacotes em uma variedade de ambientes operacionais. A aparência e as características dos veículos continuarão a evoluir com o tempo. Onde você está construindo e testando? Temos centros de desenvolvimento da Prime Air nos Estados Unidos, Reino Unido, Áustria, França e Israel. Estamos testando os veículos em vários locais internacionais. Como a Amazon integrará os veículos Prime Air ao espaço aéreo? Segurança e proteção são as principais prioridades, à medida que buscamos incorporar pequenos drones ao espaço aéreo. Estamos trabalhando com reguladores e a indústria para projetar um sistema de gerenciamento de tráfego aéreo que reconhecerá quem está voando, qual é o drone, onde está voando e se está cumprindo os requisitos operacionais. FONTE: <https://www.amazon.com/Amazon-Prime-Air/ b?ie=UTF8&node=8037720011>. Acesso em 18 mai. 2021. o) Biotecnologia A biotecnologia abrange muitos campos, como biologia sintética, biologia molecular, biologia genética, edição de genes, proteômica, biomimética e genomas. Na era da indústria 4.0, a biologia sintética é mais explorada do que qualquer outro campo da biotecnologia. A biologia sintética é um campo emergente, em que as disciplinas de biologia e engenharia estão em alta (BETTE; BROERSE; KUPPER, 2018). Foi citado como uma tecnologia lucrativa nos movimentos da indústria 4.0. A principal função da biologia sintética é criar diferentes vias biológicas artifi ciais, dispositivos ou organismos que podem imitar os sistemas biológicos, feitos naturalmente. Os principais domínios de aplicação da biologia sintética estão na agricultura e cuidados de saúde, onde tem sido usado no tratamento de doenças complexas como o câncer. A biologia sintética é amplamente utilizada no campo da energia renovável e limpa, com maior efi ciência para o fornecimento de energia a muitos sistemas, como robôs e carros autônomos (BETTE; BROERSE; KUPPER, 2018). 136 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS Caro aluno, na reportagem a seguir você vai verifi car a importância da biotecnologia na luta contra a pandemia da COVID-19, que teve início em 2019, e que chegou no Brasil em 2020. Seegene lidera a luta contra a COVID-19 unindo biotecnologia e tecnologia da informação O surgimento de variantes da COVID-19 está alarmando as autoridades de saúde global em um momento em que a maioria prefere se concentrar no lançamento de vacinas e no fi m das medidas de lockdown. Cientistas de todo o mundo estão correndo contra o tempo para entender como essas variantes surgem, os tipos de sintomas que se manifestam em pacientes e se as vacinas pré-existentes podem contê-las. Embora algumas centenas de milhões de pessoas já tenham recebido pelo menos uma dose das vacinas da COVID-19, atualmente disponíveis, novas variantes de vírus continuam sendo um grande risco para a saúde. Embora as cepas do coronavírus não sejam necessariamente mais mortais, elas “tendem a se espalhar mais rápido, são mais transmissíveis ou infecciosas”, de acordo com o cientista-chefe da Organização Mundial da Saúde (OMS), Dr. Soumya Swaminathan. A Seegene, uma empresa global de biotecnologia, especializada em diagnóstico molecular, revelou um novo teste de variante da COVID-19 ao enfrentar essas ameaças emergentes e em evolução. O diagnóstico molecular, uma tecnologia que ganhou reconhecimento durante a pandemia de COVID-19, amplifi ca genes- alvo e detecta a presença de material genético associado a uma condição de saúde ou doença específi ca. De acordo com a Seegene, o teste mais recente de variante COVID-19, desenvolvido usando sua tecnologia exclusiva de diagnóstico molecular multiplex, pode detectar até quatro genes COVID-19 diferentes e cinco cepas variantes simultaneamente, incluindo aquelas avaliadas como mais contagiosas. 