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<p>ENTREVISTAS CLÍNICAS E AS</p><p>PRIMEIRAS SESSÕES</p><p>2</p><p>Sumário</p><p>Introdução ........................................................................................................ 4</p><p>A Entrevista Clínica Psicanalítica .................................................................... 7</p><p>Entrevista Inicial ........................................................................................... 8</p><p>Compreensão processualmente orientada na primeira entrevista .......... 12</p><p>O uso da interpretação na entrevista inicial ............................................ 13</p><p>A contratransferência ............................................................................. 14</p><p>A entrevista inicial na psicoterapia infantil .................................................. 17</p><p>Entrevistas posteriores com os pais ........................................................... 20</p><p>A entrevista na psicoterapia com adolescentes ......................................... 22</p><p>A entrevista de encaminhamento ............................................................... 24</p><p>Devolução e contrato ................................................................................. 25</p><p>REFERÊNCIAS ............................................................................................. 47</p><p>3</p><p>NOSSA HISTÓRIA</p><p>A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de</p><p>um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de</p><p>Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade</p><p>capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior.</p><p>O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de</p><p>conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a</p><p>participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua</p><p>formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos</p><p>científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade,</p><p>transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de</p><p>publicações e/ou outras normas de comunicação.</p><p>Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de</p><p>forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma</p><p>base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no</p><p>atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de</p><p>uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade.</p><p>4</p><p>Entrevistas Clínicas a as Primeiras Sessões</p><p>Introdução</p><p>Uma técnica utilizada pelos psicanalistas para um momento de avaliação</p><p>prévio à análise, da verdadeira demanda do sujeito são as entrevistas preliminares.</p><p>Freud estabelece um período de pelo menos duas semanas para o diagnóstico e o</p><p>prosseguimento ou não de análise (FREUD, 1913; 1976). O analista pedirá que o</p><p>paciente fale o mais livremente possível, pela técnica da associação livre, ouvindo o</p><p>paciente em sua totalidade e procurando transmutar a queixa-sintoma em sintoma-</p><p>enigma(PRISZKULNIK, 2000).</p><p>Os primeiros encontros com o analista no qual a partir da escuta</p><p>empreendida este terá condições de avaliar com um menor risco um</p><p>encaminhamento ou o modus de tratamento, clareamento da demanda e</p><p>instauração da transferência, a inauguração de um “diagnóstico estrutural”, ou seja,</p><p>o modo como o sujeito lida com a falta e se posiciona inconscientemente diante da</p><p>castração .</p><p>Três pontos são levantados aqui quanto à sagacidade de Freud, o primeiro é</p><p>a dimensão potencial do diagnóstico, pois o suspende laçando a um devir a partir</p><p>das observações subsequentes, o segundo refere-se ao valor dessa ação que</p><p>prorroga qualquer intervenção dita terapêutica e terceiro consiste no aproveitamento</p><p>desse tempo de observação para o desenrolar do possível tratamento(DOR, 1991)</p><p>As entrevistas preliminares nem sempre tiveram essa nomenclatura, foram</p><p>inicialmente chamadas por Freud de “análise de prova” ou mesmo “tratamento de</p><p>ensaio”. Já em Lacan obtivemos a nomenclatura utilizada atualmente.</p><p>5</p><p>De acordo com Freud (1913), para que o processo de análise aconteça e se</p><p>atinja um determinado objetivo, torna-se necessário um período que o antecede, no</p><p>qual seja possível traçar um caminho para que o analista possa cumprir sua</p><p>promessa de cura.</p><p>Freud (1913), no texto “Sobre o início do tratamento”, refere-se à prática de</p><p>um tratamento de ensaio para evitar a interrupção da análise, a fim de se conhecer</p><p>o caso e decidir sobre a possibilidade de sua analisabilidade; como exemplo, a falta</p><p>de compreensão interna (insight) do paciente poderia ser um empecilho.</p><p>Esse período, o qual Freud (1913) nomeava de tratamento preliminar é, ele</p><p>próprio, o início da análise e, portanto, considera a regra fundamental da associação</p><p>livre. É neste momento da entrevista que acontece o primeiro contato entre</p><p>analisante (paciente) e analista. Etapa importante para o restante do processo de</p><p>análise. Isso porque esse primeiro contato abre espaço para a transferência de</p><p>análise, que até o momento ainda não está, de fato, instalada.</p><p>No entanto, não podemos dizer que não há transferência, pois se o</p><p>analisante chegou até o consultório deste analista em especial, isso se deve ao fato</p><p>de que algo da transferência ocorreu, mesmo que de maneira mais frágil, e que ela</p><p>se consolida no decorrer do processo, ou seja, se o analisante voltar na próxima</p><p>sessão. Como sabemos, a transferência é a mola propulsora do tratamento. Ela</p><p>pode ser positiva ou negativa, e por isso temos a relação entre amor/ódio, que são</p><p>afetos para a psicanálise.</p><p>A queixa inicial do sujeito quase sempre demanda uma palavra de cura,</p><p>livrando o paciente do seu sintoma. Ele espera o auxílio de alguém, que supõe-se</p><p>saber algo do sofrimento dele, podendo tratá-lo. Mas isso não é o suficiente para</p><p>que a análise ocorra.</p><p>Logo, essas entrevistas iniciais servem para investigar os motivos que trazem</p><p>o paciente àquela consulta, é a mola mestra que vai direcionar o analista a montar</p><p>suas hipóteses iniciais. Este primeiro contato pode ser exatamente o momento no</p><p>qual se detectará o que é possível ou não ser “tratado” em termos psicanalíticos,</p><p>podendo, além disso, proporcionar em si mesmo um resultado terapêutico.</p><p>6</p><p>A postura do analista, neste primeiro contato, deve voltar-se para a escuta, a</p><p>receptividade ao discurso do sujeito, mantendo, segundo Freud (1913), uma</p><p>‘atenção uniformemente suspensa’, ou seja, uma atenção flutuante. Este discurso</p><p>direcionado ao analista é diferente dos outros, devido ao sentido novo que ele</p><p>adquire aos ouvidos do psicanalista. Seu posicionamento é que vai determinar se o</p><p>atendimento vai servir apenas para tamponar o sofrimento psíquico que o sujeito</p><p>traz ou se irá abrir espaço para que a sua subjetividade seja revelada e que este</p><p>possa se implicar em suas questões.