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Fundamentos Práticos de Taxonomia Zoológica

Livro sobre taxonomia zoológica (coleções, bibliografia, nomenclatura), organizado por Nelson Papavero. Aborda coleta, preservação, montagem e curadoria de coleções; pesquisa bibliográfica; tipos e itens de publicações taxonômicas; levantamento de localidades.

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Presidente do Conselho Curador 
Arthur Roqucte de Maced o
Diretor-Presidente 
Amilton Ferreira
Diretora de Fomento & Pesquisa 
Hermione Elly Melara de Campos Bicudo
Diretor de Publicações 
José Castilho Marques Neto
EDITORA UNESP 
Diretor
José Castilho Marques Neto
Conselho Editorial Acadêmico 
Aguinaldo José Conçalvcs 
Anna Maria Martinez Corrêa 
Antonio Carlos Massabni 
Antonio Celso Wagner Zanin 
Antonio Manoel dos Santos Silva 
Carlos Erivany Fantinati 
Fausto Foresti 
José Ribeiro Júnior 
Roberto Kracnkel
Editores Assistentes 
José Aluysio Reis de Andrade 
Maria Apparedda F. M. Bussolotti 
Tutio Y. Kawata
FUNDAÇÀO PARA O DESENVOLVIMENTO DA UNESP
FUNDAMENTOS PRÁTICOS 
DE TAXONOMIA ZOOLÓGICA
(COLEÇÕES, BIBLIOGRAFIA, NOMENCLATURA)
NELSON PAPAVERO
ORGANIZADOR
ysaçÂo
(REVISTA £ AIIPUADA)
UNESP f a p e s p
Fundaçüo paro o 
Desenvolvimento 
da UNESP
Copyright © 1994 by Editora UNESP
Direitos de publicado reservados à:
Editora UNESP da Fundado para o Desenvolvimento 
da Universidade Estadual Paulista (FUNDUNESP) 
Av. Rio Branco, 1210 
01206-904-Sâo Paulo-SP 
Fone/Fax: (011) 223-9560
Dados Internacionais de Catalogação na PublicaçSo (CJP) 
(Cfimara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Fundamentos práticos de taxonomia zoològica: coleçCcs, bibliografia, 
nomenclatura/ Nelson Papavero organizador.-2 . ed. rcv. e ampi. - 
S3o Paulo: Editora da Universidade Estadual Paulista, 1994. - (Na­
tura naturata)
ISBN 85-7139-061-4
1. Zoologia-Bibliografia 2. Zoologia-Classifica çâo 3. Zoologia- 
Nomenclatura I. Papa vero, Nelson, 1942- II. Titulo. III. Série.
94-1862 CDD-591.012
1. Taxonomia zoológica 591.012
2. Zoologia: Taxonomia 591.012
Obra publicada com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa 
do Estado de SSo Paulo (FAPESP)
indices para catálogo sistemático:
ED ITORA AFIUADA
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Dedicamos este livro aos Professores Doutores: ^
Rcimar Schaden (CNPq), Julio Cesar Garavcllo (UFSCar), \
Maria Gercflia Mota Soares (INPA), Alfredo Langguth B.
(UFPB), Vicente de Paulo Teixeira (UFJF) c Clara Pantoja J
Ferreira (UFPA), como agradecimento por sua extraordinária ^
dedicação aos Cursos Especiais de Sistemática Zoológica 
do Programa Nacional de Zoologia do CNPq. ^
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SUMÁRIO
Prefádo, 13
Prefácio à primeira edição, 17
1. A COLEÇÃO TAXONÓMICA, 19
1.1 Fontes de material para coleções, 22 
Í.2 Tipos de coleções, 23
1.2.1 Coleções didáticas, 23 
1 2 2 Coleções de pesquisa, 23
1.2.2.1 Grandes coleções gerais, 23 
1 2 2 2 Coleções particulares, 24
1.2.3 Coleções regionais, 24
1.2.4 Coleções especiais, 25
1.2.4.1 Coleções de interesse econômico,
1.2.4.2 Levantamentos faunísticos, 26 
1.25 Coleções de identificação, 26
1.3 Coleções de tipos, 27
1.4 Coleta, 27
1.4.1 Livro de campo, 28
1.4.2 Rotulagem de campo, 30
1.5 Técnicas de coleta, 31
1.6 Técnicas de preservação, 32
8
1.6.1 Via seca, 32
1.62 Via úmida, 34
1.7 Transporte de material, 35
1.7.1 Material preservado a scco, 35
1.7.2 Material preservado por via úmida, 36
1.8 Preparação, 36
1.8.1 Alfinetes entomológicos, 36
1.8.2 Câmara úmida, 36
1.8.3 Montagem, 37
1.8.4 Etiquetagem, 37
1.9 Acesso do material à coleção, 38
1.10 Identificação, 38
1.10.1 Por remessa de material a especialista, 39
1.10.2 Identificação por comparação direta, 39
1.10.3 Identificação por bibliografia, 40
1.10.4 Etiquetas de identificação, 41
1.11 Organização da coleção, 41
1.12 Curadoria das coleções, 42
2. AS FONTES BIBLIOGRÁFICAS, 45
2.1 Como iniciar a pesquisa bibliográfica, 46
2.2 Fontes de referência mais usuais, 47
2.3 Bibliografias gerais de Zoologia, 50
2.4 Bibliografias especializadas, 51
2.5 índices de nomes genéricos, 52
2.6 Catálogos e listas, 56
2.7 Obtenção de bibliografia, 58
3. TIFOS DE PUBLICAÇÕES ZOOLÓGICAS, 61
3.1 Trabalhos descritivos, 61
3.2 Trabalhos de síntese, 63
3.3 Trabalhos sobre nomenclatura, 65
3.4 Trabalhos faunísticos e zoogeográf icos, 66
3.5 Trabalhos bibliográficos, 67
3.6 Trabalhos históricos, 68
3.7 Trabalhos sobre técnicas e mdtodos, 68
4. ITENS DA PUBLICAÇÃO TAXONÓMICA, 69
4.1 Língua, 69
4.2 Extensão, 70
4.3 Itens da publicação, 70
4.3.1 Título, 70
4.3.2 Nome(s) do(s) autor(es) e da instituição, 71
4.3.3 Conteúdo ou sumário, 71
4.3.4 Resumo, 72
4.3.5 Rodapé, 72
4.3.6 Introdução e histórico, 72
4.3.7 Siglas e abreviaturas, 73
4.3.8 Material e métodos, 73
4.3.9 Agradecimentos, 74
4.3.10 Divisão do texto, 74
4.3.11 Corpo do texto, 74
4.3.12 Sinonímia, 74
4.3.13 Diagnose, descrição, redescrição, 76
4.3.14 Descrição decores: código de cores, 78
4.3.15 Dados numéricos, 78
4.3.16 Dados de distribuição geográfica, 83
4.3.17 Chaves, 84
4.3.18 Referências e bibliografia (normalização), 88
4.4 Tabelas e ilustrações, 100
5. LEVANTAMENTO DE LOCALIDADES, 107
5.1 O levantamento de localidades atuais, 108
5.1.1 Obras gerais, 108
5.1.2 Publicações especializadas, 110
5.2 O problema das localidades antigas ou imprecisas, 111
5.2.1 As localidades antigas, 111
5.2.2 As localidades imprecisas, 115
5.3 Representação de localidades: mapeamento, 116
5.4 Correlação de localidades com áreas morfoclimáticas, 118
6. RUDIMENTOS DE LATIM, 121
6.1 Substantivos, 121
6.1.1 Gênero, 121
6.1.2 Número, 122
6.1.3 Tema e desinência, 122
6.1.4 Declinação, 122
6.1.5 Casos, 123
6.1.6 Declinação de substantivos, 123
6.2 Adjetivos, 128
6.2.1 Adjetivos de 1̂ classc, 129
6.2.2 Adjetivos de 2a classe, 130
6.2.3 Particípios presentes adjetivados, 131
6.2.4 Graus dos adjetivos qualificativos, 131
6.2.5 Adjetivos numerais, 132
6.2.6 Adjetivos relativos a cores e a padrões dc colorido, 133
10
6.3 Prefixos, 143
6.3.1 Prefixos numéricos, 143
6.3.2 Outros prefixos, 144
6.4 Sufixos, 145
6.4.1 Sufixos substantivados, 145
6.4.2 Sufixos adjetivados, 146
6.4.3 Sufixos participiais, 147
6.5 Abreviaturas latinas, 148
7. RUDIMENTOS DE GREGO, 151
7.1 Transfiteração, 152
7.1.1 Al/abeto, 152
7.1.2 Ditongos, 155
7.13 Espíritos, 156
7.2 Substantivos, 157
7.2.1 Gênero, 157
7.2.2 Número, 157
7.2.3 Casos, 158
7.2.4 Declinação, 158
7.3 Adjetivos, 160
73.1 Adjetivos de 1* classe, 160
7.3.2 Adjetivos de 2a classe, 161 
7 3 3 Adjetivos de 34 classe, 161
73.4 Graus dos adjetivos, 161
7.4 Prefixos, 162
7.4.1 Prefixos provenientes de advérbios, 162
7.4.2 Prefixos provenientes de preposições, 162
7.5 Sufixos, 163
7.5.1 Sufixos substantivados, 163 
7 3 2 Sufixos adjetivados, 163
7.6 Composição de palavras, 163
7.6.1 Número de elementos, 163
7.62 Elementos finais dos compostos, 164
7.63 Elementos iniciais dos compostos, 164
7.6.4 Elementos iniciais provenientes de numerais, 165 
7.65 Elementos iniciais provenientes de pronomes, 166
7.6.6 Elementos iniciais provenientes de substantivos, 166
7.6.7 Elementos inidais provenientes de adjetivos, 167
8. NOMENCLATURA ZOOLÓGICA, 169
8.1 Objetivo do Código, 170
8.2 Táxonse categorias, 170
8.3 A liberdade do pensamento zoológico, 171
11
8.4 Qs nomes dos táxons, 172
8.5 Homonímia, sinonímia, prioridade, 173
8.6 Publicação, autoria e data, 175
8.7 Tipificação, 176
8.8 Nomes do grupo da espécie, 176
8.9 Nomes do grupo do gênero, 180
8.10 Fixação dos nomes genéricos, 181
8.11 Nomes do grupo da família, 182
8.12 A Comissão de Nomenclatura, 183
8.13 Os Códigos e livros sobre o Código, 184
8.14 A nomenclatura e a sistemática filogenétíca, 184
APÊNDICES
1. O CÓDIGO INTERNACIONAL DE NOMENCLATURA ZOOLÓGICA ADOTADO 
PELO XV CONGRESSO INTERNACIONAL DE ZOOLOGIA, LONDRES,
JULHO DE 1958, 189
1.1 Prefácio do tradutor, 189
1.2 O Código - conteúdo, 192 
Preâmbulo, 192
I. Nomenclatura zoológica, 193
II. Número de palavras em nomes zoológicos, 194 
Ш. Critérios de publicação, 194
IV. Critérios de disponibilidade, 195
V. Data de publicação, 200
VI. Validade de nomes, 201
VII. Formação e emenda de nomes, 203
Vm. Táxons do grupo da família e seus nomes, 209
IX. Táxons do grupo do gênero e seus nomes, 210
X. Táxons do grupo da espécie e seus nomes, 211
XI. Autoria, 213
XII. Homonímia,215
XIII. O conceito de tipo, 218
XIV. Tipos do grupo da família, 219
XV. Tipos do grupo do gênero, 220
XVI. Tipos do grupo da espécie, 226
XVII. A Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica, 231
XVIII. Regulamentos que governam este Código, 233 
Apêndices, 234
Glossário, 243 
índice, 248
12
2. EXERCÍCIOS DE NOMENCLATURA, 265
2.1 Um problema de nomenclatura, 265
2.2 Solução do problema precedente, 267 
23 Testes, 269
2.4 Respostas, 277
3. EXERCÍCIOS DE LATIM E GREGO, 279
3.1 Respostas, 285;
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PREFÁCIO1
A primeira edição deste livro, publicada em 1983, pelo Museu Paraense 
Emflio Goeldi e pela Sociedade Brasileira de Zoologia, foi um dos inúmeros 
frutos dos Cursos Especiais de Sistemática Zoológica, promovidos entre 1981 e 
1984 pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, 
pelo Programa Nacional de Zoologia (PNZ).
O livro Fundamentos práticos dc taxonomia zoológica (Coleções, bibliografia, 
nomenclatura) encontrou uma acolhida extremamente benévola por parte da 
comunidade dos zoólogos; tanto é que a edição se esgotou rapidamente, prova 
de que uma obra destas fazia falta em nosso meio. Além disso, foi resenhadode 
maneira extremamente generosa por dois grandes expoentes das ciências bio­
lógicas - os Professores Doutores José Reis e Herman Lent Tomamos a liberda­
de de transcrever aqui as resenhas publicadas por esses dois cientistas.
O Professor Doutor José Reis assim se expressou em Ciência e Cultura, 35(9): 
1393-1394, setembro de 1983:
1. Nota de aiverttncia: tanto no texto como nas referenda» bibliográficas ao fina) dos capítulos, não são 
seguidas as normas da Associação Brasileira dc Normas Técnicas (ABNT - NBR 6023) nem da 
International Organization for Standardization (ISO), usualmente empregada nas publicações da 
Editora UNESP, mas a forma de cilaçSo quase mundialmente empregada na área de Zoologia. 
Agradecemos à Editora UNESP por esta deferi neta.
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14
Este livro, que de inicio se deve proclamar magnífico, resulta de dois falos: o 
primeiro, 6 a iniciativa dos que para ele contribuem, de há alguns anos viran minis­
trando cursos de "fundamentos práticos" do assunto que dá título à obra, em várias 
universidades, especialmente a USP; o segundo, é a realização do ''Curso Especial de 
Sistemática Zoológica", promovido pelo Programa Nacional de Zoologia do CNPq, do 
qual constaram os "fundamentos". Desse programa e docurso csua ótima estruturação 
Ciencia e Cultura ¡ i tratou mais de uma vez, havendo publicado, a título de cxemplo, o 
seu programa no número de maio deste ano.
Salienta a introdução que, há cerca de duas décadas, se iniciou uma renovação 
do pensamento teórico na Sistemática. A par do desenvolvimento da filosofia da 
rienda, surgiram as idéias de Hennig sobre sistemática filogenética e as de Croizat 
sobrebiogeografia por vicariSncia. Não deixaram, porém,de ter vigorosos defensores 
as antigas escolas, como gradismo e nominalismo, bem como a taxonomía numérica. 
Esses aspectos teóricos formam importante parte do curso patrocinado pelo CNPq c 
merecem também edição, pela excelência e oportunidade de seu conteúdo.
Mas, continua a introdução, independentemente de qualquer tendência teórica, 
certos "fundamentos práticos" são fundamentais para o exercido da taxonomía. Sem 
eles o jovem zoólogo não poderia chegar a níveis mais altos. Dizem respeito a coleções, 
bibliografia e nomendatura.
Salienta o autor da introdução, Nelson Papavero, que para a fal ta desses funda­
mentos, por parte dos que se iniciam atualmente na especialidade, corcorre a extinção dos 
cursos de línguas clássicas, ao lado da dificuldade de obter o Código lutcniacional de 
Nomenclatura Zoológica, nunca traduzido para o português, e da lentidão cm aprender 
certos detalhes "só advindos com o passar dos anos".
Assim explicado o assunto, é fácil compreender a organização do livro que, 
diga-se mais uma vez, é precioso como guia para inidantes. Apresenta ele os seguintes 
capítulos: 1. A coleção taxonómica (Ubirajara R. Martins), com minuciosas explicações 
que v5o desde as fontes de material para coleções até as coleções de tipos, a coleta, a 
preparação, o transporte, a identificação, a organização c a curadoría; 2. Asfontes bibliográ­
ficas (Nelson Papavero), que ensina a iniciar uma pesquisa bibliográfica, as fontes mais 
comuns de referenda, apresenta bibliogra fias gera is c especializad as, índices d e nomes 
genéricos, catálogos e listas, obtenção de bibliografia; 3. Ti fios dc publicações zoológicas 
(U. M.); 4. Periódicos brasileiros relativos ã zoologia (N. P.); S. ¡teus da publicação taxonómica 
(N. P. e U. M.), verdadeira dissecação do trabalho escrito; 6. Levantamento de localidades 
(N. P.); 7. Rudimentos de latim (N. P.); 8- Rudimentos dc grego (N. P.); 9. A nomenclatura 
zoológica (com histórico e explicação dos códigos e, finalmente, em tradução de Nelson 
Bemardi, o texto português do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica.
Instrumento indispensável para quem sc inicia cm trabalhos de taxonomía, este 
livro revela não apenas a reconhecida capacidade dentffica dos autores mas também 
seu profundo amor pelo ensino e pela formação dc novos zoólogos. Pois só o amor e a 
compctênda, aliados, explicam obra tão consistente, que vai de maneira t3o direta ao 
encontro das necessidades dos estudantes. Nelson Papavero organizou uma obra 
realmente fundamental. E o CNPq está dc parabéns por editá>la.
Por sua vez, o Professor Doutor Hermán Lent teceu os seguintes comen­
tários em Ciência Hoje, 2(7): 60,1983:
Fazia falta um livro que resumisse as principais informações, os "fundamentos 
práticos" necessários aos que se iniciam em taxonomía zoológica, a dência da classifi-
15
cação dos animais. Isso devemos agradecer aos autores deste livro, Ubirajara R. 
Martins e Nelson Papavero, que conseguiram abordar com clareza, objetividade e 
singeleza temas de exposição d ifícil, d e certa maneira enfadonhos para a leitura 
corrida, mas que certamente mostrarão sua utilidade se acompanhados pelo ini­
ciante com o manuseio de seu próprio material dc estudo. Em matéria de taxono­
mía, até os mais experientes zoólogos esbarram muitas vezes em pontos de dúvida 
e complexidade
São nove capítulos, acrescidos de um último que é a tradução do Código 
Internacional de Nomenclatura Zoológica. A tradução se deve a Nelson Bemardi, feita 
sobre o texto da 2* edição, definitiva, datada dc 1964; corrige pequenos defeitos do texto 
original aprovado em 1958, no 15a Congresso Internacional de Zoologia, realizado cm 
Londres no ano em que se comemorava o 200° aniversário da publicação da 10* edição 
do Syslcma Natume, de Lincu; esta publicação introduziu, cm Ia de janeiro dc 1758, a 
aplicação do sistema binominal em zoologia.
Este Código é uma espécie dc constituição utilizada pelos zoólogos, que o 
aceitam e respeitam em toda a sua plenitude- Isto não quer dizer, porém, que não 
recorram a uma comissão internacional permanente que opina, recomenda, promove 
listagens de nomes em litígio e sugere modificações nos Congressos Internacionais de 
Zoologia, que se reúnem periodicamente.
O capítulo um trata das coleções dc animais. Estas representam o repertório de 
espécimes especialmente preservados para observação posterior, não só para estudo 
direto dos materiais guardados, mas também para comparação com outros, visando 
identificá-los ou relacionar sua distribuição geográfica, a variação de caracteres e 
quaisquer outros detalhes que se afigurem necessários para complctaroconhccimento 
de um dado animal. São as coleções, assim, um apoio fundamental para os trabalhos 
em zoologia. O mesmo se poderia dizer das coleções de botânica ou dos repositórios 
de qualquer grupo de seres vivos em criação de laboratório. As coleções têm caracte­
rísticas próprias e podem diferir de um aspecto a outro conforme o grupo dc animais. 
Daí existirem coleções de material seco, coleções de material preservado em líquidos 
conservadores especiais (álcool, formol), coleçõesdc material preparado em lâminas 
para microscopía, coleções de seres semeados cm meios dc cultura, de outros inocula­
dos cm animais de laboratório. Enfim, tipos diversos dc coleções são tratados no 
capítulo um: seus aspectos e objetivos são explanados, assim como as vá rias formas de 
coletar o material, conservá-lo e velar para que não seja destruido por pragas diversas 
ou pela evaporação dos líquidos conservadores.
O capítulo dois é precioso pa ra o principiante cm estudos zoológicos, pois indica 
as várias fontes bibliográficas a que é necessário recorrer, umas relacionando os 
aspectos gerais, outras restringindo-se a determinados grupos zoológicos especializa­
dos. A propósito, lembro-me de que, na década dc 50, dediquei algum tempo de meu 
trabalho no Instituto Oswaldo Cruz a dar um pequeno curso dc zoologia a bibliotecá­
rios do então chamado Instituto de Bibliografia c Documentação do Conselho Nacional 
de Pesquisas. Esses bibliotecários, ao tomarem conhecimento, com algum detalhe, dos 
caracteres principais dos vários grupos zoológicos c das bibliografias mais importan­
tes, adquiriram compreensão maior da bibliografia que iriam manusear ou indicar a 
seus consulentes.
No capítulo três, o leitor encontrará a descrição dos vários tipos de trabalhos 
zoológicos, tais como os meramente descritivos, os de síntese ou dc revisão monográ­
fica, os faunEsticos e zoogeográficos, os que procuram listar espécies de determinado 
grupo e também os históricos e os que tratam de métodos c técnicas.
16
No capítulo quatro encontra-se uma relação de publicações periódicas, com 
ênfase para as nacionais, que mais se dedicam à divulgação de trabalhos de zoologia. 
Aí encontramos o nome do periódico, seu locai de origem e a data do primeiro volume 
ou a de seu eventual encerramento.
O capítulo cinco intitula-se Itens da publicação taxonómica, abordando assuntos 
diversos para a preparação do texto escrito de um trabalho destinado à publicaçãd, tal 
como a escolha do idioma, do título, o preparo do resumo, a divisão cm capítulos, como 
usardados numéricos,opreparode cha vesdeidenti fica çãodegráficoscde ilustrações.
No capítulo seis encontram-se as fontes de informação para obtenção de dados 
sobre as localidades geográficas de países diversos, como também publicações espe­
cializadas, mapas etc
Sabemos que antes do francés e do inglSs, as línguas científicas modernas, o latim 
era o idioma em que se escreviam os trabalhos científicos. Por isso, o livro se preocupou 
em incluir um capítulo, o sétimo, sobre rudimentos de latim, c ainda outro, o oitavo, 
quccontém rudimentosde grego. Asduaslínguas da AntigflidadeClássica encontram, 
assim, um resumo claro e indispensável.
No capítulo nove, o livro estuda a nomenclatura zoológica, que é o importante 
fator que permite o entendimento entre os zoólogos, a linguagem internacional que dá 
nome aos animais. Discute-se a maneira como isso deve ser feito, obedecendo a um 
código aceito internacionalmente que estabelece como base uma lei dc prioridade, peta 
qual o nome mais antigo proposto para um determinado animal é o que prevalece, 
desde que obedecidas certas regras sobre sua publicação e divulgação.
Os sinônimos e homônimos, assim como o conceito de tipo, encontram nesse 
capítulo sua definição.
Como anexo, já mencionado, está uma tradução, no capítulo dez, do Código 
Internacional de Nomenclatura Zoológica, que inclui glossário e índice.
Serão sempre pouco enfáticas as palavras que pudermos utilizar para elogiar a 
publicação deste livro, que deve estar nas mSos dc todos os pesquisadores, iniciantes 
ou não, relacionados com as diversas especialidades zootógicas. Reunidos cm um só 
volume, estão diversos assuntos de explanação difícil, e conceitos que ajudarão a 
dirimir dúvidas ecompreender trabalhos alheios ou questões a resolver pessoalmente 
Olivro tem utilizaçãoparaaprcndizagcm,consuIta,/on!esdein/onnaçáobibJiogriS fica 
e orientação sobre temas diversos de publicações científicas.
Vem agora este livrinho sobre "fundamentos práticos de taxonomía zoo­
lógica" ser apresentado novamente aos leitores, em uma segunda edição revista 
e ampliada (principalmente pela inclusão de exercícios), graças ao interesse 
demonstrado pela Editora UNESP (Fundação para o Desenvolvimento da 
UNESP), à qual sinceramente agradecemos. Nossos agradecimentos são exten­
sivos à Professora Doutora Vera Cristina Silva (UNESP de Assis, SP), por suas 
gestões junto à Editora da UNESP. A FábioGonçalvese a Maria Apparedda Faria 
Marcondes Bussolotti, da Editora UNESP, os melhores agradecimentos pela 
cuidadosa revisão do manuscrito e por muitas sugestões que contribuíram 
grandemente para aprimorar o texto.
Nelson Papavero 
Organizador
PREFÁCIO À PRIMEIRA EDIÇÃO
Há cerca de duas décadas, iniciou-sc uma renovação do pensamento 
teórico dentro da ciência da Sistemática. A par do desenvolvimento da filosofia 
da ciência, surgiram as idéias de Hennig sobre Sistemática Filogenética e as 
idéias de Croizat sobre Biogeografia por vica riância. As escolas antigas (gradis- 
mo, nominalismo etc.) também tiveram defensores ardorosos, o mesmo suce­
dendo com os adeptos da Taxonomía Numérica.
Independentes de qualquer tendência teórica, estão certos "fundamentos 
práticos", indispensáveis para o exercício da Taxonomía, e sernos quais o jovem 
zoólogo não se pode guindar a níveis mais altos em seu trabalho: coleções, 
bibliografia e nomenclatura.
A extinção dos cursos de línguas clássicas nos cursos secundários, a 
dificuldade de obtenção do Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (nunca 
traduzido para o português) e a lentidão em aprender certos detalhes só 
advindos com o passar dos anos, fazem com que a formação dos taxonomistas 
peque logo pela base.
Os autores que contribuíram para este livro vêm há alguns anos minis­
trando estes "fundamentos práticos" em vários cursos de pós-graduação em 
diversos departamentos da Universidade de São Paulo e de outras universida­
des do país. A falta de um livro de texto, em que fossem expostas de maneira 
sucinta as bases práticas para o exercício da Taxonomta, levaram-nos a preparar 
esta obra.
18
A realização de um "Curso Especial de Sistemática Zoológica", promovido 
pelo Programa Nacional de Zoologia do Conselho Nacional de Desenvolvimen­
to Científico e Tecnológico, junto à Universidade Federal de São Carlos, no 
segundo semestre de 1981, precipitou a elaboração deste livro, que foi discutido 
com os alunos participantes daquele evento.
A versão final apresenta ainda lacunas, omissões e incorreções que esca­
param às inúmeras leituras; esperamos que as pequenas falhas sejam relevadas 
pelos leitores e de antemão agradecemos sinceramente por críticas, sugestões e 
contribuições.
Nelson Papavero
1. A COLEÇÃO TAXONÓMICA
Ubirajara R. Martins'
E, de cada espécie de todos os animais, farás entrar na arca 
dois, macho e fêmea, para que vivam contigo. Das aves, 
segundo a sua espécie, c das bestas, segundo a sua espécie, 
de todos os répteis da terra,segundo a sua espécie; dc todos 
entrarSo contigo dois, para que possam conservar-se.
Gôusis, 6,19-20
Procuramos salientar neste capítulo apenas os aspectos, procedimentos e 
informações mais generalizados, referentes às coleções taxonómicas zoológicas.
A vastidão do mundo animal, com mais de 1 milhão e 500 mil espécies 
conhecidas, restringe os zoólogos a um ou alguns campos de interesse e pesqui­
sa; é obviamente impossível colecionar, preservare estudar tudo. Por isso, cada 
grupo animal ou cada tipo de pesquisa exigem particularidades específicas para 
captura ou coleta do material, para preservação ou para acesso às coleções. 
Compreende-se claramente que a captura de um mamífero há que ser totalmen­
te diferente da de um anelídeo; que a preservação de exemplares para estudo 
anatômico será completamente diversa da dos indivíduos para estudos de 
distribuição geográfica. É, portanto, impossível abordar aqui todos os casos 
específicos; teremos que generalizar, o queé sempre passível de crítica.
1. Museu de Zoologia, Universidade dc S3o Paulo, Sâo Paulo, SP.
20
A coleção taxonómica é a reunião ordenada de espécimes mortos ou partes 
corporais desses espécimes, devidamente preservados para estudos. Freqüentemente 
incorporam-se às coleções objetos e produtos resultantes de atividades dos 
animais ("trabalho de um animal"), tais como ninhos e abrigos, excrementos, 
rastros e pegadas, galerias, galhas, minas e outros.
A parte da Biologia que visa à classificação dos animais, Taxonomía, 
fundamenta-se principalmente na análise comparativa de seus atributos (carac­
teres taxonómicos). Uma vez que as coleções encerram exemplares mortos, 
parcela ponderável de atributos não pode ser observada. Referimo-nos aos 
caracteres que só são observáveis em animais vivos, como caracteres etológicos 
(emissão de som e de luz, padrões de corte, construção de ninhos, de teias ou 
de abrigos), de cunho ecológico (preferência de hospedeiro, de hábitat etc.) e 
assim por diante.
Entretanto, caracteres morfológicos freqüentemente podem ser anal isados 
em espécimes preservados e, com rarissimas exceções, toda classificação animal 
se fundamenta no estudo comparativo desses caracteres. Fica claro então que a 
coleção ê imprescindível para estudos taxonómicos.
Não quer isto dizer, obviamente, que o taxonomista deva satisfazer-se com 
o exame exclusivo de caracteres morfológicos. Há problemas taxonómicos cuja 
resolução envolve a observação dos animais vivos e para cuja solução são 
requeridas observações quer no campo, quer de animais em cativeiro.
Fica também patente que quantojnais representativa for a coleção de 
determinado grupocmpinres possibilidades terá o taxonomista para efetuar sua 
ãrTálise. A grande r e p r e s e n ta tivM adp rçfere-se ao maior número possfysi_.de 
espécies e a maior quantidade possível de populações geograficamente diver- 
sas. Este agrupamento numeroso de indivíduos de uma espécie numaxolecão 
denomina-se série. É então desejável que uma coleção, para fundamentar pes­
quisas taxonómicas, encerre .séries geograficamente representativas.' isto é, 
cÕHgidáslãõ longo da distribuição global da espéde.
Mayr (1964) mendona que Miller (1941) examinou 11 mil 774 espécimes 
de pássaros do gênero Junco, que reúne 21 formas (espécies e subespécies). Tal 
volume de material certamente possibilitou uma análise altamente satisfatória.
O utra-im pnrtânria m fljnr riac rn W flgg A nforpror n< plp iii^ n ff iC jm T rrm n ip rn -
yação de toda pesquisa pregressa. Todo material utilizado por pesquisadores 
anteriores para publicação dos resultados de seus estudos há que estar devida­
mente preservado e será utilizado, posteriormente, em confrontações. Este 
procedimento é habitual e freqüente. Quase sempre, em taxonomía, necessita­
mos examinar espécimes anteriormente mendonados na literatura para a reso­
lução de problemas atuais.
Lamentavelmente, em nosso país, o hábito de preservar os "elementos de 
prova", isto 6, o material utilizado na elaboração de um trabalho, não é freqüente 
nasáreas mais vinculadas à zoologia aplicada. Parece, por exemplo, de somenos
importância guardar numa coleção os instares larvais de uma lagarta nociva, 
mencionada numa publicação que vise ao seu controle químico ou biológico. 
Suspeita-se e comprova-se, mais tarde, que na realidade são duas as espécies, 
muito próximas, que danificam uma certa cultura. Como saber qual delas foi 
mencionada se o material de prova não foi preservado?
Em certos países mais desenvolvidos, a importância dada às coleções é 
inconteste; além de seu valor cultural e científico, interessa-lhes também seu 
valor material propriamente dito. Tal procedimento permite que se façam lá 
pesquisas mais completas, inclusive com a nossa fauna, desde muito e ainda 
ativamente colecionada por europeus e norte-americanos. Não espanta, portan­
to, serem do hemisfério norte as pesquisas mais relevantes no campo da 
Taxonomía, em particular, e da Biologia, em geral.
À guisa de comparação permitimo-nos resumir tópicos constantes do 
"Annual report of the Smithsonian Institution for the year ended September 30, 
1979".
O National Museum of Natural History, de Washington, procede ao 
inventário de 60 milhões de espécimes (arqueológicos, paleontológicos, zoológi­
cos e botânicos), com a adoção de processamento automático de dados, objeti­
vando um registro total da coleção em computador. É preciso que se repita: 60 
milhões de espécimes, só nessa Instituição! Pouco menos de 380 cientistas e 
pesquisadores associados militam ali.
Esse mesmo Museu abriga a maior coleção do mundo de foraminíferos 
fósseis: 500 mil exemplares montados em lâminas de microscopía. Essa coleção 
é fundamental para os geólogos de petróleo datarem sedimentos e localizarem 
eventuais depósitos petrolíferos.
Os cientistas do National Museum são colaboradores do projeto interna­
cional de proteção às ilhas Galápagos, para impedir a degradação do ecossiste­
ma particularíssimo representado por essas ilhas. Assim, para avaliar o efeito 
do turismo na qualidade da água do mar, procedeu-se à coleta e análise da 
vegetação marinha; em 24 ilhas e em duas estações sazonais coletaram-se 20 mil 
espécimes hotânicos. Os levantamentos faunístícos e florísticos das ilhas, por 
seu tumo, já produziram 13 estudos taxonómicos nos mais diversos grupos.
Vale ainda mencionar que esse Museu possui uma coleção de aproxima- , 
damente 500 mil exemplares de mosquitos (e mais 250 mil em preparação); a ( 
maior parte dela coligida pelo então "Southeast Asia Mosquito Project", funda­
do em 1964, hoje "Medicai Entomology Project", que envolve também a África 
e a América do Sul, onde os mosquitos são especialmente importantes como i 
vetores da febre amarela, malária, filariose, encefalite etc. O conhecimento 
profundo da sistemática dos mosquitos, certamente facilitado pelo exame de : 
uma coleção desse porte, permite esclarecer, por exemplo, hábitos e criadouros 
e assim fundamentar diretrizes corretas para combate e controle.
22
1.1 FONTES DE MATERIAL PARA COLEÇÕES
A obtenção de material para coleções depende muito freqüentemente da 
busca e captura dos animais nos seus hábitats. Esta tarefa envolve o conheci­
mento das técnicas de coletee das técnicas de preservação (v. adiante).
As expedições zoológicas ou viagens de coleta têm a missão de coligir esse 
material.
É mui to habitual que tais expedições ou viagens visem à captura de apenas 
um ou algunspoucos grupos zoológicos, escolhidos de acordo com os in Eeresses 
dos pesquisadores participantes. Por essa razão, o crescimento das coleções 
zoológicas de uma instituição é desuniforme. As coleções de grupoi nas quais 
há pesquisadores em atividade tendem a desenvolver-se, enquanto as dos 
outros grupos permanecem estacionárias, às vezes por longos períodos.
Por outro lado, as expedições e viagens podem visar a levantamentos 
faimfsticos de um determinado hábitat, área ou região. Neste caso, busca-se em 
viagens sucessivas e em épocas diversas, o máximo de representação (ou a 
totalidade) de um grupo, de alguns grupos zoológicos, ou .dejtoda a fauna.
De maneira geral, os coletores concentram-se mais na capturàdõspnipos 
que lhes interessam, mas incorporam sempre às coleções outros animais que 
eventualmente possam aparecer. Estas "coletas ao acaso" contribuem signifi­
cantemente para o aumento das coleções gerais. Por exemplo, o pesquisador 
interessado em obter cupins xilófagos há que se envolver com a demanda de 
troncos e ramos, caídos ou não, habitat também de um sem número de outros 
animais pequenos: Collembola e Acari, larvas e imagos de insetos, moluscos, 
sapos, lagartos e até pequenos mamíferos que serão, eventualmente, também 
coligidos. O malacólogo especialmente preocupado com a captura de espédes 
dulcícolas encontrará em sua peneira outros animais aquáticos: pequenos pei­
xes, girinos, ninfas e larvas de insetos, vermes, e assim por diante.
Permuta. É impossível para qualquer instituição,por poderosa que seja, 
obter material representativo do mundo todo. Material exótico, raro ou crítico 
para uma determinada pesquisa pode ser conseguido por permuta, institudo- 
nal ou com pesquisadores,
Retenção^ É corriqueiro o procedimento de enviar ou receber material 
científico para identificação (p. 39). O pesquisador que desempenha a tarefa de 
identificação dedica grande parcela de seu tempo em bem executá-la. Como 
compensação pelo seu trabalho, certamente árduo, retém para a sua instituição 
partedo material identificado, mormente quando abundante. Essa providência, 
universalmente aceita mediante aquiescência prévia, contribui para o acesso às 
coleções de material das mais diversas procedências.
Graças a tais procedimentos (permuta e retenção), consegui reunir, ao 
longo de duas décadas, uma coleção com quase 6 mil e 500 espédes de ceram- 
bicídeos (Coleoptera), de muitas partes do globo, obviamente impossíveis de 
serem todas visitadas.
23
1.2 TIPOS DE COLEÇÕES
1.2.1 Coleções didáticas
Encerram material destinado a ensino,. dejmonstrações e. treinamento. 
Encontram-se nas instituições vinculadas ao ensino da Zoologia. O aprendizado 
é mais efetivo e imediato quando os interessados encontram-se diante do 
material objeto de estudo.
Habitualmente, o material didático tem curta duração, pois é destruído ou 
danificado pelo manuseio constante. Portanto, as coleções didáticas são objeto 
de renovação permanente..
As coleções didáticas são, e devem ser, completamente independentes das 
coleções de pesquisa. Oacesso de pessoal despreparadoa estas últimas é sempre 
desastroso; para muitos, é difícil avaliar a importância de determinados exem­
plares numa coleção de pesquisa.
As coleções didáticas podem, contudo, receber material impróprio para as 
coleções de pesquisa. Exemplares com dados incompletos de procedência ou 
espécimes parcialmente danificados podem servir para inúmeras finalidades 
didáticas.
1.2.2 Coleções de pesquisa
1.2.2.1 Grandes coleções gerais
Conservam material zoológico dc todos os grupos, proveniente, se possí­
vel, do mundo todo e representado por séries. Encontram-se em instituições 
públicas, geralmente museus, e em algumas universidades, e contam geralmen­
te com pelo menos cerca de um século de existência.
Em boa parcela dessas instituições, curiosamente, é usual que se obtenham 
amplos recursos para financiar grandes e espetaculares expedições de coleta, 
em contraposição aos parcos recursos destinados à manutenção das coleções já 
existentes. Por essa razão (e algumas outras) têm-se perdido, aqui e alhures, 
coleções muito importantes, reunidas com sacrifício e dedicação durante déca­
das de duro trabalho. Desde que as coleções científicas são patrimônio nacional e 
internacional, é preciso que se sensibilizem as entidades mantenedoras no sen­
tido de que sejam providenciados recursos suficientes a fim de que se possa 
legá-las aos pósteros em perfeitas condições.
Vastas coleções de pesquisas permitem amplo desenvolvimento dos estu­
dos taxonómicos e biológicos. Seria impossível mencionar aqui as grandes 
contribuições à Biologia, frutos do exame dessas grandes coleções.
As coleções de pesquisa, pelo vultoso material que encerram, requerem 
grandes espaços. Para que se tenha uma idéia, em 1976, o National Museum of 
Natural History possuía 7 milhões de espécimes de Coleoptera, guardados em 
12 mil gavetas entomológicas. Esse material pode ser acondicionado em 240 
armários de 50 gavetas e ocupa uma área integral de 144 m2 (corredores de 
circulação não computados). Possuía o American Museum of Natural History, 
em Nova York, em 1964, uma coleção de aves com cerca de 800 mil peles; o 
Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo guarda uma coleção desse 
mesmo grupo de 55.200 peles, que ocupa cerca de 184 m2. Nessas mesmas 
proporções, aquela coleção, quase quinze vezes maior, teria que ser acomodada 
numa área com mais de 2.500 m2.
Como já mencionado, o desenvolvimento numérico destas coleções gerais 
é desuniforme: normalmente ampliam-se grupos de interesse dos pesquisado­
res. Em todos os museus, alguns grupos têm representação soberba, enquanto 
outras, nunca pesquisados, estão insuficientemente representados; além disso, 
algumas instituições dedicam-se a explorar e coletar material em apenas deter­
minadas áreas geográficas. Intercâmbio entre instituições e entre pesquisadores, 
e solicitação de material, por empréstimo, para estudo, normalmente suprem o 
taxonomista de espécimes necessários para exame. Fica claro que amplo e 
cordial entrosamento entre instituições e indivíduos é desejável e obrigatório e 
deve ser incentivado ao máximo.
1.2.2.2 Coleções particulares
Há colecionadores e aficionados que reúnem, com recursos particulares, 
vultoso material de grupo ou de grupos zoológicos, para sua própria pesquisa 
ou de outrem. São as coleções privadas ou particulares, habitualmente incorpo­
radas, após a morte ou o desinteresse do colecionador, às coleções públicas, por 
doação ou venda. Por ficarem restritas a um determinado tipo de interesse ou 
a um único grupo zoológico, em geral estas coleções são muito boas e valiosas.
Quer nos parecer que a incompatibilidade é completa quando o pesquisa­
dor vinculado a qualquer instituição mantém coleção particular paralela; em­
bora possam ser apresentadas justificativas, a duplicação de esforços é sempre 
indesejável, mormente quando a instituição, eventualmente, venha a ser preju­
dicada.
1.2.3 Coleções regionais
Reúnem espécimes de determinada localidade, área ou região geográfica. 
São extremamente importantes, pois encerram, com o passar do tempo, graças 
a coletas constantes, representação quase integral da fauna.
A organização de coleções regionais é, lamentavelmente, procedimento í, |) 
pouco habitual entre nós. Cremos, deveria ser preocupação primordial nos ^ 
centros de ensino zoológico, notadamente nos do interior (escolas superiores e * 
técnicas, institutos e entidades de pesquisa etc.). Nesses centros, contudo, ^ 
freqüentemente faltam recursos, interesse, tempo, apoio ou orientação para que , a 
se organizem boas coleções.
O exame de muitas coleções regionais, dispersas por toda parte, permitiria í 
estudar acuradamente a distribuição da fauna nacional ou mesmo continental. ^ 
Este procedimento é habitual em outros países, onde os pesquisadores quase 
sempre podem dispor (por empréstimo ou visita) de representação vultosa para ' 9 
exame. Chemsak (1963), por exemplo, reviu e determinou a distribuição geo- ( | 
gráfica das espécies do gênero Telraopes (Cerambycidae), que vivem em Ascle- , 
piadaceae, porque pode reunir alguns milhares de exemplares de coleções * 
dispersas por todo os Estados Unidos. |l
25 1
1.2.4 Coleções especiais I
■■ 1Este tópico envolve enorme diversidade de tipos de coleções, variáveis 
segundo a área de interesse da pesquisa a desenvolver. Em resumo, essas ̂
coleções reúnem material destinado a fundamentar estudos específicos. Salien- ^ 
tamos algumas à guisa de exemplo. .
3
1.2.4.1 Coleções de interesse econômico ^
I
Abarcam vários aspectos: médico-sanitários, agropecuários, alimentares, 
florestais, de vigilância aduaneira etc. Assim, coleções em instituições dedicadaç 
à pesquisa e resolução de problemas médico-sanitários, colecionarão apenas j| 
grupos de importância para sua área (vetores de doenças, hospedeiros interme- | 
diários etc.). Por seu tumo, coleções de instituições vinculadas à agricultura ou 
à veterinária conservarão animais nocivos (por tipo de cultura que danificam ̂
ou destroem, ou para culturas e criações que prejudicam toda uma região), seus < | 
parasitos e predadores (visando ao eventual controle biológico), ou animais 
úteis, dos mais diversos pontos de vista (para alimentação, produtores de ' I 
alimentos, decompositores de matéria orgânica etc.). Os entomologistas austra- ( j) 
lianos montaram uma coleção internacional de escaravelhos (vinculados biolo- 
gicamente a toda sorte de excrementos) e enviarampesquisadores a toda parte * 
para estudar-lhes os hábitos. Problema a resolver: introduzir na Austrália ' ü 
espécies com grande capacidade para pulverizar ou para enterrar excrementos , | 
debovinos a fim de aumentar a capacidade de pastoreio das pastagens (obovino 
não pasta o capim da periferia dos excrementos) e incorporar matéria orgânica J 
ao solo. Preocupam-se os australianos agora em coligir todas as espécies que < ^
" I
atacam Baccharis ("vassourinha") para controlá-la ou destruí-la nos pastos de 
seu país.
1.2,4.2 Levantamentos faunfsticos
São coleções que reúnem material para servir de base a levantamentos 
faunísticos, v. g., espécies do cerrado ou da caatinga, aves da Ilha do Bananal, 
moluscos do Parque Nacional Sooretama, peixes da bacia do Rio Paranaíba, ou 
insetos da Serra do Cipó.
Podem ser enquadradas como coleções espedais um sem-número de 
outras: pelos hábitos (animais produtores de galhas, parasitas e predadores de 
determinadas plantas ou animais), pelo tipo de alimentação (xilófagos, insetí­
voros, mícetófagos, necrófagos etc.), pelo tipo de hábitat (cavemícolas, dulcíco- 
las, edáficos) e assim por diante.
26
1.2.5 Coleções de identificação
Servem de apoio à rotina de identificação de material zoológico para as 
mais diversas finalidades. Pertencem a instituições primordialmente preocupa­
das com essa prestação de serviços, como o Systematic Entomology Laboratory, 
do Agricultural Research Service (U. S. Department of Agriculture) que identi­
fica, em média, 300 mil insetos a cada ano, para dentistas, agrônomos, inspeto­
res de vigilância alfandegária, agricultores e público em geral.
Instituições desse tipo devem, preferendalmente, funcionar junto aos 
grandes centros de bibliografia espedalizada, tais como museus e universida­
des. No Brasil ainda não existem instituições com essa finalidade e grande parte 
do pessoal técnico que necessita identificações terá que recorrer ao exterior. O 
número de pesquisadores nadonais aptos a identificar material, proporcional­
mente ao volume de nossa fauna, é ridículo. Ver em Martins (1977) o número 
de taxonomistas e estudantes de taxonomía em Insecta no Brasil: respectivamen­
te 83 e 35!
Nas coleções para identificação, as séries são dispensáveis; basta que 
contenham pequena representação de cada espécie. Esta representação pode se 
restringir a um casal (formas com dimorfismo sexual) ou a um pequeno número 
de exemplares, representantes dos diversos graus de variabilidade intra-espe- 
dfica. Há casos em que a representação de formas jovens ou imaturas é desejá­
vel. Em aves, por exemplo, a plumagem dos jovens pode ser bastante diferente 
da dos adultos.
O material contido nas coleções de identificação serve para comparações 
com o material que se deseja identificar, em geral após aproximação efetuada 
pelo uso de chaves ou de diagnoses. É assim fundamental que o material das
27
coleções para identificação esteja corretamente determinado por especialistas 
ou por comparação com material-tipo. Caso contrário, identificações errôneas 
e sucessivas podem transmitir erros por gerações.
1.3 COLEÇÕES DE TIPOS
Tipos são exemplares nos quais se fundamentaram descrições de espécies. 
São sempre muito importantes e valiosos, pois geralmente seu exame permite 
elucidar uma série de problemas taxonómicos;
Algumas instituições preferem manter, por segurança eativamentc cuida­
dos, todos os tipos primários (holótipos, lectótipos e neótipos) em coleções 
independentes, mais seguras que as coleções gerais. Nos casos de catástrofe 
(incêndio, terremoto, inundação ou bombardeio), quando as coleções devem ser 
rapidamente evacuadas, as possibilidades de salvaguardar os tipos concentra­
dos em um único local será eventualmente maior. O inverso também é verda­
deiro. É possível que exatamente esse local onde estejam encerrados os tipos 
seja c mais duramente atingido e em primeiro lugar.
1.4 COLETA
O material a coletar é variável segundoo fim a que se destina. O ornitólogo 
envolvido em estudos de anatomia comparada contentar-se-á, provavelmente, 
com o abate de alguns espécimes, enquanto outro, interessado na análise de 
variação intra-específica das aves, procurará obter boas séries em cada locali­
dade visitada.
Em geral, para estudos taxonómicos, busca-se obter amostras adequadas 
de cada população, para se avaliar a variabilidade específica. O número de 
indivíduos co-específicos a coletar deverá ser maior onde a variabilidade tam­
bém é grande e no perímetro da distribuição geográfica da espécie, onde 
geralmente ocorrem "populações aberrantes".
Nos grupos muito numerosos, como Insecta, o coletor menos avisado 
satisfaz-se com pequena amostra de uma "espécie"; o exame acurado posterior, 
no laboratório, revela que, na realidade, exemplares aparentemente co-esped- 
ficos são representantes de duas ou mais espécies próximas, separáveis por 
peculiaridades imperceptíveis no campo. É, portanto, aconselhável, nestes ca­
sos, coligir o máximo de indivíduos para posterior triagem sob lupa. Até mesmo 
um especialista em girinídeos (pequenos coleópteros aquáticos que se encon­
tram a ziguezaguear displicentes pela superfíde das coleções d'água) terá 
dificuldades em reconhecer as espécies na natureza, mormente quando sabe 
que diferem por detalhes mínimos na distribuição da pubescência ventral. É
preciso que se diga que se registraram para o Brasil quase 60 espécies desta 
pequena família e há muitas, ainda novas, a descrever.
Obviamente, o local específico da captura depende dos hábitos do grupo em 
que se está interessado. O pesquisador dedicado a estudar animais necrófagos 
providenciará armadilhas com cadáveres em diferentes graus de decomposi­
ção; aquele que estuda insetos polinizadoresbuscá-los-á em plantas em floração 
e assim por diante. Fica implícito que uma coleta bem-sucedida de determinado 
grupo depende de conhecimento prévio e acurado dos hábitos desse grupo.
1.4.1 Livro de campo
O livro de campo é imprescindível, independentemente do grupo zooló­
gico a coletar ou do tipo de estudoa desenvolver-se com o material. Por melhor 
que seja a memória do coíetor, muitas informações interessantes ficarão esque­
cidas com o passar dos anos; observaçõessupostamente irrelevantes no momen­
to da captura poderão se revelar utilíssimas posteriormente.
Este livro, ou caderno de campo, reúne todas as informações sobre o material 
coligido numa expedição científica ou numa simples coleta. Além de dados 
sobre o material propriamente dito, conterá outras anotações: paisagem das 
localidades, tipos de biótopos, d e formações vegetais, de água ou desoIos,cIima, 
observações de cunho ecológico, otológico etc. O livro de campo poderá conten
Itinerário e datas. O itinerário daro e minudoso de uma viagem de coleta 
permitirá esdarecer dúvidas fu turas, especialmente quando muitas localidades 
são exploradas. A elaboração de um mapa esquemático é muito útil. O conhe­
cimento do itinerário de uma expedição facultará, no futuro, uma viagem que 
procure reproduzir a anterior, quando o material importante foi coligido. Daf a 
necessidade do registro de datas. Sabe-se que muitas espécies só ocorrem em 
algumas épocas do ano. Uma parcela considerável dos insetos holometabólicos, 
por exemplo, explora ambientes diferentes na fase de Jarva e de adulto; a 
ocorrênda de adultos fica assim restrita a determinados biótopose períodos de 
coleta, geralmente efêmeros, evidendáveis pelas datas de capturas anteriores. 
Buscamos coletar, sem sucesso, em dnco expedições pelas escarpas e altiplanos 
da Serra do Caraça, um cerambicídeo ali capturado pelos padres lazaristas, no 
início do século, e doado ao Museu de Paris com a singela indicação "Caraça, 
Minas". Conhecem-se dois exemplares desta espéde (com cerca de 12 mm de 
comprimento) em todo mundo. Embora tivéssemos variado a data das viagens, 
nunca pudemos encontrá-la; o conhecimento da data da captura original pode­
ria ter-nos conduzido a resultado bcm-sucedido.
Paisagem. A descriçãoda paisagem das localidades de coleta permite 
decidir os tipos de vegetação, de coleções d'água, de solo, e assim por diante. 
Em geral, uma documentação fotográfica da paisagem de uma estação de coleta
è
29
t.
fadlita futuras interpretações sobre o hábitat do material coletado. Nos locais a
onde a paisagem é variável, a documentação fotográfica é muito importante. V 
Tivemos oportunidade de colecionar numa região em Jataí, Goiás, onde as ^ 
formações vegetais se sucedem rapidamente; dos cerrados típicos nos planaltos ^ 
passa-se para a "mata de segunda classe" (como a denomina Waibel, 1948), 
ainda relativamente rala, com espécies vegetais próprias, em solo mais arenoso, ' 9 
e daí para a exuberante floresta dliar, densa, em solo rico. A entomofauna de , | 
cada uma delas é diferente e a informação com apenas o nome da procedência, 
"Jataí, GO", peca por omitir toda essa gama de diferentes paisagens. *
f ^
Procedência. Os dados de procedência são: a localidade específica da coleta; ' v 
deve conter o nome do município (ou divisão territorial equivalente) onde se ( J 
situa a localidade, o nome do estado (ou divisão territorial equivalente), o nome | 
do país, a data de coleta e o nome do coletor (ou coletores).
í
• Localidade. Diante da possibilidade de encontrarmos os mais diferentes hábi- 
tats num único município, como exemplificado acima, a indicação precisa de ® 
uma localidade de coleta toma-se indispensável. Cita-se o nome de uma ^ 
fazenda, chácara ou sítio, acompanhado, sempre que possível, da sua locali- ^ 
zaçãoouposÍçãogeográficaexata,aItitude,longitudeelatitude.Porexemplo, ‘ 
"Colégio do Caraça, ca. 34 km s. de Santa Bárbara, 1380 m, Minas Gerais, ) 
Brasil". Especialmente os nomes de localidades ainda pouco conhecidas de- , 
vem conter mais informações sobre sua posição geográfica. Exemplo: "Sinop, 
12*31'S,55*37'W, rodovia BR-163, km 500 a 600,350 m. Mato Grosso, Brasil". S 
A menção da altitude é especialmente importante quando se trabalha numa , j 
região de notáveis acidentes orográficos. Seja-nos permitido lembrar que a 
vegetação nesses locais sofre modificações conspícuas, geralmente zonais, 
segundo a altitude, que determinam zoneamento paralelo na distribuição da 
fauna. O simples registro "Itatiaia", portanto, é completamente insatisfatório.
• Data da coleta. A citação da data da coleta permite inferir sobre o clima da 
região na ocasião da captura do material. Além disso, permite decidir com 
mais segurança, o período para uma viagem posterior que vise obter material 
de importânda coletado anteriormente (vide itinerário e datas).
• Nome do(s) coletor(es). A referência ao nome do coletor é indicativa da confia­
bilidade da procedência do material. Material coletado por pesquisador ou 
coletor idôneo é geralmente mais digno de confiança nos dados de procedên­
cia que o obtido, por exemplo, por coletores profissionais, cujo interesse 
primordial se prende apenas à comercialização dos exemplares, ou por estu­
dantes que confeccionam trabalhos práticos (apresentação de coleções didá­
ticas), para os quais dados de procedência parecem ter importância menor. O 
nome do coletor auxilia também na localização mais precisa da origem do 
material coligido nas grandes expedições do passado, cujos itinerários estão 
publicados (ver Capítulo 5).
• J)
}
I
•Informações de campo. É óbvio que as informações de campo a registrar, sua 
extensão e minúcia, dependem do destino do material e da área de estudo 
do coletor ou pesquisador. Em resumo, subordinam-se ao tipo de interesse do 
coletor. Anota-se, por exemplo, o local específico da coleta, isto é, "sob casca", 
"em fungo", "em toca d e " s o b r e ñores de...", "sob pedras, na praia", "à 
luz" etc. Estas curtas informações sempre dão boas indicações de hábitos, 
hábitat e assim por diante. Com fundamento em observações e informações 
decampo, Reichardt (1971) publicou interessante nota sobre o comportamen­
to de defesa em carabídeos (Coleóptera) que expelem, com ruídoperfeitamen- 
te audível, gotfculas de substância urticante que, em contato com o ar, volati­
liza-se em "nuvem esbranquiçada", atemorizando os eventuais agentes per­
turbadores e queimando os dedos dos entomologistas...
