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15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 1/26 FONÉTICA E FONOLOGIA CAPÍTULO 3 - DO QUE TRATA A FONÉTICA? Clara Simone Ignácio de Mendonça INICIAR Introdução Você já pensou como a fala é produzida? Você já prestou atenção no movimento que sua boca, sua língua e seus lábios realizam para que você emita os sons da fala? Você já pensou que se não houvesse uma corrente de ar egressiva, aquela que sai dos pulmões, não haveria fala? Pois é sobre isso que vamos falar neste capítulo. A proposta desse estudo é aprofundar os conhecimentos da área da fonética. Durante o desenvolvimento desse capítulo, o estudante verá detalhes anatômicos do aparelho fonador no que se refere às estruturas responsáveis pela emissão dos sons de uma língua. Analisaremos, com mais detalhes, os sons que fazem parte da língua portuguesa, classificando-os segundo as estruturas do aparelho fonador. Veremos, também, as vogais que fazem parte da língua portuguesa, caracterizando-as, bem como as consoantes. Por fim, vamos analisar o que são pares mínimos e suas implicações no aprendizado da nossa língua. Esse capítulo se concentrará na fonética articulatória. Preparem-se para uma discussão acerca da constituição anatômica das estruturas articulatórias da face do ser humano. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 2/26 3.1 A produção da fala e a fonética articulatória Nessa seção apresentaremos a você como ocorre a produção da fala. Analisaremos as estruturas anatômicas envolvidas com a produção do ato da fala, algo tão natural e característico da nossa espécie. Comecemos pelo aparelho fonador. O aparelho fonador é formado por estruturas que fazem parte de dois sistemas do corpo humano: o digestório e o respiratório. Logo, as funções primordiais desses sistemas são a digestão e a respiração, respectivamente. Devido à evolução, o homem aprendeu a utilizar alguns órgãos para realizar a fonação (LADEFOGED, 2001): Na Figura, apresentamos uma visão geral do aparelho fonador. Observe que ele está dividido em duas regiões: a subglótica e supraglótica. O ponto de divisão é a região da glote, na laringe, onde se situam as pregas vocais. Figura 1 - Visão geral do aparelho fonador. Fonte: SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015, p. 39. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 3/26 VOCÊ SABIA? Que os termos anatômicos podem passar por mudanças? Antigamente, as pregas vocais eram chamadas de cordas vocais. Elas eram chamadas assim por comparação aos instrumentos musicais de cordas, como os violinos, que produzem sons. Porém, os anatomistas resolveram mudar o seu nome, pois essas estruturas não são cordas, mas sim pregas dos tecidos que revestem o interior da laringe. Saiba um pouco mais sobre esse tema visitando o site: <http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/pregas-vocais.htm (http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/pregas-vocais.htm)>. Na Figura do aparelho fonador, podemos visualizar a região subglótica. Nela, são nomeadas três estruturas, que são aquelas que participam ativamente da fonação: o diafragma, os pulmões e a traqueia. Essas são estruturas do sistema respiratório. O diafragma é um grande músculo sob o qual os pulmões repousam e são responsáveis, junto com outros músculos, pelo movimento do pulmão de inspiração (quando ele se enche de ar) e de expiração (quando ele esvazia). Através da traqueia, que são tubos cartilaginosos, o ar entra e sai do pulmão (LADEFOGED, 2001). A fonação, que é o ato de falar, começa quando a corrente de ar é expulsa dos pulmões pela expiração. VOCÊ SABIA? Que há uma fonação que é feita com o ar ingressante no pulmão? Essa é a chamada fonação reversa. A voz resultante dessa fonação não tem projeção. Ela é utilizada na terapia vocal. Algumas patologias de voz podem utilizar dessa técnica para tratamento. Porém, é o Fonoaudiólogo que vai saber avaliar quando essa técnica pode ser utilizada. Na região supraglótica encontramos a glote e os articuladores. É na glote, uma região da laringe (Figura do aparelho fonador), o local onde se situam as pregas vocais. As pregas vocais podem assumir duas posições: abertas ou fechadas (Figura http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/pregas-vocais.htm 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 4/26 a seguir). As pregas vocais fecham durante a fonação. O ar faz com que elas vibrem quando sai dos pulmões e encontra as pregas vocais fechadas e essa vibração resulta num som, que é a voz: Na cabeça encontramos os