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BIOGÊNESE DAS DENTIÇÕES DECÍDUAS E MISTAS – PARTE 2. # CARACTERÍSTICAS DOS DENTES DECÍDUOS: Diferença na anatomia dos dentes decíduos e permanentes; # Camada de esmalte: no decíduo é mais uniforme ao redor da coroa clínica, mas com espessura mais fina (1mm) / permanente – 2 mm; Esmalte é muito menos mineralizado – mais poroso > importante: lesão de carie avança de uma maneira mais rápida/ desgaste erosivo significativo em crianças com dietas erosivas ou refluxo (maior probabilidade de sensibilidade); # Camada de dentina: um pouco mais delgada; # Câmara pulpar: ocupa uma porção maior na coroa do decíduo (mais fácil chegar no tecido pulpar); Formato das raízes: tendem a ser mais divergentes (diferente dos permanentes que tendem a ser mais paralelas). Se tem um número elevado de canais acessórios na região de furca > peneira biológica/ natural. Isto é, quando acontece necrose pulpar é mais fácil da lesão aparecer na área da furca. Coloração dos dentes: muito mais brancos/ leitosos; Formato do incisivo central: proporções diferentes > distancia mesio-distal e cervico- incisal é quase a mesma (dente mais quadrado); 1º molares decíduos: SUPERIORES: INFERIORES: 3 raízes 2 raízes Semelhante ao PM (linha VL na oclusal) Abaulamento mesio vestibular (dificulta o IA) Constrição na face mesial* Constrição mesial: região que tem uma espessura mais delgada de esmalte - pontos mais críticos para restauração. Nesse ponto, quando a carie acomete, ocorre o desenvolvimento ainda mais rápido por ser um ponto crítico para higienização. 2º molares decíduos: SUPERIORES: INFERIORES: 3 raízes (2 V e 1 P) 2 raízes Semelhante ao 1º molar permanente Semelhante ao 1º molar permanente (+) Volume menor que o 1º molar permanente Volume menor que o 1º molar permanente # CARACTERÍSTICAS DA DENTIÇÃO DECÍDUA: Dentes decíduos com implantação vertical nos alvéolos - ausência da curva de Spee; Altura da ATM - por isso devemos inclinar a carpule (até 6 anos) no momento de anestesiar, para seguir a referência do plano oclusal, considerando um plano reto; Presença de diastemas (normal): - Arco de Baume tipo I - com diastemas é o ideal devido ao espaço (permanentes maiores); - Arco de Baume tipo II - sem diastemas; - Arco do tipo misto - temos diferença entre superior e inferior; - Espaço primata: “diastema” na arcada superior, mesmo num arco tipo II podemos encontrar diastema na face mesial do canino. Na arcada inferior se dá na face distal do canino. * Muito importante na acomodação das trocas dentárias. # Foster & Hamilton/ definição do diagnóstico oclusal: Sobressaliência ou Overjet: - Normal: uma condição de normalidade se dá por uma distância entre a 29/06/2023 – Amanda Pollo. superfície vestibular do ICs até a superfície vestibulares do ICi, dá até 2mm; - Acentuada: quando essa medida é maior que 2mm > monitoramento do crescimento das arcadas; - Topo: borda incisal com borda incisal (sem trespasse) > monitoramento. Sobremordida / overbite: relação vertical (o quanto o ICS recobre o ICI) - Reduzida: quando os ICs recobrem menos de ⅓ da superfície do ICi durante a oclusão, ou seja, menos que o terço incisal (relacionada ao trespasse vertical) > ideal, recobre metade do inferior; - Aberta: espaço entre borda incisal de ICs e ICi, quando não recobre nada do inferior, tem uma ausência completa de toque; **Causada pelo uso de chupeta, sobreposição de língua quando há deglutição atípica. - Profunda: quando os superiores recobrem todos ou quase toda face vestibular dos inferiores; - Invertida/ cruzada anterior: classe III, mandíbula com projeção para frente no momento da oclusão; O que leva a essa condição? Provavelmente pouca amamentação, uso de chupeta por muito tempo ou fatores genéticos. - Mordida cruzada posterior: relação invertida, quando dentes da arcada superior estão por dentro dos da arcada inferior. Classificamos para cada lado, por ex.: mordida cruzada posterior esquerda. A observação da relação distal de segundos molares decíduos superiores e inferiores permite classificar a relação terminal em três categorias, de acordo com Baume: # Avaliação do plano terminal. Dos 2º molares inferiores: Classe I (plano reto): sem degrau > favorável; Classe II/ degrau distal: quando a face distal do 2ºmi