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21/02/2023, 17:05 O desenho mecânico e elementos de ligação
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/03660/index.html# 1/81
O desenho mecânico e elementos de ligação
Prof. José Ricardo Gomes Matheus
Descrição
Representação gráfica voltada para projeto de máquinas, peças
mecânicas e normas, entre outros itens, com o máximo de detalhes
evidenciados.
Propósito
O desenho mecânico é a linguagem que permite uma comunicação
padronizada na concepção de projetos de máquinas. O entendimento de
suas vantagens, portanto, é fundamental para a excelência do projeto.
Esse desenho representa graficamente uma ideia desde a sua
concepção até o produto, servindo como ponte entre nossos
pensamentos e a realidade dando vida ao que está no papel. Tudo isso
está alicerçado por normas que unificam e internacionalizam a
linguagem dos desenhos técnicos.
Objetivos
Módulo 1
Fundamentos do desenho mecânico
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Reconhecer os fundamentos do desenho mecânico:
contextualização, normas técnicas, vistas ortográficas e projeções.
Módulo 2
Cortes em desenhos mecânicos
Interpretar os cortes em desenhos mecânicos.
Módulo 3
Tolerâncias e unidades
Identificar as tolerâncias geométricas e as unidades nos desenhos
mecânicos.
Módulo 4
Elementos de ligações
Reconhecer os elementos de ligações desmontáveis e fixos nos
desenhos mecânicos.
Introdução
Assista ao vídeo a seguir para entender porque o desenho mecânico
é tão importante para o engenheiro.
Orientação sobre unidade de medida

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Em nosso material, unidades de medida e números são escritos
juntos (ex.: 25km) por questões de tecnologia e didáticas. No
entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o
número e a unidade (ex.: 25 km). Logo, os relatórios técnicos e
demais materiais escritos por você devem seguir o padrão
internacional de separação dos números e das unidades.
1 - Fundamentos do desenho mecânico
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os fundamentos do desenho mecânico:
contextualização, normas técnicas e vistas ortográ�cas e projeções.
Vamos começar!
Os desenhos mecânicos: de�nições,
normas técnicas, vistas ortográ�cas
e projeções
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão
abordados neste módulo.

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Contextualizando o desenho
mecânico
O que é um desenho mecânico?
O desenho é a linguagem dos engenheiros e técnicos: ele está para
esses profissionais como o idioma está para as pessoas em geral. Não
existe projeto mecânico nas áreas de fabricação, montagem e
manutenção em que o engenheiro e o técnico não utilizem a linguagem
gráfica.
Um desenho pode ser compreendido apenas pela sua
forma, pela aplicação de uma norma (lei) ou, na
maioria das vezes, pela utilização das duas formas
anteriores. Desse modo, ao realizar um desenho, deve-
se verificar se as vistas, os cortes, as cotas e as
indicações são suficientes para que ele alcance a
finalidade a que se destina.
Seja mediante um instrumento convencional (esquadros, compasso
etc.), um esboço a mão livre ou com o auxílio do computador, é preciso
ter sempre em mente ao se redigir um desenho que apenas por
intermédio da leitura e da sua interpretação correta o elemento
mecânico ou a máquina será construído. Por isso, existe a necessidade
de ter o conhecimento e o domínio das normas técnicas para que se
possa redigir e interpretar os desenhos corretamente.
Para entender o que é um desenho mecânico, é necessário
primeiramente considerar cada termo que compõe a expressão
separadamente. Um desenho é uma linha ou delineamento que permite
representar uma figura.
O desenho mecânico, por sua vez, pode estar ligado a uma máquina, um
dispositivo ou um mecanismo. Ele é, portanto, uma representação
gráfica de uma maquinaria, parte dela ou de suas peças. Trata-se de
planos ou de diagramas que mostram a disposição ou a operação
desses dispositivos.
Em todos os tipos de expressão gráfica, seja na
pintura, na escrita ou nos desenhos, existe uma
característica comum a todas elas: a necessidade de
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tal representação ser entendida por outras pessoas,
mesmo que ela faça parte daquelas artes mais
abstratas.
Este deve ser o nosso principal objetivo quando se redige um desenho:
fazer com que ele seja entendido por outras pessoas.
Normas técnicas ABNT
Normas utilizadas no desenho
mecânico
Normas são o conjunto de regras colocado de forma simples ou um
documento que contém especificações técnicas ou outros critérios a
serem seguidos ou respeitados. Não existe uma quantidade exata de
normas: elas podem ser elaboradas de acordo com as necessidades de
instituições, de órgãos públicos, de um país ou até de empresas
(CATAPAN, 2014a, p. 8).
É nessa situação que se observa a importância das normas técnicas.
Elas são documentos que estabelecem critérios que devem ser
seguidos por todos a fim de garantir a uniformidade da qualidade e da
segurança de bens e serviços oferecidos.
Com o objetivo de transformar o desenho técnico em linguagem gráfica
e padronizá-lo, surgiram normas internacionais usadas no mundo todo.
Elas são uma espécie de guia que:
Facilita a compreensão de desenhos e projetos de pessoas de
nacionalidades diferentes;
Simplifica processos de produção;
Unifica as características de um objeto, permitindo a substituição
por outro.
As normas foram criadas pelos interessados em estabelecer códigos
que regulassem as relações entre consumidores, produtores,
engenheiros, clientes e empreiteiros. Cada país elabora as suas normas.
No Brasil, elas são editadas e aprovadas pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT), criada em 1940.
Vejamos uma relação de algumas normas utilizadas no desenho técnico
mecânico fornecidas pela ABNT:
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NBR 11534 - Representação de engrenagens em desenho técnico;
NBR 11145 - Representação de molas em desenho técnico;
NBR 8993 - Representação de partes roscadas em desenho técnico;
NBR 7165 - Símbolos gráficos de solda;
NBR 14220-2 - Mancais de deslizamento;
NBR 1414611 - Representação simplificada de estruturas metálicas;
NBR 14957 - Representação de recartilhado.
Saiba mais
Existem várias normas que regulam os desenhos na engenharia.
Consultando o catálogo da ABNT, você encontrará outras normas
relativas ao desenho técnico.
Vistas ortográ�cas e projeções
Origem do método
Em 1795, Gaspard Monge (1746-1818), aos 49 anos de idade, criou um
método com base na dupla projeção ortogonal de um objeto
tridimensional. Matemático, ele foi o responsável pela criação tanto da
geometria descritiva (base do desenho técnico projetivo) quanto da
diferencial.
Chamadas de vista de cima, superior ou planta e vista de frente, frontal
ou anterior, essas duas projeções são representadas em dois planos
ortogonais ou perpendiculares posteriormente denominados π e π’
(Imagem 1.1). Ambas passaram a ser representadas em um único plano
graças a um rebatimento, gerando o que se chama em geometria
descritiva de épura.
Imagem 1.1 - Representação espacial da concepção original de Gaspard Monge sobre a projeção
cilíndrica ortogonal em dois planos.
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Foi a partir do método mongeano e dos conceitos dos diedros de
projeções que, a partir de normas e procedimentos do desenhotécnico
projetivo, foi possível chegar à representação gráfica bidimensional de
peças e objetos. Posteriormente, criou-se o terceiro plano ou plano de
perfil (denominado π”), permitindo a representação em três vistas.
Comentário
No processo evolutivo do desenho projetivo, ainda foi possível alcançar
a concepção de se imaginar o objeto no interior de um hexaedro ou
cubo, permitindo a representação em até seis vistas, como será visto
adiante.
O desenho técnico projetivo, tal qual é representado hoje em dia, foi uma
evolução da geometria descritiva em função da rápida necessidade
imposta por problemas de engenharia, principalmente em função da
Primeira Revolução industrial, que ocorreu entre 1780 e 1860.
Devemos destacar que Gaspard Monge, ao publicar seu livro de
geometria descritiva, em 1795, demonstrou, na verdade, como seria a
projeção cilíndrica de uma reta nos dois planos ortogonais π e π’.
Posteriormente, viu-se a possibilidade de projetar objetos
tridimensionais em dois planos, já que as arestas desses objetos são
retas como as estudadas pela geometria descritiva.
Plano de per�l π”, 1° triedro
Com a evolução da complexidade das peças a serem desenhadas,
apenas duas projeções não forneciam uma boa compreensão aos
desenhos. Sendo assim, o terceiro plano de projeção foi concebido,
obtendo-se três projeções ou vistas.
Teoricamente, esse plano de perfil divide o espaço R3 em quatro
triedros, mas, na prática tanto da engenharia quanto da arquitetura e do
desenho industrial, os desenhos técnicos são conduzidos apenas nos 1º
e no 3º triedro.
O conceito de triedo não é igual em todos os países. Veja:
Europa e Brasil
Emprega-se o conceito
do 1º triedro.
Estados Unidos
Emprega-se o conceito
do 3º triedro.

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Na verdade, na prática do desenho técnico, emprega-se o termo “diedro”
em vez de “triedro”, isto é, os desenhos seguem a planificação do 1º ou
do 3º diedro (imagem 1.2).
Em desenho técnico, o conceito das seis vistas ortográficas também
não é igual para todos os países.
Europa e Brasil
Utilizam o conceito do
1º diedro.
Estados Unidos e
Canadá
Utilizam o conceito do
3º diedro.
Na imagem a seguir, veja a planificação dos diedros.
Imagem 1.2 - O terceiro plano de projeção, o plano de perfil (PP) ou π”.
