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As sensações proprioceptivas surgem em
receptores chamados de proprioceptores. Os
proprioceptores localizados nos músculos
(especialmente os músculos posturais) e nos tendões
nos informam a respeito do grau de contração
muscular, da quantidade de tensão nos tendões e das
posições das articulações. As células ciliadas da
orelha interna monitoram a orientação da cabeça em
relação ao chão e a posição durante os movimentos.
Como os proprioceptores se adaptam lentamente e
apenas um pouco, o encéfalo recebe continuamente
impulsos nervosos relacionados com a posição das
diferentes partes do corpo e faz ajustes para
garantir a coordenação.
❖ Tato fino (epicrítico):
Percepção das características dos objetos
que tocam a pele; propriocepção consciente - localizar
a posição e movimento das diferentes partes do corpo
sem utilizar a visão.
❖ Tato grosso(protopático):
Responsável por estímulos sem precisão.
5- Descrever receptores e vias que atuam no trajeto
da sensibilidade
O sistema sensorial somático difere de outros
sistemas sensoriais de duas maneiras. Primeiro, seus
receptores estão distribuídos por todo o corpo ao
invés de estarem concentrados em locais restritos.
Segundo, esse sistema tem a capacidade de
responder a diferentes tipos de estímulos : sentido
tátil, da temperatura, da dor e da posição do corpo.
A sensação tátil começa na pele. Os dois
principais tipos de pele são a pilosa (com pêlos ),
presente no dorso da mão, e a glabra (sem pêlos),
presente na palma da mão. A pele possui uma camada
externa que é a epiderme e uma mais interna que é a
Derme. A pele realiza uma função protetora, no qual
evita a evaporação, além de ser o maior órgão
sensorial do corpo.
A maioria dos receptores sensoriais do
sistema sensorial somático é constituída por
mecanorreceptores, os quais são sensíveis à
deformação física como pressão ou estiramento. Na
porção central de cada mecanorreceptor estão as
terminações axonais não mielinizadas. Esses axônios
possuem canais iônicos mecanossensíveis, cuja
abertura depende do estiramento ou mudança de
tensão da membrana. Os principais
mecanorreceptores são:
a) Corpúsculo de Pacini: Situados em camadas mais
profundas da pele, são estimulados por movimentos
rápidos dos tecidos, vibrações e mudanças de pressão
e respondem num intervalo de tempo de pouco
centésimos de segundo. São importantes para
detectar a vibração dos tecidos ou a alteração rápida
d o estado mecânico dos tecidos. PRESSÃO
b) Corpúsculos de Ruffini: estão localizados na
camada mais profunda da pele e nas cápsulas das
articulações. São terminações que se adaptam muito
pouco, sendo importante para a sinalização de estados
contínuos de deformação da pele e dos tecidos mais
profundos, como sinais profundos e contínuos de tato
e pressão. Nas articulações ajuda a detectar o grau
de rotação das mesmas. CALOR
c) Corpúsculos de Meissner: são encontrados em
regiões não pilosas da pele (pele glabra) sendo
abundantes nas pontas do dedo, nos lábios, planta dos
pés e outras partes do corpo capazes de discernir
características especiais da sensação de tato. Tais
corpúsculos se adaptam rapidamente após o estímulo,
sendo muito sensíveis ao movimento e a vibração de
baixa frequência. TATO
d) Discos de Merkel : são encontrados nas pontas
dos dedos e em algumas outras áreas. São
responsáveis por detectar um toque contínuo de
objetos contra a pele sendo importantes na
determinação da textura do que é sentido. TATO E
PRESSÃO
e) Corpúsculos de Krause: são
os receptores térmicos
responsáveis pela sensação de
frio. Situa-se nas regiões
limítrofes da pele com as
membranas mucosas, como ao
redor dos lábios e das genitais.
FRIO
Além desses corpúsculos, os pelos também são
parte do sistema receptor sensorial. Os pelos
crescem a partir de folículos inseridos na pele, no
qual cada folículo está ricamente inervado por
terminações nervosas livres, que se enrolam ao redor
dele. Os mecanorreceptores dos folículos pilosos
podem ser tanto de adaptação lenta como rápida.
Quando a cápsula de um corpúsculo é
comprimida, a energia é transferida à terminação
nervosa, sua membrana é deformada, e os canais
mecanossensíveis se abrem. A corrente que flui
através dos
canais gera um
potencial no
receptor, que é
despolarizante,
gerando um
potencial de
ação.
