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Tecnologia de pesca 
Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Copyright © 2020 by Vanildo Souza de Oliveira 
 
Todos os direitos reservados. Vedada a produção, distribuição, comercialização ou cessão sem autorização do autor. Os 
direitos desta obra não foram cedidos. 
 
Impresso no Brasil 
Printed in Brazil 
 
 
Diagramação 
Maria Oliveira 
 
Capa e Desenhos 
Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) 
Ficha Catalográfica 
 
Oliveira, Vanildo Souza de. 
O48t Tecnologia de pesca. / Vanildo Souza de Oliveira. – Olinda: Livro Rápido, 2020. 
 
 
 
 
 206 p.: il. 
 
 
 Contém bibliografia p. 204 – 209 (bibliografia localizada) 
 ISBN 978-65-86728-87-3 
 
 
 1. Tecnologia de pesca. 2. Tipos de redes. 3. Covos. 4. Pesca com vara e isca. 
5. Pesca dirigida. I. Título 
 
 
 639.2 CDU (1999) 
Fabiana Belo - CRB-4/1463 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Livro Rápido Editora 
Coordenadora editorial: Maria Oliveira 
 
Rua Dr. João Tavares de Moura, 57/99 Peixinhos 
Olinda – PE CEP: 53230-290 
Fone: (81) 4100.0410/ (81) 4100.0411 
orcamento@livrorapido.com.br 
 Tecnologia de pesca | 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4 | Vanildo Souza de Oliveira 
SUMARIO 
PREFÁ CIO ................................................................................................................... 07 
CÁPI TULO I: REDES DE ÁRRÁSTO ................................................................... 09 
1.1 REDES DE ÁRRÁSTO ................................................................................. 10 
1.1.1 Portas de arrasto ................................................................................ 14 
1.2 MÁNOBRÁS COM REDES DE ÁRRÁSTO ............................................. 19 
1.2.1 Árrasto com pau de serriola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 
 1.2.1.1 Lançamento ................................................................................. 20 
 1.2.1.2 Recolhimento ............................................................................... 23 
 1.2.2 Árrasto com tangones (arrasto duplo — Double rig) ........... 25 
 1.2.2.1 Ármaça o do sistema de arrasto ........................................... 28 
 1.2.2.2 Lançamento ................................................................................. 32 
 1.2.2.3 Recolhimento .............................................................................. 34 
 1.2.3 Redes ge meas ..................................................................................... 40 
 1.2.4 Árrasto de popa ................................................................................. 42 
 1.2.4.1 Lançamento ................................................................................... 44 
 1.2.4.2 Recolhimento ................................................................................ 45 
1.2.5 Árrasto com parelhas ...................................................................... 52 
 1.2.5.1 Lançamento ................................................................................. 53 
 1.2.5.2 Recolhimento ............................................................................... 57 
1.3 SOLUÇO ES ECOLO GICÁS EM REDES DE ÁRRÁSTO PÁRÁ 
MINIMIZÁR DÁNOS ÁMBIENTÁIS ............................................................. 60 
CÁPI TULO II: REDES DE CERCO .................................................................... 65 
2.1 REDES DE CERCO ...................................................................................... 66 
2.1.1 Formas de localizaça o de cardumes ........................................... 68 
2.1.2 Lançamento .......................................................................................... 70 
2.1.3 Recolhimento ....................................................................................... 72 
2.2 SOLUÇO ES ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS 
ÁMBIENTÁIS EM REDES DE CERCO NÁ CÁPTURÁ DE ÁTUM ... 78 
CÁPI TULO III: ESPINHEL ..................................................................................... 81 
3.1 ESPINHEL ...................................................................................................... 82 
 Tecnologia de pesca | 5 
3.1.1 Espinhel de fundo.............................................................................. 82 
 3.1.1.1 Lançamento ................................................................................... 89 
 3.1.1.2 Recolhimento ............................................................................... 91 
 3.1.2 Espinhel de fundo em sistema industrial ..................................... 92 
3.1.3 Espinhel pela gico .................................................................................... 93 
3.1.3.1 Lançamento ................................................................................... 100 
3.1.3.2 Recolhimento ............................................................................... 102 
3.4 SOLUÇO ES ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS 
ÁMBIENTÁIS EM ESPINHEL LONGLINE ................................................ 104 
CÁPI TULO IV: REDES DE EMÁLHÁR ........................................................... 107 
4.1 Redes de emalhar de fundo em embarcaço es artesanais ....... 108 
4.1.1 Lançamento ...................................................................................... 109 
4.1.2 Recolhimento ................................................................................... 111 
4.2 Rede de emalhar em embarcaça o Industrial ............................... 112 
4.2.1 Lançamento ...................................................................................... 113 
4.2.2 Recolhimento ................................................................................... 114 
4.3 MEDIDÁS ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS 
ÁMBIENTÁIS EM REDES DE EMÁLHÁR ................................................ 117 
CÁPI TULO V: COVOS ........................................................................................... 119 
5.1 Covos ............................................................................................................ 120 
5.1.1 Lançamento ...................................................................................... 123 
5.1.2 Recolhimento ................................................................................... 125 
5.2 MEDIDÁS ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS 
ÁMBIENTÁIS EM COVOS ........................................................................... 127 
CÁPI TULO VI: PESCÁ DE LULÁS COM ÁTRÁÇÁ O LUMINOSÁ ............ 129 
6.1 PESCÁ DE LULÁS COM ÁTRÁÇÁ O LUMINOSÁ ............................. 130 
CÁPI TULO VII: PESCÁ COM VÁRÁ E ISCÁ VIVÁ .......................................135 
7.1 PESCÁ COM VÁRÁ E ISCÁ VIVÁ .......................................................... 136 
CÁPI TULO VIII: EQUIPÁMENTOS ELETRO NICOS ÁUXILIÁRES Á 
PESCÁ ....................................................................................................................... 139 
8.1 Ecossonda .................................................................................................. 140 
8.2 Freque ncia de ondas .............................................................................. 140 
8.3 O QUE Á ECOSSONDÁ PODE DETECTÁR? ..................................... 145 
6 | Vanildo Souza de Oliveira 
8.4 O que pode interferir em uma ecossonda? ................................... 145 
8. 5 SONÁR ......................................................................................................... 152 
8.6 Radar ............................................................................................................ 155 
8.7 SISTEMÁ DE NÁVEGÁÇÁ O POR SÁTE LITE GPS 
(Global Positioning System) ....................................................................... 157 
8.8 SÁTE LITE .................................................................................................... 160 
CÁPI TULO IX: PESCÁ DIRIGIDÁ ..................................................................... 163 
9.1 PESCÁ DIRIGIDÁ ...................................................................................... 164 
CÁPI TULO X: COMPORTÁMENTO DÁS ESPE CIES EM RELÁÇÁ O ÁOS 
ÁPÁRELHOS DE PESCÁ ..................................................................................... 169 
10.1 COMPORTÁMENTO DÁS ESPE CIES ................................................ 170 
CÁPI TULO XI: RESISTE NCIÁ DOS ÁPÁRELHOS DE ÁRRÁSTO ........... 175 
11.1 RESISTE NCIÁS DOS ÁPÁRELHOS DE ÁRRÁSTO ....................... 176 
11.2 FO RMULÁ PÁRÁ O CÁ LCULO DO TIRO DÁ EMBÁRCÁÇÁ O ... 178 
11.2.1 Ca lculo da pote ncia padra o (PS) ............................................ 179 
11.2.2 Determinaça o do coeficiente da he lice (Ch) ...................... 179 
11.2.3 Determinaça o do coeficiente do mar (Cmr) ...................... 179 
11.3 Determinaça o da resiste ncia hidrodina mica de um Corpo 
 em um fluido ......................................................................................... 180 
11.4 Fo rmula da resiste ncia dos cabos de arrasto ............................. 180 
11.5 Ca lculo da resiste ncia das portas de arrasto .............................. 184 
11.6 Fo rmula do ca lculo da resiste ncia de uma rede de arrasto .. 186 
11.7 Ca lculo da resiste ncia total de um sistema de arrasto ........... 194 
11.8 Ábertura vertical e horizontal da rede de arrasto .................. 195 
BIBLIOGRÁFIÁ ...................................................................................................... 199 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 7 
PREFÁCIO 
Essa obra destina-se aos estudantes de Engenharia de Pesca e 
dos demais cursos de Cie ncias do Mar, ale m de profissionais da a rea 
e professores das disciplinas de Tecnologia de Pesca. Ela vem 
contribuir para minimizar a care ncia de publicaço es especí ficas 
sobre Tecnologia de Pesca em lí ngua portuguesa. Nos capí tulos de I 
ao VII, sa o descritas manobras das principais modalidades de pesca 
praticadas no Brasil. Todas as manobras te m detalhes te cnicos na 
descriça o e nos desenhos, para uma melhor compreensa o. Ás 
modalidades de pesca sa o descritas tanto na categoria artesanal 
como na industrial. Ressalta-se que, como o paí s possui uma grande 
extensa o costeira com marcantes variaço es, tanto de perfil de 
Plataforma Continental como de condiço es oceanogra ficas, muitos 
dos nomes e detalhes das manobras sofrem mudanças de acordo 
com as tradiço es locais da pesca. Espera-se que isso seja 
contemplado pelos professores em cada regia o. Áo final da descriça o 
das manobras de cada categoria dos aparelhos de pesca, sa o 
apresentadas as alternativas ecolo gicas desenvolvidas atualmente 
para minimizar impactos a fauna marinha, mostrando que elas sa o 
eficientes para a realizaça o de uma pesca sustenta vel. Á descriça o 
dos dispositivos de exclusa o dos aparelhos de pesca e demonstrada 
de uma maneira informativa, aguçando o estudante a se aprofundar 
no assunto, para obter mais detalhes te cnicos especí ficos sobre a 
construça o dos dispositivos. No capí tulo VIII, sa o apresentados os 
principais equipamentos eletro nicos empregados nas modalidades 
de pesca, destacando-se: ecossonda, sonar e radar, ale m de GPS e 
sate lite. Os conceitos e modos de funcionamento dos aparelhos 
eletro nicos sa o abordados, visando os objetivos das atividades de 
pesca de uma forma geral. No capí tulo IX, aborda-se a pesca 
totalmente dirigida por equipamentos eletro nicos, a qual necessita 
de alto ní vel tecnolo gico. O capí tulo X, trata dos principais aspectos 
8 | Vanildo Souza de Oliveira 
dos comportamentos dos peixes em relaça o aos aparelhos de pesca, 
enfatizando os principais estudos realizados nessa a rea e sua 
importa ncia para a Tecnologia de Pesca. No capí tulo XI, sa o descritos 
conceitos e fo rmulas empregadas por va rios autores nos ca lculos das 
resiste ncias em um aparelho de arrasto, assim como seus ní veis de 
complexidade, dando-se e nfase a fo rmula mais pra tica no ca lculo da 
resiste ncia para todo o sistema de arrasto. Dessa forma, esse livro 
vem trazer uma parte do conhecimento sobre a Tecnologia de Pesca, 
assim como alternativas sustenta veis para minimizar seus impactos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 9 
 
 
CAPÍTULO I 
REDES DE ARRASTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
1.1 REDES DE ARRASTO 
 
Ás artes de arrasto sa o consideradas aparelhos de pesca 
ativos, pois capturam involuntariamente peixes, moluscos e 
crusta ceos no fundo, ou a meia a gua. Por utilizarem portas de 
arrasto para manter a abertura horizontal, sa o consideradas 
extremamente nocivas ao meio ambiente, principalmente os arrastos 
de fundo, uma vez que as portas revolvem o fundo, causando danos a 
biota local. Ále m de ter uma grande capacidade de capturar fauna 
que na o e alvo da pescaria, denominada de fauna acompanhante. 
Depois da Segunda Guerra Mundial, com a necessidade de pescar 
mais e mais distante, estimulou-se o desenvolvimento de tecnologias 
para construça o de grandes arrasteiros com grandes redes, portas 
de aço e maior autonomia de mar. 
Ás caracterí sticas das redes de arrasto sa o definidas em 
relaça o ao seu objetivo de captura (espe cie-alvo) e ao grupo 
ecolo gico a que sera o destinadas a capturar: bento nico, demersal ou 
pela gico. Geralmente, uma rede de arrasto e constituí da por: asas 
superiores e inferiores; paine is superior (onde esta localizado o 
“quadrado”, diferença entre o comprimento do painel inferior) e 
inferior, podendo ter paine is laterais, que formam o corpo da rede; e 
finalmente o saco onde o pescado e concentrado (Figura 1). Os 
paine is laterais proporcionam um formato mais plano ao corpo da 
rede. 
O sistema de arrasto (todos os componentes) esta constituí do 
por: cabos de arrasto, portas, malhetas (cabos que unem a rede a s 
portas) e corpo da rede (paine is inferior, superior e, quando houver, 
laterais) (Figura 2). 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 11 
 
Figura 1:Partes de uma rede de arrasto com paine is laterais. 
 
 
 
 
 
 
Figura 2: Sistema de arrasto com seus componentes 
12 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 Nas redes de arrasto destinadas a captura de bento nicos 
(peixes, crusta ceos e moluscos), as malhetas (cabos que ligam a rede 
a s portas) sa o menores, porque na o te m nenhuma influe ncia na 
pescaria, uma vez que os indiví duos esta o sobre ou enterrados no 
fundo. Álgumas redes possuem paine is laterais que da o uma forma 
maisplana ao corpo, enquanto as que na o possuem esses paine is 
laterais assumem uma forma de bala o. Essas redes te m 
caracterí sticas especí ficas quanto a forma, como: asas curtas (uma 
vez que o alvo esta enterrado), pequena abertura vertical (para 
diminuir a captura de peixes sobre o fundo) e grande abertura 
horizontal (pois a produça o vai ser em funça o da a rea varrida, ou 
seja, quanto mais a rea varrida, maior a produça o). 
Ás redes de arrasto para captura de peixes demersais, os 
quais se movimentam sob o fundo e na coluna da a gua, possuem as 
seguintes caracterí sticas: malhetas maiores (pois exercem o papel na 
concentraça o do cardume, dirigindo-o para o centro da boca da 
rede), asas maiores (tambe m com a funça o de concentrar os peixes 
no centro da boca da rede) e o corpo tambe m mais longo. Certos 
modelos de redes para peixes possuem um tu nel antes do saco, com 
a finalidade de dificultar o retorno. 
 Ás redes pela gicas, por capturarem espe cies mais velozes, 
te m que ter uma grande filtraça o (malhas grandes nas asas e iní cio 
dos corpos) e uma grande abertura, tanto na abertura horizontal 
quanto vertical. Sa o projetadas sem o “quadrado” (diferença entre o 
corpo inferior e superior nas redes de fundo e demersal), tendo os 
paine is superior e inferior iguais. 
Álgumas redes possuem paine is laterais que da o uma forma 
mais plana ao corpo, enquanto as que na o possuem esses paine is 
laterais assumem uma forma de bala o. De uma maneira geral, as 
redes para crusta ceos bento nicos possuem caracterí sticas distintas 
das que capturam peixes demersais e pela gicos (Figura 3). 
 Tecnologia de pesca | 13 
 
Figura 3: Caracterí sticas entre redes para captura de bento nicos Á , demersais 
B e pela gicos C. 
 
 
14 | Vanildo Souza de Oliveira 
Essas caracterí sticas sa o marcantes, diferenciando assim uma 
rede para a captura de bento nicos de uma para a captura de 
demersais, ou de pela gicos. Logicamente que, entre cada modelo de 
rede, existe uma grande variaça o de formas do corpo. Exemplo sa o 
as redes de camara o, tipo: flat, bala o, semibala o, dentre outros. 
 
1.1.1 Portas de arrasto 
 
Ás portas de arrasto possuem formas diferentes, em funça o 
da espe cie-alvo, tipo de fundo e velocidade de arrasto, tendo 
diferenças marcantes quanto a captura de bento nicos, demersais e 
pela gicos. Ás primeiras portas foram desenvolvidas em funça o da 
necessidade de aumentar o tamanho das redes, uma vez que, 
inicialmente, eram mantidas abertas horizontalmente por meio de 
uma vara “beamtrawl” (Figura 4). 
 
 
Figura 4:Rede de arrasto, sem portas, com vara beamtrawl. 
 
Por volta de 1880, foram desenvolvidas as primeiras portas 
de arrasto que permitiam operar com grandes redes. Ás primeiras 
portas foram de forma retangular, originando a porta retangular 
plana, que e utilizada ate hoje para a pesca de camara o, por ter um 
comprimento maior que a altura e uma “sapata” (chapa de ferro na 
parte inferior da porta), que possibilita uma maior a rea de contato 
 Tecnologia de pesca | 15 
com o fundo lamoso, diminuindo a possibilidade de penetrar na 
lama. Como a velocidade na captura de bento nico e bem menor que 
a de pela gico, a hidrodina mica da forma retangular na o interfere na 
eficie ncia de captura. Estas sa o caracterí sticas ideais para o arrasto 
de camara o que e realizado em fundos planos de lama, os quais sa o 
realizados com moderada velocidade, uma vez que o camara o esta 
enterrado no fundo. 
 Na captura de peixes, como exige uma velocidade maior, as 
portas retangulares na o resistiriam aos golpes em pedras no fundo. 
Dessa forma, surgiu a porta retangular em V, que possibilitou a 
superaça o dos obsta culos. Com a necessidade de portas mais velozes 
para captura de peixes, foram desenvolvidas as portas ovais, que 
permitiam uma maior rapidez e superaça o de obsta culos, em funça o 
da sua hidrodina mica e pequena a rea de contato com o fundo. Ás 
portas ovais sa o empregadas tanto em arrastos de fundo quanto em 
meia a gua. 
 Á necessidade de portas mais eficientes para arrastos de 
meia a gua, ou pela gico, fez com que o alema o Franz Suberkrub, em 
1938, patenteasse uma porta vertical, que foi denominada com seu 
sobrenome, porta vertical tipo suberkrub. Essa porta tem uma altura 
bem superior a base, com forma curva, gerando uma resultante 
lateral mais eficiente do que a oval, tornando-se ideal para arrastos 
de meia a gua, ou pela gicos. Com exceça o da retangular plana, que 
ainda hoje e construí da com pranchas de madeira, os demais 
modelos sa o confeccionados em aço, alumí nio ou pla stico, 
principalmente na pesca industrial. 
Recentemente foi implementada a porta vertical em V, com a 
finalidade de aproveitar a boa performance desse tipo de porta em 
meia a gua para atuar no fundo. Com esse objetivo, foi criado um 
a ngulo no seu corpo, permitindo, assim, que, quando em contato 
com pedras ou cabeços no fundo, ela resvale (Figura 5). 
16 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 5: Tipos de portas: (Á) retangular plana; (B) retangular em V; (C) oval; 
(D) vertical tipo suberkrub; e (E) vertical em V. 
 
 
Recentemente, foram construídas portas com maior hidrodinâmica 
com a inclusão de hidrofólios (abertura que possibilita a passagem da 
água), resultando em uma menor resistência em relação ao arrasto 
mantendo a mesma área, principalmente em redes de fundo que 
necessitam maior contato com o solo (Figura 6). 
 Tecnologia de pesca | 17 
 
 
Figura 6: Porta com hidrofo lio, abertura que permite a passagem do fluxo da 
a gua. 
 
O perfeito trabalho das portas de arrasto determina o 
eficiente funcionamento da rede, influenciando diretamente na 
captura. Ás portas de fundo, principalmente as retangulares planas, 
sa o reguladas atrave s de correntes, denominadas de “pe de galinha”, 
que te m o objetivo de regular o a ngulo de abertura da porta em 
relaça o ao sentido do arrasto. Esse a ngulo de abertura forma o 
“a ngulo de ataque” da porta (Figura 7). Ele pode ser aumentado ou 
reduzido de acordo com a diminuiça o ou aumento do nu mero de 
elos das correntes anteriores do pe de galinha. 
 Ále m da abertura horizontal, as portas trabalham com uma 
inclinaça o vertical, que lhes garantem na o tombar para dentro da 
a rea de arrasto. Ás portas retangulares, por ter maior contato com o 
fundo, sofrem com choques em obsta culos. Para minimizar esses 
impactos, elas trabalham com o nu mero de elos nas correntes 
anteriores do pe de galinha, menor que nos posteriores, resultando 
em uma inclinaça o da parte anterior da porta, possibilitando sua 
subida quando em contato com um obsta culo (Figura 8Á), caso na o 
estejam reguladas podem prejudicar a eficie ncia do arrasto (Figura 
8B). 
 
18 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 7: Á ngulo de ataque da porta de arrasto. 
 
 
 
 
 
Figura 8: Regulagem da porta, correta Á e incorreta B. 
 
 Tecnologia de pesca | 19 
1.2 MANOBRAS COM REDES DE ARRASTO 
1.2.1 Árrasto com pau de serriola 
 
E uma modalidade de pesca realizada principalmente na 
costa do Nordeste do Brasil na captura de camara o com 
embarcaço es artesanais, e comprimento me dio de 8m. Como nessa 
regia o existem poucos e pequenos bolso es de lama, a reas planas 
propí cias para o arrasto, as embarcaço es te m a necessidade de 
realizar manobras em uma pequena a rea, tendo que fazer curvas 
fechadas em a reas restritas, o que muitas vezes resulta em danos a s 
redes. 
 
Dessa forma, empregam o artificio do “pau de serriola”, que e 
uma trave de madeira com me dia de seis metros de comprimento, 
que simula a popa de uma embarcaça o maior, aumentando assim a 
dista ncia entre os cabos de arrasto na popa da embarcaça o, evitando 
que estes se enrolem em manobrasmais fechadas. Essa modalidade 
de pesca e realizada pro ximo a foz dos rios, geralmente em fundos 
de lamas gerados pelo aporte de sedimentos, o que restringe 
bastante a a rea de pesca. Essas a reas limitadas de arrasto fazem com 
que essa atividade seja autorregula vel, quanto ao nu mero de barcos, 
pois no vera o poucas embarcaço es pescam, uma vez que a 
rentabilidade cai bastante. Geralmente a faina de pesca tem iní cio a s 
cinco horas da manha , retornando, a s 15 horas. Á duraça o do arrasto 
e em funça o da produça o: no vera o, chega a quatro horas, devido a 
escassez de camara o; e, no inverno, pode ser de apenas uma hora, ou 
menos, pois o acu mulo de algas pode rasgar a rede. 
 