</p><p>Portanto, o analista não deve criar interpretações precipitadas, pois é o</p><p>paciente que dá sentido às suas experiências. A função sintomal compreende</p><p>questões sobre a demanda e analisabilidade. De acordo com Lacan, há apenas</p><p>uma demanda verdadeira para se dar início a uma análise: a de se desvencilhar de</p><p>um sintoma.</p><p>Quinet (2000) afirma que para Lacan, a analisabilidade é função do sintoma e</p><p>não do sujeito e deve ser buscada, a partir da transformação do sintoma do qual o</p><p>sujeito se queixa em sintoma analítico. Isso significa que é preciso que: “a queixa se</p><p>transforme numa demanda endereçada àquele analista e que o sintoma passe de</p><p>estatuto de resposta ao estatuto de questão para o sujeito, para que este seja</p><p>instigado a decifrá-lo” (Quinet, 2000, p.16).</p><p>A partir do momento em que o analista entra em contato com este ‘candidato</p><p>à análise’, concretiza-se esta dupla escolha</p><p>(tanto do analista, aceitando o indivíduo</p><p>em análise, quanto pelo analisando, que se deixa analisar por aquele em</p><p>específico), o sujeito será levado a elaborar sua demanda de análise, o que seria</p><p>caracterizado na prática como um fator de histerização (Quinet, 2000).</p><p>Quinet (2000) afirma que é necessário que a queixa se transforme em</p><p>demanda, endereçada àquele analista, e que o sintoma saia da posição de resposta</p><p>para a de uma questão para o sujeito. Assim, esse mesmo sujeito será incitado a</p><p>decifrá-la. O analista entra como um questionador deste sintoma. Outra função das</p><p>entrevistas preliminares compreende a função diagnóstica.</p><p>Segundo Freud (1913), existem razões diagnósticas para começar o</p><p>tratamento desta forma, pois nos casos de neurose com sintomas histéricos ou</p><p>7</p><p>obsessivos, há certa dificuldade em diferenciá-los das chamadas demências</p><p>precoces (esquizofrenia, parafrenia). Portanto, torna-se necessário a realização de</p><p>um diagnóstico diferencial, em particular, o diagnóstico diferencial entre neurose e</p><p>psicose na medida em que a forma de conduta frente ao caso se torna diferente</p><p>para cada uma dessas estruturas clínicas.</p><p>Contudo é preciso que o analista sustente esta posição de sujeito suposto</p><p>saber para transformar a transferência demandante em transferência produtora pelo</p><p>trabalho da associação livre – regra fundamental da psicanálise. É importante</p><p>ressaltar que o analista vai ‘tomar este lugar de saber’ emprestado, não devendo</p><p>nunca se identificar com essa posição, o que, para Quinet (2000), seria um erro.</p><p>A função diagnóstica das entrevistas preliminares se institui como um papel</p><p>de direção da análise, ou seja, ela só terá sentido se servir de respaldo para a</p><p>condução da análise. Essa tática do analista no direcionamento da análise está</p><p>correlata com a transferência, na qual o diagnóstico está intimamente ligado.</p><p>Porém, este só pode ser investigado no registro do simbólico, atentando para</p><p>o que Lacan anuncia ao dizer que um sujeito é incurável, pois não se pode curar o</p><p>inconsciente. Cabe ao psicanalista o desafio de articular as entrevistas preliminares</p><p>ao contexto em que está inserido e aproveitar a eficácia desta prática terapêutica.</p><p>A Entrevista Clínica Psicanalítica</p><p>A entrevista é um instrumento fundamental do método clínico, sendo uma</p><p>técnica de investigação científica em Psicologia. Por se tratar de uma técnica,</p><p>possui procedimentos empíricos com os quais se aplica o conhecimento, fazendo</p><p>coexistir no psicólogo clínico as funções de investigador e profissional. Etchegoyen</p><p>(2004) chama de entrevista a tudo que seja uma “visão” entre duas ou mais</p><p>pessoas, reservada para algum encontro especial e não para contatos regulares.</p><p>Nesse sentido, há diferenças conceituais entre “entrevista inicial” e “primeira</p><p>sessão”, já que, a partir do momento em que os encontros passam a ter uma</p><p>8</p><p>periodicidade estipulada e regular, eles deixam de constituir uma entrevista</p><p>propriamente dita. A primeira antecede o contrato enquanto a segunda implica que a</p><p>análise ou psicoterapia já começou formalmente. Os objetivos de uma entrevista e</p><p>da psicoterapia são radicalmente diferentes: em um caso é orientar uma pessoa</p><p>para determinada atividade terapêutica; no outro, realiza-se o que antes se indicou.</p><p>Bleger (1971) citado por Etchegoyen (2004) ainda difere entrevista,</p><p>interrogatório e anamnese. A anamnese é uma investigação de dados</p><p>preestabelecidos sobre o princípio e evolução de uma sintomatologia. O</p><p>interrogatório tem o objetivo de obter informação, de investigar o que o entrevistado</p><p>sabe conscientemente. A entrevista pretende ver como funciona um indivíduo e não</p><p>como diz que funciona.</p><p>Entrevista Inicial</p><p>Trata-se do primeiro contato entre terapeuta e paciente pessoalmente.</p><p>Geralmente, antecede ao encontro algum telefonema ou contato agendando a</p><p>entrevista, e já se instalam nesse primeiro momento determinadas pré-</p><p>transferências que vão se desenvolver ou não ao longo das entrevistas e do</p><p>tratamento.</p><p>Algumas investigações têm demonstrado que a fase inicial é crucial para a</p><p>permanência ou não em tratamento (CEITLIN & CORDIOLI, 1998). Langs (1973)</p><p>afirma que a maioria dos pacientes que abandonam a terapia o faz nas primeiras</p><p>entrevistas e que a permanência em terapia depende de desenvolver uma boa</p><p>relação com o terapeuta.</p><p>O objetivo principal desta entrevista é levantar hipóteses sobre o</p><p>funcionamento psíquico do paciente, possibilitando traçar um plano de tratamento</p><p>ou ter melhores condições para realizar um encaminhamento a outro profissional.</p><p>Esse processo de avaliação geralmente necessita de mais de um encontro, sendo</p><p>mais correto referir-se a este como entrevistas iniciais. “Deve-se levar em conta que</p><p>o entrevistado muda, em geral, de uma para outra entrevista, e o próprio</p><p>9</p><p>entrevistador pode mudar e mesmo recuperar-se do impacto que pode ter-lhe</p><p>significado o primeiro encontro” (ETCHEGOYEN, 2004, p. 46).</p><p>No entanto, diversos autores defendem a ideia de que, mesmo que o</p><p>terapeuta opte por diversas entrevistas, ele deve ter em mente que não é prudente</p><p>prolongá-las demais, devido à grande ansiedade que podem despertar no</p><p>entrevistado. Ademais, para os autores que acreditam não ser aconselhável fazer</p><p>interpretações transferenciais durante as entrevistas, o prolongamento excessivo</p><p>desse processo inicial pode complicar a relação analítica futura pela impossibilidade</p><p>de interpretar desde o início o vínculo que está sendo formado.</p><p>Zimerman (2004) disserta em seu livro Manual de técnica psicanalítica acerca</p><p>dos objetivos da entrevista inicial. Para ele, os objetivos gerais da entrevista inicial</p><p>são:</p><p>1) avaliar as condições mentais, emocionais, materiais e circunstanciais da</p><p>vida do paciente que o buscou e</p><p>2) estabelecer um rapport com o paciente, isto é, o início de uma relação</p><p>pautada por um vínculo empático, por uma atmosfera de veracidade e</p><p>confiabilidade.