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MÉTODOS NUMÉRICOS EM
EQUAÇÕES DIFERENCIAIS
AULA 3
Profª Marina Vargas Reis de Paula Gonçalves
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EQUAÇÕES DE ORDEM SUPERIOR E SISTEMAS DE EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS
Nas aulas anteriores, foram estudas equações diferenciais que envolviam
somente a primeira derivada de uma função, ou seja, equações diferenciais de
primeira ordem. No entanto, na modelagem de diversos problemas, surge a
necessidade de utilizar derivadas de ordem superior.
Dessa forma, passaremos a estudar a resolução de problemas regidos
por equações diferenciais ordinárias de ordem superior, abrangendo modelos
como sistemas massa-mola, deformações lineares de sólidos e circuitos
elétricos RLC.
Ao longo deste capítulo, serão apresentadas definições de EDOs de
ordem superior e como transformá-las em uma análise de diversas EDOs de
primeira ordem, acopladas por meio de um sistema de equações.
Com isso, serão revisitados alguns métodos para solução numérica
apresentados anteriormente, com o enfoque de solução de sistemas de
equações diferenciais ordinárias de primeira ordem. Nesse contexto, serão
apresentados aspectos que envolvem a estabilidade de solução numérica no
tempo, bem como características inerentes de certas EDOs, chamadas rígidas,
que devem ser observadas para a sua correta modelagem numérica.
Os assuntos abordados no escopo deste material podem ser encontrados
nos materiais de Burden e Faires (2008), Franco (2006), Butcher e Goodwin
(2008) e Chapra (2012). Esses materiais são indicados para um maior
aprofundamento do conteúdo.
TEMA 1 – EDO DE ORDEM SUPERIOR E O SISTEMA DE EQUAÇÕES
DIFERENCIAIS ASSOCIADO
Apesar de a extensão dos conceitos ser poderosa no sentido de
aplicabilidade, a estratégia numérica de solução herda vários aspectos já
discutidos para o caso de primeira ordem. Isso se deve ao fato de que iremos
procurar traduzir a equação diferencial de ordem superior em um sistema de
equações diferenciais de primeira ordem por meio de substituições de variáveis
simples.
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1.1 Substituição de variáveis para gerar o sistema de EDOs
Inicialmente, estenderemos a notação do problema de valor inicial
apresentada anteriormente como:
𝒅𝒖
𝒅𝒕
= 𝒇(𝒕, 𝒖(𝒕))
Desse modo, contemos derivadas de ordem 𝒏. Assim, escrevemos:
𝒅𝒏𝒖
𝒅𝒕𝒏
= 𝒇 (𝒕, 𝒖,
𝒅𝒖
𝒅𝒕
,
𝒅𝟐𝒖
𝒅𝒕𝟐
, … ,
𝒅𝒏−𝟏𝒖
𝒅𝒕𝒏−𝟏
)
Define-se assim uma equação diferencial de ordem superior de maneira
análoga.
Naturalmente, é necessário estipular condições iniciais para cada uma
das derivadas até a ordem 𝒏 − 𝟏. Ou seja, 𝒖(𝒕𝟎) = 𝜷𝟎
𝟎,
𝒅𝒖
𝒅𝒕
(𝒕𝟎) = 𝜷𝟎
𝟏,
𝒅𝟐𝒖
𝒅𝒕𝟐
(𝒕𝟎) =
𝜷𝟎
𝟐,
𝒅𝟑𝒖
𝒅𝒕𝟑
(𝒕𝟎) = 𝜷𝟎
𝟑, …,
𝒅𝒏−𝟏𝒖
𝒅𝒕𝒏−𝟏
(𝒕𝟎) = 𝜷𝟎
𝒏−𝟏.
Dessa forma, podemos transformar a equação diferencial em um sistema
de equações diferenciais associando cada derivada de ordem 𝒋, com 𝒋 de 𝟎 a
𝒏 − 𝟏, a uma variável 𝒗𝒋 =
𝒅𝒋𝒖
𝒅𝒕𝒋
e, assim, a EDO fica:
𝒅𝒏𝒖
𝒅𝒕𝒏
= 𝒇(𝒕, 𝒗𝟎, 𝒗𝟏, 𝒗𝟐, … , 𝒗𝒏−𝟏)
Com as respectivas condições iniciais. É importante notar que, ao
escolhermos 𝒗𝒋 =
𝒅𝒋𝒖
𝒅𝒕𝒋
, construímos um sistema de equações diferenciais
lineares.