Números de campo. Para facilitar o trabalho de campo e economizar tempo, 
pode-se reunir sob um número (número de campo), que acompanhará o mate­
rial, todas as informações pertinen tesaos espécimes coligidos. Este procedimen- 
toéespecialmente útil quando se trata de lotes, isto ê, grupos de animais, muito 
diversos ou não, coletados no mesmo local. Todos os exemplares (lote) encon­
trados, por exemplo, num tronco caído, recebem um número de campo, segui­
do, no livro de campo, de todas as informações julgadas relevantes. Da mesma 
forma, todos os ectoparasitos encontrados numa ave recém-abatida receberão 
um número de campo, seguido das anotações a respeito do hospedeiro, seu 
hábitat etc. A adoção de números de campo para lotes de animais sociais 
(formigas, abelhas e cupins) é altamente desejável, especialmente quando ni­
nhos sãoapresados integralmente. Outra grande utilidadedo número decampo 
é sua adoção quando o animal não pode ser transportado por inteiro ao 
laboratório; é o caso, v. g., dos grandes mamíferos ou peixes, quando pele, 
crânio, ossos etc devem ser conduzidos separadamente e todas as partes 
recebem número idêntico. Números de campo geralmente são substituídos 
posteriormente por números de coleção (ver adiante). Todas as precauções devem 
ser tomadas para que ambos nunca se confundam.
1.4.2 Rotulagem de campo
Rótulos manuscritos de campoacompanhamo material coligido e, exceto 
no caso da adoção de números de campo, devem conter os dados de coleta 
mencionados anteriormente: localidade, município e estado (ou divisões terri­
toriais equivalentes), país, data e nome do(s) coletor(es),
Esses rótulos podem ser afixados a um único espécime ou acompanhar os 
loteSj, dependendo da embalagem que acondicionará o material para transporte 
ao laboratório. Devem ser elaborados mu i to cuidadosamente, pois com base nas 
indicações desses rótulos é que se preparam as etiquetas definitivas de proce­
dência. Estas são afixadas aos espécimes quando passam a integrar a coleção.
31
Alguns pesquisadores, por precaução, acrescentam à etiqueta definitiva o nú­
mero de campo; na maioria dos casos, contudo, esse número integra o livro de 
registro, tratado mais além.
1.5 TÉCNICAS DE COLETA
Também dependem do material zoológico que se deseja capturar. 
Técnicas, métodos e aparelhamento de coleta podem ser conhecidos me­
diante levantamento em fonte de referência periódica: cada seção do Zoological 
Record encerra referências sobre o assunto, indexadas no Detailed subject index, 
e também inseridas no Subject index, sob Techniques. À guisa de ilustração e com 
a finalidade de evidenciar a enorme diversidade de temas, selecionamos alguns 
tópicos da "Section 17 (Reptilia)", vol. 108,1971, do Zoological Record.
BERTRAM, B. P. & H. G. COGGER, 1971. A noosing gun for live captures of small lizards.
Copaa 1971: 371-373,1 fig.
JACKSON, M. K-, 1971. A new "syringe" for injecting reptiles. Hcrp. Rev. 3 :75,2 pis. 
MASLIN, T. P. & L. E. SWENSON, 1971. A field kit for processing and storing amphibians 
and reptiles./. Herpet. 5 :179-181,1 pi.
PARKER, W. S., 1971. Influence of trap cover typeon pitfall trapping of lizards. Herpet. Rev. 3:
94,1 tab.
SMITH, R. B., 1971. An electric-fence for collecting small vertebrates. Herpcloiogica27:488-491.
Reportamos ainda o leitor a alguns trabalhos gerais sobre coleta e preser­
vação:
Invertebrados marinhos
GALTSOFF, P. S., 1959. General methods of collecting, maintaining and rearing marine 
invertebrates in the laboratory, pp. 5-40, in F. E. LUTZ, P. S. WELCH, P. S. GALTSOFF 
& J. G. NEDDHAM, Culture methods for invertebrate animals, xxxii + 590 pp. Dover 
Publications Inc, New York.
Animais terrestres e dulckoks
DEPARTAMENTO DE ZOOLOGIA, Seer. Agric. Est. S. Paulo, cd., 1967. Manual decoleta e 
preparação de animais terrestres e de água doce, xii + 223 pp. S3o Paulo.
Alguns compêndios e trabalhos restringem-se às técnicas de coleta de 
determinados grupos zoológicos (ver seções do Zoological Record para levanta­
mento completo). Alguns exemplos:
Mamíferos
COCKRUM,E. L., 1962. Laboratory andfield manual for introduction to mammalogy (2nd cd.), vi + 
115 pp. The Ronald Press Co., New York.
32
MOOJEN, J., 1943. Captura e preparação de pequenos mamíferos para coleções de estudo, x + 98 pp. 
Imprensa Nacional, Rio de Janeiro.
Aves
PETTTNGILL, O. S., ¡r., 1971. Oriiithology in laboratory and fteld (2"** print.), xviii + 524 pp. 
Burgess Publishing Co., Minneapolis.
Répteis e anfibios
DUELLMANN, W. E , 1962. Directions for prescrving amphibians and reptiles. Univ. Knns. 
Mus. nat. Hist. misc. Púbis. 30.37-40.
Peixes
FINK, W .L..K.E HARTEL, W. G. SAUL E. M. KOON & E. O. WlUEY, s. d. A report о,г currení 
suppUes and practices used in curalion o f klilhyological coUcctions, 63 pp. Smithsonian 
Oceanographk Sorting Centcr, Washington, D. С
Insetos
OLDROYD, H., 1973. Cotlecting, preseroing and studying iiisects, (7 * print), 336 pp. Anchor 
Press, Essex.
1.6 TÉCNICAS DE PRESERVAÇÃO
A generalidade do material zoológico é preservada de duas maneiras: a 
seco ou em meio líquido. Material preservado em lâminas de microscopía será 
discutido particularmente.
1.6.1 Via seca
Todo o material, ou as partes do animal, são postos a secar, expediente que 
garante sua preservação definitiva. Adota-se este tipo de preservação para 
material de difíal "decomposição, especialmente peles, ossos, conchas e exos- 
. queletos. Em alguns casos, como nas peles, é necessário complementar a secagem 
com o uso de preservativos, que garantirão maior durabilidade e resistência; em 
outros (exosqueletos) a simples secagem garante a preservação do material.
Peles. O preparo de peles para exposição ou estudo denomina-se taxider­
mia. Tradicionalmente taxidermizam-separa coleções mamíferos e aves. Mamí­
feros menores (exceto morcegos) e a quase totalidade das aves são taxidermi- 
zadas definitivamente no campo.
Capturados em armadilhas ou abatidos a tiro, os animais serão completa­
mente limpos (remoção de sangue, dejeções e secreções). Antes de escalpelados 
(separação da pele) tomam-se as diversas medidas segundo o tipo de material.
É boa providência aguardar algum tempo (variável de acordo com o tamanho 
do animal), entre a morte e o início da escalpelação, para que o sangue coagule 
e os líquidos internos comecem a secar.
Em linhas gerais, seguem-se as seguintes operações: a) fechamento dos 
orifídos naturais com algodão; b)escalpelamento progressivo, visando remover 
exdusivamente a pele, que deve estar livre, inclusive, dos músculos aderentes; 
usam-se durante esta operação substândas absorventes para reter os líquidos 
corporais; para isso a pele é sucessivamente tratada com serragem ou fubá; c) 
terminado o escalpelamento, trata-se a pele com substândas preservadoras que 
visam oferecer maior consistênda (sulfato de potássio, sulfato de alumínio) e 
maior resistência ao ataque de insetos ou fungos (arsénicos); estas substâncias 
podem ser aplicadas juntas, na proporção de 50:50; d) quando for o caso, 
embalsama-se o exemplar, buscando apresentação estética e uniforme.
Ossos. Esqueletos de pequenos animais podem ser tratados por inteiro; os 
dos grandes são desmantelados para fadlitar a embalagem e o transporte.
A preparação de ossos no campo é quase sempre preliminar, uma vez que 
a preparação definitiva realiza-se no laboratório. No campo, os ossos devem ser 
separados das partes moles, tratados com formol a 10% e postos a secar. No 
laboratório, são lavados e descarnados completamente com o auxílio de solven­
tes (NaOH, por exemplo) a quente.
Conchas. Podem freqüentemente ser coletadas já separadas das partes 
moles do animal (nas praias, por exemplo). Contudo, podem ainda abrigar o 3 
animal e, neste caso, cuida-se de removê-lo. As técnicas de remoção variam ^ 
segundo os diferentes grupos de Mollusca e reportamos o leitor ao "Manual de j 
coleta" já mendonado.
í
Exosqueletos. Parcela considerável dos artrópodos, espedalmente insetos, ^ 
preservam-se a seco. Dependendo da resistênda do corpo e dos apêndices 
corporais, os insetos são preservados espetados em alfinetes entomológicos ou J 
colados a triângulos de cartolina (espédmes resistentes) ou inseridos em enve- | 
lopes ou invólucros de papel transparente ou translúddo (corpo ou apêndices 
frágeis). Citam-se entre os primeiros: Dermaptera Blattariae, Mantodea, a maio- 1 
ria dos Orthoptera, Phasmoptera, Hemiptera, Coleoptera, grande parte dos ̂
Díptera, e Lepidoptera; entre os últimos, Odonata, Plecoptera, Megaloptera, 
Neuroptera e Lepidoptera. Em qualquer dos casos, a preservação fica garantida ; I* 
pela simples secagem do material. É boa providênda secá-los em placas de Petri, j> 
à sombra. A secagem em placas de Petri, em local seguro, previne dissabores. ̂
Certa feita, deixamos secar nas placas abertas todo o resultado de extenuante ® 
coleta diurna com guarda-chuva entomológico. Alta noite, os pingos incomo- ' J) 
dativos de uma goteira estratégica obrigaram-nos a acender o lampião. Vimos , ̂
então, com surpresa, todos os insetos, mortos a horas, caminhando em lenta
33
34
procissão por sobre a mesa - ávidas formigas tratavam de carregá-los, grandes 
e pequenos, rapidamente ao seu ninho.
1.6.2 Via úmida
Neste caso, o material é preservado em meio líquido. O líquido preservador 
mais habitual é o álcool a 70%. Preservam-se neste meio vertebrados menores 
(morcegos, répteis, anfíbios e peixes) e a grande maioria dos invertebrados.
Vertebrados. Exceto animais muito pequenos (peixes e pererecas menores, 
por exemplo), cuja imersão em álcool a 70% garantirá a preservação, os demais 
vertebrados devem receber injeções de fixadores antes da imersão em álcool. O 
fixador empregado freqüentemente é o formol a 10%. Em linhas gerais, injeta-se 
o fixador no sistema arterial, cavidades torácica e abdominal, assim como nas 
grandes massas musculares. Aaplicaçãodeformolenrijeceosexemplareseuma 
preparação buscando distender partes a serem posteriormente analisadas e 
uma apresentação estética são desejáveis.
Invertebrados, Em grande parte dos casos os animais, tão logo capturados 
e ainda vivos, são colocados diretamente no álcool a 70%. A ingestão do líquido, 
ainda que cm pequena quantidade, melhora as condições de preservação. É 
processo conveniente para os artrópodos, pois o exosqueleto impede a acentua­
da contração do corpo. Para outros grupos, contudo, o inconveniente da con­
tração corporal não pode ser superado. É o caso, por exemplo, de moluscos; o 
corpo contrai-se para o interior da concha, chegando mesmo a impedir a 
penetração do álcool. Nestes casos, a própria preservação fica comprometida. 
A preservação em álcool, de maneira geral, aplica-se aos animais sujeitos à fácil 
decomposição. É ainda usada nos casos em que a preservação a seco é indese­
jável: a) por causar contração corporal; b) por tomar o corpo ou os apêndices 
(antenas, pernas, cercos, filamentos caudais etc.) quebradiços. Por tais razões, é 
preferível preservarem álcool vários grupos de insetos: Entognatha, Archaeog- 
natha, Zygentoma, Embioptera, Isoptera, Zoraptera, Psocoptera, Phthiraptera, 
Thysanoptera, alguns Diptera, Ephemeroptera e outros.
Há um sem-número de casos especiais para preservação em meio líquido, 
além do álcool, dependentes do grupo zoológico a preservar ou dos estudos a 
desenvolver. Apenas a título de menção, nematódios e platelmintos são coloca­
dos em solução fisiológica (NaCl puro a 8/1.000 ou 16/1.000) para se manterem 
vivos e a seguir são fixados em formol acético; artrópodos que se destinam a 
estudos de anatomia interna são mortos por imersão em solução de Bouin ou em 
KAAD (fórmulas no "Manual de coleta") e depois transferidos para álcool a 70%.
Nem sempre no campo há tempo disponível ou equipamentonecessário 
para se preservar com esmero o material capturado ao acaso. Apesar de alguns 
inconvenientes, é boa prática colocaros exemplares, especialmente invertebra-
35
dos, em álcool. Graças a esse processo expedito temos recebido valioso material 
capturado por colegas envolvidos em atividades completamente diferentes. Os 
melhores coletores são sempre os que procuram capturar de tudo.
1.7 TRANSPORTE DE MATERIAL
O acondicionamento caprichoso do material a ser transportado do campo 
para o laboratório é tão importante quanto a captura. O tipo de embalagem a 
ser adotado varia conforme o materi aí a ser transportado e o meio de transporte. 
Para longas viagens, as embalagens devem ser de material bem resistente e 
estarem hermeticamente fechadas; a inclusão de repelentes (paraformaldeído, 
naftalina) é desejável.
1.7.1 Material preservado a seco
Mamíferos e aves menores são envoltos em capas de algodão e acondicio­
nados, sob leve compressão, nos recipientes de transporte. Ossos, que normal­
mente exalam odor muito desagradável, devem ser acondicionados em sacos 
plásticos e/ou em recipientes metálicos (latas), de plástico duro (camburões, 
"latões") ou de madeira (caixotes), fechados o mais hermeticamente possível. É 
terrível viajar num pequeno avião com um mamalogista apaixonado por seus 
estudos osteológicos...
Insetos secos podem ser transportados de muitas maneiras; em qualquer 
delas evite misturar no mesmo recipiente os animais maiores e mais rijos com 
os menores e mais frágeis; estes chegarão ao destino completamente danifica­
dos. O material deve ser sempre acondicionado sob ligeira compressão, para 
evitar os choques, que romperão facilmente os apêndices. Processos habituais:
Cantadas de algodão ou papel absorvente. Este processo é muito prático, 
excelente, e não requer sofisticação alguma. O material, previamente seco, é 
disposto sobre uma camada de papel absorvente ou de algodão e envolvido por 
duas faixas cruzadas de papel. Estes pacotes são acondicionados nos recipientes 
de transporte. O algodão tem o inconveniente de embaraçar-se nos tarsos, que 
se quebram quando o material é retirado sem cuidado.
Caixmlias. Usam-se pequenas caixas de todos os tipos e confeccionadas de 
qualquer material. A naftalina em pó pode ser colocada junto com os espécimes, 
que viajam comprimidos entre duas camadas de papel absorvente ou de algodão.
Triângulos de papei. Para exemplares a serem embalados individualmente. 
Usam-se para insetos frágeis. Quando os triângulos são de papel celofane e a 
rotulagem definitiva de procedência pode ser feita no campo, o material assim 
embalado pode entrar diretamente na coleção.
36
1.7.2 Material preservado por via úmida
Pequenos vertebrados transportam-se em frascos com álcool a 70%, com­
primidos ao fundo por mecha de algodão hidrófilo; os maiores são acondicio­
nados no recipiente de transporte em camadas separadas por tiras de pano 
embebidas em formol a 10%.
Os invertebrados transportam-se no interior de frascos repletos com ál­
cool. Tubos que encerram os animais menores são inseridos em frascos, com­
primidos entre duas camadas de algodão.
1.8 PREPARAÇÃO
Restrita quase exclusivamente a insetos preservados a seco. Pode ser 
direta, quando os alfinetes entomológicos atravessam o corpo do animal, ou por 
dupla montagem, quando os insetos são colados a cartões ou a triângulos de 
cartolina ou de cartão. A adoção do tipo de preparação depende das dimensões 
e da resistência do material a preparar. A montagem direta aplica-se a insetos 
maiores e mais resistentes; a dupla montagem aos pequen o s e frágeis, cujo corpo 
nâo resistiria à travessia do alfinete, por delgado que fosse. Alguns insetos 
pequenos e frágeis montam-se em mícroalfinetes, fixos em pedacinhos de 
cortiça, de plástico, ou de material similar.
1.8.1 Alfinetes entomológicos
Aobtençãodealfinetesentomológicosédifidl,desdequesó são fabricados 
no estrangeiro. A importação exige diversas providências burocráticas e os 
preços são elevados. Esta deficiência tem desencorajado o estabelecimento de 
novas coleções entomológicas, particularmente nas instituições do interior.
Aconselhamos, para uso das coleções nacionais, os alfinetes de aço inoxi­
dável; outros materiais deterioram-se com relativa rapidez em nosso clima.
1.8.2 Câmara úmida
Quando o lapso de tempo entre a coleta dos insetos e a preparação é muito 
grande, o material então muito seco e muito enrijecido, deve ser introduzido 
numa câmara úmida para amolecer e facilitar a preparação. Esta câmara con­
siste, simplesmente, em um cristalizador (ou frasco equivalente) com areia 
grossa ao fundo para conservar a umidade. Ensopa-se abundantemente a 
areia com água; acrescentam-se algumas gotas de creosoto para evitar a propa-
gação de fungos; colocam-se os insetos a amolecer em placas de Petri (nunca 
diretamente em contato com a areia úmida). O tempo de amolecimento depende ^: 
do tamanho dos insetos e varia de horas a alguns dias - é ideal quando as 
articulações podem ser movimentadas sem esforço e sem romper-se.
1.8.3 Montagem
' 9
Aregiãocoiporalaseratravessadapeloalfinetedependedaordemàqual ^ 
o inseto pertence (vide textos de Entomologia ou "Manual de coleta"). , ^
Em todos os casos, contudo, há que se exigir uniformidade e capricho na 
montagem,etersempreemmenteaeconomiadeespaço(semqueissointerfira ( ̂
na identificação do exemplar). O material indevidamente preparado (apêndices |
distendidos a esmo, por exemplo) fatalmente virá a se quebrar e ocupará espaço 
desmesurado. 1
A secagem, após a montagem, é importante, pois diminui a incidência de |,
fungos e mantém os espécimes na posição desejada; faz-se em estufa, a uma 
temperatura de aproximadamente 40*C. *
¡ i
1.8.4 Etiquetagem í
' I
As etiquetas de procedência reproduzem os dados dos rótulos de campo *
e são afixadas individualmente aos exemplares (exceto nos lotes em meio 
líquido, quando servem a todo o lote). 1 3
Asdimensõesserâoasmenorespossíveis,economizandoespaço;aunifor- ^ 
midade (nas dimensões e na impressão) é muito importante (e estética). Habi- 
tualmente, pelos rótulos de procedência, pode-se reconhecer a instituição da 9 
qual proveio o exemplar. ^
A este respeito vale dtar que nos coube devolver alguns milhares de ̂
espécimes vindos às nossas mãos pelo falecimento de pessoa que os estudava * 
mediante empréstimos; pelo aspecto dos rótulos de procedência foi possível 1 ^ 
separá-los (com raras exceções), segundo as instituições a que pertenciam. | 
Quando se possui material vultoso da mesma procedência, as etiquetas 
devem ser impressas por linotipia ou offset, para economizar tempo. Material I 
avulso ou pouco abundante terá que ser provido de rótulos manuscritos,, j, 
preferencialmente com as mesmas dimensões dos impressos.
w
Rotulagem por números. Para alguns pode ser mais prático rotular os / ̂
exemplares com números e conservar os dados de procedência num fichário ou * 
li vro de registro com n u m eração correspondente. Condenamos veementemente < p 
este hábito. Ocuparíamos todo este capítulo com uma infinidade de casos em ( ~ 
que tais livros ou fichas foram perdidos (ou sumidos...) ou, simplesmente.
38
desapareceram. Perdem-se assim, mais facilmente do que pode ser imaginado, 
todos os dados referentes ao material; e com estes, o material!
1-9 ACESSO DO MATERIAL À COLEÇÃO
Quando conveniente, o material recebe um número individual (ou de lote) 
e é tombado, sob este número de coleção, num livro de registro ou livro de 
tombo. Conserva, entretanto, sempre, os dados de procedência no rótulo que 
lhe é afixado.
Esta prática, mais usada nas coleções de vertebrados, parece-nos desacon- 
selháveJ, pelo tempo que consome, para coleções de insetos e de outros grupos 
numerosos (artrópodos outros, nematódios), na qual milhares de exemplares 
terão que ser numerados e registrados.
Basicamente, os livros de tombo contêm: número de coleção; data de 
acesso; dados de procedência (vide supra); número de campo; nomecientífico, 
sexo e anotações. O espaço para o nome científico, exceto nos casos óbvios, é 
preenchido após a identificação do exemplar.
Algumas instituições adotam fichários de registro. Cada ficha numerada 
(número de coleção) contém informações idênticas às do livro de registro. O 
tombamento das coleções com auxílio de computadores já está sendo levado a 
efeito nos grandes museus.
1.10 IDENTIFICAÇÃO
Para que os espécimes possam ser introduzidos ordenadamente nas cole­
ções, devem estar identificados ou determinados, isto é, deve-se conhecer o 
nome dentífico dos táxons onde está dassificado. Identificar ou determinar, 
portanto, consiste em descobrir a denominação dos táxons aos quais o organis­
mo pertence.
O ideal, nem sempre possível, é identificar-se o material especificamente, 
ou seja, conhecer seu nome espedfico. Freqüentemente, devido a uma diversi­
dade de fatores limitantes, as identificações só são possíveis até o nível de 
gênero, de tribo ou mesmo de família. Alguns destes fatores: grupos complexos 
ou muito numerosos, bibliografia confusa ou insuficiente, necessidade de exa­
me de tipos, inexistência de material para comparações.
Existem centenas de grupos ainda pouco trabalhados e carentes de revisão 
taxonómica; nestes casos a identificação é quase impossível, mormente quando 
os tipos são inacessíveis (e a grande maioria dos tipos das espécies de nossa 
fauna conservam-se nos museus europeus). Em outros casos, autores pregres-
39
sos, que se ocuparam do grupo, deram-lhe tratamento taxonómico a tal ponto 
confuso que é hoje impossível deslindá-lo.
Podem-se conseguir identificações: por remessa do material a especialista; 
por comparação direta; por bibliografía.
1.10.1 Por remessa de material a especialista
O primeiro problema a resolver, obviamente, é descobrir o nome do 
pesquisador apto a identificar o material. Podemos consegui-lo por consulta a 
publicações que periodicamente ci tam relações nominais de taxonomistas, seus 
campos de interesse, com endereço, especialidade, região faunística que abar­
cam e outras informações.
Uma relação de especialistas em todos os grupos zoológicos pode ser 
obtida em:
BLACKWELDER, R. E. & R. M. BLACKWELDER, 1961. Directory o f zoological taxonomists o f 
the world, xvii + 404 pp. Southern Illinois University Press, Carbondale.
ARNETT, R. H., Jr., 1978. The naturalists' directory and almanac (International) (43rd ed.), x + 
310 pp. World Natural History Publications, Baltimore.
Para a entomologia brasileira, consultar:
MARTINS, U. R., 1980. Recursos humanos da entomologia sistemática no Brasil. Rcota. bras. 
Eut. 24(2): 147-164.
Útil providência consiste em arrolaros nomes dos pesquisadores que estão 
publicando sobre o grupo zoológico que queremos ter identificado através de 
consulta aos últimos volumes do Zoological Record e outras fontes de referencia. 
O endereço para contato epistolar preliminar e o nome da instituição onde trabalha 
o pesquisador, habitualmente estão citados em seus trabalhos científicos.
Nomes e endereços de instituições, universidades e museus de todo o 
mundo encontram-se relacionados em edições sucessivas do THE WORLD OF 
LEARNING, Europa Publications Limited, London.
1.10.2 Identificação por comparação direta
O material que se deseja identificar écomparado diretamente com material 
previamente determinado, com material-tipo ou com diapositivos ou fotogra­
fias de tipos.
Identificações por comparação, exceto casos óbvios (espécies grandes, 
vistosas, com características conspícuas etc.) são sempre indesejáveis. O não- 
especialista ignora peculiaridades que distinguem e caracterizam os táxons e 
pode cometer erros grosseiros. Além disso, material assim equivocadamente
40
identificado pode servir debase para identificações por comparação subseqüen­
te e propagar-se-á o erro indefinidamente.
Verificamos, ao examinar tipos de cerambicídeos nos museus da Europa, 
que muitas das espécies sul-americanas mais comuns portavam nomes total­
mente equivocados nas nossas coleções. Esses erros estavam sendo transmitidos 
mediante identificações por comparação desde muito tempo; o pior é que o 
material era citado em diversos trabalhos científicos.
A identificação ideal por comparação, pela grande segurança que inspira, 
é a que se efetua por comparação com os tipos, desde que feita por taxono- 
mista com larga experiência. A um exemplar assim identificado denomina-se 
homeôtipo.
A identificação por comparação com diapositivos coloridos de tipos tem 
se revelado utilíssima em muitos grupos, especialmente naqueles em que a 
coloração é caráter diagnóstico relevante, e nos quais a forma do corpo (princi­
palmente achatado dorsoventralmente) permite a obtenção de fotos bastante 
boas. Pudemos resolver pores te processo inúmeros problemas de identificação, 
examinando a magnífica coleção de diapositivos de tipos de Coleoptera, per­
tencente à Universidade Federal do Paraná, organizada pelo Professor Padre 
Jesus S. Moure. A vantagem de uma coleção dessas é ter permanentemente à 
disposição a maioria das informações que podem ser obtidas a partir do exame 
de um tipo (sem dissecá-lo, naturalmente), economizando caríssimas viagens 
de especialistas aos museus europeus.
1.10.3 tdentificação por bibliografia
As determinações são efetuadas mediante consulta bibliográfica. A tarefa, 
principalmente nos grupos numerosos, é muito espinhosa, quando não existem 
trabalhos monográficos ou revisões taxonómicas recentes. Às vezes a literatura 
a consultar é vastíssima, em diversos idiomas e nem sempre disponível nas 
nossas bibliotecas.
O gênero Agrilus, por exemplo, de Coleoptera (Buprestidae) tem cerca de 
mil espédes conhecidas na região neotropical; não há chaves para aproximar as 
identificações. A única solução para determinar suas espécies é consultar todas 
as diagnoses, descrições originais ou ilustrações (quando as há1.). Imagine-se o 
tempo que tal tarefa consome.
Em linhas gerais, a rotina de identificação envolve: consulta de chaves para 
ordens e famílias, freqüentemente encontradas em livros de texto; uso de chaves 
para grupos taxonómicos abaixo do nível de família (subfamilias), localizáveis 
em alguns bons livros de texto ou em bibliografia mais especializada, passível 
de ser levantada pelas fontes usuais de referência; consulta de revisões ou
monografias (quando existentes e atuais), cujos títulos podem ser obtidos por 
levantamentos bibliográficos, como mendonado na Seção 2.4.
Na ausência de monografias ou revisões, procede-se ao levantamento da 
literatura sobre os táxons; nos catálogos ou, na falta deles, nas fontes periódicas 
de referência. Quase sempre a consulta a essas fontes é imperiosa, porque os 
catálogos se desatualizam logo após sua publicação; neste caso, basta consultar 
essas fontes da data de publicação do catálogo (mais honestamente uns dois 
anos antes) até o presente.
Em resumo, resta-nos buscar todas as descrições (ou redescrições) referen­
tes aos táxons do grupo em estudo e tabular os caracteres diagnósticos de cada 
um. A análise comparada desses caracteres permitirá enquadrar nosso material 
nos diferentes táxons.
Apenas para assinalar de passagem, adotam-se hoje técnicas de identifi­
cação por computador. Leia-se o excelente simpósio:
PANKHURST, R. ]., ed., 1975. Biologicaí Identification with computers, x + 333 pp. AcadcmJc 
Press, London, New York & San Francisco.
1.10.4 Etiquetas de identificação
Uma vez identificado, o material recebe uma etiqueta de identificação, que 
contém: o nome do táxon, o nome da pessoa que efetuou a identificação e o ano 
em que isto se deu.
Normalmente o nome do táxon é manuscrito pelo identificador e o conhe­
cimento da caligrafia dos especialistas resolve inúmeros problemas (axonôini- 
cos: o reconhecimento de holótipos, de metátipos e homeótipos; o conceito do 
autor sobre determinado táxon; erros de identificação.
Alguns trabalhos cuidam da caligrafia dos autores passados; parainsetos, 
por exemplo:
HORN, W. &I. KAHLE, 1935-37. Ueber entomologische Sammlungcn, Entomologen und
Entomo-Museologie. Ent. Beihefte, Berlin-Dahlem 2: vi +160 pp., 1935; 3:161-296,1936;
4:297-536,34 pis., 1937.
1.11 ORGANIZAÇÃO DA COLEÇÃO
O material identificado deve ser disposto na coleção segundo ordenamen- f 
to que permita sua pronta localização. ®
Geralmente esse ordenamento é dado pelos catálogos. Em cada ordem t ^ 
zoológica encontram-se enumeradas nos catálogos as famílias que a constituem;, ̂
em cada uma destas as subfamilias, e assim por diante, até espécie. Muito &
42
¿ freqüentemente as espécies dos gêneros politípicos estão arroladas em ordem
* alfabética. O material fica assim organizado de acordo com essa seqüência.
C Os recipientes para conservação de coleções (armários, gavetas, estantes,
^ laminãrios etc.) são variáveis segundo o material que conterão. Para qualquer
caso, entretanto, a uniformidade é muito importante. Recipientes com as mes-
* mas dimensões resultam sempre em grande economia de espaço e fornecem
^ melhor estética.
£ O Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, por exemplo, está
* adotando o mesmo tipo de armário de aço para todas as suas coleções, indepen-
f dentemente do grupo a que pertençam. A distribuição interna do armário e o
^ tipo de gaveta variam com o material a conservar.
Coleções dos grupos trabalhados por pesquisadores em atividade tendem 
€ a ampliar-se continuamente pela inclusão de material novo. A inserção períó-
^ dica de material cria a necessidade de reorganizar-se continuamente a coleção.
O problema é especialmente agudo nos grupos muito numerosos, quando, às
1 vezes, centenas de indivíduos devem ser introduzidos entre osjá existentes. Este
^ problema foi resolvido nas coleções entomológicas a seco pela subdivisão das
g gavetas por caixas móveis menores, de papelão, de diversas dimensões, que
* encerram os exemplares de determinado táxon. É, obviamente, muito mais
^ rápido movimentar as caixinhas com vários exemplares do que transferi-los
^ individualmente.
Em algumas coleções não é possível ou prático inserir material novo entre 
€ material já incorporado; por exemplo: nos laminários. Neste caso, as lâminas
^ recebem numeração seguida e são colocadas na coleção segundo a ordem
_ numérica; um fichário paralelo, com fichas ordenadas segundo a ordem alfabé-
^ tica dos táxons, registra os números de todas as lâminas correspondentes àquele
{ táxon. Quando se deseja examinar espécimes de um determinado táxon, basta
g verificar nas fichas correspondentes o número das lâminas que os contêm.
Este mesmo esquema de organização (número de coleção-fichário) pode 
€ ser adotado para material conservado em meio líquido; embora fadlite o acesso
de material novo, demanda grande consumo de tempo (especialmente nas 
grandes coleções), quando se deseja reunir material de determinado táxon para 
^ estudo, que se encontra esparso por diversos lugares.
1.12 CURADORIA DAS COLEÇÕES
Para alguns autores (e. g., Blackwelder, 1967), curadoria abarca as ativida­
des de coleta, preservação, armazenamentoe catalogação do material científico. 
Acreditam outros que, além dessas tarefas, também conhecidas como zeladoria 
da coleção, deva o curador cuidar também das dedsões para o bom manejo das
43
coleções: avaliação das necessidades e condições de empréstimo do material, 
procedimentos e adoção de métodos de catalogação, levantamentos ou tomba- 
mento, doações e permutas, e, em resumo, toda a política práticaje .científica de 
lida r com coleções.
Seja como for, o importante é manter indefinidamente as coleções em boas 
condições de preservação.
• Exames periódicos da coleção. Evidenciam material inconvenientemente pre­
parado e sujeito à decomposição; exemplares atacados por insetos (psocídcos 
e dermestídeos) ou por fungos; frascos com líquido preservador a completar. 
Caso o ataque por insetos seja muito intenso, expurga-se a coleção, nos 
próprios armários (quando vedação hermética pode ser garantida) ou em 
câmaras de expurgo.
• Evitar incidência de luz, umidade e pó. Material bem conservado e de longa 
preservação é aquele mantido em salas apropriadas, com escassa penetração 
ou ausência total de luz solar, controle de temperatura e de umidade a níveis 
baixos e boa vedação contra entrada de poeira.
• Acrescentar ou substituir periodicamente produtos defensivos, repelentes ou 
preservativos (naftalina, creosoto, paraformaldeído, fungicidas etc.), nas co­
leções a seco.
• Compensar periodicamente a evaporação do líquido preservador, normal­
mente o álcool a 70%, bastante volátil. Passados períodos maiores, é conve­
niente substituir totalmente o álcool.
REFERÊNCIAS
BLACKWELDER, R. E., 1967. Taxonomy: A text and reference book, xiv + 698 pp. John Wiley & 
Sons Inc., New York, London & Sidney.
CHEMSAK, J. A., 1963. Taxonomy and bionomics of the genus Tetraopes (Cerambyddac: 
Coleoptera). Univ. Calif. Pubis. Ent. 30(1): 1-90,9 pis.
MARTINS, U. R., 1977. Entomologia sistemática no EsladodcSSo Paulo, pp. 9-20,/» C Pavan 
& S. Watanabe, eds., Ciência e tecnologia no Estado de S3o Paulo X (Bioriendas - Entomo­
logia): 1-119. Academia de Ciências do Estado de São Paulo (Publ. 4, X). S3o Paulo. 
MILLER, A. H., 1941. Spedation in the avian genus Junco. Univ. Calif. Pubis. Zool. 44:173-434, 
33 figs.
M A YR, E., 1964. Systematics and the origin o f species, xviii + 334 pp. Dover Publ. Inc., New York. 
REICHARDT, H., 1971. Notes on the bombarding behavior of three carabid beetles. Revta. 
bras. Ent. 15(5): 31-34.
SMITHSONIAN INSTITUTION, 1980. Annual report o f the... for the year ended September 30, 
1979, viii + 592 pp. Washington, D. C.
WAIBEL, L., 1948. A vegetação c o uso da terra no Planalto Central. Revta. bras. Ceogr. 10(3): 
335-380.
2. AS FONTES BIBLIOGRÁFICAS
Nelson Papavero'
As primeiras revistas ou periódicos apareceram no século XVII: a Gazette 
de France, em 1631, as Philosophical Transactions o f the Royal Sociely o f London, em 
1665, e a Acta Eruditorum da Alemanha, em 1682.
A lista mundial de periódicos científicos cresceu então exponencialmente, 
dobrando o número a cada 15 anos, aumentando de dez vezes em cinqüenta 
anos, de mil vezes em um século e meio e cem mil vezes nos trezentos anos 
subseqüentes a 1665 (Price, 1961).
Há atualmente entre 75 mil e cem mil periódicos devotados à ciência e à 
tecnologia, que publicam cerca de 1.200 artigos por ano. Além disso, publicam- 
se anualmente cerca de sessenta mil livros e cem mil relatórios de pesquisas 
(Killian, 1959).
Nos Estados Unidos, apenas, a quantidade de periódicos de ciência e 
tecnologia dobra aproximadamente a cada 20 anos, desde 1800 (U. S. Library of 
Congress Reference Department, 1954).
Na América Latina são editadas mais de mil publicações periódicas cien­
tíficas e técnicas (UNESCO, 1962).
No tocante ao inventário da fauna mundial, os números são ainda mais 
impressionantes. Em 1758 Linnaeus conseguiu em um só volume reunir todas as 
espécies animais conhecidas na época. Essa 10ª edição do Systema Naturae, ponto
1. Instituto dc Estudos Avançados, Universidade de SSo Paulo, SP.
46
de partida para a taxonomia zoológica, continha 312 gêneros, distribuídos por 
34 ordens, dentro de seis classes (Mammalia, Aves, Amphibia, Pisces, Insecta e 
Vermes). Linnaeus incluiu nessa obra 4.236 espécies (Hennig, 1956).
Nesse tempo, como comenta um Anônimo (1974):
Linnaeus was able to write his Spedes Plantarum (1753) with most o f the 
important reference works on systematic botany open on his desk-top; a modern libran/ 
in systematic botany must receive well in excess o f a thousand periodicals alone to 
remain reasonably complete, not to mention the annual acquisition o f hundreds o f 
increasingly costly bools.
Imagine-se então a situação da Zoologia. Enquanto para a Botânica o 
levantamento e a catalogação das plantas superiores, pelo menos, já atingiu um 
estágio bastante satisfatório, com poucas espécies novas a descobrir (existem 
cerca de 250 mil espédesde plantas superiores), para a Zoologia, segundo o 
mesmo Anônimo (1974):... we lume named and recorded one or more facts about 1.5 
million (species), and estimates o f the number o f those which remain to be named range 
from about 3 to 8 million or more.
Isso tudo é refletido no cresdmento inacreditável da literatura, e cada vez 
é mais difícil ao taxonomista zoólogo penetrar nesse oceano de papel. O World 
List o f Scientific Periodicals, por exemplo, lista 59.961 títulos de periódicos cien­
tíficos, nos anos 60!
Portanto, as poucas sugestões que aqui apresentamos são apenas urna gota 
comparada ao já mencionado oceano de papel que é a literatura científica.
2.1 COMO INICIAR A PESQUISA BIBLIOGRÁFICA
O principiante pode inidar uma pesquisa bibliográfica pela consulta aos 
grandes tratados de Zoología. Estes vêm em todos os formatos e volumes. Em 
geral, apesar de se tomarem logo obsoletos, têm a enorme vantagem de juntar 
uma extensíssima literatura sobre os mais diversos aspectos dos grupos trata­
dos, desde a morfologia até a dassificação, distribuição etc.
Os tratados são inúmeros, e o taxonomista tem vasta escolha; pode procu­
rar o tratado de Grassé (17 tomos), o de Bronn (1879-1913. Klasses und Ordnun- 
gen des Thierreichs, 8 vols.), o Handbuch der Zoologie, de Kükenthal-Krumbach, e 
muitos outros.
No tocante à Paleozoologia, além do Traitê de Paléontotogic, editado por J. 
Piveteau, o zoólogo pode consultar:
ROMER, A. S., 1967. Vertebrate yalentology, ix + 468 pp., 443 figs., 4 tables. University of
Chicago Press.
MOORE, R. C., ed„ 1953- . Treatise on ¡»vertebrate imlciitology. Geological Society of America
& University of Kansas Press.
47
A. Introduction
B. Protista 1
C. Protista 2
D. Protista 3
E. Archaeocyatha, Porifera
F. Coelenterata
G. Bryozoa
H. Brachiopoda
L Mollusca 1
J. Mollusca 2
K. Mollusca 3
L. Mollusca 4
M. Mollusca 5
N. Mollusca 6
O. Arthropods 1
P. Arthropoda 2
Q. Arthropoda 3
R. Arthropoda 4
S. Echinodcmv>ta 1
T. Echinodcrmata 2
u. Echinodermata 3
V. Graptolilhina
w. Miscellanea
Este excelente tratado de paleontologia de invertebrados recomenda-se 
pela parte geral dedicada a cada grupo, com boa morfologia, glossários de 
morfologia, distribuição, classificação etc. Serve não só para os fósseis, como 
para grupos recentes.
2.2 FONTES DE REFERÊNCIA MAIS USUAIS
Além dos tratados, que dão apenas uma pista para a literatura zoológica, 
o taxonomista tem à sua disposição várias publicações periódicas que listam 
anualmente toda a literatura zoológica dos diferentes grupos. A consulta de 
todos os volumes destas séries permitirá ao taxonomista a organização de um 
fichário bibliográfico ou de um catálogo do seu grupo preferido razoavelmente 
completo.
Estas fontes de referência são as seguintes:
ARCHIV FÜR NATURGESCHICHTE (Abteilung B), Berlin, 1835- .
O Archiv foi a revista pioneira em compilar e por vezes resumir toda a 
literatura zoológica publicada anualmente. A. F. A. Wiegman iniciou estas
48
resenhas em 1835, sob o título "Bericht über die Fortschritte der Zoologie im 
Jahre..." A organização seguida era a seguinte:
1. "Verzeichnis und Referate der Publikationen" (alfabeticamente, por 
autor).
2. "Systematik".
3. Novos gêneros e espécies, sob as respectivas famílias.
Esta bibliografia é preciosíssima, pois lista alguns trabalhos extremamente 
difíceis de se obter em bibliotecas brasileiras, e antecede de 30 anos o Zoological 
Record. O zoólogo deve consultar os vários volumes do Archiv para reunir a 
bibliografia da primeira metade do século XIX.
ZOOLOGICAL RECORD, London, 1864- .
O Zoological Record foi fundado em 1864 por um grupo de zoólogos 
británicos, principalmente ligados ao Museu Britânico de História Natural e à 
Sociedade Zoológica de Londres, com o objetivo de fornecer anualmente urna 
bibliografia exaustiva da literatura zoológica. O primeiro volume, com a litera­
tura publicada durante o ano de 1864, apareceu em 1865, e desde então a série 
continuou ininterrupta, um caso quase ímpar na história da Zoologia.
O Record foi inicialmente publicado por Van Voorst, um editor londrino 
interessado em História Natural. Após cinco volumes ele desistiu do empreen­
dimento por ser antieconômico. Os volumes 6-22 foram publicados pela Zoolo­
gical Association, uma entidade particular ajudada pela British Association for 
the Advancement of Science, pela Royal Society e pela Zoological Society of 
London. A Association não pôde continuar a publicá-lo após 1886, quando 
então a Zoological Society assumiu pleno controle.
O Zoological Record, até poucos anos atrás, constava de um único volume, 
com 19 fascículos. Nos últimos anos, entretanto, graças ao vertiginoso aumento 
da literatura anual e da melhor e mais eficiente indexação das matérias, o 
volume cresceu tanto que já é preciso encaderná-lo em três grandes volumes. 
Vários grupos, notadamente os insetos, tiveram que ser subdivididos em vários 
fascículos.
O Zoological Record é a fonte de referência por excelência para todos os 
campos da Zoologia.
BIOLOGICAL ABSTRACTS, 1926- .
Excelente também para a literatura zoológica em geral, mas não orientado 
exclusivamente para a sistemática, como o Zoological Record. Publicado em 
fascículos, lança anualmente um "Annual Cumulative Index".
REFERATIVNYJ ZHURNAL, BIOLOGIYA, 1954- .
Apenas para os que podem ler russo, pois, excetuados os títulos dos 
trabalhos, que aparecem sempre na língua original (quer em alfabeto latino,
quer cirílico, quer em ideogramas chineses), toda a indexação e comentários são 
em russo.
Ao lado destas fontes de referência gerais, que cobrem todo o campo da 
Zoologia, existem outras, mais restritas, dedicadas inteiramente a especialida­
des específicas ou a campos de Zoologia aplicada. Alguns exemplos: A .
ABSTRACTS OF ENTOMOLOGY, reporting world-wide research in Entomo­
logy, Philadelphia, Pennsylvania.
Esta publicação da BioSciences Information Service (BIOSIS) tern 12 fascí­
culos anuais e urn "Annual Cumulative Index". É o melhor sistema de referên? 
das para o campo da entomologia.
BULLETIN SIGNALETIQUE D'ENTOMOLOCIE MEDICALE ET VETERINAIRE.
Já mais restrito ao campo da literatura de entomologia aplicada; também 
bastante útil, principalmente no tocante a trabalhos de biologia e controle.
BIBLIOGRAPHY OF AGRICULTURE, editada pelo U. S. National Agricultural 
Library.
Mais dedicada à entomologia agrícola.
HELMINTHOLOGICAL ABSTRACTS, publicados pelo Commonwealth Bureau 
of Helminthology.
É obra indispensável para o campo da helmintología.
INDEX MED1CUS, da National Library of Medidne, U. S. Department of 
Health, Public Health Service, Washington, D. C.
Publicado mensalmente desde 1879, é urna excelente fonte sobre a biblio­
grafia dos grupos zoológicos de interesse médico.
INDEX VETERIN ARIUS.
O equivalente ao Index adma, para grupos zoológicos de interesse veteri­
nário.
Além dessas obras, várias revistas, além da publicação de artigos normais, 
encarregam-se de publicar anualmente suplementos com a literatura recentede 
alguma especialidade, indexada e às vezes comentada. Exemplos:
THE AUK - publica anualmente um suplemento "Recent Literature", de­
votado à ornitologia, e preparado pela American Ornithologist's Union.
JOURNAL OF MAMMALOGY - tem o suplemento "Recent Literature of 
Mammalogy", preparado pela American Society of Mammalogists.
REVIEW OF APPLIED ENTOMOLOGY - as séries A e B são dedicadas à 
literatura de entomologia aplicada, normalmente com excelentes resumos dos 
trabalhos.
i
49
2.3 BIBLIOGRAFIAS GERAIS DE ZOOLOGIA
Vários zoólogos realizaram um esforço extraordinário de reunir toda a 
literatura publicada em Zoologia, desde o ano de 1700 até 1914.0 taxonomista, 
ao compulsar estas dezenas de volumes, pode organizar um fichário pratica­
mente completo para seu grupo, até aquela data, e daí em diante completá-lo 
através do Zoological Record e de outras fontes de referência. Os heróicos autores 
dessas compilações e suas respectivas obras são:
ENGELMANN, W., 1846.Bibliotheca Historko-Naturalis. V enadm isder Bikhcr iiberNaturgcS- 
chichte welche in den periodischen Werken enthalten in den Jahren 1700-1846 erschienen sind, 
viii + 736 pp. Leipzig.
CARUS.J. V. & W. ENGELMANN, 1861. Bibliothcca Zoologica. Supplanentband, enthaltend die 
in den periodischen Werken au/genommenen und die vom Jahre 1846-1860 erschienenen 
Schriften, 1 :950 pp.; 2: pp. 951*2144. Leipzig.
TASCHENBERG, O., 1887-1913. Bibliolhcca Zoologien ¡I. Verzeichnis der Schriftcii über Zoologie 
wdche in den periodischen Werken enthalten vom Jahre 1861-1880 selbstiinding erschienen 
sind mit Einschluss der allgemeinnaturgesdiichtlidten, periodischen und palaeontologischen 
Schriften, 1: (Signatur 1-108): xx + 864 pp., 1887; 2 {Signatur 109-210): viii+ pp. 865*1730, 
1889; 3 (Signatur 211-339): iv + pp. 1731-2760,1890; 4 (Signatur 340-450): v + pp. 2761- 
3648,1894; 5 (Signatur 451-583): vi + pp. 3649-4708,1899; 6 (Signatur 584*684): vii + 
pp. 4709-5512,1905; 7 (Signatur 685-754): pp. 5515-6256,3923. W. Engctmann, Leipzig.
O volume 1 contém: A. Bücherkunde; B. Periodische Schriften (organiza­
dos por 16 áreas geográficas), dentro da Parte 1 (Literatur); as partes seguintes 
são: II. Hilfsmittel; III. Geschichte der Naturwissenschaften; IV. Naturwissens­
chaften im Allgemeinen; V. Naturhistorische Länder- und Reiscbeschreibungen.
O volume 2 inicia a literatura sobre grupos taxonómicos, cobrindo: I. Wir­
belloseThiere im Allgemeinen; II. Protozoa; III. Coelenterata; IV. Echinoderma- 
ta; V. Vennes; VI. Arthropoda; VII. Crustacea; VIII. Arachnida; IX. Onychopho- 
ra; X. Myriapoda; XI. Insecta.
O volume 3 contém a conclusão de XI. Insecta.
O volume 4 continua com: XII. Molluscoidea; XIII. Mollusca; XIV. Tunica- 
ta; XV. Vertebrata; XVI. Pisces; XVII. Amphíbia et Reptilia; XVIII. Amphibia;
XIX. Reptilia.
O volume 5 trata de XX. Aves e XXI. Mammalia.
O volume 6 inclui XXII. Palacozoologie.
O volume final contém índices etc.
ZOOLOGISCHER ANZEIGER e BIBLIOGRAPHIA ZOOLOGICA.
Desde o primeiro volume do Zoologischer Anzeiger, em 1878, J. V. Carus 
iniciou a publicação de uma bibliografia anual de Zoologia, cobrindo os vários 
ramos desta ciência. Do volume 1 ao 13 (1890) essa "Literatur" aparecia em 
fascículos entremeados com outros artigos do Zoologischer Anzeiger.
51
Em 1891, a partir do 14° volume dessa revista, a seção de literatura 
zoológica passou a ocupar toda a segunda metade do volume.
Finalmente, de 1896 até 1914, essa seção passou a constituir uma revista 
anexa ao Zoologischer Anzeiger, com a denominação de "BIBLIOGRAPHIAZOOLO­
GICA (adhuc diario "Zoologischer Anzeiger" adnexa)". O volume primeiro da 
"Bibliographia Zoologica" aparece junto com o volume 19 (1896) do Zoologischer 
Anzeiger. Apareceram vinte volumes da "Bibliographia".
As duas revistas podem estar encadernadas juntas ou separadas, depen­
dendo da biblioteca.
Outro esforço hercúleo em reuni r uma vastíssima bibliografía foi realizada
pelo:
INDEX-CATALOGUE OF MEDICAL AND VETERINARY ZOOLOGY, 1932- .
Além de vários "Parasite-subject catalogues", bibliografías especiais, listas 
de parasitos, hospedeiros etc, foi levantada quase toda a literatura relativa à 
Zoologia médica e veterinária, desde a Antigüidade até o presente. Os primeiros 
18 volumes, de 1932 a 1952 cobrem, bastante bem, a literatura desse campo 
(Autores A-Z).
Além destes, há 22 volumes de suplementos, publicados de 1953 a 1978, 
mantendo a cobertura bibliográfica em dia.
2.4 BIBLIOGRAFIAS ESPECIALIZADAS
Acompanhando estas gigantescas obras gerais, existem inúmeras publica­
ções cobrindo a literatura de campos mais ou menos restritos, dentro da 
Zoologia. Estas bibliografías especializadas podem cobrir qualquer categoria 
taxonómica (desde um filo até uma espécie) ou podem se referir a certas áreas 
geográficas, ou ainda referir-se apenas à bibliografia de um autor.
Seria impossível dar aqui um apanhado de todas as publicações deste tipo. 
Citaremos apenas algumas, à guisa de ilustração.
Vertebrados em geral
WOOD, C. A,, 1931. Alt mtroduction to the itícrature o f Vertebróle Zoology, etc., xix + 643 pp. 
Oxford University Press, Oxford.
Mamíferos
WALKER, E. D., F. WARNICK, K. I. LANCE, H. E. U1BLE, S. E HAMLET, M. A. DAVIS & 
P. F. WRIGHT, 1964. Mammals o f the World, 3 vols., 2269 pp. John Hopkins Press, 
Baltimore.
52
O volume 3 consta só de bibliografia, contendo cerca de 50 mil referências! 
Répteis
VANZOLINT, P. E., 1977-1978. An annotated bibliography o f the land and freshwater reptiles o f 
SouthAmcrka{1758-l975), 1 (1758-1900): iv + 186 pp., 1977; 2 (1901-1975): 316 pp., 1978. 
Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo.
Peixes
DEAN, B„ 1916-1923. A bibliography o f fishes, l(A-K): x + 718 pp., 1916; 2(L-Z): 702 pp., 3917; 
3 (Including indices, general bibliographies, periodicals relating to fishes, early works, 
voyages and expeditions, addenda, and errata of volumes 1 and II): 707 pp., 1923. 
American Museum of Natural History, New York.
Aranhas
BONNET, P., 1945-1961. Bibiiographla Araiteorum. Analyse mêthodique de toule ¡a Uttérature 
aranéologique jusqu'en 1939,1 (Introduction): xvii + 832 pp., 1945; 2 (1) (A-B): 918 pp., 
1955; 2 (2) (C-F): pp. 919-1925,1956; 2(3) (G-M): 1926-3026,3557:2(4) (N-S): 3027-4230, 
I95S;2(5) (T-Z): 4231*5058,1959; ¿(Indexalphabétiques; résultats-condusions; considé- 
rations diverses): 591 pp., 1961. Douladore, Toulouse.
Insetos
HAGEN, H. A., 1862*1863. Biblioiheca Entomologica. Die Litteratur das gattze Gebiet der Entomo­
logie bis zum Jahre 1862,1 (A-M): xii + 566 pp., 1862; 2 (N-Z): 512 pp., 1863. Verlag von 
Wilhelm Engelmann, Leipzig.
HORN, W. & S. SCHENKUNG, 1928-1929. Index Littemturae Entomotogicae. Serie 1: Die 
Welt-Literatur Ober die gesamte Entomologie, bis inklusive 1863, 1 (Aalborg - Ferrière): 
352 pp., 1928; 3 (Leconle-Schaum): pp. 705-1056,1928; 4 (Schaum-Zwinger und Nach­
trag): xxi + 370 pp., 2929. Berlin-Dahlem.
DERKSEN, W. & V. SCHEIDING, 1963. Index Utteraturae Entomologicae. Serie II. Die Wdt-U- 
teratm über die gesamte Entomologie von 1864 bis 1900,4 vols. Deutscche Akademie der 
Landwirtschaftswissenschaften,Berlin.
LIMA, A. M. da C. & C. R. HATHAWAY, 1943. Pulgas. Bibliografìa, catálogo e animais por 
elas sugados. Moti. Inst. Oswaldo Cruz 4:517 pp.
SNil'l'HERS, C. N.,1965. A bibliography of the Psocoptera (Insecta). Aast. Zoo/. 33(2): 137-209.
GUIMARÃES, J. H. &N. PAPAVERO,1966.'A tentativeannotated bibliography of Dennatobia 
hominis (Linnaeus Jr.) (Diptera, Cuterebridae). Arq. Zool., S. Paulo 14(4): 223-294,2 pis.
2.5 ÍNDICES DE NOMES GENÉRICOS
Outro esforço notável foi realizado em diversas tentativas, por diversos 
autores, em diferentes épocas, para listar todos os nomes genéricos propostos. 
Esta tarefa foi indispensável, pois um nome genérico não pode ser repetido 
dentro do Reino Animal (vide capítulo sobre Nomenclatura). Como são dezenas
53
de milhares de nomes, sem a consulta a um destes índices o taxonomista arrisca 
ter seu gênero invalidado por homonímia.
Apresentamos abaixo, em ordem cronológica, os vários índices ou "no­
menclátores" realizados.
AGASSIZ, L., 1842-1847. Nomenclátor Zoologícus, nomina systematica generum animalium tmn 
vhentium quamfossiliunt, seeundum ordinem alphabeticum disposila, adjectis a utoribus, libris 
in quibusreperiuntur,annoeditionis, etymologia etfam íliisad quaspertiiwnl in variisclassibus, 
393 pp. Soloduri (= SoJothum).
Este foi o "nomenclator" pioneiro, listando os gêneros do Reino Animal 
propostos até o final do ano de 1846, arranjados sob 26 ordens. Agassiz fornece 
o nome do gênero, autor, a publicação original, data da publicação, a derivação 
(etimologia) do nome genérico, e a "família" à qual este pertence. Finalmente, 
há um "Index Universalis", no qual todos os gêneros são arranjados alfabética­
mente, com referência às listas por assunto. Muitos dos nomes, porém, foram 
emendados por Agassiz, e, portanto, tomados inválidos. A obra foi publicada 
em 12 fascículos, alguns dos quaisem colaboração com outros autores.
