Prévia do material em texto
Conteudista: Prof.ª Dra. Eliane Caixeta de Lima Lucas Revisão Textual: Me. Esp. Luciano Vieira Francisco Objetivo da Unidade: Compreender a importância do controle e manutenção da rede de frio e do processo de imunização para a prevenção do adoecimento e dos óbitos por doenças imunopreveníveis. 📄 Material Teórico 📄 Material Complementar 📄 Referências Imunização e Rede de Frio Rede de Frio do Programa Nacional de Imunizações (PNI) É um conceito aplicado ao processo de organização, armazenamento e conservação dos imunobiológicos, de modo que os mantenham sob refrigeração, em uma rede estruturada de câmaras com temperaturas positivas e negativas, até o momento de administração do imunobiológico nos usuários (BRASIL, 2017). 1 / 3 📄 Material Teórico “O Programa Nacional de Imunizações, com o objetivo de promover a garantia da qualidade dos imunobiológicos adquiridos e ofertados à população, conta com uma rede nacional constituída por uma estrutura física, a rede de frio, que viabiliza seu processo logístico, a cadeia de frio. Rede de frio é um sistema amplo, inclui uma estrutura técnico-administrativa orientada pelo PNI, por meio de normatização, planejamento, avaliação e financiamento que visa à manutenção adequada da cadeia de frio. Cadeia de frio é o processo logístico da rede de frio para conservação dos imunobiológicos, desde o laboratório produtor até o usuário, incluindo as etapas de recebimento, armazenamento, distribuição e transporte, de forma oportuna e eficiente, assegurando a preservação de suas características originais.” Os imunobiológicos são produzidos a partir de microrganismos vivos ou partículas, com capacidade de estimular a reação do nosso sistema imunológico. São sensíveis à luz e alteração de temperaturas, por isso é necessária a conservação em temperaturas específicas durante o armazenamento e transporte. O PNI do Brasil tem disponibilizado, na rede, mais de 45 diferentes imunobiológicos, os quais são destinados a todas as faixas etárias e estão disponíveis em diversas salas de vacinas em todo o País (BRASIL, 2023). Para que ocorra o transporte dos imunobiológicos, o PNI utiliza a via terrestre, aérea ou aquática; entretanto, independentemente da via é necessário manter a estabilidade do produto; assim, em todo o processo desde o laboratório produtor até a sua administração há controle rigoroso da temperatura e de vigilância constante. Os veículos são específicos para manter temperatura adequada para cada lote, tendo em vista alguns em temperaturas negativas (de -25º C a -15º C) e outros em positivas (de 2º C a 8º C); em todas as instâncias há câmaras frias específicas para armazenamento em temperaturas positivas e negativas. - BRASIL, 2017, p.17. Figura 1 – Termômetro, à esquerda, para mensurar a temperatura do momento, máxima e mínima, com cabo extensor e, à direita, registrador eletrônico de frigorífico para câmaras frias Fonte: Adaptada de BRASIL, 2017 #ParaTodosVerem: fotos. Na foto à esquerda vê-se um termômetro digital na cor branca, de máxima e mínima temperaturas, possui um visor na parte superior do termômetro. No visor, a temperatura interna é a da câmara fria ou da caixa de transporte, mensurada a partir de cabo extensor com sensor que sai do termômetro e se estende ao interior da caixa ou da câmara. Também no visor, a temperatura externa indica a temperatura de onde se encontra o termômetro, ou seja, fora da caixa ou da câmara. Abaixo do visor há quatro botões azuis que são usados, da esquerda para a direita, para mostrar a temperatura máxima e mínima no visor; para programar ou configurar o alarme (casos de alteração de temperaturas); para escolha do tipo de escala de medida de temperatura Graus Celsius (oC) ou Fahrenheit (oF); para resetar/reinicar, ou seja, as duas temperaturas de máxima e mínima ficarão a mesma do momento. Entre os botões, ao centro, há a saída de alarme para quando ocorre alterações de temperatura. À direita, há a foto de um