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UFG PROVA 1 Bailarina negra compartilha emoção de ter sapatilhas na cor da sua pele A bailarina carioca Ingrid Silva usou seu perfil no Twitter para compartilhar um momento muito especial: por 11 anos, ela sempre teve que pintar as sapatilhas para que tivessem a cor de sua pele. Ingrid é negra e só achava as tradicionais cor-de-rosa, feitas para dançarinas brancas. Mas esses dias chegaram ao fim. “Elas chegaram”, postou Ingrid juntamente da foto das novas sapatilhas, finalmente no tom da sua pele. “Pelos últimos 11 anos, eu sempre pintei a minha sapatilha. E finalmente não vou ter mais que fazer isso! FINALMENTE! É uma sensação de dever cumprido, de revolução feita, viva a diversidade no mundo da dança. E que avanço, viu? Demorou, mas chegou!” Ingrid também compartilhou com os seguidores as imagens das antigas sapatilhas, todas pintadas para alcançar o tom da sua pele. E explicou porque esse momento é um marco: “Nunca existiram sapatilhas de todas as cores. Somente agora nesse século estão surgindo no mercado”. A iniciativa de criar sapatilhas e meias para dançarinas negras foi do Dance Theatre of Harlem, em Nova York, onde ela mora e trabalha. “O diretor Arthur Mitchel percebeu em um ensaio que a linha rosa descontinuava o corpo da bailarina. Então sugeriu que todo seu corpo de baile usasse sapatilha e meia calça cor da pele”, contou Ingrid. Até então ela mesma pintava uma a uma as suas sapatilhas. Agora, não precisa fazer mais isso. “A vitória não é somente minha e sim de muitas futuras bailarinas negras que virão por aí”. A história de Ingrid é toda muito especial. Criada em Benfica, bairro na zona norte do Rio de Janeiro, ela começou a dançar balé ainda criança, através de um projeto social na sua comunidade. Hoje, aos 29 anos, a bailarina é destaque na companhia Dance Theatre of Harlem em Nova York. 1- O texto 1 é do gênero notícia e cumpre a função social de: (A) denunciar atitudes negacionistas no mundo das artes. (B) divulgar um fato socialmente relevante e inusitado. (C) protestar contra atos contrários aos princípios de civilidade e respeito. (D) promover um produto consumido por um grupo específico de artistas. 2- Qual aspecto da progressão discursiva remete à fonte das informações veiculadas na notícia? (A) A recorrência de discurso direto e linguagem informal. (B) A referência ao lugar de nascimento de Ingrid Silva. (C) A qualificação dos vários tipos de bailarina. (D) A organização dos parágrafos e as sequências argumentativas. 3- Quanto ao seu conteúdo, infere-se do texto uma temática central relativa (A) ao compromisso social das artes em geral. (B) ao acesso de crianças carentes aos recursos educacionais. (C) à educação inclusiva como política governamental de sucesso. (D) à valorização da diversidade humana. 4- A letra maiúscula auxilia na expressão das emoções do enunciador na palavra (A) Rio de Janeiro. (B) Twitter. (C) FINALMENTE. (D) Arthur Mitchel. 7- Infere-se da afirmação “Nunca existiram sapatilhas de todas as cores. Somente agora nesse século estão surgindo no mercado” que o evento noticiado representa (A) a imposição de uma classe profissional. (B) uma necessidade de mercado. (C) a satisfação de vaidade pessoal. (D) uma reparação histórica. 8- O efeito de humor na tira é construído a partir do pressuposto de que (A) o mundo do balé prima pelo rigor. (B) a aprendizagem da dança é um fator individual. (C) a formação artística deve começar na infância. (D) o estudo em grupo desgasta as relações interpessoais. 9- Qual aspecto da constituição da tira remete ao ritmo dos passos do balé? (A) A posição simétrica das bailarinas. (B) O movimento dos cabelos das alunas. (C) A representação de notas musicais. (D) A precisão na forma do corpo das meninas. PROVA 2 Casamento por cinco anos Da ideia de prorrogar os mandatos populares defluiu a ideia de prorrogar o casamento de Bertoldo Seixas, cujo contrato matrimonial estipulava o prazo de cinco anos de vigência. Não partiu de Bertoldo a iniciativa, mas de sua mulher Eufórbia, que alegou ser muito exíguo o período de cinco anos para se decifrar a verdadeira sociedade conjugal. Bertoldo respondeu que contrato é contrato, e como tal deve ser cumprido, a menos que haja motivo justo para a rescisão. Como Eufórbia insistisse em seu ponto de vista, Bertoldo anuiu sem convicção, e prorrogou- e o casamento por prazo indeterminado, isto é, para a eternidade. Ao fim de seis meses de prorrogação, a mulher sentiu o peso da eternidade e propôs o cancelamento da união. Bertoldo opôs-se, alegando mais uma vez que os contratos merecem ser cumpridos. Discutiram bastante, e acordaram afinal em dissolver o vínculo. Bertoldo e Eufórbia voltaram a casar-se por cinco anos improrrogáveis, mas com outra parceira e outro parceiro, respectivamente. Parece que são razoavelmente felizes. 