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Farmacotécnica - Introdução: “Ciência que estuda a transformação de drogas em medicamentos”. BIOFARMÁCIA ↓ Determina as relações entre as propriedades físico- químicas dos fármacos, forma de administração e efeitos biológicos observados. FARMÁCIA CLÍNICA ↓ Com o aparecimento de novos fármacos, cada vez mais potentes, obriga a cuidados particulares no que diz respeito às incompatibilidades físicas, químicas e biológicas a que podem dar origem. Manipulação: Conjunto de operações com a finalidade de elaborar preparações magistrais e oficinais e fracionar produtos para uso humano. Preparação Magistral: É aquela preparada na farmácia para ser dispensada, atendendo a uma prescrição, que estabelece sua composição, forma farmacêutica, posologia e modo de usar. Preparação Oficinal: É aquela preparada na farmácia, cuja fórmula esteja inscrita nas farmacopeias, compêndios ou formulários reconhecidos pelo Ministério da Saúde. Forma Farmacêutica: Forma de apresentação do medicamento: comprimido, xarope, supositório. Fórmula Farmacêutica: Trata da composição do medicamento, com suas respectivas quantidades. Droga: Substância ou matéria-prima que contenha finalidade medicamentosa. Medicamento: Produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins de diagnóstico. Remédio: Todo e qualquer meio utilizado para prevenir ou tratar doenças. Dessa forma, não compreende somente medicamentos, mas também os agentes de natureza física ou psíquica a que se recorre na terapêutica. - ABREVIATURAS: aa → do grego, significa “partes iguais” f.s.a → do latim, “faça segundo a arte” q.b.p → “quanto baste para" q.s.p. → “quantidade suficiente para” q.s. → “quantidade suficiente” - Dados Históricos: - Legislação: RDC 67/2007 - Dispõe sobre Boas Práticas de Manipulação de Preparações Magistrais e Oficinais para Uso Humano em farmácias. RDC 658/2022 - Dispõe sobre as Diretrizes Gerais de Boas Práticas de Fabricação de Medicamentos. - Operações básicas e cálculos: Medidas de peso: É uma das operações mais comuns e deve ser feita em balanças apropriadas: Balança analítica – 0,0001 g Balança semianalítica – 0,001 g Volume: Os volumes devem ser rigorosamente medidos. A exatidão na medida de volume é uma habilidade adquirida pela educação e pelo treinamento do farmacêutico. Densidade: Densidade é a medida de correspondência entre peso e volume, sendo igual à massa dividida pelo volume: d = m /v. As densidades não são iguais para todos os líquidos. Existem tabelas que fornecem as densidades a 15ºC. Conversão de unidades de medida, equivalências, regra de três, porcentagem e densidade. Para composição de uma fórmula, se faz necessário: Princípio ativo: É o componente responsável pela ação farmacológica do medicamento. Coadjuvantes técnicos: Substâncias, em geral inertes, cuja função é estabilizar a fórmula em nível químico, físico ou microbiológico. Ex.: agentes suspensores (responsáveis pela manutenção da suspensão. Exemplo: gomas naturais), agentes emulsificantes (responsáveis pelo equilíbrio entre o óleo e a água. Promovem a dispersão e a mantém. Exemplos: carboximetilcelulose e polissorbato 80), agentes antioxidantes (Substâncias que evitam a oxidação. Exemplo: metabissulfito de sódio), conservantes (substâncias que evitam o desenvolvimento de fungos e bactérias. Exemplos: nipagin e nipazol), agentes espessantes (substâncias que dão maior viscosidade ao meio. Exemplos: veegum, gomas, pectina e gelatina), corretivos (substâncias usadas para corrigir o produto final quanto às suas propriedades organolépticas (cor, odor e sabor), tornando o medicamento aceitável e facilitando a diferenciação de dosagens), acidificantes (acidificam a solução, procurando obter a estabilidade. Exemplo: solução de ácido cítrico), alcalinizantes (calinizam a solução, procurando obter a estabilidade. Exemplo: solução de borato de sódio), quelantes (substâncias que formam complexos com os cristais, estabilizando-os. Exemplo: solução de EDTA), tampões (estabilizam o pH da solução. Exemplo: tampão fosfato), umectantes (Utilizados para prevenir o ressecamento da preparação. Exemplo: glicerina), tensoativos (Também chamados de surfactante, diminuem a tensão superficial. Exemplo: tween 80). Coadjuvantes terapêuticos: São substâncias que auxiliam a ação dos medicamentos. Veículos: Consiste na parte líquida da fórmula, à qual são misturados os princípios ativos. Excipientes: São integrantes que, misturados aos princípios ativos, dão volume e peso à fórmula, a fim de facilitar o trabalho de dosagem ou confecção, para pós e pastosos. Na manipulação de medicamentos são utilizados vários tipos de solventes, sendo os mais comuns: ◼ Água ◼ Álcool ◼ Glicerina ou glicol ◼ Propilenoglicol ◼ Polietilenoglicóis ◼ Éter sulfúrico ou éter etílico ◼ Benzina ◼ Clorófórmio ◼ Óleos Vegetais Corretivos utilizados em farmacotécnica: COR, SABOR, AROMA. ↓ Aspectos que melhoram a aceitação do medicamento. ↓ Podem constituir elementos de diferenciação de medicamentos e de dosagens. Corretivos da cor ou corante: Não apresentam ação farmacológica. São úteis para auxiliar na diferenciação de dosagens e dos próprios medicamentos. Além disso, é sabido que os pacientes preferem os medicamentos coloridos. O uso de corantes, porém, deve ser feito de forma criteriosa. Existe uma grande variedade de corantes. Muitos corantes são nocivos à saúde. Alguns corantes sintéticos são permitidos pela Food and Drug Administration (FDA) nos Estados Unidos para coloração de: ◼ Alimentos ◼ Medicamentos ◼ Cosméticos Alguns corretivos de cor com suas respectivas solubilidades: Os corantes devem apresentar as seguintes características: ◼ Terem composição química definida; ◼ Terem grande capacidade de coloração em concentrações mínimas; ◼ Serem estáveis em relação à luz e ao calor; ◼ Não possuírem odor e gosto desagradáveis. O limite de concentração para cada forma farmacêutica é: ◼ Emulsões pastosas – 0,001% ◼ Emulsões líquidas – 0,005% ◼ Soluções – 0,005% ◼ Suspensões – 0,005% ◼ Pós – 0,1% Corretivos de sabor e aroma: O gosto e o aroma agradáveis dos medicamentos são fundamentais para sua aceitação. A náusea provocada por cheiro ou sabor desagradável pode ainda alterar sua absorção. Mas essas características não devem ser corrigidas totalmente para não tornar o medicamento extremamente agradável ↓ Risco de superdosagem! Os corretivos de sabor e aroma se classificam em: Os Solventes mais utilizados em Farmacotécnica: - ÁGUA: Solvente mais importante ↓ Faz parte dos sistemas fisiológicos ÁGUA POTÁVEL: → Usada como matéria-prima para obtenção de água destilada e deionizada. → Usada também na extração de drogas. Segundo a Farmacopeia Brasileira: Deve satisfazer as exigências da legislação federal especializada em relação às características físicas e químicas e à pureza bacteriana. Em sua função como solvente aparece nas formas: ÁGUA DESTILADA: Água potável que passou por um processo de destilação. Utilizada na preparação de colírios, preparações dermatológicas e fórmulas líquidas de uso oral. ÁGUA ESTERILIZADA: Água destilada que foi esterilizada e acondicionada em recipientes limpos e hermeticamente fechados. Utilizada na preparação de injetáveis, podendo conter bacteriostáticos em frascos de múltiplas doses. ÁGUA PARA INJEÇÃO: Água destilada sem bacteriostáticos. ÁGUA DEIONIZADA: Água onde, através de resinas iônicas, são retirados os íons mas não é eliminada a matéria-orgânica. De preço mais acessível do que a água destilada, pode ser utilizada antes da destilação, para que a água fique menos “dura”, diminuindo o depósito no destilador. ÁGUA OBTIDA POR OSMOSE REVERSA: De grande pureza química e microbiológica. Obtida através de passagem da água por uma membrana semipermeável, no sentido inverso ao da osmose normal. - ÁLCOOL: ÁLCOOL ETÍLICO: Segundo solvente mais utilizado. É o principal solvente de substâncias orgânicas. Diminui a possibilidade de hidrólise. Tem conservação indefinida e pode ser misturado com água. É usado em: ◼ Soluções hidroalcoólicas extrativas de princípios ativos (45 a 90%), ◼ Soluções antissépticas (álcool iodado a 0,5%), ◼ Soluções desinfetantes (70%). Constitui um bom solvente para: ◼ Essências ◼ Alcalóides ◼ Glicosídeos *Sendo porém fraco para gomas e proteínas. ÁLCOOL BENZÍLICO: Trata-se de um solvente de ação bacteriostática e anestésica local. Usado em algumas soluções injetáveis intramusculares que são dolorosas. - GLICERINA OU GLICOL: Bastante utilizado por suas propriedades: ◼ edulcorantes, ◼ alta viscosidade, ◼ ação bacteriostática, ◼ umectante, ◼ mistura com água e álcool. Seu emprego se dá em preparações de uso tópico, pois confere aderência à superfície onde é aplicada, devido à sua viscosidade (ação estabilizante). Entra na composição de colutórios, gotas auriculares e cremes. - PROPILENOGLICOL: Solvente líquido. Usado em lugar da água em princípios ativos hidrolisáveis. Pode também substituir a glicerina em injetáveis intramusculares. Tem emprego como solvente de alcaloides, vitaminas do complexo B, barbitúricos e antibióticos. Apresenta ação antifúngica, sendo usado também em fórmulas de uso tópico. Se solubiliza em água e álcool. - POLIETILENOGLICÓIS: São substâncias conhecidas também como PEG, carbowax ou macrogol. Apresentam ação antifúngica. São solúveis em água, etanol, acetona, benzina, clorofórmio e glicóis. Os carbowax que apresentam peso molecular : ◼ Entre 200 e 700 → são líquidos ◼ Superior a 1000 → são sólidos - ÉTER SULFÚRICO OU ÉTER ETÍLICO: É uma substância usada em soluções extrativas de drogas vegetais e animais. - BENZINA: É empregada na remoção de gorduras indesejáveis de drogas. - CLOROFÓRMIO: Substância utilizada em algumas soluções extrativas, exerce também função conservante e não é inflamável. - ÓLEOS VEGETAIS: Têm grande aplicação nas preparações injetáveis oleosas. Formas Farmacêuticas: QUESTÕES SLIDE 1 QUESTÕES SLIDE 2 - Boas Práticas de Manipulação em Farmácia (BPMF): RDC 67/2007 BOAS PRÁTICAS DE MANIPULAÇÃO (BPMF) DE PREPARAÇÕES MAGISTRAIS E OFICINAIS PARA USO HUMANO EM FARMÁCIAS ◼ RDC 87/2008 – Altera o Regulamento Técnico e os Anexos I, III e VII ◼ RDC 21/2009 – Altera o Anexo III 1- Objetivo: Fixa os requisitos mínimos exigidos para o exercício das atividades de manipulação de preparações magistrais e oficinais das farmácias, desde: ◼ suas instalações, ◼ equipamentos e recursos humanos, ◼ aquisição e controle da qualidade da matériaprima, ◼ armazenamento, ◼ avaliação farmacêutica da prescrição, ◼ manipulação, ◼ fracionamento, ◼ conservação, ◼ transporte, ◼ dispensação das preparações, ◼ além da atenção farmacêutica aos usuários ou seus responsáveis, ◼ visando à garantia de sua qualidade, segurança, efetividade e promoção do seu uso seguro e racional. 2- Abrangência: ▪ Todas as Farmácias que realizam qualquer das atividades previstas, ▪ Excluídas as farmácias que manipulam Soluções para Nutrição Parenteral, Enteral e Concentrado Polieletrolítico para Hemodiálise (CPHD). 3- Grupos de atividades desenvolvidas pela farmácia: 4- Definições: ▪ Para efeito do Regulamento Técnico são adotadas definições. 5- Condições gerais: 5.1. As farmácias devem preencher os requisitos abaixo descritos e ser previamente aprovadas em inspeções sanitárias locais: a) Estar regularizada nos órgãos de Vigilância Sanitária competente, conforme legislação vigente; b) Atender às disposições deste Regulamento Técnico e dos anexos que forem aplicáveis; c) possuir o Manual de Boas Práticas de Manipulação; d) possuir Autorização de Funcionamento de Empresa (AFE) expedida pela ANVISA, conforme legislação vigente; e) possuir Autorização Especial, quando manipular substâncias sujeitas a controle especial. 5.2. As farmácias devem seguir as exigências da legislação sobre gerenciamento dos resíduos de serviços de saúde... ATENÇÃO: A RDC 306/2004 foi revogada pela RDC 222/2018 5.3. As farmácias que mantêm filiais devem possuir laboratórios de manipulação funcionando em todas elas, não sendo permitidas filiais ou postos exclusivamente para coleta de receitas, podendo porém, a farmácia centralizar a manipulação de determinados grupos de atividades em sua matriz ou qualquer de suas filiais, desde que atenda às exigências desta Resolução. 5.4. Drogarias, ervanárias e postos de medicamentos não podem captar receitas com prescrições magistrais e oficinais, bem como não é permitida a intermediação entre farmácias de diferentes empresas. 5.5. É facultado à farmácia centralizar, em um de seus estabelecimentos, as atividades do controle de qualidade, sem prejuízo dos controles em processo necessários para avaliação das preparações manipuladas. 5.6. A manipulação e a dispensação de medicamentos contendo substâncias sujeitas a controle especial devem atender à legislação específica em vigor. 5.7. É de responsabilidade da Administração Pública ou Privada, responsável pela Farmácia, prever e prover os recursos humanos, infraestrutura física, equipamentos e procedimentos operacionais necessários à operacionalização das suas atividades e que atendam às recomendações do Regulamento Técnico e seus Anexos. 5.8. A licença de funcionamento, expedida pelo órgão de Vigilância Sanitária local, deve explicitar os grupos de atividades para os quais a farmácia está habilitada. 5.9. A Farmácia pode se habilitar para executar atividades de um ou mais grupos referidos no item 3 do Regulamento, devendo cumprir todas suas disposições gerais bem como as disposições estabelecidas no(s) anexo(s) específicos(s). 5.9.1. No caso de um medicamento se enquadrar nas características de mais de um grupo de atividades, devem ser atendidas as disposições constantes de todos os anexos envolvidos. 5.10. Em caráter excepcional, considerado o interesse público, desde que comprovada a inexistência do produto no mercado e justificada tecnicamente a necessidade da manipulação, poderá a farmácia: 5.10.1. Ser contratada, conforme legislação em vigor, para o atendimento de preparações magistrais e oficinais, requeridas por estabelecimentos hospitalares e congêneres. 5.10.2. Atender requisições escritas de profissionais habilitados, de preparações utilizadas na atividade clínica ou auxiliar de diagnóstico para uso exclusivamente no estabelecimento do requerente. 5.10.3. As preparações de que tratam os itens 5.10.1 e 5.10.2 deverão ser rotulados conforme descrito nos itens 12.1 e 12.2 do Anexo I deste Regulamento. 5.10.3.1. Quando se tratar de atendimento não individualizado no lugar do nome do paciente deverá constar do rótulo o nome e endereço da instituição requerente. 5.10.4. As justificativas técnicas, os contratos e as requisições devem permanecer arquivadas na farmácia pelo prazo de um ano, à disposição das autoridades sanitárias. 5.11. Medicamentos manipulados em farmácia de atendimento privativo de unidade hospitalar ou qualquer equivalente de assistência médica, somente podem ser utilizados em pacientes internados ou sob os cuidados da própria instituição, sendo vedada a comercialização dos mesmos. 5.12. A farmácia pode transformar especialidade farmacêutica, em caráter excepcional quando da indisponibilidade da matéria prima no mercado e ausência da especialidade na dose e concentração e ou forma farmacêutica compatíveis com as condições clínicas do paciente, de forma a adequá-la à prescrição. 5.12.1. O procedimento descrito no item 5.12. deve ser realizado somente quando seja justificado tecnicamente ou com base em literatura científica. 5.12.2. O medicamento obtido deve ter seu prazo de validade estabelecido conforme as disposições do item 15.4 do Anexo I. 5.13. Não é permitida à farmácia a dispensação de medicamentos manipulados em substituição a medicamentos industrializados, sejam de referência, genéricos ou similares. 5.14. Não é permitida a exposição ao público de produtos manipulados, com o objetivo de propaganda, publicidade ou promoção. 5.15. Não possui esse item. 5.16. Franquia em farmácias. 5.16.1. Nos casos de franquia, as empresas franqueadoras são solidariamente responsáveis pela garantia dos padrões de qualidade dos produtos das franqueadas. 5.16.2. As farmácias de empresas franqueadoras e empresas franqueadas devem atender os requisitos deste Regulamento Técnico e os anexos que forem aplicáveis. 5.16.3. Deve ser firmado contrato escrito entre franqueadora e franqueada que estabeleça claramente as atribuições e responsabilidades de cada uma das partes. 5.16.4. As análises de controle de qualidade passíveis de terceirização poderão ser realizadas pela franqueadora para as franqueadas mediante estabelecimento de contrato entre as partes. 5.17. Prescrição de preparações magistrais. *o termo medicamentos manipulados foi alterado para preparações magistrais (RDC 87/2008) 5.17.1. Os profissionais legalmente habilitados, respeitando os códigos de seus respectivos conselhos profissionais, são os responsáveis pela prescrição das preparações magistrais de que trata este Regulamento Técnico e seus Anexos. *o termo medicamentos foi alterado para preparações magistrais (RDC 87/2008). 