registrador eletrônico frigorífico, na cor amarela, com visor que identifica as temperaturas e as registra durante todo o período (data, hora, temperatura), o que facilita a verificação da conservação dos imunobiológicos. Fim da descrição. Para melhor administração e organização, a rede de frio está estruturada entre esferas, desse modo há garantia de maior eficácia e eficiência das ações. O sistema de distribuição dos imunobiológicos é composto pelas instâncias nacional, estadual, regional, municipal e local. Figura 2 – Distribuição de imunobiológicos Fonte: Adaptada de BRASIL, 2017 #ParaTodosVerem: figura que mostra as instâncias de armazenamento e transporte, sendo a primeira a Instância Nacional, ilustrada como uma grande construção (armazenamento) com três caminhões (transporte), ou seja, distribui imunobiológicos para todos país; na segunda linha a Instância Estadual, com grande construção e um caminhão, ou seja, recebe do nacional, armazena e distribui dentro do próprio estado; a terceira, Instância Regional, com três construções médias e com um caminhão cada, dentro de cada Estado necessita de mais de um local de armazenamento e distribuição, assim, o próprio Estado pode delimitar regiões para facilitar a logística de distribuição; na quarta linha, a Instância Municipal, com três construções menores e um caminhão em cada uma delas, demonstrando que o Município, de acordo com a demanda e necessidade, pode ter um ou mais locais para facilitar a logística; na quinta linha, a Instância Local, com uma pequena construção, o Centro de Imunobiológicos Especiais e outras três pequenas construções, representando as diversas salas de vacinas distribuídas nas áreas urbanas e rurais. Fim da descrição. A instância nacional corresponde à coordenação-geral do PNI, realiza ações para o funcionamento e a normatização da rede de frio; aquisição, distribuição, acompanhamento da qualidade dos imunobiológicos; avaliação da situação epidemiológica e atualização dos calendários de vacinação nacional. A da Central Nacional de Distribuição de Imunobiológicos (Canadi), com sede no Rio de Janeiro, realiza a distribuição dos imunobiológicos para todo o País. A instância estadual organiza o armazenamento e a distribuição de imunobiológicos, estando sob a responsabilidade técnico-administrativa das coordenações estaduais de imunizações das secretarias estaduais de saúde; ou seja, sob a responsabilidades das unidades federadas em distribuir os imunobiológicos para as instâncias regionais. A instância regional é composta por centrais regionais de rede de frio, subordinadas às secretarias estaduais de saúde. Ficam localizadas em pontos estratégicos para melhor distribuição aos municípios de sua área de abrangência. A instância municipal está inserida na estrutura organizacional das secretarias municipais de saúde, com a responsabilidade de planejamento integrado e armazenamento dos imunobiológicos recebidos da instância estadual/regional, a fim de que seja encaminhado às salas de vacinas. A instância local está em uma posição estratégica, pois concretiza o PNI, seja na atenção básica ou na assistência direta, administrando de forma segura, pois está em contato direto com o usuário final. A sala de imunização (sala de vacinas) é o local onde ocorre a administração dos imunobiológicos, tendo por responsabilidade a realização dos procedimentos de vacinação de rotina, as campanhas, os bloqueis e as intensificações. O acondicionamento das vacinas ocorre em câmaras frias específicas para imunobiológicos e todas são conservadas com temperatura entre 2º C e 8º C. Em casos de alteração de temperatura ou quebra da cadeia há impressos específicos para a notificação de não conformidade, realizando-se uma avaliação e em casos de instabilidade do produto ocorre o descarte e a incineração. Saiba Mais Quando os profissionais de enfermagem da unidade de saúde se deslocam para a realização de procedimentos, são utilizadas caixas de transporte com