1- O fato irônico que torna o conto de Carlos Drummond de Andrade insólito é: (A) a negativa do marido de cancelar o casamento depois de seis meses da prorrogação. (B) o desejo da esposa de prorrogar o contrato matrimonial. (C) a determinação de um prazo de validade para o casamento. (D) o interesse do casal em decifrar a sociedade conjugal. 2- No texto, algumas palavras são pouco usuais, contudo, pelo contexto em que aparecem, é possível inferir o seu significado. “Defluir”, “exíguo” e “anuir” têm, respectivamente, o sentido de: (A) parecer, incontrolável, desistir. (B) surgir, insuficiente, consentir. (C) descartar, robusto, insistir. (D) aprovar, tolerável, tentar. 3- A sentença “Como Eufórbia insistisse em seu ponto de vista” funciona, no texto, como uma (A) justificativa para a decisão tomada por Bertoldo. (B) comparação entre o ponto de vista da esposa e do esposo. (C) ressalva para efetivar a prorrogação do casamento. (D) consequência da decisão de Eufórbia. 4- A construção “contrato é contrato” é tida como tautológica, porque repete o mesmo sintagma nominal. No texto, o uso dessa construção como recurso argumentativo sugere (A) o fim do acordo entre os personagens envolvidos no casamento de cinco anos. (B) a soberania dos contratos como forma de garantir o cumprimento daquilo que nele está acordado. (C) a falta de argumentos de Bertoldo que precisa recorrer à repetição como forma de persuadir sua esposa. (D) o confronto entre a necessidade de cumprimento do contrato e a justificativa para a sua rescisão. Casamento com data de validade Deputados mexicanos querem instituir os “casamentos com data de validade”. A Assembleia Legislativa da Cidade do México poderá mudar o Código Civil para implantar contratos de união civil renováveis a cada dois anos, caso o casal queira continuar casado. A proposta é acatada por setores tradicionalistas. 7- Considerando-se os tipos textuais, o texto apresentado tem uma natureza (A) injuntiva, pois direciona o leitor a seguir uma orientação. (B) argumentativa, já que se defende uma opinião. (C) narrativa, uma vez que o propósito é noticiar um fato. (D) descritiva, posto que detalhes da proposta compõem o cenário do que foi enunciado. 8- A relevância de enunciar, no texto, que “A proposta é acatada por setores tradicionalistas” deve-se ao pressuposto de que tais setores (A) teriam maior tendência em opor-se à proposta por considerarem o casamento um valor. (B) gozariam de privilégios econômicos com a renovação bienal dos contratos. (C) exercem influência política sobre a mídia impressa. (D) ditam as regras de como a instituição do casamento e as religiões devem funcionar. PROVA 3 Gênero que combina a apresentação das características essenciais de uma dada obra (filme, livro, peça de teatro etc.) com comentários e avaliações críticas sobre sua qualidade.3- Esse conceito refere-se a qual gênero textual? (A) Conto. (B) Resenha. (C) Manifesto. (D) Romance. Este gênero discursivo surgiu com o advento da internet. Caracteriza-se por permitir uma comunicação escrita muito rápida entre interlocutores conectados em rede virtual. 8- O gênero discursivo descrito é (A) o e-mail/a mensagem eletrônica. (B) a carta pessoal. (C) o diário. (D) a notícia. 10- A narrativa curta que apresenta os mesmos elementos do romance (narrador, personagem, enredo, tempo e espaço), e diferencia-se do romance pela sua concisão, linearidade e unidade, construindo uma história focada em um conflito básico e que apresenta o desenvolvimento e a resolução do conflito, é (A) o conto. (B) a carta pessoal. (C) o diário. (D) a crônica. PROVA 4 1 – É um gênero discursivo no qual são apresentadas as informações básicas (fatos) referentes a um acontecimento específico. O principal objetivo, oral ou escrito, é informar, reconstituindo para o leitor/ouvinte uma sequência de acontecimentos. 