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15/09/2023, 11:56 Fonética e Fonologia
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FONÉTICA E FONOLOGIA
CAPÍTULO 3 - DO QUE TRATA A
FONÉTICA?
Clara Simone Ignácio de Mendonça
INICIAR
Introdução
Você já pensou como a fala é produzida? Você já prestou atenção no movimento que
sua boca, sua língua e seus lábios realizam para que você emita os sons da fala?
Você já pensou que se não houvesse uma corrente de ar egressiva, aquela que sai
dos pulmões, não haveria fala? Pois é sobre isso que vamos falar neste capítulo. A
proposta desse estudo é aprofundar os conhecimentos da área da fonética. Durante
o desenvolvimento desse capítulo, o estudante verá detalhes anatômicos do
aparelho fonador no que se refere às estruturas responsáveis pela emissão dos sons
de uma língua. Analisaremos, com mais detalhes, os sons que fazem parte da língua
portuguesa, classificando-os segundo as estruturas do aparelho fonador. Veremos,
também, as vogais que fazem parte da língua portuguesa, caracterizando-as, bem
como as consoantes. Por fim, vamos analisar o que são pares mínimos e suas
implicações no aprendizado da nossa língua. Esse capítulo se concentrará na
fonética articulatória. Preparem-se para uma discussão acerca da constituição
anatômica das estruturas articulatórias da face do ser humano.
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3.1 A produção da fala e a fonética
articulatória
Nessa seção apresentaremos a você como ocorre a produção da fala. Analisaremos
as estruturas anatômicas envolvidas com a produção do ato da fala, algo tão natural
e característico da nossa espécie. Comecemos pelo aparelho fonador.
O aparelho fonador é formado por estruturas que fazem parte de dois sistemas do
corpo humano: o digestório e o respiratório. Logo, as funções primordiais desses
sistemas são a digestão e a respiração, respectivamente. Devido à evolução, o
homem aprendeu a utilizar alguns órgãos para realizar a fonação (LADEFOGED,
2001):
Na Figura, apresentamos uma visão geral do aparelho fonador. Observe que ele está
dividido em duas regiões: a subglótica e supraglótica. O ponto de divisão é a região
da glote, na laringe, onde se situam as pregas vocais. 
 Figura 1 -
Visão geral do aparelho fonador. Fonte: SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015, p. 39.
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VOCÊ SABIA?
Que os termos anatômicos podem passar por mudanças? Antigamente, as pregas vocais eram
chamadas de cordas vocais. Elas eram chamadas assim por comparação aos instrumentos musicais
de cordas, como os violinos, que produzem sons. Porém, os anatomistas resolveram mudar o seu
nome, pois essas estruturas não são cordas, mas sim pregas dos tecidos que revestem o interior da
laringe. Saiba um pouco mais sobre esse tema visitando o site:
<http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/pregas-vocais.htm
(http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/biologia/pregas-vocais.htm)>.
Na Figura do aparelho fonador, podemos visualizar a região subglótica. Nela, são
nomeadas três estruturas, que são aquelas que participam ativamente da fonação: o
diafragma, os pulmões e a traqueia. Essas são estruturas do sistema respiratório. O
diafragma é um grande músculo sob o qual os pulmões repousam e são
responsáveis, junto com outros músculos, pelo movimento do pulmão de inspiração
(quando ele se enche de ar) e de expiração (quando ele esvazia). Através da
traqueia, que são tubos cartilaginosos, o ar entra e sai do pulmão (LADEFOGED,
2001). A fonação, que é o ato de falar, começa quando a corrente de ar é expulsa dos
pulmões pela expiração. 
VOCÊ SABIA?
Que há uma fonação que é feita com o ar ingressante no pulmão? Essa é a chamada fonação reversa.
A voz resultante dessa fonação não tem projeção. Ela é utilizada na terapia vocal. Algumas
patologias de voz podem utilizar dessa técnica para tratamento. Porém, é o Fonoaudiólogo que vai
saber avaliar quando essa técnica pode ser utilizada.
Na região supraglótica encontramos a glote e os articuladores. É na glote, uma
região da laringe (Figura do aparelho fonador), o local onde se situam as pregas
vocais. As pregas vocais podem assumir duas posições: abertas ou fechadas (Figura
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a seguir). As pregas vocais fecham durante a fonação. O ar faz com que elas vibrem
quando sai dos pulmões e encontra as pregas vocais fechadas e essa vibração
resulta num som, que é a voz: 
Na cabeça encontramos os principais articuladores, que são aquelas estruturas que
se movimentam e se tocam para que os sons da fala sejam produzidos. Os
articuladores envolvidos para a produção dos sons da língua portuguesa se
localizam na cavidade oral. Porém, existem línguas que apresentam sons
produzidos bem atrás do palato mole, quase na faringe.
