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Sociologia
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Profa. Dra. Vivian Fiori
Revisão Textual:
Profa. Ms. Luciene Oliveira da Costa Santos
Sociologia Urbana
• Sociologia Urbana
• O Processo de Urbanização pelo Mundo
• Segregação Social nas Cidades
• Megacidades e Metrópoles
 · Discutir conceitos e temáticas relativas à Sociologia Urbana. Tratar 
das segregações sociais nas cidades
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Sociologia Urbana
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como o seu “momento do estudo”.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo.
No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e 
sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também 
encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua 
interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados.
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, 
pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato 
com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Sociologia Urbana
Introdução
Nesta unidade, vamos tratar da Sociologia Urbana, tanto de seus aspectos 
teóricos, quanto de estudos sobre o tema na perspectiva de situações existentes no 
mundo e também especificamente no Brasil.
A Sociologia Urbana é um ramo da Sociologia que estuda as relações sociais 
entre os grupos e agentes sociais no espaço urbano. Tais estudos têm interface 
principalmente com a Ciência Política, Geografia e Antropologia Cultural. 
Muitos estudos desta área da Sociologia têm relação com pobreza, tendências 
socioeconômicas e demográficas nas cidades, migrações para e nas cidades, 
segregação social, problemas raciais e cultura no urbano, entre outros temas. 
O Processo de Urbanização pelo Mundo
Atualmente, segundo dados da UN-HABITAT (2016), a maioria da população 
do mundo vive em áreas urbanas, mas há poucas décadas a maioria ainda vivia em 
áreas rurais, principalmente na Ásia e na África. O processo de urbanização vem 
se ampliando em todos os continentes do mundo. 
Mas o que é urbanização? O sociólogo espanhol Manuel Castells (2000, p. 46) 
assim define: 
O termo urbanização refere-se ao mesmo tempo à constituição de 
formas espaciais específicas das sociedades humanas, caracterizada pela 
concentração significativa das atividades das populações num espaço 
restrito, bem como à existência e à difusão de um sistema cultural 
específico, a cultura urbana. 
Trata-se de um processo que gera grande concentração de atividades econômicas 
e população num dado espaço, principalmente em atividades de serviços, comércio 
e indústria.
Buscando definir estes processos relativos ao campo e cidade, Henri Lefebvre 
definiu três períodos da história: 
 · O primeiro foi a era camponesa, na qual predominava a atividade agrícola 
e a vida no campo; 
 · Outro foi o período industrial, a partir da Revolução Industrial (século 
XVIII-XIX) que se iniciou na Europa Ocidental e foi propagada pela 
expansão capitalista, com predomínio da indústria e de sua forma racional 
na organização do espaço e nas condições do trabalho;
 · E, por fim, a era urbana, com predomínio do modo de vida urbano, ou 
da sociedade urbana.
8
9
Na perspectiva de Lefebvre, o urbano é o modo de vida predominante, que che-
ga a interferir atualmente até no campo, ou seja, as formas de vida do meio urbano 
estão cada vez mais no campo porque as referências propiciadas pela cidade pre-
dominantes. Desse modo, para esse autor, a cidade e o urbano não são sinônimos. 
Como explica Oscar Sobarzo, em referências sobre o urbano:
Em primeiro lugar, a sociedade urbana deve ser entendida no contexto 
de um processo que nasce da industrialização [...] a industrialização 
invade a realidade urbana anterior e a transforma [...] em função da 
industrialização concentra (pessoas, atividades, riquezas, coisas, objetos, 
instrumentos, meios, idéias) e projeta fragmentos múltiplos e disjuntos 
(periferias, subúrbios, residências secundárias, satélites etc.). (SOBARZO, 
2006, p. 59). 
Contudo, cabe ressaltar que nem todos os lugares do mundo passaram por 
estes três períodos destacados por Lefebvre. É fundamental sempre verificar as 
especificidades dos lugares e suas diversas temporalidades e contextos. 
Na África, por exemplo, só na segunda metade do século XX vai se iniciar um 
processo mais intenso de urbanização, que, no entanto, não foi precedido de um 
processo de industrialização. Além disso, o grau de urbanização no continente 
ainda é bastante baixo quando comparado a outras partes do mundo. 