2 – É um gênero discursivo que surgiu com o advento da internet. Caracteriza-se por permitir uma comunicação escrita muito rápida entre interlocutores conectados em rede virtual. 3 – É um gênero discursivo em que o autor do texto se dirige a um interlocutor específico, com o qual pretende estabelecer uma comunicação à distância. 4 – É um gênero discursivo no qual são registrados acontecimentos cotidianos a partir de uma perspectiva pessoal. Os autores costumam ser os únicos leitores e mantêm registros que se estendem por anos. 7- Os gêneros discursivos descritos acima são, respectivamente: (A) injunção; e-mail; argumentação; relato. (B) relato; e-mail; carta pessoal; diário. (C) relato; e-mail; diário; injunção. (D) argumentação; e-mail; diário; injunção. É um gênero discursivo curto, escrito em prosa, geralmente produzido para meios de comunicação, no qual, a partir da observação e do relato de fatos cotidianos, o autor manifesta sua perspectiva subjetiva, oferecendo uma interpretação que revela ao leitor algo que está por trás das aparências ou não é percebido pelo senso comum. 8- O gênero discursivo descrito é (A) a fábula. (B) o mito. (C) a crônica. (D) o relatório. É um gênero discursivo claramente argumentativo que tem por objetivo expressar o ponto de vista do autor que o assina sobre alguma questão relevante em termos sociais, políticos, culturais etc. O caráter argumentativo desse gênero textual é evidenciado pelas justificativas de posições apresentadas pelo autor para convencer os leitores da validade da análise que faz. 9- O gênero discursivo descrito é (A) o conto. (B) o artigo de opinião. (C) o romance. (D) a resenha. 10- O texto injuntivo ocorre em (A) instruções, manuais de uso e receitas de cozinha. (B) verbete de dicionário, entrevista e palestra. (C) artigo de opinião, tese e dissertação. (D) lista de compras, anúncio de classificados e currículo. 12- Qual a alternativa que contém o recurso da ironia? (A) “A gravação do programa durou quase meia hora”. (B) “Quem foi o inteligente que conseguiu tirar zero na prova?”. (C) “Ele conseguiu excelentes doações para o projeto”. (D) “Não teremos tempo para viajar esse ano”. Nome dado à relação que se estabelece entre dois textos, quando um texto já criado exerce influência na criação de um novo texto. Pode ocorrer de várias formas, nos diversos gêneros: na prosa, na poesia, nas letras de música, na publicidade, nas imagens, na pintura, entre outras possibilidades. 15- O texto se refere ao conceito de (A) intertextualidade. (B) ambiguidade. (C) ironia. (D) informatividade. PROVA 5 (...) os eixos de integração considerados na Base Nacional Comum Curricular (BNCC) de Língua Portuguesa são aqueles já consagrados nos documentos curriculares da Área, correspondentes às práticas de linguagem: oralidade, leitura/escuta, produção (escrita e multissemiótica) e análise linguística/semiótica (que envolve conhecimentos linguísticos – sobre o sistema de escrita, o sistema da língua e a norma padrão –, textuais, discursivos e sobre os modos de organização e os elementos de outras semioses). Cabe ressaltar, reiterando o movimento metodológico de documentos curriculares anteriores, que estudos de natureza teórica e metalinguística – sobre a língua, sobre a literatura, sobre a norma padrão e outras variedades da língua – não devem nesse nível de ensino ser tomados como um fim em si mesmo, devendo estar envolvidos em práticas de reflexão que permitam aos estudantes ampliarem suas capacidades de uso da língua/linguagens (em leitura e em produção) em práticas situadas de linguagem. 1- Ao dizer que o ensino de Língua Portuguesa deve ajudar os estudantes a “ampliarem suas capacidades de uso da língua/linguagens (em leitura e em produção) em práticas situadas de linguagem”, a BNCC defende a ideia de que o ensino de língua materna deve (A) ter primazia em relação às outras disciplinas do currículo escolar. (B) contrapor a variedade padrão à variedade não padrão da língua em sala de aula. (C) considerar o texto literário como gênero de maior expressão das práticas situadas de linguagem. (D) contribuir para que o aluno faça uso eficaz da linguagem em suas necessidades cotidianas. 