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Farmacotécnica 
 
- Introdução: 
“Ciência que estuda a transformação de drogas em 
medicamentos”. 
 
 
 
BIOFARMÁCIA 
↓ 
Determina as relações entre as propriedades físico-
químicas dos fármacos, forma de administração e 
efeitos biológicos observados. 
 
FARMÁCIA CLÍNICA 
↓ 
Com o aparecimento de novos fármacos, cada vez 
mais potentes, obriga a cuidados particulares no que 
diz respeito às incompatibilidades físicas, químicas e 
biológicas a que podem dar origem. 
 
 Manipulação: 
Conjunto de operações com a finalidade de elaborar 
preparações magistrais e oficinais e fracionar produtos 
para uso humano. 
 
 
 Preparação Magistral: 
É aquela preparada na farmácia para ser dispensada, 
atendendo a uma prescrição, que estabelece sua 
composição, forma farmacêutica, posologia e modo de 
usar. 
 
 
 Preparação Oficinal: 
É aquela preparada na farmácia, cuja fórmula esteja 
inscrita nas farmacopeias, compêndios ou formulários 
reconhecidos pelo Ministério da Saúde. 
 
 
 Forma Farmacêutica: 
Forma de apresentação do medicamento: comprimido, 
xarope, supositório. 
 
 Fórmula Farmacêutica: 
Trata da composição do medicamento, com suas 
respectivas quantidades. 
 
 Droga: 
Substância ou matéria-prima que contenha finalidade 
medicamentosa. 
 
 
 
 
 Medicamento: 
Produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou 
elaborado, com finalidade profilática, curativa, 
paliativa ou para fins de diagnóstico. 
 
 
 
 Remédio: 
Todo e qualquer meio utilizado para prevenir ou tratar 
doenças. Dessa forma, não compreende somente 
medicamentos, mas também os agentes de natureza 
física ou psíquica a que se recorre na terapêutica. 
 
 
- ABREVIATURAS: 
aa → do grego, significa “partes iguais” 
f.s.a → do latim, “faça segundo a arte” 
q.b.p → “quanto baste para" 
q.s.p. → “quantidade suficiente para” 
q.s. → “quantidade suficiente” 
 
- Dados Históricos: 
 
- Legislação: 
RDC 67/2007 - Dispõe sobre Boas Práticas de 
Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais 
para Uso Humano em farmácias. 
RDC 658/2022 - Dispõe sobre as Diretrizes Gerais de 
Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos. 
 
- Operações básicas e cálculos: 
 Medidas de peso: É uma das operações mais 
comuns e deve ser feita em balanças 
apropriadas: 
Balança analítica – 0,0001 g 
Balança semianalítica – 0,001 g 
 Volume: Os volumes devem ser rigorosamente 
medidos. A exatidão na medida de volume é 
uma habilidade adquirida pela educação e pelo 
treinamento do farmacêutico. 
 Densidade: Densidade é a medida de 
correspondência entre peso e volume, sendo 
igual à massa dividida pelo volume: d = m /v. 
As densidades não são iguais para todos os 
líquidos. Existem tabelas que fornecem as 
densidades a 15ºC. 
 Conversão de unidades de medida, 
equivalências, regra de três, porcentagem e 
densidade. 
 
 
 
 
Para composição de uma fórmula, se faz necessário: 
 Princípio ativo: É o componente responsável 
pela ação farmacológica do medicamento. 
 Coadjuvantes técnicos: Substâncias, em geral 
inertes, cuja função é estabilizar a fórmula em 
nível químico, físico ou microbiológico. Ex.: 
agentes suspensores (responsáveis pela 
manutenção da suspensão. Exemplo: gomas 
naturais), agentes emulsificantes 
(responsáveis pelo equilíbrio entre o óleo e a 
água. Promovem a dispersão e a mantém. 
Exemplos: carboximetilcelulose e polissorbato 
80), agentes antioxidantes (Substâncias que 
evitam a oxidação. Exemplo: metabissulfito de 
sódio), conservantes (substâncias que evitam o 
desenvolvimento de fungos e bactérias. 
Exemplos: nipagin e nipazol), agentes 
espessantes (substâncias que dão maior 
viscosidade ao meio. Exemplos: veegum, 
gomas, pectina e gelatina), corretivos 
 
 
(substâncias usadas para corrigir o produto 
final quanto às suas propriedades 
organolépticas (cor, odor e sabor), tornando o 
medicamento aceitável e facilitando a 
diferenciação de dosagens), acidificantes 
(acidificam a solução, procurando obter a 
estabilidade. Exemplo: solução de ácido 
cítrico), alcalinizantes (calinizam a solução, 
procurando obter a estabilidade. Exemplo: 
solução de borato de sódio), quelantes 
(substâncias que formam complexos com os 
cristais, estabilizando-os. Exemplo: solução de 
EDTA), tampões (estabilizam o pH da solução. 
Exemplo: tampão fosfato), umectantes 
(Utilizados para prevenir o ressecamento da 
preparação. Exemplo: glicerina), tensoativos 
(Também chamados de surfactante, diminuem 
a tensão superficial. Exemplo: tween 80). 
 
 Coadjuvantes terapêuticos: 
São substâncias que auxiliam a ação dos 
medicamentos. 
 
 Veículos: 
Consiste na parte líquida da fórmula, à qual são 
misturados os princípios ativos. 
 
 Excipientes: 
São integrantes que, misturados aos princípios ativos, 
dão volume e peso à fórmula, a fim de facilitar o 
trabalho de dosagem ou confecção, para pós e 
pastosos. Na manipulação de medicamentos são 
utilizados vários tipos de solventes, sendo os mais 
comuns: 
◼ Água 
◼ Álcool 
◼ Glicerina ou glicol 
◼ Propilenoglicol 
◼ Polietilenoglicóis 
◼ Éter sulfúrico ou éter etílico 
◼ Benzina 
◼ Clorófórmio 
◼ Óleos Vegetais 
 
 Corretivos utilizados em farmacotécnica: 
 
COR, SABOR, AROMA. 
↓ 
Aspectos que melhoram a aceitação do medicamento. 
↓ 
Podem constituir elementos de diferenciação de 
medicamentos e de dosagens. 
 
 Corretivos da cor ou corante: 
Não apresentam ação farmacológica. 
São úteis para auxiliar na diferenciação de dosagens e 
dos próprios medicamentos. 
Além disso, é sabido que os pacientes preferem os 
medicamentos coloridos. 
O uso de corantes, porém, deve ser feito de forma 
criteriosa. 
Existe uma grande variedade de corantes. 
Muitos corantes são nocivos à saúde. 
Alguns corantes sintéticos são permitidos pela Food 
and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos 
para coloração de: 
◼ Alimentos 
◼ Medicamentos 
◼ Cosméticos 
 
Alguns corretivos de cor com suas respectivas 
solubilidades: 
 
 
 
Os corantes devem apresentar as seguintes 
características: 
◼ Terem composição química definida; 
◼ Terem grande capacidade de coloração em 
concentrações mínimas; 
◼ Serem estáveis em relação à luz e ao calor; 
◼ Não possuírem odor e gosto desagradáveis. 
 
O limite de concentração para cada forma 
farmacêutica é: 
◼ Emulsões pastosas – 0,001% 
◼ Emulsões líquidas – 0,005% 
◼ Soluções – 0,005% 
◼ Suspensões – 0,005% 
◼ Pós – 0,1% 
 
 Corretivos de sabor e aroma: 
O gosto e o aroma agradáveis dos medicamentos são 
fundamentais para sua aceitação. A náusea provocada 
por cheiro ou sabor desagradável pode ainda alterar 
sua absorção. 
 
Mas essas características não devem ser corrigidas 
totalmente para não tornar o medicamento 
extremamente agradável 
↓ 
Risco de superdosagem! 
 
Os corretivos de sabor e aroma se classificam em: 
 
 
 
 
 
 Os Solventes mais utilizados em 
Farmacotécnica: 
- ÁGUA: 
Solvente mais importante 
↓ 
Faz parte dos sistemas fisiológicos 
ÁGUA POTÁVEL: 
→ Usada como matéria-prima para obtenção de água 
destilada e deionizada. 
→ Usada também na extração de drogas. 
Segundo a Farmacopeia Brasileira: 
Deve satisfazer as exigências da legislação federal 
especializada em relação às características físicas e 
químicas e à pureza bacteriana. 
Em sua função como solvente aparece nas formas: 
ÁGUA DESTILADA: Água potável que passou por um 
processo de destilação. Utilizada na preparação de 
colírios, preparações dermatológicas e fórmulas 
líquidas de uso oral. 
ÁGUA ESTERILIZADA: Água destilada que foi 
esterilizada e acondicionada em recipientes limpos e 
hermeticamente fechados. Utilizada na preparação de 
injetáveis, podendo conter bacteriostáticos em frascos 
de múltiplas doses. 
ÁGUA PARA INJEÇÃO: Água destilada sem 
bacteriostáticos. 
ÁGUA DEIONIZADA: Água onde, através de resinas 
iônicas, são retirados os íons mas não é eliminada a 
matéria-orgânica. De preço mais acessível do que a 
água destilada, pode ser utilizada antes da destilação, 
para que a água fique menos “dura”,
diminuindo o 
depósito no destilador. 
ÁGUA OBTIDA POR OSMOSE REVERSA: De grande 
pureza química e microbiológica. Obtida através de 
passagem da água por uma membrana semipermeável, 
no sentido inverso ao da osmose normal. 
 
- ÁLCOOL: 
ÁLCOOL ETÍLICO: 
Segundo solvente mais utilizado. É o principal solvente 
de substâncias orgânicas. Diminui a possibilidade de 
hidrólise. Tem conservação indefinida e pode ser 
misturado com água. 
É usado em: 
◼ Soluções hidroalcoólicas extrativas de princípios 
ativos (45 a 90%), 
◼ Soluções antissépticas (álcool iodado a 0,5%), 
◼ Soluções desinfetantes (70%). 
Constitui um bom solvente para: 
◼ Essências 
◼ Alcalóides 
◼ Glicosídeos *Sendo porém fraco para gomas e 
proteínas. 
 
ÁLCOOL BENZÍLICO: 
Trata-se de um solvente de ação bacteriostática e 
anestésica local. Usado em algumas soluções injetáveis 
intramusculares que são dolorosas. 
 
- GLICERINA OU GLICOL: 
Bastante utilizado por suas propriedades: 
◼ edulcorantes, 
◼ alta viscosidade, 
◼ ação bacteriostática, 
◼ umectante, 
◼ mistura com água e álcool. 
Seu emprego se dá em preparações de uso tópico, pois 
confere aderência à superfície onde é aplicada, devido 
à sua viscosidade (ação estabilizante). Entra na 
composição de colutórios, gotas auriculares e cremes. 
 
- PROPILENOGLICOL: 
Solvente líquido. Usado em lugar da água em princípios 
ativos hidrolisáveis. Pode também substituir a glicerina 
em injetáveis intramusculares. Tem emprego como 
solvente de alcaloides, vitaminas do complexo B, 
barbitúricos e antibióticos. Apresenta ação antifúngica, 
sendo usado também em fórmulas de uso tópico. Se 
solubiliza em água e álcool. 
 
- POLIETILENOGLICÓIS: 
São substâncias conhecidas também como PEG, 
carbowax ou macrogol. Apresentam ação antifúngica. 
São solúveis em água, etanol, acetona, benzina, 
clorofórmio e glicóis. 
Os carbowax que apresentam peso molecular : 
◼ Entre 200 e 700 → são líquidos 
◼ Superior a 1000 → são sólidos 
 
- ÉTER SULFÚRICO OU ÉTER ETÍLICO: 
É uma substância usada em soluções extrativas de 
drogas vegetais e animais. 
 
- BENZINA: 
É empregada na remoção de gorduras indesejáveis de 
drogas. 
 
- CLOROFÓRMIO: 
Substância utilizada em algumas soluções extrativas, 
exerce também função conservante e não é inflamável. 
 
- ÓLEOS VEGETAIS: 
 
 
Têm grande aplicação nas preparações injetáveis 
oleosas. 
 
 Formas Farmacêuticas: 
 
 
 
QUESTÕES SLIDE 1 
QUESTÕES SLIDE 2 
 
- Boas Práticas de Manipulação em Farmácia (BPMF): 
RDC 67/2007 BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO 
(BPMF) DE PREPARAÇÕES MAGISTRAIS E OFICINAIS 
PARA USO HUMANO EM FARMÁCIAS 
 
 
 
◼ RDC 87/2008 – Altera o Regulamento Técnico e os 
Anexos I, III e VII 
◼ RDC 21/2009 – Altera o Anexo III 
 
1- Objetivo: 
Fixa os requisitos mínimos exigidos para o exercício das 
atividades de manipulação de preparações magistrais 
e oficinais das farmácias, desde: 
◼ suas instalações, 
◼ equipamentos e recursos humanos, 
◼ aquisição e controle da qualidade da matériaprima, 
◼ armazenamento, 
◼ avaliação farmacêutica da prescrição, 
◼ manipulação, 
◼ fracionamento, 
◼ conservação, 
◼ transporte, 
◼ dispensação das preparações, 
◼ além da atenção farmacêutica aos usuários ou seus 
responsáveis, 
◼ visando à garantia de sua qualidade, segurança, 
efetividade e promoção do seu uso seguro e racional. 
 
2- Abrangência: 
▪ Todas as Farmácias que realizam qualquer das 
atividades previstas, 
▪ Excluídas as farmácias que manipulam Soluções para 
Nutrição Parenteral, Enteral e Concentrado 
Polieletrolítico para Hemodiálise (CPHD). 
 
3- Grupos de atividades desenvolvidas pela 
farmácia: 
 
 
 
4- Definições: 
▪ Para efeito do Regulamento Técnico são adotadas 
definições. 
 
5- Condições gerais: 
5.1. As farmácias devem preencher os requisitos abaixo 
descritos e ser previamente aprovadas em inspeções 
sanitárias locais: 
a) Estar regularizada nos órgãos de Vigilância Sanitária 
competente, conforme legislação vigente; 
b) Atender às disposições deste Regulamento Técnico 
e dos anexos que forem aplicáveis; 
c) possuir o Manual de Boas Práticas de Manipulação; 
d) possuir Autorização de Funcionamento de Empresa 
(AFE) expedida pela ANVISA, conforme legislação 
vigente; 
e) possuir Autorização Especial, quando manipular 
substâncias sujeitas a controle especial. 
5.2. As farmácias devem seguir as exigências da 
legislação sobre gerenciamento dos resíduos de 
serviços de saúde... 
 
ATENÇÃO: 
A RDC 306/2004 foi revogada pela RDC 222/2018 
 
5.3. As farmácias que mantêm filiais devem possuir 
laboratórios de manipulação funcionando em todas 
elas, não sendo permitidas filiais ou postos 
exclusivamente para coleta de receitas, podendo 
porém, a farmácia centralizar a manipulação de 
 
 
determinados grupos de atividades em sua matriz ou 
qualquer de suas filiais, desde que atenda às exigências 
desta Resolução. 
5.4. Drogarias, ervanárias e postos de medicamentos 
não podem captar receitas com prescrições magistrais 
e oficinais, bem como não é permitida a intermediação 
entre farmácias de diferentes empresas. 
5.5. É facultado à farmácia centralizar, em um de seus 
estabelecimentos, as atividades do controle de 
qualidade, sem prejuízo dos controles em processo 
necessários para avaliação das preparações 
manipuladas. 
5.6. A manipulação e a dispensação de medicamentos 
contendo substâncias sujeitas a controle especial 
devem atender à legislação específica em vigor. 
5.7. É de responsabilidade da Administração Pública ou 
Privada, responsável pela Farmácia, prever e prover os 
recursos humanos, infraestrutura física, equipamentos 
e procedimentos operacionais necessários à 
operacionalização das suas atividades e que atendam 
às recomendações do Regulamento Técnico e seus 
Anexos. 
5.8. A licença de funcionamento, expedida pelo órgão 
de Vigilância Sanitária local, deve explicitar os grupos 
de atividades para os quais a farmácia está habilitada. 
5.9. A Farmácia pode se habilitar para executar 
atividades de um ou mais grupos referidos no item 3 
do Regulamento, devendo cumprir todas suas 
disposições gerais bem como as disposições 
estabelecidas no(s) anexo(s) específicos(s). 
5.9.1. No caso de um medicamento se enquadrar nas 
características de mais de um grupo de atividades, 
devem ser atendidas as disposições constantes de 
todos os anexos envolvidos. 
 
5.10. Em caráter excepcional, considerado o interesse 
público, desde que comprovada a inexistência do 
produto no mercado e justificada tecnicamente a 
necessidade da manipulação, poderá a farmácia: 
5.10.1. Ser contratada, conforme legislação em vigor, 
para o atendimento de preparações magistrais e 
oficinais, requeridas por estabelecimentos hospitalares 
e congêneres. 
5.10.2. Atender requisições escritas de profissionais 
habilitados, de preparações utilizadas na atividade 
clínica ou auxiliar de diagnóstico para uso 
exclusivamente no estabelecimento do requerente. 
5.10.3. As preparações de que tratam os itens 5.10.1 e 
5.10.2 deverão ser rotulados conforme descrito nos 
itens 12.1 e 12.2 do Anexo I deste Regulamento. 
5.10.3.1. Quando se tratar de atendimento não 
individualizado no lugar do nome do paciente deverá 
constar do rótulo o nome e endereço da instituição 
requerente. 
5.10.4. As justificativas técnicas, os contratos e as 
requisições devem permanecer arquivadas na farmácia 
pelo prazo de um ano, à disposição das autoridades 
sanitárias. 
5.11. Medicamentos manipulados em farmácia de 
atendimento privativo de unidade hospitalar ou 
qualquer equivalente de assistência médica, somente 
podem ser utilizados em pacientes internados ou sob 
os cuidados da própria instituição, sendo vedada a 
comercialização dos mesmos. 
5.12. A farmácia pode transformar especialidade 
farmacêutica, em caráter excepcional quando da 
indisponibilidade da matéria prima no mercado e 
ausência da especialidade na dose e concentração e ou 
forma farmacêutica compatíveis com as condições 
clínicas do paciente, de forma a adequá-la à prescrição.
5.12.1. O procedimento descrito no item 5.12. deve ser 
realizado somente quando seja justificado 
tecnicamente ou com base em literatura científica. 
5.12.2. O medicamento obtido deve ter seu prazo de 
validade estabelecido conforme as disposições do item 
15.4 do Anexo I. 
5.13. Não é permitida à farmácia a dispensação de 
medicamentos manipulados em substituição a 
medicamentos industrializados, sejam de referência, 
genéricos ou similares. 
5.14. Não é permitida a exposição ao público de 
produtos manipulados, com o objetivo de propaganda, 
publicidade ou promoção. 
5.15. Não possui esse item. 
5.16. Franquia em farmácias. 
5.16.1. Nos casos de franquia, as empresas 
franqueadoras são solidariamente responsáveis pela 
garantia dos padrões de qualidade dos produtos das 
franqueadas. 
5.16.2. As farmácias de empresas franqueadoras e 
empresas franqueadas devem atender os requisitos 
deste Regulamento Técnico e os anexos que forem 
aplicáveis. 
5.16.3. Deve ser firmado contrato escrito entre 
franqueadora e franqueada que estabeleça claramente 
as atribuições e responsabilidades de cada uma das 
partes. 
 