As estruturas que participam na realização dos sons da fala são chamadas de
articuladores. Existem os articuladores fixos, ou seja, aqueles que não se
movimentam, que são os dentes, os alvéolos dentais e o palato duro, e os
articuladores móveis, que são os lábios, a língua, o palato mole e a mandíbula. A
língua é um dos órgãos da cavidade oral mais ativo na produção dos sons de uma
língua. Ela divide-se em três regiões: a ponta, o dorso e a raiz.
A cavidade nasal não é um articulador e sim um ressoador, mas é muito importante
na produção dos sons nasais (MENDONÇA, 2017).
 Figura 2 - As pregas vocais e a laringe.
Fonte: OLIVEIRA, 2013.
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Os articuladores, como já mencionado, estão envolvidos na produção dos fones da
fala. Por exemplo, para falar o fone [l] é preciso tocar com a ponta da língua na
região logo atrás dos dentes, os alvéolos. Os sons da fala são classificados de acordo
com os articuladores que se envolvem na sua produção e de acordo com o
movimento desses articuladores.
A fala é produzida com o auxílio de todas essas estruturas que apresentamos acima.
Ela inicia-se com a corrente de ar que sai dos pulmões, passando pela traqueia até
chegar à laringe. Lá, a pressão do ar faz vibrar as pregas vocais e o som é produzido.
A onda sonora produzida na laringe (onde estão as pregas vocais) viaja, juntamente
com a corrente de ar, até a cavidade oral. Lá, os sons orais vão ser moldados com o
auxílio dos articuladores fixos e móveis, de modo que o som, juntamente com o
fluxo de ar sai pela boca. No caso dos sons nasais, o fone também é moldado pelos
articuladores móveis e fixos, porém, o ar escapa pelo nariz, juntamente com as
ondas sonoras.
 Figura 3 -
Os articuladores e o nariz. Fonte: MENDONÇA, 2017, p. 50.
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Há mais um detalhe na produção dos sons de uma língua que precisa ser
considerado: a movimentação das pregas vocais. Primeiro, é importante entender
que o controle motor de todas as estruturas que produzem o som da fala é
extremamente complexo, por esse motivo é que a criança demora um tempinho
para aprender a falar. Ela precisa aprender como controlar o movimento de todos os
articuladores. O balbucio, que ocorre nos primeiros meses de vida, faz parte desse
aprendizado.  
Há sons nos quais as pregas vocais vibram, os chamados sons sonoros. Há sons nos
quais as pregas vocais não vibram, os chamados sons surdos. O par de fones [p] e [b]
são quase idênticos, aúnica diferença entre eles é que no [p] não há vibração das
pregas vocais e no [b] as pregas vocais vibram. As vogais, por sua vez, são todas
sonoras. Essa é uma das classificações dos sons: surdo ou sonoro. Existem outras,
quais veremos mais adiante.
O livro “Como falam os brasileiros” (2002), de autoria das professoras Dra. Yonne Leite e Dinah Callou? As
autoras são pesquisadoras renomadas na área de Fonética e Fonologia e se esmeram para que o leitor
entenda as variações fonéticas do nosso PB, oferecendo um panorama do falar culto carioca, gaúcho,
paulista, baiano e pernambucano. É uma obra que explica a variação linguística, oferecendo uma
interface entre a fonética e a sociolinguística.
Você sabe, desde que começou a estudar, que na língua temos as vogais e as
consoantes. Você sabe qual a diferença entre esses dois grupos de sons? Agora que
você já estudou os articuladores, fica fácil diferenciá-los. Pare por um instante a
leitura desse texto e faça o pequeno exercício de falar em voz alta as vogais do
português e algumas consoantes, prestando bem atenção no modo como elas são
pronunciadas. Quando falamos as vogais, nossos lábios e nossa língua se
movimentam. No [a], por exemplo, a língua fica bem abaixada e os lábios estirados.
No [u] a língua sobe e os lábios ficam arredondados, mas os lábios nunca se tocam
nem a língua toca em lugar nenhum na boca. Diferente da consoante [l], por
exemplo, quando a língua toca atrás dos dentes, nos alvéolos. Quando um órgão
articulatório toca no outro a fonética chama isso de constrição. A diferença entre as
VOCÊ QUER LER?
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vogais e as consoantes é justamente essa, ou seja, na produção das vogais, o ar
passa livremente pelos órgãos articulatórios, na produção das consoantes, sempre
há uma constrição.
No português do Brasil temos as seguintes vogais e consoantes, como você pode ver
a seguir:
A partir de agora estudaremos as vogais e as consoantes detalhadamente,
começando pelas vogais.