As grandes transformações do modo de vida de rural para urbano ocorreram 
mais intensamente a partir da segunda metade do século XIX na Europa e em parte 
dos EUA. Nesse período, as cidades começam a receber um grande contingente 
de imigrantes vindo do campo (muitos de outros países), sendo que o processo de 
industrialização foi o motor da urbanização do momento.
No final do século XIX e início do século XX, com a expansão do processo capitalista 
e da industrialização, a separação do local de trabalho e da moradia ocasionou 
o surgimento dos apinhados prédios de cortiços nas cidades industrializadas na 
Europa e nos EUA – criando um padrão de segregação social. 
Figura 1 – Nova York e Os Imigrantes - 1910 
Fonte: Wikimedia Commons
9
UNIDADE Sociologia Urbana
Em relação às condições de acesso à moradia, com o capitalismo surge a 
propriedade privada e o acesso à terra torna-se uma disputa que atende ao interesse 
dos novos agentes sociais do mercado imobiliário, bem como dos proprietários 
fundiários urbanos, ou seja, os proprietários de terra urbana.
Em geral, as cidades antigas tinham como marcos templos para os deuses. Na 
Europa, durante a Idade Média, a igreja era o centro onde se reproduziam as 
relações sociais; já na paisagem da cidade industrial, o relógio da fábrica, o cortiço 
e os bairros das elites vão evidenciando as novas mudanças.
No século XX, a urbanização intensifica-se no mundo, já com uma lógica mais 
global, sobretudo após a 2ª Guerra Mundial (1939-1945). As grandes metrópoles 
passam a ser as cidades que concentram principalmente atividades de serviços 
e comércio especializados. Nessas metrópoles dos países subdesenvolvidos, há 
também muita pobreza, trabalho informal, formas de moradias bastante precárias.
Importante!
País Subdesenvolvido
Um país subdesenvolvido é um país onde há grandes desigualdades sociais e alguns 
indicadores socioeconômicos que não são adequados, caso, por exemplo, de: menor 
renda per capita, menor escolaridade, maior taxa de analfabetismo, maior mortalidade 
infantil, menor expectativa de vida etc. Fundamental que não se confunda crescimento 
econômico, que se refere ao aumento da produção econômica de um paísou região – 
com desenvolvimento – que pressupõem melhorias no nível socioeconômico de uma 
sociedade – de um país ou região. 
Você Sabia?
Segregação Social nas Cidades
As classes sociais são condicionantes importantes na estruturação social e no 
modo como as pessoas vivem nas áreas urbanas. Embora não sejam as únicas 
condicionantes sociais são importantes e geram segregação social nas cidades. 
Classes Sociais
Para Marx e Engels, as classes sociais são principalmente fruto da divisão social do trabalho 
que, no capitalismo, opôs a burguesia (detém os meios de produção) e o proletariado (é 
o operário que vende sua força de trabalho em troca de um salário). Para Marx, o fator 
econômico é importante, mas também o cultural, político e ideológico atuam na formação 
das classes sociais. Evidenciam também a questão da consciência de classe e o “desvio de 
consciência de classe”. 
Ex
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or
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Conforme comentam Marx e Engels: 
Na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas 
relações necessárias e independentes da sua vontade, relações de produção 
que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas 
forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção 
forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se 
levanta toda a superestrutura jurídica e política e a qual correspondem 
determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida 
material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em 
geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo 
contrário, o seu ser social é que determina a sua consciência. (MARX; 
ENGELS apud FERRAZ, 2009, p. 284)
Por segregação social e espacial entende-se um determinado espaço com certa 
uniformidade ou com alguns aspectos em comum, por exemplo, de indicadores 
como renda, escolaridade das famílias ou mesmo do ciclo de vida e do tipo da 
característica da família (bairros mais jovens ou de idosos etc.), entre outros, que os 
diferenciem do entorno. 
Podemos ter um bairro, por exemplo, com grande número de idosos, ou um 
bairro de classes populares com baixa renda e baixa escolaridade etc. 
