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Página | 2 SUMÁRIO INTRODUÇÃO ............................................................. Erro! Indicador não definido. INTRODUÇÃO À PSICOTERAPIAS BREVES DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA - TBOP ............................................................................................................................. 3 OS PRINCIPAIS PRECURSORES DA TÉCNICA E SUAS CONTRIBUIÇÕES ........ 4 QUAL É O PROPÓSITO DAS PSICOTERAPIAS BREVES DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA? ........................................................................................................... 5 O TEMPO NAS PSICOTERAPIAS BREVES ................................................................ 6 SOBRE A ENTRADA DAS TERAPIAS BREVES NA PSICANÁLISE ........................ 8 A ABORDAGEM PSICOANALÍTICA NA PSICOTERAPIA BREVE ....................... 8 OS FUNDAMENTOS BÁSICOS PARA PSICOTERAPIAS BREVES ..................... 9 SUGESTÃO: ENTREVISTA INICIAL E DETERMINAÇÃO DO FOCO ..................... 12 SAIBA COMO FUNCIONA AS HIPÓTESES PSICODINÂMICAS ........................... 14 O MANEJO CLÍNICO NA PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA ............................................................................................................ 14 A AVALIAÇÃO E O RESULTADOS NO FINAL DA PBOP ....................................... 15 VOCÊ SE ACHA PREPARADO PARA A PBOP? ....................................................... 17 Página | 3 INTRODUÇÃO À PSICOTERAPIAS BREVES DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA - TBOP Caro(a) aluno(a), a psicoterapia ou técnica breve surgiu como um suporte para a resolução de problemas de saúde mental da população. Antes da técnica breve, os meios psicoterapêuticos ofertados à sociedade não eram muito acessíveis por diversas razões, dentre elas, encontravam-se a carência de profissionais para realizar os atendimentos e o alto custo das consultas, o que impedia o acesso aos serviços dos sujeitos com poucos recursos. A terapia psicanalítica pode soar contraditória quanto a proposta de falar de terapia breve em psicanálise. No entanto, podemos considerar Freud, pai de princípios psicanalíticos da abordagem tradicional, como o precursor e questionador desta abordagem, várias de suas primeiras análises tiveram duração relativamente breve. Com o passar dos anos, surgiram outras publicações que apresentavam novas adaptações à técnica breve. As pesquisas de Ferenczi (1919) e Rank (Der Mythus von der Geburt des Helden (1909; Página | 4 trad. livre: Mito do nascimento do herói), Das Trauma der Geburt (1924, trad. livre: O trauma do nascimento), Kunst und Künstler (1932, trad. livre: Arte e Artista), por exemplo, abordavam um caráter menos ortodoxo. Para tanto, buscaram encurtar o tempo da cura psicanalítica a partir do método ativo, no qual a “cura” do adoecimento mental era possível quando o paciente percebia que a origem de suas neuroses estava ligada ao processo de gestação. A ideia foi ganhando força a partir das proposições da técnica ativa de Ferenczi (1919), as quais Freud se posicionou favorável reforçando que “o que importa é trazer ao conhecimento do paciente o inconsciente, os impulsos recalcados e desmascarar as resistências” (LOWENKRON, 2006). Com o apoio de Otto Rank, a terapia breve foi consolidando princípios consistentes, até se tornar legitimamente uma abordagem psicoterápica aceita a mais de 70 anos, especialmente a partir de escolas norte-americanas. Conceito: A Psicoterapia breve ou Terapia breve, é um tratamento psicológico utilizado por profissionais da psicologia, psicanálise e afins, que tem como especificidade a ênfase no trabalho com um foco. A maioria dos autores trabalha com um limite de tempo definido logo de início, ou depois de algumas sessões. OS PRINCIPAIS PRECURSORES DA TÉCNICA E SUAS CONTRIBUIÇÕES A partir dos atendimentos breves de Sigmund Freud, surgem no cenário da prática