MARSCHALL, A. F. (Conde), 1873. Nomenclátor Zoologicus, continens nomina systematica 
generumaii¡nmliumtamviveutiiimquamjossiUum,seamdumordi>iema¡phabeticiimdispos¡tn, 
482 pp. Vindobonae (= Viena).
Ìndice incompleto e incorreto, organizado em 22 listas (ordens) sem índice 
geral. Para usá-lo o zoólogo, se conhecer o grupo ao qual pertence o gênero, terá 
que correr toda a lista respectiva. Inclui os nomes genéricos propostos de 
1846-1868.
SCUDDER, S. H., 1882. Nomenclátor Zoologícus; An alphabetical list of ali generic names 
that have been employed by naturalists for recent and fossit animais from the earliest 
times to the dose o f the year 1879. Buli. U. 5. nati. Mus. 19(1): xix + 376 pp.; 19(2): (sem 
paginação).
Inclui os nomes genéricos de animais propostos até o fim de 1879. A obra 
é dividida em duas partes. A primeira intitula-se "Supplemental list of genera 
in Zoology. List of generic names employed in Zoology and Paleontology to the 
close of the year 1879, chiefly supplemental to those catalogued by Agassiz and 
Marschall, or included in the Zoological Record". A segunda é o "Universal 
index to genera in Zoology. Complete list of generic names employed in 
Zoology and Paleontology to the close of the year 1879, chiefly etc.".
SHARP, D., ed., 1902-1912. Index Zaologicus: An alphabetical list o f names o f genera and subgenera 
proposed for use in Zoology, as recorded in the Zoological Record, 1880-1900 (-1901-10), 
together with other names not included in the Nomenclátor Zoologicus o f S. H. Scudder. 
Compiled (for the Zoological Society o f London) by C. O. Waterhouse and edited by ..., 1. 
420 pp., 1902; 2:324 pp., 3912. The Zoological Society of London.
54
É uma lista alfabética de nomes de gêneros e subgéneros propostos em 
Zoologia, que apareceram no Zoological Record de 1880-1900, e de 1900 a 1910, 
juntamente com outros nomes não-incluídos no Nomenclátor, de Scudder.
5HERBORN, C. D., 1902-1923. Index Anitnalium, swe índex nominorum qitae ab A. D. MDCCLVIII 
generibus et speciebus animalium imposita suiit. Sectio prima: A kalendis ianuariis 
MDCCLVIII usqueadfinem decembris MDCCC, lix +1195 pp. Cantabrigiae (= Cambridge).
Esta obra extraordinária inclui todos os nomes genéricos e específicos 
publicados desde a décima edição do Systema Naturae até o final de 1800. 
Divide-se esta sectio prima em duas partes; a primeira inclui: a bibliografía 
utilizada para a compilação do fndice (pp. xi-lvi); adições e correções (pp. 
lvii-lix); um "Index nominum animalium". A segunda parte inclui um índice 
dos nomes genéricos, cada gênero com o elenco de suas respectivas espécies, 
publicadas de 1758-1800.
SHERBORN, C. D., 1922-1933. Index Animalium, sive itidex nominorum quac ab A. D. 
MDCCLVIII generibus et speciebus aniiiMlium imposita simt. Sectio secunda: A kalendis 
iamtariis MDCCCI usque adfiucnt decembris MDCCCL Brilish Miiseum (Natural History), 
London.
Esta monumental sectio secunda, que inclui todos os nomes publicados de 
1801 a 1850, foi publicada em 33 partes, das quais as 28 primeiras incluem os 
nomes em ordem alfabética; as partes 29*33 incluem o índice, adições e corre­
ções. A lista e a data destas partes é a seguinte:
1922. Part I: Introduction, Bibliography, Index A-aff, cxxxix + 128 pp.
1923. Part II: aff-anus, pp. 129-384.
1923. Part III: anus-bail, pp, 385-640.
1924. Part IV: bail-byzos, pp. 641-943.
1924. Parí V: c-ceyl, pp. 944-1196. ' ’
1924. Part VI: ceyUconcolor, pp. 1197-1452.
1925. Part VII: concolor-czjzekii, pp. 1453-1771.
1925. Part VIII: daakar-dorsalis, pp. 1772-2008.
1926. Part IX: dorsalis-Eurystoimts, pp. 2009-2248.
1926. Part X: Eurystomus-funcreus, pp. 2249-2568.
1926. Part XI: fnnereus-gyzdicnsis, pp. 2569-2880.
1927. Part XII: haani-implicatus, pp. 2881-3136.
1927. Part XIII: impIicatus-Laminella, pp. 3137-3392.
1927. Part XiViLaminella-lyzzia, pp. 3393-3746.
1928. Part XV: m-a~mélanophysa, pp. 3747-3970.
1928. Part XVI: melanophysa-munchissoni, pp. 3971-4194.
1928. Part XVH: ntunda-nyx, pp. 4195-4690.
1929. Part XVIII: o-uigrum-pallens, pp. 4451-4690.
1929. Part XIX: pallens-PItyllocItoreia, pp. 4691-4930.
55
1929. Parí XX: phyllodtroma-pratincda, pp. 4931-5138.
1930. Part XXI: pratincola-pyxis, pp. 5139*5348.
1930. Part XXH: quaciia-ryzo, pp. 5349-5702.
1930. Part XXIII: s-litícra-serratus, pp. 5703-5910.
1930. Part XXIV: serratus-squamosus, pp. 5911-6118.
1931. Part XXV: squamosusszent, pp. 6119-6357.
1931. Part XXVI: t-Trichoscelia, pp. 6358-6582.
1931. Part XXVII: Trichoscelts-varíegatus, pp. 6583-6806.
1932. Part XXVIII: variegatus-zyziphinus, pp. 6807-7056.
1932. Parts XXIX-XXXI: Epilogue, additions to bibliography, additions and cor- 
rections, and índex lo trivialia, pp. í-vií + pp. cxxxiii-cxlvii + 654 pp.
1933. Parts XXXn-XXXIU: Idem, pp. 655-878,879-1098.
Esta sectio secunda é geralmente encadernada em nove volumes, como segue:
Volume l, 1922-1924. A-B, cxxxix + 943 pp. (Partes I-IV).
Volume II, 1924-1925. C, pp. 944-1771 (Partes V-VIII).
Volume III, 1925-1926. D, E, F, G, pp. 1772-2880 (Partes VDI-XI).
Volume IV, 1927. H, /, /, K, L, pp. 2881-3746 (Partes XII-XIV).
Volume V, 1928. M, N, pp. 3747-4450 (Partes XV-XVII).
Volume VI, 1929-1930.0 , P, pp. 4451-5348 (Partes XVIII-XXI).
Volume VII, 1930*1931. Q, R, S, pp. 5349-6357 (Partes XXü-XXV).
Volume VIII, 1931-1932. T-Z, pp. 6358-7056 (Partes XXVI-XXVni).
Volume IX, 1932-1933. Epilogue etc. (Partes XXIX-XXXIII).
SCHULZE, F. E , W. KÜKENTHAL, K. HEIDER & T. KUHLGATZ, 1926-1940. Nomenclátor 
ãitimatium generum et subgencrum, 5 vols., 3692 pp. Berlin.
Esta obra cobre a literatura até 1921, mas indui referêndas até 1929. Foi 
impressa em 1925 "Lieferungen".
NEAVE, S. A., 1939*1940. Nomenclátor Zoologicus, a list q f the ñames o f genera and subgenera in 
Zoology from thelenth edition q f Untuaus 1758 to theetidof1935,1 (A-Q:957pp., 1939;2 
(D-L): 1025 pp., 193$í 3 (M-Py. 1065 pp., 1940-, 4 (Q-Z and Supplement): 758 pp., 1940. 
The Zoologica! Sodrty of London.
Esta é a melhor e mais completa lista de nomes genéricos, iniciada por 
Neave em 1934. Inclui mais de 225 mil verbetes, dos quais 192 mil representam 
gêneros disponíveis e 18 mil homônimos. Mais de 5 mil gêneros não haviam 
sido listados nos índices anteriormente publicados.
NEAVE, S. A., 1950. Nomenclátor Zoologicus, vol. 5(1936-1945): 308 pp.TheZoological Soeiety 
of London.
É um aditamento à obra adma, cobrindo os anos de 1936 a 1945.
EDWARDS, M. A. & A. T. HOPWOOD,eds., 1966. Nomenclátor Zoologicus, vol. 6 (1946-1955h 
329 pp. The Zoologica) Soeiety of London.
56
Neave faleceu em 1961. Os dois autores acima cobriram neste volume os 
nomes genéricos publicados até 1955.
Após o ano de 1955, o zoólogo deve consultar as listas de gêneros publi­
cadas anualmente pelo Zootogical Record, que aliás as publica ininterruptamente, 
desde 1864!
2.6 CATÁLOGOS E LISTAS
Estas são publicações de inestimável valor para o taxonomista. Um bom 
catálogo é fonte imprescindível para a obtenção de informações, tanto biblio­
gráficas como taxonómicas. Os catálogos podem ser completos, citando toda a 
bibliografia referente a uma espécie, abreviados (citando apenas umas poucas 
referências), ou ser simples listas, que citam apenas o nome da espécie, no 
máximo uma só referência e a distribuição geográfica. Damos agora alguns 
exemplos:
Fósseis
QUENSTEDT, W., 1913-1935. Fossfíium Catalogas, 70 partes. W. Jiink, Berlin.
Mamíferos
CABRERA, A., 1957-1961. Catalogo de los mamíferos de America del Sur. Reuta Mus. argait. 
Cieñe, iiat. Bernardina Rivadavia 4(1): iv + 307pp.; (2): xxii + pp. 309-732.
Aves
PETERS, J. L., 1931-1963. Check-list ofbirds o f the xoorld, 15 vols. Harvard University Press. 
PINTO, O. M. de O., 1938. Catalogo das aves do Brasil e lista dos exemplares que as 
representam no Museu Paulista. 1* Parte: Aves não Passeriformes e Passeriformes não 
Osan es excluida a Fam. Tyrannidae e seguintes. Revta. Mus. Paulista 22: xviii + 566pp. 
PINTO, O. M. de O., 1944.Catalogo das aves do Brasil e lista dos exemplares que as representam na 
coleção do Departamento de Zoologia. 2‘ Parte: Ordem Passeriformes (continuado): Superfa- 
rnffia Tyrannidae e Subordem Passeres, xi + 700pp. Departamento de Zoologia, Secretaria 
da Agricultura, Indústria e Comércio, SSo Paulo.
PINTO, O. M. de O., 1978. Novo catálogo das aves do Brasil. Primeira Parte. Aves não Passeriformes 
e Passeriformes não Osdnes, coin exceção da fam ilia Tyrannidae, xvi + 446 pp. SSo Paula
Peixes
FOWLER, H. N., 1941. A list of the fishes known from the coast of Brazil. Ara. Z ool, S. Paulo 
3(6): 115-184.
FOWLER, H. N., 1948-1954. Os peixes de água doce do Brasil. Arq. Zool, S. Paulo 6: xii + 
204 pp. (1* entrega), 1948; pp. 205-404 (2* entrega), 1950; pp. 405-625 (3* entrega), J9S1; 
9: ix + 400 pp. (4* entrega ou 2* parte). 1954.
Annelida
HARTMANN, O., 1959. Catalogue of the polychaetous annelids of the World, pts. 1-2. Occ. 
Pap. Allan Hancock Fdn 23:628 pp.
Crustacea
BROOKS,F. E. & A. R. MESSINA, 1952-1964. Catalog ofOstracoda, 20 vols. American Museum 
of Natural History, New York (+ 2 supplements, 2565).
Araneae
ROEWER, C. F., 1942. Katalog der Araneae von 1758 bis 1940. 1 (Mesolhdae, Orthognatha, 
Labidognatha: Dydercaefomtia, Scytodifonnia, Pholciformia, Zodariijormia, Hersiliaefomtia, 
Argyopiformta), viii +1040 pp. Bremen.
ROEWER, C. F., 1954. Katalog der Araneae von 1758bis 1940, bzw. 1954.2 (Abt. a: Lycosaeformia, 
Dionycha (excl Salticiformia)): 923 pp.: 2 (Abt. b: Salticifonnia, Cribellata; Synonitm-Ver- 
zeichnis, Gesamtindex): pp. 927-1751. Institut Royal des Sciences naturelles de Belgique, 
Bruxelles.
Insecta
CLAASSEN, P. N-, 1940. A catalog of the Plecoptera of the World. Cornell Univ. agrie, expt. 
Sta. Mem. 232:1-235.
REICHARDT, H., 1968-1971. Catalogue of New World Dermaptera (Insecta). Part I: Intro­
duction and Pygidicranoidea; II: Labioidea, Cardnophoridae; III: Labioidea, Labiidae; 
IV: Forficuloiaea; V: Additions, corrections, bibliography and index. Papéis Avulsos 
Zool., S. Paulo 21 (19): 183-193,1968; 22(5): 35-46, 1968; 23(10): 83-109, 1970; 24(12): 
161-184,1971; 24(18): 221-257,1971.
BEIER, M., ed., 1964- . Orthopterorum Catalogas. W. Junk, Haia.
SNYDER, T. E., 1949. Catalogue of the termites of the World. Smithson, misc. Colins 112:1-490.
ARAIJJO, R. L., 1977. Catálogo dos Isoptera do Novo Mundo, 92 pp. Academia Brasileira de 
Ciêndas, Rio de Janeiro.
HOPKINS, G. H. C & T. CLAY, 1952. A checklist o f the genera and species ofMallophaga. British 
Museum (Natural History), London.
FERRIS, G. F., 1916. Catalog and hosts of the Anoplura. Proc. Calif. Acad. S a. 6(6): 129-213.
SMITH ERS, C N., 1967. A catalogue of the Psocoptera of the World. Aust. Zool. 14(1): 1-145.
PENNY, N. D., 1977. Lista de Megaloptera, Neuroptera, Raphidioptera do México, América 
Central, ilhas Caraibas e América do Sul. Acta Amazónica 7(4) (Supl.): 1-61.
SCHENKLING, S., 1916-1941. Coleopterorum Catalogus, 171 partes, 31 vols., suplementos. W. 
Junk, Berlin.
HEDICKE, N., 1935- . Hymenopterorum Catalogus. W. Junk, Haia.
LIMA, A. M. da C. & C. R. HATHAWAY, 1943. Pulgas. Bibliografia, catálogo e animais por 
elas sugados. Mem. inst, O sm ldo Cruz 4 :1-517.
PAPAVERO, N., ed., 1966- . A Catalogue o f the Díptera o f the Americas south o f the United States, 
120 partes. Museu de Zoologia, Universidade de S3o Paulo.
FISCHER, F. C. J., 1960- . Trichopterorum Catalogus, 8 vols. Nederlandsche entomologische 
Vereeniging, Amsterdam.
HOPKINS, G. H. E. & M. ROTHSCHILD, 1953-1971. An illustrated catalogue o f the Rothschild 
collection o f fleas (Siphonaptera) in the British Museum (Natural History) with keys and short 
descriptions for the identification offamilies, genera, species and subspecies, 5 vols. London.
2.7 OBTENÇÃO DE BIBLIOGRAFIA
Para trabalhar com a taxonomia de um determinado grupo, o zoólogo deve 
organizar primeiramente um catálogo taxonómico desse grupo {se já não hou­
ver um; ou se houver, completá-lo) e a respectiva bibliografia.
O taxonomista pode também tentar conseguir aos poucos, de acordo com 
seus recursos, a bibliografía de seu grupo. Para isso tratará de, após ter efetuado 
o levantamento bibliográfico:
• pedir separatas dos trabalhos aos respectivos autores, se ainda vivos;
• tentar obter as separatas de autores falecidos por meio de instituições onde 
estes trabalhavam;
• obter cópias xerográficas, microfilmes ou microñchas dos trabalhos necessitados.
Como saber onde procurar urna determinada bibliografía? Dividamos o 
problema em duas partes:
Livros
A Universidade de São Paulo possui um Catálogo Coletivo de Livros, junto 
à sua Biblioteca Central, com um levantamento dos livros existentes nas biblio­
tecas do Brasil. Uma consulta à Biblioteca Central pode indicar se o livro existe 
ou não no Brasil.
Os grandes museus do mundo possuem geralmente bibliotecas quase 
completas; cópias de certos livros, em xerox ou outra forma, podem geralmente 
ser obtidas dessas fontes, se o livro não for valioso demais, ou se pode ser 
submetido à fonte copiadora sem dano para o exemplar. Aqui vão alguns 
exemplos de catálogos de grandes bibliotecas (são também muito úteis para se 
obter a referenda completa de obras muito raras):
BRITISH MUSEUM (NATURAL HISTORY), 1903-1940. Catalogue o f the books, manuscripts, 
maps and drawings in the British Museum (Natural History), 7 (A-D): viii + 500 pp., 1903; 
2 (E-K): pp. 501-1038,1904; 3 (L-O): pp. 1039-1494,751«; 4 (P-SN): 1495-1956,1973; 5 
(SO-Z): 1957-2403,1915; Supplement A-l: 1-511 + 48 pp., 1922; Supplement /-Cfc 513-967, 
1933; Supplement Ρ-Ζ: 969-1480. London.
BRITISH MUSEUM (NATURAL HISTORY), 1933. A catalogue o f the rvorks o f Linnaeus (and 
publicai ions more immediately relating thereto) preserved in the libraries ofthe British Museum 
(Bloomsbeiy) and the British Museum (Natural History) (South Kensington), xi + 246 + 68 
pp. London.
UNNEAN SOCIETY OF LONDON, 1925. Catalogue o f the printed books and ¡«imphlels in the 
library o f the Utincan Society o f London (New Edition), 860 pp. London.
Periódicos
Para a localização de periódicos nas bibliotecas brasileiras, há inúmeros 
"Catálogos coletivos de periódicos", índices das revistas que existem nas biblio-
58
59
tecas de todo o país ou de determinadas regiões do Brasil. Indicam quais os 
volumes existentes em cada biblioteca e, para uma determinada revista, todas 
as bibliotecas que a possuem.
Catálogos nacionais
CNPq/IBBD, 1970-1971, Catálogo coletivo de publicações periódicas de ciência e tecnologia 1 (A-I): 
27 + 441 pp., 1970; 2Q-Z): 27 + 447 pp., 1971. Rio de Janeiro.
CNPq/IBBD, 1975. Catálogo coletivo de publicações periódicas cm ciências agrícolas e naturais, 1 
(A-I): 46 + 435 pp.;2 0-Z): pp. 437-816. Rio de Janeiro.
Catálogos regionais
MEC/CAPES & CNPq/lBICT, 1979. Gitálogo coletivo de periódicos. Nordeste, 1 (A-F): xiií + 
787 pp.: 2 (G-Z): pp. 788A-1641. Brasília, D. F.
INSTITUTO OSWALDO CRUZ, 1963. Catálogo de periódicos da biblioteca do Instituto Ostvaldo 
Cruz, 331 pp. Rio de Janeiro.
MUSEU NACIONAL (Biblioteca), 1976. Catálogo de periódicos 1 (A-IRD): 300 pp.: 2 (IRI-Z): 
pp. 301-618. Rio de Janeiro.
MUSEU NACIONAL (Biblioteca), 1979. Catálogo de periódicos. Suplemento, 354 pp. Rio de 
Janeiro.
INSTITUTO BIOLÓGICO (S. Paulo) (Biblioteca), 1968. Catálogo de periódicos, s/p. São Paulo. 
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO, Coordenadoria de Atividades Culturais, Divisão de 
Biblioteca e Documentação, 1977. Catálogo coletivo de periódicos do Estado de São Paulo em 
Biomedicma, 1 (A-I): 538 pp.; 2 0-Z): xxviii + pp. 539-1064. São Paulo.
A USP mantém também um Catálogo Coletivo de Periódicos (em microfi- 
chas) com o levantamento de todas as bibliotecas do país. Existem cópias dessas 
microfichas em vários outros centros do Brasil.
UNIVERSIDADE DO RIOGRANDE DOSUL,Serviço Central de Informações BibliogríS ficas, 
1961. Catálogo coletivo regional de periódicos, RGS, 624 pp. Porto Alegre.
REFERÊNCIAS
ANÔNIMO, 1974. Trends, priorities,and needs in systematic and evolutionary biology. Syst. 
ZooL 2 3 :416-439.
BROWN, P. & B. STRATTON, 1963. World list o f scicntißc periodicals published in the years 
1900-1960 (4th ed.), 1 (A-E), 2 (F-P),3 (Q-Z), 1824 pp. Butterworths, London.
HENNIG, W., 1956. Systematik und Phylogenese, pp. 50*71, 13 figs., in Bericht über die 
Hundertjahrfeier der Deutschen Eniomologischcn Gescllschafl Berlins. Akademie - Verlag, 
Berlin.
KILLIAN, J. R., 1959- Report on scientific information of the President's Scientific Advisory 
Committee, 1958. Nature, Land. 1 7 :136.
60
PRICE, D. J. deS.,1961. Science since Babylon (pp. 100-113). Yale University Press,New Haven. 
UNESCO, 1962. Normas que deben aplicarse en materia de publicaciones científicas. UNESCO/ 
NS/177, Paris.
UNITED STATES LIBRARY OF CONGRESS REFERENCE DEPARTMENT, Scientific Division, 
1954. Scientific and technical serial publicalfans, 1950-1953. U.S. Government Printing Office, 
Washington, D .C
f
3. TIPOS DE PUBLICAÇÕES ZOOLÓGICAS 
Ubirajara fì. Martins
A vastidão de assuntos dos quais trata ou pode tratar um zoólogo dificulta 
sobremaneira a organização de um elenco das modalidades de trabalhos nesta 
área. A par dos trabalhos puramente taxonómicos, há variada gama de assuntos 
correlatos: nomenclatura, distribuição geográfica, bibliografia, técnicas e méto­
dos, história, e assim por diante.
Dividiremos, arbitrariamente, os trabalhos zoológicos em sete grandes 
modalidades: trabalhos descri tive»; trabalhos de síntese; trabalhos sobre no­
menclatura; trabalhos faunísticos e zoogeográficos; trabalhos bibliográficos; 
trabalhos históricos e trabalhos sobre técnicas e métodos.
É claro que a maioria dos trabalhos que pode publicar um zoólogo não se 
enquadra rigidamente dentro de uma só categoria, mas pode abordar simulta­
neamente várias destas áreas.
3.1 TRABALHOS DESCRITIVOS
Descriçõo de novos táxons. Trabalhos descrevendo um ou mais táxons novos, 
como gêneros, espécies e subespécies, são extremamente comuns e freqüentes 
nos grupos zoológicos ainda pouco conhecidos, especialmente em nossa região 
zoogeográfica.São os responsáveis pela maiorpartedaspublicações zoológicas.
62
São principalmente feitos por taxonomistas principiantes, sem grande 
experiência em seu grupo, ou por taxonomistas já experientes que precisam, por 
várias razões, publicar rapidamente um novo nome necessário para algum 
trabalhode maior envergadura, para possibilítaroempregodonomeporoutros 
especialistas trabalhando com biologia ou aspectos econômicos da espécie etc.
Tais trabalhos proliferam igualmente devido ao custo cada vez maior de 
imprimir grandes revisões. Preferem osautores, em conseqüência, imprimir aos 
poucos um grande volume de novas espécies. Exemplos:
SAKAKIBARA, A. M., 1980. Nova espécie de Meinbracis F. do sul do Brasil (Homoplora, 
Membracidae). Revia. bras. Ent. 24(1): 67-68.
ZUCCHI, R. A., 1979. Novas espécies dc Aim lrqiha Schiner (Diptcra, Tephritidac). Ibid. 23 
(1): 35-41.
Redescríção de tâxons. As descrições originais, especialmente as antigas, 
omitem muitas vezes caracteres que agora são importantes para o reconheci* 
mento ou a dassificaçãodos táxons. Nestes casos, redescrições são extremamen­
te desejáveis e incluem informações suplementares. São especialmente úteis 
quando foram examinados os tipos. Exemplos:
LANE, F., 1970. Nota sobre Zonolyhis inferrupítts (Oli vier, 1790) (Coleoptera, Cerambycidae).
Revia. bras. Biol. 30(4): 563-570.
THOMÉ, J. W., 1972. Redescríção dos tipos de Vcronicelltdae (Mollusca, Castropoda) neo­
tropicais. Vllf. Espécies depositadas no "lnstitut fur Spezielle Zoologie und Zoologis- 
ches Museum" de Bcrltm, Alemanha Orientai. Arqos. Zeol., S. Paulo 21(5): 235-281,135 
figs.
Descrições deformas imaturas. A riqueza de caracteres que por vezes ofere­
cem as formas imaturas dos animais, o conhecimento destas para estudos 
biológicos de várias naturezas, ou, muitas vezes, sua importânda para o esta- 
beleamento de dassificações mais naturais, tomam estes trabalhos extrema­
mente úteis. Exemplos:
FONTES, L R de O., 1979. On the ontogeny and taxonomy of Brazilian Uionw (Coleoptera, 
Tencbrionidae). Papéis avulsos Zoo/., S. Pauto 32(20): 233*241.
GRUN1N, K. Ya., 1950. Lichinki 1. stadii sem. Oestridae i Hypodeimatidae i ikh znachcnie 
dlya uscanovleniya filogenii. (Rrst stage larvae of Oestridae and Hypodermatidae and 
their influence on phylogeny). Ent. Obozr. 31(3-4): 463-466, figs.
PYBURN, W. F., 1980. An unusual anuran larva from the Vaupés region of southeastem 
Colombia. Papéis avulsos Z ooi, S. Paulo 33(12): 231-238,5 figs.
Descrições de biologia, ecologia ou etologia. É excusado comentar quão inte­
ressantes e importantes são os trabalhos publicados sobre estas áreas da história 
natural. Exemplos:
COSTA, C., 1978. Sistemática ebionomia de PyrearíiuisCosta (Coleoptera, Elateridae). Arqos. 
Zoo!., S. Pauto 20(4): 185-286.
63
CRANSHAW, P. C., Jr. Sc O. B. SCHALLER, 1980. Nesting of Paraguayan caiman (Caiman 
yacare) in Brazil. Papéis avulsos Zool., S. Paulo 53(18): 283-292.
HEYER, W. R. & C. C MELLO, 1979. Descriptions of the advertising calls of Cycloramphus 
asper and Cydoramphusdubius (Amphibia: Leptodactylidae)./imf. 32(15): 193-200,4 figs. 
LEME, J. L. M., 1980. Viviparidae em Tomigerus (Gastropoda, Bulimulidac) com a descrição 
de uma nova espécie. Ibid. 32(5): 355-363,20 figs.
SCHUBART, O., A. C. AGUIRRE & H. SICK, 1965. Contribuição para o conhecimento da 
alimentação das aves brasileiras. Arqos. ZooL, S. Paulo 12:95-249.
WILLIS, E. O., 1981. Diversity in adversity: The behaviors of two subordinate antbirds. Ibid. 
30(3): 159-234,23 tabs., 30 figs.
Tais trabalhos podem incluir por vezes discos com gravações de sons de 
animais, como:
SCHEVILL, W. A., W. A. WATKINS & C. RAY, 1966. Analysis of underwater Odobaius calls 
with remarks on the development and function of the pharyngeal pouches. Zoologien, 
N. Y. 51(3): 103-105,5 pis., 1 disco.
Descrições de anatomia, histologia, embriologia etc. Cada vez é mais importante 
pesquisar novos caracteres taxonômicos, refinando-se cada vez mais a análise 
da morfologia, tanto extema como interna, dos animais. A par deste valor para 
a taxonomia, os trabalhos sobre anatomia e áreas correlatas por si sós trazem 
valiosos conhecimentos sobre os vários grupos zoológicos. Exemplos:
CRUZ-LAND1M, C. da, 1967. Estudo comparativo de algumas glândulas das abelhas (Hy- 
menoptera, Apoidca) e respectivas implicações evolutivas. Arqos. ZooL, S. Paulo 15(3): 
177-290,9 pis., 96 figs.
GAMA, V., 1978. Desenvolvimento pós-embrionário das glândulas componentes do sistema 
salivar de Camponotus (M yrmolhríx) m fipes (Fabridus, 1775) (Hymcnoptera, Formid- 
dae). ¡bid. 29(3): 133-183,17pls., 16 figs.
GOMES, N. M. B. & J. P. GASC, 1973. Etude biomécaniquc du mouvemont de fermeture de 
la mandibule chcz Ophiosaurus apodus (Sauria, Anguidae). Papéis avulsos Zaol., S. Paulo 
27(1): 1-25,23 figs.
HÖFLING, E , 1980. Sistema drculatório de Rhinodrilus alatus Right, 1971 (Oligochaeta, 
Glossoscolecidae). Ibid. 34(3): 21-72,30 figs.
LEME,). L. M., 1973. Anatomy and systematics of the neotropical Strophocheiloidea (Gas­
tropoda, Pulmonata) with the description of a new family. Arqos. Zoo/., S. Paulo 23(5): 
295-337,2 pis., 54 figs.
PENTEADODIAS, A. M., 1979. Estudo do cordão nervoso central de alguns vespfdeos sociais 
(Hymcnoptera, Vespidae) durante a metamorfose. Rcvta. bras. Etit. 23(4): 197*205.
3.2 TRABALHOS DE SÍNTESE
Sinopses. Etimologicamente este termo significa "visão de conjunto" (do 
grego synopsis). É, pois, uma sinopse, um resumo, sumário, síntese ou epitome 
do conhecimento científico sobre um determinado grupo zoológico. Pode ser
64
incluído material novo ou não. As sinopses costumam reunir toda a informação 
disseminada, freqüentemente como base para uma posterior revisão ou mono­
grafia. Exemplo:
GUIMARÃES, L. R. & M. A. V. d'ANDRETTA, 1956. Sinopse dos Nycteribiidae (Díptera) do 
Novo Mundo. Arqos. Zool., S. Paulo 20(1):1-184,5 mapas, 3 tabs., 232 figs.
Revisões. Uma reavaliação (nova visão) do conhecimento prévio de um 
determinado grupo, geralmente feita com base no estudo de novas coleções ou 
do exame de um maior número de espécies. As revisões podem abranger ordens 
inteiras, familias inteiras, um gênero, um grupo de espécies, ou outras catego­
rias quaisquer. Geralmente tomam-se obsoletas em pouco tempo, devido ao 
incessante acúmulo de novas espécies. Exemplos:
REÍCHARDT, H. A critical study o f the Suborder Myxophaga, with a taxonomic revision of 
the Brazilian Torridincolidae and Hydroscaphidae (Coleoptera). Arqos. Zool., S. Paulo 
24 (2): 73-162,8 pis., 2 gráfs., 120 figs.
GUIMARÃES,]. H., 1977. A systematic revision of the Mesembrinellidae, stat. nov. (Díptera, 
Cyclorhapha). Ibid. 29(1): 1 -109.
MARTINS, U. R., 1979. A taxonomic revision of the World Smodidni (Coleoptera, Ceramby- 
cidae). Ibid. 26(4): 319-359.
THOMPSON, F. C., 1972. A contribution to a generic revision of the neotropical Milesiinae 
(Díptera, Syrphidae). Ibid. 23(2): 73-215.
BERNARDI, N., 1973. The genera of the family Nemestrinidae (Díptera: Brachycera). Ibid. 24 
(4): 211-318,76 figs.
MENEZES, N. A., 1976. On the Cynopotaminae, a new subfamily of Charaddae (Osteidithyes, 
Ostariophysi, Characoidei). Ibid. 28(2): 1-91.
MOURGUÉS-SCHURTER, L. R., 1981. Sobre as espécies neotropicais de Neosphaerocera Kim, 
1972 (Díptera, Sphaeroceridae). Papéis om isos Zool., S. Paulo 34(18): 179-188, figs. 
PATTERSON, J. T., 1952. Revision of the montana complex of the virilis spedes group, 
pp. 20-34,1 fig. em seu Studies in the genetics of Drosophila. VII. Further arta'des on 
genetics, cytology and taxonomy. Univ. Tex. Pubis. 5204:1-251,64 figs.
Monografias. Diz o didonário que monografía é "uma dissertação ou 
estudo minudoso que se propõe esgotar um determinado tema relativamente 
restrito". Realmente, são as monografias trabalhos exaustivos sobre determina­
do táxon, procurando abordar todos os aspectos possíveis: tratamento taxonó­
mico completo de todos os táxons induídos, inclusão de morfologia, biologia, 
estágios imaturos, dados sobre distribuição geográfica etc.
A elaboração de uma monografia requer o estudo de grandes coleções e 
grande cópia de material, ou um extenso levantamento da bibliografia existente. 
Em geral, trazem as monografias uma grande quantidade de resultados origi­
nais e são estas as publicações mais importantes que um zoólogo pode fazer, 
originando novas classificações, padrões evolutivos e zoogeográficos e inúme­
ros outros dados extremamente relevantes. Exemplos:
MARTINS, U. R., 1967-1971. Monografia da tribo Ibldionini (Coleóptera, Cerambycidae).
Arqos. Zoo/., S. Paulo 16(1-6): 1-1508,30 pls. col.
PAPA VERO, N-, 1977. The World Oestridae (D íptera), mammals and continental drift, 240 pp., 
87 figs. 25 labs. Series Entomológica, vol. 14. W. Junk, The Hague.
Atlas. São trabalhos abundantemente ilustrados que facilitam a identifica­
ção dos táxons mediante comparação com os desenhos. Exemplo:
ROOS, E. S. & H. R. ROBERTS, 1943. M osquito atlas. P t 1:44 pp.; Pt. 2: 44 pp. American 
Entomological Society, Philadelphia.
M amais. Procuram facilitar o rápido reconhecimento dos táxons, princi­
palmente nas identificações expeditas de campo. Exemplos:
FIGUEIREDO, J. L., 1977. Manual de peixes marinhos do sudeste do Brasil. I. Introdução. Cações, 
raias e quimeras, 104 pp., 95 figs. Museu de Zoologia, Universidade de São Paulo. 
FIGUEIREDO, J. L. & N. A. MENEZES, 1978-1980. Idem. II. Teleostei (1), 110 pp., 177 figs., 
1978; UI. Teleostei (2), 90 pp., 87 figs., 1980; IV. Teleostei (3), 96 pp., 98 figs. Museu de 
Zoologia, Universidade de Sao Paulo.
Tratados. Encerram amplas informações e abundantes dados sobre o as­
sunto que abordam. Alguns exemplos foram vistos na Seção 2.1.
Trabalhos sobre classificação. Procuram apresentar novos esquemas para a 
classificação de um determinado táxon, geralmente supragenérico. Exemplo:
PAPA VERO, N. & J. WILCOX,1974. Studies of Mydidae (Díptera) systematics and evolution.
I. A preliminary classification in subfamilies, with the descriptions of two new genera 
from the Oriental and Australian regions. II. Classification of the Mydinae, with 
description of a new genus and a revision of Ceriomydas Williston. Arqos. Z ool, S. Paulo 
25(1): 1-60,14+ 10 figs. ,
3.3 TRABALHOS SOBRE NOMENCLATURA
Podem abranger os mais variados temas, desde problemas de ordem 
teórica, até problemas de gramática e notinhas sobre sinonfmia. Estas últimas 
devem ser normalmente incluídas em revisões, catálogos e outras publicações. 
Sua publicação como trabalho separado é sobrecarregar inutilmente a literatura 
zoológica. Exemplos:
BERNARDI, N., 1980. O significado dos tipos nomendatórios do grupo da espécie em 
taxonomia animal. Revta. bras. Ent. 24(3-4): 175-179.
LANE, F., 1965. Notas sinonfmicas. I. Lycodesmus Melzer, 1927 — Ites Waterhouse, 1860 
(Coleoptera, Lamiidae). Ibid. 1 :195-201.
66
SILFVER8 ERG, H., 1980. Ceutorhynchus Germar, 1824, and Rhinonciis Schoenherr, 1826 
(Insccta, Coleoptera): Proposed conservation of type species by use of the Plenary 
Powers. Bull zool. Nomencl. 36(4): 252-256.
STEYSKAL, G. C , 1971. On the grammar of names formed with scelu s, scelcs, sce lis etc. 
Prac. bioL Soc. Wash. 84(2); 7-12.
STEYSKAL, G, C-, 1973. Notes on the grammar of names In the Dermaptera. Papéis avtilsos 
Zoo!., S. Paulo 26(21): 253-257.
VANZOUNI, P. E., 1973. Garbesaura garbei Amaral, 1933, a synonym of Eiiytilius beckii 
(Boulenger, 1885) (Saurla, Iguanidae). Ibid. 27(13): 173-175,1 fig.
WHITEHEAD, P. J. P. it G. S. MYERS, 1971. Problems of nomenclature and dating of Spix 
and Agassiz's Brazilian Fishes (1829-1831). /. Soc. Biblphy. rnt. Hist. 5(16): 478-497.
3.4 TRABALHOS FAUNÍSTICOS E ZOOGEOGRÁFICOS
Listas faunisticas: Consistem numa simples relação de espécies encontradas 
em determinada localidade, área ou região, sem tratamento taxonômico, com 
ou sem inclusão de outras notas (biologia, hábitos etc.). São geralmente de 
interesse extremamente limitado e na maioria das vezes sõ servem para atrapa­
lhar, devido à inclusão de nomes ou identificações errôneos. Exemplos:
ZIKAN, J, F. & W. ZIKAN, 1944. A inseto-fauna do Itatiaia e da Mantiqueira. Bolm. Min. 
Agric., R b de J. 33(8): 1-50.
Novos registros de distribuição geográfica. Exemplos:
MARÍNI, A. C , 1975. A ocorrência de Psettdoimlaxis (Psettdomalaxis) nobilis (Verril, 1885) 
(Gastropoda, Architectoniddae) na costa brasileira. Papfis avulsos Zool., S. Paulo 29(4): 
27-30.
PENNA-NEME,I_ tc J. L. M. LEME ,1978. Novas espécies e novas ocorrências de gastrópodos 
marinhos na costa brasileira (Prosobranchia, Ncogastropoda). Ibid. 31(8): 283-298. 
ZAJCIW, D., 1967. Longicómeos novos para a fauna do Biasil. III. Revia. bras. Ent. I2x 21-26.
TrabaUws e tratados sobre faunas regionais. São em geral os resul tados parciais 
ou totais de grandes expedições realizadas a determinadas áreas. Alguns destes 
trabalhos são verdadeiramente extraordinários, pois representam quase uma 
monografia da fauna de uma determinada região. Exemplos:
NEW, T. R., 1972. A collection of Psocidae (Psocoptera) from Central Brazil. Arqos. Zool. 22 
(4): 193-237, figs.
PINTO, O. M.deO. &E. A. CAMARGO, 1958. Resultados ornitológicos de quatro recentes 
expedições do Departamento de Zoologia ao Nordeste do Brasil, com a descrição de 
seis novas subespécies. Ibid. 11(9): 193-284.
BRITISH MUSEUM (NATURAL HISTORY), 1929-1951. Diplcra o f Patagônia and South Chile, 
7 partes. London.
GODMAN, F. D. & O. SALVIN, eds,, Biologia CentraU-Amcricana, or, contribiitions to lhe 
knowledge ofthe fauna andflora ofM exico and Central America, 57 vols. London.
67
Estudas sobre distribuição geográfica. Incluem desde pequenas áreas bem 
delimitadas até grandes regiõeszoogeográficas e suas inter-relações. Exemplos:
UNSLEY, E. C., 1958. Geographical origins and phylogenetic affinities of the corambycid 
beetle fauna of Western North America. Zoogeography1958:299-320. 
REBOUÇAS-SPIEKER, R., 1974. Distribution and differentiation of animals along the coast 
and in continental islandsof the State of S3o Paulo, Brasil. 2. Lizards of the genus Mabuya 
(Sauria, Scincidae). Papéis avulsos Zool, S. Paulo 28(12): 197-240,7 pis., 4 mapas, 6 figs. 
SENE, F, M., F. C. do Vai, C. R. VILELA & M. A. Q. R. PEREIRA, 1980. Preliminary data on 
the geographical distribution of Drosophila species within morphoclimatic domains of 
Brazil, ibid. 33(22): 315-326,1 mapa, 3 tabs.
VANZOLINI, P. E , 1974. Ecological and geographical distribution of lizards in Pernambuco, 
northeastern Brazil (Sauria). Ibid. 28(4): 61-90,1 pi., 7 mapas, 3 tabs.
VANZOLINI, P. E. & E. WILLIAMS, 1970. South American anoles: The geographic differen­
tiation and evolution of the Anolis chrysolepis species group (Sauria, Iguanidae). Arqos. 
Zool.. S. Pauto 19(1-2): 1-124,5 pis.
3.5 TRABALHOS BIBLIOGRÁFICOS
Listas remissivas (Checklists). São índices de determinados grupos zoológi­
cos que reúnem todos os nomes de seus táxons e arrolam as fontes bibliográ ficas 
mais importantes. Exemplo:
BLACKWELDER, R. E., 1944-1957. Checklist of the coleopterous insects of Mexico, Central 
America, the West Indies and South America. U. S. itatn. Mus. Bull. 185: (1-6): xii + 
1492 pp.
Catálogos. São muito mais completos do que as listas remissivas. Incluem 
geralmente uma referência completa à descrição da espécie, sua localidade-tipo, 
distribuição geográfica, depositório do exemplar-tipo, sinonímia completa e 
demais referências às categorias induídas. A bibliografia levantada num catá­
logo pode ser parcial ou completa. Vários exemplos de catálogos foram vistos 
na Seção 2.6.
Bibliografias. Trabalhos que encerram listas, comentadas ou não, dos tra­
balhos publicados sobre um determinado grupo zoológico ou assunto. Ver 
maiores detalhes nas Seções 2.3 e 2.4.
Resenhas bibliográficas. São comentários, críticas e apreciações sobre um 
determinado trabalho, livro ou tratado. Geralmente as boas revistas trazem uma 
seção inteira dedicada a resenhas (book revieios, Buchsprcchungen etc.). As rese­
nhas são muito úteis para se saber o conteúdo de uma obra não disponível, e 
para se saber quais as novidades que aparecem em matéria de livros, antes que 
seu conteúdo seja indexado nas principais fontes periódicas de referência. 
Exemplos:
68
BERNARDI, N., 1978. (Resenha de ) "The comparative reception of Darwinism, T. E. Click 
ed., 1974, ix + 503 pp. Univ. of Texas Press, Austin & London." Reota. bras. Ent. 22: 
111-113.
GRIFFITHS, G. C. D., 1978. (Resenha de) "The World Oestridae (Diptera), Mammals and 
Continental drift. -N . Papavero, 1977. Series Entomologica, voi. 14. W. Junk,TheHague, 
vii + 240 pp. 75 Dutch Guilders. Syst. Zool. 27(1): 132-133.
3.6 TRABALHOS HISTÓRICOS
Podem cobrir variadíssimos temas, desde uma biografia ou bio*bibliografia 
de um determinado zoólogo até a história de determinadas especialidades 
científicas, países, ou instituições. Exemplos:
EGLER, W., 1963. Adolpho Ducke - Traços biográficos, viagens e trabalhos. Bolm. Mus.;m a.
Emilio Goeldi (N. S.), Botânica 18:1-129.
STUDER, T., 1917. Prof. Dr. Emil August Goeldi. Verh. schweiz. naluif. Ges. Zürich 1917:1-24. 
WILSON, H. F. & M. H. DONER, 1937. The historical development o f insect classification, ii + 
133 pp., 28 figs. John S. Swift Co., Inc, St. Louis, Chicago, New York, Indianapolis. 
CARVALHO, C T. de, 1965. Comentários sobre os mamíferos descritos e figurados por 
Alexandre Rodrigues Ferreira em 1790. Arqos. Zool., S. Paulo 12:7-70.
WILUNK, A., 1969. Contribution a Ia historia de la entomologia argentina. Unio. Nac.
TucumSn, Fund. Inst. Miguel Lillo, Misc. 28 :1-30.
WHITEHEAD, P. J. P., 1969. Zoological specimens from Captain Cook's voyages. /. Soc.
Biblphy nat. Hist. 5(3): 161-201,3 pis.
RILEY, N. D., 1964. The Department o f Entomology o f the British Museum (Natural History), 
1904-1964. A brief historical sketch, 48 pp. PubL by the XIIth Int Congr. Ent, London. 
PAPAVERO, N., 1971-1973. Essays on the history o f neotropical dipterology, with special reference 
to collectors (1750-1905), 1: vii + 216 pp., 1971; 2: iii + pp. 217-446, 1973. Museu de 
Zòol<>gia, Universidade de S3o Paulo.
3.7 TRABALHOS SOBRE TÉCNICAS E MÉTODOS
Induem uma grande variedade de assuntos, desde técnicas de coleta e 
preparação (Vide Capítulo 1) até métodos de estudos e pesquisas zoológicos. 
Exemplos:
MILWARD-DE-AZEVEDO, E. M.V.&J.L. de OLIVEIRA,1980. Um novo suporte e métodos 
para estudos em timiddeos parasitos de aves em laboratório (Hemiptera, Cimicidae). 
Reota. bras. Ent. 24(1): 53-57.
SOUZA, H. M. L. de, A. E. PIEDRABUENA & O. H. O. PAVAN, 1978. Biologia de Ceratitis 
capitula (Wicdemann) (Diptera, Tephritidae). Um novo meio artificial de criação para 
produção em massa. Papéis avulsos Zool., S. Paulo 31(13): 213-220.
SCHMIDT, O., 1977. Sobreo uso da largura da cabeça em substituição à espessura corporal como 
um critério sistemático nos Scolecophidia {Serpentes). Ibid. 31(10): 169-172,3 gráfs.
4. ITENS DA PUBLICAÇÃO TAXONÓMICA
Nelson Papavero 
Ubirajara R. Martins
Antes de preparar um artigo para publicação é recomendável estudar as 
normas editoriais da revista para a qual será enviado. Estas normas variam 
enormemente de revista para revista. Poupa mui to tempo e trabalho, tanto para 
o autor como para o editor, o artigo que está conforme as regras da revista.
Recomenda-se também que o autor peça sempre aos colegas, principal­
mente aos mais calejados e experientes, que revejam seu manuscrito.
Existe uma enorme quantidade de livros e artigos a respeito da preparação 
de trabalhe» científicos, editoração, métodos de pesquisa, apresentação de 
resultados e outros tópicos afins. Entre outros, citaremos: Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (1977); Associação Paulista de Bibliotecários (1972); Asti 
Vera (1979); Cervo & Bervian (1979); Craig (1980); Ramón y Cajal (1979) e Reis 
(1944). Particularmente agradáveis de ler e extremamente bons para este assun­
to são os livros de Barrass (1978) e Rey (1972).
4.1 LÍNGUA
Deve ser adotada a do público para o qual se destina o trabalho. Habitual­
mente, a composição tipográfica do trabalho em línguas estrangeiras custa mais 
caro; entretanto, facilita a divulgação no exterior, principalmente se o trabalho 
contiver idéias ou novas hipóteses e teorias. A publicação de novas espécies
i
70
podeser feita em vernáculo,pois a grande maioria dos especialistas estrangeiros 
consegue ler descrições taxonómicas em várias línguas.
4.2 EXTENSÃO
O trabalho apresentado de modo extremamente conciso e preciso traz, 
entre outras, as seguintes vantagens: economia, leitura facilitada, fa voredmento 
da confecção de resumos, cópias e traduções.
O custo de impressão está cada vez mais proibitivo. Entretanto, principal­
mente em taxonomía, não se deve sacrificar um texto, como o de uma revisão, 
uma monografia etc., por razões de economia. Evite-se sobretudo introduções 
inúteís, prolixidade, frases frouxas, repetições, detalhes supèrflue» e ilustrações 
e tabelas desnecessárias. O problema das tabelas, especialmente, é crónico. Há 
trabalhos de poucas páginas de texto e uma infinidade de tabelas; um tratamen­
to estatístico dos dados ou a publicação destes em poucas tabelas realmente 
indispensáveis tomam o trabalho muito mais apresentável.
O autor deve ter sempre em mente o trabalho que representa ser o redator 
ou o editor de uma revista. Uma visita a uma tipografia, para ver o que é o 
trabalho de compor e rever uma publicação, deveria ser obrigatória para o 
taxonomista antes que este começasse a publicar!
4.3 ITENS DA PUBLICAÇÃO
4.3.1 Título
Para fins práticos (indexação e catalogação) é a parle m ais importante de 
um trabalho, pois é o título que "vende" o artigo do especialista, por aparecer 
nas fontes de referência e bibliografias. Um título daro, preciso e convincente 
faz com que um zoólogo se interesse em ler o trabalho.
O título deve ser o mais concisoe preciso possível, sem danos à informação 
que deve transmitir. Os seguintes elementos devem constar obrigatoriamente:
• O assunto tratado (taxonomía, morfologia, biologia, distribuição etc., do táxon 
tratado).
• O nome da categoria estudada.
• Indicação da classificação do táxon estudado (entre parênteses).
• A área geográfica tratada.
Alguns exemplos de títulos:
"A taxonomic revisión of the World Smodidni (Coleoptera, Cerambyddae)." 
"Variabilidade geográfica de Erodiscus virgnlus (Fabricius, 1801) (Coleóp­
tera, Curculionidae) na Hiléia Amazônica."
71
"Descrição dos estágios imaturos e ontogenia de Oncideres guttulata 
Thomson, 1868 (Coleoptera, Cerambycidae)."
Títulos vagos ou imprecisos como os abaixo não podem ser publicados 
(apesar de terem sido!):
"Um novo Acoela";
"Estudos em Insecta";
"Coleópteros nocivos";
"Notas sinonímicas";
"Coléoptères du globe en partie nouveaux";
"Notes et descriptions";
"Insectos de varias procedências".
4.3.2 Nome(s) do(s) autor(es) e da instituição
O autor deve manter sempre a mesma forma para seu nome, a fim de 
facilitar a indexação e o acompanhamento de sua obra ao longo dos anos.
Os prenomes podem vir por extenso (se não forem demasiados) ou abrevia­
dos; autores com sobrenomes muito comuns podem usar os prenomes por 
extenso, para evitar confusão com algum outro autor que tenha as mesmas 
iniciais.
Autores com sobrenomes múltiplos devem evitar usar uma quantidade de 
nomes - escolham um só, para facilitar a citação bibliográfica; por exemplo, M. 
Araújo Monteiro Guedes da Silva Ramos pode passar, sem prejuízo algum, a 
assinar simplesmente M. Ramos, ou, se insistir no inútil encarrilamento de 
iniciais desperdiçadas, M. A. M. G. da S. Ramos.
As mulheres que iniciam a publicar quando solteiras, após casadas podem 
manter o mesmo nome nas publicações ou acrescentar a este o nome do marido, 
separado por um hífen; por exemplo, a Srta. M. E. J. da Silva passa a ser a Sra. 
M. E. J. da Silva-Fonseca. Este processo facilita grandemente a confecção de 
bibliografias e o acompanhamento ininterrupto da produção da autora.
Se existem vários autores para um mesmo trabalho, a ordem dos nomes 
deve traduzir a contribuição de cada um: quem contribuiu mais é citado em 
primeiro. Se as contribuições forem equivalentes, virão os nomes arranjados 
alfabeticamente.
A instituição do autor e respectivo endereço podem vir imediatamente 
abaixo do nome ou em nota de rodapé.
4.3.3 Conteúdo ou sumário
Costuma-se diferençar entre conteúdo ou sumário (lista dos capítulos e 
subcapítulos de uma obra) do índice (que geralmente vai ao fim da obra e lista 
os nomes ou tópicos nela contidos).
72
Em livros é costumeiro, e em artigos mais extensos aconselhável, a par do 
resumo, que se forneça logo no início uma lista dos capítulos e subcapítulos em 
que se acha dividida a publicação.
4.3.4 Resumo
O resumo geralmente vai à frente do trabalho, para facilitar aos leitores a 
pjonta consulta. Pode ser na própria língua em que vai escrito o trabalho ou em 
outra de melhor penetração internacional.
Deve ser escrito em termos bem objetive». Alguns autores colocam logo 
no inído do resumo uma lista de palavras-chaves ou unitermos, para tomar a 
indexação do artigo mais fáciL
Do resumo constam: o objetivo e o resul tado do trabalho. No caso de novos 
táxons, se possível, dar-se-á uma lista das novas entidades com sua respectiva 
localidade-tipo.
Após o titulo, é o resumo a parte mais importante, pois é a única que 
geralmente lêem os outros espedalistas. Autor algum pode dar-se a ilusão de 
que seu trabalho será saboreado com todo o vagar eprazer mereddos por outros 
espedalistas. Para manter-se em dia com a literatura zoológica, o taxonomista 
tem que literalmente "devorar" semanalmente dezenas de artigos, e isto só é 
possível se ler apenas o resumo da maior parte das publicações.
4.3.5 Rodapé
É costume induir-se na primeira página do artigo um pequeno rodapé, 
que pode conter as seguintes informações: o nome e o endereço da instituição 
a qual pertence o autor; a agênda financiadora da pesquisa e o número do 
processo da bolsa do pesquisador; no caso de trabalhos em série,°uma referênda 
ao nome da revista, volume, páginas e datas, onde foram publicadas as partes 
anteriores do trabalho.
Fora este tipo, evitar todos os outros rodapés nas outras páginas do 
trabalho - são extremamente cacetes de compor, atrapalham a leitura etc. É 
preferível substituí-los por notas (se absolutamente indispensáveis) apenas ao 
final do artigo.
4.3.6 Introdução e histórico
Uma pequena introdução dedarando qual o objetivo do trabalho, as razões 
para o estudo a ser feito, ou algo sobre o material estudado, desde que não 
indispensável, é sempre útil.
Hm trabalhos de maior fôlego, é utilíssima uma pequena resenha histórica 
do desenvolvimento dos conhecimentos sabre o grupo taxonómico em questão - 
não somente para situar melhor a contribuição pessoal do autor, como também 
para facilitar ao leitor uma melhor compreensão e apreensão dos problemas, 
principalmente das inúmeras mudanças nomenclatura is pelas quais passaram 
as diversas entidades estudadas.
4.3.7 Siglas e abreviaturas
As siglas das instituições das quais se estudou o material devem ser 
incluídas. Não há para as instituições zoológicas do mundo uma lista padrão 
de siglas, como no caso da botânica ("Index Herbariorum", 5° ed., compilada 
por J. Lanjouw & E. A. Stafleu). Cada autor utiliza suas próprias siglas. Uma 
lista de 245 instituições de todo o mundo foi preparada por
GRIFHTHS,G. C. D., 1980. Prcface,pp. i-xiii, in seu Flicsoflhe Nearctic Región J(l)(Handbook;
History of Nearctic Dipterology by A. Stone): xiii + 62 pp., ilus. E. Schweizerbart'sche
Verlagsbuchhandlung (Nãgele u. Obcrmillcr), StuttgarL
As abreviaturas citadas no texto, principalmente as relativas a termos 
morfológicos, devem vir, assim como as siglas, listadas alfabeticamente, com 
sua respectiva explicação, logo no início do trabalho, seja em seção própria, seja 
na de material e métodos.
4.3.8 Material e métodos
Em trabalhos de maior porte é útil incluir uma nota sobre os métodos 
(teóricos e práticos) utilizados.
Só se menciona um método se for novo ou pouco usual no grupo que está 
sendo estudado. Técnicas bibliográficas, a terminologia empregada e quaisquer 
outros detalhes relevantes podem ser incluídos.
Pode-se mencionar apenas o nome da técnica utilizada, se bastante conhe­
cida, ou uma referência bibliográfica. Descrições detalhadas de métodos e 
técnicas, só se originais.
Omaterialestudado,quandoprovenientedeváriasinstituiçõesou distinto 
por qualquer peculiaridade (extremamente raro, de valor histórico, importante 
filogeneticomcnte etc.) deve ser mencionado.
Pode-se incluir aqui qualquer outro detalhe, cuja repetição demasiada no 
texto, por enfadonha, possa ser eliminada. Assim, porexemplo, se todos os tipos 
das espécies novas descritas no trabalho estiverem depositados numa mesma 
instituição, fazer essa declaração em "material e métodos" e não repetir a mesma 
coisa após cada descrição.