principais articuladores, que são aquelas estruturas que se movimentam e se tocam para que os sons da fala sejam produzidos. Os articuladores envolvidos para a produção dos sons da língua portuguesa se localizam na cavidade oral. Porém, existem línguas que apresentam sons produzidos bem atrás do palato mole, quase na faringe. As estruturas que participam na realização dos sons da fala são chamadas de articuladores. Existem os articuladores fixos, ou seja, aqueles que não se movimentam, que são os dentes, os alvéolos dentais e o palato duro, e os articuladores móveis, que são os lábios, a língua, o palato mole e a mandíbula. A língua é um dos órgãos da cavidade oral mais ativo na produção dos sons de uma língua. Ela divide-se em três regiões: a ponta, o dorso e a raiz. A cavidade nasal não é um articulador e sim um ressoador, mas é muito importante na produção dos sons nasais (MENDONÇA, 2017). Figura 2 - As pregas vocais e a laringe. Fonte: OLIVEIRA, 2013. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 5/26 Os articuladores, como já mencionado, estão envolvidos na produção dos fones da fala. Por exemplo, para falar o fone [l] é preciso tocar com a ponta da língua na região logo atrás dos dentes, os alvéolos. Os sons da fala são classificados de acordo com os articuladores que se envolvem na sua produção e de acordo com o movimento desses articuladores. A fala é produzida com o auxílio de todas essas estruturas que apresentamos acima. Ela inicia-se com a corrente de ar que sai dos pulmões, passando pela traqueia até chegar à laringe. Lá, a pressão do ar faz vibrar as pregas vocais e o som é produzido. A onda sonora produzida na laringe (onde estão as pregas vocais) viaja, juntamente com a corrente de ar, até a cavidade oral. Lá, os sons orais vão ser moldados com o auxílio dos articuladores fixos e móveis, de modo que o som, juntamente com o fluxo de ar sai pela boca. No caso dos sons nasais, o fone também é moldado pelos articuladores móveis e fixos, porém, o ar escapa pelo nariz, juntamente com as ondas sonoras. Figura 3 - Os articuladores e o nariz. Fonte: MENDONÇA, 2017, p. 50. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 6/26 Há mais um detalhe na produção dos sons de uma língua que precisa ser considerado: a movimentação das pregas vocais. Primeiro, é importante entender que o controle motor de todas as estruturas que produzem o som da fala é extremamente complexo, por esse motivo é que a criança demora um tempinho para aprender a falar. Ela precisa aprender como controlar o movimento de todos os articuladores. O balbucio, que ocorre nos primeiros meses de vida, faz parte desse aprendizado. Há sons nos quais as pregas vocais vibram, os chamados sons sonoros. Há sons nos quais as pregas vocais não vibram, os chamados sons surdos. O par de fones [p] e [b] são quase idênticos, aúnica diferença entre eles é que no [p] não há vibração das pregas vocais e no [b] as pregas vocais vibram. As vogais, por sua vez, são todas sonoras. Essa é uma das classificações dos sons: surdo ou sonoro. Existem outras, quais veremos mais adiante. O livro “Como falam os brasileiros” (2002), de autoria das professoras Dra. Yonne Leite e Dinah Callou? As autoras são pesquisadoras renomadas na área de Fonética e Fonologia e se esmeram para que o leitor entenda as variações fonéticas do nosso PB, oferecendo um panorama do falar culto carioca, gaúcho, paulista, baiano e pernambucano. É uma obra que explica a variação linguística, oferecendo uma interface entre a fonética e a sociolinguística. Você sabe, desde que começou a estudar, que na língua temos as vogais e as consoantes. Você sabe qual a diferença entre esses dois grupos de sons? Agora que você já estudou os articuladores, fica fácil diferenciá-los. Pare por um instante a leitura desse texto e faça o pequeno exercício de falar em voz alta as vogais do português e algumas consoantes, prestando bem atenção no modo como elas são pronunciadas. Quando falamos as vogais, nossos lábios e nossa língua se movimentam. No [a], por exemplo, a língua fica bem abaixada e os lábios estirados. No [u] a língua sobe e os lábios ficam arredondados, mas os lábios nunca se tocam nem a língua toca em lugar nenhum na boca. Diferente da consoante [l], por exemplo, quando a língua toca atrás dos dentes, nos alvéolos. Quando um órgão articulatório toca no outro a fonética chama isso de constrição. A diferença entre as VOCÊ QUER LER? 