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Tecnologia de pesca Vanildo Souza de Oliveira 2 | Vanildo Souza de Oliveira Copyright © 2020 by Vanildo Souza de Oliveira Todos os direitos reservados. Vedada a produção, distribuição, comercialização ou cessão sem autorização do autor. Os direitos desta obra não foram cedidos. Impresso no Brasil Printed in Brazil Diagramação Maria Oliveira Capa e Desenhos Vanildo Souza de Oliveira Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) Ficha Catalográfica Oliveira, Vanildo Souza de. O48t Tecnologia de pesca. / Vanildo Souza de Oliveira. – Olinda: Livro Rápido, 2020. 206 p.: il. Contém bibliografia p. 204 – 209 (bibliografia localizada) ISBN 978-65-86728-87-3 1. Tecnologia de pesca. 2. Tipos de redes. 3. Covos. 4. Pesca com vara e isca. 5. Pesca dirigida. I. Título 639.2 CDU (1999) Fabiana Belo - CRB-4/1463 Livro Rápido Editora Coordenadora editorial: Maria Oliveira Rua Dr. João Tavares de Moura, 57/99 Peixinhos Olinda – PE CEP: 53230-290 Fone: (81) 4100.0410/ (81) 4100.0411 orcamento@livrorapido.com.br Tecnologia de pesca | 3 4 | Vanildo Souza de Oliveira SUMARIO PREFÁ CIO ................................................................................................................... 07 CÁPI TULO I: REDES DE ÁRRÁSTO ................................................................... 09 1.1 REDES DE ÁRRÁSTO ................................................................................. 10 1.1.1 Portas de arrasto ................................................................................ 14 1.2 MÁNOBRÁS COM REDES DE ÁRRÁSTO ............................................. 19 1.2.1 Árrasto com pau de serriola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 19 1.2.1.1 Lançamento ................................................................................. 20 1.2.1.2 Recolhimento ............................................................................... 23 1.2.2 Árrasto com tangones (arrasto duplo — Double rig) ........... 25 1.2.2.1 Ármaça o do sistema de arrasto ........................................... 28 1.2.2.2 Lançamento ................................................................................. 32 1.2.2.3 Recolhimento .............................................................................. 34 1.2.3 Redes ge meas ..................................................................................... 40 1.2.4 Árrasto de popa ................................................................................. 42 1.2.4.1 Lançamento ................................................................................... 44 1.2.4.2 Recolhimento ................................................................................ 45 1.2.5 Árrasto com parelhas ...................................................................... 52 1.2.5.1 Lançamento ................................................................................. 53 1.2.5.2 Recolhimento ............................................................................... 57 1.3 SOLUÇO ES ECOLO GICÁS EM REDES DE ÁRRÁSTO PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS ÁMBIENTÁIS ............................................................. 60 CÁPI TULO II: REDES DE CERCO .................................................................... 65 2.1 REDES DE CERCO ...................................................................................... 66 2.1.1 Formas de localizaça o de cardumes ........................................... 68 2.1.2 Lançamento .......................................................................................... 70 2.1.3 Recolhimento ....................................................................................... 72 2.2 SOLUÇO ES ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS ÁMBIENTÁIS EM REDES DE CERCO NÁ CÁPTURÁ DE ÁTUM ... 78 CÁPI TULO III: ESPINHEL ..................................................................................... 81 3.1 ESPINHEL ...................................................................................................... 82 Tecnologia de pesca | 5 3.1.1 Espinhel de fundo.............................................................................. 82 3.1.1.1 Lançamento ................................................................................... 89 3.1.1.2 Recolhimento ............................................................................... 91 3.1.2 Espinhel de fundo em sistema industrial ..................................... 92 3.1.3 Espinhel pela gico .................................................................................... 93 3.1.3.1 Lançamento ................................................................................... 100 3.1.3.2 Recolhimento ............................................................................... 102 3.4 SOLUÇO ES ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS ÁMBIENTÁIS EM ESPINHEL LONGLINE ................................................ 104 CÁPI TULO IV: REDES DE EMÁLHÁR ........................................................... 107 4.1 Redes de emalhar de fundo em embarcaço es artesanais ....... 108 4.1.1 Lançamento ...................................................................................... 109 4.1.2 Recolhimento ................................................................................... 111 4.2 Rede de emalhar em embarcaça o Industrial ............................... 112 4.2.1 Lançamento ...................................................................................... 113 4.2.2 Recolhimento ................................................................................... 114 4.3 MEDIDÁS ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS ÁMBIENTÁIS EM REDES DE EMÁLHÁR ................................................ 117 CÁPI TULO V: COVOS ........................................................................................... 119 5.1 Covos ............................................................................................................ 120 5.1.1 Lançamento ...................................................................................... 123 5.1.2 Recolhimento ................................................................................... 125 5.2 MEDIDÁS ECOLO GICÁS PÁRÁ MINIMIZÁR DÁNOS ÁMBIENTÁIS EM COVOS ........................................................................... 127 CÁPI TULO VI: PESCÁ DE LULÁS COM ÁTRÁÇÁ O LUMINOSÁ ............ 129 6.1 PESCÁ DE LULÁS COM ÁTRÁÇÁ O LUMINOSÁ ............................. 130 CÁPI TULO VII: PESCÁ COM VÁRÁ E ISCÁ VIVÁ .......................................135 7.1 PESCÁ COM VÁRÁ E ISCÁ VIVÁ .......................................................... 136 CÁPI TULO VIII: EQUIPÁMENTOS ELETRO NICOS ÁUXILIÁRES Á PESCÁ ....................................................................................................................... 139 8.1 Ecossonda .................................................................................................. 140 8.2 Freque ncia de ondas .............................................................................. 140 8.3 O QUE Á ECOSSONDÁ PODE DETECTÁR? ..................................... 145 6 | Vanildo Souza de Oliveira 8.4 O que pode interferir em uma ecossonda? ................................... 145 8. 5 SONÁR ......................................................................................................... 152 8.6 Radar ............................................................................................................ 155 8.7 SISTEMÁ DE NÁVEGÁÇÁ O POR SÁTE LITE GPS (Global Positioning System) ....................................................................... 157 8.8 SÁTE LITE .................................................................................................... 160 CÁPI TULO IX: PESCÁ DIRIGIDÁ ..................................................................... 163 9.1 PESCÁ DIRIGIDÁ ...................................................................................... 164 CÁPI TULO X: COMPORTÁMENTO DÁS ESPE CIES EM RELÁÇÁ O ÁOS ÁPÁRELHOS DE PESCÁ ..................................................................................... 169 10.1 COMPORTÁMENTO DÁS ESPE CIES ................................................ 170 CÁPI TULO XI: RESISTE NCIÁ DOS ÁPÁRELHOS DE ÁRRÁSTO ........... 175 11.1 RESISTE NCIÁS DOS ÁPÁRELHOS DE ÁRRÁSTO ....................... 176 11.2 FO RMULÁ PÁRÁ O CÁ LCULO DO TIRO DÁ EMBÁRCÁÇÁ O ... 178 11.2.1 Ca lculo da pote ncia padra o (PS) ............................................ 179 11.2.2 Determinaça o do coeficiente da he lice (Ch) ...................... 179 11.2.3 Determinaça o do coeficiente do mar (Cmr) ...................... 179 11.3 Determinaça o da resiste ncia hidrodina mica de um Corpo em um fluido ......................................................................................... 180 11.4 Fo rmula da resiste ncia dos cabos de arrasto ............................. 180 11.5 Ca lculo da resiste ncia das portas de arrasto .............................. 184 11.6 Fo rmula do ca lculo da resiste ncia de uma rede de arrasto .. 186 11.7 Ca lculo da resiste ncia total de um sistema de arrasto ........... 194 11.8 Ábertura vertical e horizontal da rede de arrasto .................. 195 BIBLIOGRÁFIÁ ...................................................................................................... 199 Tecnologia de pesca | 7 PREFÁCIO Essa obra destina-se aos estudantes de Engenharia de Pesca e dos demais cursos de Cie ncias do Mar, ale m de profissionais da a rea e professores das disciplinas de Tecnologia de Pesca. Ela vem contribuir para minimizar a care ncia de publicaço es especí ficas sobre Tecnologia de Pesca em lí ngua portuguesa. Nos capí tulos de I ao VII, sa o descritas manobras das principais modalidades de pesca praticadas no Brasil. Todas as manobras te m detalhes te cnicos na descriça o e nos desenhos, para uma melhor compreensa o. Ás modalidades de pesca sa o descritas tanto na categoria artesanal como na industrial. Ressalta-se que, como o paí s possui uma grande extensa o costeira com marcantes variaço es, tanto de perfil de Plataforma Continental como de condiço es oceanogra ficas, muitos dos nomes e detalhes das manobras sofrem mudanças de acordo com as tradiço es locais da pesca. Espera-se que isso seja contemplado pelos professores em cada regia o. Áo final da descriça o das manobras de cada categoria dos aparelhos de pesca, sa o apresentadas as alternativas ecolo gicas desenvolvidas atualmente para minimizar impactos a fauna marinha, mostrando que elas sa o eficientes para a realizaça o de uma pesca sustenta vel. Á descriça o dos dispositivos de exclusa o dos aparelhos de pesca e demonstrada de uma maneira informativa, aguçando o estudante a se aprofundar no assunto, para obter mais detalhes te cnicos especí ficos sobre a construça o dos dispositivos. No capí tulo VIII, sa o apresentados os principais equipamentos eletro nicos empregados nas modalidades de pesca, destacando-se: ecossonda, sonar e radar, ale m de GPS e sate lite. Os conceitos e modos de funcionamento dos aparelhos eletro nicos sa o abordados, visando os objetivos das atividades de pesca de uma forma geral. No capí tulo IX, aborda-se a pesca totalmente dirigida por equipamentos eletro nicos, a qual necessita de alto ní vel tecnolo gico. O capí tulo X, trata dos principais aspectos 8 | Vanildo Souza de Oliveira dos comportamentos dos peixes em relaça o aos aparelhos de pesca, enfatizando os principais estudos realizados nessa a rea e sua importa ncia para a Tecnologia de Pesca. No capí tulo XI, sa o descritos conceitos e fo rmulas empregadas por va rios autores nos ca lculos das resiste ncias em um aparelho de arrasto, assim como seus ní veis de complexidade, dando-se e nfase a fo rmula mais pra tica no ca lculo da resiste ncia para todo o sistema de arrasto. Dessa forma, esse livro vem trazer uma parte do conhecimento sobre a Tecnologia de Pesca, assim como alternativas sustenta veis para minimizar seus impactos. Tecnologia de pesca | 9 CAPÍTULO I REDES DE ARRASTO 10 | Vanildo Souza de Oliveira 1.1 REDES DE ARRASTO Ás artes de arrasto sa o consideradas aparelhos de pesca ativos, pois capturam involuntariamente peixes, moluscos e crusta ceos no fundo, ou a meia a gua. Por utilizarem portas de arrasto para manter a abertura horizontal, sa o consideradas extremamente nocivas ao meio ambiente, principalmente os arrastos de fundo, uma vez que as portas revolvem o fundo, causando danos a biota local. Ále m de ter uma grande capacidade de capturar fauna que na o e alvo da pescaria, denominada de fauna acompanhante. Depois da Segunda Guerra Mundial, com a necessidade de pescar mais e mais distante, estimulou-se o desenvolvimento de tecnologias para construça o de grandes arrasteiros com grandes redes, portas de aço e maior autonomia de mar. Ás caracterí sticas das redes de arrasto sa o definidas em relaça o ao seu objetivo de captura (espe cie-alvo) e ao grupo ecolo gico a que sera o destinadas a capturar: bento nico, demersal ou pela gico. Geralmente, uma rede de arrasto e constituí da por: asas superiores e inferiores; paine is superior (onde esta localizado o “quadrado”, diferença entre o comprimento do painel inferior) e inferior, podendo ter paine is laterais, que formam o corpo da rede; e finalmente o saco onde o pescado e concentrado (Figura 1). Os paine is laterais proporcionam um formato mais plano ao corpo da rede. O sistema de arrasto (todos os componentes) esta constituí do por: cabos de arrasto, portas, malhetas (cabos que unem a rede a s portas) e corpo da rede (paine is inferior, superior e, quando houver, laterais) (Figura 2). Tecnologia de pesca | 11 Figura 1:Partes de uma rede de arrasto com paine is laterais. Figura 2: Sistema de arrasto com seus componentes 12 | Vanildo Souza de Oliveira Nas redes de arrasto destinadas a captura de bento nicos (peixes, crusta ceos e moluscos), as malhetas (cabos que ligam a rede a s portas) sa o menores, porque na o te m nenhuma influe ncia na pescaria, uma vez que os indiví duos esta o sobre ou enterrados no fundo. Álgumas redes possuem paine is laterais que da o uma forma maisplana ao corpo, enquanto as que na o possuem esses paine is laterais assumem uma forma de bala o. Essas redes te m caracterí sticas especí ficas quanto a forma, como: asas curtas (uma vez que o alvo esta enterrado), pequena abertura vertical (para diminuir a captura de peixes sobre o fundo) e grande abertura horizontal (pois a produça o vai ser em funça o da a rea varrida, ou seja, quanto mais a rea varrida, maior a produça o). Ás redes de arrasto para captura de peixes demersais, os quais se movimentam sob o fundo e na coluna da a gua, possuem as seguintes caracterí sticas: malhetas maiores (pois exercem o papel na concentraça o do cardume, dirigindo-o para o centro da boca da rede), asas maiores (tambe m com a funça o de concentrar os peixes no centro da boca da rede) e o corpo tambe m mais longo. Certos modelos de redes para peixes possuem um tu nel antes do saco, com a finalidade de dificultar o retorno. Ás redes pela gicas, por capturarem espe cies mais velozes, te m que ter uma grande filtraça o (malhas grandes nas asas e iní cio dos corpos) e uma grande abertura, tanto na abertura horizontal quanto vertical. Sa o projetadas sem o “quadrado” (diferença entre o corpo inferior e superior nas redes de fundo e demersal), tendo os paine is superior e inferior iguais. Álgumas redes possuem paine is laterais que da o uma forma mais plana ao corpo, enquanto as que na o possuem esses paine is laterais assumem uma forma de bala o. De uma maneira geral, as redes para crusta ceos bento nicos possuem caracterí sticas distintas das que capturam peixes demersais e pela gicos (Figura 3). Tecnologia de pesca | 13 Figura 3: Caracterí sticas entre redes para captura de bento nicos Á , demersais B e pela gicos C. 14 | Vanildo Souza de Oliveira Essas caracterí sticas sa o marcantes, diferenciando assim uma rede para a captura de bento nicos de uma para a captura de demersais, ou de pela gicos. Logicamente que, entre cada modelo de rede, existe uma grande variaça o de formas do corpo. Exemplo sa o as redes de camara o, tipo: flat, bala o, semibala o, dentre outros. 1.1.1 Portas de arrasto Ás portas de arrasto possuem formas diferentes, em funça o da espe cie-alvo, tipo de fundo e velocidade de arrasto, tendo diferenças marcantes quanto a captura de bento nicos, demersais e pela gicos. Ás primeiras portas foram desenvolvidas em funça o da necessidade de aumentar o tamanho das redes, uma vez que, inicialmente, eram mantidas abertas horizontalmente por meio de uma vara “beamtrawl” (Figura 4). Figura 4:Rede de arrasto, sem portas, com vara beamtrawl. Por volta de 1880, foram desenvolvidas as primeiras portas de arrasto que permitiam operar com grandes redes. Ás primeiras portas foram de forma retangular, originando a porta retangular plana, que e utilizada ate hoje para a pesca de camara o, por ter um comprimento maior que a altura e uma “sapata” (chapa de ferro na parte inferior da porta), que possibilita uma maior a rea de contato Tecnologia de pesca | 15 com o fundo lamoso, diminuindo a possibilidade de penetrar na lama. Como a velocidade na captura de bento nico e bem menor que a de pela gico, a hidrodina mica da forma retangular na o interfere na eficie ncia de captura. Estas sa o caracterí sticas ideais para o arrasto de camara o que e realizado em fundos planos de lama, os quais sa o realizados com moderada velocidade, uma vez que o camara o esta enterrado no fundo. Na captura de peixes, como exige uma velocidade maior, as portas retangulares na o resistiriam aos golpes em pedras no fundo. Dessa forma, surgiu a porta retangular em V, que possibilitou a superaça o dos obsta culos. Com a necessidade de portas mais velozes para captura de peixes, foram desenvolvidas as portas ovais, que permitiam uma maior rapidez e superaça o de obsta culos, em funça o da sua hidrodina mica e pequena a rea de contato com o fundo. Ás portas ovais sa o empregadas tanto em arrastos de fundo quanto em meia a gua. Á necessidade de portas mais eficientes para arrastos de meia a gua, ou pela gico, fez com que o alema o Franz Suberkrub, em 1938, patenteasse uma porta vertical, que foi denominada com seu sobrenome, porta vertical tipo suberkrub. Essa porta tem uma altura bem superior a base, com forma curva, gerando uma resultante lateral mais eficiente do que a oval, tornando-se ideal para arrastos de meia a gua, ou pela gicos. Com exceça o da retangular plana, que ainda hoje e construí da com pranchas de madeira, os demais modelos sa o confeccionados em aço, alumí nio ou pla stico, principalmente na pesca industrial. Recentemente foi implementada a porta vertical em V, com a finalidade de aproveitar a boa performance desse tipo de porta em meia a gua para atuar no fundo. Com esse objetivo, foi criado um a ngulo no seu corpo, permitindo, assim, que, quando em contato com pedras ou cabeços no fundo, ela resvale (Figura 5). 16 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 5: Tipos de portas: (Á) retangular plana; (B) retangular em V; (C) oval; (D) vertical tipo suberkrub; e (E) vertical em V. Recentemente, foram construídas portas com maior hidrodinâmica com a inclusão de hidrofólios (abertura que possibilita a passagem da água), resultando em uma menor resistência em relação ao arrasto mantendo a mesma área, principalmente em redes de fundo que necessitam maior contato com o solo (Figura 6). Tecnologia de pesca | 17 Figura 6: Porta com hidrofo lio, abertura que permite a passagem do fluxo da a gua. O perfeito trabalho das portas de arrasto determina o eficiente funcionamento da rede, influenciando diretamente na captura. Ás portas de fundo, principalmente as retangulares planas, sa o reguladas atrave s de correntes, denominadas de “pe de galinha”, que te m o objetivo de regular o a ngulo de abertura da porta em relaça o ao sentido do arrasto. Esse a ngulo de abertura forma o “a ngulo de ataque” da porta (Figura 7). Ele pode ser aumentado ou reduzido de acordo com a diminuiça o ou aumento do nu mero de elos das correntes anteriores do pe de galinha. Ále m da abertura horizontal, as portas trabalham com uma inclinaça o vertical, que lhes garantem na o tombar para dentro da a rea de arrasto. Ás portas retangulares, por ter maior contato com o fundo, sofrem com choques em obsta culos. Para minimizar esses impactos, elas trabalham com o nu mero de elos nas correntes anteriores do pe de galinha, menor que nos posteriores, resultando em uma inclinaça o da parte anterior da porta, possibilitando sua subida quando em contato com um obsta culo (Figura 8Á), caso na o estejam reguladas podem prejudicar a eficie ncia do arrasto (Figura 8B). 