bobinas reutilizáveis degelo e controle rígido de temperatura. Figura 3 – Diferença visual da taxa de sedimentação após teste para a detecção dos danos decorrentes do congelamento em vacinas adsorvidas Fonte: Adaptada de BRASIL, 2017 #ParaTodosVerem: foto de três frascos, mostrando escala visual para detecção de danos decorrentes ao congelamento em vacinas adsorvidas. O terceiro frasco (C), da esquerda para direita, com substância opaca e leitosa, mostra que o imunobiológico não sofreu congelamento e por isso mantém suas características preservadas; o frasco do meio (B) é um frasco de controle de congelamento, utilizado para comparativo; o primeiro frasco (A), à esquerda, é o frasco que passou por alteração de temperatura, ou seja, foi submetido à temperatura abaixo de 0oC e perdeu suas características. Na escala visual, se o nível de sedimentação for igual ou maior que o frasco B, verifica-se que houve congelamento, logo, se compararmos o frasco B e A, podemos verificar que o A perdeu suas características físicas, o que deixa claro que houve alteração da temperatura e perdeu a eficácia, e a vacina (o imunobiológico) não pode ser administrada. Fim da descrição. Os imunobiológicos do calendário nacional de vacinação estão disponíveis em todas as salas de vacina por todo o território nacional; entretanto há também imunobiológicos especiais e disponíveis nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Para que tudo ocorra bem há necessidade de equipe técnica especializada e equipamentos específicos necessários para o armazenamento e transporte entre as instâncias e o controle rígido de temperatura, além de uma forma de financiamento para manter todo o PNI. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Saiba Mais E se faltar energia elétrica? Plano de contingência! É nele que está descrito o planejamento em caso de alguma emergência em saúde. Durante todas as 24 horas do dia e todos os dias do ano há responsável por executar a ação e evitar a perda dos imunobiológicos. Leitura Manual de Rede de Frio do Programa Nacional de Imunizações Imunização A Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) (2021) define imunização como um processo em que uma pessoa se torna imune ou resistente a uma enfermidade infecciosa, pela administração de um imunobiológico. A imunidade é a resistência do organismo contra a presença de microrganismos, de modo que essa resistência se dá com a presença de anticorpos específicos para a eliminação dos antígenos. Entretanto, existem dois tipos de imunidade, a ativa e passiva. Na imunidade ativa o organismo é estimulado a produzir resposta imune (anticorpos) com o contato direto com o antígeno, de modo que a forma pode ser natural ou artificial; a imunidade ativa é duradoura, permanecendo por um longo período, pois o organismo tem memória; Imunidade ativa natural é quando o indivíduo entra em contato com o agente etiológico e a partir desse contato o organismo reage e cria anticorpos para eliminar esse agente. Após esse contato, a pessoa passa a ter resposta imune, produzindo anticorpos específicos, o que confere imunidade permanente, como a rubéola e o sarampo. Entretanto há infecções que não conferem imunidade permanente, como a sífilis; Imunidade ativa artificial é quando o indivíduo recebe dose de vacinas/imunobiológicos e, como resposta a esse produto injetado no organismo, passa a produzir anticorpos – são exemplos as vacinas para raiva (inativada), hepatite B e difteria; Imunidade passiva é quando o indivíduo recebe os anticorpos – produzidos em outro organismo. A imunidade passiva é de curta duração, pois esses anticorpos recebidos têm curto tempo de vida e o organismo não tem memória; Imunidade passiva natural é quando o indivíduo recebe os anticorpos – por exemplo, um bebê recebe anticorpos da mãe pelo leite materno ou pela via transplacentária, de modo que tais anticorpos foram produzidos pela mãe; No século X, os chineses realizaram os primeiros experimentos