Existe uma diferença entre a segregação social e residencial dos mais ricos, que 
escolhem onde querem morar, numa situação de autossegregação social (caso dos 
condomínios de luxo), e a dos mais pobres, que sofrem uma segregação imposta 
pela ordem social e econômica vigente. 
A situação das classes sociais estabelece onde morar, estudar, ter lazer, comprar, 
ser cidadão. Neste sentido, a localização é fundamental numa cidade, e possibilita 
auferir uma renda diferencial, conceito este definido por Marx, que assim afirma:
Onde quer que exista renda, a renda diferencial aparece por toda parte 
obedece às mesmas leis que a renda diferencial agrícola. Onde quer que 
forças naturais sejam monopolizáveis e assegurem um sobrelucro ao 
industrial que as explora, seja uma queda d’água, uma mina rica, um 
pesqueiro abundante ou um terreno para construção bem localizado, 
aquele cujo título sobre uma parcela do globo terrestre o torna proprietário 
desses objetos da natureza subtrai esse sobrelucro, na forma de renda, ao 
capital em funcionamento. (MARX, 1988, p. 222)
A renda diferencial é obtida por meio de uma localização diferenciada na cidade, 
embora para Marx a terra urbana em si não seja uma mercadoria, ganhando valor 
pela localização e situação na qual se encontre. Para as classes populares esta 
valorização de certas partes das cidades afasta a possibilidade de ali morar, de 
usufruir desta urbanização e de sua infraestrutura e serviços. 
Logo, os agentes do mercado imobiliário agem buscando valorizar os espaços e 
se interessam em produzir moradias somente para as classes sociais dominantes. 
11
UNIDADE Sociologia Urbana
No Brasil, e em vários países subdesenvolvidos, devido à grande desigualdade 
social existente e à dificuldade de acesso a uma habitação regularizada e em 
condições boas de habitabilidade, há vários tipos de moradias precárias que colocam 
a vida do morador em risco.
Figura 2 – Dharavi- Favela em Mumbai- Índia 
Fontes: http://www.a-i-d.org
Ao tratarmos da organização das cidades, é fundamental perceber os agentes 
sociais que participam do processo de existência do urbano. 
Um ator importante, sobretudo nas grandes cidades e metrópoles, são os 
promotores imobiliários. Tais atores são formados por construtoras, incorporadoras, 
grupos técnicos de arquitetos e engenheiros, sistema financeiro de habitação, entre 
outros. Os promotores imobiliários, em muitos casos, só se interessam por produzir 
imóveis para as famílias de renda mais alta, sobrando ao Estado construir moradia 
aos mais pobres. 
Os grupos excluídos usam o espaço principalmente como abrigo, para morar. 
Em geral, vivem em áreas menos valorizadas, com menor infraestrutura urbana e 
onde existem vários problemas socioambientais.
O Estado tem um papel crucial nesse processo, ao criar normas e leis, políticas 
públicas e obras de diferentes tipos que influenciam, ou têm relação, com a 
organização das cidades. 
E, em grande, parte o Estado age em apoio às classes dominantes de proprietários 
de terras, dos promotores imobiliários e dos donos de indústria, enquanto os grupos 
sociais excluídos ficam à mercê de buscar morar onde é possível, trabalhando horas 
a fio.
Logo, as classes sociais são condicionantes importantes no processo de 
segregação residencial e social. 
As classes dominantes acabam por influir em formas de pensamento dominante, 
pois esta classe possui os meios de produção, diferentes modos de exercer o poder 
e também os meios de produção intelectual. De forma que se trata de um discurso 
dominante, como explicam Marx e Engels: 
12
13
[...] os pensamentos da classe dominante são também, em todas as épocas, 
os pensamentos dominantes, ou seja, a classe que tem o poder material 
dominante numa dada sociedade é também a potência dominante espiritual. 
A classe que dispõe dos meios de produção material dispõe igualmente dos 
meios de produção intelectual, de tal modo que o pensamento daqueles 
a quem são recusados os meios de produção intelectual está submetido 
igualmente à classe dominante. Os pensamentos dominantes são apenas 
a expressão ideal das relações materiais dominantes concebidas sob a 
forma de ideias e, portanto, a expressão das relações que fazem de uma 
classe a classe dominante; dizendo de outro modo, são as ideias do seu 
domínio. (MARX; ENGELS, 2008, p.47)
Nas cidades, e nas relações sociais urbanas, principalmente nos países subde-
senvolvidos, é comum percebermos discursos que são de interesse exclusivo das 
classes dominantes, mas aparentemente parecem ser de toda a sociedade. 