18 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 7: Á ngulo de ataque da porta de arrasto. Figura 8: Regulagem da porta, correta Á e incorreta B. Tecnologia de pesca | 19 1.2 MANOBRAS COM REDES DE ARRASTO 1.2.1 Árrasto com pau de serriola E uma modalidade de pesca realizada principalmente na costa do Nordeste do Brasil na captura de camara o com embarcaço es artesanais, e comprimento me dio de 8m. Como nessa regia o existem poucos e pequenos bolso es de lama, a reas planas propí cias para o arrasto, as embarcaço es te m a necessidade de realizar manobras em uma pequena a rea, tendo que fazer curvas fechadas em a reas restritas, o que muitas vezes resulta em danos a s redes. Dessa forma, empregam o artificio do “pau de serriola”, que e uma trave de madeira com me dia de seis metros de comprimento, que simula a popa de uma embarcaça o maior, aumentando assim a dista ncia entre os cabos de arrasto na popa da embarcaça o, evitando que estes se enrolem em manobrasmais fechadas. Essa modalidade de pesca e realizada pro ximo a foz dos rios, geralmente em fundos de lamas gerados pelo aporte de sedimentos, o que restringe bastante a a rea de pesca. Essas a reas limitadas de arrasto fazem com que essa atividade seja autorregula vel, quanto ao nu mero de barcos, pois no vera o poucas embarcaço es pescam, uma vez que a rentabilidade cai bastante. Geralmente a faina de pesca tem iní cio a s cinco horas da manha , retornando, a s 15 horas. Á duraça o do arrasto e em funça o da produça o: no vera o, chega a quatro horas, devido a escassez de camara o; e, no inverno, pode ser de apenas uma hora, ou menos, pois o acu mulo de algas pode rasgar a rede. 20 | Vanildo Souza de Oliveira 1.2.1.1 Lançamento Á montagem do sistema de arrasto inicia-se quando uma das extremidades de cada cabo de arrasto e conectada em cada extremidade do “pau de serriola”, e a outra, ao pe de galinha em cada porta, as duas ficam armazenadas na popa da embarcaça o. Á rede e conectada a s portas por meio de cabos denominados de malhetas. Essa operaça o tambe m e realizada na popa da embarcaça o (Figura 9). Figura 9: Montagem do sistema de arrasto com pau de serriola. Tecnologia de pesca | 21 Quando da conexa o das malhetas das tralhas inferiores e superiores com as portas, observar se as asas da rede na o esta o torcidas, pois isso pode retardar o lançamento. Ápo s o sistema esta pronto, o lançamento e iniciado com o aumento da velocidade do barco. Dois indiví duos ficam responsa veis pelo lançamento das portas, na popa da embarcaça o, enquanto outros dois controlam o lançamento dos cabos de arrasto na proa .Os cabos geralmente sa o marcados, para que saiam com os comprimentos iguais, garantindo, assim, que as portas cheguem ao mesmo tempo ao fundo. Para facilitar o lançamento, os dois indiví duos passam os cabos de arrasto pelo frade da proa (local para colocar as amarras no ato da ancoragem do barco), com a finalidade de transferir parte da tensa o dos cabos de arrasto para o frade (Figura 10). Figura 10: Lançamento dos cabos de arrasto, portas e rede ao mar. 22 | Vanildo Souza de Oliveira Á determinaça o do comprimento do cabo de arrasto segue geralmente uma proporça o em relaça o a profundidade, ou seja, em a guas com profundidades menores que 100m aplica-se a proporça o de 1:5; em a reas com profundidades acima de 100m, 1:3. Á relaça o deve permitir um funcionamento o timo das portas, pois, se os cabos ficarem muito longos, formara o seios que comprometera o a inclinaça o das portas, assim como, se ficarem muito curtos, influenciara o na adere ncia das portas ao fundo. Quando os cabos de arrasto, durante o lançamento, aproximam-se do te rmino, os dois indiví duos retiram os cabos de arrasto do frade, fazendo com que a tensa o do arrasto seja transferida diretamente para as extremidades do pau de serriola (Figura 11). Figura 11: Transfere ncia dos cabos de arrasto do frade para as extremidades do pau de serriola. Tecnologia de pesca | 23 Nesse momento, a velocidade do barco diminui e da -se iní cio ao arrasto na sua velocidade normal (Figura 12). Figura 12: Sistema de arrasto em pleno funcionamento. 1.2.1.2 Recolhimento Áo te rmino do arrasto o motor da embarcaça o e colocado em ponto neutro, para facilitar o recolhimento manual dos cabos de arrasto. Essa atividade e realizada pelos dois tripulantes que esta o na popa da embarcaça o. Quando as portas chegam a borda da popa da embarcaça o, sa o içadas e armazenadas, de forma a ficarem prontas para um novo lançamento. Ás asas da rede sa o recolhidas tambe m pela popa, no entanto o corpo e transferido para um dos 24 | Vanildo Souza de Oliveira bordos da embarcaça o, dependendo da direça o da corrente marí tima e do vento. Áo chegar ao bordo da embarcaça o, o saco e içado manualmente com a participaça o de toda a tripulaça o (Figura 13). Em seguida, o saco da rede e aberto, e o pescado e liberado no conve s. Ápo s o esvaziamento do saco, ele e novamente fechado, com um no , e lançado imediatamente ao mar, dando iní cio a um novo lançamento, estando a tripulaça o novamente posicionada no conve s. Figura 13: Recolhimento do saco da rede de arrasto pelo bordo da embarcaça o, muitas vezes com toda a tripulaça o. Tecnologia de pesca | 25 1.2.2 Árrasto com tangones (arrasto duplo — Double rig) Essa modalidade de arrasto, que utiliza duas redes simultaneamente, e empregada principalmente na captura de camara o, por ter caracterí sticas como: redes com pequena abertura vertical e grande abertura horizontal, uma vez que a produça o de camara o aumenta em funça o da a rea varrida pelo corpo inferior e asas da rede. Á rede de arrasto, no sistema com tangones, possui dois cabos como acesso rios, sendo que a parte que une as duas portas e denominada de cabo de transferência, e a segunda parte, ligada ao corta-saco da rede, e denominada de cabo de guia. Esses cabos te m a finalidade de auxiliar nas manobras de lançamento e recolhimento das portas e do saco da rede. Ás tesouras possibilitam a abertura das portas, rebocadas por um u nico cabo de arrasto (Figura 14). Á pesca com sistema de arrasto com tangones, ou duplo, foi desenvolvida no Golfo do Me xico e chegou ao Norte do Brasil no final da de cada de 60 por barcos estrangeiros. Inicialmente esse sistema foi empregado para captura industrial de piramutaba, em 1971, so depois foi substituí do pelo arrasto com parelhas, mais adequado a captura dessa espe cie. O arrasto com tangones foi direcionado para a captura de camara o, o qual foi desenvolvido especificamente para a exploraça o desse recurso, houve um aumento significativo da produça o e consequentemente inicio a uma frota nacional. (Figura 15). 26 | Vanildo Souza de Oliveira Figura14: Ácesso rios da rede, empregados no arrasto com tangones. Tecnologia de pesca | 27 Figura 15: Sistema de arrasto com tangones. Esses barcos sa o equipados, em seu conve s, com uma estrutura de tubos de ferro, que da o sustentaça o ao sistema de tangones (Figura 16). Os cabos de transfere ncia e de guia geralmente sa o de PE ou PP, para flutuar e na o interferir no arrasto. 28 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 16: Caracterí sticas de um conve s de um arrasteiro com tangones. 1.2.2.1 Ármaça o do sistema de arrasto Conectam-se os cabos de arrasto aos pe s de galinha das portas, e as malhetas da rede, a parte superior e a inferior das portas (Figura 17). Á transfere ncia das portas para as extremidades dos Tecnologia de pesca | 29 tangones e realizada com o acionamento dos guinchos no sentido de recolhimento, consequentemente puxando as portas para as extremidades dos tangones, ao mesmo tempo em que o “cabo de transfere ncia” e passado pela saia do guincho, gerando uma tensa o no sentido contra rio e evitando, com isso, que as portas girem ao redor do pro prio eixo (Figura 18). Figura17: Ármaça o do sistema de arrasto: cabos de arrastos, portas e rede. 30 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 18: Transfere ncia das portas para as extremidades dos tangones. Quando as portas chegam a s extremidades dos tangones, o cabo de transfere ncia e retirado da saia do guincho, e o corpo da rede e lançado ao mar. Esse procedimento e tambe m realizado com a outra rede. Dessa forma, as redes assumem o posicionamento para ser lançadas (Figura 19). Tecnologia de pesca | 31 Figura 19: Redes posicionadas para o lançamento. 32 | Vanildo Souza de Oliveira 1.2.2.2 Lançamento Inicia-se com a liberaça o dos cabos de arrasto, acionando-se os guinchos. Quando as portas ficam submersas, os guinchos sao travados, com o objetivo de observar a hidrodina mica das redes e portas, assim como possí veis enredos. Em seguida, acionam-se os tambores dos guinchos, dando continuidade ao lançamento, ate ser liberada a quantidade de cabos de arrasto predefinida, em funça o da profundidade. Quando o comprimento total de cabos e lançado, os guinchos sa o travados e o arrasto e iniciado com a velocidade predeterminada. No iní cio do lançamento, a velocidade da embarcaça o e maior do que durante o arrasto, com o objetivo de abrir as portas ate sua posiça o de trabalho. Durante o arrasto, principalmente na pesca comercial, e realizado o lançamento de uma rede com tamanho reduzido, proporcionalmente, com as mesmas caracterí sticas das com que se esta pescando, denominada de rede de teste, ou trynet. Ela tem o objetivo de fazer uma amostragem da captura e estimar proporcionalmente a produça o das redes, assim como escolher as a reas mais produtivas (Figura 20). Tecnologia de pesca | 33 Figura 20: Sistema de arrasto com tangones, empregando o trynet. 34 | Vanildo Souza de Oliveira 1.2.2.3 Recolhimento Á duraça o do arrasto esta em funça o do volume da captura: quanto mais ra pido for o enchimento do saco da rede, mais ra pido sera o recolhimento. No perí odo da safra, os arrastos sa o menores, variando de tre s a quatro horas; e, na entressafra, maiores, em me dia seis horas, principalmente na pesca industrial. Inicia-se com o recolhimento dos cabos de arrasto, acionando-se os guinchos, ate que as portas cheguem a s extremidades dos tangones. Com a finalidade de aproximar o cabo de guia da rede para a borda do barco, o mestre da embarcaça o realiza uma manobra para um dos bordos, dependendo da direça o do vento. Áo mesmo tempo em que um pescador recolhe o “cabo de guia” com uma vara de recolhimento, que possui uma chapa na extremidade do gancho para evitar enganchar nas malhas da rede (Figura 21). O “cabo de guia” e passado pela saia do guincho, puxando, assim, o saco da rede para a borda da embarcaça o (Figura 22). Figura 21: Emprego da vara de recolhimento para recolher o cabo de guia. Tecnologia de pesca | 35 Figura 22: Áproximaça o do saco da rede, com o recolhimento do cabo de guia. Quando o saco da rede alcança a borda da embarcaça o, um pescador laça o saco com um cabo, que conte m um gancho na extremidade denominado de teck (Figura 23), passando assim pela saia do segundo guincho, suspendendo, com isso, o saco da rede no conve s da embarcaça o (Figura 24). Imediatamente o saco e aberto, liberando o pescado no conve s, e, quando esta totalmente vazio, e novamente fechado e lançado ao mar. Essa manobra e realizada em ambas as redes, deixando as duas em posiça o para um novo lançamento. Enquanto um novo arrasto esta sendo realizado, a separaça o do camara o e realizada por: espe cie de camara o e a fauna acompanhante bycatch (tudo aquilo que na o e alvo da pescaria), que pode ser dividida em: espe cies de valor comercial e descarte (espe cies que sa o devolvidas ao mar). 36 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 23: Recolhimento do saco para o conve s da embarcaça o, com detalhe da amarraça o com o teck. Tecnologia de pesca | 37 Figura 24: Saco da rede içado no conve s da embarcaça o. Outra forma de adaptaça o de conve s das embarcaço es para a pesca de arrasto com tangones e no caso das embarcaço es com casaria na popa, no qual a montagem da estrutura dos tangones e feita a meia nau (Figura 25). Á manobra de lançamento e 38 | Vanildo Souza de Oliveira transfere ncia das portas de arrasto para as extremidades dos tangones e a mesma realizada nas embarcaço es com casaria na proa. O recolhimento tambe m e o mesmo, sendo o saco da rede içado por um dos bordos na a rea do conve s em frente a casaria de comando (Figura 26). Essa modalidade de armaça o e feita tanto em barcos de pequeno porte como em escala industrial. Figura 25: Árrasto com tangones em embarcaça o com cabine na popa. Tecnologia de pesca | 39 Figura 26: Recolhimento da rede de arrasto com tangones em embarcaça o com cabine na popa. 40 | Vanildo Souza de Oliveira 1.2.3 Redes ge meas Com o objetivo de aumentar a produça o, as redes de arrasto sofreram va rias modificaço es. Ássim como o sistema de arrasto, uma evoluça o do sistema duplo com tangones foi a introduça o do arrasto com redes “ge meas” com tangones (Figura 27). Esse sistema opera com quatro redes e um ski (esqui), que fica localizado entre as duas redes, com a finalidade de manter a abertura vertical das redes e lastrar o sistema de arrasto. Ás portas e o ski esta o ligados ao cabo de arrasto por uma tesoura com tre s cabos (Figura 28). Uma caracterí stica do sistema com redes ge meas e que o cabo do meio da tesoura e menor do que os das extremidades, transferindo uma maior tensa o para ele, liberando assim as portas, para que elas abram mais, aumentando com isso a a rea varrida do arrasto. Esse sistema resulta em um aumento me dio de 25% na produça o em relaça o ao sistema duplo. Uma das vantagens desse sistema e que a a rea da panagem das duas redes ge meas (corpo curto e boca larga) e igual a mesma a rea da panagem de uma rede do sistema duplo (uma rede em cada extremidade do tangone, sendo elas mais longas). O que resulta, em resiste ncias ao arrasto iguais. Essa condiça o permite que o mesmo motor possa arrastar ambos os sistemas, possibilitando a mudança de um sistema para o outro sem modificaço es na pote ncia da embarcaça o. Á utilizaça o de redes ge meas possui limitaço es em sua operaça o, necessitando de grandes a reas de arrasto planas para realizaça o de manobras com curvas mais abertas, pois as duas redes podem se enganchar, caso a a rea seja restrita. Outro fator que interfere no sistema com redes ge meas e a condiça o de mar. Ás zonas tropicais sa o mais apropriadas, por terem mares mais calmos. Por esses motivos, o sistema de arrasto com redes ge meas, muitas vezes, na o pode ser empregado em qualquer a rea de arrasto. Tecnologia de pesca | 41 Figura27: Detalhe do sistema de redes ge meas. Figura 28: Relaça o de comprimento dos tre s cabos da tesoura, em um sistema de redes ge meas e detalhe do ski. 42 | Vanildo Souza de Oliveira 1.2.4 Árrasto de popa E uma modalidade empregada principalmente em arrastos de fundo, demersais e meia a gua para a captura de peixes. O sistema de e montado com a conexa o dos cabos de arrasto as portas, no pe de galinha, que no caso da pesca industrial sa o confeccionados com chapa de aço, tendo a finalidade a regulagem do a ngulo de ataque. Ás portas esta o ligadas a rede pelas malhetas. Esse tipo de arrasto possui um cabo que esta conectado entre as malhetas e o pe de galinha da porta, sendo denominado de “cabo malandro”, o qual tem a finalidade de auxiliar no recolhimento da rede (Figura 29). Figura 29: Sistema de arrasto com o “cabo malandro”. Á embarcaça o destinada ao arrasto de popa tem a distribuiça o do conve s com dois guinchos principais para o arrasto, e dois auxiliares para segurar as portas durante o recolhimento da rede. Ále m dos dois pescantes na popa, onde ficam as portas de arrasto durante o recolhimento do corpo da rede. Os pescantes te m a finalidade de manter uma dista ncia constante entre os cabos de arrasto na popa da embarcaça o durante as manobras de arrasto (Figura 30). Tecnologia de pesca | 43 Figura 30: Caracterí sticas de um conve s e seu sistema de arrasto em um arrasteiro de popa. 44 | Vanildo Souza de Oliveira 1.2.4.1 Lançamento Ápo s o sistema de arrasto esta montado, (cabos de arrasto, portas, cabo malandro e malhetas da rede), lança-se o corpo da rede ao mar (Figura 31).Neste momento, liberam-se os cabos de arrasto dos tambores dos guinchos, fazendo com que as portas de arrasto deixem os pescantes, que esta o localizados na popa da embarcaça o. Figura 31: Lançamento da rede pela popa, com todo o sistema de arrasto montado. Tecnologia de pesca | 45 Quando as portas ja esta o submergidas, o lançamento e interrompido, com o objetivo de observar a hidrodina mica das portas e rede de arrasto (Figura 32). Ápo s esta aça o, os guinchos sa o novamente acionados ate o lançamento total do comprimento dos cabos de arrasto, predeterminado em funça o da profundidade do local. Figura 32: Cabos de arrasto e portas sendo lançados ao mar. 1.2.4.2 Recolhimento Inicia-se com o acionamento dos guinchos principais, que recolhem os cabos de arrasto ate as portas chegarem aos pescantes. Em seguida, os cabos dos “guinchos auxiliares” sa o conectados aos pe s de galinha das portas. Quando sa o acionados no sentido de 46 | Vanildo Souza de Oliveira recolhimento, transferem a tensa o meca nica (T1) exercida pelos cabos de arrasto para eles (Figura 33), folgando, assim, os cabos de arrasto dos “guinchos principais” (TO).Imediatamente desconectam- se os cabos de arrasto e os cabos malandros, que esta o conectados aos pe s de galinha das portas, e conecta-se um ao outro — em alguns casos, eles ja esta o conectados, geralmente por meio de uma manilha. Quando os guinchos principais sa o acionados no sentido do recolhimento, a tensa o do peso da rede e transferida para o sistema: cabos de arrasto e cabo malandro (T2) (Figura 34). Figura 33: Transfere ncia da tensa o dos cabos dos guinchos principais para os cabos dos guinchos auxiliares. Tecnologia de pesca | 47 Figura 34: Recolhimento do sistema, cabo de arrasto e cabo malandro. 