Quadro 1 - Os fonemas do português brasileiro. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em SILVA, 2009.
3.2 O sistema vocálico do português
brasileiro (PB)
Quando pensamos nas vogais do português, nos vêm à cabeça as 5 vogais a, e, i, o,
u. Contudo, essas vogais são do sistema de escrita. No sistema de fala do PB, temos
sete vogais orais e cinco nasais. Não confunda o sistema oral com o escrito! Vejamos
as vogais do português brasileiro (PB).
Como mostrado acima, as vogais se diferenciam das consoantes, pois as vogais são
produzidas sem nenhuma constrição dos órgãos fonoarticulatórios. Câmara Jr
(1970, p. 31), foi um dos primeiros a representar as vogais do PB num esquema
triangular, que é utilizado pelos linguistas até hoje. No quadro a seguir
apresentamos a classificação das vogais tônicas e átonas orais proposta pelo
pesquisador.
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Quanto às vogais nasais, não há um consenso entre os pesquisadores do PB de que
realmente teríamos vogais nasais. Essa é uma discussão muito complexa e polêmica
(MENDONÇA, 2017). Considerando que o leitor desse texto é iniciante nos estudos
fonéticos, vamos adotar, para efeitos didáticos, que existem consoantes nasais no
PB e elas são cinco: /ã/, /ẽ/, /ĩ/, /õ/, /ũ/. Essas vogais são produzidas com parte do ar
escapando pelo nariz, conferindo assim o efeito de nasalidade dessas vogais.
Para a produção das vogais, não há constrição, mas há movimento e vibração das
pregas vocais em todas elas. Já falamos isso no início de texto, mas é importante
frisar novamente. Por isso, as vogais podem ser classificadas de acordo com o
movimento da língua e dos lábios. Segundo Silva (2002), Seara; Nunes; Lazzarotto-
Volcão (2015), Barbosa; Madureira (2015), as vogais podem ser classificadas: (i)
segundo a altura do corpo da língua, que é o movimento no plano vertical; (ii)
segundo a anterioridade/posterioridade da língua, que é o movimento no plano
horizontal; (iii) segundo o arredondamento dos lábios. Vejamos agora, essa
classificação detalhadamente.
1) Se você tentar pronunciar nossas vogais /a/, /e/, /ɛ/ (como em pé), /i/, /ɔ/ (como
em pó), /o/ e /u/, perceberá que a língua faz um movimento na vertical. Segundo a
altura (ver Fig. 4), Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 64) lembram que elas
podem ser:
a) Vogais altas: São aquelas produzidas com a língua mais elevada, de modo
que a passagem de ar fica mais limitada, pois a língua chega bem perto do
palato. As vogais /i/ e /u/ são altas, tanto tônica quanto átona, bem como as
suas contrapartes nasais /ĩ/ e /ũ/.
 Quadro 2 -
Vogais orais tônicas e átonas do PB. Fonte: CÂMARA JR., 1970, p. 33.
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b) Vogais médias-alta: São vogais também produzidas com uma elevação do
corpo da língua, porém não tão alta como as vogais altas. Temos duas vogais
orais médias alta /e/ e /o/ tanto em contexto tônico quanto átono, e duas
nasais /ẽ/ e /õ/ .
c) Vogais médias-baixa: Na produção dessas vogais a língua está mais
abaixada, mas não encosta no soalho da boca. Temos somente duas vogais
orais nessa categoria: /ɛ/ e /ɔ/. Não há contraparte nasal para essas vogais no
PB.
d) Vogal baixa: São vogais produzidas com o corpo da língua bem abaixado. A
vogal /a/ tanto em posição tônica quanto átona são baixas, bem como sua
contraparte nasal /ã/ tônica ou átona.
2) Na produção das vogais, segundo Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 64), a
língua pode estar mais anteriorizada (para frente) ou mais posteriorizada (para trás).
Segundo a posição da língua (ver Fig. 4), as vogais podem ser classificadas:
a) Anterior: Essas vogais são realizadas com uma projeção da língua na
direção dos dentes anteriores. São as vogais /e/, /ɛ/, e /i/ orais tônicas e
átonas, e as vogais nasais /ẽ/ e /ĩ/. 
b) Posterior: Vogais que são realizadas com a língua mais recuada. São as
vogais /o/, /ɔ/ e /u/ tônicas e átonas, e, somente, as vogais nasais /õ/ e /ũ/ .
c) Central: São vogais realizadas com a língua em posição neutra, nem muito
para frente, nem muito para trás. A vogal /a/ tônica ou átona e sua
contraparte nasal /ã/, também tônica ou átona, são vogais centrais.
