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Ruy Lopes Cardoso CONTABILIDADE GERAL C O N TA B ILID A D E G E R A L R u y Lopes C ardoso Código Logístico 59012 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6553-0 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 5 3 0 Contabilidade Geral Ruy Lopes Cardoso IESDE BRASIL 2020 Todos os direitos reservados. IESDE BRASIL S/A. Al. Dr. Carlos de Carvalho, 1.482. CEP: 80730-200 Batel – Curitiba – PR 0800 708 88 88 – www.iesde.com.br © 2020 – IESDE BRASIL S/A. É proibida a reprodução, mesmo parcial, por qualquer processo, sem autorização por escrito do autor e do detentor dos direitos autorais. Projeto de capa: IESDE BRASIL S/A. Imagem da capa: Yipianesia/ENVATO ELEMENTS CIP-BRASIL. CATALOGAÇÃO NA PUBLICAÇÃO SINDICATO NACIONAL DOS EDITORES DE LIVROS, RJ C266c Cardoso, Ruy Lopes Contabilidade geral / Ruy Lopes Cardoso. - 1. ed. - Curitiba [PR] : IESDE, 2020. 138 p. : il. Inclui bibliografia ISBN 978-85-387-6553-0 1. Contabilidade. I. Título. 19-61980 CDD: 657 CDU: 657 Ruy Lopes Cardoso Mestre e bacharel em Administração de Empresas pela Fundação Getulio Vargas, com ênfase em Administração Contábil e Finanças. Trabalhou em indústrias têxtil e de cabos para telecomunicação, e em instituições financeiras, nas áreas de crédito, gestão de contas jurídicas, empréstimos externos, comércio internacional e coordenação da renegociação da dívida brasileira na década de 1980. Foi também representante de banco estrangeiro no Brasil. Atua como professor de Contabilidade Financeira, Contabilidade de Custos e Finanças há 25 anos. É consultor de empresas e autor de um livro sobre orçamento empresarial. Agora é possível acessar os vídeos do livro por meio de QR codes (códigos de barras) presentes no início de cada seção de capítulo. Acesse os vídeos automaticamente, direcionando a câmera fotográ�ca de seu smartphone ou tablet para o QR code. Em alguns dispositivos é necessário ter instalado um leitor de QR code, que pode ser adquirido gratuitamente em lojas de aplicativos. Vídeos em QR code! SUMÁRIO 1 A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 9 1.1 Significado de contabilidade 9 1.2 O mundo econômico e as empresas 11 1.3 Tipos de empresas 13 1.4 Demonstrações Contábeis 14 1.5 Usuários das demonstrações financeiras 24 1.6 Contabilidade e finanças 25 2 Balanço Patrimonial 30 2.1 Estrutura do patrimônio da empresa – investimentos e financiamentos 30 2.2 Princípios e Convenções 33 2.3 Estrutura e contas dos ativos 38 2.4 Estrutura e contas dos passivos 41 3 Demonstração de Resultados 49 3.1 Princípios básicos para a Demonstração de Resultados 49 3.2 Estrutura e composição das contas da DRE 57 3.3 Depreciação 61 3.4 Modelo para análise 64 4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 74 4.1 Alterações da Lei n. 11.638/2007 74 4.2 Exemplos da DLPA e da DMPL 76 5 Demonstração dos Fluxos de Caixa 94 5.1 Demonstração dos Fluxos de Caixa 94 5.2 Estrutura e metodologias 104 6 Demonstração do Valor Adicionado 119 6.1 Demonstração do Valor Adicionado (DVA) 120 6.2 Interpretando a DVA 123 A contabilidade das empresas procura revelar os valores dos recursos utilizados para a realização de suas atividades. Investimentos e financiamentos sempre serão necessários para o desenvolvimento de empreendimentos industriais, comerciais ou prestação de serviços. As funções básicas da contabilidade são a obtenção, o registro e a organização dos valores envolvidos nos negócios, transformando esses dados em informações fundamentais para a tomada de decisão dos gestores, assim como a todos os usuários envolvidos, interna ou externamente, com a empresa. As ciências contábeis têm promovido grandes transformações desde o final do século XX e deverá continuar assim por um longo tempo. Entre as mudanças mais importantes, destaca-se, nesta obra, em primeiro lugar, a uniformização das informações contábeis das empresas em todos os países. Em segundo, e não menos importante, a flexibilização e transformação de um sistema contábil extremamente dominado por regras para um sistema com base em princípios, permitindo e exigindo um maior domínio dessa ciência. Em terceiro lugar, a introdução de novas demonstrações com o intuito de fornecer mais informações das atividades da empresa e contribuir para melhorar a capacidade de análise de seus gestores e usuários. E, finalmente, a disponibilização de importantíssimas informações para toda a sociedade, com a introdução do balanço social. Bons estudos! APRESENTAÇÃOVídeo A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 9 A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 1 Você pode não saber, mas a contabilidade reúne informações úteis, tanto para pessoas físicas, como para empresas. A obtenção de dados relacionados com os negócios pode ajudar a compreender as atividades de uma empresa e auxiliar na sua administração. A contabilidade foi criada e desenvolvida para ajudar na gestão dos negócios. Há mais de 3.000 anos, a contabilidade teve origem na região da Mesopotâmia. Entre os séculos XIV e XV, com a expansão do comércio, principalmente em cidades portuárias no norte da Itália e com o surgimento da imprensa, permitindo cópias com maior rapidez, segundo Hendriksen (1999), a Contabilidade como técnica pode ser mais difundida. Ao final do século XV, Luca Pacioli, um frade franciscano, publicou a obra Summa de Arithmetica, Geometria, Proportioni et Proportionalita, que proporcionou o surgimento da técnica contábil das partidas dobradas, o método veneziano (CRIPPS, 1994). Saiba mais++ 1.1 Significado de contabilidade Vídeo Usualmente, os livros sobre contabilidade apre- sentam a origem, a história e a evolução dessa ciên- cia, a qual é um sistema útil para medir os fatos e valores econômicos de um negócio. Tendo a intenção de registrar as atividades e os valores de um segmento, faz todo sentido avaliar os efeitos e alterações provocados pelos negócios da empresa e, sobretudo, possibilitar aos usuários dessas informações o desenvolvimento e aprimora- mento da capacidade de tomar decisões. A contabilidade é um sistema de medidas, uti- lizado para registrar os valores envolvidos nos negócios de maneira geral. É normal tratarmos da contabilidade empresarial, no entanto a conta- bilidade de um indivíduo também pode ser feita. Pessoalmente, produzimos riqueza com nosso tra- balho, gerando renda com uso de esforços ou des- pendendo valores monetários. 10 Contabilidade Geral Vejamos, como exemplo, o caso fictício de Manuel, funcionário da empresa A, com salário mensal líquido de R$ 3.500,00 e gastos mensais que somam R$ 2.750,00. Se observarmos a Tabela 1, em que se mos- tram presentes os ganhos e gastos do período de um mês, podemos perceber uma sobra de R$ 750,00 no mês. Tabela 1 Contabilidade individual (Manuel). Ganhos e Gastos no período Mês 1 (R$) Salário 3.500,00 Aluguel 1.000,00 Condomínio 300,00 IPTU 58,00 Energia 87,00 Telefone 105,00 Gasolina 300,00 Cartão de Crédito 900,00 Saldo final 750,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Embora não seja usual fazer a contabilidade de uma pessoa, é possível ter uma vida financeira organizada, com o objetivo de mos- trar opções para a utilização dos recursos individuais. Nesse sentido, a contabilidade individual permite uma análise sobre os bens, direitos e obrigações do sujeito, assim como possibilita que o indivíduo planeje e cuide de seu futuro e patrimônio. As finanças pessoais não devem se restringir aos rendimentos de trabalho, ou à previdência social. As pes- soas podem e devem aprender a utilizar os conhecimentos contábeis e financeiros para cuidar do próprio patrimônio. Manuel pode continuar comparando seus ganhos, gastos e saldos com o objetivo de controlar suas despesas, aumentar seus ganhos e até aplicar seus resultados. Isso é o que chamamos de educação financeira individual, o que já se faz presente no Brasil há alguns anos.Para conhecer mais sobre esse assunto, você pode acessar o Caderno de Educação Financeira, publicado pelo Banco Central do Brasil com o intuito de auxiliar todos os cidadãos a gerir seus próprios rendimentos. Este é apenas um entre inúmeros sites com esse objetivo e a disponibilização desse conhecimento é de extrema importância para o planejamento financeiro das pessoas, ajudando a melhorar o relacionamento entre dependentes, familiares, amigos e cuidando para um maior controle dos gastos. BANCO Central do Brasil. Caderno de Educação Financeira – Gestão de Finanças Pessoais. Brasília: BCB, 2013. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/pef/port/caderno_cidadania_financeira.pdf. Acesso em: 23 dez. 2019. Faça uma tabela, ou uma planilha, contendo seus ganhos e gastos mensais. Se não for o seu caso, ajude algum parente ou amigo nessa tarefa. Desafio É graças à falta de educação financeira individual que observamos, constantemente, promoções para negociação de dívidas das instituições de análise e informações de crédito, como o Feirão Serasa Limpa Nome, por exemplo. Curiosidade A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 11 Nesse sentido, é importante ter em mente que o foco desta obra é que você compreenda a disciplina, independentemente de ser para uso pessoal ou profissional. Com a evolução da tecnologia, a contabilida- de passou a fazer uso de computadores para tratamento e organização de dados. Além disso, mais recentemente, as negociações entre os paí- ses passaram a ser tratadas de uma maneira global, numa tentativa de diminuir as barreiras entre eles. Desse modo, a contabilidade se transformou para que as informações sejam igualmente compreendidas por pessoas e empresas de diferentes países, e, assim, não re- presenta mais apenas um sistema de controle empresarial, mas sim uma ferramenta essencial para a tomada de decisão, em todo e qual- quer lugar em que seja aplicada. No início do século XXI, a contabilidade no Brasil passou por fortes transformações por meio de uma convergência das normas internacio- nais, com a Lei n. 11.638/2007, e com um sistema público de escritura- ção digital – SPED – a partir de 2003. Para compreender melhor o papel da tecnologia na área da contabilidade, acesse o artigo “Utilizando a tecnologia da informação na contabilidade”, pu- blicado pelo Portal Educação. Acesso em: 20 dez. 2019. portaleducacao.com.br/conteudo/artigos/contabilidade/utilizando-a-tecnologia-da-informacao-na-contabilidade/50966 Artigo 1.2 O mundo econômico e as empresas Vídeo Todos temos necessidades, seja com produtos de consumo diário, como alimentos e vestuário ou na prestação de serviços privados, como saúde, educação, transporte etc. Somos todos agentes provedores e usuá- rios de diversos produtos e serviços para satisfazer nossas necessidades. Por isso, criamos empresas, produtoras e distribuidoras de bens e servi- ços, e a contabilidade atende a todos esses setores de atividades. As ciências econômicas estudam como esses agentes lidam com os recursos necessários para atender aos nossos desejos e necessidades. Vejamos, como exemplo, o caso fictício de Manuel, funcionário da empresa A, com salário mensal líquido de R$ 3.500,00 e gastos mensais que somam R$ 2.750,00. Se observarmos a Tabela 1, em que se mos- tram presentes os ganhos e gastos do período de um mês, podemos perceber uma sobra de R$ 750,00 no mês. Tabela 1 Contabilidade individual (Manuel). Ganhos e Gastos no período Mês 1 (R$) Salário 3.500,00 Aluguel 1.000,00 Condomínio 300,00 IPTU 58,00 Energia 87,00 Telefone 105,00 Gasolina 300,00 Cartão de Crédito 900,00 Saldo final 750,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Embora não seja usual fazer a contabilidade de uma pessoa, é possível ter uma vida financeira organizada, com o objetivo de mos- trar opções para a utilização dos recursos individuais. Nesse sentido, a contabilidade individual permite uma análise sobre os bens, direitos e obrigações do sujeito, assim como possibilita que o indivíduo planeje e cuide de seu futuro e patrimônio. As finanças pessoais não devem se restringir aos rendimentos de trabalho, ou à previdência social. As pes- soas podem e devem aprender a utilizar os conhecimentos contábeis e financeiros para cuidar do próprio patrimônio. Manuel pode continuar comparando seus ganhos, gastos e saldos com o objetivo de controlar suas despesas, aumentar seus ganhos e até aplicar seus resultados. Isso é o que chamamos de educação financeira individual, o que já se faz presente no Brasil há alguns anos. Para conhecer mais sobre esse assunto, você pode acessar o Caderno de Educação Financeira, publicado pelo Banco Central do Brasil com o intuito de auxiliar todos os cidadãos a gerir seus próprios rendimentos. Este é apenas um entre inúmeros sites com esse objetivo e a disponibilização desse conhecimento é de extrema importância para o planejamento financeiro das pessoas, ajudando a melhorar o relacionamento entre dependentes, familiares, amigos e cuidando para um maior controle dos gastos. BANCO Central do Brasil. Caderno de Educação Financeira – Gestão de Finanças Pessoais. Brasília: BCB, 2013. Disponível em: https://www.bcb.gov.br/pre/pef/port/caderno_cidadania_financeira.pdf. Acesso em: 23 dez. 2019. Faça uma tabela, ou uma planilha, contendo seus ganhos e gastos mensais. Se não for o seu caso, ajude algum parente ou amigo nessa tarefa. Desafio É graças à falta de educação financeira individual que observamos, constantemente, promoções para negociação de dívidas das instituições de análise e informações de crédito, como o Feirão Serasa Limpa Nome, por exemplo. Curiosidade 12 Contabilidade Geral Considerando finitos os recursos disponíveis à população, os proble- mas econômicos surgem com a demanda crescente de bens e serviços, oriundos do crescimento demográfico, dos padrões de vida, da evolu- ção tecnológica, entre outros fatores (ASSAF NETO, 2015). A economia mundial apresenta flutuações no seu crescimento, mos- trando volatilidade em suas taxas. O Gráfico 1 demonstra as variações de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil, entre 2000 e 2018. Podemos observar que, nesse período, tanto houve crescimento – 7,5% em 2010 – quanto o contrário – atingindo uma redução de -3,5% em 2015. 7 5,5 4 2,5 1 - 0,5 - 2 - 3,5 Ano 20 00 20 01 20 02 20 03 20 04 20 07 20 11 20 1520 05 20 08 20 12 20 1620 06 20 10 20 14 20 09 20 13 20 17 20 18 PI B % 4,3 1,3 2,7 1,1 5,7 3,2 4 6,1 5,1 - 0,1 7,5 4 1,9 3 0,5 1,1 1,1 - 3,5 - 3,3 Gráfico 1 Crescimento do PIB – Brasil (2000 a 2018) Fonte: Adaptado de ADVN, 2019. Consequentemente, os negócios das empresas sofrem com essas flutuações. Razão pela qual nos dedicamos aos estudos de mercado, de recursos humanos e, ainda, de operações produtivas. Podemos ob- servar, por exemplo, em épocas de crescimento econômico de um país (medido por meio dos indicadores do PIB), as consequências positivas de atividade em vários setores. Logo, é possível afirmar que as pessoas que exercem funções nas áreas de vendas, marketing, recursos huma- nos ou qualquer outra, deverão ter alguma preocupação com a boa gestão dos negócios em que estão envolvidas. A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 13 1.3 Tipos de empresas Vídeo A palavra empresa tem o significado de tarefa, realização, empreen- dimento ou, ainda, projeto. E, em economia, uma organização com ob- jetivo de lucros com a produção de bens ou serviços. Classificamos essas empresas como empresa individual, quando pertencente a uma só pessoa, e empresa societária, quando são dois, ou mais, os proprietá- rios. Seja individual ou societária, toda empresa precisa considerar sua função econômica na sociedade, respeitar todos os aspectos jurídicos, ser bem administrada e garantir seu sucesso. Ainda que as funções de produção, tecnologia e marketing sejam fun- damentais para assegurar a eficiência do processo empresarial,cabem aqui algumas observações iniciais sobre o aspecto econômico e a admi- nistração financeira na gestão de empresas. A administração financeira engloba, entre outras funções, a captação de recursos financeiros, de- cisões de investimentos, apuração e destinação de resultados. Assim, essa área ou departamento da empresa tem a função de prestadora de serviços, com uma necessidade constante de seu envolvimento com as outras áreas, para dar sustentabilidade econômica e financeira, e atingir as metas estabelecidas pela empresa. Em nosso regime econômico, é fundamental conhecer e dominar os recursos financeiros dis- poníveis, tanto para as operações pessoais como empresariais. O dinheiro, como conhecemos hoje, surgiu por volta de 700 anos a.C., após o sistema de escambo – troca entre produtos e serviços. Atual- mente, numa época de forte globalização, assisti- mos a uma tendência de abertura da economia dos países, e uma tentativa mais forte de entrosamento das políticas entre todos. Esses registros geram relatórios denominados Demonstrações Contábeis ou Demonstrações Financei- ras. Eles têm o objetivo de espelhar os fatos ocorri- dos na atividade empresarial, segundo princípios e metodologias próprias. É interessante observarmos o significado de contabilidade ou contabilização. A palavra em inglês, accountability significa: an obligation or willingness to accept responsibility or to account for one’s actions. Em tradução livre: uma obri- gação ou desejo em aceitar responsabilidade, ou registrar a realização de uma ação. Observe o significado de respon- sabilidade, além do simples registro de uma ação. Podemos considerar a contabilidade como um sistema responsável pelo registro dos fatos ocorridos e valorizados monetariamente numa empresa, ou também, uma ciência que estuda o patrimônio da entidade. Curiosidade 14 Contabilidade Geral 1.4 Demonstrações Contábeis Vídeo Seguir os fatos é o melhor caminho para entendermos as demons- trações contábeis. Para isso, devemos identificar a origem e o desti- no da ocorrência do fato. Para esclarecer mais esses termos, vejamos como exemplo a abertura de uma empresa comercial. Exemplo 1 Dificilmente fornecedores concedem crédito para pagamento a pra- zo aos novos empreendedores. Portanto, para iniciar em um segmento e comprar produtos a fim de poder vendê-los aos clientes, a empresa precisa ter recursos financeiros disponíveis, ou seja, algum capital. Tal- vez, no futuro, quando os fornecedores tiverem acesso ao histórico de cumprimento das obrigações financeiras da organização, seja mais fácil para ela realizar compras com pagamentos a prazo. Desta forma, no dia 01/01/20X0 o proprietário (ou os proprietários, caso seja uma societária) deve transferir um valor para a empresa. Va- mos supor que esse valor seja R$ 5.000,00. Seguindo os fatos, e registrando esse valor em nome da empresa, a origem é a transferência do capital do empreendedor para empresa. E o destino é a posse desse valor para o início das atividades da organi- zação. Uma observação importante é que, nesse momento, a preocu- pação da contabilidade deve ser registrar as ocorrências na empresa. 1.4.1 Balanço Patrimonial Assim aparece o primeiro tipo de demonstração contábil: o Balanço Patrimonial (BP). A palavra balanço é usada no sentido de equilíbrio, ou seja, mostrar valores iguais de origem e destino; o termo patrimonial é usado para demonstrar que é da empresa esse patrimônio. A Tabela 2 traz um exemplo de como seria o BP do exemplo 1. Tabela 2 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial da empresa X em 01/01/20X0 – (R$ 0,00) (destino) 5.000,00 (origem) 5.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. O registro de origem e des- tino de recursos, isto é, dois registros, é baseado na técnica de partidas dobradas, enuncia- da pelo Frade Luca Pacioli. Atenção A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 15 O destino denominamos como Ativo, pelo fato de ser um valor que possibilitará gerar atividade para a empresa. E a origem denomina- mos como Passivo, representando a oposição ao Ativo e Passível de liquidação, por ser uma obrigação da empresa a quem lhe originou os recursos. Cabe agora outra observação, o proprietário disponibiliza e transfere seus recursos na expectativa de a empresa ter uma atividade que ele acredita ser viável, da qual ele é o responsável, caso contrário poderá perder seu capital. No futuro os fornecedores, se acreditarem na empresa, poderão conceder prazo para pagamento de novas compras. No entanto, esses fornecedores necessitarão do retorno desses valores para a continui- dade de seus negócios. Daí surge a necessidade de distinguir os cré- ditos recebidos do proprietário da empresa, registrados como Capital Social, dos créditos recebidos temporariamente de fornecedores dos produtos para a atividade. Observe, portanto, a nova forma de apre- sentação do Balanço Patrimonial na Tabela 3. Tabela 3 Balanço Patrimonial em 01/01/20X0 Balanço Patrimonial da empresa X em 01/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 5.000,00 Capital Social 5.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observe agora os nomes dados aos valores, para diferenciar os fu- turos e novos fatos. O destino passou a ser um valor disponível para as atividades futuras da empresa, e a origem, o capital dos proprietários ou sócios. A pergunta que poderíamos fazer é: por que Passivo e Patrimônio Líquido? Seguindo o raciocínio que distingue as funções de proprietá- rio e fornecedor, caso o valor tenha a origem no proprietário será do patrimônio, e caso o valor tenha a origem como crédito do fornecedor, será considerado uma dívida. Para contrapor um Ativo, surge a palavra Passivo, em que se registram todas as dívidas da empresa para com terceiros. Em outras palavras, Passivo (capitais de terceiros) e Patrimô- nio Líquido (capital próprio da empresa). 16 Contabilidade Geral Exemplo 2 No início dos negócios, a empresa, agora com dinheiro disponível, adquire 100 produtos para revenda pelo preço de R$ 20,00 cada, com pagamento à vista. Vamos denominá-los estoque, palavra usual para determinar produtos, comprados ou fabricados para revenda, nesse segundo caso, o estoque seria também de matérias-primas. O balanço da empresa X, após a compra de R$ 2.000,00 em produtos (R$ 20,00 x 100) está representado na Tabela 4. Tabela 4 Balanço Patrimonial em 02/01/20X0 Balanço Patrimonial da empresa X em 02/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 3.000,00 Estoque 2.000,00 ____________________________________________ TOTAL 5.000,00 Capital Social 5.000,00 ____________________________________________ TOTAL 5.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observamos algumas alterações dos balanços apresentados, como os nomes, os valores e as datas dos fatos. O padrão utilizado nessa de- monstração é a denominação das contas – disponível, estoques, capital social etc. –, as datas dos fatos e o total dos destinos (Ativos) e origens (Passivos e Patrimônio Líquido). Entretanto, no dia 2, os produtos para revenda, o estoque ou destino, tiveram origem na conta de disponíveis. Assim sendo, é bom nos familiarizarmos com os nomes e sempre lem- brarmos da necessidade de correspondência entre destino e origem, seja do grupo dos Ativos ou do grupo dos Passivos e do Patrimônio Líquido. Exemplo 3 No dia 3, a empresa realizou a venda de parte dos produtos em estoque. Para uma venda à vista de 10 produtos ao preço de R$ 30,00 cada, a primeira observação a ser feita é o reconhecimento da diferen- ça entre o valor da compra (o estoque registrado pelo custo de aqui- sição de R$ 20,00 cada)e o valor da venda. Confrontando os preços de custo com os de venda, obteremos um resultado, no caso, do lucro positivo pela diferença. Simplificando, supondo a necessidade de atualização da situação patrimonial, no momento dessa única negociação, podemos fechar o A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 17 balanço. Posteriormente, será possível criar uma condição melhor, ao conhecer a dinâmica das atividades comerciais, em que a cada momen- to diário, semanal, mensal, o volume poderá crescer. A demonstração patrimonial, nesse caso, ficaria como o exposto na Tabela 5. Tabela 5 Balanço Patrimonial em 03/01/20X0 Balanço Patrimonial da empresa X em 03/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível = 3.000,00 + 10 x 30,00 = 3.300,00 Estoque = 2.000,00 – 10 x 20,00 = 1.800,00 Capital Social 5.000,00 ____________________________________________ Lucro 100,00 TOTAL 5.100,00 TOTAL 5.100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Pode ser um pouco confuso interpretar a Tabela 5, uma vez que o lucro não representa uma dívida, tampouco é considerado parte do capital social, no entanto, esse resultado é da empresa e, como tal, po- derá financiar outros bens ou mesmo quitar dívidas. Sendo assim, o lu- cro também pertence aos proprietários da empresa, fazendo do capital social um grupo denominado de Patrimônio Líquido. Surge, então, a necessidade de criar uma demonstração com o ob- jetivo de apurar os resultados dos negócios realizados em determinado período, podendo ser diário, semanal, mensal, trimestral, semestral ou anual. Nesse exemplo, consideraremos apenas um período diário, uma venda no dia 3, sem mais nenhum fato novo. Recapitulando Ativos representam bens e direitos controlados pela empresa com expectativa de benefício econômico, logo, podemos pensar em Ativos como investimentos. Passivos representam exigências e obrigações da empresa com terceiros, portanto, podemos usar o termo financia- mentos. E Patrimônio Líquido, assim como os Passivos, consideramos como financiamentos. Se consideramos Passivos e Patrimônio Líquido como financiamen- tos, a equação básica do BP é a diferença entre os Ativos e os Passivos: Ativos – Passivos = Patrimônio Líquido 18 Contabilidade Geral 1.4.2 Demonstração de Resultados do Exercício A Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) deverá revelar os resultados após um período de atividades, que, no caso do exemplo 3, é do dia 03/01/20X0. Nesse caso, estamos considerando o exercício de apenas um dia. Mas o usual é que a DRE seja feita considerando o mês todo. Veja a Tabela 6. Tabela 6 Demonstração de Resultados de 03/01/20X0 Demonstração de Resultados de 03/01/20X0 R$ Receita de vendas (10 x 30,00) 300,00 Custo dos produtos vendidos (10 x 20,00) 200,00 Resultado ou Lucro 100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Ao final do dia 03/01/20X0, o Balanço Patrimonial será como na Tabela 7. Tabela 7 Balanço Patrimonial em 03/01/20X0 Balanço Patrimonial da empresa X em 03/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 3.300,00 Estoque 1.800,00 Passivo 0,00 Capital Social 5.000,00 Lucro Acumulado 100,00 ____________________________________________ Patrimônio Líquido 5.100,00 TOTAL 5.100,00 TOTAL 5.100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Exemplo 4: Como último exemplo, vamos considerar que a empresa X, do dia 04 ao dia 07/01/20X0, vendeu, a prazo, mais 40 produtos ao preço uni- tário de R$ 30,00, e alugou uma loja com o valor do contrato de aluguel de R$ 200,00 por semana, a pagar no primeiro dia do mês seguinte. As- sim, a DRE da semana ficaria conforme podemos observar na Tabela 8. A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 19 Tabela 8 Demonstração de Resultados do período de 01 a 07/01/20X0 Demonstração de Resultados (01 a 07/01/20X0) R$ Receita de vendas* (10 + 40) x 30,00 1.500,00 Custo dos produtos vendidos (10 + 40) x 20,00 1.000,00 Despesas com aluguel* 200,00 Resultado ou Lucro 300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Agora fica a questão. Qual a razão de termos registrado tanto a re- ceita de vendas e as despesas com aluguel, nesse período, se parte das receitas ainda não foram recebidas, tampouco, o aluguel foi pago? A explicação é a seguinte: ao encerrar as atividades de um período, desejando conhecer a real situação patrimonial, o aluguel, mesmo que parcial, representa uma obrigação da empresa, uma dívida para com um terceiro, assim como os valores vendidos a prazo aos clientes re- presentam um direito de cobrar os valores a receber. O Balanço Patrimonial da empresa X, encerrado em 07/01/20X0, será como o exposto na Tabela 9. Tabela 9 Balanço Patrimonial em 07/01/20X0 ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 3.300,00 Contas a receber 1.200,00 Estoque 1.000,00 Aluguel a pagar 200,00 _________________________________________ Passivo 200,00 Capital Social 5.000,00 Lucro Acumulado 300,00 _________________________________________ Patrimônio Líquido 5.300,00 TOTAL 5.500,00 TOTAL 5.500,00 Fonte: Elaborado pelo autor. Essas duas demonstrações básicas da contabilidade das empresas são fundamentais a outros usuários e para a gestão da empresa. No momento, podemos compreender as duas demonstrações, como ilus- trado a seguir nas Tabelas 10 e 11. 