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Tutoria SP 1.3 Mundo estranho. Fase 6


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SP 1.3 – Mundo estranho 
 
Erasmo faz tratamento no CAPS, mas como “não estava bem”, segundo seus familiares, foi 
encaminhado ao PS e ali, frente ao quadro observado, teve indicação de ser internado em 
uma enfermaria psiquiátrica em hospital geral. Lá, durante um grupo terapêutico, resolve, 
depois de dias de silêncio, contar sua história... - Meu nome é Erasmo, tenho 30 anos, sou 
solteiro e tenho poucos amigos... tenho uma vida mais isolada, prefiro ficar só. Nasci assim! 
Uma vez me disseram que era um traço de personalidade. Antes de ser internado, estava há 
20 dias sem sair de casa. Minha mãe falou que eu parecia um andarilho e que minha 
aparência era de descuido total, desde a higiene até a roupa. Parei o remédio há 30 dias, 
pois estava andando “igual a um robô”. Eu sei que eu estou meio desgrenhado e emagrecido. 
Raspei a frente da cabeça por ordem “deles”. Eu não posso falar muito, porque minhas 
palavras estão sendo gravadas por um aparelho colocado estrategicamente em um local 
invisível aos olhos humanos. É a vigilância dos seres extraterrestres! Ultimamente, me visitam 
com intuito experimental e, por isso, eu evito sair de casa. Eu recebo ordens expressas deles, 
pois fui o escolhido dentre todos os seres deste planeta. Eu registro tudo no caderno: quando 
eles usam o “assobiofonógrafo”, o “telementalizador”, o “cosmotranscriptador”. Eu sei que 
eles querem me pegar, estão por toda parte me observando e, se eu não faço o que querem, 
eles me punem pela desobediência! Olha só! Já estão enviando os sinais estroboscópicos! 
Preciso sair daqui!!! Essas luzes me deixam louco!!! Volta para o quarto e não aceita sair da 
cama… 
 
 
Problemas: 
- O paciente está em delírio e alucinação 
- O paciente utiliza termos que não existem 
- Má adesão ao tratamento 
- Efeitos adversos da medicação - “andando igual robô” 
- Embotamento 
- Descuido com aparência 
- Emagrecimento 
- Isolamento devido alucinações 
- Falta de apoio familiar 
 
Hipóteses: 
- O paciente possui Esquizofrenia 
- O paciente possui transtorno bipolar 
- Os colaterais dos medicamentos para esquizofrenia dificultam a continuidade do 
tratamento 
- Os sintomas do paciente pioraram devido a falta de adesão ao tratamento 
- A esquizofrenia pode causar comportamento antissocial 
- A falta de apoio familiar compromete a adesão ao tratamento 
 
 
 
 
 
 
Esquizofrenia 
 
- Definição: 
 
A esquizofrenia é um transtorno mental crônico e grave que afeta a forma como uma pessoa 
pensa, sente e se comporta. É caracterizada por uma série de sintomas psicóticos, que 
envolvem uma desconexão com a realidade. Esses sintomas podem incluir: 
• Alucinações: Percepções falsas, como ouvir vozes ou ver coisas que não estão 
realmente presentes. 
• Delírios: Crenças falsas e irracionais que não são baseadas na realidade, como a 
sensação de estar sendo perseguido ou de possuir habilidades especiais. 
• Desorganização do Pensamento: Dificuldade em organizar o pensamento de maneira 
lógica e coerente, levando a discursos e comportamentos incoerentes. 
• Alterações no Afeto: Emoções que parecem achatadas ou embotadas, com dificuldade 
em expressar sentimentos. 
• Isolamento Social: Dificuldade em manter relacionamentos sociais, o que pode resultar 
em isolamento. 
• Prejuízo no Funcionamento Cotidiano: Dificuldade em executar tarefas diárias, como 
cuidar de si mesmo, trabalhar ou estudar. 
Geralmente, a doença inicia-se na adolescência ou na idade adulta jovem e tende a ser 
crônica, com períodos de recaída e remissão dos sintomas. 
 
