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Lista de Literatura Série: 1º Ano Marília de Dirceu LIRA XIV Minha bela Marília, tudo passa; A sorte deste mundo é mal segura; Se vem depois dos males a ventura, Vem depois dos prazeres a desgraça. [...] Ah! enquanto os Destinos impiedosos Não voltam contra nós a face irada, Façamos, sim façamos, doce amada, Os nossos breves dias mais ditosos. Um coração, que frouxo A grata posse de seu bem difere, A si, Marília, a si próprio rouba, E a si próprio fere. Ornemos nossas testas com as flores. E façamos de feno um brando leito, Prendamo-nos, Marília, em laço estreito, Gozemos do prazer de sãos Amores. Sobre as nossas cabeças, Sem que o possam deter, o tempo corre; E para nós o tempo, que se passa, Também, Marília, morre. Com os anos, Marília, o gosto falta, E se entorpece o corpo já cansado; triste o velho cordeiro está deitado, e o leve filho sempre alegre salta. A mesma formosura É dote, que só goza a mocidade: Rugam-se as faces, o cabelo alveja, Mal chega a longa idade. Que havemos de esperar, Marília bela? Que vão passando os florescentes dias? As glórias, que vêm tarde, já vêm frias; E pode enfim mudar-se a nossa estrela. Ah! Não, minha Marília, Aproveite-se o tempo, antes que faça O estrago de roubar ao corpo as forças E AO SEMBLANTE A GRAÇA 01 O texto apresentado pertence às liras - Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga, poeta do século XVIII. O poeta tem conceitos sobre a vida e a passagem do tempo, levando em consideração a estética Arcade, explique que posição ele assume em relação a esses conceitos. 02 Horácio, poeta latino que viveu de 65 a.C. a 8 a.C., afirmava em suas Odes: carpe diem, ou seja, “aproveite o dia”. Transcreva versos de Gonzaga em que se percebe essa postura. 03 Sobre as características do Arcadismo, é correto afirmar, exceto: a) Os poetas árcades defendiam o bucolismo como estilo de vida no campo, longe dos centros urbanos. A vida pobre e feliz no ambiente campestre contrasta com a vida luxuosa e triste na cidade. b) Apego excessivo pela forma em detrimento do conteúdo. O Arcadismo defendeu a “arte pela arte”, um retorno aos ideais literários clássicos. c) Como expressão artística da burguesia, o Arcadismo veiculou também certos ideais políticos e ideológicos dessa classe, formulados pelo Iluminismo. d) O desejo de aproveitar o dia e a vida enquanto é possível, também conhecido como carpe diem. e) A poesia árcade apresentou um convencionalismo amoroso: não há variações emocionais de um poema para o outro nem de poeta para poeta, importando mais escrever poemas como os poetas clássicos escreviam. 04 Considere as afirmativas sobre Barroco e o Arcadismo: 1 - Simplificação da língua literária – ordem direta – imitação dos antigos gregos e romanos. 2 - Valorização dos sentidos – imaginação exaltada – emprego dos vocábulos raros. 3 - Vida campestre idealizado como verdadeiro estado de poesia-clareza-harmonia. 4 - Emprego frequente de trocadilhos e de perífrases – malabarismos verbais – oratória. 5 - Sugestões de luz, cor e som – antítese entre a vida e a morte – espírito cristão anti terreno. Assinale a opção que só contém afirmativas sobre o Arcadismo. a) 1, 4 e 5. b) 2, 3 e 5. c) 2, 4 e 5. d) 1 e 3. e) 1, 2 e 5. 05 Sobre o Arcadismo no Brasil, podemos afirmar que: a) produziu obras de estilo rebuscado, pleno de antíteses e frases tortuosas, que refletem o conflito entre matéria e espírito. b) não apresentou novidades, sendo mera imitação do que se fazia na Europa. c) além das características europeias, desenvolveu temas ligados à realidade brasileira, sendo importante para o desenvolvimento de uma literatura nacional. d) apresenta já completa ruptura com a literatura europeia, podendo ser considerado a primeira fase verdadeiramente nacionalista da literatura brasileira. e) presente sobretudo em obras de autores mineiros como Tomás Antônio Gonzaga, Cláudio Manuel da Costa, Silva Alvarenga e Basílio da Gama, caracteriza-se como expressão da angústia metafísica e religiosa desses poetas, divididos entre a busca da salvação e o gozo material da vida. 06 Leia o poema abaixo: O ser herói, Marília, não consiste Em queimar os impérios: move a guerra, Espalha o sangue humano, E despovoa a terra Também o mau tirano. Consiste o ser herói em viver justo: E tanto pode ser herói o pobre, Como o maior Augusto. Eu é que sou herói, Marília bela, Seguindo da virtude a honrosa estrada: Ganhei, ganhei um trono, Ah! não manchei a espada, Não o roubei ao dono! Ergui-o no teu peito e nos teus braços: E valem muito mais que o mundo inteiro Uns tão ditosos laços. Aos bárbaros, injustos vencedores Atormentam remorsos e cuidados; Nem descansam seguros Nos Palácios, cercados De tropa e de altos muros. E a quantos não nos mostra a sábia História A quem mudou o fado em negro opróbrio A mal ganhada glória! (GONZAGA, Tomás Antônio. A poesia dos inconfidentes. Org. Domício Proença Filho. Riode Janeiro: Editora Nova Aguilar,1996. 