5.17.2. A prescrição ou indicação, quando realizada pelo farmacêutico responsável, também deve obedecer aos critérios éticos e legais previstos. ” (NR) *item alterado pela RDC 87/2008. **NR = Norma Regulamentadora. 5.17.3. Para a dispensação de preparações magistrais contendo substâncias sujeitas a controle especial devem ser atendidas todas as demais exigências da legislação específica. 5.17.4. Em respeito à legislação e códigos de ética vigentes, os profissionais prescritores são impedidos de prescrever fórmulas magistrais contendo código, símbolo, nome da fórmula ou nome de fantasia, cobrar ou receber qualquer vantagem pecuniária ou em produtos que o obrigue a fazer indicação de estabelecimento farmacêutico, motivo pelo qual o receituário usado não pode conter qualquer tipo de identificação ou propaganda de estabelecimento farmacêutico. 5.17.5. No caso de haver necessidade de continuidade do tratamento, com manipulação do medicamento constante de uma prescrição por mais de uma vez, o prescritor deve indicar na receita a duração do tratamento. 5.17.5.1. Na ausência de indicação na prescrição sobre a duração de tratamento, o farmacêutico só poderá efetuar a repetição da receita, após confirmação expressa do profissional prescritor. Manter os registros destas confirmações, datados e assinados pelo farmacêutico responsável. *item incluído pela RDC 87/2008. 5.18. Responsabilidade Técnica. 5.18.1. O Responsável pela manipulação, inclusive pela avaliação das prescrições é o farmacêutico, com registro no seu respectivo Conselho Regional de Farmácia. 5.18.1.1. A avaliação farmacêutica das prescrições, quanto à concentração, viabilidade e compatibilidade físico-química e farmacológica dos componentes, dose e via de administração, deve ser feita antes do início da manipulação. 5.18.2. Quando a dose ou posologia dos produtos prescritos ultrapassar os limites farmacológicos ou a prescrição apresentar incompatibilidade ou interações potencialmente perigosas, o farmacêutico deve solicitar confirmação expressa do profissional prescritor. Na ausência ou negativa de confirmação, a farmácia não pode aviar e/ou dispensar o produto. 5.18.3. Não é permitido fazer alterações nas prescrições de medicamentos à base de substâncias incluídas nas listas constantes do Regulamento Técnico sobre substâncias e medicamentos sujeitos a controle especial e nas suas atualizações. 5.18.4. A avaliação da prescrição deve observar os seguintes itens: a) legibilidade e ausência de rasuras e emendas; b) identificação da instituição ou do profissional prescritor com o número de registro no respectivo Conselho Profissional, endereço do seu consultório ou da instituição a que pertence; c) identificação do paciente; d) endereço residencial do paciente ou a localização do leito hospitalar para os casos de internação; e) identificação da substância ativa segundo a DCB ou DCI, concentração/dosagem, forma farmacêutica, quantidades e respectivas unidades; f) modo de usar ou posologia; g) duração do tratamento; h) local e data da emissão; i) assinatura e identificação do prescritor. 5.18.5. A ausência de qualquer um dos itens do 5.18.4 pode acarretar o não atendimento da prescrição. 5.18.6. Com base nos dados da prescrição, devem ser realizados e registrados os cálculos necessários para a manipulação da formulação, observando a aplicação dos fatores de conversão, correção e equivalência, quando aplicável. 5.18.7. Quando a prescrição contiver substâncias sujeitas a controle especial, deve atender também a legislação específica. 5.19. Todo o processo de manipulação deve ser documentado, com procedimentos escritos que definam a especificidade das operações e permitam o rastreamento dos produtos. 5.19.1. Os documentos normativos e os registros das preparações magistrais e oficinais são de propriedade exclusiva da farmácia e devem ser apresentados à autoridade sanitária, quando solicitados. 5.19.2. Quando solicitado pelos órgãos de vigilância sanitária competentes, devem os estabelecimentos prestar as informações e/ou proceder à entrega de documentos, nos prazos fixados a fim de não obstarem a ação de vigilância e as medidas que se fizerem necessárias. 5.20. Inspeções. 5.20.1. As farmácias estão sujeitas a inspeções sanitárias para verificação do cumprimento das Boas Práticas de Manipulação em Farmácias, com base nas exigências deste Regulamento, devendo a fiscalização ser realizada por equipe integrada, no mínimo, por um profissional farmacêutico. 5.20.2. As inspeções sanitárias devem ser realizadas com base nas disposições da norma e do Roteiro de Inspeção do Anexo VII. 5.20.3. Os critérios para a avaliação do cumprimento dos itens do Roteiro de Inspeção, visando à qualidade do medicamento manipulado, baseiam-se no risco potencial inerente a cada item. 5.20.4. Considera-se item IMPRESCINDÍVEL (I) aquele que pode influir em grau crítico na qualidade, segurança e eficácia das preparações magistrais ou oficinais e na segurança dos trabalhadores em sua interação com os produtos e processos durante a manipulação. 5.20.5. Considera-se item NECESSÁRIO (N) aquele que pode influir em grau menos crítico na qualidade, segurança e eficácia das preparações magistrais ou oficinais e na segurança dos trabalhadores em sua interação com os produtos e processos durante a manipulação. 5.20.6. Considera-se RECOMENDÁVEL (R) aquele item que pode influir em grau não crítico na qualidade, segurança e eficácia das preparações magistrais ou oficinais e na segurança dos trabalhadores em sua interação com os produtos e processos durante a manipulação. 5.20.7. Considera-se item INFORMATIVO (INF) aquele que oferece subsídios para melhor interpretação dos demais itens. 5.20.8. O item (N) não cumprido após a primeira inspeção passa a ser tratado automaticamente como (I) na inspeção subsequente. 5.20.9. O item (R) não cumprido após a primeira inspeção passa a ser tratado automaticamente como (N) na inspeção subsequente, mas nunca passa a (I). 5.20.10. Os itens (I), (N) e (R) devem ser respondidos com SIM ou NÃO. 5.20.11. São passíveis de sanções aplicadas pelo órgão de Vigilância Sanitária competente, as infrações que derivam do não cumprimento deste Regulamento Técnico e seus anexos e dos itens do Roteiro de Inspeção, constante do Anexo VII, considerando o risco potencial à saúde inerente a cada item, sem prejuízo de outras ações legais que possam corresponder em cada caso. - PÓS, GRANULADOS E COMPRIMIDOS: FORMAS FARMACÊUTICAS •São as formas físicas de apresentação do medicamento: comprimido, xarope, supositório, etc. •São classificadas em sólidas, líquidas, pastosas e gasosas. FORMAS FARMACÊUTICAS: FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS •Pós •Granulados •Comprimidos •Drágeas •Cápsulas •Supositórios •Óvulos Pós: “Pós são preparações provenientes de drogas vegetais ou minerais, assim como substâncias químicas submetidas a um grau de divisão suficiente para assegurar homogeneidade e lhes facilitar a administração ou extração dos princípios ativos”. (Farmacopeia Brasileira) Formas farmacêuticas que resultam da transformação de fármacos em pós: • Usadas sob essa forma ou em cápsulas, comprimidos, etc; • São as misturas mais utilizadas; • 2/3 dos medicamentos atuais. VANTAGENS: • Possibilidade de rápida preparação; • Ausência de água; • Maior estabilidade do princípio ativo; • Facilidade de embalagem; • Facilidade de absorção; • Baixo custo de embalagem e transporte. DESVANTAGENS: • Vias oral e tópica somente; • Superfície de contato com o meio ambiente aumentada, podendo, assim, se alterarem com mais facilidade. CLASSIFICAÇÃO: • Pós Simples - Derivados de uma única droga; Exemplo: bicarbonato de sódio • Pós Compostos - Resultam da mistura homogênea de duas ou mais substâncias; Exemplo: sais para reidratação oral (cloreto de sódio, cloreto de potássio e glicose). PREPARAÇÃO: • São três os procedimentos para a obtenção de pós: 1. Dessecação - Retirada da umidade; Realizada a uma temperatura que varia de 40 a 105°C. 2. Pulverização - Redução do tamanho das partículas; Facilita a absorção do princípio ativo. Quanto maior a pulverização, maior a solubilidade. 3. Tamisação - Procedimento que garante a homogeneidade do tamanho das partículas; A classificação dos tamises é feita de acordo com o tamanho da malha em milímetros. INCOMPATIBILIDADES: • Misturas eutéticas • Misturas explosivas • Misturas coradas Misturas eutéticas Se liquefazem à temperatura ambiente ↓ o ponto de fusão da mistura é menor que o dos pós isoladamente ↓ podendo liquefazer-se ou formar uma pasta Exemplos: • Acetanilida e cânfora • Ácido acetilsalicílico e fenol • Antipirina e mentol Para minimizar este efeito, deve-se usar um pó absorvente, como: • Óxido de magnésio; • Fosfato tricálcico; • Gel de sílica; • Lactose Misturas explosivas Ocorre quando se mistura uma substância fortemente redutora com outra, oxidante ↓ não devem ser misturadas ↓ liberam gases que podem ser explosivos Exemplos: • Cloreto de potássio e carvão • Cloreto de potássio e enxofre • Cloreto de potássio e açúcares • Dicromato de potássio e hipossulfitos • Nitrato de potássio e enxofre Misturas coradas Misturas de pós brancos ↓ podem originar pós compostos corados ↓ reação entre os dois constituintes Exemplos: • Goma arábica e tanino ALTERAÇÕES: • Ar • Umidade • Luz • Calor • Contaminação microbiana Ar Oxigênio / umidade ↓ podem causar alterações nos pó Substâncias facilmente oxidáveis: • Fenóis • Álcoois • Morfina • Vitamina C • Resorcina Umidade • Pode causar hidrólise; • Pode acelerar outros processos de degradação; • O pó deve ter no máximo 8% de teor de umidade. Luz • Substâncias à base do iodo alteram-se facilmente por ação da luz. Calor • A temperatura acelera a maioria das reações químicas; • Facilita principalmente a hidrólise; • É preciso tomar cuidado no processo de dessecação. Exemplo: Vitamina B1 ↓ suporta no máximo 70°C Recipiente: Pode causar alterações nos pós ou ser alterado por eles. Exemplos: Fluoretos: não podem ser guardados em recipientes de vidro sem que estes tenham sofrido um processo de parafinização em seu interior. Pós ácidos ou alcalinos: atacam recipientes metálicos. ACONDICIONAMENTO: • Potes de plástico ou vidro, bem cheios e fechados; • Substâncias que sofrem hidrólise: embalagens com gel de sílica. Medida da quantidade a ser tomada ↓ colher ou outro tipo de utensílio semelhante ↓ imprecisa ↓ pós efervescentes, antiácidos, laxativos Acondicionamento em envelopes ou papéis medicamentosos ↓ Medição por distribuição o geométrica ou com medidor de volume ou peso Exemplos de fórmulas de pós Uso externo: desodorante em pó. Ácido bórico ......................................................3 g Ácido salicílico ...................................................1 g Óxido de zinco ...................................................5 g Talco q.s.p. ....................................................100 g Uso externo: talco mentolado. Mentol ...............................................................1 g Talco q.s.p. ....................................................100 g Uso: refrescante para os pés. Granulados: “Granulados são formas farmacêuticas sólidas que se apresentam na forma de grãos ou granulados irregulares”. (Farmacopeia Brasileira). VANTAGENS: São mais estéticos que os pós, São mais agradáveis de ingerir, Não aderem entre si, Podem ser revestidos. DESVANTAGENS: São mais susceptíveis ao calor e à umidade do que os comprimidos. Preparação: Granulados – Via seca OU Via úmida. VIA SECA: É usada para pós passíveis de hidrólise ou que se alteram com o calor. • Ao pó é acrescentado um agente aglutinante seco, como a goma arábica, por exemplo, e, em seguida, a mistura sofre pré-compressão. • Depois de pré-comprimida, a mistura é quebrada e recomprimida VIA ÚMIDA: • Os pós são umedecidos com a ajuda de uma solução aglutinante; • Em seguida, passa-se essa massa por tamises e o granulado é recolhido em bandejas que são levadas para estufas, onde ficam até o granulado secar. Acondicionamento e conservação: • Os granulados devem ser acondicionados em vidros ou plásticos hermeticamente fechados. Exemplo de fórmula de granulado Uso: digestivo Ácido cítrico...................................................160 g Ácido tartárico...............................................320 g Cafeína...............................................................1 g Bicarbonato de sódio.....................................520 g Comprimidos: “Comprimidos são preparações farmacêuticas sólidas de formato variado, geralmente cilíndricas ou lenticulares, obtidas pela compressão de substâncias medicamentosas secas, acondicionadas ou não em recipientes inertes”. (Farmacopeia Brasileira) VANTAGENS: Boa estabilidade físico-química, facilidade de preparação, boa apresentação, precisão de dosagem, facilidade de administração. DESVANTAGENS: Impossibilidade de ajuste da dose do produto acabado, Impossibilidade de obtenção econômica de pequenas quantidades. Classificação: Comprimidos – Uso Interno: Mastigáveis, de administração oral com desagregação no estômago ou no intestino. Uso Externo: Aplicação local (comprimidos vaginais), injetáveis (pallets), para obtenção de assepsia e esterilização (comprimidos de formol). Há diversos tipos especiais de comprimidos, são eles: Comprimidos de uso externo: para preparação de soluções antissépticas e esterilizantes. Ex.: pastilhas de formol. Comprimido sublingual: proporciona rápida absorção do princípio ativo, entrando na corrente sanguínea sem passar pelo fígado, deve ser pequeno e de rápida desintegração. Comprimido de dissolução na boca (pastilha): deve ter grande superfície de contato para facilitar a ação do princípio ativo e atividade local. Comprimido efervescente: dissolve-se na água e libera gás, o que causa sua desintegração. Como excipientes, temos o ácido cítrico, o ácido tartárico, o bicarbonato de sódio e o carbonato de sódio. Deve ser acondicionado em recipientes sem umidade. Comprimido revestido: o revestimento visa proteger o princípio ativo contra a luz, a umidade, o oxigênio, etc. e evitar a desintegração gástrica. Pellet: comprimido para implantação na pele. Deve ser estéril e de forma cilíndrica. Pode liberar o princípio ativo durante dias ou meses. Comprimido vaginal: deve apresentar ação local, microbicida ou regeneradora. Preparação: • São poucas as substâncias que podem sofrer compressão direta, ou seja, ser comprimidas sem que lhes seja acrescentado algum adjuvante (por exemplo, bicarbonato de sódio, permanganato de sódio, cloreto de sódio). • Para compressão, o pó deve apresentar as seguintes características: - Alimentação: condições reológicas que lhe permita fluir na máquina, resultando na produção de comprimidos com o mesmo peso, tamanho e dureza. - Compressão: procedimento que garante a perfeita coesão entre as partículas, para que o comprimido não se quebre com facilidade. - Ejeção: procedimento que elimina as propriedades abrasivas, facilitando a retirada do comprimido da câmara de compressão. • Assim sendo, a maioria das substâncias necessita de excipientes e adjuvantes para facilitar a compressão e para a obtenção de doses exatas, homogeneidade e estabilidade no armazenamento. Adjuvantes utilizados: • Adjuvantes são substâncias inertes, isto é, não possuem atividades terapêuticas. • Em conjunto com o princípio ativo, vão individualizar o comprimido. • A farmacotécnica possui uma série de adjuvantes, cujas características atendem às necessidades variadas da fabricação de comprimidos: - Absorventes: têm a finalidade de absorver determinadas substâncias para que elas não alterem os comprimidos. Exemplos: sílica-gel, sílica-aerosol (sílica- gel de poros largos, pulverizada). - Aglutinantes: adjuvantes usados para a formação de uma liga dos pós depois da obtenção do granulado. São fundamentais para a desintegração do comprimido, agindo como um adesivo. Exemplos: lactose, gelatina, amido, carboximetilcelulose (CMC) e polivinil pirrolidona (PVP). - Corantes: substâncias utilizadas para atender ao aspecto estético, para distinção de comprimidos e como auxiliares na homogeneização dos pós. - Desagregantes ou desintegrantes: substâncias que promovem a desagregação ou desintegração dos comprimidos. Têm bom poder de absorção de água, inchandose em contato com ela. Exemplo: amido, CMC, Veegum. - Diluentes: conferem peso adequado, completando-o, porque às vezes o princípio ativo não tem peso suficiente para o comprimido. - Edulcorantes e aromatizantes: Adjuvantes utilizados para melhorar o sabor e o odor do medicamento. Exemplo de edulcorante: sacarina. Exemplo de aromatizantes: essência de laranja, cereja, hortelã. - Lubrificantes: permitem o escoamento dos pós e melhoram suas condições reológicas, evitando a aderência destes nas punções. Exemplos: estearato de magnésio, talco. - Molhantes: agem diminuindo a tensão superficial do comprimido, facilitando a desagregação, que é prejudicada pelos lubrificantes hidrófobos. Exemplos: trietanolamina e tween 80. - Tampões: agem mantendo o pH estável. Exemplos: citrato de sódio e carbonato de sódio. A mistura dos componentes: • Depois de todos os componentes terem sido pesados, tamisados e, se necessário, pulverizados, os pós devem ser homogeneizados em misturador em forma de “Y”, malaxadeira ou mesmo em gral. • Essa mistura pode ou não ser feita com o auxílio de corantes. • A granulação obtém-se por via seca ou úmida, como no caso dos granulados. Testes físico-químicos: - Dureza: o comprimido deve ser duro o suficiente para resistir ao transporte, à embalagem e ao acondicionamento. - Friabilidade: o comprimido deve resistir ao choque e ao atrito sofridos no processo de embalagem, acondicionamento e outras fricções. - Desintegração: o comprimido deve liberar o princípio ativo no local certo e, para tanto, tem primeiro de se desintegrar. - Dissolução: liberação propriamente dita do princípio ativo. - Uniformidade de peso: todos os comprimidos do mesmo lote devem ter o mesmo peso. - Aspecto: os comprimidos devem ter faces lisas e brilhantes e coloração homogênea. - Doseamento: doseamento do princípio ativo. Acondicionamento: • Pode ser feito em vidros, aço inox, alumínio, plástico, etc. • Mas, em sua maioria, os recipientes devem ser pequenos e oferecer proteção contra a umidade e a luz solar. • Existe um tipo de embalagem, o blister, em que os comprimidos ficam isolados um dos outros, podendo ser fracionados sem que isso altere sua conservação. Exemplo de fórmula de comprimido Comprimido de ácido acetilsalicílico 100 mg Ácido acetilsalicílico...............................................100 g Manitol....................................................................98 g Sacarina.....................................................................1 g Goma árábica..........................................................4,5 g Amido......................................................................11 g Talco.......................................................................8,5 g Vanilina......................................................................1 g - DRÁGEAS, CÁPSULAS, SUPOSITÓRIOS E ÓVULOS: •São as formas físicas de apresentação do medicamento: comprimido, xarope, supositório etc. •São classificadas em sólidas, líquidas, pastosas e gasosas. FORMAS FARMACÊUTICAS SÓLIDAS: •Pós •Granulados •Comprimidos •Drágeas: são formas farmacêuticas cujo princípio ativo fica envolvido por um revestimento de açúcar e corante. Vantagens: Boa estabilidade físico-química, boa apresentação, precisão de dosagem, fácil administração, mascaramento de odor e sabor desagradáveis, possibilidade de se conseguir desintegração entérica e consideração dos aspectos comerciais, com melhoria do aspecto e do sabor. Desvantagens: Impossibilidade de ajuste da dose, como ocorre com os comprimidos, Impossibilidade de baixos custos e Difícil preparação. Preparação: Equipamento para fazer drágeas: Para a produção de drágeas, utilizam-se drageadeiras ou drageadoras, que são bacias especiais de aço inox ou de cobre que giram em torno de um eixo inclinado e dispõem de uma abertura por onde se acrescentam as soluções durante o drageamento. Na fase de polimento, são utilizadas bacias revestidas de feltro, lona ou flanela, para conferir brilho Núcleo das drágeas: O núcleo é produzido da mesma forma que os comprimidos, porém com algumas características próprias, tais como: - Forma: A mais esférica possível, para facilitar a rolagem. - Tamanho: O menor possível, para que a drágea não seja difícil de engolir. - Dureza: Boa resistência ao atrito. - Friabilidade: Boa resistência aos choques e fricções, porque um núcleo se choca com o outro durante o drageamento, não podendo quebrar-se. FASES DO DRAGEAMENTO: O processo do drageamento tem cinco fases distintas: - Isolamento: É feito com goma-laca 25% ou PVP, em uma ou várias aplicações. O objetivo é proteger o núcleo contra a umidade residual, além de isolá-lo das camadas mais próximas. Pode tornar o núcleo gastrorresistente. - Sub-revestimento ou cobertura branca: A finalidade é dar cobertura ao núcleo, com a utilização de um xarope simples e um pó fino como talco (daí o nome de cobertura branca), que funciona como lubrificante. É preciso insuflar ar quente (60 a 80°C) para acelerar a secagem das camadas. - Alisamento: Retira as irregularidades do sub- revestimento. É feito com xarope simples e varia de 7 a 10 camadas. - Coloração: Fase optativa porque é estética, ou realizada para diferenciação de dosagens. É feita da mesma forma que a anterior, acrescentando-se o corante ao xarope. - Polimento: É feita para dar brilho e tornar o produto impermeável à umidade. Nessa fase, são empregadas parafinas e ceras naturais ou sintéticas. - Cápsulas: são formas farmacêuticas constituídas de um invólucro amiláceo ou gelatinoso, contendo um ou mais fármacos. Vantagens: Mascaramento do sabor e do odor, na maioria das vezes, fácil liberação do princípio ativo, Possibilidade de ter um invólucro gastrintestinal, Boa apresentação, Precisão de dosagem, fácil administração, Rapidez na execução, Possibilidade de obtenção de pequenas quantidades e Consideração dos aspectos comerciais, com melhoria do aspecto e do sabor. Desvantagens: Quando revestidas, as cápsulas têm a desvantagem de não poderem ser produzidas em pequenas quantidades, por encarecer o produto. Para que as cápsulas sejam viáveis, elas não devem sofrer alterações devidas à temperaturas (que não pode ser superior a 32°C) e as substâncias ativas precisam ser estáveis a essa temperatura. As cápsulas dividem em: 1- Cápsulas moles: Podem receber o nome de glóbulos, pérolas ou capsulinas. São utilizadas para acondicionar líquidos com volume de 0,25 mL até 5 mL. 2- Cápsulas duras: Constituídas de gelatina, corantes, antioxidantes e agentes opacos, apresentam entre 8% e 16% de água. Têm formato cilíndrico, arredondado nas extremidades e são formadas de duas partes: corpo e cabeça, capa e tampa, ou corpo e gorro. São usadas para fármacos sólidos e o enchimento pode ser manual ou indústria. Tamanho das cápsulas gelatinosas duras: Existem diferenças de capacidade relacionadas com a reologia do pó, tenuidade, densidade, etc. Exemplo: uma cápsula nº 0 pode conter 300 mg de cáscara- sagrada ou 825 mg de cloreto de sódio. Exemplo de fórmula de cápsula Cápsula de ácido acetilsalicílico Ácido acetilsalicílico......................................0,45 g Cafeína.............................................................0,05 g Em cápsulas no 0 - Supositórios: são formas farmacêuticas de consistência firme, forma cônica ou ogival, destinadas à aplicação retal, obtidas por solidificação ou compressão, em moldes de massa adequada, encerrando substâncias medicamentosas, podem apresentar ação local ou sistêmica, e seu peso varia de 1 a 3 g: Lactentes: 1g Crianças: 1,5g Adultos: 2 a 3g Devem ser usados em substituição à via oral quando: - Há lesão na mucosa gástrica; - O medicamento causa lesão na mucosa gástrica; - O medicamento é inativado pelo suco gástrico ou pelo fígado. Características dos excipientes: Os excipientes para supositórios devem ter sete características básicas: • Devem ser inertes farmacologicamente • Sua temperatura de fusão deve ser próxima da do corpo • Devem ter boa conservação em relação à temperatura e ao oxigênio • Devem ter aspecto homogêneo • Devem ter a viscosidade adequada • Não podem ser irritantes • Devem ter boa absorção de água Os excipientes mais usados são: - Lipossolúveis: Devem fundir-se em temperaturas inferiores a 37°C, em dez minutos no máximo, exemplos: manteiga de cacau e óleos vegetais. - Hidrodispersíveis: Ao entrarem em contato com a mucosa, devem sofrer dispersão, originando emulsões O/A (aquosas). Como elevam o ponto de fusão, são ideais para regiões mais quentes, exemplos: gelatina glicerinada, estearato de sódio, PEG de 300 a 6.000. > Adjuvantes de supositórios: Agentes emulsificantes; Corretivos do ponto de fusão; Corretivos da cor; Estabilizantes/conservantes e Antioxidantes. > AGENTES EMULSIFICANTES: Exemplo: lauril sulfato de sódio e estearato de sódio formam emulsão O/A (aquosa) e lanolina A/O (oleosa). > Corretivos do ponto de fusão: Substâncias que podem elevar o ponto de fusão (endurecedoras), como a cera, o espermacete e a parafina; Substâncias que podem reduzir o ponto de fusão (amolecedoras), como a glicerina, a água e o sorbitol. > Corretivos da cor: Adjuvantes utilizados para efeitos estéticos, como o verde, que sugere eucalipto. Os corantes usados são, na maioria, hidrossolúveis. > Estabilizantes e conservantes: os mais usados são nipagin e nipazol. > Antioxidantes: galhato de propilo e ácido cítrico. Os supositórios podem ser preparados por dois métodos: - Fusão e solidificação: os excipientes são fundidos, recebendo em seguida os princípios ativos, e colocados em moldes apropriados. - Compressão: por meio de equipamento adequado, o princípio ativo é misturado ao veículo e depois a substância resultante é comprimida. A compressão só é usada quando o princípio ativo sofre a ação do calor. > Incompatibilidades: - Físicas: Algumas substâncias, como o fenol, a cânfora e as essências, fazem baixar o ponto de fusão da manteiga de cacau (abaixo de 40°C). Para minimizar o problema, usa-se uma pequena parte de cera branca. - Químicas: existem sais que interagem, como o ácido acetilsalicílico e o sulfato ferroso. > Acondicionamento: supositórios devem ser embalados individualmente em invólucros de papel impermeável, celofane ou alumínio. Exemplo de fórmula de supositório Supositório de glicerina Glicerina...........................................................30 g Carbonato de sódio.........................................0,5 g Ácido esteárico...................................................2 g Água................................................................5 mL • Óvulos: São preparações farmacêuticas de uso vaginal, de ação local. São utilizados para problemas ginecológicos. Como excipientes, normalmente são utilizados os polietilenoglicóis. Exemplo de fórmula de óvulo Óvulo de progesterona Progesterona...............................................100 mg Polietilenoglicol 400.........................................60% Polietilenoglicol 8.000......................................40% - SOLUÇÕES: são misturas de uma ou mais substâncias, normalmente um soluto e um solvente, que resultam em fármacos de fase única. Normalmente são soluções orais, injetáveis, auriculares, oftálmicas ou tópicas. Vantagens: Flexibilidade de dosagem, Facilidade de administração e Rápida absorção. Desvantagens: Dificuldade de mascarar odor e sabor (é possível alterar suas características organolépticas, tornando-as aceitáveis), Maior possibilidade de alterações físico-químicas, Maior possibilidade de contaminação. Solubilidade: substâncias podem ou não ser facilmente solúveis. A solubilidade pode aumentar com calor e agitação, mas o calor decompõe várias substâncias. Portanto, essa operação deve ser feita com cuidado, principalmente quando se tratar de substâncias voláteis, bicarbonatos, etc. Expressão de concentração: • Coeficiente de solubilidade - concentração, a uma determinada temperatura, que origina uma solução saturada. • Solução não saturada - aquela cuja concentração não atinge o coeficiente de solubilidade. • Solução supersaturada - aquela cuja concentração é maior que o coeficiente de solubilidade. Modos de expressão: • p/v: Porcentagem que expressa o peso da substância dissolvida em 100 mL de solução. Exemplo: ácido bórico 2% (p/v) significa 2 g em 100 mL • p/p: Porcentagem que expressa o peso da substância homogeneizada em 100 g de excipiente. Exemplo: água boricada 3% (p/p) significa 3 g de ácido bórico em 100 g de água. • v/v: Porcentagem que expressa o volume da substância diluída em 100 mL de solução. Exemplo: ácido acético 3% (v/v) significa 3 mL de ácido acético em 100 mL de solução. Adjuvantes - os principais usados são: a) Corretivos de pH: Compatibilizam a solução com o meio em que será utilizada. b) Solubilizantes: Aumentam a solubilidade. c) Conservantes: Evitam o crescimento de microrganismos. d) Antioxidantes: Evitam a oxidação. e) Corantes: Fornecem a coloração. f) Aromatizantes: Fornecem o aroma. g) Edulcorantes: Fornecem o sabor. As soluções dividem-se em várias categorias: 1- Colírios: são formas farmacêuticas, em geral líquidas ou pastosas, destinadas ao tratamento dos olhos e pálpebras (Farmacopeia Brasileira). apresentam as seguintes características: → Isotonia: Mesma pressão osmótica da secreção lacrimal, Para consegui-la pode-se usar cloreto de sódio 0,7 a 1,4%. → Isobatmia: pH igual ao da lágrima, entre 7,2 e 7,4. Colírios com pH abaixo de 5,8 e acima de 11,4 causam irritação em 99% dos pacientes. Para corrigir o pH pode-se utilizar soluções tampão. → Esterilidade: O uso de colírios contaminados podem causar infecções. Para mantê-los estéreis podem ser utilizadas substâncias conservantes como cloreto de benzalcônio, metilparabeno e propilparabeno. >Adjuvantes: na fabricação de colírios são usados dois tipos: - Conservantes - Antioxidante >Acondicionamento: devem ser embalados em recipientes que possam ser esterilizados e que sejam compatíveis com a solução a ser acondicionada. Exemplo de fórmula de colírio Sulfato de zinco...............................................0,1 g Água destilada q.s.p. ....................................10 mL >SOLUÇÕES OTOLÓGICAS OU AURICULARES: São soluções para serem instiladas no canal auditivo para o tratamento de otites externas ou médias. Suas características são: Esterilidade; Veículo viscoso, para aderir às paredes do canal auditivo, como a glicerina, o propilenoglicol, óleos e água; pH de 5,0 a 7,8. >Acondicionamento: soluções otológicas são acondicionadas da mesma forma que os colírios. Exemplo de solução otológica Solução otológica de cloranfenicol Cloranfenicol .................................................... 1 g Veículo q.s.p. ............................................. 100 mL >Errinos: formas farmacêuticas de uso nasal, de ação local ou sistêmica. Principais características são: Não impedem a movimentação normal dos cílios do nariz; Não mudam a viscosidade do muco; Têm perfeita compatibilidade com a cavidade nasal; Possuem pH entre 6,5 e 8,3; Devem ser estéreis. >Acondicionamento: Os errinos são embalados em três tipos de frascos: •Frascos de vidro com tampa de conta-gotas; •Frascos plásticos nebulizadores; •Frascos com nebulizador. Exemplo de fórmula de errino Nafazolina solução Nafazolina ..................................................... 0,1% Veículo .......................................................... q.s.p. >Colutórios: formas farmacêuticas viscosas para tratamento da gengiva e parte interna da boca. Princípios ativos mais importantes são: • Antissépticos; • Anestésicos locais. >Acondicionamento: colutórios são acondicionados da mesma forma que os colírios e podem ter embalagem especial para sprays. Exemplo de fórmula de colutório Colutório para sapinho Bicarbonato de sódio ....................................... 2 g Borato de sódio ................................................ 2 g Melito de rosa ............................................. 20 mL >Gargarejos: Formas farmacêuticas líquidas destinadas a infecções da boca e da garganta, que não devem ser engolidas. •Os princípios veículos são: água, glicerina, aromatizantes e edulcorantes. •Os princípios ativos mais importantes são: antissépticos e anestésicos locais. >Acondicionamento: soluções para gargarejo são embaladas da mesma forma que os colutórios. Exemplo de fórmula de gargarejo Gargarejo antisséptico Ácido bórico ..................................................... 4 g Antipirina .......................................................... 2 g Salicilato de sódio ............................................. 2 g Glicerina ...................................................... 60 mL >Soluções Cavitárias: são formas farmacêuticas líquidas para serem usadas em enemas e duchas. - Enemas: A solução é instilada no reto ou no cólon com fins laxativos, podendo ter efeito local ou sistêmico. As soluções cavitárias usadas em enemas podem agir de diversas maneiras: SEDATIVA: Cloral hidratado ANTIINFLAMATÓRIA: Indometacina LAXATIVA: Glicerina ADSTRINGENTE: Tanino AUXILIAR DE DIAGNÓSTICO: Sulfato de bário. Exemplo de fórmula de solução cavitária para enema Enema de cloral Cloral hidratado ................................................ 4 g Solução gomosa ........................................ 100 mL >SOLUÇÃO PER OS: Administradas por via oral, muito utilizadas em prescrições pediátricas e para pacientes que não podem ou não conseguem ingerir formas farmacêuticas sólidas. Exemplo de solução per os Solução para reidratação oral Cloreto de sódio ............................................ 3,5 g Citrato trissódico, diidratado ......................... 2,9 g Cloreto de potássio ....................................... 1,5 g Glicose ............................................................ 