- Personalidades pré-mórbidas (personalidade prévia ao diagnóstico de esquizofrenia): 
 
As personalidades pré-mórbidas referem-se às características de personalidade que uma 
pessoa apresentava antes do desenvolvimento da esquizofrenia. Estudos sugerem que 
algumas pessoas com esquizofrenia podem ter características ou traços de personalidade 
específicos que podem ser observados antes do início da doença. São elas: 
• Isolamento Social: Algumas pessoas com esquizofrenia podem ter mostrado tendência 
ao isolamento social antes do início da doença, evitando interações sociais ou tendo 
dificuldades em manter relacionamentos interpessoais. 
• Tendência à Introspecção: Algumas pessoas podem ter demonstrado um padrão de 
pensamento introspectivo, profundamente envolvido em reflexões e pensamentos 
internos, antes do surgimento dos sintomas da esquizofrenia. 
• Ansiedade e Suspeita: Alguns indivíduos podem ter exibido traços de ansiedade, 
suspeita ou desconfiança em relação aos outros, que podem se tornar mais pronunciados 
à medida que a esquizofrenia se desenvolve. 
• Dificuldades Interpessoais: Pode haver sinais de dificuldades nas relações interpessoais, 
como problemas de comunicação ou relacionamentos tensos. 
 
Obs: é importante notar que esses traços/características não são preditivos nem específicos 
para a esquizofrenia. Muitas pessoas que têm essas características não desenvolvem 
esquizofrenia, e muitas pessoas com esquizofrenia não apresentam necessariamente todas 
essas características. Além disso, a esquizofrenia é influenciada por uma combinação 
complexa de fatores genéticos, neurológicos, ambientais e psicossociais. 
 
- Epidemiologia: 
 