CURIOSIDADE: Existem várias razões para explicar
por que a ponta dos dedos é melhor para ler em
Braille do que outra parte do corpo. Primeiro, porque
existe uma quantidade maior de mecanorreceptores
na pele da ponta dos dedos do que em outras partes;
Segundo, as pontas dos dedos tem um maior número
de campos receptivos pequeno; Terceiro, existe mais
tecido cerebral destinado ao processamento da
informação sensorial da ponta do dedo do que de
outros locais.
Nociceptores:
Os nociceptores respondem a estímulos
nocivos que podem produzir dano tecidual.
Existem duas classes principais de
nociceptores: os nociceptores térmicos ou
mecânicos e os nociceptores polimodais. Os
nociceptores térmicos ou mecânicos (canais
TRPV ou TRPM8) são supridos por fibras
nervosas aferentes A-delta finamente
mineralizadas e respondem a estímulos
mecânicos, como a dor aguda e puntiforme. Os
nociceptores polimodais são supridos por
fibras C não mielinizadas e respondem a
certos estímulos químicos e a estímulos
mecânicos ou quentes ou frios de alta
intensidade.
A pele lesionada libera diversas
substâncias químicas, como a bradicinina, as
prostaglandinas, a substância P, K+
e H+, que iniciam uma resposta
inflamatória. Os vasos sanguíneos
se tornam permeáveis e, assim, há
edema local e eritema
cutâneo. Os mastócitos próximos
ao local da lesão liberam
histamina, que ativa diretamente
os nociceptores. Além disso, os
próprios nociceptores liberam
substâncias que sensibilizam os
nociceptores vizinhos a estímulos
que antes não eram nocivos ou
dolorosos. Este processo de
sensibilização, denominado
hiperalgesia, é a base de diversos
fenômenos, inclusive a redução do
limiar de dor.
Proprioceptores
O conjunto das informações dadas
por esses receptores nos
permitem, por exemplo, desviar a cabeça de um galho,
mesmo que não se saiba precisamente a distância
segura para se passar, ou mesmo o simples fato de
poder tocar os dedos do pé e o calcanhar com os olhos
vendados, além de permitir atividades importantes
como andar, coordenar os movimentos responsáveis
pela fala, segurar e manipular objetos, manter-se em
pé ou posicionar-se para realizar alguma atividade.
Os principais proprioceptores são:
● Órgãos tendinosos de Golgi são sensíveis à
tração exercida nos tendões indicando a força
que está sendo exercida sobre a musculatura,
impedindo lesões.
● Fuso muscular ð se divide em dois subtipos,
fuso neuromuscular de bolsa, e de cadeia
nuclear, sendo estes responsáveis pelo
comprimento da fibra muscular no repouso
(postura) e durante o movimento.
● Labirinto (também conhecido por sistema
vestibular) localizado no ouvido junto à cóclea,
é sensível a alterações angulares da cabeça. As
alterações podem ser no sentido vertical
(rotação vertical, deslocamento do queixo para
cima e para baixo) ou horizontal (rotação
horizontal ou lateral, deslocamento do queixo
lateralmente, ou seja, direita e esquerda).
Perturbações no sentido de equilíbrio podem
levar a correções inadequadas, que em casos
extremos podem impedir a manutenção da
posição vertical, além de causar vertigem e
náusea.
AXÔNIOS AFERENTES PRIMÁRIOS
A pele é ricamente inervada por axônios que
percorrem uma vasta rede de nervos periféricos em
seu trajeto em direção ao SNC. Os axônios que levam
a informação dos receptores sensoriais somáticos à
medula espinhal ou a o tronco encefálico são os
axônios aferentes primários , estes entram na medula
através das raízes dorsais.
Os axônios aferentes primários apresentam
diâmetros variados, e seus tamanhos correlacionam
com o tipo d e receptor sensorial ao qual estão
ligados.São nomeados de forma decrescente de
tamanhos: Aα, Aβ, Aδ e C. (Os axônios do grupo C não
são mielinizados ). As fibras C transmitem a sensação
de dor e de temperatura e são os axônios mais lentos.
Já os axônios vindo dos músculos são: I, II, III, IV.
MEDULA ESPINAL
Cada nervo espinhal consiste em axônios da raiz
dorsal e da raiz ventral. Os segmentos espinais são
divididos em grupos: 8 cervicais, 12 torácicos, 5
lombares, 5 sacrais e 1 coccígeo.