74
4.3.9 Agradecimentos
De acordo com as normas de cada revista (ou ausência delas) vão ou no 
começo ou no fim.
Devem ser extremamente breves c discretos, sem arroubos emotivos e 
grandiloqüência. Induem todos os que ajudaram com empréstimo de material, 
na elaboração do manuscrito, na orientação ou planejamento da pesquisa, ou 
em seu fmandamento.
Aos que ajudaram na parte material da preparação (ilustração, da ti logra fia 
etc.) agradece-se sempre pela colaboração.
4.3.10 Divisão do texto
Textos muito extensos ou diversificados tomam-se muito melhor com­
preensíveis c agradáveis de ler se se adotar uma divisão em capítulos e subca- 
pítulos, com uma numeração subordinada, como neste livro.
4.3.11 Corpo do texto
Varia muito com o tipo de trabalho. Para trabalhos taxonómicos em geral 
inclui:
• Definição da categoria mais alta induída (classe, ordem, família etc.).
• Chave(s) para as categorias imediatamente abaixo(ordem, família, gênero 
etc).
• Sinonimia e descrição dessas categorias; para os gêneros, menção da espéde- 
tipo e discussão taxonómica (comparação com outros gêneros relacionados).
• Chave(s) para as espécies de cada gênero.
• Sinonimia e descrição das espécies: declaração da localidade-tipo; depositório 
dos tipos (seconheddo);distríbuiçãogeográficaou lista do material estudado; 
hospedeiroou outros dados biológicos; idade, formação geológica etc, no caso 
de fósseis; e uma discussão taxonómica.
• Dados numéricos, ou algum tratamento matemático (desses dados).
4.3.12 Sinonimia
É aconselhável a inclusão de uma lista sinonímica para cada categoria 
tratada. A extensão da lista variará de acordo com a necessidade e o tempera­
mento do taxonomista, e com a existênda ou não de catálogos bibliográficos 
recentes. Revisões e monografias merecem uma listagem sinonímica mais
75
exaustiva. Um trabalho mais curto pode apresentar apenas a referenda às 
descrições originais e uma ou mais referências a trabalhos mais importantes 
sobre a categoria.
Algumas listas de referências sinonímicas são tão grandes que é melhor 
não induí-las; uma referênda a um catálogo, mesmo se antigo, poupa muito 
tempo e papel.
Um parêntese para uma curiosidade: talvez a sinonímia mais longa do 
mundo seja a doTachinidae (Diptera) Phryxe vulgarís Fatlén, possui 257sinôni­
mos, dos quais 246 descritos por um único autor (Robineau-Desvoidy, 1863), 
em uma mesma obra!
A lista sinonímica pode induir ou não a abreviatura das publicações. Deve 
ser feita rcunindo-se num mesmo parágrafo todas as referendas a uma mesma 
combinação, e não listandocronologicamente referência por referência, uma em 
cada linha; este segundo processo é um tremendo desperdício de espaço. 
Alguns exemplos de dtação:
Para gêneros
Gênero Cyriophrys Locw
Dasypogo», subg. Cyriophrys Loew, 1851:3. Espécie-tipo, atlenualus Locw (mon.). 
O/r/0/>ftrys;Williston, 1891:74;Carrera, 1949:121;Hull, 1962:250, figs. ]80(anlcna),552 (asa, 
erro; a asa representada não pertence a Cyriophrys), 566 (asa), 1901,1100 (cabeça), 1893 
(tcrmináUa da fêmea); Martin & Papavero, 1970:30 (cat.).
Myo/íSííS Brèthes, 1904:338. Espécie-tipo, /y»icft/7 Brilhes (mon.). N. SYN.
Myiolcslcs Kcrtész, 1909:123, emend.
M/roíes/cs Curran, 1935:1 (nom. nov. injustificado para Myolesles Brèthes, com a assertiva dc 
estar pré-ocupado por Cabanis, 1851; em verdad«, só a emenda dc Kcrtész está 
pré-ocupada por Bonaparte,1850). Espéde-tipo, Myaleslcs lynchii Brèthes (aut.).
As citações dos trabalhos referidos na lista sinonímica aparecerão então 
no final desse trabalho sob "referências". Quando se induem as abreviaturas 
das publicações, pode-se ou não Induf-las novamente nas "referências" ao fim 
do trabalho por extenso:
Gênero Senobasis Macquart
Senolasis Macquart, 1838, Dipt exot. nouv. peu connus 1(2): 52 (1839, Mém. Soc. r. Sri. Agríc. 
Arts Lille 1838(3): 168). Espéde-tipo, analis Macquart (Bromley, 1934, Am. Mus. Nov. 
113:332).
Stojoiujis Agassiz, 1846, Nomend. zool.: 138, emend.
Astylium Rondani, 1850, Nuovi Ann. Sei. nat. Bologna (3); 2: 185. Espécic-tipo, claoigcr 
Ronda ni (des. orig.).
LodtHcs Schiner, 1856, Verh. zool.-bot. Gcs. Wien (Abhandl.) 16:655 (1868, No vara Rcise: 163) 
(pré-ocupado. Cabanis & Heine, 1860). Espécie-tipo, Laphria oniata Wicdemann (des. 
orig.).
76
Lochitomyia Brèthes, 1925, Revta. chil. Hist nat. 28:105 (nom. nov. para Lochitcs Schiner). 
Espécie-tipo Laphria órnala Wicdemann (aut).
Para espécies
Cyrtophrys attenualus (Loew)
Dasypogon (<Cyrtophrys) attenualus loew , 1851:3. Localidade-tipo: 'Brasil" (provavelmente 
Rio de Janeiro, Nova Friburgo; cf. Papayero, 1971:88). Tipo fêmea, ZMB (Zoologisch 
Museum der Humboldt-Universitãt zu Berlín).
Dioctria lertuis Walker, 1851: 86. Localidade-tipo: "South America". Tipo fêmea, BMNH 
(BRITISH MUSEUM (Natural History), Londres) (examinado em 1970). Refs. - Witlis- 
ton, 1891:69 (cat); Kertész, 1909:114 (cat). N. SYN.
Cyrtophrys allenuatus; Williston, 1891:74 (cat; como do "Chile" oro).
MiroiestesbarbielliniiCunan, 1935:1. Localidade-tipo: Brasil, São Pauto. Tipo macho, AMNH 
(American Museum of Natural History, New York). N. SYN.
Mirolestcs tenuis; Martin & Papavero, 1970:31 (cat).
4.3.13 D!agnose, descrição, redescrição
Linnaeus distinguia entre uma descriplto geral, ou descrição propriamente 
dita, baseada em characteres naturales, e uma differentia specifica, baseada em 
characteres cssentialcs. Esta última continha "os caracteres essenciais pelos quais 
uma espécie se distingue de sua congênere". É o que corresponde ao termo atual 
diagnose.
A diagnose, ou diagnose diferencial, é uma breve enumeração dos carac­
teres ou combinações de caracteres mais importantes, peculiares a uma dada 
unidade, e pelos quais esta difere de outras unidades semelhantes ou relacio­
nadas.
A diagnose é extremamente útil, por facilitar õ reconhecimento de uma 
nova entidade. Pode ser indufda no trabalho logo após a lista sinonímica e an tes 
da descrição propriamente dita, ou ser eliminada quando há uma chave para 
identificação, pois esta nada mais é do que um arranjo comparativo de diagnoses.
A descrição é muito mais completa e extensa e inclui tanto caracteres 
diferenciais da unidade como caracteres que esta apresenta em comum com as 
outras. A descrição que acompanha a proposição de um nome novo, de qual­
quer categoria, é chamada descrição original; serve não só para possibilitar a 
identificação e reconhecimento da nova entidade, como para tomar esse novo 
nome válido, de acordo com o Capítulo IV do Código ¡nlemacioital de Nomencla­
tura Zoológica.
A maior parte das descrições originais antigas, mormente de invertebra­
dos, não permitem a identificação ou o reconhecimento das categorias propos­
tas. Isto faz com que os taxonomistas tenham que reestudar esse material.
principalmente pelo exame dos tipos e descreverem novamente essas entidades. 
Temos então como resultado as redescrições de unidades taxonômicas.
Vejamos, por curiosidade, apenas dois exemplos de descrições antigas:
(a) Descrição de Canis familiaris por Linnaeus (1758):
C. cauda (sinistrorsum) recurvata
Habitat saepius cum hommum passim, etiam spontaneus evasit
Caput vertice carinatum. Labium inferíus Iateribus denta tis nudis occultatum. Mystaces ordi- 
nibus 5. s. 6. Nares extrorsum recurvato sinu lunares. Aurículae margine bascos supe- 
riore reflexo; posteriore duplicato: antico tritobo. Verrucae faciei pilosae 7. Sulurae 
vclleris 8: collares, stemea, cubitalis, abdominal«, oculares, lumbares, auriculares, 
anales. Mamnue 10: harum quatuor in pectore. Pedes subpalmati.
Edil carnes, vegctabilia farinosa, non olcra. Digerit ossa; Vomitu a gramíne purgatur, cacat 
supra lapidem: Album graecum,septicum summum. Potat lambendo, mingit ad latus, 
cum hospitesacpc ccntics, odorat anum altcrius, odoratu excellit naso humido. Levis- 
simc incedit supra digitos, vix sudat, calidus linguam exserit, cubitum iturus circumit 
locum, dormit auditu acutiore, somniat Prods rixantibus cruddis, catullit cum variis, 
mordit illa illos, cohaeret copula junctus; gravida 63 diebus, pari t saepe 4 ad 8, masculis 
patri similibus, femíneis malrí. Fidissimus omnium, odit ignotos, mordet projecfum 
lapidem, ad musicam ululat Lntrat in peregrinos, excepto cane Amerícac australis; a 
Mahometanis rcjcctus.
(b) Descrição original de Sdoniyza patagoniensis por Macquart (1850)
Fuscana, Tharace albido villato. Fronte aurmitiaco. Pedibtn lestaceis.
Long. 21 /41. s. Palpes fauves. Face d'un fauve noir, ò duvet blanc. Front orangó; une petite 
tache noire au vertex. Antcnncs fauves; styte nu. Thorax d'un brun noirátre, à bandes 
blanchâtres étroites; cõtés ccndrés. Abdômen brun. Pieds tcstaoás; culssc et jambes 
brunâtres à l'extr£mité; tarses noirâtrcs. Ailes à base et bord extérieur jaunâtres, 
Patagonie. M. d'Orbigny, Muséum.
Uma descrição moderna pode ser tão sucinta como a de Macquart, ou 
ocupar até mais de uma dezena de páginas, com várias pranchasde ilustrações. 
O tamanho de uma descrição não é padronizado - vai variar com o que é 
habitual no grupo, com a necessidade e com o temperamento do autor. É 
impossível descrever todos os caracteres de um animal; sempre se descobrem 
caracteres "novos" que obrigam ao reexame do material.
Alguns autores gostam de utilizar um "formulário" padronizado, impres­
so, para descrever espécies; constam destes formulários uma seqüência de 
caracteres com espaços em branco que serão preenchidos ao se estudar um 
exemplar; assim têm-se descrições padronizadas, que mostram para todas as 
espécies o mesmo número de caracteres.
Ao fazer uma descrição evita-se ao máximo verbos e artigos "cabeça mais 
larga que o tórax, sulcada, vermelha anteriormente, preta nas órbitasetc." e não 
"a cabeça é vermelha e sulcada etc.".
78
Os caracteres devem ser descritos numa certa seqüência (que variará de 
grupo para grupo); mas, em geral, usa-se começar pela cabeça (se houver) 
terminando pela genitália (idcm) e, para cada segmento do corpo, da parte 
dorsal para a ventral. É extremamente útil fazer-se a descrição de cada segmento 
do corpo em um parágrafo independente. Assim, para um inseto teríamos os 
seguintes parágrafos:
• Cabeça.
• Tórax (pode-se incluir aqui a descrição das asas e pemas, ou tratar desses 
apêndices também em parágrafos separados).
• Abdômen.
• Genitália (pode-se tratar em parágrafos diferentes a masculina e a feminina).
Nas descrições incluem-se todos o s dados possíveis, como variações, 
características exclusivas de alguns exemplares, principalmente se forem tipos 
e tc Sempre que possível, incluir formas imaturas, hábitos etc.
Após a descrição, segue-se uma breve discussão dos caracteres taxonômi- 
cos, que a diferenciam de espécies semelhantes, e a lista do material examinado.
4.3.14 Descrição de cores: código de cores
As cores desempenham papel preponderante nas descrições e são impor­
tantes para a identificação da grande maioria dos grupos de vida terrestre; são 
indispensáveis para o reconhecimento de subespécies, morfos etc, A termino­
logia é que cria problemas - não há praticamente dois autores que empreguem 
o mesmo termo para uma certa cor; os matizes e combinações são tão difíceis 
de descrever que por vezes dá-se apenas lima descrição muito sumária dos 
padrões de colorido.
Para certos casos é indispensável usar um "código de cores", em que cada 
tom é numerado e amostrado, podendo ser comparado com a cor do animal. 
Os códigos de cores mais utilizados são:
KÜPPERS, H., 1979. Alias de los colores, 161 pp. (Trad. de Feliz dc la Fiente), Editorial Blume, 
Barcelona.
RIDGWAY, R., 1912. Catorstandards and color iiontcnclal uri, 44 pp., 53 pis. (com 1.115 cores).
A. Hocn Co., Washington.
SÉGUY, E., 1936. Code uuiverscl dcs couhiirs, Ixvítí +■ 48 pis. (com 720corcs). Paul Lechcvalier, 
Paris,
VILLALOBOS DOMÍNGUEZ, C.&J. V1LLALOBOS, 1947. Atlas de los colores, xv + 74 pp., 38 
cartões coloridos, 2 pis. (7.279 amostras dc cores). El Aícnco, Buenos Aires.
4.3.15 Dados numéricos
São extremamente importantes por várias razões:
79
• ajudam a dar maior precisáo às descrições; em vez de se dizer "de tamanho 
m édio", deve-se expressar o comprimento em milímetro;
• não há dois espécimes iguais na natureza e o estudo das variações dos táxons 
é imprescindível para sua adequada descrição e reconhecimento; principal­
mente no caso do grupo da espécie, dados numéricos e seu tratamento 
m atemático (estatístico) são indispensáveis em certos casos.
As medidas fazem-se diretamente sobre o exemplar ou sobre seu desenho, 
e podem ser tomadas, de acordo com o tamanho do espécime, com régua 
milimetrada, compasso, ocular milimétrica, paquímetro etc. Dados numéricos 
simples são apresentados no decorrer da descrição ou em tabelas ou gráficos. 
Dados m ais complexos necessitam de tratamento estatístico. Há uma infinidade 
de textos que se ocupam desta área, alguns dos quais apresentamos a seguir, 
numa lista não crítica:
CAMPBELL, R. C., 197$. Statistics fo r bhúoghts, xiv + 385 pp. Cambridge University Press, 
London.
СОЩ, A. J.,ed., 1969. Numerical taxonomy. Proceedings oftheCoIloquittmin NuiitcrkaiTaxonon.y 
held in the University of Si. Andrews, September, 1968, xv + 324 pp. Acadcmic Press, 
London & New York.
FELLER, W., 1976. Introdução â Içaria das probabilidades e suas aplicações. Parle 1 - Espaços 
amostrais discretos, (xi) + 231 pp. Editora Edgard Blíicher Ltda., São Paulo.
HOCG, R. V. & A. T.CRAIC, 1970. Introduction to mathematical statistics, x +415 pp. Macmillan 
Publishing Co. Inc., New York & Collier Macmillan Publishers, London.
LEME, R. A. da S., 1965. Curso de estatística, elementos, 292 pp. Ao Livro Técnico, S. A. Rio de 
Janeiro.
MATHER, K., 1969. ElementDStlcbiomctria,(W)+209pp. Editora da Universidade deSão Paulo 
& Editora Po!fgono,São Paulo.
MATHER, К. Ь И A, FISHER, 1947. Statistical analysis in biology, 267 pp. In terse icncc 
Publishers, Inc. New York.
MEYER, P. L., 1969. Probabilidade. Aplicações h estatística, xiv + 391 pp. Ao Livro Tfcnico S. A.
ic Editors da Universidade de S3o Paulo, Rio dc Janeiro.
MOOD, A. M. & F. A. CRAYBILL, 1963, Introduction to the theory o f statistics, xv + 443 pp.
McGraw-Hill Book Co., Inc. & Kogakusha Co., Ltd., New York & Tokyo.
MORETTIN, P. A., 1975. Introduçilo à estatística, iv + 166 pp. Instituto dc Matemática с 
Estatística, Universidade dc 59o Paulo, São Paulo.
SIEGEL. S., 1979. Estatística nilaparamêtrica ;wra as ciências do comportamento, (xvi) + 350 pp.
Editora McGraw-Hill do Brasil Ltda., São Pauto.
SIMPSON, G. G. & A. ROE, 1939. Quantitative zoology. Numerical concepts and methods in the 
study o f recent and fossil animais, xvii + 414 pp. McGraw-Hill Book Co., Inc., New York 
& London.
SNEDECOR, G. W. & VV. G. COCHRAN, 1973, Statistical methods, xiv + 593 pp. The Iowa 
State University Press, Ames.
SOKAL, R. R.& F./. ROHLF, 1969. Biometry. The principles and practice o f statistics in biological 
research, xxi + 776 pp. W. I t. Freeman ti Co., San Francisco.
80
É utilíssimo também que os interessados em estatística e áreas correlatas 
consultem íambdm a revista BIOMETRICS, Journal ofth e Bbm etric Society, Richmond, 
Virginia, que traz sempre artigos de grande interesse para os taxonomistas.
As medidas devem ser sempre dadas no sistema métrico decimal. A 
literatura antiga e a atual literatura anglo-americana, por vezes, adotam outros 
sistemas. Apresentamos, a seguir, tabelas para a conversão dessas medidas.
Tabela 4.1 - Pesosem edidasinglesesenorte-americanoscomequivalênciano 
sistema métrico
Medidas de comprimento (Linear measures)
point (p on to )............................................................................................................................ 0,353 mm
line (linha) = 6 points .............................................................................................................2,117 mm
inch (polegada) = 12 lin e s ..................................................................... .................................25399 mm
fool (pi) = 14 in ch es ................................................................................................................ 30.-175 cm
yard (jarda) = 3 feet .................. ............................................................................................. 91,438 cm
fathom (braça) = 6 fe e l............................................................................................................. 3,3287m
rod (vara), pole (pcrcha) ou perch (pcrcha) = 5 Vi yards ........................ ........................ 5,029 m
furlong ........................ . . . ......................................... ..................... 201,17 m
mile (statute) (milha inglesa) = 8 furlongs............... ............................................................ 1609,3 in
nautical mile ou knot (mitha níutica ou nó) ...................................................................... 1853 m
land league (l£guaterrestre) = 3 m iles.................................................................................. 482S m
marine leaguv(lfgua marítima) ........................................................................................... 5559 m
Medidas de superfície (Square measures)
square inch (polegada quadrada) ........................................................................................ 6,452 cm2
square foot (pé quadrado)...................................................................................................... 929 cm2
square yard (jarda quadrada)................................................................................................. 0,836097 m3
square rod, pole ou perch (vara ou pcrcha quadrada)....................................................... 25,29 m1
squaremile (milha qu adrada)..............................................................................................2^898 km2
M ed id as d e volu m e (Cubic measures)
cubic inch (polegada cú b ica )......................................................................... ..................... 16,387cm3
cubic foot (p í c ú b ic o ) ........................................... ............................................................... 0,028
cubic yard (jarda c ú b ic a ) .......................................................................................................
M ed idas d e cap acid ad e (Cíijvjd/y »iwisurcs)
g i l l ............................................................................................................................................. 0,1421
American g i l l ........................... ................................................................................................0,1181
pinl = 4 gills............................................................................................................................... 0,56791
American p i t u .........................................................................................................................0,47321
qu*rt = 2 p i n t s ........................................................................................................................ 1,13651
American quart........................ .. .............................................................................................0,94631
gallon (galio) = 4 qua r ts ................................................................................................... ... . 4,54601
American g a llo n ..................................................................................................................... 3,78531
81
C ontinuaçA o______ _______________________
M ed id a s d e agrimensor {Survey's measures)
link = 7,92 inches............................................................................................................................ cm
chain = 100 l in k s .................................................................................................. 20,12 m
mile = 80 c h a in s ............... ....................................................................................................... 1609,3 m
acre = 10 square c h a in s .......................................................................................................... 0,4047 ha
Secos (Drygoods)
flint............................ ................................................................................................................... 0,56791
American pin! .......................................................................................................................... 0,55061
quart = 2 p i n t s ......................................................................................................................... 1,13651
A m e r ic a n q u a r t .................... ... .......................................................................... ...........................................................1 ,1 0 1 2 1
pesos eminlupois
grain ( g r io ) ............................................................................................................................. . 0,0643 g
dram (dracma).......................................................................................................... 1,772 g
ounce(on(a) = 16drams. ........................... ..............................................................28,3495g
pound (libra ou a r r ilc l) .......................................................................................................... 453,59 g
stone = 14 p o u n d s................................................................................................................... 6,3503 kg
hundredweight (quintal inglis) = 112 p o u nd s................................................................... 50302 kg
American hundredweight = ]00 p o u n d s...................... , . .............................................. 45,359 kg
long ton (tonclada inglcsa) = 2240 p o u n d s......................................................................... 1016,0416 kg
short ton (tonelada amcricaru) = 2000 pounds................................................................... 907,18 kg
Pesos frciy (para m eta is preciosos e genus)
grain (1/24 dcum pennyweight)........................................................................................... 0,06477 g
carat (quilatc) - 4 grains........................................................................................ ................ 0,25908 g
pennyweight (l/20de ounce) .............................................................................................. 1,55456 g
ounce (1/12 de pound) = 20 pennyweights......................................................................... 31,1035 g
pound a 12 ounces troy ou 5760 g ra in s ........................ ...................................................... 373,24 g
Pesos de farmácia (Apothecary weights)
scruple (escrúpulo)..................................................................... ................. ...........................l,296g
d ram (dracma) = 3 scruples.................................................................................................... 3,888 g
ounce (onça) ■ 8 d ra in s .......................................................................................................... 31,1035 g
pound (libra ou arrátel) = 12 apothecary ounces................................................................ 373,24 g
Outras medidas de capacidade (mmos usuais)
imperial gallon............. ......................................................................................................... 4,5334581
peck = 2 gallons....................................................................................................... 9,0669161
bushel = 8 g a llo n s ................................................................................................................... 36,3476641
sack = 3 bushels ....................................... .............................................................................. 100,090431
combe a 4 bushels ................................................................................................................... 100/15391
quarter o 8 bushels................................................................................................................... 290,78141
chaldron = 12sacks ................................................................................................ ... 1303,5161
wey ou load = 5 q u arters .................................................................................... ... 1453,90611
(para sal ou trigo; 17451 para aveia; 82,56 kg para la, entretanto) 
Ust = 2 w e y s .................. .. ............................................................ 2707,8131
82
Estas mesmas medidas variam de país para país. Mohr (1938) apresentou 
a seguinte tabela de conversões:
M edidas dinam arquesas
€
1 Faden (braça) = 1883/1508 mm = 1.000/531 m
1 Aten (jarda) = 627,666 mm = 2'
1 '(pé)ts 313,8535 mm = 12"
£ l" (polegada) = 26,15 mm = 12" '
€ 1 " ’ (tinha) = 2,18 mm
€ M edidasfrancesas
€ 1 Toise (toesa) = 1949 mm = 6'
€ 1' = 324,8394 mm = 12"
f 1" = 27X172 mm = 12'"
€
I«, = 2,256 mm
€ M edidas ham burguesas
€ 1 Hite (¡arda) = 573,143 mm = 2’
€ 1' = 286,5715 mm = 12"
€
1 Palm = 95,5 mm = 1/3'
1" _ 23,85 mm = 12"'
€ V" = 1,9875 mm
M edidas ttáuticas
1 Braça 
1'
1"
1'"
50/27 m = 1/1.000 milha marítima = 1,851:1 m 
308,642 mm = 12"
25,72 mm = 12"'
1,6075 mm
M edidas parisienses = medidas francesas 
M edidas prussianas = medidas dinam arquesas 
M edidas rernnas = medidas dinamarquesas
M edidas suecas
1'
lTum
296,9 mm = lOTum
29,69 mm
€
C
83
M edidas austríacas
V = 316,0807
1" = 26,3425
1'" = 2,195
Um dos grandes problemas, principalmente para os entomologistas, são 
as medidas em "íinhas" (1 " ' = 1 linha; Linie, line, ligne) (equivalente a 1/12 de 
polegada). As Iinhas variam grandemente de país para país. Damos aquí urna 
tabela de conversão dos diversos tipos de linhas para milímetros, extraída do 
"W ebster's New International Dictionary of the English Language" (2* ed., 1941, 
vol. 11, p. 1523; G. & C. Merriam Co., Pubis., Springfield, Mass.):
Tabela 4.2 - Conversão de linhas a milímetros
Linha Valor em mm
Austríaca 2,195
Bávara 2JUS
Dinamarquesa 2,18
Espanhola 1,93
Francesa 2,256
Hamburguesa 1,9875
Inglesa 2,12 (2,11 2/3)
Polonesa 2,0
Portuguesa Z29
Russa Z54
Sueca . 2,97
Suíça 2/1833
Inúmeras outras tabelas de medidas poderiam ser dadas, principalmente 
para as náuticas. Todavia, são menos encontradiças na literatura taxonómica e 
o leitor interessado poderá encontrá-las em alguma boa enciclopédia.
4.3.16 Dados de distribuição geográfica
Após a descrição, como já ficou dito, geralmente listam*se os exemplares 
estudados ou dá-se a lista dos tipos designados. Deve-se fornecer essa lista 
numa ordem de norte para sul, citando-se: o nome do país em maiúsculas; o 
nome do estado (ou província, ou departamento, ou equivalente) em itálico; o
84
nome da localidade propriamente dita, o mais completo possível: a data, com 
o número do mês em algarismos romanos minúsculos; o nome do(s) coletor(es) 
entre parênteses; o número e o sexo dos exemplares (se relevante); a sigla do(s) 
museu(s) onde se acham depositados os espécimes.
Exemplo:
'Material examinado. MÉXICO. Nayarik viz. Compostela, vii. 1933 (sem coletor), 1 macho 
(CHM); 1 macho (MZUSP); idem, vi. 1934 (sem coletor), 1 macho (USNM); Tépic. ix. 
1957 (R. &K. Dreisbach), 1 fêmea (CHM); Michoacán: 10 mi. w. Apatzingán, ix. 1960 (C. 
Martin), 3 fêmeas (CHM; um espécime comparado com o síntipo de Bellardi), 2 fêmeas 
(MZUSP); Oaxaca: Taparatepec, viii. 1951 (sem coletor), 1 fêmea (LACM); 3 mi. w. El 
Camarón, viii. 1963 (Parker & Stange), 1 fêmea (CHM); G uem ta Acapulco, ix.? (H. H. 
Smith), 1 macho (AMNH). COSTA RICA: La Suiza deTurrialba, s. d. (Schild), 1 fêmea 
(USNM)."
No caso de designação de tipos, a diferença de enumeração é mínima:
"Holôtipo macho, MÉXICO, Puebhr. s. Matamoros, ix. 1960 (Martin), MZUSP. Pará tipos: 
Mardos: Cuemavaca, hy. 136, km 22, x. 1960 (Martin), 3 fêmeas, 1 macho; id., 44<X) ft, 
viii. 1959 (R. H. & E M. Painter), 2 fêmeas e 1 macho; 18 mi. sw. Cuautla, próx. n. 
Temilpa, ix. 1967 (R. H. & E. M. Painter), 4 machos e 2 fêmeas (um casal no mesmo 
alfinete); 10 mL sw. Cuautla, x. 1968 (R. H. & E. M. Painter), 1 macho; Puebla: 3 mi. n. 
Petaldngo, viii. 1963 (Parker & Stange), 1 fêmea. Depositados no MZUSP e CHM'
Se houver número de registro de coleção, este deve aparecer na listagem. 
Se for uma espécie muito comum ou com séries muito extensas, citar 
apenas o número total de exemplares e uma lista abreviada (país, estado, 
munidpio, localidade propriamente dita) das localidades.
Se a localidade que consta do rótulo original do espédme mudou de nome, 
entrar na lista pelo nome moderno e colocar entre parênteses o que aparece no 
rótulo; ter sempre em mente que o que interessa é a localidade, e não o seu nome 
antigo: é o nome modemo que possibilitará achá-la num mapa e colocá-la num 
mapa de distribuição. Para mais detalhes sobre localidades, ver o Capítulo 5.
4.3.17 Chaves
O objetivo de uma chave é separar e segregar caracteres de tal maneira 
que, por uma série de escolhas alternativas, permita um caminho seguro para 
a identificação de um determinado táxon (Mayr, Usinger & Linsley, 1953:162).
Este é um processo bastante comum cm nossas atividades diárias. Já em 
Levítico (XI, 1-7) encontramos uma espécie de chave:
"E o Senhor falou a Moisés e a Aarão, dizendo: Dizei aos filhos de Israel: Estes são os animais 
que deveis comer entre todos os animais da terra. Dentre os quadrúpedes comereis todo 
o que tem a unha fendida,e rumina. Porém, todo oqueiumina c tem unha, mas nSo fendida, 
como o camelo e outros, não o comereis, e contá-los-eis entre os impuros. O coelho, que 
rumina, mas não tem a unha fendida, é impuro. Igualmente a lebre, potque rumina, 
mas nâo tem a unha fendida; e o porco, o qual tem a unha fendida, mas n3o rumina."
85
Este mesmo trecho pode ser colocado sob a forma de uma moderna chave 
identada (ver adiante):
“Chave dietética pata os quadrúpedes terrestres (apud Levítíco, XI, 1-7):
A. Ruminantes
B. Com unha fendida.............. ... ........................................................ Comestíveis
BB. Sem unha fendida (exemplos: camelo, coelho, lebre)................. Impuros
AA. Não ruminantes
C. Com unha fendida (exemplo: porco) ........................................... Impuros
CC. Sem unha fendida....................................................................... Impuros."
Voss (1952) publicou um interessante trabalho histórico sobre chaves e 
árvores filogenéticas, do qual extraímos alguns dos dados seguintes.
Já no século XVII, em obras de naturalistas como Morison, Ray e Rivinus, 
aparecem quadros sinópticos, permitindo identificar os táxons pelo uso de 
chaves gráficas.
Linnaeus na 10* edição do Systema Naturae (1758) utilizou chaves do tipo 
"quadro sinóptico". Este tipo permaneceu em voga até meados do século XIX:
MAMMALIA
Quadrupedia 
(unguibus amata) 
Dcntibus 
Primoribus
nullis utnnque............................................ Bruta
------superioribus, inferioribus pluribus . . Pecora
duobus; laniariis nultis..............................C/ires
uno p lu rib u s......................... Bcstiae
quatuor . . . Primates
sexobtusis . . Bettuae
pluribus;
laniariis solitariis;primoribus
superioribus
- - - acutis Ferae
Pinna ta (ntutlea absque unguíbus) pinnis
loco pedum instructs................. .................................................. Cete
' > 
■ ì
■ 1
INSECTA
Alae 4
Superiores
Omnes
crustaceae to ta e ..........Coleoptera
semicmstaceae............................. Haemiptera
imbrica tae squam i*...Lepidoptera
mutico . . . . Neuroptera
aculeato . . . Hymenoptera
Alae 2, Halteres loco posticarum........................................... Diptera
Alae Os. absque Alis Sc Ely t r i s ..............................................Aplera
membrana ceae 
ano
ì
1
J
r ì
'ì
86
O termo clavis (chave) foi utilizado pela primeira vez por Linnaeus, em 
1736, com referência a um diagrama em que classificava botânicos, e não 
plantas! O uso explícito de chaves dicotômicas para identificação foi instituido 
pela primeira vez por Lamarck (1778), em sua Flore fraitçaise.
A partir dessa época surgiram inúmeros tipos de chaves para identificação. 
Leenhouts (1966) e Metcalf (1954), entre outros, oferecem uma classificação dos 
tipos mais usuais de chaves.
Os mais encontradiços na literatura são os seguintes:
Chaves com dicotomias em justaposição. O primeiro membro da dicotomia é 
impresso em uma linha e o segundo imediatamente subseqüente. Exemplos: 
Chave para as espécies domésticas de baratas:
1. Barata pequena, comprimento total de 13-14 mm; pronoto com duas faixas longitudinais
pardo-escuras; último estemito abdominal, em ambos os sexos, inteiro...............
..............................................................................................Blaldla germânica
Baratas de tamanho médio,com mais de 2 cm de comprimento; pronoto marcado diferen­
temente, último estemitoabdominal do macho inteiro, da fêmea dividido longitudinal­
mente .............................................................................................................................. 2
2. Comprimento de 18 a 25 mm; cor geral negra ou pardo muito escuro; pronoto dc cor
uniforme; tégminas e asas abreviadas; no macho cobrindo quase metade do abdômen,
na fêmea as tégminas muito cúrtase as asas quase completamente atrofiadas.................
................................................................................................ Blatta oríentalis
Comprimento de 28 a 35 mm; cor geral pardo-avermelhada; pronoto distintamente 
marginado de amarelo; tégminas e asas bem desenvolvidas cm ambos os sexos . . . 3
3. Tégmina com uma faixa amarela submarginal, contrastando com a cor do resto da
superficie; área central do pronoto com duas grandes manchas negras; cercos lanceo­
lados; macho 23,5-25,5 e fêmea 24,5-29 m m ..................................................................
.................................................................................... Pcriptanclanuslmlasiac
Tégminas sem a faixa adma referida; área central do pronoto n3o enegrecida; cercos 
alongadas; macho 30-34 e fêmea 28-34 m m ...................................Pcriplnnctarwicriamn
Em chaves deste tipo com grande número dc dicotomias é conveniente 
induir, logo após o número de uma determinada dicotomia, o número da 
dicotomia anterior que enviou o leitor a esta, para que este não se perca; por 
exemplo, a terceira dicotomia da chave acima seria:
3(2). Tégmina com uma faixa amarela etc.
Tégminas sem a faixa adma etc.
O número entre parênteses indica a dicotomia dc onde veio a chamada 
para a dicotomia 3.
Chaves com as dicotomias agrupadas. Em vez de as duas alternativas virem 
juntas, cada uma delas agrupa sob si todas as outras alternativas coordenadas: 
Chave para os subgéneros orientais de Leplogasler
1(4). Célula anal aberta. Um tufo de pêlos isolados no 1/3 ventral do fêmur 3 ausente.
2(3). Tíbia 3 externamente sem cerdas ou, no máximo, com 1 cerda apical externa e 1-2 finas 
cerdas medianas. Terceiro artfculo antcnal curto. Lc/ilogíistcr s. s.
87
3(2). Tíbia 3, cm seu lado externo, com uma fileira completa dc cerdas mais ou menos fortes.
Terceiro artículo antenal 4 ou mais vezes mais longo que largo . . . . Mesoíeptcgasler 
4(1). Célula anal fechada ou pedolada na margem da asa. Terceiro artículo antenal 4 ou mais 
vezes mais longo que largo.
5(8). Fêmur 3 sem pêlos.
6(7). Tíbia 3, externamente, sem cerdas ou no máximo com 1 cerda apical e 1-2 medianas.
Tufodepêlosnoladoventraldofêmur3completamenteausente ■ . • Ammophitomim 
7(6). Tíbia 3, externamente, com uma fileira completa de cerdas mais ou menos fortes. Tufo
de pêlos no lado ventral do fêmur 3 freqüentemente presente................... Lagynogasler
8(5). Fêmur 3 longamente piloso em ambos os lados. Tíbia 3 externamente com cerdas 
................................................................................................. ................... Ophinomima
Chaves ¡dentadas. Semelhantes ao tipo anterior, porém graficamente mais 
complicadas. São, apesar de muito difíceis de compor, as que melhor mostram 
as relações entre os diversos táxons tratados. Exemplos:
Chave para as subfamflias de Mydidae (Diptera)
A. Meta tarso posterior cerca de 5 vezes mais longo que largo.
B. VeiasMicM2separadas{Austrília,Chile,Argentina) ................. DIOCHUSTINAE
BB. Veias M] e M2coalescentes, formando uma única veia.
C. Célula anal largamente aberta; moscas delgadas, relativamente pequenas; tro- 
cânter posterior apenas com cerdas; hipándrio fundido ao gonopódio; dististilos
ausentes (Austrália) ....................................................ANOMALOMYDINAE
CC Célula anal fechada c pedolada; moscas robustas, dc tamanho médio; trocánter 
posterior com 1-5 espinhos; hipándrio livre; dististilos presentes (USA, México,
África do S u l ) .................................................................................ECTYPHINAE
AA. Metatarso posterior mais curto, nunca 5 vezes tão longo quanto largo.
O. Segunda célula submarginal larga e normalmente aberta, isto é. Rs termina em
C, longe do ápice de Rj.
E. Tíbia posterior cilíndrica (sub-região Mediterrânea, Nordeste do Brasil) . . . .
.............................................................................................. RHOPALüNAE
EE, Tíbia posterior com quilha ventral (carenada) (Chile, Argentina, s. Brasil,
Austrália)....................................................................... AHOPHOR1NAE
DD. Segunda célula submarginal estreitamente aberta, fechada ou fechada epecio- 
lada, isto é, F5 termina em C próximo do ápice dc Ri ou cm R(.
F. Tíbia posteriorciltndrica.
G. Hipándrio livre do basistilo; terminália da fêmea com pêlos apicais
(região Oriental)..............................................CACATUOPYGINAE
CG. Hipándrio coalcsccnte com os basistilos.
H. Edeago com 3 elementos (Etiópica, alguns elementos invadindo as 
regiOcs PalcíSrtica e Oriental) . . . . * SYLLEGOMYDINAE (parte) 
HH. Edeagocomumúnicotubo(Holártica,México,Peru) . . . . . . .
....................................................................... LEPTOMYDINAE
FF. Tíbia posterior carcnada.
I. Edeago com um único tubo; terminália da fêmea com pêlos apicais
(Américas) . .......................................................................... MYDINAE
II. Edeagocom3tubos;fêmeascomespinhosnosacantoforitos.................
..................................................................SYLLEGOMYDINAE (parte)
88
Oiaves combinadas. Pode-se combinar urna chave ¡dentada com urna chave 
em justaposição ou urna chave agrupada.
Chaves pictóricas. São excelentes, principalmente para manuais e publica­
ções semelhantes. A Figura 4.1 ilustra muito bem este tipo de chave.
Todas as diferentes chaves acima são denominadas "mono té ticas", isto é, 
empregam uma única combinação de caracteres como critério necessário e 
suficiente para identificar um determinado táxon. Ou, por outro lado, se no 
exemplar a ser identificado falta o caráter diagnóstico, a chave não "funciona". 
Isto, infelizmente, é um fato muito comum; em insetos, por exemplo, a queda 
de urna cerda, de urna antena, ou talvezde uma pema, tomam muito difícil sua 
identificação por meio de certas chaves. Oespecialista, se conhecer bastan tebem 
o grupo, poderá eventualmente identificá-Io, pelo "jeitão".
Várias tentativas foram feitaspara estabelecer chaves chamadas "politéti- 
cas" (ou "de entradas múltiplas", ou "de múltiplo acesso", ou, se feitas por 
computadores, "policlaves"). Nestas, o usuário poderia escolher quaisquer 
caracteres oc combinações de caracteres, a fim de identificar um determinado 
táxon. Neste caso, se o caráter diagnóstico indispensável numa chave monoté- 
tica estiver ausente, tentaria o usuário identificar esse táxon por uma combina­
ção qualquer de outros caracteres.
A tarefa não é fádl e vários métodos foram propostos neste sentido. Os 
métodos mais antigos de tentar estabelecer chaves politétícas foram os cartões 
perfurados, muito úteis ainda hoje para dassificar assuntos, bibliografia etc. O 
leitor pode ler, entre muitos outros, os artigos de Clarke (1938), Del Ponte (1939) 
e Hansen & Rahn (1969) sobre o uso desses cartões. Aos poucos, as técnicas de 
preparação de tais chaves foram se aperfeiçoando e hoje incluem, entre outros 
métodos (por exemplo, Leenhouts, 1966; Light, 1976; Newell, 1970,1972,1976; 
Wilmott, 1950), o uso de computadores e técnicas de taxonomía numérica 
(veja-se Morse, 1974; Pankhurst, 1970,1975; Wilkinson, 1973).
O uso de chaves "monotéticas"', entretanto, ainda predomina, principal­
mente em publicações taxonómicas. O uso das chaves "politéticas" ainda fica 
quase restrito a rotinas para identificação de certos grupos.
4.3.18 Referências e bibliografia(normalização)
"Informações citadas pelo autor de um trabalho, com o propósito de 
fundamentar, decomentar ou ilustraras asserções do texto e que já tenham sido 
publicadas (ou estejam sabidamente em publicação), deverão ser acompanha­
das de referências permitindo ao leitor comprovar os fatos ou ampliar seu 
conhecimento do assunto mediante a consulta nas fontes" (Rey, 1972:67).
Divisão dos Hyphomycetes em ordens e famílias
HYPHOMYCHTES
Corad ióforos 
presentes 
t______
Uvres simples
ou ramificados
Reunidos uns 
aos outras
ConidiSforos 
ausentes 
Presença de 
mtoélioou 
escterâcios
I
Em forma dc 
sinfimio
Em forma de 
esporodóquio
O. HYFHOMYCETALES
Hialinos ou 
coloridos, 
nunca 
fuligíneos
Negros ou 
fuligíneos
I
O. AGONOMYCETALES
Mi CéliO CStéHl
O. TUBERCULA RIALES 
F. Tuberculariaceac
O.STILBELLALES
F.Stilbcllaceae
F. Denutiaceae
F. Moniliaceae
FIGURA 4.1 - Exemplo dechavc pictórica (apud Silveira, V. D., 1981. Micoíogia (4* cd.). Inleiantericana, 
Rio dc Janeiro).
90
Essas citações, no corpo do texto, fazem-se pela menção do sobrenome do 
autor e da data de publicação do trabalho citado: Martins, 1980 ou Martins 
(1980). Se o mesmo autor publicou vários trabalhos no mesmo ano, diferenciá- 
los por letras minúsculas: Martins (1980a, 1980b, 1980c etc.). Trabalhos assina­
dos por dois ou três autores são mencionados pela citação de todos os sobreno­
mes: Martins & Monné, 1978 ou Martins, Monné & Marinoni, 1976. Trabalhos 
publicados por mais de três autores são indicados pela citação do sobrenome 
do primeiro autor, seguido de "et al." (et atü = c outros): Martins et al., 1975).
O conjunto dessas referências no texto virá citado por extenso, no fim do 
trabalho, sob o cabeçalho "Re/erências" ou "Referências bibliográficas", sendo 
os nomes dos autores arranjados alfabeticamente. Para cada autor, virão os 
trabalhos arranjados cronologicamente.
O termo "Bibliografia" deve ser reservado para uma compilação exaustiva 
(que praticamente inclua tudo o que foi publicado) de determinado assunto.
A citação de trabalhos apresenta inúmeros problemas, nlguns dos quais 
veremos a seguir:
1. Citação de trabalhos publicados cm alfabetos não latinoc. Os casos mais 
comuns são os trabalhos antigos em alemão, publicados em gótico, e os traba­
lhos em russo, publicados em alfabeto cirílico. As Tabelas 4.3 e 4.4 fornecem a 
maneira de transliterar esses dois alfabetos. No primeiro caso, basta transliterar 
o titulo do trabalho:
WJEDEMANN, C. R. W., JS30. AussereuropSischeziociflügeUge Instklcii 2: xii + 684 pp., pis.
7-10b. Hamm.
No caso de trabalhos em russo, cita-se habitualmente o título original 
transliterado, e em seguida, entre parênteses, a tradução, em inglês, como 
geralmente é dada pelo ZoologicalRecord:
PORTSCHINSKY, 1906-1915. Russkii ovod (Rliiiiocstrus purpuma Br.) parazit loshadi,
vypryskivayushchii lichinok v glaza lyudei. ((Rhhiocstriis purpurais Br.), a parasite of
the horse, injccting its larva in the eycs of mcn). Trudy Byuro EnI. 6(1): 1-44,1906; (2):
1-41,190S; (3): 1-47,1915.
Trabalhos publicados em outros alfabetos, ou em línguas que não possuam 
alfabeto, são citados diretamente em tradução, o título entre parênteses, e logo 
em seguida a citação da língua original em que foi escrito.
2. Citação do nome do autor. A regra básica é entrar pelo último sobrenome, 
seguido de vírgula e das iniciais dos outros componentes do nome:
AURTVILLIUS, C.
BATES, H. W.
UMA, A. M. da C.
LOPES, H. de S.
91
Esta regra se aplica também a pseudônimos. Se o pseudônimo for apenas 
uma palavra, não há maior problema;se for composto por mais de uma palavra, 
seguira regra básica e acrescentar entre parêntesesonome verdadeiro do autor, 
se conhecido. Se o autor entrar na lista de referências, tanto pelo seu pseudôni­
mo como por seu nome verdadeiro, ao citar o primeiro fazer uma remessa para 
o nome verdadeiro, sob o qual serão listados todos os trabalhos:
LUCENA, M. (Frei T. Borgmeier), ou
LUCENA, M. - vide BORGMEIER, T.
Quando o sobrenome for conçtítufdo de duas ou mais palavras que 
formam uma expressão individual, a entrada será pelo sobrenome composto:
CASTELO BRANCO, C
ESPÍRITO SANTO, H.
OSTEN SACKEN, C. R.
Sobrenomes ligados por traço de união terão entrada pela primeira parte:
GIGLIO-TOS, E.
GUÉRIN-M ÊN EVILLE, F. E
LEVI-CASTILLO, r .
NEVEU-LEMAIRE, M.
ROBINEAU-DESVOIDY, J. B.
ROQUETTE-PINTO, E.
O mesmo se aplica aos nomes de senhoras que começaram a publicar 
quando solteiras e que depois juntaram a seu sobrenome o do marido:
Ml LWARD-DE-AZEVEDO, E
SILVA-FONSECA, M. E
Nomes de lugares que acompanham sobrenomes são citados após o 
sobrenome, ligados por hífen:
MÜLLER-BRESLAU, H.
POPESCU-CORJ, A.
Palavras indicando parentesco seguem o sobrenome, sem interposição de 
hífen, quando se tratar de línguas latinas:
CASTRO SODRINHO, A. R. de
LOURENÇO FILHO, M. B.
M ARQUES JÚNIOR, H.
VARGAS NETO, M. do N.
92
Quanto a sobrenomes com prefixos escritos em separado, observam-se as 
seguintes regras:
a) Sobrenomes alemães. Se o prefixo consiste num artigo ou contração da 
preposição com o artigo, entrar pelo preflxo:
AM THYM, A.
AUS'M WEERTH, E.
VOM ENDE, E 
ZUMBUSCHJ.P.
ZUR LINDE, O.
Sc consiste em uma preposição ou preposição seguida de artigo, entrar 
pela parte do nome que segue ao prefixo:
RÕDER, V. ven 
THURN UND TAXIS, L von
b) Sobrenomes espanhóis. Entrar pela parte do nome que segue 0 prefixo, 
exceto se o prefixo consistir somente num artigo, então entrar pelo artigo:
FIGUEROA, F. de 
COSA, J. de la 
RÍO, A. dei 
CASAS, B. de Ias 
LAS HERAS, M. A.
c) Sobrenomes franceses. Se o prefixo consiste de um artigo ou contração do 
artigo com a preposição, entrar pelo prefixo:
LE ROUGE, G.
LA BUYÈRE, R.
D U M Ê R JU E -P .
DES G RANGES, C. M. •*
Se o prefixo consiste em uma preposição ou em uma preposição seguida 
de artigo, entrar pela parte do nome que segue a preposição:
d'QRBIGNY, A. D.
MUSSET, A. de 
LA FONTA1NE, J. de
d) Sobrenomes sul-africanos (Afrikaans). Entrar sempre pelo prefixo, não 
obstante a origem do nome:
DE FOLIART, G. R.
DUTOIT, S.J.
VAN DER POST, C. W. H.
VON WIEUGH, G. R.
93
e) Sobrenomes holandeses ouflamengos. Entram pela parte do nome que segue 
o prefixo, exceto se este for "Ver", caso em que se deve entrar pelo prefixo:
WULP, F. M. van der 
BEEK, Leo op de 
BRAAK, M. ter 
BRINK, J. ten 
EMDEN, J. I. van 
HERTOC, A. den 
HOFF,J. H. van't 
VER BOVEN, D.
WINTER, K. de
f) Sobrenomes ingleses. Entrar pelo prefixo:
D'ARCY, P.
DE MORGAN, A.
DU MAURIER, D.
LE GAUENNE, R.
VAN DUZEE, M. C 
LAÇASSE, W. J.
LE BARON, W.
g) Sobrenomes italianos. Entrar, em geral, pelo prefixo:
A PRATO, G.
DE STEFANI, T.
DEL PONTE, E.
DELLA BEFFA, A.
Dl COSTANZO, A.
L! GRECI, -G.
LO SA VIO, N.
h) Sobrenontes escandinavos. Entrar pela parte do nome que segue o prefixo 
quandoesteéde origem escandinava ou germânica, com exceção do ¿feholandês 
ou flamengo. Entrar os outros nomes pelo prefixo:
ROSENSCHOELD, G. M. af 
LINNÉ, C. von 
DE GEER, C.
DE LA GARDIE, M. G.
LA COUR,J. L.
i) Sobrenomes runtenos. Entrar pelo prefixo, a não ser que se trate do prefixo 
de; neste caso, entrar pela parte que segue o prefixo:
94
j) Outros prefixos. Os prefixos Ab', Abd', A", Aba, Ap, Bctt, Das, Filz, M‘, 
Mac, Mc, Saint, St., San, Santo, Sen, Szent e O' entram junlo com o nome:
AB'SABER.A. N.
ABD'AL-HAMID, A.
A'BECKETT, G. B.
ABU ZAHRAH, M.
AP RHYS PRICE, H .E 
BEN MAYR, B.
DAS GUPTA, R.
FTTZ ROY, R.
MAC ALPINE, J.
McATCE, ]. R.
O'NEILL, K.
Nomes húngaros e chineses vêm originalmente com o sobrenome em 
primeiro lugar; basta, portanto, colocar uma vírgula após a primeira palavra:
KERTÉSZ KOLOMAN - KERTÉSZ, K.
LI SHI CHEN - LI, S. C
As nações de língua espanhola costumam acrescentar aos nomes das 
pessoas o sobrenome materno; para citar-se um autor de língua espanhola, 
deve-se ter sempre este fato em mente:
LYNCH ARRIBÁLZAGA, F.
VILLACORTA CORREA, M.
DÍAZ NÁJERA, A.
Hm relação aos títulos de nobreza, acrescentá-lo ao nome do nobre, em 
língua vernácula,a não ser que este normalmente assine o trabalho com seu 
título de nobreza:
LEPELET7ER, A. L. M., Conde de Saint-Fargeau 
BORY, ]. B. G. M-, Barâo de Saint-Vmcent 
LA PORTE, F. L. de, Conde de Castelnau
Pessoas de vocação religiosa. Entrar pela regra geral, quando usam seu 
próprio nome (não sendo necessário citar as iniciais da ordem religiosa); se estas 
adotam um nome próprio religioso, entrar pelo nome adotado:
BORGMEIER, T.
MOURE, J. S.
KEMPF, W. W.
CLAUDE D'ABEVILLE, Pe.
JAVIER, Hermano ou Hno.
i
c
85
Finalmente, no caso de trabalhos anônimos, utilizar os seguintes métodos: 
se o autor for realmente desconhecido, entrar na literatura sob "ANÔNIMO" (ou 
ANON.); se houver apenas iniciais, citá-las entre aspas; se se descobrir o nome 
do autor, induí-lo entre parênteses.
Tabela 4.3 - Transliteração do alfabeto gótico
3í a A, a % '*
8í ã Ã, á (Ae, ae) CXq Q,q
B,b 92 r R ,r
<Se C ,c e s f S, s
Ch, ch ©cíj fcfj Sch, sch
S>i D, d $ t T ,t
© c E ,e U u U, u
SH F ,f « l i Ü, ü (Ue, ue)
© 3 G ,g « b V, v
H, h 38 lu W, w
U a?x X, x
3 1 u Y,y
â f i K ,k Z, z
S I U l
3PÍ ut M, m
9t it N, n cC ck
© o O, o 6 ss
C õ Ò, õ (Oe, oe) (J 1z
96
Tabela 4.4 - TransUteraçSo do alfabeto drflico
Letras
tipográficas
Letras
manuscritas Denominação Transliteração
A, a A a A A, a
E,6 J 5 S Bê B.b
B ,b JS 6 Vê V,v
r , r T i Guê G,g
Ü,JI 2 )3 j . Dê D, d
E,e ffe lê E, e (ou Ye, ye)
Ê,ê ¿ ê Iô É, ê
J T o r Jê Zh,zh
3,3 J j j Zé Z, z
U u I l i
ft,n ü s I kratkoe I,i
K,K X k Ka K,k
JI, JI A A É1 L,1
H m M m Êtn M,m
H,h JC k Ên N,n
0,o Oe O 0 ,0
11, n JT n Pê P'P
P»P P ? Ér K r
C,c És S,s
T ,t Mm Tc T,t
y .y 3 /y U U,u
©, <t> Éf F, f
X,x X x Kha Kh,kh
11,11 Vv Tsê Ts,ls
V i Tchê Ch,eh
111, ui U íta Xá Sh,sh
Ul,ui Vim, Chtxá Shch,shch
Tl»! t Tvêrdnyi snak ' (apóstrofo)
M,H u Y Y,y
b,b 6 Myagkii snak ' (apóstrofo)
3,3 9 3 É E,e
10,» J0x> Yu Yu,yu
a , a 3 a Ya Ya, ya
97
3. Citação de entidades coletivas. Entidades governamentais o oficiais entram 
diretamente pelo nome:
K. SVENSKA VETENSKAPS - AKADEMIEN, 1857-1900. Kongliga svenska fregatten Euge- 
nies resa omkring jorden underbefãl af C. A, Virgin, âren 1851*1853,3partes. Stockholm 
& Uppsala.
NEW YORK ACADEMY OF SCIENCES, 1919-1960. Scientific survey of Puerto Rico and the 
Virgin Islands, 19 vols. New York.
OFFICE CENTRAL DE FAUNISTIQUE DE LA FÉDÉRATION FRANÇAISE DESSOCIÉTÉS 
DE SCIENCES NATURELLES, 1921-1959, Faunc de France, 63 vols. Paris.
Se a entidade usa uma forma abreviada consistindo das letras iniciais das 
palavras ou palavras principais do próprio nome, ou sílabas das palavras ou 
das principais palavras do próprio nome, usar essas formas quando forem 
muito bem conhecidas internacionalmente: UNESCO.
Nomes de países entram nas referências pela sua forma convencional, e 
não pelo seu nome oficial, usa-se: "FRANÇA" e não "RÉPUBLIQUE FRANÇAISE"; 
"BRASIL" e não "ESTADOS UNIDOS DO BRASIL" ou "REPÚBLICA FEDERATIVA DO 
BRASIL"; e assim por diante.
4. Citação de datas de publicação. Na grande maioria dos casos, não há maior 
problema, pois os livros ou artigos têm sempre impressas suas datas de publi­
cação original. Na ausência destas, começam os problemas; se um autor acha 
essa data diretamente, por qualquer Indício da própria publicação, esta é citada 
entre parênteses; se a achar por qualquer outro método indireto, como por 
exemplo, menção do recebimento da obra numa ata de reunião de sociedade 
zoológica ou entomológica, citação em uma outra obra contemporânea etc., a 
data vem entre colchetes. Geralmente é muito difícil localizar a data de uma 
obra, e isto requer grande conhecimento da bibliografia. O interessado deve 
sempre consultar as grandes bibliografias de grupos zoológicos, em que muitos 
desses problemas já se acham solucionados; são freqüentes também no Jotimal 
o f the Society for the Bibliography o f Natural History artigos que esclarecem a 
datação de obras raras ou antigas.