48 | Vanildo Souza de Oliveira Quando as conexo es entre o “cabo malandro” e as “malhetas da rede” chegam ao conve s, as “malhetas das portas” sa o imediatamente desconectadas (Figura 35). Figura 35: Malhetas das portas desconectadas, quando chegam ao conve s. Tecnologia de pesca | 49 Com as portas isoladas do sistema de arrasto, o corpo da rede pode ser içado para o conve s da embarcaça o pelos guinchos principais (Figura 36). Figura 36: Içamento do corpo da rede de arrasto para o conve s. 50 | Vanildo Souza de Oliveira Quando as asas da rede chegam aos tambores dos guinchos principais, o restante do corpo da rede e içado para bordo, por meio de um cabo com um teck (tipo de gancho de aço) na extremidade. O cabo do teck passa por uma roldana no alto do conve s e pela saia do guincho. O corpo da rede vai sendo içado para o conve s, ate que o saco fique suspenso pela roldana. Nesse momento, o saco e aberto, e o pescado, liberado no conve s (Figura 37). Imediatamente o saco e novamente fechado e lançado ao mar, dando iní cio a um novo lançamento. Figura 37: Içamento da rede e abertura do saco, liberando o pescado no conve s da embarcaça o. Tecnologia de pesca | 51 No lançamento seguinte da rede, as manobras sa o refeitas, o saco da rede e lançado ao mar, os guinchos principais sa o liberados e, a medida que a rede e lançada ao mar, as malhetas das portas sa o novamente conectadas e recebem novamente a tensa o do peso da rede. Essa aça o possibilita a conexa o dos cabos de arrasto e malandros novamente aos pe s de galinha das portas. Em seguida, os cabos de arrasto dos guinchos principais sa o acionados, recebendo toda a tensa o das portas e rede, permitindo assim a desconexa o dos cabos dos guinchos auxiliares aos pe s de galinha das portas, liberando todo o sistema para um novo lançamento. Outro sistema utilizado no recolhimento da rede de arrasto de popa e o emprego de um tambor no conve s, onde a rede de arrasto e acondicionada. Á u nica diferença dessa manobra para a de conve s sem tambor e que, quando as portas chegam aos pescantes, puxadas pelos guinchos principais, a extremidade do cabo malandro e desconectada das portas e conectada aos cabos do tambor. Dessa forma, o tambor gira, recolhendo a rede ate as malhetas das portas chegarem ao conve s, quando sa o desconectadas, isolando as portas, e em seguida o tambor enrola o corpo da rede (Figura 38). Figura 38: Sistema de arrasto com tambor, para o armazenamento da rede. 52 | Vanildo Souza de Oliveira Em arrasteiros menores, que na o possuem guinchos auxiliares nem tambores de armazenamento da rede, so o guincho principal. Ás funço es dos guinchos auxiliares e tambor podem ser exercidas pela saia do guincho principal, ou por uma corrente fixa no no pescante, que suporta todo o peso das portas durante o recolhimento da rede (Figura 39). Figura 39: Corrente fixa no suporte do pescante, conectada a porta. 1.2.5 Árrasto com parelhas Essa modalidade e utilizada na pesca de peixes de fundo, demersais e de meia a gua, caracterizando-se por empregar duas embarcaço es, dessa forma na o utilizando portas de arrasto, pois a abertura horizontal da rede e realizada pelas duas embarcaço es. Uma das vantagens desse sistema e a possibilidade de realizar arrastos em pequenas profundidades, pois a vibraça o e turbule ncia geradas pelos motores das duas embarcaço es induzem os cardumes a concentrarem-se entre os dois barcos, onde sa o alcançados pela Tecnologia de pesca | 53 rede. No arrasto de popa, em pequenas profundidades, funciona ao contra rio: com um u nico motor, a vibraça o dispersa o cardume, dificultando assim serem alcançados pela rede, motivo pelo qual o sistema com parelha e mais empregado em a reas rasas. Outra vantagem e a utilizaça o de redes com maior abertura vertical e a rea varrida. Á desvantagem e ter que depender de duas tripulaço es e duas manutenço es para as embarcaço es. 1.2.5.1 Lançamento E iniciado com a aproximaça o das duas embarcaço es, quando a embarcaça o Á conecta uma das malhetas da asa da rede ao seu guincho de arrasto e transfere a outra asa, com a malheta, para a embarcaça o B, por meio de um cabo de retinida (cabo de multifilamento, leve, com um peso em uma extremidade). Esse cabo e conectado na extremidade da malheta. Quando o cabo de retinida e lançado para a embarcaça o B, ele e recolhido ate alcançar a malheta da rede, que e conectada ao cabo de arrasto que esta armazenado no tambor do guincho da embarcaça o B (Figura 40). Dessa forma, a rede esta pronta para o lançamento. Os cabos de arrasto das duas embarcaço es va o sendo lançados, a medida que as duas embarcaço es va o se separando, ate alcançar a dista ncia ma xima determinada, a qual deve ser mantida durante todo o arrasto. Essa dista ncia pode ser mantida desde com um simples cabo entre as embarcaço es, na pesca artesanal, ate equipamentos eletro nicos, na pesca industrial, como o radar. 54 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 40: Transfere ncia da malheta da embarcaça o Á para o guincho da B. Quando os cabos de arrasto que esta o sendo lançados va o chegando pro ximo ao comprimento predeterminado para a profundidade de arrasto, na popa da embarcaça o esta o localizados os “cabos centralizadores”, que sa o conectados aos cabos de arrasto (Figura 41). Os “cabos centralizadores” te m a finalidade de manter a tensa o dos cabos de arrasto concentrada no centro da popa da embarcaça o. Quando os cabos de arrasto alcançam o comprimento predeterminado, todas as tenso es deles sa o transferidas para os “cabos centralizadores” (Figura 42). Na extremidade desses cabos existe um dispositivo denominado “disparador”, o qual esta conectado ao cabo de arrasto (Figura 43). Tecnologia de pesca | 55 Figura 41: Cabos centralizadores, antes de serem conectados aos cabos de arrasto. Figura 42:Embarcaço es realizando o arrasto, com a tensa o transferida para os cabos centralizadores. 56 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 43: Detalhe e funça o do disparador no arrasto. Tecnologia de pesca | 57 1.2.5.2 Recolhimento Ápo s terminar o tempo de arrasto, a embarcaça o B aproxima- se da embarcaça o Á, desconecta o cabo de arrasto, que tem o disparador, do tambor e transfere para a embarcaça o Á, por meio tambe m de um cabo de retinida. Á embarcaça o Á conecta o cabo de arrasto recebido da embarcaça o B, no tambor vazio. Em seguida, a embarcaça o Á transmite o aviso da conexa o do segundo cabo de arrasto ao segundo tambor, so enta o o cabo do disparador e acionado pela embarcaça o B, transferindo, com isso, o segundo cabo de arrasto da rede para a embarcaça o Á (Figura 44). Figura 44:Ácionamento do disparador, transferindo o cabo de arrasto da embarcaça o B para a Á. 58 | Vanildo Souza de Oliveira Ápo s o recebimento do cabo de arrasto, a embarcaça o Á aciona os guinchos, dando iní cio ao recolhimento, com manobras similares ao recolhimento em um arrasteiro de popa, ou içando a rede por um dos bordos da embarcaça o para o conve s (Figura 45). Figura 45: Recolhimento da rede pela embarcaça o Á. Tecnologia de pesca | 59 No Brasil, na o e utilizada essa denominaça o de cabos centralizadores. O disparador e colocado preso a uma roldana fixa em um cabo na popa da embarcaça o, de forma que, quando o cabo do disparador for acionado, transfira o cabo de arrasto para outra embarcaça o (Figura 46). Figura 46: Sistema com disparador, utilizado no Norte do Brasil. 60 | Vanildo Souza de Oliveira 1.3 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM REDES DE ARRASTO PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS Á aça o da rede de arrasto causa um grande dano ao meio ambiente, seja por revolver o fundo com as tralhas de chumbo e portas de arrasto, ou com a retirada de va rias espe cies do meio ambiente, muitas delas ainda em esta gio juvenil. Ále m das espe cies de peixes e crusta ceos, as redes de arrasto capturam tambe m quelo nios, principalmente nas a reas costeiras. Com o objetivo de minimizar a captura de tartarugas, va rios tipos de dispositivos de exclusa o de tartarugas — Turtle Excluded Device (TED) — foram desenvolvidos nas u ltimas de cadas. Átualmente uma grade de alumí nio ou aço inox e colocada antes do saco da rede, com a finalidade de permitir a saí da das tartarugas, que pode ser pela parte superior ou inferior do corpo da rede (Figura 47). Figura 47: Dispositivo de exclusa o de tartaruga (TED), “Á” com saí da na parte superior do corpo, ”B” com saí da na parte inferior. Tecnologia de pesca | 61 Para exclusa o da fauna acompanhante nas redes de arrasto, foram desenvolvidos os Dispositivos de Exclusa o de Fauna Ácompanhante – Defa (Bycatch Reduce Device – BRD). Sa o empregados va rios tipos de Defas em redes de arrasto para a exclusa o de peixes, destacando-se o sistema de malhas quadradas, pela sua simplicidade e facilidade de operacionalizaça o. Nele, os peixes escapam pelas malhas quadradas, enquanto os camaro es seguem direto para o saco da rede. Dependendo do tamanho da malha e do local da colocaça o, a perda de camara o pode ser minimizada (Figura 48). Figura 48: Sistema de malhas quadradas em rede de arrasto para camara o. Outro dispositivo de exclusa o de fauna acompanhante e o denominado “olho de peixe”, estrutura de aço inox, ferro, ou alumí nio, posicionado, no saco, no sentido contra rio ao do arrasto, uma vez que os peixes tendem a nadar contra o fluxo da a gua. Por ser bastante fa cil de ser construí do e ter fa cil manuseio a bordo, e um dos dispositivos de exclusa o mais utilizados (Figura 49). 62 | Vanildo Souza de Oliveira Outro dispositivo bastante difundido e o de grade de alumí nio Nordmore Grid, no qual os camaro es passam por ela, direto para o saco da rede, enquanto os peixes seguem a grade e escapam por uma abertura superior no corpo da rede de arrasto (Figura 50). Figura 49: Olho de peixe, colocado da parte superior do saco, permite a exclusa o da fauna acompanhante. Tecnologia de pesca | 63 Figura 50: Sistema de grade de alumí nio em redes de arrasto para camara o. Em arrastos cujo principal alvo sa o peixes demersais, ou pela gicos, os dispositivos de exclusa o visam o escape de indiví duos juvenis, da mesma espe cie, que na o alcançaram o tamanho adulto. O dispositivo nesse caso exclui os jovens e captura os adultos (Figura 51). Figura 51: Dispositivo de exclusa o de peixes juvenis captura apenas adulto. 64 | Vanildo Souza de Oliveira Tecnologia de pesca | 65 CAPÍTULO II REDES DE CERCO 66 | Vanildo Souza de Oliveira 2.1 REDES DE CERCO Essa modalidade de pesca tem por finalidade a captura de pela gicos, uma vez que as outras artes como as redes de arrastos na o apresentam grande eficie ncia na captura desse grupo ecolo gico. Á rede de cerco tem o princí pio de cercar o cardume e pode ser recolhida manualmente ou com a utilizaça o de guinchos, que recolhem um cabo na sua parte inferior denominado de “carregadeira”. Esse cabo passa por dentro de argolas que esta o distribuí das ao longo da tralha, ou cabo de chumbo. Á rede de cerco e composta pelo corpo (panagem), tralha, ou cabo de boia, cabo de chumbo, anilhas — ou argolas — e carregadeira. No corpo, ha va rios paine is e o saco (a rea destinada para concentraça o dos peixes, no final do recolhimento da rede — por isso feito de um material mais resistente do que o corpo) (Figura 52). Á carregadeira tem a finalidade de evitar que o cardume fuja, por baixo da rede, fechando o fundo rapidamente antes que ela seja recolhida. Figura 52: Rede de cerco com carregadeira, sistema de fechamento ra pido. Tecnologia de pesca | 67 O cerco pode ser empregado tanto na captura de pequenos pela gicos (sardinhas), como na captura de grandes pela gicos (atuns e afins). Na modalidade artesanal, a rede de cerco pode ter o recolhimento manual, e sua eficie ncia depende da velocidade do recolhimento, pois ela na o tem a carregadeira para realizar o fechamento ra pido, evitando a fuga do cardume. Á rede sem a carregadeira, tem o corpo inferior maior que o superior, de forma que, quando alcance a borda da embarcaça o, impossibilite a fuga do cardume por baixo (Figura 53). Figura 53: Rede de cerco sem carregadeira. Na modalidade industrial, o recolhimento e realizado por guinchos com o emprego da “carregadeira”. Um cerqueiro atuneiro industrial possui caracterí sticas tí picas: casaria de observaça o (para localizaça o visual dos cardumes), pescantes laterais (duas roldanas por onde passam a carregadeira), Power block (tambor de borracha hidra ulico suspenso, que ao girar recolhe a rede para o conve s), rede (que ocupa grande a rea na popa) e panga (pequena embarcaça o que fica com uma das extremidades da rede durante o cerco) (Figura 54). 68 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 54: Caracterí sticas de um cerqueiro. 2.1.1 Formas de localizaça o de cardumes Visual - Materiais flutuantes: pedaços de madeira, ou qualquer objeto flutuante, que possibilite o inicio do princí pio de agregaça o. Esse processo inicialmente agrega o fitopla ncton; em seguida, o zoopla ncton, larvas, alevinos, formando uma cadeia alimentar ate a chegada de grandes predadores, no caso atuns. - Concentraça o de pa ssaros: eles se alimentam de pequenos pela gicos, assim como os atuns, por isso essa competiça o alimentar. Os atuns atacam por baixo do cardume, forçando os peixes a nadarem para a superfí cie, onde sa o atacados pelos pa ssaros, e assim os cardumes facilmente sa o localizados pelospescadores. - Bioluminesce ncia: esse feno meno possibilita o cerco durante a noite, principalmente na pesca de sardinha. Um pescador fica na proa da embarcaça o com uma lanterna. Quando a luz e direcionada sobre o cardume, ele se agita, movimentando-se rapidamente, com isso realizando a bioluminesce ncia, gerada por dinoflagelados quando de uma aça o meca nica, resultando em toda a superfí cie da a rea do cardume agitada e iluminada, possibilitando assim o cerco noturno. - Concentraça o de golfinhos: na pesca de atum no Pací fico, e comum a procura de cardumes de golfinhos, uma vez que eles sa o Tecnologia de pesca | 69 concorrentes alimentares dos atuns — quando os golfinhos esta o na superfí cie se alimentando de pequenos pela gicos, geralmente os atuns esta o atacando por baixo. No Oceano Átla ntico tropical, esse comportamento e pouco observado, em funça o da termoclina estar em maiores profundidades, minimizando a ocorre ncia de atuns pro ximos da superfí cie. - Borbulhas e agitaça o na superfí cie: nessa situaça o quanto mais calmo o mar, maior a possibilidade de avistar o cardume — principalmente quando sa o de pequenos pela gicos. Os cardumes na superfí cie produzem uma a rea mais agitada do que a superfí cie normal, possibilitando a localizaça o e cerco. Equipamentos eletrônicos -Sonar: aparelho de emissa o sonora que possibilita realizar a varredura na horizontal em 360 graus, sendo possí vel a detecça o do cardume em qualquer direça o, tanto em condiça o noturna quanto diurna. Ele e capaz de identificar o rumo, a dista ncia e a dimensa o do cardume. - Sate lite: informa as condiço es oceanogra ficas com maior probabilidade de ocorre ncia de cardumes de atuns, tais como: temperatura da superfí cie, clorofila, correntes, termoclinas, dentre outros. - Tambe m e possí vel realizar a localizaça o com helico pteros ou avio es, que transmitem para as embarcaço es a localizaça o dos cardumes. Essa modalidade de pesca e empregada para captura de pela gicos com grande valor econo mico, devido aos altos custos de operacionalizaça o. 70 | Vanildo Souza de Oliveira 2.1.2 Lançamento O cabo da carregadeira, que pode ser sinte tico ou aço, sai de um dos tambores do guincho da embarcaça o, passa por um dos pescantes e por dentro de todas as argolas que esta o no guia de lançamento, sendo finalmente conectado a panga (pequena embarcaça o que segura uma das extremidades da rede durante o cerco realizado pela embarcaça o maior) (Figura 55). Dessa forma, a rede esta pronta para o lançamento, que tem iní cio com a liberaça o da panga ao mar e deslocamento da embarcaça o maior, lançando a rede ao mar, dando iní cio ao cerco. Enquanto a panga rete m a outra extremidade da rede, onde esta o fixos a carregadeira, tralhas de boia e de chumbo (Figuras 56 e 57). Ressalta-se que a parte do corpo da rede que fica com a panga e a que conte m o saco (parte mais resistente da rede). Á outra extremidade fica fixa a embarcaça o maior, ela recebe mais lastro, uma vez que vai ser a u ltima a cair na a gua, e por isso tem que submergir rapidamente, para evitar que o cardume escape no final do fechamento do cerco. Figura 55: Ármaça o da carregadeira da rede de cerco para o lançamento. Tecnologia de pesca | 71 Figura 56: Iní cio do cerco, lançamento da panga conectada como os cabos de boia, chumbo e carregadeira. 72 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 57: Iní cio do cerco: a panga segura uma das extremidades da rede, enquanto a embarcaça o maior inicia o cerco. Durante o cerco, o comandante monitora a movimentaça o do cardume, por meio do sonar, para que o cerco seja realizado com sucesso. Áo te rmino do cerco, a embarcaça o maior encontra a panga, que transfere a extremidade da rede contendo os cabos de boia, chumbo e carregadeira para a embarcaça o maior. Á carregadeira e conectada ao segundo tambor do guincho, passando antes por um dos pescantes, enquanto os cabos de boias e chumbos sa o fixos na proa da embarcaça o (Figura 58). 2.1.3 Recolhimento Com o acionamento dos tambores dos guinchos, a carregadeira começa a ser recolhida, dando iní cio ao fechamento do fundo da rede (Figura 59). Ápo s o recolhimento da carregadeira e o consequente fechamento do fundo da rede, todas as argolas da rede sa o concentradas nos pescantes, e a rede toma um formato de bolsa, na qual o cardume fica retido (Figura 60). Á velocidade de recolhimento da carregadeira e fundamental para o fechamento da parte inferior da rede, pois evita o escape do cardume. Tecnologia de pesca | 73 Figura 58: Final do cerco, a panga transfere a carregadeira e cabos de boia e chumbo para a embarcaça o maior. Figura 59: Recolhimento da carregadeira e fechamento do fundo da rede. 74 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 60: Recolhimento da carregadeira e concentraça o das argolas nos pescantes. Como esse tipo de rede para grandes pela gicos pode chegar a 1.500m de comprimento por 150m de profundidade, no caso da pesca de atum, o Power block e acionado para recolher a grande quantidade de rede na a gua, deixando apenas o saco com o pescado . Esse recolhimento e realizado com a passagem da extremidade da rede, que ficou fixa na popa da embarcaça o, por dentro do Power block. Ántes de iniciar o recolhimento da rede, deve-se liberar as argolas dos pescantes para que elas possam passar pelo Power block. Existem quatro sistemas para a realizaça o da transfere ncia das argolas: Tecnologia de pesca | 75 1) Guia de recolhimento: as argolas sa o transferidas para um guia; em seguida, a carregadeira e retirada, permitindo a liberaça o das argolas do guia, a medida que va o sendo puxadas pelo Power block. 2) Sistema com argolas tipo grampo (mosqueta o): as argolas podem ser abertas, permitindo sua retirada da carregadeira, possibilitando assim a passagem delas pelo Power block. 3) Sistema de conexa o com no s: as argolas sa o conectadas aos cabos que esta o presos a rede, por meio de um no facilmente desata vel. Nesse sistema sa o utilizados dois conjuntos de argolas. Quando as argolas esta o concentradas nos pescantes, a medida que va o sendo puxadas pelo Power block, os no s va o sendo desconectados das argolas pelos tripulantes. Os cabos passam pelo Power block e chegam ao conve s, onde sa o novamente conectados as argolas (segundo conjunto), tambe m por meio de no s. Dessa forma, a rede fica novamente conectada as argolas, estando em posiça o para um pro ximo lançamento. Esse sistema e o mais seguro, pois evita que as argolas possam machucar algum tripulante, quando descem do Power block para o conve s. 4) Sistema de gancho: um grande gancho e colocado por dentro de todas as argolas que esta o concentradas nos pescantes, possibilitando a retirada da carregadeira e consequentemente passando todas as argolas para o gancho, liberando assim as argolas para passarem pelo Power block, a medida que a rede vai sendo puxada para o conve s (Figura 61). 76 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 61: Os quatros sistemas de transfere ncia das argolas para o Power block: guia de recolhimento, grampo (mosqueta o), conexa o com no e gancho para as argolas. Quando a rede passa pelo Power block e chega ao conve s, a tripulaça o trata de armazenar os cabos de boias para um dos bordos e o de chumbo para o outro, enquanto as argolas va o novamente sendo colocadas no “guia de lançamento”, ficando a rede dessa forma, ao final do recolhimento, posicionada para um novo lançamento. Tecnologia de pesca | 77 No momento em que apenas o saco da rede permanece na a gua, e dado iní cio ao recolhimento do pescado. Á retirada do pescado do saco e realizada com o empregode um “sarrico” (puça gigante), puxado por um guincho. Durante o recolhimento da rede, a panga fica puxando a embarcaça o para que a força do Power block na o puxe a embarcaça o para dentro dela (Figura 62). Figura 62: Recolhimento da rede pelo Power block, com o sistema de guia de recolhimento. Após a retirada do pescado, a extremidade da rede, que estava fixa na proa da embarcação, é liberada, sendo puxada pelo Power block. Finalizando assim, o armazenamento da rede na popa da embarcação, deixando-a em posição para um novo lançamento. 