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 7/26 vogais e as consoantes é justamente essa, ou seja, na produção das vogais, o ar passa livremente pelos órgãos articulatórios, na produção das consoantes, sempre há uma constrição. No português do Brasil temos as seguintes vogais e consoantes, como você pode ver a seguir: A partir de agora estudaremos as vogais e as consoantes detalhadamente, começando pelas vogais. Quadro 1 - Os fonemas do português brasileiro. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em SILVA, 2009. 3.2 O sistema vocálico do português brasileiro (PB) Quando pensamos nas vogais do português, nos vêm à cabeça as 5 vogais a, e, i, o, u. Contudo, essas vogais são do sistema de escrita. No sistema de fala do PB, temos sete vogais orais e cinco nasais. Não confunda o sistema oral com o escrito! Vejamos as vogais do português brasileiro (PB). Como mostrado acima, as vogais se diferenciam das consoantes, pois as vogais são produzidas sem nenhuma constrição dos órgãos fonoarticulatórios. Câmara Jr (1970, p. 31), foi um dos primeiros a representar as vogais do PB num esquema triangular, que é utilizado pelos linguistas até hoje. No quadro a seguir apresentamos a classificação das vogais tônicas e átonas orais proposta pelo pesquisador. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 8/26 Quanto às vogais nasais, não há um consenso entre os pesquisadores do PB de que realmente teríamos vogais nasais. Essa é uma discussão muito complexa e polêmica (MENDONÇA, 2017). Considerando que o leitor desse texto é iniciante nos estudos fonéticos, vamos adotar, para efeitos didáticos, que existem consoantes nasais no PB e elas são cinco: /ã/, /ẽ/, /ĩ/, /õ/, /ũ/. Essas vogais são produzidas com parte do ar escapando pelo nariz, conferindo assim o efeito de nasalidade dessas vogais. Para a produção das vogais, não há constrição, mas há movimento e vibração das pregas vocais em todas elas. Já falamos isso no início de texto, mas é importante frisar novamente. Por isso, as vogais podem ser classificadas de acordo com o movimento da língua e dos lábios. Segundo Silva (2002), Seara; Nunes; Lazzarotto- Volcão (2015), Barbosa; Madureira (2015), as vogais podem ser classificadas: (i) segundo a altura do corpo da língua, que é o movimento no plano vertical; (ii) segundo a anterioridade/posterioridade da língua, que é o movimento no plano horizontal; (iii) segundo o arredondamento dos lábios. Vejamos agora, essa classificação detalhadamente. 1) Se você tentar pronunciar nossas vogais /a/, /e/, /ɛ/ (como em pé), /i/, /ɔ/ (como em pó), /o/ e /u/, perceberá que a língua faz um movimento na vertical. Segundo a altura (ver Fig. 4), Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 64) lembram que elas podem ser: a) Vogais altas: São aquelas produzidas com a língua mais elevada, de modo que a passagem de ar fica mais limitada, pois a língua chega bem perto do palato. As vogais /i/ e /u/ são altas, tanto tônica quanto átona, bem como as suas contrapartes nasais /ĩ/ e /ũ/. Quadro 2 - Vogais orais tônicas e átonas do PB. Fonte: CÂMARA JR., 1970, p. 33. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndix… 9/26 b) Vogais médias-alta: São vogais também produzidas com uma elevação do corpo da língua, porém não tão alta como as vogais altas. Temos duas vogais orais médias alta /e/ e /o/ tanto em contexto tônico quanto átono, e duas nasais /ẽ/ e /õ/ . c) Vogais médias-baixa: Na produção dessas vogais a língua está mais abaixada, mas não encosta no soalho da boca. Temos somente duas vogais orais nessa categoria: /ɛ/ e /ɔ/. Não há contraparte nasal para essas vogais no PB. d) Vogal baixa: São vogais produzidas com o corpo da língua bem abaixado. A vogal /a/ tanto em posição tônica quanto átona são baixas, bem como sua contraparte nasal /ã/ tônica ou átona. 2) Na produção das vogais, segundo Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 64), a língua pode estar mais anteriorizada (para frente) ou mais posteriorizada (para trás). Segundo a posição da língua (ver Fig. 4), as vogais podem ser classificadas: a) Anterior: Essas vogais são realizadas com uma projeção da língua na direção dos dentes anteriores. São as vogais /e/, /ɛ/, e /i/ orais tônicas e átonas, e as vogais nasais /ẽ/ e /ĩ/. b) Posterior: Vogais que são realizadas com a língua mais recuada. São as vogais /o/, /ɔ/ e /u/ tônicas e átonas, e, somente, as vogais nasais /õ/ e /ũ/ . c) Central: São vogais realizadas com a língua em posição neutra, nem muito para frente, nem muito para trás. A vogal /a/ tônica ou átona e sua contraparte nasal /ã/, também tônica ou átona, são vogais centrais. 