 
5.16.4. As análises de controle de qualidade passíveis 
de terceirização poderão ser realizadas pela 
franqueadora para as franqueadas mediante 
estabelecimento de contrato entre as partes. 
5.17. Prescrição de preparações magistrais. 
*o termo medicamentos manipulados foi alterado para 
preparações magistrais (RDC 87/2008) 
5.17.1. Os profissionais legalmente habilitados, 
respeitando os códigos de seus respectivos conselhos 
profissionais, são os responsáveis pela prescrição das 
preparações magistrais de que trata este Regulamento 
Técnico e seus Anexos. 
*o termo medicamentos foi alterado para preparações 
magistrais (RDC 87/2008). 
5.17.2. A prescrição ou indicação, quando realizada 
pelo farmacêutico responsável, também deve 
obedecer aos critérios éticos e legais previstos. ” (NR) 
*item alterado pela RDC 87/2008. **NR = Norma 
Regulamentadora. 
5.17.3. Para a dispensação de preparações magistrais 
contendo substâncias sujeitas a controle especial 
devem ser atendidas todas as demais exigências da 
legislação específica. 
5.17.4. Em respeito à legislação e códigos de ética 
vigentes, os profissionais prescritores são impedidos 
de prescrever fórmulas magistrais contendo código, 
símbolo, nome da fórmula ou nome de fantasia, cobrar 
ou receber qualquer vantagem pecuniária ou em 
produtos que o obrigue a fazer indicação de 
estabelecimento farmacêutico, motivo pelo qual o 
receituário usado não pode conter qualquer tipo de 
identificação ou propaganda de estabelecimento 
farmacêutico. 
5.17.5. No caso de haver necessidade de continuidade 
do tratamento, com manipulação do medicamento 
constante de uma prescrição por mais de uma vez, o 
prescritor deve indicar na receita a duração do 
tratamento. 
5.17.5.1. Na ausência de indicação na prescrição sobre 
a duração de tratamento, o farmacêutico só poderá 
efetuar a repetição da receita, após confirmação 
expressa do profissional prescritor. Manter os registros 
destas confirmações, datados e assinados pelo 
farmacêutico responsável. 
*item incluído pela RDC 87/2008. 
5.18. Responsabilidade Técnica. 
5.18.1. O Responsável pela manipulação, inclusive pela 
avaliação das prescrições é o farmacêutico, com 
registro no seu respectivo Conselho Regional de 
Farmácia. 
5.18.1.1. A avaliação farmacêutica das prescrições, 
quanto à concentração, viabilidade e compatibilidade 
físico-química e farmacológica dos componentes, dose 
e via de administração, deve ser feita antes do início da 
manipulação. 
5.18.2. Quando a dose ou posologia dos produtos 
prescritos ultrapassar os limites farmacológicos ou a 
prescrição apresentar incompatibilidade ou interações 
potencialmente perigosas, o farmacêutico deve 
solicitar confirmação expressa do profissional 
prescritor. Na ausência ou negativa de confirmação, a 
farmácia não pode aviar e/ou dispensar o produto. 
5.18.3. Não é permitido fazer alterações nas 
prescrições de medicamentos à base de substâncias 
incluídas nas listas constantes do Regulamento Técnico 
sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle 
especial e nas suas atualizações. 
5.18.4. A avaliação da prescrição deve observar os 
seguintes itens: 
a) legibilidade e ausência de rasuras e emendas; 
b) identificação da instituição ou do profissional 
prescritor com o número de registro no respectivo 
Conselho Profissional, endereço do seu consultório ou 
da instituição a que pertence; 
c) identificação do paciente; 
d) endereço residencial do paciente ou a localização do 
leito hospitalar para os casos de internação; 
e) identificação da substância ativa segundo a DCB ou 
DCI, concentração/dosagem, forma farmacêutica, 
quantidades e respectivas unidades; 
f) modo de usar ou posologia; 
g) duração do tratamento; 
h) local e data da emissão; 
i) assinatura e identificação do prescritor. 
5.18.5. A ausência de qualquer um dos itens do 5.18.4 
pode acarretar o não atendimento da prescrição. 
5.18.6. Com base nos dados da prescrição, devem ser 
realizados e registrados os cálculos necessários para a 
manipulação da formulação, observando a aplicação 
dos fatores de conversão, correção e equivalência, 
quando aplicável. 
5.18.7. Quando a prescrição contiver substâncias 
sujeitas a controle especial, deve atender também a 
legislação específica. 
5.19. Todo o processo de manipulação deve ser 
documentado, com procedimentos escritos que 
definam a especificidade das operações e permitam o 
rastreamento dos produtos. 
5.19.1. Os documentos normativos e os registros das 
preparações magistrais e oficinais são de propriedade 
exclusiva da farmácia e devem ser apresentados à 
autoridade sanitária, quando solicitados. 
5.19.2. Quando solicitado pelos órgãos de vigilância 
sanitária competentes, devem os estabelecimentos 
prestar as informações e/ou proceder à entrega de 
documentos, nos prazos fixados a fim de não obstarem 
a ação de vigilância e as medidas que se fizerem 
necessárias. 
5.20. Inspeções. 
 
 
5.20.1. As farmácias estão sujeitas a inspeções 
sanitárias para verificação do cumprimento das Boas 
Práticas de Manipulação em Farmácias, com base nas 
exigências deste Regulamento, devendo a fiscalização 
ser realizada por equipe integrada, no mínimo, por um 
profissional farmacêutico. 
5.20.2. As inspeções sanitárias devem ser realizadas 
com base nas disposições da norma e do Roteiro de 
Inspeção do Anexo VII. 
5.20.3. Os critérios para a avaliação do cumprimento 
dos itens do Roteiro de Inspeção, visando à qualidade 
do medicamento manipulado, baseiam-se no risco 
potencial inerente a cada item. 
5.20.4. Considera-se item IMPRESCINDÍVEL (I) aquele 
que pode influir em grau crítico na qualidade, 
segurança e eficácia das preparações magistrais ou 
oficinais e na segurança dos trabalhadores em sua 
interação com os produtos e processos durante a 
manipulação. 
5.20.5. Considera-se item NECESSÁRIO (N) aquele que 
pode influir em grau menos crítico na qualidade, 
segurança e eficácia das preparações magistrais ou 
oficinais e na segurança dos trabalhadores em sua 
interação com os produtos e processos durante a 
manipulação. 
5.20.6. Considera-se RECOMENDÁVEL (R) aquele item 
que pode influir em grau não crítico na qualidade, 
segurança e eficácia das preparações magistrais ou 
oficinais e na segurança dos trabalhadores em sua 
interação com os produtos e processos durante a 
manipulação. 
5.20.7. Considera-se item INFORMATIVO (INF) aquele 
que oferece subsídios para melhor interpretação dos 
demais itens. 
5.20.8. O item (N) não cumprido após a primeira 
inspeção passa a ser tratado automaticamente como 
(I) na inspeção subsequente. 
5.20.9. O item (R) não cumprido após a primeira 
inspeção passa a ser tratado automaticamente como 
(N) na inspeção subsequente, mas nunca passa a (I). 
5.20.10. Os itens (I), (N) e (R) devem ser respondidos 
com SIM ou NÃO. 
 
 
 
5.20.11. São passíveis de sanções aplicadas pelo órgão 
de
Vigilância Sanitária competente, as infrações que 
derivam do não cumprimento deste Regulamento 
Técnico e seus anexos e dos itens do Roteiro de 
Inspeção, constante do Anexo VII, considerando o risco 
potencial à saúde inerente a cada item, sem prejuízo 
de outras ações legais que possam corresponder em 
cada caso. 
 
- PÓS, GRANULADOS E COMPRIMIDOS: 
 
FORMAS FARMACÊUTICAS 
•São as formas físicas de apresentação do 
medicamento: comprimido, xarope, supositório, etc. 
•São classificadas em sólidas, líquidas, pastosas e 
gasosas. 
 
FORMAS FARMACÊUTICAS: 
 
 
 
FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS 
•Pós 
•Granulados 
•Comprimidos 
•Drágeas 
•Cápsulas 
•Supositórios 
•Óvulos 
 
Pós: 
“Pós são preparações provenientes de drogas vegetais 
ou minerais, assim como substâncias químicas 
submetidas a um grau de divisão suficiente para 
assegurar homogeneidade e lhes facilitar a 
administração ou extração dos princípios ativos”. 
(Farmacopeia Brasileira) 
 
Formas farmacêuticas que resultam da transformação 
de fármacos em pós: 
• Usadas sob essa forma ou em cápsulas, comprimidos, 
etc; 
• São as misturas mais utilizadas; 
• 2/3 dos medicamentos atuais. 
 
VANTAGENS: 
• Possibilidade de rápida preparação; 
• Ausência de água; 
 
 
• Maior estabilidade do princípio ativo; 
• Facilidade de embalagem; 
• Facilidade de absorção; 
• Baixo custo de embalagem e transporte. 
 
DESVANTAGENS: 
• Vias oral e tópica somente; 
• Superfície de contato com o meio ambiente 
aumentada, podendo, assim, se alterarem com mais 
facilidade. 
 
CLASSIFICAÇÃO: 
• Pós Simples - Derivados de uma única droga; 
Exemplo: bicarbonato de sódio 
• Pós Compostos - Resultam da mistura homogênea de 
duas ou mais substâncias; Exemplo: sais para 
reidratação oral (cloreto de sódio, cloreto de potássio 
e glicose). 
 
PREPARAÇÃO: 
• São três os procedimentos para a obtenção de pós: 
1. Dessecação - Retirada da umidade; Realizada a uma 
temperatura que varia de 40 a 105°C. 
2. Pulverização - Redução do tamanho das partículas; 
Facilita a absorção do princípio ativo. Quanto maior a 
pulverização, maior a solubilidade. 
3. Tamisação - Procedimento que garante a 
homogeneidade do tamanho das partículas; A 
classificação dos tamises é feita de acordo com o 
tamanho da malha em milímetros. 
 
 
 
INCOMPATIBILIDADES: 
• Misturas eutéticas 
• Misturas explosivas 
• Misturas coradas 
 
Misturas eutéticas Se liquefazem à temperatura 
ambiente 
↓ 
o ponto de fusão da mistura é menor que o dos pós 
isoladamente 
↓ 
podendo liquefazer-se ou formar uma pasta 
 
Exemplos: 
• Acetanilida e cânfora 
• Ácido acetilsalicílico e fenol 
• Antipirina e mentol 
 
Para minimizar este efeito, deve-se usar um pó 
absorvente, como: 
• Óxido de magnésio; 
• Fosfato tricálcico; 
• Gel de sílica; 
• Lactose 
 
Misturas explosivas 
Ocorre quando se mistura uma substância fortemente 
redutora com outra, oxidante 
↓ 
não devem ser misturadas 
↓ 
liberam gases que podem ser explosivos 
 
Exemplos: 
• Cloreto de potássio e carvão 
• Cloreto de potássio e enxofre 
• Cloreto de potássio e açúcares 
• Dicromato de potássio e hipossulfitos 
• Nitrato de potássio e enxofre 
 
Misturas coradas Misturas de pós brancos 
↓ 
podem originar pós compostos corados 
↓ 
reação entre os dois constituintes 
 
Exemplos: 
• Goma arábica e tanino 
 
ALTERAÇÕES: 
• Ar 
• Umidade 
• Luz 
• Calor 
• Contaminação microbiana 
 
Ar 
Oxigênio / umidade 
↓ 
podem causar alterações nos pó 
 
Substâncias facilmente oxidáveis: 
• Fenóis 
• Álcoois 
• Morfina 
• Vitamina C 
 
 
• Resorcina 
 
Umidade 
• Pode causar hidrólise; 
• Pode acelerar outros processos de degradação; 
• O pó deve ter no máximo 8% de teor de umidade. 
 
Luz 
• Substâncias à base do iodo alteram-se facilmente por 
ação da luz. 
 
Calor 
• A temperatura acelera a maioria das reações 
químicas; 
• Facilita principalmente a hidrólise; 
• É preciso tomar cuidado no processo de dessecação. 
 
Exemplo: 
Vitamina 
B1 
↓ 
suporta no máximo 70°C 
 
Recipiente: Pode causar alterações nos pós ou ser 
alterado por eles. Exemplos: Fluoretos: não podem ser 
guardados em recipientes de vidro sem que estes 
tenham sofrido um processo de parafinização em seu 
interior. Pós ácidos ou alcalinos: atacam recipientes 
metálicos. 
 
ACONDICIONAMENTO: 
• Potes de plástico ou vidro, bem cheios e fechados; 
• Substâncias que sofrem hidrólise: embalagens com 
gel de sílica. 
 
Medida da quantidade a ser tomada 
↓ 
colher ou outro tipo de utensílio semelhante 
↓ 
imprecisa 
↓ 
pós efervescentes, antiácidos, laxativos 
 
Acondicionamento em envelopes ou papéis 
medicamentosos 
↓ 
Medição por distribuição o geométrica ou com 
medidor de volume ou peso 
 
Exemplos de fórmulas de pós 
Uso externo: desodorante em pó. 
Ácido bórico ......................................................3 g 
Ácido salicílico ...................................................1 g 
Óxido de zinco ...................................................5 g 
Talco q.s.p. ....................................................100 g 
 
Uso externo: talco mentolado. 
Mentol ...............................................................1 g 
Talco q.s.p. ....................................................100 g 
Uso: refrescante para os pés. 
 
Granulados: 
“Granulados são formas farmacêuticas sólidas que se 
apresentam na forma de grãos ou granulados 
irregulares”. (Farmacopeia Brasileira). 
 
VANTAGENS: 
São mais estéticos que os pós, 
São mais agradáveis de ingerir, 
Não aderem entre si, 
Podem ser revestidos. 
 
DESVANTAGENS: 
São mais susceptíveis ao calor e à umidade do que os 
comprimidos. 
 
Preparação: 
Granulados – Via seca OU Via úmida. 
 
 
VIA SECA: 
É usada para pós passíveis de hidrólise ou que se 
alteram com o calor. 
• Ao pó é acrescentado um agente aglutinante seco, 
como a goma arábica, por exemplo, e, em seguida, a 
mistura sofre pré-compressão. 
• Depois de pré-comprimida, a mistura é quebrada e 
recomprimida 
 
VIA ÚMIDA: 
• Os pós são umedecidos com a ajuda de uma solução 
aglutinante; 
• Em seguida, passa-se essa massa por tamises e o 
granulado é recolhido em bandejas que são levadas 
para estufas, onde ficam até o granulado secar. 
 
Acondicionamento e conservação: 
• Os granulados devem ser acondicionados em vidros 
ou plásticos hermeticamente fechados. 
 
Exemplo de fórmula de granulado 
Uso: digestivo 
Ácido cítrico...................................................160 g 
Ácido tartárico...............................................320 g 
Cafeína...............................................................1 g 
Bicarbonato de sódio.....................................520 g 
 
Comprimidos: 
“Comprimidos são preparações farmacêuticas sólidas 
de formato variado, geralmente cilíndricas ou 
 
 
lenticulares, obtidas pela compressão de substâncias 
medicamentosas secas, acondicionadas ou não em 
recipientes inertes”. (Farmacopeia Brasileira) 
 
VANTAGENS: 
Boa estabilidade físico-química, facilidade de 
preparação, boa apresentação, precisão de dosagem, 
facilidade de administração. 
 
DESVANTAGENS: 
Impossibilidade de ajuste da dose do produto acabado, 
Impossibilidade de obtenção econômica de pequenas 
quantidades. 
 
Classificação: 
Comprimidos – 
Uso Interno: Mastigáveis, de administração oral com 
desagregação no estômago ou no intestino. 
Uso Externo: Aplicação local (comprimidos vaginais), 
injetáveis (pallets), para obtenção de assepsia e 
esterilização (comprimidos de formol). 
 
Há diversos tipos especiais de comprimidos, são eles: 
Comprimidos de uso externo: para preparação de 
soluções antissépticas e esterilizantes. Ex.: pastilhas de 
formol. 
Comprimido sublingual: proporciona rápida absorção 
do princípio ativo, entrando na corrente sanguínea sem 
passar pelo fígado, deve ser pequeno e de rápida 
desintegração. 
Comprimido de dissolução na boca (pastilha): deve ter 
grande superfície de contato para facilitar a ação do 
princípio ativo e atividade local. 
Comprimido
efervescente: dissolve-se na água e libera 
gás, o que causa sua desintegração. Como excipientes, 
temos o ácido cítrico, o ácido tartárico, o bicarbonato 
de sódio e o carbonato de sódio. Deve ser 
acondicionado em recipientes sem umidade. 
Comprimido revestido: o revestimento visa proteger o 
princípio ativo contra a luz, a umidade, o oxigênio, etc. 
e evitar a desintegração gástrica. 
Pellet: comprimido para implantação na pele. Deve ser 
estéril e de forma cilíndrica. Pode liberar o princípio 
ativo durante dias ou meses. 
Comprimido vaginal: deve apresentar ação local, 
microbicida ou regeneradora. 
 
Preparação: 
• São poucas as substâncias que podem sofrer 
compressão direta, ou seja, ser comprimidas sem que 
lhes seja acrescentado algum adjuvante (por exemplo, 
bicarbonato de sódio, permanganato de sódio, cloreto 
de sódio). 
• Para compressão, o pó deve apresentar as seguintes 
características: 
- Alimentação: condições reológicas que lhe permita 
fluir na máquina, resultando na produção de 
comprimidos com o mesmo peso, tamanho e dureza. 
- Compressão: procedimento que garante a perfeita 
coesão entre as partículas, para que o comprimido não 
se quebre com facilidade. 
- Ejeção: procedimento que elimina as propriedades 
abrasivas, facilitando a retirada do comprimido da 
câmara de compressão. 
• Assim sendo, a maioria das substâncias necessita de 
excipientes e adjuvantes para facilitar a compressão e 
para a obtenção de doses exatas, homogeneidade e 
estabilidade no armazenamento. 
 