78 | Vanildo Souza de Oliveira 2.2 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM REDES DE CERCO PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS Á utilizaça o da rede de cerco para captura de atuns e afins teve como conseque ncia a captura e morte de centenas de golfinhos, que permaneciam presos no cerco e morriam durante o recolhimento da rede. Ápesar de poderem pular a mais de 2m fora da a gua, a permane ncia dentro da rede, sem pular apenas a altura de uma boia, ainda hoje e um miste rio. Uma das explicaço es para tal comportamento e o instinto social dos golfinhos: como nos cardumes existem fe meas gra vidas, rece m-nascidos e idosos, o instinto social manteria todos juntos. Para tentar minimizar essa matança de golfinhos, foi estabelecido um selo com os dizeres “Dolfinsave”. Ele atesta que todos os golfinhos foram retirados de dentro da rede antes do recolhimento. Para realizarem a retirada dos golfinhos, e necessa ria uma manobra chamada de “retrocesso”, ou seja, uma borda da rede e aberta e a outra e puxada pelo barco, formando um corredor e dessa forma permitindo que os golfinhos escapem por uma abertura na tralha de boia, enquanto que os atuns permanecem no fundo da rede (Figura 63). Essa operaça o envolve tripulantes (mergulhadores) e pequenos barcos para auxiliar na saí da dos golfinhos. Tecnologia de pesca | 79 Figura 63: Manobra “retrocesso”, em que mergulhadores abrem uma parte da tralha de boia da rede e libertam os golfinhos. 80 | Vanildo Souza de Oliveira Tecnologia de pesca | 81 CAPÍTULO III ESPINHEL 82 | Vanildo Souza de Oliveira 3.1 ESPINHEL Esse aparelho de pesca tem como princí pio de funcionamento a captura por atraça o alimentar, com uma isca em um anzol. Os espinhe is podem ser: de fundo, meia a gua e superfí cie, dependendo da espe cie-alvo. No caso da captura de demersais, a modalidade mais empregada e o espinhel de fundo fixo; e derivante, para as espe cies pela gicas. 3.1.1 Espinhel de fundo Tem a finalidade de capturar espe cies de peixes demersais, as quais em geral agrupam-se em cardumes sobre o fundo. Dessa forma, esse aparelho tem a capacidade de capturar em funça o do poder de atraça o alimentar, ou seja, o fator isca e fundamental para sua eficie ncia. Á escolha da isca e determinante, ela tem que ter grande poder de atraça o, liberando substa ncias capazes de atrair o peixe a certa dista ncia. Á capacidade de captura das iscas diminui com o tempo de exposiça o, pois esta o submetidas, muitas vezes, a fortes correntes no fundo, o que torna invia vel sua reutilizaça o, apo s o recolhimento, em funça o da perda de eficie ncia de captura com o tempo de exposiça o. Outro fator importante e a sua consiste ncia muscular. Á flacidez muscular interfere na fixaça o da isca no anzol, agravando-se quando lançadas em locais com fortes correntes e em grandes profundidades, tendo como conseque ncia o desprendimento da isca do anzol antes de tocar o fundo. Ela deve ter tambe m viabilidade econo mica, pois, dependendo da espe cie-alvo a ser capturada, a isca pode ser invia vel, apesar de preencher os outros requisitos ja mencionados. Embora seja importante, quando a isca faz parte do ha bito alimentar da espe cie-alvo, na o e fundamental, uma vez que o predominante e o fator atração da isca. Mesmo que o animal jamais tenha se alimentado dela, a boa isca Tecnologia de pesca | 83 atrai o animal a prova -la. Exemplo disso foi a isca empregada na pesca do atum no Átla ntico Sul pela frota japonesa, que utilizava um pequeno pela gico de origem do Pací fico. O atum do Átla ntico, apesar de nunca ter contato com a isca em seu habitat, foi fortemente atraí do a saborea -la. O espinhel fixo de fundo pode ser lastrado de va rias formas. Á mais comum para os aparelhos de pesca e a “garateia”, que e constituí da por uma barra de ferro, pedaço de trilho, ou algo similar, com quatro vergalho es de ferro. Tem a finalidade de, quando prender no fundo, esses vergalho es possam abrir e todo o material de pesca ser recuperado. Nas jangadas artesanais, empregava-se tambe m a “fateixa”, que consiste em uma pedra presa a garras de madeira com a finalidade de segurar a jangada. Á “a ncora” que serve para fixar as embarcaço es com robustas garras, traria dificuldades para lastrar aparelhos de pesca, uma vez que suas garras na o abririam, quando presas ao fundo, ao serem içadas (Figura 64). Figura 64: Tipos de lastros empregados em aparelhos de pesca e embarcaço es. Outro fator importante na pesca com espinhel de fundo e a forma do anzol. Á capacidade de fisgar do anzol na o esta direcionada especificamente para os peixes; as pedras de fundo prendem os anzo is, criando dificuldades durante o recolhimento, que, 84 | Vanildo Souza de Oliveira dependendo do nu mero de anzo is que ficam presos ao fundo, muitas vezes, inviabiliza o recolhimento do espinhel, causando assim grandes perdas de materiais. Uma das soluço es encontradas para minimizar esse problema foi o desenvolvimento de anzo is circulares, anzo is com a haste voltada para dentro, diminuindo a possibilidade de ficar preso nas pedras, ou em outros substratos do fundo (Figura 65). Figura 65: Ánzol circular para espinhel de fundo. O espinhel de fundo para a pesca artesanal, que atua em embarcaço es com me dia de 8m de comprimento, e um aparelho de pesca formado por uma linha principal, linhas secunda rias, cabos de boias e de anzo is, ale m de lastros (Figura 66). Tecnologia de pesca | 85 Figura 66: Espinhel fixo de fundo. Ás caracterí sticas dos materiais que compo em um espinhel variam de acordo com a finalidade, dependendo da a rea de atuaça o: fundo, meia a gua ou pela gico. Os cabos de boias geralmente sa o de materiais que flutuam, para facilitar seu manuseio e forma de trabalho. Exemplo: polietileno (PE) ou polipropileno (PP). Á linha principal, que tem o papel de trabalhar junto ao fundo, deve ser de um material que afunde e tenha grande resiste ncia a abrasa o, como e o caso da poliamida (PÁ). Á linha secunda ria pode ser confeccionada de va rias formas, dependendo da exige ncia de cada situaça o. Ela pode ser formada apenas por linha e anzol, fixada a linha principal por meio de um no . 86 | Vanildo Souza de Oliveira Caso o espinhel venha ao ser recolhido, com va rias linhas secunda rias cortadas nas extremidades sem os anzo is, deve ser avaliada a possibilidade de colocar “estropos”, ou “empates”, pedaços de aço ou arame ligados aos anzo is, com a finalidade de evitar que o peixe morda e corte a linha secunda ria. Em caso de vir com muitas linhas secunda rias torcidas, deve-se avaliar a colocaça o de destorcedores, dispositivo que evitar a transfere ncia da torça o para o cabo seguinte. No caso em que o nu mero de linhas secunda rias e grande, a colocaça o de snaps (grampos que unem as linhas secunda rias a principal com certa agilidade) deve tambe m ser avaliada, pois esses snaps da o segurança e agilidade nas manobras de lançamento e recolhimento. Ressalta-se que, quanto mais sofisticada a linha secunda ria (Figura 67), maiores sera o os custos de confecça o, portanto a avaliaça o econo micadeve ser feita em funça o da espe cie-alvo a ser capturada. Figura 67: Linhas secunda rias, confeccionadas da forma mais sofisticada (Á) para a mais simples (D). Tecnologia de pesca | 87 Ás formas de armazenamento a bordo de um espinhel de fundo na pesca artesanal sa o bastante simples, podendo ser feitas em “cestos” de pla sticos, que armazenam a linha principal no centro e as linhas secunda rias que sa o fixas pelos anzo is nas bordas. Essa forma exige que os anzo is sejam iscados na hora do lançamento. Ja no armazenamento em caixas, equipadas com uma calha lateral, a linha principal e armazenada no centro, e as linhas secunda rias sa o armazenadas na calha, com a vantagem de ja estarem iscadas, facilitando assim o lançamento (Figura 68). Cada caixa ou cesto pode armazenar em me dia 200 anzo is. Geralmente o espinhel de fundo para peixes demersais, na pesca artesanal, e composto por uma linha principal com dia metro em torno de 3 mm, preferencialmente de poliamida, mono ou multifilamentos. Ás linhas secunda rias normalmente sa o de poliamida, monofilamento, com dia metro entre 0,8 e 1,4 mm. Isso implica que o somato rio dos comprimentos das duas linhas secunda rias na o pode ser igual ou maior que a dista ncia entre elas, para evitar que os anzo is se toquem durante o lançamento e recolhimento. Nos espinheis para captura de peixes de fundo, geralmente, as linhas secunda rias te m o comprimento de 0,9-1,20 metros, dependendo da espe cie a ser capturada. Para o armazenamento em caixas, ou cestos, as linhas secunda rias devem ser conectadas diretamente a linha principal, uma vez que, nessa modalidade de pesca, as linhas esta o muito pro ximas, e essa forma permite mais agilidade tanto no lançamento quanto no recolhimento. 88 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 68: Formas de armazenamento de espinhel de fundo “a” em caixa com calha lateral e “b” em um cesto com os anzo is na borda. Tecnologia de pesca | 89 3.1.1.1 Lançamento O posicionamento do espinhel no conve s da embarcaça o deve ser em funça o da corrente marí tima e vento. Quando vem de bombordo, o espinhel deve ser lançado por esse bordo. O lançamento por boreste teria como conseque ncia a passagem do espinhel por baixo do casco da embarcaça o e grande possibilidade de enganchar os anzo is no casco. Na preparaça o para o lançamento, deve-se determinar o comprimento do cabo de boia em uma proporça o em funça o da profundidade, principalmente em locais que sofrem grandes oscilaço es entre as mare s. Geralmente emprega- se a relaça o de 1:2, em regio es de fortes correntes ate 1:3 na determinaça o do comprimento do cabo de boia. Ápo s determinar o comprimento do cabo de boia, ele e conectado a uma garateia (lastro) em uma de suas extremidades. Á linha principal do espinhel e conectada ao cabo de boia por meio de um no , na altura determinada em relaça o ao fundo. Nessa operaça o emprega-se, no mí nimo, 3 indiví duos, ale m do mestre, que na o participa da operaça o, mas tem o papel fundamental no controle da velocidade e posicionamento do barco durante as manobras. Dessa forma, o indiví duo nu mero 1, juntamente com o 3, começam a lançar o espinhel, sendo que o nu mero 3 fica com toda a tensa o do peso do cabo de boia, que esta conectado a garateia e lentamente vai lançando ela ate chegar no fundo. Enquanto isso, o nu mero 1 lança os anzo is na a gua, ao mesmo tempo em que o nu mero 2 segue retirando os anzo is da caixa. Quando a garateia toca o fundo, o nu mero 3 lança a boia ao mar, ficando assim a tensa o na linha principal do espinhel com o indiví duo nu mero 1, o que exige muita atença o nessa hora, principalmente se o anzol for iscado no lançamento (Figura 69). No caso de ser o lançamento em cestos, o nu mero 2 isca os anzo is antes de entrega -los para o indiví duo nu mero 1. No modelo de espinhel em caixas com calha lateral, em 90 | Vanildo Souza de Oliveira que os anzo is ja esta o iscados, seu lançamento e mais seguro minimizando riscos de acidentes durante o lançamento. Figura 69: Posicionamento da tripulaça o durante o lançamento, tensa o na ma o do indiví duo nu mero 3 (a) e apo s a garateia tocar o fundo (b). Tecnologia de pesca | 91 Quando uma caixa ou cesto se aproxima do final, a extremidade final da linha principal e conectada ao iní cio da extremidade da linha principal da pro xima caixa ou cesto. Dependendo da a rea, em cada unia o de caixas ou cestos pode ser conectada uma garateia, podendo tambe m ser colocado um cabo de boia. Quanto ao tempo de exposiça o de pesca do espinhel, deve ser considerado o tempo de captura da espe cie-alvo, em funça o de sua sensibilidade quanto a perda de qualidade apo s a morte, uma vez que existem espe cies que se deterioram rapidamente. Portanto, esse perí odo deve ser regulado pela exige ncia da espe cie, em me dia 5 horas. Ressalta-se que o lançamento do espinhel de fundo pode ser realizado por ambos os bordos e tambe m pela popa. Nesse u ltimo caso, a tripulaça o tem que estar bem treinada, pois o lançamento tem que ser realizado com o motor em marcha. 3.1.1.2 Recolhimento Inicia-se com a localizaça o da boia sinalizadora, que pode ser visualmente, ou pelo emprego de GPS. Quando em a reas de grande circulaça o de embarcaço es, na o sa o recomendadas boias, por questo es de segurança; os espinheis sa o localizados, exclusivamente, por meio do GPS e sa o recuperados com uma garateia mais leve, realizando arrasto na a rea ate alcançar a linha, um cabo de PP ou PE que flutua. O indiví duo nu mero 4 (comandante), durante essa operaça o, sempre mante m um a ngulo entre a proa da embarcaça o e a linha principal do espinhel, com a finalidade de sempre observar o que esta sendo embarcado, evitando assim possí veis acidentes. No recolhimento, o indiví duo nu mero 1 recolhe a linha principal, enquanto o nu mero 2 a armazena na caixa ou cesto, colocando os 92 | Vanildo Souza de Oliveira anzo is na mesma ordem de chegada na caixa. O nu mero 3 recolhe os cabos de boias e da suporte ao nu mero 1, na retirada do pescado, anzo is, ou iscas na o consumidas, realizando essa seque ncia ate o final do espinhel (Figura 70). Figura 70: Posicionamento da tripulaça o durante o recolhimento. 3.1.2 Espinhel de fundo em sistema industrial Essa modalidade de pesca envolve embarcaço es de grande porte, que trabalham com milhares de anzo is e, por isso, necessitam de alto ní vel de mecanizaça o, tanto no lançamento do espinhel como no recolhimento, pois, quanto maior o nu mero de anzo is, maior deve Tecnologia de pesca | 93 ser o ní vel de mecanizaça o. Essas embarcaço es possuem sistemas que lançam e iscam os anzo is automaticamente. Á ma quina de iscagem funciona com iscas ja cortadas, fazendo com que, ao passar por uma calha, o anzol que esta sendo lançado seja iscado. O recolhimento tambe m e automatizado: quando a linha principal e recolhida, a linha secunda ria ja entra em uma calha guia, que vai armazenando os anzo is, de forma que estejam prontos para serem iscados pela ma quina e novamente durante o lançados ao mar (Figura 71). Figura 71: Ma quina automa tica de iscar em espinhel industrial. 3.1.3 Espinhel pelágico Esta modalidade de pesca e empregada na captura de pela gicos, tambe m chamado de espinhel longline, principalmente na captura de atuns e afins. Ele deriva de acordo com a velocidade das correntes (Figura 72). No Brasil, essa pra tica teve iní cio no final da de cada dos anos 50, com a frota japonesa operando na cidade de Recife-PE. Inicialmente, os espinhe is eram constituí dos com cabos de multifilamento de polivinil a lcool (PVÁ), com dia metros na linha principal de 6mm e 3mm na linha secunda ria. Essescabos eram pesados e ocupavam muito espaço, ale m de a linha secunda ria estar 94 | Vanildo Souza de Oliveira conectada diretamente a linha principal, por meio de no s, o que aumentava o risco de acidentes durante o lançamento. Com o desenvolvimento dos produtos sinte ticos, a linha principal de multifilamento foi substituí da por monofilamento de poliamida (nylon), com dia metro entre 3-4 mm para linha principal e 2 mm para a linha secunda ria, possibilitando o armazenamento de um maior volume em menor espaço, sendo armazenado em carrete is, ou tambores. Figura 72: Espinhel longline pela gico. Tecnologia de pesca | 95 Outra inovaça o foi a introduça o dos Snaps (Figura 73), que possibilitaram a conexa o da linha secunda ria com a principal apenas na hora do lançamento, eliminando, assim, praticamente acidentes durante essa aça o, uma vez que a conexa o com a linha principal so e realizada apo s o anzol iscado ser lançado ao mar. Figura 73: Snap com destorcedor; serve para conectar a linha secunda ria a principal. Em funça o do grande comprimento desse tipo de espinhel, em torno de 100 km na pesca industrial, existem va rios tipos de boias para facilitar a localizaça o no oceano: “boia bala” de poliuretano, “boia redonda” de PVC, “boia luz” e “boia com bandeira de sinalizaça o”, que sa o usadas na localizaça o visual. Na localizaça o por meios eletro nicos, sa o usadas “boias ra dio”, que emitem ondas de ra dio, possibilitando a localizaça o de sua freque ncia por meio de um aparelho denominado ra dio gonio metro. Cada boia tem uma freque ncia individual, que so pode ser detectada pela embarcaça o que dete m essa freque ncia. Ále m da “boia sate lite”, que emite sua posiça o para o sate lite, a qual e enviada para o barco ou para a empresa, que repassa para a embarcaça o (Figura 74). 96 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 74: Tipos de boias utilizadas em espinhel longline. O comprimento das linhas secunda rias depende muito das espe cies que sa o alvos das capturas, pois os atuns geralmente seguem as termoclinas, ocupando assim um grande gradiente vertical. Dessa forma, dependendo da espe cie, elas podem ser encontradas acima ou abaixo do iní cio da termoclina, fazendo com que as linhas secunda rias variem muito em comprimento, que pode ter de 18m a 40m. Sa o constituí das geralmente de nylon, monofilamento, com fio em torno de 2 mm de dia metro. Para maior velocidade nas operaço es de lançamento e recolhimento possuem: snap, destorcedor, podendo ter “estropo” de aço antes do anzol (Figura 75). . Tecnologia de pesca | 97 Figura 75: Espinhel longline pela gico, com detalhe da linha secunda ria. No Brasil, tivemos o processo de arrendamento de embarcaço es estrangeiras, medida tomada por na o termos uma frota nacional que atenda as nossas demandas de captura de atuns e afins. Os contratos entre empresas brasileiras e estrangeiras foram realizados com a finalidade de obter a nossa cota de captura a que temos direito como membro da Comissa o Internacional para a Conservaça o do Átum do Átla ntico – ICCÁT. Dessa forma, ja tivemos no Brasil as seguintes frotas atuneiras: chinesa, coreana, espanhola e japonesa, operando juntamente com empresas nacionais ou na o. Cada frota possui particularidades no objetivo das capturas, como os espanho is, que dirigem suas capturas para o Xiphias gladius — o Meka. Para esse objetivo, a frota realiza o lançamento a noite, utilizando atratores luminosos denominados lightsticks, que consiste em duas substa ncias fosforescentes (luciferina e luciferase), que, quando misturadas, produzem fosforesce ncia por 24 ou 72 horas. Outro atrator luminoso e o electralume, que funciona com duas baterias alcalinas, as quais podem ser substituí das quando 98 | Vanildo Souza de Oliveira descarregam. Esses atratores luminosos possuem va rias tonalidades de cores e, ao contra rio do lightsticks, poluem menos, pois suas baterias na o rompem facilmente (Figura 76). Á atraça o do peixe Meka Xiphias gladius pela luz foi constatada inicialmente por pescadores cubanos, quando descobriram que quando colocavam fogo em latas com o leo diesel, como boias, em seus espinhe is para poderem acompanha -los durante a noite. Observaram que a maioria dos anzo is juntos a s boias luminosas capturavam Mekas, daí o desenvolvimento de atratores luminosos. Ás frotas que operam direcionadas para os atuns (albacoras), a exemplo da chinesa, diferentemente das que capturam Meka, fazem o lançamento de forma que o espinhel atue durante o dia, sendo recolhido no final da tarde, na o necessitando o uso de atratores luminosos. Figura 76: Átratores luminosos nas linhas secunda rias de espinhel longline Tecnologia de pesca | 99 Átualmente a pesca ocea nica de pela gicos possui uma depende ncia muito grande de equipamentos eletro nicos. Existem va rios softwares que oferecem informaço es oceanogra ficas, que possibilitam economia e tempo para as frotas. Informaço es como: correntes, direça o do vento, temperatura de superfí cie, termoclina e concentraça o de clorofila, dentre outros, possibilitando, assim, a identificaça o de uma possí vel ocorre ncia de peixes em determinadas a reas, dependendo da espe cie. Esses serviços sa o prestados por empresas especializadas, as quais sa o pagas anualmente, permitindo que a embarcaça o receba essas informaço es atrave s dos softwares. Por isso, atualmente e necessa rio a capacitaça o da tripulaça o para operar com essas inovaço es tecnolo gicas, que fazem todo o diferencial na produça o de pela gicos ocea nicos. Ás manobras de lançamento de um espinhel pela gico va o depender do grau tecnolo gico que as embarcaço es empregam. Por exemplo, o nu mero de pescadores no lançamento e recolhimento de uma embarcaça o chinesa e muito maior que o de uma japonesa, ou espanhola, onde o fator mão de obra influencia diretamente na rentabilidade da pescaria. Dessa forma, descreveremos as manobras em uma embarcaça o com o sistema de linha principal constituí da por monofilamento, a qual e armazenada em tambores hidra ulicos. Á linha principal e constituí da por um fio de nylon, geralmente em torno de 3 a 4 mm de dia metro. Para determinar os espaços entre as linhas secunda rias, emprega-se um mecanismo, onde previamente e definido o intervalo de tempo entre as linhas secunda rias durante o lançamento, equivalente em metros entre elas. Cada intervalo, entre as linhas secundarias , e indicado com um sinal sonoro. Á cada sinal, uma linha secunda ria e conectada a linha principal, e a cada dois sinais, uma boia. Dessa forma, os sambura s 100 | Vanildo Souza de Oliveira (espaço entre duas boias) sa o formados, geralmente, com mí nimo de cinco linhas secunda rias. Para acompanhar a velocidade da embarcaça o, a linha principal e lançada por um canha o de lançamento, localizado na popa da embarcaça o (dispositivo que lança a linha principal, programado com a velocidade de lançamento, em funça o da velocidade do barco). 