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HISTÓRIA DA HIDROTERAPIA Em muitas culturas, o uso da água foi estreitamente ligado à adoração mística e religiosa da água e ao ser percebido o poder de cura. O início do uso de hidroterapia como uma modalidade terapêutica é desconhecido, porém registros que datam antes de 2400 a. C. indicam que a cultura protoindia construía instalações higiênicas. Os egípcios, assírios e mulçumanos usavam águas curativas pelas finalidades terapêuticas. Os hindus usavam a água para combater a febre em 1500 a.C. Já as civilizações japonesas e chinesas, há importante menção ao respeito e adoração à água corrente e banhos de imersão. Homero menciona o uso da água para tratar a fadiga, curar lesões e cobater a melancolia. Em Bath, na Inglaterra, 800 a.C., as águas da cidade eram usadas para finalidades curativas. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 3). Entre o início e meados dos anos de 1900, destacaram-se na Europa o desenvolvimento de duas técnicas de tratamento aquático: o métodos dos anéis de Bad Ragaz e o método Halliwick. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 9). A reabilitação aquática na Europa da década de 1960 até hoje, tem sido incluídas no currículo dos estudantes em preparação para o exame de membro da Chartered Society of Physiotherapy, na Inglaterra. Antes disso, a Chartered Society realizava treinamento pós-registro em hidroterapia para assegurar que os fisioterapeutas fossem apropriadamente treinados no uso da água como meio terapêutico. Essa formação tem sido incluída nos programas de fisioterapia do Reino Unido de forma rotineira, e o nível de treinamento parece bem além do que o do início da maioria dos currículos de fisioterapia dos Estados Unidos. Dada a forte ênfase, em muitos desses países, na prevenção, há também muitos programas de exercícios aquáticos dirigidos para prevenção, saúde e bem- estar geral. Dois exemplos dessas iniciativas de prevenção e manutenção são os programas de exercícios para a população geriátrica e nos programas para as mulheres durante a gravidez e no período pós-parto. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p.11). Mais tarde, na década de 80, Harold Dull, desenvolvia o método Watsu. Uma variação do shiatsu em piscina terapêutica aquecida, conhecida também como “poemas escritos na água”. (DULL, 1980, p.15) PISCINA TERAPÊUTICA A Imersão ou hidroterapia é uma das formas mais antigas de prescrição médica. Seus efeitos benéficos são elogiados desde a Antiguidade. Na mitologia, a mágica das águas prometia rejuvenescer a pessoa que fosse imersa. A “mágica” deriva dos seus efeitos de imersão, que causa efeitos diuréticos, mostrando-se terapêutica. (ARTAL, WISWELL e DRINKWATER, 1999, p. 271). O chão em volta da piscina deve ser antiderrapante e de preferência antitérmico. A escada para a entrada dos pacientes à piscina devem conter degraus largos e barras de proteção dos dois lados. Já dentro da piscina, nas paredes, devem conter barras fixadas as mesmas. A piscina deve ser tratada com cloro e/ou salinização e ozônio. Os níveis de cloro devem ser 1,5-3,0 partes por milhão. Os níveis de PH devem ser de 7,2-7,8. O teste bacteriológico deve ser realizado regularmente. Todos os resultados devem ser registrados meticulosamente. A lavagem do fundo e das paredes da piscina deve ser realizada regularmente. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 457). TEMPERATURA Os efeitos da temperatura da água são respostas diferentes dependendo da temperatura da água. A captação de oxigênio durante o exercício na água pode ser aumentada na água fria por causa do efeito do tremor. A magnitude do efeito é uma função do grau de adiposidade dos pacientes, da intensidade e da duração do exercício. Em repouso, o tremor ocorre quando a temperatura da água está abaixo de 28°C a 34°C dependendo da duração e do grau de adiposidade do corpo do indivíduo. Já em movimento, a execução dos exercícios de intensidade baixa a moderamente alta, o volume de oxigênio (VO²) é aumentado quando a temperatura da água for inferior a 26°C, com o aumento da VO² proporcional a queda na temperatura central do corpo para menos de 37ºC. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 47). Em cada caso e tratamento, o efeito pode ser grande com a diferença da temperatura da água e é de suma importância para o êxito de cura do paciente. Mais a seguir aprenderemos técnicas e as suas temperaturas adequadas para serem executadas. O fisioterapeuta deve cuidar da temperatura da água da piscina e da temperatura e da umidade do ar, pois o excesso ou queda acentuada de temperatura pode provocar desequilíbrios e até danos no organismo do paciente. (CAROMANO e NOWOTNY, 2002, p. 402). AMBIENTE É essencial que o ambiente seja limpo, claro, agradável e seguro. As barras de segurança devem estar de acordo com as normas para que acidentes sejam evitados. Sons ambientes e adaptados aos ritmos são bem-vindos e muito estimulantes. Deve haver lava-pés na entrada da piscina. A temperatura do ambiente deve ser 25° Celsius. O nível de umidade deve ser de 55%. Toda a equipe deve ser treinada e testada regularmente sobre os procedimentos de segurança de emergência e ressuscitação. As substâncias químicas devem ser armazenadas em lugar escuro, seguro, frio e seco. É necessário manusear o material químico com óculos protetores e luvas. É importante que tenha um espaço para guardar roupas, cadeiras de rodas, bengalas e muletas. Banheiros bem equipados com armários e vestiários, de modo a manter a privacidade dos pacientes. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 457). VENTILAÇÃO A ventilação do ambiente é muito importante para que os pacientes não se superaqueçam e respirem com tranquilidade e eficiência. (ARGO, 2007, p. 3). O fisioterapeuta deve cuidar da temperatura da água da piscina e da temperatura e da umidade do ar, pois o excesso ou queda acentuada de temperatura pode provocar desequilíbrios e até danos no organismo do paciente. (CAROMANO e NOWOTNY, 2002, p. 402). PRINCÍPIOS FÍSICOS DA ÁGUA Os efeitos terapêuticos e fisiológicos da água são muito amplos. Isso se dá a uma série de efeitos relacionados às forças físicas atuando sobre o organismo dentro da água. Esses princípios físicos, muito conhecidos desde o advento da ciência, afetam quase todos os sistemas fisiológicos do organismo humano. Vamos estudar um a um, juntos. DENSIDADE A densidade é definida como massa por unidade de volume e é designada pela letra grega p. Onde m é a massa e V é o volume. Caracterizada pela fórmula: p = m/V A densidade é uma variável dependente da temperatura, embora muito menos para os sólidos e líquidos do que para os gases. Como o corpo humano é constituído principalmente de água, a densidade do corpo é ligeiramente menor do que a da água. Sendo que os homens têm, em média, uma densidade mais alta do que as mulheres. Consequentemente, o corpo humano desloca um volume de água que pesa ligeiramente mais do que o corpo, forçando o corpo para cima por uma força igual ao volume de água deslocado. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 18). GRAVIDADE Além da densidade, as substâncias são definidas pela sua gravidade específica, a relação entre a densidade da substância e a densidade da água. A água tem uma gravidade específica igual a um (1) quando a 4º Celsius. Como esse número é uma proporção, ele não tem unidade. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 18). PRESSÃO HIDROSTÁTICA A pressão é definida como força por unidade de área, em que força, por convenção é suposta, atuando perpendicularmente a área da superfície. Sendo constado experiencialmente que os líquidos exercem pressões em todas as direções. Segundo a Lei de Pascal. a pressão do líquido é exercida igualmente sobre todas as áreas da superfície de um corpo imerso em repouso, a uma determinada profundidade. Em uma posiçãopontual teórica imersa em um recipiente de água, a pressão exercida sobre esse ponto é igual a partir de todas as direções. A pressão de um líquido aumenta com a profundidade, e é diretamente relacionada à densidade do líquido. Quando o líquido é incompressível, como a água, a pressão exercida por ele sobre um corpo em profundidade pode ser utilizada como recurso terapêutico. Portanto, a pressão hidrostática é maior no fundo da piscina, por causa do peso da água suprajacente. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 18,19) FLUTUAÇÃO O princípio de Arquimedes estabelece que um corpo submerso experimente um impulso para cima igual ao peso do mesmo volume de líquido que desloca. Assim sendo, em vez de uma força descendente com da gravidade e do peso corporal, os indivíduos na piscina experimentam um força ascendente – flutuabilidade – relacionada com a profundidade da água e a gravidade específica – densidade. O fator de flutuação pode ser alterado terapeuticamente simplesmente por meio do ajuste da quantidade do corpo humano imersa. Caso o efeito desejado seja de retirada parcial da carga, a profundidade de imersão é reduzida: com imersão até o processo xifoide, é descarregado em torno de 75% do peso corporal, e com a imersão até a cicatriz umbilical, em torno de 50%. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 18,19). Os princípios físicos da água estão exemplificados abaixo na figura: FIGURA- PRINCÍPIOS FÍSICOS DA ÁGUA Pressão sobre um corpo flutuante com a cabeça fora da água e porcentagem de descarga de peso em corpo imerso até o pescoço. FONTE: Revista Fisioterapia Brasil – volume 3 – nº 6 – nov/dez – 2002. p. 398. ESTEIRA, REDEMOINHOS E ARRASTO Quando um objeto se move através da água, cria-se uma diferença de pressão à frente e na traseira do objeto, sendo que a pressão traseira torna-se menor que a dianteira. Como consequência, ocorre um deslocamento do fluxo de água para dentro da área de pressão reduzida, denominada esteira. Na região da esteira formam-se redemoinhos, que tendem arrastar para trás o objeto, o arrasto. Quanto mais rápido o movimento, maior o arrasto. O coeficiente de arrasto está relacionado com a forma como o corpo está alinhado com a correnteza. O deslocamento