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Página | 2 
 
SUMÁRIO 
 
INTRODUÇÃO ............................................................. Erro! Indicador não definido. 
INTRODUÇÃO À PSICOTERAPIAS BREVES DE ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA 
- TBOP ............................................................................................................................. 3 
OS PRINCIPAIS PRECURSORES DA TÉCNICA E SUAS CONTRIBUIÇÕES ........ 4 
QUAL É O PROPÓSITO DAS PSICOTERAPIAS BREVES DE ORIENTAÇÃO 
PSICANALÍTICA? ........................................................................................................... 5 
O TEMPO NAS PSICOTERAPIAS BREVES ................................................................ 6 
SOBRE A ENTRADA DAS TERAPIAS BREVES NA PSICANÁLISE ........................ 8 
A ABORDAGEM PSICOANALÍTICA NA PSICOTERAPIA BREVE ....................... 8 
OS FUNDAMENTOS BÁSICOS PARA PSICOTERAPIAS BREVES ..................... 9 
SUGESTÃO: ENTREVISTA INICIAL E DETERMINAÇÃO DO FOCO ..................... 12 
SAIBA COMO FUNCIONA AS HIPÓTESES PSICODINÂMICAS ........................... 14 
O MANEJO CLÍNICO NA PSICOTERAPIA BREVE DE ORIENTAÇÃO 
PSICANALÍTICA ............................................................................................................ 14 
A AVALIAÇÃO E O RESULTADOS NO FINAL DA PBOP ....................................... 15 
VOCÊ SE ACHA PREPARADO PARA A PBOP? ....................................................... 17 
 
 
 
 
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INTRODUÇÃO À PSICOTERAPIAS BREVES DE ORIENTAÇÃO 
PSICANALÍTICA - TBOP 
 
Caro(a) aluno(a), a psicoterapia ou técnica breve surgiu como um 
suporte para a resolução de problemas de saúde mental da população. 
Antes da técnica breve, os meios psicoterapêuticos ofertados à 
sociedade não eram muito acessíveis por diversas razões, dentre elas, 
encontravam-se a carência de profissionais para realizar os 
atendimentos e o alto custo das consultas, o que impedia o acesso aos 
serviços dos sujeitos com poucos recursos. 
A terapia psicanalítica pode soar contraditória quanto a proposta de 
falar de terapia breve em psicanálise. No entanto, podemos considerar 
Freud, pai de princípios psicanalíticos da abordagem tradicional, como 
o precursor e questionador desta abordagem, várias de suas primeiras 
análises tiveram duração relativamente breve. 
Com o passar dos anos, surgiram outras publicações que 
apresentavam novas adaptações à técnica breve. As pesquisas de 
Ferenczi (1919) e Rank (Der Mythus von der Geburt des Helden (1909; 
 
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trad. livre: Mito do nascimento do herói), Das Trauma der Geburt (1924, 
trad. livre: O trauma do nascimento), Kunst und Künstler (1932, trad. 
livre: Arte e Artista), por exemplo, abordavam um caráter 
menos ortodoxo. 
Para tanto, buscaram encurtar o tempo da cura psicanalítica a partir 
do método ativo, no qual a “cura” do adoecimento mental era possível 
quando o paciente percebia que a origem de suas neuroses estava 
ligada ao processo de gestação. 
A ideia foi ganhando força a partir das proposições da técnica ativa de 
Ferenczi (1919), as quais Freud se posicionou favorável reforçando que 
“o que importa é trazer ao conhecimento do paciente o inconsciente, 
os impulsos recalcados e desmascarar as resistências” (LOWENKRON, 
2006). Com o apoio de Otto Rank, a terapia breve foi 
consolidando princípios consistentes, até se tornar legitimamente 
uma abordagem psicoterápica aceita a mais de 70 anos, 
especialmente a partir de escolas norte-americanas. 
Conceito: A Psicoterapia breve ou Terapia breve, é um tratamento 
psicológico utilizado por profissionais da psicologia, psicanálise e afins, 
que tem como especificidade a ênfase no trabalho com um foco. A 
maioria dos autores trabalha com um limite de tempo definido logo de 
início, ou depois de algumas sessões. 
OS PRINCIPAIS PRECURSORES DA TÉCNICA E SUAS 
CONTRIBUIÇÕES 
A partir dos atendimentos breves de Sigmund Freud, surgem no 
cenário da prática breve Franz Alexander e Thomas French, que 
apresentaram propostas inovadoras tais como: a adequação da análise 
de acordo com as necessidades de cada paciente e o tratamento 
através do “método ativo”. Esta técnica visava, no momento em que o 
 