3) Outro critério de classificação das vogais é quanto ao movimento dos lábios, que chamamos arredondamento. Veja que um /u/ é mais arredondado do que o /i/. Na verdade o /i/ não é nada arredondado! Segundo o arredondamento, Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 64) apontam que as vogais podem ser classificadas em: a) Arredondadas: São aquelas vogais pronunciadas com arredondamento dos lábios. São as vogais /o/, /ɔ/ e /u/, tônicas ou átonas, bem como as nasais /õ/ e /ũ/ tônicas ou átonas. b) Não-arredondadas: São aquelas vogais pronunciadas com os lábios mais estirados. São as vogais /i/, /ɛ/, /e/ e /a/, tônicas ou átonas, bem com as contrapartes nasais /ĩ/, /ẽ/ e /ã/. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 10/26 Agora que já apresentamos a classificação, veja todas as vogais do PB no quadro a seguir, devidamente classificadas e exemplificadas segundo sua transcrição fonética: Na sequência veremos os ditongos e tritongos do PB, formados a partir da combinação das vogais dessa língua. 3.2.1 Ditongos Os ditongos são encontros vocálicos, mas que, segundo o conceito de Massini- Cagliari (2001) e Cagliari (2001), mudam de qualidade durante a sua execução, podendo ser tratados como uma sequência de segmentos. Um deles é sempre uma Quadro 3 - As vogais do PB, classificação, exemplos e transcrição fonética. Fonte: Elaborado pelaautora, baseado em SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEndi… 11/26 vogal e o outro uma semivogal ou glide (['glaidɪ]), dependendo do autor. Enquanto que Silva (2002) utiliza o termo glide, Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 66) utilizam o termo semivogal: No PB, atesta-se a ocorrência de encontros de dois ou três segmentos vocálicos, aos quais de dão respectivamente os nomes de ditongos e tritongos, formados, em geral, pelas vogais altas anterior [i] e posterior [u]. Quando essas vogais ocupam as posições periféricas da silaba, são chamadas de semivogais e apresentam menor proeminência acentual se comparadas com as vogais que elas acompanham. A semivogal alta anterior pode ser representada pelos símbolos [j], [y] ou [ɪ̯] e a alta posterior por [w] ou [ʊ̯]. A palavra ‘boi’, por exemplo, pode ser transcrita como ['boj] ou ['boɪ̯]. Temos adotado nesse capítulo os símbolos [j] ou [w] para as semivogais e deixamos os símbolos [ɪ] e [ʊ] para as vogais átonas. Os ditongos podem ser crescentes ou decrescentes. Quando crescentes, eles são formados por uma sequência de semivogal e uma vogal, e quando decrescentes, eles são formados por uma sequência de vogal e semivogal. Vejamos abaixo os ditongos decrescentes e crescentes, orais e nasais: Quadro 4 - Os ditongos do PB. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 12/26 A transcrição dos ditongos costuma causar bastante confusão por causa da ortografia. Veja o exemplo da palavra ‘jornal’, cuja possibilidade de transcrição é [ʒoX'naw]. O ‘l’ funciona como a semivogal [w]. Vejamos a seguir, os tritongos. 3.2.2 Tritongos Os tritongos são encontros vocálicos de três segmentos, uma vogal e duas semivogais. Vejamos, por exemplo, a palavra Uruguai. Ao pronunciá-la percebemos que a vogal [a] se destaca e, nesses casos, a transcrição fica [uɾu'gwaj]. 3.2.3 Tonicidade das vogais De um modo geral, costumamos chamar de sílaba tônica aquela na qual recai o acento da palavra, mesmo que na grafia não haja a marcação do acento, como na palavra tapete, que pode ser transcrita [ta.'pe.tʃɪ]. Na palavra exemplificada, podemos encontrar mais duas sílabas, além da tônica [pe], uma antes dela, a sílaba [ta], e outra depois dela, a sílaba [tʃi]. Chamamos de pretônica a sílaba que antecede a tônica, logo, o [ta], nesse exemplo, é a sílaba pretônica. A sílaba que sucede a sílaba tônica é chamada de postônica, que no exemplo é a sílaba [tʃɪ]. Como essa é a última sílaba postônica, ela é chamada de postônica final. Vejamos mais dois exemplos, agora da palavra ‘gramática’ e ‘engraçado’, uma proparoxítona e uma paroxítona, respectivamente. Silva (2002) lembra que as vogais orais e nasais na posição postônica final devem ser transcritas como: Quadro 5 - As sílabas do PB quanto a sua tonicidade. Fonte: Elaborado pela autora, 2017. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 13/26 Finalizamos o estudo das vogais do PB, a seguir, daremos início ao estudo das consoantes. Quadro 6 - Transcrições das vogais nasais. Fonte: SILVA, 2002, p. 91. 