de um corpo na água pode estar alinhado ou desalinhado com a correnteza. O corpo está alinhado com a correnteza quando ao mover-se pela água produz pouca separação das linhas de corrente e pequena perturbação da água. A sua largura é pequena. Quando o corpo está desalinhado com a corrente, produz-se grande separação das linhas de corrente e formam-se ondas ao seu redor. Sua largura é grande. Dessa forma, a resistência ao movimento depende da velocidade e da forma do objeto. (CAROMANO e NOWOTNY, 2002, p. 400). EFEITOS FISIOLÓGICOS DA IMERSÃO EM REPOUSO Os efeitos combinados da densidade da água, incompressibilidade e da pressão hidrostática criam um compressão significativa sobre todos os tecidos do organismo em imersão. Assim sendo, a piscina pode constituir uma boa opção para os indivíduos com edema ou derrame articular das extremidades inferiores, que são os efeitos desejáveis. (HALL e BRODY, 2001, p. 289). Pois, todos os tecidos moles são comprimidos, de modo que os retornos venoso e linfático são aumentados. Por outro lado, efeitos indesejáveis também podem ocorrer, um exemplo disso é colocar um paciente com expansão torácica reduzida em uma imersão até a altura de seu pescoço. Portanto, escolher a profundidade apropriada da água com base no estudo da saúde específica do paciente, assim como dos objetivos fisioterapêuticos desse paciente. A pressão hidrostática produz também centralização do fluxo sanguíneo periférico, o que altera a dinâmica cardíaca. As alterações cardiovasculares à centralização do fluxo sanguíneo são progressivas e ocorrem com a simples imersão, mesmo antes de o indivíduo iniciar os exercícios. Essa pressão atua uniformemente sobre o espaço vascular, resultando em rápida expansão do volume plasmático. Entretanto, quanto maior a quantidade de fluido extravascular, mais é transferido para o intravascular. Forçando assim, uma expansão do volume sanguíneo central e uma redistribuição do sangue para o segmento cefálico. O efluxo ocorre em segundos e, em indivíduos imersos até o pescoço, leva uma expansão de até 700 ml do intravascular. A pressão hidrostática também tem efeito significativo sobre o sistema pulmonar. A centralização do volume sanguíneo provoca ingurgitamento da vasculatura pulmonar, resultando em retenção de ar e em pequena redução na capacidade vital forçada (CVF). A CVF reduzida está relacionada a uma diminuição no volume de reserva expiratório. (ARTAL, WISWELL e DRINKWATER, 1999, p. 271). As alterações na função respiratória são desencadeadas pela ação da pressão hidrostática de duas maneiras diferentes, aumentando o volume central e comprimindo a caixa torácica e o abdômen. O volume residual, contudo, parece permanecer inalterado. Essas alterações na função pulmonar não impõem nenhuma limitação para indivíduos normais. A resposta renal à imersão inclui o débito urinário (diurese) com perda de volume plasmático, sódio (natriurese), perda de potássio (potassiurese) e supressão de vasopressina renina e aldosterona plasmática. A imersão em água fria potencializa essa resposta. O papel de diurese em imersão é usualmente explicado como um forte mecanismo compensador homeostático para contrabalançar a distensão sofrida pelos receptores pressóricos cardíacos. Esses mecanismos são amenizados com o tempo de imersão, mas em situação terapêutica, de aproximadamente uma hora de imersão, os efeitos persistem várias horas após a imersão. (CAROMANO, THEMUDO FILHO e CADELORO, 2003, p. 2,3) A temperatura também influencia diretamente na musculatura. Quando fria provoca espasmos e contrações musculares. Quando quente provoca hipotonia fisiológica, ou seja, o relaxamento da musculatura. Vários estudos identificaram uma queda na frequência cardíaca (FC) nos indivíduos que se exercitavam em água fria, enquanto que em água muito quente pode-se observar a elevação da FC. Foi sugerido que a temperatura termoneutra é aproximadamente de 34° Celsius, enquanto que a maioria das piscinas varia entre 27º Celsius e 35° Celsius. Conclui-se que convém conhecer a atual temperatura das piscinas e os efeitos potenciais sobre o paciente. O centro de equilíbrio do paciente, pelo simples fato de entrar na piscina é alterado no mesmo momento, por meio do trabalho postural conseguido pela água, em que o paciente para manter-se em pé, faz uma correção entre as forças atuantes – propriedades físicas da água e o seu próprio centro de gravidade. (CARREGARO e TOLEDO, 2008, p. 24). Embora o centro de gravidade humano seja localizado em um ponto ligeiramente posterior ao plano mediossagital e ao nível do umbigo, o centro de flutuação humana e no meio do tórax. O fato de a força de flutuação ser uma força para cima tem consequências importantes no ambiente aquático terapêutico. Ajudando assim, o corpo humano flutuante na manutenção de uma postura de cabeça para fora ereta ou quando são usados aparelhos de flutuação, por meio do torque (momento de força), fazendo o indivíduo flutuar em decúbito dorsal ou ventral. A aplicação do conceito torque no ambiente aquático pode ser demonstrada pela