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tratamento ficasse estagnado, dar novo impulso ao processo analítico 
através de diversas imposições ou interdições ao paciente. Nesse 
sentido, estimulava-se o paciente a enfrentar seus medos e a renunciar 
algumas satisfações neuróticas. Dessa forma, levava os pacientes a 
enfrentar situações ansiógenas e proibia certos comportamentos 
propiciadores de gratificações, que se constituíam em obstáculos para 
a sequência do trabalho. Por vezes, fixava-se, precocemente, uma data 
para o término do tratamento. 
Outras contribuições relevantes à prática breve foram proporcionadas 
por Malan (considerado o “pai” da psicoterapia focal), nas quais propôs 
alguns critérios para a indicação da psicoterapia focal. São eles: ter um 
foco definido, resposta positiva do paciente a esse foco e motivação 
suficiente para o tratamento. Sifneos e Fiorini enfatizavam que para 
ocorrer mudanças era necessário ter uma motivação. E a partir desta, 
era possível obter o alívio do sintoma. 
Outros nomes célebres na literatura das psicoterapias breves 
são: Knobel, Gilliéron e Braier. Estes são, sem dúvida, as referências 
mais atuais e importantes que temos sobre as técnicas focais. 
QUAL É O PROPÓSITO DAS PSICOTERAPIAS BREVES DE 
ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA? 
O propósito da PB é compreender, a partir do discurso do sujeito, 
qual seria o foco, ou seja, a questão central, para ajudá-lo a retomar 
seu equilíbrio psíquico. 
Ou seja, caro(a) aluno(a), o foco é estabelecido por meio de um recorte 
no conteúdo apresentado pelo paciente, percebido logo nas primeiras 
entrevistas, define-se preferencialmente um assunto. 
A fim de eliminar sintomas, o terapeuta psicanalista poderá 
estabelecer três etapas para delimitar o foco na PB, que são: 
 
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• Entender psicodinamicamente a situação atual do paciente; 
• Atender o ponto de emergência, quer seja a queixa manifesta ou 
a latente; 
• Delimitar a área de conflito a ser trabalhada. 
 
O que é o conceito de focalização ou colocar: O foco será a explicitação 
do entrelaçamento das angústias do paciente e sua repercussão no 
modo de funcionamento psíquico da díade. As angústias de castração, 
de fragmentação e de perda do objeto são esclarecidas a partir da 
compreensão dos tipos de personalidade de cada um, compreendidos 
a partir das repetições das relações primitivas que interferem nas 
questões atuais e explicitadas nas sessões, em função da experiência 
intersubjetiva do paciente uma vez que acabam surgindo também na 
relação com o terapeuta. 
Atenção: Em razão dessas características próprias, segundo Mauro 
Hegenberg, a indicação da psicoterapia breve deve ser realizada de 
forma cautelosa, uma vez que, nesse caso, deve se focalizar em torno 
de uma problemática central e reconhecer os limites do tempo de 
acordo com os objetivos propostos. Ressalta-se que, ao terapeuta 
cabe acreditar na capacidade de elaboração do paciente, mesmo após 
o término da terapia. 
O TEMPO NAS PSICOTERAPIAS BREVES 
Em relação à temporalidade nas psicoterapias breves, consiste em um 
processo que tem começo, meio e fim, dessa forma, tal técnica 
permite o tratamento de ordem emocional de forma mais rápida, isto 
é, com tempo definido. Para que isso ocorra é necessário que o 
terapeuta e o paciente sejam ativos, uma vez que, ao primeiro, cabe 
 