3.3 O sistema consonantal do PB Já apresentamos a diferença entre as consoantes e as vogais. As vogais são produzidas com livre passagem de ar pelo trato vocal, já na produção das consoantes, sempre há um lugar no qual os articuladores se tocam, produzindo uma constrição na passagem do ar no trato oral. Como as vogais, as consoantes também são classificadas. O professor Joaquim Matoso Câmara Jr. (1904-1970)? Ele foi um dos pioneiros no estudo da Fonética e da Fonologia do português brasileiro. Foneticistas e fonólogos do PB sempre o referenciam em suas pesquisas dada a sua contribuição linguista no estudo da língua portuguesa. Câmara Jr. escreveu uma série de obras sobre sua contribuição e a professora Yonne Leite escreveu o artigo “Joaquim Mattoso Câmara Jr: um inovador”, de 2004, que vale a pena ler. O texto está disponível em: <https://goo.gl/Lu6Xx9 (https://goo.gl/Lu6Xx9)>. VOCÊ O CONHECE? https://goo.gl/Lu6Xx9 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 14/26 Como descrito por Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015), a classificação das consoantes leva em consideração o modo que os articuladores se tocam e como o som é produzido e, também, onde os articuladores se tocam. Logo, as consoantes são classificadas quanto ao modo de articulação, quanto ao ponto de articulação e quanto ao vozeamento. É o que veremos a seguir. 3.3.1 Classificação das consoantes quanto ao modo de articulação Quanto ao modo de articulação, as consoantes podem ser classificadas como oclusivas, fricativas, nasal, lateral, africada, vibrante, tepe e retroflexa (CALLOU; LEITE, 2001; SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015; SILVA, 2002). a) Oclusivas – são também chamadas de plosivas. Essas consoantes são produzidas com uma obstrução total ou parcial da cavidade oral, retendo o fluxo de ar na cavidade oral, que depois é solto abruptamente, dando a impressão de uma pequena explosão. As consoantes plosivas são [p], [b], [t], [d], [k] e [g]; b) Fricativas – são consoantes produzidas com um estreitamento da passagem de ar na cavidade oral, formando uma oclusão parcial, fazendo que a passagem do ar gere um ruído de fricção. As consoantes fricativas são [f], [v], [s], [z], [ ʃ], [ʒ], [x]. Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 73) lembram que o [s] e o [z] podem ser chamados de sibilantes e [ʃ] e [ʒ] de chiantes, por isso se diz que os florianopolitanos falam chiando; c) Africadas – Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 74) descrevem essas consoantes como sendo “produzidas com uma oclusão total e momentânea do fluxo de ar, seguida de um estreitamento do canal bucal, gerando um ruído de fricção, logo após o relaxamento da oclusão”. Esta é uma combinação entre a oclusão e a fricção. As consoantes oclusivas são o [tʃ] e o [dʒ], como em ['tʃiɐ] e ['dʒiɐ]; d) Nasais – são consoantes produzidas com uma produção total ou parcial da cavidade oral, havendo o escape do ar pela cavidade nasal. Mendonça (2017) e Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015) relataram que, para a produção dessas consoantes, é necessário o abaixamento do véu palatino para que o ar possa sair pelo nariz. As consoantes nasais do PB são o [m], [n] e o [ɲ]; 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 15/26 e) Lateral – são consoantes produzidas com a elevação da língua, que pode ser pronunciada com a ponta da língua tocando os alvéolos ou com o corpo da língua tocando o palato duro (ver Fig. 3). As consoantes laterais do PB são o [l] e o [ʎ]. Pode haver uma outra consoante lateral cuja constrição se dá na região velar, que é o [ϯ], quando está em final de sílaba, como na palavra ['saϯ]; f) Vibrante – antes de falarmos sobre essa consoante, faremos um pequeno exercício: passe a ponta da sua língua nos alvéolos, a região entre os dentes incisivos superiores e a gengiva. Você sentiu uma pequena proeminência na região alveolar entre os dentes incisivos superiores? Muito bem! As vibrantes são consoantes produzidas com rápidas oclusões da língua nessa região alveolar. A consoante [r] (farra) pode se realizada com uma série de vibrações da ponta da língua na região pós-alveolar. Silva (2002) usa o símbolo [ř] para o mesmo som. Existe outra vibrante, que é a uvular, realizada com uma vibração do dorso da língua, na região da úvula (conhecida por campainha) nofinal do palato mole. Esse som é representado pelo símbolo [ʀ], como na palavra ['poʀtɐ]; g) Tepe – é uma consoante produzida com uma constrição total e rápida do fluxo de ar na cavidade oral. Diferencia-se da vibrante, pois a constrição é única, e não várias, como ocorre com as vibrantes. Ele é representado por [ɾ] em palavras como porta ['pɔɾtɐ] ou prato ['pɾatʊ]. Veja que repetimos o mesmo exemplo da palavra porta no item anterior. A repetição foi proposital, pois a intenção é mostrar a você, aluno (a), as diversas possibilidades de realização de um mesmo som; h) Retroflexa – é o famoso r caipira. É realizado com o levantamento e encurvamento da ponta da língua em direção ao palato duto. É simbolizado por [ɻ] e aparece em final de sílabas ou palavras como em corte ['kɔɻtɪ] ou catar [ka'taɻ]. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 16/26 Há um site muito importante na área da fonética de da fonologia elaborado pelo grupo de pesquisadores coordenado pela professora Thaís Cristófaro Silva, professora de Fonética e Fonologia do curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. Lá você verá e ouvirá todos os sons do PB que estamos descrevendo aqui. Isso vai ajudar você a tirar algumas dúvidas. Acesse: <http://www.fonologia.org/ (http://www.fonologia.org/)>. Vamos estudar agora o segundo critério de classificação das consoantes, que é o ponto de articulação. 3.3.2 Classificação das consoantes quanto ao ponto de articulação Um outro critério de classificação das consoantes é quanto ao ponto de articulação ou modo de articulação. Essa classificação diz respeito ao lugar onde ocorre a constrição para a produção da consoante, ou seja, o local em que dois articuladores entram em contato. Silva (2002) diz que o português é uma das línguas românicas mais ricas no que tange ao inventário fonético. Na Figura a seguir podemos ver todos os pontos de articulação e juntamente com os segmentos sonoros. VOCÊ QUER LER? http://www.fonologia.org/ 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 17/26 A partir de agora, vamos conceituar um a um os pontos de articulação, no sentido anteroposterior da articulação. a) Bilabiais – as consoantes bilabiais são aquelas produzidas com a junção do lábio superior com o inferior. Os sons bilabiais são [p, b, m]. Esses sons são realizados com o estreitamento dos lábios; b) Labiodentais – as consoantes labiodentais são produzidas quando o lábio inferior toca os dentes incisivos superiores. As consoantes labiodentais são o [f, v]; Figura 4 - Classificação das consoantes segundo o ponto de articulação. Fonte: SEARA; NUNES; LAZZAROTTO- VOLCÃO, 2015, p. 77. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 18/26 c) Dental – essas consoantes também são chamadas de alveolares. Para serem produzidas, a ponta da língua, que é articulador ativo, eleva e faz uma constrição tocando nos alvéolos dos dentes anteriores (articuladores passivos). As consoantes [t, d, z, l, n, r, ɾ] são alveolares; d) Alveolopalatal – essas consoantes, que também podem ser chamadas de palato- alveolar, são produzidas quando a parte anterior da língua se dirige para a região do meio do palato duro. São alveolopalatais as consoantes [ʃ, ʒ, tʃ, dʒ]; e) Palatal – são consoantes produzidas com a parte média da língua tocando ou se encaminhado na direção do palato duro. São consoantes palatais [ɲ, ʎ]; f) Retroflexa – Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015) definem a consoante retroflexa aquela realizada com uma retração da ponta ou da lâmina da língua em direção ao palato duro, que é o caso do r caipira [ɻ] que aparece no final de sílabas, como em ['tɔɻtɐ] – torta; g) Velar – consoante realizada com a constrição do dorso da língua com a região velar, também conhecida por palato mole. Se você fizer a experiência de arrastar a ponta da sua língua dos alvéolos até o final, no sentido das suas amígdalas, você vai tocar numa região macia, essa é a região do palato mole. Os sons [k, g] são velares. Mas também temos o [x], como na palavra ‘roda’ transcrita como ['xɔdɐ] e o [ɣ], como na palavra morto, transcrita como ['moɣtʊ], que são realizações velares do som ‘r’. Essas são variações dialetais. Logo à frente retomaremos essas variações; h) Uvular – consoante realizada com a constrição do dorso da língua na região uvular, mais posterior um pouco do que na região velar (Fig. 5). Também são realizações possíveis do som ‘r’, como na palavra ‘roda’ transcrita como ['χɔdɐ] e na palavra ‘morto’ transcrita como ['moᴚtʊ]; i) Glotal – Seara, Nunes e Lazzarotto-Volcão (2015, p. 78) descrevem que esse som é realizado com uma constrição na área da glote (Fig. 5). São os sons mais posteriorizados da língua portuguesa. Eles também são variações da pronúncia do 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 19/26 ‘r’. Os símbolos para esse fonema são o [h], utilizado no início de sílabas, como na palavra ‘roda’ transcrita como ['hodɐ], e o símbolo [ɦ] utilizado no final de sílabas, como na palavra ['moɦtʊ]. Na sequência veremos o último critério de classificação das consoantes, que é o vozeamento. 