3) Outro critério de classificação das vogais é quanto ao movimento dos lábios, que
chamamos arredondamento. Veja que um /u/ é mais arredondado do que o /i/. Na
verdade o /i/ não é nada arredondado! Segundo o arredondamento, Seara; Nunes;
Lazzarotto-Volcão (2015, p. 64) apontam que as vogais podem ser classificadas em:
a) Arredondadas: São aquelas vogais pronunciadas com arredondamento dos
lábios. São as vogais /o/, /ɔ/ e /u/, tônicas ou átonas, bem como as nasais /õ/
e /ũ/ tônicas ou átonas.
b) Não-arredondadas: São aquelas vogais pronunciadas com os lábios mais
estirados. São as vogais /i/, /ɛ/, /e/ e /a/, tônicas ou átonas, bem com as
contrapartes nasais /ĩ/, /ẽ/ e /ã/.
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Agora que já apresentamos a classificação, veja todas as vogais do PB no quadro a
seguir, devidamente classificadas e exemplificadas segundo sua transcrição
fonética:
Na sequência veremos os ditongos e tritongos do PB, formados a partir da
combinação das vogais dessa língua.
3.2.1 Ditongos
Os ditongos são encontros vocálicos, mas que, segundo o conceito de Massini-
Cagliari (2001) e Cagliari (2001), mudam de qualidade durante a sua execução,
podendo ser tratados como uma sequência de segmentos. Um deles é sempre uma
 Quadro 3 - As vogais do PB,
classificação, exemplos e transcrição fonética. Fonte: Elaborado pelaautora, baseado em SEARA;
NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015.
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vogal e o outro uma semivogal ou glide (['glaidɪ]), dependendo do autor. Enquanto
que Silva (2002) utiliza o termo glide, Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 66)
utilizam o termo semivogal: 
No PB, atesta-se a ocorrência de encontros de dois ou três segmentos
vocálicos, aos quais de dão respectivamente os nomes de ditongos e
tritongos, formados, em geral, pelas vogais altas anterior [i] e posterior [u].
Quando essas vogais ocupam as posições periféricas da silaba, são chamadas
de semivogais e apresentam menor proeminência acentual se comparadas
com as vogais que elas acompanham.
A semivogal alta anterior pode ser representada pelos símbolos [j], [y] ou [ɪ̯] e a alta
posterior por [w] ou [ʊ̯]. A palavra ‘boi’, por exemplo, pode ser transcrita como ['boj]
ou ['boɪ̯]. Temos adotado nesse capítulo os símbolos [j] ou [w] para as semivogais e
deixamos os símbolos [ɪ] e [ʊ] para as vogais átonas.
Os ditongos podem ser crescentes ou decrescentes. Quando crescentes, eles são
formados por uma sequência de semivogal e uma vogal, e quando decrescentes,
eles são formados por uma sequência de vogal e semivogal. Vejamos abaixo os
ditongos decrescentes e crescentes, orais e nasais:
 Quadro 4 - Os
ditongos do PB. Fonte: Elaborado pela autora, baseado em SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO,
2015.
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A transcrição dos ditongos costuma causar bastante confusão por causa da
ortografia. Veja o exemplo da palavra ‘jornal’, cuja possibilidade de transcrição é
[ʒoX'naw]. O ‘l’ funciona como a semivogal [w].
Vejamos a seguir, os tritongos.
3.2.2 Tritongos
Os tritongos são encontros vocálicos de três segmentos, uma vogal e duas
semivogais. Vejamos, por exemplo, a palavra Uruguai. Ao pronunciá-la percebemos
que a vogal [a] se destaca e, nesses casos, a transcrição fica [uɾu'gwaj].
3.2.3 Tonicidade das vogais
De um modo geral, costumamos chamar de sílaba tônica aquela na qual recai o
acento da palavra, mesmo que na grafia não haja a marcação do acento, como na
palavra tapete, que pode ser transcrita [ta.'pe.tʃɪ]. Na palavra exemplificada,
podemos encontrar mais duas sílabas, além da tônica [pe], uma antes dela, a sílaba
[ta], e outra depois dela, a sílaba [tʃi]. Chamamos de pretônica a sílaba que antecede
a tônica, logo, o [ta], nesse exemplo, é a sílaba pretônica.
A sílaba que sucede a sílaba tônica é chamada de postônica, que no exemplo é a
sílaba [tʃɪ]. Como essa é a última sílaba postônica, ela é chamada de postônica final.
Vejamos mais dois exemplos, agora da palavra ‘gramática’ e ‘engraçado’, uma
proparoxítona e uma paroxítona, respectivamente.
Silva (2002) lembra que as vogais orais e nasais na posição postônica final devem ser
transcritas como:
 Quadro 5 - As sílabas
do PB quanto a sua tonicidade. Fonte: Elaborado pela autora, 2017.
