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AVALIAÇÕES, METODOLOGIAS E DEFINIÇÕES PARA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA E PREVIDENCIÁRIA 11 de setembro de 2023 C P F C A E P F C N O P J C N O P F C A R G O S F U N C I O N À R I O S C N P J Elaborado pela equipe do Sistema ESO, este eBook reúne um compilado de informações sobre ruído ocupacional, explicando o ruído contínuo, intermitente e de impacto, além de elucidar questões referentes à legislação trabalhista e previdenciária. Abordamos os principais aspectos do ruído, incluindo dosimetria e interpretações de resultados de exames de audiometria. Tipos de Ruído Sobre Q=3 e Q=5 Medição e Dosimetria Exames Audiométricos Nomenclaturas e Cálculos Limites de Tolerância Ainda não tem o Sistema ESO em sua empresa? Acesse aqui nosso link promocional! Este material foi revisado pelo Engenheiro de Segurança do Trabalho Thiago Machado! https://bit.ly/cursos_Thiago_Machado # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # # https://conteudo.sistemaeso.com.br/formulario-desconto-sistema-eso https://bit.ly/cursos_Thiago_Machado RUÍDO CONTÍNUO, INTERMITENTE E DE IMPACTO Ruído ocupacional pode ser definido como ‘qualquer som indesejado presente no ambiente de trabalho que gere risco físico à saúde do trabalhador’. Há três tipos de ruído ocupacional: o ruído contínuo, intermitente e de impacto. O Ruído Contínuo ou Intermitente, conforme a NR 15 (Anexo 1, item 1), é todo o ruído que não seja de impacto. Ruído de Impacto são os ruídos que apresentam picos de energia acústica de duração inferior a 1 segundo e intervalos superiores a 1 segundo. Ao bater um martelo em pequenos intervalos pode-se ter uma certa noção do que seria o ruído de impacto. Portanto, todo o ruído que não for de impacto, será por consequência um ruído contínuo ou intermitente. A diferença entre Ruído Contínuo e Intermitente é a variação das ondas sonoras. No ruído contínuo nota-se muito pouca variância. No ruído intermitente a variância é constante, o “barulho” aumenta e diminui. Para entendimento, imagine o barulho de uma abelha: representa um ruído contínuo, longo e de pouca variância. Agora imagine uma broca de furar asfalto, o barulho aumenta e diminui (variância de ruído). Veja definições e exemplos gráficos na sequência. Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. RUÍDO CONTÍNUO Considera-se ruído contínuo aquele cuja variação de nível de intensidade sonora é muito pequena em função do tempo. Costuma variar entre 3dB durante um período de observação maior que 15 minutos. RUÍDO INTERMITENTE Considera-se ruído intermitente aquele que apresenta grande variação de nível de intensidade sonora em função do tempo. Basicamente, é um som que varia muito de volume, sem um padrão ordenado. RUÍDO DE IMPACTO Os ruídos de impacto apresentam picos de energia acústica de duração inferior a 1 segundo e intervalos superiores a 1 segundo. É como o bater de um martelo. Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. Retornar ao topo SOBRE LIMITE DE TOLERÂNCIA E LEGISLAÇÃO Primeiramente, lembremos que quando falamos de ruído ocupacional, estamos nos referindo a um agente físico. Existem diferenças na legislação trabalhista e previdenciária para as avaliações de ruído ocupacional, no que se refere a insalubridade e aposentadoria especial. Para documentos de Normas Regulamentadoras (legislação trabalhista), como o PGR (Programa de Gerenciamento de Riscos), por exemplo, é necessário informar todos os tipos de riscos: químicos, físicos, biológicos, mecânicos e ergonômicos. Para a legislação previdenciária, é necessário informar apenas os riscos que constam em decretos previdenciários, como a aposentadoria especial. Como o ruído é um risco físico, avaliado de forma quantitativa, é um agente decisivo na garantia da aposentadoria especial dos trabalhadores. Informar um valor de ruído errado no evento S-2240 pode custar caro para a empresa, já que o eSocial registra o histórico laboral que