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1 2 Sumário: Caderno Educação Infantil 4 Currículo da Cidade EJA- Caderno de Ciências Naturais 32 Currículo da Cidade EJA- Caderno de Geografia 33 Currículo da Cidade EJA- Caderno de História 34 Currículo da Cidade EJA- Caderno de Artes 35 Caderno EJA Língua Portuguesa 36 Currículo da Cidade -EJA - Matemática 40 Caderno Língua Portuguesa Ensino Fundamental: 43 Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Divisão de Ensino Fundamental e Médio. Orientações didáticas do currículo da Cidade: Língua Portuguesa, volume 1 65 Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Divisão de Ensino Fundamental e Médio. Orientações didáticas do currículo da Cidade: Língua Portuguesa, volume 2 67 Currículo da cidade: Ensino Fundamental: Matemática 70 Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Orientações didáticas do currículo da cidade: Matemática – volume 1 77 Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Orientações didáticas do currículo da cidade: Matemática – volume 2. – 2.ed. – São Paulo: SME / COPED, 2019. 83 Currículo da cidade: Ensino Fundamental: componente curricular: Ciências da Natureza. 91 Orientações didáticas do currículo da cidade: Ciências Naturais 97 Currículo da cidade: Ensino Fundamental: componente curricular: História 102 Orientações didáticas do currículo da cidade: História: 106 Currículo da cidade: Ensino Fundamental: componente curricular: Geografia 110 Orientações didáticas do currículo da cidade: Geografia: 117 Currículo da Cidade - Arte 123 Povos Migrantes: orientações didáticas 126 Currículo da cidade: Povos Indígenas: orientações pedagógicas 136 Currículo da Cidade - Educação Especial: Língua Brasileira de Sinais 141 3 Currículo da Cidade - Educação especial: Língua Portuguesa para surdos 143 Orientações didáticas do Currículo da Cidade: Educação Especial – Língua Brasileira de Sinais – Língua Portuguesa para surdos 144 Orientações para atendimento de estudantes: altas habilidades / superdotação. 157 Orientações para atendimento de estudantes: transtorno do espectro do autismo: 166 Atenção: Copyright © 2022 de Jessica Aparecida Pereira Todos os direitos reservados. Esta apostila ou qualquer parte dela não pode ser reproduzido ou usado de forma alguma sem autorização expressa, por escrito, do autor ou editor, exceto pelo uso de citações breves em uma resenha da apostila. Primeira edição, 2022 jessica3206@yahoo.com.br Canal Jessica Pereira no Youtube! Acesse: https://www.youtube.com/channel/UCMF_I6dwx-ybX3Rb-SV7X_g Inscreva-se no canal! https://www.youtube.com/channel/UCMF_I6dwx-ybX3Rb-SV7X_g 4 Caderno Educação Infantil Capítulo 1 Introdução: Concepções da escola da primeira infância: Ao longo dos anos, a educação infantil superou o assistencialismo e foi reconhecido que bebês e crianças são sujeitos de direitos, portanto, elas precisam ter vozes e serem protagonistas. Ao frequentarem a escola a suas experiências familiares se complementam e suplementam, descobrindo novos significados e ,consequentemente, a aprendizagem por meio das interações e brincadeiras. Territórios: Conceito de territórios de Milton Santos: Territórios são cenários que estão constantemente modificados pelos sujeitos e o fruto do seu trabalho é a cultura. Os territórios são muito mais que “Estados”, são espaços globalizados e ao mesmo tempo com disputas de poder. Os adultos constroem os territórios sem pensar nas crianças. As mesmas precisam apropriar-se do seu território para poder protegê-la. Um exemplo é a cena 1 do currículo da cidade da Ed. Infantil, em que as crianças revitalizaram uma praça com a ajuda da professora e familiares o tornando um local de brincadeiras fora da unidade escolar. PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS DO CURRÍCULO: Conceitos de infância + experiências vividas na escola Tríade do currículo: Equidade: Tratar diferente aquilo que aparece desigual ao ponto de partida para promover a justiça e igualdade. 5 Quando o sistema de ensino é equitativo? Quando apesar das diversidades ( desigualdades social, racial gênero, etc…) não impactou a apropriação da aprendizagem ( os resultados). Inclusão: Reconhecer as diferenças, mas do que isso o professor deve rever os seus conceitos, conhecer a comunidade, seus costumes, brincadeiras e valores. Para que possa haver a integração e inclusão. Educação de Integral: Não é só escola de tempo integral, no qual aumenta a carga horária dentro da escola, mas uma educação para o desenvolvimento global do sujeito: intelectual, físico, emocional, social, cognitivo e moral. Matrizes dos saberes: São 9 saberes essenciais para formar cidadãos integrais para as dinâmicas contemporâneas. São as mesmas 10 competências da BNCC, porém por questões políticas tem o nome ``matrizes dos saberes”. Ambas estão ligadas à agenda 2030 da ONU e seus 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável. Também está fundamentada nos Princípios éticos, políticos e estéticos definidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL, 2013, p. 107-108): 6 Princípios éticos – Justiça, solidariedade, comprometimento com o bem estar de todos, eliminação de preconceitos. O professor precisa promover vivências, práticas e atividades que trabalhem com essas questões. Princípios estéticos – cultiva a sensibilidade junto com a racionalidade, valorização das diversas formas de expressão e de culturas. Construção de identidades plurais e solidárias. Princípios políticos – Direitos e deveres, respeito ao bem comum, preservação do regime democrático e dos recursos ambientais. Garantia de acesso à educação, saúde, trabalho e bens culturais. Busca de uma sociedade mais igualitária e justa. A Matriz de Saberes tem como propósito formar cidadãos éticos, responsáveis e solidários que fortaleçam uma sociedade mais inclusiva, democrática, próspera e sustentável, e indica o que bebês, crianças, adolescentes, jovens e adultos devem aprender e desenvolver ao longo do seu processo de escolarização. Ela pode ser sintetizada no seguinte esquema: 1. Pensamento Científico, Crítico e Criativo 7 Saber: Acessar, selecionar e organizar o conhecimento com curiosidade e ludicidade Para: Explorar, descobrir, experienciar, observar, brincar, questionar, investigar causas, elaborar e testar hipóteses 2. Resolução de Problemas: Saber: Ter ideias originais e criar soluções, problemas e perguntas, sendo sujeitos de sua aprendizagem e de seu desenvolvimento Para: Encorajar a busca de alternativas, quanto mais alternativas para solucionar um problema melhor. 3. Comunicação: Saber: Utilizar as múltiplas linguagens, como verbal, verbo-visual, corporal, multimodal, brincadeira, artística, matemática, científica, Libras, tecnológica e digital para expressar-se. Para: Saber como falar, quando falar, de que forma falar e compartilhar. 4. Autoconhecimento e Autocuidado: Saber: Conhecer e cuidar de seu corpo, sua mente, suas emoções, suas aspirações, seu bem-estar e ter autocrítica. Para: Reconhecer limites, potências e interesses pessoais, gerir suas emoções e comportamentos, dosar impulsos e saber lidar com a influência de grupos. 5. Autonomia e Determinação: Saber: Criar, escolher e recriar estratégias, organizar-se, brincar, definir metas e perseverar para alcançar seus objetivos. Para: fazer escolhas, vencer obstáculos e ter confiança para planejar e realizar projetos. 6- Abertura à Diversidade: Saber: Abrir-se ao novo, respeitar e valorizar diferenças e acolher a diversidade; Para: Respeitar, reconhecer e referenciar a diversidade para combater preconceitos. 7. Responsabilidade e Participação Saber: Reconhecer e exercer direitos e deveres, tomar decisões éticas e responsáveis para consigo, o outro e o planeta. 8 Para: Agir de forma solidária, engajada e sustentável, respeitar e promover os direitos humanos e ambientais, serem sujeitos de ação para mudar a sua realidade. 8. Empatia e Colaboração Saber: Considerar a perspectiva e os sentimentos do outro, colaborar com os demais e tomar decisõescoletivas. Para: Não ser egoísta, se colar no lugar do outro e promover a cultura de paz. 9. Repertório Cultural Saber: Desenvolver repertório cultural Para: Ampliar o repertório cultural, apresentar aquilo que não se conhece artisticamente/estético. COMPROMISSO COM A EDUCAÇÃO PARA A EQUIDADE, A EDUCAÇÃO INCLUSIVA E A EDUCAÇÃO INTEGRAL Compromisso com a educação etnico-racial: afrodescentes, indígenas e migrantes, para combater preconceitos e educar com equidade para a igualdade. 1- Afrodescendentes: Combater o racismo velado que ocorre já na primeira infância; presente nas brincadeiras, olhares e falta de representatividade. Precisa-se dar visibilidade à cultura afro, não só conhecê-la, mas reconhecê-la na história da cultura brasileira e mundial e sua contribuição para as artes, literatura e ciências. 2- Povos Indígenas: Na cidade de São Paulo, têm 3 centros infantis de educação dentro de reservas e que as mesmas em 1ª lugar valorizam as suas tradições articulados como os saberes escolares. As crianças não indígenas precisam ter contato e reconhecer a importância da cultura dos índios. Há uma cena que mostra índios que foram visitar uma CEI e apresentam uma semente que solta tinta, logo as crianças começaram a explorar, assim tento contato com a cultura de maneira significativa e não estereotipada. 3- Migrantes: Em São Paulo, tem grande fluxo de migrantes que aumentou nos últimos anos devido a globalização, problemas econômicos, guerras, perseguições, etc. É preciso combater a xenofobia ( preconceito de estrangeiros), formando cidadãos solidários na convivência humana. As U.Es ( Unidades Escolares) não podem impor adaptação desses migrantes, mas sim acolhê-los. 9 Educação para as Relações de Gênero Não existe cor, brinquedos, brincadeiras e comportamentos de menino e menina, o espaço escolar precisa ser democratico e não dividido em gêneros. Como na cena em que a casinha deixou de ser rosa e passou a ser de madeira e com panelas de verdade, para incluir os meninos na brincadeira cotidiana de “fazer comidinha”. Com a parceria das famílias a escola combate o sexismo propagado pelas mídias por meio da educação. Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva Cita Vygotsky quando o mesmo diz que a aprendizagem não é uma determinação biológica, mas através das interações sociais, as crianças especiais que têm necessidades de aprendizagem específicas, podem aprender com os outros, mesmo por caminhos diferentes. Só o social não basta, precisa ser uma educação equitativa com rompimento das barreiras e com ferramentas para a igualdade. Precisa ter uma articulação com as famílias para sabermos acolher essas crianças com empatia. Educação para o Desenvolvimento Sustentável - Agenda 2030/ONU São 17 objetivos da ONU para um planeta sustentável, igualitário e justo. Os objetivos estão divididos nos 5 P’s : Pessoas, Prosperidade, Parceria, Paz e Planeta. Apesar da maioria das ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) tratar da sustentabilidade, o principal eixo das ODS é a educação. Pois é através da educação que as crianças podem se apropriar e ter afeto pela natureza e consequentemente adultos protegerem o nosso planeta. Todas as propostas do currículo estão associadas a alguma ODS e objetivo principal da SME-SP e a educação sustentável, que começa na educação infantil com pequenas atitudes cotidianas, projetos e contato com a natureza. 10 11 A DEMOCRACIA NA VIDA E NOS PROCESSOS EDUCATIVOS Democracia: Relacionada a gestão democrática conforme conforme a Constituição Federal 1988 e a LDB, as decisões precisam ter a participação da comunidade e as crianças terem voz, para participar e reconstruir por meio da cultura e intenções dos territórios. Cita John Dewey, quando fala na educação participativa para a transformações sociais, valorização das experiências e da educação por meio de projetos significativos do dia-a-dia das crianças, para as mesmas se apropriarem do território e consequentemente exercer a sua democracia. 12 Capítulo 2: INTERAÇÕES E BRINCADEIRAS O currículo da cidade tem como eixo as interações e brincadeiras que não podem ser fragmentadas e sim conjuntas. Cita Vygotsky na importância das interações pois é pelo convívio social que os sujeitos produzem o maior bem do território: A Cultura. Também cita a ZDP ( Zona de Desenvolvimento Proximal) e a importância da interação entre diferentes faixas etárias, pois com o outro posso aprender aquilo que ainda não sei, e ensinado quem não sabe posso aprender mais ainda. As brincadeiras: No brincar a criança cria hipóteses compara, assimila, constrói, fala, enfim aprende, as propostas precisam ter intencionalidades, com mediação e boas perguntas, mas ao mesmo tempo deixar as crianças livres na busca de seus interesses. EMEI: Exemplo de trabalho com democracia e brincadeira A prô propôs às crianças uma assembleia para criticar e sugerir e organizar juntos a rotina do dia. Na EMEI são 3 atividades: 1- Dirigida ( planejada pelo professor 2- Diversificada: planejada pela professora + crianças 3- Livre: Planejada só pelas crianças O ambiente precisa ser alfabetizador, não para alfabetizar na educação infantil, porém promover o contato com o letramento, que se dá ao ler um livro às crianças, deixá-los foliar livros ou quando se escreve na lousa o que combinamos para a organização do dia. Como, onde e com quem brincar: Faz referência ao brincar heurístico ( elementos da natureza), com o de desemparedamento da infância ( livro da autora Maria Isabel Amando Barros), sair da sala de referência e ter contato com outros ambientes dentro e fora da U.E. e a importância do planejamento dos espaços, tempos e materiais. O tempo não pode ser fragmentado, principalmente nas brincadeiras. Linguagens e práticas culturais: Múltiplas linguagens (Loris Malaguzzi), a linguagem não só oral, mas também as expressões podem acontecer: no desenho, dança, música, olhar, montar, moldar, etc.. Todas elas são linguagens, portanto, mesmo se as crianças não desenvolverem a falar, ainda assim expressam-se de outras formas e precisam ser “ ouvidas”, essas múltiplas linguagens precisam ser 13 exploradas por todas as crianças para que as mesmas se formem de maneira integral. Tudo isso é cultura infantil. As práticas com as linguagens: A importância dos espaços e materiais para as crianças terem autonomia para sua utilização e exploração, e a partir daí expressar-se seu aprendizado pelas múltiplas linguagens ( desenho, corpo, gestos, fala, etc..). Oportunizar o uso de materiais naturais: carvão, tintas naturais ( cenoura ou beterraba, por exemplo). As famílias junto com as crianças podem e devem participar ativamente nas transformações dos espaços escolares, com isso as crianças criam pertencimento aos espaços, consequentemente os preservam. Também nos exemplos das cenas a intencionalidades com ampliação da linguagem oral/escrita e matemática, trabalhar em colaboração, levantar hipóteses e resolução de problemas que tem tudo haver com as matrizes dos saberes. A partir dos interesses das crianças, o professor faz o planejamento. É a escuta das crianças que devem estar na construção e reflexão do PPP ( Projeto Político Pedagógico) Tempo: Não pode ser fragmentado, nem todas as crianças da turma estão no mesmo tempo (interesses/ desenvolvimento) e as atividades não precisam ser dirigidas o tempo todo pelo docente. Socialização e múltiplos contextos e tecnologia: Família, reconhecer as múltiplas famílias, para reconhecer, acolher e respeitar, combatendo o preconceito. Para isso é importante a participação ativa das famílias na escola, de acordo com suas possibilidades. Abolir datas comemorativas descontextualizadas e que só tem cunho comercial ( crítica da autora Maria Carmen Barbosa). Juntos com as famílias a U.E deve revisitar o PPP e repensar e criar novas festas e/ou eventos de acordo com a realidade da comunidade. Uso das tecnologias: O ambiente da U.E deve ser diferente do doméstico, portanto, as crianças não devem ficar longas horas expostasa telas. A tecnologia tem que ser usada como ferramenta para ampliar as experiências de aprendizagem e não como mero entretenimento e sem intencionalidade. 14 15 Capítulo 3: A REINVENÇÃO DA AÇÃO DOCENTE NA EDUCAÇÃO INFANTIL A Educação Infantil não é só cuidar, é um direito de estar na escola, independente se a mãe trabalha ou não, porque é direito da criança estar em um ambiente no qual ela terá interações e experiências que a levaram a sua formação social, civil e humana, conforme as matrizes dos saberes. O trabalho do professor vai além da sala de aula, pois requer envolvimento nas ações da U. E como o PPP , formação continuada, planejamento e articulação com as famílias, enfim fazer a sua gestão curricular. 5 Elementos para interligação: É preciso ter escuta atenta e sensível às famílias, para que as mesmas tenham espaço nessa articulação, pois também é sua responsabilidade. O primeiro passo para conhecer as crianças é o acolhimento. Por isso, o acolhimento dos bebês e das crianças, essencial na construção de sua identidade, é um compromisso. Cabe aos profissionais ter atenção aos espaços organizados para as vivências oferecidas, os tempos para as elaborações, as críticas, as releituras e as materialidades para as criações e os questionamentos que os bebês e as crianças evidenciam, sejam eles verbais ou gestuais. É preciso sustentar a possibilidade de que cada bebê e criança que esteja nas Unidades Educacionais (UEs) seja convidado a reinventar e transformar o mundo. 16 Também nesse processo há a importância do objeto de apego ou transicional (Winnicott), é o elo entre a mãe ( seio familiar) ao novo ambiente social ( escola). Depois é importante deixar a criança livre para o seu desenvolvimento motor. As crianças aprendem com o cotidiano, elas são produtoras de cultura e a partir daí o profissional deve articular as atividades com os interesses das crianças, transformando em algo intencional, os levando a situações de investigação, levantamento de hipóteses e validação de resultados. Podemos observar tudo isso através dos registros. Portanto, as crianças não aprendem só nas atividades dirigidas, mas também em todas as experiências vividas. O planejamento não pode ser algo pronto, deve ser um convite para as crianças e a partir daí apresentar seus interesses. A melhor maneira de colocar isso tudo mencionado acima é com a pedagogia de projetos (Barbosa), no qual todos aprendem de situado é não linear. Exemplo: cena na qual as crianças brincando no parquinho ficam curiosas com um pé de figo no qual os frutos estão caindo no chão, a partir da curiosidade da turma, a professora junto com as crianças fizeram um projeto de investigação sobre essa fruta. O COTIDIANO VIVIDO E REFLETIDO A rotina não pode ser rígida. Precisa ter espaço ao inusitado, como parte também do desenvolvimento e dentro dos 6 direitos de aprendizagem da BNCC. É no inusitado que as crianças reinventam o seu modo de viver. As 5 variáveis do cotidiano: Sempre articulado em espiral. 17 A organização dos espaços e um parceiro pedagógico. Na abordagem Reggio Emilia o ambiente é um terceiro educador. Com uma variedade de materiais, podemos criar estações de atividades dirigidas ou não, em que as crianças escolhem de acordo com os seus interesses e escolhe seus grupos, assim tendo interações e sem um tempo rígido e fragmentado, mas no tempo das crianças para uma experiência completa ( Winnicott). Completa-se esse espiral com as narrativas, no qual as crianças com múltiplas formas de expressão contam suas vivências, hipóteses, estratégias e emoções. Validam sua aprendizagem e consequentemente servem para que o professor faça as suas observações, registros e avaliações. Situações que contemplam as variáveis: Organização da U.E ( Cultura da escola ) , organização dos grupos ( crianças ), cenários de investigação e brincadeiras ( espaços, ambientes e materiais), projetos, oficinas e ateliês. Os seis direitos de aprendizagem da BNCC: PROJETOS: EXPLORAÇÕES E PESQUISAS NA VIDA COTIDIANA: Projetos: Importância de se trabalhar com projetos, porém não impor algo determinado, o professor tem que ter a sensibilidade de a partir das vozes e curiosidades trazidas pelas crianças nas situações do cotidiano ser o ponto de partida para o trabalho com projetos. Também podem ser temas mais amplos e 18 discutidos com as crianças, a partir de algo mais específico, contemplando sempre as intencionalidades que quero alcançar com aquilo ( trabalhar a linguagem, ciências, coordenação motora, etc..) Registros pedagógicos: Precisa ser reflexivo nas suas observações colaborativas com as famílias, crianças e todos da U.E, os 3 protagonistas conforme a abordagem Reggio Emilia. As 3 funções da documentação pedagógica ( abordagem Reggio Emilia): Para documentar, seja relatórios, portfólios e murais, por exemplo, precisa-se primeiro fazer pequenos registros diários para que o professor tenha embasamento para os registros finais. Para que os registros servem?: 1- Evidenciar o trabalho as famílias 2- Evidenciar para as crianças e todos d a comunidade escolar 3- Refletir e replanejar as práticas pedagógicas Por isso é desejável que o professor esteja sempre com um caderno para anotações para os registros diários. Orientação Normativa Registros na Educação Infantil: Registros através de relatórios, portfólios, filmagens, produções próprias das crianças, como: pinturas, desenhos, esculturas, etc.. Dahlberg: O processo ( como as crianças fazem ) é mais importante do que o resultado final. A documentação pedagógica precisa ser acompanhada pela criança em seu percurso educativo ( desafios/conquistas) para dar continuidade ao trabalho intencional com elas. Ter sensibilidade para dar voz e escuta para interpretar as expressões infantis. Os projetos precisam despertar curiosidade, pesquisa e autonomia das crianças. Assim como se devem também fazer registros das atividades livres. 19 20 Capítulo 4: ARTICULANDO A EDUCAÇÃO INFANTIL E OS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Tanto na Educação Infantil quanto no Ensino Fundamental o ponto central é o espaço social das crianças de 0 a 12 respeitando sua inteireza e integridade. O cuidar e o educar como também continua no ensino fundamental. Sarmento (2003) indica pontos comuns do bebê até a criança de doze anos: ● A ludicidade, ou a capacidade de brincar; ● A fantasia do real, ou a possibilidade de imaginar ativamente; ● A interatividade, ou a interação contínua com os pares ou com os adultos; ● A reiteração, ou o fazer de novo e, ao fazer de novo, reinventar o mundo. Nos cadernos do MEC : INCLUSÃO DA CRIANÇA DE 6 ANOS NO ENSINO DE 9 ANOS e ESCRITA DA CRIANÇA DE 6 ANOS , nas DCNs e BNCC, apontam que se deve ter uma integração entre a educação infantil e ensino fundamental, portanto, as brincadeiras, interações e o lúdico não deve ser interrompido, para não haver uma ruptura, até porque em todas as etapas da educação básica devem ser articuladas. As dimensões para essa integração são: Sequencialidade: Portanto tudo aquilo que a criança viveu ou experimentou na E.I não pode ser descartado, pelo contrário, deve fazer parte do seu percurso formativo, contínuo e progressivo. Organicidade: Observar as especificidades de cada etapa e também o que é comum. Articulação: A integração das duas etapas. Atenção: A ED. Infantil não pode ser encarada como um preparo para o Ensino Fundamental. Essa articulação precisa da participação de todos, escola, família e comunidade. Por tudo isso, houve a necessidade de criar mais um ano no ensino fundamental, para uma formação prazerosa, lúdica, desafiadora e sem ruptura para a formação do sujeito ativo e integral. Articulação Curricular: precisa ver as especificidades e os pontos comuns para articulação. Essa articulação impacta nos territórios. 21 Exemplo: cena 39, crianças da EMEF lendo para as crianças da EMEI e depois todos foram brincar no parquinho da EMEI, as duas unidades estão localizadas no mesmo quarteirão. Diferentes Transições: É precisoter interações entre as Unidades Escolares, no qual se fará transição dessas crianças, sendo indispensável o apoio da família e escuta ativa e dar vozes às crianças. A primeira transição: Acontece da casa para o CEI, onde o bebê sai do ambiente familiar para um lugar novo com interações , descobertas e brincadeiras diferentes do lar. Segunda transição: Do CEI para a EMEI, aqui a uma transição pela primeira vez de unidades escolares. Por isso é preferencial que a criança conheça a nova escola antes, conheça os professores, funcionários e brincar com os novos amigos. Também tirar as suas dúvidas e ouvir suas angústias, a criança precisa se sentir acolhida e segura. Aliás, o rito de passagem do CEI para a EMEI ou EMEI para EMEF, não deve ter formatura. Essa cerimônia formal, que não é adequada a essa faixa etária, pode ser trocada por uma festa com as famílias na escola, que será muito mais significativo para eles do que uma formatura. Terceira transição: Da EMEI para a EMEF, aqui também é interessante a criança conhecer os espaços da nova escola e como funciona a EMEF. Além disso, as EMEIs devem enviar as EMEF para as turmas de 1º ano as documentações pedagógicas: ● Portfólio coletivo e individual; ● Relatório final; ● Parecer da familia; ● Frequência dos alunos e outras informações pertinentes Com a documentação pedagógica dará informações do docente do 1º ano do ensino fundamental conhecer as crianças da turma e iniciar o seu planejamento, lembrando que isso caracterizar classificação das crianças, mesmo porque as mesmas estão em constante mudanças; Além da entrega dos relatórios, será promovido reuniões entre as gestões e professores da EMEI e EMEF para que aconteça essa articulação e explicação da utilização desses relatórios. 22 A problemática do EI para EF: Continuar com a brincadeira no 1º ano do fundamental e a escrita na Educação Infantil. 1º Brincar: a brincadeira deve continuar no EF, mesmo porque é brincando que a criança imagina, interpreta e compreende. Então o professor do 1º ano pode planejar cantinhos com brinquedos para a brincadeira e coletivamente com as crianças organizando o planejamento e combinados da turma de acordo com seus interesses. A brincadeira deve continuar, pois fortalece o que aprendeu e dá sentido àquilo que é realizado na escola. Ao poucos os “cantinhos” darão lugar às brincadeiras tradicionais como, parlendas, cantigas e o brincar livre na hora do intervalo. 2º Escrita na Ed. Infantil: O objetivo aqui não é a alfabetização, porém é preciso ter contato com o mundo letrado, seja trabalhando com o próprio nome, registrando a rotina ( oral, imagem ou o professor como escriba) experimentando junto com a turma e garantindo a leitura todos os dias. Exemplo: Cena 42, as crianças tiveram a ideia da prô fazer um cartaz com a lista dos livros que já leram, para não ler livros repetidos. A partir da intencionalidade das crianças foi desenvolvida uma série de propostas e aprendizagens mediadas pela professora. As crianças não vão sair da EMEI alfabetizadas, contudo, terão o contato social do uso da língua escrita e oral. Portanto, a ponte para a articulação da Educação Infantil e Ensino Fundamental e vice-versa está nas brincadeiras e na cultura escrita. 23 24 Capítulo 5: A GESTÃO DEMOCRÁTICA E A IMPLEMENTAÇÃO DO CURRÍCULO Gestão - Currículo- PPP: Se ligam na gramática pedagógica. Ideia de currículo progressista e construtivo: aqui entra a referência a autora OLIVEIRA-FORMOSINHO e a abordagem pedagogia em Participação, abordagem pedagógica da Associação Criança, de Portugal, em que as postulações teóricas de Dewey, Piaget, Vygotsky e Bruner estão presentes e reunidas na concepção de uma criança competente, possuidora de um potencial para a realização, devendo ser respeitada em suas necessidades, suas motivações e seus interesses. A pedagogia não é só teoria precisa ser efetiva a prática= Práxis ( teoria + prática). O PPP: É reflexivo e se não tiver a participação de toda a comunidade escolar fica apenas um documento burocrático sem vida. O projeto pedagógico é de médio a longo prazo. O professor não só participa do PPP, como também deve se responsabilizar. Exemplo: na cena 44, foi criado um folder para simplificar e convidar as famílias para conhecer o PPP da escola. Por ser uma linguagem pedagógica, o documento deve ser explicado suas intenções às famílias para que os mesmos deem suas sugestões e problematizam. Outro ponto é que o PPP deve ser de livre acesso para todos. A gestão democrática deve seguir a DCN da Ed.Infantil e os indicadores de qualidade da Ed.Infantil Paulistana para sua autoavaliação e nos problemas apontados é preciso fazer um plano de ação. Dentro do PPP deve constar o plano de ação do diretor, assistente de direção e professores. O PPP deve ser flexível e colaborativo, portanto, com a participação de todos, não pode ser alterado na íntegra a cada ano!. O PPP antes de ser aprovado deve passar pela acessoria da supervisão. Reunião de pais: Devem ter um caráter formativo e realista, no qual a escola deve explicar as duas intencionalidades para que eles tenham ciência da responsabilidade, então a reunião ou convocação não deve se caracterizar como uma simples cobrança às famílias. A documentação pedagógica ajuda nesse sentido, desde que a mesma seja superficial. Exemplo: Cena 47, com a participação de todos da U.E e das famílias houve a transformação dos espaços, ambientes e materiais no território da escola, mostrando na prática o que é gestão democrática. Depois disso, a coordenação tornou permanente as formações sobre os espaços, ambientes e materiais. Os bebês e crianças também participam da gestão democrática. Nas CEIs e EMEIs devem ser criados um conselho mirim com três participantes de cada turma sendo, 1 escolhido pelo professor e 2 pela votação das crianças, para 25 representarem cada turma, trazendo opiniões e sugestões. Desde muito pequenas, elas já devem ter contato com situações políticas e democráticas. Políticas Públicas: Reúnem 3 documentos: . Serão apresentadas ainda três legislações, sendo duas municipais: Plano Municipal de Educação da Cidade de São Paulo e o Plano Municipal pela Primeira Infância — e uma nacional: a Base Nacional Comum Curricular. Plano Municipal de Educação da Cidade de São Paulo: Baseada no PNE 2014, o seu marco legal prevê metas como atendimento integral, alimentação saudável, fim dos castigos físicos e de emparedamento da infância, tendo as famílias responsáveis para o alcance dessas metas. Plano Municipal pela Primeira Infância: Criação de rede de proteção com outras secretarias, famílias e comunidade em ações conjuntas. BNCC: Documento normativo de caráter normativo que define o conjunto orgânico e progressivo de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo das etapas e modalidades da Educação Básica, de modo a que tenham assegurados seus direitos de aprendizagem e desenvolvimento, em conformidade com o que preceitua o Plano Nacional de Educação (PNE). BNCC Ed.infantil: Há na BNCC (BRASIL, 2017) a defesa da ideia de que estar na escola é diferente de estar em outros espaços sociais, que a escola é um espaço privilegiado de constituição da identidade das crianças, de vivência de relações sociais e de realização de múltiplas experiências de aprendizagens. O texto, portanto, está centrado nas aprendizagens das crianças, e não nos princípios pedagógicos, na metodologia, nas proposições das ações docentes, pois estas são as decisões e contribuições que cada rede, escola ou professora(or) deverá fazer ao currículo. Por esse motivo, o texto da BNCC (BRASIL, 2017) afirma continuamente que é apenas parte de uma construção curricular. Ao longo do ano de 2018, foram realizadas nos Grupos de Estudo e Práticas Pedagógicas (GEPP) discussões sobre o Currículo da Educação Infantil da RMESP, procurando estabelecer pontos de conexão entre ambos os documentos. Nos debates realizados, algumas posições foram reiteradas: 26 1- Os seis Direitos de Aprendizagens e Desenvolvimentona Educação Infantil contidos na BNCC (BRASIL, 2017) — conviver, brincar, explorar, expressar, participar e conhecer-se — convergem com as concepções explicitadas no Currículo Integrador da Infância Paulistana (SÃO PAULO, 2015a) e com os direitos elaborados a partir dos Indique EI/ RME-SP (SÃO PAULO, 2016a). 