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BIOTECNOLOGIA DA REPRODUÇÃO – REVISÃO PARA AP2 1. Anatomofisiologia da reprodução das fêmeas: Componentes da genitália externa – vestíbulo, lábios vulvares, clitóris. Cérvix – vaca e cabra (anéis adaptam-se um ao outro), porca (formato de saca rolha), égua (as dobras projetam-se em direção à vagina). Durante o ciclo estral, a cérvix passa por algumas alterações. Cérvix compactamente fechada; Cérvix levemente relaxada. É a estrutura essencial para ter acesso ao útero. Secreção de muco pela cérvix - Tampão mucoso (barreira protetora para a manutenção da gestação) e Muco cristalino – CIO (reservatório, transporte e seleção de espermatozoides). Ovários - Bovinos, ovinos, caprinos e caninos – o formato é de amêndoa. Equinos – o formato é de feijão. Suinos – o formato é de cacho de uvas. Composição do ovário – região cortical e medular. Possui função endócrina (hormônios) e Gametogênica (óocito). Hôrmonios esteroídes – estrógeno, progesterona e testosterona; Peptídeos – ativina, fatores de crescimento e neuropeptídeos. Gametogênese – dividida em períodos: Período germinativo – ocorre a mitose da célula germinativa primordial -> ovogônias (fase pré-natal, ou seja, antes do nascimento). Período de crescimento – ocorre o crescimento das células sem divisão celular. Ovócito I (fica estagnado na prófase da primeira meiose). Período ocorre após o nascimento. Período de maturação – ocorre a meiose 1 onde é liberado o ovócito II(ovulação) e o 1 corpúsculo polar (finalidade- permitir a redução cromossômica característica da meiose). Também pertence ao período pós-natal, mas só ocorre durante a puberdade da fêmea. Quando o ovócito não é fecundado, ele se degenera. Mas quando ocorre fecundação, o ovócito secundário termina a segunda divisão da meiose, com a liberação do segundo corpúsculo polar. LEMBRAR: A MEIOSE II SÓ OCORRE SE HOUVER FECUNDAÇÃO -> ZIGOTO DIPLOÍDE E NO 2º CORPÚSCULO POLAR. Folículo ovariano – unidade morfofuncional do ovário (sobrevivência, crescimento e maturação). Pré-antral: primordial, transição, primário, secundário. Antral: terciário e pré-ovulatório. 2. Manipulação hormonal do ciclo estral: GnRH (hormônio liberador de gonadotrofina) - Produzido pelo hipotálamo - Controla a secreção de gonadotrofinas - Secreção inibida pela progesterona] - Sinais centrais e periféricos estimulam sua produção. - Rapidamente metabolizado por peptidases hipofisárias, Estradiol - Produzido pelas células da granulosa dos folículos ovarianos. - Controla as secreções de FSH e LH. - Responsável pela contração do miométrio no inicio do cio. - Responsável pela produção de ocitocina. -Responsável pelo comportamento de cio. Progesterona (P4) – utilizado na manipulação hormonal do ciclo estral - Produzida pelo corpo lúteo - Inicialmente estimulada pelo LH - Bloqueia a produção de GnRH pelo hipotálamo. Prostaglandina (PGF-2ALFA) - Produzida pelo endométrio - Produção após o não reconhecimento da gestação e estimulada pela ocitocina. - Provoca a lise do corpo lúteo. - Principal hormônio para controle do ciclo estral. - Controla a regressão do corpo lúteo. - Utilizada em vários esquemas de tratamentos > aplicação única (depende do corpo luteo) > aplicação múltipla (aparecimento do estro depende do estágio do FD) > tratamento com progestágenos - Diversos análogos no mercado. GnRH - indutor de ovulação - função depende do momento da aplicação durante o protocolo (principalmente em éguas). - sempre aplicado quando já há a presença do FD (protocolo ovsynch). - diversos anáogos (acetato de gonaderolina, buserelina, etc…) - utilizados em protocolos de sicronização e superovulação para transferência de embriões → maior lutenização de folículos. FSH - protocolos de sicronização e superovulação (quantidade de aplicações e doses) - desvantagem na produção de anticorpos - macerado de pituitárias de suínos, equinos ou ovinos. LH -indução da ovulação - falha na indução dependendo da fase da onda folicular. eCG (gonadotrofina coriônica equina) - isolado de urina de éguas prenhes - atividade semelhante à do FSH e LH - provoca extenso desenvolvimento folicular antes da superovulação - administração subcutânea, intramuscular ou endovenosa - meia vida de 2 a 5 dias em bovinos; mantem-se circulante após a ovulação → novos folículos estimulantes → aumento de estrógenos. hCG (gonadotrofina coriônica