interação entre a força de empuxo e o posicionamento do corpo na água. O que representa a capacidade de rotação de uma força, quando a mesma é aplicada sobre um sistema de alavanca. (CARREGARO e TOLEDO, 2008, p. 24). No caso das articulações, quando o corpo imerge, gradualmente, a água é deslocada, criando a força de flutuação. Isso retira a carga das articulações imersas progressivamente, e, com imersão até o pescoço, somente aproximadamente 7,5 Kg de forçacompressiva é exercida sobre a coluna, quadris e joelhos. Já para um corpo suspenso ou flutuante, os efeitos da gravidade para baixo são essencialmente contrabalanceados pela força de flutuação para cima. Um exemplo disso é um paciente com fratura de pelve, que o torna mecanicamente instável fora da água, mas que em imersão, as forças gravitacionais podem ser parcialmente ou completamente superadas, de modo que as forças de torque muscular estarão presentes no local da fratura, permitindo ao paciente atividade de amplitude de movimento e até o treino da marcha. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p. 20). Do ponto de vista fisiológico, são inúmeras as respostas desencadeadas pela ação de um corpo imerso na água. O reajuste dos sistemas circulatório, respiratório, renal e ativação dos mecanismos de termorregulação. Essas respostas podem se alterar pela realização de exercício físico na água. A seguir vamos ver essas respostas de imersão combinada à atividade física, o que para o tratamento hidroterapêutico tem suma importância e para cada paciente e patologia. (CAROMANO e NOWOTNY, 2002, p. 402). EFEITOS FISIOLÓGICOS DA IMERSÃO EM RESPOSTA AO EXERCÍCIO Em virtude das propriedades físicas da água, os fatores que determinam o custo energético do exercício na água são diferentes do que aqueles em terra, pois a força de flutuação reduz o peso do corpo, reduzindo assim o gasto energético para elevar o corpo contra a força de gravidade. A maioria dos estudos demonstra que a frequência cardíaca (FC) é mais baixa e não se modifica em comparação com uma atividade cardiovascular semelhante realizada em terra firme. Durante o exercício dinâmico leve e moderado, usado em programas de exercício na água, a maior parte na energia usada para sustentar a atividade física é suprida por meio do metabolismo aeróbio. (HALL e BRODY, 2001, p. 293-6). Como já estudados anteriormente, a pressão hidrostática que centraliza o fluxo sanguíneo ainda ocorre, aumentando assim, o fluxo sanguíneo para os músculos ativos. A profundidade de imersão afeta os graus de alterações cardíacas, com um aumento na profundidade produz maiores modificações cardiovasculares. Chegamos à conclusão que a temperatura, a profundidade, a velocidade do movimento, a direção do movimento, o indivíduo são de suma importância para a realização de um bom programa de exercício em imersão. BENEFÍCIOS TERAPÊUTICOS DAS PROPRIEDADES FÍSICAS Todos os princípios físicos são clinicamente úteis, sem modificação adicional, embora possam ser ampliados para uma variedade de situações clínicas, mediante equipamentos adicionais, segundo Becker. De forma geral, a densidade pode ser alterada para facilitar ou resistir movimentos e auxiliar na sustentação e flutuação do corpo. A força de flutuação também pode auxiliar a atingir os objetivos acima, além de poder auxiliar em técnicas de mudança de decúbito e auxiliar e facilitar o deslocamento de todo corpo, como por exemplo, durante a marcha. A pressão hidrostática auxilia a descarga de peso sobre os membros inferiores, auxilia na estabilização de articulações instáveis, na resolução de edemas e pode servir como exercício respiratório em algumas doenças respiratórias. Variações no ambiente aquático, como a produção de turbulência, cria um meio interessante para o trabalho de equilíbrio estático e dinâmico. O movimento em meio aquoso sendo dependente da forma do corpo ao se deslocar na água e da velocidade, pode ser modificado de inúmeras maneiras, criando as mais diversas situações terapêuticas. A força de arrasto pode ser utilizada para facilitar os movimentos, tanto do paciente quanto do terapeuta. Uma vez que o paciente posicionado atrás do terapeuta, o movimento de resistência é vencido pelo terapeuta e facilitado para o paciente. O inverso é verdadeiro. A utilidade da temperatura tépida da água depende da sua grande capacidade de reter e transferir calor. Para o organismo humano significa conforto, melhora da circulação periférica e alívio da dor. (CAROMANO e NOWOTNY, 2002, p. 402). EQUILÍBRIO E O PORQUÊ DA ÁGUA A reabilitação aquática é integrante de um vasto número de programas de terapia. Quer os usuários nadem em estilos tradicionais, quer fiquem em pé verticalmente na piscina de terapia, a sua lesão musculoesquelética ou neurológica pode ser tratada em meio aquoso. A reabilitação bem-sucedida é o resultado não somente de um terapeuta competente, mas também de uma instalação aquática cuidadosamente planejada e segura. A terapia aquática é usada para tratamentos de uma variedade de disfunções, incluindo dor com movimento, movimento