20 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
1.2.1.1 Lançamento 
 
Á montagem do sistema de arrasto inicia-se quando uma das 
extremidades de cada cabo de arrasto e conectada em cada 
extremidade do “pau de serriola”, e a outra, ao pe de galinha em cada 
porta, as duas ficam armazenadas na popa da embarcaça o. Á rede e 
conectada a s portas por meio de cabos denominados de malhetas. 
Essa operaça o tambe m e realizada na popa da embarcaça o (Figura 
9). 
 
 
Figura 9: Montagem do sistema de arrasto com pau de serriola. 
 
 Tecnologia de pesca | 21 
Quando da conexa o das malhetas das tralhas inferiores e 
superiores com as portas, observar se as asas da rede na o esta o 
torcidas, pois isso pode retardar o lançamento. 
Ápo s o sistema esta pronto, o lançamento e iniciado com o 
aumento da velocidade do barco. Dois indiví duos ficam responsa veis 
pelo lançamento das portas, na popa da embarcaça o, enquanto 
outros dois controlam o lançamento dos cabos de arrasto na proa .Os 
cabos geralmente sa o marcados, para que saiam com os 
comprimentos iguais, garantindo, assim, que as portas cheguem ao 
mesmo tempo ao fundo. Para facilitar o lançamento, os dois 
indiví duos passam os cabos de arrasto pelo frade da proa (local para 
colocar as amarras no ato da ancoragem do barco), com a finalidade 
de transferir parte da tensa o dos cabos de arrasto para o frade 
(Figura 10). 
 
 
Figura 10: Lançamento dos cabos de arrasto, portas e rede ao mar. 
22 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Á determinaça o do comprimento do cabo de arrasto segue 
geralmente uma proporça o em relaça o a profundidade, ou seja, em 
a guas com profundidades menores que 100m aplica-se a proporça o 
de 1:5; em a reas com profundidades acima de 100m, 1:3. Á relaça o 
deve permitir um funcionamento o timo das portas, pois, se os cabos 
ficarem muito longos, formara o seios que comprometera o a 
inclinaça o das portas, assim como, se ficarem muito curtos, 
influenciara o na adere ncia das portas ao fundo. 
Quando os cabos de arrasto, durante o lançamento, 
aproximam-se do te rmino, os dois indiví duos retiram os cabos de 
arrasto do frade, fazendo com que a tensa o do arrasto seja 
transferida diretamente para as extremidades do pau de serriola 
(Figura 11). 
 
 
Figura 11: Transfere ncia dos cabos de arrasto do frade para as extremidades 
do pau de serriola. 
 
 Tecnologia de pesca | 23 
Nesse momento, a velocidade do barco diminui e da -se iní cio 
ao arrasto na sua velocidade normal (Figura 12). 
 
 
 
Figura 12: Sistema de arrasto em pleno funcionamento. 
 
1.2.1.2 Recolhimento 
 
Áo te rmino do arrasto o motor da embarcaça o e colocado em 
ponto neutro, para facilitar o recolhimento manual dos cabos de 
arrasto. Essa atividade e realizada pelos dois tripulantes que esta o 
na popa da embarcaça o. Quando as portas chegam a borda da popa 
da embarcaça o, sa o içadas e armazenadas, de forma a ficarem 
prontas para um novo lançamento. Ás asas da rede sa o recolhidas 
tambe m pela popa, no entanto o corpo e transferido para um dos 
24 | Vanildo Souza de Oliveira 
bordos da embarcaça o, dependendo da direça o da corrente 
marí tima e do vento. Áo chegar ao bordo da embarcaça o, o saco e 
içado manualmente com a participaça o de toda a tripulaça o (Figura 
13). Em seguida, o saco da rede e aberto, e o pescado e liberado no 
conve s. Ápo s o esvaziamento do saco, ele e novamente fechado, com 
um no , e lançado imediatamente ao mar, dando iní cio a um novo 
lançamento, estando a tripulaça o novamente posicionada no conve s. 
 
 
Figura 13: Recolhimento do saco da rede de arrasto pelo bordo da embarcaça o, 
muitas vezes com toda a tripulaça o. 
 Tecnologia de pesca | 25 
1.2.2 Árrasto com tangones (arrasto duplo — Double rig) 
 
Essa modalidade de arrasto, que utiliza duas redes 
simultaneamente, e empregada principalmente na captura de 
camara o, por ter caracterí sticas como: redes com pequena abertura 
vertical e grande abertura horizontal, uma vez que a produça o de 
camara o aumenta em funça o da a rea varrida pelo corpo inferior e 
asas da rede. 
Á rede de arrasto, no sistema com tangones, possui dois 
cabos como acesso rios, sendo que a parte que une as duas portas e 
denominada de cabo de transferência, e a segunda parte, ligada ao 
corta-saco da rede, e denominada de cabo de guia. Esses cabos te m a 
finalidade de auxiliar nas manobras de lançamento e recolhimento 
das portas e do saco da rede. Ás tesouras possibilitam a abertura das 
portas, rebocadas por um u nico cabo de arrasto (Figura 14). 
 
Á pesca com sistema de arrasto com tangones, ou duplo, foi 
desenvolvida no Golfo do Me xico e chegou ao Norte do Brasil no final 
da de cada de 60 por barcos estrangeiros. Inicialmente esse sistema 
foi empregado para captura industrial de piramutaba, em 1971, so 
depois foi substituí do pelo arrasto com parelhas, mais adequado a 
captura dessa espe cie. O arrasto com tangones foi direcionado para a 
captura de camara o, o qual foi desenvolvido especificamente para a 
exploraça o desse recurso, houve um aumento significativo da 
produça o e consequentemente inicio a uma frota nacional. (Figura 
15). 
 
 
 
26 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura14: Ácesso rios da rede, empregados no arrasto com tangones. 
 
 Tecnologia de pesca | 27 
 
 
Figura 15: Sistema de arrasto com tangones. 
 
Esses barcos sa o equipados, em seu conve s, com uma 
estrutura de tubos de ferro, que da o sustentaça o ao sistema de 
tangones (Figura 16). Os cabos de transfere ncia e de guia geralmente 
sa o de PE ou PP, para flutuar e na o interferir no arrasto. 
 
28 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
Figura 16: Caracterí sticas de um conve s de um arrasteiro com tangones. 
 
1.2.2.1 Ármaça o do sistema de arrasto 
 
Conectam-se os cabos de arrasto aos pe s de galinha das 
portas, e as malhetas da rede, a parte superior e a inferior das portas 
(Figura 17). Á transfere ncia das portas para as extremidades dos 
 Tecnologia de pesca | 29 
tangones e realizada com o acionamento dos guinchos no sentido de 
recolhimento, consequentemente puxando as portas para as 
extremidades dos tangones, ao mesmo tempo em que o “cabo de 
transfere ncia” e passado pela saia do guincho, gerando uma tensa o 
no sentido contra rio e evitando, com isso, que as portas girem ao 
redor do pro prio eixo (Figura 18). 
 
 
 
 
 
 
Figura17: Ármaça o do sistema de arrasto: cabos de arrastos, portas e rede. 
30 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura 18: Transfere ncia das portas para as extremidades dos tangones. 
 
Quando as portas chegam a s extremidades dos tangones, o 
cabo de transfere ncia e retirado da saia do guincho, e o corpo da 
rede e lançado ao mar. Esse procedimento e tambe m realizado com a 
outra rede. Dessa forma, as redes assumem o posicionamento para 
ser lançadas (Figura 19). 
 
 Tecnologia de pesca | 31 
 
Figura 19: Redes posicionadas para o lançamento. 
 
 
 
 
 
32 | Vanildo Souza de Oliveira 
1.2.2.2 Lançamento 
 
Inicia-se com a liberaça o dos cabos de arrasto, acionando-se 
os guinchos. Quando as portas ficam submersas, os guinchos sao 
travados, com o objetivo de observar a hidrodina mica das redes e 
portas, assim como possí veis enredos. Em seguida, acionam-se os 
tambores dos guinchos, dando continuidade ao lançamento, ate ser 
liberada a quantidade de cabos de arrasto predefinida, em funça o da 
profundidade. Quando o comprimento total de cabos e lançado, os 
guinchos sa o travados e o arrasto e iniciado com a velocidade 
predeterminada. 
No iní cio do lançamento, a velocidade da embarcaça o e maior 
do que durante o arrasto, com o objetivo de abrir as portas ate sua 
posiça o de trabalho. Durante o arrasto, principalmente na pesca 
comercial, e realizado o lançamento de uma rede com tamanho 
reduzido, proporcionalmente, com as mesmas caracterí sticas das 
com que se esta pescando, denominada de rede de teste, ou trynet. 
Ela tem o objetivo de fazer uma amostragem da captura e estimar 
proporcionalmente a produça o das redes, assim como escolher as 
a reas mais produtivas (Figura 20). 
 Tecnologia de pesca | 33 
 
Figura 20: Sistema de arrasto com tangones, empregando o trynet. 
34 | Vanildo Souza de Oliveira 
1.2.2.3 Recolhimento 
 
Á duraça o do arrasto esta em funça o do volume da captura: 
quanto mais ra pido for o enchimento do saco da rede, mais ra pido 
sera o recolhimento. No perí odo da safra, os arrastos sa o menores, 
variando de tre s a quatro horas; e, na entressafra, maiores, em me dia 
seis horas, principalmente na pesca industrial. Inicia-se com o 
recolhimento dos cabos de arrasto, acionando-se os guinchos, ate 
que as portas cheguem a s extremidades dos tangones. Com a 
finalidade de aproximar o cabo de guia da rede para a borda do 
barco, o mestre da embarcaça o realiza uma manobra para um dos 
bordos, dependendo da direça o do vento. Áo mesmo tempo em que 
um pescador recolhe o “cabo de guia” com uma vara de 
recolhimento, que possui uma chapa na extremidade do gancho para 
evitar enganchar nas malhas da rede (Figura 21). O “cabo de guia” e 
passado pela saia do guincho, puxando, assim, o saco da rede para a 
borda da embarcaça o (Figura 22). 
 
 
Figura 21: Emprego da vara de recolhimento para recolher o cabo de guia. 
 Tecnologia de pesca | 35 
 
Figura 22: Áproximaça o do saco da rede, com o recolhimento do cabo de guia. 
 
Quando o saco da rede alcança a borda da embarcaça o, um 
pescador laça o saco com um cabo, que conte m um gancho na 
extremidade denominado de teck (Figura 23), passando assim pela 
saia do segundo guincho, suspendendo, com isso, o saco da rede no 
conve s da embarcaça o (Figura 24). Imediatamente o saco e aberto, 
liberando o pescado no conve s, e, quando esta totalmente vazio, e 
novamente fechado e lançado ao mar. Essa manobra e realizada em 
ambas as redes, deixando as duas em posiça o para um novo 
lançamento. Enquanto um novo arrasto esta sendo realizado, a 
separaça o do camara o e realizada por: espe cie de camara o e a fauna 
acompanhante bycatch (tudo aquilo que na o e alvo da pescaria), que 
pode ser dividida em: espe cies de valor comercial e descarte 
(espe cies que sa o devolvidas ao mar). 
36 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 23: Recolhimento do saco para o conve s da embarcaça o, com detalhe da 
amarraça o com o teck. 
 
 Tecnologia de pesca | 37 
 
Figura 24: Saco da rede içado no conve s da embarcaça o. 
 
Outra forma de adaptaça o de conve s das embarcaço es para a 
pesca de arrasto com tangones e no caso das embarcaço es com 
casaria na popa, no qual a montagem da estrutura dos tangones e 
feita a meia nau (Figura 25). Á manobra de lançamento e 
38 | Vanildo Souza de Oliveira 
transfere ncia das portas de arrasto para as extremidades dos 
tangones e a mesma realizada nas embarcaço es com casaria na proa. 
O recolhimento tambe m e o mesmo, sendo o saco da rede içado por 
um dos bordos na a rea do conve s em frente a casaria de comando 
(Figura 26). Essa modalidade de armaça o e feita tanto em barcos de 
pequeno porte como em escala industrial. 
 
 
 
Figura 25: Árrasto com tangones em embarcaça o com cabine na popa. 
 Tecnologia de pesca | 39 
 
 
Figura 26: Recolhimento da rede de arrasto com tangones em embarcaça o com 
cabine na popa. 
40 | Vanildo Souza de Oliveira 
1.2.3 Redes ge meas 
 
Com o objetivo de aumentar a produça o, as redes de arrasto 
sofreram va rias modificaço es. Ássim como o sistema de arrasto, uma 
evoluça o do sistema duplo com tangones foi a introduça o do arrasto 
com redes “ge meas” com tangones (Figura 27). Esse sistema opera 
com quatro redes e um ski (esqui), que fica localizado entre as duas 
redes, com a finalidade de manter a abertura vertical das redes e 
lastrar o sistema de arrasto. Ás portas e o ski esta o ligados ao cabo 
de arrasto por uma tesoura com tre s cabos (Figura 28). Uma 
caracterí stica do sistema com redes ge meas e que o cabo do meio da 
tesoura e menor do que os das extremidades, transferindo uma 
maior tensa o para ele, liberando assim as portas, para que elas 
abram mais, aumentando com isso a a rea varrida do arrasto. Esse 
sistema resulta em um aumento me dio de 25% na produça o em 
relaça o ao sistema duplo. Uma das vantagens desse sistema e que a 
a rea da panagem das duas redes ge meas (corpo curto e boca larga) e 
igual a mesma a rea da panagem de uma rede do sistema duplo (uma 
rede em cada extremidade do tangone, sendo elas mais longas). O 
que resulta, em resiste ncias ao arrasto iguais. Essa condiça o permite 
que o mesmo motor possa arrastar ambos os sistemas, 
possibilitando a mudança de um sistema para o outro sem 
modificaço es na pote ncia da embarcaça o. Á utilizaça o de redes 
ge meas possui limitaço es em sua operaça o, necessitando de grandes 
a reas de arrasto planas para realizaça o de manobras com curvas 
mais abertas, pois as duas redes podem se enganchar, caso a a rea 
seja restrita. Outro fator que interfere no sistema com redes ge meas 
e a condiça o de mar. Ás zonas tropicais sa o mais apropriadas, por 
terem mares mais calmos. Por esses motivos, o sistema de arrasto 
com redes ge meas, muitas vezes, na o pode ser empregado em 
qualquer a rea de arrasto. 
 
 Tecnologia de pesca | 41 
 
Figura27: Detalhe do sistema de redes ge meas. 
 
 
 
Figura 28: Relaça o de comprimento dos tre s cabos da tesoura, em um sistema 
de redes ge meas e detalhe do ski. 
42 | Vanildo Souza de Oliveira 
1.2.4 Árrasto de popa 
 
E uma modalidade empregada principalmente em arrastos de 
fundo, demersais e meia a gua para a captura de peixes. O sistema de 
e montado com a conexa o dos cabos de arrasto as portas, no pe de 
galinha, que no caso da pesca industrial sa o confeccionados com 
chapa de aço, tendo a finalidade a regulagem do a ngulo de ataque. Ás 
portas esta o ligadas a rede pelas malhetas. Esse tipo de arrasto 
possui um cabo que esta conectado entre as malhetas e o pe de 
galinha da porta, sendo denominado de “cabo malandro”, o qual tem 
a finalidade de auxiliar no recolhimento da rede (Figura 29). 
 
 
 
Figura 29: Sistema de arrasto com o “cabo malandro”. 
 
Á embarcaça o destinada ao arrasto de popa tem a 
distribuiça o do conve s com dois guinchos principais para o arrasto, e 
dois auxiliares para segurar as portas durante o recolhimento da 
rede. Ále m dos dois pescantes na popa, onde ficam as portas de 
arrasto durante o recolhimento do corpo da rede. Os pescantes te m a 
finalidade de manter uma dista ncia constante entre os cabos de 
arrasto na popa da embarcaça o durante as manobras de arrasto 
(Figura 30). 
 
 Tecnologia de pesca | 43 
 
Figura 30: Caracterí sticas de um conve s e seu sistema de arrasto em um 
arrasteiro de popa. 
44 | Vanildo Souza de Oliveira 
1.2.4.1 Lançamento 
 
Ápo s o sistema de arrasto esta montado, (cabos de arrasto, 
portas, cabo malandro e malhetas da rede), lança-se o corpo da rede 
ao mar (Figura 31).Neste momento, liberam-se os cabos de arrasto 
dos tambores dos guinchos, fazendo com que as portas de arrasto 
deixem os pescantes, que esta o localizados na popa da embarcaça o. 
 
 
Figura 31: Lançamento da rede pela popa, com todo o sistema de arrasto 
montado. 
 Tecnologia de pesca | 45 
 Quando as portas ja esta o submergidas, o lançamento e 
interrompido, com o objetivo de observar a hidrodina mica das 
portas e rede de arrasto (Figura 32). Ápo s esta aça o, os guinchos sa o 
novamente acionados ate o lançamento total do comprimento dos 
cabos de arrasto, predeterminado em funça o da profundidade do 
local. 
 
 
Figura 32: Cabos de arrasto e portas sendo lançados ao mar. 
 
1.2.4.2 Recolhimento 
 
 Inicia-se com o acionamento dos guinchos principais, que 
recolhem os cabos de arrasto ate as portas chegarem aos pescantes. 
Em seguida, os cabos dos “guinchos auxiliares” sa o conectados aos 
pe s de galinha das portas. Quando sa o acionados no sentido de 
46 | Vanildo Souza de Oliveira 
recolhimento, transferem a tensa o meca nica (T1) exercida pelos 
cabos de arrasto para eles (Figura 33), folgando, assim, os cabos de 
arrasto dos “guinchos principais” (TO).Imediatamente desconectam-
se os cabos de arrasto e os cabos malandros, que esta o conectados 
aos pe s de galinha das portas, e conecta-se um ao outro — em alguns 
casos, eles ja esta o conectados, geralmente por meio de uma 
manilha. Quando os guinchos principais sa o acionados no sentido do 
recolhimento, a tensa o do peso da rede e transferida para o sistema: 
cabos de arrasto e cabo malandro (T2) (Figura 34). 
 
 
Figura 33: Transfere ncia da tensa o dos cabos dos guinchos principais para os 
cabos dos guinchos auxiliares. 
 Tecnologia de pesca | 47 
 
Figura 34: Recolhimento do sistema, cabo de arrasto e cabo malandro. 
48 | Vanildo Souza de Oliveira 
Quando as conexo es entre o “cabo malandro” e as “malhetas 
da rede” chegam ao conve s, as “malhetas das portas” sa o 
imediatamente desconectadas (Figura 35). 
 
 
 
Figura 35: Malhetas das portas desconectadas, quando chegam ao conve s. 
 Tecnologia de pesca | 49 
 
Com as portas isoladas do sistema de arrasto, o corpo da rede 
pode ser içado para o conve s da embarcaça o pelos guinchos 
principais (Figura 36). 
 
 
 
 
Figura 36: Içamento do corpo da rede de arrasto para o conve s. 
50 | Vanildo Souza de Oliveira 
Quando as asas da rede chegam aos tambores dos guinchos 
principais, o restante do corpo da rede e içado para bordo, por meio 
de um cabo com um teck (tipo de gancho de aço) na extremidade. O 
cabo do teck passa por uma roldana no alto do conve s e pela saia do 
guincho. O corpo da rede vai sendo içado para o conve s, ate que o 
saco fique suspenso pela roldana. Nesse momento, o saco e aberto, e 
o pescado, liberado no conve s (Figura 37). Imediatamente o saco e 
novamente fechado e lançado ao mar, dando iní cio a um novo 
lançamento. 
 
 
Figura 37: Içamento da rede e abertura do saco, liberando o pescado no conve s 
da embarcaça o. 
 Tecnologia de pesca | 51 
No lançamento seguinte da rede, as manobras sa o refeitas, o 
saco da rede e lançado ao mar, os guinchos principais sa o liberados 
e, a medida que a rede e lançada ao mar, as malhetas das portas sa o 
novamente conectadas e recebem novamente a tensa o do peso da 
rede. Essa aça o possibilita a conexa o dos cabos de arrasto e 
malandros novamente aos pe s de galinha das portas. Em seguida, os 
cabos de arrasto dos guinchos principais sa o acionados, recebendo 
toda a tensa o das portas e rede, permitindo assim a desconexa o dos 
cabos dos guinchos auxiliares aos pe s de galinha das portas, 
liberando todo o sistema para um novo lançamento. 
Outro sistema utilizado no recolhimento da rede de arrasto 
de popa e o emprego de um tambor no conve s, onde a rede de 
arrasto e acondicionada. Á u nica diferença dessa manobra para a de 
conve s sem tambor e que, quando as portas chegam aos pescantes, 
puxadas pelos guinchos principais, a extremidade do cabo malandro 
e desconectada das portas e conectada aos cabos do tambor. Dessa 
forma, o tambor gira, recolhendo a rede ate as malhetas das portas 
chegarem ao conve s, quando sa o desconectadas, isolando as portas, 
e em seguida o tambor enrola o corpo da rede (Figura 38). 
 
 
Figura 38: Sistema de 
arrasto com tambor, 
para o armazenamento 
da rede. 
52 | Vanildo Souza de Oliveira 
Em arrasteiros menores, que na o possuem guinchos 
auxiliares nem tambores de armazenamento da rede, so o guincho 
principal. Ás funço es dos guinchos auxiliares e tambor podem ser 
exercidas pela saia do guincho principal, ou por uma corrente fixa no 
no pescante, que suporta todo o peso das portas durante o 
recolhimento da rede (Figura 39). 
 
 
 
Figura 39: Corrente fixa no suporte do pescante, conectada a porta. 
 
