Prévia do material em texto
Enterobius vermicularis Filo - nematoda Classe - Secernentea Família - Oxyuridae Gênero - Enterobius Espécie → E. vermicularis CARACTERÍSTICAS GERAIS - Causador da enterobiose ou oxiurose - oxiúros - Cosmopolita - Enterobius = enteron + bios (intestino e vida em grego) - Habitam o ceco humano e as fêmeas grávidas são encontradas no ânus e região perianal - Formas evolutivas: adulto, larva e ovo HISTÓRICO - Enterobius vermicularis foi denominado por Linnaeus em 1758 - Achados arqueoparasitológicos em múmias e coprólitos (fezes petrificadas) de seres humanos têm sido documentados - Encontrado em coprólitos de 10.000 anos nos EUA e de 4-6.000 anos no Peru e ChilE - Descrito como “Herxetef” nos papiros de Eberts em 1550 a.C., no Egito Antigo - Hipócrates (460-370 a.C.), Aristóteles (Grécia Antiga, 384-322 a.C.) e Galeno (Roma Antiga, 129-200 d.C.), etc. MORFOLOGIA OVO - Casca com dupla camada, liso, translúcido e com aspecto da letra “D” - Substância viscosa superficial permite a adesão a outros ovos e substratos - Quando deixam o corpo da fêmea, já possuem a larva formada, mas ainda em desenvolvimento ADULTO - Nítido dimorfismo sexual - Cor branca, corpo filiforme e cutícula estriada no sentido transversal - Extremidade anterior com “asas cefálicas” - Boca é pequena, com 3 pequenos lábios retráteis - Esôfago é claviforme e relativamente musculoso, terminando em um bulbo cardíaco - Habitam o ceco do ser humano, podendo estarem livres ou aderidos a mucosa, se alimentando do conteúdo intestinal do hospedeiro - Formas mais jovens podem ser encontradas no íleo e intestino delgado - As fêmeas grávidas, repletas de ovos, são encontradas no ânus e região perianal - Em mulheres também é comumente encontrado na uretra e vagina - Fêmea ● extremidade posterior afilada, com cauda longa e pontiaguda. ● Possui vulva, vagina, 2 úteros e ovário com aspecto enovelado, cheio de ovos (até 16 mil ovos) - Macho ● Cauda fortemente recurvada em sentido ventral. ● Testículo único, canal deferente e canal ejaculador, que alcança a cloaca do verme. ● Nesta abertura, o espículo longo é projetado durante a cópula CICLO BIOLÓGICO OBS: - Após a cópula, os machos morrem e são eliminados nas fezes - A proximidade dos ovos embrionados com a superfície de mucosas e pele torna-os infectantes em até 6h - Os ovos resistem até 3 semanas no ambiente - Não havendo reinfecção, o parasitismo se extingue - As fêmeas são encontradas na região perianal entre 45-60 dias após a infecção TRANSMISSÃO - Heteroinfecção: ovos em alimentos, poeira e outros fômites - Autoinfecção externa: o próprio indivíduo parasitado, após coçar a região perianal, leva os ovos a boca - Retroinfecção: larvas eclodem na região perianal e readentram o sistema digestivo pelo ânus, até atingirem o ceco e virarem adultos PATOGENIA E SINTOMATOLOGIA - Patogenicidade usualmente leve - sintomatologia ausente ou de manifestações clínicas leves - A presença dos vermes podem causar discretas lesões intestinais e inflamação, sendo ulcerações de mucosa ou abcessos de submucosa resultantes, na maioria das vezes, de infecções bacterianas secundárias - No caso de um número muito elevado de vermes e uma inflamação catarral na região ileocecal ocorrer, podem ser observadas manifestações gastrointestinais. - A manifestação clínica mais prevalente da enterobiose é o prurido anal, mais intenso no período noturno – deslocamento das fêmeas há também sugestões de que o contato com antígenos dos ovos e dos adultos (particularmente fêmeas mortas) tenham relação (hipersensibilidade) - A mucosa pode apresentar-se edemaciada, congesta, com pontos hemorrágicos e recoberta por muco, às vezes sanguinolento, sendo ovos, fêmeas grávidas inteiras ou seus fragmentos observados no local - Intensidade do prurido → coçar persistentemente, podendo resultar em ferimentos → infecções bacterianas - Prurido anal noturno → quadro de insônia, resultando em bruxismo, sonilóquios (fala durante o sono), sonambulismo e pesadelos. - Outras manifestações associadas são comportamentais como irritabilidade, anorexia, vertigem, aumento de frequência de crises convulsivas e enurese (descontrole urinário durante o sono) - Localizações extraintestinais (cavidade peritoneal, fígado, baço e pulmões), podem levar a reações inflamatórias e formação de granulomas, mas que são incomuns e infecções bacterianas secundárias (bactérias entéricas carreadas pelos vermes) - Trato genitourinário feminino - prurido vulvar, vaginite e corrimento DIAGNÓSTICO - Clínico – prurido anal, sobretudo noturno, podendo ser referido como intolerável e associado a insônia e irritabilidade. ● Observação de pequenos vermes na região anal e perianal (lagartinhas), nas fezes ou no papel higiênico - Laboratorial – observação de ovos e/ou adultos pelo método da fita adesiva (Graham) – coleta ao amanhecer antes do banho - Somente 5-15% dos casos são identificados em exames de fezes de rotina - Os vermes podem ser encontrados durante colonoscopia TRATAMENTO - O tratamento medicamentoso deve ser repetido pelo menos 2x, com intervalo de 14 dias entre as doses - Os fármacos mais utilizados são pamoato de pirantel, albendazol, ivermectina, etc - Trocar roupas e roupa de cama diariamente, lavando com água fervente para evitar reinfecção PROFILAXIA - Não sacudir roupas íntimas e de cama pela manhã e lavar diariamente com água fervente - Corte rente das unhas e lavagem frequente das mãos - Banhos frequentes - Desestímulo ao ato de coçar a região perianal - Combate ao hábito de levar a mão na boca - Tratamento dos parasitados