Adjuvantes utilizados: 
• Adjuvantes são substâncias inertes, isto é, não 
possuem atividades terapêuticas. 
• Em conjunto com o princípio ativo, vão individualizar 
o comprimido. 
• A farmacotécnica possui uma série de adjuvantes, 
cujas características atendem às necessidades variadas 
da fabricação de comprimidos: 
- Absorventes: têm a finalidade de absorver 
determinadas substâncias para que elas não alterem os 
comprimidos. Exemplos: sílica-gel, sílica-aerosol (sílica-
gel de poros largos, pulverizada). 
- Aglutinantes: adjuvantes usados para a formação de 
uma liga dos pós depois da obtenção do granulado. São 
fundamentais para a desintegração do comprimido, 
agindo como um adesivo. Exemplos: lactose, gelatina, 
amido, carboximetilcelulose (CMC) e polivinil 
pirrolidona (PVP). 
- Corantes: substâncias utilizadas para atender ao 
aspecto estético, para distinção de comprimidos e 
como auxiliares na homogeneização dos pós. 
- Desagregantes ou desintegrantes: substâncias que 
promovem a desagregação ou desintegração dos 
comprimidos. Têm bom poder de absorção de água, 
inchandose em contato com ela. Exemplo: amido, 
CMC, Veegum. 
- Diluentes: conferem peso adequado, completando-o, 
porque às vezes o princípio ativo não tem peso 
suficiente para o comprimido. 
- Edulcorantes e aromatizantes: Adjuvantes utilizados 
para melhorar o sabor e o odor do medicamento. 
Exemplo de edulcorante: sacarina. Exemplo de 
aromatizantes: essência de laranja, cereja, hortelã. 
- Lubrificantes: permitem o escoamento dos pós e 
melhoram suas condições reológicas, evitando a 
aderência destes nas punções. Exemplos: estearato de 
magnésio, talco. 
- Molhantes: agem diminuindo a tensão superficial do 
comprimido, facilitando a desagregação, que é 
prejudicada pelos lubrificantes hidrófobos. Exemplos: 
trietanolamina e tween 80. 
 
 
- Tampões: agem mantendo o pH estável. Exemplos: 
citrato de sódio e carbonato de sódio. 
 
A mistura dos componentes: 
• Depois de todos os componentes terem sido 
pesados, tamisados e, se necessário, pulverizados, os 
pós devem ser homogeneizados em misturador em 
forma de “Y”, malaxadeira ou mesmo em gral. 
 
 
 
• Essa mistura pode ou não ser feita com o auxílio de 
corantes. 
• A granulação obtém-se por via seca ou úmida, como 
no caso dos granulados. 
 
Testes físico-químicos: 
- Dureza: o comprimido deve ser duro o suficiente para 
resistir ao transporte, à embalagem e ao 
acondicionamento. 
- Friabilidade: o comprimido deve resistir ao choque e 
ao atrito sofridos no processo de embalagem, 
acondicionamento e outras fricções. 
- Desintegração: o comprimido deve liberar o princípio 
ativo no local certo e, para tanto, tem primeiro de se 
desintegrar. 
- Dissolução: liberação propriamente dita do princípio 
ativo. 
- Uniformidade de peso: todos os comprimidos do 
mesmo lote devem ter o mesmo peso. 
- Aspecto: os comprimidos devem ter faces lisas e 
brilhantes e coloração homogênea. 
- Doseamento: doseamento do princípio ativo. 
 
Acondicionamento: 
• Pode ser feito em vidros, aço inox, alumínio, plástico, 
etc. 
• Mas, em sua maioria, os recipientes devem ser 
pequenos e oferecer proteção contra a umidade e a luz 
solar. 
• Existe um tipo de embalagem, o blister, em que os 
comprimidos ficam isolados um dos outros, podendo 
ser fracionados sem que isso altere sua conservação. 
 
 
Exemplo de fórmula de comprimido 
Comprimido de ácido acetilsalicílico 100 mg 
Ácido acetilsalicílico...............................................100 g 
Manitol....................................................................98 g 
Sacarina.....................................................................1 g 
Goma árábica..........................................................4,5 g 
Amido......................................................................11 g 
Talco.......................................................................8,5 g 
Vanilina......................................................................1 g 
 
- DRÁGEAS, CÁPSULAS, SUPOSITÓRIOS E ÓVULOS: 
 
•São as formas físicas de apresentação do 
medicamento: comprimido, xarope, supositório etc. 
•São classificadas em sólidas, líquidas, pastosas e 
gasosas. 
 
 
FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS: 
•Pós 
•Granulados 
•Comprimidos 
•Drágeas: são formas farmacêuticas cujo princípio 
ativo fica envolvido por um revestimento de açúcar e 
corante. 
Vantagens: Boa estabilidade físico-química, boa 
apresentação, precisão de dosagem, fácil 
administração, mascaramento de odor e sabor 
desagradáveis, possibilidade de se conseguir 
desintegração entérica e consideração dos aspectos 
comerciais, com melhoria do aspecto e do sabor. 
 
 
Desvantagens: Impossibilidade de ajuste da dose, 
como ocorre com os comprimidos, Impossibilidade de 
baixos custos e Difícil preparação. 
Preparação: 
Equipamento para fazer drágeas: 
Para a produção de drágeas, utilizam-se drageadeiras 
ou drageadoras, que são bacias especiais de aço inox 
ou de cobre que giram em torno de um eixo inclinado 
e dispõem de uma abertura por onde se acrescentam 
as soluções durante o drageamento. Na fase de 
polimento, são utilizadas bacias revestidas de feltro, 
lona ou flanela, para conferir brilho 
Núcleo das drágeas: 
O núcleo é produzido da mesma forma que os 
comprimidos, porém com algumas características 
próprias, tais como: 
- Forma: A mais esférica possível, para facilitar a 
rolagem. 
- Tamanho: O menor possível, para que a drágea não 
seja difícil de engolir. 
- Dureza: Boa resistência ao atrito. 
- Friabilidade: Boa resistência aos choques e fricções, 
porque um núcleo se choca com o outro durante o 
drageamento, não podendo quebrar-se. 
FASES DO DRAGEAMENTO: 
O processo do drageamento tem cinco fases distintas: 
- Isolamento: É feito com goma-laca 25% ou PVP, em 
uma ou várias aplicações. O objetivo é proteger o 
núcleo contra a umidade residual, além de isolá-lo das 
camadas mais próximas. Pode tornar o núcleo 
gastrorresistente. 
- Sub-revestimento ou cobertura branca: A finalidade é 
dar cobertura ao núcleo, com a utilização de um xarope 
simples e um pó fino como talco (daí o nome de 
cobertura branca), que funciona como lubrificante. É 
preciso insuflar ar quente (60 a 80°C) para acelerar a 
secagem das camadas. 
- Alisamento: Retira as irregularidades do sub-
revestimento. É feito com xarope simples e varia de 7 
a 10 camadas. 
- Coloração: Fase optativa porque é estética, ou 
realizada para diferenciação de dosagens. É feita da 
mesma forma que
a anterior, acrescentando-se o 
corante ao xarope. 
- Polimento: É feita para dar brilho e tornar o produto 
impermeável à umidade. Nessa fase, são empregadas 
parafinas e ceras naturais ou sintéticas. 
 
- Cápsulas: são formas farmacêuticas constituídas de 
um invólucro amiláceo ou gelatinoso, contendo um ou 
mais fármacos. 
Vantagens: Mascaramento do sabor e do odor, na 
maioria das vezes, fácil liberação do princípio ativo, 
Possibilidade de ter um invólucro gastrintestinal, Boa 
apresentação, Precisão de dosagem, fácil 
administração, Rapidez na execução, Possibilidade de 
obtenção de pequenas quantidades e Consideração 
dos aspectos comerciais, com melhoria do aspecto e do 
sabor. 
Desvantagens: Quando revestidas, as cápsulas têm a 
desvantagem de não poderem ser produzidas em 
pequenas quantidades, por encarecer o produto. Para 
que as cápsulas sejam viáveis, elas não devem sofrer 
alterações devidas à temperaturas (que não pode ser 
superior a 32°C) e as substâncias ativas precisam ser 
estáveis a essa temperatura. 
As cápsulas dividem em: 
1- Cápsulas moles: Podem receber o nome de 
glóbulos, pérolas ou capsulinas. São utilizadas 
para acondicionar líquidos com volume de 0,25 
mL até 5 mL. 
2- Cápsulas duras: Constituídas de gelatina, 
corantes, antioxidantes e agentes opacos, 
apresentam entre 8% e 16% de água. 
Têm formato cilíndrico, arredondado nas extremidades 
e são formadas de duas partes: corpo e cabeça, capa e 
tampa, ou corpo e gorro. São usadas para fármacos 
sólidos e o enchimento pode ser manual ou indústria. 
 
Tamanho das cápsulas gelatinosas duras: 
 
Existem diferenças de capacidade relacionadas com a 
reologia do pó, tenuidade, densidade, etc. Exemplo: 
uma cápsula nº 0 pode conter 300 mg de cáscara-
sagrada ou 825 mg de cloreto de sódio. 
 
Exemplo de fórmula de cápsula 
Cápsula de ácido acetilsalicílico 
Ácido acetilsalicílico......................................0,45 g 
Cafeína.............................................................0,05 g 
Em cápsulas no 0 
 
- Supositórios: são formas farmacêuticas de 
consistência firme, forma cônica ou ogival, destinadas 
à aplicação retal, obtidas por solidificação ou 
compressão, em moldes de massa adequada, 
encerrando substâncias medicamentosas, podem 
apresentar ação local ou sistêmica, e seu peso varia de 
1 a 3 g: 
Lactentes: 1g 
Crianças: 1,5g 
 
 
Adultos: 2 a 3g 
 
Devem ser usados em substituição à via oral quando: 
- Há lesão na mucosa gástrica; 
- O medicamento causa lesão na mucosa gástrica; 
- O medicamento é inativado pelo suco gástrico ou pelo 
fígado. 
Características dos excipientes: 
Os excipientes para supositórios devem ter sete 
características básicas: 
• Devem ser inertes farmacologicamente 
• Sua temperatura de fusão deve ser próxima da do 
corpo 
• Devem ter boa conservação em relação à 
temperatura e ao oxigênio 
• Devem ter aspecto homogêneo 
• Devem ter a viscosidade adequada 
• Não podem ser irritantes 
• Devem ter boa absorção de água 
Os excipientes mais usados são: 
- Lipossolúveis: Devem fundir-se em temperaturas 
inferiores a 37°C, em dez minutos no máximo, 
exemplos: manteiga de cacau e óleos vegetais. 
- Hidrodispersíveis: Ao entrarem em contato com a 
mucosa, devem sofrer dispersão, originando emulsões 
O/A (aquosas). Como elevam o ponto de fusão, são 
ideais para regiões mais quentes, exemplos: gelatina 
glicerinada, estearato de sódio, PEG de 300 a 6.000. 
> Adjuvantes de supositórios: Agentes emulsificantes; 
Corretivos do ponto de fusão; Corretivos da cor; 
Estabilizantes/conservantes e Antioxidantes. 
> AGENTES EMULSIFICANTES: Exemplo: lauril sulfato 
de sódio e estearato de sódio formam emulsão O/A 
(aquosa) e lanolina A/O (oleosa). 
> Corretivos do ponto de fusão: Substâncias que 
podem elevar o ponto de fusão (endurecedoras), como 
a cera, o espermacete e a parafina; Substâncias que 
podem reduzir o ponto de fusão (amolecedoras), como 
a glicerina, a água e o sorbitol. 
> Corretivos da cor: Adjuvantes utilizados para efeitos 
estéticos, como o verde, que sugere eucalipto. Os 
corantes usados são, na maioria, hidrossolúveis. 
> Estabilizantes e conservantes: os mais usados são 
nipagin e nipazol. 
> Antioxidantes: galhato de propilo e ácido cítrico. 
Os supositórios podem ser preparados por dois 
métodos: 
- Fusão e solidificação: os excipientes são fundidos, 
recebendo em seguida os princípios ativos, e colocados 
em moldes apropriados. 
- Compressão: por meio de equipamento adequado, o 
princípio ativo é misturado ao veículo e depois a 
substância resultante é comprimida. A compressão só 
é usada quando o princípio ativo sofre a ação do calor. 
> Incompatibilidades: 
- Físicas: Algumas substâncias, como o fenol, a cânfora 
e as essências, fazem baixar o ponto de fusão da 
manteiga de cacau (abaixo de 40°C). Para minimizar o 
problema, usa-se uma pequena parte de cera branca. 
- Químicas: existem sais que interagem, como o ácido 
acetilsalicílico e o sulfato ferroso. 
> Acondicionamento: supositórios devem ser 
embalados individualmente em invólucros de papel 
impermeável, celofane ou alumínio. 
 
Exemplo de fórmula de supositório 
Supositório de glicerina 
Glicerina...........................................................30 g 
Carbonato de sódio.........................................0,5 g 
Ácido esteárico...................................................2 g 
Água................................................................5 mL 
 
• Óvulos: São preparações farmacêuticas de uso 
vaginal, de ação local. São utilizados para problemas 
ginecológicos. Como excipientes, normalmente são 
utilizados os polietilenoglicóis. 
 
Exemplo de fórmula de óvulo 
Óvulo de progesterona 
Progesterona...............................................100 mg 
Polietilenoglicol 400.........................................60% 
Polietilenoglicol 8.000......................................40% 
 
- SOLUÇÕES: são misturas de uma ou mais substâncias, 
normalmente um soluto e um solvente, que resultam 
em fármacos de fase única. Normalmente são soluções 
orais, injetáveis, auriculares, oftálmicas ou tópicas. 
Vantagens: Flexibilidade de dosagem, Facilidade de 
administração e Rápida absorção. 
Desvantagens: Dificuldade de mascarar odor e sabor (é 
possível alterar suas características organolépticas, 
tornando-as aceitáveis), Maior possibilidade de 
alterações físico-químicas, Maior possibilidade de 
contaminação. 
Solubilidade: substâncias podem ou não ser facilmente 
solúveis. A solubilidade pode aumentar com calor e 
agitação, mas o calor decompõe várias substâncias. 
Portanto, essa operação deve ser feita com cuidado, 
principalmente quando se tratar de substâncias 
voláteis, bicarbonatos, etc. 
Expressão de concentração: 
• Coeficiente de solubilidade - concentração, a uma 
determinada temperatura, que origina uma solução 
saturada. 
• Solução não saturada - aquela cuja concentração não 
atinge o coeficiente de solubilidade. 
• Solução supersaturada - aquela cuja concentração é 
maior que o coeficiente de solubilidade. 
 
Modos de expressão: 
 
 
• p/v: Porcentagem que expressa o peso da substância 
dissolvida em 100 mL de solução. Exemplo: ácido 
bórico 2% (p/v) significa 2 g em 100 mL 
• p/p: Porcentagem que expressa o peso da substância 
homogeneizada em 100 g de excipiente. Exemplo: água 
boricada 3% (p/p) significa 3 g de ácido bórico em 100 
g de água. 
• v/v: Porcentagem que expressa o volume da 
substância diluída em 100 mL de solução. Exemplo: 
ácido acético 3% (v/v) significa 3 mL de ácido acético 
em 100 mL de solução. 
 
Adjuvantes - os principais usados são: 
a) Corretivos de pH: Compatibilizam a solução 
com o meio em que será utilizada. 
b) Solubilizantes: Aumentam a solubilidade. 
c) Conservantes: Evitam o crescimento de 
microrganismos. 
d) Antioxidantes: Evitam a oxidação. 
e) Corantes: Fornecem a coloração. 
f) Aromatizantes: Fornecem o aroma. 
g) Edulcorantes: Fornecem o sabor. 
 
As soluções dividem-se em várias categorias: 
1- Colírios:
são formas farmacêuticas, em geral 
líquidas ou pastosas, destinadas ao tratamento 
dos olhos e pálpebras (Farmacopeia Brasileira). 
apresentam as seguintes características: 
→ Isotonia: Mesma pressão osmótica da 
secreção lacrimal, Para consegui-la pode-se 
usar cloreto de sódio 0,7 a 1,4%. 
→ Isobatmia: pH igual ao da lágrima, entre 7,2 
e 7,4. Colírios com pH abaixo de 5,8 e acima de 
11,4 causam irritação em 99% dos pacientes. 
Para corrigir o pH pode-se utilizar soluções 
tampão. 
→ Esterilidade: O uso de colírios contaminados 
podem causar infecções. Para mantê-los 
estéreis podem ser utilizadas substâncias 
conservantes como cloreto de benzalcônio, 
metilparabeno e propilparabeno. 
>Adjuvantes: na fabricação de colírios são usados dois 
tipos: 
- Conservantes 
- Antioxidante 
>Acondicionamento: devem ser embalados em 
recipientes que possam ser esterilizados e que sejam 
compatíveis com a solução a ser acondicionada. 
 
Exemplo de fórmula de colírio 
Sulfato de zinco...............................................0,1 g 
Água destilada q.s.p. ....................................10 mL 
 
>SOLUÇÕES OTOLÓGICAS OU AURICULARES: 
São soluções para serem instiladas no canal auditivo 
para o tratamento de otites externas ou médias. 
Suas características são: 
Esterilidade; Veículo viscoso, para aderir às paredes do 
canal auditivo, como a glicerina, o propilenoglicol, 
óleos e água; pH de 5,0 a 7,8. 
 
>Acondicionamento: soluções otológicas são 
acondicionadas da mesma forma que os colírios. 
 
Exemplo de solução otológica Solução otológica de 
cloranfenicol 
Cloranfenicol .................................................... 1 g 
Veículo q.s.p. ............................................. 100 mL 
 
>Errinos: formas farmacêuticas de uso nasal, de ação 
local ou sistêmica. Principais características são: Não 
impedem a movimentação normal dos cílios do nariz; 
Não mudam a viscosidade do muco; Têm perfeita 
compatibilidade com a cavidade nasal; Possuem pH 
entre 6,5 e 8,3; Devem ser estéreis. 
 
>Acondicionamento: Os errinos são embalados em três 
tipos de frascos: 
•Frascos de vidro com tampa de conta-gotas; 
•Frascos plásticos nebulizadores; 
•Frascos com nebulizador. 
 
Exemplo de fórmula de errino 
Nafazolina solução 
Nafazolina ..................................................... 0,1% 
Veículo .......................................................... q.s.p. 
 
>Colutórios: formas farmacêuticas viscosas para 
tratamento da gengiva e parte interna da boca. 
Princípios ativos mais importantes são: 
• Antissépticos; 
• Anestésicos locais. 
>Acondicionamento: colutórios são acondicionados da 
mesma forma que os colírios e podem ter embalagem 
especial para sprays. 
 
Exemplo de fórmula de colutório 
Colutório para sapinho 
Bicarbonato de sódio ....................................... 2 g 
Borato de sódio ................................................ 2 g 
Melito de rosa ............................................. 20 mL 
 
>Gargarejos: Formas farmacêuticas líquidas destinadas 
a infecções da boca e da garganta, que não devem ser 
engolidas. 
•Os princípios veículos são: água, glicerina, 
aromatizantes e edulcorantes. 
•Os princípios ativos mais importantes são: 
antissépticos e anestésicos locais. 
 
 
 
>Acondicionamento: soluções para gargarejo são 
embaladas da mesma forma que os colutórios. 
 
Exemplo de fórmula de gargarejo 
 
Gargarejo antisséptico 
Ácido bórico ..................................................... 4 g 
Antipirina .......................................................... 2 g 
Salicilato de sódio ............................................. 2 g 
Glicerina ...................................................... 60 mL 
 
>Soluções Cavitárias: são formas farmacêuticas 
líquidas para serem usadas em enemas e duchas. 
- Enemas: A solução é instilada no reto ou no cólon com 
fins laxativos, podendo ter efeito local ou sistêmico. As 
soluções cavitárias usadas em enemas podem agir de 
diversas maneiras: 
SEDATIVA: Cloral hidratado 
ANTIINFLAMATÓRIA: Indometacina 
LAXATIVA: Glicerina 
ADSTRINGENTE: Tanino 
AUXILIAR DE DIAGNÓSTICO: Sulfato de bário. 
 