relacionados à vacina com a intenção de combater a varíola, de modo que os estudiosos utilizavam a técnica de variolização, que consistia em inocular resíduos das crostas da varíola nas narinas de pessoas saudáveis, pois observavam que as pessoas que sobreviviam não adoeciam novamente e nas cujas formas de contágio era cutânea, a doença se apresentava de forma mais leve. Já no modo hindu, realizava- se a inoculação por via intradérmica (escarificação), com resultado bem mais brando que a dos chineses. A vacina foi idealizada pelo médico inglês Edward Jenner, que em 1775 observou que as pessoas com varíola da vaca (cowpox), quando inoculadas com varíola não apresentavam sintomas, enquanto as ordenhadoras raramente apresentavam cicatrizes da varíola. 20 anos mais tarde inoculou, em um menino de 8 anos de idade, o material retirado das lesões de cowpox de uma ordenhadora, que mais tarde recebeu a variolização e não apresentou sintomas. Anos depois, em 1801, Jenner cunhou o termo vacina, originalmente da varíola da vaca (vaccinia). Em 1884, Louis Pasteur definiu o termo vacina para designar a imunização ativa, como uma forma de homenagear a descoberta de Jenner (TOLEDO JÚNIOR, 2005). Com o passar do tempo vários pesquisadores desenvolveram estudos e realizaram diversas descobertas, como a confirmação de que as doenças são causadas por microrganismos, a obtenção do soro antidiftérico, o isolamento das toxinas, entre vários achados. Imunidade passiva artificial é quando o indivíduo recebe os anticorpos em forma de soro heterólogo, homólogo ou imunoglobulina. Soro antitetânico, antidiftérico, imunoglobulina contra varicela, tétano, soro antirrábico ou imunoglobulina humana antirrábica se dá quando a pessoa tem contato com saliva de animal com diagnóstico de raiva – cão, gato, morcego, primata etc. A vacinação tem fator de extrema importância, dado que é no processo de imunização que ocorre a prevenção das doenças imunopreveníveis, o controle e a erradicação de diversas enfermidades. Vídeo Conheça a História da Vacina no Brasil Conheça a história da vacina no Brasil!Conheça a história da vacina no Brasil! As vacinas são produtos farmacêuticos que contêm agentes imunizantes, podendo ser isoladas ou combinadas; possuem várias formas biológicas, tais como bactérias atenuadas, mortas ou partículas, vírus vivos, atenuados ou inativados, ou componentes purificados específicos para se prevenir determinada doença, ou seja, recebe-se a vacina antes de ser exposto ao agente etiológico. Os soros e as imunoglobulinas também são produtos farmacêuticos, mas que em sua composição há anticorpos, sendo utilizados após exposição ao agente infeccioso. Saiba Mais Em 1973, o Ministério da Saúde instituiu o PNI, objetivando a redução da morbimortalidade e contribuindo para o controle e a erradicação de doenças imunopreveníveis. Importante! Pacientes imunossuprimidos e imunodeprimidos devem ser avaliados caso a caso antes da administração dos imunobiológicos, uma vez que não devem receber vacinas vivas atenuadas, pelo risco de se As salas de vacina são destinadas exclusivamente à vacinação. As câmaras frias fazem parte da rede de frio para o armazenamento e a conservação dos imunobiológicos, de modo que em hipótese alguma devem ser utilizadas para outra finalidade. A temperatura de conservação dos imunobiológicos varia entre 2º C e 8º C; assim, o controle deve ocorrer, no mínimo, três vezes ao dia: o primeiro na abertura da sala, o segundo na metade do período e o próximo ao final da tarde. As salas devem conter todo o material necessário para a execução das rotinas. Os francos devem ser identificados com data e horário de abertura, além da assinatura do profissional. Todas as doses aplicadas devem ser registradas na carteira de vacinas do usuário, no espelho vacinal para arquivo na sala de vacinas, no mapa de produção ou lançamento no sistema de informação do município, e mapa de produção. As anotações devem conter a data de