A epidemiologia da esquizofrenia envolve o estudo da frequência, distribuição e fatores de 
risco associados a essa doença mental. 
• Prevalência: trata-se de um transtorno mental relativamente raro, afetando cerca de 1% da 
população mundial. Isso significa que, em uma amostra aleatória de pessoas, 
aproximadamente 1 em cada 100 pode desenvolver esquizofrenia ao longo de sua vida. 
(Alguns estudos relatam prevalência do transtorno entre 0,2-0,4% da população geral). 
• Início: geralmente se manifesta no final da adolescência ou no início da idade adulta jovem 
(início precoce), embora possa ocorrer em qualquer idade. O início antes da adolescência 
é raro. 
• A esquizofrenia afeta homens e mulheres igualmente, embora apresente maior gravidade 
entre os homens. Também pode haver diferenças nas idades de início e nos sintomas 
apresentados entre os sexos. 
• A idade de pico do início do primeiro episódio psicótico é entre o início e a metade da faixa 
dos 20 anos para o sexo masculino e fim dos 20 anos para o feminino. O início pode ser 
abrupto ou insidioso, mas a maioria dos indivíduos manifesta um desenvolvimento lento e 
gradativo. 
 - Homens entre 18-25 anos. 
 - Mulheres entre 25-35 anos 
As mulheres também podem apresentar um pico nos sintomas por volta dos 40 anos de 
idade. 
• A doença traz uma importante redução na expectativa de vida, entre 10 e 20 anos, que 
se acentua ao longo dos anos. Estima-se que 10% da mortalidade é por suicídio. 
Entretanto, a principal causa de mortalidade são as doenças cardiovasculares. O 
diagnóstico, tratamento e intervenção precoce são fundamentais para melhorar os 
resultados e a qualidade de vida. 
• Fatores Ambientais: estresse, trauma, consumo de substâncias psicoativas e falta de apoio 
social também podem contribuir para o desenvolvimento/piora do quadro da doença. 
• Pacientes esquizofrênicos frequentemente têm comorbidades médicas e psiquiátricas, 
incluindo depressão, transtorno bipolar, transtornos de ansiedade e abuso de substâncias. 
• Recidiva e Remissão: apesar de ser uma condição crônica, os sintomas podem variar ao 
longo do tempo. Alguns pacientes experimentam períodos de remissão, nos quais os 
sintomas são menos pronunciados, seguidos por recaídas. 
• Fatores Genéticos: Estudos demonstraram que a esquizofrenia tem uma predisposição 
genética, o que significa que pessoas com histórico familiar da doença têm um risco 
aumentado: 
- Irmãos gêmeos: irmãos monozigóticos são geneticamente 100% idênticos, enquanto os 
dizigóticos compartilham em média 50% de seus genes. A probabilidade de desenvolver 
esquizofrenia é decerca de 50% quando um irmão gêmeo monozigótico é afetado, 
enquanto para gêmeos dizigóticos, essa probabilidade é da ordem de 15%. Estudos 
também destacam a influência do ambiente como um fator importante. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
- Fisiopatologia: 
- Hipótese Dopaminérgica: é uma das teorias mais antigas e amplamente aceitas sobre a 
fisiopatologia da esquizofrenia. Ela postula que um desequilíbrio na neurotransmissão de 
dopamina no cérebro está intimamente relacionado ao desenvolvimento dos sintomas da 
doença. 
• Neurotransmissão de Dopamina Normal: Para entender a hipótese, é importante 
primeiro compreender o papel da dopamina no cérebro. A dopamina é um 
neurotransmissor, uma substância química que ajuda na comunicação entre as 
células cerebrais. Ela está envolvida em várias funções, incluindo o controle do 
movimento, emoções e motivação. 
• Hiperatividade da Dopamina: A hipótese dopaminérgica sugere que na esquizofrenia, 
há uma hiperatividade da via dopaminérgica no cérebro, especificamente na via 
mesolímbica. Essa via é responsável por regular as emoções e a motivação. O 
excesso de dopamina ou uma sensibilidade aumentada aos receptores de dopamina 
nessas áreas do cérebro pode levar a um desequilíbrio. 
• Sintomas Positivos e Negativos: A hipótese dopaminérgica também ajuda a explicar 
a distinção entre os sintomas "positivos" e "negativos" da esquizofrenia. Sintomas 
"positivos" incluem alucinações, delírios e pensamento desorganizado, e são 
associados a um aumento na atividade dopaminérgica. Por outro lado, sintomas 
"negativos" incluem achatamento afetivo, pobreza de fala e isolamento social, e estão 
mais relacionados a uma diminuição na atividade dopaminérgica em outras áreas do 
cérebro. 
• O sistema dopaminérgico no cérebro é complexo e envolve vários subtipos de 
receptores de dopamina, incluindo D1, D2, D3, D4 e D5. Esses receptores estão 
distribuídos em diferentes regiões do cérebro e têm funções distintas. 
• Os receptores D2 são particularmente relevantes para a Hipótese Dopaminérgica da 
esquizofrenia. A ativação excessiva dos receptores D2, principalmente nas áreas 
mesolímbicas e mesocorticais, tem sido associada aos sintomas da esquizofrenia 
Via mesolímbica hiperativa → sintomas positivos 
Via mesocortical hipoativa → sintomas negativos 
• Os receptores dopaminérgicos (D1, D2, D3, D4 e D5) são agrupados em duas 
famílias: 
- Família do receptor D1 (D1 e D5 – excitatórios, acoplados a proteína Gs) 