Exemplo de fórmula de solução cavitária para enema 
Enema de cloral 
Cloral hidratado ................................................ 4 g 
Solução gomosa ........................................ 100 mL 
 
>SOLUÇÃO PER OS: Administradas por via oral, muito 
utilizadas em prescrições pediátricas e para pacientes 
que não podem ou não conseguem ingerir formas 
farmacêuticas sólidas. 
 
Exemplo de solução per os Solução para reidratação 
oral 
Cloreto de sódio ............................................ 3,5 g 
Citrato trissódico, diidratado ......................... 2,9 g 
Cloreto de potássio ....................................... 1,5 g 
Glicose ............................................................ 20 g 
Água q.s.p. ..................................................100 mL 
 
>SOLUÇÕES EXTEMPORÂNEAS: São utilizadas para 
princípios ativos que não apresentam estabilidade em 
solução. 
Assim sendo, o frasco contém o pó ou granulado e, na 
hora da utilização do medicamento, se acrescenta o 
solvente na quantidade indicada e depois agita-se a 
mistura. O produto obtido apresenta curta validade (7 
a 14 dias) e deve ser armazenado na geladeira, na 
maioria das vezes. 
 
>Xaropes: são preparações farmacêuticas aquosas 
contendo dois terços de seu peso de sacarose 
(Farmacopeia Brasileira). 
 
•Nessa concentração, a sacarose tem função 
edulcorante e conservante, pois, como os xaropes são 
soluções saturadas, provocam a desidratação de 
microrganismos. 
•Os xaropes podem ser utilizados como veículos, 
principalmente quando contêm em sua composição 
corantes e flavorizantes. 
•Por exemplo: xarope de groselha. 
 
Vantagens: Possibilidade de correção do sabor. Boa 
conservação. 
Desvantagens: Não devem ser utilizados pela maioria 
dos pacientes diabéticos, desde que tenham sido 
produzidos com sacarose. 
Preparação dos Xaropes: 
- Sacarose: Obtida da cana-de-açúcar e às vezes da 
beterraba, não apresenta vestígios de anidrido 
sulfuroso e possui um pigmento azulado, chamado 
ultramarina. 
- Água: Deve ser detilada ou deionizada. 
 
A preparação propriamente dita pode ser feita de duas 
formas: 
1- A frio: Origina um xarope mais claro e as 
formas de vida como os fungos não são 
destruídas. 
2- A quente: Pode-se obter um xarope mais 
amarelo, devido à caramellização do açúcar e 
também à esterilização do xarope. O processo 
é mais rápido e elimina o anidrido carbônico e 
o CO2, diminuindo a possibilidade de hidrólise. 
Observações práticas: 
•Na fabricação do xarope de vitaminas, deve-se usar 
sorbitol em vez de sacarose, devido às reações 
oxidativas. 
•Para diabéticos, usa-se sacarina e goma ou 
propilenoglicol. 
•A glicerina é um bom conservante e aumenta a 
viscosidade. 
•Se necessário, acrescentar um tensoativo, como o 
polissorbato 80, não se devendo, nesse caso, 
acrescentar nipagin, pois há incompatibilidade entre 
esses dois elementos. 
 
>Alterações: 
Os xaropes podem ser modificados por vários fatores, 
entre os quais temos: 
•Alterações físico-químicas: Calor – por exemplo, 
facilita a hidrólise; Luz – devido às radiações 
ultravioletas (UV); Precipitação do açúcar. 
•Alterações microbiológicas: Crescimento de 
microorganismos. 
 
 
 
>Conservantes: Usa-se normalmente o nipagin a 0,1 ou 
0,2%, mas a glicerina também pode ser empregada. 
 
Exemplos de fórmula de xarope 
Xarope de hidroxizine 
Cloridrato de hidroxizine ............................... 0,1% 
Xarope simples q.s.p. ................................ 100 mL 
 
Base de xarope para diabéticos 
Goma adragante ............................................ 1,5 g 
Glicerina ........................................................... 6 g 
Sacarina sódica .............................................. 0,1 g 
Metilparabeno ............................................... 0,1 g 
Água q.s.p. .................................................
100 mL 
 
 
A2 
 
- ELIXIRES, SUSPENSÕES E EMULSÕES: 
 
 Elixires: são formas farmacêuticas para uso 
oral que contêm no mínimo 20% de álcool e 
20% de açúcar. Devem ser usados somente 
para princípios ativos solúveis em água e 
álcool, não podendo ser acrescentadas gomas. 
 
Exemplo de fórmula de elixir 
Elixir de Garus 
Espírito de açafrão composto...........................37 g 
Baunilha........................................................0,03 g 
Açafrão........................................................0,015 g 
Xarope de avenca.............................................57 g 
Água de flores de laranjeira...............................6 g 
 
 Suspensões: são formas farmacêuticas líquidas 
constituídas de duas fases: uma interna (sólida, 
insolúvel, descontínua ou dispersa), e outra 
externa (líquida, contínua). 
• A fase interna não atravessa o papel de filtro e é 
visível ao microscópio comum. 
• As suspensões são utilizadas para a via oral, uso 
tópico na pele e mucosa, e via parenteral. 
• Podem ser encontradas prontas para o uso ou na 
forma de suspensões extemporâneas, da mesma forma 
que as soluções. 
 
Vantagens: 
- Princípio ativo insolúvel em veículos usados 
normalmente; 
- Melhora de sabor e odor; 
- Maior estabilidade; 
- Retardamento da absorção em injetáveis. 
 
Características: 
1. Tamanho das partículas: devem ser de um 
tamanho que resulte em homogeneidade; não 
devem depositar-se facilmente; devem ter fácil 
redispersão e não devem formar cristais. 
2. Fluidez: quanto mais viscosas, mais estáveis 
são as suspensões; porém, o excesso de 
viscosidade compromete o aspecto e a retirada 
do medicamento do frasco. 
3. Estabilidade química, física e microbiológica: 
dependendo do uso, pode ser necessário 
esterilizar a suspensão. 
 
Agente suspensor 
Aumenta a viscosidade da fase externa da suspensão 
↓ 
retardando a floculação 
↓ 
e reduzindo a velocidade de sedimentação 
 
Na escolha do agente suspensor, deve-se considerar: 
→ o pH do meio 
→ a via de administração 
→ a estabilidade 
→ a incompatibilidade com os componentes da 
suspensão 
 
- Funções do agente suspensor: manter as partículas 
insolúveis em suspensão; evitar a flutuação, facilitando 
a penetração do líquido no pó (tensoativos, como a 
CMC, a goma-arábica e o veegum, evitam a flutuação); 
aumentar a viscosidade da fase líquida; permitir a 
redispersibilidade, facilitando a ressuspensão das 
partículas. 
 
Tipos de agente suspensor - tipo de agente suspensor 
é determinado pelo veículo: 
→ Para veículos aquosos 
→ Para veículos oleosos 
 
Agentes suspensores para veículos aquosos 
• Goma arábica – 5 a 15% 
• Goma adragante – 1% (via oral), 2% (uso externo) 
• Alginatos de alta viscosidade – 0,75 a 1% 
• Alginatos de baixa viscosidade – 1,5 a 3% 
• Metilcelulose – 2% 
• Carboximetilcelulose (CMC) 
• Carbopol 934 e 940 
• Veegum 
 
Agentes suspensores para veículos oleosos 
• Lanolina – 5 a 6% em solução oleosa 
• Ceras – 1% 
Conservação - as suspensões devem ter estabilidade: 
 
 
→ física: a suspensão deve ser de fácil 
redispersibilidade. No rótulo da suspensão deve 
constar os dizeres: “Agite antes de usar”. 
→ química: para obter estabilidade química, é preciso 
tomar cuidado com a hidrólise, a oxidação etc. 
→ microbiológica: deve-se garantir a estabilidade 
microbiológica através de esterilização e conservantes. 
 
Exemplo de fórmula de suspensão 
Suspensão de enxofre 
Enxofre precipitado............................................5 g 
Glicerina.............................................................5 g 
Polissorbato 80..........................................10 gotas 
Solução alcoólica de cânfora............................10 g 
Polietilenoglicol 400.........................................20 g 
Água destilada..................................................60 g 
 
 Emulsões: são formas farmacêuticas líquidas 
de aspecto branco leitoso ou cremoso, 
resultantes da dispersão de um líquido no seio 
de outro, no qual é imiscível, à custa de um 
agente emulsificante. 
 
Fases - é constituída de duas fases: 
• O/A – fase interna descontínua, formada por 
gotículas de óleo envoltas pela fase aquosa, contínua 
→ EMULSÃO AQUOSA 
• A/O – fase interna descontínua, aquosa, envolta em 
uma camada contínua, oleosa → EMULSÃO OLEOSA 
 
Para saber se a emulsão é O/A ou A/O, acrescentar 
água: 
• Se homogeneizar → é aquosa. 
• Se não homogeneizar → é oleosa. 
 
Componentes: 
- Fase aquosa: água destilada ou deionizada, pois o 
cálcio e o magnésio desestabilizam a emulsão. Depois 
são acrescentados os componentes solúveis mais os 
conservantes, edulcorantes e aromatizantes. 
- Fase oleosa: óleos aos quais são acrescentados os 
componentes solúveis e as essências, conservantes e 
antioxidantes. 
- Agente emulsificante: dá estabilidade à emulsão, 
reduzindo a tensão superficial entre o óleo e a água e 
retardando a separação das fases. 
- EHL (equilíbrio hidrófilo-lipófilo): é o equilíbrio entre 
as fases aquosa e oleosa. 
 
Agentes emulsificantes para uso interno: 
- Naturais: Goma-arábica (propriedades emulgentes 
O/A – um dos agentes emulsificantes mais inócuos); 
Goma adragante (O/A); Gelatina (O/A); Lecitina (O/A). 
- Sintéticos: Monoesterato de glicerina (A/O); Spans 
(A/O); Tweens (O/A) ou polissorbatos. 
- Auxiliares: Carboximetilcelulose (CMC); 
Metilcelulose; Pectina. 
 
Agentes emulsificantes para uso externo: 
• Como são destinados ao uso externo, não há 
necessidade de serem tão inócuos. 
• Dividem-se em dois grupos: 
→ Naturais: Saponinas (O/A); Ceras (A/O); Lanolina 
(A/O). 
→ Sintéticos: Sabões (O/A e A/O); Lauril sulfato de 
sódio; Lauril sulfato de trietanolamina; Cera lanette; 
Carbowax. 
 
Todos os agentes emulsificantes de uso interno podem 
ser também de uso externo. 
 
Preparação: 
Dispomos de três métodos para preparar as emulsões: 
- Método continental ou da goma seca: em um gral 
seco, coloca-se uma parte de goma arábica e quatro 
partes de óleo, acrescentandose depois duas partes de 
água. Feita a emulsão, acrescenta-se o restante da 
água ou óleo sempre na proporção: 
 
1 : 4 : 2 
Goma : Óleo : Água 
 
- Método inglês ou da goma úmida: homogeneizar a 
goma com a água e depois acrescentar óleo na 
proporção: 
1 : 2 : 4 
Goma : Água : Óleo 
 
- Método do frasco: colocam-se os componentes em 
um frasco tampado e agita-se energicamente, na 
proporção: 
1 : 2 : 2 
Goma : Água : Óleo 
 
Estabilidade: vários fatores indicam a estabilidade das 
emulsões. 
Estabilidade física: a emulsão tem estabilidade física 
quando não apresenta quebras macroscópicas. Ela 
depende dos seguintes itens: 
densidade/viscosidade/temperatura/tempo. 
 
- Densidade: quanto mais próximas as densidades das 
duas fases, maior a estabilidade da emulsão. 
- Viscosidade: o que conta é a viscosidade externa, 
quanto mais viscosa for a emulsão, tanto mais estável 
será. 
- Temperatura: o calor acelera a quebra da emulsão. 
- Tempo: o envelhecimento provoca a quebra da 
emulsão. 
 
 
 
 Estabilidade química: para haver estabilidade 
química, é necessário prever 
incompatibilidades entre os princípios ativos. 
 Estabilidade microbiológica: para haver 
estabilidade microbiológica, é necessário 
prevenir contaminações. 
 
Uso: as emulsões podem ser usadas por via oral, 
parenteral, intramuscular (IM), intravenosa (IV) e 
topicamente: 
- Via oral: permite mascarar odor e sabor. Os corretivos 
ficam na fase externa, sendo geralmente O/A. 
- Via parenteral: quando se deseja absorção lenta. Via 
intramuscular (IM) – pode ser A/O e O/A. Via 
intravenosa (IV) – somente O/A, exigindo muito 
cuidado. 
- Uso tópico: geralmente O/A, mas pode ser A/O. Deve 
ser de fácil aplicação e remoção, além de não sujar a 
roupa. 
 
Acondicionamento: as emulsões devem ser 
acondicionadas em frascos bem fechados. 
 
Exemplo de fórmula de emulsão 
Emulsão de benzoato de benzila 
Benzoato de benzila................................................20g 
Trietanolamina........................................................0,6g
Ácido esteárico..........................................................2g 
Água q.s.p...........................................................100mL 
 
- Injetáveis, Tinturas e Extratos: 
São soluções, suspensões, emulsões estéreis de 
substâncias medicamentosas em veículos aquosos, 
oleosos ou outros, apropriados para serem 
administrados por via parenteral. 
 
Classificação: 
Os fármacos injetáveis são classificados de acordo com 
a via de administração: 
1- Intradérmicos (ID): 
Volume de 0,06 a 0,18 mL, normalmente aplicados no 
antebraço. 
2- Subcutâneos (SC) ou Hipodérmicos: 
Volume de 0,3 a 1 mL, pois um volume maior causa 
edema. Podem ser usados veículos aquosos, oleosos e 
suspensões. Têm absorção lenta, podendo apresentar 
ação farmacológica por mais de 30 dias 
3- Pellets ou Implantes: 
São medicamentos sólidos, esférulas de 
aproximadamente 7 mm de diâmetro e 3 mm de 
espessura, para aplicação subcutânea. Os princípio 
ativos passam lentamente para a corrente sanguínea, 
causando absorção lenta e regular. Os excipientes 
também devem ser absorvíveis, para não causarem 
lesão. 
4- Intramusculares (IM): 
São injetáveis que ultrapassam a pele, o tecido 
subcutâneo e atingem o músculo. Os volumes ideais 
devem ser de no máximo 4 mL, podendo 
eventualmente atingir 10 mL na região glútea. Podem 
ser oleosos, aquosos ou suspensões. 
5- Endovenosos (EV) ou Intravenosos (IV): 
Não há fase de absorção para esses injetáveis, pois o 
medicamento é aplicado diretamente na corrente 
sanguínea. Portanto, os endovenosos têm ação rápida 
e intensa. Para medicamentos aquosos ou emulsão 
O/A de até 1000 mL. 
6- Intrarraquidianos: 
Esses injetáveis atuam no tecido nervoso, 
especialmente na região do encéfalo. 
7- Epidurais ou Peridurais: 
São injetáveis usados para anestesiar membros 
inferiores e pequena bacia. Volume de 20 a 30 mL. 
8- Intraperitoniais: 
São injetáveis usados para diálise peritoneal. 
9- Intra-arteriais: 
São injetáveis de ação rápida e intensa. 
 
A escolha da via de administração depende de vários 
fatores, que incluem: → o tipo de veículo utilizado, → 
e o tempo para a ação do medicamento. 
 
O veículo aquoso deve ser apirogênico e isotônico. As 
soluções hipotônicas provocam hemólise e as 
hipertônicas provocam plasmólise. Como a plasmólise 
é reversível, as soluções hipertônicas são menos 
nocivas. 
 
Pirogênio 
↓ 
produto de excreção ou de degradação de 
microrganismos na maioria gram-negativos 
↓ 
quando injetado em grandes quantidades dá origem a 
reações febris 
 
O pH é muito importante na formulação de injetáveis. 
O ideal é que esteja em torno de 7, porém alguns 
fármacos têm pH diferentes. Exemplos: a insulina, a 
morfina e a vitamina B12 têm pH de aproximadamente 
2 e os barbitúricos, de aproximadamente 9. O veículo 
oleoso deve ser isento de acidez e não deve ser usado 
por via intravenosa (IV) nem intrarraquidiana. 
 
Requisitos 
- Esterilidade: 
→ o fármaco injetável não deve conter nenhum 
microrganismo vivo; 
→ a área de preparação deve garantir condições de 
assepsia para evitar ou impedir contaminações. 
 
 
 
- Veículos adequados: 
→ água deionizada e esterilizada: é o veículo mais 
utilizado, por ser o líquido mais abundante do corpo; 
→ óleos estéreis: os mais comuns são amendoim, soja, 
oliva e algodão; os óleos não são absorvidos; devem ser 
isentos de odor e de excesso de acidez e perfeitamente 
límpidos; 
→ outros: propilenoglicol, glicerina, álcool benzílico e 
álcool etílico são solventes indicados para fármacos 
hidrolisáveis ou dolorosos. 
Devemos usar adjuvantes para evitar hidrólise e 
oxidação, e também conservantes. 
 
Preparação: A preparação de injetáveis compreende 
cinco fases: 
1- Lavagem do material de acondicionamento: As 
condições de absoluta esterilidade iniciam-se 
com a lavagem das ampolas, que deve garantir 
a eliminação de corpos estranhos em seu 
interior. 
2- Esterilização do material de 
acondicionamento: As ampolas devem ser 
secas e esterilizadas pelo calor, numa 
temperatura que varia de 200°C a 250°C, 
durante uma hora. 
3- Preparação do medicamento propriamente 
dito: Pode ser de uma em uma ou em 
máquinas próprias. 
4- Enchimento das ampolas; 
5- Esterilização: Dependendo do produto, o 
enchimento das ampolas é acompanhado por 
técnica asséptica, que pode ser realizada por 
filtros esterilizantes ou pela ação da radiação. 
Mas, em geral, devemos esterilizar as ampolas 
após o fechamento, o que pode ser feito: por 
calor seco (média de 150°C, de uma a duas 
horas); por calor úmido (média de 110°C), em 
autoclave, durante tempo variável. 
 
Acondicionamento: O material usado para 
acondicionar medicamentos injetáveis pode ser vidro, 
desde que tenha resistência mecânica ao choque e não 
ceda íons à solução nem retenha íons da solução. 
Podem ser usados também o plástico, o polietileno, o 
cloreto ou o acetato de polivinila resistentes ao 
choque, suficientemente transparentes, com 
resistência térmica de 100°C a 110°C, impermeáveis a 
vapor e gases, inertes aos medicamentos e 
impenetráveis por microrganismos. A embalagem dos 
fármacos injetáveis pode ter dois tamanhos: Ampola – 
dose única, volumes de 1 mL a 50 mL. Frasco-ampola – 
dose única ou múltiplas doses, volume de 1 mL a 1000 
mL. 
 