</p><p>Para que os objetivos gerais sejam atingidos, deve-se ter como objetivo</p><p>específico, durante essa etapa inicial, os seguintes itens:</p><p>1) ajuizar os prós e os contras, as vantagens e as desvantagens, os riscos e</p><p>benefícios de indicar psicoterapia para aquele paciente (conforme critérios de</p><p>analisabilidade e acessibilidade vigentes ou do próprio terapeuta),</p><p>2) inferir o grau e o tipo de psicopatologia, de modo a formar alguma</p><p>impressão diagnóstica e prognóstica do paciente,</p><p>3) avaliar a qualidade da motivação do paciente, tanto a manifesta quanto a</p><p>inconsciente,</p><p>4) verificar a capacidade de insight do paciente, sua capacidade de abstrair,</p><p>simbolizar e dar acesso ao seu inconsciente,</p><p>10</p><p>5) avaliar a realidade exterior do paciente: condições sócioeconômicas,</p><p>entorno familiar, sua posição profissional, seu projeto de vida próximo e futuro,</p><p>existência de fatos traumáticos, etc.,</p><p>6) conferir se a teoria de tratamento e cura do terapeuta coincide com a do</p><p>paciente.</p><p>A impressão diagnóstica deve ser formada levando em conta que existem</p><p>diferentes tipos, níveis e perspectivas de diagnóstico clínico. Ainda segundo</p><p>Zimerman (2004), há dois tipos de abordagem para a construção desta hipótese</p><p>diagnóstica. A primeira diz respeito às classificações do DSM IV-TR: eixo I</p><p>(aspectos sindrômicos), eixo II (tipos e transtornos de personalidade), eixo III</p><p>(transtornos físicos), eixo IV (estressores) e eixo V (nível de funcionamento). A</p><p>segunda consiste em considerar os seguintes enfoques:</p><p>1) Nosológico: determinada categoria clínica</p><p>2) Dinâmico: a lógica do inconsciente</p><p>3) Evolutivo: as etapas do direcionamento da libido oral, anal, fálica, latente,</p><p>genital, já que cada etapa exige implicações técnicas específicas</p><p>4) Funções do ego: atenção, senso-percepção, memória, orientação,</p><p>consciência, pensamento, linguagem, inteligência, afeto, conduta.</p><p>5) Configurações vinculares:</p><p>funcionamento e papel desempenhado pelo</p><p>indivíduo na família, no casal, nos grupos em geral.</p><p>6) Corporal: cuidados corporais, autoimagem, somatizações e hipocondria.</p><p>7) Manifestações transferenciais e contratransferenciais: expectativas do</p><p>paciente em relação ao terapeuta e afetos que o paciente mobiliza no terapeuta.</p><p>O analista deve ter em mente que muitas vezes o paciente se apresenta na</p><p>entrevista de uma forma muito diferente do que ele realmente é (por ansiedade</p><p>paranóide ou fóbica excessiva, por masoquismo, para seduzir o terapeuta a aceitá-</p><p>lo em tratamento, etc). Por isso fala-se em impressão diagnóstica, embora o</p><p>terapeuta precise estar atento e aberto a possíveis mudanças nesta primeira</p><p>percepção.</p><p>11</p><p>A entrevista, para Etchegoyen (2004), tem como objetivo avaliar o que se</p><p>pode esperar do potencial analisando e, reciprocamente, o que ele necessitará do</p><p>terapeuta. Avalia também até que ponto a interação que se estabelece entre</p><p>entrevistador e entrevistado será curativa ou iatrogênica.</p><p>Há ainda a discussão a respeito do uso de instrumentos psicodiagnósticos</p><p>durante esse processo. Alguns terapeutas (especialmente os que se</p><p>autodenominam “psicanalistas clássicos”) pensam que a testagem psicodiagnóstica</p><p>“suja” o processo terapêutico (já que a testagem interrompe a associação livre),</p><p>preferindo obter dados mais profundos do seu paciente na medida em que este for</p><p>se revelando no curso do tratamento psicanalítico. Defendem a ideia de que o</p><p>entrevistador deve buscar as informações necessárias para fazer uma indicação de</p><p>tratamento, mas que um conhecimento prévio muito profundo do paciente pode</p><p>chegar a perturbar a compreensão deste.</p><p>Para esses seguidores, torna-se mais importante durante as entrevistas a</p><p>construção de uma postura empática e continente do que uma postura investigativa.</p><p>Gabbard (1992) citado por Marques (2005), por exemplo, pode ser considerado um</p><p>representante desta escola ao postular que o entrevistador deve manter um estilo</p><p>de entrevista flexível, passando da busca estruturada de fatos a uma atitude não-</p><p>estruturada de escuta das associações do pensamento do entrevistado. Por outro</p><p>lado, há psicanalistas que advogam a favor do uso dos instrumentos, como</p><p>Abuchaem (1985), o qual defende o uso da testagem por acreditar que os</p><p>resultados desta deixam o analista em melhores condições para indicar a terapia</p><p>adequada.</p><p>A postura adotada dependerá da concepção de tratamento que o analista</p><p>segue, já que, como diz Zimerman (2004, p. 60): Sou dos que acreditam que a</p><p>entrevista inicial funciona como uma espécie de trailler de um filme, que</p><p>posteriormente será exibido na íntegra; isto é, ela permite observar, de forma</p><p>extremamente condensada, o essencial da biografia emocional do paciente e</p><p>daquilo que vai se desenrolar no campo analítico.</p><p>12</p><p>Compreensão processualmente orientada na primeira entrevista</p><p>Na primeira entrevista psicanalítica, os pacientes desejam retratar seu mundo</p><p>interno, um mundo interno que em certa medida, lhes é inteiramente desconhecido.</p><p>Antes do primeiro encontro, o entrevistador já está associado à esperança, ao</p><p>medo ou destruição. O processo começa com os "fenômenos preliminares", como</p><p>por exemplo, marcar a entrevista por telefone (Argelander, 1976). A escolha de</p><p>palavras e a voz do paciente ao telefone pode ter uma influência duradoura positiva</p><p>ou negativa no entrevistador e, reciprocamente, a atitude do analista ao telefone</p><p>pode determinar se a entrevista será realmente produtiva.</p><p>Em seguida vem o primeiro encontro pessoal, a cena de abertura, a primeira</p><p>comunicação verbal do paciente, a primeira intervenção verbal do psicanalista,</p><p>comunicações acerca do histórico de vida e do caso, a primeira interpretação no</p><p>sentido mais estrito, o acordo sobre como prosseguir e, finalmente, o agendamento</p><p>da próxima consulta ou a última despedida. Nesse processo, a atitude interna do</p><p>psicanalista está constantemente alternando entre a escuta, a conceitualização,</p><p>uma atenção introspectiva, assumir papéis, reagir e intervir, entre o passado e</p><p>presente, e, entre uma atitude diagnóstica e terapêutica (Wegner, 2008).</p><p>Para o analista, a possibilidade de entender algo sobre o paciente e sobre a</p><p>relação que se inicia, é uma precondição essencial para encorajar e manter uma</p><p>relação terapêutica, à medida que muitas motivações inconscientes ainda não</p><p>podem ser transformadas para a relação transferencial.