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demarcar o material consciente e inconsciente a ser trabalhado; e, ao 
segundo, se engajar em seu tratamento. 
Tales Vilela Santeiro defendeu que a duração da psicoterapia breve em 
clínicas-escola deve se situar entre nove e 10 sessões, obedecendo ao 
calendário letivo da escola. 
Já para Simon e Yamamoto (2008), essa pode ser feita em duas etapas.A primeira consiste na fase diagnóstica, em que por meio de 
entrevistas objetivam-se obter dados desde a infância do paciente, 
além de realizar o planejamento e determinar o número de sessões 
necessárias de acordo com o caso. Posteriormente, efetuam-se até 12 
sessões semanais, caracterizadas pela fase terapêutica. 
De acordo com Franchetti (2007), o processo da PB tem duração 
de três meses a um ano, sendo uma sessão por semana, intervalo 
necessário para que o paciente possa elaborar melhor o que foi 
trabalhado. 
Apesar das divergências entre os autores, em relação à duração do 
processo, Mauro Hegenberg defendeu que o número de sessões não 
define a PB, mas ressaltou que o fator tempo limitado interfere na 
relação terapeuta paciente, quando comparado com a terapia em 
longo prazo. Assim, ambos precisam se comprometer com a 
delimitação do tempo. 
O setting fundamenta-se na técnica tradicional, standart, porém com 
características próprias quanto aos procedimentos. 
 
 
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SOBRE A ENTRADA DAS TERAPIAS BREVES NA 
PSICANÁLISE 
 
No início da psicanálise, Freud realizou alguns atendimentos rápidos. 
Muitos pacientes até hoje possuem várias necessidades que 
contrariam os princípios da análise tradicional, tais como: o desejo pela 
melhora imediata, a disponibilidade de tempo, horários e condições 
financeiras, dentre outras, que os impede de se submeterem a esse 
processo complexo. 
 
A ABORDAGEM PSICOANALÍTICA NA PSICOTERAPIA BREVE 
 
Respeita o vértice psicanalítico, ou seja, a investigação da 
transferência, a interpretação, a neutralidade e as associações livres. A 
resolução de sintomas não é o eixo principal da terapia, mas a busca 
da compreensão de sentidos. Seus autores de referência são: Malan, 
seguidor de Balint, na Inglaterra e Gilliéron na Suíça. 
Na abordagem da terapia psicodinâmica, que tem Fiorini como bom 
exemplo, a teoria é de origem psicanalítica, mas o modo de trabalhar 
 
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difere do vértice psicanalítico descrito acima, sendo mais diretivo e 
intervencionista. 
 
OS FUNDAMENTOS BÁSICOS PARA PSICOTERAPIAS BREVES 
 
Caro(a) aluno(a), a característica específica da PBOP - Psicoterapia 
Breve de Orientação Psicanalítica, é se constituir com um foco definido 
e um tempo limitado. Desse modo, argumenta-se que o limite de 
tempo contribui para tornar a psicoterapia acessível a mais pessoas nas 
contingências da modernidade (tempo disponível, custos, necessidade 
de gratificação mais rápida, entre outras). 
Atenção: Estes argumentos, porém, não devem ser preponderantes 
exclusivos para o encurtamento da terapia ou de sua superficialidade. 
Mas saiba que um fator determinante da natureza de cada intervenção 
terapêutica deve ser principalmente a apreciação do tratamento mais 
adequado às necessidades específicas de cada paciente. Desse modo, 
é necessário eliminarmos este argumento utilitarista para limitarmos o 
tempo da psicoterapia, uma vez que só poderemos defender tal 
limitação por uma única razão: por sabermos que ela contribui para 
tornar a psicoterapia de curta duração o tratamento escolhido para um 
determinado grupo de pacientes selecionados, pois nem todo 
paciente poderá responder o mesmo resultado terapêutico. 
Nos fundamentos de forma geral segue-se a perspectiva da terapia 
“standard" com diferenças em alguns procedimentos, veja a seguir: 
 
a) O(a) analista deve estar atento a conduzir o discurso do paciente 
dentro dos limites do foco pré acordado entre ambos na 
entrevista inicial. Na terapia standard o discurso poderá receber 
 