A organização segmentar
dos nervos espinhais e a
inervação sensorial da
pele estão relacionados. A
área da pele inervada
pelas raízes dorsais,
direita e esquerda, de um
único segmento espinhal
se chama Dermátomo;
existe, portanto, uma
correspondência de 1/ 1
entre os dermátomos e os
segmentos espinhais.
Quando uma raiz dorsal é
seccionada, o dermátomo
correspondente do lado da lesão não perde toda a
sensação. Essa sensação residual é explicada, pelo
fato que as raízes dorsais adjacentes inervam áreas
sobrepostas. Portanto, para perder toda a sensação
de um dermátomo, 3 raízes dorsais adjacentes devem
ser seccionadas.
Os neurônios que recebem aferências
sensoriais oriundas dos neurônios aferentes primários
são chamados de neurônios sensoriais de segunda
ordem, sendo a maioria localizada nos cornos dorsais.
Os axônios que conduzem a informação tátil da pele,
entra no corno dorsal e se ramifica. Um ramo faz
sinapse com neurônios sensoriais de segunda ordem no
corno dorsal, podendo desencadear uma variedade de
respostas reflexas rápidas e inconscientes. Outro
ramo de axônio aferente primário ascende
para o encéfalo, sendo responsável pela
percepção.
VIA DO LEMNISCO MEDIAL
A informação sobre o tato segue para
o encéfalo através da via corno dorsal
lemnisco medial. Nesse processo, o ramo
ascendente dos axônios sensoriais primários
entra na coluna dorsal, faz sinapse com os
neurônios de segunda ordem e termina nos
Núcleos da coluna dorsal (grácil e
cuneiforme), situado entre a medula e o bulbo
. Nesse ponto da via, os axônios do núcleo da
coluna dorsal faz uma decussação no bulbo, e
a partir desse ponto o sistema sensorial
somático de um lado do encéfalo está
relacionado com as sensações originadas do
lado oposto.
Os axônios dos núcleos da coluna
dorsal ascendem pelo lemnisco medial, que sobe
através do bulbo, ponte, mesencéfalo até os axônios
fazem sinapse com
neurônios do Núcleo
ventral posterior do
tálamo. Que por sua vez se
projeta para regiões
específicas do córtex
somatossensorial primário
ou S1.
OBS: Nenhuma informação
sensorial segue
diretamente para o córtex
sem antes fazer sinapse no
tálamo.
É importante dizer que
tanto nos núcleos da coluna
dorsal, como nos talâmicos,
ocorre uma transformação
considerável de
informação.
VIA ESPINOTALÂMICO ANTEROLATERAL
A via anterolateral para a transmissão de
sinais sensoriais da medula espinal para o encéfalo, ao
contrário d a via d a coluna dorsal, transmite sinais
sensoriais que não necessitam de localização muito
precisa da fonte do sinal e que não requerem a
discrimi nação de graduação finas da intensidade.
Esses tipos de sinais incluem os de dor, calor, frio,
tato grosseiro, cócegas, prurido e sensações sexuais
VIA TÁCTIL TRIGEMINAL
As sensações somáticas da face são supridas
principalmente pelos grandes ramos do nervo
trigêmeo, o qual chega ao encéfalo pela ponte. O
nervo trigêmeo (V) divide- se de cada lado do rosto,
em três nervos periféricos que inervam a face, a
região bucal, os 2/3 externos da língua e a
dura-máter que recobre o encéfalo. As sensações da
pele em torno das orelhas, nariz e faringe são
fornecidas pelos nervos facial, glossofaríngeo e vago.
Os axônios sensoriais do nervo trigêmeo
levam informações tátil dos mecanorreceptores da
pele. Eles fazem sinapse com neurônios de segunda
ordem do núcleo trigeminal. Os axônios do núcleo
trigeminal decussam e se projetam para a parte
medial do núcleo VP do tálamo. A partir desse núcleo,
a informação é retransmitida para o córtex
somatossensorial.
CÓRTEX SOMATOSSENSORIAL
A maior parte do córtex relacionado com o
sistema sensorial somático está localizado no lobo
parietal A área de Brodmann 3b, reconhecida
atualmente como córtex somatossensorial primário
(S1), está
localizada no giro
pós central. Junto
a S1, estão outras
áreas corticais que
também processam
a informação
sensorial, são elas
as áreas: 3a, 1 e 2
no giro pós
-central e as áreas
5 e 7 no córtex
parietal posterior.