20 g Água q.s.p. ..................................................100 mL >SOLUÇÕES EXTEMPORÂNEAS: São utilizadas para princípios ativos que não apresentam estabilidade em solução. Assim sendo, o frasco contém o pó ou granulado e, na hora da utilização do medicamento, se acrescenta o solvente na quantidade indicada e depois agita-se a mistura. O produto obtido apresenta curta validade (7 a 14 dias) e deve ser armazenado na geladeira, na maioria das vezes. >Xaropes: são preparações farmacêuticas aquosas contendo dois terços de seu peso de sacarose (Farmacopeia Brasileira). •Nessa concentração, a sacarose tem função edulcorante e conservante, pois, como os xaropes são soluções saturadas, provocam a desidratação de microrganismos. •Os xaropes podem ser utilizados como veículos, principalmente quando contêm em sua composição corantes e flavorizantes. •Por exemplo: xarope de groselha. Vantagens: Possibilidade de correção do sabor. Boa conservação. Desvantagens: Não devem ser utilizados pela maioria dos pacientes diabéticos, desde que tenham sido produzidos com sacarose. Preparação dos Xaropes: - Sacarose: Obtida da cana-de-açúcar e às vezes da beterraba, não apresenta vestígios de anidrido sulfuroso e possui um pigmento azulado, chamado ultramarina. - Água: Deve ser detilada ou deionizada. A preparação propriamente dita pode ser feita de duas formas: 1- A frio: Origina um xarope mais claro e as formas de vida como os fungos não são destruídas. 2- A quente: Pode-se obter um xarope mais amarelo, devido à caramellização do açúcar e também à esterilização do xarope. O processo é mais rápido e elimina o anidrido carbônico e o CO2, diminuindo a possibilidade de hidrólise. Observações práticas: •Na fabricação do xarope de vitaminas, deve-se usar sorbitol em vez de sacarose, devido às reações oxidativas. •Para diabéticos, usa-se sacarina e goma ou propilenoglicol. •A glicerina é um bom conservante e aumenta a viscosidade. •Se necessário, acrescentar um tensoativo, como o polissorbato 80, não se devendo, nesse caso, acrescentar nipagin, pois há incompatibilidade entre esses dois elementos. >Alterações: Os xaropes podem ser modificados por vários fatores, entre os quais temos: •Alterações físico-químicas: Calor – por exemplo, facilita a hidrólise; Luz – devido às radiações ultravioletas (UV); Precipitação do açúcar. •Alterações microbiológicas: Crescimento de microorganismos. >Conservantes: Usa-se normalmente o nipagin a 0,1 ou 0,2%, mas a glicerina também pode ser empregada. Exemplos de fórmula de xarope Xarope de hidroxizine Cloridrato de hidroxizine ............................... 0,1% Xarope simples q.s.p. ................................ 100 mL Base de xarope para diabéticos Goma adragante ............................................ 1,5 g Glicerina ........................................................... 6 g Sacarina sódica .............................................. 0,1 g Metilparabeno ............................................... 0,1 g Água q.s.p. ................................................. 100 mL A2 - ELIXIRES, SUSPENSÕES E EMULSÕES: Elixires: são formas farmacêuticas para uso oral que contêm no mínimo 20% de álcool e 20% de açúcar. Devem ser usados somente para princípios ativos solúveis em água e álcool, não podendo ser acrescentadas gomas. Exemplo de fórmula de elixir Elixir de Garus Espírito de açafrão composto...........................37 g Baunilha........................................................0,03 g Açafrão........................................................0,015 g Xarope de avenca.............................................57 g Água de flores de laranjeira...............................6 g Suspensões: são formas farmacêuticas líquidas constituídas de duas fases: uma interna (sólida, insolúvel, descontínua ou dispersa), e outra externa (líquida, contínua). • A fase interna não atravessa o papel de filtro e é visível ao microscópio comum. • As suspensões são utilizadas para a via oral, uso tópico na pele e mucosa, e via parenteral. • Podem ser encontradas prontas para o uso ou na forma de suspensões extemporâneas, da mesma forma que as soluções. Vantagens: - Princípio ativo insolúvel em veículos usados normalmente; - Melhora de sabor e odor; - Maior estabilidade; - Retardamento da absorção em injetáveis. Características: 1. Tamanho das partículas: devem ser de um tamanho que resulte em homogeneidade; não devem depositar-se facilmente; devem ter fácil redispersão e não devem formar cristais. 2. Fluidez: quanto mais viscosas, mais estáveis são as suspensões; porém, o excesso de viscosidade compromete o aspecto e a retirada do medicamento do frasco. 3. Estabilidade química, física e microbiológica: dependendo do uso, pode ser necessário esterilizar a suspensão. Agente suspensor Aumenta a viscosidade da fase externa da suspensão ↓ retardando a floculação ↓ e reduzindo a velocidade de sedimentação Na escolha do agente suspensor, deve-se considerar: → o pH do meio → a via de administração → a estabilidade → a incompatibilidade com os componentes da suspensão - Funções do agente suspensor: manter as partículas insolúveis em suspensão; evitar a flutuação, facilitando a penetração do líquido no pó (tensoativos, como a CMC, a goma-arábica e o veegum, evitam a flutuação); aumentar a viscosidade da fase líquida; permitir a redispersibilidade, facilitando a ressuspensão das partículas. Tipos de agente suspensor - tipo de agente suspensor é determinado pelo veículo: → Para veículos aquosos → Para veículos oleosos Agentes suspensores para veículos aquosos • Goma arábica – 5 a 15% • Goma adragante – 1% (via oral), 2% (uso externo) • Alginatos de alta viscosidade – 0,75 a 1% • Alginatos de baixa viscosidade – 1,5 a 3% • Metilcelulose – 2% • Carboximetilcelulose (CMC) • Carbopol 934 e 940 • Veegum Agentes suspensores para veículos oleosos • Lanolina – 5 a 6% em solução oleosa • Ceras – 1% Conservação - as suspensões devem ter estabilidade: → física: a suspensão deve ser de fácil redispersibilidade. No rótulo da suspensão deve constar os dizeres: “Agite antes de usar”. → química: para obter estabilidade química, é preciso tomar cuidado com a hidrólise, a oxidação etc. → microbiológica: deve-se garantir a estabilidade microbiológica através de esterilização e conservantes. Exemplo de fórmula de suspensão Suspensão de enxofre Enxofre precipitado............................................5 g Glicerina.............................................................5 g Polissorbato 80..........................................10 gotas Solução alcoólica de cânfora............................10 g Polietilenoglicol 400.........................................20 g Água destilada..................................................60 g Emulsões: são formas farmacêuticas líquidas de aspecto branco leitoso ou cremoso, resultantes da dispersão de um líquido no seio de outro, no qual é imiscível, à custa de um agente emulsificante. Fases - é constituída de duas fases: • O/A – fase interna descontínua, formada por gotículas de óleo envoltas pela fase aquosa, contínua → EMULSÃO AQUOSA • A/O – fase interna descontínua, aquosa, envolta em uma camada contínua, oleosa → EMULSÃO OLEOSA Para saber se a emulsão é O/A ou A/O, acrescentar água: • Se homogeneizar → é aquosa. • Se não homogeneizar → é oleosa. Componentes: - Fase aquosa: água destilada ou deionizada, pois o cálcio e o magnésio desestabilizam a emulsão. Depois são acrescentados os componentes solúveis mais os conservantes, edulcorantes e aromatizantes. - Fase oleosa: óleos aos quais são acrescentados os componentes solúveis e as essências, conservantes e antioxidantes. - Agente emulsificante: dá estabilidade à emulsão, reduzindo a tensão superficial entre o óleo e a água e retardando a separação das fases. - EHL (equilíbrio hidrófilo-lipófilo): é o equilíbrio entre as fases aquosa e oleosa. Agentes emulsificantes para uso interno: - Naturais: Goma-arábica (propriedades emulgentes O/A – um dos agentes emulsificantes mais inócuos); Goma adragante (O/A); Gelatina (O/A); Lecitina (O/A). - Sintéticos: Monoesterato de glicerina (A/O); Spans (A/O); Tweens (O/A) ou polissorbatos. - Auxiliares: Carboximetilcelulose (CMC); Metilcelulose; Pectina. Agentes emulsificantes para uso externo: • Como são destinados ao uso externo, não há necessidade de serem tão inócuos. • Dividem-se em dois grupos: → Naturais: Saponinas (O/A); Ceras (A/O); Lanolina (A/O). → Sintéticos: Sabões (O/A e A/O); Lauril sulfato de sódio; Lauril sulfato de trietanolamina; Cera lanette; Carbowax. Todos os agentes emulsificantes de uso interno podem ser também de uso externo. Preparação: Dispomos de três métodos para preparar as emulsões: - Método continental ou da goma seca: em um gral seco, coloca-se uma parte de goma arábica e quatro partes de óleo, acrescentandose depois duas partes de água. Feita a emulsão, acrescenta-se o restante da água ou óleo sempre na proporção: 1 : 4 : 2 Goma : Óleo : Água - Método inglês ou da goma úmida: homogeneizar a goma com a água e depois acrescentar óleo na proporção: 1 : 2 : 4 Goma : Água : Óleo - Método do frasco: colocam-se os componentes em um frasco tampado e agita-se energicamente, na proporção: 1 : 2 : 2 Goma : Água : Óleo Estabilidade: vários fatores indicam a estabilidade das emulsões. Estabilidade física: a emulsão tem estabilidade física quando não apresenta quebras macroscópicas. Ela depende dos seguintes itens: densidade/viscosidade/temperatura/tempo. - Densidade: quanto mais próximas as densidades das duas fases, maior a estabilidade da emulsão. - Viscosidade: o que conta é a viscosidade externa, quanto mais viscosa for a emulsão, tanto mais estável será. - Temperatura: o calor acelera a quebra da emulsão. - Tempo: o envelhecimento provoca a quebra da emulsão. Estabilidade química: para haver estabilidade química, é necessário prever incompatibilidades entre os princípios ativos. Estabilidade microbiológica: para haver estabilidade microbiológica, é necessário prevenir contaminações. Uso: as emulsões podem ser usadas por via oral, parenteral, intramuscular (IM), intravenosa (IV) e topicamente: - Via oral: permite mascarar odor e sabor. Os corretivos ficam na fase externa, sendo geralmente O/A. - Via parenteral: quando se deseja absorção lenta. Via intramuscular (IM) – pode ser A/O e O/A. Via intravenosa (IV) – somente O/A, exigindo muito cuidado. - Uso tópico: geralmente O/A, mas pode ser A/O. Deve ser de fácil aplicação e remoção, além de não sujar a roupa. Acondicionamento: as emulsões devem ser acondicionadas em frascos bem fechados. Exemplo de fórmula de emulsão Emulsão de benzoato de benzila Benzoato de benzila................................................20g Trietanolamina........................................................0,6g Ácido esteárico..........................................................2g Água q.s.p...........................................................100mL - Injetáveis, Tinturas e Extratos: São soluções, suspensões, emulsões estéreis de substâncias medicamentosas em veículos aquosos, oleosos ou outros, apropriados para serem administrados por via parenteral. Classificação: Os fármacos injetáveis são classificados de acordo com a via de administração: 1- Intradérmicos (ID): Volume de 0,06 a 0,18 mL, normalmente aplicados no antebraço. 2- Subcutâneos (SC) ou Hipodérmicos: Volume de 0,3 a 1 mL, pois um volume maior causa edema. Podem ser usados veículos aquosos, oleosos e suspensões. Têm absorção lenta, podendo apresentar ação farmacológica por mais de 30 dias 3- Pellets ou Implantes: São medicamentos sólidos, esférulas de aproximadamente 7 mm de diâmetro e 3 mm de espessura, para aplicação subcutânea. Os princípio ativos passam lentamente para a corrente sanguínea, causando absorção lenta e regular. Os excipientes também devem ser absorvíveis, para não causarem lesão. 4- Intramusculares (IM): São injetáveis que ultrapassam a pele, o tecido subcutâneo e atingem o músculo. Os volumes ideais devem ser de no máximo 4 mL, podendo eventualmente atingir 10 mL na região glútea. Podem ser oleosos, aquosos ou suspensões. 5- Endovenosos (EV) ou Intravenosos (IV): Não há fase de absorção para esses injetáveis, pois o medicamento é aplicado diretamente na corrente sanguínea. Portanto, os endovenosos têm ação rápida e intensa. Para medicamentos aquosos ou emulsão O/A de até 1000 mL. 6- Intrarraquidianos: Esses injetáveis atuam no tecido nervoso, especialmente na região do encéfalo. 7- Epidurais ou Peridurais: São injetáveis usados para anestesiar membros inferiores e pequena bacia. Volume de 20 a 30 mL. 8- Intraperitoniais: São injetáveis usados para diálise peritoneal. 9- Intra-arteriais: São injetáveis de ação rápida e intensa. A escolha da via de administração depende de vários fatores, que incluem: → o tipo de veículo utilizado, → e o tempo para a ação do medicamento. O veículo aquoso deve ser apirogênico e isotônico. As soluções hipotônicas provocam hemólise e as hipertônicas provocam plasmólise. Como a plasmólise é reversível, as soluções hipertônicas são menos nocivas. Pirogênio ↓ produto de excreção ou de degradação de microrganismos na maioria gram-negativos ↓ quando injetado em grandes quantidades dá origem a reações febris O pH é muito importante na formulação de injetáveis. O ideal é que esteja em torno de 7, porém alguns fármacos têm pH diferentes. Exemplos: a insulina, a morfina e a vitamina B12 têm pH de aproximadamente 2 e os barbitúricos, de aproximadamente 9. O veículo oleoso deve ser isento de acidez e não deve ser usado por via intravenosa (IV) nem intrarraquidiana. Requisitos - Esterilidade: → o fármaco injetável não deve conter nenhum microrganismo vivo; → a área de preparação deve garantir condições de assepsia para evitar ou impedir contaminações. - Veículos adequados: → água deionizada e esterilizada: é o veículo mais utilizado, por ser o líquido mais abundante do corpo; → óleos estéreis: os mais comuns são amendoim, soja, oliva e algodão; os óleos não são absorvidos; devem ser isentos de odor e de excesso de acidez e perfeitamente límpidos; → outros: propilenoglicol, glicerina, álcool benzílico e álcool etílico são solventes indicados para fármacos hidrolisáveis ou dolorosos. Devemos usar adjuvantes para evitar hidrólise e oxidação, e também conservantes. Preparação: A preparação de injetáveis compreende cinco fases: 1- Lavagem do material de acondicionamento: As condições de absoluta esterilidade iniciam-se com a lavagem das ampolas, que deve garantir a eliminação de corpos estranhos em seu interior. 2- Esterilização do material de acondicionamento: As ampolas devem ser secas e esterilizadas pelo calor, numa temperatura que varia de 200°C a 250°C, durante uma hora. 3- Preparação do medicamento propriamente dito: Pode ser de uma em uma ou em máquinas próprias. 