</p><p>Inversamente, a não ser que o desamparo do paciente tenha atingido</p><p>proporções extremas, na maioria da vezes, ele só manterá uma relação terapêutica</p><p>se ele se sentir adequadamente compreendido pela atitude e intervenção do</p><p>analista. A possibilidade do paciente tolerar ou não uma compreensão inadequada,</p><p>13</p><p>pode ser uma medida das suas capacidades egoicas. Se o analista conseguir</p><p>escutar atentamente, ele também detectará que frequentemente o paciente traz seu</p><p>próprio "diagnóstico" sobre seu sofrimento psíquico ou somático, que também é</p><p>veiculado através do processo de interação. A tarefa do analista é formulá-lo do</p><p>modo mais exato possível.</p><p>O objetivo da entrevista é conseguir descrições intersubjetivas do processo</p><p>que conduzam a avaliações terapêuticas relevantes, tal como documentado, por</p><p>exemplo, por von Eckstaedt (1991). Também podemos entender assim as reflexões</p><p>de Danckwardt e Gattig, que sugerem "uma variante especial da entrevista inicial"</p><p>para obter respostas a respeito de como a indicação de tratamento psicanalítico de</p><p>alta frequência pode ser sustentada:</p><p>Além das observações sobre o curso de uma sessão de entrevista,</p><p>observações sobre o curso de todas as entrevistas preliminares devem ser</p><p>conduzidas uma ou duas vezes por semana. Dessa maneira, muitos dados</p><p>dinâmicos poderiam ser coligidos com base numa interrogação conclusiva além dos</p><p>dados objetivos (por exemplo, acerca de manifestações da compulsão à repetição),</p><p>que dariam uma resposta à provável melhor densidade de frequência das sessões.</p><p>(1998, p. 44)</p><p>O uso da interpretação na entrevista inicial</p><p>É bastante controversa entre os psicanalistas a decisão se cabe ou não</p><p>interpretar na entrevista inicial. Zimerman (2004) acredita que as clássicas</p><p>interpretações alusivas à neurose de transferência devem ser evitadas ao máximo,</p><p>mas defende as “interpretações compreensivas” nesta etapa, ou seja, aquelas que</p><p>dizem o suficiente para o paciente sentir-se compreendido.</p><p>Etchegoyen (2004) defende que uma interpretação só é possível quando</p><p>antes foram fixados os termos da relação, ou seja, após o contrato. O autor legitima</p><p>uma interpretação se esta objetiva remover um obstáculo concreto à tarefa que está</p><p>sendo realizada na entrevista, mas nunca com o objetivo de modificar a estrutura do</p><p>14</p><p>entrevistado ou lhe fornecer insight. Ele acredita não ser a busca de insight o</p><p>propósito da entrevista, e nem o que o entrevistando precisa naquele momento.</p><p>Abuchaem (1985), em seu livro La interpretación en las etapas iniciales del</p><p>tratamiento psicoanalitico, explora justamente essa discussão. Para ele, há autores</p><p>como Theodor Reik e Freud que assumem e defendem uma postura não</p><p>intervencionista durante as entrevistas, por entenderem que enquanto não se</p><p>estabelecer a chamada neurose de transferência, o analista deve abster-se de</p><p>verbalizar a interpretação ao analisando, mesmo que tenha compreendido</p><p>perfeitamente o sentido oculto das associações livres.</p><p>O analista deve aguardar com paciência e parcimônia a aparição de sinais</p><p>que delatam a emergência e instalação permanente da neurose transferencial. Para</p><p>atingir esse objetivo, o analista deve intervir mediante assinalamentos breves, pois a</p><p>função do analista nesse primeiro momento é basicamente escutar o paciente e</p><p>promover as manifestações incipientes da neurose transferencial.</p><p>Por outro lado, o autor descreve</p><p>e defende a postura intervencionista, que</p><p>consiste em interpretar desde a primeira entrevista, desde o momento em que se</p><p>entenda o significado do conteúdo latente do discurso do analisando. Essa posição,</p><p>defendida por muitos desde Melanie Klein, parte do pressuposto que a transferência</p><p>se estabelece de forma intensa desde o início do tratamento, sendo sua intensidade</p><p>dependente da resistência inicial ao processo terapêutico.</p><p>Assim, é aconselhável o ato interpretativo desde a primeira entrevista, já que</p><p>a transferência (seja ela positiva, negativa ou erótica) já se estabeleceu e precisa</p><p>ser interpretada para garantir o bom andamento do tratamento.</p><p>A contratransferência</p><p>O analista não deve apenas diagnosticar e intervir; precisa se observar como</p><p>parte do que ocorre na interação, na transferência e na contratransferência. Deve-se</p><p>ressaltar que o analista não reage apenas, mas é também influenciado por muitos</p><p>outros fatores: sua atitude fundamental, sua vida individual e a história do seu</p><p>15</p><p>aprendizado, sentimentos situacionais específicos acerca da expectativa de um</p><p>novo paciente e estratégias subjetivas investigativas e de resolução de problemas,</p><p>que reduzem o fluxo de informação. Todos esses fatores da parte do analista</p><p>entram na cena da abertura.</p><p>Heimann (1950, 1960, 1964) deu um status importante à análise da</p><p>contratransferência como um instrumento diagnóstico, e Rosenfeld ressaltou que:</p><p>"Os bloqueios mais comuns na interação paciente-analista referem-se às</p><p>ansiedades mais primitivas da infância do analista" (1987, p. 40).</p><p>Hoje em dia, precisamos lidar de modo mais sistemático com as ansiedades</p><p>do analista a respeito do método psicanalítico, porque essas ansiedades são</p><p>"contingentes ao sistema e, por isso, específicas à profissão" (Danckwardt, 2011a,</p><p>p. 113).</p><p>Há duas escolas de pensamento principais no debate acerca da</p><p>contratransferência: a contratransferência é colocada como reação inconsciente do</p><p>analista ao paciente, no sentido de uma perturbação da sua capacidade de trabalho</p><p>("abordagem clássica", Kernberg, 1965) ou como a totalidade das reações</p><p>cognitivas e emocionais do analista ao paciente ("abordagem totalista", ibid.).</p><p>Recentemente essa discussão levou ao estabelecimento de uma psicologia</p><p>orientada pelo processo bipessoal, que descreve como "lidamos com o sistema</p><p>relacional no qual um fator é também função do outro" (Loch, 1965a, p. 15).</p><p>Loch ressalta decisivamente o aspecto analítico da relação de objeto na</p><p>reciprocidade. Afirmações tais como a de Heimann de que "a contratransferência do</p><p>analista não é só parte integrante da relação analítica, mas é também criação do</p><p>paciente, é uma parte da personalidade do paciente" (1950, p. 83) ou a de Bion, de</p><p>que "interpretações psicanalíticas podem ser vistas como teorias mantidas pelo</p><p>analista sobre os modelos e teorias que o paciente tem do analista" (1984, p. 17)</p><p>estão afinadas, consequentemente, com os termos de uma psicologia bipessoal.</p><p>Enquanto o analista anteriormente era visto no campo de investigação como</p><p>uma variável dependente (em relação ao paciente como variável independente),</p><p>hoje ele é problematizado como variável independente, ou seja, independente da</p><p>transferência do paciente. "A interpretação do comportamento transferencial como</p><p>16</p><p>reação à contratransferência é um desses problemas", escreve Fliess (1953, p. 273)</p><p>e Loch afirma:</p><p>O analista precisa da contratransferência para poder entender o paciente, no</p><p>entanto ele precisa simultaneamente ultrapassá-la para poder fazer uma</p><p>interpretação. (Loch, 1965a, p. 21)</p><p>Isso dá margem à suposição de que "a dialética da dupla negação é um</p><p>princípio operante da nossa técnica" (p. 20, 21).