20 Contabilidade Geral Tabela 10 Modelo de DRE Demonstração de Resultados do Exercício (em R$ 0,00) Período Receita de vendas XXXX Custo dos produtos vendidos YYY Outras despesas ZZ Resultado ou Lucro WW Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 11 Modelo do Balanço Patrimonial encerrado na data DD/MM/AAAA Balanço Patrimonial da empresa X (em R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Bens e Direitos Passivo (obrigações) Patrimônio Líquido (capital e resultados) Os Ativos representam todas aplicações de recursos (dinheiro disponível, produtos em estoque etc.) e direitos (contas a receber de clientes, por exemplo). Os Passivos representam todas obrigações de terceiros à empresa (empréstimos, contas a pagar etc.) O Patrimônio Líquido representa o total dos recursos dos proprietários da empresa (capital dos sócios, resultados acumulados etc.) Fonte: Elaborada pelo autor. Observe o resultado de R$ 300,00 referente ao primeiro período de 7 dias, na Tabela 8, e integrado como Lucro Acumulado na Tabela 9. A ra- zão de fazermos duas declarações separadas é porque enquanto a DRE apresenta dados de um período, o BP mostra apenas saldos na data final do encerramento daquele período. Os resultados de um período perten- cem à empresa, e por esse motivo se integram ao patrimônio dela. Observe os fatos ocorridos na Livraria ABC e, seguindo os exemplos dados anteriormente, prepare a DRE de 01/02/20X1 a 07/02/20X1 dessa empresa. 1. Dia 01/02/20X1, o Sr. Antonio transferiu um total de R$ 10.000,00 em dinheiro para a formação da empresa que tinha como objetivo comprar e vender livros. 2. No dia 02/02/20X1, alugou uma casa para a primeira loja da Livraria ABC, por um valor semanal de R$ 400,00, a pagar todo primeiro dia da semana seguinte. 3. No mesmo dia adquiriu e recebeu o primeiro lote de livros, a pagar no dia 07 do referido mês, no valor total de R$ 2.000,00.4. No dia 04/02/20X1, vendeu parte de seu estoque de livros, pelo preço de venda total de R$ 500,00 e recebeu a vista. O custo desses livros foi de R$ 300,00. (Continua) Atividade 1 A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 21 5. No dia 06/02/20X1, comprou e pagou móveis para o escritório, no valor de R$ 5.000,00. 6. No dia 07/02/20X1, vendeu, a prazo, mais livros por R$ 1.200,00, e pagou os livros comprados no dia 02. O saldo de livros em estoque é de R$ 700,00. Atividade 2 Em seguida, feche o Balanço Patrimonial encerrado em 07/01/20X1. 1.4.3 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido Antes da exigência dessa demonstração, as empresas realizavam a Demonstração de Lucros Acumulados (DLA), em que os resultados de determinado exercício, positivos ou negativos, eram adicionados aos dos exercícios anteriores, e poderiam ser, parcial ou integralmente, dis- tribuídos aos proprietários e acionistas. Se após essa distribuição res- tasse saldo, era adicionado ao Patrimônio Líquido em conta de Lucros ou Prejuízos Acumulados. Entretanto, a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL) incorpora a DLA, pela possível existência de outros eventos, tais como: aumento de capital por parte dos sócios, distribuição de parte dos resultados, incorporação dos resultados ao capital, reavaliações nos Ativos, ajustes de exercícios anteriores, criação de reservas para decisão futura, entre outros. Vejamos na Tabela 12, sem muitos deta- lhes, a DMPL. Tabela 12 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido DMPL* (R$ 0,00) Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros ou Prejuízos Acumulados Total Saldo no início do Exercício 5.000,00 5.000,00 Dividendos Aumento de Capital Reversões de reservas Lucros ou Prejuízos do Exercício 300,00 300,00 Destinação do Lucro Saldo no final do Exercício 5.000,00 300,00 5.300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Com os dados e resultados apurados na Atividade 1 e o Balanço Patrimonial fechado na Atividade 2, prepare a DMPL da Livraria ABC, de acordo com a Tabela 12. Atividade 3 22 Contabilidade Geral 1.4.4 Demonstração dos Fluxos de Caixa Antes do ano de 2008, a legislação exigia, também, a Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR), entretanto, em dezem- bro de 2007, a Lei n. 11.638/2007 alterou e revogou muitos dispositivos da Lei n. 6.385/76 e da Lei n. 6.404/76. E, assim, a DOAR foi substituída pela publicação da Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC). Enquanto a DOAR contemplava uma riqueza maior de informações, e destacava as principais variações nos recursos obtidos e aplicados no dia a dia das atividades da empresa – comumente denominado de ca- pital circulante líquido – a DFC destaca as variações no saldo de valores disponíveis para um determinado período. Para compreender melhor a DFC, seus métodos de apuração e sua apresentação, destacamos suas três partes, ou fluxos: • Fluxo das operações ou das atividades operacionais. • Fluxo dos investimentos. • Fluxo dos financiamentos. Vejamos, na Tabela 13, um modelo para compreensão da DFC: Tabela 13 Demonstração dos Fluxos de Caixa Demonstração dos Fluxos de Caixa Exercício 20X0 1. Fluxo das atividades operacionais Total dos valores recebidos (+) e pagos (-), relativos ao lucro operacional da empresa. 2. Fluxo de investimentos Total dos valores recebidos (+) e pagos (-), relativos a investimentos de longo prazo, imobilizado, intangível entre outros. 3. Fluxo de financiamentos Total dos valores recebidos (+) e pagos (-), relativos a Passivos e Patrimônio Líquido. Variação de Caixa no período Soma dos 3 fluxos Fonte: Elaborada pelo autor. Se esse demonstrativo ao exemplo 4, a DFC da empresa X ficaria conforme a Tabela 14. A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 23 Tabela 14 Demonstração dos Fluxos de Caixa. Demonstração dos Fluxos de Caixa De 01 a 07/01/20X0 R$ 0,00 Atividades operacionais Recebido de clientes Aumento de estoques Aumento com clientes Aluguel a pagar 300,00 (1.000,00) (1.200,00) 200,00 1. Atividades operacionais TOTAL (1.700,00) 2. Atividades de investimentos Sem registro no exemplo 0,00 3. Atividades de financiamentos Sem registro no exemplo 0,00 Variação de Caixa (1 + 2 + 3) TOTAL (1.700,00) Fonte: Elaborada pelo autor. 1.4.5 Demonstração do Valor Adicionado De acordo com a já citada Lei n. 11.638/2007, as empresas com capi- tal aberto, isto é, com negociação de suas ações em Bolsas de Valores, devem apresentar uma Demonstração do Valor Adicionado (DVA). O objetivo da DVA é mostrar a criação de riqueza produzida e sua dis- tribuição entre funcionários, acionistas, financiadores de capital e go- verno, revelando a somatória de valor adicionado à sua riqueza. Caso sejam apresentadas por todas as empresas de um país, essa soma for- ma o PIB do país. A seguir, um exemplo da DVA na tabela 15. Tabela 15 Demonstração do Valor Adicionado Contas R$ 1 Receitas com produtos e serviços 100,00 2 Adquiridos de terceiros 40,00 3 Retidos 10,00 4 Líquido produzido pela empresa (1 – 2 – 3) 50,00 5 Recebido em transferência 5,00 (Continua) Por fim, ainda com base na atividade 1, prepare a DFC da Livraria ABC, referente ao período dos primeiros 7 dias de atividades. Atividade 4 24 Contabilidade Geral Contas R$ 6 Total a distribuir (4 – 5) ou (7 + 8 + 9 + 10) 45,00 7 Funcionários 15,00 8 Acionistas 10,00 9 Financiadores de capital 5,00 10 Governo 15,00 Fonte: Elaborada pelo autor. 1.5 Usuários das demonstrações financeiras Vídeo Sejamos nós proprietários, administradores, empregados, fornece- dores, clientes, concorrentes, emprestadores de capital ou, até mesmo, parte do governo, de alguma maneira somos usuários das demonstra- ções contábeis ou financeiras de uma empresa. Entre alguns aspectos de relacionamento desses diversos usuários e a empresa, podemos exemplificar, sem a finalidade de esgotar nossas observações: • Os proprietários ou acionistas desejam o retorno para seus investimentos, assim como a expectativa de manutenção das operações, capacidade de liquidez, crescimento da empresa e de seus resultados. • Os administradores devem acompanhar e avaliar constante- mente as suas decisões na empresa, mensurando as suas conse- quências para com todos os usuários, internos ou externos. • Empregados têm sempre a expectativa de manutenção das ope- rações da empresa, para garantia de crescimento dos rendimen- tos e desenvolvimento profissional. O conhecimento das funções, o desempenho pessoal, a experiência profissional, a proximidade com a administração e as informações financeiras deverão servir para a estabilidade na empresa. • Os fornecedores desejam reconhecer na empresa, como clien- tes, a capacidade de pagamento, continuidade e crescimento do relacionamento, observando a rentabilidade e continuidade das operações. A preocupação dos fornecedores com os seus concor- rentes diretos, para a qualidade, preços e possibilidade de subs- A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 25 tituição de seus produtos é um fator de sucesso e contribui para sua continuidade do relacionamento. • Clientes devem avaliar a garantia de fornecimento e prazo de entrega de seus pedidos. Certamente têm preocupação com a capacidade instalada, projetos de expansão e alterações futuras da empresa. Clientes com conhecimento da rede de fornecedo- res podem tentar diminuir a dependência de cada um deles, as- sim como estabelecer critérios de escolha, permitindo opções de compras. • Os concorrentes podem ampliar seus conhecimentos por meio da comparação de receitas, custos e despesas, participação nos mercados em que atuam e traçar estratégias para manter ou me- lhorar seus posicionamentos. • As instituições financeiras, como outros financiadores de ca- pital mostram suas preocupações com análise de risco, para se resguardar de surpresas, permitir a concessão, manutenção e re- novação de empréstimos, seja a curto oulongo prazos. • O governo, seja federal, estadual ou municipal, tem como função, acompanhar e analisar a empresa, seu desempenho, capacitação, e situação econômico-financeira, observando os processos de concorrência pública, para a formulação de políticas econômicas. Enfim, podemos perceber a importância do conhecimento, não ape- nas do produto ou serviço que a empresa faz, mas, como daqueles que colaboram para a manutenção e continuidade dos negócios. 1.6 Contabilidade e finanças Vídeo Os relatórios financeiros que estudaremos agora devem demonstrar os resultados de atividades da empresa com seus clientes, e a situação dos seus investimentos e financiamentos. Já vimos as demonstrações contábeis que devem ser realizadas e disponibilizadas aos diversos usuários. No exemplo dado, com atividades de compras e vendas, o resultado de R$ 300,00 no período de 01/01 a 07/01/20X0 provocou um acréscimo no patrimônio da empresa. Enquanto todo o trabalho de registro das informações é contabi- lizado pela empresa, o gestor ou administrador se preocupa em ob- servá-lo e desempenhar suas funções com o objetivo de produzir os resultados esperados pelos proprietários e outros usuários. 26 Contabilidade Geral 1.6.1 Investimentos ou Ativos Os relatórios de investimentos ou Ativos representam todos os bens adquiridos para realização da sua atividade. A palavra Ativo significa in- vestimentos em atividade, no grupo do Balanço Patrimonial. Pensando nos Ativos como investimentos, poderemos distinguir entre aqueles com objetivos de curto prazo e outros com finalidades de longo prazo. Em termos econômicos, o investimento feito em uma máquina, por exemplo, não tem capacidade de produzir resultados por si rapidamen- te. Já o investimento em matéria-prima traz resultados assim que ela é transformada em produto acabado para venda. Por isso, consideramos que a matéria-prima tem a finalidade de dar retorno em um curto es- paço de tempo, enquanto a máquina oferece retorno a longo prazo. 1.6.2 Financiamentos ou Passivos Os relatórios de financiamentos ou Passivos representam o total de recursos para financiar os investimentos. Esses financiamentos podem ter como origem terceiros à empresa (como instituições financeiras, fornecedores de produtos, impostos devidos ao governo, contratos de prestação de serviços etc.) formando o grupo de Passivos do Balanço Patrimonial. Mas o capital dos sócios, que faz parte do Patrimônio Lí- quido, também representa um financiamento para a empresa. Quando a empresa começa a produzir resultados positivos, esses, caso não se- jam distribuídos, incorporam o Patrimônio Líquido e podem ser usados para financiar novos investimentos. 1.6.3 Resultados Os relatórios de resultados representam o total de ganhos e gastos incorridos na atividade da empresa, durante um certo período, e são registrados na DRE. No exemplo, os resultados de ganhos, ou receitas de vendas, são confrontados com os gastos, ou custos dos produtos adquiridos que foram vendidos, e qualquer outra despesa incorrida no período referente à atividade da empresa. A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 27 CONSIDERAÇÕES FINAIS Fazer a contabilidade de uma empresa exige disciplina e metodologia, para a obtenção e apresentação dos dados. Os usuários devem ter à disposição as informações necessárias para a tomada de decisões; os gestores para acompanhamento e eventual revisão de suas decisões; os fornecedores de produtos e serviços para garantir o crédito à em- presa; os clientes para o atendimento contínuo de suas necessidades; os financiadores de capital para garantir o retorno dos recursos em- prestados; os empregados para manutenção de seus rendimentos e desenvolvimento profissional; e o governo para a formulação de polí- ticas públicas. O esquema abaixo ilustra o significado das duas principais demons- trações financeiras estudadas até o momento: o Balanço Patrimonial e a Demonstração de Resultados. Ativos e Passivos início do momento 1 Resultados do período 1 Ativos e Passivos final do momento 1 Renomeando os termos usados no esquema anterior, para compreen- der o significado dessas demonstrações financeiras, temos o seguinte esquema. Investimentos e Financiamentos início do momento 1 Investimentos e Financiamentos final do momento 1 Resultados do período 1 Ativos e Passivos, ou ainda, Investimentos e Financiamentos, devem provocar resultados. Podemos pensar nos Ativos como expectativa de resultados, mesmo que gerem custos ou gastos, e nos financiamentos como disponibilização de recursos. Se confrontados, ganhos (receitas) e gastos (custos ou despesas), os resultados da atividade podem alterar a composição dos financiamentos e investimentos, aumentando ou redu- zindo seus valores. 28 Contabilidade Geral REFERÊNCIAS ADVFN. ADVFN Brasil, 2019. PlB Brasil. Disponível em: https://br.advfn.com/indicadores/ pib/brasil. Acesso em:23 dez. 2019. ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-financeiro. 11. ed, São Paulo: Atlas, 2015. BRASIL. Lei n. 6.385, de 7 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 7 dez. 1976a. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L6385. htm. Acesso em: 23 dez. 2019. BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 15 dez. 1976b. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l6404compilada.htm. Acesso em: 23 dez. 2019. BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 23 dez. 2019. CRIPPS, J. Particularis de computis et scripturis: a contemporary interpretations. Seattle: Pacioli Society, 1994. HENDRIKSEN, E.; VAN BREDA, M. Teoria da Contabilidade. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. GABARITO 1. O registro dos Resultados do Exercício de 01/02/20X1 a 07/02/20X1 da Livraria ABC é: Demonstração de Resultados (01 a 07/02/20X1) R$ Receita de vendas (itens 4 e 6) 1.700,00 Custo dos produtos vendidos (itens 4 e 6) 1.300,00 Despesas com aluguel (item 2) 400,00 Resultado ou Lucro 0,00 2. O Balanço Patrimonial da Livraria ABC, fechado em 07/02/20X1 é: ATIVO – 07/02/20X1 PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO – 07/02/20X1 *Disponível 3.500,00 Contas a receber 1.200,00 Estoque 700,00 Móveis 5.000,00 Aluguel a pagar 400,00 Passivo 400,00 Capital Social 10.000,00 Lucro Acumulado 0,00 Patrimônio Líquido 10.000,00 TOTAL 10.400,00 TOTAL 10.400,00 *Disponível = (10.000,00 – 2.000,00 (estoque) – 5.000,00 (móveis) + 500,00 (venda dos livros) A contabilidade e o ambiente econômico das empresas 29 3. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido em 07/01/20X1. DMPL* (R$ 0,00) Capital Social Reservas de Capital Reservas de Lucros Lucros ou Prejuízos Acumulados Total Saldo no início do Exercício 10.000,00 10.000,00 Dividendos Aumento de Capital Reversões de reservas Lucros ou Prejuízos do Exercício 0,00 0,00 Destinação do Lucro Saldo no final do Exercício 10.000,00 0,00 10.000,00 4. Preparando a Demonstração dos Fluxos de Caixa de 01 a 07/02/20X1 Demonstração dos Fluxos de Caixa De 01 a 07/02/20X1 R$ 0,00 Atividades operacionais Aumento de estoques Aumento com clientes Aluguel a pagar (700,00) (1.200,00) 400,00 4. Fluxo Atividades operacionais TOTAL (1.500,00) 5. Fluxo de investimentosMóveis (5.000,00) 6. Fluxo de financiamentos Sem registro 0,00 Variação de Caixa (1 + 2 + 3) TOTAL (6.500,00) . Observe a variação de caixa reduzida de R$ 10.000,00 (recursos do sócio Sr. Antonio) para R$ 3.500,00, com R$ 6.500,00 de redução no caixa. . Durante o período, os Ativos operacionais passaram de zero para R$ 700,00 em estoques e R$ 1.200,00 a receber de clientes, o que representa investimento na atividade da empresa. Por outro lado, há o aumento de Passivo Circulante em razão do financiamento pelo uso da casa (aluguel), permitindo à empresa manter suas atividades no período. Isso tudo causa uma redução de R$ 1.500,00 (R$ 700,00 + R$ 1.200,00 – R$ 400,00) na disponibilidade de recursos. . Com o pagamento pelos móveis, no valor de R$ 5.000,00, considerado no fluxo dos investimentos, o total de saída de recursos chega a R$ 6.500,00. 30 Contabilidade Geral Os registros de ocorrências e transações de um negócio geram Demonstrações Contábeis ou Financeiras que objetivam espelhar os fatos ocorridos na atividade empresarial. Neste capítulo, vamos conhecer a estrutura do patrimônio da empresa, a composição dos ativos (investimentos) e a dos passivos (financiamentos); abordaremos os princípios e convenções que regem a contabilidade, com os exemplos vistos no capítulo anterior para a melhor compreensão do sistema contábil; desvendaremos com detalhes a estrutura e contas dos Ativos, dos Passivos e Patrimônio Líquido; e, por último, faremos uma elaboração completa do Balanço Patrimonial com uma breve análise dessa demonstração. Balanço Patrimonial 2 2.1 Estrutura do patrimônio da empresa – investimentos e financiamentos Vídeo Seguir o fluxo dos recursos das transações é imprescindível para en- tendermos as demonstrações contábeis. Entretanto, devemos identifi- car sempre a origem e o destino dos recursos em valores monetários, para que os registros espelhem onde foram feitas as aplicações e quais as fontes que originaram. Para exemplificar a Demonstração do Balanço Patrimonial da empresa, voltaremos ao caso da empresa X (Capítulo 1), criada para comercializar produtos, que no dia 01/01/20X0 recebeu uma trans- ferência de recursos no valor de R$ 5.000,00 para sua formação ini- cial. Seguindo o Exemplo 1, presente no capítulo anterior, o destino é a posse desse valor, em caixa e disponível para o início das ativi- dades, e a origem é o capital dos sócios na empresa. No Exemplo 2, a empresa adquiriu produtos para revenda (destino), pagando à vista (origem). No Exemplo 3, vendeu produtos de seus estoques (origem) e recebeu à vista (destino). No Exemplo 4, vendeu mais O livro Curso de contabili- dade para não contadores pode ser muito elucida- tivo para que você com- preenda os conceitos dos termos contábeis. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J.C. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Livro Balanço Patrimonial 31 produtos (origem) a prazo (destino) e reconheceu o aluguel semanal (destino) a pagar no futuro (origem). Na linguagem contábil, o registro para o destino dos recursos é denominado débito, com o sentido de dever, ou da expressão “o que se deve a”. Por outro lado, para denominar os recursos de origem, usamos a palavra crédito, com a mesma raiz da palavra credo, que significa representar confiança, ou ainda, quem acredita ou empresta. No Exemplo 1, quem concedeu o crédito à empresa foi o proprie- tário, e, portanto, o dinheiro disponível é devido ao fato de a empre- sa possuir o capital do sócio. Dessa forma, podemos afirmar que faz sentido os investimentos ou Ativos crescerem a débito, pois os finan- ciamentos concederam créditos. O Balanço Patrimonial possui a se- guinte estrutura: à direita contém os Passivos e o Patrimônio Líquido, e à esquerda, os Ativos, parecendo a letra T, como podemos ver na Tabela 1 Tabela 1 Contas iniciais com o crédito do capital e o débito no caixa Caixa ou Disponível Capital Social Débito Crédito Débito Crédito 5.000,00 5.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Dessa forma, podemos afirmar que os Ativos crescem a débito en- quanto os passivos crescem a crédito. Tabela 2 Balanço inicial da empresa ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 5.000,00 Capital Social 5.000,00 TOTAL 5.000,00 TOTAL 5.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Assim como afirmamos que Ativos crescem a débito, podemos tam- bém dizer que Ativos decrescem a crédito, uma vez que podem con- ceder crédito ao liberar recursos para liquidação dos financiamentos, ou mesmo para aquisição de novos Ativos. É o caso, entre outros, dos recursos disponíveis, ou em caixa, para aquisição de outros Ativos ou mesmo para liquidação de algum passivo. Atenção Todos esses fatos estarão espe- lhados no próximo tópico. 32 Contabilidade Geral O que se pretende, com a demonstração patrimonial, é estarmos sempre atentos aos investimentos feitos e como estão sendo financia- dos. A notação contábil de Ativos e passivos pode, por vezes, ser es- quecida, mas deve auxiliar o administrador na avaliação dos recursos financeiros aplicados nos investimentos e a identificação das origens dos financiamentos. Ativos (investimentos) podem ter várias funções em uma organiza- ção. O dinheiro disponível da empresa pode, em um curto espaço de tempo, pagar dívidas, distribuir resultados aos sócios, comprar produ- tos para revenda, adquirir e pagar insumos, realizar construções etc. Estoques de produtos para revenda devem estar, se possível a curto prazo, disponíveis aos consumidores. Em outras palavras, devem ser realizáveis em curto espaço de tempo. Diferentemente de equipamen- tos para produção, ou computadores de escritório utilizados para a organização dos trabalhos, que não estão disponíveis para venda, ou seja, não serão realizáveis no mesmo tempo em que os estoques. Abordaremos isso com mais detalhes na seção 2.3, mas, à primeira vista, podemos compreender que tais Ativos têm características de per- manências diferentes na empresa – alguns são de curto prazo e outros de longo prazo. Desse modo, denominamos como Ativos Circulantes os Ativos de valores com a realização em curto prazo (normalmente de até um ano), diferentemente daqueles com realização em longo prazo, os Ativos Não Circulantes. No exemplo do Capítulo 1, a empresa X possuía apenas Ativos Circulantes: o dinheiro disponível e saldo dos estoques. Esses Ativos teriam uma circulação relativamente rápida, podendo também ser denominados como Ativos Realizáveis de Curto Prazo. Tal como os Ativos, classificamos os Passivos de acordo com o prazo de realização, curto ou longo, bem como se circulantes ou não circulan- tes. Trataremos desse tópico com mais detalhes na seção 2.4, mas, por hora, é importante percebermos que os passivos também têm nature- zas distintas de tempo para a sua liquidação, ou para cumprimento das obrigações, isto é, dívidas com vencimento em curto ou longo prazo. Suponha, por exemplo, uma compra de equipamentos financiada com pagamentos anuais por cinco anos, diferentemente de impostos, salários de funcionários, encargos sociais, com vencimentos muito pró- ximos das suas ocorrências, ou em mês seguinte. São essas as diferen- ças que usamos para classificar os passivos com vencimentos em curto Ativos crescem a débito e reduzem a crédito. Passivos crescem a crédito e reduzem a débito. Importante Balanço Patrimonial 33 prazo como Passivos Circulantes e os outros, com vencimentos acima de um ano, como Passivos Não Circulantes. No caso do Patrimônio Líquido, que também serve como finan- ciamento para os Ativos, a grande diferença fica por conta da sua ori- gem. Enquanto os Passivos representam financiamentos de terceiros à empresa, o Patrimônio Líquido corresponde aos recursos dos pro- prietários. Por essa razão, o Passivo representa o capital de terceiros, enquanto o Patrimônio Líquido, o capitalpróprio. Na Tabela 3, é possí- vel observar a empresa sem dívidas com terceiros, ou seja, sem passi- vo, e o Capital Social formando o Patrimônio Líquido. Tabela 3 Balanço inicial da empresa X Balanço Patrimonial da empresa X em 01/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 5.000,00 Passivo 0,00 Capital Social 5.000,00 TOTAL 5.000,00 TOTAL 5.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor Enfim, a estrutura das contas patrimoniais deverá observar o tempo de maturação ou liquidação dos Ativos e passivos, tanto no caso dos investimentos em curto prazo (Ativos Circulantes), como nos de longo prazo (Ativos Não Circulantes). Quanto aos passivos, devemos observar o tempo para sua liquidação ou vencimento, de curto prazo (Passivos Circulantes) e de longo prazo (Passivos Não Circulantes). 2.2 Princípios e Convenções Vídeo Com a Lei n.11.638/2007, e seguindo as normas internacionais de contabilidade, passou-se a observar as características qualitativas das informações contábeis. Assim, os pronunciamentos técnicos do Comi- tê de Pronunciamentos Contábeis (CPC) passaram a vigorar no Brasil, regendo a apresentação das demonstrações contábeis, mas, por ou- tro lado, a denominação princípios geralmente aceitos não foi adotada pelo país. O comitê emitiu o Pronunciamento Conceitual Básico – Estrutura Con- ceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis 34 Contabilidade Geral (SUMÁRIO, 2019). No entanto, podemos seguir, para fins didáticos, a apresentação de alguns princípios, independente de ordem, e sem prejuízo dos conceitos que dirigem a estrutura da elaboração e apre- sentação das demonstrações contábeis. A grande diferença reside na prioridade da essência sobre a forma. O objetivo da contabilidade é cuidar do patrimônio da empresa, e, para isso, é necessário observar as ocorrências da empresa e não as de seus proprietários; isso nos leva ao primeiro princípio, o da entida- de, que significa que a contabilidade deve registrar as ocorrências na nova entidade, seja empresa ou pessoa jurídica. Em outras palavras, a contabilidade não mistura os recursos da empresa com os dos sócios. Retomando o Exemplo 1 (Capítulo 1), podemos observar que o ca- pital é da empresa (nova entidade), mesmo tendo origem nos recursos de seus sócios. Tabela 4 Balanço Patrimonial da Empresa X Balanço Patrimonial da empresa X em 01/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 5.000,00 Capital Social 5.000,00 TOTAL 5.000,00 TOTAL 5.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Retomando, agora, o Exemplo 2, que registrou a compra de 100 pro- dutos para revenda à vista, ao custo de R$ 20,00 cada unidade, temos o segundo princípio, o de custo histórico como base de valor, o que sig- nifica, em outras palavras, que os Ativos devem ser registrados pelo valor do custo na empresa. Observe, na Tabela 5, os Ativos com valores históricos. Tabela 5 Exemplo 2 Balanço Patrimonial da empresa X em 01/01/20X0 – (R$ 0,00) Ativo PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 3.000,00 Estoque 2.000,00 Capital Social 5.000,00 TOTAL 5.000,00 TOTAL 5.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor Atividade 1 José resolveu investir em um negócio de roupas usadas, um brechó, e utilizou sua antiga casa, desocupada há meses, para montar sua loja. A casa tem o valor de R$ 150.000,00, e José transferiu a propriedade, em 01/03/20X0, para a sua nova empresa Brechó do Zé. Como fica o patrimônio da loja? Elabore uma tabela. Balanço Patrimonial 35 Nesse caso, ocorre a troca de um Ativo por outro. Os recursos dis- poníveis ou em caixa passam a ser recursos em produtos ou estoque. Uma origem na disponibilidade e um destino em estoque pelo custo de aquisição ou histórico. No Exemplo 3, citado no capítulo anterior, temos o dia 03/01/20X0 da empresa X, após a venda à vista de 10 produtos, ao preço de R$ 30,00 cada. Aqui surge, portanto, o terceiro princípio: o de Realização. O registro contábil segue o fato gerador das receitas, não obedecendo obrigatoriamente ao regime de caixa. A receita da venda será confron- tada com os custos (10 produtos a R$ 20,00 cada), ou gastos, para a realização do resultado. E assim surge o princípio de regime de compe- tência, isto é, o registro simultâneo dos gastos envolvidos para a reali- zação da receita, resultando no lucro ou prejuízo do período contábil. Se uma venda produziu resultados favoráveis à empresa, isso resul- tou em uma troca de um bem por algo de maior valor. Nesse caso, a troca de produtos em estoque (R$ 200,00) por um valor maior, no caso em dinheiro (R$ 300,00). Essa diferença é favorável à organização, pois ela passa a ter mais recursos nos Ativos, já que houve um lucro de R$ 100,00. Essa diferença, portanto, passa a fazer parte do Patrimônio Lí- quido da empresa sob a denominação de lucros acumulados. Todos os registros podem e devem ser feitos em declaração separa- da, uma vez que o volume de vendas deverá ser contínuo e com valores variados durante um período razoavelmente grande. Por essa razão, existe a Demonstração de Resultados do Exercício (DRE), já apresenta- da brevemente no capítulo anterior (Tabela 6). Tabela 6 Resultados apurados no período contábil Demonstração de Resultados de 03/01/20X0 R$ Receita de vendas (10 x 30,00) 300,00 Custo dos produtos vendidos (10 x 20,00) 200,00 Resultado ou Lucro 100,00 Fonte: Elaborada pelo autor Já na Tabela 7, podemos ver o Balanço Patrimonial da empresa X em 03/01/20x0. É importante destacar que houve a redução nos estoques (crédito no Ativo), com a contrapartida do débito em custo dos produ- tos vendidos. 