4- Enchimento das ampolas; 5- Esterilização: Dependendo do produto, o enchimento das ampolas é acompanhado por técnica asséptica, que pode ser realizada por filtros esterilizantes ou pela ação da radiação. Mas, em geral, devemos esterilizar as ampolas após o fechamento, o que pode ser feito: por calor seco (média de 150°C, de uma a duas horas); por calor úmido (média de 110°C), em autoclave, durante tempo variável. Acondicionamento: O material usado para acondicionar medicamentos injetáveis pode ser vidro, desde que tenha resistência mecânica ao choque e não ceda íons à solução nem retenha íons da solução. Podem ser usados também o plástico, o polietileno, o cloreto ou o acetato de polivinila resistentes ao choque, suficientemente transparentes, com resistência térmica de 100°C a 110°C, impermeáveis a vapor e gases, inertes aos medicamentos e impenetráveis por microrganismos. A embalagem dos fármacos injetáveis pode ter dois tamanhos: Ampola – dose única, volumes de 1 mL a 50 mL. Frasco-ampola – dose única ou múltiplas doses, volume de 1 mL a 1000 mL. Alterações: Os injetáveis podem sofrer vários tipos de alteração: contaminação; decomposição resultante de: oxidação causada por luz e calor; hidrólise; incompatibilidade físicoquímica. Exemplo de fórmula de injetável Fenobarbital ampola Fenobarbital sódico ......................................1,25 g Álcool benzílico ...........................................0,5 mL Água destilada ................................................1 mL Propilenoglicol q.s.p. ....................................10 mL - Tinturas: São soluções extrativas alcoólicas, obtidas a partir de drogas vegetais, animais e minerais no estado seco. Na composição, além do álcool, podem ser usados éter, clorofórmio, acetona, etc. Vantagens: grande quantidade de princípios ativos; boa conservação antimicrobiana; facilidade de posologia. - Para se obter uma tintura de qualidade, deve-se escolher bem: → o método de extração → a graduação do álcool - As drogas utilizadas podem ser de origem: → animal: cantáridas, almíscar → vegetal: as mais utilizadas são beladona e estrofanto → mineral: alcatrão - Pode-se usar a droga: → inteira: arnica, alcatrão → dividida: açafrão, baunilha - A relação entre a droga e o álcool é de: → 1:10 – uma parte de droga para dez partes de álcool (10%) → 2:10 – duas partes de droga para dez partes de álcool (20%) - Como devem ser feitas as diluições: → Drogas secas pouco ativas – álcool 65% → Drogas heroicas – álcool 70% → Substâncias resinosas – álcool 85% - Métodos de Extração: Existem dois métodos principais de extração de tinturas: → Maceração: Deixa-se a droga em contato com o álcool por dez dias. Em geral, a proporção é de 200 g de droga para 1000 mL de álcool. → Lixiviação ou percolação: A droga é pulverizada e passada várias vezes por um líquido extrator, até que todo o princípio ativo seja retirado. O extrato pode ser diluído em álcool. - Usos: As tinturas podem ser: → de uso externo – como antissépticos, cicatrizantes, antipruriginosos, adstringentes → de uso interno – como béquicos, analgésicos, diuréticos. Exemplo de fórmula de tintura Tintura de casca de laranja Casca de laranja ..............................................20 g Álcool .........................................................100 mL Método: maceração por dez dias. - Extratos: São preparações concentradas obtidas de drogas vegetais ou animais por meio de um líquido extrator e posterior evaporação. Como veículo, usa-se álcool de 60 a 90% e, às vezes, éter e acetona. Os extratos dividem-se em quatro grupos: 1- Extrato fluido: forma líquida; 2- Extrato mole: consistência de mel; 3- Extrato firme: consistência de massa firme; 4- Extrato seco: forma de pó. Os extratos fluidos são os mais usados e devem ser preparados de modo que 1 mL do extrato contenha 1g da droga respectiva, secada ao ar livre. - Método de Extração: os extratos podem ser obtidos por: → maceração → lixiviação → infusão → decocção → digestão Os processos de maceração e lixiviação são os mesmos usados para a obtenção das tinturas. Os métodos restantes são: a) Infusão: Coloca-se a droga em água fervendo, desliga-se o fogo e deixa-se a mistura em recipiente fechado durante um certo tempo. b) Decocção: Coloca-se a droga na água em ebulição, deixando a ferver durante um certo tempo. c) Digestão: Coloca-se a droga em um solvente durante um certo tempo, à temperatura de 35 a 40°C. Os usos do extrato são os mesmos da tintura. Exemplo de fórmula de extrato Extrato de ratânia Ratânia em pó grosso ......................................10 g Água destilada .................................................80 g Método: infusão por 24 horas. - Formas farmacêuticas pastosas e gasosas: A pele possui três camadas distintas: a derme , a epiderme e a hipoderme. A derme, ou cútis, é a camada mais espessa e fibrosa, e confere resistência e elasticidade à pele. Nela estão as glândulas e os folículos pilosos. É por suas glândulas sudoríparas e sebáceas que os medicamentos são absorvidos. Na epiderme, estão as células epiteliais de superfície, onde encontramos as camadas de gordura e queratina. É essa camada da pele que recebe a aplicação tópica das formas farmacêuticas pastosas. As mais utilizadas são as pomadas, os cremes, as pastas, os ceratos, os linimentos, os unguentos, as loções e os géis. Na hipoderme, encontramos a zona vascularizada. Medicamentos ↓ penetram na pele através da derme ↓ quando íntegra, permite uma determinada absorção Quando há a presença de cortes ou arranhões ↓ facilitam a penetração ↓ levando a alteração da absorção, penetração, tempo de ação, ou seja, alterando a resposta farmacêutica Outros fatores também podem interferir na absorção, como, por exemplo: - CONCENTRAÇÃO DO PRINCÍPIO ATIVO - HIDRATAÇÃO DA PELE - INTENSIDADE DA FRICÇÃO NA APLICAÇÃO DO MEDICAMENTO - PERÍODO DE EXPOSIÇÃO DO MEDICAMENTO À PELE - NÚMERO DE VEZES DA APLICAÇÃO - Pomadas: São formas farmacêuticas de consistência macia e pegajosa, de uso externo, com excipientes gordurosos ou com polietilenoglicóis. Exemplo de fórmula de pomada Dexametasona ...............................................0,5 g Lanolina .............................................................5 g Lauril sulfato de sódio .......................................1 g Vaselina q.s.p. .................................................30 g f.s.a. - Cremes: São preparações com excipientes emulsivos O/A ou A/O, para uso externo, podendo ou não conter substâncias terapêuticas. São também considerados emulsões. Exemplo de fórmula de creme Creme Lanette Lanete N .................................................................15% Cetiol V .....................................................................3% Óleo mineral .............................................................2% Propilenoglicol .........................................................5% Nipagin ................................................................0,15% Nipazol .................................................................0,05% Água destilada q.s.p. ............................................100% - Pastas: São preparações que contêm uma proporção de pó igual ou superior a 20%. Podem ter excipientes oleosos ou aquosos, mas são menos oleosos que as pomadas e, na maioria das vezes, mais espessas. Exemplo de fórmula de pasta Pasta zíncica de Lassar Amido ..............................................................25 g Óxido de zinco .................................................25 g Lanolina ...........................................................25 g Vaselina ...........................................................25 g f.s.a. - Ceratos: São preparações que contém grande quantidade de ceras animais ou vegetais, podendo ou não conter essências. As ceras mais usadas em sua fabricação são a cera de abelha, o espermacete e a cera de carnaúba. Exemplo de fórmula de cerato Cold cream Espermacete ..............................................................16 g Cera branca...............................................................8 g Óleo de amêndoas ...............................................55 mL Água de rosas ......................................................16 mL Tintura de benjoim ................................................4 mL Essência de rosas ...............................................2 gotas Borato de sódio .....................................................0,5 g f.s.a. Sistemas transdérmicos: São adesivos colocados na pele, liberando os princípios ativos, que atravessam as diversas camadas da pele, apresentando ação sistêmica. São utilizados para, por exemplo, veicular hormônios. Vantagens: Utilizados para medicamentos que apresentam dificuldade de absorção gastrointestinal ou por problemas patológicos neste sistema; Fácil interrupção do tratamento. Desvantagens: Não é possível utilizar princípios ativos que agridem a pele; Precisam ter boa penetração na pele. - Loções: As loções são líquidas ou semilíquidas, de aspecto viscoso e uniforme, e facilmente removíveis com água. De uso externo. Exemplo de fórmula de loção Loção Lanette Lanete N....................................................................5 g Cetiol V.....................................................................5 g Óleo mineral..............................................................5 g Propilenoglicol ..........................................................5 g Nipagin ................................................................0,15 g Nipazol .................................................................0,05 g Água destilada q.s.p...........................................100 mL - Géis: São preparações semissólidas, formadas por um pó disperso em um líquido, com aparência translúcida ou transparente. Exemplo de fórmula de gel Carboximetilcelulose .........................................5 g Glicerina ..........................................................10% Água q.s.p. ..................................................100 mL Excipientes para formas farmacêuticas pastosas: Esses excipientes são substâncias líquidas ou moles, usadas para ligar, dissolver ou modificar o uso de outro, que serve de medicamento. Devem apresentar características como: 1- Não retardarem a cura; 2- Não causarem alergias; 3- Serem neutros; 4- Liberarem o princípio ativo adequadamente; 5- Serem de fácil confecção; 6- Terem bom aspecto (estética). Classificação: Os excipientes dividem-se em quatro grupos: A) Gordurosos ou hidrófobos: são aqueles que praticamente não retêm água, usados para preparar todas as formas pastosas. Exemplos: vaselina, cera branca e amarela (de abelhas), espermacete, silicone, cutina e lanette. B) Aquosos: são os que captam água, originando emulsões do tipo A/O. Exemplos: lanolina ou suarda, álcool cetílico, álcool cetoestearílico, polietilenoglicol, spans. C) Óleo-aquosos: são aqueles que originam emulsões O/A. Exemplos: Sabões alcalinos, como os sais de amônio, sódio ou potássio dos ácido oleico e esteárico; monoestearato de glicerila; propilenoglicol; polietilenoglicol; polissorbatos (Tween); lauril sulfato de sódio. D) Hidrófilos: são hidrodispersíveis ou mucilaginosos. Exemplos: Alginato; Pectina; Ágar-ágar; Amido; Veegun; Carbowax; Gelatina. Atuação na pele: Cada uma das formas farmacêuticas pastosas tem uma atuação diferente na pele, como veremos a seguir: POMADAS: Por serem gordurosas, provocam estado congestivo, impedindo a perspiração. Provocam também a vasodilatação. PASTAS: São compostas de duas fases: pó e líquida. Quando aplicada, a camada de pó permanece atuando na pele. CREMES: Os resultantes de emulsões O/A são mais bem aceitos pela pele que os de emulsões A/O. Apresentam ação antiflogística e lubrificante e agem mais profundamente que as pomadas. Em cosmética, indica-se para o dia a dia o uso de um creme O/A com mais de 60% de água; Especificamente para a noite, indica- se um creme A/O com uma proporção de água inferior a 40%; Para a limpeza, pode-se usar cremes de limpeza que quase sempre são emulsões O/A. LOÇÕES: São para uso superficial, para limpeza de pele, pequena hidratação, podem apresentar ação antipruriginosa, etc. Poder de penetração: de acordo com seu poder de penetração, em geral os excipientes podem ser classificados da seguinte forma: EPIDÉRMICOS / ENDODÉRMICOS / DIADÉRMICOS. a) Epidérmicos: Utilizados quando se pretende ação epitelial, são excipientes que agem nas camadas superiores da pele, permitindo que o medicamento atue até a camada hialina, sem atingir as zonas germinativas e malpighianas. Medicamentos que os empregam são os queratoplásticos, queratolíticos, revulsivos, protetores, etc. Normalmente não são absorvíveis, sendo insolúveis em água ou veículos aquosos, como os exsudatos. Exemplo: vaselina, veegum. b) Endodérmicos: Agem nas camadas medianas da pele, alcançando as zonas ou extratos malpighianos e germinativos. São usados com agentes antiparasitários, emolientes, antissépticos. Exemplos: lanolina, banha, sabões aniônicos, como o lauril sulfato de trietanolamina ou sódio. c) Diadérmicos: Proporcionam o contato do medicamento com a zona vascularizada, podendo causar ação sistêmica. Formam o sistema O/A e são usados com medicamentos antiinflamatórios, antipruriginosos, antialérgicos, etc. Exemplos: cloreto de benzalcônio, polissorbatos, spans. Pomadas oftálmicas: São preparadas assepticamente com excipientes estéreis de baixo ponto de fusão. Como excipientes, utilizam-se vaselina, lanolina e parafina líquidas, esterilizadas a 150°C por duas horas. Acondicionamento e conservação de todas as formas farmacêuticas pastosas: A estabilidade de formas farmacêuticas pastosas é diretamente proporcional à forma de acondicionamento. Este pode ser feito em potes de vidro, porcelana ou materiais plásticos, ou em tubos de plástico ou de metal, como o alumínio. Embora o armazenamento em potes não seja o ideal – por causa da presença de ar, o que facilita a hidrólise, a oxidação e a contaminação –, é o mais indicado para pequenas quantidades em manipulação. - Formas farmacêuticas gasosas: 1. Aerossóis: Dá-se o nome de aerossol às dispersões cuja fase dispersa é sólida ou líquida e cuja fase dispergente é gasosa. A maioria das partículas tem de 1 a 10 micra de diâmetro, podendo atingir até 50 micra. Para gases inalantes, recomenda-se de 0,5 micra a 7 micra. Hoje em dia, os gases liquefeitos e comprimidos são usados como propelentes. A eficiência do aerossol é proporcional à capacidade de propulsão desses gases. Os aerossóis podem ser usados em diversos aparelhos, como: Atomizadores / Nebulizadores / Vaporizadores. a) Atomizadores: São tubos em formato de T, em que uma haste fica mergulhada na solução medicamentosa. b) Nebulizadores: Normalmente possuem peras de borracha para expelir o medicamento. c) Vaporizadores: São usados para umedecer o ar, dispensando os líquidos voláteis. Os aerossóis verdadeiros são utilizados por meio de um recipiente fechado, onde se coloca um gás liquefeito a baixa temperatura. Quando este se aquece, torna-se gasoso, conduzindo o princípio ativo quando é liberado. - Propelentes: São gases constituídos por misturas de materiais combustíveis e agentes oxidantes capazes de efetuar a propulsão controlada de um corpo sólido. No caso dos aerossóis, são usados dois tipos de propelentes: GASES LIQUEFEITOS: Os mais utilizados são os derivados clorados ou fluorados de hidrocarbonetos, como o diclorodifluormetano e diclorotetrafluormetano. Não devem ser irritantes, tóxicos ou inflamáveis. Mas os gases liquefeitos estão sendo, em sua maioria, retirados do mercado por destruírem a camada de ozônio. São propelentes e solventes. GASES COMPRIMIDOS: Os mais usados são o azoto, o protóxido de azoto e o anidrido carbônico. Exemplo de fórmula de aerossol Aerossol Composto quaternário de amônio ...............0,75 g Essência ........................................................0,25 g Álcool etílico anidro ......................................99 mL Mistura propelente q.s.p. ...........................200 mL 2. Sprays: São soluções aquosas ou oleosas, de uso tópico, onde partículas sólidas são veiculadas. Utilizadas para queimaduras de sol, para absorção através da mucosa nasal, etc. São de fácil aplicação. Exemplo de fórmula de spray Cloreto de benzalcônio ..............................130 mg Veiculo q.s.p. ...............................................100mL EMBALAGENS PARA PREPARAÇÕES MAGISTRAIS - Materiais de embalagem -Formas farmacêuticas e embalagens sugeridas -Calibração de embalagens A embalagem tem sido descrita como uma maneira econômica de prover apresentação, proteção, identificação e conveniência para o produto até o momento de sua utilização ou administração. 1. Funções: O termo embalagem é abrangente e cobre todos os componentes envolvidos, incluindo a embalagem primária ou imediata que envolve os materiais (ex.: recipiente, invólucro) que entram em contato direto com o produto; A embalagem secundária é empregada para proteger a embalagem primária para o transporte, armazenamento, distribuição e dispensação. Algumas vezes pode incluir ainda componentes terciários, como componentes auxiliares ao uso (ex.: aplicadores, recipientes separados de medida). A função primária da embalagem é de proteção do produto, durante o armazenamento e transporte, frente: •às condições ambientais adversas – umidade, contaminação microbiológica, oxigênio e luz solar; •aos riscos físicos – choque, impacto, compressão, vibração e perfuração. •Seu propósito principal é de manter sua conservação durante o período de utilização. A embalagem e o produto não devem ser considerados como entidades separadas. Deverá haver uma combinação perfeita desses dois elementos para manter a adequada estabilidade do produto. O produto acondicionado deverá ser compatível com o material constituinte da embalagem. Esse material não deverá alterar a pureza, integridade e/ou estabilidade do produto. A embalagem deverá ser inerte, de forma a não promover nenhuma alteração do produto, seja por interação, extração ou transferência. A proteção fornecida pela embalagem deve compreender o período de validade, bem como também o período de uso do produto. O farmacêutico, no momento da escolha da embalagem para um determinado produto, deverá considerar diversos fatores, como: •compatibilidade com o produto; •funcionalidade; •design estético; •performance; •marketing; •custo; •conveniência. 