TEMA 2 – SOLUÇÃO USANDO MÉTODOS DE EULER
Os métodos apresentados de passo simples para solução numérica de
um problema de valor inicial (PVI) podem ser facilmente estendidos para a
solução de sistemas de equações diferenciais sujeita à imposição de um valor
inicial.
Esse procedimento consiste em simplesmente dar um passo no tempo
utilizando o método escolhido para cada equação do sistema.
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2.1 Método explícito de Euler
Para o caso do método explícito de Euler, escrevemos o processo iterativo
para cada uma das 𝒏 equações diferenciais provenientes da EDO de ordem 𝒏.
Ou seja, para cada uma das equações, temos:
𝒅𝒗𝒋
𝒅𝒕
= 𝒇(𝒕, 𝒗𝟎, 𝒗𝟏, 𝒗𝟐, … , 𝒗𝒏−𝟏)
Portanto:
𝒗𝒋(𝒕
𝒊+𝟏) = 𝒗𝒋(𝒕
𝒊) + 𝒉𝒇(𝒕, 𝒗𝟎, 𝒗𝟏, 𝒗𝟐, … , 𝒗𝒏−𝟏)
2.2 Método de Euler modificado
O método de Euler apresentado pode ser repensado para ter uma
aproximação melhor, ao se utilizar uma função 𝒇 constante no intervalo de
integração temporal, mas sim como uma média entre o valor inicial e final.
Ou seja:
�̅� =
𝒇𝒊+𝟏(𝒕, 𝒗𝟎, 𝒗𝟏, 𝒗𝟐, … , 𝒗𝒏−𝟏) + 𝒇𝒊(𝒕, 𝒗𝟎, 𝒗𝟏, 𝒗𝟐, … , 𝒗𝒏−𝟏)
𝟐
Assim, 𝒇𝒊 denota a função 𝒇 calculada no passo de tempo 𝒊.
Os métodos para resolver as equações diferenciais de primeira ordem são
generalização dos métodos para equações de primeira ordem. Para aproximar
a solução de um problema de valor inicial de segunda ordem:
𝑑2𝑦
𝑑𝑥2
= 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑦´), 𝑦(𝑥0) = 𝑦0, 𝑦´(𝑥0) = 𝑦´0
Reduzimos a equação diferencial de segunda ordem a um sistema de
primeira ordem. Fazendo 𝑦´ = 𝑢, a equação se torna:
{
𝑦´ = 𝑢
𝑢´ = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑢)
Aplicamos em seguida um método particular para cada equação do
sistema resultante. Por exemplo, o método de Euler seria:
{
𝑦𝑛+1 = 𝑦𝑛 + ℎ𝑢𝑛
𝑢𝑛+1 = 𝑢𝑛 + ℎ𝑓(𝑥𝑛, 𝑦𝑛, 𝑢𝑛)
.
5
TEMA 3 – SOLUÇÃO USANDO O MÉTODO DE RUNGE-KUTTA DE QUARTA
ORDEM
De forma análoga ao que foi desenvolvido para o método de Euler no
sistema de equações diferenciais decorrente da EDO da ordem superior,
podemos estender a aplicação do método de Runge-Kutta de quarta ordem para
esses casos.
3.1 As constantes de taxa de variação instantânea
No método de Runge-Kutta de quarta ordem, a aproximação se dá de
forma iterativa, com base em uma inclinação da predição calculada com base
em quatro taxas de variação auxiliares (𝒌𝟏, 𝒌𝟐, 𝒌𝟑, 𝒌𝟒).
Primeiramente, calcula-se 𝒌𝟏em relação ao ponto inicial do intervalo de
integração no tempo (𝒊). Com base em 𝒌𝟏, é calculada a inclinação no ponto
médio do intervalo (𝒕𝒊 + 𝒉/𝟐), 𝒌𝟐. Com essas duas constantes, retorna-se ao
ponto inicial do intervalo para estimar novamente a taxa de variação no ponto
médio, 𝒌𝟑. Por fim, com 𝒌𝟏, 𝒌𝟐 e 𝒌𝟑, calcula-se 𝒌𝟒, referente ao ponto final do
intervalo de integração no tempo (𝒕𝒊+𝟏).