36 Contabilidade Geral Tabela 7 Balanço após um período de atividades Balanço Patrimonial da empresa X em 03/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 3.300,00 Estoque 1.800,00 Passivo 0,00 Capital Social 5.000,00 Lucros Acumulados 100,00 ____________________________________________ Patrimônio Líquido 5.100,00 TOTAL 5.100,00 TOTAL 5.100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Nesse caso, fechamos o balanço após o período de um dia de ativi- dade, porém, não é recorrente fazer isso em tão curto espaço de tem- po. O ritmo das atividades é maior por parte das empresas – assim, os períodos para registro dos resultados contábeis são normalmente mensais, trimestrais, semestrais e anuais. É daí que vem o termo De- monstração dos Resultados do Exercício, pois entendemos que exercício é referente ao período contábil. No exemplo dado, esperamos o período de uma semana para conhe- cer a situação patrimonial. Logo, a DRE foi semanal (01 a 07/01/20X0). No Exemplo 4, do Capítulo 1, pudemos observar uma nova venda a prazo, de 40 unidades ao preço de R$ 30,00 cada, com baixa pelo custo (40 x R$ 20,00), e o contrato de aluguel com valor de R$ 200,00 por se- mana, embora com pagamento a ser efetuado no primeiro dia do mês seguinte. Tabela 8 Demonstração de Resultados da semana 01 a 07/01/20X0 Demonstração de Resultados de 01 a 07/01/20X0 R$ Receita de vendas (10 x 40) x 30,001.500,00 Custo dos produtos vendidos (10 + 40) x 20,00 1.000,00 Despesas com aluguel 200,00 Resultado ou Lucro 300,00 Observe que as receitas, custos e despesas seguem o Regime de Competência e são registradas de acordo com a ocorrência. Fonte: Elaborada pelo autor. Atividade 2 No dia 15/03/20X0 José resolveu comprar roupas usadas por R$ 1.500,00, e, assim, iniciar as atividades de seu brechó. Essa compra deverá ser paga no dia 31/03/20X0. José espera vendê-las até lá. Como fica o balanço da loja na data de 15/03/20X0? Balanço Patrimonial 37 Seguindo com o mesmo princípio, o resultado deve ser apurado ao final do período contábil, para podermos fechar o Balanço Patrimonial e avaliar as atividades que afetaram o patrimônio. Tabela 9 Balanço encerrado após uma semana de atividades Balanço Patrimonial da empresa X em 07/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 3.300,00 Contas a receber 1.200,00 Estoque 1.000,00 Aluguel a pagar 200,00 ____________________________________________ Passivo 200,00 Capital Social 5.000,00 Lucros Acumulados 300,00 Patrimônio Líquido 5.300,00 TOTAL 5.500,00 TOTAL 5.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Comparando os valores e itens de Ativos e passivos, notamos duas variações importantes nos Ativos: crescimento de valores a receber e de estoques. Nos passivos, o aparecimento da primeira obrigação ou dívida contraída na semana. No Patrimônio Líquido, um crescimento com o valor dos resultados do período. Na referida semana, a empresa X teve um resultado de R$ 300,00 e um crescimento de 10% em seu Ativo, após sete dias de atividades. Isso, contudo, não é uma análise, pois, para sê-lo, outros indicadores deveriam ser considerados. Trata-se, portanto, de uma observação sem entrar no mérito de desempenho. Voltemos agora aos princípios e convenções, pois outros critérios devem ser observados. São eles: a. Os registros devem seguir um denominador comum monetário. No caso do Brasil, o denominador usado é o Real. b. Assim como visto no Exemplo 2 (Capítulo 1), os investimentos ou aquisições devem ser contabilizados com base no custo histórico. c. As alterações na Lei n. 6.404/76 pela Lei n. 11.638/2007 criaram condições para a convergência às normas internacionais da contabilidade. As principais mudanças se referem à prevalência da No Balanço Patrimonial, todas as contas dos ativos são regis- tradas com os valores dos seus bens ou direitos. Já as contas dos passivos com os valores das obrigações e o Patrimônio Líqui- do têm como valor a diferença entre ativos e passivos, com- posto basicamente pelo capital dos proprietários ou sócios e os resultados acumulados após os períodos de atividades. Importante Atividade 3 No final do primeiro mês de atividades, José vendeu todo seu estoque de roupas por R$ 2.000,00 à vista, mas pagou apenas R$ 1.000,00 ao credor, e combinou de pagar o restante em 10/04/20X0. Como fica o balanço da loja em 31/03/20X0? 38 Contabilidade Geral essência sobre a forma. Por exemplo: a contabilização nos Ativos imobilizados de bens, que mesmo não sendo de propriedade da empresa, estão sob seu controle, gerando benefícios e riscos. É o caso dos arrendamentos de equipamentos. Portanto, novos entendimentos devem ser cumpridos, como a atualização dos valores, ou seja, os Ativos no Balanço Patrimonial devem ser atualizados pelo valor justo aceito pelo mercado. Serve tanto para direitos (valores a receber), como para obrigações (juros e impostos atualizados). No caso de Ativos Imobilizados, como equipamentos ou construções, eles deverão ser analisados sob o ponto de vista de sua recuperação, conhecido como teste de imparidade. d. A materialidade, ou ordem de grandeza dos valores, significa poder registrar valores consumíveis em Ativos ou Despesas, dependendo de sua representatividade na empresa. Suponhamos, por exemplo, que uma grande empresa irá adquirir papéis para impressoras para serem usados no escritório no valor de R$ 1.000,00. Seguindo o regime de competência, tal valor será contabilizado como Ativo – estoques de papéis de escritório. No entanto, podemos considerá-lo como despesa administrativa antes do seu uso, uma vez que será consumido em curto espaço de tempo e terá um valor não significativo (pouca materialidade). e. O princípio de continuidade pressupõe a existência da empresa sem limite para terminar, isto é, por um longo período de existência. f. O princípio do conservadorismo é associado ao já citado custo de aquisição, sem a preocupação de supervalorizar os Ativos ou de subvalorizar os passivos. Em outras palavras, não devemos mostrar bens acima ou dívidas abaixo de seus reais valores. Os princípios vistos podem ter interpretações diversas entre as em- presas; portanto, é sempre prudente observar os pronunciamentos contábeis emitidos pelo CPC. 2.3 Estrutura e contas dos ativos Vídeo Já identificamos os Ativos como investimentos, em razão de terem a função de promover as atividades da empresa – investimentos em ati- vidade. Porém, alguns investimentos produzem retorno a curto prazo, enquanto outros podem gerar resultados a longo prazo. Desse modo, Balanço Patrimonial 39 a classificação básica dos Ativos se dá conforme a natureza de sua rea- lização e obedecem a ordem decrescente de liquidez. A Lei n. 6.404 , Lei das sociedades por ações, estabelece em seu artigo 178 que: “No balanço, as contas serão classificadas segundo os elementos do patrimônio que registrem, e agrupadas de modo a facilitar o conhecimento e a análise da situação financeira da companhia. No ativo, as contas serão dispostas em ordem decrescente de grau de liquidez dos elementos nelas registrados, nos seguintes grupos: I – ativo circulante; e (Incluído pela Lei n. 11.941 , de 2009). II – ativo não circulante, composto por ativo realizável a longo prazo, investimentos, imobilizado e intangível. (Incluído pela Lei n. 11.941, de 2009)” (BRASIL, 1976). Saiba mais++ 2.3.1 Ativo Circulante Recursos financeiros disponíveis na empresa, aplicações de recursos no mercado financeiro, matérias-primas para fabricação e transforma- ção em produtos para venda, estoques de produtos acabados, valores a receber de clientes, adiantamentos a fornecedores, entre outros, são considerados Ativos Circulantes, ou, se pensados como investimentos, são Ativos realizáveis a curto prazo. Todos os Ativos, Circulantes ou Não Circulantes, devem ser apresentados em ordem decrescente de liqui- dez. E são classificados da seguinte maneira: a. Disponível: a soma de recursos em caixa na empresa, com o saldo de depósitos à vista nas instituições financeiras. b. Aplicações financeiras de liquidez imediata: valores em excesso na empresa, investidos em títulos com algum rendimento financeiro, com facilidade de conversão em caixa, baixo risco de retorno e finalidade de atender compromissos a curto prazo. c. Estoque de matérias-primas: materiais nas empresas industriais, em condições e possibilidades de transformação, por meio de processos, em produtos para venda ao mercado consumidor ou distribuidor. d. Estoque de produtos não acabados: partes das matérias- -primas e outros insumos poderão não estar prontos e disponíveis para venda ao final de um período contábil, exigindo, assim, sua mensuração dos valores até então agregados. e. Estoque de produtos acabados: estoque de produtos disponíveis para venda ou revenda aos consumidores ou distribuidores. 40 Contabilidade Geral f. Adiantamentos: valores antecipados a fornecedores, muitas vezes com a intenção de garantir o suprimento futuro de materiais para produção.Podem ser especificados como adiantamento a fornecedores, ou outros tipos de antecipação, como despesas de viagens, salários, 13º, férias etc. O título é genérico, pode ser desmembrado em vários subitens. g. Contas a receber ou Duplicatas a receber: valores ou títulos oriundos de vendas a prazo, comumente denominadas de duplicatas, cujo nome é em razão da repetição dos dados de uma nota fiscal para um título de cobrança. h. Outros créditos a receber: por vezes, a empresa pode ter emprestado recursos a terceiros, ou ter dividendos com direito de receber no futuro. i. Impostos e tributos a recuperar: no Brasil, a tributação é complexa e alguns impostos podem ser compensados para pagamento de outros. Os itens citados, entre outros, compõem os Ativos Circulantes, que são aqueles com realização em curto prazo. A convenção geral é con- siderar como Ativo Circulante os itens com prazo de realização de até um ano. Acima disso é denominado Ativo Não Circulante, ou Realizável a Longo Prazo. 2.3.2 Ativo Não Circulante É importante lembrarmos que os Ativos com realização de longo prazo são investimentos que oferecem benefícios com prazos superio- res a um ano. Por exemplo, um equipamento de produção da fábrica é útil por um longo tempo, por isso, é considerado um Ativo Não Circu- lante. Além desse exemplo, existem os seguintes Ativos: a. Créditos diversos: a soma de recursos a receber de terceiros além da data do balanço, sejam oriundos de vendas, adiantamentos, empréstimos, impostos etc. b. Investimentos a longo prazo: as aplicações feitas em títulos disponíveis no mercado financeiro, ações negociadas em bolsas de valores, incentivos fiscais, entre outros, sempre avaliados pelo valor presente. Liquidez é entendida como a facilidade de conversão de um bem em dinheiro. Por exemplo: um imóvel perderá liquidez caso não exista pessoas interessadas em comprá-lo. Saiba mais++ Balanço Patrimonial 41 c. Despesas antecipadas: a soma de todos os pagamentos feitos antecipados e que representam despesas de exercícios futuros, como o caso de prêmios de seguros. d. Outros Investimentos: as empresas controladoras de outras, denominadas coligadas ou não, representam investimentos efetuados em operações de um grupo empresarial. e. Imobilizado: Terrenos, obras, instalações, máquinas, equipamen- tos, veículos, móveis, benfeitorias, construções etc. constituem o grupo de Ativos imobilizados, que também são denominados tangíveis, isto é, bens corpóreos, com forma física e com possibili- dade de troca. Após a Lei n. 11.638/2007, alguns itens podem ser mais detalhados, e até exigidos do teste de imparidade 1 . f. Intangível: são Ativos sem forma física, em oposição aos Ativos imobilizados, tais como marcas, softwares, direitos autorais, patentes, entre outros. Esse teste permite avaliar os ativos frente aos seus valores recuperáveis. Suponha, por exemplo, um veículo adquirido por R$30.000,00. Após um acidente e uma análise, é reconhecida uma perda de R$10.000,00 no seu valor. Nesse caso, o valor deverá ser contabilizado com essa perda, ou seja, o teste permitirá reduzir ao valor recuperável do ativo. 1 2.4 Estrutura e contas dos passivos Vídeo Após a identificação dos Ativos como investimentos, conheceremos os passivos, com a função de financiar as atividades da empresa. Da mesma forma que alguns investimentos produzirão retorno a curto pra- zo, e outros poderão gerar resultados a longo prazo, os financiamentos também seguem os mesmos critérios. Desse modo, a classificação bási- ca dos passivos segue os vencimentos de suas obrigações. Passivo Circu- lante, a curto prazo, e Passivo Não Circulante, a longo prazo. É importante ressaltarmos aqui a observa- ção de que o usual dos passivos, assim como com os Ativos, é que seja considerado curto prazo os vencimentos de até um ano. No en- tanto, caso o ciclo operacional tenha duração maior, tais dívidas ou obrigações serão classi- ficadas no prazo do ciclo operacional 2 . 2.4.1 Passivo Circulante O Passivo Circulante é a soma de todas as obrigações da empresa com vencimento em curto prazo, muitas vezes denominado de Passivo Exigível. Valores resultantes de compras de matérias-primas, insumos 2 Entendemos por ciclo operacio- nal o período determinado entre a aquisição de matérias-primas ou outras mercadorias, até o recebimento das vendas dos produtos. 42 Contabilidade Geral para a fabricação, produtos para revenda, adiantamentos recebidos para futuras entregas, salários, comissões, aluguéis, arrendamentos, despesas ainda não pagas, impostos, contribuições, empréstimos, en- tre outras dívidas, vencidas ou não, com vencimentos até o final do próximo exercício social, ou que a liquidação deverá ocorrer em até doze meses após a data do balanço. 2.4.2 Passivo Não Circulante O Passivo Não Circulante, ou Passivo Exigível a Longo Prazo, é a soma de todas as obrigações da empresa, com liquidação prevista para ocorrer em um prazo superior ao próximo exercício social, ou ao seu ciclo operacional. Empréstimos, financiamentos ou arrendamento de bens, impostos, títulos de dívidas, provisões para previdência, entre ou- tas dívidas, são consideradas de longo prazo. Os passivos financiam os Ativos, mas também os recursos próprios da empresa, compostos pelo capital dos proprietários e os resultados acumulados com as atividades da organização. Logo, a diferença entre os Ativos (investimentos) e os passivos (financiamentos) também sus- tenta os investimentos. O resultado disso, denominado Patrimônio Lí- quido, apresenta os recursos próprios da empresa, enquanto o Passivo representa os recursos de terceiros financiando a empresa. Portanto, a equação básica do Balanço Patrimonial pode ser representada da se- guinte maneira: ATIVOS – PASSIVOS = PATRIMÔNIO LÍQUIDO Além do Capital Social, o Patrimônio Líquido ainda possui as Reser- vas de Lucros, lucros e prejuízos acumulados; as Reservas de Capital; os Ajustes de Avaliação Patrimonial; e as ações em tesouraria. Podemos ver, a seguir, o significado de cada um desses termos: a. Capital Social: é a soma dos valores recebidos dos sócios, incluindo os lucros transferidos ao capital social, quando os sócios resolvem não retirar e aumentar o capital da empresa. b. Reserva de Lucros: é o saldo dos lucros retidos com alguma finalidade determinada. Balanço Patrimonial 43 c. Lucros Acumulados: é o resultado da conta que pode ser usada apenas por empresas não classificadas como sociedades por ações. d. Prejuízos Acumulados: são representações do saldo de resultados negativos acumulados até o fechamento do Balanço Patrimonial. e. Reservas de Capital: são os valores recebidos e não contabili- zados na Demonstração de Resultados, derivados de negócios de capital dos acionistas. Por exemplo, o lucro recebido pela venda de ações da empresa não é contabilizado na Demons- tração de Resultados, mas sim no grupo do Patrimônio Líquido, como reservas de capital. f. Ajustes de Avaliação Patrimonial: é a situação em que a contrapartida do aumento ou redução de alguma conta do Ativo ou do Passivo pode ser feita diretamente no aumento ou redução dos lucros ou prejuízos da empresa. É o caso de alguma reavaliação de um bem do Ativo 3 . g. Ações em Tesouraria: são o saldo de ações adquiridas pela própria empresa, seja do mercado de capitais, seja de acionistas. Por exemplo, se um equipamen- to adquirido por R$100.000,00 perder valor por algum acidente, e passar a valer apenas R$80.000,00, essa diferença irá reduzir os ativos e consequen- temente a perda irá reduzir o Patrimônio Líquido. 3 Estudo de caso Elaboração e análise do Balanço Patrimonial da empresa X Vamos relembrar o exemplo do capítulo anterior, recordando os fa- tos relatados. a. O proprietário integralizou o capital em dinheiro no valor de R$ 5.000,00. b. No segundo dia, a empresa adquiriu, à vista, 100 produtos pelo preço de R$ 20,00 cada, totalizando R$ 2.000,00 em compra de produtos.c. No terceiro dia, vendeu, à vista, 10 produtos ao preço de R$ 30,00 cada. d. Nos demais dias da semana, vendeu a prazo mais 40 produtos ao preço de R$ 30,00 cada, e reconheceu o aluguel semanal da loja, no valor de R$ 200,00 a pagar no primeiro dia do mês seguinte. Podemos analisar os movimentos de todas as contas, reconhecidas pela empresa X, da seguinte maneira: 44 Contabilidade Geral I Ativos b) Caixa ou disponível: recebeu R$ 5.000 do proprietário, pagou R$ 2.000,00 na compra de produtos, recebeu R$ 300,00 pela venda de produtos e terminou com o saldo disponível de R$ 3.300,00. c) Estoque: recebeu 100 produtos para revenda por R$ 2.000,00 (100 x R$ 20,00), diminuiu os estoques em R$ 200,00 (10 x R$ 20,00) pela venda de parte dos produtos, diminuiu mais R$ 800,00 nos estoques (40 x R$ 20,00) pela segunda venda. Terminou o período com R$ 1.000,00 em estoques, (50 x R$ 20,00). d) Contas a receber: os clientes compraram a prazo 40 produtos ao preço de R$ 20,00 cada, ficando a empresa com direito de receber R$ 1.200,00 no vencimento, sendo, portanto, esse saldo direito da empresa. II Passivos a) Aluguel: reconheceu ao final, no período semanal, despesas com o aluguel no valor de R$ 200,00. III Resultados a) Receita de vendas: reconheceu R$ 1.500,00 em receita do período semanal (10 + 40 produtos vendidos a R$ 30,00 cada). b) Custo dos produtos vendidos: reconheceu os custos dos produtos vendidos no valor de R$ 1.000,00 (10 + 40 ao custo de R$ 20,00 cada). c) Despesas com aluguel: reconheceu a despesa com o aluguel do período contábil (semanal), no valor de R$ 200,00, para apurar os resultados do período semanal antes de fechar o balanço. d) Lucro: teve como resultado R$ 300,00 (R$ 1.500,00 – R$ 1.000,00 – R$ 200,00) ao final da primeira semana de atividades da empresa. IV Patrimônio Líquido e) Capital: não houve nenhuma alteração no Capital dos Sócios. f) Lucros Acumulados: reconheceu R$ 300,00 como resultado favorável à empresa, em razão dos lucros obtidos durante o primeiro período contábil. Desse modo, fechamos as duas primeiras demonstrações contábeis após um período de atividades: o resultado semanal (01 a 07/01/20X0) Atenção Observe que os valores vendi- dos, tanto à vista, como a prazo, são lançados e reconhecidos no período em que ocorrem as vendas. Obedecem, portanto, ao regime de competência, ou seja, o fato gerador da venda provoca o registro da receita, e não o regime de caixa. Balanço Patrimonial 45 e a situação patrimonial em 07/01/20X0, conforme podemos observar nas Tabelas 10 e 11. Tabela 10 Demonstração de Resultados da primeira semana de atividades Demonstração de Resultados (01 a 07/01/20X0) R$ Receita de vendas (10 + 40) x 30,00 1.500,00 Custo dos produtos vendidos (10 + 40) x 20,00 1.000,00 Despesas com aluguel 200,00 Resultado ou Lucro 300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 11 Balanço Patrimonial encerrado ao final da primeira semana Balanço Patrimonial da empresa X em 07/01/20X0 – (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 3.300,00 Contas a receber 1.200,00 Estoque 1.000,00 Aluguel a Pagar 200,00 ____________________________________________ Passivo 200,00 Capital Social 5.000,00 Lucro Acumulado 300,00 ____________________________________________ Patrimônio Líquido 5.300,00 TOTAL 5.500,00 TOTAL 5.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. V Breve análise Embora seja um período curto, e com pouca movimentação, pode- mos destacar os seguintes fatos e consequências para o patrimônio, objeto de estudo da contabilidade: a) A empresa recebeu recursos do proprietário para suas atividades. b) Iniciou um negócio de compra e venda de produtos ao mercado e obteve algum sucesso. c) Concedeu crédito a clientes, assim como recebeu crédito do proprietário da loja, pelo aluguel. d) Obteve, em apenas uma semana, um acréscimo em 10% no seu patrimônio inicial. Atividade 4 De acordo com os fatos citados nas atividades 1, 2 e 3, suponha que, antes de terminar o mês, José tenha efetuado uma nova compra de R$ 1.000,00 em roupas e pagou à vista, e em seguida fez uma venda de todas as peças, a prazo, no valor de R$ 1.500,00. Qual é o resultado e como ficaria seu Balanço Patrimonial? 46 Contabilidade Geral CONSIDERAÇÕES FINAIS O Balanço Patrimonial representa o patrimônio da empresa, com o seu conjunto de bens e direitos como Ativos, suas obrigações com tercei- ros como passivos e a diferença entre ambos, que resulta no Patrimônio Líquido dos sócios ou proprietários. Neste capítulo, pudemos observar que Ativo Circulante é um conjunto de investimentos com realização a curto prazo, valorizado pelo seu custo, enquanto o Ativo Não Circulante se refere a realizações a longo prazo. Além disso, o Passivo Circulante é composto de obrigações ou dívidas com vencimento a curto prazo, enquanto o Passivo Não Circulante com venci- mento a longo prazo. Ambos compõem o capital de terceiros à empresa com o objetivo de financiar o Ativo. O Patrimônio Líquido representa o capital próprio da empresa, com- posto de recursos aportados pelos seus proprietários e de resultados au- feridos com a atividade dos negócios. Já a Demonstração de Resultados compõe os ganhos e gastos de um determinado período de atividades, contribuindo, no caso de resultados positivos, para o aumento do Patri- mônio Líquido da empresa. Enquanto a Demonstração de Resultados é um relatório periódico, o Balanço Patrimonial apresenta os saldos dos in- vestimentos e financiamentos em uma determinada data. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 18 dez. 2019. BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/ L6404consol.htm. Acesso em: 18 dez. 2019. SUMÁRIO do pronunciamento conceitual básico. Comitê de pronunciamentos contábeis. Disponível em: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/456_CPC00%20Sumario.pdf Acesso em: 10 jan. 2020. GABARITO 1. Quando o José resolveu transferir sua casa desocupada para formar uma loja de roupas usadas, o imóvel passou a pertencer à empresa Brechó do Zé, no valor de R$ 150.000,00. O capital do proprietário passou a ser da loja, não em dinheiro, mas em bem. Balanço Patrimonial 47 Balanço Patrimonial – Brechó do Zé (01/03/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Casa 150.000,00 Capital Social 150.000,00 TOTAL 150.000,00 TOTAL 150.000,00 2. Ao comprar roupas usadas por R$ 1.500,00, e receber crédito para pagar em 31/03/20X0, o Brechó do Zé passou a ter um estoque no valor de R$ 1.500,00 e um correspondente passivo, financiando os bens, em 15/03/20X0. Balanço Patrimonial – Brechó do Zé (15/03/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Estoque 1.500,00 Casa 150.000,00 Roupas a pagar 1.500,00 Capital Social 150.000,00 TOTAL 151.500,00 TOTAL 151.500,00 3. O Brechó do Zé preparou a Demonstração de Resultados após o período de um mês,por ter uma receita de vendas no valor de R$ 2.000,00, e um custo de produtos vendidos no valor de R$ 1.500,00. A contrapartida da receita de vendas é um lançamento na conta de caixa, uma vez que a venda foi à vista. A contrapartida do custo dos produtos vendidos é a redução dos estoques. Com os recursos em caixa, José pode pagar parte da dívida e o saldo de R$ 500,00 ficará para ser pago em 10 dias. Veja a DRE do primeiro mês de atividades e o balanço da loja encerrado em 31/03/20X0. Demonstração de Resultados (01 a 31/03/20X0) R$ Receita de vendas 2.000,00 Custo dos produtos vendidos 1.500,00 Resultado ou Lucro 500,00 Balanço Patrimonial – Brechó do Zé (31/03/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Estoque 1.000,00 Casa 150.000,00 Roupas a pagar 500,00 Capital Social 150.000,00 Lucros Acumulados 500,00 TOTAL 151.000,00 TOTAL 151.000,00 4. As duas demonstrações básicas, Demonstração de Resultados e Balanço Patrimonial: Demonstração de Resultados (01 a 31/03/20X0) R$ Receita de vendas 3.500,00 Custo dos produtos vendidos 2.500,00 Resultado ou Lucro 1.000,00 48 Contabilidade Geral Balanço Patrimonial – Brechó do Zé (31/03/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 0,00 Estoque 0,00 Contas a receber 1.500,00 _____________________________________________ Ativo Circulante 1.500,00 Casa 150.000,00 ______________________________________________ Ativo Não Circulante 150.000,00 Roupas a pagar 500,00 ___________________________________________ Passivo Circulante 500,00 Capital Social 150.000,00 Lucros Acumulados 1.000,00 ___________________________________________ Patrimônio Líquido 151.000,00 TOTAL 151.500,00 TOTAL 151.500,00 Comentário geral para as atividades 1, 2, 3 e 4. Para as 4 atividades, preparamos os lançamentos em contas T, com o objetivo de melhorar a compreensão do ocorrido no período. Veja, a seguir, todos os registros ou lançamentos contábeis utilizando a técnica de “partidas dobradas”. Todos os lançamentos são identificados com numeração, à esquerda ou à direita de seu valor, respectivamente débito ou crédito. Veja o primeiro fato, quando o Zé transferiu sua casa para a empresa, a título de capital social. O número 1 está à direita (crédito) dos R$ 150.000,00 na conta de Capital Social, e sua contrapartida à esquerda (débito) da conta Casa. As contas de resultados são fechadas (receitas, custos e despesas), com transferências identificadas com (T1 e T2) para o resultado final, pois são contas apenas do período. O Resultado do Período identificado como (T3) é transferido para a conta Lucros Acumulados no Patrimônio Líquido. Demonstração de Resultados 49 3 Demonstração de Resultados Neste capítulo, conheceremos a fundo os elementos que com- põem uma Demonstração de Resultados do Exercício (DRE) e a estrutura de apresentação, com receitas, custos e despesas incorri- dos durante as atividades do negócio em um determinado período. Os registros ou lançamentos decorrentes das atividades da empresa são efetuados, a princípio, com base nos fatos geradores das ocorrências, proporcionando resultado positivo ou negativo na DRE e, em seguida, são transferidos para contas do Patrimônio Líquido no Balanço. Também, neste capítulo: a. em primeiro lugar, conheceremos os princípios básicos que regem essa demonstração; b. em seguida, apresentaremos sua estrutura e a composição das contas, de acordo com a Lei das Sociedades por Ações; c. em terceiro lugar, mostraremos um modelo para análise dos resultados e o seu impacto no patrimônio da empresa; d. por fim, elaboraremos uma DRE para uma empresa exemplo. 3.1 Princípios básicos para a Demonstração de Resultados Vídeo De acordo com Assaf Neto (2015, p. 83), “o lucro ou prejuízo é resultan- te de receitas, custos e despesas incorridos pela empresa no período e apropriados segundo o Regime de Competência, ou seja, independente- mente de que tenham sido esses valores pagos ou recebidos”. Em outras palavras, é o Regime de Competência determinando em que período as receitas, os custos e as despesas devem ter seus registros contábeis. As receitas de vendas devem ser registradas no período em que são efetiva- mente vendidas, seja para recebimento de seu valor à vista, seja a prazo. 