</p><p>Na verdade, é assim que se tece entre paciente e analista uma malha de</p><p>processos interativos, reciprocamente influenciáveis, que requer uma linguagem</p><p>(modelo representacional; cf. também Bion, (1984 [1965]) para ser descrita e</p><p>entendida conceitualmente, e que deve ser sempre, e a cada vez, buscada. Isso</p><p>significa, essencialmente, que não podemos supor uma causalidade unidimensional.</p><p>O instrumento de investigação é o analista sozinho, e Loch ressalta: "o objeto</p><p>de investigação e o instrumento de pesquisa … [pertencem] à mesma categoria"</p><p>(Loch, 1965a, p. 21). Ele processa sinais em duas direções como se houvesse dois</p><p>vetores no campo psicodinâmico da situação investigativa:</p><p>1. um vetor representa as comunicações conscientes e seu correlato</p><p>inconsciente, em que as distorções reconhecíveis nas comunicações do paciente no</p><p>contexto do aqui-e-agora, (por exemplo pelos aspectos transferenciais) são</p><p>especialmente importantes.</p><p>2. o segundo vetor se dirige ao processamento detalhado que ocorre no</p><p>próprio analista. Isso é o que eu chamaria de direcionamento introspectivo que diz</p><p>respeito aos processos internos conscientes e inconscientes.</p><p>Mesmo no início de uma entrevista, a quantidade de informação que o</p><p>analista processa abrange uma proporção quase infinita. Noutras palavras, ele se</p><p>confronta com uma complexa situação de resolução de problemas, em que ele só</p><p>consegue manter um comportamento competente, artificialmente reduzindo ou</p><p>ordenando todos os dados. Sem isso, o sistema do analista entraria em colapso, o</p><p>que frequentemente ocorre em parte, e é de grande relevância diagnóstica.</p><p>17</p><p>Geralmente leva algum tempo para o entrevistador realmente se adaptar ao</p><p>novo paciente. O analista, assim como o paciente, também precisa ultrapassar um</p><p>limiar a partir do qual ele pode escutar verdadeiramente. Esse limiar também implica</p><p>no direito do entrevistador decidir se deseja assumir a responsabilidade por um</p><p>paciente em particular. Há evidências consideráveis de que essas decisões são</p><p>feitas – de modo mais ou menos consciente – muito rapidamente.</p><p>Acima de tudo, porém, esse limiar é colocado contra a investida dos desejos</p><p>descontrolados do paciente, os quais o analista só pode estar verdadeiramente</p><p>pronto para processar se sentir que lhe é concedido ter acesso aos conflitos</p><p>inconscientes intrapessoais e interpessoais inconscientes. A maioria dos pacientes</p><p>conhece isso muito bem, afinal de contas eles não são somente vítimas de seus</p><p>sintomas, mas também agentes da sua própria história de sofrimento, ainda que</p><p>prefiram outros conceitos explicativos em nível consciente.</p><p>Além do mais, esse limiar protege o analista do fato de que todo paciente,</p><p>com sua maneira específica, é capaz de incitar a estrutura de personalidade</p><p>inconsciente do analista ou sua estrutura conflitual, afetando assim suas áreas de</p><p>vulnerabilidade narcísica. Todos esses problemas são acompanhados por afetos</p><p>intensos, especialmente por ansiedade do analista a respeito tanto dos seus</p><p>próprios sentimentos quanto dos sentimentos do paciente.</p><p>A entrevista inicial na psicoterapia infantil</p><p>A entrevista inicial da análise ou psicoterapia infantil é regida por princípios</p><p>bastante semelhantes à entrevista com adultos, embora contenha algumas</p><p>peculiaridades. Tal entrevista é geralmente realizada com os pais ou responsáveis e</p><p>o terapeuta conhecerá pessoalmente seu paciente em um outro momento. Com</p><p>isso, o objetivo dessas primeiras entrevistas com os pais é levantar o máximo de</p><p>dados possível a respeito da sintomatologia da criança, da sua história pregressa e</p><p>atual e sobre o funcionamento da família, já que as condições mentais, emocionais,</p><p>materiais e circunstanciais que serão avaliadas dizem respeito não só ao paciente</p><p>18</p><p>(a criança), como a toda família. A impressão diagnóstica formada pelo terapeuta</p><p>apenas poderá ser confirmada após a primeira hora de jogo com a criança,</p><p>oportunidade em que o terapeuta poderá avaliar na prática as funções do ego do</p><p>próprio paciente, seu grau de sofrimento, sua capacidade de se vincular e sua</p><p>motivação para o tratamento.</p><p>Há autores, entretanto, que</p><p>discordam da postura analítica de</p><p>necessariamente entrevistar previamente os pais. Ortigues e Ortigues (1988)</p><p>sugerem que o terapeuta, ao ser perguntado no telefonema “Quem deve ir à</p><p>entrevista?”, responda “Quem quiser!”. Assim, deixa-se a critério da família que</p><p>consulta decidir qual é a sua demanda, como quer demonstrar sua patologia, que</p><p>lugares ficarão ausentes nesta entrevista inicial,...Enfim, a entrevista inicial realizada</p><p>dessa forma fornece dados subjetivos ao terapeuta acerca da dinâmica familiar que</p><p>seriam perdidos caso este fizesse uma indicação explícita a respeito de quem deve</p><p>estar presente.</p><p>Aberastury (1982), no entanto, solicita explicitamente que a entrevista inicial</p><p>seja realizada com ambos os pais e sem a criança. Acredita que a aliança precisa</p><p>estar formada com os pais antes de receber o pequeno paciente, não havendo a</p><p>necessidade de mobilizar na criança ansiedades inerentes ao processo analítico, se</p><p>ela não terá indicação para o tratamento, se os pais não quiserem seguir com o</p><p>terapeuta consultado ou não se mostrarem motivados.</p><p>A autora não considera conveniente finalizar a entrevista com os pais sem ter</p><p>conseguido os seguintes dados básicos que julga imprescindíveis de serem</p><p>conhecidos antes de conhecer a criança:</p><p>1) motivo da consulta,</p><p>2) história da criança,</p><p>3) como transcorre um dia de sua vida atual, um domingo, um feriado e o dia</p><p>do aniversário,</p><p>4) como é a relação dos pais entre si, com os filhos e com o meio familiar</p><p>imediato. Acredita que essas informações são cruciais para o entendimento da</p><p>19</p><p>patologia da família e da criança, dando subsídios para sua observação durante a</p><p>primeira hora de jogo.</p><p>Neubauer (1996) também defende a necessidade do terapeuta entrevistar</p><p>inicialmente os pais, para averiguar a analisabilidade da criança, como a criança</p><p>progrediu e regrediu no passado, seu pano de fundo familiar e social, se os pais são</p><p>capazes de sustentar a análise e se o seu comportamento apoiará ou desestimulará</p><p>os progressos em desenvolvimento da criança.</p><p>O analista deve determinar a capacidade que os pais têm de proporcionar um</p><p>ambiente no qual o desenvolvimento possa ser promovido, principalmente após as</p><p>paradas ou inibições da criança haverem sido superadas. Ambos os genitores</p><p>devem ser avaliados, pois um pode facilitar o tratamento ainda que outro dificulte.