3.1.3.1 Lançamento Lança-se inicialmente a boia ra dio, estando a embarcaça o com velocidade media de 6 no s. Os tripulantes posicionam-se da seguinte forma: indiví duo nu mero 1 retira a linha secunda ria da caixa, coloca grande parte do comprimento, dessa linha fora da embarcaça o, isca o anzol e coloca o atrator luminoso. Em seguida entrega ao nu mero 2, que pega o snap da linha secunda ria com a ma o direita e o anzol iscado com a ma o esquerda. Quando ocorre o sinal sonoro, ele lança o anzol ao mar e so depois conecta a linha secunda ria a linha principal (Figura 77). Áo soar o sinal duplo, o indiví duo 3 lança a boia ao mar e em seguida conecta o snap da linha de boia a linha principal.O indiví duo nu mero 4 retira os cabos de boia do tambor de armazenamento, enquanto o 5 abastece a caixa de isca. Ressalta-se que toda a tripulaça o reveza esses posicionamentos. Áo final do lançamento, e colocada a u ltima boia ra dio. Tecnologia de pesca | 101 Figura 77: Seque ncia do posicionamento da tripulaça o no lançamento de um espinhel logline. 102 | Vanildo Souza de Oliveira 3.1.3.2 Recolhimento Inicia-se com a localizaça o da primeira boia ra dio; em seguida, ela e recolhida, e a linha principal e colocada no guincho de recolhimento, que tem a velocidade controlada pelo indiví duo nu mero 1. Quando uma linha secunda ria se aproxima da borda da embarcaça o, a velocidade do guincho de recolhimento e reduzida, sendo desconectada pelo nu mero 2, que a recolhe manualmente e a armazena. Em certas embarcaço es, que usam longas linhas secunda rias, existe o guincho, especí fico de recolhimento dessa linha. Quando ocorre uma captura, a linha secunda ria e repassada para os indiví duos 3, 4 e 5, que se encarregam de içar o peixe para bordo — dependendo do tamanho, podem ser utilizados bicheiros (tipo de gancho sem barbela com um cabo de madeira) para fisgar o peixe e puxa -lo para bordo; anilha ele trica, a qual e colocada na linha secunda ria, chegando ate a cabeça do peixe, que, apo s receber uma descarga ele trica, e embarcado sem se debater; e tesoura, que e utilizada para os grandes pela gicos e, quando disparada, prende o corpo do peixe, permitindo o seu embarque. Os indiví duos 6 e 7 ficam encarregados da evisceraça o e armazenamento dos peixes nas ca maras frigorí ficas (Figura 78). Ressalta-se que o numero de tripulante variam em funça o do ní vel tecnolo gico da embarcaça o, ou do custo com ma o de obra. Quanto mais valiosa a espe cie, mas cuidado deve-se ter na limpeza, evisceraça o e armazenamento, a exemplo de uma albacora bandolim Thunnus obesus e laje Thunnus albacares que necessitam chegar com uma boa qualidade, principalmente, quando sa o destinadas ao mercado de consumo de Sashimi em restaurantes. Ápo s a retirada total de vestí gio de sangue da cavidade abdominal, a albacora e embalada em um saco, para evitar contato direto com os outros, e geralmente e colocada no gelo, ou salmoura, enquanto a albacora branca Thunnus alalunga, que e utilizada na indu stria de enlatamento, apo s eviscerada e congelada, logo apo s o embarque. Tecnologia de pesca | 103 Figura 78: Operaça o de recolhimento do espinhel longline. 104 | Vanildo Souza de Oliveira 3.2 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM ESPINHEL LONGLINE PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS Um dos danos causados ao meio ambiente pelo espinhel longline e sua fauna acompanhante, que sa o geralmente espe cies na o alvos da captura, como: tubaro es, tartarugas e aves. Na tentativa de minimizar os impactos da fisgada do anzol nas espe cies na o desejadas, utiliza-se a substituiça o do anzol tipo “J” pelo anzol circular (Figura 79), pois esse u ltimo apresenta maior facilidade ao ser retirado, possibilitando o retorno do animal ao mar ainda vivo, principalmente no caso de captura de tartarugas. Ále m de promover um maior tempo de sobrevive ncia das espe cies-alvo, apo s serem capturadas. Anzol tipo J Anzol circular Figura 79: Ánzo is J e circular. Outro problema na pesca com longline e a captura de aves durante o lançamento. Elas mergulham atra s das iscas, pois a transpare ncia das a guas ocea nicas e grande, permitindo que elas Tecnologia de pesca | 105 localizem as iscas durante o lançamento do espinhel e fiquem fisgadas nos anzo is. Na tentativa de minimizar esse problema, foram desenvolvidos espantadores, que te m o mesmo princí pio de espantar aves na agricultura: funcionam com va rias fitas, penduradas em cabos na popa da embarcaça o. Ás fitas podem ser de tecido, ou pla sticos, denominadas de espantadores, ou Tory line, que funcionam espantando as aves para que na o se aproximem da a rea de lançamento (Figura 80). Outra alternativa e o dispositivo de lançamento por submersa o do longline: trata-se de uma calha de alumí nio que conduz a linha principal ate uma determinada profundidade fora do alcance das aves (Figura 81). Outra forma de evitar a captura de aves e banhar as iscas em corantes azuis, usados na culina ria como a anilina, diminuindo assim a visibilidade da isca na a gua azul do oceano. Como medida dra stica, em algumas regio es o lançamento do espinhel so e permitido a noite, quando a atividade de aves e mí nima. Recentemente, testes com emissa o de raios laser na popa da embarcaça o, que emitem cores e diferentes formatos na a gua, ve m tendo bons resultados no afastamento das aves. Figura 80: Espantadores Tory line na popa da embarcaça o durante o lançamento do espinhel. 106 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 81: Dispositivo de submersa o, utilizado para liberar a linha principal em uma profundidade fora do alcance das aves. Tecnologia de pesca | 107 CAPÍTULO IV REDES DE EMALHAR 108 | Vanildo Souza de Oliveira 4.1 REDES DE EMALHAR DE FUNDO EM EMBARCAÇÕES ARTESANAIS Esse aparelho de pesca pode ser empregado desde o mais simples modo, como lançamento e recolhimento na mare baixa sem necessidade de embarcaça o, ate me todos mecanizados empregados na pesca industrial. Por essas caracterí sticas, a rede de emalhar e um dos aparelhos mais abundantes na pesca, principalmente, na artesanal. E um apetrecho que pode capturar o peixe de va rias formas: pelas mandí bulas, pelo ope rculo, pela ma xima circunfere ncia do corpo, enrredamento e por ensacamento entre dois tipos de malhas diferentes, nas redes tipo transmalho. Ás redes de emalhar podem ser: fixas, de fundo, meia a gua e superfí cie, ou de deriva que seguem o sentido da corrente. Á capacidade de emalhe esta relacionada com o dia metro do fio e o coeficiente de entralhamento da rede. Uma rede com fio muito fino e coeficiente de entralhe alto torna-se mais transparente, no entanto fra gil. Uma rede com fio muito grosso e coeficiente de entralhe baixo, torna-se resistente, pore m mais visí vel. Á eficie ncia de captura de uma rede de emalhar esta justamente em encontrar a otimizaça o entre resiste ncia e transpare ncia. Ás manobras de pesca deste apetrecho sa o bastante simples, tanto na pesca artesanal como na industrial. De uma forma geral, as redes de fundo sa o fixadas com garateias (lastros) conectadas a cabos de boias e boias de sinalizaça o (Figura 82). Tecnologia de pesca | 109 Figura 82: Rede de emalhar de fundo. 4.1.1 Lançamento Á rede de emalhar e colocada em um dos bordos da embarcaça o, de acordo com a direça o da corrente ou vento. O lançamento e realizado no sentido da corrente ou vento, deixando a embarcaça o a deriva. Nessa operaça o, sa o necessa rios dois indiví duos, um em cada tralha da rede, ale m de um terceiro para lançar cabos de boias e garateias. Inicialmente, as tralhas, ou cabos de boia e chumbo da rede sa o conectadas ao cabo da boia, na altura predeterminada em relaça o ao fundo, e em seguida sa o lançadas simultaneamente ao mar. Toda a tensa o do peso da garateia, durante o lançamento, concentra-se no cabo de boia ate quando a garateia alcança o fundo, so enta o a boia de sinalizaça o e lançada ao mar. O lançamento da rede continua sendo feito pelos dois indiví duos, sempre com um liberando a tralha de boia e o outro a de chumbo, o terceiro e responsa vel pelos cabos de boias tambe m ajuda no lançamento (Figura 83). Dependendo do ní vel de integraça o da tripulaça o, essa manobra tambe m pode ser realizada pela popa. Á rede de emalhar, 110 | VanildoSouza de Oliveira ao ser lançada, ja deve estar conectada com a pro xima, resultando em uma seque ncia de redes unidas por no s. Figura 83: Lançamento de uma rede de emalhar em sistema artesanal, vista de topo Á e lateral B. Tecnologia de pesca | 111 4.1.2 Recolhimento Á boia, juntamente com o cabo de boia, e recolhida pelo terceiro indiví duo, em seguida o primeiro e o segundo começam a içar a rede, sendo um puxando a tralha de boia e o outro a de chumbo. O terceiro, durante o recolhimento, fica ajudando na retirada do pescado da rede quando necessa rio — lembrando que sempre a rede deve fazer um a ngulo com a proa da embarcaça o para que o mestre da embarcaça o veja o apetrecho entrar no conve s (Figura 84). O recolhimento sempre deve ser realizado contra a corrente, ou vento, para que, em uma emerge ncia, sempre a embarcaça o possa dar marcha a frente, diminuindo a tensa o nas tralhas de boia e chumbo da rede. 112 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 84: Recolhimento da rede de emalhar em sistema artesanal. 4.2 REDE DE EMALHAR EM EMBARCAÇÃO INDUSTRIAL No Brasil, a frota industrial de embarcaço es com redes de emalhar, na sua maior parte, esta concentrada na regia o Sul. Essas embarcaço es realizam suas manobras de recolhimento das redes empregando guinchos. Á rede e armazenada na popa da embarcaça o, em um cercado com grades de alumí nio em toda a borda da popa, Tecnologia de pesca | 113 permitindo que, quando a rede seja lançada, na o emalhe, ou enganche. Álgumas redes de emalhar na pesca industrial tem uma caracterí stica de usar cabos de boia com flutuador interno e cabos de chumbo com chumbo interno, tambe m denominado de alma de chumbo (Figura 85), com o objetivo de que a panagem da rede na o enganche em nenhuma extremidade durante o lançamento, que e realizado em alta velocidade. No entanto, algumas embarcaço es utilizam redes com as tralhas tradicionais com boias e chumbos. Figura 85: Detalhes internos dos cabos de boias e de chumbos nas tralhas em uma rede de emalhar industrial. 4.2.1 Lançamento Na popa da embarcaça o, e lançada a garateia com o cabo de boia, onde esta o conectadas as tralhas de boias e de chumbo; em seguida, a panagem da rede vai sendo lançada, sozinha pela popa, a 114 | Vanildo Souza de Oliveira medida que o barco vai se deslocando, puxada pelo peso da garateia e pelo peso da rede na a gua (Figura 86). 4.2.2 Recolhimento O recolhimento e realizado com o içamento da boia de sinalizaça o e em seguida da rede, que passa pela rampa de alumí nio, na borda da embarcaça o, que tem a finalidade de evitar que a panagem da rede se emalhe ou enganche na borda. Em seguida, a rede passa pelo guincho de recolhimento, no qual ela e puxada e segue em direça o a entrada da tubulaça o de PVC. Caso haja algum pescado, ele e retirado antes de entrar no tubo. Á rede entra pela tubulaça o, por onde e puxada pela tripulaça o, ou por um pequeno Power block, localizado na extremidade do tubo de PVC, na popa da embarcaça o. Á medida que a rede sai do tubo, ela vai sendo armazenada pela tripulaça o (dois indiví duos), de forma que fique pronta para um novo lançamento (Figura 87). Tecnologia de pesca | 115 Figura 86: Lançamento da rede de emalhar industrial. 116 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 87: Recolhimento da rede de emalhar em embarcaça o industrial. Tecnologia de pesca | 117 4.3 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM REDES DE EMALHAR PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS Um dos danos ecolo gicos causados pelas redes de emalhar e a captura de ceta ceos, que, apesar de navegarem empregando sistema de detecça o sonora, na o conseguem detectar as panagens das redes, emalhando-se, o que, na maioria das vezes, leva a morte do animal. Uma das alternativas empregadas e a colocaça o de dispositivos com emissores sonoros, denominados de pinger, que, quando colocados nas tralhas das redes de emalhar, emitem uma freque ncia sonora detectada pelos ceta ceos (Figura 88). Esses dispositivos ainda esta o em fase de testes, em funça o da grande variaça o de freque ncia sonora existente entre as espe cies. Outra alternativa e a utilizaça o de panagens das redes banhadas com produtos quí micos, a exemplo de sulfato de ba rio, permitindo a reflexa o do som, sendo detectado assim pelo ceta ceo (Figura 89). Figura 88: Pingers colocados na tralha da rede emalhar, emitindo uma freque ncia que espanta os ceta ceos. 118 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 89: Panagens banhadas com “sulfatos de ba rio”, possibilitando a detecça o da rede pelos ceta ceos. Existem outras experie ncias sendo ainda pesquisadas, como a colocaça o de pontos luminosos lightsticks, distribuí dos nas tralhas, para que ceta ceos e quelo nios consigam identificar a rede. Tecnologia de pesca | 119 CAPÍTULO V COVOS 120 | Vanildo Souza de Oliveira 5.1 COVOS Sa o armadilhas mo veis que podem capturar peixes, crusta ceos e moluscos. Te m o princí pio de funcionamento denominado de “na o retorno”, cuja finalidade e na o permitir o retorno do indiví duo quando ele entra no covo. Á forma da entrada do covo, denominada de “sanga”, depende muito do objetivo da captura, possuindo formas distintas em funça o das formas das espe cies: peixes, crusta ceos ou moluscos (Figura 90). Ássim como o corpo do covo, a sanga pode ser confeccionada com material sinte tico ou vegetal. Os indiví duos podem ser atraí dos para dentro do covo por necessidades alimentares, quando da colocaça o de iscas, ou simplesmente refu gio na procura de um lugar para se esconder de predadores. Figura 90: Va rios tipos de sangas em covos. Essa modalidade de pesca e praticada tanto pela pesca artesanal, na Plataforma Continental, como pela pesca industrial, em grandes profundidades. Na pesca artesanal, os covos podem ser para a captura de peixes ou de crusta ceos. Os covos podem possuir uma ou mais sangas. Os de crusta ceos possuem, geralmente, a sanga com Tecnologia de pesca | 121 a abertura horizontal (lagostas) ou no topo do covo (caranguejo de profundidade), voltada para baixo. No Brasil, a pesca para captura de lagostas com covo estende- se do Estado do Para ate o Espí rito Santo. E uma atividade basicamente artesanal e trabalha com covos com estruturas de madeira, ou ferro com panagens sinte tica, ou vegetal. Á pesca da lagosta com covos e mais empregada na plataforma continental do Nordeste, onde a pesca artesanal atua com embarcaço es, a vela, ou motorizadas sem guinchos meca nicos, empregando covos menores, com duas sangas, denominados de “cangalha” (Figura 91). Essas embarcaço es realizam os lançamentos e recolhimentos manualmente, por isso atuam em profundidades, geralmente, menores que 20m. Na pesca de lagosta com embarcaço es motorizadas, que utilizam guinchos hidra ulicos (talhas), ou meca nicos no recolhimento, empregam-se covos maiores denominados de manzua (Figura 92), geralmente confeccionados com estruturas de madeira ou ferro, com telas pla sticas ou panagens sinte ticas. Essa modalidade de pesca com manzua ja foi constituí da por embarcaço es consideradas industriais, mas atualmente limita-se a embarcaço es consideradas artesanais motorizadas. Ás manobras com covos na pesca artesanal sa o simples e permitem que pequenas embarcaço es possam ser utilizadas, desde a jangada a vela, empregando covo tipo cangalhas ate barcos motorizados empregando covos, ou manzua . O tamanho da embarcaça o e que vai limitar o nu mero de covos, uma vez que uma grande a rea no conve s e ocupada por eles. Á isca utilizada geralmente sa o carcaças de peixes, ví sceras ou gordura de porco. Ás iscas, ale m devia veis economicamente, te m que ter um elevado poder de captura para atrair o pescado para dentro do covo. 122 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 91: Cangalha, com duas sangas, tipo de covo empregado na pesca artesanal de lagosta. Figura 92: Covo, ou manzua , para captura de lagosta. Na pesca de crusta ceos de profundidade, como a do caranguejo do ge nero Chaceon, que pode ser realizada em profundidades ate 1.000m, os covos sa o diferentes tanto no tamanho quanto na forma (Figura 93). Essa modalidade de pesca considerada industrial foi realizada na Regia o Sul do Brasil. Tecnologia de pesca | 123 Figura 93: Covo em forma de tronco de cone para captura de caranguejo de profundidade. 5.1.1 Lançamento O lançamento e realizado, na pesca artesanal, estando os covos armazenados no conve s, onde sa o retirados e lançados ao mar (Figura 94). Dependendo da estrutura do barco, os eles podem ser conectados, um ao outro, por meio de cabos, denominados de “Canga” (Figura 95), ou em sistema de espinhel, quando o recolhimento e realizado com a talha hidra ulica (Figura 96). Ápo s chegar a a rea de pesca, lança-se a boia conectada ao cabo de boia e em seguida os covos em sistema de cangas, em me dia com tre s covos, quando recolhido manualmente, e em nu mero maior, quando recolhido com a talha hidra ulica. 124 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 94: Lançamento das cangas de covos. Figura 95: Canga, grupo de tre s covos, ou mais. Tecnologia de pesca | 125 Figura 96: Sistema de espinhel com covos tipo manzua , quando recolhido com talha hidra ulica. 5.1.2 Recolhimento E realizado em funça o do nu mero de dias em que os covos permanecem pescando. Geralmente os pescadores despescam certa quantidade de corvos todos os dias, de forma que sempre deixam covos na a gua para serem despescados diariamente, uma vez que o local de pesca e muito pro ximo da costa. Os barcos que possuem talha hidra ulica podem colocar mais covos e operar em maiores profundidades, a reas tais na o acessí veis para os barcos que recolhem os covos manualmente. No recolhimento com a talha, o sistema e o de espinhel; a medida que a linha principal vai sendo içada, as linhas secunda rias, cada uma delas com um covo, va o sendo desconectadas, ao mesmo tempo em 126 | Vanildo Souza de Oliveira que os covos sa o armazenados no conve s (Figura 97). Os covos sa o novamente iscados, ficando prontos para o pro ximo lançamento. Caso haja lagosta, ela e retirada e armazenada. Na pesca industrial para caranguejos de profundidade, o sistema empregado tambe m e o espinhel, com as mesmas manobras de lançamento e recolhimento podendo, em um “sambura ” (dista ncia entre duas boias), ter va rios covos (Figura 98). Figura 97: Recolhimento dos covos com a talha hidra ulica e disposiça o dos covos no conve s depois do recolhimento. Tecnologia de pesca | 127 Figura 98: Sistema de covos de caranguejo de profundidade na pesca industrial. 