limitado, força diminuída, amplitude movimento diminuído ou edema. Com um aumento na compreensão dos benefícios que podem ser obtidos de um programa de terapia aquática, muitos serviços individuais, hospitais e clínicas consideraram a construção das suas próprias instalações aquáticas. (RUOTI, MORRIS e COLE, 20 00, p. 391). O somatório de determinados movimentos, correndo concomitante e sequencialmente, caracterizam algumas atividades que são importantes no processo de reeducação funcional: caminhada, corrida, salto, movimentos funcionais de membros superiores, inferiores e tronco. Manter o equilíbrio em imersão é o ponto de partida para um movimento controlado na água. Compreender os mecanismos do equilíbrio e as forças que agem neste momento são importantes para elaborar o início de um movimento suave e preciso. Apesar do potencial de desequilíbrio ser muito maior nesse meio, várias posturas oferecem equilíbrio no meio aquoso. (CAROMANO e IDE, 2003, p. 127). Promover a estabilidade do paciente dentro da água é crítico para o fisioterapeuta, pois a partir desse passo estabelece-se um vínculo de confiança. As posições mais utilizadas para os tratamentos são: Bola: depende única e exclusivamente do terapeuta. O paciente é envolvido nos braços do terapeuta, de forma que o paciente se posiciona no colo do mesmo. O apoio do paciente está em dois pontos do terapeuta. O terapeuta envolve o braço direito ao redor do pescoço do paciente e o braço esquerdo na fossa poplítea (atrás do joelho). Essa posição é a inicial para prover segurança e preparar o paciente para as outras. Cubo: o paciente submerge parte do corpo e assume uma postura sentada, com os braços estendidos à frente do corpo, logo abaixo do nível da água. No início do treinamento para essa postura é possível que o paciente seja mantido sentado sobre o joelho fletido do terapeuta. Triângulo: o paciente fica em bipedestação, submerso, somente com a cabeça para fora da água e mantêm os membros inferiores afastados, o que confere maior estabilidade aos desequilíbrios laterolaterais e, os membros superiores também afastados do tronco, de modo que permaneçam em imersão. Bastão: o paciente fica em bipedestação, submerso, somente com a cabeça para fora da água e mantêm os membros inferiores os membros superiores em posição neutra. Essa posição permite desequilíbrio tanto laterolateral como anteropo sterior. As posições de cubo, triângulo e bastão, num nível mais avançado podem ser utilizadas em diferentes decúbitos, na tentativa de adquirir a livre flutuação, além de uma turbulência ao redor do paciente, para os níveis mais avançados de tratamento. A compreensão dos mecanismos de desequilíbrio capacita o terapeuta a compreender o movimento contrário a ser realizado, como objetivo de retornar a posição de equilíbrio, treinando assim a rotação/contrarrotação, que pode ser realizada em supino, decúbito ventral, decúbito lateral e bipedestação. (CAROMANO e IDE, 2003, p. 127-28). OBJETIVO DOS EXERCÍCIOS REALIZADOS EM PISCINA TERAPÊUTICA A terapia na piscina deve ser considerada para os pacientes com problemasque surgem de fraqueza muscular, perda de mobilidade articular, coordenação e equilíbrio ruim, dor ou falta de confiança. O valor específico da terapia na piscina sobre o tratamento a seco é derivado do fato de boiar, que contratua a gravidade, proporciona apoio e alivia a pressão de apoio com carga nas articulações, por exemplo, nas condições degenerativas. O aquecimento da água reduz a dor e pode relaxar o espasmo muscular. O meio possibilita a mobilidade para os pacientes em cadeiras de rodas ou em recuperação de imobilização prolongada. O importante é que ela proporciona lazer, recreação e risadas, que são todos os aspectos vitais da reabilitação. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 455). OBJETIVOS DA HIDROTERAPIA Os objetivos são inúmeros. Vale destacar: Fortalecimento muscular: os músculos são fortalecidos por trabalho progressivo contra resistência graduada. Mobilidade articular: o alívio da dor e do espasmo muscular pelo aquecimento da água e por apoio ao boiar pode restaurar o movimento livre das articulações. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 456). Além da descarga de peso do corpo imerso na água, lembrando que se o indivíduo estiver em imersão quase que total, somente a cabeça para fora da água, essa descarga pode chegar até 90% menos do seu peso corporal. (CAROMANO e NOWOTNY, 2002, p. 396). Alívio da dor: a liberdade geral de movimentos em uma piscina possibilita que esse líquido flua por meio dos planos teciduais, removendo metabólitos e melhorando a nutrição. Os pacientes relatam alívio da dor, que em geral está associada com espasmos musculares ou tensão em condições degenerativas ou lesão crônica. Coordenação e equilíbrio: as técnicas de Bad Ragaz e os princípios do Halliwick ajudam o paciente a readquirir a coordenação. O valor especial do Halliwick é ensinar ao paciente o controle da respiração e o equilíbrio na água, possibilitando assim que tenha confiança ao meio líquido. Confiança: reforçamento do moral do paciente pelas atividades recreacionais, proporcionando ao paciente confiança para alcançar máxima independência funcional. Relaxamento muscular: a piscina morna estabelece um relaxamento muscular profundo, além da descarga de peso e hipotonia da musculatura. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 456). INDICAÇÕES DA HIDROTERAPIA Espondilite anquilosante; Osteoartrose; Artrite reumatoide; Poliartrite crônica juvenil; Espondilose; Capsulite; Distúrbios mecânicos da coluna; Polimialgia reumática; Grandes fraturas, especialmente nos membros inferiores ou na coluna; Cirurgia ortopédica; Distúrbios neurológicos como hemiplegia, paraplegia, tetraplegia, polineuropatia; Crianças são particularmente beneficiadas pela liberdade de movimento fornecida pela água. A terapia na piscina também tem valor para manter a forma física e aliviar a dor lombar durante a gestação e após o nascimento. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 455); Gestantes que em resposta a imersão, reduziram a frequência cardíaca, a pressão sanguínea, o edema, hematócrito, proteína plasmática, capacidade vital forçada e volume de reserva expiratória. (ARTAL, WISWELL e DRINKWATER, 1999, p. 273). Reabilitação física e cardiorrespiratória na Melhor Idade. (GONÇALVES, 2003, p. 35-6). CONTRAINDICAÇÕES DA HIDROTERAPIA Durante a avaliação fisioterapêutica e hidroterapêutica, alguns pacientes devem ser excluídos, do mesmo modo a garantir a sua própria segurança e eficiência do tratamento da hidroterapia. As contraindicações são: Feridas infectadas; Condições cutâneas agudas; Pirexia (a temperatura corporal do paciente deve estar normal por 24 horas antes da hidroterapia); Incontinências (a menos que seja controlada); Cardiopatia com angina de repouso; Trombose venosa profunda; Embolia pulmonar recente; AVC recente (dentro de três semanas). Distúrbios gastrointestinais; Traqueostomia; A consideração meticulosa é essencial para os pacientes com feridas abertas cobertas com curativo a prova d´agua, por exemplo, Opsite; Hipotensão e hipertensão; Epilepsia; com: Vertigem; Capacidade vital baixa (abaixo de 900 ml); Nefropatia; Diabetes; Insuficiência tireoidiana; Radioterapia nos três meses anteriores. Alguns cuidados devem ser tomados ao tratar, na hidroterapia, pacientes Tinea pedis ou verrugas (a hidroterapia deve ser adiada até que essas condições se resolvam); AIDS (os pacientes não devem ser tratados com essa síndrome quando há cortes na pele); Hidrofobia (medo de água deve-se ser ensinado o controle respiratório); Lentes de contato; Aparelhos auditivos; Alergia ao cloro; Hemofilia; Retardo mental grave. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, p. 456- 7). EQUIPAMENTOS E FACILITADORES PARA O TRATAMENTO EM PISCINA TERAPÊUTICA Além dos flutuadores utilizados no método, existem ainda outros materiais que podem ser utilizados, a fim de aumentar a resistência e o grau de dificuldade do exercício, nesse caso para grupos avançados e com melhores condicionamentos físico, muscular e cardiovascular. Como luvas de neoprene, caneleiras com e sem peso. MATERIAIS UTILIZADOS FIGURA-LUVAS DE NEOPRENE https://www.arican.com.br/luva-protec-o-quimica-neoprene-latex-xg-danny- 224-ca-5774.html FIGURA - CANELEIRAS DE EVA https://www.ispsaude.com.br/caneleira-tradicional-em-eva- FIGURA - COLETE PÉLVICO, TAMANHO GRANDE E MÉDIO PARA CADA TIPO DE COMPOSIÇÃO CORPORAL DE EVA FIGURA - TORNOZELEIRA TAMANHO GRANDE DE EVA. FIGURA - PLATAFORMA DE DIMINUIÇÃO DE PROFUNDIDADE. FIGURA - ANÉIS ESTABILIZADORES DE MEMBROS INFERIORES DE EVA. FIGURA - ANÉIS ESTABILIZADORES DE MEMBROS SUPERIORES DE EVA FIGURA - COLAR CERVICAL DE EVA. FIGURA - BASTÕES ESTABILIZADORES DE MEMBROS SUPERIORES GRANDE E MÉDIO DE EVA AVALIAÇÃO FISIOTERAPÊUTICA E HIDROTERAPÊUTICA Com o passar dos anos, a Fisioterapia Aquática em piscina aquecida – uma intervenção na água de origem milenar – difundiu-se acerca dos níveis de prevenção e recuperação cineticofuncional terapêutica, tornando-se uma área de atuação de extrema importância para os profissionais fisioterapeutas. É notável que a eficácia de uma terapia aquática inicie-se, em grande parte, em uma avaliação bem planejada e conduzida, abrangendo todas as informações necessárias. Um programa de Fisioterapia efetivo começa com uma coleta de informações sobre o paciente, de modo a poder avaliar com precisão a gravidade da disfunção apresentada e determinar se ele será beneficiado com o exercício aquático terapêutico. Uma avaliação ampla e minuciosa é essencial para a construção de um plano aquático de tratamento adequado para as necessidades e limitação de cada paciente. Assim, uma eficiente avaliação hidroterapêutica deve ser composta por duas partes: uma parte em solo e outra aquática (BARBOSA, CAMARGO, ARRUDA e ISRAEL, 2006. p.136-142). Uma avaliação completa do paciente evita o perigo de deixar passar alguns fatores de contribuição importante e permite a definição das limitações funcionais do paciente (KISNER e COLBY, 1992, p.3). Dentro da avaliação em solo são necessários alguns itens