Quando é feita a épura do 1º triedro, além da rotação para baixo do
plano horizontal (PH) ou π, faz-se a rotação do plano de perfil (PP) ou π”
no sentido anti-horário, como demonstra a imagem a seguir.
Imagem 1.3 - Planificação (épura) dos 3 planos de projeções (π, π’ e π”) no 1º diedro.
Do ponto de vista teórico, objetos podem ser posicionados ou
analisados de qualquer perspectiva, como mostraremos a seguir. No
entanto, na prática do desenho técnico projetivo, sempre se coloca o
objeto com seus planos paralelos aos planos π, π’ e π” (imagem 1.4).
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Imagem 1.4 - Objeto paralelo aos planos π, π’ e π”.
Em alguns casos, como aqueles que serão exibidos adiante, não se
consegue que todos os planos do objeto fiquem paralelos aos π, π’ e π”.
Com isso, utiliza-se o artifício da vista ortográfica auxiliar, a qual, na
geometria descritiva, se fundamenta pelas operações de rotação e
rebatimento de planos com o objetivo de obter a “verdadeira grandeza”
das arestas (Imagem 1.5).
Imagem 1.5 - Objeto não paralelo aos planos π, π’ e π”.
Vistas ortográ�cas
Vistas ortográ�cas em seis planos
Na prática, especialmente em problemas de engenharia, arquitetura e
desenho industrial, muitos objetos ou peças contêm uma complexidade
tal que apenas essas três vistas não serão suficientes para sua
representação e entendimento.
Para solucionar tal dificuldade, surge este conceito: imaginar os objetos
ou as peças dentro do 1º triedro, mas com a adição de mais três planos
paralelos respectivamente a π, π’ e π”, formando o hexaedro básico (com
seis planos) usado em desenho técnico projetivo. Esse hexaedro
possibilita a representação gráfica a partir de seis posições, ou melhor,
das seis vistas ortográficas.
Mas resta a questão: considerando o conceito do
hexaedro básico do desenho técnico projetivo, como
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ficam as seis projeções desse prisma?
Rotação ou rebatimento dos planos
Considerando o 1º diedro, o hexaedro básico é planificado da seguinte
forma:
Imagem 1.6 - Rebatimento e planificação, dando origem às seis vistas ortográficas.
Analisando a imagem é possível perceber que:
Mantém-se o plano vertical π’ fixo (aqui representado em linha
contínua pelos pontos A, B, C e D);
O plano horizontal π (representado pelos pontos C, D, H e G) gira
para baixo, ou seja, no sentido horário;
O plano de perfil π” (representado pelos pontos A, C, E e H) gira para
a direita no sentido anti-horário;
O plano superior paralelo ao horizontal π (representado pelos
pontos A, B, E e F) gira para cima;
O plano lateral paralelo ao de perfil π” (representado pelos pontos B,
D, F e G) gira para a esquerda;
O plano frontal paralelo ao vertical π’ (representado pelos pontos E,
F, G e H) acompanha o giro do plano de perfil π” para a direita e no
sentido anti-horário.
Após a rotação ou rebatimento dos planos do hexaedro básico no 1º
diedro, há uma planificação com os seis planos, constituindo as seis
vistas ortográficas usadas no desenho técnico projetivo (imagem 1.7).
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Imagem 1.7 - Posição das seis vistas ortográficas no 1º diedro.
Em desenho técnico projetivo, essas seis vistas ortográficas recebem os
seguintes nomes:
1. Vista de frente ou frontal ou anterior;
2. Vista superior ou de cima ou planta;
3. Vista lateral esquerda ou de perfil;
4. Vista lateral direita;
5. Vista inferior ou de baixo;
6. Vista posterior ou de trás.
É preciso observar que, devido à forma do rebatimento, a vista superior
fica embaixo; a inferior, em cima; a lateral esquerda, na direita; e a lateral
direita, na esquerda. Na prática do desenho técnico projetivo, os planos
e as linhas de projeção não são representados, e sim as seis vistas
ortográficas (imagem 1.8).
Imagem 1.8 - Planificação de um objeto a partir da sua vista frontal.
Considerando o objeto a seguir e a face escolhida como a de frente ou
frontal ou anterior, suas seis vistas ortográficas, no 1º diedro, ficam
como as da imagem abaixo, com várias observações.
Imagem 1.9 - Vistas ortográficas desenhadas a partir da vista frontal escolhida.
Uma vez escolhida para o mesmo objeto outra face como de frente
(imagem 1.10), as “novas” seis vistas ortográficas ficam conforme as da
imagem 1.11. Na “prática” (embora não seja uma norma) do desenho
técnico projetivo, escolhe-se como face frontal a de maiores dimensões
e/ou a que tenha a maior quantidade de arestas visíveis nessa face.
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Imagem 1.10 - Nova vista frontal.
Imagem 1.11 - “Novas” seis vistas ortográficas.
Quantas vistas ortográficas são feitas em um desenho
técnico projetivo profissional?
O profissional analisa o objeto e procura entender quais são as
essenciais, ou seja, são desenhadas apenas as vistas estritamente
necessárias para o entendimento e o uso do objeto.
Para quem está começando no estudo do desenho técnico projetivo, é
muito comum fazer mais vistas ortográficas que as necessárias. Quase
sempre esse aluno vai acabar perguntando a seu professor: como vou
saber quais são as vistas necessárias?
Uma boa resposta é: quase todo objeto consegue ser representado com
duasou três vistas: a de frente, a superior e uma lateral. Se, fazendo as
três vistas, uma delas não precisa ser cotada, isso significa que tal vista
é desnecessária, já que todas as informações constam em apenas
duas.
Rotação ou rebatimento dos planos no 3º
diedro
Como já apontamos, os desenhos técnicos projetivos em nosso país
são feitos considerando o objeto ou a peça no 1º diedro, mas, em alguns
outros países, como os EUA e o Canadá, trabalha-se com o 3º diedro.
Como a importação de máquinas e objetos dessas nações é uma
realidade, é normal que, na prática, os brasileiros tenham de interpretar
desenhos feitos no 3º diedro, ou seja, eles também precisam conhecer
essa particularidade, a qual, aliás, é fácil.
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As diferenças na forma de se projetar no 1º e no 3º diedro estão
relacionadas à forma como se situa o observador, o objeto a ser
projetado e o plano de projeção. As imagens 1.12 (a) e (b) apontam tais
diferenças:
Imagem 1.12 - Conceito da projeção do 1º e 3º diedros.
Mostraremos agora como se realiza a rotação, o rebatimento ou a
planificação do hexaedro básico quando se considera o 3º diedro:
Imagem 1.13 - Rotação do hexaedro básico quando se considera o 3º diedro.
Após a rotação ou rebatimento dos planos do hexaedro básico no 3º
diedro, ocorre uma planificação com os seis planos, constituindo as seis
vistas ortográficas usadas no desenho técnico projetivo. Considerando
o 3º diedro, essas seis vistas recebem os seguintes nomes (imagem
1.14):
1. De frente, anterior ou frontal;
2. Superior, planta ou de cima;
3. Lateral esquerda;
4. Lateral direita;
5. Inferior ou de baixo;
6. De trás ou posterior.
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Imagem 1.14 - Seis vistas ortográficas do 3º diedro.
Essas vistas estão “invertidas” em relação àquelas presentes no 1º
diedro, como pontua a imagem 1.7. Deve ser observado que se olha por
um lado e se representa exatamente como se vê, isto é, como uma
“parede de vidro”. Concebido em 1413 pelo arquiteto italiano Filippo
Brunelleschi (1377-1446), o conceito de perspectiva cônica se baseia
nessa forma de “ver” os objetos (imagem 1.15).
Imagem 1.7
Imagem que representa a posição das seis vistas ortográficas no 1º diedro.
Imagem 1.15 - Visualização espacial e projetiva de uma peça, considerando o hexaedro básico no
3º diedro.
Exemplos de desenhos representados no 1º e
no 3º diedro
A imagem 1.16 ilustra as diferenças entre o posicionamento das vistas
ortográficas principais quando se desenha no 1º ou no 3º diedro.
Imagem 1.16 - Comparação entre as três vistas ortográficas principais tanto no 1º quanto no 3º
diedro.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O que há de comum entre uma pintura e um desenho mecânico?
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Parabéns! A alternativa D está correta.
Em todos os tipos de expressão gráfica, seja na pintura, na escrita
ou nos desenhos, existe uma característica comum a todas elas: a
necessidade de que aquela representação seja entendida por outras
pessoas, mesmo as artes mais abstratas. Este deve ser o nosso
principal objetivo ao redigir um desenho: que ele seja entendido por
outras pessoas.
Questão 2
Qual é o objetivo de padronizar a linguagem gráfica utilizada no
desenho técnico?
A
O necessário entendimento da representação por
pessoas com conhecimento específico.
B
A modernização dos conceitos de pintura e outras
artes abstratas levou ao desenvolvimento do
desenho mecânico.
C
Tanto a pintura quanto o desenho mecânico
necessitam de um profissional que entenda suas
particularidades.
D
A necessidade de que aquela representação seja
entendida por outras pessoas, mesmo aquelas artes
mais abstratas.
E
Na pintura abstrata, a arte pictórica é determinada
pela ausência de formas da natureza da mesma
forma que ocorre no desenho mecânico.
A
Simplificar os processos de produção e unificar as
características de um objeto, permitindo a
substituição por outro e tornando o processo mais
econômico.
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Parabéns! A alternativa E está correta.
O desenho técnico mecânico é o meio mais exato para comunicar a
forma de determinado objeto; para isso, o desenhista mecânico
deve seguir regras preestabelecidas chamadas de normas técnicas.