5.2 SOLUÇÕES ECOLÓGICAS EM COVOS PARA MINIMIZAR DANOS AMBIENTAIS Os covos, apesar de serem mais seletivos do que as redes, tambe m capturam fauna acompanhante, em menor escala e principalmente indiví duos juvenis da espe cie-alvo, com tamanho menor que o permitido. Para minimizar esses impactos, atualmente sa o empregados janelas de exclusa o, obrigato rias em va rios paí ses. Essas janelas permitem que os indiví duos menores possam escapar, assim como a fauna acompanhante. Elas podem ser retangulares no 128 | Vanildo Souza de Oliveira sentido horizontal, vertical ou circular, dependendo da espe cie-alvo (Figura 99). Figura 99: Janelas de exclusa o “horizontal” para lagostas juvenis e “vertical” para peixes. Tecnologia de pesca | 129 CAPÍTULO VI PESCA DE LULAS COM ATRAÇÃO LUMINOSA 130 | Vanildo Souza de Oliveira 6.1 CAPTURA DE LULAS Certas espe cies que habitam o oceano, desde o micropla ncton ate o macro, possuem atraça o ou repulsa o em relaça o a luz. Ás espe cies que sa o atraí das pela luz possuem a fototaxia positiva; ja as que afastam-se possuem a fototaxia negativa. Á utilizaça o da luz na atividade pesqueira vem sendo desenvolvida desde utilizaço es de fachos ou tochas ate os sistemas ele tricos atuais. Na pesca com atraça o luminosa industrial, sistemas com la mpadas sa o empregados na concentraça o de espe cies, que, na maioria das vezes, ao se concentrarem, atraem os predadores maiores, que sa o geralmente alvo da pescaria. No Brasil, as lulas apesar de ocorrerem, na o sa o encontradas em grandes concentraço es que viabilizem a exploraça o por uma frota industrial, a exemplo de como e realizado na Árgentina, onde existe uma frota dirigida para a captura de lulas com atraça o luminosa. Essas embarcaço es sa o caracterizadas por possuir, no conve s, grande quantidade de la mpadas, cada uma podendo alcançar ate mais de 1000 Watts. Elas te m a finalidade de atrair as lulas para serem capturadas, quando tentam capturar iscas artificiais na zona iluminada. Ás iscas artificiais sa o fixas em uma linha principal com intervalos entre elas, sa o constituí das de estruturas de pla sticos pintadas com tinta fosforescente e va rios ganchos sem barbelas, que, quando atacadas, cravam-se nas lulas (Figura 100). Tecnologia de pesca | 131 Figura 100: Iscas artificiais para captura de lulas. No caso da pesca de lulas, elas na o sa o atraí das pela luz, uma vez que possuem a fototaxia negativa; elas va o em busca das suas presas, que sa o atraí das pela luz. Á colocaça o das la mpadas no conve s da embarcaça o deve ser em uma posiça o na qual embaixo da embarcaça o fique sem iluminaça o, proporcionando condiça o para 132 | Vanildo Souza de Oliveira que as lulas fiquem protegidas da luz. E, ao mesmo tempo, em posiça o estrate gica para realizar o ataque a s iscas artificiais, que devem estar bem visí veis, na a rea iluminada, uma vez que essas iscas sa o feitas com materiais fosforescentes, atraindo as lulas (Figura 101). Figura 101: Posicionamento das lulas em relaça o a s iscas artificiais. Ás ma quinas que capturam as lulas pescam automaticamente lançando e recolhendo uma linha principal com va rias iscas artificiais. Como o tambor de armazenamento da linha principal tem o eixo exce ntrico; ele, ao liberar ou recolher a linha, realiza um movimento para cima e para baixo. Esse movimento simula os movimentos da isca, tanto na subida como na descida, o que provoca o ataque das lulas (Figura 102). Tecnologia de pesca | 133 Figura 102: Ma quina automa tica de lançamento e recolhimento das iscas artificiais na pesca de lulas. Em uma embarcaça o industrial, muitas vezes, no conve s so se observam ma quinas, que podem pescar toneladas em questa o de horas. Essas embarcaço es sa o equipadas com geradores especí ficos para gerar energia em watts, necessa rios para a quantidade de la mpadas projetadas. Para se manter em cima dos cardumes, as embarcaço es possuem a ncoras flutuantes, que te m a finalidade de diminuir a velocidade de deriva da embarcaça o. Ássim como uma vela estabilizadora na popa, (Figura 103). O reflexo das luzes na superfí cie do mar de uma frota pesqueira com atraça o luminosa e ta o intenso que, no iní cio da exploraça o dos estoques de lulas na Árgentina, a Nasa, apo s analisar fotos de sate lites da superfí cie do mar, questionou o que era aquela cidade dentro do oceano. 134 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 103: Embarcaça o equipada para pesca de lulas com atraça o luminosa. Tecnologia de pesca | 135 CAPÍTULOVII PESCA COM VARA E ISCA VIVA 136 | Vanildo Souza de Oliveira 7.1 PESCA COM VARA E ISCA VIVA Á pesca com vara e isca viva foi iniciada no Brasil no final da de cada de 70, no Estado do Rio de Janeiro, tendo como espe cie-alvo o bonito listrado Katsuwonus pelamis. Essa modalidade de pesca necessita de iscas vivas para atraça o dos cardumes. No Brasil emprega-se a sardinha como isca viva, no entanto essa depende ncia da sardinha tornou-se preocupante, quando da diminuiça o dos estoques nacionais, muitas vezes impossibilitando a atividade por falta de isca viva. Existem duas modalidades de aquisiça o de iscas: quando o barco tem sua pro pria rede de cerco e uma panga (pequena embarcaça o que auxilia no fechamento da rede), ou embarcaço es que compram a isca de pequenas traineiras. Essas pequenas traineiras capturam as sardinhas nas baias e, apo s a venda, transferem diretamente para os barcos de pesca de bonito. Ás embarcaço es, para realizar essa modalidade de pesca, necessitam ter, no conve s, tanques que mantenham as iscas vivas, ate alcançarem a a rea de captura dos cardumes de bonito. Á manutença o das sardinhas vivas nos tanques e de fundamental importa ncia, pois, se elas morrem, impossibilitam a pesca com vara. Quando os cardumes sa o localizados visualmente na superfí cie, inicia-se o acompanhamento. Á pesca propriamente dita tem iní cio com o lançamento das iscas vivas sobre o cardume, as quais sa o retiradas com um puça de um dos tanques, por um dos tripulantes. Áo mesmo tempo que sa o acionados esguichos de a gua, que ficam sendo lançados na superfí cie da a gua, simulando a agitaça o de um cardume de sardinha, possibilitando o frenesi alimentar do cardume de bonito, fazendo com que os peixes mordam os anzo is, no meio do esguicho de a gua e das iscas vivas. O ataque aos anzo is e apenas pelo estimulo visual, uma vez que eles na o te m isca. Uma caracterí stica dessa pesca e que os anzo is na o possuem barbelas, sa o como um gancho, para facilitar a soltura do peixe quando arremessados para o Tecnologia de pesca | 137 conve s. Ás varas, geralmente, te m de 2m a 3m e podem ser de fibra de carbono ou bambu (Figura 104). Figura 104: Vara e anzol, sem barbela, para a pesca de bonito com isca viva. Á medida que as iscas vivas sa o lançadas, os anzo is tambe m ficam fazendo movimentos na superfí cie da a gua, quando sa o fisgados durante o frenesi da alimentaça o (Figura 105). Quando os bonitos va o sendo fisgados, sa o puxados com as varas pelos pescadores e, assim que batem no conve s, por na o terem barbelas, os peixes largam os anzo is, que sa o novamente arremessados ao mar. Va rios barcos podem pescar ao mesmo tempo seguindo o mesmo cardume. Á produça o pode ser toneladas em intervalos de poucas horas, dependendo do tamanho dos cardumes. 138 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 105: Pesca de bonito, lançamento de isca viva e esguichos de a gua durante a pesca. Tecnologia de pesca | 139 CAPÍTULO VIII EQUIPAMENTOS ELETRÔNICOS AUXILIARES À PESCA 140 | Vanildo Souza de Oliveira 8.1 ECOSSONDA O desenvolvimento de equipamentos acu sticos surgiu de observaço es da natureza: os cientistas ficavam intrigados em entender como um morcego conseguia apanhar o alimento no ar em um quarto escuro. Essas observaço es constataram que ele utilizava o sistema de emissa o e recepça o do som para localizar o alimento. O estudo da freque ncia de ondas sonoras veio trazer novas aplicaço es, dentre elas a detecça o de profundidade na a gua (Ecossonda e Sonar), o que logo foi assimilado pela a rea militar na detecça o de submarinos e ataques ae reos na detecça o de avio es (Radar). Durante a segunda guerra, o desenvolvimento da ecossonda e sonar foram fundamentais para a localizaça o de submarinos. Logo, essa te cnica foi desenvolvida para embarcaço es civis e consequentemente para emprego na pesca. 8.2 FREQUÊNCIA DE ONDAS O padra o de freque ncia de ondas em uma ecossonda e classificado em baixa freque ncia e alta freque ncia, em funça o do comprimento de onda (Figura 106). Figura 106: Comprimentos de ondas de baixa e alta freque ncia. Tecnologia de pesca | 141 Ás ondas de alta freque ncia, quando observadas em um oscilosco pio, liberam, do centro da emissa o, va rios feixes com a ngulo de emissa o menor, enquanto as de baixa emitem menor nu mero de feixes, com a ngulo de emissa o maior. Observa-se que, em ambas, a concentraça o do pulso sonoro dissipa-se do centro para as extremidades (Figura 107). Á unidade de freque ncia de ondas e o Hertz, em homenagem ao alema o Heinrich Hertz, pelos seus estudos na a rea de eletromagnetismo. Na atividade pesqueira, duas freque ncias em quilohertz (kHz), comumente sa o encontradas nas ecossondas comerciais as de alta freque ncia, com 200 kHz, e as de baixa freque ncia, com 50 kHz. . Figura 107: Representaça o de ondas de baixa e alta freque ncia em um oscilosco pio. Á ecossonda de alta freque ncia tem uma sensibilidade maior, a ngulo de emissa o do pulso sonoro menor, no entanto e mais suscetí vel a interfere ncias e consequentemente tem alcance menor. Enquanto a emissa o de baixa freque ncia tem menor sensibilidade, a ngulo de emissa o maior e alcance maior. 142 | Vanildo Souza de Oliveira Características Baixa Frequência Alta Frequência Álcance Maior Menor Resoluça o Menor Maior Sensibilidade Menor Maior Á ngulo de emissa o Maior Menor Geralmente em profundidades menores que 100m, empregam-se ecossondas com alta freque ncia (200 kHz), de menor alcance, no entanto com maior sensibilidade, apresentando mais detalhes de fundo, o que e de grande importa ncia principalmente na pesca de arrasto na plataforma, onde a localizaça o de pedras (cabeços) evita a danificaça o das redes e portas de arrasto. Quando em profundidades maiores que 100m, geralmente, emprega-se ecossonda de baixa freque ncia (50 kHz), uma vez que tem um maior alcance, principalmente nas atividades em que na o e necessa rio um maior detalhamento de fundo, caso da pesca com aparelhos constituí dos por linha e anzol (linhas de fundo e espinhel). Átualmente, a maioria dos modelos de ecossonda ja sa o equipados com as duas freque ncias de 50 kHz e 200 kHz, podendo inclusive empregar as duas ao mesmo tempo. Na o confundir com o eco integrador, que e uma ecossonda cientí fica empregada na avaliaça o de estoques, que trabalha com freque ncias mais baixas ou mais altas. Para detectar a profundidade, a ecossonda emite o som, que viaja em me dia a uma velocidade de 1.500 m/s na a gua do mar. Essa emissa o e realizada por um transdutor, que serve tambe m para recepça o do som. Á ecossonda emprega a mesma fo rmula de ca lculo para a determinaça o de uma dista ncia percorrida. Para obter a profundidade em metros, a ecossonda considera o tempo apenas o de ida, resultando assim na seguinte fo rmula: Tecnologia de pesca | 143 P = Profundidade (m) V = Velocidade do som na a gua (1500m/s) T = Tempo entre a emissa o e recepça o do som O esquema de funcionamento de uma ecossonda e composto por: monitor na estrutura da ecossonda e um transdutor no casco da embarcaça o. Na estrutura, ale m do monitor, localiza-se um amplificador, que aumenta, no retorno, os registros sonoros. O som e emitido de acordo com a freque ncia e pote ncia da ecossonda, que envia e recebe ao transdutor, em forma de energia ele trica, enquanto o transdutor emite e recebe em forma de energia acu stica. O dia metro da a rea varrida pelo feixe no fundo (L) e determinado em funça o da profundidade e do a ngulo de emissa o (Figura 108). 144 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 108: Esquema de funcionamento de uma ecossonda e diametro de varredura. Existem va rios modelos de ecossondas, com inu meras funço es e comandos, no entanto as principais sa o: ganho, que regula a sensibilidade; a escala, que regula o alcance (profundidade); e o Tecnologia de pesca | 145 seletor de frequência 50 kHz ou 200 kHz. Tambe m podem ter a funça o zoom, a qual possibilita a ampliaça o do fundo, assim como a funça o alarme, que, quando acionada, detecta peixes em uma faixa de profundidade programada, dentre outras. Dependendo do modelo, aumenta o nu mero de funço es. 8.3 O QUE A ECOSSONDA PODE DETECTAR? a) Profundidade; b) Topografia do fundo; c) Cardumes e peixes individualmente; d) Plâncton: E possí vel observar a migraça o vertical do zoopla ncton (ecossonda com alta freque ncia); e) Termoclina: Á ecossonda detecta a diferença de densidade, a a gua mais fria e mais densa (ecossonda com alta freque ncia); f) Interferências: Que podem ser meca nica (borbulhas, vibraça o, ruí do) e ele trica, oriunda de equipamentos eletro nicos da pro pria embarcaça o, ou de outra; h) Tipo o fundo: Detecta quando o substrato e mole (areia, cascalho ou lama) ou duro (rocha). 8.4 O QUE PODE INTERFERIR EM UMA ECOSSONDA? Á interfere ncia meca nica pode ser originada pela vibraça o do motor, ou he lice da embarcaça o; dessa forma, o transdutor deve ser colocado a uma dista ncia de 1/3 do comprimento total da 146 | Vanildo Souza de Oliveira embarcaça o em relaça o a proa, com a finalidade de evitar a interfere ncia da vibraça o do motor, e o mais pro ximo da quilha, com o objetivo de minimizar o movimento pendular do casco da embarcaça o (Figura 109). Todo tipo de interfere ncia sonora na a gua pode ser registrado em uma ecossonda. O barco, quando em deslocamento, produz turbule ncias (borbulhas), que sa o geradas pela a gua em contato com o casco, e pelo vento, que logo apo s serem geradas explodem, liberando som e, com isso, sendo registradas pela ecossonda, causando assim interfere ncias. Essas exploso es das borbulhas sa o captadas pelo transdutor da ecossonda, quando pro ximas da superfí cie, resultando com isso a ause ncia de registro das ondas sonoras de retorno, tendo como conseque ncia a falta de registro do fundo no monitor, dando a impressa o que existe um canal com profundidade tal, que o eco na o retornou (Figura 110 a). Outra condiça o de interfere ncia e em a guas com muita turbule ncia, podendo ocupar todo o monitor (Figura 110 b). Á interfere ncia meca nica tambe m pode ser gerada pela vibraça o do motor, ou da he lice, aumentando o ní vel de interfere ncia no monitor de acordo com o aumento da aceleraça o do motor, produzindo faixas de interfere ncias no monitor cada vez que aumenta a aceleraça o do barco (Figura 111 a). Ás interfere ncias eletro nicas podem ser causadas quando outro barco navega muito pro ximo, provocando uma superposiça o de sinais sonoros na a rea de varredura das ecossondas, resultando em arcos que va o da superfí cie ao fundo no monitor (Figura 111 b). Tecnologia de pesca | 147 Figura 109: Causas de interfere ncias em uma ecossonda. a b Figura 110 :Interfere ncia por bolhas na superfí cie (a) e em toda coluna da a gua (b). 148 | Vanildo Souza de Oliveira a b Figura 111:Interfere ncia meca nica causada pela vibraça o do motor (a), interfere ncia eletro nica causada pela ecossonda de outra embarcaça o (b). Á detecça o de um peixe e apresentada no monitor da ecossonda, como uma forma co ncava para baixo. Como foi demonstrado, o pulso e mais forte no centro e vai perdendo intensidade nas extremidades. Quando um peixe entra na zona de detecça o do pulso, ele e registrado com menor intensidade e vai aumentando, a medida que vai chegando ao centro do pulso (menor dista ncia da origem do pulso), voltando a diminuir o registro a medida que o peixe vai se afastando, sendo registrado na forma do retorno do pulso (Figura 112). Figura 112: Forma registrada por um peixe no monitor da ecossonda. Tecnologia de pesca | 149 Os cardumes, diferentemente dos indiví duos isolados, sa o representados de diversas formas, dependendo da espe cie, pois algumas mudam a forma de agregaça o em funça o de fatores como: sazonalidade, alimentaça o e reproduça o. Quando o registro do cardume e menor que o a ngulo do pulso sonoro, ele se apresenta concentrado. Quanto mais forte for a cor do seu interior, mais densa sera a concentraça o do cardume. Quando o cardume e maior que o a ngulo do pulso e esta distribuí do horizontalmente, ele ocupa todo o monitor, sendo possí vel apenas detectar sua altura de imediato (Figuras 113 a e b). Figura 113 (a) e (b): Formas de apresentaça o de cardumes: concentrado (a) e cardume com grande extensa o horizontal (b). Átualmente as ecossondas possuem controles de escala de profundidade automa ticos: a medida que a profundidade vai aumentando ou diminuindo, elas va o automaticamente mudando de escala. Em ecossondas que na o te m mudança de escala automa tica, quando elas esta o operando em uma profundidade com uma escala fixa, por exemplo, para 90m e ha um deslocamento para uma profundidade menor de 30m, ocorre o registro de um segundo fundo, abaixo do verdadeiro. Esse segundo registro, ou registro duplo e devido a alta intensidade do pulso do som para alcançar os 90m, que, no entanto, alcança apenas 30m, retornando ainda com 150 | Vanildo Souza de Oliveira alta intensidade para o transdutor, gerando assim um segundo registro denominado de “fundo fantasma”, que desaparece quando a escala e corrigida para a atual profundidade, no caso 30m. Átualmente a correça o da profundidade e automa tica (Figura 114). Figura 114: Fundo fantasma, segundo fundo registrado pela ecossonda. Á escala de profundidade da ecossonda tem o seu alcance em funça o da sua pote ncia, que e dada em watts. Quanto maior for a escala de profundidade, maior tera que ser a pote ncia necessa ria para atingir a profundidade desejada. Ále m de saber escolher a frequ e ncia para uma ecossonda, e importante saber qual a pote ncia necessa ria para alcançar a profundidade ma xima desejada. Átualmente no mercado de ecossondas para pesca, encontram-se geralmente transdutores com pote ncias que variam de 300 a 1.000Watts. Á ecossonda detecta a recepça o dos sons, e, atrave s da interpretaça o desses registros, aliada a comprovaça o com a coleta de fundo no local, podemos classificar o registro quando a intensidade: “fundo duro” (pedras e outros materiais so lidos), reflete a maior parte do som, resultando em um registro forte, enquanto o “fundo Tecnologia de pesca | 151 mole” (areia, lama e cascalho) absorve grande parte do som, resultando em um registro mais fraco (Figura 115). Ás ecossondas atualmente, dependendo do tipo de tecnologia e do modelo do transdutor, conseguem estimar ate o comprimento me dio dos peixes, empregando funço es especificas. Com esse tipo de ecossonda, e possí vel detectar o tamanho de peixes entre 10 e 199 centí metros nas profundidades de 2m a 100m. Ássim como tipo de fundo, apresentando o desenho de: lama, rocha, areia ou cascalho, em tonalidades de cores diferentes respectivamente no monitor. Á tende ncia, com o desenvolvimento da tecnologia, e cada vez mais funço es que especifiquem, com mais certeza, o alvo da pescaria. Figura 115: Detecça o de tipos de fundos duros ou moles. Na detecça o de cardumes muito pro ximo do fundo, eles podem ser confundidos como sendo parte integrante do fundo. Para evitar esse engano, existe uma funça o nas ecossondas denominada de “LinhaBranca”, que faz a separaça o entre o cardume e o fundo (Figuras 116 a e b). 