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1 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
Constipação intestinal 
↠ Na prática, constipação intestinal na criança e no 
adolescente pode ser definida como a eliminação de 
fezes endurecidas com dor, dificuldade ou esforço 
acompanhada ou não por comportamento de retenção 
para evitar a evacuação, aumento no intervalo entre as 
evacuações (menos que três evacuações por semana) e 
incontinência fecal involuntária secundária à retenção de 
fezes (fecaloma) (JÚNIOR et. al., 2021). 
CRITÉRIOS DE ROMA 
↠ Os critérios de Roma representam uma inciativa 
internacional para a padronização diagnóstica dos 
distúrbios gastrointestinais funcionais, com base nas 
manifestações clínicas e na ausência de sinais de 
gravidade sugestivos de outras doenças que possam 
exigir outros procedimentos diagnósticos e terapêuticos. 
A última versão, denominada critério de Roma IV, foi 
publicada em 2016 (JÚNIOR et. al., 2021). 
CRITÉRIOS DE ROMA IV PARA O DIAGNÓSTICO DE 
CONSTIPAÇÃO INTESTINAL FUNCIONAL 
LACTENTES E CRIANÇAS COM MENOS DE 4 ANOS 
DEVEM APRESENTAR DUAS OU MAIS DAS SEGUINTES 
MANIFESTAÇÕES POR MAIS DE UM MÊS: 
Duas ou menos evacuações por semana; 
Histórico de retenção excessiva de fezes; 
Histórico de evacuações com dor e dificuldade; 
Histórico de fezes de grande calibre; 
Presença de grande massa fecal no reto. 
NAS CRIANÇAS QUE JÁ COMPLETARAM O 
TREINAMENTO ESFINCTERIANO CONSIDERAR TAMBÉM: 
Pelo menos um episódio de incontinência fecal por semana 
após aquisição do controle esfincteriano; 
Histórico de eliminação de fezes de grande calibre que 
pode entupir o vaso sanitário. 
CRIANÇAS COM MAIS DE 4 ANOS E ADOLESCENTES 
DEVEM APRESENTAR DUAS OU MAIS DAS SEGUINTES 
CARACTERÍSTICAS (PELO MENOS 1 VEZ/SEMANA) 
DURANTE O PERÍODO MÍNIMO DE 1 MÊS, DESDE QUE 
NÃO PREENCHAM O CRITÉRIO DIAGNÓSTICO DE 
SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL: 
Duas ou menos evacuações no vaso sanitário por semana, 
quando o desenvolvimento for compatível com a idade de 
4 anos; 
Pelo menos um episódio de incontinência fecal por 
semana; 
Histórico de evacuações dolorosas ou difíceis; 
Presença de grande massa fecal no reto; 
Histórico de eliminação de fezes de grande calibre que 
podem entupir o vaso sanitário. 
CRITÉRIOS DE ROMA IV PARA O DIAGNÓSTICO DA 
SÍNDROME DO INTESTINO IRRITÁVEL: DEVE INCLUIR 
TODOS OS SEGUINTES DURANTE 2 MESES: 
Dor abdominal em pelo menos 4 dias do mês associada a 
mudança nas evacuações (frequência ou formato das 
fezes); 
Se o tratamento da constipação intestinal proporcionar 
normalização do hábito intestinal e desaparecimento da dor 
abdominal, deve prevalecer o diagnóstico de constipação 
intestinal funcional; 
Após avaliação médica apropriada, as manifestações clínicas 
não podem ser plenamente explicadas por outra condição 
médica. 
 
 Na prática, o critério de Roma IV pode retardar o 
diagnóstico de constipação intestinal no lactente por não considerar o 
formato e a consistência das fezes. É frequente encontrar lactentes 
que não preenchem os critérios de Roma, mas que apresentam 
evacuações com esforço de fezes duras em cíbalos sem aumento no 
intervalo entre as evacuações (JÚNIOR et. al., 2021). 
EXAME FÍSICO DO ABDOME 
O exame físico deve ser completo. No abdome, deve-se 
pesquisar, por meio da palpação, se existe massa indicativa de 
retenção fecal. A inspeção da região anal, do períneo e da 
região sacra. O toque retal indica a presença ou não de fezes 
impactadas no reto (JÚNIOR et. al., 2021). 
Divisões do abdome 
 
 
CRITÉRIOS DE ROMA+ EXAME FÍSICO DO ABDOME E TOQUE RETAL NA INFÂNCIA 
2 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
 
↠ Monitorize seu exame, pesquisando sinais de 
desconforto na expressão do paciente; 
↠ Adquira o hábito de imaginar cada órgão na região 
que está sendo examinada; 
↠ Começando pela direita do paciente, prossiga de 
forma ordenada: inspeção, ausculta, percussão e 
palpação do abdome, além de avaliação do fígado, do 
baço e da aorta. 
INSPEÇÃO ESTÁTICA 
↠ Inspecione o abdome, mantendo-se à direita do 
paciente. 
• Forma e simetria (abdômen plano) (abdômen 
escavado, globoso, piriforme, em batráquio, 
avental, pendular; presença de abaulamentos e 
retrações); 
• Alterações da pele e subcutâneo (edema, 
icterícia, Sinal de Grey Turner {flancos} e de 
Cullen {peri-umbelical}); 
• Circulação colateral (cava inferior e porta); 
• Hérnias (de parede, umbilicais e inguinais). 
INSPEÇÃO DINÂMICA 
• Peristaltismo visível (obstrução intestinal); 
• Pulsações (aneurismas de aorta); 
• Avaliar movimentos respiratórios; 
↠ Durante a realização do exame algumas manobras 
podem ser realizadas para facilitar a visualização de 
herniações e a localização de massas. 
 