- Família D2 (D2, D3 e D4 – inibitórios, acoplados a proteína Gi) 
• A base do tratamento farmacológico da esquizofrenia, de acordo com a Hipótese 
Dopaminérgica, é a administração de antipsicóticos. Esses medicamentos funcionam, 
em parte, bloqueando os receptores de dopamina, reduzindo assim a hiperatividade 
da dopamina. Existem dois tipos principais de antipsicóticos: os típicos (ou de primeira 
geração), que bloqueiam principalmente os receptores de dopamina tipo D2, e os 
atípicos (ou de segunda geração), que têm um perfil de ação mais complexo. 
• Circuitos dopaminérgicas: 
- Via nigroestriatal: 
o Vai da substância negra para a parte dorsal do estriado. 
o Normal em esquizofrênicos. 
o Ex: Com tto farmacológico (haloperidol, clozapina - antagonistas receptores 
D2). = diminuição via mesolímbica e melhora sintomas positivos, diminui 
dopamina na via mesocortical, não melhora/piora sintomas negativos. E nessa 
via você a diminui. 
o Diminui: alteração motora, parkson (reversível essa rigidez, tremedeira). 
Principal problema tto crônico, é a discinesia tardia é irreversível. (é uma 
alteração no sistema nervoso que faz com que o paciente realize movimentos 
involuntários com parte de seu rosto, como boca, língua e nariz, caretas de 
forma involuntária). É uma adaptação neuronal. 
 - Via mesolímbica: 
o Se projeta da área tegumentar ventral (ATV) no tronco encefálico 
(mesencéfalo) e vai para o nucleous accumbens no estriado ventral (tem D1 e 
D2). 
o Está envolvida na regulação dos comportamentos emocionais e acredita-se 
que seja a via predominante que regula os sintomas positivos da psicose. 
o Especificamente, acredita-se que a hiperatividade (aumento dopamina no 
accumbens) dessa via seja responsável pelos delírios e alucinações. 
o A adenilatociclase (PKA/Proteína Quinase A) é uma enzima intracelular que 
desempenha um papel crucial na via de sinalização dopaminérgica. A ativação 
dos receptores D2 inibe a adenilatociclase, diminuindo a produção de AMP 
cíclico (cAMP) e afetando a sinalização intracelular. 
 - Via mesocortical: 
o também sai da área tegumentar mas vai para o córtex pré-frontal e se divide 
em córtex pré-frontal dorsolateral e outro para ventromedial. (D1 e D2) 
o Neste caso, acredita-se que a expressão desses sintomas esteja associada à 
hipoatividade da via. 
o Dorsolateral: envolvidas nos sintomas negativos e cognitivos da esquizofrenia. 
o A diminuição da dopamina D1 leva a uma diminuição da complexidade de 
pensamentos – paciente não consegue elaborar pensamentos, nem resolver 
problemas complexos. 
o Ventromedial: sintomas negativos e afetivos, embotamento afetivo, isolamento 
social, ideação suicída, ideação de culpa, inutilidade. Hipoatividade da via 
também. Memória de trabalho 
o A hipoatividade da via mesocortical também está relacionada à 
adenilatociclase e à sinalização intracelular, mas nesse caso, a diminuição da 
atividade dopaminérgica pode levar a problemas na transmissão de sinais 
neurais no córtex pré-frontal. 
• Limitações da Hipótese: Embora a Hipótese Dopaminérgica tenha sido valiosa para o 
desenvolvimento de tratamentos eficazes para a esquizofrenia, ela não explica todos 
os aspectos da fisiopatologia da doença. Outros neurotransmissores, como a 
serotonina e a glutamato, também desempenham papéis importantes na 
esquizofrenia. Além disso, a genética, o ambiente e a neuroanatomia também 
desempenham papéis cruciais na fisiopatologia da doença, tornando-a uma condição 
complexa e multifatorial. 
- Fatores Ambientais: 
• Hipótese Inflamatória-imunológica e de Desenvolvimento Cerebral: Evidências 
apontam para anormalidades no desenvolvimento cerebral durante a gestação e a 
infância como um fator de risco. Isso pode incluir fatores como infecções virais durante 
a gravidez, complicações no parto ou exposição a toxinas. 
• Estudos prospectivos de coorte coletaram informações obstétricas, incluindo registros 
médicos e de soro materno durante a gravidez e identificaram que as mães das 
crianças que desenvolveram transtornos do espectro da esquizofrenia haviam tido 
infecções pré ou perinatais. 
- Influenza; Rubéola; Sarampo; Poliomelite; IVAS; Infecções genitais; Vírus herpes 
simpex 2; Toxoplasma gondii. 
• Infecções ou injúrias ambientais + resposta imune do indivíduo = inflamação, 
alterações neurodesenvolvimento, manifestações do transtorno. 
• Estresse significativo e trauma psicológico podem desempenhar um papel no 
desenvolvimento ou no desencadeamento de sintomas em pessoas geneticamente 
predispostas. 
- Fatores genéticos: 
• Mutações nos genes da neuregulinas, são receptores / reguladores de fatores de 
crescimento. 
• Há uma maior probabilidade de desenvolver a doença se alguém na família já a 
possui, principalmente quando se trata de parentes de primeiro grau. 
• Poligenicidade: Não é causada por um único gene, mas sim por várias variações 
genéticas em diferentes partes do genoma, tornando-a poligênica. Muitos genes 
diferentes podem contribuir para o risco, interagindo com fatores ambientais. 
 