dará ensejo à aposentadoria especial do trabalhador (caso este tenha o direito). As informações referente aos riscos ocupacionais no evento S-2240 do eSocial compõem o PPP eletrônico do trabalhador, o documento que garante e comprova a aposentadoria especial. As informações do evento S-2240 são preenchidas com base no LTCAT - Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho, que é também um documento previdenciário. É importante saber sobre a diferença entre legislação trabalhista e previdenciária, porque em alguns casos as metodologias de avaliação de risco são diferentes. No que se refere ao ruído, para comprovação de insalubridade deve-se seguir as instruções da NR 15. Para comprovação de aposentadoria especial, deve-se seguir as instruções presentes no Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999. Antes de prosseguir com a leitura, abandone qualquer polêmica em relação aos incrementos de duplicação de dose Q=3 e Q=5. Sabemos que este é um assunto que gera alvoroço entre os profissionais. O que trazemos neste material são fatos e definições, com seus respectivos respaldos jurídicos. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. Retornar ao topo LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO DE IMPACTO RUÍDO DE IMPACTO MEDIANTE A NR 15 (INSALUBRIDADE) Mediante o Anexo 2 da NR 15 (Insalubridade), o limite de tolerância para ruído de impacto é de 130 dB (linear). Além disso, o intervalo entre os picos deve ser avaliado como ruído contínuo. Os níveis de impacto são sempre medidos em decibéis — dB, com medidor de nível de pressão sonora operante em circuito linear e circuito de resposta para impacto. Em caso de não se dispor de medidor de nível de pressão sonora com circuito de resposta para impacto, será válida a leitura no circuito de resposta rápida (FAST) e circuito de compensação “C”. Neste caso, o limite de tolerância será de 120 dB (C). Níveis de ruído de impacto acima de 140 dB (linear) ou 130 dB (C — FAST) serão considerados risco grave e iminente para a saúde do trabalhador, mediante a NR 15. Ressaltando, a NR 15 estabelece os critérios para o adicional de insalubridade, que se refere à legislação trabalhista. RUÍDO DE IMPACTO PARA A PREVIDÊNCIA SOCIAL Os limites descritos acima não se aplicam para a legislação previdenciária, pois os regulamentos da Previdência Social e as diversas Instruções Normativas do INSS não preveem o enquadramento como atividade especial por exposição ao ruído de impacto. O evento S-2240 do eSocial, que informa os agentes nocivos (Previdência) através da Tabela 24, tabela esta que não apresenta nenhum código referente a Ruído de Impacto, temos apenas, o código referente a Ruído Contínuo ou Intermitente (02.01.001). Isso se dá, pelo fato do Anexo IV do Decreto 3.048 não reconhecer o Ruído de Impacto como sendo ensejador do direito a Aposentadoria Especial e sabemos que a Tabela 24 do eSocial é cópia fidedigna do Anexo IV do RPS. Portanto, reforçando, ruído de impacto gera insalubridade (legislação trabalhista) mas não gera aposentadoria especial (legislação previdenciária). Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. Retornar ao topo LIMITES DE TOLERÂNCIA PARA RUÍDO CONTÍNUO/ INTERMITENTE Existem duas tabelas para limite de tolerância para ruído contínuo e intermitente: o Anexo 1 da NR15 (trabalhista) e Tabela 1 da NHO 01 (previdenciário). A principal diferença do ruído contínuo e/ou intermitente da Legislação Trabalhista e da Previdenciária está no incremento de duplicação de dose destas tabelas. Na Legislação Trabalhista é utilizado o incremento q=5, de 5 dB. Na Previdenciária utiliza-se o incremento q=3, de 3 dB. Por hora, ignore qualquer polêmica relacionadaao q=5 e o q=3. Abordaremos o assunto, de forma específica, ao decorrer do material. RUÍDO CONTÍNUO/INTERMITENTE TRABALHISTA | INCREMENTO Q=5 Incremento de duplicação de dose é o valor em decibéis necessários para que o tempo de atividade seja dividido pela metade. Se o incremento for q=5, significa que a cada +5 dB o tempo de exposição permissível será reduzido pela metade. Exemplo: nível de ruído contínuo a 85 dB (A) equivale a 8 horas máximas permitidas de atividade. Se este ruído sobe para 90 dB (A), o tempo máximo permitido será 4 horas (metade de 8). Caso suba ainda mais, para 95 dB, o tempo máximo será reduzido para 2 horas (metade de 4), e assim por diante. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. (exemplificação do Quadro do Anexo I da NR 15) Retornar ao topo RUÍDO CONTÍNUO/INTERMITENTE PREVIDENCIÁRIO|INCREMENTO Q=3 No incremento q=3, é a mesma lógica, porém é a cada 3 dB (A) que o tempo de atividade deve ser reduzido pela metade. Este incremento é mais rigoroso do que o q=5, já que o tempo de exposição é reduzido com menor diferença de decibéis. O incremento de duplicação q=3 é usado para caracterizar a aposentadoria especial, que hoje deve ser informada através do evento S-2240 do eSocial e LTCAT. A tabela utilizada para o q=3 é a tabela da NHO 01 da Fundacentro. O incremento q=5 é utilizado para caracterizar o adicional de insalubridade da NR 15. É através do q=5 que o trabalhador receberá ou não o adicional de insalubridade devido ao ruído ocupacional. Apesar dessas definições, há uma certa polêmica envolvendo os incrementos de duplicação de dose, no que se refere à legislação previdenciária (LTCAT e eSocial). Alguns profissionais interpretam algumas notas técnicas e decretos de forma diferente, gerando dúvida e promovendo a falta de uniformidade nos métodos avaliativos. A seguir, elucidamos algumas questões sobre o assunto, fornecendo os respaldos jurídicos que comprovam as teses. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. (exemplificação da Tabela 1 da NHO 01 da Fundacentro) Imagine uma situação onde dois trabalhadores estão expostos aos mesmos níveis de ruído ocupacional, sob os mesmos fatores ambientais da atividade. Após longos anos de contribuição, apenas um deles recebe o direito à aposentadoria especial. Ora, mas por que o outro não recebeu o mesmo direito, já que esteve exposto aos mesmos níveis de ruído ao longo do tempo? Descobre-se então que um dos motivos é que consta no histórico laboral de um deles a utilização do fator de dobra Q=5 nas avaliações de ruído, enquanto o outro teve as avaliações realizadas utilizando a metodologia Q=3. O trabalhador que teve as avaliações em Q=3 ganhou o benefício da aposentadoria especial, enquanto o trabalhador que teve as avaliações feitas em Q=5 no histórico, não ganhou o mesmo direito. Como resultado, a empresa agora precisa arcar com os processos e responsabilidades jurídicas decorrentes desta situação. Este é um bom exemplo de como os fatores de dobra Q=3 e Q=5 são importantes na avaliação de ruído ocupacional. Q=3 Q=5 Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. Retornar ao topo O QUE DIZ O REGULAMENTO DA PREVIDÊNCIA SOCIAL (RPS) O decreto que aprova o Regulamento da Previdência Social (RPS) é o Decreto n.º 3.048, de 6 de maio de 1999. Este decreto traz os Anexos referentes a todos os agentes nocivos que devem ser considerados para os benefícios previdenciários, onde consta o ruído no item 2.0.1 do Anexo IV. O Regulamento da Previdência Social já sofreu diversas alterações ao longo dos anos, onde a principal delas referente ao ruído ocupacional foi em 2003, através da redação dada pelo Decreto n.º 4.882. A redação regulamenta que para ruído ocupacional deve ser considerada: “a) exposição a Níveis de Exposição Normalizados (NEN) superiores a 85 dB(A).” O Decreto n.º 3048/1999 também estabelece que: “Art. 68. A relação dos agentes químicos, físicos, biológicos, e da associação desses agentes, considerados para fins de concessão de aposentadoria especial, é aquela constante do Anexo IV.” (Redação dada pelo Decreto n.