breve Franz Alexander e Thomas French, que apresentaram propostas inovadoras tais como: a adequação da análise de acordo com as necessidades de cada paciente e o tratamento através do “método ativo”. Esta técnica visava, no momento em que o Página | 5 tratamento ficasse estagnado, dar novo impulso ao processo analítico através de diversas imposições ou interdições ao paciente. Nesse sentido, estimulava-se o paciente a enfrentar seus medos e a renunciar algumas satisfações neuróticas. Dessa forma, levava os pacientes a enfrentar situações ansiógenas e proibia certos comportamentos propiciadores de gratificações, que se constituíam em obstáculos para a sequência do trabalho. Por vezes, fixava-se, precocemente, uma data para o término do tratamento. Outras contribuições relevantes à prática breve foram proporcionadas por Malan (considerado o “pai” da psicoterapia focal), nas quais propôs alguns critérios para a indicação da psicoterapia focal. São eles: ter um foco definido, resposta positiva do paciente a esse foco e motivação suficiente para o tratamento. Sifneos e Fiorini enfatizavam que para ocorrer mudanças era necessário ter uma motivação. E a partir desta, era possível obter o alívio do sintoma. Outros nomes célebres na literatura das psicoterapias breves são: Knobel, Gilliéron e Braier. Estes são, sem dúvida, as referências mais atuais e importantes que temos sobre as técnicas focais. QUAL É O PROPÓSITO DAS PSICOTERAPIAS BREVES DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA? O propósito da PB é compreender, a partir do discurso do sujeito, qual seria o foco, ou seja, a questão central, para ajudá-lo a retomar seu equilíbrio psíquico. Ou seja, caro(a) aluno(a), o foco é estabelecido por meio de um recorte no conteúdo apresentado pelo paciente, percebido logo nas primeiras entrevistas, define-se preferencialmente um assunto. A fim de eliminar sintomas, o terapeuta psicanalista poderá estabelecer três etapas para delimitar o foco na PB, que são: Página | 6 • Entender psicodinamicamente a situação atual do paciente; • Atender o ponto de emergência, quer seja a queixa manifesta ou a latente; • Delimitar a área de conflito a ser trabalhada. O que é o conceito de focalização ou colocar: O foco será a explicitação do entrelaçamento das angústias do paciente e sua repercussão no modo de funcionamento psíquico da díade. As angústias de castração, de fragmentação e de perda do objeto são esclarecidas a partir da compreensão dos tipos de personalidade de cada um, compreendidos a partir das repetições das relações primitivas que interferem nas questões atuais e explicitadas nas sessões, em função da experiência intersubjetiva do paciente uma vez que acabam surgindo também na relação com o terapeuta. Atenção: Em razão dessas características próprias, segundo Mauro Hegenberg, a indicação da psicoterapia breve deve ser realizada de forma cautelosa, uma vez que, nesse caso, deve se focalizar em torno de uma problemática central e reconhecer os limites do tempo de acordo com os objetivos propostos. Ressalta-se que, ao terapeuta cabe acreditar na capacidade de elaboração do paciente, mesmo após o término da terapia. O TEMPO NAS PSICOTERAPIAS BREVES Em relação à temporalidade nas psicoterapias breves, consiste em um processo que tem começo, meio e fim, dessa forma, tal técnica permite o tratamento de ordem emocional de forma mais rápida, isto é, com tempo definido. Para que isso ocorra é necessário que o terapeuta e o paciente sejam ativos, uma vez que, ao primeiro, cabe Página | 7 demarcar o material consciente e inconsciente a ser trabalhado; e, ao segundo, se engajar em seu tratamento. Tales Vilela Santeiro defendeu que a duração da psicoterapia breve em clínicas-escola deve se situar entre nove e 10 sessões, obedecendo ao calendário letivo da escola. Já para Simon e Yamamoto (2008), essa pode ser feita em duas etapas.A primeira consiste na fase diagnóstica, em que por meio de entrevistas objetivam-se obter dados desde a infância