- Fatores sociais: 
Pobreza, desnutrição. 
 
- Hipótese oxidativa: 
Lesão nos receptores de membrana devido ao desbalanço REDOX. 
- Anormalidades Estruturais e Funcionais: 
Estudos de neuroimagem mostraram anormalidades estruturais, como redução do tamanho 
do cérebro e alterações no volume de algumas áreas cerebrais, em pessoas com 
esquizofrenia. Tambémforam observadas disfunções funcionais em áreas relacionadas ao 
processamento cognitivo e emocional. 
 
- Quadro clínico: 
O tempo mínimo de sintomas ativos é de um mês, mas o DSM-5 exige um tempo total de 
prejuízo no funcionamento de seis meses, incluindo a fase prodrômica – anterior ao início do 
primeiro episódio psicótico – e sintomas residuais. 
O modelo dimensional mais aceito é composto por cinco dimensões: sintomas positivos, 
negativos, cognitivos, de desorganização e de humor/ansiedade. 
• A dimensão dos sintomas positivos é composta por delírios (alteração do conteúdo do 
pensamento) e alucinações (alterações da sensopercepção). Os delírios autorreferentes 
e persecutórios e as alucinações auditivas são as manifestações mais comuns na 
esquizofrenia. 
• A dimensão dos sintomas negativos foi assim chamada como um contraponto à ideia 
de sintomas resultantes da excitação neuronal, princípio que define o termo “positivo”. 
Mais diretamente, esses sintomas dizem respeito à ausência de determinados 
comportamentos esperados, mais notadamente na expressão do afeto e da vontade. De 
forma mais detalhada, o consenso do National Institute of Mental Health (NIMH) 
propôs cinco domínios para os sintomas negativos: alogia, alteração do afeto, 
associabilidade, avolição e anedonia. 
• Os sintomas cognitivos têm ganhado espaço, a ponto de alguns autores sugerirem que 
a esquizofrenia deveria ser definida como uma doença cognitiva. Praticamente todos os 
domínios cognitivos podem ser afetados pela doença. Os principais achados apontam 
para alterações na atenção, na velocidade de processamento, nas funções executivas e 
na aprendizagem. Junto com os sintomas negativos, são importantes preditores das 
dificuldades cotidianas dos pacientes, pois mesmo quando há a remissão dos sintomas 
positivos, permanecem as dificuldades no planejamento de tarefas, o que pode levar a 
um grande aumento da ansiedade ao terem que lidar com demandas de maior 
complexidade. 
• Os sintomas de desorganização se manifestam no pensamento, sendo observados 
principalmente no discurso e no comportamento, este último avaliado durante a 
entrevista e a partir de relatos de familiares. O elemento central é a falta do 
encadeamento lógico esperado para a conclusão de um raciocínio ou ação. Às vezes, os 
pacientes conseguem articular uma lógica intrínseca, mas absurda, o que não deixa de 
denotar também certa desorganização de conceitos. A desorganização pode chegar aos 
fenômenos da desagregação de pensamento, neologismos e salada de palavras, em que 
o discurso perde quase que inteiramente o nexo. 
• Os sintomas de humor/ansiedade chamam a atenção para o fato de muitas 
manifestações da doença se associarem a alterações esperadas no conteúdo emocional. 
Um exemplo simples seria maior ansiedade ou tristeza provocadas pelo fato de o 
paciente se sentir perseguido. Além dos sintomas que acompanham as alterações 
psicóticas, os pacientes podem evoluir com sintomas depressivos na fase pós-psicótica, 
quando entram em contato com a crise e suas consequências. 
 