Afinal, desenhos com pouca informação ou baixa qualidade
ocasionam erros de fabricação.
B
Orientar a produção de qualquer objeto a partir da
compreensão de desenhos, simplificando e
acelerando os processos e tornando tal objeto mais
economicamente viável.
C
Poder internacionalizar diferentes processos,
simplificando e viabilizando a produção de um
objeto ou permitindo a substituição por outro.
D
Compreender que desenhos e projetos de pessoas
de nacionalidades diferentes permite a
simplificação de processos de produção, mesmo
que ele não seja economicamente viável.
E
Facilitar a compreensão de desenhos e projetos de
pessoas de nacionalidades diferentes, simplificando
processos de produção e unificando as
características de um objeto, o que permite a
substituição por outro.
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2 - Cortes em desenhos mecânicos
Ao �nal deste módulo, você será capaz de interpretar os cortes em desenhos mecânicos.
Vamos começar!
Os cortes em desenhos mecânicos
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão
abordados neste módulo.
Cortes
O que são cortes?
Corte é a denominação dada à representação de um produto secionada
por um ou mais planos virtuais (planos secantes). No corte, se
representa tudo o que está atrás do plano secante, sendo que as linhas
invisíveis nas vistas ortogonais passam a ficar visíveis.
Em muitos casos, a representação da realidade por meio do sistema de
vistas ortográficas pode não ser adequada devido à dificuldade de
interpretação do desenho, principalmente em peças complexas, por
conta do grande número de linhas presente.
Exemplo
Imagine um prédio ou o motor de um carro sendo representado por
meio de vistas ortográficas, ou seja, observados de fora, sendo
registradas no desenho todas as arestas e contornos visíveis e
invisíveis. O número de linhas resultante nos desenhos desses
exemplos exigiria um tempo bastante longo para sua confecção - e mais
ainda para sua interpretação.

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Exploremos um pouco mais os dois exemplos acima:
Prédio representado por vistas ortográ�cas
Deve-se registrar todos os detalhes visíveis pelo lado de fora dele e
aqueles invisíveis a partir dessa posição.
Motor de carro representado por vistas
ortográ�cas
Deve-se registrar todos os detalhes visíveis externamente e aqueles
internos e existentes do outro lado da peça.
Atenção!
Os detalhes visíveis pelo lado de fora são: contorno, esquadrias, arestas,
detalhes de fachada etc. Já os detalhes invisíveis pelo lado de fora são:
paredes internas, esquadrias e vãos internos, além de detalhes da
fachada oposta.
É fácil compreender que, em peças complexas, além do tempo
despendido para a transmissão de informações nesse sistema, a
dificuldade de interpretação aumentaria a probabilidade de equívocos
na compreensão do desenho. O objetivo, no entanto, é justamente o de
buscar uma facilidadede representação, rapidez e eficiência na
interpretação dos desenhos.
Para evitar tais dificuldades, nos desenhos técnicos, utilizam-se dois
tipos de representação:
Representações de peças por meio de vistas seccionadas (imagem
2.1);
Representações em vistas ortográficas.
Imagem 2.1 - Tubo em corte mostrando detalhes internos.
Representar uma peça “cortada” consiste em:
Imaginar que a peça seja seccionada por um plano imaginário
(imagem 2.2);
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Eliminar toda a porção da peça situada entre o plano de corte e o
observador;
Representar a porção restante da peça como se estivéssemos
observando-a cortada, seguindo, para isso, algumas regras a serem
comentadas a seguir.
Imagem 2.2 - Observador e peça a ser cortada.
O “traço” do plano de corte deve ser indicado em uma vista
perpendicular a ele. Esse plano precisa ser representado por intermédio
de uma linha do tipo traço-ponto larga, que se prolonga para fora do
contorno da peça.
Dica
Dentro da peça, o traço do plano de corte pode ser representado com
linhas estreitas do tipo traço-ponto ou ser suprimido.
Obrigatoriamente, deve-se representar o sentido de observação, o que é
feito graças a setas nos extremos da linha que demarca a posição do
plano de corte. Cabe lembrar que um objeto cortado, se observado em
um sentido ou outro, pode resultar em vistas bastante diferentes.
Caso mais de um corte da mesma peça seja representado, letras
maiúsculas serão colocadas junto às setas indicativas da direção. Essas
letras servem para identificar cada posição de corte e são informadas
após cada vista cortada com a finalidade de vinculá-la à respectiva
posição de corte.
Na imagem adiante, por exemplo, as letras “A”, “B”, “C” e “D” estão junto
às setas e aos “nomes” dos cortes (corte AA, corte BB, corte CC e corte
DD) indicados abaixo das respectivas vistas seccionadas.
Imagem 2.2.1 Secção de uma peça.
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Dica
Quando a posição de corte for óbvia, ela não necessitará de indicação,
como aponta o item 4.7.2.2 da NBR 10067/1995.
Ao se desenhar a peça cortada, algumas arestas antes invisíveis se
tornarão visíveis em função da retirada de parte da peça que impedia
sua visibilidade. As que passarem a ser visíveis serão representadas
com linhas contínuas.
Buscando dar clareza à representação e à facilidade de interpretação ao
desenho, evita-se ao máximo a representação de detalhes invisíveis nas
vistas “em corte”. A supressão de todas as linhas tracejadas que
representariam elementos invisíveis em peças cortadas pode ser
adotada como padrão para a maior parte dos cortes.
Para salientar a parte da peça cortada, coloca-se uma espécie de pintura
nos locais onde o plano de corte atravessou as partes sólidas da peça,
isto é, os locais onde seria necessário serrá-la para gerar o corte.
Chamada de hachura, tal “pintura” será comentada a seguir.
Hachuras
O que são hachuras?
No desenho de um corte ou de uma seção, linhas finas a 45° conhecidas
como hachuras são desenhadas na região cheia com material. Em
teoria, cada material possui um tipo de linha ou representação. As linhas
finas inclinadas a 45° mostradas até aqui, na verdade, são a hachura
geral, podendo ser usada em qualquer tipo de material.
Imagem 2.3 - Principais hachuras utilizadas.
A imagem 2.3 contém os principais tipos de hachuras usados nos
desenhos técnicos. Normalmente, em desenhos mecânicos, utiliza-se
apenas a hachura geral independentemente do tipo de material, já que,
na lista de material, é feita a especificação completa dele.
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Em desenhos de arquitetura e engenharia civil, é costume mostrar, em
cortes, os diferentes materiais por meio das hachuras, embora a lista de
material também os especifique completamente.
Cortes técnicos
Tipos de cortes
Existem basicamente cinco tipos de corte:
1. Corte total;
2. Corte parcial;
3. Meio corte & meia vista;
4. Corte composto por planos paralelos (ou corte em desvio, segundo
o item 4.7.6 da NBR 10067/1995);
5. Corte composto por planos concorrentes.
Deve-se optar pelo tipo de corte em função da informação que se
necessita transmitir, objetivando sempre a clareza na transmissão dela.
Um único plano de corte atravessa toda a peça, que é
representada totalmente cortada.
Imagem 2.4 - Corte total, longitudinal (“A - A”) ou transversal (“B - B”).
Ele é adotado quando se deseja representar somente uma parte
da peça em corte para salientar algum detalhe dela. A região
Corte total 
Corte parcial 
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cortada e a representada em vista são separadas por linhas de
ruptura.
Imagem 2.5 - Corte parcial.
É empregado quando se deseja representar somente uma parte
da peça em corte a fim de destacar algum detalhe dela. A região
cortada e a representada em vista são separadas por uma linha
de eixo.
Imagem 2.6 - Meio corte.
É utilizado quando, em um único corte, se deseja representar
partes da peça que não estão alinhadas e que poderão ser
representadas em um único corte se ele for composto por dois
ou mais planos paralelos entre si.
Imagem 2.7 - Peça com cortes em planos paralelos.
Meio corte & meia vista 
Corte composto por planos paralelos 
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É usado para representar em um único corte detalhes que seriam
observados em cortes feitos por planos diferentes e
concorrentes entre si. Dentro do sistema de vistas ortográficas, o
observador, para evitar qualquer distorção, sempre precisa estar
posicionado perpendicularmente ao plano de projeção.
Nos cortes, o plano de corte estará sempre paralelo ao de
projeção; e as vistas perpendiculares, aos dois. Em um corte
composto por planos concorrentes, há, em uma única vista,
cortes gerados por planos não paralelos entre si.
Imagem 2.8 - Peça com cortes em planos concorrentes.
Exceções
Existem algumas exceções na representação de cortes que visam a
facilitar sua interpretação. Abordaremos tais exceções a seguir:
Quando seccionados longitudinalmente pelo plano de corte, os
elementos de fixação (parafuso, porca, pino, arruela, chaveta
etc.) não são representados cortados; consequentemente, eles
não recebem hachuras. É como se realizássemos o corte de todo
o restante da peça e, ao final, acrescentássemos esses
elementos.
Corte composto por planos concorrentes 
Representação de elementos de fixação 
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Imagem 2.9 -Exemplo de fixação de juntas por: parafuso e rebite.
Da mesma forma que nos elementos de fixação, as esferas,
mesmo quando seccionadas pelo plano de corte, não são
representadas cortadas nem recebem hachuras.
Imagem 2.10 - Exemplos de rolamentos de esfera.
Nervuras constituem elementos de fixação que seguem a
mesma regra desses elementos quando são seccionadas
longitudinalmente pelo plano de corte, não sendo representadas
cortadas e, por consequência, não recebendo hachuras. Elas
ainda têm a particularidade de serem representadas em
verdadeira grandeza quando são constituintes de peças
simétricas.