Um outro problema são as datas do período do Calendário Republicano 
Francês. Após a Revolução Francesa, os republicanos franceses adotaram um 
novo calendário, que começou a 22 de setembro de 1792 e vigorou até I® de 
janeiro de 1805. O calendário revolucionário era numerado em algarismos 
romanos; a correspondência com o nosso calendário é a seguinte:
An I 1792-1793
An II 1793-1794
An III 1794-1795
An IV 1795-1796
An V 1796-1797
An VI 1797-1798
98
An VII 1798-1799
An vin 1799-1800
An IX 1800-1801
An X 1801-1802
An XI 1802-1803
An xn 1803-1804
An XIII 1804-1805
An XIV 1805-1806
O "An xiv" teve apenas cem dias. Os meses do ano também foram 
mudados na mesma ocasião; sua concordância com os meses usados tradicio­
nalmente varia de alguns dias de ano para ano. O "Grand Larousse du XIX* 
Siècle" dá a concordância entre o calendário republicano e o gregoriano, para 
os anos de 1794 a 1805 (pp. 140-141 do Tomo ni). Para 1793 e 1794, por exemplo, 
foi assim:
Vendémiaire : 22 set 1793 - 21 out 1793
Bnimaire : 22 out 1793 - 20 nov. 1793
Frimairc : 21 nov. 1793 - 20 dez. 1793
Nivôse : 21 dez. 1793 - 19 jan. 1794
Pluviôse : 20 jan. 1794 — 18 fev. 1794
Vcnlôse : 19 íev. 1794 - 20 mar. 1794
Germinal : 21 mar. 1794 - 19 abr. 1794
Floréal : 20 abr. 1794 - 19 mau 1794
Prairial : 20 mai. 1794 - 18 jun. 1794
Messidor : 19 jun. 1794 - 18 juL 1794
' Thermidor : 19 jul. 1794 - 17 ago. 1794
Fructidor : 18 ago. 1794 - 16 set. 1794
Durante esse período publicaram-se obras extremamente importantes de 
alguns maiores zoólogos que a França deu ao mundo. Para citar obras dessa 
época, coloca-se a data gregoriana entre parênteses e ao final da citação da obra, 
a data do calendário republicano, entre aspas:
LATREILLE, P- A., (1796). Précis des caractires gíttíriques des inseetes, disposis dans un ordre 
naturel, 179 pp. Paris, "An V".
Se o trabalho foi impresso em partes (ou "liVraisons", ou "Lieferungen", 
ou qualquer outro tipo) convém, numa citação bibliográfica, colocar as datas de 
cada parte:
99
MORRIS, M., 1796-0780). An exposition qfEnglish iitstxls, willt curious observalions and remarkcs 
whcrein esch insect is particularly described, its parts and properties considered, lhe different 
senses distinguished, and the natural historyfaillifiillif related. Decad I, pp. 1-40,2 pis. + pis. 
1-10,1776; Decad H: pp. 41-72, pis. 11-20, (?1776); Decads III, IV, V: pp. 73-99,100-138, 
139-166, pis. 21-30,31-40,41-50 +1 pl., (71780). London, "1776".
Trabalhos impressos em revistas, que apresentam continuação em anos 
diferentes, podem ser citados de tal modo que indiquem esse fato, para auxiliar 
o leitor:
LYNCH ARRIBÁLZAGA, E., 1879. Asilides argentinos. An. Soe. dm t. argenl. 8: 145-153 
(cont.).
LYNCH ARRIBÁLZAGA, E., 1879. Asilides argentinos (conL). ibid. 9 :26-33,49*57,224-230, 
252-265 (cont.).
5. Citação de artigo em revista. Consta basicamente dos seguintes itens:
a. Sobrenome do autor, vírgula, iniciais do nome do autor, vírgula.
b. Data (ano); ponto.
c. Título do trabalho: dtado diretamente se for em alfabeto latino, ou 
transliterado, como já foi explicado. Se houver um erro de grafia original no 
título, indica-se-o pelo uso de (sic). Deve-se ter sempre o cuidado de copiar 
exatamente o título original, principalmente com certas palavras alemãs que 
mudaram de ortografia no início deste século, por exemplo: Kentniss perdeu 
um s; Thier perdeu o h etc Ponto.
d. Abreviatura donomeda revista. Aconselha-seusarparauniformização 
das abreviaturas o W orld list o f Scientijic Pcriodicais, já citado no Capítulo 2.
e. O número da série da revista (se houver) vem em seguida, entre 
parênteses, seguido pelo número do volume e do número do fascículo, este 
último também entre parênteses. Dois pontos.
f. O número da primeira eda última página do artigo, separadospor hífen, 
vírgula, número de figuras e número de pranchas.
Usa-se comumente sublinhar o nome da revista e o número do volume, 
para serem compostos em itálico. Quando a revista não tem numeração em 
volumes, utiliza-se, em lugar destes, o númerodo ano em que foi publicada:
L1NDNER, E.,1930. Rcvision deramerikanischen Diptercn. Familie derRhopalomeridae. Dt.
ent. Z. 1930.122-137,1 fig.
SHERBORN, C. D.,1923. On the dates of G. W. F. Panzcr'* *Fau na Insect Germrn',1792-1844.
Atui. Mag. nat. Hisl. (9)11:566*567.
SHERBORN, C. D. & F. S. PALM ER, 1898. Dates of Charles d'Orbigny's Dicttonnaire 
universel d'histoirenaturelle. Ibid. (7)3:350-352.
Como se vê no último exemplo, pode-se empregar a expressão "ibidem" 
(abreviada) para evitar a repetição do nome da revista se citada imediatamente 
acima.
No caso de artigos bilíngües, citam-se os dois títulos em seqüência:
100
LUTZ, A-, 1913. Contribuiç3oparaoestudodas Cera topogoninashemalophagascncontradas 
noBrazj). Beiträge zur Kentniss derbjutsaugenden Ceralopogoniden Brasiliens. Mein. 
Inst. Ostvaldo Cruz 5:45*73,3 pis.
6. Citação de obras avulsas (livros, teses etc.). A citação é semelhante a de um 
artigo, constando de:
a. Sobrenome do autor, vírgula, iniciais do nome do autor, vírgula, ano da 
publicação, ponto.
b. Título da obra (pode ser sublinhado ou não, dependendo das normas 
da revista onde se vai imprimir o trabalho), vírgula.
c. Número do(s) volume(s), número do fascículo entre parênteses, dois 
pontos, número de páginas, figuras e pranchas.
d. Nome da editora (opcional).
e. Nome da cidade onde foi publicado o livro.
BAUSE, E., 1913. Die Metainarjiliase der Gattung Tanytarsus und einige verwandter Tendi/tendi- 
deuarten. Ein Beitrag zur Systematik der Teitdipcdiden, 2 +126 pp., 12 pls. Inaugural-Dis- 
sertation. Westfälische Wilhelms-Universität zu Münster.
LENKO, K. & N. PAPAVERO, 1979. insetos nofolclore, 518 pp. Conselho Estadual de Artes e 
Ciências (Coleção Folclore, n° 18), SSo Paulo.
BROHNER, P., P. EHRMANN & C. ULMER, cds., 1927-1937. Die Tierwelt Mitteleuropas, 7 
vols. Leipzig.
BLANFORD, W. T., ed., 1888-1950. Fauna o f British hidia, TI vols. London.
Se uma obra foi reimpressa cm um periódico, indicar da seguinte maneira:
MACQUART, J., 1838. Diptires exotiques nouveaux ou peu connus 1(2): 5-207,14 pls. Paris. 
(Também publ. cm Mim. Soc. roy. Sd., Agrie. Arts Lille1838 (3): 121-329,14 pls., 1839).
Finalmente, pa ra artigos ou partes publicados em uma obra ou uma série, ' 
tita-se da seguinte maneira:
LINNAEUS, C., 1762. Zweyler Theil, enthalt Beschreibungen verschiedener wichtiger Natu- ' 
ralien, pp. 267-606, in F. HASSELQU1ST, Reise nach Palästina in den Jahren von 1749 bis 
1752,606 pp. Rostock.
PERTY, M., 1830-1833. Insecta brasillcnsia, pp. 1-60, pls. 1-12,1830; pp. 61-124, pls. 13-23, 
1532; pp. 125-224, pls. 25-40,1833, cm sou DclectusammaUumarticulatonimquaeiu ilinere 
per Brasilia»! annis MDCCCXVIl-MDCCCXX jussu et auspiciis Maximiliani Josephi I. 
Bavariae regis augustissimi pcracto collegerunt Dr. J. B. de Spix el Dr. C. F. Ph. de Mariius,
44 + 224 pp., 40 pls. Monachi (= München), "1830-1834".
4.4 TABELAS E ILUSTRAÇÕES
As tabelas são resumos de dados apresentados no texto. Devem ser 
auto-explicativas, isto é, no título da tabela deve-se explicar de maneira conclu­
siva o que a tabela deve mostrar.
r f r \
Ç 
bj 90! 
09
Na confecção das tabelas deve-se evitar ao máximo a inclusão de traços 
(filetes) entre as colunas horizontais e as verticais. No máximo, um traço 
(geralmente duplo) logo abaixo do título, outro abaixo do cabeçalho (onde está 
explicitado o conteúdo de cada coluna) e outro no fim (base) da tabela.
Evitar ao máximo os traços verticais. Quanto menor a quantidade de 
filetes, mais fácil a composição e mais estética a tabela.
Quanto aos desenhos, transcrevemos aqui algumas notas preparadas pela 
Dra. Judith Smith, em seu curso no Departamento de Zoologia da Universidade 
Federal do Paraná.
1. M ateriais
a. Papel ou cartolina, preferivelmente grossos e bastante fortes para que 
se possa apagar ou raspar a tinta sem danificar o papel;
b. um lápis bem apontado para linhas finas, preferivelmente um lápis duro;
c. borracha mada e limpa;
d. papel vegetal;
e. fita adesiva não muito pegajosa, para manter o papel em posição;
f. o maior número de livros, separatas etc., que se possa achar sobre o 
animal a ser desenhado;
g. tinta nanquim e pena de ponta fina. Canetas tipo "rapidógraío" com 
penas de distintos diâmetros são muito úteis para alguns desenhos;
h. régua, de preferência transparente;
i. o maior número de exemplares que se possa ter do animal; não é 
recomendável apenas um, por poderser imperfeito ou atípico; a pa rtir de vários 
exemplares imperfeitos pode-se compor um desenho "composto" que ilustre 
melhor a espéde;
j. microscópio com acessórios para desenhar ou com lente ou com grade 
micrométrica;
k. uma pequena lente para reduzir é útil se os desenhos forem para 
publicação e sofrerem redução de tamanho quando publicados;
1. para ilustrações coloridas são melhores as tintas de boa qualidade do 
que as tintas usuais, espedalmente se são necessárias linhas finas;
m. tinta nanquim branca ou corretor, para corrigir erros em desenhos a 
serem publicados.
2. Desenho
a. Antes de desenhar olhe o maior número possível de livros e separatas, 
para conhecer exatamente o tipo de características que está tentando mostrar 
em seu desenho e em parte para ajudá-lo a deddir que tipo de desenho é mais 
adequado a seu objetivo (isto é, tamanho, quantidade de detalhes necessários, 
ou o que não é necessário sombrear;
*
101
102
b. não desenhe sob luz fraca. É sempre melhor desenhar próximo a uma 
janela; a luz do dia é preferível à luz artificial;
c. não desenhe com pressa. Isto sempre transparece no desenho;
d. sente-se confortavelmente, de maneira a poder colocar completamente 
o antebraço sobre a mesa. É impossfvel traçar linhas retas e compridas se você 
tiver obstáculos pelo caminho ou se não puder pousar todo o antebraço sobre 
a mesa;
e. para desenhar objetos simétricos, por exemplo uma vista dorsal de um 
inseto adulto, comece traçando uma linha que divida a página exatamente no 
meio (cu no centro da área da página na qual você quer desenhar);
f. esboce o animal inteiro (ou a peça) para consegui r as proporções corretas; 
use lápis bem leve para poder apagar facilmente;
g. assegure-se de que as proporções estejam corretas antes de colocar 
qualquer detalhe. Se está usando um assessório para desenho no microscópio, 
certifique-se de que a peça desenhada está no plano correto, para evitar distor­
ções da imagem;
h. quando não for possível utilizar um assessório para desenho ou porque 
a peça é muito grande ou por qualquer outra razão, use uma grade micrométrica 
e desenhe levemente na folha o mesmo número de quadrados que vir na gtade. 
Se não for possível usar a grade ou se a peça é muito grande, basta usar uma 
régua para averiguar se as proporções estão corretas;
i. desenhe um lado (no caso de desenhos simétricos) e passe nanquim nas 
principais linhas externas; às vezes, ao traçar com nanquim essas linhas exter­
nas, é melhor fazê-lo com pontos, e não linhas, no caso de se necessitar alterá-las 
mais tarde;
j. gire o papel, se necessário, enquanto está desenhando; usualmente é 
melhor traçar curvas a partir de você do que em sua direção;
k. copie o primeiro lado desenhado traçando uma linha que divida ao meio 
o papel vegetal e usando fita adesiva para mantê-lo em posição. Use esta linha 
central para desenhar o outro lado do inseto, assegurando-se de que, quando 
você virar o papel vegetal, a linha central deste esteja sobre a linha central do 
papel do desenho;
L se o desenho for para publicar deve ter as linhas não muito finas, de modo 
a não desaparecerem na versão impressa. Um erro muito comum é fazer traços 
muito finos: na redução as linhas somem ou ficam falhas. É útil verificar o 
padrão de impressão da revista antes de publicar um desenho, de modo a saber 
que quantidade de detalhes sairá bem;
m. para dar um efeito tridimensional no desenho: use uma linha mais 
grossa no lado direito ou na superfície inferior do objeto do que no lado 
esquerdo ou na superfície superior. Isto é muitoútil se você não quiser compli­
car seu desenho com sombreamento desnecessário mas quiser mostrar que o 
objeto é tridimensional;
n. sombreie com pontos apenas o que for necessário; não obscureça carac­
teres importantes. Não sombreie sem necessidade. Alguns tipos de desenhos 
ficam melhores sem sombreado. O sombreado deve ser sempre feito do lado 
direito e/ou na superfície inferior do objeto, pois é uma convenção científica 
padronizada que todos os objetos devem ser desenhados com a luz incidindo 
sobre eles, vinda de cima pelo lado esquerdo;
o. se vários desenhos são postos juntos numa página, o espaçamento e o 
arranjo são tão importantes como o próprio desenho. Não se deve amontoar 
desenhos em uma página;
p. legendas: se possível faça as linhas para as legendas paralelas e todas 
atingindo a mesma distância; nunca faça as linhas para as legendas cruzadas; não 
coloque as linhas muito juntas umas das outras e evite que os letreiros se confun­
dam com as estruturas do desenho; se uma linha contínua pode se confundir com
alguma parte do diagrama, use uma linha interrompida ( ----------------)ou
pontilhada ( ........................ ). É sempre preferível por o nome completo do que
se quer mostrar do que apenas as letras iniciais com um texto embaixo. A 
primeira forma é lida mais rapidamente e causa menos confusão para o leitor.
As legendas das pranchas devem ser datilografadas em folha à parte, que 
acompanha o manuscrito do trabalho.
Normalmente fazem-se os desenhos Individualmente, e depois monta-se 
uma prancha. Para que na redução a prancha se tome do tamanho adequado 
da revista, utiliza-se o seguinte método:
Numa folha de cartolina, no canto inferior esquerdo, desenha-se um 
retângulo com as dimensões do "espelho" da página da revista onde se vai 
publicar. O "espelho" é a área útil da página, a área que é impressa, sem se 
contar as margens. Suponhamos que as medidas do espelho da revista sejam
11 cm de largura por 17 cm de altura. Desenhamos então um retângulo com 
essas medidas no canto esquerdo inferior da folha de cartolina. Em seguida, 
traçamos uma diagonal nesse retângulo, até o canto superior direito da folha de 
cartolina. Medimos o comprimento da diagonal e multiplicamo-lo por 1,5; 2; 
2,5; 3,4... vezes, e marcamos esses pontos na diagonal. Traçando a partir desses 
pontos as paralelas à largura e à altura do retângulo inicial, teremos tamanhos 
proporcionais ao espelho da revista, onde podemos tentar a melhor disposição 
possível dos desenhos. O desenho a seguir (Figura 4.2) ilustra o processo.
Em seguida, uma vez dispostos os desenhos convenientemente na amplia­
ção necessária, monta-se a prancha, colando-se os desenhos a uma folha de 
cartolina branca com as dimensões escolhidas, com fita adesiva translúcida e 
não muito pegajosa. Após colocar as legendas e numerar os desenhos, cola-se 
no lado esquerdo da prancha, por trás, uma orelha dobrada para trás de um 
papel resistente, tipo Kraft, para proteger a prancha contra gordura e sujeira, 
como mostrado na Figura 4.3.
104
FIGURA 4.2 - Cartolina para calcular tamanhos de pranchas com desenhos.
/
105
FIGURA 43 - rroteçlo da prancha com desenhos originais (Q com uma folha dc pape! Kraft (B). A: 
tingúela do papel Kraft colada alrás da prancha.
Na parte de trás da prancha, com um líp is macio, escreve-se o nome do 
autor do artigo, o nome do trabalho e o número das figuras, dc modo que a 
prancha, se separada do manuscrito do trabalho, não fique perdida na mão do 
editor ou na tipografia.
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5. LEVANTAMENTO DE LOCALIDADES
Nelson Papavero
A parte mais gratificante de um trabalho taxonómico, a par do estabeleci' 
mento de uma filogenia, é a obtenção de padrões geográficos que expliquem a 
distribuição de um grupo, ou mesmo, às vezes, a sua história evolutiva.
Para tanto, é necessário que o zoólogo, ao rever um grupo, quer seja urna 
só espécie, quer um grupo de espécies, con te com a melhor cobertura geográfica 
possível, isto é, deve tentar examinar o maior número possível de exemplares, 
pelo estudo do maior número possível de coleções.
Uma vez realizado o trabalho de identificação dos exemplares, deve o 
taxonomista proceder à organização de um fichário com as localidades referen­
tes ao material estudado e também daquelas citadas na literatura pertinente, se 
dignas de confiança.
A ficha deve conten o nome da localidade, o municipio, o estado(ou 
provincia, ou departamento) e o país, assim como as coordenadas (longitude e 
latitude, preferivelmente até segundo), o nome do coletor (se for conheddo) e 
o nome da instituição à qual pertence o exemplar. Com base nesse fichário de 
localidades, irá o especialista, uma vez terminada sua revisão, organizar os 
mapas de distribuição das diversas entidades e tentar explicar os padrões 
obtidos, correlacionándoos com os aspectos morfodimáticos da região ocupa­
da, e por vezes a história evolutiva do grupo.
As maiores dificuldades podem ser encontradas para a realização desta 
tarefa aparentemente simples. Para começar, há mais de 500 mil localidades
108
atuais levantadas para a América Latina (com base cm cartas na escala dc 
1:1.000.000).
Além disso, os seguintes problemas ocorrem com certa freqüência:
• não se tem indicação alguma da localidade; isto é bastante freqüente em se 
tratando de localidades-típo;
• no caso de localidades antigas, a citação é extremamente vaga: "America 
meridionalis", "Brasilia", "Nova Granada", "Americae insulis", "Capitainerie 
de St. Paul", "Südamerika" etc.;
• a localidade não existe mais;
• a localidade mudou de paCs; assim, por exemplo, ainda se encontra na litera­
tura antiga: "Brésil, Montevideo"; "Bolivia, Cobija" etc.;
• a localidade está mal-indicada, por insuficiência de dados, por estar mal- 
escrita ou transcrita; há casos célebres de certos autores que citaram o nome 
do coletor como o da localidade c vicc-vcrsa;
• a localidade mudou de nome (caso extremamente freqüente);
• existem várias localidades homônimas na mesma área;
• a localidade atada é tão pequena que não é encontrada em dicionários 
geográficos, listas toponímicas, mapas etc.
A tarefa de levantar localidades, então, exige urna boa dose de pesquisa 
bibliográfica, urna pitada de sorte e muito de trabalho de detetive.
Na seqüência apresentamos alguns métodos para superar estes óbices; 
naturalmente, é impossível dar aqui todas as técnicas que existem para isto e 
todas as referências bibliográficas sobre o assunto - teremos que fornecer 
apenas as fontes principais de consulta, alguns exemplos da bibliografía geo- 
grá fica relativas à região neotropical, deixando o resto a cargo dos taxonomistas 
interessados em zoogeografía.
5.1 O LEVANTAMENTO DE LOCALIDADES ATUAIS
5.1.1 Obras gerais
Para as localidades atuais, quando claramente expressas na literatura, ou 
no rótulo ou etiqueta do animal estudado, não há maiores problemas. Há uma 
grande quantidade de dicionários geográficos, listas toponímicas (gazellcers), 
cartas, mapas etc., que facilitam enormemente a vida do taxonomista. Em geral, 
as bibliotecas das instituições que trabalham com taxonomía contam com uma 
razoável coleção dc obras geográficas e com uma mapoteca. Caso contrário, o 
zoólogo terá que valer-se das bibliotecas do Instituto Histórico e Geográfico de 
seu Estado, das bibliotecas dos Departamentos de Geografia ou História das 
várias universidades, ou das bibliotecas públicas.
109
Para localidades da América Latina em geral, aconselhamos a consulta de:
HANSON, E. P., cd., 1945. Index to Map of Hispanic America 1:1.000.000. Am. geogr. Soe. 
Publ. 5:923 pp. U. S. Government Printing Office, Washington, D. C.
Esta obra, embora um tanto antiga, serve bem para a maior parte das 
necessidades de um taxonomista. Acompanha a carta da América Latina na 
escala de 1:1.000.000 da American Geographical Society.
O United States Board on Geographic Names (Department of the Interior) 
publica uma série de listas toponímicas (gazetteers), denominada Official Stan­
dard Names, que são verdadeiramenteexcelentes ebastante exaustivas. Aqui vão 
alguns exemplos desses índices:
1. ARGENTINA (Gazetteer n® 103), viii + 699 pp., 1968, com 48300 veibetcs;
2. BRITISH HONDURAS/ BELIZE (Gazetteer n® 16). ii + 25 pp.,1956, cerca dc2.000 verbetes:
3. BOLIVIA (Gazetteer n® 4), v + 269 pp., 1955, com 18.800 verbetes;
4. BRAZIL (Gazetteer n® 71), v + 915 pp., 1963,62500 verbetes;
5. CHILE (Gazetteer n® 6), vi + 351 pp., 1955,23.750 verbetes;
6. COLOMBIA (Gazetteer n® 86), vi + 396 pp., 1964,27.000 verbetes;
7. COSTA RICA (Gazetteer n® 18), vi + 48 pp., 1956,3.700 veibetcs;
8 . CUBA (Gazetteer n® 30), ü + 619 pp., 1963,44.000 verbetes;
9. DOMINICAN REPUBLIC (Gazetteer n® 33), v i+ 179 pp., 14.000 verbetes;
10. ECUADOR (Gazetteer 11® 36), iii +189 pp., 1957,14.850 verbetes;
11. EL SALVADOR (Gazetteer ne 26), ii + 65 pp., 1956,4.860 verbetes;
12. FRENCH GUIANA (Gazetteer n*74), v + 62 pp., 1974,3.200 verbetes;
13. FRENCH WEST INDIES (Gazetteer n*34), iii + 44 pp., 1957,3.250 verbetes;
14. GUATEMALA (Gazetteer n* 94), v+213 pp., 1965,14.900 verbetes;
15. HAITI (Gazetteer n®73), iv + 211 pp., 1973,13.000 verbetes;
16. HONDURAS (Gazetteer n® 27), ¡¡ + 235 pp., 1956,19.000 veibetes;
17. MEXICO (Gazetteer n® 15), iii + 750 pp., 1956,53.000 verbetes;
18. NICARAGUA (Gazetteer n® 25), it + 449 pp., 1956,3.800 veibetes;
19. PANAMA ANDTHECANAL ZONE (Gazetteer n® 110), v +323pp.,1969,19.000verbetes;
20. PARAGUAY (Gazetteer n® 35), ii -I- 32 pp., 1957,2.300 verbetes;
21. PUERTO RICO, THE VIRGINS ISLANDS ANDOTHER ISLANDS AND BANKSINTHE
CARIBBEAN (Gazetteer n® ),iv + l l 6 pp., 1958,8500 verbetes (5.000para Puerto Rico, 
3.400 para os Ilhas Virgens e 100 outros para o resto da área);
22. SURINAM (Gazetteer n® 74), iv + 65 pp., 1974,3.500 verbetes;
23. URUGUAY (Gazetteer n® 21), iii + 126 pp., 1956,8.600 verbetes;
24. VENEZUELA (Gazetteer n® 56), vi + 245 pp., 1961,17.200 verbetes.
Para о Brasil, além das várias publicações do Instituto Brasileiro de Geo* 
grafia e Estatística (IBGE) (índice da Carta do Brasil ao milionésimo, Enciclopédia dos 
municípios brasileiros. Geografia do Brasil, e muitas outras), aconselhamos as 
seguintes obras:
110
BRASIL, Diretoria Geral dos Correios, 1930*1931. Cuia postal {Ceográphico) da República dos 
Estados Unidos do BrasS, 1 (A-L):xlvüi + 923pp., 1930; 2 (M-Z). pp. 929-1903,1931. Typ. 
da Directoría Geral dos Correios, Rio dc Janeiro.
BRASIL, Departamento de Correios e Telégrafos, 1957. Cuia postal-telegráfico do Brasil, 
1352 pp. Rio de Janeiro.
Estas obras editadas pelo Correio Nacional são preciosíssimas para a 
localização de fazendas, vilarejos, subdistritos, e outras localidades muito pe­
quenas, normalmente não encontráveis em listas toponímicas elaboradas a 
partir de cartas ao milionésimo; além disso, incluem muitos topónimos antigos 
que desapareceram ou mudaram de nome.
VANZOUNI, P. E & N. PAPA VERO, 1968. índice dos topónimos contidos na carta do Brasil. 
1:1.000.000 do IBGE, (vi) + 292 pp. Fundação dc Amparo à Pesquisa do Estado dc S3o 
Paulo, S3o Paulo.
Este índice foi elaborado para facilitar o uso da Carta ao milionésimo, 
publicada pelo IBGE, na época desacompanhada de um índice. Fomece acima 
de 60 mil topónimos, seguidos pelo número da folha da carta, longitude e 
latitude.
Para localidades mais antigas, das quais grande parte mudou de nome, é 
utilíssima a obra seguinte:
PINTO, A. M., 1894-6. Apontamentos para o diccionario geographico do Drazil, (1) A*E: xvii + 
741 pp., 1894; (2) F-O: 786 pp., J896; (3) P-Z: 960 pp., 189. Imprensa Nadonal, Rio dc 
Janeiro.
PINTO, A. M., 1935. Supplemeitlo aos apoiitnmciilos para o diccionario geographico do Brasil (com 
accrescimos e correcções), A-Z: xix + 318 pp. Imprensa Nadonal, Rio de Janeiro.
Quanto aos mapas, é muito grande a variedade de atlas e cartas a serem 
utilizados. Qualquer atlas de grande volume poderá ser utilizado para situar 
uma determinada localidade.
Para o Brasil, existem numerosas cartas publicadas pelo IBGE. A Marinha 
Nacional edita excelentes cartas da costa brasileira e cartas hidrográficas em 
geral. O Projeto RADAM, recentemente, publicou primorosos mapas com minu­
ciosas informações sobre vários aspectos fisiográficos.
5.1.2 Publicações especializadas
Ao lado das obras propriamente geográficas, alguns zoólogos publicam 
também listas de localidades destinadas a facilitar o trabalho de especialistasna 
mesma área, índices toponímicos de obras zoológicas de uso generalizado, listas 
de localidades de um grupo com que trabalharam e que normalmente não são 
fáceis de localizar etc. Eis aqui alguns exemplos:
€
111
BROWN, F. M-, 1941. A gazetteer of entomological stations in Ecuador. Ann. ent. Soc. Amtr. 
34:809-851.
CHAP MAN, F. N.. 1917. The distribution of bird-life in Colombia; a contribution to a 
biological survey of South America. Butl. Am. Mas. nat. Hist. 36:1-729.
CHAPMAN, F. N., 1926.Thedistribution of bird-life in Ecuador; a contribution to the origin 
of Andean bird-life. Ibid. 55:1-784.
HERTLEIN, L. G., 1963. Contributions to the biogeography of Cocos Island, including a 
bibliography. Proc. Calif. Acad. Set. 32(8): 219-289,4 figs.
LAMAS, M.G., 1976. A gazetteer of Peruvian entomological stations (based on Lepidoptera). 
Revta. peru. Ent. 19(1): 17-25.
Lamas também publicou, em colaboração com F. Encamación, um "índice 
toponímico dei Mapa dei Perú 1:1.000.000 dei Instituto Geográfico Militar" 
(1976, 80 pp. Universidad Nadonal Mayor de San Marcos, Lima) prestando 
assim um enorme serviço a seus colegas zoólogos.
PAYNTER, R. A., Jr. & A. M. G. CAPERTON, 1977. Ornithological gazetteer o f Paraguay, 43 pp.
Harvard College, Cambridge, Mass.
PAYNTER, R. A., Jr. & M. A. TRAYLOR, Jrv 1977. Ornithological gazetteer o f Ecuador, 152 pp.
Harvard College, Cambridge, Mass.
PAYNTER, R. A., Jr., M. A. TRAYLOR, Jr. & B. WINTER, 1975. Ornithological gazetteer o f 
Bolivia, 81 pp. Harvard College, Cambridge, Mass.
RICHARDS, A. F. & B. H. BRATTSTROM, 1969. Bibliography, cartography, discovery and 
exploration of the Islas Rcvillagigedo. Proc. Calif. Acad. Sci. 29(9): 315-360,4 figs. 
SELANDER, R. B. & P. VAURJE, 1962. A gazetteer to accompany the "Insccta" volumes of 
the Biologia Central! Americana. Am. Mus. Nooitates 2093:1*70, figs.
SLEVIN, J. R., 1959. The Galipagos Islands. A history of their exploration. Oce. Pap. Calif, 
Acad. Sci. 25:1-150,31 figs.
SLUD, P., 1964. The birds of Costa Rica. Distribution and ecology. Bull. Am. Mus. t¡at. Hist. 
128:1-430.
TATE, G. H. H., 1933. Mountain by-ways of Bolivia. Nat. Hist.. N. Y. 33(1): 81-94.
A
5.2 O PROBLEMA DAS LOCALIDADES ANTIGAS OU IMPRECISAS
5.2.1 As localidades antigas
Durante os séculos XVIII e XIX, os taxonomistas, geralmente europeus, não 
se preocupavam muito (com raras exceções) em detalhar a localidade-tipo das 
espécies que descreviam. Citavam-na (quando a dtavam) bastante vagamente. 
Todo zoólogo já se deparou com os "Südamerika", "Brasilien", "Colombia", 
"Americae insulis" e outras imprecisões semelhantes.
A elucidação e restrição das localidades-tipo é imprescindível para a 
identificação segura das espédes antigas e para trabalhos dc taxonomia em 
geral. O problema é agudo, devido à existênda de espécies crípticas, subespé- 
des, formas vicaríantes etc.
112
A descoberta das localidades-tipo antigas, não citadas na descrição origi­
nal dasespécies, assim comoa de localidades mais modemase imprecisas, pode 
ser feita de diversas maneiras:
Pelo exame do m aterial-tipo. Freqüentemente o tipo da espécic tem sua 
localidade mais ou menos bem determinada, e seu autor não a ci tou na descrição 
original; mesmo que não a tenha, é comum encontrar-se na etiqueta de um 
exemplar pelo menos o nome de seu coletor, o que já é um dado precioso, como 
veremos abaixo.
Pelo exame dos livros de registro. Muitos museus do mundo mantêm tivros 
de registro da entrada de coleções, alguns já com quase doissdeulos, No Museu 
de Paris, por exemplo, na Seção de Entomologia, estão depositados os antigos 
livros de registro, organizados ainda pelo grande LatrciHe, denominados Cala- 
logucdcs aniinaux satis vertebres. Tais livros são uma "mina" de in formações, pois 
para cada entrada estão anotadosa localidade, o nome do coletor, varios outros 
dados, e por vezes até o preço da coleção. Os insetos no Museu de Paris têm 
geralmente um pequeno rótulo redondo, tipo "confete", com dois algarismos 
separados de um grupo de três outros por uma barra (exemplo: 36/363); isto 
significa a entrada 363 do ano de 1836. Indo-se ao livro de registro, no ano de 
1836, entrada 363 acharemos os dados necessários. O mesmo ocorre no Museu 
Britânico e muitos outros museus antigos;
Pelo levantamento do roteiro do viajante naturalista que coletou o exem plar. 
Conhecendo-se o nome do coletor do exemplar, freqüentemente é possível 
deslindar a sua procedencia. Vejamos alguns exemplos.
Fabricius, em 1805, em seu Systenia A ntliarorum , descreveu algumas espé­
cies de Díptera provenientes de "Brasilia" e citou como coletor ou dono da 
coleção "Dom. Banks". Referiu-se, neste caso, a Sir Joseph Banks (1746-1820). 
Ora, sabe-se que Sir Joseph Banks participou, sob o comando do Capitão James 
Cook, douma célebre viagem aos Mares do Sul, a bordo do Endenvour. Lendo-se 
o relato desta maravilhosa viagem (Banks, 1896; Cook, 1804; Anon,, 1906), 
ficamos sabendo que, ao chegarem ao Rio de Janeiro, a 13 de novembro de 1768, 
o vice-rei, Dom Antônio Álvares, Conde da Cunha, proibiu-os de desembarcar 
e coletar na cidade, ficando o Endeavour ancorado na Ilha Rasa, na Baía de 
Guanabara. A não ser por uma escapulida de Banks à cidade, burlando a 
vigilância dos guardas, foi esta ilha o único local coletado por esta expedição, 
no território brasileiro. Portanto, podemos, com grande margem de segurança, 
traduzir o vaguíssimo "Brasilia", de Fabricius, por "Brasil, Rio de Janeiro, Ilha 
Rasa", que é a localidade-tipo das espécies descritas por aquele autor.
Rondam, em 1848, publicou o Esam e di varie specic d i dilterí brasiliani, em 
que não cita absolutamente localidade alguma. Declara, entretanto, que o 
material foi todo colecionado por um certo "Ghiliani". Pesquisando-se este 
nome, ficamos sabendo que veio para o Brasil em 1846 e que permaneceu apenas
113
três meses cm Belém do Pará, sem se poder afastarda cidade, pois eslava doente. 
Graças a esta informação podemos restringir a localidade-tipo das espécies 
deste trabalho, sem sombra de dúvidas, à cidade de Belém.
Um último exemplo. Macquart, pelo final da primeira metade do século 
XIX, dta algumas vezes a localidade de "Rio Negro", coletada por "M. d'Orbigny". 
Certos especialistas posteriores interpretaram tal localidade como o rio homô­
nimo, na Amazônia, introduzindo um grave erro na interpretação das espécies 
de Macquart. Se houvessem lido o relato das viagens de d'Orbigny (1835-1847, 
1853, 1945) saberiam que, em realidade, se trata da cidade de Carmen de 
Patagones, na República Argentina, único lugar na Província de Rio Negro onde 
d'Orbigny pôde coletar, pois nessa época os índios andavam se sublevando e 
cercaram essa cidade.
Tais subsídios podem ser obtidos por:
Enciclopédias. Estas incluem geralmente boas e sucintas informações sobre 
grande número de naturalistas viajantes, podendo servir de primeira base para 
ulteriores pesquisas; a melhor enciclopédia, para este objetivo, é o Grand Lnroits- 
sed u XIX® Siècle;
B ibliografias de viagens de exploração naturalista:
BERGER, P., 1964. Bibliografia do Rio de Janeiro dc viajantes e autores estrangeiros (1531-1900), 
322 pp. Livraria S3o Josí, Rio dc Janeiro.
Boa bibliografia, e bastante completa, listando quase todas as expedições 
que vieram ao Brasil, pois, com raríssimas exceções, todas passavam pelo Rio 
de Janeiro.
G ARRAUX, A. L., 1962. Bibliographie brésilieitne. Catalogue des ouvrages français ic lati/is rdatifs 
tiu BrésH (1500-1898) (2* cd.), xxxvii + 519 pp. Coleção Documentos Brasileiros, nB 100. 
Livraria José Olympio Editora, Rio de Janeiro.
RODRIGUES, J. C., 1907. Catalogo amtolado dos livros sobre o Brasil e de alguns aiitographos e 
manuscriptos. Parte l. Descobrimento da America; Brasil Colonial. 1492-1622, vi +■ 680 pp. 
Typographia do "Jornal do Commercio", Rio dc Janeiro.
CARVALHO, A. de, 1929*1930. Bibliothecacxotico~brasildra, 1{A-C): xxxii + 376 + ix pp., 1929; 
2 (D-H): xxxviii + 359 + xi pp., 1930; 3 (H-M): 356+ ix pp., 1930.
Esta obra ficou infelizmente incompleta. A parte restante do manuscrito 
de Alfredo de Carvalho, bastante inacabada, foi publicada em 1957, no volume 
77 dos Anais da Biblioteca N acioitaí, Rio de janeiro, juntamente com duas outras 
obras suas: a "Biblioteca exótica pernambucana" e a "Bibliografia geográfica 
brasileira".
BORBA DE MORAES, R., 1958. Bibliagraphia brasiliana. A bibltagraphicalessa\\f oit rare tmksalvut 
Brazit, 2 vols. Amsterdam & Rio de Janeiro.
114
Biografias de naturalistas. Além da resenha anual de biografias dc natura­
listas, publicada pelo Zoological Record, há que consultar as seguintes bibliogra­
fias de biografias:
CARPENTER, M. M., 1945-1953. Bibliography of biographies of entomologists. Amcr. Midland 
Nat. 53(1): 1-116,1945; 5ft 257-348 (Supplement), 1953.
GILBERT, P., 1977. A compendium ofthe biographical literature on deceased entomologists, 455 pp.
British Museum (Natural History), London.
HOEHNE, F- C., 1942. Notas bio-bibtiográficas de naturalistas botânicos, in F. C. HOEHNE, 
M. KUHLMANN & O. HANDRO, O Jardim BotBnico de São Pauto, 656 pp., ilus. S3o 
Paula
URBAN, I-, 1903. Noue biographicae peregrinatorum Indiae Occidentals botanicorum, in 
suo Symbalae Antittmiae 3(1): 14-158. Lipsiae (= Leipzig).
Um ótimo repositório de informações sobre naturalistas que coletaram nas 
Antiihas e América Central.
URBAN, 1 ,1908. Vitae itinaaque coJlectorum botanicorum, notae collaboratorum biographicae, 
Florae brasiliensis ratio edendi chronologica, systema, index familiarum, pp. ixc, in C
F. F. von Marti us et ai.. Flora Brasiliensis, enumeratio ptantarum haclenus detectarum quas 
suis aliorumque botanicorum studiis descriptas et methodo naturali dispositas partim icones 
illustrates ](]): oc + 266 + 31 pp., 55 pis.
Urban fornece o itinerário extremamente detalhado de inúmeras viagens 
de naturalistas pelo interior do Brasil.
Histórias da Z oologia ou de especialidades dentro da Zoologia:
CHARDON, C. E , 1949. Los naturalistas en to America Latina. Tomo I. Los sigtos XVI, XVII y 
XVIII, Alejandro Humboldt, Carte Darwin, La Espaüota, Cuba y Puerto Rico, vii + 386 pp., 
27pis. Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuaria y Colonizadón, Editora del Caribe, 
c. por A. Ciudad Trujillo (R-Dominicana).
ESSIG, E. O., 1931. A history o f Entomology, vii +1029 pp., 263 figs. The MacMillan Co., New 
York. -
GARCIA, R., 1922. Historia das explorações sdentificas, pp. 856-910, in Instituto Historico, 
Geographico e Ethnographko Brasileiro, Diceionario historico.geographico e ethnographico 
do Brasil 7 :1688 pp. Rio de Janeiro.
MEDEM, F., (1969). El desarrollo de la herpetologfa en Colombia. Reota. Acad, colomb. Gene.
exactos,fis. y not. 73(50) (1968): 149-199,2 tabelas, 13 figs., 1 mapa.
MELLO-LEITÂO, C de, 1937. A biologia no Brasil, 331 pp. Biblioteca Pedagógica Brasileira, 
Série 5*, Brasiliana, vol. 99. Companhia Editora Nacional, SSo Paulo.
MELLO-LEITÂO, C. de, 1941. História das expedições científicas no Brasil, 360 pp. Biblioteca 
Pedagógica Brasileira, Série 5*, Brasiliana, vol. 209. Companhia Editora Nacional, SSo 
Paulo.
PAPA VERO, N., 1971*1973. Essays on the history o f neotropical dipterology, with special reference 
to collectors (1750-1905), 1: vii + 216 pp., 1971; 2: iii + pp. 217-446,1973. Museu de 
Zoologia, Universidade de SSo Paulo, São Paulo.
115
Contém itinerários da maioria dos naturalistas que colecionaram na região
neotropical. Extensa bibliografía sobre o assunto.
PENNELL, F. W., 1945. Historical sketch, pp. 35-48, in F. VERDOORN, ed. Plants and plant 
sciences in Latin America, 381 pp., ilus. Chronica Botanlca Co., Waltham, Mass.
PINTO, O. M. de О./1945. CinqQenta anos dc investigação ornitológica. Arq. Zoo!., S. Paulo 4: 
255-340.
PINTO, O. M. de O., 1952. Súmula histórica e sistemática da ornitologia de Minas Cera is. Ibid. 
ft 1-51.
STRESEMANN, E , 1951. Die Entwicklung der Ornithologie, von Aristoteles bis гит Gegenwart, 
431 pp., 14 pls., 3 figs. F. W. Peters, Berlin.
WEIDNER, H., 1967. Ceschichtc der Entomologie in Hamburg. Abh. Verh. ttaturwiss. Ver. 
Hamburg (N. F.) 9 (Suppl.): 1-387, figs.
Hislórías das instituições
BRITISH MUSEUM (NATURAL HISTORY), 1904-1912. The history o f the collections contained 
¡n the natural history departments o f the British Museum, 1: xvii + 442 pp., 1904; 2; 782 pp., 
1906; Appendix: ix + 109 pp., 1912. London.
GUNTHER, A. E , 1975. A century ofzoology at the British Museum, through theHvesoftwokeepers, 
1815-1914,533 pp., pis. London.
LACERDA, J. B., 1905. Fastos do Museu Nocional do Rio de Janeiro. Recordações históricas e 
scientificasfundadas em documcnlosaiitlicnticoseinfonimções verídicas, iv+ 188 pp. Impren­
sa Nadonal, Rio dc Janeiro.
LADISLAU NETTO, (-), 1870. Investigações históricas e scientificas sobre o Museu Imperta e 
Nacional do Rio de Janeiro acompanhadas dc uma breve noticia de suas colecções e publicadas 
por ordem do Ministerio da Agricultura, iv + 310 + x pp. Instituto Philomatico, Rio dc 
Janeira
5.2.2 As localidades imprecisas
Para esclarecer localidades imprecisas, por qualquer dos motivos acima 
expostos, utilizam-se os mesmos processos usados para encontrar localidades 
antigas, e mais:
• obtém-se a informação precisa do próprio coletor (naturalmente se ainda for 
vivo) ou da instituição em que este trabalhou em vida; geralmente as institui­
ções mantêm os manuscritos, correspondências, relatórios de viagem, fichá­
rios e outros documentos de seus pesquisadores e coletores;
• obtém-se a informação pelos relatórios anuais publicados pelas instituições; 
algumas publicam-nos ininterruptamente há mais de um século - incluem o 
itinerário mais ou menos detalhado das expedições, movimentação das cole­
ções (doações, trocas, compras etc.);
• obtém-se a informação por consulta a outros especialistas interessados no 
assunto.
116
5.3 REPRESENTAÇÃO DE LOCAUDADES: MAPEAMENTO
Uma vez encontradas e fichadas todas as localidades, procede-se a seu 
m apeam ento. Para islo utilizam -se m apas-m udos (isto é, sem legendas) já 
preparados, ou desenha-se o m apa da área com a qunl se está trabalhando. O 
M inistério de Educação e Cultura im prim e um excelente caderno com m apas- 
m u d os,contend om ap asd as Am éricas, da Am érica d o Sul, do Brasil po r inteiro 
e por regiões etc., m uito útil para o trabalho do zoogeógrafo.
A representação das localidades pode ser feita por m eio de sím bolos, 
d esen h ad osan orm ógrafoou d ecak ad osd e fothasde Letraset, D ecad rye outras 
marcas. Usa-se um sím bolo para cada espécie oit subespécie, com o m ostrado 
nos mapas aqui reproduzidos (Figuras 5.1 e 5.2).
FIGURA 5.1 - Mapamostrandoaslocalkiadwocupadnsporrcprcsciit.idosdcdoisdíforcntcsgíncros.
117
*
FIGURA 52 - Mapa mostrando a dislribui^io geográfica das várias cspiídcs de um gíncro.
Para realçar a área ocupada por um determ inado grupo, podc-sc hachu- 
rear o conjunto das localidades, com o m ostrado no m apa acim a.
Pode-se ainda, no m esm o m apa, correlacionar as localidades com a distri­
buição das florestas, por exemplo.
c
f
f
t
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f
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€
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C
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c
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t
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€
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I : 
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t 
t - 
t 
t
118
5.4 CORRELAÇÃO DE LOCALIDADES 
COM ÁREAS MORFOCLIMÂT1CAS
Finalmente, depois de prontos os mapas de distribuição, vai o zoólogo 
interpretar os padrões surgidos e tentar correladoná-los com os domínios 
morfociimáticos. Exemplos de trabalhos zoogeográficos, neste sentido, podem 
ser vistos de maneira bastante clara em:
VANZOL1NI, P. E., 1970. Zoologia sistemâtica,geognfxa ea origem das espiões, 56 pp., 7 mapas, 
2 gráficos, 3 tabelas. Universidade de SSo Pauto, Instituto de Geografia, Série Teses e 
Monografias n° 3. S3o Paulo.
Para iniciar-se no estudo dos domínios morfociimáticos, remetemos 0 
leitor aos trabalhos dássicos de Ab'Saben
AB'SABER, A. N.. 1967. Domínios morfociimáticos e provindas fitogeográficas do Brasil.
OrientaçSo (Departamento de Geografia, USP) 3:45-48.
AB'SABER, A. N., 1968. Provínciasgeológicas e domínios morfociimáticos no Brasil. Geologia 
(Centro Paulista de Estudos Geológicos) 3 :35-123.
AB'SABER, A. N., 1977. Os domínios morfociimáticos na América do Sul. Ceomorfologia 
(Instituto de Geografia, USP) 52:1-21.
E, para terminar este capítulo, uma referônda de um excelente livro sobre 
a vegetação da América do Sul, extremamente valioso para os zoólogos:
HUECK, K., 1966. Die WSIderSlidamerikas, õkologie, Zusammensetiung und wirtschaftlicheBedeu 
tung, xviii + 422 pp., 253 ligs., ín H. WALTER, ed.. Vegetalionsmonographien der 
einzelnen Grossraume, vol. 2. Gustav Fischer Vcriag, Stuttgart 
HUECK, K., 1972. As florestas da América do Sul. Ecologia, composição e importSncia econômica, 
xxviii+466 pp., 253 figs. Editora da Universidade de Brasília, S3o Paulo. (Tradução de 
H. REICHARDT).
REFERÊNCIAS
ANON., 1906. Captain Cook's voyages o f discovery, ix + 479 pp. Everyman's Library Series, J.
M. Dent & Co., London; Dutton & Co., New York.
BANKS, J., 1896. Journal o f the Right Hon. Sir Joseph Banks during Captain Cook’s first voyage in
H. M. S. Endeavour in 176&-71 toTierra d à F u g o , Otahite, New Zealand, Australia, the Dutch 
East Indies, etc. (edited by Sir Joseph D. Hooker),406pp., 2 pls.,4 mapas. MacMillan & Co. 
Ltd., London & New York.
COOK, J., 1804. Premier voyage de James Cook autour du monde fa it en 1768,1769,1770, et 1771, 
préeidé des relations de MM. Byron, Carteret et Wallis, 2:254 pp. Veuve Lepctit, Paris, "An 
XII'.
D'ORBIGNY, A. D., 1835-1844. Voyage dans I'Amirique méridionale (le Brésil, la RfyubHijuc 
Orientale de l'Uruguay, la République Argentine, la Patagonie, la Républiquc du Chili, la
119
Rcpubliquc de Bolivie, ta {(¿publique du Pérou), cxículé pendant les anules 1826,1827,1828, 
1829.1830,1831,1832, et 1833,1 (1835): Partie Histonque; 2 {1839-1843): Partie Histori- 
que (cont.); 3(1) (1344): Partie Histonque (cond.) Strasbourg.
D'ORBIGNY, A. D., 1853. Voyage da ns les deux Amériques, augmenté de reaseiguements exacts, 
jusqu'eii 1853 sur les différents états du Nouveau Monde, iv + 615 pp., Mus., pls., 2 mapas. 
Fume tt Cie., Libraires-Editeurs, Paris.
_________ , 1945. Viaje e la America Meridional Brasil - República del Uruguay - República
Argentina - La Palagonia - República del Chile - República de Bdivia - República del Perú, 
realizada de 1826 a 1833,1:439 pp.; 2: pp. 449-816; 3: pp. 825-1232; 4 :3241-1614, ilus. {■*• 
índice geográfico estadístico, histórico de las materias contenidas en los cuatro tomos, 35 pp.). 
Editorial Futuro, Buenos Aires.
6. RUDIMENTOS DE LATIM
Nelson Papavero
6.1 SUBSTANTIVOS
Os substantivos latinos possuem gênero, número e caso, ou seja, a termina­
ção de um nome latino muda não só para mostrar que duas ou mais coisas estão 
sendo mencionadas, mas também para indicar a relação deste nome com outras 
palavras na sentença e para expressar significados que em português exigem o 
uso de artigos e preposições como o, a, de, por, com etc
6.1.1 Gênero
Há três géneros em latim: masculino, feminino e neutro. As palavras 
relativas a machos são masculinas; as relativas a fêmeas, femininas; ao gênero 
dado pela significação do vocábulo dá-se o nome de gênero natural.
Esta regra falha em grande número de casos e o gênero é geralmente dado 
pela terminação ou desinência (vide adiante); estes casos constituem o gênero 
gramatical.
Nomes terminados em -us e -er são geralmente masculinos (exceções: nomes 
clássicos de árvores, como juniperus, pinus, qucrcus, prttnus etc., são femininos).
Os vocábulos terminados em -a e -cs são na maioria femininos.
Palavras de origem grega, terminadas em -ma, são geralmente neutras, 
assim como os nomes terminados em -um e -h.
122
Nomes de rios e montanhas (a não ser que terminem em -a ou -e) são mas­
culinos; os nomes da maioria dos países, ilhas, cidades e árvores são femininos.
O grande número de exceções em todos estes casos e a grande quantidade 
de terminações ou desinências dos vocábulos latinos tomam estas regras bas­
tante frágeis.
O único meio seguro para saber-se o gênero de um substantivo latino é 
consultar um dicionário, que sempre indica o gênero das palavras pelas letras 
m.,/. e n.
6.1.2 Número
Singular e plural. Há palavras que só existem no plural (pltiralia tantum): 
genitalia.
Outras mudam de significado conforme o número: scopa, ac (sing.) = 
graveto; scopae, arum (plur.) = vassoura.
6.1.3 Tema e desinência
Tema é a parte imutável das palavras. Desinência ou terminação a parte final 
variável.
Obtém-se o tema de qualquer termo pela eliminação da desinência do 
genitivo singular, rnusca (mosca) - genitivo singular é mtiscac; retirada a desi­
nência -ae temos o tema musc~.
A maneira mais simples de saber-se o tema de um substantivo é consultar 
um dicionário, que fornece sempre: o nominativo singular; a desinência do 
genitivo singular; o gênero da palavra. No exemplo acima, a palavra rnusca vem 
assim atada no dicionário: “rnusca, ae, f." (nom. sing.; desinência do gcn. sing.; 
e f. expressando o gênero feminino).
A obtenção do tema de uma palavra é extremamente importante para a 
formação de nomes compostos ou derivados. Assim, стих (cruz) tem o genitivo 
singular crucis, sendo o tema cruc-; deste derivam-sc cruciatus (cruciado), crucifer 
(portador de cruz), crucijbrmis (em forma de cruz) etc. Os nomes supragenéricos 
formam-se pela junçSo de terminações especiais ao tema do nome genérico: de 
musca, por exemplo, com tema musc-, formam-se Muscidae, Muscoidea, Mus- 
comorpha etc
6.1.4 Declinação
"Declinar é adicionar ao tema de cada palavra a desinência adequada ao 
que se quer expressar, isto é, a terminação característica de cada caso. Qual a
123
finalidade das declinações? Exprimiras diferentes relações lógicas das palavras 
entre si, o que em português é feito pelos artigos, preposições e colocação de 
nomes" (Rizzini, 1978:9).
Há cinco declinações em latim, facilmente reconhecíveis pela terminação 
do genitivo singular; citado sempre nos dicionários:
Gen. sing. Declinação Exemplos
-ac 1* musca, ae, f. - mosca
-i 21 cuiiiatltts, i, m. - coelho
fuimus, /, f. - solo 
ovaríuni, /, n. - ovário 
-is 3a dcns, tis, m. - dente
gaster, cris, f. - ventre 
caput, itis, n. - cabeça 
-us 4® scxus, us, m. - sexo
qucrciis, us, f. - carvalho 
-ei 5* species, ei, f. - espécie
6.1.5 Casos
Cada declinação se compõe de seis casos:
Nominativo - é o caso do sujeito;
Vocativo — quando se interpela uma pessoa ou um objeto;
Genitivo - é o caso possessivo; substitui a preposição de; exemplo: a asa 
(nominativo) da mosca (genitivo) -a la muscae;
Dativo - é o caso do objeto indireto ou complemento terminativo; 
Acusativo - refere o objeto direto, aquele que recebe a ação expressa pelo 
verbo;
Ablativo - designa as múltiplas circunstâncias em que pode se dar a ação: 
tempo, lugar, causa, modo, instrumento etc.
Felizmente, para o uso dos zoólogos, só têm importância o nominativo e o 
genitivo (singular e plural) e só com estes dois casos preocupar-nos-emos em 
seguida.
6.1.6 Declinação de substantivos
Primeira declinação. Encerra nomes em -a, quase sempre femininos.
124
Os nomes latinos de origem grega terminados em -ma são neutros da 
terceira declinação, excetoquando a terminação-»» em latim for a transi iteração 
da desinência feminina grega -me(jii\).
Há poucos substantivos masculinos da primeira declinação: agrícola (fa­
zendeiro), íncola (habitante), advem (recém-chegado), poeta (poeta), scriba (escri­
ba) etc.
Casos Singular Plural
Nom. nittsc-a (a mosca) mitsc-ae (as moscas)
Gen. musc-ae (da mosca) musc-anm (das moscas)
Segunda declinação. Nomes em -ws, -er, -ir e -um. Os terminados em -ms são 
em geral masculinos e freqüentemente correspondem a vocábulos gregos ter­
minados em -os (exceções: humus = solo; fagits - faia; pyrtts — pêra; methodus = 
método; hydalhodus = hidatódio, femininos; pelagus = mar e virus = veneno, 
neutros). Os terminados em -um são sempre neutros e freqüentemente corres­pondem a vocábulos gregos terminados em -oh. O s terminados em -er e -ir são 
geralmente masculinos, mas podem scr femininos e neutros.
Os vocábulos em -i/s, -er e -ir têm as mesmas desinências em todos os casos.