Sintomas Positivos: 
- Alucinações 
- Delírios 
- Desorganização do Pensamento 
- Comportamento Desorganizado: (como agitação, impulsividade ou dificuldade em realizar 
atividades diárias) 
 
Sintomas Negativos: 
- Embotamento afetivo (alterações no conteúdo emocional das respostas emocionais: 
pacientes emocionalmente apáticos ou indiferentes. 
- Anedonia (perda de interesse ou prazer em atividades que costumavam ser agradáveis) 
- Alogia (redução na quantidade de fala/qualidade das respostas durante uma conversa) 
- Avolia (diminuição da motivação para realizar tarefas cotidianas, como cuidar da higiene 
pessoal ou trabalhar) 
 
Sintomas Cognitivos: 
- Prejuízo cognitivo - dificuldades no pensamento lógico, na memória de trabalho e na 
atenção. 
- Dificuldade em tomar decisões racionais ou planejar atividades complexas. 
 
Sintomas Depressivos: 
- Tristeza, desesperança e perda de energia. 
 
Sintomas de Ansiedade: 
- Ansiedade e nervosismo podem ocorrer em alguns pacientes 
 
Sintomas Psicossociais: 
- Isolamento social, dificuldade em estabelecer e manter relacionamentos sociais. 
- Dificuldades no funcionamento social e profissional (dificuldades em manter emprego, 
estudar ou realizar tarefas cotidianas). 
 
Sintomas de Despersonalização e Desrealização: 
- Sentimento de estar desconectado de si mesmo (despersonalização) ou de que o ambiente 
é estranho ou irreal (desrealização). 
 
- Diferença entre Alucinação X Delírio: 
Alucinação: percepção sensorial que ocorre na ausência de um estímulo externo 
correspondente – indivíduo está experimentando algo que não está realmente presente no 
ambiente. Podem ocorrer em qualquer um dos cinco sentidos, sendo as auditivas (ouvir 
vozes) as mais comuns na esquizofrenia. 
 
Delírio: Trata-se de uma crença ou interpretação errônea da realidade. Um delírio é uma 
crença falsa, irracional e inabalável que uma pessoa mantém mesmo quando há evidências 
sólidas em contrário. Podem assumir diversas formas, como delírios persecutórios 
(sentimento de perseguição), delírios de grandeza (crença de ser alguém extremamente 
importante) e muitos outros. 
 