3.3.3 Classificação das consoantes segundo o vozeamento O vozeamento diz respeito à vibração ou não das pregas vocais durante a sua produção (Fig. 2). Segundo esse critério, as consoantes podem ser surdas ou sonoras. Vejamos a definição: a) consoantes surdas ou não vozeadas – são aquelas produzidas sem a vibração das pregas vocais. As consoantes surdas do PB são [p, f, t, s, ʃ, tʃ, k, x, χ, h]; b) consoantes sonoras ou vozeadas – são aquelas produzidas com a vibração das pregas vocais. As consoantes sonoras do PB são [b, m, v, d, n, r, ɾ, z, l, ɹ, ʒ, dʒ, ɻ, ʎ, j, g, ɣ, w ʀ, ᴚ, ɦ]. Callou; Leite (2001) e Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015) colocam as semivogais no grupo das consoantes. O [i] é uma palatal e o [w] é uma velar. O quadro a seguir é uma representação sucinta das consoantes do PB segundo as suas classificações. Esse é o inventário fonético do PB. Cada língua vai apresentar o seu. A seguir, vamos aprofundar o estudo das possíveis variações na fala do 'r' e do 'rr'. Figura 5 - Classificação das consoantes do PB de acordo com o ponto e o modo de articulação. Fonte: SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015, p. 79. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 20/26 3.3.4 Considerações sobre a variação do ‘erres’ e dos ‘esses’ Você percebeu que, quando começamos a aprofundar o inventário fonético do PB apareceram muitas variações dos sons 'r' e do 'rr'? Essas variações são consideradas de idioletos, ou seja, variações individuais na fala. Esses sons são chamados de róticos. Independentemente da pronúncia do som, isso não muda o significado da palavra. Silva (2002), faz um apanhado de como esses sons podem ser representados foneticamente, levando em consideração seu lugar dentro da palavra e o dialeto: O mesmo pode acontecer com a pronúncia dos "esses" quando eles se encontram no final de sílabas ou no final de palavras, como na palavra "pasta" e "meninos". Dependendo do idioleto, o 's' pode ser pronunciado como [s, ʃ, z]. Agora que foi apresentado a você todo o inventário das consoantes do PB, vamos retomar todas as consoantes apresentadas com sua classificação completa, com exemplos e com transcrição fonética (SILVA, 2002; SEARA; NUNES; LAZZAROTTO- VOLCÃO, 2015). Você também poderá escutá-las no podcast do livro. Figura 6 - As diversas pronúncias do ‘r’ no PB. Fonte: SILVA, 2002, p. 51. 15/09/2023,11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 21/26 Note que repetimos algumas palavras nos exemplos. Fizemos isso de propósito para que você perceba que, dependendo da pronúncia, a transcrição muda. Um pequeno vídeo que ensina a articulação de cada som do português? O vídeo não contempla todas as variações dos ‘erres’, mas ele ajuda a entender a pronúncia do fone. Quando não se conhece a fonética, na hora de pronunciar uma consoante, pronuncia-se como se fosse no alfabeto, mas não é assim na fonética. A consoante oclusiva bilabial surda [p] não é pronunciada 'pa', ela é só [p]. O vídeo vai ajudar você no aprendizado da pronúncia das vogais e das consoantes. Acesse: <www.youtube.com/watch? v=pMhHlfZqAYY&t=19s (http://www.youtube.com/watch?v=pMhHlfZqAYY&t=19s)>. Quadro 7 - Classificação das consoantes do PB. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015. VOCÊ QUER VER? http://www.youtube.com/watch?v=pMhHlfZqAYY&t=19s 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 22/26 Como você observou, a lista de sons que compõe a língua portuguesa é bastante rica. Essa riqueza, muitas vezes, dificulta o aprendizado do português falado por um estrangeiro e também pode dificultar as próprias crianças falantes do português na hora de aprender a escrever. Na próxima seção veremos o que pode dificultar as crianças no aprendizado da escrita. 3.4 Os pares mínimos do PB Nós vimos nesse capítulo que uma das classificações das consoantes do PB diz respeito ao vozeamento, que está relacionado à vibração das pregas vocais. Se há vibração, a consoante é chamada de surda, se não há é chamada de sonora. Olhe novamente o quadro no qual apresentamos todas as consoantes do PB com seu nome. Veja que há consoantes que são praticamente idênticas, mudando somente quanto ao vozeamento. Veja esse exemplo: Consoante fricativa labiodental surda [f] – faca Consoante fricativa labiodental sonora [v] – vaca Somente pelo detalhe do vozeamento essas consoantes são distintas. Esses pares de consoantes que se diferenciam somente pela vibração das pregas vocais são chamadas de pares mínimos (SILVA, 2002). Os pares mínimos do PB são: 