Alterações: Os injetáveis podem sofrer vários tipos de 
alteração: contaminação; decomposição resultante de: 
oxidação causada por luz e calor; hidrólise; 
incompatibilidade físicoquímica. 
Exemplo de fórmula de injetável 
Fenobarbital ampola 
Fenobarbital sódico ......................................1,25 g 
Álcool benzílico ...........................................0,5 mL 
Água destilada ................................................1 mL 
Propilenoglicol q.s.p. ....................................10 mL 
 
- Tinturas: São soluções extrativas alcoólicas, obtidas a 
partir de drogas vegetais, animais e minerais no estado 
seco. Na composição, além do álcool, podem ser 
usados éter, clorofórmio, acetona, etc. 
Vantagens: grande quantidade de princípios ativos; 
boa conservação antimicrobiana; facilidade de 
posologia. 
 
- Para se obter uma tintura de qualidade, deve-se 
escolher bem: 
→ o método de extração 
→ a graduação do álcool 
 
- As drogas utilizadas podem ser de origem: 
→ animal: cantáridas, almíscar 
→ vegetal: as mais utilizadas são beladona e estrofanto 
→ mineral: alcatrão 
 
- Pode-se usar a droga: 
→ inteira: arnica, alcatrão 
→ dividida: açafrão, baunilha 
 
- A relação entre a droga e o álcool é de: 
→ 1:10 – uma parte de droga para dez partes de álcool 
(10%) 
→ 2:10 – duas partes de droga para dez partes de 
álcool (20%) 
 
- Como devem ser feitas as diluições: 
→ Drogas secas pouco ativas – álcool 65% 
→ Drogas heroicas – álcool 70% 
→ Substâncias resinosas – álcool 85% 
 
- Métodos de Extração: Existem dois métodos 
principais de extração de tinturas: 
→ Maceração: Deixa-se a droga em contato com o 
álcool por dez dias. Em geral, a proporção é de 200 g 
de droga para 1000 mL de álcool. 
→ Lixiviação ou percolação: A droga é pulverizada e 
passada várias vezes por um líquido extrator, até que 
todo o princípio ativo seja retirado. O extrato pode ser 
diluído em álcool. 
 
- Usos: As tinturas podem ser: 
 
 
→ de uso externo – como antissépticos, cicatrizantes, 
antipruriginosos, adstringentes 
→ de uso interno – como béquicos, analgésicos, 
diuréticos. 
 
Exemplo de fórmula de tintura 
Tintura de casca de laranja 
Casca de laranja ..............................................20 g 
Álcool .........................................................100 mL 
Método: maceração por dez dias. 
 
- Extratos: 
São preparações concentradas obtidas de drogas 
vegetais ou animais por meio de um líquido extrator e 
posterior evaporação. Como veículo, usa-se álcool de 
60 a 90% e, às vezes, éter e acetona. 
Os extratos dividem-se em quatro grupos: 
1- Extrato fluido: forma líquida; 
2- Extrato mole: consistência de mel; 
3- Extrato firme: consistência de massa firme; 
4-
Extrato seco: forma de pó. 
Os extratos fluidos são os mais usados e devem ser 
preparados de modo que 1 mL do extrato contenha 1g 
da droga respectiva, secada ao ar livre. 
 
- Método de Extração: os extratos podem ser obtidos 
por: 
→ maceração 
→ lixiviação 
→ infusão 
→ decocção 
→ digestão 
 
Os processos de maceração e lixiviação são os mesmos 
usados para a obtenção das tinturas. Os métodos 
restantes são: 
a) Infusão: Coloca-se a droga em água fervendo, 
desliga-se o fogo e deixa-se a mistura em 
recipiente fechado durante um certo tempo. 
b) Decocção: Coloca-se a droga na água em 
ebulição, deixando a ferver durante um certo 
tempo. 
c) Digestão: Coloca-se a droga em um solvente 
durante um certo tempo, à temperatura de 35 
a 40°C. 
Os usos do extrato são os mesmos da tintura. 
 
Exemplo de fórmula de extrato 
Extrato de ratânia 
Ratânia em pó grosso ......................................10 g 
Água destilada .................................................80 g 
Método: infusão por 24 horas. 
 
- Formas farmacêuticas pastosas e gasosas: 
 
A pele possui três camadas distintas: a derme , a 
epiderme e a hipoderme. 
 
A derme, ou cútis, é a camada mais espessa e fibrosa, 
e confere resistência e elasticidade à pele. Nela estão 
as glândulas e os folículos pilosos. É por suas glândulas 
sudoríparas e sebáceas que os medicamentos são 
absorvidos. 
 
Na epiderme, estão as células epiteliais de superfície, 
onde encontramos as camadas de gordura e queratina. 
É essa camada da pele que recebe a aplicação tópica 
das formas farmacêuticas pastosas. As mais utilizadas 
são as pomadas, os cremes, as pastas, os ceratos, os 
linimentos, os unguentos, as loções e os géis. Na 
hipoderme, encontramos a zona vascularizada. 
 
 
 
Medicamentos 
↓ 
penetram na pele através da derme 
↓ 
quando íntegra, permite uma determinada absorção 
 
Quando há a presença de cortes ou arranhões 
↓ 
facilitam a penetração 
↓ 
 
 
levando a alteração da absorção, penetração, tempo 
de ação, ou seja, alterando a resposta farmacêutica 
 
Outros fatores também podem interferir na absorção, 
como, por exemplo: 
- CONCENTRAÇÃO DO PRINCÍPIO ATIVO 
- HIDRATAÇÃO DA PELE 
- INTENSIDADE DA FRICÇÃO NA APLICAÇÃO DO 
MEDICAMENTO 
- PERÍODO DE EXPOSIÇÃO DO MEDICAMENTO À PELE 
- NÚMERO DE VEZES DA APLICAÇÃO 
 
- Pomadas: 
São formas farmacêuticas de consistência macia e 
pegajosa, de uso externo, com excipientes gordurosos 
ou com polietilenoglicóis. 
 
Exemplo de fórmula de pomada 
Dexametasona ...............................................0,5 g 
Lanolina .............................................................5 g 
Lauril sulfato de sódio .......................................1 g 
Vaselina q.s.p. .................................................30 g 
f.s.a. 
 
- Cremes: 
São preparações com excipientes emulsivos O/A ou 
A/O, para uso externo, podendo ou não conter 
substâncias terapêuticas. São também considerados 
emulsões. 
 
Exemplo de fórmula de creme 
Creme Lanette 
Lanete N .................................................................15% 
Cetiol V .....................................................................3% 
Óleo mineral .............................................................2% 
Propilenoglicol .........................................................5% 
Nipagin ................................................................0,15% 
Nipazol .................................................................0,05% 
Água destilada q.s.p. ............................................100% 
 
- Pastas: São preparações que contêm uma proporção 
de pó igual ou superior a 20%. Podem ter excipientes 
oleosos ou aquosos, mas são menos oleosos que as 
pomadas e, na maioria das vezes, mais espessas. 
 
Exemplo de fórmula de pasta 
Pasta zíncica de Lassar 
 Amido ..............................................................25 g 
Óxido de zinco .................................................25 g 
Lanolina ...........................................................25 g 
Vaselina ...........................................................25 g 
f.s.a. 
 
- Ceratos: São preparações que contém grande 
quantidade de ceras animais ou vegetais, podendo ou 
não conter essências. As ceras mais usadas em sua 
fabricação são a cera de abelha, o espermacete e a cera 
de carnaúba. 
 
Exemplo de fórmula de cerato 
Cold cream 
Espermacete ..............................................................16 
g 
Cera branca...............................................................8 g 
Óleo de amêndoas ...............................................55 mL 
Água de rosas ......................................................16 mL 
Tintura de benjoim ................................................4 mL 
Essência de rosas ...............................................2 gotas 
Borato de sódio .....................................................0,5 g 
f.s.a. 
 
Sistemas transdérmicos: São adesivos colocados na 
pele, liberando os princípios ativos, que atravessam as 
diversas camadas da pele, apresentando ação 
sistêmica. São utilizados para, por exemplo, veicular 
hormônios. 
 
Vantagens: Utilizados para medicamentos que 
apresentam dificuldade de absorção gastrointestinal 
ou por problemas patológicos neste sistema; Fácil 
interrupção do tratamento. 
Desvantagens: Não é possível utilizar princípios ativos 
que agridem a pele; Precisam ter boa penetração na 
pele. 
 
- Loções: As loções são líquidas ou semilíquidas, de 
aspecto viscoso e uniforme, e facilmente removíveis 
com água. De uso externo. 
 
Exemplo de fórmula de loção 
Loção Lanette 
Lanete N....................................................................5 g 
Cetiol V.....................................................................5 g 
Óleo mineral..............................................................5 g 
Propilenoglicol ..........................................................5 g 
Nipagin ................................................................0,15 g 
Nipazol .................................................................0,05 g 
Água destilada q.s.p...........................................100 mL 
 
- Géis: São preparações semissólidas, formadas por um 
pó disperso em um líquido, com aparência translúcida 
ou transparente. 
 
Exemplo de fórmula de gel 
Carboximetilcelulose .........................................5 g 
Glicerina ..........................................................10% 
Água q.s.p. ..................................................100 mL 
 
Excipientes para formas farmacêuticas pastosas: 
 
 
Esses excipientes são substâncias líquidas ou moles, 
usadas para ligar, dissolver ou modificar o uso de outro, 
que serve de medicamento. 
 
Devem apresentar características como: 
1- Não retardarem a cura; 
2- Não causarem alergias; 
3- Serem neutros; 
4- Liberarem o princípio ativo adequadamente; 
5- Serem de fácil confecção; 
6- Terem bom aspecto (estética). 
 
Classificação: Os excipientes dividem-se em quatro 
grupos: 
A) Gordurosos ou hidrófobos: são aqueles que 
praticamente não retêm água, usados para 
preparar todas as formas pastosas. Exemplos: 
vaselina, cera branca e amarela (de abelhas), 
espermacete, silicone, cutina e lanette. 
B) Aquosos: são os que captam água, originando 
emulsões do tipo A/O. Exemplos: lanolina ou 
suarda, álcool cetílico, álcool cetoestearílico, 
polietilenoglicol, spans. 
C) Óleo-aquosos: são aqueles que originam 
emulsões O/A. Exemplos: Sabões alcalinos, 
como os sais de amônio, sódio ou potássio dos 
ácido oleico e esteárico; monoestearato de 
glicerila; propilenoglicol; polietilenoglicol; 
polissorbatos (Tween); lauril sulfato de sódio. 
D) Hidrófilos: são hidrodispersíveis ou 
mucilaginosos. Exemplos: Alginato; Pectina; 
Ágar-ágar; Amido; Veegun; Carbowax; 
Gelatina. 
 
Atuação na pele: Cada uma das formas farmacêuticas 
pastosas tem uma atuação diferente na pele, como 
veremos a seguir: 
 
 POMADAS: Por serem gordurosas, provocam
estado congestivo, impedindo a perspiração. 
Provocam também a vasodilatação. 
 PASTAS: São compostas de duas fases: pó e 
líquida. Quando aplicada, a camada de pó 
permanece atuando na pele. 
 CREMES: Os resultantes de emulsões O/A são 
mais bem aceitos pela pele que os de emulsões 
A/O. Apresentam ação antiflogística e 
lubrificante e agem mais profundamente que 
as pomadas. Em cosmética, indica-se para o dia 
a dia o uso de um creme O/A com mais de 60% 
de água; Especificamente para a noite, indica-
se um creme A/O com uma proporção de água 
inferior a 40%; Para a limpeza, pode-se usar 
cremes de limpeza que quase sempre são 
emulsões O/A. 
 LOÇÕES: São para uso superficial, para limpeza 
de pele, pequena hidratação, podem 
apresentar ação antipruriginosa, etc. 
 
Poder de penetração: de acordo com seu poder de 
penetração, em geral os excipientes podem ser 
classificados da seguinte forma: EPIDÉRMICOS / 
ENDODÉRMICOS / DIADÉRMICOS. 
a) Epidérmicos: Utilizados quando se pretende 
ação epitelial, são excipientes que agem nas 
camadas superiores da pele, permitindo que o 
medicamento atue até a camada hialina, sem 
atingir as zonas germinativas e malpighianas. 
Medicamentos que os empregam são os 
queratoplásticos, queratolíticos, revulsivos, 
protetores, etc. Normalmente não são 
absorvíveis, sendo insolúveis em água ou 
veículos aquosos, como os exsudatos. 
Exemplo: vaselina, veegum. 
b) Endodérmicos: Agem nas camadas medianas 
da pele, alcançando as zonas ou extratos 
malpighianos e germinativos. São usados com 
agentes antiparasitários, emolientes, 
antissépticos. Exemplos: lanolina, banha, 
sabões aniônicos, como o lauril sulfato de 
trietanolamina ou sódio. 
c) Diadérmicos: Proporcionam o contato do 
medicamento com a zona vascularizada, 
podendo causar ação sistêmica. Formam o 
sistema O/A e são usados com medicamentos 
antiinflamatórios, antipruriginosos, 
antialérgicos, etc. Exemplos: cloreto de 
benzalcônio, polissorbatos, spans. 
 
 Pomadas oftálmicas: São preparadas 
assepticamente com excipientes estéreis de 
baixo ponto de fusão. Como excipientes, 
utilizam-se vaselina, lanolina e parafina 
líquidas, esterilizadas a 150°C por duas horas. 
 
Acondicionamento e conservação de todas as formas 
farmacêuticas pastosas: A estabilidade de formas 
farmacêuticas pastosas é diretamente proporcional à 
forma de acondicionamento. Este pode ser feito em 
potes de vidro, porcelana ou materiais plásticos, ou em 
tubos de plástico ou de metal, como o alumínio. 
Embora o armazenamento em potes não seja o ideal – 
por causa da presença de ar, o que facilita a hidrólise, 
a oxidação e a contaminação –, é o mais indicado para 
pequenas quantidades em manipulação. 
 
- Formas farmacêuticas gasosas: 
1. Aerossóis: Dá-se o nome de aerossol às 
dispersões cuja fase dispersa é sólida ou 
líquida e cuja fase dispergente é gasosa. A 
 
 
maioria das partículas tem de 1 a 10 micra de 
diâmetro, podendo atingir até 50 micra. Para 
gases inalantes, recomenda-se de 0,5 micra a 7 
micra. Hoje em dia, os gases liquefeitos e 
comprimidos são usados como propelentes. A 
eficiência do aerossol é proporcional à 
capacidade de propulsão desses gases. Os 
aerossóis podem ser usados em diversos 
aparelhos, como: Atomizadores / 
Nebulizadores / Vaporizadores. 
a) Atomizadores: São tubos em formato de T, em 
que uma haste fica mergulhada na solução 
medicamentosa. 
b) Nebulizadores: Normalmente possuem peras 
de borracha para expelir o medicamento. 
c) Vaporizadores: São usados para umedecer o 
ar, dispensando os líquidos voláteis. 
Os aerossóis verdadeiros são utilizados por meio de um 
recipiente fechado, onde se coloca um gás liquefeito a 
baixa temperatura. Quando este se aquece, torna-se 
gasoso, conduzindo o princípio ativo quando é 
liberado. 
 
 
 
- Propelentes: São gases constituídos por misturas de 
materiais combustíveis e agentes oxidantes capazes de 
efetuar a propulsão controlada de um corpo sólido. No 
caso dos aerossóis, são usados dois tipos de 
propelentes: 
 GASES LIQUEFEITOS: Os mais utilizados são os 
derivados clorados ou fluorados de 
hidrocarbonetos, como o 
diclorodifluormetano e 
diclorotetrafluormetano. Não devem ser 
irritantes, tóxicos ou inflamáveis. Mas os gases 
liquefeitos estão sendo, em sua maioria, 
retirados do mercado por destruírem a 
camada de ozônio. São propelentes e 
solventes. 
 GASES COMPRIMIDOS: Os mais usados são o 
azoto, o protóxido de azoto e o anidrido 
carbônico. 
 
Exemplo de fórmula de aerossol 
Aerossol 
Composto quaternário de amônio ...............0,75 g 
Essência ........................................................0,25 g 
Álcool etílico anidro ......................................99 mL 
Mistura propelente q.s.p. ...........................200 mL 
 
2. Sprays: São soluções aquosas ou oleosas, de 
uso tópico, onde partículas sólidas são 
veiculadas. Utilizadas para queimaduras de sol, 
para absorção através da mucosa nasal, etc. 
São de fácil aplicação. 
 
Exemplo de fórmula de spray 
Cloreto de benzalcônio ..............................130 mg 
Veiculo q.s.p. ...............................................100mL 
 
 
EMBALAGENS PARA PREPARAÇÕES MAGISTRAIS 
- Materiais de embalagem 
-Formas farmacêuticas e embalagens sugeridas 
-Calibração de embalagens 
 
 A embalagem tem sido descrita como uma 
maneira econômica de prover apresentação, 
proteção, identificação e conveniência para o 
produto até o momento de sua utilização ou 
administração. 
 
1. Funções: 
O termo embalagem é abrangente e cobre todos os 
componentes envolvidos, incluindo a embalagem 
primária ou imediata que envolve os materiais (ex.: 
recipiente, invólucro) que entram em contato direto 
com o produto; 
A embalagem secundária é empregada para proteger a 
embalagem primária para o transporte, 
armazenamento, distribuição e dispensação. 
Algumas vezes pode incluir ainda componentes 
terciários, como componentes auxiliares ao uso (ex.: 
aplicadores, recipientes separados de medida). 
A função primária da embalagem é de proteção do 
produto, durante o armazenamento e transporte, 
frente: 
•às condições ambientais adversas – umidade, 
contaminação microbiológica, oxigênio e luz solar; 
•aos riscos físicos – choque, impacto, compressão, 
vibração e perfuração. 
•Seu propósito principal é de manter sua conservação 
durante o período de utilização. 
A embalagem e o produto não devem ser considerados 
como entidades separadas. 
Deverá haver uma combinação perfeita desses dois 
elementos para manter a adequada estabilidade do 
produto. 
O produto acondicionado deverá ser compatível com o 
material constituinte da embalagem. 
 
 
Esse material não deverá alterar a pureza, integridade 
e/ou estabilidade do produto. 
A embalagem deverá ser inerte, de forma a não 
promover nenhuma alteração do produto, seja por 
interação, extração ou transferência. 
A proteção fornecida pela embalagem deve 
compreender o período de validade, bem como 
também o período de uso do produto. 
O farmacêutico, no momento da escolha da 
embalagem para um determinado produto, deverá 
considerar diversos fatores, como: 
•compatibilidade com o produto; •funcionalidade; 
•design estético; •performance; •marketing; •custo; 
•conveniência. 
 
2. Definições: 
Recipiente: 
- embalagem que acondiciona o artigo e está ou pode 
estar em contato direto com o mesmo; 
- pode também ser definido como embalagem 
primária, de vidro ou plástico, destinada ao 
acondicionamento, que atenda aos requisitos da 
legislação sanitária vigente; 
- o fechamento (tampa, batoque, selo) é uma parte 
integrante do recipiente. 
De acordo com as condições de acondicionamento 
proporcionadas, os recipientes podem ser definidos 
como: 
 
 
Recipiente bem fechado 
•Aquele que protege o seu conteúdo de perdas e 
contaminação por sólidos estranhos, nas condições 
usuais de manipulação, transporte, armazenamento e 
distribuição. 
 