Para aproximar a solução de um problema de valor inicial de segunda
ordem:
𝑑2𝑦
𝑑𝑥2
= 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑦´), 𝑦(𝑥0) = 𝑦0, 𝑦´(𝑥0) = 𝑦´0
Da mesma forma que, para o método de Euler, reduzimos a equação
diferencial de segunda ordem a um sistema de primeira ordem. Fazendo 𝑦´ = 𝑢,
a equação se torna:
{
𝑦´ = 𝑢
𝑢´ = 𝑓(𝑥, 𝑦, 𝑢)
Aplicamos em seguida um método particular para cada equação do
sistema resultante, o Runge-Kutta de quarta ordem.
Dessa forma, as constantes 𝒌 são calculadas para o caso de múltiplas
EDOs, como:
𝒌𝟏 = 𝒇 (𝒕
𝒊, 𝒖(𝒕𝒊)) = 𝒇(𝒕𝒊, 𝒗𝟎, 𝒗𝟏, 𝒗𝟐, … , 𝒗𝒏−𝟏)
𝒌𝟐 = 𝒇 (𝒕
𝒊 +
𝒉
𝟐
, 𝒗𝟎(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟏, 𝒗𝟏(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟏, 𝒗𝟐(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟏, … , 𝒗𝒏−𝟏(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟏)
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𝒌𝟑 = 𝒇 (𝒕
𝒊 +
𝒉
𝟐
, 𝒗𝟎(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟐, 𝒗𝟏(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟐, 𝒗𝟐(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟐, … , 𝒗𝒏−𝟏(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟐
𝒌𝟐)
𝒌𝟒 = 𝒇(𝒕
𝒊+𝟏, 𝒗𝟎(𝒕
𝒊) + 𝒌𝟑, 𝒗𝟏(𝒕
𝒊) + 𝒌𝟑, 𝒗𝟐(𝒕
𝒊) + 𝒌𝟑, … , 𝒗𝒏−𝟏(𝒕
𝒊) + 𝒌𝟑)
3.2 Procedimento iterativo
De posse das constantes 𝒌, o procedimento iterativo é facilmente descrito
por meio de uma taxa média ponderada de variação no intervalo por meio da
seguinte expressão:
𝒗𝒋(𝒕
𝒊+𝟏) = 𝒗𝒋(𝒕
𝒊) +
𝒉
𝟔
[𝒌𝟏 + 𝟐𝒌𝟐 + 𝟐𝒌𝟑 + 𝒌𝟒]
TEMA 4 – ESTABILIDADE
A escolha de determinado método numérico permeia diversos aspectos,
como grau de acurácia desejado, custo computacional e tipo de aplicado. Além
desses aspectos, há casos em que determinados métodos têm garantias
teóricas de que funcionarão como desejado, enquanto outros não são
adequados.
Nesse sentido, é preciso avaliar os métodos de escolha conforme sua
estabilidade em determinada aplicação.
No contexto de estabilidade numérica, há dois conceitos-chave:
convergência e consistência. Esses conceitos serão definidoscom precisão a
seguir. Por fim, é apresentado um resultado que define de forma objetiva a
estabilidade de um método numérico no contexto da solução numérica de
problemas de valor inicial.
4.1 Convergência e consistência
Primeiramente, dizemos que um método é convergente se o refino
arbitrário da malha implica em aproximação da resposta aproximada em relação
à resposta verdadeira do problema. Ou seja, um método é convergente se:
𝐥𝐢𝐦
𝒉→𝟎
𝐦𝐚𝐱
𝟎≤𝒊≤𝑵−𝟏
|�̅�𝒊 − 𝒖𝒊| = 𝟎
Em que �̅�𝒊 aproxima 𝒖𝒊 no 𝒊-ésimo passo em uma malha temporal de
abertura 𝒉.