2- As situações e experiências concretas da vida cotidiana das crianças e seus saberes anunciadas nos Campos de Experiências da BNCC (BRASIL, 2017) — O eu, o outro e o nós; Corpo, gestos e movimentos; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações — estão presentes em várias das cenas ao longo deste material, pois se referem a questões fundamentais da vida de um bebê e de uma criança. As relações com os demais (corpos em movimento, linguagens, imaginação, investigações) já estão presentes na vida das crianças, e o papel da escola é ampliar o repertório para que elas possam viver a vida com maior intensidade. Os campos de experiências são definições de atenção que os adultos devem ter para que as crianças tenham uma educação integral, isto é, uma educação que atenda à diversidade de interesses, curiosidades e necessidades de bebês e crianças, a sua 27 integralidade. A ideia de campo é exatamente a ruptura com as disciplinas e as áreas de conhecimentos, podendo ser compreendidas de modo contextualizado e interdisciplinar, por meio de ações curriculares que considerem todos os campos. Compreendemos que a materialização dos Campos de Experiências ocorrem nos usos sociais das múltiplas linguagens que estão contidos no Currículo Integrador na Infância Paulistana (SÃO PAULO, 2015a) e reforçadas no Item 2.3 – Linguagens e práticas culturais deste documento, cabendo às(aos) educadoras(es) a responsabilidade de escutar, observar e estabelecer comunicação com bebês e crianças. Portanto, os campos de experiência precisam estar em consonância com a formação integral em propostas em espiral. 28 Explicação da tabela e dos códigos do currículo: Dimensões e objetivos de aprendizagem (1ª coluna): referente às 9 dimensões dos Indicadores de Qualidade da Ed.Infantil da Infância Paulistana e objetivos de cada uma. Coluna 2: Os códigos dos campos de experiência da BNCC, porém não estão em sua sequência original de acordo com os campos e faixa etária, é sim de acordo com os objetivos das 9 dimensões dos Indicadores de Qualidade da Ed.Infantil da Infância Paulistana. Coluna 3: Objetivos de desenvolvimento sustentável: às 17 ODS da agenda 2030 da ONU. Esses objetivos não devem esgotar a complexidade da experiência das crianças e devem ser uma aprendizagem sempre em espiral. 29 Atenção: Os campos de experiência: Corpo, gestos e movimentos e Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações, não aparecem muito no currículo, porque o corpo em movimento remete a ideia de corpo silenciado (coreografado) e ainda não é do cotidiano e existe certa resistência em trabalhar a matemática e ciências na Ed.Infantil. Por isso não foi estruturada na rede a melhoria na infraestrutura das U.Es para o desenvolvimento do campo de experiência: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. 30 Palavras chaves do Currículo da Educação Infantil ● Criança ● Pedagogia da Infância ● território ● relações étnico-raciais ● relações de gênero ● interações, ● brincadeira, ● escuta, ● 100 linguagens ● acolhimento ● participação ● Protagonismo ● Cultura ● intencionalidade pedagógica (planejamento) ● Projetos ● registro e documentação ● reflexivo e colaborativo ● Curriculo integrador ● PPP ● gestão democrática ( indicadores da qualidade ) Estudo de caso: 31 Exemplo de uma discursiva envolvendo algumas palavras chaves do currículo da educação infantil: Discorre sobre as palavras chaves: Resposta: Considerando os apontamentos acima, é importante destacar os conceitos da construção da pedagogia da infância paulistana, elencando no currículo da cidade, no qual aponta o protagonismo compartilhado entre o professor que escuta e reflete o currículo e as crianças com suas culturas. Dessa maneira, é preciso haver intencionalidade do professor no seu planejamento e no cotidiano ao organizar os tempos, espaços, interações, materiais e promover narrativas. Uma forma de garantir o protagonismo das crianças é a metodologia de projetos, que possibilita a escuta e os interesses desses sujeitos, sendo ponto de partida do projeto e articulado com as intencionalidades da ação docente. Por fim, por meio dos registros, são materializados a escuta, as interações e como alcançar a aprendizagem e desenvolvimento. Com a documentação 32 pedagógica, de modo reflexivo e colaborativo o professor rever a sua prática para a construção da pedagogia da infância paulistana. Currículo da Cidade EJA- Caderno de Ciências Naturais Currículo da Cidade para a EJA Ciências Naturais, demanda a deliberação sobre concepções a respeito da natureza do conhecimento científico. Nesse sentido, “o currículo supõe a concretização dos fins sociais e culturais, de socialização, que se atribui à educação escolarizada” (SACRISTÁN, 2000, p. 15) Um currículo de Ciências Naturais que se articula a um projeto de formação para a cidadania crítica, fundamentado no ideal de consolidação de uma sociedade efetivamente democrática, calcada nos valores de justiça social, superação das desigualdades, inclusão e respeito à diversidade. O componente de Ciências Naturais pode contribuir para a transformação e inclusão social quando a alfabetização científica inclui a aprendizagem por investigação, com discussões acerca da natureza do conhecimento científico, das relações entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente (CTSA) e interculturalidade. Articulação entre saberes prévios x conhecimentos científicos: ● Fenômenos da natureza ● Ciências tecnologia ● Homem – natureza (sustentabilidade) ● Ciências naturais sociedade Compreender a ciência como cultura, como produção humana, histórica e socialmente situada, pode contribuir para a percepção de que a produção do conhecimento científico não se faz a partir de ações isoladas; compreender a historicidade do conhecimento científico pode ajudar os estudantes a se perceberem enquanto possíveis atores da ciência e entenderem a ciência como parte da cultura. Um currículo de Ciências que tenha por objetivo a alfabetização científica contempla conteúdos que dialogam com três eixos temáticos: 1. Natureza da ciência: conhecimentos sobre história, filosofia e sociologia da ciência; compreensão da ciência como atividade humana e social; 2. Linguagem científica: apropriação da linguagem e de conceitos científicos; capacidade de leitura e elaboração de tabelas, esquemas, gráficos, ilustrações; construção de argumentação científica; 33 3. Aspectos sócio científicos: reflexão sobre questões ambientais, políticas, econômicas, éticas, sociais e culturais Enfoque CTSA – Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente - Os estudantes precisam compreender que a produção de qualquer conhecimento, científico ou não, se efetiva no contexto das sociedades em que são produzidos. Ensino por Investigação - parte-se de um problema que enseja o levantamento de hipóteses pelos estudantes, seguida de discussão sobre hipóteses e resultados obtidos. Multiculturalismo - O reconhecimento do currículo como política cultural (GIROUX, MCLAREN, 2005) implica considerar as vozes que nele se fazem presentes e as vozes nele silenciadas. Eixos Temáticos: ● Matéria, Energia e suas Transformações ● Cosmos, Espaço e Tempo ● Vida, Ambiente e Saúde Objetos de conhecimento e objetivos de aprendizagem e desenvolvimento: Observar, problematizar, formular hipóteses e procedimentos de teste, coletar dados, identificar, descrever, registrar, relatar, comparar, classificar, compor e decompor, opinar, interpretar. Currículo da Cidade EJA- Caderno de Geografia Geografia como leitura crítica do mundo. Grandes referenciais para a educação Geográfica da EJA:1. O princípio de que educação é tomada de consciência. Da condição de vida em que se encontra pela intervenção no seu local de vida, na problematização da vida concreta, novos conhecimentos com a superação das formas de saber cotidiano, características do senso comum. (FREIRE, 1996; 2000). 2. A análise da sociedade moderna de outra globalização é possível. Milton Santos critica a globalização excludente. O momento atual seria o de a libertação do trabalho alienado e degradante. (SANTOS, 2000a; 2001). Conceitos estruturantes: território, paisagem, lugar, rede, escala, região e natureza. Destes, resultaram métodos e procedimentos específicos do modo de estudar e compreender o mundo. Quando os estudantes da EJA estudam sua mobilidade espacial, as dinâmicas urbanas, o lazer, os serviços, por exemplo, estão diante da análise da prática sócio espacial permeada pelas relações sociais materializadas como espaço geográfico. Papel do professor: Oferecer aos estudantes da EJA acesso a uma leitura da realidade para promover cidadania e cultura. 34 Organização de Conteúdos: • Sujeito e seu lugar no mundo, • Organização territorial no tempo e no espaço, • Pensamento espacial e formas de representação cartográfica, • Natureza, ambientes e qualidade de vida, • Trabalho e formação sócio espacial Currículo da Cidade EJA- Caderno de História [...] o ensino de História deve contribuir para libertar o indivíduo do tempo presente e da imobilidade diante dos acontecimentos, para que possa entender que cidadania não se constitui em direitos concedidos pelo poder instituído, mas tem sido obtida em lutas constantes e em suas diversas dimensões. (BITTENCOURT, 2017, p.20). “Leitura do mundo” compreensão da realidade, o entendimento de si próprio e dos coletivos em que trabalhadoras e trabalhadores, jovens, idosos, pessoas com deficiência, moradores de rua, desempregados, migrantes e imigrantes, estão inseridos. No que compete à História na dimensão escolar, ela procura permitir que o estudante consiga compreender-se também como sujeito histórico. Estudar História permitirá aos estudantes se reconhecerem, se situarem no mundo, se posicionarem a partir de suas vivências, suas culturas étnico-raciais, seu gênero, sua faixa etária, seus locais de origem, suas histórias de vida. A “leitura de mundo”, na compreensão de Paulo Freire, só será completa se todas e todos puderem ser objeto de leitura, se tiverem condições de se ler. ENSINO E APRENDIZAGEM EM HISTÓRIA: A História como conceito - tempo/espaço como elementos centrais. O conceito de História é histórico e tem se modificado em razão dos enfrentamentos e mudanças de perspectivas no campo da pesquisa histórica. O tempo está associado a um conjunto de vivências e é um “produto cultural forjado pelas necessidades concretas das sociedades” (BEZERRA, 2003, p.44). O espaço: é preciso ter claro que espaço para os historiadores é uma construção social. O sujeito histórico, formado por pessoas, instituições, grupos, agentes sociais, individuais ou coletivos, e não apenas por figuras em posição de destaque ou de poder. Fato histórico, processo histórico e fontes históricas. O fato histórico refere-se à identificação e à seleção de acontecimentos e eventos na trama histórica. Os processos históricos são estudados e refletidos por meio das fontes históricas, as quais foram entendidas provenientes de documentos oficiais. Cultura: refere-se a todas as realizações materiais e aos aspectos espirituais, metafísicos da humanidade. Faz parte do conceito de cultura a ideia da diversidade étnica/racial, religiosa, de modos de vida, sexual, geracional, de grupos e de classes sociais. Interculturalidade: diferentes culturas e grupos sociais e há uma inter-relação intencional entre esses grupos. Interdisciplinaridade, História como as ligações que os vários componentes curriculares podem estabelecer entre temáticas para a criação de uma abordagem comum. 35 Currículo da Cidade EJA- Caderno de Artes A arte potencializa modos de ler e fazer do ser poético e estético. O Currículo da Cidade - Educação de Jovens e Adultos - Arte, parte da premissa de que o estudante, como cidadão, tem direito ao conhecimento artístico produzido, acumulado pelo ser humano, e de constituir-se competente para vivenciar esse conjunto de saberes e/ou experiências de forma autônoma no aprender e viver processos artísticos e culturais. A Arte apresenta direcionamentos no ensino e aprendizagem de arte pelo prisma das dimensões do conhecimento, citadas como diretrizes que respeitam o potencial do estudante nos âmbitos da criação, critica, estesia, expressão, fruição e reflexão. OS CAMPOS CONCEITUAIS NA ARTE: IDEIAS E AÇÕES GERMINADORES: ● Patrimônio Cultural ● Mundo do Trabalho ● Materialidade ● Contextos e matrizes culturais ● Arte e Tecnologia ● Corporeidade e Identidade ● Elementos de Linguagem 36 Caderno EJA Língua Portuguesa Introdutório da EJA: EJA- Princípios e práticas pedagógicas "A teoria sem a prática vira “verbalismo”, assim como a prática sem teoria, vira ativismo. No entanto, quando se une a prática com a teoria tem-se a práxis, a ação criadora e modificadora da realidade” Paulo Freire. “A educação de adultos torna-se mais que um direito: é a chave para o século XXI, é tanto consequência do exercício da cidadania como condição para uma plena participação na sociedade. A educação de adultos pode modelar a identidade do cidadão e dar um significado à sua vida. A educação ao longo da vida implica repensar o conteúdo que reflita certos fatores, como igualdade entre os sexos, necessidades especiais, idioma, cultura e disparidades econômicas”. Declaração de Hamburgo sobre a EJA, 1997 EJA: a interdisciplinaridade A Educação de Jovens e Adultos, na perspectiva da educação ao longo da vida, requer uma abordagem curricular próxima e adequada às demandas da realidade, que envolve os EJA: a Interdisciplinaridade educandos no processo de construção de conhecimentos, a partir do acúmulo de saberes e experiências que já trazem como síntese da sua própria vida. Os jovens e adultos necessitam de uma pedagogia sustentada nas relações, nas interações e em práticas educativas intencionalmente voltadas para o convívio social e o exercício da cidadania. "Muitos jovens e adultos dentro da pluralidade e diversidade de regiões do país. dentro dos mais diferentes estratos sociais, desenvolveram uma rica cultura baseada na oralidade da qual nos dão prova, entre muitos outros, a literatura de cordel, o teatro popular, o cancioneiro regional, os repentistas, as festas populares, as festas religiosas e os registros de memória das culturas afro brasileira e indigena” PARECER CNE/CEB 11/2000 37 Com base nos princípios da diversidade, flexibilidade e qualidade: ● Articulação dos saberes da Educação Formal e da Educação Não Formal ● Metodologia dialógica ● O Trabalho com Projetos ● Educação como ato político ● Flexibilização dos Tempos e Espaços Valorização das Histórias de Vida e Identidades dos Jovens e Adultos ● O Mundo do Trabalho Especificidades da EJA EJA-Regular- Etapa Alfabetização (2 semestres), Etapa Básica (2 semestres), Etapa Complementar (2 semestres) e Etapa Final (2 semestres). Cada etapa tem duração de 200 dias letivos. MOVA-SP - ONGs CIEJA- Centro Integrado de Educação de Jovens e Adultos Movimento de Alfabetização Módulo I (Alfabetização), Módulo II (Básica), Módulo III (Complementar) Módulo IV (Final). Cada módulo tem duração de 1 ano e 200 dias letivos e são desenvolvidos em encontros diários de 2 horas o 15 minutos (3 horas/aula) CMCT - Centro Municipal de Capacitação e Treinamento EJA Modular - Etapas: Alfabetização, Básica, Complementar e Final. Cada Etapa é composta por 4 Módulos independentes e não sequenciais, cada um com 50 dias letivos Os módulos se desenvolvem em encontros diários de 2 horas e 15 minutos (3 horas/aula). A complementação da carga horária diária, 1 hora e 30 minutos (2 horas/aula), é composta por atividades do enriquecimento curricular de presença optativapara os educandos. 38 Pensar a avaliação na perspectiva da Qualidade Social para a Educação de Jovens e Adultos significa pensar no acesso e na permanência de educandas e educandos nas Unidades Educacionais e Espaços Educativos. O PEIF ministra aulas na EJA nas Etapas de Alfabetização ( equivalente ao 1º ao 3º ano do ensino fundamental regular) e Etapa Básica ( equivalente ao 4º e 5º ano do ensino fundamental). Pensar a avaliação na perspectiva da Qualidade Social para a Educação de Jovens e Adultos significa pensar no acesso e na permanência de educandas e educandos nas Unidades Educacionais e Espaços Educativos. A EJA e seus sujeitos requerem uma prática educativa que evidencie suas singularidades e especificidades, daí a relevância do currículo ter como base a construção dialógica de ensino e de aprendizagem. Concebemos a reorientação curricular da EJA no diálogo com as diferenças culturais, sociais e educacionais de educandas e educandos. Um currículo inspirado nos princípios humanistas e da educação popular, na perspectiva da educação ao longo da vida. A Educação Popular caracteriza-se por valorizar os saberes produzidos e reconhecê-los como referência para o desenvolvimento de práticas pedagógicas. A aprendizagem se dá a partir do conhecimento do sujeito e sua participação em todo o processo educativo, é uma manifestação de busca por uma transformação social. Neste sentido, construir um currículo para EJA significa desenvolver um trabalho que tem como pressuposto heterogeneidade e não a homogeneidade. Trata-se de formular estratégias que façam proveito desta heterogeneidade sem uma perspectiva homogeneizante do grupo de estudantes em uma sala de aula. A presença de um grupo heterogêneo é a possibilidade de exercer o diálogo, a cooperação, ampliando, ao mesmo tempo, as capacidades dos indivíduos (MARQUES, 2006). Marta Khol de Oliveira indica que para se pensar sobre o processo de aprendizagem de jovens e adultos é necessário reconhecer "três campos que contribuem para a definição de seu lugar social: a condição de 'não- -crianças', a condição de excluídos da escola e a condição de membros de determinados grupos culturais" (OLIVEIRA, 1999, p. 60). Currículo da Cidade -EJA - Língua O currículo específico de Língua Portuguesa fundamenta-se em alguns princípios pedagógicos: levantamento dos conhecimentos prévios, contextualização, problematização sistematização e avaliação, favorecendo o aprendizado da língua Ressalte-se que na trajetória da construção do conhecimento será utilizada uma 39 diversidade de textos, propondo conhecer os gêneros, bem como serão valorizadas as produções textuais, com atividades de escrita, auxiliando assim na constituição dos significados e dos sentidos em torno dos conhecimentos a serem aprendidos, os quais não podem ser distanciados das questões de uso social da linguagem verbal e escrita. Os gêneros discursivos integram as práticas sociais e são por elas gerados formatados e tem como elementos fundamentais: o conteúdo temático, organização composicional e o estilo. O trabalho com as géneros tem, como critério de classificação ou distinção genérica. No Currículo, ler e se apropriar dos significados construídos socialmente, que dão a base para a produção de sentidos subjetivos. Os estudantes da EJA como sujeitos ativos que se constroem e são construídos nos e pelos textos, considerando as esferas discursivas nas quais são produzidos e dependendo dos interlocutores. Os 5 Eixos propostos em Língua Portuguesa para EJA: ● Leitura ● Escrita ● Oralidade ● Escuta ● Análise Linguística Fluência Leitora (a compreensão do mundo à sua volta): O ato de ler para compreender envolve outras estratégias, para além da decodificação, como a inferência, seleção, antecipação, verificação, entre muitas outras. Escrita (e emancipação): Abordagem psicogenética de alfabetização (FERREIRO, TEBEROSKY, 1986), que toma os sujeitos como seres pensantes e que, mesmo antes do domínio das convenções da escrita, levantam hipóteses sobre seus modos de funcionamento. Oralidade (uma inserção no mundo) Destacamos o estudo de gêneros orais de diferentes esferas, como seminário, debate, palestra, fórum, exposição oral, mesa-redonda, entrevista, assembleia escolar, slam, entre outros. Escuta (atividade fundamental na relação dialógica) o exercício de uma escuta ativa favorece o exercício da intelectualidade, necessário para o desenvolvimento de uma curiosidade crítica e para o processo de conscientização, essencial ao rompimento com as formas de opressão. 40 Análise Linguística (direito à apropriação) Dedica-se ao estudo da atualização do sistema da língua em situações concretas de uso. Currículo da Cidade -EJA - Matemática Matemática tem o foco na equidade, na inclusão e na igualdade de gênero, permitindo a aquisição efetiva de competências básicas do cidadão, mas também busca acolher a aspiração do estudante a continuar ampliando seus conhecimentos, dando oportunidades de um trabalho digno e de responsabilidade social, integrando o estudante ao mercado de trabalho e possibilitando a continuidade de estudos até o ensino superior. A Matemática como construção humana que envolve um conjunto de conhecimentos, com diversos tipos de raciocínio que contribuem para a resolução de diversos tipos de problemas. O domínio do letramento matemático diz respeito "à capacidade dos estudantes para analisar, julgar e comunicar ideias efetivamente propondo, formulando e resolvendo problemas matemáticos em diversas situações." (OECD/PISA, 2004, p. 41). 41 Ideias Fundamentais da Matemática: A ideia de proporcionalidade - Aplica-se a diferentes tipos de grandeza, como o tempo, a velocidade, o comprimento, o preço, a temperatura A ideia de equivalência ou igualdade - se estudam as "frações", as equações, as áreas de figuras planas ou volumes de figuras espaciais, entre muitos outros temas. A ideia de ordem- estudos das sequências numéricas ou figurais, construção de coeficiente de variação, entre outros. A ideia de aproximação está ligada aos cálculos que não precisam ser exatos A ideia de variação - a variação percentual, a variação entre duas grandezas, o coeficiente de variação, entre outros. 42 A ideia de interdependència- relacionar-se à noção de função, com relações entre grandezas numéricas ou geométricas e com ampliação e redução de figuras A ideia de representação- está relacionada com a simbologia matemática. A Diversidade de Estratégias de Ensino de Matemática A Resolução de Problemas - Um problema é proposto intencionalmente pelo professor, ou pelos próprios estudantes, selecionado levando em consideração os saberes dos jovens adultos e os objetos de estudo. Tarefas Investigativas As tarefas investigativas são importantes de serem trabalhadas, de forma problematizadora. Tecnologias Digitais - O uso de recursos tecnológicos necessita de uma mudança de postura do professor, o qual atua junto a seus estudantes como um parceiro, mediando a aprendizagem que será feita de forma colaborativa. Eixos Estruturantes No eixo Números, o Currículo enfatiza o pensamento numérico, focalizando as diferentes funções dos números naturais: a de quantificar, a de ordenar, a de comparar, a de medir e a de codificar os diversos significados das operações aritméticas em problemas significativos. No eixo Geometria, estudo de relações espaciais e de figuras geométricas espaciais e planas, suas relações e características. O eixo Grandezas e Medidas, variações, a representação, a equivalência, a aproximação, a interdependência e a proporcionalidade. No eixo Probabilidade e Estatística, raciocínio combinatório, organização, análise de dados e a comunicação dos resultados por meio de diferentes tipos de gráficos e de tabelas. No eixo Álgebra, pensamento algébrico, analisar relações quantitativas e qualitativas de diferentes grandezas. 43 Caderno Língua Portuguesa Ensino Fundamental: Parte Introdutória Comum a todos os cadernos do Ensino Fundamental Apresentação do Currículo: Currículoda Cidade: Orientações Curriculares para a Cidade de São Paulo: Busca alinhar as orientações curriculares do Município com Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que se estrutura com foco em conhecimentos, habilidades, atitudes e valores ( os mesmos das matrizes dos saberes), para promover o desenvolvimento integral dos estudantes e a sua atuação na sociedade, incorporando as diversidades da nossa cidade. A construção desse currículo teve como base: Continuidade: respeitando questões anteriores e integrando as experiências, práticas e culturas escolares já existentes (independente do governo). Relevância: documento dinâmico com vistas a garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento a todos os estudantes da Rede ( também de acordo com os territórios). Colaboração: processo dialógico e colaborativo ( construído por todos que fazem parte da rede). Contemporaneidade: busca formar os estudantes para a vida no século XXI. A proposta da atualização do Currículo da Cidade de São Paulo reforça a mudança de paradigma que a sociedade contemporânea vive, na qual o currículo não deve ser concebido de maneira que o estudante se adapte aos moldes que a escola oferece, mas como um campo aberto à diversidade. Essa diversidade não é no sentido de que cada estudante poderia aprender conteúdos diferentes, mas sim aprender conteúdos de diferentes maneiras. Tríade do currículo: Equidade: Tratar diferente aquilo que aparece desigual ao ponto de partida para promover a justiça e igualdade. 44 Quando o sistema de ensino é equitativo? Quando apesar das diversidades ( desigualdades social, racial gênero, etc…) não impactou a apropriação da aprendizagem ( os resultados). Inclusão: Respeitar e valorizar a diversidade e a diferença, aqui a inclusão não é só referente aos estudante especiais, como também é preciso ter a inclusão social, etnico-racial, gênero, regional, etc… Educação de Integral: Não é só escola de tempo integral, no qual aumenta a carga horária dentro da escola, mas uma educação para o desenvolvimento global do sujeito: intelectual, físico, emocional, social, cognitivo e moral. Concepções e Conceitos que Embasam o Currículo da Cidade: O currículo precisa ter o professor como protagonista e centrado nos estudantes. Não é um documento estático e nem uma receita para aplicar nas aulas, contudo o currículo é um orientador para o trabalho metodológico e didático do professor e também para a construção dos processos sociais da escola, por isso precisa estar alinhado com a realidade (Sacristán). Também considerando a importância de um currículo integrador, onde a criança não deixa de brincar, nem se divide em corpo e mente ao ingressar no Ensino Fundamental. Ao contrário, ela continua a ser compreendida em sua integralidade e tendo oportunidades de avançar em suas aprendizagens sem abandonar a infância. Sendo assim, o currículo do Ensino Fundamental considera a organização dos tempos, espaços e materiais que contemplem as vivências das crianças no seu cotidiano, a importância do brincar e a integração de saberes de diferentes Componentes Curriculares, em permanente diálogo. Concepção de Infância e Adolescência ( embasamento na legislação): O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera a infância como o período que vai do nascimento até os 12 anos incompletos, e a adolescência como a etapa da vida compreendida entre os 12 e os 18 anos de idade. As crianças e os adolescentes são sujeitos de direito que devem opinar e participar das escolhas capazes de influir nas suas trajetórias individuais e coletivas. Diretrizes curriculares Nacionais (DCN´s ): “construção da autonomia e a aquisição de valores morais e éticos” (BRASIL, 2013, p. 110). Um currículo orientado pela Educação Integral, que seja capaz de formar sujeitos críticos, autônomos, responsáveis, colaborativos e prósperos. 