2- Um ensino de literatura, norma padrão e outras variedades linguísticas que têm “um fim em si mesmo”, corresponde por inferência, segundo a BNCC, a um ensino que (A) trata as questões históricas, sociais e políticas nos limites interpretativos possibilitados pelo texto. (B) concebe o caráter lúdico da linguagem em geral e do texto literário em específico. (C) começa da maior unidade de significação (o texto) e o analisa à luz de teorias enunciativas. (D) prioriza as práticas metodológicas de nomeação e classificação de categorias literárias e gramaticais. 3- Considerando-se o contexto em que o verbo “reiterar” aparece no texto da BNCC, a sua significação tem correspondência de sentido com: (A) reafirmar. (B) reconfigurar. (C) reconhecer. (D) receber. 4- O texto da BNCC trata de “produção multissemiótica” e “elementos de outras semioses”. No contexto da BNCC, texto multissemiótico é compreendido como (A) uma produção que confronta diferentes pontos de vista sobre determinado tema. (B) um texto que mescla, ao mesmo tempo, sentidos literais com sentidos figurados para provocar efeito estético no interlocutor. (C) um texto que utiliza diferentes recursos e tipos de linguagem, tais como a verbal e a não verbal para produzir sentido. (D) uma produção que possui diferentes possibilidades de interpretação pelos interlocutores. PROVA 6 Por que mulheres só hoje conquistam o direito de dirigir na Arábia Saudita? A partir de hoje, mulheres terão o direito de dirigir na Arábia Saudita, o único país no mundo que ainda possuía esta restrição. Com uma proposta de modernização do país, o rei Salman bin Abdulaziz Al Saud anunciou mudanças significativas no conservador e islâmico reino saudita, entre elas, a instalação do primeiro cinema do país, a permissão para mulheres frequentarem estádios de futebol e, a principal delas, a concessão de licença de direção às sauditas. Apesar da ampla aprovação à medida, o principal questionamento em relação a ela é: afinal, por que a mudança agora? A Arábia Saudita é um dos países que mais restringem a liberdade feminina – mesmo quando comparado a seus vizinhos do Oriente Médio. Embora não haja no Alcorão um texto que proíba as mulheres de dirigirem, a ausência de citação ao tema é interpretada como um sinal de que aquilo não deve ser permitido. Segundo as leis do país, os direitos das mulheres sauditas são largamente dependentes do consentimento de parentes próximos masculinos. A “segregação de gênero” é aplicadano país segundo a interpretação saudita da Sharia e, como consequência, as mulheres só podem frequentar certos espaços públicos mistos quando acompanhadas por um homem da família – normalmente pai, irmão, marido ou filho. Vestimentas que cubram a maior parte do corpo também são obrigatórias tanto para homens quanto mulheres. Para elas, a vestimenta mais comum em público é a abaya, que deixa à mostra apenas os olhos e as mãos. Embora o veto que existia até hoje para que mulheres pudessem dirigir não estivesse escrito em qualquer lei do reino, as normas sociais envolvendo as limitações públicas impostas a elas serviam de empecilho para a concessão de carteiras de motoristas a elas. Entre as justificativas mais comuns para a denegação do direito estavam o fato de que dirigir exige que o rosto esteja descoberto, que a mulher acabaria podendo sair mais vezes de casa, que elas poderiam entrar em contato com homens desconhecidos em caso de acidentes de trânsito, além da própria erosão da lógica da segregação de gênero. Mulheres pegas dirigindo geralmente eram levadas para interrogatório e assinavam um documento se comprometendo a nunca mais dirigir. Porém, em 2011, uma mulher de Jeddah que foi flagrada dirigindo foi condenada a receber dez chibatadas. Desde os anos 1990, movimentos sociais buscavam o direito de mulheres dirigirem no país. Naquela década, um protesto com mais de 40 mulheres que dirigiram pelas vias públicas de Riad (a capital da Arábia Saudita) terminou com essas mulheres presas e com seus passaportes confiscados, muitas delas também perderam o