Casos
Nom. ocid-us (olho) ocid-i (os olhos)
Gen. ocid-i (do olho) ocul-orum (dos olhos)
Nom. ager, m. (o campo) agri
Gen. agrí agrorum
Nom. vir, m. (o homem) viri
Gen. viri virorum
Os neutros em -uni mudam apenas a desinência do nominativo plural:
Nom. roslr-um (bico) rostr-a
Gen. roslr-i rostr-orum
Terceira declinação. É extremamente complexa e tem seus temas terminados 
por consoantes ou pelas vogais -i, -o, -« e -y. Forma o genitivo singular pela 
adição da terminação -is. As vezes, o nominativo singular eo tema são idênticos, 
como animal e animal- (nomes parissilábicos); mas freqüentemente (nos nomes 
imparissilábicos), o genitivo singular possui mais sílabas do que o nominativo 
singular, como em os, oris (boca); varietas, varielatis (variedade). Variam também 
as desinências do nominativo e do genitivo plurais.
São extremamente numerosos os substantivos pertencentes à 3* declina­
ção. Podem, entretanto, ser agrupados em vinte tipos de desinências (no nomi­
nativo singular).
Desinência em -al
Nom.
Gen.
Desinência em -ar
Nom.
Gen.
Desinência em -as
Nom.
Gen.
Desinência em -ax
Nom.
Gen.
Nom.
Gen.
Desinência em -e
Nom.
Gen.
Desinência em -en
Nom.
Gen.
Desinência em -er
Nom.
Gen.
animal, n. 
animalis
calcar, n. 
calcaris
varíelas, f. 
varíclatis
pax, f. 
pads
Astyaiiax, m. 
Astyaiuictis
marc, n. 
maris
fiumen, n. 
fiuminis
papavcr, f. 
papaveris
ammalia
animalium
calcaria
calcaritwi
varietafes
varictaluin
paces
pttcum
mares
mariuiu
fiuntiites
/luminimi
papavera
papaverum
O nome masculino asfcr(cstrcla) e os nomes dele derivados formam o 
nominativo plural em asieres; gasicr (f., gen. sing, gastri ou gaslcris) pode ser 
áeclinadocom opapatarou como ager (da 21 declinação). Otaraclcrc clalcr(a mbos 
masculinos) são declinados como aslcr.
Desinencia em -es
Nom.
Gen.
Com genitivo singular em -etis ou -edis 
paries, m. pañetes
parid is parieluin
í I 
' >
ì
1
ì
ì
ì
ì
.?
J 
ì . 
i 
>
I ; 
i :
1
I :
ì
ì
ì
*
I
ì
J
126
Nom. pes, m. pedes
Gen. pedis pedum
Com genitivo singular em -is
Nom. pubes pubes
Gen. pubis pubi um
Com genitivo singular em -■itis
Nom. hospes, m. bospitcs
Gen. hospitis hospitum
Desinência em -ex
Nom. apex, m. apices
Gen. apicis apicum
Desinênda em -is
Com genitivo singular em -is
Nom. unguis, m. ungues
Gen. unguis unguium
Com genitivo singular em -idis
Nom. epidermis, f. epidermidcs
Gen. epidcnnidis epidermidum
Desinênda em -ix
Nom. appendix, f. appendices
Gen. appendicb appendicum
Alguns nomes genéricos de origem grega terminados em -ix formam o 
genitivo singular em -ichis: CaUithríx, Callilrichis (daí o nome da família ser 
CalUtrichidae).
Desinência em -ma
Nom.
Gen.
Desinência em -o
Nom.
Gen.
Nom.
Gen.
denta, n. 
dermalis
dermata
dermatum
Com genitivo singular em -inis
margo, m. margines
marginis iimginum
Com genitivo singular em -oh/s
embryo, m. embryones
embryonis embryonum
127
Desinência em -on (nomes gregos de terminação -ov)
Nom. icon, í. ícones
Gen. icoitis iconum
Os terminados em -odon (dente) formam o genitivo singular em -otitis 
(Stnilodon, Smitodonlis).
Desinência em -or
Nom.
Gen.
Desinência em -os
Nom.
Gen.
odor, m. 
odoris
os, n. 
orís
Desinência em -s após consoante 
Desinência em -bs
Nom.
Gen.
Desinência em -ns
Nom.
Gen.
Desinência em -ps
Nom.
Gen.
urbs, f. 
urbis
dens, m. 
dentis
slirps, f. 
stirpis
odores
odorum
ores
orium
urbes
urbium
dentes
dentium
stirpes
stirpium
Alguns nomes tSm o seu tema modificado no genitivo singular, como 
Podyceps, podycipitis (daí ser o nome da famOia Podydpitidae e não Podicepidae).
Desinência em -rs
Nom.
Gen.
Desinência cm -i/s
Nom.
Gen.
Nom.
Gen.
pars, f. 
partis
genus, n. 
generis
corpus, n. 
corporis
partes
partium
genera
generum
corpora
corporum
128
Desinência em -ut
Nom. caput, n. capites
Gen. capitis capitum
Desinência em -yx
Com genitivo singular em -ycis
Nom. calyx, m. calyces
Gen. calycis calycum
Com genitivo singular em -ycltis
Nom. bostryx, m. bostrychcs
Gen. bostrydtis bostrychum
Quarta declinação. Nomes terminados em -us ou-u, com o genitivosi ngular 
em -us. Os terminados em -t/s sã o quase sempre masculinos (exceções: rjiicrcus = 
carvalho, manus - mão, irtbtts = tribo, femininos). Os terminados em -u são 
neutros.
Nom. cornu, n. cornua
Gen. cornus conutum
Nom. sexns, m. sexus
Gen. sexus sexuum
Quinta declinação. Nomes femininos em -es, com genitivo singular em -ei 
(exceção: dies = dia e iiicridies - meio-dia, masculinos).
Nom. specics, f. species
Gen. spccici specierum
6.2 ADJETIVOS
Os adjetivos são extremamente importantes em nomenclatura; quase lo­
dosos nomos específicos são adjetivos qualificativos, substantivos adjetivados, 
ou participios presentes adjetivados.
Os adjetivos de vem obrigatoriamente concordarem genero, número c caso 
com os substantivos que qualificam: tribus nova, gemís uouum, nomeit oblitum, 
setisu stricto, Blepharepiitm abdomimle.
Os qualificativos latinos classificam-se em duas classes.
129
6.2.1 Adjetivos de 1® classe
Dedinam-se nas 1* c 2" declinações, de acordo com o gênero da palavra: 
os femininos na Ia e os masculinos e neutros na 2a. Estes adjetivos dc 1* ciasse 
são Informes, isto é, possuem desinência especial para cada gênero:
Gênero
m.
f.
n.
Desinência
-us e -cr 
-a, -ra e -era 
-unt, -rum e -crum
Exemplos
acutus, glaber, aspcr 
acuta, glabra, aspera 
acut tun, glabriim, aspcntm
Os dicionários indicam tais adjetivos da seguinte maneira: aculus, a, um; 
glaber, glabra, glabnim ou glaber, bra, bruni; asper, aspera, aspenim ele.
As desinências são idênticas às dos substantivos.
Sing.
Plur.
Sing.
Plur.
Adjetivos cm -us,-a, -um
m. f. n.
Nom. longits longa longum
Gen. longi longac longi
Nom. loiígi longae longa
Gen. longorum longantm longorum
Adjetivos em -cr, -■ra, -rum
m. {. n.
Nom. glaber glabra ¡¡labrum
Gen. glabri glabrae glabri
Nom. glabri glabrae glabra
Gen. glabroriini glabrarum glabrorttm
Muitos adjetivos qualificativos de 1* classe podem ser formados pela 
aposição dos sufixos -fer (de fero: levo, trago) e -ger (de gero = fero) a um 
substantivo. Exemplos: sphvfer, a, um; punctigcr, a, um. A formação destes qualifi­
cativos pela adição de-fer e -ger deve ser feita unindo-se essessufixos a substantivos 
terminando pelo genitivo dc especificação (genitivo singular da 2* declinação, ainda 
que pertençam a ou Iras declinações); por exemplo, cornu, ws (4* declinação) 
declinado como se fosse da 21 daria genitivo comi, mais -ger. coritigcr, a, um.
O mesmo pode ser feito com o sufixo -pltorus, a, um, de origem grega, 
(= portador dc) usado apenas com palavras da mesma procedência (gregas), 
para evitar a formação de nomes híbridos; neste caso, a regra acima não vale, o 
genitivo singular do primeiro termo, neste caso, termina sempre cm -o (rara­
mente -s): rlüzopliorus, a, um: phosphonis, a, um.
Os participios passados têm a forma c exercem a função de adjetivos, 
sendo corno tais tratados; pois suas desinências pertencem à 1* classe, sendo aí 
declinados: composi tus, a, um; amtatus, a, unt; ontatus, a, um; iwtatus, a, um; 
instruclus, a, um; estes são participios passados, respectivamente, dos verbos 
componete, armare, ornare, notare, inslruere.
6.2.2 Adjetivos de 2a classe
Têm três formas, todas declináveis na 3* declinação. Triformcs. Contam 
com três desinências para o nominativo singular, conforme o gênero: -cr, m.; -is, 
f.; -e, n. Os dicionários assim expressam estes adjetivos: campester, tris, tre; acer, 
acris, acre; de modo a não haver dúvida quanto à forma. No plural só há duas 
formas:
Sing.
m. f. n.
Nom. cnmpester campestris campestre
Gen. campestris campestris campestris
m., f. n.
Nom. campestres campesina
Gen. campestrium campestriumPlur.
Biforntcs. Com duas terminações: -is (m., f.) e -e (n.). Nos dicionáriosaparecem sempre assim: brevis, e; lacvis, e.
Sing.
Plur.
m., f. n.
Nom. brevis breve
Gert. brevis brevis
Nom'. breves brevia
Gen. brevium brevium
Uniformes. Uma única desinência para os três gêneros, quase sempre em 
-x. Os dicionários indícam-nos de duas maneiras: símplex, kis ou simplex, icis 1 
(a unidade indicando ser o adjetivo uniforme).
Sing.
PJur.
Nom.
Gen.
Nom.
Gen.
m., f., n.
sim plex
simpticis
m., f.
sintpliccs
simplicium
n.
Simplicia
simplicium
131
6.2.3 Participios presentes adjetivados
São extremamente comuns; terminam sempre em -ons e -ens e são unifor­
mes, dedinando-se como tais; dccumbens, cutis; dedpiens, ctttis; constans, f/s; 
aesíuans, tis,
6.2.4 Graus dos adjetivos qualificativos
Há três graus: positivo, comparativo e superlativo.
O positivo acaba de ser estudado. Do comparativo, só nos interessa o 
comparativo de superioridade, que aumenta o sentido da palavra. Este compa­
rativo de superioridade forma-se trocando a desinênda do genitivo singular (-/ 
nos adjetivos de 1* classe, -is nos de 2* classe) pelas seguintes desinências:
m., f. n.
-ior -ius
Exemplos: acutus, a, um - genitivo singular coif-í-comp. acutior, acutius; 
perennis, e - gen. sing. percnii-is - comp. pcrctiiuor, perennius. Declinam-se como 
adjetivos de 2* classe, biformes.
O superlativo forma-se faalmente (especialmente para nós, pois o portu­
guês herdou diretamente este processo):
• Tanto os qualificativos como os partitípios presentes adjetivados adquirem o 
grau superlativo quando se substituem as desinencias do genitivo singular por 
-issimus, a, um. É interessante notar que os qualificativos, tanto de l1 como de 
2* classe, passam a ser todos de 1' classe no grau superlativo. Exemplos: acutus,
a, um -acutissimus, o, um; perennis, e-pereiiissiimts, a, um.
•Os adjetivos terminados em -er fazem o superlativo pela adição de -rimus, a, 
um, ao nominativo singular masculino: aspcr,a, um-asperrimus, a, um; integer, a, 
um-integerrimus, a, um;glaber,a, um -glaberrimus,a, um.
•Para os adjetivos terminados em -ilis adidona-se-limus, a, um ao tema: difficilis, 
e - dijficiltintus, a, um;similis, e - similümus, a, um; humilis, e - humilíimus, a, um.
Comparação irregular. Os seguintes qualificativos têm comparação irregular
Positivo Comparativo Superlativo
m., f. n. m., f., n.
bonus, a, um melior melius optimus, a, um
externus, a, um exterior exterius extremas, a, um
inferus, a, um inferior mferius infimus (inunits), a, um
internus, a, um interior interius intimas, a, um
132
fítagnus, a, um major majtus maximus, a, um
tmlus, a, um peior peius pcssintus, a, um
mullí, ae, a plures plura plurími, ae, a
parvus, a, um minor minus minimus, a, um
superus, a, um superior superius supremus (stimmus), a, um
6.2.5 Adjetivos numerais
Têm importância reduzida, tanto os cardinais como os ordinais. Raramen­
te precisam ser declinados. É útil, entretanto, conhecê-los para a leitura de datas, 
números de volumes, capítulos etc.
Arábicos Romanos Cardinais Ordinais
1 I unus, a, um primus
2 n duo, duoe, duo secundas
3 III tres, tria tcrtius
4 IV quatuor (quattuor) quarttis
5 V qulnque quintus
6 VI sex sexlus
7 VII stptem séptimas
8 VÜI oeto odavus
9 IX (VIIII) noocm ttonus
10 X deeem dccimus
11 XI undecim undecimus
12 xn dodedm duodécimas
13 XUI Irededm tertius dccimus
14 xrvpain) quatuordcdm quarttis dccimus
15 XV quindccim quint us dccimus
16 XVI sedecim sextus dccimus
17 xvn . septcndccim septimus dccimus
18 xvni (xnx) duodeviginti duodeoicensimus
19 XDC(XVnn) undeoiginti undcoiansimus
20 XX viginti viccnsimus (viccsintus)
21 XXI unus et viginti vieensimus primus
22 XXII duo et viginti alteret viccnsimus
23 XXIII tres et viginti tcrtius et viccnsimus
28 XXVIII duodetriginta duodctriccnsimus
29 XXIX undetriginta undetricensimus
30 XXX triginta tricensimus
40 XL (XXXX) quadragiiita quadragcitsimus
50 L quiitquaginta qitiiiqungcnsiintis
60 LX sexaglnta scxagensimus
70 LXX septuoginta sepUiagcnsimus
80 L x x x rx x a actoeinta octoaensimus
. J à
133
Con tinu¿cio
Arábicos Romanos Cardinais Ordinais
90 XC(LXXXX) noiuiginln nonagensimus
99 XC3X(IQ undecenlum undecentensimus
100 C cenlum centensimus (centcsimus)
101 CI centum et unus centensimus primus
150 CL centum quinquaginla centensimus quinquagensimus
200 CC ducenti ducentensimus
300 CCC trecenti .. trecentensimus
400 CD (CCCC) quadringenti- quadringentensimus
500 D(D) quingenti ■ quingenlensimus
600 DC (DC) seicenti sescenlensimus
700 DCCffDCq seplingenti septingentensimus
800 DCCC(IDCCC) octingenti oclingentenshnus
900 CM (DCCCC ou nongenti nongenlensimus
1DCCCQ
1.000 M(C1D) mille mittensìmus
1.500 MD(CID.O) mille quingenti mitlensimus quingenlensimus
1.550 MDL (CO.IDL) mille quingenti mittensìmus quingenlensimus
quiuquagenta qtiiitquagcnsimus
1.600 MDC (CO.IDC) mille sescenti mitlensimus sescenlensimus
1.602 MDCfI(ou mille seicenti duo mitlensimus sescenlensimus
CD-IDCII) alter
1.650 MDCL (ou mille sescenti miltensimus sescenlensimus
(CD.ID.CL) quinquaginla qainquagensimus
1.700 MDCC(ou mille septingenti mitlensimus
c o . o . c a septingentensimus
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6.2.6 Adjetivos relativos a cores e a padrões de colorido
Estes são os mais encontradizos na literatura zoológica; para facilitar o seu 
emprego damos aqui urna lista mais ou menos completa dos adjetivos relativos 
a coreseum glossário comoseu significado. Estajista inclui adjetivos provindos 
do ladm clássico, do latim medieval, do neolatim e alguns termos de sentido 
figurado, de uso consagrado na taxonomía.
Incolor: achromos, aqueus, ciyslallinus, hyalinus, incolor, pelluddus, scmipellu- 
cidus, vitreas.
Branco (e prateado): alabastrinas, albellus, albescens, albicans, albicolor, albi- 
dulus, albidus, albineus, albinas, albus, argentaceus, argentatus, argenteus, argilla- 
cctts, argyraceus, calcareus, candens, candicatts, candidulus, candidas, candificus, 
cerussatns, creincus, cremicolor, crciaccits, creteus, dcalbatus, deargentatus, eboreus, 
eborínus, ebumeus, ennineus, exalbidus, galadtroas, galacticolor, galacticus, galacti- 
tes, inargentatus, lacteus, laclicolor, nivalis, niveus, papyraceus, virgincus.
Cinza: ardosianus, atroschistaceus, caesiellus, caesius, canescens, canus, capno- 
des, capnoides, chalybeus, dneraceus, cineracius, cinerascens, cinereus, cinericus, 
cotumbinus, elephines, elephinus.füligineus,fuliginosus,fumeus,fumidus,fumigatus, 
furnosusjumus, griseÍtus,griseolu$,grisescen$, griseus, incanus, leucophaeus, tívidu- 
lus, Imidus, livius, Hxivius, molybdittus, mtybdus, murinus, myochrous, nigricans, 
nigrescens, nubilus, oniscus, plumbeus, pullus, schistaceus, spodochrous, subaquilus, 
subfiiscus, subustulatus, tephreus, tephrvs.
Preto: aethiopicus, anthradnus, ater, atrammtarius, atratus, alricolar, coraci- 
ttus, corvinus, denigratus,furvus,fuscus, indicus, memnonius, nigellus, niger, nigres- 
cens, nigricolor, nigrinus, nigritus, nigrogemmeus, piceoater, piceus, puilatus, pullu- 
lus.puüus.
Marrom: airobrumeus, avellaneus, avelünus, badius, bruneotus, brunnescens, 
brurmeus (ou bruneus), castaneus, chocolatinus, dnnameus, dnnamomeus, coffealus, 
corylims, ferrugineus,fuUgineus, fuligmosus, fuscus, helvus, hepaticus, hinnuleus, 
ligneus, tignicobr, Ugnobrunncus, luridus, nicotianus, porphyrcticus, porphyreus, 
pullus, rufescens, rufits, russus, spadiceus, subfuscus, subniger, tabacinus, theobromi- 
nus, umbricellus, umbrinus, ustalis, ustulatus, vaccinus.
Amarelo: alulaceus, auratitiacus, aurantius, auratffis, auratitius, auratus, au- 
reolus, aureus, auricolor, aurifer, aurosus, aurulentus, buxeus, byssicus, byssinus, 
cereolus, cereus, cerineus, cerinus, cervicolor, cervinus, chryseltus, chryscus, chrysitis, 
citrellus, dtreus, dtrineüus, dtrinus, crocatus, croceus, crocinus, elbolus, eledrinus, 
flavescens, flavicans, flavidus,fiavus,foeninus,fulvellus,fulvescens,fulvidus,fulvus, 
galbanus, gilvus, helvidus, helvoius, helvus, hinnuleus, ictericius, idericus, leochro- 
mus, leoninus,lividus, luridus, luleolus, luteseens, luteus, lutosus, melleus, meUinus, 
mustellinus, ochraceus, ockroleucus, paleus, ravidus, ravus, stramineüus, stramineus, 
subßavus, sucdneus, sulfiiratus, suljfureilus, sul/ureus, sulfitrinus, sulfurosus, testa- 
ceus,viteliinus, xanthellus.
Alaranjado: aurantiacus, aurantius, auroreus, dnnamomeus, crocatus, cro­
ceus, crocinus, crustulinus, cuprescens, ferrugineus, ferruginosus, flammeolus, 
ßammeus, gilvus, ignescens, igneus, isabeüinus, rhabarbarinus, rubiginosus, tofaceus 
fou tophaceus).
Verde: aeneolus, aeneus, aereus, aerugineus, aeruginosus, aquamarinus, atrovi- 
rens, alroviridis, beryliinus, caesius, chlorescens, chlorinus, chloroticus, elaeodes, fla- 
vooirens, glaucescens, glaudnus, glaucus, grantineus, herbaceus, herbeus, melanoclt- 
lorus, nigrovirens, olimceus, olivascms, oliveus, olivicolor, olivinus, orobitinus, pau- 
siacus, prasinus, psittaceus, saligneus, smaragdinus, subviridis, thalassicus, thalassi- 
nus, virens, virescens, viridans, viridascens, viridicans, viridis, viridulus.
Azul: azureus, caelestis, caelicolor, caerulans, caeruleatus, caerulescens, caeru- 
ieus, cacrulosus, caesiellus, cizatiuus, cobaltinus, cyanater, cyanellus, cyaneus, ianthi-
135
nus, indigoticus, lazulinus, lilacinus, lividinus, iividulus, subcaeruleus, turcoisinus, 
turcosus, venetus, violaceus.
Púrpura e violeta: amethysteus, amethystinus, atropurpureus, atrooiolaceus, 
blatteus, blattinus, dibaphus, hyacinthinus, hysginus, ianlhinus, indicus, ioitides, 
lilaceus, liiacinus, malvinus, molochinus, ostrinus, porphyrokucus, porphyreus, pru- 
ninus, purpurascens, purpurellus, purpuráis, purpurinus, tyrius, vinaceus, vinicolor, 
vinosus> viotascens, vioteus.
Vermelho: atrocarmesinus, atrococcineus, birrhus, birrus, burrhus, burrus, 
byrrhus, carmineus, cameolus, cameus, caryophyllaceus, cerasinus, chermesinus, cin- 
nabarinus, cocceus, coccinatus, cocdneus, coccinus, corallinus, crucntaius, cruentus, 
cuprescens, cupreus, erubescens, figlinus, fiammeus, ftdvaster, gilvus, gitlutgineus, 
githaginosus, Iwematicus, haematinus, haematites, haematiticus, haematocbrous, ig- 
neus, incarnatus, kermesinus, miniaceus, minialus, persicinus, persicus, phoeuiceus, 
puniceus, purpureas, rhodeUus, robeus, robidus, rosaceus, roselieus, roseus, rubellulus, 
rubellus, rubens, rubeolus, ruber, rubescens, rubeus, rubicund us, rubidus, rubigittosus, 
rubus, ru/escens, rufulus, rufus, russus, rutUans, rutilalus, rutilus, salmonaceus, 
salmoneus, salmonicolor, sandaraceus, sandaracinus, sandaricus, sanguineus, sangui- 
nolentus, scarlatinus, subrubens, subrubicundus, leslaceus, vermiculatus, vinaceus, 
vinosus, xerampelinus.
Termos vagos ou imprecisos: amiantus, betullinus, coloreus, coruscabilis, 
corttscans, ferreus,flammeolus, fiammeus, foeninus, fulmkieus, fumigat us, fumosus, 
funebris, giivus, ignescens, igtteus, infumalus, luridus, metaUicus, murinus, nebuto- 
sus, nubilus, obscuras, palüdulus, paliidus, pictus, prunmus, roborínus, sordidus, 
tristis.
Cores variegadas, padrões e qualidades: bicolor, coloratus, concolor, crispus, 
dilutus, discoidalis,fasciatus,Jloridus,fulgen$,fuscus,granwiicus,gutlatus, iaspideus, 
impolitus, infuscatus, iricolor, laetus, iimbalus, linealus, lituratus, maculatus, macu- 
losus, marginatus, mamtoraius, micans, mulábiUs, nebulosas, nitidus, obscurus, ocel- 
latus, opacus, pallidulus, paliidus, perpaUidus, pictus, punctatus, punctulatus, purus, 
saturatus, sordidus,stellatus,striatus, suffusus, tessellalus, tigrinus, tricolor, undalus, 
undulatus, variatus, variegatus, viitaius, vividus, zonatus.
Glossário 
achromusi incolor.
aeneolus, aeneus: cor-de-cobrc ou bronze. 
aereus: acobreado.
aerugineus, aeruginosas: verde-gris, verde-escuro, com algo de azuL
aethiopicus; preto (em sentido figurado).
alabastrinus: branco-ama relado.
albescens, albicans', tomando-se branco, esbranquiçado.
albetlus, albicoíor, albidulus, albidus, albineus, albinus: esbranquiçado, branoo-sujo.
albiis branco (fosco); v. candidus.
alutaceus: amarelo-esbranquiçado.
ameihysteus, anielhystinus: córale-ametista, violeta.
amiantus: branco-esverdeado.
anihradnux preto como carvão.
oquomarinus. veide-azulado-daro.
aqueusr. transparente (como água).
ardosianus, dnza-ardósia; v. schistaceus.
argentaceus, ergentalus, argentais, argyraceus: cor-de-prata, prateado. 
argüloceus: branco-argila, ligeiramente amarelada 
argo-: v. candidus.
aten prcto-puro, sem azul ou marrom.
alrameiilarius preto, cor-de-tinta, retinto.
dinifus; encgreddo.
atrictíor. o mesmo que ater.
alnbrunneus: marrom-enegreddo.
atrocamiesinus vermelho-enegreddo.
oirococcineus: o mesmo que o anterior.
atrvpurpureus púrpura-escura.
atrosckistaceux dnza muito escuro, ardósia-cscuro.
atromolaceus: violeta intenso, muito escuro.
atromrens, atrooiríãis: verdc-escuro, passando a preto.
aurmliacus, aurantius: alaranjado.
ourvreus: cor indefinida; ãs vezes alaranjado; v. igneus.
auratãi$,auratitius,auratus,aureolus,aureus,auricolor,aurijcT,auro$us,auruUntus:douiado,cor- 
de-ouro. 
oveUaneus, ovdlinus: cor-de-avel3. 
azureus: azul.
todito: baio, mairom ligeiramente avermelhado.
betyttinus: cor<ie-berilo; v. oquamarinus.
íirtuí/imis: o marrom esbranquiçado da casca da bétula.
bicolor, com duas cores.
btatteus, btattinus: púrpura.
bnmeolus, brunnesems: marrom-<daro-
brvnncus (bruncus): marrom-fosco, puro.
bunhus (ou birrhus, birrus, burrus ou byrrhus): escarlate-inlenso (originalmente um casco de 
cor vermelha). 
btixeus: amarelado, cor-de-buxo (arbusto). 
byssicus ou byssinus: amarelo, da cor do linho fino.
caeJesíis, cacUcolon azul<eleste.
caeruhns, cacruleatus, caerulescens, caeruletts: azul, cor-do-mar. 
caerulosus: azul-escuro. 
coesiellus. verde-azulado.
coesius: esverdeado, cor da íris do olho; entre o verde e o azul. 
cnlcareus: branco como cal, como giz; branco-escuro, acinzentado.
F
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f
c
ca melinus: cor-de-camdo; v.fulvus. 
caitdens: branco-brilhante. 
candicans: lomando-so branco.
candidttlus, candidtis: branco-puro, brilhante (cm compostos gregos, argo-). 
candificus: que embranquece. lf
canescens: branco-atinzentado,branco-sujo.
osntis: branco-acinzentado ou prateado; o que tem cabelos ou pêlos brancos; coberto de
pilosidade branca; dnza-esbranquiçado; ocasionado por estar uma superfície cinzenta &
coberta por pêlos brancos; grisalho. 
capnodes, copnoides: v.fuliginosus. (f
carmineus: carmesim.
cameolus, canteus: vermelho (como came), encarnado. v
caryophyHacciis: cor-de-cravo-da-lndia. s
castañeta: castanho, marrom.
cemsinus: cor-de-ccreja. ^
cereus, cereolus, ceriiteus, cerinuy. cor-de-cera.
cenissrttiis: branco como gesso. v
cervicolor, ccrvimis: cor-de-cervo; y.fiilous. 
chalybetis: cinza (cor-de*aço). 
charmesintts: vermelho, escarlate, carmesim. ([
chlarnsceus, chlorcscais, chtorinus, chlorotieus: esverdeado.
chocotetiiuis: marrom-cscuro,cor-de-chocolate. *L
chiysetlus, chtyseus, chrysUir. dourado. *
cinerascens, cineracetts, cinemcius, cinereus, cinerieius: cor-de-cinza, dnza, acinzentado. 
cinnabarinus: vermelho-vivo, vermelhão, cor-dc-sulfato de mercúrio. <[
tinnamcus, cinnamomeus: cor-de-cartela, marrom-claro com amarelo ou vermelho. 
cilrellus, títreus, dtrinellus, citrinas: amarelo-puro, cor-de-iimão. 
riajfmws'. azuL
coballtiius: azul-claro, ozul-cobalto. 
cocceus, cocanatus, cocdncus, cocanus: escarlate, carmim. ^
cojfeatus: cor-de-café, ,
coiorafus. com colorido; por extensão: bronzeado, queimado (de sol). , ̂
adoreus1. de diferentes cores. 
coJumb/ni/s: cinza (cor-de-pomba). 
concolor. de uma só cor, colorido uniforme. C
coradnos: preto como um corvo, com forte brilho, reflexos azulados. 
corallhius: vermelho-coral. 
coruscabilis, comscans: brilhante, que lança raios luminosos. ^
conjUnus: v. avdlancus. 
corvilius: v. coracinus.
cremcus, cremicolor. cor-de-crcme, branco-amarelndo. ,
cretaceus, creicus: v. caicareus. ^
crispus: frisado.
crocatus, croceus, croáitus: amarclo-açafrão, ligeiramente alaranjado.
crueiítatus, crueittus-. vermelho-sangue. *L
crustuUnus: alaranjadocomo crosta de biscoito. <
crystallinus: transparente como gelo ou cristal. 
cuprescens: alaranjado.
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cupreusr. cor-de-cobrc, com brilho metálico; avermelhado. 
cyanaler. azul-enegrecido, ultramarina 
q/andlus, q/anneus: azul.
dealbatus. ligeiramente coberto com branco sobre fundo mais escuro; cor-dc-gcsso.
deargentoius: branco-prateado, omado de prata.
denigratus: enegrecido, tingido de preto.
diafanus: transparente.
dibaphus: púrpura (roupa de púrpura).
dilulus: diluído, pálido, com cores claras ou diluídas.
diseoidalis: quando há uma única mancha grande de cor no centro de outra.
eboreus, ebormus, ebumeus: ebúrneo, eor-de-marfim, b raneo-ama relado.
eheodts. v. otivaceus.
dbidus: cinza "tristonho".
dbolus: v. helvolus.
dectrínus'. amarelo-âmbar.
dephines, dephinus: cinza-escuro, cor do couro de elefante. 
ermineus branco-amarelado. 
erubescens: rosado, corado. 
exalbiduF. esbranquiçado.
fasciatus: com faixas transversais de uma cor cruzando outra.
ferreusjerrugineus,ferruginosas: marrom-escuro,cor-de-femigem, com mistura de alaranjado 
ou vermelho. 
figlinus: cor-de-terra, terracota. 
flammeolu$,flammeus: v. igneus. 
flavescens,flaviams,flavidus: v.jlavus. 
flavovirens: verde muito manchado de amarelo.
Jlauus: amarelo, loiro, dourada 
floridus: brilhante, florido, colorido vivo. 
fixninus: cor-dc-feno, de palha, amarelo-daro.
fuligineus,fuligmosus: dnza-escuro, eor-de-fuligem, marrom-sujo, quase preto. 
fulgens: coruscante, brilhante, polido. 
fulmineus: cor-de-raio (cor indefinida). 
fulvaster. ruivo.
fitlvdlu$,fulvescens,futvidus,fuhms: amarelo-escuro, com mistura de dnza ou marrom. 
júmeus,fitmidus,fumosus,fitmus: cinza cambiante a marrom, cor-de-fuligem ou fumo. 
funebris: termo vago, geralmente denotando cores sombrias, principalmente preto. 
fiiraus: preto-fosco, sombrio, obscuro, tenebroso.
fuscus: marrom tingido com cinza ou preto; sombrio; moreno, trigueiro; escuro.
galachrous, galactieolor, gahicticus,galaaites: branco como leite, com laivos de azul. 
galbanus: amarei o-esverdeado.
gilvus: amarelo, com mistura de cinza e vermelho; alaranjado; acinzentado; avermelhado. 
gftfaigÍ№us,g/riM£Í»o$iis:vermelho-esverdeado.
gtauçe$cens,gíaucmus,glaucus: verdc-cor-do-mar, verdc-escuro, verde-gaio, passando a azul- 
acinzentado.
13a
139
gramineus: verde-grama.
grammtcusi quando as manchas de uma superfície assumem a aparência de tetras.
grtselIus,griseolus,grísescens: mais claro que griseus.
gTtseus: cinza-pérola, dnza-puro descambando para azul.
gultalus: manchado, mosqueado; o colorido está disposto em pequenas manchas.
gypseus: v. calcareus.
haematicus, haematinus, haematites, haematilicus, haematochroits: cor-de-sangue, vermelho.
hehidus, helvolus: amarelo-acinzentado; loiro; castanho.
helvus: cinzento ou marrom (entre branco e preto); baio. v. cuccinus.
hepatwus: cor-de-fígado; vermelho ou marrom.
habaceus, kerbeus: cor-de-planta, de capim.
hinnuleus: cor-de-corça; canela.
hyarínlhinus: violeta, cor-de-jacinto.
hyttlittus: incolor, vftreo, transparente.
hysginus: violeta.
ianihínusr. violáceo.
iclericius, ictericus, icterinus: amarelo, cor-da-icterícia.
ignescens, igneus: cor indefinida, vários tons de laranja, amarelo ou vermelho.
impolitus: fosco, não brilhante.
inargentalus prateado.
meanus: v. cantis.
tncamaítis. encarnado.
incolor, incolor.
indicas: azul tendendo à púrpura; ou preto como nanquim.
indigqticus: índigo.
infumatus: v.fumeus.
bijuscatus: tomando-se marrom.
hnides: violeta.
tricolor, iridescente.
isabeltinus: alaranjado-sujo; cor entre branco e amarelo; café-com-leite. 
kermesimiR v. chermesinus.
kcteus, lacticolor. branco como leite, com laivos de azul. j
laetus: alegre (cores vivas). !
kteriiius (ou -irius): cor-de-tijolo. i
hautinus: azul, lápis-Iazúli. :
Uochromus, leonhtus: cor-de-le3o; v.fulvus.
leucophaeus: v. ríneraríus. I
/igneus, lignicotor, lignobrurtneus: marrom-amarelado, cor-de-madeira recém-cortada. ^
lilaceus, lilacinus: lilás.
limbatus: quando uma cor é orlada por outra. 
lineatus: marcado com linhas (geralmente longitudinais). 
liluratus: raspado, rasurado, de superfície áspera.
liveus, lividinus, lividulus, lividus, livius: cinza-escuro, amarclo-cinzento, acastanhado ou T|
azulado.
lixivius: mais escuro que griseus, com tons de marrom. ?•*
140
lundus: amarelado, marrom-sujo, ligeiramente esfumaçado ou avermelhado; pálido.
luteolus, lutescens: amarei o-pá!ido.
lutei/s amarelo (avermelhado), cor-de-terra.
¡utosus: v. ochraceus,
macuiatus, macuiosusi a cor disposta em manchas largas, irregulares. 
múfocceus, malvinus: cor-de-malva.
nuuginalus: quando uma cor é cercada por uma estreita borda de outra. 
mamontus: apresentando o aspecto de mármore; mistura de diferentes matizes de várias 
cores.
mdanochlorus: v. atromrens. 
mdleus, meUinus: cor-de-mel.
tnemnomus: ma rrom-enegrecido (deMemnoncs,povo da Etiópia). 
mdallicus: com brilho dc metal, iridescente. 
miain5: brilhante.
mmiaeeus,miniatus: escarlate, com mistura de amarelo; cor-dc-sulfa to de mercúrio ou zarcão.
molodtmuí: róseo-azulado, cor-de-malva.
molybdinus, molybduy. v. plumbeits.
murínus: dnza com um toque de vermelho; cor-de-rato,
mustcllinus: v.fiilvas.
mutabUis: sujeito à mudança, variável.
myochrous: v. murínus.
nebulosas: obscuro, nebuloso. 
nicotianus: v. laboditus. 
nigdlus: enegrecida 
niger. negro, preto.
nigrescens, nigricans, nigrinus: preto algo acinzentado, cinzento que se toma prelo. 
nigricotor. v. niger. 
nigrilus: v. etraius.
nigrigemmeus: com reflexos sombrios.
mgrovirens: v. atmvirats.
nitelinus v. murínus.
nitidus: polido, brilhante, luminoso.
nrtto/fs, tihxus: branco como a neve, branco-brilhante.
nuMlus; v. nebulosus.
obsauus: obscuro, tenebroso, sombrio, preto.
ocetlsius: quando uma grande mancha de uma cor possui em seu interior outra mancha de 
diferente cor. 
ochraceus: ocre, amarelo passando a marrom. 
ochroleueus: mais claro que ocre.
olmaceus, oUvascens, olhxus, olivieolor, olivinus: verde-oliva. 
oniscus: dnza, cor-d c-lsopoda. 
opacus: fosco, sem brilho, opaco. 
orobitinus: verde com manchas negras.
«trínus: púrpura.
paleus: v. stmmiiteus.
141
pallidulus, pallidus: pálido, esmaecido. 
palumbiiius: v. columbinas. 
papyTacetist branco como papel. 
pausiacus: v. olivticeus. 
pellucidus: transparente, diáfano. 
perpaliidus: muito pálido.
persirínus, persicus: avermelhado, cor-de-pêssego. 
phoeniceus: púrpura. 
picíoater. preto-fosco.
piceus: preto mudando para marrom; cor-de-pcz. 
pictusi pintado, ornado com pintura. 
piumbeits\ cinza-chumbo, com brilho metálico.
porphyretiais, porpliyreus: marrom-avcrmelhado, marrom, púrpura; cor-de-pÓrfiro.
porphyroleitcus: mais claro que o anterior.
prasiitus: verde-claro-vivo c puro.
pruninus: violeta-avermeihado, cor-de-ameixa.
psiitaceus: verde-cscuro, como nos papagaios.
puUatus, pullulus, puttus: v. coracinus.
punctatus, panclutatusi a cor disposta em manchas pequenas e arredondadas, puntiformes;
uma cor salpicada de outra. 
puniceus: púrpura.
purpurascetis, purpurellus, purpureus, piirpurinus: cor-de-púrpura. 
purus: puro, sem mancha, limpo;branco; límpido, claro.
rmridus, raous: intermediário entre amarelo e cinza. 
rhabarbarinus-, alaranjado, cor-de-ruibarbo. 
rkodellux avermelhado, cor-de-rosa. 
robeur. v. ntbetts.
 ̂ robidusi v. rubidus. 11
roborinus: cinzento como galhos dc carvalho. 
rosaceus, raselteus, roseus: avermelhado, róseo.
rubellulus, rubdlus, rubens, rubeclus, ruber, mbcscens, rubeus, rubicundas, rttbus: vermelho, 
avermelhada 
rubidus: vcrmclho-acastanhado. 
rubigmosus: ferrugíneo, avermelhado, alaranjado. 
rufesccns, rufulus, ru/us: ruivo, marrom bem avermelhado, 
russus: ruço, baio.
rutilam, rutilatus, rutSuí: vermelho-brühante, intenso; ruiva
saligneus: cor-de-salguetro, cinza-esverdeado. 
safm0iiaceus,5aÍAfO№ia,saiman/a>l0r:salm3o,rásco-amarclado. 
sandaraccus, stiiidnraciitus, sandaricus: vermelho, cor-de-fogo. 
sandiciiius: vermelho (de saitdix - vermelho artificial).
ur
142
sanguíneas, sanguinolentas: vermelho-sanguíneo. 
satumlus: cormais escura. 
scarlalinus: escarlate.
schístaceus: cinza-ardósia, com tons de azul. 
íemipellucidus: transparente com algum grau de opacidade. 
smamgdinus: verde-esmeralda. 
sordidus: sujo.
spadkeus: marrom-claro, avermelhado, cor-dc-tâmara. 
spodochrous: cinza.
stdktus: estrelado, com manchas em forma de estrela, brilhante; manchado, mosqueado.
stramindtus, stramineus: amarelo-palha.
strwlus: estriado, com estrías de cor ou caneladuras.
subaquilus: v.fidiginastts.
subcaeruleus: azulado.
subfiavus: v. luleolus.
subfuscus: v.fuliginosus.
subniger. enegreddo.
subrubens: avermelhado.
subrubicundus: o mesmo que o anterior.
subuslulalus: v. chalybeus.
subvirtáis: v. saligneus.
sucátteus: v. electrinus.
suffitsus: espalhado, difuso, manchado, um derrame de cor. 
sulfuralus, sulfurcllus, sutfureus, suljurinus, sulfurosus: amarelo-enxofrc.
tabeanus: imrrom-profundo, cor-de-tabaco.
thala$$icu$, thakssinus: v. glaucus.
theobrominus: v. chocolatinus.
tephnus, tephms: v. ctneraceus.
tessellaius: cores dispostas em mosaico.
tesUueusi amarelo-morrom (cor de cerâmica não vitrificada).
tigritius: tigrado, mosqueado, manchado.
tofaceus (ou tophaceus): cor-de-tufa, alaranjado.
Irislis: triste, sombrío, obscuro, fosca 
Incolor, com três cores. 
turcoisinus, turcosus: turquesa. 
lyrius: púrpura.
umbricellus, umbrinus: v. brunneus.
ustalis, uslulalus: cor-dc-madeira chamuscada ou queimada; marrom-enegrecido; vermelho* 
amarelado; cor-de-sulfato de mercúrio queimado.
vaccinus: cor-de-vaca; bato.
variatus, variegaltis: variado, variegado, manchado, mosqueado.
143
oenetus'. azulado.
vermicutalux trabalhado como em mosaico. 
viiuuxus, vinicohr, virwsus: cor-de-vinho tinto. 
viohceur. violáceo, violeta. 
zriolascens, oioleus: tomando-se violeta, violeta.
Btreits, virescais, mridans, viridascens, vtridcscens, viríâicans, mridicolor, viridis, viridulus: verde, 
esverdeado. 
virgitteusi branco-imaculado.
vitelUnus; amarelo como gema de ovo, ligeiramente avermelhado. 
vtlreus: transparente como cristal. 
mttatuF. ornado de faixas.
vtvidus: vigoroso, forte, enérgico, violento, de cores vívidas. 
xanthellus amarelado.
xerampcliiius: cor-de-folha morta de parreira. 
zonal us: dividido em zonas ou áreas de cor.
6.3 PREFIXOS
6.3.1 Prefixos numéricos
Os prefixos numéricos são bastante empregados na formação de nomes 
científicos, principalmente nomes específicos. Indicam as partes de um todo ou 
a quantidade de algo. Os mais freqüentemente utilizados são:
1/2 semi- semialatus
1 uni- unifasciatus "
2 bi- bijormis
3 tri- tripartitus
4 quadrí- quadripustulatus
5 quinque- quinqueguttatus
6 sex- sexangularís
7 septem- septemlmcatus
8 octo- octoselaphus
9 novem-
10 deccm-
11 undecim-
12 ditodecim-
20 viginti-
pouco pauci-
muito multi-
6.3.2 Outros prefixos
a• (antes de consoante), ab- (antes de consoante ou vogal),dts- (antes de e ou t): longe de, fora 
de, em dircçSo contrária a. 
ad-: ac- (antes de c), af- (antes de/), ag- (antes de g), «/-(antes de /), an- (antes de rt), ap- (antes 
de p), ar- (antes de r), as- (antes de s), at- (antes de t), em direção a, próximo de: 
ai-: v. semper-.
amb-,ambi-: ao redor, cercando. 
a im -: v. re-.
ante-: antes, precedendo. 
a n t iv. contra-, 
apo-:v.a-,de-. 
cata-: v. de-, 
circtim-: ao redor.
co- (antes de vogais e h), cot- (antes de 0» com- (antes de b, m e p), con- (antes de c, d, f , g ,j, n, 
qu, s, t e v), cor- (antes dc r): com, junto a. 
contra-, conlro-: contra. 
de-: para baixo, para fora, desde. 
di- (antes de algumas consoantes), dts-: entre, longe de. 
dia-: v. pel-.
e- (antes des e d), ef- (antes de/), ex-: sem, nâo, faltando, para fora. 
e/t-: v. it-, 
e itd o v. inlra-, 
eu»-; v. extra-,
extra-: do lado dc fora, além, acima, extra. 
hemi-: v. semi-, 
hyper-: v. super-, 
hypo-: v. infra-, sub-,
it- (antesde I),im- (antes deb , p, m), in- (antes de vogais eda maioria das consoantes), ir- (antes 
de r): dentro, para, contrário. 
infra-: embaixo. 
inter-: entre. 
intnb: no interior. 
intro-: dentro, no interior. 
meta-: v. post-, 
non-: não.
ab- (antes de vogais e da maioria das consoantes), oc- (antes dc c), of- (antes de/), op- (antes 
de p): contra, contrário. 
pel- (antes de /), per-: através dc, extra, muito. 
per/-: v. circtim-. 
post-: depois, atrás, mais tarde. 
prae-: antes, na frente, muito. 
pro-: para, ao invés de.
pro-: v. prac-,
re-: de volta, contra, novamente. 
retro-: para trás, de volta, 
se-: fora, de fora, à parte. 
semi-: meio. 
scmper-t sempre.
sub- (antes de vogais e da maioria das consoantes), suc- (antes de e), suf- (antes de/), sug- 
(antes deg): sob, por baixo, embaixo, quase, aproximando-se de. 
super-: por d ma. 
supra-: acima de, por cima. 
syH-: v. « k
Irflits-: além de, através de, ao longo de.
6.4 SUFIXOS
Pode-se formar uma certa quantidade de palavras a partir de uma só, com 
a ajuda de sufixos. Estes determinam o significado, o gênero e a natureza 
gramatical do composto. Assim, ferrttm, substantivo neutro, com tema ferr-, 
forma os adjetivos ferreum, ferrugineus e ferruginosus; o sufixo substantivado 
-ugo, que às vezes denota doença, dá com o mesmo tema o substantivo feminino 
ferrugo (ferrugem); deste, com o auxilio do sufixo adjetivado -ineus deriva-se o 
adjetivo ferrugineus (cor-de-ferrugem), com o qual, usando-se desta vez o sufixo 
participial -esccns faz-se outro adjetivo, ferruginescens (tomando-se da cor-de- 
ferrugem). E assim por diante.
O latim apresenta uma grande riqueza de sufixos que não podem, entre­
tanto, ser usados indiscriminadamente: um dado sufixo normalmente tem um 
sentido preciso e se associa a um tema particular (de verbo, substantivo ou 
adjetivo), dando uma palavra que, de acordo com este sufixo, pode ser um adjetivo, 
um verbo, um advérbio, ou um substantivo, de um determinado gênero grama­
tical. Os sufixos latinos devem ser sempre empregados com vocábulos latinos 
(e os gregos com os gregos), evitando-se a formação de nomes híbridos.
6.4.1 Sufixos substantivados
Transformam o tema (verbo, substantivo ou adjetivo) em substantivos:
-aculum, n.: instrumento ou meio; tema: verbo: retiimculum (freio, amarra), de retiñere (reter). 
-ago, f.: tipo de, semelhança, relaçSo; tema: substantivo: plumbago (tipo de chumbo); virago 
(mulher-macho).
146
•arium, ru lugar onde se faz ou se guarda algo; tema: substantivo: herbarium, mxtrium. 
<ítór,irfl,íním: inferioridadeou semelhança incompleta;tema:subsUnUvo;como diminutivo 
implica depredação: poetastrum.
-bulum, -bula: instrumento ou meio; tema: verbos: conríliabulum (de conciliare: reunir).
•cellus, a, um; -cillus, a, um; -culus, a, um; -ellus,a, um; -itlus, a, um: diminutivos de substantivos: 
pes-pedicellus; codex- codiciUus; cut is-cutícula; lamina-laminulla ou lamella. Os sufixos 
-ulus, -ellus e -iUus formam compostos com substantivos da Ia declinação; -culus com 
nomes da 3* e 4* declinações; -cellus e -cillus com nomes de qualquer declinação.
-etum, n.: lugar coletivo de crescimento ou ocorrência, associações de plantas: arboretum, 
quercetum.
•ies: coisa formada; tema: veibo: series (de screrc. serrar fileiras).
-idium (do gr. idion): diminutivo: Armadillidium.
-¡run diminutivo, geralmente de nomes femininos.
*i® algo abstrato ou o resultado geral de uma ação; tema: verbo: collectio (de colligere: coletar). 
-iscus (gr. iskos): diminutivo para nomes masculinos: asteriscus, basiliscus (de aster e basileus). 
•itas, -itia; -ities, -iluda conceito ou qualidade; tema: adjetivo ou particípios: affmitas, duritia, 
crussitudo, longitudo. 
norium: lugar de trabalho ou ação; tema: veibo: laboratorium.
-ugK substância ou propriedade possuída; tema: substantivo ou adjetivo:fem igo.
-ulus, a, une diminutivo, usa-se com substantivos de 1* e 2* declinações: capsula (de capsa = 
caixa).
-uneulus: diminutivo: Ranunculus, Pipunculus.
-ura: resultado de uma ação; tema: verbo: incisura (de incidere = cortar).
6.4.2 Sufixos adjetivados
Transformam o tema em adjetivo.
•abãis, is, GV.-bilis.
-aceus, a, um semelhança; tema: substantivo: coriaceus(de corium).
-acus, a, um: pertencente a, relativo a; tema: substantivo; cardiacus (de cardium = coração). 
•eiis, is, e pertencente a; tema: substantivo: autumnalis (de autumnus o outono).
•meus, d, um; semelhança ou material de que algo £ feito; tema: substantivo: cutaneus (de 
cvtis = pele).
-anus,a, unr. posição, conexão ou posse; tema: substantivo: ejricanus, monlanus, linneanus. 
-arts, is, e variante de -arts (q. v.), usado apds temas terminados em 1: stellaris, avicularis. 
•arius, a, um: conexão ou posse; tema: substantivos ou numerais: arenarius, primarius.
-ascens: o processo de tomar-se, manifestação incompleta; tema: substantivos ou adjetivos: 
purpurascens.
•alicus, a, um: lugar de ocorrência ou crescimento; tema: substantivo: sylvaticus.
•alilis, is, e: lugar onde ocorre ou existe; tema: substantivo:Jtuviatilis.
■alus, a, um: posse ou semelhança; tema: substantivo: capilatus, ovatus; terminação do partici- 
pio passado dos verbos da 1* conjugação, indicando ação completada: fucalus (de 
fucare = colorir).
147
•az: terminação incomum, com o sentido de Inclinado a, apto a; tema: verbo; tenax (de tenere = 
segurar);/»joz (de fugete = fugir).
-bilis, t$, tr. capacidade ou habilidade; tema: verbo; toma-se -obitis com verbos de infinito em 
-are e -ibüis com verbos em -ere e -ire: wriabitis,jlexibHis.
-bundus, a, um: ação sendo feita, como um participio presente; aç3o completa; tema: verbo: 
meditabundus.
-bus, a, unr. tendo a qualidade de, semelhante a; tema: adjetivo: acerbus (de acer » amargo). 
-ctllus, a, um; -cillus, a, um; -cutus, a, um; -tíius, a, um: diminutivos de adjetivos: porcellus, 
piiosiusculus.
•cundus, a, um: aptidão ou tendência constante:/cci<>ufc$, rubicuadus.
-ensis, is, e. pafs ou lugar de nascimento, origem ou ocorrência; brasiliensis, platensis, bahiensis. 
‘fscensr. processo de tomar-se, não interamente feito; tema: verbo ou adjetivo: senescens, 
rúbeseats.
-estris (-ester), is, e. lugar de ocorrência ou crescimento; tema: substantivo.
-eus, a, um: material, corou semelhança; tema: substantivo: melieus, cutaneus.
-ibiiis, is, r. v. -Wíis.
-icius, o, um; -itius, a, um: resultado de ação; tema: verbo: adventitius.
-idus, a, um: açSo em progresso; tema; verbo, substantivo ou adjetivo: tdbidus, nitidus.
-ilis, is, e. capacidade ou habilidade, propriedade ou qualidade; tema: verbo: fragilis.
•illus, a, um: diminutivo; v. -ccUus.
-imus, a, um: pertencente a, relativo a, tendo a qualidade de: maritimus, septimus.
-,meus, a, um: material, cor, ou muita semelhança; v. -eus.
•tttus, a, um: posse ou sem elhança; tema: substantivo: marinus, ovinus.
-itts, a, um: característico de, ligação, semelhança; tema: substantivo: regius.
-mus, a, um: capacidade, habilidade, posse, propriedade; tema: verbo ou substantivo: sensiti- 
vus,feslÍ0us.
-izatis: tornar-se igual, semelhante, formando; tema: substantivo: graecizans.
-oideus, a, unr. semelhante a; tema: substantivo; do grego -odes (q. v.).
-olentus, a, unr. v. -ulentus.
-oríus, a, um: capacidade, ação ou função; tema: verbo: tinctorius.
-osus, a, um: abundância, pleno, de mareado desenvolvimento; tema: substantivo: venosus. 
-uleníus, a, um: o mesmo que o anterior $uculentus,frauduientus.
-ulus, «, um: diminutivo de adjetivos: hispidulus; tendência, ação; tema: veibo: pendulus (de 
pendere).
-ulus, a, um: posse, relação; tema: substantivo: comutus.
-uus, a, um: possibilidade ou resultado de uma ação; tema: verbo e raramente substantivo: 
deciduus.
6.4.3 Sufixos participiais
Transformam verbos ou adjetivos em particípios presentes com as termina­
ções -anlia, -entm, -atts, -em e -icans: substantia, sdentia, clanians, sapiens, cüudicans.
148
6.5 ABREVIATURAS LATINAS
aff. ajftnis: afim a, próximo de
al. alii: outros; aliorum: dos outros
ap. apud: com, na casa de, donde, na publicação de
auct. auciorum: dos autores
c.,ca. circa, circiter: cerca de
cap. caput: capitulo
cf.,cfr. confer, compare
cit. citalus: citado
coll. collegil: colecionou
comb. combinatio: combinação; comb, n.: combinatio nova: nova combi­
nação (do nome da espécie com o nome do gênero)
cons. conservandus: que deve ser conservado; now. cons.: nomen 
conservandum: nome conservado
ded. dedit: dáU, doou
del. delineavit: desenhou
dcscr. descriptio: descrição
del. detcrminavil: determinou, identificou
don. donavit: deu, doou
e-8- exempligralia: por exemplo
ej. ejtis: dele
ejusd. ejusdem: do mesmo autor
el. elaboravit: reviu
em. emendalus: emendado 
emendavit: emendou
err. typogr. errore typographical erro tipográfico
ele. et caetera: assim por diante
exc. exceplus: exceto
excl. cxclusus: excluído, exclusive
f'fig - figura: figura, ilustração
f (antes de um nome próprio) fide: segundo, de acordo com 
(depois de nome próprio) filius: filho, jr.
fem. femineus: fêmea
fil. filius: filho, jr.