A área 3b é o
córtex sensorial
somático primário
porque recebe um
grande número de
aferências do
núcleo VP do
tálamo, também
seus neurônios são muito responsivos aos estímulos
somatossensoriais. Além disso, a área 3a também
recebe uma densa aferência do tálamo, no entanto
essa região está relacionada com as informações
acerca da posição do corpo. A área 3b projeta uma
inervação para a área 1 (relacionado com informações
sobre textura), enquanto que para a área 2 (
informações sobre tamanho e forma). Além disso, é
importante ressaltar que o córtex somatossensorial é
organizada em camadas, e as aferências talâmicas
para S1 terminam principalmente na camada IV.
SOMATOTOPIA CORTICAL
Uma estimulação elétrica da superfície de S1
pode causar sensações somáticas localizadas em uma
parte específica do corpo. Os campos receptivos dos
neurônios de S1 produzem u m mapa ordenado do
corpo no córtex, essa propriedade é chamada de
Somatotopia. Esse mapa não é contínuo, e sim
fragmentado. Se fôssemos representar as partes do
corpo que possui uma área sensitiva maior no córtex
teríamos a boca, língua e os dedos das mãos, enquanto
que o tronco, braços e as pernas seriam pequenos.
Esse mapa é chamado de Homúnculo.
Outra propriedade do córtex é a sua
plasticidade, ou seja, foram feitas pesquisas com
macacos e perceberam que ao amputar um dedo da
mão, o córtex originalmente destinado a esse dedo
passou a responder à estimulação dos dígitos
adjacentes. Dessa forma, houve uma evidente
reorganização da cirurgia adjacente à somatotopia
cortical, no qual o seu ajuste depende da quantidade
de experiência sensorial. No caso de pacientes que
relatam a dor fantasma de um membro amputado, os
estudos apontam que essa sensação é causada pela
estimulação de regiões adjacentes ao membro, devido
a reorganização cortical.
Lesões do córtex parietal posterior podem
causar alguns distúrbios neurológicos. Entre eles,
temos a Agnosia, que é a incapacidade em reconhecer
objetos, apesar de as capacidades sensoriais parecer
normal. Outro distúrbio é a Síndrome de Negligência,
no qual uma parte do corpo ou do mundo (ex: todo o
campo visual a esquerda) é ignorada e sua própria
existência é negada.
PERCEPÇÕES TÁTEIS
DOR
Os nociceptores são terminações nervosas
livres, ramificadas, não mielinizadas que sinalizam
quando o tecido corporal está sendo lesado ou em
risco de sofrer lesão. A informação dos nociceptores
segue uma via para o cérebro que difere d a via dos
mecanorreceptores. A ativação seletiva dos
nociceptores pode levar a experiência consciente da
dor.
Dor é a sensação ou percepção de sensações
tão diversas como irritação, inflamação, fisgada,
ardência ou sensações insuportáveis que surgem de
uma parte do corpo. Já a nocicepção é o processo
sensorial que fornece os sinais que desencadeiam a
experiência da dor.
NOCICEPTORES E A TRANSDUÇÃO DOS
ESTÍMULOS DOLOROSOS.
Os nociceptores são ativados por estímulos,
que têm o potencial de causar lesões nos tecidos.
Esses danos ao tecido podem resultar de uma
estimulação mecânica forte, temperaturas altas,
privação de oxigênio e exposição a
certos tipos de agentes químicos. A
membrana dos nociceptores contém
canais iônicos que são ativados por
esses estímulos.
Quando forçamos nosso pé, o simples
estiramento e dobramento da
membrana do nociceptor ativa os canais
iônicos, que levam a despolarização da
célula e ao disparo de potenciais de
ação. Além disso, as células danificadasno local da lesão podem liberar várias
substâncias que abre o canal iônico dos
nociceptores. Como exemplo temos o
ATP, íons K + e as proteases, que são
enzimas que degradam a proteína. Essa
protease pode aliviar o cininogênio,
formando a bradicinina que se liga a
uma molécula receptora específica,
aumentando a condutância iônica de alguns
nociceptores.
Nos casos de corredores de
maratona, quando o nível de oxigênio
tecidual diminui, utiliza -se a respiração
anaeróbica que gera como produto o ácido
láctico. O acúmulo de ácido láctico leva a
um excesso de H+, nos quais ativam os
canais iônicos dos nociceptores, sendo
responsável pela dor associada ao
exercício físico muito intenso.
