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1 Zootecnia de Equinos | Med. Vet. | Nathália P. Brendler EQUINOCULTURA Cenário atual A Tabela 3 evidencia que a tropa brasileira de equinos diminuiu ao longo dos anos. Entretanto, este número aumentou no Rio Grande do Sul. No RS, os cavalos são destinados ao trabalho, esporte e reprodução. Na região da campanha, os registrados de maior destaque são o Crioulo (85% da população) e o Puro Sangue Inglês, que são responsáveis por grande parte da renda gerada no agronegócio gaúcho de equinos. Diferentemente dos animais direcionados para lida, estes demandam maiores cuidados e investimentos, dessa forma movimentando a indústria de fármacos (incluindo cosméticos), acessórios e incentivando eventos equestres de grande magnitude. Minas Gerais é o maior produtor em número de equinos do país. Entre as raças criadas, destacam-se o Mangalarga Marchador e Campolina. A Bahia apresenta um grande número de criadores das raças Campolina, Mangalarga Marchador e Quarto de Milha, cujos animais são voltados, principalmente, para as provas de vaquejada. São Paulo reúne a maioria das associações de criadores, indústrias de medicamentos veterinários, leilões e eventos equestres. A raça predominante é o Quarto de Milha. A criação de cavalos Para ser lucrativa, a atividade depende de diversos fatores como gestão, custos de produção e valor agregado do produto final. Em geral, a indústria do cavalo contribui na geração de renda e de postos de trabalho diretos e indiretos ao movimentar a indústria de alimentação, farmacêutica, transporte, da moda e muitas outras. As motivações de quem trabalha com cavalos podem ser a paixão, o esporte, o lazer ou o negócio. De qualquer forma, se antigamente os cavalos representaram um meio de transporte, tração e até mesmo fonte de alimento, hoje estes animais costumam gerar emoções positivas, como afeição, proximidade e carinho. 2 Zootecnia de Equinos | Med. Vet. | Nathália P. Brendler RAÇAS Crioulo a) História ● Descendentes dos cavalos trazidos pelos ibéricos na época do descobrimento da América; ● A seleção natural fez com que adquirissem características adaptadas ao território sul- americano. b) Características raciais ● Rusticidade, docilidade, adaptação e resistência; ● Porte pequeno a médio (400-450Kg); ● Altura máxima é de 1,50m para machos e 1,48m para fêmeas; ● Cabeça proporcional, com perfeita união ao pescoço; ● Pescoço leve, com boa distribuição muscular, convexo no bordo superior e retilíneo do inferior; ● Tórax com bom perímetro, razoável arqueamento de costela; ● Lombo firme, com correta união a garupa; ● Garupa forte e musculosa, de média inclinação. c) Funções ● Trabalho; ● Freio de Ouro; ● Laço; ● Rédeas; ● Marcha de resistência; ● Enduro; ● Paleteada; ● Aparte (Team Penning). d) Reprodução ● Permitido o uso de biotécnicas da reprodução; ● Éguas podem gerar 1 produto por gestação, no próprio ventre ou por transferência de embrião (TE); ● Éguas com registro de mérito1 podem gerar 2 produtos a cada temporada reprodutiva, 1 Registro dado para os animais que se destacam por morfologia e habilidades funcionais. sem a necessidade de gestar qualquer um dos dois. e) Pelagens: infinidade de pelagens, com exceção da pintada e albina total. Puro Sangue Inglês (PSI) a) História • Desenvolvida pelos ingleses para o esporte de corrida b) Características ● Selecionado para velocidade; ● Cabeça alongada, fronte estreita; ● Pescoço longo, cernelha longa e alta; ● Membros longos. c) Funções ● Turfe; ● Cancha reta; ● Raid. d) Reprodução ● Não é permitido o uso de biotécnicas reprodutivas; ○ Dificulta o acesso ao material genético, de forma que o garanhão deve ser deslocado de um lugar a outro com um veterinário responsável. Isso agrega valor à monta e gera renda ao veterinário, proprietários e pessoas que fazem o transporte. ● Coberturas devem ser filmadas. e) Pelagem • Preta; • Castanha; • Alazã; • Tordilha. 