Imagem 2.11 - Exemplos de peça com nervuras.
Seções
Representação de esferas 
Representação de nervuras de esforço das peças 
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O que são seções?
Seções são cortes especiais cuja finalidadeé mostrar apenas
determinada região ou área de uma peça. Elas são muito utilizadas em:
Eixos (em rasgos de chavetas);
Perfis metálicos (cantoneiras);
Volantes;
Árvores mecânicas.
Mas qual é a diferença entre uma seção e um corte? Entenda a seguir:
Corte
Representa-se o que
está em contato com o
plano de corte e o que
está além desse plano
em vista.
Seção
Representa-se somente
a parte da peça
efetivamente
seccionada.
Adota-se esse tipo de representação principalmente em peças que
mudam sua forma ao longo do seu desenvolvimento. Com as seções, é
possível mostrar a forma da peça em cada parte dela sem a
necessidade de gerar um corte completo em cada uma dessas
posições.
Formas de representação das seções
As seções podem ser representadas fora da vista da peça onde se
demarca sua posição ou rebatidas sobre o próprio eixo e sobrepostas à
vista da peça. No caso da representação fora da vista, as seções podem
estar dispostas uma após a outra ou alinhadas com os planos de
seccionamento.
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Imagem 2.12 - Representação das seções de m eixo qualquer.
No caso de uma representação da seção sobreposta à vista da peça em
que o plano de corte é demarcado, as seções são rebatidas sobre o
próprio eixo e “aplicadas” sobre o desenho da vista. Nesse caso, para
facilitar a interpretação e a diferenciação entre as duas linhas (as da
seção e as da vista) sobre a qual a seção é sobreposta, as linhas da
seção são representadas com linhas estreitas.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Dado o objeto em perspectiva, marque a opção que corresponde às
linhas de corte apresentadas na sua vista frontal.
Imagem em perspectiva.
As opções de linha de corte são:
A Imagem 1
B Imagem 2
C Imagem 3
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Parabéns! A alternativa B está correta.
O corte AA atravessa o furo de seção quadrática, deixando o furo
circular sem alteração. O BB passa por meio dos dois furos da
imagem. As respostas A e E estão descartadas, porque só mostram
dois furos no corte BB, enquanto D alinha os furos no corte AA, o
que não corresponde à vista frontal. Já a letra C mostra os furos em
posições contrárias ao exibido também na vista frontal.
Questão 2
Que tipo de corte está apresentado na imagem a seguir?
Parabéns! A alternativa C está correta.
Corte composto e corte em desvio são a mesma coisa. O corte total
atravessaria a peça toda. Já o meio corte é empregado no desenho
D Imagem 4
E Imagem 5
A Total.
B Em desvio.
C Parcial.
D Meio corte.
E Composto.
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de peças simétricas nas quais aparece somente a meia vista em
corte. O corte parcial é utilizado para mostrar determinados
detalhes internos na projeção.
3 - Tolerâncias e unidades
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as tolerâncias geométricas e as unidades
nos desenhos mecânicos.
Vamos começar!
As tolerâncias geométricas e as
unidades nos desenhos mecânicos
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão
abordados neste módulo.

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Tolerância geométrica
A execução da peça dentro da tolerância dimensional não garante, por si
só, um funcionamento adequado. É necessário que as peças estejam
dentro das formas previstas para poderem ser montadas
adequadamente e para que funcionem sem problemas.
Do mesmo modo que é praticamente impossível obter uma peça real
com as dimensões nominais exatas, também é muito difícil arranjar uma
peça real com formas rigorosamente idênticas às da peça projetada.
Dessa maneira, desvios de formas dentro de certos limites não chegam
a prejudicar o bom funcionamento das peças.
Quando dois ou mais elementos de uma peça estão associados, outro
fator tem de ser considerado: a posição relativa desses elementos. As
variações aceitáveis das formas e das posições dos elementos na
execução da peça constituem as tolerâncias geométricas.
Comentário
Nosso objetivo é interpretar desenhos técnicos com indicações de
tolerâncias geométricas. Como se trata de um assunto muito complexo,
daremos apenas uma visão geral sem a pretensão de esgotar o tema.
Seu aprofundamento virá apenas com muito estudo e a prática
profissional!
Forma
Tolerância de forma
As tolerâncias de forma limitam os afastamentos de dado elemento em
relação à sua forma geométrica teórica.
Tolerância de retitude ou retilineidade
Trata-se da diferença admissível da reta delimitada por um cilindro
imaginário que tem como eixo de simetria a linha teórica e como
superfície os limites de tolerância admissíveis para a linha teórica,
conforme representam as imagens 3.1 e 3.2.
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Imagem 3.1 - Tolerância de retilineidade com formato cilíndrico.
Imagem 3.2 - Tolerância de retilineidade com formato de paralelepípedo.
A tolerância de retilineidade com formato cilíndrico pode ser aplicada
para o controle de desvios geométricos em sólidos de revolução, como,
por exemplo, cilindros e eixos. Já a tolerância com formato de
paralelepípedo pode ser aplicada para o controle de desvios
geométricos em sólidos com seção transversal retangular, como guias e
barramentos de máquinas operatrizes.
A imagem adiante apresenta um exemplo de indicação da tolerância de
retilineidade em desenhos técnicos:
Imagem 3.3 - Indicação de tolerância de retilineidade em desenho técnico.
Tal exemplo indica que o eixo da parte cilíndrica da peça deve estar
dentro de um cilindro com diâmetro de 0,08mm. A imagem 3.4 contém
um esquema de medição da retilineidade com o relógio comparador
encostado em duas réguas apoiadas ao lado da peça sob uma mesa de
desempeno.
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Imagem 3.4 - Esquema de medição da retilineidade.
Tolerância de planeza ou planicidade
Tolerância de planeza é a diferença admissível na variação da forma
plana de uma peça, que é representada por dois planos paralelos que
definem os limites superior e inferior de variação admissível entre os
quais se deve encontrar a superfície efetiva (medida).
Imagem 3.5 - Tolerância de planeza ou planicidade.
A imagem 3.5 representa a tolerância de planicidade de acordo com a
definição; a 3.6, um exemplo de indicação desta tolerância em desenhos
técnicos.
Imagem 3.6 - Indicação de tolerância de planicidade em desenho técnico.
O exemplo da imagem 3.7 indica que a superfície da peça deve ficar
entre dois planos paralelos distantes entre si de 0,08mm. Ele apresenta
um esquema de medição do desvio de planicidade da superfície de uma
peça usando o relógio comparador sobre uma mesa de desempeno.
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Imagem 3.7 - Esquema de medição de planeza ou planicidade.
Os desvios de planeza são de grande interesse especialmente na
construção de máquinas operatrizes, nos quais o assento dos carros e
das caixas de engrenagens sobre guias prismáticas ou paralelas tem
grande influência na precisão exigida da máquina. Representadas na
imagem 3.8, a concavidade e a convexidade são os tipos mais comuns
de desvios de planeza.
Imagem 3.8 - Concavidade e convexidade como desviosde planeza.
Saiba mais
As expressões “não côncavo” ou “não convexo” poderão complementar
as especificações de tolerância de planeza quando ela for relevante.
Tolerância de circularidade
Desvios de circularidade (ou ovalização) podem ocorrer na seção
circular de uma peça em forma de disco, cilindro ou cone. A tolerância
de circularidade é representada por dois círculos concêntricos que
indicam os limites inferior e superior tolerados para o desvio de
circularidade (imagem 3.9).
Imagem 3.9 - Representação da tolerância de circularidade.
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Espera-se que tais desvios de circularidade fiquem dentro da tolerância
dimensional especificada para o diâmetro da peça cilíndrica. A
tolerância de circularidade é, no máximo, igual à tolerância dimensional
para eixos e furos com qualidade de trabalho até IT8 ou à metade da
tolerância dimensional para qualidades iguais ou maiores que IT9.
Os desvios de circularidade costumam ser pequenos e pouco
importantes, mas as tolerâncias de circularidade deverão ser
especificadas quando a precisão desejada não puder ser garantida
pelos processos normais de usinagem. A imagem 3.10 contém um
exemplo de indicação dessa tolerância em desenhos técnicos
equivalente a 0,04mm:
Imagem 3.10 - Indicação de tolerância de circularidade em desenho técnico.
A medição do desvio de circularidade pode ser realizada com a
utilização de um relógio comparador e um equipamento onde a peça é
posicionada entre centros (imagem 3.11a) ou em um prisma em V
(imagem 3.11b):
Imagem 3.11 - Métodos para medição da circularidade.
Também é possível empregar equipamentos automatizados
especialmente projetados para medir o desvio de circularidade como o
da imagem 3.12:
Imagem 3.12 - Equipamento para medição da circularidade.
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Nesse equipamento, a peça é posicionada sobre um prato giratório,
enquanto um apalpador faz o contato com a superfície da peça. Os
valores são indicados em um mostrador digital ou impressos.
Atenção!
É conveniente indicar na especificação de tolerância de circularidade o
método recomendado para a medição do desvio.
Tolerância de cilindricidade
O desvio de cilindricidade é o desvio que pode ocorrer em toda a
superfície de uma peça cilíndrica, incluindo a seção longitudinal e a
transversal do cilindro. A tolerância de cilindricidade (imagem 3.13) é
definida por dois cilindros concêntricos que circundam a superfície da
peça, estabelecendo os limites inferior e superior dessa tolerância.