45 Concepção de Currículo: Currículos são plurais: significações produzidas a partir dos contextos, interesses e intenções que permeiam a diversidade dos atores e das ações. Currículos são orientadores: traz as discussões temáticas, conceituais, procedimentais e valorativas para o ambiente da escola, orientando a tomada de decisões sobre as aprendizagens até a “[...] racionalização dos meios para obtê-las e comprovar seu sucesso” (SACRISTÁN). Currículos não são lineares: um conjunto de aprendizagens concomitantes e interconectadas ligado ao dia a dia da prática pedagógica. Currículos são processos permanentes e não um produto acabado: o currículo é um processo e não um produto, devem ser sempre revisados e atualizados, para incorporarem resultados de novas discussões, estudos e avaliações. Cria clima e roteiros instigantes ao diálogo, à aprendizagem e à troca de experiências mediadas por conhecimentos amplos e significativos da história. Professores são protagonistas do currículo: O professor é o sujeito principal para a elaboração e implementação de um currículo, fazendo a sua Gestão Curricular , ajustando o currículo de acordo com as necessidades da turma/estudantes. Currículos devem ser centrados nos estudantes: O propósito fundamental de um currículo é dar condições e assegurar a aprendizagem e o desenvolvimento pleno de cada um dos estudantes, conforme função social é sua abrangência do olhar integral sobre o ser humano, seus valores e sua vida social digna. Um Currículo para a Cidade de São Paulo O direito à educação implica a garantia das condições e oportunidades necessárias para que os estudantes tenham acesso a uma formação indispensável para a sua realização pessoal, formação para a vida produtiva e pleno exercício da cidadania. Assim sendo, o Currículo da Cidade define uma Matriz de Saberes, com a qual as Áreas do Conhecimento (Parecidos com os da BNCC) devem se comprometer em cada ciclo do Ensino Fundamental. 46 Matrizes dos saberes: São 9 saberes essenciais para formar cidadãos integrais para as dinâmicas contemporâneas. São as mesmas 10 competências da BNCC, porém por questões políticas tem o nome ``matrizes dos saberes”. Ambas estão ligadas à agenda 2030 da ONU e seus 17 objetivos para o desenvolvimento sustentável. Também está fundamentada nos Princípios éticos, políticos e estéticos definidos pelas Diretrizes Curriculares Nacionais (BRASIL, 2013, p. 107-108): Princípios éticos: Justiça, solidariedade, comprometimento com o bem estar de todos, eliminação de preconceitos. O professor precisa promover vivências, práticas e atividades que trabalhem com essas questões. Princípios estéticos :cultiva a sensibilidade junto com a racionalidade, valorização das diversas formas de expressão e de culturas. Construção de identidades plurais e solidárias. Princípios políticos: Direitos e deveres, respeito ao bem comum, preservação do regime democrático e dos recursos ambientais. Garantia de acesso à educação, saúde, trabalho e bens culturais. Busca de uma sociedade mais igualitária e justa. A Matriz de Saberes tem como propósito: Formar cidadãos éticos, responsáveis e solidários que fortaleçam uma sociedade mais inclusiva, democrática, próspera e sustentável. Também elaborada levando em consideração: 1- Saberes historicamente acumulados que fazem sentido para a vida dos educandos no século XXI; 2- Abordagens pedagógicas que dão voz aos estudantes; 3- Valores fundamentais da contemporaneidade; 4- Concepções de Educação Integral e Educação Inclusiva voltadas a promover o desenvolvimento humano integral e a equidade. 47 1. Pensamento Científico, Crítico e Criativo Saber: Acessar, selecionar e organizar o conhecimento com curiosidade e ludicidade Para: Explorar, descobrir, experienciar, observar, brincar, questionar, investigar causas, elaborar e testar hipóteses 2. Resolução de Problemas: Saber: Ter ideias originais e criar soluções, problemas e perguntas, sendo sujeitos de sua aprendizagem e de seu desenvolvimento Para: Encorajar a busca de alternativas, quanto mais alternativas para solucionar um problema melhor. 3. Comunicação: Saber: Utilizar as múltiplas linguagens, comoverbal, verbo-visual, corporal, multimodal, brincadeira, artística, matemática, científica, Libras, tecnológica e digital para expressar-se. Para: Saber como falar, quando falar, de que forma falar e compartilhar. 4. Autoconhecimento e Autocuidado: Saber: Conhecer e cuidar de seu corpo, sua mente, suas emoções, suas aspirações, seu bem-estar e ter autocrítica. Para: Reconhecer limites, potências e interesses pessoais, gerir suas emoções e 48 comportamentos, dosar impulsos e saber lidar com a influência de grupos. 5. Autonomia e Determinação: Saber: Criar, escolher e recriar estratégias, organizar-se, brincar, definir metas e perseverar para alcançar seus objetivos. Para: fazer escolhas, vencer obstáculos e ter confiança para planejar e realizar projetos. 6- Abertura à Diversidade: Saber: Abrir-se ao novo, respeitar e valorizar diferenças e acolher a diversidade; Para: Respeitar, reconhecer e referenciar a diversidade para combater preconceitos. 7. Responsabilidade e Participação Saber: Reconhecer e exercer direitos e deveres, tomar decisões éticas e responsáveis para consigo, o outro e o planeta. Para: Agir de forma solidária, engajada e sustentável, respeitar e promover os direitos humanos e ambientais, serem sujeitos de ação para mudar a sua realidade. 8. Empatia e Colaboração Saber: Considerar a perspectiva e os sentimentos do outro, colaborar com os demais e tomar decisões coletivas. Para: Não ser egoísta, se colar no lugar do outro e promover a cultura de paz. 9. Repertório Cultural Saber: Desenvolver repertório cultural. Para: Ampliar o repertório cultural, apresentar aquilo que não se conhece artisticamente/estético. A construção dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que constam nos componentes curriculares no Currículo da Cidade teve como referência a matriz de saberes. Temas Inspiradores do Currículo da Cidade Um currículo pensado hoje precisa dialogar com a dinâmica e os dilemas da sociedade contemporânea. Temas prementes, como direitos humanos, meio ambiente, desigualdades sociais e regionais, intolerâncias culturais e religiosas, abusos de poder, populações excluídas, avanços tecnológicos e seus impactos, política, economia, educação financeira, consumo e sustentabilidade. Essas temáticas atuais podem ser integradas a uma proposta inovadora e emancipatória de currículo. 49 Educação para o Desenvolvimento Sustentável - Agenda 2030/ONU São 17 objetivos da ONU para um planeta sustentável, igualitário e justo. Os objetivos estão divididos nos 5 P’s : Pessoas, Prosperidade, Parceria, Paz e Planeta. Apesar da maioria das ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) tratar da sustentabilidade, o principal eixo das ODS é a educação. Pois é através da educação que os estudantes podem se apropriar e ter afeto pela natureza e consequentemente, proteger o nosso planeta. 50 5 Ações - “Ps”: Pessoas: garantir que todos os seres humanos possam realizar o seu potencial em dignidade e igualdade, em um ambiente saudável. Planeta: proteger o planeta da degradação, sobretudo por meio do consumo e da produção sustentáveis, bem como da gestão sustentável dos seus recursos naturais. Prosperidade: assegurar que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida próspera e de plena realização pessoal. Paz: promover sociedades pacíficas, justas e inclusivas que estão livres do medo e da violência. Parceria: mobilizar os meios necessários para implementar esta Agenda por meio de uma Parceria Global para o Desenvolvimento Sustentável. Os 17 objetivos são precisos e propõem: 1. Erradicação da pobreza; 2. Fome zero e agricultura sustentável; 3. Saúde e bem-estar; 4. Educação de qualidade; 5. Igualdade de gênero; 6. Água potável e saneamento básico; 7. Energia Limpa e Acessível; 8. Trabalho decente e crescimento econômico; 9. Indústria, inovação e infraestrutura; 10. Redução das desigualdades; 11. Cidades e comunidades sustentáveis; 12. Consumo e produção responsáveis; 13. Ação contra a mudança global do clima; 14. Vida na água; 15. Vida terrestre; 16. Paz, justiça e instituições eficazes; 17. Parcerias e meios de implementação. 51 Ciclos de Aprendizagem Ciclo de Alfabetização: 52 (1º ao 3º ano) Priorizam-se os tempos e espaços escolares e as propostas pedagógicas que possibilitam o aprendizado da leitura, da escrita e da alfabetização matemática e científica, bem como a ampliação de relações sociais e afetivas nos diferentes espaços vivenciados. Ciclo Interdisciplinar: (4º ao 6º ano) Tem a finalidade de integrar os saberes básicos constituídos no Ciclo de Alfabetização, possibilitando um diálogo mais estreito entre as diferentes áreas do conhecimento. Busca, dessa forma, garantir uma passagem mais tranquila do 5º para o 6º ano, período que costuma impactar o desempenho e engajamento dos estudantes. Projeto de Docência Compartilhada: trabalho articulado entre professor polivalente de 4º e 5º anos e professor especialista, preferencialmente de Língua Portuguesa ou Matemática. Interdisciplinaridade: garantir maior significado às aprendizagens, que rompem com os limites da sala de aula tradicional, integram linguagens e proporcionam a criação e apropriação de conhecimentos. Ciclo Autoral O Ciclo Autoral (7o ao 9o ano) destina-se aos adolescentes e tem como objetivo ampliar os saberes dos estudantes de forma a permitir que compreendam melhor a realidade na qual estão inseridos, explicitem as suas contradições e indiquem possibilidades de superação. (TCAs)- Trabalhos Colaborativos de Autoria - permite aos estudantes reconhecer diferenças e participar efetivamente na construção de decisões e propostas visando à transformação social e à construção de um mundo melhor. Tem como características: • Incentivar o papel ativo dos estudantes no currículo, • Fomentar a investigação, leitura e problematização do mundo real, • Transformar professores e estudantes em produtores de conhecimento, criando oportunidades para que elaborem propostas e realizem intervenções sociais para melhorar o meio em que vivem. Obs: Para o concurso PEIF não interessa o Ciclo Autoral, pois irá ministrar aulas até o ciclo interdisciplinar ( 5º ano). Currículo da Cidade na Prática Implementação do Currículo da Cidade 53 Projeto Político-Pedagógico da Escola (PPP): É importante que a construção do PPP estruture-se a partir de um processo contínuo e cumulativo de avaliação interna da escola, conforme previsto na LDB (1996). Formação de Professores: Cursos e estudos em JEIF. Materiais Didáticos: Orientações Didáticas e Cadernos da Cidade. Avaliação: a finalidade de coletar dados de desempenho dos estudantes e propor ações que possam ajudar escolas, gestores e professores a enfrentar problemas identificados. Gestão Curricular: Sua execução depende de como as equipes gestora e docente planejam, interpretam e desenvolvem a proposta curricular, levando em conta o perfil de seus estudantes, a infraestrutura, os recursos e as condições existentes na escola e no seu entorno social. Ao planejar, é importante que todos: Analisem os eixos estruturantes, os objetos de conhecimento e os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento do seu componente curricular; Identifiquem as possíveis integrações entre os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento do seu componente curricular e das diferentes áreas do conhecimento; Compreendam o papel que cada objetivo de aprendizagem e desenvolvimento representa no conjunto das aprendizagens previstas para cada ano de escolaridade; Avaliem os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento trabalhados em anos anteriores, tanto para diagnosticar em que medida já foram alcançados pelos estudantes, quanto para identificar como poderão contribuir para as aprendizagens seguintes. Criem as estratégias de ensino, definindo o que vão realizar, o que esperam que seus estudantes façam e o tempo necessário para a execução das tarefas propostas, lembrando que a diversidade de atividades enriquece o currículo; Assegurem que o conjunto de atividades propostas componham um percurso coerente,que permita aos estudantes construir todos os conhecimentos previstos para aquele ano de escolaridade; 54 Selecionem os materiais pedagógicos mais adequados para o trabalho com os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, contemplando livros didáticos e recursos digitais; Envolvam os estudantes em momentos de reflexão, discussão e análise crítica, para que também possam avaliar e contribuir com o seu próprio processo de aprendizagem. Registrem o próprio percurso e o do estudante e verifiquem quais objetivos ainda não foram alcançados. ( Obs: palavra chave e também faz referência sobre o tema da avaliação da autora Jussara Hoffmann). Avaliação e Aprendizagem Compreendemos a avaliação como um ato pedagógico, que subsidia as decisões do professor, permite acompanhar a progressão das aprendizagens, compreender de que forma se efetivam e propor reflexões sobre o próprio processo de ensino. Prática de acompanhamento do trabalho de ensino: Ciclo da Avaliação: O planejamento da avaliação a partir de diferentes instrumentos avaliativos. A avaliação só faz sentido se ela estiver vinculada à tomada de decisão. O processo avaliativo engaja toda equipe gestora e docente com a aprendizagem dos estudantes e com as decisões coletivas. 55 Quando a instituição é pensada coletivamente a partir de diferentes dimensões, é possível diagnosticar fragilidades e tomar decisões que impliquem o compromisso de todos com as mudanças necessárias. Organização Geral do Currículo da Cidade Áreas do Conhecimento e Componentes Curriculares ( as disciplinas) e Eixos: Linguagens: Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Arte e Educação Física Matemática: Matemática Ciências da Natureza: Ciências Naturais 56 Ciências Humanas: Geografia e História Tecnologias para a aprendizagem: atuar com discernimento e responsabilidade, aplicar conhecimentos para resolver problemas, ter autonomia para tomar decisões. Eixos: O que os professores precisam ensinar em cada ano do Ensino Fundamental ( tipo os eixos temáticos da BNCC, considerando o ensino em espiral). São trabalhados de forma articulada, com a finalidade de permitir que os estudantes tenham uma visão mais ampla de cada componente curricular . Objetos de Conhecimento: O sujeito é o ser humano cognoscente, aquele que deseja conhecer, neste caso os estudantes do Ensino Fundamental. Já o objeto (conteúdo) é a realidade ou as coisas, fatos, fenômenos e processos que coexistem com o sujeito. Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento: Conjunto de saberes que os estudantes da Rede Municipal de Ensino devem desenvolver ao longo do Ensino Fundamental. No Currículo da Cidade, os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento orientam-se pela Educação Integral a partir da matriz de saberes e indicam o que os estudantes devem alcançar a cada ano como resultado das experiências de ensino e de aprendizagem intencionalmente previstas para esse fim. Mapa mental 57 58 Palavras chaves do Currículo do Ensino Fundamental: ● Estudantes ● Continuidade ● Relevância ● Colaboração ● Contemporaneidade ● Interdisciplinar ● Educação Integral ● Matriz de Saberes ● Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) ● Temas Inspiradores ● currículo inclusivo ● ciclos ● Eixos ● Objetos de Conhecimento ● Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento ● Gestão Curricular ● aprendizagem e desenvolvimento ● Registos ● Acompanhamento ● avaliação: DIAGNÓSTICA,CUMULATIVA e FORMATIVA ● Qualidade CURRÍCULO DE LÍNGUA PORTUGUESA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO 4 atividades fundamentais da língua: ● Escuta ● Fala ● Ler ● Escrever O documento está organizado nos eixos: prática de leitura de textos, prática de produção de textos escritos, prática de escuta e produção de textos orais e prática de análise linguística/ multimodal. Sua unidade linguística básica (objeto de ensino) é o Texto. 59 Destaca-se ainda, neste documento curricular, a importância do trabalho com os multiletramentos (múltiplas linguagens de texto) fundamentais para a efetiva participação nas práticas sociais de linguagem contemporâneas, a presença e especificidade dos textos multimodais – característicos também da cultura digital, e o reconhecimento da interculturalidade, constitutiva das práticas sociais de linguagem verbal da atualidade. A língua não é estática, porém é imutável pelos fatores: ● A linguagem é a representação do pensamento, como espelho do mundo e das pessoas. Na perspectiva dessa concepção, escrever seria representar o que se pensa. ● A língua se transforma junto com a história da sociedade. Por isso a alfabetização e o letramento não podem negar as práticas sociais. Portanto a linguagem é fundamentalmente: a. Histórica e social, porque é constituída no uso. Os sentidos da atividade verbal são construídos num processo contínuo de interlocução entre sujeito que produz discurso e sujeito que lê/escuta. Diante disso, a língua não é homogênea, uma vez que o sujeito – produtor ou leitor/ ouvinte – não é fonte única do sentido, mas compartilha seu espaço discursivo com o outro. b. Ideológica, porque veicula, inevitavelmente, valores que regulam as relações sociais. c. Plurivalente, porque revela diferentes formas de significar a realidade, segundo a perspectiva dos diferentes sujeitos que a empregam. d. dialógica, porque todo enunciado, por sua natureza, relaciona-se com os produzidos anteriormente e orienta-se para outros que serão formulados como réplica desse. A CONCEPÇÃO DE ALFABETIZAÇÃO 1ª vem o letramento, depois a alfabetização , mesmo sem conhecer suas regras, as crianças devem ter contato com vários gêneros que ganham significado na escola. A unidade linguística é o texto: acontece do oral para o escrito. A psicogênese da língua escrita ( Ferreiro e Teberosky): São as etapas que o estudante percorre na alfabetização ( hipóteses de escritas). 60 A alfabetização como processo discursivo: A linguagem, concebida como forma de interação entre os sujeitos, organiza também o processo de aprendizagem. Dessa forma, a alfabetização insere-se em um espaço discursivo. Alfabetizar precisa acontecer no processo discursivo. Produz linguagem verbal no processo de alfabetização, mesmo que o estudante ainda não esteja alfabetizado. Isso é possível por meio dos gêneros textuais. Conceitos Importantes: Texto: É o produto de uma atividade discursiva onde alguém diz algo a alguém. Todo discurso resulta em um texto oral ou escrito – sua realidade material – organizado, inevitavelmente, em gêneros. Contexto de produção: Dependendo do contexto social e portador ( ex: jornal, revista, livro, site, etc.) e pensado naquilo que se quer passar é quem será atingido por aquela mensagem. Portanto os gêneros textuais fazem esse papel de caracterizar os textos e discursos , as produções de acordo com os contextos. Variedade linguística e preconceito: Uma língua está sujeita a muitas modificações, especialmente devido a fatores históricos, culturais e sócio geográficos. Assim, não podemos dizer que a língua falada hoje pelos paulistanos seja idêntica à que se falava em 1920. Do mesmo modo, é diferente a forma de falar dos cariocas, que não falam da mesma maneira que os gaúchos, ou os paulistanos, ou os goianos ou pernambucanos. Linguagem oral: Os discursos orais também se organizam em gêneros que são típicos tanto das instâncias públicas (exposições e arguições em seminários, mesas-redondas, debates, conferências, palestras, entre outros), quanto das instâncias privadas (conversas à mesa do jantar, por exemplo). Na perspectiva do, devem ser tomados como objeto de ensino na escola os gêneros orais que se realizam nas instâncias públicas de linguagem. Oralização e oralidade: O trabalho com a linguagem oral está sendo compreendido a partir da tomada dos gêneros orais como objeto de aprendizagem, e não oralização da linguagem escrita, ou oralidade de modo geral. Ler em voz alta um conto de aventuras não se caracteriza como trabalho com a linguagem oral, da mesma forma que declamar um poema. Em ambas as situações, trata-se deoralização de texto escrito, ou seja, de leitura em voz alta de texto escrito. Gêneros do discurso: Os gêneros se caracterizam por três elementos fundamentais (BAKHTIN, 1997): a. Conteúdo temático: o que é possível ser dito por meio daquele gênero. 61 b. Organização composicional: é a forma como se organizam internamente textos produzidos no gênero. c. Estilo: marcas linguísticas típicas do gênero – e não do texto. Multiletramento e multimodalidade: Necessário compreender a contemporaneidade nos modos de ler e escrever, já que os textos não são mais apenas impressos. Os textos podem ser constituídos por várias linguagens, por vários sistemas semióticos. Um clipe, por exemplo, é constituído, pelo menos, por três sistemas semióticos: o verbal, o musical e o imagético. Esses textos têm sido denominados multimodais, ou seja, constituídos por diferentes modalidades ou modos de uso de linguagem. Direitos de aprendizagem de língua portuguesa no ensino fundamental: Os direitos de aprendizagem visam à garantia do acesso e à apropriação do conhecimento de todas as crianças e jovens, a fim de construir uma sociedade mais justa e solidária. Nesse sentido, a escola deve estimular a participação dos estudantes em situações que promovam a reflexão, a investigação e a pesquisa, a resolução de problemas em espaços onde possam representar e vivenciar suas experiências e ressignificá-las, a partir da construção de novos conhecimentos. Ensinar e aprender língua portuguesa no ensino fundamental Metodologia de organização para a aquisição dos objetos de estudo: Primeiro o professor deve articular os objetivos do currículo com os objetos que levam o aluno a reflexão. Para isso posso organizar um sistema colaborativo, Utilizando a ZDP ( Zona de Desenvolvimento Proximal- Vygotsky), observe o esquema: Movimento metodológico de trabalho 62 Conteúdos temáticos do currículo: A partir do PPP da U.E , será feito a identificação das culturas (inseridas naquele território), promovendo os multiletramentos e equilibrando os saberes clássicos com os saberes contemporâneos. Para garantir a formação de sujeitos integrais para a transformação de sua realidade. Interculturalidade: Promover e dar espaços a diversas culturas dentro e fora da U.E Multissemiose: Múltiplas linguagens que provocam multi-sentidos. Relação de consumo e sustentabilidade: O ser humano está consumindo mais do que o planeta pode repor, comprometendo o futuro do planeta e da humanidade. Portanto é preciso formar cidadãos que tenham o consumo consciente, o que consumir, porque, redução da quantidade, aproveitamento ao máximo e reciclar: (3 R : Reduzir, Reutilizar e Reciclar). A língua portuguesa articula sozinha ou em conjunto com outros componentes curriculares, podendo levar os estudantes a reflexão do consumo e sustentabilidade para serem sujeitos de transformação da realidade. Organização do currículo em língua portuguesa: 63 Eixos Organizadores do Trabalho Conteúdos do ensino e da aprendizagem Organização dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento Quadro de objetivos de aprendizagem e desenvolvimento comuns a cada ciclo e Quadro de objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de cada ano específico do ciclo. Eixos organizadores do currículo ● Prática de leitura de textos ● Prática de produção de textos escritos ● Prática de escuta e produção de textos orais ● Prática de análise linguística Todos ligados às: Capacidades: Cognitivo Procedimentos: Os fazeres Comportamentos: Os valores construídos Aspectos relativos às características específicas da língua e da linguagem conhecimentos pragmáticos: relativos às características das situações comunicativas conhecimentos discursivos: relacionados à adequação dos discursos às especificidades do contexto de produção, incluindo-se, nesse contexto, as características dos gêneros do discurso conhecimentos textuais: referem-se a todos os aspectos implicados no estabelecimento de coesão e coerência do texto, conhecimentos gramaticais: relativos à fonologia, morfologia, sintaxe e semântica; e) conhecimentos notacionais: relacionados à base alfabética do sistema de escrita. Os conteúdos de ensino e aprendizagem 64 O ensino de língua portuguesa nos ciclos Alfabetização - Entre os direitos de aprendizagem, destacamos o direito à alfabetização, que envolve mais do que se apropriar do sistema de escrita alfabético e está ligado a compreender os usos sociais das práticas relacionadas à linguagem escrita. O objetivo é que estejam todos alfabetizados até o fim do 2º ano. Interdisciplinar – É preciso destacar o caráter dialógico por que devem ser revestidas as áreas do conhecimento nos 4º, 5º e 6º anos. Entende-se que esse dialogismo não se dá tão somente pela possibilidade de “conversa” entre os componentes curriculares, mas está diretamente ligado à necessidade de estabelecimento de proximidades, de modo que língua, ensino e sociedade tornem-se indissociáveis. 65 Orientações para o trabalho do professor: ● Escolher livros e textos de qualidade, não menosprezar a capacidade das crianças, pensando em não trazer uma linguagem elaborada, pelo contrário e a partir daí é garantido o repertório da turma. ● Garantir a variedade de textos e livros, assim como precisam ser interessantes as crianças, elas precisam se apaixonar pela leitura ( Weiz). ● O ambiente precisa ser povoado de livros ( Colomer). ● Ler e adquirir textos significativos aos gêneros sociais e também com a contemporaneidade. ● Aquisição do sistema de escrita com o trabalho colaborativo. ● Não precisa esperar estarem escrevendo para ensinar a produzir textos. ● Sequência didática: trabalhar um problema a partir das necessidades específicas da turma ( menor duração). ● Também o trabalho precisa ser organizado em projetos ( mais amplos). Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Divisão de Ensino Fundamental e Médio. Orientações didáticas do currículo da Cidade: Língua Portuguesa, volume 1 A rotina pedagógica no Ensino Fundamental A rotina é um instrumento que organiza e distribui no tempo e no espaço as ações didáticas que foram planejadas. Tem o papel de potencializar e coordenar o uso do tempo didático. No Ciclo de Alfabetização, atividades como: Leitura em voz alta pelo professor de textos de diferentes gêneros, sobretudo, da esfera literária. Situações didáticas de leitura e de escrita para estudantes que estão no processo de aquisição do sistema de escrita. Por exemplo, atividades envolvendo seus nomes; escrita e leitura de listas; de textos que sabem de memória etc. Leitura pelos estudantes de textos de diferentes gêneros, de acordo com os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento. Situações didáticas de produção de textos por meio da reescrita ou pela produção de autoria. 66 Situação didática de produção de textos em linguagem oral, de acordo com a situação comunicativa. Situações didáticas para reflexão linguística (ortografia,segmentação, pontuação etc.). E inspirando-nos em Lerner (2002) — mas não apenas —, podemos dizer que três podem ser as modalidades - denominadas pela autora de organizativas - nas quais o trabalho de sala de aula pode ser organizado: (Modalidades organizativas são PROPOSTAS ORGANIZAÇÃO DA ROTINA: • os projetos de leitura, escuta e produção de textos; • as sequências de atividades; • as atividades independentes A prática de produção de textos: Contextualização Tematização: Planejamento Textualização Revisão A prática de produção de textos: A atividade de escrita: estrito senso(texto de memória) A atividade de reescrita A produção de autoria A Prática de Leitura na Escola: • a leitura colaborativa • leitura em voz alta feita pelo professor, • a roda de leitores, • a leitura programada(leitura de obras mais extensas) • Leitura silenciosa com questões para responder por escrito • A prática de análise linguística • A segmentação do texto em palavras 67 Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Divisão de Ensino Fundamental e Médio. Orientaçõesdidáticas do currículo da Cidade: Língua Portuguesa, volume 2 Análise linguística: o que é e a que serve? Nestas orientações, portanto, pretende-se refletir, com vistas à implementação do Currículo da Cidade, sobre as práticas de análise linguística que podem ser mobilizadas para uma aprendizagem crítica e reflexiva da língua, que, de fato, contribua para formar leitores e produtores de textos mais proficientes. Diante disso cabe uma primeira pergunta reflexiva a você, professor: análise linguística e gramática são a mesma coisa? Gramática x Análise Linguística: Leitura, produção de texto e análise linguística ( ciclo interdisciplinar): Para organizar as práticas de análise linguística em diferentes modalidades organizativas de atividades, primeiramente, o professor precisará considerar que as práticas de leitura e produção de textos escritos e/ou multimodais podem estar relacionadas apenas à leitura, à produção para aprofundamento, com foco na ampliação de conhecimento sobre um gênero textual específico ou à produção por frequentação, referentes a textos que podem ser 68 produzidos sem a necessidade de aprofundar suas características composicionais, temáticas e estilísticas. Para compreender, vamos tomar como referência o 4º ano do Ciclo Interdisciplinar, no que se refere a gêneros destinados à leitura/escuta. Para isso, escolhemos o gênero poema, vinculando-o a um trabalho com múltiplas semioses. A partir dele, será possível explorar as principais características dos textos poéticos, como a sonoridade, sua estrutura (versos, estrofes, rimas), bem como a diversidade temática e composicional inerente ao gênero. Dessa forma, ao longo da sequência de atividades, os estudantes terão a oportunidade de refletir sobre os sentidos, a organização composicional dos poemas e como o autor pode recorrer a determinados elementos linguísticos para construção de sentido. Nessa proposta, os multiletramentos são promovidos a partir da leitura de textos imagéticos, poemas visuais e sugestões de trabalho com a multimodalidade, por meio da indicação de leitura de poemas digitais interativos e pela relação entre linguagem verbal e não verbal. A interdisciplinaridade poderá ser explorada de duas formas. A primeira ligada a Artes, com relação ao conceito de poesia presente também em obras imagéticas, como a pintura sugerida para iniciar a sequência de atividades. A segunda poderá ser tratada por meio da temática dos textos escolhidos pelo professor, que podem remeter, por exemplo, à questão ambiental. Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento tomados como foco para a construção dessa sequência de atividades são: Avaliação Ortográfica 4º ano: 69 A partir daqui entra o 6 ano e ciclo autoral que não cabe ao PEIF!!! 70 Currículo da cidade: Ensino Fundamental: Matemática INTRODUÇÃO E CONCEPÇÕES DO COMPONENTE CURRICULAR A matemática no currículo: foi pensada nas potencialidades formativas e sua utilidade no cotidiano. Baseado nos princípios sociais, emocionais, estéticos, éticos e científicos. As metodologias devem envolver a resolução de problemas, a modelagem, o uso das tecnologias, tarefas investigativas e jogos e brincadeiras. As 3 dimensões da matemática: ● Social: Englobar diferente contextos sociais ● Cultura: Reconhecer diferentes culturas e etnias na história da matemática para reflexão. ● Formal: A teoria em si, o objeto de conhecimento (número) e os eixos da BNCC. 7 IDEIAS FUNDAMENTAIS DA MATEMÁTICA 71 ● A ideia de proporcionalidade está presente em diversos objetos de conhecimento, como os números racionais, as razões e proporções, a semelhança de figuras e outros. ● A ideia de equivalência está presente no estudo dos números racionais, nas equações, nas áreas ou nos volumes, entre muitos outros. ● A ideia de ordem permite a observação da organização sequencial de números, de ordem de grandeza numérica e de estudos de sequências numéricas ou figurais. ● A ideia de aproximação está ligada aos cálculos que não precisam ser exatos, às medidas, à aproximação dos números irracionais, entre outros. ● A ideia de variação em Matemática se refere a alguns objetos de conhecimento como a variação percentual, a variação entre duas grandezas, o coeficiente de variação, entre outros. ● A ideia de interdependência se relaciona à noção de função, com relações entre grandezas numéricas ou geométricas e com ampliação e redução de figuras. ● A ideia de representação está relacionada com a simbologia matemática, mas também se apoia na linguagem oral e escrita, nas representações icônicas (figuras, esquemas, diagramas, etc.), além de representações de objetos do meio físico para indicar entes matemáticos. DIREITOS DE APRENDIZAGEM DE MATEMÁTICA: Os direitos de aprendizagem visam à garantia do acesso e à apropriação do conhecimento de todas as crianças e jovens, a fim de se construir uma sociedade mais justa e solidária. Nesse sentido, a escola deve incentivar a participação dos estudantes em situações que promovam a reflexão, a investigação e a pesquisa, a resolução de problemas e espaços onde eles possam representar e vivenciar suas experiências e ressignificá-las a partir da construção de novos conhecimentos. ENSINAR E APRENDER MATEMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL : Reflexão de diferentes estratégias de ensino da matemática em função da atualidade e significado das crianças. 72 Isso inclui levar em consideração, aquilo que o estudante já sabe, trabalhar a resolução de problemas com o objetivo de formar sujeitos com autonomia para as demandas contemporâneas. Para isso, o estudante precisa ser levado à reflexão daquilo que aprendeu e o ressignificar. Desenvolvimento do raciocínio: ● Dedutiva: A partir do problema formular e verificar hipóteses ● Indutivo: Na observação e experimentação ● Abdutivo: Produção de novas ideias e conhecimentos Comunicação matemática: Levar em consideração a escuta ativa das crianças e validação matemática através dos registros: escritos, oral e símbolos matemáticos. Outro objetivo do currículo da cidade é a apropriação do letramento matemático. Inclui racionalizar matematicamente utilizando conceitos e procedimentos, fatos e ferramentas matemáticas (ex: calculadora) para descrever, analisar e predizer fenômenos. Resolução de Problemas: No Ciclo de Alfabetização: os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento sugerem a resolução de problemas (orais ou escritos) de diversos tipos, de preferência ligados ao cotidiano com destaque para utilização dos procedimentos pessoais de resolução. No Ciclo Interdisciplinar: problemas em contextos intramatemáticos ( teoria, o fazer matemático ) e extramatemáticos ( uso cotidiano da matemática) , a apreciação da adequação dos processos utilizados, bem como o aprofundamento da análise dos resultados, considerando a plausibilidade e a adequação das respostas ao contexto do problema. Tarefas Investigativas: Reconhecimento, formulação de conjecturas (situações), realização de testes e argumentação. Uma tarefa investigativa se diferencia de um problema por ser um processo mais aberto e mais longo com uma formulação inicial menos “fechada” do que a formulação de um problema. 73 Tecnologias Digitais: No Ciclo de Alfabetização: eles apontam para o uso de recursos digitais em situações de leitura e ditado de números, por exemplo. No Ciclo Interdisciplinar: indicam para a realização de tarefas em que os estudantes possam reconhecer figuras planas ou espaciais, além de desenhar figuras planas e observar algumas de suas características. Etnomatemática: Trata-se da Matemática ligada a grupos étnicos, raciais, classes profissionais, comunidades urbanas e rurais, grupos indígenas. A potencialização de práticas sociais e culturais pode fazer emergir modos de raciocinar, medir e contar, possibilitando aos estudantes compreender como a cultura se desenvolve no seu meio e como as práticas sociais possibilitam essas aprendizagens. ESTRUTURA CURRICULAR DE MATEMÁTICA EIXOS ESTRUTURANTES ( Igual aos da BNCC) EIXOS ARTICULADORES (Próprios desse currículo) Números Geometria Grandezas e Medidas Probabilidade e Estatística Álgebra Jogos e Brincadeiras Processos Matemáticos Conexões Extramatemática EIXOS ESTRUTURANTES ( Igual aos da BNCC) 74 Números: Conhecer as diferentes funções dos números naturais. Geometria: Desenvolver noções espaciais e o estudo de figuras, relações e características. Grandeza e Medidas: Objetos ou fenômenos do mundo físico que possam ser medidos. Probabilidade e Estatística: Coletar, organizar e análise de dados Algebra: Relação quantitativa e qualitativa das grandezas. EIXOS ARTICULADORES ( Próprios desse currículo): Estabelece as relações intramatemático e extramatemático com outras áreas dos conhecimentos: Jogos e Brincadeiras: Atividades lúdicas que estão entre os direitos de aprendizagem e promovem a articulação da Ed. Infantil e Ensino Fundamental. Processos Matemáticos: O articulador que envolve os processos matemáticos e os outros eixos. O processo de resolução de problemas e tarefas investigativas. Conexões Extramatemática: Busca o diálogo entre os conhecimentos matemáticos e contextos interdisciplinares para formar cidadãos para a contemporaneidade. O ENSINO DE MATEMÁTICA NOS CICLOS Ciclo de Alfabetização: Neste ciclo, o foco é na alfabetização matemática, que leva em consideração os conhecimentos matemáticos que a criança traz de suas vivências e agrega novos conhecimentos que se articulam aos anteriores, possibilitando o desenvolvimento das crianças e sua participação na sociedade. Ciclo Interdisciplinar : No Ciclo Interdisciplinar, a capacidade de raciocinar dos estudantes é ampliada, principalmente no que se refere aos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que envolvem o uso de justificativas, com exemplos, contra exemplos, análise de casos e formulação de hipóteses, justificando-as com exemplos e deduções informais. 75 QUADRO DE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO POR ANO DE ESCOLARIDADE NO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO 76 Orientação trabalho do professor: ● Promover a discussão dos caminhos encontrados para os resultados. ● Aprofundar os conceitos matemáticos relacionados a vivências do cotidiano. ● Trabalhar a teoria com o lúdico ● Trabalhar várias representações matemáticas ● Utilizar ferramentas como: calculadora, régua, compasso, material dourado, ábaco, etc… ● Cálculo mental ● Organização de trabalho em grupo ● Projetos 77 Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Orientações didáticas do currículo da cidade: Matemática – volume 1 Explora as conexões extra matemática e possibilita o desenvolvimento de projetos interdisciplinares que são propostos no Currículo da Cidade de Matemática com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável - ODS. No Eixo Números, baseado em propriedades dos números e das operações, a aprendizagem com compreensão dos algoritmos. No Eixo Álgebra, O estudo da Álgebra traz uma forma de pensar sobre situações matemáticas que envolvem o processo matemático de generalização, tendo por base a observação e análise de dados numéricos, padrões, regularidades ou relações matemáticas, e expressa essas generalizações usando recursos diversos, como a linguagem natural, diagramas, tabelas, fórmulas ou símbolos matemáticos. Gestão da Sala de Aula A gestão da aula envolve a: reflexão na ação, a reflexão sobre a ação e a reflexão sobre a reflexão na ação. Reflexão contínua: o antes, que envolve o planejamento; o durante, que se refere à aula propriamente dita; e o depois, que compreende a avaliação da execução do planejamento e a tomada de decisão de ações futuras. O planejamento dá segurança para um trabalho didático reflexivo, organizado e estruturalmente bem articulado. Oque pretendemos fazer; como vamos fazer e o que e como analisaremos o que propomos, a fim de averiguar se o objetivo foi atingido ou não. Variar a forma de organizar o trabalho pedagógico pode criar oportunidades diferenciadas para cada estudante, o que representa um ganho significativo para a sua formação. Modalidades organizativas: •Atividades permanentes - é um trabalho regular, diário, semanal ou quinzenal que objetiva uma familiaridade maior com um determinado conteúdo - consulta ao calendário; uso do quadro numérico e do quadro de valor posicional; rodas de recitação numérica; ditados em que se exijam a leitura e a escrita dos números; apresentação de desafios e de situações-problema; trabalho com o cálculo mental, dentre outros. •Atividades sequenciais - o conteúdo que vem na sequência depende do que já foi realizado (e aprendido) anteriormente. •Atividades ocasionais - que não foram planejadas a priori, mas que fazem sentido num determinado momento. •Projetos temáticos - a interdisciplinaridade que envolve as conexões intramatemática e extramatemática. O trabalho com projetos propicia o desenvolvimento de diferentes saberes pelo estudante. O pensamento científico, crítico e criativo permite o trabalho a partir de procedimentos organizados que usam a investigação e geram produção de conhecimento. A responsabilidade e participação leva-o a perceber-se como agente transformador que precisa tomar decisões éticas para si e os demais colegas. A autonomia e determinação faz com que planeje projetos (pessoais e coletivos) e persevere no alcance dos objetivos. 78 Tais aprendizagens só se efetivaram se os professores organizarem, de forma intencional, atividades em que estejam presentes e possam ser objeto de reflexão. O que está em jogo aqui é muito mais que a aprendizagem do conteúdo. Agrupamentos produtivos A organização da sala de aula por agrupamentos produtivos depende do objetivo de aprendizagem e da atividade que se pretende desenvolver para compor os agrupamentos, é fundamental que se pense em dois critérios: o primeiro diz respeito aos diferentes níveis de conhecimento dos estudantes que devem ser próximos e o outro se refere ao perfil das relações sociais dos integrantes que irão compor esse grupo. Por meio dos agrupamentos produtivos, as dúvidas que ocorrem durante a realização da atividade podem ser sanadas com os próprios companheiros de grupo ou discutidas no coletivo.A rotina da organização da turma em diferentes agrupamentos pode aos poucos tornar o espaço da sala de aula em um ambiente colaborativo, respeitoso e de confiança entre os estudantes, onde as dúvidas levantadas sejam objeto de reflexão e de aprendizagem. Eixo Números: Como produto cultural da humanidade, basta atentar-se à rotina diária de nossas vidas para identificar a frequência com que os números aparecem nos livros, jornais, anúncios, revistas, celulares, eletrodomésticos, calculadoras, cédulas, moedas, instrumentos de medida (relógios, trena, fita métrica, calendário, balança...), entre outros portadores numéricos. O número natural serve para representar quantidades (função cardinal)(...) Em outras situações, o número é um indicador de posição (função ordinal)(...) Há momentos em que o número natural é utilizado para codificar (função de código)(...) o número também pode representar a ideia de medida (função de medida). Recitar números é diferente de contar.(...) a contagem, atividade mais complexa que requer a correspondência biunívoca (um a um)(...) representa o total de objetos da coleção. O Sistema Numérico Decimal, denominado também indo-arábico: • É composto por dez algarismos (0, 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7, 8, 9) que combinados podem formar infinitos números. • É posicional, pois dependendo da posição que o algarismo ocupa no número, representa um determinado valor. A posição e o valor do algarismo 2 nos números: 24 e 42 são diferentes. No número 24, o algarismo 2 representa 20 unidades ou 2 dezenas; já no número 42, representa 2 unidades. A organização da escrita numérica em ordens e classes do SND torna-se complexa, pelo fato de o valor posicional do algarismo ser ocultado. • Sua base é dez, ou seja, nosso sistema numérico se organiza a partir de agrupamentos de 10 em 10. A cada agrupamento muda-se a ordem ou a classe do número. • Todonúmero pode ser representado usando-se o princípio aditivo, ou seja, 64 = 60 + 4 ou 50 + 10 + 4 ou ainda 20 + 20 + 20 +2 + 2. • Todo número pode ser representado usando-se o princípio multiplicativo, ou seja, 90 = 9 x 10; 900 = 9 x 100 ou 90 x 10. 79 • Todo número natural pode ser decomposto na forma polinomial, ou seja, 900 = 9 x 100 = 9 x 102 3548 = 3 x 1000 + 5 x 100 + 4 x 10 + 8 = 3 x 103 + 5 x 102 + 4 x 101 + 8 x 100 Organização do SND em classes até a unidade de milhão: O professor necessita garantir a sistematização das características do SND utilizando recursos de ensino facilitadores, como: quadro numérico, calendário, quadro de ordens e classes ou quadro de valor posicional, recursos tecnológicos (calculadora e celular), dentre outros portadores numéricos. Além disso, propor situações que envolvam contagem, ditados, jogos e brincadeiras com números. Operações com Números Naturais: o campo aditivo: O processo de aprendizagem da Matemática se inicia a partir da intuição e, progressivamente, aproxima-se da dedução, e essa forma de construir o conhecimento relega a apropriação das operações de modo mecânico. A importância de atrelar o ensino das operações à resolução de problemas leva ao reconhecimento da importância da exploração de vários procedimentos de cálculos e de diferentes resoluções a partir de situações-problema Quadro síntese dos significados das operações de adição e subtração segundo Vergnaud: 80 O quadro a seguir apresenta a composição de transformações segundo Vergnaud: Multiplicação: 81 O cálculo por contagem corresponde ao primeiro nível para resolução da operação de multiplicação. É baseado na ação de adicionar parcelas iguais para multiplicar. Neste caso, a operação de multiplicação não é explícita, os estudantes utilizam apenas adições repetidas, usando o procedimento de contagem. No cálculo estruturado a ideia é de agrupamento, ou seja, a mesma quantidade se repete algumas vezes, os estudantes associam essa repetição de agrupamentos à multiplicação. As tabuadas - A tabuada não é um pré-requisito para a multiplicação, mas sim a sua memorização é importante para uso em outros produtos e deve se desenvolver com compreensão. Multiplicações e Divisões – frações: Para o trabalho com as divisões é necessário que se contextualize o seu significado, pois não há sentido para o estudante realizar esse algoritmo 82 Introduzindo o cálculo com as representações decimais - “números quebrados” Eixo Álgebra: A Álgebra, segundo Kaput (2008), é caracterizada por dois aspectos centrais: – a generalização simbólica de regularidades; – o raciocínio sintaticamente guiado por ações expressas no sistema de símbolos convencionais. Aritmética pode ser o contexto privilegiado para integrar as características do pensamento algébrico, levando em conta as suas inerentes regularidades, equivalências, múltiplas formas de conceituar as relações numéricas, analisar e representar relações entre quantidades e também com o seu lado funcional, que inclui estudar padrões, analisar como variam as quantidades e identificar correlações entre variáveis (MOLINA, 2011). Pensamento relacional Compreensão relacional de igualdade em diferentes sentenças matemáticas envolvendo adições: 83 Secretaria Municipal de Educação. Coordenadoria Pedagógica. Orientações didáticas do currículo da cidade: Matemática – volume 2. – 2.ed. – São Paulo: SME / COPED, 2019. Explora as conexões extramatemática e possibilita o desenvolvimento de projetos interdisciplinares que são propostos no Currículo da Cidade de Matemática com foco nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ODS. No Eixo Geometria, desenvolvimento do pensamento geométrico. No Eixo Grandezas e Medidas, aspectos dos sistemas de medidas, transformações e relações entre unidades e entre grandezas No Eixo Probabilidade e Estatística, o documento explora algumas noções de Estatística, com foco na leitura, interpretação e construção de tabelas e gráficos. Eixo Grandezas e Medidas Grandeza é tudo aquilo que pode ser contado, mensurado. Existem dois tipos de grandezas: as discretas e as contínuas. Essas grandezas envolvem duas noções elementares da matemática, ou seja, contar e medir. As grandezas discretas são consideradas contáveis, pois podem ser facilmente quantificadas. Já as grandezas contínuas são passíveis de medida, pois não permitem a contagem direta/imediata. Enquanto a primeira resulta na quantidade de objetos (contagem); a segunda quantifica suas qualidades (massa, temperatura, comprimento, capacidade, valor, volume e tempo) por meio da medida. Para medir é preciso saber previamente o que se mede. 84 Quadro de valor posicional Grandezas geométricas: 85 área e perímetro O conceito de área envolve o conceito de “quantas unidades cabem”, ou seja, o conceito de unidade de medida e o de medida. A área pode ser calculada por procedimentos de contagem, quando usado o papel quadriculado, por ladrilhamento, por estimativas e por aproximação. O perímetro de uma figura plana corresponde ao contorno dessa figura: Noção Espacial - Para desenvolver noções espaciais, é importante que as crianças e os adolescentes tenham oportunidade de vivenciar o espaço que estão inseridos por meio de atividades práticas exploratórias como: informar a localização de pessoas e objetos. Três competências (comunicar, interpretar e representar o espaço) Representação por meio do Desenho: Realismo Fortuito - caracterizada pelo desenho involuntário e pelo fato de a criança verificar que seu traçado produz acidentalmente uma similaridade com um objeto que tenha a intenção de desenhar. Realismo Falhado - é nesse estágio que as crianças dão detalhes ao desenho. Realismo Intelectual - a criança representa todo o conhecimento que possui do objeto, O realismo intelectual leva a criança a utilizar diversos processos, criados por ela mesma, para representar o que deseja como descontinuidade, rebatimento, transparência e planificação. Realismo Visual - Luquet (1927) considera que, nessa fase, a criança se preocupa em representar, no desenho, todos os elementos possíveis que constituem o objeto representado. Figuras geométricas espaciais: As figuras geométricas espaciais podem ser organizadas em dois grupos: (prismas, pirâmides e outros) e corpos redondos (cones, cilindros e esferas). Quando as figuras geométricas espaciais não são ocas, são denominadas de sólidos geométricos. Iniciamos com a apresentação de algumas características dos poliedros. Um poliedro é uma figura 86 geométrica espacial limitada por um mesmo conjunto finito de polígonos, que são denominados faces. Cada lado de um polígono desse conjunto coincide com um lado de outro polígono Os lados desses polígonos que se encontram se constituem as arestas dos poliedros. A aresta de um poliedro é um segmento que se origina quando as faces do poliedro se juntam. Os vértices dos polígonos também são os vértices do poliedro composto por eles. O vértice de um poliedro é um ponto no qual mais de duas arestas e mais de duas faces se juntam. Os poliedros podem ser divididos em três conjuntos: prismas, pirâmides e outros poliedros. As figuras geométricas planas As figuras geométricas planas estão presentes em nosso cotidiano e possuem uma grande variedade de formas como quadrados, retângulos, circunferências, triângulos, entre outros possuem duas dimensões: comprimento e largura e são o chamadas de polígonos. Polígonos Além dos lados e dos vértices, os polígonos também possuem ângulos internos e externos. O ângulo interno é formado por dois lados consecutivos desse polígono. Os ângulos externos são formados pelo prolongamento de um de seus lados com o segmento de reta do lado adjacente a eles, como mostra a figura a seguir. 87 Os polígonos recebem nomes diferentes de acordo com o seu número de lado, vejamos como eles podem ser chamados: 88 Os polígonos irregulares são aqueles em que todos os seus lados não são congruentes, logo, os seus ângulos internos também não são congruentes: Outras figurasgeométricas planas Além dos polígonos temos ainda outras figuras planas como círculos, ovais entre outras. 89 Eixo Probabilidade e Estatística Estatística no Ensino Fundamental A leitura e interpretação de informações estatísticas, coleta, organização, resumo e apresentação de dados, construção de tabelas e gráficos, cálculo e interpretação de medidas de tendência central e de dispersão. O desenvolvimento do pensamento estatístico contempla a leitura, a comparação e a interpretação de dados apresentados em tabelas e gráficos. Problemas de Combinatória O levantamento de casos possíveis de situações combinatórias auxilia na análise de probabilidades, pois é necessário pensar em probabilidades quando se julga o que seja provável, improvável e impossível. A probabilidade pode auxiliar a diferenciar o que acontece na realidade e o que é possível acontecer. Essas constatações levam à percepção de que a combinatória é estreitamente ligada à probabilidade. O raciocínio combinatório envolve um modo de pensar muito presente na análise de situações em que, dados determinados conjuntos, devem-se agrupar os elementos de modo a atender critérios específicos (de escolha e/ou de ordenação) e determinar (direta ou indiretamente) o total de agrupamentos possíveis. Problemas de “produto cartesiano” Marcia tem 3 blusas (uma azul, uma preta e uma verde) e 4 calças (uma bege, uma branca, uma rosa e uma vermelha). De quantos modos diferentes ela pode se vestir combinando todas as blusas com todas as calças? Problemas de Permutação Quantas palavras diferentes (com ou sem sentido) você pode formar, usando as letras da palavra BELA? 90 Problemas de Arranjo: Em uma feira de alimentos, quatro vendedoras se candidataram para uma comissão de três pessoas, encarregadas de arrumar os alimentos perecíveis diariamente: Ana, Beatriz, Celina, Daniela. O critério é que a comissão seja formada pelas 3 vendedoras mais votadas pelas colegas da feira. De quantas maneiras diferentes podemos ter as três primeiras colocadas nessa votação? Problemas de combinação Cinco jogadoras de um time de futebol (Andrea, Biloca, Cassia, Denise e Edani) se candidataram para formar uma comissão de duas representantes para conversar com o técnico do time. Quantas comissões diferentes podem ser formadas com essas jogadoras? 91 Probabilidade A teoria das probabilidades, segundo vários autores, é um modelo matemático do acaso (GARDING, 1997). É um eixo da Matemática que estuda fenômenos envolvendo incerteza, utilizando ferramentas do cálculo matemático Currículo da cidade: Ensino Fundamental: componente curricular: Ciências da Natureza. ENSINAR E APRENDER CIÊNCIAS NATURAIS NO ENSINO FUNDAMENTAL No Ensino Fundamental, o componente curricular de Ciências aborda os fenômenos da natureza que são estudados em diversas áreas de conhecimento, das quais fazem parte a Biologia, a Física, a Química, as Geociências, a Astronomia e a Meteorologia. A Alfabetização Científica, tomada como objetivo do ensino de Ciências, considera que os estudantes devem ter contato com a cultura das ciências, seus modos de organizar, propor, avaliar e legitimar conhecimentos. Ademais, possibilita a construção de sentidos sobre o mundo e permite o desenvolvimento de senso crítico 92 para avaliação e tomada de decisão consciente acerca de situações de seu entorno, seja ela local ou global. ● Frente à crescente disponibilidade de fontes de informações, o componente curricular de Ciências Naturais pode contribuir, também, com o desenvolvimento de critérios que permitam a seleção dessas informações de forma justificada, a reflexão sobre elas e a tomada de decisão de maneira embasada. ● É possível afirmar que as ciências trazem impacto para nosso bem-estar, para a saúde e para os diferentes meios que utilizamos para nos locomover, comunicar e relacionar. ● O processo de apresentação e análise de novas ideias é acompanhado de crítica e de reconhecimento dos saberes já existentes. ● No ambiente educativo, a sala de aula, o laboratório de ciências, o pátio, o parque, a sala de leitura, o laboratório de tecnologias para aprendizagem e os mais variados espaços tornam-se apropriados para uma investigação. Considerando que os problemas em estudo podem ser diversos, a adequação ao espaço ocorre na relação com o foco da análise. ● Uma investigação em ciências exige que se saiba sobre conhecimentos já existentes acerca do fenômeno ou da situação em análise. ● No ensino das Ciências Naturais, essas ações se desencadeiam pelas interações discursivas estabelecidas entre professor e estudantes, explorando conhecimentos prévios e novas construções, incentivando o debate de ideias e o respeito pela opinião diferente. ● Envolver os estudantes em práticas científicas permitirá que elaborem compreensões sobre os aspectos envolvidos na produção de conhecimento científico, tais como: produzir perguntas, criar modos imaginativos e sistematizados para respondê-las, coletar, registrar e organizar as informações; reconhecer padrões nessas informações que levem a possíveis generalizações; propor explicações e soluções para os problemas e justificar, avaliar e refletir sobre as explicações propostas. Estrutura do currículo de ciências naturais 93 Estrutura-se na promoção da alfabetização científica, além de: abordagens temáticas, práticas científicas, eixos temáticos, objetos de conhecimento, objetivos de aprendizagem e desenvolvimento e as 17 ODS ( Agenda 2030). ABORDAGENS TEMÁTICAS: 1. Linguagem, representação e comunicação; 2. Práticas e processos investigativos; 3. Elaboração e sistematização de explicações, modelos e argumentos; 4. Relações entre Ciência, Tecnologia, Sociedade e Ambiente; 5. Contextualização social, cultural e histórica. PRÁTICAS CIENTÍFICAS : São desenvolvidas em sala de aula de modo integrado ao conteúdo científico trabalhado, pois ganham sentido na ação prática e na relação com os fenômenos e objetos de investigação. São 3: EIXOS TEMÁTICOS (Objetos de conhecimento): São os mais amplos, reunindo conceitos, leis, teorias, modelos e noções da ciência. 1. Matéria, Energia e suas Transformações: Constituição e propriedade da matéria e as formas de produzir energia, impactando diretamente na produção e consumo. 2. Cosmos, Espaço e Tempo: Origem do universo e da terra, para conhecer onde vem os tempos, espaços e materiais e porque da vida na terra. 94 3. Vida, Ambiente e Saúde: É a vida que explica a matéria, além disso, as questões de conhecer o próprio corpo promovendo o autocuidado e autocontrole, além da compreensão do outro e do planeta. OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO Os objetivos de aprendizagem e desenvolvimento apresentam as finalidades formativas para cada objeto de conhecimento em cada um dos anos escolares. Eles materializam a associação entre os objetos de conhecimento de um determinado eixo temático, as práticas científicas e as abordagens temáticas, representando, assim, ações a serem desenvolvidas pelos estudantes ao longo das aulas de Ciências Naturais. Além disso, muitos dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento deixam clara a relação que se deseja que os estudantes construam com outros âmbitos de sua vivência, para além do espaço escolar, com vistas à atuação deles em sociedade e ao estabelecimento de atitudes e valores que se associam aos conhecimentos das ciências e sua relação com a vida cotidiana. 95 O ENSINO DE CIÊNCIAS NATURAIS NOS CICLOS CICLO DE ALFABETIZAÇÃO: Transformar a curiosidade em ações investigativas, com tratamento de dados, no qual os estudantes organizam e classificam dados.É a ação de investigação vinculado a boas perguntas. CICLO INTERDISCIPLINAR: Complexidade com os códigos da ciência, sistematização de raciocínios e análise dos fenômenos, também com utilização de instrumentos ( lupa, termômetro, etc..). 