Por outro lado, por se tratar de uma aproximação numérica, é necessário
se preocupar em como os erros de truncamento impactam a solução. Assim, um
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método é dito consistente se o erro de truncamento 𝝉(𝒉) associado a uma malha
de abertura 𝒉 diminui arbitrariamente à medida que a malha é refinada. Ou seja:
𝐥𝐢𝐦
𝒉→𝟎
𝐦𝐚𝐱
𝟎≤𝒊≤𝑵−𝟏
|𝝉𝒊(𝒉) | = 𝟎
4.2 Estabilidade de um método de PVI
Consideremos um método numérico para o problema de valor inicial de
primeira ordem, escrito de forma que a solução aproximada �̅� seja obtida como:
�̅�𝒊+𝟏 = �̅�𝒊 + 𝒉 ∗ 𝒈(𝒕𝒊, 𝒖𝒊, 𝒉)
Suponha que exista um tamanho máximo de malha 𝒉𝟎 > 𝟎, tal que
𝒈(𝒕𝒊, 𝒖𝒊, 𝒉) seja Lipschitz contínua em relação à variável 𝒖 com constante de
Lipschitz de valor 𝒌 para o domínio:
𝑫 = {𝒈(𝒕, 𝒖, 𝒉)/ 𝐭𝒊𝒏𝒊𝒄𝒊𝒂𝒍 ≤ 𝐭 ≤ 𝐭𝒇𝒊𝒏𝒂𝒍, 𝒖 ∈ 𝕽, 𝟎 ≤ 𝒉 ≤ 𝒉𝟎}
Então podemos afirmar que:
O método é estável;
O método é consistente se, e somente se, é convergente;
Se o erro de truncamento em um nó da malha |𝝉𝒊(𝒉)| é limitado
superiormente pelo erro de truncamento global 𝝉(𝒉) dentro de um
intervalo de malha 𝟎 ≤ 𝒉 ≤ 𝒉𝟎, então:
|�̅�𝒊 − 𝒖𝒊| ≤
𝝉(𝒉)
𝒌
𝒆𝒌(𝒕−𝒕𝒊𝒏𝒊𝒄𝒊𝒂𝒍)
TEMA 5 – EQUAÇÕES DIFERENCIAIS RÍGIDAS
Podemos entender equações diferenciais rígidas como aquelas em que
termos de grande variação ao longo do tempo coexistem com termos de pouca
variação. Esse tipo de equação diferencial se caracteriza intrinsecamente pela
natureza de variação abrupta na resposta do problema e/ou em suas derivadas.
Em geral, problemas rígidos apresentam solução analítica contendo um
termo da forma 𝒆−𝒔𝒕 com 𝒔 ≫ 𝟏. Dessa forma, esse termo tende a sumir
rapidamente à medida que se avança no tempo. No entanto, seu efeito na 𝒏-
ésima derivada é da forma 𝒔𝒏𝒆−𝒔𝒕, a qual tende a persistir, dada a magnitude de
𝒔 e, portanto, há uma dificuldade em manter limitada a respectiva derivada,
impactando na estabilidade da solução numérica.
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5.1 Condições de estabilidade no tempo
Analisemos inicialmente uma EDO de primeira ordem, como as que
aparecem em cada uma das equações diferenciais do sistema gerado por uma
equação diferencial de ordem superior. Por exemplo, temos uma EDO da forma:
𝒅𝒖
𝒅𝒕
= −𝒌𝒖
Essa forma está sujeita à condição inicial 𝒖(𝒕 = 𝟎) = 𝒖𝟎. Essa EDO tem
como solução analítica a expressão:
𝒖 = 𝒖𝟎𝒆
−𝒌𝒕
Se formos resolver essa EDO numericamente pelo método de Euler, por
exemplo, teremos o seguinte procedimento iterativo:
𝒖𝒊+𝟏 = 𝒖𝒊 + 𝒉
𝒅𝒖
𝒅𝒕
Ou seja, utilizando o conhecimento da EDO em questão, temos:
𝒖𝒊+𝟏 = 𝒖𝒊 − 𝒌𝒖𝒊𝒉
𝒖𝒊+𝟏 = 𝒖𝒊(𝟏 − 𝒌𝒉)
Considerando que desejamos que a variável temporal em questão seja
limitada no tempo, devemos impor que o fator multiplicativo (𝟏 − 𝒌𝒉) contenha a
evolução temporal. Dessa forma, devemos ter |𝟏 − 𝒌𝒉| < 𝟏. Portanto, para
termos uma resposta estável no tempo, devemos escolher 𝒉 limitado, de forma
que 𝒉 <
𝟐
𝒌
. Nota-se nesse caso que o método explícito de Euler, como formulado,
é condicionalmente estável.