2. Definições: Recipiente: - embalagem que acondiciona o artigo e está ou pode estar em contato direto com o mesmo; - pode também ser definido como embalagem primária, de vidro ou plástico, destinada ao acondicionamento, que atenda aos requisitos da legislação sanitária vigente; - o fechamento (tampa, batoque, selo) é uma parte integrante do recipiente. De acordo com as condições de acondicionamento proporcionadas, os recipientes podem ser definidos como: Recipiente bem fechado •Aquele que protege o seu conteúdo de perdas e contaminação por sólidos estranhos, nas condições usuais de manipulação, transporte, armazenamento e distribuição. Recipiente perfeitamente fechado (recipiente bem vedado) •Aquele que protege o seu conteúdo de perdas e de contaminação por sólidos, líquidos e vapores estranhos, eflorescência, deliquescência ou evaporação nas condições usuais de manipulação, distribuição, armazenamento e transporte. Recipiente hermético •Aquele impermeável ao ar ou qualquer outro gás, nas condições usuais de manipulação, transporte, armazenagem e distribuição. Recipiente resistente à luz •Aquele que protege o conteúdo dos efeitos da luz. Recipiente dose única •Aquele recipiente desenvolvido para acondicionar uma quantidade do produto farmacêutico destinado à administração como dose única ou um único recipiente final destinado ao uso imediato após sua abertura. Recipiente multidose •Aquele que contém uma quantidade suficiente de produto para duas ou mais doses. Recipiente selado •Trata-se de um recipiente fechado por fusão do material que o constitui. Recipiente com lacre inviolável •Recipiente fechado, provido de um dispositivo especial que revela, sem lugar para dúvidas, se o mesmo foi aberto. Embalagem primária: Acondicionamento que está em contato direto com o produto e que pode se constituir em recipiente, envoltório ou qualquer outra forma de proteção, removível ou não, destinado a envasar ou manter, cobrir ou empacotar matérias-primas, produtos semielaborados ou produtos acabados. - Recipientes primários são normalmente feitos de: •vidro; •plástico; •materiais laminados flexíveis; •metal. Embalagem secundária: É a embalagem que protege a embalagem primária para o transporte, armazenamento, distribuição e dispensação. A embalagem secundária pode estar ou não presente. Pode ser utilizada para apresentação comercial final do produto e ser usada para acondicionar a bula. •Normalmente é de papel cartonado. 3. Fatores que influenciam na escolha da embalagem de medicamentos No passado, produto e embalagem eram tratados como entidades separadas no contexto farmacêutico. A escolha da embalagem era decidida no último estágio do desenvolvimento farmacêutico. Hoje, essa escolha é considerada sempre em associação ao produto, observando-se aspectos técnicos, funcionais e comerciais. Dentre os diversos fatores que influenciam na escolha da embalagem, podemos citar: - Tipo de forma farmacêutica (pó, comprimido, cápsula, supositório, suspensão) - Estado físico (sólido, líquido ou gasoso) - Compatibilidade química com o material da embalagem - Via ou modo de administração ou uso - Forma de venda - Nicho de mercado a que se destina -Modo de dispensação - Perfil de estabilidade do fármaco veiculado -Esterilidade - Sistema de distribuição - Segurança (ex.: tampa com sistema de travas resistente a crianças) 4. Atributos básicos ideais de uma embalagem Estar limpa, sanitizada ou estéril, quando aplicada. Ser inerte: não interagir fisicamente e ou quimicamente com a preparação. Ser capaz de preservar a pureza, teor ou concentração, integridade e estabilidade da matéria-prima ou preparação acondicionada. 5. Materiais de embalagem Diferentes tipos de materiais são empregados na fabricação de recipientes para produtos farmacêuticos. A maioria dos recipientes é geralmente constituída de um único material e em algumas vezes pela combinação de diferentes materiais. Os principais materiais utilizados são: papel, vidro, metal, plástico 5.1. Papel e laminados O papel tem sido utilizado em uma variedade de recipientes para uso farmacêutico: → desde envelopes utilizados para acondicionar alguns poucos comprimidos ou pequenas quantidades de pós; → até tambores de fibra com capacidade para dezenas de quilos. Entretanto, poucos recipientes de papel oferecem adequada proteção contra a umidade ou o ar. Por esse motivo, atualmente o papel tem sido usado basicamente como embalagem secundária (ex.: caixas de papel cartonado). Seu uso como embalagem primária tem sido desmotivado pela baixa proteção frente às condições atmosféricas. Contudo, é possível modificar o papel através de revestimento com: → plástico; → folhas de metal (ex.: papel alumínio); → ceras ou outros materiais que aumentem suas propriedades de barreira. Tais tipos de papéis revestidos poderiam ser considerados adequados para embalagem primária de preparações farmacêuticas. De fato, envelopes de papel com revestimento plástico, envelopes laminados com revestimento plástico (ex.: sachê de alumínio) e papel alumínio têm sido amplamente empregados na embalagem primária de diversas formas farmacêuticas (ex.: pós, granulados, comprimidos, tabletes, supositórios, pastilhas, emulsões, soluções, etc). 5.2. Vidro Recipientes de vidro são amplamente empregados no envase de produtos farmacêuticos, incluindo praticamente todas as formas farmacêuticas, de pós a soluções parenterais estéreis. O vidro possui qualidade protetora superior, estando disponível em vários tamanhos, cores e formatos. É quimicamente inerte, impermeável, forte e rígido. É aprovado pelos compêndios e órgãos oficiais para utilização com fins farmacêuticos. É estável, não deteriorando em condições ambientais extremas. Protege a preparação farmacêutica contra fatores ambientais que poderiam promover sua degradação. Existem algumas desvantagens associadas ao uso de recipientes de vidro. O material é frágil e pesado, gerando um aumento de gastos com embalagens protetoras e com despesas de expedição e transporte. Além disso, o vidro apresenta um custo maior se comparado ao plástico. Embora ainda seja amplamente empregado e considerado um material nobre, o vidro está sendo rapidamente substituído pelo plástico atualmente. Existem basicamente quatro tipos de vidro para uso farmacêutico: Tipo I, Tipo II, Tipo III, NP (não parenteral) TIPO I Neutro e altamente resistente (maior durabilidade, dureza e resistência ao choque térmico). Vidro de borossilicato. É quimicamente inerte, sendo usado para envase de ácidos, álcalis e diversos tipos de solventes. É amplamente usado para produtos parenterais e demais produtos estéreis TIPO II Vidro sódico-cálcico com tratamento de desalcalinização para remoção dos álcalis de sua superfície. É um vidro quimicamente resistente, sendo amplamente utilizado em produtos parenterais e outros produtos estéreis. TIPO III Vidro sódico-cálcico de alcalinidade limitada. É um vidro não tratado, de boa resistência química. Ocasionalmente utilizado em produtos parenterais. 52 NP (não parenteral) Vidro sódico-cálcico para uso em produtos de utilização oral ou tópica (uso geral). Não é utilizado para envasar produtos de uso parenteral. 5.3. Metal Recipientes de metal são geralmente constituídos de alumínio, aço, estanho e aço revestido de estanho. São fortes, opacos, impermeáveis a líquidos, umidade, vapores, gases, odores e bactérias, bem como resistentes a altas e baixas temperaturas. A desvantagem das embalagens de metal devese ao fato de requererem algum tipo de revestimento para minimizar a reatividade com os fármacos. •Exemplos: revestimento acrílico, epóxi, laca, oleorresinas, fenólicos ou vinílicos. Os recipientes de metal mais usados em embalagens farmacêuticas são os tubos flexíveis para pomadas, embalagens para aerossol, pote e lata para pós do tipo talqueiras. •Tubos flexíveis proporcionam uma boa proteção ao produto frente às condições atmosféricas e ao mesmo tempo fornecem maior economia e conveniência ao consumidor. Eles também são mais higiênicos, pois somente o produto extraído é exposto à contaminação, ao contrário do que acontece com os potes de boca larga, nos quais todo o conteúdo fica exposto com a retirada da tampa. Os tubos podem ser rotulados e silcados. Entretanto, são facilmente perfurados e, durante o uso, conforme vão sendo apertados, sua rotulagem tende a ficar menos legível. Podem também ser amassados e ter a aparência alterada conforme sejam armazenados. Os tubos de estanho são mais leves, fortes e menos reativos que os de alumínio. Portanto, são mais desejáveis que os de alumínio, que apresentam problemas de incompatibilidade. Para formulações contendo princípios ativos reconhecidamente susceptíveis a oxidação (ex.: creme ou gel com hidroquinona, creme ou gel com ácido retinóico, creme com cetoconazol) ↓ o tubo flexível de metal (bisnaga de metal) revestido no seu interior com material plastificantes ou com verniz é a embalagem de escolha 5.4 Plásticos Podem ser definidos como um grupo de substâncias, de origem natural ou sintética, constituídas principalmente de polímeros de alto peso molecular, que podem ser moldadas em determinada forma ou formato por calor ou pressão. O termo plástico ↓ abrange uma variedade de materiais utilizados para produzir recipientes rígidos ou flexíveis Plásticos ↓ consistem usualmente de moléculas grandes de materiais orgânicos relacionados a certo número de blocos de moléculas referidos como monômeros O material é formado quando esses monômeros (que são moléculas relativamente pequenas) ↓ são submetidos a um processo conhecido como polimerização Polimerização ↓ envolve a utilização de diversas substâncias químicas auxiliares ↓ como aceleradores, iniciadores, solventes e catalisadores Existem mais de cem polímeros diferentes, com qualidades e custos variados, que podem ser empregados para a fabricação de recipientes farmacêuticos. Esses polímeros podem ser classificados em duas categorias: Os plásticos são formados por uma mistura de compostos homólogos com uma variação de peso molecular. Podem conter ainda outras substâncias, como: resíduos do processo de polimerização, plastificantes, estabilizantes, antioxidantes, pigmentos, e lubrificantes. Os plásticos têm se transformado no material de embalagem farmacêutica mais popular. A preferência atual por esse tipo de embalagem se deve à: → diversidade de materiais plásticos disponíveis; → adaptabilidade para criar diversas formas de embalagem. Trata-se de um material forte, leve, razoavelmente inerte, física e quimicamente resistente e pode ser feito de vários polímeros para aplicações específicas. Entretanto, são geralmente inferiores ao vidro em termos de inércia química, resistência ao calor e impermeabilidade. Vários plásticos podem ser afetados por solventes, todos são em algum grau permeáveis à umidade e gases e praticamente todos são amolecidos com a exposição ao calor relativamente baixo. Os plásticos comuns mais utilizados como embalagens de preparações farmacêuticas são: Polietileno (baixa densidade, alta densidade); Poliestireno; Polipropileno; Cloreto de polivinila (PVC); Polietileno tereftalato (PET). Problemas com embalagem de plástico Geralmente, os problemas mais comuns com embalagens plásticas são: → Permeabilidade, lixiviação, sorção, reatividade com os componentes do produto envasado e alteração das propriedades do plástico. PERMEABILIDADE Trata-se da transmissão de gases, vapores ou líquidos através da embalagem plástica. Pode favorecer a hidrólise e oxidação do produto envasado. LIXIVIAÇÃO É quando um ingrediente da embalagem migra para o produto envasado. Isso é relativamente comum em embalagens de PVC que contenham plastificantes, tal como o dietilhexilftalato (DEHP). O DEHP pode migrar da embalagem para a solução do produto. SORÇÃO Resulta na perda de uma droga (princípio ativo) de uma forma farmacêutica: → por adsorção (fixação da substância na superfície do plástico) Ou → por absorção pelo plástico da embalagem. *Uma das maiores desvantagem do plástico é o fato de permitir a oxidação de fármacos sensíveis. Formas farmacêuticas e embalagens sugeridas: Calibrações de embalagens: - Calibração de frasco conta-gotas: Frequentemente, a gota é empregada como unidade de medida de um medicamento. O tamanho da gota é influenciado: → densidade do líquido; → temperatura; → tensão superficial; → diâmetro e abertura da extremidade do gotejador; → ângulo de gotejamento Fabricantes de medicamentos ↓ normalmente fornecem os conta-gotas e gotejadores especialmente calibrados para seu produtos Contudo, em diversas situações, incluindo no contexto da farmácia magistral, o profissional de saúde tem a necessidade de calibrar o conta-gotas ou outro dispositivo gotejador para medida de pequenas quantidades do produto líquido. Procedimento para calibração de conta-gotas e outros dispositivos gotejadores 1. Contar o número de gotas requerido para transferir um volume de 2 mL do líquido do produto de sua embalagem original (utilizando seu respectivo conta- gotas ou gotejador) para uma proveta graduada de 5 mL. 2. Dividir o número de gotas gasto por 2, e então teremos o número de gotas dispensado por mL. 3. O volume dispensado por gota, poderá ser calculado por regra de três, conforme demonstrado no exemplo a seguir. - Calibração válvula spray: Na utilização de embalagem com válvula spray, a dispensação da dose posológica correta é estabelecida em função do volume dispensado por cada jato. Portanto, é importante a calibração da válvula utilizada em função da preparação que será dispensada de forma a averiguar o volume e a dose equivalentes por jato. A calibração de válvulas spray pode ser facilmente realizada através da pesagem do recipiente com a solução dispensada. Deve-se considerar e manter constantes as seguintes variáveis: → a pressão realizada nas paredes do recipiente; → o tempo de pressão que é aplicado; → a posição correta do recipiente em função do modo de aplicação. - Em uma balança analítica, pese o recipiente spray com a solução que será dispensada e anote o valor. - Segure o recipiente na posição correta de uso e acione 10 jatos em um saco plástico. - Pese novamente o recipiente, subtraia do peso inicial e divida por 10. - Esse procedimento fornecerá o volume “aproximado” dispensado por cada jato spray, levando em consideração uma densidade específica de 1,0. - Para compensar as diferenças na densidade específica, viscosidade etc.; uma alternativa correta seria preparar uma solução “branco”, contendo todos os ingredientes da formulação, exceto o ativo. Exemplo de cálculo: Supondo que o volume dispensado em 10 jatos seja equivalente a 1,5 mL de uma solução spray de lidocaína a 10%. 1. Qual seria o volume da solução dispensada por jatos? 2. Qual a quantidade de lidocaína dispensada por jato? - Incompatibilidades físicas e químicas: As incompatibilidades compreendem os efeitos recíprocos entre dois ou mais componentes de uma preparação farmacêutica, com propriedades antagônicas entre si, que frustram ou colocam em dúvida a finalidade para qual foi concebido o medicamento. As incompatibilidades podem: → prejudicar a atividade ou impedir a dose exata do medicamento, → e influenciar no aspecto da formulação, tornando inaceitável até mesmo do ponto de vista estético. Quando se pensa em incompatibilidades em farmácia, deve-se pensar no sentido amplo da formulação. As incompatibilidades podem se desenvolver entre: I. As substâncias ativas; II. As substâncias adjuvantes (excipientes) da formulação; III. As substâncias ativas e as adjuvantes; IV. Uma ou outra e o material da embalagem ou impurezas. Segundo a sua origem e manifestação, as incompatibilidades medicamentosas podem ser classificadas em: 1. Incompatibilidades físicas (também denominadas incompatibilidades farmacêuticas); 2. Incompatibilidades químicas; 3. Incompatibilidades terapêuticas (também denominadas incompatibilidades farmacológicas). Devido à extensão do assunto, serão abordadas as incompatibilidades químicas e físicas de maior importância e de possível interesse à farmácia magistral. Incompatibilidades físicas: Formulações com incompatibilidades físicas se caracterizam pela não uniformidade, podem ser desagradáveis ao paladar e podem representar um risco potencial de doses não uniformes. As incompatibilidades físicas ou farmacêuticas podem ser classificadas nos seguintes tipos: - Solução incompleta: Ocorre quando duas ou mais substâncias são combinadas e a mistura não resulta em um produto homogêneo, devido à imiscibilidade ou insolubilidade. Algumas vezes o problema é resultante da prescrição de um solvente ou veículo errado, bem como em quantidade insuficiente. Exemplos: Silicones são imiscíveis em água; Gomas são insolúveis em álcool; Resinas são insolúveis em água. Estratégias para correção: aquecimento; filtração (somente é permitida se o material não dissolvido for dispensável); trocar o veículo; aumentar o solvente ou veículo; adicionar um solvente. - Precipitação: Ocorre, geralmente, quando uma substância precipita em uma solução devido à adição de outro solvente, no qual ela é insolúvel, a esta solução. Exemplos: Resinas são frequentemente precipitadas em soluções alcoólicas quando se adiciona água. Substâncias mucilaginosas e albuminosas em soluções aquosas precipitam quando se adiciona álcool. Soluções coloidais frequentemente se precipitam com a adição de eletrólitos. Substâncias de soluções saturadas podem precipitar com a adição de outra substância. - Separação de líquidos imiscíveis: Óleos dissolvidos em álcool se separam com a adição de água. Soluções alcoólicas de compostos orgânicos podem ter separação de fases se altas concentrações de sais inorgânicos forem adicionadas. - Liquefação de ingrediente sólido: Algumas vezes, misturas de sólidos se liquefazem através da formação de misturas eutéticas (sólidos separados, mas quando se misturam liquefazem), ou devido à liberação