Imagem 3.13 - Tolerância de cilindricidade.
A imagem 3.14 possui um exemplo de indicação da tolerância de
cilindricidade em desenhos técnicos, informando que a superfície da
peça cilíndrica tem de ficar entre dois cilindros coaxiais cujos raios têm
uma diferença de 0,04mm:
Imagem 3.14 - Indicação de tolerância de cilindricidade em desenho técnico.
A medição do desvio de cilindricidade precisa ser realizada em vários
planos de medida ao longo de todo o comprimento da peça, sendo igual
à diferença entre o maior e o menor valor medido. O desvio máximo
medido não deve ser maior que a tolerância especificada.
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Dica
O desvio de cilindricidade pode ser considerado o desvio de
circularidade medido em toda a extensão da peça.
A medição do desvio de cilindricidade (imagem 3.15) pode ser realizada
por um instrumento de medição especialmente desenvolvido para esse
propósito. Entretanto, na ausência de tal instrumento, ela pode ser
realizada em duas etapas:
Etapa 1
Medição do desvio
máximo ao longo da
seção longitudinal da
peça.
Etapa 2
Medição do desvio
máximo na seção
transversal da peça
(circularidade).
Imagem 3.15 - Medição do desvio de cilindricidade.
Tolerância de forma de uma linha qualquer
A tolerância para o desvio de forma de uma linha qualquer (imagem
3.16) é representada por um sólido de seção circular com centro na
linha de simetria teórica, cujo diâmetro é a tolerância especificada. A
linha efetiva (medida) que representa o perfil da peça fabricada deve
ficar dentro do sólido especificado pela tolerância.
Imagem 3.16 - Tolerância de forma de uma linha qualquer.
A imagem 3.17 apresenta um exemplo de indicação da tolerância de
forma de uma linha qualquer em desenhos técnicos, informando que o

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perfil da peça deve ficar entre duas envolventes que formam um sólido
de seção circular com diâmetro igual a 0,06mm:
Imagem 3.17 - Indicação de tolerância de forma de uma linha qualquer em desenho técnico.
Tolerância de forma de uma superfície
qualquer
A tolerância para o desvio de forma de uma superfície qualquer
(imagem 3.18) é representada por duas superfícies teóricas que
envolvem a superfície projetada para a peça, cuja distância é limitada
por uma esfera com diâmetro equivalente à tolerância especificada. O
centro da esfera está localizado na superfície teórica.
Imagem 3.18 - Tolerância de forma de uma superfície qualquer.
A imagem 3.19 possui um exemplo de indicação da tolerância de forma
de uma superfície qualquer em desenhos técnicos, informando que a
superfície da peça precisa ficar entre duas superfícies envolventes cuja
distância é limitada por uma esfera com diâmetro igual a 0,06mm. Os
desvios de forma de uma superfície qualquer podem ser medidos em
máquinas de medir por coordenadas ou tridimensionais.
Imagem 3.19 - Indicação de tolerância de forma de uma superfície qualquer em desenho técnico.
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Posição
Tolerância de posição
A tolerância geométrica de posição é o desvio de posição máximo
admissível para uma peça fabricada em relação à posição teórica
definida no projeto. As tolerâncias de posição limitam os afastamentos
da posição mútua de dois ou mais elementos por razões funcionais ou
para assegurar uma interpretação inequívoca. Geralmente, um deles é
usado referência para a indicação das tolerâncias. Se for necessário,
poderá ser usado como referência.
Tolerância de paralelismo
Tolerância de paralelismo de uma linha reta (eixo) ou de um plano é o
desvio de posição máximo admissível em relação à outra linha reta ou
plano de referência (imagem 3.20).
Imagem 3.20 - Tolerância de paralelismo. (a) Paralelismo entre retas (b) Paralelismo entre planos.
A tolerância de paralelismo entre duas linhas retas (imagem 3.20a) é
delimitada pelo espaço contido em um cilindro paralelo ao eixo de
referência, que envolve a linha efetiva (medida), tendo como eixo de
simetria uma das retas teóricas.
A tolerância de paralelismo entre dois planos (imagem 3.20b), por sua
vez, se trata do desvio máximo admissível para uma superfície plana de
uma peça representada pela distância entre dois planos teóricos
paralelos entre si, sendo um o plano de referência, entre os quais deve
estar a superfície plana efetiva (medida) da peça.
A imagem 3.21 apresenta um exemplo de indicação da tolerância de
paralelismo em desenhos técnicos, informando que a linha reta ou
superfície plana da peça tem de ficar entre duas retas paralelas
(cilindro) ou dois planos paralelos com distância de 0,06mm entre si e
paralelos à reta ou ao plano de referência A.
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Imagem 3.21 - Indicação de tolerância de paralelismo em desenho técnico.
Tolerância de inclinação
Tolerância de inclinação de uma linha reta (eixo) ou de um plano éo
desvio de posição máximo admissível para o ângulo teórico em relação
a outra linha reta ou plano de referência. Já o campo de tolerância do
desvio angular é delimitado por duas retas (imagem 3.22) ou dois
planos paralelos entre si com inclinação igual ao valor teórico
especificado em projeto.
Imagem 3.22 - Tolerância de inclinação.
A imagem 3.23 contém um exemplo de indicação da tolerância de
inclinação em desenhos técnicos, informando que a linha reta ou a
superfície plana indicada na peça deve ficar entre duas retas paralelas
com distância de 0,06mm entre si e formando um ângulo plano de 45
graus com o plano de referência A.
Imagem 3.23 - Indicação de tolerância de inclinação em desenho técnico.
Tolerância de perpendicularidade
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Tolerância de perpendicularidade de uma linha reta (eixo) ou de um
plano é o desvio de posição máximo admissível para o ângulo teórico de
90 graus em relação a outra linha reta ou plano de referência (imagem
3.24). O desvio de perpendicularidade pode ser considerado um caso
particular do desvio de inclinação.
Imagem 3.24 - Tolerância de perpendicularidade. (a) Linha reta com um plano (b) Plano com
plano.
O campo de tolerância do desvio de perpendicularidade entre uma reta e
um plano (imagem 3.24a) é delimitado por um cilindro dentro do qual
deve estar a reta efetiva (medida), cujo eixo teórico faz um ângulo de
90° em relação a um plano de referência especificado. Já o campo de
tolerância do desvio de perpendicularidade entre dois planos (imagem
3.24b) é delimitado por dois planos teóricos paralelos entre si com
inclinação de 90° em relação ao plano de referência especificado, entre
os quais deve estar o plano efetivo (medido).
A imagem 3.25 apresenta um exemplo de indicação da tolerância de
perpendicularidade em desenhos técnicos, informando que o plano
efetivo (medido) da superfície indicada na peça precisa ficar entre dois
planos teóricos paralelos com distância de 0,2mm entre si que formam
um ângulo plano de 90° com o plano de referência A.
Imagem 3.25 - Indicação de tolerância de perpendicularidade em desenho técnico.
Tolerância de localização de um ponto
Tolerância de localização de um ponto é o desvio máximo admissível
para a posição de um elemento em relação à sua posição teórica. O
campo de tolerâncias é delimitado por um círculo ou esfera cujo centro
corresponde à localização teórica do ponto, enquanto a superfície
corresponde aos limites admissíveis para a localização do ponto
(imagem 3.26).
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Imagem 3.26 - Tolerância de localização de um ponto.
A imagem 3.27 possui um exemplo de indicação da tolerância de
localização de um ponto em desenhos técnicos, informando que o eixo
de um furo precisa estar incluído dentro de uma esfera de diâmetro
0,2mm, cujo eixo teórico está na posição geometricamente exata
indicada pelas cotas 60mm e 80mm.
Imagem 3.27 - Indicação de tolerância de localização em desenho técnico.
Tolerância de simetria
A tolerância de simetria de um plano médio ou de uma linha média em
relação a uma reta ou plano de referência constitui o desvio máximo
admissível para o plano médio efetivo (medido) de uma peça
representada pela distância entre dois planos teóricos paralelos entre si
e simétricos em relação ao plano médio de referência.
A imagem 3.28 possui um exemplo de indicação da tolerância de
simetria em desenhos técnicos, informando que o plano médio do canal
deve estar entre dois planos paralelos com distância de 0,05mm entre si
e simétricos ao plano de referência A.
Imagem 3.28 - Indicação de tolerância de simetria em desenho técnico.
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O desvio de simetria pode ser considerado um caso particular do desvio
de localização do ponto no qual os elementos considerados são arestas
simétricas.
Tolerância de concentricidade
A tolerância de concentricidade é a variação admissível da posição do
eixo de simetria de elementos teoricamente concêntricos. O campo de
tolerância do desvio de concentricidade é delimitado por um círculo em
cujo centro está a linha de simetria de um elemento de referência.
Teoricamente coincidente, a linha de simetria do segundo elemento
deve estar no interior do círculo de referência.
Tolerância de coaxialidade
A tolerância de coaxialidade é o desvio máximo admissível de
concentricidade medido ao longo do eixo de simetria dos elementos
considerados. O campo de tolerância é definido como um cilindro
concêntrico a um dos elementos. O segundo elemento precisa ter seu
eixo de simetria (teoricamente coincidente com o primeiro) dentro do
cilindro de tolerância.
Imagem 3.29 - Indicação de tolerância de coaxialidade em desenho técnico.
A imagem 3.29 apresenta um exemplo de indicação da tolerância de
coaxialidade em desenhos técnicos, informando que o eixo de simetria
da parte indicada na peça deve estar incluído dentro de um cilindro com
diâmetro de 0,05mm, cujo eixo coincide com o eixo de referência A.