↠ Dentre as manobras que podem ser realizadas têm-
se a manobra de Valsalva, na qual solicita-se ao paciente 
que assopre em uma das mãos fechadas e com isso 
ocorre o aumento da pressão intra-abdominal permitindo 
avaliar herniações. 
AUSCULTA 
↠ A ausculta do abdome tem utilidade para se avaliar a 
motilidade intestinal e a presença de sopros arteriais. 
 Ausculte o abdome antes de percutí-lo e palpá-lo, pois essas 
manobras podem alterar a frequência dos ruídos abdominais ao 
estimular o peristaltismo. 
↠ Com o paciente em decúbito dorsal posicione 
suavemente o diafragma de seu estetoscópio no abdome 
do paciente. Para realização desta técnica utiliza-se a 
divisão do abdome em quadrantes, devendo-se realizar a 
ausculta em um único ponto durante três minutos em 
cada área auscultada. 
↠ Ausculte os ruídos intestinais observando a sua 
frequência e características. Os ruídos normais consistem 
em cliques e borbulhamentos com uma frequência 
estimada de 5 a 34 por minuto. Sendo considerado: 
• hiperperistaltismo: acima de 34 ruídos por 
minuto; 
• hipoperistaltismo: menor do que cinco ruídos por 
minuto; 
• aperistáltico ou ausente: não se ausculta 
nenhum ruído. 
Pode existir também o timbre metálico. 
 
Pontos de ausculta vascular 
↠ Com relação à ausculta vascular, realiza-se a pesquisa 
de sopros auscultando os pontos da artéria aorta 
abdominal, das artérias renais, das artérias ilíacas e das 
artérias femorais. 
3 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
 
PERCUSSÃO 
↠ A percussão ajuda a avaliar a intensidade e a 
distribuição dos gases no abdome, além de identificar 
possíveis massas sólidas ou preenchidas por líquido, 
pontos dolorosos, determinar as dimensões hepáticas 
(hepatimetria) e se há aumento do baço. 
↠ Repita até três vezes a percussão sobre a mesma 
área, sempre lembrando que o exame deve ser objetivo 
e deve seguir uma sequência. 
↠ Realiza-se a percussão utilizando a técnica plexor-
plexímetro. 
↠ Quatro tipos de sons podem ser encontrados na 
percussão abdominal: 
• Timpânico; 
• Hipertimpânico; 
• Maciço; 
• Submaciço. 
↠ O timpanismo costuma predominar, em função dos 
gases existentes no aparelho gastrointestinal. É o som 
apresentado pelo abdome normal em quase toda a sua 
extensão. 
↠ O som timpânico é percebido nitidamente sob o 
espaço de Traube, do sexto ao décimo primeiro espaço 
intercostal esquerdo. 
↠ O som hipertimpânico é obtido quando o conteúdo 
aéreo do aparelho gastrointestinal está aumentado 
(meteorismo, obstrução intestinal, pneumoperitônio, etc.). 
↠ A submacicez é encontrada em áreas de menor 
conteúdo gasoso ou na presença de um órgão maciço, 
como ocorre na zona do hipocôndrio direito onde se 
localiza o fígado. 
 
PALPAÇÃO 
↠ A palpação do abdome é dividida em superficial e 
profunda; e antes de realizar deve sempre explicar ao 
paciente como será feito o exame e perguntar se sente 
dor em algum ponto. 
↠ Em caso de dor, pede-se ao paciente para que aponte 
o local e então o examinador realiza a palpação 
primeiramente em zonas não dolorosas e por última na 
zona dolorosa. 
PALPAÇÃO SUPERFICIAL: É a palpação suave do abdome, 
muito útil para identificar pontos dolorosos, consistência 
da parede abdominal, massas superficiaispalpáveis, a 
presença de lesões de continuidade da parede abdominal 
e a temperatura local. 
 
PALPAÇÃO PROFUNDA: é uma medida necessária para 
definir a presença de massas abdominais. A palpação 
profunda pode ser realizada usando-se da técnica 
bimanual com as mãos sobrepostas. 
 
↠ Verifique a presença de massas e registre localização, 
tamanho, formato, consistência, sensibilidade, pulsatilidade 
e mobilidade. 
4 
 
 
Júlia Morbeck – @med.morbeck 
 
TOQUE RETAL NA INFÂNCIA 
↠ Sempre que necessário o toque retal pode ser 
realizado, tomando-se alguns cuidados básicos como 
obter o consentimento informado da criança e seus 
responsáveis legais, estar sempre na presença de um 
familiar e de algum profissional de saúde. Não deve ser 
realizado rotineiramente (CIAMPO et. al.) 
 
 
Referências 
JÚNIOR, Dioclécio C.; BURNS, Dennis Alexander R.; LOPEZ, 
Fábio A. Tratado de pediatria, 5ª edição, v.1. Editora 
Manole, 2021. 
BRITO, M. V. H.; BRITO, A. P. S. O.; YASOJIMA, E. Y. Manual 
Teórico de Semiotécnica Médica., Pará, 2016. 
CIAMPO et. al. Protocolo clínico e de regulação para 
constipação intestinal crônica na criança. Disponível em: 
<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1630970/mod_res
ource/content/1/Protocolo%20Cl%C3%ADnico%20e%20
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