de água de hidratação. Exemplo: Sulfato de sódio deca-hidratado .....................90 g Bicarbonato de sódio ......................................30 g Cloreto de potássio .........................................15 g Nesta formulação, a liquefação ocorre devido à água de cristalização do sulfato de sódio. Esta incompatibilidade poderia ser evitada utilizando-se quantidade equivalente de sulfato de sódio na forma anidra. Exemplos de substâncias que contêm água de cristalização: alúmen, sulfato de atropina, cafeína, cloreto de cálcio, lactato de cálcio, ácido cítrico, codeína, fosfato de codeína, sulfato de cobre, sulfato ferroso, bromidrato de escopolamina, acetato de sódio, carbonato de sódio, sulfato de sódio, sulfato de zinco, hidrato de terpina. Problemas similares podem ocorrer em substâncias que absorvem a umidade do ar durante a mistura ou armazenagem em área úmida. Exemplos: Sais de amônio (acetato, cloreto, brometo, iodeto, sulfato), brometo de cálcio, cloreto de cálcio, cloreto de cobalto, sulfato de efedrina, bromidrato de hiosciamina, sulfato de hiosciamina, citrato de ferro e amônio, carbonato de lítio, pepsina, fenobarbital sódico, pilocarpina, acetato de potássio, citrato de potássio, brometo de sódio, iodeto de sódio, hidróxido de sódio, cloreto de magnésio, cloridróxido de alumínio. Substâncias eutéticas também podem produzir liquefação através da redução do ponto de fusão, quando combinadas intimamente. Exemplos: AAS, betanaftol, cânfora, hidrato de cloral, mentol, fenol, fenilsalicilato e timol. - Prescrição incorreta da forma farmacêutica: Ocorre quando o prescritor prescreve uma forma farmacêutica incorreta para uma preparação farmacêutica. Exemplos: Problema organoléptico (preparação com sabor desagradável que dificulta a adesão do paciente ao tratamento medicamentoso). Substância insolúvel no veículo e solvente (neste caso, torna-se necessário a mudança do veículo ou da forma farmacêutica). Incompatibilidades químicas: As incompatibilidades químicas caracterizam-se pela transformação parcial ou total das substâncias associadas, formando compostos secundários, com novas propriedades químicas e, consequentemente, novas propriedades farmacodinâmicas. Esta classe de incompatibilidade merece maior atenção ↓ não só por ser a mais frequente ↓ como também pelos grandes prejuízos que podem afetar a reputação do médico, do farmacêutico que prepara o medicamento e, acima de tudo, as condições do paciente A associação de substâncias incompatíveis podem: causar acidentes (ex. explosões, vapores tóxicos); formar produtos tóxicos; causar inativação total ou perda parcial da atividade farmacológica. As incompatibilidades químicas podem ser classificadas nos seguintes tipos: Formação de compostos muito pouco solúveis: Precipitação de ácidos e bases fracas pouco solúveis devido à alteração do valor do pH Precipitação devido à adição do mesmo íon já presente na formulação Precipitação devido à formação de sais muito pouco solúveis. Precipitação de ácidos e bases fracas pouco solúveis devido à alteração do valor do pH: As precipitações condicionadas pelo pH formam- se, principalmente, com adição de sais de reação ácida ou básica a soluções medicamentosas. Prever e compreender as reações de incompatibilidades requer o conhecimento das condições de pH compatíveis com os componentes da formulação. Ocorrem em preparações que se apresentam como solução saturada ou quase saturada, podendo produzir precipitação pela adição de sais que contenham um íon comum da formulação, o qual diminui a solubilidade do sal. Exemplo: → precipitações em soluções que contenham substâncias na forma de cloridratos e que são isotonizadas com cloreto de sódio. Ocorre devido à reação iônica entre os componentes de uma formulação, que provoca a formação de um sal insolúvel ou pouco solúvel, que, por diminuição da solubilidade do produto resultante, provoca precipitação ou turbidez. Frequentemente, a aparição de um precipitado é resultado de uma reação química. Exemplos: a- Formação de sais alcaloídicos muito pouco solúveis: Os alcaloides são normalmente utilizados na forma de cloridratos ou nitratos. A adição de íons de halogênio (ex.: íons de iodo ou bromo) leva à precipitação, pois há formação de compostos correspondentes dificilmente solúveis (ex.: iodoidratos e bromidratos alcaloídicos). Salicilatos, acetatos, benzoatos, tanatos (taninos) e citratos também levam à formação de sais alcaloídicos dificilmente solúveis. b- Formação de sais muito pouco solúveis de bases sintéticas nitrogenadas, especialmente misturas de amônio quaternário: Exemplos: cloreto de benzalcônio e cloreto de cetilpiridínio com nitratos, salicilatos e iodetos formando precipitados. Os sais de benzalcônio são incompatíveis com a fluoresceína sódica utilizada no preparo de colírios para diagnóstico, com os sais de benzilpenicilina e com o laurilsulfato de sódio. c- Formação de compostos muito pouco solúveis, com tensoativos aniônicos: Exemplos: o laurilsulfato de sódio, como outros tensoativos aniônicos, é incompatível e forma precipitado insolúvel com substâncias catiônicas, como cloridrato de efedrina, fosfato de codeína, cloridrato de procaína, cloridrato de tetracaína e com íons cálcio, bário e íons de metais pesados. Reações de oxidação: O número de fármacos sensíveis à oxidação ou à redução é extenso. As reações de oxidação são prejudiciais e causam problemas de estabilidade no medicamento. Quimicamente, a oxidação envolve a perda de elétrons de um átomo ou de uma molécula. Cada elétron perdido é aceito por algum outro átomo ou molécula, de tal modo a promover a redução do átomo ou molécula recipiente. Em compostos inorgânicos, a oxidação é acompanhada por um aumento da valência de um elemento – por exemplo: o íon ferroso (Fe+2 ) oxidando para íon férrico (Fe+3 ). Em compostos orgânicos, o processo de oxidação frequentemente envolve a perda de hidrogênio da molécula (de-hidrogenação). A degradação de fármacos por oxidação envolve a presença de oxigênio e ocorre sob determinadas condições. O oxigênio existe não só sob a forma de oxigênio molecular (O2 ), mas também como um dirradical (:O – O:). Esta espécie de dirradical possui 2 elétrons desemparelhados, os quais podem iniciar reações em cadeia, podendo resultar na quebra de moléculas do fármaco. Esta reação ocorre principalmente com a presença de catalisadores, como íons de metais, peróxidos, luz e calor. A autooxidação é uma reação espontânea, ocorrendo sob condições ambientais de exposição ao oxigênio atmosférico. Classes de drogas susceptíveis à oxidação e exemplos de fármacos: 1- Substâncias fenólicas: morfina, fenilefrina, hidroquinona, resorcinol, paracetamol e salbutamol. 2- Catecolaminas: epinefrina (adrenalina), noradrenalina. 3- Compostos poli-insaturados: óleos, gorduras, vitaminas lipossolúveis, ácido retinoico e isotretinoína. 4- Fenotiazínicos (tio éteres): clorpromazina, prometazina, trifluoperazina, tioridazina e flufenazina. 5- Substâncias esteroidais: corticosteroides. 6- Oleofinas (alcenos): compostos alifáticos com duplas ligações. 7- Antidepressivos tricíclicos: amitriptilina, imipramina. 8- Estatinas: lovastatina, pravastatina, sinvastatina. 9- Substâncias com grupo sulfidrila, R-SH: captopril. 10- Outros: anfotericina B, nitrofurantoína, tetraciclina, furosemida, ergotamina, sulfacetamida, etc. Fatores que afetam a velocidade de oxidação: Presença de oxigênio; Luz; Presença de íons de metais pesados; Temperatura (a reação de oxidação se processa em maior velocidade com o aumento da temperatura), pH (normalmente a oxidação é mais intensa em meio alcalino por aumento de íons hidroxila); Presença de outras substâncias que podem atuar como agentes oxidantes. Estratégias possíveis para proteção frente à oxidação: Proteção do produto ou fármaco (matéria- prima) contra a ação do oxigênio: Utilização de gás inerte de nitrogênio. Limitação do efeito do oxigênio atmosférico pela utilização de embalagens menores e completamente cheias, sem espaço para o ar (redução do headspace). Proteção contra a luz: Utilização de embalagens fotorresistentes, como frascos de vidro âmbar. Utilização de agentes sequestrantes na formulação: Utilização de quelantes de metais pesados (catalisadores de reações de oxidação), como os sais de EDTA. Adição de antioxidantes: BHT (butil- hidroxitolueno), BHA (butil-hidroxianisol), acetato de tocoferol (vitamina E), palmitato de ascorbila, propilgalato para sistemas oleosos. Ácido ascórbico (vitamina C), bissulfito de sódio, metabissulfito de sódio, tiossulfato de sódio, cloridrato de cisteína para sistemas aquosos. Controle da temperatura de armazenamento: Geralmente a velocidade do processo oxidativo é mais rápida sob temperatura elevada e pode ser retardada se determinado produto sensível for estocado sob refrigeração. Controle do pH da formulação: A oxidação é frequentemente favorecida pelo pH alcalino. Deve-se tomar cuidado ao adicionar alguma substância em uma formulação que contenha algum componente sujeito à oxidação, devendo-se monitorar o pH no final da manipulação da fórmula e efetuar ajustes no pH, se necessário. Redução: Uma espécie química (átomo ou molécula) é reduzida quando ganha elétrons. As reações de redução têm importância relativamente menor como fenômenos originadores de incompatibilidade. Exemplo: formação de prata e mercúrio elementar a partir dos sais correspondentes em presença de agentes redutores inorgânicos. São também conhecidas as transformações de medicamentos sensíveis à redução com ácido ascórbico, tióis, fenóis e outros. Fotólise ou fotodegradação: É a catálise pela luz de reações de degradação, principalmente a reação de oxidação. Uma variedade de mecanismos de decomposição pode ocorrer da absorção da energia da radiação luminosa pela molécula de uma substância. A captação da luz por uma molécula produz sua ativação, a partir da qual: → a molécula ativada pode emitir energia de frequência diferente da recebida (fenômeno denominado fluorescência ou fosforescência); → pode provocar a decomposição da molécula (fotólise). As reações de fotodegradação dependem tanto da intensidade como do comprimento de onda da luz. Quanto maior for a intensidade da luz, maior será a velocidade e o grau de fotodegradação. A luz UV é mais deletéria que a luz visível, portanto, os raios solares são mais deletérios do que os provenientes da luz fluorescente. Um grande número de fármacos é sensível à luz e vulnerável à degradação fotolítica, como: anfotericina B, nifedipina, furosemida, vitamina A, hidrocortisona, prednisolona, ácido fólico, etc. Hidrólise: A hidrólise é um processo de solvólise no qual a molécula (fármaco) interage com moléculas de água, se decompondo. O processo de hidrólise é provavelmente a causa mais importante de decomposição de fármacos ↓ devido ao grande número de substâncias de uso medicinal que são ésteres ou que contêm outros grupamentos, como amidas substituídas, lactonas e anéis lactâmicos, os quais são susceptíveis à degradação hidrolítica Classes de fármacos susceptíveis à hidrólise e exemplos: 1- Ésteres: Anestésicos locais, tais como a procaína, benzocaína e a tetracaína, ácido acetilsalicílico, alcaloides da beladona (atropina). 2- Ésteres cíclicos ou lactonas: Varfarina, nistatina, digoxina, digitoxina, pilocarpina e ácido ascórbico. 3- Tioésteres: Espironolactona. 4- Amidas: Nicotinamida, paracetamol e procainamida. 5- Imidas: Fenitoína, barbitúricos e riboflavina. 6- Amidas cíclicas: Penicilina e cefalosporinas. 7- Carbamatos (uretanos): Carbacol, neostigmina e carbimazol. 8- Acetal: Digoxina e aldosterona. 9- Tioacetal: Lincomicina e clindamicina. 10- Ésteres sulfato: Heparina. 11- Ésteres fosfato: Fosfato sódico de hidrocortisona. 12- Iminas: Diazepan e pralidoxima. Exemplo de reação de hidrólise: Fatores que afetam a velocidade da hidrólise: Presença de água no veículo, excipiente ou na própria matéria- prima; pH; Presença de ácidos e bases (citratos, acetatos, fosfatos), que são frequentemente usados como tampões; Concentração da droga; Temperatura; Presença de outros componentes que podem catalisar a hidrólise. Estratégias para manipulação de drogas sujeitas à hidrólise: Controle da exposição de drogas sólidas à umidade com o uso de recipientes hermeticamente fechados e de dessecantes. Controle do pH de formulações aquosas: Checar o pH de todas as soluções de fármacos que serão combinadas, bem como do produto final, adequando- o ao pH ideal se preciso for. Checar referências apropriadas para possíveis efeitos negativos de ácidos e bases em geral sobre os fármacos: Se estes fatores puderem acelerar o processo de hidrólise, devem ser evitados. Considerar a concentração da droga como um fator importante: → Exemplo – a velocidade da degradação hidrolítica de suspensões aquosas com ampicilina sódica aumenta com o aumento da sua concentração. Temperatura de armazenamento: → A velocidade de hidrólise é maior em temperatura elevadas e pode ser retardada através do armazenamento de produtos sensíveis sob refrigeração. Complexação: Moléculas de um composto ativo podem interagir reversivelmente com excipientes ou outros ingredientes da formulação formando complexos os quais apresentam propriedades físico-químicas diferentes do composto de origem. A tetraciclina é um exemplo clássico de droga que é inativada por complexação. Esta reação ocorre com íons multivalentes, tais como íons cálcio, magnésio, ferro e alumínio. A tetraciclina não deve ser misturada com outras substâncias que contenham alguns destes íons multivalentes. Interação excipiente-excipiente: Parabenos podem ser inativados em complexos com derivados de polietilenoglicol. Povidona pode formar complexos com outros excipientes (ex.: com corantes aniônicos ou catiônicos) ou com determinados fármacos como cloridrato de clorpromazina e cloranfenicol. O amido pode formar complexos com drogas ácidas e com alguns outros adjuvantes, tais como ácido benzoico e ácido salicílico. Reações de esterificação e substituição: Devido à baixa velocidade desta reação, os produtos da incompatibilidade só são detectáveis analiticamente, em geral, após certo tempo de armazenamento. Exemplos: → formação de acetato de prednisolona a partir de prednisolona base na presença do ácido acetilsalicílico; → produção de um glicosídeo de procaína (sem atividade anestésica) em soluções de cloridrato de procaína que contenham glicose; Os bissulfitos, amplamente utilizados como antioxidantes, dão lugar a reações de substituição de menor valor ↓ originam produtos finais sulfonados de escassa atividade fisiológica ↓ a adrenalina, por exemplo, reage com os íons sulfito originados a partir do bissulfito, perdendo grande parte da sua atividade farmacológica Outras interações químicas: Pode haver liberação de dióxido de carbono (CO2 ) oriundo de reações tais como a da mistura de bicarbonatos ou carbonatos com ácidos ou substâncias fortemente ácidas, podendo até mesmo causar explosões. Composições com ácido acetilsalicílico associado à fenilefrina: → o ácido acético formado pela hidrólise do ácido acetilsalicílico pode interagir com a fenilefrina formando um composto acetilado; → trans acetilação também pode ocorrer entre o ácido acetilsalicílico e o paracetamol. Uma incompatibilidade comum, que pode ser exacerbada após o aquecimento a altas temperaturas de formas sólidas, é a Reação de Maillard ↓ reação entre grupos aldeídicos da glicose (ou outros açúcares reduzidos) e aminas primárias (ex.: aminoácidos, anfetaminas) ↓ formando produtos amarronzados Incompatibilidades químicas entre fármacos e alguns excipientes: A estabilidade química de um fármaco pode ser reduzida caso seja incorporado a um excipiente inadequado ou a coadjuvantes farmacotécnicos incompatíveis. Foram relacionados seis tipos principais de interações químicas entre ingredientes ativos e excipientes: Ingredientes ativos com funções químicas de aminas primárias (ex.: aminoácidos, clorfeniramina, derivados anfetamínicos) irão permitir a ocorrência da reação de Maillard com açúcares redutores. Aminas secundárias podem interagir com açúcares redutores (ex.: fluoxetina + lactose). → Contudo, a reação não forma iminas e não há desenvolvimento de coloração. Ésteres (e alguns outros compostos) podem ser susceptíveis à hidrólise em pH baixo ou, principalmente, alto, ou na presença de metais alcalinos ou sais alcalinos ferrosos. → A hidrólise de ésteres pode ser catalisada pela presença de íon sódio ou magnésio. Aminas primárias podem reagir com excipientes que contêm dupla ligação (ex.: mono-oleato de sorbitana). Formação de lactona devido à proximidade de heteroátomos e um átomo de hidrogênio ativo na molécula (ex.: benzeprila). Certos ingredientes ativos são susceptíveis à oxidação (ex.: atorvastatina). → O dióxido de silício (Aerosil®) pode promover tais reações de oxidação. Incompatibilidades e estabilidade de vitaminas em preparações farmacêuticas: As vitaminas nos alimentos estão em contato com antioxidantes naturais que as estabilizam, como os