do paciente, além de realizar o planejamento e determinar o número de sessões necessárias de acordo com o caso. Posteriormente, efetuam-se até 12 sessões semanais, caracterizadas pela fase terapêutica. De acordo com Franchetti (2007), o processo da PB tem duração de três meses a um ano, sendo uma sessão por semana, intervalo necessário para que o paciente possa elaborar melhor o que foi trabalhado. Apesar das divergências entre os autores, em relação à duração do processo, Mauro Hegenberg defendeu que o número de sessões não define a PB, mas ressaltou que o fator tempo limitado interfere na relação terapeuta paciente, quando comparado com a terapia em longo prazo. Assim, ambos precisam se comprometer com a delimitação do tempo. O setting fundamenta-se na técnica tradicional, standart, porém com características próprias quanto aos procedimentos. Página | 8 SOBRE A ENTRADA DAS TERAPIAS BREVES NA PSICANÁLISE No início da psicanálise, Freud realizou alguns atendimentos rápidos. Muitos pacientes até hoje possuem várias necessidades que contrariam os princípios da análise tradicional, tais como: o desejo pela melhora imediata, a disponibilidade de tempo, horários e condições financeiras, dentre outras, que os impede de se submeterem a esse processo complexo. A ABORDAGEM PSICOANALÍTICA NA PSICOTERAPIA BREVE Respeita o vértice psicanalítico, ou seja, a investigação da transferência, a interpretação, a neutralidade e as associações livres. A resolução de sintomas não é o eixo principal da terapia, mas a busca da compreensão de sentidos. Seus autores de referência são: Malan, seguidor de Balint, na Inglaterra e Gilliéron na Suíça. Na abordagem da terapia psicodinâmica, que tem Fiorini como bom exemplo, a teoria é de origem psicanalítica, mas o modo de trabalhar Página | 9 difere do vértice psicanalítico descrito acima, sendo mais diretivo e intervencionista. OS FUNDAMENTOS BÁSICOS PARA PSICOTERAPIAS BREVES Caro(a) aluno(a), a característica específica da PBOP - Psicoterapia Breve de Orientação Psicanalítica, é se constituir com um foco definido e um tempo limitado. Desse modo, argumenta-se que o limite de tempo contribui para tornar a psicoterapia acessível a mais pessoas nas contingências da modernidade (tempo disponível, custos, necessidade de gratificação mais rápida, entre outras). Atenção: Estes argumentos, porém, não devem ser preponderantes exclusivos para o encurtamento da terapia ou de sua superficialidade. Mas saiba que um fator determinante da natureza de cada intervenção terapêutica deve ser principalmente a apreciação do tratamento mais adequado às necessidades específicas de cada paciente. Desse modo, é necessário eliminarmos este argumento utilitarista para limitarmos o tempo da psicoterapia, uma vez que só poderemos defender tal limitação por uma única razão: por sabermos que ela contribui para tornar a psicoterapia de curta duração o tratamento escolhido para um determinado grupo de pacientes selecionados, pois nem todo paciente poderá responder o mesmo resultado terapêutico. Nos fundamentos de forma geral segue-se a perspectiva da terapia “standard" com diferenças em alguns procedimentos, veja a seguir: a) O(a) analista deve estar atento a conduzir o discurso do paciente dentro dos limites do foco pré acordado entre ambos na entrevista inicial. Na terapia standard o discurso poderá receber Página | 10 contribuições da técnica ativa, aqui na PBOP praticamente deve- se utilizar a técnica para garantir o foco e buscar informações que agilizem o processo, e a livre associação é permitida dentro do foco. b) Quanto às interpretações, devem ser dadas aquelas que têm a ver com o foco, buscadas na transferência e na extra transferência. O recurso da extra transferência serve de suporte na garantia da interpretação, porém quanto mais a interpretação for direcionada à transferência maior eficácia proporcionará. Destaca-se também que o analista deve ter a capacidade de compreender o paciente e ter segurança na sua interpretação, bem