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Literatura 3ª SÉRIE – ENSINO MÉDIO GÊNEROS LITERÁRIOS Os gêneros literários são como grupos familiares que reúnem nas mesmas categorias obras com atributos semelhantes. Estes textos são organizados conforme suas propriedades formais. As primeiras divisões surgiram na Era Antiga com os filósofos gregos Platão e Aristóteles. Esta categorização é elástica, portanto um determinado conteúdo pode transitar entre uma e outra modalidade, as quais são normalmente classificadas em subgrupos. Foto: © iStock.com / iSebastian Todos os gêneros, porém, partem de uma classificação padrão, adotada desde a Antiguidade: narrativo ou épico; lírico e dramático. Deste tronco principal partem as ramificações menores, ou seja, os subgêneros. Gênero lírico Na modalidade lírica o poeta exprime seus sentimentos mais íntimos, as emoções que povoam seu universo interior. E o faz através do ritmo, da melodia que embala os versos. As palavras ganham uma intensa sonoridade. A palavra “lírico” provém do latim e tem o sentido de “lira”, o instrumento mais comum na Grécia Antiga, com o qual se imprimia um tom melódico à poesia da época. O âmago deste gênero é a subjetividade do autor, melhor dizendo, do eu-lírico. Ele se divide em: · Poesia: Sua essência é a harmonização da palavra. · Ode: Composição calorosa e sonora. · Sátira: Texto que escarnece de alguém ou de um determinado contexto. · Hino: Criação que louva ou engrandece algo. Por exemplo, uma nação ou uma divindade. · Soneto: Poema com 14 versos: dois quartetos e dois tercetos. · Haicai: Poemas japoneses, desprovidos de rima, compostos geralmente por três versos. · Acróstico: Poesia na qual as primeiras letras de cada verso, ou em alguns casos as da posição central ou as do final, compõem, na vertical, um ou mais nomes, uma ideia, axiomas, entre outras concepções. Gênero dramático A modalidade dramática teve início na Grécia Antiga, possivelmente em festas realizadas em honra de Dionísio, deus do vinho. As obras que se filiam a este gênero são especialmente criadas para serem exibidas em montagens teatrais. Hoje é mais complicado distinguir um drama de outro gênero da literatura, pois se generalizou a prática de converter qualquer produção literária em roteiro para apresentação nos palcos. · Farsa: Tende para o cômico; a ação é corriqueira e se baseia na rotina diária e no ambiente familiar. · Tragédia: Reproduz um evento trágico e tem por fim suscitar piedade e horror. · Elegia: Louva a morte de uma pessoa; este evento é o ponto central da peça. Exemplo: Romeu e Julieta, de Shakespeare. Gênero épico A palavra “épos” vem do grego e significa “versos” e, portanto, o gênero épico é a narrativa em versos que apresenta um episódio heroico da história de um povo. Na estrutura épica temos: o narrador, o qual conta a história praticada por outros no passado; a história, a sucessão de acontecimentos; as personagens, em torno das quais giram os fatos; o tempo, o qual geralmente se apresenta no passado e o espaço, local onde se dá a ação das personagens. Neste gênero, geralmente, há presença de figuras fantasiosas que ajudam ou atrapalham no curso dos acontecimentos. Quando as ações são narradas por versos, temos o poema épico ou epopeia. Dentre as principais epopeias, temos: Ilíada e Odisseia. Gênero Narrativo Na concepção atual, existe um quarto gênero, visto como uma variante do Gênero épico e composto de narrativas em prosa. Dependendo da estrutura, da forma e da extensão, as principais manifestações são o romance, o conto e a crônica. Nessas modalidades, temos representações da vida comum, de um mundo particular e individual; ao contrário da universalidade das grandiosas narrativas épicas, marcadas pela representação de um mundo maravilhoso, povoado de heróis e deuses. Tipos de narração: 1ª pessoa: narrador interno e onipresente, que participa dos acontecimentos. 3ª pessoa: narrador externo e onisciente está fora dos acontecimentos, mas tem ciência de tudo que acontece. É importante ressaltar que, nas narrações em 1ª pessoa, nem tudo que o narrador afirma corresponde à “verdade”, pois é sempre uma visão parcial, individual, de quem participa. Atividades Leia o poema abaixo para responder às questões 1 e 2: Desencanto (Manuel Bandeira) Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto. Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração. E nestes versos de angústia rouca, Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca. Eu faço versos como quem morre. 1. A que gênero pertence Desencanto, de Manuel Bandeira? Porque se pode dizer que o poema é representante desse gênero? ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 2- Você diria que a poesia de Manuel Bandeira é objetiva ou subjetiva? Justifique. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________ 3- Leia o texto abaixo: A um passarinho Para que vieste Na minha janela Meter o nariz? Se foi por um verso Não sou mais poeta Ando tão feliz! (Vinícius de Moraes) Segundo o texto, qual é a condição fundamental para a condição poética? _____________________________________________________________________________________________ 4- Reconheça no texto abaixo três marcas do Gênero Dramático: “JOANA Cê gosta da filha do Creonte, Jasão? JASÃO Não quero falar nisso agora... JOANA Gosta não. Ta só perturbado, né? Responde pra mim... JASÃO Tava falando, deixa eu continuar, sim? JOANA Responde duma vez, homem, toma coragem. Você gosta mesmo da moça?... JASÃO (gritando) Mulher, pára, deixa eu falar...” (tempo) ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________