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1) Descrever as fases do processo de divisão celular por mitose, identificando os pontos e os mecanismos de regulação. A mitose (divisão nuclear) corresponde à separação dos cromossomos e normalmente finaliza com a divisão celular (citocinese). No entanto,a mitose gasta, em média, apenas uma hora, de modo que aproximadamente 95% do ciclo celular, isto é, aproximadamente 23 horas, são gastos na interfase – o período entre as mitoses. Durante a interfase, ocorre, de maneira ordenada, o crescimento celular e a replicação do DNA. Esta parte é subdividida em três fases: G1, S e G2. A fase S (síntese) é responsável pela duplicação do material genético e as fases G1 e G2 recebem este nome por representarem um intervalo (em inglês, gap), entre a fase S e a fase M. Durante a fase G1, a célula é metabolicamente ativa e continua crescendo, mas não duplica seu DNA, processo realizado na fase S. Em seguida, na fase G2, o crescimento celular continua e as proteínas são sintetizadas em preparação para a mitose. Em determinados pontos em G1 e G2, a célula decide se vai proceder para a próxima fase ou parar para permitir mais tempo para se preparar. Juntas, essas fases, proveem tempo adicional para que a célula cresça e duplique as suas organelas citoplasmáticas; se a interfase durasse apenas o tempo suficiente para a replicação do DNA, a célula não teria tempo para duplicar a sua massa antes de se dividir e, consequentemente, diminuiria de tamanho a cada divisão. Além disso, durante essas fases de intervalo, a célula monitora o ambiente interno e externo a fim de assegurar que as condições são adequadas e os preparativos são completados, antes que a célula se comprometa com as principais transformações da fase S e da mitose. É fundamental para o desenvolvimento, manutenção do equilíbrio homeostático dos tecidos e a substituição de células mortas ou danificadas. Para que ocorra, é fundamental: ➔ Replicação do DNA ➔ Síntese das outras organelas ➔ Partilha igual de DNA e das outras organelas para as células-filhas por meio da mitose ou citocinese. O ciclo celular corresponde à sequência de eventos necessária para a divisão: ➔ G1: fase de crescimento pré-síntese ➔ S: fase de síntese do DNA ➔ G2: fase de crescimento pré-mitótico ➔ M: fase de mitose As células quiescentes, que não estão se dividindo, estão no estágio de G0. As células podem entrar na fase G1 a partir de um estímulo inicial em uma célula quiescente, ou após o fim da mitose, no caso das células que se replicam de forma contínua. Cada etapa exige a continuação da etapa anterior e a ativação de fatores necessários. Caso não haja fidelidade na replicação do DNA ou deficiência de um cofator, o ciclo é interrompido em diversos pontos de transição. ● O ciclo celular é composto por quatro fases: G1, S, G2 e M. As fases G1, S e G2 constituem a interface. ● 2 momentos - M (mitose - divisão nuclear/cromossômica + citocinese - divisão citoplasmática) e Interfase (G1 + S + G2) - crescimento (alta atividade metabólica, produção proteica em larga escala, reorganização do citoesqueleto). ● Existe um sistema de controle em três principais pontos de verificação, que impedem a entrada para a próxima fase do ciclo até que eventos da fase anterior tenham sido completados. ● O primeiro ponto é o chamado início, no final de G1 e permite que a célula confirme o meio favorável para proliferação antes de passar para a fase S, verificando pontos importantes: tamanho da célula, integridade do DNA, disponibilidade de nutriente e sinais moleculares (fatores de proliferação). ● O segundo ponto acontece entre G2 e M e garante que as células não entrem em mitose até que um DNA danificado possa ser reparado. Leva em consideração: integridade do DNA e replicação do DNA. ● O terceiro ponto ocorre durante a mitose e assegura que os cromossomos replicados estejam ligados ao fuso mitótico, antes que o fuso separe os cromossomos e os distribua para as células-filhas. Fases da Intérfase ❖ Fase G1: A fase G1 antecede a fase S, logo, antecede a duplicação do DNA. Nesse período as células são metabolicamente ativas, e continuam seu processo de crescimento e aumento de volume, reiniciando a produção de RNA e síntese proteínas e organelas citoplasmáticas, que estavam pausadas durante a fase de divisão celular. Nesse período também ocorre a duplicação dos centrossomos. Ao fim desse processo, ocorrem alguns pontos de checagem, verificando se o processo ocorreu de forma correta. O principal sinal de parada dado em G1 é ofertado por uma proteína conhecida como p53. A p53 pode, inclusive, induzir a célula à apoptose, caso o dano genético seja muito acentuado. Alterações ou ausência da p53 pode ocasionar o câncer, que consiste num crescimento de forma descoordenada de células, e muitas com defeitos no seu funcionamento. Dito isso, entende-se porquê a fase G1 tem um papel importante no controle do ciclo celular. Neste período pode-se definir se a célula continua proliferando ou se retira-se do ciclo e entra em estado de quiescência (G0). A interrupção temporária induzida pela presença de danos no DNA, permite que os mecanismos de reparo atuem antes da replicação na fase S. ★ A fase G1 é o reinício da síntese de RNA e proteínas que estava interrompida durante a mitose. Ocorre a maior taxa de síntese de RNA. ❖ Fase S: É a fase mais importante e longa da interfase. Essa é a fase responsável pela replicação do DNA. Trata-se, também, de um ponto de não retorno do ciclo, que leva necessariamente à divisão celular. O processo de replicação (ou duplicação do DNA) consiste na cópia do material genético a partir da ação combinada de várias enzimas, principalmente a DNA polimerase. Para isso, ocorre a separação das fitas da dupla hélice do DNA que servirão como como molde para a produção de uma nova fita. Toda célula eucariótica diplóide inicia seu ciclo em G1 com uma quantidade de DNA igual a 2n. Durante a fase de síntese, essa quantidade duplica, passando de 2n para 4n, e assim permanece até o final da divisão celular (e consequentemente do ciclo celular), quando é igualmente repartida para as duas células-filhas. As duas células-filhas formadas serão células 2n. ❖ Fase G2: A fase G2, corresponde ao intervalo entre a síntese de DNA e a divisão celular. Nessa etapa, a célula reabastece seu estoque de energia, continua seu crescimento e sintetiza proteínas necessárias para a manipulação e movimentação dos cromossomos. Também ocorre a duplicação de algumas organelas e o citoesqueleto é desmontado para fornecer recursos para a divisão celular. Ou seja, todas as preparações para a fase de divisão celular devem ocorrer até o fim do G2. E, assim como no G1, ao final dessa fase também ocorrerão pontos de checagem para garantir que células com anormalidades não serão divididas e multiplicadas. ★ Na fase G2 ocorre a síntese de proteínas necessárias para a movimentação dos cromossomos. Algumas organelas são duplicadas e o citoesqueleto é desmontado. ★ Depois da interfase, a célula já copiou o seu DNA, de modo que cada cromossomo no núcleo consiste em duas cópias conectadas, chamadas cromátides irmãs. Fase M (Mitose) ★ A fase M (Mitose) envolve a reorganização geral de todos os componentes celulares e a distribuição entre as duas células filhas. Possui 6 fases. ❖ Prófase: Nesta etapa, o envelope nuclear permanece intacto, enquanto a cromatina é duplicada durante a fase S, que condensa em estruturas cromossomais definidas, que são as cromátides. Os cromossomos são a forma como as duas cromátides-irmãs, conectadas por um centrômero, estão. Os cinetocoros são complexos proteicos especializados que se formam e se associam a cada cromátide. Os microtúbulos do fuso mi-tótico vão se ligando a cada cinetocoro, à medida que os cromossomos são separados mais adiante, na mitose ★ Os cromossomos começam a se condensar; o fuso mitótico começa a se formar e parte do nucléolo desaparece. ❖ Prometáfase:O início da prometáfase é marcado pela desmontagem do envelope nuclear. Os microtúbulos do fuso se ligam aos cinetocoros e os cromossomos são puxados pelos microtúbulos do fuso. ★ Maior condensação dos cromossomos; desmontagem do envelope nuclear com liberação dos cromossomos; maior crescimento do fuso mitótico. ❖ Metáfase: Na metáfase, há o alinhamento das cromátides na “linha equatorial” do fuso, entre os dois polos. As cromátides alinhadas formam a placa metafásica. Durante esta etapa, as células podem ser pausadas, quando os inibidores de microtúbulos são usados. Testes de cariótipos, utilizados para determinar o número e a estrutura cromossômica, normalmente, requerem células em metáfase, devido à facilidade de visualização. ★ Alinhamento dos cromossomos na placa metafásica. ★ Antes de entrar na anáfase ocorre o 3º ponto de checagem, onde a célula vai verificar se todos os cromossomos estão na placa metafásica com seus cinetocoros corretamente ligados aos microtúbulos - Cinetocoro é um arranjo de proteínas encontrado no centrômero de cada cromátide irmã que facilita a ligação dos microtúbulos ao cromossomo - ponto de intercessão. Quimioterápico - cromossomos mais condensados. ❖ Anáfase: Aqui, os polos mitóticos são separados mais ainda, como resultado do alongamento dos microtúbulos polares. Cada centrômero se divide em dois e os cinetocoros pareados se separam. As cromátides-irmãs migram na direção dos pólos opostos do fuso. ★ As cromátides irmãs se separam uma da outra e são empurradas em direção às extremidades opostas da célula. ❖ Telófase: Para finalizar a divisão nuclear, durante a telófase ocorre o desmonte dos microtúbulos do cinetócoro e a dissociação do fuso mitótico. Os envelopes nucleares se formam em torno de cada núcleo, contendo as cromátides. As cromátides se descondensam em cromatina dispersada ou heterocromatina e os nucléolos se formam novamente no núcleo das células-filha. ★ Os cromossomos começam a se descondensar; dois novos núcleos são formados e o fuso mitótico é dividido. ★ Citocinese: divisão do citoplasma para formar duas células novas - sulco de clivagem. ★ Resultado = 2 células diplóides (2n) - idênticas à mãe. Regulação do Ciclo Cada parte do ciclo celular é regulado por um conjunto diferente de ciclinas. Existem mecanismos de vigilância no ciclo celular, que servem para detectar danos ao DNA ou aos cromossomos. Esses pontos estão em partes específicas do ciclo, e garantem que imperfeições não completem a replicação. ❖ Checkpoint G1-S: Está presente após a fase de crescimento, e antes da fase de replicação. Dessa forma, se houver alguma alteração, não permite que a célula replique este DNA. ❖ Checkpoint G2-M: Está presente após a fase de crescimento da replicação, e antes da divisão ocorrer. Esse ponto garante que houve replicação correta antes da célula se dividir e o dano se tornar irreversível. Quando as células detectam irregularidades, a ativação desses Checkpoints retarda a progressão do ciclo celular e ativam mecanismos para reparar o DNA. Se o dano for tão grande, que impeça a reparação, há dois caminhos possíveis que a célula pode seguir: pode sofrer apoptose ou entrar em um estado de não replicação (senescência). O principal mecanismo que faz a célula entrar nesse estado de senescência é dependente do p53. Quem faz com que as células obedeçam aos comandos e fiscalizações são os chamados de inibidores de CDK (CDKIs). Eles fazem isso modulando a atividade do complexo criado entre ciclinas e CDKs. Existem várias CDKIs diferentes: ➔ Família composta por 3 proteínas chamadas de p21, p27 e p57 inibem amplamente várias CDKs. ➔ Família de proteínas das CDKI que possuem efeitos seletivos na ciclina-CDK4 e na ciclina-CDK6. Essas proteínas são a p15, p16, p18 e p19. Se houver proteínas de CDKI defeituosas, elas irão permitir que células com DNA danificado se dividam, resultando em células-filhas mutantes com potencial para desenvolver tumores malignos. Logicamente, não só a replicação do DNA deve ocorrer de forma correta, mas a biossíntese de outros componentes celulares, como as membranas e organelas. Dessa forma, quando ocorre sinalização do receptor do fator de crescimento para estímulo da progressão do ciclo celular, ocorre também ativação de eventos que alteram o metabolismo celular que suporta o crescimento. O principal evento é o efeito Warburg (célula capta mais glicose e glutamina, aumenta a glicólise e diminui a fosforilação oxidativa - célula cancerosa = modificações tornam-se fixas). ● Existem proteínas-cinase dependentes de ciclinas (Cdks), que apesar de estarem presentes nas células em proliferação durante todo o ciclo celular, são ativadas apenas em determinados momentos do ciclo. Existem quatro classes de ciclinas: ★ G1/S ciclinas: ativam as Cdks no final de G1, ajudando a desencadear a progressão ao início, monitorando a entrada no ciclo celular. ★ S-ciclinas: se ligam a Ckds após a progressão ao Início e ajudam a estimular a duplicação dos cromossomos. ★ M-ciclinas: ativam as Cdks que estimulam a entrada na mitos na transição G2/M. ★ G1-ciclinas: na maioria das células elas ajudam a regular as atividades das G1/S-ciclinas. ❖ As Cdks não são apenas reguladas pela ligação das ciclinas, mas também pela ativação ou inibição por fosforilação. ❖ Complexos enzimáticos específicos adicionam cadeias de ubiquitina a ciclina apropriada, que então é direcionada ao proteassomo para ser destruída. Essa eliminação rápida de ciclina faz com que a cinase retorne para seu estado inativo. ❖ As ciclinas são degradadas pela ação de duas ligas de ubiquitina diferentes, o complexo promotor da anáfase, ou ciclossomo (APC/C) e a SCF. A SCF controla a transição entre as fases G1 e S pela degradação das ciclinas G1/S e proteínas que inibem as Cdks. ❖ Já o APC/C degrada as ciclinas da fase S e mitóticas. Uma Cdk sozinha fica inativa, mas a ligação com uma ciclina a ativa, tornando-a uma enzima funcional e permitindo que ela modifique proteínas alvo dentro da célula. Como isso funciona? Cdks são quinases, enzimas que fosforilam (ligam grupos fosfato a) proteínas alvo específicas. O grupo fosfato ligado age como um interruptor, tornando a proteína alvo mais ou menos ativa. Quando uma ciclina se liga a uma Cdk, isto tem dois efeitos importantes: ativa a Cdk como uma quinase, mas também direciona a Cdk para um conjunto específico de proteínas alvo, adequadas para o período do ciclo celular controlado pela ciclina. Por exemplo, Ciclinas G1/S enviam Cdks para alvos da fase S (promovendo, por ex., a replicação do DNA), enquanto ciclinas M enviam Cdks para alvos da fase M (fazendo a membrana nuclear se romper). Em geral, os níveis de Cdk permanecem relativamente constantes por todo o ciclo celular, mas a atividade das Cdk e as proteínas-alvo mudam à medida que os níveis das várias ciclinas aumentam e diminuem. Além de precisar de uma parceira ciclina, as Cdks também devem ser fosforiladas em um local específico para serem ativadas, e também podem ser reguladas negativamente pela fosforilação de outros locais. A Cdk inativa não fosforilada contém uma região flexível, chamada de alça T, que impede o acesso dos substratos proteicos ao sítio ativo onde está ligado o ATP. Quando essa Cdk não fosforilada está ligada a uma de suas ciclinas, as interações entre a ciclina e a alça T provocam alteração drástica na posição dessa região, de modo a expor o sítio ativo da Cdk, que apresenta uma atividade cinásica mínima. A partir disso, a fosforilação de ativação na alça T, pela cinase ativadora de Cdk (CAK), provoca alterações adicionais na conformação do complexo ciclina-Cdk que aumentam imensamente a afinidade pelos complexos proteicos. Como resultado, a atividade cinásica do complexo fosforilado é cem vezes maior do que aquela do complexo não fosforilado, fazendo com que a proteína ativada avance o ciclo celular e sinalize a proteína alvo. Complexosde ciclina-Cdk do sistema de controle do ciclo celular. As concentrações dos três principais tipos de ciclinas oscilam durante o ciclo celular, enquanto as concentrações das Cdks (não mostrado) não mudam e superam as quantidades de ciclinas. Na fase G1 níveis crescentes de G1 tardia, /S-ciclina levam à formação de complexos G1 /S-Cdk que promovem a progressão através da transição de Início. Os complexos S-Cdk se formam no início da fase S e desencadeiam a replicação do DNA, assim como alguns eventos mitóticos iniciais. Os complexos M-Cdk se formam durante G2, mas são mantidos em um estado inativo; eles são ativados no fim de G2 mitose na transição G2 e desencadeiam a entrada na /M. Um complexo proteico separado, o APC/C, inicia a transição metáfase-anáfase. Nas células normais, existem proteínas que exercem controle negativo sobre o ciclo celular. Os inibidores de CDK (CDKls) interagem com as CDKs bloqueando sua atividade. As CDKIs, como p21 e p16, exercem controle negativo sobre a proteína pRB por bloquearem a atividade dos complexos ciclina-CDKs que fosforilam a pRB, promovendo assim a parada do ciclo celular na fase G1. O gene supressor de tumor p53 atua como uma das principais vias de controle do ciclo celular, reparo do DNA e indução da morte celular por apoptose, ao ativar a transcrição dos genes p16, GADD45 e BAX. Assim, o gene p53 impede que células com anormalidades em seu DNA completem o ciclo celular. Ao parar o ciclo celular em G1 pela ação da CDKI p16, a célula tem a chance de reparar o dano no DNA antes de dar continuidade ao ciclo através do gene GADD45. O gene BAX, também ativado pela p53, induz a apoptose nas células cujo DNA foi irreversivelmente lesado. Logo, o gene p53 é considerado um "guardião do genoma" por impedir a transformação neoplásica através de três mecanismos: 1. interrompendo o ciclo celular em células com DNA alterado, 2. reparando o DNA e 3. disparando a morte celular programada (apoptose) nas células cujo reparo do DNA não foi possível. 