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1 OFTALMOLOGIA / 8° PERÍODO / 2023-2 
ANA LUÍZA ALVES PAIVA 
INTRODUÇÃO 
Primeira causa de cegueira reversível no mundo 
(o glaucoma é a segunda causa de cegueira, 
porém é irreversível). 
Segundo a OMS, há 45 milhões de cegos no 
mundo, dos quais 40% são devidos à catarata. 
É a denominação dada a qualquer opacidade do 
cristalino, que não necessariamente afete a visão. 
G. KATARRHAKI: queda d’água – “enxergando por 
um espelho d’água”. 
FATORES DE RISCO 
O principal fator de risco é a idade avançada, mas 
considerar tabagismo, exposição solar, DM e uso 
de corticoides (sistêmicos se >15mg/prednisona, 
inalatórios em altas doses e colírio de corticoide). 
Outros fatores de risco incluem: sexo feminino, 
raça negra, baixa escolaridade, alcoolismo, 
trauma ocular, queimadura ocular, uveíte 
recorrente, alta miopia,distrofia miotônica, 
doença de Wilson, hipoparatireoidismo, uso de 
fenotiazinas, radioterapia intraocular, 
procedimentosoculares e pseudoesfoliação. 
FISIOPATOLOGIA 
CRISTALINO (LENTE): é um citosistema altamente 
organizado que se localiza entre a pupila e o 
humor vítreo que tem a função de acomodação 
visual. 
Sua composição consiste em 2 partes: núcleo 
(acometimento mais comum) e córtex (localiza-se 
as células mais jovens). 
Existe um arranjo regular das fibras que formam o 
cristalino e existe uma mínima quantidade de 
espaço extracelular (apenas 1,3% do total). Além 
disso, apenas as fibras superficiais são nucleadas. 
As principais proteínas são altamente 
concentradas e de pequeno tamanho, o que 
mantém a transparência do citoplasma e 
minimiza a reflexão da luz. 
O aumento de tamanho das moléculas ou de sua 
separação por excesso de água leva à 
opacificação, podendo o paciente desenvolver a 
catarata. 
Além disso, a opacificação pode ser decorrente 
também do acúmulo de proteínas de alto peso 
molecular, fazendo com que o núcleo se torne 
mais amarelado (depósito de pigmento 
urocromo) e compactado (esclerose nuclear). 
À medida que a catarata sofre maturação, a 
ruptura das fibras corticais progride e ocorre um 
grande acúmulo de água. Como resultado, a 
lente sofre edema e perde sua transparência. 
CATARATA SENIL: com o envelhecimento, há 
mudanças na composição celular do cristalino 
(transformações bioquímicas das proteínas), 
acúmulo de moléculas de água e formação de 
vacúolos entre as fibras do cristalino e formação 
de agregados de proteínas lenticulares com alto 
peso molecular → alteração da configuração de 
suas fibras. 
CLASSIFICAÇÃO 
QUANTO À ORIGEM 
CONGÊNITA 
JUVENIL 
SENIL (principal) 
SECUNDÁRIAS: a doenças sistêmicas (DM – neste 
caso, é intracapsular posterior); Intra-oculares; 
traumas (exposição à radiações actínicas, 
traumatismos elétricos, contusos e perfurantes...); 
Substâncias tóxicas (corticosteroides, 
amiodarona, pilocarpina). 
QUANTO À LOCALIZAÇÃO ANATÔMICA 
Opacidade do cristalino pode ocorrer em 1 ou 
mais camadas. 
NUCLEAR: é a mais comum, correspondendo a 
cerca de 60%. Há deterioração de células mais 
velhas. Ocorre no núcleo do cristalino – 
 
ANA LUÍZA ALVES PAIVA / 8° PERÍODO / 2023-2 
 
 
2 OFTALMOLOGIA / 8° PERÍODO / 2023-2 
ANA LUÍZA ALVES PAIVA 
progressão é lenta. Há esclerose das fibras 
centrais, estimuladas pela ação dos raios UV, o 
que torna o núcleo mais denso. Associada com 
miopatia em fases iniciais. 
 
**Brilho esverdeado 
CORTICAL ANTERIOR: há deterioração das células 
jovens. Ocorre na região anterior do cristalino. 
Mais branda. 
 
**estrias 
SUBCAPSULAR POSTERIOR: como está mais no 
“fundo”, acomete o ponto nodal, piorando a 
visão. Localiza-se ao lado da cápsula posterior do 
cristalino – associada à DM e ao uso de 
corticoides. 
 
TOTAL 
 
QUANTO AO ESTÁGIO DE AMADURECIMENTO 
Classificação pouco utilizada atualmente 
INCIPIENTE 
MADURA 
HIPERMADURA 
MORGANIANA 
DIAGNÓSTICO 
QUEIXAS: sensação de visão turva 
EXAME FISICO/OFTALMOLÓGICO 
EXAMES COMPLEMENTARES 
RISCO CIRÚRGICO: é necessário para avaliação 
do paciente. Anestesia pode ser feita com 
bloqueio + sedação ou apenas tópico. 
**Pode servir de “defesa” para o médico, uma vez 
que grande parte dos pacientes são idosos. 
TOPOGRAFIA CORNEANA: ver curvatura da 
córnea e programar as incisões, sendo que a 
incisão deve ser feita onde a topografia for mais 
curva (meridiano mais curvo). 
MICROSCOPIA ESPECULAR CORNEANA: para 
visualizar número de células do endotélio 
corneano. 
Se menos de 2 000 células: risco elevado de 
descompensação → cuidados extras para 
realização da cirurgia, como utilização de 
viscoelástico de alto peso molecular (protege 
endotélio do trauma cirúrgico) 
ECOBIOMETRIA: para cálculo e escolha da lente 
intra-ocular. 
PAQUIMETRIA ULTRASSÔNICA CORNEANA: olha a 
espessura da córnea. Se aumentada, pensar em 
edema corneano. Se reduzida, pensar em 
ceratocone. 
POTENCIAL DE ACUIDADE VISUAL (PAM): mensura o 
potencial de acuidade visual retiniana (acuidade 
visual) – quanto o paciente vai enxergar. É útil para 
documentar que o paciente tem catarata e para 
acompanhar se a cirurgia melhorou – depois de 
operar, quanto mais próximo de 20/20, melhor 
está a visão do paciente. 
**Se deu 20/100 em OD e 20/20 em OE, o olho a ser 
operado é o esquerdo, já que o PAM desconsidera a 
catarata e avalia o potencial de acuidade retiniana 
que o paciente tem. Se PAM de 20/100, a retina enxerga 
apenas isso – não vai melhorar com a cirurgia (não é a 
catarata a causadora da baixa acuidade visual). 
ECOGRAFIA: se catarata total, uma vez que 
consegue visualizar a retina. Se opera o paciente 
sem US, paciente não vai enxergar após a cirurgia. 
 
3 OFTALMOLOGIA / 8° PERÍODO / 2023-2 
ANA LUÍZA ALVES PAIVA 
Logo, é importante para avaliar viabilidade 
retiniana (se há descolamento de retina). 
TRATAMENTO 
CIRÚRGICO: avaliar a influência na qualidade de 
vida do paciente. 
Facoemulsificação: é o padrão ouro 
Foco-refrativa: retira o cristalino e implanta a lente 
refrativa mesmo se o paciente não tiver catarata 
(Indicada a partir dos 50 anos no Brasil) 
Cirurgia a laser: que realiza apenas algumas 
etapas da cirurgia, como incisões, capsulorrexe e 
nucleofragmentação.