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Prótese Fixa Luís Victor S. Ribeiro Capítulo 1 2018.2 – Turma 28 EXAME DO PACIENTE Para obter sucesso no tratamento protético é necessário realizar um diagnóstico preciso e criterioso para construir um planejamento adequado. Sendo assim, é de extrema importância realizar um exame clínico minucioso para coletar o máximo de informações possíveis do paciente. O exame clínico é divido em três etapas: anamnese, exame físico e exames complementares (exames radiográficos). Etapas importantes para identificar as necessidades individuais de cada paciente, além de observar a presença de hábitos parafuncionais, os quais podem alterar o resultado final do tratamento se não corrigidos antes. ANAMNESE A anmnese é o primeiro contato com paciente e aborda sobre o estado de saúde geral do indivíduo. Nesta etapa é necessário coletar o máximo de informações identificando as limitações que para não haja problemas durante e após o tratamento. Paciente com problemas cardiovasculares não podem ser submetido ao uso de substancia contendo vasoconstritores (alguns anestésicos e fio retrator), pois podem sofrer alteração na homeostasia do seu sistema circulatório. Além disso, é necessário conhecer o histórico de tratamentos odontológicos anteriores. Ainda nessa etapa, é preciso coletar informações a respeito da saúde psíquica, hábitos parafuncionais, e sem ambos estão associado, pois muitas das vezes, estresse ou ansiedade podem estar relacionados com apertamento ou bruxismo. Pacientes com histórico de hemorragias não podem ser submetidos a tratamento cirúrgico sem antes a realizar de diversos exames complementares. EXAME CLÍNICO EXTRABUCAL Nesta etapa o cirurgião dentista deve observar se há presença de alterações no linfonodos através da palpação. Além disso, é possível observar a características faciais do individuo analisando se há assimetria facial, bem como as dimensões dos terços da face. Prótese Fixa Luís Victor S. Ribeiro Capítulo 1 2018.2 – Turma 28 Durante a anamnese, o cirurgião dentista consegue visualizar algumas características que indicam a presença de hábitos parafuncionais, além de verificar se há a presença de suporte labial, classificação da linha do sorriso, e até mesmo alterações na dimensão vertical. Pacientes com ausência de suporte labial podem realizar procedimentos cirúrgicos de enxerto ósseo ou gengival para correção ou uso de gengiva artificial. Perda do suporte labial. Pegoraro, 2013. Pacientes podem ter a linha do sorriso alta, média ou baixa. Pacientes com a linha de sorriso baixa tem a região cervical dos dentes anteriores coberto pelos lábios. Pacientes com linha do sorriso média tem a região cervical exposto assim como as papilas gengivais. Já pacientes com linha do sorriso alta tem grande parte do tecido gengival exposto. Nesse ultimo caso, é indicado esconder as margens da restauração dentro do sulco gengival, contudo, este procedimento deve ser cauteloso para não causar lesões no tecido gengival, haja visto que lesões nesta região podem causar alterações biológicas promovendo recessão gengival e comprometendo a estética do paciente. Em casos onde o paciente apresenta linha do sorriso média ou alta é indicado tratamento protético com coroas metalocerâmicas (collarless) ou prótese somente com cerâmica (metal free) (PEGORARO et al., 2018). Classificação da linha do sorriso: A (baixa), B (média), C (alta). Pegoraro, 2013. Prótese Fixa Luís Victor S. Ribeiro Capítulo 1 2018.2 – Turma 28 Com relação à dimensão vertical, o cirurgião dentista pode identificar se há alguma alteração caso esta esteja aumentada ou diminuída. Pacientes com restaurações excessivas e contatos prematuros acentuados tendem a ter uma DV aumentada. Já a DV diminuída pode estar relacionada com a perda dos dentes posteriores, bem como com hábitos parafuncionais (bruxismo). É possível observar presença de queilite angular em paciente com a DV diminuída, além da vestibularização dos dentes anterossuperiores devido a concentração das forças na região anterior em decorrência da perda dos dentes posteriores. Paciente com Dimensão Vertical aumentada. Pegoraro, 2013. Paciente com Dimensão Vertical diminuida. Pegoraro, 2013. EXAME CLÍNICO INTRAORAL Ao realizar o exame clínico intraoral, é necessário examinar os tecidos moles primeiros, em seguida os dentes, periodonto e exame de áreas edêntulas. No exame dos tecidos moles, a língua a língua pode indicar apertamento caso o órgão apresente depressões nas bordas laterais. Ao examinar os dentes devem ser levados em conta diversos critérios como, por exemplo: Prótese Fixa Luís Victor S. Ribeiro Capítulo 1 2018.2 – Turma 28 1. A existência de cáries e de restauração: é necessário identificar se essa paciente faz parte do grupo de risco para cárie, pois isso pode influenciar diretamente no sucesso do tratamento. Caso o paciente tenha um alto risco de desenvolver cárie e não consiga ter uma constância de higienização adequada, é necessário que o cirurgião dentista promova controle periódico. Durante o tratamento, preparos intrassulculares, falta de perfil de emergência, pouco espaço para as ameias gengivais, podem causar alteração biológica no tecido gengival, promovendo inflamação e logo recidivas de cáries. 