Recipiente perfeitamente fechado (recipiente bem 
vedado) 
•Aquele
que protege o seu conteúdo de perdas e de 
contaminação por sólidos, líquidos e vapores 
estranhos, eflorescência, deliquescência ou 
evaporação nas condições usuais de manipulação, 
distribuição, armazenamento e transporte. 
 
Recipiente hermético 
•Aquele impermeável ao ar ou qualquer outro gás, nas 
condições usuais de manipulação, transporte, 
armazenagem e distribuição. 
 
Recipiente resistente à luz 
•Aquele que protege o conteúdo dos efeitos da luz. 
 
Recipiente dose única 
•Aquele recipiente desenvolvido para acondicionar 
uma quantidade do produto farmacêutico destinado à 
administração como dose única ou um único recipiente 
final destinado ao uso imediato após sua abertura. 
 
Recipiente multidose 
•Aquele que contém uma quantidade suficiente de 
produto para duas ou mais doses. 
Recipiente selado 
•Trata-se de um recipiente fechado por fusão do 
material que o constitui. 
 
Recipiente com lacre inviolável 
•Recipiente fechado, provido de um dispositivo 
especial que revela, sem lugar para dúvidas, se o 
mesmo foi aberto. 
 
Embalagem primária: 
Acondicionamento que está em contato direto com o 
produto e que pode se constituir em recipiente, 
envoltório ou qualquer outra forma de proteção, 
removível ou não, destinado a envasar ou manter, 
cobrir ou empacotar matérias-primas, produtos 
semielaborados ou produtos acabados. 
- Recipientes primários são normalmente feitos de: 
•vidro; •plástico; •materiais laminados flexíveis; 
•metal. 
 
Embalagem secundária: 
É a embalagem que protege a embalagem primária 
para o transporte, armazenamento, distribuição e 
dispensação. 
A embalagem secundária pode estar ou não presente. 
Pode ser utilizada para apresentação comercial final do 
produto e ser usada para acondicionar a bula. 
•Normalmente é de papel cartonado. 
 
3. Fatores que influenciam na escolha da 
embalagem de medicamentos 
No passado, produto e embalagem eram tratados 
como entidades separadas no contexto farmacêutico. 
A escolha da embalagem era decidida no último estágio 
do desenvolvimento farmacêutico. 
Hoje, essa escolha é considerada sempre em 
associação ao produto, observando-se aspectos 
técnicos, funcionais e comerciais. 
 
 
Dentre os diversos fatores que influenciam na escolha 
da embalagem, podemos citar: 
- Tipo de forma farmacêutica (pó, comprimido, cápsula, 
supositório, suspensão) 
- Estado físico (sólido, líquido ou gasoso) 
- Compatibilidade química com o material da 
embalagem 
- Via ou modo de administração ou uso 
- Forma de venda 
- Nicho de mercado a que se destina 
-Modo de dispensação 
- Perfil de estabilidade do fármaco veiculado 
-Esterilidade 
- Sistema de distribuição 
- Segurança (ex.: tampa com sistema de travas 
resistente a crianças) 
 
4. Atributos básicos ideais de uma embalagem 
Estar limpa, sanitizada ou estéril, quando aplicada. 
Ser inerte: não interagir fisicamente e ou 
quimicamente com a preparação. 
Ser capaz de preservar a pureza, teor ou 
concentração, integridade e estabilidade da 
matéria-prima ou preparação acondicionada. 
 
5. Materiais de embalagem 
Diferentes tipos de materiais são empregados na 
fabricação de recipientes para produtos farmacêuticos. 
A maioria dos recipientes é geralmente constituída de 
um único material e em algumas vezes pela 
combinação de diferentes materiais. 
 Os principais materiais utilizados são: papel, 
vidro, metal, plástico 
 
5.1. Papel e laminados 
O papel tem sido utilizado em uma variedade de 
recipientes para uso farmacêutico: 
→ desde envelopes utilizados para acondicionar alguns 
poucos comprimidos ou pequenas quantidades de pós; 
→ até tambores de fibra com capacidade para dezenas 
de quilos. 
Entretanto, poucos recipientes de papel oferecem 
adequada proteção contra a umidade ou o ar. 
Por esse motivo, atualmente o papel tem sido usado 
basicamente como embalagem secundária (ex.: caixas 
de papel cartonado). 
Seu uso como embalagem primária tem sido 
desmotivado pela baixa proteção frente às condições 
atmosféricas. 
Contudo, é possível modificar o papel através de 
revestimento com: 
 → plástico; 
→ folhas de metal (ex.: papel alumínio); 
→ ceras ou outros materiais que aumentem suas 
propriedades de barreira. 
Tais tipos de papéis revestidos poderiam ser 
considerados adequados para embalagem primária de 
preparações farmacêuticas. 
De fato, envelopes de papel com revestimento 
plástico, envelopes laminados com revestimento 
plástico (ex.: sachê de alumínio) e papel alumínio têm 
sido amplamente empregados na embalagem primária 
de diversas formas farmacêuticas (ex.: pós, granulados, 
comprimidos, tabletes, supositórios, pastilhas, 
emulsões, soluções, etc). 
 
5.2. Vidro 
Recipientes de vidro são amplamente empregados no 
envase de produtos farmacêuticos, incluindo 
praticamente todas as formas farmacêuticas, de pós a 
soluções parenterais estéreis. 
O vidro possui qualidade protetora superior, estando 
disponível em vários tamanhos, cores e formatos. 
É quimicamente inerte, impermeável, forte e rígido. 
É aprovado pelos compêndios e órgãos oficiais para 
utilização com fins farmacêuticos. 
É estável, não deteriorando em condições ambientais 
extremas. 
Protege a preparação farmacêutica contra fatores 
ambientais que poderiam promover sua degradação. 
Existem algumas desvantagens associadas ao uso de 
recipientes de vidro. 
O material é frágil e pesado, gerando um aumento de 
gastos com embalagens protetoras e com despesas de 
expedição e transporte. 
Além disso, o vidro apresenta um custo maior se 
comparado ao plástico. 
Embora ainda seja amplamente empregado e 
considerado um material nobre, o vidro está sendo 
rapidamente substituído pelo plástico atualmente. 
Existem basicamente quatro tipos de vidro para uso 
farmacêutico: 
 Tipo I, Tipo II, Tipo III, NP (não parenteral) 
 
TIPO I 
Neutro e altamente resistente (maior durabilidade, 
dureza e resistência ao choque térmico). 
Vidro de borossilicato. 
É quimicamente inerte, sendo usado para envase de 
ácidos, álcalis e diversos tipos de solventes. 
É amplamente usado para produtos parenterais e 
demais produtos estéreis 
 
TIPO II 
Vidro sódico-cálcico com tratamento de 
desalcalinização para remoção dos álcalis de sua 
superfície. 
É um vidro quimicamente resistente, sendo 
amplamente utilizado em produtos parenterais e 
outros produtos estéreis. 
 
 
 
TIPO III 
Vidro sódico-cálcico de alcalinidade limitada. 
É um vidro não tratado, de boa resistência química. 
Ocasionalmente utilizado em produtos parenterais. 52 
 
NP (não parenteral) 
Vidro sódico-cálcico para uso em produtos de 
utilização oral ou tópica (uso geral). 
Não é utilizado para envasar produtos de uso 
parenteral. 
 
5.3. Metal 
Recipientes de metal são geralmente constituídos de 
alumínio, aço, estanho e aço revestido de estanho. 
São fortes, opacos, impermeáveis a líquidos, umidade, 
vapores, gases, odores e bactérias, bem como 
resistentes a altas e baixas temperaturas. 
A desvantagem das embalagens de metal devese ao 
fato de requererem algum tipo de revestimento para 
minimizar a reatividade com os fármacos. 
•Exemplos: revestimento acrílico, epóxi, laca, 
oleorresinas, fenólicos ou vinílicos. 
Os recipientes de metal mais usados em embalagens 
farmacêuticas são os tubos flexíveis para pomadas, 
embalagens para aerossol, pote e lata para pós do tipo 
talqueiras. 
 
•Tubos flexíveis proporcionam uma boa proteção ao 
produto frente às condições atmosféricas e ao mesmo 
tempo fornecem maior economia e conveniência ao 
consumidor. 
Eles também são mais higiênicos, pois somente o 
produto extraído é exposto à contaminação, ao 
contrário do que acontece com os potes de boca larga, 
nos quais todo o conteúdo fica exposto com a retirada 
da tampa. 
Os tubos podem ser rotulados e silcados. 
Entretanto, são facilmente perfurados e, durante o 
uso, conforme vão sendo apertados, sua rotulagem 
tende a ficar menos legível. 
Podem também ser amassados e ter a aparência 
alterada conforme sejam armazenados.
Os tubos de estanho são mais leves, fortes e menos 
reativos que os de alumínio. 
Portanto, são mais desejáveis que os de alumínio, que 
apresentam problemas de incompatibilidade. 
Para formulações contendo princípios ativos 
reconhecidamente susceptíveis a oxidação (ex.: creme 
ou gel com hidroquinona, creme ou gel com ácido 
retinóico, creme com cetoconazol) 
↓ 
o tubo flexível de metal (bisnaga de metal) revestido 
no seu interior com material plastificantes ou com 
verniz é a embalagem de escolha 
 
5.4 Plásticos 
Podem ser definidos como um grupo de substâncias, 
de origem natural ou sintética, constituídas 
principalmente de polímeros de alto peso molecular, 
que podem ser moldadas em determinada forma ou 
formato por calor ou pressão. 
O termo plástico 
↓ 
abrange uma variedade de materiais utilizados para 
produzir recipientes rígidos ou flexíveis 
 
Plásticos 
↓ 
consistem usualmente de moléculas grandes de 
materiais orgânicos relacionados a certo número de 
blocos de moléculas referidos como monômeros 
 
 
O material é formado quando esses monômeros (que 
são moléculas relativamente pequenas) 
↓ 
são submetidos a um processo conhecido como 
polimerização 
 
 
Polimerização 
 ↓ 
 envolve a utilização de diversas substâncias químicas 
auxiliares 
↓ 
 como aceleradores, iniciadores, solventes e 
catalisadores 
 
Existem mais de cem polímeros diferentes, com 
qualidades e custos variados, que podem ser 
empregados para a fabricação de recipientes 
farmacêuticos. 
Esses polímeros podem ser classificados em duas 
categorias: 
 
 
Os plásticos são formados por uma mistura de 
compostos homólogos com uma variação de peso 
molecular. 
Podem conter ainda outras substâncias, como: 
resíduos do processo de polimerização, plastificantes, 
 
 
estabilizantes, antioxidantes, pigmentos, e 
lubrificantes. 
Os plásticos têm se transformado no material de 
embalagem farmacêutica mais popular. 
A preferência atual por esse tipo de embalagem se 
deve à: 
→ diversidade de materiais plásticos disponíveis; 
→ adaptabilidade para criar diversas formas de 
embalagem. 
Trata-se de um material forte, leve, razoavelmente 
inerte, física e quimicamente resistente e pode ser 
feito de vários polímeros para aplicações específicas. 
Entretanto, são geralmente inferiores ao vidro em 
termos de inércia química, resistência ao calor e 
impermeabilidade. 
Vários plásticos podem ser afetados por solventes, 
todos são em algum grau permeáveis à umidade e 
gases e praticamente todos são amolecidos com a 
exposição ao calor relativamente baixo. 
Os plásticos comuns mais utilizados como embalagens 
de preparações farmacêuticas são: Polietileno (baixa 
densidade, alta densidade); Poliestireno; 
Polipropileno; Cloreto de polivinila (PVC); Polietileno 
tereftalato (PET). 
Problemas com embalagem de plástico 
Geralmente, os problemas mais comuns com 
embalagens plásticas são: 
→ Permeabilidade, lixiviação, sorção, reatividade com 
os componentes do produto envasado e alteração das 
propriedades do plástico. 
 
PERMEABILIDADE 
Trata-se da transmissão de gases, vapores ou líquidos 
através da embalagem plástica. 
Pode favorecer a hidrólise e oxidação do produto 
envasado. 
 
LIXIVIAÇÃO 
É quando um ingrediente da embalagem migra para o 
produto envasado. 
Isso é relativamente comum em embalagens de PVC 
que contenham plastificantes, tal como o 
dietilhexilftalato (DEHP). 
O DEHP pode migrar da embalagem para a solução do 
produto. 
 
SORÇÃO 
Resulta na perda de uma droga (princípio ativo) de uma 
forma farmacêutica: 
→ por adsorção (fixação da substância na superfície do 
plástico) 
Ou 
 → por absorção pelo plástico da embalagem. 
 
*Uma das maiores desvantagem do plástico é o fato de 
permitir a oxidação de fármacos sensíveis. 
 
Formas farmacêuticas e embalagens sugeridas: 
 
 
 
Calibrações de embalagens: 
- Calibração de frasco conta-gotas: Frequentemente, a 
gota é empregada como unidade de medida de um 
medicamento. O tamanho da gota é influenciado: → 
densidade do líquido; 
→ temperatura; 
→ tensão superficial; 
→ diâmetro e abertura da extremidade do gotejador; 
→ ângulo de gotejamento 
 
 
 
Fabricantes de medicamentos 
↓ 
normalmente fornecem os conta-gotas e gotejadores 
especialmente calibrados para seu produtos 
 
Contudo, em diversas situações, incluindo no contexto 
da farmácia magistral, o profissional de saúde tem a 
necessidade de calibrar o conta-gotas ou outro 
dispositivo gotejador para medida de pequenas 
quantidades do produto líquido. 
Procedimento para calibração de conta-gotas e outros 
dispositivos gotejadores 
1. Contar o número de gotas requerido para transferir 
um volume de 2 mL do líquido do produto de sua 
embalagem original (utilizando seu respectivo conta-
gotas ou gotejador) para uma proveta graduada de 5 
mL. 
2. Dividir o número de gotas gasto por 2, e então 
teremos o número de gotas dispensado por mL. 
3. O volume dispensado por gota, poderá ser calculado 
por regra de três, conforme demonstrado no exemplo 
a seguir. 
 
 
 
 
 
- Calibração válvula spray: Na utilização de embalagem 
com válvula spray, a dispensação da dose posológica 
correta é estabelecida em função do volume 
dispensado por cada jato. 
Portanto, é importante a calibração da válvula utilizada 
em função da preparação que será dispensada de 
forma a averiguar o volume e a dose equivalentes por 
jato. A calibração de válvulas spray pode ser facilmente 
realizada através da pesagem do recipiente com a 
solução dispensada. 
Deve-se considerar e manter constantes as seguintes 
variáveis: 
→ a pressão realizada nas paredes do recipiente; 
→ o tempo de pressão que é aplicado; 
→ a posição correta do recipiente em função do modo 
de aplicação. 
- Em uma balança analítica, pese o recipiente spray 
com a solução que será dispensada e anote o valor. 
- Segure o recipiente na posição correta de uso e acione 
10 jatos em um saco plástico. 
- Pese novamente o recipiente, subtraia do peso inicial 
e divida por 10. 
- Esse procedimento fornecerá o volume “aproximado” 
dispensado por cada jato spray, levando em 
consideração uma densidade específica de 1,0. 
- Para compensar as diferenças na densidade 
específica, viscosidade etc.; uma alternativa correta 
seria preparar uma solução “branco”, contendo todos 
os ingredientes da formulação, exceto o ativo. 
 
Exemplo de cálculo: 
Supondo que o volume dispensado em 10 jatos seja 
equivalente a 1,5 mL de uma solução spray de lidocaína 
a 10%. 1. Qual seria o volume da solução dispensada 
por jatos? 2. Qual a quantidade de lidocaína 
dispensada por jato? 
 
 
 
 
 
- Incompatibilidades físicas e químicas: 
As incompatibilidades compreendem os efeitos 
recíprocos entre dois ou mais componentes de uma 
preparação farmacêutica, com propriedades 
antagônicas entre si, que frustram ou colocam em 
dúvida a finalidade para qual foi concebido o 
medicamento. 
As incompatibilidades podem: 
→ prejudicar a atividade ou impedir a dose exata do 
medicamento, 
→ e influenciar no aspecto da formulação, tornando 
inaceitável até mesmo do ponto de vista estético. 
Quando se pensa em incompatibilidades em farmácia, 
deve-se pensar no sentido amplo da formulação. As 
incompatibilidades podem se desenvolver entre: 
I. As substâncias ativas; 
II. As substâncias adjuvantes (excipientes) da 
formulação; 
III. As substâncias ativas e as adjuvantes; 
IV. Uma ou outra e o material da embalagem ou 
impurezas. 
 
Segundo a sua origem e manifestação, as 
incompatibilidades medicamentosas podem ser 
classificadas em: 
1. Incompatibilidades físicas (também 
denominadas incompatibilidades 
farmacêuticas); 
2. Incompatibilidades químicas; 
3. Incompatibilidades terapêuticas (também 
denominadas incompatibilidades 
farmacológicas). 
Devido à extensão do assunto, serão abordadas as 
incompatibilidades químicas e físicas de maior 
importância e de possível interesse à farmácia 
magistral. 
 