como capacidade de organizar um plano terapêutico circunscrito. c) A base teórica do analista na PBOP, exige capacidade de raciocínio mais rápido visto que não há tanto tempo disponível para inferir a transferência e fazer a interpretação. Aconselha-se que o analista iniciante na PBOP se utilize da base teórica Freudiana, isto é que “os problemas psicológicos do paciente e os conflitos subjacentes, que devem ser resolvidos ao longo da psicoterapia, devem ser de natureza edipiana ou triangular. Isso implica que as dificuldades encontradas pelo paciente tenham surgido durante a sua infância e comportem um amor pelo genitor do mesmo sexo, que o impede de entrar em competição com ele, na busca do afeto do genitor de sexo oposto. As queixas que disso resultam são apresentadas, pelo paciente, como dificuldades interpessoais bem delimitadas, ou como sintomas bem específicos”. d) Outra diferença entre as duas terapias é que na PBOP o “insight” se dá na terapia, mas a “elaboração” acontece fora da terapia podendo se alongar por dois a três anos. Porque teoricamente o “insight” é um instante em que surge uma compreensão onde Página | 11 “tudo muda”, ou “a perspectiva muda”, ou “tudo se reencaixa”. Já a “elaboração” é o tempo que o psiquismo precisa para se “readaptar” e pode demorar horas, dias ou anos, independente se está ou não ainda no processo de análise. e) Parafraseando o tutor do curso em vídeos aulas, gostaria de trazer outra reflexão: que a terapia é breve, mas o acolhimento não. Isto quer indicar que empatia, compaixão, dedicação devem estar presentes com a mesma intensidade que na terapia tradicional. Em ambas o paciente precisa se sentir acolhido, respeitado e ouvido na sua condição de sofredor como se a sua frente houvesse uma testemunha das experiências de sofrimento que vem enfrentando. f) Nem todos os pacientes são indicados para a PBOP por isso é conveniente delinear os critérios de seleção de quais pacientes estão em condições de receber esse tipo de tratamento. Vejamos as bases de ideias de Gillieron (2004), onde podemos destacar os seguintes critérios: • Uma queixa principal circunscrita; • A presença, em sua história, de uma relação significativa de troca (dar e receber) durante os primeiros anos de vida; • Uma capacidade de entrar em relação com o entrevistador sem muita dificuldade e de exprimir livremente seus sentimentos durante a primeira entrevista; • A capacidade de trabalhar com base na interpretação e dela extrair significados e possibilidades de readaptação a novos comportamentos e ordenamentos psíquicos; Uma grande motivação para mudar, não somente motivação para buscar alívio de sintomas. Página | 12 SUGESTÃO: ENTREVISTA INICIAL E DETERMINAÇÃO DO FOCO As entrevistas: Uma boa entrevista inicial é garantia de grande parte do sucesso do tratamento, lembrando que “entrevista inicial” não significa que deve ser feita completamente na primeira sessão. Não se trata de um interrogatório monótono e técnico, portanto caro aluno(a) o paciente deve ser deixado à vontade, inicialmente, para falar de seu sofrimento, e aos poucos direcioná-lo dentro do foco. A duração pode ir de alguns minutos (mas podendo-se repetir as entrevistas, quando a angústia é muito acentuada e parece insuperável) a uma hora, mas não convém jamais ultrapassar esse limite. Não se pode esquecer a importância, para o analista, de observar além do conteúdo falado, o modo de expressão verbal, o nível de evolução afetiva, o grau de adaptação às realidades, a densidade do discurso, a flexibilidade ou rigidez da atitude, os silêncios, entreoutros. Uma dica: sempre que possível anote as observações. Pouco a pouco, enquanto se desenvolve essa entrevista (ou em entrevistas sucessivas), o sujeito não vai mais poder jogar com a situação de maneira a mascarar seu personagem profundo. Se todas as precauções requeridas são respeitadas pelo analista, o paciente “vai achar, progressiva e automaticamente, levado a viver aqui seu modo de relação com suas