96 ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO DO PROFESSOR A partir da alfabetização científica, ensino investigativo e o protagonismo do estudante, promovendo metodologias e os estudantes também participandodo planejamento. 97 INVESTIGAÇÃO EM SALA DE AULA DE CIÊNCIAS NATURAIS Orientações didáticas do currículo da cidade: Ciências Naturais Gestão da Sala de Aula: A gestão da sala de aula relaciona-se ao planejamento, à implementação e à avaliação das atividades didático-pedagógicas. Relaciona-se, também, ao trabalho mais direto entre professor e estudantes, às interações estabelecidas entre eles com foco em conhecimentos e por meio de materiais didáticos. Alfabetização Científica como objetivo do ensino de Ciências Naturais A Alfabetização Científica é considerada como um processo contínuo e em constante transformação. Fundamenta-se na concepção de que situações vividas nos dias atuais relacionam-se a conhecimentos científicos, seja de modo direto, seja de forma menos óbvia. De mesmo modo, as relações entre sociedade, tecnologia e ciência mostram-se próximas e 98 frequentes, explicitando influências mútuas e múltiplas que repercutem nas formas de agir e de pensar da humanidade e na própria organização das sociedades. Eixos estruturantes da Alfabetização Científica: ● A compreensão de termos e conceitos científicos básicos ● O entendimento de aspectos da natureza da ciência e dos fatores que influenciam sua prática. ● A compreensão de que há relações entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente • É preciso ponderar que não há hierarquia entre os eixos estruturantes da Alfabetização Científica, sendo igualmente importante a consideração de todos no planejamento de atividades para a sala de aula. • O trabalho com os eixos estruturantes da Alfabetização Científica ocorre de maneira contínua, explorando aspectos conceituais, assim como características do fazer científico e as relações que se estabelecem entre ciência, tecnologia, sociedade e ambiente. • Desenvolver a Alfabetização Científica na escola implica a necessidade de incorporação de práticas científicas pelos estudantes, de tal modo que eles travem contato com aspectos do fazer científico, com as interferências e influências que ocorrem e regulam esse processo e com os conceitos deste campo de conhecimento. A discussão sobre as práticas científicas será aprofundada quando tratarem de aspectos para o planejamento das aulas. O ensino por investigação (pesquisa): O pensamento científico e a criatividade podem caminhar juntos no processo investigativo. O trabalho em sala de aula, visando responder a um problema, implica construir hipóteses que são analisadas, confirmadas ou refutadas, investigando informações e dados, buscando relacionar conhecimentos e informações. Essa figura apresenta cinco principais fases para o desenvolvimento de atividades de ensino por investigação: orientação, conceitualização, investigação, conclusão e discussão. Em algumas situações, essas fases podem se interpor em sala de aula, mas é importante reconhecer o que caracteriza cada uma delas. Orientação - É o momento em que a 99 curiosidade é estimulada. Conceptualização - desenvolvem-se as subfases das questões e das hipóteses. (buscar a confirmação ou não de nossas hipóteses) Investigação - coleta de informações que serão analisadas no movimento de interpretação dos dados. Conclusão - identificar as evidências que permitam explicar o problema investigado. Discussão - são apresentadas as ideias que começam a ser construídas e, como decorrência, a reflexão vai se construindo, permitindo criticar e avaliar processos e informações. As práticas experimentais e os graus de liberdade: • Carvalho (2010) estabelece algumas etapas que podem ser encontradas nas atividades práticas experimentais e relaciona o papel que estudantes e professor desempenham no trabalho com elas, de modo a definir o grau de liberdade intelectual conferido aos estudantes. • As etapas são: a proposição do problema, o plano de trabalho, o levantamento de hipóteses, a coleta de dados e as conclusões. • O trabalho do professor, para que o ensino por investigação ocorra de modo bem-sucedido em sala de aula, fundamenta-se em alguns elementos que podem ser compreendidos como: o problema proposto, a tomada de decisão para constituição de planos de trabalho, as interações ocorridas em aula e o questionamento das ideias em discussão. • Para que se concretize, o trabalho com práticas científicas, considerando suas diferentes dimensões, pode ser estabelecido por meio do ensino por investigação. Entende-se que a liberdade intelectual conferida aos estudantes configura-se, tanto na maneira pela qual a sala de aula constitui-se em uma comunidade de práticas, como em um modo para alcançar a Alfabetização Científica. A sala de aula como espaço para o ensino e a aprendizagem de Ciências Naturais: • Tendo em vista que interações marcam o processo de ensino, podemos afirmar que ensinar é uma tentativa de promover aprendizagem, sendo possível haver situações em que o objetivo não é alcançado. Ensinar é, portanto, uma tarefa que considera a quem se endereça o ensino, para quem se expõem as ideias, como elas são apresentadas e com qual finalidade. • O trabalho com as Ciências Naturais busca o desenvolvimento de práticas científicas, e tem nuances de diferença a cada ciclo do Ensino Fundamental, considerando a progressão nesse desenvolvimento. Portanto, quando estão frente a um problema, as interações precisam permitir que os estudantes realizem o tratamento de informações, construam e executem planos de trabalho e elaborem explicações para fenômenos em situações em investigação. Interações discursivas: • Perguntas feitas pelo professor devem estimular a participação dos estudantes. Boas perguntas nas aulas de ciências usualmente configuram-se como situações-problema e, por isso, exigem que informações já existentes entre os estudantes sejam trazidas para a discussão em que se busca resolver a situação em questão. 100 • Sendo similar à investigação científica, o desenvolvimento do ensino por investigação deve ser eminentemente social, congregando ações conjuntas de professor e estudantes. Portanto, o incentivo ao trabalho em grupos deve acontecer. Interações com informações e materiais • É bastante comum o professor realizar levantamentos sobre o que os estudantes já conhecem a respeito de um tema no início de uma aula ou abordagem por meio de perguntas. • O mais importante nesses casos é que as experiências e os conhecimentos que os estudantes já possuem estejam claros a eles e ao professor para a investigação de um novo fenômeno. • Além das interações com o repertório dos estudantes, é possível interagir com informações presentes em materiais didáticos. O papel do professor nas aulas de Ciências Naturais: • Fazer perguntas, instigar a construção de modos de resolução de problemas, promover a explicitação de hipóteses sobre fenômenos, propor modos de interação com diferentes informações e objetos, fomentar debates, proporcionar a avaliação de ideias são todas atividades que um professor deve desenvolver em aulas de Ciências Naturais. Todas as ações permitem o maior contato dos estudantes com práticas do fazer científico, no entanto, o papel do professor não se restringe a elas. É necessário que ele planeje suas aulas e modos de interação que privilegiem ações como as destacadas, possibilitando o contato dos estudantes com os conhecimentos formalizados das ciências por meio do desenvolvimento das práticas científicas. Ao realizar tal abordagem, trazendo elementos que revelem as influências mútuas que existem entre as ciências, as tecnologias e a sociedade, o professor estará mostrando aos estudantes as oportunidades para o desenvolvimento da Alfabetização Científica. • Portanto, há de se considerar que o papel do professor em aulas de Ciências Naturais tem forte relação com o planejamento de atividades, mas, ao se desenvolver, exige atenção para que os objetivos traçados sejam cumpridos e que tenham considerado diferentes dimensões da formação dos estudantes para sua Alfabetização Científica. • Assim, é papel do professor no ensino de Ciências Naturais ser o promotor de interações dos estudantescom seus colegas, dos estudantes com os materiais e com as informações já estabelecidas. Também é seu papel ser o orientador das discussões. Planejamento das aulas de Ciências Naturais: O planejamento do professor pode ser apresentado como uma lista de temas a abordar, habilidades a desenvolver, estratégias a utilizar e modos de avaliar os estudantes. Mas esta linearidade não precisa e nem deve ser realizada durante a elaboração das relações entre temas, habilidades, estratégias e modos de avaliação. Descrever os objetivos de uma aula é tarefa didático-pedagógica. 101 Importante considerar que as atividades de aula e as ações para sua implementação precisam estar em concordância com o que se propôs, evidenciando condições e possibilidades para que o trabalho realizado possa alcançar os objetivos almejados. Muitas podem ser as estratégias utilizadas para alcançar o objetivo da Alfabetização Científica. O ensino por investigação ganha destaque, pois parte da premissa de que os estudantes devem se envolver com ações científicas e epistêmicas para a resolução de problemas. A implementação de atividades investigativas para a resolução de um problema: A proposição do problema: do que já se sabe para o que se pretende que os estudantes conheçam A resolução do problema: a construção de hipóteses e dos planos de ação: Ao longo do processo para a resolução do problema, caso ele seja experimental, é preciso considerar e avaliar se o trabalho realizado pelos estudantes permite a observação do fenômeno e a coleta de dados necessários para a análise. Sendo um problema teórico, as condições para a coleta de dados também precisam ser garantidas e isso pode estar diretamente ligado às informações que são disponibilizadas aos estudantes no material a eles oferecido e em aulas anteriores. A tomada de consciência: o início da sistematização das ideias investigadas: A tomada de consciência pode ocorrer tanto pela discussão com a turma toda, como pode ser incentivada com a ajuda de outras práticas a serem vivenciadas pelos estudantes. A coleta e a organização de informações configuram-se como passos importantes para a concretização da tomada de consciência. Essa coleta de dados pode ser sistemática, com a anotação de informações ao longo de etapas anteriores, ou pode ocorrer de modo indireto, sendo concretizada pela retomada do que foi feito. A construção de explicações: o estabelecimento de relações entre ações e resultados Importante dizer que a argumentação é a marca da construção de conhecimentos científicos exatamente porque se apoia na análise de fatos e opiniões, sendo conduzida pela crítica constante que se sustenta em padrões e normas de conhecimento e de atuação já reconhecidos e legitimados. 102 Currículo da cidade: Ensino Fundamental: componente curricular: História É importante identificar como o ensino de História pode contribuir para a formação de crianças, jovens e adultos que moram na Cidade de São Paulo e que pertencem a uma sociedade complexa com sua diversidade cultural e histórica e imersa em um contexto histórico nacional e mundial, com demandas que valorizam a interatividade e equidade entre os povos, as culturas, os gêneros, as etnias e os variados grupos sociais, envolvendo abertura para debates, intercâmbios e assimetria de poder. O conceito de história e de cultura promovem análises e confrontações entre modos de vida no tempo e entre povos, fazendo uso de categorias de diferenças e semelhanças. O conceito de interculturalidade incorpora a ideia de que no interior de uma sociedade existem diferentes grupos sociais e culturais e que existe uma ação deliberada de inter-relações. Situações de ensino e de aprendizagem devem possibilitar, no Ensino Fundamental, que os estudantes: adquiram uma formação integral, aprendam a agir pessoal e coletivamente com criticidade, autonomia, responsabilidade, flexibilidade e determinação, tomando decisões com base nos conhecimentos construídos por eles na escola segundo princípios éticos e democráticos (BRASIL, 2017); percebam-se como sujeitos históricos identifiquem, analisem e reflitam sobre as fatos históricos compreendam e analisem diferentes referências temporais distingam e analisem como diferentes sociedades constituem seus territórios 103 identifiquem e compreendam as atuações de protagonismo histórico reconheçam a interculturalidade nas práticas sociais, reconheçam e analisem as culturas híbridas e como elas estabelecem novas raízes, a partir de encontros, conflitos e negociações históricas; estabeleçam relações entre diversas áreas de conhecimento, apropriem-se da leitura e da escrita de realidades fictícias e históricas; saibam lidar criticamente com a informação histórica disponível Eixo Problematizador: a Criança, a Cultura e a História em Diferentes Contextos Lúdicos: No Ciclo de Alfabetização, a aprendizagem de História contribui para a formação das crianças para que conheçam e aprendam a questionar e a narrar características de objetos e vivências sociais, que fazem parte de seu mundo Infantil e lúdico, em comparação com elementos semelhantes e diferentes de outras épocas, apresentados nas suas materialidades e por meio de relatos orais, livros, teatralizações, canções e vídeos. Conforme conhecem e constroem diferentes narrativas com variações temporais, distinguem medidas de tempo socialmente construídas e utilizadas hoje em dia e em outras épocas. Eixo Problematizador: Águas, Cidades, Migrações, Histórias e Culturas No Ciclo Interdisciplinar, o estudo de temas e fatos históricos dissemina e problematiza saberes relacionados às vivências cotidianas, públicas e sociais, de experiências e histórias comuns na escola e na localidade onde vivem. Tal estudo é conduzido diante da diversidade local, regional e brasileira, além de outras culturas e povos, do presente e do passado, respeitando as diferentes narrativas, memórias e identidades. No contexto escolar, associado a outras áreas do conhecimento e aos saberes de docentes e de estudantes, estudar História possibilita o avanço nas noções e nos conceitos de tempo e espaço, na identificação da diversidade de sujeitos históricos que protagonizam os acontecimentos atuais e do passado, na leitura, na interpretação e na construção de narrativas (com diversas linguagens) a partir de coletas de dados em diferentes fontes e no posicionamento em relação às questões importantes da sociedade em que vivem. Privilegiam-se, assim, temas que promovam reflexões a respeito da qualidade e do sentido da vida individual e coletiva. 104 Objeto de conhecimento Para cada ciclo foi escolhido um eixo problematizador, que se desdobra em recortes mais específicos em cada ano escolar. • Ciclo de Alfabetização - Eixo Problematizador: a Criança, a Cultura e a História em Diferentes Contextos Lúdicos. • 1º ano - A história dos brinquedos: quais são as relações entre os nossos brinquedos e os de outros povos e de outros tempos? • 2º ano - A história dos jogos e brincadeiras: quais são as relações entre nossas brincadeiras e as de outras culturas e épocas? • 3º ano - Os espaços lúdicos na Cidade de São Paulo: quais são os espaços de lazer e brincadeiras na Cidade de São Paulo e como as crianças interagem com esses espaços hoje e interagiam em outros momentos históricos? O que propor onde não há espaços lúdicos? Em que se pode melhorar os espaços públicos de convívio? Ciclo Interdisciplinar - Eixo Problematizador: Águas, Cidades, Migrações, Histórias e Culturas. • 4º ano - História das relações das sociedades com as águas e os rios: como temos acesso à água e quais são nossas convivências atuais e históricas com os rios? • 5º ano - O modo de vida urbano no presente e no passado: como a vida urbana se constituiu no passado e se constitui no presente? E como têm se constituído outros modos de vida? 105 QUADRO DE OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM E DESENVOLVIMENTO POR ANO DE ESCOLARIDADE NO CICLO DE ALFABETIZAÇÃO ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO DO PROFESSOR: Ciclo de alfabetização: Trabalharcom a oralidade, para que as próprias crianças narrem as histórias dos brinquedos, levantando hipóteses, entendimento das relações atemporais e registros. 106 Ciclo interdisciplinar: Trabalho orientado pela pesquisa, investigação e metodologias ativas. Projetos interdisciplinares com outros componentes curriculares, interpretação de textos históricos, principalmente o gênero de narrativa. Orientações didáticas do currículo da cidade: História: O planejamento do professor para o dia a dia da sala de aula requer, por sua vez, a particularização do trabalho, incluindo o detalhamento de objetivos específicos, definição de estratégias para melhor conhecer o que os estudantes já sabem, de intervenções para desencadear aprofundamentos no tema, escolha de materiais a serem utilizados, de instrumentos para avaliação da aprendizagem dos estudantes e adequação das escolhas didáticas às finalidades projetadas. Muitas vezes, no caso do ensino de História, os planejamentos centram-se em objetivos relacionados aos conteúdos, entendendo-os como tema, as informações básicas e os conceitos. É o caso, por exemplo, da proposta de organização de sequências didáticas. O conceito de sequência didática é fundamentado pelo professor espanhol Antoni Zabala (1996). Para construir uma sequência didática, a primeira premissa é a necessidade de o professor ter claro para si que função social atribui à educação, quem ele quer formar e para qual sociedade. Outra premissa relaciona-se ao modo como o professor entende que a aprendizagem pode ser mobilizada, organizada e concretizada. Nesse caso, o docente precisa ter clareza de suas ideias e conhecimento teórico, para refletir sobre diferentes correntes que circulam no universo educacional, propor e analisar metodologias de ensino e fazer escolhas conscientes e coerentes de intervenções pedagógicas adequadas ao contexto escolar específico de sua atuação. As sequências didáticas estruturam, assim, um conjunto de situações de ensino escolhidas pelo professor para serem desenvolvidas em suas aulas. Nessa perspectiva, sugere-se que, na composição dos contextos de aula, o professor considere três princípios: (1) as situações e os conteúdos potencialmente mais significativos para a aprendizagem dos estudantes; (2) a valorização das diversas formas de interatividade entre os indivíduos envolvidos; e (3) a variedade de tipos de conteúdo. Nesse processo, para contribuir com a aprendizagem do estudante, o professor desempenha papel essencial, porque é ele que planeja o que fazer de modo adequado, respeitando a autonomia daquele que aprende, considerando suas dificuldades, os progressos necessários, o tempo e as intervenções. Zabala (1998) propõe agrupar os conteúdos em três tipos, de acordo com o que os estudantes devem saber, saber fazer e ser, ou seja, conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais. De acordo com o tipo de conteúdo escolhido para o estudante aprender, o professor seleciona a estratégia de ensino. O professor precisa, portanto, adequar os contextos de ensino a diversificadas estratégias de intervenção. Em um contexto de aprendizagem significativa, a situação ideal é a que os diversos tipos de conteúdos sejam trabalhados conjuntamente e que se estabeleçam o maior número de vínculos possíveis entre eles. O encadeamento de 107 atividades em uma aula constitui uma unidade didática, com seus conteúdos e objetivos específicos. Já o encadeamento de atividades, ao longo das aulas, constitui uma sequência didática, que deve considerar avaliações contínuas do professor, com avanço progressivo, na medida em que os estudantes constroem conhecimentos. Uma sequência didática é “um conjunto ordenado de atividades, estruturadas e articuladas para a consecução de um objetivo educativo em relação a um conteúdo concreto” (Zabala, 1998, p. 19). Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento, Conteúdos e Escolhas Didáticas Os princípios mais amplos, propostos no Currículo da Cidade, relacionados ao que se espera, como contribuições da educação para avanços construtivos e democráticos da sociedade contemporânea, estruturam-se com base em três conceitos orientadores: Educação Integral, Equidade e Educação Inclusiva. Deve também referendar e fortalecer a ideia de que todos os estudantes possuem potencialidade para aprender e se desenvolver, independente da sua realidade socioeconômica, cultural, étnico-racial ou geográfica. Situações de ensino e aprendizagem que possibilitem aos estudantes do Ensino Fundamental: • ampliar seus domínios práticos e intelectuais e valorizar princípios éticos; • pensar e agir com criticidade, autonomia e responsabilidade; • perceber-se como sujeito histórico que interage e respeita outros sujeitos do presente e do passado na sua diversidade; • identificar, analisar e refletir sobre fatos históricos para explicar a história do presente e do passado, questionando, confrontando e relacionando-os entre si e com os sujeitos históricos que os protagonizaram; • compreender e analisar diferentes referências temporais para os estudos históricos; • distinguir e analisar como diferentes sociedades constituem seus territórios e como, historicamente, as sociedades constroem noções e representações para espaços vividos e imaginados; • identificar e compreender as atuações de protagonismo histórico de diversos grupos e sociedades na luta por legitimidade e reconhecimento de seus projetos específicos em diferentes tempos e espaços sociais; • reconhecer a interculturalidade nas práticas sociais, identificando as representações construídas em relação ao outro, respeitando e acolhendo os indivíduos, os grupos e as culturas, considerando-os como imersos em processos contínuos de elaboração, construção e reconstrução de seus vínculos e identidades, e valorizando suas diferenças e historicidades; • reconhecer e analisar as culturas híbridas e como elas estabelecem novas raízes, a partir de encontros, conflitos e negociações históricas; • estabelecer relações entre diversas áreas de conhecimento, considerando a complexidade dos objetos de estudo; • apropriar-se da leitura, da escrita e desenvolver o gosto, o prazer de conhecer e de se aproximar de diferentes escritores, perspectivas, realidades fictícias e históricas; • saber lidar criticamente com a informação histórica disponível, atuando com discernimento e responsabilidade nos contextos das culturas digitais. No Ciclo de Alfabetização, diante da expectativa de que os estudantes consigam reconhecer características culturais e históricas dos brinquedos, podem ser considerados diferentes tipos de conteúdos, criando-se atividades que favoreçam aprendizagens variadas. No Ciclo Interdisciplinar, por exemplo, procurando promover conhecimentos para 108 os estudantes identificarem diferentes relações que os grupos humanos estabelecem com os rios, o professor pode criar uma atividade para análise de uma determinada imagem que remeta a um contexto histórico da cidade de São Paulo, historicamente datado. Planejar, estabelecer objetivos, escolher conteúdos diversificados e construir boas estratégias de ensino consolidam as experiências pedagógicas dos professores e seu potencial criativo para recriar permanentemente seu cotidiano, o da escola e o de seus estudantes. Quando tais tarefas, além de individuais, correspondem a um planejamento conjunto entre áreas, classes e comunidade, aumenta-se a possibilidade de eficácia da ação pedagógica. Diagnósticos, Intervenção e Avaliação de Aprendizagem: Em diferentes etapas do ensino, cabe ao professor investigar o que os estudantes já sabem a respeito do que vão estudar em cada momento. Essa tarefa desdobra-se do princípio de que há aprendizagem nas interações sociais que antecedem à escola e fora dela. Isso significa dizer que os estudantes sabem e pensam a respeito de muitas questões de seu cotidiano, e que seus saberes prévios e de seus grupos sociais são associados e transformados nos estudos escolares. Nesse aspecto, os estudos de Vygotsky (1987) indicam que há aprendizagem de conceitosespontâneos ao longo da vida, que ganham apreensões mais abstratas na medida em que os estudantes estudam conceitos científicos no contexto escolar. [...] quando uma palavra nova é aprendida pela criança, o seu desenvolvimento mal começou: a palavra é primeiramente uma generalização do tipo mais primitivo; à medida que o intelecto da criança se desenvolve, é substituída por generalizações de um tipo cada vez mais elevado - processo este que acaba por levar à formação dos verdadeiros conceitos. O desenvolvimento de conceitos, ou dos significados das palavras, pressupõe o desenvolvimento de muitas funções intelectuais: atenção deliberada, memória lógica, abstração, capacidade para comparar e diferenciar. Esses processos complexos não podem ser dominados apenas através da aprendizagem inicial (VYGOTSKY, 1987, p.93). As crianças ampliam e expandem suas concepções por meio de uma ação mediada pelos objetos de conhecimento. É somente tendo a oportunidade de conhecer a história e diferentes marcadores temporais que elas constroem suas próprias comparações entre distintas realidades, que passam a com parar suas concepções com as de outras pessoas e de outras culturas. Assim, podem formular e reformular, aos poucos, suas noções sobre o tempo e sobre a história. Investigar o que os estudantes já sabem também parte dos estudos de Jean Piaget, que demonstra o fato de que o aprender é uma construção pessoal de cada um, que acontece graças à ajuda que recebe de outros indivíduos. Nesse contexto, o aprender requer atribuir significado ao objeto de estudo, e isso envolve a contribuição pessoal do aprendiz, seu interesse e disponibilidade, seus conhecimentos prévios e sua experiência. Conhecendo o que o estudante já sabe, o professor é capaz de intervir, de problematizar, de contribuir para que avance em seus domínios e reflexões. Um dos objetivos do ensino de História é “contribuir para libertar os indivíduos do tempo presente e da imobilidade diante dos acontecimentos” (BITTENCOURT, 1997, p.11). No ensino de História, no esforço de valorização dos povos indígenas e para melhor compreender quem são, como vivem e quais suas lutas políticas, há a possibilidade de estudo das falas de suas lideranças. A avaliação recupera e incorpora, assim, todo o processo de ensino e aprendizagem, considerando os objetivos amplos e específicos, os conhecimentos prévios, a seleção dos diferentes tipos de conteúdos trabalhados em sala de 109 aula, as escolhas de intervenção, as avaliações reguladoras e a confrontação entre o que os estudantes sabiam e pensavam antes e o que conquistaram como novos conhecimentos. É importante lembrar que a avaliação indica efetivamente aquilo que foi ensinado, na perspectiva do professor. Ressalta-se que cada realidade escolar é um contexto singular, cada turma de estudantes tem sua particularidade e apenas o professor conhece a história do grupo. Assim, cabe a ele manter desperta sua sensibilidade para avaliar quando um conteúdo pode se tornar significativo e quais as situações que favorecem o envolvimento ativo dos estudantes em descobertas, indagações e aplicações. Isso significa reconhecer que o processo educacional é aberto para negociações e recriações. Diferentes Fontes de Informação nas Aulas de História Nas aulas de História, há inúmeras oportunidades de uso de diferentes materiais didáticos. De modo amplo, podem ser utilizados aqueles produzidos para fim escolar, e também fontes e materiais diversos criados para outros desígnios, mas que se transformam em material de ensino por meio das finalidades dadas a eles pelo professor. Os diferentes materiais inseridos nos livros didáticos, em geral, são valiosos. Mesmo que a proposta do autor tenha sido incluí-los apenas como ilustração, o professor nas situações de aula pode explorá-los nas suas potencialidades didáticas. É possível solicitar que leiam e analisem seus livros escolares e identifiquem diferentes textos, imagens, mapas, gráficos, pesquisando seus autores, época, e quais as relações entre eles e os temas presentes em uma mesma página ou capítulo. As atividades podem estimular os estudantes a se preocuparem com a leitura, mobilizando questionamentos sobre a diversidade de materiais nas páginas do livro didático. De uma perspectiva ampla, todo material (textos, imagens, objetos, mapas, músicas, filmes e outros) utilizado em sala de aula, para mediar a relação do estudante com o conhecimento, pode ser considerado material didático. Variados materiais podem ser também “facilitadores da apreensão de conceitos, do domínio de informações e de linguagens específicas”. A escolha desses materiais para uso didático em sala de aula depende de “concepções sobre o conhecimento, de como o estudante vai aprendê-lo e do tipo de formação” que lhe oferecemos(BITTENCOURT, 2008, p. 296 - 297). Como material pedagógico, textos, fotos, mapas ou objetos passam a ter empregos diferentes da sua finalidade original, mas é fundamental que seu contexto sócio-histórico seja conhecido e trabalhado nas situações de ensino, para que não fiquem esvaziados de seus percursos e significados sociais. Metodologia de Uso de Documento Histórico no Ensino O jornal, a fotografia, o rádio, o cinema, a televisão, o vídeo e a divulgação da arte em geral passaram a estar cada vez mais presentes no cotidiano dos sujeitos, registrando, interpretando e criando fatos. Para os historiadores, diante do reconhecimento das mudanças na produção e acesso à informação e à cultura, existe uma preocupação e uma possibilidade de diversificar suas fontes históricas de estudo. Foram, ao longo das últimas décadas, realizados esforços para melhor compreender interdisciplinarmente as linguagens e suas representações, ampliando o leque de opção para análise documental. Para estudos com documentos históricos na escola, Circe Bittencourt, conforme indicação dos Pesquisadores do ensino de História e Geografia do Institut National de Recherche Pédagogique (INRP) da França, explica que são denominados documentos “todo o conjunto de signos, visuais ou textuais, que são produzidos em uma perspectiva diferente dos saberes das disciplinas escolares e posteriormente passam a ser utilizados com finalidade didática. Os documentos, diferentemente dos suportes informativos, foram produzidos 110 inicialmente sem intenção didática, almejando atingir um público mais amplo e diferenciado. Contos, lendas, filmes de ficção ou documentários televisivos, músicas, poemas, pinturas, artigos de jornal ou revistas, leis, cartas, romances são documentos produzidos para um público bastante amplo que, por intermédio do professor e seu método, se transformam em materiais didáticos. Eles não são necessariamente produzidos pela indústria cultural e podem ser selecionados de diferentes formas, de acordo com a opção de trabalho dos professores ou dos projetos pedagógicos da escola” (BITTENCOURT, 2005, p. 296-297). “Um documento pode ser usado simplesmente como ilustração, para servir como instrumento de reforço de uma ideia expressa na aula pelo professor ou pelo texto do livro didático. Pode também servir como fonte de informação, explicitando uma situação histórica, reforçando a ação de determinados sujeitos etc., ou pode servir ainda para introduzir o tema de estudo, assumindo neste caso a condição de situação- -problema, para que o estudante identifique o objeto de estudo ou o tema histórico a ser pesquisado. Dessa forma, os objetivos do uso de documentos são bastante diversos para o professor e para o historiador, assim como os problemas a que ambos fazem frente. Um desafio para o professor é exatamente ter critérios para a seleção desse recurso” (BITTENCOURT, 2005, p. 330). Do ponto de vista pedagógico, cabe a cautela na escolha do material (que seja significativo para o estudante, desperte interesse e esteja de acordo com os objetivos específicos), considerando a importância de favorecer o domínio de conceitos históricos, de modo que: (1) auxilie na formulação de generalizações; (2) seja percebido como registrodo passado (percepção de que os materiais são diversos e que eles podem ser encontrados em diferentes ações, produções e criações humanas); e (3) contribua para a compreensão do processo de produção do conhecimento histórico. O uso didático de qualquer material em sala de aula implica o ato de aprender a ler para além do texto e a questionar temas e conceitos historicamente. O ato de ler e questionar torna-se, assim, um conteúdo procedimental, e, com isso, é responsabilidade do professor de História planejar e desenvolver estratégias didáticas voltadas especificamente para formar leitores e investigadores, de modo a permitir que os estudantes se apropriem de informações e aprendam a pensar historicamente. Didaticamente, a análise de obras pode obedecer os seguintes passos metodológicos, sem necessariamente esgotá los: • Questionar o documento para levantar conhecimentos prévios e hipóteses • Organizar ideias gerais expressas pelo documento que deem conta de sua totalidade • Pesquisar informações em outras fontes (pesquisa externa ao documento) o situar o documento o descrever o documento • Interpretar o documento Currículo da cidade: Ensino Fundamental: componente curricular: Geografia A geografia está sempre em movimento e porque? Devido a fatos e a transformações históricas na sociedade principalmente a partir da década de 60 com a guerra fria, globalização e ascensão de ditaduras militares. 