1.2.5 Árrasto com parelhas 
 
Essa modalidade e utilizada na pesca de peixes de fundo, 
demersais e de meia a gua, caracterizando-se por empregar duas 
embarcaço es, dessa forma na o utilizando portas de arrasto, pois a 
abertura horizontal da rede e realizada pelas duas embarcaço es. 
Uma das vantagens desse sistema e a possibilidade de realizar 
arrastos em pequenas profundidades, pois a vibraça o e turbule ncia 
geradas pelos motores das duas embarcaço es induzem os cardumes 
a concentrarem-se entre os dois barcos, onde sa o alcançados pela 
 Tecnologia de pesca | 53 
rede. No arrasto de popa, em pequenas profundidades, funciona ao 
contra rio: com um u nico motor, a vibraça o dispersa o cardume, 
dificultando assim serem alcançados pela rede, motivo pelo qual o 
sistema com parelha e mais empregado em a reas rasas. Outra 
vantagem e a utilizaça o de redes com maior abertura vertical e a rea 
varrida. Á desvantagem e ter que depender de duas tripulaço es e 
duas manutenço es para as embarcaço es. 
1.2.5.1 Lançamento 
 
E iniciado com a aproximaça o das duas embarcaço es, quando 
a embarcaça o Á conecta uma das malhetas da asa da rede ao seu 
guincho de arrasto e transfere a outra asa, com a malheta, para a 
embarcaça o B, por meio de um cabo de retinida (cabo de 
multifilamento, leve, com um peso em uma extremidade). Esse cabo 
e conectado na extremidade da malheta. Quando o cabo de retinida e 
lançado para a embarcaça o B, ele e recolhido ate alcançar a malheta 
da rede, que e conectada ao cabo de arrasto que esta armazenado no 
tambor do guincho da embarcaça o B (Figura 40). Dessa forma, a 
rede esta pronta para o lançamento. Os cabos de arrasto das duas 
embarcaço es va o sendo lançados, a medida que as duas 
embarcaço es va o se separando, ate alcançar a dista ncia ma xima 
determinada, a qual deve ser mantida durante todo o arrasto. Essa 
dista ncia pode ser mantida desde com um simples cabo entre as 
embarcaço es, na pesca artesanal, ate equipamentos eletro nicos, na 
pesca industrial, como o radar. 
 
54 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 40: Transfere ncia da malheta da embarcaça o Á para o guincho da B. 
 
Quando os cabos de arrasto que esta o sendo lançados va o 
chegando pro ximo ao comprimento predeterminado para a 
profundidade de arrasto, na popa da embarcaça o esta o localizados 
os “cabos centralizadores”, que sa o conectados aos cabos de arrasto 
(Figura 41). 
 Os “cabos centralizadores” te m a finalidade de manter a 
tensa o dos cabos de arrasto concentrada no centro da popa da 
embarcaça o. Quando os cabos de arrasto alcançam o comprimento 
predeterminado, todas as tenso es deles sa o transferidas para os 
“cabos centralizadores” (Figura 42). Na extremidade desses cabos 
existe um dispositivo denominado “disparador”, o qual esta 
conectado ao cabo de arrasto (Figura 43). 
 
 Tecnologia de pesca | 55 
 
Figura 41: Cabos centralizadores, antes de serem conectados aos cabos de 
arrasto. 
 
Figura 42:Embarcaço es 
realizando o arrasto, com 
a tensa o transferida para 
os cabos centralizadores. 
 
56 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 43: Detalhe e funça o do disparador no arrasto. 
 Tecnologia de pesca | 57 
1.2.5.2 Recolhimento 
 
Ápo s terminar o tempo de arrasto, a embarcaça o B aproxima-
se da embarcaça o Á, desconecta o cabo de arrasto, que tem o 
disparador, do tambor e transfere para a embarcaça o Á, por meio 
tambe m de um cabo de retinida. Á embarcaça o Á conecta o cabo de 
arrasto recebido da embarcaça o B, no tambor vazio. Em seguida, a 
embarcaça o Á transmite o aviso da conexa o do segundo cabo de 
arrasto ao segundo tambor, so enta o o cabo do disparador e 
acionado pela embarcaça o B, transferindo, com isso, o segundo cabo 
de arrasto da rede para a embarcaça o Á (Figura 44). 
 
 
 
Figura 44:Ácionamento do disparador, transferindo o cabo de arrasto da 
embarcaça o B para a Á. 
58 | Vanildo Souza de Oliveira 
Ápo s o recebimento do cabo de arrasto, a embarcaça o Á 
aciona os guinchos, dando iní cio ao recolhimento, com manobras 
similares ao recolhimento em um arrasteiro de popa, ou içando a 
rede por um dos bordos da embarcaça o para o conve s (Figura 45). 
 
 
Figura 45: Recolhimento da rede pela embarcaça o Á. 
 Tecnologia de pesca | 59 
No Brasil, na o e utilizada essa denominaça o de cabos 
centralizadores. O disparador e colocado preso a uma roldana fixa 
em um cabo na popa da embarcaça o, de forma que, quando o cabo 
do disparador for acionado, transfira o cabo de arrasto para outra 
embarcaça o (Figura 46). 
 
 
 
Figura 46: Sistema com disparador, utilizado no Norte do Brasil. 
 
 
 
60 | Vanildo Souza de Oliveira 
1.3 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM REDES DE ARRASTO 
PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS 
 
Á aça o da rede de arrasto causa um grande dano ao meio 
ambiente, seja por revolver o fundo com as tralhas de chumbo e 
portas de arrasto, ou com a retirada de va rias espe cies do meio 
ambiente, muitas delas ainda em esta gio juvenil. Ále m das espe cies 
de peixes e crusta ceos, as redes de arrasto capturam tambe m 
quelo nios, principalmente nas a reas costeiras. Com o objetivo de 
minimizar a captura de tartarugas, va rios tipos de dispositivos de 
exclusa o de tartarugas — Turtle Excluded Device (TED) — foram 
desenvolvidos nas u ltimas de cadas. Átualmente uma grade de 
alumí nio ou aço inox e colocada antes do saco da rede, com a 
finalidade de permitir a saí da das tartarugas, que pode ser pela parte 
superior ou inferior do corpo da rede (Figura 47). 
 
 
Figura 47: Dispositivo de exclusa o de tartaruga (TED), “Á” com saí da na parte 
superior do corpo, ”B” com saí da na parte inferior. 
 Tecnologia de pesca | 61 
 
Para exclusa o da fauna acompanhante nas redes de arrasto, 
foram desenvolvidos os Dispositivos de Exclusa o de Fauna 
Ácompanhante – Defa (Bycatch Reduce Device – BRD). Sa o 
empregados va rios tipos de Defas em redes de arrasto para a 
exclusa o de peixes, destacando-se o sistema de malhas quadradas, 
pela sua simplicidade e facilidade de operacionalizaça o. Nele, os 
peixes escapam pelas malhas quadradas, enquanto os camaro es 
seguem direto para o saco da rede. Dependendo do tamanho da 
malha e do local da colocaça o, a perda de camara o pode ser 
minimizada (Figura 48). 
 
Figura 48: Sistema de malhas quadradas em rede de arrasto para camara o. 
 
Outro dispositivo de exclusa o de fauna acompanhante e o 
denominado “olho de peixe”, estrutura de aço inox, ferro, ou 
alumí nio, posicionado, no saco, no sentido contra rio ao do arrasto, 
uma vez que os peixes tendem a nadar contra o fluxo da a gua. Por 
ser bastante fa cil de ser construí do e ter fa cil manuseio a bordo, e 
um dos dispositivos de exclusa o mais utilizados (Figura 49). 
62 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
Outro dispositivo bastante difundido e o de grade de 
alumí nio Nordmore Grid, no qual os camaro es passam por ela, direto 
para o saco da rede, enquanto os peixes seguem a grade e escapam 
por uma abertura superior no corpo da rede de arrasto (Figura 50). 
Figura 49: Olho de peixe, 
colocado da parte superior do 
saco, permite a exclusa o da 
fauna acompanhante. 
 
 Tecnologia de pesca | 63 
 
 
Figura 50: Sistema de grade de alumí nio em redes de arrasto para camara o. 
 
Em arrastos cujo principal alvo sa o peixes demersais, ou 
pela gicos, os dispositivos de exclusa o visam o escape de indiví duos 
juvenis, da mesma espe cie, que na o alcançaram o tamanho adulto. O 
dispositivo nesse caso exclui os jovens e captura os adultos (Figura 51). 
 
 
Figura 51: Dispositivo de exclusa o de peixes juvenis captura apenas adulto. 
64 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 Tecnologia de pesca | 65 
 
CAPÍTULO II 
REDES DE CERCO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
66 | Vanildo Souza de Oliveira 
2.1 REDES DE CERCO 
 
Essa modalidade de pesca tem por finalidade a captura de 
pela gicos, uma vez que as outras artes como as redes de arrastos na o 
apresentam grande eficie ncia na captura desse grupo ecolo gico. Á 
rede de cerco tem o princí pio de cercar o cardume e pode ser 
recolhida manualmente ou com a utilizaça o de guinchos, que 
recolhem um cabo na sua parte inferior denominado de 
“carregadeira”. Esse cabo passa por dentro de argolas que esta o 
distribuí das ao longo da tralha, ou cabo de chumbo. Á rede de cerco 
e composta pelo corpo (panagem), tralha, ou cabo de boia, cabo de 
chumbo, anilhas — ou argolas — e carregadeira. No corpo, ha va rios 
paine is e o saco (a rea destinada para concentraça o dos peixes, no 
final do recolhimento da rede — por isso feito de um material mais 
resistente do que o corpo) (Figura 52). Á carregadeira tem a 
finalidade de evitar que o cardume fuja, por baixo da rede, fechando 
o fundo rapidamente antes que ela seja recolhida. 
 
 
 
Figura 52: Rede de cerco com carregadeira, sistema de fechamento ra pido. 
 
 Tecnologia de pesca | 67 
O cerco pode ser empregado tanto na captura de pequenos 
pela gicos (sardinhas), como na captura de grandes pela gicos (atuns 
e afins). 
Na modalidade artesanal, a rede de cerco pode ter o 
recolhimento manual, e sua eficie ncia depende da velocidade do 
recolhimento, pois ela na o tem a carregadeira para realizar o 
fechamento ra pido, evitando a fuga do cardume. Á rede sem a 
carregadeira, tem o corpo inferior maior que o superior, de forma 
que, quando alcance a borda da embarcaça o, impossibilite a fuga do 
cardume por baixo (Figura 53). 
 
 
 
 
Figura 53: Rede de cerco sem carregadeira. 
 
Na modalidade industrial, o recolhimento e realizado por 
guinchos com o emprego da “carregadeira”. Um cerqueiro atuneiro 
industrial possui caracterí sticas tí picas: casaria de observaça o (para 
localizaça o visual dos cardumes), pescantes laterais (duas roldanas 
por onde passam a carregadeira), Power block (tambor de borracha 
hidra ulico suspenso, que ao girar recolhe a rede para o conve s), rede 
(que ocupa grande a rea na popa) e panga (pequena embarcaça o que 
fica com uma das extremidades da rede durante o cerco) (Figura 54). 
 
 
68 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 Figura 54: Caracterí sticas de um cerqueiro. 
 
2.1.1 Formas de localizaça o de cardumes 
 
Visual 
- Materiais flutuantes: pedaços de madeira, ou qualquer 
objeto flutuante, que possibilite o inicio do princí pio de agregaça o. 
Esse processo inicialmente agrega o fitopla ncton; em seguida, o 
zoopla ncton, larvas, alevinos, formando uma cadeia alimentar ate a 
chegada de grandes predadores, no caso atuns. 
- Concentraça o de pa ssaros: eles se alimentam de pequenos 
pela gicos, assim como os atuns, por isso essa competiça o alimentar. 
Os atuns atacam por baixo do cardume, forçando os peixes a 
nadarem para a superfí cie, onde sa o atacados pelos pa ssaros, e 
assim os cardumes facilmente sa o localizados pelospescadores. 
- Bioluminesce ncia: esse feno meno possibilita o cerco 
durante a noite, principalmente na pesca de sardinha. Um pescador 
fica na proa da embarcaça o com uma lanterna. Quando a luz e 
direcionada sobre o cardume, ele se agita, movimentando-se 
rapidamente, com isso realizando a bioluminesce ncia, gerada por 
dinoflagelados quando de uma aça o meca nica, resultando em toda a 
superfí cie da a rea do cardume agitada e iluminada, possibilitando 
assim o cerco noturno. 
- Concentraça o de golfinhos: na pesca de atum no Pací fico, e 
comum a procura de cardumes de golfinhos, uma vez que eles sa o 
 Tecnologia de pesca | 69 
concorrentes alimentares dos atuns — quando os golfinhos esta o na 
superfí cie se alimentando de pequenos pela gicos, geralmente os 
atuns esta o atacando por baixo. No Oceano Átla ntico tropical, esse 
comportamento e pouco observado, em funça o da termoclina estar 
em maiores profundidades, minimizando a ocorre ncia de atuns 
pro ximos da superfí cie. 
- Borbulhas e agitaça o na superfí cie: nessa situaça o quanto 
mais calmo o mar, maior a possibilidade de avistar o cardume — 
principalmente quando sa o de pequenos pela gicos. Os cardumes na 
superfí cie produzem uma a rea mais agitada do que a superfí cie 
normal, possibilitando a localizaça o e cerco. 
 
Equipamentos eletrônicos 
-Sonar: aparelho de emissa o sonora que possibilita realizar a 
varredura na horizontal em 360 graus, sendo possí vel a detecça o do 
cardume em qualquer direça o, tanto em condiça o noturna quanto 
diurna. Ele e capaz de identificar o rumo, a dista ncia e a dimensa o do 
cardume. 
- Sate lite: informa as condiço es oceanogra ficas com maior 
probabilidade de ocorre ncia de cardumes de atuns, tais como: 
temperatura da superfí cie, clorofila, correntes, termoclinas, dentre 
outros. 
 - Tambe m e possí vel realizar a localizaça o com helico pteros ou 
avio es, que transmitem para as embarcaço es a localizaça o dos 
cardumes. Essa modalidade de pesca e empregada para captura de 
pela gicos com grande valor econo mico, devido aos altos custos de 
operacionalizaça o. 
 
 
70 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
2.1.2 Lançamento 
 
O cabo da carregadeira, que pode ser sinte tico ou aço, sai de 
um dos tambores do guincho da embarcaça o, passa por um dos 
pescantes e por dentro de todas as argolas que esta o no guia de 
lançamento, sendo finalmente conectado a panga (pequena 
embarcaça o que segura uma das extremidades da rede durante o 
cerco realizado pela embarcaça o maior) (Figura 55). 
Dessa forma, a rede esta pronta para o lançamento, que tem 
iní cio com a liberaça o da panga ao mar e deslocamento da 
embarcaça o maior, lançando a rede ao mar, dando iní cio ao cerco. 
Enquanto a panga rete m a outra extremidade da rede, onde esta o 
fixos a carregadeira, tralhas de boia e de chumbo (Figuras 56 e 57). 
Ressalta-se que a parte do corpo da rede que fica com a panga e a 
que conte m o saco (parte mais resistente da rede). Á outra 
extremidade fica fixa a embarcaça o maior, ela recebe mais lastro, 
uma vez que vai ser a u ltima a cair na a gua, e por isso tem que 
submergir rapidamente, para evitar que o cardume escape no final 
do fechamento do cerco. 
 
 
 
Figura 55: Ármaça o da carregadeira da rede de cerco para o lançamento. 
 
 Tecnologia de pesca | 71 
 
 
 
Figura 56: Iní cio do cerco, lançamento da panga conectada como os cabos de 
boia, chumbo e carregadeira. 
72 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 57: Iní cio do cerco: a panga segura uma das extremidades da rede, 
enquanto a embarcaça o maior inicia o cerco. 
 
Durante o cerco, o comandante monitora a movimentaça o do 
cardume, por meio do sonar, para que o cerco seja realizado com 
sucesso. Áo te rmino do cerco, a embarcaça o maior encontra a panga, 
que transfere a extremidade da rede contendo os cabos de boia, 
chumbo e carregadeira para a embarcaça o maior. Á carregadeira e 
conectada ao segundo tambor do guincho, passando antes por um 
dos pescantes, enquanto os cabos de boias e chumbos sa o fixos na 
proa da embarcaça o (Figura 58). 
 
2.1.3 Recolhimento 
 
Com o acionamento dos tambores dos guinchos, a 
carregadeira começa a ser recolhida, dando iní cio ao fechamento do 
fundo da rede (Figura 59). Ápo s o recolhimento da carregadeira e o 
consequente fechamento do fundo da rede, todas as argolas da rede 
sa o concentradas nos pescantes, e a rede toma um formato de bolsa, 
na qual o cardume fica retido (Figura 60). Á velocidade de 
recolhimento da carregadeira e fundamental para o fechamento da 
parte inferior da rede, pois evita o escape do cardume. 
 Tecnologia de pesca | 73 
 
Figura 58: Final do cerco, a panga transfere a carregadeira e cabos de boia e 
chumbo para a embarcaça o maior. 
 
 
Figura 59: Recolhimento da carregadeira e fechamento do fundo da rede. 
 
74 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 60: Recolhimento da carregadeira e concentraça o das argolas nos 
pescantes. 
 
Como esse tipo de rede para grandes pela gicos pode chegar a 
1.500m de comprimento por 150m de profundidade, no caso da 
pesca de atum, o Power block e acionado para recolher a grande 
quantidade de rede na a gua, deixando apenas o saco com o pescado . 
 
Esse recolhimento e realizado com a passagem da 
extremidade da rede, que ficou fixa na popa da embarcaça o, por 
dentro do Power block. Ántes de iniciar o recolhimento da rede, 
deve-se liberar as argolas dos pescantes para que elas possam 
passar pelo Power block. Existem quatro sistemas para a realizaça o 
da transfere ncia das argolas: 
 Tecnologia de pesca | 75 
1) Guia de recolhimento: as argolas sa o transferidas para um 
guia; em seguida, a carregadeira e retirada, permitindo a liberaça o 
das argolas do guia, a medida que va o sendo puxadas pelo Power 
block. 
 
 2) Sistema com argolas tipo grampo (mosqueta o): as argolas 
podem ser abertas, permitindo sua retirada da carregadeira, 
possibilitando assim a passagem delas pelo Power block. 
 
3) Sistema de conexa o com no s: as argolas sa o conectadas 
aos cabos que esta o presos a rede, por meio de um no facilmente 
desata vel. Nesse sistema sa o utilizados dois conjuntos de argolas. 
Quando as argolas esta o concentradas nos pescantes, a medida que 
va o sendo puxadas pelo Power block, os no s va o sendo 
desconectados das argolas pelos tripulantes. Os cabos passam pelo 
Power block e chegam ao conve s, onde sa o novamente conectados as 
argolas (segundo conjunto), tambe m por meio de no s. Dessa forma, 
a rede fica novamente conectada as argolas, estando em posiça o 
para um pro ximo lançamento. Esse sistema e o mais seguro, pois 
evita que as argolas possam machucar algum tripulante, quando 
descem do Power block para o conve s. 
 
4) Sistema de gancho: um grande gancho e colocado por 
dentro de todas as argolas que esta o concentradas nos pescantes, 
possibilitando a retirada da carregadeira e consequentemente 
passando todas as argolas para o gancho, liberando assim as argolas 
para passarem pelo Power block, a medida que a rede vai sendo 
puxada para o conve s (Figura 61). 
 
 
76 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 61: Os quatros sistemas de transfere ncia das argolas para o Power block: 
guia de recolhimento, grampo (mosqueta o), conexa o com no e 
gancho para as argolas. 
 
Quando a rede passa pelo Power block e chega ao conve s, a 
tripulaça o trata de armazenar os cabos de boias para um dos bordos 
e o de chumbo para o outro, enquanto as argolas va o novamente 
sendo colocadas no “guia de lançamento”, ficando a rede dessa 
forma, ao final do recolhimento, posicionada para um novo 
lançamento. 
 Tecnologia de pesca | 77 
 No momento em que apenas o saco da rede permanece na 
a gua, e dado iní cio ao recolhimento do pescado. Á retirada do 
pescado do saco e realizada com o empregode um “sarrico” (puça 
gigante), puxado por um guincho. Durante o recolhimento da rede, a 
panga fica puxando a embarcaça o para que a força do Power block 
na o puxe a embarcaça o para dentro dela (Figura 62). 
 
 
Figura 62: Recolhimento da rede pelo Power block, com o sistema de guia de 
recolhimento. 
 
 Após a retirada do pescado, a extremidade da rede, que estava fixa na 
proa da embarcação, é liberada, sendo puxada pelo Power block. 
Finalizando assim, o armazenamento da rede na popa da embarcação, 
deixando-a em posição para um novo lançamento. 
78 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
2.2 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM REDES DE CERCO PARA 
MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS 
 
Á utilizaça o da rede de cerco para captura de atuns e afins 
teve como conseque ncia a captura e morte de centenas de golfinhos, 
que permaneciam presos no cerco e morriam durante o 
recolhimento da rede. Ápesar de poderem pular a mais de 2m fora 
da a gua, a permane ncia dentro da rede, sem pular apenas a altura de 
uma boia, ainda hoje e um miste rio. Uma das explicaço es para tal 
comportamento e o instinto social dos golfinhos: como nos 
cardumes existem fe meas gra vidas, rece m-nascidos e idosos, o 
instinto social manteria todos juntos. 
 Para tentar minimizar essa matança de golfinhos, foi 
estabelecido um selo com os dizeres “Dolfinsave”. Ele atesta que 
todos os golfinhos foram retirados de dentro da rede antes do 
recolhimento. Para realizarem a retirada dos golfinhos, e necessa ria 
uma manobra chamada de “retrocesso”, ou seja, uma borda da rede e 
aberta e a outra e puxada pelo barco, formando um corredor e dessa 
forma permitindo que os golfinhos escapem por uma abertura na 
tralha de boia, enquanto que os atuns permanecem no fundo da rede 
(Figura 63). Essa operaça o envolve tripulantes (mergulhadores) e 
pequenos barcos para auxiliar na saí da dos golfinhos. 
 
 
 Tecnologia de pesca | 79 
 
Figura 63: Manobra “retrocesso”, em que mergulhadores abrem uma parte da 
tralha de boia da rede e libertam os golfinhos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
80 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 Tecnologia de pesca | 81 
CAPÍTULO III 
ESPINHEL 
 
 
 
 
 
 
 
82 | Vanildo Souza de Oliveira 
3.1 ESPINHEL 
 
Esse aparelho de pesca tem como princí pio de 
funcionamento a captura por atraça o alimentar, com uma isca em 
um anzol. Os espinhe is podem ser: de fundo, meia a gua e superfí cie, 
dependendo da espe cie-alvo. No caso da captura de demersais, a 
modalidade mais empregada e o espinhel de fundo fixo; e derivante, 
para as espe cies pela gicas. 
 