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contribuições da técnica ativa, aqui na PBOP praticamente deve-
se utilizar a técnica para garantir o foco e buscar informações 
que agilizem o processo, e a livre associação é permitida dentro 
do foco. 
b) Quanto às interpretações, devem ser dadas aquelas que têm a 
ver com o foco, buscadas na transferência e na extra 
transferência. O recurso da extra transferência serve de suporte 
na garantia da interpretação, porém quanto mais a interpretação 
for direcionada à transferência maior eficácia proporcionará. 
Destaca-se também que o analista deve ter a capacidade de 
compreender o paciente e ter segurança na sua interpretação, 
bem como capacidade de organizar um plano terapêutico 
circunscrito. 
c) A base teórica do analista na PBOP, exige capacidade de 
raciocínio mais rápido visto que não há tanto tempo disponível 
para inferir a transferência e fazer a interpretação. Aconselha-se 
que o analista iniciante na PBOP se utilize da base teórica 
Freudiana, isto é que “os problemas psicológicos do paciente e 
os conflitos subjacentes, que devem ser resolvidos ao longo da 
psicoterapia, devem ser de natureza edipiana ou triangular. Isso 
implica que as dificuldades encontradas pelo paciente tenham 
surgido durante a sua infância e comportem um amor pelo 
genitor do mesmo sexo, que o impede de entrar em competição 
com ele, na busca do afeto do genitor de sexo oposto. As queixas 
que disso resultam são apresentadas, pelo paciente, como 
dificuldades interpessoais bem delimitadas, ou como sintomas 
bem específicos”. 
d) Outra diferença entre as duas terapias é que na PBOP o “insight” 
se dá na terapia, mas a “elaboração” acontece fora da terapia 
podendo se alongar por dois a três anos. Porque teoricamente o 
“insight” é um instante em que surge uma compreensão onde 
 
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“tudo muda”, ou “a perspectiva muda”, ou “tudo se reencaixa”. Já 
a “elaboração” é o tempo que o psiquismo precisa para se 
“readaptar” e pode demorar horas, dias ou anos, independente 
se está ou não ainda no processo de análise. 
e) Parafraseando o tutor do curso em vídeos aulas, gostaria de 
trazer outra reflexão: que a terapia é breve, mas o acolhimento 
não. Isto quer indicar que empatia, compaixão, dedicação devem 
estar presentes com a mesma intensidade que na terapia 
tradicional. Em ambas o paciente precisa se sentir acolhido, 
respeitado e ouvido na sua condição de sofredor como se a sua 
frente houvesse uma testemunha das experiências de 
sofrimento que vem enfrentando. 
f) Nem todos os pacientes são indicados para a PBOP por isso é 
conveniente delinear os critérios de seleção de quais pacientes 
estão em condições de receber esse tipo de tratamento. 
 
Vejamos as bases de ideias de Gillieron (2004), onde podemos 
destacar os seguintes critérios: 
 
• Uma queixa principal circunscrita; 
• A presença, em sua história, de uma relação significativa de 
troca (dar e receber) durante os primeiros anos de vida; 
• Uma capacidade de entrar em relação com o entrevistador sem 
muita dificuldade e de exprimir livremente seus sentimentos 
durante a primeira entrevista; 
• A capacidade de trabalhar com base na interpretação e dela 
extrair significados e possibilidades de readaptação a novos 
comportamentos e ordenamentos psíquicos; 
Uma grande motivação para mudar, não somente motivação 
para buscar alívio de sintomas. 
 
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SUGESTÃO: ENTREVISTA INICIAL E DETERMINAÇÃO DO 
FOCO 
As entrevistas: Uma boa entrevista inicial é garantia de grande parte do 
sucesso do tratamento, lembrando que “entrevista inicial” não significa 
que deve ser feita completamente na primeira sessão. Não se trata de 
um interrogatório monótono e técnico, portanto caro aluno(a) o 
paciente deve ser deixado à vontade, inicialmente, para falar de seu 
sofrimento, e aos poucos direcioná-lo dentro do foco. A duração pode 
ir de alguns minutos (mas podendo-se repetir as entrevistas, quando a 
angústia é muito acentuada e parece insuperável) a uma hora, mas não 
convém jamais ultrapassar esse limite. 
Não se pode esquecer a importância, para o analista, de observar além 
do conteúdo falado, o modo de expressão verbal, o nível de evolução 
afetiva, o grau de adaptação às realidades, a densidade do discurso, a 
flexibilidade ou rigidez da atitude, os silêncios, entreoutros. Uma dica: 
sempre que possível anote as observações. 
 