137 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 Isso é feito simultaneamente com um único teste em menos de duas horas e meia, o que permite testes em grande escala para controlar a pandemia. “Acreditamos que encontrar a causa exata dos sintomas é o primeiro e mais importante passo para encontrar o tratamento certo e prevenir a propagação do vírus”, disse o Dr. Jong- Yoon Chun, CEO da Seegene. “Acreditamos que nossos novos testes de variantes podem ajudar governos e organizações de saúde em todo o mundo a lutar contra variantes ameaçadoras e ajudar as pessoas a voltarem as suas vidas normais” disse o Dr. Jong-Yoon Chun. Rápida adaptação As linhagens mais reconhecidas de variantes da COVID-19, como aquelas que surgiram na África do Sul, Reino Unido, Brasil, Japão, Nigéria e Dinamarca, deverão ser levadas em consideração pelos fabricantes de vacinas e autoridades nacionais de saúde em sua batalha contra a COVID-19. É aqui que as tecnologias de diagnóstico inovadoras, como o último teste de variante da COVID-19 da Seegene, podem se benefi ciar: podem aumentar signifi cativamente a efi cácia do processo de teste para cepas originais e variantes do coronavírus em todo o mundo. Tecnologia ao resgate O desenvolvimento da Seegene de seu teste de variante da COVID-19 decorre de seus esforços pré-pandêmicos: combinando seu conjunto de tecnologias proprietárias de alto multiplex e profundo conhecimento de diagnóstico molecular com Inteligência Artifi cial (IA) e ciência de dados. A Seegene estabeleceu um sistema de autovigilância in silico, apoiado por big data, para monitorar e analisar casos relatados de COVID-19 e suas variantes em todo o mundo. “Ao adotar a tecnologia da informação ao nosso domínio técnico e experiência acumulados em biotecnologia, podemos monitorar de perto a transformação das cepas de coronavírus e suas linhagens variantes mais documentadas e responder rapidamente”, continua o Dr. Chun. O rápido desenvolvimento do teste também foi possível por um sistema automatizado de desenvolvimento de reagentes (SGDDS). 138 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS A empresa diz que pode ignorar 16 etapas e 895 parâmetros de tomada de decisão com IA (Inteligência Artifi cial). Enquanto uma equipe de pesquisadores altamente qualifi cados pôde ter levado de seis meses a um ano para desenvolver um reagente da substância que desencadeia uma reação química em um teste de diagnóstico molecular, o prazo foi reduzido para algumas semanas graças à automação. “Estamos aplicando nosso sistema de desenvolvimento automatizado não apenas em nossa sede na Coreia do Sul, mas também em nossas subsidiárias para desenvolver testes locais específi cos”, disse o Dr. Chun. “A IA é uma parte indispensável do que estamos tentando fazer na Seegene para tornar o diagnóstico molecular mais acessível ao dia a dia das pessoas”, completou. FONTE: <https://www.jornalcontabil.com.br/seegene-lidera- a-luta-contra-a-COVID-19-unindo-biotecnologia-e-tecnologia-da- informacao/>. Acesso em: 18 mai. 2021. As tecnologias que atualmente estão perturbando as indústrias em todo o espectro também são frequentemente chamadas de tecnologias exponenciais, ou seja, qualquer tecnologia que acelere em uma curva de crescimento exponencial, sendo que as mais notáveis são a Internet das Coisas (IoT); computação em nuvem; inteligência artifi cial e análises avançadas; robótica avançada; e manufatura aditiva. Com relação às tecnologias exponenciais, classifi que V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A simulação é um método rotineiro de análisedo comportamento de sistemas complexos. A simulação é uma tecnologia clássica da antiguidade que remonta à era dos computadores analógicos. ( ) Drones, frequentemente chamados de veículos aéreos não tripulados, aeronaves pilotadas remotamente e sistemas de aeronaves não tripuladas, são aeronaves sem pilotos a bordo. 139 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 ( ) Biotecnologia é uma ciência que se dedica ao estudo da manipulação da matéria numa escala atómica e molecular lidando com estruturas entre 1 e 1000 nanômetros. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – F – F. d) ( ) F – V – F. 3.1 IMPACTO DE TECNOLOGIAS DISRUPTIVAS O atual aumento de tecnologias disruptivas nos países desenvolvidos já afetou o senso de privacidade das pessoas, suas noções de propriedade, seus padrões de consumo e comunicação, a forma como as pessoas trabalham e vivenciam o lazer, como as pessoas encontram outras pessoas e cultivam relacionamentos, até mesmo a atitude das pessoas para o controle sobre sua saúde (SCHWAB, 2015). As tecnologias que sustentam a indústria 4.0 também estão tendo um grande impacto nos negócios. Do lado da oferta, as cadeias de valor da indústria existentes estão sendo interrompidas e serviços