111 A Partir daí a geografia saiu da zona de observador passivo, a crítica ao capitalismo e ao socialismo de estado, começou a levantar questões socioambientais e as disputas por recursos naturais e mudanças climáticas. Também a partir daí o estudo da geografia deixou de ser fragmentada entre a geografia humana e física e passamos a estudar em conjunto para podermos entender as transformações nos territórios, assim como também suas produções. Os conceitos geográficos passaram a ser contextualizados com o cotidiano, ex; cartografia ligada com o planejamento urbano. Tudo isso em busca de aprendizagens e posturas transformadoras diante das injustiças sociais. A GEOGRAFIA NAS CIÊNCIAS HUMANAS: Apresenta o realismo da sociedade que vivemos e da sociedade que queremos ter. A geografia se articula entre as ciências humanas e naturais. ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS A- Espaços como relação entre sociedade e a natureza B- Mundo social e movimento C- Espaços determinados por questões naturais, histórico, sociais D- espaço tematizado e compreendido E- Pensamento crítico busca de soluções G- Pertencimento etnico racial F- Migrantes FUNDAMENTOS TEÓRICOS E CONCEITOS ESTRUTURANTES Organização dos conteúdos: Os objetos de conhecimento são os 5 eixos gerais ( igual a BNCC): ● Território ● paisagem ● natureza ● lugar ● região Território: É o produto das produções sociais, também campos de tensões políticas, onde as ações humanas constroem sua cultura. Território não é só as divisões políticas dos mapas, vai além, ex: os blocos de países da OTAN. 112 Paisagem: Unidade visual que reúne o passado e o presente ( tanto urbano como natural) a paisagem e a assinatura de um território. É nela que se estampam marcas da sociedade, uma soma de tempos desiguais, uma combinação de espaços geográficos. Lugar: O conceito de paisagem, por sua vez, está relacionado à noção de lugar. Pertencer a um território e à sua paisagem significa fazer deles o seu lugar de vida e estabelecer uma identidade com eles, dar-lhe sentido. O conceito de lugar traduz os espaços com os quais as pessoas têm vínculos afetivos, subjetivos e simbólicos: uma praça, onde se brinca desde menino; a janela de onde se vê a rua, o alto de uma colina, de onde se avista a cidade etc. O lugar é onde estão as referências pessoais e coletivas e o sistema de valores que direcionam as diferentes formas de perceber e constituir a paisagem e o espaço geográfico. Natureza: Relação da sociedade e natureza ( suas transformações ) e natureza e natureza, mundo físico, ex: ciclo da água, que envolve a hidrografia,solo, relevo, rochas, temperatura, chuva, etc… Região: Agrupamento de territórios. Quando surgiu no século 19 esse conceito, era considerado apenas os aspectos físicos/naturais, mas é mais do que isso, a região é um agrupamento de todos os eixos citados acima. É um espaço geográfico. DIREITOS DE APRENDIZAGEM DE GEOGRAFIA Abordar a diversidade requer preocupação com a valorização dos saberes do estudante, das trajetórias da cultura local e da dimensão do lugar. Essa tem sido uma marca contemporânea dos currículos que pretende quebrar com a tradição eurocêntrica do ensino da disciplina. ENSINAR E APRENDER GEOGRAFIA NO ENSINO FUNDAMENTAL O espaço precisa ser pensado do micro para o macro. Um dos objetivos de aprender geografia no ensino fundamental é o estudante entender que as ações de intervenção locais podem transformar o mundo. Para isso, o professor pode utilizar métodos de investigação, como trabalho de campo, entrevista com a comunidade e análise e construção das diferentes linguagens geográficas. Para o estudante entender essa linguagem o ensino precisa ser dinâmico e lúdico. 113 O ENSINO DE GEOGRAFIA NOS CICLOS CICLO DE ALFABETIZAÇÃO: O objetivo é situar a criança no momento que vive, percebendo as dinâmicas de relação espacial próximas e distantes, numa multiplicidade temporal e espacial. Construir interações entre a leitura textual e a leitura espacial. 114 115 CICLO INTERDISCIPLINAR : Objetivo: Construir conhecimento a respeito das paisagens urbanas e rurais e as primeiras noções sobre processos de sua formação socioespacial, sempre considerando a trajetória de suas transformações como sujeitos cada vez mais autônomos. 116 ORIENTAÇÕES PARA O TRABALHO DO PROFESSOR: Para alcançar o objetivo de formar estudantes transformadores da sua realidade, o estudo da geografia precisa ser antes de tudo uma alfabetização cartográfica, para entender as relações que ocorrem no território. Alfabetização espacial: A alfabetização cartográfica, pensamento espacial, metodologias investigativas e aprender a aprender. 117 Orientações didáticas do currículo da cidade: Geografia: 118 Saberes e fazeres docentes: O Currículo da Cidade busca enfatizar alguns princípios da atuação docente valorizando, segundo Perrenoud (2002), a autonomia, o engajamento, a abertura ao mundo, a tolerância, o gosto pelo risco intelectual, o espírito de pesquisa, o senso de cooperação, a solidariedade. Essas aspirações não fazem sentido sem um profissional que atue a partir do saber, da cultura, dos conhecimentos pedagógicos e da didática. Perrenoud (2002) quando sugere que o professor seja: •organizador de uma pedagogia construtivista; •garantidor do sentido dos saberes que circulam nas situações de ensino; •criador de situações de aprendizagem que façam sentido para os estudantes; •administrador da heterogeneidade seja ela social, cultural, econômica e ambiental; •regulador dos processos e percursos de formação dos estudantes. O professor é o mediador intercultural da democratização da cultura e da formação de sujeitos ativos e comprometidos com as transformações em diferentes redes socioecológicas. Em Geografia, os objetos de estudos estão no real, o que amplia a conjunção de saberes críticos das relações entre sociedade e natureza. Definição dos conteúdos de ensino em Geografia: • Independentemente da forma de ensinar, estilo do 119 professor e dos objetos de conhecimento, Zabala (1998) sugere que é importante considerar não apenas os conteúdos cognitivos, conhecidos como conteúdos conceituais, mas também adotar uma perspectiva ampla, propondo que se identifiquem: • Conteúdos factuais: O que se deve saber? • Conteúdos conceituais: O que se deve saber explicar? • Conteúdos procedimentais: O que se deve saber fazer? • Conteúdos atitudinais: Como se deve ser? Definição dos Objetivos de Aprendizagem e Desenvolvimento: O trabalho planejado permite ao professor comunicar-se com os estudantes de modo a respeitar e a compreender os ritmos das turmas. A posturado professor ensina atitudes positivas e fortalece o gosto pelo aprendizado e pela convivência coletiva. Estratégia de ensino-aprendizagem apresentada como exemplo de atividade prática com mapas temáticos para o objeto de conhecimento “Elementos gerais da cartografia”: Definição das modalidades organizativas São muitas as formas de organização dos conteúdos em sala de aula. Muitos educadores adotam em seus planejamentos a organização do tempo em: •Atividades permanentes •Atividades sequenciadas •Situações independentes •Projetos Em todas essas formas de organização, alguns aspectos metodológicos podem ser ressaltados, destacamos algumas estratégias como resolução de problemas, trabalho de campo, registro de sequência didática e trabalho com documentos. Resoluções de problemas: Em Geografia, também se utiliza o termo problematização para se referir ao modo como se desenvolve a busca de entendimento ou resolução de um problema, metodologia indicada na fundamentação do processo de ensino e de aprendizagem. Por meio dela, podem-se 120 criar situações que estimulem o estudante a levantar hipóteses (respostas prévias às perguntas formuladas), razões ou dúvidas em relação ao objeto estudado, fazendo com que o professor precise questionar, direcionando o processo dessa aprendizagem para que o estudante assuma uma postura crítica frente ao problema exposto. Ao vivenciar situações-problema e enfrentá-las, os estudantes têm estímulos para organizar seus pensamentos, confrontar hipóteses formuladas e rever ideias. Trabalho de campo: Buscar como se concebem as ações humanas e como ocorrem os padrões e processos da natureza. Compreender como interagimos com as paisagens em que vivemos é um desafio inicial que deve conduzir as indagações nas situações de trabalho de campo. Para o trabalho com estudos de campo, é preciso decifrar a linguagem da paisagem: formas, objetos, movimentos muitas vezes ocultos e não tão evidentes etc. A leitura da paisagem por meio de estudos in loco nos leva à compreensão dos fatos e objetos empiricizados e sua relação com a vida humana, ou seja, a paisagem na dimensão dos lugares. A aplicação de diferentes procedimentos de coleta de informações sobre o meio fornece um conhecimento básico sobre o objeto de estudo. Esse saber prévio possibilita, muitas vezes, a extrapolação da informação e novas comparações. A observação geral de uma área de estudo é o passo inicial para que o estudante possa conhecer melhor o local, antes de iniciar os procedimentos de campo para levantamento de informações qualitativas e quantitativas. A finalidade do trabalho de campo em Geografia é também a de introduzir algumas técnicas utilizadas no estudo da espacialização dos fenômenos. É a partir desse método que os estudantes ampliam a capacidade de discutir e problematizar a realidade. As atividades de observação da realidade local estimularão a curiosidade e levarão à reflexão. A atividade de observação deve estimular o estudante a realizar mais perguntas que levem ao aprofundamento do conhecimento que está sendo construído, mesmo que não sejam todas respondidas naquele momento. O professor pode instigá-los por meio de um rol de perguntas por eixos de estudos, reelaborando outros trabalhos de campo que complementem as indagações e hipóteses dos estudantes. Registro de sequência didática: ● o tema do estudo (o objeto e seus desdobramentos); ● a pergunta-chave ou problema a ser elucidado (aquele que vai motivar a busca de informações); ● a duração do estudo; ● conteúdos (objetos de ensino); objetivos de aprendizagem; ● recursos e materiais necessários; ● etapas do desenvolvimento da atividade sequenciada; textos a serem lidos; ● palavras-chave que orientam o foco da pesquisa; resultados esperados; ● forma de avaliação utilizada (em cada etapa com pautas individualizadas ou no final do percurso). 121 Alguns passos são usuais e precisam ser trabalhados pelo professor com os estudantes: Elaboração de uma tabela de hipóteses iniciais (conhecimentos prévios) com espaço para preenchimento durante a pesquisa; Leitura de textos, imagens, gráficos e tabelas em diferentes fontes de informação; Aula expositiva dialogada (do professor, de um convidado, de um vídeo); Realização de entrevistas e de investigação em diferentes fontes; Atividades de campo Explore diferentes formas de registro: •Mapas; • Bloco diagrama; • Tabelas; • Texto explicativo (dissertativo ou livre); • Texto narrativo; • Fotografia; • Power points: criar slides unindo todas as formas de registro. O trabalho com documentos: • São exemplos de documentos: depoimentos de pessoas comuns e especialistas, fotografias, gravuras, mapas, documentos oficiais, trechos de livros literários, músicas, poesias e notícias de jornal, apresentados sem reduções ou simplificações que possam comprometer seu valor informativo. O professor, quando assim julgar necessário, deverá atuar como mediador entre os estudantes e os documentos em estudo, incentivando os estudantes a construir suas próprias interpretações. Alfabetização e letramento cartográfico: Os estudantes devem aprender a importância e a funcionalidade do alfabeto cartográfico na representação (como ponto, linha, área, cor, ícones etc.) por meio de atividades em que são desafiados a representar objetos e lugares de forma simplificada e esquemática. É importante lembrar que essas atividades se tornam mais significativas para os estudantes quando são realizadas em contextos de comunicação social. Possibilidade de organização da turma nos espaços escolares • Círculo e semicírculo • Grande mesa coletiva • Fileiras • Diagonal • Grupos • Duplas • Sala e Espaço de Leitura / Bibliotecas • Áreas externas Possibilidades de avaliação das aprendizagens dos estudantes: Sondagem do conhecimento prévio: o que cada um sabe e valoriza acerca do tema e dos procedimentos que serão estudados? Há múltiplas formas de dialogar por meio de: • Roda de debate; • Registros textuais; • Desenhos; • Apreciação e leitura de imagens, mapas etc. É papel do professor avaliar a eficácia das estratégias de ensino que propõe e, ao mesmo tempo, envolver o grupo na auto-avaliação do próprio processo de aprendizagem. 122 Definir e compartilhar com a classe produtos finais para um determinado estudo ajuda a criar interesse e dar sentido à sequência didática para aquele que aprende! Pense por exemplo nos possíveis produtos finais, que se devem adequar a faixa etária e aos ciclos: • Exposição mural de textos e fotografias legendadas; • Construção de maquete; • Elaboração de jogo de percurso; • Carta ao prefeito ou ao jornal da cidade; • Tarde de debates interclasses; • Simulação de julgamento; • Publicação de livro; • Elaboração de blog; • Apresentação de power points; • Elaboração de filmes ou programas em audiovisual; • Elaboração de campanhas de conscientização socioambiental; CICLO DE ALFABETIZAÇÃO Sequência de Atividades OBSERVANDO FORMAS NA PAISAGEM VIVIDA: Objetivos didáticos •Ensinar a comparar diferentes paisagens e seus componentes; •Contextualizar a observação da paisagem e introduzir noção de posição; •Utilizar o desenho de observação para representar formas. Sugere-se ao professor reservar aproximadamente aulas sequenciais ou desenvolver um conjunto de atividades permanentes. Para isso reservar pelo menos 4 semanas CICLO DE ALFABETIZAÇÃO Sequência de Atividades CONSTRUINDO O PRIMEIRO MAPA: Objetivos didáticos •Criar condições para que as crianças representem os locais de vivência, utilizando o desenho de croqui; •Observar e desenhar objetos em diferentes posições; •Aprender procedimentos para ler e entender os mapas. Conteúdos •Desenho de objetos em diferentes perspectivas; •Construção de um mapa a partir do mapa de ruas; •Participação de situações de comunicação oral; •Publicar suas produções por meio de exposição CICLO INTERDISCIPLINAR Sequência de Atividades - ÁGUAS E TERRAS DA SUPERFÍCIE: Objetivos didáticos •Identificar formas de relevo; •Construir blocos diagrama e a visualização tridimensional do relevo;•Leitura de textos expositivos; •Identificar bacias hidrográficas e seus rios na cidade de São Paulo. Conteúdos •O relevo da cidade de São Paulo; •Os relevos e suas formas fundamentais; •A água como agente externo modificador do relevo; •Leitura e produção de textos expositivos; •Produção de desenhos de representação geográfica. 123 Currículo da Cidade - Arte Em Arte, desenvolve-se a leitura da língua estética do mundo. Aproximamos os estudantes dos signos sonoros, visuais, gestuais, motores, textuais, táteis e verbais que engendram as linguagens artísticas e se estendem a outros campos da cultura, ou seja, da estesia de nossos sentidos à estética das criações. Podemos convidar os estudantes a ler a imagem de uma pintura renascentista e um anúncio publicitário digital, em momentos distintos ou comparando-os. O professor de Arte é o mediador que fomenta, facilita e fortalece o contato dos estudantes com a cultura que o cerca e com um repertório artístico que está à espera para ser descoberto ou desbravado. A experiência artística na escola promove o exercício da liberdade, tanto na forma de acesso aos signos culturais quanto em seu aspecto criativo. Uma linha em um projeto de trabalho didático pode ser a linha riscada, pintada, esticada, dobrada, marcada com um gesto, traçada na trajetória de um movimento, a linha do tempo, das pautas da partitura, da faixa de pedestre, dos fios de alta tensão, dos fios da instalação e, inclusive, dos fios de nosso cabelo. A Arte lida com a potência latente, com o que poderá ser: um novo olhar, outra interpretação ou uma invenção. Campos Conceituais Apresentamos um currículo com campos conceituais no lugar de eixos, diferentemente de como foi adotado nos outros componentes curriculares, pois consideramos os campos conceituais como espaços em permanente relação, preenchidos e atravessados pelas linguagens artísticas e seus conhecimentos singulares não lineares. 124 Processos de criação: É o fazer artístico, o processo é mais importante que o produto final. Linguagens artísticas: Diferentes linguagens artísticas, poéticos e conceituais. Saberes e fazeres culturais: Parceria com outros componentes curriculares ( trabalho interdisciplinar). Experiências artísticas e estéticas: Estesia (sensibilidade) e fruição ( deleite). Objetos de Conhecimento: Artes Visuais, Dança, Música e Teatro. ( os mesmos da BNCC). CICLO DE ALFABETIZAÇÃO: Proporcionar o contato artístico consigo, com o outro e o meio. Ênfase nas experiências e processos de criação. 125 CICLO INTERDISCIPLINAR: Reflexão e diálogo entre áreas e componentes curriculares, observando o contexto, ampliação de saberes e as relações. 126 Povos Migrantes: orientações didáticas Capítulo 1 - SOMOS TANTAS, SOMOS MÚLTIPLAS: PESSOAS EM MOVIMENTO Premissa básica desse documento: Migrar é um direito! 127 Portanto é preciso acolher e combater o preconceito e xenofobia. As pessoas se movimentam por vário motivos pelo país ou mundo: 1. Conhecer e viver novas culturas 2. Por se identificar com a cultura diferente ao qual nasceu 3. melhores condições econômicas/acadêmicas 4. Refugiados por motivos = Ambientais, políticos, religiosos, guerra, etc…. Síntese de conceitos: 128 Olhar de quem chega pode nos fazer refletir sobre a realidade que vivemos. Aprendizagem de mão dupla para reconstruir a sociedade que vivemos. A criança migrante: Na maioria das vezes, em busca de uma vida melhor ou pela sobrevivência, as famílias migram, mas essa decisão não parte da criança e pela faixa etária e pela complexidade da questão da migração, é difícil para a criança compreender esse processo. A casos que durante o processo migratório as crianças são separadas ou perdi-se de seus pais. Porque migrante ao invés de imigrante?Porque o termo migrante é o que melhor define aquele que se desloca, imigrante acaba dividindo a pessoa em dois, como emigrante e imigrante ( aquele que sai e aquele que chega). Pelo direito ao movimento: Nosso cotidiano está permeado por marcas do movimento de pessoas pelo mundo: da comida que cozinhamos aos ritmos das músicas que escutamos e dançamos, sobrenomes que carregamos, roupas que vestimos, livros que lemos, esportes que praticamos e expressões que muitas vezes falamos. Como seria um mundo sem essa troca frequente entre diferentes culturas? Certamente, mais limitado e menos diverso. Vivemos em um mundo em que aproximadamente 272 milhões de pessoas residem em países diferentes daqueles que nasceram, somando 3,5% da população mundial. No Brasil, temos pouco mais de 1 milhão de migrantes, representando 0,5% da população.20 Os números globais seriam mais expressivos se incluíssem a população imigrante indocumentada, que acaba não sendo registrada nos números oficiais. Em meio ao cenário de pandemia da Covid-19, a experiência de distanciamento social em que vivemos e o fechamento de muitas fronteiras entre países no ano de 2020, tornam mais evidente como o mundo e as pessoas estão interligados. Muitas viagens de férias, negócios ou estudos foram canceladas, muitos produtos que consumimos ficaram temporariamente inacessíveis e, especialmente, muitas pessoas não puderam ingressar nos países de destino de seu trajeto migratório, foram privadas de ingressar em países nos quais são residentes (mas que não são nacionais), assim como foi vetado solicitar proteção internacional ou mesmo retornar aos seus países de origem. 129 A mobilidade de pessoas, serviços e bens é, assim como em outros tempos, uma premissa do mundo contemporâneo. Entretanto, a diferença entre as barreiras levantadas pelos Estados diante de pessoas, bens e serviços é um importante ponto a ser questionado. Estes últimos – bens e serviços – parecem circular com muito mais facilidade através das fronteiras de diferentes países, enquanto muitas pessoas enfrentam controles migratórios rígidos e especialmente atentos a critérios de nacionalidade, classe social e raça. É preciso refletir sobre quais regras os Estados impõem para o ingresso e permanência de pessoas em seu território e quais valores embasam essas escolhas: a garantia dos direitos humanos às pessoas? A segurança nacional do Estado? Quem pode hoje se mover pelo mundo e escolher o país em que deseja residir e ter sua permanência autorizada pelo mesmo? Quem são as pessoas que muitas vezes são forçadas a sair do seu país de origem e encontram fronteiras fechadas à sua entrada e pedido de proteção? O que justifica essa diferença significativa entre as fronteiras e dificuldades impostas para a mobilidade de determinadas pessoas e o incentivo à importação e exportação de bens e serviços? Por aqui queremos destacar que a perspectiva que adotamos é a da garantia de direitos humanos a todas e todos, o que implica na mobilização pelo reconhecimento do direito ao movimento das pessoas pelo mundo, mas também a luta por condições de vida dignas que permitam que estas possam escolher se querem permanecer nos países em que nasceram, não sendo forçadas a se deslocar em busca de proteção em outras cidades, regiões ou Estados. Por isso, a bandeira dos movimentos sociais de migrantes se manifesta pela afirmação da migração como um direito, enfatiza que nenhuma pessoa é ilegal e, dessa forma, rechaça a criminalização das migrações. A educação em movimento: a conquista do direito à educação escolar de migrantes em São Paulo: A partir da promulgação da Constituição Federal de 1988, a garantia do direito universal à educação para todas e todos, incluindo migrantes documentados e indocumentados, foi afirmada exaustivamente em diferentes documentos legais, dentre eles o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - Lei nº 8.069/1990), a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB - Lei nº 9.394/1996) e em compromissos internacionais firmados pelo país, como a Convenção sobre os Direitos da Criança. Em 2016, a cidade de São Paulo tomou a dianteira nas mudanças legislativas no campo migratório em âmbito local e de forma inédita no Brasil instituiu a Política Municipal paraa População Imigrante (PMPI), por meio da Lei nº 16.478/2016. A PMPI tem como objetivos, dentre outros, garantir à população migrante o acesso a direitos sociais e aos serviços públicos, impedir violações de direitos e promover o respeito à diversidade e à interculturalidade. A garantia a todos os bebês, crianças, adolescentes, jovens e pessoas adultas 130 migrantes ao direito à educação na Rede de Ensino Público Municipal, por meio do seu acesso, permanência e terminalidade foi afirmada como uma das ações prioritárias na implementação da Política Municipal (artigo 7º, IV). A partir de 2020, São Paulo passa a contar, também, com o Plano Municipal de Políticas para Imigrantes composto por 80 ações a serem cumpridas pelo poder público até 2024. Um dos eixos (VII) do Plano trata do acesso à educação integral, ao ensino de Língua Portuguesa para migrantes e do respeito à interculturalidade. Em âmbito nacional, em 2017, depois de mais de três décadas de mobilização e debates, foi aprovada a Lei de Migração, que reconhece o direito à educação pública a todas e todos migrantes em território brasileiro e proíbe a discriminação em razão da nacionalidade e da condição migratória (artigo 4º, X). Final do Cap 1: Dinâmica do círculo ( roda de inclusão) Cap 2: ACOLHIMENTO E ESCUTA NAS UNIDADES EDUCACIONAIS O tema mobilidade humana é conteúdo obrigatório! A barreira da língua: A língua não pode ser uma desculpa para não acolher a criança/ estudante migrante. A língua nos traz sentimento de pertencimento, por isso não podemos anular a língua materna no processo de aquisição da língua portuguesa, assim como devemos saber qual é a língua falada em casa, já que no país de origem pode ter vários dialetos. Ser bilíngue é a capacidade de viver em 2 línguas! Fato interessante é que essas crianças que frequentam a escola aprendem portugues e são os responsáveis em ensinar a nossa língua às famílias em casa. Desde 2017 tem o projeto: Portas abertas: LP para imigrantes 131 Acolher é ir em direção ao outro! Como promover o acolhimento?: ● Todos na escola devem estar envolvidos ● Sinalizações traduzidas pela unidade escolar ● Ficha de perguntas e respostas para a matrícula ● Uso de aplicativos de tradução ● Mímica ● Uso de imagens ● Parceira entre estudantes que se identificam com o colega migrante, promovendo a parceria de ensinar um ao outro, rapidamente as crianças e jovens aprendem o português ● O inglês pode ser usado como terceira língua para mediação Escuta ativa: Mais do que escutar e saber interpretar o silêncio! Precisamos saber os contextos familiares dessas crianças antes de tirar conclusões precipitadas. Muitos deles, pelo processo de migração, são tímidos, por exemplo, e a escola precisa promover a sua participação dentro da escola . Precisamos entender o silêncio vindo das famílias: O acolhimento começa na matrícula, por isso é preciso agendar para conversar com a coordenadora para conhecer a escola e entender as suas necessidades. No caso dos indocumentados a matrícula não pode ser negada! No caso do ensino fundamental precisa fazer uma avaliação dos conhecimentos prévios, já na educação infantil a faixa-etária. Final do Cap 2: Dinâmica palavras sem tradução na língua portuguesa Cap. 3: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS: DIVERSIDADE CULTURAL NA ESCOLA A escola precisa acolher o ser humano, não o estereotipando como apenas o “migrante”. Também é preciso acolher o brasileiro com descendência internacional, trazer a cultura ancestral para a comunidade escolar, porém, não o estereotipando, pois ele é brasileiro. Projetos e formações no qual o professor poderá aprender uma segunda língua. Independente de ter ou não migrantes na escola, deverá ter um plano de ação para acolhimento, permanência