Outra situação é quando somos
picado por uma abelha, o nosso sistema
imune ativa os mastócitos que promove a
liberação da histamina, que irá se ligar aos
receptores nos nociceptores, causando
uma despolarização da membrana, além d e aumentar
a permeabilidade dos capilares, levando ao edema e
vermelhidão no local.
TIPOS DE NOCICEPTORES
A transdução dos estímulos dolorosos ocorre
nas terminações nervosas livres de fibras não
mielinizadas C e nas pouco mielinizadas A-delta. Os
nociceptores são chamados de polimodias, pois
respondem a estímulos mecânicos(pressões), térmicos
(calor ou frio extremo_ e químicos (histamina e
outros).
As fibras C são responsivas à histamina e
causam a percepção do prurido. Os nociceptores
estão presentes na maioria dos tecidos do corpo,
incluindo pele, ossos, músculos, vasos sanguíneos,
coração;
HIPERALGESIA
Os nociceptores normalmente respondem
quando os estímulos são suficientemente
intensos para lesionar o tecido. A hiperalgesia é
a capacidade corporal de autocontrole d a dor.
A hiperalgesia primária ocorre na área do
tecido lesado, enquanto que a hiperalgesia
secundária envolve a região da lesão que s e
torna supersensível.
Algumas substâncias que são liberadas no
momento em que a pele é lesada, tem a
capacidade de excitar os nociceptores. Dentre
eles temos a Bradicinina, no qual irá estimular
mudanças intracelulares d e longa duração,
deixando mais sensíveis os canais iônicos
ativados por calor. Já as Prostaglandinas, são
substâncias que aumentam a sensibilidade dos
nociceptores a outros estímulos. E a substância
P é um peptídeo sintetizado pelos próprios
nociceptores , que causa a vasodilatação e a
liberação de histaminas pelos mastócitos. Ela
também é capaz de sensibilizar a área vizinha
da lesão, causando a hiperalgesia secundária.
AFERENTES PRIMÁRIOS E MECANISMOS
ESPINHAIS
As fibras A-delta e C levam informações ao
SNC com velocidades diferentes devido à presença ou
não da mielina. Consequentemente, a ativação dos
nociceptores na pele produz uma dor primária (rápida
e aguda) causada pelas fibras A-delta, e uma dor
secundária (lenta e contínua) causada pelas fibras C.
Essas fibras possuem seus corpos celulares
nos gânglios da raiz dorsal e entram no corno dorsal
da medula, se ramificando em uma região chamada
Tracto de Lissauer, fazendo depois, sinapses na
substância gelatinosa do corno dorsal.
Acredita-se que o neurotransmissor dos
aferentes nociceptivos seja o glutamato, além da
substância P localizada nas terminações axonais,
podendo ser liberadas por potenciais de ação de alta
frequência.
É interessante observar, que os nociceptores
viscerais entram na medula espinal pelo mesmo
trajeto dos nociceptores cutâneos. Na medula
espinhal ocorre uma mistura de informações dessas
duas fontes de aferências. Isso irá originar o
fenômeno de dor referida, no qual a ativação do
nociceptor visceral é percebida como uma sensação
cutânea. Um exemplo disso é a dor associada à
apendicite, qu e é referida na parede abdominal perto
do umbigo.
VIAS ASCENDENTES DA DOR
1- VIA DA DOR ESPINOTALÂMICA
A informação sobre a dor é conduzida da
medula ao encéfalo pela via espinotalâmica. Nessa via,
os axônios dos neurônios de segunda ordem decussam
imediatamente e ascendem através do tracto
espinotalâmico ao longo da superfície ventral da
medula. Ao ascender pela medula espinhal, passam
pelo bulbo, ponte e mesencéfalo sem fazer sinapse,
até alcançar o tálamo.
O TRATO NEOESPINOTALÂMICO E O TRATO
PALEOESPINOTALÂMICO
A informação acerca da dor segue para o
encéfalo através da via espinotalâmica. Cabe destacar
que algumas bibliografias dividem essa via em duas:
neoespinotalâmica e paleo -espinotalâmica, essa
divisão segue a lógica d a transmissão da dor rápida e
lenta respectivamente.
Diferentemente do que ocorre com a via do
tato, os neurônios de segunda ordem decusam
imediatamente através da comissura anterior
presente na medula e seguem para os tratos
ascendentes. Esse fato traz algumas características
diferentes entre esses dois sentidos, pois lesões em
um lado da medula causa manifestação sensorial
diferente no tato e na dor, bem como nas
manifestações motoras que auxiliam na localização da
lesão. O conjunto de sintomas sensoriais e motores
adquiridos através de uma lesão de um lado da medula
é denominado de síndrome Brown -Séquard.