º 10.410, de 2020). Ou seja, o Regulamento da Previdência Social (decreto 3048/1999) estabelece dois pontos importantes: Para aposentadoria especial devem ser considerados os agentes nocivos do Anexo IV. Para avaliação do ruído (constante no Anexo IV) deve ser considerada a exposição a Níveis de Exposição Normalizados (NEN) superiores a 85 dB(A). Até aqui, não restam dúvidas: a metodologia utilizada para avaliação de ruído ocupacional, para fins de aposentadoria especial, é o NEN superior a 85 dB(A). A fórmula do NEN é baseada no incremento q=3. NEN = NE + 10*log (Te / 480) - Te é o tempo de duração, em minutos, da jornada diária de trabalho. - NE é o nível médio representativo da exposição diária. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. Retornar ao topo POR QUE HÁ DIVERGÊNCIA ENTRE Q=3 E Q=5? Ora, se o RPS determina a metodologia, pela fórmula do NEN, por qual motivo há tanta divergência de opinião entre utilizar q=3 e q=5 para aposentadoria especial? A Instrução Normativa PRES/INSS n.º 77, de 21 de janeiro de 2015, trouxe um item que gerou polêmica. No artigo 279, a IN 77 determinava para comprovação de atividades especiais: “I - a metodologia e os procedimentos de avaliação dos agentes nocivos estabelecidos pelas Normas de Higiene Ocupacional NHO da FUNDACENTRO; e II - os limites de tolerância estabelecidos pela NR-15 do MTE.” Posteriormente, a Instrução Normativa PRES/INSS n.º 128, publicada em 28 de março de 2022, reforçou a então revogada IN 77, determinando no Art. 292 o enquadramento do NEN acima de 85 db (A), aplicando-se: “a) os limites de tolerância definidos no Quadro do Anexo I da NR-15 do MTE; e b) as metodologias e os procedimentos de avaliação ambiental definidos nas NHO-01 da FUNDACENTRO.” Em ambos os artigos, a interpretação de um item vai, em contrapartida, com o outro, já que o quadro da NR-15 é com fator de dobra q=5, enquanto a metodologia da NHO 01 da FUNDACENTRO é q=3 (NEN). Esta interpretação de ambas as Instruções Normativas gerou toda a polêmica sobre q=3 e q=5. Acredita-se que, possivelmente, houve um erro interpretativo na elaboração dos textos. Há a tese também de que a Previdência sugeriu, por meio destas instruções normativas, incluir o incremento q=5 para ensejo da aposentadoria especial, como um complemento ao Decreto 3048/1999. Apesar das teses e interpretações, é fato que a Instrução Normativa nº. 128 acabou fornecendo respaldo jurídico para que se utilize o q=5, mesmo soando contraditório com o decreto do Regulamento da Previdência Social. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. Retornar ao topo QUAL METODOLOGIA UTILIZAR PARA LAUDO DE INSALUBRIDADE, LTCAT E ESOCIAL? Para laudos de insalubridade, deve-se utilizar o incremento de duplicação de dose q=5, não há dúvidas quanto a isso, pois a própria NR-15 estabelece este critério. A Norma Regulamentadora n.º 15 regulamenta as atividades e operações insalubres, com aplicação direta na legislação trabalhista. Os principais procedimentos, limites e adicionais de insalubridade estão todos descritos no texto da norma. Para a legislação previdenciária, como vimos ao longo do artigo, há respaldo legal para ambos os incrementos de duplicação de dose. Contudo, o q=3 é mais indicado para evitar processos jurídicos, por dois motivos: 1. A metodologia da NHO 01 (NEN), onde é utilizado o incremento de duplicação de dose Q=3, é mais benéfico para o trabalhador. Isso evita processos jurídicos futuros, que costumam surgir quandotrabalhadores são penalizados por erro da empresa. 2. Decreto tem hierarquia maior do que qualquer Instrução Normativa. E no Decreto diz que deve ser metodologia da NHO 01, com limite de tolerância de 85 dB(A). No Decreto não é mencionado NR-15, apenas limite de tolerância. A confusão com Q=5 existe por conta de Instruções Normativas. Apesar de o Q=3 ser mais indicado para evitar “dor de cabeça” para a empresa, o Q=5 também tem respaldo jurídico e o próprio INSS solicitou um pedido de uniformização, aceitando a decisão do Conselho da Justiça Federal. Com isso, os dois principais respaldos jurídicos para o Q=5, são: - Instrução Normativa PRES/INSS n.