2) Identificar os fatores que interferem na regulagem da divisão celular. Os fatores que interferem na regulagem da divisão celular são chamados de fatores de crescimento e seus receptores. Eles estimulam a atividade de genes que são necessários ao crescimento e à divisão celular. A atividade dos fatores de crescimento depende da ligação aos receptores específicos. Com isso, a expressão de genes pode gerar diferentes desfechos: ➔ Promover a entrada de células no ciclo celular ➔ Aliviar bloqueios da progressão do ciclo celular, incentivando a replicação ➔ Evitar a apoptose ➔ Ativar a biossíntese dos componentes celulares necessários para que uma célula mãe dê origem a duas células filhas. De modo geral, os fatores de crescimento são proteínas que estimulam a proliferação e sobrevivência das células. Contudo, é preciso lembrar que, ao exercer esse papel, ela pode desencadear outras atividades na célula, como migração, diferenciação e capacidade de síntese. Esses fatores são importantes para as células tanto em estado homeostático, quanto em lesões, quando células precisam ser substituídas. A proliferação não controlada pode ocorrer quando a atividade do fator de crescimento estiver desregulada ou quando as vias de sinalização estiverem alteradas. Essas vias de fatores de crescimento contém muitos proto oncogenes, assim, mutações com ganho de função nesses genes podem convertê-los em oncogenes capazes de promover proliferação celular irrestrita e formar tumores. ➔ Fator de Crescimento Epidérmico (EGF) e Fator de Crescimento Transformante α (TGF-α): Eles ligam-se aos mesmos receptores e por isso compartilham muitas atividades biológicas. São produzidos por macrófagos e células epiteliais. São mitogênicos para hepatócitos, fibroblastos e células epiteliais. Mutações ou amplificações ocorrem com frequência em certo grupo de cânceres, incluindo os de pulmão, cabeça, pescoço, mama e cérebro. O receptor do ERB-B2 (HER2) é superexpresso em um subconjunto de cânceres de mama. Muitos desses receptores foram terapeuticamente bloqueados por anticorpos e moléculas antagonistas. ➔ Fator de Crescimento do Hepatócito (HGF): Possui efeito mitogênico nos hepatócitos e na maioria das células epiteliais, incluindo as biliares, pulmonares, renais, mamárias e epidérmicas. Ele auxilia o padrão de diferenciação do tecido embrionário (morfogênico), promove a migração de células e estimula a sobrevivência dos hepatócitos. O MET é o receptor, e é frequentemente superexpresso ou mutante em neoplasias, especialmente carcinomas renais e papilares da tireóide. Os inibidores do MET podem ser úteis na terapia contra o câncer. ➔ Fator de Crescimento Derivado da Plaqueta (PDGF): Existem várias formas desse fator de crescimento. Todas elas se ligam a dois receptores de superfície celular (PDGFR α e β). O PDGF estimula a proliferação de fibroblastos, células endoteliais e células musculares lisas, a síntese de MEX e é quimiotático para essas células e para as células inflamatória, promovendo recrutamento dentro de áreas de lesão tecidual e inflamação. ➔ Fator de Crescimento do Endotélio Vascular (VEGFs): ★ VEGF-A: principal fator angiogênico após lesões e em tumores ★ VEGF-B e PIGF: envolvidos no desenvolvimento de vasos embrionários ★ VEGF-C e VEGF-D: estimulam a angiogênese e o desenvolvimento de vasos linfáticos (linfangiogênese). Eles estão envolvidos também na manutenção do endotélio normal adulto, se manifestando mais intensamente em epitélios fenestrados (podócitos no rim, epitélio pigmentado da retina, plexo coróide no cérebro). Ele estimula a angiogênese através da promoção da migração das células endoteliais, além de proliferação (brotamento capilar) e formação da luz vascular. Os VEGFs também provocam dilatação vascular e aumento da permeabilidade vascular. Os VEGFs se ligam à uma família de receptores, sendo o VEGFR-2 o mais expresso no endotélio e mais importante para a angiogênese. Anticorpos contra o VEGF são aprovados para o tratamento de vários tumores, como câncer de cólon e rim, já que precisam da angiogênese para crescer e disseminar. O aumento dos níveis de VEGFR-1 em mulheres grávidas provoca pré-eclâmpsia ao retirar o VEGF necessário para manter o endotélio normal. Sobre a biologia da carcinogênese *A angiogênese sustentada é um correlato biológico das neoplasias malignas. Para isso, destaca-se o papel do fator de crescimento endotelial vascular (VEGF) nesse processo. Fator de Crescimento do Fibroblasto (FGFs): Contribuem nos processo de restauração de feridas, hematopoiese e desenvolvimento. Fator de Crescimento Transformante β (TGF-βp): Possui 3 isoformas. ➔ TGF β1: mais distribuído. Ativa ou inibe a transcrição de genes. Tem efeitos múltiplos e frequentemente opostos, dependendo do tecido alvo e dos sinais concomitantes. Basicamente, ele controla a formação de cicatrizes e freia a inflamação que acompanha a restauração de feridas. O TGF-β estimula a produção de colágeno, fibronectina e proteoglicanos, inibindo a degradação do colágeno, por diminuir a atividade das metaloproteinases da matriz (MMP) e por aumentar a atividade dos inibidores teciduais das metaloproteinases. O TGF-β está envolvido não apenas na formação de cicatrizes após traumas, mas também na fibrose de pulmão, fígado e rins, em situações de inflamação crônica. Além disso, ele é uma citocina anti-inflamatória que serve para limitar e encerrar as respostas inflamatórias, através da proliferação de linfócitos e da atividade de outros leucócitos. Os modelos animais com ausência de TGF-β fazem inflamação persistente e difusa. A probabilidade de mutações pode aumentar quando uma pessoa é exposta a certos fatores químicos, físicos, biológicos Radiação Ionizante: Pode predispor indivíduos ao câncer. A radiação forma íons nas células do tecido que são altamente reativos, e podem romper as fitas do DNA, causando mutações. Substâncias Químicas:São chamadas de “carcinógenos”. Atualmente, os que mais causam morte são os da fumaça do cigarro. Irritantes Físicos: Um exemplo é a abrasão contínua do revestimento do trato intestinal por alguns tipos de alimentos. O dano aos tecidos leva à substituição mitótica das células. Quanto mais rápida a mitose, maior a chance de mutação Tendência Hereditária: A maioria dos cânceres requer mais de 1 mutação prévia. Em famílias que são predispostas ao câncer, presume-se que um ou mais genes cancerígenos já estejam mutados no genoma herdado. Dessa forma, menos mutações adicionais precisam ocorrer para que um câncer surja. Oncovírus: HPV, Vírus da Hepatite B e C, Vírus Epstein-Barr, HIV, Vírus da leucemia de células T, herpes-vírus associado ao sarcoma de Kaposi (KSHV), Poliomavírus de células de Merkel. Os mecanismos não são totalmente compreendidos, mas existem duas formas potenciais. Vírus de DNA (HPV): A fita de DNA do vírus pode se inserir diretamente em um dos cromossomos, causando mutações que levam ao câncer. Vírus de RNA: Alguns carregam consigo uma enzima chamada transcriptase reversa, que faz com que o DNA seja transcrito a partir do RNA. O DNA transcrito então se insere no genoma da célula, levando ao câncer. Carcinogênese viral - oncovírus - tanto vírus de RNA como de DNA podem induzir ao câncer; - Rna: retrovírus que possuem a enzima transcriptase reversa; Possuem oncogenes; - Dna: fita do dna se insere no cromossomo -> mutação. Ex: (HPV), Epstein-Barr (EBV), hepatite B (HBV) e o herpes-vírus humano tipo 8 (HHV 8). Outros agentes: A infecção crônica por bactérias resulta em hiperestimulação linfocitária -> proliferação policlonal de linfócitos B -> podem sofrer mutações -> vantagem proliferativa às células -> linfoma. Carcinogênese química Desde alimentos naturais até compostos altamente modificados pelo homem. Atuam sobre o DNA; os genes mais afetados são RAS e TP53. -Diretos: agentes que possuem atividade eletrofílica intrínseca; causam câncer diretamente. -Indiretos: precisam de estímulo para serem ativados. Exemplos: Hidrocarbonetos policíclicos aromáticos; Aminas aromáticas; Alquilantes; Nitrosaminas; Aflatoxinas; Cloreto de vinil; Carcinógenos inorgânicos. Irritantes físicos: Abrasão contínua do revestimento do trato intestinal por alguns tipos de alimentos. O dano aos tecidos leva à rápida substituição mitótica das células; quanto mais rápida a mitose, maior a chance de mutação. Carcinogênese por radiação: São capazes de ativar oncogenes; pode ocorrer anos após. As radiações ultravioletas da luz solar, os raios X (principalmente com o contato frequente), o contato com agentes químicos e a infecção por alguns vírus podem provocar alterações na molécula de DNA capazes de modificar a estrutura de um ou mais genes. Mais tarde, quando essa célula se dividir, transmitirá para as filhas os genes que sofreram mutação. Raios ultravioletas - câncer de pele; Melanina é como um filtro. Estimula linfócitos T supressores a inibir a resposta imunitária. ->Poder deletério à molécula de DNA por atuarem na radiólise da água o que gera os radicais hidroxila reativos (OH). Raios ionizantes - eletromagnéticos (X e gama) ou partículas (partículas alfa e beta, prótons e nêutrons). ->Atravessam matéria orgânica -> colidem com átomos -> liberam elétrons das moléculas -> radicais livres e íons reativos -> alterações estruturais no código genético. ->Danos nos anéis de purinas e pirimidinas, perda de bases nitrogenadas ou quebra das fitas de DNA. Síndromes hereditárias: Mutação em células germinativas; neoplasias familiares. 3) Relacionar a perda do controle da multiplicação celular com o aparecimento de neoplasias. Entende-se que o cerne da carcinogênese está nos danos genéticos não letais. As causas para esse dano inicial (mutação) podem ser variadas. Um tumor é formado pela expansão clonal de uma única célula precursora que sofreu um dano genético. Por essas alterações serem hereditárias, todas as células dentro de um tumor compartilham do mesmo conjunto de mutações presentes no momento da transformação. Existem quatro classes de genes reguladores normais mais suscetíveis a serem alvos de mutações causadoras de câncer: ➔ Proto-oncogenes promotores de crescimento → geralmente são mutações que causam um aumento excessivo em uma das funções do produto genético codificado, ou confere uma função nova (oncogênica) a esse produto genético afetado. ➔ Genes supressores do tumor, que inibem o crescimento → geralmente são mutações que causam perda de função. Geralmente esses genes se comportam de forma recessiva, pois precisam da danificação de ambos os alelos para a transformação ocorrer. ➔ Genes que regulam a morte celular programada (apoptose) → podem adquirir anomalias que resultam em menos mortes e maior sobrevida das células. Essas alterações incluem ganho de função em genes que suprimem apoptose e mutações de perda de função em genes que promovem morte celular. ➔ Genes envolvidos no reparo do DNA → esse tipo de mutação contribui indiretamente para a carcinogênese, prejudicando a capacidade da célula de reconhecer danos não letais. As células adquirem mutações de forma acelerada, ficando em um estado designado por fenótipo mutante , marcada pela instabilidade genômica. A carcinogênese resulta no acúmulo de mutações complementares de forma gradual ao longo do tempo. As neoplasias malignas possuem várias características conhecidas como “marcas registradas do câncer”. ★ Crescimento excessivo ★ Invasividade local ★ Capacidade de formar metástases distantes → alterações genômicas que alteram a expressão e função dos genes fundamentais→ fenótipo maligno. São chamadas de mutações condutoras aquelas que contribuem para o desenvolvimento de um fenótipo maligno. A primeira mutação condutora que indica uma célula a ser maligna é chamada de mutação iniciadora, que costuma ser mantida nas outras células desse câncer. O desenvolvimento do câncer necessita que a célula iniciada adquira um número de mutações condutoras adicionais, que também auxiliam no desenvolvimento do câncer. O tempo no qual isso ocorre é desconhecido na maioria dos cânceres. Os cânceres surgem de células semelhantes às células tronco, chamadas de células-tronco do câncer, que tem capacidade de autorrenovação e persistência a longo prazo. Um outro fator que induz a malignidade são as mutações com perda de função, que mantém a integridade genômica, principalmente para o desenvolvimento de tumores sólidos. Essas mutações fazem o genoma ficar instável, com maior probabilidade de adquirir mutações condutoras e mutações passageiras, que são mais comuns. ❖ O câncer é, basicamente, uma doença causada por divisão celular descontrolada. Seu desenvolvimento e progressão estão normalmente ligados a uma série de alterações na atividade dos reguladores do ciclo celular; ❖ O crescimento celular descontrolado ocorre em razão de mutações somáticas ou da herança de uma ou mais mutações pela linhagem germinativa, seguidas de mais mutações somáticas. ❖ As células cancerosas, em vez de morrerem, continuam crescendo incontrolavelmente, formando outras novas células anormais. ❖ Uma célula normal pode sofrer mutações, que podem acontecer em genes especiais, os proto-oncogenes. ❖ Os efeitos cumulativos de diferentes agentes cancerígenos são os responsáveis pelo início, promoção, progressão e inibição do tumor. ❖ O dano inicial pode ser causado por exposições ambientais, pode ser herdado de linhagens germinativas ou pode ser espontânea e aleatória. ❖ Um tumor é formado pela expansão clonal de uma única célula precursora que sofreu dano genético, afinal as alterações do DNA são hereditárias, sendo passadas para as células filhas e, portanto, todas as células dentro de um tumor partilham o mesmo conjunto de mutações que estavam presentes no momento da transformação. ❖ Contudo, durante o processo de progressão, onde se acumulam alterações genéticas,uma subpopulação celular pode surgir e apresentar uma determinada alteração distinta do restante da massa celular tumoral. ❖ Genes reguladores de apoptose podem adquirir anomalias que resultam em menos mortes e, portanto, maior sobrevida das células. Essas alterações incluem mutações de ganho de função em genes cujos produtos suprimem a apoptose e mutações de perda de função em genes cujos produtos promovem a morte celular e também em genes de reparo de DNA. ❖ As células normais requerem uma estimulação pelos fatores de crescimento para proliferarem. Muitas células cancerígenas adquirem a habilidade de sintetizar os mesmos fatores de crescimento a que são responsivas, criando uma alça autócrina. ❖ Um grande número de oncogenes codificam receptores de fatores de crescimento, dos quais os receptores tirosina cinases são os mais importantes. ❖ As versões oncogênicas destes receptores estão associadas com mutações que conduzem à atividade constitutiva de tirosina cinase independente de fator de crescimento. ❖ Assim, receptores mutantes liberam sinais mitogênicos contínuos para a célula, mesmo na ausência de fator de crescimento no ambiente. ❖ Nas etapas do processo de carcinogênese, cada modificação genética confere a célula tumoral um tipo de vantagem, incluindo: sustentação do sinal de proliferação, evasão dos supressores de crescimento, resistência a morte celular, imortalidade replicativa, indução de angiogênese, mecanismos de metástase… ❖ A sustentação do sinal de proliferação e a perda do controle do ciclo celular geralmente ocorrem por mutações em genes responsáveis pelos pontos de checagem, permitindo que as células atravessem esses pontos e dividem-se, mesmo que as condições requeridas para esse processo não sejam cumpridas. ❖ A expectativa de vida de uma célula depende muito do encurtamento dos telômeros. A enzima telomerase, cuja função é impedir o encurtamento desses telômeros, está ativa nas células germinativas e tumorais. Angiogênese sustentada Invasão de tecido e metástase Os telômeros evitam a degradação dos cromossomos. Um telômero é uma região de sequências repetitivas de nucleotídios localizadas em cada extremidade de uma cromátide. Os telômeros funcionam como capas protetoras que impedem a deterioração do cromossomo durante a divisão celular. Durante a divisão celular, um pequeno pedaço de primer de RNA se liga à fita de DNA para iniciar a replicação. No entanto, como o primer não se fixa no final da fita de DNA, a cópia está perdendo uma pequena seção do DNA. Com cada divisão celular, o DNA copiado perde nucleotídios adicionais da região do telômero. As sequências de nucleotídios fornecidas pelos telômeros evitam, portanto, a degradação dos genes próximos às extremidades dos cromossomos. Sem os telômeros, os genomas perderiam informações progressivamente e seriam cortados após cada divisão celular. Assim, os telômeros podem ser considerados para-choques cromossômicos descartáveis que ajudam a manter a estabilidade dos genes, mas são gradualmente consumidos durante as repetidas divisões celulares. Nas células sanguíneas humanas, o comprimento dos telômeros varia de 8.000 pares de bases no nascimento até 1.500 em pessoas mais velhas. Eventualmente, quando os telômeros encurtam para um comprimento crítico, os cromossomos tornam-se instáveis e as células morrem. Acredita-se que esse processo de encurtamento dos telômeros seja uma razão importante para algumas das mudanças fisiológicas associadas ao envelhecimento. A erosão dos telômeros também pode ocorrer como resultado de doenças, especialmente aquelas associadas ao estresse oxidativo e à inflamação. Em algumas células, como as células-tronco da medula óssea ou da pele, que devem ser reabastecidas ao longo da vida, ou as células germinativas nos ovários e nos testículos, a enzima telomerase adiciona bases às extremidades dos telômeros para que muitas outras gerações de células possam ser produzidas. No entanto, a atividade da telomerase é geralmente baixa na maioria das células do corpo e, após muitas gerações, as células descendentes herdam cromossomos defeituosos, tornam-se senescentes e param de se dividir. Esse processo de encurtamento dos telômeros é importante na regulação da proliferação celular e na manutenção da estabilidade gênica. Nas células cancerosas, a atividade da telomerase é ativada de forma anormal, de modo que o comprimento do telômero é mantido, tornando possível que as células se repliquem continuamente de maneira incontrolável. Alguns cientistas, portanto, propuseram que o encurtamento do telômero nos protege do câncer e de outras doenças proliferativas 4) Defina o que é proto oncogene, oncogene epigenética e gene supressor de tumor e a sua relação na gênese do câncer. O processo de formação do câncer é chamado de carcinogênese ou oncogênese e, em geral, acontece lentamente, podendo levar vários anos para que uma célula cancerosa prolifere-se e dê origem a um tumor visível. ❖ Proto Oncogenes - genes que participam do controle da proliferação celular dos tecidos normais. Alterações em número, estrutura e em atividade originam os oncogenes. É suficiente apenas 1 alelo alterado. Codificam proteínas do arsenal celular (fatores de transcrição) e proteínas que fazem parte do processo de sinalização de proliferação e sobrevivência celular. O que são oncogenes? * ❖ Oncogenes - versões mutantes ou superexpressas de proto-oncogenes que funcionam de forma autônoma sem exigência de sinais normais de promoção do crescimento. A epigenética diz respeito a alterações do DNA que não modificam sua sequência, mas afetam a atividade de um ou mais genes. Adicionar compostos químicos a genes, por exemplo, pode alterar sua atividade, sem necessariamente promover mudanças no DNA. Falhas na metilação do DNA e nas modificações de histonas estão associadas ao surgimento de diversos tipos tumorais. ● Proto-oncogenes e gene supressor: Significado: - Proto Oncogenes: são genes que ajudam as células a crescer. - Oncogene: são genes relacionados com o aparecimento e crescimento de tumores (malignos ou benignos). Ele depende da ativação do proto-oncogenes. - Gene supressor: são genes que suprimem o desenvolvimento da célula. Aumenta a possibilidade de tumor quando este gene está inativado. Regulação: As alterações genéticas que promovem o desenvolvimento de câncer ocorrem em duas classes de genes reguladores do crescimento, que estão presentes em células normais: os proto-oncogenes, que promovem o crescimento e os genes supressores de tumor, que inibem o crescimento celular. Alterações nos proto-oncogenes e nos genes supressores de tumor podem provocar desenvolvimento de células com crescimento descontrolado. Os oncogenes foram primeiramente descritos em genoma retroviral que induziam tumores em animais. Estes genes foram chamados de oncogenes virais. Posteriormente, foi descoberto que os oncogenes apresentavam seqüências muito semelhantes ao DNA das células normais, chegando-se a conclusão que os vírus provocam mudanças na seqüência de DNA da célula normal que foram infectadas. A partir deste achado os genes normais foram chamados de proto-oncogenes. Os proto-oncogenes podem transformar-se em oncogenes através de 2 formas gerais: 1. Mudanças na estrutura do gene, resultando na síntese de oncoproteínas (produtos genéticos anormais). 