completamente novos estão sendo criados. Os dados que conectam "coisas" constituem a matéria-prima para todos os tipos de novos serviços, que serão mais lucrativos do que os produtos em que se baseiam. Do lado da demanda, maior transparência e envolvimento do consumidor, personalização em massa e novos padrões de comportamento do consumidor são possíveis pelo acesso a telefones celulares, redes e dados, e estão mudando fundamentalmente a forma como as empresas projetam, comercializam e entregam produtos e serviços. Caracterizado por um alto grau de personalização (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017). As tecnologias disruptivas apresentam igualmente um enorme potencial para grandes avanços em vários setores nos países em desenvolvimento. No entanto, devido a uma série de restrições, as taxas de adoção e o impacto das tecnologias disruptivas ainda são baixos na maioria das regiões em desenvolvimento, particularmente em regiões menos desenvolvidas. Conectividade, acessibilidade e alfabetização digital permanecem os maiores desafi os nessas regiões, e 140 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS nem os governos nem a indústria em geral parecem particularmente ansiosos quando se trata de fazer investimentos em novos conhecimentos e tecnologias para maior desenvolvimento e integração de tecnologia. No entanto, essas regiões, têm a vantagem distinta sobre os mercados desenvolvidos de não serem sobrecarregados por questões de legado de infraestrutura (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017). Caro, aluno, a seguir, conheceremos como alguns setores vêm atuando com a tecnologia disruptiva na atualidade. a) Logística Logística 4.0 é um novo paradigma na indústria da logística que se concentra na descrição das mais novas tecnologias em aplicações contemporâneas de cadeias de suprimentos. O conceito de logística 4.0 foi criado como consequência da indústria 4.0, surgimento de novas e inteligentes soluções tecnológicas em logística, incluindo Blockchain, IoT, AI e Big Data. O termo “logística 4.0” apareceu pela primeira vez em 2011 como uma resposta e suporte à indústria 4.0, no entanto, atualmente, os termos cadeia de suprimentos 4.0, compras 4.0, marketing 4.0, cliente 4.0, consumidor 4.0, distribuição 4.0, armazenamento 4.0, gerenciamento de estoque 4.0, gerenciamento de pedidos 4.0, fi nanças 4.0, marítimo 4.0, banco 4.0, globalização 4.0, liderança 4.0 e sociedade 4.0 podem ser vistos. Estes representam a resposta do campo logístico ao desenvolvimento e requisitos da indústria 4.0 (BRIESE et al., 2020). A complexidade dos poderes disruptivos e transformadores da indústria 4.0, incluindo o processo de globalização da economia mundial, é um pré-requisito para a operação bem-sucedida e a interrupção da logística que é conhecida hoje como logística 4.0. O conceito de logística 4.0 surgiu propositalmente para superar a crescente incerteza e insatisfação na implementação da indústria 4.0, novos métodos e ferramentas que abordam especifi camente áreas de empresas dedicadas, como logística ou logística reversa, gestão da cadeia de suprimentos e processos de manufatura (LIU et al., 2020). Para o caso do gerenciamento da cadeia de suprimentos, a indústria 4.0 com seus avanços tecnológicos associados estão aumentando a resiliência da cadeia de suprimentos ou o gerenciamento enxuto da cadeia de suprimentos, que está altamente ligado à operação geral e ao desempenho da indústria da logística. Geralmente, logística 4.0 refere-se à combinação do uso da logística com as inovações e aplicações adicionadas pelo sistema físico cibernético. No entanto, muitos conceitos relacionados e defi nições de logística 4.0 existem hoje, incluindo serviços e produtos inteligentes, logística verde, logística inteligente e armazém inteligente. Além disso, a logística 4.0 refl ete a inovação logística, digitalização 141 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 em logística marítima, cadeia de abastecimento digital, navios inteligentes e embarcações autônomas (LIU et al., 2020). b) Educação O panorama disruptivo da indústria 4.0 é tão forte que a mudança é inevitável, inclusive dentro da indústria da educação, tornando a educação 4.0 a utilizada dentro das instituições de ensino. A Educação 4.0 é uma