emprego em decorrência do ato. Já em 2008, as mulheres realizaram uma petição e entregaram ao rei Abdullah pedindo o direito de conduzirem veículos, sem sucesso. No mesmo ano, no Dia Internacional da Mulher, a ativista pelo direito das mulheres sauditas, Wajeha al-Huwaider, gravou um vídeo dirigindo por uma estrada rural – onde mulheres podem dirigir exclusivamente para fins de subsistência, assim como no deserto – no qual clamava pelo direito universal feminino de condução de veículos em todo o reino. Wajeha juntamente com Manal al-Sharif se tornaram símbolo da causa. Por diversas vezes esses movimentos ativistas foram suprimidos pelo governo, que ameaçava não só as mulheres que participavam dos protestos, mas todos aqueles que as apoiavam. A mudança era, portanto, inesperada e causou surpresa ao ser anunciada. A Arábia Saudita possui forte dependência econômica do petróleo. A baixa nos preços do commodity tem obrigado o país a buscar outras formas de sustento. Por conta disso, o príncipe herdeiro, Mohammed bin Salman, apresentou o Saudi Vision 2030, um projeto de modernização do reino que visa obter renda através do entretenimento, do turismo e da inserção internacional – nos moldes da modernização realizada pelos Emirados Árabes Unidos e pelo Qatar nas últimas décadas. “Nossa nação possui fortes capacidades de investimento, que aproveitaremos para estimular nossa economia e diversificar nossas receitas”, diz o texto do projeto. “Nosso país é rico em seus recursos naturais. Não dependemos apenas do petróleo para nossas necessidades energéticas”. Essa proposta de modernização com objetivo de inserção internacional foi a força motriz que levou à permissão de conduzir para as mulheres do reino árabe, segundo explica a mestre em Ciência Política pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), Claudia Santos. “O príncipe respalda sua decisão em um aspecto econômico. Ao deixar as mulheres dirigirem ele não menciona os esforços das mulheres que lutaram tantos anos por isso, apesar do movimento na Arábia Saudita ser relativamente antigo. Ele pensa nos ganhos econômicos que isso trará, principalmente com mulheres trabalhando com isso. Além de também ser uma pressão internacional”. A pressão internacional pela melhora na questão de igualdade de gênero no país teve início nos movimentos de ativistas. O envio de petições ao rei e os protestos com mulheres dirigindo chamou a atenção da comunidade internacional para diversas práticas sauditas que violam as convenções de direitos humanos. De acordo com a ativista de direitos das mulheres na Arábia Saudita, Hala Al Dosari, tanto a atenção atraída por esses movimentos quanto o projeto de modernização e busca por investimento externo do príncipe contribuíram para a mudança mais emblemática na Arábia Saudita até o momento. A flexibilização dos direitos femininos é uma necessidade se o país realmente quiser se lançar na esfera internacional, segundo Hala. “O reino quer mostrar que ele é o agente e líder da mudança. Ele não quer que ninguém critique ou desafie seu dever, então ele controla essa mudança”, explica. Hala conta que existe um esforço para tentar silenciar todos aqueles que exigem mudanças na sociedade, incluindo as ativistas, enquanto o governo conduz a modernização. “Há uma mensagem à comunidade saudita de que o ativismo não funciona. Então, a lógica é de que se a mudança tem que acontecer, ela virá apenas do [Governo do] reino”. Hala enfatiza que apesar do fim da proibição estar ocorrendo, há poucos dias 17 mulheres sauditas foram presas sob a acusação de traição e tentativa de desestabilização do reino. O motivo real: protestos pela igualdade de direitos. Entre as detidas estão manifestantes conhecidas e que participaram dos movimentos de rebeldia ao dirigirem nas ruas da Arábia Saudita. Ainda que a permissão de condução seja uma grande conquista, a quantidade de proibições sobre as mulheres continua enorme. Outra grande luta local é pelo fim da obrigação do chamado “guardião”. Segundo a lei, toda mulher necessita de um guardião do sexo masculino que seja um parente próximo e que lhe conceda autorização expressa para praticamente todo ato. 1- A origem da proibição para que as mulheres sauditas dirigissem é de natureza (A) religiosa. (B) cultural. (C) jurídica. (D) familiar. 