8-, ge». genus: gênero
i.e. id est: isto é
ib., ibid. ibidem: o mesmo, no mesmo lugar (usa-se geralmente para 
indicar repetição do nome de revista ou de obra, numa 
bibliografia)
id. idem: o mesmo
- y
.»-
v 1 
149 C ;
in litt. in Utterís: na correspondência, em manuscrito
f :1
€inc. sed. incertaesedis: de situação incerta
inch inclusus: incluído, inclusive ( 1
I. c., loc. cil. loco citato: no lugar citado f
leg. legit: coletou
m. mihi: meu f •
masc. masculus: masculino f 1
MS., MSS. manuscriptum, manuscrípta: manuscrito(s)
(
€
(T
n. nobis: nosso 
nomen: nome 
novus: novo
It.V. non visus: não visto
non vidi: não vi í
no. numenr. número f
nom. nomen: nome; nom. amb.: nomen ambigutnn: nome ambfguo;
mm. con/us.: nomen confusum: nome confuso; nom. cons,: €
nomen consemtndum: nome conservado pelo Código Interna^ 1 
tional de Nomenclatura Zoológica; nom. nud.: nomen nudum:
nome não acompanhado originalmente de descrição V
ou indicação
nov. novus: novo
íobs. observatio: observação
op. cit. opere citato: na obra citada 1
p., pp. pagina, aex página(s) ([
p.p. pro parte: em parte, parte
part. parlim: em parte, parte c
pinx. pinxit: pintou cq.e. quoâ est: como é
q.v. quod vide: veja-se, veja í
s. seu, sme: ou
sensu: no sentido de, de acordo com
s. L, s. tat. sensu lato: em sentido amplo (notar que sensu é da 4* declinai
ção, terminando com u; e lato da 2®, com terminação o) €s. s., s. sir. sensu stríeto: em sentido restrito
scrips. scripsit: escreveu c
sec. secus, secundum: segundo, de acordo com í
£sect. sectio: seção
sens. sensu: no sentido de, de acordo com
sp.,spp. species: espéde(s) </■
spec. specimen: espécime Éssp., sspp. subspecies: subespécie(s)
St., stat. sfafws: esta to, situação; stat. nov.: status novus: novo estado í
1
i '
L
150
syn. synonymon, synonymia; sinônimo, sinonfmia
t., lab. tabula: prancha
t. teste: segundo a evidência de
1., tom. tomus: tomo
iyp. typus: tipo
u. s. ut supra: como o anterior
v.,var. varietas: variedade
V. vel: ou
vide: veja
Vtsum: visto
vidi: vi
v., vol. wlumett: volume
REFERÊNCIAS
BROWN, R. W., 1956. Composition o f scientific words (Revised edition), 882 pp. Published by 
the Author.
GAFHOT, F., 1934. Dictionnaire illustrí Latin-Français, 1720 pp. Librairie Hachette, Paris.
QUICHERAT, U & A. DAVELGUY, 1923. Dicliomutire Latin-Français (52* éd.)# xxviii +1515 
pp. Librairie Hachette, Paris.
RIZZINI, C. T., 1978. Latim para biologistas, 203 pp. Academia Brasileira de Ciências, Rio de 
Janeira.
STEARN, W. T., 1966. Botanical Latin. History, grammar, syntax, terminology and vocabulary, 
xiv + 566 pp. Hafner Publishing Company, New York.
7. RUDIMENTOS DE GREGO
Nelson Papavero
Na Antigüidade Clássica distinguiam-se três dialetos principais de grego:
EÔlico, falado no norte do mundo grego (Tessália, Beóda, parte norte da 
costa da Anatólia, Lesbo etc.).
JÔnico, usado principalmente na parte média (Ática, incluindo Atenas, 
costa ocidental da Ásia Menor, ilhas do Mar Egeu etc.); o jónico constituía a 
língua erudita por excelência e distinguia-se ainda em jónico antigo (épico) e 
em jónico propriamente dito ou ático;
Dóríco, leve seu mais notável desenvolvimento na parte meridional (Pelo- 
poneso,Creta, Sidlia, Itália meridional ou Nova Grécia, Ásia Menor etc.).
Homero escreveu numa mistura de jónico antigo e de eólico; Heródoto, 
em jónico; Ésquilo, Sófodes, Eurípides, Aristófanes, Xenofonte, Demóstenes, 
Sócrates, Platão, Aristóteles etc. usaram osubdialeto ático.
O grego chamado "clássico" (ou didático) é o do subdialeto ático, a língua 
de Atenas, usada por alguns dos maiores gênios da Humanidade, e a que teve 
a maior repercussão no mundo, não só durante a época clássica, como também 
na alexandrina e na romana.
A beleza da língua grega, a quantidade praticamente infindável de nomes 
compostos que permite formar e a onipresente influência da cultura grega 
fazem com que esta língua seja ainda hoje fonte inesgotável para os taxonomis- 
tas formarem nomes científicos.
152
As palavras gregas, para uso em nomenda tura, devem ser la tinizadas (Ar t. 
11b; Recomendação 25A; Arts. 26-31 do Código Internacional de Nomenclatura 
Zoológica; vide Apêndice 1).
Iniciaremos, portanto, este capítulo com as regras de transliteração do 
alfabeto grego para o latino.
O alfabeto grego possui 24 letras; sua transliteração para o latim oferece 
poucas dificuldades. A pronúncia, quando diferente do português, aparece 
entre parênteses.
O y toma-se n antes de y, k, % e %•
Tf = ng, como em ayytAoç (angeltts), crrpoyyuXoç (strongylus) e 4>6oyyoç 
(phthongus).
ytc = nc, como em otyiacrtpov (ancistrunt), nXayicToç (planctus) e a$iyienip 
(sphincter).
y Ç = nx, como em ete&Ç (elenxis), Qakccfc (phalanx) e (JiapuT̂ (pharynx).
TL = nch, como em KOflpi {concha), frxr/xpç (rhynchus) e e^eco (cncheo).
Delta A 5 = D d
Épsilon E e = E e
O épsilon (e) tem som aberto e breve, enquanto o eta (rç) tem som mais 
longo e fechado; os dois são igualmente transliterados por e.
7.1 TRANSLITERAÇÃO
7.1.1 Alfabeto
Alfa
Beta
Gama
A a = A a
B p = B b
r 7 = G g (sempre gutural, g alemão)
Dzeta Z Ç = Z z (som de dz; como z inicial italiano)
Eta H T| = E e
153 f
O eta, no final da maioria dos substantivos, toma-se a, como em AvSpopeSrç ̂
(Andrómeda), корц (coma), отагоХ.^ (epistola) e вцкт^/кся); mas com exceções, 
como oiqiri (дане), каЛАдояп (caíliope), (psyche) etc. С
С
Theta © 0 = Th th (como th inglês)
Iota I i = I i *
Durante a Idade Média, usavam-se indistintamente o i e o j . Pelo século ¿ 
XVII foram distintos como vogal e consoante, respectivamente. Usa-se o i antes 
de uma consoante, como em imberbis, insigáis, e quase sempre antes de uma ([ 
vogal numa sílaba não inicial, como em socialis, vacciniunt (exceções: major, 
majeslas); o j usa-se antes de vogal no início depalavras, como em juvenis,justitia, 
a não ser que a palavra seja essencialmente grega, com o / (do grego) soando í 
como sílaba inicial, como em iambus, ion, iynx etc. ^
Kapa К к = С с (sempre som de k) ^
É sempre aconselhável transliterar о к por c, como em tcaxeSpa (catedra), ^
кшра (coma). 
Lambda Л X L 1
Mti M Ц = M m
Nü N v = N n
Xi ¿z 5 = X X
ômicron O o я O o
Pi П n - p Р
Rô p p = R r
С
í
í
í i
í \
Em palavras compostas, o p inicial do segundo termo é duplo após vogal 
e simples após ditongo, como em Siappm oç (diarrhyius), yXuicupptÇa (glycyrr- 
hiza), eupr|Ktoç (eurhectus), x&VMP^&haniacrhiphcs). O pp em palavras como 
appTvroç (arrhetus), appujrcoç (arrhyptus), auppcartoç (syrrhapUts) e ovppiÇoç 
(syrrhizus) é resultante da assimilação eufônica do v pelo p nos prefixos av- (an-) ^ 
e cruv- (sy»i-).
Sigma Z aç = S s C
O o usa-se no início e no meio de palavras; o ç sempre no final; na 
transliteração não se distinguem.
Tau T t = T t
i
Üpsilon Y и = Y у (como и francês ou« alemão) 1
y
O üpsilon ou hypsilon geralmente translitera-se por y, mas toma-se u em 
grande número de palavras latinas de origem grega, comoguberno (K vfispvaca), 
m uraern (pupasva), tum ba (xupipoç) etc ., e nos ditongos au, eu e ou.
154
Phi <t> Ph ph (som de / )
Chi X X = Ch ch (como ch alemão)
Psi V V = Ps ps
ôm ega n CO = O 0
O ômicron e o ômega não se distinguem na transliteração e não há maneira 
de se dizer que uma palavra translíterada se escreve com uma ou outra dessas 
vogais, exceto às vezes nas terminações ov, oç, cuv e cúç
ov = wm, como em xpuoavOefiov (chrysanthcmuni), apov (arum) etc. Exce­
ções: ioti, neuroii, ganglion etc.
oç = ws, como em ítcttoç (hippus), Kaprcoç (airpus), itompoç (poiamus) etc. 
Exceções: Apios, cosmos, Diospyros, logos. Os genitivos gregos em -os, geralmente, 
tomam-se -is em latim: chlamys, -idos (L. -idis); lampas, -ados (L. -adis); narthex, 
-ekos (L. ~c:is), nema, -atos (L. -is ou -idis).
(üv = 0«, como em -ymcDv (g/to»), ícavcov (canon), m^cov {siphon), x n m 
(chiíon). Exceção: ppaxtwv (brachtum).
<uç = os, como em ai&yç (aedos), ep<a; (eros). Exceção: pivoKEpú*; (rhinocerus).
Além destas, o grego antigo ou primitivo possuía m ais as seguintes letras:
Vau (diagamma ou digamma) (F), situada entre o e e o Ç, e correspondente, 
pela forma, ao F latino, e pelo som ao v.
Koppa, situada entre o n e o p e correspondente ao Q (u) latino.
Sarttpi, corresponde a sp (san ou sigma mais pi), situada no fim do alfabeto, 
depois do (à.
A única que nos interessa é o vau, desaparecido no ático clássico, m as 
sempre deixando vestígios: no início das palavras, às vezes, é representado pelo 
"espírito forte" ou pelo "espírito doce" (vide adiante); no m eio ou no fim das 
palavras caiu ou foi assimilado (geralmente depois de n, v ou p) e converteu-se 
em u, com o qual muitas vezes se confunde. Exemplos: èentepa (tarde), de 
Feanepct, L. vesper ou vespera; jbiÇa (raiz), de FpiÇa, L. radix-, iç (força, fibra), de 
F iç L. vis; veoç (novo), de veFoç, L. novus; TOvaraç (genitivo de joelho, tovu), de 
Yovpatoç; xexiapeçou xeaoapEÇ, de xerFapeç, L. quatiuor, vauç (navio), de vaFç, 
L. híiü/s, e assim por diante.
A Figura 7.1 mostra como se deve desenhar as minúsculas gregas, come- 
çando-scpela parte marcada com um ponto; a maioria delas pode ser desenhada 
sem que se levante a caneta do papel.
1
155
FICURA 7.1 - Maneira de escrever as minúsculas gregas; o ponto indica por onde se deve começar a 
escrevô-!as.
7.1.2 Ditongos
Podem-se considerar dois tipos de ditongos: os ditongos próprios e os 
chamados impróprios (ou iota subscrito).
Ditongos próprios: São os seguintes:
at = ae
Exemplos: ap^moç (archaeus); Kaivoç (caenus); áijia-to - (haemato); 
TiaXaionXouTOÇ (palaeoplutus); mcaioç {scaens) etc.
Os grupos cã, d , T|í, oí etc., como não formam ditongos (notar o sinal de 
diérese), não sofrem alteração na transliteração e as vogais são transliteradas 
separadamente: XoSkoç, laicus; ài|AoppoT5eç (liaemorrhoides); viiptiíç (nereis) etc.
au = au
Exemplos: SavXoç (datilus); aaupoç (saurus); -terupoç (taurus).
ei, тц = i
O ditongo ei passa para o latim como /, ou, algumas vezes, como c. No final 
de palavras, às vezes, сотое. Exemplos: vrçioroç (M¿sf«s);Eipevr| (/rene); oarojieipoç 
(sapphirus); an ap a (spira); ^aaToevônç (niastoides); jiouaetov (m useum ); n X areia 
(platea); тр a%e\a (Irachca).
L
eu, (ou raras vezes) rçu = eu
156
Exemplos: euyEvriç (eugenes); -ypaíieuç (grapheus); àeukoç (leitais); yeuSriç 
(pseudes). Antes de vogais este ditongo por vezes translitera-se por ev, como em 
evangcliuiií.
oi,ti>i = oe
Exemplos: tcoiXoç (coelus); oiotpoç (oestrus); Ttpcoiorriç (proeotes).
o\) = u
Exemplos: ctKOUotitcoç (acitSticus); oupa (tira); Poovoç (bttnus).
■01 = yi
Exemplos: |i\ua (myia); ôpirüia (Iwrpyia); ocyuia (agyia).
Ditongos impróprios ou iota subscrito. S3o formados por uma vogal áspera (ot, 
e, ti, o e o) e longa e pelo i; escrevem-se çc, <p e pronuncia-se como se não 
existisse o i. Com as maiúsculas, o i, geralmente, é adscrito e não subscrito (Ai, 
Hi e íli), mas também não soa. O iota subscrito não é transliterado: jieA/oSia 
(melodia); toSri (ode); <pov (ovum). Exceção: iccúpqtôta (coiiioedia).
7.1.3 Espíritos
Em grego há certos sinais auxiliares dos fonemas que são agrupados em: 
espírífos ou pncuimta; acentos; diérese ou trema; apóstrofe esinais de breve ou de 
longa.
Os acentos foram criados por Aristófanes de Bizãncio, pelo ano 200 a. C., 
para auxiliar os estrangeiros na pronúncia das palavras gregas; estes são: o 
agudo ( ') , o grave (*), o circunflexo (A ou ~), servindo qualquer um deles para 
marcar sílabas tônicas. Tanto os acentos, como os sinais de breve (*) e de longa 
(-), assim como a diérese ou trema, já vista anteriormente, e a apóstrofe (') não 
nos interessam de perto, e não serão aqui considerados.
Resta-nos agora elaborar algo sobre os espíritos ou pneuntaía (plural de 
pneuma, espírito). O sinal (’) indica aspiração ou o espírito forte (dasy pneuma ou 
spiriliis asper) e translitera-se por h. O sinal (’) é o espírito fraco (spirUiis lenis) e 
não se translitera. Estes sinais se originaram das metades do H (eta), a metade 
esquerda correspondendo ao espírito forte c a direita ao espírito fraco. Os dois 
sinais são sempre indicados no dicionário, antes das maiúsculas ou sobre as 
minúsculas. Quando colocado sobre vogal, ou na vogal de um ditongo, o 
espírito forte indica que, em transliteração, um h precede a vogal ou o ditongo.
157
Sobre p significa que o h segue o p (r/i); o h sempre segue um duplo pp, mesmo 
quando o espírito forte não está indicado.
Exemplos: ò (ho); f| (he); óu (hae); jbooov (rhodum ); 7njppoç(pyrWws); 'Hp|ieç 
{H erm es).
Quando a letra inicial do segundo termo de um nome composto tem h, ou, 
quandoesse termo está isolado, deve-se tomaro// também no composto, exceto 
quando se impõe uma omissão por eufonia. Exemplos: èSpa (Iteilra) - rlioitibohe- 
dricus; í>u0[ioç (rhythmus) -arrhylhnticus; mas diodus (Suxv, ò5oç) e diairesis (5ia, 
àipEOiç).
O espírito forte de numerosas palavras gregas passou, entretanto, para as 
cognatas latinas como s, tal em é5oç (hedus, L. sedes); évoç (hen tis, L. seiiex); ènxa 
(hepta, L. septeiu); fim (hem i, L. sem i) etc.
7.2 SUBSTANTIVOS
7.2.1 Gênero
Como em latim, existem três gêneros gramaticais: masculino, feminino e 
neutro. O dicionário indica invariavelmente o gênero dos nomes, respectiva­
mente, pelo uso dos artigos definidos ò, f[ e xó.
Tal como em latim, há certas regras gerais, não muito sólidas, para que se 
reconheça o gênero dos nomes gregos:
• Segundo o significado: são geralmente m asculinos os nomes de seres machos 
e femininos, os de fêmeas; são geralmente masculinos os nomes de rios, de 
ventos e de meses; fem ininos, os de países e nações, de cidades, de ilhas e de 
plantas; são fem in inos a maior parte dos nomes que designam ações, qualida­
des, estados, artes e ciências; são geralmente neutros os nomes de letras do 
alfabeto, os nomes de frutos, alguns nomes de cidades etc.
• Segundo a terminação: sãofem ininos os terminados em -ct ou -t| no nominativo 
singular (genitivo em -aç ou -qç) e os terminados em -iç (genitivo em -ecúç, 
-i5oç ou -itoç); são m asculinos os terminados em -aç ou -Tiçe a maior pa rte dos 
terminados em -oç (genitivo em -ou); são neutros o s terminados em -ov 
(genitivo em -ou), os terminados em -a com genitivo -ctTOÇ e, em geral, os 
indeclináveis.
7.2.2 Número
Os gregos possuíam três números gramaticais: singular, dual e plural; o 
dual referia-se a duas unidades em conjunto, mas não nos interessa de perto.
158
7.2.3 Casos
São apenas cinco: nominativo, vocativo, genitivo, dativo e acusativo. Ao 
contrário do latim, declinam-se sempre as palavras acompanhadas pelo artigo 
definido (também dedinável). Para nosso uso não serão considerados esses 
artigos, e veremos apenas o nominativo e o genitivo singular.
7.2.4 Declinação
Há apenas três declinações em grego.
Primeira declinação. Seguem a 1* declinação os substantivos de nominativo 
em -a ou -ц (gen. em -aç ou -rçç), os femininos e os de nominativo em -aç ou -riç 
(gen. em -ou). Não há neutros: X«opa (país), кефаХп (cabeça), veaviaç (jovem), 
'Epuriç (Mercúrio).
Casos
Nom. X<*>pa(f|) кефаХцй) veo tv io tç(ò ) 'E p jiiiç^ ó )
Gen. xtopaç кефаЯл? veaviov ’Ерцои
Segunda declinação. Substantivos de nominativo em -oç ou *uç (masculinos 
e femininos) e em -ov (neutros), com genitivo em -ou. Além destes, há alguns 
poucos mais, em -coç (geralmente -ecõç), que mantêm о fi> em todos os casos; 
sendo da 2* declinação, é costume, dado o seu aspecto, tratá-los separadamente, 
com a imprópria designação de declinação ática: ocvõponoç (homem), veupov 
(nervo), vouç (mente), itapOevoç (virgem).
Casos
Nom. av0poiTOç(ó) veupov (xó) vouç (vooç) (ó) ítapOevoç (fy
Gen. av0po7TOU veupov vou (voou) rcapOevou
Declinação ática. Os substantivos em -coç ou -ov (geralmente -ecoç ou -etov) 
formam genitivo em чо (-eco): tohbç (pavão), eoaç (aurora), avcaSecov (sala de 
jantar).
Casos
Nom. tcuaç(&) (fj> avúiSeaiv (tó)
Gen. таю ш avw5e(o
159
Terceira declinação. Como em latim, é a que maior número de complicações 
apresenta.
Quase todas as palavras têm genitivo em -oç ou -coç e tema em consoante 
ou vogal doce (-1 ou -u) e raras vezes em -o ou -to.
É costume dividir os substantivos da 31 declinação em: substantivos de Ia 
categoria, com tema em consoante, são todos imparissilábicos; substantivos de 
2a categoria, com tema em vogal (t, \>, ou, algumas vezes, o e ©); irregulares e 
indeclináveis.
Substantivos de 1* categoria. Dividem-se em três tipos:
Substantivos masculinos ou femininos de nominativo em -ç (ou -Ç ou -\|í), 
chamados sigmáticos, de tema em gutural, labial ou dental: $uAal; (guarda),
(veia), opviç (ave).
Casos
Nom. <{>uXaí;(ò) $X£V(ñ) opvtç (ó, fi)
Gen. QvXaicoç Qtepoç opviÓoç
Substantivos masculinos ou femininos sem ç no nominativo (assigmáticos): 
aapr|v (sereia), Xecov (leão).
Casos
Nom. oeipriv (ti) Xecov (ó)
Gen. 0£ ip r|V 0ç Xeo vto ç
Todos os neutros desta categoria: aco^a (corpo).
Nom. acona (tó)
Gen. acofimoç
Substantivos de 2a categoria. Dividem-se em quatro tipos:
Tema em vogal doce, simples (t ou u): noXiç (cidade), tXÔuç (peixe), aoro
(cidade).
Nom. jio Xiç (n) ix0uç(ó) octto(tó)
Gen. noteoaç aotecoç
Tema em ditongo (au, et), o\>...): paoiteuç (rei), vauç (nave), pouç (boi).
Nom. paoiXevç (ô) vauç(fj) pouç(ó,fj)
Gen. paoiXeíüç veoaç pooç
160
Substantivos neutros em -oç (gen. -eoç -ouç), bem como os seus compostos, 
que têm nominativo masculino e feminino em -i)ç e neutro em -eç com idêntico 
genitivo; eram substantivos de tema em -ç que elidiram esta consoante quando 
intervocálica, ficando da 2* categoria: yevoq (raça, gênero), YHPttÇ (velho).
Nom. kevoçOuó) 7npaç(xó)
Gen. KEveoç 7nP<°Ç
Tema em -oe-o: fjpcoç (herói), jkiGio (persuasão).
Nom. f|pcoç (ó) 7tet0(o(fi)
Gen. f]poooç 7t€i0ov)ç (-ooç)
Substantivos irregulares: avnp, avSpoç (ó) (homem); yuvrç, -aiicoç (fi) (mu­
lher); Zeuç Aioç (ô) (Júpiter); kvodv, icovoç (ó, fj) (cão, cadela); jiotpxxjç -vpoç (ò) 
(testemunha); ouç ooxoç (tó) (ovelha); aicop, aicaxoç (xó) (excremento); <neap, 
-axoç (xó) (gordura) etc. „
Substantivos indeclináveis (geralmente neutros): Sê xaç (tó) (corpo); SeXxa 
(xó) (delta, triângulo): aX^ot (xó) (alfa); Sioaictatov (xó) (diapasão); Koup|ii (xó) 
(cerveja) etc
7.3 ADJETIVOS
Os adjetivos gregos, como em latim, são palavras variáveis em número, 
caso e grau.
Quanto ao gênero, podem ser triformes, biformes ou uniformes, isto é, 
podem ter uma forma para cada gênero, duas para os três gêneros (uma para o 
masculino e o feminino e outra para o neutro) ou apenas uma única forma. 
Quanto ao modo de declinação, dividem-se em adjetivos de Ia, 2* e 3a classes.
Os didonários indicam um adjetivo enunciando as formas do nominativo 
singular se é triforme ou biforme, ou as formas do nominativo e do genitivo, se 
é uniforme: op^vivoç tj, ov, sombrio; avoovunoç oç ov, anônimo; ayvooç ooç, ooç 
gen. -onoç ou ayvooç gen. ooxoç desconhecido.
7.3.1 Adjetivos de 1B classe
Os triformes ($iXoç t], ov, amigo) seguem a 2® declinação dos substantivos 
para o masculino e o neutro, e a Ia declinação para o feminino.
161 f 
f
Os biformes seguem a 2a declinação dos substantivos - o masculino e o ^ 
feminino declinam-se à semelhança de avôponoçe o neutro como os neutros | 
(veupov) (q. v.). ( f ,
7.3.2 Adjetivos de 2® classe
7.3.3 Adjetivos de 3a ciasse
f
São geralmente biformes e algumas vezes uniformes e declinam-se sempre ̂
como os substantivos da 3a declinação. São habitualmente palavras compostas > 
provenientes de substantivos da 3a declinação: euSaiiicov, ov, feliz; <t>iXÊptç, t, f , 
querelador; ayvouç,-ortoç, desconhecido. ç :
São em geral triformes. O feminino segue a 1* declinação dos substantivos ,
femininos, e as formas do masculino e do neutro a 3* declinação. ® j
As formas masculinas e neutras são de tema em consoante ou v (u, v, vx e 
x) e as femininas de tema em -cc yXvioíç, eia, \>, doce; neXaç, oava, ov, preto. , 
São irregulares, derivando suas formas de temas um tanto diferentes, os * 
adjetivos neyocç otXn, a, grande (genitivos: peya^ou, neyaXnç, neyotXou); jioXuç, 
jioXXti, noXu, muito; e npaoç, npaeia, itpau, doce (genitivos: npaou, npaeiaç, 
npaou). c 
í
7.3.4 Graus dos adjetivos £
C
Forma-se geralmente o comparativo pospondo ao tema do positivo masculino 
a terminação -xepoç(xepoç, o, ov) ou, mais raramente,-uuv («ov, iov, gen. iovoç).
O superlativo forma-se pospondo no mesmo tema a terminação -xaxoç 
(xaxoç ri, ov), raras vezes -loxoç (laxoç, rç, ov):
Exemplos: Aeukoç, branco - comp. touKOtepoç, superl. Aeuicoxaxoç; ^ 
goíJíoç, sábio - comp. oo^corepoç superl. acyjxorcrcoç; npcoPuç velho - comp. 
jtpeoPutepoç, superl. npeaPuxaxoç kcckoç, mau - comp. kcikudv, iov (gen. ^ j 
-tovoç), superl. KotKiotoç { :
Os adjetivos de 1* classe, com a penúltima sílaba breve, alongam a vogal ^ | 
temática (o toma-se <b) ao receberem a terminação -xaxoç ou -xcpoç ooi{k)ç - ^ j 
oo^catepoç. 1 j
Os adjetivos terminados em -aioç ou simplesmente em -oç fazem o com- & * 
parativo em -aixepoçeosuperlativo em -aixaxoçiEpaioç, velho, faz^epoaxepoç | 
e YEpaixaxoç € j
Outros fazem o comparativo em -eoxepoç, e superlativo em -eaxaxoç: 
eu5aipov - euSaiiioveoxepoç e euSai^io veaxaxoç (
Ainda outros fazem o comparativo em -latepoçe superlativo em -toioxoç € 
XaXoç, falador - XaXioiepoç, XaXiaxaxoç g '
t f 
C
162
7.4 PREFIXOS
7.4.1 Prefixos provenientes de advérbios
ei-: (L. semper) sempre, sucessivamente; o/zoos (sempre-viva).
<?/'-: (L. bis) duas vezes, dois; disyllabus.
dicho-: duplamente, em duas partes; dickotomicus.
telo- ou exo-: (L. extra) fora, da parte de fora; ectoderma, exophthalmicits.
endo- ou enío-: (L. intra) dentro; endocarpus.
eu-: (L. bene) bem; euphonicus.
mio-: (L. mittus) menos.
oligo-: (L. paucus) pouco, pequeno número. '
opistho-: (L. retro) detrás.
palim- ou palin-: (L. re-) de novo, novamente. O v de TtcAtv, assim como de outros prefixos, é 
assimilado totalmente por % X, ji, p; convcrtc-se em y antes de gutural (y, >c, Ç e x); 
mantém-se, cai ou é assimilado pelo o (conforme seja seguido de consoante ou vogal) 
e cai geralmente antes de Ç; converte-se em |i antes de tabtal (p, n, Q, y). Exemplos: 
naXiTYEveaiot naXiXXoyia, cronnetpic*, ouppa^iç, cruvKomi, jkxXiuvhcttoç, oixjomuoç, 
naXivojSia, navicpeaç
7.4.2 Prefixos provenientes de preposições
amphi-: (L circum e ainbi) dos dois lados, à volta de; amphibius. 
ana-: por, para cima de.
4/iW-: (L. ob, ante, pro) contra, em lugar de;antidotuí. 
ap~: (L. ab) depois de, longe de, para longe de; /ipostotus. 
dia-: (L. per) através de, por.
ec- (antes de consoante) ou ex- (antes de vogal): (L. ex) fora de; exodus, eclipsis.
en-: (L. in) em, dentro de.
epi-: (L. super) sobre, acima de.
cata-: para baixo de.
meta-: (L cum) com, depois de.
para-: (L. apud, ad) próximo de, ao lado de, ao encontro de; paradoxus.
peri-: (L. circum) à volta de, perto de.
pro-: (L. ante, prae, pro) diante de, antes de.
pros-: (U ad) conforme, segundo; prosodia.
syn-: (L cum) com (indicando companhia, união).
hyper-: (L. super) sobre, por cima de.
hypo-: (L. infra) sob, por baixo de.
163
7.5 SUFIXOS
7.5.1 Sufixos substantivados
-лена: serve principalmente para formar o nome das fêmeas dos animais, posposto ao nome 
do macho: lycaata, loba (de Xwcoç, lobo); ftyoíiw (de bç, porco).
-ariunr. diminutivo; tema: substantivo; loarium.
-ides: indica semelhança; tema: substantivo; nereides, oceanidcs.
•idium: diminutivo; tema: substantivo; ascidium (pequeno saco).
-ion: ocorrência; tema: substantiva 
•is: relação; tema: substantivo.
-iscus: diminutivo; tema: substantivo.
-ites. -itis: relação; tema: substantiva 
■¡um: diminutivo; tema: substantivo.
-ma: resultado de ação; tema: verba 
-mus: indica ação; tema: verbo.
-osyne, -cies: formam nomes abstratos indicando um caráter especial; tema: adjetivo.
-sis: ação de natureza gera) ou abstrata; tema: verbo.
-ter, -les, 'lis, -lor, -tria: indica agente ou meio; tema: verbo.
-iros, -trus, -ira, -Ircn, -trum: ferramenta ou meio de fazer algo; tema: verbo ou substantivo.
7.5.2 Sufixos adjetivados
-acus, -a, -uni: pertencente a; tema: substantivo.
-eus, -a,-um : possufdo por ou pertencente a; tema: substantivo, geralmente um nome próprio; 
giganteas.
-icus, -a, -um: pertencente a; tema: substantivo; arcticus (de Arctos, a constelação da Ursa 
Maior).
-ineus, -a, -um: material ou cor; cocaneus (escarlate).
-inus, -a, -um: material ou cor, semelhança ou posse; tema: substantivo; hyaiinus.
-iticus, -a, -um: adaptação ou capaddade, posse de.
-fus, -a, -um: característico de; tema: substantivo.
-oides; -oideus, -a, -um; -odes: semelhança; tema: substantivo.
-olus, -a, -um: semelhança ou posse; tema: substantivo; lepidolus (de lepis, escama).
7.6 COMPOSIÇÃO DE PALAVRAS
7.6.1 Número de elementos
Uma palavra composta é constituída pelo menos de dois elementos: um 
final, pospositivo, que recebe as desinências e que é sempre um radical; o outro, 
inicial, prepositivo, que pode ser um simples prefixo ou outro radical; pode 
haver ainda elementos mediais. Exemplos: exodus (ек e ÓSoç, caminho); emme- 
nagogus (ev, |ir[v: mês; ocYtoyoç que conduz); ртгсн»Jies/s (лора, ev, беац).
164
A disposição desses elementos nos compostos obedece geralmente a certas 
regras:
• Os prefixos são, naturalmente, antepostos (prologus, syndirontts); a não ser 
quando mediais ou infixos (vide parenthesis, acima).
• Os radicais tirados de numerais ou de pronomes são também prepositivos 
(autonomus, monosyltabus).
• Os radicais provenientes de verbos são geralmente finais (ichthyopliagus).
Nos compostos de dois ou mais elementos, geralmente, vai no final o 
elemento que representa a idéia mais geral ou a mais importante - o determinado - 
e precedem-no os elementos que representam idéias mais particulares ou 
restritas - os determinantes.
Os compostos podem scr de três tipos:
Sintéticos: quando o determinante é preposto, por mais restrito ou particu­
lar, e o determinado posposto, como em gcopUagus (comedor de terra) - comer 
é uma idéia geral, terra o particular, o determinante.
Analíticos: quando os elementos se dispõem em ordem decrescente de 
significado, do geral para o particular: hippopotamus (o cavalo do rio, e não o rio 
dos cavalos).
Indiferentes ou anfóleros: quando os elementos podem ser considerados de 
valor equivalente quanto à extensão das respectivas idéias: hennaphroditus (de 
Hermes e Afrodite), androgyitus, piUtecaiühropits, aiitliropopithccus.
7.6.2 Elementos finais dos compostos
Oselementos finais doscompostossão pura e simplesmente transliterados 
para o latim, na forma do nominativo singular, segundo as regras fornecidas no 
início deste capitulo.
Se os elementos finais se inidam por p, este se toma duplo (pp = rrh); mas
o o inicial fica quase sempre simples: áip.opporyia (de áijia: sangue e 
ruptura), yXuKuppuÇa (de yXukuç doce e jiiÇa: raiz); porém: jiovocuAAapoç, 
aaunjierpia.
7.6.3 Elementos iniciais dos compostos
Oselementos iniciais dos compostos, como Já sabemos, podem ser simples 
prefixos ou radicais prepositivos; estes podem sen numerais, pronomes, subs­
tantivos, adjetivos e verbos.
Qualquer que seja a categoria gramatical do prepositivo, a seguinte regra 
geral é válida: quandoa um elemento final principiado por vogal ou ditongo 
(com ou sem h) se antepõe outro elemento di-ou polissilábico terminado(depois
165
de suprimida a desinência) em vogal, em regra esta vogal cai. Exemplos: ovt (i) f 
e aptcroç mais sufixo -ticoç: antarcticus; %pua (oç) mais avOejiov: dirysati- ¿ 
themum. A vogal deixa de cair nos seguintes casos: se o elemento anteposto é 
monossílabo; geralmente quandoo elemento pospositivo principiado por vogal f 
tinha primitivamente um vau inidal (e5pot, eiSoç, epyov, ovojia, ex<ü, eXkoo etc.); ^ 
algumas vezes, nos elementos terminadosemi, principalmente em:anaentia (ctv, 
sem e sangue); octaedros (onfi) ou oicra, oito e e8pa por Fe5pa, cadeira, C 
base): demiurgus (8run(-ou), coisa pública e epryov por Fepiov, trabalho). tf
7.6.4 Elementos iniciais provenientes de numerais
9 «inca-
10 deca-
11 endeca- ou hendeca-
Os principais ordinais empregados são:
proto- primeiro 
deutero - segundo
ogdo - oitavo
Dos multiplicativos usam-se principalmente diplo- (duplo) e fwplo- (sim­
ples).
1/2 hemi-: hemipterus
1 mono-
2 db (
3 tri-
4 telra-
5 pcnla- {
6 hcxa- |
7 hepta-
8 octa- ou octo- í
(
í
í
12 doâeca- (
20 icosa-, raras vezes icosi-, esta última forma nos números ,
compostos, quando seguida de outro cardinal 
(iicositetraicosipenta- etc.) (.
100 kecatoa- (com as modificações sofridas pelo n de acordo ^
com a inicial do elemento final)
1.000 chilio- (normalmente usado na forma incorreta chilo- C
como Chilopoda, chilognathus) £
10.000 myrio- (também normalmente usado na forma incorreta
myria- como em Mt/riapoda) *
k
í
í
1
166
7.6.5 Elementos iniciais provenientes de pronomes
alíelo-: uns aos outros 
alio-: estranho, outro
auto-: o mesmo, ele mesmo, por si mesmo 
ego-: eu
helero-: outro, diferente
homoeo- ou honro-: semelhante, igual, o mesmo
mono-: só, único
pan-, panto-, ponto-: tudo
poso-: quanto
lauto-: o mesmo
7.6.6 Elementos iniciais provenientes de substantivos
Estes tiram sua forma, em regra, do genitivo singular, e a vogal de ligação 
é geralmente um -o, quer temático, quer não: dioro- (de xeopoc, %cop-aç); phlcbo- 
(de $Xey, <t>X£poç); haemato- (de ái^a, àijiat-oç) etc.
Algumas vezes, por sistema ou exceção, tomam formas mais reduzidas 
(prefixadas), mais ampliadas, ou simplesmente modificadas: uSop, u&rroç 
(água) dá hydro-; existem tanto as formas haemato- como hemo- etc.
Os substantivos da 1* declinação seguem indefectivelmente a regra geral; 
apenas alguns substantivos femininos mantêm a terminação original (-a ou -e) 
em certas palavras como agorafobia, choledocus e genealogia.
Os da 2a declinação também não apresentam exceções. Os da declinação 
ádca entram nos compostos, como elementos iniciais, com a forma correspon­
dente a todo o genitivo singular (ou ao nominativo singular sem o -ç).
Os da 3* declinação, 1* categoria (masculinos, femininos e neutros) tam­
bém obedecem à regra geral, com algumas exceções.
Os da 2* categoria, de tema em i ou u seguem as seguintes regras: os de 
tema em -t (nominativo em -iç ou, raras vezes, neutros em -i) fazem o genitivo 
em -etoç e, algumas vezes, em -eoç, mas entram nos compostos como se todos o 
fizessem em -ioç, (io(ç)); os de tema em -u (nominativo em -uç ou, raros neutros, 
em -d) fazem o genitivo em -uoç algumas vezes em -ecoç ou em -eoç e servem 
geralmente de elementos iniciais com a forma de -uoç (uo(ç)): pltysio-, ophio-, pityo-.
Os poucos substantivos em iç ou uç, com estas terminações precedidas de 
vogal, tomam a forma do genitivo depois de suprimido o -ç (se existe): graophilus 
(amigo das velhas); oeophagus (comedor de ovelhas). Bouç e vauç assumem a 
forma bu- e nau-, respectivamente, como em bucephalus e nauniachia.
Os neutros em -oç entram em compostos como se fossem substantivos 
masculinos da 2* declinação, perdendo o -ç do nominativo ou a terminação -uç 
do genitivo: etnografia (e não etneografia); crcophagus (e não creaophagus) etc.
167
Os terminados em -to ou -caç raramente formam elementos iniciais de 
compostos, mas, quando os fornecem iniciais, os de genitivo em -ooç ou -ouç 
seguem a regra geral; os de genitivo em -tooç, entretanto, entram nos compostos 
perdendo simplesmente o ç final do genitivo, como em heroographus (autor de 
poemas heróicos).
7.6,7 Elementos iniciais provenientes de adjetivos
Os adjetivos de 1* classe (triformes e biformes) seguem a regra geral.
Os de 3* classe, em -uç -cio, -u, ao formarem elementos iniciais de com­
postos tomam a forma do nominativo neutro, ou seja, a do nominativo masculino 
depois de suprimido o ç final; os restantes entram nos compostos geralmente 
com a forma do genitivo masculino, raras vezes também com a forma do 
nominativo neutro do singular. oÇuç, -eia, -\> dá - oxy-; xaxuç- toc/iy-; 
(fêmea) - thely- etc.
REFERÊNCIAS
ALEXANDRE, C., 1865. DiclionnaireGrec-Franptis (lie . éd.), 1:832 pp.; 2: pp. 833-1632. 
BA1LLY, M. A., 1894. Díct/oimaircCr«:-Fwirfflis,xxxn+2227 pp. Librairic Hachcttc, Paris. 
BROWN, R. W., 1956. Compositiau ofscktilijtc works (Reviscd edition), 882 pp. Published by 
thc Author.
LOURO, J. 1., 1940.0grego aplicado à linguagem científica, 455 pp. Editora Educação Nacional, 
Porto.
M0LLER,G.,1884. DizionariomaitwleCreco-ltaHano,1223+54pp. ErmannoLoeschcr,Torino.
\
8. NOMENCLATURA ZOOLOGICA
Nelson Bernardi1
Mánucl Bandeira 
(Souza Bandeira,
O nome inteiro 
Tinha Camdro).
Eu me interroga 
•Manud Danddra, 
Quanta besteira!
^ h a uma cousa: 
Porque não ousa 
Assinar logo 
Manuel deSouzA? 
Manud Bandeira· 1946
Λ nomenclatura zoológica - sistema de nomes aplicados aos táxons animais 
- é regida pelo Código Internacional de Nomenclatura Zoológica (ICZN, 1985), um 
sistema de regras e recomendações acerca da maneira correta de compor e 
aplicar os nomes zoológicos. Na taxonomia biológica, há outros códigos de 
nomenclatura, aplicáveis à botânica e à microbiologia. O código zoológico, 
doravante referido simplesmente como Código, é independente dos demais, 
isto é, só conhece suas próprias regras e recomendações. Nenhum preceito de 
qualquer dos outros códigos afeta a nomenclatura zoológica.
1 . Departamento de Zoologia, Instituto de Biociêndas, Universidade Estadual Paulistа, Botucatu, SP.
A força do Código está no fato de ser um documento adotado pela 
comunidade zoológica internacional, primeiramente representada pelos Con­
gressos Internacionais de Zoologia, depois, desde 1973, pela Divisão de Zoolo­
gia da International Union of Biological Sciences e, finalmente, desde 1982, pela 
Assembléia Geral desse órgão.
8.1 OBJETIVO DO CÓDIGO
Usando as próprias palavras do Código, seu objetivo é "promover a 
estabilidade e a universalidade dos nomes científicos dos animais, e assegurar 
que o nome de cada táxon seja único e distinto". Dito de outra maneira, o Código 
pretende que cada táxon animal tenha um nome único, distinto, estável e universal.
Por estabilidade entende-se que o nome correto de um táxon não deve ser 
alterado injustificadamente; por universalidade, que o nome correto é válido em 
qualquer parte; por unicidade, que é um e um só; por distinção, que é distinto do 
de qualquer outro.
É fácil entender as razões desses quatro requisitos. Como o nome de um 
táxon é fundamental para a comunicação científica a seu respeito, se fosse 
instável poderia comprometer seriamente a comunicação. A exigência de uni­
versalidade dá um passo adiante: proíbe que existam nomes regionais, mesmo 
que sejam estáveis. Mas isso não basta, pois poderiam coexistir vários nomes 
universais e estáveis para o mesmo táxon. Daí a unicidade obrigatória: só há um 
nome correto. Para completar, é indispensável a distinção, pois a comunicação 
também seria comprometida se dois ou mais táxons tivessem o mesmo nome 
estável e universal.
Assim, não podem existir dois gêneros de animais com o nome Drosophila, 
por exemplo, digamos um de moscas e um de minhocas, mesmo que não exista 
a possibilidade de confusão. Esse nome só pode ser usado para determinado 
gênero de moscas. Além disso,não pode ser mudado, deve ser utilizado em 
qualquer parte e não admite concorrente. Os mesmos princípios podem ser 
analogamente aplicados à espécie Drosophila melanogaster e à família Drosophi- 
lidae.
8.2 TÁXONS E CATEGORIAS
Para entendermos melhor o significado da nomenclatura zoológica, é 
interessante examinarmos os conceitos de táxon e categoria (ou categoria taxo­
nómica). Estes são nomes de táxons: Animalia, Chordata, Vertebrata, Bothrops, 
Bothrops jararaca. Estes são nomes de categorias: reino, filo, coorte, classe, ordem,
171
falange, família, tribo, gênero, espécie. Um táxon é um determinado grupo de 
organism os (para uma definição m ais rigorosa e formal desse conceito, consulte 
Papavero, Costa, Abe & Llorente-Bousquets, 1993). Uma categoria é determina­
do nível hierárquico em que certos táxons são classificados (para uma definição 
mais rigorosa e formal de categoria, consulte Papavero & Abe, 1992; nesse 
trabalho há também uma crítica ao emprego das categorias taxonômicas ou 
lineanas). Anthozoa, Gastropoda, Arachnida e Mammalia são táxons tradicio- 
nalmente incluídos na categoria "classe". Homo sapiens, Drosophila melanogaster, 
Varanus komodoensis e Nessitheras rhombopteryx são táxons incluídos na categoria 
"espécie".
O Código só se ocupa de táxons classificados em algumas categorias, 
congregadas em três grupos, a saber:
• Grupo da família: superfamília, família, subfamilia, tribo e qualquer outra 
categoria abaixo de super família e acima de gênero que for conveniente adotar 
em determinada classificação.
• Grupo do gênero: gênero e subgênero.
• Grupo da espécie: espécie e subespécie.
Os nomes de táxons de quaisquer outras categorias são ignorados pelo 
Código, isto é, não estão sujeitos a regras e recomendações. Entretanto, a 
tradição e a analogia têm sido coerentes no tratamento dos nomes acima do 
grupo da família, de modo que esses nomes, de um modo geral, não oferecem 
qualquer problema sério.
. 8.3 A LIBERDADE DO PENSAMENTO ZOOLÓGICO
Para o Código, não importa qual o conceito de espéde ou subespéde 
adotado pelo zoólogo. Um zoólogo pode adotar o chamado conceito biológico 
de espéde ou pode preferir um conceito puramente fenético. Seja qual for o 
conceito adotado, se um zoólogo disser que determinado táxon é uma espéde, 
o Código prescreve a maneira de nomeá-lo.
Nessa atitude de isenção está um sábio princípio recomendado pela expe­
riência e que o Código houve por bem adotar: as regras de nomenclatura não 
devem interferir no julgamento zoológico, só na aplicação de nomes. Não se 
pode impedir a liberdade de pensamento zoológico. O zoólogo estuda seu 
material, observa-o como puder, faz experimentos e tira suas conclusões. A 
zoologia se ocupa dos animais; a nomenclatura dos nomes dos animais. Assim, 
se quisermos ser rigorosos, diremos que nomenclatura não é zoologia, embora 
algum tipo de nomenclatura seja indispensável à comunicação zoológica.
172
8.4 OS NOMES DOS TÁXONS
Os nomes zoológicos são palavras latinas ou latinizadas. Em grande parte, 
as palavras latinizadas provêm da língua Grega Clássica, mas há também um 
bom número de vocábulos de várias línguas modernas ou mesmo, no caso dos 
nomes de gêneros e espécies, palavras arbitrariamente formadas.
Os nomes podem ser uninominais, binominais e Irinominais, isto é, são nomes 
compostos de uma, duas ou três palavras. Os nomes das espécies são binomi- 
nais; os das subespécies são trinominais; os demais são uninominais. Os nomes 
específicos e subespecíficos escrevem-se sempre com inicial minúscula; os 
demais com inicial maiúscula. Os nomes genéricos, subgenéricos, específicos e 
subespecíficos costumam ser escritos de forma que fiquem destacados do 
restante do texto em que aparecem. Para tanto, são escritos em grifo (ou itálico) 
e, quando usados em manuscritos, costumam ser sublinhados. Esse preceito, 
porém, é apenas uma recomendação, não uma regra, ou seja, não é obrigatório.
Todos esses preceitos podem ser assim exemplificados:
• nomes de filos: Labyrinthomorpha, Gnathostomulida, Loricifera, Echinoder- 
mata, Pogonophora, Chordata;
• nomes de classes: Xiphosura, Arachnida, Aves, Mammalia, Gastropoda, Mo- 
noplacophora;
• nomes de coortes: Mutica, Glires, Ferungulata,Unguiculata;
• nomes de ordens: Odonata, Coleoptera, Passeriformes, Chelonia, Chiroptera, 
Primates;
• nomes de superfamílias: Ichneumonoidea, Formicoidea, Caraboidea, Scara- 
baeoidea;
• nomes de famílias: Ichneumonidae, Formicidae, Carabidae, Scarabaeidae;
• nomes de subfamilias: Ichneumortinae, Formicinae, Carabinae, Scarabaeinae;
• nomes de tribos: Ichneumonini, Formicini, Carabini, Scarabaeini;
• nomes de gêneros: Hammerschmidtiella, Dero, Acanthomacrostomum, Quedius, 
Perisymmorphocephalus, Caranx, Bovicola, Alloglossidium, Cercopilhecus, Oedema- 
gena;
• nomes de subgéneros: Drosophila, Siphlodora, Dero, Allodero, Aulophorus;
• nomes de espécies: Alloglossidium hirundicola, Archinemestrius karatavicus, Bo- 
vicola bovis, Branchiostoma lanccolatuiii, Jaiiioylius kcrwoodi, Nyctcrimorpha pyra- 
lina, Phyllophaga peccatus, Rhynophylla fischerae, Stegastes sanctipauli, Tubif ex 
tubifex;
• nomes de subespécies: Haematopus ostralegus occidentalis, Myzomela nigrita 
ernstmayri, Phalacrocorax carbo carbo, Phalacrocorax carbo sinensis, Tubifex tubifex 
tubifex, Tubifex tubifex kleerekoperi.
173 4
f
Há ainda características a observar acerca desses nomes. Todos os nomes / 
supragenéricos são substantivos no nominativo plural, isto é, teriam tradução 
deste tipo: os animais, os aracnídeos (ou os arácnidos), os coleópteros, as aves, < 
os carabídeos (ou os carábidos). Os nomes de gêneros e subgêneros são subs- ( 
tantivos no nominativo singular.
Se compararmos os nomes do grupo da família com os nomes de táxons ‘ 
mais elevados, veremos diferenças estruturais interessantes. Os primeiros pos- 
suem sufixos peculiares que os identificam como pertencentes a determinada , 
categoria, os outros não. Pachylinae só pode ser uma subfamilia; mas, só pela 
observação do nome, não há como saber, por exemplo, o que é Cyphophthalmi.
Os nomes de gêneros, espécies e subespécies são prontamente identificá v e i s 
como tais.
Nos nomes binominais e trinominais,a primeira palavra é sempre o nome 
do gênero a que pertence a espécie ou a subespécie. A segunda palavra do 
binômio, a segunda e a terceira do trinomio escrevem-se sempre com minúscu- 
la. A primeira, nos dois casos, escreve-se sempre com maiúscula. *
Se quisermos citar o subgênero a que pertence uma espécie, citamos o 
nome entre parênteses: Dero (Aulophorus) carteri, Dero (Aulophorus) borellii. No 
caso de subespécies, teríamos, por exemplo, Dero (Aulophorus) borellii borellii e 
Dero (Aulophorus) borellii marcusae. Nesses casos, o Código determina explicita- í 
mente que o nome do subgênero não faz parte do nome da espécie. Assim, o 
nome de uma espécie é sempre binominal e o de uma subespécie é sempre 
trinominal. Não há nomes tetranominais. *
«
<
8.5 HOMONÍMIA, SINONIMIA, PRIORIDADE
<
Neste ponto, é conveniente examinar certos princípios gerais. É pela 
utilização desses princípios que o Código procura alcançar seu objetivo. 
Chama-se homonímia o fato de um mesmo nome ser aplicado a dois ou mais 
táxons do mesmo grupo. O Código proíbe terminantemente homônimos dentro do 
grupo da família em todo o Reino Animal. O mesmo vale para o grupo do 
gênero. No grupo da espécie, é proibida a homonímia dentro de cada gênero, i 
Assim, Platyprosopus bruchi, Bledius bruchi e Stenus bruchi não são homônimos, 
pois, embora a segunda palavra seja a mesma nos três casos, os binômios são 
diferentes. Esse é um exemplo da notável flexibilidade do sistema binominal. 
Também não são homônimos o nome genérico Ensifera (aves), o nome específico 
Ensifera ensifera e o nome da subordem ou ordem Ensifera (insetos ortopteróides).
Nos grupos do gênero e da espécie, basta a diferença de uma letra para 
que não ocorra homonímia. Não são homônimos nomes muito parecidos, como 
Cosmisoniae Cosmosoma, Rhagio e Rhagium, Oxysternon e Oxysternus, Xylophaga 
T*!.
e Xylophagus, Atta e Attus, Dipterus e Diapierus. O mesmo vale com relação 
a Phyllophaga peninsulana e Phyllophaga peninsularis, Phyllophaga nevermannea e 
Phyllophaga nevermanni, Phyllophaga oaxaca e Phyllophaga oaxena, Phyltophaga picea 
e Phyllophaga piceola. Também não são afetados pela proibição de homonímia os 
nomes genéricos zoológicos que forem idênticos a nomes de vegetais ou micro­
organismos, como Dracaena (um lagarto) e Dracaena (uma planta, família Aga- 
vaceae). Isso se deve ao princípio da independência do Código Zoológico.
No grupo da família, entretanto, a homonímia apresenta aspectos curio­
sos, à primeira vista estranhos. Os nomes Chrysopidae (uma família de Neu- 
roptera) e Chrysoptnae (uma subfamilia de Diptera) são homônimos. Os nomes 
do grupo da família são caracterizados por sufixos e o Código, no tratamento 
da homonímia, desconsidera os sufixos. Assim, são homônimos nomes do 
grupo da família cuja única diferença seja o sufixo. J
Chama-se sinonimia a circunstância de um táxon ter dois ou mais nomes 
distintos. Também proibida pelo Código, a sinonimia é de ocorrência muito 
comum e, quando descoberta, deve ser corrigida. Por diversos tipos de erros de 
interpretação ou por ignorância da atividade de outros zoólogos, alguém pode 
propor um nome para o que pensa ser uma nova espécie, sem se dar conta da 
existência de um nome prévio. A sinonimia pode ocorrer em todos os níveis 
taxonómicos.
Para resolver os casos de homonímia (o mesmo nome para dois ou mais 
táxons) e sinonimia (dois ou mais nomes para o mesmo táxon), o Código lança 
mão do princípio da prioridade. Este é o princípio mais importante do Código e 
resolve a maioria das pendências nomenclatórias. De dois ou mais sinônimos 
ou homônimos, vale o mais antigo. Em caso de sinonimia, o sinônimo senior é o 
nome válido e todo sinônimo júnior deve ser descartado. Em caso de homonímia, 
o táxon que tem o homônimo sênior é privilegiado e fica de posse do nome, o 
táxon que possui um homônimo júnior deve receber um nome novo.
O nome Colax foi dado por autores diferentes a um gênero de lepidópteros 
e um de dípteros. Como foi primeiro aplicado ao gênero de lepidópteros, o 
homônimo júnior tornou-se inválido e o autor que descobriu a homonímia deu 
ao gênero de dípteros o nome Atriadops.
O Código estabelece arbitrariamente um início para a aplicação do princí­
pio da prioridade. Em 1758, era divulgada a décima edição da obra Systcma 
Naturae, em que o naturalista sueco Cari von Linné descrevia e nomeava todas 
as espécies animais por ele conhecidas, utilizando consistentemente o sistema 
binominal. Esta obra clássica é considerada o inído da nomenclatura zoológica 
para a grande maioria dos animais. A única exceção permitida pelo Código é a 
obra Aranei svecici, de Carl Alexander Clerck, que inclui setenta espécies de 
aranhas, um opilião e dois pseudoescorpiões (essa obra também utiliza, consis­
tentemente, o sistema binominal). O Código decide arbitrariamente que as duas 
obras devem ser consideradas como publicadas em l s de janeiro de 1758, tendo
175
a segunda precedência sobre a primeira, e que qualquer outra publicação de 
1758 é posterior às duas. Daí em diante, toda a determinação de prioridade deve 
ser estabelecida pela averiguação das datas de publicação.
8.6 PUBLICAÇÃO, AUTORIA E DATA
Ligadas ao importante problema da prioridade, temos as questões da 
publicação, da autoria e da data de um nome. Todo nome zoológico, para ser 
válido, deve ser devidamente publicado. Para ser considerado "devidamente 
publicado",no sentido doCódigo, um trabalho que contenha dados de interesse 
da nomenclatura deve ser impresso com o propósito de fornecer um registro 
científico permanente, deve estar disponível para compra ou permuta na oca­
sião da publicação e deve ser parte de uma edição que contenha cópias simul­
tâneas feitas por um método que garanta numerosas cópias idênticas. Hoje em 
dia isso significa, com relativamente poucas exceções, que o trabalho deve ser 
publicado em algum periódico especializado. O Código ressalta que teses 
(dissertações de mestrado e teses de doutorado, pelo menos como feitas na 
atualidade), não constituem publicação nesse sentido.
Todo nome publicado tem autor e data de publicação. O autor de um nome 
é a pessoa que o publicou pela primeira vez como nome de um táxon. Podem 
existir dois ou mais autores para um mesmo nome.
Segundo o Código, autoria e data não fazem parte do nome de um táxon, 
mas podem ser citados em conjunto. Pode-se também citar apenas o autor, sem 
a data. Assim, podemos escrever Nemestrinus Latreille, 1802, ou, simplesmente, 
Nemestrinus Latreille. O nome do autor segue imediatamente o nome do táxon 
e a data, separada por vírgula, segue o nome do autor. Outros exemplos: 
Cyclopsideinae Bernardi, 1973; Cyclopsidea hardyi Mackerras, 1925.
Na citação de nomes de espédes e subespécies com autoria e data, há um 
caso especial a ser considerado. Uma espéde ou uma subespécie podem ser 
transferidas de um gênero para outro, em obediência a novos conceitos e 
arranjos taxonômicos. Nesse caso, cita-se o nome do autor e a data entre 
parênteses. A espécie originalmente descrita como Rhynchocephalus tauscheri 
Fischer, 1812 é hoje citada como Neorhynchocephalus tauscheri (Fischer, 1812). 