Pouco a pouco, enquanto se desenvolve essa entrevista 
(ou em entrevistas sucessivas), o sujeito não vai mais 
poder jogar com a situação de maneira a mascarar seu 
personagem profundo. Se todas as precauções 
requeridas são respeitadas pelo analista, o paciente “vai 
achar, progressiva e automaticamente, levado a viver 
aqui seu modo de relação com suas angústias, 
frustrações, cóleras e reivindicações”. A estrutura 
profunda não pode senão pôr-se lentamente em 
evidência, diante daquele que sabe esperar, escutar, não 
impor nada, aceitar tudo sem reação seletiva. 
Alessandro Euzébio - Psicanalista e Psicólogo 
 
 
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Caro(a) aluno(a), veja as principais finalidades de tais entrevistas 
segundo estudos: 
• O estabelecimento da relação terapêutica; 
• A elaboração da história clínica; 
• A avaliação diagnóstica e prognóstica; 
• A devolução diagnóstico-prognóstica; 
• O contrato sobre metas terapêuticas e duração do tratamento; 
• A explicitação do método de trabalho e a fixação das demais 
normas contratuais. 
 
Quanto ao número de entrevistas a se realizar é variável em cada caso, 
 na medida do que for necessário para atingir os fins enunciados. O 
terapeuta na PBOP assume conscientemente um papel ativo, dirigindo 
os diversos momentos das entrevistas em função dos objetivos desta 
fase do procedimento, essencialmente diagnóstica e contratual. Assim 
também, conseguirá formular perguntas e fornecer informações para 
o paciente. 
O foco e sua determinação: Na psicoterapia breve o foco indica a 
direção e o fio condutor do trabalho psicoterapêutico. É o sinal 
indicativo para a terapia. O conflito focal contém um conflito pré-
consciente e superficial que explica a maior parte do material clínico. 
Em princípio, o foco não deveria apenas permitir uma compreensão 
psicológica da situação desencadeadora, mas deveria também incluir 
os acontecimentos traumáticos da biografia do sujeito que fazem com 
que a dificuldade interna atual surja como repetição de um conflito 
infantil. 
Caro(a) aluno(a), é preciso ressaltar que os detalhes e as raízes 
biográficas dos distúrbios geralmente só se esclarecem durante a 
terapia breve ou já no seu final. 
 
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SAIBA COMO FUNCIONA AS HIPÓTESES PSICODINÂMICAS 
Portanto caro(a) aluno(a), a(s) hipótese(s) psicodinâmica(s) se referem 
a elaboração do psicanalista a respeito do que pode estar acontecendo 
com o paciente, a respeito do que lhe está causando sofrimento. É a 
teoria do analista sobre o conflito psíquico de seu paciente. 
Para elaborar sua hipótese psicodinâmica, o analista deve estar atento 
às seguintes questões: 
• Qual o desejo que está reprimido e que não consegue 
ser realizado; 
• Qual a ansiedade envolvida, onde está a objeto bom e o objeto 
mau; 
• Qual a verdade que não consegue ser conhecida ou sustentada; 
• Qual é o padrão de repetição, existe algo que não foi dito 
e por que. 
Portanto futuro terapeuta, perceba que o analista percorre os pontos 
levantados na entrevista e é bom que fique atento 
à contratransferência como sinal de alerta e de comunicação. Tanto 
quanto a determinação do foco, a hipótese psicodinâmica também vai 
sofrendo confirmações, modificações, acréscimos e negações. Com a 
prática porém, a escuta analítica se aperfeiçoa e a hipótese sofre 
menos possibilidades de alterações. 
O MANEJO CLÍNICO NA PSICOTERAPIA BREVE DE 
ORIENTAÇÃO PSICANALÍTICA 
Caro(a) aluno(a), veja a importância do manejo clínico do terapeuta, 
que segundo Gillieron (2004): deve ter presente as seguintes 
considerações técnicas indicadas para chegar a uma hipótese 
psicodinâmica, com base nos sinais percebidos na história do paciente 
 
Página | 15 
 
durante as entrevistas que explique a natureza do problema 
psicológico. 
• Esboçar, para cada paciente, os critérios que permitam atingir 
um resultado satisfatório do tratamento; 
• Manter-se sempre dentro de um “foco” terapêutico; 
• Utilizar confrontações, esclarecimentos e questões que 
provoquem ansiedade para motivar a introspecção do paciente; 
• Examinar a transferência positiva preponderante, para criticar os 
laços transferenciais parentais precoces, durante a primeira 
parte da terapia, de modo a criar uma atmosfera onde possam 
instaurar-se uma aprendizagem e uma experiência emocional 
corretiva; 
• Evitar ativamente traços de caráter como a dependência, a 
tendência passiva, a tendência de agir impulsivamente, usadas 
defensivamente pelo paciente para evitar a angústia; 
• ensinar sistematicamente as técnicas de resolução de 
problemas, as quais o paciente deve aprender; 
• Terminar precocemente a terapia, logo após a obtenção de sinais 
claros de resolução atual do problema psicológico inicialmente 
definido. 
 