Desvios
Desvios compostos de forma e
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posição
Algumas vezes, não é possível separar os desvios de forma dos desvios
de posição para fabricação das peças e medição posterior, formando os
desvios compostos de forma e posição. Entre os vários tipos de desvios
compostos, destacam-se os de batida em superfícies de revolução.
A tolerância de batida é o desvio máximo admissível na
posição do elemento considerado ao completar uma
rotação, girando em torno de um eixo de referência
sem se deslocar axialmente.
Os desvios de batida podem somar erros, como, por exemplo,
coaxialidade, excentricidade, perpendicularidade, circularidade e
planicidade. A medição do desvio de batida é possível somente com o
elemento realizando uma rotação completa.
Os desvios de batida, de acordo com a posição do desvio em relação ao
eixo de rotação, podem ser subdivididos em:
Desvios de batida radial.
Desvios de batida axial.
Tolerância de batida radial
Tolerância de batida radial (imagem 3.30) é o desvio máximo admissível
da posição de um elemento ao completar uma rotação medida no
sentido radial ao eixo de rotação. Já o campo de tolerância é definido
em um plano perpendicular ao eixo de rotação composto de dois
círculos concêntricos, dentro dos quais deve estar o perfil da peça
durante uma volta completa em torno de seu eixo de simetria.
Imagem 3.30 - Tolerância de batida radial em superfícies cilíndricas.
A medição do desvio de batida radial é semelhante ao método de
medição do desvio de circularidade, que pode ser realizada, como
vimos, com a utilização de um relógio comparador e um equipamento
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onde a peça é posicionada entre os centros (imagem 3.31a) ou em um
prisma em V (imagem 3.31b).
Imagem 3.31 - Métodos para medição do desvio de batida radial. (a) Medição entre centros (b)
Medição com prisma em V.
A imagem 3.32 contém um exemplo de indicação da tolerância de
batida radial em desenhos técnicos, informando que, em uma revolução
completa da peça em torno do eixo de referência A, o balanço radial da
superfície indicada não deve ser maior que a tolerância de 0,02mm.
Imagem 3.32 - Indicação de tolerância de batida radial em desenho técnico.
Para superfícies cônicas, a tolerância de batida é a distância entre
superfícies cônicas concêntricas, dentro das quais deverá encontrar-se
a superfície efetiva (medida) quando a peça efetuar um giro completo
sobre seu eixo de simetria (imagem3.33).
Imagem 3.33 - Tolerância de batida radial em superfícies cônicas.
Tolerância de batida axial
Tolerância de batida axial (imagem 3.34) constitui o desvio máximo
admissível da posição de um elemento ao completar uma rotação, que é
medida no sentido axial ao eixo de rotação.
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Imagem 3.34 - Tolerância de batida axial.
O campo de tolerância é definido como um cilindro concêntrico ao eixo
de rotação, cuja altura (distância entre as bases) corresponde à
tolerância de batida axial. A trajetória de um ponto qualquer durante
uma rotação completa precisa ficar dentro do cilindro.
A imagem 3.35 apresenta um exemplo de indicação da tolerância de
batida axial em desenhos técnicos, informando que, em uma revolução
completa da peça em torno do eixo de referência A, o balanço axial da
superfície frontal não deve ser maior que a tolerância de 0,04mm.
Imagem 3.35 - Indicação de tolerância de batida axial em desenho técnico.
A imagem 3.36 possui um exemplo de medição do batimento axial que
utiliza o relógio comparador:
Imagem 3.36 - Medição do desvio de batida axial.
Unidades
As unidades de medida utilizadas dependem da natureza da engenharia.
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Engenharia cartográ�ca
A unidade de medida mais comum na engenharia cartográfica é o
quilômetro, cuja abreviação é km.
Engenharia civil
A unidade de medida mais comum na engenharia civil é o metro, cuja
abreviação é m.
Engenharia mecânica
A unidade de medida mais comum na engenharia mecânica é o
milímetro, cuja abreviação é mm.
Comentário
Na engenharia mecânica, o milímetro é tão comum ser utilizado que, em
geral, nos desenhos técnicos, tal abreviação sequer aparece!
Os desenhos têm suas medidas dadas em valores numéricos chamados
de “cotas”. Cotar significa dimensionar, indicar dimensões dos
elementos de um desenho.
Os procedimentos descritos adiante serão necessários para
sistematizar o entendimento das dimensões sem afetar o entendimento
do objeto representado. O desenho técnico, além de representar, dentro
de uma escala, a forma tridimensional, precisa conter informações
sobre as dimensões do objeto representado.
As dimensões definirão as características geométricas do objeto, dando
valores de tamanho e posição a:
Diâmetros;
Comprimentos;
Ângulos;
Todos os outros detalhes que compõem sua forma espacial.
Unidades
Escalas
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Como o desenho técnico é utilizado para a representação de máquinas,
equipamentos, prédios e até unidades inteiras de processamento
industrial, é fácil concluir que nem sempre será possível representar os
objetos em suas verdadeiras grandezas. Assim, para viabilizar a
execução dos desenhos, os objetos grandes precisam ser
representados com suas dimensões reduzidas, enquanto objetos ou
detalhes muito pequenos demandam uma representação ampliada.
Para evitar distorções e manter a proporcionalidade entre o desenho e o
tamanho real do objeto representado, foi estabelecido o seguinte
padrão: as reduções ou ampliações precisam ser feitas respeitando
uma razão constante entre as dimensões do desenho e as dimensões
reais do objeto representado. A razão existente entre essas duas
dimensões é chamada de escala do desenho.
Atenção!
Como o desenho técnico é uma linguagem gráfica, a ordem da razão
nunca pode ser invertida. A escala do desenho sempre será definida
pela relação existente entre as dimensões lineares de um desenho e as
respectivas dimensões reais do objeto desenhado.
Para facilitar a interpretação da relação existente entre o tamanho do
desenho e o tamanho real do objeto, pelo menos um dos lados da razão
sempre terá valor unitário. Isso resulta nas seguintes possibilidades:
Interpretando as escalas
Quando um desenho está na escala 1:20, por exemplo, isso quer dizer
que 1mm do desenho corresponde a 20mm no objeto real. Ou seja, para
cada 20mm do objeto real, você precisa representá-lo somente por 1mm
no papel.
Eis um raciocínio análogo para outras escalas:
Escala 1:50
1mm no desenho = 50mm no objeto.
Escala 1:100
1mm no desenho = 100mm no objeto.
Escala 1:200
1mm no desenho = 200mm no objeto.
Escala 2:1
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2mm no desenho = 1mm no objeto.
Escala 5:1
5mm no desenho = 1mm no objeto.
Escala 10:1
10mm no desenho = 1mm no objeto.
A escala basicamente é a dimensão do desenho dividida pela dimensão
real do objeto, respeitando as unidades de medidas.
Exemplo
A distância gráfica de um desenho mede 4cm e a respectiva distância
natural, 9m. Sua escala, portanto, é:
E = d/D
E = 4cm/900cm
E = 1/225 O desenho está na escala 1:225 (redução).
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Em relação à tolerância de forma de cilindricidade, qual é o
significado da simbologia exposta a seguir?
A
O eixo da parte cilíndrica da peça deve estar dentro
de um cilindro de φ t = 0,05.
B
A superfície tolerada precisa estar incluída entre
dois cilindros coaxiais cujos raios têm uma
diferença de t = 0,05.
C
O plano tolerado tem de estar entre dois planos de
distância t = 0,05.
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Parabéns! A alternativa B está correta.
A opção A trata de tolerância de linearidade; a C, de planicidade; a D,
de interpretação de tolerância de circularidade; e a E, de tolerância
de posição, e não de forma.
Questão 2
A distância gráfica de um desenho mede 5cm e a sua distância
natural, 10mm. Qual é o valor da sua escala?
Parabéns! A alternativa C está correta.
E = d/D = 50/10 = 5:1 (ampliação).
D A linha de circunferência de cada seção deve estar
dentro de um anel circular de espessura t = 0,05.
E
O eixo tolerado precisa estar dentro de um cilindro
de φ t = 0,05.
A 1:5 - redução.
B 1:2 – redução.
C 5:1 - ampliação.
D 2:1 - ampliação
E 20;1 - ampliação.
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4 - Elementos de ligações
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os elementos de ligações desmontáveis
e �xos nos desenhos mecânicos.
Vamos começar!
Os elementos de ligações
desmontáveis e �xas
Assista ao vídeo a seguir para conhecer os principais pontos que serão
abordados neste módulo.
O que são elementos de ligação
Os elementos de fixação (ou ligação) têm como objetivo principal unir
duas ou mais peças de forma fixa ou móvel em projetos mecânicos.
Esses fixadores possuem aplicações e funções diferenciadas: alguns

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visam à fixação permanente, enquanto outros permitem até a rotação de
peças com segurança.
A utilização e as formas de fixação dependem exclusivamente do
projeto mecânico, porém novos elementos de fixação podem substituir
os antigos, dando acabamento e segurança. A evolução dos fixadores
não está ligada apenas à aplicação ou custo, mas também à segurança
que o fixador pode oferecer no projeto.
Tanto os elementos de fixação móvel quanto os de fixação permanente
devem ser usados com muita habilidade e cuidado, já que eles
geralmente são os componentes mais frágeis da máquina. Assim, para
projetar um conjunto mecânico, é preciso escolher o elemento de
fixação adequado aos tiposde peças que serão unidas ou fixadas.