2. Alterações na faceta estética: A linha de cimentação das próteses deve ser de pequena espessura para não comprometer a estética e não causar fraturas nas coroas protéticas. Essas fraturas podem ser causadas devido a problemas na oclusão ou problemas mecânicos. Caso o preparo seja insuficiente à coroa protética pode causar um sobrecontorno dificultando a higienização pelo paciente. 3. Oclusão: durante o exame de oclusão deve ser observado se há mobilidade dentária e perda de suporte ósseo. Além disso, é necessário verificar as relações maxilomandibulares do paciente, sejam elas estéticas e dinâmicas. Observar também as guias caninas e anteriores para verificar se há desoclusão dos dentes posteriores. 4. Tamanho da coroa clínica: a coroa clínica é um fator importante na confecção do preparo. Quando curtas os preparos precisam ter canalículas ou sulcos para aumentar a retentividade da prótese e deixar as restaurações estabilizadas. Em alguns casos é indicado o aumento de coroa clínica através de procedimentos cirúrgicos. 5. Vitalidade pulpar: dentes necrosados tendem a sofrer fraturas com maior facilidade, sendo assim, é necessário seja executado tratamento endodônticos satisfatórios para garantir o sucesso do tratamento. Contudo, é contraindicado o uso de dentes despolpados como pilar para extensos espaços edentulos ou ponticos suspensos. 6. Numero e disposição dos dentes: deve ser levada em conta a disposição dos dentes presente em um arco, pois grandes são os fenômenos de migração dentária. Para conter os movimento vestíbulo-lingual e mésio- distal, podem ser usadas conteções/esplintagem. É ideal que se tenha pelo Prótese Fixa Luís Victor S. Ribeiro Capítulo 1 2018.2 – Turma 28 menos a participação de um incisivo, um canino e de um dente posterior para garantir a estabilidade de próteses extensas. Pegoraro, 2013. Ao examinar o periodonto é necessário classificar o paciente em grupo com doença periodontal e grupo sem a doença periodontal: Paciente sem a doença periodontal irá apresentar tecido ósseo normal e inflamação somente no tecido gengival. Enquanto os pacientes com doença periodontal apresentará mobilidade, migração dentária, flacidez gengival e perda óssea. Além disso, é necessário realizar o exame periodontal por completo através do: exame de sondagem e profundida com uso de uma sonda Williams, identificar o índice de sangramento além da presença de exsudato, recessão gengival, mobilidade dentária e envolvimento de furca com sonda Nabers. Toda esta avaliação periodontalira indicar se o paciente poderá iniciar o tratamento imediato ou se precisará realizar um tratamento periodontal inicialmente. É importante realizar um exame das áreas edêntulas para avaliar as características do rebordo alveolar. Em alguns casos o paciente precisa ser submetido a enxerto ósseo ou gengival para a confecção do pôntico. Prótese Fixa Luís Victor S. Ribeiro Capítulo 1 2018.2 – Turma 28 Com relação aos exames de imagens estes auxiliará o cirurgião dentista a identificar alterações no sistema estomatognático que não são possíveis serem observadas no exame clínico. Através de radiografias, ou exames como tomografia computadoriza, é possível analisar se há presença de lesões ósseas bem como a qualidade óssea do paciente (altura e espessura), anatomia das das raízes, fraturas radiculares, corpos estranhos, e até mesmo a qualidade do tratamento endodôntico já realizado pelo paciente. Pegoraro, 2013. Anatomia periodontal. Pegoraro, 2013. Prótese Fixa Luís Victor S. Ribeiro Capítulo 1 2018.2 – Turma 28 MODELOS DE ESTUDO Durante o exame clínico, é ideal que seja realizada a montagem de modelos em gesso tipo III, pois copiam características anatômicas específicas do paciente. Essa etapa muitas vezes é ignorada pelo cirurgião dentista, porém é de muita importância, pois estes modelos auxiliam o CD na realização de planejamento de sucesso. Os modelos de estudo permitem observar as relações maxilomandibulares do paciente, além das inclinações que o individuo apresenta. É possível realizar também o enceramento diagnóstico, confecção de coroas provisórias. Modelos de estudo. Pegoraro, 2013. PLANEJAMENTO A prótese parcial fixa cumpre com o papel de promover reabilitação oral devolvendo ao paciente as funções mastigatórias, fonética e estética. Além disso, a prótese deve obedecer aos limites biológicos e periodontais, permitir que o paciente consiga realizar higienização correta REFERÊNCIAS: PEGORARO LF et al. Prótese Fixa. Bases para o planejamento em Reabilitação Oral. 2a edição. Artes Médicas, São Paulo, 2013.