educação avançada e um ecossistema em rede capaz de desenvolver habilidades e construir competências para a nova era da manufatura. Simplifi cando, a educação 4.0 é uma educação em tecnologia focada na criatividade na era da indústria 4.0. A educação 4.0 surgiu em resposta à indústria 4.0, que é um mundo movido a tecnologia e dados. Ele tem tendências notáveis de evolução, assim como a indústria 4.0 (MOKHTAR; ALSHBOUL; SHAHIN, 2019). Educação 4.0 é o sistema mais complexo em comparação com as evoluções anteriores. Isso deriva do fato de que a ruptura da indústria 4.0 está introduzindo mudanças e desafi os rápidos e inacreditáveis, incluindo a questão de habilidades e perfi s de trabalho. O tema educação 4.0 atraiu vários pesquisadores nos últimos anos. Recentemente, o Fórum Econômico Mundial desenvolveu a estrutura de educação 4.0, que pode ser facilmente adotada e implementada por qualquer instituição, governo ou universidade (MOKHTAR; ALSHBOUL; SHAHIN, 2019). c) Agricultura As ondas disruptivas da indústria 4.0 na agricultura e sistemas alimentares (agroalimentar) podem ser testemunhadas a partir da transformação digital das infraestruturas de produção, como fazendas conectadas, novos equipamentos agrícolas, tratores e máquinas conectadas (FIELKE; TAYLOR; JAKKU, 2020). Na verdade, a agricultura desempenha um grande papel no fornecimento de segurança alimentar humana e sustentabilidade em qualquer país. Portanto, para atender a essa demanda cada vez maior de alimentos na época da indústria 4.0, o novo conceito ‘‘agricultura 4.0’’ nasceu. Agricultura 4.0 é conhecido por vários nomes, incluindo agricultura orientada a dados e automatizada, agricultura inteligente e agricultura digital. O Agricultura 4.0 surgiu quando a telemática e a gestão de dados foram combinadas ao já conhecido conceito de agricultura de precisão (melhorando a precisão das operações) (FIELKE; TAYLOR; JAKKU, 2020). 142 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS A agricultura 4.0 pode ainda ser defi nida como a agricultura na era da indústria 4.0 por meio da digitalização. Além disso, é o futuro da tecnologia agrícola que se baseia no surgimento de tecnologia inteligente, incluindo dispositivos inteligentes (sensores, atuadores) e tecnologia de comunicação (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017).Semelhante à indústria 4.0, a agricultura 4.0 é universalmente complementar a uma série de conceitos, incluindo agricultura vertical e sistemas alimentares, bioeconomia, agricultura circular e aquaponia. Agriculture 4.0 é composto por tecnologias existentes ou em desenvolvimento, como robótica, nanotecnologia, proteína sintética, agricultura celular, tecnologia de edição de genes, IA, blockchain e computação em nuvem (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017). Exemplo disso é onde são usadas tecnologias disruptivas para monitorar aspectos do meio ambiente, como a situação climática, as condições do solo, os níveis de umidade e as taxas de fotossíntese em tempo real para permitir que os agricultores alcancem a produção de safra ideal (a IBM chama isso de "agricultura de precisão") (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017). Com a ajuda de análises preditivas, as informações resultantes, por exemplo, sobre as necessidades de nutrientes, previsão de padrões climáticos etc., podem então ser disseminados para agricultores, bem como esquemas de seguro de safra localizados para a tomada de decisão ideal (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017). Caro leitor, no texto a seguir você pode entender como as empresas vêm atuando com algumas tecnologias na área da agricultura. BLOCKCHAIN, IOT E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL DA IBM AJUDAM AGRICULTORES, DISTRIBUIDORES E SUPERMERCADOS A AUMENTAR PRODUTIVIDADE E REDUZIR O DESPERDÍCIO A IBM apresentou hoje uma série de iniciativas que estão transformando a forma como os alimentos são produzidos, transportados e vendidos em toda a América Latina. Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), o setor agrícola na América Latina 143 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 deverá crescer 17% na próxima década. Embora mais da metade deste crescimento deva vir do aumento da produção agrícola, a quantidade de comida que é perdida somente no processo de venda daria para alimentar 30 milhões de pessoas. Atualmente, 39 milhões de pessoas sofrem de desnutrição na região. Contra esse cenário, a tecnologia da IBM está sendo usada de várias maneiras para reduzir o desperdício e a fraude, diminuir a disseminação de doenças transmitidas por alimentos, aumentar a produtividade e levar comida para mais mesas na América Latina. “A tecnologia tem o potencial de acelerar signifi cativamente o avanço da indústria agroalimentar na América Latina, aplicando Inteligência Artifi cial para prever condições climáticas, IoT para medir a qualidade do solo no qual as sementes são plantadas ou usando Blockchain para rastreabilidade de alimentos em cada ponto da cadeia de distribuição”, afi rmou Martin Hagelstrom, executivo de Blockchain, IBM América Latina. “Melhor rastreamento de produtos; inclusão de pequenos produtores na cadeia de distribuição mais rapidamente, e o uso de tecnologias disruptivas ajudarão a minimizar as perdas e melhorar o bem-estar geral da região.” Previsão de tempo mais precisa é uma das apostas do setor de produção de açúcar A IBM também anunciou hoje que a Raízen líder na produção de açúcar, etanol e bioenergia, e uma das empresas de energia mais competitivas do mundo é a primeira empresa da Agroindústria na América Latina a utilizar as soluções da The Weather Company, da IBM. O produto em desenvolvimento na parceria entre a The Weather Company e a Raízen visa melhorar a precisão no planejamento da cadeia produtiva da cana de açúcar. Os dados de previsão climática de longo prazo da The Weather Company fornecerão à Raízen relatórios personalizados com previsões de temperatura e precipitação das próximas três a cinco semanas no Brasil, que são utilizados para subsidiar o planejamento agroindustrial da empresa. Para a Raízen, é essencial ter dados e análises meteorológicas precisas para monitorar o clima, possibilitando a antecipação de tendências, suportando assim sua área de planejamento agroindustrial em uma tomada de decisão mais ágil e segura. Nesse 144 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS sentido, o produto que vem sendo desenvolvido na parceria entre as duas empresas tem grande potencial inovador. Esses novos anúncios contribuem para a crescente lista de projetos que a IBM está realizando com as principais organizações da América Latina para ajudar a transformar a rastreabilidade, transparência e segurança da cadeia de suprimento de alimentos: Clima A Agres é pioneira em soluções para a agricultura de precisão no Brasil, com mais de 15.000 equipamentos em campo e clientes de todos os portes. A empresa utiliza soluções de Watson IoT para gerenciamento das informações de posicionamento e aplicação em máquinas agrícolas e dados de meteorologia da The Weather Company para previsões assertivas das condições climáticas para os agricultores. Agricultura Laurus é uma startup de agricultura urbana que implementa estufas hidropônicas e usa a nuvem da IBM para seu sistema agrícola vertical automatizado, que permite que vegetais sejam cultivados em menos espaço físico e usando 80% menos água. IBM Cloud permite que a Laurus gerencie operações em várias estufas com um único clique e monitore variáveis em tempo real, como análise de nutrientes, nível de crescimento e temperatura. Além disso, eles usam o Watson Data Platform para analisar a grande quantidade de dados gerados por cada cultura em cada estufa. AgroPad é um dispositivo criado pela IBM para ajudar os agricultores a cuidar da qualidade da água e do solo. Com apenas uma gota de água ou uma amostra de solo, o chip microfl uídico – que se parece com o de um cartão de crédito – dentro do AgroPad, pode analisar a amostra e fornecer resultados em dez segundos. O fazendeiro envia os dados por meio de um smartphone, usando um aplicativo móvel, e, em seguida, receberá os resultados em tempo real. FONTE: <https://www.ibm.com/blogs/ibm-comunica/da-fazenda- ao-prato-ibm-ajuda-a-transformar-a-agricultura-e-a-industria-de- alimentos-na-america-latina/>. Acesso em 18 mai. 2021. 