50 Contabilidade Geral Assim, os custos e as despesas referentes às receitas também seguem o mesmo princípio, registrando seus valores, independentemente de te- rem sido pagos, de acordo com a Lei das Sociedades por ações (BRASIL, 1976) – que é uma legislação para as empresas de grande porte e capital aberto com negociação de ações em bolsas de valores. Pequenas empre- sas, no entanto, podem usar o regime de caixa, pois não têm a obrigação de publicar os seus demonstrativos contábeis. Vejamos, a seguir, alguns exemplos da diferença entre seguir o regime de competência e o regime de caixa para compreendermos melhor esse assunto. Exemplo 1 No dia 01/05/20X0, José transferiu seu imóvel de R$ 50.000,00 para for- mar uma empresa comercial. Ainda sem recursos financeiros comprou materiais no valor de R$ 1.000,00 para revenda, recebendo crédito dos fornecedores, a pagar em 10/06/20X0. José espera ter os recursos da ven- da para cumprir sua obrigação. Assim, sua empresa passou a ter um esto- que no valor de R$ 1.000,00 e um correspondente Passivo financiando os bens. Durante esse primeiro mês de atividade, a empresa vendeu metade de seu estoque à vista, pelo preço de R$ 600,00, e o saldo a prazo também no valor de R$ 600,00. Veja a DRE comparativa e o balanço encerrado. Tabela 1 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/05/20X0 a 31/05/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 1.200,00 600,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) Resultado ou Lucro 200,00 600,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 2 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial encerrado em 31/05/20X0 ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 600,00 Estoque 0,00 Contas a receber 600,00 Imóvel 50.000,00 Fornecedores 1.000,00 Passivo 1.000,00 Capital Social 50.000,00 Lucros Acumulados 200,00 Patrimônio Líquido 50.200,00 TOTAL 51.200,00 TOTAL 51.200,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Valores negativos são expressos entre parênteses. Atenção Demonstração de Resultados 51 Suponhamos que toda a venda tivesse sido à vista, os relatórios, então, seriam: Tabela 3 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/05/20X0 a 31/05/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 1.200,00 1.200,00 Custo dos produtos vendidos 1.000,00 Resultado ou Lucro 200,00 1.200,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 4 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial encerrado em 31/05/20X0ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 1.200,00 Estoque 0,00 Contas a receber 0,00 Imóvel 50.000,00 Fornecedores 1.000,00 Passivo 1.000,00 Capital Social 50.000,00 Lucros Acumulados 200,00 Patrimônio Líquido 50.200,00 TOTAL 51.200,00 TOTAL 51.200,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Agora, vamos supor que toda venda fosse a prazo, os relatórios seriam: Tabela 5 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/05/20X0 a 31/05/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 1.200,00 0,00 Custo dos produtos vendidos 1.000,00 Resultado ou Lucro 200,00 0,00 Fonte: Elaborada pelo autor. 52 Contabilidade Geral Tabela 6 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial encerrado em 31/05/20X0 ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 0,00 Estoque 0,00 Contas a receber 1.200,00 Imóvel 50.000,00 Fornecedores 1.000,00 Passivo 1.000,00 Capital Social 50.000,00 Lucros Acumulados 200,00 Patrimônio Líquido 50.200,00 TOTAL 51.200,00 TOTAL 51.200,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Exemplo 2 No dia 01/05/20X0, Alberto transferiu parte de seus recursos finan- ceiros, no valor de R$ 10.000,00, para formar uma empresa comercial. Com disponibilidade de caixa na empresa, comprou materiais à vista no valor de R$ 2.000,00 para revenda. A empresa de Alberto espera vender ao menos parte desses produtos prevendo outros custos no primeiro mês de atividade. Contratou um funcionário combinando um salário de R$ 900,00, a pagar no início do mês seguinte. Alugou uma loja pelo valor mensal de R$ 1.200,00, a pagar no último dia do mês. Durante esse primeiro mês de atividade, a empresa vendeu me- tade de seu estoque à vista, pelo preço de R$ 1.200,00, e o saldo a prazo pelo preço de R$ 1.300,00. Observe, na Tabela 7, a DRE compa- rativa dos regimes e o balanço encerrado ao final. Tabela 7 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/05/20X0 a 31/05/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 2.500,00 1.200,00 Custo dos produtos vendidos (2.000,00) (2.000,00) Lucro Bruto 500,00 (800,00) Despesas com salários (900,00) Despesas com aluguel (1.200,00) (1.200,00) Resultado ou Lucro (1.600,00) (2.000,00) Fonte: Elaborada pelo autor. Demonstração de Resultados 53 Tabela 8 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial – (em 31/05/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 8.000,00 Estoque 0,00 Contas a receber 1.300,00 Salário a pagar 900,00 Passivo 900,00 Capital Social 10.000,00 Lucros Acumulados (1.600,00) Patrimônio Líquido 8.400,00 TOTAL 9.300,00 TOTAL 9.300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Caso toda a venda fosse feita à vista, os relatórios seriam: Tabela 9 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/05/20X0 a 31/05/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 2.500,00 2.500,00 Custo dos produtos vendidos (2.000,00) (2.000,00) Lucro Bruto 500,00 500,00 Despesas com salários (900,00) Despesas com aluguel (1.200,00) (1.200,00) Resultado ou Lucro (1.600,00) (700,00) Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 10 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial – (em 31/05/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 9.300,00 Estoque 0,00 Contas a receber 0,00 Salário a pagar 900,00 Passivo 900,00 Capital Social 10.000,00 Lucros Acumulados (1.600,00) Patrimônio Líquido 8.400,00 TOTAL 9.300,00 TOTAL 9.300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. 54 Contabilidade Geral Ao supor que toda venda fosse feita a prazo, os relatórios seriam: Tabela 11 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/05/20X0 a 31/05/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 2.500,00 0,00 Custo dos produtos vendidos (2.000,00) (2.000,00) Lucro Bruto 500,00 (2.000,00) Despesas com salários (900,00) Despesas com aluguel (1.200,00) (1.200,00) Resultado ou Lucro (1.600,00) (3.200,00) Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 12 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial – (em 31/05/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 8.100,00 Estoque 0,00 Contas a receber 2.500,00 Salário a pagar 900,00 Passivo 900,00 Capital Social 10.000,00 Lucros Acumulados (1.600,00) Patrimônio Líquido 8.400,00 TOTAL 9.300,00 TOTAL 9.300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Exemplo 3 No dia 01/01/20X0, Bernardo transferiu em dinheiro R$ 20.000,00, parte de seus recursos financeiros, para formar uma empresa comercial de sacos de papel. Com disponibilidade de caixa na empresa, comprou os produtos para revenda, pagando à vista R$ 2.000,00. A empresa de Bernardo espera vender parte desses produtos prevendo outros custos no primeiro mês de atividade. Contratou um funcionário combinando um salário de R$ 1.200,00 a pagar no quinto dia útil do próximo mês. Alu- gou uma loja pelo valor mensal de R$ 3.000,00, a pagar no primeiro dia útil do mês seguinte. Durante esse primeiro mês de atividade, a empresa vendeu metade de seu estoque à vista, pelo preço de R$ 1.500,00. A se- guir, veja a DRE comparativa dos regimes e o balanço encerrado ao final. Observe, no terceiro exemplo, a conta Estoques no Balanço Patrimonial. Essa conta possui os valores de custo dos produtos adquiridos e disponíveis para venda. Cada vez que ocorre uma venda, os valores de custo são baixados ou retirados dessa con- ta e passados para a DRE como Custo dos Produtos Vendidos. A diferença entre valor da venda e custo é o Lucro Bruto. Atenção Demonstração de Resultados 55 Tabela 13 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/01/20X0 a 31/01/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 1.500,00 1.500,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) (1.000,00) Lucro Bruto 500,00 500,00 Despesas com salários (1.200,00) Despesas com aluguel (3.000,00) Resultado ou Lucro (3.700,00) 500,00Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 14 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial – (em 31/01/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 19.500,00 Estoque 1.000,00 Salário a pagar 1.200,00 Aluguel a pagar 3.000,00 Passivo 4.200,00 Capital Social 20.000,00 Lucros Acumulados (3.700,00) Patrimônio Líquido 16.300,00 TOTAL 20.500,00 TOTAL 20.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Caso toda a venda fosse feita a prazo, os relatórios seriam: Tabela 15 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/01/20X0 a 31/01/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 1.500,00 0,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) (1.000,00) Lucro Bruto 500,00 (1.000,00) Despesas com salários (1.200,00) Despesas com aluguel (3.000,00) Resultado ou Lucro (3.700,00) (1.000,00) Fonte: Elaborada pelo autor. 56 Contabilidade Geral Tabela 16 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial – (em 31/01/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 18.000,00 Estoque 1.000,00 Contas a receber 1.500,00 Salário a pagar 1.200,00 Aluguel a pagar 3.000,00 Passivo 4.200,00 Capital Social 20.000,00 Lucros Acumulados (3.700,00) Patrimônio Líquido 16.300,00 TOTAL 20.500,00 TOTAL 20.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Ao supor que toda compra fosse feita a prazo, os relatórios seriam: Tabela 17 Demonstração de Resultados comparativa Demonstração de Resultados (01/01/20X0 a 31/01/20X0) Competência Caixa Receita de vendas 1.500,00 0,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) 0,00 Lucro Bruto 500,00 0,00 Despesas com salários (1.200,00) Despesas com aluguel (3.000,00) Resultado ou Lucro (3.700,00) 0,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 18 Balanço Patrimonial Balanço Patrimonial – (em 31/01/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 21.500,00 Estoque 1.000,00 Fornecedores a pagar 2.000,00 Salário a pagar 1.200,00 Aluguel a pagar 3.000,00 Passivo 6.200,00 Capital Social 20.000,00 Lucros Acumulados (3.700,00) Patrimônio Líquido 16.300,00 TOTAL 22.500,00 TOTAL 22.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Demonstração de Resultados 57 Com o regime de competência, o resultado, lucro ou prejuízo é referente ao período da atividade, não afeta necessariamente a dis- ponibilidade de caixa. No Balanço, as contas do Ativo mostram o produto das receitas das vendas, se à vista, em caixa, e se a prazo, em contas a receber dos clientes. Ao encerrar o período contábil dos resultados, estes são transferidos para as contas do Patrimônio Líquido do Balanço. 3.2 Estrutura e composição das contas da DRE Vídeo Amplamente utilizada, a apresentação da estrutura da DRE con- trasta as receitas com os custos para produzi-las e vendê-las, além das despesas para a gestão da empresa. A diferença entre custos e despe- sas reside nos gastos para a fabricação dos produtos vendidos ou dos serviços prestados, denominados aqui como Custos, e os gastos para a gestão administrativa, comercial e financeira da empresa, chamados de Despesas (IUDÍCIBUS; MARION, 2009). Atenção para a diferença entre custos e despesas: nas indústrias, as empresas possuem gastos incorridos com a fabricação dos seus produtos, tais como matérias-primas, energia para máquinas, salá- rios e encargos sociais para funcionários, manutenção dos equipa- mentos, entre outros necessários para a produção. Além disso, a empresa incorre em outros gastos para as tarefas administrativas, comerciais e financeiras. Pelas funções dos gastos previamente des- critos, a contabilidade distingue os gastos de produção como custos e os demais como despesas. Empresas comerciais também fazem o mesmo, ao adquirir pro- dutos, os preços de compra são considerados como custos. Já os valores envolvidos para realizar as gestões administrativa, comercial e financeira são considerados como despesas. Empresas prestado- ras de serviços utilizam os gastos com o tempo dedicado, materiais e deslocamentos como custos; os gastos incorridos, independente- mente da prestação de serviços, são classificados como despesas. Vejamos um exemplo simplificado na Tabela 19. 58 Contabilidade Geral Tabela 19 Demonstração de Resultados do Exercício Demonstração de Resultados do ano de 20X0 R$ Receitas de vendas 6.000,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) Lucro Bruto 5.000,00 Despesas de vendas (1.000,00) Despesas administrativas (2.000,00) Outras despesas (500,00) Resultado antes dos impostos 1.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Nessa demonstração contábil, em razão do regime de competência para os registros de receitas, custos e despesas, não podemos afirmar que todas as receitas tenham sido recebidas durante o ano de 20X0, assim como se os custos e as despesas já foram pagos no mesmo pe- ríodo. Ao transferir os resultados para as contas do Patrimônio Líquido no Balanço, podemos compreender as implicações desses resultados no patrimônio da empresa. Por outro lado, negócios não foram criados para ter apenas um período de atividades, e essa demonstração de re- sultados permite comparar períodos sequenciais, como resultados de um ano com o do ano anterior, ou determinado mês de um ano com o mesmo mês do ano anterior, entre outras possibilidades. Por exemplo: na época das festas de fim de ano, empresas dedica- das a vendas de brinquedos para crianças têm sempre a expectativa de vender mais do que o último trimestre do ano. Nesse caso, é possível avaliar o último trimestre do ano atual com os trimestres de anos an- teriores e medir, assim, o possível crescimento das vendas ou mesmo dos resultados desses períodos. Os exemplos vistos até aqui simplificaram nossas demonstrações de resultados, mas em todos os negócios ocorrem cancelamentos de vendas, devoluções e tributações. De outro lado, empresas podem ter receitas e despesas não oriundas do seu objetivo principal. Por essas ra- zões, nossa DRE deverá mostrar essas ocorrências de uma maneira mais completa. A seguir, observe a apresentação de uma estrutura modelo. Demonstração de Resultados 59 Tabela 20 Modelo completo de uma DRE Receita Operacional Bruta (a) (–) Impostos sobre as vendas (b) (–) Abatimentos e devoluções (c) (=) Receita Operacional Líquida (d) (–) Custo dos produtos ou serviços vendidos (e) (=) Lucro Bruto (f) (–) Despesas de vendas (g) (–) Despesas administrativas (h) (+/–) Despesas e Receitas Financeiras Líquidas (i) (=) Lucro Operacional (j) (+/–) Outras Receitas e Despesas (k) (=) Lucro antes do Imposto de Renda e Contribuição Social (–) Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social (l) (=) Lucro após o Imposto de Renda e Contribuição Social (–) Participações e outrascontribuições (m) (=) Lucro ou Prejuízo Líquido do Exercício Fonte: Elaborada pelo autor. Para que possamos usar esse modelo, precisamos compreender o que significa cada um desses elementos: a. Receita Operacional Bruta: refere-se ao valor de todos os produtos e serviços oferecidos pela empresa durante um período ou exercício considerado (um mês ou um ano). b. Impostos sobre venda: refere-se à dedução do valor da receita bruta de vendas, por exemplo, o Imposto sobre o Consumo de Mercadorias e Serviços (ICMS), Imposto sobre Serviços (ISS), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Programa de Integração Social / Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/PASEP). 60 Contabilidade Geral c. Abatimentos e devoluções: são registrados os casos em que algum produto ou mercadoria, já faturado, deva ser devolvido, por defeito ou mesmo por algum abatimento devido a outras razões, por exemplo. d. Receita operacional líquida: é a receita bruta reduzida dos impostos, dos abatimentos e das devoluções das vendas. e. Custo dos produtos ou serviços vendidos: são as despesas necessárias para fabricação de um determinado produto, denominadas custos da venda. f. Lucro Bruto: é a apresentação de resultados da empresa antes das outras despesas e gastos envolvidos na gestão dos seus negócios. Isso ocorre após a redução dos custos dos produtos vendidos ou dos custos dos serviços prestados. g. Despesas de vendas: são todos os gastos incorridos na promoção, distribuição e venda de produtos, incluindo os salários, as comissões e os encargos com os vendedores. h. Despesas administrativas: são os gastos efetuados na gestão administrativa, como salários, encargos, telefones, internet, isto é, tudo o que compreende os gastos com o escritório da administração. i. Despesas e Receitas Financeiras Líquida: são as despesas finan- ceiras provenientes de financiamentos, empréstimos, pagamentos em atraso ou, ainda, por descontos concedidos a clientes e receitas financeiras provenientes de juros sobre aplicações financeiras, ou descontos por pagamentos antecipados. j. Lucro operacional: é o resultado exclusivamente dos negócios das atividades da empresa, não apresenta outras eventuais receitas e despesas que não estão ligadas às suas atividades básicas. k. Outras receitas e despesas: compõem receitas não provenientes do objetivo da atividade da empresa, como venda de algum equipamento sem mais utilidade, ou alguma despesa não relacionada ao grupo de vendas, administrativas e financeiras, isto é, sem referência com as atividades operacionais da empresa. Receitas e Despesas Não Operacionais. l. Provisão para Imposto de Renda e Contribuição Social: são calculados com base no lucro real, presumido ou arbitrado de acordo com a legislação vigente à época. m. Participações e outras contribuições: são as participações de empregados, administradores e títulos negociáveis, criados pela empresa sem relação com o capital social, e que correspondem à parcela do lucro destinada a não acionistas. Demonstração de Resultados 61 Portanto, podemos observar a abrangência dos detalhes de uma demonstração completa de resultados para um período contábil, in- cluindo a possível distribuição parcial de lucros a funcionários e a títu- los de dívida sem relação com o capital social, emitidos por sociedades anônimas de capital fechado, denominadas Participação de Partes Be- neficiárias. Exemplo: uma empresa que necessita de mais recursos, en- contra investidores que desejam aplicar seus recursos e participar dos lucros dela, sem vínculo como acionista ou proprietário, ou seja, sem participação no capital social. 3.3 Depreciação Vídeo Apresentaremos, aqui, um novo tópico, normalmente discutido em cursos de contabilidade de custos, no entanto é importante mencioná- -lo neste capítulo, pois é algo que afeta os resultados das empresas. Alguns investimentos considerados não circulantes, como máqui- nas, equipamentos, construções, veículos etc., são utilizados nas ati- vidades operacionais dos negócios e colaboram com os resultados da empresa. Esses Ativos contribuem para a geração de receitas e re- sultados das empresas, representando custos para a elaboração dos produtos. Ao reconhecermos o uso dos investimentos destinados à fabricação dos produtos, como parte dos custos de produção, pode- remos recuperá-los com a receita das vendas deles. Logo, tais custos integram os gastos para elaboração dos produtos e consequente- mente serão levados aos resultados do período. Para os equipamentos destinados fora da área de fabricação, mas que também serão usados pela empresa durante sua gestão, a depre- ciação será reconhecida nas despesas específicas da área. Por exem- plo, o uso de computadores e móveis de escritório gera depreciação com as despesas administrativas. O reconhecimento desses gastos é denominado depreciação. Não de- vemos confundir a depreciação com desvalorização. Uma quantia de di- nheiro guardada na gaveta do escritório pode sofrer desvalorização, após algum tempo, ao perder poder de compra, caso ocorram alterações nos preços. Por outro lado, devemos reconhecer que o valor investido em um equipamento, como um torno mecânico, contribui para a fabricação de produtos, cujo objetivo é vendê-los para gerar resultados à empresa. Logo, o valor investido nesse equipamento deve constar do custo dos produtos realizados. Então, o equipamento deve ser depreciado. 62 Contabilidade Geral Devemos também lembrar de que todo consumo de um Ativo re- presenta despesa para a empresa, pois o Ativo é sua propriedade, e quando utilizado (consumido) implica reconhecimento de um gasto ou despesa. No caso de um produto para revenda, seu uso representa custo do produto vendido, no caso de um Ativo imobilizado, seu consu- mo representa uma despesa de depreciação. Utilizar um equipamento não significa perdê-lo, mas sua depreciação representa o reconheci- mento de seu uso que contribui para a geração de ganhos da empresa. Assim, criou-se uma regra, em que a depreciação é reconhecida como uma despesa pela utilização do Ativo. Vários critérios podem ser utilizados para a apuração da depreciação. Um dos mais comuns é o da vida útil do bem, em outras palavras, método linear. Outro critério é o do uso do bem. Por exemplo, se um veículo tem sua vida útil estimada em cinco anos, deveríamos reconhecer 1/5 de seu va- lor a cada um desses anos como despesa de depreciação, de acordo com o regime de competência dos exercícios. E como essa despesa não implicará saída de caixa, diz-se também que a despesa de de- preciação representa uma despesa apenas contábil. Por outro lado, como a contabilidade utiliza o método das partidas dobradas, o débito (destino) tem uma correspondência em crédito (ori- gem), isto é, a contrapartida do débito na despesa de depreciação será um crédito na conta denominada depreciação acumulada, que se apre- senta com os Ativos que lhe deram origem, ficando, portanto, como uma conta redutora do Ativo, ou seja, contra conta de Ativo. Exemplo Uma empresa constrói um edifício no valor de R$ 500.000,00 que deve ter uma vida útil de 20 anos, e adquire um computador para o escritório no valor de R$ 4.000,00 com vida útil de 5 anos. Após um ano, a contabilidade lança uma despesa de depreciação no valor de R$ 25.000,00, ou seja, 5% (1 ano de 20 anos) de R$ 500.000,00 e ou- tra de R$ 800,00 isto é, 20% (1/5) de R$ 4.000,00. Como contrapartida, reduz o valor dos Ativos, lançando depreciação acumulada do edifício no valor de R$ 25.000,00 e depreciação acumulada de computador no valor de R$ 800,00. Demonstração de Resultados 63 Os lançamentos em contas de razão (T) serão: Despesa de depreciação do edifício Depreciação acumulada do edifício Débito Crédito 25.000,00 25.000,00 Despesa de depreciação do computador Depreciação acumulada do computador Débito Crédito 800,00 800,00 Ao lembrar do método de partida dobrada (Capítulo 2), todos os lançamentosou registros contábeis são: destino (débito) e origem (crédito) dos recursos. Assim, as despesas serão lançadas a débito e transferidas para a DRE. Já os créditos, no caso a depreciação acumu- lada, aparecerão como contas redutoras dos Ativos imobilizados. No exemplo anterior, os valores originais dos edifícios e equipamentos re- presentam os valores históricos ou de aquisição, porém, com o uso, são depreciados, e esses valores de depreciação reduzem os valores originais, uma vez que ajudam a empresa a realizar suas atividades, promovendo ganhos com esses custos ou despesas. Tabela 21 DRE (exemplo 1 em R$) Receitas de vendas REC Custo dos produtos vendidos* (CPV) Lucro Bruto LB Despesas (D) Despesas de depreciação (*) (25.800,00) Lucro do exercício L É comum encontrarmos as despesas de depreciação inclusas no Custo dos Produtos Vendidos (CPV) ou nas despesas da operação, dependendo da função. Fonte: Elaborada pelo autor. 64 Contabilidade Geral Desse modo, nosso Balanço irá mostrar, no Ativo, os valores his- tóricos ou de aquisição dos edifícios e computador, e como redução pelo uso, os valores depreciados (Depreciação Acumulada) até a data de encerramento. Tabela 22 Balanço Patrimonial (exemplo 1) Ativos R$ Passivos R$ Caixa X Fornecedores Y Contas a receber X Outros Y Ativos Circulantes X Passivos Circulantes Y Edifícios 500.000,00 Máquinas 2.000,00 (Depreciação acumula- da do edifício) (25.000,00) Capital Y (Depreciação acumulada da máquina) (800,00) Reservas Y Ativos Não Circulantes 476.200,00 Patrimônio Líquido Y TOTAL Xxx TOTAL Xxx Fonte: Elaborada pelo autor. 3.4 Modelo para análise Vídeo Por meio das demonstrações contábeis, podemos extrair várias in- formações econômicas de uma empresa. Por exemplo, ao observarmos os resultados, podemos verificar a composição dos custos e das despe- sas ao longo de períodos, até mesmo a distribuição dos custos e das despesas relativas às receitas dentro de um determinado período. Além de podermos ter acesso a informações internas da empresa, no sentido de avaliar a evolução dos itens que compõem os resultados, podemos também comparar com empresas similares ou concorrentes. Dessa for- ma, classificaremos as possibilidades de análise dos resultados. O objetivo é permitir a comparação dos resultados ao longo dos pe- ríodos. Por exemplo: a evolução das receitas, dos custos, das despesas e dos lucros nos últimos dois anos. Lucro é consequência da diferença entre receitas, custos e despesas. Vejamos um exemplo dessa análise horizontal, avaliando a evolução do ano de 20X0 para 20X1. O artigo 183 da Lei n. 6.404/76 traz uma explicação completa sobre Depreciação, Exaustão e Amortização. Como vimos, a Depreciação corresponde à perda no valor dos bens fí- sicos, ao sofrerem desgaste pelo uso. A Exaustão corres- ponde à perda de valor em razão da exploração de re- cursos minerais e florestais. Por exemplo, empresas que recebem concessão para exploração de minério. Já a Amortização corresponde à perda de valor de proprie- dade industrial ou mesmo comercial com duração limitada no tempo, como ativos intangíveis (marcas, patentes, entre outros). BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l6404consol.htm. Acesso em: 3 jan. 2020. Saiba mais Demonstração de Resultados 65 Tabela 23 Demonstrações de Resultados (com variação) DRE em R$ mil 20X0 20X1 Variação Receitas de vendas 6.000,00 6.600,00 10% Custo dos produtos vendidos (1.000,00) (1.050,00) 5% Lucro Bruto 5.000,00 5.550,00 11% Despesas de vendas (1.000,00) (1.100,00) 10% Despesas administrativas (2.000,00) (2.160,00) 8% Despesas financeiras (500,00) (545,00) 9% Total das despesas (3.500,00) (3.805,00) 9% Lucro antes dos impostos 1.500,00 1.745,00 16% Fonte: Elaborada pelo autor. a. Análise horizontal – uma vez que as receitas crescem 10% e os lucros crescem, acima das receitas, a 16%, as razões são do menor crescimento de custos (5%) e despesas (9%). No Gráfico 1, a seguir, os dados do ano 20X0 têm índice 100 e do ano 20X1 mostram a evolução, do lucro para 116 (16% maior), da receita para 110 (10% maior), e do CPV 105 (5% maior). Gráfico 1 Análise Horizontal 1 Receitas de vendas Custo dos produtos vendidos Lucro antes dos impostos 2 100 116 110 105 Fonte: Elaborado pelo autor. A seguir, podemos fazer uma relação dos custos, das despesas e dos resultados com a receita de cada ano. Vejamos um exemplo dessa análise vertical, tanto em 20X0 quanto em 20X1. 66 Contabilidade Geral Tabela 24 Demonstrações de Resultados (com relações) DRE em R$ mil 20X0 % 20X1 % Receitas de vendas 6.000,00 100% 6.600,00 100% – Custo dos produtos vendidos (1.000,00) 16,7% (1.050,00) 15,9% = Lucro Bruto 5.000,00 83,3% 5.550,00 83,3% – Despesas de vendas (1.000,00) 16,7% (1.100,00) 16,7% – Despesas administrativas (2.000,00) 33,3% (2.160,00) 32,7% – Despesas financeiras (500,00) 8,3% (545,00) 8,3% – Total das despesas (3.500,00) 58,3% (3.805,00) 57,7% = Lucro antes dos impostos 1.500,00 25,0% 1.745,00 26,4% Fonte: Elaborada pelo autor. b. Análise vertical – em relação à receita, o lucro cresce de 25% para 26,4%, em razão da redução dos custos e das despesas. O Gráfico 2 mostra a composição de custos, despesas e lucro, relativos à receita de vendas de cada ano. Receitas – (custos + despesas) = lucro. Em 20X0 temos: 100% – (58,3% + 16,7%) = 25%. Em 20X1 temos: 100% – (57,7% + 15,9%) = 26,4%. Complementando, observamos a queda de 1,2% nos custos e de 0,6% nas despesas administrativas sobre as receitas de vendas, de 20X0 para 20X1. Gráfico 2 Análise Vertical 58,3 25,0 16,7 Lucro antes dos impostos Custo dos produtos vendidos Total das despesas 57,7 26,4 15,9 Lucro antes dos impostos Custo dos produtos vendidos Total das despesas Ano 20X0 Ano 20X1 Fonte: Elaborado pelo autor. Demonstração de Resultados 67 Com essa metodologia de análises horizontal e vertical mais detalhes podem ser obtidos, no caso de detalhamento de cada conta. Por exem- plo, podemos procurar as causas de um crescimento de apenas 5% nos custos versus o crescimento de 10% nas receitas em 20X1 sobre 20X0. Que razões levaram as receitas a crescer acima de seus custos? Aumen- to nos preços de venda? Mudança nos custos dos produtos, como novas tecnologias de produção barateando os custos, ou menos gastos com matérias-primas? Ganhos de escala econômica por maior demanda dos produtos, aumentando a produção e reduzindo custos unitários de fa- bricação? Enfim, procurar as causas para essas variações exige um deta- lhamento das contas do ano. E é importante saber que nem sempre os resultados apresentarão essas variações ao longo dos períodos. Atividade 1 Observe as informações dadas nos quadros a seguir e faça os lançamentos contábeis, a DRE e feche o Balanço Patrimonial da empresa T nos dias 31/01/20X1, 28/01/20X1 e 31/03/20X1. Janeiro Dia Histórico 1/1 Luiz transfere para a empresa T sua casa no valor de R$ 100.000,00 e R$ 20.000,00 em dinheiro. 