2. Mudanças na regulação da expressão do gene, resultando um aumento ou produção inadequada de proteínas promotoras de crescimento estruturalmente normais. Algumas síndromes cancerígenas são causadas por mutações herdadas dos proto-oncogenes que fazem com que o oncogene seja ativado. Mas, a maioria das mutações que causam câncer envolvendo oncogenes é adquirida, não herdada. Geralmente ativam os oncogenes por: - Mutação em ponto: o oncogene ras é o melhor exemplo de mutação em ponto e está associado a um grande número de tumores humanos. Por exemplo, 90%dos adenocarcinomas pancreáticos, 50% dos cânceres de cólon, endométrio e tireóide e 30% dos adenocarcinomas pulmonares e leucemias mielóides apresentam este tipo de alteração. - Translocação cromossômica: o rearranjo do material genético por translocação cromossômica usualmente resulta em aumento da expressão do proto-oncogene. O melhor exemplo de translocação provocando tumor ocorre no linfoma de Burkitt e resulta no movimento do segmento contendo c-myc do cromossomo 8 para o cromossomo 14q na banda 32. - Amplificação gênica: a ativação do proto-oncogene associada com aumento da expressão de seus produtos pode resultar da reduplicação do DNA, produzindo várias cópias de proto-oncogene nas células tumorais. O caso mais interessante de amplificação envolve N-myc em neuroblastoma e c-erb B2 em câncer de mama. Os oncogenes codificam proteínas chamadas oncoproteínas que participam na transdução de sinais durante várias etapas do ciclo celular. Existem 4 categorias de oncogenes que estão associados a divisão celular e desenvolvimento de câncer que são: fator de crescimento, receptor de fator de crescimento, proteínas envolvidas na transdução de sinais e proteínas reguladoras nucleares. Os genes supressores de tumor (anti-oncogenes) codificam proteínas que inibem a divisão celular. Por desempenharem esta função e terem sido descobertos em estudo de tumores receberam esta denominação. O primeiro gene supressor de tumor descrito foi o Rb o qual está localizado no cromossomo 13q14 e está associado ao desenvolvimento do retinoblastoma, que afeta aproximadamente 1 em 20.000 crianças. O p53 é o gene supressor de tumor mais comumente relacionado aos cânceres humanos. Alterações nestes genes são encontradas em aproximadamente 70% dos cânceres de cólon, em 30 a 50% dos cânceres de mama e em 50% dos cânceres de pulmão. Além dos tumores epiteliais, mutação no p53 tem sido encontrada em leucemias, linfomas, sarcomas e tumores neurogênicos. Os mecanismos pelos quais os genes supressores de tumor inibem a divisão celular são pouco conhecidos. Entretanto, evidências sugerem que os sinais que inibem a divisão celular originam-se fora da célula e utilizam-se de receptores de membrana, proteínas citoplasmáticas e proteínas nucleares para realizarem seus efeitos, como ocorre nos oncogenes. ★ OBS.: Uma diferença importante entre oncogenes e genes supressores do tumor é que os oncogenes resultam da ativação de proto-oncogenes, enquanto que os genes supressores do tumor provocam câncer quando eles são inativados. ❖ Epigenética - Expressão ou inibição de genes sem ocorrer mutação de DNA. São alterações reversíveis, hereditárias. Capacidade de ativar ou suprimir alguns genes. Moduladas por fatores externos. -Metilação: transferência de radicais metil por ação de uma DNA metiltransferase; silencia a expressão dos genes. DNA hipometilado - cromatina ativa; DNA hipermetilado - cromatina inativa e silenciamento. -Modificações das histonas: altera a acessibilidade do DNA aos diferentes fatores que atuam, como as enzimas de transcrição. Significado: É um termo referido como uma extra informação genética que com ajuda de modificações de cromatina e DNA ajudam ou inibem determinado genes. Regulação: A regulação epigenética é o processo pelo qual a atividade de um gene é modulada através de modificações covalentes do DNA, de histonas associadas ao DNA, ou da organização estrutural da cromatina em que está inserido. Existem três mecanismos principais de alterações epigenéticas: metilação do DNA, modificações de histonas e ação de RNAs não codificadores. Todos estes mecanismos parecem estar interligados para a organização estrutural da cromatina tornando-a mais acessível ou não aos fatores de transcrição. As mudanças epigenéticas são fortemente influenciadas pelo ambiente. Qualquer alteração ambiental, ataque de patógenos, tipo de alimentação pode acarretar em mudanças epigenéticas. O estresse ambiental, incluindo a hibridação e a poliploidização, são determinantes na ocorrência de variações epigenéticas. Sendo assim, a epigenética está intimamente relacionada com o aumento de variabilidade fenotípica dos indivíduos resultando em relevante importância para a evolução também. - Metilação de DNA: A metilação do DNA está relacionada normalmente ao silenciamento de genes. Ela ocorre em 70 a 80% nas ilhas CpG que estão associadas aos promotores gênicos. A conformação da cromatina relaciona-se com a metilação, ou seja, regiões altamente metiladas estão associadas à heterocromatização. A metilação consiste na adição de um radical metil (CH3) no carbono 5 da base nitrogenada citosina que é seguida por uma base guanina. Após a adição do radical metil, a base nitrogenada metilada passa a se chamar 5-metil-citosina. Essa adição é feita por enzimas DNA-metiltransferases (DNMTs) que podem ser de 3 tipos: DNMT3A e DNMT3B são responsáveis por fazer novas metilações, enquanto a DNMT1 cuida da manutenção da metilação. A manutenção feita pela enzima DNMT1 é importante, uma vez que a desmetilação do DNA pode ocorrer de forma passiva, ou seja, naturalmente, ao longo das várias etapas da replicação. Se não houver a atividade da DNMT1, a citosina será desmetilada. A metilação do DNA leva ao recrutamento de proteínas que causam a compactação da cromatina, impedindo que a enzima RNA-polimerase se ligue à molécula. Dessa forma não ocorre a expressão gênica, uma vez que a RNA-polimerase é a enzima responsável pela transcrição, ou seja, pela síntese de RNA a partir da informação contida na fita do DNA. Resumindo: As DNA metiltransferases estão envolvidas na adição covalente de grupos metilo a citosinas, marcando assim o DNA sem interferir com o emparelhamento entre bases. A metilação do DNA silencia a expressão de genes interferindo com a ligação de complexos protéicos responsáveis pela transcrição. - Modificações de histonas: As modificações de histonas melhor estudadas são as acetilações, fosforilações e ubiquitinações, formando o que chamamos de código de histonas determinando a conformação da cromatina. Nos nucleossomas, os monómeros histónicos expõem as caudas N-terminal, que estão sujeitas a modificações covalentes por ação de enzimas modificadoras das histonas. A acetilação das histonas, consiste na adição de um radical acetil (COCH3) nos resíduos de lisina das histonas e ocorre por meio da enzima chamada histona acetiltransferases (HATs). A acetilação das histonas está geralmente associada a um estado mais ativo da cromatina (isto é, a níveis mais elevados de transcrição), inversamente, a desacetilação de histonas, pela enzima desacetilases (HDACs) retiram o radical acetil, estando geralmente associada a um silenciamento transcricional de genes. A metilação de histonas pela ação das metiltransferases de histonas pode contribuir tanto para a ativação como para o silenciamento de genes, dependendo da posição da marca de metilação. A posição e a natureza das modificações das histonas e as consequências dessas modificações constituem no seu conjunto o código das histonas. As marcas das histonas são abreviadas e incluem o nome da histona, a posição da marca, e a natureza e número de marcas. Existem muitos genes que codificam enzimas de modificação de histonas, e as funções específicas de cada um não estão completamente caracterizadas. As modificações das histonas afetam diretamente a estrutura do nucleossoma. ★ OBS.: Compactação da cromatina = estado menos ativo. Descompactação da cromatina = estado mais ativo. - Ação de RNAs não codificantes: Desde a descoberta do primeiro microRNA em 1993, nosso conhecimento de RNAs não-codificantes cresceu exponencialmente. Antes vistos como lixo transcricional, dada a falta de tradução em proteínas, os RNAs não-codificantes são hoje conhecidos por desempenhar relevantes papéis biológicos. Existem diversos tipos de RNAs não codificantes, os mais proeminentes incluem RNAs longosnão-codificantes, microRNAs (miRNA) e pequenos RNAs de interferência (siRNA). A ação de RNAs não codificantes está relacionada ao silenciamento pós transcricional de genes através do complexo de silenciamento induzido por RNA (RISC), onde ocorre o bloqueio da tradução ou degradação de RNAm. Além, da ação bloqueadora da transcrição, os siRNA podem ser associados à metilação de seqüências de DNA. O que são genes supressores de tumor? * ❖ Genes supressores tumorais - reguladores da proliferação celular, controle de danos ao genoma e impedem o crescimento descontrolado. Ex: p53 (no braço curto do cromossomo 17); gene RB cromossomo 17. Para haver contribuição para a oncogênese terá que haver perda da expressão/função. Os genes são recessivos, então é preciso alteração em 2 alelos. -governantes: agem como importantes freios à proliferação celular; Rb: regulador da proliferação. Dentre outras atividades, seu produto gênico regula o avanço das células através do ponto de checagem entre G1/S. Passando a sequestrar o E2F menos eficientemente, as mutações no Rb levam ao aumento da atividade de fator de transcrição do E2F e as células podem continuar no ciclo na ausência de um estímulo do crescimento. Polipose Adenomatosa Colônica (APC): Os genes da polipose adenomatosa colônica (APC) são uma classe de supressores de tumor que diminuem os sinais promotores do crescimento na via de sinalização WNT. Genes reguladores da apoptose - aumento da sobrevivência celular. Aumento de genes anti apoptóticos ou redução de genes pró apoptóticos. Genes que regulam a interação celular - células neoplásicas x sistema imune. Células neoplásicas x mesênquima. ** O acúmulo das alterações patogênicas e epigenéticas levam à proliferação clonal das células cancerígenas e essas adquirem um conjunto de características que favorecem o crescimento e a disseminação tumoral. 5) Definir neoplasia, sua classificação e nomenclatura. ● Terminologias importantes: Hipertrofia - aumento do tamanho da célula. Hipotrofia/atrofia - redução do tamanho da célula (diminuição quantitativa dos componentes estruturais). Hiperplasia - aumento do número de células. Hipotrofia - diminuição do número de células. Metaplasia - alteração reversível onde um tipo de célula adulta, epitelial ou mesenquimal, é substituída por outro tipo de célula adulta. Exemplo: fumantes (substituição do epitélio pseudoestratificado cilíndrico ciliado da mucosa brônquica por epitélio estratificado escamoso - metaplasia escamosa), metaplasia escamosa na endocérvice do colo uterino, gastrite crônica (metaplasia intestinal na mucosa gástrica), entre outros. Anaplasia - perda da diferenciação celular. Displasia - mudança do fenótipo celular. Metástase - é a formação de uma nova lesão tumoral a partir de outra, mas sem continuidade entre as duas, disseminação pode ocorrer por via sanguínea ou linfática. ● Neoplasia é uma lesão constituída por proliferação celular anormal, descontrolada e autônoma, em geral com perda ou redução da diferenciação, em consequência de alterações em genes ou proteínas que regulam a multiplicação e a diferenciação de células. ● Os tumores podem ser classificados de acordo com (1) comportamento clínico – benigno ou maligno (2) aspectos microscópicos e (3) origem da neoplasia – epitelial, mesenquimal ou embrionária. Classificação de neoplasias: Neoplasias são classificadas quanto ao comportamento clínico, aspecto macroscópico e origem. Nomenclatura: A nomenclatura dos diferentes tipos de câncer está relacionada ao tipo de célula que deu origem ao tumor. Sufixo: ➔ oma: neoplasia benigna. ➔ sarcoma: neoplasia maligna de células de origem mesenquimal/tecido conjuntivo (osso, cartilagem, gordura, músculo, vascular). São mais raras. ➔ carcinoma: neoplasias malignas do tecido epitelial de revestimento interno e externo. ➔ teratomas, -mixomas e -blastomas: neoplasias de origem embrionária. Ainda sobre a nomenclatura dos tumores, cabe ressaltar que, geralmente, além do tipo histológico, acrescenta-se a topografia. Exemplo: x de pulmão, y de de pâncreas. A nomenclatura dos diferentes tipos de câncer está relacionada ao tipo de célula que deu origem ao tumor. Como o corpo humano possui diferentes tipos de células que formam os tecidos, o nome dado aos tumores depende do tipo de tecido que lhes deu origem. Em relação ao tecido: Nos tumores benignos, a regra é acrescentar o sufixo -oma (tumor) ao termo que designa o tecido que os originou. Exemplos: ★ Tumor benigno do tecido cartilaginoso: condroma. ★ Tumor benigno do tecido gorduroso: lipoma. ★ Tumor benigno do tecido glandular: adenoma. Em relação a origem embrionária: ➔ Tumores malignos originados dos epitélios de revestimento externo e interno são denominados carcinomas; quando o epitélio de origem é glandular, passam a ser chamados adenocarcinomas. Exemplos: carcinoma de células escamosas, carcinoma basocelular, carcinoma sebáceo. ➔ Tumores malignos originados dos tecidos conjuntivos (mesenquimais) têm o acréscimo de sarcoma ao final do termo que corresponde ao tecido. Exemplo: tumor do tecido ósseo – osteossarcoma. Ainda sobre a nomenclatura dos tumores, cabe ressaltar que, geralmente, além do tipo histológico, acrescenta-se a topografia. Por exemplo: ● Adenocarcinoma de pulmão. ● Adenocarcinoma de pâncreas. ● Osteossarcoma de fêmur. Exceções: A nomenclatura dos tumores pode ser feita também das seguintes formas: ➔ Utilizando o nome dos cientistas que os descreveram pela primeira vez (ou porque sua origem celular demorou a ser esclarecida, ou porque os nomes ficaram consagrados pelo uso). Exemplos: linfoma de Burkitt, sarcoma de Kaposi e tumor de Wilms. ➔ Utilizando nomes sem citar que são tumores, como Por exemplo: doença de Hodgkin; mola Hida- tiforme e micose fungoide. Embora os nomes não sugiram sequer neoplasia, trata-se de tumores do sistema linfático, de tecido placentário e da pele, respectivamente. Características: Diferenciação: O termo diferenciação refere-se ao grau em que as células neoplásicas assemelham-se às células normais. As neoplasias benignas apresentam células bem diferenciadas ou seja, semelhantes às células do tecido de origem. As neoplasias malignas apresentam células com grau variável de diferenciação. As células indiferenciadas são também chamadas de anaplásicas. As células anaplásicas apresentam variação de tamanho e forma. As principais características da células anaplásicas são: ★ Pleomorfismo ★ Núcleo hipercromático ★ Relação núcleo-citoplasma aumentada ★ Aumento no tamanho e número dos nucléolos ★ Mitoses atípicas. Ritmo de crescimento: Geralmente a maioria das neoplasias benignas cresce lentamente e as malignas crescem rapidamente. Entretanto, alguns tumores benignos podem apresentar crescimento mais rápido que tumores malignos. O ritmo de crescimento depende do tipo de tumor e de alguns fatores como suprimento sangüíneo e hormonal. Invasão: As neoplasias benignas crescem por expansão, permanecendo no local de origem, sem infiltrar ou invadir tecidos vizinhos ou provocar metástase para outros locais. As neoplasias benignas são geralmente circunscritas por uma cápsula de tecido fibroso que delimita as margens do tumor. Devido à cápsula, os tumores benignos formam massas isoladas, palpáveis e móveis, passíveis de enucleação cirúrgica. Entretanto, alguns tumores benignos são localmente invasivos e recidivantes, como os ameloblastomas e mixomas. As neoplasias malignas são invasivas provocando destruição dos tecidos adjacentes e podendo desenvolver metástase regional e à distância. Devido a essa característica invasiva, é necessária a ressecção cirúrgica de considerável margem de tecido aparentemente normal, conhecida como cirurgia radical. É preciso ressaltar que alguns tipos de câncer evoluem de uma lesão inicial conhecida como carcinoma in situ. Neste estágio as células tumorais estão restritas ao epitélio e não romperam a membrana basalcom conseqüente invasão do conjuntivo. As ressecções cirúrgicas nesta fase são menores com um maior índice de cura. Metástase: É a principal característica das neoplasias malignas e a disseminação das células tumorais ocorre através dos vasos sangüíneos, linfáticos ou cavidades corporais. Todos os tipos de câncer podem provocar metástases, com poucas exceções como o carcinoma basocelular de pele e os gliomas (neoplasias de células gliais do SNC). O desenvolvimento de metástase diminui de maneira acentuada a possibilidade de cura dos pacientes. As principais vias de disseminação são: ➔ Disseminação através de cavidades e superfícies corporais: Esse tipo de disseminação ocorre quando células neoplásicas penetram em uma cavidade natural, como a peritonial. Em casos de carcinomas de ovário não é raro que as superfícies peritoneais fiquem revestidas por células neoplásicas. Outras cavidades corporais podem estar envolvidas como a pleural, pericardial e subaracnóide. ➔ Disseminação linfática: As células tumorais são transportadas pelos vasos linfáticos. É a via preferencial dos carcinomas, e a menos freqüente nos sarcomas. Os gânglios linfáticos regionais funcionam como barreiras contra a disseminação generalizada do tumor, pelo menos por algum tempo. ➔ Disseminação hematogênica: É a via de disseminação mais utilizada pelos sarcomas, porém também pode ocorrer nos carcinomas. As artérias são mais resistentes que as veias a invasão tumoral. Os órgãos mais acometidos por essa disseminação são o fígado e o pulmão. A proliferação celular pode ser controlada ou não controlada. No crescimento controlado, tem-se um aumento localizado e autolimitado do número de células de tecidos normais que formam o organismo, causado por estímulos fisiológicos ou patológicos. Nele, as células são normais ou com pequenas alterações na sua forma e função, podendo ser iguais ou diferentes do tecido onde se instalam. O efeito é reversível após o término dos estímulos que o provocaram. ★ A hiperplasia, a metaplasia e a displasia são exemplos desse tipo de crescimento celular. No crescimento não controlado, tem-se uma massa anormal de tecido, cujo crescimento é quase autônomo, persistindo dessa maneira excessiva após o término dos estímulos que o provocaram. ★ As neoplasias (câncer in situ e câncer invasivo) correspondem a essa forma não controlada de crescimento celular e, na prática, são denominadas tumores. Estadiamento (Sistema TNM): Independente da fase em que o câncer é detectado, há necessidade de se classificar cada caso de acordo com a extensão do tumor. O método utilizado para essa classificação é chamado de estadiamento e sua importância está na constatação de que a evolução da doença é diferente quando a mesma está restrita ao órgão de origem ou quando se estende a outros órgãos. ➔ O estadiamento pode ser clínico ou patológico. O sistema TNM é a classificação mais usada para os tumores malignos. Este critério foi estabelecido pela UICC (União Internacional Contra o Câncer) para determinar a extensão do crescimento e disseminação das neoplasias malignas. O sistema TNM está baseado em três componentes: T (tamanho do tumor primário), N (nódulo regional comprometido) e M (metástase). A classificação no sistema TNM tem como objetivos: ★ Ajudar no planejamento do tratamento. ★ Dar alguma indicação no prognóstico. ★ Ajudar na avaliação dos resultados do tratamento. ★ Facilitar a troca de informações entre os centros de tratamento. ★ A associação dos três fatores T, N e M permite classificar os tumores em 5 estádios clínicos (0, I, II, III e IV) 6) Descrever a fisiopatologia, epidemiologia, quadro clínico e tratamento do câncer de colo de útero. ANATOMIA DO ÚTERO O colo uterino é a porção fibromuscular inferior do útero. É de formato cilíndrico ou cônico e mede 3 cm a 4 cm de comprimento e 2,5 cm de diâmetro. É sustentado pelos ligamentos cardinais e uterossacrais, que se estendem entre as porções laterais e posteriores do colo uterino e as paredes da pelve óssea. A metade inferior do colo uterino, denominada de porção vaginal, se projeta na parede anterior da vagina e a metade superior permanece acima da vagina. A porção vaginal se abre na vagina através de um orifício denominado de orifício cervical externo. Conceitos fundamentais: Epitélio colunar/cilíndrico simples: É o epitélio característico da região endocervical. É constituído por uma única camada de células responsáveis pela secreção de muco cervical. Epitélio escamoso estratificado não queratinizado: É o epitélio característico da região da ectocérvice. É formado por várias camadas de células, o que confere maior proteção à região. Esse epitélio também reveste os fundos de saco e vagina em toda sua extensão. Metaplasia escamosa: É um processo fisiológico de transformação do epitélio colunar em escamoso, que origina uma “nova JEC”. Nesse processo, a nova JEC “desloca” a JEC primitiva para dentro do canal endocervical. Consequentemente essa nova JEX exterioriza. Como a metaplasia escamosa é um processo fisiológico e comum em mulheres no menacme, a sua presença em um esfregaço de Papanicolau ou no lado de biópsia do colo uterino não indica nenhum tipo de tratamento ou de cuidado especial. Junção escamocolunar (JEC): O estudo da topografia do colo uterino indica duas zonas: a ectocérvice e a endocérvice. A ectocérvice é revestida por epitélio escamoso estratificado não queratinizado. A endocérvice é revestida por epitélio colunar/cilíndrico simples. O ponto de encontro desde epitélios denomina-se junção escamocolunar (JEC). Quando a JEC se localiza no orifício externo tem-se o colo padrão. A JEC é um ponto dinâmico, de localização variável, que se modifica em resposta à faixa etária, gravidez, paridade, menopausa, traumatismos, infecções e estimulação hormonal. O HPV tem maior facilidade de infectar células escamosas imaturas da junção escamo-colunar do colo uterino, em áreas de ruptura epitelial, estudos indicam que 70% dos HPVs iniciam na JEC. Zona de transformação: Estudos citológicos mostram um terceiro tipo de epitélio. Corresponde à zona de transformação, onde se vê o epitélio escamoso entremeado de epitélio colunar, orifícios glandulares e cistos de Naboth, resultante de um processo de metaplasia. A zona de transformação corresponde à região entre a JEC primitiva (original) e a nova JEC (JEC fisiologicamente ativa). Ou seja, corresponde à região que sofreu metaplasia escamosa. Em outras palavras, a ZT é a responsável pela transformação do epitélio colunar em estratificado pavimentoso. Ectopia ou ectrópio: A JEC ativa deslocada para fora do orifício externo do colo uterino define a ectopia ou ectrópio. Esta alteração topográfica é clinicamente referida como mácula rubra durante o exame especular. Como a mácula rubra não é um achado patológico, não há necessidade de realizar nenhum exame complementar ➔ ➔ HPV é a causa do câncer de colo de útero ➔ Programas de rastreamento são eficazes na redução de incidência desse câncer, bem como as vacinas ➔ O tipo histológico mais comum é o escamoso, mas a incidência do adenocarcinoma vem aumentando → dois tipos histológicos causados pelo HPV ➔ O estadiamento é clínico, mas técnicas radiológicas podem auxiliar ➔ O tratamento é feito com base no estágio da doença. ● Estágio inicial (I a IIA): cirurgia radical ou radioterapia ● Estágio de doença avançada (IIB a IV): quimiorradioterapia PATOLOGIA ➔ CARCINOMA DE CÉLULAS ESCAMOSAS: é o tipo mais comum, e suas variantes são as de células grandes queratinizadas, células grandes não queratinizadas e células pequenas. ◆ Células Grandes Queratinizadas: células tumorais que formam ninhos infiltrativos irregulares, com pérolas de queratina ao centro. ◆ Células Grandes não Queratinizadas: queratinização de células individuais, mas sem formar pérolas de queratina. Pequenas Células: inclui: ● Carcinoma de Células Escamosas Pouco Diferenciado: núcleospequenos e médios, e citoplasma abundante ● Carcinoma Anaplásico de Pequenas Células: é um termo reservado para lesões semelhantes ao carcinoma de pequenas células do pulmão. Ele se infiltra de forma difusa e é constituído de células com pouco citoplasma, núcleos pequenos redondos ou ovais, cromatina granular e alta atividade mitótica. Pacientes com Carcinoma de Células Grandes têm melhor prognóstico. O mais agressivo é o Carcinoma Anaplásico. Outras variantes menos comuns do Carcinoma de Células Escamosas são: ◆ Verrucosos: similar ao condiloma acuminado gigante. ◆ Papilar (de transição): células semelhantes ao epitélio de transição da bexiga. ➔ ADENOCARCINOMA: acredita-se que o adenocarcinoma in situ (AIS) seja o precursor. O adenocarcinoma invasor pode ser: ◆ Puro: tumores heterogêneos, com ampla variedade de tipos celulares, padrões de crescimento e diferenciação. A maior parte dos adenocarcinomas são constituídos de células do tipo endocervical, com produção de mucina. Os outros tumores são povoados por células endometrióides, células claras, intestinais ou mistura de mais de um tipo celular. Em cada tipo, os padrões de crescimento e anormalidades nucleares variam pelo grau de diferenciação. Nos tumores bem diferenciados , células cilíndricas altas revestem as glândulas ramificadas bem formadas e as estruturas papilares, enquanto células pleomórficas formam ninhos irregulares e lâminas sólidas em neoplasias mal diferenciadas. ◆ Misto com Carcinoma de Células Escamosas ◆ Adenocarcinoma com desvio maligno mínimo (adenoma maligno): tipo bem diferenciado. O padrão glandular ramificado é semelhante ao das glândulas endocervicais normais. As célula têm citoplasma mucinoso abundante e núcleos uniformes, o que pode causar atraso no diagnóstico. ➔ CARCINOMA ADENOESCAMOSO: os maduros são facilmente identificados, mas os pouco diferenciados ou imaturos têm maior incidência de metástases para linfonodos pélvicos. ◆ Carcinoma de Células Vítreas: apresentação pouco diferenciada. Células com citoplasma abundante, em vidro fosco, e núcleos grandes. O estroma é infiltrado por linfócitos, plasmócitos e eosinófilos. ◆ Carcinoma Adenóide Basal ◆ Carcinoma Adenóide Cístico: pode haver metástase direta para o pulmão. ➔ SARCOMA: o mais importante é o rabdomiossarcoma embrionário. Ocorre em crianças e adultos jovens. Há também os leiomiossarcomas, os tumores mesodérmicos mistos e o adenossarcoma cervical. ➔ MELANOMA MALIGNO ➔ CARCINOMA NEUROENDÓCRINO: ◆ Pequenas Células: agressivo, semelhante ao câncer de origem brônquica. ◆ Grandes Células ◆ Carcinóide Clássico ◆ Carcinóide Atípico Esses tumores têm características malignas e com propensão a metástases, e por isso quando diagnosticados, geralmente estão disseminados. Os locais mais comuns de metástases são: osso, encéfalo, fígado e medula óssea. PADRÕES DE DISSEMINAÇÃO: ➔ Invasão direta do estroma cervical, do corpo, da vagina e do paramétrio ➔ Metástase linfática ➔ Metástase hematogênica ➔ Implantação Intraperitoneal EPIDEMIOLOGIA Excluindo os tumores de pele não melanoma, o câncer de colo de útero é o 3o tipo de câncer mais incidente entre as mulheres. Foi estimado para 2022, 16.710 casos novos, o que representa um risco de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres. ➔ Norte: primeiro mais incidente ➔ Nordeste e Centro-Oeste: segundo mais incidente ➔ Sul: quarto mais incidente ➔ Sudeste: quinto mais incidente -> É o 4° tipo de câncer mais comum entre as mulheres; -> No Brasil mais prevalente na região Norte e Nordeste; -> 2 o em países menos desenvolvidos (83% dos casos) - 3 o em mortalidade -> Idade mediana de diagnóstico: 40 a 59 anos. A incidência e a mortalidade por câncer vêm aumentando no mundo, em parte pelo envelhecimento, pelo crescimento populacional, como também pela mudança na distribuição e na prevalência dos fatores de risco de câncer, especialmente aos associados ao desenvolvimento socioeconômico. Verifica-se uma transição dos principais tipos de câncer observados nos países em desenvolvimento, com um declínio dos tipos de câncer associados a infecções e o aumento daqueles associados à melhoria das condições socioeconômicas com a incorporação de hábitos e atitudes associados à urbanização (sedentarismo, alimentação inadequada, entre outros). Os tipos de câncer mais frequentes em homens, à exceção do câncer de pele não melanoma, serão próstata (29,2%), cólon e reto (9,1%), pulmão (7,9%), estômago (5,9%) e cavidade oral (5,0%). Nas mulheres, exceto o câncer de pele não melanoma, os cânceres de mama (29,7%), cólon e reto (9,2%), colo do útero (7,4%), pulmão (5,6%) e tireoide (5,4%) figurarão entre os principais. O câncer de pele não melanoma representará 27,1% de todos os casos de câncer em homens e 29,5% em mulheres. A distribuição da incidência por Região geográfica mostra que a Região Sudeste concentra mais de 60% da incidência, seguida pelas Regiões Nordeste (27,8%) e Sul (23,4%). ★ OBS.: O câncer de colo do útero manifesta-se a partir da faixa etária de 25 a 29 anos, aumentando seu risco até atingir o pico na faixa etária de 50 a 60 anos. ● Fatores de risco câncer de colo de útero e HPV: - Início precoce da atividade sexual: É um importante fator de risco. A coitarca precoce (idade menor de 16 anos) deve ser desestimulada nos primeiros 2 anos após a menarca. - Número de parceiros sexuais: fator é ainda mais importante que o início da atividade sexual. Quanto maior o número de parceiros sexuais, maior a chance de um dos parceiros ser portador de um vírus de alta risco e, consequentemente, maior a chance de a parceira desenvolver uma lesão de alto grau ou um câncer invasor. - Parceiro sexual> Há um risco quatro a cinco vezes maior de chance de colo em mulheres que tiveram parceiros com câncer de pênis. Além disso, parceiros com início precoce da atividade sexual, com vários episódios prévios de ISTs, com visitas frequentes a profissionais do sexo e tabagistas, aumentam a chance da parceira apresentar câncer cervical. - Outras infecções sexualmente transmissíveis: A presença de ISTs, como herpes, gonorreia, sífilis ou clamídia, aumenta o risco de câncer de colo uterino. - Uso de anticoncepcional: São necessários mais estudos na área para desvendar a real participação destes medicamentos na fisiopatologia no câncer de colo de útero. - Deficiências vitamínicas: No colo uterino, a vitamina A parece ser um importante fator de manutenção da integridade do epitélio escamoso. A carência desta vitamina está associada ao aumento da incidência do câncer de colo, e os níveis séricos de vitamina A e C tendem a ser progressivamente mais baixos à medida que a doença se torna mais avançada. De maneira geral, ambas vitaminas são antioxidantes, logo previnem a formação de Espécies Reativas de Oxigênio (EROs). - Tabagismo: É um importante fator na gênese do câncer de colo. Está diretamente relacionado com a carga tabágica, seu mecanismo de ação está diretamente ligado com o efeito carcinogênico direto da nicotina e cotinina no muco cervical e com a redução da resposta imune a partir da da menor atividade das células NK e da redução de IgG e IgA. - Imunidade: Pacientes HIV positivas, lúpicas, diabéticas, transplantadas em uso de corticoterapia ou quimioterapia e/ou radioterapia apresentam comprometimento da sua imunidade e estão sob maior risco de desenvolver câncer de colo uterino. Carcinoma invasor de colo uterino para pacientes HIV positivo é considerado a neoplasia definidora de caso de AIDS. - Deficiência de alfa-1-antitripsina: A deficiência de alfa-1-tripsina é rara e é a única alteração genética associada ao câncer de colo uterino. É mais comum na raça negra. - Baixo nível socioeconômico:Todos os fatores de risco são mais prevalentes em mulheres de nível socioeconômico mais baixo, o que, somado as dificuldades de acesso aos meios de diagnóstico precoce, confere a esta população uma alta incidência da doença.- Multiparidade - Desnutrição. - Má higiene genital. - Agentes químicos. - Exposição à radiação ionizante. FISIOPATOLOGIA O câncer do colo do útero tem como causa quase exclusiva a infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), cujo desenvolvimento leva a transformações intra epiteliais progressivas, seguindo 4 etapas (transmissão do HPV, persistência do vírus, progressão de um clone de células infectadas para uma lesão pré-cancerosa e invasão). O HPV infecta as camadas basais do epitélio através de pequenas abrasões. O vírus replica o genoma epissomal em baixos números nas células basais, com multiplicação viral ativa e expressão de genes estruturais (L1 e L2) apenas no epitélio diferenciado, o que ajuda o HPV a escapar da resposta imunológica. Ele estimula a multiplicação das células, até mesmo nas camadas diferenciadas superiores do epitélio. Portanto, ele leva à hiperplasia, resultando em lesões mucosas brancas hiperplásticas ou verrugas exofíticas ou endofíticas na pele.] O HPV é necessário para a oncogênese do colo do útero, mas outros cofatores, como o uso de contraceptivos orais e o fumo, também são importantes. As proteínas E6 e E7 dos tipos altamente oncogênicos, HPV-16 e 18, podem imortalizar as células em cultura. A proteína E6 se liga a p53, impedindo a apoptose após o dano do DNA, enquanto a proteína E7 se liga ao pRb, ignorando o ponto de verificação G1/S, permitindo a progressão do ciclo celular e a replicação contínua. ● Neoplasia do colo de útero: A maioria dos tumores de colo do útero é de origem epitelial e é causada por subtipos oncogênicos de HPV. Durante o desenvolvimento, o epitélio colunar mucossecretor da endocérvice é unido ao revestimento epitelial escamoso da ectocérvice no óstio do colo do útero. Com o início da puberdade, a junção escamocolunar sofre eversão, tornando o epitélio colunar visível na ectocérvice. As células colunares expostas, no entanto, eventualmente sofrem metaplasia escamosa, formando uma região denominada zona de transformação, onde muitas vezes surgem tumores. O HPV, o agente etiológico da neoplasia cervical, possui tropismo pelas células escamosas imaturas da zona de transformação. A maioria das infecções por HPV é transitória e eliminada em poucos meses pela resposta imune do hospedeiro. No entanto, um subconjunto de infecções persiste e algumas delas causam lesões intraepiteliais escamosas (LIEs), lesões precursoras a partir das quais a maior parte dos carcinomas invasivos do colo do útero se desenvolve. Como a maioria dos outros vírus de DNA, o HPV usa as DNA polimerases das células hospedeiras para replicar seu genoma e produzir virions. Os virions são liberados na superfície da mucosa escamosa, mas, em circunstâncias normais, a maturação das células escamosas é acompanhada pela parada da replicação do DNA, o que evita a produção de vírus. O HPV “resolve” esse problema através da ação de duas oncoproteínas virais, E6 e E7. As proteínas E6 e E7 das variantes de “alto risco” do HPV inibem p53 e RB, respectivamente, dois potentes supressores de tumor que atuam inibindo a divisão de células escamosas à medida que sofrem maturação. Deste modo, as oncoproteínas E6 e E7 possuem um papel central no ciclo de vida do HPV e explicam, em grande parte, a atividade carcinogênica do HPV no colo do útero e em outros locais que são susceptíveis a infecção por HPV. As variantes do HPV são classificadas como tipos de alto ou baixo risco com base em sua propensão para induzir a carcinogênese. A infecção por HPV de alto risco é o fator de risco mais importante para o desenvolvimento da LIE, a qual pode progredir para carcinoma. Duas viroses de HPV de alto risco, tipos 16 e 18, são responsáveis por aproximadamente 70% dos casos de LIE e carcinoma cervical. Em geral, as infecções por tipos de HPV de alto risco são mais propensas a persistir, o que é um fator de risco para o desenvolvimento de carcinoma. Esses subtipos de HPV também apresentam propensão a se integrar ao genoma da célula hospedeira, um evento que está ligado à progressão para carcinoma. Variantes de HPV de baixo risco (p. ex., tipos 6 e 11) estão associadas ao desenvolvimento de condilomas do trato genital inferior; em contraste, expressam variantes E6 e E7 com atividades diferentes ou mais fracas e não se integram ao genoma do hospedeiro, permanecendo em vez disso como DNA viral epissômico livre. Apesar da forte associação da infecção pelo HPV com o câncer do colo do útero, o HPV não é suficiente para conduzir o processo neoplásico. Como mencionado anteriormente, as lesões precursoras de alto grau infectadas por HPV não progridem invariavelmente para câncer invasivo. Diversos outros fatores tais como o estado imune e hormonal, bem como a coinfecção por outros agentes sexualmente transmissíveis são suspeitos de desempenhar um papel na carcinogênese. Coletivamente, esses fatores favorecem a aquisição de mutações somáticas que envolvem tanto os oncogenes como os genes supressores de tumores. A integração viral parece contribuir para a transformação de duas maneiras: 1. A integração sempre interrompe um gene do HPV que regula negativamente a E6 e E7, o que leva à sua expressão aumentada. 2. Às vezes o HPV se integra próximo a um oncogene de célula hospedeira, como o MYC, levando também a sua superexpressão. A carcinogênese relacionada com o HPV se inicia com a alteração epitelial pré-cancerosa denominada LIE, que geralmente precede o desenvolvimento de um câncer evidente por muitos anos, por vezes décadas. Em consonância com essa ideia, a incidência da LIE atinge o ponto máximo por volta dos 30 anos de idade, enquanto que o carcinoma invasivo atinge seu ponto máximo por volta dos 45 anos de idade. ● Carcinoma invasivo do colo do útero: Os carcinomas do colo do útero mais comuns são os carcinomas de células escamosas (75%), seguidos pelos adenocarcinomas e carcinomas adenoescamosos mistos (20%), além dos carcinomas neuroendócrinos de pequenas células (menos de 5%). Todos esses tipos de carcinomas estão associados ao HPV. Curiosamente, a proporção relativa dos adenocarcinomas tem aumentado nas últimas décadas devido à redução da incidência de carcinoma escamoso invasivo e à detecção deficiente de lesões glandulares pelo exame de PAP. O carcinoma de células escamosas tem um pico de incidência por volta dos 45 anos de idade, de 10 a 15 anos após a detecção da LIE precursora. Como já foi discutida, a progressão da LIE para carcinoma invasivo é variável, imprevisível e requer infecção pelo HPV, bem como mutações nos genes supressores de tumores e nos oncogenes. Os fatores de risco para a progressão incluem o tabagismo e a infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), sendo que este último achado sugere que a vigilância imune possui um papel na prevenção da progressão da lesão. Embora os fatores de risco possam auxiliar na identificação dos pacientes que tendem a evoluir da LIE para carcinoma, a única maneira confiável de monitorar o curso da doença é através do exame físico regular associado ao exame de PAP e à biópsia de lesões suspeitas. - Estadiamento: O estadiamento do câncer do colo uterino é clínico e envolve os seguintes métodos: exame ginecológico (exame especular, toque vaginal e toque retal), colposcopia, exames histopatológico, métodos de imagem (radiografia de tórax, ultrassonografia, tomografia computadorizada ressonância magnética), cistoscopia e retossigmoidoscopia. A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) alterou os critérios para carcinoma microinvasor 5 vezes desde 1960. Em 1994, ela adotou a classificação que considera Ia1 e Ia2 como carcinomas micro invasores do colo uterino, que permanece até os dias atuais. O aspecto mais controverso da definição é se as pacientes com envolvimento do espaço linfovascular devem ser excluídas ou não. Até o presente momento, a invasão do espaço linfovascular não altera o estadiamento,embora altera a conduta. Classificação do estadiamento do câncer de colo uterino (FIGO): Estádio 0: carcinoma in situ, carcinoma intraepitelial. Conduta: conização. Estádio I: carcinoma restrito ao colo uterino. IA: a invasão do estroma é limitada à profundidade de 5 mm e extensão de 7 mm. IA1: invasão até 3 mm em profundidade e extensão até 7 mm. 1) Conduta para invasão maior ou igual a 3 mm, sem invasão do espaço vascular linfático: -Se há desejo de engravidar: conização. -Se não há desejo de engravidar: histerectomia tipo I. 2) Conduta para invasão maior ou igual a 3 mm, com invasão do espaço vascular linfático: -Se há desejo de engravidar: traquelectomia radical com dissecção dos linfonodos pélvicos. -Se não há desejo de engravidar: histerectomia tipo II com dissecção dos linfonodos pélvicos. IA2: invasão entre 3-5 mm de profundidade e extensão até 7 mm. Envolvimento do espaço vascular ou linfático não altera o estadiamento. Conduta: se há desejo de engravidar: traquelectomia + linfadenectomia pélvica. : se não há desejo de engravidar: histerectomia tipo II com dissecção de linfonodos pélvicos. IB: a lesão invasiva é maior que 5 mm de profundidade e maior que 7 mm em extensão. -Conduta: se há desejo de engravidar: traquelectomia radical + linfadenectomia pélvica. : se não há desejo de engravidar: histerectomia tipo III com dissecção de linfonodos pélvicos ou quimiorradioterapia. Estádio II: carcinoma estende-se além do colo, mas não há extensão para a parede, ou seja, o carcinoma acomete a vagina, mas não o terço inferior. IIA: invasão da vagina, sem atingir seu terço inferior, e ausência de comprometimento parametrial. -Conduta: histerectomia tipo III com linfadenectomia pélvica e aórtica lateral ou quimiorradioterapia primária. IIB: acometimento visível do paramétrio, mas sem atingir a parede pélvica. -Conduta: quimiorradioterapia primária. Estádio III: o carcinoma estendeu-se até a parede pélvica. Ao exame retal, não há espaço livre de câncer entre o tumor e a parede pélvica O tumor acomete o terço inferior da vagina. Todos os casos de hidronefrose ou rim não funcionante devem ser incluídos, desde que excluídas outras causas. IIIA: extensão do terço inferior da vagina, mas não à parede pélvica, se houver comprometimento parametrial. -Conduta: quimiorradioterapia primária. IIIB: extensão à parede pélvica ou hidronefrose ou rim não funcionante. -Conduta: quimiorradioterapia primária. Estádio IV: o carcinoma estendeu-se além da pelve verdadeiramente ou há acometimento visível da mucosa da bexiga ou do reto. IVA: disseminação do tumor para órgãos adjacentes (bexiga e reto). -Conduta: quimioradioterapia primária ou exenteração primária. IVB: disseminação para outros órgãos. -Conduta: quimioterapia +/- radioterapia adjuvante. QUADRO CLÍNICO ● HPV - forma icosaédrica, genoma circular, dupla hélice de DNA, recoberto por capsídeo; ● Entrada: via endocitose, por vesículas cobertas por clatrina; se direcionam para o núcleo; ● Tropismo pelas células escamosas imaturas da zona de transformação ou através de microlesões; a proliferação começa para cima e depois desce atingindo a membrana basal; ● Tipos: Carcinoma de células escamosas (80 a 90%) e adenocarcinoma (10 a 20%). ● Infectam conjuntivas, cavidade oral, laringe, árvore traqueobrônquica, esôfago, bexiga, ânus, canal anal e trato genital inferior. ● Existem mais de 150 subtipos de HPV. Cada subtipo do vírus tem atração por uma determinada área do corpo. Por ex., o HPV- 2 e o HPV-4 estão associados às verrugas comuns de pele, enquanto o HPV-1 provoca verrugas que acometem preferencialmente as plantas dos pés. Já o HPV-6 e o HPV-11 estão relacionados ao desenvolvimento das verrugas genitais. ● O câncer do colo uterino pode ser provocado por até 13 subtipos, mas a maioria dos casos ocorre quando a mulher se infecta com o HPV-16 ou o HPV-18. ● Baixo risco - não oncogênicos - surgimento de verrugas = condiloma acuminado - 6, 11, 40, 42, 43, 54, 61, 70, 72, 81, CP6 108; ● Alto - Oncogênicos - 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 68, 73, 82 ● Cerca de 70% dos casos de câncer do colo de útero são provocados por apenas 2 subtipos, 50% pelo HPV-16 e 20% pelo HPV-18. O HPV-16 também está por trás da maioria dos casos de câncer anal, peniano, vaginal, vulvar e de alguns tipos de câncer da orofaringe, sendo este, portanto, o subtipo de papilomavírus humano mais perigoso, tanto para homens quanto para mulheres. ->Maior produção de estrogênio -> eversão -> epitélio colunar -> escamoso = JEC suscetível à mutação; Baixo risco - sem integração ao DNA celular - forma epissomal; Alto risco- se integram ao genoma da célula hospedeira - expressa oncoproteínas: ->Ocorre bloqueio da expressão de E2 do genoma viral que reprime as sequências E6 e E7 do vírus. -> E6 se associa à p53 -> ubiquinina -> proteólise ->E7 se liga à pRb (Sítio de ligação de fatores de transcrição E2f). Isso libera o E2F -> estimula a proliferação celular. ->pE6 ativa a telomerase, enquanto a pE7 inativa a p21, está inibidora do complexo CDK4/ciclina; com isso, há estimulação da divisão celular. ->Proteínas responsáveis pela replicação do DNA do HPV dentro da célula: E1 e E2. ->E4- maturação viral, alteração da matriz intracelular e liberação de novas partículas virais. ->E5 - estimulando a proliferação celular e impedindo a apoptose. ->L1 e L2 - codificam as proteínas virais nos capsídeos. ->E1, E2, E4 e E5 - ampliação do genoma do HPV ● HPV + fatores de risco = processo neoplásico; ● Fatores de risco: pouca idade da sexarca, parceiros múltiplos, tabagismo e história de DST (herpes; HIV), tabagismo e nutrição. ● Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LIEBG) não progride diretamente para carcinoma invasivo; regride espontaneamente. LIEAG - pode evoluir para carcinoma. ● Incidência da LIE -> 30 anos de idade; Carcinoma invasivo -> 45 anos. ● Lesões pré - cancerosas/atipias: neoplasia intraep. cervical I - 1/3 da espessura epitelial; NIC II 2/3 epitelial e NIC III toda a espessura epitelial; Disseminação por contiguidade (órgãos adjacentes) - Paramétrios - extensão lateral - Vagina - extensão inferior - Útero - extensão superior - Órgãos adjacentes: bexiga e reto - anterior e posterior Disseminação linfática: - Linfonodos regionais - Obturatórios - Ilíacos - Para aórticos Disseminação Hematogênica: - Metástases à distância (pulmões, fígado e ossos) É preciso compreender a fisiopatologia de muitas doenças para estabelecer o correto diagnóstico e a terapêutica mais adequada. Com relação ao Câncer de Colo de útero sabemos que a infecção viral pelo HPV acaba ocasionando a integração do genoma viral com o genoma celular do hospedeiro, levando a disfunção de um importante gene reparador da fita de DNA, a ausência desse gene leva ao surgimento de uma falha na replicação do material genético, consequentemente um dano celular e o surgimento das neoplasias, esse gene que é um importante “general” da homeostase do ciclo celular é: * p53 Em relação a infecção pelo HPV e o desenvolvimento de Câncer de Colo Uterino:* - Os HPVs oncogênicos infectam as células basais imaturas do epitélio escamoso em áreas de ruptura epitelial ou células escamosas metaplásicas imaturas presentes na junção escamocolunar. - As lesões intraepiteliais de baixo grau (LSIL) refletem a manifestação citológica da infecção pelo HPV e regridem em boa parte dos casos. ● O tumor de colo uterino se apresenta na sua fase inicial de uma forma assintomática ou pouco sintomática - Sintomas nos estágios avançados. ● O câncer cresce localmente atingindo a vagina, tecidos paracervicais e paramétricos, com isso, podendo comprometer bexiga, ureteres e reto. ● Paciente pode referir dor e secreção vaginal amarelada fétida e até sanguinolenta, ciclos menstruais irregulares, sangramento pós-coital (sinusorragia) e dor no baixo ventre. Sinais de compressão venosa, linfática, neural e ureteral. ● Nos estádiosmais avançados, a paciente pode referir dor no baixo ventre mais importante, anemia – pelo sangramento -, dor lombar – pelo comprometimento uretral -, hematúria, alterações miccionais – pela invasão da bexiga -, alterações no hábito intestinal – pela invasão do reto. Os HPV-16 e HPV-18, que são aqueles mais relacionados ao câncer do colo do útero, não costumam provocar sintoma algum. A imensa maioria das mulheres contaminadas com o papilomavírus humano nem sequer desconfia que tenha o vírus. O diagnóstico da infecção ocorre geralmente através do exame ginecológico preventivo. As lesões intraepiteliais cervicais e o câncer de colo uterino em fases iniciais podem ser totalmente assintomáticos ou podem manifestar-se por corrimento vaginal, dor e perda sanguínea anormal. Essas queixas são frequentes na clínica ginecológica. Portanto não há sintomas específicos. A hemorragia vaginal é o sintoma mais comum em pacientes com câncer cervical. A perda de sangue normalmente não está associada ao período menstrual e ocorre muitas vezes durante ou após o coito (sinusiorragia). Na pós-menopausa, comumente surge como metrorragia (hemorragia uterina em intervalos irregulares). Queixas e corrimento vaginal fétido e dor, geralmente encontradas em estágios mais avançados do câncer do colo uterino, resultam de processo inflamatório, associado ou não à infecção secundária. Em casos mais avançados, a extensão para a parede pélvica pode causar dor ciática ou dor lombar associada à hidronefrose. O envolvimento metastático dos linfonodos ilíacos e paraaórticos pode se estender para as raízes nervosas lombossacrais e também provocar dor lombar. A invasão retal ou vesical no estágio avançado da doença pode produzir sintomas retais ou urinários (hematúria e hematoquezia). ➢ TRATAMENTO Lesões intraepiteliais: ● O objetivo do tratamento é a eliminação de toda a zona de transformação do colo uterino, incluindo os tecidos anormais. Isso pode ser atingido por meio de excisão ou de ablação do tecido, excisão eletrocirúrgica por alça, conização a laser e conização a frio. ● Pacientes com diagnóstico de NIC 1 podem ser mantidas e observação. Mulheres com diagnóstico de LSIL devem repetir o exame citopatológico em 6 meses. Se a citologia for negativa em dois anos consecutivos, o paciente retorna a rotina trienal. Se uma das citologias no período de um ano for positiva, paciente realiza colposcopia. ● NIC 2 e 3 fazem tratamento por excisão ou ablação. ● O tratamento a ser seguido depende do diagnóstico no exame preventivo, podendo englobar desde apenas a realização de preventivo a cada 6 meses (lesão de baixo grau) até uma intervenção cirúrgica. Quando detectadas lesões de baixo risco, recorre-se a um tratamento farmacológico ou com laser. Deve-se proceder excisão ou radioterapia curativa, se não houve disseminação para os paramétrios ou além deles. • Radioterapia e quimioterapia se há disseminação para os paramétrios ou além deles. • Quimioterapia para câncer metastático e recorrente. Quando já detectadas lesões de alto risco, o tratamento segue a classificação do estadiamento, em que: • A partir de caso de IA1 (lesão restrita ao colo do útero, com medida de invasão estromal, 3 mm em profundidade): indicada a conização e até a histerectomia simples (dependendo se não houver desejo reprodutivo, não se realiza esse procedimento, mas, no caso de haver invasão de lesão no espaço intravascular, é necessária a histerectomia radical modificada). • A partir de IB1 (lesão restrita ao colo do útero, com medida de invasão estromal ≥ 5 mm de profundidade e maior dimensão, 2 cm baixo risco se tamanho menor que 2 cm, invasão estromal menor que 50%, ausência de linfonodos acometidos em exames de imagem. • No caso de ter havido disseminação para os paramétrios ou para além deles, é indicada radioterapia e quimioterapia. Esta é também indicada em caso de metástase. IVA ou recidiva - Considerar exenteração pélvica - Prognóstico ruim IVB - Doença não é mais curável - Avaliar QT e/ou RT para atrasar crescimento do tumor/ avaliar sintomas. Criocauterização ou Crioterapia ou Criocoagulação: Processo que utiliza transdutor manual conectado a uma fonte de gás ou nitrogênio líquido que promove uma temperatura muito baixa na ponta do transdutor congelado superficialmente a ectocérvice, resultando em morte celular. Realiza-se a técnica do congelamento-descongelamento-congelamento, isto é, congela-se a superfície epitelial por cerca de 3 a 5 minutos, espera o descongelamento e torna-se a congelar por mais 5 minutos. Esse processo promove uma destruição tecidual de cerca de 6 mm de profundidade. Formam-se uma crosta que se desprende por volta do décimo dia podendo ocorrer sangramento. A grande vantagem do procedimento é ser indolor. ● Vaporização à Laser: Neste procedimento, o tecido é destruído por vaporização. O mais usado em ginecologia é o CO2 laser. Seu custo-benefício não o torna viável para seu uso corrente. Exérese cirúrgica: Permite a retirada das lesões para estudo histopatológico. Cirurgia de Alta Freqüência (CAF): A CAF admite a retirada da lesão com a possibilidade de estudo histopatológico. Na CAF utiliza-se um aparelho emissor de uma onda de frequência de 2 a 4 MHz, diferente do eletrocautério comum, que utiliza frequência de cerca de 350 a 500 KMz. Escolhe-se a alça adequada de acordo com o tipo de colo uterino e com o tamanho da lesão. ● Condutas de acordo com os achados citológicos: Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LIEBG): A conduta preconizada é a repetição do exame citopatológico em seis meses na Unidade Básica de Saúde (UBS), já que estudos demonstram que pacientes portadoras de LIEBGs, tem regressão espontânea. Se a citologia de repetição for negativa em 2 exames consecutivos n UBS, paciente deve retornar à rotina de rastreamento citológico. Se a citologia de repetição for positiva com qualquer atipia celular, médico deve encaminhar à Unidade de Referência de Média Complexidade para colposcopia imediata. Lesão intraepitelial de alto grau (LIEAG): Todas pacientes que apresentarem LIEAGs na UBS, deverão ser encaminhadas imediatamente para Unidade de Referência de Média Complexidade para colposcopia como conduta inicial. - ASCUS: Estudos têm demonstrado desaparecimento dessas alterações (células escamosas atípicas de significado indeterminado possivelmente não neoplásicas) em 70% a 90% das pacientes mantidas sob observação e tratamento das infecções pré-existentes. A colposcopia é, portanto, um método desfavorável como a primeira escolha na condução das pacientes que apresentam alterações escamosas atípicas de significado indeterminado possivelmente não neoplásico. A conduta preconizada é a repetição da citologia, em 6 meses, na UBS. Se 2 exames citopatológicos subsequentes forem negativos, a paciente deverá retornar à rotina de rastreamento citológico. Porém, se o resultado da citologia de repetição for sugestiva de lesão igual ou mais grave a célula escamosa atípica de significado indeterminado possivelmente não neoplásico, a paciente deverá ser encaminhada à Unidade de Referência de Média Complexidade para colposcopia imediata. Apresentado lesão, deve-se proceder a biópsia, e recomendação específica a partir do laudo histopatológico. - ASC-H: Embora o diagnóstico de células escamosas atípicas de significado indeterminado, quando não se pode excluir lesão intraepitelial de alto grau seja menos comum que o de células escamosas atípicas de significado indeterminado possivelmente não neoplásicas, o risco de lesão de alto grau (NIC II e III) subjacente é alto (245 a 94%). Portanto, a conduta para todas as pacientes com esse laudo, na UBS, é de encaminhá-las para Unidade de Referência de Média Complexidade para colposcopia como conduta inicial. - AGUS: As pacientes com atipias glandulares apresentam 9% a 54% dos casos NIC II e III, 0% a 8% adenocarcinoma in situ e 1% a9% adenocarcinoma invasor no exame histopatológico. Portanto, a conduta preconizada é encaminhar a paciente para Unidade de Referência de Média Complexidade para colposcopia imediata. - Procedimentos: ● Conização a frio: utiliza-se bisturi para remover toda a zona de transformação do colo. Preferida em casos de NIC de alto grau e extensão profunda endocervical. Para que os achados suspeitos (regiões iodeto-negativas, células displásicas no esfregaço) sejam analisados do ponto de vista histológico, pode-se retirar um fragmento de tecido do colo do útero, em formato de cone (conização), com o auxílio de um bisturi e sob anestesia. Em uma mulher sexualmente madura, espera-se observar um epitélio atípico na superfície da porção vaginal do colo do útero na região da zona de transformação. Esta região é incluída caso um fragmento de tecido no formato de um cone plano e largo seja retirado. Vídeo rápido de conização do colo. Conização por eletrocirurgia LESÃO DE ALTO GRAU (na biópsia realizada na colposcopia) -https://www.youtube.com/watch?v=Bff2PuQ3Tjw ● Histerectomia - retirada do útero e colo (simples extrafascial, radical modificada e radical). A histerectomia é realizada de três formas (via abdominal por laparotomia, via abdominal laparoscópica e via vaginal) e pode ser classificada como: subtotal (retira-se apenas uma parte do útero), total (retiram-se o corpo e o colo uterino), radical (retira-se, também, porção superior da vagina e/ou os ligamentos da região uterina). Os tipos de histerectomia a serem feitos conforme as classificações de câncer do colo do útero por estadiamento estão organizados na seguinte tabela: Vídeo rápido de histerectomia videolaparoscópica. Histerectomia Total Laparoscópica HD - Passo a passo - https://www.youtube.com/watch?v=2AZpNJvcGro ● Excisão eletrocirúrgica por alça: secciona e coagula pelo tecido através de um fio pelo qual passa uma corrente elétrica. Conhecida como CAF (cirurgia de alta frequência) ou LEEP. Seguimento após tratamento: Exame físico, citologia, colposcopia (3/3 meses no primeiro ano - 6/6 meses no segundo ano, semestral por mais 3 anos, anual após 5 anos) 7) Descrever o mecanismo de infecção pelo HPV e a relação deste com o desenvolvimento das lesões neoplásicas do colo do útero. Características do vírus - “Human Papiloma Vírus (HPV)”: O papilomavírus humano (HPV) é considerado o agente da infecção viral sexualmente transmissível mais prevalente em todo o mundo. A maioria dos indivíduos sexualmente ativos (mais de 80%) se infectará em algum momento da vida. No entanto, as infecções serão predominantemente assintomáticas e serão clareadas em cerca de dois anos. Já foram identificados mais de 200 tipos de HPV, cerca de 40 infectam o trato anogenital e algo em torno de 12 são efetivamente oncogênicos, ou seja, associados a tumores invasivos. Desses, o que tem mais sido estudado é o câncer de colo uterino. Os subtipos 16 e 18 são responsáveis por 70% de todos os carcinomas cervicais, por serem os mais mitogênicos. O tipo 16 é o mais prevalente e o mais frequente entre os carcinomas de células escamosas, já o tipo 18 é responsável por 20% dos tumores e o mais comum dos adenocarcinomas. O vírus é composto por uma cápsula dentro da qual há um DNA em dupla fita de cerca de 8 mil pares de bases. O genoma do HPV é dividido em áreas com funções determinadas: uma que codifica proteínas não estruturais, chamada de E (Early), que tem cerca de 4 mil pares de bases ou 4 kb, dividida em E1, E2, E4, E5, E6 e E7; outra região que codifica as proteínas do capsídeo viral chamada L (Late) com 3 kb, dividida em L1 e L2; e uma região de controle que regula a replicação viral e a expressão de genes com 1 kb (LCR – long control region). A classificação do vírus é baseada na sequência de nucleotídeos do gene L1. Deve haver pelo menos 10% de diferença da sequência de nucleotídeos para classificar um novo genótipo de HPV. Os tipos são agrupados em grandes grupos filogenéticos, categorizados com letra grega e seguidos pelo número que indica a espécie. O vírus é genótipo-hospedeiro específico e há preferência de determinados tipos por sítios anatômicos, onde causam lesões com características clínicas e patológicas distintas. Estes tipos virais são comumente classificados de acordo com o tipo de lesão celular que promovem, portanto, podem ser classificados em: 1. Baixo risco: são os tipos 6, 11, 42, 43 e 44. Representam 20,2% das neoplasias intra epitelial cervical (NIC). 2. Médio risco: são os tipos 31, 33, 35, 51, 52 e 58. Representam 23,8% das neoplasias intra epitelial cervical (NIC) e 10,5% dos carcinomas invasivos. 3. Alto risco: são os tipos 16, 18, 45 e 56. Representam 47% das neoplasias intra epitelial cervical (NIC) e 47,1% dos carcinomas invasivos. Função da proteína viral no hospedeiro: https://www.youtube.com/watch?v=Bff2PuQ3Tjw https://www.youtube.com/watch?v=2AZpNJvcGro ➔ E1 - interage com E2. ➔ E2 - repressor/potencializado transcricional. ➔ E4 - quebra do esqueleto celular. Induzir a formação do coilócito. ➔ E5 - proteína hidrofóbica que pode dimerizar receptores de fator crescimento, desregula o processo de autofágico, modula a transcrição epitelial-mesenquimal e reduz microRNA do hospedeiro. ➔ E6 - oncoproteína viral. Degrada o p53. E7 - oncoproteína viral. Inativa o pRb. L1 - proteína principal do capsídeo viral. L2 - proteína menor do capsídeo viral. Epidemiologia: O HPV é um vírus presente em todo o mundo. A maior incidência ocorre em jovens, entre mulheres especialmente, de 15 a 19 anos. Cerca de 90% dessas jovens eliminarão o vírus em um período médio de dois anos. A grande maioria não desenvolve qualquer lesão. No entanto, é no pequeno percentual de mulheres em que o vírus é persistente que há risco de associação com quadro mais preocupante de risco para lesão neoplásica invasiva. Considera-se ainda que há um novo pico na incidência, embora menor que o primeiro, na faixa dos 50 anos de idade, talvez por conta de novos parceiros sexuais e da menor resposta imunológica. O HPV é responsável por cerca de 7% a 8% dos cânceres e está associado com virtualmente 100% dos casos de câncer de colo uterino, 93% dos cânceres de ânus, 64% dos de vagina, 50% dos de vulva, 40% dos de pênis e 60% dos cânceres de orofaringe. Transmissão: A infecção é transmitida por contato, e não apenas pelo coito. O uso regular de preservativo pode conseguir algo em torno de 60% de proteção, mas áreas não protegidas podem estar associadas à transmissão. Há grande possibilidade de transmissão genital sem que tenha havido a coitarca, apenas com o contato pele a pele dos genitais dos parceiros. Por razões ainda não entendidas, nem todo parceiro sexual se contamina, e a concordância de infecção por HPV entre parceiros sexuais varia de 40% a 60%. A transmissão pode também ser não sexual . Alguns estudos apontam a transmissão por fômites. Pode haver passagem de HPV de mãe para o concepto, em especial em casos de lesões genitais na passagem do canal de parto, o que pode causar a papilomatose respiratória . Tem sido sugerido que haja transmissão vertical em uma taxa de aproximadamente 20%. No entanto, a maioria dos neonatos elimina a infecção até o primeiro ano de vida. Resposta imune: O sistema imunológico é importante no controle das infecções pelo vírus. Há evidência de envolvimento de células T helper na regressão de lesões e concomitante resposta humoral e celular contra antígenos do HPV durante a regressão do quadro. O HPV tem a habilidade de se resguardar de uma resposta imune mais robusta e clarear lentamente. São estratégias importantes nesse processo a supressão da resposta inflamatória e se tornar “invisível” a resposta imune, por conta de não causar citólise ou morte celular. Além disso, a supressão da resposta de interferona, a resistência à apoptose imunemediada e a redução da regulação de moléculas de adesão a células apresentadorasde