angústias, frustrações, cóleras e reivindicações”. A estrutura profunda não pode senão pôr-se lentamente em evidência, diante daquele que sabe esperar, escutar, não impor nada, aceitar tudo sem reação seletiva. Alessandro Euzébio - Psicanalista e Psicólogo Página | 13 Caro(a) aluno(a), veja as principais finalidades de tais entrevistas segundo estudos: • O estabelecimento da relação terapêutica; • A elaboração da história clínica; • A avaliação diagnóstica e prognóstica; • A devolução diagnóstico-prognóstica; • O contrato sobre metas terapêuticas e duração do tratamento; • A explicitação do método de trabalho e a fixação das demais normas contratuais. Quanto ao número de entrevistas a se realizar é variável em cada caso, na medida do que for necessário para atingir os fins enunciados. O terapeuta na PBOP assume conscientemente um papel ativo, dirigindo os diversos momentos das entrevistas em função dos objetivos desta fase do procedimento, essencialmente diagnóstica e contratual. Assim também, conseguirá formular perguntas e fornecer informações para o paciente. O foco e sua determinação: Na psicoterapia breve o foco indica a direção e o fio condutor do trabalho psicoterapêutico. É o sinal indicativo para a terapia. O conflito focal contém um conflito pré- consciente e superficial que explica a maior parte do material clínico. Em princípio, o foco não deveria apenas permitir uma compreensão psicológica da situação desencadeadora, mas deveria também incluir os acontecimentos traumáticos da biografia do sujeito que fazem com que a dificuldade interna atual surja como repetição de um conflito infantil. Caro(a) aluno(a), é preciso ressaltar que os detalhes e as raízes biográficas dos distúrbios geralmente só se esclarecem durante a terapia breve ou já no seu final. Página | 14 SAIBA COMO FUNCIONA AS HIPÓTESES PSICODINÂMICAS Portanto caro(a) aluno(a), a(s) hipótese(s) psicodinâmica(s) se referem a elaboração do psicanalista a respeito do que pode estar acontecendo com o paciente, a respeito do que lhe está causando sofrimento. É a teoria do analista sobre o conflito psíquico de seu paciente. Para elaborar sua hipótese psicodinâmica, o analista deve estar atento às seguintes questões: • Qual o desejo que está reprimido e que não consegue ser realizado; • Qual a ansiedade envolvida, onde está a objeto bom e o objeto mau; • Qual a verdade que não consegue ser conhecida ou sustentada; • Qual é o padrão de repetição, existe algo que não foi dito e por que. Portanto futuro terapeuta, perceba que o analista percorre os pontos levantados na entrevista e é bom que fique atento à contratransferência como sinal de alerta e de comunicação. Tanto quanto a determinação do foco, a hipótese psicodinâmica também vai sofrendo confirmações, modificações, acréscimos e negações. Com a prática porém, a escuta analítica se aperfeiçoa e a hipótese sofre menos possibilidades de alterações. O MANEJO CLÍNICO NA PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA Caro(a) aluno(a), veja a importância do manejo clínico do terapeuta, que segundo Gillieron (2004): deve ter presente as seguintes considerações técnicas indicadas para chegar a uma hipótese psicodinâmica, com base nos sinais percebidos na história do paciente Página | 15 durante as entrevistas que explique a natureza do problema psicológico. • Esboçar, para cada paciente, os critérios que permitam atingir um resultado satisfatório do tratamento; • Manter-se sempre dentro de um “foco” terapêutico; • Utilizar confrontações, esclarecimentos e questões que provoquem ansiedade para motivar a introspecção do paciente; • Examinar a transferência positiva preponderante, para criticar os laços transferenciais parentais precoces, durante a primeira parte da terapia, de modo a criar uma atmosfera onde possam instaurar-se uma aprendizagem e uma experiência emocional corretiva; • Evitar ativamente traços de caráter como a dependência, a tendência passiva, a tendência de agir impulsivamente, usadas defensivamente