3.1.1 Espinhel de fundo 
 
Tem a finalidade de capturar espe cies de peixes demersais, as 
quais em geral agrupam-se em cardumes sobre o fundo. Dessa 
forma, esse aparelho tem a capacidade de capturar em funça o do 
poder de atraça o alimentar, ou seja, o fator isca e fundamental para 
sua eficie ncia. Á escolha da isca e determinante, ela tem que ter 
grande poder de atraça o, liberando substa ncias capazes de atrair o 
peixe a certa dista ncia. Á capacidade de captura das iscas diminui 
com o tempo de exposiça o, pois esta o submetidas, muitas vezes, a 
fortes correntes no fundo, o que torna invia vel sua reutilizaça o, apo s 
o recolhimento, em funça o da perda de eficie ncia de captura com o 
tempo de exposiça o. Outro fator importante e a sua consiste ncia 
muscular. Á flacidez muscular interfere na fixaça o da isca no anzol, 
agravando-se quando lançadas em locais com fortes correntes e em 
grandes profundidades, tendo como conseque ncia o 
desprendimento da isca do anzol antes de tocar o fundo. Ela deve ter 
tambe m viabilidade econo mica, pois, dependendo da espe cie-alvo a 
ser capturada, a isca pode ser invia vel, apesar de preencher os 
outros requisitos ja mencionados. Embora seja importante, quando a 
isca faz parte do ha bito alimentar da espe cie-alvo, na o e 
fundamental, uma vez que o predominante e o fator atração da isca. 
Mesmo que o animal jamais tenha se alimentado dela, a boa isca 
 Tecnologia de pesca | 83 
atrai o animal a prova -la. Exemplo disso foi a isca empregada na 
pesca do atum no Átla ntico Sul pela frota japonesa, que utilizava um 
pequeno pela gico de origem do Pací fico. O atum do Átla ntico, apesar 
de nunca ter contato com a isca em seu habitat, foi fortemente 
atraí do a saborea -la. 
O espinhel fixo de fundo pode ser lastrado de va rias formas. Á 
mais comum para os aparelhos de pesca e a “garateia”, que e 
constituí da por uma barra de ferro, pedaço de trilho, ou algo similar, 
com quatro vergalho es de ferro. Tem a finalidade de, quando 
prender no fundo, esses vergalho es possam abrir e todo o material 
de pesca ser recuperado. Nas jangadas artesanais, empregava-se 
tambe m a “fateixa”, que consiste em uma pedra presa a garras de 
madeira com a finalidade de segurar a jangada. Á “a ncora” que serve 
para fixar as embarcaço es com robustas garras, traria dificuldades 
para lastrar aparelhos de pesca, uma vez que suas garras na o 
abririam, quando presas ao fundo, ao serem içadas (Figura 64). 
 
 
 
Figura 64: Tipos de lastros empregados em aparelhos de pesca e embarcaço es. 
 
Outro fator importante na pesca com espinhel de fundo e a 
forma do anzol. Á capacidade de fisgar do anzol na o esta direcionada 
especificamente para os peixes; as pedras de fundo prendem os 
anzo is, criando dificuldades durante o recolhimento, que, 
84 | Vanildo Souza de Oliveira 
dependendo do nu mero de anzo is que ficam presos ao fundo, muitas 
vezes, inviabiliza o recolhimento do espinhel, causando assim 
grandes perdas de materiais. Uma das soluço es encontradas para 
minimizar esse problema foi o desenvolvimento de anzo is circulares, 
anzo is com a haste voltada para dentro, diminuindo a possibilidade 
de ficar preso nas pedras, ou em outros substratos do fundo (Figura 
65). 
 
 
Figura 65: Ánzol circular para espinhel de fundo. 
 
O espinhel de fundo para a pesca artesanal, que atua em 
embarcaço es com me dia de 8m de comprimento, e um aparelho de 
pesca formado por uma linha principal, linhas secunda rias, cabos de 
boias e de anzo is, ale m de lastros (Figura 66). 
 
 Tecnologia de pesca | 85 
 
 
Figura 66: Espinhel fixo de fundo. 
 
Ás caracterí sticas dos materiais que compo em um espinhel 
variam de acordo com a finalidade, dependendo da a rea de atuaça o: 
fundo, meia a gua ou pela gico. Os cabos de boias geralmente sa o de 
materiais que flutuam, para facilitar seu manuseio e forma de 
trabalho. Exemplo: polietileno (PE) ou polipropileno (PP). Á linha 
principal, que tem o papel de trabalhar junto ao fundo, deve ser de 
um material que afunde e tenha grande resiste ncia a abrasa o, como e 
o caso da poliamida (PÁ). Á linha secunda ria pode ser confeccionada 
de va rias formas, dependendo da exige ncia de cada situaça o. Ela 
pode ser formada apenas por linha e anzol, fixada a linha principal 
por meio de um no . 
86 | Vanildo Souza de Oliveira 
Caso o espinhel venha ao ser recolhido, com va rias linhas 
secunda rias cortadas nas extremidades sem os anzo is, deve ser 
avaliada a possibilidade de colocar “estropos”, ou “empates”, pedaços 
de aço ou arame ligados aos anzo is, com a finalidade de evitar que o 
peixe morda e corte a linha secunda ria. Em caso de vir com muitas 
linhas secunda rias torcidas, deve-se avaliar a colocaça o de 
destorcedores, dispositivo que evitar a transfere ncia da torça o para 
o cabo seguinte. No caso em que o nu mero de linhas secunda rias e 
grande, a colocaça o de snaps (grampos que unem as linhas 
secunda rias a principal com certa agilidade) deve tambe m ser 
avaliada, pois esses snaps da o segurança e agilidade nas manobras 
de lançamento e recolhimento. Ressalta-se que, quanto mais 
sofisticada a linha secunda ria (Figura 67), maiores sera o os custos 
de confecça o, portanto a avaliaça o econo micadeve ser feita em 
funça o da espe cie-alvo a ser capturada. 
 
 
Figura 67: Linhas secunda rias, confeccionadas da forma mais sofisticada (Á) 
para a mais simples (D). 
 Tecnologia de pesca | 87 
Ás formas de armazenamento a bordo de um espinhel de 
fundo na pesca artesanal sa o bastante simples, podendo ser feitas 
em “cestos” de pla sticos, que armazenam a linha principal no centro 
e as linhas secunda rias que sa o fixas pelos anzo is nas bordas. Essa 
forma exige que os anzo is sejam iscados na hora do lançamento. Ja 
no armazenamento em caixas, equipadas com uma calha lateral, a 
linha principal e armazenada no centro, e as linhas secunda rias sa o 
armazenadas na calha, com a vantagem de ja estarem iscadas, 
facilitando assim o lançamento (Figura 68). Cada caixa ou cesto pode 
armazenar em me dia 200 anzo is. 
Geralmente o espinhel de fundo para peixes demersais, na 
pesca artesanal, e composto por uma linha principal com dia metro 
em torno de 3 mm, preferencialmente de poliamida, mono ou 
multifilamentos. Ás linhas secunda rias normalmente sa o de 
poliamida, monofilamento, com dia metro entre 0,8 e 1,4 mm. Isso 
implica que o somato rio dos comprimentos das duas linhas 
secunda rias na o pode ser igual ou maior que a dista ncia entre elas, 
para evitar que os anzo is se toquem durante o lançamento e 
recolhimento. 
Nos espinheis para captura de peixes de fundo, geralmente, 
as linhas secunda rias te m o comprimento de 0,9-1,20 metros, 
dependendo da espe cie a ser capturada. Para o armazenamento em 
caixas, ou cestos, as linhas secunda rias devem ser conectadas 
diretamente a linha principal, uma vez que, nessa modalidade de 
pesca, as linhas esta o muito pro ximas, e essa forma permite mais 
agilidade tanto no lançamento quanto no recolhimento. 
88 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura 68: Formas de armazenamento de espinhel de fundo “a” em caixa com 
calha lateral e “b” em um cesto com os anzo is na borda. 
 Tecnologia de pesca | 89 
3.1.1.1 Lançamento 
 
O posicionamento do espinhel no conve s da embarcaça o deve 
ser em funça o da corrente marí tima e vento. Quando vem de 
bombordo, o espinhel deve ser lançado por esse bordo. O 
lançamento por boreste teria como conseque ncia a passagem do 
espinhel por baixo do casco da embarcaça o e grande possibilidade 
de enganchar os anzo is no casco. Na preparaça o para o lançamento, 
deve-se determinar o comprimento do cabo de boia em uma 
proporça o em funça o da profundidade, principalmente em locais 
que sofrem grandes oscilaço es entre as mare s. Geralmente emprega-
se a relaça o de 1:2, em regio es de fortes correntes ate 1:3 na 
determinaça o do comprimento do cabo de boia. 
Ápo s determinar o comprimento do cabo de boia, ele e 
conectado a uma garateia (lastro) em uma de suas extremidades. Á 
linha principal do espinhel e conectada ao cabo de boia por meio de 
um no , na altura determinada em relaça o ao fundo. Nessa operaça o 
emprega-se, no mí nimo, 3 indiví duos, ale m do mestre, que na o 
participa da operaça o, mas tem o papel fundamental no controle da 
velocidade e posicionamento do barco durante as manobras. 
Dessa forma, o indiví duo nu mero 1, juntamente com o 3, 
começam a lançar o espinhel, sendo que o nu mero 3 fica com toda a 
tensa o do peso do cabo de boia, que esta conectado a garateia e 
lentamente vai lançando ela ate chegar no fundo. Enquanto isso, o 
nu mero 1 lança os anzo is na a gua, ao mesmo tempo em que o 
nu mero 2 segue retirando os anzo is da caixa. Quando a garateia toca 
o fundo, o nu mero 3 lança a boia ao mar, ficando assim a tensa o na 
linha principal do espinhel com o indiví duo nu mero 1, o que exige 
muita atença o nessa hora, principalmente se o anzol for iscado no 
lançamento (Figura 69). No caso de ser o lançamento em cestos, o 
nu mero 2 isca os anzo is antes de entrega -los para o indiví duo 
nu mero 1. No modelo de espinhel em caixas com calha lateral, em 
90 | Vanildo Souza de Oliveira 
que os anzo is ja esta o iscados, seu lançamento e mais seguro 
minimizando riscos de acidentes durante o lançamento. 
 
 
Figura 69: Posicionamento da tripulaça o durante o 
lançamento, tensa o na ma o do indiví duo nu mero 3 (a) e apo s a 
garateia tocar o fundo (b). 
 
 Tecnologia de pesca | 91 
Quando uma caixa ou cesto se aproxima do final, a 
extremidade final da linha principal e conectada ao iní cio da 
extremidade da linha principal da pro xima caixa ou cesto. 
Dependendo da a rea, em cada unia o de caixas ou cestos pode ser 
conectada uma garateia, podendo tambe m ser colocado um cabo de 
boia. Quanto ao tempo de exposiça o de pesca do espinhel, deve ser 
considerado o tempo de captura da espe cie-alvo, em funça o de sua 
sensibilidade quanto a perda de qualidade apo s a morte, uma vez 
que existem espe cies que se deterioram rapidamente. Portanto, esse 
perí odo deve ser regulado pela exige ncia da espe cie, em me dia 5 
horas. 
Ressalta-se que o lançamento do espinhel de fundo pode ser 
realizado por ambos os bordos e tambe m pela popa. Nesse u ltimo 
caso, a tripulaça o tem que estar bem treinada, pois o lançamento 
tem que ser realizado com o motor em marcha. 
 
 
3.1.1.2 Recolhimento 
 
 
Inicia-se com a localizaça o da boia sinalizadora, que pode ser 
visualmente, ou pelo emprego de GPS. Quando em a reas de grande 
circulaça o de embarcaço es, na o sa o recomendadas boias, por 
questo es de segurança; os espinheis sa o localizados, exclusivamente, 
por meio do GPS e sa o recuperados com uma garateia mais leve, 
realizando arrasto na a rea ate alcançar a linha, um cabo de PP ou PE 
que flutua. 
 O indiví duo nu mero 4 (comandante), durante essa operaça o, 
sempre mante m um a ngulo entre a proa da embarcaça o e a linha 
principal do espinhel, com a finalidade de sempre observar o que 
esta sendo embarcado, evitando assim possí veis acidentes. No 
recolhimento, o indiví duo nu mero 1 recolhe a linha principal, 
enquanto o nu mero 2 a armazena na caixa ou cesto, colocando os 
92 | Vanildo Souza de Oliveira 
anzo is na mesma ordem de chegada na caixa. O nu mero 3 recolhe os 
cabos de boias e da suporte ao nu mero 1, na retirada do pescado, 
anzo is, ou iscas na o consumidas, realizando essa seque ncia ate o 
final do espinhel (Figura 70). 
 
 
Figura 70: Posicionamento da tripulaça o durante o recolhimento. 
 
3.1.2 Espinhel de fundo em sistema industrial 
 
Essa modalidade de pesca envolve embarcaço es de grande 
porte, que trabalham com milhares de anzo is e, por isso, necessitam 
de alto ní vel de mecanizaça o, tanto no lançamento do espinhel como 
no recolhimento, pois, quanto maior o nu mero de anzo is, maior deve 
 Tecnologia de pesca | 93 
ser o ní vel de mecanizaça o. Essas embarcaço es possuem sistemas 
que lançam e iscam os anzo is automaticamente. Á ma quina de 
iscagem funciona com iscas ja cortadas, fazendo com que, ao passar 
por uma calha, o anzol que esta sendo lançado seja iscado. O 
recolhimento tambe m e automatizado: quando a linha principal e 
recolhida, a linha secunda ria ja entra em uma calha guia, que vai 
armazenando os anzo is, de forma que estejam prontos para serem 
iscados pela ma quina e novamente durante o lançados ao mar 
(Figura 71). 
 
 
Figura 71: Ma quina automa tica de iscar em espinhel industrial. 
 
3.1.3 Espinhel pelágico 
 
Esta modalidade de pesca e empregada na captura de 
pela gicos, tambe m chamado de espinhel longline, principalmente na 
captura de atuns e afins. Ele deriva de acordo com a velocidade das 
correntes (Figura 72). No Brasil, essa pra tica teve iní cio no final da 
de cada dos anos 50, com a frota japonesa operando na cidade de 
Recife-PE. Inicialmente, os espinhe is eram constituí dos com cabos 
de multifilamento de polivinil a lcool (PVÁ), com dia metros na linha 
principal de 6mm e 3mm na linha secunda ria. Essescabos eram 
pesados e ocupavam muito espaço, ale m de a linha secunda ria estar 
94 | Vanildo Souza de Oliveira 
conectada diretamente a linha principal, por meio de no s, o que 
aumentava o risco de acidentes durante o lançamento. Com o 
desenvolvimento dos produtos sinte ticos, a linha principal de 
multifilamento foi substituí da por monofilamento de poliamida 
(nylon), com dia metro entre 3-4 mm para linha principal e 2 mm 
para a linha secunda ria, possibilitando o armazenamento de um 
maior volume em menor espaço, sendo armazenado em carrete is, ou 
tambores. 
 
 
Figura 72: Espinhel longline pela gico. 
 Tecnologia de pesca | 95 
 
 
Outra inovaça o foi a introduça o dos Snaps (Figura 73), que 
possibilitaram a conexa o da linha secunda ria com a principal apenas 
na hora do lançamento, eliminando, assim, praticamente acidentes 
durante essa aça o, uma vez que a conexa o com a linha principal so e 
realizada apo s o anzol iscado ser lançado ao mar. 
 
 
 
 
Figura 73: Snap com destorcedor; serve para conectar a linha secunda ria a 
principal. 
 
Em funça o do grande comprimento desse tipo de espinhel, 
em torno de 100 km na pesca industrial, existem va rios tipos de 
boias para facilitar a localizaça o no oceano: “boia bala” de 
poliuretano, “boia redonda” de PVC, “boia luz” e “boia com bandeira 
de sinalizaça o”, que sa o usadas na localizaça o visual. Na localizaça o 
por meios eletro nicos, sa o usadas “boias ra dio”, que emitem ondas 
de ra dio, possibilitando a localizaça o de sua freque ncia por meio de 
um aparelho denominado ra dio gonio metro. Cada boia tem uma 
freque ncia individual, que so pode ser detectada pela embarcaça o 
que dete m essa freque ncia. Ále m da “boia sate lite”, que emite sua 
posiça o para o sate lite, a qual e enviada para o barco ou para a 
empresa, que repassa para a embarcaça o (Figura 74). 
 
 
96 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
 
Figura 74: Tipos de boias utilizadas em espinhel longline. 
 
 
O comprimento das linhas secunda rias depende muito das 
espe cies que sa o alvos das capturas, pois os atuns geralmente 
seguem as termoclinas, ocupando assim um grande gradiente 
vertical. Dessa forma, dependendo da espe cie, elas podem ser 
encontradas acima ou abaixo do iní cio da termoclina, fazendo com 
que as linhas secunda rias variem muito em comprimento, que pode 
ter de 18m a 40m. Sa o constituí das geralmente de nylon, 
monofilamento, com fio em torno de 2 mm de dia metro. Para maior 
velocidade nas operaço es de lançamento e recolhimento possuem: 
snap, destorcedor, podendo ter “estropo” de aço antes do anzol 
(Figura 75). 
 
. 
 
 Tecnologia de pesca | 97 
 
 
Figura 75: Espinhel longline pela gico, com detalhe da linha secunda ria. 
 
No Brasil, tivemos o processo de arrendamento de 
embarcaço es estrangeiras, medida tomada por na o termos uma frota 
nacional que atenda as nossas demandas de captura de atuns e afins. 
Os contratos entre empresas brasileiras e estrangeiras foram 
realizados com a finalidade de obter a nossa cota de captura a que 
temos direito como membro da Comissa o Internacional para a 
Conservaça o do Átum do Átla ntico – ICCÁT. Dessa forma, ja tivemos 
no Brasil as seguintes frotas atuneiras: chinesa, coreana, espanhola e 
japonesa, operando juntamente com empresas nacionais ou na o. 
Cada frota possui particularidades no objetivo das capturas, 
como os espanho is, que dirigem suas capturas para o Xiphias gladius 
— o Meka. Para esse objetivo, a frota realiza o lançamento a noite, 
utilizando atratores luminosos denominados lightsticks, que consiste 
em duas substa ncias fosforescentes (luciferina e luciferase), que, 
quando misturadas, produzem fosforesce ncia por 24 ou 72 horas. 
Outro atrator luminoso e o electralume, que funciona com duas 
baterias alcalinas, as quais podem ser substituí das quando 
98 | Vanildo Souza de Oliveira 
descarregam. Esses atratores luminosos possuem va rias tonalidades 
de cores e, ao contra rio do lightsticks, poluem menos, pois suas 
baterias na o rompem facilmente (Figura 76). 
Á atraça o do peixe Meka Xiphias gladius pela luz foi 
constatada inicialmente por pescadores cubanos, quando 
descobriram que quando colocavam fogo em latas com o leo diesel, 
como boias, em seus espinhe is para poderem acompanha -los 
durante a noite. Observaram que a maioria dos anzo is juntos a s 
boias luminosas capturavam Mekas, daí o desenvolvimento de 
atratores luminosos. Ás frotas que operam direcionadas para os 
atuns (albacoras), a exemplo da chinesa, diferentemente das que 
capturam Meka, fazem o lançamento de forma que o espinhel atue 
durante o dia, sendo recolhido no final da tarde, na o necessitando o 
uso de atratores luminosos. 
 
 
Figura 76: Átratores luminosos nas linhas secunda rias de espinhel longline 
 Tecnologia de pesca | 99 
Átualmente a pesca ocea nica de pela gicos possui uma 
depende ncia muito grande de equipamentos eletro nicos. Existem 
va rios softwares que oferecem informaço es oceanogra ficas, que 
possibilitam economia e tempo para as frotas. Informaço es como: 
correntes, direça o do vento, temperatura de superfí cie, termoclina e 
concentraça o de clorofila, dentre outros, possibilitando, assim, a 
identificaça o de uma possí vel ocorre ncia de peixes em determinadas 
a reas, dependendo da espe cie. 
 Esses serviços sa o prestados por empresas especializadas, as 
quais sa o pagas anualmente, permitindo que a embarcaça o receba 
essas informaço es atrave s dos softwares. Por isso, atualmente e 
necessa rio a capacitaça o da tripulaça o para operar com essas 
inovaço es tecnolo gicas, que fazem todo o diferencial na produça o de 
pela gicos ocea nicos. 
Ás manobras de lançamento de um espinhel pela gico va o 
depender do grau tecnolo gico que as embarcaço es empregam. Por 
exemplo, o nu mero de pescadores no lançamento e recolhimento de 
uma embarcaça o chinesa e muito maior que o de uma japonesa, ou 
espanhola, onde o fator mão de obra influencia diretamente na 
rentabilidade da pescaria. 
Dessa forma, descreveremos as manobras em uma 
embarcaça o com o sistema de linha principal constituí da por 
monofilamento, a qual e armazenada em tambores hidra ulicos. 
Á linha principal e constituí da por um fio de nylon, 
geralmente em torno de 3 a 4 mm de dia metro. Para determinar os 
espaços entre as linhas secunda rias, emprega-se um mecanismo, 
onde previamente e definido o intervalo de tempo entre as linhas 
secunda rias durante o lançamento, equivalente em metros entre 
elas. Cada intervalo, entre as linhas secundarias , e indicado com um 
sinal sonoro. 
 Á cada sinal, uma linha secunda ria e conectada a linha 
principal, e a cada dois sinais, uma boia. Dessa forma, os sambura s 
100 | Vanildo Souza de Oliveira 
(espaço entre duas boias) sa o formados, geralmente, com mí nimo de 
cinco linhas secunda rias. 
 Para acompanhar a velocidade da embarcaça o, a linha 
principal e lançada por um canha o de lançamento, localizado na 
popa da embarcaça o (dispositivo que lança a linha principal, 
programado com a velocidade de lançamento, em funça o da 
velocidade do barco). 
 
3.1.3.1 Lançamento 
 
Lança-se inicialmente a boia ra dio, estando a embarcaça o 
com velocidade media de 6 no s. Os tripulantes posicionam-se da 
seguinte forma: indiví duo nu mero 1 retira a linha secunda ria da 
caixa, coloca grande parte do comprimento, dessa linha fora da 
embarcaça o, isca o anzol e coloca o atrator luminoso. Em seguida 
entrega ao nu mero 2, que pega o snap da linha secunda ria com a 
ma o direita e o anzol iscado com a ma o esquerda. 
Quando ocorre o sinal sonoro, ele lança o anzol ao mar e so 
depois conecta a linha secunda ria a linha principal (Figura 77). Áo 
soar o sinal duplo, o indiví duo 3 lança a boia ao mar e em seguida 
conecta o snap da linha de boia a linha principal.O indiví duo nu mero 
4 retira os cabos de boia do tambor de armazenamento, enquanto o 
5 abastece a caixa de isca. Ressalta-se que toda a tripulaça o reveza 
esses posicionamentos. Áo final do lançamento, e colocada a u ltima 
boia ra dio. 
 