antígenos interferem no processo-padrão do reconhecimento de antígenos, enquanto uma produção prejudicada de componentes de complexo de histocompatibilidade contribui para minimizar a exposição de antígenos do vírus a células epiteliais e do sistema imune. Sinais e sintomas: Ele penetra no novo hospedeiro através de microtraumatismos, chegando até a camada basal do epitélio e atravessa o citoplasma celular. O genoma viral é transportado ao núcleo, onde é traduzido e transcrito. O período de incubação varia de duas-três semanas a oito meses e está relacionado com a competência imunológica individual. As primeiras manifestações da infecção pelo HPV surgem entre, aproximadamente, 2 a 8 meses, mas pode demorar até 20 anos para aparecer algum sinal da infecção. As manifestações costumam ser mais comuns em gestantes e em pessoas com imunidade baixa. A maioria das infecções é assintomática ou inaparentes, só podendo ser evidenciadas se coletados raspados de tecido e utilizado um método de diagnóstico por biologia molecular para verificar a presença do vírus. Nesta fase, denominada infecção latente, o paciente não apresenta nenhuma lesão clínica ou subclínica. Outros indivíduos podem apresentar infecções clínicas onde há o aparecimento de lesões exofíticas, os chamados condilomas (lesões macroscópicas) que são formações elevadas, únicas ou múltiplas, claras ou escuras. Freqüentemente são verrugas esbranquiçadas, lembrando uma couve flor. Normalmente são indolores, embora possam ocasionalmente apresentar prurido e sangramento, caso sofram algum traumatismo. Pode também assumir uma forma subclínica, visível apenas sob técnicas de magnificação (lentes) e após aplicação de reagentes, como o ácido acético. Este tipo de infecção corresponde a aproximadamente 80% dos casos de infecção pelo HPV. Condiloma aculminado (verruga genital ou cristã de galo): Condiloma representa a expressão clínica do Papilomavírus humano (HPV), cuja manifestação ocorre por aparecimento de verrugas, principalmente na genitália externa. Pode ocorrer no colo do útero e na vagina, sendo mais frequente em pacientes com problemas imunológicos. Aparece em áreas de trauma de coito, com inoculação viral na camada basal do epitélio. Os principais tipos de HPV (Papiloma Vírus Humano) relacionados aos condilomas, em mais de 90% dos casos, são o 6 e o 11. Produz infecção produtiva, onde os genes virais estimulam a mitose da célula infectada e provocam lesões benignas, não apresentando potencial oncogênico. A regressão espontânea das lesões ocorre com alguma frequência, após o desencadear da resposta imunológica, tendo curso autolimitado. Frente à presença das verrugas genitais, está indicado o tratamento, que se baseia na eliminação da lesão, por métodos destrutivos ou excisionais. O uso de substância imunomoduladora também é boa opção, com poucas complicações no tecido onde é aplicado. Diagnóstico: O diagnóstico da infecção por HPV leva em conta os dados da história, exame físico e exames complementares com a pesquisa direta do vírus ou indiretamente através das alterações provocadas pela infecção nas células e no tecido. Dentre as técnicas utilizadas para o diagnóstico, recomenda-se: ★ Papanicolau. ★ Inspeção de ácido acético 5%. ★ Colpocitologia Oncótica e Colposcopia. ★ Peniscopia. ★ Anuscopia. ★ Vulvoscopia ★ Exame de biologia molecular. Tratamento HPV e condiloma: Quanto ao tratamento do HPV, o objetivo principal é a eliminação das lesões condilomatosas. Não há evidências de que os tratamentos disponíveis eliminem ou alterem o curso natural da infecção pelo HPV. Mesmo sem tratamento, as lesões podem desaparecer, ficarem inalteradas ou mesmo aumentarem de tamanho e número. É notório que a simples presença do vírus, sem ocasionar nenhuma lesão, não precisa de tratamento, além do que, boa parte das lesões, principalmente condilomas pequenos e lesões de baixo grau, tem grande potencial de regressão espontânea. Como toda infecção, estão indicadas medidas gerais de higiene, recomendações do uso de preservativos nas relações sexuais, encaminhamento do parceiro para investigação e orientação e tratamento das infecções secundárias. Em relação ao tratamento do condiloma aculminado, pode-se destruí-lo por cauterização com eletrocautério, substâncias químicas (podofilina ou ácido tricloroacético), imunomoduladores ou ressecção cirúrgica. A escolha vai depender do número, gravidade e tamanho das lesões, da disponibilidade de recursos, da eficácia e efeitos adversos, do estado imunológico da paciente, da capacidade técnica do médico e da aceitação pela paciente. Nas lesões extensas de vulva, a fulguração com eletrocautério ou destruição com laser deve ser preferida. Nas mais localizadas pode-se usar ácido tricloroacético (TCA) nas concentrações de 30, 50 ou 90%, dependendo da localização e do volume da lesão. Algumas lesões muito volumosas precisam de ressecção cirúrgica. Podofilina 15% em Solução Alcoólica: É uma resina extraída de plantas associada a duas substâncias carcinogênicas (quercetin e quenferol), que interfere na mitose celular e causa danos na microcirculação com lesão endotelial que resulta em necrose celular. Seu uso foi abandonado nos últimos anos em razão da baixa eficácia e dos vários efeitos adversos (hepatotoxicidade, neurotoxicidade, supressão da medula óssea e teratogenicidade. A podofilina não deve ser usada durante a gravidez, pois é neurotóxica para o feto. Ácido tricloroacético (ATA) 70 a 90% em solução aquosa. Substância cáustica que atua localmente, ocasionando desnaturação protéica tanto em tecidos sadios quanto nos infectados pelo HPV. Não é absorvido, não apresenta efeitos sistêmicos, mas leva à ulceração local. Pode ser usado em segurança com gestantes. Podofilotoxina 0,15% creme. Indicada para auto-aplicação, a podofilotoxina tem o mecanismo de ação semelhante ao da podofilina. O efeito máximo é alcançado entre 3 e 5 dias após a aplicação. Aplica-se duas vezes ao dia, somente sobre as lesões, por 3 dias. Se necessário, o ciclo poderá ser repetido por não mais que 4 vezes, com intervalos de 4 dias de repouso. 5-fluoracil: É um citostático potente com efeito antimetabólico (bloqueia a síntese de DNA, que impede a divisão celular e a síntese de RNA) que resulta em necrose tissular. Atualmente, sua utilização é bem restrita. Deve ser utilizado em casos selecionados, aplicando-se uma camada fina, uma ou duas vezes por semana, por 10 semanas, com controle rigoroso. As indicações são: pacientes imunossuprimidos, focos multicêntricos de neoplasia intraepitelial de alto grau e falhas terapêuticas. Imiquimod 5% creme. Substância química cuja ação ainda não é bem esclarecida, mas tem o poder de induzir a produção endógena de interferon alfa e outras citocinas como o fator de necrose tumoral alfa e a interleucina 6. Apresenta, então, uma atividade antiviral e antitumoral. Entretanto, sua taxa de sucesso não é tão alta, gira em torno de 55% de resolução dos condilomas, mas com baixa recidiva. Eletrocauterização ou Eletrocoagulação ou Eletrofulguração: Técnica que utiliza um eletrodo conectado a um eletrocautério que promove a coagulação e destruição tecidual por calor. Geralmente pode haver dor durante o procedimento, o que pode ser aliviado com anestesia subepitelial em quatro quadrante com seringa Carpule. Embora seja um procedimento simples e de pouco custo, tem o inconveniente dos episódios álgicos e das sequelas da cicatrização como as escleroses retráteis, que muitas vezes são responsáveis pela estenose do orifício externo. Possui ainda o inconveniente de que a profundidade da destruição não pode ser avaliada e pode não ser suficiente para destruição da lesão. Prevenção: Duas vacinas estão disponíveis no Brasil: a vacina quadrivalente (HPV 6,11, 16 e 18) da Merck Sharp & Dohme (MSD)e a vacina bivalente (HPV 16 e 18) da Glaxo Smith (GSK). Ministério da Saúde começou a disponibilizarem 2014 a vacina tetravalente. Ambas as vacinas compõem-se de VLP (virus like particle) ou partículas semelhantes ao vírus. Estas partículas ocas não contém o DNA infectante do vírus, mas sim seu capsídeo viral, a proteína L1 do HPV sem poder infectante. Essas VLPs são produzidas em um fungo (Saccharomyces cerevisiae). Cada tipo viral tem uma VLP correspondente para o uso como vacina, dessa forma, uma vacina bivalente tem 2 VLPs (16 e 18). Já uma vacina quadrivalente tem 4 VLPs (6, 11, 16 e 18). A via de administração de ambas as vacinas é intramuscular (0,5ml). A vacina quadrivalente é administrada em 3 doses, a saber: data escolhida (primeira dose) - 6 meses após primeira dose (segunda dose) - 60 meses/5 anos após primeira dose (terceira dose). A vacina bivalente também é administrada em 3 doses. Duas situações merecem destaque na vacinação contra o HPV, paciente HIV/Aids, independentemente do CD4, tanto mulheres, como homens e pessoas recentemente transplantadas. Em tais situações é recomendado a vacinação do HPV. Qual vacina escolher? A vacina quadrivalente possui a vantagem de incluir, além dos oncogênicos mais frequentes 16 e 18, os HPV 6 e 11, de baixo risco para câncer. Porém, estes últimos são os principais responsáveis pelos condilomas acuminados clássicos anogenitais, pela papilomatose recorrente de laringe juvenil por contaminação no parto transvaginal principalmente e pelos condilomas de Bushcke-Lowenstein. Estes últimos são condilomas gigantes benignos, porém muito agressivos localmente (invadem estruturas vizinhas) e pouco responsivos à terapêutica habitual com grande número de recidivas. Felizmente é uma entidade clínica muito rara e acomete dez homens para cada mulher. A vacina oncogênica (HPV 16 e 18) induz à formação de anticorpos neutralizantes contra os HPV 16 e 18, com parcial proteção cruzada contra os HPV 31 e 45. Ela foi assim denominada devido à cobertura para os mais frequentes HPVs implicados na carcinogênese cervical (HPV 16 e 18). A resposta cruzada para outros dois subtipos oncogênicos aumenta a abrangência dos vírus associados ao câncer cervical uterino. No entanto, é importante lembrar que a resposta para os subtipos 31 e 45 foi parcial e mais estudos são necessários para ver a real diminuição de lesões intraepiteliais escamosas de alto grau (LIE-AG) devidas a esses HPVs. Até o momento não é possível definir com certeza qual das vacinas apresenta maior benefício para uso corrente na população. ➔ No Brasil o Ministério da Saúde, vacina garotas na faixa etária de 9 aos 14 anos e garotos dos 11 aos 14 anos. Precauções para vacinação: ➔ Doença febril aguda grave: a administração da vacina HPV deve ser adiada em caso de doença febril aguda grave. Contudo, a presença de uma infecção leve, como é o caso de resfriado ou de febre baixa, não constitui motivo para o adiamento da vacinação. ➔ Doenças agudas intensas ou moderadas: a administração da vacina HPV deve ser adiada em caso de doenças agudas intensas ou moderadas. ➔ Trombocitopenia: a vacina deve ser administrada com precaução em meninas com trombocitopenia ou qualquer distúrbio de coagulação pelo risco de ocorrer sangramento ou hematoma após a injeção intramuscular. Nessa situação, usa-se a técnica em Z. ➔ Administração simultânea com outras vacinas: a vacina HPV pode ser administrada simultaneamente com outras vacinas dos Calendários Nacional de Vacinação do PNI, sem interferências na resposta de anticorpos a qualquer uma das vacinas. Quando a vacinação simultânea for necessária, devem ser utilizadas agulhas, seringas e regiões anatômicas distintas. Contraindicações: A vacina HPV é contraindicada e, portanto, não deve ser administrada nas adolescentes: ➔ Com hipersensibilidade ao princípio ativo ou a qualquer um dos excipientes da vacina. ➔ Com história de hipersensibilidade imediata grave a levedura ou que desenvolveram sintomas indicativos de hipersensibilidade grave após receber uma dose da vacina HPV. Não é indicada em gestantes, uma vez que não há estudos conclusivos em mulheres grávidas até o presente momento. ★ Se a menina engravidar após o início do esquema vacinal, as doses subsequentes deverão ser adiadas até o período pós-parto. ★ Caso a vacina seja administrada inadvertidamente durante a gravidez, nenhuma intervenção adicional é necessária, somente o acompanhamento pré-natal adequado. ➔ Eventos adversos da vacinação: notificação obrigatória nos casos de eventos adversos devem ser todos notificados e investigados. ★ Dor no local de aplicação, edema e eritema com intensidade moderada em sua maioria. ★ Febre de 38ºC ou mais ★ Cefaleia. ★ Gastroenterite. ★ Síncope, pode ocorrer especialmente em adolescentes e adultos jovens. Atenção especial para estes casos de reações adversas: ➔ Episódio hipotônico-hiporresponsivo (EHH): é caracterizado pelo início súbito da tríade de diminuição do tônus muscular, hiperresponsividade (responsividade menor do que a habitual a estímulos verbais ou outros estímulos sensoriais) e alteração na cor da pele (palidez ou cianose). ➔ Convulsão atônica: pode se apresentar com semelhantes características clínicas ao EHH, mas é caracterizada por inconsciência e perda súbita de tônus em músculos posturais, sem alteração na cor da pele (palidez ou cianose). ➔ Intoxicação exógena: pode apresentar-se clinicamente como EHH e deve ser descartada através de investigações clínica e laboratorial apropriada. ➔ Outros quadros clínicos: broncoaspiração, refluxo gastroesofágico, apneia, etc. Situações especiais: ➔ HPV e gravidez: Mulheres grávidas estão imunossuprimidas fisiologicamente e há uma produção maior de hormônios esteroides, que resultam em uma proliferação celular intensa, principalmente nas camadas intermediárias e superficiais do epitélio escamoso. Essas alterações proporcionam um ambiente muito favorável à replicação viral. Nas gestantes é comum a formação de condilomas gigantes ou a evolução rápida para lesões neoplásicas e grau mais acentuado. Nos pós-parto, ocorre o inverso, há regressão espontânea da maioria das lesões verrucosas para prevenir a formação de condilomas gigantes. Em geral, opta-se pelo tratamento após revisão nos 4 a 6 meses após o parto. No tratamento das lesões condilomatosas usamos o ácido tricloroacético ou a retirada das lesões com eletrocautério ou CAF. O uso de podofilina ou antiblástico é proscrito, pois são drogas comprovados teratogênicas. A cesária só está indicada no caso de condilomas que obstruem o canal de parto, ou por outros problemas obstétricos. A cesárea não protege o recém-nascido da infecção, pois o vírus pode ser encontrado no líquido amniótico, na secreção da nasofaringe ou no lavado gástrico de recém-nascidos que nasceram de parto cesáreo com bolsa íntegra. ➔ HPV e soropositivo: Nas pacientes portadoras de HIV, a coinfecção com HPV tem especial relevância. Há uma maior prevalência de lesões que se apresentam em maior número e extensão. Além disso, a recidiva das lesões é quase uma constante após os tratamentos convencionais. Estudos têm apontado que o câncer cervical tem 5 vezes mais probabilidade de se desenvolver em mulheres HIV positivas do que na população geral. —------------------------------------------- A infecção pelo HPV e a relação deste com o desenvolvimento das lesões neoplásicas do colo do útero. O HPV infecta as camadas basais do epitélio através de pequenas abrasões. O vírus replica o genoma epissomal em baixos números nas células basais, com multiplicação viral ativa e expressão de genes estruturais (L1 e L2) apenas no epitélio diferenciado, o que ajuda o HPV a escapar da resposta imunológica. Ele estimula a multiplicação das células, até mesmo nas camadas diferenciadas superiores do epitélio. Portanto, ele leva à hiperplasia (aumento do número de células num órgão ou num tecido), resultando em lesões mucosas brancas hiperplásticas ou verrugas exofíticas ou endofíticasna pele. O HPV é necessário para a oncogênese do colo do útero, mas outros cofatores, como o uso de contraceptivos orais e o fumo, também são importantes. As proteínas E6 e E7 dos tipos altamente oncogênicos, HPV-16 e 18, podem imortalizar as células em cultura. A proteína E6 se liga a p53, impedindo a apoptose após o dano do DNA, enquanto a proteína E7 se liga ao pRb, ignorando o ponto de verificação G1/S, permitindo a progressão do ciclo celular e a replicação contínua. O HPV-16 e 18 também estão associados a uma persistência mais prolongada da infecção, conferindo uma chance maior de integração do seu DNA. Durante a integração do DNA do HPV, pode haver a ruptura da proteína E2, permitindo a expressão descontrolada das proteínas E6 e E7, um achado comum no câncer de colo do útero induzido por HPV. Lesões pré-cancerosas no colo do útero geralmente surgem na zona de transformação, uma área de epitélio colunar no colo do útero no orifício cervical externo, que se encontra sob controle hormonal, sofrendo metaplasia escamosa nas mulheres adultas. O risco oncogênico do vírus está diretamente relacionado ao comportamento de seu genoma no núcleo da célula hospedeira. HPVs de baixo risco oncogênico tendem a manter o seu DNA íntegro, circular e epissomal, diferente dos HPVs de alto risco oncogênico, cujas fitas de DNA circular se abrem, sofrem deleções e se integram ao genoma da célula hospedeira. Resumidamente, os genes E1 e E2 codificam proteínas que são vitais para a replicação do DNA viral e controle da transcrição gênica do vírus. A proteína E4 é expressa nos estágios tardios da infecção e tem um papel importante na alteração da matriz intracelular, maturação e liberação das novas partículas virais. As proteínas E6 e E7 são importantes para a amplificação do genoma viral. As regiões tardias L1 e L2 codificam as proteínas virais dos capsídeos durante os últimos estágios da replicação dos vírus. Mecanismos de alteração do ciclo celular pelo HPV A infecção inicial por HPV requer acesso de partículas virais às células da camada proliferativa basal do epitélio escamoso do colo uterino. Após a infecção, acredita-se que o vírus mantenha seu genoma com um baixo número de cópias sob a forma epissomal nas células da camada basal. Nesta fase, há um baixo nível de expressão dos genes E6, E7, E1 e E2, suficiente para a manutenção genômica do vírus. A expressão dos genes virais é regulada e dependente da diferenciação das células infectadas pelo HPV. O ciclo normal da infecção pelo HPV passa por cinco etapas consecutivas: 1. infecção 2. manutenção do genoma 3. fase proliferativa 4. amplificação genômica 5. Síntese e liberação de novas partículas virais. Para a produção de partículas virais, ocorre a amplificação do genoma do HPV, que é dependente da expressão dos genes E1, E2, E4 e E5. A montagem das partículas infecciosas ocorre nas camadas médias e superiores do epitélio cervical. Nesta fase mais tardia, os genes L1 e L2 codificam as proteínas do capsídeo viral e são expressos nos grupos de células com maior expressão do gene E4, importante na alteração da matriz intracelular, maturação e replicação do vírus. A montagem dos vírions e o empacotamento do DNA celular ocorrem na camada superficial. A formação e liberação de partículas virais completas são liberadas na superfície do epitélio sem lisar as células hospedeiras, caracterizando o ciclo produtivo da infecção pelo HPV. O desenvolvimento de neoplasias está associado à perda da regulação deste ciclo produtivo do HPV, evento observado em infecções persistentes pelos HPVs de alto risco oncogênico, que tendem a integrar o seu genoma ao da célula hospedeira. Durante o processo de integração, o genoma viral pode perder o gene E4 e parte do gene E2, que exerce função de controle da transcrição dos demais genes virais. Em consequência da perda de função de E2, haverá um aumento da expressão dos genes E6 e E7 e uma incapacidade do vírus dar continuidade ao seu ciclo de vida. Neste cenário, não haverá amadurecimento das células hospedeiras e produção de novas partículas virais. ➔ restrita às camadas inferiores do epitélio, a perda de polaridade e maturação das células com perturbação da arquitetura tecidual, assim como a perda da capacidade de completar o ciclo produtivo do vírus, diferenciam as lesões de baixo grau como a NIC 1, das lesões de alto grau (NICs 2 e 3) e câncer provocados por HPVs de alto risco oncogênico. O potencial oncogênico do HPV está relacionado aos produtos dos genes E6 e E7, que interagem com uma variedade de proteínas reguladoras do ciclo celular codificadas por genes supressores de tumor. A proteína E7 inibe a atividade da pRB, que tem papel fundamental na manutenção da célula em G1, exercendo sua função por formar complexos estáveis com o fator de transcrição E2F. O E2F quando livre, desencadeia o processo de replicação do DNA. A inativação da pRB aumenta a proliferação celular no epitélio infectado, o que pode ser diretamente demonstrado através da detecção do antígeno nuclear associadomà proliferação (Ki-67). A p16, uma CDKI que inibe a fosforilação da pRB, mantendo-a ativa e ligada ao E2F, tem sua expressão controlada por feedback negativo exercido pela pRB. A inativação da pRB pela proteína E7 do HPV resulta em um aumento da expressão de p16 INK4 nas células infectadas. A proteína E7 do HPV também é capaz de se ligar à p21 e p27, ambas CDKIs, o que impede o controle do ciclo celular em diversos pontos de checagem. O HPV pode interferir no controle do ciclo celular e apoptose por meio dos produtos de seus genes E6 e E7, os quais se ligam à p53, marcando-a para degradação pelo proteassomo. A degradação da p53 pelas proteínas virais compromete a integridade do DNA replicado, causando instabilidade cromossomal, imortalização e proliferação anormal das células transformadas, favorecendo o desenvolvimento do tumor. A proteína E6 também está envolvida na degradação da proteína pró-apoptótica BAX em queratinócitos humanos. 