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Finalizamos o estudo das vogais do PB, a seguir, daremos início ao estudo das
consoantes.
 Quadro 6 - Transcrições
das vogais nasais. Fonte: SILVA, 2002, p. 91.
3.3 O sistema consonantal do PB
Já apresentamos a diferença entre as consoantes e as vogais. As vogais são
produzidas com livre passagem de ar pelo trato vocal, já na produção das
consoantes, sempre há um lugar no qual os articuladores se tocam, produzindo uma
constrição na passagem do ar no trato oral. Como as vogais, as consoantes também
são classificadas. 
O professor Joaquim Matoso Câmara Jr. (1904-1970)? Ele foi um dos pioneiros no estudo da Fonética e da
Fonologia do português brasileiro. Foneticistas e fonólogos do PB sempre o referenciam em suas
pesquisas dada a sua contribuição linguista no estudo da língua portuguesa.  Câmara Jr. escreveu uma
série de obras sobre sua contribuição e a professora Yonne Leite escreveu o artigo “Joaquim Mattoso
Câmara Jr: um inovador”, de 2004, que vale a pena ler. O texto está disponível em: <https://goo.gl/Lu6Xx9
(https://goo.gl/Lu6Xx9)>.
VOCÊ O CONHECE?
https://goo.gl/Lu6Xx9
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Como descrito por Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015), a classificação das
consoantes leva em consideração o modo que os articuladores se tocam e como o
som é produzido e, também, onde os articuladores se tocam. Logo, as consoantes
são classificadas quanto ao modo de articulação, quanto ao ponto de articulação e
quanto ao vozeamento. É o que veremos a seguir.
3.3.1 Classificação das consoantes quanto ao modo de articulação
Quanto ao modo de articulação, as consoantes podem ser classificadas como
oclusivas, fricativas, nasal, lateral, africada, vibrante, tepe e retroflexa (CALLOU;
LEITE, 2001; SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015; SILVA, 2002).
a) Oclusivas – são também chamadas de plosivas. Essas consoantes são produzidas
com uma obstrução total ou parcial da cavidade oral, retendo o fluxo de ar na
cavidade oral, que depois é solto abruptamente, dando a impressão de uma
pequena explosão. As consoantes plosivas são [p], [b], [t], [d], [k] e [g]; 
b) Fricativas – são consoantes produzidas com um estreitamento da passagem de
ar na cavidade oral, formando uma oclusão parcial, fazendo que a passagem do ar
gere um ruído de fricção. As consoantes fricativas são [f], [v], [s], [z], [ ʃ], [ʒ], [x].
Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 73) lembram que o [s] e o [z] podem ser
chamados de sibilantes e [ʃ] e [ʒ] de chiantes, por isso se diz que os
florianopolitanos falam chiando;
c) Africadas – Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015, p. 74) descrevem essas
consoantes como sendo “produzidas com uma oclusão total e momentânea do fluxo
de ar, seguida de um estreitamento do canal bucal, gerando um ruído de fricção,
logo após o relaxamento da oclusão”. Esta é uma combinação entre a oclusão e a
fricção. As consoantes oclusivas são o [tʃ] e o [dʒ], como em ['tʃiɐ] e ['dʒiɐ];
d) Nasais – são consoantes produzidas com uma produção total ou parcial da
cavidade oral, havendo o escape do ar pela cavidade nasal. Mendonça (2017) e
Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015) relataram que, para a produção dessas
consoantes, é necessário o abaixamento do véu palatino para que o ar possa sair
pelo nariz. As consoantes nasais do PB são o [m], [n] e o [ɲ]; 
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e) Lateral – são consoantes produzidas com a elevação da língua, que pode ser
pronunciada com a ponta da língua tocando os alvéolos ou com o corpo da língua
tocando o palato duro (ver Fig. 3). As consoantes laterais do PB são o [l] e o [ʎ]. Pode
haver uma outra consoante lateral cuja constrição se dá na região velar, que é o [ϯ],
quando está em final de sílaba, como na palavra ['saϯ]; 
f) Vibrante – antes de falarmos sobre essa consoante, faremos um pequeno
exercício: passe a ponta da sua língua nos alvéolos, a região entre os dentes
incisivos superiores e a gengiva. Você sentiu uma pequena proeminência na região
alveolar entre os dentes incisivos superiores? Muito bem! As vibrantes são
consoantes produzidas com rápidas oclusões da língua nessa região alveolar. A
consoante [r] (farra) pode se realizada com uma série de vibrações da ponta da
língua na região pós-alveolar. Silva (2002) usa o símbolo [ř] para o mesmo som.