 
 Tecnologia de pesca | 101 
 
Figura 77: Seque ncia do posicionamento da tripulaça o no lançamento de um 
espinhel logline. 
102 | Vanildo Souza de Oliveira 
3.1.3.2 Recolhimento 
 
Inicia-se com a localizaça o da primeira boia ra dio; em 
seguida, ela e recolhida, e a linha principal e colocada no guincho de 
recolhimento, que tem a velocidade controlada pelo indiví duo 
nu mero 1. Quando uma linha secunda ria se aproxima da borda da 
embarcaça o, a velocidade do guincho de recolhimento e reduzida, 
sendo desconectada pelo nu mero 2, que a recolhe manualmente e a 
armazena. Em certas embarcaço es, que usam longas linhas 
secunda rias, existe o guincho, especí fico de recolhimento dessa 
linha. Quando ocorre uma captura, a linha secunda ria e repassada 
para os indiví duos 3, 4 e 5, que se encarregam de içar o peixe para 
bordo — dependendo do tamanho, podem ser utilizados bicheiros 
(tipo de gancho sem barbela com um cabo de madeira) para fisgar o 
peixe e puxa -lo para bordo; anilha ele trica, a qual e colocada na linha 
secunda ria, chegando ate a cabeça do peixe, que, apo s receber uma 
descarga ele trica, e embarcado sem se debater; e tesoura, que e 
utilizada para os grandes pela gicos e, quando disparada, prende o 
corpo do peixe, permitindo o seu embarque. 
 Os indiví duos 6 e 7 ficam encarregados da evisceraça o e 
armazenamento dos peixes nas ca maras frigorí ficas (Figura 78). 
Ressalta-se que o numero de tripulante variam em funça o do ní vel 
tecnolo gico da embarcaça o, ou do custo com ma o de obra. 
 Quanto mais valiosa a espe cie, mas cuidado deve-se ter na 
limpeza, evisceraça o e armazenamento, a exemplo de uma albacora 
bandolim Thunnus obesus e laje Thunnus albacares que necessitam 
chegar com uma boa qualidade, principalmente, quando sa o 
destinadas ao mercado de consumo de Sashimi em restaurantes. 
Ápo s a retirada total de vestí gio de sangue da cavidade abdominal, a 
albacora e embalada em um saco, para evitar contato direto com os 
outros, e geralmente e colocada no gelo, ou salmoura, enquanto a 
albacora branca Thunnus alalunga, que e utilizada na indu stria de 
enlatamento, apo s eviscerada e congelada, logo apo s o embarque. 
 Tecnologia de pesca | 103 
 
 
Figura 78: Operaça o de recolhimento do espinhel longline. 
 
104 | Vanildo Souza de Oliveira 
3.2 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM ESPINHEL LONGLINE 
PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS 
 
Um dos danos causados ao meio ambiente pelo espinhel 
longline e sua fauna acompanhante, que sa o geralmente espe cies na o 
alvos da captura, como: tubaro es, tartarugas e aves. Na tentativa de 
minimizar os impactos da fisgada do anzol nas espe cies na o 
desejadas, utiliza-se a substituiça o do anzol tipo “J” pelo anzol 
circular (Figura 79), pois esse u ltimo apresenta maior facilidade ao 
ser retirado, possibilitando o retorno do animal ao mar ainda vivo, 
principalmente no caso de captura de tartarugas. Ále m de promover 
um maior tempo de sobrevive ncia das espe cies-alvo, apo s serem 
capturadas. 
 
 Anzol tipo J Anzol circular 
 
 Figura 79: Ánzo is J e circular. 
 
Outro problema na pesca com longline e a captura de aves 
durante o lançamento. Elas mergulham atra s das iscas, pois a 
transpare ncia das a guas ocea nicas e grande, permitindo que elas 
 Tecnologia de pesca | 105 
localizem as iscas durante o lançamento do espinhel e fiquem 
fisgadas nos anzo is. Na tentativa de minimizar esse problema, foram 
desenvolvidos espantadores, que te m o mesmo princí pio de 
espantar aves na agricultura: funcionam com va rias fitas, 
penduradas em cabos na popa da embarcaça o. Ás fitas podem ser de 
tecido, ou pla sticos, denominadas de espantadores, ou Tory line, que 
funcionam espantando as aves para que na o se aproximem da a rea 
de lançamento (Figura 80). Outra alternativa e o dispositivo de 
lançamento por submersa o do longline: trata-se de uma calha de 
alumí nio que conduz a linha principal ate uma determinada 
profundidade fora do alcance das aves (Figura 81). Outra forma de 
evitar a captura de aves e banhar as iscas em corantes azuis, usados 
na culina ria como a anilina, diminuindo assim a visibilidade da isca 
na a gua azul do oceano. Como medida dra stica, em algumas regio es 
o lançamento do espinhel so e permitido a noite, quando a atividade 
de aves e mí nima. Recentemente, testes com emissa o de raios laser 
na popa da embarcaça o, que emitem cores e diferentes formatos na 
a gua, ve m tendo bons resultados no afastamento das aves. 
 
 
 
Figura 80: Espantadores Tory line na popa da embarcaça o durante o 
lançamento do espinhel. 
 
 
106 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
Figura 81: Dispositivo de submersa o, utilizado para liberar a linha principal em 
uma profundidade fora do alcance das aves. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 107 
CAPÍTULO IV 
REDES DE EMALHAR 
 
 
 
 
 
 
108 | Vanildo Souza de Oliveira 
4.1 REDES DE EMALHAR DE FUNDO EM EMBARCAÇÕES 
ARTESANAIS 
 
Esse aparelho de pesca pode ser empregado desde o mais 
simples modo, como lançamento e recolhimento na mare baixa sem 
necessidade de embarcaça o, ate me todos mecanizados empregados 
na pesca industrial. Por essas caracterí sticas, a rede de emalhar e um 
dos aparelhos mais abundantes na pesca, principalmente, na 
artesanal. 
E um apetrecho que pode capturar o peixe de va rias formas: 
pelas mandí bulas, pelo ope rculo, pela ma xima circunfere ncia do 
corpo, enrredamento e por ensacamento entre dois tipos de malhas 
diferentes, nas redes tipo transmalho. Ás redes de emalhar podem 
ser: fixas, de fundo, meia a gua e superfí cie, ou de deriva que seguem 
o sentido da corrente. 
 Á capacidade de emalhe esta relacionada com o dia metro do 
fio e o coeficiente de entralhamento da rede. Uma rede com fio muito 
fino e coeficiente de entralhe alto torna-se mais transparente, no 
entanto fra gil. Uma rede com fio muito grosso e coeficiente de 
entralhe baixo, torna-se resistente, pore m mais visí vel. Á eficie ncia 
de captura de uma rede de emalhar esta justamente em encontrar a 
otimizaça o entre resiste ncia e transpare ncia. 
 Ás manobras de pesca deste apetrecho sa o bastante simples, 
tanto na pesca artesanal como na industrial. De uma forma geral, as 
redes de fundo sa o fixadas com garateias (lastros) conectadas a 
cabos de boias e boias de sinalizaça o (Figura 82). 
 
 
 Tecnologia de pesca | 109 
 
 Figura 82: Rede de emalhar de fundo. 
 
4.1.1 Lançamento 
 
Á rede de emalhar e colocada em um dos bordos da 
embarcaça o, de acordo com a direça o da corrente ou vento. O 
lançamento e realizado no sentido da corrente ou vento, deixando a 
embarcaça o a deriva. Nessa operaça o, sa o necessa rios dois 
indiví duos, um em cada tralha da rede, ale m de um terceiro para 
lançar cabos de boias e garateias. 
Inicialmente, as tralhas, ou cabos de boia e chumbo da rede 
sa o conectadas ao cabo da boia, na altura predeterminada em 
relaça o ao fundo, e em seguida sa o lançadas simultaneamente ao 
mar. Toda a tensa o do peso da garateia, durante o lançamento, 
concentra-se no cabo de boia ate quando a garateia alcança o fundo, 
so enta o a boia de sinalizaça o e lançada ao mar. O lançamento da 
rede continua sendo feito pelos dois indiví duos, sempre com um 
liberando a tralha de boia e o outro a de chumbo, o terceiro e 
responsa vel pelos cabos de boias tambe m ajuda no lançamento 
(Figura 83). Dependendo do ní vel de integraça o da tripulaça o, essa 
manobra tambe m pode ser realizada pela popa. Á rede de emalhar, 
110 | VanildoSouza de Oliveira 
ao ser lançada, ja deve estar conectada com a pro xima, resultando 
em uma seque ncia de redes unidas por no s. 
 
 
Figura 83: Lançamento de uma rede de emalhar em sistema artesanal, vista de 
topo Á e lateral B. 
 
 Tecnologia de pesca | 111 
 
4.1.2 Recolhimento 
 
Á boia, juntamente com o cabo de boia, e recolhida pelo 
terceiro indiví duo, em seguida o primeiro e o segundo começam a 
içar a rede, sendo um puxando a tralha de boia e o outro a de 
chumbo. O terceiro, durante o recolhimento, fica ajudando na 
retirada do pescado da rede quando necessa rio — lembrando que 
sempre a rede deve fazer um a ngulo com a proa da embarcaça o para 
que o mestre da embarcaça o veja o apetrecho entrar no conve s 
(Figura 84). O recolhimento sempre deve ser realizado contra a 
corrente, ou vento, para que, em uma emerge ncia, sempre a 
embarcaça o possa dar marcha a frente, diminuindo a tensa o nas 
tralhas de boia e chumbo da rede. 
112 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 84: Recolhimento da rede de emalhar em sistema artesanal. 
4.2 REDE DE EMALHAR EM EMBARCAÇÃO INDUSTRIAL 
 
No Brasil, a frota industrial de embarcaço es com redes de 
emalhar, na sua maior parte, esta concentrada na regia o Sul. Essas 
embarcaço es realizam suas manobras de recolhimento das redes 
empregando guinchos. Á rede e armazenada na popa da embarcaça o, 
em um cercado com grades de alumí nio em toda a borda da popa, 
 Tecnologia de pesca | 113 
permitindo que, quando a rede seja lançada, na o emalhe, ou 
enganche. Álgumas redes de emalhar na pesca industrial tem uma 
caracterí stica de usar cabos de boia com flutuador interno e cabos 
de chumbo com chumbo interno, tambe m denominado de alma de 
chumbo (Figura 85), com o objetivo de que a panagem da rede na o 
enganche em nenhuma extremidade durante o lançamento, que e 
realizado em alta velocidade. No entanto, algumas embarcaço es 
utilizam redes com as tralhas tradicionais com boias e chumbos. 
 
 
Figura 85: Detalhes internos dos cabos de boias e de chumbos nas 
tralhas em uma rede de emalhar industrial. 
4.2.1 Lançamento 
 
Na popa da embarcaça o, e lançada a garateia com o cabo de 
boia, onde esta o conectadas as tralhas de boias e de chumbo; em 
seguida, a panagem da rede vai sendo lançada, sozinha pela popa, a 
114 | Vanildo Souza de Oliveira 
medida que o barco vai se deslocando, puxada pelo peso da garateia 
e pelo peso da rede na a gua (Figura 86). 
 
4.2.2 Recolhimento 
 
O recolhimento e realizado com o içamento da boia de 
sinalizaça o e em seguida da rede, que passa pela rampa de alumí nio, 
na borda da embarcaça o, que tem a finalidade de evitar que a 
panagem da rede se emalhe ou enganche na borda. Em seguida, a 
rede passa pelo guincho de recolhimento, no qual ela e puxada e 
segue em direça o a entrada da tubulaça o de PVC. Caso haja algum 
pescado, ele e retirado antes de entrar no tubo. Á rede entra pela 
tubulaça o, por onde e puxada pela tripulaça o, ou por um pequeno 
Power block, localizado na extremidade do tubo de PVC, na popa da 
embarcaça o. Á medida que a rede sai do tubo, ela vai sendo 
armazenada pela tripulaça o (dois indiví duos), de forma que fique 
pronta para um novo lançamento (Figura 87). 
 
 
 Tecnologia de pesca | 115 
 
 
Figura 86: Lançamento da rede de emalhar industrial. 
116 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
Figura 87: Recolhimento da rede de emalhar em embarcaça o industrial. 
 Tecnologia de pesca | 117 
 
4.3 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM REDES DE EMALHAR 
PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS 
 
Um dos danos ecolo gicos causados pelas redes de emalhar e 
a captura de ceta ceos, que, apesar de navegarem empregando 
sistema de detecça o sonora, na o conseguem detectar as panagens 
das redes, emalhando-se, o que, na maioria das vezes, leva a morte 
do animal. Uma das alternativas empregadas e a colocaça o de 
dispositivos com emissores sonoros, denominados de pinger, que, 
quando colocados nas tralhas das redes de emalhar, emitem uma 
freque ncia sonora detectada pelos ceta ceos (Figura 88). Esses 
dispositivos ainda esta o em fase de testes, em funça o da grande 
variaça o de freque ncia sonora existente entre as espe cies. Outra 
alternativa e a utilizaça o de panagens das redes banhadas com 
produtos quí micos, a exemplo de sulfato de ba rio, permitindo a 
reflexa o do som, sendo detectado assim pelo ceta ceo (Figura 89). 
 
 
 
Figura 88: Pingers colocados na tralha da rede emalhar, emitindo uma 
freque ncia que espanta os ceta ceos. 
118 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 89: Panagens banhadas com “sulfatos de ba rio”, possibilitando a 
detecça o da rede pelos ceta ceos. 
 
 
Existem outras experie ncias sendo ainda pesquisadas, como 
a colocaça o de pontos luminosos lightsticks, distribuí dos nas tralhas, 
para que ceta ceos e quelo nios consigam identificar a rede. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 119 
CAPÍTULO V 
COVOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
120 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
5.1 COVOS 
 
Sa o armadilhas mo veis que podem capturar peixes, 
crusta ceos e moluscos. Te m o princí pio de funcionamento 
denominado de “na o retorno”, cuja finalidade e na o permitir o 
retorno do indiví duo quando ele entra no covo. Á forma da entrada 
do covo, denominada de “sanga”, depende muito do objetivo da 
captura, possuindo formas distintas em funça o das formas das 
espe cies: peixes, crusta ceos ou moluscos (Figura 90). Ássim como o 
corpo do covo, a sanga pode ser confeccionada com material 
sinte tico ou vegetal. Os indiví duos podem ser atraí dos para dentro 
do covo por necessidades alimentares, quando da colocaça o de iscas, 
ou simplesmente refu gio na procura de um lugar para se esconder 
de predadores. 
 
 
Figura 90: Va rios tipos de sangas em covos. 
 
Essa modalidade de pesca e praticada tanto pela pesca 
artesanal, na Plataforma Continental, como pela pesca industrial, em 
grandes profundidades. Na pesca artesanal, os covos podem ser para 
a captura de peixes ou de crusta ceos. Os covos podem possuir uma 
ou mais sangas. Os de crusta ceos possuem, geralmente, a sanga com 
 Tecnologia de pesca | 121 
a abertura horizontal (lagostas) ou no topo do covo (caranguejo de 
profundidade), voltada para baixo. 
No Brasil, a pesca para captura de lagostas com covo estende-
se do Estado do Para ate o Espí rito Santo. E uma atividade 
basicamente artesanal e trabalha com covos com estruturas de 
madeira, ou ferro com panagens sinte tica, ou vegetal. Á pesca da 
lagosta com covos e mais empregada na plataforma continental do 
Nordeste, onde a pesca artesanal atua com embarcaço es, a vela, ou 
motorizadas sem guinchos meca nicos, empregando covos menores, 
com duas sangas, denominados de “cangalha” (Figura 91). Essas 
embarcaço es realizam os lançamentos e recolhimentos 
manualmente, por isso atuam em profundidades, geralmente, 
menores que 20m. 
Na pesca de lagosta com embarcaço es motorizadas, que 
utilizam guinchos hidra ulicos (talhas), ou meca nicos no 
recolhimento, empregam-se covos maiores denominados de manzua 
(Figura 92), geralmente confeccionados com estruturas de madeira 
ou ferro, com telas pla sticas ou panagens sinte ticas. Essa modalidade 
de pesca com manzua ja foi constituí da por embarcaço es 
consideradas industriais, mas atualmente limita-se a embarcaço es 
consideradas artesanais motorizadas. 
 Ás manobras com covos na pesca artesanal sa o simples e 
permitem que pequenas embarcaço es possam ser utilizadas, desde a 
jangada a vela, empregando covo tipo cangalhas ate barcos 
motorizados empregando covos, ou manzua . O tamanho da 
embarcaça o e que vai limitar o nu mero de covos, uma vez que uma 
grande a rea no conve s e ocupada por eles. Á isca utilizada 
geralmente sa o carcaças de peixes, ví sceras ou gordura de porco. Ás 
iscas, ale m devia veis economicamente, te m que ter um elevado 
poder de captura para atrair o pescado para dentro do covo. 
 
 
122 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 91: Cangalha, com duas sangas, tipo de covo empregado na pesca 
artesanal de lagosta. 
 
 
Figura 92: Covo, ou manzua , para captura de lagosta. 
 
Na pesca de crusta ceos de profundidade, como a do 
caranguejo do ge nero Chaceon, que pode ser realizada em 
profundidades ate 1.000m, os covos sa o diferentes tanto no tamanho 
quanto na forma (Figura 93). Essa modalidade de pesca considerada 
industrial foi realizada na Regia o Sul do Brasil. 
 
 
 Tecnologia de pesca | 123 
 
 
Figura 93: Covo em forma de tronco de cone para captura de caranguejo de 
profundidade. 
 
5.1.1 Lançamento 
 
O lançamento e realizado, na pesca artesanal, estando os 
covos armazenados no conve s, onde sa o retirados e lançados ao mar 
(Figura 94). Dependendo da estrutura do barco, os eles podem ser 
conectados, um ao outro, por meio de cabos, denominados de 
“Canga” (Figura 95), ou em sistema de espinhel, quando o 
recolhimento e realizado com a talha hidra ulica (Figura 96). Ápo s 
chegar a a rea de pesca, lança-se a boia conectada ao cabo de boia e 
em seguida os covos em sistema de cangas, em me dia com tre s 
covos, quando recolhido manualmente, e em nu mero maior, quando 
recolhido com a talha hidra ulica. 
124 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura 94: Lançamento das cangas de covos. 
 
 
 
Figura 95: Canga, grupo de tre s covos, ou mais. 
 
 
 Tecnologia de pesca | 125 
 
Figura 96: Sistema de espinhel com covos tipo manzua , quando recolhido com 
talha hidra ulica. 
5.1.2 Recolhimento 
 
E realizado em funça o do nu mero de dias em que os covos 
permanecem pescando. Geralmente os pescadores despescam certa 
quantidade de corvos todos os dias, de forma que sempre deixam 
covos na a gua para serem despescados diariamente, uma vez que o 
local de pesca e muito pro ximo da costa. 
Os barcos que possuem talha hidra ulica podem colocar mais 
covos e operar em maiores profundidades, a reas tais na o acessí veis 
para os barcos que recolhem os covos manualmente. No 
recolhimento com a talha, o sistema e o de espinhel; a medida que a 
linha principal vai sendo içada, as linhas secunda rias, cada uma 
delas com um covo, va o sendo desconectadas, ao mesmo tempo em 
126 | Vanildo Souza de Oliveira 
que os covos sa o armazenados no conve s (Figura 97). Os covos sa o 
novamente iscados, ficando prontos para o pro ximo lançamento. 
Caso haja lagosta, ela e retirada e armazenada. 
 Na pesca industrial para caranguejos de profundidade, o 
sistema empregado tambe m e o espinhel, com as mesmas manobras 
de lançamento e recolhimento podendo, em um “sambura ” 
(dista ncia entre duas boias), ter va rios covos (Figura 98). 
 
 
 
 
 
Figura 97: Recolhimento dos covos com a talha hidra ulica e disposiça o dos 
covos no conve s depois do recolhimento. 
 
 Tecnologia de pesca | 127 
 
 
Figura 98: Sistema de covos de caranguejo de profundidade na pesca 
industrial. 
 
5.2 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM COVOS PARA MINIMIZAR 
DANOS AMBIENTAIS 
 
Os covos, apesar de serem mais seletivos do que as redes, 
tambe m capturam fauna acompanhante, em menor escala e 
principalmente indiví duos juvenis da espe cie-alvo, com tamanho 
menor que o permitido. Para minimizar esses impactos, atualmente 
sa o empregados janelas de exclusa o, obrigato rias em va rios paí ses. 
Essas janelas permitem que os indiví duos menores possam escapar, 
assim como a fauna acompanhante. Elas podem ser retangulares no 
128 | Vanildo Souza de Oliveira 
sentido horizontal, vertical ou circular, dependendo da espe cie-alvo 
(Figura 99). 
 
 
 
 
Figura 99: Janelas de exclusa o “horizontal” para lagostas juvenis e “vertical” 
para peixes. 
 
 
 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 129 
 
CAPÍTULO VI 
PESCA DE LULAS COM ATRAÇÃO 
LUMINOSA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
130 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 6.1 CAPTURA DE LULAS 
 
Certas espe cies que habitam o oceano, desde o micropla ncton 
ate o macro, possuem atraça o ou repulsa o em relaça o a luz. Ás 
espe cies que sa o atraí das pela luz possuem a fototaxia positiva; ja as 
que afastam-se possuem a fototaxia negativa. Á utilizaça o da luz na 
atividade pesqueira vem sendo desenvolvida desde utilizaço es de 
fachos ou tochas ate os sistemas ele tricos atuais. 
 Na pesca com atraça o luminosa industrial, sistemas com 
la mpadas sa o empregados na concentraça o de espe cies, que, na 
maioria das vezes, ao se concentrarem, atraem os predadores 
maiores, que sa o geralmente alvo da pescaria. 
 No Brasil, as lulas apesar de ocorrerem, na o sa o encontradas 
em grandes concentraço es que viabilizem a exploraça o por uma 
frota industrial, a exemplo de como e realizado na Árgentina, onde 
existe uma frota dirigida para a captura de lulas com atraça o 
luminosa. Essas embarcaço es sa o caracterizadas por possuir, no 
conve s, grande quantidade de la mpadas, cada uma podendo alcançar 
ate mais de 1000 Watts. Elas te m a finalidade de atrair as lulas para 
serem capturadas, quando tentam capturar iscas artificiais na zona 
iluminada. 
Ás iscas artificiais sa o fixas em uma linha principal com 
intervalos entre elas, sa o constituí das de estruturas de pla sticos 
pintadas com tinta fosforescente e va rios ganchos sem barbelas, que, 
quando atacadas, cravam-se nas lulas (Figura 100). 
 