5a, 6a e 7a estrofes da Lira XXVII. pp. 616/617.) As referências a Marília revelam: a) a declaração de amor implícita a uma jovem. b) o uso de pseudônimos da convenção pastoril. c) a referência a uma dama que devia ficar oculta. d) o desejo de transformar a amada em objeto poético. e) a afirmação implícita de que queria casar-se. 07 Soneto VII Onde estou? Este sítio desconheço: Quem fez tão diferente aquele prado? Tudo outra natureza tem tomado; E em contemplá-lo tímido esmoreço. Uma fonte aqui houve; eu não me esqueço De estar a ela um dia reclinado: Ali em vale um monte está mudado: Quando pode dos anos o progresso! Árvores aqui vi tão florescentes Que faziam perpétua a primavera: Nem troncos vejo agora decadentes. Eu me engano: a região esta não era; Mas que venho a estranhar, se estão presentes Meus males, com que tudo degenera. (COSTA, C.M. Poemas. Disponível em www.dominiopublico.gov.br. Acesso em 7 jul 2012) No soneto de Claudio Manuel da Costa, a contemplação da paisagem permite ao eu lírico uma reflexão em que transparece uma a) angústia provocada pela sensação de solidão. b) resignação diante das mudanças do meio ambiente. c) dúvida existencial em face do espaço desconhecido. d) intenção de recriar o passado por meio da paisagem. e) empatia entre os sofrimentos do eu e a agonia da terra. 08 Cartas chilenas Carta IX (fragmento) A desordem, amigo, não consiste Em formar esquadrões, mas, sim, no excesso. Um reino bem regido não se forma Somente de soldados; tem de tudo: Tem milícia, lavoura, e tem comércio. Se quantos forem ricos se adornarem Das golas e das bandas, não teremos Um só depositário, nem os órfãos Terão também tutores, quando nisto Interessa, igualmente, o bem do império. Carece a monarquia dez mil homens De tropa auxiliar? Não haja embora De menos um soldado, mas os outros Vão à pátria servir nos mais empregos, Pois os corpos civis são como os nossos, Que, tendo um membro forte e os outros debeis, Se devem, Doroteu, julgar enfermos. Critilo (Tomás Antônio Gonzaga). Cartas chilenas. Segundo Rodrigues Lapa, o texto apresentado mostra toda a “filosofia e a profundeza do ser” das Cartas: Cunha Meneses, o então governador de Minas Gerais, pretendia aumentar consideravelmente o efetio militar e dessa maneira encontrar “no elemento armado apoio incondicional aos seus despotismos e prevaricações”. Destaque algumas passagens no texto que justifiquem as ideias apresentadas acima. 09- (0,1) (UEPG/PR-2006) Leia os textos 1, 2 e 3, retirados do livro Gonçalves Dias – Poesia Lírica e Indianista, organizado por Márcia Lígia Guidin. Estabeleça as relações com as afirmações apresentadas e assinale o que for correto. Texto 1 Se muito sofri já, se ainda sofro Por teu amor?! Não mo perguntes! que do inferno a vida Não é pior!… “Se muito sofrijá, não mo perguntes”. p. 192. Texto 2 Em vão meu coração por ti se fina, Em vão minha alma te compr’ende e busca, Em vão meus lábios sôfregos cobiçam Libar a taça que aos mortais of’reces! Dizem-na funda, inesgotável, meiga; Enquanto a vejo rasa, amarga e dura! Dizem-na bálsamo, eu veneno a sorvo: Prazer, doçura – eu dor e fel encontro! “O amor”. p. 181. Texto 3 Quanto és bela, ó Caxias! – no deserto, Entre montanhas, derramada em vale De flores perenais, És qual tênue vapor que a brisa espalha No frescor da manhã meiga soprando À flor de manso lago. “Caxias”. p. 48. 01) O subjetivismo é um dos traços fundamentais do Romantismo. A realidade é revelada através da atitude pessoal do escritor, o artista traz à tona o seu mundo interior. Isso pode ser observado nos textos 1 e 2 numa demonstração do sofrimento por amar. 02) No texto 2, o motivo do sofrimento é um amor que parece não ser correspondido. Isso pode ser comprovado pelos quatro primeiros versos. 04) Quanto ao aspecto formal, o verso livre, sem métrica e sem estrofação, e o verso branco, sem rima, caracterizam a poesia romântica. Essa característica pode ser observada nos três textos. 08) A derrota é um dos motivos que conduz a um tipo de evasão ou escapismo em que o eu-lírico procura, na morte, a solução para o impasse em que se encontra. Dos fragmentos apresentados acima, somente o texto 1 apresenta tal característica. 16) No texto 3, a descrição da natureza tem por objetivo celebrar Caxias, terra natal de Gonçalves Dias. 10 Pra ti, formosa, o meu sonhar de louco E o dom fatal, que desde o berço é meu; Mas se os cantos da lira achares pouco, Pede-me a vida, porque tudo é teu. Se queres culto – como um crente adoro, Se preito queres – eu te caio aos pés, Se rires – rio, se chorares – choro, E bebo o pranto que banhar-te a tez. Vem reclinar-te, como a flor pendida, Sobre este peito cuja voz calei; Pede-me um beijo... e tu terás, querida, Toda a paixão que para ti guardei. Do morto peito vem turbar a calma, Virgem, terás o que ninguém te dá; Em delírios d’amor dou-te a minha alma, Na terra, a vida, a eternidade – lá! ......................................................... Casimiro de Abreu. Obras de Casimiro de Abreu Justifique, em pelo menos uma frase completa, por que o texto pertence ao Romantismo. Página 1 Página 2 Página 3 Página 4