</p><p>Uma criança é incapaz de fornecer os detalhes necessários para uma</p><p>avaliação desse tipo, não pode recordar sua primeira infância, não está interessada</p><p>em seu passado, não possui a capacidade de relembrar os detalhes dele e não</p><p>pode descrever plenamente o comportamento dos seus pais.</p><p>O terapeuta terá também que ajudar os pais a preparar a criança para a visita</p><p>inicial, ressaltando que o terapeuta é alguém escolhido para ajudá-la e contando-lhe</p><p>a verdade sobre as queixas que a levaram a tratamento.</p><p>Ampessan (2005) sintetiza essa discussão alertando que, mais importante do</p><p>que o comparecimento de determinada pessoa, será a sustentação da posição</p><p>analítica de escuta. “Escutar quem a mãe, se for ela quem ligou, pensou em levar à</p><p>entrevista, com quem ela estabelece vínculos e o que propõe neste primeiro</p><p>contato” (p. 75).</p><p>Outra peculiaridade da psicoterapia infantil é que, durante as entrevistas</p><p>iniciais, cabe ao analista identificar “quem é o verdadeiro paciente” daquela família</p><p>que o procura. Muitas vezes, a criança serve como bode expiatório dos conflitos dos</p><p>pais e da família e, apesar de ser trazida como “o paciente”, representa na verdade</p><p>uma “alavanca” para os próprios pais perceberem sua necessidade de atendimento,</p><p>ou negá-la (ORTIGUES & ORTIGUES, 1988).</p><p>20</p><p>O contrato deve ser feito com os pais. Quando se trata de crianças maiores,</p><p>grande número de analistas infantis prefere fazer o contrato na presença do próprio</p><p>paciente. Faz parte do contrato, além dos pontos do contrato com adultos, a</p><p>combinação a respeito da participação dos pais ao longo do tratamento.</p><p>Entrevistas posteriores com os pais</p><p>Cabe aqui uma pequena síntese histórica. A primeira psicanalista que tentou</p><p>psicanalisar crianças foi a Dra. Hilde Hug-Hellmuth, em 1921, seguida</p><p>principalmente por Melanie Klein e Anna Freud. Ambas divergiam muito a respeito</p><p>da participação dos pais na análise infantil: Melanie Klein recomendava que o</p><p>analista evitasse ao máximo o contato com os pais, mesmo diante da insistência</p><p>desses (com o objetivo dos pais não interferirem na transferência da criança),</p><p>enquanto Anna Freud defendia a necessidade de encontros sistemáticos com os</p><p>pais, principalmente em decorrência do método pedagógico (de aconselhamento)</p><p>que usava.</p><p>Hoje em dia, a participação dos pais mostra-se praticamente necessária para</p><p>o bom andamento da análise. O genitor inicia, sustenta e frequentemente termina a</p><p>análise, sendo vital a sua aliança ao processo. Glenn, Sabot e Bernstein (1996)</p><p>advogam ver os pais com regularidade, uma vez por semana em circunstâncias</p><p>ordinárias, no começo da análise e durante um tempo considerável após esta. O</p><p>analista precisa achar-se acessível para conceder apoio aos genitores quando os</p><p>sintomas aumentam, persistem ou retornam, bem como para ser informado dos</p><p>fatos significativos da vida atual do paciente. A postura nesse caso é manter o sigilo</p><p>do tratamento analítico prometido à criança, mas fornecer algumas explicações</p><p>tranquilizadoras.</p><p>Weiss (1964), por outro lado, afirma que há tantos problemas vinculados a</p><p>ver os pais quantos com não vê-los, mas opta pela segunda modalidade por pensar</p><p>que vê-los contamina quase sempre o campo analítico. Partidários dessa posição</p><p>argumentam que o contato terapeuta-genitor obstrui o desenvolvimento verdadeiro</p><p>21</p><p>de uma aliança terapêutica e interfere com uma transferência analisável e até</p><p>mesmo com uma neurose de transferência. A criança pode desconfiar que seus</p><p>segredos, estão sendo contados aos pais pelo analista. Além disso, as informações</p><p>“cruzadas” recebidas através dos pais fazem com que o analista entre na sessão</p><p>com a criança inundado por um entendimento que não foi proveniente do material</p><p>do seu paciente - principalmente pela possibilidade dos pais distorcerem os fatos e</p><p>virem os fatos pela sua própria perspectiva, e não a da criança.</p><p>Glenn, Sabot e Bernstein (1996) discordam desses argumentos, pois</p><p>observam que a aliança terapêutica se intensifica quando a criança é informada de</p><p>que os pais e o analista trabalham juntos em prol dela, desde que ela saiba que tem</p><p>o direito de ser informada sobre o que seus pais dizem. Quanto ao argumento de</p><p>interferir na transferência, os autores concordam com a visão annafreudiana de que</p><p>raramente aparecem na análise infantil transferências intensas e prolongadas, por</p><p>ser imaturo o desenvolvimento cognitivo da criança e por esta se achar ainda</p><p>envolvida com os pais.</p><p>Aberastury (1982) acredita que o papel dos pais na análise da criança</p><p>restringe-se a levar a criança ao tratamento e pagar por este, desaconselhando</p><p>entrevistas posteriores com os pais – a menos que estes solicitem. Nesse caso,</p><p>pergunta-se à criança se ela está de acordo e conta-se integralmente para ela o que</p><p>foi discutido na entrevista.</p><p>A autora prega a liberdade que essa modalidade traz para a análise, pois</p><p>mantém o terapeuta no seu papel (de terapeuta) e se evitam os conselhos. Ela</p><p>defende a ideia de que aconselhar os pais a seguir determinada conduta, ou adotar</p><p>tal postura com a criança, não os impede de seguir atuando com o filho de acordo</p><p>com seus conflitos; com o agravante de que depois do conselho sabiam que isso</p><p>estava mal e que era a causa da enfermidade do filho, o terapeuta transforma-se</p><p>num superego e a culpa se converte geralmente em agressão.</p><p>Assim, Aberastury (1982) trabalha unicamente com a criança e acredita que o</p><p>tratamento analítico capacita uma criança, ainda que muito pequena, para modificar</p><p>ela própria seu ambiente.</p><p>22</p><p>A entrevista na psicoterapia com adolescentes</p><p>A entrevista inicial com adolescentes não comporta a obediência às regras</p><p>rígidas e preestabelecidas, aumentando a necessidade do profissional de usar sua</p><p>sensibilidade, flexibilidade e criatividade. Há controvérsias quanto à estipulação de</p><p>uma regra definitiva a respeito de quem deve vir à primeira entrevista.</p><p>Meeks e Schwartzberg citado por Zavaschi et al. (1998), destacam que a</p><p>primeira entrevista deve ser realizada, sempre que possível, com o adolescente.</p><p>Kusnetzoff (1993), entretanto, advoga a favor da inclusão dos pais no tratamento a</p><p>fim de diminuir a deserção da psicoterapia, pois ele acredita que o adolescente</p><p>enfermo é o produto final de um amplo processo, é o clássico emergente de um</p><p>grupo familiar perturbado. O autor acredita que o melhor manejo técnico é fazer uma</p><p>série de entrevistas com os pais (pelo menos três) para poder entrevistar o filho.