pelo paciente para evitar a angústia; • ensinar sistematicamente as técnicas de resolução de problemas, as quais o paciente deve aprender; • Terminar precocemente a terapia, logo após a obtenção de sinais claros de resolução atual do problema psicológico inicialmente definido. A AVALIAÇÃO E O RESULTADOS NO FINAL DA PBOP Avaliação: É um dos resultados terapêuticos nas terapias breves tem por finalidade primordial verificar se estão sendo cumpridos os objetivos fixados. É mediante a avaliação dos resultados que será possível recolocar a situação do paciente e determinar os passos a serem seguidos a partir desse momento. Portanto a conveniência de que a tarefa avaliatória Página | 16 não fique exclusivamente a cargo do terapeuta, mas que haja participação ativa do paciente. Isso permitirá que a apreciação dos resultados seja enriquecida e possa na maioria das vezes aproximar-se mais da realidade. A avaliação conjunta deixa no paciente a impressão de que se levou a cabo uma tarefa em comum, que tem assim um encerramento cuidadoso, planejado, no qual se aprecia sua opinião. Este último passo inclui a confirmação, por parte do paciente, de suas impressões a respeito dos progressos obtidos, ratificadas ou não pelo julgamento do terapeuta, criando-lhe uma sensação de reasseguramento. A avaliação é, dentro do possível, anunciada e ajustada de antemão com o paciente ao efetuar-se o contrato terapêutico; explica-se quais são seus motivos, como se fará e quais serão as datas de realização das entrevistas de avaliação. Sobre o término da PBOP: “Apesar de tristes por terminarem um processo que lhes deu segurança e uma relação com alguém que lhes é querido, eles invariavelmente chegam a um ponto onde a conclusão lógica é a de que pouco mais resta a fazer”(GILLIERON, 2004). Existem duas atitudes relativas ao fim de uma terapia breve: ou se estabelece desde o princípio um número definido de sessões, ou se deixa em aberto desde o início a duração do tratamento sem determinar um final para o mesmo. No final da terapia, autores pesquisadores da PBOP aconselham fazer, conforme citado anteriormente, com o paciente, um balanço do que foi e do que não foi conseguido. Em geral, é útil para o paciente Página | 17 chamar-lhe a atenção para a possibilidade de recaídas depois da terapia. Em que em toda evolução existem fases regressivas. A cura é um movimento de idas e vindas em que existem fases com características próprias de dificuldades de superação, situações mais difíceis de serem enfrentadas, aparentando comportamentos desorganizados ou de piora. É como se o paciente, nessas regressões, se refugiasse em períodos anteriores onde se sentia mais seguro e confortável. VOCÊ SE ACHA PREPARADO PARA A PBOP? Caro(a) aluno(a) fique tranquilo, antes de tudo, perceba que a PBOP embora seja breve, vimos que não é tão breve e é tão séria quanto um processo analítico mais profundo. Orientaremos você na supervisão clínica utilizar esta técnica tendo em vista o processo mais rápido para cumprimento desse pilar. Atualmente pode-se dizer que a Psicoterapia Breve de Orientação Psicanalítica se consolidou em função dos bons resultados obtidos nas diversas experiências relatadas pelos profissionais da área. O atendimento na emergência causadora de sofrimentoé uma experiência significativa para o paciente. Talvez, para muitos, a primeira experiência de autoconhecimento, de reflexão sobre a vida e sobre si mesmo. Acredita-se que alguns pacientes, a partir da TBOP, possam decidir-se por uma análise mais profunda como filosofia de vida e encaminhamento de um projeto de bem estar. E quanto aos terapeutas, segundo Yalom (2006): Página | 18 “somos guardiões de segredos. Todos os dias os pacientes nos honram com seus segredos, frequentemente nunca antes compartilhados. Receber tais segredos é um privilégio concedido a poucos […] somos parteiras do nascimento de algo novo, libertador e enobrecedor.” Que a decisão pela TBOP não desqualifique o trabalho e a cura dos pacientes.