 Tecnologia de pesca | 131 
 
 
Figura 100: Iscas artificiais para captura de lulas. 
 
No caso da pesca de lulas, elas na o sa o atraí das pela luz, uma 
vez que possuem a fototaxia negativa; elas va o em busca das suas 
presas, que sa o atraí das pela luz. Á colocaça o das la mpadas no 
conve s da embarcaça o deve ser em uma posiça o na qual embaixo da 
embarcaça o fique sem iluminaça o, proporcionando condiça o para 
132 | Vanildo Souza de Oliveira 
que as lulas fiquem protegidas da luz. E, ao mesmo tempo, em 
posiça o estrate gica para realizar o ataque a s iscas artificiais, que 
devem estar bem visí veis, na a rea iluminada, uma vez que essas iscas 
sa o feitas com materiais fosforescentes, atraindo as lulas (Figura 
101). 
 
 
Figura 101: Posicionamento das lulas em relaça o a s iscas artificiais. 
 
Ás ma quinas que capturam as lulas pescam automaticamente 
lançando e recolhendo uma linha principal com va rias iscas 
artificiais. Como o tambor de armazenamento da linha principal tem 
o eixo exce ntrico; ele, ao liberar ou recolher a linha, realiza um 
movimento para cima e para baixo. Esse movimento simula os 
movimentos da isca, tanto na subida como na descida, o que provoca 
o ataque das lulas (Figura 102). 
 Tecnologia de pesca | 133 
 
 
Figura 102: Ma quina automa tica de lançamento e recolhimento das iscas 
artificiais na pesca de lulas. 
 
Em uma embarcaça o industrial, muitas vezes, no conve s so se 
observam ma quinas, que podem pescar toneladas em questa o de 
horas. Essas embarcaço es sa o equipadas com geradores especí ficos 
para gerar energia em watts, necessa rios para a quantidade de 
la mpadas projetadas. Para se manter em cima dos cardumes, as 
embarcaço es possuem a ncoras flutuantes, que te m a finalidade de 
diminuir a velocidade de deriva da embarcaça o. Ássim como uma 
vela estabilizadora na popa, (Figura 103). O reflexo das luzes na 
superfí cie do mar de uma frota pesqueira com atraça o luminosa e 
ta o intenso que, no iní cio da exploraça o dos estoques de lulas na 
Árgentina, a Nasa, apo s analisar fotos de sate lites da superfí cie do 
mar, questionou o que era aquela cidade dentro do oceano. 
 
 
134 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura 103: Embarcaça o equipada para pesca de lulas com atraça o luminosa. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 135 
 
CAPÍTULOVII 
PESCA COM VARA E ISCA VIVA 
 
 
 
 
 
 
136 | Vanildo Souza de Oliveira 
7.1 PESCA COM VARA E ISCA VIVA 
 
Á pesca com vara e isca viva foi iniciada no Brasil no final da 
de cada de 70, no Estado do Rio de Janeiro, tendo como espe cie-alvo 
o bonito listrado Katsuwonus pelamis. Essa modalidade de pesca 
necessita de iscas vivas para atraça o dos cardumes. No Brasil 
emprega-se a sardinha como isca viva, no entanto essa depende ncia 
da sardinha tornou-se preocupante, quando da diminuiça o dos 
estoques nacionais, muitas vezes impossibilitando a atividade por 
falta de isca viva. Existem duas modalidades de aquisiça o de iscas: 
quando o barco tem sua pro pria rede de cerco e uma panga 
(pequena embarcaça o que auxilia no fechamento da rede), ou 
embarcaço es que compram a isca de pequenas traineiras. Essas 
pequenas traineiras capturam as sardinhas nas baias e, apo s a venda, 
transferem diretamente para os barcos de pesca de bonito. 
 Ás embarcaço es, para realizar essa modalidade de pesca, 
necessitam ter, no conve s, tanques que mantenham as iscas vivas, ate 
alcançarem a a rea de captura dos cardumes de bonito. Á 
manutença o das sardinhas vivas nos tanques e de fundamental 
importa ncia, pois, se elas morrem, impossibilitam a pesca com vara. 
Quando os cardumes sa o localizados visualmente na superfí cie, 
inicia-se o acompanhamento. Á pesca propriamente dita tem iní cio 
com o lançamento das iscas vivas sobre o cardume, as quais sa o 
retiradas com um puça de um dos tanques, por um dos tripulantes. 
Áo mesmo tempo que sa o acionados esguichos de a gua, que ficam 
sendo lançados na superfí cie da a gua, simulando a agitaça o de um 
cardume de sardinha, possibilitando o frenesi alimentar do cardume 
de bonito, fazendo com que os peixes mordam os anzo is, no meio do 
esguicho de a gua e das iscas vivas. O ataque aos anzo is e apenas pelo 
estimulo visual, uma vez que eles na o te m isca. Uma caracterí stica 
dessa pesca e que os anzo is na o possuem barbelas, sa o como um 
gancho, para facilitar a soltura do peixe quando arremessados para o 
 Tecnologia de pesca | 137 
conve s. Ás varas, geralmente, te m de 2m a 3m e podem ser de fibra 
de carbono ou bambu (Figura 104). 
 
 
Figura 104: Vara e anzol, sem barbela, para a pesca de bonito com isca viva. 
 
Á medida que as iscas vivas sa o lançadas, os anzo is tambe m 
ficam fazendo movimentos na superfí cie da a gua, quando sa o 
fisgados durante o frenesi da alimentaça o (Figura 105). Quando os 
bonitos va o sendo fisgados, sa o puxados com as varas pelos 
pescadores e, assim que batem no conve s, por na o terem barbelas, os 
peixes largam os anzo is, que sa o novamente arremessados ao mar. 
Va rios barcos podem pescar ao mesmo tempo seguindo o mesmo 
cardume. Á produça o pode ser toneladas em intervalos de poucas 
horas, dependendo do tamanho dos cardumes. 
138 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura 105: Pesca de bonito, lançamento de isca viva e esguichos de a gua 
durante a pesca. 
 
 Tecnologia de pesca | 139 
CAPÍTULO VIII 
EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS 
AUXILIARES À PESCA 
 
 
 
140 | Vanildo Souza de Oliveira 
8.1 ECOSSONDA 
 
O desenvolvimento de equipamentos acu sticos surgiu de 
observaço es da natureza: os cientistas ficavam intrigados em 
entender como um morcego conseguia apanhar o alimento no ar em 
um quarto escuro. Essas observaço es constataram que ele utilizava o 
sistema de emissa o e recepça o do som para localizar o alimento. O 
estudo da freque ncia de ondas sonoras veio trazer novas aplicaço es, 
dentre elas a detecça o de profundidade na a gua (Ecossonda e 
Sonar), o que logo foi assimilado pela a rea militar na detecça o de 
submarinos e ataques ae reos na detecça o de avio es (Radar). Durante 
a segunda guerra, o desenvolvimento da ecossonda e sonar foram 
fundamentais para a localizaça o de submarinos. Logo, essa te cnica 
foi desenvolvida para embarcaço es civis e consequentemente para 
emprego na pesca. 
 
8.2 FREQUÊNCIA DE ONDAS 
 
O padra o de freque ncia de ondas em uma ecossonda e 
classificado em baixa freque ncia e alta freque ncia, em funça o do 
comprimento de onda (Figura 106). 
 
Figura 106: Comprimentos de ondas de baixa e alta freque ncia. 
 Tecnologia de pesca | 141 
 
Ás ondas de alta freque ncia, quando observadas em um 
oscilosco pio, liberam, do centro da emissa o, va rios feixes com a ngulo 
de emissa o menor, enquanto as de baixa emitem menor nu mero de 
feixes, com a ngulo de emissa o maior. Observa-se que, em ambas, a 
concentraça o do pulso sonoro dissipa-se do centro para as 
extremidades (Figura 107). Á unidade de freque ncia de ondas e o 
Hertz, em homenagem ao alema o Heinrich Hertz, pelos seus estudos 
na a rea de eletromagnetismo. Na atividade pesqueira, duas 
freque ncias em quilohertz (kHz), comumente sa o encontradas nas 
ecossondas comerciais as de alta freque ncia, com 200 kHz, e as de 
baixa freque ncia, com 50 kHz. 
 
. 
Figura 107: Representaça o de ondas de baixa e alta freque ncia em um 
oscilosco pio. 
 
Á ecossonda de alta freque ncia tem uma sensibilidade maior, 
a ngulo de emissa o do pulso sonoro menor, no entanto e mais 
suscetí vel a interfere ncias e consequentemente tem alcance menor. 
Enquanto a emissa o de baixa freque ncia tem menor sensibilidade, 
a ngulo de emissa o maior e alcance maior. 
 
 
 
142 | Vanildo Souza de Oliveira 
Características Baixa 
Frequência 
Alta 
Frequência 
Álcance Maior Menor 
Resoluça o Menor Maior 
Sensibilidade Menor Maior 
Á ngulo 
de emissa o 
Maior Menor 
 
Geralmente em profundidades menores que 100m, 
empregam-se ecossondas com alta freque ncia (200 kHz), de menor 
alcance, no entanto com maior sensibilidade, apresentando mais 
detalhes de fundo, o que e de grande importa ncia principalmente na 
pesca de arrasto na plataforma, onde a localizaça o de pedras 
(cabeços) evita a danificaça o das redes e portas de arrasto. Quando 
em profundidades maiores que 100m, geralmente, emprega-se 
ecossonda de baixa freque ncia (50 kHz), uma vez que tem um maior 
alcance, principalmente nas atividades em que na o e necessa rio um 
maior detalhamento de fundo, caso da pesca com aparelhos 
constituí dos por linha e anzol (linhas de fundo e espinhel). 
Átualmente, a maioria dos modelos de ecossonda ja sa o equipados 
com as duas freque ncias de 50 kHz e 200 kHz, podendo inclusive 
empregar as duas ao mesmo tempo. Na o confundir com o eco 
integrador, que e uma ecossonda cientí fica empregada na avaliaça o 
de estoques, que trabalha com freque ncias mais baixas ou mais altas. 
Para detectar a profundidade, a ecossonda emite o som, que 
viaja em me dia a uma velocidade de 1.500 m/s na a gua do mar. Essa 
emissa o e realizada por um transdutor, que serve tambe m para 
recepça o do som. Á ecossonda emprega a mesma fo rmula de ca lculo 
para a determinaça o de uma dista ncia percorrida. Para obter a 
profundidade em metros, a ecossonda considera o tempo apenas o 
de ida, resultando assim na seguinte fo rmula: 
 
 Tecnologia de pesca | 143 
 
P = Profundidade (m) 
V = Velocidade do som na a gua (1500m/s) 
T = Tempo entre a emissa o e recepça o do som 
 
O esquema de funcionamento de uma ecossonda e composto 
por: monitor na estrutura da ecossonda e um transdutor no casco da 
embarcaça o. Na estrutura, ale m do monitor, localiza-se um 
amplificador, que aumenta, no retorno, os registros sonoros. O som e 
emitido de acordo com a freque ncia e pote ncia da ecossonda, que 
envia e recebe ao transdutor, em forma de energia ele trica, enquanto 
o transdutor emite e recebe em forma de energia acu stica. O 
dia metro da a rea varrida pelo feixe no fundo (L) e determinado em 
funça o da profundidade e do a ngulo de emissa o (Figura 108). 
 
144 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 108: Esquema de funcionamento de uma ecossonda e diametro de 
varredura. 
 
Existem va rios modelos de ecossondas, com inu meras 
funço es e comandos, no entanto as principais sa o: ganho, que regula 
a sensibilidade; a escala, que regula o alcance (profundidade); e o 
 Tecnologia de pesca | 145 
seletor de frequência 50 kHz ou 200 kHz. Tambe m podem ter a 
funça o zoom, a qual possibilita a ampliaça o do fundo, assim como a 
funça o alarme, que, quando acionada, detecta peixes em uma faixa 
de profundidade programada, dentre outras. Dependendo do 
modelo, aumenta o nu mero de funço es. 
 
8.3 O QUE A ECOSSONDA PODE DETECTAR? 
 
a) Profundidade; 
b) Topografia do fundo; 
c) Cardumes e peixes individualmente; 
d) Plâncton: E possí vel observar a migraça o vertical do zoopla ncton 
(ecossonda com alta freque ncia); 
e) Termoclina: Á ecossonda detecta a diferença de densidade, a a gua 
mais fria e mais densa (ecossonda com alta freque ncia); 
f) Interferências: Que podem ser meca nica (borbulhas, vibraça o, 
ruí do) e ele trica, oriunda de equipamentos eletro nicos da pro pria 
embarcaça o, ou de outra; 
h) Tipo o fundo: Detecta quando o substrato e mole (areia, cascalho 
ou lama) ou duro (rocha). 
 
8.4 O QUE PODE INTERFERIR EM UMA ECOSSONDA? 
 
Á interfere ncia meca nica pode ser originada pela vibraça o do 
motor, ou he lice da embarcaça o; dessa forma, o transdutor deve ser 
colocado a uma dista ncia de 1/3 do comprimento total da 
146 | Vanildo Souza de Oliveira 
embarcaça o em relaça o a proa, com a finalidade de evitar a 
interfere ncia da vibraça o do motor, e o mais pro ximo da quilha, com 
o objetivo de minimizar o movimento pendular do casco da 
embarcaça o (Figura 109). 
 Todo tipo de interfere ncia sonora na a gua pode ser 
registrado em uma ecossonda. O barco, quando em deslocamento, 
produz turbule ncias (borbulhas), que sa o geradas pela a gua em 
contato com o casco, e pelo vento, que logo apo s serem geradas 
explodem, liberando som e, com isso, sendo registradas pela 
ecossonda, causando assim interfere ncias. 
Essas exploso es das borbulhas sa o captadas pelo transdutor 
da ecossonda, quando pro ximas da superfí cie, resultando com isso a 
ause ncia de registro das ondas sonoras de retorno, tendo como 
conseque ncia a falta de registro do fundo no monitor, dando a 
impressa o que existe um canal com profundidade tal, que o eco na o 
retornou (Figura 110 a). Outra condiça o de interfere ncia e em a guas 
com muita turbule ncia, podendo ocupar todo o monitor (Figura 110 
b). 
 Á interfere ncia meca nica tambe m pode ser gerada pela 
vibraça o do motor, ou da he lice, aumentando o ní vel de interfere ncia 
no monitor de acordo com o aumento da aceleraça o do motor, 
produzindo faixas de interfere ncias no monitor cada vez que 
aumenta a aceleraça o do barco (Figura 111 a). Ás interfere ncias 
eletro nicas podem ser causadas quando outro barco navega muito 
pro ximo, provocando uma superposiça o de sinais sonoros na a rea de 
varredura das ecossondas, resultando em arcos que va o da 
superfí cie ao fundo no monitor (Figura 111 b). 
 Tecnologia de pesca | 147 
 
 
Figura 109: Causas de interfere ncias em uma ecossonda. 
 
 
 
 a b 
Figura 110 :Interfere ncia por bolhas na superfí cie (a) e em toda coluna da a gua 
(b). 
 
148 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 a b 
Figura 111:Interfere ncia meca nica causada pela vibraça o do motor (a), 
interfere ncia eletro nica causada pela ecossonda de outra embarcaça o (b). 
 
Á detecça o de um peixe e apresentada no monitor da 
ecossonda, como uma forma co ncava para baixo. Como foi 
demonstrado, o pulso e mais forte no centro e vai perdendo 
intensidade nas extremidades. Quando um peixe entra na zona de 
detecça o do pulso, ele e registrado com menor intensidade e vai 
aumentando, a medida que vai chegando ao centro do pulso (menor 
dista ncia da origem do pulso), voltando a diminuir o registro a 
medida que o peixe vai se afastando, sendo registrado na forma do 
retorno do pulso (Figura 112). 
 
 
Figura 112: Forma registrada por um peixe no monitor da ecossonda. 
 Tecnologia de pesca | 149 
Os cardumes, diferentemente dos indiví duos isolados, sa o 
representados de diversas formas, dependendo da espe cie, pois 
algumas mudam a forma de agregaça o em funça o de fatores como: 
sazonalidade, alimentaça o e reproduça o. Quando o registro do 
cardume e menor que o a ngulo do pulso sonoro, ele se apresenta 
concentrado. Quanto mais forte for a cor do seu interior, mais densa 
sera a concentraça o do cardume. Quando o cardume e maior que o 
a ngulo do pulso e esta distribuí do horizontalmente, ele ocupa todo o 
monitor, sendo possí vel apenas detectar sua altura de imediato 
(Figuras 113 a e b). 
 
 
 
Figura 113 (a) e (b): Formas de apresentaça o de cardumes: concentrado (a) e 
cardume com grande extensa o horizontal (b). 
 
Átualmente as ecossondas possuem controles de escala de 
profundidade automa ticos: a medida que a profundidade vai 
aumentando ou diminuindo, elas va o automaticamente mudando de 
escala. Em ecossondas que na o te m mudança de escala automa tica, 
quando elas esta o operando em uma profundidade com uma escala 
fixa, por exemplo, para 90m e ha um deslocamento para uma 
profundidade menor de 30m, ocorre o registro de um segundo 
fundo, abaixo do verdadeiro. Esse segundo registro, ou registro 
duplo e devido a alta intensidade do pulso do som para alcançar os 
90m, que, no entanto, alcança apenas 30m, retornando ainda com 
150 | Vanildo Souza de Oliveira 
alta intensidade para o transdutor, gerando assim um segundo 
registro denominado de “fundo fantasma”, que desaparece quando a 
escala e corrigida para a atual profundidade, no caso 30m. 
Átualmente a correça o da profundidade e automa tica (Figura 114). 
 
 
 
Figura 114: Fundo fantasma, segundo fundo registrado pela ecossonda. 
 
Á escala de profundidade da ecossonda tem o seu alcance em 
funça o da sua pote ncia, que e dada em watts. Quanto maior for a 
escala de profundidade, maior tera que ser a pote ncia necessa ria 
para atingir a profundidade desejada. Ále m de saber escolher a 
frequ e ncia para uma ecossonda, e importante saber qual a pote ncia 
necessa ria para alcançar a profundidade ma xima desejada. 
Átualmente no mercado de ecossondas para pesca, encontram-se 
geralmente transdutores com pote ncias que variam de 300 a 
1.000Watts. 
Á ecossonda detecta a recepça o dos sons, e, atrave s da 
interpretaça o desses registros, aliada a comprovaça o com a coleta de 
fundo no local, podemos classificar o registro quando a intensidade: 
“fundo duro” (pedras e outros materiais so lidos), reflete a maior 
parte do som, resultando em um registro forte, enquanto o “fundo 
 Tecnologia de pesca | 151 
mole” (areia, lama e cascalho) absorve grande parte do som, 
resultando em um registro mais fraco (Figura 115). 
Ás ecossondas atualmente, dependendo do tipo de tecnologia 
e do modelo do transdutor, conseguem estimar ate o comprimento 
me dio dos peixes, empregando funço es especificas. Com esse tipo de 
ecossonda, e possí vel detectar o tamanho de peixes entre 10 e 199 
centí metros nas profundidades de 2m a 100m. Ássim como tipo de 
fundo, apresentando o desenho de: lama, rocha, areia ou cascalho, 
em tonalidades de cores diferentes respectivamente no monitor. Á 
tende ncia, com o desenvolvimento da tecnologia, e cada vez mais 
funço es que especifiquem, com mais certeza, o alvo da pescaria. 
 
 
 
Figura 115: Detecça o de tipos de fundos duros ou moles. 
 
Na detecça o de cardumes muito pro ximo do fundo, eles 
podem ser confundidos como sendo parte integrante do fundo. Para 
evitar esse engano, existe uma funça o nas ecossondas denominada 
de “LinhaBranca”, que faz a separaça o entre o cardume e o fundo 
(Figuras 116 a e b). 
152 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura 116: Monitor (a) com a detecça o normal e monitor (b) com a funça o 
linha branca acionada. 
 
8. 5 SONAR 
 
O desenvolvimento dos aparelhos com emissa o sonora, como 
a ecossonda, propiciou sua aplicaça o na atividade pesqueira, 
principalmente para detecça o de cardumes pela gicos e demersais. O 
sonar, que inicialmente foi empregado para detecça o de submarinos 
na Segunda Guerra, surgiu como uma excelente alternativa para a 
pesca de pela gicos como: sardinhas, anchovas, dentre outros. O 
sonar possibilitou a detecça o de cardumes na direça o horizontal, 
atrave s de varreduras em 360o, assim como na vertical de 0o a 90o 
graus. Esse aparelho logo foi adotado para os barcos cerqueiros, 
tornando possí vel, dessa forma, uma ra pida localizaça o e 
dimensionamento dos cardumes para a realizaça o do cerco, na pesca 
de pequenos pela gicos (sardinhas, anchovas) e grandes (atuns e 
afins). 
 Tecnologia de pesca | 153 
 O sonar e formado por um monitor, sendo o ponto central a 
embarcaça o e os ane is que saem do centro para a extremidade da 
tela, dista ncias que podem ser reguladas em milhas na uticas, 
possibilitando saber, a dista ncia, o tamanho e a direça o em que o 
cardume se encontra. O sonar de varredura, ou scanner, realiza um 
giro de 360º na horizontal e de 0º a 90º na vertical. Ápesar de 
eficiente na sua varredura, pode perder o cardume durante o giro 
total, permitindo que ele possa sair da a rea de registro do monitor, 
enquanto uma nova varredura esta sendo concluí da pelo aparelho 
(Figura 117). 
 
 
 
Figura 117: Sistema de varredura “scanner” de um sonar. 
154 | Vanildo Souza de Oliveira 
Com a finalidade de evitar o escape do registro do cardume 
durante a varredura no monitor do sonar, foi desenvolvido um 
transdutor com emissa o Doppler, que emite o som do centro do 
transdutor para a extremidade, atrave s de microtransdutores, 
permitindo que o acompanhamento do cardume seja monitorado 
durante todo o tempo do cerco (Figura 118). Esse sistema e 
geralmente empregado em grandes embarcaço es, em funça o do seu 
elevado custo. 
 