e combate à xenofobia.O ensino dos movimentos migratórios deverá constar no PPP. O cotidiano educacional - A prática em sala: O professor para promover a inclusão da diversidade deve constantemente refletir suas práticas e organizar suas práticas 132 pedagógicas. Também dar voz aos migrantes e sua importância para a promoção da inclusão e compartilhamento de conhecimentos. Além dos exemplos dados no capítulo anterior para superar a barreira da língua, situações do cotidiano podem ser ponto de partida, por exemplo: Uma estudante Síria que todos da turma riam por ter medo de fogos de artifício. O professor de história resolveu trazer para aula os contextos das tensões políticas e guerras da Síria e todos passaram a entender o medo dela e passaram a acolhê-la. Uma atitude ativa da professor, que não fingiu que nada estava acontecendo ou simplesmente repreendeu a turma, sim promoveu o entendimento para o acolhimento. Outros exemplos de práticas pedagógicas: Projetos interdisciplinares, oficinas, festa da família, etc…. Final do Cap 3: Dinâmica do recorte de notícias: Editando notícias sobre os migrantes Cap. 4: “UM GALO SOZINHO NÃO TECE UMA MANHÔ: REDE DE APOIO E PARCERIAS É preciso articular uma parceria com outros serviços públicos da prefeitura, pois a escola não está sozinha no processo de acolhimento ao migrante. A partir do momento que a escola busca parcerias acaba dividindo a busca por soluções conjuntas e responsabilidades. Uma das principais redes de ajuda nesse sentido é as ONGs: CRAI- CENTRO DE REFERÊNCIA E ATENDIMENTO PARA MIGRANTE e Escravo, nem pensar! A escola é o ator principal na garantia de acesso a serviços públicos dos migrantes, pelo fato da grande maioria das vezes o ato da matrícula e o primeiro e talvez o único serviço público que tem acesso ao chegar no país, pela questão da documentação. Com essas parcerias, a U.E traz outros serviços aos estudantes e suas famílias, promovendo a inclusão e acolhimento. Final do Cap 4: Dinâmica- Jogo Mancala: Tabuleiro com sementes Cap. 5: CONSIDERAÇÕES FINAIS: “ATÉ AMANHÃ!” Iniciamos nossa jornada celebrando a conquista do Município de São Paulo que, A partir de agora, conta com este documento “Orientações Pedagógicas - Povos Migrantes” como instrumento de apoio à promoção do acolhimento, da permanência e da conclusão na educação de pessoas migrantes. Este momento de celebração é parte de uma longa 133 trajetória de debates e mobilização da sociedade pelo direito à educação da população migrante. Afirmamos o dever do Estado de acolher e garantir às pessoas migrantes o acesso a seus direitos fundamentais e nosso dever, como educadoras e educadores, de refletir sobre o papel da escola na promoção de direitos à população migrante. Este esforço inclui a construção de uma estrutura adequada para a permanência de estudantes migrantes nas escolas e a busca por metodologias de aprendizagem que considerem toda a riqueza trazida por meio da presença de pessoas de diferentes origens, acolhendo suas especificidades e valorizando a sua cultura de origem. Reforçamos, ao longo do texto, que o contato com a diversidade nos enriquece e que, portanto, ter estudantes, professoras e professores com diferentes bagagens culturais nos ensina novas formas de viver, trocar e aprender. Nosso documento “Orientações Pedagógicas - Povos Migrantes” teve início com a apresentação dos principais conceitos da mobilidade humana – como movimentos migratórios internos e internacionais, emigrante, imigrante, migrante, fronteiras, deslocamentos forçados, pessoas em situação de refúgio, deslocadas internas, apátridas, filhos/as de migrantes, crianças/jovens separados, crianças/ jovens desacompanhadas, retornadas e migrantes indocumentados – e a reflexão sobre o direito ao movimento e sobre os caminhos e conquistas na luta pelo reconhecimento do direito à educação escolar de migrantes São Paulo. Logo adentramos pelas portas das escolas e tratamos do acolhimento de migrantes na Rede Municipal de Ensino de São Paulo, que se inicia com o processo de matrícula e inclui o diálogo em diferentes línguas, o reconhecimento da importância da língua materna, a escuta atenta do que nos é dito e a observação do que não é dito, mas expressado de diferentes formas por estudantes migrantese seu familiares. Apresentamos a diversidade de povos que compõem a cidade de São Paulo, o número crescente de matrículas de estudantes migrantes na Rede e as diferentes experiências adotadas por Unidades Educacionais. Enfatizamos que todas as pessoas envolvidas nos processos educativos devem estar atentas às especificidades da população migrante para realizar um atendimento comprometido com uma educação inclusiva e que promova a convivência respeitosa entre todas e todos, desde os primeiros contatos. Para isso, cabe a cada escola conhecer quem está presente em seu território. Em seguida ao primeiro acolhimento, passamos para a sala de aula e as práticas pedagógicas que promovem a valorização da diversidade. Compartilhamos exemplos de experiências que cobrem diferentes modalidades de ensino (Educação Infantil, Educação Fundamental, Educação de Jovens e Adultos), áreas do conhecimento (Matemática, História, Geografia, Artes, Educação Física) em unidades com um número significativo de estudantes migrantes e outras com poucos ou nenhum deles. Ilustramos como a migração pode ser trabalhada transversalmente em contextos diversos e reforçamos a necessidade de práticas pedagógicas inclusivas. Nessa jornada também apresentamos as redes de apoio disponíveis, que incluem organizações e serviços públicos que focam suas atividades na temática migratória, associações protagonizadas por migrantes internacionais e organizações e serviços públicos que estão localizadas nos territórios e que podem ser acionados, ainda que atuem sobre temas diversos. 134 A partir do exemplo de diferentes iniciativas impulsionadas por parcerias e que resultaram em benefício para toda a comunidade escolar e indicações de possíveis parceiros, enfatizamos a importância da aproximação e construção de diálogos e articulação com a rede de apoio. Chamamos a atenção para mais um ponto deste documento “Orientações Pedagógicas - Povos Migrantes”: ele está em harmonia com a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. O compromisso assumido por diversos países, entre eles o Brasil, propõe uma ação mundial coordenada para a realização dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas 169 metas, de forma a erradicar a pobreza e promover uma vida digna a todas e todos a partir da construção de um futuro inclusivo, resiliente e sustentável para todas as pessoas e todo o planeta. Aqui, importa destacar que dentre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o de número 4 (Educação de qualidade) visa assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade, baseada nos princípios de direitos humanos e desenvolvimento sustentável, promovendo oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para todas e todos. Ao observarmos este ODS podemos afirmar que trabalhar a questão migratória na educação é imprescindível para que ninguém fique para trás e que o objetivo seja de fato alcançado. O Relatório de Monitoramento Global da Educação da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura indica a importância e a necessidade de um currículo bem desenvolvido, que promova a diversidade e as habilidades fundamentais, desafie preconceitos, seja flexível e inclusivo aos diferentes estilos de vida de pessoas em constante movimento. O currículo é uma ferramenta essencial para a desconstrução de preconceitos e a construção de um sentimento de pertencimento de estudantes migrantes especialmente quando somada ao apoio e formação de educadoras e educadores para o trabalho em salas de aula diversificadas. Última Dinâmica: Imaginar o planeta dos sonhos Por que das dinâmicas? Cada dinâmica reflete o ato de movimento. Currículo da cidade: Povos Indígenas: orientações pedagógicas Cap 1: USANDO AS PALAVRAS CERTAS 135 Esse primeiro capítulo trata da questão do preconceito e falta de representatividade do pvo indigna na sociedade brasileira. O dia do índio não é só 19 de abril, é todos os dias. A representatividade indigina é negada, porque somos induzidos a ter vergonha da nossa ancestralidade. Daí entra o papel da educação em transformar essas relações. Na visão eurocentrica ( colonizador) o indio é um ser não civilizado, ignorante, sujo, burro, selvagem, canibal, etc… Por isso: INDIGINA SIM, INDIO NÃO! Indigina: nativo, original de algum lugar, pertencente ao um povo Índio:Adjetivo racista, eurocêntrico Tribo: é uma característica que não se desassocia da sociedade, ex: skatistas, roqueiros, etc… Povo: Além das características próprias, traz consigo a autonomia da sociedade Portanto, o certo é povo, é não tribo! Povos e línguas: Atualmente são pouco mais de 800.000 indígenas no Brasil, falando um pouco mais de 274 línguas. Cap 2: NESTA TERRA TINHA GENTE! De onde viemos?: Os primeiros humanos se concentraram no continente africano e depois foram se espalhando pela ásia, até chegar na America. Ao se fixarem no território brasileiro foram se formando os povos e as culturas. Choque da chegada dos portugueses: Quando os portugueses chegaram ao país, ao mesmo tempo que ficaram maravilhados com a diversidade dos indígenas, também por ambição os escravizaram. Os indígenas também foram em choque com o a chegada do homem branco ( uma mistura de ingenuidade e medo). Os povos que dominavam as plantações se tornaram escravos, ex:Tupí, os povos nômades que não dominavam a agricultura foram exterminados. A cultura grita por história: Cada povo tem sua originalidade, sua maneira de compreender o mundo, a partir de suas experiências, isso é cultura. Cap 3: VISÕES QUE MARCARAM OU A DIFÍCIL ARTE DE SER “ÍNDIO” NO BRASIL Linha do tempo da história dos povos indígenas após a colonização: 136 Política assimilacionista: A tentativa de assimilar os indígenas com os europeus, por meio da força da conversão ao cristianismo. Confederação dos Tamoios: Povos que antes eram inimigos passaram a se unir para ser impor perante aos colonizadores Nasce o romantismo nacional: Menor intervenção da igreja e maior interferência dos Estado, houve junção de aldeias e povos, os enfraquecendo ainda mais. Advento da República: uma política integracionista: A partir da proclamação da república, foi criado um orgão governamental para a questão dos povos indígenas no Brasil em 1910 a SPI ( Serviço de Proteção Indigina) e depois da FUNAI em 1967, todos eles de caráter apenas assistencialista. Cap. 4: O MOVIMENTO INDÍGENA E OS INDÍGENAS EM MOVIMENTO: NOVAS FORMAS DE FAZER POLÍTICA Somente com a Constituição Federal de 1988, os indígenas foram reconhecidos como povos não inferiores e que precisavam ser tratados de maneira equitativa, inclusive educação própria, para a busca da igualdade de direitos. Apesar disso, o agronegócio continua a desrespeitar os direitos dos povos indígenas. Também muitos indígenas a partir da década de 90 saíram de suas aldeias, para a vida urbana, sem deixar de lado a sua cultura ancestral o que ficou conhecido como: Indígenas em movimento. Cap 5: POR AQUI TEM TAMBÉM!!! ● Aproximadamente 41 mil indígenas no estado de São Paulo ● Maioria se localiza no litoral norte e vale do paraíba ● Maior população: Guarani ● 30 terras indígenas espalhadas pelo estado ( metade não regularizado) Município de São Paulo: 13 mil indígenas 90 mil pessoas de origem indigina 3 reservas Maior população: Guarani Ação municipal para os direitos indígenas: 137 A Secretaria Especial da Promoção da Igualdade Racial (Sepir), em 2013, reconheceu essas presenças invisíveis e desenvolveu ações no sentido de dar visibilidade às produções culturais, artísticas e literárias dessas populações. O próprio caderno dos povos indígenas , produzido por indígenas, mostra o esforço que a secretaria da educação está fazendo para oferecer novos olhares e, sobretudo, para inserir na formação dos educadores e dos educandos de nossa cidade, essas populações esquecidas. Sugestão de atividades: Uma das perguntas mais recorrentes, entre os educadores, é: como trabalhar a temática indígena em sala de aula? Não existe uma resposta única e fácil para esta questão porque setrata de um tema muito vasto, difícil e complexo. Aqui neste caderno de orientações queremos fazer algumas sugestões do que fazer lembrando, desde já, que cada educador e educadora precisa buscar outras referências para complementar nossas dicas. Elencamos alguns temas que podem facilitar nosso trabalho. São eles: A) Jogos e Brincadeiras B) Grafismos e pinturas corporais C) Cultura Material D) Narrativas (contação de histórias) E) Músicas e Danças F) Vídeos G) Literatura Início de conversa: identidade cultural talvez o ponto principal quando se inicia um trabalho com a temática indígena é buscar um ponto de apoio que nos permita adentrar o tema com clareza. Neste sentido queremos propor uma atividade de interação das crianças que as ajude a incorporar o assunto ao seu dia a dia, inclusive com a colaboração dos pais e familiares. Em busca de nossa ancestralidade: um mapa identitário: A ideia desta primeira atividade é traçar um perfil dos estudantes quanto à sua origem e percepção de sua identidade étnica. O ideal será sempre que o tema não seja apresentado para eles neste primeiro momento, mas que possam conseguir perceber-se dentro do tema na medida de seu desenvolvimento. Monte um mapa interativo que permita que eles descubram suas origens geográficas e se percebam parte de um segmento da sociedade tal como é definido pelo próprio IBGE. Pode ser surpreendente a forma como se vêm para que possam ser apresentados para a diversidade indígena. 1) Questionário sobre suas origens geográficas (com a ajuda dos pais); 2) Montagem do mapa das identidades (brancos, indígenas, negros, pardos); 138 3) Diálogo sobre este mapeamento pedindo que eles se identifiquem nele; 4) Apresentação das outras identidades brasileiras: os indígenas brasileiros. 4.1) Dividir a classe em grupos e dar a eles nomes de povos indígenas de São Paulo ou presentes na capital (Guarani, Tupi-Guarani, Terena, Kaingang, Pankararu, Wapichana e Munduruku, por exemplo) ou com os bairros batizados com palavras de origem indígena como Jabaquara, Carandiru, Tietê, Anhangabaú, etc. 4.2) Palavras indígenas presentes em nossa língua e no cotidiano e organizar um pequeno quebra-cabeça ou jogo da memória com elas: Pipoca, açaí, mandioca, curumim, jabuti, jiboia, oca, paçoca, mingau, maracujá, abacaxi, entre outras. 4.3) Rodas de Histórias é outro momento sequencial que pode facilitar a entrada no tema. O(A) educador(a) pode fazer a escolha de livros que permitam introduzir a temática de forma mais lúdica e interativa. . Nossa sugestão é que com crianças pequenas sejam priorizadas fábulas por trazerem animais como protagonistas e por apresentarem alguns valores da vida indígena. Isso é uma boa deixa para propor jograis, encenações, jogos com animais. Vejam que a temática perpassa muitos conteúdos que podem ser trabalhados de forma descontinuada. Aqui sugerimos o Jogo da Onça (https://pt.wikipedia.org/wiki/Jogo_da_on%C3%A7a) para ilustrar a possibilidade de fortalecer um saber matemático das crianças a partir de uma prática de aprendizado indígena. 4.4) Aproveitando o ponto anterior seria bom convidar avós para virem conversar com as crianças. Poder-se-ia propor a criação de um Conselho de Anciãos para a valorização das vozes dos avós, dos velhos, dos sábios (eis um outro tema paralelo que se pode desenvolver sobre o papel dos avós na sociedade brasileira). Segundo momento: Depois de ter feito este primeiro exercício de pertencimento, os educadores podem avançar para outras atividades de acordo com as idades das crianças e seguindo um planejamento que vá introduzindo o conteúdo de forma mais bem elaborada e aprofundada. Pensando nisso sugerimos a seguinte sequência: Crianças pequenas: Rodas de histórias sobretudo de fábulas, encenações, grafismos e pinturas corporais. Vídeos como Moana ou Pocahontas podem ser interessantes para ilustrar aspectos das culturas indígenas como o respeito às tradições, o pertencimento à natureza e o cuidado com a família. Jogos de memória para fixar nomes de pessoas e lugares de origem indígena. Passeios nos territórios urbanos que tenham a presença indígena ou onde haja lembranças dessas presenças (nome de lugares, ruas, praças ou bairros). Jogos e brincadeiras indígenas podem ser pesquisados para ilustrar o conteúdo e proporcionar uma divertida forma de aprendizagem para os estudantes. Fundamental I Cultura material Kaingang. Acervo Cristino Wapichana. Foto: Daniza Kaingang. • Rodas de histórias, especialmente as de origem dos elementos da natureza (fogo, estrelas, lua, rios...) que despertem o imaginário. Grafismos e pinturas corporais acompanhadas de explicações sobre seus usos (traçando um paralelo com a moda de tatuar o corpo hoje muito em voga no Brasil); https://pt.wikipedia.org/wiki/Jogo_da_on%C3%A7a) 139 • Histórias de origem dos alimentos (mandioca, frutas, peixes, animais) possibilitam trabalhar com a origem de nossos hábitos à mesa, a culinária brasileira e a influência da alimentação indígena. É uma boa oportunidade para preparar um cardápio escolar com base na culinária indígena. Pode-se trabalhar também o calendário indígena o que permitirá estudar os diferentes biomas brasileiros e a influência dos astros sobre a produção de alimentos ou sobre a mudança climática. Os professores envolvidos podem propor a construção de maquetes, desenvolvimento de hortas escolares com a colaboração da comunidade. Preparar alimentos como exercício e resultado seria também muito interessante. • Músicas como Pindorama, da Palavra Cantada ou Mestiçagem, de Antonio Nóbrega ajudaria a iniciar uma conversa sobre a origem da cultura brasileira. Baseados na experiência de ouvir e contar histórias, os educadores envolvidos poderiam criar algum tipo de concurso entre os estudantes (literário, gráfico, musical, teatral...). Bom seria também conhecer a musicalidade dos Guarani, seus cantos e suas danças; • Como aproveitar as lendas que já existem e são conhecidas para trabalhar a temática indígena? O primeiro passo é trazer para a roda de conversa o que já é do conhecimento deles. Mula-sem-cabeça, o boitatá, o saci-pererê, a Iara, a Matinta-Perera, o Boto, o Curupira, entre outros, são personagens do folclore brasileiro. Mas, o que significa folclore? Eis um bom tema para desenvolver com os terceiros ou quartos anos. Eles já conseguem compreender o que é um mito ou o que é uma narrativa com diferentes finalidades educativas. É um bom momento para ir desmistificando certos equívocos que ainda estão muito presentes na sociedade brasileira. Aqui valeria a pena falar sobre o sobrenatural nas culturas indígenas, a relação espiritual com o meio ambiente, ritos e celebrações que têm a ver com essa ideia de manter viva a tradição. Para ilustrar poder-se-ia mostrar alguns vídeos produzidos pelos próprios indígenas mostrando suas realidades a partir de seus próprios pontos de vista. Neste sentido vale a pena conferir a produção audiovisual organizada pela ONG Vídeo nas Aldeias (www.videonasaldeias.org.br) onde é possível baixar os vídeos para uso em sala de aula. Cap. 6: PARA TREINAR OLHOS E CORAÇÕES A sociedade brasileira é plural, portanto, é preciso aceitar que a diversidade compõem nossa história e precisamos conviver e sentir orgulho. Currículo da Cidade - Educação Especial: Língua Brasileira de Sinais Introdutório: Linha do tempo: Antigamente a oralidade era mais importante que a linguagem espacial ( Língua Brasileira de Sinais – Libras), tanto que se acreditava que libras atrapalhava e era até proibido sua utilização. Então a língua oral era ofertada como forma de “normalizar os estudantes surdos na sociedade” http://www.videonasaldeias.org.br 140 No Brasil a partir da década de 50 começou a iniciativa do ensino da oralidade junto com libras, gerando o portugues sinalizado (oral + libras), por não serem línguas naturais ( não promovem a análise linguística) acaba limitando o processo educacional. A partir da década de 80 começou a concepção que as duas línguas não deveriam ser concomitantes e que primeirose deve ensinar a língua de sinais e depois a oral/escrita. Isso se deve também porque ao aprender libras primeiro, além de ser mais fácil acesso ao surdo, cognitivamente quando mais cedo for introduzido, a criança melhor. Educação de surdos em São Paulo: 1952 foi criada a primeira escola baseada no método antigo. No final dos anos 80 até o começo dos anos 2000 foram construídas 5 EMEBs e conforme os anos, Libras passou a ser a 1ª língua. Organização da educação Bilíngue: a. Libras adotada como primeira língua; b. Libras e Língua Portuguesa - na modalidade escrita - como línguas de instrução e de circulação, que devem ser utilizadas de forma simultânea no ambiente escolar, colaborando para o desenvolvimento de todo o processo educativo ( segunda língua) c. promoção do uso da modalidade visual espacial e das tecnologias da informação e da comunicação para assegurar o pleno acesso ao currículo; d. organização de práticas educativas que respeitem as especificidades dos educandos e educandas; e. organização dos tempos e dos espaços que privilegiam as relações entre educandas surdos, surdocegos e ouvintes, com a mesma idade e também de faixas etárias diferentes, com os interlocutores bilíngues, para que se constituam e se reconheçam como usuários da Libras; f. oferta de esclarecimentos aos familiares e responsáveis sobre os princípios e demandas da Educação Bilíngue, a fim de que tenham confiança e familiaridade com esta proposta, incluindo orientação em relação à necessidade do conhecimento, aquisição e uso da Libras por eles; g. articulação entre os profissionais que atuam na Educação Bilíngue: educadores, Instrutores de Libras, Intérpretes de Libras/Língua Portuguesa e Guias-Intérpretes Libras/Língua Portuguesa. A Língua Brasileira de Sinais no Currículo Bilíngue para Surdos Educação Infantil: Objetivo: permitir que as crianças surdas possam ter um ambiente que permita o desenvolvimento das bases precursoras para a aquisição da língua de sinais. Ensino Fundamental: Levando em consideração que muitos chegam à escola sem língua adquirida, o foco é a permanência da consolidação da competência linguística a ser desenvolvida em conjunto com os objetos de domínio da consciência metalinguística de Libras. Caso a criança seja ouvida: O foco volta-se então ao desenvolvimento das habilidades de leitura e escrita da língua oral. 141 O professor da segunda língua deve ser fluente em Libras para que a construção do conhecimento e a relação de ensino e de aprendizagem ocorram sem tantas quebras. Além disso, com o domínio da Libras, o professor promoverá aos estudantes surdos as aproximações entre a Língua de Sinais e a língua oral, pelo contraste linguístico, possibilitados pela análise linguística baseada nas habilidades metalinguísticas na Língua de Sinais. No ensino da Língua Portuguesa, as habilidades metalinguísticas das crianças ouvintes são mobilizadas de forma recorrente: são anos dedicados à análise de textos, observação da forma das palavras e da organização das frases, além do estudo do uso da língua para diversos fins. Esse percurso de análise e tomada de consciência das propriedades linguísticas da primeira língua de uma criança deve ser percorrido pelas crianças surdas na Língua Brasileira de Sinais, e por isso, a presença do profissional surdo possui importância singular neste processo (CAMPELLO, 2007). Aspectos fonético-fonológicos: Esses cinco parâmetros (configuração de mão, localização e movimento, orientação de mão e aspectos não manuais) são itens de composição fonético-fonológico das línguas de sinais e a presença deles forma o sinal. A configuração diz respeito à forma que a(s) mão(s) assume(m) ao realizar determinado sinal. Felipe (1997) acrescenta que as mencionadas formas podem ser aquelas utilizadas na datilologia, ou ainda, outras feitas pela mão predominante ou pelas duas mãos do emissor ou sinalizador. Ainda com relação aos aspectos fonético-fonológicos, temos como primeira tarefa da fonologia para as línguas de sinais a fim de determinar quais são as unidades mínimas que formam os sinais. A segunda tarefa é estabelecer quais são as ocorrências dessas unidades, os padrões possíveis de combinação entre essas unidades e as variações possíveis no ambiente fonológico em uma determinada Língua de Sinais (XAVIER; BARBOSA, 2014). 4 eixos estruturantes: ● Uso da Língua de Sinais, ● Identidade Surda, ● Prática de Análise Linguística e ● Literatura Surda Currículo da Cidade - Educação especial: Língua Portuguesa para surdos Por que aprender Libras antes da língua oral e escrita?: Primeiro porque a Libras e a língua de identidade da comunidade surda e deve ser estimulada já na primeira infância onde o processo cognitivo propiciam a aquisição da língua visual. Por que aprender a língua escrita? Porque é praticada pela maioria da sociedade, mas essa não vem antes de Libras, para a comunidade surda. 142 Além da questão social e cognitiva, pensando no estudo da língua portuguesa, por que aprender Libras primeiro?: Principalmente para os estudantes 100% surdos que não tem a consciência fonológica, ao aprender a língua de sinais a consciência fonológica será substituída pela sua memória visual adquirida no seu domínio, inclusive metalinguística em libras. O currículo de Língua Portuguesa para Surdos está organizado de forma a proporcionar a interlocução entre os Currículos de Libras e LPS: As habilidades linguísticas que são requeridas para o alcance de um objetivo de aprendizagem e desenvolvimento no Currículo de Língua Portuguesa (L2) já devem estar garantidas em anos anteriores no Currículo de Língua Brasileira de Sinais (L1). L1 e L2 não devem ser usadas ao mesmo tempo, pois prejudica a compreensão de ambas. Ao aprender a segunda língua acontece um fenômeno com a primeira língua influenciado o aprendizado da segunda, isso não deve ser encarado como um erro, mas devem ser analisados para correções adequadas para que os alunos aprimorem suas competência para língua portuguesa. 5 Eixos estruturantes: 1. Prática de Leitura de Textos; 2. Produção Sinalizada; 3. Prática de Análise Linguística; 4. Prática de Produção de Textos Escritos; 5. Dimensão Intercultural. Orientações didáticas do Currículo da Cidade: Educação Especial – Língua Brasileira de Sinais – Língua Portuguesa para surdos LIBRAS: Educação Infantil As atividades a seguir foram elaboradas para a Educação Infantil, envolvendo o eixo: Bases Precursoras da Aquisição da Língua de Sinais, com foco no estímulo e observação para o desenvolvimento das habilidades sensoriais, motoras e linguísticas, necessárias para a aquisição de linguagem, sendo organizadas em três objetos do conhecimento: ● visualidade; 143 ● organização Linguístico-Motora; ● compreensão e Interação. Os campos de experiências envolvem: o eu, o outro e o nós; o corpo, gestos e movimentos; traços, cores e formas; interagir pela língua de sinais e expressar pensamento e imaginação; espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. Sendo assim, todas as atividades acadêmicas devem seguir esses princípios. As atividades a seguir foram elaboradas para o componente curricular Libras na Educação Infantil. Dentro dos objetivos propostos para o Eixo, buscou-se diferentes estratégias metodológicas para trabalhar, de forma integrada, os três objetos de conhecimento, propostos para esta etapa de ensino, de forma a desenvolver as seguintes habilidades nas crianças: Ensino Fundamental: O currículo da Cidade prevê que para o Ensino Fundamental, o ensino da língua de sinais seja sistematizado privilegiando o uso e aprofundamento no conhecimento da gramática de Libras, consolidando a competência linguística e o domínio da consciência metalinguística. O desenvolvimento da consciência metalinguística trará aos estudantes o conhecimento linguístico necessário para compreender como as formas executadas e percebidas na Libras constituem sentidos e, como esses sentidos, podem ser representados/escritos na Língua Portuguesa (SÃO PAULO, 2019, p. 70). A organizaçãodo currículo evidencia a sequência dos objetivos de aprendizagem de forma progressiva, a fim de estimular a autonomia do aluno ao final do Ensino Fundamental. Ao planejar suas aulas, o professor de Libras deve considerar as diferentes aprendizagens e níveis linguísticos dos seus estudantes, o que implica na escolha metodológica mais adequada para cada atividade prevista, a partir dos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento, elencados para cada ano/ciclo com atividades individuais, em duplas ou coletivas. Apresentamos, a seguir, sugestões de atividades elaboradas pelos professores bilíngues e pela Ma. Daniele Rocha: 144 145 146 147 148 149 Ensino da Língua Portuguesa como segunda língua para estudantes surdos: A meta no ensino da Língua Portuguesa escrita para os alunos surdos deve ser a habilidade de produzir textos, daí a importância de se trabalhar o texto em interações na língua de sinais. A Língua Brasileira de Sinais vai possibilitar aos alunos surdos participarem de práticas discursivas nas quais terão oportunidade de ampliar seu conhecimento de mundo e de língua, imprescindíveis para a compreensão da leitura e produção da escrita. A aquisição da língua de sinais vai permitir que as crianças surdas vivenciem, com adultos sinalizadores, experiências ricas e prazerosas, como histórias infantis e outras formas de uso normal da linguagem escrita, como bilhetes, cartões etc. Esta prática serve como base para que os alunos formulem suas hipóteses sobre o funcionamento linguístico-discursivo da Língua Portuguesa. Por meio da língua de sinais, os alunos têm acesso ao texto. Para isso, o professor deve propiciar a leitura de textos e não de palavras isoladas, o que vai possibilitar não só a aprendizagem do sistema da língua como também a ampliação do conhecimento letrado. 