como: dados pessoais, história da moléstia atual, atividades aquáticas prévias, contraindicações relativas e absolutas em relação à terapia aquática, dados vitais, avaliação postural, avaliação funcional, exame físico geral e escala de graduação da dor. A avaliação deve fornecer detalhes que possam destacar os resultados alcançados com o programa de intervenção, devendo conter: informações do paciente, histórico da patologia, sintomas, condição pós-cirúrgica, anormalidades posturais,habilidades nas atividades de vida diária ou capacidade funcional, amplitude articular do movimento ativa e passiva, testes de resistência muscular, aparência e nível da dor. A avaliação em solo é considerada uma fonte de informações adequadas para se basear o programa aquático. O fisioterapeuta deve examinar o paciente de modo completo e se certificar de que todas as contraindicações peculiares a fisioterapia aquática sejam excluídas. Essa verificação é necessária em uma avaliação inicial e antes da entrada na piscina, à procura do aparecimento de contraindicações após início do tratamento. Na avaliação aquática, é necessária a avaliação dos efeitos da flutuação e do calor sobre, por exemplo, a força muscular do paciente, amplitude de movimentação das articulações, equilíbrio e atividades funcionais. A avaliação dentro da água deve ser feita na primeira sessão na piscina e incluir no mínimo os seguintes critérios: habilidade do paciente em entrar na piscina, a flutuabilidade do paciente na água, habilidade do paciente em caminhar na água, a posição ou posições de conforto do paciente, a resposta do paciente a diferentes padrões de movimento, a habilidade do paciente de sair da piscina, habilidade de submergir o rosto (controle da respiração), habilidade de entrar em água profunda, habilidade de flutuar em supino ou prono e de ficarem em posição vertical a partir de ambas as posições, habilidades combinadas necessárias para executar braçadas de natação recreacional, conhecimento básicas de segurança na água (BARBOSA, CAMARGO, ARRUDA e ISRAEL, 2006. p.136-142). Se o paciente não tem habilidade no ambiente aquático, será importante que o fisioterapeuta entre na piscina com o paciente para que ele se adapte ao meio líquido, até quando for necessário. O desequilíbrio pode ser voluntariamente provocado, principalmente visando mudança de postura, tanto a partir a bipedestação quanto nos decúbitos. Provocar desequilíbrios e ensinar o autocontrole auxilia o paciente a obter maior controle sobre seu corpo no meio aquático (CAROMANO e IDE, 2003, p.127). Após a avaliação minuciosa do paciente, tanto em solo quanto aquático, será possível determinar a necessidade do paciente. O próximo passo é planejar o tratamento, o que envolve o estabelecimento de metas do mesmo (KISNER e COLBY, 1992, p.4). As metas ou objetivos do tratamento são baseados em problemas identificados durante a avaliação. Condição psicológica do paciente. Reações e expectativas. Assistência em casa ou alternativa, como por exemplo, tratamento em grupo ou individual. Reação, cooperação e responsabilidades da família, bem como os planos e metas vocacionais do paciente (KISNER e COLBY, 1992, p. 8). REABILITAÇÃO AQUÁTICA EM PACIENTES CARDÍACOS, VASCULARES E PULMONARES A reabilitação aquática tem uma importante função para o tratamento de grupos especiais devido às propriedades de a água proporcionarem benefícios para o organismo tanto como os efeitos fisiológicos vascular, efeitos sobre as articulações, sistema renal, cardiorrespiratório, musculoesquelético, entre outros, trazendo melhoras na qualidade de vida. A resposta cardiorrespiratória durante a imersão, a água exerce pressão sobre o corpo. Um efeito importante desse aumento de pressão acontece no sistema de retorno venoso, que é sensível a diferenças de pressão externa. Proporciona o deslocamento do sangue em uma via de mão única, que “deságua” nos maiores vasos da cavidade abdominal e para o coração. O fluxo sanguíneo no pulmão também aumenta, devido ao aumento da pressão sanguínea. Tal resposta favorece uma maior troca gasosa, devido ao aumento de sangue na circulação pulmonar. Ocorre também um aumento no consumo energético, pois o coração deve aumentar a força de contração e aumentar o débito cardíaco, em resposta ao aumento de volume de sangue. Ainda, a imersão na altura do tórax afeta significativamente o ritmo respiratório e ocasiona aumento do trabalho respiratório, devido à compressão da caixa torácica. (SILVA e LIMA, 2011, p. 5,11). REABILITAÇÃO AQUÁTICA EM PACIENTES NA OSBSTETRÍCIA E PÓS- PARTO Na Obstetrícia sabe-se que, por meio de estudos realizados, que o exercício em meio líquido para a grávida são muito bem-vindos e o bebê também se beneficia. Os efeitos fisiológicos da imersão, conferindo atenção específica às vantagens para a gestante, são os mesmos estudados anteriormente, tanto na imersão em repouso, quanto na imersão com exercício. A característica do programa de hidroterapia para as gestantes é atuar sobre as principais alterações físicas, por meio dos exercícios de