administração, identificaçãodo imunobiológico, o número do Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde da unidade (CNES), o número do lote do imunobiológico, a data de validade do imunobiológico, o carimbo do profissional, com nome completo, número de inscrição no Conselho Regional de Enfermagem (Coren) e assinatura desse profissional. Deve-se agendar o retorno para administração das próximas doses. desenvolver a doença. Em caso de pós-exposição, deve ser administrado soro ou imunoglobulinas específicas (BRASIL, 2014). Calendário Vacinal da Criança O sistema imunológico da criança é imaturo e ainda não se desenvolveu completamente, principalmente no primeiro ano de vida; desse modo, torna-se necessária a administração de um número maior de doses, a depender da faixa etária e do imunobiológico. O esquema vacinal deve ser iniciado o mais rápido possível, a fim de se evitar o adoecimento e/ou óbito – um exemplo clássico é a vacina de BCG e hepatite B, que devem ser administradas logo ao bebê nascer, isso porque o nosso país tem alta taxa de adoecimento por TB e hepatite B, tornando-se urgente a realização dessas vacinas. Quadro 1 – Calendário vacinal da criança, de acordo com o PNI Nunca se esqueça das medidas de biossegurança. Fonte: Adaptado de BRASIL, 2022 Clique no botão para conferir o conteúdo. Leitura Norma Técnica do Programa de Imunização ACESSE Vacina BCG é utilizada para prevenir formas graves de tuberculose meníngea e miliar, dado que em sua composição há bactérias vivas atenuadas, sendo administrado 0,1 mL em dose única, pela via intradérmica no Membro Superior Direito (MSD) – na inserção inferior do músculo deltoide –, logo ao se nascer. A conservação é entre 2º C e 8º C. O processo cicatricial evolui com a formação de uma mácula, depois uma pústula e evolui para cicatriz – de 6 a 12 semanas. Após 6 meses e a ausência de cicatriz, realiza-se a revacinação por não haver a “pega” vacinal (BRASIL, 2022). Vacina hepatite B é composta por antígeno recombinante de superfície do vírus purificado, de modo que a criança recebe uma dose ao nascer, IM em VLD, e mais três doses incorporadas à vacina pentavalente (BRASIL, 2022). Vacina Inativada Poliomielite oral (VIP), desenvolvida por Jonas Salk, é composta por três poliovírus inativados, de tipos 1, 2 e 3, sendo administrada em três doses (em 2, 4 e 6 meses, em VLD), com intervalo de 60 dias. A conservação é entre 2º C e 8º C (BRASIL, 2022). Vacina Poliomielite atenuada (VOP) foi desenvolvida por Albert Sabin, quem renunciou à patente para que todas as crianças do mundo tivessem acesso ao imunobiológico que evita a paralisia infantil. Originalmente continha os três tipos de vírus e todas as crianças recebiam a vacina; atualmente, contudo, somente os tipos 1 e 3 dos vírus vivos atenuados, com administração oral (aos 15 meses e 4 anos) (BRASIL, 2022). Vacina Pentavalente (Penta) em sua composição, a vacina é adsorvida por toxoide diftérico e tetânico purificados e bactéria da coqueluche inativada, oligossacarídeos conjugados com Hib, antígeno de superfície de hepatite B. São três doses (em 2, 4 e 6 meses), com intervalo de 60 dias entre as doses. É administrada em Vasto Lateral da coxa Esquerda (VLE) (BRASIL, 2022). Vacina rotavírus previne as diarreias por rotavírus, sendo composta por vírus vivos atenuados para manter a capacidade imunogênica e não patogênica G1P8 cepa RIX4414, G2, 3, 4 e 9. Há administração em duas doses (em 2 e 4 meses), com intervalo de 60 dias por via oral – a segunda só poderá ser aplicada até 7 meses e 29 dias, pois após essa idade é contraindicada, recomendando-se administração oral (BRASIL, 2022). Vacina pneumocócica 10-valete é constituída por polissacarídeos capsular de 10 sorotipos pneumococos, protegendo contra doenças invasivas, pneumonias, meningites, otites, sinusites pelos sorotipos que compõem a vacina, sendo causada por Streptococcus pneumoniae com sorotipos 1, 4, 5, 6b, 7f, 14, 18C, 19f e 23f; não pode ser congelada. É