150 Assim como os ouvintes que têm a Língua Portuguesa como primeira língua e nela se baseiam no aprendizado de outras línguas, os surdos devem recorrer ao seu conhecimento da Língua Brasileira de Sinais no aprendizado da Língua Portuguesa, sua segunda língua. Em outras palavras, o conhecimento de mundo e de língua elaborados na Língua Brasileira de Sinais permitirá que os estudantes surdos vivenciem práticas sociais que envolvem a escrita e, deste modo, constituam o conhecimento da Língua Portuguesa (PEREIRA, 2011; 2015). Considerando que a perda auditiva dificulta a compreensão e uso da modalidade oral da Língua Portuguesa, é pela escrita que os alunos surdos poderão aprendê-la. No entanto, para que possam ter acesso aos conteúdos dos textos, devem contar com a ajuda de um professor fluente nas duas línguas, que seja capaz tanto de traduzir o texto para a língua de sinais quanto de explicar e esclarecer os alunos em relação aos aspectos relacionados à construção dos textos. Considerando que a perda auditiva dificulta a compreensão e uso da modalidade oral da Língua Portuguesa, é pela escrita que os alunos surdos poderão aprendê-la. No entanto, para que possam ter acesso aos conteúdos dos textos, devem contar com a ajuda de um professor fluente nas duas línguas, que seja capaz tanto de traduzir o texto para a língua de sinais quanto de explicar e esclarecer os alunos em relação aos aspectos relacionados à construção dos textos. O conhecimento de mundo envolve o conhecimento que o leitor adquiriu nas experiências e no convívio em uma sociedade, bem como o conhecimento que tem sobre o assunto do texto. O conhecimento de língua consiste no conhecimento do vocabulário e das regras gramaticais da língua que é usada na escrita. O conhecimento de texto refere-se ao conjunto de noções e de conceitos sobre o texto. 151 152 153 154 155 156 A história em quadrinhos (HQ) é um gênero textual que dá ênfase ao aspecto visual. Muitos professores escolhem este gênero, buscando favorecer e estimular o hábito da leitura por prazer. Esse gênero está presente no cotidiano dos estudantes, em materiais publicitários, instrucionais, sendo de fácil acesso. Os quadrinhos constituem um rico material de apoio pedagógico,pois estimulam a curiosidade e desafiam os estudantes a interpretarem informações explícitas e implícitas, aprofundando o conhecimento sobre a língua em uso, como aponta Ramos (2014). Em comparação com outros gêneros que têm predomínio de textos escritos, o uso do HQ com estudantes surdos, tem demonstrado resultados muito bons, tanto nas propostas de produção escrita, bem como instrumento para desenvolver habilidades de leitura de LP como L2, pois exige inferências do leitor durante a leitura. Os quadrinhos permitem, ainda, uma melhor sequência narrativa pela organização da história em quadros que pode ser trabalhada individualmente e com maior número de pistas contextuais na construção de conceitos e planejamento de escrita. Na leitura e interpretação de uma HQ, os estudantes podem estabelecer sentido e construir hipóteses de escrita, a partir da leitura das expressões faciais dos personagens, dos balões de fala ou pensamento, pontuação e outros recursos gráficos. O professor pode propor que os estudantes produzam um texto a partir das imagens de uma história em quadrinhos, de acordo com o nível de conhecimento deles e objetivos selecionados (com ou sem texto), a partir do tema gerador, de um quadro, uma sequência de quadros a depender do gênero a ser requisitado. Por exemplo, se o objetivo é a produção de um texto narrativo, o ideal é que o texto gerador seja um texto narrativo, assim os estudantes podem utilizar como pista e organização de escrita, a estrutura do gênero apresentado. Para o Ciclo Interdisciplinar, é aconselhável que os professores estimulem a produção de textos de gêneros variados. Os estudantes podem necessitar de apoio em relação ao vocabulário e à estrutura textual. Desta forma, a atuação do professor como mediador na leitura e na produção escrita, faz-se necessária. Orientações para atendimento de estudantes: altas habilidades / superdotação. Afinal, o que são as AH/SD? : Esse é um conceito que usamos para definir a condição de determinadas pessoas que se destacam por terem um talento ou uma inteligência notável quando comparadas com os seus pares. A terminologia empregada é o resultado de traduções e adaptações equivocadas e que, muitas vezes, levam a concepções errôneas. Para Guenther (2006), da literatura americana tomou-se a palavra giftedness, em português - dotação – possivelmente veiculada pelo plano genético (ness: essência, natureza; gift: prenda, presente); mas, no Brasil, houve-se, por bem, acrescentar à ideia do dote o prefixo super, passando para superdotação. Da Europa, tomou-se a ideia de high ability, em português: capacidade alta, elevada. De acordo com a Secretaria Municipal de Educação de São Paulo: Educandos e educandas com altas habilidades ou superdotação demonstram potencial elevado em qualquer uma das seguintes áreas, isoladas ou combinadas: intelectual, acadêmica, liderança, psicomotricidade e artes, além de apresentar grande criatividade, envolvimento na aprendizagem e realização de tarefas em áreas de seu 157 interesse. (SÃO PAULO, 2016, p. 32). Em outras palavras, apesar de as expressões relacionadas à AH/SD serem diferentes entre alguns autores, discutiremos, ao longo deste documento, algumas proposições atuais. MODELO DOS TRÊS ANÉIS: Segundo Renzulli (1986), existem três componentes essenciais para a formação do comportamento superdotado, que é denominado de Modelo dos Três Anéis ou Modelo Triádico e consiste em: habilidades acima da média em alguma área de conhecimento, grande envolvimento com a tarefa e altos níveis de criatividade. As pessoas com AH/SD podem apresentar uma habilidade superior em uma determinada área, por exemplo, ser um excelente jogador de futebol, ou apresentar grande facilidade na área das ciências exatas como a Matemática ou, ainda, apresentar diferentes habilidades em diferentes áreas. PARA ENTENDER AS DIFERENTES TERMINOLOGIAS Na literatura da área, encontramos diferentes conceitos utilizados para criançascom AH/SD. O termo precoce deve ser usado para se referir às pessoas que apresentam determinadas habilidades antes do tempo esperado para a sua idade, como aquela que 158 aprende a ler e escrever antes do período de alfabetização. Mas é preciso ter cautela e manter a observação, pois tais sinais são preditivos, o fato de apresentarem uma habilidade prematura não garante que tenham AH/SD. Já o termo prodígio deve ser usado para se referir às crianças que apresentam grande domínio em uma área específica de conhecimento, sem qualquer tipo de treinamento, e que não é comum para a sua idade. E o termo gênio deve ser usado somente para definir as pessoas que deixaram contribuições extraordinárias à humanidade, como Albert Einstein, Pablo Picasso, Stephen Hawking, Santos Dumont, entre outros (VIRGOLIM, 2007). ENTENDENDO OS INDICADORES DE AH/SD: 159 Tendo em vista os diferentes indicadores que as pessoas com AH/ SD possuem, a avaliação deve ser realizada de forma multidisciplinar por meio, sobretudo, da observação manifestada durante as atividades escolares, participação em projetos, dentre outros, envolvendo diferentes informantes e instrumentos, tais como: • relato de professores; • relato dos pais; • relato dos colegas; • autonomeação; • indicadores de criatividade; • avaliação de produtos/materiais; • avaliação da motivação do estudante; • escalas de características e listas de observação; • testes psicológicos. Na escola, o processo de identificação deve ser “desenvolvido ao longo do tempo com base na sequência dos acontecimentos reais, orientado por observação contínua, direta e sistemática, em diversas situações de ação, produção e desempenho” dos estudantes (GUENTHER, 2011, p. 52, grifos da autora). Com práticas pedagógicas inclusivas e um olhar atento, o professor é capaz de reconhecer a singularidade de seus estudantes e a manifestação das AH/SD nas mais diferentes áreas, podendo, assim, indicar um estudo de caso que servirá, posteriormente, para a produção de um plano de AEE. Deste modo, é preciso sempre estar atento àquela criança que é curiosa, questionadora e realiza, rapidamente, as atividades propostas de maneira adequada. Existem dois pontos de vista controversos sobre a identificação de estudantes com AH/SD. De um lado, acredita-se que a identificação das AH/SD pode causar um efeito negativo ao rotular esse grupo de estudantes, e há a crença de que uma oferta educacional diversificada pode responder às suas necessidades. Como consequência disso, são destacadas algumas dificuldades: • confusão na finalidade da identificação; • uso indevido e abuso de testes; • confusão de 160 diagnóstico; • identificação falsa; • expectativas incompatíveis; • intervenção inadequada e ineficaz. Por outro lado, os defensores da identificação justificam a necessidade sob diferentes pontos de vista: ENRIQUECIMENTO e CURRICULAR: O QUE FAZER? Meu estudante tem indicadores de AH/SD, o que devo fazer? Como promover o enriquecimento curricular? 161 ENRIQUECIMENTO NO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: POTENCIALIZANDO OS INTERESSES 162 Tendo como base a Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), sabemos que os estudantes com AH/SD fazem parte do público da Educação Especial e, desse modo, têm direito ao AEE. O AEE destinado aos estudantes com AH/SD tem como objetivo suprir e/ou suplementar as peculiaridades educacionais que porventura não são atendidas em sua totalidade, dentro do contexto da classe comum. Conforme previsto pela Portaria nº 8.764/16 (SÃO PAULO, 2016), o estudo de caso pode ser utilizado para a definição dos critérios de elegibilidade desses estudantes para o AEE e, constatada a necessidade desse atendimento, é primordial que conste no plano de AEE o perfil e as indicações pedagógicas necessárias para o acompanhamento destes educandos. Quando identificados, esses estudantes devem ser cadastrados no Escola On Line – EOL, como estudantes com AH/SD. Para isso, não é necessário apresentar laudo médico. E o parecer psicológico pode ser um complemento da avaliação, mas não é obrigatório. Cabe ao professor especialista, juntamente, com os demais professores e equipe gestora da Unidade Educacional, decidir, após avaliação funcional e das barreiras encontradas de acesso ao currículo, qual a melhor forma de atendimento a esse estudante. 163 164 165 PAPEL DA ESCOLA E A RELAÇÃO COM A FAMÍLIA: Manter os pais e os responsáveis informados sobre as opções de aceleração de ensino ao longo da vida acadêmica do estudante; • Explicar aos pais e aos responsáveis em reuniões sobre o processo educativo dos filhos com AH/SD e estratégias de ensino; • Solicitar a participação dos pais e responsáveis nas atividades de enriquecimento; • Incentivar a participação dos pais e responsáveis nas reuniões escolares; • Criar um espaço de troca de opiniões entre escola e a família. OS FAMILIARES ATENTOS... • Interagem com os filhos desde o nascimento; • Identificam as características de AH/SD, pois possuem informações privilegiadas do filho a respeito da personalidade, realizações e habilidades em domínios específicos; • Oferecem ambiente doméstico enriquecido para o desenvolvimento do potencial criativo e intelectual dos filhos; • Ofertam recursos, como livros, revistas, jogos, acesso a lugares (museus, exposições, bibliotecas, teatro) e a outros ambientes enriquecedores. • Conhecem os interesses e as necessidades de seus filhos e compartilham com os professores. • A boa relação família-escola assim como a intervenção precoce podem favorecer o desenvolvimento das potencialidades dessa população de estudantes. Orientações para atendimento de estudantes: transtorno do espectro do autismo: COLHIMENTO AOS ESTUDANTES COM TEA A NO ESPAÇO ESCOLAR: PRINCÍPIO DO ACOLHIMENTO ÀS DIFERENÇAS:Trata-se de um princípio ético de toda prática inclusiva e, portanto, não é da ordem de uma perspectiva assistencialista, posto que se refere a uma noção específica e complexa de respeito à alteridade, de reconhecimento do outro em sua singularidade e subjetividade. Portanto, a inclusão escolar de estudantes com TEA não poderá partir da premissa de que este educando ou educanda apresenta “deficiências”, no sentido deficitário, mas que estamos diante de um estudante com características singulares e que toda e qualquer proposta de trabalho pedagógico deverá ter como premissa a elaboração de atividades, ações e propostas que visem à equidade, bem como à participação desse estudante no coletivo da sala de aula. Ao se pautar pelo princípio do acolhimento às diferenças, o professor estará diante do desafio de planejar suas aulas de modo a contemplar o singular de seus estudantes no coletivo da sala de aula, com o objetivo de que os conteúdos trabalhados sejam acessíveis a todos e a cada um. PRINCÍPIO DA EDUCABILIDADE: Postulado pelo autor Philippe Meirieu (1998), para quem a Pedagogia deve atuar diferencialmente (Pedagogia Diferenciada) como um dispositivo para a democratização da educação, uma vez que as aprendizagens sempre são pautadas por ritmos, construções cognitivas e formas diferenciadas e singulares de aquisição dos 166 conhecimentos. Portanto, cabe ao professor desenvolver estratégias e procedimentos que possam atender aos percursos específicos de cada estudante e acompanhá-lo na construção de suas aprendizagens. Meirieu aprofunda a questão da ética no ato educativo preconizando que todos precisam e devem aprender, devem ser educados, devem partilhar a cultura do mundo [...]. Realça a Pedagogia como um fazer especial, arte e ciência, que permite incluir todos no desejo e nas possibilidades de aprendizagem, consideradas as condições reais de cada estudante (MEIRIEU, 1998, p. 275). Trata-se, portanto, de uma questão ética que visa garantir a cidadania e os princípios republicanos que marcam a presença da escola pública, laica e para todos (FRANCO, 2011). Aposta-se na educabilidade de todos os educandos e educandas como um princípio, uma vez que querer ensinaré crer na educabilidade do outro. TRABALHO COM O SINGULAR NO COLETIVO DA SALA DE AULA E DA ESCOLA: Sabemos que as práticas inclusivas bem sucedidas são aquelas que buscam os ajustes da escola ante os impasses escolares de seus estudantes e, portanto, toda a comunidade escolar precisa estar envolvida no processo. Algumas estratégias de ação com estudantes com TEA têm sido compartilhadas por professores nas discussões dos Estudos de Caso e serão apresentadas aqui a título de inspiração (jamais como modelo) para novas práticas. Portanto, não se trata de sua aplicação, mas do reconhecimento de que a construção de estratégias de trabalho para esses estudantes deve ser feita de modo concomitante ao da discussão dos casos com a equipe escolar. Retomamos, neste ponto, a importância de uma elaboração cuidadosa do Plano de AEE pelos educadores da UE (em conjunto com o PAEE e/ou com o apoio do PAAI e disponível para toda Equipe Escolar), bem como o acompanhamento do Coordenador Pedagógico promovendo espaços de interlocução e discussão das práticas entre os profissionais envolvidos no trabalho escolar, dando especial suporte ao professor da sala regular para que este possa falar/refletir sobre suas inquietações e sobre as estratégias a serem construídas no processo de escolarização desses estudantes. Os Eixos Teóricos (o brincar e a fantasia; o corpo e a imagem corporal; a fala e a posição da criança na linguagem; as manifestações diante das normas e a posição frente à lei) serviram de balizas para as discussões dos “Estudos de Caso na Ação Formativa”, uma vez que são chaves de leitura valiosas para que os professores observem e compreendam os entraves no desenvolvimento e na construção subjetiva dos estudantes. EIXO: O BRINCAR E A FANTASIA: Diante de uma situação em que o estudante saía da sala sistematicamente, a professora e a escola tomaram esse comportamento repetitivo no eixo “o brincar e a fantasia” e passaram a lidar com essas saídas como uma brincadeira de “escondeu e achou”. Ao invés de tomarem as saídas da classe como fuga, passaram a nomear a cena com a pergunta: “onde será que ele se escondeu?”. Desse modo, os colegas da classe podiam revezar para ir “buscá-lo” e quando o encontravam sempre anunciavam: “Achei!!”. Isso foi possibilitando que o estudante aceitasse voltar para sua sala na companhia dos colegas e que os tomasse como referência (passou a querer sentar-se perto de um deles). Após algum tempo, deixou de se retirar da sala durante as atividades. EIXO: O CORPO E A IMAGEM CORPORAL Um estudante só queria ficar debaixo do ventilador de teto e se desorganizava quando o desligavam. Além do ventilador, ele também se interessava por outros objetos com uma mecânica similar de girar. A partir dessa observação, a professora teve a ideia de propor a produção de cata-ventos para toda turma 167 articulando tal atividade com a temática que trabalhava em sala de aula (figuras geométricas, simetria, divisão, números e cores). Num primeiro momento, o estudante não se interessou pelos recortes de triângulos coloridos, nem pela atividade de colagem, pela contagem e pela distribuição numérica. Porém, quando percebeu o resultado obtido, tentou pegar o cata-vento de um colega que disse: “Esse é meu, eu que fiz, vai lá aprender com a professora e faz o seu! ” O estudante então começou a acompanhar as orientações da professora. Ela perguntava quantos triângulos tinha e quais as suas cores, incentivando-o também a experimentar pela primeira vez o uso da tesoura e da cola. Sendo incorporada às atividades da classe, a estereotipia do estudante ganhou sentido graças a importância atribuída pelas crianças aquele gesto, em consonância com o princípio segundo o qual o convívio com outras crianças pode ser terapêutico. Essa experiência contribui para a organização do eixo “o corpo e sua imagem” nessa criança, que encontrou uma significação para seus movimentos; para o eixo “o brincar e a fantasia”, pois a criança compartilhou com o grupo a alegria e o prazer de utilizar o cata-vento construído; e para o eixo “manifestações diante das normas e leis”, uma vez que a criança conseguiu seguir as consignas da professora e fazer a atividade proposta (KUPFER; PATTO; VOLTOLINI; 2017, p. 52). EIXO: A FALA E A POSIÇÃO DA CRIANÇA NA LINGUAGEM: Um estudante tentava o tempo todo sair da sala de aula correndo para o pátio. Ao invés de impedi-lo, como de costume, o professor resolveu acompanhá-lo para descobrir o que tanto o interessava do lado de fora. Verificou que o garoto recolhia vários objetos que encontrava pelo caminho, pedrinhas, tampinhas, folhas etc., o professor sugeriu que o material recolhido fosse levado para classe, afim de que os outros colegas o pudessem ver. Na semana seguinte, propôs que todos os estudantes da classe saíssem por alguns momentos da sala de aula, com a proposta de recolherem o que achassem ao longo de seu trajeto. Pedras, folhas, botões, tampinhas de caneta, borrachas, coloridos papéis de bala, canudinhos etc. tornaram-se, posteriormente, o material de trabalho para um grande painel de arte e de letras feito com sucata e construído coletivamente no grupo-classe. A participação do estudante nas atividades pedagógicas, a ampliação de suas vocalizações silábicas associadas às figuras e letras, assim como do seu tempo de permanência em sala de aula foram conquistadas ao final do semestre. Aqui a estratégia permitiu uma melhora nas condições de fala do estudante, operando sobre o eixo “a fala e a linguagem”. Verificou-se que as “fugas” e as produções idiossincráticas de um estudante foram consideradas pelo professor como movimentos possíveis de trabalho; no entanto, ele não deixou de referenciá-las a uma produção possível de ser compartilhada com a turma da classe (o trabalho com as letras, a escrita e o painel de artes). O estudante teve a oportunidade de participar de uma atividade tradicional de classe, auxiliar na alfabetização de todos, assim como a turma da classe a de experimentar o tão desejado “passeio” pelo pátio (antes só permitido, excepcionalmente, para as “fugas” do estudante com autismo), sair da sala de aula em busca de materiais para o trabalho de artes proposto. (KUPFER; PATTO; VOLTOLINI, 2017, p. 53). EIXO: AS MANIFESTAÇÕES DIANTE DAS NORMAS E A POSIÇÃO FRENTE À LEI Para os estudantes com TEA, a compreensão da lei e das normas não é algo simples. Portanto, seguir as regras do coletivo costuma ser uma tarefa difícil e, não raro, são comuns as atitudes de desobediência e desafio. Neste sentido, é importante que os professores não tomem como uma afronta pessoal a indisposição do estudante em cumprir o que lhe é proposto e assinalem a importância do cumprimento das atividades não como uma determinação estabelecida pela vontade caprichosa do professor, mas como algo que está 168 determinado pela estrutura escolar, ou seja, sinalizando que há uma lei maior que organiza o trabalho de todos. Muitas vezes, ensinar para esses estudantes que os combinados estabelecidos (por exemplo: o horário de ir embora da escola) servem para todos e que os professores e funcionários também obedecem às regras da escola, pode favorecer que consigam aguentar o peso das restrições. Em geral, o “não” é tomado por esses educandos e educandas como uma situação sem saída, fruto de sua falta de flexibilidade e rigidez diante das situações cotidianas. Portanto, oferecer alternativas que não cristalizem o “não” auxilia o estudante a descobrir outras saídas e pode retirá-lo da posição meramente opositora. Um professor pode assinalar para seu estudante que ele não pode atrapalhar os colegas que ainda não concluíram uma atividade, mas pode juntar-se aos outros que já finalizaram a tarefa para uma atividade lúdica, de desenho ou de leitura. EIXOS NORTEADORES DA PRÁTICA PEDAGÓGICA DO PROFESSOR IMPLICADO NA INCLUSÃO ESCOLAR DO ESTUDANTE COM TEA O saber do professor emerge e se amplia no encontro com o estudante. Segundo Bernard Charlot (2000), não há saber em si, o saber é sempre algo relacional e construído.Temos observado que esses saberes – “não sabidos”– aparecem e atuam no encontro entre o professor e seu estudante, desde que o professor se sinta efetivamente implicado pelos princípios do acolhimento e da educabilidade. • APOSTAR NA EDUCABILIDADE DO ESTUDANTE (TOMÁ-LO COMO ESTUDANTE-SUJEITO) Diante de um estudante que parece imune ao contato e com possíveis comprometimentos no desenvolvimento, muitas vezes os professores interrogam sobre as possibilidades de ensinar quem não demonstra interesse pelos conteúdos escolares. DEIXAR-SE IMPLICAR NA CONSTRUÇÃO DE UM SABER “NÃO SABIDO” SOBRE ESSE ESTUDANTE Estudantes com TEA apresentam formas idiossincráticas e particulares de apreenderem o campo do conhecimento, uma vez que os processos de aprendizagem desses educandos não se pautam pelo que os cânones pedagógicos ditam. Não há metodologias ou didáticas pré-estabelecidas que assegurem sua escolarização e, portanto, os professores terão que se valer de um saber não sabido, tecido a partir do encontro com seu estudante, para a construção de seu plano de trabalho no cotidiano da sala de aula (CHARLOT, 2000). • APRESENTAR-SE NA CENA EDUCATIVA COMO NÃO-TODO Arisu, 4 anos, ao ingressar na escola falava muito pouco, não deixava que ninguém a tocasse, recusava-se a entrar na sala, preferindo perambular pelo pátio. Aos poucos, Arisu foi estabelecendo um vínculo de confiança com a professora e passou a entrar na sala e a participar das atividades com as crianças. No entanto, resistia muito às mudanças de ambiente e, portanto, as aulas de Educação Física na quadra ou as aulas no ateliê de Artes não eram possíveis. Arisu havia estabelecido um importante vínculo com a professora e sempre requisitava sua presença. Contudo, longe de se oferecer sistematicamente nessa posição de amparo para a criança, a professora foi construindo um caminho para transferir esse vínculo de confiança para os outros adultos da escola 169 • OFERECER-SE COMO MEDIADOR E PROPICIAR O ENLACE COM AS OUTRAS CRIANÇAS Um importante desafio para os professores é propiciar que o estudante com TEA possa construir algum enlace com seus colegas de turma para que sua inclusão escolar seja efetiva. Em certo momento, a turma de Alice estava envolvida com uma nova unidade de estudo chamada “Cidades Espetaculares”, em que as crianças estudariam a organização das cidades. Alice interessou-se em saber o nome dos diferentes países, suas capitais e cidades principais e, com sua enorme habilidade para memorização, passou a navegar no Google Earth, pois tudo queria saber sobre os diversos países do globo terrestre e suas capitais. No entanto, nada disso era compartilhado com seus colegas. Seu fascínio pelo assunto e sua obsessão em ficar horas seguidas pesquisando o tema no computador, impediam que participasse das atividades do grupo. • ACOMPANHAR O MOVIMENTO PRÓPRIO DO ESTUDANTE NA CONSTRUÇÃO DE SUAS APRENDIZAGENS: A professora relata que quando o estudante chegou na escola não conseguia entender suas formas de expressão: emitia sons, dava pulos e risadas, corria pela escola, fugia do contato, não sentava na cadeira, procurava afastar-se dos colegas e das professoras. Logo perceberam que para conseguirem algo que supunham ser fundamental – que ele ficasse mais tempo na classe – precisavam conhecer melhor o estudante Apuana: saber quem era ele, quais eram seus interesses e suas potências e o que disparava sua angústia. A importância da escrita e da alfabetização: A ênfase que o campo pedagógico dá aos aspectos do desenvolvimento (muitas vezes tomados, de forma equivocada, como exclusivamente determinados pelo âmbito biológico) inviabiliza que um professor tome como estudante uma criança com TEA e vislumbre a possibilidade de alfabetizá-la, pois a vê como uma criança com importantes atrasos no desenvolvimento por estar diante de um estudante que por vezes não fala, que nem sempre responde às solicitações que lhe são dirigidas, que nem sempre se interessa por brincar com as outras crianças, que apresenta grafismo rudimentar e, portanto, parece uma criança muito aquém dos processos de alfabetização e letramento. Contudo, o trabalho no âmbito da escrita alfabética é uma via potente e possível quando se trata da escolarização de crianças com TEA, pois possibilita a reordenação do campo simbólico com um usufruto das produções escritas para que a criança possa dizer de si e dirigir seu texto a um outro que a reconhece e a toma no laço social. A importância da escola como dispositivo que opera para essas crianças com a possibilidade de educar, apresentaremos o percurso de Roberto. Aos 10 anos, chegou ao Grupo da Escrita, dispositivo do tratamento institucional oferecido no Lugar de Vida – Centro de Educação Terapêutica e refere-se a um dos três eixos da Educação Terapêutica, o escolar propriamente dito (ver Kupfer, 2000). Na época, cursava o 4º ano, mas os professores sentiam muita dificuldade para abordá-lo pedagogicamente. Era um menino muito quieto, silencioso e um tanto arredio. Não dava trabalho na sala de aula, pois ficava silencioso, observava os colegas e fazia alguns rabiscos no papel. No Grupo da Escrita, ficava sentado o tempo todo (o grupo trabalhava em torno de uma grande mesa oval), observando a movimentação dos outros participantes do grupo, mas não interagia e não solicitava nenhum material. Sobre a mesa sempre estavam disponíveis materiais gráficos (papel, lápis coloridos, canetas e borracha), livros, revistas, gibis e alguns jogos. Nos 170 primeiros encontros, apesar dos vários convites feitos pelos coordenadores do grupo, Roberto se restringia a observar a movimentação. Suas primeiras produções foram: Seguiu fazendo rabiscos coloridos por algum tempo e depois interessou-se por uma régua com figuras geométricas e por letras móveis que usava para fazer o contorno das figuras. Em algumas oportunidades, os coordenadores aproveitavam para inserir algo que tinha a ver com o trabalho que o grupo estava fazendo (como inserir na folha de Roberto a palavra “VACA” que estava no Jogo do Mico partilhado pelos outros integrantes do grupo). Passados alguns meses do início do trabalho, fomos surpreendidos por uma produção de Roberto que nos deu notícia de que já sabia escrever “MAÇÔ e “PEIXE”. Ele produziu sozinho o escrito “PXEX”, após ter coberto totalmente o desenho com a caneta azul. A palavra “PEIXE”, escrita no canto superior esquerdo, foi feita pelos coordenadores após a escrita de Roberto. Vemos, portanto, que o desenho “cai” e surge a palavra escrita: 171 Ele passa a nos contar as rádios que costuma ouvir (Amiga FM, Luz FM). Cantarola com frequência, faz batuques, fala e escreve algumas frases dirigidas aos coordenadores ou colegas partilhando seus interesses (Hoje nós brincamos de legos/segunda, sábado, domingo). Sobre alfabetização, tendo em vista que fazemos parte de uma sociedade letrada, o processo de alfabetização hoje é para qualquer estudante uma conquista social importante, já que além de tudo propicia sua inserção no mundo. Destacamos também que, dentro da RME, a Alfabetização não é vista apenas como o ato de reconhecimento de letras e símbolos, mas vai além, é um processo de representação do mundo, compreendido pelos sujeitos. Desta forma, considerando uma possível inabilidade social que pode acarretar dificuldade de leitura social para o estudante com TEA, durante o processo de Alfabetização, as metodologias utilizadas pelos professores tornam-se ferramentas fundamentais para o aprendizado e o desenvolvimento destes estudantes. A utilização de símbolos, imagens e pictogramas representativos, contextualizados com o saber que se pretende ensinar e com os seus significados, repertoriar estes estudantes para sua forma de ser no mundo.