- Diagnósticos Diferenciais: 
Relembrando: esquizofrenia = transtorno psiquiátrico grave que geralmente se manifesta por 
meio de sintomas como alucinações, delírios, pensamento desorganizado, afeto achatado 
(embotado) e comprometimento funcional significativo. Diagnósticos diferenciais seriam: 
• Transtorno Bipolar: pode ser confundido com a esquizofrenia devido à presença de 
episódios maníacos ou hipomaníacos, nos quais os pacientes podem exibir 
comportamento desorganizado, agitação e, às vezes, delírios. 
• Transtorno Delirante: caracterizado por delírios persistentes sem os sintomas de 
pensamento desorganizado ou alucinações presentes na esquizofrenia. 
• Transtorno do Espectro Autista (TEA): pode ser confundido com a esquizofrenia em 
algumas situações devido a déficits na comunicação social e comportamentos 
repetitivos. No entanto, o TEA geralmente se apresenta na infância, enquanto a 
esquizofrenia é mais comum na adolescência ou idade adulta. 
• Abuso de substâncias, especialmente substâncias psicoativas como anfetaminas ou 
cocaína, pode causar sintomas semelhantes à psicose, incluindo delírios e alucinações. 
• Transtorno de Personalidade Esquizotípica: condição psiquiátrica que faz parte do grupo 
de transtornos de personalidade do Cluster A do DSM-5 (Manual Diagnóstico e 
Estatístico de Transtornos Mentais, 5ª edição). Esse transtorno é caracterizado por um 
padrão duradouro de comportamento e interações sociais estranhas, e por sintomas de 
pensamento irreal, excêntrico ou peculiar. Compartilha algumas características com a 
esquizofrenia, mas os sintomas não são tão graves nem persistentes – a diferença 
fundamental está na intensidade e na presença de sintomas psicóticos na esquizofrenia, 
como delírios e alucinações. No TPE, esses sintomas não estão presentes em um grau 
suficiente para justificar o diagnóstico de esquizofrenia. 
 
- Tratamento: 
- Terapia Medicamentosa: 
Medicamentos Antipsicóticos: 
• Os medicamentos antipsicóticos, também conhecidos como neurolépticos 
(chamados assim por causarem retardo psicomotor, tranquilização emocional e 
indiferença afetiva - em outras palavras, pioram os sintomas negativos), são 
frequentemente a base do tratamento da esquizofrenia. Eles ajudam a controlar 
sintomas positivos, como alucinações e delírios. 
Existem duas categorias de antipsicóticos: os antipsicóticos típicos (ou de primeira 
geração) e os antipsicóticos atípicos (ou de segunda geração). A escolha do medicamento 
depende das necessidades e da tolerância do paciente. 
O tratamento com medicamentos antipsicóticos é geralmente contínuo, mesmo após a 
melhora dos sintomas agudos, para prevenir recaídas. 
 
Exemplos de AntipsicóticosTípicos (de Primeira Geração): 
 
• Haloperidol (Haldol) 
• Clorpromazina (Largactil) 
• Flufenazina (Modecate) 
• Tioridazina (Mellaril) 
• Antipsicóticos mais antigos, como Haloperidol e Clorpromazina, são considerados de 
primeira geração e tendem a ter um perfil de efeitos colaterais diferentes dos outros 
antipsicóticos atípicos. 
• Geram efeitos extrapiramidais, como tremores 
 
Exemplos de Antipsicóticos Atípicos (de Segunda Geração): 
 
• Aripiprazol (Abilify) 
• Olanzapina (Zyprexa) 
• Quetiapina (Seroquel) 
• Risperidona (Risperdal) 
• Paliperidona (Invega) 
• Lurasidona (Latuda) 
• Clozapina (Clozaril) - geralmente usada em casos resistentes ao tratamento, devido 
ao risco de agranulocitose (uma diminuição grave dos glóbulos brancos no sangue) 
que requer monitoramento rigoroso. 
• Antipsicóticos atípicos como Aripiprazol, Olanzapina e Risperidona, são 
frequentemente preferidos devido a um menor risco de efeitos colaterais motores 
(como discinesia tardia) e uma eficácia geral no controle de sintomas positivos e 
negativos. 
• Não geram tremores ou efeitos extrapiramidais 
• Podem oferecer algumas vantagens, tanto em termos de eficácia ligeiramente maior, 
quanto em termos de menor probabilidade de distúrbios de movimentos involuntários 
e efeitos adversos relacionados. Contudo, o risco de síndrome metabólica (excesso 
de gordura abdominal, resistência à insulina, dislipidemia e hipertensão) é maior com 
os atípicos do que com os antipsicóticos típicos. 
 