5/1 Compra móveis por R$ 10.000,00, com vencimento no mês seguinte . 15/1 Compra um computador por R$ 2.000,00 a pagar em 10 parcelas mensais, sem juros, pagando a primeira parcela no ato. 20/1 Compra materiais para o escritório por R$ 500,00 para pagar em um mês. 25/1 Compra taxinhas para revender, pagando R$ 2.000 à vista. 29/1 Compra mais taxinhas por R$ 2.000,00 a pagar no próximo mês. 31/1 Você faz um levantamento nas gavetas e descobre que os mate- riais para o escritório já foram todos gastos. Fevereiro Dia Histórico 1/2 Compra mais materiais para o escritório por R$ 700,00 a pagar em um mês. 3/2 Vende todo estoque de taxinhas por R$ 4.500,00 metade à vista e metade para pagamento em 30 dias. 5/2 Paga os móveis, no valor de R$ 10.000,00. 10/2 Compra mais taxinhas por R$ 2.200,00 para pagar no próximo mês. (Continua)68 Contabilidade Geral 15/2 Paga a segunda parcela de R$ 200,00 do computador. 20/2 Paga os materiais para o escritório no valor de R$ 500,00. 25/2 Vende todo estoque de taxinhas por R$ 3.000,00, para receber em 30 dias. 28/2 Paga R$ 2.000,00 aos fornecedores de taxinhas e compra mais por R$ 2.150,00, a pagar no próximo mês. Março Dia Histórico 1/3 Paga R$ 700,00 dos materiais de escritório. 3/3 Recebe R$ 2.250,00 dos clientes e vende todo estoque de taxinhas por R$ 3.400,00 a receber em 30 dias. 10/3 Paga R$ 2.200,00 aos fornecedores de taxinhas e compra mais por R$ 3.500,00, metade à vista e o saldo em 30 dias. 15/3 Paga a terceira parcela de R$ 200,00 do computador. 25/3 Recebe R$ 3.000,00 dos clientes e vende todo estoque de taxinhas por R$ 7.000,00 a prazo de 60 dias. 29/3 Paga R$ 2.150,00 aos fornecedores de taxinhas e descobre que os materiais para o escritório foram gastos. Estudo de caso Elaboração de uma DRE para uma empresa exemplo A empresa BIJU, criada para comercializar bijuterias, recebeu re- cursos financeiros no valor de R$ 14.500,00 de seu proprietário em 01/01/20X0 para o início de suas atividades. Assim, seu patrimônio se apresenta da seguinte forma: Tabela 25 Balanço Patrimonial em 01/01/20X0 (R$) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Disponível 14.500,00 Capital Social 14,500,00 TOTAL 14,500,00 TOTAL 14.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Demonstração de Resultados 69 Geraldo, proprietário da BIJU, apresentou as seguintes informações para o primeiro mês de atividades: • Comprou produtos para revenda por R$ 3.000,00 à vista. • Vendeu produtos por R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 a receber em 05/02). • Custo dos produtos vendidos – R$ 1.500,00. • Despesas com salários – R$ 500,00 (pago no mês). • Despesas com aluguel – R$ 875,00 (a pagar em 05/02). • Despesas com propaganda – R$ 850,00 (a pagar em 10/02). • Comprou um computador por R$ 3.000,00 pagando à vista. Com as informações dadas por Geraldo, podemos preencher a DRE para o primeiro mês de atividades da empresa. Os valores com custos e despesas estão registrados entre parênteses. Tabela 26 Demonstração de Resultados da BIJU Demonstração de Resultados de janeiro de 20X0 R$ Receitas de vendas 2.000,00 Custo dos produtos vendidos (1.500,00) Lucro Bruto 500,00 Despesas com aluguel (875,00) Despesas com salários (500,00) Despesas com propaganda (850,00) Resultado ou Lucro (1.725,00) Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 27 Balanço Patrimonial da BIJU em 31/01/20X0 (R$) Balanço Patrimonial – (em 31/01/20X0) (R$ 0,00) ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 9.000,00 Estoque 1.500,00 Contas a receber 1.000,00 A. Circulante 11.500,00 Computador 3.000,00 A. Não Circulante 3.000,00 Aluguel a pagar 875,00 Propaganda a pagar 850,00 Passivo Circulante 1.725,00 Capital Social 14.500,00 Lucros Acumulados (1.725,00) Patrimônio Líquido 12.775,00 TOTAL 14.500,00 TOTAL 14.500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. 70 Contabilidade Geral De acordo com as seguintes informações da empresa BIJU, prepare a DRE para o mês de fevereiro e, em seguida, feche o Balanço Patrimonial em 28/02/20X0. Recebido R$ 1.000,00 dos clientes do mês anterior. Pagos o aluguel e a propaganda gerada no mês anterior. Receitas de vendas – R$ 2.000,00 (R$ 1.000,00 a receber em 05/03). Custo dos Produtos Vendidos no mês – R$ 1.000,00. Despesas com salários – R$ 1.100,00 (pagos no mês). Despesas com propaganda – R$ 950,00 (a pagar em 05/03). Despesas com aluguel – R$ 875,00 (a pagar em 05/03). Atividade 2 Ainda sobre a empresa BIJU, prepare a DRE para o mês de março e, em seguida, feche o Balanço Patrimonial em 31/03/20X0, de acordo com as informações a seguir. Compra mais R$ 3.500,00 em produtos para revenda (a pagar em 10/04). Recebe R$ 1.000,00 dos clientes e paga as dívidas do mês anterior. Receitas de vendas – R$ 5.000 (metade à vista). Custo dos Produtos Vendidos – R$ 3.500,00. Despesas com salários – R$ 1.100,00 (pagas no mês). Despesas com propaganda – R$ 1000,00 (pagas no mês). Despesas com aluguel – R$ 875,00 (a pagar em 11/4). Atividade 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS A DRE compõe os ganhos e gastos de um determinado período de ati- vidades, contribuindo, no caso de resultados positivos, para o aumento do Patrimônio Líquido da empresa. Poder observar os detalhes dos ganhos e gastos e compará-los para avaliar o resultado, como consequência, tanto no período quanto na sequência de vários períodos, é a maior contribui- ção desse relatório contábil. Entretanto, é importante lembrar da diferença entre a DRE e o Balanço Patrimonial. Enquanto aquele é um relatório periódico, isto é, com valores acumulados no período, este apresenta apenas os saldos dos investimen- tos e financiamentos em uma determinada data. Para fechar o Balanço, acumule os resultados obtidos até a data do Balanço na conta “Lucros Acumulados”, no grupo do Patrimônio Líquido. Atenção Demonstração de Resultados 71 REFERÊNCIAS ASSAF NETO, A. Estrutura e análise de balanços: um enfoque econômico-financeiro. 11. ed. São Paulo: Atlas, 2015. BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l6404consol.htm. Acesso em: 3 jan. 2020. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Curso de Contabilidade para não contadores. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009. GABARITO 1. DRE (em R$) Janeiro Fevereiro Março Receita de vendas 7.500,00 10.400,00 CPV (6.200,00) (5.650,00) Lucro Bruto 0,00 1.300,00 4.750,00 Despesas material de escritório (500,00) (700,00) Despesas material de limpeza Despesas aluguel Despesas juros Despesas salários Lucro do mês (500,00) 1.300,00 4.050,00 Observe, no primeiro mês de atividade, o resultado (500,00), ou seja, foi um prejuízo, e normalmente, os valores negativos são registrados entre parênteses. Balanço Patrimonial (em R$) Ativos 31/1 28/2 31/3 Passivo e PL 31/1 28/2 31/3 Caixa 17.800,00 7.350,00 5.600,00 Fin. de móveis 10.000,00 0,00 0,00 Mat. de escritório 0,00 700,00 0,00 Fin. computador 1.800,00 1.600,00 1.400,00 Estoque 4.000,00 2.150,00 0,00 Mat. de escritório 500,00 700,00 0,00 Contas a receber 5.250,00 10.400,00 Fornecedores 2.000,00 4.350,00 1.750,00 Circulante 21.800,00 15.450,00 16.000,00 Circulante 14.300,00 6.650,0 3.150,00 Casa 100.000,00 100.000,00 100.000,00 Móveis 10.000,00 10.000,00 10.000,00 Capital social 120.000,00 120.000,00 120.000,00 Computador 2.000,00 2.000,00 2.000,00 Lucros Acumulados* (500,00) 800,00 4.850,00 Não Circulante 112.000,00 112.000,00 112.000,00 P. Líquido 119.500,00 120.800,00 124.850,00 TOTAL 133.800,00 127.450,00 128.000,00 TOTAL 133.800,00 127.450,00 128.000,00 72 Contabilidade Geral Observe a conta de Lucros Acumulados no grupo do Patrimônio Lí- quido. Ao longo dos períodos, soma-se o lucro de um período encerra- do, com os valores anteriores. 2. Demonstração de Resultados da BIJU: Demonstração de Resultados de fevereiro de 20X0 R$ Receitas de vendas 2.000,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) Lucro Bruto 1.000,00 Despesas com aluguel (875,00) Despesas com salários (1.100,00) Despesas com propaganda (950,00) Resultado ou Lucro (1.925,00) Balanço Patrimonialda BIJU em 28/02/20X0: ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 8.175,00 Estoque 500,00 Contas a receber 1.000,00 A. Circulante 9.675,00 Computador 3.000,00 A. Não Circulante 12.675,00 Aluguel a pagar 875,00 Propaganda a pagar 950,00 Passivo Circulante 1.825,00 Capital Social 14.500,00 Lucros Acumulados (3.650,00) Patrimônio Líquido 10.850,00 TOTAL 12.675,00 TOTAL 12.675,00 3. Demonstração de Resultados da BIJU Demonstração de Resultados de março de 20X0 R$ Receitas de vendas 5.000,00 Custo dos produtos vendidos (3.500,00) Lucro Bruto 1.500,00 Despesas com aluguel (875,00) Despesas com salários (1.100,00) Despesas com propaganda (1.000,00) Resultado ou Lucro (1.475,00) Demonstração de Resultados 73 Balanço Patrimonial da BIJU em 31/03/20X0 (R$): ATIVO PASSIVO e PATRIMÔNIO LÍQUIDO Caixa 7.750,00 Estoque 500,00 Contas a receber 2.500,00 A. Circulante 10.750,00 Computador 3.000,00 A. Não Circulante 3.000,00 Aluguel a pagar 875,00 Fornecedores a pagar 3.500,00 Passivo Circulante 4.375,00 Capital Social 14.500,00 Lucros Acumulados (5.125,00) Patrimônio Líquido 9.375,00 TOTAL 13.750,00 TOTAL 13.750,00 74 Contabilidade Geral 4 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL Neste capítulo, veremos como encontrar as causas das altera- ções sofridas no Patrimônio Líquido após um período de atividades. Quando a empresa apresenta resultados positivos, é esperado um acréscimo de recursos para financiar seus Ativos, que, por serem oriundos de suas atividades, deverão, naturalmente, fazer parte dos recursos próprios dela, ou seja, devem ser incorporados ao seu Patrimônio Líquido. Entretanto, nem sempre isso deve ocor- rer, e nesse caso, portanto, se torna necessário fazer, antes, uma demonstração para conhecer o destino dado a esses resultados. E é disso que trataremos neste capítulo. 4.1 Alterações da Lei n. 11.638/2007 Vídeo Alterações no Patrimônio Líquido da empresa têm origens em vá- rias fontes. Apenas uma delas é proveniente dos resultados das ativi- dades. Quando esses resultados são positivos e integrados ao grupo de contas do Patrimônio Líquido, a empresa poderá ter mais recursos para continuar operando. Outras alterações podem ser dependentes da venda de alguns Ativos, ou troca por outros de maior valor, com possibilidades de aumentar a contribuição aos resultados no futuro. Ainda poderemos encontrar novas fontes de recursos com chances de aumentar o Patrimônio Líquido, no entanto, toda e qualquer contribui- ção dependerá sempre de decisões que contemplem a perspectiva de seus negócios e da boa gestão da empresa. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 75 Antes de avançarmos nesse tópico, devemos compreender o signi- ficado, para a empresa, dos lucros ou prejuízos auferidos na Demons- tração de Resultados. O artigo 186, da Lei das sociedades por ações (BRASIL, 1976), estabelece a necessidade de transferir os resultados obtidos em determinado período para um novo relatório denominado Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados. As razões são prove- nientes da continuidade das operações da empresa (em que lucros ou prejuízos de um período contábil podem se acumular após novos resul- tados nos períodos subsequentes), assim como das decisões dos pro- prietários em reter ou distribuir os resultados ao final de cada período, ou após vários deles. A distribuição de lucros, decidida pelos proprietá- rios acionistas da empresa, é denominada de Dividendos. Em seguida, o saldo final da Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados deve ser transferido para o Balanço Patrimonial, em uma conta denominada Lucros ou Prejuízos Acumulados, ou apenas Lucros Acumulados, a qual é integrante do grupo do Patrimônio Líquido. Com a vigência da Lei n. 11.638/2007 as sociedades por ações não podem mais acumular resultados positivos nessa conta de balanço, apenas se acumularem prejuízos, ficando, nesses casos, com a conta denominada Prejuízos Acumulados. No caso dessas sociedades, passou a ser exigida a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido (DMPL), que é mais ampla e que inclui a Demonstração de Lucros Acu- mulados (DLA). Atualmente, essas empresas possuem Ativos acima de R$ 340 milhões ou receitas acima de R$ 300 milhões 1 . Assim, nas condições gerais, as pequenas e médias empresas, com saldos positivos ou negativos, poderão apresentar a DLPA ou, simplesmente, DLA. Para compreendermos melhor como se dá tudo isso, vamos co- meçar por um exemplo simplificado sobre a DLPA, e, em seguida, passamos à DMPL. Valores válidos na data de prepa- ração deste livro, podem sofrer alterações. 1 Acesse o Pronunciamento Técnico PME, do Comitê de Pronunciamentos Contábeis, e aprofunde bem como desen- volva seus conhecimentos sobre a contabilidade de pequenas e médias empresas. Disponível em: http://www. normaslegais.com.br/legislacao/ CPC_PME_Pronunciamento.pdf. Acesso em: 17 mar. 2020. Site 76 Contabilidade Geral 4.2 Exemplos da DLPA e da DMPL Vídeo Vamos começar apresentando a Empresa A, seus resultados e ba- lanços dos primeiros dois anos de atividade. Tabela 1 Demonstração dos Resultados de 20X0 e 20X1 DRE da Empresa A (em R$) 20X0 20X1 Receita de vendas 2.000,00 2.300,00 Custo dos Produtos Vendidos (1.500,00) (1.600,00) Lucro Bruto 500,00 700 Despesas Administrativas (200,00) (200,00) Despesas Comerciais (100,00) (110,00) Despesas Financeiras (60,00) (50,00) Lucro Operacional antes dos Impostos 140,00 340,00 Impostos 40,00 (40,00) Lucro do mês 100,00 300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Após o encerramento do exercício, a empresa prepara a Demons- tração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados para, em seguida, fechar o Balanço Patrimonial. Essa é uma demonstração intermediária, entre a DRE e o Balanço Patrimonial. Considere que a assembleia dos acionistas decidiu dar destino aos lucros da empresa, deixando o saldo à disposição desta, seja para o aumento do capital ou a expansão dos negócios, ou mesmo seguir o estabelecido em seus estatutos. Veja, a seguir, a demonstração, ainda simplificada, dos lucros acumulados e dos balanços encerrados nos finais dos dois primeiros anos da empresa A. Tabela 2 DLPA da empresa A ao final de 20X1 Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados R$ Saldo em 31/12/20X0 100,00 (+) Lucro Líquido do exercício de 20X1 300,00 (=) Lucro Disponível 400,00 (–) Proposta para distribuição do Lucro (Dividendos) (75,00) (=) Saldo de Lucros Acumulados em 31/12/X1 325,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 77 Tabela 3 Balanço Patrimonial em 31/12/20X0 e 31/12/20X1 Balanço Patrimonial da empresa A (em R$) Ativos 31/12/20X0 31/12/20X1 Passivo e PL 31/12/20X0 31/12/20X1 Ativo Circulante 100,00 100,00 Passivo Circulante 100,00 75,00 PassivoNão Circulante 200,00 200,00 Total Exigível 300,00 275,00 Ativo Não Circulante 900,00 1.100,00 Capital Social 600,00 600,00 Lucros Acumulados 100,00 325,00 Patrimônio Líquido 700,00 925,00 TOTAL 1.000,00 1.200,00 TOTAL 1.000,00 1.200,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observando no Balanço, o saldo da conta de Lucros Acumulados no segundo ano deveria mostrar o resultado da soma dos lucros dos dois anos seguidos, ou seja, R$ 400,00 (R$ 100,00 + R$ 300,00). Contudo, apre- senta R$ 325,00, R$ 75,00 a menos. Logo, precisamos de uma nova de- monstração que explique essa diferença no saldo dessa conta. Vamos examinar, a seguir, um modelo completo da DLPA, utilizado nas pequenas e médias empresas com observações e explicações para eventuais correções e destino dos resultados. Tabela 4 DLA ao final de 20X1, com 7 observações. Demonstração de Lucros Acumulados R$ Saldo em 31/12/20X0 xx (+/) Ajustes de exercícios anteriores (a) xx (+) Lucro Líquido do exercício de 20X1 xx (=) Lucro Disponível xx (–) Proposta para distribuição do Lucro a) Reserva Legal (b) xx b) Reserva Estatutária (c) xx c) Reserva para Contigências (d) xx Iudícibus e Marion (2009) questiona o que se deve fazer com o lucro. Caso a empresa possa distribuir uma parcela do lucro aos proprietários ou acionistas, como remuneração financeira ao seu capital inves- tido, esta será conhecida como Dividendos. Assim, o saldo não distribuído, denominado Lucros Acumulados ou Lucros Retidos, fica na empresa para aumentar o Patrimônio Líquido. Saiba mais (Continua) 78 Contabilidade Geral Demonstração de Lucros Acumulados R$ d) Reserva Orçamentária (e) xx e) Reserva de Lucros a Realizar (f) xx (–) Dividendos (g) xx (=) Saldo de Lucros Acumulados em 31/12/X1 xx Fonte: Elaborada pelo autor. Veja, a seguir, as observações, de (a) a (g). a. Ajustes – Se um erro tiver sido cometido em um ano anterior, gerando um aumento de lucro do primeiro período – exercício 1 ano de 20X0 –, e tal equívoco foi percebido apenas após o encerramento dos relatórios contábeis. O correto seria refazer aquela demonstração, no entanto, passada a data e estando no exercício seguinte, é necessário retificar, ou seja, corrigir o saldo de lucros acumulados no exercício 2, deduzindo aquele valor. b. Reserva Legal – O objetivo é de proteção ao credor da empresa. A Reserva Legal é constituída por 5% do lucro líquido do exercício, obrigatoriamente até o máximo de 20% do Capital Social. Pode ser usada somente para compensar prejuízos ou aumentar o capital da empresa. c. Reserva Estatutária – De acordo com a lei das sociedades por ações (BRASIL, 1976), os estatutos da empresa podem prever a constituição dessas reservas, desde que indicadas suas finalidades, critérios e limites. d. Reserva para Contingências – Têm a finalidade de compensar alguma diminuição estimada nos lucros futuros, indicando as possíveis causas. e. Reserva Orçamentária – A Lei das sociedades por ações (BRASIL, 1976) prevê a possibilidade de reter lucros para uma eventual expansão da empresa, quando aprovada pela assembleia geral dos acionistas. f. Reserva de Lucros a Realizar – Se o lucro contábil ainda não foi realizado, isto é, se não foi recebido financeiramente, a empresa poderá criar uma Reserva de Lucros a Realizar. Por exemplo, supondo que a empresa A tenha o controle acionário da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 79 empresa B, caso B tenha contabilizado lucros, mas não realizado financeiramente, e A tenha reconhecido tal valor em sua demonstração, denominada Equivalência Patrimonial, A pode criar essa reserva com a intenção de não distribuir lucros sobre as parcelas ainda não realizadas. g. Dividendos – Os proprietários, ou acionistas da empresa, podem receber parte dos lucros. O estatuto da empresa pode estabelecer uma percentagem, mas quando omisso, os acionistas terão direito à metade do lucro ajustado, isto é, o lucro líquido do exercício reduzido da Reserva Legal e da Reserva para Contingências. Assim, observe a DLPA ou, simplesmente, a DLA da empresa A em 31/12/X1, com todas as contas do Patrimônio Líquido. Tabela 5 DLA ao final de 20X1, com 7 observações. Demonstração dos Lucros Acumulados R$ Saldo inicial 100,00 Lucro do ano 300,00 Ajustes Saldo final 400,00 Aumento de capital Reserva Legal (15,00) Reserva Estatutária Reserva Orçamentária (210,00) Reservas p/ Contingências Reservas de Lucros a Realizar Dividendos (75,00) Total (300,00) Saldos em 31/12/20X1 100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. E, a seguir, os Balanços Patrimoniais da empresa A com todas as contas do Patrimônio Líquido. 80 Contabilidade Geral Balanço Patrimonial Ativos 31/12/20X0 31/12/20X1 Passivo e PL 31/12/20X0 31/12/20X1 Ativo Circulante 100,00 100,00 Passivo Circulante 100,00 75,00 Passivo Não Circulante 200,00 200,00 Ativo Não Circulante 900,00 1.100,00 Capital Social 600,00 600,00 Reserva Legal 15,00 Reserva Orçamentária 210,00 Reserva de Lucros 100,00 100,00 Patrimônio Líquido 700,00 925,00 TOTAL 1.000,00 1.200,00 TOTAL 1.000,00 1.200,00 Fonte: Elaborada pelo autor. De acordo com as tabelas 5 e 6, podemos observar que a DLPA ou, simplesmente, Lucros Acumulados, faz o mesmo que uma pon- te, entre a DRE e o Balanço Patrimonial encerrado após esse perío- do, ou exercício. Estudo de caso Elaboração da DMPL da Empresa A Mesmo sendo uma empresa de pequeno porte e desobrigada a pu- blicar a DMPL, a Empresa A pode prepará-la. Observe, a seguir, a DMPL da empresa A e as explicações de como foi elaborada. Observe que a DLA está inclusa nessa DMPL. Atenção Tabela 6 Balanços Patrimoniais da Empresa A (em R$) Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 81 Ta be la 7 De m on st ra çã o da s M ut aç õe s do P at rim ôn io L íq ui do d a Em pr es a A De m on st ra çã o da s M ut aç õe s d o Pa tri m ôn io Lí qu id o da Em pr es a A (e m R $) M ov im en ta çõ es Ca pi ta l Re al iz ad o Re se rv as d e ca pi ta l Re se rv as d e Lu cr os Lu cr os A cu m ul ad os To ta l Ág io n a em is sã o de a çõ es O ut ra s re se rv as de c ap ita l Le ga l Es ta tu tá ria Co nt in gê nc ia s O rç am en tá ria Lu cr os a re al iz ar Sa ld os e m 3 1/ 12 /2 0X 0 60 0, 00 0, 00 10 0, 00 70 0, 00 Aj us te s de e xe rc íc io s 0, 00 0, 00 Au m en to d e ca pi ta l 0, 00 Re ve rs õe s de re se rv as 0, 00 Lu cr o Lí qu id o do e xe rc íc io 30 0, 00 30 0, 00 Re se rv a Le ga l ( a) 15 ,0 0 (1 5, 00 ) 0, 00 Re se rv a Es ta tu tá ria 0, 00 Re se rv a O rç am en tá ri a (b ) 21 0, 00 (2 10 ,0 0) 0, 00 Re se rv as p / C on tin gê nc ia s 0, 00 Re se rv as d e Lu cr os a R ea liz ar 0, 00 D iv id en do s ( c) (7 5, 00 ) (7 5, 00 ) Sa ld os e m 3 1/ 12 /2 0X 1 60 0, 00 0, 00 15 ,0 0 21 0, 00 22 5, 00 10 0, 00 92 5, 00 Fo nt e: Ela bo rad a p elo au to r. De acordo com as tabelas 5 e 6, podemos observar que a DLPA ou, simplesmente, Lucros Acumulados, faz o mesmo que uma pon- te, entre a DRE e o Balanço Patrimonial encerrado após esse perío- do, ou exercício. Estudo de caso Elaboração da DMPL da Empresa A Mesmo sendo uma empresa de pequeno porte e desobrigada a pu- blicar a DMPL, a Empresa A pode prepará-la. Observe, a seguir, a DMPL da empresa A e as explicações de como foi elaborada. Observe que a DLA está inclusa nessa DMPL. Atenção 82 Contabilidade Geral Observações: a. A empresa constituiu uma Reserva Legal de 5% sobre o lucro do ano. Esse valor poderá, no futuro, ser transferido como aumento de capital, ou absorver eventuais prejuízos. b. A Reserva Orçamentária constituiu 70% sobre o lucro do ano para uma expansão da empresa prevista pelos proprietários. c. A distribuição dos dividendos é uma remuneração financeira aossócios, ou proprietários da empresa. Não ocorreram outros movimentos para aumentar ou diminuir o Patrimônio Líquido. Essa demonstração apresenta as origens e os destinos das seguin- tes contas: Capital Social, Reservas de Capital, Reservas de Lucros, e Lucros ou Prejuízos Acumulados. Ela também mostra os saldos dessas contas no início de um período, as transferências entre elas e o saldo ao final do período. Do lucro de R$ 300,00 em 20X1, R$ 75,00 foram distribuídos aos pro- prietários, como Dividendos, e R$ 225,00 foram transferidos para Re- servas, totalizando um Patrimônio Líquido de R$ 700,00 para R$ 925,00. Exemplo – A empresa B teve resultados positivos nos últimos dois anos de atividade. Seu proprietário decidiu continuar a transferir parte do Lucro Líquido do segundo ano: 5% para Reserva Legal, 30% para Reserva Orçamentária e 25% para Dividendos. Tabela 8 DRE da B (1º e 2º anos) Demonstração dos Resultados do Exercício (em R$) 20X0 20X1 Receita de vendas 4.000,00 4.600,00 Custo dos Produtos Vendidos (2.500,00) (2.800,00) Lucro Bruto 1.500,00 1.800,00 Despesas Administrativas (150,00) (200,00) Despesas Comerciais (350,00) (400,00) Despesas Financeiras (50,00) (70,00) Lucro Operacional antes dos Impostos 950,00 1.130,00 Impostos (150,00) (130,00) Lucro Líquido 800,00 1.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 83 Tabela 9 Demonstração de Lucros Acumulados. DLA – Empresa B R$ Saldo em 31/12/20X0 320,00 (+/) Ajustes de exercícios anteriores 0,00 (+) Lucro Líquido do exercício de 20X1 1.000,00 (=) Lucro Disponível 1.320,00 (–) Proposta para distribuição do Lucro a) Reserva Legal 50,00 b) Reserva Estatutária 0,00 c) Reserva para Contingências 0,00 d) Reserva Orçamentária 300,00 e) Reserva de Lucros a Realizar 0,00 (–) Dividendos 250,00 (=) Saldo de Lucros Acumulados em 31/12/X1 720,00 Fonte: Elaborada pelo autor. A seguir, o Balanço Patrimonial expõe a constituição dos Lucros Acu- mulados, ou simplesmente Reservas. Nas empresas de grande porte e de capital aberto, a denominação é de Reservas de Lucros, com exceção da situação de prejuízos acumulados, que deve ser mencionada no lu- gar de Reservas de Lucros. Tabela 10 Balanço Patrimonial da Empresa B Balanço Patrimonial da Empresa B (em R$) Ativos 31/12/20X0 31/12/20X1 Passivo e PL 31/12/20X0 31/12/20X1 Ativo Circulante 200,00 500,00 Passivo Circulante 200,00 400,00 Passivo Não Circulante 400,00 450,00 Total Exigível 600,00 850,00 Ativo Não Circulante 1.800,00 2.500,00 Capital Social 800,00 800,00 Reserva Legal 40,00 90,00 Reserva Orçamentária 240,00 540,00 Reserva de Lucros 320,00 720,00 (Continua) 84 Contabilidade Geral Balanço Patrimonial da Empresa B (em R$) Ativos 31/12/20X0 31/12/20X1 Passivo e PL 31/12/20X0 31/12/20X1 Patrimônio Líquido 1.400,00 2.150,00 TOTAL 2.000,00 3.000,00 TOTAL 2.000,00 3.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Esse exemplo é válido apenas para pequenas e médias empresas, enquanto as outras deverão sempre preparar e apresentar a DMPL. A DMPL incorpora a DLPA, mostrando todas as contas do Patrimônio Lí- quido e suas alterações durante o exercício encerrado. É uma demons- tração mais completa e fundamental para análise do comportamento dos recursos próprios utilizados pela empresa. Para ilustrar as diferen- ças entre essas demonstrações, vamos examinar DMPL da empresa B, na qual a DLA está inclusa. Distribuir dividendos após a constituição de reservas é consequência de decisão dos proprietários, essa distribuição mantém recursos suficientes para os planos de expansão da empresa e, também, dá retorno financeiro aos donos do capital. Atenção Tabela 11 Modelo de uma DMPL da Empresa B com a DLA inclusa Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – Empresa B (em R$) Movimentações Capital Realizado Reservas de capital Reservas de Lucros Lucros Acumu- lados Total Ágio na emissão de ações Outras reservas de capital Legal Estatu- tária Contin- gências Orça- mentária Lucros a realizar Saldos em 31/12/20X0 800,00 40,00 240,00 320,00 1.400,00 Ajustes de exercícios 0,00 Aumento de capital 0,00 Reversões de reservas 0,00 Lucro Líquido do exercício 1.000,00 1.000,00 Reserva Legal 50,00 (50,00) 0,00 Reserva Estatutária 0,00 Reserva Orçamentária 300,00 (300,00) 0,00 (Continua) Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 85 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – Empresa B (em R$) Movimentações Capital Realizado Reservas de capital Reservas de Lucros Lucros Acumu- lados Total Ágio na emissão de ações Outras reservas de capital Legal Estatu- tária Contin- gências Orça- mentária Lucros a realizar Reservas p/ Contingências 0 Reservas de Lucros a Realizar 0 Dividendos (250,00) (250,00) Saldos em 31/12/20X1 800,00 0,00 0,00 90,00 0,00 0,00 540,00 0,00 720,00 2.150,00 Fonte: Elaborada pelo autor. A empresa C iniciou suas atividades no ano de 20X0. A DRE, a DLA e o Balanço Patrimonial da empresa C do primeiro ano estão apresentados a seguir. Com as infor- mações das ocorrências do ano de 20X1, prepare a DRE, a DLA, a DMPL e o Balanço Patrimonial ao final de 20X1. DRE da Empresa C (em R$) 20X0 Receitas das Vendas 10.000,00 Custo dos Produtos Vendidos (6.000,00) Lucro Bruto 4.000,00 Despesas Administrativas (500,00) Despesas Comerciais (2.000,00) Despesas Financeiras (100,00) Lucro antes dos impostos 1.400,00 Impostos (476,00) Lucro Líquido 924,00 Demonstração dos Lucros Acumulados da Empresa C (em R$) 20X0 Saldo inicial 0,00 Lucro do ano 924,00 Saldo final 924,00 Aumento de capital 0,00 Reserva Legal (46,00) (Continua) Atividade 1 86 Contabilidade Geral Demonstração dos Lucros Acumulados da Empresa C (em R$) 20X0 Reserva Estatutária 0,00 Reserva Orçamentária (92,00) Reservas p/ Contingências 0,00 Reservas de Lucros a Realizar 0,00 Dividendos (231,00) Total (369,00) Saldos = Reservas de Lucros em 31/12/20X0 555,00 Balanço Patrimonial da Empresa C (valores em R$) ATIVO 20X0 PASSIVO 20X0 Caixa 600,00 Empréstimos 400,00 Aplicações financeiras 500,00 Fornecedores 676,00 Duplicatas a receber 800,00 Dividendos 231,00 Estoques 600,00 Passivo Circulante 1.307,00 Ativo Circulante 2.500,00 Financiamento a longo prazo 1.500,00 Passivo Não Circulante 1.500,00 Capital social 9.000,00 Reserva Legal 46,00 Imobilizado 9.000,00 Reserva Orçamentária 92,00 Intangível 1.000,00 Reserva de lucros 555,00 Ativo Não Circulante 10.000,00 Patrimônio Líquido 9.693,00 TOTAL 12.500,00 TOTAL 12.500,00 Durante o ano de 20X1, na empresa C: 1. O valor total de vendas foi de R$ 11.000,00 durante o ano. 2. O custo dos produtos vendidos foi de R$ 6.600,00. 