aquecimento, alongamento, fortalecimento e postural que a hidroterapia oferece, com o objetivo de amenizar e evitar as queixas gestacionais, que possam vir a incomodar a gestante. Focando em uma gestação saudável e especial. (ARTAL, WISWELL e DRINKWATER, 1999, p. 271). Fisiologicamente a mulher grávida sofre alterações hormonais, cardiovasculares, respiratórias, nutricionais e de termorregulação. Os maiores efeitos hormonais sobre o sistema musculoesquelético são causados pelo hormônio relaxina. Por esse e por outros motivos que a gestante se encaixa em um grupo especial. Ao se estabelecerem recomendações para exercício apropriado em um ambiente aquático para a mulher grávida, a distribuição da massa corporal e o efeito global do peso sobre as articulações que sustentam peso durante as atividades funcionais devem ser consideradas. A pressão hidrostática é a propriedade física mais influente da água para a paciente grávida imersa na piscina. Lembrando que a Lei de Pascal afirma que a pressão líquida é exercida igualmente em qualquer nível e pressão horizontais. Centralizando assim o fluxo sanguíneo e favorecendo mamãe e bebê. (RUOTI, MORRIS e COLE, 2000, p.193-195). Durante a gestação a mulher passa por inúmeras alterações anatômicas, fisiológicas, hormonais e psicológicas que necessitam de um cuidado especial. Os efeitos terapêuticos que a água oferece atuam diretamente na: Dor; Edema; Musculatura; Articulação; Equilíbrio e esquema corporal; Reeducação da marcha. Nas grávidas, os grupos musculares que necessitam de uma atenção especial são: Arcos plantares; Pelve, dobradiça lombossacra e equilíbrio vertebral; Região Cervical; Região do Períneo; Peitoral; Isquiotibiais; Iliopsoas; Glúteos; Quadríceps; Abdômen. Contraindicações relativas: Hipertensão; Ruptura prematura de membranas; Trabalho de parto pré-termo; Incompetência cervical; Sangramento; Gravidez gemelar; Hipertensão arterial; Anemia ou outros distúrbios sanguíneos; Disfunção tireoidial; Disritmia cardíaca; Diabetes; Obesidade excessiva; Histórico anterior de vida excessivamente sedentária; Falta de peso excessiva; Apresentação pélvica durante o terceiro trimestre; Placenta prévia. Infecções generalizadas (garganta, ouvido, gastrointestinais) Contraindicações absolutas: Diagnósticos de placenta prévia sem acompanhamento médico; Doenças cardíacas graves e em evidência; Trabalho de parto prematuro; Histórico de três ou mais abortos espontâneos; Tromboflebite; Hipertensão séria; Ruptura de bolsa e/ou sangramentos; Falta de controle pré-natal. Na paciente grávida, além das avaliações fisioterapêuticas e hidroterapêuticas, também se deve realizar a avaliação obstétrica. A hidroterapia está completamente liberada para as pacientes grávidas, com um único cuidado especial, com diástase dos retos abdominais. Quando a gestante for realizar uma atividade de recrutamento intenso dos retos abdominais é necessário que ela transpasse as mãos em cima dos retos. A mão direita mantém o reto do lado esquerdo e a mão esquerda mantém o reto do lado direito,fazendo uma pressão ao modo que os retos sejam unidos e que sejam evitados uma maior separação dos mesmos. Nesse caso, a paciente deve usar um colar cervical, pois os membros superiores estarão protegendo os retos abdominais. Nessa figura a paciente está com o colar cervical, mas é a fisioterapeuta que está mantendo e protegendo os retos abdominais da paciente. FIGURA -PACIENTE GRÁVIDA, COM COLAR CERVICAL E FLUTUADOR ESTABILIZADOR EM QUADRIL Segundo a Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, as alterações anatômicas que ocorrem no pós-parto são: O útero involui para o seu tamanho pré-gestacional em seis semanas. A loqueação involui gradualmente de três e seis semanas. A parede abdominal permanece flácida e solta durante semanas e apenas o treinamento gradual devolverá a sua forma pré-gestacional. As alterações do trato urinário levam pelo menos oito semanas para reverter. A episiotomia e as lacerações vaginais cicatrizam, entre uma e duas semanas. O períneo parece completamente recuperado em seis semanas. A maior parte das alterações relacionadas à gravidez reverte para níveis de pré-gravidez em 30 dias. Embora as concentrações séricas de relaxina produzidas pelo corpo lúteo da gravidez diminuam para o normal entre três e sete dias pós- parto, seus efeitos anatômicos podem persistir até 12 semanas. (THOMSON, SKINNER e PIERCY, 1994, 400 p.). Portanto, as alterações físicas e hormonais da gestação provocam relaxamento dos tecidos de suporte pélvico. O parto vaginal estira esses tecidos ainda mais. Algumas mulheres se queixam de desconfortos ou até mesmo incontinência urinária de esforço e podem ficar preocupadas com o estado da vagina durante a relação sexual. O objetivo da hidroterapia no pós-parto é restabelecer a força muscular abdominal e perineal, tratar possível incontinência urinária, melhorar a postura e voltar à forma física anterior a gestação. A recuperação a partir de qualquer condição clínica é um processo gradual que varia de um indivíduo para outro. (KISNER e COLBY, 1992, p.559).