Semelhantemente, Limnodrilus kleerekoperi Marcus, 1944 passou a ser Tubif ex 
tubifex kleerekoperi (Marcus, 1944).
É bom lembrar que essas mudanças de gêneros são potencialmente rever­
síveis. Normalmente se baseiam na interpretação de um ou mais autores. 
Suponhamos que, no último exemplo, um novo estudo da situação leve à 
conclusão de que a forma denominada kleerekoperi não seja uma subespécie de
176
Tubifex tubi/ex, nem pertença a Tubif ex, mas que o autor original estava correto. 
Voltamos a falar em Limnodrilus kleerekoperi Marcus, 1944.
Em suma, o nome do autor e a data são citados entre parênteses quando 
o nome do grupo da espécie é citado em uma nova combinação, isto é, quando o 
segundo termo do binômio ou o terceiro termo do trinômio são usados em 
combinação com o nome de um gênero diferente do nome com que combinaram 
pela primeira vez.
8.7 TIPIFICAÇÃO
Além do princípio da prioridade, já explicado, o Código usa um outro, 
também muito importante, para atingir seu quádruplo objetivo. Chamá-lo­
emos de princípio da tipificação. Qualquer nome dos três grupos possui o que se 
pode chamar de um tipo. O Código não oferece uma definição geral de tipo, 
mas podemos tentar uma:
O tipo de um nome N de um táxon T é um objeto x, pertencente a T e 
designado como fixador de N (Bemardi, 1980).
Explicaremos mais detalhadamente o que isso significa em seções ulterio­
res. Basicamente, um tipo é um objeto que fixa um nome aplicado a um táxon 
que contém esse objeto. O tipo de um nome do grupo da família é umgênero-tipo. 
O tipo de um nome genérico ou subgenérico é uma espécie-tipo. O tipo de um 
nome específico ou subespecífico pode ser um espécime ou um conjunto de dois 
ou mais espécimes. O que aqui chamamos d e espécime é interpretado de forma 
muito ampla pelo Código. O espécime pode ser um animal ou qualquer parte 
de um animal; pode também ser uma colônia ou parte de uma colônia, de um 
coral, por exemplo; em se tratando de fósseis, o tipo pode ser o trabalho do 
animal ou, desde que sejam naturais, uma substituição, uma impressão, um 
molde ou um contramolde; no caso de formas atuais de protozoários, o tipo 
pode ser um conjunto de indivíduos relacionados, montados em uma ou mais 
preparações. Esse conjunto se chama hapantótipo. Há também o caso muito 
especial em que o tipo pode ser um espécime referido numa ilustração ou 
descrição.
8.8 NOMES DO GRUPO DA ESPÉCIE
Em geral, os nomes de espécies e subespécies estão sujeitos às mesmas 
regras e recomendações. Respectivamente, são binominais e trinominais, como 
já vimos. Excluído o nome do gênero, que sempre faz parte do binômio e dotrinomio, ocupemo-nos da parte restante. Deve ser sempre uma palavra de mais 
de uma letra (exemplos: Aulonierisio, Epiphloeus quattuordecimmaculatus).
Essa palavra, gramaticalmente, pode pertencer a diferentes categorías.
Eis as principais:
•um adjetivo no nominativo singular, como em Trichophthalma nigrovittata e 
Moegistorhynchus perplexus. Nesse caso, o adjetivo deve concordar gramatical­
mente com o gênero gramatical do nome genérico. Assim, temos: Leptothorax 
argentinus, Pseudoatta argentina e Macrosiagon argentinum; Pogonomyrmex car- 
bonarius, Mesoponera carbonaria e Monomorium carbonarium;
•um substantivo no nominativo singular, usado em aposição, como em Phyl- 
lophaga microdon, Meleagris gallopavo, Chriolepis vespa e Astroscopus ygraecum. 
Um caso particular é o dos tautônimos, tais como Histrio histrio. Salamandra 
salamandra e Ciconia ciconia. Nesse caso, o substantivo em aposição não neces­
sita concordar gramaticalmente com o gênero gramatical do nome genérico; 
•um substantivo no genitivo (singular ou plural), como em Trypanosoma cruzi, 
Schistosoma mansoni, Bocainamyia hagmannarum. Além do genitivo referente ao 
nome de alguma pessoa homenageada, como nos exemplos acima, usa-se 
também com referência a espécies parasitadas (Bovicola equi, Ctenocephalides 
canis), localidades geográficas (Stegastes sanctipauli, Pamphobeteus sorocabae) e 
alguns casos especiais (Drosophita paulistorum, Brachyphylla cavernarum). Como 
no caso dos nomes em aposição, os genitivos não se alteram de conformidade 
com o gênero gramatical do nome genérico. Por exemplo: Oxytelus bruchi, 
Placusa bruchi e Ochthephilum bruchi.
Quando um autor propõe uma nova espécie ou subespécie, normalmente 
se baseia numa amostra que contém pelo menos um exemplar (ou parte de um 
exemplar). Os tipos, salvo um‘á exceção, são espécimes contidos nessa amostra. 
O Código prevê várias categorias de tipos.
O tipo mais usado é o chamado holótipo. Se o autor se basear só num 
exemplar para descrever uma nova espécie, ele será o holótipo. Se estudar mais 
de um exemplar, designará um deles como holótipo, sendo os restantes chama­
dos de parâtipos.
É possível que, ao estudar uma amostra de dois ou mais exemplares, o 
autor não designe um como holótipo. O conjunto, então, funcionará como 
fixador do nome e cada exemplar será um síntipo.
Qualquer autor subseqüente pode escolher um exemplar de uma série de 
síntipos para ser o único fixador do nome, fazendo, por conseguinte, o papel do 
holótipo. Esse espécime será chamado de Iectótipo, os demais de paralectólipos. 
A única diferença, portanto, entre holótipo e lectótipo, e entre parátipo e 
paralectótipo está na data da escolha do exemplar único, respectivamente, na 
publicação original ou em publicação subseqüente.
* r
I 178
I
Essas categorías de tipos pertencem ao material esludado originalmente 
pelo autor que propõe uma nova especie ou subespécie. Em casos especiais, 
pode-se propor um neótipo, exemplar que substitui um holótipo ou Iectótipo 
perdidos. Eventualmente, pode mesmo substituir outro neótipo perdido. O 
neótipo só pode ser proposto quando houver absoluta necessidade, satisfeitas 
várias exigências prescritas pelo Código. v
Em suma, um holótipo, um lectótipo e um neótipo, individualmente, e dois 
ou mais síntipos, conjuntamente, têm a mesma função, a de fixar a aplicação 
de um nome específico ou subespecífico. O nome em questão só pode ser 
aplicado ao táxon do grupo da espécie que contiver o tipo. Esse nome só não 
será aplicado se for um sinônimo júnior ou um homônimo júnior.
Imaginemos alguns exemplos de aplicações de nomes do grupo da espécie. 
Nos casos em que usamos só as iniciais dos nomes genéricos, os exemplos são 
fictícios.
A espécie X. meridionalis Alvarenga, 1950 teve sua descrição original 
baseada nos exemplares 0 , 1, 2 , 3 , 4, sendo 2 o holótipo. O material-tipo de X. 
septentrionalis Magalhães, 1960 contém os espécimes 5, 6, 7, 8, 9, sendo 7 o 
holótipo. Examinando todo esse material, constatamos que os dois autores 
cometeram erros de interpretação e concluímos que há duas espécies no mate­
rial em questão, mas com a seguinte composição: espécie i (0 , 2 , 3 , 6 , 7), espécie 
j (1 , 4 , 5 , 8 , 9). Como os holótipos pertencem à mesma espécie (i), os dois nomes 
propostos são sinônimos e vale X. meridionalis, o sinônimo sênior, caindo o outro 
em desuso. A segunda espécie (j) deve ser caracterizada e receber um nome 
próprio.
Imaginemos, entretanto, que concluamos pela existência de duas subespé­
cies de meridionalis. Se em cada uma delas estiver contido um dos holótipos, as 
subespécies serão X. meridionalis meridionalis Alvarenga, 1950 e X. meridionalis 
septentrionalis Magalhães, 1960. Não há sinonimia e os dois nomes são válidos, 
mas em níveis diferentes.
É possível acontecer o inverso. Se primeiramente foram descritas as subes­
pécies X. m. meridionalis Alvarenga, 1950 e X. m. septentrionalis Magalhães, 1960 
e depois se conclui pela existência de duas espécies, elas serão X. meridionalis 
Alvarenga, 1950 e X. septentrionalis Magalhães, 1960. Subindo ou descendo de 
nível, conforme a proposta taxonómica, o holótipo carrega consigo o nome de 
) que é tipo.
\ Vejamos um outro caso. K. fenestroclathrata Martins, 1948 baseou-se nos
síntipos 0 , 1 , 2 , 3 , 4, ao passo que K.fenestroinornata Nóbrega, 1952 tem o holótipo
5 e os parátipos 6, 7, 8, 9. Estudando o material em questão, concluímos 
que existem duas espécies, mas nossos exemplares estão assim distribuídos: 
espécie a (3 , 4 , 5 , 6 , 7), espécie b (0 , 1 , 2 , 8 , 9). Como fenestroclathrata tem síntipos, 
podemos escolher qualquer um deles como lectótipo, fixando definitivamente 
o nome. Escolhendo 2 como lectótipo, teremos: K. fenestroclathrata ( 0 , 1 , 2 , 8 , 9),
179
K. f enestroinornata (3, 4 , 5 , 6 , 7). O material foi reclassificado, temos duas especies 
com composição diferente do que se supunha anteriormente, mas os nomes 
permanecem. Se, porém, escolhermos 3 ou 4 como lectótipo, a espécie que reúne 
3, 4, 5, 6 e 7 será chamada de K. f enestroclathrata, e f enestroinornata será um 
sinônimo júnior e, portanto, inválido. Os demais exemplares pertencem a uma 
nova espécie, que deverá receber um nome próprio.
Nesses exemplos, constatamos perfeitamente a função desempenhada 
pelo tipo (holótipo, lectótipo ou neótipo). Um nome ligado ao tipo será aplicado 
à espécie ou à subespécie que contenha o tipo, desde que o nome não seja um 
sinônimo júnior ou um homônimo júnior.
Λ aplicação da regra da homonímia no grupo da espécie significa que, no 
mesmo gênero, não podem existir duas ou mais espécies e/ou subespécies com 
o mesmo nome. Por exemplo, no gênero G. são proibidas as seguintes situações: 
duas espécies com o nome G. laevifrons; uma espécie G. laevifrons e uma subes­
pécie G. luteimarginatus laevifrons; uma subespécie G. luteimarginatus laevifrons e 
outra G. variabilis laevifrons, por exemplo.
Não há infração à regra da homonímia no caso das subespécies chamadas 
nominativas. Pelo contrário, há aí uma exigência explícita do Código. Se uma 
espécie é dividida em subespécies, uma delas, obrigatoriamente, terá o mesmo 
nome da espécie, exatamente a que contém o tipo do nome específico. Exemplos: 
Meleagris gallopavo gallopavo Linnaeus e Meleagris gallopavo silvestris Vieillot; 
Himantopus himantopus himantopus (Linnaeus) e Himantopus himantopus novae­
zelandiae Gould.
O autor do nome da espécie e da subespécie nominativa é o mesmo. Nos 
exemplos acima, o autor da subespécie nominativa não propôs subespécies, mas 
quando autores subseqüentes subdividiram espécies lineanas, ele passou a ser 
também o autor dos nomes subespecíficos correspondentes.
Uma prática taxonómica muito comum é a transferência de espécies de 
um gênero para outro, o que acarreta certas alterações nomenclatórias. Um 
autor pode propor a fusão de dois gêneros, resultando um gênero com o nome 
mais antigo. Com isso, os nomes das espécies transferidas entrarãoem nova 
combinação, isto é, serão combinados com um nome genérico diferente do 
original. É possível também a transferência de parte das espécies de um gênero 
para outros. Outra prática freqüente é a divisão de um gênero conhecido, com 
a criação de um ou mais gêneros novos para parte das espécies do gênero antigo.
Em todos esses casos, há transferência e ocorrem novas combinações. 
Normalmente, a única conseqüência da nova combinação é uma alteração na 
maneira de citar autor e data no nome específico: Rhynchoccphalus volaticus 
Williston, 1883 passa a ser Neorhynchocephalus volaticus (Williston, 1883). O 
nome do autor entre parênteses significa combinação diferente da original. 
Também são possíveis alterações gramaticais: Symmictus é nome masculino, 
Trichopsidea é feminino; Symmictus costatus Loew, 1S58 passou a ser Trichopsidea
180
costata (Loew, 1858). Entretanto, há uma possibilidade de alterações maiores, 
mas relativamente rara; trata-se da homonímia secundária: o gênero N. tem)uma 
espécie de nome N. albosignatus; se a espécie G. albosigmtus é transferida de G. 
para N., dois nomes que não eram originalmente homônimos passam a sê-lo. O 
homônimo sênior é válido e o júnior deve ser substituído por um nome novo.
8.9 NOMES DO GRUPO DO GÊNERO
Paralelamente ao que ocorre com os nomes de espécies e subespécies, os 
nomes de gêneros e subgêneros regem-se pelas mesmas regras e recomenda­
ções. São sempre substantivos no nominativo singular e devem ser constituídos 
por palavras com mais de uma letra. Gramaticalmente, podem pertencer a um 
dos três gêneros: masculino, feminino e neutro. Essa circunstância determina, 
em grande parte, a formação dos nomes específicos.
A maneira mais segura para conhecer o gênero gramatical de um nome 
genérico é a consulta aos dicionários gregos e latinos (no caso de serem nomes 
clássicos, é óbvio). Assim, descobrimos que Homo é masculino, Lepas é feminino 
e Diadema é neutro. A regra geral envolvida é a seguinte: o nome que é ou 
termina por uma palavra grega ou latina, tòm o gênero gramatical atribuído à 
palavra nos dicionários gregos e latinos. Eis alguns exemplos:
• terminações masculinas: ichthys (Grasseic h thys, Limnicthys); odon (Microdon, 
Pantodon); ornis (Hesperomis, Idiornis);
• terminações femininas: caris (Calocaris, Derocheilocaris); gaster (Dendrogaster, 
Peltogaster); myia (Cecidomyia, Nycterimyia); opsis (Hirmoneuropsis, Mallodonop- 
sis);
• terminações neutras: derma (Anoploderma, ch aetoderma); gramma (Isogramma, 
Trichogramma); soma (Poecilosoma, Trypanosoma); stigma (Aglaostigma, Apteros- 
tigma).
Entretanto, como os nomes taxonómicos são sempre latinos ou latinizados, 
a latinização de um nome, com a adoção de terminação latina, faz com que o 
gênero gramatical do nome taxonómico tenha o gênero gramatical da termina­
ção. Por exemplo, a palavra grega cephak é feminina, mas o gênero Neorhyncho­
cephalus é masculino, devido à terminação latina masculina. Semelhantemente, 
sioma é palavra neutra em grego. Assim, os nomes Branchiostoma e Ancylostoma 
são neutros, mas Heterostomus é masculino.
Esses exemplos bastam para ilustrar a questão gramatical, mas cumpre 
deixar claro que o assunto é bem mais amplo.
A determinação do gênero gramatical do nome genérico é importante 
porque o segundo nome do binômio deve concordar gramaticalmente com ele, 
como vimos ao tratar dos nomes específicos.
181
8.10 FIXAÇÃO DOS NOMES GENÉRICOS
O nome de um gênero ou subgénero é fixado em definitivo pela espécie- 
tipo. A espécie-tipo de um nome genérico tem a função de fixar a aplicação do 
nome. O Código prescreve alguns modos de designação da espécie-tipo de um 
género ou subgénero. Se o autor do género designa explicitamente uma das 
espécies originalmente incluídas no género como tipo, falamos em designação 
original. Se o autor não fizer a designação original, há três outras possibilidades 
de designação. Caso só uma espécie tenha sido originalmente indufda no 
género, há designação por monotipia. Se houver mais de uma espécie, a desig­
nação será por tautonímia ou será uma designação subsequente. Há tautonfmia 
quando as duas palavras do binômio são idênticas, como em Histrio histrio, 
Danta dama. Alces alces, Bombina bombina. A designação subseqüente é a desig­
nação de espécie-tipo feita por autor subseqüente, ao escolher uma das espécies 
originalmente incluídas no gênero como tipo.
Quando um autor propõe um novo gênero, inclui nele, obviamente, pelo 
menos uma espécie. As espécies incluídas podem ser todas novas ou podem 
pertencer a gêneros já conheddos. Suponhamos que um autor proponha o 
gênero A. para as espécies melauderi, vulcanica e ¡ativentris, designando a primei­
ra como tipo. Se um autor subseqüente divide o género em dois, um só para 
melanderi, outro para lativentris e vulcanica, o género que contiver melanderi será 
chamado de A., o outro deve receber um nome próprio. Isto porque a espécie- 
tipo fíxa o nome de que é tipo, isto é, só pode ser chamado de A um género ou 
subgénero que contiver ntdanderi, espécie-tipo de A. Não importa qual seja a 
delimitação do género; importa apenas saber onde está a espécie-tipo.
Se o gênero J. for dividido em três subgéneros, um deles, obrigatoriamente, 
terá o mesmo nome do género, J., os outros dois terão outros nomes, digamos 
K. e L. O subgénero que contiver a espécie-tipo de J. terá o mesmo nome. Por 
exemplo:
J. ( J.) aequans, velutiitus, sublatus
J. (K.) bombijòrmis, perplexus, queenslaiulicus
J. (L.) atramentarius, russeolus, wagnerianas
A maneira de propor um gênero com três subgéneros pode variar. Pode-se 
d ivid ir um gênero em três subgéneros, propondo-sc dois nomes novos para dois 
dos subgéneros. Podem-se reunir três táxons antes considerados gêneros, baixan­
do-os a subgénero. O nome mais antigo será também o nome do gênero. No 
último exemplo, o gênero com seus três subgéneros, pode ser resultado da 
união dos géneros J. (com aequans, velutinas e sublatus), K. (com bombiforiuis, 
perplexa e qucenslandica) e L. (com atramentarium, russeolum e zuagiteriamtin).
182
Cumpre esclarecer que a transformação inversa também é possível.
Há duas maneiras de sinonimizar dois nomes genéricos. Diz-se que a 
sinonimização é subjetiva quando depende do julgamento de alguém que enten­
da que há um só gênero e não dois. Um autor que julgar que as espécies de dois 
ou mais gêneros previamente aceitos não têm caracteres diagnósticos aceitáveis 
pode reuni-las todas num só gênero. O gênero, na nova concepção, terá como 
nome válido o sinônimo sênior. Os sinônimos juniores não podem ser usados. 
Essa sinonimia é chamada de subjetiva por depender do julgamento, da inter­
pretação do taxonomista.
Suponhamos, porém, que o gênero V. tenha várias espécies, sendo V. 
aequinoctialis a espécie-tipo, e que W., também com várias espécies, tenha por tipo 
W. marmoratus. Se ficar demonstrado que aequinoctialis e marmorattis são sinôni­
mos, isto é, que estamos perante a uma só espécie e não duas, como previamente 
se supunha, V. e W. são sinônimos objetivos, querdizer, são dois nomes genéricos 
com a mesma espécie-tipo. Esta sinonimia não depende do julgamento do 
taxonomista.
8.11 NOMES DO GRUPO DA FAMÍLIA
Todos os nomes de táxons do grupo da família têm como característica o 
de serem baseados no nome de um gênero incluído. Os nomes são formados 
pela eliminação da terminação do nome do gênero (no caso genitivo singular) 
e pelo acréscimo de um sufixo. O gênero em questão é o gênero-tipo. O Código 
determina os sufixos -idae para nomes de famílias e -iitae para nomes de 
subfamilias. Além disso, apenas recomenda -oidea para nomes de superfamílias. 
Essa recomendação é seguida pelos especialistas em muitos grupos zoológicos, 
mas não por todos. Há ainda um número considerável de grupos em que são 
empregados outros sufixos. Λ tradição, não o Código, adota, de um modo geral, 
os sufixos -ini para tribo e -ina para subtribo.
O gênero Tabanus é o gênero'tipo da superfamília Tabanoidea,da família 
Tabanidae e da tribo Tabanini. No caso, a terminação -u$ é substituída pelos 
sufixos sem dificuldades. Essa operação simples não oferece problemas na 
maioria dos casos, como Drosophilidae (Drosopitiia), Muscidae (Musca), Equidae 
(Equus), Crotalidae (Crotaliis) e tantos outros. Entretanto, em muitos casos, a 
gramática introduz pequenas complicações. É que nem sempre a raiz do nome 
genérico pode ser descoberta pela simples eliminação da terminação do nome 
no genitivo singular. É necessário recorrer ao dicionário para verificar qual é o 
genitivo do nome. Como exemplos, citamos os seguintes nomes de gêneros- 
tipo, acompanhados dos nomes de famílias que deles derivam:
183
Acris Acrid idae
Anas Anatidae
Aspidosiphon Aspidosiphonidae
Cerambyx Cerambycidae
Elater Elateridae
Golfingia Golfingiidae
Cripopteryx Gripopterygidae
fapyx Japygidae
Lepisma Lepismatidae
Megascolex Megascolecidae
Monaiuma Monommatidae
Nnis Naididae
Ostoma Ostomatidae
Phnscolosania Phascolosomatidae
Pholas Pholadidae
Sphex Sphecidae
Syringogaster Syringogastridae
Termes Termitidae
Thresktomis Threskiomithidae
Trypanosoma Trypanosomatidae
Tubi/ex Tubificidae
Turbo Turbinidae
Venus Veneridae
Também com referência aos nomes deste grupo, existe coordenação para 
fins nomenclatórios. Isto é, não ¿permitida a homonímia entre quaisquer nomes 
do grupo, independentemente de nível hierárquico. Para tanto, simplesmente 
se ignora o sufixo dos nomes. Porexemplo, foram propostos os nomes de família 
Chrysopidae {gênero-típo Chrysopa) e de subfamilia Chrysopinae (gênero-tipo 
Chrysops). Como não importa o sufixo, há homonímia. No caso, a Comissão de 
Nomenclatura determinou que o segundo nome passasse a ser (gramaticalmen­
te incorreto, mas necessário para evitar a homonímia) Chrysopsinae.
Nesse exemplo, nota-se mais uma curiosidade que pode acontecer no 
grupo da família: nomes de gêneros não homônimos podem gerar nomes 
homônimos no grupo da familia. Foi o que ocorreu com os gêneros Sphaerius 
(Coleoptera) e Sphaerium (Mollusca), ambos dando Sphaeriidae.
8.12 A COMISSÃO DE NOMENCLATURA
Em geral, não é difícil a aplicação do Código. Não obstante, são muito 
comuns os casos em que a interpretação é duvidosa ou aqueles em que, embora
184
a interpretação não ofereça maiores problemas, a aplicação estrita do Código 
afetaria os próprios objetivos do Código. Para solucionar esses casos, existe a 
Comissão internacional de Nomenclatura Zoológica, que tem a incumbência de 
resolver casos problemáticos. Qualquer zoólogo pode apresentar um problema 
à Comissão. O caso é primeiro publicado no Bulletin of Zoological Nomenclature, 
periódico especialmente dedicado ao assunto. Após a publicação, outros zoó­
logos podem manifestar suas opiniões a respeito. Depois a Comissão examina 
o problema, vota, e a questão fica decidida em definitivo.
Apenas a título de exemplo do tipo de questão que pode aparecer perante 
à Comissão, citemos a supressão da regra da prioridade. Suponhamos que uma 
espécie de grande importância prática seja conhecida por um nome que ficou 
bem estabelecido na literatura. É possível que existam dezenas ou mesmo 
centenas de trabalhos que se refiram à espécie pelo nome em tela. Se algum 
autor descobrir que o nome usado não é válido, pois há um sinônimo mais 
antigo que ficou perdido na literatura primária por muito tempo, a estabilidade 
do nome mais novo e, conseqüentemente, a comunicação seriam prejudicadas. 
Num caso assim, a Comissão tem plenos poderes para suspender a aplicação 
da prioridade nesse caso particular, preservando assim um nome amplamente 
estabelecido.
8.13 OS CÓDIGOS E LIVROS SOBRE O CÓDIGO
O texto básico para o estudo da nomenclatura zoológica, obviamente, é o 
próprio Código. A última edição (ICZN, 1985) pode ser consultada em inglês e 
francês, os idiomas oficiais. Uma versão anterior do Código que, embora 
ultrapassada em vários pontos, contém a substância da nomenclatura zooló­
gica, pode ser consultada em português (Apêndice 1 deste livro), traduzida da 
edição de 1964.
O livrinho de Jeffrey (1973) é uma boa introdução didática à nomenclatura 
biológica (zoológica, botânica e microbiológica). O livro de Mayr (1969) contém 
o texto da versão antiga do Código, seguido dc uma longa série de comentários. 
Blackwelder (1967) é o texto que contém a exposição mais longa (e mais 
cansativa) da nomenclatura zoológica.
8.14 A NOMENCLATURA E A SISTEMÁTICA FILOGENÉTICA
Há alguns problemas conceituais e práticos quanto à aplicação das regras 
tradicionais de nomenclatura a grupos monofiléticos, definidos de acordo com 
os cânones da Sistemática Filogenética. Embora escape do escopo deste livro
V
185
tecer considerações sobre isso, pensamos ser útil incluir a bibliografia que 
aborda esses problemas, e que propõe um novo sistema de nomenclatura para 
a sistemática filogenética. O leitor interessado pode consultar, para tanto, os 
trabalhos de Papavero & Llorente-Bousquets (1992), Papavero, Llorente-Bousquets 
& Abe (1993), Papavero & Llorente-Bousquets (1993d) e Papavero & Abc (1992) 
sobre o problema das "categorias supra-específicas", e os trabalhos de Papavero 
& Llorente-Bousquets (1993a-c, e-f) e Papavero, Llorente-Bousquets & Abe 
(1992) sobre o novo método de nomenclatura proposto para a Sistemática 
Filogenética.
REFERÊNCIAS
BERNARD!, N., I960. O significado dos tipos nomcnclatórios do grupo da espécie em 
taxonomía animal. Reota, brns. Eiil. 24:175-179.
BLACKWELDER, R. E., 1967. Taxonomy: A text and reference book, xv +■ 698 pp. John Witey & 
Sons, New York.
ICZN (International Commission on Zoological Nomenclature), 19B5. hitcrnntioiinl code of 
zoological nomenclature adopted by the XX General Assembly of the Internationnl Union 
of Biological Sciences, xx + 338 pp. International Trust for Zoologtc.il Nomenclature, 
London.
JEFFREY, C., 1973. Biological nomenclature, ix + 69 pp. The Systematics Association, Edward 
Arbold Pub]., London.
MAYR, E., 1969. Principles of systematic zoology, xi + 428 pp. Tata MacCraw-Hill, Bombay- 
New Delhi.
PAPAVERO, N. tc J. M. ABE, 1992. Funciones que preservan orden y categorías lineanas. 
Pubis, esp. M us. 2jool. Univ. me. mitón. México 5:39-74,22 figs.
PAPAVERO, N, N. C. A. da COSTA, J. M. ABE & J. LLORENTE-BOUSQUETS, 1993. Taxún: 
intensión y extensión de un taxón, pp. 59-62, in Papavero, N. & J. Llorente-Bousquets, 
1993g, q. v.
PAPAVERO, N. & J. LLORENTE-BOUSQUETS, 1992. El uso equívoco del concepto de 
'género' en Sistemática Fi logcnética (I). Pubis, esp. Mhs. Zoo/. Univ. nac. mitón. México 5: 
31-37,2 figs.
________ _ 1993a. Propuesta de un nuevo sistema do nomenclatura para la Sistemática
Filogenética. II. Filogenias con fusión de especies. Pubis, esp. Mus. ΖϋοΙ. Univ. ture, autón. 
México 6:1-28,29 figs.
________ _ 1993b. Propuesta de un nuevo sistema de nomenclatura para la Sistemática
Filogenética. III. La cuestión de tos híbridos. Pubis, esp. Mus. Zoo/. Univ. une. mitón. 
México 6:29-12,5 figs.
________ _ 1993c. Propuesta de un nuevo sistema de nomenclatura para la Sistemática
Filogenética. IV. Especies polipí tridas y especies fósiles. Pubis, esp. Mus. Zoo/. Univ. nac. 
mitón. México 6:49-59,13 figs.
________ _ 1993d. El uso equívoco del concepto de'género'en Sistemática Filogenética. III.
Como y porqué se equivocó Hennig? Pubis, esp. Mus. Zoo/. Univ. une. mitón, Mi'xico 6: 
83-102,14 figs.
186
PAPA VERO, N. & J. LLORENTE-BOUSQUETS, 1993e. Propuesta de un nuevo sistema de 
nomenclatura para la Sistemática Filogenética. V. Las 'categorías supraespecíficas'. 
Pubis, esp. Mus. Zool. Univ. nac. autón. México 7:1-45,20 figs.
__________ , 1993Í. Propuesta de un nuevo sistema de nomenclatura para la Sistemática
Filogenética. VI. La cuestión de los 'subgéneros'. Pubis, esp. Mus. Zool. Univ. iu ic . autón. 
México 7:47-62,5 figs.
. , (orgs.), 1993g. Principia Taxonómica. Una introducción a los fundamentos lógicos.
filosóficos y metodológicos de las escuelas de taxonomía biológica. Volumen i. Conceptos básicosde la taxonomía: Una formalhación, vii + 137 pp. Facultad de Ciencias, Universidad 
Nadonal Autónoma de México, México, D. F.
PAPAVERO, N., J. LLORENTE-BOUSQUETS & J. M. ABE, 1992. Propuesta de un nuevo 
sistema de nomenclatura para la Sistemática Filogenética. I. Pubis, esp. Mus. Zool. Univ. 
nac. autón. México 5:1-20,20 figs.
__________ _ 1993. El uso equívoco del concepto de 'género' en Sistemática Filogenética. Π.
Implicaciones biogeográficas. Pubis, esp. Mus. Zool. Univ. nac. autón. México 6: 61-82, 
10 figs.
APÊNDICES
f 
f
c
f 
f
1. O CÓDIGO INTERNACIONAL DE NOMENCLATURA f 
ZOOLÓGICA ADOTADO PELO XV CONGRESSO C
INTERNACIONAL DE ZOOLOGIA, LONDRES, <r
JULHO DE 19581 (
C
Tradução de Nelson Bernardi ç
í
í
í
í
í1.1 PREFACIO DO TRADUTOR
A preocupação com a regulamentação da nomencla lura zoológica é antiga. ^
O primeiro grande passo foi a adoção consistente da nomenclatura binominal (
*por Linnaeus no século XVIII. Mesmo amplamente aceito, o sistema dava ,
margem a muita instabilidade e variação. Os problemas tornaram-se particu­
larmente evidentes com o crescimento da literatura que se ocupava do material (.
coligido em todas as regiões por grandes e pequenos exploradores. As tentativas ¿
de elaborar regras explícitas de nomenclatura começaram ainda em meados do 
século passado. Partindo daí, e passando por uma série de importantes etapas C
intermediárias, os zoólogos chegaram a três edições (1961,1964,1985) do com- ¿
plexo documento denominado Código Internacional de Nomenclatura Zoológica.
O texto que o leitor tem em mãos nesta tradução tem por base a cd ição de í
1964, por uma razão fundamental: a edição de 1985 está protegida pela legisla- ^
ção dos direitos autorais, ora detidos pelo International Trust for Zoological
c
1. Publicado para a Comiss3o Internacional de Nomenclatura Zoológica pelo International Trust for
Zoological Nomenclature. ComissSo Editorial: N. R.Stoll, R. Ph. DollfussJ. Forest, N. D. Riley, C. W. C
Sabrosky, C. W. Wright, R. V. Melville. ,
1
i
190
Nomenclatura. Convém, pois, justificar a edição de um texto anterior, especial­
mente quando se considera que o novo texto é bem mais longo. A justificativa 
está no fato de que a 3a edição mantém todo o conteúdo da segunda. Esta, alem 
de servir amplamente a quem pretende fazer uso do Código, constitui excelente 
fundamento para o estudo de toda a problemática nomenclatória. O porte maior 
da terceira edição deve-se, principalmente, à tentativa que fizeram seus redato- 
resde remover incertezase esmiuçar osignificado de numerosas cláusulas. Para 
tanto, recorreram ao considerável aumento médio de cada artigo, à transposi­
ção de tópicos de um artigo para outro, ao acréscimo de algumas novas ideias 
e à exemplificação mais pormenorizada.
Um exame detalhado das diferenças entre as duas edições, bastante útil 
aos usuários contumazes do Código, não pode ser feito aqui, mas o Bulletiu o f 
Zoological Noniencialure dedicou varias páginas à matéria, nos seguintes volu­
mes: 34 (167-173), 36 (66-72,209-222), 37 (196-215) e 38 (10-48,238).
Em sua edição oficial, o Código tem cerca de 350 páginas, mas deve-se 
lembrar que a versão oficial é bilíngüe, redigida em inglês e francês, além de 
conter índice onomástico, índice de nomes científicos, prefácio e introdução. O 
Código propriamente dito tem um preâmbulo, 88 artigos distribuídos cm 13 
capítulos (I a XIII), 6 Apêndices (A a F) e um glossário. Os apêndices trazem 
recomendações diversas, tabelas com instruções lingüísticas e um código de 
ética. O Apéndice F, com 18 artigos, é novo e contém o regimento da Comissão 
Internacional de Nomenclatura Zoológica, tema que pouco interessa diretamen­
te ao usuário do Código.
Os 88 artigos reúnem o que o Código chama de regras e recomendações. 
As primeiras devem ser rigorosamente obedecidas na prática da nomenclatura, 
as segundas pretendem indicar o melhor proced imen to a seguir em certos casos 
não regulamentados estritamente pelas primeiras, mas sua obediência não é 
obrigatória. Os apêndices têm o valor de recomendações, não de regras. Os 
titulóse exemplos disseminados pelo texto legislativo também não fazem parte 
dele. O Glossário, porém, é parte integral do Código e define oficialmente os 
termos empregados no documento.
Os autores do novo texto estudaram durante muito tempo uma longa série 
de propostas. A título de exemplificação, examinemos algumas delas, começan­
do por duas que não foram aceitas.
O Código reconhece várias categorias de tipos nomenclatórios. Na lingua­
gem comum dos taxonomistas, fala-se simplesmente em tipo, genericamente. 
Pensou-se em adotar "onomatóforo", um bom nome genérico, descritivo, e que 
tem exatamente o sentido pretendido. O termo foi proposto pela primeira vez 
por G. G. Simpson (1940, "Types in modern taxonomy", Amer J. Sei. 238: 
413-431). A decisão final, entretanto, elegeu o esdrúxulo e pouco prático "tipo 
portador do nome" (iwntc bcaring ti/pe, typc porle-nom). É difícil imaginar uma
razão convincente para a recusa. No Apêndice 2, foi usado o termo "onomató­
foro" nos exercícios 32 e 35.
Outra recusa desnecessária dos autores do Código foi o termo "epíteto", 
plenamente aceito pela nomenclatura botânica, referente à segunda palavra do 
binômio e às segunda e terceira palavras do trinômio. A linguagem coloquial 
dos taxonomistas e muitos livros de texto usam o termo com certa freqüência, 
de modo que não se entende sua rejeição oficial, principalmente se pensarmos 
em sua utilidade.
Algumas novidades interessantes e muitas de menor relevo foram incor­
poradas ao Código. Os nomes ditos científicos só se aplicam a táxons compostos 
de animais que sabidamente ocorrem na natureza (em oposição a conceitos 
hipotéticos), vivos ou extintos. Essa delimitação inclui os fósseis que não são, 
mas que substituem, restos de animais, englobando as substituições minerais, 
as impressões, os moldes e os contramoldes. Aos táxons baseados nessas 
substituições e no trabalho fossilizado de animais o Código chama de iaiotâxoiis. 
O conceito é útil para esclarecer certas situações da pesquisa paleontológica, 
mas não influi diretamente na nomenclatura.
Outro conceito novo é o de haiiantótipo, uma ou mais preparações direta­
mente relacionadas que representam diferentes estágios do ciclo de vida e que 
formam, conjunta mente, um onomatóforo de uma espécie viva deprotozoários. 
O hapantótipo não pode ser ulteriormente restringido pela designação de um 
lectótipo. Caso contenha indivíduos de mais de uma espécie, pode ser subme­
tido à eliminação de componentes até conter apenas indivíduos co-específicos. 
Temos aqui, portanto, uma nova categoria de tipos.
Além de conservar o parátipo, que nunca teve qualquer função nomcncla- 
tória, o Código agora permite também o alótipo. Ao contrário do que se possa 
pensar, não é um onomatóforo, mas apenas um exemplar do sexo oposto ao do 
holótipo ou lectótipo, incluído ou não no material original.
Por analogia com a espécie-tipo, o Código passou a falar explicitamente 
em designação do holótipo por monotipia ou designação original.
Há agora caracterizações mais explícitas da localidade-tipo. É esta o lugar 
de onde provém o holótipo, o lectótipo ou o neótipo, ou então o conjunto de 
todas as localidades de onde provêm os síntipos.
Finalizando, é oportuno voltar a um termo que nossos textos teimam em 
grafar erroneamente: táxon, tâxoits. Essas formas obedecem ao que preceituam 
nossos princípios de ortografia. O fato de o inglês usar laxon-taxa não pode 
interferir em nosso uso. Já em inglês o plural não deveria ser o que é, pois o 
termo não é clássico. O neologismo surgiu pela primeira vez em alemão (Meyer- 
Abich, A., 1926, Logtk der Morphologie, Berlin) e, pelo inglês, se difundiu. Seria 
muito oportuno usarmos formas que sigam a índole de nosso idioma. A 
tradução segue nossa proposta. Outros termos da tradução não precisam ser 
comentados aqui.
192
1.2 O CÓDIGO - CONTEÚDO
Preâmbulo
I. Nomenclatura zoológica
II. N úm erod e p a lav ras em nom es zoológicos
III. Critérios de publicação
IV. Critérios de disponibilidade
V. Data de publicação
VI. Validade de nomes
VII. Formação e emenda de nomes
VIII. Táxons do grupo da família e seus nomes
IX. Táxons do grupo do gênero e seus nomes
X. Táxons do grupo da espécie e seus nomes
XI. Autoria
XII. Homonímia
XIII. O conceito de tipo
XIV. Tipos do grupo da família
XV. Tipos do grupo do gênero
XVI. Tipos do grupo da espécie
XVII. A Comissão Internacional de Nomenclatura Zoológica
XVIII. Regulamentos que governam este Código
APÊNDICES
A. Código de Ética
B. Transliteração e latinização de palavras gregas (não traduzido)
C. Latinização de nomes geográficos e nomes próprios
D. Recomendações sobre a formação de nomes
E. Recomendações gerais
Glossário
P R E Â M B U L O
O C ódigo In tern acion al d e N om enclatura Z oológica é o sistem a d e regras e 
recom end ações au to rizad o pelos C on g ressos In ternacionais d e Z oolog ia .
O ob jetivo d o C ó d ig o é p rom over a estab ilid ad e e a u n iv ersa lid ad e d os 
nom es cien tíficos d os an im ais e nssegnrar que cada nom e seja ú n ico e distinto.
193
Su a s d isp osições são todas su b ord in ad as a esses fins e nenhum a restringe a 
lib erd ad e d e pensam ento ou ação taxonóm icas.
A p riorid ad e é o p rincíp io b ásico da nom enclatu ra zoológica. Su a ap lica­
çã o , tod avia , sob con d ições esp ecificad as n o C ódigo, pode ser m oderad a no 
sen tid o d e preservar, em seu sen tid o costu m eiro , um nom e aceito há m uito 
tem po.
Q u an d o, em d eterm in ad o caso , a estabilid ade da nom enclatu ra vê-se 
am eaçad a , a ap licação estrita do C ód igo, sob cond ições esp ecíficas, pode ser 
su sp en sa pela C o m issão In ternacional d e N om enclatu ra Z oológica.
I. NOMENCLATURA ZOOLÓGICA
A rtig o 1® - A nom enclatu ra zoológica é o sistem a de nom es científicos 
ap licad o s a u n id ad es taxon óm icas d e an im ais (táxons; singu lar: táxon) que se 
sa b e ex istirem na natu reza , v ivos ou extin to s. Este C ó d ig o d iz resp eito a nom es 
d o s gru p os da fam ília, do gênero e da esp écie (VIH, IX, X; sobre o trabalho de um 
a n im al, ve ja -se o A rtig o 16 (v lii)). F icam excluíd os os nom es d ad o s a conceitos 
h ip o tético s, a esp écim es terato lógicos ou a h íbridos, com o tais, a form as infra- 
su b esp ecíficas, com o tais, ou nom es p ropostos para outros usos que n ão o 
taxon ó m ico .
A rtig o 2o — A independencia da noinenclalura zoológica. A nom enclatura 
zo o ló g ica é in d ep en d en te d e outros sistem as de nom enclatu ra, no sen tid o de 
q u e o n o m e d e um táxon an im al não d ev e ser re jeitado sim plesm ente p o r ser 
id ên tico ao nom e d e u m táxon que n ão perten ce ao R eino A nim al.
(a) Transferencia dc íifxons para o Reino Animal. S e um táxon é tran sferid o 
para o R eino A n im al, seu (s) nom e(s) entra(m ) na nom enclatu ra zo o ló ­
gica com d ata e autoria orig inais.
(b) Remoção de táxons do Reino Animal. Se um táxon é rem ov id o d o R eino 
A n im al, seu (s) nom e(s) co n tin u afm ) a com p etir, em h om on ím ia , com 
nom es d o R e in o A nim al.
Recomendação 2A. Nomes já cm uso fora do Reino Animal. É p referível não 
p ro p o r para um g én ero d e an im ais u m nom e já em uso para um g ên ero n ão 
p erten cen te ao R eino A nim al,
A rtigo 3o - Ponto lie partida. A 103 ed ição do Si/stema Noturno, de L innaeu s, 
m arca o in ício da ap licação geral con sisten te da nom enclatu ra b in o m in at em 
zoo lo g ia . A d ata d e 1B d e jan eiro d e 1758 fica arb itrariam ente fixad a neste 
C ó d ig o co m o data d e publicação d aqu ela obra e com o ponto d e p artid a da 
n om en clatu ra zoo lóg ica . Q u alq u er ou tra obra pu blicad a em 1758 d ev e ser 
con sid erad a com o tend o sid o publicada ap ó s aquela edição.
II. NÚMERO DE PALAVRAS EM NOMES ZOOLÓGICOS
A rtigo 4B - Táxons de escalão superior ao grupo da espécie. O nom e de um 
tãxon d e escalão superior ao grupo da espécie consiste de um a palavra (unino- 
m inal).
A rtigo 5o - Espécies e subespécies. O nom e de um a espécie consiste de duas 
palavras (binôm io) e o d e um a subespécie d e três p alavras (trinom io); n o s d ois 
casos, a prim eira p alavra é o nom e genérico, a segu nd a p alavra é o nom e 
esp ecífico , e a terceira p alavra , quando aplicável, é o nom e subespecífico .
A rtigo 6o - Subgénero. O nom e de um subgén ero , q u and o usado em 
com binação com um nom e genérico e um específico, é colocad o en trep arên teses 
en tre aq u eles nom es; n ã o é contado com o um a das palavras do nom e binom inal 
d e um a esp écie ou do n o m e trinom ina! de um a subespécie.
III. CRITÉRIOS DE PUBLICAÇÃO
A rtigo 7a—Aplicação. As disposições deste C ap ítu lo aplicam -se não ap en as 
à pu blicação d e um n o v o nom e, m as tam bém à p u blicação de q u alqu er ou tra 
inform ação que afete a nom enclatu ra.
A rtigo 8® - O que constitui publicação. Para ser consid erad o pu blicação , no 
sen tid o d este C ódigo, u m trabalho, quando d iv u lgad o p ela prim eira vez,
(1) d eve ser reprodu zid o em tinta, sobre p ap el, p o r a lgu m m étod o que 
assegu re n u m erosas cópias idênticas;
(2) d ev e ser d iv u lgad o com o propósito de u tilização cien tífica , p ú blica e 
perm anente;
(3) d eve poder se r ob tid o por com pra ou d istrib u ição gratu ita ; e
(4) não deve ser rep rod u zid o ou d istribu íd o p o r a lgu m m étod o p ro ib id o 
(A rt. 9®).
Recomendação 8A. Minieografia e processos similares. R ecom end a-se com 
insistência ao s zoó logos não usarem m im eografia , hectografia ou p rocessos 
sim ilares para um a p u blicação que contenh a u m nom e nov o ou u m enu nciad o 
q u e afete a nom enclatura.
A rtigo 9® - 0 que não constitui publicação. N enhum d os segu in tes atos 
constitu i publicação, n o sen tid o deste C ódigo;
(1) d istribuição d e m icrofilm es, ou m icrofich as, ou m atéria reprodu zid a 
p o r m étodos sim ilares;
(2) d istribuição a colegas ou estud antes d e um a nota, ainda q u e im p ressa, 
que explique um a ilustração que a acom panha;
195
(3) d istrib u ição d e p ro v as tip ográficas;
(4) m en ção em um a reu n ião , cien tífica ou não;
(5) ro tu lagem de u m esp écim e nu m a coleção;
(6) sim p les d ep ósito d e um d ocu m en to nu m a bib lio teca; ou
(7) após 1930, publicação anônima.
IV. CRITÉRIOS DE DISPONIBILIDADE
A rtig o 1 0 - Quando um nome se torna disponível. U m nom e se tom a d isp o­
n ív e l e ad q u ire d ata e autoria som en te qu and o sa tisfaz as d isp o sições do A rtigo 
11 ; a lém d isso , n o m es p u b licad os ap ó s certas datas d evem satisfazer as co n d i­
çõ e s d os A rtigo s 1 2 ,1 3 ,1 4 e 15.
(a) Publicação interrompida. Se a p u blicação d os dados relativos a um novo 
táxon nom in al for in terrom p id a e co n tin u ar p osteriorm ente, o nom e 
só se to m a d isponível q u an d o satisfaz todas as d isp osições relevantes.
Recomendação 10A. Descrição parcelada. O s ed itores n ão devem p erm itir q u e 
a d escriçã o d e u m n o v o táxon in ferio r ao gru p o d a fam ília seja parcelada d e 
m o d o tal q u e as p artes apareçam em ép ocas d iferentes.
(b j Nomes infra-subespccí/icos. U>n n om e estab elecid o p rim eiram en te com 
esca lão in fra-su besp ecífico torna-se d isp onível quand o o táxon em 
q u estão é elevad o a u m esca lão do gru po d a esp écie , e ad qu ire data e 
au toria n essa elevação .
A rtig o 11 - Requisitos gerais. Para tornar-se d isponível, um nom e deve 
sa tisfa z er as seg u in tes d isp osições:
(a) Publicação e data. D eve ter s id o p u blicad o , n o sen tid o do C ap ítu lo III, 
ap ó s 1757.
(b) Lftigua. O nomedeve ser latino ou latinizado, ou, se for uma combina­
ção arbitrária de letras, deve ser de tal modo formado que possa ser 
tratado como palavra latina (VII).
(i) A s letras " j " , " k " , " w " e " y " , m ais com u ns n o N eolatim , 
p od em se r u sad as em n om es zoológicos.
(c) Nomenclatura binominal. O a u to r deve ter ap licad o consisten tem ente o s 
p rin cíp io s d a n om enclatu ra b inom inal (II) no trabalho em que o nom e 
é p u blicad o.
(i) N om es u n in o m in ais do gru po d o gênero, pu blicad os antes 
d e 1931, sem esp écies n om in ais associad as, são aceitos com o 
consisten tes com o s p rincíp ios da nom enclatu ra b inom inal, 
quand o in ex istir ev id ência em contrário.
196
(ii) N om es p u b licad o s an tes d e 1931, n o ín d ice d e u m trabalh o , 
se satisfizerem a s d isp o sições re lev an tes d este A rtig o e d os 
A rtigos 4o, 5® e 6a, são d isp oníveis, m esm o q u e o au tor não 
tenha u sad o a n o m en clatu ra b inom inal n o co rp o d o trabalh o, 
d esd e q u e ex ista um a c la ra referência b ib liog ráfica a um a 
d escrição , in d icação ou figura d o an im al em qu estão , o u , se 
for u m n o m e d o g ru p o d a fam ília, d esd e q u e seja fu nd ad o 
nu m g ê n ero n om in al in clu íd o (A r t 16a (ii)).
(d ) Publicação em sinoitfmia. U m n o m e p rim eiram en te p u blicad o com o 
s in ô n im o n ão s e to m a d isp o n ível, a m en os q u e, an tes d e 1961, tenha 
s id o tratado co m o n o m e d isp o n ível co m su a d ata e au tor o rig in a is e 
tenha sid o ad otad o co m o o n o m e d e u m táxon ou u sa d o co m o h om ô­
n im o sên ior.
(e) Nomes do grupo da família. Q u an d o p u blicad o p ela prim eira vez , um 
n o m e d o gru p o d a fam ília d ev e se r b asead o n o n om e en tão vá lid o de 
u m g ên ero in clu íd o e d ev e ser u m su b stan tiv o n o n om in ativ o p lu ral.
(i) O no m e d ev e ser c laram en te usad o p ara d en o tar u m táxon 
su p ragen érico , e n ão sim p lesm en te s e r em p reg ad o co m o u m 
su b stan tiv o ou ad je tiv o n o p lu ral re ferin d o -se ao s m em bros 
d e u m gên ero .
(ii) U m n o m e d o g ru p o da fam ília cu jo su fix o seja in correto é 
d isp onível co m su a d ata e autoria orig in a is , m as na form a 
ap ro p riad am en te em en d ad a (A rt. 29).
Exemplo. L atreille (1802-1803) p ro p ô s a fam ília TIPULARIAE, b asead a em 
Tipula L in n aeu s, 1 7 5 8 .0 n o m e d ev e ser co rrig id o para TIPULIDAE e atribu íd o a 
L atre ille (1802-1803) e n ã o a o au to r q u e p rim eiro corrig iu a g rafia .
(iii) U m n o m e d o gru p o d a fam ília , p u b licad o antes d e 1900 de 
acord o co m a s d isp o sições su p racitad as d esta Seção , m as 
n ão p len am en te la tin izad o , á d isp o n ível com sua d ata e 
autoria o rig in a is , co n tan to q u e tenha s id o la tin izad o p o r 
au tores p o sterio res e q u e tenha sid o g era lm en te ace ito p elo s 
zoó logos in teressad o s n o g ru p o em p au ta co m o d atan d o da 
p rim eira p u b licação em form a v ern ácu la .
Exemplo. O nom e d a fam ília TETRANYCHIDAE é g era lm en te a trib u íd o a 
D on n ad ieu , 1875. P ublicou e le o nom e com o "T é tra n y c id é s" , m as em vista da 
ace itação g era l d e seu no m e, e ste d e v e s e r a tribu íd o a s e u trab alh o e da ta e n ão 
a M u rray , 1877 , q u e p rim eiro o latin izou .
(f) Nomes do grupo do gênero. U m n o m e d o gru p o d o g ên ero d ev e se r um 
su b stan tiv o no n o m in ativ o sin gu lar ou d eve ser tra tad o com o tal.
(g) Nomes do grupo da espécie.
(i) Um nome do grupo da espécie deve ser uma palavra com­
posta, e deve ser ou ser tratado como:
(1 ) um adjetivo no nominativo singular que concorda em 
gênero gramatical com o nome genérico (p. ex., Fclis 
marmorata); ou
(2) um substantivo no nominativo singular em aposição ao 
nome genérico (p. ex., Felis leo); ou
(3) um substantivo no genitivo (p. ex., rosac, sturionis, thcr- 
mopylarum, galliae, stmctipauli, satictoehelenae, cuvicri, 
meríauae, smithonuu); ou
(4) um adjetivo usado comosubstantivo no genitivo, deri­
vado do nome específico de um organismo com o qual 
o animal em questão está assodado (p. ex., Lcrnaca luscl, 
um copépodo parasita de Gndtis luscus).
(ii) Um nome do grupo da espécie deve ser publicado em com­
binação com um nome do grupo do gênero, mas este último 
não precisa ser válido ou mesmo disponível.
(iii) Um nome do grupo da espécie não deve ser formado por 
palavras ligadas por uma conjunção, nem incluir um sinal 
que não possa ser grafado em latim.
Exemplo. Expressões como rudis planusqtie e 7-albtun não são admissíveis 
como nomes específicos.
Artigo 12 - Nomes publicados antes de 1931. Além de satisfazer as disposi­
ções do Artigo 11, um nome publicado antes de 1931 deve ser acompanhado de 
uma descrição, definição ou indicação (Art. 16).
Artigo 13 - Nomes publicados após 1930.
(a) Nomes em geral. Além de satisfazer as disposições do Artigo 11, um 
nome publicado após 1930 deve estar
(i) acompanhado por um enunciado destinado a dar os caracte­
res que diferenciem o táxon; ou
(ii) acompanhado por uma referência bibliográfica definida a 
um enunciado tal; ou
(iii) proposto expressamente como substituto de um nome dis­
ponível preexistente.
(b) Nomes do gnf/íodogtrMíTO. Um nomedogrupodo gênero publicado após 
1930, além de satisfazer as disposições da Seção (a) deve ser acompa­
nhado pela fixação definida de uma espécie-tipo (Art. 6S).
(i) AsdisposiçõesdestaSeçãonãoseaplicamanomesdegrupos 
coletivos (Art. 66).
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Artigo 14 - Nomes publicados após 1950. Após 1950, um novo nome publi­
cado anonimamente não é disponível.
Artigo 15 - Nomes publicados após 1960. Após 1960, um novo nome propos­
to condicionalmente, ou proposto explicitamente como nome de uma "varieda­
de" ou "forma" (Art. 45e), não é disponível.
Artigo 1 6 -Indicações.
(a) O quê constitui una indicação. A palavra "indicação" como usada neste 
Capítulo, só se aplica ao seguinte:
(i) uma referência bibliográfica a uma descrição, definição, ou 
figura previamente publicada;
(ii) a inclusão de um nome num índice de um trabalho, desde 
que satisfeitas as disposições do Artigo 11c (ii);
(iii) a substituição de um nome previamente estabelecido por um 
novo nome;
(iv) a formação de um novo nome do grupo da família a partir 
do radical do nome de um gênero, que assim se toma o 
gênero-tipo;
(v) a citação, em combinação com um novo nome do grupo do 
gênero, de um ou mais nomes específicos disponíveis;
(vi) uma única descrição combinada de um novo gênero nominal 
e uma nova espécie nominal, que fornece uma indicação para 
cada nome;
(vii) a publicação de um novo nome do grupo do gênero ou do 
grupo da espécie em conexão com uma ilustração; ou
(viii) a descrição do trabalho de um animal, mesmo que não 
acompanhada da descrição do próprio animal.
(b) O quê não constitui uma indicação. Não são "indicações" no sentido deste 
Capítulo:
(i) menção de um nome vernáculo, localidade-tipo, horizonte 
geológico, hospedeiro ou um rótulo ou espédme numa cole* 
ção;ou
(ii) citação de um nome em sinonimia (ver também Art. lld).
Artigo 17 - Condições que não comprometem a disponibilidade. Um nome é ou 
permanece disponível ainda que:
(1 ) se tome um sinônimo júnior; tal nome pode ser reempregado se a 
sinonimia for julgada errônea ou se for constatado que o sinônimo 
sênior é inválido ou não disponível; ou
(2) no caso de um nome do grupo da espécie, constata-se que a descrição 
original refere-se a mais de uma unidade taxonómica, ou a partes de 
animais pertencentes a mais de um táxon, ou a um animal ou animais 
que depois se constata scr(em) híbrido(s); ou
199
(3) no caso de um nome do grupo da espécie, o nome do

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