3. O total de despesas operacionais foi de R$ 3.050,00, entre administrativas (R$ 550,00), comerciais (R$ 2.200,00) e financeiras (R$ 300,00). 4. O Imposto de Renda de 20X0 foi pago em 20X1. 5. O saldo a pagar de empréstimos aumentou em R$ 466,00. 6. O saldo a pagar a fornecedores aumentou R$ 274,00. 7. O saldo de financiamento a longo prazo reduziu em R$ 700,00. 8. Nos Ativos, o caixa aumentou para R$ 650,00. 9. As aplicações financeiras subiram para R$ 550,00. 10. As duplicatas a receber aumentaram em R$ 200,00. 11. Os estoques passaram para R$ 900,00. 12. Ocorreu um acréscimo no imobilizado de R$ 100,00. 13. O valor do intangível permaneceu o mesmo. 14. Não houve aumento de capital. 15. Do lucro líquido, a empresa provisionou 5% para reserva legal, 10% para reservas orçamentárias, e 25% para dividendos a pagar no ano seguinte. 16. A alíquota de imposto de renda é de 34%. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 87 A seguir, observe a DRE da Empresa D para o ano de 20X1, o Balanço Patrimonial da Empresa D, encerrado em 31/12/20X0, e as informações (todas em R$ mil) das ativida- des do ano de 20X1. Prepare a DLA, a DMPL, e o Balanço Patrimonial em 31/12/20X1. DRE da Empresa D (em R$ mil) 31/12/20X1 Receitas das vendas 1.400,00Custo dos produtos vendidos (800,00) Lucro Bruto 600,00 Despesas Administrativas (100,00) Despesas Comerciais (100,00) Despesas Financeiras (40,00) Lucro antes dos impostos 360,00 Impostos (100,00) Lucro Líquido 260,00 Balanço Patrimonial da Empresa D (em R$ mil) ATIVO 31/12/20X0 PASSIVO 31/12/20X0 Caixa 50,00 Fornecedores a pagar 150,00 Duplicatas a receber 100,00 Salários e Impostos a pagar 80,00 Estoques 110,00 Empréstimos de curto prazo 50,00 Ativo Circulante 260,00 Passivo Circulante 280,00 Financiamento a longo prazo 120,00 Passivo Não Circulante 150,00 Capital social 105,00 Investimentos a longo prazo 100,00 Reserva Legal 15,00 Imobilizado 210,00 Reserva Orçamentária 80,00 Intangível 130,00 Reserva de lucros 70,00 Ativo Não Circulante 440,00 Patrimônio Líquido 270,00 TOTAL 700,00 TOTAL 700,00 Durante o ano de 20X1, a empresa D: 1. Vendeu R$ 1.400,00, com um custo dos produtos vendidos de R$ 800,00. 2. Teve um total de despesas de R$ 240,00, entre administrativas (R$ 100,00), comerciais (R$ 100,00) e financeiras (R$ 40,00). O valor do imposto de renda foi de R$ 100,00. 3. Pagou em empréstimos de curto prazo R$ 60,00, em fornecedores R$ 195,00, e em salários e impostos R$ 130,00. (Continua) Atividade 2 88 Contabilidade Geral 4. Reduziu o financiamento a longo prazo para R$ 100,00. 5. Aumentou o saldo de caixa para R$ 100,00, as duplicatas a receber terminaram com um saldo de R$ 200,00, e os estoques passaram para R$ 180,00. 6. Manteve os investimentos a longo prazo, continuaram com o mesmo valor. No imobilizado ocorreu um acréscimo de R$ 80,00 e o valor do intangível permaneceu o mesmo. 7. Aumentou o capital com a incorporação das reservas legais do ano anterior. 8. Provisionou 5% do Lucro Líquido a título de Reserva Legal, 10% do Lucro Líquido a título de Reservas Orçamentárias e 25% do Lucro Líquido para Dividendos a pagar no ano seguinte. CONSIDERAÇÕES FINAIS Neste capítulo, observamos o que é a DMPL, que considera uma completa distribuição dos resultados, seja para os sócios por meio dos dividendos, ou para o futuro da empresa. Isso corre por meio de plane- jamento e direcionamento da incorporação dos resultados acumulados, criando reservas para manutenção do capital, expansão dos investimen- tos e contingências para eventuais resultados não esperados no futuro. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l6404consol.htm. Acesso em: 17 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 17 mar. 2020. IUDÍCIBUS, S.; MARION, J. C. Curso de Contabilidade para não contadores. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009. Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 89 GABARITO 1. Demonstração de Resultados da Empresa C (em R$) 20X1 Receitas das vendas 11.000,00 Custo dos produtos vendidos (6.600,00) Lucro bruto 4.400,00 Despesas Administrativas (550,00) Despesas Comerciais (2.200,00) Despesas Financeiras (300,00) Lucro antes dos impostos 1.350,00 Impostos (459,00) Lucro líquido 891,00 Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados (em R$) 20X1 Saldo inicial 555,00 Lucro do ano 891,00 Saldo final 1.446,00 Aumento de capital 0,00 Reserva Legal (44,55) Reserva Estatutária 0,00 Reserva Orçamentária (89,10) Reservas p/ Contingências 0,00 Reservas de Lucros a Realizar 0,00 Dividendos (222,75) Total (356,40) Saldos = Reservas de Lucros em 31/12/20X0 534,60 90 Contabilidade Geral De m on st ra çã o da s M ut aç õe s d o Pa tri m ôn io Lí qu id o da Em pr es a C em 2 0X 1 (R $) M ov im en ta çõ es Ca pi ta l Re al iz ad o Re se rv as d e ca pi ta l Re se rv as d e Lu cr os Lu cr os Ac um ul ad os To ta l Ág io n a em is sã o de aç õe s O ut ra s re se rv as de ca pi ta l Le ga l Es ta tu tá ria Co nt in gê nc ia s O rç am en tá ria Sa ld os e m 31 /1 2/ 20 X0 9. 00 0, 00 46 ,0 0 92 ,0 0 55 5, 00 9. 69 3, 00 Aj us te s de ex er cí ci os 0, 00 Au m en to d e ca pi ta l 0, 00 0, 00 Re ve rs õe s de re se rv as 0, 00 Lu cr o Lí qu id o do e xe rc íc io 89 1, 00 89 1, 00 Re se rv a Le ga l 44 ,5 5 (4 4, 55 ) Re se rv a Es ta tu tá ria Re se rv a O rç am en tá ria 89 ,1 0 (8 9, 10 ) 0, 00 Re se rv as p / Co nt in gê nc ia s 0, 00 Re se rv as de L uc ro s a Re al iz ar 0, 00 D iv id en do s (2 22 ,7 5) (2 22 ,7 5) Sa ld os e m 31 /1 2/ 20 X1 9. 00 0, 00 0, 00 0, 00 90 ,5 5 0, 00 0, 00 18 1, 10 1. 08 9, 60 10 .3 61 ,2 5 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 91 Balanço Patrimonial da Empresa C (em R$). ATIVO 31/12/20X0 31/12/20X1 PASSIVO 31/12/20X0 31/12/20X1 Caixa 600,00 650,00 Empréstimos 400,00 866,00 Aplicações financeiras 500,00 550,00 Fornecedores 676,00 950,00 Duplicatas a receber 800,00 1.000,00 Dividendos 231,00 222,75 Estoques 600,00 900,00 Passivo Circulante 1.307,00 2.038,75 Ativo Circulante 2.500,00 3.100,00 Financiamento a longo prazo 1.500,00 800,00 Passivo Não Circulante 1.500,00 800,00 Capital social 9.000,00 9.000,00 Reserva Legal 46,00 90,55 Imobilizado 9.000,00 9.100,00 Reserva Orçamentária 92,00 181,10 Intangível 1.000,00 1.000,00 Reservas de lucros 555,00 1.089,60 Ativo Não Circulante 10.000,00 10.100,00 Patrimônio Líquido 9.693,00 10.361,25 TOTAL 12.500,00 13.200,00 TOTAL 12.500,00 13.200,00 2. DLA da Empresa D (em R$ mil) 20X1 Reserva de Lucros em 31/12/20X0 70,00 Lucro do ano 260,00 Saldo final 330,00 Aumento de capital 15,00 Reserva Legal - 13,00 Reserva Estatutária Reserva Orçamentária - 26,00 Reservas p/ Contingências Reservas de Lucros a Realizar Dividendos - 65,00 Total - 104,00 Reservas de Lucros em 31/12/20X1 226,00 92 Contabilidade Geral De m on st ra çã o da s M ut aç õe s d o Pa tri m ôn io Lí qu id o da Em pr es a D em 2 0X 1 (R $ m il) M ov im en ta çõ es Ca pi ta l Re al iz ad o Re se rv as d e ca pi ta l Re se rv as d e Lu cr os Lu cr os Ac um ul ad os To ta l Ág io n a em is sã o de aç õe s O ut ra s re se rv as de c ap ita l Le ga l Es ta tu tá ria Co nt in gê nc ia s O rç am en tá ria Sa ld os e m 3 1/ 12 /2 0X 0 10 5, 00 15 ,0 0 80 ,0 0 70 ,0 0 27 0, 00 Aj us te s de e xe rc íc io s 0, 00 Au m en to d e ca pi ta l 15 ,0 0 - 1 5, 00 0, 00 Re ve rs õe s de re se rv as 0, 00 Lu cr o Lí qu id o do ex er cí ci o 26 0, 00 26 0, 00 Re se rv a Le ga l 13 ,0 0 - 1 3, 00 Re se rv a Es ta tu tá ria Re se rv a O rç am en tá ria 26 ,0 0 - 2 6, 00 Re se rv as p / Co nt in gê nc ia s 0 Re se rv as d e Lu cr os a Re al iz ar 0 D iv id en do s - 6 5, 00 - 6 5, 00 Sa ld os e m 3 1/ 12 /2 0X 1 12 0, 00 0, 00 0, 00 13 ,0 0 0, 00 0, 00 10 6, 00 22 6, 00 46 5, 00 Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL 93 Balanço Patrimonial da Empresa D (em R$ mil) ATIVO 31/12/20X0 31/12/20X1 PASSIVO 31/12/20X0 31/12/20X1 Caixa 50,00 100,00 Fornecedores a pagar 150,00 195,00 Duplicatas a receber 100,00 200,00 Salários e Impostos a pagar 80,00 130,00 Estoques 110 180,00 Empréstimos de curto prazo 50,00 60,00 Ativo Circulante 260,00 480,00 Passivo Circulante 280,00 385,00 Financiamento de longo prazo 120,00 100,00 Passivo Não Circulante 150,00 150,00 Capital social 105,00 120,00 Investimentos de longo prazo 100,00 100,00 Reserva Legal 15,00 13,00 Imobilizado 210,00 290,00 Reserva Orçamentária 80,00 106,00 Intangível 130,00 130,00 Reserva de lucros 70,00 226,00Ativo Não Circulante 440,00 520,00 Patrimônio Líquido 270,00 465,00 TOTAL 700,00 1.000,00 TOTAL 700,00 1.000,00 94 Contabilidade Geral 5 Demonstração dos Fluxos de Caixa As atividades de uma empresa geram resultados, que a cada período de apuração podem ser positivos ou negativos, depen- dendo da diferença entre os ganhos e os gastos. Pelo princípio da realização, visto no segundo capítulo, as receitas (ganhos), os cus- tos e as despesas (gastos) são registrados pelo regime de compe- tência, isto é, pelo fato gerador de cada uma no período contábil, independentemente de seu recebimento ou pagamento. Por essa razão, surgiu a necessidade de um novo relatório para demonstrar os fluxos de recursos – os valores de entrada e saída na empresa durante o período – e propiciar uma melhor capacidade de gestão financeira da empresa. 5.1 Demonstração dos Fluxos de Caixa Vídeo Com ganhos superiores aos gastos incorridos no período, o regime revela lucro. No entanto, sem a seleção dos valores recebidos e pagos den- tro do período, mesmo que parcialmente, não se pode afirmar se o lucro está ou não disponível, ou seja, em caixa. Além disso, a boa gestão de re- cursos financeiros deve exigir o conhecimento dos recursos obtidos e seus destinos, sempre com o objetivo de preservar a liquidez da empresa, isto é, a capacidade de honrar seus compromissos. Assim, a Demonstração dos Fluxos de Caixa (DFC) vai contemplar todos os recursos financeiros, obtidos e utilizados pela empresa em determinado período. Com a mudança da Lei n. 6.404/76 pela Lei n. 11.638/2007, todas as grandes empresas, inclusive as de capital aberto, passaram a ter como obrigação a preparação dessa nova demonstração. A Lei n. 11.638 con- templou a substituição da Demonstração das Origens e Aplicações de Recursos (DOAR) com ênfase na variação do capital circulante líquido, Demonstração dos Fluxos de Caixa 95 diferença entre Ativo e Passivo Circulante, para destacar todos os itens que alteram o saldo de caixa da empresa em determinado período. A DFC é um instrumento de controle dos recursos utilizados e apli- cados na empresa, que permite ao gestor preparar um melhor pla- nejamento financeiro, evitando tanto o excesso de recursos quanto a falta deles. Cabe, agora, uma importante observação a respeito do significado de Fluxo de Caixa, em que são consideradas apenas as entradas e saí- das de dinheiro. A DFC indica, além das entradas e saídas de dinheiro do caixa, todo o resultado do fluxo financeiro, ou seja, considera o fluxo de outros investimentos, de outros financiamentos e dividendos (IUDÍ- CIBUS; MARION, 2009, p. 112). Na DFC, que é mais abrangente do que a DRE, são contemplados todos os fluxos financeiros gerados e aplicados, bem como separados em três divisões: a. fluxo das atividades operacionais; b. fluxo das atividades de investimentos; c. fluxo das atividades de financiamentos. A primeira divisão, denominada fluxo das atividades operacionais, deve compreender todos os recursos utilizados na geração do resul- tado operacional dos negócios da empresa, como foi obtido esse re- sultado e o que foi feito com ele. Por isso, devemos nos concentrar no lucro, nos investimentos e financiamentos exclusivamente dedicados à operação básica da empresa. A segunda divisão, chamada fluxo das atividades de investimentos, deve compreender todos os recursos aplicados ou originados dos in- vestimentos nos Ativos não operacionais, tais como aplicações ou redu- ções nos investimentos a longo prazo – em outras empresas coligadas ou não –, nos investimentos em imobilizado, bem como no intangível. Trata-se de investimentos estruturais e não operacionais. A diferença pode ser exemplificada entre os estoques de produtos para revenda e uma máquina industrial: enquanto o estoque deve ser vendido para se obter resultado da atividade, se a máquina não produzir, não dará resultados à empresa. A terceira divisão, fluxo das atividades de financiamentos, deve com- preender todos os recursos originados ou reduzidos nos financiamen- tos não operacionais, tais como aumentos ou reduções nas dívidas a 96 Contabilidade Geral longo prazo, no aumento ou na redução do capital social e nas distri- buições de dividendos. Exemplo Vamos considerar o caso da empresa E, em que um dos sócios co- locou como capital um imóvel no valor de R$ 5 mil em 01/01/20X0. Na mesma data, adquiriu produtos para revenda no valor de R$ 2 mil, para pagamento a prazo, com crédito dos fornecedores. Tabela 1 Balanço Patrimonial da Empresa E (inicial, em R$) ATIVO 01/01 PASSIVO 01/01 Estoques 2.000,00 Fornecedores 2.000,00 Imobilizado 5.000,00 Capital social 5.000,00 TOTAL 7.000,00 TOTAL 7.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Considere o seguinte histórico de ocorrências do período de 01/01 até 31/01/20X0: 1. O sócio abriu a empresa E com um capital social de R$ 5 mil, sob a forma de um investimento imobilizado, com sua casa para utilizar como loja. 2. Tratando-se de uma empresa comercial, adquiriu produtos para revender no valor de R$ 2 mil, com crédito dos fornecedores. 3. Durante o primeiro mês de atividade, vendeu produtos no valor de R$ 1.500,00, com custo de R$ 1.000,00. Mostrou despesas operacionais de R$ 300,00, impostos de R$ 100,00, e realização de lucro no valor de R$ 100,00. Perceba que, no Passivo, se manteve a dívida com os fornecedores (R$ 2 mil), além de acrescentar mais duas, uma referente às despesas operacionais (R$ 200,00), e outra aos impostos (R$ 100,00). Já no Ativo, o caixa passou a registrar R$ 900,00, mais R$ 1.000,00 em valores a rece- ber, e a queda nos estoques de R$ 2 mil para R$ 500,00. Nesse simples exemplo, sem muita dificuldade, podemos perceber que parte da ven- da foi à vista (R$ 1.000,00) e parte a prazo (R$ 1.000,00). Das despesas operacionais, apenas R$ 100,00 foram pagas no período, restando pagar R$ 200,00, além dos impostos no valor de R$ 100,00. O lucro contábil do Demonstração dos Fluxos de Caixa 97 período, portanto, vai fechar o Balanço Patrimonial em “Lucros Acumula- dos” com o Patrimônio Líquido. Observe nas Tabelas 2 e 3 os resultados e os Balanços Patrimoniais. Tabela 2 Demonstração de Resultados do Exercício da Empresa E DRE – Mês 01/20X0 R$ Receita de vendas 2.000,00 Custo dos produtos vendidos (1.500,00) Lucro Bruto 500,00 Despesas operacionais (300,00) Lucro operacional 200,00 Impostos (100,00) Lucro do período 100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 3 Balanços Patrimoniais (antes e após a atividade do mês 1) Balanços Patrimoniais da Empresa E (em R$) Ano de 20X0 ATIVO 01/01 31/01 PASSIVO 01/01 31/01 Caixa 0 900,00 Fornecedores 2.000,00 2.000,00 Contas a receber 0 1.000,00 Despesas operacio- nais 0 200,00 Estoques 2.000,00 500,00 Impostos 100,00 Ativo Circulante 2.000,00 2.400,00 Passivo Circulante 2.000,00 2.300,00 Outros investimentos 0 0 Capital social 5.000,00 5.000,00 Imobilizado 5.000,00 5.000,00 Lucros Acumulados 0 100,00 Ativo Não Circulan- te 5.000,00 5.000,00 Patrimônio Líquido 5.000,00 5.100,00 TOTAL 7.000,00 7.400,00 TOTAL 7.000,00 7.400,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observe que o Lucro é de R$ 100,00, ainda que o caixa tenha registrado o valor de R$ 900,00, isso ocorre porque a DFC conside- ra, além de todas as ocorrências de dinheiro (entradas e saídas), outros fluxos financeiros. Nesse primeiro exemplo, vamos mostrar um resumo dos fluxos de caixa e, na próxima seção, os modelos aprovados pelas normas contábeis. Em todos os três fluxos, os valores podem ser positivos, se tiveram entrada, ou negativos, se ocorreram saídas. Atenção 98 Contabilidade Geral Tabela 4 Demonstração dos Fluxos de Caixa da Empresa E DFC (resumida em R$) Mês 1 Recebido de clientes 1.000,00 Pagamento a fornecedores 0 Pagamento de despesas operacionais (100,00) Pagamento de impostos 0 Fluxo das atividades operacionais 900,00 Outros Investimentos em longo prazo 0 Imobilizado 0 Fluxo dos investimentos 0 Capital Social 0 Dividendos0 Fluxo dos financiamentos 0 VARIAÇÃO DE CAIXA 900,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observações: 1. No fluxo das atividades operacionais, a empresa recebeu R$ 1.000,00 de seus clientes e pagou R$ 100,00 das despesas operacionais. 2. No fluxo dos investimentos, não houve alterações, tanto nos valores de outros investimentos quanto do imobilizado. 3. No fluxo dos financiamentos, não ocorreu alteração no capital social e distribuição de lucros (dividendos). Com as vendas pagas à vista, o pagamento de R$ 1 mil aos fornece- dores e de todas as despesas operacionais e impostos, o Balanço e a DFC da empresa E ficariam assim: Tabela 5 Balanços Patrimoniais (antes e após a atividade do mês 1) Balanços Patrimoniais da Empresa E (em R$) Ano de 20X0 ATIVO 01/01 31/01 PASSIVO 01/01 31/01 Caixa 0 600,00 Fornecedores 2.000,00 1.000,00 Estoques 2.000,00 500,00 Passivo Circulante 2.000,00 1.000,00 Ativo Circulante 2.000,00 1.100,00 Capital social 5.000,00 5.000,00 Imobilizado 5.000,00 5.000,00 Lucros Acumulados 0 100,00 (Continua) Demonstração dos Fluxos de Caixa 99 Balanços Patrimoniais da Empresa E (em R$) Ano de 20X0 Ativo Não Circulante 5.000,00 5.000,00 Patrimônio Líquido 5.000,00 5.100,00 TOTAL 7.000,00 6.100,00 TOTAL 7.000,00 6.100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 6 Demonstração dos Fluxos de Caixa da empresa E DFC (resumida em R$)* Mês 1 Recebido de clientes 2.000,00 Pagamento a fornecedores (1.000,00) Pagamento de despesas operacionais (300,00) Pagamento de impostos (100,00) Fluxo das atividades operacionais 600,00 Outros investimentos de longo prazo 0 Imobilizado 0 Fluxo dos investimentos 0 Capital Social 0 Dividendos 0 Fluxo dos financiamentos 0 VARIAÇÃO DE CAIXA 600,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observações: 1. No fluxo das atividades operacionais, a empresa recebeu R$ 2 mil de seus clientes, pagou R$ 1 mil aos fornecedores, R$ 300,00 das despesas operacionais e R$100,00 dos impostos, sobrando R$ 600,00 a mais em caixa. 2. No fluxo dos investimentos, não houve alterações, tanto nos valores de outros investimentos quanto no de imobilizado. 3. No fluxo dos financiamentos, não ocorreu alteração no capital social ou na distribuição de lucros (dividendos). Exemplo 2 (empresa F) Vamos considerar o caso de uma empresa comercial denominada empresa F, em que seu proprietário colocou como capital R$ 10 mil em dinheiro, no dia 01/01/20X0. Na mesma data, adquiriu produtos para re- venda no valor de R$ 1 mil, com crédito dos fornecedores, e alugou uma loja por R$ 500,00 mensais, a pagar no quinto dia útil do mês seguinte. 100 Contabilidade Geral Tabela 7 Balanço Patrimonial da empresa F (inicial, em R$) ATIVO 01/01 PASSIVO 01/01 Caixa 10.000,00 Fornecedores 1.000,00 Estoques 1.000,00 Capital social 10.000,00 TOTAL 11.000,00 TOTAL 11.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observe, a seguir, os registos das atividades da empresa F no perío- do de 01/01 a 31/01/20X0. 1. O sócio abriu a empresa F com um capital social de R$ 10 mil, em dinheiro. Como empresa comercial, adquiriu produtos para revenda, no valor de R$ 1 mil, com crédito dos fornecedores. 2. Durante o primeiro mês de atividades, vendeu produtos no valor de R$ 2 mil, com custo de R$ 1 mil. Adquiriu equipamentos para a loja, no valor de R$ 3 mil, financiados a curto prazo, e teve despesas com aluguel de R$ 500,00. Os impostos a pagar somaram R$ 200,00 e o lucro foi de R$ 300,00. Observe, no Passivo, a liquidação de dívida com os fornecedores e o aparecimento de mais três, uma referente ao aluguel (R$ 500,00), outra aos impostos (R$ 200,00) e o financiamento dos equipamentos (R$ 3 mil). Observe, também, no Ativo, o caixa de R$ 9 mil, agora com mais R$ 2 mil em valores a receber e a queda nos estoques de R$ 1 mil para zero. Nesse segundo exemplo, podemos perceber que a venda de R$ 2 mil foi a prazo. As despesas com o aluguel de R$ 500,00 não foram pagas, e tampouco os impostos no valor de R$ 200,00. Os equipamen- tos para a loja, no valor de R$ 3 mil, foram financiados a curto prazo e o lucro contábil do período vai fechar o Balanço Patrimonial em Lucros Acumulados, com o Patrimônio Líquido. A tabela, a seguir, mostra os resultados da empresa F, no início de suas atividades. Tabela 8 Demonstração de Resultados do Exercício da Empresa F DRE – Mês 01/20X0 R$ Receita de vendas 2.000,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) Lucro Bruto 1.000,00 (Continua) Demonstração dos Fluxos de Caixa 101 DRE – Mês 01/20X0 R$ Despesas com aluguel (500,00) Lucro operacional 500,00 Impostos (200,00) Lucro do período 300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observe a alteração em seus Balanços Patrimoniais, após o tér- mino do mês: Tabela 9 Balanços Patrimoniais (antes e após a atividade do mês 1) Balanços Patrimoniais da Empresa F (em R$) Ano de 20X0 ATIVO 01/01 31/01 PASSIVO 01/01 31/01 Caixa 10.000,00 9.000,00 Fornecedores 1.000,00 0 Contas a receber 0 2.000,00 Aluguel 0 500,00 Estoques 1.000,00 0 Impostos 0 200,00 xxxxxxxxx 0 0 Financiamento de equipamentos 3.000,00 Ativo Circulan- te 11.000,00 11.000,00 Passivo Circulante 1.000,00 3.700,00 Outros investi- mentos 0 0 Capital social 10.000,00 10.000,00 Imobilizado 0 3.000,00 Lucros Acumulados 0 300,00 Ativo Não Cir- culante 0 3.000,00 Patrimônio Líquido 10.000,00 10.300,00 TOTAL 11.000,00 14.000,00 TOTAL 11.000,00 14.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Ao observar a redução de caixa em R$ 1 mil, do início ao fim do período, a pergunta que se pode fazer é: por que o Lucro é de R$ 300,00, se o Caixa ficou com R$ 9 mil? Assim como no exemplo anterior, devemos nos lembrar de que a DFC considera todas as ocorrências de dinheiro (entradas e saídas), além de outros fluxos financeiros. Tabela 10 Demonstração dos Fluxos de Caixa da Empresa F DFC (resumida em R$)* Mês 1 Recebido de clientes 0 Pagamento a fornecedores (1.000,00) (Continua) 102 Contabilidade Geral DFC (resumida em R$)* Mês 1 Pagamento de despesas operacionais 0 Pagamento de impostos 0 Fluxo das atividades operacionais (1.000,00) Outros Investimentos em longo prazo 0 Imobilizado (3.000,00) Fluxo dos investimentos (3.000,00) Capital Social 0 Financiamento de equipamentos 3.000,00 Dividendos 0 Fluxo dos financiamentos 3.000,00 VARIAÇÃO DE CAIXA (1.000,00) Fonte: Elaborada pelo autor. Observações: 1. No fluxo das atividades operacionais, a empresa pagou R$ 1 mil aos fornecedores. 2. No fluxo dos investimentos, adquiriu equipamentos para a loja no valor de R$ 3 mil, como imobilizado. 3. No fluxo dos financiamentos, financiou R$ 3 mil para os equipamentos adquiridos. Não ocorreu alteração no capital social, e não houve distribuição de lucros (dividendos). Com algumas alterações no seu histórico, vamos verificar como fi- cariam o nosso Balanço final e a DFC da empresa F. Suponhamos que parte das vendas foram recebidas, R$ 1 mil, e o restante ficou como saldo a receber no futuro. Os estoques foram repostos com R$ 2 mil em produtos para futura revenda, com crédito dos fornecedores, os equipamentos foram 100% financiados a longo prazo e as despesas com aluguel e impostos foram totalmente pagas. Observe como ficaria o Balanço Patrimonial da empresa F (Tabela 11) e a DFC (Tabela 12): Tabela 11 Balanços Patrimoniais (antes e após a atividade do mês 1) Balanços Patrimoniais da Empresa F (em R$) Ano de 20X0 ATIVO 01/01 31/01 PASSIVO 01/01 31/01 Caixa 10.000,00 10.300,00 Fornecedores 1.000,00 3.000,00 Duplicatas a receber 0 1.000,00 Aluguel 0 0 Estoques 1.000,00 2.000,00 Impostos 0 0 (Continua) Demonstração dos Fluxos de Caixa 103 Balanços Patrimoniais da Empresa F (em R$) Ano de 20X0 Ativo Circulante 11.000,00 13.300,00 Passivo Circulante 1.000,00 3.000,00 xxxxxxxxx 0 0 Financiamento de equipamentos a longo prazo 0 3.000,00 xxxxxxxxx 0 0 Passivo Não Cir- culante 0 3.000,00 Outros investimen- tos 0 0 Capital social 10.000,00 10.000,00 Imobilizado 0 3.000,00 Lucros Acumulados 0 300,00 Ativo Não Circu- lante 0 3.000,00Patrimônio Lí- quido 10.000,00 10.300,00 TOTAL 11.000,00 16.300,00 TOTAL 11.000,00 16.300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 12 Nova Demonstração dos Fluxos de Caixa da empresa F DFC (resumida em R$)* Mês 1 Recebido de clientes 1.000,00 Acréscimo nas vendas a prazo (1.000,00) Pagamento de aluguel (500,00) Pagamento de impostos (200,00) Acréscimo nos estoques (1.000,00) Acréscimo com fornecedores 2.000,00 Fluxo das atividades operacionais 300,00 Outros Investimentos em longo prazo 0 Imobilizado (3.000,00) Fluxo dos investimentos (3.000,00) Financiamento dos equipamentos 3.000,00 Capital Social 0 Dividendos 0 Fluxo dos financiamentos 3.000,00 VARIAÇÃO DE CAIXA 300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observações: 1. No fluxo das atividades operacionais, a empresa aumentou R$ 1 mil em estoque, usando o crédito de R$ 2 mil dos fornecedores, recebeu R$ 1 mil de seus clientes, financiou R$ 1 mil aos fornecedores, pagou R$ 500,00 de aluguel e R$ 200,00 de impostos. 104 Contabilidade Geral 2. No fluxo dos investimentos, registrou os equipamentos de R$ 3 mil. 3. No fluxo dos financiamentos, investiu R$ 3 mil para os equipamentos. 4. Desse modo, ocorreu um acréscimo no caixa, de 01/01 a 31/01/20X0. Assim, podemos observar que a DFC separa os recursos nos negó- cios. O conjunto daqueles que compõem a atividade básica da empresa é denominado Fluxo das Atividades Operacionais; em seguida, temos os investimentos e os financiamentos. Veja, no exemplo da empresa F, o acréscimo nos estoques e os valo- res a receber de clientes como aumento nos investimentos operacionais. Os novos créditos com os fornecedores são considerados aumentos no financiamento das atividades operacionais. Já os investimentos em equipamentos não estão diretamente ligados às atividades, podemos considerá-los como investimentos estruturais. Isso porque suportam as atividades, mas não fornecem resultados por si sós aos negócios, podendo no futuro aumentar a eficiência da gestão, seja na fabricação (caso das indústrias), seja na administração (caso de todas empresas). Caso os Ativos não sejam pagos à vista, constará também do fluxo dos financiamentos. A razão para tal separação é que deve- mos considerar nos fluxos das atividades operacionais todos os re- cursos associados com o cotidiano dos negócios. Em uma empresa comercial, aumentar os estoques possibilita ter mais atividade; receber crédito dos fornecedores permite a ela ter recursos para pagá-los após o recebimento da venda dos produtos. Dar prazo aos clientes é procurar atender às necessidades deles e, por conse- quência, aumentar as vendas da empresa. 