Logo, é fundamental perceber por quem está sendo feito o discurso. Quem é o 
agente social que o está produzindo e a quem realmente interessa. 
Existem relações de poder que levam a desigualdades neste processo de 
organização espacial. O que é aparentemente desorganizado, na verdade esconde 
premissas de interesses de alguns agentes sociais em detrimento de toda a população.
Serviço Público nas Cidades
O serviço público, a princípio, deve ser igual para todas as classes sociais e, segundo a norma 
brasileira, deve atender à coletividade, sendo dever do Estado. Há casos comuns de serviços 
públicos que funcionam plenamente em algumas partes da cidade e não em outras. Mas 
não é público? Não deveria funcionar igualmente em toda a cidade do mesmo modo? Como 
exemplo: há serviços de limpeza pública, estações de trem e metrô, linhas de ônibus que 
ocorrem em condições distintas quando comparamos as áreas mais pobres da cidade com 
outras de classe média alta ou alta.
Quantos exemplos no Brasil e no mundo temos para evidenciar as desigualdades sociais 
nas cidades? O discurso dominante acaba camufl ando a real necessidade das classes sociais 
populares em detrimento dos interesses da elite. 
Ex
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Quantos exemplos de obras são realizados nascidades no Brasil e também em 
outros países que atendem somente aos interesses da classe dominante? Muitas 
vezes, o discurso dominante faz com que parcela das classes populares adote o 
mesmo discurso – num desvio de consciência de classe social.
Entretanto, cabe ressaltar que parte das classes populares é organizada por 
meio dos movimentos sociais que buscam lutar por melhores condições de vida 
(associações de moradores, ONG com atividades sociais etc. Tais movimentos são 
considerados agentes sociais que buscam se contrapor ao modo dominante e ao 
discurso hegemônico. 
13
UNIDADE Sociologia Urbana
Desse modo, segregação social, classes sociais, discurso dominante, movimentos 
sociais populares são condições que interagem nos processos de existência social 
nas cidades do Brasil e no mundo. 
Em geral, os mais pobres moram em favelas, cortiços, loteamentos irregulares 
e clandestinos, ou em conjuntos habitacionais populares no Brasil. No mundo, há 
casos de moradias em telhados, antigas tumbas de cemitérios, e milhares na rua, 
caso de algumas cidades na Índia. 
Roberto Lobato Corrêa pesquisador de problemáticas urbanas afirma:
Para se entender a questão do como morar é preciso que se compreenda 
o problema da produção da habitação. Trata-se de uma mercadoria 
especial, possuindo valor de uso e valor de troca, o que faz dela uma 
mercadoria sujeita aos mecanismos de mercado. Seu caráter especial 
aparece na medida em que depende de outra mercadoria especial -a 
terra urbana -, cuja produção é lenta, artesanal e cara, excluindo parcela 
ponderável, senão a maior parte, da população de seu acesso, atendendo 
apenas a uma pequena demanda solvável. (CORRÊA, 2000, p. 62-63)
Esta desvalorização, por exemplo, comum em áreas do centro antigo de algumas 
cidades do mundo, leva à existência de prédios inteiros que viram cortiços e tornam-
se moradia popular, especialmente nas cidades que crescem rapidamente e onde 
são criadas novas centralidades. 
Isso é comum em grandes cidades no Brasil e no mundo. As áreas centrais são 
comumente os lugares onde este processo de valorização e desvalorização – e, 
eventualmente, até revalorização – ocorre mais intensamente, havendo diferentes 
agentes sociais interessados nesses espaços.
Um desses agentes são os promotores imobiliários, que buscam valorizar tais áre-
as com novos empreendimentos comerciais e residenciais, enquanto aos mais pobres 
interessa que existam moradias as quais eles possam viver, já que nas áreas centrais 
concentram-se muitos empregos e não teriam custos adicionais com transportes. 