Existe outra vibrante, que é a uvular, realizada com uma vibração do dorso da língua,
na região da úvula (conhecida por campainha) nofinal do palato mole. Esse som é
representado pelo símbolo [ʀ], como na palavra ['poʀtɐ];
g) Tepe – é uma consoante produzida com uma constrição total e rápida do fluxo de
ar na cavidade oral. Diferencia-se da vibrante, pois a constrição é única, e não várias,
como ocorre com as vibrantes. Ele é representado por [ɾ] em palavras como porta
['pɔɾtɐ] ou prato ['pɾatʊ]. Veja que repetimos o mesmo exemplo da palavra porta no
item anterior. A repetição foi proposital, pois a intenção é mostrar a você, aluno (a),
as diversas possibilidades de realização de um mesmo som;
h) Retroflexa – é o famoso r caipira. É realizado com o levantamento e
encurvamento da ponta da língua em direção ao palato duto. É simbolizado por [ɻ] e
aparece em final de sílabas ou palavras como em corte ['kɔɻtɪ] ou catar [ka'taɻ].
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Há um site muito importante na área da fonética de da fonologia elaborado pelo grupo de pesquisadores
coordenado pela professora Thaís Cristófaro Silva, professora de Fonética e Fonologia do curso de Letras
da Universidade Federal de Minas Gerais. Lá você verá e ouvirá todos os sons do PB que estamos
descrevendo aqui. Isso vai ajudar você a tirar algumas dúvidas. Acesse: <http://www.fonologia.org/
(http://www.fonologia.org/)>.
Vamos estudar agora o segundo critério de classificação das consoantes, que é o
ponto de articulação.
3.3.2 Classificação das consoantes quanto ao ponto de articulação
Um outro critério de classificação das consoantes é quanto ao ponto de articulação
ou modo de articulação. Essa classificação diz respeito ao lugar onde ocorre a
constrição para a produção da consoante, ou seja, o local em que dois articuladores
entram em contato.
Silva (2002) diz que o português é uma das línguas românicas mais ricas no que
tange ao inventário fonético. Na Figura a seguir podemos ver todos os pontos de
articulação e juntamente com os segmentos sonoros. 
VOCÊ QUER LER?
http://www.fonologia.org/
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A partir de agora, vamos conceituar um a um os pontos de articulação, no sentido
anteroposterior da articulação.
a) Bilabiais – as consoantes bilabiais são aquelas produzidas com a junção do lábio
superior com o inferior. Os sons bilabiais são [p, b, m]. Esses sons são realizados com
o estreitamento dos lábios;
b) Labiodentais – as consoantes labiodentais são produzidas quando o lábio
inferior toca os dentes incisivos superiores. As consoantes labiodentais são o [f, v];
 Figura 4 -
Classificação das consoantes segundo o ponto de articulação. Fonte: SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-
VOLCÃO, 2015, p. 77.
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c) Dental – essas consoantes também são chamadas de alveolares. Para serem
produzidas, a ponta da língua, que é articulador ativo, eleva e faz uma constrição
tocando nos alvéolos dos dentes anteriores (articuladores passivos). As consoantes
[t, d, z, l, n, r, ɾ] são alveolares;
d) Alveolopalatal – essas consoantes, que também podem ser chamadas de palato-
alveolar, são produzidas quando a parte anterior da língua se dirige para a região do
meio do palato duro. São alveolopalatais as consoantes [ʃ, ʒ, tʃ, dʒ];
e) Palatal – são consoantes produzidas com a parte média da língua tocando ou se
encaminhado na direção do palato duro. São consoantes palatais [ɲ, ʎ];
f) Retroflexa –  Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015) definem a consoante
retroflexa aquela realizada com uma retração da ponta ou da lâmina da língua em
direção ao palato duro, que é o caso do r caipira [ɻ] que aparece no final de sílabas,
como em ['tɔɻtɐ] – torta;
g) Velar – consoante realizada com a constrição do dorso da língua com a região
velar, também conhecida por palato mole. Se você fizer a experiência de arrastar a
ponta da sua língua dos alvéolos até o final, no sentido das suas amígdalas, você vai
tocar numa região macia, essa é a região do palato mole. Os sons [k, g] são velares.