humana) - utilizado na indução da ovulação (éguas em estro; folículos > 35mm) - desvantagem na produção de anticorpos. Estradiol - Aplicado na retirada dos progestágenos - Sincroniza o aparecimento de uma onde folicular - Também utilizada para indução de luteólise - Incluídas em protocolos de IATF - Várias apresentações Benzoato de estradio (BE) Valerato de estradil (VE) Cipionato de estradiol (ECP) Qual protocolo de manipulação hormonal utilizar? • Espécie Dinâmica folicular e efeito hormonal • Biotecnologia envolvida • Protocolo x manejo x custo 3. Seleção de matrizes para programas reprodutivos Por que devemos selecionar fêmeas para programas reprodutivos? Sucesso das biotécnicas – grau de eficiência da técnica e rentabilidade do serviço. O que devemos avaliar na escolha de uma fêmea para um programa reprodutivo? Depende de diversos fatores: • Biotécnica empregada • Objetivo de produção • Função da fêmea – fêmeas doadoras (de alto valor genético que servirão de fonte de gametas – oócitos embriões, para as biotecnias reprodutivas e que contribuirão geneticamente com o rebanho) e fêmeas receptoras (receberão os embriões produzidos in vivo em doadores ou produzidos in vitro, também conhecidas como barrigas de aluguel, que não contribuirão geneticamente com o rebanho). Para fêmeas doadoras → Valor genético ❖ Presença de anomalias genéticas ❖ Condição nutricional ❖ Histórico de fertilidade ❖ Anatomia do trato genital adequada ❖ Doenças infecto-contagiosas Comentado [la1]: Para fêmeas receptoras → Condição nutricional ❖ Histórico de fertilidade (ciclicidade) ❖ Anatomia do trato genital adequada ❖ Porte ❖ Habilidade materna ❖ Doenças infecto- contagiosas. 4. Produção in vivo de embriões em ruminantes É um método de reprodução assistida baseada na produção de múltiplos embriões por uma fêmea doadora + transferência dos embriões antes da idade de implantação para fêmeas receptoras = múltipla ovulação seguida da transferência de embriões (MOET) É uma técnica utilizada para pesquisa cientifica, pecuária e conservação/preservação de espécies. Em bovinos essa técnica é utilizada em propriedades de baixa complexidade (localização, sem estrutura e sem oferta de serviço PIV) e quando compensa financeiramente em comparação a PIV. Já em caprinos e ovinos é a principal biotécnica para produção de embriões., pois possuem baixa eficiência na PIV. Vantagens: Obtém mais bezerros de uma vaca valiosa de alta qualidade.; Aumenta a taxa de melhoramento genético de um rebanho; Acurácia de seleção;Intensidade de seleção em fêmeas; Facilita a importação de animais.; Para obter progênie de vacas com problemas de fertilidade; Produz embriões de melhor qualidade do que os da PIV Desvantagens: Diminuição da resposta ovariana com a repetitividade da técnica; Menor produção de embriões em comparação à PIV Para a produção in vivo de embriões deve ser realizada: Seleção e estimulação ovariana das doadoras Fecundação das fêmeas doadoras (monta controlada ou livre; inseminação artificial). Seleção e indução da ovulação das receptoras Coleta e transferência dos embriões. Qual o melhor protocolo para doadoras e receptoras? Não há resposta. Os protocolos deverão ser escolhidos levando em consideração: Animal → espécie, idade, raça e variação individual Hormônios → dose, disponibilidade, custo Manejo → sistema de criação, logística de aplicação hormonal. OBJETIVA-SE COLETAR EMBRIOES NO ESTÁGIO DE BLASTOCISTO Bovinos e caprinos – 7 dias após a monta/inseminação Ovinos – 6 dias após a monta/inseminação Coleta de embriões em bovinos – não cirúrgico, via transcervical (lavagem uterina utilizando um cateter contendo um balão inflável). Coleta de embriões em pequenos ruminantes – não cirúrgico, via transcervical; cirúrgico, via laparotomia. A classificação dos embriões é realizada a partir do estágio de desenvolvimento e do grau qualitativo → se realiza com base em aspectos morfológicos do embrião. GRAU I (EXCELENTE) – estágio de desenvolvimento corresponde ao esperado; massa embrionária simétrica e esférica com blastômeros individuais que são uniformes em tamanho, cor e densidade; forma regular, a Zona Pelúcida (ZP) não deve apresentar superfície côncava ou plana, deve ser lisa e, preferencialmente intacta; menos de 15% de células extrusadas. GRAU II (REGULAR) – estágio de desenvolvimento corresponde ao esperado; forma regular, ZP intacta ou não, irregularidades