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1. Compreender o que é a Doença de Chagas e sua epidemiologia. 2. Entender o vetor e o agente etiológico da Doença de Chagas e seu ciclo de vida. 3. Estudar as manifestações clínicas da Doença de Chagas. 4. Descrever a fisiopatologia da Doença e Chagas. 5. Compreender o diagnóstico da Doença de Chagas. 6. Estudar as características dos protozoários. Organismos unicelulares, eucariontes, quimio-heterótrofos. Os protozoários podem ser predadores, mutualistas ou parasitas. Podem se reproduzir por reprodução assexuada (fissão binária, brotamento e esquizogomia) ou sexuada (conjugação). Os protozoários em condições adversas de vida assumem a forma de cisto, se protegendo contra a falta de alimento, falta de oxigênio e temperatura inadequada. Os protozoários podem ser classificados quanto a sua forma de locomoção: → Rizópodes ou Sarcodíneos: movem-se por pseudópodes; → Mastigóforos ou flagelos: movem-se por flagelos; → Ciliados: movem-se por cílios; → Esporozoários ou apicomplexos: sem estruturas locomotivas; Os protozoários podem ser classificados em: → Rhizopoda ou Sarcodina: amebas. Locomoção por pseudópodes, nutrição por fagocitose e digestão intracelular. Realizam divisão binária; → Ciliophora: Paramecium. Locomoção por cílios, apresentam 2 núcleos, reprodução assexuada. → Zoomastigophora: Trypanosoma, Leishmania, Giardia. Locomoção por flagelos, são parasitas, reprodução assexuada. → Apicomplexa: plasmodium e toxoplasma. Sem estruturas de locomoção, parasitas, ciclo de vida complexo. O Trypamosoma cruzi é um protozoário agente etiológico da Doença de Chagas que constitui uma doença comum nas Américas. O ciclo de vida do T. cruzi é do tipo heteroxênico, isso é, passa por uma fase de multiplicação intracelular no hospedeiro vertebrado mamífero e uma fase extracelular no vetor invertebrado (triatomíneos), sendo organismos que variam na forma de amastigotas, epimastigotas e tripomastigotas. O ciclo biológico do T. cruzi se inicia no ser humano após a infecção por tripomastigotas. A infecção ocorre após o barbeiro (vetor) realizar hematofagia e eliminar fezes e/ou urina contaminadas em lugar próximo da picada. As tripomastigotas que adentram nos tecidos humanos logo se transformam em amastigotas e iniciam o ciclo reprodutivo por divisão binária. Após a divisão das amastigotas, essas voltam a desenvolver flagelos, assumindo a forma de tripomastigotas, causando a lise das células do hospedeiro, caindo no espaço intersticial e indo para a circulação sanguínea e linfática e indo alcançar novas células e tecidos. O ciclo de vida do parasita é completado quando um novo triatomíneo (vetor) não contaminado se alimenta do sangue de um hospedeiro infectado. O sangue do vertebrado com células tripomastigotas, então, adentra no corpo do vertebrado. No estômago do vetor as tripomastigotas transformam-se em esferomastigotas e epimastigotas. As esferomastigotas conseguem se diferenciar em 2 tipos de epimastigotas: curtas (responsáveis pela manutenção da infecção no inseto) e longas (que não se dividem e nem se transformam). As epimastigotas curtas quando alcançam a porção terminal do trato digestório se transformam em tripomastigotas, que são eliminadas nas fezes e urina e que são potenciais para infecção de vertebrados. Os triatomíneos que transmitem T. cruzi são encontrados nas Américas, desde o sul da Argentina até a metade do sul dos EUA. Tipicamente, os indivíduos infectados com T. cruzi vivem em áreas endêmicas da doença, habitando casas de alvenaria com nichos de madeira, lama e nichos de pedra. Esses insetos costumam se realizar a hematofagia durante a noite, contaminando aqueles que habitam a casa. Além da transmissão da doença pelo vetor, a transmissão ocorre em transfusões sanguíneas e transplante de órgãos (doador do sangue ou do órgão é infectado e tal infecção não é detectada), transmissão congênita (amastigotas da placenta transformam-se em tripomastigotas e alcançam a circulação fetal), transmissão oral (comum em ingestão de frutas contaminadas com as fezes e urina do barbeiro, ou onde o barbeiro foi morto. O barbeiro é comum de ser encontrado em plantações de cana de açúcar, açaí e bacaba). A Doença de Chagas é endêmica no México, América Central e do Sul. A Organização Pan-Americana de Saúde estimou 8 milhões de indivíduos cronicamente infectados pelo T. cruzi e 14 mil mortes em 2006. Desde 1991, países iniciaram programas para controlar os vetores da Doença de Chagas, a fim de reduzir sua incidência, promovendo habitação e educação para pessoas vulneráveis e pulverização de inseticidas. O Brasil foi certificado como livre de transmissão vetorial em 2006. A OMS estima em aproximadamente 6 a 7 milhões o número de pessoas infectadas em todo o mundo, a maioria na América Latina. Estimativas recentes para 21 países latino–americanos, com base em dados de 2010, indicavam 5.742.167 pessoas infectadas por T. cruzi, das quais 3.581.423 (62,4%) eram residentes em nações da Iniciativa dos Países do Cone Sul, destacando-se a Argentina (1.505.235), o Brasil (1.156.821) e o México (876.458), seguidos da Bolívia (607.186). A fisiopatologia da Doença de Chagas se dá em dois momentos: Fase aguda da doença e Fase crônica da Doença. 