Mas também temos o [x], como na palavra ‘roda’ transcrita como ['xɔdɐ] e o [ɣ],
como na palavra morto, transcrita como ['moɣtʊ], que são realizações velares do
som ‘r’.  Essas são variações dialetais. Logo à frente retomaremos essas variações;
h) Uvular – consoante realizada com a constrição do dorso da língua na região
uvular, mais posterior um pouco do que na região velar (Fig. 5). Também são
realizações possíveis do som ‘r’, como na palavra ‘roda’ transcrita como ['χɔdɐ] e na
palavra ‘morto’ transcrita como ['moᴚtʊ];
i) Glotal – Seara, Nunes e Lazzarotto-Volcão (2015, p. 78) descrevem que esse som é
realizado com uma constrição na área da glote (Fig. 5). São os sons mais
posteriorizados da língua portuguesa. Eles também são variações da pronúncia do
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‘r’. Os símbolos para esse fonema são o [h], utilizado no início de sílabas, como na
palavra ‘roda’ transcrita como ['hodɐ], e o símbolo [ɦ] utilizado no final de sílabas,
como na palavra ['moɦtʊ].
Na sequência veremos o último critério de classificação das consoantes, que é o
vozeamento.
3.3.3 Classificação das consoantes segundo o vozeamento
O vozeamento diz respeito à vibração ou não das pregas vocais durante a sua
produção (Fig. 2). Segundo esse critério, as consoantes podem ser surdas ou
sonoras. Vejamos a definição:
a) consoantes surdas ou não vozeadas – são aquelas produzidas sem a vibração das
pregas vocais. As consoantes surdas do PB são [p, f, t, s, ʃ, tʃ, k, x, χ, h];
b) consoantes sonoras ou vozeadas – são aquelas produzidas com a vibração das
pregas vocais. As consoantes sonoras do PB são [b, m, v, d, n, r, ɾ, z, l, ɹ, ʒ, dʒ, ɻ, ʎ, j, g,
ɣ, w ʀ, ᴚ, ɦ]. 
Callou; Leite (2001) e Seara; Nunes; Lazzarotto-Volcão (2015) colocam as semivogais
no grupo das consoantes. O [i] é uma palatal e o [w] é uma velar. O quadro a seguir é
uma representação sucinta das consoantes do PB segundo as suas classificações.
Esse é o inventário fonético do PB. Cada língua vai apresentar o seu.
A seguir, vamos aprofundar o estudo das possíveis variações na fala do 'r' e do 'rr'.
 Figura 5 -
Classificação das consoantes do PB de acordo com o ponto e o modo de articulação. Fonte: SEARA;
NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015, p. 79.
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3.3.4 Considerações sobre a variação do ‘erres’ e dos ‘esses’
Você percebeu que, quando começamos a aprofundar o inventário fonético do PB
apareceram muitas variações dos sons 'r' e do 'rr'? Essas variações são consideradas
de idioletos, ou seja, variações individuais na fala. Esses sons são chamados de
róticos. Independentemente da pronúncia do som, isso não muda o significado da
palavra. Silva (2002), faz um apanhado de como esses sons podem ser
representados foneticamente, levando em consideração seu lugar dentro da palavra
e o dialeto:
O mesmo pode acontecer com a pronúncia dos "esses" quando eles se encontram
no final de sílabas ou no final de palavras, como na palavra "pasta" e "meninos".
Dependendo do idioleto, o 's' pode ser pronunciado como [s, ʃ, z].
Agora que foi apresentado a você todo o inventário das consoantes do PB, vamos
retomar todas as consoantes apresentadas com sua classificação completa, com
exemplos e com transcrição fonética (SILVA, 2002; SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-
VOLCÃO, 2015). Você também poderá escutá-las no podcast do livro.
 Figura 6 - As
diversas pronúncias do ‘r’ no PB. Fonte: SILVA, 2002, p. 51.
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Note que repetimos algumas palavras nos exemplos. Fizemos isso de propósito para
que você perceba que, dependendo da pronúncia, a transcrição muda.
Um pequeno vídeo que ensina a articulação de cada som do português? O vídeo não contempla todas as
variações dos ‘erres’, mas ele ajuda a entender a pronúncia do fone. Quando não se conhece a fonética,
na hora de pronunciar uma consoante, pronuncia-se como se fosse no alfabeto, mas não é assim na
fonética. A consoante oclusiva bilabial surda [p] não é pronunciada 'pa', ela é só [p]. O vídeo vai ajudar
você no aprendizado da pronúncia das vogais e das consoantes. Acesse: <www.youtube.com/watch?
v=pMhHlfZqAYY&t=19s (http://www.youtube.com/watch?v=pMhHlfZqAYY&t=19s)>.
 Quadro 7 - Classificação das consoantes do PB. Fonte: Elaborado
pela autora, baseado em SEARA; NUNES; LAZZAROTTO-VOLCÃO, 2015.
VOCÊ QUER VER?
http://www.youtube.com/watch?v=pMhHlfZqAYY&t=19s
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Como você observou, a lista de sons que compõe a língua portuguesa é bastante
rica. Essa riqueza, muitas vezes, dificulta o aprendizado do português falado por um
estrangeiro e também pode dificultar as próprias crianças falantes do português na
hora de aprender a escrever. Na próxima seção veremos o que pode dificultar as
crianças no aprendizado da escrita.