moderadas na forma geral da massa embrionária ou no tamanho; pelo menos de 50% das células compõem massa embrionária viável; menos de 15% de células extrusadas. GRAU III (POBRE) – estágio de desenvolvimento não corresponde ao esperado; irregularidades maiores na forma geral da massa embrionária ou no tamanho; menos de 75% das células degeneradas; pelo menos 25% das células compõem massa embrionária viável. GRAU IV (MORTO OU DEGENERADO) – estágio de desenvolvimento não corresponde ao esperado, embrião em degeneração; massa embrionária de menos de 25% de todo material celular presente no interior da ZP Transferências de embriões: Frescos em receptoras sincronizadas na propriedade – deve ser realizada em até 2 horas após a coleta. Criopreservados em nitrogênio liquido ✓ As receptoras devem estar sincronizadas com a idade do embrião, ou seja, se o embrião tem 7 dias, a receptora deve ter ovulado há 7 dias atrás ✓ Em bovinos, a técnica está em tendência de substituição pela PIV ✓ É o método-ouro para produção de embriões em pequenos ruminantes ✓ Possui ainda entraves quanto a variabilidade da resposta superovulatória 5. Produção in vitro de embriões É um conjunto de processos biotecnológicos que permitem a interação entre o espermatozoide e oócito fora do trato reprodutivo, com a formação de um novo indivíduo. Etapas da PIV- Coleta dos oocitos (aspiração folicular), maturação in vitro (MIV), fecundação in vitro (FIV), cultivo in vivo (CIV). Vantagens: Maximiza a rentabilidade de uma femea geneticamente superior, aumentando o numero de seus descendentes. Diminui o intervalo entre gerações Diminui o uso intensivo de hormônios Aproveita animais pouco responsivos a superovulação Otimiza a utilização do sêmen de animais geneticamente superiores. Limitações: Biotecnica de alto custo, variações individuais, aplicabilidade limitada às largas escalas de produção. Classificação dos complexos cumulus oócito: De acordo com aspectos morfológicos: - Quantidade de camadas de células do cumulus; - Grau de compactação das células do cumulus; - Homogeneidade citoplasmática; - Presença de grânulos citoplasmáticos; INFLUENCIA DIRETAMENTE NO DESENVOLVIMENTO E NA QUALIDADE EMBRIONÁRIA Grau I ✓ Mais de 3 camadas de células do cumulus; ✓Cumulus compacto; ✓Ooplasma com granulações finas e homogêneas; ✓Ooplasma preenchendo todo o interior da zona pelúcida; Grau II ✓ 3, 2 ou 1 camada de células do cumulus; ✓ Cumulus compacto; ✓ Presença de Granulações (concentradas em uma lado ou na periferia); ✓ Ooplasma preenche todo o interior da zona pelúcida; Grau III ✓Cumulus parcialmente expandido; ✓Ooplasma contraído (espaço entre a zona pelúcida e o ooplasma); ✓ Manchas escuras no ooplasma; Grau IV (DESCARTE) ✓ Cumulus expandido; ✓Oócitos Desnudos; ✓Ooplasma muito escuro; ✓Sinais de degeneração (vacúolos, inclusões citoplasmáticas); Capacitação dos espermática: O processo de capacitação consiste em alterações da permeabilidade da membrana ligadas ao transporte dos íons Ca++, que é fundamental para os espermatozoides adquirirem a capacidade de fertilização. Essa etapa ocorre naturalmente em contato com o fluído vaginal. Após esse processo, ocorre o aumento da motilidade espermática (hiperativação do flagelo) e facilita a reação acrossômica (fusão da membrana plasmática com acrossoma). 6. Biotécnicas fundamentais da reprodução MOIFOPA (manipulação de oocitos inclusos em folículos pré-antrais) - consiste na manipulação in vitro de folículos pré-antrais, promovendo o crescimento e maturação deles, a fim de PERMITIR A RECUPERAÇÃO DE OOCITOS COMPETENTES. Possíveis vantagens: potencializar a reprodução assistida; animais geneticamente superiores; animais em risco de extinção; fornecimento de oocitos; estoque de gametas. ! os folículos pré-antrais compõem 95% de toda a população folicular e 99,9% dos folículos pre-antrais morrem (atresia folicular) CLONAGEM – biotecnica que consiste em, a partir de reprodução assexuada (não há encontro de diferentes gametas), produzir um indivíduo geneticamente idênticos a outro ser. Existem tipos de clonagem de acordo com sua finalidade. É realizada a transferência nuclear de célula somática (TNCS). Reprodutiva – finalidade em gerar um feto geneticamente idêntico ao doador do material genético. Terapêutica – produção de células-tronco para fabricar tecidos idênticos aos do doador (que nunca serão rejeitados por ele). TRANSGENIA