se encontra em uma relação distal a face distal do 2ºms; Classe III/ degrau mesial: quando a face distal do 2ºmi se encontra em uma relação mesial a face distal do 2ºmi; Maior que 2mm > favorável (cúspide MV do superior devem ocluir em sulco MV inferior). Essa avaliação está associada/ estimativa a futura oclusão dos 1º molares permanentes. Degrau mesial ou plano reto: favorecem a classe I de Angle (oclusão normal). # Classificação de Angle: # Relação de caninos (previsão de como é a oclusão quando já não temos mais o 2ºm inferior) - mais semelhante a classificação de Angle: Classe I da chave de canino: vertente MV da cúspide do CS ocluindo na vertente DV do CI > situação favorável; Classe II: vertente M ocluindo a frente da vertente distal do canino - como se fosse “topo a topo” > situação desfavorável; Classe III: vertentes estão afastadas, não se tocam - vertente do CS está para posterior. Como se dá a distribuição dessas características na população? Padrão epidemiológico da má oclusão em pré escolares (5 anos de idade, dentição decídua completa) dentre essas crianças a prevalência de má oclusão foi de 63,2%. 6 em cada 10 mostram algum tipo de mal oclusão e a maioria se dá a fatores ambientais/hábitos de desenvolvimento da criança. Classe I Classe II Classe III 22,9% em chave de canino; 32,9% sobressalência acentuada; 34,6% sobremordida profunda; 18,7% mordida cruzada posterior. # CARACTERÍSTICAS DA DENTIÇÃO MISTA: 1º dente permanente que irrompe na cavidade bucal - 1ºMI > sem “cair” nenhum dente antes e é por isso que é um dos mais afetados negativamente em relação a doença cárie. Estágio de desenvolvimento dos dentes permanentes / ESTÁGIO NOLLA: Estagio 6 (3 anos para o 1ºM permanente): coroa completamente formada - qualquer problema de saúde a partir desse estagio, em nada vai afetar o desenvolvimento da coroa (medicação, internação antes do estágio 6 - pode vir a alterar); Estagio 8 (6 anos para o 1ºM permanente): nessa fase o dente está com velocidade/força eruptiva - rompe a tabua óssea e entra em mucosa; Estagio 9 (6 anos para o 1ºM permanente): quando rompe a mucosa e irrompe na cavidade bucal - surge na cavidade. Trajetória de erupção dos permanentes: 1º MS: posterior inicialmente, para inferior e depois mesializam. 1º MI: trajetória mais simples, sempre para anterior e para cima. Importante – essas trajetórias são guiadas pela superfície distal dos 2ºM decíduos (relação terminal). # MECANISMO DE COMPENSAÇÃO DE ESPAÇO: 1. Espaço primata: com a erupção dos primeiros molares, há uma utilização do espaço primata que permite que os molares permanentes adotem uma posição mais anterior; 2. Espaço livre de Nance: diz respeito a soma das distâncias MD de C, 1º E 2º M decíduos > se somarmos essa mesma distância nos permanentes, eles são menores; Na mandíbula, esse espaço é um pouco maior. 3. Vestibularização e divergência das coroas nos incisivos centrais superiores e raízes palatinizadas (“fase do patinho feio”): fase em que os germes dos incisivos laterais e caninos estão se desenvolvendo; Ganhamos perímetro de arco superior. 4. Incisivos inferiores desenvolvem-se lingualmente as raízes dos dentes decíduos: dependemos de um crescimento ósseo da mandíbula e quando ganhamos também um aumento do arco devido ao superior. Posição lingualé corrigida pela ação muscular da língua, desde que a base óssea esteja se desenvolvendo de forma correta e ocupando os espaços necessários para isso (primata, Nance). Resumindo: Utilização de diastemas – Arco tipo I de Baume e Espaço Primata; Crescimento em lateralidade – maxila e mandíbula; Inclinação dos dentes para vestibular; Utilização de espaço livre de Nance; Coordenação na erupção dos dentes (sequência de irrupção de dentes adequados). Sem m uita relevância clínica. # CONSIDERAÇÕES FINAIS: O desenvolvimento dos dentes e das dentições é dinâmica e uma série de alteração são esperadas na cavidade bucal, desde o nascimento do bebe até o fim da fase de dentição mista. É conveniente lembrar que uma única característica não determina isoladamente quadro de desequilíbrio. O profissional deve ter um profundo conhecimento dessas características e possíveis alterações, de forma a diagnosticá-las precocemente e intervir para uma adequada oclusão do paciente em dentição permanente.