NA PRÁTICA
Considere o PVI associado ao modelo oscilação de um pêndulo simples
de massa 𝒎, comprimento de corda 𝒍, de posição angular em relação à vertical
𝜽, posição inicial 𝜽(𝟎) = 𝜽𝟎, velocidade angular inicial de
𝒅𝜽
𝒅𝒕
(𝟎) = �̇�𝟎 e
aceleração da gravidade 𝒈.
Com essa configuração física, o PVI pode ser escrito com base no
equilíbrio energético:
𝒎𝒍
𝒅𝟐𝜽
𝒅𝒕𝟐
= 𝒎𝒈𝜽
Deve-se considerar que a 𝜽 varia em valores baixos. Dessa forma,
podemos escrever:
9
𝒅𝟐𝜽
𝒅𝒕𝟐
−
𝒈
𝒍
𝜽 = 𝟎
Adote 𝜽(𝟎) = 𝟎,
𝒅𝜽
𝒅𝒕
(𝟎) = 𝟎, 𝟓 𝒓𝒂𝒅/𝒔, 𝒍 = 𝟎, 𝟒 𝒎, 𝒈 = 𝟗, 𝟖𝟏
𝒎
𝒔𝟐
e um intervalo
de tempo de análise de acordo com a necessidade para observar com
comportamento da resposta. Com base nessa contextualização:
Faça uma análise da estabilidade para o método de Euler explícito e
determine um valor crítico de 𝒉, se houver;
Utilize o método de Euler para calcular a resposta ao longo do tempo para
𝜽(𝒕) e
𝒅𝜽
𝒅𝒕
(𝒕) para dois valores distintos de 𝒉, um pequeno e um grande, e
discuta a diferença nas respostas;
Utilize o método de Euler modificado para calcular a resposta ao longo do
tempo para 𝜽(𝒕) e
𝒅𝜽
𝒅𝒕
(𝒕) para dois valores distintos de 𝒉, um pequeno e
um grande, e discuta a diferença nas respostas;
Utilize o método de Runge-Kutta de quarta ordem para calcular a resposta
ao longo do tempo para 𝜽(𝒕) e
𝒅𝜽
𝒅𝒕
(𝒕) para dois valores distintos de 𝒉, um
pequeno e um grande, e discuta a diferença nas respostas;
Por fim, analise os resultados e discuta qual dos métodos você escolheria
para a modelagem numérica do problema, considerando respostas para
𝜽(𝒕) e
𝒅𝜽
𝒅𝒕
(𝒕).
Uma observação interessante diz respeito a uma simplificação desse
modelo que possibilita a construção de uma EDO linear. Essa consideração
consiste em admitir que o ângulo possui uma magnitude suficiente pequena. No
caso geral, devemos considerar a altura real que afeta diretamente a energia
potencial gravitacional. Assim, a EDO admite uma forma não linear, como:
𝒅𝟐𝜽
𝒅𝒕𝟐
−
𝒈
𝒍
𝒔𝒆𝒏(𝜽) = 𝟎
Esse tipo de problema será objeto de estudo futuramente. Por enquanto,
é suficiente considerarmos o caso simplificado e linear.
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FINALIZANDO
Foram reapresentados métodos para a solução numérica das seções
anteriores com o enfoque de solução de sistemas de equações diferenciais
ordinárias de primeira ordem. Nesse contexto, foram discutidos aspectos que
envolvem a estabilidade de solução numérica no tempo e as características
inerentes de certas EDOs chamadas rígidas, que devem ser observadas para a
sua correta modelagem numérica.
Estudou-se como a escolha do passo 𝒉 pode interferir diretamente na
estabilidade da solução, principalmente para equações diferenciais rígidas.
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REFERÊNCIAS
BURDEN, R. L.; FAIRES, J. D. Análise numérica. São Paulo: Cengage
Learning, 2008.
CHAPRA, S. C. Applied numerical methods. Columbus: McGraw-Hill, 2012.
BUTCHER, J. C.; GOODWIN, N. Numerical methods for ordinary differential
equations. New York: Wiley, 2008.
FRANCO, N. B. Cálculo numérico. São Paulo: Pearson, 2006.