8) Citar as formas de prevenção e detecção precoce do câncer do colo do útero. ➢ PREVENÇÃO ->Uso de preservativos protegem parcialmente; (transmissão é pela via sexual, que inclui contato oral-genital, genital-genital ou mesmo manual-genital). Pode ocorrer mesmo na ausência de penetração vaginal ou anal. ➢ DIAGNÓSTICO Colpocitológico ( projetar classificação ) e comentários de Lsil - Hsil - nas biópsias resultado de N 1 -2 e 3. 1) Papanicolau (Sinônimos = preventivo, exame citopatológico de colo de útero, citopatologia oncótica - screening, colpocitologia) ● Prevenção secundária - diagnóstico e tratamento precoce ● Lesões precursoras pré malignas são assintomáticas e curáveis ● Progressão para o CA - 8 a 10 anos. ● Baseia-se no grau de perda da maturação citoplasmática, presença de figuras mitóticas anormais e modificações na forma e tamanho do núcleo. ● De 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual; Trienal após dois exames anuais consecutivos negativos; ● Antes dos 25 anos prevalecem as lesões de baixo grau (regredirão espontaneamente); interrompido aos 64 anos com pelo menos dois exames negativos nos últimos 5 anos e sem antecedentes de patologia cervical. ● Em casos de histerectomia por doenças benignas não há necessidade de coleta (histerectomia total). ● Preventivo + teste de HPV = intervalo de 5 anos para citologia. Mulheres > 30 anos. ● Amostra ectocervical e amostra endocervical ● Coleta com escova endocervical e espátula de Ayre - amostra adequada quando apresenta células escamosas (carcinoma de células escamosas - ecto), células glandulares (adenocarcinoma - endo) e células metaplásicas (transformação). ● Orientações: ausência de sangramento/menstruação, proibido uso de duchas e medicamentos intravaginais; abstinência sexual de 72 horas anteriores à coleta. . O melhor período do ciclo é o ovulatório (ocorre exatamente na metade do ciclo menstrual, no 14º dia), entretanto,em mulheres com metrorragia de causa desconhecida, devem-se realizar o exame ginecológico de rotina e, eventualmente, a coleta. Em puérperas, quando possível, devem-se aguardar seis a oito semanas para o exame. ● Mulheres imunossuprimidas (HIV, transplante, CA, corticóide): semestral no primeiro ano e se normais, manter seguimento anual. Mulheres HIV + com CD4<200 células: semestral até correção do CD4. A coleta dupla (ecto e endocérvice) é preconizada no sistema público de saúde do Brasil para garantir que o colo seja visualizado e priorizado durante o procedimento. O método consiste na exposição do colo uterino pelo espéculo de Collins, preferencialmente descartável, e na remoção delicada dos conteúdos vaginal e cervical excessivos com algodão. Procede-se, então, à esfoliação do material ectocervical com espátula de Ayre em rotação de 360° e à introdução da escova endocervical a 1,5 cm com movimentos de vai e vem e rotação. O material é colocado em fina camada sobre uma lâmina de vidro identificada e imediatamente fixado com spray ou em frasco com álcool a 70%. Em geral, a colposcopia será indicada em caso de anormalidade citológica de alto grau, baixo grau persistente ou teste de DNA-HPV positivo de alto risco oncogênico. Com o resultado da citologia indicando HSIL ou lesão mais grave (não podendo excluir microinvasão nem invasão), na impossibilidade de exame colposcópico imediato, a recomendação da ASCCP de 2013 é a realização imediata da exérese da zona de transformação (EZT ou LEEP [loop electrosurgical excision procedure - excisão eletrocirúrgica por alça]). Em 2019, orientou-se calcular o risco de progressão para indicar colposcopia com biópsia ou tratamento acelerado (EZT). Cuidados na coleta: -Não utilizar duchas vaginais aproximadamente 48 horas antes do exame. -Abstinência sexual nas 48-72 horas que precedem a coleta. -Não utilizar cremes vaginais nos 7 dias precedentes ao exame. -Não utilizar nenhuma espécie de lubrificante no espéculo. Quando realizar a coleta: A época mais propícia é o período periovulatório. Não é recomendado a coleta no período menstrual, pois o sangue dificulta a leitura da lâmina. No entanto, isto não quer dizer que diante de uma paciente com sangramento anormal, que não melhora com nada, que a coleta não possa ser realizada em algumas situações particulares. Coleta tríplice ou só da ecto e endocérvice: Manuais do Ministério da Saúde recomendam apenas a coleta de amostra da ectocérvice e da endocérvice. Segundo estes manuais, o material contido no fundo do saco vaginal possui baixa qualidade para o diagnóstico oncótico. No entanto, o Ministério da Saúde recomenda a obtenção de um esfregaço do fundo de saco vaginal em mulheres submetidas a histerectomia total. Alguns serviços ainda realizam a coleta tríplice (fundo do saco vaginal ectocérvice e endocérvice.) Diagnóstico e classificação da NIC(neoplasia intraepitelial cervical) pela citologia A NIC é identificada mediante o exame microscópico das células cervicais em um esfregaço citológico corado pela técnica de Papanicolau. Em preparados citológicos, alterações de células individuais são avaliadas para o diagnóstico da NIC e sua classificação. Em contraste, o exame histológico de todo o tecido permite o exame de várias outras características. A avaliação citológica da NIC é baseada em alterações nucleares e citoplasmáticas. O aumento de volume nuclear com variação no tamanho e forma é uma característica regular de todas as células displásicas. Uma coloração mais intensa (hipercromasia) é outra característica marcante. Distribuição irregular de cromatina com grumos está presente em células displásicas. Figuras de mitose e nucléolos visíveis são pouco comuns nos esfregaços citológicos. Núcleos anormais em células superficiais ou intermediárias indicam uma NIC de baixo grau, enquanto que a anomalia em núcleos de células basais e parabasais indica NIC de alto grau . A quantidade de citoplasma com relação ao tamanho do núcleo (razão núcleo-citoplasma) é uma das características mais importantes para avaliar o grau da NIC. Proporções maiores estão associadas com graus mais graves de NIC. Em geral, um esfregaço cervical contém células com uma variedade de alterações. Diagnóstico e classificação da NIC pela histopatologia Pode-se suspeitar de NIC no exame citológico usando a técnica de Papanicolau ou por meio do exame colposcópico. O diagnóstico final da NIC é estabelecido mediante o exame anatomopatológico de uma biópsia cervical com saca-bocados ou amostra por excisão. O parecer sobre a presença de NIC em uma amostra tecidual cervical e o seu grau depende das características histológicas relativas a diferenciação, maturação e estratificação das células e anomalias nucleares. A proporção da espessura das células do epitélio com células maduras e diferenciadas é usada na classificação da NIC. Graus mais graves de NIC têm maior probabilidade de apresentar uma maior proporção da espessura do epitélio composto de células indiferenciadas com apenas uma fina camada de células maduras e diferenciadas na superfície. Anomalias nucleares, como núcleos aumentados, maior razão núcleo-citoplasma, maior intensidade de coloração nuclear (hipercromasia), polimorfismo nuclear e variação do tamanho nuclear (anisocariose) são avaliados para fazer o diagnóstico. Há, com freqüência, uma forte correlação entre a proporção do epitélio que apresenta maturação e o grau de anomalia nuclear. Figuras de mitose são vistas em células em divisão; elas são pouco frequentes no epitélio normal e, quando presentes, são vistas somente na camada parabasal. À medida que aumenta a gravidade da NIC, o número de figuras de mitose também aumenta e estas são vistas nas camadas superficiais do epitélio. Quanto menor a diferenciação do epitélio, mais alto é o nível em que as figuras de mitose são vistas. Configurações anormais de figuras de mitose também são levadas em consideração para se chegar ao diagnóstico definitivo. Na NIC 1, há boa maturação com anomalias nucleares mínimas e poucas figuras de mitose. Células indiferenciadas ficam limitadas às camadas mais profundas (terço inferior) do epitélio. As figuras de mitose estão presentes, mas não são numerosas. Alterações citopáticas devidas à infecção pelo HPV são observadas na espessura total do epitélio. A NIC 2 é caracterizada por alterações celulares displásicas, principalmente restritas à metade inferior ou os dois terços inferiores do epitélio, com anomalias nucleares mais acentuadas que na NIC 1. Figuras de mitose são vistas em toda a metade inferior do epitélio. Na NIC 3, diferenciação e estratificação podem estar totalmente ausentes ou estarem presentes somente no quarto superficial do epitélio com numerosas figuras de mitose). Anomalias nucleares estendem-se em toda a espessura do epitélio. Muitas figuras de mitose têm formas anormais. Classificação de Papanicolau (1943): -Classe I: células normais. -Classe II: células atípicas sem evidências de malignidade. -Classe III: células com atipias sugestivas de malignidade. -Classe IV: células muito sugestivas de malignidade. -Classe V: células com evidências conclusivas de malignidade. Classificação da OMS (1968): No Congresso Mundial da Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO), realizado em Viena, o Comitê Internacional de Nomenclaturas elaborou os conceitos de displasia e de carcinoma em situ. Em 1970 a OMS dividiu as displasia em 3 grupos: displasia leve, displasia moderada e displasia acentuada. Além disso, a OMS distinguiu carcinoma in situ com uma situação diferente. Classificação de Richardt (1967) Richardt considera as displasias como um processo de proliferação neoplásica intraepitelial, e induziu o termo Neoplasia intraepitelial Cervical (NIC). Agrupou as lesões precursoras em três graus: 1. NIC I: presença de células atípicas em até 1/3 do epitélio. 2. NIC II: presença de célulasatípicas em até 2/3 do epitélio. 3. NIC III: presença de células atípicas em mais de 2/3 do epitélio. Quando a atipia celular atinge toda espessura do epitélio, mas não ultrapassa a membrana basal, a lesão é denominada carcinoma in situ. É importante perceber que, nesta classificação, NIC III engloba a displasia severa e carcinoma in situ, já que a diferenciação entre as duas lesões é difícil. Além disso, ambas possuem o mesmo prognóstico. Classificação de Bethesda (1988-1991): A classificação mais atual é de Bethesda. Ela surgiu como resultado de um consenso realizado pelo Instituto Nacional do Câncer Americano, na cidade de Bethesda, no Estado de Maryland, em 1988. Foi modificada em 1991 e novamente em 2001. Presença de células típicas: -Exame negativo para malignidade. Presença de células atípicas: -Em relação às células do epitélio estratificado (escamoso): LIEBG: lesão intraepitelial escamosa de baixo grau de malignidade. LIEAG: lesão intraepitelial escamosa de alto grau de malignidade -Em relação às células do epitélio cilíndrico (glandular): Presença de células endocervicais ou glandulares atípicas. Presença de células endometriais. Presença de células de significado indeterminado (citologista tem dúvida se a célula é atípica ou típica): -Em relação às células do epitélio estratificado (escamoso): ASCUS: células do epitélio estratificado com significado indeterminado. -Em relação às células do epitélio cilíndrico (glandular): AGUS: células do epitélio cilíndrico com significado indeterminado. Presença de câncer: -Em relação às células do epitélio estratificado (escamoso): Carcinoma escamoso. -Em relação ao epitélio cilíndrico (glandular): Adenocarcinoma endocervical in situ. Adenocarcinoma (endocervical, endometrial, extrauterino, não especificado). Em função do risco evolutivo, houve distinção em 2 grupos e lesões: 1. Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LIEBG): presença de mitoses atípicas confinadas apenas às camadas epiteliais basal e parabasal, com evidências de coilocitose, disceratose, multinucleação, núcleo hipercromático alongado e pleomorfismo citonuclear. O padrão de diferenciação/maturação e organização do epitélio escamoso também é característico. Faz correspondência com as lesões denominadas NIC I na classificação de Richardt. Está associada à infecção produtiva pelo HPV e não progride diretamente para carcinoma invasivo. A maioria das LIEBGs regride e apenas uma pequena percentagem evolui para LIEAG. 2. Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (LIEAG): as mitoses atípicas estão presentes em toda a espessura do epitélio, além de estar evidente a falta de organização ,a diferenciação epitelial e atípica citonuclear severa. Faz correspondência com as lesões classificadas por Richardt, como NIC II e NIC III. Apresenta história natural mais agressiva, onde as NIC II regridem 43% dos casos, persistem em 35%, evoluem para NIC em 22% e para invasor em 5%. Já as NIC III regridem em 32%, persistem em 56% e progridem em 36%. Descrição do corte histológico: A Figura ilustra os três estágios da LIE. A LIEBG é caracterizada por alterações displásicas no terço inferior do epitélio escamoso e alterações coilocitóticas nas camadas superficiais do epitélio. Na LIEAG (NIC II), a displasia se estende para o terço médio do epitélio exibindo variações na forma das células e no tamanho dos núcleos, heterogeneidade da cromatina nuclear e presença de mitoses, sendo algumas atípicas, acima da camada basal até o terço médio do epitélio. Na NIC II, a camada superficial de células ainda mostra diferenciação e alterações coilocitóticas ocasionais. A LIEAG (NIC III) é marcada pela perda de diferenciação quase completa, variação ainda maior no tamanho da célula e do núcleo, heterogeneidade da cromatina, orientação desordenada das células e mitoses anormais; alterações que afetam praticamente todas as camadas do epitélio. A alteração coilocitótica geralmente está ausente. Classificação ASCUS (2001): Categoria de diagnóstico citopatológico criada pelo Sistema Bethesda em 1988. O termo células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASCUS – atypical squamous cells of undetermined significance) foi definido como achados citológicos caracterizados pela presença de alterações celulares insuficientes para o diagnóstico de lesão intraepitelial, mas alterações mais significativas do que as encontradas em processos inflamatórios1 . Como a nova categoria apresentava limitações por não definir se as alterações citológicas eram regenerativas ou neoplásicas, https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788595151895/epub/OEBPS/xhtml/B9788535288353000197.xhtml?favre=brett&f0035 houve uma revisão dessa classificação em 2001. Essa categoria foi então reclassificada em células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US) e células escamosas atípicas de significado indeterminado não podendo excluir lesão intraepitelial de alto grau(ASC-H)2 . Essa subclassificação foi adotada pela Sociedade Brasileira de Citopatologia a partir de 2002, com as seguintes categorias: células escamosas atípicas de significado indeterminado, possivelmente não neoplásicas (ASC-US), em correspondência com a classificação ASC-US de Bethesda, e células escamosas atípicas de significado indeterminado não podendo excluir lesão intraepitelial de alto grau, como no Sistema Bethesda3 . Atualmente, as categorias de ASCUS, independente de sua subclassificação, representam a atipia citológica mais comumente descrita nos resultados dos laudos citopatológicos do colo do útero. Segundo dados registrados no Siscolo, em 20134 , no Brasil, esses diagnósticos citológicos representaram 1,6% de todos os exames realizados e 57% de todos os exames alterados. O termo ASCUS significa atipia em células escamosas de significado indeterminado. Ela foi dividida em 2 tipos: 1. ASCUS: alterações não sugestivas de lesão de alto grau. 2. ASC-H: alterações em que não é possível afastar lesão de alto grau. O termo AGUS define a presença de atipias nas células glandulares. De forma análoga ao que aconteceu com o termo ASCUS, o AGUS foi desdobrado em 2 tipos: 1. AGC: célula ganglionar atípica. 2. AGC-SOE: célula glandular atípica sem outra especificação (inclui alterações reativas e células atípicas de outras localizações - endométrio, tuba e ovário). Recomendações Diante de um resultado de exame citopatológico de ASC-US, a conduta na mulher com 30 anos ou mais será a repetição desse exame num intervalo de seis meses (A). A segunda coleta deve ser precedida, quando necessário, do tratamento de processos infecciosos e de melhora do trofismo genital, com uso prévio de estrogênio (para mulheres após a menopausa, conforme recomendado em Citologia Normal – Resultado indicando atrofia com inflamação), na unidade de atenção básica. Para as mulheres com idade inferior a 30 anos, a repetição do exame citopatológico deverá ser realizada em 12 meses (B). Se dois exames citopatológicos subsequentes com intervalo de seis (no caso de mulheres com 30 anos ou mais) ou 12 meses (no caso de mulheres com menos de 30 anos) forem negativos, a mulher deverá retornar à rotina de rastreamento citológico trienal (B); porém, se o resultado de alguma citologia de repetição for igual ou sugestiva de lesão intraepitelial ou câncer, a mulher deverá ser encaminhada à unidade de referência para colposcopia (A). No caso de a colposcopia mostrar achados anormais maiores (sugestivos de NIC II/III) ou suspeitos de invasão, deve-se realizar a biópsia (A). Se o resultado for de NIC II/III ou câncer, a conduta será específica para esse resultado (vide Lesão intraepitelial escamosa de alto grau e Carcinoma epidermoide invasor) (A). Em caso de colposcopia com JEC visível e com achados anormais menores (sugestivos de NIC I), a biópsia poderá ser dispensada se a mulher tiver menos de 30 anos, história de rastreamento prévio negativo para lesão intraepitelial ou câncere possibilidade de seguimento (B). Esse seguimento deverá ser feito na unidade de atenção básica com exames citopatológicos semestrais até dois exames consecutivos negativos, quando deverá retornar ao rastreamento trienal, ou até que surja um diagnóstico citológico diferente que direcione para outra conduta (A). No caso de mulheres com JEC não visível ou parcialmente visível, deverá ser feita a avaliação do canal endocervical (conforme Tópicos Complementares – Avaliação do canal endocervical) (B) e a conduta deverá seguir o resultado desses exames (A). 