3 Zootecnia de Equinos | Med. Vet. | Nathália P. Brendler Árabe a) História ● Raça mais antiga; ● Origem: deserto; b) Características ● Resistente; ● Altura de 1,44 a 1,48m; ● Linhas nobres; ● Cabeça pequena, perfil côncavo, narinas dilatadas e olhos proeminentes; ● Macho com orelhas menores que as fêmeas. c) Funções • Provas de resistência (enduro, raid, cross e Arabian Racing Cup); • Exposições (conformação e atitude); • Tambor; • Baliza; • Aparte; • Lazer. d) Pelagens ● Castanha; ● Alazã; ● Tordilha. Quarto de Milha a) História ● Primeira raça desenvolvida na América. b) Características ● Cabeça e orelhas pequenas com ganacha bem desenvolvida; ● Massas musculares bem destacadas, garupa repartida; ● Membros finos e cascos pequenos; ● Altura média 1,50m. c) Funções É considerada uma das raças mais versáteis. ● Trabalho; ● Corrida; ● Laço; ● Tambor; ● Baliza; ● Aparte; ● Exposições; ● Vaquejada. d) Pelagens ● Preta; ● Castanha; ● Alazã; ● Baia; ● Tordilha; ● Rosilha; ● Cremelo (crina e cauda + claras); ● Perlino (crina e cauda + escuras); ● Lobuna; ● Zaina. Mangalarga a) História ● Surgiu na península ibérica e foi trazida para o Brasil pelos colonizadores 4 Zootecnia de Equinos | Med. Vet. | Nathália P. Brendler portugueses; ● Duas associações diferentes ○ ABCCRM: Associação Brasileira dos Criadores de Cavalo da Raça Mangalarga. ■ Mangalarga Paulista (marcha trotada). ○ ABCCMM: Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador. ■ Mangalarga Marchador (marcha batida ou picada). ● Pioneira no uso da clonagem em equinos (Mangalarga Turbante). b) Características ● Porte médio, estrutura forte, porém visualmente leve; ● Machos: até 1,57m de altura; fêmeas: até 1,54m de altura; c) Funções ● Marcha; ● Lazer; ● Trabalho; ● Exposições. d) Pelagens ● Mais de 50 variações de pelagens, sendo as principais: ○ Alazã; ○ Castanha; ○ Tordilha; ○ Tobiana; ○ Baia; ○ Amarilha. Campolina a) História ● Brasileira (MG); ● Mistura de diversas raças como andaluz, MM, PSI e Crioulo; ● "Cavalo do futuro". b) Características ● Machos: mínimo 1,52m de altura; fêmeas: mínimo 1,45m de altura; ● Cabeça retilínea a subconvexa; c) Funções ● Trabalho; ● Lazer. d) Pelagens ● Todas, exceto cremelo; ● Predominantes: ○ Preta; ○ Alazã; ○ Castanha; ○ Baia; ○ Tordilha; ○ Pampa. Brasileiro de Hipismo a) História ● Cruzamento de raças de salto x éguas PSI da América do Sul. b) Características ● Cavalo leve, ágil e com altura superior a 1,65m; c) Funções ● Salto; ● Adestramento; ● Equitação. 5 Zootecnia de Equinos | Med. Vet. | Nathália P. Brendler PELAGENS 1. Zaina ● Marrom escurecido com crina escura 2. Preta ● Pelos pretos por todo corpo 3. Picaça ● Base preta, com algumas manchas brancas na cabeça e em pelo menos uma das patas. 4. Tostada ● Vermelha escura, assemelhando-se ao café torrado. 5. Colorada ● Vermelho uniforme 6. Rosilha ● Pelos vermelhos e brancos entremeados ● Cabeça vermelha. 7. Moura ● Pelos pretos e brancos entremeados; ● Cabeça negra. 6 Zootecnia de Equinos | Med. Vet. | Nathália P. Brendler 8. Tobiana ● Manchas bem definidas ● Geralmente as quatro patas são brancas 9. Lobuna ● Acinzentada, com interposição de pelos amarelos e pretos, com uma listra negra sobre o lombo; ● Membros mais escuros. 10. Gateada ● Amarelo escuro com uma listra negra sobre o lombo ● Cola e crinas pretas 11. Baia ● Pelos amarelados a beges; ○ Baio cabos negros: crina, cola e membros pretos. ○ Baioruano: crinas e cola bastante esbranquiçada. 12. Bragada ● Malhas despigmentadas isoladas no ventre do animal. 13. Oveira ● Pelagem com manchas brancas irregulares e espalhadas pelo corpo. 14. Rabicana ● Manchas brancas que sempre afetam a base da cauda. 15. Tordilha ● Pelos pretos e brancos entremeados por todo corpo. 7 Zootecnia de Equinos | Med. Vet. | Nathália P. Brendler