º 128, publicada em 28 de março de 2022. - Pedido de Uniformização de Lei para Ruído Previdenciário, solicitado pelo INSS para o Conselho da Justiça Federal. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/instrucao-normativa-pres/inss-n-128-de-28-de-marco-de-2022-389275446 https://arquivos.sistemaeso.com.br/blog/downloads/pedido-uniformizacao-de-interpretacao-de-lei-turma-n-05056148320174058300-pe.pdf Retornar ao topo CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES SOBRE Q=3 E Q=5 Como descrito ao longo do material, existem respaldos jurídicos para ambos os incrementos de duplicação de dose na legislação previdenciária. Quando um profissional diz que “Q=5 está errado”, ou “Q=3 está errado”, ele está defendendo alguma determinação jurídica ou normativa. É importante conhecer as fontes e de onde veio cada opinião. Utilizar o incremento de duplicação Q=3 pode ser mais seguro do ponto de vista jurídico. O Q=5 pode ser utilizado, e existe respaldo para isso, contudo gera mais incerteza. Em um eventual processo jurídico decorrente de trabalhadores prejudicados por avaliações de ruído ocupacional, será necessário um esforço maior no âmbito jurídico para defender a empresa caso as avaliações tenham sido feitas em Q=5. Recomenda-se utilizar um equipamento de medição de ruído que mostre ambos os resultados em Q=3 e Q=5. Dessa forma, na avaliação de riscos, é possível gerar uma avaliação para ruído trabalhista (insalubridade) e outra para previdenciário (LTCAT, evento S-2240), com uma única medição. No Sistema ESO, ao cadastrar e avaliar ruído ocupacional, sempre recomendamos registrar duas avaliações, uma para ruído trabalhista e outra para ruído previdenciário. Desta forma, utiliza-se o previdenciário para LTCAT/S-2240 do eSocial e o trabalhista para insalubridade. Apesar das argumentações apresentadas neste artigo, referentes aos incrementos de duplicação de dose, fica a cargo do profissional decidir qual metodologia utilizar. Estas são nossas sinceras considerações e esperamos que os ajude a elucidar este polêmico assunto. Acesse a NR 15 e a NHO 01 abaixo: NR 15 — Atividades e Operações Insalubres (atualizada) NHO 01 da Fundacentro Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. https://sistemaeso.com.br/ https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-15-atualizada-2022.pdf https://arquivos.sistemaeso.com.br/blog/downloads/norma-de-higiene-ocupacional-fundacentro-avaliacao-da-exposicao-ocupacional-ao-ruido-nho-01.pdf Retornar ao topo MEDIÇÃO E DOSIMETRIA DO RUÍDO OCUPACIONAL O instrumento de medição de ruído deve ser configurado conforme os Anexos da NR 15. O Anexo 1 refere-se ao ruído contínuo ou intermitente, enquanto o Anexo 2 refere-se ao ruído de impacto. A avaliação de ruído de impacto difere da avaliação de ruído contínuo e intermitente, sendo avaliadas separadamente. Para ruído de impacto é necessário configurar o aparelho para operar em circuito linear e circuito de resposta para impacto. Essas leituras devem ser feitas o mais próximo possível do ouvido do trabalhador. Nestas situações, LINEAR + CIRCUITO DE RESPOSTA PARA IMPACTO, o limite de tolerância será de 130 dB (linear). Caso o medidor/dosímetro não tenha o circuito de resposta para impacto, é possível ainda fazer a medição utilizando o circuito de resposta FAST com CIRCUITO DE COMPENSAÇÃO “C”. Neste caso, o limite de tolerância é de 120 dB (C). Em caso de resposta FAST, o ideal é fazer uma medição instantânea, captando apenas o impacto. Portanto, conforme a NR 15, a medição do ruído de impacto pode ser feita com dois aparelhos: 1. Aparelho em circuito LINEAR + circuito de RESPOSTA PARA IMPACTO: limite de tolerância de 130 dB (LINEAR). 2. Aparelho em circuito de resposta rápida FAST + circuito de COMPENSAÇÃO “C”: limite de tolerância de 120 dB (C). Quando ambas as medições ultrapassam 10 dB acima do limite, são consideradas risco grave e iminente caso os trabalhadores não utilizem EPC ou EPI. Vale lembrar que o intervalo entre os picos de impacto deve ser avaliado como ruído contínuo. A seguir, veja como é feita a dosimetria para ruído contínuo/intermitente. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. MEDIÇÃO PARA RUÍDO DE IMPACTO Retornar ao topo MEDIÇÃO PARA RUÍDO CONTÍNUO E INTERMITENTE Como mencionado, a medição para ruído contínuo ou intermitente deve ser feita em q=5 se for para justificar insalubridade e q=3 se for para constatar aposentadoria especial (eSocial e LTCAT). A Tabela 24 do eSocial traz o código 02.01.001 — Ruído, que deve ser utilizado para informar os níveis de ruído previdenciário acima do nível de ação. Caso queira consultar esta informação, confira o item 3.5 do Manual do eSocial, no evento S-2240 — Condições Ambientais do Trabalho — Agentes Nocivos. Para incremento q=3, o parâmetro para determinar os limites de tolerância é o NEN — Nível de Exposição Normalizado. Para incremento de duplicação q=5, utiliza-se a dose diária (Lavg). Confira o quadro a seguir. A configuração do aparelho de medição deve estar conforme a tabela acima. A NR 15 não determina as configurações, mas é sugerido que seja feito como mostrado na tabela. Alguns aparelhos já possuem as configurações adequadas como padrão q=3 e q=5, neste caso não é necessário configurar. Atenção para não confundir o Nível Limiar de Integração (NLI) com Nível de Ação. Na NHO 01, considera-se o Nível de Ação no valor NEN, igual a 82 dB(A). Para NR 15, considera-se o Nível de Ação a partir de 80 dB(A). Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. CONFIGURAÇÃO NR 15 NHO 01 Circuito de compensação A A Circuito de resposta SLOW SLOW Critério de referência (CR ou CL) 85 dB 85 dB Nível Limiar de Integração (NLI, TL ou TH) 80 dB 80 dB Faixa de medição mínima 80 a 115 dB 80 a 115 dB Incremento de duplicação de dose (FDD, IDD, ER ou Q) q = 5 q = 3 Parâmetro de determinação de Limite de Tolerância Lavg (dose diária) NEN Ruído Contínuo/Intermitente Retornar ao topo AUDIOMETRIA E CONTROLE OCUPACIONAL Após compreender o ruído ocupacional e seus métodos avaliativos, é necessário entender como realizar o controle ocupacional por meio das avaliações de audiometria. Por isso, é imprescindível saber sobre NR 7, em especial o Anexo II, que trata sobre a avaliação e controle da exposição a níveis de pressão sonora elevados. Todos os empregados envolvidos ou que venham a se envolver em atividades realizadas em ambientes com níveis de pressão sonora acima do nível de ação, como definidos no Programa de Gerenciamento de Risco (PGR) da organização, devem passar por exames audiométricos de referência e sequenciais. Isso inclui aqueles que fazem uso ou não de protetores auriculares. Os exames audiométricos abrangem as seguintes etapas: - Anamnese clínico-ocupacional; - Exame otológico; - Exame audiométrico realizado conforme as normas deste Anexo; - Outros exames audiológicos complementaressolicitados a critério médico. É essencial e obrigatório que os exames audiométricos sejam conduzidos nos seguintes momentos: - Na admissão do colaborador; - Anualmente, tomando como base o exame realizado na admissão; - Na demissão. Para a demissão, é aceitável um exame audiométrico feito até 120 dias antes do término do contrato de trabalho. O intervalo entre os exames pode ser ajustado pelo médico do trabalho responsável pelo Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. Confira abaixo uma imagem hipotética de uma parte do exame de audiometria, gerada pelo Sistema ESO — Software para Medicina do Trabalho. Os valores lançados na imagem acima são apenas hipotéticos, mas nesta hipótese o resultado pode ser um indicativo de Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE). Há diferenças significativas em médias aritméticas das frequências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz. Este pode ser considerado um critério para desencadeamento de PAINPSE, ou outra perda auditiva de condição irreversível. No Sistema ESO, é possível informar e registrar os resultados dos exames de audiometria, possibilitando acompanhar com precisão