bioflavonoides e outras vitaminas também presentes. Já as vitaminas sintéticas, sem esta proteção, demonstram-se muito instáveis quando incorporadas a preparações farmacêuticas, destacadamente nas formas líquidas, como as soluções e suspensões. A degradação das vitaminas é acelerada: → pela presença de oxigênio; → pela luz; → pelo aumento da temperatura; → pela presença de água; → pela presença de metais catalisadores de reações de oxidação e redução, como ferro e cobre. Outro fator relevante que pode afetar a estabilidade de algumas vitaminas é a possibilidade de interação química entre algumas delas quando associadas, o que as leva à sua degradação. Pelo fato de as vitaminas apresentarem desejáveis efeitos farmacológicos sinérgicos entre si, a prescrição de polivitamínicos é comum na terapêutica. Portanto, o farmacêutico encontra aqui um problema farmacotécnico na conciliação entre: os diferentes perfis de estabilidade apresentados pelas diversas vitaminas e a conveniência terapêutica de associá-las em uma mesma forma farmacêutica, além da vulnerável condição de estabilidade quando observadas de modo isolado. Para a elaboração de uma formulação vitamínica estável ↓ é importante que o farmacêutico faça um estudo pré- formulação, levando em consideração as características físico-químicas das vitaminas ↓ como o pH de maior estabilidade, a termolabilidade e as interações químicas possíveis entre as vitaminas entre si e entre elas e o veículo ou adjuvantes farmacotécnicos Após este estudo, deve-se fazer a seleção criteriosa do veículo reduzindo ao máximo o teor de água da formulação (substituindo em parte por líquidos newtonianos anidros, como a glicerina e o propilenoglicol), escolhendo o sistema conservante, antioxidante e sequestrante adequados. Para a formulação de vitaminas facilmente oxidáveis, pode ser necessário trabalhar com atmosfera de gás inerte (ex.: N2 ), que pode ser borbulhado na preparação com o objetivo de retirar o O2 incorporado no processo de manipulação ou nos componentes da mesma. Após o preparo, a formulação deve ser envasada em embalagem que a proteja contra a atmosfera e a luz, lembrando que muitas embalagens plásticas são permeáveis ao oxigênio e à vapores, permitindo a entrada de oxigênio e evaporação de parte do veículo. Portanto, para formulações magistrais, o frasco de vidro âmbar seria uma das embalagens de escolha para preparações vitamínicas. Deve-se ressaltar também a escolha de embalagem cuja capacidade volumétrica esteja próxima do volume da formulação, de maneira que haja o menor espaço possível entre o produto e a tampa da embalagem, diminuindo o headspace. Se possível, purgar o frasco com gás inerte (N2 ), reduzindo o nível de oxigênio presente dentro da embalagem. A manipulação de formas farmacêuticas contendo vitaminas é crítica, devendo o farmacêutico estar atento aos fatores que afetam sua estabilidade. O Quadro 1 relaciona as principais vitaminas e os fatores que afetam a estabilidade, bem como incompatibilidades químicas: - Armazenamento de matérias-primas e preparações magistrais: Aspectos gerais: Uma preparação farmacêutica pode ser inutilizada ou se tornar terapeuticamente perigosa caso venha a se degradar devido a um armazenamento em condições inapropriadas. Isso pode acontecer independentemente de como ela seja bem formulada e preparada. Matérias-primas e produtos farmacêuticos estão sujeitos a condições de armazenamento extremas durante o seu transporte: FORNECEDOR -> FARMÁCIA -> CONSUMIDOR O efeito das condições de armazenamento na estabilidade é bem conhecido ↓ e o farmacêutico precisa estar atento a essas condições, ao transporte e à distribuição das matérias-primas e preparações farmacêuticas ↓ de forma a evitar a exposição destas à temperaturas extremas, umidade relativa, luz Tanto produtos industrializados como manipulados devem ser mantidos em condições ideais ↓ especificadas normalmente no rótulo ↓ como forma de manter ou aumentar a estabilidade Altas temperaturas aceleram as reações químicas de degradação. Portanto, o controle da temperatura e a sua manutenção dentro dos limites especificados são fundamentais para preservar a estabilidade dos ingredientes químicos ativos presentes no produto farmacêutico. O monitoramento adequado da temperatura no ambiente de armazenamento é importante. A umidade relativa alta aumenta o potencial para hidrólise de fármacos susceptíveis e frequentemente promove alterações físicas em matérias-primas e formas farmacêuticas sólidas. Esses efeitos deletérios podem ser minimizados pelo uso de dessecantes (ex.: sílica gel) e/ou desumidificadores. Os pacientes devem ser advertidos para não armazenar medicamentos nos armários e gabinetes de banheiros ↓ onde ocorrem grandes variações de temperatura e alta umidade! O monitoramento da temperatura e da umidade relativa pode ser realizado facilmente através do uso de termohigrômetros digitais, os quais registram as condições de máxima e mínima. A farmácia deverá manter registros diários da temperatura e umidade relativa (UR) nos laboratórios e almoxarifado. De modo geral, deve-se proteger os medicamentos do congelamento ↓ devido ao risco de quebra do recipiente de embalagem e perda da concentração ou potência ↓ especialmente de produtos que contenham proteínas O congelamento também pode promover uma alteração destrutiva da forma farmacêutica, como por exemplo: → Crescimento cristalino; → Quebra de emulsões. As matérias-primas e os produtos farmacêuticos devem ser armazenados e conservados sob condições tais que evitem sua: contaminação (microbiológica, cruzada) ou deterioração. Substâncias voláteis e que emitem fortes odores ↓ podem promover contaminação cruzada de outras matérias-primas ou produtos próximos ↓ por absorção de vapores É recomendável manter tais substâncias em embalagens bem vedadas e não permeáveis a vapores. Além disso, é conveniente armazená-las de forma segregada. Substâncias líquidas devem ser mantidas separadas das substâncias sólidas ↓ prevenindo que eventuais derramamentos ou emanações de vapores úmidos ↓ venham afetar ou contaminar os ingredientes ou produtos sólidos Substâncias cáusticas, líquidas ou sólidas devem ser armazenadas de forma segregada das demais. É também recomendável que tais substâncias sejam dispostas na parte inferior das prateleiras, prevenindo assim que possíveis quedas venham promover acidentes com maiores consequências. As condições ideais de armazenamento e conservação de substâncias farmacopeicas estão normalmente descritas nas respectivas monografias. Para substâncias outras e demais produtos, devem ser observadas as recomendações do fabricante, normalmente relacionadas nos respectivos certificados de análise e/ou na rotulagem. Definições farmacopeicas de condições de armazenamento, temperatura e acondicionamento: Alguns termos descritivos são relacionados nas monografias farmacopeicas com finalidade designativa das condições de armazenamento, temperatura e acondicionamento. Geralmente, as condições de armazenamento descritas nesses compêndios são expressas: → em termos de temperatura; → e, algumas vezes, em relação à luz. As condições de umidade relativa não são geralmente especificadas, subentendendo-se que o recipiente irá proteger o seu conteúdo da exposição à umidade. Os termos normalmente empregados são os seguintes: - Protegido da luz: Significa que a substância deve ser conservada em recipiente opaco ou capaz de impedir a ação da luz (ex.: embalagens de metal, frasco de vidro âmbar). - Protegido da poeira: Significa que a substância deve ser mantida em frasco arrolhado (bem vedado) e munido de capuz protetor. Condições de temperatura: - Em refrigerador (sob refrigeração, refrigerado): Manter em temperatura entre 2°C e 8°C. - Em congelador (freezer): Em temperatura entre 0°C e -20°C. - Local fresco: Ambiente cuja temperatura permanece entre 8°C e 15°C. - Local frio: Ambiente cuja temperatura não excede 8°C. - Temperatura ambiente: Temperatura normalmente existente no local de trabalho; entre 15°C e 30°C. - Local quente: Ambiente cuja temperatura permanece entre 30°C e 40°C. - Calor excessivo: Indica temperaturas acima de 40°C. A menos que a monografia especifique diferentemente, quando um fármaco necessita ser conservado em local fresco, o mesmo pode ser conservado em refrigerador. Quando a monografia não especificar condições de conservação, estas automaticamente incluem proteção contra a umidade, congelamento e calor excessivo. Condições de acondicionamento: - Recipiente bem fechado: Aquele que protege o seu conteúdo de perdas e contaminação por sólidos estranhos, nas condições usuais de manipulação, transporte, armazenamento e distribuição. - Recipiente perfeitamente fechado (recipiente bem vedado): Aquele que protege o seu conteúdo de perdas e de contaminação por sólidos, líquidos e vapores estranhos, eflorescência, deliquescência ou evaporação nas condições usuais de manipulação, transporte, armazenamento e distribuição. - Recipiente hermético: Aquele impermeável ou ar ou qualquer outro gás, nas condições usuais de manipulação, transporte, armazenamento e distribuição. A Farmacopeia dos Estados Unidos menciona ainda o recipiente resistente à luz, o qual protege o conteúdo dos efeitos da luz. Almoxarifado (área de armazenamento): Na farmácia, o almoxarifado compreende a área destinada ao armazenamento das matérias- primas, embalagens e materiais diversos. Deverá haver espaço suficiente para que os itens a serem armazenados sejam colocados de forma organizada e ordenada em conformidade com as boas práticas. Deverá ser protegido da umidade e da incidência direta de luz. A temperatura deve ser controlada adequadamente e os itens deverão estar dispostos em armários, prateleiras ou pallets. O acesso ao almoxarifado deve ser restrito somente a funcionários autorizados. Infraestrutura: Piso e paredes de material liso, impermeável e de fácil limpeza. Ventilação adequada de forma a impedir a entrada de insetos, roedores e outros animais (ex.: uso de telas nas janelas e protetores nas portas). luminação e instalações elétricas adequadas. Temperatura condizente com as condições necessárias ao armazenamento das matérias-primas e embalagens (termômetro de máxima e mínima). A umidade deve ser controlada por hidrômetro. A temperatura e umidade devem ser monitoradas, controladas e registradas em ficha própria. Áreas segregadas (com identificação específica) para: → recebimento; → fracionamento; → expedição; → quarentena; → produtos reprovados; → produtos aprovados; → produtos devolvidos. Local distinto, de acesso restrito (guarda de responsabilidade do farmacêutico) para: → substâncias de baixo índice terapêutico; → qualquer outra matéria-prima que venha a sofrer processo de diluição (ex.: colchicina, digoxina, levotiroxina etc). Para estas matérias-primas é importante que haja especificação para cuidados especiais e identificação diferenciada. É importante que a identificação da matéria-prima pura seja completamente distinta da diluída ↓ para evitar possíveis acidentes decorrentes de uma eventual troca ↓ utilização da matéria-prima pura no lugar da diluída com aplicação do fator de correção da diluição, ocasionando uma sobredose tóxica ou mesmo letal Há relatos de diversos casos de acidente dessa natureza com registros de óbitos. Os diluídos deverão ser armazenados em locais distintos da matéria-prima pura. Local seguro e protegido para o armazenamento de produtos inflamáveis, cáusticos, corrosivos e explosivos, seguindo as normas técnicas (ex.: armário resistente desenhado especificamente para esses produtos). Equipamentos e utensílios recomendáveis: Balança de precisão; Seladora; Termohigrômetro; Geladeira (com termômetro de máxima e mínima); EPIs (equipamentos de proteção individual): gorro, máscara e luvas; Extintor de incêndio; Prateleiras impermeáveis e resistentes à corrosão; Armário resistente com chave (para armazenamento de substâncias sujeitas a controle especial); Armário apropriado para a guarda de produtos inflamáveis: este armário deve ser localizado em locais distantes de fontes de calor ou ignição; Armário apropriado para a guarda de produtos cáusticos e corrosivos; Vidrarias e espátulas adequadas para o fracionamento das matérias-primas; Desumidificador; Ar condicionado; Refrigerador para a conservação de produtos termolábeis: → manter registros diários de temperatura através do uso de termômetros com registros de máximas e mínimas; Armário fechado, de material, liso, resistente e de fácil limpeza para a guarda de matériasprimas e produtos fotolábeis e/ou sensíveis à umidade; Potes de plástico ou vidro âmbar, sacos plásticos, sacos aluminizados e etiquetas de identificação (vários tamanhos e capacidades). Classificação de algumas matérias-primas para devidos cuidados no manuseios, organização e ordenação no estoque: Alergênicas e/ou sensibilizantes Cáusticas ou corrosivas Forte odor Fotossensíveis Higroscópicas Inflamáveis ou facilmente inflamáveis Irritantes Distribuição (transporte): A distribuição do medicamento manipulado pode ser realizada de várias formas: 1- Cliente busca o medicamento na farmácia: O cliente leva o medicamento consigo transportando-o a pé ou através de automóvel (geralmente o tempo de transporte demora de alguns minutos a poucas horas em condições de temperatura variável de quente a frio). 2- Através de serviços de entrega: Motoboy ou veículo da empresa (pode demorar algumas horas, em condições de temperatura variável de quente a frio). A farmácia deverá manter procedimento escritos sobre a conservação e transporte dos produtos manipulados ↓ de forma a garantir a manutenção das especificações e integridade do medicamento O farmacêutico precisa considerar a distribuição da preparação no momento da determinação: → da quantidade do produto que será preparada; → dos recipientes que serão usados, → da embalagem que será requerida; → da necessidade ou não de um sistema de controle de temperatura para a entrega ou expedição. Produtos farmacêuticos ou farmoquímicos adquiridos de fornecedores qualificados deverão ser transportados por empresas transportadoras devidamente capacitadas e autorizadas pelo órgão sanitário. O transporte desses produtos deve ser feito de maneira que não se afete a identidade, integridade ou pureza dos mesmos. Empresa transportadora ↓ deve dispor de infraestrutura necessária para garantir o desenvolvimento das atividades de transporte de produtos farmacêuticos ou farmoquímicos ↓ considerando as suas necessidades específicas de conservação e outras exigências no caso de produtos sujeitos à controle especial Os veículos ou depósitos da transportadora devem estar perfeitamente limpos e isentos de qualquer sujeira ou odor. Não se devem transportar ou depositar os produtos em ambientes úmidos, sem ventilação ou expostos ao sol. Deve-se manter temperatura, luz e umidade adequadas e proteger de quaisquer outros fatores externos que possam afetar a qualidade, segurança e eficácia do produto. Manter temperatura controlada de acordo com a necessidade do produto, utilizando meios especiais para tal fim, registradores de temperatura e outros instrumentos que indiquem a sua manutenção na faixa especificada. As matérias-primas e produtos manipulados não devem ser transportados juntamente com: → produtos radioativos ou tóxicos – inseticidas, detergentes, lubrificantes, agrotóxicos; → animais; → alimentos; → materiais perecíveis. Medicamentos termossensíveis transportados ↓ devem ser mantidos em condições de temperatura compatíveis com sua conservação ↓ mantendo-se registros e controles Preparações termossensíveis podem ser acondicionadas em: → caixa de isopor; → bolsa térmica contendo gelo seco; → bolsa de gelo artificial (ex.: gel-pack). A preparação não deve entrar em contato direto com o gelo para se evitar possível congelamento. A preparação poderá ser acondicionada no isopor (ou bolsa térmica) separada do contato direto com o gelo através da utilização de “plástico bolha” ou de um saco plástico insuflado de ar disposto entre o produto e o gelo. Termômetro com registro de máxima e mínima ↓ pode ser acondicionado durante o período de transporte ↓ para a realização do monitoramento e registro das condições de temperatura Dicas e sugestões para embalagem adequada para transporte de medicamentos manipulados através de serviços de entrega: 1- Colocar algodão para preencher o espaço vazio de potes que contenham formas farmacêuticas sólidas (cápsulas, comprimidos, tabletes), minimizando assim os efeitos de vibrações ou choques. 2- Verificar se os recipientes estão bem fechados e vedados para evitar possíveis derramamentos. 3- Usar plástico-bolha, bolas de isopor, papel picado ou saco plástico insuflado de ar para preencher os espaços nas caixas e minimizar o movimento do produto acondicionado. 4- Ao embalar um produto para transporte, considerar sempre que o mesmo poderá sofrer queda e ficar em posição não correta. 5- Ligue antes para o cliente para assegurar que o mesmo estará em casa no momento da entrega.