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Cuidador de Idoso - Turma 2023B 4.7.1 Infecção do trato urinário na pessoa idosa Sabemos que os indivíduos não envelhecem todos da mesma forma. O envelhecimento humano é um processo lento, gradativo, individual e diversificado; sofre influência de fatores genéticos, dos hábitos de vida, da alimentação, do ambiente e das doenças presentes. As características principais da velhice são a redução da capacidade de adaptação ambiental, a diminuição da velocidade de desempenho e o aumento da suscetibilidade a doenças. Processos infecciosos em pessoas idosas são bastante frequentes, em especial a infecção do trato urinário (ITU), comumente chamada de infecção urinária. Fatores de risco como imobilidade, menopausa, insuficiência de hormônios e o uso de fraldas facilitam esse acometimento. Reconhecidamente a infecção do trato urinário, sintomática ou assintomática (bacteriana), é a infecção mais frequente, independentemente do sexo, acometendo aproximadamente 20% das mulheres e 10% dos homens idosos. Esta prevalência praticamente duplica após os 80 anos, podendo alcançar cerca de 50% das pessoas idosas debilitadas ou hospitalizadas. Qual é a composição do aparelho urinário? O aparelho urinário é composto por dois rins (que produzem a urina), dois ureteres (que comunicam os rins com a bexiga), uma bexiga (reservatório temporário da urina), uma uretra (comunica a bexiga com o exterior) e uma próstata (no homem). O que é infecção do trato urinário? É a invasão do sistema urinário, previamente estéril, por bactérias ou mesmo por fungos e vírus. Dependendo do local onde ocorre pode ser classificada em: Bacteriúria assintomática: presença de bactérias na urina mas sem sintomas; Cistite: inflamação ou infecção da bexiga; Uretrite: inflamação ou infecção da uretra, frequentemente causada por agentes relacionados às doenças sexualmente transmissíveis; Prostatite: inflamação ou infecção da próstata por agentes infecciosos; Pielonefrite aguda (PNA): infecção bacteriana aguda do rim, ou seja do trato urinário superior, acompanhada de sintomas locais e sistêmicos de infecção. Esta infecção normalmente é grave e necessita intervenção médica o mais rápido possível; ITU recorrente ou recidivada: é aquela ITU que reaparece após a cura aparente ou depois de terminar o tratamento. Pode ocorrer após algumas semanas do fim do tratamento, especialmente em mulheres. Mais de 80% de todas recorrências são por reinfecção. As ITUs podem ser com ou sem sintomas e complicadas ou não complicadas. Essa avaliação é feita pelo médico que irá abordar individualmente cada caso. O que favorece a infecção do trato urinário na pessoa idosa? Causas frequentes: Baixa imunidade relacionada à idade; Problemas na função ou na anatomia do trato geniturinário; Incontinência urinária (perda incontrolada de urina); Imobilidade; Pouca ingestão de líquidos ou desidratação; Deficiências nutricionais; Hábitos precários de higiene; Presença de outras doenças como, por exemplo, diabetes; Presença de sondas de bexiga, uso de fraldas, absorventes ou calças plásticas; Presença de cálculos renais (pedras nos rins) ou na bexiga; Deformidades na bexiga; Diabetes mellitus; Uso prévio ou irregular de antibióticos (favorecem o aparecimento de infecções causadas por germes mais resistentes); Na mulher enfraquecimento dos músculos da pelve (“bexiga caída”), redução da capacidade da bexiga e da secreção vaginal, contaminação por fezes, atrofia do tecido da uretra pela queda dos níveis hormonais; No homem aumento da próstata, o que dificulta o esvaziamento da bexiga e favorece a permanência de urina por mais tempo, bem como o desenvolvimento das bactérias. O que sente a pessoa com ITU? Dor ao urinar com ardência e queimação; Urgência para urinar; Frequência miccional aumentada (vai várias vezes ao banheiro); Urina em pequena quantidade; Sensação de não esvaziamento da bexiga; Febre; Incontinência urinária (perda involuntária de urina). A pessoa idosa pode não apresentar os sintomas típicos da doença. Na verdade, muitas das vezes, as pessoas idosas apresentam outros sintomas que não são observados com frequência em jovens como: Mal-estar indefinido; Falta de apetite; Fraqueza; Calafrios; Confusão mental (delirium). Qual é a bactéria mais frequente na ITU? O agente bacteriano mais comum nas infecções de urina é a E. coli (90%). Geralmente esta bactéria se encontra no intestino. Assim, pessoas com incontinência fecal ou com