administrada em duas doses, VLD (em 2 e 4 meses e com reforço aos 12 meses) (BRASIL, 2022). Vacina meningocócica C conjugada é composta por polissacarídeos capsulares purificados da Neisseria meningitidis do sorogrupo C, prevenindo contra meningites meningocócicas de tipo C; é administrada em 2 doses (em 3 e 5 meses e com reforço aos 12 meses) em VLE (BRASIL, 2022). Vacina febre amarela é composta por vírus vivos atenuados de cepa 17B, cultivados em embriões de galinha. Previne febre amarela, sendo administrada SC, uma dose aos 9 meses e reforço aos 4 anos; pode ser congelada. É um pó liofilizado que após a reconstituição mantém a sua estabilidade por 4 horas. É contraindicada a vacinação em gestantes (BRASIL, 2022). Vacina Sarampo, Caxumba e Rubéola (SCR) é composta por vírus vivos atenuados, prevenindo contra essas três doenças; sua administração SC se dá em 2 doses (em 12 e 15 meses). Tem apresentação liofilizada e após a reconstituição permanece a sua estabilidade por 8 horas (BRASIL, 2022). Vacina varicela é composta por vírus vivos atenuados, prevenindo contra varicela; tem administração SC aos 15 meses e reforço aos 4 anos (BRASIL, 2022). Vacina hepatite A: é composta por antígeno do vírus da hepatite A inativado, com uma dose aos 15 meses (BRASIL, 2022). Vacina Difteria, Tétano e Pertussis (DTP): é composta por toxoides diftéricos e tetânicos purificados e bactérias da coqueluche inativada, com administração IM; entra como reforço da Penta (aos 15 meses e 4 anos) – aos 14 anos há dose de dT e um reforço a cada 10 anos (BRASIL, 2022). Vacina Papilomavírus Humano (HPV) é composta por partículas da cápsula do vírus antígeno de superfície, prevenindo papilomavírus humano 6, 11, 16 e 18 recombinante, com administração IM – a primeira dose entre 9 e 14 anos e a segunda dose 6 meses da primeira (BRASIL, 2022). Vacina influenza protege contra influenza e complicações da doença, principalmente doenças secundárias, como as pneumonias bacterianas. As cepas do vírus influenza A/Sydney/5/2021 (H1N1) pdm09, influenza A/Darwin/9/2021 (H3N2), influenza B/Áustria/1359417/2021 (linhagem B/Victoria) são produzidos a partir de embriões de galinha. Há administração IM em músculo deltoide anual até 5 anos de idade – para o ano de 2023. A primeira dose se dá dos 6 meses aos 35 meses (2 doses de 0,25 mL), dos 3 anos a 8 anos (2 doses de 0,5 mL), e acima de 9 anos há dose única (BRASIL, 2022). Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Leitura Nova Versão da Caderneta da Criança Será Enviada para Todo o Brasil Calendário Vacinal do Adolescente O calendário de vacinação do adolescente só é realizado quando esse não recebeu a vacinação quando criança. Se em atraso vacinal, é realizada a atualização da carteira de vacinas conforme o Quadro a seguir: Quadro 2 – Calendário vacinal do adolescente, de acordo com o PNI (2022) Fonte: Adaptado de BRASIL, 2022 Vacina da hepatite B é composta por antígeno recombinante de superfície do vírus purificado, sendo administrada por via IM, em três doses – a segunda dose é realizada 30 dias após a primeira e a terceira 6 meses após a primeira. Vacina difteria e Tétano (dT) é composta por toxoide e tetânico purificados, sendo inativada e com administração IM, em três doses com intervalo de 60 dias entre as doses e um reforço a cada 10 anos. Vacina de febre-amarela é administrada em dose única, via SC. Vacina Sarampo, Caxumba e Rubéola (SCR) é administrada em duas doses, via SC. Papilomavírus Humano (HPV) tem administração via IM, em duas doses – a primeira dose dos 9 aos 14 anos e a segunda dose é administrada 6 meses após a primeira dose (BRASIL, 2022). Vacina Pneumocócica 23-Valente (PPV 23) é administrada via IM para adolescente que não recebeu a vacina pneumo-10 na infância e para a população indígena (BRASIL, 2022). Vacina meningocócica ACWY (conjugada) é administrada em uma dose IM, dos 12 aos 14 anos (BRASIL, 2022). Calendário Vacinal do Adulto Quadro 3 – Calendário vacinaldo