Seu caminho é medula, bulbo, ponte,
mesencéfalo e tálamo. As fibras do trato neo
-espinotalâmico seguem diretamente para o tálamo
quase sem nenhuma interferência, tendo ponto de
chegada o núcleo ventral basal ou ventral posterior.
Dessas áreas talâmicas a informação é enviada para o
córtex somatossensorial. A capacidade de localizar
uma dor pontual é maior do que uma dor crônica, isso
se deve ao fato da proximidade do c aminho da
informação tátil e dolorosa ao chegar à estrutura do
lemnisco medial, além disso, o seu neurotransmissor
envolvido é o
glutamato.
Por outro lado, a via paleoespinotalâmica é
responsável pela transmissão da dor lenta o u crônica,
sendo que suas fibras recebem aferências da parte
gelatinosa presente na medula espinal e seguem a
mesma via que a via rápida faz, a via anterolateral. O
neurotransmissor envolvido no processo de
transmissão do impulso de dor lenta é a substância P a
qual é liberada gradativamente, aumentando assim sua
concentração à medida que o estímulo é
desencadeado.
O estímulo ascendente da via
paleoespinotalâmica termina d e forma difusa no
tronco encefálico: (1) núcleos reticulares do bulbo; (2)
área tectal os colículos superiores e inferiores; (3)
região cinzenta periaquedutal. Do tronco encefálico
saem fibras curtas que chegam aos núcleos laminares
e ventrobasal do tálamo, bem como regiões basais do
encéfalo e hipotálamo.
Como já foi dito na parte da dor referida, a
dor crônica apresenta uma imprecisão espacial devido
à interação dessa via com outras. Estudos
experimentais concluíram que a retirada do córtex
somatossensorial não impede com que o indivíduo
apresente a percepção da dor. Desse modo,
concluiu-se que a formação reticular bem como
regiões inferiores do encéfalo como o hipotálamo é
importante para percepção consciente da dor.
Logo, o córtex é fundamental para a
interpretação dessa percepção, enquanto as regiões
basais e formação reticular processam a informação.
Quando o indivíduo apresenta um estímulo para dor
crônica ele pode ativar núcleos reticulares e
intralaminares do tálamo os quais traz um efeito de
alerta para todo o córtex. Isso porque a formação
reticular apresenta um sistema de alerta (sono e
vigília) que pode ser ativado em casos de dores
crônicas, portanto um indivíduo que apresenta dor
crônica tem uma incapacidade de dormir.
2- VIA DA DOR TRIGEMINAL
A informação d e dor e temperatura da face e
do terço anterior da cabeça segue uma via ao tálamo,
análoga à via espinhal. As fibras do nervo trigêmeo
fazem sinapse com os neurônios sensoriais
secundários no núcleo espinhal d o trigêmeo no tronco
encefálico. Os axônios dessas células decussam e
ascendem ao tálamo pelo lemnisco trigeminal. No
tálamo, as sinapses ocorrem tanto no núcleo VP,
quanto no núcleo intralaminar, ascendendo para o
córtex.
REGULAÇÃO DA DOR
a) Regulação aferente: umtoque leve pode causar
uma dor pelos mecanismos de hiperalgesia. Como
também, a dor pode ser diminuída pela atividade e m
mecanorreceptores de baixo limiar. Isso explica
porque sentimos alívio da dor a o massagear alguma
parte do corpo. A teoria mais aceita é a do portão da
dor, no qual existe Inter neurônios entre as vias
ascendentes e que os estímulos de
mecanorreceptores vão ativar esses Interneurônios,
sendo eles que inibem a via de dor nociceptiva. Assim
como, se não tiver estímulo mecanorreceptor, não vai
haver estímulo a esse inter neurônios , ou seja não vai
haver inibição da via nociceptiva, fazendo que o
estímulo doloroso chegue ao córtex.
b) Regulação Descendente: algumas situações como
emoções fortes, estresse podem suprimir as
sensações da dor. A região envolvida na supressão de
dor é a Substância cinzenta periaquedutal (PAG) que
fica no mesencéfalo. Os neurônios da PAG enviam
axônios descendentes a várias regiões d o bulbo,
principalmente nos núcleos da Rafe (serotonina).