má higienização apresentam ainda mais possibilidades de infecção por essa bactéria. Como é feito o diagnóstico da infecção de urina? O diagnóstico é feito pela história clínica, exame físico e por exames laboratoriais que são solicitados pelo médico, dentre eles: Exame de urina, que pode demonstrar pus, sangue ou aglomerados de bactérias; Cultura da urina, que irá demonstrar qual é a bactéria causadora da infecção e permitirá a realização do antibiograma (abaixo); Antibiograma, que fornecerá a indicação dos medicamentosos (antibióticos) que serão eficazes no tratamento e os antibióticos a que as bactérias já são resistentes; Exames de imagem, que algumas vezes são necessários para complementar a avaliação médica como, por exemplo, a ultrassonografia (ecografia), a tomografia computadorizada e a ressonância magnética. Esses exames são bastante específicos e utilizados em poucos casos. Como as pessoas idosas podem apresentar sintomas pouco característicos, a urocultura pode ter grande importância nestes pacientes. Como é feito o tratamento das infecções de urina? Nas infecções urinárias não complicadas, algumas questões são importantes: Quem necessita de tratamento com antibióticos? Quais antibióticos devem ser usados e qual a duração do tratamento? Que medidas clínicas, além de antibióticos, podem ter utilidade? Quais as orientações higiênicas e dietéticas? Os pacientes idosos com bactéria na urina, mas que não tem sintomas não devem ser tratados com antibióticos, pois existe o risco desnecessário de seleção de bactérias mais resistentes, da interação medicamentosa e da reação alérgica às drogas, além dos custos do tratamento. No entanto, esta conduta será tomada pelo médico da pessoa idosa e de forma individualizada. A infecção do trato urinário a nível renal ou quadro febril suspeito de origem urinária deve receber tratamento imediato pelos riscos de infecção generalizada. Geralmente este tratamento é feito com a pessoa idosa em regime de internação hospitalar e com antibióticos intravenosos. O tempo de tratamento das cistites é diferente do adulto jovem. Na pessoa idosa o uso de antibióticos deverá ser de no mínimo 7 a 10 dias, e nunca de apenas 3 dias. Nos casos de prostatite bacteriana o tratamento deverá ser realizado por quatro a sete semanas, no mínimo. O tratamento é feito com antibióticos escolhidos pelo médico do paciente e adequados para cada bactéria e para cada paciente. É sempre importante ter em mãos uma lista com nomes de antibióticos já utilizados pelo paciente durante os últimos meses e principalmente se ocorreu algum episódio de alergia à medicação. A prevenção da infecção do trato urinário está indicada principalmente em mulheres com ITU recorrente, que apresentem mais do que duas infecções por ano, ou quando da presença de fatores que mantém a infecção, como cálculos. Quais são as medidas de prevenção? Algumas atitudes são muito importantes: Ingerir bastante líquido (média de 2 litros por dia); Evitar reter a urina, urinando sempre que a vontade surgir; Praticar relação sexual protegida; Urinar após relações sexuais; Evitar o uso indiscriminado de antibióticos, sem indicação médica. Para as mulheres: Limpar-se sempre da frente para trás, após usar o toalete; Lavar a região perianal após as evacuações; Evitar o uso de absorventes internos; Evitar a realização de “duchas”, “chuveirinhos”; Evitar o uso constante de roupas íntimas de tecido sintético, preferir as de algodão; Usar roupas mais leves para evitar transpiração excessiva na região genital; Evitar o uso indiscriminado de antibióticos.Estas são as medidas preventivas a serem adotadas especialmente em pessoas que apresentam infecções urinárias de repetição. Algumas outras medidas de prevenção podem ser orientadas pelo médico, como uso constante de antibióticos, cremes vaginais, hormônios etc., mas isso só em alguns casos. Este material foi baseado em: ACCIOLY, Mariana Cabral Ruback. Infecção do trato urinário na pessoa idosa. In: Born, Tomiko. Cuidar Melhor e Evitar a Violência - Manual do Cuidador da Pessoa Idosa. Brasília : Secretaria Especial dos Direitos Humanos, Subsecretaria de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, 2008. Última atualização: quarta, 1 mar 2023, 17:14 ◄ 4.7 Incontinência urinária Seguir para... 4.7.2 Tratamento fisioterapêutico para a incontinência urinária ► https://moodle.ifrs.edu.br/mod/page/view.php?id=339067&forceview=1 https://moodle.ifrs.edu.br/mod/page/view.php?id=339069&forceview=1