145 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 d) Saúde No campo da saúde, termômetros conectados são usados para monitorar a entrega e o armazenamento de vacinas em tempo real, o que é particularmente útil para aplicação em áreas remotas e rurais. Um dos principais desafi os para os provedores de saúde é a deterioração da vacina, os produtos de sensoriamento remoto que monitoram e registram as temperaturas do refrigerador fornecem uma solução inovadora para manter a “cadeia de frio” operacional (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017). Dispositivos de sensor de temperatura habilitados para celular projetados para uso em instalações de saúde rurais em países em desenvolvimento, por exemplo, carregam dados para um servidor baseado em nuvem quase em tempo real via GPS (sistema de posicionamento global), enviando mensagens regulares para destinatários designados sobre as temperaturas atuais, bem como avisos quando estes excedem os limites críticos. A análise avançada, então, ajuda os gerentes a entender os pontos do problema e como os desafi os relacionados podem ser resolvidos (BIGGS, 2016). Saneamento básico Água e saneamento é outro campo que trouxe soluções inovadoras. Na China, o abastecimento de água foi monitorado com dispositivos de sensores IoT montados em postos-chave para coletar dados sobre o uso da água e taxas de fl uxo. Medidores inteligentes na Índia têm sido usados para monitorar remotamente a qualidade e a quantidade de água (ONYEJI-NWOGU; BAZILIAN; MOSS, 2017). Uma bomba manual inteligente equipada com um acelerômetro básico para capturar o movimento da bomba, usando o formato SMS (Serviço de mensagens curtas) para transmitir dados à equipe, foi usada no Quênia com o objetivo de resolver problemas relacionados a bombas de água quebradasem áreas rurais. Da mesma forma, a tecnologia de sensor é usada em Ruanda para monitorar o desempenho da bomba e o fl uxo de água, notifi cando os técnicos por SMS e e-mail (BIGGS, 2016). 146 TrANSFormAÇÃo DiGiTAL NoS NEGÓCioS 1 As novidades da tecnologia disruptiva vêm sendo aplicadas em diversos setores e segmentos de negócios e mercado de trabalho. Sendo assim, escolha alguma área e explique em profundidade como as tecnologias disruptivas vêm atuando no setor. 5 ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O objetivo deste capítulo foi contextualizar a transformação digital relacionada às estratégias empresariais, bem como analisar o impacto da transformação digital nas estratégias empresariais. Além disso, buscamos apresentar modelos de tecnologias disruptivas. Sendo assim, foi possível compreender que, diante de vários desafi os de transformação digital, as empresas reconheceram a necessidade de governar esse tipo de negócio complexo, formulando e executando estratégias claras para acompanhar a nova realidade. Estratégias de transformação digital são consideradas abrangentes, que orientam uma organização em toda a sua jornada de transformação digital. Portanto, supera o pensamento funcional e aborda, de forma holística, as oportunidades e riscos associados às tecnologias digitais facilitadoras. As dimensões da transformação digital também incluem atividades digitais e mudanças em produtos, serviços e modelos de negócios, indo além dos limites operacionais das empresas. A estratégia de transformação digital, por outro lado, impacta as empresas de forma mais ampla e permite oportunidades de transformação em modelos de negócios, produtos, processos e clientes. E, por fi m, estudamos as tecnologias disruptivas, que são tecnologias que substituem as já estabelecidas para mudar as indústrias existentes – ou mesmo criar outras totalmente novas. As tecnologias que atualmente estão perturbando as indústrias em todo o espectro também são frequentemente chamadas de “tecnologias exponenciais”, ou seja, qualquer tecnologia que acelere em uma curva de crescimento exponencial, sendo que as mais notáveis são: a Internet das Coisas (IoT); a computação em nuvem; a inteligência artifi cial (e análises avançadas); a robótica avançada; e a manufatura aditiva. 147 TRANSFORMAÇÃO DIGITAL: INOVAÇÃO DO MODELO DE NEGÓCIO Capítulo 3 REFERÊNCIAS ANDAL-ANCION, A.; CARTWRIGHT, P. A.; YIP, G. S. The digital transformation of traditional business. MIT Sloan Management Review, v. 44, n. 4, p. 34, 2003. BERMAN, S. J. Digital transformation: opportunities to create new business models. Strategy and Leadership, v. 40, p. 16-24, 2012. 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