Esses neurônios bulbares, projetam seus axônios para
os cornos dorsais da medula, onde podem exprimir de
maneira eficiente a atividade dos neurônios
nociceptivos.
c) Opióides endógenos: O ópio e seus análogos, como
morfina, codeína e a heroína, que promovem intensa
analgesia, alteração d e humor, se ligam a vários tipos
de receptores opióides no SN. Além disso, o próprio
SN produz substâncias endógenas semelhantes à
morfina, que são as endorfinas. Esses receptores
estão concentrados em áreas que processam e
modulam as áreas nociceptivas.
TEMPERATURA
O sis tema nervoso desenvolveu um mecanismo
de perceber uma variação de temperatura, e
comunicar com o SNC. As sensações térmicas não
dolorosas começam nos receptores da pele, e
dependem de ser processadas no córtex para se
tornar conscientes. Quem capta essa variação são os
termorreceptores, que são sensíveis à temperatura,
através de mecanismos de membrana.
Grupos de neurônios específicos no
hipotálamo e medula regulam a temperatura corporal.
A sensibilidade da temperatura não está distribuída
uniformemente na pele. Existem regiões específicas
que não distinguem calor de frio e sugere que existam
receptores tanto específicos do calor, como outros
específicos do frio. Hoje sabe-se também que existe
u m canal iônico que é sensível à mudança de
temperatura para mais de 45 º sugerindo que existem
outras para várias outras temperaturas.
Existem receptores d e frio que têm a
proteína do calor, ou seja, se você aplicar algo quente
em várias áreas da pele, você desenvolve estímulos de
quente e de dor. Mas s e aplicada em pequenas áreas,
ele vai de maneira contraditória desencadear a
sensação de frio, ou seja, o SNC não sabe distinguir
qual é o tipo de estímulo que desencadeia a sensação,
ele apenas interpreta o estímulo que aquele receptor
é designado.
VIAS DA TEMPERATURA
Os receptores para frio estão ligados às
fibras Agama e C, enquanto os receptores de calor
estão localizados apenas nas fibras c. Esses axônios
fazem sinapses na substância gelatinosa no corno
dorsal. Já os de 2 ordem vão decussar e depois
ascender pelo trato espinotalâmico de maneira igual
ao da dor.
VIA DE PRESSÃO E TATO PROTOPÁTICO:
Os receptores de pressão e tato são tanto os
corpúsculos de Meissner como os de Ruffini. Também
são receptores táteis as ramificações dos axônios em
tomo dos folículos pilosos.
a) Neurônios I - localizam-se nos gânglios espinhais
cujo prolongamento periférico liga-se ao receptor,
enquanto o central divide-se em um ramo ascendente,
muito longo, e um ramo descendente, curto,
terminando ambos na coluna posterior, em sinapse
com os neurônios II.
b) Neurônios II - localizam-se na coluna posterior da
medula. Seus axônios cruzam o plano mediano na
comissura branca, atingem o funículo anterior do lado
oposto, onde se inflectam cranialmente para
constituir o trato espinotalâmico anterior. Este, no
nível da ponte, une-se ao espinotalâmico lateral para
formar o lemnisco espinhal, cujas fibras terminam no
tálamo, fazendo sinapse com os neurônios III.
c) Neurônios III - localizam-se no núcleo ventral
posterolateral do tálamo. Originam axônios que
formam radiações talâmicas que, passando pela
cápsula interna e coroa radiada, atingem a área
somestésica do córtex cerebral.
Por este caminho chegam ao córtex os
impulsos originados nos receptores de pressão e de
tato situados no tronco e nos membros. Entretanto,
como no caso anterior, estes impulsos tomam-se
conscientes já em nível talâmico.
A via anterolateral carrega impulsos nervosos
de dor, frio, calor, prurido e cócegas dos membros,
tronco, pescoço e da parte posterior da cabeça para o
córtex cerebral.
VIA DE PROPRIOCEPÇÃO CONSCIENTE, TATO
EPICRÍTICO E SENSIBILIDADE VIBRATÓRIA:
Os receptores de tato são os corpúsculos de
Ruffini e de Meissner e as ramificações dos axônios
em tomo dos folículos pilosos. Os receptores
responsáveis pela propriocepção consciente são os
fusos neuromusculares e órgãos neurotendinosos. Já
os receptores para a sensibilidade vibratória são os
corpúsculos de Vater Paccini.
a) Neurônios I - localizam-se nos gânglios espinhais.