5.2 Estrutura e metodologias Vídeo As normas contábeis permitem às empresas com obrigações de preparar e publicar sua DFC, optar por um entre dois modelos, o direto e o indireto. No Fluxo das Atividades Operacionais, o modelo direto consi- dera os recursos que entraram e os que saíram do caixa. O modelo indireto também mostra os resultados das atividades que afetam o caixa. Contudo, é importante lembrar que as despesas com de- preciação não afetam o caixa, pois são contabilizadas apenas para Demonstração dos Fluxos de Caixa 105 custear as operações, e não são desembolsadas. Além disso, o mo- delo mostra as alterações nos Ativos e Passivos Circulantes consi- derados nas atividades operacionais. Para os outros dois, o Fluxo dos Investimentos e o Fluxo dos Financiamentos, não há diferença entre os modelos. Exemplo 1 (empresa E) Voltando ao nosso primeiro exemplo, da empresa E, para com- parar o uso dos dois modelos de fluxos de caixa, vamos visualizar ambos os modelos, direto e indireto, e observar as diferenças en- tre eles, com o histórico do período de um mês e a DRE abaixo na Tabela 13 igual à Tabela 2: Tabela 13 Demonstração de Resultados do Exercício da Empresa E DRE – Mês 01/20X0 R$ Receita de vendas 2.000,00 Custo dos produtos vendidos (1.500,00) Lucro Bruto 500,00 Despesas operacionais (300,00) Lucro operacional 200,00 Impostos (100,00) Lucro do período 100,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Ao terminar o mês, os seus Balanços Patrimoniais estão na Tabela 14, igual à Tabela 3: Tabela 14 Balanços Patrimoniais (antes e após a atividade do mês 1) Balanços Patrimoniais da Empresa E (em R$) Ano de 20X0 ATIVO 01/01 31/01 PASSIVO 01/01 31/01 Caixa 0 900,00 Fornecedores 2.000,00 2.000,00 Contas a receber 0 1.000,00 Despesas operacionais 0 200,00 Estoques 2.000,00 500,00 Impostos 100,00 Ativo Circulante 2.000,00 2.400,00 Passivo Circulante 2.000,00 2.300,00 Outros investimentos 0 0 Capital social 5.000,00 5.000,00 Imobilizado 5.000,00 5.000,00 Lucros Acumulados 0 100,00 Ativo Não Circulan- te 5.000,00 5.000,00 Patrimônio Líquido 5.000,00 5.100,00 TOTAL 7.000,00 7.400,00 TOTAL 7.000,00 7.400,00 Fonte: Elaborada pelo autor. A DRE segue o regime de competência e, por esse método, não é um relatório considerado financeiro, ou seja, não mostra os valores de entrada e tam- pouco os de saída de caixa para aquele período. Desse modo, devemos considerar a DRE como um relatório econômico, ou seja, de fluxo econômico, e não financeiro ou de caixa. E a despesa com depreciação é um caso típico de despesa que não afeta o caixa. Atenção 106 Contabilidade Geral Comparativo entre os dois modelos da DFC, direto e indireto: Tabela 15 Demonstração dos Fluxos de Caixa da Empresa E DFC (em R$) – direto Mês 1 DFC (em R$) – indireto Mês 1 Recebido de clientes 1.000,00 Lucro 100,00 Pagamento a fornecedores 0 Variação em Contas a Receber (1.000,00) Pagamento de despesas operacionais (100,00) Variação com Estoques 1.500,00 Pagamento de impostos 0 Variação com Fornecedores 0 xxxxxxxxx 0 Variação com despesas e impostos 300,00 Fluxo das atividades operacionais 900,00 Fluxo das atividades operacionais 900,00 Outros investimentos em longo prazo 0 Outros investimentos em longo prazo 0 Imobilizado 0 Imobilizado 0 Fluxo dos investimentos 0 Fluxo dos investimentos 0 Capital Social 0 Capital Social 0 Dividendos 0 Dividendos 0 Fluxo dos financiamentos 0 Fluxo dos financiamentos 0 VARIAÇÃO DE CAIXA 900,00 VARIAÇÃO DE CAIXA 900,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Observações: As diferenças se concentram apenas no Fluxo das Atividades Ope- racionais. O modelo direto leva em conta os valores de entrada e saída de caixa. O indireto considera o resultado de R$ 100,00, adicionado aos R$ 300,00 de financiamentos operacionais com despesas e impostos, com a redução de R$ 1.500,00 nos investimentos em estoques, e dimi- nuído de R$ 1 mil, no aumento dos investimentos em contas a receber de clientes, por vendas a prazo, gerando R$ 900,00 a mais em caixa. Isto é, R$ 100,00 + R$ 200,00 + R$ 100,00 + R$ 1.500,00 – R$ 1.000,00 = R$ 900,00. Observe que tanto o Fluxo dos Investimentos quanto o de Financiamentos são iguais nos dois modelos. No modelo indireto, uma regra prática para a classificação dos va- lores é pensar nos Ativos como investimentos, e nos Passivos como financiamentos. Para uma pessoa investir, sai recurso, e quando finan- cia algo, recebe recurso. Nas empresas ocorre o mesmo. Na compra de um produto para revendê-lo, há um investimento, seja com dinheiro de seu caixa, seja com crédito do fornecedor. Logo, consideramos sinal negativo no fluxo dos Ativos operacionais pelo aumento de estoque. De outro lado, se a aquisição for com crédito do fornecedor, ocorre Demonstração dos Fluxos de Caixa 107 um aumento de financiamento, portanto, uma entrada de recurso pelo aumento do Passivo; logo, o sinal será positivo no fluxo dos Passivos operacionais. Na venda do produto à vista, há um aumento do caixa, e na venda a prazo, um acréscimo em contas a receber no Ativo; logo, o sinal será negativo no fluxo dos Ativos operacionais. Nos exemplos citados, os estoques e as contas a receber são con- siderados no fluxo das atividades operacionais. Isso porque sem pro- dutos e sem conceder prazo para pagamento das vendas, os negócios seriam quase nulos, com exceçãodas vendas à vista, as quais resulta- riam em um aumento direto no caixa. Por outro lado, para manter um certo nível de negócios, é usual contar com crédito dos fornecedores, além de outros gastos para manutenção das atividades, como salários, impostos, contas a pagar de telefonia, propaganda, aluguel etc. Exemplo 2 (empresa F) Vamos, novamente, visualizar ambos modelos, direto e indireto, ob- servando as diferenças entre eles, mas, dessa vez, com a empresa F, usando o histórico no período de 01/01 a 31/01/20X0: Tabela 16 Demonstração de Resultados do Exercício da Empresa F DRE – Mês 01/20X0 R$ Receita de vendas 2.000,00 Custo dos produtos vendidos (1.000,00) Lucro Bruto 1.000,00 Despesas com aluguel (500,00) Lucro operacional 500,00 Impostos (200,00) Lucro do período 300,00 Fonte: Elaborada pelo autor. A Tabela 17 representa os Balanços Patrimoniais ao fim do mês. Tabela 17 Balanços Patrimoniais (antes e após a atividade do mês 1) Balanços Patrimoniais da Empresa F (em R$) Ano de 20X0 ATIVO 01/01 31/01 PASSIVO 01/01 31/01 Caixa 10.000,00 9.000,00 Fornecedores 1.000,00 0 Contas a receber 0 2.000,00 Aluguel 0 500,00 Estoques 1.000,00 0 Impostos 0 200,00 A regra prática serve para o modelo indireto em toda DFC: Acréscimo de Ativo e Decréscimo de Passivo = sinal negativo. Decréscimo de Ativo e Acréscimo de Passivo = sinal positivo. Atenção (Continua) 108 Contabilidade Geral Balanços Patrimoniais da Empresa F (em R$) Ano de 20X0 xxxxxxxxx 0 0 Financiamento de equipamentos 3.000,00 Ativo Circulante 11.000,00 11.000,00 Passivo Circulante 1.000,00 3.700,00 Outros investimen- tos 0 0 Capital social 10.000,00 10.000,00 Imobilizado 0 3.000,00 Lucros Acumulados 0 300,00 Ativo Não Circu- lante 0 3.000,00 Patrimônio Líqui- do 10.000,00 10.300,00 TOTAL 11.000,00 14.000,00 TOTAL 11.000,00 14.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Comparativo entre os dois modelos da DFC, direto e indireto: Tabela 18 Demonstração dos Fluxos de Caixa da Empresa F DFC (em R$) – direto Mês 1 DFC (em R$) – indireto Mês 1 Recebido de clientes 0 Lucro 300,00,00 Pagamento a fornecedores (1.000,00) Variação em Contas a Receber (2.000,00) Pagamento despesas opera- cionais 0 Variação com Estoques 1.000,00 Pagamento de impostos 0 Variação com Fornecedores (1.000,00) xxxxxxxxx 0 Variação com despesas e impostos 700,00 Fluxo das atividades opera- cionais (1.000,00) Fluxo das atividades ope- racionais (1.000,00) Outros investimentos em lon- go prazo 0 Outros investimentos em longo prazo 0 Imobilizado (3.000,00) Imobilizado (3.000,00) Fluxo dos investimentos (3.000,00) Fluxo dos investimentos (3.000,00) Financiamento de equipamentos 3.000,00 Financiamento de equipamentos 3.000,00 Capital Social 0 Capital Social 0 Dividendos 0 Dividendos 0 Fluxo dos financiamentos 3.000,00 Fluxo dos financiamentos 3.000,00 VARIAÇÃO DE CAIXA (1.000,00) VARIAÇÃO DE CAIXA (1.000,00) Fonte: Elaborada pelo autor. Observações: As diferenças se concentram apenas no Fluxo das Atividades Ope- racionais. O modelo direto considera os valores de entrada e saída de caixa. O modelo indireto considera o resultado de R$ 300,00, adicio- Demonstração dos Fluxos de Caixa 109 nado aos R$ 700,00 de financiamentos operacionais com despesas e impostos, adicionado da redução de R$ 1.000,00 nos investimentos em estoques, diminuído de R$ 2.000,00 no aumento dos investimen- tos em contas a receber de clientes por vendas a prazo, diminuído de R$ 1.000,00 pelo pagamento a fornecedores, reduzindo R$ 1.000,00 no caixa, ou seja, R$ 300,00 + R$ 700,00 + R$ 1.000,00 – R$ 2.000,00 – R$ 1.000,00 = (R$ 1.000,00). Observe que, novamente, o Fluxo dos Investimentos e o de Financiamentos são iguais nos dois modelos. A diferença ocorre apenas no Fluxo das atividades operacionais. No modelo direto, todos os recursos financeiros de entrada e saída são registrados no fluxo das atividades operacionais, enquanto no mode- lo indireto, é necessário fazer uma reconciliação dos resultados, com as variações dos Ativos e passivos considerados operacionais. Ao se observar esse modelo indireto, podemos nos deparar com alguma difi- culdade na interpretação das contas consideradas como operacionais. Portanto, cabe ao analista conhecer muito bem o negócio principal da empresa, como nos exemplos acima e se lembrar da regra prática para a elaboração do modelo indireto. Ativos são investimentos e Passi- vos são financiamentos, mas, se considerados das atividades básicas da empresa, devemos atualizar os valores do início ao término do período. Quando Ativos operacionais crescem, ocorre mais investimento; logo, sai recurso no fluxo de caixa, e o inverso também acontece, quando Ati- vos operacionais decrescem, ocorre um desinvestimento, entra recurso no fluxo de caixa. Do lado dos Passivos operacionais, quando crescem, há um aumento de obrigações; consequentemente, entra recurso no flu- xo de caixa, e quando decrescem, sai recurso no fluxo de caixa. Estudo de caso Elaboração da DFC da empresa X A empresa X foi aberta no início do ano 20X1, com integralização de capital social no valor de R$ 10 mil. Durante o primeiro ano de ativida- des, comprou produtos para revenda com crédito dos fornecedores. Obteve empréstimos a curto e longo prazos e adquiriu equipamentos para a loja no valor de R$ 10 mil, pagando à vista. Os resultados do ano 110 Contabilidade Geral de 20X1 e os Balanços, iniciais e finais, são representados nas tabelas a seguir. Tabela 19 Demonstração de Resultados da Empresa X para 20X1 DRE da Empresa X (em R$) 20X1 Receitas das vendas 25.000,00 Custo dos produtos vendidos (18.000,00) Lucro bruto 7.000,00 Despesas administrativas (2.000,00) Despesas comerciais (3.000,00) Despesas financeiras (200,00) Despesas com depreciação (1.000,00) Lucro operacional 800,00 Impostos e Contribuições (300,00) Lucro Líquido 500,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 20 Balanços Patrimoniais da Empresa X (em R$) Balanço Patrimonial da Empresa X (em R$) ATIVO 01/01/X1 31/12/X1 PASSIVO 01/01/X1 31/12/X1 Caixa 0 200,00 Fornecedores 0 2.000,00 Contas a receber 0 800,00 Despesas correntes 0 600,00 Estoques 0 3.000,00 Empréstimos em curto pra- zo 0 500,00 Ativo Circulante 0 4.000,00 Passivo Circulante 0 3.100,00 xxxxxxxxx 0 0 Financiamentos em longo prazo 0 1.400,00 Outros investimentos 0 0 Passivo Não Circulante 0 1.400,00 Imobilizado 10.000,00 12.000,00 Capital Social 10.000,00 10.000,00 (Depreciação acumulada) 0 (1.000,00) Lucros Acumulados 0 500,00 Ativo Não Circulante 10.000,00 11.000,00 Patrimônio Líquido 10.000,00 10.500,00 TOTAL 10.000,00 15.000,00 TOTAL 10.000,00 15.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. A seguir, observe a DFC, modelos direto e indireto. Demonstração dos Fluxos de Caixa 111 Tabela 21 Demonstração dos Fluxos de Caixa da Empresa X (em R$) DFC - modelo direto (em R$) 20X1 DFC - modelo indireto (em R$) 20X1 Recebimento de clientes 24.200,00 Lucros 500,00 Pagamento a fornecedores (19.000,00) Despesas que não afetam o caixa 1.000,00 Pagamento de despesas (4.600,00) Contas a receber (800,00) Empréstimos em curto prazo 500,00 Estoques (3.000,00) Pagamento de impostos (300,00) Fornecedores 2.000,00 xxxxxxxxx 0 Despesas correntes 600,00 xxxxxxxxx 0 Empréstimos em curto prazo 500,00 Fluxos das atividades ope- racionais 800,00 Fluxos das atividades ope- racionais 800,00 Outros investimentos 0 Outros investimentos 0 Imobilizado (2.000,00) Imobilizado (2.000,00) Fluxo dos investimentos (2.000,00) Fluxo dos investimentos (2.000,00) Financiamento de equipamen- tos em longo prazo 1.400,00 Financiamento de equipamen- tos em longo prazo 1.400,00 Capital Social 0 Capital Social 0 Dividendos 0 Dividendos 0 Fluxo dos financiamentos 1.400,00 Fluxo dos financiamentos 1.400,00 VARIAÇÃO DE CAIXA 200,00 VARIAÇÃO DE CAIXA 200,00 Observação: foi realizada a reposição das despesas com depre- ciação no fluxo das atividades operacionais, uma vez que não repre- sentam saída de caixa. Assim,caso todas as receitas sejam recebidas e todas as despesas desembolsáveis sejam pagas, o resultado em caixa será a soma do lucro e das despesas com depreciação. 112 Contabilidade Geral Durante seu segundo ano de atividades, a Empresa X vendeu produtos no valor de R$ 30 mil, ao custo de R$ 21,6 mil; apresentou despesas administrativas de R$ 2,4 mil, despesas comerciais de R$ 3,6 mil e despesas financeiras de R$ 240,00. Após o cálculo do lucro operacional, seus impostos foram de R$ 360,00. Você deve calcular o lucro líquido. Durante o ano de 20X2, adquiriu mais R$ 1 mil em imobilizado e R$ 900,00 em ou- tros investimentos. Terminou o ano com R$ 1,2 mil a mais em contas a receber, R$ 1 mil a mais em estoques e R$ 100,00 a mais em caixa. Houve um aumento de R$ 1 mil nos créditos com os fornecedores, R$ 300,00 a mais nas despesas correntes a pagar, R$ 100,00 a mais nos empréstimos a curto prazo e R$ 1 mil a mais nos financiamentos a longo prazo. Os acionistas decidiram não distribuir dividendos. Com base nas demonstrações já realizadas da Empresa X, prepare a nova DRE para o ano de 20X2, encerre o Balanço Patrimonial em 31/12/20X2 e elabore a DFC nos dois modelos, direto e indireto. Atividade 1 A empresa Y, criada em 20X0, com capital de R$ 20 mil, iniciou suas atividades comerciais comprando produtos para revenda com o crédito de seus fornecedores. Financiou a longo prazo equipamentos adquiridos pelo valor de R$ 5 mil. A seguir, veja os resultados do ano de 20X0 e os balanços. Tabela 22 Demonstração de Resultados da Empresa Y para 20X0 DRE da empresa Y (em R$) 20X0 Receitas das vendas 20.000,00 Custo dos produtos vendidos (14.000,00) Lucro bruto 6.000,00 Despesas administrativas (2.000,00) Despesas comerciais (2.500,00) Despesas financeiras (100,00) Despesas com depreciação (500,00) Lucro operacional 900,00 Impostos e Contribuições (100,00) Lucro Líquido 800,00 (Continua) Atividade 2 Demonstração dos Fluxos de Caixa 113 Tabela 23 Balanços Patrimoniais da Empresa Y no ano de 20X0 (em R$) ATIVO 01/01 31/12 PASSIVO 01/01 31/12 Caixa 20.000,00 15.500,00 Fornecedores 0 1.000,00 Contas a receber 0 3.000,00 Despesas correntes 0 200,00 Estoques 0 2.000,00 Empréstimos em curto prazo 0 0 Ativo Circulante 20.000,00 20.500,00 Passivo Circulante 0 1.200,00 Financiamentos em longo prazo 0 3.000,00 Outros investimentos 0 0 Passivo Não Circulante 0 3.000,00 Imobilizado 0 5.000,00 Capital Social 20.000,00 20.000,00 (Depreciação acumulada) 0 (500,00) Lucros Acumulados 0 800,00 Ativo Não Circulante 0 4.500,00 Patrimônio Líquido 20.000,00 20.800,00 TOTAL 20.000,00 25.000,00 TOTAL 20.000,00 25.000,00 Elabore a DFC nos modelos direto e indireto. Ao término do segundo ano de atividades, a empresa Y apresentou os resultados e os balanços finais dos primeiros dois anos de suas atividades: Tabela 24 Demonstração dos Resultados da Empresa Y DRE da empresa X (em R$) 20X0 20X1 Receitas das vendas 20.000,00 28.000,00 Custo dos produtos vendidos (14.000,00) (19.000,00) Lucro bruto 6.000,00 9.000,00 Despesas administrativas (2.000,00) (2.800,00) Despesas comerciais (2.500,00) (3.100,00) Despesas financeiras (100,00) (300,00) Despesas com depreciação (500,00) (500,00) Lucro operacional 900,00 2.300,00 Impostos e Contribuições (100,00) (300,00) Lucro Líquido 800,00 2.000,00 (Continua) Atividade 3 114 Contabilidade Geral Tabela 25 Balanços Patrimoniais da Empresa Y (20X0 e 20X1 em R$) ATIVO 31/12/20X0 31/12/20X1 PASSIVO 31/12/20X0 31/12/20X1 Caixa 15.500,00 14.500,00 Fornecedores 1.000,00 2.000,00 Contas a rece- ber 3.000,00 4.500,00 Despesas cor- rentes 200,00 500,00 Estoques 2.000,00 3.000,00 Impostos a pagar 0 200,00 Ativo Circu- lante 20.500,00 22.000,00 Passivo Circu- lante 1.200,00 2.700,00 Financiamentos em longo prazo 3.000,00 2.500,00 Outros inves- timentos 0 0 Passivo Não Circulante 3.000,00 2.500,00 Imobilizado 5.000,00 7.000,00 Capital Social 20.000,00 20.000,00 Depreciação acumulada (500,00) (1.000,00) Lucros Acumu- lados 800,00 2.800,00 Ativo Não Circulante 4.500,00 6.000,00 Patrimônio Líquido 20.800,00 22.800,00 TOTAL 25.000,00 28.000,00 TOTAL 25.000,00 28.000,00 Prepare a DFC nos modelos direto e indireto. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os modelos da demonstração dos fluxos de caixa, direto e indireto, apresentam os fluxos de origem e destino dos recursos utilizados pela empresa, seja para sua atividade básica, considerada como operacional, seja para outros investimentos, tais como sua estrutura, no caso dos equipamentos, construções, terrenos, veículos etc., seja para outros fi- nanciamentos, tais como empréstimos bancários, aumento ou redução de capital social e distribuição de dividendos. Devemos lembrar a importância dessa demonstração, obedecendo o regime de caixa, ao invés do regime de competência que regula outras de- monstrações. A observação no dia a dia do gestor é da disponibilidade de dinheiro para suas atividades imediatas, incluindo previsões no curto pra- zo de recursos disponíveis ou necessários para as despesas, pagamentos diversos ou mesmo aplicações. E, por essas razões, a expressão de fluxos de caixa inclui a expressão quase caixa, isto é, as aplicações financeiras de curto prazo, e em condições de liquidez imediata, também entram na con- sideração para se avaliar as variações de “caixa”. Obedece, assim, o comitê de pronunciamentos contábeis (CPC) que tem como objetivo emitir pa- Demonstração dos Fluxos de Caixa 115 receres viabilizando a convergência das práticas brasileiras aos padrões internacionais de contabilidade. REFERÊNCIAS BRASIL. Lei n. 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Diário Oficial de União, Poder Executivo, Brasília, DF, 17 dez. 1976. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ l6404consol.htm. Acesso em: 26 mar. 2020. BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial de União, Poder Executivo, Brasília, DF, 28 dez. 2007. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 26 dez. 2020. IUDÍCIBUS, S; MARION, J. C. Curso de Contabilidade para não contadores. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2009. GABARITO 1. DemonstraçõesDemonstrações dos Resultados da Empresa X. DRE da empresa X (em R$) 20X1 20X2 Receitas das vendas 25.000,00 30.000,00 Custo dos produtos vendidos (18.000,00) (21.600,00) Lucro bruto 7.000,00 8.400,00 Despesas administrativas (2.000,00) (2.400,00) Despesas comerciais (3.000,00) (3.600,00) Despesas financeiras (200,00) (240,00) Despesas com depreciação (1.000,00) (1.200,00) Lucro operacional 800,00 960,00 Impostos e Contribuições (300,00) (360,00) Lucro Líquido 500,00 600,00 Balanços Patrimoniais da Empresa X (em R$) ATIVO 31/12/20X1 31/12/20X2 PASSIVO 31/12/20X1 31/12/20X2 Caixa 200,00 300,00 Fornecedores 2.000,00 3.000,00 Contas a re- ceber 800,00 2.000,00 Despesas cor- rentes 600,00 900,00 Estoques 3.000,00 4.000,00 Empréstimos em curto prazo 500,00 600,00 Ativo Circu- lante 4.000,00 6.300,00 Passivo Circu- lante 3.100,00 4.500,00 xxxxxxxxx 0 0 Financiamentos em longo prazo 1.400,00 2.400,00 116 Contabilidade Geral ATIVO 31/12/20X1 31/12/20X2 PASSIVO 31/12/20X1 31/12/20X2 Outros inves- timentos 900,00 Passivo Não Circulante 1.400,00 2.400,00 Imobilizado 12.000,00 13.000,00 Capital Social 10.000,00 10.000,00 Depreciação acumulada (1.000,00) (2.200,00) Lucros Acumu- lados 500,00 1.100,00 Ativo Não Circulante 11.000,00 11.700,00 Patrimônio Líquido 10.500,00 11.100,00 TOTAL 15.000,00 18.000,00 TOTAL 15.000,00 18.000,00 Demonstração dos Fluxos de Caixa da Empresa X (em R$) DFC - modelo direto (em R$) 20X2 DFC - modelo indireto (em R$) 20X2 Recebimento de clientes 28.800,00 Lucros 600,00 Pagamento a fornecedo- res (21.600,00) Despesas que não afe- tam o caixa 1.200,00 Pagamento de despesas (5.940,00) Contas a receber (1.200) Empréstimos cp + lp 100,00 Estoques (1.000,00) Pagamento de impostos (360,00) Fornecedores 1.000,00 xxxxxxxxx0 Despesas correntes 300,00 xxxxxxxxx 0 Empréstimos de curto prazo 100,00 Fluxos das atividades operacionais 1.000,00 Fluxos das atividades operacionais 1.000,00 Outros investimentos (900,00) Outros investimentos (900,00) Imobilizado (1.000,00) Imobilizado (1.000,00) Fluxo dos investimen- tos (1.900,00) Fluxo dos investimen- tos (1.900) Financiamento em longo prazo 1.000,00 Financiamento em longo prazo 1.000,00 Capital Social 0 Capital Social 0 Dividendos 0 Dividendos 0 Fluxo dos financia- mentos 1.000,00 Fluxo dos financia- mentos 1.000,00 VARIAÇÃO DE CAIXA 100,00 VARIAÇÃO DE CAIXA 100,00 Demonstração dos Fluxos de Caixa 117 2. DFC - modelo direto (em R$) – Y 20X0 DFC - modelo indireto (em R$) – Y 20X0 Recebimento de clientes 17.000 Lucros 800,00 Pagamento a fornecedores (15.000,00) Despesas que não afetam o caixa 500,00 Pagamento de despesas (4.400,00) Contas a receber (3.000,00) Empréstimos em curto pra- zo Estoques (2.000,00) Pagamento de impostos (100,00) Fornecedores 1.000,00 Despesas correntes 200,00 Empréstimos em curto prazo 0 Fluxos das atividades operacionais (2.500,00) Fluxos das atividades ope- racionais (2.500,00) Outros investimentos Outros investimentos Imobilizado (5.000,00) Imobilizado (5.000,00) Fluxo dos investimentos (5.000,00) Fluxo dos investimentos (5.000,00) Financiamento em longo prazo 3.000,00 Financiamento em longo prazo 3.000,00 Capital Social Capital Social Dividendos Dividendos Fluxo dos financiamen- tos 3.000,00 Fluxo dos financiamentos 3.000,00 VARIAÇÃO DE CAIXA (4.500,00) VARIAÇÃO DE CAIXA (4.500,00) 3. DFC - modelo direto (em R$) 20X1 DFC - modelo indireto (em R$) 20X1 Recebimento de clientes 26.500,00 Lucros 2.000,00 Pagamento a fornecedo- res (19.000) Despesas que não afetam o caixa 500,00 Pagamento de despesas (5.900,00) Contas a receber (1.500,00) Pagamento de impostos (100,00) Estoques (1.000,00) Fornecedores 1.000,00 Despesas correntes 300,00 Empréstimos em curto prazo 200,00 (Continua) 118 Contabilidade Geral DFC - modelo direto (em R$) 20X1 DFC - modelo indireto (em R$) 20X1 Fluxos das atividades operacionais 1.500,00 Fluxos das atividades operacionais 1.500 Outros investimentos 0 Outros investimentos 0 Imobilizado (2.000,00) Imobilizado (2.000,00) Fluxo dos investimen- tos (2.000,00) Fluxo dos investimen- tos (2.000,00) Financiamento em longo prazo (500,00) Financiamento em longo prazo (500,00) Capital Social Capital Social Dividendos Dividendos Fluxo dos financiamen- tos (500,00) Fluxo dos financiamen- tos (500,00) VARIAÇÃO DE CAIXA (1.000,00) VARIAÇÃO DE CAIXA (1.000,00) Demonstração do Valor Adicionado 119 6 Demonstração do Valor Adicionado Graças a fortes movimentos sociais, por volta da década de 1960, tanto na Europa como nos Estados Unidos, surgiu uma de- manda por informações da contribuição e do comprometimento das empresas com toda a sociedade, e não apenas dos proprie- tários e gestores envolvidos diretamente com as suas atividades. Essa ideia culminou em uma nova demonstração denominada Balanço Social, em que o item mais conhecido é o Valor Adicionado, o qual tem como objetivo dar informações sobre a responsabili- dade social, demonstrando ao público geral, como é distribuída a riqueza produzida pela empresa, seja a proprietários, empregados, municípios, estados etc. O Balanço Social compreende a atuação da empresa com o meio ambiente e a contribuição para com a sociedade em geral, e pode ser considerado uma das mais impor- tantes demonstrações financeiras das empresas, apesar de ser divulgada para a população. Nas últimas décadas, a ciência contábil desenvolveu estudos mostrando informações que ainda não eram divulgadas pelas empresas e hoje são conhecidas por Balanço Social. Certamente, com o tempo e uso apropriado, será utilizado como um dos mais importantes instrumentos de informações para a determinação de grande parte das políticas públicas, por meio de seus resulta- dos e análises. Não há dúvidas de que a Contabilidade Social ou Nacional, que fornece informações para a gestão dos governos, dá origem aos estudos para a evolução do Balanço Social e, por con- sequência, ao Valor Adicionado. 120 Contabilidade Geral 6.1 Demonstração do Valor Adicionado (DVA) Vídeo A Contabilidade Nacional, enquanto instrumento de medida de todas as atividades econômicas da nação, procura medir os agrega- dos macroeconômicos, enquanto o Valor Adicionado está associado ao agregado microeconômico (MONTORO, 1994). Em outras palavras, mede o quanto da produção de uma riqueza está sendo distribuída a terceiros. A elaboração e publicação da DVA é obrigatória para todas as em- presas de capital aberto com negociação de suas ações em bolsa de valores (BRASIL, 2007). As informações podem ser obtidas no site do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), em que consta a seguinte afirmação: “A DVA – Demonstração do Valor Adicionado é obrigatória apenas para as companhias abertas, e para outras que a lei exigir” (CFC, 2020, n.p.). Devemos compreender a empresa como uma atividade situada entre produtor e consumidor, agregando, portanto, valor aos pro- dutos e serviços desde a fabricação, transformação e o consumo fi- nal. Mesmo não sendo obrigatória a DVA para pequenas e médias empresas, é possível tirar informações nas demonstrações de re- sultados e balanços e, assim, elaborar esse novo relatório do Valor Adicionado, discriminando receitas, custos, despesas e lucro. Como riqueza gerada pela empresa, o Valor Adicionado compreende a re- ceita bruta deduzida de todos os valores que reduzem os resultados oriundos de terceiros, como os materiais, produtos e serviços, mos- trando a distribuição dessa diferença aos empregados, governos, financiadores externos e proprietários. A DVA tem por objetivo fornecer informações da riqueza adiciona- da pela empresa, isto é, cumprir com a responsabilidade social, de- monstrando, ao público em geral, como tal riqueza foi distribuída a empregados, governos, financiadores externos de capital (capital de terceiros) e proprietários (capital próprio) da empresa. O exemplo a seguir, embora não seja completo, pode ajudar a com- preender as origens das informações que devem constituir a DVA. O então ministro da fazenda, de 1974 a 1979, Mário Henrique Simonsen, publicava, em 1975, o livro Macroeconomia, definin- do o produto nacional: “a soma dos valores adicionados [...] em todas as etapas dos processos de produção do país” (SIMONSEN, 1975, p. 83). Saiba mais Demonstração do Valor Adicionado 121 Exemplo 1 Observe, na Tabela 1, a situação de três empresas de diferentes se- tores, mas interligadas pelo fornecimento de produtos entre elas. Uma no setor primário, por concessão governamental (exploração de miné- rio); outra no setor secundário (indústria de transformação), fabrican- do produtos vendidos aos consumidores por meio de distribuidores; e a última no setor terciário (comércio), vendendo os produtos acabados para os consumidores. Tabela 1 Resultados das empresas em R$ Demonstração de Resultados Mineradora Indústria Comércio Receita de vendas 30.000,00 70.000,00 90.000,00 Custo dos insumos (matérias-primas) 0,00 30.000,00 70.000,00 Despesas com salários 10.000,00 20.000,00 8.000,00 Despesas com juros 6.000,00 9.000,00 6.000,00 Impostos 4.000,00 5.000,00 2.000,00 Resultado ou Lucro Líquido 10.000,00 6.000,00 4.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Podemos observar as passagens dos custos dos insumos do primei- ro setor ao seguinte e deste ao último, e fazer a DVA por setor: pri- mário (mineradora), secundário (indústria transformadora), e terciário (comércio prestador de serviços). No exemplo anterior, a produção da mineradora foi vendida à in- dústria pelo valor de R$ 30.000,00. Esse valor é recebido como custo dos insumos da indústria, para adicionar mais R$ 40.000,00 (entre des- pesas com salários, juros, impostos e lucros) e vender por R$ 70.000,00 ao comércio.Esse último, por sua vez, recebeu como custo os R$ 70.000,00 mais R$ 20.000,00 (entre despesas com salários, juros, im- postos e lucros), ao vender para o consumidor final por R$ 90.000,00. A seguir, a Tabela 2 apresenta uma demonstração da distribuição desses valores à sociedade, aqui entendendo o termo sociedade como empregados, governos, instituições financeiras e proprietários. 