</p><p>Kalina (1976) ainda salienta que em hipótese alguma admitimos pacientes</p><p>menores de 18 anos sem uma entrevista prévia com os pais, pois, do ponto de vista</p><p>legal, não estão capacitados para assumir a responsabilidade que o tratamento</p><p>implica. Essa restrição legal também se estende, em alguns casos, para os</p><p>pacientes entre 18 e 21 anos. Ele salienta que um tratamento psicanalítico de um</p><p>adolescente menor de 18 anos inicia-se por uma entrevista com os pais sem a</p><p>presença do filho, deixando assim os pais mais confortáveis para dissertar acerca</p><p>da conflitiva do paciente.</p><p>O mais conveniente, ainda para Kalina (1976), é realizar uma entrevista com</p><p>ambos os pais, sempre que possível, ou separadamente, em raras exceções. O</p><p>risco de fazer entrevistas separadas com pais divorciados é que o integrante do</p><p>casal que não compareceu considere o analista como aliado do outro. Mas, de</p><p>qualquer forma, para aceitar o tratamento do adolescente é indispensável que</p><p>ambos os pais estejam de acordo.</p><p>Ceitlin e Cordioli (1998) aceitam, quando solicitados, entrevistar</p><p>primeiramente ou unicamente o adolescente. A necessidade de chamar ou não os</p><p>23</p><p>pais para uma entrevista depende, para eles, do grau de dependência do paciente e</p><p>da severidade de sua patologia. Em pacientes com psicose, uso de drogas, risco de</p><p>suicídio ou comportamento antissocial, por exemplo, torna-se imperativo realizar</p><p>uma ou mais entrevistas com os pais no decorrer do processo de avaliação.</p><p>Kusnetzoff (1993) aponta como objetivos das primeiras entrevistas com</p><p>adolescentes:</p><p>1) estabelecer um vínculo positivo de trabalho com o adolescente,</p><p>2) detectar o motivo da consulta, antiguidade e apresentação dos</p><p>sintomas, bem como a repercussão familiar dos mesmos,</p><p>3) fazer um diagnóstico aproximado (pressuposto) com a finalidade de</p><p>detectar se o caso é enquadrável dentro de uma psicoterapia,</p><p>4) verificar o que a família e o adolescente entendem por psicoterapia,</p><p>5) levantar as fantasias sobre os motivos da doença e a respeito da cura,</p><p>6) esclarecer rapidamente qual é a função do profissional, as diferentes</p><p>formas de intervenção e as vicissitudes do processo.</p><p>O contato com os pais ao longo do tratamento, entretanto, obedece outra</p><p>lógica, já que a necessidade adolescente de excluir os pais geralmente é tão grande</p><p>que um contato continuado com eles pode ser desaconselhável. Por outro lado,</p><p>Kalina (1976) acredita que se deve incluir a família e manejá-la como parte do</p><p>tratamento, pois uma atitude de rechaço da parte do terapeuta condiciona um</p><p>fenômeno semelhante por parte dos pais. É importante, certamente, que todo</p><p>contato com os pais seja realizado com o prévio conhecimento do paciente.</p><p>Esse último autor defende que, quando o adolescente não deseja se tratar, o</p><p>terapeuta não deve aceitá-lo, pois o paciente quase sempre se conduz com muita</p><p>habilidade para fazer o tratamento fracassar rapidamente. Esse tipo de paciente não</p><p>tolera a ruptura da onipotência e fazer o analista fracassar é uma possibilidade de</p><p>enriquece-la. Ceitlin e Cordioli (1998) sugerem realizar uma entrevista incluindo</p><p>todos os membros da família, caso o adolescente se recuse a ir ao consultório.</p><p>24</p><p>A entrevista de encaminhamento</p><p>Esse modelo de entrevista mostra-se bastante comum em instituições de</p><p>atendimento psicanalítico, já que o paciente é submetido a uma espécie de</p><p>“triagem” antes de chegar ao futuro terapeuta. Aparentemente, uma entrevista de</p><p>encaminhamento apresenta o mesmo delineamento de uma entrevista inicial</p><p>corriqueira, mas na verdade há dificuldades importantes no manejo técnico.</p><p>A entrevista de encaminhamento é mais complexa do que a outra já que se o</p><p>entrevistado ligar-se demasiadamente ao terapeuta pode pôr em risco o propósito</p><p>de mandá-lo a um colega. O entrevistador deve focar-se em obter do entrevistado</p><p>uma informação suficiente para realizar a sua indicação, sendo bastante prudente</p><p>com a forma como recebe os informes e confissões.</p><p>Marques (2005) postula que as entrevistas de triagem são entrevistas</p><p>semidirigidas que funcionam como um primeiro filtro. Têm a função de buscar</p><p>informações sobre o paciente com o objetivo de formular recomendações</p><p>diagnósticas e terapêuticas. Esta tarefa exige do entrevistador o conhecimento das</p><p>possíveis abordagens psicoterápicas, bem como de outras formas de atendimento</p><p>que possam ser necessárias ao paciente.</p><p>O profissional irá emitir sua opinião acerca da abordagem terapêutica que</p><p>considera mais adequada à situação do paciente. Poderá esclarecer a este o tipo de</p><p>indicação: se individual, familiar, ambulatorial, consultório privado ou em ambiente</p><p>hospitalar. O entrevistador precisa ainda considerar, para sua indicação terapêutica,</p><p>os recursos financeiros do entrevistado, sua disponibilidade de horário, acesso físico</p><p>e apoio familiar, enfim, levar em conta as necessidades e as possibilidades da</p><p>pessoa para que a esta não seja recomendado um tipo de atendimento ideal, mas</p><p>impraticável.</p><p>Etchegoyen (2004) compactua com a ideia de que nesses casos o</p><p>entrevistador deve dar um só nome ou indicação para o entrevistado. Acredita que</p><p>os pacientes, ao receberem uma lista com possíveis terapeutas a escolher, vão à</p><p>25</p><p>entrevista com o terapeuta indicado como quem está realizando uma seleção de</p><p>pessoal, com a postura de que é o paciente quem está entrevistando.</p><p>Devolução e contrato</p><p>A última etapa de um processo de entrevistas está constituída por uma</p><p>entrevista de devolução. As entrevistas iniciais encerram-se no momento em que o</p><p>terapeuta perceber que já é capaz de formular uma impressão diagnóstica do</p><p>paciente, é capaz de definir a necessidade e possibilidade ou não de tratamento e</p><p>perceber que o vínculo formado entre ambos é capaz de garantir um trabalho</p><p>analítico proveitoso.</p><p>O terapeuta necessita fazer uma devolução ao entrevistado, ou seja, colocar</p><p>a sua percepção e as suas conclusões frente ao que foi exposto durante as</p><p>entrevistas.</p><p>Etchegoyen (2004) acredita que na devolução o terapeuta deve aconselhar o</p><p>entrevistado sobre o tratamento mais conveniente, deve fazer a indicação com seus</p><p>fundamentos, mantendo esses sempre muito sucintos. O autor acredita que um</p><p>informe muito detalhado presta-se mais a ser mal-entendido e facilita a</p><p>racionalização.</p><p>Nesse momento, caso a devolução indique a necessidade de psicoterapia e o</p><p>paciente opte por realizá-la com o mesmo terapeuta, dá-se a realização de um</p><p>contrato. Trata-se de um acordo manifesto acerca de algumas combinações práticas</p><p>que servirão de referência à longa jornada da análise. Essa combinação básica</p><p>antes de iniciar uma análise ou psicoterapia inclui o tipo de tratamento indicado</p><p>(psicoterapia ou análise), o número de sessões semanais, tempo de duração das</p><p>sessões, horários, honorários, faltas e férias.</p><p>Etchegoyen (2004) inclui na ideia de contrato a de que o tratamento deve</p><p>finalizar por acordo das partes e, por isso, se apenas um dos dois assim decide, não</p><p>se fala de término, mas de interrupção.