O prolongamento periférico destes neurônios liga-se
ao receptor, o prolongamento central, penetra na
medula pela divisão medial da raiz posterior e
divide-se em um ramo descendente, curto, e um ramo
ascendente, longo, ambos situados nos fascículos
grácil e cuneiforme; os ramos ascendentes longos
terminam no bulbo, fazendo sinapse com os neurônios
II.
b) Neurônios II - localizam-se nos núcleos grácil e
cuneiforme do bulbo. Os axônios destes neurônios
mergulham ventralmente, constituindo as fibras
arqueadas internas, cruzam o plano mediano e a seguir
inflectem-se cranialmente para formar o lemnisco
medial. Este termina no tálamo, fazendo sinapse com
os neurônios III.
c) Neurônios III - estão situados no núcleo ventral
posterolateral do tálamo, originando axônios que
constituem radiações talâmicas que chegam à área
somestésica passando pela cápsula interna e coroa
radiada.
Por esta via, chegam ao córtex impulsos
nervosos responsáveis pelo tato epicrítico, a
propriocepção consciente (ou cinestesia) e a
sensibilidade vibratória. O tato epicrítico e a
propriocepção consciente permitem ao indivíduo a
discriminação de dois pontos e o reconhecimento da
forma e tamanho dos objetos colocados na mão
(estereognosia). Os impulsos que seguem por esta via
se tomam conscientes exclusivamente em nível
cortical, ao contrário das duas vias estudadas
anteriormente.
A via funículo posterior–lemnisco medial carrega
impulsos nervosos de tato, pressão, vibração e
propriocepção consciente provenientes dos membros,
do tronco, do pescoço e da parte posterior da cabeça
para o córtex cerebral.
VIA DE PROPRIOCEPÇÃO INCONSCIENTE:
Os receptores são os fusos neuromusculares
e órgãos neurotendinosos situados nos músculos e
tendões.
a) Neurônios I - localizam-se nos gânglios espinhais.
O prolongamento periférico destes neurônios liga-se
aos receptores. O prolongamento central penetra na
medula, divide-se em um ramo ascendente longo e um
ramo descendente curto, que terminam fazendo
sinapse com os neurônios II da coluna posterior.
b) Neurônios II - podem estar em duas posições,
originando duas vias diferentes até o cerebelo:
➢ neurônios II, situados no núcleo torácico
(localizado na coluna posterior) - originam
axônios que se dirigem para o funículo lateral
do mesmo lado, inflectem-se cranialmente
para formar o trato espinocerebelar
posterior, que termina no cerebelo, onde
penetra pelo pedúnculo cerebelar inferior;
➢ neurônios II, situados na base da coluna
posterior e substância cinzenta intermédia -
originam axônios que, em sua maioria, cruzam
para o funículo lateral do lado oposto,
inflectem-se cranialmente constituindo o
trato espinocerebelar anterior. Este penetra
no cerebelo pelo pedúnculo cerebelar
superior. Admite-se que as fibras que cruzam
na medulacruzam novamente antes de
penetrar no cerebelo, pois a via é homolateral.
Através dessas vias, os impulsos proprioceptivos
originados na musculatura estriada esquelética
chegam até o cerebelo.
6- Diferenciar urgência e emergência (escala de
Manchester)
O que determina as diferenças são a condição
do paciente (com ou sem risco iminente de morte) e
do que ele necessita de imediato (atendimento ou
tratamento):
De acordo com a resolução n. 1.451/95 do
Conselho Federal de Medicina temos:
Emergência é a ocorrência de agravo à saúde, com
risco iminente de vida ou que cause intenso
sofrimento ao paciente, exigindo tratamento médico
imediato. Algumas situações que inspiram um
atendimento de emergência:
1. Corte profundo
2. Acidente de origem elétrica
3. Picada ou mordida de animais peçonhentos
4. Queimaduras
5. Afogamentos
6. Hemorragia (forte sangramento)
7. Infarto do miocárdio (dor forte no peito)
8. Dificuldade respiratória
9. Derrames, perda de função e/ou dormência
nos braços e pernas
10. Inconsciência/desmaio
11. Intoxicação por alimento ou medicamento
12. Sangue no vômito, urina, fezes ou tosse
13. Grave reação alérgica
14. Febre alta permanente
15. Convulsões, dores intensas no peito, abdômen,
cabeça e outros
16. Agressões físicas
17. Acidentes de carro, moto, atropelamento e
quedas
Urgência é constituída de agravo à saúde com ou sem
risco potencial de vida, que também implica em
atendimento médico imediato. As situações que
podem necessitar de um atendimento de urgência
incluem:
1. Fraturas

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