A AVALIAÇÃO E O RESULTADOS NO FINAL DA PBOP 
Avaliação: É um dos resultados terapêuticos nas terapias breves tem 
por finalidade primordial verificar se estão sendo cumpridos os 
objetivos fixados. 
É mediante a avaliação dos resultados que será possível recolocar a 
situação do paciente e determinar os passos a serem seguidos a partir 
desse momento. Portanto a conveniência de que a tarefa avaliatória 
 
Página | 16 
 
não fique exclusivamente a cargo do terapeuta, mas que haja 
participação ativa do paciente. Isso permitirá que a apreciação dos 
resultados seja enriquecida e possa na maioria das vezes aproximar-se 
mais da realidade. 
A avaliação conjunta deixa no paciente a impressão de que se levou a 
cabo uma tarefa em comum, que tem assim um encerramento 
cuidadoso, planejado, no qual se aprecia sua opinião. Este último passo 
inclui a confirmação, por parte do paciente, de suas impressões a 
respeito dos progressos obtidos, ratificadas ou não pelo julgamento 
do terapeuta, criando-lhe uma sensação de reasseguramento. 
 
A avaliação é, dentro do possível, anunciada e ajustada de antemão 
com o paciente ao efetuar-se o contrato terapêutico; explica-se quais 
são seus motivos, como se fará e quais serão as datas de realização das 
entrevistas de avaliação. 
 
Sobre o término da PBOP: “Apesar de tristes por 
terminarem um processo que lhes deu segurança e uma 
relação com alguém que lhes é querido, eles 
invariavelmente chegam a um ponto onde a conclusão 
lógica é a de que pouco mais resta a fazer”(GILLIERON, 
2004). 
 
Existem duas atitudes relativas ao fim de uma terapia breve: ou se 
estabelece desde o princípio um número definido de sessões, ou se 
deixa em aberto desde o início a duração do tratamento sem 
determinar um final para o mesmo. 
No final da terapia, autores pesquisadores da PBOP aconselham fazer, 
conforme citado anteriormente, com o paciente, um balanço do que 
foi e do que não foi conseguido. Em geral, é útil para o paciente 
 
Página | 17 
 
chamar-lhe a atenção para a possibilidade de recaídas depois da 
terapia. Em que em toda evolução existem fases regressivas. A 
cura é um movimento de idas e vindas em que existem fases com 
características próprias de dificuldades de superação, situações mais 
difíceis de serem enfrentadas, aparentando comportamentos 
desorganizados ou de piora. É como se o paciente, nessas regressões, 
se refugiasse em períodos anteriores onde se sentia mais seguro e 
confortável. 
VOCÊ SE ACHA PREPARADO PARA A PBOP? 
Caro(a) aluno(a) fique tranquilo, antes de tudo, perceba que a PBOP 
embora seja breve, vimos que não é tão breve e é tão séria quanto um 
processo analítico mais profundo. Orientaremos você na supervisão 
clínica utilizar esta técnica tendo em vista o processo mais rápido para 
cumprimento desse pilar. 
Atualmente pode-se dizer que a Psicoterapia Breve de Orientação 
Psicanalítica se consolidou em função dos bons resultados obtidos 
nas diversas experiências relatadas pelos profissionais da área. O 
atendimento na emergência causadora de sofrimentoé uma 
experiência significativa para o paciente. Talvez, para muitos, a 
primeira experiência de autoconhecimento, de reflexão sobre a vida e 
sobre si mesmo. Acredita-se que alguns pacientes, a partir da TBOP, 
possam decidir-se por uma análise mais profunda como filosofia de 
vida e encaminhamento de um projeto de bem estar. 
 
 
 
E quanto aos terapeutas, segundo Yalom (2006): 
 
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“somos guardiões de segredos. Todos os dias os 
pacientes nos honram com seus segredos, 
frequentemente nunca antes compartilhados. Receber 
tais segredos é um privilégio concedido a poucos […] 
somos parteiras do nascimento de algo novo, libertador 
e enobrecedor.” Que a decisão pela TBOP não 
desqualifique o trabalho e a cura dos pacientes.

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