Antipsicóticos Long-Acting Injectable (LAIs): 
 
• antipsicóticos que são administrados por injeção de ação prolongada. 
• Exemplos incluem a Risperidona de Ação Prolongada (Risperdal Consta) e a 
Paliperidona de Ação Prolongada (Invega Sustenna). 
 
Obs! Vários antipsicóticos de ambas as classes podem causar a síndrome do QT longo e 
essencialmente aumentam o risco de arritmias fatais; esses fármacos incluem tioridazina, 
haloperidol, olanzapina, risperidona e ziprasidona. O paciente com esquizofrenia deve ter 
consultas médicas regulares a fim de monitorar a eficácia do tratamento, ajustar a medicação 
conforme necessário e avaliar qualquer efeito colateral. Estratégias de prevenção de 
recaídas, como terapia de manutenção, educação do paciente sobre a doença e sinais de 
alerta, são fundamentais para evitar recaídas e hospitalizações repetidas - as recaídas e 
surgimento de novos episódios psicóticos estão relacionados ao declínio cognitivo e com o 
declínio de massa encefálica (lesão neuronal). 
O pior desfecho é a morte, mas a hospitalização também é um desfecho muito negativo. O 
objetivo do tratamento é justamente reduzir mortalidade e hospitalização. 
Além disso, um estilo de vida saudável, incluindo exercícios regulares, dieta equilibrada e 
abstinência de álcool e drogas, é importante para a saúde geral do paciente. 
 
Terapia Psicológica: 
A terapia psicológica, em particular a terapia cognitivo-comportamental (TCC), pode ser 
benéfica para ajudar o paciente a lidar com sintomas persistentes, melhorar o funcionamento 
social e emocional, e aderir ao tratamento medicamentoso. 
 
Psicose 
 
- Definição: 
A psicose é um termo que descreve um estado mental em que a pessoa perde contato com 
a realidade. Isso significa que a pessoa experimenta alterações significativas em seu 
pensamento, percepção, emoções e comportamento que não correspondem à realidade. Os 
sintomas psicóticos podem incluir alucinações (percepções falsas, como ouvir vozes que não 
existem); delírios (crenças falsas e irracionais, como acreditar que está sendo perseguido por 
forças invisíveis); pensamentos desorganizados; ações impulsivas e inapropriadas. A psicose 
pode ser um sintoma de várias condições psiquiátricas, incluindo esquizofrenia, transtorno 
bipolar, depressão psicótica e outros transtornos mentais. 
 
- O que é um quadro psicótico 
Um quadro psicótico é um estado clínico em que uma pessoa experimenta sintomas 
psicóticos. Isso pode ser um episódio isolado ou parte de um transtorno mental contínuo. Os 
quadros psicóticos podem variar em gravidade e duração. Durante um quadro psicótico, a 
pessoa pode exibir sintomas como alucinações, delírios, pensamento desorganizado, 
alterações de humor, agitação ou outros comportamentos incomuns. Quadro clínico em que 
o paciente se encontra em um estado mental caracterizado pela perda de contato com a 
realidade. 
 
Papel familiar no acolhimento do paciente esquizofrênico e a abordagem da equipe 
de saúde com a família do paciente 
A família desempenha um papel crucial no acolhimento e no apoio ao paciente 
esquizofrênico. A esquizofrenia pode ser uma condição debilitante, e a família muitas vezes 
atua como um sistema de apoio vital. A abordagem da equipe de saúde com a família inclui: 
• Educação: A equipe de saúde deve fornecer informações detalhadas à família sobre a 
esquizofrenia, seus sintomas, tratamentos e expectativas realistas de recuperação. 
• Envolvimento na Terapia: Incentivar a participação da família na terapia do paciente, como 
terapia familiar ou terapia de apoio, para melhorar o ambiente doméstico e as interações 
interpessoais. 
• Trabalho em Rede: A equipe pode ajudar a família a se conectar com grupos de apoio e 
recursos comunitários para obter ajuda adicional.

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