2- Um fator linguístico auxiliou na implementação da proibição para as mulheres dirigirem. Esse fator diz respeito a uma (A) leitura equivocada de um texto religioso que lista os atos inacessíveis às mulheres. (B) interpretação ampliada da lei que determina os direitos das mulheres sauditas. (C) leitura pressuposta inversa ao ditado brasileiro de que “quem cala consente”. (D) interpretação fiel da lei civil saudita que prevê a “segregação de gênero”. 4- Infere-se do texto que a permissão para a mulher saudita dirigir decorreu (A) do desejo de luta dos movimentos sociais contra a segregação de gênero. (B) da conscientização dos políticos a respeito da igualdade de direitos. (C) do papel da mulher na cadeia produtiva da sociedade contemporânea. (D) da pressão das instituições internacionais de direitos humanos. 5- Para convencer o leitor a respeito do rigor envolvido na proibição de dirigir, a autora usa o argumento (A) da voz de autoridade, representado pela menção ao nome do rei. (B) do ridículo, configurado na necessidade de guardião para as mulheres. (C) da citação, demonstrada pelos trechos do projeto de modernização saudita. (D) do extremo, representado pelo relato de punições físicas e sociais. 7- A frase interrogativa no título e no primeiro parágrafo tem função (A) retórica, pois representa o espanto da autora com a inusitada decisão do governo saudita. (B) de transferir para o leitor a responsabilidade de inferir o motivo da permissão para dirigir concedida às mulheres sauditas. (C) enfática, pois é usada para chamar a atenção do leitor para o assunto tratado no texto. (D) de contribuir para o desenvolvimento do tema, organizado de modo a explicar os motivos da permissão para dirigir. 8- A fotografia data de 2011 e nela uma mulher saudita ultrapassa o regime então vigente e dirige um carro. Para isso, ela (A) baseia-se em estereótipos visuais relativos à identidade do homemárabe. (B) faz um protesto humorístico, acrescentando um bigode à sua vestimenta tradicional. (C) recorre a autorizações extraordinárias relativas às questões de trabalho e sobrevivência. (D) comporta-se como uma ativista disposta a lutar pelo seu direito de ir e vir. 9- Quanto ao processo que levou à liberação do seu direito de dirigir, a atitude da mulher saudita da fotografia revela (A) o completo controle do regime oficial sobre a vontade feminina. (B) o apoio dos homens sauditas à igualdade de direitos. (C) a erosão gradativa da lógica da segregação de gênero. (D) a falta de ressonância das vozes ativistas na luta pelos direitos humanos. PROVA 7 E a tristeza dá samba “É melhor ser alegre que ser triste”, ensina Vinicius de Moraes em Samba da Bênção, parceria com o violonista Baden Powell. Alguns versos adiante, porém, o poeta reconhece que, sem melancolia, o ritmo desanda: “porque o samba é a tristeza que balança / E a tristeza tem sempre uma esperança / De um dia não ser mais triste, não”. Samba da Bênção é uma síntese magistral do espírito com que a música brasileira – e em particular seu gênero original, o samba – aborda essa aspiração humana universal – a felicidade. Não se alcança essa utopia sem passar pelo chão da tristeza. Ainda que o colorido exuberante que se vê nos desfiles de rua diga o contrário, a tristeza é a raiz do samba. Filho direto do choro, do maxixe e de canções de rodas dos escravos – como o blues americano, ou outro ritmo africano nascido nas Américas – entende de sofrimento. E a alma lusitana também pesa em suas notas mais sorumbáticas: a canção portuguesa, com sua eterna saudade do quinhão natal, contribui muito para o gênero – que da Península Ibérica herdou também o violão, o cavaquinho e eventuais bandolins. Há uma série de clássicos do cancioneiro popular que associam saudade à felicidade. Eis o carioca Noel Rosa, em Felicidade: “Minha amizade foi-se embora com você / Se ela vier e te trouxer / Que bom, felicidade é que vai ser”. O mineiro Ataulfo Alves revisita o banzo português em Meus Tempos de Criança, canção dedicada à sua cidade natal, Muraí: “Ai meu Deus, eu era tão feliz / No meu pequenino Muraí”. O gaúcho Lupicínio Rodrigues, em mais uma composição significativamente intitulada