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Disciplina: Matemática, Sociedade e Cultura.  Página 1 
Texto 1: A vinda da Matemática ao Brasil 
Este texto apresenta fatos considerados importantes por D’ Ambrósio (1996) 
para o desenvolvimento da Matemática no Brasil: a vinda dos jesuítas, a 
formação dos artilheiros no período colonial, a vinda da corte para o Rio de 
Janeiro, a criação da Academia Militar, o primeiro doutor em Matemática no 
Brasil no Segundo Império, a Revolução de 1932, a criação da Universidade 
São Paulo (USP), das faculdades de filosofia ciências e letras, a vinda de 
matemáticos italianos e franceses para a USP, a criação do Conselho Nacional 
de Pesquisa (CNPQ). 
No período colonial há pouco a registrar. O ensino era tradicional, 
modelado no sistema português e a pesquisa incipiente. Não havia 
universidade nem imprensa. 
Logo que a Coroa portuguesa decidiu ocupar as suas terras na 
América, chegaram os intelectuais jesuítas. Dentre eles, destacaram-se os 
padres: José de Anchieta (1534-1597) que escreveu a primeira gramática e 
dicionário Tupi-Guarani; Antonio Vieira, Valentim Stancel que teve os 
resultados de suas observações de cometas mencionados no Principia de 
Isaac Newton. Também merece destaque o Padre Voador, como era conhecido 
Bartolomeu de Gusmão (1685-1724). Ele nasceu em Santos, completou seus 
estudos em Portugal e em 1709 foi nomeado lente de matemática da 
Universidade de Coimbra. Deixou a sua cátedra para se entregar inteiramente 
ao estudo de balões. Há os estudos cartográficos encomendados por Dom 
João V aos chamados “padres matemáticos”, Domenico Capassi e Diogo 
Soares, entre 1730 e 1737. 
A necessidade de defender a costa brasileira de outros conquistadores 
fez com que se pensasse na formação de soldados artilheiros. Com esse 
objetivo, o engenheiro militar e professor José Fernandes Pinto Alpoim 
escreveu o primeiro livro didático brasileiro - Exame de Artilheiros, publicado 
em Lisboa, em 1744. Essa obra, dividida em três partes: Aritmética, Geometria 
e Artilharia marcou o ensino de aritmética e geometria no Brasil Colônia. 
 
 
Disciplina: Matemática, Sociedade e Cultura.  Página 2 
A vinda da corte portuguesa para o Brasil, em 1808, fez com que a 
cidade do Rio de Janeiro fosse equipada para transformar-se na capital do 
reino. Um fato de suma importância foi a transferência da riquíssima Biblioteca 
de Lisboa para o Rio de Janeiro. Além disso, os escritos do matemático 
português José Anastácio da Cunha puderam ser salvos no Brasil. 
Em 1810 foi criada a primeira escola superior, Academia Real Militar da 
Corte do Rio de Janeiro, onde se estudava Matemática seguindo os livros de 
Euler, Bezout, Monge e Lacroix sendo instituído o grau de Doutor em Ciências 
Matemáticas. Em 1858, a Academia Militar tornou-se Escola Central e depois 
se transformou na Escola Politécnica, em 1974. 
O primeiro doutor, Joaquim Gomes de Souza (1829-1863) defendeu a 
tese “O modo de indagar novos astros, sem auxílio das observações diretas”, 
em 1848. Suas pesquisas foram publicadas em Leipzig, no ano de 1882, sob o 
título “Melanges de Calcul Integral”. A sua estada na Europa e a publicação da 
obra contaram com o apoio decisivo do Imperador D. Pedro II que apreciava 
seus trabalhos. 
Com o advento da república houve uma forte influência francesa, 
particularmente do positivismo. Pouco se fez em pesquisa até o início do 
século, quando surgem Otto de Alencar, Teodoro Ramos, Amoroso Costa e 
Lélio Gama, todos no Rio de Janeiro. 
Em 1928 Teodoro Ramos transfere-se para a Escola Politécnica de São 
Paulo e inicia-se a fase paulista do desenvolvimento da matemática. 
No Brasil, os anos 30 do século vinte foram marcados por importantes 
transformações sociais, culturais e políticas. Após a Revolução 
Constitucionalista de 1932, três intelectuais criaram a Universidade de São 
Paulo (USP), contratando professores europeus para formar o quadro docente 
da nova instituição. Em 1933 foi criada a Faculdade de Filosofia, Ciências e 
Letras de São Paulo. Na mesma época, no Rio de Janeiro, foram criados: o 
Instituto Nacional de Tecnologia, a Universidade do Distrito Federal e a 
 
 
Disciplina: Matemática, Sociedade e Cultura.  Página 3 
Universidade do Brasil. Nessas instituições inicia-se a formação dos primeiros 
pesquisadores modernos de matemática no Brasil. 
Teodoro Ramos, com o respaldo dos governos italianos e brasileiro, 
trouxe para a USP o matemático italiano Luigi Fantappiè (1901-1956). Esse 
matemático já era reconhecido internacionalmente quando chegou ao Brasil. 
Proferiu palestras pelo Brasil para divulgar os progressos alcançados pela 
Matemática no século XX. Outro matemático italiano, Giacomo Albanese(1890-
1947), veio para o Brasil, em 1936, convidado por Fantappié. 
Logo após a Segunda Guerra Mundial, matemáticos franceses 
começaram a chegar ao Brasil, entre eles, André Weil e Jean Dieudonné 
(1906-1992), que passaram pela USP. 
Começa um grande desenvolvimento da pesquisa científica com a 
criação do Conselho Nacional de Pesquisa (CNPQ) em 1955 e seu Instituto de 
Matemática Pura e Aplicada e a realização dos Colóquios Brasileiros de 
Matemática a partir de 1957. Desde então, D’Ambrósio (1996, p.56) afirma que 
a pesquisa matemática brasileira vem crescendo e hoje tem destaque 
internacional. 
O Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) é um 
instituto de pesquisa em ciências matemáticas e de ensino de graduação de 
renome mundial e parte do Ministério de Ciência e Tecnologia. Ele tem um 
papel de liderança no Brasil e na América do Sul formando jovens cientistas e 
disseminando o conhecimento matemático. 
Referências 
D’AMBRÓSIO, Ubiratan. Educação Matemática: da Teoria à Prática. Campinas: 
Papirus,1996. 
 
Texto 2: História da Matemática no Brasil - uma visão 
panorâmica até 1950. Este texto está disponível em: 
http://vello.sites.uol.com.br/historia.htm