a saúde do trabalhador. Assim, as empresas que utilizam o software conseguem realizar a gestão de riscos juntamente com a de exames, para monitoramento da saúde, mantendo em dia laudos e eventos de SST do eSocial. https://conteudo.sistemaeso.com.br/formulario-desconto-sistema-eso Retornar ao topo INTERPRETAÇÃO DOS RESULTADOS DA AUDIOMETRIA Conforme o Anexo II da NR 7, segue um compilado das interpretações dos resultados audiométricos. Confira aqui a NR 7 atualizada para mais detalhes. Dentro dos Limites Aceitáveis: Resultados com limiares auditivos iguais ou menores que 25 dB (NA) em todas as frequências testadas são considerados aceitáveis para este Anexo. Sugestivo de PAINPSE: Resultados indicam Perda Auditiva Induzida por Níveis de Pressão Sonora Elevados (PAINPSE) quando os audiogramas revelam limiares acima de 25 dB (NA) nas frequências de 3.000 e/ou 4.000 e/ou 6.000 Hz. Esses limiares devem ser mais elevados do que em outras frequências, seja no teste via aérea ou óssea. Critérios de Desencadeamento de PAINPSE: A evolução dos exames é importante. Se, em exames sequenciais, os limiares auditivos continuarem até 25 dB (NA), mas mostrarem diferenças significativas em médias aritméticas das frequências de 3.000, 4.000 e 6.000 Hz (maior ou igual a 10 dB) ou piora em pelo menos uma frequência de 3.000, 4.000 ou 6.000 Hz (maior ou igual a 15 dB), isso é sugestivo de desencadeamento de PAINPSE. Critérios de Agravamento de PAINPSE: Se exames sequenciais confirmarem a evolução, mostrando diferenças significativas em médias aritméticas das frequências de 500, 1.000 e 2.000 Hz ou 3.000, 4.000 e 6.000 Hz (maior ou igual a 10 dB) ou piora em uma frequência isolada (maior ou igual a 15 dB), isso sugere agravamento de PAINPSE. Cuidados Médicos em Casos de PAINPSE: Em casos de desencadeamento ou agravamento de PAINPSE, o médico deve definir aptidão, incluir no relatório, participar de programas de conservação auditiva e disponibilizar cópias dos exames. Resultados Divergentes: Se exames audiométricos de referência mostrarem divergências, o médico deve investigar se há múltiplas agressões ao sistema auditivo, encaminhar para avaliação especializada, definir aptidão e participar de programas de conservação auditiva. Material desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgaos-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/arquivos/normas-regulamentadoras/nr-07-atualizada-2022-1.pdf Caso ainda não tenha o Sistema ESO implantado em sua empresa, temos um desconto especial para você. Link PROMOCIONAL para aquisição de nosso software para SST e eSocial! Quero desconto no Sistema ESO https://conteudo.sistemaeso.com.br/formulario-desconto-sistema-eso Dose: parâmetro utilizado para a caracterização da exposição ocupacional ao ruído, expresso em porcentagem de energia sonora, tendo por referência o valor máximo da energia sonora diária admitida, definida com base em parâmetros preestabelecidos (q, CR, NLI). Dose Diária: dose referente à jornada diária de trabalho. Dosímetro de Ruído: medidor integrador de uso pessoal que fornece a dose da exposição ocupacional ao ruído. Dosimetria: medição de ruído ocupacional para encontrar o valor da dose. Incremento de Duplicação de Dose (q): incremento em decibéis que, quando adicionado a um determinado nível, implica a duplicação da dose de exposição ou a redução para a metade do tempo máximo permitido. Limite de Exposição (LE): parâmetro de exposição ocupacional que representa condições sob as quais acredita-se que a maioria dos trabalhadores possa estar exposta, repetidamente, sem sofrer efeitos adversos à sua capacidade de ouvir e entender uma conversação normal. Nível de Ação: valor acima do qual devem ser iniciadas ações preventivas para minimizar a probabilidade de que as exposições ao ruído causem prejuízos à audição do trabalhador e evitar que o limite de exposição seja ultrapassado. Nível Equivalente (Neq): nível médio baseado na equivalência de energia. Nível de Exposição (NE): nível médio representativo da exposição ocupacional diária. Nível de Exposição Normalizado (NEN): nível de exposição, convertido para uma jornada padrão de 8 horas diárias. Nível Limiar de Integração (NLI): nível de ruído a partir do qual os valores devem ser computados na integração para fins de determinação de nível médio ou da dose de exposição. Nível Médio (NM): nível de ruído representativo da exposição ocupacional relativo ao período de medição, que considera os diversos valores de níveis instantâneos ocorridos no período e os parâmetros de medição predefinidos. Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. NOMENCLATURAS E DEFINIÇÕES Cálculo do Neq: Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. FÓRMULAS E CÁLCULOS Cálculo do NE Cálculo da Dose Diária Cálculo do NEN Tabela 1 da NHO 01: Tempo máximo diário de exposição permissível em função do nível de ruído. Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. ANEXO Anexo Nº 1 da NR 15: Tempo máximo diário de exposição permissível em função do nível de ruído. Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. ANEXO Normas de Higiene Ocupacional - NHOs, (NHO 01) Disponível em: <https://www.gov.br/fundacentro/pt-br/centrais-de-conteudo/biblioteca/nhos>. Norma Regulamentadora No. 9 (NR-9). Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgao s-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentador as-vigentes/norma-regulamentadora-no-9-nr-9>. Norma Regulamentadora No. 15 (NR-15). Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/acesso-a-informacao/participacao-social/conselhos-e-orgao s-colegiados/comissao-tripartite-partitaria-permanente/normas-regulamentadora/normas-regulamentador as-vigentes/norma-regulamentadora-no-15-nr-15>. Ruído na Legislação Trabalhista e Previdenciária (eSocial). Disponível em: <https://sistemaeso.com.br/blog/seguranca-no-trabalho/ruido-na-legislacao-trabalhista-e-previdenciaria-p ara-o-esocial>. Acesso em: 29 ago. 2023. Q=3 ou Q=5 para Ruído no eSocial? Saiba definitivamente qual metodologia utilizar. Disponível em: <https://sistemaeso.com.br/blog/esocial/q3-ou-q5-para-ruido-no-ltcat-e-esocial-saiba-qual-metodologia-utilizar>. Acesso em: 29 ago. 2023. DECRETO No 3.048, DE 6 DE MAIO DE 1999. Disponível em: <https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048.htm>. Acesso em: 29 ago. 2023. INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 77, DE 21 DE JANEIRO DE 2015 - DOU - Imprensa Nacional. Disponível em: <https://www.in.gov.br/web/dou/-/instrucao-normativa-n-77-de-21-de-janeiro-de-2015-32120750>. INSTRUÇÃO NORMATIVA PRES/INSS No 128, DE 28 DE MARÇO DE 2022 - DOU - Imprensa Nacional. Disponível em: <https://www.gov.br/inss/pt-br/centrais-de-conteudo/legislacao/normas-interativas-2/normas-interativas>. Hearing loss induced by high levels of sound pressure in a dentist: A case report - Revista de Saúde. 2017 Jul./Dez.; 08 (2): 07-10. Disponível em: <https://www.researchgate.net/figure/Figura-1-Audiometria-tonal-do-paciente-demonstrando-perda-auditiv a-bilateral-nas_fig1_323375993>. Retornar ao topoMaterial desenvolvido pela equipe do Sistema ESO — Software para Saúde e Segurança do Trabalho integrado ao eSocial. FONTES Este material foi revisado pelo Engenheiro de Segurança do Trabalho Thiago Machado! https://bit.ly/cursos_Thiago_Machado https://bit.ly/cursos_Thiago_Machado Este é um material GRATUITO fornecido pelo Sistema ESO e não tem fins lucrativos por si próprio. Qualquer comercialização lucrativa deste material deve ser considerada ilegítima. As imagens e informações contidas neste material não têm relação com propagandas ou patrocínios para outras empresas. Imagens (editadas): unsplash/shutterstock/freepik Material gratuito desenvolvido por: Baixe mais materiais em: www.sistemaeso.com.br/conteudos. Gostou do material? Indique nosso conteúdo enviando o link da Newsletter para um amigo: Newsletter Sistema ESO http://www.sistemaeso.com.br/conteudos https://conteudo.sistemaeso.com.br/newsletter