152 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 116: Monitor (a) com a detecça o normal e monitor (b) com a funça o linha branca acionada. 8. 5 SONAR O desenvolvimento dos aparelhos com emissa o sonora, como a ecossonda, propiciou sua aplicaça o na atividade pesqueira, principalmente para detecça o de cardumes pela gicos e demersais. O sonar, que inicialmente foi empregado para detecça o de submarinos na Segunda Guerra, surgiu como uma excelente alternativa para a pesca de pela gicos como: sardinhas, anchovas, dentre outros. O sonar possibilitou a detecça o de cardumes na direça o horizontal, atrave s de varreduras em 360o, assim como na vertical de 0o a 90o graus. Esse aparelho logo foi adotado para os barcos cerqueiros, tornando possí vel, dessa forma, uma ra pida localizaça o e dimensionamento dos cardumes para a realizaça o do cerco, na pesca de pequenos pela gicos (sardinhas, anchovas) e grandes (atuns e afins). Tecnologia de pesca | 153 O sonar e formado por um monitor, sendo o ponto central a embarcaça o e os ane is que saem do centro para a extremidade da tela, dista ncias que podem ser reguladas em milhas na uticas, possibilitando saber, a dista ncia, o tamanho e a direça o em que o cardume se encontra. O sonar de varredura, ou scanner, realiza um giro de 360º na horizontal e de 0º a 90º na vertical. Ápesar de eficiente na sua varredura, pode perder o cardume durante o giro total, permitindo que ele possa sair da a rea de registro do monitor, enquanto uma nova varredura esta sendo concluí da pelo aparelho (Figura 117). Figura 117: Sistema de varredura “scanner” de um sonar. 154 | Vanildo Souza de Oliveira Com a finalidade de evitar o escape do registro do cardume durante a varredura no monitor do sonar, foi desenvolvido um transdutor com emissa o Doppler, que emite o som do centro do transdutor para a extremidade, atrave s de microtransdutores, permitindo que o acompanhamento do cardume seja monitorado durante todo o tempo do cerco (Figura 118). Esse sistema e geralmente empregado em grandes embarcaço es, em funça o do seu elevado custo. Figura 118: Transdutor com sistema Doppler, com microtransdutores. O sonar e empregado durante a operaça o de cerco, tanto de pequenos quanto de grandes pela gicos. Ele possui va rias funço es de operaço es, destacando-se a seleça o de a rea de varredura em que foi detectado o cardume, durante o cerco, para que se possa monitorar apenas esta a rea (Figura: 119). Tambe m pode fornecer uma imagem de varredura vertical. Os modelos com plot, mostram o registro do percurso do barco na tela, obtidos por um GPS, facilitando o cerco do cardume. Tecnologia de pesca | 155 Figura 119: Monitoramento do cardume com o sonar durante o cerco. 8.6 RADAR Teve o seu desenvolvimento em 1904 por Christian Hulsmeyer, na Álemanha, e ficou esquecido ate 1938, por na o haver aplicaça o pra tica, quando foi aprimorado para detectar avio es, tendo grande emprego na Segunda Guerra, pelos brita nicos. So depois da segunda guerra e que se deu o emprego para outros fins, principalmente para a navegaça o, vindo assim a minimizar acidentes 156 | Vanildo Souza de Oliveira entre embarcaço es, principalmente em a reas de grande tra fego marí timo, tanto durante o dia como a noite. Os radares tambe m foram empregados, inicialmente, na navegaça o costeira, atrave s da identificaça o de dois pontos conhecidos em terra, possibilitando plotar na carta na utica sua posiça o no mar. Ássim como a ecossonda e o sonar, o radar emite e recebe ondas sonoras por meio de uma antena, geralmente fixa em cima da cabine de comando. Enquanto o sonar e a ecossonda trabalham com kHz (a gua), o radar trabalha, geralmente, com megahertz MHz (ar). O monitor do radar e semelhante ao do sonar, pois tem a embarcaça o no centro e cada anel representa uma dista ncia em milhas. No monitor, e possí vel registrar o continente ou ilhas e principalmente outras embarcaço es, assim como seus rumos e velocidade quando o radar esta conectado a um GPS. Tambe m possui um sistema de alarme, que dispara quando qualquer embarcaça o chega a uma dista ncia predeterminada. Na pesca, e bastante empregado como equipamento auxiliar na atividade de cerco, pois os modelos mais modernos detectam concentraço es de pa ssaros sobre a superfí cie do mar, o que pode indicar a existe ncia de concentraça o de pequenos pela gicos (sardinha, anchova dentre outros) ou grandes pela gicos, como atuns e afins (Figura 120). Figura 120: Radar detectando concentraço es de aves na superfí cie da a gua, como indicadores de cardumes de peixes pela gicos. Tecnologia de pesca | 157 8.7 SISTEMA DE NAVEGAÇÃO POR SATÉLITE GPS (GLOBAL POSITIONING SYSTEM) Ápo s a utilizaça o das estrelas para a localizaça o das embarcaço es, so no se culo vinte foi possí vel faze -lo sem elas, com a descoberta da freque ncia de ra dio. Á localizaça o por direcionamento de ondas de ra dio permitiu a definiça o do posicionamento das embarcaço es, atrave s do cruzamento das ondas de ra dio emitidas por antenas localizadas em terra. Existem va rios sistemas de emissa o de ondas, denominados de: Loran Á, Loran C, Omega e Decca, que funcionam no Hemisfe rio Norte, empregando antenas de ondas de radio: na costa da Áme rica do Norte, costa da Europa e uma na Ilha de Áscensa o, no Átla ntico Norte. Com o desenvolvimento da corrida espacial, o Departamento de Defesa dos EUÁ, no iní cio da de cada de l960, denominou um projeto de Navigation System with Time and Ranging Global Positioning System ‒ Navstar, que obtinha a posiça o precisa quando detectava seis sate lites, estimando a posiça o ate novamente ser possí vel detecta -los, tendo de ser introduzido no aparelho o rumo da embarcaça o a cada mudança de rota. Esse sistema foi substituí do pelo Global Positioning System ‒ GPS, muito mais ra pido e preciso, pois inicialmente foi formado por 24 sate lites, em seis o rbitas a 20.200km de altitude. Desses 24 sate lites, 3 sa o de uso restrito aos militares americanos, sendo os outros disponibilizados para uso civil. O sistema GPS, que foi, inicialmente, restrito ao uso militar, sendo disponibilizado para a aviaça o civil, apo s o acidente com o voo 007 da Korean Áirlines, avia o civil coreano que foi derrubado por jatos interceptadores sovie ticos em 1º de setembro de 1983, a oeste da ilha de Sacalina. Como houve uma grande du vida sobre se o avia o estaria dentro do espaço ae reo sovie tico, diante do impasse, a partir desse acidente, o governo americano determinou que o sistema GPS passaria a estar disponí vel para propo sitos civis, uma vez que se http://pt.wikipedia.org/wiki/1_de_Setembro http://pt.wikipedia.org/wiki/1983 http://pt.wikipedia.org/wiki/Sakhalin http://pt.wikipedia.org/wiki/GPS 158 | Vanildo Souza de Oliveira concluiu que este incidente poderia ter sido evitado. Ás aeronaves civis foram autorizadas a utilizarem a navegaça o com o sistema GPS, posteriormente empregadas na navegaça o comercial marí tima e, consequentemente, na atividade pesqueira. Nesse sistema, para se calcular a posiça o, a hora-padra o tem que ser altamente precisa, portanto cada sate lite esta equipado com um relo gio ato mico, com precisa o de nano-segundo, mais preciso que a pro pria rotaça o da Terra. Um relo gio ato mico atrasa um segundo em 50.000 anos, permitindo uma refere ncia de tempo mais esta vel e exata. Átualmente existem outros sistemas de navegaça o por sate lite: Glonass, da Ru ssia; Galileo, da Europa, este de uso na o militar; e Beidou, da China, os dois u ltimos ainda em finalizaça o. O sistema GPS trabalha com freque ncia em gigahertz (GHz). Nosaparelhos de GPS com chartplotter (cartas na uticas eletro nicas), a localizaça o e plotada diretamente na carta digital. Á operacionalizaça o de um GPS e muito simples: ao teclar a funça o ir para, o aparelho faz uma rota entre o local em que se encontra e um determinado ponto informado. Ele fornece, ainda, a dista ncia e tempo ate a chegada do ponto, a direça o, o rumo e a velocidade do barco. Átualmente, a maioria dos pescadores usa o GPS tambe m como fonte de informaço es, pois podem armazenar grande quantidade de posiço es de pontos de pesca. Ele e muito importante na localizaça o dos aparelhos de pesca, uma vez que estes sa o deixados nos pesqueiros para serem recolhidos posteriormente. Muitas vezes, por estarem em a reas de muita movimentaça o de embarcaço es, torna-se perigoso o uso de boias de sinalizaça o (Figura 121). Tecnologia de pesca | 159 Figura 121: Recolhimento de um espinhel de fundo com uma garateia, entre os pontos P1 e P2, empregando-se os pontos de lançamento armazenados no GPS. Outra grande utilidade do GPS e na segurança marí tima: quando ocorre uma avaria, a comunicaça o com outras embarcaço es fornece sua posiça o, evitando assim antigos problemas de buscas demoradas, que muitas vezes aumentava bastante o tempo para o resgate. O emprego do GPS, aliado aos ra dios de comunicaça o e celulares, deu um grande avanço na segurança marí tima, principalmente na pesca artesanal. Esses avanços tecnolo gicos, que antes eram so disponí veis para as grandes embarcaço es, hoje permitem a uma simples embarcaça o ter um moderno sistema de navegaça o, bastando um laptop com as cartas na uticas instaladas, que esta o disponí veis gra tis no site da Marinha do Brasil. Para isso, utiliza-se qualquer software de navegaça o, tambe m gratuito, disponí vel na internet. Esse laptop, quando acoplado a um GPS, torna a embarcaça o munida de um plotter georreferenciado, com uma tela que fornece a carta na utica e o posicionamento online da embarcaça o, ale m de apresentar a rota e o rumo a ser seguido, dentre outras informaço es, dependendo do software (Figura122). 160 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 122: Informaço es geradas por um GPS em uma carta na utica eletro nica instalada em um laptop. Com o desenvolvimento da tecnologia das comunicaço es na atividade pesqueira, as embarcaço es artesanais que possuem ra dio de comunicaça o e, quando esta o avariadas, na o permanecem a deriva ate serem encontradas, como antes. Átualmente, quase todo pescador tem um celular equipado com um GPS. Em caso de avaria, quando o celular começa a detectar sinal, a medida que se aproxima do continente, aumenta a chance de fazer uma ligaça o, comunicando sua posiça o com o GPS de seu celular. Esse aparelho atualmente e bastante popular entre os pescadores, pois a necessidade de marcar seus pontos de pesca e posiça o dos equipamentos de pesca faz com que a cada dia mais pescadores tornem-se dependentes desse equipamento. 8.8 SATÉLITE Á utilizaça o de informaço es oriundas de sate lites na atividade pesqueira torna-se atualmente essencial, visto que a eficie ncia de captura e um fator fundamental para o sucesso da atividade. Ás Tecnologia de pesca | 161 frotas pesqueiras, principalmente as atuneiras, que realizam grandes deslocamentos — por ser uma atividade ocea nica —, tendem a otimizar o tempo de navegaça o dirigindo-se diretamente para as a reas de pesca. Dessa forma, as informaço es obtidas por sate lites possibilitam encontrar as a reas mais propí cias a presença de cardumes. Dentre as informaço es importantes que podem ser obtidas por meio de software de informaço es oceanogra ficas aplicadas a pesca (pagos anualmente), destacam-se: temperatura de superfí cie (TSM), principalmente nas zonas temperadas, onde e possí vel identifica -las com maior precisa o — enquanto, nas zonas tropicais, a camada de mistura da superfí cie torna a distinça o de diferentes temperaturas das massas de a gua imperceptí veis —; direça o das correntes; profundidade da termoclina; batimetria; altimetria; e concentraça o de clorofila. Álguns softwares plotam as caracterí sticas ideais sugeridas pelo operador, circulando essas a reas na carta digital, com as informaço es desejadas, como: temperatura de superfí cie, termoclina, correntes, dentre outros. Tudo isso possibilita a diminuiça o do tempo de deslocamento para a a rea de pesca, aumentando assim a possibilidade de sucesso. Essas informaço es oceanogra ficas podem tambe m ser fornecidas por boias sate lites fixas nos espinhe is de atum, que enviam, via sate lite, as informaço es em perí odos predeterminados para a embarcaça o, podendo tambe m ter uma ecossonda na boia, que envia os registros de cardumes que passam por baixo dela. Ás informaço es por sate lites atualmente sa o ferramentas essenciais na pesca ocea nica, forçando o investimento na o apenas em tecnologia, mas principalmente em ma o de obra qualificada, que possa operacionalizar essas informaço es. 162 | Vanildo Souza de Oliveira Tecnologia de pesca | 163 CAPÍTULO IX PESCA DIRIGIDA 164 | Vanildo Souza de Oliveira 9.1 PESCA DIRIGIDA E a modalidade de pesca que emprega equipamentos eletro nicos no auxí lio a localizaça o de cardumes. Geralmente cardumes em meia a gua, possibilitando, assim, a localizaça o ideal para que os equipamentos de pesca possam alcançar esses cardumes, com grande possibilidade de sucesso na operaça o. Á pesca de arrasto de meia a gua e realizada com o emprego de equipamentos eletro nicos na seguinte seque ncia e funça o: sonar de pesca: faz a varredura horizontalmente, possibilitando a determinaça o do tamanho, dista ncia e rumo em que o cardume esta localizado; ecossonda da embarcaça o: determina a profundidade e altura do cardume em relaça o ao fundo; e finalmente a ecossonda da rede: que possibilita a colocaça o da rede de arrasto na profundidade ideal para a captura do cardume, assim como possibilita observar o registro de quando o cardume entra na boca da rede (Figura 123). Entre o registro da ecossonda do barco e o da ecossonda da rede, segundo Okonsk e Martini (1987), podem acontecer cinco situaço es: 1) O cardume estaciona rio ‒ o registro na ecossonda da rede vai ser no tempo determinado, pois, como ha o comprimento dos cabos de arrasto e profundidade do cardume, pode-se calcular a dista ncia e determinar o tempo em que a rede alcançara o cardume; 2) o cardume esta se deslocando na mesma direça o do arrasto ‒ o tempo de registro do cardume na ecossonda da rede vai ser maior que no primeiro caso; 3) o cardume tem a mesma velocidade do arrasto ‒ o registro do cardume na ecossonda da rede vai ser mais demorado do que no segundo caso; 4) o cardume esta se deslocando no sentido contra rio ao do arrasto ‒ o registro do cardume na ecossonda da rede vai ser mais ra pido que no primeiro caso; e 5) o cardume na o e registrado na ecossonda da rede no tempo determinado, percebe a rede e sai da rota de captura. Tecnologia de pesca | 165 Figura 123: Seque ncia de emprego dos equipamentos eletro nicos em uma pesca de arrasto a meia a gua. Recentemente, a pesca de meia a gua vem empregando, em substituiça o a ecossonda da rede, o sonar da rede, que, ale m de registrar a entrada do cardume na boca da rede, realiza uma varredura horizontal, possibilitando o direcionamento da rede na mesma profundidade do cardume (Figura 124), eliminando as cinco condiço es existentes, quando do emprego da ecossonda da rede. 166 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 124: Emprego do sonar da rede em arrasto de meia a gua. Átualmente, na pesca dirigida, empregam-se sensores eletro nicos em varias partes do sistema de arrasto, possibilitando total controle desde a entrada do cardume na boca rede, assim como o monitoramento do enchimento do saco da rede. Á dista ncia entre as portas tambe m pode ser monitorada por meio de sensores, colocados em ambas as portas. Todas essas informaço es sa o transmitidas, por meio de ondas de ra dio, para a embarcaça o, onde sa o captadas por um receptor submerso (Figura 125). Tecnologia de pesca | 167 Figura 125: Receptor submerso e sensores, no sistema de arrasto de meia a gua. D = m (dista ncia entre as portas em metros). 168 | Vanildo Souza de Oliveira Tecnologia de pesca | 169 CAPÍTULO X COMPORTAMENTO DAS ESPÉCIES EM RELAÇÃO AOS APARELHOS DE PESCA 170 | Vanildo Souza de Oliveira 10.1 COMPORTAMENTO DAS ESPÉCIES Ás espe cies possuem diferentes capacidades de reaça o, em funça o da sua forma e poder de nataça o. Essas caracterí sticas tornam-se marcantes quando observamos a distribuiça o vertical em tre s grandes grupos, de acordo com Okonsk e Martini (1987): bento nicos, denominados de grupo Á; demersais, grupo B; e pela gicos, grupo C. Os bento nicos possuem caracterí sticas sedenta rias e dependem do fundo, tanto para alimentaça o como para proteça o de predadores. Essa condiça o reflete, em sua forma e hidrodina mica, a forma do corpo: geralmente na o lhes permitem grandes capacidades de deslocamento e poder de nataça o, a exemplos dos peixes chatos, solhas, linguados, dentre outros. Os demersais possuem uma forma hidrodina mica e maior capacidade de nataça o, no entanto ainda sa o territorialistas e realizam significativas migraço es. Suas formas ja sa o mais adaptadas ao deslocamento em relaça o aos bento nicos, a exemplo dos pargos e serraní deos, dentre outros. Os pela gicos possuem uma capacidade natato ria bem mais desenvolvida, pois, ao contra rio dos bento nicos e demersais, que utilizam o fundo e locas para se protegerem, vivem na coluna d’a gua, e a capacidade de fugir dos predadores determina sua sobrevive ncia, sendo assim as espe cies que possuem, em geral, forma fusiforme, a exemplo da barracuda, atum e agulho es, dentre outros. Á distribuiça o entre essas zonas e muito dina mica e tem-se como refere ncia: bento nica, 0,5m do fundo; demersal, ate 10m acima do fundo; e pela gica, toda a coluna da a gua acima. Essas espe cies possuem resiste ncias diferentes, que podem ser medidas em funça o do tempo em que alcançam a exausta o muscular, denominada de “ponto de fadiga”, que ocorre quando a Tecnologia de pesca | 171 resposta aos estí mulos enviados aos mu sculos começa a diminuir. Ás espe cies desses grupos possuem pontos de fadiga diferentes, variando de excelentes nadadores, como os pela gicos, com grande resiste ncia muscular, a modestos nadadores, como os demersais e os sedenta rios, a exemplo dos bento nicos. Para tentar medir essa capacidade em cada grupo, os pesquisadores criaram uma relaça o entre o comprimento do peixe e a dista ncia alcançada ate chegar ao iní cio de ponto de fadiga. Okonsk e Martini (1987) apresentam uma relaça o que determina a velocidade ma xima (m/s) que as espe cies alcançam em funça o dos seus comprimentos, em cada grupo. BENTÔNICO: 5 x comprimento do corpo DEMERSÁL: 6 x comprimento do corpo PELÁGICO: 6 a 8 x comprimento do corpo Ássim como a dista ncia ma xima ate alcançarem o ponto de fadiga. BENTÔNICO: 40 ‒ 60 x comprimento do corpo DEMERSÁL: 150 – 200 x comprimento do corpo PELÁGICO: 300 ‒ 1.200 x comprimento do corpo Ás espe cies possuem reaço es diferentes, segundo os mesmos autores, quando em contato com a rede de arrasto. Ás reaço es de fuga registradas em cada grupo ecolo gico sa o de acordo com a forma do corpo dos indiví duos. Os grupos Á e B reagem geralmente para frente e para baixo; o grupo C, para baixo e para cima, dependendo da espe cie. No entanto, as respostas mais frequentes observadas para todos os grupos em relaça o ao “reflexo de fuga” sa o: saí da do centro 172 | Vanildo Souza de Oliveira do distu rbio (esses distu rbios sa o originados pela rede, malhetas e portas), sendo que no Grupo Á respostas de fuga, mais frequente, e para frente e para baixo, enterrando-se no fundo; no grupo B, nadam radialmente em um plano horizontal e a s vezes para baixo; no Grupo C nadam radialmente em um plano horizontal e vertical, (Figura 126). Observa-se que as opço es de fuga va o diminuindo em relaça o a capacidade natato ria em cada grupo, pois, enquanto o grupo C tem va rias opço es de fuga nos planos verticais, horizontais e radiais, os bento nicos te m apenas para frente e enterrando-se no fundo. Essas informaço es sa o essenciais, tanto para a elaboraça o do plano de uma rede de arrasto como para a determinaça o da velocidade de arrasto. Como foi visto, a capacidade natato ria dos peixes varia em relaça o ao ponto de fadiga muscular, condiço es em que o mu sculo diminui a capacidade de resposta aos estí mulos. Os peixes pela gicos demoram mais a alcançar o ponto de fadiga do que um demersal ou bento nico. Fonte : Okonsk e Martini (1987) Figura 126: Reaço es mais frequentes em relaça o aos planos de fuga, em cada grupo ecolo gico. Tecnologia de pesca | 173 Ás espe cies de peixes podem ser influenciadas em seus comportamentos por va rios para metros oceanogra ficos, principalmente pela temperatura e salinidade, que podem influenciar na sua migraça o vertical e horizontal. Com o desenvolvimento tecnolo gico, foi possí vel, atrave s de ca meras subaqua ticas, obter as primeiras informaço es sobre as reaço es das espe cies em relaça o aos aparelhos de pesca, principalmente, nos aparelhos de arrasto. Essas informaço es foram obtidas com a colocaça o de ca meras em pontos estrate gicos na rede, como: tralha superior, tu nel e saco da rede, onde foi possí vel observar as diferentes reaço es em cada parte do corpo da rede, principalmente apo s as espe cies alcançarem o ponto de fadiga. Álgumas espe cies tentam escapar por cima das asas da rede, no corpo da rede, enquanto sa o direcionadas para o saco; outras resistem nadando para frente da tralha de chumbo, ate atingirem o ponto de fadiga e serem levadas para o corpo da rede (e posteriormente para o saco); e espe cies como os camaro es bento nicos da plataforma, que saltam quando sa o tocados pela tralha de chumbo e depois ficam inertes e se deixam levar, pelo corpo, ate o saco da rede. No entanto, ha registros de espe cies como o camara o branco Litopenaeus schmitti, tentando escapar pelos dispositivos de exclusa o de fauna acompanhante. Essas informaço es sa o importantí ssimas, no que se refere ao desenho dos planos das redes de arrasto. Exemplo redes de arrastos que permitiam facilmente o escape por cima da tralha superior. Com essas observaço es, foi possí vel desenvolver uma rede com ate seis paine is e tria ngulos, tornando-as mais altas e, consequentemente, deixando a fuga mais difí cil. O que mostra a importa ncia das informaço es comportamentais das espe cies para a tecnologia de pesca. 