Em algumas cidades, ocorrem intervenções por parte do poder público, 
proporcionando mudanças no sentido de revalorizar urbanisticamente determinadas 
áreas degradadas, visando a atrair uma população de maior poder aquisitivo. 
Este processo é denominado por alguns autores de gentrificação. Barcelona 
(Espanha), Los Angeles (EUA) e Buenos Aires (Argentina) são alguns exemplos. 
Importante!
O que é gentrificação?
 Trata-se de um termo que foi definido pela socióloga Ruth Glass, em 1964, por meio 
de uma pesquisa sobre a cidade de Londres, na Inglaterra, na qual se evidenciou 
uma dinâmica em alguns bairros operários da cidade, que passaram a ser ocupados 
posteriormente por parte de uma classe média, ou seja, havia uma mudança social 
urbana em termos de classe social e a substituição das classes populares por uma classe 
média ou média-alta. 
Você Sabia?
 
14
15
Em geral, o conceito de “gentrificação” pode ter diferentes definições. Comumente 
é definido como um processo de mudança social urbana na qual algumas áreas da 
cidade são transformadas tanto em sua morfologia e forma espacial quanto do 
ponto de vista das classes sociais que as habitam:
O que é a gentrification continua sendo uma pergunta sem uma única 
resposta válida para todos os casos. Parece aceito, de qualquer modo, 
que se trata de um processo de mudança social urbana, no sentido de que 
determinadas áreas da cidade são transformadas tanto morfológica quanto 
socialmente. Mas, quais são as causas? Quais são as consequências? Quais 
atores participam? Qual é o papel nessas mudanças na transformação 
geral das cidades? Todas essas questões permanecem em aberto. (RIGOL, 
2005, p. 99)
Assim, além da segregação social condicionada pelas condições socioeconômi-
cas da população, há também alguns agentes sociais como o mercado imobiliário e 
o Estado que, muitas vezes, de forma conjunta agem a favor das classes dominan-
tes em detrimento das demais classes sociais. 
Megacidades e Metrópoles
Apesar de chegarmos ao começo do século XXI, com um número cada vez 
maior de grandes cidades em todo o mundo, em muitas delas, imperam formas de 
moradias precárias. 
Alguns pesquisadores e entidades, como a Organização das Nações Unidas 
(ONU), denominam de megacidades aquelas cidades, cujo número de população é 
grande, com mais de 10 milhões de habitantes.
Contudo, não se podem confundir megacidades com metrópoles, pois podemos 
ter casos de megacidades que não são consideradas metrópoles, dada a menor 
centralidade em termos de atividades econômicas, entre elas, o de serviços e 
atividades comerciais. Assim como, há metrópoles que não são megacidades, pois 
não alcançam 10 milhões de habitantes. 
Importante!
O que é metrópole?
Trata-se de um conceito que diz respeito a cidades que têm grande centralidade 
político-econômica e concentram grande quantidade de serviços e comércio, em 
quantidade e diversidade. São Paulo, por exemplo, é uma metrópole nacional porque 
tem diversifi cados tipos de serviços comuns e especializados nas áreas de educação, 
saúde, ambiental, de auditoria, de informação, entre outros, e que atendem também a 
uma grande população externa. 
Você Sabia?
15
UNIDADE Sociologia Urbana
Até o século XIX, era mais comum que grandes cidades estivessem localizadas 
nos países desenvolvidos ou de urbanização mais antiga, caso da China e Índia. Já 
era comum naquela época uma segregação espacial existente entre ricos e pobres 
em diversificadas situações. 
Assim, nas cidades de Nova Iorque, Londres e Paris, no final do século XIX e 
começo do século XX, era comum a existência de cortiços, onde geralmente mora-
vam os trabalhadores e imigrantes, enquanto de outro lado havia bairros burgueses. 
Apesar da globalização da economia e da divisão territorial do trabalho, 
atualmente, há diversas formas de existência pelo mundo. A caracterização das 
cidades é muito influenciada por aspectos culturais regionais, o que dificulta, 
inclusive, uma comparação entre elas, devido às peculiaridades históricas, culturais, 
raciais e étnicas.