adulto, de acordo com o PNI Fonte: Adaptado de BRASIL, 2022 Vacina hepatite B tem administração de três doses via IM – a segunda dose 30 dias após a primeira e a terceira 6 meses após a primeira; Vacina dT é composta por toxoide e tetânico purificados, sendo inativada e com administração IM, três doses com intervalo de 60 dias entre as doses e um reforço a cada 10 anos; Vacina de febre amarela é administrada em dose única, via SC até os 59 anos, sendo uma pessoa não vacinada; Vacina SCR é administrada via SC, em duas doses (dos 20 aos 29 anos) e 1 dose (dos 30 aos 59 anos) (BRASIL, 2022). Calendário Vacinal da Gestante Todas as gestantes devem ser vacinadas, a fim de se prevenir várias doenças, tais como difteria, tétano, coqueluche, hepatite B, influenza no binômio mãe/bebê. Entretanto, as gestantes não podem receber vacinas de vírus vivos atenuados, dado que os vírus podem passar para o feto e provocar algumas alterações, como má formação, aborto ou parto prematuro. Do mesmo modo, a vacina contra febre amarela não deve ser administrada em lactantes, devendo-se aguardar até que o bebê esteja com 6 meses de idade. Nos casos em que tenha ocorrido a administração da vacina nesse período, a amamentação deverá ser suspensa por 28 dias (BRASIL, 2014). Quadro 4 – Calendário vacinal da gestante, de acordo com o PNI Fonte: Adaptado de BRASIL, 2022 Vacina dTpa é proteção contra difteria, tétano e coqueluche a celular. É composta por toxoides diftéricos e tetânicos purificados e bactérias da coqueluche inativada, com administração por via IM, na vigésima semana gestacional; uma dose a cada gestação. Visa garantir a proteção ao binômio mãe/bebê. Vacina da influenza deverá ser realizada em uma dose, IM em todas as gestantes. Calendário Vacinal do Idoso Quadro 5 – Calendário vacinal do idoso, de acordo com o PNI Fonte: Adaptado de BRASIL, 2022 Vacina hepatite B em administração de três doses via IM – a segunda dose 30 dias após a primeira, e a terceira 6 meses após a primeira. Vacina dT é composta por toxoide e tetânico purificados, inativada, com administração IM, três doses com intervalo de 60 dias e um reforço a cada 10 anos. Vacina influenza é administrada via IM em deltoide, com proteção contra as cepas do vírus influenza A/Sydney/5/2021 (H1N1) pdm09, influenza A/Darwin/9/2021 (H3N2), influenza B/ Áustria/1359417/2021 (linhagem B/Victoria) (cepas para ano de 2023) e produzidos a partir de embriões de galinha. Administração IM em músculo deltoide a partir de 60 anos de idade e administrada anualmente (BRASIL, 2022). A equipe de vacinação é composta pelo enfermeiro, técnico e/ou auxiliar de enfermagem, de modo que a quantidade de profissionais depende do número da população do território da área de responsabilidade da unidade de saúde. “Enfermeiro é responsável pela supervisão ou pelo monitoramento do trabalho desenvolvido na sala de vacinação e pelo processo de educação permanente da equipe”. (BRASIL, 2014, n. p.), de modo que cabe ao enfermeiro promover a saúde no território. Ademais, é privativo do enfermeiro: Planejar as atividades relacionadas à vacinação e ao monitoramento das ações e atividades desenvolvidas; Supervisão e controle das condições ideais para a conservação dos imunobiológicos – manter a rede de frio; Previsão e provisão de insumos e imunobiológicos para o adequado funcionamento da atividade; Supervisionar o uso adequado dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI) e zelar para que a equipe cumpra as normas e sigam as rotinas, reduzindo o risco de produzir danos à saúde da população atendida. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Figura 4 – Campanha Vacinação Contra Influenza em 2022 Fonte: BRASIL, 2022 #ParaTodosVerem: Figura com fundo amarelo e com bonecos brancos representando a família do Zé Gotinha, os bonecos têm uma cruz azul e abaixo dela está escrito SUS. O Zé Gotinha representa a mobilização para a vacinação. Da esquerda para a direita há a representação de uma pessoa idosa do sexo feminino (avó, com um óculos e segurando uma bolsa preta), seguida por uma representação de uma mulher (mãe), seguida pela representação masculina (pai fazendo um “joinha” com o polegar), seguido pela representação de uma criança (filho com as mãos para trás), e a direita da imagem a figura de um idoso do sexo masculino (o avô com óculos e uma bengala na mão direita) e Leitura Manual de Normas e Procedimentos para Vacinação todas os bonecos representando a família sorrindo, demonstrando a importância da vacinação. Fim da descrição. Saiba Mais O artista plástico Darlan Rosa, em 1986, foi chamado pelo Ministério da Saúde para criar algo que fizesse com que pais despertassem para o interesse em vacinar as crianças. Ele criou, inicialmente, duas gotinhas como símbolo da vacinação, representando a vacina contra Poliomielite, para comunicar com as crianças. Na década de 1990, Darlan deu a aparência de boneco à gota, nesse momento iniciou uma campanha nacional para nomear o boneco, e o nome vencedor escolhido por diversas crianças de todo o Brasil foi “Zé Gotinha”. Muito amado pelas crianças, começou a comparecer presencialmente nas salas de vacinas em período de campanhas de vacinação, o que aumentava o engajamento dos profissionais, famílias e das crianças, aumentando a cobertura vacinal. Importante! Todos os brasileiros e estrangeiros residentes no Brasil têm o direito a todas as vacinas do calendário nacional de vacinação do PNI, disponíveis para a respectiva faixa etária. Vacina é um direito de todos e um dever do Estado! Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Vídeo Conheça a História da Vacina no Brasil 2 / 3 📄 Material Complementar Leitura Informe Técnico Sobre a 24ª Campanha de Vacinação Contra Influenza Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE Recomended Composition of Influenza Virus Vaccines for Use in the 2023 Southern Hemisphere Influenza Season Clique no botão para conferir o conteúdo. Conheça a história da vacina no Brasil!Conheça a história da vacina no Brasil! ACESSE Voto Nº 252/2022/SEI/DIRE2/ANVISA Anvisa Define a composição das vacinas de influenza para 2023. Clique no botão para conferir o conteúdo. ACESSE BRASIL. Ministério da Saúde. Programa nacional de imunizações: vacinação. Brasília, DF, 2023. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e- programas/programa-nacional-de-imunizacoes- vacinacao#:~:text=O%20Programa%20nacional%20de%20Imuniza%C3%A7%C3%B5es%20do %20Brasil%20%C3%A9%20um%20dos,imunobiol%C3%B3gicos%20para%20toda%20a%20po pula%C3%A7%C3%A3o>. Acesso em: 21/02/2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de rede de frio: do Programa de Imunizações. 5. ed. Brasília, DF, 2017. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a- z/c/calendario-nacional-de-vacinacao/rede-de-frio/publicacoes-e-portarias/manual-de- rede-de-frio-do-programa-nacional-de-imunizacoes-5-ed/view>. Acesso em: 20/02/2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de normas e procedimentos para vacinação. Brasília, DF, 2014. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/manual_procedimentos_vacinacao.pdf>. Acesso em: 23/02/2023. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Calendário vacinal 2022. Brasília, DF, 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-nacional-de- vacinacao/calendario-vacinal-2022>. Acesso em: 4/03/2022. 3 / 3 📄 Referências SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Saúde. Coordenadoria de Controle de Doenças. Centro de Vigilância Epidemiológica “Prof. Alexandre Vranjac” CVE. Norma técnica do programa de imunização. São Paulo, 2021. Disponível em:<https://www.saude.sp.gov.br/resources/cve- centro-de-vigilancia-epidemiologica/areas-de- vigilancia/imunizacao/2021/norma_de_imunizacao_2021_2.pdf>. Acesso em: 23/02/2023. TOLEDO JÚNIOR, A. C. C. História da varíola. Rev. Med. Minas Gerais, v. 15, n. 1, p. 58-65, 2005. Disponível em: <https://rmmg.org/artigo/detalhes/1461>. Acesso em: 23/02/2023.