1. Fase aguda: pode se dá de forma sintomática ou assintomática, sendo essa mais comum; a manifestações de sintomas depende do nível imunológico do hospedeiro (os sintomas da fase aguda são comumente manifestados em crianças). Uma aparição comum é o chagoma – lesão inflamatória no local da entrada dos parasitas ou Sinal de Romaña – quando o parasita penetra pela conjuntiva dos olhos e causa edema palpebral (essas lesões aparecem de 4-10 dias após a infecção, regredindo em 1-2 meses). Linfonodos satélites são comprometidos, causando linfonodomegalia em linfonodos. As manifestações gerais da fase aguda são: febre, edema local ou generalizado, hepatomegalia, esplenomegalia e, às vezes, insuficiência cardíaca e perturbações neurológicas. 2. Fase crônica: os indivíduos passam 10-30 anos em um período assintomático, mas com a presença do protozoário circulante. As características da fase assintomática são a positividade nos testes sorológicos e coração, esôfago e colón normais. Pacientes possuem uma miocardite discreta e degeneração do SNA. Após anos na forma assintomática, pacientes podem entrar em uma fase sintomática assumindo a forma cardíaca, digestiva ou ambas. A cardiopatia chagásica é caracterizada por uma cardiomegalia que leva a Insuficiência Cardíaca Congestiva devido a substituição do miocárdio destruído por tecido fibrótico. Essa complicação se dá ao fato de o tecido muscular ser o preferencial do T. cruzi, infectando o músculo esquelético, cardíaco e liso. A inflamação crônica afeta o sistema de condução do impulso elétrico, levando a bradirritmias e fibrilação atrial, contrações ventriculares prematuras, bloqueio do ramo, taquicardia ventricular e bloqueio atrioventricular. A complicação digestiva da Doença de Chagas é manifestada pelo megaesôfago e pelo megacólon por dilatação e hipertrofia do músculo liso, associado a degeneração do plexo mioentérico. As manifestações clínicas mais recorrentes da Doença de Chagas são: O diagnóstico da Doença de Chagas é pautado em qual etapa da doença o paciente está: 1. Fase Aguda: Pesquisa direta do T. cruzi no sangue. Para isso utiliza-se de diferentes métodos: exame a fresco, esfregaço sanguíneo, gota espessa, micro hematócrio e Strout. A pesquisa direta deve ser realizada quando o paciente estiver com síndrome febril e até 30 dias do início dos sintomas. Caso a primeira coleta seja negativa e a suspeita clínica persistir, realizar nova coleta dentre 12-24 horas. A avaliação costuma procurar elevações de IgM e IgG.2. Fase crônica: realizar sorologia para procurar anticorpos do T.cruzi. O tratamento da Doença de Chagas para aqueles confirmados com sorologia positiva, mas sem manifestações clínicas e exames de raio-x e ECG normais é o acompanhamento anual. Deve-se orientar o paciente sobre não poder doar sangue e alertar mulheres sobre a possível transmissão congênita. O tratamento medicamentoso é realizado com Benzonidazol. Outra medicação utilizada no tratamento é o nifurtimox para aqueles que não suportam os efeitos colaterais do Benzonidizol. O Nifurtimox tem cura de 70%. As desvantagens do medicamento incluem sintomas gastrointestinais (anorexia, náuseas, vômitos, perda de peso e dor abdominal) além de sintomas neurológicos (insônia, inquietação, parestesias, espasmos, polineurite e até convulsões). O medicamento deve ser dosado conforme a idade e peso da pessoa: a dose adulta é de 8-10mg/Kg diariamente, sendo maior para adolescentes e crianças. O medicamento é fracionado em 4 doses diárias e deve ser continuado de 90 a 120 dias. O Benzonidazol tem índice de cura semelhante ao Nifurtimox ou um pouco maiores, chegando a um índice superior a 90% em bebês com infecções congênitas. Os efeitos colaterais incluem erupções cutâneas, neuropatia periférica e granulocitopenia. Esse medicamento é a primeira escolha dos especialistas. A dose oral diária é de 5mg/Kg para adultos e de 5-10mg/Kg com duração de 60 dias. Em pacientes com a doença crônica sintomática deve ser encaminha para subespecialistas. Os sintomáticos cardíacos devem fazer uso de anticoagulantes e medicamentos cardiotrópicos. Transplantes cardíacos são recomendados em pacientes em fase terminal da doença. O megaesôfago deve ser tratado com a acalasia idiopática, que normalmente responde a dilatação do esfíncter inferior do esôfago com balão quando os sintomas são leves. Tratamento cirúrgico é indicado naqueles que não respondem a medicação, por miotomia laparoscópica.