3.4 Os pares mínimos do PB
Nós vimos nesse capítulo que uma das classificações das consoantes do PB diz
respeito ao vozeamento, que está relacionado à vibração das pregas vocais. Se há
vibração, a consoante é chamada de surda, se não há é chamada de sonora. Olhe
novamente o quadro no qual apresentamos todas as consoantes do PB com seu
nome. Veja que há consoantes que são praticamente idênticas, mudando somente
quanto ao vozeamento. Veja esse exemplo:
 
Consoante fricativa labiodental surda [f] – faca
Consoante fricativa labiodental sonora [v] – vaca
 
Somente pelo detalhe do vozeamento essas consoantes são distintas. Esses pares
de consoantes que se diferenciam somente pela vibração das pregas vocais são
chamadas de pares mínimos (SILVA, 2002). Os pares mínimos do PB são:
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Você deve estar se perguntando: qual a razão faz com que os pares mínimos
dificultem a aprendizagem da língua escrita? Abaurre; Fiad; Mayrink-Sabinson (1997)
lembram que, para aprender a escrever, as crianças se apoiam na fala. Elas ficam
silabando, falando cada letra que compõe a palavra na hora de escrever. Porém, há
um detalhe: ela faz isso, geralmente, sussurrando. Se você conhece alguma criança
que está aprendendo a escrever, observe como ela faz. Na voz sussurrada não há
vibração das pregas vocais, isso faz com que a criança confunda os pares mínimos
na escrita, trocando as letras na hora de escrever.
CASO
Gustavo é um menino de 8 anos e está no segundo ano do Ensino Fundamental. Gustavo é um
menino saudável, feliz, interage com as crianças. Os pais estão sempre na escola conversando com a
professora, são muito interessados. Porém, a professora tem observado que, na escrita, Gustavo tem
trocado algumas letras. Se a palavra é ‘fada’ ele escreve ‘vada’, se a palavra é ‘azul’ ele escreve ‘asul’,
se ‘geladeira’, ele escreve ‘cheladeira’. Os pais estão muito preocupados e estão até achando que o
menino tem alguma dificuldade de aprendizagem. Eles conversaram com a professora, que ainda
não tem muita experiência na área.
A professora levou o caso para a supervisora da escola. Como a supervisora já tem muita experiência
no campo da alfabetização, explicou para professora que, provavelmente, isso está acontecendo
porque a criança está falando baixinho os sons na hora de escrever. Isso vai se resolver facilmente se
 Quadro 8 - Os pares mínimos do PB. Fonte: Elaborado
pela autora, baseado em SILVA, 2002.
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a professora e os pais, em casa, na hora da tarefa, forem falando as palavras em voz normal.
Naturalmente, a criança vai começar a diferenciar os sons e vai arrumar a escrita.
Não deu outra! Com o tempo, Gustavo foi percebendo os sons e suas diferenças, escrevendo
ortograficamente correta as palavras e frases, associando os sons às suas respectivas letras.
Terminamos aqui mais um capítulo. Você deve ter achado que a Fonética é cheia de
detalhes. Você tem razão. É assim mesmo. Porém, aprofunde seus conhecimentos,
pois ela é uma área cheia de possibilidades, de aplicações em sala de aula.
Síntese
A língua portuguesa, como todas as línguas, é formada por vogais e consoantes, que
é chamado de inventário. Cada língua tem seu inventário fonético e se diferenciam
por ele. O português, das línguas de origem românica, é uma das mais ricas no que
se refere à quantidade de sons e, neste capítulo vimos sobre os fonemas do PB.
Neste capítulo, você teve a oportunidade de:
verificar que, no sistema da fala do PB, existem sete vogais orais e cinco
nasais;
entender que as vogais são classificadas quanto à altura da língua, quanto à
anteriorização ou posteriorização da língua e quanto ao arredondamento dos
lábios;
entender que o PB tem vogais tônicas e átonas;
compreender que todas as vogais são vozeadas;
entender que as vogais podem formar ditongos crescentes ou decrescentes e
ainda tritongos;
entender que as consoantes são classificadas quanto ao modo e ao ponto de
articulação. Ainda há uma outra classificação que diz respeito à vibração das
pregas vocais, que é o vozeamento;
evidenciar que existem pares de consoantes que se distinguem somente
quanto ao vozeamento, elas são chamadas de pares mínimos;
compreender que a pronúncia dos ‘erres’ do português varia de acordo com o
idioleto do falante, bem como os ‘esses’. É preciso prestar muita atenção na
hora de fazer a transcrição fonética dos ‘erres’ e ‘esses’.
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