 
Figura 118: Transdutor com sistema Doppler, com microtransdutores. 
 
O sonar e empregado durante a operaça o de cerco, tanto de 
pequenos quanto de grandes pela gicos. Ele possui va rias funço es de 
operaço es, destacando-se a seleça o de a rea de varredura em que foi 
detectado o cardume, durante o cerco, para que se possa monitorar 
apenas esta a rea (Figura: 119). Tambe m pode fornecer uma imagem 
de varredura vertical. Os modelos com plot, mostram o registro do 
percurso do barco na tela, obtidos por um GPS, facilitando o cerco do 
cardume. 
 
 Tecnologia de pesca | 155 
 
Figura 119: Monitoramento do cardume com o sonar durante o cerco. 
 
 
8.6 RADAR 
 
Teve o seu desenvolvimento em 1904 por Christian 
Hulsmeyer, na Álemanha, e ficou esquecido ate 1938, por na o haver 
aplicaça o pra tica, quando foi aprimorado para detectar avio es, tendo 
grande emprego na Segunda Guerra, pelos brita nicos. So depois da 
segunda guerra e que se deu o emprego para outros fins, 
principalmente para a navegaça o, vindo assim a minimizar acidentes 
156 | Vanildo Souza de Oliveira 
entre embarcaço es, principalmente em a reas de grande tra fego 
marí timo, tanto durante o dia como a noite. Os radares tambe m 
foram empregados, inicialmente, na navegaça o costeira, atrave s da 
identificaça o de dois pontos conhecidos em terra, possibilitando 
plotar na carta na utica sua posiça o no mar. 
 Ássim como a ecossonda e o sonar, o radar emite e recebe 
ondas sonoras por meio de uma antena, geralmente fixa em cima da 
cabine de comando. Enquanto o sonar e a ecossonda trabalham com 
kHz (a gua), o radar trabalha, geralmente, com megahertz MHz (ar). 
O monitor do radar e semelhante ao do sonar, pois tem a 
embarcaça o no centro e cada anel representa uma dista ncia em 
milhas. 
No monitor, e possí vel registrar o continente ou ilhas e 
principalmente outras embarcaço es, assim como seus rumos e 
velocidade quando o radar esta conectado a um GPS. Tambe m possui 
um sistema de alarme, que dispara quando qualquer embarcaça o 
chega a uma dista ncia predeterminada. 
Na pesca, e bastante empregado como equipamento auxiliar 
na atividade de cerco, pois os modelos mais modernos detectam 
concentraço es de pa ssaros sobre a superfí cie do mar, o que pode 
indicar a existe ncia de concentraça o de pequenos pela gicos 
(sardinha, anchova dentre outros) ou grandes pela gicos, como atuns 
e afins (Figura 120). 
 
 
Figura 120: Radar detectando concentraço es de aves na superfí cie da a gua, 
como indicadores de cardumes de peixes pela gicos. 
 
 Tecnologia de pesca | 157 
8.7 SISTEMA DE NAVEGAÇÃO POR SATÉLITE GPS 
(GLOBAL POSITIONING SYSTEM) 
 
Ápo s a utilizaça o das estrelas para a localizaça o das 
embarcaço es, so no se culo vinte foi possí vel faze -lo sem elas, com a 
descoberta da freque ncia de ra dio. Á localizaça o por direcionamento 
de ondas de ra dio permitiu a definiça o do posicionamento das 
embarcaço es, atrave s do cruzamento das ondas de ra dio emitidas 
por antenas localizadas em terra. Existem va rios sistemas de 
emissa o de ondas, denominados de: Loran Á, Loran C, Omega e 
Decca, que funcionam no Hemisfe rio Norte, empregando antenas de 
ondas de radio: na costa da Áme rica do Norte, costa da Europa e 
uma na Ilha de Áscensa o, no Átla ntico Norte. 
Com o desenvolvimento da corrida espacial, o Departamento 
de Defesa dos EUÁ, no iní cio da de cada de l960, denominou um 
projeto de Navigation System with Time and Ranging Global 
Positioning System ‒ Navstar, que obtinha a posiça o precisa quando 
detectava seis sate lites, estimando a posiça o ate novamente ser 
possí vel detecta -los, tendo de ser introduzido no aparelho o rumo da 
embarcaça o a cada mudança de rota. Esse sistema foi substituí do 
pelo Global Positioning System ‒ GPS, muito mais ra pido e preciso, 
pois inicialmente foi formado por 24 sate lites, em seis o rbitas a 
20.200km de altitude. Desses 24 sate lites, 3 sa o de uso restrito aos 
militares americanos, sendo os outros disponibilizados para uso 
civil. 
O sistema GPS, que foi, inicialmente, restrito ao uso militar, 
sendo disponibilizado para a aviaça o civil, apo s o acidente com o voo 
007 da Korean Áirlines, avia o civil coreano que foi derrubado por 
jatos interceptadores sovie ticos em 1º de setembro de 1983, a oeste da 
ilha de Sacalina. Como houve uma grande du vida sobre se o avia o 
estaria dentro do espaço ae reo sovie tico, diante do impasse, a partir 
desse acidente, o governo americano determinou que o sistema 
GPS passaria a estar disponí vel para propo sitos civis, uma vez que se 
http://pt.wikipedia.org/wiki/1_de_Setembro
http://pt.wikipedia.org/wiki/1983
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sakhalin
http://pt.wikipedia.org/wiki/GPS
158 | Vanildo Souza de Oliveira 
concluiu que este incidente poderia ter sido evitado. Ás aeronaves 
civis foram autorizadas a utilizarem a navegaça o com o sistema GPS, 
posteriormente empregadas na navegaça o comercial marí tima e, 
consequentemente, na atividade pesqueira. 
 Nesse sistema, para se calcular a posiça o, a hora-padra o tem 
que ser altamente precisa, portanto cada sate lite esta equipado com 
um relo gio ato mico, com precisa o de nano-segundo, mais preciso 
que a pro pria rotaça o da Terra. Um relo gio ato mico atrasa um 
segundo em 50.000 anos, permitindo uma refere ncia de tempo mais 
esta vel e exata. Átualmente existem outros sistemas de navegaça o 
por sate lite: Glonass, da Ru ssia; Galileo, da Europa, este de uso na o 
militar; e Beidou, da China, os dois u ltimos ainda em finalizaça o. 
O sistema GPS trabalha com freque ncia em gigahertz (GHz). 
Nosaparelhos de GPS com chartplotter (cartas na uticas eletro nicas), 
a localizaça o e plotada diretamente na carta digital. Á 
operacionalizaça o de um GPS e muito simples: ao teclar a funça o ir 
para, o aparelho faz uma rota entre o local em que se encontra e um 
determinado ponto informado. Ele fornece, ainda, a dista ncia e 
tempo ate a chegada do ponto, a direça o, o rumo e a velocidade do 
barco. 
 Átualmente, a maioria dos pescadores usa o GPS tambe m 
como fonte de informaço es, pois podem armazenar grande 
quantidade de posiço es de pontos de pesca. Ele e muito importante 
na localizaça o dos aparelhos de pesca, uma vez que estes sa o 
deixados nos pesqueiros para serem recolhidos posteriormente. 
Muitas vezes, por estarem em a reas de muita movimentaça o de 
embarcaço es, torna-se perigoso o uso de boias de sinalizaça o (Figura 
121). 
 
 Tecnologia de pesca | 159 
 
Figura 121: Recolhimento de um espinhel de fundo com uma garateia, entre os 
pontos P1 e P2, empregando-se os pontos de lançamento armazenados no GPS. 
 
Outra grande utilidade do GPS e na segurança marí tima: 
quando ocorre uma avaria, a comunicaça o com outras embarcaço es 
fornece sua posiça o, evitando assim antigos problemas de buscas 
demoradas, que muitas vezes aumentava bastante o tempo para o 
resgate. 
O emprego do GPS, aliado aos ra dios de comunicaça o e 
celulares, deu um grande avanço na segurança marí tima, 
principalmente na pesca artesanal. Esses avanços tecnolo gicos, que 
antes eram so disponí veis para as grandes embarcaço es, hoje 
permitem a uma simples embarcaça o ter um moderno sistema de 
navegaça o, bastando um laptop com as cartas na uticas instaladas, 
que esta o disponí veis gra tis no site da Marinha do Brasil. Para isso, 
utiliza-se qualquer software de navegaça o, tambe m gratuito, 
disponí vel na internet. Esse laptop, quando acoplado a um GPS, torna 
a embarcaça o munida de um plotter georreferenciado, com uma tela 
que fornece a carta na utica e o posicionamento online da 
embarcaça o, ale m de apresentar a rota e o rumo a ser seguido, 
dentre outras informaço es, dependendo do software (Figura122). 
 
 
160 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 122: Informaço es geradas por um GPS em uma carta na utica eletro nica 
instalada em um laptop. 
 
Com o desenvolvimento da tecnologia das comunicaço es na 
atividade pesqueira, as embarcaço es artesanais que possuem ra dio 
de comunicaça o e, quando esta o avariadas, na o permanecem a 
deriva ate serem encontradas, como antes. Átualmente, quase todo 
pescador tem um celular equipado com um GPS. Em caso de avaria, 
quando o celular começa a detectar sinal, a medida que se aproxima 
do continente, aumenta a chance de fazer uma ligaça o, comunicando 
sua posiça o com o GPS de seu celular. Esse aparelho atualmente e 
bastante popular entre os pescadores, pois a necessidade de marcar 
seus pontos de pesca e posiça o dos equipamentos de pesca faz com 
que a cada dia mais pescadores tornem-se dependentes desse 
equipamento. 
 
8.8 SATÉLITE 
 
Á utilizaça o de informaço es oriundas de sate lites na atividade 
pesqueira torna-se atualmente essencial, visto que a eficie ncia de 
captura e um fator fundamental para o sucesso da atividade. Ás 
 Tecnologia de pesca | 161 
frotas pesqueiras, principalmente as atuneiras, que realizam grandes 
deslocamentos — por ser uma atividade ocea nica —, tendem a 
otimizar o tempo de navegaça o dirigindo-se diretamente para as 
a reas de pesca. Dessa forma, as informaço es obtidas por sate lites 
possibilitam encontrar as a reas mais propí cias a presença de 
cardumes. 
Dentre as informaço es importantes que podem ser obtidas 
por meio de software de informaço es oceanogra ficas aplicadas a 
pesca (pagos anualmente), destacam-se: temperatura de superfí cie 
(TSM), principalmente nas zonas temperadas, onde e possí vel 
identifica -las com maior precisa o — enquanto, nas zonas tropicais, a 
camada de mistura da superfí cie torna a distinça o de diferentes 
temperaturas das massas de a gua imperceptí veis —; direça o das 
correntes; profundidade da termoclina; batimetria; altimetria; e 
concentraça o de clorofila. Álguns softwares plotam as caracterí sticas 
ideais sugeridas pelo operador, circulando essas a reas na carta 
digital, com as informaço es desejadas, como: temperatura de 
superfí cie, termoclina, correntes, dentre outros. 
Tudo isso possibilita a diminuiça o do tempo de deslocamento 
para a a rea de pesca, aumentando assim a possibilidade de sucesso. 
Essas informaço es oceanogra ficas podem tambe m ser fornecidas 
por boias sate lites fixas nos espinhe is de atum, que enviam, via 
sate lite, as informaço es em perí odos predeterminados para a 
embarcaça o, podendo tambe m ter uma ecossonda na boia, que envia 
os registros de cardumes que passam por baixo dela. Ás informaço es 
por sate lites atualmente sa o ferramentas essenciais na pesca 
ocea nica, forçando o investimento na o apenas em tecnologia, mas 
principalmente em ma o de obra qualificada, que possa 
operacionalizar essas informaço es. 
 
 
 
 
162 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 Tecnologia de pesca | 163 
CAPÍTULO IX 
PESCA DIRIGIDA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
164 | Vanildo Souza de Oliveira 
9.1 PESCA DIRIGIDA 
 
E a modalidade de pesca que emprega equipamentos 
eletro nicos no auxí lio a localizaça o de cardumes. Geralmente 
cardumes em meia a gua, possibilitando, assim, a localizaça o ideal 
para que os equipamentos de pesca possam alcançar esses 
cardumes, com grande possibilidade de sucesso na operaça o. Á 
pesca de arrasto de meia a gua e realizada com o emprego de 
equipamentos eletro nicos na seguinte seque ncia e funça o: sonar de 
pesca: faz a varredura horizontalmente, possibilitando a 
determinaça o do tamanho, dista ncia e rumo em que o cardume esta 
localizado; ecossonda da embarcaça o: determina a profundidade e 
altura do cardume em relaça o ao fundo; e finalmente a ecossonda da 
rede: que possibilita a colocaça o da rede de arrasto na profundidade 
ideal para a captura do cardume, assim como possibilita observar o 
registro de quando o cardume entra na boca da rede (Figura 123). 
Entre o registro da ecossonda do barco e o da ecossonda da 
rede, segundo Okonsk e Martini (1987), podem acontecer cinco 
situaço es: 1) O cardume estaciona rio ‒ o registro na ecossonda da 
rede vai ser no tempo determinado, pois, como ha o comprimento 
dos cabos de arrasto e profundidade do cardume, pode-se calcular a 
dista ncia e determinar o tempo em que a rede alcançara o cardume; 
2) o cardume esta se deslocando na mesma direça o do arrasto ‒ o 
tempo de registro do cardume na ecossonda da rede vai ser maior 
que no primeiro caso; 3) o cardume tem a mesma velocidade do 
arrasto ‒ o registro do cardume na ecossonda da rede vai ser mais 
demorado do que no segundo caso; 4) o cardume esta se deslocando 
no sentido contra rio ao do arrasto ‒ o registro do cardume na 
ecossonda da rede vai ser mais ra pido que no primeiro caso; e 5) o 
cardume na o e registrado na ecossonda da rede no tempo 
determinado, percebe a rede e sai da rota de captura. 
 
 Tecnologia de pesca | 165 
 
Figura 123: Seque ncia de emprego dos equipamentos eletro nicos em uma 
pesca de arrasto a meia a gua. 
 
 
 Recentemente, a pesca de meia a gua vem empregando, em 
substituiça o a ecossonda da rede, o sonar da rede, que, ale m de 
registrar a entrada do cardume na boca da rede, realiza uma 
varredura horizontal, possibilitando o direcionamento da rede na 
mesma profundidade do cardume (Figura 124), eliminando as cinco 
condiço es existentes, quando do emprego da ecossonda da rede. 
 
 
 
166 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura 124: Emprego do sonar da rede em arrasto de meia a gua. 
 
Átualmente, na pesca dirigida, empregam-se sensores 
eletro nicos em varias partes do sistema de arrasto, possibilitando 
total controle desde a entrada do cardume na boca rede, assim como 
o monitoramento do enchimento do saco da rede. Á dista ncia entre 
as portas tambe m pode ser monitorada por meio de sensores, 
colocados em ambas as portas. Todas essas informaço es sa o 
transmitidas, por meio de ondas de ra dio, para a embarcaça o, onde 
sa o captadas por um receptor submerso (Figura 125). 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 167 
 
 
 
 
Figura 125: Receptor submerso e sensores, no sistema de arrasto de meia a gua. 
D = m (dista ncia entre as portas em metros). 
 
168 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 Tecnologia de pesca | 169 
CAPÍTULO X 
COMPORTAMENTO DAS ESPÉCIES EM 
RELAÇÃO AOS APARELHOS DE PESCA 
 
 
 
 
 
 
 
170 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
10.1 COMPORTAMENTO DAS ESPÉCIES 
 
Ás espe cies possuem diferentes capacidades de reaça o, em 
funça o da sua forma e poder de nataça o. Essas caracterí sticas 
tornam-se marcantes quando observamos a distribuiça o vertical em 
tre s grandes grupos, de acordo com Okonsk e Martini (1987): 
bento nicos, denominados de grupo Á; demersais, grupo B; e 
pela gicos, grupo C. 
 Os bento nicos possuem caracterí sticas sedenta rias e 
dependem do fundo, tanto para alimentaça o como para proteça o de 
predadores. Essa condiça o reflete, em sua forma e hidrodina mica, a 
forma do corpo: geralmente na o lhes permitem grandes capacidades 
de deslocamento e poder de nataça o, a exemplos dos peixes chatos, 
solhas, linguados, dentre outros. 
 Os demersais possuem uma forma hidrodina mica e maior 
capacidade de nataça o, no entanto ainda sa o territorialistas e 
realizam significativas migraço es. Suas formas ja sa o mais adaptadas 
ao deslocamento em relaça o aos bento nicos, a exemplo dos pargos e 
serraní deos, dentre outros. 
Os pela gicos possuem uma capacidade natato ria bem mais 
desenvolvida, pois, ao contra rio dos bento nicos e demersais, que 
utilizam o fundo e locas para se protegerem, vivem na coluna d’a gua, 
e a capacidade de fugir dos predadores determina sua sobrevive ncia, 
sendo assim as espe cies que possuem, em geral, forma fusiforme, a 
exemplo da barracuda, atum e agulho es, dentre outros. Á 
distribuiça o entre essas zonas e muito dina mica e tem-se como 
refere ncia: bento nica, 0,5m do fundo; demersal, ate 10m acima do 
fundo; e pela gica, toda a coluna da a gua acima. 
Essas espe cies possuem resiste ncias diferentes, que podem 
ser medidas em funça o do tempo em que alcançam a exausta o 
muscular, denominada de “ponto de fadiga”, que ocorre quando a 
 Tecnologia de pesca | 171 
resposta aos estí mulos enviados aos mu sculos começa a diminuir. Ás 
espe cies desses grupos possuem pontos de fadiga diferentes, 
variando de excelentes nadadores, como os pela gicos, com grande 
resiste ncia muscular, a modestos nadadores, como os demersais e os 
sedenta rios, a exemplo dos bento nicos. Para tentar medir essa 
capacidade em cada grupo, os pesquisadores criaram uma relaça o 
entre o comprimento do peixe e a dista ncia alcançada ate chegar ao 
iní cio de ponto de fadiga. 
Okonsk e Martini (1987) apresentam uma relaça o que determina a 
velocidade ma xima (m/s) que as espe cies alcançam em funça o dos 
seus comprimentos, em cada grupo. 
BENTÔNICO: 5 x comprimento do corpo 
DEMERSÁL: 6 x comprimento do corpo 
PELÁGICO: 6 a 8 x comprimento do corpo 
Ássim como a dista ncia ma xima ate alcançarem o ponto de fadiga. 
BENTÔNICO: 40 ‒ 60 x comprimento do corpo 
DEMERSÁL: 150 – 200 x comprimento do corpo 
PELÁGICO: 300 ‒ 1.200 x comprimento do corpo 
Ás espe cies possuem reaço es diferentes, segundo os mesmos 
autores, quando em contato com a rede de arrasto. Ás reaço es de 
fuga registradas em cada grupo ecolo gico sa o de acordo com a forma 
do corpo dos indiví duos. Os grupos Á e B reagem geralmente para 
frente e para baixo; o grupo C, para baixo e para cima, dependendo 
da espe cie. 
No entanto, as respostas mais frequentes observadas para 
todos os grupos em relaça o ao “reflexo de fuga” sa o: saí da do centro 
172 | Vanildo Souza de Oliveira 
do distu rbio (esses distu rbios sa o originados pela rede, malhetas e 
portas), sendo que no Grupo Á respostas de fuga, mais frequente, e 
para frente e para baixo, enterrando-se no fundo; no grupo B, nadam 
radialmente em um plano horizontal e a s vezes para baixo; no Grupo 
C nadam radialmente em um plano horizontal e vertical, (Figura 
126). 
Observa-se que as opço es de fuga va o diminuindo em relaça o 
a capacidade natato ria em cada grupo, pois, enquanto o grupo C tem 
va rias opço es de fuga nos planos verticais, horizontais e radiais, os 
bento nicos te m apenas para frente e enterrando-se no fundo. Essas 
informaço es sa o essenciais, tanto para a elaboraça o do plano de uma 
rede de arrasto como para a determinaça o da velocidade de arrasto. 
Como foi visto, a capacidade natato ria dos peixes varia em relaça o ao 
ponto de fadiga muscular, condiço es em que o mu sculo diminui a 
capacidade de resposta aos estí mulos. Os peixes pela gicos demoram 
mais a alcançar o ponto de fadiga do que um demersal ou bento nico. 
 
 
Fonte : Okonsk e Martini (1987) 
Figura 126: Reaço es mais frequentes em relaça o aos planos de fuga, em cada 
grupo ecolo gico. 
 Tecnologia de pesca | 173 
 
Ás espe cies de peixes podem ser influenciadas em seus 
comportamentos por va rios para metros oceanogra ficos, 
principalmente pela temperatura e salinidade, que podem 
influenciar na sua migraça o vertical e horizontal. Com o 
desenvolvimento tecnolo gico, foi possí vel, atrave s de ca meras 
subaqua ticas, obter as primeiras informaço es sobre as reaço es das 
espe cies em relaça o aos aparelhos de pesca, principalmente, nos 
aparelhos de arrasto. Essas informaço es foram obtidas com a 
colocaça o de ca meras em pontos estrate gicos na rede, como: tralha 
superior, tu nel e saco da rede, onde foi possí vel observar as 
diferentes reaço es em cada parte do corpo da rede, principalmente 
apo s as espe cies alcançarem o ponto de fadiga. 
 Álgumas espe cies tentam escapar por cima das asas da rede, 
no corpo da rede, enquanto sa o direcionadas para o saco; outras 
resistem nadando para frente da tralha de chumbo, ate atingirem o 
ponto de fadiga e serem levadas para o corpo da rede (e 
posteriormente para o saco); e espe cies como os camaro es 
bento nicos da plataforma, que saltam quando sa o tocados pela 
tralha de chumbo e depois ficam inertes e se deixam levar, pelo 
corpo, ate o saco da rede. No entanto, ha registros de espe cies como 
o camara o branco Litopenaeus schmitti, tentando escapar pelos 
dispositivos de exclusa o de fauna acompanhante. Essas informaço es 
sa o importantí ssimas, no que se refere ao desenho dos planos das 
redes de arrasto. 
Exemplo redes de arrastos que permitiam facilmente o 
escape por cima da tralha superior. Com essas observaço es, foi 
possí vel desenvolver uma rede com ate seis paine is e tria ngulos, 
tornando-as mais altas e, consequentemente, deixando a fuga mais 
difí cil. O que mostra a importa ncia das informaço es 
comportamentais das espe cies para a tecnologia de pesca. 
 