Exemplo
Se unirmos peças robustas com elementos de fixação fracos e mal
planejados, o conjunto apresentará falhas e poderá ficar inutilizado.
Ocorrerá, portanto, um desperdício de tempo, de materiais e de recursos
financeiros.
Também é importante planejar e escolher corretamente os elementos
de fixação a serem usados a fim de evitar a concentração de tensão nas
peças fixadas. Essas tensões causam rupturas nas peças por fadiga do
material.
Os elementes podem ser fixados de duas formas diferentes, entenda
cada uma delas a seguir.
Fixação móvel
O uso da fixação móvel
permite que os
elementos possam ser
retirados (e
recolocados) sem gerar
danos ao produto.
Exemplo: em parafusos,
arruelas e porcas.
Fixação permanente
Na fixação permanente,
uma vez instalados, os
elementos para a
reutilização não podem
ser retirados. Exemplo:
rebites, pinos de solda e
outros.
Elementos de ligação desmontáveis
ou móveis

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Parafusos
O parafuso é um elemento de máquina. Em formato cônico ou cilíndrico,
ele é sulcado em espiral ao longo de sua face externa e tem a sua base
superior adaptada a diversas ferramentas de torção (cabeça do
parafuso).
Essa base pode ser:
Cônica
Redonda
Quadrada
Sextavada.
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Sua única função é aplicar pressão entre duas peças, que permanecerão
unidas em função da força de atrito entre suas superfícies. Um parafuso
não garante a posição entre ambas.
Tipos mais comuns de parafusos e suas
aplicações
Há vários tipos de parafusos, veremos os tipos mais comuns a seguir.
Esse tipo de parafuso é usado com ou sem rosca, é aplicado
para uniões que necessitam forte aperto (com chave de boca).
Parafuso de cabeça sextavada.
Esse tipo de parafuso é utilizado em uniões que necessitam forte
aperto em locais com pouco espaço para manuseio de
ferramentas.
Parafuso sextavado interno (Allen).
Cabeça sextavada 
Sextavado interno (Allen) 
Sem cabeça e fenda/sextavado interno 
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Esse tipo de parafuso é utilizado para travar elementos de
máquinas não deixando saliências externas.
Parafuso sem cabeça e fenda/sextavado interno.
Esse tipo de parafuso é usado em montagens que não sofrem
grandes esforços e cuja cabeça não pode exceder a superficie.
Parafuso de cabeça escareada chata com fenda.
Esse tipo de parafuso é usado em montagens que não sofrem
grandes esforços, proporcionando bom acabamento superficial.
Parafuso de cabeça redonda com fenda.
Cabeça escareada chata com fenda 
Cabeça redonda com fenda 
Cabeça cilindrica com fenda 
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Esse tipo de parafuso é usado na fixação de elementos nos
quais existe a possibilidade de se fazer um encaixe profundo
para a cabeça do parafuso e bom acabamento superficial.
Parafuso de cabeça cilindrica com fenda.
Esse tipo de parafuso é usado na fixação de elementos com
pouca espessura ficando a cabeça embutida.
Parafuso cabeça escareada boleada com fenda.
Esse tipo de parafuso é usado em madeira e em peças de
alvenaria (junto com buchas plásticas).
Parafuso de rosca soberba.
Cabeça escareada boleada com fenda 
Rosca soberba (vários tipos de cabeça) 
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Tipos de roscas
Assim como existe vários tipos de parafusos, também existe vários
tipos de roscas. A seguir, veremos os diversos perfis encontrados nas
roscas.
É utilizada em parafusos e porcas de fixação na união de peças.
Exemplo: Fixação da roda do carro.
Rosca triangular.
É utilizada em parafusos que transmitem movimento suave e
uniforme.
Exemplo: Fusos de máquinas.
Rosca trapezoidal.
É utilizada em parafusos de grandes diâmetros sujeitos a
grandes esforços.
Rosca de perfil triangular 
Rosca de perfil trapezoidal 
Rosca de perfil redondo 
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Exemplo: Equipamentos ferroviários.
Rosca redonda.
É utilizada em parafusos que sofrem grandes esforços e
choques.
Exemplo: Prensas e morsas.
Rosca quadrada.
É utilizada em parafusos que exercem grande esforço em um só
sentido.
Exemplo: Macacos de catraca.
Rosca dente-de-serra.
Rosca de perfil quadrado 
Rosca de perfil dente-de-serra 
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Além de conhecer os tipos de roscas e suas aplicações, é necessário
conhecer suas medidas. A seguir, veremos três tipos de roscas e como
especificá-las a partir de suas medidas.
Imagem 4.1 - Três tipos de roscas e suas medidas.
Agora, veja na tabela a seguir as medidas que essas roscas podem ter.
TABELA D
ROSCA MÉTRICA (M)
Perfil triangular - ISO NB 97
ROSCA WHITWO
Normal
d
Diam.
di
Núcleo
P
Passo
d
Poleg.
d
mm
d
Núc
4 3,141 0,7 1/8" 3,17 2,3
6 4,773 1 5/32" 3,96 2,9
8 6,466 1,25 3/16" 4,76 3
10 8,16 1,5 7/32" 5,55 4
12 9,833 1,75 1/4" 6,35 4,7
14 11,546 2 5/16" 7,93 6,
16 13,546 2 3/8" 9,52 7,4
18 14,933 2,5 1/2" 12,7 9,9
20 16,933 2,5 9/16" 4,28 11
22 18,933 2,5 5/8" 15,87 12
24 20,319 3 11/16" 17,46 14
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TABELA D
30 25,706 3,5 3/4" 19,05 16
36 31,093 4 13/16" 20,63 17
42 36,479 4,5 7/8" 22,22 18
48 41,866 5 15/16" 23,81 20
56 49,252 5,5 1" 25,4 21
60 53,252 5,5 1 1/8" 28,57 23
64 56,639 6 1 1/4" 31,75 27
Tabela - tipos de roscas e suas medidas
VIEIRA, 2018, p. 24.
Representação grá�ca
As imagens 4.2 e 4.3 mostram respectivamente a representação
convencional de furos roscados e a sequência e montagem:
Imagem 4.2 - Representação convencional de furos roscados (em corte, a região da rosca é
hachurada).
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Imagem 4.3 - Sequência de montagem de furo roscado e união com outra peça por prisioneiro,
arruela e porca.
No caso de uma chapa superior, o furo passante deve permitir folga em
relação ao diâmetro externo da rosca do parafuso. Já na chapa roscada,
os diâmetros das roscas são coincidentes (imagens 4.4 e 4.5)
Imagem 4.4 - Exemplo de união de duas chapas por parafusos.
Imagem 4.5 - Exemplo de união por parafusos de duas chapas com furos passantes.
Cotagem
Na cotagem do diâmetro nominal de parafusos, deve-se identificar à
qual norma a rosca obedece. Isso é feito precedendo o valor nominal da
rosca com o símbolo da norma.
Exemplo
Para um parafuso de diâmetro 10mm, são usados, entre outros, os
seguintes símbolos: M10 (métrica), W10 (Whitworth) e G10 (gás ou
rosca de cano).
Na imagem a seguir, veja a cotagem de diversos tipos de parafusos.
Imagem 4.6 - Cotagem de parafusos.
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Porcas
Fabricada em metal ou plástico, a porca é uma peça de forma
prismática ou cilíndrica com furo roscado por meio do qual se encaixa o
parafuso. Ela é usada com o parafuso para a fixação dele.
A seguir, veremos os diversos tipos de porcas e suas aplicações.
É utilizada para aperto manual (arco de serra).
Porca borboleta.
É utilizada para aperto manual (arco de serra).
Porca recartilhada.
É utilizada para um bom acabamento.
Porca borboleta
Porca recartilhada 
Porca cega 
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Porca cega.
É utilizada para fixações diversas.
Porca quadrada.
É utilizada com cupilha para evitar que vibrações a soltem.
Porca castelo.
A imagem 4.7 revela como desenhar alguns tipos de porcas a partir da
sua nomenclatura.
Porca quadrada 
Porca castelo 
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Imagem 4.7 - Dimensionamento de alguns tipos de porcas.
Arruelas
A arruela é um disco metálico com um furo no centro através do qual
passa o parafuso. Sua função é distribuir igualmente a força de aperto
entre a porca, o parafuso e as partes montadas (imagem 4.8).
Imagem 4.8 - Montagem com auxílio de arruela.
A imagem a seguir, expõe os diversos tipos de arruelas, representação e
cotagem:
Arruela lisa
Arruela de pressão
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Arruela dentada
Anéis elásticos
Também conhecido como anel de trava, retenção ou segurança, o anel
elástico é uma espécie de arruela incompleta cuja abertura serve para
que o encaixe seja feito no ressalto em um eixo.
Esse anel é usado para:
Impedir o deslocamento axial de eixos;
Posicionar ou limitar o curso de uma peça que desliza sobre um
eixo.
A seguir, entenda o desenho esquemático de cada tipo de anel elástico e
onde aplicá-los:
É utilizado em eixos com diâmetro entre 4 e 1.000mm.
É utilizado em furos com diâmetro entre 9,5 e 1.000mm.
Tipo G 
Tipo I 
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É utilizado em eixos com diâmetro entre 8 e 24mm.
É utilizado em eixos com diâmetro entre 4 e 390mm fixando
rolamento.
Tipo RS 
Anilha para fixação de rolamento 
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É utilizado para pequenos esforços axiais.