122 Contabilidade Geral Tabela 2 Valor Adicionado dos setores em R$ Demonstração do Valor Adicionado Mineradora Indústria Comércio Receita de vendas 30.000,00 70.000,00 90.000,00 Insumos adquiridos 0,00 30.000,00 70.000,00 Valor Adicionado 30.000,00 40.000,00 20.000,00 1. Distribuição a pessoal 10.000,00 20.000,00 8.000,00 2. Distribuição a juros 6.000,00 9.000,00 6.000,00 3. Distribuição aos governos 4.000,00 5.000,00 2.000,00 4. Distribuição aos proprietários 10.000,00 6.000,00 4.000,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Com os dados da Tabela 2, podemos tirar várias informações, tais como: a. Qual setor beneficia mais os empregados. b. Como é feita a distribuição aos governos (impostos) por setor. c. Qual o custo financeiro, ou juros, nesse processo. d. Qual o benefício distribuído aos proprietários. Tabela 3 Percentagem do Valor Adicionado distribuído à sociedade Demonstração do Valor Adicionado Mineradora Indústria Comércio Valor Adicionado 30.000,00 40.000,00 20.000,00 1. % do Valor Adicionado a pessoal 33% 50% 40% 2. % do Valor Adicionado a juros 20% 23% 30% 3. % do Valor Adicionado aos governos 13% 13% 10% 4. % do Valor Adicionado aos proprietários 33% 15% 20% Fonte: Elaborada pelo autor. Apesar de ser apenas um exemplo, e não necessariamente a reali- dade atual, a contribuição do Valor Adicionado aos empregados é su- perior na indústria, enquanto a contribuição aos proprietários é maior na mineradora. Nesse exemplo, o comércio contribui mais ao setor fi- nanceiro do que a mineradora e indústria. Entretanto, de uma maneira geral, a riqueza distribuída aos empregados representa boa parte do Valor Adicionado tanto na indústria como no comércio. Existem vários modelos para a elaboração da DVA (encontrados na literatura e na internet). Escolhemos um deles para ilustrar, a seguir, Demonstração do Valor Adicionado 123 simplificando e mostrando apenas os principais itens. Na prática, as empresas detalham mais a quem está sendo distribuído o Valor Adicio- nado. Por exemplo, no caso dos governos (item 8.2, Tabela 4), a separa- ção é entre as esferas federal, estadual e municipal. Algumas empresas ainda detalham o grupo de outros financiadores de recursos, separan- do aluguéis de juros com as instituições financeiras, ou mesmo outros títulos de dívida. No caso da distribuição aos empregados, mostram de- talhamentos da remuneração direta, dos benefícios, fundo de garantia e outros (Tabela 4). Tabela 4 Modelo de DVA Demonstração do Valor Adicionado em R$ mil 20X1 20X2 Descrição 1 – Receitas 2 – Insumos adquiridos de terceiros (inclui ICMS e IPI) 3 – Valor Adicionado bruto (1-2) 4 – Retenções 5 – Valor Adicionado líquido produzido pela entidade (3-4) 6 – Valor Adicionado recebido em transferência 7 – Valor Adicionado total a distribuir (5+6) 8 – Distribuição do Valor Adicionado 8.1 – Pessoal e encargos 8.2 – Impostos, taxas e contribuições 8.3 – Juros e aluguéis 8.4 – Juros s/ capital próprio e dividendos 8.5 – Lucro / prejuízo do exercício * O total do item 8 deve ser exatamente igual ao item 7. Fonte: Adaptada de Portal de Contabilidade, 2020. 6.2 Interpretando a DVA Vídeo Com o objetivo de ilustrar uma DVA, e saber como interpretá-la, observaremos os relatórios de empresas de capital aberto e, assim, apresentaremos as DVAs dos últimos dois anos da Alpargatas S.A., uma grande empresa produtora de calçados e produtos esportivos do país. Seu produto mais popular é a sandália Havaianas. 124 Contabilidade Geral Nesse caso, vamos conhecer suas DVAs de 2018 e 2019, resumidas para fins didáticos. Tabela 5 Demonstração do Valor Adicionado – Alpargatas S.A. – (2018 e 2019). DVA Consolidado – Alpargatas S.A. 2019 2018 Receitas 4.306.547,00 3.946.633,00 Insumos Adquiridos de Terceiros –1.938.553,00 –1.794.943,00 Valor Adicionado Bruto 2.367.994,00 2.151.690,00 Retenções –159.253,00 – 97.224,00 Valor Adicionado Líquido Produzido 2.208.741,00 2.054.466,00 Valor Adicionado Recebido em Transferência 37.998,00 – 39.292,00 Valor Adicionado Total a Distribuir 2.246.739,00 2.015.174,00 Distribuição do Valor Adicionado 2.246.739,00 2.015.174,00 1. Pessoal 912.625,00 758.805,00 2. Impostos, Taxas e Contribuições 890.514,00 666.305,00 3. Remuneração de Capitais de Terceiros 184.265,00 266.023,00 4. Remuneração de Capitais Próprios 259.335,00 324.041,00 Fonte: Elaborada pelo autor com base em Alpargatas, 2018 e Alpargatas, 2019. Com os dados da Tabela 5, podemos elaborar uma outra tabela, composta apenas dos percentuais distribuídos dos valores adicionais nos dois últimos anos da empresa Alpargatas S.A. Tabela 6 Valor e percentagem do Valor Adicionado da Alpargatas S.A. distribuído. Distribuição do Valor Adicionado da Alpargatas 2019 2018 Valor Adicionado (R$) 2.246.739,00 2.015.174,00 1. % do Valor Adicionado a pessoal 40,6% 37,7% 2. % do Valor Adicionado a governos (impostos) 39,6% 33,1% 3. % do Valor Adicionado a juros (capitais de 3os) 8,2% 13,2% 4. % do Valor Adicionado aos sócios (capitais próprios) 11,5% 16,1% Observações: praticamente 80% da distribuição do Valor Adicionado foi aos funcionários (item 1), e a governos (impostos e contribuições item 3), um aumento de 10% (70,8% em 2018 para 80,2% em 2019). Enquanto ocorreu redução aos capitais de 3os (juros) e aos proprietários, de 29,3% para 19,7%. Fonte: Elaborada pelo autor. Podemos observar, na Tabela 7, o crescimento e a redução de cada item, de 2018 para 2019, mesmo sem os detalhes do Valor Adicionado a cada grupo beneficiado pela distribuição. Demonstração do Valor Adicionado 125 Tabela 7 Variações no Valor Adicionado da Alpargatas S.A. Distribuição do Valor Adicionado 2019 % de variação 2018 Valor Adicionado (R$) 2.246.739,00 11,5% 2.015.174,00 1. Adicionado a pessoal 912.625,00 20,7% 758.805,00 2. Adicionado aos governos (impostos) 890.514,00 33,6% 666.305,00 3. Adicionado a juros (capitais de 3os) 184.265,00 (30,7%) 266.023,00 4. Adicionado aos proprietários (capital próprio) 259.335,00 (20%) 324.041,00 Fonte: Elaborada pelo autor. É interessante notarmos o acréscimo, nas somas das contribuições ao pessoal e aos governos, de 54,3% (20,7% + 33,6%), além de uma re- dução de 50,7% (30,7% + 20%), na soma de juros e proprietários. Para sabermos se essas variações são importantes para a empresa e para a sociedade, deveríamos contextualizar estudando os relatórios da administração. Para um novo exemplo, observaremos os relatórios financeiros da empresa Weg S.A., uma das maiores produtoras de motores elétricos no país, exportadora e com fábrica inclusive na China. Weg S.A. tem ca- pital aberto, e suas DVAs dos anos de 2018 e 2019 nos mostrarão como foram distribuídos seus valores adicionados nesse período. Tabela 8 DVA da Weg S.A. (principais itens e distribuição) Demonstração do Valor Adicionado – WEG S.A. – (anos 2019 e 2018) DVA – WEG – Consolidado (R$ mil) 2019 2018 Receitas 14.942.787,00 13.415.555,00 Insumos adquiridos de terceiros (8.222.395,00) (7.607.673,00) Valor Adicionado Bruto 6.720.392,00 5.807.882,00 Retenções: depreciação, amortização e exaustão (396.783,00) (317.023,00) Valor Adicionado líquido produzido pela entidade 6.323.609,00 5.490.859,00 Valor Adicionado recebido em transferência 927.817,00 881.103,00 Valor Adicionado total a distribuir 7.251.426,00 6.371.962,00 Distribuição do Valor Adicionado 7.251.426,00 6.371.962,00 1. Pessoal 3.173.416,00 2.639.287,00 2. Impostos, taxas e contribuições 1.476.632,00 1.454.946,00 Para obter mais detalhes, leia a página 11 do texto que trata da DVA da Alpargatas. Para isso, acesse o site, cliqueno ano de 2019, em seguida, em 4T19 e, por fim, selecione a opção Demonstrações Finan- ceiras Completas, para fazer o download do texto. Disponível em: https://ri.al- pargatas.com.br/listresultados. aspx?idCanal=wiumvO4IPwr- Ra7r34jMcIw==. Acesso em: 5 maio 2020. Saiba mais (Continua) 126 Contabilidade Geral DVA – WEG – Consolidado (R$ mil) 2019 2018 3. Remuneração de capitais de terceiros 968.923,00 933.581,00 4. Remuneração de capitais próprios 1.632.455,00 1.344.148,00 Fonte: Elaborada pelo autor com base em Weg, 2018 e Weg 2019. Com os dados da Tabela 8, podemos elaborar uma outra tabela, composta apenas dos percentuais distribuídos dos valores adicionais nos dois últimos anos da empresa Weg S.A. Tabela 9 Valor e percentagem do Valor Adicionado da Weg distribuído. Distribuição do Valor Adicionado da Weg 2019 2018 Valor Adicionado (R$) 7.251.426,00 6.371.962,00 1. % do Valor Adicionado a pessoal 43,8% 41,4% 2. % do Valor Adicionado a governos (impostos) 20,4% 22,8% 3. % do Valor Adicionado a juros (capitais de 3os) 13,4% 14,7% 4. % do Valor Adicionado aos sócios (capitais próprios) 22,5% 21,1% Fonte: Elaborada pelo autor. Podemos perceber, na Tabela 9, que pouco mais de 40% do Valor Adicionado foi distribuído aos funcionários (item 1) e mais de 20%, aos sócios (item 4). Governos receberam aproximadamente 20% (item 2), enquanto ocorreu pequena redução aos capitais de 3os (item 3). Na próxima tabela, foram calculados o percentual de variação do ano de 2018 para 2019. Tabela 10 Variações no Valor Adicionado da Weg S.A. Distribuição do Valor Adicionado 2019 2019/2018 2018 Valor Adicionado (R$) 7.251.426,00 13,8% 6.371.962,00 1. Adicionado a pessoal 3.173.416,00 20,2% 2.639.287,00 2. Adicionado aos governos (impostos) 1.476.632,00 1,5% 1.454.946,00 3. Adicionado a juros (capitais de 3os) 968.923,00 3,8% 933.581,00 4. Adicionado aos proprietários (capital próprio) 1.632.455,00 21,4% 1.344.148,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Para verificar o crescimento ou redução em cada item, poderíamos fazer a mesma análise com o primeiro quadro dos valores distribuídos a cada grupo, de 2018 para 2019, mesmo sem ter os detalhes do Valor Para obter mais detalhes, acesse o site da empresa, clique em Informações Financeiras, em seguida, Relatórios Anuais e, por fim, em Demonstrações Financeiras de 2019, para fazer o download da Demonstração do Valor Adicionado, na página 17. Saiba mais Demonstração do Valor Adicionado 127 Adicionado em cada beneficiado pela distribuição. É interessante no- tarmos o acréscimo na soma das contribuições ao pessoal e aos pro- prietários, de 41,6% (20,2% + 21,4%), e um aumento pouco expressivo de 1,5% aos governos e de 3,8% às instituições financeiras. A DVA apresenta a capacidade de geração e distribuição da rique- za de uma entidade. O que a torna diferente da DRE, em que o lucro líquido, na última linha, é apenas a parte do valor adicionado aos pro- prietários, ou aos sócios. A DVA, por sua vez, destaca, além da parte dos proprietários de capital na empresa, os outros patrocinadores da atividade, como empregados (que recebem salários e benefícios), insti- tuições financeiras (que cobram juros) e os governos (que cobram im- postos e contribuições). Estudo de caso Elaboração da Demonstração do Valor Adicionado da Comercial X A Comercial X foi aberta em 01/01/20X1 com um capital social de R$ 5.000,00 em dinheiro. Ao final do primeiro ano de atividades, apresen- tou sua DRE e seu Balanço Patrimonial. Observe a DVA que prepara- mos, de acordo com as informações fornecidas a seguir. Dados para a DVA da Comercial X em 20X1 1. Compra de mercadorias no valor de R$ 20.000,00, com ICMS de 18%. O valor do ICMS é de R$ 3.600,00, logo as compras líquidas somam R$ 16.400,00. 2. Receita da venda de produtos no valor de R$ 36.000,00, com ICMS de 18%, ou seja, R$ 6.480,00. Portanto as vendas líquidas foram de R$ 29.520,00. 3. Despesas administrativas e comerciais no valor de R$ 7.200,00, sendo R$ 1.100,00 em despesas gerais e R$ 6.100,00 em salários, incluindo R$ 1.220,00 de contribuição ao INSS. 4. A empresa tomou um empréstimo e pagou apenas os juros de R$ 150,00, valor original do empréstimo para um novo vencimento. 5. Imposto de Renda e Contribuição Social à alíquota de 34% sobre o Lucro antes do IR e CSLL. 6. Como o ICMS das compras foi compensado com o ICMS das vendas, a contribuição é de R$ 2.880,00 (R$ 6.480,00 – R$ 3.600,00). 128 Contabilidade Geral Tabela 11 Balanço Patrimonial da Comercial X Balanço Patrimonial – Comercial X em 31/12 em R$ Ativos 20X0 20X1 Passivo e PL 20X0 20X1 Caixa 5.000,00 5.738,00 ICMS 250,00 Duplicatas a receber 5.000,00 IR e CSLL 180,00 Empréstimos com bancos 1.500,00 Ativo Circulante 5.000,00 10.738,00 Passivo Circulante 0,00 1.930,00 Passivo Não Circulante 0,00 0,00 Capital Social 5.000,00 5.000,00 Lucros Acumulados 3.808,00 Ativo Não Circulante 0,00 0,00 Patrimônio Líquido 5.000,00 8.808,00 TOTAL 5.000,00 10.738,00 TOTAL 5.000,00 10.738,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 12 DRE da Comercial X DRE 20X1 Receita Bruta 36.000,00 ICMS sobre vendas (18%) (6.480,00) Receita Líquida 29.520,00 Custo dos produtos vendidos (16.400,00) Lucro Bruto 13.120,00 Despesas comerciais (4.320,00) Despesas administrativas (2.880,00) Despesas financeiras (150,00) Lucro antes do IR e CSLL 5.770,00 IR e CSLL (1.962,00) Lucro Líquido 3.808,00 Fonte: Elaborada pelo autor. Tabela 13 Demonstração do Valor Adicionado da Comercial X Demonstração do Valor Adicionado de 20X1 (R$) 1 Receitas 36.000,00 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 36.000,00 Provisão para devedores duvidosos ou reversão Não operacionais (Continua) Demonstração do Valor Adicionado 129 2 Insumos adquiridos de terceiros (com impostos) 21.100,00 Matérias-primas consumidas Custo dos produtos vendidos 20.000,00 Materiais, energia, serviços de terceiros 1.100,00 Perda ou recuperação de valores 3 Valor Adicionado Bruto 14.900,00 4 Retenções 0,00 Depreciação, amortização e exaustão 5 Valor adicionado líquido produzido pela entidade 14.900,00 6 Valor adicionado recebido em transferência 0,00 Equivalência Patrimonial Receitas financeiras 7 Valor Adicionado total a distribuir 14.900,00 8 Distribuição do Valor Adicionado 14.900,00 Pessoal e encargos 4.880,00 Impostos, taxas e contribuições 6.062,00 Remuneração de capitais de terceiros (inclui aluguel) 150,00 Remuneração de capitais próprios 3.808,00 Fonte: Elaborada pelo autor. A tabela a seguir mostra os percentuais da distribuição dos valores adicionados das duas empresas. Tabela 14 Distribuição do Valor Adicionado da Comercial X comparado com o da empresa Mercantil Comparação da Distribuição do Valor Adicionado Comercial Mercantil Valor Adicionado (R$) 14.900,00 5.200,00 1. % do Valor Adicionado a pessoal 32,8% 48,1% 2. % do Valor Adicionado a governos (impostos) 40,7% 34,5% 3. % do Valor Adicionado a juros (capitais de 3os) 1,0% 1,9% 4. % do Valor Adicionado aos sócios (capitais próprios) 25,6% 15,5% Fonte: Elaborada pelo autor. A Tabela 14 mostra, no caso da Comercial, uma distribuição de 32,8% do Valor Adicionado aos funcionários (item 1) e 25,6% aos só- cios (item 4). Governos receberam 40,7% (item 2), e os capitais de 3os (item 3) apenas 1,0%. Se compararmos com o caso da Mercantil, os empregados desta têm maior participação nos resultados do Valor Adi- cionado em relação aos proprietários. Alguns indicadores são utilizados para informações e compa- rações nos grupos de atividades setoriais, como produtividade, mão de obra, remuneração do capital, impostos entre outros. Como esse não é o propósito desta obra, indicamos, para maiores pesquisas, a leitura da obra Demonstração do Va- lor Adicionado – o cálculo da riqueza criada pela empresa ao valor do PIB. DE LUCA, M. M. M. et al. São Paulo: Atlas, 2009. Livro 130 Contabilidade Geral Somando os percentuais de distribuição do Valor Adicionado, dos grupos1 e 4, teremos a seguinte tabela 15: Tabela 15 Percentuais distribuídos a pessoal e sócios das duas empresas Comparação da Distribuição do Valor Adicionado Comercial Mercantil Total distribuído a pessoal e sócios 58,4% 63,6% Nesse exemplo, supondo ser a Mercantil uma empresa familiar, em que todos os membros da família trabalham, enquanto a Comercial não possui empregados pertencentes à família do proprietário, a ob- servação das diferenças no total do Valor Adicionado das duas mostra uma maior participação da família na distribuição do Valor Adicionado da empresa familiar. Empresa Comercial A empresa Mercadinho foi aberta em 31/12/20X0 com um capital social de R$ 10.000,00 em dinheiro. Ao final do primeiro ano de atividades, apresentou sua DRE e seu Balanço Patrimonial. Com esses dados e as informações internas de sua operação, descritas a seguir, prepare a DVA e elabore uma nova tabela com os percentuais da distribuição do Va- lor Adicionado para empregados, governos, financiadores externos e proprietários. Dados para a DVA da Mercadinho em 20X1 1. Compra de mercadorias no valor de R$ 14.000,00, com ICMS de 18%. O valor do ICMS é de R$ 2.520,00, logo as compras líquidas somam R$ 11.480,00. 2. Receita da venda de produtos no valor de R$ 20.000,00, com ICMS de 18%, ou seja, R$ 3.600,00. Logo as vendas líquidas foram de R$ 16.400,00. 3. Despesas administrativas e comerciais no valor de R$ 3.600,00, sendo R$ 800,00 com despesas gerais e R$ 2.800,00 em salários, incluindo R$ 300,00 de INSS. (Continua) Atividade 1 Demonstração do Valor Adicionado 131 4. A empresa tomou um empréstimo e pagou apenas os juros de R$ 100,00, renovando o valor original do empréstimo para um novo vencimento. 5. Imposto de Renda e Contribuição Social à alíquota de 34% sobre o Lucro antes do IR e CSLL. Observação: o ICMS das compras é compensado com o ICMS das vendas, logo, a diferença entre R$ 3.600,00 e R$ 2.520,00 será devida. Balanço Patrimonial da empresa Mercadinho Balanço Patrimonial – Mercadinho em 31/12 em R$ Ativos 20X0 20X1 Passivo e PL 20X0 20X1 Caixa 10.000,00 9.850,00 ICMS 10,00 Duplicatas a receber 2.000,00 IR e CSLL 35,00 Empréstimos com bancos 1.000,00 Ativo Circulante 10.000,00 11.850,00 Passivo Circulante 0,00 1.045,00 Financiamento Longo Prazo Passivo Não Circulante 0,00 0,00 Capital Social 10.000,00 10.000,00 Lucros Acumulados 805,00 Ativo Não Circulante 0,00 0,00 Patrimônio Líquido 10.000,00 10.805,00 TOTAL 10.000,00 11.850,00 TOTAL 10.000,00 11.850,00 DRE da empresa Mercadinho DRE 20X1 Receita Bruta 20.000,00 ICMS sobre vendas (18%) (3.600,00) Receita Líquida 16.400,00 Custo dos produtos vendidos (11.480,00) Lucro Bruto 4.920,00 Despesas comerciais (2.000,00) Despesas administrativas (1.600,00) Despesas financeiras (100,00) Lucro antes do IR e CSLL 1.220,00 IR e CSLL (415,00) Lucro Líquido 805,00 132 Contabilidade Geral Prestação de Serviços A empresa de Consultoria Z foi aberta em 31/12/20X0 com um capital social de R$ 10.000,00, R$ 5.000,00 em dinheiro e R$ 5.000,00 em equipamentos. Ao final do pri- meiro ano de atividades, apresentou sua DRE e seu Balanço Patrimonial. Com esses dados e as informações internas de sua operação, descritas a seguir, prepare a DVA e elabore uma nova tabela com os percentuais da distribuição do Valor Adicionado para empregados, governos, financiadores externos e proprietários. Dados para a DVA da Consultoria Z em 20X1 1. Receitas dos serviços no valor de R$ 80.000,00, gerando Imposto sobre Serviços (ISS) de 5% sobre o faturamento. 2. Despesas de serviços especializados no valor de R$ 28.000,00, incluindo o INSS de R$ 5.600,00. 3. Despesas administrativas com água, energia e materiais de escritório no valor de R$ 10.000,00, e de aluguel do escritório no valor de R$ 12.000,00. 4. Despesas com depreciação do equipamento no valor de R$ 500,00. 5. Imposto de Renda e Contribuição Social à alíquota de 25%. Balanço Patrimonial de Consultoria Z Balanço Patrimonial - Empresa de Consultoria Z em 31/12 em R$ Ativos 20X0 20X1 Passivo e PL 20X0 20X1 Caixa 5.000,00 17.490,00 ISS 333,00 Contas a receber 8.000,00 IR e CSLL 531,00 Ativo Circulante 5.000,00 25.490,00 Passivo Circulante 0,00 865,00 Equipamentos 5.000,00 5.000,00 Passivo Não Circulante 0,00 0,00 (Depreciação acumulada) (500,00) Capital Social 10.000,00 10.000,00 Lucros Acumulados 19.125,00 Ativo Não Circulante 5.000,00 4.500,00 Patrimônio Líquido 10.000,00 29.125,00 TOTAL 10.000,00 29.990,00 TOTAL 10.000,00 29.990,00 DRE da Consultoria Z DRE 20X1 Receita Bruta 80.000,00 ISS sobre vendas (4.000,00) Receita Líquida 76.000,00 (Continua) Atividade 2 Demonstração do Valor Adicionado 133 Despesas com especialistas (28.000,00) Despesas administrativas (10.000,00) Despesas com aluguel (12.000,00) Despesas com depreciação (500,00) Lucro antes do IR e CSLL 25.500,00 IR e CSLL (25%) (6.375,00) Lucro Líquido 19.125,00 Indústria A empresa Industrial T foi aberta em 31/12/20X0, com capital de R$ 30.000,00, R$ 10.000,00 em dinheiro e R$ 20.000,00 em máquinas. Veja a DRE, o Balanço Patrimo- nial, bem como as informações a seguir para preparar a DVA, e elabore uma nova tabela com os percentuais da distribuição do valor adicionado para empregados, go- vernos, financiadores externos e proprietários. Dados para a DVA da Industrial T em 20X1 1. O faturamento total foi de R$ 110.000,00, incluindo R$ 10.000,00 de IPI (Imposto sobre o Produto Industrializado). Sobre a receita bruta de R$ 100.000,00 incidiu 18% de Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), no valor de R$ 18.000,00, gerando uma Receita Líquida de R$ 82.000. A empresa vendeu todos os produtos fabricados. 2. Custo dos produtos fabricados no valor total de R$ 50.024,00 inclui R$ 35.000,00 de mão de obra direta, R$ 12.524,00 de matérias-primas e R$ 2.500,00 de materiais. 3. Despesas administrativas de R$ 8.000,00, sendo R$ 6.000,00 em salários e R$ 2.000,00 de INSS. 4. Despesas comerciais de R$ 16.000,00, sendo R$ 12.000,00 em salários e R$ 4.000,00 de INSS. A empresa ainda teve R$ 4.000,00 em despesas com aluguel. 5. Imposto de Renda e Contribuição Social à alíquota de 34%. 6. As compras de matérias-primas somaram R$ 16.800,00, incluindo o IPI de 10% (R$ 1.527,00). O ICMS, de 18%, sobre as compras líquidas de matérias-primas somaram R$ 2.749,00. 7. As compras de materiais da produção somaram R$ 3.354,00, incluindo o IPI de 10% (R$ 305,00). O ICMS, de 18% sobre as compras líquidas somaram R$ 549,00. 8. O INSS, no valor total de R$ 10.600,00, foi calculado em 20% sobre os salários da mão de obra direta, dos salários da administração e do departamento comercial. Além desses encargos, a empresa deve pagar a diferenças de IPI e ICMS entre compras e vendas. (Continua) Atividade 3 134 Contabilidade Geral Balanço Patrimonial da Industrial T Balanço Patrimonial - Industrial T em 31/12 em R$ Ativos 20X0 20X1 Passivo e PL 20X0 20X1 Caixa 10.000,00 11.564,00 IR e CSLL 300,00 Contas a receber 8.500,00 IPI e ICMS 2.500,00 Ativo Circulante 10.000,00 20.064,00 Passivo Circulante 0,00 2.800,00 Máquinas 20.000,00 20.000,00 Capital Social 30.000,00 30.000,00 (Depreciação acumulada) (2.000,00) Lucros Acumulados 5.264,00 Ativo Não Circulante 20.000,00 18.000,00 Patrimônio Líquido 30.000,00 35.264,00 TOTAL 30.000,00 38.064,00 TOTAL 30.000,00 38.064,00 DRE da Industrial T DRE 20X1 Faturamento bruto 110.000,00 (IPI 10% da Receita bruta) (10.000,00) Receita Bruta 100.000,00 ICMS (18.000,00) Receita Líquida 82.000,00 Custo dos produtos vendidos (50.024,00) Lucro Bruto 31.976,00 Despesas administrativas (8.000,00) Despesas comerciais (12.000,00) Despesas com aluguel (4.000,00) Lucro antes do IR e CSLL 7.976,00 IR e CSLL (2.712,00) Lucro Líquido 5.264,00 CONSIDERAÇÕES FINAIS A importância da DVA ainda não foi amplamente compreendida em nos- so país. Caso fosse feita por todas as empresas, serviria para a formação da produção nacional, ou o ProdutoInterno Bruto (PIB). Nesse sentido, o Brasil evidencia ainda um certo hiato de informações estatísticas da riqueza nacional, regional e setorial. Enquanto durar essa essa incompreensão da importância da DVA, estaremos sempre aguardando o censo a ser realiza- do pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para termos as estimativas da produção ou riqueza produzida em nosso país. Demonstração do Valor Adicionado 135 Mesmo com poucas informações, a utilização do Valor Adicionado pode servir de instrumento de análise para aprimoramento de políticas públicas, da mesma forma que as tradicionais análises de balanços e re- sultados das empresas, por meio de indicadores financeiros, são úteis para a tomada de decisões internas, como para comparações entre con- correntes e evolução ao longo do tempo. REFERÊNCIAS ALPARGATA. 2018. Divulgação de resultados. Disponível em: https://ri.alpargatas.com.br/ listresultados.aspx?idCanal=wiumvO4IPwrRa7r34jMcIw==. Acesso em: 5 maio 2020. ALPARGATA. 2019. Divulgação de resultados. Disponível em: https://ri.alpargatas.com.br/ listresultados.aspx?idCanal=wiumvO4IPwrRa7r34jMcIw==. Acesso em: 5 maio 2020. BRASIL. Lei n. 11.638, de 28 de dezembro de 2007. Diário Oficial da União, Poder Executivo, Brasília, DF, 09 jan., 2008. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007- 2010/2007/lei/l11638.htm. Acesso em: 5 maio 2020. MONTORO FILHO, A. F. Contabilidade Social: uma introdução à macroeconomia. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1994. SIMONSEN, M. H. Macroeconomia. Rio de Janeiro: Apec, 1975. WEG. Relações com investidores. 2018. Resultados do 1T20. Disponível em: https://ri.weg. net/. Acesso em: 5 maio 2020 WEG. Relações com investidores. 2019. Resultados do 1T20. Disponível em: https://ri.weg. net/. Acesso em: 5 maio 2020. GABARITO 1. Demonstração do Valor Adicionado da Mercadinho Demonstração do Valor Adicionado de 20X1 (R$) 1 Receitas 20.000,00 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 20.000,00 Provisão para devedores duvidosos ou reversão Não operacionais 2 Insumos adquiridos de terceiros (com impostos) 14.800,00 Matérias-primas consumidas Custo dos produtos vendidos 14.000,00 Materiais, energia, serviços de terceiros 800,00 Perda ou recuperação de valores 3 Valor Adicionado Bruto 5.200,00 4 Retenções 0,00 Depreciação, amortização e exaustão (Continua) 136 Contabilidade Geral 5 Valor Adicionado líquido produzido pela entidade 5.200,00 6 Valor Adicionado recebido em transferência 0,00 Equivalência Patrimonial Receitas financeiras 7 Valor Adicionado total a distribuir 5.200,00 8 Distribuição do Valor Adicionado 5.200,00 Pessoal e encargos 2.500,00 Impostos, taxas e contribuições 1.795,00 Remuneração de capitais de terceiros (inclui aluguel) 100,00 Remuneração de capitais próprios 805,00 Observações: a tabela a seguir mostra uma distribuição de 48,1% do Valor Adicionado aos funcionários (item 1) e 34,5% aos governos (item 2). Os proprietários ficaram com 15,5% (item 4), e aos capitais de 3os apenas 1,9% (item 3). É interessante observarmos as próximas demonstrações e contextualizar com a situação econômica geral e do se- tor de atividades, comparando com empresas diretamente concorrentes e similares, para melhor referência. Percentagens do Valor Adicionado da Mercadinho distribuído Distribuição do Valor Adicionado da Mercadinho 20X1 Valor Adicionado (R$) 5.200,00 1. % do Valor Adicionado a pessoal 48,1% 2. % do Valor Adicionado a governos (impostos) 34,5% 3. % do Valor Adicionado a juros (capitais de 3os) 1,9% 4. % do Valor Adicionado aos sócios (capitais próprios) 15,5% 2. Demonstração do Valor Adicionado da Consultoria Z Demonstração do Valor Adicionado de 20X1 (R$) 1 Receitas 80.000,00 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 80.000,00 Provisão para devedores duvidosos ou reversão Não operacionais 2 Insumos adquiridos de terceiros (com impostos) 10.000,00 Matérias-primas consumidas Custo dos serviços prestados Materiais, energia, serviços de terceiros 10.000,00 Perda ou recuperação de valores 3 Valor Adicionado Bruto 70.000,00 4 Retenções 500,00 Depreciação, amortização e exaustão 500,00 (Continua) Demonstração do Valor Adicionado 137 5 Valor Adicionado líquido produzido pela entidade 69.500,00 6 Valor Adicionado recebido em transferência 0,00 Equivalência Patrimonial Receitas financeiras 7 Valor Adicionado total a distribuir 69.500,00 8 Distribuição do Valor Adicionado 69.500,00 Pessoal e encargos 22.400,00 Impostos, taxas e contribuições 15.975,00 Remuneração de capitais de terceiros (inclui aluguel) 12.000,00 Remuneração de capitais próprios 19.125,00 Observações: a tabela a seguir mostra uma distribuição de 32,2% do Valor Adicio- nado ao prestador de serviços especializado (item 1) e 27,5% aos sócios (item 4). Go- vernos receberam 23% (item 2), e os capitais de 3os (item 3) 17,3%. Nesse caso, se o prestador de serviços fosse o proprietário, o Valor Adicionado a ele seria de 59,7% (32,2% + 27,5%). É bom observar a continuidade dessa atividade. Percentagens do Valor Adicionado da Consultoria Z distribuído. Distribuição do Valor Adicionado da Consultoria Z 20X1 Valor Adicionado (R$) 69.500,00 1. % do Valor Adicionado a pessoal 32,2% 2. % do Valor Adicionado a governos (impostos) 23,0% 3. % do Valor Adicionado a juros (capitais de 3os) 17,3% 4. % do Valor Adicionado aos sócios (capitais próprios) 27,5% 3. Demonstração do Valor Adicionado da Industrial T Demonstração do Valor Adicionado de 20X1 (R$) 1 Receitas 110.000,00 Vendas de mercadorias, produtos e serviços 110.000,00 Provisão para devedores duvidosos ou reversão Não operacionais 2 Insumos adquiridos de terceiros (com impostos) 20.154,00 Matérias-primas consumidas 16.800,00 Custo dos serviços prestados Materiais, energia, serviços de terceiros 3.354,00 Perda ou recuperação de valores 3 Valor Adicionado Bruto 89.846,00 4 Retenções 2.000,00 Depreciação, amortização e exaustão 2.000,00 5 Valor Adicionado líquido produzido pela entidade 87.846,00 (Continua) 138 Contabilidade Geral 6 Valor Adicionado recebido em transferência 0,00 Equivalência Patrimonial Receitas financeiras 7 Valor Adicionado total a distribuir 87.846,00 8 Distribuição do Valor Adicionado 87.846,00 Pessoal e encargos 42.400,00 Impostos, taxas e contribuições 36.182,00 Remuneração de capitais de terceiros (inclui aluguel) 4.000,00 Remuneração de capitais próprios 5.264,00 Observações: a tabela a seguir mostra uma distribuição de 48,3% do Valor Adicionado aos funcionários (item 1) e apenas 6% aos sócios (item 4). Governos receberam 41,2% (item 2), e os capitais de 3os (item 3) 4,6%. É importante continuarmos a observação nos próximos exercícios para uma constatação dessa distribuição. Percentagens do Valor Adicionado da Industrial T distribuído. Distribuição do Valor Adicionado da Industrial T 20X1 Valor Adicionado (R$) 87.846,00 1. % do Valor Adicionado a pessoal 48,3% 2. % do Valor Adicionado a governos (impostos) 41,2% 3. % do Valor Adicionado a juros (capitais de 3os) 4,6% 4. % do Valor Adicionado aos sócios (capitais próprios) 6,0% Ruy Lopes Cardoso CONTABILIDADE GERAL C O N TA B ILID A D E G E R A L R u y Lopes C ardoso Código Logístico 59012 Fundação Biblioteca Nacional ISBN 978-85-387-6553-0 9 7 8 8 5 3 8 7 6 5 5 3 0