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 23/26 Você deve estar se perguntando: qual a razão faz com que os pares mínimos dificultem a aprendizagem da língua escrita? Abaurre; Fiad; Mayrink-Sabinson (1997) lembram que, para aprender a escrever, as crianças se apoiam na fala. Elas ficam silabando, falando cada letra que compõe a palavra na hora de escrever. Porém, há um detalhe: ela faz isso, geralmente, sussurrando. Se você conhece alguma criança que está aprendendo a escrever, observe como ela faz. Na voz sussurrada não há vibração das pregas vocais, isso faz com que a criança confunda os pares mínimos na escrita, trocando as letras na hora de escrever. CASO Gustavo é um menino de 8 anos e está no segundo ano do Ensino Fundamental. Gustavo é um menino saudável, feliz, interage com as crianças. Os pais estão sempre na escola conversando com a professora, são muito interessados. Porém, a professora tem observado que, na escrita, Gustavo tem trocado algumas letras. Se a palavra é ‘fada’ ele escreve ‘vada’, se a palavra é ‘azul’ ele escreve ‘asul’, se ‘geladeira’, ele escreve ‘cheladeira’. Os pais estão muito preocupados e estão até achando que o menino tem alguma dificuldade de aprendizagem. Eles conversaram com a professora, que ainda não tem muita experiência na área. A professora levou o caso para a supervisora da escola. Como a supervisora já tem muita experiência no campo da alfabetização, explicou para professora que, provavelmente, isso está acontecendo porque a criança está falando baixinho os sons na hora de escrever. Isso vai se resolver facilmente se Quadro 8 - Os pares mínimos do PB. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em SILVA, 2002. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 24/26 a professora e os pais, em casa, na hora da tarefa, forem falando as palavras em voz normal. Naturalmente, a criança vai começar a diferenciar os sons e vai arrumar a escrita. Não deu outra! Com o tempo, Gustavo foi percebendo os sons e suas diferenças, escrevendo ortograficamente correta as palavras e frases, associando os sons às suas respectivas letras. Terminamos aqui mais um capítulo. Você deve ter achado que a Fonética é cheia de detalhes. Você tem razão. É assim mesmo. Porém, aprofunde seus conhecimentos, pois ela é uma área cheia de possibilidades, de aplicações em sala de aula. Síntese A língua portuguesa, como todas as línguas, é formada por vogais e consoantes, que é chamado de inventário. Cada língua tem seu inventário fonético e se diferenciam por ele. O português, das línguas de origem românica, é uma das mais ricas no que se refere à quantidade de sons e, neste capítulo vimos sobre os fonemas do PB. Neste capítulo, você teve a oportunidade de: verificar que, no sistema da fala do PB, existem sete vogais orais e cinco nasais; entender que as vogais são classificadas quanto à altura da língua, quanto à anteriorização ou posteriorização da língua e quanto ao arredondamento dos lábios; entender que o PB tem vogais tônicas e átonas; compreender que todas as vogais são vozeadas; entender que as vogais podem formar ditongos crescentes ou decrescentes e ainda tritongos; entender que as consoantes são classificadas quanto ao modo e ao ponto de articulação. Ainda há uma outra classificação que diz respeito à vibração das pregas vocais, que é o vozeamento; evidenciar que existem pares de consoantes que se distinguem somente quanto ao vozeamento, elas são chamadas de pares mínimos; compreender que a pronúncia dos ‘erres’ do português varia de acordo com o idioleto do falante, bem como os ‘esses’. É preciso prestar muita atenção na hora de fazer a transcrição fonética dos ‘erres’ e ‘esses’. 15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=OxtwbFJ5trZdmjb8ciacTg%3d%3d&l=fLwjRKvaLpv5lep4Wu3ebw%3d%3d&cd=mLgurlEnd… 25/26 Referências bibliográficas ABAURRE, M. B. M.; FIAD, R. S.; MAYRINK-SABINSON, M. L. T. Cenas de aquisição da escrita: o sujeito e o trabalho com o texto. São Paulo: Mercado de Letras, Associação de Leitura do Brasil, 1997. ALFAEBETO. Os 31 fonemas da língua portuguesa. Youtube, out. 2010. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=pMhHlfZqAYY&t=19s (https://www.youtube.com/watch?v=pMhHlfZqAYY&t=19s)>. Acesso em: 13/12/2017. BARBOSA, P. A.; MADUREIRA, S. Manual de Fonética Acústica Experimental. Aplicações a Dados do Português. São Paulo SP: Cortez Editora, 2015. CALLOU, D.; LEITE, Y. Iniciação à fonética e à fonologia. Rio de Janeiro: J. Zahar, 2001. CÂMARA JR., J. Estrutura da Língua Portuguesa. 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