A difusão dos sistemas técnicos de informação, de tecnologia e de produção, no 
contexto da sociedade capitalista, tornou as características das cidades um pouco 
mais globais, com formas de existência mais homogêneas e disseminadas. 
No continente africano, por exemplo, onde o grau de urbanização ainda é 
mais baixo quando comparado a outros continentes, há diversificadas formas de 
existências urbanas. Em muitos casos, há a dificuldade de se definir claramente 
o que é urbano e o que é rural, tecnicamente. Há muitos casos de aldeias, por 
exemplo, próxima às cidades, ou de favelas que estão entre o rural e o urbano. 
Como pode se observar no gráfico, a seguir, o continente onde se concentra 
o maior número de grandes cidades (com 500 mil ou mais habitantes) é a Ásia, 
com 56%; das 7 cidades mais populosas do mundo, 10 encontram-se no conti-
nente asiático. 
Figura 3 – Distribuição da População em Grandes Cidades (por continente - 500 mil ou mais habitantes
Fonte: Acertvo do Conteudista
Conforme apontam relatórios do Programa das Nações Unidas para 
Assentamentos – UN-HABITAT1 (2016) e do site DEMOGRAPHIA (2014), 
especializado em população, a maioria da população atualmente já vive em áreas 
urbanas, em condições cada vez mais periféricas do ponto de vista das infraestruturas, 
ou seja, em condições de vida precárias. 
1 UnitedNations Human Settlements Programme (UN-HABITAT)
16
17
Dessa maneira, é importante destacar que definir a existência da maioria da po-
pulação como urbana, não significa uma urbanização com infraestrutura adequada, 
nem tampouco características de urbanização nos moldes europeus, por exemplo. 
Conforme explica o relatório Demographia World Urban Áreas (Demografia 
das Áreas Urbanas do Mundo):
Mais de metade da população de grandes áreas urbanas (500.000 
ou mais) é da Ásia e vive em 473 das 922 grandes áreas urbanas do 
mundo. Nos últimos anos, o mundo passou a ter mais da metade da 
população urbana, pela primeira vez na história. Esta edição do ano 
indica que existem 28 megacidades no mundo (áreas urbanas com mais 
de 10 milhões de habitantes). Além disso, é possível que com duas outras 
cidades- Lahore e Kinshasa esse número chegue a um total de 30; se os 
dados dos Censos mais atuais foram disponibilizados. Aparecem, ainda, 
um total de 69 áreas urbanas com 5.000.000 ou mais de habitantes. 
No entanto, seria um erro dar a entender que os moradores urbanos 
do mundo vivem em configurações semelhantes a 5ª Avenida, em Nova 
Iorque, ou dentro do quarto anel rodoviário de Pequim ou na cidade de 
Paris. (DEMOGRAPHIA, 2014, p. 2) 
Desde 1990, vem aumentando a população em áreas urbanas em todo o mundo, 
segundo UN-HABITAT das Nações Unidas (2016) de 57 milhões entre 1990-2000 
aumentou para 77 milhões entre 2010-2015. Em 1990, 43% (2,3 bilhões) da 
população mundial viviam em áreas urbanas; até 2015, esta tinha crescido para 
54% (4 bilhões).
A Ásia tem, de longe, o maior número de pessoas que vivem em áreas urbanas, 
seguidas pela Europa, África e América (vide gráfico a seguir). O fato de que 2,1 
bilhões de pessoas Ásia vivem em áreas urbanas, o que não é exatamente sinônimo 
de desenvolvimento, pois muitos vivem de forma precária. 
Figura 4
Fonte: Acervo do Conteudista
17
UNIDADE Sociologia Urbana
No final do século XX, houve uma notável transformação econômica chinesa, 
impulsionada pela urbanização, principalmente no sul da China, onde antes áreas 
que eram rurais ou pequenas cidades transformaram-se nas últimas décadas do 
século XX em grandes cidades. 