174 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 Tecnologia de pesca | 175 
CAPÍTULO XI 
RESISTÊNCIA DOS APARELHOS DE 
ARRASTO 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
176 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
11.1 RESISTÊNCIAS DOS APARELHOS DE ARRASTO 
 
O ca lculo da resiste ncia de uma rede de arrasto vem sendo 
estudado ao longo do desenvolvimento da Tecnologia de Pesca, com 
o objetivo de dimensionar a pote ncia ideal da embarcaça o para o 
arrasto. Quando calculamos a aerodina mica de um automo vel, ou de 
uma aeronave, e possí vel determinar uma equaça o com base em seu 
volume constante; no entanto, quando tentamos calcular a 
resiste ncia de uma rede de arrasto, nos deparamoscom va rios 
fatores, uma vez que ela na o tem forma constante, variando sua 
forma de acordo com a força das correntes marinhas e forma da 
topografia do fundo do mar. Com isto, as equaço es sa o determinadas 
empiricamente, com base em resultados de va rios anos de dados de 
arrastos pelas frotas pesqueiras e em tanques de prova. 
Á pote ncia em cada motor e determinada pelo fabricante, 
sendo denominada de Pote ncia Nominal do Motor, ou PNM, com 
unidade em HP. Para avaliar se uma embarcaça o tem a capacidade 
de arrastar uma determinada rede de arrasto, inicialmente e 
necessa rio determinar a força de traça o da embarcaça o, que em 
espanhol e denominada de “Tiro da embarcaça o”. Essa força tem que 
ser superior a resiste ncia total de arrasto Rt, que e formada pela 
resiste ncia dos cabos de arrasto Rc, resiste ncia das portas Rp e 
resiste ncia da rede de arrasto Rr (Figura 127). 
 Ále m das forças de resiste ncias ao arrasto, temos as forças 
geradas pelos cabos para cima, que e a força de elevaça o Fe, e a de 
expansa o horizontalmente na porta Fex. Á condiça o para a 
realizaça o do arrasto e que o “Tiro da embarcaça o” seja superior a 
todas as resiste ncias contra rias ao sentido do arrasto. Os principais 
fatores que podem influenciar em um arrasto sa o: pote ncia nominal 
do motor (PNM), condiço es do mar, revoluço es por minuto do motor 
(rpm) e tipo de he lice. 
 Tecnologia de pesca | 177 
Átualmente, existem va rios softwares que calculam todas as 
resiste ncias do sistema de arrasto, considerando todos os fatores 
necessa rios para esses ca lculos. No entanto, o acesso a esses 
softwares muitas vezes tem restriço es, ou sa o pagos. Dessa forma, as 
fo rmulas existentes podem fornecer informaço es muito pro ximas a 
resiste ncia real, levando em consideraça o os nu meros de fatores que 
devam ser considerados. Vamos nos referir a me todos mais pra ticos 
e ra pidos utilizados por Hamuro em Okonski e Martini 1987, que 
permitem obter valores aproximados para o ca lculo da resiste ncia 
do sistema de arrasto. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
T = Tiro do barco (kg) 
Rc = Resiste ncia dos cabos (kgf) 
Rp = Resiste ncia das portas (kgf) 
Rr = Resiste ncia da rede (kgf) 
 
Figura 127: Condiça o de arrasto para o sistema de pesca. 
 
 
178 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
11.2 FÓRMULA PARA O CÁLCULO DO TIRO DA 
EMBARCAÇÃO 
 
Ántes, temos que definir alguns conceitos: 
Á unidade de pote ncia dos motores das embarcaço es e o HP 
(horse power), que e a unidade de força que pode mover 75 kgf 
(quilograma-força) com uma velocidade de 1m/s. O “f” demonstra 
que kg e uma unidade de força e na o uma unidade de massa. 
Quando falamos de HP de um motor, estamos nos referindo a 
pote ncia ma xima do motor, que e denominado de pote ncia nominal 
do motor ‒ PNM (aquela que vem determinada pelo fabricante). 
Á força de arrasto de uma embarcaça o e denominada de “Tiro 
da embarcaça o”, cuja unidade e dada em kg, por ser uma força de 
traça o, enquanto as resiste ncias do sistema de arrasto sa o dadas em 
quilograma-força (kgf), resiste ncia. 
Na fo rmula do tiro, apresentada em Okonsk e Martini 
(1987),quando substituí mos o numero 75 pela unidade (kg/m/s) = 
HP. Ássim como a pote ncia padra o do arrasto (PS), que e a pote ncia 
do motor destinada ao arrasto, que tem unidade tambe m em HP. 
Dessa forma, na fo rmula quando dividimos (75.PS)=HP (kg/m/s) 
pela velocidade do arrasto (V) em (m/s), cortando (m/s). Obtemos a 
unidade do tiro em kg. 
 
 
T = tiro da embarcaça o em kg 
PS = pote ncia padra o para o arrasto (HP) 
V = velocidade de arrasto em (m/s) 
 
 
 Tecnologia de pesca | 179 
11.2.1 Ca lculo da pote ncia padra o (PS) 
 
Á pote ncia padra o para o arrasto (PS) varia de acordo com 
va rios fatores: condiço es do mar, determinado pelo coeficiente de 
mar (Cmar), com base na tabela de Beaufort (Bf), que correlaciona 
com nu meros as condiço es do mar; pelo coeficiente de utilizaça o do 
motor (Cmt), o qual geralmente e empregado em torno de 80% da 
pote ncia nominal do motor (PNM), e coeficiente da he lice (Ch). 
Ássim, a fo rmula para a determinaça o da pote ncia padra o para o 
arrasto e : 
 
PS = Cmar . PNM. Cmt . Ch . = HP 
 
11.2.2 Determinaça o do coeficiente da he lice (Ch) 
 
He lice de passo fixo 
Menor que 300 rpm: coeficiente 0,25 a 0,28 
Igual a 300 rpm: coeficiente 0,22 
Maior que 300 rpm: coeficiente 0,20 
 
He lice de passo varia vel 
Coeficiente 0,25 - 0,30 
 
11.2.3 Determinaça o do coeficiente do mar (Cmr) 
(Baseado na tabela de condiça o do mar de Beaufort) 
Mar calmo: coeficiente 1,0 
Mar 2-3 Bf: coeficiente 0,9 
Mar 3-4 Bf: coeficiente 0,8 
Mar 5-6 Bf: coeficiente 0,7 
180 | Vanildo Souza de Oliveira 
11.3 DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA 
HIDRODINÂMICA DE UM CORPO EM UM FLUIDO 
 
Modelo de Newton 
 
Grande parte das fo rmulas mais simples de resiste ncia tem 
como base a equaça o para o ca lculo das forças hidrodina micas, 
denominada de modelo de Newton. 
 
 
 
R = força hidrodina mica em kgf 
C = coeficiente de resiste ncia 
γ = densidade do fluido (kg. s2/m4) 
S = superfí cie projetada em um plano normal a direça o do fluxo (m2) 
V = velocidade do fluxo, ou velocidade relativa entre o fluido e o 
elemento mo vel em m/s 
 
11.4 FÓRMULA DA RESISTÊNCIA DOS CABOS DE 
ARRASTO 
 
Essa fo rmula tambe m tem como base o modelo de Newton. 
Os fatores principais que podem influenciar a resiste ncia de um cabo 
de arrasto sa o: o coeficiente de resiste ncia, o meio em que ele esta 
sendo arrastado (no caso, a densidade da a gua do mar), o 
comprimento e o dia metro do cabo e a velocidade de arrasto. Um 
cabo longo pode ter a mesma resiste ncia que um cabo curto, na 
mesma velocidade, tudo depende da a rea (no caso, o dia metro de 
cada um dos cabos). Duas forças podem ser geradas nos cabos de 
arrasto: a força de elevaça o, gerada no sentido vertical em relaça o ao 
 Tecnologia de pesca | 181 
sentido do arrasto; e a força de resiste ncia, no sentido contra rio ao 
do arrasto (Figura 128). Para cada uma dessas forças existe um 
coeficiente, sendo o de resiste ncia CD e o de elevaça o CL, que sa o 
determinados em funça o do a ngulo entre o cabo de arrasto e o 
sentido do arrasto (Figura 129), com base no Gra fico 01. 
 
 
Figura 128: Forças geradas em um cabo de arrasto. 
 
 
 P = Profundidade 
 I = Comprimento do cabo de arrasto 
 
Figura 129: Relaça o entre o comprimento do cabo de arrasto (l) e a 
profundidade (p) formando o a ngulo Ө. 
182 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Fonte: Koyama, 1984. 
 
Gra fico 01: Coeficientes da resiste ncia e elevaça o; relaça o entre o a ngulo 
formado entre o cabo e o sentido do arrasto. 
 
Como, para os arrasteiros que operam na captura de camara o 
em a guas costeiras, a relaça o de profundidade em relaça o ao 
comprimento dos cabos de arrasto e aproximadamente 1:4-5, o seno 
do a ngulo (senӨ) sempre gira em torno de 14,5o. Quando plotado no 
Gra fico 1, obte m-se CD = 0,05 e CL = 0,06. 
 
Formula da resistência para um cabo de arrasto 
 
 Rc = ½ x CD x ρ x l x ø x v 2= kgf 
Rc = Resiste ncia do cabo de arrasto kgf 
CD = Coeficiente de resiste ncia, para classe de arrasteiro de camara o 
= 0,05 (Gra fico 01) 
 Tecnologia de pesca | 183 
ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 
l = Comprimento do cabo de arrasto (m) 
ø = Dia metro do cabo de arrasto (m) 
V = Velocidade de arrasto (m/s) 
Resiste ncias para os dois cabos = 2. Rc 
 
Fórmula do cálculo da força de elevação do cabo de arrasto 
 
Fe = ½ x CL x ρ x l x ø x v2 = kgf 
 
Fe = Força de elevaça o kgf 
CL = Coeficiente de elevaça o, para classe de arrasteiro de pesca = 
0,06 (no Gra fico1) 
ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 
l = Comprimento do cabo de arrasto (m) 
ø = Dia metro do cabo de arrasto (m) 
V = Velocidade de arrasto(m/s) 
Força de elevaça o para os dois cabos = 2. Fe 
 
 
 
 
 
184 | Vanildo Souza de Oliveira 
11.5 CÁLCULO DA RESISTÊNCIA DAS PORTAS DE 
ARRASTO 
 
Ássim como nos cabos de arrasto, duas forças 
hidrodina micas atuam nas portas: a força de resiste ncia ao avanço 
(Fr) e força de expansa o (Fe) gerada horizontalmente. Ás formulas 
de ca lculo de resiste ncias usam coeficientes que variam em funça o 
do a ngulo de ataque da porta: coeficiente de resiste ncia (CD) e 
coeficiente de expansa o (CL) (Figura 130). 
 
 
 Figura 130: Forças que atuam na resiste ncia de uma porta de arrasto. 
 
F = Força de reaça o hidrodina mica da porta de arrasto 
Fr = Força de resiste ncia ao avanço 
Fe = Força de expansa o horizontal 
Ө = Á ngulo de ataque da porta 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 185 
Fórmula para o cálculo da força de resistência de uma porta de 
arrasto 
 
Rp = ½ CD x ρ x s x v 2= kgf 
 
Rp = Força de resiste ncia ao avanço da porta de arrasto 
CD = Coeficiente de resiste ncia 
ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 
S = Á rea da porta de arrasto (m2) 
V = Velocidade de arrasto (m/s) 
 
Fórmula para o cálculo da força de expansão da porta 
 
Fe = ½ CL x ρ x s x v 2= kgf 
 
Fe = Força de expansa o da porta de arrasto 
CL = Coeficiente de expansa o 
ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 
S = Á rea da porta de arrasto (m2) 
V = Velocidade de arrasto (m/s) 
 
 
 
 
 
186 | Vanildo Souza de Oliveira 
Cálculo do coeficiente de resistência da porta CD 
Quando o a ngulo de ataque da porta e Ө, o CD e calculado da 
seguinte forma: 
 
 
CD = Coeficiente de resiste ncia 
Ө = Á ngulo de ataque da porta 
 
 
Cálculo do coeficiente de expansão da porta CL 
 
 
CL = Coeficiente de expansa o 
Ө = Á ngulo de ataque da porta 
 
11.6 FÓRMULAS DO CÁLCULO DA RESISTÊNCIA DE UMA 
REDE DE ARRASTO 
 
Existem va rias fo rmulas de ca lculos de resiste ncia de redes 
de arrasto, que levam em consideraça o va rios fatores, desde a 
densidade da a gua do mar ate o a ngulo de abertura das malhas e o 
a ngulo de ataque da rede. 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 187 
Fórmula de Dickson 
 
Leva em consideraça o os seguintes fatores: 
 
 
 
Dn = Resiste ncia da rede 
S = Soma da superfí cie de todos os panos da rede 
d = Dia metro dos fios 
a = Comprimento do fio entre no s 
AH = Ábertura entre as extremidades das asas, ou seja, a abertura 
horizontal da rede em posiça o de trabalho 
AV = Ábertura vertical da boca da rede 
 
Fórmula de Cueva 
 
Certas fo rmulas de resiste ncia de redes envolvem a a rea total 
da rede e o a ngulo de ataque, como no caso da Fo rmula de Cueva 
Sans (1974), que necessita de informaço es mais difí ceis de serem 
obtidas, como o a ngulo de ataque horizontal do pano da rede em 
relaça o a corrente da a gua. 
 
R = 191 . d/a . V2 . S . senα 
 
R= Resiste ncia da rede 
d = Dia metro me dio do fio utilizado na rede 
a = Me dia dos lados das malhas da rede 
188 | Vanildo Souza de Oliveira 
V = Velocidade de arrasto 
S = Superfí cie do pano da rede em posiça o de trabalho 
 Senα = Á ngulo de ataque horizontal do pano da rede em relaça o ao 
fluxo da a gua. De acordo com os cortes de panos aplicados, esta 
entre 12˚ e 15˚ graus aproximadamente. 
 
Formula de Giannotti 
 
Uma fo rmula que tem como base o modelo de Newton para 
calcular a determinaça o da resiste ncia hidrodina mica e o modelo 
ba sico de Giannotti,(1973), que necessita da a rea total da rede: 
 
R = Resiste ncia da rede 
Cd = Coeficiente de resiste ncia da rede 
ρ = Densidade da a gua do mar105/kg s2 / m4 
AS = Á rea da rede 
V= Velocidade de arrasto (m/s) 
 
Fórmula de Nomura e Yamazaki 
 
Á fo rmula de Nomura e Yamazaki (1975) permite esta 
aproximaça o a partir da formulaça o experimental para a resiste ncia 
de redes de arrasto, sendo a mais pra tica e com fa cil acesso a s 
informaço es necessa rias, as quais vamos destacar. Por ser uma 
fo rmula empí rica, seus coeficientes foram obtidos ao longo de va rios 
experimentos. O coeficiente de arrasto (CD) da rede da fo rmula de 
Nomura varia entre 6 e 8, entre pequenos e grandes arrasteiros. Á 
 Tecnologia de pesca | 189 
velocidade de arrasto e dada em no s, tendo que ser transformada em 
metros por segundo (m/s). 
 
 
Rr = Resiste ncia da rede de arrasto 
8 = Coeficiente de resiste ncia CD 
a = Circunfere ncia ma xima da rede (m) 
b = Comprimento ma ximo da rede (m) 
d = Dia metro me dio dos fios (sem o saco) (mm) 
l = Comprimento me dio dos lados das malhas (sem o saco) (mm) 
V = Velocidade de arrasto em (m/s) 
 
Á fo rmula de Nomura e Yamazaki e baseada no aspecto 
geome trico da rede, levando principalmente em consideraça o o 
maior perí metro formado pela panagem (a) e o comprimento total 
da rede (b) (Figura131). Ela permite realizar uma aproximaça o a 
partir da formulaça o experimental para a resiste ncia de redes de 
arrasto. Ás informaço es necessa rias para o ca lculo das varia veis 
dessa fo rmula podem ser obtidas atrave s de um plano da rede de 
arrasto (Figura 132). 
 
190 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Figura 131: Comprimento ma ximo da rede (b) e ma xima circunfere ncia da rede 
(a) da formula de Nomura e Yamazaki. 
 Tecnologia de pesca | 191 
 
 
 
 
Figura 132: Plano de uma rede de arrasto com quatro paine is da fo rmula de 
Nomura e Yamazaki. 
192 | Vanildo Souza de Oliveira 
Cálculo da máxima circunferência da rede “a” 
 
Com base no plano da rede na Figura 132. 
 
E a soma das malhas da boca da rede (painel superior, 
inferior e laterais) vezes o comprimento das malhas: 
 
 
Cálculo do comprimento total da rede “b” 
 
O comprimento total b e a soma de todos os paine is da rede, 
inclusive o saco. O comprimento de cada painel e o nu mero de 
malhas na altura vezes o comprimento da malha no painel. 
 
 
 
Com base no plano da rede na Figura 132. 
 
Cálculo da média dos diâmetros dos fios (sem incluir o saco) “d ” 
 
Com base na rede de arrasto da Figura 122, observam-se 
va rios paine is, com diferentes dia metros de fios. Enta o d representa 
a me dia aritme tica desses dia metros. 
 
 
Com base no plano da rede na Figura 132. 
 Tecnologia de pesca | 193 
Cálculo da média dos lados das malhas (sem incluir o saco) “ l ” 
 
Ássim como existem diferentes dia metros de fios na rede de 
arrasto, existe tambe m uma grande variaça o de comprimento de 
malhas entre os paine is. O l representa a me dia da metade do 
comprimento da malha de cada painel. Como a fo rmula e baseada na 
forma geome trica, uma malha sofre força de resiste ncia em apenas 
um lado, que representa 50% da malha, por isso considera-se 
apenas meia malha. 
 
 
Com base no plano da rede na Figura 132. 
Com esse mesmo pensamento, o saco da rede na o entra nos 
ca lculos de d e I, pois possui corte n em seus lados, na o oferecendo 
resiste ncias significativas (Figura 133). 
 
 
Figura 133: Forças de resiste ncias nos paine is com cortes em a ngulo no corpo 
da rede e no saco com corte N. 
194 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
11.7 CÁLCULO DA RESISTÊNCIA TOTAL DE UM SISTEMA 
DE ARRASTO 
 
Á resiste ncia total (Rt) e o somato rio das resiste ncias dos 
cabos de arrasto, resiste ncia das portas e a resiste ncia da rede. Á Rt 
(Kgf) deve ser menor que o tiro da embarcaça o T (Kg), para ter a 
condiça o de arrasto da rede. 
 
Condiça o de arrasto: T > Rt 
T= Tiro da embarcaça o (kg) 
Rt = Resiste ncia total (kgf) 
 
Rt = (Rc) + (Rp) + (Rr) = Kgf 
Rt = Resiste ncia total (Kgf) 
Rc = Resiste ncia dos cabos de arrasto (Kgf) 
Rp = Resiste ncia das portas de arrasto (Kgf) 
Rr = Resiste ncia da rede de arrasto (Kgf) 
 
 
 
 
 Tecnologia de pesca | 195 
11.8 ABERTURA VERTICAL E HORIZONTAL DA REDE DE 
ARRASTO 
 
Como foi descrito, a abertura horizontal e vertical da rede 
pode ser obtida diretamente com a colocaçao de sensores nas portas 
de arrasto e asas das redes. No entanto, quando na o se tem essa 
ferramenta, a abertura e altura podem ser estimadas empregando as 
equaço es descritas por va rios autores, como o ca lculo da abertura 
vertical com a fo rmula de Koyama et al. (1981). 
 
H = 0,16 . a . V -0,87 
H =Ábertura vertical da boca da rede (m) 
a = Ma ximo perí metro do corpo da rede (m) 
V = Velocidade de arrasto (m/s) 
 
Prado (1990) descreve fo rmulas para a abertura horizontal e 
vertical. 
 
Cálculo da abertura vertical 
VO = n . a . 0,25 a 0,30 
VO = Ábertura vertical aproximada da boca da rede (m) 
n = Nu mero de malhas da borda do corpo superior 
a = comprimento da malha (m) 
 
Calculo da abertura horizontal da boca da rede 
S = HR . 0,50 a 0,60 
S = Ábertura horizontal entre o final das asas 
HR = Comprimento da tralha superior da rede (m) 
196 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
Ále m da abertura horizontal da rede entre as portas de 
arrasto, pode-se calcular a dista ncia entre as asas da rede, pela 
fo rmula que emprega o comprimento dos cabos de arrasto em 
relaça o a dista ncia entre eles na popa da embarcaça o. Essa fo rmula 
FÁO (1990), serve para estimar a abertura horizontal entre as portas 
de arrasto e entre as asas, a qual tem uma grande importa ncia 
quando se deseja estimar a a rea varrida pelo arrasto de popa de 
fundo (Figura 134). 
 
Figura 134: Medidas necessa rias para o ca lculo da dista ncia das portas e 
dista ncia entre as asas da rede. 
 
 Tecnologia de pesca | 197 
Cálculo da distância entre as portas de arrasto 
 
D = [(L´- L) x F ] + L = (m) 
 
D = Dista ncia entre as portas 
L = Dista ncia entre os pescantes 
L´= Dista ncia entre os cabos de arrasto apo s um metro dos pescantes 
F = Comprimento do cabo de arrasto 
 
Cálculo da distância entre as asas de uma rede de arrasto 
 
 
 
d´ = Dista ncia entre as asas da rede 
D = Dista ncia entre as portas 
cc = Comprimento do corpo da rede (sem o saco) 
cm = Comprimento das malhetas da rede 
 
Calculo da Área varrida 
 
Quando se quer ter uma noça o de produtividade de uma a rea, e 
possí vel obter com a produça o da a rea varrida (figura 135). 
 
 
198 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
Figura: 135: Á rea varrida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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https://www.google.com.br/search?source=hp&ei=x74cXtuNNPrR5OUPoLGMqA8&q=basic+fishing+methods+seafish&oq=BASIC+FISHING+METHODS&gs_l=psy-ab.1.0.0i22i30l7.4672.4672..8640...0.0..0.192.347.0j2......0....2j1..gws-wiz.....0.pIwU0Gzw7cQ
https://www.researchgate.net/scientific-contributions/2021300840_John_Willy_Valdemarsen
https://www.researchgate.net/profile/Petri_Suuronen
https://www.researchgate.net/publication/
 Tecnologia de pesca | 205 
 
206 | Vanildo Souza de Oliveira 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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