Felicidade, diz: “E a saudade no meu peito ainda mora / E é por isso que eu gosto lá de fora / Porque sei que a falsidade não vigora”. Nessa idealização da terra de nascença como morada da simplicidade e da autenticidade, o morro carioca já foi o lugar feliz por excelência – pelo menos, na canção brasileira da primeira metade do século XX, bem antes de a favela converter-se em teatro de guerra de facções criminosas. Ave Maria do Morro, lançada em 1942, por Herivelto Martins, canta o bucolismo de uma vizinhança onde se ouve “a sinfonia de pardais anunciando o anoitecer”. Manifestação já um tanto tardia – de 1968 – mas igualmente bela do mesmo sentimento é Alvorada, de Cartola, Carlos Cachaça e Hermínio Bello de Carvalho: “Alvorada lá no morro / Que beleza / Ninguém chora, não há tristeza / Ninguém sente dissabor”. A bossa nova, mais Zona Sul, encarou a felicidade – e sua necessária contraparte, a tristeza – com ânimo filosófico e engenhosidade musical. A Felicidade, de Tom Jobim e Vinicius, fala da natureza efêmera e frágil da “ilusão do carnaval”. A felicidade, diz a canção, é “como a gota / de orvalho numa pétala de flor”. Tom Jobim esmerou-se na tradução sonora desses sentimentos, com um emprego dinâmico de acordes maiores e menores – os primeiros de sonoridade mais solar, os segundos com evocações melancólicas. Em Amor em Paz, o verso “encontrei em você / a razão de viver e de não sofrer mais, nunca mais” é em tom maior, mas a frase “o amor é a coisa mais triste quando se desfaz” já é em menor. Há efeitos similares no samba tradicional: Tristeza, que Nilton de Souza criou em 1963 – consagrada três anos depois na voz de Jair Rodrigues –, foi feita para exorcizar um namoro que deu errado, mas a melodia animada, triunfal, em tonalidades maiores, faz com que a canção seja o oposto de seu título. “Uma canção me consola”, dizia Caetano Veloso em Alegria, Alegria, no ano tropicalista de 1968. E as mais tristes canções têm mesmo essa propriedade de cura. Nelson Cavaquinho, o grande pessimista do samba, é muito lembrado pelo desalento dos versos “tire o seu sorriso do caminho / que eu quero passar com a minha dor”, mas também viu alegria no amor (“contigo aprendi a sorrir, diz em Minha Festa). No samba atual, Arlindo Cruz rima felicidade e honestidade, exaltando o trabalho digno: “A felicidade é maior / Para quem se dá mais valor / Honestidade e suor / Eu sou um trabalhador”, ensina Isso É Felicidade, de 2014. A felicidade não precisa acabar na Quarta-Feira de Cinzas. 1- O texto é construído com base no pressuposto de que a tristeza é inerente ao samba, conforme está demonstrado no seguinte trecho: (A) “aborda essa aspiração humana universal”. (B) “sem melancolia, o ritmo desanda”. (C) “o morro carioca já foi o lugar feliz por excelência”. (D) “terra de nascença como morada da simplicidade”. 2- Que aspecto do texto sugere que a tristeza está presente no samba em geral? (A) A referência à data das composições. (B) A menção dos nomes dos compositores de samba. (C) A escolha lexical voltada para os gêneros musicais “maxixe”, “choro” e “canção de roda”. (D) Os adjetivos “carioca”, “gaúcho” e “mineiro”, para se referir aos compositores. 4- Do trecho “Tom Jobim esmerou-se na tradução sonora desses sentimentos, com um emprego dinâmico de acordes maiores e menores”, compreende-se que esse autor (A) representa distintamente a alegria e a tristeza pelo modo de reproduzir as notas musicais. (B) ignora as características musicais do samba de raiz e de suas origens. (C) destaca o balanço do samba e deixa a tristeza para o segundo plano. (D) introduz na música brasileira uma maneira inédita de tocar, presente em todos os compositores da bossa nova. 7- Quanto ao gênero, o texto “E a tristeza dá samba” constitui: (A) um artigo de divulgação científica, porque faz uma releitura de resultados científicos e da voz de especialistas a respeito de um tema social. (B) um artigo de opinião, pois trata de um assunto controverso com base na apresentação de opiniões convergentes e divergentes. (C) uma notícia, porque detalha o desenvolvimento de um acontecimento inusitado recente. (D) uma reportagem, pois apresenta explicações detalhadas a respeito de um fenômeno cultural brasileiro. 