 Incompatibilidades físicas: Formulações com 
incompatibilidades
físicas se caracterizam pela 
não uniformidade, podem ser desagradáveis 
ao paladar e podem representar um risco 
potencial de doses não uniformes. As 
incompatibilidades físicas ou farmacêuticas 
podem ser classificadas nos seguintes tipos: 
- Solução incompleta: Ocorre quando duas ou mais 
substâncias são combinadas e a mistura não resulta em 
um produto homogêneo, devido à imiscibilidade ou 
insolubilidade. Algumas vezes o problema é resultante 
da prescrição de um solvente ou veículo errado, bem 
como em quantidade insuficiente. Exemplos: Silicones 
são imiscíveis em água; Gomas são insolúveis em 
álcool; Resinas são insolúveis em água. Estratégias para 
correção: aquecimento; filtração (somente é permitida 
se o material não dissolvido for dispensável); trocar o 
veículo; aumentar o solvente ou veículo; adicionar um 
solvente. 
- Precipitação: Ocorre, geralmente, quando uma 
substância precipita em uma solução devido à adição 
 
 
de outro solvente, no qual ela é insolúvel, a esta 
solução. Exemplos: Resinas são frequentemente 
precipitadas em soluções alcoólicas quando se adiciona 
água. Substâncias mucilaginosas e albuminosas em 
soluções aquosas precipitam quando se adiciona 
álcool. Soluções coloidais frequentemente se 
precipitam com a adição de eletrólitos. Substâncias de 
soluções saturadas podem precipitar com a adição de 
outra substância. 
- Separação de líquidos imiscíveis: Óleos dissolvidos 
em álcool se separam com a adição de água. Soluções 
alcoólicas de compostos orgânicos podem ter 
separação de fases se altas concentrações de sais 
inorgânicos forem adicionadas. 
- Liquefação de ingrediente sólido: Algumas vezes, 
misturas de sólidos se liquefazem através da formação 
de misturas eutéticas (sólidos separados, mas quando 
se misturam liquefazem), ou devido à liberação de 
água de hidratação. Exemplo: 
Sulfato de sódio deca-hidratado .....................90 g 
Bicarbonato de sódio ......................................30 g 
Cloreto de potássio .........................................15 g 
Nesta formulação, a liquefação ocorre devido à água 
de cristalização do sulfato de sódio. Esta 
incompatibilidade poderia ser evitada utilizando-se 
quantidade equivalente de sulfato de sódio na forma 
anidra. Exemplos de substâncias que contêm água de 
cristalização: alúmen, sulfato de atropina, cafeína, 
cloreto de cálcio, lactato de cálcio, ácido cítrico, 
codeína, fosfato de codeína, sulfato de cobre, sulfato 
ferroso, bromidrato de escopolamina, acetato de 
sódio, carbonato de sódio, sulfato de sódio, sulfato de 
zinco, hidrato de terpina. Problemas similares podem 
ocorrer em substâncias que absorvem a umidade do ar 
durante a mistura ou armazenagem em área úmida. 
Exemplos: Sais de amônio (acetato, cloreto, brometo, 
iodeto, sulfato), brometo de cálcio, cloreto de cálcio, 
cloreto de cobalto, sulfato de efedrina, bromidrato de 
hiosciamina, sulfato de hiosciamina, citrato de ferro e 
amônio, carbonato de lítio, pepsina, fenobarbital 
sódico, pilocarpina, acetato de potássio, citrato de 
potássio, brometo de sódio, iodeto de sódio, hidróxido 
de sódio, cloreto de magnésio, cloridróxido de 
alumínio. Substâncias eutéticas também podem 
produzir liquefação através da redução do ponto de 
fusão, quando combinadas intimamente. Exemplos: 
AAS, betanaftol, cânfora, hidrato de cloral, mentol, 
fenol, fenilsalicilato e timol. 
- Prescrição incorreta da forma farmacêutica: Ocorre 
quando o prescritor prescreve uma forma 
farmacêutica incorreta para uma preparação 
farmacêutica. Exemplos: Problema organoléptico 
(preparação com sabor desagradável que dificulta a 
adesão do paciente ao tratamento medicamentoso). 
Substância insolúvel no veículo e solvente (neste caso, 
torna-se necessário a mudança do veículo ou da forma 
farmacêutica). 
 
 Incompatibilidades químicas: As 
incompatibilidades químicas caracterizam-se 
pela transformação parcial ou total das 
substâncias associadas, formando compostos 
secundários, com novas propriedades 
químicas e, consequentemente, novas 
propriedades farmacodinâmicas. 
 
Esta classe de incompatibilidade merece maior 
atenção 
↓ 
não só por ser a mais frequente 
↓ 
como também pelos grandes prejuízos que podem 
afetar a reputação do médico, do farmacêutico que 
prepara o medicamento e, acima de tudo, as 
condições do paciente 
 
A associação de substâncias incompatíveis podem: 
causar acidentes (ex. explosões, vapores tóxicos); 
formar produtos tóxicos; causar inativação total ou 
perda parcial da atividade farmacológica. 
As incompatibilidades químicas podem ser 
classificadas nos seguintes tipos: 
 Formação de compostos muito pouco solúveis: 
Precipitação de ácidos e bases fracas pouco 
solúveis devido à alteração do valor do pH 
Precipitação devido à adição do mesmo íon já 
presente na formulação Precipitação devido à 
formação de sais muito pouco solúveis. 
Precipitação de ácidos e bases fracas pouco 
solúveis devido à alteração do valor do pH: As 
precipitações condicionadas pelo pH formam-
se, principalmente, com adição de sais de 
reação ácida ou básica a soluções 
medicamentosas. Prever e compreender as 
reações de incompatibilidades requer o 
conhecimento das condições de pH 
compatíveis com os componentes da 
formulação. Ocorrem em preparações que se 
apresentam como solução saturada ou quase 
saturada, podendo produzir precipitação pela 
adição de sais que contenham um íon comum 
da formulação, o qual diminui a solubilidade do 
sal. 
Exemplo: 
→ precipitações em soluções que contenham 
substâncias na forma de cloridratos e que são 
isotonizadas com cloreto de sódio. 
Ocorre devido à reação iônica entre os 
componentes de uma formulação, que provoca a 
formação de um sal insolúvel ou pouco solúvel, 
 
 
que, por diminuição da solubilidade do produto 
resultante, provoca precipitação ou turbidez. 
Frequentemente, a aparição de um precipitado é 
resultado de uma reação química. 
Exemplos: 
a- Formação de sais alcaloídicos muito pouco 
solúveis: Os alcaloides são normalmente 
utilizados na forma de cloridratos ou nitratos. 
A adição de íons de halogênio (ex.: íons de iodo 
ou bromo) leva à precipitação, pois há 
formação de compostos correspondentes 
dificilmente solúveis (ex.: iodoidratos e 
bromidratos alcaloídicos). Salicilatos, 
acetatos, benzoatos, tanatos (taninos) e 
citratos também levam à formação de sais 
alcaloídicos dificilmente solúveis. 
b- Formação de sais muito pouco solúveis de 
bases sintéticas nitrogenadas, especialmente 
misturas de amônio quaternário: Exemplos: 
cloreto de benzalcônio e cloreto de 
cetilpiridínio com nitratos, salicilatos e iodetos 
formando precipitados. Os sais de benzalcônio 
são incompatíveis com a fluoresceína sódica 
utilizada no preparo de colírios para 
diagnóstico, com os sais de benzilpenicilina e 
com o laurilsulfato de sódio. 
c- Formação de compostos muito pouco solúveis, 
com tensoativos aniônicos: Exemplos: o 
laurilsulfato de sódio, como outros tensoativos 
aniônicos, é incompatível e forma precipitado 
insolúvel com substâncias catiônicas, como 
cloridrato de efedrina, fosfato de codeína, 
cloridrato de procaína, cloridrato de tetracaína 
e com íons cálcio, bário e íons de metais 
pesados. 
 
 
 Reações de oxidação: O número de fármacos 
sensíveis à oxidação ou à redução é extenso. As 
reações de oxidação são prejudiciais e causam 
problemas de estabilidade no medicamento. 
Quimicamente, a oxidação envolve a perda de 
elétrons de um átomo ou de uma molécula. 
Cada elétron perdido é aceito por algum outro 
átomo ou molécula, de tal modo a promover a 
redução do átomo ou molécula recipiente. Em 
compostos inorgânicos, a oxidação é 
acompanhada por um aumento da valência de 
um elemento – por exemplo: o íon ferroso 
(Fe+2 ) oxidando para íon férrico (Fe+3 ). Em 
compostos orgânicos, o processo de oxidação 
frequentemente envolve a perda de 
hidrogênio da molécula (de-hidrogenação). A 
degradação de fármacos por oxidação envolve 
a presença de oxigênio e ocorre sob 
determinadas
condições. O oxigênio existe não 
só sob a forma de oxigênio molecular (O2 ), 
mas também como um dirradical (:O – O:). Esta 
espécie de dirradical possui 2 elétrons 
desemparelhados, os quais podem iniciar 
reações em cadeia, podendo resultar na 
quebra de moléculas do fármaco. Esta reação 
ocorre principalmente com a presença de 
catalisadores, como íons de metais, peróxidos, 
luz e calor. A autooxidação é uma reação 
espontânea, ocorrendo sob condições 
ambientais de exposição ao oxigênio 
atmosférico. Classes de drogas susceptíveis à 
oxidação e exemplos de fármacos: 
1- Substâncias fenólicas: morfina, fenilefrina, 
hidroquinona, resorcinol, paracetamol e 
salbutamol. 
2- Catecolaminas: epinefrina (adrenalina), 
noradrenalina. 
3- Compostos poli-insaturados: óleos, gorduras, 
vitaminas lipossolúveis, ácido retinoico e 
isotretinoína. 
4- Fenotiazínicos (tio éteres): clorpromazina, 
prometazina, trifluoperazina, tioridazina e 
flufenazina. 
5- Substâncias esteroidais: corticosteroides. 
6- Oleofinas (alcenos): compostos alifáticos com 
duplas ligações. 
7- Antidepressivos tricíclicos: amitriptilina, 
imipramina. 
8- Estatinas: lovastatina, pravastatina, 
sinvastatina. 
9- Substâncias com grupo sulfidrila, R-SH: 
captopril. 
10- Outros: anfotericina B, nitrofurantoína, 
tetraciclina, furosemida, ergotamina, 
sulfacetamida, etc. 
Fatores que afetam a velocidade de oxidação: Presença 
de oxigênio; Luz; Presença de íons de metais pesados; 
Temperatura (a reação de oxidação se processa em 
maior velocidade com o aumento da temperatura), pH 
(normalmente a oxidação é mais intensa em meio 
alcalino por aumento de íons hidroxila); Presença de 
outras substâncias que podem atuar como agentes 
oxidantes. 
 
Estratégias possíveis para proteção frente à oxidação: 
 Proteção do produto ou fármaco (matéria-
prima) contra a ação do oxigênio: Utilização de 
gás inerte de nitrogênio. Limitação do efeito do 
oxigênio atmosférico pela utilização de 
embalagens menores e completamente 
cheias, sem espaço para o ar (redução do 
headspace). 
 
 
 Proteção contra a luz: Utilização de 
embalagens fotorresistentes, como frascos de 
vidro âmbar. 
 Utilização de agentes sequestrantes na 
formulação: Utilização de quelantes de metais 
pesados (catalisadores de reações de 
oxidação), como os sais de EDTA. 
 Adição de antioxidantes: BHT (butil-
hidroxitolueno), BHA (butil-hidroxianisol), 
acetato de tocoferol (vitamina E), palmitato de 
ascorbila, propilgalato para sistemas oleosos. 
Ácido ascórbico (vitamina C), bissulfito de 
sódio, metabissulfito de sódio, tiossulfato de 
sódio, cloridrato de cisteína para sistemas 
aquosos. 
 Controle da temperatura de armazenamento: 
Geralmente a velocidade do processo 
oxidativo é mais rápida sob temperatura 
elevada e pode ser retardada se determinado 
produto sensível for estocado sob 
refrigeração. 
 Controle do pH da formulação: A oxidação é 
frequentemente favorecida pelo pH alcalino. 
Deve-se tomar cuidado ao adicionar alguma 
substância em uma formulação que contenha 
algum componente sujeito à oxidação, 
devendo-se monitorar o pH no final da 
manipulação da fórmula e efetuar ajustes no 
pH, se necessário. 
 
 Redução: Uma espécie química (átomo ou 
molécula) é reduzida quando ganha elétrons. 
As reações de redução têm importância 
relativamente menor como fenômenos 
originadores de incompatibilidade. 
Exemplo: formação de prata e mercúrio elementar a 
partir dos sais correspondentes em presença de 
agentes redutores inorgânicos. São também 
conhecidas as transformações de medicamentos 
sensíveis à redução com ácido ascórbico, tióis, fenóis e 
outros. 
 
 Fotólise ou fotodegradação: É a catálise pela 
luz de reações de degradação, principalmente 
a reação de oxidação. Uma variedade de 
mecanismos de decomposição pode ocorrer 
da absorção da energia da radiação luminosa 
pela molécula de uma substância. A captação 
da luz por uma molécula produz sua ativação, 
a partir da qual: → a molécula ativada pode 
emitir energia de frequência diferente da 
recebida (fenômeno denominado 
fluorescência ou fosforescência); → pode 
provocar a decomposição da molécula 
(fotólise). As reações de fotodegradação 
dependem tanto da intensidade como do 
comprimento de onda da luz. Quanto maior for 
a intensidade da luz, maior será a velocidade e 
o grau de fotodegradação. A luz UV é mais 
deletéria que a luz visível, portanto, os raios 
solares são mais deletérios do que os 
provenientes da luz fluorescente. Um grande 
número de fármacos é sensível à luz e 
vulnerável à degradação fotolítica, como: 
anfotericina B, nifedipina, furosemida, 
vitamina A, hidrocortisona, prednisolona, 
ácido fólico, etc. 
 
 Hidrólise: A hidrólise é um processo de 
solvólise no qual a molécula (fármaco) interage 
com moléculas de água, se decompondo. 
 
O processo de hidrólise é provavelmente a causa mais 
importante de decomposição de fármacos 
↓ 
devido ao grande número de substâncias de uso 
medicinal que são ésteres ou que contêm outros 
grupamentos, como amidas substituídas, lactonas e 
anéis lactâmicos, os quais são susceptíveis à 
degradação hidrolítica 
 
Classes de fármacos susceptíveis à hidrólise e 
exemplos: 
1- Ésteres: Anestésicos locais, tais como a 
procaína, benzocaína e a tetracaína, ácido 
acetilsalicílico, alcaloides da beladona 
(atropina). 
2- Ésteres cíclicos ou lactonas: Varfarina, 
nistatina, digoxina, digitoxina, pilocarpina e 
ácido ascórbico. 
3- Tioésteres: Espironolactona. 
4- Amidas: Nicotinamida, paracetamol e 
procainamida. 
5- Imidas: Fenitoína, barbitúricos e riboflavina. 
6- Amidas cíclicas: Penicilina e cefalosporinas. 
7- Carbamatos (uretanos): Carbacol, neostigmina 
e carbimazol. 
8- Acetal: Digoxina e aldosterona. 
9- Tioacetal: Lincomicina e clindamicina. 
10- Ésteres sulfato: Heparina. 
11- Ésteres fosfato: Fosfato sódico de 
hidrocortisona. 
12- Iminas: Diazepan e pralidoxima. 
Exemplo de reação de hidrólise: 
 
 
 
Fatores que afetam a velocidade da hidrólise: Presença 
de água no veículo, excipiente ou na própria matéria-
prima; pH; Presença de ácidos e bases (citratos, 
acetatos, fosfatos), que são frequentemente usados 
como tampões; Concentração da droga; Temperatura; 
Presença de outros componentes que podem catalisar 
a hidrólise. 
 
Estratégias para manipulação de drogas sujeitas à 
hidrólise: Controle da exposição de drogas sólidas à 
umidade com o uso de recipientes hermeticamente 
fechados e de dessecantes. 
 
Controle do pH de formulações aquosas: Checar o pH 
de todas as soluções de fármacos que serão 
combinadas, bem como do produto final, adequando-
o ao pH ideal se preciso for. Checar referências 
apropriadas para possíveis efeitos negativos de ácidos 
e bases em geral sobre os fármacos: Se estes fatores 
puderem acelerar o processo de hidrólise, devem ser 
evitados. Considerar a concentração da droga como 
um fator importante: → Exemplo – a velocidade da 
degradação hidrolítica de suspensões aquosas com 
ampicilina sódica aumenta com o aumento da sua 
concentração. 
 
Temperatura de armazenamento: → A velocidade de 
hidrólise é maior em temperatura elevadas e pode ser 
retardada através do armazenamento de produtos 
sensíveis sob refrigeração. 
 
 Complexação: Moléculas de um composto 
ativo podem interagir reversivelmente com 
excipientes ou outros ingredientes da 
formulação formando complexos os quais 
apresentam propriedades físico-químicas 
diferentes do composto de origem. A 
tetraciclina é um exemplo clássico de droga 
que é inativada por complexação. Esta reação 
ocorre com íons multivalentes, tais como íons 
cálcio, magnésio, ferro e alumínio. A 
tetraciclina não deve ser misturada com outras 
substâncias que contenham alguns destes íons 
multivalentes. 
 
Interação excipiente-excipiente: Parabenos podem ser 
inativados em complexos com derivados de 
polietilenoglicol. Povidona pode formar complexos 
com outros excipientes (ex.: com corantes aniônicos ou 
catiônicos) ou com determinados fármacos
como 
cloridrato de clorpromazina e cloranfenicol. O amido 
pode formar complexos com drogas ácidas e com 
alguns outros adjuvantes, tais como ácido benzoico e 
ácido salicílico. 
 
 Reações de esterificação e substituição: 
Devido à baixa velocidade desta reação, os 
produtos da incompatibilidade só são 
detectáveis analiticamente, em geral, após 
certo tempo de armazenamento. Exemplos: 
→ formação de acetato de prednisolona a partir de 
prednisolona base na presença do ácido acetilsalicílico; 
→ produção de um glicosídeo de procaína (sem 
atividade anestésica) em soluções de cloridrato de 
procaína que contenham glicose; 
 
Os bissulfitos, amplamente utilizados como 
antioxidantes, dão lugar a reações de substituição de 
menor valor 
↓ 
originam produtos finais sulfonados de escassa 
atividade fisiológica 
↓ 
a adrenalina, por exemplo, reage com os íons sulfito 
originados a partir do bissulfito, perdendo grande 
parte da sua atividade farmacológica 
 
 Outras interações químicas: Pode haver 
liberação de dióxido de carbono (CO2 ) oriundo 
de reações tais como a da mistura de 
bicarbonatos ou carbonatos com ácidos ou 
substâncias fortemente ácidas, podendo até 
mesmo causar explosões. Composições com 
ácido acetilsalicílico associado à fenilefrina: 
→ o ácido acético formado pela hidrólise do 
ácido acetilsalicílico pode interagir com a 
fenilefrina formando um composto acetilado; 
→ trans acetilação também pode ocorrer entre 
o ácido acetilsalicílico e o paracetamol. 
 
Uma incompatibilidade comum, que pode ser 
exacerbada após o aquecimento a altas temperaturas 
de formas sólidas, é a Reação de Maillard 
↓ 
reação entre grupos aldeídicos da glicose (ou outros 
açúcares reduzidos) e aminas primárias (ex.: 
aminoácidos, anfetaminas) 
↓ 
formando produtos amarronzados 
 Incompatibilidades químicas entre fármacos e 
alguns excipientes: A estabilidade química de 
um fármaco pode ser reduzida caso seja 
incorporado a um excipiente inadequado ou a 
coadjuvantes farmacotécnicos incompatíveis. 
Foram relacionados seis tipos principais de 
interações químicas entre ingredientes ativos e 
excipientes: Ingredientes ativos com funções 
químicas de aminas primárias (ex.: 
aminoácidos, clorfeniramina, derivados 
anfetamínicos) irão permitir a ocorrência da 
 
 
reação de Maillard com açúcares redutores. 
Aminas secundárias podem interagir com 
açúcares redutores (ex.: fluoxetina + lactose). 
→ Contudo, a reação não forma iminas e não 
há desenvolvimento de coloração. Ésteres (e 
alguns outros compostos) podem ser 
susceptíveis à hidrólise em pH baixo ou, 
principalmente, alto, ou na presença de metais 
alcalinos ou sais alcalinos ferrosos. 
→ A hidrólise de ésteres pode ser catalisada 
pela presença de íon sódio ou magnésio. 
Aminas primárias podem reagir com 
excipientes que contêm dupla ligação (ex.: 
mono-oleato de sorbitana). 
Formação de lactona devido à proximidade de 
heteroátomos e um átomo de hidrogênio ativo 
na molécula (ex.: benzeprila). 
Certos ingredientes ativos são susceptíveis à 
oxidação (ex.: atorvastatina). → O dióxido de 
silício (Aerosil®) pode promover tais reações 
de oxidação. 
 