49 Mulheres com mais de 30 anos e achados colposcópicos anormais, com história de NIC II/III ou câncer ou com rastreamento prévio desconhecido, deverão ser submetidas à biópsia (A). No caso de colposcopia em que a JEC não for completamente visível e sem achados anormais, recomenda-se a avaliação do canal endocervical (conforme Tópicos Complementares – Avaliação do canal endocervical) (B), e, caso negativa ou o escovado endocervical mantenha ASC-US, a mulher deverá ser seguida na unidade de atenção básica com novos exames citopatológicos a cada seis meses (nas mulheres com 30 anos ou mais) ou anual (na mulheres com menos de 30 anos) (B) até dois exames consecutivos negativos, quando deverá retornar ao rastreamento trienal, ou até que surja um diagnóstico citológico diferente que direcione para outra conduta (A). Caso o escovado ou outro espécime endocervical tenha resultado de maior relevância, a conduta será a recomendada para esse novo resultado (A). Considerando-se a baixa prevalência de doença pré-invasiva e câncer nas mulheres com citologia de ASC-US, o tratamento é baseado tão somente no aspecto colposcópico (“Ver e Tratar”) é inaceitável (D). As condutas recomendadas para as pacientes com laudo citopatológico de ASC-US são apresentadas na Figura 1 MAIS INFORMAÇÕES: https://www.inca.gov.br/sites/ufu.sti.inca.local/files/media/d ocument/diretrizesparaorastreamentodocancerdocolodoutero _2016_corrigido.pdf Joanna, 50 anos, procurou a UBS para realizar o exame preventivo de colo de útero. Estava assintomática, foi à consulta para prevenção. Estava acompanhada de sua filha Suzana, de 18 anos, que começou a ter relações sexuais com seu namorado há 6 meses e também gostaria de realizar o exame. Segundo o protocolo do MS. Qual a faixa etária e periodicidade que deve ser realizado o exame de Papanicolau? *Mulheres na faixa etária de 24 a 64 anos e que já tiveram atividade sexual. Inicialmente, o exame deve ser feito anualmente, salvo exames que acusaram alguma alteração (ex. ASC-US em mulheres acima de 30 anos - repetir em 6 meses). Após dois exames seguidos (com um intervalo de um ano) apresentando resultado normal, o preventivo pode passar a ser feito a cada três anos. Como você procederia nessa consulta? *Faria o preventivo na mãe (Joana) e na filha (Suzana) não faria o exame. Orientaria sobre o uso de preservativo em todas as relações e a importância de evitar múltiplos parceiros. Verificaria caderneta de vacina para ver se Suzana tomou as vacinas recomendadas como forma de prevenção (9 anos e 6 meses após). Há sangramento durante a relação? Presença de corrimento? Segundo Febrasgo, já que a mesma já teve relações sexuais que por mais que seja somente com um parceiro desconheço a história sexual do rapaz. ANORMALIDADES EM CÉLULAS EPITELIAIS - CÉLULAS ESCAMOSAS ( ) Células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US) ( ) Células escamosas atípicas, não podendo excluir lesão intraepitelial de alto grau (ASC-H) ( ) Lesão intraepitelial escamosa de baixo grau (LSIL) ( ) Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL) ( ) Lesão intraepitelial escamosa de alto grau (HSIL) com características suspeitas de invasão ( ) Carcinoma de células escamosas Colposcopia - técnica de realização - utilidade do ácido acético e o lugol - qual finalidade dos corantes ● Colposcopia + Biópsia: Confirmar diagnóstico - Constitui uma propedêutica complementar para mulheres com resultados de citologia cervical positivos nos programas de rastreamento e consiste na visualização do colo uterino através do colposcópio, após a aplicação de ácido acético 5% e lugol. Ação do ácido acético: ● Coagula as proteínas citoplasmáticas do epitélio alterado. Portanto, quanto mais proteínas, mais esbranquiçada fica a lesão. Este processo esconde a congestão do tecido conjuntivo. Por esta razão, é importante observar antes do ácido acético, se há áreas avermelhadas que denotam neovascularização, e se as mesmas tornam-se brancas após ação do ácido acético. Ação do lugol ● A ção do lugol é corar o epitélio, as células normais do colo são ricas em glicogênio. O lugol cora o glicogênio das células tornando-as mais escuras quanto maior o teor dessa substância . As células alteradas, que possuem baixo teor de glicogênio, são as que coram pelo lugol. Teste de Schiller: ● Consiste na embrocação do colo uterino com uma solução de iodo-iodetada (lugol). A finalidade deste teste é identificar áreas de epitélio escamoso desprovidas de glicogênio, que assumiram tonalidade suave de amarelo, denominado “amarelo-mostarda” com limites nítidos e contornos caprichosos. Em contraposição, o restante do epitélio escamoso, rico em glicogênio, apresentará coloração marrom-escura. ● Esta alteração não significa, necessariamente, a presença de lesão suspeita de neoplasia, devendo ser correlacionada com a clínica e com outros exames como o citopatológico e a colposcopia. ● O teste é positivo quando o iodo é negativo (coloração amarelo-mostarda). O teste é negativo quando o iodo é positivo (coloração marrom-escuro). - Observar áreas de displasia celular e anormalidades vasculares ou teciduais não visíveis de outro modo. - Colposcópio (olhar o colo do útero - Aumento de 5 – 15x), uso de ácido acético e lugol (reagentes) - identificar possíveis lesões no colo. - Se lesão = biópsia (retira fragmento para avaliação histológica). Após a colocação do espéculo, de preferência descartável, realizamos a limpeza do excesso de secreção vaginal, com gaze e soro fisiológico. Aplicamos solução de ácido acético de 3 a 5% por cerca de 1-2 minutos, seguida de uma observação minuciosa de fundos de saco e paredes vaginais e suas pregas com o auxílio da bolinha de algodão embebida no ácido e depois segue-se o exame do colo uterino. A duração da ação do ácido acético é efêmera e a reaplicação do mesmo deve ser feita, constantemente, durante o exame. Dar atenção especial para identificação da junção escamo-colunar (JEC), a zona de transformação (ZT) e epitélios escamoso e colunar. Após esta avaliação devemos utilizar a solução de Schiller no colo e vagina e identificar possíveis áreas iodo negativas. A retirada do excesso de solução é fundamental para maior conforto da paciente. Por último, realizamos a avaliação da vulva, períneo e ânus, sendo que o uso do ácido acético a 5% poderá facilitar a identificação de algumas áreas atípicas. Devemos sempre estar preparados para realização da exploração de canal cervical, de biópsias, retiradas de pólipos, entre outros procedimentos correlatos. O uso do hipossulfito de sódio nos possibilita uma descoloração das áreas iodo positivas para uma segunda análise quando conveniente. ● Todas as mulheres com laudo citopatológico de ASC-H devem ser encaminhadas para colposcopia; ● No caso de a citologia se manter ASC-US ou de maior gravidade, a paciente a partir dos 25 anos deverá ser encaminhada para colposcopia. ● Mulheres imunossuprimidas com diagnóstico de ASC-US devem ser encaminhadas para colposcopia já no primeiro exame alterado. Ácido acético (3 a 5%) Origina áreas acetobrancas pois coagula as proteínas do núcleo e do citoplasma, tornando-as brancas. -Células displásicas contêm grandes núcleos e muita cromatina (proteína) - formam áreas acetobrancas - Epitélio acetobranco. Lugol/Schiller - O teste de Schiller é um exame de diagnóstico que consiste na aplicação de uma solução com iodo, o Lugol, naregião interna da vagina e no colo do útero e tem como objetivo verificar a integridade das células dessa região. As células normais são ricas em glicogênio; o iodo impregna os tecidos ricos em glicogênio mantendo-os escuros. Já as células cancerígenas ou pré-cancerígenas são pobres em glicogênio e não se impregnam com o iodo. ● Faz se for câncer de vagina; se ficou na dúvida de onde biopsiar; se tiver alergia à AAC. ● Área não corada com o lugol - teste de Schiller positivo e iodo negativo; ● Todo o cérvix corado - schiller negativo e iodo positivo; ● Áreas que não se coram mas não ficam amareladas - o teste é negativo. -> quando for lesão plana não se faz biópsia. Achados à colposcopia: EPITÉLIO ACETOBRANCO – epitélio que se torna branco, após aplicação de ácido acético. LEUCOPLASIA - Placa branca – visível a olho nú, causada por uma camada de queratina. Células escamosas imaturas podem produzir queratina ou glicogênio. Causas: HPV, NIC queratinizante, carcinoma, traumatismo. PONTILHADO – Capilares dilatados que terminam na superfície , são vistos como conjunto de pontos. Indicam anormalidade epitelial – NIC. MOSAÍCO – Capilares terminais que circundam blocos aglomerados e epitélio acetobranco. Indica lesões de maior grau. PADRÃO VASCULAR ATÍPICO: Característica do câncer invasor, definindo 3 tipos: alça, ramificação e reticulares. Junção Escamo colunar - JEC JEC – A junção dos dois epitélios é descrita no exame colposcópico. Ela pode estar tanto evertida (para fora do canal endocervical – sinal de negativo) ou invertida (para dentro do canal cervical – sinal positivo) LEMBRAR que ela sobre variações: Faixa etária, paridade, anticoncepção. JEC 0 = exatamente no orifício externo (anatomico) do canal cervical JEC +1 = pouco acima de JEC 0 , dentro do canal JEC +2 = entre JEC +1 até a quarta parte da altura do canal JEC +3 =entre JEC +2 e a metade da altura do canal JEC +4 =na metade superior do canal cervical JEC - 1 = pouco abaixo de JEC 0 JEC -2 =entre JEC –1 e a quarta parte da distancia entre o orifício externo e o fundo de saco vaginal JEC -3 =entre JEC –2 até a metade da distância entre o orifício externo e o fundo de saco vaginal JEC -4 = de JEC –3 até o fundo de saco vaginal Paciente feminina, 69 anos, procura a UBS por sangramento vaginal há cerca de 7 meses, de intensidade moderada, de aspecto vermelho rutilante, às vezes, misturado a um líquido branco (sic) e dor no baixo ventre de grande intensidade. Alérgica a iodo e AINEs. Início da atividade sexual aos 16 anos, teve 4 parceiros sexuais em sua vida. Imediatamente seu raciocínio diagnóstico é Câncer de colo de Útero, realizado exame especular, observado lesão suspeita na JEC (Figura), qual a sequência diagnóstica correta? * Coleta do Papanicolau, Colposcopia, Teste com ácido acético e biópsia. Exame especular - ectoscopia A inspeção da vagina e do colo uterino deve ser feita através do exame especular, que pode apontar a presença de secreções normais ou que denotem uma infecção, e lesões suspeitas de malignidade deste segmento. O exame especular tem por objetivos realizar a exposição do colo do útero, permitindo a sua visualização completa e a coleta adequada de material para o exame citológico, bem como permitir a visualização do conteúdo e da mucosa vaginal (o que só pode ser feito no momento da retirada do espéculo). Biópsia - é um exame de diagnóstico empregado na identificação laboratorial de possíveis alterações no tecido de revestimento do útero. O que pode indicar crescimento irregular do endométrio, câncer do colo de útero e infecções. Para a realização deste tipo de biópsia é utilizado anestesia local. Em primeiro lugar o colo do útero é examinado com um colposcópio para detectar as áreas anormais. Em seguida com auxílio de uma pinça de biópsia é removida uma pequena porção da área anormal sobre a superfície do colo do útero. Esse procedimento pode causar cólicas leves, dor e algum sangramento. Vídeo biópsia do colo uterino - https://www.youtube.com/watch?v=G1B5JGzAlSM Laudo - papanicolau Sistema Bethesda de laudo citológico - lesões escamosas com potencial pré maligno são divididas em 3 classes: (I) Células escamosas atípicas (ASC) -significado indeterminado - Subdividida em 2: ASC-US – atipias de célula escamosa provavelmente não neoplásicas: repetir em 6 meses se > 30 anos; se entre 25 e 30 anos repetir em um ano; dois exames com ASCUS – colpo; se imunossuprimidas – colpo; se <25 anos repete em 3 anos; ASC-H – Precisa que se excluam lesões de alto grau - atipias em células escamosas onde não se pode descartar lesão de alto grau; - Colpo desde o primeiro exame; Biópsia se achados; - Se colpo normal → nova coleta em 6 meses. AGC - (atipias em células glandulares) -Colpo + coleta endocervical sempre (escova ou cureta); -Se lesão→ biópsia; -Se não encontrar lesão → fazer avaliação de endométrio por histeroscopia ou curetagem; -Se > 35 anos OU SUA OU Célula endometrial no preventivo→ ALERTA PARA CA DE ENDOMÉTRIO → fazer USG de imediato, junto com colposcopia. (I) Lesões intraepiteliais escamosas de baixo grau (LSIL ou LIEBG) - inclui NIC 1 (neoplasia intraepitelial cervical) (displasia leve) e as alterações do HPV, denominadas atípica coilocitótica. Manifestação da célula em resposta à infecção pelo HPV. Alto potencial de regressão. LSIL – Preventivo a cada 6 meses por um ano, se não melhorar fazer colpo; -Se após 6 meses normal → repetir em 6 meses, se normal volta a rotina; -Se imunossuprimida→ colpo desde o primeiro exame; - Se menos de 25 anos→ repetir após 3 anos. - Gestante - repetir em 3 meses após o parto. - Pós menopausa - normal (II) Lesões intraepiteliais escamosas de alto grau (HSIL ou LIEAG) - Inclui NIC2 e NIC 3 (displasia moderada, displasia grave e carcinoma in situ) HSIL – colposcopia independente da idade; - Colposcopia, biópsia se achados; -Se < 25 anos→ mantém a mesma conduta. - Achados anormais - Excisão ZT. AGC = Atipia de células glandulares Colposcopia com biopsia de canal cervical AIS = adenocarcinoma in situ -> Tudo que tem H e G -> colposcopia; não deu nada repete preventivo em seis meses; As classificações gerais são: (I) Negativa para lesão intraepitelial ou malignidade (NILM). Podem-se observar sinais de Trichomonas vaginalis, Candida, vaginose bacteriana, Actinomyces e herpes-vírus simples. Incluídas nessa categoria estão celulares reativos, a condição das células glandulares após histerectomia e a atrofia. (II) Anormalidade das células epiteliais. Abrange https://www.youtube.com/watch?v=G1B5JGzAlSM anormalidades das células escamosas e das células glandulares. As demais categorias de ASC, LSIL e HSIL são idênticas às da classificação anterior. (III) Outros. Em geral a neoplasia intraepitelial cervical (NIC) origina-se em uma área de metaplasia na zona de transformação da junção escamocolunar (JEC). A metaplasia avança internamente a partir da JEC original, em direção ao orifício externo e sobre as vilosidades colunares para constituir a zona de transformação. A NIC tende a surgir durante a menarca ou após a gravidez, quando a metaplasia é mais ativa; após a menopausa, a metaplasia é menos ativa e o risco de NIC diminui. A maioria das lesões NIC1 e algumas NIC2 regridem de maneira espontânea sem tratamento; todavia, a NIC é uma lesão que pode avançar para carcinoma invasor. Esse termo equivale a displasia, a qual significa maturação anormal; assim, a metaplasia proliferativa sem atividade mitótica atípica não deve ser denominada displasia. A metaplasia escamosa não deve ser diagnosticada como displasia (ou NIC), uma vez que não evolui para câncer invasor. Mais de 90% dos casos de NIC são atribuídos à infecção por HPV. Apenas alguns tipos de HPV causam lesões intraepiteliais de alto grau e câncer (HPV-16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59, 68). O tipo 16 é o mais comum no câncer invasor e na NIC2 e NIC 3, sendo encontrado em 47% dasmulheres com câncer. ESTADIAMENTO O estadiamento é uma forma de descrever um câncer, onde está localizado, se está disseminado, e se está afetando as funções de outros órgãos no corpo. Com isso, o médico pode estabelecer o tratamento mais adequado para o caso e até descobrir se o câncer se espalhou para outras áreas. Existem dois sistemas utilizados para detectar a extensão do câncer de colo do útero, que são o FIGO (International Federation of Gynecology and Obstetrics) e o TNM, que é usado pela AJCC (American Joint Committee on Cancer) e pela UICC (União Internacional de Controle do Câncer). Sistema FIGO Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia - FIGO 2018: - Sai estadiamento clínico - Entra exames de imagem e anatomopatológico Estágio 0 (zero) – o tumor encontra-se apenas nas células de revestimento do colo do útero. Estágio I – o tumor já invadiu o colo do útero, mas ainda não se espalhou para os outros órgãos - restrito ao colo do útero. Esse estágio pode se desdobrar em seis fases, que são as seguintes: IA – há pouca presença de poucas células cancerosas, que são vistas somente no microscópio; Microinvasão. IA1 – nesta fase, a área do câncer atingiu 3mm de profundidade e até 7mm de largura; IA2 – quando o câncer atingiu uma área entre 3 e 5mm de profundidade e até 7mm de largura; IB – quando o câncer atingiu uma área maior que 5mm no tecido conectivo do colo do útero ou possui mais de 7mm de largura; IB1 – quando o câncer não tem mais de 4cm, mas é visível; IB2 – quando o câncer tem mais de 4cm e é visível. Estágio II – o câncer, ainda concentrado na região pélvica, já se encontra além do colo do útero. Este estágio pode ser dividido nas fases: IIA – quando o câncer chega até a parte superior da vagina, mas não atinge o terço inferior; IIB – quando o câncer atinge o tecido parametrial (próximo ao colo do útero). Estágio III – quando o câncer já atinge a parte inferior da vagina ou a parede pélvica, podendo bloquear os ureteres, temos as fases: IIIA – quando o câncer atinge o terço inferior da vagina, mas não a parede pélvica; IIIB – quando o câncer atinge a parede pélvica ou bloqueia o fluxo de urina para a bexiga. Estágio IV – o câncer atinge órgãos de outras partes do corpo. Este estágio tem as seguintes fases: IVA: quando o câncer atinge a bexiga ou o reto, próximos ao colo do útero; IVB: quando o câncer atinge órgãos mais distantes do colo do útero. Sistema TNM Este sistema usa três fatores para classificar o câncer de colo do útero: T (tumor), N (linfonodo) e M (metástase). Ele avalia a extensão do tumor, além de determinar se houve disseminação para os linfonodos e, ainda, se outras áreas foram atingidas. Tumor Primário (T) – se o tumor é classificado como TX, isso quer dizer que ele não pode ser avaliado. Se é T0 (zero), quer dizer que ele não pode ser encontrado. Existem também outras classificações, que vão de 1 a 4 (T1, T2, T3 e subdivisões de cada de cada um, além da classificação T4), que indicam o tamanho e se o tumor se disseminou nas proximidades. Então, quanto maior for o número, maior é o tumor ou mais ele se disseminou ou as duas coisas aconteceram juntas. Linfonodos Regionais (N) – o “X” é acrescentado na letra N se os linfonodos próximos do tumor não puderem ser avaliados (NX). Da mesma forma, o número 0 é acrescentado na letra N para indicar que nenhuma disseminação para linfonodos próximos ao tumor foi encontrada (N0) e o número 1 para indicar que o tumor se espalhou para linfonodos vizinhos (N1). Metástase à Distância (M) – a letra M indica se houve metástase para outras partes do corpo. Então, M0 (zero) significa que nenhuma disseminação foi encontrada e M1 quer dizer que o tumor se espalhou e atingiu regiões distantes. 9) Identificar as políticas públicas de saúde relacionadas ao câncer de colo do útero. ➔ Rede feminina de Combate ao Câncer ➔ Notificação compulsória ➔ Programa Nacional de Imunização (PNI) Dentre as políticas públicas de controle do Câncer de Colo de Útero adotadas no SUS, aquela que irá diminuir drasticamente a incidência e prevalência de lesões no colo em grande massa é: * Vacinação quadrivalente cepas (6, 11, 16 e 18). A redução do câncer somente se efetivará quando as prevenções secundária e terciária se alinharem à prevenção primária, feitas com alta cobertura das vacinas HPV e associadas a medidas de educação. ➔ Linhas de Cuidados: Níveis de atenção (Básica/Primária, Média Complexidade/Secundária, Alta Complexidade/Atenção terciária). ➔ Política nacional de atenção integral à saúde da mulher: orienta a população feminina através de ações educativas, preventivas, de diagnóstico, tratamento e recuperação. ➔ Plano de ações estratégicas para o enfrentamento das doenças crônicas não transmissíveis: ampliação da cobertura do exame citopatológico para mulheres entre 25 e 64 anos e o tratamento de todas as mulheres com diagnóstico de lesão precursora de câncer. Políticas gerais que se aplicam ao controle do Câncer: ★ Política Nacional de Humanização - Define os princípios e estabelece as diretrizes para valorização dos diferentes sujeitos envolvidos no processo de produção de saúde: usuários, trabalhadores e gestores. ★ Política Nacional de Atenção Básica - Estabelece as diretrizes e normas para a organização da Atenção Básica, para a Estratégia Saúde da Família (ESF) e para o Programa Agentes Comunitários de Saúde (PACS). ★ Política Nacional de Promoção à Saúde - Tem por objetivo promover a qualidade de vida e reduzir a vulnerabilidade e os riscos à saúde relacionados aos seus determinantes e condicionantes – modos de viver, condições de trabalho, habitação, ambiente, educação, lazer, cultura e acesso a bens e serviços essenciais. ★ Pacto pela Saúde - É um conjunto de diretrizes operacionais para a consolidação do SUS, constituído por três componentes: Pacto de Gestão, Pacto pela Vida e Pacto em Defesa do SUS, que possui objetivos e metas que devem ser repactuados anualmente. ★ O INCA coordena a Política Nacional de Atenção Oncológica (PNAO), que contempla ações de promoção, prevenção, diagnóstico, tratamento, reabilitação e cuidados paliativos de câncer, a ser implantada em todas as unidades federadas de forma articulada com o Ministério da Saúde e com as Secretarias de Saúde dos Estados e Municípios.