8- Em relação à formação do samba, tratada no Texto 1, que aspecto é evocado pela imagem do Texto 2? (A) A influência de diferentes povos. (B) A abordagem filosófica de suas letras. (C) O exorcismo de relacionamentos amorosos. (D) O pessimismo de seus versos. 9- Que versos transcritos do Texto 1 servem como legenda para o Texto 2? (A) “Minha amizade foi-se embora com você / Se ela vier e te trouxer”. (B) “Ninguém chora, não há tristeza / Ninguém sente dissabor”. (C) “E a saudade no meu peito ainda mora / E é por isso que eu gosto lá de fora”. (D) “tire o seu sorriso do caminho / que eu quero passar com a minha dor”. PROVA 8 O que é qualidade de vida? Qualidade de vida é o jeito que cada um escolhe para viver bem. Qualidade de vida é uma opção pessoal. Só que, para tomar uma decisão consciente, as pessoas precisam de informações. É por isso que qualidade de vida tem a ver com escolhas de bemestar – claro que elas estão limitadas pelos padrões de convivência social. A ideia de associar exercícios físicos à qualidade de vida, por exemplo, nasceu nos Estados Unidos, na década de 70. Para algumas pessoas, realmente funciona assim, mas tem gente que simplesmente abomina fazer ginástica. Essas pessoas podem optar por levar uma vida sedentária, mesmo sabendodos prejuízos que isso acarreta para a saúde. Por mais estranho que possa parecer, tal atitude não deixa de ser uma escolha de bem-estar, uma vez que essas pessoas têm consciência da decisão que tomaram e não estão prejudicando ninguém. Embora haja algumas linhas mestras, não dá para padronizar a qualidade de vida. Senão, cairemos numa ditadura — exatamente como aquela que impera no campo da estética corporal. A maioria das empresas tem adotado programas de qualidade de vida, mas pode ser momentâneo apenas ou será que é uma proposta que veio para ficar? Para implantar um programa de qualidade de vida, é preciso levar em conta o que os funcionários querem e o que a empresa deseja ou pode oferecer. A ação tem que ter as pessoas como foco. Também não adianta criar um modelo e nunca mais mexer nele. É por isso que qualidade de vida não deve ser encarada como uma ação global, mas como um conjunto de ações. A qualidade de vida dos funcionários é um novo paradigma da administração. Saber administrá-la faz parte das competências que todo gestor deve ter. Ele precisa ser capaz de gerar produtividade e, ao mesmo tempo, preservar a equipe. Muitas vezes o departamento de recursos humanos coordena o processo, mas um programa desses tem espaço para vários profissionais, do nutricionista ao psicólogo, passando pelo professor de educação física. Temos um ótimo nicho se formando no mercado. Tanto que já existem profissionais que mandam imprimir "especialista em qualidade de vida" em seu cartão de visitas. 1- Quais aspectos do conceito de qualidade de vida são tematizados no texto? (A) Tipos de exercícios físicos relevantes e modo de executá-los. (B) Alimentação saudável e relacionamento interpessoal. (C) Ações voltadas para o mundo profissional e espaço mercadológico. (D) Modos de conscientização e posturas pessoais reprováveis. 2- Considerando-se a voz enunciativa e o gênero textual, na frase “A ação tem que ter as pessoas como foco”, a construção “tem que” expressa (A) possibilidade. (B) necessidade. (C) obrigatoriedade. (D) capacidade. 4- O texto traz uma mensagem bem-humorada de otimismo e incentivo à melhoria da qualidade de vida. O principal recurso para promover esse efeito é a intertextualidade, promovida a partir da (A) apropriação de informações textuais geradas no cotidiano do leitor como consumidor. (B) paráfrase de texto de autoajuda e de forte conotação religiosa. (C) crítica a uma dieta com a presença exagerada de alimentos calóricos. (D) sinonímia entre palavras de valor positivo e o rótulo de alimentos. 5- Em relação ao fator determinante da qualidade de vida, a frase “Experimente para preparar uma vida melhor” ratifica a seguinte afirmação do texto 1: (A) “Associar exercícios físicos à qualidade de vida nasceu nos Estados Unidos”. (B) “Cairemos numa ditadura como aquela que impera no campo da estética corporal”. (C) “A maioria das empresas tem adotado programas de qualidade de vida”. (D) “Qualidade de vida é uma opção pessoal”.