Elementos de ligação �xas
Rebites
O rebite possui corpo cilíndrico e cabeça, sendo fabricado em aço
(comum, inox e outros exemplos), alumínio, cobre ou latão. Ele é usado
para a fixação permanente de duas ou mais peças.
Em geral, seu emprego se dá em situações em que não é possível usar
solda por um ou mais destes motivos:
Tipo de material;
Não admissão de tensões provenientes da solda;
Facilidade do processo de fabricação.
Na indústria, os rebites são aplicados principalmente em:
Estruturas metálicas;
Reservatórios;
Caldeiras;
Máquinas;
Navios;
Aviões;
Veículos de transporte;
Treliças.
Anel trava de seção circular 
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Tipos de rebites
Os tipos de pino são divididos pelo formato da cabeça. Pelos desenhos
dos pinos a seguir, podemos perceber uma relação padronizada entre o
diâmetro (d) do corpo e o da cabeça:
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Bastante utilizado pela grande resistência oferecida.
Bastante utilizado pela grande resistência oferecida.
Utilizado em uniões que não admitem saliências.
Utilizado em uniões que não admitem saliências.
Cabeça redonda larga 
Cabeça redonda estreita 
Cabeça escareada chata larga 
Cabeça escareada chata estreita 
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Utilizado em uniões que admitem pequenas saliências.
Utilizado em uniões que admitem pequenas saliências.
Utilizado em chapas com espessura máxima de 7mm.
Cabeça escareada com calota 
Cabeça panela 
Cabeça cilíndrica 
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Especi�cações
Para o uso de rebites, é necessário saber quatro especificações:
Material;
Tipo de cabeça;
Diâmetro do corpo;
Comprimento útil: Comprimento do corpo (L) menos a sobra
necessária (Z), que, por sua vez, é o comprimento restante
necessário para formar a outra cabeça do rebite.
Imagem 4.10 - Como especificar os rebites.
Rebitagem
É o processo de união de peças usando rebite.
Imagem 4.11 - Sequência de rebitagem.
A rebitagem pode ser:
Manual, com pancadas de martelo (uso em pequena escala);
Automático, com o auxílio de um martelo pneumático ou de
rebitadeiras pneumáticas ou hidráulicas.
O processo ainda pode ser a quente ou a frio. Na rebitagem a quente, o
rebite é anteriormente aquecido em forno ou em chama até atingir a cor
vermelho brilhante. Usado em rebites de aço com diâmetro maior que
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6,35mm, ele obtém um melhor preenchimento do espaço e uma menor
aplicação de força.
Rebite de repuxo
Apesar de ser um rebite especial (imagem 4.4), o de repuxo é
amplamente utilizado em chapas que não sofrerão grandes esforços.
Esse rebite tem um furo pelo qual passa um contrarrebite. Para a
rebitagem, utiliza-se um equipamento simples que puxa o contrarrebite,
formando a 2ª cabeça do rebite (imagem 4.12).
Imagem 4.4
Exemplo de união de duas chapas por parafusos.
Imagem 4.12 - Medidas do rebite.
Vejamos a sequência contida na imagem a seguir:
1. O rebite é colocado no furo das peças;
2. A rebitadeira puxa o contrarrebite enquanto segura a cabeça do
rebite contra a peça;
3. A cabeça do contrarrebite forma a cabeça do rebite;
4. A cabeça do contrarrebite é quebrada, e o corpo abandona o rebite.
Veja a ilustração desse fluxo na imagem a seguir.
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Imagem 4.13 - Sequência de rebitagem de um rebite de repuxo.
Pinos
Geralmente de aço, pinos são elementos cilíndricos/cônicos que unem
peças articuladas. Nesse tipo de união, as peças formam uma junção
móvel, permitindo conjuntos que se articulam entre si.
Na indústria, os pinos são aplicados principalmente em:
Braços articulados, como, por exemplo, guindastes.
Portas.
Tipos de pinos
Alguns tipos de pinos mais comuns são mostrados abaixo:
É utilizado durante a ação de centragem.
É utilizado durante a ação de retirada do pino de furos cegos é
facilitada por uma haste roscada (aperto de porca retira a haste).
Pino cônico 
Pino cônico 
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É utilizado para forças cortantes, ele requer um furo com
tolerâncias rigorosas.
Apresenta elevada resistência, podendo ser assentado em furos
com variação de diâmetro.
Cavilhas
A cavilha é uma peça cilíndrica fabricada em aço cuja superfície externa
recebe três entalhes que formam ressaltos. A forma e o comprimento
dos entalhes determinam os tipos de cavilha.
Sua fixação é feita diretamente no furo aberto por uma broca,
dispensando o acabamento e a precisão do furo alargado. A cavilha une
peças que não são articuladas entre si.
Pino cilíndrico 
Pino elástico 
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A tabela a seguir apresenta os diversos tipos de cavilhas, suas normas e
utilização.
TIPO NORMA UTILIZAÇAO
KS 1 DIN 1471 Fixação e junçã
KS 2 DIN 1472
Ajustagem e
articulação.
KS 3 DIN 1473
Fixação e junç
em casos de
aplicação de for
variáveis e
simétricas, bord
de peças de fe
fundido.
KS 4 DIN 1474
Encosto e
ajustagem.
KS 6 e 7 -
Ajustagem e
fixação de mola
correntes.KS 9 -
Utilizado nos ca
em que se tem
necessidade d
puxar a cavilha
furo.
KS 10 -
Fixação bilatera
molas de tração
de eixos de role
KS 8 DIN 1475
Articulação d
peças.
KS 11 e 12 -
Fixação de eixos
roletes e
manivelas.
KN4 DIN 1476 Fixação de
blindagens, cha
e dobradiças so
metalKN5 DIN 1477
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TIPO NORMA UTILIZAÇAO
KN7 -
Eixo de articulaç
de barras de
estruturas,
tramelas, ganch
roletes e polia
Tabela - Tipos de cavilhas, suas normas e utilização.
DORNELES, V., 2009, p. 7.
A imagem a seguir exibe os desenhos das cavilhas da tabela acima.
Imagem 4.14 - Desenho das diversas cavilhas.
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Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
São exemplos de ligações móveis:
Parabéns! A alternativa D está correta.
Rebites, pinos e cavilhas são elementos de ligação fixas.
A Parafusos, pinos e rebites.
B Parafusos, porcas e cavilhas.
C Parafusos, porcas e pinos.
D Parafusos, porcas e arruelas.
E Parafusos, pinos e arruelas.
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Questão 2
Que tipo de elemento de ligação é usado para limitar o curso de
uma peça que desliza sobre um eixo?
Parabéns! A alternativa E está correta.
As cavilhas e os pinos são ligações fixas e não se aplicam ao que é
pedido na pergunta. Já porcas e arruelas não sevem para limitar o
curso de uma peça que desliza sobre um eixo. Tal função é dos
anéis elásticos.
Considerações �nais
O desenho técnico, assim como o mecânico, é de suma importância na
vida de engenheiros e técnicos. Verificamos neste conteúdo que seguir
os padrões estabelecidos pelas normas vigentes torna a linguagem do
desenho universal, proporcionando um entendimento perfeito da ideia
ou do projeto independentemente do país de origem.
Pontuamos que saber interpretar cotas, tolerâncias, vistas principais e
escalas, entre outros exemplos, facilita a vida do profissional da área.
Também fizemos uma introdução aos elementos de máquina mais
simples: os de ligação fixas e os móveis. Ambos são componentes que
A Cavilhas.
B Pinos.
C Arruelas.
D Porcas.
E Anéis elásticos.
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fazem parte do nosso cotidiano, ainda que muitas vezes não atentemos
para isso.
Podcast
Agora, o especialista José Ricardo Gomes Matheus encerra o tema
falando sobre os principais tópicos abordados.
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Referências
ABRANTES, J; FILGUEIRAS FILHO, C. A. Desenho técnico básico - teoria
e prática. Rio de Janeiro: LTC, 2018.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10067 -
Princípios gerais de representação em desenho técnico. Rio de Janeiro:
ABNT, 1995.
CATAPAN, M. F. Apostila de desenho mecânico 1: parte I. Curitiba: UFPR,
2014a.
CATAPAN, M. F. Apostila de desenho mecânico 1: parte III. Curitiba:
UFPR, 2014b.
COLLINS, Jack. Projeto de elementos de máquina: uma perspectiva de
prevenção da falha. 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2006.
DORNELES, V. Elementos de Mecânica, 2009.
21/02/2023, 17:05 O desenho mecânico e elementos de ligação
https://stecine.azureedge.net/repositorio/00212en/03660/index.html# 81/81
GORDO, Nívia; FERREIRA, Joel. Mecânica: Elementos de Máquinas. São
Paulo, 2012. Apostila do Telecurso 2000 - FIESP, CIESP, SESI, SENAI, Irs.
SILVA, J. J. M. da. Elementos de fixação - parafusos e porcas. Sobral:
IFCE, 2014.
VIEIRA, A. F. C. Desenho técnico mecânico I. São Paulo: EESC-USP, 2018.
Explore +
Pesquise o site da ABNT e familiarize-se com as normas técnicas de
desenho.
Outra dica é um livro de desenho técnico de Tomas E. French:
FRENCH, T. E. Desenho técnico e tecnologia gráfica. Rio de Janeiro:
Globo, 2002.
Para aprofundar seus conhecimentos sobre tolerâncias, unidades e
elementos de ligação, também indicamos esta obra:
BUDYNAS, R. G.; NISBETT, J. K. Elementos de máquinas de Shigley. 10.
ed. Porto Alegre: Amgh Editora, 2016.

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