Figura 5 – Cidade de Xangai - China
Fonte: iStock/Getty Images
Contudo, as taxas de crescimento urbano pelo mundo foram muito mais rápidas 
em algumas regiões do que outros. A maior taxa de crescimento entre 1995 e 
2015 ocorreu nos países subdesenvolvidos, sendo que em alguns países da África 
foi maior. Ou seja, apesar da África ser menos urbanizada do que outras partes do 
mundo as cidades deste continente vêm crescendo mais nas últimas décadas. 
A taxa de crescimento urbano da África é quase 11 vezes mais rápida do que 
a taxa de crescimento da Europa. A rápida urbanização da África é impulsionada 
pelo crescimento natural da população, pela migração rural-urbana, pela expansão 
das áreas urbanas (em áreas que eram antes rurais e foram incorporadas ao espaço 
urbano), devido a guerras e conflitos políticos que fazem as pessoas a migrarem 
para as cidades. 
Contudo, muitas cidades de países subdesenvolvidos, como Nova Délhi na Índia 
ou no Cairo no Egito, não têm infraestrutura e serviços públicos adequados para 
esta população que vem crescendo. 
Há também estudos urbanos como do sociólogo Wacquant que relaciona a 
questão da marginalidade e da formação dos guetos com a questão racial e cultural 
existente nas grandes cidades. 
Sobre isso, o cientista social Heitor Frugoli Jr. comenta: 
Tendo em vista tal densidade sociológica, Wacquant (2001) voltou-se à 
análise de outros contextos marcados por certas formas de marginalidade 
e segregação socioespacial, como no caso de um banlieue parisiense 
– La Courneuve –, com traços socioculturais que aparentemente o 
aproximariam dos guetos norte-americanos, mas cuja comparação 
criteriosa demonstra que, apesar do agravamento das condições de vida 
local, a (des)qualificação de gueto a tal espaço seria explicada em boa 
18
19
parte pela articulação entre discursos de uma determinada imprensa 
interessada em abordagens catastróficas para aumento das tiragens, 
de agentes públicos ou de ONGs empenhados em acirrar uma visão 
dramática sobre tais locais – em busca de prioridade para programas 
(incluindo negociações clientelistas) ou captação de recursos. (FRUGOLI 
JR, 2005, p. 147)
Atualmente, no século XXI, com o grande processo de migração para países 
europeus, tem se ampliado a tensão entre os moradores locais e imigrantes, 
principalmente em algumas cidades na França, Alemanha e Itália. Geram-se novos 
processos de segregação sociocultural e racial, formando novos guetos urbanos. 
Isso aumenta a marginalidade e cria novas tensões sociais. 
Dessa maneira, sobre Sociologia Urbana, verifica-se que existe uma gama de 
estudos em relação à questão social, pobreza, segregação social, tensão sociocultural 
e racial que são alvo deste ramo da Sociologia. 
19
UNIDADE Sociologia Urbana
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Leitura
Programas de Erradicação, Reassentamento e Urbanização das Favelas: Delhi e Mumbai
DUPONT, Véronique; SAGLIO-YATZIMIRSKY, Marie-Caroline. Programas de erra-
dicação, reassentamento e urbanização das favelas: Delhi e Mumbai. São Paulo, 
Estudos Avançados, 23 (66), 2009.
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Campo e Cidade, Rural e Urbano no Brasil Contemporâneo
HESPANHOL, Rosangela Ap. de Medeiros. Campo e cidade, rural e urbano no 
Brasil contemporâneo. Revista Mercator, Fortaleza, v. 12, número especial (2), set. 
2013, p. 103-112.
https://goo.gl/bloJHk
O que é Urbano no Mundo Contemporâneo
MONTE-MÓR, Roberto Luís. O que é urbano no mundo contemporâneo. Belo 
Horizonte: UFMG/Cedeplar, Jan. 2006, p. 1-14.
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Dinâmica Urbano-Regional: Rede Urbana e suas Interfaces
PEREIRA, Rafael Henrique Moraes; FURTADO, Bernardo Alves (orgs.). Dinâmica 
urbano-regional: rede urbana e suas interfaces. Brasília: IPEA, 2011.
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Referências
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Paz & Terra, 2000. 
CORRÊA, Roberto Lobato. O espaço urbano. São Paulo: Ática, 2000.
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em: http://www.demographia.com/db-worldua.pdf. Acesso em 20/10/2014. 
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