</p><p>26</p><p>Alguns analistas optam por combinar detalhes como, por exemplo, o direito</p><p>que eles se reservarão de responder ou não às perguntas dos pacientes; atender ou</p><p>não o pedido de mudança de horário das sessões; o pagamento no caso de doença</p><p>ou viagem do paciente; o dia e a forma do pagamento; permissão para fumar ou não</p><p>durante as sessões; aceitação de presentes; encontros sociais; forma de</p><p>cumprimentar; uso ou não do divã, etc.</p><p>Zimerman (2004) defende a realização das combinações básicas, mas</p><p>acredita que as demais são implícitas ao processo terapêutico, devendo ser</p><p>analisadas à medida que surgirem, principalmente porque variam de caso para</p><p>caso. O autor enfatiza que deve ficar bastante claro para o analista e para o</p><p>analisando (ainda que não se esclareça explicitamente) que a interrelação do par</p><p>analítico obedece a três princípios básicos:</p><p>1) Ela não é simétrica: os lugares ocupados e os papéis a serem</p><p>desempenhados são desiguais e obedecem a uma natural hierarquia, com direitos,</p><p>deveres e privilégios distintos.</p><p>2) Ela não é de similaridade: os dois do par analítico não são iguais,</p><p>diferentemente do que imaginam muitos pacientes regressivos, que têm dificuldade</p><p>em admitir que o terapeuta é uma pessoa autônoma, tem a sua própria técnica e o</p><p>seu próprio estilo de trabalhar, pensar e viver.</p><p>3) A relação que o paciente reproduz com o analista é isomórfica: na</p><p>essência, terapeuta e paciente se comportam da mesma forma, como seres</p><p>humanos que são; o fato do analista desempenhar transitoriamente as funções de</p><p>maternagem (ou outras equivalentes) que o paciente carece não pode ser</p><p>confundido com a ideia de que o analista será um substituto para uma mãe que foi</p><p>ausente ou falha.</p><p>Etchegoyen (2004) também pensa que não é prudente ser muito prolixo ou</p><p>fornecer muitas diretivas no momento do contrato. Enfatiza, no entanto, que a</p><p>introdução da regra fundamental de associação livre e uso do divã, no caso de</p><p>análise, deve ser feita já no contrato. Caso o paciente pergunte, no contrato, acerca</p><p>da duração do tratamento, o autor acredita que o terapeuta deve apenas dizer que a</p><p>análise é longa e que sua duração é imprevisível.</p><p>27</p><p>Abuchaem (1985), entretanto, acredita que o sujeito não tem obrigação de</p><p>saber a prática de um processo terapêutico e, por isso, procura explicar</p><p>minuciosamente a dinâmica das sessões e do tratamento, além de estipular um</p><p>tempo mínimo de duração da análise.</p><p>Ao contrário de Etchegoyen (2004), Abuchaem (1985) pensa que essa</p><p>explicação detalhada evita inconvenientes e mal-entendidos futuros e dá ao analista</p><p>melhores condições para interpretar a ruptura do enquadre. Inclui, na entrevista de</p><p>devolução, a explicitação de suas opiniões sobre o funcionamento e a dinâmica da</p><p>personalidade do paciente, no que se refere tanto às suas partes sãs como às suas</p><p>partes enfermas.</p><p>O autor reconhece, entretanto, que muitas dessas informações são</p><p>instantaneamente reprimidas (por não haver uma preparação para ouvi-las e pela</p><p>ansiedade que provocam) pelo paciente, o qual geralmente esquece grande parte</p><p>da devolução que foi feita e raramente faz referência às questões ali levantadas ao</p><p>longo do tratamento.</p><p>28</p><p>VÍDEOS DE APOIO</p><p>Após ter realizado a leitura do conteúdo da apostila, reserve um tempo para</p><p>assistir aos vídeos disponibilizados abaixo, que servirão como embasamento para</p><p>as próximas apostilas.</p><p>Vídeo 1: Entrevistas Preliminares - Psicanálise - Joseane Pires</p><p>Disponível em:</p><p>Sinopse: o Canal Gesclip Instituto Psicanalítico, através da profissional</p><p>Roseane Pires, apresenta a importância das entrevistas Preliminares na</p><p>Psicanálise. Assim como os erros mais comuns na clínica psicanalítica</p><p>durante as Entrevistas Preliminares.</p><p>Este vídeo a Roseane compartilha conhecimento e experiência com a</p><p>finalidade de contribuir, cada vez mais, com a divulgação da psicanálise de</p><p>forma leve e descomplicada.</p><p>Vídeo 2: A análise só começa depois do divã? | Christian Dunker | Falando</p><p>nIsso 149</p><p>Disponível em:</p><p>Sinopse: nesta série, Christian Dunker pretende responder a algumas</p><p>dúvidas frequentes relacionadas à psicanálise. A vídeo aula discorrerá fala sobre os</p><p>diferentes lados da análise quando se tem um divã.</p><p>Vídeo 3: As entrevistas preliminares em psicanálise</p><p>Disponível em:</p><p>Sinopse: O profissional da psicanálise Bernardo Mantovani fala sobre apresentar</p><p>os aspectos técnicos da psicanálise (do começo ao e final de um tratamento).</p><p>Entrevistas preliminares ou tratamento de ensaio.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=GzSdOPBnujE</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=v7hJP9uEMVE</p><p>29</p><p>MATERIAL DE APOIO</p><p>Para ampliar mais os conhecimentos foi selecionado o artigo científico abaixo com o</p><p>enfoque no atendimento psicanalítico à criança.</p><p>A FUNÇÃO DAS ENTREVISTAS PRELIMINARES NA CLÍNICA PSICANALÍTICA</p><p>COM CRIANÇAS</p><p>Disponível em:, file:///C:/Users/FACUMINAS/Downloads/396-Texto%20do%20artigo-1621-1-10-</p><p>20171204.pdf></p><p>Luize Lara Gomes de Vasconcelos1</p><p>Daysiane Pereira da Siva Rebouças2</p><p>Kelly Moreira de Albuquerque3</p><p>30</p><p>31</p><p>32</p><p>33</p><p>34</p><p>35</p><p>36</p><p>37</p><p>38</p><p>39</p><p>40</p><p>41</p><p>42</p><p>43</p><p>44</p><p>45</p><p>46</p><p>47</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>FREUD, Sigmund. Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise.</p><p>In:______ Obras psicológicas completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago,</p><p>1996, p.123-133. (Edição standard brasileira das obras psicológicas Sigmund Freud,</p><p>Vol.12).</p><p>FREUD, Sigmund. Sobre o início do tratamento. In:______ Obras psicológicas</p><p>completas de Sigmund Freud. Rio de Janeiro: Imago, 1996, p.137-158. (Edição</p><p>standard brasileira das obras psicológicas Sigmund Freud, Vol.12).</p><p>FREUD, S. Sobre o início do tratamento. ESB vol. XII. Rio de Janeiro: Imago,</p><p>(1913; 1976)</p><p>FREUD, S. A perda da realidade na neurose e na psicose. ESB Vol. XIX. Rio de</p><p>Janeiro: Imago, (1924, 1976)</p><p>QUINET. Antonio. As 4 + 1 condições da análise. 8. ed. Rio de Janeiro: Jorge</p><p>Zahar, 2000 p.7- 34</p><p>ARGELANDER, H.. The Initial Interview in Psychotherapy. Translated by Hella</p><p>Freud Bernays. New York: Human Sciences Press.1975.</p><p>ECKSTAEDT, A. Die Kunst des Anfangs. 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Manual de técnica psicanalítica: uma re-visão. Porto Alegre:</p><p>Artmed, 2004.</p><p>CLAVREUL, J. A ordem médica: poder e impotência do discurso médico. São</p><p>Paulo: Brasiliense, 1983.</p><p>DOR, J. Estruturas e clínica psicanalítica. Rio de Janeiro: Livrarias Taurus-</p><p>Timbre, 1991.</p>

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