 Incompatibilidades e estabilidade de vitaminas 
em preparações farmacêuticas: As vitaminas 
nos alimentos estão em contato com 
antioxidantes naturais que as estabilizam, 
como os bioflavonoides e outras vitaminas 
também presentes. Já as vitaminas sintéticas, 
sem esta proteção, demonstram-se muito 
instáveis quando incorporadas a preparações 
farmacêuticas, destacadamente nas formas 
líquidas, como as soluções e suspensões. 
 
A degradação das vitaminas é acelerada: 
→ pela presença de oxigênio; 
→ pela luz; 
→ pelo aumento da temperatura; 
→ pela presença de água; 
→ pela presença de metais catalisadores de reações de 
oxidação e redução, como ferro e cobre. 
 
Outro fator relevante que pode afetar a estabilidade de 
algumas vitaminas é a possibilidade de interação 
química entre algumas delas quando associadas, o que 
as leva à sua degradação. Pelo fato de as vitaminas 
apresentarem desejáveis efeitos farmacológicos 
sinérgicos entre si, a prescrição de polivitamínicos é 
comum na terapêutica. Portanto, o farmacêutico 
encontra aqui um problema farmacotécnico na 
conciliação entre: os diferentes perfis de estabilidade 
apresentados pelas diversas vitaminas e a 
conveniência terapêutica de associá-las em uma 
mesma forma farmacêutica, além da vulnerável 
condição de estabilidade quando observadas de modo 
isolado. 
 
Para a elaboração de uma formulação vitamínica 
estável 
↓ 
é importante que o farmacêutico faça um estudo pré-
formulação, levando em consideração as 
características físico-químicas das vitaminas 
↓ 
como o pH de maior estabilidade, a termolabilidade e 
as interações químicas possíveis entre as vitaminas 
entre si e entre elas e o veículo ou adjuvantes 
farmacotécnicos 
 
Após este estudo, deve-se fazer a seleção criteriosa do 
veículo reduzindo ao máximo o teor de água da 
formulação (substituindo em parte por líquidos 
newtonianos anidros, como a glicerina e o 
propilenoglicol), escolhendo o sistema conservante, 
antioxidante e sequestrante adequados. Para a 
formulação de vitaminas facilmente oxidáveis, pode 
ser necessário trabalhar com atmosfera de gás inerte 
(ex.: N2 ), que pode ser borbulhado na preparação com 
o objetivo de retirar o O2 incorporado no processo de 
manipulação ou nos componentes da mesma. Após o 
preparo, a formulação deve ser envasada em 
embalagem que a proteja contra a atmosfera e a luz, 
lembrando que muitas embalagens plásticas são 
permeáveis ao oxigênio e à vapores, permitindo a 
entrada de oxigênio e evaporação de parte do veículo. 
Portanto, para formulações magistrais, o frasco de 
vidro âmbar seria uma das embalagens de escolha para 
preparações vitamínicas. Deve-se ressaltar também a 
escolha de embalagem cuja capacidade volumétrica 
esteja próxima do volume da formulação, de maneira 
que haja o menor espaço possível entre o produto e a 
tampa da embalagem, diminuindo o headspace. Se 
possível, purgar o frasco com gás inerte (N2 ), 
reduzindo o nível de oxigênio presente dentro da 
embalagem. A manipulação de formas farmacêuticas 
contendo vitaminas é crítica, devendo o farmacêutico 
estar atento aos fatores que afetam sua estabilidade. 
 
O Quadro 1 relaciona as principais vitaminas e os 
fatores que afetam a estabilidade, bem como 
incompatibilidades químicas: 
 
 
 
 
 
- Armazenamento de matérias-primas e preparações 
magistrais: 
 
 Aspectos gerais: Uma preparação 
farmacêutica pode ser inutilizada ou se tornar 
terapeuticamente perigosa caso venha a se 
degradar devido a um armazenamento em 
condições inapropriadas. Isso pode acontecer 
independentemente de como ela seja bem 
formulada e preparada. Matérias-primas e 
produtos farmacêuticos estão sujeitos a 
condições de armazenamento extremas 
durante o seu transporte: 
 
FORNECEDOR -> FARMÁCIA -> CONSUMIDOR 
 
O efeito das condições de armazenamento na 
estabilidade é bem conhecido 
↓ 
e o farmacêutico precisa estar atento a essas 
condições, ao transporte e à distribuição das 
matérias-primas e preparações farmacêuticas 
↓ 
de forma a evitar a exposição destas à temperaturas 
extremas, umidade relativa, luz 
 
Tanto produtos industrializados como manipulados 
devem ser mantidos em condições ideais 
↓ 
especificadas normalmente no rótulo 
↓ 
como forma de manter ou aumentar a estabilidade 
Altas temperaturas aceleram as reações químicas de 
degradação. Portanto, o controle da temperatura e a 
sua manutenção dentro dos limites especificados são 
fundamentais para preservar a estabilidade dos 
ingredientes químicos ativos presentes no produto 
farmacêutico. O monitoramento adequado da 
temperatura no ambiente de armazenamento é 
importante. A umidade relativa alta aumenta o 
potencial para hidrólise de fármacos susceptíveis e 
frequentemente promove alterações físicas em 
matérias-primas e formas farmacêuticas sólidas. Esses 
efeitos
deletérios podem ser minimizados pelo uso de 
dessecantes (ex.: sílica gel) e/ou desumidificadores. 
 
Os pacientes devem ser advertidos para não 
armazenar medicamentos nos armários e gabinetes 
de banheiros 
↓ 
onde ocorrem grandes variações de temperatura e 
alta umidade! 
 
O monitoramento da temperatura e da umidade 
relativa pode ser realizado facilmente através do uso 
de termohigrômetros digitais, os quais registram as 
condições de máxima e mínima. A farmácia deverá 
manter registros diários da temperatura e umidade 
relativa (UR) nos laboratórios e almoxarifado. 
 
De modo geral, deve-se proteger os medicamentos do 
congelamento 
↓ 
devido ao risco de quebra do recipiente de 
embalagem e perda da concentração ou potência 
↓ 
especialmente de produtos que contenham proteínas 
 
O congelamento também pode promover uma 
alteração destrutiva da forma farmacêutica, como por 
exemplo: 
→ Crescimento cristalino; 
→ Quebra de emulsões. 
 
As matérias-primas e os produtos farmacêuticos 
devem ser armazenados e conservados sob condições 
tais que evitem sua: contaminação (microbiológica, 
cruzada) ou deterioração. 
 
Substâncias voláteis e que emitem fortes odores 
↓ 
podem promover contaminação cruzada de outras 
matérias-primas ou produtos próximos 
 
 
↓ 
por absorção de vapores 
 
É recomendável manter tais substâncias em 
embalagens bem vedadas e não permeáveis a vapores. 
Além disso, é conveniente armazená-las de forma 
segregada. 
 
Substâncias líquidas devem ser mantidas separadas 
das substâncias sólidas 
↓ 
prevenindo que eventuais derramamentos ou 
emanações de vapores úmidos 
↓ 
venham afetar ou contaminar os ingredientes ou 
produtos sólidos 
 
Substâncias cáusticas, líquidas ou sólidas devem ser 
armazenadas de forma segregada das demais. É 
também recomendável que tais substâncias sejam 
dispostas na parte inferior das prateleiras, prevenindo 
assim que possíveis quedas venham promover 
acidentes com maiores consequências. As condições 
ideais de armazenamento e conservação de 
substâncias farmacopeicas estão normalmente 
descritas nas respectivas monografias. Para 
substâncias outras e demais produtos, devem ser 
observadas as recomendações do fabricante, 
normalmente relacionadas nos respectivos certificados 
de análise e/ou na rotulagem. 
 
 Definições farmacopeicas de condições de 
armazenamento, temperatura e 
acondicionamento: Alguns termos descritivos 
são relacionados nas monografias 
farmacopeicas com finalidade designativa das 
condições de armazenamento, temperatura e 
acondicionamento. Geralmente, as condições 
de armazenamento descritas nesses 
compêndios são expressas: 
→ em termos de temperatura; 
→ e, algumas vezes, em relação à luz. 
As condições de umidade relativa não são geralmente 
especificadas, subentendendo-se que o recipiente irá 
proteger o seu conteúdo da exposição à umidade. Os 
termos normalmente empregados são os seguintes: 
- Protegido da luz: Significa que a substância deve ser 
conservada em recipiente opaco ou capaz de impedir a 
ação da luz (ex.: embalagens de metal, frasco de vidro 
âmbar). 
- Protegido da poeira: Significa que a substância deve 
ser mantida em frasco arrolhado (bem vedado) e 
munido de capuz protetor. 
 
Condições de temperatura: 
- Em refrigerador (sob refrigeração, refrigerado): 
Manter em temperatura entre 2°C e 8°C. 
- Em congelador (freezer): Em temperatura entre 0°C e 
-20°C. 
- Local fresco: Ambiente cuja temperatura permanece 
entre 8°C e 15°C. 
- Local frio: Ambiente cuja temperatura não excede 
8°C. 
- Temperatura ambiente: Temperatura normalmente 
existente no local de trabalho; entre 15°C e 30°C. 
- Local quente: Ambiente cuja temperatura permanece 
entre 30°C e 40°C. 
- Calor excessivo: Indica temperaturas acima de 40°C. 
 
A menos que a monografia especifique 
diferentemente, quando um fármaco necessita ser 
conservado em local fresco, o mesmo pode ser 
conservado em refrigerador. Quando a monografia 
não especificar condições de conservação, estas 
automaticamente incluem proteção contra a 
umidade, congelamento e calor excessivo. 
 
Condições de acondicionamento: 
- Recipiente bem fechado: Aquele que protege o seu 
conteúdo de perdas e contaminação por sólidos 
estranhos, nas condições usuais de manipulação, 
transporte, armazenamento e distribuição. 
- Recipiente perfeitamente fechado (recipiente bem 
vedado): Aquele que protege o seu conteúdo de perdas 
e de contaminação por sólidos, líquidos e vapores 
estranhos, eflorescência, deliquescência ou 
evaporação nas condições usuais de manipulação, 
transporte, armazenamento e distribuição. 
- Recipiente hermético: Aquele impermeável ou ar ou 
qualquer outro gás, nas condições usuais de 
manipulação, transporte, armazenamento e 
distribuição. 
 
A Farmacopeia dos Estados Unidos menciona ainda o 
recipiente resistente à luz, o qual protege o conteúdo 
dos efeitos da luz. 
 
 Almoxarifado (área de armazenamento): Na 
farmácia, o almoxarifado compreende a área 
destinada ao armazenamento das matérias-
primas, embalagens e materiais diversos. 
Deverá haver espaço suficiente para que os 
itens a serem armazenados sejam colocados 
de forma organizada e ordenada em 
conformidade com as boas práticas. Deverá ser 
protegido da umidade e da incidência direta de 
luz. A temperatura deve ser controlada 
adequadamente e os itens deverão estar 
dispostos em armários, prateleiras ou pallets. 
 
 
O acesso ao almoxarifado deve ser restrito 
somente a funcionários autorizados. 
Infraestrutura: Piso e paredes de material liso, 
impermeável e de fácil limpeza. Ventilação adequada 
de forma a impedir a entrada de insetos, roedores e 
outros animais (ex.: uso de telas nas janelas e 
protetores nas portas). luminação e instalações 
elétricas adequadas. Temperatura condizente com as 
condições necessárias ao armazenamento das 
matérias-primas e embalagens (termômetro de 
máxima e mínima). A umidade deve ser controlada por 
hidrômetro. A temperatura e umidade devem ser 
monitoradas, controladas e registradas em ficha 
própria. 
Áreas segregadas (com identificação específica) para: 
→ recebimento; 
→ fracionamento; 
→ expedição; 
→ quarentena; 
→ produtos reprovados; 
→ produtos aprovados; 
→ produtos devolvidos. 
Local distinto, de acesso restrito (guarda de 
responsabilidade do farmacêutico) para: 
→ substâncias de baixo índice terapêutico; 
→ qualquer outra matéria-prima que venha a sofrer 
processo de diluição (ex.: colchicina, digoxina, 
levotiroxina etc). Para estas matérias-primas é 
importante que haja especificação para cuidados 
especiais e identificação diferenciada. 
 
É importante que a identificação da matéria-prima 
pura seja completamente distinta da diluída 
↓ 
para evitar possíveis acidentes decorrentes de uma 
eventual troca 
↓ 
utilização da matéria-prima pura no lugar da diluída 
com aplicação do fator de correção da diluição, 
ocasionando uma sobredose tóxica ou mesmo letal 
 
Há relatos de diversos casos de acidente dessa 
natureza com registros de óbitos. Os diluídos deverão 
ser armazenados em locais distintos da matéria-prima 
pura. Local seguro e protegido para o armazenamento 
de produtos inflamáveis, cáusticos, corrosivos e 
explosivos, seguindo as normas técnicas (ex.: armário 
resistente desenhado especificamente para esses 
produtos). 
 
Equipamentos e utensílios recomendáveis: 
Balança de precisão; Seladora; Termohigrômetro; 
Geladeira (com termômetro de máxima e mínima); 
EPIs (equipamentos de proteção individual): gorro, 
máscara e luvas; Extintor de incêndio; Prateleiras 
impermeáveis e resistentes à corrosão; Armário 
resistente com chave (para armazenamento de 
substâncias sujeitas a controle especial); Armário 
apropriado para a guarda de produtos inflamáveis: este 
armário deve ser localizado em locais distantes de 
fontes de calor ou ignição; Armário apropriado para a 
guarda de produtos cáusticos e corrosivos; Vidrarias e 
espátulas adequadas para o fracionamento das 
matérias-primas; Desumidificador;
Ar condicionado; 
Refrigerador para a conservação de produtos 
termolábeis: → manter registros diários de 
temperatura através do uso de termômetros com 
registros de máximas e mínimas; Armário fechado, de 
material, liso, resistente e de fácil limpeza para a 
guarda de matériasprimas e produtos fotolábeis e/ou 
sensíveis à umidade; Potes de plástico ou vidro âmbar, 
sacos plásticos, sacos aluminizados e etiquetas de 
identificação (vários tamanhos e capacidades). 
 
 Classificação de algumas matérias-primas para 
devidos cuidados no manuseios, organização e 
ordenação no estoque: 
 Alergênicas e/ou sensibilizantes 
 Cáusticas ou corrosivas 
 Forte odor 
 Fotossensíveis 
 Higroscópicas 
 Inflamáveis ou facilmente inflamáveis 
 Irritantes 
 
 Distribuição (transporte): A distribuição do 
medicamento manipulado pode ser realizada 
de várias formas: 
1- Cliente busca o medicamento na farmácia: O 
cliente leva o medicamento consigo 
transportando-o a pé ou através de automóvel 
(geralmente o tempo de transporte demora de 
alguns minutos a poucas horas em condições 
de temperatura variável de quente a frio). 
2- Através de serviços de entrega: Motoboy ou 
veículo da empresa (pode demorar algumas 
horas, em condições de temperatura variável 
de quente a frio). 
 
A farmácia deverá manter procedimento escritos 
sobre a conservação e transporte dos produtos 
manipulados 
↓ 
de forma a garantir a manutenção das especificações 
e integridade do medicamento 
 
O farmacêutico precisa considerar a distribuição da 
preparação no momento da determinação: 
→ da quantidade do produto que será preparada; 
→ dos recipientes que serão usados, 
 
 
→ da embalagem que será requerida; 
→ da necessidade ou não de um sistema de controle 
de temperatura para a entrega ou expedição. 
 
Produtos farmacêuticos ou farmoquímicos adquiridos 
de fornecedores qualificados deverão ser 
transportados por empresas transportadoras 
devidamente capacitadas e autorizadas pelo órgão 
sanitário. O transporte desses produtos deve ser feito 
de maneira que não se afete a identidade, integridade 
ou pureza dos mesmos. 
Empresa transportadora 
↓ 
deve dispor de infraestrutura necessária para garantir 
o desenvolvimento das atividades de transporte de 
produtos farmacêuticos ou farmoquímicos 
↓ 
considerando as suas necessidades específicas de 
conservação e outras exigências no caso de produtos 
sujeitos à controle especial 
 
Os veículos ou depósitos da transportadora devem 
estar perfeitamente limpos e isentos de qualquer 
sujeira ou odor. Não se devem transportar ou depositar 
os produtos em ambientes úmidos, sem ventilação ou 
expostos ao sol. Deve-se manter temperatura, luz e 
umidade adequadas e proteger de quaisquer outros 
fatores externos que possam afetar a qualidade, 
segurança e eficácia do produto. Manter temperatura 
controlada de acordo com a necessidade do produto, 
utilizando meios especiais para tal fim, registradores de 
temperatura e outros instrumentos que indiquem a 
sua manutenção na faixa especificada. 
As matérias-primas e produtos manipulados não 
devem ser transportados juntamente com: 
→ produtos radioativos ou tóxicos – inseticidas, 
detergentes, lubrificantes, agrotóxicos; 
→ animais; 
→ alimentos; 
→ materiais perecíveis. 
 
Medicamentos termossensíveis transportados 
↓ 
devem ser mantidos em condições de temperatura 
compatíveis com sua conservação 
↓ 
mantendo-se registros e controles 
 
Preparações termossensíveis podem ser 
acondicionadas em: 
→ caixa de isopor; 
→ bolsa térmica contendo gelo seco; 
→ bolsa de gelo artificial (ex.: gel-pack). 
 
A preparação não deve entrar em contato direto com 
o gelo para se evitar possível congelamento. A 
preparação poderá ser acondicionada no isopor (ou 
bolsa térmica) separada do contato direto com o gelo 
através da utilização de “plástico bolha” ou de um saco 
plástico insuflado de ar disposto entre o produto e o 
gelo. 
 
Termômetro com registro de máxima e mínima 
↓ 
pode ser acondicionado durante o período de 
transporte 
↓ 
para a realização do monitoramento e registro das 
condições de temperatura 
 
Dicas e sugestões para embalagem adequada para 
transporte de medicamentos manipulados através de 
serviços de entrega: 
1- Colocar algodão para preencher o espaço vazio 
de potes que contenham formas farmacêuticas 
sólidas (cápsulas, comprimidos, tabletes), 
minimizando assim os efeitos de vibrações ou 
choques. 
2- Verificar se os recipientes estão bem fechados 
e vedados para evitar possíveis 
derramamentos. 
3- Usar plástico-bolha, bolas de isopor, papel 
picado ou saco plástico insuflado de ar para 
preencher os espaços nas caixas e minimizar o 
movimento do produto acondicionado. 
4- Ao embalar um produto para transporte, 
considerar sempre que o mesmo poderá sofrer 
queda e ficar em posição não correta. 
5- Ligue antes para o cliente para assegurar que o 
mesmo estará em casa no momento da 
entrega.

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