174 | Vanildo Souza de Oliveira Tecnologia de pesca | 175 CAPÍTULO XI RESISTÊNCIA DOS APARELHOS DE ARRASTO 176 | Vanildo Souza de Oliveira 11.1 RESISTÊNCIAS DOS APARELHOS DE ARRASTO O ca lculo da resiste ncia de uma rede de arrasto vem sendo estudado ao longo do desenvolvimento da Tecnologia de Pesca, com o objetivo de dimensionar a pote ncia ideal da embarcaça o para o arrasto. Quando calculamos a aerodina mica de um automo vel, ou de uma aeronave, e possí vel determinar uma equaça o com base em seu volume constante; no entanto, quando tentamos calcular a resiste ncia de uma rede de arrasto, nos deparamoscom va rios fatores, uma vez que ela na o tem forma constante, variando sua forma de acordo com a força das correntes marinhas e forma da topografia do fundo do mar. Com isto, as equaço es sa o determinadas empiricamente, com base em resultados de va rios anos de dados de arrastos pelas frotas pesqueiras e em tanques de prova. Á pote ncia em cada motor e determinada pelo fabricante, sendo denominada de Pote ncia Nominal do Motor, ou PNM, com unidade em HP. Para avaliar se uma embarcaça o tem a capacidade de arrastar uma determinada rede de arrasto, inicialmente e necessa rio determinar a força de traça o da embarcaça o, que em espanhol e denominada de “Tiro da embarcaça o”. Essa força tem que ser superior a resiste ncia total de arrasto Rt, que e formada pela resiste ncia dos cabos de arrasto Rc, resiste ncia das portas Rp e resiste ncia da rede de arrasto Rr (Figura 127). Ále m das forças de resiste ncias ao arrasto, temos as forças geradas pelos cabos para cima, que e a força de elevaça o Fe, e a de expansa o horizontalmente na porta Fex. Á condiça o para a realizaça o do arrasto e que o “Tiro da embarcaça o” seja superior a todas as resiste ncias contra rias ao sentido do arrasto. Os principais fatores que podem influenciar em um arrasto sa o: pote ncia nominal do motor (PNM), condiço es do mar, revoluço es por minuto do motor (rpm) e tipo de he lice. Tecnologia de pesca | 177 Átualmente, existem va rios softwares que calculam todas as resiste ncias do sistema de arrasto, considerando todos os fatores necessa rios para esses ca lculos. No entanto, o acesso a esses softwares muitas vezes tem restriço es, ou sa o pagos. Dessa forma, as fo rmulas existentes podem fornecer informaço es muito pro ximas a resiste ncia real, levando em consideraça o os nu meros de fatores que devam ser considerados. Vamos nos referir a me todos mais pra ticos e ra pidos utilizados por Hamuro em Okonski e Martini 1987, que permitem obter valores aproximados para o ca lculo da resiste ncia do sistema de arrasto. T = Tiro do barco (kg) Rc = Resiste ncia dos cabos (kgf) Rp = Resiste ncia das portas (kgf) Rr = Resiste ncia da rede (kgf) Figura 127: Condiça o de arrasto para o sistema de pesca. 178 | Vanildo Souza de Oliveira 11.2 FÓRMULA PARA O CÁLCULO DO TIRO DA EMBARCAÇÃO Ántes, temos que definir alguns conceitos: Á unidade de pote ncia dos motores das embarcaço es e o HP (horse power), que e a unidade de força que pode mover 75 kgf (quilograma-força) com uma velocidade de 1m/s. O “f” demonstra que kg e uma unidade de força e na o uma unidade de massa. Quando falamos de HP de um motor, estamos nos referindo a pote ncia ma xima do motor, que e denominado de pote ncia nominal do motor ‒ PNM (aquela que vem determinada pelo fabricante). Á força de arrasto de uma embarcaça o e denominada de “Tiro da embarcaça o”, cuja unidade e dada em kg, por ser uma força de traça o, enquanto as resiste ncias do sistema de arrasto sa o dadas em quilograma-força (kgf), resiste ncia. Na fo rmula do tiro, apresentada em Okonsk e Martini (1987),quando substituí mos o numero 75 pela unidade (kg/m/s) = HP. Ássim como a pote ncia padra o do arrasto (PS), que e a pote ncia do motor destinada ao arrasto, que tem unidade tambe m em HP. Dessa forma, na fo rmula quando dividimos (75.PS)=HP (kg/m/s) pela velocidade do arrasto (V) em (m/s), cortando (m/s). Obtemos a unidade do tiro em kg. T = tiro da embarcaça o em kg PS = pote ncia padra o para o arrasto (HP) V = velocidade de arrasto em (m/s) Tecnologia de pesca | 179 11.2.1 Ca lculo da pote ncia padra o (PS) Á pote ncia padra o para o arrasto (PS) varia de acordo com va rios fatores: condiço es do mar, determinado pelo coeficiente de mar (Cmar), com base na tabela de Beaufort (Bf), que correlaciona com nu meros as condiço es do mar; pelo coeficiente de utilizaça o do motor (Cmt), o qual geralmente e empregado em torno de 80% da pote ncia nominal do motor (PNM), e coeficiente da he lice (Ch). Ássim, a fo rmula para a determinaça o da pote ncia padra o para o arrasto e : PS = Cmar . PNM. Cmt . Ch . = HP 11.2.2 Determinaça o do coeficiente da he lice (Ch) He lice de passo fixo Menor que 300 rpm: coeficiente 0,25 a 0,28 Igual a 300 rpm: coeficiente 0,22 Maior que 300 rpm: coeficiente 0,20 He lice de passo varia vel Coeficiente 0,25 - 0,30 11.2.3 Determinaça o do coeficiente do mar (Cmr) (Baseado na tabela de condiça o do mar de Beaufort) Mar calmo: coeficiente 1,0 Mar 2-3 Bf: coeficiente 0,9 Mar 3-4 Bf: coeficiente 0,8 Mar 5-6 Bf: coeficiente 0,7 180 | Vanildo Souza de Oliveira 11.3 DETERMINAÇÃO DA RESISTÊNCIA HIDRODINÂMICA DE UM CORPO EM UM FLUIDO Modelo de Newton Grande parte das fo rmulas mais simples de resiste ncia tem como base a equaça o para o ca lculo das forças hidrodina micas, denominada de modelo de Newton. R = força hidrodina mica em kgf C = coeficiente de resiste ncia γ = densidade do fluido (kg. s2/m4) S = superfí cie projetada em um plano normal a direça o do fluxo (m2) V = velocidade do fluxo, ou velocidade relativa entre o fluido e o elemento mo vel em m/s 11.4 FÓRMULA DA RESISTÊNCIA DOS CABOS DE ARRASTO Essa fo rmula tambe m tem como base o modelo de Newton. Os fatores principais que podem influenciar a resiste ncia de um cabo de arrasto sa o: o coeficiente de resiste ncia, o meio em que ele esta sendo arrastado (no caso, a densidade da a gua do mar), o comprimento e o dia metro do cabo e a velocidade de arrasto. Um cabo longo pode ter a mesma resiste ncia que um cabo curto, na mesma velocidade, tudo depende da a rea (no caso, o dia metro de cada um dos cabos). Duas forças podem ser geradas nos cabos de arrasto: a força de elevaça o, gerada no sentido vertical em relaça o ao Tecnologia de pesca | 181 sentido do arrasto; e a força de resiste ncia, no sentido contra rio ao do arrasto (Figura 128). Para cada uma dessas forças existe um coeficiente, sendo o de resiste ncia CD e o de elevaça o CL, que sa o determinados em funça o do a ngulo entre o cabo de arrasto e o sentido do arrasto (Figura 129), com base no Gra fico 01. Figura 128: Forças geradas em um cabo de arrasto. P = Profundidade I = Comprimento do cabo de arrasto Figura 129: Relaça o entre o comprimento do cabo de arrasto (l) e a profundidade (p) formando o a ngulo Ө. 182 | Vanildo Souza de Oliveira Fonte: Koyama, 1984. Gra fico 01: Coeficientes da resiste ncia e elevaça o; relaça o entre o a ngulo formado entre o cabo e o sentido do arrasto. Como, para os arrasteiros que operam na captura de camara o em a guas costeiras, a relaça o de profundidade em relaça o ao comprimento dos cabos de arrasto e aproximadamente 1:4-5, o seno do a ngulo (senӨ) sempre gira em torno de 14,5o. Quando plotado no Gra fico 1, obte m-se CD = 0,05 e CL = 0,06. Formula da resistência para um cabo de arrasto Rc = ½ x CD x ρ x l x ø x v 2= kgf Rc = Resiste ncia do cabo de arrasto kgf CD = Coeficiente de resiste ncia, para classe de arrasteiro de camara o = 0,05 (Gra fico 01) Tecnologia de pesca | 183 ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 l = Comprimento do cabo de arrasto (m) ø = Dia metro do cabo de arrasto (m) V = Velocidade de arrasto (m/s) Resiste ncias para os dois cabos = 2. Rc Fórmula do cálculo da força de elevação do cabo de arrasto Fe = ½ x CL x ρ x l x ø x v2 = kgf Fe = Força de elevaça o kgf CL = Coeficiente de elevaça o, para classe de arrasteiro de pesca = 0,06 (no Gra fico1) ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 l = Comprimento do cabo de arrasto (m) ø = Dia metro do cabo de arrasto (m) V = Velocidade de arrasto(m/s) Força de elevaça o para os dois cabos = 2. Fe 184 | Vanildo Souza de Oliveira 11.5 CÁLCULO DA RESISTÊNCIA DAS PORTAS DE ARRASTO Ássim como nos cabos de arrasto, duas forças hidrodina micas atuam nas portas: a força de resiste ncia ao avanço (Fr) e força de expansa o (Fe) gerada horizontalmente. Ás formulas de ca lculo de resiste ncias usam coeficientes que variam em funça o do a ngulo de ataque da porta: coeficiente de resiste ncia (CD) e coeficiente de expansa o (CL) (Figura 130). Figura 130: Forças que atuam na resiste ncia de uma porta de arrasto. F = Força de reaça o hidrodina mica da porta de arrasto Fr = Força de resiste ncia ao avanço Fe = Força de expansa o horizontal Ө = Á ngulo de ataque da porta Tecnologia de pesca | 185 Fórmula para o cálculo da força de resistência de uma porta de arrasto Rp = ½ CD x ρ x s x v 2= kgf Rp = Força de resiste ncia ao avanço da porta de arrasto CD = Coeficiente de resiste ncia ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 S = Á rea da porta de arrasto (m2) V = Velocidade de arrasto (m/s) Fórmula para o cálculo da força de expansão da porta Fe = ½ CL x ρ x s x v 2= kgf Fe = Força de expansa o da porta de arrasto CL = Coeficiente de expansa o ρ = Densidade da a gua do mar 105/kg s2 / m4 S = Á rea da porta de arrasto (m2) V = Velocidade de arrasto (m/s) 186 | Vanildo Souza de Oliveira Cálculo do coeficiente de resistência da porta CD Quando o a ngulo de ataque da porta e Ө, o CD e calculado da seguinte forma: CD = Coeficiente de resiste ncia Ө = Á ngulo de ataque da porta Cálculo do coeficiente de expansão da porta CL CL = Coeficiente de expansa o Ө = Á ngulo de ataque da porta 11.6 FÓRMULAS DO CÁLCULO DA RESISTÊNCIA DE UMA REDE DE ARRASTO Existem va rias fo rmulas de ca lculos de resiste ncia de redes de arrasto, que levam em consideraça o va rios fatores, desde a densidade da a gua do mar ate o a ngulo de abertura das malhas e o a ngulo de ataque da rede. Tecnologia de pesca | 187 Fórmula de Dickson Leva em consideraça o os seguintes fatores: Dn = Resiste ncia da rede S = Soma da superfí cie de todos os panos da rede d = Dia metro dos fios a = Comprimento do fio entre no s AH = Ábertura entre as extremidades das asas, ou seja, a abertura horizontal da rede em posiça o de trabalho AV = Ábertura vertical da boca da rede Fórmula de Cueva Certas fo rmulas de resiste ncia de redes envolvem a a rea total da rede e o a ngulo de ataque, como no caso da Fo rmula de Cueva Sans (1974), que necessita de informaço es mais difí ceis de serem obtidas, como o a ngulo de ataque horizontal do pano da rede em relaça o a corrente da a gua. R = 191 . d/a . V2 . S . senα R= Resiste ncia da rede d = Dia metro me dio do fio utilizado na rede a = Me dia dos lados das malhas da rede 188 | Vanildo Souza de Oliveira V = Velocidade de arrasto S = Superfí cie do pano da rede em posiça o de trabalho Senα = Á ngulo de ataque horizontal do pano da rede em relaça o ao fluxo da a gua. De acordo com os cortes de panos aplicados, esta entre 12˚ e 15˚ graus aproximadamente. Formula de Giannotti Uma fo rmula que tem como base o modelo de Newton para calcular a determinaça o da resiste ncia hidrodina mica e o modelo ba sico de Giannotti,(1973), que necessita da a rea total da rede: R = Resiste ncia da rede Cd = Coeficiente de resiste ncia da rede ρ = Densidade da a gua do mar105/kg s2 / m4 AS = Á rea da rede V= Velocidade de arrasto (m/s) Fórmula de Nomura e Yamazaki Á fo rmula de Nomura e Yamazaki (1975) permite esta aproximaça o a partir da formulaça o experimental para a resiste ncia de redes de arrasto, sendo a mais pra tica e com fa cil acesso a s informaço es necessa rias, as quais vamos destacar. Por ser uma fo rmula empí rica, seus coeficientes foram obtidos ao longo de va rios experimentos. O coeficiente de arrasto (CD) da rede da fo rmula de Nomura varia entre 6 e 8, entre pequenos e grandes arrasteiros. Á Tecnologia de pesca | 189 velocidade de arrasto e dada em no s, tendo que ser transformada em metros por segundo (m/s). Rr = Resiste ncia da rede de arrasto 8 = Coeficiente de resiste ncia CD a = Circunfere ncia ma xima da rede (m) b = Comprimento ma ximo da rede (m) d = Dia metro me dio dos fios (sem o saco) (mm) l = Comprimento me dio dos lados das malhas (sem o saco) (mm) V = Velocidade de arrasto em (m/s) Á fo rmula de Nomura e Yamazaki e baseada no aspecto geome trico da rede, levando principalmente em consideraça o o maior perí metro formado pela panagem (a) e o comprimento total da rede (b) (Figura131). Ela permite realizar uma aproximaça o a partir da formulaça o experimental para a resiste ncia de redes de arrasto. Ás informaço es necessa rias para o ca lculo das varia veis dessa fo rmula podem ser obtidas atrave s de um plano da rede de arrasto (Figura 132). 190 | Vanildo Souza de Oliveira Figura 131: Comprimento ma ximo da rede (b) e ma xima circunfere ncia da rede (a) da formula de Nomura e Yamazaki. Tecnologia de pesca | 191 Figura 132: Plano de uma rede de arrasto com quatro paine is da fo rmula de Nomura e Yamazaki. 192 | Vanildo Souza de Oliveira Cálculo da máxima circunferência da rede “a” Com base no plano da rede na Figura 132. E a soma das malhas da boca da rede (painel superior, inferior e laterais) vezes o comprimento das malhas: Cálculo do comprimento total da rede “b” O comprimento total b e a soma de todos os paine is da rede, inclusive o saco. O comprimento de cada painel e o nu mero de malhas na altura vezes o comprimento da malha no painel. Com base no plano da rede na Figura 132. Cálculo da média dos diâmetros dos fios (sem incluir o saco) “d ” Com base na rede de arrasto da Figura 122, observam-se va rios paine is, com diferentes dia metros de fios. Enta o d representa a me dia aritme tica desses dia metros. Com base no plano da rede na Figura 132. Tecnologia de pesca | 193 Cálculo da média dos lados das malhas (sem incluir o saco) “ l ” Ássim como existem diferentes dia metros de fios na rede de arrasto, existe tambe m uma grande variaça o de comprimento de malhas entre os paine is. O l representa a me dia da metade do comprimento da malha de cada painel. Como a fo rmula e baseada na forma geome trica, uma malha sofre força de resiste ncia em apenas um lado, que representa 50% da malha, por isso considera-se apenas meia malha. Com base no plano da rede na Figura 132. Com esse mesmo pensamento, o saco da rede na o entra nos ca lculos de d e I, pois possui corte n em seus lados, na o oferecendo resiste ncias significativas (Figura 133). Figura 133: Forças de resiste ncias nos paine is com cortes em a ngulo no corpo da rede e no saco com corte N. 194 | Vanildo Souza de Oliveira 11.7 CÁLCULO DA RESISTÊNCIA TOTAL DE UM SISTEMA DE ARRASTO Á resiste ncia total (Rt) e o somato rio das resiste ncias dos cabos de arrasto, resiste ncia das portas e a resiste ncia da rede. Á Rt (Kgf) deve ser menor que o tiro da embarcaça o T (Kg), para ter a condiça o de arrasto da rede. Condiça o de arrasto: T > Rt T= Tiro da embarcaça o (kg) Rt = Resiste ncia total (kgf) Rt = (Rc) + (Rp) + (Rr) = Kgf Rt = Resiste ncia total (Kgf) Rc = Resiste ncia dos cabos de arrasto (Kgf) Rp = Resiste ncia das portas de arrasto (Kgf) Rr = Resiste ncia da rede de arrasto (Kgf) Tecnologia de pesca | 195 11.8 ABERTURA VERTICAL E HORIZONTAL DA REDE DE ARRASTO Como foi descrito, a abertura horizontal e vertical da rede pode ser obtida diretamente com a colocaçao de sensores nas portas de arrasto e asas das redes. No entanto, quando na o se tem essa ferramenta, a abertura e altura podem ser estimadas empregando as equaço es descritas por va rios autores, como o ca lculo da abertura vertical com a fo rmula de Koyama et al. (1981). H = 0,16 . a . V -0,87 H =Ábertura vertical da boca da rede (m) a = Ma ximo perí metro do corpo da rede (m) V = Velocidade de arrasto (m/s) Prado (1990) descreve fo rmulas para a abertura horizontal e vertical. Cálculo da abertura vertical VO = n . a . 0,25 a 0,30 VO = Ábertura vertical aproximada da boca da rede (m) n = Nu mero de malhas da borda do corpo superior a = comprimento da malha (m) Calculo da abertura horizontal da boca da rede S = HR . 0,50 a 0,60 S = Ábertura horizontal entre o final das asas HR = Comprimento da tralha superior da rede (m) 196 | Vanildo Souza de Oliveira Ále m da abertura horizontal da rede entre as portas de arrasto, pode-se calcular a dista ncia entre as asas da rede, pela fo rmula que emprega o comprimento dos cabos de arrasto em relaça o a dista ncia entre eles na popa da embarcaça o. Essa fo rmula FÁO (1990), serve para estimar a abertura horizontal entre as portas de arrasto e entre as asas, a qual tem uma grande importa ncia quando se deseja estimar a a rea varrida pelo arrasto de popa de fundo (Figura 134). Figura 134: Medidas necessa rias para o ca lculo da dista ncia das portas e dista ncia entre as asas da rede. Tecnologia de pesca | 197 Cálculo da distância entre as portas de arrasto D = [(L´- L) x F ] + L = (m) D = Dista ncia entre as portas L = Dista ncia entre os pescantes L´= Dista ncia entre os cabos de arrasto apo s um metro dos pescantes F = Comprimento do cabo de arrasto Cálculo da distância entre as asas de uma rede de arrasto d´ = Dista ncia entre as asas da rede D = Dista ncia entre as portas cc = Comprimento do corpo da rede (sem o saco) cm = Comprimento das malhetas da rede Calculo da Área varrida Quando se quer ter uma noça o de produtividade de uma a rea, e possí vel obter com a produça o da a rea varrida (figura 135). 198 | Vanildo Souza de Oliveira Figura: 135: Á rea varrida. Tecnologia de pesca | 199 BIBLIOGRAFIA BÁLÁSH, C. Prawn trawl shape due to flexural rigidity and hydrodynamic forces. Disponí velem: < https://eprints.utas.edu.au/14737/>. Ácesso em 25 de set. de 2018. CÁTCHPOLE, T. L. Gear technology in Nephrops trawl fisheries. 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